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Numero do processo: 10875.002211/88-75
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2003
Ementa: OMISSÃO DE FUNDAMENTOS.
Na falta de fundamentação para exclusão da multa de ofício do IPI, procede-se à rerratificação do Acórdão nº 301-29.285.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL II - ABVALIDADE.
Confirmado pelo INT que o produto 'ABBALIDE' é destinado à indústria de perfumaria, a classificação correta é na posição 33.04.0100 TAB adotada pela Fiscalização.
MULTA DE OFÍCIO DO IPI.
Excluída a multa de ofício do art. 364, inciso II do RIPI/82 (matriz legal, inciso II do art. 80 da Lei nº 4.502/64, com redação que lhe deu o art. 45 da Lei nº 430/96) mediante integração analógica ao ato Declaratório (Normativo) nº 10/97.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE.
Numero da decisão: 301-30.727
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, aprovar a rerratificação do Acórdão n° 301-29.285, passando a decisão a ser a seguinte: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO
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ementa_s : OMISSÃO DE FUNDAMENTOS. Na falta de fundamentação para exclusão da multa de ofício do IPI, procede-se à rerratificação do Acórdão nº 301-29.285. CLASSIFICAÇÃO FISCAL II - ABVALIDADE. Confirmado pelo INT que o produto 'ABBALIDE' é destinado à indústria de perfumaria, a classificação correta é na posição 33.04.0100 TAB adotada pela Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO DO IPI. Excluída a multa de ofício do art. 364, inciso II do RIPI/82 (matriz legal, inciso II do art. 80 da Lei nº 4.502/64, com redação que lhe deu o art. 45 da Lei nº 430/96) mediante integração analógica ao ato Declaratório (Normativo) nº 10/97. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE.
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RECORRIDA : DRF/GUARULHOS/SP OMISSÃO DE FUNDAMENTOS. Na falta de fundamentação para exclusão da multa de oficio do IPI, procede-se à rerratificação do Acórdão n°301-29.285. CLASSIFICAÇÃO FISCAL II- ABBALIDE. Confirmado pelo INT que o produto "ABBALIDE" é destinado à indústria de perfumaria, a classificação correta é na posição 33.04.0100 TAS adotada pela Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO DO IPI. Excluída a multa de oficio do art. 364, inciso II do RIPI/82 (matriz legal, inciso II do art. 80 da Lei n° 4.502/64, com a redação que lhe deu o art. 45 da Lei n° 430/96) mediante integração analógica ao Ato Declaratório (Normativo) n° 10/97. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, aprovar a rerratificação do Acórdão n° 301-29.285, passando a decisão a ser a seguinte: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 13 de agosto de 2003 O M Ires ELOY DE MEDEIROS Presidente -Z‘S5 tc" ROBERTA MÁRIB RO ARAGÃO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES, JOSE LENCE CARLUCI, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e ROOSEVELT BALDOMIR SOSA. Ausente o Conselheiro CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO. mmm/3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 114.357 ACÓRDÃO N° : 301-30.727 RECORRENTE : GIVAUDAM DO BRASIL LTDA. RECORRIDA DRF/GUARULHOS/SP RELATOR(A) : ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO RELATÓRIO E VOTO Trata o presente processo de controvérsia sobre a qual esta Câmara já se manifestou, por meio do Acórdão n° 301-29 285. Entretanto, apesar de não haver dúvidas com relação ao ponto • central do processo, no caso a correta classificação fiscal do produto importado "ABBALIDE" na posição TAB 3304.01.00 adotada pela Fiscalização, conforme voto da Conselheira Relatora Leda Ruiz Damasceno o Douto Procurador da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 130/133) para fins de rerratificação do julgado (fls. 127/128), conforme previsto no art. 27 da Portaria n° 55, de 16/03/98 para que seja enfrentada a questão da exclusão das multas de oficio, por entender que as razões pelas quais foram consideradas indevidas não foram fundamentadas. Inicialmente é importante esclarecer que, por lapso, foram excluídas as multas de oficio, conforme consta no voto da Relatora, entretanto foi excluída apenas a multa de oficio do IPI, uma vez que não foi exigida a multa de oficio do Imposto de Importação, mas sim a multa de mora, conforme se verifica no quadro 5 do Auto de Infração em questão, às fls. 2. Não obstante, o Ilustre Procurador tem razão em alegar que no voto proferido pela Ilustre Relatora Leda Ruiz Damasceno não contém um fundamento • expresso sobre a exclusão da multa de oficio do IPI, prevista no art. 364 c/c art. 386 do RIPI/82. Assim é que, por reconhecer a omissão apontada, sobre a exclusão da multa de oficio do IPI apresento, neste momento, as seguintes razões assim fundamentadas. De se ressaltar que este assunto de exclusão da multa de oficio do IPI já tem jurisprudência formada neste Conselho, conforme se verifica nos Acórdãos n°302-34.078 e 301-30.548. Sobre a referida multa cumpre esclarecer que, a exigência do IPI decorreu de classificação fiscal errônea, mas o produto está corretamente descrito, ou seja, trata-se da mesma hipótese de exclusão da multa do II, com base no Ato Declaratório Normativo n° 10/97. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 114.357 ACÓRDÃO N° : 301-30.727 Neste sentido, adoto e exponho a seguir, os fundamentos da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS n° 04/086/98, do Processo n° 11050.000694/97-11, por se tratar de caso análogo: "Com efeito, deve-se considerar o que reza o Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 10/97, cuja aplicação a fato pretérito à sua edição encontra respaldo no art. 106, incisos I e II, do Código Tributário Nacional: 'não constitui infração punível com as multas previstas no art. 40 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho • aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. 2. Nos casos acima, os tributos devidos em razão da falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao imposto de importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação.' (grifo nosso). • Diante da similitude entre a hipótese descrita no ADN n° 10/97 e a situação em que ocorre classificação tarifária errônea do Imposto sobre Produtos Industrializados impõe-se recorrer ao disposto no art. 108 do Código Tributário Nacional: 'Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicadw a analogia; Assim, mediante integração analógica, é incabível no caso, a exigência da multa de que trata o inciso II do art. 364 do RIPI (que tem como matriz legal o inciso I do art. 80 da Lei n° 4.502/64) com 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 114.357 ACÓRDÃO N° : 301-30.727 a redação que lhe deu o art. 45 da Lei n° 9.430/96, por falta de pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados." Conforme se verifica, a Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, acima citada, aplica corretamente a analogia para excluir a multa de oficio do IPI, ou seja, faz urna adequação perfeita entre o inciso I do art. 108 do Código Tributário Nacional com o caso em questão. Portanto, por entender que está correto o julgamento do referido Acórdão na classificação fiscal do produto "ABBALIDE" pelas razões constantes no voto da Relatora, voto para que o Acórdão n°301-29.285 seja retificado, no sentido de ser dado provimento parcial ao recurso com exclusão apenas da multa de oficio do • IPI. Sala das Sessões, em 13 de agosto de 2003 71-0i rc,- 44.cx,c ROBERTA MARIA RIBEIRõ ARAGÃO - Relatora • 4 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA • Processo n°: 10875.002211/88-75 Recurso n°: 114.357 TERMO DE INTIMAÇÃO • : g Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 301-30.727. Brasília-DF, 27 de outubro de 2003. Atenciosamente, o Mo- •• - • g e -deiros Preside,- • a meira Câmara Ciente em:
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720141/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.053
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional R E S O L U Ç Ã O Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Resolução n.º 1301000.053 S1C1T1 Fl. 2 2 Relatório O litígio submetido a esta Turma diz respeito a não homologação da compensação objeto da Declaração de Compensação n° 07362.62120.300605.1.3.021514, apresentada pelo contribuinte Suzano Papel e Celulose S/A., a fim de, mediante utilização do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2005, anocalendário de 2004, no valor original de R$ 3.274.287,28, extinguir débito de IRPJ relativo ao período de apuração de maio de 2005, no montante de R$ 3.537.539,98. Ao examinar a Declaração de Compensação, a autoridade administrativa competente concluiu pela inexistência do direito creditório, por inconsistência do valor do imposto de renda sobre aplicações financeiras compensado, em relação ao montante de receitas de aplicações financeiras oferecidas à tributação. No despacho decisório restou esclarecido que, de acordo com os controles da RFB (sistema SIEFDRF), para o anocalendário de 2004 ocorreram retenções do imposto de renda na fonte sobre aplicações financeiras em montante total de R$ 32.453.728,74, incidentes sobre receitas que totalizam R$ 170.696.346,79. Ao mesmo tempo, a soma dos rendimentos de aplicações financeiras informados na DIPJ (linhas 23 e 24 da ficha 06A), totaliza R$ 79.621.988,80, sendo que o total do imposto de renda retido na fonte informado totaliza R$ 31.292.940,15. Diante desse fato, o contribuinte foi intimado a demonstrar o valor do imposto de renda retido na fonte e o valor correspondente das receitas financeiras que integraram a base de cálculo do imposto no anocalendário de 2004. Em resposta, apresentou planilha com relação das pessoas jurídicas que efetivaram a retenção, os respectivos rendimentos e os valores retidos na fonte, totalizados, respectivamente, em R$ 156.547.614,00 e R$ 31.292.940,15. A autoridade proporcionalizou o valor da retenção com o valor dos rendimentos sobre os quais incidiu, e aplicou a proporção sobre as receitas financeiras que integraram o lucro em 31/12/2004, obtendo um resultado de R$ 15.915.963,63. A partir daí, recompôs a apuração do IRPJ referente ao período de 2004, apurando saldo positivo. Em sua manifestação de inconformidade, o interessado invoca a distinção de regimes de informação, na DIRF, do imposto retido (caixa) e o regime de tributação dos rendimentos (competência). Em síntese, diz que (a) os valores do IRRF são informados e recolhidos na medida em que os rendimentos vão sendo apurados, independentemente do prazo de vencimento das aplicações financeiras, prazo este que, não raras vezes, ultrapassa o ano calendário em questão; (b) as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real devem reconhecer os resultados das receitas pelo regime de competência; (c) os rendimentos de aplicações financeiras, no total de R$ 156.547.614,00, informados pelos bancos e pela contribuinte, conforme planilha de fls. 121, representam efetivamente o montante resgatado e internado no caixa do contribuinte, enquanto que o valor de R$ 79.621.988,80, declarado nas linhas 23 e 24 da ficha 06A da DIPJ/2005, se refere a rendimentos de aplicações financeiras que, pelo regime de competência, não foram internados no caixa; (d) o imposto de renda retido na fonte declarado na DIPJ/2005 (R$ 31.292.940,15), comprovado por documentos acostados aos autos, foi reconhecido pela autoridade fiscal em seu despacho decisório, não havendo razão para que não seja homologada a compensação em debate. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Resolução n.º 1301000.053 S1C1T1 Fl. 3 3 Postulou, caso se entendesse necessária a análise da documentação contábil da contribuinte para comprovação do alegado, a designação de diligência, formulando os seguintes quesitos: a) o valor de R$ 79.621.988,80, declarado nas linhas 23 e 24 da Ficha 06 A da DIPJ/2005, foi corretamente apurado e se coaduna à metodologia de apuração do regime de competência? b) com base na documentação contábil da contribuinte é possível afirmar que o valor de R$ 156.547.614,00 se refere a rendimentos auferidos no anocalendário de 2004, dentro do conceito do regime de caixa? c) os valores constantes no PER/DCOMP estão corretos? d) o valor de saldo negativo de IRPJ utilizado como crédito para compensação no PER/DCOMP 07362.62120.300605.1.3.021514 foi corretamente apurado? A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador indeferiu a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: Anocalendário: 2004 DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. Os pedidos de diligência, quando o processo contém todos os elementos necessários para a formação da convicção do julgador, devem ser indeferidos. ASSUNTO :IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R P J Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica pode deduzir, do imposto apurado em cada trimestre, apenas o imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas que integram a base de cálculo do imposto devido. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Mantémse o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação declarada, em face da inexistência do saldo negativo informado na DIPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto condutor, o relator assenta que os quesitos formulados para a diligência denotam a intenção de transferir a responsabilidade de esclarecer os fatos registrados em sua contabilidade que, inclusive, foram objeto de intimação durante os procedimentos de verificação do pedido de compensação. Quanto ao mérito, afirmou que se apenas parte das receitas financeiras recebidas pela empresa representa receitas auferidas no período de apuração, também só podem ser Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Resolução n.º 1301000.053 S1C1T1 Fl. 4 4 utilizadas as parcelas das retenções correspondentes a essas receitas, em conformidade com o disposto no art. 76, caput e § 2ºo , da Lei n° 8.981, de 1995, entendimento que se encontra explicitado no art. 44, § 1º o , inciso I, da Instrução Normativa n° 93, de 1997. Ciente da decisão em 03 de dezembro de 2010, o contribuinte apresentou recurso em 20 do mesmo mês, cujas razões vão a seguir sumariadas: Inicialmente, alega que não lhe foi concedida oportunidade para se manifestar acerca do entendimento da autoridade fiscalizadora, que sequer intimou o Recorrente, por meio de MPF, dando início à fiscalização da DIPJ e concedendolhe oportunidade para que esclarecesse as supostas diferenças apontadas. Diz ter sido apenas intimado para apresentar documentos à fiscalização sem entender as razões e as supostas divergências apontadas, e mesmo sem ter conhecimento das divergências, apresentou todos os documentos solicitados que cabalmente demonstram o direito ao crédito tributário. Aduz que, quando da análise dos documentos acostados aos autos, a autoridade levantou argumentos absolutamente desprovidos de fundamentação para o indeferimento do crédito, sem que o Recorrente fosse ouvido antes, para esclarecer os pontos divergentes. Afirma ser absurdo o indeferimento da diligência sob alegação de que os documentos deveriam ter sido apresentados durante o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, uma vez que a diligência seria o único meio possível e cabível para provar a legitimidade do crédito tributário, em face da alegação da autoridade de divergência no imposto de renda na fonte de receitas financeiras, muito embora as explicações e documentos acostados aos autos pelo Recorrente na manifestação de inconformidade. Ressalta que uma simples diligência certamente comprovará que não houve qualquer equívoco pelo Recorrente e que o IR Fonte foi levado à tributação corretamente. Diz que a planilha apresentada (fl. 121 dos autos) demonstra que o Imposto de Renda na Fonte foi utilizado corretamente, de acordo com os demonstrativos de rendimentos e retenções na fonte enviados pelos bancos ou instituições financeiras, e que a suposta diferença apontada pelo Recorrente diz respeito ao regime de caixa e competência. Repete a argumentação deduzida na manifestação de inconformidade, de que os valores de IRRF são informados e recolhidos no regime de caixa, na medida em que os rendimentos vão sendo apurados, independentemente do prazo de vencimento das aplicações financeiras, que às vezes pode ultrapassar o anocalendário em questão. E que as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, como é o caso do Recorrente, devem reconhecer os resultados das receitas pelo regime de competência. Destarte, os rendimentos de aplicações financeiras no total de R$ 156.547.614,00, informados pelos bancos e pelo Recorrente, conforme planilha às fls. 121 dos presentes autos, representa efetivamente o valor resgatado e internado no caixa do Recorrente, mesmo em exercício anteriores. Pondera que se o reconhecimento dos resultados, no caso em debate, fosse pelo regime de caixa, o valor a ser declarado como receita financeira seria o de R$ 156.547.614,00, mas como é o de competência, se considera, para fins de receita financeira, os rendimentos que estão sendo auferidos, mas não resgatados e internados em caixa, vale dizer, o valor de R$ 79.621.988,80 em 2004. Reafirma que os valores informados em sua DIPJ/2005 estão corretos, assim como os valores constantes da planilha de fls. 121, e que a diferença entre a receita informada na DIPJ, nas linhas 23 e 24. da Ficha 06 A. do valor constante na planilha de fls. 121, decorre Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Resolução n.º 1301000.053 S1C1T1 Fl. 5 5 única e exclusivamente de questões conceituais, quais sejam, os regimes de apuração de caixa e de competência. Finaliza postulando que, se mesmo com os argumentos apresentados se entenda necessária a análise de sua documentação contábil, para que se prove o alegado, seja designada diligência para resposta aos mesmos quesitos que formulara na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Resolução n.º 1301000.053 S1C1T1 Fl. 6 6 VOTO Conselheiro Valmir Sandri, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se viu do relatório, o cerne do litígio se encontra no não reconhecimento do direito creditório representado por saldo negativo de IRPJ, em razão da glosa parcial do imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras, tendo em vista que os rendimentos a eles correspondentes não integraram a declaração. Antes de adentrar no mérito, algumas considerações devem ser feitas, dirigidas às observações do contribuinte sobre o não oferecimento de oportunidade para esclarecer divergências, não abertura de procedimento de fiscalização, com emissão de MPF, dirigido à DIPJ 2005/2004. Em primeiro lugar, o reconhecimento do direito creditório não está condicionado à submissão do contribuinte a procedimento de fiscalização. Esse procedimento pode, sim, ser determinado, se a autoridade tiver dúvida quanto à exatidão das informações demonstrativas do crédito, prestadas pelo contribuinte. É exatamente o que prevê o art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, que disciplina os procedimentos de restituição e compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 65 A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Em segundo lugar, os procedimentos internos de revisão de declaração não exigem emissão de MPF. No caso concreto, observando rigorosamente os procedimentos previstos, a autoridade administrativa comparou as informações prestadas na DIPJ com as controladas nos sistemas informatizados da Receita, tendo constatado que seus controles internos informavam que o rendimento de aplicações financeiras recebidos pelo Recorrente, naquele anocalendário, correspondia a praticamente o dobro do informado em sua DIPJ, enquanto que o imposto compensado na declaração correspondia a praticamente todo o imposto retido no ano (96%). Diante disso, intimou o contribuinte a demonstrar o valor do imposto de renda retido na fonte e o valor correspondente das receitas financeiras que integraram a base de cálculo do imposto no anocalendário de 2004. Portanto, não procede a alegação do Recorrente, de que teria sido intimado apenas para apresentar documentos à fiscalização. A intimação foi para demonstrar o imposto Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Resolução n.º 1301000.053 S1C1T1 Fl. 7 7 retido, bem como sua correspondência com as receitas financeiras que integraram a base de cálculo do imposto no anocalendário de 2004. O contribuinte não trouxe essa demonstração, limitandose a apresentar uma planilha que relaciona as receitas financeiras recebidas e o imposto sobre elas retido, nos totais de, respectivamente, R$ 156.547.614,00 e R$ 31.292.940,15. O que efetivamente foi pedido, foi a informação do imposto retido sobre as receitas que compuseram a base de cálculo do IRPJ de 2004, o que não foi informado. E a intimação foi clara, ao pedir a demonstração do imposto retido correspondente às receitas que integraram a declaração. Ao examinar o pleito do contribuinte, a autoridade administrativa não questionou a efetividade das retenções sofridas e informadas para compensação, mas sim, que as receitas sobre as quais incidiu o imposto não foram integralmente computadas na declaração (DIPJ 2005/2004). E esse fato é que gerou a glosa de parte das retenções. Contudo, observase, pelo teor da intimação, que a autoridade deixouse guiar por uma interpretação literal do art. 37, § 3º, alínea “c” da Lei nº 8.981/95, sem considerar a especificidade das receitas de aplicações financeiras, que são apropriadas pelo regime de competência, em disparidade com a apropriação do imposto retido na fonte, que só ocorre quando do resgate. Dispõe a Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais. (...) § 3º Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) c) do Imposto de Renda pago ou retido na fonte, incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...)” (...) Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Resolução n.º 1301000.053 S1C1T1 Fl. 8 8 I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; (..) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. (...)” Se os rendimentos das aplicações financeiras são apropriados pelo regime de competência e integram o lucro real de cada período em que incorridos, antes de ter havido qualquer retenção, e se o imposto de renda só é retido por ocasião do resgate, é óbvio que pode haver descasamento entre o valor do rendimento constante no informe dos rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras e os registros contábeis das receitas. Da mesma forma, se os rendimentos de aplicações financeiras integram o lucro real de períodos em que produzidos (Lei 8.981/95, art. 76, § 2º), quando ainda não houve qualquer retenção, e o imposto posteriormente retido na fonte é deduzido do apurado no encerramento do período (Lei 8.981/95, art. 76, inciso I), o eventual descasamento entre o períodobase em que a receita integrou o lucro real e o períodobase em que ocorreu a retenção afasta a interpretação literal da alínea “c” do § 3º do art. 37. Em se tratando de imposto retido sobre rendimentos de aplicações financeiras, devese entender que pode ser compensado o imposto retido na fonte sobre as receitas que houverem sido computadas na determinação do lucro real, do ano da retenção ou de anos anteriores. Porém, a tão só divergência de regimes não é suficiente para legitimar o direito creditório pleiteado, sendo indispensável comprovar que as receitas sobre as quais incidiu a retenção já foram oferecidas à tributação, e a tanto o Recorrente não foi intimado com clareza. Pelas razões expostas, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a interessada comprove, inclusive mediante apresentação dos lançamentos no Diário e Razão, que a diferença entre o valor das receitas constantes dos informes de rendimentos e o valor informado na DIPJ do anocalendário de 2004, foi computado no lucro real de anos calendários anteriores. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11522.002362/2007-47
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Ano-calendário: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 3101-000.658
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, para declinar competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Fl. 517DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 EDITADO EM: 27/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do decisum de primeira instância, até aquela fase: Versa o presente processo sobre autos de infração, relativos a cobrança de COFINS (fls. 177/187) e de PIS (fls. 188/198), apoiados no termo de verificação fiscal de fls. 157/173 e nos demonstrativos de fls. 174/176. Os lançamentos dizem respeito a contribuições sociais dos períodos de 01/2003 a 12/2004. De acordo com a descrição dos fatos, o motivo da autuação foi a falta/insuficiência de valor recolhido da contribuição social. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou sua impugnação em 09/11/2007, fls. 205/215, alegando o seguinte: Ocorreu vício formal pela falta de detalhamento da base de cálculo tendo em vista que o levantamento fiscal efetuado é da Filial, e não consta nos autos elementos que possam nortear com precisão a defesa; Não consta nos cálculos, individualização por modalidade de tributação, vez que há dois procedimentos: primeiro, do período em que estava no Simples, com impostos sendo calculados com base no faturamento, segundo, do período desenquadrado pelo excesso, o qual será calculado a partir de um lucro apurado. Da forma como está não transmite clareza, violando a ampla defesa; Os tributos foram calculados sobre a égide do Simples e posteriormente também calculados pelo Lucro Presumido, ocasionando o bis in idem. Há tributos apurados nos meses de janeiro, fevereiro e março, que foram calculados pelas duas modalidades citadas; Não consta nos autos, elemento indicativo da origem dos valores atribuídos tanto na valoração, quanto na percentagem de cada modadlidade de tributação, que possa aferir os cálculos apresentados. O lançamento não pode valerse de sua própria dúvida; Inexiste na legislação tributária, dispositivo que por presunção, ou seja, demonstrado apenas em relatório subjetivo sem nenhuma eficácia jurídica, autorize o lançamento de tributo; O Auto de Infração careceu de clareza quanto a demonstração da disponibilidade de caixa originada de receitas; Fl. 518DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11522.002362/200747 Acórdão n.º 310100.658 S3C1T1 Fl. 252 3 No afã de criar créditos tributários, o fiscal autuante violou os mais elementares princípios da profissão contábil, o da continuidade e o da competência; Lembra o art. 59 do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972, sobre nulidade; Aduziu decisões administrativas e judiciais. Pede pela perícia com o objetivo de esclarecer os pontos controvertidos, caso seja necessário; Pede que seja comunicado este patrono de todas as decisões deste, no endereço apresentado, conforme procuração anexa; Pede pela improcedência do Auto de Infração. A DRJ em BELÉM/PA declarou procedente o lançamento, ementando o acórdão assim: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei nº 11.196/2005). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga omnes (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de diligência e de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo, juntamente com a impugnação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003, 2004 DIFERENÇA DA BASE DE CÁLCULO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A constatação de diferença na base de cálculo ou a insuficiência de recolhimento da contribuição social constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Fl. 519DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003, 2004 DIFERENÇA DA BASE DE CÁLCULO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A constatação de diferença na base de cálculo ou a insuficiência de recolhimento da contribuição social constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Lançamento Procedente Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 240 e seguintes, onde aponta vícios formal (existência de dois autos de infração para mesmos tributos em exercícios diferentes) e material (base de cálculo é o lucro arbitrado, em desacordo com as hipóteses previstas na legislação) no auto de infração; nulidade da decisão a quo, por omissão quanto às matérias IRPJ e CSLL (deixando entender que tais matérias foram excluídas do lançamento, e se foram excluídas é porque continham vícios); e no mérito, diz que a base de cálculo utilizada devia ser o lucro presumido, e não o arbitrado. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e a insubsistência do lançamento. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 520DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11522.002362/200747 Acórdão n.º 310100.658 S3C1T1 Fl. 253 5 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Os lançamentos de COFINS e PIS decorrentes de exclusão do SIMPLES são, hodiernamente, de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no inciso V do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009. Inclusive deviam ser objeto de um só processo administrativo, consoante prevê a Portaria SRF nº 6.129/2005, vigente ao tempo dos fatos, com seu texto ratificado atualmente pela Portaria RFB nº 666/2008. 1 Dessarte, em virtude de o presente recurso tratar de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de falecimento de competência desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, devese declinar da competência para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No vinco do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e endereçálo à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. 1 Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (...) Fl. 521DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Sala das Sessões, em 06 de abril de 2011. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 522DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 27/04/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.722131/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012
OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS.
As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE.
Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-011.292
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS. As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata- se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE. Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 21 31 /2 01 7- 12 Fl. 869DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722131/2017-12 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS Não-Cumulativa – Mercado Interno do 3º Trimestre de 2012, informando crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 2.564.336,28. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, em síntese: (1) A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; (2) Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações e prestar Liquidez e Certeza ao direito alegado; (3) Regra geral, as decisões administrativas e judiciais têm eficácia inter-partes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio; (4) É vedado o aproveitamento de créditos da não-cumulatividade em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; (5) Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua defesa anterior e defende a aplicação do laudo como prova de seus alegações. É o relatório. Fl. 870DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722131/2017-12 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltou-se à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte, que foram objeto de pedidos de ressarcimento. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade de cooperativa agroindustrial. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de Fl. 871DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722131/2017-12 serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. As glosas são analisadas a seguir. Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit Alega a Recorrente que “não houve a devida análise da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit em que Manifestante, na ocasião Consulente, logrou êxito na consulta, sendo eficaz (leia-se favorável a Manifestante) exatamente na manutenção dos créditos”. Interessa ao presente litígio, portanto, verificar a conclusão da referida Solução de Consulta, e estabelecer a sua relação e pertinência com o direito ora em discussão: Conclusão 36. À vista do exposto, conclui-se que: 36.1. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. 36.2. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. Observe-se, inicialmente, que as conclusões da solução de consulta circunscrevem-se a definir os créditos que a cooperativa pode descontar e manter (item 36.1 da conclusão), diferenciando-os dos créditos que a cooperativa não pode descontar e, tampouco, manter (item 36.2). A Solução de Consulta não é “conclusiva nos exatos termos formulados pela Manifestante, ou seja, que as saídas beneficiadas com a exclusão da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS merecem o mesmo tratamento das saídas Fl. 872DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722131/2017-12 beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência (...)”, como pretende concluir a Recorrente, como bem posto na decisão de piso conforme os argumentos abaixo: Observe-se que, além de limitar a possibilidade de desconto/manutenção dos créditos às hipóteses descritas no item 36.1 da Solução de Consulta, a referida conclusão trata apenas dos efeitos concernentes aos próprios créditos das contribuições, não havendo qualquer menção ao tratamento das receitas correspondentes no que se refere ao rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo, que foi o objeto da fiscalização ao concluir que “os valores relativos a essas receitas devem compor o somatório da receita bruta total para fins de rateio (...)”. Tal conclusão, contida no Termo de Verificação Fiscal é relevante, visto que o pedido de ressarcimento ora em pauta apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, ou seja, os créditos apurados na forma do art. 3º da mesma lei relacionados às receitas de exportação (receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; e vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação). Caso a autoridade fiscal assim não procedesse, haveria o risco de ressarcir, a título de créditos do mercado externo, eventuais créditos apurados sobre receitas em operações realizadas no mercado interno, como são as operações que foram objeto da indigitada Solução de Consulta, o que aconteceria ao arrepio de todas as autorizações legais e normativas. Por isso, não há no Despacho Decisório e no TVF qualquer desconsideração, contradição ou incompatibilidade com a posição expressa na Solução de Consulta nº 151, da SRRF09/Disit. Do Direito à Manutenção e Ressarcimento do Crédito nas Saídas Beneficiadas com Exclusão da Base de Cálculo por Equiparação à Norma Prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Trata-se da mesma temática do tópico anterior, a violação da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit, da qual figurava como consulente. Adoto também as razões da decisão de piso, por com elas concordar integralmente: A própria conclusão do tópico, em que afirma que “todo contexto jurídico apresentado de forma escorreita demonstra que a Manifestante, com suas operações cooperativista, a luz do que dispõe o art. 15 da Medida Provisória nº 2.58-35 de 2001, justificou de forma plausível e incontroversa que as saídas beneficiadas com exclusão da base de cálculo devem ter o mesmo tratamento tributário das demais hipótese como "suspensão", "isenção", "alíquota zero" ou "não-incidência”, razão pela qual faz jus ao pedido de ressarcimento nos termos dos arts. 17 da Lei n° 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005”, demonstra que a alegante mantém-se ao redor da questão da possibilidade de desconto e manutenção de créditos decorrentes das suas operações cooperativistas. Como já clareado anteriormente, a real questão levantada pela fiscalização, considerando que o pedido de ressarcimento apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, é estabelecer o quanto de crédito vinculado às receitas de exportação encontra-se disponível para o pretendido ressarcimento. Para tanto, é necessário corrigir o tratamento das Fl. 873DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722131/2017-12 receitas correspondentes às operações com cooperados, computando os seus valores na receita bruta, para fins de estabelecer o correto rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo. Considerando que a manifestante sequer tangencia tal questão, e que os eventuais créditos decorrentes de operações no mercado interno, ainda que porventura existentes, não estão contemplados diretamente na fundamentação do pedido de ressarcimento, temos por prejudicadas as alegações manifestas neste tópico, com manutenção das conclusões da autoridade fiscal no Despacho Decisório. Logo, não se acolhe também os argumentos tecidos pela empresa neste tópico. Do Direito ao Créditos nas Aquisições de Bens para Revenda - Aquisição de Cooperados Insurge-se contra o entendimento da Autoridade Fiscal, de que as aquisições realizadas junto a cooperados não poderiam gerar crédito das contribuições para o PIS e a COFINS, tendo em vista que a Instrução Normativa nº 635/2006 restringe o crédito apenas para aquisições de “não associados”. Não há razão no argumento. A decisão de piso foi precisa também neste tópico: A possibilidade de descontar, do valor das contribuições incidentes sobre a receita bruta, o crédito calculado em relação a aquisições de bens para revenda, estava regulamentada, à época dos fatos, pela Instrução Normativa SRF nº 635/2006, que assim dispunha: Dos Créditos a Descontar na Apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Dos créditos decorrentes de aquisição e pagamentos no mercado interno Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I -bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) II - aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...) Tal disciplina mantém-se hígida até os dias atuais, através do art. 298, I, da IN RFB nº 1.911/2019. Assim, existe base legal para o desconto de créditos na aquisição de não associados, mas inexiste base para o creditamento na aquisição de associados. Relevante, ainda, estar-se diante de ato cooperativo, na acepção dada pelo art. 79 da Lei nº 5.764/1971 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”), in verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 874DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722131/2017-12 Inexistindo a incidência das contribuições, nas operações em questão, por tratarem-se de atos cooperativos, é natural que inexista, também, o direito ao creditamento, por força do inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) Observe-se que tais conclusões foram evidenciadas, até mesmo, nos parágrafos 8 a 11 da própria Solução de Consulta nº 151 - SRRF09/Disit, de 27 de junho de 2011, que a empresa utiliza em seu socorro em outros momentos da presente Manifestação de Inconformidade. Mantém-se, portanto, as disposições do Despacho Decisório. Despesas com Frete – Transferência de Produtos entre Estabelecimentos Sustenta a Recorrente que: Outrossim, deve-se entender melhor a atividade agroindustrial da Recorrente para certificar de que as despesas com transporte de carga são todas, sem qualquer exceção, realizadas para a movimentação de matérias-primas entre as unidades industriais e de beneficiamento. Basta analisar o Laudo do Processo Produtivo que facilmente se comprova a necessidade de deslocamento de um insumo/matéria-prima para uma das unidades da Recorrente, tendo em vista a localização geográfica das plantas industriais. Logo, não se tratam de deslocamento de produto final pronto para comercialização, mas sim, insumos que serão utilizados em alguma das unidades de beneficiamento. Há no laudo do processo produtivo, ora anexado, descrição do processo de beneficiamento dos insumos soja em grãos e para refino, café em grãos e para refino, algodão caroço, canola e girassol para refino, trigo para refino e grãos, inclusive seguindo instruções normativas do MAPA (Ministério da Agricultura e Abastecimento). Dessa forma, não se tratariam apenas de produtos acabados, mas insumos que são utilizados no processo produtivo, como café, soja, trigo para refino, algodão caroço, canola e semente de girassol para refino, laranja e néctar etc. Operações de transporte de matéria-prima de um ponto de coleta até as unidades de beneficiamento, e destes a outras unidades da Recorrente conforme a necessidade da produção. Em análise do Laudo, identifica-se que há vários processos produtivos que demandam insumos e fases diferentes. Por essa razão, não há como afastar a essencialidade dos dispêndios com frete. Assim, reverto as glosas referentes a: Fl. 875DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722131/2017-12 (i) Frete na aquisição de insumos, por representar custo de aquisição, com crédito fundamentado no inciso II, do art. 3°. (ii) Frete na transferência de insumos/produtos inacabados entre diferentes estabelecimentos da empresa, por representar também custo de aquisição, com crédito fundamentado também no inciso II. Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado O Laudo técnico identifica os principais bens do ativo imobilizado da empresa e suas respectivas utilizações. Da leitura em conjunto com as planilha de glosas dos imobilizados, cabe a reversão das glosas do sistema de aeração do armazém, balança rodoviária, ventilador centrifugo, forno elétrico industrial, conjunto de irrigação, equipamentos de conservação do armazém, trator agrícola, pulverizador hidráulico, cultivador São Francisco, pulverizador atomizado, secador de ar comprimido, sistema de termometria, prensa hidráulica, podador lateral, trilhadeira de parcela, determinador de umidade, dosadores, rack para armazenamento, tanques, balanças, centrifugadoras, filtros, misturador, trocador de calor, reator, medidores de vazão e secador adubadeira, agitador magnético, alicate amperímetro, analisador de rede, alinhador de eixo, aparelho de GPS, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos, balanças, betoneira, bicicleta cargueira, bomba diversas, caixas d’água, calibrador de pressão, carretas diversas, carrinhos diversos, compressores de ar, conjuntos de irrigação, dosimetro de ruído, empilhadeira, enceradeira, endoscópio, escadas, esmerilhadeiras, exaustores eólicos, forno elétrico industrial, furadeiras, lavadoras de alta pressão, máquinas de cortar grama, medidores de distância, de energia, de nível, motobombas diversas, motoserra, parafusadeiras pistolas para pintura e pulverização, politriz, prensas hidráulicas, pulverizadores, roçadeiras, semeadeira, sistema de alarme, soprador, talhas, tanques para diesel, termômetro, testador digital de cabos, transformadores, tratores agrícolas, ventiladores, entre outros, por serem utilizados na produção de bens destinados à venda. A utilização de todo o maquinário está descrita nos laudos de processo produtivo anexados aos autos, logo, em síntese, cabe a reversão das glosas do ANEXO VI – “BENS DO ATIVO IMOBILIZADO – DEPRECIAÇÃO - GLOSAS – GERAL”. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: PIS – COFINS – ATIVO IMOBILIZADO – CREDITAMENTO –LIMITAÇÃO – LEI Nº 10.865/2004. Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento do PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIMITAÇÃO TEMPORAL. ART. 31 DA LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A limitação temporal do aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004, no regime não-cumulativo do PIS e COFINS, ofende os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da não-surpresa. Fl. 876DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722131/2017-12 Declarada a inconstitucionalidade o art. 31 da Lei nº 10.865/05 pela Corte Especial deste Tribunal. Por conseguinte, deve ser afastada a trava do limite temporal. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 877DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10680.919500/2012-19
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA.
Descabe a restituição de valor pago que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. (Acórdão 9101-004.075)
Numero da decisão: 9303-012.721
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, em dar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-012.706, de 09 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Descabe a restituição de valor pago que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. (Acórdão 9101-004.075) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, em dar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-012.706, de 09 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 397DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, buscando a reforma de acórdão que deu provimento ao recurso voluntário. O julgado recebeu ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA RETIFICAÇÃO DE DCTF PARA DESVINCULAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE O art. 9º da IN RFB nº 1.110/10 autoriza a retificação da DCTF para alteração da vinculação de créditos a débitos. Não resignada com o acórdão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de restituição/compensação do valor pago, que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, bastando, para tanto, que o contribuinte apresente DCTF retificadora, desvinculando o DARF do pagamento dos débitos originalmente confessados e extintos. Para comprovar o dissenso interpretativo colacionou acórdão paradigma. Em exame de admissibilidade foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O Contribuinte, por sua vez, apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, postulando, preliminarmente, o não conhecimento pois estaria ausente a comprovação da divergência jurisprudencial e, no mérito, a sua negativa de provimento. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015. 2 Mérito No mérito, a controvérsia dá-se em torno da possibilidade de restituição/compensação do valor pago, que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, bastando, para tanto, que o contribuinte apresente DCTF retificadora, desvinculando o DARF do pagamento dos débitos originalmente confessados e extintos. No acórdão recorrido, após a realização de diligência fiscal, foi verificada a existência de crédito a ser compensado posteriormente à retificação das obrigações acessórias, notadamente os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de cada período de apuração, conforme autorizado pelas Instruções Normativas nºs 1.015/10 (art.10, §5º) e 1.110/10 (art.9º, §6º, inc. II), vigentes à época, sendo provido o recurso voluntário. Por meio de recurso especial, insurge-se a Fazenda Nacional quanto à possibilidade de apresentação de DCTF retificadora, com a desvinculação do DARF do pagamento dos débitos originalmente confessados e já extintos. Da análise dos autos e das razões expendidas pela Fazenda Nacional, entende-se assistir razão à Recorrente, com a consequente reforma do acórdão recorrido, conforme razões bem explicitadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte: Fl. 399DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 [...] Nem a Receita Federal, nem o contribuinte divergem sobre a existência do crédito tributário constituído por meio da DCTF. Não houve nenhuma retificadora desconsiderada pela Receita Federal. O único ponto de discussão existente e que implicou na diferença entre o valor pleiteado como crédito pelo interessado e o concedido pela Receita Federal é que o contribuinte confessou um débito, efetuou seu pagamento por meio de recolhimento em Darf, indicando o tributo e o período de apuração, e esse débito confessado foi extinto pelo pagamento realizado, nos termos do art. 156, I, do Código Tributário Nacional. Após sua extinção, pretende que o mesmo seja considerado em aberto para que possa utilizar seu pagamento de outra maneira. Acrescente-se que o débito extinto está demonstrado também em Dacon e o contribuinte não nega a sua existência. Não há que falar em pagamento indevido ou à maior em relação ao saldo utilizado do Darf para extinção do débito de mesmo tributo e período de apuração a despeito de qualquer vinculação ou falta de vinculação que tenha ocorrido na DCTF. Apenas a eventual diferença à maior entre o valor do Darf e o valor do débito pode constituir crédito passível de compensar débitos, mas esse saldo foi reconhecido no despacho decisório. As alegações do contribuinte apenas confirmam o teor do despacho decisório. Ele efetuou um pagamento no valor de R$ 225.172,22, código de receita 5856, período de apuração 08/2007. Desse valor, foi utilizado R$ 172.020,11 para pagamento do débito apurado em Dacon e confessado em DCTF, período de apuração 08/2007. O restante foi reconhecido como pagamento indevido e utilizado para a compensação dos débitos, entretanto tal crédito não foi suficiente e por isso a homologação da compensação foi parcial e houve a cobrança do saldo. As questões levantadas sobre a possibilidade de retificação da DCTF em nada alteram os fatos. A retificadora foi aceita e o débito confessado nela pago por meio do Darf recolhido para o mesmo período de apuração. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação em litígio. [...] Fl. 400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 Corroborando as conclusões expostas no julgado de primeira instância, vieram as informações em relatório de diligência fiscal, deixando ainda mais claro que a pretensão não é a possibilidade de retificação (ou não) de DCTF, mas sim realocar pagamento que extinguiu crédito tributário correto. [....] Trata o presente processo de Declaração de Compensação com crédito de pagamento indevido, no valor de R$ 225.172,22. O referido pagamento foi efetuado no código 5856, em 20/09/2007, com o período de apuração agosto de 2007. O CARF converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que seja verificado se na DCTF ativa correspondente o pagamento informado como crédito na Dcomp foi ou não vinculado ao débito declarado. 2.A DCTF original do PA agosto de 2007, apresentada em 02/10/2007, informava o débito da Cofins - código 5856 no valor de R$ 225.172,22 vinculado ao referido pagamento (fl. 150). 3.Em 26/03/2011 foi apresentada DCTF retificadora que reduziu o valor do débito para R$ 172.020,11, sem vinculá-lo ao pagamento (fl. 151). Por fim, em 20/04/2011, foi apresentada a DCTF retificadora ativa no sistema, que manteve o débito como constava na primeira retificadora (fl. 152). 4.O contribuinte informa, no Recurso Voluntário, que “após proceder a revisão da apuração de COFINS 5856, a Recorrente declarou em DCTF um crédito tributário no valor de R$ 172.020,11 (auto-lançamento), no entanto, decidiu por não vincular valor algum ao crédito constituído. Ou seja, neste momento a Recorrente constituiu um crédito tributário no valor de R$ 172.020,11 (com origem na DCTF retificadora/ativa) e um direito creditório de R$ 225.172,22 (com origem em um DARF desvinculado) (fl. 90, grifei). 5.Informa ainda que pretende incluir o débito declarado no parcelamento da lei 11.941. E justifica que “a partir do procedimento adotado – revisão da apuração de COFINS 5856, através da retificação do DACON; e retificação da DCTF desvinculando as parcelas de crédito do valor do novo débito constituído – a Recorrente constituiu um crédito tributário passível de parcelamento” (fl. 92, grifei). 6.Porém, apesar de não haver na DCTF a vinculação do pagamento ao débito, essa alocação foi feita pelo sistema e resultou no deferimento parcial do crédito pleiteado. Isso ocorreu porque o sistema Sief Fiscel aloca automaticamente pagamentos e Declarações Fl. 401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 de Compensação que se refiram a um débito ou parte dele, mesmo que a vinculação não seja informada na DCTF. O objetivo desse procedimento é evitar cobranças administrativas ou judiciais de débitos que já tenham sido liquidados pelo contribuinte (via pagamento ou Dcomp), mesmo quando esse não informa o vínculo na DCTF. O procedimento ocorre inclusive quando a liquidação por pagamento ou por Dcomp ocorre com atraso, impedindo cobranças indevidas. 7.De fato, a alocação automática é necessária para atender ao disposto no artigo 156 da lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional): “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149” (grifei). 8.Como se vê, o Código Tributário Nacional não menciona a vinculação do pagamento (ou da Dcomp) em DCTF como condição para que o débito seja extinto. Basta que seja feito o pagamento ou apresentada a Declaração de Compensação para que ocorra a extinção (no caso da Dcomp, sob condição resolutória). 9.O contribuinte alega que a decisão da DRJ Belo Horizonte utilizou como fundamento o artigo 156,§ 1 do CTN (transcrito acima), que não seria aplicável ao caso por tratar-se de tributo sujeito a lançamento por homologação. Segundo a empresa, seria aplivável apenas o parágrafo VII Fl. 402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 do mesmo artigo, que prevê a “homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º”. 10.Ocorre que o artigo 150 do CTN dispõe: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” 11.Portanto, também nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o pagamento extingue o débito, sob condição resolutória. Assim, o débito é considerado extinto desde o pagamento, situação que só será modificada se a Administração Tributária alterar o valor lançado pelo contribuinte, dentro do prazo de cinco anos. Como isso não ocorreu no caso em discussão, o débito foi extinto por pagamento, independente de vinculação na DCTF. 12.A vinculação dos pagamentos e Declarações de Compensação na DCTF tem caráter informativo, para otimizar os procedimentos dos sistemas de cobrança. A inexistência da vinculação na DCTF não permite que a RFB cobre um débito para o qual exista pagamento ou Dcomp correspondente, pois o débito já se encontra extinto (ou parcialmente extinto caso o valor do pagamento ou da Dcomp não seja suficiente para a liquidação integral). Assim, o sistema de cobrança aloca automaticamente aos débitos os pagamentos e Dcomp que não estejam vinculados em DCTF, a partir dos códigos de receita e períodos de apuração informados, para evitar cobranças indevidas. 13.Da mesma forma que a não vinculação do pagamento ao débito em DCTF não gera direito de cobrança para a RFB, também não tem o condão de “constituir direito creditório”, como pretende o contribuinte. Acima da vinculação formal em DCTF está a verdade material dos fatos: a existência do pagamento com código do tributo e período de apuração perfeitamente identificados, que vinculam pagamento e débito. 14.Sobre a inclusão do débito no parcelamento da lei 11.941, de 27 de maio de 2009, é de se observar que o parágrafo 2º do artigo 1º da lei Fl. 403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 determina que “poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008” (gifei). Ora, o débito que se pretende parcelar nunca esteve vencido, e sim extinto por pagamento. Não se trata, portanto, de um débito que o contribuinte não conseguiu liquidar por dificuldade financeira, mas de débito extinto que se pretendeu “reabrir” por planejamento tributário, que não é o objetivo do parcelamento especial. 15.Caso esse procedimento fosse permitido, o parcelamento especial levaria a um resultado oposto ao pretendido. Contribuintes sem débitos vencidos poderiam “reabrir” débitos extintos e parcelá-los em condições vantajosas, enquanto os pagamentos seriam convertidos em créditos para liquidação de novos débitos ou mesmo para restituição, ocasionando uma queda considerável de arrecadação. 16.Nesse sentido, é importante observar o disposto no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 5, de 17 de agosto de 2017, que trata de situação análoga: o cancelamento de Dcomp ainda não homologada para incluir o débito no PERT (Programa de Regularização Tributária): “Art. 1º O disposto nos §§ 2º e 3º do art. 1º da Medida Provisória nº 783, de 31 de março de 2017, não se aplica a débitos extintos nos termos do art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Art. 2º A retificação e o cancelamento da declaração de compensação estão sujeitos à admissibilidade e deferimento pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos arts. 106 a 113 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017. Parágrafo único. A liberação da retificação e do cancelamento da declaração de compensação por meio eletrônico não é impeditiva de posterior análise e decisão do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Art. 3º Ficam modificadas as conclusões em contrário constantes em Soluções de Consulta ou em Soluções de Divergência emitidas antes da publicação deste ato, independentemente de comunicação aos consulentes.” (grifei). 17.Embora a situação tratada no presente processo refira-se ao parcelamento da lei 11.941/2009 e o ADI RFB nº 5/2017 trate do parcelamento do PERT, a situação é a mesma: a transformação de um débito extinto em débito “vencido” para inclusão em parcelamento especial, em condições vantajosas. Essa possibilidade é negada no ADI para todos os débitos extintos nos termos do art. 156 do Código Tributário Nacional, até mesmo para débitos extintos por compensação ainda não homologada. Com muito mais razão, deve ser negada para débitos extintos por pagamento, onde sequer existe dúvida quanto ao valor do crédito. 18.Diante do exposto, concluo que: Fl. 404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 • embora o pagamento objeto da Dcomp em análise não tenha sido vinculado ao respectivo débito na DCTF ativa, o sistema alocou-o corretemante ao débito correspondente, considerando o código do tributo e o período de apuração; • o direito creditório do contribuinte restringe-se ao valor não alocado do pagamento, conforme já reconhecido no Despacho Decisório e mantido pela DRJ Belo Horizonte. 19.Proponho o envio deste relatório ao contribuinte facultando-lhe o prazo de 30 (trinta) dias do recebimento para apresentação de razões adicionais à defesa, com posterior retorno do processo ao CARF. (grifos nossos) Igualmente, o entendimento da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido da impossibilidade de realocação do pagamento, mediante simples retificação da DCTF, conforme se verifica do Acórdão nº 9101-004.075, que negou provimento a recurso interposto pelo contribuinte, tendo recebido ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Descabe a restituição de valor pago que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de reinício de julgamento continuidade do julgamento iniciado antes do despacho de admissibilidade complementar, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento. Assim, deve ser dado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, dá-se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-012.721 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10680.919500/2012-19 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital Relatório Voto 1 Admissibilidade 2 Mérito
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Numero do processo: 10920.001576/2004-06
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.126
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, remeter os autos ao conselheiro relator do processo 10920.001580/200466
por prevenção.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, remeter os autos ao conselheiro relator do processo 10920.001580/200466 por prevenção. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1105DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0322.10203.KHY2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001576/200406 Resolução n.º 1302000.126 S1C3T2 Fl. 345 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/FNS, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação da interessada, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DE VALIDADE A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o quê não poderá ser admitida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004 Ementa: DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INSTRUMENTO HÁBIL DE COBRANÇA Somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP no 135, de 2003, constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004 Ementa: POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. EXIGÊNCIA DE JUROS E MULTA A apuração de postergação no pagamento de imposto enseja a exigência, de ofício, de acréscimos de juros e multa. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório às folhas 171 a 176, a Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC declarou não homologadas as compensações de débitos de IRPJ (código 2362) pertinentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, consignadas em Declarações de Compensação (DCOMP), apresentadas pela interessada. Pelas DCOMP geradas pelo programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a interessada utilizou crédito originado de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, apurado no anocalendário de 2003, no montante de R$ 5.321.948,83 (cinco milhões, trezentos e vinte e um mil, novecentos e quarenta e oito reais e oitenta e três centavos). Em análise da apuração do IRPJ do anocalendário de 2003, a autoridade a quo manifestouse contrariamente à dedução da quantia de R$ 1.417,70, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, pelo fato desse valor corresponder ao anocalendário de 2002. Além disso, afirmou que do montante de R$ 16.181.483,38, a título de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, apurado pela Fl. 1106DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0322.10203.KHY2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001576/200406 Resolução n.º 1302000.126 S1C3T2 Fl. 346 3 contribuinte no anocalendário de 2002, e utilizado na compensação de estimativas de IRPJ de 2003, apenas a parcela de R$ 660.650,94 seria passível de reconhecimento, conforme consta do despacho decisório produzido nos autos do processo nº 10920.001580/200466. Os débitos indicados para compensação no referido processo foram encaminhados para cobrança, encontrandose em fase de julgamento. Em face dos mencionados valores, a autoridade recorrida alterou a apuração constante da ficha 12A da DIPJ do anocalendário de 2003, reduzindo o montante de imposto de renda mensal pago por estimativa de R$ 45.311.482,38 para R$ 29.789.232,24, conforme demonstrado no quadro abaixo: Linha Discriminação Valor (R$) De Para 01 À Alíquota de 15 % 24.176.081,28 24.176.081,28 03 Adicional 16.093.387,52 16.093.387,52 13 () Imposto de Renda Retido na Fonte 279.935,25 279.935,25 17 () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 45.311.482,38 29.789.232,24 19 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 5.321.948,83 10.200.301,31 No Despacho Decisório, foi também demandada a formalização do lançamento relativamente ao valor acima apurado, a título de IRPJ a pagar. Inconformada com a decisão que não homologou as compensações, a interessada apresentou manifestação de inconformidade a esta Delegacia de Julgamento (fls. 180 a 199), na qual faz inicialmente uma síntese do procedimento fiscal e, em seguida, apresenta os seguintes argumentos de defesa: a) Da Duplicidade na Cobrança A recorrente alega que já está sendo compelida a pagar os débitos de IRPJ compensados durante o ano de 2003, os quais se encontram com a exigibilidade suspensa em face ao julgamento aguardado junto ao Conselho de Contribuintes, de modo que vem sendo cobrada em “duplicidade” pelos mesmos valores, parte deles, reflexamente através da não homologação das compensações de IRPJ realizadas em 2004 (R$ 5.321.948,83), e a outra parte, referente ao crédito constituído em função da mesma (R$ 10.200.301,31), através de auto de infração. Afirma que afora um pequeno valor de IRRF, o débito de IRPJ de 2003 já foi devidamente constituído e suspenso, não havendo no despacho decisório qualquer outro argumento que derrube o direito creditório da recorrente. Salienta que, caso o questionamento quanto ao uso do saldo negativo de CSLL seja julgado favoravelmente ao fisco, os valores em questão serão objeto de cobrança através do processo nº 10920.001580/200466, sem qualquer prejuízo ao fisco, pois passaria de situação de saldo negativo, para recolhimento efetivo do IRPJ de 2003. Desta forma, seja pela duplicidade no lançamento, seja pelo não cabimento de multa de ofício nos casos de lançamento de valores com exigibilidade suspensa, seria mister a exclusão dos valores lançados a este título no presente processo. b) IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras Acerca do IRRF no montante de R$ 1.417,70, a recorrente revela que se refere a rendimentos de aplicações financeiras ocorridos durante o ano de 2002, conforme consignado no comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados, fornecido pela instituição financeira (doc. 04). Fl. 1107DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0322.10203.KHY2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001576/200406 Resolução n.º 1302000.126 S1C3T2 Fl. 347 4 Alega que de acordo com a DIPJ do anocalendário de 2002, exercício de 2003, referidas retenções não foram deduzidas do IRPJ devido daquele ano, razão pela qual entende ter o direito a sua dedução nesse momento. c) Do Crédito de CSLL apurado em 2002 Por entender que toda a discussão até aqui tem origem nas compensações de IRPJ realizadas em 2003 com o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2002, e não homologadas de acordo com o processo administrativo nº 10920.001580/200466, reitera os argumentos já apresentados nos recursos juntados no referido processo. Os argumentos apresentados não serão aqui relatados em face do que será exposto no voto. d) Pedido Requer o provimento da manifestação de inconformidade, ou se assim não for, que haja a suspensão do presente processo até julgamento final do processo nº 10920.001580/200466, para se evitar a cobrança em duplicidade de crédito de IRPJ de 2003, sendo ao final cancelada a presente cobrança por perda de objeto. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: não foi considerada a suspensão da exigibilidade do crédito, que está sendo discutido no PA 10920.001580/200406. Tal fato é vício insanável; Há cobrança em duplicidade, pois o valor aqui não homologado está sendo cobrado por auto de infração. Além disso, no julgamento feito pela DRJ foram excluídos os valores relativos às Dcomp entregues a partir de 31/10/2003 sob argumento de que após esta data as Dcomp constituem confissão de dívida, documento hábil e suficiente para exigir os débitos compensados indevidamente. É defendido, ainda, que para as Dcomp entregues antes desta data o lançamento de ofício deve ser mantido. Tal decisão não pode prosperar. O débito compensado está com exigibilidade suspensa, não importando, portanto, se as Dcomp caracterizamse ou não como confissão de dívida.Tal conclusão pretende induzir a erro e confundir o julgamento do Conselho de Contribuintes. Além disso, não caberia ao julgador da DRJ proferir qualquer decisão acerca das Dcomp de 2003 que são objeto de discussão no PA 10920.001580/200466; quanto ao fato de que a declaração de compensação se caracteriza como confissão de dívida somente após a MP 135/03, devese mencionar que a cobrança de valores indevidamente declarados somente poderá ocorrer após exaurida a discussão na esfera administrativa; não restou apreciado o direito à imunidade veiculada pelo inciso I do §2º do art.149 da CF/88, com a redação dada pela EC nº 33/2001, no que concerne à CSLL, o qual existe e é detido pela recorrente, porque tal imunidade não alcança somente as receitas decorrente das exportações, mas também o lucro daí derivado. O caso veio a julgamento perante a 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, tendose decidido, por despacho (Sessão de Julgamento de 09/11/2006), sobrestar o julgamento Fl. 1108DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0322.10203.KHY2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001576/200406 Resolução n.º 1302000.126 S1C3T2 Fl. 348 5 até que o STF julgasse o RE 564.4138/SC (exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL), e que fosse também julgado o recurso nº 147.068. É o relatório. Fl. 1109DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0322.10203.KHY2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001576/200406 Resolução n.º 1302000.126 S1C3T2 Fl. 349 6 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Imunidade das receitas de exportações. Extensão à CSLL. Julgamento no PA 10920.001580/200466 O direito creditório alegado neste processo administrativo, no que pertine à controvérsia aqui tratada, tem sua fonte no saldo negativo de IRPJ obtido no anocalendário de 2003, o qual é composto de estimativas extintas por compensação com saldo negativo de CSLL originado no anocalendário de 2002. A origem deste saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002 está lastreada na suposta imunidade relativa à CSLL vinculada às receitas de exportação. Tal direito vem sendo discutido no PA 10920.001580/200466, o qual foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho na sessão de 30/06/2011. Tendose em vista a íntima relação entre as matérias discutidas, com relação de causa e efeito, voto para que sejam os presentes autos encaminhados à 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho, para serem distribuídos por conexão ao Conselheiro Relator do processo administrativo nº10920.001580/200466, nos termos do §7º do art.49 do Ricarf. Sala das Sessões, 23 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1110DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0322.10203.KHY2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE ANDRADE em 13/12/2011 12:04:58. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE ANDRADE em 13/12/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 19/12/2011 e EDUARDO DE ANDRADE em 13/12/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/03/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0322.10203.KHY2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: BB5DC8AB6AA6BC2F18598D312B0AF6FE0DF4B2ED Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.001576/2004-06. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10530.002436/2003-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.272
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório INSTITUTO DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1530.417, de 19/04/2013, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. 1 Do Lançamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .0 02 43 6/ 20 03 -5 0 Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17393.XIZW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.002436/200350 Resolução nº 1302000.272 S1C3T2 Fl. 398 2 Trata o presente processo de autos de infração para exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 23.093,24, relativa aos anos calendário de 1998 a 2003, com acréscimo de juros moratórios no valor de R$ 10.093,24 e multa de ofício no valor de R$ 17.319,86, cujo somatório perfaz um crédito tributário consolidado no valor total de R$ 50.817,89. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração, o lançamento foi efetuado sob a seguinte alegação: CSLL DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – CSLL RECEITAS NÃO DECLARADAS(VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados. Conforme demonstrativos integrantes do presente Auto de Infração elaborados a partir de informações coletadas nos Livros Razão apresentados pelo contribuinte, os valores apurados de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, foram superiores àqueles pagos ou declarados em DCTF pelo contribuinte. No Demonstrativo de Receitas e Retenções estão especificadas as receitas, componentes da base de cálculo da CSLL, bem como as retenções feitas por órgão publico que foram abatidas desta base. Nas demais planilha estão demonstradas os cálculos da contribuição devida, paga e as diferenças apuradas na presente fiscalização. Nas folhas 25 a 44 constam as planilhas que embasaram o lançamento que traz como dispositivos legais infringidos, os art. 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/43; 149 da Lei n° 5.172/66; art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; Arts. 19 e 20, da Lei n° 9.249/95; Art. 6° da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições; Art. 6º da Medida Provisória n° 1.858/ 99 e suas reedições. 2 Da defesa Cientificada pessoalmente em 31/12/2003 em 02/02/2004 a interessada protocoliza impugnação ao lançamento (fls. 214 a 221), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a) A CSLL, instituída em definitivo pela Lei n° 7.689/88 como fonte de custeio da Previdência Social, tem como base de incidência o lucro das pessoas jurídicas e, por esta razão, sua similitude com Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas é inequívoca. b) Neste sentido as normas de apuração e determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL são praticamente as mesmas, incluindose neste caso, as hipóteses de exclusões, inclusões, não incidência, dentre outros. O tratamento semelhante entre as duas espécies de tributo (IRPJ e CSLL) fica ainda mais evidente a partir do quanto disposto na Lei n° 9.430/96, especificamente quando em seu art. 28 determinou que para apuração e pagamento da CSLL deveriam ser observadas as mesmas regras ditadas para o IRPJ. c) Todavia, embora os tratamentos previstos na legislação sejam intimamente próximos, como já salientado inclusive, a CSLL e o IRPJ também são díspares em certos aspectos levando assim a conseqüências de igual forma distintas quando ao montante do tributo a ser pago ao final da apuração, e tais aspectos se não considerados a partir das regras específicas de cada uma das espécies de tributo poderão levar a equívocos capazes de gerar crédito tributário não fundados em lei. d) Vejamos o caso concreto. A autuada no período objeto da autuação, apurou todos os tributos federais que lhe eram pertinentes a partir da regra de apuração do lucro presumido, portanto, a base de cálculo foi determinada sobre a receita bruta. Verificando o quanto consignado nas Declarações do Imposto de Renda da Autuada, referente ao período objeto da autuação e comparando os dados lançados naqueles Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17393.XIZW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.002436/200350 Resolução nº 1302000.272 S1C3T2 Fl. 399 3 documentos com os constantes no Livro Razão, concluise que inexiste divergência entre os valores lançados nos dois documentos. e) Por outro giro, se confrontarmos os valores registrados na contabilidade com os declarados na DCTF e, por último, com aqueles consignados no auto de infração, de igual forma constataremos inexistir discrepâncias entre os mesmos. f) Assim, ante a íntima relação entre o IRPJ e a CSLL convêm ressaltar que diante da total harmonia existente entre as fontes de registros citadas, não há qualquer indício de contradição ou omissão do contribuinte no que tange ao dever de apurar e pagar corretamente o imposto sobre a renda, que, no caso concreto é a base para cobrança da CSLL. Tanto é assim que não houve a constituição de crédito do IRPJ sob a mesma epígrafe pelo qual foi constituído a CSLL. g) Conseqüentemente, a divergência apontada pelo ilustre autuante é localizada e circunscrita à hipótese de incidência da Contribuição Social, o que nos leva a concluir, necessariamente, que o objeto da autuação deverá estar circunscrito ou ser decorrente de aplicação de regra específica da CSLL. E, se regra legal houver, capaz de particularizar o fato, insubsistente é o lançamento. h) Não é outra senão esta a hipótese do caso em tela, senão vejamos: Em 1998, com a publicação da Lei n° 9.718, a alíquota da COFINS foi majorada de 2% para 3% e, ao mesmo tempo, aquele mesmo diploma legal, instituiu um crédito compensável pelos contribuintes constituído pela diferença provocada em razão da majoração da alíquota daquela contribuição. i) A partir desta lei, o valor compensável gerava um crédito para o contribuinte, equivalente a 1/3 da COFINS a ser paga, contabilizável como "ativo a compensar", sem transitar pelo resultado, uma vez que, apesar de recolhida como COFINS devida no período de apuração, era utilizada como instrumento de pagamento da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. j) Assim, a autuada, perfeitamente enquadrada na hipótese de incidência de ambas as contribuições procedeu na forma da lei, constituindo assim o crédito referente à CSLL, oriundo da majoração da COFINS. k) Ocorre que, a Impugnante, em razão de quase a totalidade da sua receita advir da prestação de serviços a órgão público (cf. registrado em escrita fiscal), sempre sofreu, por determinação legal, a retenção na fonte de todos os tributos, inclusive da COFINS e da CSLL. l) Tal fato, por conseqüência, gerou a impossibilidade de compensar pela autuada, os créditos gerados a partir do aumento da COFINS com CSLL, resultando mês a mês, no acúmulo de créditos desta última contribuição, sem que a sua utilização pudesse ser efetivada. m) Assim, como evidencia o demonstrativo anexo, é possível identificar em confronto com os registros contábeis da empresa, o saldo remanescente da CSLL que foi sendo gerado a partir do aumento da COFINS. Além deste fato, perfeitamente verificável da contabilidade da empresa, os quadros comparativos demonstram também que as supostas divergências, referidas pelo autuante, representam em verdade, os valores constantes dos saldos credores que foram gerados a partir do aumento da COFINS. Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17393.XIZW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.002436/200350 Resolução nº 1302000.272 S1C3T2 Fl. 400 4 n) Por esta razão, explicase que as "divergências" apontadas pelo autuante restringemse apenas a CSLL e não se comunicam com a base de cálculo da IRPJ, a despeito da estreita relação entre estes tributos. o) Posteriormente, no decorrer dos exercícios de 2000 a 2003, a compensação se fez possível, face à existência de saldo credor da CSLL, e, desta forma, o saldo credor da Contribuição Social, foi, paulatinamente compensado, como prova o demonstrativo anexo, ressaltando que sempre ocorreu entre a mesma contribuição. p) Cumpre ressaltar que a partir da Lei 9.718/98, foi instituído o direito ao crédito da COFINS, correspondente a 1/3 do seu valor, para as empresas contribuintes à época da edição da lei, gerando assim um direito de natureza fiscal, só extinguível segundo as regras de extinção do crédito tributário previstas no Código Tributário Nacional. q) Dentre todas as hipóteses previstas no art. 156, a saber: pagamento, compensação, transação, remissão, prescrição e decadência, conversão de depósito em renda, homologação de pagamento antecipado, consignação em pagamento, decisão administrativa ou judicial irreformável e, finalmente, dação em pagamento, nenhuma destas ocorreu no período anterior a compensação efetivada pela Impugnante, razão pela qual fica evidente que utilização dos créditos pela autuada traduziu o exercício de um direito por lei autorizado. r) Ademais, convêm ressaltar que qualquer medida restritiva ao exercício do direito ao crédito da autuada, especialmente no que tange a forma, não tem o condão de extinguir o direito ao crédito do contribuinte. s) Por conseqüência, cumpre esclarecer que não era possível ao contribuinte, considerando que a DCTF surge a partir de um modelo padronizado pela Receita Federal, informar a compensação da CSLL, por inexistir campo específico para tanto. t) Finalmente, a conclusão é de ausência de prejuízo ao erário, considerando que as divergências apontadas, não são resultantes de pagamento a menor, mas sim de compensação de créditos fiscais, reconhecidos e outorgados por lei. u) Ante todo o exposto, pede a Autuada pela apreciação e julgamento do presente auto como totalmente improcedente, cancelandose por conseqüência o crédito constituído com as respectivas baixas no sistema da Receita Federal, especialmente da Delegacia do domicílio. Distribuído para julgamento, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR, acatando proposta do então relator, por meio do Despacho nº 392, de 04 de setembro de 2009 (fls. 212 a 237), converteu o processo em diligência, com base nas seguintes razões: Efetivamente, no anocalendário de 1999, permitiuse a compensação de 1/3 da COFINS efetivamente recolhida com a CSLL à pagar, conforme alega a Impugnante. Entretanto, para que isso possa ser aceito há que restar comprovado o efetivo recolhimento dos valores registrados no seu demonstrativo de folha 203, a título de COFINS. Em consulta ao sistema SINAL05, podemos constatar que foram recolhidos de COFINS os seguintes valores para o código 2172, durante o período em apreço. Ainda com relação ao recolhimento da COFINS é necessário que se verifique os efetivos valores retidos por órgãos públicos no referido Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. 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Assim, tendo em vista que a contribuinte pleiteia em seu demonstrativo de fls. 203 a compensação de 1/3 da COFINS bem como insere no mesmo a quantia de R$ 5.864,54 a título de compensação de CSLL, e não tendo o Fisco considerado tal importância como compensação no auto de infração, necessário se faz que retorne o processo a repartição de origem para que sejam tomadas as seguintes providências: a)Verificar a efetiva retenção do valor de R$ 5.864,54 relativa a CSLL no segundo trimestre de 1999;Verificar se de fato houve retenções também para a COFINS a alíquota de 3% durante o anocalendário de 1999; b)Verificar a existência de pagamentos da COFINS por DARF a alíquota de 3% durante o anocalendário de 1999; c)De posse desses elementos, elaborar demonstrativo da CSLL devida considerandose a possibilidade de compensar a mesma, também, com 1/3 da COFINS efetivamente paga a alíquota de 3%, se reunidas as condições para tanto, observandose ainda a necessidade de atualização de tais valores pela taxa SELIC; d)Dar ciência ao contribuinte dandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar sobre o relatório de diligência. A Diligência Fiscal é atendida através do Termo de fls. 313 a 317, cujo mérito será analisado no decorrer deste voto. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, mas não se manifestou. A 1ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1530.417, de 19/04/2012 (fls. 362/377), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Ano calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO. 1/3 DA COFINS. COMPENSAÇÃO. Deve ser mantido o lançamento para a constituição do crédito tributário, quando, em procedimento regular de fiscalização, verifica se a ausência de confissão e do efetivo recolhimento da contribuição devida, cabível, entretanto, a redução pela compensação de 1/3 da COFINS efetivamente paga no mês compreendido no período de apuração da CSLL lançada, em face do permissivo legal vigente à época do fato gerador, que permitia tal procedimento. Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17393.XIZW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.002436/200350 Resolução nº 1302000.272 S1C3T2 Fl. 402 6 COMPENSAÇÃO. VALIDADE E EFICÁCIA. DECLARAÇÃO. DÉBITOS E CRÉDITOS. A compensação, para ter validade e eficácia, será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, à Fazenda Nacional (Secretaria da Receita Federal, atual Secretaria da Receita Federal do Brasil), de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados (indébito tributário) e aos respectivos débitos compensados (crédito tributário). No que tange à compensação, o seguinte excerto do voto condutor do acórdão é esclarecedor quanto aos fundamentos e à conclusão a que chegou a Turma Julgadora: Concluise, desta forma, que mesmo reconhecendo a existência de um possível direito creditório decorrente do pagamento a maior da CSLL apurada durante o ano calendário de 1999, constatase que a Impugnante não exercitou este direito nos anos calendário subseqüentes, seja requerendo formalmente a sua restituição ou confessando débitos em DCTF e ao mesmo tempo declarando ao fisco por meio desta mesma DCTF, a sua intenção de quitar e extinguir tais débitos por meio de compensação sem processos, momento a partir do qual, poderia o fisco, querendo, examinar a liquidez e a certeza do alegado direito creditório utilizado no encontro de contas com o débito constituído por meio da confissão, podendo homologar o procedimento por ato formal ou pelo decurso do tempo estabelecido para homologação do lançamento do tributo. Ciente da decisão de primeira instância em 04/06/2012, conforme Aviso de Recebimento à fl. 383, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/07/2012 conforme carimbo de recepção à folha 386. No recurso interposto (fls. 387/395), com base em excertos que transcreve da decisão recorrida, a interessada sustenta (fls. 388/389) que “o indébito tributário se tornou incontroverso” e que “a controvérsia, portanto, cingese exclusivamente quanto à formalidades intrínsecas ao procedimento da compensação, supostamente desatendidas pelo sujeito passivo”. Na sequência, afirma que a compensação por ela efetuada se encontrava autorizada por legislação específica, a saber, o art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Tão somente, se teria omitido em apresentar as informações sobre a compensação em DCTF, mas assim teria procedido por estar, à época, desobrigada de fazêlo. Tal obrigatoriedade (de prestar informações) somente teria surgido a partir das alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002, com efeitos a partir de 01/10/2002. Registra, ainda, que a IN 126/1998 seria igualmente omissa sobre o assunto. A recorrente se insurge contra a decisão combatida, a qual teria concluido que as informações sobre compensação devem constar obrigatoriamente em DCTF não em razão de disposições contidas em lei ou instrução normativa, mas por força de meras instruções de preenchimento do programa gerador. Colaciona jurisprudência do Poder Judiciário em favor de sua tese. A interessada acrescenta que “a incorreção na apresentação de dados não ocasionou nenhum prejuízo, posto que o contribuinte escriturou de forma escorreita os fatos imponíveis praticados, permitindo à Autoridade Fazendária confrontálos com as informações de seus sistemas e concluir, ao fim de todo o procedimento, pela inexistência de crédito fiscal a ser exigido em razão do contribuinte ser credor e não devedor do Fisco. Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17393.XIZW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.002436/200350 Resolução nº 1302000.272 S1C3T2 Fl. 403 7 Conclui com o pedido de reforma da decisão de primeiro grau, “face às conclusões espostas em perícia realizada pela autoridade fazendária que reconheceu o direito de crédito do contribuinte em valor superior ao montante lançado”. Caso seu pedido não seja aceito, pleiteia o reconhecimento de direito de crédito representativo de recolhimento a maior da CSLL no exercício de 1999 no montante de R$ 13.979,56, devidamente atualizados. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno de auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrada diante de diferenças apuradas pelo Fisco entre os valores escriturados e os declarados/pagos. Durante as diversas etapas do processo, a situação fática foi sendo esclarecida. Não há mais dúvidas de que a origem das diferenças encontradas pela Fiscalização estava na possibilidade legal outorgada ao contribuinte de compensar até um terço da COFINS efetivamente paga com a CSLL devida, no período compreendido entre fevereiro/1999 e dezembro/1999. Com o exercício desse direito e, ainda, diante das retenções sofridas na fonte nos recebimentos de órgãos públicos, a interessada teria acumulado um direito creditório em 31/12/1999, o qual passou a utilizar para compensar o mesmo tributo devido nos períodos subsequentes, de janeiro/2000 a junho/2003. Após a diligência realizada por determinação da Autoridade Julgadora em primeira instância, é também incontroversa a existência de um saldo credor (em favor da interessada) no valor de R$13.979,56, em 31/12/1999 (vide fl. 338). O litígio se resume, assim, a decidir se a utilização do saldo credor existente em 31/12/1999 para compensar débitos da CSLL nos períodos de jan/2000 a jun/2003, na forma como foi feita, encontra amparo legal (como sustenta a recorrente) ou não (como decidiu a DRJ). Ao examinar os autos, no entanto, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. Para a formação de minha convicção, no caso sob exame, considero indispensável a certeza acerca da existência, ou não, de registros contábeis das compensações pretendidas pela interessada. E o exame dos autos não permite essa certeza. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte o intime, examine sua escrita contábil e, ao final: I. Informe se o saldo credor de CSLL acumulado ao longo do anocalendário 1999 (vide fl. 331 da sequência do sistema eprocesso) se encontra registrado na contabilidade. Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17393.XIZW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10530.002436/200350 Resolução nº 1302000.272 S1C3T2 Fl. 404 8 II. Informe se as compensações pretendidas pelo contribuinte entre o saldo credor referido no item I, acima, e os débitos de CSLL dos períodos de apuração compreendidos entre o primeiro trimestre/2000 até o segundo trimestre/2003 foram registradas na contabilidade. III. Se for o caso, faça acostar aos autos cópias das folhas dos livros contábeis em que o saldo credor acumulado e as compensações estejam registradas. IV. Acrescente outras informações e/ou documentos que considerar relevantes. O resultado final das verificações ora requeridas deve constar de relatório conclusivo, do qual deve ser cientificada a empresa, para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado. Na hipótese de haver desistência do recurso voluntário, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deverá ser informado. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17393.XIZW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013 11:59:43. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 13/11/2013 e WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0520.17393.XIZW Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 06EC823242DDF244E1EC1E15B6F5933704FB0F8B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10530.002436/2003-50. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10715.001581/93-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 1997
Ementa: Processo Administrativo Fiscal, Restituição
Cabe restituição, quando não há ocorrência de débito para com a
Fazenda Nacional entre a data da Certidão Negativa e a prolação de
decisão de Primeira Instância.
Recurso provido.
Numero da decisão: 301-28.326
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO BAPTISTA MOREIRA
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 20 de março de 1997 -n111111 MOACYR _ e • s- i EIROS Pr • - J O BAPTIS 'A MORE1' PIOCUILADORIA-GMAL DA FAZENDA NACIO"Al. elator Coordenn8e-Geral da Feprezentactio Extraludicist4 da Fazenda Nacional E,. ° 7 MAI 1897 a. 1 A i h..4.• L e• ANA ".-111EZ "ORIZ PONTES Procaddeto da Fazendo Not/emed Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARE, ISALBERTO ZAVÃO LIMA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO e LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEMOS. Ausentes os Conselheiros.: LEDA RUIZ DAMASCENO e SÉRGIO DE CASTRO NEVES. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.949 ACÓRDÃO N° : 301-28.326 RECORRENTE : SOUZA CRUZ S/A RECORRIDA : IRF - RIO DE JANEIRO - RJ RELATOR(A) : JOÃO BAPTISTA MOREIRA RELATÓRIO :Adoto o Relatório integrante da Resolução n° 301-1023 de fls. 95 et seqs, ut infra: "Trata-se de pedido de restituição de tributos formulado inicialmente pela interessada, pelas razões apresentadas no requerimento de fls. 01. Todavia, de acordo com as informações constantes do processo a respeito da situação fiscal da requerente, verifica-se que constam débitos pendentes com a Fazenda Nacional, razão pela qual, no uso da delegação de competência conferida pela Instrução Normativa n° 096/85, do Sr. Secretário da Receita Federal, INDEFIRO O pedido de restituição de tributos de que trata este processo, formulado pela interessada acima qualificada, em face do que dispõem o Oficio Circular GB-316-G, datado de 08/09/67, da Direção Geral da Fazenda Nacional, e a Orientação Normativa Interna CST- SRF n° 024, de 30/06/78. A Autoridade a quo, às fls. 81, assim decidiu: RESTITUIÇÃO - situação fiscal da requerente pendente de solução, em razão de débito junto à Fazenda Nacional. PEDIDO INDEFERIDO. Com tempestividade, foi interposto o recurso de fls. 85 et seqs, que leio para meus pares." Naquela ocasião, foi proferido o voto, Verbis; • "O que causa espécie, no presente processo, é que a Recorrente, embora alegue já ter recolhido aos cofres públicos os débitos com a Fazenda Nacional apontados pela Decisão de fls. 97, não tenha apresentado a Certidão Negativa pertinente por ocasião da impugnação, que não produziu, despacho de fls. 96. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO : 116.949 ACÓRDÃO N° : 301-28.326 Assim sendo, por ocasião da decisão era revel, nos termos do art. 21 do Decreto 70.235/72: "não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de 30 dias, para cobrança amigável". Ora, a Empresa foi intimada em 06/01/94 e a revelia foi declarada em 01/03/94, pelo despacho de fls. 96. Por outro lado, foi apresentada, pelo recurso voluntário, certidão negativa de débitos de 20/05/94. Porém, como se trata de pedido de restituição, julgo que cabe a produção de prova apresentada, a qualquer momento. O pedido original fala em compensação de débitos futuros; como isso não é possível, cabe a restituição. Voto no sentido de transformar o julgamento em diligência, junto à repartição de origem, para que seja informado se ocorreram débitos para com a Fazenda Nacional entre a data de Certidão Negativa e a prolação da Decisão de Primeira Instância." É o relatório. 3 4 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 116.949 ACÓRDÃO N° : 301-28.326 VOTO Como a informação de fls. 102 atesta, não existem débitos na repartição de origem e autos até 29/05/94, data da .pro1ação da Decisão de Primeira Instância. Não há mais o que esclarecer. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento ao pedido de restituição. Sala das Sessões, em 2 e: .. arço de 1997. t /, J 0 BAPTIS 'A O • IRA - • - lator , 4 Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720852/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.159
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, determinar o envio do presente processo ao relator do processo nº 10283.721271/200892
em virtude da constatação de conexão.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, determinar o envio do presente processo ao relator do processo nº 10283.721271/200892 em virtude da constatação de conexão. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10283.720852/201021 Resolução n.º 1302000.159 S1C3T2 Fl. 400 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação da seguinte infração: falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social, de ajustes decorrentes de preços de transferência, segundo o método denominado PRL 60. A 1ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, Pará, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e da Portaria MF nº. 3, de 2008. O referido julgado foi assim ementado: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas em casos concretos não se constituem em normas gerais. Inaplicável, portanto, a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1ª instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Comprovado que a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, possui saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores, legítima a compensação deste saldo na base de cálculo do lançamento, na forma definida pelo art. 15 da lei n° 9.065/95, mediante manifestação do sujeito passivo neste sentido. PREJUÍZOS FISCAIS NÃO OPERACIONAIS. COMPENSAÇÃO. Os prejuízos nãooperacionais somente podem ser compensados com os lucros nãooperacionais. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. Comprovado que a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, possui saldo de base negativa de períodos anteriores, legítima a compensação deste saldo na base de cálculo do lançamento, na forma definida pelo art. 16 da lei n° 9.065/95, mediante manifestação do sujeito passivo neste sentido. Por relevante, transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor da decisão em referência. ... Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10283.720852/201021 Resolução n.º 1302000.159 S1C3T2 Fl. 401 3 2.3 DA COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS ACUMULADOS No que tange a compensação de prejuízos fiscais, a solicitação tem guarida no art. 15 da Lei n° 9.065/95, infra. Tratase de uma faculdade concedida ao sujeito passivo que mantém os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação, limitada a trinta por cento do lucro líquido ajustado. ... O mesmo se diga compensação da base negativa da CSLL de exercícios anteriores, por sua vez fundamentada no art. 16 do mesmo diploma legal, in verbis: ... Como prova da existência de saldo de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, de exercícios anteriores, a recorrente juntou o Livro de Registro de Apuração do Lucro Real (fls. 184212 do Anexo I), bem como a folha 157 do Acórdão n° 01531 exarado no processo n° 10283.721271/200892 (fls. 213214 do Anexo I). Por meio destes documentos, extraíse que o saldo de prejuízos fiscais existentes até o anocalendário 2003 foi compensado com os ajustes relativos ao preço de transferência de que trata o processo n° 10283.721271/200892 (fl. 213214). Pelo que, restou no início do anocalendário 2005, um saldo de prejuízos fiscais, referentes ao ano anterior (2004), nos valores indicados na Tabela 1. Informações estas ratificadas por meio de consulta aos sistemas internos da RFB (fls. 218222). ... Extraise ainda dos documentos apresentados, que a recorrente apresentava um saldo negativo da CSLL, em 01/01/2005, no valor de R$ 5.726.295,26. Compulsando o lançamento, vêse que autoridade lançadora não considerou os saldos de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL, de períodos anteriores, no lançamento. De efeito, considerando a manifestação da recorrente no sentido de exigir, no caso concreto, o direito assegurado pelos art. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95, acolhese parcialmente o pleito, no sentido de permitir o uso dos saldos de prejuízos fiscais operacionais e de base negativa da CSLL, de períodos anteriores, para reduzir a base de cálculo do lançamento, obstando o uso do saldo do prejuízo não operacional, uma vez que os ajustes do lançamento se referem ao resultado operacional. Diante do acolhimento parcial, em primeira instância, das razões trazidas por meio de peça impugnatória, PHILIPS ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, interpôs o recurso de fls. 273/342, por meio do qual sustenta: a ilegalidade da metodologia de cálculo do preço parâmetro prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, vez que esta inovou no plano normativo, criando fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" absolutamente diversa da fórmula prevista no artigo 18 da Lei n° 9.430/1996, implicando sua aplicação indevida majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afrontando, assim, o disposto no inciso II e no §1° do artigo 97 do Código Tributário Nacional; Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10283.720852/201021 Resolução n.º 1302000.159 S1C3T2 Fl. 402 4 a competência dos Órgãos Administrativos de Julgamento, notadamente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para afastar, no caso concreto, as ilegalidades cometidas pelo Poder Executivo ao expedir Instruções Normativas, como, para ela, é o caso do artigo 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002; a ilegalidade do artigo 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, configurada, basicamente, pelas seguintes questões: i) instituição, pelo Poder Executivo, de fórmula de cálculo do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" absolutamente diversa da fórmula estabelecida pelo Poder Legislativo (artigo 18 da Lei n° 9.430/1996); e ii) majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL mediante aplicação de critérios de apuração previstos, única e exclusivamente, no texto de uma Instrução Normativa; que, na fórmula prevista no artigo 18 da Lei n° 9.430/1996, o legislador ordinário determinou que, para efeito de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%", a margem de lucro corresponde a 60% do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no País; que o legislador ordinário estabeleceu uma margem de lucro altíssima (60%), mas, por outro lado, autorizou a diminuição do valor agregado no País; que, de acordo com a metodologia (fórmula) de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" introduzida pela Instrução Normativa SRF n° 243/2002, no cálculo deverá ser excluído o valor agregado no País e a margem de lucro de 60%, anteriormente calculada sobre o preço líquido de venda diminuído do valor agregado no País; que foi incluída na fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" prevista na Instrução Normativa SRF n° 243/2002 o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro; que, com a proporcionalização do preço de venda, indiretamente está sendo deduzido o valor agregado no País no cálculo do preço parâmetro, em flagrante violação ao inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/1996; que a introdução na fórmula prevista na Instrução Normativa SRF n° 243/2002 do percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e da participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro altera, substancialmente, os critérios de cálculo previstos no artigo 18 da Lei n° 9.430/1996; que não há previsão legal para excluir o valor agregado no cálculo do preço parâmetro (o valor agregado deve ser excluído do preço líquido de venda apenas para fins de cálculo da margem de lucro corresponde a 60%); que, com a proporcionalização do preço líquido de venda, o valor é reduzido na exata proporção do percentual de participação do valor de aquisição do insumo no custo total, reduzindo o preço parâmetro e, por conseguinte, aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10283.720852/201021 Resolução n.º 1302000.159 S1C3T2 Fl. 403 5 que a apuração de ajuste em situação na qual não haveria ajuste caso observada a fórmula da Lei ou, então, a apuração de ajuste em valor superior ao que seria apurado caso fosse observada a fórmula da lei representam (em ambas as hipóteses) majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio da aplicação de disposições contidas, única e exclusivamente, no texto de Instrução Normativa, o que é absolutamente vedado pelo inciso II e pelo § 1º do artigo 97 do Código Tributário Nacional; que a Medida Provisória n° 478/2009 foi publicada com o evidente objetivo de, se convertida em Lei, corrigir as ilegalidades perpetradas pelo artigo 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002 quanto à fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL 60%; que a Medida Provisória n° 478/2009 representa o reconhecimento expresso de membros do Poder Legislativo e do Poder Executivo, e, também, do AdvogadoGeral da União (a exposição de motivos também foi assinada pelo Dr. Luís Inácio Lucena Adams), de que a fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" prevista na Instrução Normativa n° 243/2002 não encontra fundamento na Lei n° 9.430/1996 e, portanto, é ilegal; que o artigo 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002 também viola o princípio "arm's lenght"; que, ao determinar a comparação do preço praticado com preço parâmetro distante da realidade de mercado, o artigo 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002 ignorou, solenemente, o princípio "arm 's lenght", de modo que, por mais esse motivo, devem ser cancelados os autos de infração; que a simples discordância da Fazenda Nacional quanto ao disposto na Lei n° 9.430/1996 não legitima a aplicação de fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" não prevista em Lei; que ainda que fosse possível sustentar o entendimento da Fazenda Nacional de que a interpretação literal do artigo 18 da Lei n° 9.430/1996 poderia resultar em diferentes fórmulas de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%", o § 4° do artigo 18 da Lei n° 9.430/1996 confere ao contribuinte o direito de aplicação do método mais favorável; que a fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" pode ser considerada mais "benéfica" porque, corretamente, parte da premissa de que realmente uma empresa brasileira, em operações regulares de mercado, não atinge a elevadíssima margem de lucro de 60% e, por esse motivo, a fórmula da lei não excluiu o valor agregado no cálculo do preço parâmetro. que, caso se optasse por excluir o valor agregado do preço parâmetro, o percentual da margem de lucro de 60% deveria ser reduzido, inclusive, como se pretendeu com a Medida Provisória n° 478/2009, não convertida em Lei Ordinária; que, pela fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" prevista no artigo 18 da Lei n° 9.430/1996, o valor agregado no País ao bem importado reflete na apuração da margem de lucro de 60% e, também, no valor do ajuste no lucro tributável, de modo que, quanto maior o valor agregado no País, menor será o ajuste a título de preço de transferência; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10283.720852/201021 Resolução n.º 1302000.159 S1C3T2 Fl. 404 6 que é possível comprovar, matematicamente, que a aplicação da fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" da Instrução Normativa SRF n° 243/2002 mais do que dobra a tributação que seria obtida com a aplicação do método "PRL 20%", influenciando, inevitavelmente, a opção de importar para revender em vez de importar para produzir e posteriormente revender; que, ainda que se argumentasse que o método "PRL 60%" da Lei n° 9.430/1996 poderia incentivar a produção nacional, fato é que tal estímulo parece, por razões óbvias, muito mais razoável do que o estímulo para o desinvestimento no Brasil decorrente do aumento das importações para revenda direta, como parece pretender a Instrução Normativa SRF n° 243/2002; que, diferentemente do alegado pela Fazenda Nacional, a fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método "PRL 60%" prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002 não é adequada, não permite apurar o preço justo em decorrência do "efeito circular", como também não evita a transferência de lucros entre empresas vinculadas, uma vez que, na maioria das vezes, premia o contribuinte que não cumpre a legislação de preços de transferência e transfere lucros para o exterior (afirma que essa situação pode ser identificada nos casos em que o contribuinte não efetuar qualquer controle e tiver o seu lucro arbitrado); que, de forma absolutamente autônoma à ilegalidade do artigo 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, demonstrou na impugnação apresentada que o método "PRL 60%" não seria aplicável no anocalendário de 2005, nos termos do artigo 31 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002, tendo em vista que as vendas realizadas foram atípicas em virtude do encerramento de suas atividades operacionais no Estado do Amazonas; que, em que pese o entendimento manifestado na decisão recorrida, fato é que os argumentos e documentos trazidos aos autos para contextualizar a decisão de encerramento das atividades operacionais no anocalendário de 2005 não foram devidamente valorados pela Turma da DRJ/BEL; que, diante da decisão de encerrar as atividades no Estado do Amazonas, e considerando que os produtos importados estavam "mais baratos", no anocalendário de 2005, viuse obrigada a vender os seus produtos industrializados abaixo do preço de mercado para liquidar os estoques, apurando prejuízo operacional; que, tendo em vista que as operações de venda foram realizadas abaixo do preço de mercado para liquidar os estoques em virtude do encerramento das suas atividades no Estado do Amazonas, o artigo 31 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002 as qualifica como "atípicas", não podendo ser utilizadas para o cálculo do preço parâmetro; que a documentação juntada aos autos representa a comunicação aos funcionários, aos clientes e aos demais colaborares do encerramento das suas atividades no Estado do Amazonas, cuja decisão foi tomada no anocalendário de 2004, influenciando, por conseguinte, todas as vendas realizadas no anocalendário de 2005; que a autenticidade da documentação apresentada jamais poderia ser objeto de questionamento, pois foi utilizada por ela para contextualizar a decisão de encerramento de suas atividades operacionais no anocalendário de 2005 e propiciar o convencimento do julgador administrativo quanto à atipicidade das vendas realizadas; Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10283.720852/201021 Resolução n.º 1302000.159 S1C3T2 Fl. 405 7 que, com o objetivo de afastar ponto levantado apenas pela decisão recorrida, requer a juntada da tradução juramentada para o português dos documentos em inglês que instruíram a impugnação, nos termos da alínea "c" do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 ; que, considerando que faz jus ao benefício do "Lucro da Exploração", o ajuste a título de "Preço de Transferência" efetuado pela fiscalização deveria integrar o cálculo do "Lucro da Exploração"; que a vedação prevista no artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 267/2002 não está prevista em Lei e, portanto, não deve prevalecer; que, na remota hipótese de se entender que a vedação prevista no artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 267/2002 seria legal, fato é que tal dispositivo não se aplica na hipótese dos autos, pois ela não está pleiteando a recomposição do "Lucro da Exploração" para fins de novo cálculo do incentivo; que o pedido formulado por ela não foi para recomposição do Lucro da Exploração e novo cálculo do incentivo, mas, sim, para que este incentivo seja considerado na apuração do IRPJ efetuada, de ofício, pela Fiscalização; que a redução de 75% do Imposto de Renda é um incentivo fiscal previsto em Lei e foi reconhecido por meio de Atos Declaratórios emitidos pela própria Receita Federal do Brasil, não havendo, portanto, qualquer justificativa razoável para afastar a sua aplicação no caso concreto; que não tem fundamento legal a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, quando esta for exigida em conjunto com o tributo supostamente devido (e não isoladamente), conforme, inclusive, reconhecido pela 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS; que admitir a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício, quando exigida em conjunto com o tributo (e não isoladamente), seria impingir irremediável contradição aos próprios termos do art. 161 do CTN, pois este dispositivo, em sua parte final, além da cobrança dos juros de mora sobre o crédito inadimplido, resguarda a "imposição das penalidades cabíveis'" sobre este crédito inadimplido; que a "penalidade cabível” mencionada na parte final do art. 161 do C T N é a própria multa de ofício, o que demonstra, cabalmente, que este montante não se confunde com o crédito tributário sobre o qual incidirá os juros de mora e as penalidades cabíveis (multa de ofício). É o Relatório. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10283.720852/201021 Resolução n.º 1302000.159 S1C3T2 Fl. 406 8 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Em conformidade com o auto de infração de fls. 02/21, foi imputada à contribuinte a seguinte infração: ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, de parcela de custos relativos a bens adquiridos no exterior de pessoas vinculadas. Em virtude de tal imputação, foram promovidos lançamentos tributários relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. De acordo com o demonstrativo de fls. 20, a matéria tributável apurada alcançou o montante de R$ 22.440.100,68. Dos autos, é possível verificar que a matéria tributável objeto de exoneração e que deu causa ao recurso necessário deriva de compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas. Para comprovar a existência de saldos passíveis de compensação, a Turma Julgadora de primeiro grau tomou por base cópia de páginas do Livro de Apuração do Lucro Real juntada pela contribuinte (fls. 184/212 do ANEXO I) e cópia de páginas do acórdão nº 01 13531, também prolatado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Belém (fls. 213/214 do ANEXO I). Relativamente a essa questão (compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas), a decisão de primeira instância assinala: Como prova da existência de saldo de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, de exercícios anteriores, a recorrente juntou o Livro de Registro de Apuração do Lucro Real (fls. 184212 do Anexo I), bem como a folha 157 do Acórdão n° 01531 exarado no processo n° 10283.721271/200892 (fls. 213214 do Anexo I). Por meio destes documentos, extraíse que o saldo de prejuízos fiscais existentes até o anocalendário 2003 foi compensado com os ajustes relativos ao preço de transferência de que trata o processo n° 10283.721271/200892 (fl. 213 214). Pelo que, restou no início do anocalendário 2005, um saldo de prejuízos fiscais, referentes ao ano anterior (2004), nos valores indicados na Tabela 1. Informações estas ratificadas por meio de consulta aos sistemas internos da RFB (fls. 218222). (GRIFEI) Tabela 1 Saldo de Prejuízos Fiscais em 01/01/2005 Natureza do prejuízo fiscal AC Valor (R$) Não operacional 2004 2.703.111,99 Operacional 2004 3.023.183,27 Total 5.726.295,26 Extraise ainda dos documentos apresentados, que a recorrente apresentava um saldo negativo da CSLL, em 01/01/2005, no valor de R$ 5.726.295,26. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10283.720852/201021 Resolução n.º 1302000.159 S1C3T2 Fl. 407 9 Compulsando o lançamento, vêse que autoridade lançadora não considerou os saldos de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL, de períodos anteriores, no lançamento. De efeito, considerando a manifestação da recorrente no sentido de exigir, no caso concreto, o direito assegurado pelos art. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95, acolhese parcialmente o pleito, no sentido de permitir o uso dos saldos de prejuízos fiscais operacionais e de base negativa da CSLL, de períodos anteriores, para reduzir a base de cálculo do lançamento, obstando o uso do saldo do prejuízo não operacional, uma vez que os ajustes do lançamento se referem ao resultado operacional. (GRIFEI) Observase, pois, que a apreciação do RECURSO DE OFÍCIO depende dos seguintes fatores: i) da confirmação dos saldos de períodos anteriores de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, que, por sua vez, depende do julgamento acerca da procedência dos lançamentos tributários objeto do processo administrativo nº 10283.721271/200892; ii) da procedência da infração tratada no presente processo. De acordo com o sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na INTERNET, o processo administrativo nº 10283.721271/200892 encontrase, atualmente, na 1ª TURMA da QUARTA CÂMARA desta Primeira Seção de Julgamento. Diante dos fatos esposados, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja enviado à 1ª TURMA da QUARTA CÂMARA desta Primeira Seção de Julgamento, para que seja julgado de forma conjunta com o processo nº. 10283.721271/200892. Sala das Sessões, em 16 de dezembro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 11020.901472/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.107
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam tomadas providências conforme relatório e voto que desta formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL COMPENSAÇÃO – ERRO DE DECLARAÇÃO DILIGÊNCIA. A DRJ negou provimento à recorrente porque ao abrir o saldo negativo compensado em PER/DCOMP a empresa informou que o valor teria sido pago quando foi na verdade compensado, considerando que tais informações constam de PER/DCOMP, DCTF e DIPJ. Eventual erro formal isolado no preenchimento da PER/DCOMP não prejudicaria o direito ao crédito do CSLL paga a maior, desde que seja efetivamente apurada a existência, liquidez e certeza dos créditos compensados, para o que se pede diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam tomadas providências conforme relatório e voto que desta formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 11020.901472/200825 Error! Reference source not found. n.º 1302000.107 S1C3T2 Fl. 137 2 Relatório A Recorrente compensou em 31/03/2004 saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003, alegadamente recolhido por DARF e relativo ao mês de fevereiro de 2003. A compensação deuse com CSLL devido por estimativa no anocalendário de 2004 (fls. 02 e seguintes). A autoridade fiscal verificou que o crédito informado na PER/DCOMP conferia com o saldo de CSLL paga a maior de 2003 informado na DIPJ, porém, não pode confirmar o pagamento do valor correspondente, informado na PER/DCOMP. Diante disso, a autoridade fiscal não homologou a compensação. O despacho decisório foi emitido em 18/07/2008. Ciente da decisão, a empresa manifestou inconformidade alegando nulidade do despacho decisório por erro na capitulação legal e falta de embasamento em Lei. No mérito, informou a interessada que teve prejuízo no anocalendário de 2003 e apurou o saldo de CSLL a maior em 2003, conforme declarado em DIPJ e compensado na PER/DCOMP. Houve equívoco no preenchimento da PER/DCOMP, na medida em que o valor de CSLL não foi objeto de pagamento em DARF, mas sim de compensação consoante o processo administrativo 13018.000018/200315, conforme informado na DCTF no. 24.22.63.33.50, página 3. Em 17 de fevereiro de 2011, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) do Rio de Janeiro 1 proferiu sua decisão mantendo o despacho decisório. Entendeu a DRJ que a interessada informou em PER/DCOMP que o saldo negativo de CSLL de 2003 foi quitado por DARF. Não tendo sido localizado o DARF, correto está o despacho decisório. No mais o despacho é válido por foi produzido por autoridade competente e também esclareceu adequadamente as razões de fato e de direito que o fundamentam, dando toda a chance de defesa à contribuinte que demonstrou conhecimento pleno da razão pela qual sua compensação não foi homologada. No mérito, entendeu a DRJ que não pode apreciar os elementos de defesa trazidos pela contribuinte, pois inovam em relação ao que consta da PER/DCOMP e por outro lado não foram analisados pela Delegacia da Receita Federal de origem. À contribuinte caberia preencher adequadamente sua PER/DCOMP. Intimada em 11/03/2011, a empresa recorreu 12/04/2011 reforçando os argumentos de sua inconformidade e pedindo integral provimento de seu recurso. Protestou a interessada, pois um mero erro formal de preenchimento da PER/DCOMP não é razão suficiente para negar à contribuinte um direito ao crédito que existe conforme processo 13018.000018/200315 e DIPJ/04 e foi efetivamente compensado conforme DCTF 24.22.63.33.50, página 3 e PER/DCOMP. A compensação é direito previsto prevista na Lei 9.430/96. O indeferimento feito pela autoridade fiscal e DRJ com base na estrita formalidade de um único documento contraria a verdade material dos fatos e fere os princípios de exercício do poder público: finalidade, razoabilidade, eficiência; bem como a informalidade que é prática no processo administrativo. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 11020.901472/200825 Error! Reference source not found. n.º 1302000.107 S1C3T2 Fl. 138 3 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Entendo que o despacho decisório é plenamente válido, esclarece corretamente as razões de fato que resultaram na não homologação da compensação e o embasamento legal aplicável ao processo de compensação está corretamente citado. No mais o despacho atende a todos os requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e a contribuinte demonstrou pleno conhecimento das razões de fato e da regulamentação que resultaram na não homologação do crédito e da compensação e pode defenderse perfeitamente no mérito. Não houve portanto cerceamento de defesa ou outras questões formais que desabonem o despacho decisório. Nessa medida, não acolho a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. No mérito, a empresa preencheu corretamente o valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, compensado em 2004, em PER/DCOMP, às folhas 3. A empresa apenas se equivocou ao informar que a quitação do valor correspondente ocorreu via DARF, quando na verdade em sua manifestação de inconformidade informou que a quitação do valor ocorreu por compensação discutida no processo administrativo 13018.000018/2003 15, informação já contida em DCTF e disponível para a autoridade fiscal. Em consulta no COMPROT observei que referido processo ainda está em andamento na DRF – Caxias do Sul – RS. Dados do Processo Número : 13018.000018/200315 Data de Protocolo : 09/07/2003 Documento de Origem : COMPENSACAO Assunto : DECLARACAO DE COMPENSACAODECOMP ASSUNTOS TRIB DIVERSOS Nome do Interessado : CREDEAL MANUFATURA DE PAPEIS LTDA CNPJ : 87.864.237/000107 Localização Atual Órgão Origem : SERV ORIENT ANALISE TRIBUTDRFCXLRS Órgão Destino : AG REC FED GUAPOREDRFCAXIAS DO SULRS Movimentado em : 10/08/2010 Sequencia : 0016 RM : 10752 Situação : EM ANDAMENTO UF : RS Fl. 139DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 11020.901472/200825 Error! Reference source not found. n.º 1302000.107 S1C3T2 Fl. 139 4 Considerando o princípio da verdade material, entendo que o mero erro formal do PER/DCOMP não pode preterir a compensação da contribuinte se ficar comprovada a existência e certeza do crédito tributário. Logo, devese aprofundar a análise dos fatos para o que decido converter o julgamento em diligência de forma que a autoridade preparadora possa, por favor, apensar este processo ao processo de número 13018.000018/200315, para que, uma vez que tal processo tenha sido julgado pela DRJ, ambos possam ser remetidos a este Conselho para julgamento conjunto. É como voto. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 140DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU
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