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Numero do processo: 13609.000112/97-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas, ou de pessoas jurídicas não contribuintes de PIS e COFINS, como cooperativas, não dão direito ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363/96 como ressarcimento dessas duas contribuições, devendo seus valores ser excluídos da base de cálculo do incentivo.
COMPRAS DE INSUMOS RETRATADAS EM NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DOS VALORES CORRESPONDENTES NA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Não havendo o contribuinte demonstrado, por provas hábeis a tanto, que efetivamente implementou compras de insumos junto de empresas, ao menos demonstrando os pagamentos das respectivas faturas e as compensações de cheques utilizados nas quitações, inevitável reputar as respectivas notas fiscais inidôneas para efeito de apuração do crédito presumido de IPI, sobretudo porque a fiscalização, mediante levantamentos realizados, verificou inexistirem as parceiras comerciais da contribuinte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-10.608
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, em negar provimento ao recurso: I) pelo voto de qualidade, quanto às aquisições de pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Cesar Piantavigna (Relator), Maria Teresa Martínez Lépez, Valdemar Ludvig e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir. o voto vencedor; e II) por unanimidade de votos, quanto às demais matérias.
Nome do relator: César Piantavigna
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Acórdão n° : 203-10.608 ter Recorrente : SIDERÚRGICA ITA-MIN LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG IN. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas, ou de pessoas jurídicas não contribuintes de PIS e COFINS, como cooperativas, não dão direito ao crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96 como ressarcimento dessas duas contribuições, devendo seus valores ser excluídos da base de cálculo do incentivo. COMPRAS DE INSUMOS RETRATADAS EM NOTAS FISCAIS INIDÕNEAS. IMPOSSIBILIDADE ' , DE INCLUSÃO DOS VALORES CORRESPONDENTES NA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. :Islão havendo o contribuinte demonstrado, por provas hábeis á tanto, que efetivamente implementou compras de Sumos junto de empresas, ao menos demonstrando os pagamentos das respectivas faturas e as compensações de cheques utilizados nas quitações, inevitável reputar as respectivas notas fiscais inidõneas liara efeito de apuração do crédito presumido de IPI, sobretudo porque a fiscalização, mediante levantamentos realizados, verificou inexistirem as parceiras comerciais da contribuinte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SIDERÚRGICA ITA-MIN LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em negar provimento ao recurso: I) pelo voto de qualidade, quanto às aquisições de pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Cesar Piantavigna (Relator), Maria Teresa Martínez Lépez, Valdemar Ludvig e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir. o voto vencedor; e II) por unanimidade de votos, quanto às demais matérias. Sala das Sessões, em 07 de dezembro de 2005. MINISTÉRIO DA FAZENDA r Conselho da Contribuintes -'a CONFERE O ORIGINAL igtonio erra Neto Brasília, o21) "ipreL,1 06 Presiden e e Relator-Designado rr° VISTO Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Emanuel Carlos Dantas de Assis e José Adão Vitorino de Morais (Suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvia de Brito Oliveira. Eaal/mde 1 2' CC-MF••••;txt-..,, Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes MINISTÉRIO DA FAZENDAni's• • 2' Conseiho cotai-unimos Processo n° : 13609.000112/97-13 CONFERE COM O ORIGINAL Recurso n° : 122.767 Brasnia,42411 02AG Acórdão n° : 203-10.608 VISTu Recorrente : SIDERÚRGICA ITA-MIN RELATÓRIO Pedidos de Compensação (fls. 01/03) formulados em 05/06/97, conjugados a pleito de restituição (fl. 04), posteriormente substituído por requerimento de ressarcimento de crédito presumido de IPI (fl. 241), solicitou o pagamento de R$ 431.692,77 a título do referido incentivo. Termo de Verificação Fiscal (fls. 257/262) apura que a contribuinte considerou aquisições de insumos frente a pessoas fisicas, e compras retratadas em notas fiscais inidôneas, no cálculo do crédito presumido de IPI, razão pela qual opina pelo deferimento do ressarcimento em apenas R$ 340.663,57, sendo admitido nesta importância pelo despacho decisório alocado às fls. 274/276. A empresa, até então sob a firma AVO Siderurgia Ltda, apresentou "defesa" (fls. 293/305) salientando que a falta de homologação de compensações postuladas neste feito gerou a expedição de auto de infração, cuja exigência tributária não pode ,vingar até o desfecho do presente processo administrativo. Aduziu que as compensações intentadas independiam de autorização administrativa. Quanto à limitação ao ressarcimento a empresa alegou que a Lei n° 9.363/96 não estabelece restrições às aquisições de insumos para efeito de cálculo do incentivo, tendo abrangido todas e quaisquer compras, independentemente do vendedor não estar sujeito ao PIS e à Cofins. Disse que o frete e a energia elétrica refletem importâncias que inevitavelmente devem compor o levantamento do crédito presumido de IPI. Invocou de julgados deste Conselho ao amparo de sua tese. Sustentou, por outro lado, que não lhe competia verificar a inidoneidade de notas fiscais que lhe eram passadas por fornecedores, motivo pelo qual, despontando com boa-fé no contexto, não poderia ver cerceada sua prerrogativa legal de fruir o incentivo apurado com base nos citados escritos. Decisão (fls. 436/452) da instância de piso confirma a rejeição dos ressarcimentos almejados pela contribuinte, destacando que valores de fretes somente podem ser reputados insumos caso os custos correspondentes estejam vinculados expressamente às notas fiscais de compras de materiais. Salientou que importâncias correspondentes ao consumo de energia elétrica não integram a apuração do incentivo em comento, tampouco montantes representativos de aquisições de insumos frente a pessoas fisicas, ou assinaladas em notas fiscais inidôneas. Recurso (fls. 456/469) reinveste no acolhimento da pretensão ressarcitória, pelos mesmos fundamentos deduzidos na defesa enfrentada pela decisão da instância de piso. É o relatório, no essencial. On 2 MINISTÉRI O DA FAZENDA CC-MF Ministério da Fazenda r-9/ Segundo Conselho de Contribuintes CoaNcF°E7E91:::OnO triabignull4301.0.• / G BraatIlaj#0- Processo n° : 13609.000112/97-13 Recurso n° : 122.767 )•ti, Acórdão n° : 203-10.608 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR CESAR PIANTAVIGNA VENCIDO QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS A riretensão recursal merece parcial agasalho. Convém dizer que a matéria controversa envolve apenas o cômputo de aquisições feitas pela empresa frente a pessoas fisicas nos levantamentos próprios ao crédito presumido de IPI, e a consideração de importâncias condizentes a compras retratadas em notas fiscais inidôneas na apuração do citado incentivo. A circunstância de o recurso da contribuinte referir-se-à inclusão de fretes e de valores referentes a energia elétrica na quantificação do crédito presumido de IPI deve-se ao teor integral do termo de verificação fiscal acostado às fls. 257/262, que não aborda exclusivamente questões afetas ao processo administrativo que interessa considerar no caso vertente, mas vários pleitos distintos da contribuinte que envolvem as matérias mencionadas no inicio deste parágrafo, conquanto figurem estranhas à controvérsia sob enfoque. Desta feita, o primeiro dos pontos realmente interessantes à questão sob exame conta com posicionamento sedimentado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo dessume-se do seguinte julgado: "IPI - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO -1) AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS - A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no • art. I° da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada refere-se a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas SRF nrs. 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de 1PI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS (IN SRF n° 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. 2) EXPORTAÇÕES ATRAVES DE EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS - Estando em pleno vigor, no ano de 1996, os artigos I° e 3° do Decreto-Lei n°1.248, de 29.11.72, são assegurados ao produtor-vendedor os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação nas vendas a empresas comerciais exportadoras destinadas à exportação. 3) TAXA SELIC - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma 'Qkl\ 3 1 : MINISTÉRIO DA FAZENDA .9 r Conselho da Contribuintes_ Ministério da Fazenda < Segundo Conselho de Contribuintes (7;`..2,0 ORliGoING Fl. AL CC-MF a` .• Processo n° : 13609.000112/97-13 CONFERE f Brasil ia t.6. visto Recurso n° : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n°2.138/97 tratado de restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido." (1' Câmara: Recurso 110.657. Processo n° 10675.000979/97-61. Julgado em 17/04/2001. Rel. Conselheiro Serafim Femandes Correa. Acórdão 201-74.438) Adoto a orientação como parâmetro decisório, salientando que também o STJ enfrentou a matéria, tendo optado por idêntico desfecho: "TRIBUTÁRIO — CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA — LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/9 7 — LEGALIDADE. I. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. I°, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IN as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matéria-prima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 2. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutido no valor do produto final adquirido pelo produtor-exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 - Regulamento do IPI -, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2°), sem condicionantes. 3. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MI' 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 4. Recurso especial improvido." (REsp 586.392/RN, Rel. Ministra EMANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/10/2004, DJ 06/12/2004 p. 259) Já no que tange às aquisições retratadas em notas fiscais iniclôneas não vejo como compactuar com as alegações da empresa. Com efeito, o único fundamento que sustenta a tese da Recorrente consiste nos supostos cheques emitidos para pagar os fornecedores que, conforme apurado pela fiscalização, na verdade inexistiam (fls. 258/259, e anexo V deste processo administrativo). Não foi apresentado qualquer cheque pela empresa, como também extratos que comprovassem suas compensações, e muito menos as duplicatas que estariam justificando as expedições dos citados títulos de crédito. Não foi feita prova (artigos 15 e 16 do Decreto N° 70.235/72), assim, das materializações das operações (aquisições) retratadas nas notas fiscais cujas importâncias foram descartadas da apuração do crédito presumido de 1P1, cujo ressarcimento a Recorrente almeja nesses autos. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 2° Conselh AL o cli; Contribuintes • , tft 22 CC-MF____•)•:. Ministério da Fazenda Fl. fj.,?.. Segundo Conselho de Contribuintes CaDZEittwe 01,120n 0. R raÕ _ING Processo n" : 13609.000112/97-13 vi ST Recurso a° : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 Ausente a prova, de nenhuma consistência deve ser reputada a alegação, de conseguinte falível a pretensão nela baseada. Ante ao exposto, dou provimento parcial ao pleito deduzido no recurso interposto, exclusivamente para admitir que na base de cálculo do crédito presumido de IPI, cujo ressarcimento é pleitéjado pela empresa nesses autos, sejam consideradas as aquisições de insumos feitas frente a pessoas físicas. - Sala d., jessões, em 07 de dezembro de 2005. • CES • ' • I IGNA • 5 • I: • MINISTER!O DA FAZENDA • . ' 2* Conseule cu:itrbulotes Ministério da Fazenda CONFERE Cf » O ORIGINAL 22 CC-MF tfr Segundo Conselho de Contribuintes Brasília GLJOG R "S'49- Processo n° : 13609.000112/97-13 VISTb Recurso n° : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 VOTO DO CONSELHEIRO ANTONIO BEZERRA NETO DESIGNADO QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS A discOrdância em relação ao voto do ilustre relator prende-se aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, cujos valores entendo não devam ser incluídos na base de cálculo do incentivo. • Reconheço que o tema gera acirrados debates na doutrina e na jurisprudência, merecendo uma análise minuciosa. Porém, antes de adentrar na especificidade da matéria, por tratar-se de interpretação ligada à concessão de beneficio fiscal (Crédito Presumído do IPI), cabe sublinhar antes alguns pontos que reputo importantes para o deslinde da questão. Do Direito Excepto Há uma certa tendência à construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente econômica. É preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. A interpretação econômica do fato gerador serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Ademais, sublinhe-se, que em se tratando de normas onde o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. É nesse sentido o escólio de Carlos Maximiliano (In Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12' 1, Forense, Rio de Janeiro, 1992, p. 333/334): "O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ónus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve serfeita em termos claros, irretorquíveis; ficar privada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no tato; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos". Vê-se que a boa hermenêutica, baseada nos profícuos ensinamentos de Carlos Maximiliano, ensina que a norma que veicula renúncia fiscal há de ser entendida de forma restrita. Feitas essas considerações iniciais, passo a decidir. 6 . • st CC-MF -• At. tle Ministério da Fazenda Fl.:021,:cp irisatoErrioll,°„.tilt‘i,:n :RL:tEllewilltirD145AAL Segundo Conselho de Contribuintes Brastlia,_âni--01-cH126— Processo n° : 13609.000112/97-13 Recurso n° : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 Aquisição de insumos às Pessoas Físicas e Cooperativas — Crédito Presumido de IPI O créckto presumido do IPI como ressarcimento do PIS e COFINS nas exportações foi instituído pela MP n° 948, de 23/05/95, que após reedições foi convertida na Lei n°9.363, de 16/12/96, cujos arts. 1° e 3° determinam: "Art. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n" 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos Intermediários e material de embalagem, para utilização tio"processo produtivo." (grifo nosso). Vê-se que a Lei n° 9.363, de 1996, que introduziu o beneficio em tela, previu, em seu art. 1°, que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam "incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" (g.n.). O seu art. 2°, por sua vez, previu que "A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior" Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastar-se das seguintes premissas: por primeiro, tratando-se de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os beneficios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas; segundo, que os insumos que comporão a base de cálculo são aqueles em que houve a incidência daquelas contribuições sobre as respectivas aquisições; e, por último, e quem sabe o mais importante, a expressão "valor total das aquisições" deve ser interpretado em seu contexto correto, ou seja, a expressão "total das aquisições" está vinculada necessariamente ao total das aquisições, sim, mas apenas aquele total obtido como resultado da seleção efetivada pela restrição do art. 1°, qual, seja: somente aquelas aquisições em que seja possível a desoneração das contribuições, significando que o que mais importa é que tenha ocorrido a incidência jurídica, e não a econômica. No tocante ainda à última das premissas delineadas, socorro-me do magistério do festejado jurista Pontes de Miranda, ensinando-nos que "é muito importante, no estudo de qualquer questão jurídica, a separação entre o mundo jurídico e o mundo dos fatos. Por falta de atenção aos dois mundos, muitos erros se cometem e, o que é mais grave, se priva a inteligência humana de entender, intuir e dominar o direito. Os fatos do mundo ou interessam ao direito, ou não interessam. Se interessam, entram no subconjunto do mundo a que se chama mundo jurídico e se tornam fatos jurídicos, pela incidência das regras jurídicas, que assim os assinalam".(g.n) 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • • e 2° Conseiro c'e Contribuintes CC-MF Ministério da Fazendaai• CONFERE C ri4 0 ORIGINAL Fl. P(4 Segundo Conselho de Contribuintes • Brasiliajej 02,1 06 Processo n° : 13609.000112/97-13 VISTO Recurso n° : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 Esse mesmo aspecto foi magnificamente abordado pelo conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis em voto irretocável proferido no Acórdão n o 203-09.899, que adoto também como razão de decidir: "A expressão "incidentes", empregada pelo legislador no texto do art. i° da Lei n° 9.363/96: refere-se evidentemente à incidência jurídica. Diz-se que a norma jurídica tributária enquanto hipótese incide (daí a expressão hipótese de incidência), recai sobre o fato gerador econômico em concreto, juridicizando-o (tornando-o fato jurídico tributário) e determinando a conduta prescrita como conseqüência jurídica, consistente no pagamento do tributo. Esta a fenomenologia da incidência tributária, que não difere da incidência nos outros ramos do Direito. Pontes de Miranda, acerca da incidência jurídica, já lecionava que "Todo o efeito tem de ser efeito após a incidência e o conceito de incidência exige lei e fato. Toda eficácia jurídica é eficácia do fatojuridico; portanto da lei e do fato e não da lei ou fato."' Também tratando do mesmo tema e reportando-se à exprei são fato gerador - empregada no CIN ora para se referir à hipótese de incidência apenas prevista, ora ao fatojurídico tributário já realizado -, Alfredo Augusto Becker leciona: "Incidência do tributo: quando o Direito Tributário usa esta expressão, ela signca incidência da regra jurídica sobre sua hipótese de incidência realizada ("fato gerador", juridicizando-a, e a conseqüente irradiação, pela hipótese de incidência juridicizada, da eficácia jurídica: a relação jurídica tributária e seu conteúdo jurídico: direito (do Estado) à prestação (cujo objeto é o tributo) e o correlativo dever (do sujeito passivo: o contribuinte) de prestá-la; pretensão e correlativa obrigação; coação e correlativa sujeição.' A incidência jurídica não deve ser confundida com qualquer outra, especialmente a econômica ou a financeira. Em sua obra, Becker faz distinção entre incidência • econômica e incidência jurídica do tributo. De acordo com o autor, a terminologia e os conceitos econômicos são válidos exclusivamente no plano econômico da Ciência das Finanças Públicas e da Política Fiscal. Por outro lado, a terminologia jurídica e os conceitos jurídicos são válidos exclusivamente no plano jurídico do Direito Positivo. O tributo é o objeto da prestação jurídico-tributária e a pessoa que satisfaz a prestação sofre, no plano econômico, um ônus que poderá ser reflexo, no todo ou em parte, de incidências econômicas anteriores, segundo as condições de fato que regem o fenômeno da repercussão econômica do tributo. Na trajetória dessa repercussão, haverá uma pessoa que ficará impossibilitada de repercutir o ônus sobre outra ou haverá muitas pessoas que estarão impossibilitadas de repercutir a totalidade do ônus, suportando, definitivamente, cada uma delas, uma parcela do ônus econômico tributário. Esta parcela, suportada definitivamente, é a incidência econômica do tributo, que não deve ser confundida com a incidência jurídica, assim como a pessoa que a suporta, o chamado "contribuinte de fato", não deve ser confundido com o contribuinte de direito. (9" ;Se Apud Roberto Wagner Lima Nogueira, in Fundamentos do dever de tributar, Belo Horizonte, Dei Rey, 2003, p. 1. Alfredo Augusto Becker, in Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Lejus, 1998, p. 83/84. 8 • .1 MINISTÉRIO DA FAZENDA r Conselho de. Contribuintes.‘44 2* CC-MF••• Ministério da Fazenda CONFERE eXii O ORIGINAL Fl."1.4ist Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia .C1QJ 09_ r oG Processo n° : 13609.000112/97-13 VISTi Recurso n° : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 Fica então patente a confusão perpetrada por essa corrente de interpretação quando confunde repercussão prevista em normas jurídicas, e por elas alçada ao mundo jurídico, e uma repercussão ocorrida apenas no mundo dos fatos, mas que não integra o suporte fático de norma alguma e, por isso, não faz parte do mundo jurídico, sendo sem relevância para este. Outrosáim, vê-se, ainda, que a questão não é somente de lógica jurídica, mas também de bom-senso e de razoabilidade. Afinal, é próprio do senso comum se entender a figura do ressarcimento como uma recuperação daquilo que se pagou, pois senão, perde-se o objeto daquele. O ponto de partida de qualquer beneficio que vise ao ressarcimento tem que ser algo factual e não presumido. Só se presume aquilo que não se pode atingir de forma mais direta. Foi o que fez a lei. A base de cálculo é o valor total dos insumos sobre os quais há incidência das contribuições. . O que se presume, por ser dificil a sua apuração efetiva é, por exemplo, no caso concreto, a quantidade de elos de uma cadeia produtiva em que ocorre a incidência tributária em cada um dos insumos: dessa forma o percentual 5,37 %, de fato, foi presumido pelo legislador para todos os insumos, sim, tendo este fator sido obtido a partir da soma de 2% de COFINS mais 0,65% de PIS, com incidência dupla e bis in idem (2 x 2,65% + 2,65% x 2,65 = 5,37%). Outrossim, existe uma particularidade matemática que envolve a fórmula do crédito presumido que cabe aqui um esclarecimento, no intuito de se evitar confusões conceituais. É sabido que em qualquer cálculo que envolva operações matemáticas, quando uma grandeza infinita é multiplicada por uma grandeza finita o resultado é uma grandeza infinita. O resultado da multiplicação de uma grandeza determinada por uma grandeza indeterminada tem como resultado uma grandeza indeterminada. Da mesma forma, o resultado da multiplicação de uma grandeza determinada por uma grandeza presumida tem como resultado uma grandeza presumida. Assim, não desconheço que o crédito não deixa de ser "presumido", mesmo que parte de sua composição seja factual (insumos tributados), afinal, como mostrado no parágrafo anterior, ao se incorporar a qualquer fator factual, um fator presumido, por óbvio, que o resultado final, como que "contaminado" passa a ser também presumido, o que explica a denominação desse beneficio (crédito presumido). Por outras palavras, a presunção não diz respeito à incidência jurídica das duas contribuições sobre as aquisições dos insumos, mas ao valor do beneficio. O valor é que é presumido, e não a incidência do PIS e COF1NS, que precisa ser certa para só assim ensejar o direito ao beneficio. Assim, é uma falácia, conhecida como da falsa causa, atribuir ao significado da denominação, por exemplo, que nasceu a partir de uma conseqüência do método utilizado pelo legislador, a causa ou justificativa para ampliação de sua base de cálculo (incidência econômica). Por último, mas não menos importante, vai aí um argumento que espanca quaisquer dúvidas por ventura ainda existentes: o art. 5° da Lei n° 9.363/96 determina que "a eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuiç5es referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente", pois ao deterrninar que o PIS e a COFINS restituídos a fornecedores devem ser estornados do valor do ressarcimento, teria o 9 9 • • " • CC-MFnr? Ministério da Fazenda CO NFERE Fl. .4" Segundo Conselho de Contribuintes B Mr821Nsc1Inas ekAoo FAZENDA Processo n° : 13609.000112/97-13 Recurso O : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 legislador fornecido um indício a mais de que condicionou o incentivo à existência de tributação na última etapa", o que impediria a inclusão de aquisições feitas de não contribuintes. E não se venha alegar que esse argumento não pode ser utilizado pelo fato de o sobredito artigo nunca, ter sido regulamentado. Ora, sem adentrar no mérito de sua eficácia ou não, o que se quer demonstrar é que a lei forneceu mais um indício de que o foco é na existência de tributação na última etapa. O teor desse artigo não deixa dúvidas quanto a isso. Ademais, costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que "a lei não contém palavras inúteis", a qual, segundo se diz, vem a ser principio basilar da disciplina. É dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8'' ed., Freitas Bastos, 1965, p. 26). Esse mesmo aspecto foi muito bem abordado pelo ilustre Conselheiro MARCUS VINICIUS NEDER DE LIMA em voto irretocável proferido no Recurso n° 108.027, que adoto também como razão de decidir: "Nesse sentido, a Lei n°9.363/96 dispõe, em seu artigo 3 1; que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem s incidência do PIS e da COFINS, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor/exportador. A vincula ção da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que as aquisições de instamos, que sofreram a incidência direta das contribuições, é que devem ser consideradas. A negociação dessa premissa tornaria supérflua tal disposição legal, contrariando o princípio elementar do direito, segundo o qual não existem palavras inúteis na lei. Reforça-tal entendimento o fato de o artigo 5 0 da Lei n° 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz ius o produtor/exportador quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da COFINS pagas pelo fornecedor na etapa anterior. Ou seja, o legislador prevê o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor, no caso de restituição ou de compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo, na hipótese em que a contribuição foi paga pelo fornecedor e restituída a seguir, resta claro que o legislador optou por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa. Pensar de outra forma levaria ao seguinte tratamento desigual: o legislador consideraria no incentivo o valor dos insumos adquiridos de fornecedor que não pagou a contribuição e negaria o mesmo incentivo. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria o direito ao incentivo sem que houvesse ônus do pagamento da contribuição e na outra não. O que se consta é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo a ser empregada, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o 10 • ti:',Y1 Ministério da Fazenda o14r FCC-MF l. "PP Segundo Conselho de Contribuintes sMr at.4sCi Slot rars kl o()f.:(3:st .C. o s Lola :t i R. .4 uEri nt4aeC II, is Am Processo n° : 13609.000112/97-13 Recurso n° : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 intérprete supor que a lei disse menos do que queria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando a exoneração fiscal para hipóteses não previstas. (.) E friesmo que se recorra à interpretação histórica da norma, verifica-se, pela Exposição de Motivos n° 120, de 23 de marca de 1995, que acompanha a Medida Provisória n° 948/95, que o intuito de seus elaboradores não era outro se não o aqui exposto. Os motivos para a edição de nova versão da Medida Provisória, que institui o beneficio, foram assim expressos: "(..) na versão ora editada, busca-se a simplificação dos mecanismos de controle das pessoas que irão fluir o beneficio, ao se substituir a exigência de apresentação das guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, por documentos fiscais mais simples, a serem especificados ,em ato do Ministério da Fazenda, que permitam o efetivo controle das operações em fáco". (grifou-se) '.. • À guisa de sumariar as idéias postas alhures, podemos sacar, nesse ensejo, as seguintes conclusões: geralmente se empresta uma importância exagerada à expressão valor total, empregada no art. 2°, esquecendo-se da referência expressa ao art. 1°; bem assim, comumente, faz-se, exageradamente, uma ligação entre o fato de o valor final do beneficio ser presumido e a necessidade de a norma incorporar presunções de possíveis incidências econômicas mesmo que o insumo comprado não tenha sido tributado na etapa anterior, criando toda uma teoria de ampliação da base de cálculo, deixando o mundo do direito para adentrar ao mundo econômico, mesmo sabendo se tratar de um Direito excepto; e, por último, mas não menos importante, esquecem-se de avaliar o teor o art. 5° da Lei n° 9.363/99, como se o mesmo não existisse. Interpretação Teleológica - inaplicabilidade Ainda, em relação à interpretação Teleológica que muitos emprestam à questão, embora reconhecendo que a finalidade do crédito presumido seja estimular as exportações, desonerando-as da incidência do PIS e COF1NS, referida interpretação não pode desfigurar a concepção final do incentivo, ao ponto de incluir em sua base de cálculo toda e qualquer aquisição. Neste mesmo sentido é a lição de Karl Engisch, que se adapta como uma luva ao caso em comento, principalmente por se tratar de direito excepto: "Com o acto legislativo, dizem os objectivistas, a lei desprende-se do seu autor e adquire uma existência objectiva. O autor desempenhou o seu papel, agora desaparece e apaga- se por detrás da sua obra. A obra é o texto, a 'vontade da lei tornada palavra', o 'possível e efectivo conteúdo de pensamento das palavras da lei '." Das considerações sobre valoração das normas Em tese, certas inclusões não previstas em lei podem até ser consideradas injustas pelo aplicador da lei. 11 , • MINISTÉRIO DA FAZENDA r Conselho da Contribuintes 2' CC-MF rra. Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Fl. tfr.7---,t4- Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, ‘29 / 012.- /I • 1 Processo no : 13609.000112/97-13 VISTOF Recurso n° : 122.767 Acórdão n° : 203-10.608 Porém, ao meu sentir, não compete ao julgador administrativo estabelecer se uma norma é justa ou não, eficaz ou ineficaz. Ao julgador, cabe verificar a validade de uma norma, ou seja, se ela existe como .regra jurídica no ordenamento pátrio, independentemente do juízo de valor. Uma norma pode ser, por exemplo, justa sem ser válida, ou ser válida sem ser justa. A correção desta eventual ausência de correlação entre as normas e os valores que regem o nosso ordenamento jurídico, compete aos legisladores ou, no máximo, ao Poder Judiciário e não ao julgador administrativa. A possibilidade da distinção destes planos pode-se deduzir do pensamento de Norberto Bobbio, quando afama: "...é preciso ter bem claro em mente se quisermos estabelecer uma teoria da norma jurídica com fundamentos sólidos, é que toda norma jurídica pode ser submetida a três valorações distintas, e que estas valorações são independentes umas das outras. • De fato, frente a qualquer norma jurídica podemos colocar uma tríplice ordem de problemas: I) se é justa ou injusta; 2) se é válida ou inválida; 3) se é eficaz ou ineficaz." "O problema da validade é o problema da existência da regra enquanto tal, independentemente do juízo de valor se ela é justa ou não. Enquanto o problema da justiça se resolve com um juízo de valor, o problema da validade se resolve com um juízo de fato, isto é, trata-se de constatar se uma regra jurídica existe ou não, ou melhor, se tal regra assim determinada é uma regra jurídica." "Em particular, para decidir se uma norrna é válida (isto é, como regra jurídica pertencente a um determinado sistema), é necessário com freqüência realizar três operações: 1) averiguar se a autoridade de quem ela emanou tinha o poder legítima para emanar normas jurídicas ...; 2) averiguar se não foi ah-rogada...; 3) averiguar se não é incompatível com outra normas do sistema..." (Norberto Bobbio, Teoria da Norma Jurídica, 3a. ed. rev., EDIPRO, 2005, pp. 45-47) Dessa forma, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão de insumos adquiridos de não contribuintes no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do TI. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de dezembro de 2005. Add1;1.RRALNETO 12 Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11050.002433/2001-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1996
Não comprovado o pagamento do tributo lançado pela modalidade homologação, ainda que parcialmente, o prazo decadencial é aquele previsto no artigo 173, I, do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: 9202-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GERSON MACEDO GUERRA - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA Relator. EDITADO EM: 22/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 24 33 /2 00 1- 10 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para cobrança do ITR relativo ao ano de1996, cujo fato gerador ocorreu em 01/01/1996, sendo que a notificação do lançamento ocorreu em 23/11/2001. No curso do regular processo administrativo o contribuinte apresentou Impugnação, julgada improcedente pela DRJ. Ato seguinte, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário. No julgamento deste Recurso, em 17/06/2010, a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, CARF, por unanimidade, acolheu a arguição de decadência suscitada pelo relator, extinguindo o crédito tributário, exarando a seguinte decisão: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1996 Ementa: ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA – Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art. 150, § 4.º do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER a argüição de decadência suscitada pelo Relator, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. Cientificada da decisão, a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial, visando rediscutir o termo inicial do prazo decadencial, ao qual foi dado regular seguimento. Conforme entendimento do presidente da 2ª Câmara, da Seção, no paradigma considerouse que, não tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial do prazo decadencial seria aquele previsto no art. 173, inciso I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). O acórdão recorrido, por sua vez, aplicou a regra estabelecida no parágrafo 4º do art. 150, do CTN, considerando como termo inicial do prazo decadencial a data do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Regularmente intimado, o contribuinte não apresentou contra razões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 11050.002433/200110 Acórdão n.º 9202003.950 CSRFT2 Fl. 118 3 O lançamento por homologação, hipótese em que se enquadra o ITR, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Entretanto, há prazo legalmente estipulado para que a autoridade administrativa realize suas averiguações, prazo esse de 05 anos contados da data da ocorrência do fato gerador, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido pelo §4º, do artigo 150 em questão: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim sendo, ao se avaliar o prazo para a autoridade administrativa efetuar eventual cobrança de tributos cujo lançamento é feito por homologação, é importante se verificar a existência dos requisitos do lançamento por homologação, quais sejam, pagamento antecipado e os requisitos para que o prazo seja contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, a saber: inexistência de dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, o STJ, em julgamento de recurso repetitivo 973.733, firmou o entendimento de que para contagem do prazo decadencial em relação aos tributos cujo lançamento se dá por homologação, com base no artigo 150, §4º, do CTN, há de se comprovar o pagamento de tributo. Assim sendo, considerando que o pagamento não foi comprovado no presente caso, entendo que o prazo decadencial deve ser contado com base no artigo 173, I do CTN. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso da União. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
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Numero do processo: 11543.000930/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 31/05/1998 a 31/12/2001
ENQUADRAMENTO LEGAL. ERRO. INOCORRÊNCIA
Tendo sido constatado a ocorrência de pagamentos a terceiros e a diretores sem que houvesse a comprovação da operação ou da causa do repasse, é correta a exigência do IRRF com base no § 1.( do art. 61 da Lei n.( 8.981/1995 e no § 1.( do art. 674 do RIR.
CONTRATOS DE MÚTUOS. JUNTADAS DE RECIBOS SEM MENÇÃO A EMPRÉSTIMO. FATOS NÃO CONTABILIZADOS. CARÊNCIA DE FORÇA PROBANTE.
Não devem ser aceitos os recibos de supostas parcelas repassadas a título de contrato de mútuo, posto que tais documentos não fazem qualquer menção a empréstimo, além de inexistiram os registros contábeis dos pagamentos efetuados pela empresa aos sócios por esta causa.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%.
Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre o tributo não recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na conduta do contribuinte.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/05/1998 a 31/12/2001
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
A prescrição intercorrente não é aplicável ao processo administrativo fiscal, a teor da Súmula CARF n.( 11
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/05/1998 a 31/12/2001
AUTUAÇÃO COM BASE EM DOCUMENTOS APREENDIDOS. DISPONIBILIZAÇÃO DESTES PARA O CONTRIBUINTE NO PRAZO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO.
Inexiste prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo quando a Administração lhe fornece acesso aos documentos apreendidos no prazo de defesa relativo a auto de infração lavrado com base na referida documentação.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e feita a indicação do perito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da prescrição intercorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ERRO. INOCORRÊNCIA Tendo sido constatado a ocorrência de pagamentos a terceiros e a diretores sem que houvesse a comprovação da operação ou da causa do repasse, é correta a exigência do IRRF com base no § 1.° do art. 61 da Lei n.° 8.981/1995 e no § 1.° do art. 674 do RIR. CONTRATOS DE MÚTUOS. JUNTADAS DE RECIBOS SEM MENÇÃO A EMPRÉSTIMO. FATOS NÃO CONTABILIZADOS. CARÊNCIA DE FORÇA PROBANTE. Não devem ser aceitos os recibos de supostas parcelas repassadas a título de contrato de mútuo, posto que tais documentos não fazem qualquer menção a empréstimo, além de inexistiram os registros contábeis dos pagamentos efetuados pela empresa aos sócios por esta causa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre o tributo não recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na conduta do contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/05/1998 a 31/12/2001 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente não é aplicável ao processo administrativo fiscal, a teor da Súmula CARF n.° 11 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/05/1998 a 31/12/2001 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 09 30 /2 00 3- 01 Fl. 17935DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 AUTUAÇÃO COM BASE EM DOCUMENTOS APREENDIDOS. DISPONIBILIZAÇÃO DESTES PARA O CONTRIBUINTE NO PRAZO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. Inexiste prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo quando a Administração lhe fornece acesso aos documentos apreendidos no prazo de defesa relativo a auto de infração lavrado com base na referida documentação. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e feita a indicação do perito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da prescrição intercorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado. 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O lançamento em questão referese à exigência do Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues pela autuada a terceiros ou sócios, não contabilizados e sem comprovação da operação ou a sua causa. As infrações constatadas na ação fiscal e que deram ensejo à lavratura em tela foram minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 15.994/16.328 e podem, conforme excerto do relatório da decisão a quo, ser assim sintetizadas: "a) cheques emitidos pela PREFEITURA MUNICIPAL DE PEDRO CANÁRIO, nominais à interessada, escriturados como ingressados em seu CAIXA, porém depositados/pagos a terceiros beneficiários, como demonstrado no item 2.5 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 16134/16140); b) cheques do BANESTES S/A, de titularidade da própria interessada, escriturados como ingressados em seu CAIXA, porém depositados/pagos a terceiros beneficiários, como demonstrado no item 2.6.2 do referido Termo (fls. 16156 e 16158); c) cheques nos 2588 e 2590, do BANCO SANTOS NEVES S/A, de titularidade da própria interessada, escriturados como ingressados em seu CAIXA, porém depositados/pagos a terceiros beneficiários, como demonstrado nos itens 2.6.3 e 3.3.5.2 do referido Termo (fls. 16158/16166 e fls. 16256/16264); d) valor relativo à venda de 30.000.000 de ações preferenciais nominativas da ELETROBRÁS, escriturado como ingressado no CAIXA da interessada, transferido, porém, diretamente para a conta do acionista e DiretorPresidente, Sr. CARLOS GUILHERME LIMA, como demonstrado no item 3.3.5.3 do referido Termo (fls. 16266/16274); e) cheques do BANCO SANTOS NEVES S/A, de titularidade da própria interessada, escriturados como se tivessem quitado obrigações junto às empresas PIOMAR, PAVICON, IMPACTO e CONSULTIME, porém, como relatado nos itens 2.6.3, 3.3.5.1 e 3.3.5.2 do Termo de Verificação Fiscal, esses cheques foram depositados/pagos a terceiros beneficiários; Fl. 17937DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 f) verificação, no movimento financeiro efetivo da interessada, da existência de beneficiários não identificados na contabilidade (somente identificados através de cópias de cheques obtidas judicialmente), bem como de pagamentos efetuados e recursos entregues a terceiros ou acionistas (diretores), contabilizados ou não, sem comprovação da operação ou da sua causa (motivo jurídico lícito) e sem a devida retenção do imposto de renda exclusivamente na fonte; g) não identificação, na escrituração contábil, dos beneficiários de alguns pagamentos realizados por cheques/ordens bancárias; h) escrituração desses cheques/ordens de pagamentos como ingressados no CAIXA da interessada dissociada de fatos reais, tendo havido efetiva e real transferência de recursos da interessada para terceiros beneficiários de forma desacobertada, configurando pagamentos sem comprovação da operação ou da sua causa, isto é, sem motivo jurídico lícito indicado; i) os terceiros beneficiários dos cheques de emissão da interessada não constam como destinatários de pagamentos realizados em seus livros contábeis." A base de cálculo consta do demonstrativo de fls. 16.282/16.288 e contempla os pagamentos efetuados pela interessada a beneficiários não identificados na contabilidade, e sem causa, os quais se sujeitaram à incidência do imposto exclusivamente na fonte à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), conforme legislação vigente na data do lançamento. Cientificado do lançamento em 25/03/2003, o sujeito passivo impugnou o lançamento com a peça de fls. 16466/16552, instruída com os documentos de fls. 16.554/16.816 e 16.821/16.838. A DRJ declarou improcedente a impugnação e manteve integralmente a exigência. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso de fls. 17.868/17.901, no qual, em síntese, lançou as seguintes alegações: a) consumouse a prescrição intercorrente, haja vista que entre o prazo da ciência do auto de infração e a data da interposição do presente recurso já transcorreram mais de cinco anos; b) a retenção de livros e documentos pela autoridade administrativa no prazo para apresentação de defesa contra auto de infração lavrado em seu desfavor, representa claro atropelo aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Tal fato conduz a nulidade da lavratura fiscal; c) a realização de perícia ou de diligência apresentase imprescindível para solução da contenda, mormente porque o contribuinte não conseguiu comprovar determinados fatos em razão da apreensão dos seus documentos; d) há interesse da empresa em justificar a procedência e causa dos pagamentos tributados, todavia, essa tarefa mostrase impossível de ser realizada sem que lhe seja dada a posse dos documentos apreendidos; Fl. 17938DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11543.000930/200301 Acórdão n.º 2402005.217 S2C4T2 Fl. 17.937 5 e) não foram levados em conta os recibos de repasses à empresa pelos sócios a título de mútuo, os quais justificariam os pagamentos sem causa; f) outra causa suficiente a nulificar o auto foi o enquadramento legal discrepante da realidade, fato que foi minimizado e relativizado pela decisão a quo, numa clara ofensa à legislação, à jurisprudência e à doutrina pátrias; g) se o fisco tivesse juntado ao processo os contratos de mútuo, estes em conjunto com os cheques e recibos demonstrariam que vários pagamentos teriam causa determinada; h) podese verificar à fl. 58 diversas operações que, mesmo não corretamente contabilizadas, podem ser devidamente justificadas, por explicações e também por documentos, claro, se foram disponibilizados à recorrente; i) da mesma forma, as operações tratadas no item 102 (alíneas "a" a "i") da decisão recorrida somente não foram comprovadas em razão da apreensão dos documentos do contribuinte e devolução apenas parcial; j) todos os lançamentos efetuados a débito da conta caixa, no período de 1998 a 2002, foram reconhecidos e levados à tributação, conforme já comprovado em relatório de recolhimento de tributos; k) é inadmissível que o empréstimo contraído junto ao BNDES seja declarado insubsistente, lançandose os valores correspondes como receitas para fins de tributação; l) não há fundamentação legal que dê guarida a desconsideração do empreendimento/empréstimo, nem no lançamento, tampouco na decisão atacada; m) no bojo do processo administrativo n.° 11543.000931/200348, a empresa procedeu à recomposição da conta caixa e demonstrou que todos os valores foram apresentados à tributação; n) o lançamento tem que estar fundado em fatos, jamais nas falhas por ventura existentes na escrita contábil; o) a própria decisão recorrida menciona não saber ao certo que fatos deram origem à lavratura, assim também seria incerta a ocorrência de fraude e por decorrência improcedente a imposição de multa qualificada. É este o entendimento que tem prevalecido na jurisprudência administrativa, conforme decisões transcritas; p) admite a multa majorada apenas quando o fisco consegue demonstrar claramente o intuito de fraude, devendose ser excluída na situação em que não há clareza quando à conduta dolosa do sujeito passivo. É o relatório. Fl. 17939DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão recorrida deuse em 23/02/2012 (fl. 17.867), tendo o recurso sido apresentado em 21/03/2012 fl. 17.868, portanto dentro do trintídio legal. Por atender também ao requisito de legitimidade, merece conhecimento. Prescrição intercorrente Embora não alegada em sede de primeira instância, a prescrição, por ser matéria de ordem pública, não é alcançada pela preclusão processual, merecendo enfrentamento. Suscita o sujeito passivo a perda do direito da Fazenda exigir o crédito em razão de já haver transcorrido mais de cinco anos entre a ciência da lavratura e a apresentação da peça recursal. Assim teria se consumado a propalada prescrição intercorrente. Sobre esse tema já há entendimento sedimentado na jurisprudência desse Tribunal, o qual está enunciada na seguinte súmula: "Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal." Por força do "caput" do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, os membros deste Conselho obrigatoriamente devem seguir os comandos emanados das súmulas, por isso, devemos afastar a suscita prescrição intercorrente. Atropelo aos princípios da ampla defesa e do contraditório O sujeito passivo suscita nulidade no lançamento por entender que a retenção de livros e documentos pela autoridade no prazo estabelecido para apresentação da impugnação violaria os princípios da ampla defesa e do contraditório. Sobre este ponto do recurso, cabe trazer à baila que a recorrente no prazo de defesa ajuizou mandado de segurança com pedido de liminar, buscando obter a suspensão dos prazos para impugnar os autos de infração lavrados pela RFB vinculados à busca e apreensão efetuada pela Polícia Federal, até que os documentos lhe fossem devolvidos definitivamente. O MS foi julgado improcedente no mérito. Diante dessa busca ao Poder Judiciário para suspender os prazos processuais administrativos e devolução dos documentos pelo contribuinte, a DRJ entendeu que haveria concomitância entre a postulação judicial e a alegação de cerceamento ao direito de defesa em razão da apreensão dos documentos. Fl. 17940DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11543.000930/200301 Acórdão n.º 2402005.217 S2C4T2 Fl. 17.938 7 O CARF por vislumbrar que os objetos dos pedidos judicial e administrativo não coincidiam, anulou a decisão de primeira instância por cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Na nova decisão, ao apreciar esta preliminar a DRJ não a acatou, justificando o seu entendimento no fato do Delegado da RFB haver franqueado à empresa autuada a documentação, a qual se recusou a receber, alegando que somente uma autorização judicial poderia determinar a devolução dos documentos. Afirmase que, ainda assim, a repartição fazendária, para evitar qualquer prejuízo ao direito do defesa do sujeito passivo, disponibilizou para consulta e cópia todos os documentos que serviram de base para a lavratura do presente débito. Com essa breve narrativa dos fatos já é plenamente possível visualizar que a administração tributária não pôs qualquer obstáculo para que a empresa pudesse, a partir dos documentos que deram ensejo a lavratura, exercer o seu direito de defesa com amplitude e a se pronunciar sobre cada ponto tratado no Termo de Verificação Fiscal e nos outros anexos do auto de infração. Ora, como pode a empresa alegar esse obstáculo se o chefe da repartição da RFB inicialmente determinou à devolução dos documentos em questão e, diante da recusa do sujeito passivo em recebêlos, franqueou vista a toda a documentação com possibilidade de extração de cópias? De fato, essa alegação de nulidade em razão de cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório, não encontra qualquer amparo nos autos, devendo ser afastada. Diligência e perícia O sujeito passivo sugere a realização de diligência/perícia, para que se investigue melhor sobre a ocorrência dos fatos geradores, haja vista não ter tido acesso à documentação em que se fundamentou a lavratura. Acerca da realização de diligências e perícias, o Decreto n.° 70.235/1972 assim dispõe: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)" Fl. 17941DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 À luz das normas transcritas já podemos concluir que o pedido de perícia deve ser indeferido de plano, eis que não houve a formulação dos quesitos necessários à feitura do procedimento, tampouco os dados relativos ao perito que acompanharia a realização da perícia técnica. Quanto à diligência também não vejo como acolher esse pedido. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. É o que dispõe o art. 29 do mesmo Decreto: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessárias. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. No caso sob comento, tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Atentese para o fato de que a documentação que o sujeito passivo alega não ter tido acesso lhe foi disponibilizada, quando a repartição fazendária lhe facultou o acesso aos documentos que lastrearam a lavratura, inclusive com a possibilidade de retirar cópias. De se concluir, então, que devem ser indeferidos os pedidos para realização de perícia técnica e diligência fiscal. Causas dos pagamentos Afirma a empresa que não lhe foi dada a oportunidade de comprovar a causa dos pagamentos que deram ensejo ao AI. Vejo que esta assertiva não condiz com a realidade dos autos. Ao ser intimada mediante o termo de fls. 8.785/8.800 a apresentar extratos bancários e cheques para subsidiar a análise da sua contabilidade, a recorrente alegou que estaria desobrigada de apresentar tais elementos, posto que acobertados pelo sigilo bancário. Todavia, com respaldo em decisões judicial e administrativa, a autoridade lançadora conseguiu identificar os verdadeiros beneficiários dos pagamentos, comprovandose que os registros contábeis foram efetuados em descompasso com os fatos constatados, isto é, a contabilidade foi alimentada com operações fictícias, cujo objetivo foi o de encobrir o endosso de cheques visando ao favorecimento de terceiros beneficiários, acionistas ou sócios, não indicados em sua escrita. Portanto, ainda durante o procedimento fiscal, a empresa não atuou no sentido de esclarecer os fatos, mas de dificultar o trabalho do fisco, deixando de fornecer informações essenciais para o trabalho de auditoria, fato que demonstra que o seu Fl. 17942DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11543.000930/200301 Acórdão n.º 2402005.217 S2C4T2 Fl. 17.939 9 inconformismo quanto à impossibilidade de comprovar a aplicação dos recursos que deram ensejo ao lançamento questionado carece de razão. Enquadramento legal Outro argumento trazido no recurso é que, uma vez identificados os beneficiários dos pagamentos, mesmo não tendo sido contabilizadas as operações, não caberia mais a argumentação de que seriam pagamentos a terceiros não identificados. Portanto, a descrição dos fatos e enquadramentos legais estariam incorretos. Observase que o dispositivo legal que fundamentou a lavratura foi o § 1.° do art. 61 da Lei n.° 8.981/1995: " Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (art. 674, “caput”, do RIR/1999). § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (art. 674, § 1º, do RIR/1999), bem como à hipótese de que trata o § 2º do art. 74 da Lei 8.383, de 1991." Também foi mencionado o § 1.° do art. 674 do RIR: "Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1ºA incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º)." A contradição apontada no recurso amparase no fato do fisco haver mencionado a existência de beneficiário não identificado, todavia, haver efetuado o enquadramento da infração no § 1.° do art. 61 da Lei n.° 8.981/1995 e no § 1.° do art. 674 do RIR, posto que estes dispositivos somente têm aplicação quando os beneficiários são identificados, porém sem comprovação da causa do pagamento. Vejo que o inconformismo da recorrente não procede. Acertadamente o fisco mencionou como uma das infrações verificadas na ação fiscal a existência de beneficiários não identificados na contabilidade. De fato, os registros contábeis foram efetuados a débito da conta "Caixa", quando na verdade tratavase de repasse de recursos a sócios e outras pessoas, conforme demonstrado pelas cópias dos cheques obtidas posteriormente. Fl. 17943DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Não suscita maiores dúvidas a constatação de que a aplicação dos recursos foi direcionado para pessoas físicas/jurídicas, sem que se pudesse identificar tais beneficiários pela análise da contabilidade da recorrente. Então, não se pode afirmar ter havido falsa narrativa por parte do fisco. Todavia, com a identificação das pessoas para as quais foram carreados os recursos da empresa, o enquadramento legal mais acertado para exigência do IRRF são § 1.° do art. 61 da Lei n.° 8.981/1995 e no § 1.° do art. 674 do RIR, haja vista que restou configurada o repasse de valores sem comprovação da operação ou causa do pagamento. Ressalvese que, mesmo que houvesse alguma falha no enquadramento legal, tal fato não seria motivo a macular o lançamento, pois é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não do enquadramento legal. É isso que se pode ver do Acórdão n.° 3403003.541, de 24/02/2015, assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. A omissão de ponto sobre o qual a turma de origem deveria ter se manifestado rende ensejo aos embargos de declaração. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO PROVADA NOS AUTOS E DECIDIDA EM SENTENÇA MANDAMENTAL QUE DETERMINOU O CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O CARF não pode ignorar decisão judicial na qual ficou decidido que o recurso do contribuinte era tempestivo para proferir novo acórdão declarando a intempestividade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATOR ORIGINÁRIO QUE NÃO MAIS INTEGRA O COLEGIADO. INEXISTÊNCIA DE CONSELHEIRO NA TURMA DE ORIGEM QUE TENHA PARTICIPADO DO JULGAMENTO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. A inexistência, na turma de origem, de conselheiro que tenha participado do julgamento do acórdão embargado obsta a aplicação do art. 49, § 7º do RICARF e determina o sorteio do processo a novo relator, uma vez que a designação de ad hoc, neste caso, implicaria o direcionamento do processo a determinado conselheiro, sem amparo naquele dispositivo regimental. NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. Não acarreta nulidade do acórdão de primeira instância o indeferimento motivado na desnecessidade do pedido de perícia, mormente quando se constata que a perícia é realmente desnecessária, em razão da resposta aos quesitos formulados tratarem de matéria que se encontra no âmbito da competência funcional dos auditoresfiscais da Receita Federal, não requerendo para seu deslinde o conhecimento de um expert. Fl. 17944DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11543.000930/200301 Acórdão n.º 2402005.217 S2C4T2 Fl. 17.940 11 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INDICAÇÃO DE INCISO INEXISTENTE EM DISPOSITIVO LEGAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO INCISO DO ART. 149 DO CTN QUE FUNDAMENTA A REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. Os lapsos manifestos cometidos na indicação de dispositivos legais não eivam de nulidade o lançamento de ofício, pois é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não do enquadramento legal. REDARF. ERRO MATERIAL COMETIDO NO PREENCHIMENTO DOS CÓDIGOS DE ARRECADAÇÃO. OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO REAL. DARF PREENCHIDO COM CÓDIGO DE ARRECADAÇÃO DO IRPJ LUCRO PRESUMIDO. Compete exclusivamente à autoridade administrativa do domicílio do contribuinte o juízo quanto à existência de erro cometido no preenchimento dos DARF por meio dos quais foi exercida a opção pelo regime de tributação do IRPJ. O CARF não tem competência nem para apreciar o pedido de retificação de DARF, nem para reformar o indeferimento da retificação negada pela Administração e muito menos para ordenar que a autoridade administrativa efetue a retificação à vista de documento juntados a este processo. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECLARAÇÃO PAES. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO VOLUNTÁRIO. A confissão irretratável do débito de PIS apurado de ofício, configura renúncia tácita ao recurso voluntário a teor do art. 78 do RICARF. Entretanto, existência de períodos de apuração em que o débito apurado de ofício excedeu o valor confessado na declaração PAES, obriga o colegiado a analisar todos os argumentos de defesa. CONFISSÃO DE DÍVIDA NO PAES NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTAS. REDUÇÃO. A confissão do tributo apurado de ofício após o termo de início de ação fiscal, mas antes da ciência do auto de infração, não impede e nem afasta o lançamento de ofício. Também não exclui e nem permite a redução da multa de ofício com base no art. 1º, § 7º, da Lei nº 10.684/2003, uma vez que os débitos não estavam constituídos na data da opção e a multa não foi consolidada no processo de parcelamento. Embargos da autoridade administrativa acolhidos para conhecer do recurso voluntário e no mérito negarlhe provimento." (grifos nossos)" Este argumento, portanto, não merece prosperar. Fl. 17945DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Supostos contratos de mútuo Às fls. 16.765/16.816 foram juntados recibos de supostos repasses de parcelas de contratos mútuos efetuados entre os diretores Carlos Guilherme Lima, Marcelo de Abreu Lima e Carlos Guilherme de Abreu Lima e a empresa. Tais documentos comprovariam a causa dos repasses de recursos a estas pessoas. A meu ver essas provas não são hábeis a comprovar a existência dos contratos de mútuo. Vejo que nos recibos não se fez qualquer referência a natureza dos pagamentos, bem como não foram acostados os extratos de conta corrente da empresa com indicação do crédito dos referidos depósitos. Ressaltese que no corpo dos recibos mencionase que os valores seriam creditados em conta bancária de titularidade da pessoa jurídica, assim, bastava ter sido feita a juntada dos extratos bancários para comprovação do efetivo pagamento. Por outro lado, como bem mencionado na decisão de primeira instância, não há na contabilidade qualquer lançamento referente a contrato de mútuo entre a empresa e seus diretores, tampouco pagamentos efetuados aos sócios a título de quitação do mútuo. Para que a alegação de que os pagamentos se referiam a contratos de mútuo pudesse ser acatada, a escrita contábil teria que abrigar os lançamentos referentes a esses fatos, inclusive com segregação dos pagamentos por pessoa beneficiária, de modo que pudesse permitir a verificação da quantia envolvida no mútuo e a correspondente devolução dos valores com os acréscimos contratuais correspondentes. Não se trata de mero erro contábil, como afirma a recorrente, mas de omissão de operações que poderiam fazer prova a favor da empresa. A inexistência dos registros contábeis retira a força probante dos recibos acostados, os quais, digase de passagem, sequer mencionam trataremse de parcelas de contrato de mútuo. Assim, mesmo que tivessem sido carreados aos autos os contratos supostamente retidos na busca e apreensão, estes não seriam hábeis a comprovar as operações, diante da falta de escrituração dos pagamentos. As infrações que ensejaram a autuação Dentre as acusações do fisco verificase a contabilização de pagamentos fictícios às empresas Pavicon, Piomar, Impacto e Consultime, os quais foram lastreados em documentos fiscais comprovadamente falsos. Sobre essa acusação específica a recorrente não se contrapôs, sendo matéria incontroversa. Verificouse também o registro contábil de recebimento de cheques a débito da conta "Caixa", quando se comprovou cabalmente, com base em cópias dos cheques, que os valores ingressaram em contas correntes de terceiros beneficiários e de diretores. Não tenho receio de afirmar que o fisco comprovou de maneira inquestionável que a contabilidade da empresa não refletiu a sua realidade econômica financeira e que foi maquiada mediante artifícios dolosos que permitiram o desvio de recursos da pessoa jurídica para diretores e terceiros. Acerca das fraudes verificadas nos contratos de financiamento firmados pela autuada e seu diretor Carlos Guilherme Lima junto ao BNDES/BSN/FINAME, estas foram Fl. 17946DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11543.000930/200301 Acórdão n.º 2402005.217 S2C4T2 Fl. 17.941 13 descritas minuciosamente no Relatório de Perícia Documental, Contábil e Financeira (fls. 10625/10863), o qual foi requerido pelo Ministério Público e serviu de base para a denúncia ofertada no processo judicial n.° 2002.50.01.0066255. No Termo de Verificação Fiscal essa questão foi tratada em tópico específico denominado "Da movimentação financeira efetiva dos recursos do BNDES", onde são narrados todas as conclusões acerca dos desvios de recursos, as quais se encontram respaldadas em elementos constantes dos autos, tais como cópia de cheques, notas fiscais "frias", escrituração fictícia, dentre outros. Das irregularidades verificadas em todos os repasses do contrato de financiamento com o BNDES, constatase a movimentação de recursos para contas de terceiros/diretores, as quais deram ensejo ao lançamento. Nesse sentido, a menção ao desvio de recursos captados no financiamento consta dos autos foi feita com o fim de dar suporte à acusação de pagamentos sem comprovação da operação ou causa dos repasses, mas não no intuito de desconsiderar o contrato firmado com o banco de fomento, como quis fazer crer o sujeito passivo. Por isso, deve ser afastado o argumento de que teria havido a omissão da fundamentação legal que deu ensejo à desconsideração do contrato de financiamento. Multa qualificada Quanto à qualificação da multa de ofício (150%), cabe examinar o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, sua base legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Fl. 17947DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (...) Diante da remissão realizada pelo artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 e do enquadramento legal apontado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, cabe reproduzir o conteúdo do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, que trata de situações ensejadoras de aplicação da multa de ofício qualificada em 150%: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O autos revelam que a aplicação da multa qualificada deuse pelo fato da fiscalização haver constatado a ocorrência de evidente intuito de fraude decorrente do repasse de recursos para terceiros/diretores com contabilização totalmente dissociada das operações efetivamente realizadas, além de utilização de documentos falsos para dar suporte a lançamentos contábeis de pagamentos fictícios por serviços prestados/materiais. Sem dúvida, a conduta da empresa amoldase à pratica de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, sendo cabível a imposição da multa qualificada no patamar de 150%. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e a prescrição intercorrente e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 17948DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13306.000013/00-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
O ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica-se a ressarcimento, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo constante e indevido, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade.
Numero da decisão: 9303-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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(Sucedida por DISPORT NORDESTE LTDA.) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. O ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplicase a ressarcimento, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo constante e indevido, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 6. 00 00 13 /0 0- 04 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 183 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que dera provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do contribuinte ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados (calçados), seja pela aplicação da Lei nº 8.402/92 (vigente na data do crédito), seja pela Lei nº 9.779/99 (vigente na data do pedido), visto que o crédito pleiteado não encontrava resistência em qualquer delas, sendo em qualquer delas contemplado, somente em lapso temporal diferenciado. Decidiu, ainda, a turma julgadora, reconhecer o direito à aplicação da taxa Selic ao direito creditório reclamado, desde a data do protocolo (original) do pedido de ressarcimento de IPI. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no recurso especial ao qual o Presidente da Câmara deu seguimento, pleiteou a reforma do acórdão recorrido, por afronta ao art. 39, § 40, da Lei n.° 9.250/95, no sentido de reconhecer que a taxa Selic não incide sobre os valores recebidos a titulo de ressarcimento de crédito de IPI, ou, subsidiariamente, caso assim não se decida, a determinação da incidência da taxa Selic em momento posterior à protocolização do pedido originário de ressarcimento. Cientificado do recurso especial da PGFN, o contribuinte apresentou contrarrazões e alegou que, na interposição do recurso especial, a PGFN não demonstrara a divergência jurisprudencial exigida pelo art. 37, § 2º, inciso II, do Decretolei nº 70.235, de 1972. No mérito, alegou o contribuinte que o recurso especial era manifestamente improcedente, por contrariar entendimento pacífico do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Controvertese, nesta instância, sobre a possibilidade de se aplicar ou não a taxa Selic ao ressarcimento de IPI. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 184 3 De início, registrese que não merece guarida a alegação do contribuinte, em contrarrazões, de falta de demonstração por parte da PGFN da divergência jurisprudencial exigida pelo art. 37, § 2º, inciso II, do Decretolei nº 70.235, de 1972, pois, conforme se verifica do despacho que dera seguimento ao recurso, o Presidente da Câmara se pronunciou nos seguintes termos: O recurso manejado é tempestivo e se assenta na possibilidade de questionar decisão não unânime de turma julgadora, quando contrária à lei ou evidência de prova, e, muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, foi recepcionado, por assim dizer, em norma de caráter transitório, como aplicável às decisões prolatadas em sessões de julgamento ocorridas até 30/06/2009, de modo que, em tais hipóteses, nos termos do artigo 4° daquele ato administrativo, seriam processados de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF). Nesta senda, verifico que o aresto em destaque, quanto á matéria recorrida, foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, quanto à violação de disposições legais, a peça manejada arrola os legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto da contrariedade à lei exigido para seu cabimento. No mérito, tratase de matéria similar à submetida à apreciação da 3ª Turma da CSRF, que decidiu, no processo nº 13054.000041/200110, julgado em 23 de janeiro de 2014, acórdão nº 9303002.838, da relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos seguintes termos: Processo nº 13054.000041/200110 Recurso nº 232.184 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.838 – 3ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2014 Matéria IPI RESSARCIMENTO CRÉDITO BÁSICO TAXA SELIC Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HB COUROS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplicase a ressarcimento, nos termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo indevido, por parte da Administração Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 185 4 Tributária, a ressarcimento postulado, tempestivamente, pelo sujeito passivo. o que não é o caso aqui tratado. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto. Marcos Aurélio Pereira Valadão PresidenteSubstituto Henrique Pinheiro Torres Relator (...) A teor do relatado, a matéria trazida a debate cingese à questão da atualização monetária dos créditos escriturais de IPI ressarcidos ao sujeito passivo. Preliminarmente, merece ser aqui enfatizado que o ressarcimento do crédito objeto destes autos não estava sujeito a qualquer oposição legislativa ou administrativa por parte da Fazenda Pública. Na verdade, como dito linhas acima, tratase de crédito básico (escritural de IPI) que o art. 11 da Lei 9.779/1999 veio a permitir o seu ressarcimento (em espécie ou por meio de compensação com débitos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal). Desta feita, ao caso não se aplica a jurisprudência do STJ, que determina a incidência de atualização monetária sobre o valor a ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996. Ainda merece ser esclarecido que, no caso presente, não houve demora no ressarcimento desmedida no ressarcimento, apenas a necessária para as verificações protocolares, visto que o pedido foi protocolado em 23/01/2001 e a ordem bancária do crédito (nº 2001OB500192) foi enviada ao banco em 25/04/2001, no valor total pleiteado. Feito esses esclarecimentos, passemos, de imediato, à questão da incidência de atualização Selic sobre o ressarcimento de créditos escriturais de IPI. O tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 186 5 O RIPI/98, que reproduz a legislação do IPI não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF nº 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de IPI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Confirmase, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do crédito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido. Também a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3º dessa Lei, ao contrário do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Decorre dos princípios da hermenêutica que na interpretação das normas jurídicas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve ser integrada, sistêmica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 187 6 Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 188 7 Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Ressaltese que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento a sistemática da não cumulatividade do imposto, baseada em créditos escriturais, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Donde concluise que o ressarcimento desse crédito não se confunde com a devolução de pagamento indevido. Dessa forma, não é lícito valerse da analogia para estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, é evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetária também para o ressarcimento em questão, têloia incluído nos diplomas legais citados ou no que instituiu o incentivo fiscal. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Merecem destaque as seguintes conclusões presentes no voto condutor do acórdão nº 9303002.838 acima transcrito, aplicáveis ao presente caso: a) o ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica, em regra, a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito; b) a utilização do direito ao crédito não estava sujeito à oposição legislativa ou administrativa por parte da Fazenda Pública, pois se trata de crédito básico (escritural de IPI), não se lhe aplicando a jurisprudência do STJ, que determina a incidência de atualização monetária sobre o valor a ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/1996; c) inexistência de previsão legal que autorize a atualização do crédito a ser ressarcido; d) a lei restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 189 8 contribuições federais, hipóteses essas que se referem à repetição do indébito, em nada se assemelhando ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; e) o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Destaquese que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que autoriza a atualização monetária do ressarcimento (decisão submetida à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por parte deste Colegiado) se refere aos casos em que houver oposição constante e indevida, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade. Eis a ementa da referida decisão do STJ: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547?PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977?RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953?PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796?PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498?RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921?RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 190 9 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08?2008. De acordo com a decisão supra, para que se aplique a correção monetária ao ressarcimento de créditos escriturais de IPI, exigemse os seguintes pressupostos: a) oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade; b) vedação ao aproveitamento dos créditos, com o consequente ingresso no Poder Judiciário, que posterga o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. No presente caso, têmse créditos básicos de IPI devidamente escriturados pelo contribuinte, cujo ressarcimento havia sido inicialmente denegado pela Administração tributária em decorrência da informação prestada pelo próprio interessado de que se tratava do ressarcimento previsto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, cuja disciplina se aplica apenas a insumos recebidos no estabelecimento a partir de 1º de janeiro de 1999, enquanto que aqui se trata do período de apuração correspondente ao 1º trimestre de 1998. Somente em sua impugnação, apresentada em maio de 2002, foi que o contribuinte informou que cometera um equívoco no seu pedido de ressarcimento, indicando então o verdadeiro fundamento legal do pleito, argumento esse não acolhido pela Delegacia de Julgamento, por considerar que a retificação do pedido não podia se dar em sede de impugnação, mas na repartição de origem, a quem competia o conhecimento inicial do pedido de ressarcimento. Em março de 2003, a turma julgadora do então 2º Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem, quando então se iniciou o procedimento de apuração do direito creditório pleiteado. Notese que não se tem por configurado, neste caso, a oposição constante da Administração tributária ao reconhecimento do crédito, pois a sua postergação decorreu de equívoco do próprio interessado, o qual não precisou se valer do Poder Judiciário, conforme exige a jurisprudência do STJ, para obter o reconhecimento do direito. Dessa forma, por não se subsumir à hipótese de que trata a decisão do STJ, submetida à sistemática dos recursos repetitivos, o entendimento ali adotado não se aplica ao presente caso. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, no sentido de reconhecer que a taxa Selic não incide sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de crédito escritural de IPI. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000013/0004 Acórdão n.º 9303003.509 CSRFT3 Fl. 191 10 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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Numero do processo: 11543.000823/2007-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF .MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. TERMO INICIAL DA ISENÇÃO. DATA DO LAUDO PERICIAL.
O termo inicial da isenção, tratando-se de moléstia grave é, nos termos do RIR, art. 39, §5º, III, a data em que a doença foi contraída quando identificada no laudo pericial.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. TERMO INICIAL DA ISENÇÃO. DATA DO LAUDO PERICIAL. O termo inicial da isenção, tratandose de moléstia grave é, nos termos do RIR, art. 39, §5º, III, a data em que a doença foi contraída quando identificada no laudo pericial. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 08 23 /2 00 7- 07 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11543.000823/200707 Acórdão n.º 9202003.952 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 19, cuja Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal se encontra às folhas 20. Exigese do interessado o Imposto de Renda da Pessoa Física, relativa ao exercício de 2004, no valor de R$ 25.595,81, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos excedente ao limite de isenção para declarantes com 65 anos e glosa de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A ciência do auto de infração, via correio, ocorreu em 30 de março de 2007, consoante se comprova pela cópia do AR acostado às folhas 106. Encontrou, a Autoridade Fiscal, a motivação do lançamento (folhas 20) na omissão de rendimentos indevidamente declarados como isentos e não tributáveis, provenientes de aposentadoria, auferida pelo titular com idade superior a 65 anos, que excederam o limites de isenção. Tais rendimentos tiveram como fonte pagadora o INSS e a Universidade Federal do Espírito Santo. O Fisco também considerou indevida a compensação de imposto de renda na fonte, retido pelo Colégio Nacional, por falta de comprovação da efetiva retenção. Foi proferida decisão pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ Rio de Janeiro II, fls. 115, que manteve integralmente a autuação em face de sua total procedência. O contribuinte teve ciência da decisão em 28 de setembro de 2007 (fls 123). Inconformado apresentou recurso voluntário, fls. 131. Nele, reitera os argumentos da impugnação ou seja: · Que é portador de cardiopatia grave, códigos CID I20 e I06, comprovados por vários atestados médicos acostados aos autos. · Que segundo o laudo médico, de lavra do Dr Luis Alberto Tavares (fls 28), teve a doença iniciada em 1988. · Que segundo o RIR, tal doença isenta seus portadores do IRPF. · Que a autuação decorre de erro de informação na DAA, conforme comprova desde a impugnação. · Que a glosa do imposto de renda retido na fonte é indevida. Que alugou imóvel para o Colégio Nacional tendo sofrido a retenção do IR. · Que a obrigação da retenção e do recolhimento do imposto de renda é da fonte pagadora, assim como também é dela a obrigação acessória de informação na DIRF. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 · Que sofreu a retenção como se comprova pelo contrato de locação, tendo portanto direito a compensação e sendo dever do Fisco cobrar da fonte, e não do recorrente, a eventual apropriação dos valores retidos. Em sessão plenária de 28 de maio de 2009, a 5ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF decidiu, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da tributação os proventos de aposentadoria do anocalendário de 2003, prolatandose o Acórdão nº 380500.099 (fls. 150), assim ementado: "Assunto: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2004 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO DOS PROVENTOS DE TODO O ANO CALENDÁRIO Se o contribuinte demonstra que foi acometido por uma moléstia grave, não se mostra razoável que tal isenção venha a ser concedida somente daquele dia em diante. Por certo, devem ser excluídos da tributação todos os proventos de aposentadoria do respectivo anocalendário. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. 0 imposto retido na fonte será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual, desde que devidamente comprovada a respectiva retenção. Recurso provido em parte." A Procuradoria da Fazenda Nacional devidamente cientificada, tempestivamente, interpôs Recurso Especial contra a decisão proferida pela 5ª Turma Especial da 3ª Seção, alegando que a decisão contraria disposições de lei federal. Tal Recurso foi admitido pelo Sr. Presidente da 2ª Seção em 10 de fevereiro de 2014, consoante despacho de folhas 165. Após a cientificação dos despacho de admissibilidade do Recurso do Procurador, o contribuinte também interpôs Recurso Especial (fls 174) e anexou contrarrazões que se encontram às folhas 204, ambos dentro do prazo regimental. Porém, seu recurso teve seguimento negado por meio de despacho anexado às folhas 229. Reexaminado por meio de decisão acostada às folhas 233, foi mantida a denegação de seguimento do especial proposto pelo contribuinte. Como dito, o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi regularmente admitido, e dele fez constar o Procurador, o que segue (folhas 161): "A maioria do Colegiado, entretanto, decidiu excluir da tributação todos os proventos de aposentadoria do ano calendário 2003, por entender não ser razoável a concessão da isenção apenas a partir do dia em que o contribuinte demonstra ter sido acometido por uma moléstia grave. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11543.000823/200707 Acórdão n.º 9202003.952 CSRFT2 Fl. 4 5 Ocorre que, ao excluir todos os proventos de aposentadoria do anocalendário de 2003, sem observar a data de inicio da doença indicada no laudo, a e. Câmara a quo contrariou as provas dos autos, além da legislação tributária pertinente ao tema, sobretudo o art. 39, § 5", III, do Decreto 3.000/99 (RIR/99) e o art. 111 do Código Tributário Nacional. Isso porque o citado dispositivo legal do RIR é expresso ao dispor que a isenção decorrente de moléstia grave aplicase aos rendimentos recebidos a partir "da data em que a doença contraída, quando identificada no laudo pericial". Ora, se o laudo de fl. 21 aponta o dia 09/03/2003 como data do inicio da doença, só a partir de então o contribuinte poderá gozar da isenção de IRPF. Destaquese que a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada restritivamente, nos termos do art. 111 do CTN, restando inviável considerações acerca de razoabilidade.." (destaques não são originais) Por fim, requer seja dado provimento ao recurso especial, reformadose o acórdão recorrido a fim que seja "reconhecida a isenção somente a partir do mês de março de 2003, restabelecendose a tributação dos rendimentos auferidos anteriormente a essa data, em respeito ao art. 39, § 5", III, do RIR/99." As contrarrazões do Contribuinte apresentam os seguintes argumentos (fls. 204): · Que o Recurso Especial do Procurador não deve ser conhecido, pois baseado em regimento interno não mais vigente quando de sua propositura · Que os argumentos da Fazenda Nacional contrariam entendimento do E. STF. · Que o Sujeito Passivo está acometido da cardiopatia grave desde 1998 e não de 2003, conforme laudo de folhas 28. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial de contrariedade a lei interposto pela Procuradoria é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 165. Quanto ao questionamento acerca de ter sido revogado o Regimento que amparava o presente recurso por contrariedade, entendo que o despacho bem esclareceu às razões de seu conhecimento, senão vejamos: Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), com base no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF),aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, interpôs Recurso Especial de divergência, dentro da quinzena legal, apontando decisão não unânime contrária à lei e à evidência de prova. E, por ter sido o acórdão prolatado antes da vigência do atual Regimento Interno do CARF (RICARF), o recurso será processado de acordo com o rito previsto naquele Regimento, conforme dispõe os artigos 4º e 7º do atual RICARF: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º e do art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. [...] Art. 7º. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação ao inciso II do art. 1º, a partir de 1º de julho de 2009. Nesse caso, assim expressam os artigos 7º, 15 e 16 do citado Regimento da CSRF: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova. [...]Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11543.000823/200707 Acórdão n.º 9202003.952 CSRFT2 Fl. 5 7 contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. [...]Art. 16. O despacho que admitir recurso especial terá o seguinte trâmite: I quando se tratar de recurso especial interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo para ciência, assegurandoselhe o prazo de quinze dias para oferecer contrarazões ou recorrer da parte que lhe for desfavorável, em igual prazo; [...] Assim, tendo sido o acórdão recorrido proferido dentro da vigência do respectivo regimento, e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO Da data de início do gozo da isenção por moléstia grave. Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que deseja ver provido seu recurso afastando o gozo da isenção do imposto sobre a renda de aposentadoria por moléstia grave para todo o anocalendário em que a doença foi diagnosticada. Segundo a Recorrente, a legislação tributária determina a data do diagnóstico da doença como data para o início da isenção da renda decorrente de aposentadoria. Entendo que assiste razão ao entendimento trazido pela Procuradoria sobre a questão. Senão vejamos: · Tratase de contribuinte aposentado, de idade avançada, que teve, por laudo médico oficial acostado às folhas 26, atestada a data de início da doença em 09/03/2003. · A informação é peremptória. Observemos a transcrição do trecho mencionado: "Ao DRH De acordo com exames apresentados em prontuário a data de início para isenção de imposto de renda é de 09/03/2003." · Tal afirmação foi realizada em 03 de janeiro de 2006, pelo Dr. Álvaro Ximenes, CRM/ES 2566, integrante da Junta Médica Pericial da Universidade Federal do Espírito Santo, UFES. O Regulamento do Imposto de Renda textualmente determina a data de início de gozo dos efeitos da isenção concedida à renda decorrente de aposentadoria para o portador de moléstia grave. Recordemos o texto regulamentar: "Art.39 .Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV,Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, eLei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) §4ºPara o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). §5ºAs isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: Ido mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; IIdo mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; IIIda data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (negritos não constam do texto legal) Claríssima a disposição legal. Os portadores das doenças elencadas, devidamente comprovadas por laudo médico oficial, cuja parcela da renda decorra de aposentadoria, terão direito a não incluir essa parcela em sua renda tributável. O termo inicial da isenção é por expressa determinação da legislação tributária a data em que a doença foi contraída quando identificada no laudo pericial. Não há dúvida. Não há espaço para o operador do direito, ainda mais do direito tributário, em interpretar a norma, em valorála. Mister não esquecer que vige no Direito Tributário o princípio da legalidade, que para muitos, deve ser entendido como da tipicidade cerrada, ou seja, tudo que é típico, que decorre de comando expresso da lei, não é passível de valoração pelo operador do direito. Não se pode olvidar que o Código Tributário Nacional explicita os casos de interpretação e os métodos pelos quais se deve realizála. Antes porém de tratar dos métodos de interpretação, o Códex é decisivo: só cabe à autoridade inovar no ordenamento no caso de lacuna, no silêncio da lei: "Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11543.000823/200707 Acórdão n.º 9202003.952 CSRFT2 Fl. 6 9 § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido." (negritamos) Ora, nitidamente não é o caso. Há expressa determinação legal. Não cabe, ao nosso ver, ao julgador administrativo, que tem como função precípua o controle da legalidade, agir em contrariedade à lei tributária quando ela explicitamente regula a situação jurídica em abstrato e esta se adequa, em tudo e por tudo, à situação concreta. Diante de exposto, não concordo com a conclusão constante da decisão recorrida. Consta de laudo oficial a data de início da doença grave, situação essa elencada na lei como ensejadora da isenção tributária. Logo, por ser esse o termo inicial previsto na lei, é a partir dessa data que se instaura o direito do Contribuinte. Assim, o crédito tributário lançado deve ser recalculado, para expurgar somente a renda decorrente dos proventos percebidos por aposentadoria, a partir de março de 2003, restabelecendose, portanto, a tributação da renda auferida anteriormente a essa data. CONCLUSÃO Face o exposto, voto POR CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10120.729687/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. ERRO COMETIDO PELA FONTE PAGADORA.
Comprovado que a causa do lançamento foi em razão de erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) ou na emissão de informe de rendimentos, deve-se exonerar o contribuinte da exigência fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.304
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente da Turma), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Malagoli da Silva, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DIRF. ERRO COMETIDO PELA FONTE PAGADORA. Comprovado que a causa do lançamento foi em razão de erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) ou na emissão de informe de rendimentos, devese exonerar o contribuinte da exigência fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 96 87 /2 01 3- 89 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10120.729687/201389 Acórdão n.º 2402005.304 S2C4T2 Fl. 109 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente da Turma), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Malagoli da Silva, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10120.729687/201389 Acórdão n.º 2402005.304 S2C4T2 Fl. 110 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário nos autos do processo nº 10120.729687/201389, interposto por VITÓRIA ABDALA, em face do acórdão nº 0253.556, proferido pela 9ª Turma de Julgamento da DRF/BHE, na sessão de 17 de fevereiro de 2014, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. 2. Por bem retratar os fatos, adoto parcialmente o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim apontou: “Trata este processo da Notificação de Lançamento nº 2012/905539375860707, juntada nas fls. 03/06 destes autos, com registro de imposto de renda pessoa física suplementar, código 2904 relativo ao ano calendário de 2011, exercício de 2012, no valor de R$6.054,61, mais acréscimos legais. Nos termos da Notificação – Relatórios de fls. 3, o lançamento decorreu de infração por omissão de rendimento tributável no valor total de R$26.760,26, sendo R$9.197,28 recebido da fonte pagadora Secretaria de Estado da Educação, CNPJ nº 01.409.705/000120 e R$17.562,98 recebido do INSS. Esclarece a autoridade lançadora que a constatação da infração se deu a partir do exame de dados contidos na Dirf – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e de documentos apresentados pela contribuinte à fiscalização em atendimento a termo de intimação e mais que, no cálculo do imposto suplementar foi considerado imposto retido na fonte sobre o rendimento omitido, no valor de R$199,67. Recebida a Notificação a contribuinte afirma que concorda com a infração de omissão de rendimento no valor de R$9.197,28, recebido da Secretaria de Educação. Em relação à omissão de rendimento no valor de R$17.562,98, recebido do INSS, informa que somente recebeu desta fonte o valor declarado, que tem origem em dois benefícios previdenciários a que faz jus. Enumera os documentos que junta à defesa para comprovar suas alegações. (...).” 3. Tendo sido devidamente notificada, em 07/03/2014, da decisão proferida pelo julgador a quo (fl. 85), para demonstrar seu inconformismo, tempestivamente, em 21/03/2014, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 87), onde, basicamente, reitera os argumentos apresentados na inicial, juntando aos autos novos documentos (Relação de Créditos) como comprovantes do quanto lhe foi pago pela Previdência Social no período de janeiro a dezembro de 2011. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10120.729687/201389 Acórdão n.º 2402005.304 S2C4T2 Fl. 111 4 4. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10120.729687/201389 Acórdão n.º 2402005.304 S2C4T2 Fl. 112 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO FISCAL 2. Notese que, nos temos consignados nos autos, a recorrente inicialmente foi notificada quanto à omissão de rendimento no valor total de R$ 26.760,26, relativamente às fontes pagadoras (I) Secretaria de Estado da Educação de Goiás e (II) INSS, conforme apontado no relatório emitido pelo julgador de primeira instância (fl. 78) 3. Assim, este relator deixa de analisar a omissão de rendimento no valor de R$ 9.197,28, haja vista à concordância da recorrente com tal fato, tendo inclusive sido objeto de tributação e recolhimento do imposto, com os devidos acréscimos legais, conforme comprovantes acostados aos autos (fls. 84). 4. A controvérsia remanescente reportase aos rendimentos omitidos na DIRPF, relativamente à importância R$17.562,98, recebida do INSS, daí resultando, segundo o Fisco, em divergência entre o valor constante no informe emitido pela fonte pagadora e o declarado pelo contribuinte. 5. Ou seja, para a fiscalização, com base no informe emitido pela fonte pagadora o valor total pago corresponde a R$ 35.196,98, tendo a recorrente omitido em sua DIRPF o valor de R$ 17.562,98. 6. Em resumo, conforme constam das fls. 8/11, a referida divergência, na visão da autoridade fiscal, verificada entre o informe de rendimento emitido pela fonte pagadora e o declarado assim se apresenta: RENDIMENTO FONTE PAGADORA (INSS) VALOR DOS INFORMES VALOR DECLARADO DIFERENÇA (OMISSÃO) 1 Pensão por morte 17.562,98 2 Aposentadoria por tempo de contribuição 17.562,98 TOTAL 35.125,96 17.562,98 17.562,98 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10120.729687/201389 Acórdão n.º 2402005.304 S2C4T2 Fl. 113 6 7. Ocorre que, a contribuinte sustenta que sua declaração de imposto de renda foi elaborada conforme o comprovante de rendimentos da Previdência Social que sintetizam dois benefícios, quais sejam: 1493523209 pensão por morte; e, 1069037610 aposentadoria por tempo de contribuição, totalizando no períodobase a importância de R$ 17.562,98 e não R$ 35.125,96 como apontado pelo Fisco. 8. Para comprovar que no período base recebeu apenas a importância apontada no item precedente a recorrente traz aos autos relação de créditos, pertinentes a cada benefício previdenciário (fls. 94/101, emitidos pela Previdência Social. 9. Em análise detida da questão apresentada, bem como as provas trazidas aos autos (fls. 94/102), entendo que de fato existe divergência entre os valores constante do informe de rendimento emitido pelo INSS e os efetivamente recebidos e declarados pelo contribuinte, restando em verificar as causas ou quem forneceu tais informações divergentes. 10. O fornecimento de informações de pagamentos efetuados, no caso, é obrigação da fonte pagadora, não podendo tais informações serem diferentes daquelas necessárias à DIRPF beneficiária desses pagamentos. De outro giro, significa dizer que, uma vez comprovado que a causa do lançamento foi em razão de erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) ou na emissão de informe de rendimentos, devese exonerar o contribuinte da exigência fiscal. 11. No presente caso, verificase que os valores informados à Receita Federal do Brasil RFB pela fonte pagador foram processados com erro, uma vez que a relação detalhada dos créditos efetuados pela Previdência Social comprovam que os valores creditados no períodobase de 2011, correspondentes aos benefícios de pensão por morte e o de aposentadoria por tempo de contribuição totalizam na verdade R$ 29.021,79 (vide composição desse valor no item seguinte), os quais foram assim tratados na DIRPF pela recorrente: a) 17.562,98 rendimento tributável; b) 10.966,27 parcela isenta contribuintes maiores de 65 anos; c) 692,21 tributação exclusiva (13º salário); c) ( 199,67) IRRF, deduzido na declaração. 12. Para melhor elucidação a seguir demonstrativo do quanto recebido para os dois benefícios previdenciários mencionados acima: ////////////////////////////// BENEFÍCIOS CREDITADOS EM 2011 MÊS DO CRÉDITO PENSÃO POR MORTE APOSENT. TEMPO CONTRIB. TOTAL Janeiro 255,00 1.838,13 2.093,13 Fevereiro 270,00 1.948,74 2.218,74 Março 270,00 1.948,74 2.218,74 Abril 272,50 1.948,74 2.221,24 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10120.729687/201389 Acórdão n.º 2402005.304 S2C4T2 Fl. 114 7 Maio 272,50 1.953,80 2.226,30 Junho 272,50 1.953,80 2.226,30 Julho 272,50 1.985,20 2.257,70 Agosto 272,50 1.985,20 2.257,70 Setembro 408,75 2.987,32 3.396,07 Outubro 272,50 1.986,32 2.258,82 Novembro 272,50 1.986,32 2.258,82 Dezembro 408,75 2.979,48 3.388,23 TOTAL 3.520,00 25.501,79 29.021,79 13. Vejase que o total de R$ 29.021,79 recebido no períodobase para os dois benefícios foi devidamente declarado pela recorrente em sua DIRPF, cujo tratamento foi aquele demonstrado anteriormente no item 11, o que fica demonstrado a ocorrência de informações em duplicidade pela fonte pagadora, tendo contudo, o contribuinte as utilizado corretamente quando da sua declaração de ajuste no exercício de 2012. 14. Do demonstrativo acima, fica evidente o descompasso entre os valores constante dos informes de rendimentos (fls. 08 e 10) com os fornecidos em Relação de Créditos da própria Previdência Social (fls 94/101). 15. Assim, assiste razão a recorrente, e tendo esta feito a comprovação dos valores efetivamente recebidos da Previdência social tanto para o benefício de (I) pensão por morte, bem como para o de (II) aposentadoria por tempo de contribuição, não há o que se falar em omissão de rendimento, uma vez que tais valores foram oportunamente considerados na declaração da recorrente. CONCLUSÃO 16. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para cancelar a exigência. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 13748.720299/2014-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PENSÃO ALIMENTÍCIA ESTABELECIDA POR ESCRITURA PÚBLICA. DESNECESSIDADE DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. ENUNCIADO DE SÚMULA N.º 98 DO CARF.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
O Instrumento Particular de Transação lavrado em Cartório, em 1992, é escritura pública para todos os fins de direito e atende ao disposto na Lei n.º 11.727/2008, que autorizou a dedução dos valores pagos a título de pensão estabelecida em escritura pública de separação ou divórcio extrajudicial, sem a necessidade de homologação judicial.
Numero da decisão: 2201-003.174
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Relator), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre que negavam provimento ao recurso. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente.
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Assinado digitalmente.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente.
Ana Cecília Lustosa da Cruz
Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamentoa Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DESNECESSIDADE DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. ENUNCIADO DE SÚMULA N.º 98 DO CARF. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. O Instrumento Particular de Transação lavrado em Cartório, em 1992, é escritura pública para todos os fins de direito e atende ao disposto na Lei n.º 11.727/2008, que autorizou a dedução dos valores pagos a título de pensão estabelecida em escritura pública de separação ou divórcio extrajudicial, sem a necessidade de homologação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Relator), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre que negavam provimento ao recurso. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 02 99 /2 01 4- 34 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente Assinado digitalmente. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamentoa Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13748.720299/201434 Acórdão n.º 2201003.174 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, Acórdão 1659.546 da 22ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2012 do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 30/33. Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ... Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a glosa de R$ 32.650,00 correspondente à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 03/04, e dos documentos de fls. 12/17, alegando, em síntese, que: O documento comprobatório foi apresentado à RFB, em mais de um AI; O mesmo documento já havia sido apresentado conforme mencionado no item 04 do FRD protocolado na Agência da Receita Federal em Petrópolis no dia 28/04/2010, para ilustrar o AI 2008/895442958073866 que tratou do mesmo tema; O documento apresentado pelo contribuinte comprobatório da obrigação de pagar alimentos denominado de "Instrumento Particular de Transação de Pacto de União Estável", (anexo a presente), foi devidamente registrado no Cartório do 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos Livro A3, sob o n° 48.488 e registrado no Livro B14 sob o n°. 41.922 em 12/11/1992, tornando o referido documento Público dentro das normas da Lei n° 6015 de 31/12/1973 Registro Público; Não há que se discutir a falta de legalidade do documento apresentado, pois o mesmo, atende aos pressupostos legais de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 um acordo firmado de União Estável entre um credor e um devedor, dentro das normas do Registro Público; Com base no mesmo documento, o credor vem apresentando sua declaração de IRPF, oferecendo a tributação os valores recebidos do Autuado. Requer, diante do exposto, o acolhimento da impugnação apresentada e o cancelamento do debito fiscal reclamado. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Apresentou os documentos, conforme intimação. · O documento apresentado pelo contribuinte comprobatório da obrigação de pagar alimentos denominado de "Instrumento Particular de Transação de Pacto de União Estável", (anexo a presente), foi devidamente registrado no Cartório do 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos Livro A3, sob o n° 48.488 e registrado no Livro B14 sob o n°. 41.922 em 12/11/1992, tornando o referido documento Público dentro das normas da Lei n° 6015 de 31/12/1973 Registro Público; · União Estável é figura reconhecida no direito brasileiro. · Visto o entendimento da Receita Federal que o acordo particular entre o Autuado com sua excompanheira registrado em Títulos e Documentos no Cartório do l9 Ofício em 12/11/1992, anteriormente já mencionado, não atende a legislação do Imposto de Renda, o Autuado ajuizou ação própria de "Reconhecimento de União Estável" em trâmite na 2 Vara de Família da Comarca de PetrópolisRJ, processo sob o n9 001161655.2011.8.19.0042, no sentido de formalizar a homologação judicial daquele acordo. · Em Sentença prolatada em 22/08/2014, o Juiz da 2ª Vara de Família da Comarca de Petrópolis, sentenciou o processo mencionado anteriormente, entendendo que não haveria necessidade de homologar aquele acordo firmado, visto não haver dúvida quanto a alegada União Estável, (vide documento sentença anexa). É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13748.720299/201434 Acórdão n.º 2201003.174 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PENSÃO ALIMENTÍCIA A dedução da base de cálculo relativa ao pagamento de pensão alimentícia encontrase prevista no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III a quantia, por dependente, de: ... Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A Lei 5.869/73, Código de Processo Civil, por meio do artigo 1.124A, incluído pela Lei nº 11.441, de 2007, possibilita separação e divórcio consensual por meio de escritura pública, nos casos em que não há filhos menores ou incapazes do casal. Art. 1.124A. A separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento.(Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). Também nesses casos, quando a escritura pública especifica o valor da obrigação ou discrimina os deveres em prol do beneficiário, a dedução de pensão alimentícia é admitida, conforme prevê a súmula 98 do CARF. Súmula CARF nº 98:A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13748.720299/201434 Acórdão n.º 2201003.174 S2C2T1 Fl. 5 7 Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seus artigos 73, 78 e 83: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). §3ºNa hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. ... Art.78.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1ºA partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3ºCaberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4ºNão são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5ºAs despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). ... Art.83.A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): Ide todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; IIdas deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74,75,78a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Conforme as normas acima apresentadas, são requisitos para a dedutibilidade: · que o pagamento tenha a natureza de alimentos; · que sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e · que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Valores entregues por liberalidade não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Neste processo, na notificação, consta da Descrição dos Fatos: "Foi glosado o valor, tendo em vista que não foi apresentado escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado fixando o valor da pensão, elementos necessários para dedutibilidade, sendo assim o instrumento particular apresentado não permite tal dedução." O recorrente apresentou cópia autenticada do Instrumento Particular de Transação, de fls. 12/16, registrado em 12.11.1992 no Cartório do 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos de Petrópolis – RJ, que dispõe sobre o valor da pensão alimentícia a ser paga a Maria Alice de Vasconcellos, conforme abaixo: “SEGUNDA Assim é que para completa satisfação de ambos e da que faz jús a Primeira outorgante e reciprocamente outorgada MARIA ALICE DE VASCONCELLOS, recebe do segundo outorgante e reciprocamente outorgado, GUILHERME DA SILVA COUTO, os seguintes bens imóveis, móveis, utensílios, veiculo e pensão, com os quais ficam plenamente satisfeitas as suas necessidades e meação: (...) f) Pensão Alimentícia mensal igual a 05 (cinco) Salários mínimos vigentes na cidade de PetropolisRJ para seu sustento e manutenção, enquanto viver e dela necessitar.” Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13748.720299/201434 Acórdão n.º 2201003.174 S2C2T1 Fl. 6 9 Visando regularizarse perante o Fisco, ajuizou ação própria de "Reconhecimento de União Estável" em trâmite na 2 Vara de Família da Comarca de PetrópolisRJ, processo sob o n9 001161655.2011.8.19.0042, no sentido de formalizar a homologação judicial daquele acordo. Em Sentença prolatada em 22/08/2014, o Juiz da 2ª Vara de Família da Comarca de Petrópolis, sentenciou o processo mencionado anteriormente, entendendo que, pela ausência de conflito de interesses e pelo fato de não haver dúvida quanto à união estável e à partilha, não haveria necessidade de homologar aquele acordo firmado. A ação foi extinta sem exame do mérito. Entendo que o Instrumento Particular de Transação, acima citado, que registra a separação amigável do excasal, não é decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, nem escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário, conforme acima apresentado. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Conforme consta do relatório, houve a glosa em questão "tendo em vista que não foi apresentada escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado fixando o valor da pensão, elementos necessários para dedutibilidade, sendo assim o instrumento particular apresentado não permite tal dedução." A fim de comprovar a devida dedução, o recorrente apresentou Instrumento Particular de Transação, de fls. 12/16, registrado em 12.11.1992 no Cartório do 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos de Petrópolis – RJ, que dispõe sobre o valor da pensão alimentícia a ser paga a Maria Alice de Vasconcellos. Ademais, cumpre destacar que, visando regularizarse perante o Fisco, o contribuinte ajuizou ação própria de "Reconhecimento de União Estável", em trâmite na 2ª Vara de Família da Comarca de PetrópolisRJ, processo sob o n9 001161655.2011.8.19.0042, com o objetivo de formalizar a homologação judicial do mencionado acordo. Contudo, em Sentença prolatada em 22/08/2014, o Juiz da 2ª Vara de Família da Comarca de Petrópolis entendeu que, pela ausência de conflito de interesses e pelo fato de Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 não haver dúvida quanto à união estável e à partilha, não haveria necessidade de homologar o acordo firmado, restando extinta a ação sem exame do mérito. Nesse contexto, consoante se depreende dos autos, o Instrumento Particular de Transação registrado, em 12.11.1992, no Cartório do 1º Ofício de Registro de Títulos e Documentos de Petrópolis – RJ, não foi considerado como escritura pública para fins de dedução do imposto de renda, pois realizado antes da vigência da Lei n.º 11.441/2007, que alterou dispositivos da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, possibilitando a realização de inventário, partilha, separação consensual e divórcio consensual por via administrativa. Cumpre destacar que, apesar de o Instrumento Particular de Transação ter sido realizado antes da vigência da mencionada lei, o próprio magistrado, que julgou extinta a ação sem exame de mérito, no ano de 2014, considerou a desnecessidade de homologação judicial da escritura pública, inexistindo dúvidas quanto à união estável e a partilha. Ora, se o juiz, diante das alterações legislativas, entendeu como desnecessária a homologação, até mesmo porque o CPC dispõe expressamente que a escritura não depende de homologação judicial (parágrafo 1º do art. 1.124A do CPC de 1973 e art. 733, § 1º, do CPC de 2015), não seria cabível ao fisco exigir procedimento desnecessário em confronto com a legislação regente da matéria. Assim, diferentemente do que ocorrem com os acordos extrajudiciais de pensão alimentícia, que podem, ante a ausência de posterior homologação perante o Judiciário, dar margens a eventuais fraudes ou simulações, as separações e os divórcios consensuais realizados em cartório, não trazem prejuízo ao fisco, pois a lisura dos acordos é devidamente aferida pelo tabelião. Desse modo, interpretar a lei restringindo a aplicação do benefício fiscal apenas aos casos de pensão alimentícia fixada em acordo ou decisão judicial, colocaria em nítida desvantagem o contribuinte que optou por realizar a separação ou o divórcio pela via extrajudicial, inclusive porque, no presente caso, o contribuinte buscou o judiciário, mas, devido a desnecessidade de homologação do acordo afirmado em cartório, o juiz extinguiu o processo sem resolução do mérito. Reiterase que o Instrumento Particular de Transação lavrado em Cartório é escritura pública para todos os fins de direito e atende ao disposto na Lei n.º 11.727/2008, que autorizou a dedução dos valores pagos a título de pensão estabelecida em escritura pública de separação ou divórcio extrajudicial, sem a necessidade de homologação judicial. Além disso, embora a escritura pública tenha sido realizada em 1992, quando do período autuado (exercício 2012) já estava vigente a legislação que expressamente permitiu a dedução da pensão estabelecida em escritura pública. Salientase que se torna evidente o direito à dedução da pensão alimentícia determinada por meio de acordo extrajudicial, observandose o elemento teleológico da norma e harmonizandoa não só com os princípios que permeiam o direito tributário, mas também com os institutos jurídicos da separação e do divórcio extrajudiciais, introduzidos pela Lei nº 11.441/2007. Por fim, aplicase ao presente caso o Enunciado de Súmula n.º 98 do CARF, termos abaixo transcritos: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13748.720299/201434 Acórdão n.º 2201003.174 S2C2T1 Fl. 7 11 Súmula CARF nº 98:A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução da pensão alimentícia. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 24/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11516.721453/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, por Converter o julgamento em diligência fiscal, para que a autoridade fiscal proceda à análise das despesas diretamente relacionadas às receitas consideradas como auferidas pelo recorrente, constantes no documento denominado "Livro Caixa" ou "demonstrativo financeiro", bem como dos documentos relativos às supostas cortesias, permutas e patrocínios, em especial aqueles documentos trazidos aos autos por ocasião do Recurso Voluntário (art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72) e de eventuais complementos posteriores. Vencida a Relatora que superava a questão preliminar suscitada (conversão em diligência) para adentrar na análise direta do mérito recursal. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará a Resolução.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente e Redator Designado
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, por Converter o julgamento em diligência fiscal, para que a autoridade fiscal proceda à análise das despesas diretamente relacionadas às receitas consideradas como auferidas pelo recorrente, constantes no documento denominado "Livro Caixa" ou "demonstrativo financeiro", bem como dos documentos relativos às supostas cortesias, permutas e patrocínios, em especial aqueles documentos trazidos aos autos por ocasião do Recurso Voluntário (art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72) e de eventuais complementos posteriores. Vencida a Relatora que superava a questão preliminar suscitada (conversão em diligência) para adentrar na análise direta do mérito recursal. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará a Resolução. André Luís Mársico Lombardi Presidente e Redator Designado Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 45 3/ 20 11 -4 1 Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão 0730.307 5a. Turma da DRJ/FNS que considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte para o lançamento objeto deste processo. O recurso foi interposto em 14/05/2014, enquanto a ciência reconhecida ao acórdão de impugnação teria sido em 15/04/2014 (efl.1200). O lançamento consignou um crédito tributário principal de R$ 412.482,10 mais multa e juros. A decisão de primeira instância reduziu o crédito tributário principal para R$ 365.129,88. As infrações lavradas referemse a: · Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas com vínculo empregatício RBS Não contestado Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício (Disk Jockey DJ) Não contestado Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício Feijoada do Cacau (CA Viagens e Turismo) (viagem internacional) · Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício Feijoada do Cacau (Patrocínios) SOMENTE OS PATROCÍNIOS EM DINHEIRO RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE. OS OUTROS QUE SE REFEREM À BENS E SERVIÇOS QUE SERIAM INSUMOS PARA A FEIJOADA NÃO FORAM LANÇADOS, CONFORME EFLS. 776. · Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnê leão Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas Feijoada do Cacau (Bilheteria) · Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente (Ajuste Anual) Dedução indevida de despesas médicas (não está em litígio) · Multas isoladas Falta de recolhimento do IRRF devido a título de carnêleão. O acórdão recorrido está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. SUJEIÇÃO AO AJUSTE ANUAL. Os rendimentos do trabalho assalariado devem ser informados pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual para fins de apuração do saldo do imposto a pagar ou do valor a ser restituído. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVRO CONTÁBIL, DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS, SOLICITADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. ARBITRAMENTO. ARTIGO 148 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. É legítima a aplicação de arbitramento quando o Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 4 3 contribuinte deixar de apresentar os elementos necessários para a aferição direta dos rendimentos tributáveis recebidos. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Nada obsta que se aplique concomitantemente a multa de ofício prevista no inciso I e no §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 e a multa isolada prevista no inciso II do mesmo artigo, pois, além de terem bases legais distintas, se destinam a punir o descumprimento de obrigações diversas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PERDA DA ESPONTANEIDADE. DECLARAÇÃO RETIFICADORA ENTREGUE APÓS O INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Devido à perda da espontaneidade, a entrega de declaração de ajuste anual retificadora após o início do procedimento fiscal não tem o condão de afastar o lançamento de ofício do imposto devido e das multas cabíveis. PEDIDO DE CONCESSÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. O pedido de concessão de prazo para apresentação de provas formulado na impugnação deve ser indeferido devido à ausência de previsão legal. JUNTADA DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. A decisão administrativa proferida em processo administrativo fiscal, em regra, se aplica somente ao sujeito passivo que participou do processo. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CRIMINAL. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A discussão sobre a ocorrência ou não de crime não é matéria de competência dos órgãos que atuam no processo administrativo fiscal. O contribuinte aduz as seguintes razões. 1. Nega que seja o responsável pelo evento. Argumenta que apenas empresta o nome e o prestígio para o evento, como profissional conhecido que é, funcionando como divulgador do evento. 2. A R3 é a empresa que promoveu realmente a organização da Feijoada. A Kroma realizou a venda de patrocínio, ficando, inclusive com a metade do valor recebido. 3. Sugere que o procedimento fiscal teria sido retaliação pela divulgação na imprensa de nota em que relatava a suspensão temporária das obras de construção do prédio da Receita Federal em Florianópolis. 4. Aponta a absoluta desproporcionalidade da notificação fiscal, embasada em ficções ilógicas, que constituiu um crédito tributário superior a 1 milhão de reais, que Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 5 4 ultrapassa a totalidade dos bens declarados pelo recorrente. Em nenhum momento a autoridade fiscal aponta indício de evolução patrimonial em descompasso com os rendimentos declarados pelo contribuinte. 5. A "Feijoada do Cacau" é uma confraternização popular realizada há 14 anos em Florianópolis no período do carnaval e é considerada evento anual da cidade e tem o apoio dos órgãos públicos locais. O lucro "mínimo" auferido pelo contribuinte com o evento seria de R$ 18.750,00 (2006, R$ 20.480,00 (2007), e R$ 21.200,00 (2008). 6. O evento é realizado por várias pessoas, sendo que a responsabilidade do recorrente é eminentemente de divulgação, difundindo a festa em seu próprio nome para ajudar a mantêla no calendário de eventos carnavalescos de Santa Catarina. Entende que o recorrente deve ser reconhecido como mero colaborador e divulgador do evento, e que seriam as empresas R3 e Kroma as reais organizadoras da festa. 7. Argumenta que o sr. Sérgio Rocha, procurador da R3 Eventos é quem cuidava de grande parte das atividades de organização da Feijoada nos anos 2006 à 2008 (fls. 462 e 478). Colheu novamente declarações do Sérgio e seu filho Fernando e as inseriu no Recurso. Afirma que as declarações anexadas ao recurso são confissões que merecem ser acolhidas pelo fisco em prol do recorrente. 8. A organização do evento, por descuido, sempre foi tratada com relativa informalidade. A empresa R3, por intermédio do sr. Sérgio Rocha, utilizou, com autorização, o nome e a influência do recorrente, mas isso não quer dizer que este(recorrente) tenha auferido sozinho a totalidade da receita arbitrada pelo fisco em razão das Feijoadas. 9. O fisco aproveitou a metade das provas em desfavor do contribuinte. A outra metade que lhe era favorável não foi aproveitada. Tal conduta fere o princípio da boafé a que se refere a Lei 9.784/99. Existiriam no processo provas de que outras pessoas envolvidas no evento receberam diretamente valores que estão sendo indevidamente vinculados ao recorrente para fins de receita tributável. Por exemplo, a Kroma realizou venda de cotas de patrocínio para a realização da festa, ficando para si com a metade do valor obtido (fls. 654 a 661). Também estão comprovados recebimento de valores pela citada empresa (fls. 724 e seguintes). Apresenta nova declaração do sr. Jair Rodrigues sobre a remuneração para a obtenção do patrocínio da Sadia (doc. 2 anexo ao Recurso Voluntário). Com essa declaração o recorrente comprovaria que não seria o único destinatário da receita decorrente da festa. 10. Apresenta relatórios financeiros, produzidos por ano fiscalizado. Tais documentos não foram aceitos anteriormente (livrocaixa) sob o argumento de falta de idoneidade. Alega que os relatórios financeiros contém os mesmos dados que constariam do livro caixa. 11. Deixaram de ser considerados relatórios financeiros apresentados na impugnação, bem como os comprovantes de despesas do evento. Devem ser considerados receitas e dispêndios para o arbitramento do acréscimo patrimonial, o que não foi feito. 12. A nota fiscal à fl. 718 referese à aquisição de camisetas para o evento, no valor de R$ 23.800,00, que o fisco utilizou para calcular a receita auferida e a desconsiderou para efeitos de despesas incorridas. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 6 5 13.Não existem enunciados expressos na legislação tributária(art. 42 da Lei 9.430/95) sobre as medidas adotadas pelo fisco a respeito das presunções legais adotadas, suposições aleatórias decorrentes de fatos presumidos. As presunções adotadas violam o princípio da legalidade, da tipicidade, do não confisco, da capacidade contributiva e são inconcebíveis na constituição do crédito tributário. 14. Tece considerações sobre as presunções alegadas pelo fisco, quais sejam: a) confecção e recebimento de camisetasingressos Em 2007 o pedido foi feito em nome da empresa R3. A nota fiscal da Cia. Hering é destinada à empresa R3. b) a quantidade de camisetas é calculada em função de convidados:convites vendidos, staff apoio, montagem, segurança, cortesias para apoiadores, divulgadores e participantes e também 20% de margem de segurança. Não existem recibos de entrega das camisetas cortesias, mas obteve declarações que comprovariam a distribuição de camisetas cortesia nos anos 2006, 2007 e 2008, num total de 1530, 1530, e 1630, respectivamente. Muitas camisetas foram permutadas com fornecedores: 750 em 2006, 600 em 2007 e 950 em 2008. Assim, alega que apesar da aquisição de 4000 camisetas, não foram todas elas comercializadas. Apesar de algumas declarações não quantificarem o número de camisetas recebidas a título de permuta ou doação, o julgador não pode simplesmente descartálas. Apresenta em sede de recurso voluntário mais declarações de camisetas permutadas ou doadas à Cultural Adventure (50 camisetas) e da Toca do Urso (30 camisetas), por ano, nos anos sob fiscalização (ambas as declarações). c) renda decorrente de patrocínio as empresas patrocinadoras foram enfáticas em afirmar que não realizaram qualquer pagamento ao recorrente, os contratos de patrocínio foram firmados com as empresas R3 Eventos & Marketing Ltda e Vídeo Produções Kroma Ltda. Também as notas fiscais foram emitidas por essas empresas. Informações e documentos desconsiderados na autuação. 15. Afora os depósitos nas contas das empresas indicadas, grande parte do valor de patrocínio constituía em pagamento direto pelo patrocinador aos fornecedores de bens e serviços para o evento. 16. O sr. Jair de Souza Rodrigues (Kroma) confessou que ficou com 50% do patrocínio, mas a informação foi desprezada pela autoridade fiscal. 17. Os valores alegados recebidos pela autoridade fiscal não foram depositados na conta bancária do recorrente. 18. Já teria quitado os débitos relativos aos tributos dos rendimentos recebidos do trabalho com vínculo empregatício da RBS TV, conforme DARF juntado aos autos. 19. As multas aplicadas ao recorrente são todas indevidas, pois não há que se falar em omissão de rendimentos no caso em apreço. Não obstante, entende que a aplicação simultânea da multa de ofício sobre o saldo do tributo não pago e da multa em virtude de falta de recolhimento do imposto de renda a título de carnêleão, em decorrência da mesma omissão de rendimentos de pessoas físicas, oriundos da venda de ingressos da Feijoada do Cacau, não merece prosperar. Já está consolidado na jurisprudência do CARF que a multa isolada do carnêleão não pode ser exigida juntamente com a multa de ofício incidente sobre o imposto lançado de ofício, pois as duas incidiriam sobre a mesma base de cálculo. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 7 6 20. No caso de não deferimento do item 20, que lhe seja aplicada somente a menos gravosa, de 50% sobre o carnêleão. É o relatório. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO VENCIDO Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. O processo administrativo fiscal trata de lançamento relativo a Imposto de Renda Sobre a Pessoa Física em que o recorrente omitiu rendimentos tanto do trabalho assalariado quanto aquele recebido de pessoas físicas com a organização do evento " Feijoada do Cacau" nos anos 2006, 2007 e 2008. O contribuinte se defende argumentando principalmente que não seria o responsável pelo evento originário das receitas e que estaria sendo punido por perseguição(em função de ter comentado no programa local sobre a obra da DRF/SC em Florianópolis) e também pela informalidade do evento (documentos e livro caixa). Alega que a autoridade fiscal teria iniciado a investigação após ter denunciado na imprensa a construção de imóvel da Receita Federal em área nobre da capital de Santa Catarina, o que foi alvo de paralisação das obras por ação do Ministério Público Estadual. Em que pese a coincidência de ações, não pode o recorrente alegar falta de impessoalidade no que concerne à fiscalização de tributos. Primeiro, pela importância do evento, conforme assinalado pelo contribuinte, de bastante visibilidade no calendário turístico de Florianópolis. Ademais, caso estivesse com a contabilidade das receitas e despesas regular e dentro das normas contábeis e fiscais, nada seria lançado. Os documentos anexados aos autos atestam que não houve qualquer preocupação dos organizadores em relação à documentação fiscal e contábil do evento. Neste caso, não pode a informalidade e a dificuldade de organização do recorrente que culminaram com a não observância da legislação quanto aos registros contábeis e fiscais ser motivo para a exoneração do crédito tributário decorrente do lucro auferido com a realização do evento. A tributação dos rendimentos do trabalho nãoassalariado do contribuinte está prevista no art. 45 do Decreto 3000/99, conforme a seguir. Art.45.São tributáveis os rendimentos do trabalho nãoassalariado, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º): Ihonorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; IIremuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços nãocomerciais; IIIremuneração dos agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem por conta própria; Observase que o diploma legal cita alguns exemplos de rendimentos tributáveis, no qual a atividade do contribuinte se enquadra. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 9 8 O art. 73 do mesmo diploma legal regulamenta a aceitabilidade das comprovações dedutíveis para o caso de rendimentos do trabalho nãoassalariado. Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). Mais ainda, a tributação de rendimentos decorrentes do trabalho não assalariado pode ser baseada em livro caixa, conforme o art. 75 do Decreto 3000/99. Por esse instrumento, o contribuinte pode tributar apenas o lucro da atividade que gerou o rendimento. Apesar de independer de registro, o livrocaixa deve atender os ditames da legislação (Decreto 3000/99) que assim dispõe: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º,e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1º O excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 10 9 §2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). Durante o procedimento fiscalizatório, o contribuinte não apresentou o livro caixa organizado e tampouco os recibos e justificativas dadas à autoridade fiscal foram consistentes. O dever do contribuinte é manter e apresentar a documentação relativa a receitas e despesas constantes do livro caixa, documentação essa idônea e produzida ao tempo dos fatos, conforme a legislação vigente. Não foi o que ocorreu. O contribuinte não possuía documentação hábil e idônea para comprovar receitas e despesas do evento "Feijoada do Cacau". O argumento apresentado pelo recorrente é de que não seria o organizador do evento e, portanto, não poderia ser o sujeito passivo da obrigação tributária desse evento. Contudo, vários documentos acostados ao processo não apontam para outro senão o contribuinte como o organizador do evento. Numa situação normal, as despesas deveriam ser deduzidas das receitas para formar a base da tributação. No entanto, as informações constantes no processo são contraditórias, os patrocinadores do evento, informaram que colaboraram com materiais, produtos e serviços necessários ao evento, e algumas vezes inclusive as notas fiscais de materiais e serviços foram emitidas em nome dos patrocinadores. Assim, entendo correto o procedimento da autoridade fiscal que considerou imprestável a documentação apresentada pelo recorrente relativamente às despesas do evento. Observo que não foram lançadas os valores recebidos in natura e que se constituíram nas despesas da feijoada, como por exemplo, os insumos da feijoada, que foram providos por um dos patrocinadores, em troca de publicidade no evento. Desta forma, entendo que as despesas do evento foram pagas pelos patrocinadores e não devem ser deduzidas da receita para efeitos de tributação. Relativamente às receitas, tendo em vista que não houve registro dos ingressos e diante da constatação de que as camisetas ingressos eram comercializados à vista, e cada camiseta representava um item de receita no valor de R$100,00, entendo que está correta a abordagem da fiscalização de utilizar esse medidor de receita indireto para aferir os rendimentos omitidos. Com relação à multa isolada pelo não recolhimento do carnê leão, entendo que deva ser mantida pela existência de legislação autorizativa a seguir transcrita. Muito embora a multa tenha a mesma base de cálculo do tributo, entendo que é uma penalização pela não antecipação do tributo na época própria, que não se confunde com o tributo devido e que, eventualmente seria pago no ajuste anual. Decreto 3000/99 Art.106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 8º, eLei nº 9.430, de 1996, art. 24, §2º, inciso IV): I os emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 11 10 II os rendimentos recebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial, ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais; III os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; IV os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas. Art.109. Os rendimentos sujeitos a incidência mensal devem integrar a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o imposto pago será compensado com o apurado nessa declaração (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 8º, inciso I, e 12, inciso V). A multa propriamente está explicitada no art. 44 da Lei 9430/96, conforme a seguir: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Analisando o histórico da Lei 9.430/96, observo que o texto relativo a letra a) do item II da lei não foi modificado através das sucessivas alterações do Art. 44 da lei (MP 303/2006, MP 351/2007 e Lei 11.488/2007). Assim, entendo que a multa é legítima e se constitui em uma penalidade pela não antecipação do imposto. Observo que a base de cálculo do valor da multa por não recolhimento do imposto (carnêleão) diverge da base de cálculo do valor do tributo sobre o qual é aplicada a multa de ofício. A multa isolada incide sobre o imposto que deveria ter sido recolhido, que não se confunde com o imposto cuja base de cálculo está definida pelo fato gerador da obrigação tributária. Desta forma não se trata da mesma base de cálculo. A decisão a quo considerou a redução da receita em função de declarações de patrocinadores que teriam recebido camisetasconvite como forma de retorno do patrocínio. Assim, na interposição do recurso voluntário, o recorrente apresentou mais declarações visando o mesmo objetivo. Contudo, o momento da apresentação das provas é na impugnação, conforme art. 16 do Decreto 70235/72. Ao contribuinte foram oportunizadas possibilidades de apresentação de provas para se defender. O procedimento de fiscalização iniciouse em 17/03/2010 e a impugnação fora interposta em 29/11/2011. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 12 11 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Considero que as provas extemporâneas apresentadas pelo contribuinte, consistindo basicamente de declarações de terceiros sem identificação oficial do tempo em que teriam sido produzidas não se enquadram nas exceções prescritas na lei supra e, portanto, não devem ser analisadas. O recorrente alega desorganização e informalidade como causas para o não cumprimento das obrigações tributárias com relação ao evento Feijoada do Cacau. Desta forma, seria temeroso aceitar declarações de terceiros como prova de fatos que não foram comprovados com documentos idôneos contemporâneos aos fatos geradores. Observo que o trabalho da autoridade fiscal incluiu análise de provas, circularização com fornecedores, patrocinadores, oitiva de testemunhas, etc. A documentação acostada ao processo é vasta e permite concluir que o contribuinte seria o responsável pelo evento. Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 13 12 Voto vencedor Conselheiro André Luís Mársico Lombardi – Redator Designado Com o devido respeito ao posicionamento da ilustre Relatora, ouso discordar. Especificamente quanto à tributação da atividade do recorrente de organizador da festa denominada "Feijoada do Cacau", temos que a averiguação da liquidez do lançamento em tela é complexa e esta complexidade decorre diretamente, é bom que se diga, da informalidade com que ocorriam os eventos organizados pelo recorrente. Estivesse toda a documentação em ordem, desde o início, a comprovação da sua versão dos fatos seria facilitada em muito. Durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal fez minuciosa investigação, dentro daquilo que estava ao seu alcance. A partir daí, caberia ao recorrente fazer provar de eventuais excessos no lançamento, e o fez, ainda que de forma gradativa e incompleta (no curso do próprio procedimento fiscal, na impugnação e no Recurso Voluntário). Embora as dificuldades em se apurar como precisão o montante dos rendimentos auferidos pelo recorrente decorram, diretamente, da sua desorganização e da falta de clareza da documentação apresentada inicialmente, é certo que tributo não constitui sanção por ilicitude, de sorte que, dentro das regras processuais, pode o contribuinte provar, posteriormente ao lançamento, a sua versão dos fatos, apontando eventuais falhas ou excessos. Nesse aspecto particular, discordo da ilustre Relatora que afirma que, necessariamente, "as provas juntadas ao processo devem ter indicativos de que foram produzidos à época dos fatos". Mesmo se produzidos posteriormente, entendo que podem sim demonstrar fatos favoráveis ao recorrente, desde que suficientemente convincentes. Como cediço, o artigo 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, permite ao recorrente apresentar provas posteriormente à impugnação se estas servirem para contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso em tela, diversos documentos não foram aceitos pela autoridade julgadora de primeira instância e a recorrente contrapôs os argumentos da decisão de primeira instância por meio de novos elementos de convicção, como consta de seu Recurso Voluntário. Assim, ainda que as dificuldades de apuração da liquidez decorram do não cumprimento anterior do ônus da prova por parte do recorrente, o fato é que as regras processuais lhe permitem apresentar documentos posteriormente à impugnação para rebater as razões do não acatamento das despesas por parte da autoridade julgadora de primeira instância. Destarte, voto por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, para que a autoridade fiscal proceda à análise das despesas diretamente relacionadas às receitas consideradas como auferidas pelo recorrente, constantes no documento denominado "Livro Caixa" ou "demonstrativo financeiro", bem como dos documentos relativos às supostas Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11516.721453/201141 Resolução nº 2401000.501 S2C4T1 Fl. 14 13 cortesias, permutas e patrocínios, em especial aqueles documentos trazidos aos autos por ocasião do Recurso Voluntário (art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72) e de eventuais complementos posteriores. André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 01/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 16561.720141/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
NULIDADE. FUNDAMENTOS DA MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA.
Os fundamentos usados pela DRJ para manter a multa qualificada são semelhantes àqueles do Termo de Verificação Fiscal - TVF, sendo mencionado o termo "fraude" em ambos os casos. Não é o fato de a DRJ ter concluído por existência de simulação que ela teria alterado os fundamentos do TVF e gerado nulidade. Inocorrência de nulidade.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O prazo decadencial corre a partir do momento em que surge o direito potestativo de o fisco lançar o tributo. Antes que se possa exigir algo, não há prazo decadencial ou prescricional correndo. Não houve, portanto, decadência simplesmente porque se passaram cinco anos entre a operação societária, ou o registro do ágio, e a intimação acerca do lançamento.
ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL NA CRIAÇÃO DA RECORRENTE. ARTIFICIALIDADE.
Apesar de não ter havido configuração de empresa veículo, a Recorrente foi criada para gerar o ágio, pois a empresa incorporada por ela, ou mesmo a empresa uruguaia, poderia ter se tornado o tal Centro de Serviços Compartilhados. A criação da Recorrente no mesmo endereço da incorporada, com transferência de ativos, operações e funcionários desta para aquela, revela uma estratégia, sem propósito negocial, traçada para gerar a redução da tributação.
TRIBUTOS PAGOS. COMPENSAÇÃO COM OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há relação direta entre o ágio glosado, que gerou os créditos tributários exigidos neste processo, e os tributos pagos pela Recorrente. Impossibilidade de compensação.
DEDUÇÕES. SALDO NEGATIVOS. DESCABIDA REAPURAÇÃO DOS TRIBUTOS.
Se o contribuinte tinha deduções registradas na DIPJ, elas já integraram a apuração do IRPJ e da CSLL. Se ele tinha saldos negativos nos períodos autuados, talvez já os tivesse utilizado. Se não o fez, ainda poderá utilizá-los e eles estão sendo devidamente atualizados. A Fiscalização não está obrigada a refazer toda a apuração dos contribuintes. Isso geraria ineficiência para ambos.
MULTAS DE 150%. DESQUALIFICAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO SEM FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O contribuinte tentou realizar operações de uma forma que mais lhe beneficiassem do ponto de vista tributário, entendo que elas poderiam vir a ser aceitas pela Receita Federal, pelo CARF ou mesmo pelo Judiciário. A jurisprudência do CARF sobre o tema do ágio era vacilante em 2006 e ainda é até hoje. Devem ser desqualificadas as multas de ofício, retornando ambas a 75%.
MULTAS ISOLADAS DE 50%. CONCOMITÂNCIA. PERÍODO APÓS A LEI Nº 11.488/2007. COMPARA-SE COM A MULTA DE OFÍCIO MULTIPLICADA POR 2/3. CANCELAMENTO ATÉ ESSE VALOR.
Após a Lei nº 11.488/2007, a interpretação da Súmula nº 105 do CARF deve ser no sentido de cancelar as multas isoladas apenas quando as suas bases de cálculo sejam iguais ou menores às bases de cálculo das multas de ofício. Isso significa multiplicar a multa de ofício por 2/3 e verificar se o resultado é igual ou maior do que o valor da multa isolada. Caso o resultado seja menor do que o da multa isolada, a multa de ofício é que será cancelada ou, caso se prefira, será cancelada a multa isolada até o valor da multa de ofício multiplicado por 2/3, mantendo-se a exigência da diferença entre elas.
ERROS DE CÁLCULO NAS MULTAS ISOLADAS. PEDIDO PREJUDICADO.
Uma vez canceladas as multas isoladas, não há mais interesse em eventuais erros no cálculo delas, ficando o pedido prejudicado. Em relação ao ano calendário de 2011, que diz respeito a este item, o cancelamento da multa isolada é total, não restando o que se discutir.
JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE.
Após aplicada a multa, ela se torna débito do contribuinte perante a Receita Federal. Uma vez não paga no prazo, começam a correr juros sobre essa dívida. Portanto, os juros sobre multa devem ser aplicados.
Numero da decisão: 1401-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e afastar a decadência. No mérito, acordam dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguinte termos: I - por unanimidade, para desqualificar a multa de ofício de 150% para 75%; II - por maioria de votos, cancelar as multas isoladas aplicadas nos períodos de 2008 a 2012, mas mantendo a diferença de multa isolada na parte em que sua base de cálculo exceder a base de cálculo da multa de ofício por ano calendário. Contra essa tese, ficaram vencidos em primeira rodada os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Luciana e Aurora Tomazini de Carvalho que votaram pela tese de cancelar integralmente as multas isoladas, independente dos valores das bases de cálculo absorvidas pela multa de ofício. Em segunda rodada, onde todos participaram, contra a tese ganhadora na primeira rodada ficaram vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto que votaram pela tese de negar provimento para manter todas as multas isoladas; III - por unanimidade, negar provimento em relação às demais matérias.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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Ágio interno. Recorrente CA Programas de Computador, Participações e Serviços LTDA. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE. FUNDAMENTOS DA MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. Os fundamentos usados pela DRJ para manter a multa qualificada são semelhantes àqueles do Termo de Verificação Fiscal TVF, sendo mencionado o termo "fraude" em ambos os casos. Não é o fato de a DRJ ter concluído por existência de simulação que ela teria alterado os fundamentos do TVF e gerado nulidade. Inocorrência de nulidade. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial corre a partir do momento em que surge o direito potestativo de o fisco lançar o tributo. Antes que se possa exigir algo, não há prazo decadencial ou prescricional correndo. Não houve, portanto, decadência simplesmente porque se passaram cinco anos entre a operação societária, ou o registro do ágio, e a intimação acerca do lançamento. ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL NA CRIAÇÃO DA RECORRENTE. ARTIFICIALIDADE. Apesar de não ter havido configuração de empresa veículo, a Recorrente foi criada para gerar o ágio, pois a empresa incorporada por ela, ou mesmo a empresa uruguaia, poderia ter se tornado o tal Centro de Serviços Compartilhados. A criação da Recorrente no mesmo endereço da incorporada, com transferência de ativos, operações e funcionários desta para aquela, revela uma estratégia, sem propósito negocial, traçada para gerar a redução da tributação. TRIBUTOS PAGOS. COMPENSAÇÃO COM OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 41 /2 01 3- 50 Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 2 Não há relação direta entre o ágio glosado, que gerou os créditos tributários exigidos neste processo, e os tributos pagos pela Recorrente. Impossibilidade de compensação. DEDUÇÕES. SALDO NEGATIVOS. DESCABIDA REAPURAÇÃO DOS TRIBUTOS. Se o contribuinte tinha deduções registradas na DIPJ, elas já integraram a apuração do IRPJ e da CSLL. Se ele tinha saldos negativos nos períodos autuados, talvez já os tivesse utilizado. Se não o fez, ainda poderá utilizálos e eles estão sendo devidamente atualizados. A Fiscalização não está obrigada a refazer toda a apuração dos contribuintes. Isso geraria ineficiência para ambos. MULTAS DE 150%. DESQUALIFICAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO SEM FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O contribuinte tentou realizar operações de uma forma que mais lhe beneficiassem do ponto de vista tributário, entendo que elas poderiam vir a ser aceitas pela Receita Federal, pelo CARF ou mesmo pelo Judiciário. A jurisprudência do CARF sobre o tema do ágio era vacilante em 2006 e ainda é até hoje. Devem ser desqualificadas as multas de ofício, retornando ambas a 75%. MULTAS ISOLADAS DE 50%. CONCOMITÂNCIA. PERÍODO APÓS A LEI Nº 11.488/2007. COMPARASE COM A MULTA DE OFÍCIO MULTIPLICADA POR 2/3. CANCELAMENTO ATÉ ESSE VALOR. Após a Lei nº 11.488/2007, a interpretação da Súmula nº 105 do CARF deve ser no sentido de cancelar as multas isoladas apenas quando as suas bases de cálculo sejam iguais ou menores às bases de cálculo das multas de ofício. Isso significa multiplicar a multa de ofício por 2/3 e verificar se o resultado é igual ou maior do que o valor da multa isolada. Caso o resultado seja menor do que o da multa isolada, a multa de ofício é que será cancelada ou, caso se prefira, será cancelada a multa isolada até o valor da multa de ofício multiplicado por 2/3, mantendose a exigência da diferença entre elas. ERROS DE CÁLCULO NAS MULTAS ISOLADAS. PEDIDO PREJUDICADO. Uma vez canceladas as multas isoladas, não há mais interesse em eventuais erros no cálculo delas, ficando o pedido prejudicado. Em relação ao ano calendário de 2011, que diz respeito a este item, o cancelamento da multa isolada é total, não restando o que se discutir. JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. Após aplicada a multa, ela se torna débito do contribuinte perante a Receita Federal. Uma vez não paga no prazo, começam a correr juros sobre essa dívida. Portanto, os juros sobre multa devem ser aplicados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e afastar a decadência. No mérito, acordam dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguinte termos: I por unanimidade, para desqualificar a multa de ofício de 150% para 75%; II por maioria de votos, cancelar as multas isoladas aplicadas nos períodos Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 34 3 de 2008 a 2012, mas mantendo a diferença de multa isolada na parte em que sua base de cálculo exceder a base de cálculo da multa de ofício por ano calendário. Contra essa tese, ficaram vencidos em primeira rodada os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Luciana e Aurora Tomazini de Carvalho que votaram pela tese de cancelar integralmente as multas isoladas, independente dos valores das bases de cálculo absorvidas pela multa de ofício. Em segunda rodada, onde todos participaram, contra a tese ganhadora na primeira rodada ficaram vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto que votaram pela tese de negar provimento para manter todas as multas isoladas; III por unanimidade, negar provimento em relação às demais matérias. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Luciana Zanin, Ricardo Marozzi, Marcos Villas Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra o Acórdão nº 16.56611, da 5ª Turma da DRJ de São Paulo/SP, que julgou a Impugnação procedente em parte, cancelando apenas diferenças nos cálculos das multas isoladas, que estariam errados. Não houve interposição de Recurso de Ofício. O Auto de Infração foi lavrado para exigir IRPJ e CSLL não pagos em decorrência de dedução de despesas com amortização de ágio gerado em operações societárias acontecidas dentro de um mesmo grupo econômico (ágio interno). Houve, também, aplicação de multa de ofício qualificada de 150% e multas isoladas sobre as estimativas não pagas ou pagas a menor. O Termo de Verificação Fiscal traz uma explicação detalhada da formação do ágio em discussão: Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 4 Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 35 5 Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 6 [...] Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 36 7 Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 8 Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 37 9 Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 10 Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 38 11 Com base nos fatos acima, o Agente Fiscal entendeu que houve infração, conforme segue: Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 12 O Agente Fiscal aplicou multa de ofício qualificada pelas razões seguintes: O Auto de Infração lavrado exige, portanto, os seguintes valores a título de IRPJ, CSLL, juros, multas qualificadas de 150% e multas isoladas: Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 39 13 Inconformada, a Recorrente apresentou Impugnação, por meio da qual, conforme acurado relatório do Acórdão da DRJ, alegou o seguinte: "A Impugnante (CA_Par) foi constituída em 07.11.2006 com o propósito de centralizar a administração dos investimentos do Grupo CA na América Latina (papel de sociedade holding) e também de tornar mais eficientes os serviços que eram executados de forma redundante em todas as empresas do grupo na região, constituindose então como o Centro de Serviços Compartilhados, ou Shared Services Center, para o grupo na América Latina; Para tanto, em 22.12.2006, foram vertidos à Impugnante, por meio de integralização de aumento de capital social por sua sócia, a Computer Associates Canada Company ("CA_Ca"), todos os investimentos do Grupo CA na América Latina (1a Alteração do Contrato Social da Impugnante), dentre eles o relativo à Computer Associates Programas de Computador Ltda. ("CA_PRO"), em razão do qual foi registrado o ágio cujas despesas decorrentes de sua amortização foram glosadas pela D. Fiscalização; Não somente a participação na CA_PRO, mas também as pessoas e os ativos necessários para a prestação dos serviços que antes da reestruturação eram executados de forma redundante por todas as empresas do Grupo na região foram transferidos à Impugnante; A Impugnante recebeu os ativos e os recursos humanos necessários para prestar tais serviços e efetivamente os prestou, auferiu receitas correspondentes e as ofereceu à tributação (inclusive em favor do Fisco Federal); Após decorrido mais de um ano da data de sua constituição, em 31.01.2008, houve a incorporação da CA_PRO pela Impugnante, evento este que determinou o início da amortização do ágio, à razão de 1/9 por ano (ou 1/108 por mês); No entender do Fisco, as despesas registradas em contrapartida à amortização do ágio seriam indevidas porque, em suma, o investimento em relação ao qual foi registrado o ágio se deu em sociedade do mesmo grupo da Impugnante, sem uma contrapartida paga em dinheiro; De acordo com a D. Fiscalização, ainda, a reestruturação dos negócios do Grupo CA na América Latina não teve finalidade negocial ou societária, pois seria desnecessária a constituição da Impugnante para que o Grupo CA pudesse centralizar a administração de seus investimentos na América Latina e instituir um Centro de Serviços Compartilhados para a região; D. Fiscalização aplicou multa de ofício no percentual de 150%, nos termos do art. 44, § 1o, da Lei 9.430/96 c/c art. 72 da 4.502/64, porque entendeu ter ocorrido a figura de fraude no contexto da suposta falta de propósito negocial e artificialidade da reestruturação, e também lançou multa isolada sobre os valores de estimativas mensais de IRPJ e CSLL que teriam deixado de ser recolhidos no decorrer dos anoscalendário autuados, de forma concomitante com a multa de ofício majorada antes referida. II. DA DECADÊNCIA. FATOS OCORRIDOS HÁ MAIS DE 5 ANOS DA DATA DE AUTUAÇÃO Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 14 A D. Fiscalização pretende emitir juízo de valor acerca do ágio apurado e contabilizado em 22.12.2006, somente em 25/11/2013 (data da ciência do Auto de Infração), quando há muito ultrapassado o termo decadencial para fazêlo; Não tendo a D. Fiscalização questionado o cálculo do valor do ágio, resta demonstrada a impossibilidade de promover revisão do ágio registrado e contabilizado em período já atingido pela decadência para o fim de glosar a sua amortização com base em julgamento de valor não efetuado tempestivamente. III. DA POSSIBILIDADE DE REGISTRO DE ÁGIO EM OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO PARA FINS TRIBUTÁRIOS III.a. Inaplicabilidade de pressupostos contábeis ao tratamento fiscal do ágio e de sua amortização A lei tributária (isto é, o Art. 20 do Decretolei 1.598/77) contém o conceito (legal) de ágio que, por sua vez, é expressamente capturado pelo Art. 7o da Lei 9.532/97 para fins de determinar a possibilidade de sua amortização. Para estes fins, pois, não é possível afastar este conceito legal e utilizar qualquer outro. Os argumentos contábeis da D. Fiscalização e os diplomas normativos contábeis por ela citados (Resolução CFC 1.110/2007, Ofícios Circulares CVM/SNC/SEP 01/2006 e CVM/SNC/SEP 01/2007 e Pronunciamento Técnico CPC n° 04/2008) não se aplicam para determinar a possibilidade de amortização fiscal do ágio este assunto é regulado exclusivamente pela lei tributária. Antes da Medida Provisória 627/2013, forçoso reconhecer que a legislação permitia tal amortização (notadamente o art. 7o da Lei 9.532/97, que não continha a restrição incluída no art. 21 da referida MP). Não fosse essa a decorrência lógica, não seria necessária a publicação de dispositivo normativo para proibir algo que já estava proibido. III.b. Possibilidade e normalidade de operações entre partes relacionadas: da existência de parâmetros de mercado O fato de a operação terse realizado entre partes relacionadas não significa que ocorreu fora dos parâmetros de mercado e sem propósito negocial. A D. Fiscalização, partindo da premissa (equivocada) de que o fato de uma operação ter sido realizada entre partes interdependentes implicaria necessariamente ilegitimidade, nem sequer analisou os termos e condições em que foram realizados o aumento de capital da CA_Ca na Impugnante, mediante a conferência de todas as quotas que a primeira detinha da CA_PRO, e a posterior incorporação da CA_PRO pela Impugnante. O único elemento que levou a D. Fiscalização à conclusão de que referidas operações foram praticadas fora dos parâmetros de mercado e sem propósito negocial foi o fato de serem operações praticadas entre empresas do mesmo grupo. A única observação que a D. Fiscalização faz sobre o laudo de avaliação que fundamentou o registro do ágio mostrase equivocada. A D. Fiscalização consignou, especificamente nos itens 61 a 62 do TVF, que no laudo elaborado pela empresa de auditoria independente Ernst & Young, incluindo palavras não escritas no original ou em sua tradução juramentada, haveria ressalva de que o valor justo de mercado nunca se concretizaria Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 40 15 em uma operação entre partes independentes o laudo não contém tal afirmação. III.c. Possibilidade e normalidade de pagamento de ágio mediante emissão de quotas/ações própria Em que pese não exista o pagamento em dinheiro, efetivamente há contrapartida pela aquisição do investimento no caso de aumento de capital em uma sociedade com a conferência de ações/quotas de outra. Há desembolso de um recurso não dinheiro, mas quotas ou ações de seu capital. A sociedade que adquire o investimento arca com a emissão de novas quotas/ações de seu capital social, e as entrega aos seus sócios/acionistas subscritores do aumento de capital como contrapartida pelo recebimento da participação na sociedade investida Os artigos 299 e 324 do RIR/99, preceitos legais invocados pela fiscalização para sustentar que as despesas com ágio interno seriam indedutíveis, são, obviamente, inaplicáveis ao caso da amortização do ágio registrado na aquisição de investimentos. Se tal ágio pudesse ser considerado despesa operacional, nos termos do art. 299, seria integralmente dedutível no momento da aquisição e, se obedecesse ao art. 324, a amortização poderia ocorrer antes de qualquer evento de fusão, incorporação ou cisão. IV. DA AUSÊNCIA DE VÍCIO NAS OPERAÇÕES RESULTANTES DA REESTRUTURAÇÃO DOS NEGÓCIOS DO GRUPO CA NA AMÉRICA LATINA A fiscalização não nega o propósito negocial ou econômico da criação de uma holding e de um Centro de Serviços Compartilhados na América Latina., mas entende faltar propósito negocial na reestruturação do Grupo CA, rechaçando a constituição de uma nova empresa (a Impugnante) para exercer estes papéis, uma vez que já existia à época uma empresa do grupo no país, a CA_Pro; É valida a reestruturação dos negócios do Grupo CA na América Latina porque: O Grupo CA, um dos maiores do mundo no ramo de tecnologia da informação, foi fundado em 1976 por Charles B. Wang e Russell Artzt, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e hoje se especializa em software e soluções de tecnologia da informação para todo o ciclo de vida dos serviços corporativos desde o planejamento, modelagem, desenvolvimento, automação, garantia, até a produção. No Brasil, o Grupo CA iniciou suas atividades com a constituição, em 10.05.1982, da COMPUTER ASSOCIATES PROGRAMAS DE COMPUTADOR LTDA. (a CA_PRO), registrada no CNPJ sob o n. 50.053.636/000170 e cujo principal sócio à época era a COMPUTER ASSOCIATES INTERNATIONAL, INC. ("CA_USA"), sociedade domiciliada nos EUA que, em 1998, transferiu suas quotas que detinha na CA_PRO para a COMPUTER ASSOCIATES CANADÁ COMPANY (“CA_Ca”). Todas as empresas do Grupo CA na América Latina (México, Peru, Venezuela, Chile e Argentina) eram controladas pela CA_Ca e executavam diversas atividades de forma redundante, Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 16 especialmente nos departamentos de cursos administrativos e técnicooperacionais, de controladoria, de tecnologia da informação, suporte técnico e treinamento, de assessorias de gestão, tais como marketing e análise de risco. A reestruturação do Grupo CA na América Latina iniciouse com a colocação de todas as demais empresas latinoamericanas (não a CA_PRO) sob controle da CA Uruguay S.A. (CA_URU). Em 07.11.2006 foi criada a CA_Par (impugnante), com o objetivo de centralizar os investimentos do Grupo CA na América Latina e, além disso, de criar um Centro de Serviços Compartilhados (Shared Services Center) que pudesse prestar a todas as demais empresas na região, também de forma centralizada, os serviços acima mencionados, que antes eram realizados de forma redundante em cada uma das empresas. Com base em análise feita em conjunto com empresa de auditoria e consultoria especializada, que realizou uma série de entrevistas com grande parte dos funcionários da CA_PRO e estudos adicionais para finalização de seu trabalho e elaboração de recomendação, o Grupo CA alocou alguns funcionários da CA_PRO que julgou capazes de executar as tarefas de um Centro de Serviços Compartilhados para a ora Impugnante, a CA_PAR. Além das DIRFs analisadas pela D. Fiscalização no TVF, também a DIPJ 2008, ano calendário 2007, demonstra que a Impugnante de fato assumiu os encargos e obrigações correspondentes aos funcionários que lhe foram transferidos. Na Ficha 05A (Despesas Operacionais), Linhas 02 (Ordenados, Salários, Gratif. E Outras Remun. a Empreg.), a Impugnante registrou despesas de R$ 10.431.230,33 e na Linha 05 (Encargos Sociais, inclusive FGTS), despesas no valor de R$4.289.949,18. Em razão da constituição e posterior prestação de serviços pela Impugnante, foi possível ao Grupo CA reduzir seus custos operacionais nas demais empresas da América Latina, com a descontinuação dos funcionários alocados nos outros países que realizavam as atividades que passaram a ser prestadas pela Impugnante na condição de Centro de Serviços Compartilhado, em especial no departamento financeiro. Nesse ponto, confirase a anexa listagem de pessoal descontinuado nas subsidiárias latinoamericanas (doc. 03). À Impugnante foram alocados os ativos necessários para a execução do papel de Centro de Serviços Compartilhados, conforme comprova o valor relevante de ativo permanente imobilizado registrado no Balanço da Impugnante levantado em 31.12.2007 (página 21 das Demonstrações Financeiras de 2008 e 2007, fls. 377 a 407 dos autos) e reportado na DIPJ 2008 (especificamente Ficha 36Ada declaração juntada às fls. 1.094 a 1.127 dos autos). Nada mais comum no mundo empresarial que empresas do mesmo grupo estejam localizadas no mesmo endereço. Além disso, a Impugnante arcou com as obrigações correspondentes ao aluguel do espaço em que instalada a sua sede, cujo endereço é o mesmo da CA_PRO, tendo declarado despesas de Aluguéis (linha 16, Ficha 05A) no valor de R$ 613.982,56 (fls. 1.094/1.127). Em 22.12.2006, a CA_Ca aumentou sua participação no capital da impugnante (CA_PAR) mediante contribuição de todas as quotas que detinha tanto na CA_PRO quanto na CA_URU. Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 41 17 Ao contrário do que a D. Fiscalização consigna no TVF (especificamente no item 26), tanto a contribuição da CA_PRO quanto a da CA_URU foram realizadas a valor de mercado. Contudo, não houve desdobramento do valor do ágio porque a diferença entre os valores justos de mercado das demais empresas do Grupo CA na América Latina (de acordo com os quais se deu a emissão de novas quotas do capital social da Impugnante) e os valores de patrimônio líquido não era significativa. Se a reestruturação implementada não tivesse propósitos extrafiscais, o Grupo CA teria optado por simplesmente criar uma sociedade holding, sem qualquer funcionário ou estrutura física, o que seria menos custoso ao grupo e suficiente para gerar o ágio refutado pela fiscalização. Em 31.01.1998, mais de um ano depois de constituída, a Impugnante incorporou a CA_PRO, alterando a estrutura do Grupo CA na América Latina: A Fiscalização não pode simplesmente dizer qual seria a melhor forma para que a Impugnante, e os particulares em geral, organizem seus negócios. Tal atribuição não lhe compete, a não ser que identifique vícios (por exemplo, simulação) e traga provas de sua ocorrência. As opções adotadas pelos contribuintes para se organizarem e pautarem as suas condutas, além de obedecerem à lei, devem ser reais e ter substância, condições que foram fartamente comprovadas nos autos. A Impugnante e as demais empresas envolvidas aproveitaram e aproveitam os benefícios econômicos e jurídicos destas alterações, mas também suportaram e suportam todos os ônus e obrigações delas decorrentes. V. DA NECESSIDADE DE COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA IMPUGNANTE RELATIVOS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, CASO A OPERAÇÃO DE QUE RESULTOU SUA CONSTITUIÇÃO SEJA DESCONSIDERADA Caso a Impugnante não tivesse sido constituída, os serviços que foram prestados pela CA_PAR à CA_PRO não teriam sido prestados, já que os empregados da CA_PRO não teriam sido transferidos para a CA_PAR e continuariam, portanto, como empregados da CA_PRO. Consequência lógica desse raciocínio é que, se prevalecer o raciocínio da D. Fiscalização, os recolhimentos de PIS e COFINS feitos pela CA_PAR seriam totalmente indevidos já que não haveria que se falar em prestação de serviços da CA_PRO para a própria CA_PRO. VII. DA INEXISTÊNCIA DE DOLO OU FRAUDE, ESPECIFICAMENTE NA CONDUTA DA IMPUGNANTE E DA INSUBSISTÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA A D. Fiscalização, para fundamentar a qualificação da multa, retoma as críticas que não ultrapassam a condição de meras opiniões acerca da condução dos negócios da Impugnante e das demais empresas do Grupo CA, as quais não há que se cogitar sejam suficientes para fundamentar a acusação de fraude / dolo feita neste processo administrativo. Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 18 Mesmo que restasse configurada, a mera falta de propósito negocial, sem a existência de atos ilícitos (digase simulados), não é suficiente para consubstanciar a alegação de fraude Antes do processo de reestruturação, a CA_PRO praticava operações relacionadas aos software produzidos pelo Grupo CA. Depois de constituída, a Impugnante passou a exercer atividades de Centro de Serviços Compartilhado, prestando serviços às demais empresas do grupo na América Latina, e também de sociedade holding, centralizadora dos investimentos do grupo na região. Com a incorporação da CA_PRO, todas estas atividades ficaram, e continuam, a cargo da Impugnante. Ainda que venha a prevalecer o entendimento de que não é oponível ao Fisco operações que sejam implementadas com o único propósito de economizar tributos o que se admite apenas para argumentar não se pode conceber que tais condutas sejam consideradas fraudulentas, pois isso requereria a caracterização de ilicitude das condutas praticadas, algo que a simples falta de propósito negocial não tem o condão de ocasionar. Há jurisprudência que reconhece, em casos semelhantes, a legitimidade dos atos por ela adotados, e doutrina que corrobora com tal legitimidade. Não é razoável exigir que ela, empresa contribuinte, tenha certeza de estar ou não cometendo alguma infração em atos de planejamento tributário, sobretudo em tais situações em que há inúmeras manifestações favoráveis à sua posição. Situações como a presente poderiam caracterizar o erro de proibição, que existe quando o autor do ilícito supõe estar agindo dentro da lei, ou seja, quando não há o intuito de fraude capaz de autorizar a aplicação da multa qualificada. Além disso, somente agora, no ano de 2013, fui publicada a Medida Provisória 627/2013, explicitando a impossibilidade de geração de ágio amortizável fiscalmente em operações intra grupo. Assim, ainda que as autuações sejam mantidas, o que se admite para argumentar, é de todo descabida a manutenção da multa no percentual exasperado de 150%, uma vez que os pressupostos para esta qualificação não estão presentes no caso. VII. DAS MULTAS ISOLADAS A alteração estabelecida pela Lei nº 11.488/2007 na redação do artigo 44 da Lei 9.430/96 não modificou o entendimento jurisprudencial no sentido de que não se pode exigir a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, vez que (i) não houve alteração na materialidade da penalidade isolada que continua sendo exigida sobre o mesmo valor e decorrente do mesmo fato (não pagamento do principal devido); e (ii) a alteração não afasta a aplicação do princípio da consunção ou absorção, consagrado por referida corrente jurisprudencial. Vll.b. DOS ERROS DE CÁLCULO COMETIDOS NA APURAÇÃO DAS MULTAS ISOLADAS Na TABELA 2 anexa ao Auto de Infração houve erro na transposição das bases de cálculo do imposto consignadas na DIPJ 2012 (fls. 1.451 a 1.518 dos autos), para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2011. Este erro implicou no cálculo a maior da estimativa que seria devida no mês de novembro de 2011 e, portanto, em uma multa isolada a maior no Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 42 19 mesmo mês, conforme demonstrativo do item 204 da Impugnação. No que tange à CSLL, cuja apuração das respectivas multas isoladas está demonstrada na "TABELA 3" anexada ao auto de infração, além do erro acima, que implicou lançamento a maior em R$ 19.252,90 da multa isolada relativa à estimativa supostamente não paga de novembro de 2011, a D. Fiscalização também se equivocou quanto à apuração da coluna referente à CSLL devida em meses anteriores, com implicações especificamente nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012. Como é sabido, quando se apura a estimativa por meio de balancete de suspensão ou redução, do valor da CSLL apurada para o mês deve ser deduzido o valor da CSLL devida em meses anteriores. Nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012 a D. Fiscalização mudou o critério de apuração da CSLL que havia respeitado nos meses anteriores, implicando lançamentos a maior de multas isoladas nos meses de fevereiro, março, abril e novembro de 2010, fevereiro, abril e maio de 2011 e março de 2012. A "TABELA 3" corrigida (doc. 05), anexada à presente impugnação, demonstra todos os erros de cálculo das multas isoladas em referidos meses, sendo de rigor a sua redução para adequação à forma correta de cálculo. VIII. DO ERRO DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL DESCONSIDERAÇÃO DE VALORES A DEDUZIR DOS TRIBUTOS APURADOS A D. Fiscalização desconsiderou as deduções e compensações do IRPJ e da CSLL que constavam das respectivas DIPJs, gerando crédito tributário ilegítimo. Nenhum dos valores referidos, devidamente registrados nas Fichas 12A e 17 das DIPJs entregues pela Impugnante (fls. 1.350 a 1.639 do autos) foi considerado pela D. Fiscalização na apuração dos valores exigidos nesta autuação. IX. INAPLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO, por falta de previsão legal. X. CONCLUSÕES O que se depreende da prova já acostada aos autos pela própria D. Fiscalização e da ora trazida pela Impugnante é que: (i) a Impugnante e as demais empresas do Grupo CA efetivamente fizeram o que se propuseram a fazer; (ii) nada do que fizeram era proibido fazer; (iii) as empresas envolvidas se submeteram à disciplina jurídica dos atos que praticaram; (iv) elas não se comportaram de modo inadequado com a função jurídica dos atos que praticaram; (v) os efeitos dos atos praticados foram mantidos e suportados sem alteração e sem desfazimento; (vi) a D. Fiscalização não apontou (porque inexiste) qualquer indício de simulação que poderia ser aplicável à situação em que os atos foram praticados; e (vii) a D. Fiscalização também não apontou qualquer ato que, na sua visão, deveria ser desconsiderado. A DRJ analisou o caso e lavrou Acórdão ementado da seguinte forma: Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 20 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. O ágio somente pode ser admitido quando decorrente de transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Nessa situação, a despesa com a amortização do ágio é indedutível. INCORPORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação realizada por pessoa jurídica cuja criação não apresentou propósito negocial. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. Constatada a falta de pagamento do imposto por estimativa, devem ser exigidas as multas sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, bem como o imposto apurado pelo ajuste anual acrescido da multa de ofício pelo seu não recolhimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Tanto o surgimento de ágio entre empresas relacionadas quanto a operação consistente em constituir pessoa jurídica sem propósito negocial justificado a não ser o de servir de veículo para a criação de ágio e sua posterior amortização, caracterizam fraude, qualificando a conduta infracional e motivando o agravamento da multa de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO. O reconhecimento contábil de um valor amortizável não representa manifestação de fato tributário imponível. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento, surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, no caso em tela, a cada dedução das despesas de amortização. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. ERRO DE CÁLCULO. MULTA SOBRE ESTIMATIVAS. Constatado erro no cálculo das estimativas que deixaram de ser apuradas por conta da dedução indevida de despesas, devem ser exoneradas as multas isoladas sobre as diferenças demonstradas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A solução dada ao litígio principal, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicase ao litígio decorrente ou reflexo relativo à Contribuição Social sobre o Lucro. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 43 21 A Recorrente interpôs o Recurso Voluntário repetindo os argumentos da Impugnação, acrescentando alguns fundamentos para questionar o Acórdão da DRJ e atacando o no tocante a uma suposta alteração de fundamentação para efeito de aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. De acordo com a Recorrente, o Termo de Verificação Fiscal teria se baseado em dolo e fraude por falta de propósito negocial, enquanto que o Acórdão da DRJ alegou ter havido simulação. Pede a nulidade, portanto, do Acórdão com relação à qualificação das multas, pois teriam sido usados fundamentos distintos daqueles do Auto de Infração e fatos alheios aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento e passo a sua análise seguindo a ordem dos argumentos nele trazidos pela Recorrente. NULIDADE DA R. DECISÃO RECORRIDA A Recorrente alega que o Acórdão recorrido afirmou ter havido "simulação" por parte dela, porém essa acusação não constava do Termo de Verificação Fiscal TVF, de modo que a DRJ estaria alterando o fundamento da qualificação da multa. Não assiste razão a ela. Os fundamentos empregados pela DRJ são semelhantes aos do TVF, ao qual ela faz menção com frequência. O centro da qualificação da multa foi a suposta existência de "fraude", termo amplamente utilizado tanto no TVF (fl. 42) como no Acórdão da DRJ (fl. 34), fazendose referência ao art. 72 da Lei 4.502/1964. Se a DRJ entendeu que a fraude em questão se caracterizou por ações da Recorrente que tiveram o intuito de simular um determinado contexto de fatos, isso não gera qualquer nulidade no processo administrativo. Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 22 Deve ser, portanto, afastada a preliminar de nulidade. DECADÊNCIA: IMPOSSIBILIDADE DE REVISAR (FAZER NOVO JUÍZO DE VALOR) ACERCA DE FATOS OCORRIDOS HÁ MAIS DE 5 ANOS DA DATA DE AUTUAÇÃO Não assiste razão à Recorrente no tocante à sua alegação de decadência, uma vez que o mero registro do ágio não desperta um direito potestativo (ou um poderdever, caso se prefira) na Receita Federal, não correndo, portanto, o prazo decadencial. Não há qualquer previsão legal determinando que o ágio seja analisado em um prazo "x". O que existe na legislação tributária é a prescrição do art. 150, §4º e a do art. 173, I, ambas do CTN. A decadência começa a ser contada do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Deste modo, o prazo decadencial de cinco anos começou a correr, conforme o art. 150, §4º, do CTN, quando houve o pagamento tido por "a menor" do IRPJ e da CSLL por conta do aproveitamento de ágio gerado artificialmente. A apuração do IRPJ e da CSLL, no caso da Recorrente, se dava anualmente, com pagamento de estimativas e ajuste após o final do período. Sendo assim, considerando que a intimação acerca do lançamento se deu em 25/11/2013, poderiam ser lançadas diferenças de tributos que deveriam ter sido pagos a maior relativos aos anos de 2008 em diante, tendo em vista que, como dito, se trata aqui de tributos apurados anualmente, com incidência em 31 de dezembro de cada ano. Não interessa se os negócios jurídicos ou mesmo se os seus registros foram realizados em 2006. A Receita Federal não podia, mesmo que quisesse, lançar nenhum tributo por conta dos negócios jurídicos e dos seus registros. O direito do fisco de lançar não tinha ainda sido constituído e, portanto, o seu prazo não corria. Em que pesem os precedentes do antigo Conselho de Contribuintes citados pela Recorrente, que não vinculam o presente julgamento, os precedentes atuais do CARF são maciços no sentido aqui firmado, inclusive os desta 1ª Turma, da 4ª Câmara, da 1ª Seção, do CARF: "DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FATOS GERADORES DISTINTOS. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original" (CARF, Processo nº 13629.002812/201034, Acórdão nº 1401001.299, Sessão de 24 de setembro de 2014, Rel. Cons. Fernando Luiz Gomes de Mattos). Deve ser afastada, portanto, a preliminar de decadência levantada pela Recorrente. Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 44 23 DEDUTIBILIDADE DAS CONTRAPARTIDAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO QUESTIONADAS NESTES AUTOS Possibilidade de registro de ágio em operação entre empresas do mesmo grupo para fins tributários O entendimento deste Relator é o de que nem sempre a operação entre empresas de um mesmo grupo terá ágio artificial. Desde que as operações sejam praticadas com comprovado propósito negocial, havendo efetivo pagamento pelo ágio, com fundamento econômico comprovado em laudo negocial, o ágio poderá ser considerado válido e, então, poderá ser amortizado para fins tributários. O ponto aqui é que as operações da Recorrente não revelam propósito negocial, como se verá. Inaplicabilidade de pressupostos contábeis ao tratamento fiscal do ágio e de sua amortização As normas contábeis não determinam as normas jurídicas a serem construídas, mas elas podem ter se tornado, também, jurídicas. É o que acontece com parte das normas contábeis brasileiras, que estão expressamente previstas na legislação. Afora isso, como a tributação recai sobre as operações de contribuintes e como essas precisam, quase sempre, estar registradas em documentos comerciais e fiscais, o tratamento contábil pode vir a alterar os efeitos jurídicotributários. O que não se pode admitir é que normas contábeis não componentes do ordenamento jurídico determinem a interpretação jurídica. Deste modo, o OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/07, caso fosse o único fundamento a suportar o entendimento do Auto de Infração e da DRJ, não poderia ser aplicado ao caso aqui em análise. Realmente, até a Lei 12.973/2014 não havia proibição expressa na legislação para que o ágio fiscal fosse gerado em operações intragrupo. Existe, no entanto, conforme precedentes repetidos do CARF, a necessidade de se comprovar que a operação realizada dentro do grupo não se aproveitou dessa situação de não estar sendo realizada por partes diversas, que tendem a se relacionar de uma forma distinta daquela em que se relaciona partes independentes. Ainda que se admita ser possível a geração de ágio dentro de um mesmo grupo, ela é muito difícil de ter substância, pois, para que se tenha o ágio, é necessário um investimento com vistas em uma rentabilidade futura a ser obtida por meio daquela empresa na qual se investe. Acontece que, na grande maioria das operações intragrupo, a investida incorpora a investidora em um momento posterior à geração do ágio, normalmente não muito distante. Como se defender, então, que havia fundamento naquele investimento, se a empresa deixa de existir algum tempo depois? Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 24 O OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/07 não determina a interpretação jurídica, mas ele revela que o entendimento contábil não vê substância em operações que geram ágio intragrupo. As normas contábeis, que vêm buscando cada vez mais o princípio da substância sobre a forma, proibiram, então, o reconhecimento de ágio nesses casos. No caso de ágio gerado internamente, é ainda mais importante demonstrar o propósito negocial, tendo em vista, por exemplo, que a tendência a haver manipulação dos preços do negócio é forte. Mesmo que se contrate uma empresa idônea para fazer a avaliação do investimento, ela poderá ser influenciada pelo interesse da sua contratante, como muitas vezes acontece. Além disso, em operações de partes não independentes, dentro das quais pode haver interesses comuns, é muito mais frequente a realização de operações apenas formais para que gerem resultados de modo a reduzir os tributos devidos por essas partes. A única maneira de se evitar o abuso da forma e do valor do ágio é garantir a substância do negócio, e um dos elementos é a existência de laudo que reflita uma efetiva expectativa de rentabilidade futura. Acontece que, nos últimos anos, realizouse diversas operações suportadas em laudos, mas a tal rentabilidade futura nunca se concretizou. A falta de pagamento em dinheiro, então, reforça ainda mais as suspeitas de falta de substância negocial, outro elemento existente nas operações da Recorrente, como se verá logo em seguida. No que toca ao presente caso concreto, não há propósito negocial, pois, ainda que se aceite o argumento de que o fim era aperfeiçoar o compartilhamento de custos, usouse um caminho desnecessário, criando uma empresa no mesmo endereço da outra que iria ser incorporada por ela algum tempo depois. A empresa estrangeira CA_Ca integralizou as quotas da CA_Pro na CA_Par com reavaliação das quotas da CA_Pro e registro de ágio na CA_Par, mas sem comprovado registro de ganho de capital na CA_Ca, muito menos do pagamento dos tributos devidos sobre esse ganho. A diferença básica dessa operação para outras é que não houve incorporação reversa, mas transferência de ativos, funcionários e operações da CA_Pro para a CA_Par e depois incorporação da primeira pela segunda. Tratase de uma nova engenharia, porém com efeitos muito semelhantes aos de operações com empresas veículo que sofrem incorporação reversa. É o corriqueiro caso do "ágio de si mesmo", gerado numa empresa que recebeu integralização das quotas pelas quais ela mesma estaria teoricamente pagando e tendo a despesa do ágio. Possibilidade e normalidade de pagamento de ágio mediante emissão de quotas/ações própria Como dito, o fato de não haver pagamento, por si só, não é um impeditivo do aproveitamento do ágio, mas um forte indício de artificialidade, pois o desembolso financeiro geraria repercussões concretas, a exemplo de redução de caixa na empresa que faz o Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 45 25 investimento. Por isso, na grande maioria das operações artificiais, utilizase de "investimento" por meio de ações, e não com efetivo fluxo financeiro. Por outro lado, é possível notar que, na maior parte das operações que são, de fato, negócios jurídicos realizados com substância, há a circulação de dinheiro. No caso dos autos, há típica artificialidade, com subscrição de quotas da própria empresa "negociada" (CA_Pro) pela detentora da quotas (CA_Ca) na suposta adquirente do investimento (CA_Par), a Recorrente, que nada paga por ele. Ao mesmo tempo, reavaliase as quotas que CA_Ca possuía em CA_Pro para gerar o ágio em CA_Par, mas sem registro de ganho de capital pela CA_Ca e, consequentemente, sem pagamento dos tributos. Outro aspecto interessante é que não houve reavaliação das quotas da CA_Uru, pois lá, provavelmente, não se teria ganho tributário. Houve apenas reavaliação das quotas da CA_Pro, empresa brasileira, para que se gerasse ágio e uma economia milionária de tributos no Brasil. Por sinal, a empresa CA_Uru já era controladora de todas as demais empresas na América Latina e, portanto, seria muito mais prático, do ponto de vista societário, que ela fosse o Centro de Serviços Compartilhados. Sendo assim, a subscrição de quotas, que culmina na falta de fluxo financeiro, é mais um elemento que se junta ao fato de o ágio ser interno e de si mesmo, para levar à conclusão pela inexistência de propósito negocial. Substância e realidade da conduta da Recorrente. Da razão pela qual o caso se diferencia da maioria dos casos de "ágio interno" julgados por esse E. CARF Nesse ponto, primeiramente a Recorrente alega que a Fiscalização e o Acórdão da DRJ propuseram quais seriam os atos negociais a serem tomados por ela, o que não lhes cabe. Em verdade, a questão que se coloca, mais uma vez, diz respeito ao propósito negocial, não se tratando de definir como a Recorrente deve desenvolver as suas operações. O ponto é que, da forma como feita a reestruturação societária, a interpretação que se tem é de que a criação da Recorrente teve o fim único de gerar o ágio e, portanto, a redução da tributação no Brasil, tendo em vista que o grupo poderia ter chegado a efeitos muito semelhantes sem a criação da Recorrente. Em vez de utilizar uma empresa veículo que é criada e extinta logo depois, utilizouse, no presente caso, de outro artifício. Criouse uma empresa sem necessidade e, então, passouse parte dos ativos, operações e funcionários da empresa investida para ela, realizando, assim, uma incorporação comum, e não reversa. Com o intuito de que se desse aparente substancialidade às operações, a CA_Par começou logo a praticar operações e se aguardou algum tempo até que a incorporação da CA_Pro fosse efetivamente realizada. Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 26 Por sinal, não havia porque realizar um investimento tão grande na empresa incorporada, se ela continuaria a existir, mas transferiria ativos, operações e funcionários para a suposta investidora. Não havia, a rigor, expectativa de rentabilidade futura, pois já se sabia, desde o começo, que o plano era fazer aquela empresa desaparecer aos poucos dentro da Recorrente, criada para possibilitar a geração de ágio na CA_Par. Ainda que realmente pareça ter havido uma centralização do grupo no Brasil, o que conferiria um propósito negocial à reestruturação societária se olhada por uma perspectiva mais ampla, não houve propósito na criação da Recorrente, no investimento feito na empresa incorporada e, portanto, na geração do ágio amortizado por ela. Não há propósito negocial quando se aponta uma visão analítica para a criação da Recorrente e a posterior incorporação da investida dentro dela. Não se está olhando a operação apenas por uma parte, como alega a Recorrente, porém pelo seu todo e pelas suas partes ao mesmo tempo, como tem que ser feito sempre, ou seja, por uma visão complexa. A Recorrente alega que a DRJ se omitiu quanto ao fato de que houve pagamento de aluguel por ela à CA_Pro, empresa que possibilitou a geração do ágio e foi incorporada algum tempo depois, pelo fato de a Recorrente ter sido criada no mesmo endereço da empresa geradora do ágio. Esse fato e outros revelam que não houve propriamente simulação da Recorrente, que realizou todos os atos às claras, com os devidos registros e bem amarrados, apesar de que não houve escrituração do ganho de capital, nem muito menos pagamento dos tributos, mas o erro nesse caso é da empresa canadense (CA_Ca). Por outro lado, a criação de uma empresa no mesmo endereço de outra, como já apontado pelo TVF e pela DRJ, que depois recebeu ativos, operações e funcionários da empresa que deu ensejo à geração do ágio e que seria incorporada, revela não haver propósito na criação da Recorrente, o que é atestado pelo processo administrativo fiscal, pois não se verificou nos autos um argumento ou prova no sentido de que a criação da Recorrente foi imprescindível aos efeitos obtidos pelo grupo, a não ser pelos efeitos tributários. A Recorrente concentra toda a sua argumentação no propósito de criar um Centro de Serviços Compartilhados, que realmente parece ter existido, mas não explica porque a CA_Pro não adquiriu simplesmente, ainda que por integralização nela, as ações das demais empresas e se tornou esse centro. Não há qualquer explicação para a criação da Recorrente. Um dos pontos centrais aqui era se comprovar que, sem a Recorrente, não haveria operação, mas isso sequer é tentado. Também se perde nos autos o fato de que a CA_Uru já era controladora das demais empresas do grupo estabelecidas na América Latina, de modo que deveria haver razão forte para se transferir a centralização toda para o Brasil, que não apenas a economia de tributos. Isso fica claro no trecho abaixo copiado do Recurso Voluntário, no qual a Recorrente toca diretamente na questão da desnecessidade da sua criação e nada diz a respeito disso, utilizando o argumento do pagamento de aluguel para justificar que sua existência não foi meramente formal: Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 46 27 A questão é que, se a CA_Pro ou a CA_Uru, empresas que já existiam desde o começo, tivessem se tornado o Centro de Serviços Compartilhados, não haveria ágio, pois todas as demais pessoas jurídicas do grupo estão fora do Brasil, inclusive a própria CA_Uru, como é óbvio. No ponto 170.1 do Recurso Voluntário, tentando justificar o propósito negocial, a Recorrente questiona: por que ela iria realizar a centralização da parte do grupo estabelecida na América Latina dentro do Brasil se isso apenas traz a ela aumento de tributação? Essa é uma pergunta que pode ser, também, utilizada contra a Recorrente, pois, primeiro, não se sabe porque escolher o Brasil, e não outro país da América Latina, se isso levou, como ela própria afirma, a mais gastos tributários. A resposta parece ser simples: o Brasil foi escolhido apenas porque ela esperava gerar um ganho gigantesco na geração e dedução do ágio. Quando justifica a escolha do Brasil, a Recorrente se limita a afirmar que era o país onde a maior parte das operações na América Latina se encontrava, mas esse fato ainda que seja verdadeiro, considerando que não foi perfeitamente comprovado não é razão para a escolha do Brasil como o Centro de Serviços Compartilhados. Em regra, os grupos escolhem o país onde se terá a maior redução de custos/despesas, inclusive tributários(as), e não necessariamente onde tem maior volume de operações. Como a ideia era gerar ágio no Brasil, esse fato pode e deve ter sido determinante para a escolha, o que, por si só, não seria um problema, não fosse pelo fato da criação de uma empresa apenas para possibilitar a geração de ágio sem efetiva expectativa de rentabilidade futura. A Recorrente alega que alguns pontos da sua operação não teriam sido analisados pela Fiscalização e pela DRJ, mas, realmente, não cabe considerar cada mínimo detalhe de toda a reestruturação, quando se percebe que, no tocante especificamente ao ágio, o objeto central da discussão, não houve propósito negocial. O argumento de que as fundamentações do negócio estariam já constando do Protocolo de Justificação de Incorporação, o prazo entre a geração do ágio e a incorporação da CA_Pro e outros elementos apenas demonstram que o conjunto de operações foi muito bem construído, de forma premeditada, para tentar evitar a desconsideração do ágio e a cobrança da diferença de IRPJ e CSLL, como terminou acontecendo. Quando se refere ao tempo de existência da CA_Pro após a criação do ágio, a Recorrente poderia ter explicado o que levou o grupo a decidir pela sua incorporação, mas isso não é feito. Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 28 Concluise, portanto, que o ágio foi gerado artificialmente, com investimento sem expectativa de rentabilidade futura e constituição da Recorrente apenas para criar esse ágio e poder amortizálo mais tarde. Ainda que dentro de um conjunto de operações com aparente propósito negocial, as operações específicas que suscitaram a geração do ágio não revelam propósito, tendo sido ele gerado artificialmente por meio de um mecanismo semelhante ao da empresa veículo, porém um pouco mais sofisticado. A diferença é que, em vez de se criar uma empresa que desaparece algum tempo depois, transferiuse para ela os ativos, as operações e os funcionários da empresa cujas quotas foram reavaliadas, começando operações na empresa nova, esperando algum tempo e, por fim, extinguindo a empresa antiga. Tratase de uma sistemática inteligente usada para não configurar o típico caso da empresa veículo, mas, com uma análise cuidadosa, é possível notar a semelhança de propósito entre elas. Deve ser, então, mantida a cobrança de IRPJ e CSLL, conforme conclusão da DRJ, mas não exatamente pelos mesmos fundamentos, como ficará ainda mais claro à frente. Como se verá, as operações foram realizadas formalmente dentro da lei, todas adequadamente registradas e, de fato, parece ter sido constituído um Centro de Serviços Compartilhados, motivo pelo qual este Relator entende que não houve fraude ou simulação. SUBSIDIARIAMENTE: COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA RECORRENTE, CASO A OPERAÇÃO DE QUE RESULTOU SUA CONSTITUIÇÃO SEJA DESCONSIDERADA Apesar de a DRJ ter seguido um entendimento de que teria havido simulação, este Relator não concorda com ele. Houve realização de operações sem propósito negocial, como a criação da Recorrente no mesmo endereço da incorporada e investimento para geração de um ágio sem qualquer expectativa de rentabilidade futura, porém, como dito, a Recorrente também praticou atividades e as tributou. Ainda que a Recorrente não tenha deixado de existir, não se configurando propriamente como uma empresa veículo, o que se perpetrou foi apenas uma forma distinta de se criar ágio artificialmente, fazendo parecer que o objetivo central das operações não era a redução dos tributos devidos. A Recorrente parece realmente ter praticado prestação de serviços. Os tributos pagos por ela incidiram sobre as suas operações, mas não há porquê relacionálos ao ágio glosado. A relação direta do ágio se dá com o ganho de capital obtido na alienante (CA_Ca) das quotas compradas com pagamento de ágio, sobre o qual não se falou ao longo do processo administrativo fiscal. Em uma operação legítima, terseia pago os tributos sobre o ganho de capital, mas a Recorrente não toca nesse assunto em nenhum momento, como, aliás, acontece em quase todo caso de ágio artificial, onde sempre se tem uma justificativa para a não tributação do ganho de capital ou simplesmente o assunto não é mencionado. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 47 29 Outra hipótese seria ter havido pagamento efetivo, fluxo financeiro da Recorrente para o exterior, com a respectiva retenção de Imposto de Renda. Nesse caso, ainda poderia se aventar a possibilidade de compensação, pois o tributo estaria sendo pago dentro da própria operação que gerou o ágio considerado artificial. Mais uma vez, por não ter propósito negocial a operação específica de geração de ágio na Recorrente, o que se reforça pela falta de pagamento em dinheiro, não é o caso de se cogitar de qualquer compensação de tributos. Não há, por conseguinte, relação entre o ágio glosado e os tributos pagos pela Recorrente, motivo pelo qual deve ser negado seu pedido subsidiário de compensação entre estes e os tributos exigidos por meio do Auto de Infração. SUBSIDIARIAMENTE: ERROS DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL NO AUTO DE INFRAÇÃO: DESCONSIDERAÇÃO DE VALORES A DEDUZIR DOS TRIBUTOS APURADOS As eventuais deduções a que teria direito a Recorrente não foram objeto de questionamento no Auto de Infração, de modo que não cabem ser discutidas nesse processo administrativo. No tocante a um suposto dever da Fiscalização de considerálas para efeito de reapuração do IRPJ e da CSLL, ele não existe na lei, conforme tenta argumentar, até porque seria um transtorno enorme não somente para a Receita Federal, mas também para os contribuintes ter que substituir nos seus sistemas toda a apuração dos tributos em vários anos calendários. Cabe aos contribuintes declarar os valores que podem ser deduzidos e aproveitálos nos respectivos anos. As despesas a serem deduzidas, se foram registradas em DIPJ, já foram aproveitadas pela Recorrente na sua apuração. As deduções reduzem a base de cálculo, enquanto que as rendas a aumentam. De certa forma, elas se compensaram nas declarações da Recorrente. Se havia, por outro lado, saldo negativo, eles foram utilizados nos respectivos anos posteriores. Caso não tenham sido utilizados, estão ainda acumulados para utilização e sendo paulatinamente atualizados. O campo "deduções" existente no Auto de Infração referese a eventuais deduções que possam estar sendo discutidas naquele lançamento. Há casos em que se tributa determinados valores, mas é preciso deduzir outros a eles ligados diretamente. Não é a situação aqui. Seguindo o procedimento pretendido pela Recorrente, seria preciso que, em todo caso de autuação, a Fiscalização refizesse toda a apuração dos contribuintes, checando seus saldos negativos, verificando se já tinham sido utilizados etc. Seria um transtorno para a Receita Federal e para os próprios contribuintes, gerando ineficiência para todos. Afasto, por conseguinte, mais esse pedido subsidiário da Recorrente. Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 30 SUBSIDIARIAMENTE: AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS PARA A EXASPERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Como explicado anteriormente, este Relator entende que não houve fraude ou simulação, mas um planejamento tributário muito bem engendrado dentro de um projeto que, ao fim e ao cabo, parecia ter algum propósito negocial. Os vícios do negócio que levam à artificialidade do ágio foram apresentados anteriormente e são decorrentes de uma tentativa da empresa de realizar operações para fins de planejamento tributário, porém sem configuração dos tipos penais que ensejam a qualificação da multa. O ágio foi contabilizado em 22.12.2006, quando a jurisprudência do CARF estava em processo de mudança e, até este ano de 2016, ela não está completamente definida, havendo dúvidas sobre vários aspectos das operações envolvendo geração de ágio em planejamentos tributários. Aliás, no ano de 2006, operações com geração de ágio artificial eram corriqueiras no mercado e incentivadas por empresas de assessoria fiscal e/ou contábil renomadas. Conforme diversos precedentes desta mesma 1ª Turma, da 4ª Câmara, da 1ª Seção, do CARF, concluo, assim, que a Recorrente apenas tentou se valer de uma estratégia que julgava à época ser válida. Todas as operações foram devidamente registradas e em nenhum momento houve qualquer recusa de informação ao Agente Fiscal, demonstrando a sua boa fé do início ao fim. A Recorrente laborou na esperança de que houvesse chancela das operações pela Receita Federal, pelo CARF ou pelo Poder Judiciário. O que há aqui é uma diferença de interpretação entre a posição da Recorrente e aquela que vem sendo consolidada no CARF nos últimos anos. Desqualifico, portanto, a multa de ofício de 150% para 75%. SUBSIDIARIAMENTE: IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTAS ISOLADAS E DE OFÍCIO Conforme múltiplos precedentes do CARF que resultaram na Súmula nº 105, as multas isoladas não podem ser cobradas concomitantemente. Se as estimativas deixaram de ser realizadas e a apuração do IRPJ e da CSLL se deram a menor pela mesma razão; uma vez encerrado o período de apuração fiscal, aplicase apenas a multa de ofício. Vide enunciado da Súmula nº 105 do CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 48 31 Vide dois acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais que trataram do tema: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF" (CARF, CSRF, Processo nº 10840.000220/200356, Acórdão nº 9101001.693, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann). "APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA — MATÉRIA PACIFICADA — ARTIGO 67, § 10 0 DO RICARF Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo". No entendimento deste relator, no entanto, a partir da vigência da Lei nº 11.488/2007, quando o valor da(s) multa(s) isolada(s) superar o valor da multa de ofício, deve se cancelar a multa de ofício e manter a isolada, ou seja, para evitar a concomitância, devese sempre absorver a multa cuja base de cálculo tem menor valor. Esse entendimento é um desdobramento da própria Súmula nº 105 do CARF, pois ele evita o problema de se afastar a multa isolada e se manter a multa de ofício quando aquela tinha valor muito maior do que essa. Assim, o contribuinte é sancionado de maneira muito branda, mesmo apesar de ter deixado de recolher altos valores a título de estimativa mensal. Outra maneira de se ver essa conclusão é manter sempre a multa de ofício, como determina a súmula, mas acrescêla da diferença entre ela (multiplicada por 2/3) e a multa isolada, quando esta última for maior. Essa parece ser a interpretação mais mediadora, mais justa para a matéria em questão, pois evita a aplicação concomitante de multas ao mesmo tempo em que evita a aplicação de sanções muito brandas quando o contribuinte deixa de recolher valores altos, o que poderia levar, inclusive, a uma perda de eficácia social da norma que impõe o recolhimento da estimativa mensal. Ainda que este Relator tenha um entendimento pessoal no sentido de que a estimativa mensal é uma complexidade injustificável gerada no sistema com o objetivo de antecipar tributos à União Federal, o fato é que ela está prevista na lei e há uma sanção para o caso de descumprimento. Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 32 No caso concreto em análise, todavia, os valores das multas de ofício superam os valores das multas isoladas aplicadas a estimativas de IRPJ e de CSLL. Mesmo com a desqualificação das multas de ofício aplicadas para o IRPJ e para a CSLL, elas continuarão maiores do que as multas isoladas. O consolidado das multas de ofício, por sinal, totaliza R$ 72.980.585,74 (IRPJ) e R$ 26.285.970,87 (CSLL), enquanto que o consolidado das multas isoladas é R$ 19.982.745,77 (IRPJ) e R$ 7.463.771,16. Quando reduzidas as multas de ofício para 75%, os totais consolidados ficam R$ 36.490.292,80 (IRPJ) e R$ 13.142.985,40. Ocorre que essa análise deve ser feita por ano calendário, conforme a apuração do IRPJ e da CSLL, neste caso concreto, haverá anos em que a base de cálculo da multa de ofício supera a da multa isolada e haverá casos em que ocorre o inverso. No caso concreto em análise, um exemplo é o ano de 2008 para o IRPJ, quando a multa isolada foi de R$ 4.809.600,95, enquanto que a multa de ofício seria R$ 9.011.976,59 (base de cálculo) x 75% = R$ 6.758.982,44. Quando multiplicada por 2/3 (66,66%), a multa de ofício fica um pouco menor do que a multa isolada: R$ 4.505.988,29, devendo ser aplicada apenas a multa isolada ou, caso se prefira, o valor da multa de ofício e mais o valor da diferença entre as duas. Já no ano de 2011, por exemplo, o valor da multa isolada é de R$ 4.425.234,83, enquanto que a multa de ofício, se considerado o percentual de 75%, tem um valor de R$ 7.88.002,75. Quando multiplicada por 2/3 a multa de ofício, o resultado é R$ 5.254.668,50. Pelo exposto, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário quanto a esse item, devendo ser canceladas as multas isoladas até o valor da multa de ofício multiplicado por 2/3, ou seja, devendo ser cancelada a multa isolada até onde sua base de cálculo for igual ou menor à base da multa de ofício. DOS ERROS DE CÁLCULO COMETIDOS NA APURAÇÃO DAS MULTAS ISOLADAS E NULIDADE DO LANÇAMENTO PARA O ANO CALENDÁRIO DE 2011 A Recorrente alega que há mais erros de cálculo nas multas isoladas do que aqueles reconhecidos pela DRJ. Considerando que a multa isolada relativa ao ano calendário de 2011 discutida neste item foi cancelada no item anterior, o pedido de correção de erros em seus cálculos perde o objeto. INAPLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Após a aplicada e não paga, a multa se torna um crédito da Receita Federal perante o contribuinte, que, portanto, deve se sujeitar à aplicação de juros de mora. Tratase entendimento amplamente aceito no âmbito do CARF e que esta 1ª Turma, da 4ª Câmara, da 1ª Seção tem aplicado com frequência. Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 1401001.584 S1C4T1 Fl. 49 33 A aplicação de juros sobre multa está prevista no art. 43 e no §3º, do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Para não alongar demais o voto, cito apenas um exemplo de precedente, dentre as dezenas existentes: "JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96" (Data da Sessão: 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva; Decisão: Acórdão 10322197). Mantenho, portanto, a aplicação dos juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Pelas razões expostas, proponho o meu voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e lhe dar provimento parcial apenas para desqualificar a multa de ofício de 150% para 75% e para cancelar as multas isoladas até os valores das multas de ofício multiplicados por 2/3, conforme explicado no voto. (assinado digitalmente) Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS
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Numero do processo: 10580.723686/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITOS NÃO DECLARADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não caracteriza denúncia espontânea a informação de débitos em DCTF retificadora transmitida somente depois de iniciado o procedimento de fiscalização.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO COM O INTUITO DELIBERADO DE SONEGAÇÃO FISCAL. ABUSO DO DIREITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. LEGITIMIDADE.
Realidade em que o sujeito passivo, de forma recorrente, em abuso do alegado direito de petição, declarou informações sabidamente falsas, deixando para retificar as DCTF somente quando instaurado o procedimento de fiscalização.
Diante da ausência de declaração e de pagamento, pelo contribuinte, de tributo sujeito a lançamento por homologação, deverá a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, o qual, uma vez caracterizada a conduta dolosa, deverá corresponder ao percentual de 150% capitulado no artigo 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96.
SÓCIO DIRETOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III).
Recurso voluntário negado.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AGRAVAMENTO. ALEGADA AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE FISCAL. NÃO SUBSUNÇÃO ÀS HIPÓTESES DE AGRAVAMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/96. AFASTAMENTO DO GRAVAME.
A constatação de que o sujeito passivo, embora tendo praticado condutas protelatórias, atendeu, mesmo que de forma insuficiente, às intimações oficiais, não autoriza o agravamento da multa previsto no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, eis que a fiscalizada, a rigor, não deixou de "prestar esclarecimentos", e ainda, não obstante a apontada deficiência nos esclarecimentos, isso não impediu a autoridade fiscal de levantar as informações necessárias à formalização do lançamento tributário.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3301-002.917
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para a dedução da base de cálculo da contribuição em face de despesas com verba de propaganda cooperada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITOS NÃO DECLARADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 36 86 /2 01 4- 94 Fl. 11742DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.743 2 Não caracteriza denúncia espontânea a informação de débitos em DCTF retificadora transmitida somente depois de iniciado o procedimento de fiscalização. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO COM O INTUITO DELIBERADO DE SONEGAÇÃO FISCAL. ABUSO DO DIREITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. LEGITIMIDADE. Realidade em que o sujeito passivo, de forma recorrente, em abuso do alegado direito de petição, declarou informações sabidamente falsas, deixando para retificar as DCTF somente quando instaurado o procedimento de fiscalização. Diante da ausência de declaração e de pagamento, pelo contribuinte, de tributo sujeito a lançamento por homologação, deverá a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, o qual, uma vez caracterizada a conduta dolosa, deverá corresponder ao percentual de 150% capitulado no artigo 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96. SÓCIO DIRETOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Recurso voluntário negado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AGRAVAMENTO. ALEGADA AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE FISCAL. NÃO SUBSUNÇÃO ÀS HIPÓTESES DE AGRAVAMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/96. AFASTAMENTO DO GRAVAME. A constatação de que o sujeito passivo, embora tendo praticado condutas protelatórias, atendeu, mesmo que de forma insuficiente, às intimações oficiais, não autoriza o agravamento da multa previsto no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, eis que a fiscalizada, a rigor, não deixou de "prestar esclarecimentos", e ainda, não obstante a apontada deficiência nos esclarecimentos, isso não impediu a autoridade fiscal de levantar as informações necessárias à formalização do lançamento tributário. Recurso de ofício negado. Fl. 11743DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.744 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Curitiba (efls. 11646/11673), proferida em 24/06/2015, a qual, por unanimidade de votos, decidiu no sentido de: a) manter os valores lançados de PIS e Cofins, bem como o lançamento da multa de ofício de 150% e encargos legais decorrentes, em relação a todos os períodos de apuração e à todas as infrações apuradas; b) cancelar o agravamento da multa de ofício de 150% para 225% aplicada nos períodos de apuração de 10/2009 a 12/2009, 01/2010, 03/2010, 05/2010 a 10/2010; e c) julgar procedente a atribuição de responsabilidade tributária solidária ao sócio Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell. O colegiado julgador recorreu de ofício quanto à exoneração do agravamento da multa de ofício de 150% para 225%. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os seguintes autos de infração: de fls. 16/30, em que são exigidos R$ 6.409.319,55 de Cofins não cumulativa, além de multa de ofício e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da contribuição, relativamente aos períodos de apuração de 01/2009 a 12/2010; e de fls. 2/15, em que são exigidos R$ 1.396.314,09 de PIS/Pasep não cumulativo, além de multa de ofício e encargos legais, em face Fl. 11744DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.745 4 da insuficiência de recolhimento da contribuição, relativamente aos períodos de apuração de 01/2009 a 12/2010. Importante ressaltar que em ambos os autos de infração a multa foi qualificada (150%) em todos os períodos de apuração, como será explicado no Termo de Verificação Fiscal no tópico IV (descrição da infração) e VII (motivos da qualificação). A base legal para a qualificação da multa foi o art. 44, inciso I e §1º da Lei n° 9.430/1996. Relativamente aos períodos de apuração de 10/2009 a 12/2009, 01/2010, 03/2010, 05/2010 a 10/2010, além de qualificada, a multa foi agravada para 225%. A infração à legislação está explicada no tópico III, enquanto as razões para qualificação e agravamento estão explicadas no tópico VII. A base legal para a qualificação e para o agravamento da multa foi o art. 44, inciso I e §§ 1º e 2º da Lei n° 9.430/1996. Conforme informa o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 31/60, a fiscalizada é indústria, importadora, montadora e distribuidora de produtos eletrônicos de áudio e vídeo da marca Lenoxxsound, com matriz em Lauro de Freitas BA, uma filial no mesmo endereço da matriz e outras duas filiais em São Paulo. Descreve que compõem o quadro societário da AULIK, desde 2002: O Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell, CPF n° 039.254.04872, com 1% do capital social, residente à Rua São José, n° 887, apto. 52, Alto da Boa Vista, São Paulo, SP, CEP 04739001; A pessoa jurídica UNITED INTERNATIONAL HOLDING LIMITED, CNPJ 05.582.983/000135, sociedade constituída segundo as leis de Hong Kong e que tem como responsável o Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell. Informa que a contribuinte se submeteu ao regime de tributação pelo lucro real anual no período fiscalizado e que constatou as seguintes irregularidades. III. Divergências entre os valores declarados de PIS/Cofins e os confessados em DCTF e/ou pagos A fiscalização relata que constatou divergências entre os valores contabilizados de PIS/Cofins e os valores confessados em DCTF e pagos nos anos de 2009 e 2010. Diz que observou tais divergências ao fazer um confronto entre as informações de apuração das contribuições dos DACON e os valores declarados em DCTF. Em relação às DCTF do período de janeiro a setembro/2009, informa que verificou que os débitos foram declarados como suspensos em função das ações judiciais de n°s 9800214666SP e 9000019486DF. Em relação aos meses de outubro, novembro e dezembro/2009 diz que observou diferenças entre os valores de PIS e Cofins apurados (contabilidade e Dacon) e os valores confessados em DCTF e pagos. Demonstra, então, as diferenças apuradas para o PIS e para a Cofins (Quadros 1 a 4, fls. 34/35). Os valores de PIS (fl. 8) decorrentes desta infração foram os seguintes: Fl. 11745DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.746 5 Por sua vez, os valores lançados de Cofins (fls. 20/21), em consequência da infração descrita neste tópico, foram os seguintes: IV. Valores deduzidos irregularmente da base de cálculo do PIS/Cofins A autoridade a quo relata que na apuração da base de cálculo das contribuições, a autuada incluiu na rubrica “devoluções de vendas” valores referentes à “VPC Verba de Propaganda Cooperada”. Explica que tal verba corresponde à remuneração concedida pelo fornecedor, especialmente aos grandes varejistas, sob forma de desconto financeiro, condicionados à propaganda, seja em mídia televisiva, encartes, lâminas, desde que constem nas inserções o produto dos fornecedores. Diz que esses valores não são suportados por documentação fiscal, sendo recebidos mediante desconto em duplicata e sua remuneração é, geralmente, calculada por percentual das compras que o varejista faz junto ao fornecedor. Em relação a 2009, o fiscal informa que verificou que o total declarado de devoluções de vendas com direito a crédito informado no DACON foi de R$ 13.659.305,28, valor que superou o indicado na DIPJ de R$ 12.379.786,83 [linha “10. ()Vendas Canceladas, Devol. e Descontos Incond”]. Afirma que a conta contábil de resultado “3.2.1.02.07 Devolução s/ Venda” registrou R$ 6.499.081,68 neste ano. Aduz que a diferença foi decorrente da agregação dos valores de VPC à rubrica “devoluções”. Explica que o valor informado na DIPJ de “vendas canceladas, devoluções, e descontos incondicionais” (R$ 12.379.786,83) corresponde ao que foi informado na DRE de 2009. Demonstra que nessa rubrica foram registradas, além do montante referente à Devolução s/ Vendas (conta 3.2.1.02.07) (R$ 6.499.081,68), verbas decorrentes de Bonificações (conta contábil 3.2.1.02.12) no total de R$ 2.291.773,69; e VPC Verba de Propaganda Cooperada (conta contábil 3.2.1.02.16), R$ 3.588.931,47. Demonstra, então, “a conciliação entre os valores informados na Dacon, como decorrentes de devoluções de vendas, e as contas contábeis referidas acima”, conforme “quadro 06” (fl. 37). Relata que, conforme os quadros acima, evidenciou que a interessada deduziu para apuração das bases de cálculo do PIS/Cofins, no Fl. 11746DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.747 6 ano de 2009, montantes correspondentes à VPC, incluindoos na rubrica “devolução de vendas” nas respectivas fichas da Dacon de apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Informa que constatou, por meio da DRE, que as verbas de VPC foram contabilizadas em parte como “dedução da receita bruta” (R$ 3.588.931,47 conta 3.2.1.02.16) e parte como “outras despesas operacionais” (conta 4.2.1.40.24) e que o valor total contabilizado nas duas contas foi de R$ 7.201.201,24. Aduz que este valor “era contabilizado como provisão, e os lançamentos de contrapartida foram realizados na conta retificadora de Ativo Circulante também denominada VPC (1.1.2.01.05)” (quadro 8, fl. 38). A autoridade fiscal conclui, então, que quase a totalidade dos valores de VPC, contabilizados no ano de 2009, no montante de R$ 6.354.126,66, foram irregularmente deduzidos das bases de cálculo de PIS e Cofins, razão pela qual foram recompostas e as diferenças de tributos não pagos foram lançados. Relativamente ao ano de 2010, o fiscal observou o mesmo procedimento. Diz que o total anual declarado de devoluções com direito a crédito informado nas Dacon foi de R$ 11.010.703,58. Explica que constatou na contabilidade que somente R$ 7.854.465,25 correspondiam, efetivamente, às devoluções. Informa que o valor informado na DIPJ 2011, anocalendário de 2010, de “vendas canceladas, devoluções, e descontos incondicionais”, de R$ 14.445.930,92 correspondia ao que foi informado na DRE do ano de 2010. Da mesma forma que no ano de 2009, nessa rubrica foram registradas, além do montante referente à Devolução s/ Vendas, verbas decorrentes de bonificações, no total de R$ 4.417.632,74; e VPC Verba de Propaganda Cooperada, R$ 2.907.144,13, conforme “Quadro 09” (fl. 39). Assevera que parcelas de VPC foram contabilizadas como outras despesas operacionais, de forma que o total de despesas de VPC, no ano de 2010, foi de R$ 6.212.387,04, conforme “Quadro 10” (fl. 40). Demonstra, no Quadro 11 (fl. 40), que o total de valores de VPC deduzidos das bases de cálculo de PIS e Cofins foi de R$ 3.156.238,33. Na sequência, a autoridade fiscal demonstra (quadros 12 e 13, fl. 41) o PIS e a Cofins devidos em decorrência da recomposição das bases de cálculo: Fl. 11747DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.748 7 V. Valores de PIS/Cofins lançados em virtude das infrações descritas nos Tópicos III e IV Neste tópico, a autoridade a quo demonstra os valores totais lançados de PIS/Cofins em virtude das infrações descritas nos Tópicos III e IV (quadros 14 e 15 – fl. 42): VI. Enquadramento das infrações Fl. 11748DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.749 8 Neste tópico, a autoridade fiscal explica que integram a base de cálculo das contribuições sujeita à incidência nãocumulativa o faturamento mensal, definido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou de sua classificação contábil, nos termos dos artigos 1º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Explica que para determinação da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica pode apropriar de créditos, dentre outros, o de vendas canceladas, devoluções de vendas e descontos incondicionais concedidos. Aduz que no caso dos descontos incondicionais devem constar da nota fiscal ou fatura que eles efetivamente ocorreram e não dependeram de evento posterior à emissão desses documentos (IN SRF n° 51/1978). Afirma que, no presente caso, verificou que a autuada computou juntamente com os valores informados como “devoluções de vendas” valores referentes à VPC. Entende que estas verbas não possuem natureza de descontos incondicionais, razão pela qual não podem ser deduzida da apuração da receita bruta das contribuições. Assevera ainda que é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas financeiras não decorrentes de empréstimos e financiamento, tais como, descontos financeiros concedidos (art. 21 e 37 da Lei ns 10.865/2004). VII. Dos fatos que evidenciaram dolo e intuito de fraude VII.1 Da utilização de pretensos direitos creditórios de titularidade de terceiros, registrados na conta Tributos Federais a Recuperar, para extinguir obrigações tributárias próprias Informa a fiscalização que a conta de ativo “Tributos Federais a Recuperar” registra as aquisições de diversos títulos de “Apólice de Dívida da Eletrobrás”, registrando lançamentos a crédito, em contrapartida das contas de diversos tributos a recolher, inclusive PIS/Cofins. Relata que, em relação à apuração do PIS/Cofins, observou que a empresa não considerou como receita tributável as contas contábeis listadas no quadro a seguir: Afirma que tais receitas, que totalizam R$ 60.021.718,14, possuem um valor muito parecido com o declarado na demonstração do resultado da DIPJ, a título de “Outras Receitas Operacionais”. Diz que ao examinar os lançamentos na conta “Receita s/ crédito de PIS/Cofins Bahia”, verificou que se tratam das contrapartidas dos valores lançados a débito nas contas PIS e Cofins a recuperar, referentes às importações. Tratamse, portanto, dos valores a pagar de PIS/Cofins nas importações, que não devem ser considerados como receita. Explica que a contribuinte procurou anular o efeito da contabilização do PIS/Cofins importação como receita no IPRJ/CSLL Fl. 11749DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.750 9 através de exclusão (outras exclusões) do lucro líquido na apuração do lucro real. Quanto à contabilização da conta “Tributos Federais a Recuperar”, em 2008, a autoridade fiscal verificou que a autuada registrou a aquisição de “Apólices da Dívida Pública Interna”, discriminadas no quadro 17 (fl. 45). Observa que os primeiros lançamentos, de 31/10/2008, efetuados a débito na conta “Tributos Federais a Recuperar”, tiveram contrapartidas na conta “Investimentos” e os lançamentos posteriores, efetuados em 01 e 31/12/2008, tiveram contrapartidas na conta “Receitas s/ Aq. Prec. Federais”. Consolida, no quadro 18 (fl. 47), os movimentos de lançamentos a débito e a crédito contra a conta a “Tributos Federais a Recuperar” e quantifica que das origens dos débitos na conta, em 2008, R$ 8.954.490,04 foram de contrapartidas da conta “Investimentos” e R$ 45.455.355,96 de contrapartidas da conta “Receitas s/ Aq. Prec. Federais” e esses pretensos ativos foram utilizados para quitar diversos débitos tributários de IPI, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Relata que ao analisar a conta “Investimentos”, verificou que ela possuía, em 2008, um saldo inicial de R$ 10.788.926,04 e encerrou com saldo zero. Diz que foram realizados nela diversos lançamentos a débito contra a conta de passivo “Contas a Pagar Diversos”, até chegar ao saldo de R$ 17.322.706,07, em 01/10/2008, pouco antes de começarem os lançamentos a crédito contra a conta “Tributos Federais a Recuperar”. Informa que os lançamentos que fizeram o saldo dessa conta aumentar foram descritos como “serviços advocatícios a PARDO ADVOGADOS E ASSOCIADOS”, com a constituição ao mesmo tempo de passivo (“Contas a Pagar Diversos”) e ativo (“Investimentos”). Explica que parcela do saldo foi baixado da conta de despesa “Honorários Advocatícios”, no valor de R$ 4.928.480,00. Concluiu que as referidas apólices da dívida pública foram negociadas com o escritório de advocacia com deságio. Diz que o valor de aquisição foi contabilizado como despesa e o pretenso valor de face foi contabilizado como investimento e receita não tributada pelo PIS e Cofins. Aduz que, a partir daí, a contribuinte passou a utilizar esses pretensos direitos para quitar seus débitos fiscais. A fiscalização explica, ainda, que, em 2009, na conta “Tributos Federais a Recuperar” foram registradas aquisições de “Títulos Eletrobrás” e “Títulos Invest NF SPMS Marketing e Vendas Ltda”. Demonstra os lançamentos contábeis que comprovam sua afirmação no “quadro 19” (fl. 48). No quadro 20 (fl. 48), discrimina os lançamentos que tiveram contrapartidas na conta “Tributos Federais a Recuperar”. Destaca que foram adquiridos em 2009, aparentemente por R$ 1.010.000,00, R$ 45.243.651,40 de novos títulos, dos quais R$ 35.469.657,90 foram utilizados para quitar débitos de IPRJ, CSLL, IPI, PIS e Cofins. Relata que em 2010 foram adquiridos R$ 50.000.000,00 em Títulos da Eletrobrás, aparentemente o valor de R$ 500.000,00 dos quais R$ 41.718.183,07 foram destinados à compensação com tributos federais (quadros 21 e 22 – fl. 49). Fl. 11750DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.751 10 VII.2 Da declaração em DCTF de pretensos direitos creditórios de titularidade de terceiros, para suspender parcelas de obrigações tributárias próprias Neste tópico, a fiscalização explica que os pretensos créditos de terceiros foram utilizados para extinguir diversos débitos tributários, mas, na DCTF, a informação é de que houve a suspensão da exigibilidade de tais débitos. Tais informações estão consolidadas nos Anexos 2 (Cofins) e 3 (PIS). Explica que, em análise das DCTF, constatou que para os débitos de janeiro a novembro/2009, a autuada declarou como suspensa parte considerável dos débitos, mas que, posteriormente, entre os meses de maio e junho de 2010, retificou as DCTF, reduzindo os débitos declarados e retirando a informação de suspensão, em descompasso com os valores informados na contabilidade. Informa que em 25/03/2014, em pleno andamento do procedimento fiscal, a contribuinte retificou as DCTF, alterando os débitos declarados para os registrados na contabilidade, mas informando que parcelas substanciais dos débitos estariam novamente suspensas pela obtenção de antecipação de tutela em ação judicial. Narra que no período de janeiro a novembro/2009, os débitos de PIS/Cofins coincidiam com os valores declarados nos Dacon e registrados na contabilidade, mas foram quase que integralmente informados como suspensos pelas ações judiciais de n°s 9800214666SP e 9000019486DF. VII.3 Da não colaboração com a fiscalização Neste ponto, a autoridade a quo informa que a empresa foi intimada a apresentar diversos esclarecimentos e cópias das ações judiciais no início da fiscalização, em 15/10/2012. Diz que ela foi reintimada diversas vezes (12/12/2012, 13/02/2013, 17/04/2013, 12/06/2013, 30/07/2013, 17/09/2013, 05/11/2013, 02/01/2014 e 05/03/2014). Informa que a fiscalizada, a cada intimação, solicitava dilação de prazo, findos os quais não apresentava nenhum documento ou os esclarecimentos solicitados. Diz que a partir de 25/09/2013, a interessada passou a solicitar a “suspensão do processo administrativo”, em virtude de estarem os processos de n°s 9800214666SP e 9000019486DF em fase recursal e/ou liquidação (execução) e não poderem ser acessados. Afirma, entretanto, que as razões apresentadas pela impugnante eram meramente protelatórias, uma vez que, em 31/03/2014, o representante e sócio Sr. Jacky Gert Kirsch Schmell, apenas alegou que os citados processos judiciais, utilizados como causa de suspensão de pagamentos de diversos tributos, ainda estariam em curso. Relata que mesmo sendo vedado, ao contrário do que afirmou o sócio da AULIK, em resposta de 31/03/2014, foram retificadas as DCTF, em 25 e 26/03/2014, alterando a composição dos débitos dos tributos auditados neste procedimento fiscal, informando como suspensos diversos débitos de PIS e Cofins, com base em pretensa tutela antecipada obtida nos processos judiciais. VII.4 Da litigância de máfé declarada no processo n° 9800214666SP A autoridade fiscal relata que obteve, por outros meios, cópias de partes do processo n° 9800214666SP (002146635.1998.4.03.6100). Diz que tal ação versa sobre a utilização de títulos da Eletrobrás na compensação de tributos federais. Diz que identificou a existência de Fl. 11751DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.752 11 Acórdão do TRF 3ª Região desfavorável ao pleito em 08/10/2009, com interposição de Recursos Extraordinário e Especial. Informa que não foi localizado o nome da contribuinte na lista dos autores da ação judicial. Traz aos autos trechos do referido Acórdão. Informa, ainda, que não conseguiu obter cópia dos autos da ação do processo de n° 9000019486DF. Diz que, em consulta à internet, verificou que tal ação recebeu nova numeração (0001936 32.1990.4.01.3400), a qual, de acordo com o informações do site do TRF da 1ª Região, tem como objeto o assunto “Controle de Preços, Intervenção no Domínio Econômico Administrativo”. Diz que também nesta ação não consta o nome da contribuinte como parte. Descreve, então, o andamento da ação, para concluir que, em decisão prolatada no Recurso Especial de n° 1095285/DF, ela foi considerada improcedente. Conclui que as duas ações não se referem a tributos administrados pela Receita Federal, não trata de suspensão de exigência tributária, como informado nas DCTF e que a empresa autuada não figura como parte. Narra que, relativamente ao processo de n° 98.00214666SP, a RFB já havia analisado os débitos por ele suspensos em DCTF até setembro/2009. Diz que, por meio da CartaCobrança n° 0.359/2009, a contribuinte tomou ciência em 17/11/2009 do processo de cobrança dos débitos irregularmente suspensos com base nas alegadas antecipações de tutela (9800214666SP e 9000019486DF), conforme Representação Fiscal de n° 215/2009, de 10/11/2009, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA. Transcreve trechos da referida Representação Fiscal. VII.5 Da qualificação da multa A fiscalização entende que a interessada, conforme demonstrado, utilizou de artifícios para impedir e retardar o conhecimento da RFB das reais dimensões de fatos geradores tributários e da veracidade das informações de suspensão de exigibilidade de parte deles. Diz que para reduzir o montante a pagar de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a AULIK prestou informações falsas em DCTF. Aduz que interessada não apresentou cópias dos autos dos processos em que tal direito lhe teria sido deferido, embora insistentemente instada a apresentálas. Assevera que, no curso do procedimento fiscal, a empresa voltou a declarar a suspensão de débitos tributários, informando a mesma alegada tutela antecipada obtida em ação judicial que a contribuinte não demonstrou ser parte. Explica que o § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 determina que a multa de ofício de 75% seja duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, ou seja, nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Entende estar claro que as condutas dolosas praticadas pelo representante da fiscalizada implicaram na redução do montante de tributos devidos, através da utilização de créditos de que a contribuinte não era detentora, configurando a fraude definida no art. 72 da referida lei. Aduz que tais condutas dolosas estão também configuradas pelas práticas reiteradas de retificações das DCTF com informação de créditos que não comprovou. Relata que a Lei n° 8.137, de 1990, no âmbito do Direito Penal e com inflexão sobre este caso (aplicação de penalidade com representação para fins penais), a sonegação é definida como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária. Entende, com base nos incisos I e II do artigo 1º e inciso I do artigo 2º da citada lei, que para se configurar a sonegação não Fl. 11752DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.753 12 é necessária a ocorrência do falso material, bastando a omissão de informações na declaração. Relembra que a contribuinte inseriu nas DCTF informação de que era beneficiário de tutela antecipada que lhe permitia abater débitos tributários, mas sequer se dispôs a apresentar cópias das decisões que lhe beneficiariam. VII.6. Do agravamento da multa Neste tópico, a autoridade fiscal relembra as nove vezes que a interessada foi intimada a apresentar cópias dos autos das sentenças que informou nas DCTF para suspender valores substanciais de débitos tributários. Diz que, em função disso, se impõe a necessidade de se agravar a multa, nos termos do § 2º , inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96, com nova redação dada pela Lei 11.488/2007. VIII. Da solidariedade passiva do sócio administrador No entendimento da fiscalização, o Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell, sócio administrador da AULIK, CPF n° 039.254.04872, deve ser responsabilizado por solidariedade nos termos do art. 135, III, do CTN. Diz que este figurou como representante nas DIPJ, Dacon e DCTF apresentadas e, portanto, atuou com infração à legislação tributária ao inserir informações falsas. Observa que a Aulik não estava passando por dificuldades financeiras que a obstasse de adimplir suas obrigações tributárias. Informa que em 20/02/2014, conforme Ata de Reunião de Quotistas, o Sr. Jacky Gert, como sócio da AULIK e representante da outra sócia, a pessoa jurídica a UNITED INTERNATIONAL HOLDINGS LTD, aprovou a distribuição do saldo do lucro do exercício, no montante de R$ 97.000.000,00; em 10/04/2013, de R$ 80.000.000,00; em 22/03/2012, R$ 74.000.000,00; em 17/02/2011, R$ 67.000.000,00. Cientificada em 30/04/2014 (fl. 60), a interessada apresentou a impugnação de fls. 11.596/11.616, em 30/05/2014, alegando, em síntese, o seguinte. No tópico “I Os Fatos”, a autuada faz uma breve descrição dos fatos narrados pela fiscalização. No tópico “DA EFETIVA DEFESA DO CONTRIBUINTE”, aduz que os órgãos de julgamentos devem observar o devido processo legal e a diversas disposições constitucionais (artigo 5º , XXXIV, a, XXXV, LIV, LV, LXXVIII) e legais (artigo 151, III, do Código Tributário Nacional; artigo 2º , § único da Lei n° 9.784/99, Decreto 70.235/72, Lei n° 9.430/96, artigo 44, parágrafo 2º). Entende que foi penalizada por exercer seu Direito Constitucional de Petição ao pugnar pela compensação de crédito tributário decorrente de processo judicial. Diz estar demonstrado nos autos do processo administrativo ser cessionária de crédito tributário onde postulou pela substituição de pólo ativo, transformandose em credor da Fazenda Nacional. Argumenta não ter tido a pretensão de compensar os créditos tributários tal como exarado na decisão administrativa, mas que exerceu o seu direito de petição e informou ser detentora de crédito judicial em trânsito para que, após avaliação do sujeito ativo, houvesse a almejada compensação, observados os pressupostos legais. Fl. 11753DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.754 13 Afirma ser a compensação tributária uma modalidade lícita de extinção do crédito tributário (art. 156, II, do CTN) e que, para tanto, na forma do artigo 170 do CTN pode postular pela compensação tributária. Explica que tal compensação está sujeito à condição resolutória de sua posterior homologação no prazo legal, artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Afirma que ao exercer o direito de pugnar pela compensação sob condição resolutória e não sendo aceita a compensação, o devedor voltaria ao status quo ante. Alega que caso a declaração de compensação não seja homologada, o crédito constituído pela Receita Federal tornarseá exigível novamente sem qualquer espécie de prejuízo. No tópico “SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO FACE AO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE ANÁLISE DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTES DE PROCESSOS JUDICIAIS”, a interessada argumenta que deverá ser suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Diz que não pode ser interpretado como ato ilícito o procedimento praticado. Alega “que, durante o processo administrativo, o sujeito ativo da relação tributária não pode suscitar constrangimentos ao contribuinte, bem como não pode ser exigido pagamento do crédito tributário e/ ou oferecimento de garantias face ao Direito Constitucional de petição administrativa, neste sentido o entendimento dado pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL” (Súmula Vinculante n° 21). Assevera que “a suspensão da exigibilidade do crédito tributário deverá ser mantida até observado o devido processo legal administrativo, conforme supracitado”. Afirma que, tão logo notificada, providenciou as devidas retificações, o que foi aceito conforme manifestação do sujeito ativo no item 22 do Termo de Verificação Fiscal. Entende “que, ao longo do procedimento fiscal, face as decisões administrativas, tempestivamente promoveu as retificações necessárias se adequando às exigências do credor tributário não podendo ser penalizado conforme pugna o fiscalizante”. No tópico “VPC VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA”, explica que tais verbas são gastos promocionais incorridos e pagos. Informa que a provisão para VPC é calculada com base em percentuais ajustados entre as partes comerciantes, tratandose de verbas para inserções proporcionais e exposição de seus produtos, exercendo, assim, um direito regular na forma do artigo 366 do RIR. Aduz que a base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos é o valor do faturamento mensal, assim compreendido o total das receitas auferidas pela pessoa Jurídica, independentemente de denominação o classificação contábil. Diz que para sua determinação podem ser excluídos do faturamento diversos valores elencados nos § 3º dos artigos 1º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Cita, na sequência, as receitas que estão excluídas do regime de incidência não cumulativa, nos termos do art. 8º da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 10 da Lei n° 10.833, de 2003. No tópico “CONTRIBUIÇÃO ATENTA E TEMPESTIVA DO CONTRIBUINTE A TODAS AS INTIMAÇÕES ADVINDAS DA RECEITA FEDERAL”, aduz que “promoveu as retificações e esclarecimentos promovidos pelo agente fiscalizante não podendo suportar sanções tributárias por fatos tidos como dolosos”. Reitera que exerceu seu Fl. 11754DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.755 14 regular direito de petição, não podendo suportar sanções tributárias tidos como dolosos. Diz que o artigo 188, I, da Lei n° 10.406/02, corrobora seus argumentos. Sustenta que diante de um exercício regular de direito, não há como se conformar com a alegada evidência de fraude, principalmente pela retratação efetivada e retificação dos cálculos e planilhas tempestivamente. No tópico, “DA AUSÊNCIA DE FRAUDE E DOLO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE”, afirma que a “fiscalizante pugna penalizar o peticionário sobre a obrigação principal totalizando um débito fiscal desproporcional à relação jurídica”. Diz não ter havido dolo, sonegação e nem máfé e que pelo exercício regular do direito constitucional de petição buscou a compensação de créditos, que poderiam ter sido aceitos ou não. Argumenta que “atendeu todas as notificações e intimações promovidas pelo credor tributário, mas que, em hipótese alguma, visou a fraudar a receita”. Afirma que não poder suportar as restrições impostas pela fiscalização, visto que promoveu as devidas retificações tributárias. Diz que a Constituição Federal, artigo 5º, LVII, preceituou como Direito Fundamental a presunção de inocência. Assevera que “ao prestar os devidos esclarecimentos e retificações nos lançamentos tributários, na forma do artigo 138 do Código Tributário, não pode suportar restrições de Direito e/ ou penalidades senão após o trânsito em julgado do processo administrativo”. Entende que “pelas retificações e denúncia espontânea na fase de constituição do crédito tributário, o sujeito passivo não pode suportar sanções e/ ou restrições desproporcionais”. Diz que a “denúncia espontânea e as retificações não exigem um formato padrão, mas sim a boafé do contribuinte em atender às exigências do Poder Público”. Requer que seja afastada a decisão que lhe imputa a conduta fraudulenta. No tópico, “AS SANÇÕES DESPROPORCIONAIS DEVEM SER AFASTADAS” aduz que os Poderes Executivo e Legislativo “devem observar a proporcionalidade e razoabilidade como princípios fundamentais e por isso adotar o princípio da vedação ao confisco em relação às sanções aplicadas”. Afirma que “a obrigação tributária não pode aniquilar o patrimônio do contribuinte”. Entende que o “tributo não pode ser utilizado com fim de confisco e a multa sobre a obrigação principal não apresenta outro status senão confisco”. Argumenta que se “mantida a multa e demais sanções, a ruína financeira do contribuinte será inexorável e assim haverá o desemprego não havendo mais pagamentos de tributos e outras consequências sociais”. No tópico “AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE E SOLIDARIEDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR”, alega que “para o credor tributário, o sócio administrador da Pessoa Jurídica, tãosomente, por ter figurado como representante nas DIPJ, DACON e DCTF, deve ser responsabilizado pelo passivo tributário e sanções”. Aduz que “sempre esteve à disposição desta autoridade administrativa e sempre colaborará com todos os atos advindos desta secretaria especializada”. Sustenta que “o contraditório administrativo é prérequisito à constituição do crédito tributário. E o crédito tributário, com a devida licença, se dá com o lançamento definitivo, após contencioso administrativo Fl. 11755DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.756 15 devendo ser oportunizado ao cidadão as devidas retificações, caso necessárias, assim tem sido o entendimento do EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL”. Traz aos autos decisão dessa Corte. Argumenta que “mesmo considerando a presunção de certeza da CDA (CERTIDÃO DÍVIDA ATIVA), artigo 204 do CTN, mesmo considerando o lançamento tributário, independente de ser de homologação, de declaração, ou ofício, disposição do artigo 142 do CTN, o mesmo deve percorrer as vias do processo administrativo evitandose decisões precipitadas”. Conclui que “para que haja o alegado abuso de poder, ou excessos, necessário antes ser oportunizado ao administrado o Direito de resposta evitandose arbitrariedades. A legislação Constitucional e/ ou infraconstitucional, principalmente artigo 116, parágrafo único, 117, 153, parágrafo 3º do 155, 158, 165, 238, 245, 246, 281, 282 da lei 6.404/76 (lei da SA), do artigo 32 da lei 11.101/05 (lei de falências), do art. 135 do Código Tributário Nacional e, também, do artigo 1.016 do Código Civil, protegem o patrimônio pessoal da pessoa física”. Requer: a) A suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o trânsito em julgado; b) Que seja aceita as retificações prestadas face à sua boafé; c) Que seja afastada a responsabilidade do sócio pela ausência da prática de excesso de poderes; d) O afastamento da multa aplicada e demais sanções tributárias que somente poderá ocorrer após o trânsito em julgado do processo; e) Que seja oportunizado o Direito de produzir provas documentais, períciais, cálculos, planilhas e demais que ratifique a defesa; f) Que seja julgada procedente a defesa apresentada; g) Requer a intimação pessoal do representante legal, abaixo assinado, de todos os atos ulteriores deste processo até final trânsito em julgado. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, conforme citado, foram acolhidos apenas em parte pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 COFINS. VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. As verbas de propaganda cooperada, que correspondem à remuneração concedida pelo fornecedor a alguns varejistas sob a forma de desconto financeiro condicionados à propaganda, não podem ser deduzidas da base de cálculo da Cofins. COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Fl. 11756DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.757 16 A insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PIS/PASEP. VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. As verbas de propaganda cooperada, que correspondem à remuneração concedida pelo fornecedor a alguns varejistas sob a forma de desconto financeiro condicionados à propaganda, não podem ser deduzidas da base de cálculo do PIS/Pasep. PIS/PASEP. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de recolhimento do PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DIREITO DE PETIÇÃO. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O direito fundamental de petição não confere aos sujeitos passivos o direito de prestar informações falsas à RFB e nem obsta o lançamento tributário, caso se constate a falta de recolhimento de tributos devidos. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de cerceamento do contraditório e da ampla defesa. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos e aos períodos de apuração fiscalizados, não surtindo qualquer efeito sobre o lançamento de ofício as DCTF retificadoras entregues durante a ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Evidenciadas pela fiscalização circunstâncias que denotam intuito de fraude, regular a qualificação da multa. FALTA DE ATENDIMENTO. INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO. Não se justifica o agravamento da multa de ofício, quando não resta caracterizado o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 11757DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.758 17 O responsável solidário, Jacky Gert Kirsch Schnell, foi cientificado da decisão de primeira instância em 15/07/2015, conforme intimação de efls. 11682 e AR de e fls. 11686. No entanto, este, diretamente, não apresentou recurso voluntário. Quanto ao sujeito passivo, a ciência da decisão da DRJ se deu em 13/07/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem Comunicado de efls. 11685. Tempestivamente, em 10/08/2015 (conforme Termo de Solicitação de Juntada de efls. 11687), apresentou o recurso voluntário de efls. 11688/11713, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância e requer seja cancelado "o débito fiscal reclamado, quer seja pela nulidade e/ou pelo ato desproporcional e sem razoabilidade". Não sendo acolhido o pedido em tela, pleiteia a "desclassificação da multa para 20%". Por seu turno, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional formalizou contrarrazões onde, depois de descrever os fatos, apresenta os argumentos abaixo discriminados. Concernente às glosas das verbas de propaganda cooperada, argumenta a Fazenda Nacional que "apesar de a Legislação do PIS e da COFINS determinar a exclusão do faturamento dos valores referentes a vendas canceladas, a chamada verba de propaganda cooperada em nada se assemelha com essa rubrica, não podendo ser assim considerada para fins de dedução na apuração do PIS e da COFINS devidos". Ressalta que "a propaganda cooperada é aquela na qual o vendedor concorda em pagar uma parte dos custos de propaganda do revendedor para seu produto, por meio desta verba [...]. A VPC abrange valores recebidos pelos comerciantes mediante desconto em duplicatas, sem documentação fiscal de suporte, e o seu montante é calculado por um percentual das compras que o varejista realiza junto à recorrente". Aduz que "o próprio nome (verba de propaganda cooperada) já define a natureza dos valores ora em discussão: gastos com propaganda, sem nenhuma relação com devolução de vendas, que por isso não poderiam ser deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS". Defende que a VPC também não poderia ser tratada como desconto incondicional, já que este "não exige do cliente nenhuma obrigação a que deva cumprir para a obtenção do desconto". Ressalta ainda que "embora na sistemática de apuração do IRPJ as despesas operacionais necessárias, dentre as quais, a princípio, se incluiriam as de propaganda, possam ser deduzidas na apuração do imposto devido, o mesmo não se dá no PIS e na COFINS, cujas leis de regência tratam dos créditos, de modo taxativo (vejam que em momento algum o legislador traz termos que remetam a um rol exemplificativo), nos arts. 3º, onde não há previsão para desconto de gastos com VPC e nem de gastos com propagandas em geral". Cita precedentes do CARF (acórdãos 9303003.194 e 340200.256). Quanto à exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, I, c/c § 1º da Lei nº 9.430/96 (multa de ofício de 75% duplicada em vista da subsunção dos fatos ao disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), ressalta que as autoridades fiscais "demonstram, de modo cabal, uma séria de condutas praticadas pela empresa com o intuito de não pagar os tributos devidos e, ainda, de impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador e da veracidade das informações prestadas pela empresa em DCTF". Reproduz trechos da decisão de primeira instância e transcreve acórdãos do CARF (nos 3401002.812 e 1402001.793) segundo os quais a declaração de informações sabidamente falsas legitima a exigência da multa qualificada de 150%. No que concerne ao caráter confiscatório da multa, a Fazenda Pública ressalta que tal argumento representa indireto questionamento quanto à inconstitucionalidade da norma jurídica, o que não se admite em sede do processo administrativo fiscal por força da Súmula Fl. 11758DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.759 18 CARF nº 2. Cita ainda o acórdão nº 3101001.809, e doutrina de Hugo de Brito Machado, segundo a qual a vedação do confisco é atinente ao tributo, e não à penalidade pecuniária. Por fim, inerente à responsabilização solidária do sócio, ressalta "que o Sr. Jacky Gert Kirsch Scnell era quem, de fato, administrava e representava a empresa autuada, o que constitui pressuposto para a sua responsabilização". Cita a cláusula 5ª da Consolidação do Contrato Social da recorrente, segundo a qual “a administração da sociedade será exercida pelo sócio Jacky Gert Kirsch Scnell a quem são conferidos amplos e plenos poderes de administração e representação da sociedade”. Ressalta que a conduta do sócio se subsume ao disposto no artigo 135, inciso III, do CTN, segundo o qual "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado", principalmente considerando "a apresentação pela pessoa jurídica, através de seu representante, à Receita Federal do Brasil, de declarações que continham informações falsas". Cita jurisprudência do CARF nesse sentido (acórdão nº 340300.527). Reclama que também seria aplicável ao caso o artigo 124, inciso I, do CTN, já "que o Sr. Jacky Gert Kirsch Scnell é o gerente da empresa autuada, sendo, portanto, um dos beneficiários da redução do tributo devido, através de realização de procedimentos contábeis contrários à legislação, nos termos do que constado no curso da ação fiscal". Em face do exposto, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios DO RECURSO DE OFÍCIO Inicio analisando o recurso de ofício interposto pelo colegiado de primeira instância. Conforme relatado, a DRJ Curitiba recorreu de ofício em face da exoneração do agravamento da multa de ofício de 150% para 225%, aplicada nos períodos de apuração de 10/2009 a 12/2009, 01/2010, 03/2010, 05/2010 a 10/2010. Transcrevo, abaixo, a fundamentação da instância a quo para o afastamento da multa agravada: Relativamente ao agravamento da penalidade de 150% para 225%, vêse que esta foi justificada pela ausência de atendimento ou pelo atendimento fora do prazo de várias intimações. Narra a Fiscalização: 59. A Aulik foi intimada a apresentar diversos esclarecimentos e cópias das ações judiciais desde o início da fiscalização em 15/10/2012. E foi reintimada em 12/12/2012, 13/02/2013, 17/04/2013, 12/06/2013, 30/07/2013, 17/09/2013, 05/11/2013, 02/01/2014 e 05/03/2014. Fl. 11759DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.760 19 60. Em cada uma dessas reintimações, representante da fiscalizada solicitava dilação de prazo de 90 dias, findos os quais não apresentava nenhum documento ou os esclarecimentos solicitados. 61. A partir de 25/09/2013, passou a solicitar a “suspensão do processo administrativo”, em virtude, dentre outros motivos, de estarem os processos n° 9800214666SP e n° 9000019486DF em fase recursal e/ou liquidação (execução) e não poderem ser acessados. Pedidos que foram reiterados em 29/11/2013 e em 10/01/2014. 62. Porém, como se depreenderá do relatado no próximo subtópico, essas escusas foram apenas protelatórias. Não tinha intenção a fiscalizada de esclarecer os fatos. Tanto que, em, 31/03/2014, o representante e sócio Jacky Gert Kirsch Schmell, apenas alegou que os processos judiciais n° 9800214666 SP e n° 9000019486DF, utilizados como causa de compensação e suspensão de pagamentos de estimativas de IR, CSLL, e das contribuições de Pis e de Cofins, ainda estariam em curso. 63. E mesmo, sendo vedado, e não sendo intimado a fazêlo, ao contrário do que afirmou o sócio da AULIK, em resposta de 31/03/2014, foram retificadas as DCTF, em 25 e 26/03/2014, alterando a composição dos débitos dos tributos auditados neste procedimento fiscal, informando, também, suspensão dos débitos de Pis e Cofins de outubro de 2009 a dezembro de 2010, com base em pretensa tutela antecipada obtida no processo. 64. E não se dignou apresentar cópias dos processos questionados. Por sua vez, o § 2º do art. 44 da Lei n° 9.430/96, abaixo transcrito, determina o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Notase, entretanto, que o comportamento da interessada não se enquadrou perfeitamente ao tipo legal acima transcrito. Apesar de reiteradamente ter solicitado adiamento dos prazos estabelecidos nas intimações fiscais e de não ter prestado todos os esclarecimentos solicitados, entendese que a falta destes não impediu o lançamento fiscal e Fl. 11760DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.761 20 que era possível suprir sua falta por outros meios, o que, de fato, foi feito pela fiscalização. Vejamos em mais detalhes. Devese ter em mente, ainda, que a infração se caracteriza, dentre outras hipóteses, pelo não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento e não a apresentação de documentos, como no caso específico, cópias de ações judiciais. Relativamente ao Termo de Intimação Fiscal de nº 1, a interessada entregou diversos documentos solicitados, o que possibilitou o início do procedimento fiscal (fl. 10.414). Em relação ao Termo de Intimação Fiscal nº 2, a contribuinte também prestou alguns esclarecimentos (fl. 10.498/10.499), o que já denotava que a interessada não era parte das ações judiciais requeridas e o que já possibilitava à RFB desconstituir as informações de suspensão de diversos débitos declarados em DCTF. Também em relação à intimação de n° 3, a interessada prestou diversas informações à RFB (fls. 10.503/10.504) e pediu a dilação novamente do prazo. Esta falta de esclarecimento, todavia, não justifica, a meu ver, o agravamento da multa, já que tal fato nunca impediu à RFB de lançar os tributos devidos e nem, tampouco, suprir a deficiência da contribuinte por outros meios, como o fez. E, assim, ocorreu também em relação às respostas aos Termos de Intimação Fiscal de nº 4, como se observa às fls. 10.509/10.510 e 10.516/10.517. Aliás, a própria autoridade fiscal no “Anexo I – Histórico de Fiscalização” do Termo de Verificação Fiscal (fls. 61/63) demonstra que a interessada atendeu às intimações. Enfim, verificase que não há motivos para o agravamento, já que a interessada respondeu às intimações, apesar dos esclarecimentos terem sido inadequados e terem tido a intenção deliberada da contribuinte em procrastinar o processo. Tais fatos, todavia, não impediram que a RFB obtivesse as informações necessárias por outros meios, não prejudicando o lançamento fiscal. Por tal razão, impõese reverter o agravamento da multa de 150% para 225%. De fato, andou bem a primeira instância quando afastou a multa agravada, eis que, como destacou, houve resposta do sujeito passivo a todas as intimações formalizadas pela fiscalização. Ademais, não obstante a apontada deficiência nos esclarecimentos prestados, isso não impediu a autoridade fiscal de levantar as informações necessárias à formalização do lançamento tributário. Portanto, o caso não se subsume ao disposto no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, razão pela qual deverá ser mantido o entendimento proferido pela instância a quo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Admissibilidade do recurso Fl. 11761DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.762 21 O recurso voluntário apresentado pela empresa autuada é tempestivo e há que ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Quanto ao responsável solidário Jacky Gert Kirsch Schnell, este, como ressaltado, não apresentou recurso específico, muito embora a questão da responsabilidade solidária tenha sido atacada no recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica autuada, questão adiante examinada. Dos valores deduzidos indevidamente da base de cálculo do PIS e da COFINS Na apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS "a autuada incluiu na rubrica 'devoluções de vendas' valores referentes à 'VPC Verba de Propaganda Cooperada'". Ressalta a autoridade fiscal que aludida verba corresponde à remuneração concedida pelo fornecedor, especialmente aos grandes varejistas, sob a forma de desconto financeiro, condicionados à propaganda, seja em mídia televisiva, encartes, lâminas, desde que constem nas inserções o produto dos fornecedores. Diz que esses valores não são suportados por documentação fiscal, sendo recebidos mediante desconto em duplicata, e sua remuneração, geralmente, é calculada por percentual das compras que o varejista faz junto ao fornecedor. O sujeito passivo, por sua vez, afirma que a provisão para VPC é calculada com base em verbas percentuais ajustadas entre as partes comerciantes, tratandose, assim, de verbas para exposição de seus produtos, direito supostamente garantido pelo artigo 366 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999). Ainda que aplicável ao caso o artigo 366 do Regulamento do Imposto de Renda, o mesmo não ampara a Verba de Propaganda Cooperada, que, como relatado, foi indevidamente contabilizada pelo sujeito passivo como “devoluções de vendas”. Confirase: Art. 366. São admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e respeitado o regime de competência, observado, ainda, o disposto no art. 249, parágrafo único, inciso VIII (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 54): I os rendimentos específicos de trabalho assalariado, autônomo ou profissional, pagos ou creditados a terceiros, e a aquisição de direitos autorais de obra artística; II as importâncias pagas ou creditadas a empresas jornalísticas, correspondentes a anúncios ou publicações; III as importâncias pagas ou creditadas a empresas de radiodifusão ou televisão, correspondentes a anúncios, horas locadas ou programas; IV as despesas pagas ou creditadas a quaisquer empresas, inclusive de propaganda; V o valor das amostras, tributáveis ou não pelo imposto sobre produtos industrializados, distribuídas gratuitamente por laboratórios químicos ou farmacêuticos e por outras empresas que utilizem esse sistema de promoção de venda de seus produtos, sendo indispensável: Fl. 11762DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.763 22 a) que a distribuição das amostras seja contabilizada, nos livros de escrituração da empresa, pelo preço de custo real; b) que a saída das amostras esteja documentada com a emissão das correspondentes notas fiscais; c) que o valor das amostras distribuídas em cada anocalendário não ultrapasse os limites estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a natureza do negócio, até o máximo de cinco por cento da receita obtida na venda dos produtos. § 1º Poderá ser admitido, a critério da Secretaria da Receita Federal, que as despesas de que trata o inciso V ultrapassem, excepcionalmente, os limites previstos na alínea "c", nos casos de planos especiais de divulgação destinados a produzir efeito além de um anocalendário, devendo a importância excedente daqueles limites ser amortizada no prazo mínimo de três anos, a partir do anocalendário seguinte ao da realização das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, parágrafo único). § 2º As despesas de propaganda, pagas ou creditadas a quaisquer empresas, somente serão admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e mantiver escrituração regular (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, inciso IV). § 3º As despesas de que trata este artigo deverão ser escrituradas destacadamente em conta própria. Como destacado pelo colegiado recorrido, a VPC nada tem a ver com "devoluções de vendas", eis que a Verba de Propaganda Cooperada corresponde à remuneração concedida pelo fornecedor, sob a forma de desconto financeiro condicionado à propaganda. Ad argumentandum tantum, a espécie também não se confunde com os descontos incondicionais outra rubrica concernente à qual a lei admite a dedução da base de cálculo das contribuições em evidência eis que só são incondicionais os descontos que constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e ainda, que não dependem de evento posterior à emissão dos documentos em tela. A questão da conduta fraudulenta razão para a qualificação da multa foi tratada no item VII do Termo de Verificação Fiscal (efls. 44 e seg.). Nele se vê que a inclusão inadmissível das verbas de propaganda como "devolução de vendas" faz parte de um conjunto de práticas do sujeito passivo com o intuito de sonegar o tributo efetivamente devido. Com efeito, no citado Termo de Verificação Fiscal vêse que a interessada: a) informou na DACON, nos anos de 2009 e 2010, a título de devoluções de vendas com direito a crédito, valores bem superiores ao registrado na conta contábil "3.2.1.02.07 Devolução s/ Venda", diferença a qual corresponde à indevida inclusão dos valores de VPC; ademais, parte dos valores de VPC foram considerados como outras despesas operacionais; as deduções indevidas da base de cálculo por conta de VPC foram de R$ 6.354.126,66, em 2009, e de R$ 3.156.283,33, em 2010; b) contabilizou como “Tributos Federais a Recuperar” aquisições de diversos títulos de “Apólice de Dívida da Eletrobrás”, registrando contrapartidas a crédito de contas de diversos tributos a recolher, inclusive Fl. 11763DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.764 23 PIS e COFINS; relata a fiscalização que, em 2009, foram adquiridos, aparentemente por R$ 1.010.000,00, R$ 45.243.651,40 em títulos, dos quais R$ 35.469.657,90 foram utilizados para quitar débitos de IPRJ, CSLL, IPI, PIS e Cofins; em 2010 foram adquiridos, por R$ 500.000,00, R$ 50.000.000,00 em títulos da Eletrobrás, dos quais R$ 41.718.183,07 foram destinados à compensação com tributos federais (vide QUADRO 22 às efls. 49); c) não considerou como receita tributável diversas rubricas correspondentes a PIS e COFINS incidentes sobre importações, recuperação de estoques, receita sobre sinistro em importações, receita sobre recuperação de despesas, receita sobre crédito presumido e receita sobre aquisição de títulos federais; montante total não computado R$ 60.021.718,14; d) informou, em DCTF, a suspensão da exigibilidade de diversos créditos com base em ações judiciais onde o sujeito passivo nem sequer era parte; com o início do procedimento fiscal as DCTF foram alteradas em conformidade com os dados registrados na contabilidade; e) o sujeito passivo foi intimado de forma recorrente a apresentar esclarecimentos e cópias das ações judiciais informadas nas DCTF como alicerce do direito à suspensão da exigibilidade dos créditos declarados, sem, no entanto, atender ao que foi requisitado; a interessada chegou a solicitar a “suspensão do processo administrativo”, em virtude de as ações judiciais de n°s 9800214666SP e 9000019486DF estarem em fase recursal e/ou liquidação (execução) e não poderem ser acessadas; a fiscalização informou também que em 31/03/2014 o representante e sócio Sr. Jacky Gert Kirsch Schmell alegou que os citados processos judiciais, utilizados como causa de suspensão de pagamentos de diversos tributos, ainda estariam em curso; f) a autoridade fiscal obteve informações sobre as duas ações acima referidas por outros meios, tendo constatado que as mesmas não se referem a tributos administrados pela Receita Federal, não tratam de suspensão de exigência tributária, como informado nas DCTF, e a empresa autuada não figura como parte; g) relativamente ao processo de n° 98.00214666SP, a Receita Federal já havia analisado os débitos por ele suspensos em DCTF até setembro/2009, tendo o contribuinte tomado ciência dos débitos irregularmente suspensos em 17/11/2009 (CartaCobrança n° 0.359/2009). Por todo o exposto, deverá ser mantida o entendimento oficial que glosou as deduções vislumbradas pelo sujeito passivo e aplicou a multa qualificada em vista da tentativa deliberada de sonegar as contribuições efetivamente devidas. A legitimidade da qualificação da multa será mais detalhada no tópico que segue. Da qualificação da multa e da legitimidade quanto à sua exigência Fl. 11764DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.765 24 Conforme disposto acima, ficou demonstrado que houve uma intenção deliberada do sujeito passivo de, mediante ação comissiva, "impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, [...] da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais" (Lei nº 4.502/, art. 71, inciso I), ação dolosa que remete à aplicação do disposto no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, inerente à duplicação da multa de ofício de 75% prevista no inciso I do mesmo dispositivo. O intuito doloso destinado ao não pagamento dos tributos devidos foi muito bem pontuado pela fiscalização, cujo trabalho foi resumidamente abordado no voto condutor da decisão recorrida, do qual reproduzo o seguinte trecho: Em análise das DCTF apresentadas pela fiscalizada, observase que parcelas relevantes de diversos débitos de PIS e Cofins dos anos fiscalizados (2009 e 2010) foram suspensos por duas ações judiciais, que não haviam transitado em julgado e que não tinham a autuada como parte. Posteriormente, nos meses de maio e junho de 2010, a interessada retificou as DCTF, reduzindo os débitos declarados em valores iguais aos anteriormente suspensos, em descompasso com os valores dos débitos informados na contabilidade. Tal redução ocorreu em data posterior à ciência da Representação Fiscal n° 215/2009 do Secat da DRF de Salvador que, ao analisar as DCTF do ano de 2009, já havia dado ciência à interessada de que as suspensões ali informadas eram inválidas. Tal documento informou à impugnante que as duas ações judiciais por ela utilizadas não diziam respeito a tributos administrados pela RFB, que não tratavam de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que nem mesmo a empresa figurava como parte. Aliás, importante destacar o seguinte trecho da referida Representação Fiscal, constante do Termo de Verificação Fiscal: Em 10/03/2006, o juiz titular da 15ª Vara, após ouvir a Fazenda Nacional, aceita a AULIK como assistente simples da autora, mas não há, na decisão, qualquer menção ao reconhecimento de direito creditório e tampouco autorização expressa para iniciar qualquer procedimento de compensação de débitos da AULIK com créditos de terceiros, no caso de titularidade da “TRUSTHOUSE E TURISMO E REPRESENTAÇÕES LTDA”. A legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. Para que seja possível compensação do regime de Direito Público, assim como no Direito Privado, devem existir duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra, havendo duas obrigações recíprocas entre as parte. No Direito Tributário, as partes têm de ser credor e devedor recíprocos ex lege e ab initio (Parecer da PGFN/CDA/CAT n° 1.499/2005). O Código Tributário Nacional (CTN) apenas admite encontro de contas contra o Fisco com créditos fiscais do próprio sujeito passivo. Em 04/09/2008, o MM. Juiz da 15ª Vara/SP condenou cada um dos assistentes simples, dentre eles a AULIK, ao pagamento da multa prevista no Art. 18, caput, do Código de Processo Civil, por entender que houve litigância de máfé. O juízo entendeu que as compensações efetuadas pelas empresas não podem ser reputadas adequadas aos ditames legais, uma vez que a tutela antecipada foi concedida à TRUSTHOUSE E TURISMO E REPRESENTAÇÕES LTDA e seus efeitos não poderiam ser Fl. 11765DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.766 25 estendidos às empresas adquirentes das apólices, ainda que admitidas como assistentes simples do feito. Em 08/10/2009, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por provocação das apelações interpostas, não reconheceu a validade dos títulos da dívida pública emitidos no início do século passado, considerando improcedente o pedido formulado na petição inicial. Ademais, ratificou a decisão que condenou as empresas assistentes por litigância de máfé, consolidando o entendimento que as compensações efetuadas não encontram amparo legal. Concluiu que a contribuinte em epígrafe vinha suspendendo a exigibilidade de alguns créditos tributários, bem como efetuando compensações com créditos de terceiros, sem amparo legal e sem qualquer provimento judicial favorável, porquanto não foi considerada sequer parte do processo judicial n° 98.0021466 6. Como se vê, em 04/09/2008, a autora foi condenada ao pagamento da multa prevista no art. 18 do Código de Processo Civil por litigância de má fé. Em 08/10/2009, o TRF da 3ª Região não reconheceu a validade dos títulos da dívida pública emitidos no início do século passado, considerando improcedente o pedido formulado na petição inicial. Ademais, ratificou a decisão que condenou as empresas assistentes (Aulik) por litigância de má fé, consolidando o entendimento de que as suspensões efetuadas não encontravam amparo legal. Em 17/11/2009, a contribuinte foi cientificada da Representação Fiscal de n° 215/2009, cobrando as parcelas dos débitos irregularmente suspensos. Ainda assim, em 25/03/2014, durante o procedimento fiscal, a contribuinte retificou novamente as DCTF, alterando os débitos para os valores declarados na contabilidade, mas voltando a informar que parcelas dos valores devidos estavam suspensos por obtenção de antecipação de tutela em ação judicial das mesmas ações de n°s 9800214666SP e 9000019486DF. Seu objetivo ao retornar as informações inicialmente prestadas foi tentar impedir o lançamento do tributo com a respectiva multa punitiva, alegando que o débito já estaria constituído em DCTF e, portanto, poderia haver tão só a cobrança do tributo não pago. Nesse contexto, é indubitável que o procedimento adotado pela contribuinte se subsume perfeitamente ao conceito de fraude. [...]. Foi exatamente o que ocorreu, a contribuinte buscou, com suas retificações de DCTF, modificar as características essenciais do crédito tributário, de modo a, inicialmente, reduzir o montante do tributo devido e descaracterizando a suspensão indevidamente realizada. E mais, ao longo do procedimento fiscal, a impugnante retificou novamente a DCTF, retornando às informações inicialmente declaradas, tentando evitar o lançamento tributário com a respectiva multa punitiva. Isso porque, a fiscalização já havia constatado divergências entre o valor da DCTF e o valor da contabilidade. Não bastasse isso, a descrição detalhada da autoridade fiscal no tópico “VII.1 Da utilização de pretensos direitos creditórios de titularidade de terceiros, registrados na conta Tributos Federais a Recuperar, para extinguir obrigações tributárias próprias”, demonstra que a contribuinte utilizou créditos de títulos não tributários (Apólice da Dívida da Eletrobrás) e de terceiros para compensar os valores de diversos tributos. Tais fatos permitem concluir que há evidente intuito de fraude na conduta da contribuinte, na medida em que demonstram procedimento Fl. 11766DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.767 26 doloso que resulta em falta de recolhimento de tributos devidos, mediante declaração inexata da forma de extinção dos valores devidos, circunstância que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. [...]. É evidente, também, no caso relatado, a ocorrência da sonegação fiscal, uma vez que a interessada, com sua conduta dolosa, buscou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A recorrente aduz haver retificado as correspondentes DCTF no uso do regular exercício do direito de petição para buscar a compensação de créditos e que prestou a retificação das declarações na forma do artigo 138 do CTN. Releva destacar, no entanto, que as "retificações" das declarações só foram providenciadas não só depois de já iniciado o procedimento fiscal, mas também quando o sujeito passivo já havia sido cientificado da Representação Fiscal n° 215/2009, expedida pelo Secat da DRF de Salvador que, ao analisar as DCTF do ano de 2009, já participara à interessada acerca da invalidade das suspensões ali informadas. Assim, as retificações das declarações ocorreram quando o sujeito passivo não mais se encontrava amparado pela espontaneidade, de sorte que é legítimo o lançamento para a exigência de ofício do imposto, eis que a situação não se enquadra no disposto no artigo 138 do CTN, já que "não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração" (parágrafo único). Consequentemente, como o débito foi lançado de ofício, foi lavrado o correspondente auto de infração, com a exigência de multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, inciso I, c/c § 1º da Lei nº 9.430/96 (multa de ofício de 75% duplicada em vista da subsunção dos fatos ao disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64). Como se vê, está claro que a conduta perpetrada pela recorrente não se resume ao exercício regular do direito de petição a que faz jus o contribuinte; diferentemente, retrata verdadeiro abuso do direito em tela, eis que utilizado vislumbrando a sonegação de tributo efetiva e sabidamente devido. Com efeito, a doutrina defende limitações ao princípio da autonomia da vontade especialmente diante de condutas que retratem o denominado abuso do direito, como, aliás, ressalta Douglas Yamashita1 no início de suas considerações sobre o estudo do abuso do direito no Código Civil de 2002, e seus reflexos em matéria tributária: Ao reputar ilícito o exercício de um direito por seu titular, sempre que tal exercício exceda manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, o art. 187 do CC/20022 não faz outra coisa senão traduzir em nível infraconstitucional limites constitucionais à autonomia da vontade, consubstanciada essencialmente na liberdade de 1 YAMASHITA, Douglas. Elisão e evasão de tributos. Limites à luz do abuso do direito e da fraude à lei. São Paulo: Lex Editora, 2005, p. 87. 2 Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Fl. 11767DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.768 27 iniciativa garantida pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 1o, IV, e 170. Assevera Yamashita, portanto, que o contexto do abuso do direito e do artigo 187 do Código Civil de 2002 é o contexto constitucional, ressaltando, ainda, que o princípio do Estado Democrático de Direito (caput do artigo 1o da Constituição Federal3) se alicerça em bases formais (a segurança jurídica – princípio da legalidade, da proteção ao ato jurídico perfeito, do direito adquirido, da coisa julgada, etc.) e materiais (voltados à realização da justiça – art. 3o, I, da CF/88 –, a um Estado de Direito e de Justiça Social – Miguel Reale –, a um Estado Social – Tércio Sampaio Ferraz Jr.). Todos são valores que, muito embora positivados na Constituição Federal, estão em constante tensão, “de modo que um plus na realização de um valor significa um minus na realização de outro ou outros valores”4. Os fatos constantes dos autos, dentre outras questões já referidas, mostram que o sujeito passivo, na verdade, fez uso indevido do seu direito de petição para declarar informações sabidamente falsas, o que, por si só, legitima a exigência da multa qualificada de 150%. Nessa linha, os seguintes precedentes deste Conselho: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA QUALIFICADA. AÇÃO REITERADA. A prática reiterada e injustificada do contribuinte de declarar em DCTF valores inferiores aos que são registrados nos assentamentos contábeis ou que apurados pela Fiscalização Federal, constitui ato doloso, sujeito à multa de 150% do valor do imposto devido. Recurso de Voluntário Negado e Recurso de Ofício Provido (Acórdão nº 3102003.101. Relator cons. Ricardo Paulo Rosa) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/07/2001 a 31/07/2001 [...] MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificada pelo agente fiscal a conduta dolosa de apresentação de DCTF com informações em desacordo com a escrita fiscal, para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é imperiosa a aplicação da multa qualificada (150%), nos termos da Lei. (Acórdão nº 3301002.832. Relator cons. Semíramis de Oliveira Duro) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS 3 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: 4 Cf. YAMASHITA, ob. cit., p. 8890. Fl. 11768DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.769 28 Período de apuração: 01/05/2011 a 31/10/2011 [...] PIS. COFINS. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Correto o lançamento fiscal para exigência do PIS e Cofins não declarados em DCTF e Dcomp e que teriam sido objeto de compensação, somente na escrita contábil, com supostos créditos decorrentes de títulos públicos, sem amparo em qualquer decisão judicial. OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Constitui evidente intuito de fraude a omissão de informações relativas a compensações efetuadas em desrespeito a disposição expressa da legislação tributária. O procedimento adotado revela a nítida intenção de evitar ou retardar o conhecimento da autoridade tributária a respeito das compensações realizadas. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 3301002.907. Relator cons. Andrada Márcio Canuto Natal) A autuada também alega que a multa em evidência teria caráter confiscatório, e que deveriam ter sido observados os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Não obstante, tal argumento não pode servir como fundamento para que o julgador administrativo afaste a exação, eis que a legislação tributária há que ser interpretada literalmente, dentre outras hipóteses, quando trate de exclusão do crédito tributário (CTN, art. 111, inciso I). Ademais, os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco são dirigidos ao legislador e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa interpretá la e aplicála, processo do qual não integra o juízo de valor acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. De fato, é vedada à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, assunto, inclusive, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Compete ao julgador administrativo, no entanto, examinar e interpretar as normas, resolvendo, pela técnica interpretativa, eventuais lacunas ou antinomias encontradas na legislação aplicável ao caso fático. Não representa nulidade o fato de referida autoridade dar maior relevo a determinada conduta e aplicar a norma que entende se subsume ao caso. Portanto, falece à autoridade administrativa competência para excluir crédito tributário com fundamento em alegado caráter confiscatório da norma. No mais, ressaltese que o STF, em acórdão proferido em 29/10/2015, reconheceu a repercussão geral no RE nº 736.090, concernente ao alegado efeito confiscatório Fl. 11769DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10580.723686/201494 Acórdão n.º 3301002.917 S3C3T1 Fl. 11.770 29 da multa qualificada de 150% nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Aludido recurso, porém, ainda carece de julgamento. Por fim, no que concerne à responsabilização solidária do sóciodiretor, estabelece o artigo 135, inciso III, do CTN, que "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". Como muito bem dito na decisão de primeira instância: Dos fatos narrados, e amplamente discutidos acima, não há dúvidas de que o Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell, por razões que vão muito além do mero fato de ser o representante nas DIPJ, DACON e DCTF, deve, de fato, ser responsabilizado solidariamente. Afinal, não só é o responsável pelas declarações entregues, mas agiu com infração à lei, ao declarar à RFB informações falsas com o intuito de não pagar os tributos devidos. Por outro lado, restou demonstrado que a impugnante, utilizou juntamente com seu sócio diversos artifícios para reduzir o pagamento do tributo, evidenciando ter realizado procedimentos contábeis que afrontam a lei. Assim, por ter agido com infração à lei, o representante da pessoa jurídica autuada é pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de sua conduta. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Sala de Sessões, em 26 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 11770DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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