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Numero do processo: 11543.002085/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Corrêa Dalla, OAB/ES nº 4055.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Corrêa Dalla, OAB/ES nº 4055. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 02 08 5/ 20 06 -4 3 Fl. 6533DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 676 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo ao PIS nãocumulativo referente ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 1274/1275, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1124, de 21/05/2009 (fls. 1236/1274), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 221.848,41 e homologar parcialmente as compensações declaradas. Os ajustes efetuados pela autoridade fiscal na base de cálculo dos créditos do regime nãocumulativo do PIS resultaram em saldo de contribuição a pagar apurado nos períodos de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006. Foi então lavrado o Auto de Infração relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS referente aos períodos de apuração citados, formalizado no processo nº 15578.000631/200916, apensado a este (fls. 148/158), no valor total de R$ 584.729,34, incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/2009. O enquadramento legal do auto de infração encontrase à fl. 158 e a base legal da multa e dos juros, em fl. 154. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório e fundamentou o Auto de Infração, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Equivocouse o sujeito passivo ao não incluir na base de cálculo do PIS nãocumulativo as receitas financeiras (até 01/08/2004) e receitas diversas. Foram realizados ajustes tomando por base os lançamentos a crédito efetuados nos balancetes; • Na apuração dos créditos, constatouse, em alguns meses, divergência entre os valores informados no DACON e nas planilhas apresentadas, em relação às aquisições de café. Foram adotados os dados das planilhas • As compras de café foram pulverizadas em mais de 80 fornecedores PJ e vários PF. Para efeito de análise dos fornecedores, optouse por uma amostragem que representa mais de 84% das aquisições de café de neste período; • Verificouse irregularidades em 26 dos 30 maiores fornecedores PJ (omissos, inativos, receita declarada nula ou incompatível com as vendas realizadas); • As empresas Riocoffe Imp. Exp. Ltda, Cometa Comércio de Cereais Ltda e Vixsol Comercial Export. Ltda foram declaradas inaptas pela SRF. Dos fornecedores analisados, 86,67% encontramse em situação irregular; Fl. 6534DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 677 3 • Na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; • Com base nas planilhas/arquivos magnéticos das compras enviadas pelo sujeito passivo, foi elaborado o "Demonstrativo de Apuração das Contribuições nãocumulativas" discriminando todos os ajustes procedidos. Os ajustes realizados no Demonstrativo foram consubstanciados a partir dos valores na "Planilha de Glosas efetuadas/compras de café", na qual contém as compras adquiridas de pessoas jurídicas que foram desconsideradas para fins de cálculo dos créditos a descontar; • De acordo com as planilhas apresentadas, no que tange as aquisições de pessoas físicas, foram registradas compras de café sob o CFOP 1.102, que se refere a compras de mercadorias a serem comercializadas e que, portanto, não geram crédito presumido; • O sujeito passivo equivocouse ao incluir no cômputo dos créditos a descontar as aquisições de café sob o CFOP 1.501, que se refere a compras com fim especifico de exportação, já que referidas vendas encontramse fora do campo de incidência da contribuição; • Não foi possível homologar as declarações de compensação em sua totalidade, por insuficiência de créditos, de acordo com a Tabela de Compensação elaborada no Parecer; • Além disso, foi apurado saldo de PIS a pagar nos meses de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006, tendo sido emitido auto de infração para os referidos meses. O saldo de PIS a pagar nos meses de dezembro de 2002 a maio de 2003 e fevereiro e março de 2004 já se encontram decaídos. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e do Auto de Infração em 01/07/2009 (fl. 1342) e apresentou, em 30/07/2009, a Manifestação de Inconformidade em fls. 1343/1308 e a Impugnação em fls. 162/178 do processo apenso, alegando, em síntese que: • O Agente Fiscal deveria proceder ao lançamento das contribuições omitidas e não recolhidas pelo sujeito passivo da obrigação que neste caso é o fornecedor das matérias primas adquiridas; • Querer impor à impugnante, que de boafé comprou e pagou as mercadorias, a obrigação de pagar, pela via da exclusão glosa dos créditos apurados é no mínimo arbitrário e ilegal; • Não há previsão legal que impute ao comprador de mercadorias a verificação da situação cadastral do fornecedor. Conforme se pode observar, pelos espelhos, agora emitidos, as situações cadastrais mencionadas como argumento de glosa deramse em data posterior aos registros de entradas das mercadorias. Para comprovar anexamos os Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral; • A falta de pagamento não é responsabilidade da impugnante, que nenhum vinculo societário tem com aquelas pessoas jurídicas, não Fl. 6535DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 678 4 podendo ser penalizada por um ato que foge inteiramente ao seu controle; • Todas as mercadorias adquiridas pela impugnante têm o propósito de comercialização, passando obrigatoriamente por processo de industrialização, fazendo jus, portanto, ao crédito presumido do PIS e da COFINS, independente do CFOP utilizado; • A mercadoria ou matéria prima adquirida sob o CFOP 1501, apesar de registrada sob este código, foi adquirida para industrialização e posterior comercialização. Não há nenhuma possibilidade da empresa adquirir de pessoa física, mercadoria com fim específico de exportação. Transcreve partes de laudo técnico elaborado pelo Engenheiro agrônomo responsável pela unidade processadora e armazenadora de café; • O Parecer é arbitrário, vez que o enquadramento legal descrito não foi descumprido pela impugnante; • A autoridade fiscal, para a lavratura do Parecer e do auto de infração, não provou o descumprimento da legislação de regência do PIS, mas resolveu de forma arbitrária, glosar créditos, efetuar o lançamento e cobrar o tributo, da impugnante, que não tem qualquer responsabilidade pelas obrigações tributárias do fornecedor; • O Parecer SEORT e o lançamento tributário promovido não podem prosperar, devendo ser declarados nulos, uma vez que não cometeu infração, haja vista que comprou mercadorias/matéria prima e efetuou pagamentos aos fornecedores. A glosa efetuada não encontra previsão legal; • Para comprovar, apresenta cópias das notas fiscais de compras de pessoas jurídicas, cópias dos comprovantes de pagamento, comprovação da operação de industrialização da empresa; • Requer seja o Parecer declarado nulo, assim como o Auto de Infração, com o restabelecimento integral dos créditos tributários legalmente lançados. Requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes do processo (cartacobrança e auto de infração) e que, em razão do grande volume de notas fiscais e comprovantes de pagamentos, que estes permaneçam à disposição da fiscalização em sua sede, sendo anexados, por amostragem, alguns casos. Por fim requer o direito de apresentar outros documentos, necessários ao deslinde da questão, inclusive a diligência fiscal. Em 20/12/2011, a então 5a Turma da DRJ/RJ2, atual 17a Turma da DRJ/RJ1 encaminhou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 186 (fls. 5822/5823) para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto às irregularidades apuradas na apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas. Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos os documentos de fls. 5823/6204. O resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Termo de Enceramento de Diligência em fls. 6205/6316. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: Fl. 6536DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 679 5 • Para apurar as irregularidades cometidas no mercado de café foi deflagrada a operação fiscal TEMPO DE COLHEITA, pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, como relatado nos itens seguintes, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; • Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais; • A douta Procuradoria da República no Município de Colatina, por meio do Ofício nº 466/2010 PRM/COL/PAG, de 12 de agosto de 2010, encaminhou à RFB cópia dos documentos oriundos das buscas e apreensões realizadas pela OPERAÇÃO BROCA, bem como cópia da DENÚNCIA oferecida e aceita nos autos do processo principal nº 2008.50.05.0005383 (processos dependentes nº 2009.50.01.0005193 e 2010.50.05.0001610 e Inquérito Policial nº 541/2008DPF/SR/ES); • Com base na denúncia oferecida, consta nos referidos autos depoimento do Sr. JULIANO SALA PADOVAN, titular e gestor da empresa R. ARAÚJO – CAFECOL MERCANTIL (fornecedora KAFFEE neste processo), prestado à Polícia Federal, onde afirma que algumas empresas exportadoras fingem que compram café da R. Araújo , mas sabem que estão comprando diretamente dos produtores rurais; • a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de 36 pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; • 53% das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e expressiva a partir de 2003; • ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas. Cita como exemplo a Acádia, Do Grão, L&L e Colúmbia (fornecedoras da KAFFEE neste processo ou em períodos seguintes); • O resultado das investigações apontou tratarse de um esquema que consiste na utilização de pseudoempresas atacadistas para simular transações de compra e venda de café para empresas comerciais exportadoras e indústrias, dando aparência de legalidade às operações; • a existência das pseudoempresas e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras, conforme detectado no curso das diligências e fiscalizações; • os depoimentos dos produtores rurais, das mais diversas localidades do ES, têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” TOTALMENTE Fl. 6537DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 680 6 DESCONHECIDAS DOS DEPOENTES e que não são as reais adquirentes do café. Transcreve trechos de depoimentos em que foram citadas empresas fornecedoras da Kaffee; • em depoimentos prestados durante a operação Tempo de Colheita, os corretores de café foram unânimes em asseverar que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm o pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudoatacadistas de café. Transcreve trechos de depoimentos; • a fiscalização individualmente as empresas fornecedoras da Kaffee e resume os fatos apurados e depoimentos colhidos junto a estas (Riocoffe, Campestre, Vixsol, Montreal, Monte Verde, Acádia, R. Araújo, Do Norte Café, Agar, Agrosanto, Celba, Porto Velho, Danúbio, Arace Mercantil, Coffer Company e Cafeeira Centenário, Continental Trading, Galdino Tomaz Ferreira de Camargo, Coipex, Mourão Forte e Femar Café, São Jorge e A.A. de Paulo, Cometa) e junta aos autos Termos de Verificação Fiscal, Termos de Constatação Fiscal, depoimentos e confirmações de negócio relativos a cada empresa citada; • Restou comprovado que os fornecedores de café da Kaffee, neste processo administrativo, encontravamse em situação irregular perante a RFB. Alguns já tiveram sua INAPTIDÃO declarada, por inexistência de fato. Outros foram considerados “pseudoatacadistas”, seja por diligências realizadas pelos AuditoresFiscais, seja pelos inúmeros depoimentos de produtores rurais, maquinistas, corretores e sócios de empresas de café tomados a termo nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”; • A própria KAFFEE assumiu como sendo de sua titularidade as operações mercantis realizadas pela RIOCOFFE (seu principal fornecedor entre 2002 e 2006) desde 2001 até 2004; • A fraude não visou apenas diminuir a carga tributária das empresas na comercialização no mercado interno. Nas vendas ao mercado externo, não sujeitas à incidência do PIS/COFINS, a fraude gerou créditos às exportadoras de 9,25% sobre o valor das compras, o que representa um ganho financeiro extraordinário; • De acordo com a análise das mudanças ocorridas em suas aquisições de café ao longo dos anos, praticamente todas as empresas fornecedoras, nos anoscalendário de 2004/2005, deixaram de operar. Em contrapartida, novas empresas surgiram, como a Colúmbia, Do Grão e L & L, todas empresas fictícias, ratificando, neste sentido, o entendimento de que a Kaffee foi conivente com o esquema de fornecimento de notas fiscais. O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 10/12/2012 e não apresentou Manifestação, retornando os autos à DRJ para prosseguimento. Fl. 6538DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 681 7 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, bem como manteve o lançamento da multa isolada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 6539DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 682 8 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua manifestação de inconformidade. Voto A Recorrente teve glosado seu direito creditório referente ao PIS apurado pelo regime da nãocumulatividade, referentes a aquisições de café – insumo do processo produtivo da recorrente – que a fiscalização entendeu terem sido realizadas junto a empresas atacadistas de fachada, constituídas com o objetivo de apropriação de créditos. Destarte, como se depreende dos autos, o pano de fundo do presente processo administrativo, é a "Operação Broca", deflagrada pela polícia federal De acordo com os resultados da referida operação, empresas intermediárias formalizavam a compra simulada de café de pessoas físicas, com posterior venda para empresas da região, comerciais exportadoras ou indústria cafeeira, efetuada com o objetivo de mascarar o negócio realmente realizado, qual seja à aquisição direta do café junto à proprietários rurais pessoas físicas – que não concede direito ao crédito pleiteado. O propósito de tais operações seria a evasão tributária, pois as aquisições feitas de pessoas jurídicas permitiriam a apropriação de créditos integrais no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, ao passo que as efetuadas diretamente com pessoas físicas da direito apenas ao crédito presumido previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. E, nesse contexto, com base em um mesmo arcabouço probatório, oriundo da "Operação Broca", que se debruçou, especialmente, na oitiva de testemunhas relacionadas às empresas intermediárias tidas como "laranjas" ou interpostas, por amostragem, isto é, não esgotando o universo de tais intermediários, foram lavrados autos de infração para todos os compradores do café, de forma massiva, em alguns casos, sem que se comprovasse efetivo vínculo entre o autuado e as provas colhidas no âmbito da operação; em outros casos, selecionando trecho dos testemunhos, em que foram referidas as empresas. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, diversos processos conectados à "Operação Broca" já foram julgados, e de maneira a manter autos de infração/glosas de créditos, com a improcedência dos respectivos recursos voluntários. Compradores de café, como a Recorrente, atuariam em conluio com os intermediários, de forma a ter ciência de que as aquisições eram efetuadas de pessoas físicas, bem como que a formalização dos negócios como sendo efetuados junto a pessoas jurídicas lhe concedia um volume maior de créditos do que teria direito. Verificase, ademais, que as autuações invariavelmente, tinham como um dos principais alicerces, a presunção de que todos os cafeicultores da região tinham plena consciência do esquema, e atuavam de forma concertada e em conluio, para erodir a base Fl. 6540DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 683 9 tributável das contribuições sociais. É o que se depreende, por exemplo, das conclusões do termo de encerramento da diligência fiscal, constante dos autos: A fraude no mercado de café já é de conhecimento de toda a população, visto que na ocasião da deflagração da operação Broca várias matérias sobre o assunto foram veiculadas em diversos meio de comunicação. Segundo o quadro legal do regime nãocumulativo, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Não obstante, em um ambiente de estrita legalidade, sobre o qual se edifica o Direito Tributário, não é possível que se analise os fatos como se axiomáticos, ou intuitivos fossem, isto é, segundo a doutrina, como se o fato fosse tão evidente, tornando possível, desde sempre, a formação da convicção, prescindindose de provas. Ou ainda, como se fossem notórios. Mesmo as presunções, sejam as relativas ou absolutas, devem estar expressamente previstas no direito positivo, com foros de exceção, pois a Constituição Federal brasileira tem como vetor, a presunção de inocência, o que ecoa no Direito Tributário, na norma do art. 112 do Código Tributário Nacional, que prescreve que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, ou ainda, a autoria, imputabilidade, ou punibilidade. A verdade material ou real, tal como no Direito Processual Penal, é uma verdade processual, no sentido de que deve ser reconstituída nos autos, com a garantia da ampla defesa e do contraditório na sua produção, ao longo do desenrolar processual. Ao julgador, apenas caberá aterse aos elementos dos autos, ainda que sua percepção e seu juízo subjetivo, aponte para conclusões diversas. Observese, ademais, que não se trata aqui de refutar a legitimidade da prova emprestada do inquérito policial, que, no caso, foi basicamente testemunhal, pois o Judiciário já as chancelou, com em diversas oportunidades já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal. Contudo, essa circunstância não afasta a necessidade de observância de algumas condições, a começar, pela sua suficiência e adequação, em face das especificidades do caso concreto, devendose valorar as provas produzidas, no sentido de se constar a sua suficiência na comprovação da materialidade da conduta. Tecidas essas considerações preliminares, temse que, no caso concreto, no âmbito do esquema fraudulento que assolou a região dos cafeicultores do Espírito Santo, glosouse os créditos das contribuições sociais da Recorrente, sob o fundamento da fraude e simulação. Considerandose que as fraudes teriam ocorrido na cadeia produtiva do café, para que esta se instaurasse da forma afirmada pela fiscalização, ou seja, imputandose a participação da Recorrente, deve haver a prova do acordo fraudulento entre os elos da cadeia, Fl. 6541DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 684 10 nos termos determinados pela Lei nº 4.502/64, art.73, que prescreve que conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, com o escopo de provocar evasão tributária. Do contrário, isto é, não comprovado o conluio e comprovado o nãorecolhimento dos tributos, apenas aquele que deixou de recolher o tributo deve ser penalizado. É de se observar que o art. 82 da Lei n. 9430/1996 determina que : Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Em síntese, quanto ao introito, na ausência da prova individualizada do conluio, da fraude e simulação, de cada um dos cafeicultores, bem como da inexistência efetiva das empresas intermediárias, não haveria outra conclusão possível, senão de presunção absoluta de que todas as empresas do mercado cafeeiro daquela região estavam envolvidas na fraude, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico, conforme ponderações anteriores. Destarte, nessa seara descabem generalizações, à míngua de comprovação individualizada. Acresçase que não se trata, da mesma forma, de, ingenuamente ignorar a realidade que se descortinou, ou mesmo, de se adotar um postura que, em seu formalismo, redunde numa "sangria aos cofres públicos" , como se afirmou nos autos. Tratase, sim, de se observar as regras postas, ou, de não criar juízos de exceção, tão familiares aos brasileiros, seja para o bem ou mal, mas que devem ser repudiados pelos aplicadores da lei. Quanto à questão do desfalque aos cofres públicos, finalmente, cabe, da mesma forma, observar que o fato de os ilícitos possuírem natureza tal que, invariavelmente, dificultam o seu rastreamento e comprovação pelas autoridades competentes, esse fato não elide o deverpoder do Fisco de se valer da ampla gama de instrumental guarnecido pela legislação em vigor, para o exercício da fiscalização, que vão desde a quebra do sigilo fiscal, ao bancário, recentemente legitimado pela Suprema Corte. Sensível, inicialmente, a essas questões postas, a Delegacia de Julgamento, antes de proferir a decisão recorrida, determinou a conversão do julgamento em diligência, para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: aos fornecedores de café ao interessado, encontramse localizados, efetivamente, no endereço informado à Receita Federal do Brasil (RFB), constante do cadastro do CNPJ, e além disso, se possuem patrimônio e capacidade operacional necessários à realização do objeto que se refere à venda de café, esclarecendose a suposta utilização de empresas “laranjas” pelo interessado como “intermediárias fictícias na compra de café dos produtores”, tal como consta às fls. 5820/5821; b os fornecedores acima referidos se tratam, porventura, de pessoa jurídica inexistente de fato”, em qualquer uma das situações aludidas no art. 37 da IN SRF nº 200, de 13/09/2002, vigente à ocasião em que ocorridos os fatos geradores do PIS tratados no presente processo administrativo, e que já se encontra atualmente revogada, encontrandose hoje em vigor a IN RFB nº 1.005, de 08/02/2010 (art. 28, II); Fl. 6542DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 685 11 cos fornecedores ora em comento possuem escrituração contábil fiscal hábil e idônea, e registraram na sua contabilidade as vendas (faturamento) de café ao interessado para os períodos mensais de apuração do PIS tratados no presente processo; dhá instrumentos particulares (contratos) hábeis e idôneos, com reciprocidade de direitos e obrigações, firmados entre o interessado e seus fornecedores para a venda de café destes ao primeiro. O Termo de Diligência trouxe um apanhado assistemático de informações selecionadas e trasladadas do inquérito policial, que não responderam, de forma objetiva e pontual, o quanto questionado pela Delegacia de Julgamento, em cada um dos itens propostos na diligência. Com relação à empresa Riocoffee, há anexo específico nos autos, demonstrando que seria uma empresa de fachada, criada para operações da Recorrente e outro cafeicultor, tendo sido aberto procedimento de fiscalização específico, que, culminou, sem que houvesse manifestação em contrário, em tipificação da conduta imputada. Contudo, em relação às demais intermediárias, não se verifica o mesmo trabalho da fiscalização. Assim sendo, e no contexto das ponderações acima formuladas, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que: i. sejam respondidos e acostados aos autos os documentos solicitados, em cada um dos quatro itens propostos na resolução da Delegacia de Julgamento, acima transcritos, para cada uma das empresas mencionadas no relatório da diligência (exceto Riocoffee), quais sejam: Fl. 6543DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 686 12 ii. se verifique se todos os créditos glosados originaramse de operações com as empresas acima arroladas, ou se houve glosas relativas a empresas que não constam do relatório de diligência; iii. apontar a inidoneidade das notas fiscais e comprovantes de pagamentos, por amostragem, de cada um dos fornecedores em referência; iv. se verifique se à época das operações que geraram os créditos, as empresas intermediárias estavam com situação cadastral irregular/inaptas, nos termos da legislação vigente à época; Fl. 6544DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201000.693 S3C2T1 Fl. 687 13 vi. informe se os processos administrativos fiscais 15.586.000.451/200765, 15.586.001053/200766, 15.586.00019/201070, 15.586.002293/200869, 11.543.003883/200421, são concernentes à cobrança dos débitos fiscais, das empresas intermediárias que são consideradas como de fachada, diretamente relacionados com as compensações em tela, conforme afirma a Recorrente. Caso a resposta seja positiva, se há outros processos administrativos semelhantes tramitando. Além da glosa dos créditos de empresas declaradas como de fachada, foram glosados créditos presumidos decorrente do valor dos bens e serviços utilizados como insumos, adquiridos de pessoas físicas, conforme art. 3° §10 da Lei 10.637/2002, e, posteriormente pelo art. 8° da Lei 10.925/2004, sob o argumento de que a simples revenda não gera direito ao crédito. A glosa se deu porque os CFOPs empregados, apenas se refeririam a compras de mercadorias a serem comercializadas, assim como o café destinado à exportação, que teria sido adquirido e destinado imediatamente à revenda. Entretanto, a Recorrente juntou em sua manifestação de inconformidade, laudo técnico que demonstraria todo o processo produtivo pelo qual está submetido o café, antes de sua comercialização. Nesse sentido, também deve ser a diligência, para que: vii. comprove a Recorrente o processo produtivo o qual está submetido o café que transaciona. Após a conclusão da diligência a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar, no prazo de 30 dias , prorrogáveis uma vez, assim como a Procuradoria da Fazenda Nacional. Após , retornem os autos para prosseguimento da diligência. Diante de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Fl. 6545DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 12326.001520/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte.
3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida.
IRPF INCIDENTE SOBRE JUROS DE MORA NO CONTEXTO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STJ TOMADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS (543-C DO CPC DE 1973 E ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC DE 2015), DEFININDO OS CASOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO (EDEL NO RESP. 1.089.720-RS). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF.
Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 - RS (EDcl no REsp. nº 1.089.720-RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013) o Superior Tribunal de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciando-se em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal).
Numero da decisão: 2301-004.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento ao recurso voluntário.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 125 1 124 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12326.001520/200992 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.660 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Recorrente IONE PIRES CORREIA DA CUNHA Recorrida União (representada pela Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP e Resp. 1.470.720RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.470.720RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. IRPF INCIDENTE SOBRE JUROS DE MORA NO CONTEXTO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 15 20 /2 00 9- 92 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 STJ TOMADA NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS (543C DO CPC DE 1973 E ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC DE 2015), DEFININDO OS CASOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO (EDEL NO RESP. 1.089.720RS). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720 RS (EDcl no REsp. nº 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27.02.2013) o Superior Tribunal de Justiça definiu, especificamente quanto aos juros de mora pagos em decorrência de sentenças judiciais, que, muito embora se tratem de verbas indenizatórias, possuem a natureza jurídica de lucros cessantes, consubstanciandose em evidente acréscimo patrimonial previsto no art. 43, II, do CTN (acréscimo patrimonial a título de proventos de qualquer natureza), razão pela qual é legítima sua tributação pelo Imposto de Renda, salvo a existência de norma isentiva específica ou a constatação de que a verba principal a que se referem os juros é verba isenta ou fora do campo de incidência do IR (tese em que o acessório segue o principal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento ao recurso voluntário. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.001520/200992 Acórdão n.º 2301004.660 S2C3T1 Fl. 126 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1251.352, de 12/12/2012, exarado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I (fls. 46 a 55). Reproduzo o relatório do acórdão recorrido: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2007, anocalendário 2006, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 77.065,86. No presente caso, foi expedida a Notificação de Lançamento automática de nº 2007/607400166252066, na qual foi apurada uma omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 230.976,87 (ver fls. 41/45). A referida Notificação foi objeto de Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, que considerou comprovados parcialmente os valores que deram origem à autuação (ver fl. 15). Sendo assim, foi emitida uma nova Notificação de Lançamento (fls.16/19), em que foi constatada a seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 184.781,50, ressaltando a fiscalização, na Complementação da Descrição dos Fatos, que dos rendimentos recebidos através de ação trabalhista foram subtraídos os honorários advocatícios, conforme recibo apresentado pela contribuinte. A destacar que na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$6.929,31. Cientificada do deferimento parcial da Solicitação de Retificação de Lançamento SRL em 09/06/2009 (AR à fl. 36), ingressou a contribuinte, em 01/07/2009, com sua impugnação (fls. 02/06) e respectiva documentação. Em síntese: preliminarmente, alega que há discordância na origem dos rendimentos recebidos, esclarecendo que tal montante não é originário de ação trabalhista e sim de diferenças de proventos não pagas à impugnante por erro administrativo do Ministério da Aeronáutica, durante o período de 1984 a 2006 (22 anos), ressaltando que o montante foi recebido somente em fevereiro de 2006, através de decisão da justiça federal, processo nº 00.09857001, que tramitou na 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro e não na justiça do trabalho, como constante das páginas 02 de 04 da Notificação de Lançamento; informa que a impugnação é em virtude do valor do Demonstrativo do Crédito Tributário e seu enquadramento legal, Fl. 127DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 que estariam incorretos, por não se tratar de omissão de valores, esclarecendo que à época foi retido o Imposto de Renda no percentual de 3%, incidente sobre o montante depositado, em obediência ao que estabelece a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, concomitantemente com o valor da CPMF (R$ 851,38); solicita que devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, a fim de permitir a incidência do imposto na fonte, mediante a aplicação das alíquotas progressivas e respeitadas as faixas de isenção, mês a mês, nos termos como previsto no artigo 629 do RIR/94 (Decreto nº 1.041/94) e, atualmente, artigo 620 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), e não a simples incidência do imposto sobre os vencimentos totais acumulados recebidos e atualizados em virtude de precatório judicial, sob pena de se estar punindo o contribuinte com a retenção indevida do imposto de renda sobre valores dos benefícios percebidos de forma acumulada por mora exclusiva do próprio ente público e promovendo o locupletamento ilícito da Fazenda Nacional sobre verbas isentas e não tributáveis; para corroborar sua tese, transcreve algumas ementas de julgados proferidos pelo STJ e TRF 4ª Região, concluindo que a tônica adotada pela jurisprudência consolidada é o fato de que, conforme previsão do artigo 43 do CTN, o imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador apenas os “acréscimos patrimoniais”, assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte, sendo as verbas eminentemente indenizatórias beneficiadas pela isenção legal que deve ser observada no cálculo da exação, além das deduções legais e alíquotas progressivas, sob pena de ocorrer o pagamento a maior e indevido, gerando direito ao contribuinte que assumiu o encargo à repetição do indébito apurado (art. 165, I e II, do CTN); defende, ainda, que a orientação jurisprudencial majoritária também assevera que o imposto de renda não incide sobre os juros de mora e correção monetária, por terem a mesma natureza indenizatória, (...); argumenta que após as devidas alocações de valores, aplicando as isenções legais a que tem direito e as tabelas e alíquotas das faixas de isenção mês a mês da época a que se referem tais rendimentos, é possível verificar uma diferença considerável em relação ao que será retido na fonte e que deveria ser efetivamente pago pelo substituto tributário e, em conseqüência, efetivamente recebido pelo impugnante; salienta a total inaplicabilidade da Regra Geral a respeito do pagamento de verbas devidas pela União Federal (Fazenda Nacional), em virtude de sentença judiciária, prevista no artigo 100, §§, da Constituição Federal, tendo em vista a necessidade de observância do princípio da especialidade em matéria tributária, previsto no § 6º, do artigo 150, da mesma Constituição Federal, o qual prevê que qualquer subsídio ou concessão de crédito, relativo a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser instituído mediante lei específica que regule exclusivamente a matéria; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.001520/200992 Acórdão n.º 2301004.660 S2C3T1 Fl. 127 5 prossegue afirmando que o pagamento indevido de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, além das previsões dos artigos 165 e seguintes do CTN e, especialmente com relação ao imposto de renda, possuem uma Regra Matriz que, entre legislações, Portarias e Instruções Normativas que regulam de forma exclusiva o procedimento para pagamento dos recolhimentos indevidos e efetuados a maior que o devido – restituição (art. 54, § único, da IN SRF nº 600, de 2005), constituem normas especiais que prevalecem sobre as regras gerais previstas, como no caso dos precatórios; defende que as previsões legais e normativas são claras e específicas e que, uma vez reconhecido judicialmente o direito de ter descontado do IRRF, a diferença apurada com o cálculo efetuado mês a mês, nos moldes previstos pelo RIR (Decreto nº 3.000/99), e relativo aos valores sobre os quais deveria ter sido respeitada a isenção legal, devese reconhecer também, de forma expressa no dispositivo de sentença, o seu direito de efetuar o pedido de habilitação de crédito (arts. 50 e 51, §§, da IN SRF nº 600, de 2005), para posterior pedido de restituição do montante recolhido indevidamente, conforme artigo 54, parágrafo único, da IN SRF nº 600, de 2005, ou mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF), nos termos do artigo 3º, II, da IN SRF nº 600, de 2005; faz um breve relato sobre suas condições atuais de saúde, que seriam frágeis, e que seus proventos como aposentada são consumidos quase na totalidade com pagamentos a plano de saúde, medicamentos e fisioterapia pulmonar; alega que não tem como saldar o valor do crédito tributário lançado e pede o afastamento dos juros de mora e da multa de ofício, solicitando o reexame necessário, a respeito do reconhecimento do seu direito de não ver tributada a totalidade das verbas recebidas de forma acumulada pelo IRRF, entendendo que a tributação dos valores referentes a verbas salariais determinadas em precatório judicial que foram pagos de uma só vez não pode se dar sobre o montante total acumulado, sob pena de ferir os princípios constitucionalmente garantidos da isonomia tributária (art. 150, II, da CF/88) e da capacidade contributiva (§ 1º, do art. 145, da CF/88); por fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. A DRJ julgou improcedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente até 31 de dezembro de 2009 estão sujeitos à incidência do imposto de renda, juntamente com os juros e atualização monetária, no mês do recebimento ou crédito, devendo ser informados ainda na Declaração de Ajuste Anual. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. O entendimento exposto em decisões judiciais fica restrito aos litigantes das respectivas ações, não se cogitando da extensão de seus efeitos jurídicos ao caso em epígrafe. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. Nos casos de lançamento de ofício, aplicase a multa de 75% sobre o imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou atos normativos, prerrogativa esta reservada ao Poder Judiciário, sendo a autoridade fiscal mera executora de leis e a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 21/02/2014 (fl. 65). Em 19/08/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 71 a 97), no qual são reafirmados, em síntese, os argumentos da impugnação, citando, para amparar seu direito de ver o imposto calculado observando as tabelas e alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos, decisões do STJ (entre outras o Resp 1.118.429/SP) e do CARF, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 e o RE 614.406 e reafirmando a não incidência do imposto sobre a renda sobre juros de mora. Requereu o cancelamento do crédito tributário lançado, ou alternativamente, que seja afastada a incidência do imposto sobre a renda sobre os valores recebidos a título de juros de mora. É o relatório. Voto Conselheira João Bellini Júnior, Relator Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Rendimentos Recebidos Acumuladamente. Período até Anobase 2009. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.001520/200992 Acórdão n.º 2301004.660 S2C3T1 Fl. 128 7 Trata o presente processo de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, por força de ação judicial trabalhista, relativos ao anocalendário de 2009. Tal tema já foi objeto de apreciação tanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STF), em processos com decisão definitiva de mérito na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 (presentemente, arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015). Assim, tais decisões devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Passemos à análise das referidas decisões. Do STF, temos o julgamento do RE 614.406/RS (com repercussão geral reconhecida) cuja tese restou reafirmada no julgamento do ARE 817.409, cujos trânsito em julgado deramse respectivamente em 11/12/2014 e 05/06/2015. Em ambos os acórdãos, decidiuse que o imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF) sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência, ou seja, calculados de acordo com o regime de competência. Tal é o entendimento que deve ser reproduzido pelos órgãos deste Carf. O RE 614.406/RS recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de (SIC) ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Assim, no RE 614.406/RS decidiuse negar provimento ao recurso extraordinário interposto pela União contra acórdão exarado pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pelo qual entendeuse correta a “Incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência após somado este com o valor já pago, pena afronta aos princípios da isonomia e capacidade contributiva insculpidos na CF/88 e do critério da proporcionalidade que infirma a apuração do montante devido”. Friso que, embora alguns Ministros teçam considerações sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da lei 7.713, de 1988 (como é o caso do Min. Marco Aurélio, do Min. Dias Toffoli e da Min. Cármen Lúcia), a discussão que se estabelece no plenário do STF é qual o regime de tributação a ser aplicado ao caso: (a) regime de caixa, posição da Min. Ellen Grace, que dava provimento ao recurso interposto pela União, julgando constitucional o art. 12 da Lei 7.713, de 1988 e (b) regime de competência, posição dos demais ministros, que, em decorrência, negaram provimento ao recurso da União. Desse modo, o limite objetivo da coisa julgada é dado pelo desprovimento da apelação da União contra o acórdão do TRF4, que houvera reconhecido incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713, de 1988 para que o IRPF fosse tributado pelo regime de competência (e não pelo regime de caixa) Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Tal situação, ou seja, ser o limite objetivo da coisa julgada no RE 614.406/RS a tributação dos rendimento recebidos acumuladamente pelo regime de competência, resta cristalina pela simples leitura da ementa do ARE 817.409: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MODO DE CÁLCULO. RENDIMENTOS PAGOS EM ATRASO E ACUMULADAMENTE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. TEMA Nº 368. JULGAMENTO DE MÉRITO NO RE 614.406. ALEGADA INDIFERENÇA NA APLICAÇÃO DO REGIME DE CAIXA OU DE COMPETÊNCIA AO CASO. INCURSÃO NO ACERVO FÁTICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA Nº 279 DO STF. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos em atraso e acumuladamente por pessoas físicas devem se submeter à incidência do imposto de renda segundo o regime de competência, consoante decidido pelo Plenário do STF no julgamento do RE 614.406, Rel. Min. Rosa Weber, Redator do acórdão o Min. Marco Aurélio, DJe de 27/11/2014, leading case de repercussão geral, Tema nº 368. (...) No mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no julgamento do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Das razões do conselheiro relator, Heitor de Souza Lima Junior, transcrevo: Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão (RE 614.406/RS), de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no . 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. (...) Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.001520/200992 Acórdão n.º 2301004.660 S2C3T1 Fl. 129 9 ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. (...) Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. (...) Como já referido, também o STJ enfrentou a matéria no julgamento de dois recursos especiais sujeitos à sistemática do art. 543C do CPC, (e, portanto, vinculativos ao CARF em face do disposto no art. 62, § 2º, do Ricarf). Nesses, também restou assentado que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. O primeiro desses julgamentos é o Resp. 1.118.429SP, julgado em 24/03/2010 e transitado em julgado em 17/06/2010, o qual recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (Grifouse.) O segundo julgado, Resp. 1.470.720RS, julgado em 10/12/2014 e transitado em julgado em 04/03/2015, esmiúça a determinação das bases de cálculo do imposto sobre a renda, e recebeu a seguinte ementa: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 284/STF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. VERBAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. FACDT. SELIC. (...) 2. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT – fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. (Grifouse.) 3. Sistemática que não implica violação ao art. 13, da Lei n. 9.065/95, ao art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96, ao art. 8º, I, da Lei n. 9.250/95, ou ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, posto que se refere à equalização das bases de cálculo do imposto de renda apurados pelo regime de competência e pelo regime de caixa e não à mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. 4. Tema julgado para efeito do art. 543C, do CPC: "Até a data da retenção na fonte, a correção do IR apurado e em valores originais deve ser feita sobre a totalidade da verba acumulada e pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente, sendo que, em ação trabalhista, o critério utilizado para tanto é o FACDT". (Grifos no original.) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Transcrevo trechos do Resp. 1.470.720, a fim de aclarar os critérios pelos quais deve ser calculado o imposto sobre a renda: Esta Corte ao julgar recurso representativo da controvérsia decidiu que: "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente" (REsp. n. 1.118.429/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24.03.2010). Ou seja, entendeu que o art. 12, da Lei n. 7.713/88 não deve ser interpretado de forma a permitir a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo regime de caixa (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que efetivamente pagos os rendimentos de uma só vez), mas sim pelo regime de competência (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que deveriam ter sido pagos dos rendimentos mês a mês). Em razão dessa jurisprudência já consolidada, surgiu em inúmeros processos a discussão a respeito do modo com que se daria o cálculo dessa diferença de imposto de renda a ser paga Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.001520/200992 Acórdão n.º 2301004.660 S2C3T1 Fl. 130 11 pelo contribuinte ou a ele repetida pelo fisco, nos casos em que o Imposto de Renda incide sobre verbas trabalhistas pagas em atraso de forma acumulada, ou verbas de outra natureza também pagas em atraso de forma acumulada. Esse modo não poderia descurar da forma com que calculado o imposto nas declarações de ajuste, respeitandose a lógica do imposto e de sua repetição. Dito de outra forma, para respeitar a sistemática de apuração do Imposto de Renda e ao mesmo tempo o regime de competência, havia a necessidade de se estabelecer uma forma retroativa de cálculo do tributo que deveria ter sido pago ao tempo em que deveria ter sido recebido o rendimento (regime de competência) e apurar a diferença em relação ao que retido posteriormente na fonte (regime de caixa), o que carece da aplicação de um critério único de correção monetária, a fim de se equalizar as bases de cálculo do Imposto de Renda através do tempo (a base de cálculo do imposto que deveria ter sido pago sob o regime de caixa deve ser equalizada à base de cálculo do imposto pago sob o regime de competência) e definir a diferença do tributo a pagar ou restituir. Assim, o que se discute é o índice a ser fixado para a correção da base de cálculo do tributo e não do tributo devido ou do indébito a ser restituído. No caso das verbas trabalhistas, sabese que a Justiça do Trabalho utiliza para atualização dos débitos (base de cálculo do Imposto de Renda) a chamada Tabela FACDT (Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas), que tem por objetivo assegurar, "com base no índice oficial da inflação do mês anterior, o valor monetário dos créditos do trabalhador até o primeiro dia do mês seguinte" (Agravo de Petição n. 718903, TRT4, Sexta Turma, Rel. Juiz João Ghisleni Filho, julgado em 19.11.1998). Sendo assim, sua natureza é de fator de correção monetária, não se tratando de juros de mora, que tem por objetivo punir o devedor pela mora, acrescendo ao débito uma indenização a título de lucros cessantes. Do mesmo modo, no caso de verbas previdenciárias, a Justiça Federal faz uso do IGPDI e, mutatis mutandis, em outros casos fazse uso de índices diversos judicialmente fixados e transitados em julgado. A jurisprudência então caminhou para a seguinte forma de cálculo: resgatase o valor original da base de cálculo (após, portanto, as deduções legais) declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário a que o rendimento corresponde (A) e adicionase o valor do rendimento recebido acumuladamente relativo ao mesmo ano (excluídos atualização monetária e juros) (B). Assim, chegase ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C = A + B). Sobre esta base de cálculo aplicase a tabela progressiva vigente no ano a que o rendimento corresponde. Com a aplicação da alíquota da tabela progressiva sobre a base de cálculo (C), chegase a um resultado de imposto devido à época. Desse Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 resultado se subtrai o imposto efetivamente pago calculado com os valores da época. Essa diferença corresponde ao cálculo da diferença de imposto correspondente (D). Este cálculo deverá ser feito para cada anocalendário referente aos rendimentos percebidos acumuladamente (Dl, D2, etc). Esta diferença de imposto de renda (D), apurada em cada ano (D1, D2, etc), será atualizada pelo índice que melhor reflita a correção monetária para o débito em questão (no caso de débitos trabalhistas, utilizase o Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas FACDT, como visto) a partir de 30 de abril do ano subseqüente ao anocalendário respectivo. Cada uma das diferenças anuais (Dl, D2) será atualizada pelo índice referido até 30 de abril do ano subseqüente àquele em que ocorreu o recebimento dos valores acumulados e somadas entre si, constituindo o somatório de diferenças de imposto de renda (E =" Dl + D2 + etc.). O montante total das diferenças (E) será compensado com o total do imposto que foi indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa por força do recebimento de rendimentos acumulados, perfazendo o saldo de imposto de renda (F), a pagar (se E > imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa) ou a restituir (se E < imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa). Sobre (F), incidirá a taxa SELIC a partir de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados porque, ou constitui (F) uma diferença de imposto não pago pelo contribuinte (situação em que incidem o art. 13, da Lei n. 9.065/95 e o art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96), ou constitui um valor de indébito a ser repetido pelo Fisco ao contribuinte (situação em que incide o art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95). (...) De observar que a taxa SELIC não incide em nenhum momento anterior porque antes de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados o que ocorre é apenas uma equalização da base de cálculo do imposto de renda e não a mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. Assim, em atenção ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf, devem ser aplicadas as disposições do (a) RE 614.406/RS (STF), explicitadas no ARE 817.409 (STF), (b) Resp. 1.118.429SP (STJ) e (c) Resp. 1.470.720 (STJ). Rendimentos Recebidos Acumuladamente. Período até Anobase 2009. Incidência do imposto sobre a renda sobre os juros de mora A recorrente argumenta que os juros moratórios recebidos em razão do processo judicial n° 00.09857001, decorrente de diferenças não pagas por erro administrativo do Ministério da Aeronáutica, não podem sofrer a incidência do imposto sobre a renda. Sobre o tema, transcrevo as razões de decidir expostas pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, redator designado para o Acórdão 2101002.547, as quais adoto como minhas, mutatis mutandis: Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar o entendimento inicial, no sentido de que tais rendimentos, a princípio, deveriam seguir a natureza tributável da verba Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.001520/200992 Acórdão n.º 2301004.660 S2C3T1 Fl. 131 13 principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis". Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pagas pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris: Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; [...] Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, os juros incidentes sobre as verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente não poderiam, a princípio, escapar à tributação pelo IRPF. Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de Justiça também tem se manifestado pela existência de exceções quanto à incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos quando do recebimento de verbas no âmbito de rescisão do contrato de trabalho, consoante posicionamento externado quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui se acede, por ter não só mantido o teor do anteriormente decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor, como também explicitado de forma clara, em sua ementa, a forma de sua aplicação. Vejamos, assim, a ementa da decisão cujo teor aqui se adota : PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não (grifei). Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...] 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". [...] 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (Grifos no original.) Sendo assim, uma vez que o recebimento dos juros sob análise se deu no contexto de “diferenças de proventos não pagas (à contendora) por erro administrativo do Ministério da Aeronáutica”, entendo, com fulcro na decisão acima, que não há qualquer reparo a ser feito no lançamento quanto à incidência imposto sobre a renda sobre dos juros de mora integrantes do valor recebido em decorrência da ação judicial Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.001520/200992 Acórdão n.º 2301004.660 S2C3T1 Fl. 132 15 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. João Bellini Júnior – Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10494.000660/2008-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 11/09/2003 a 22/08/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Nos termos do art. 17 do Decreto 70235/72, a matéria não impugnada, à exceção das matérias de ordem pública, está excluída do litígio e o crédito tributário respectivo torna-se consolidado. Na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 9303-004.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Robson José Bayerl (Suplente convocado). Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Flávio Eduardo Silva de Carvalho, OAB-DF nº 20.720.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Substituto
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Valcir Gassen (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 11/09/2003 a 22/08/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto 70235/72, a matéria não impugnada, à exceção das matérias de ordem pública, está excluída do litígio e o crédito tributário respectivo tornase consolidado. Na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Robson José Bayerl (Suplente convocado). Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Flávio Eduardo Silva de Carvalho, OABDF nº 20.720. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Substituto Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 06 60 /2 00 8- 03 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 28/07 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 10494.000660/200803 Acórdão n.º 9303004.171 CSRFT3 Fl. 700 2 Cecconello (Relatora), Valcir Gassen (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte (fls. 599 a 617) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302001.870 (fls. 487 a 491) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27/11/2012, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. O Colegiado a quo entendeu, em síntese, pela inviabilidade de análise de matéria não impugnada em momento processual adequado, restando maculada pela preclusão. O acórdão foi ratificado pela negativa de seguimento aos embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo (fls. 503 a 535) por meio do despacho nº 3302049, de 17/05/2013 (fls. 593 a 595). O acórdão dos recursos voluntário e de ofício foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 11/09/2003 a 22/08/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. Recursos de Ofício e Voluntário Negados Por bem descrever os fatos que deram origem à discussão em tela, adotase o relatório do acórdão recorrido, in verbis: [...] Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário referente a tributos aduaneiros (II, IPI Importação, PIS Importação e Cofins Importação) e as multas previstas no inciso I, do art. 83, da Lei nº 4.502/64, e no parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 28/07 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 10494.000660/200803 Acórdão n.º 9303004.171 CSRFT3 Fl. 701 3 Conforme Relatório de Auditoria Fiscal (fls.128/185), a empresa Recorrente subfaturou o valor de mercadorias importadas com o fito de se eximir do pagamento dos tributos aduaneiro, além da remessa indevida de divisas para o exterior. Tempestivamente a contribuinte insurgese contra a exigência fiscal do II, do IPI, do PIS Importação e da Cofins Importação, acrescidos de juros de mora e da multa de ofício, conforme impugnação às fls. 320/350, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido às fls. 374/379. Não impugnou o lançamento das multas previstas no inciso I, do art. 83, da Lei nº 4.502/64, e no parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001. Nos termos do Acórdão nº 0720.756, de 20/08/2010, a DRJ em FlorianópolisSC deu parcial provimento à impugnação para exonerar parte do crédito tributário (tributos e multas) pelas seguintes razões (fls. 373/389): 1) erro no cálculo do valor aduaneiro das DI nºs. 06/02266259, 06/03599715 e 06/03621192; 2) falta de prova de que o valor aduaneiro foi subfaturado nas DI nºs. 07/09033430 e 07/11264530. Ciente da decisão de primeira instância em 09/09/2010, conforme AR de fl. 405, a empresa autuada interpôs recurso voluntário em 05/10/2010, no qual repisa os argumentos da impugnação, que podem ser resumidos nos seguintes tópicos: a) Nulidade do procedimento administrativo por falta de intimação do Mandado de Procedimento Fiscal; b) Nulidade ou invalidade do procedimento por desatendimento ao quanto regam as Portarias RFB nº 4.066/2007 e 11.371/2007 e artigo 196, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Falta de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal; c) Nulidade do Auto de Infração em face do vício da prova obtida; d) Nulidade do procedimento administrativo por desatenção a regra do artigo 22, § 1° da Lei n. 97.784/99; e e) O erro no arbitramento da valoração aduaneira e conseqüente erro no arbitramento da base de cálculo do PIS e da COFINS. Inovando os argumentos trazidos na impugnação, a Recorrente contesta o lançamento das multas fiscais e aduaneiras sob o fundamento de que as mesmas não podem incidir simultaneamente e que a multa aduaneira deve ser de 1% sobre o valor das mercadorias importadas e declaradas com erro nas respectivas DI. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 28/07 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 10494.000660/200803 Acórdão n.º 9303004.171 CSRFT3 Fl. 702 4 No dia 31/03/2011, a Recorrente apresenta requerimento desistindo parcialmente do recurso voluntário por ter incluído os débitos de II, IPI, PIS e Cofins no parcelamento especial da Lei nº 11.941/09. Permanecendo o recurso voluntário quanto ao crédito tributário relativo às multas previstas no inciso I, do art. 83, da Lei nº 4.502/64, e no parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001 (fls. 448/456). A DRF em Florianópolis recorreu de ofício da decisão que exonerou parte do crédito tributário lançado (tributos e multas). [...] Com a apresentação do recurso voluntário, novamente não logrou êxito a contribuinte, tendo em vista a negativa de provimento proferida pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 27/11/2012, cujas razões encontramse no acórdão nº 3302001.870 (fls. 487 a 491), concluindo pela impossibilidade de análise pelo CARF de matéria que não foi objeto da impugnação. Em face do referido acórdão de negativa de provimento aos recursos voluntário e de ofício, a Empresa opôs embargos de declaração alegando a existência de omissão (fls. 503 a 535), por não ter a decisão apreciado argumentos relativos à multa regulamentar e à multa por subfaturamento, com fulcro no princípio da verdade material. Aos embargos foi negado seguimento, conforme despacho nº 3302049 (fls. 593 a 595). Nessa oportunidade, insurgese a contribuinte por meio de recurso especial (fls. 599 a 617) suscitando divergência jurisprudencial sobre a possibilidade de ser examinada, em sede de recurso voluntário, matéria não suscitada em impugnação. Colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 920200.818 e 10515.907. Em suas razões recursais, discorre o Sujeito Passivo sobre a necessidade de aplicação do princípio da verdade material e, por conseguinte, da mitigação das regras da preclusão, para que seja analisada a matéria relativa à multa por subfaturamento e à multa regulamentar, em atendimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa, requerendo, ao final, a anulação do acórdão do recurso voluntário, determinandose que outro seja proferido em seu lugar, contemplando a análise de todos os argumentos então aduzidos naquela peça recursal. O recurso especial do Sujeito Passivo foi admitido por meio do despacho nº 3300000.285, de 07/11/2014 (fls. 671 a 673), proferido pelo ilustre Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 675 a 678) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 28/07 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 10494.000660/200803 Acórdão n.º 9303004.171 CSRFT3 Fl. 703 5 É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte atende os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, a controvérsia posta no presente recurso especial cingese à a possibilidade de ser examinada, em sede de recurso voluntário, matéria não suscitada em impugnação. A impugnação da exigência do crédito tributário instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal (art. 14, do Decreto nº 70.235/72) e constituise em meio de suspensão da exigibilidade do débito pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando o contribuinte omitese em combater algum item da exigência fiscal na impugnação, caracterizarseá a sua concordância com aquela parte, considerandose como não impugnada, razão pela qual poderá a Autoridade Administrativa providenciar, em autos apartados, a cobrança da parcela não contestada. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode discutir no processo administrativo aquilo que o contribuinte se absteve de questionar na impugnação, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 28/07 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 10494.000660/200803 Acórdão n.º 9303004.171 CSRFT3 Fl. 704 6 § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por conseguinte, a não impugnação da matéria trará, efetivamente, a presunção de verdade das alegações, impedindo o julgador de adentrar nas discussões a ela pertinentes. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em contradizer os itens da autuação referentes à multa por subfaturamento (art. 88 da Medida Provisória nº 215835/2001) e à multa regulamentar (art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64) é a preclusão da oportunidade de o fazer em outro momento processual. Sobre a preclusão, lecionam os ilustres doutrinadores Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "A preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Consiste em um fato impeditivo a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o recuo às fases anteriores do procedimento. Por força deste princípio, anulase uma faculdade ou o exercício de algum poder ou direito processual. Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais Fl. 706DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 28/07 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 10494.000660/200803 Acórdão n.º 9303004.171 CSRFT3 Fl. 705 7 contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto nº 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos conforme se depreende do exame do seu artigo 16, a saber: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir." Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na produção recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento." Diferentemente seria a situação de apresentação de razões complementares à impugnação, em momento anterior ao julgamento de primeira instância, na qual se admitiria a possibilidade de o julgador proceder à análise dos argumentos suscitados pelo sujeito passivo naquele momento processual em atenção aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Esse não é o caso dos presentes autos, em que o arrazoado quanto às multas por subfaturamento e a regulamentar foram trazidos tão somente em sede de recurso voluntário, caracterizandose a preclusão. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provias trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõese o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] Fl. 707DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 28/07 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO Processo nº 10494.000660/200803 Acórdão n.º 9303004.171 CSRFT3 Fl. 706 8 O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Nesse diapasão, as matérias não impugnadas, à exceção das matérias de ordem pública, consideramse preclusas, não podendo ser analisadas por este Conselho em sede de recurso voluntário. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da contribuinte. É o voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 708DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 28/07 /2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO
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Numero do processo: 10845.725023/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO EXPEDIDO PELA SECRETARIA DE SAÚDE. DOENÇA RECONHECIDA DESDE 1991. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Mesmo que o laudo médico expedido por serviço oficial de município não ateste com absoluta clareza o momento a partir do qual a recorrente inicialmente adquiriu a moléstia grave, este reconhece que ela o possuía desde o ano de 1991, motivo pelo qual deve ser reconhecida a isenção ao pagamento do imposto de renda no período objeto do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio De Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. Recorrente HELENA RUDOLF SAMPAIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO EXPEDIDO PELA SECRETARIA DE SAÚDE. DOENÇA RECONHECIDA DESDE 1991. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Mesmo que o laudo médico expedido por serviço oficial de município não ateste com absoluta clareza o momento a partir do qual a recorrente inicialmente adquiriu a moléstia grave, este reconhece que ela o possuía desde o ano de 1991, motivo pelo qual deve ser reconhecida a isenção ao pagamento do imposto de renda no período objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 50 23 /2 01 3- 75 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio De Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10845.725023/201375 Acórdão n.º 2402005.171 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por HELENA RUDOLF SAMPAIO, em face de acórdão que entendeu por manter integralmente o lançamento no qual se verificou a ocorrência de infrações relativas a informações prestadas pela contribuinte quanto a rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave e dedução indevida de despesas médicas. Da análise dos autos, verificase que a contribuinte deixou de impugnar o lançamento relativo à dedução de despesas médicas, o fazendo tão somente quanto a necessidade de consideração de ser portadora de moléstia grave, que lhe garante o direito à isenção do imposto de renda. A DRJ, entendeu por afastar o pleito formulado, em razão do fato de que a documentação carreada aos autos pela contribuinte, apesar de comprovar se tratar de pessoa aposentada, não se adequa aos termos da legislação que rege a matéria, pois não há comprovação da existência da doença em documento firmado por serviço médico oficial da União, Estados ou Municípios, no anocalendário objeto da autuação, mas tão somente a partir de 2013. Fora então, interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta a contribuinte: 1. que é merecedora da isenção do imposto de renda, o que resta comprovado pelo “Receituário” juntado aos autos e emitido pelo Serviço de Saúde da Prefeitura de Santos, no qual o médico responsável certifica que a contribuinte se submeteu a uma operação em novembro de 1991, após ser diagnosticada com Doença de Paget, carcinoma ductal in situ. 2. é equivocado o entendimento do acórdão da DRJ no sentido de que o documento é particular, tendo em vista que o receituário é um documento de uso médico em qualquer unidade de atendimento do país, sendo que este é emitido na forma em que determinado pelos atendimentos médicos, e não da forma pela qual pretende a recorrente; 3. que referido receituário reconhece ser a mesma portadora da doença de paget desde o ano de 1991. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Reitero que no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição da recorrente de isenta ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portadora de Câncer maligno de mama, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Em complemento, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, dispôs sobre o tema da seguinte forma: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10845.725023/201375 Acórdão n.º 2402005.171 S2C4T2 Fl. 248 5 “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Pois bem, da análise dos autos, verifico que fora carreado às fls. 80, um laudo médico datado de 18/07/2013, emitido pelo Dr. Jorge Bixir Maxta, do Instituto de Previdência Social do Servidores Municipais de Santos, o qual atesta a condição da recorrente de portadora do CID J.44 + C 50.0 (Doença de Paget), para fins da Lei 7.713/88, a partir daquela mesma data. Em seguida, às fls. 81/82 é juntado laudo médico particular do Dr. Danilo Patrão Assis, no qual também é comprovada a condição da recorrente como portadora da moléstia de Paget, laudo este que aponta que o reconhecimento da doença a partir de 1991, quando a recorrente fora submetida a cirurgia para retirada de tumor. Tal relatório fora expedido pelo mesmo médico que, em 1991, fez a cirurgia da recorrente e solicitou a realização de exame anátomopatológico (fls. 81/82), conforme se verifica do RECEITUÀRIO juntado às fls. 56 e fora emitido pela Secretaria de Saúde de Santos na data de 05/02/2013. E o referido receituário, expedido por serviço médico oficial, no caso a Secretaria de Saúde do Município de Santos, reconhece que a recorrente submeteuse a cirurgia no ano de 1991 em decorrência do diagnóstico da doença de Paget. Fato é que referido documento não atesta de forma clara o início do mal do qual a recorrente é portadora, mas reconhece que ela já o possuía no ano de 1991, o que gerou a necessidade da realização da cirurgia. Tal documento, a meu ver, em tendo sido expedido pela Secretaria de Saúde de Santos, é suficiente a demonstrar, sobretudo em conjunto com os demais documentos juntados aos autos, que a autora era portadora da moléstia grave já em Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 1991, motivo pelo qual entendo que este se adequa ao disposto no art. 5º, §2º, III, da IN 15/2001. Logo, tenho que no período objeto do lançamento, a recorrente deveria ser considerada como isenta. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000698/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.
O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Kleber Ferreira de Araújo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 98 /2 01 0- 71 Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificada da decisão em 25/04/2011 (fl. 630), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 1.351 a 1.406) em 13/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência em duas ocasiões, conforme Resolução nº 2803000.187, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 1.436 a 1.446), e Resolução CARF nº 2803000.284, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls. 1.629 a 1.632), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias". Às fls. 1.642/1.644 veio aos autos informação fiscal, reconhecendo o direito à restituição integral do montante pleiteado. Eis os termos do pronunciamento da autoridade fiscal: "8. A empresa declarou em campo próprio da GFIP, as retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, e conforme consta nas telas do sistema CCORGFIP (fls.1637 a 1640), na matrícula CEI nº 50.047.0946777. 9. Deduzindo os valores devidos pela empresa a título de contribuição previdenciária cota parte patronal, empregado e SAT/RAT também declarados em GFIP, dos valores retidos a título de retenção da Lei 9.711/1998, restou saldo a ser Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000698/201071 Acórdão n.º 2402005.407 S2C4T2 Fl. 1.658 3 restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº 40517.69987.181209.1.2.157902 , referente à competência 02/2009, conforme quadro abaixo e planilha de restituição, anexa ao processo (fl.1641): (...) 10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o direito creditório reconhecido no PER nº 40517.69987.181209.1.2.157902, referente à competência 02/2009, no valor originário de R$ 21.054,05 (vinte e um mil cinqüenta e quatro reais e cinco centavos)." É o relatório. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Direito à restituição O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de restituição, expresso na informação fiscal supra, põe fim a lide tributária, conduzindome obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001115/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/02/2007 a 31/12/2008
BOLSAS DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes a eles tenham acesso.
As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Numero da decisão: 2302-003.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao mérito, mantendo os fatos geradores decorrentes da rubrica " bolsa de estudos", por integrarem o salário de contribuição, conforme artigo 28, da Lei n.º 8.212/91 e não se encontrarem ao abrigo das excludentes expostas no parágrafo 9º, do mesmo artigo legal. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a rubrica não integra o salário de contribuição. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Principal, seja recalculada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008.
(Assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JUNIOR - Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento na data da formalização.
(Assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Relatora ad hoc na data da formalização.
(Assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JUNIOR - Redator designado ad hoc na data da formalização.
EDITADO EM: 21/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/02/2007 a 31/12/2008 BOLSAS DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes a eles tenham acesso. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/02/2007 a 31/12/2008 BOLSAS DE ESTUDO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Somente será excluído do campo de incidência de contribuições previdenciárias, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes a eles tenham acesso. As rubricas acima referidas, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 15 /2 01 0- 00 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao mérito, mantendo os fatos geradores decorrentes da rubrica " bolsa de estudos", por integrarem o salário de contribuição, conforme artigo 28, da Lei n.º 8.212/91 e não se encontrarem ao abrigo das excludentes expostas no parágrafo 9º, do mesmo artigo legal. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a rubrica não integra o salário de contribuição. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Principal, seja recalculada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento na data da formalização. (Assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Relatora ad hoc na data da formalização. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JUNIOR Redator designado ad hoc na data da formalização. EDITADO EM: 21/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do conselheiro, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 421 3 Transcrevo o relatório da decisão a quo (fls. 318/319), que adoto como meu. Tratase de créditos tributários constituídos pela fiscalização contra o sujeito passivo acima identificado, consolidado em 20/09/2010. referente às contribuições destinadas a Seguridade Social, correspondente à parte devida pelos segurados (DEBCAD n° 37.293.9759, no valor de R$ 25.521,42), e às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos e devidas pela empresa (DEBCAD n°37.293.9767, no valor de R$ 12.567,83). Os fatos geradores das contribuições lançadas foram os pagamentos de bolsas de estudos realizados pela impugnante aos seus empregados no período de 02/2007 a 12/2008, considerados como remuneração indireta pela autoridade lançadora. Em relação ao DEBCAD n° 37.293.9759, como a Medida Provisória n° 449, em vigor desde 04/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, introduziu modificações na penalidade a ser aplicada para a de falta de recolhimento e para a falta de declaração ou declaração inexata, a autoridade lançadora, após proceder, por competência, as comparações devidas, aplicou a multa mais benéfica ao sujeito passivo (CTN, art. 106, II, c"), conforme tabela demonstrativa do cálculo da multa aplicada constante do Anexo do Relatório Fiscal. 0 sujeito passivo apresentou impugnações distintas para os DEBCAD n° 37.293.9759 e n° 37.293.9767, alegando, em suma, o seguinte: Os valores correspondentes às bolsas de estudos concedidas pela impugnante a seus empregados não integram o saláriode contribuição, a teor do disposto no artigo 28. §9°, alínea "e", item "7 da Lei n° 8.212/91. As bolsas de estudos é um ganho eventual, pois findo o curso, finda a bolsa. Não se trata de remuneração pelo trabalho, mas de um investimento na qualificação dos funcionário. As bolsas de estudos foram concedidas mediante análise meritória a todos Os funcionários. respeitando o limite de orçamento anual, c abrangeram cursos técnicos, superiores e de pósgraduação. Desta forma, as bolsas para cursos técnicos não integram o saláriodecontribuição. pois estão abrangidas pelo artigo 28, §9", alínea "t da Lei n" 8.212/91. Transcreve trechos de julgados. Requer o cancelamento do Auto de In fração. Protesta pela produção de outras provas. notadamente pela juntada de outros documentos que reforcem os argumentos fáticos e jurídicos. Requer a exclusão. do Relatório de Vínculos. dos nomes de José Feres Kfuri Junior. Dino Rodrigues Moderno Junior, Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Marcos Paletta Câmara. José Mauricio Rezenda Mizrahi, Lilian C. Toscani e Antônio Rogério de Albuquerque Carneiro da Silva, pois foram nomeados diretores em período posterior ao dos fatos geradores lançados. Requer que todas as notificações e intimações sejam direcionadas ao endereço de seu procurador, José Rubens Vivian Scharlack. Em face da defesa apresentada, a 9ª turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou procedente o lançamento, por meio do acórdão nº 1433.862 de fls. 317 e ss, cuja ementa foi assim redigida: Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. BOLSAS DE ESTUDO. Integra o saláriodecontribuição os valores relativos à cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados As atividades desenvolvidas pela empresa, quando não extensível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. As importâncias recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. MEDIDA ADMINISTRATIVA. O relatório de vínculos é ato meramente administrativo e informativo, não sendo capaz de, por si só, imputar responsabilidade tributária As pessoas nele relacionadas. Apenas indicam o tipo de vinculo, sua qualificação e período de atuação, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual redirecionamento da execução judicial, nos termos do art. 135 do CTN. 411/ ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. As intimações dos atos processuais serão feitas pessoalmente ao sujeito passivo, ou por via postal, com prova de recebimento no domicilio tributário por ele eleito. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. Cabe à autoridade julgadora indeferir pedido de produção de novas provas, quando entendêlas desnecessárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do decisum (14/06/2012 fls. 325), interpôs Recurso Voluntário de fls. 328 e ss, em 13/07/2014., alegando que o acórdão recorrido, equivocadamente, entendeu que não restou comprovado que o pagamento das bolsas de estudo eram estendidos a todos os funcionários. Entretanto, sustenta que os documentos juntados na peça impugnatória são suficientes para comprovar o contrário, bem como que não se tratavam de ganhos eventuais.. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 422 5 Pleiteia pela reforma da decisão recorrida, com o cancelamento do Auto de Infração. É relatório. Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui busco reproduzir as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. BOLSAS DE ESTUDO Entendo que assiste razão à recorrente em relação a esse quesito. Assim dispõe a Lei nº 8.212, de 1991, em seu art. 28, § 9º, alínea 't': § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Nesse sentido, entendo que as bolsas de estudo custeadas pela empresa enquadramse no dispositivo supracitado, de modo que tal rubrica não integra o salário de contribuição para fins previdenciários. CONCLUSÃO Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a autuação fiscal. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Foi assim que o Conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior Redator Designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. 1. BOLSAS DE ESTUDO Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo à incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas intituladas "bolsas de estudo". Sustenta o Recorrente não haver incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas de estudos pagas pela empresa aos segurados a seu serviço, visto que estas, em qualquer nível, não são remuneração, mas sim, investimento em educação e qualificação. O argumento exortado pelo Recorrente, além de tecnicamente imperfeito, peca em um ponto sutil. Deflui da redação da alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que a fruição do benefício fiscal ali encartado não decorre de forma automática, mas, sim, mediante o cumprimento rigoroso e concomitante das condições de gozo nela expressamente previstas, quais sejam, que o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes lhe tenham acesso. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 425DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 423 7 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 20.11.98). Nesse panorama, para que os valores relativos a bolsa de estudos deixem de integrar o conceito de saláriodecontribuição, exige a lei que a benesse concedida pela Recorrente alcance, dentre outras condições, a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ocorre, no entanto, que tal condição determinante não foi comprovada pelo Recorrente. Assim, por não atender a todos os requisitos condicionantes para a fruição do benefício fiscal previstos na legislação tributária, a verba ora em destaque subsumese na qualidade de parcela integrante do Salário de Contribuição, de molde que, por tal razão, deveria ter sido declarada nas GFIP correspondentes. Outra não foi a postura adotada pela DRJ de Ribeirão Preto/SP consubstanciada nos termos do Acórdão nº 1433.862 de fls. 317 e ss. 2. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser aplicada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Fl. 426DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 424 9 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Auto de Infração de Obrigação Principal referente a fatos geradores ocorridos nas competências de fevereiro/2007 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I, da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições Fl. 429DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 425 11 previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 430DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I ( revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 426 13 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 433DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 427 15 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na Fl. 434DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Configurase sonegação tributária toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou, ainda, das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 428 17 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na mesma vertente, tipificase criminalmente como sonegação de Contribuição Previdenciária a conduta dolosa consistente na supressão ou redução de Contribuição Previdenciária ou de qualquer acessório mediante: a) Omissão em folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, de segurado empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; b) Omissão, total ou parcial, de receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias; c) Omissão de lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade da empresa, das quantias descontadas dos segurados ou das devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; Decretolei no 2.848, de 07/12/1940. – Código Penal Sonegação de contribuição previdenciária (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 436DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 §1º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §2º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §3º Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) §4º O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) No caso dos autos, a volitiva e consciente omissão de declaração em GFIP de todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS também se configura sonegação tributária, na medida em que exclui da Autoridade Fazendária Federal o conhecimento a respeito da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e, até mesmo, das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A sonegação também se mostra patente na medida em que a Autuada, ao não declarar, volitiva e conscientemente, em suas GFIP os fatos geradores de Contribuições Previdenciárias consistentes na aquisição de produção rural de produtor rural Segurado Especial, além de excluir da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, também deu ensejo à supressão/redução da Contribuição Previdenciária naturalmente devida/recolhida. Encontramse presentes, conforme exposto, todos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da sonegação tributária previstos no art. 71 da Lei nº 4.502/64, circunstância que importa na aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, conforme previsto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I, e §1º, da Lei no 9.430/96 c.c. artigo 71 da Lei nº 4.502/64. Diante de tal contingência, sendo a multa de ofício de 150%, não há mais que se falar, no caso ora em estudo, de limitador para a multa de mora prevista no inciso III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo qualquer hipótese em que seja aplicável o preceito insculpido no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16004.001115/201000 Acórdão n.º 2301003.545 S2C3T1 Fl. 429 19 Assim, pelas razões de fato e de Direito acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, estando presentes os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da sonegação tributária, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, insculpido no art. 144 do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, em atenção ao princípio tempus regit actum, insculpido no art. 144 do CTN. É como voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização Fl. 438DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10831.013447/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2002 a 01/09/2003
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA.
Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas transações, tem-se por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário.
Cabível, pois, a substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI PENAL.
Considerando que na época do fato gerador ocorrido em setembro/2002, a MP 66/2002 já estava produzindo efeitos, correta a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
RETROATIVIDADE BENIGMA. ARTIGO 33 - DA LEI 11.488/2007
Não é o caso de aplicação retroativa da Lei nº 11.488/2007, posto que a multa de 10% (dez por cento) aplicável à pessoa jurídica que cedeu o nome não revogou a multa do valor aduaneiro da mercadoria por interposição fraudulenta.
PRECLUSÃO. ART.17 - DECRETO 70.235/72
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferir-se o princípio do duplo grau de jurisdição.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
No artigo 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976 enumera-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 05/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas transações, temse por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Cabível, pois, a substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI PENAL. Considerando que na época do fato gerador ocorrido em setembro/2002, a MP 66/2002 já estava produzindo efeitos, correta a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. INFRAÇÃO ADUANEIRA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. RETROATIVIDADE BENIGMA. ARTIGO 33 DA LEI 11.488/2007 Não é o caso de aplicação retroativa da Lei nº 11.488/2007, posto que a multa de 10% (dez por cento) aplicável à pessoa jurídica que cedeu o nome não revogou a multa do valor aduaneiro da mercadoria por interposição fraudulenta. PRECLUSÃO. ART.17 DECRETO 70.235/72 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 34 47 /2 00 4- 51 Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 2 matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferirse o princípio do duplo grau de jurisdição. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. No artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 enumerase as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 05/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a exigência do crédito tributário relativo a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria exportada, prevista no §3º, do artigo 23, do DecretoLEi nº 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59, da Lei nº 10.637/02 (Art.689, inciso XXII, e §1º, do RA/2009 Decreto nº 6.759/2009), no montante de R$ 28.633.465,10. O procedimento fiscal empreendido pela fiscalização, conforme descrição dos fatos, relata que a Recorrente (i) operou sem a presença de funcionários na maioria de suas filiais (cópia GFIP e RAIS); (ii) não apresentou documentação probante do armazenamento, tampouco fez menção aos meios de transporte do produto até os armazéns ou até o ponto de desembaraço para exportação; (iii) não apresentou elemento de convicção quanto à capacidade financeira de adquirir as mercadorias no mercado interno; (iv) não justificou a consistência do patrimônio e renda da pessoa jurídica e dos sócios da empresa; (v) conforme declaração de seu preposto, utiliza galpões da empresa IRMÃOS RIBEIRO EXP. IMP. LTDA, CNPJ Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10831.013447/200451 Acórdão n.º 3302003.231 S3C3T2 Fl. 3 3 54.226.717/000185, para guarda e preparo dos cafés crus em grãos de sua propriedade; (vi) funciona no mesmo endereço da empresa IRMÃOS RIBEIRO, de quem aluga uma sala; (vii) as contas telefônicas, de valores irrisórios, provam que a empresa não fez nenhuma ligação telefônica para clientes no exterior; (viii) os lançamentos contábeis da empresa, por não estarem acompanhados de documentação, não provam a origem dos recursos utilizados para adquirir no mercado interno as mercadorias exportadas; (ix) não atendeu a intimação para apresentar o contrato de compra e venda de café firmado com a empresa BISCAYNE COFFEE COMPANY. INC, importador das mercadorias, situada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, no mesmo endereço onde funciona outra empresa, a SNAPPER CREEK HOLDINGS LTDA; (x) encaminhou as mercadorias exportadas para empresa BISCAYNE COFFEE para os EUA e para diversos países da Europa. Em resumo, a fiscalização constatou a existência de mercadorias nacionais exportadas por meio de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor ou do responsável pela operação, mediante a interposição fraudulenta de terceiros pela não comprovação da origem dos recursos utilizados para adquirir mercadorias nacionais e posteriormente exportálas. Devidamente intimada, a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, cujas alegações transcrevese do acórdão combatido: (1) Houve a participação da empresa Irmãos Ribeiro, na finalização das operações de exportação de responsabilidade da impugnante, para impedir que o Erário Público tivesse prejuízo com a frustação das operações de exportação anteriormente compromissadas e que; (2) a caracterização de interposição fraudulenta de terceiros pressupõe a prova de conluio das partes contratantes, do propósito de enganar terceiro ou fraudar a lei; aduz, mais que é; (3) impossível a caracterização de dano ao erário em operações de exportação, por ausência de tributo e que mesmo definido como dano ao erário em operações de exportação a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável, tal situação para ser punível com perdimento pressupõe conduta dolosa de fraudar a lei e causar dano ao erário, além do que a; (4) aplicação da pena de perdimento, por que alcançou exportações a partir de agosto de 2002, com base na Lei nº 10.637, que é de 30/12/2002, foi retroativa e que; (5) a presunção do §2º, do arti. 23, do Decretolei nº 1.455/76, por ser relativa, por ser ilidida por prova em sentido contrário; prossegue dizendo que; (6) a empresa foi constituída em 1987, teve sucesso até 2001 e, acreditando na política governamental, nos anos 200 e 2001, tomou recursos junto a bancos mediante os denominados Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio no montante de US$ 6.000.000,00 e que a mudança abrupta na política cambial determinou a bancarrota da impugnante; (7) a participação da empresa Irmãos Ribeiro se deu em razão de ter sido obrigada a assumir responsabilidade para assegurar a liquidação dos ACC concedidos à Comercial de Café e Cereais NR Ltda., em razão de parentesco filho e pai entre o sócio desta e um dos sócios daquela, sob ameaça de cortar o crédito daquela; alega, ainda, que; Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 4 (8) não atendeu às intimações porque a partir do pedido de habilitação não mais pretendia operar no comércio exterior e porque foi aberto espaço para declaração de inaptidão; requer perícia; indicando o Dr. José Augusto Barbosa, com endereço na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, à Rua Ribeira, 52, Jd. Nova Europa, cep 13040007, tel (19) 32783870, e, ao final, pede seja afastada a exigência fiscal. Às fls. 1.030, (9) a autuada faz juntada aos autos do Laudo Técnico de fls.1032/1164, para efeito de comprovação da inaplicabilidade da inaptidão do CNPJ, bem como dos recursos que lhe foram transferidos. Por meio do acórdão nº 1754.251, a DRJ/SP2 julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendose integralmente o lançamento fiscal, cuja ementa apresenta o seguinte teor: Assunto: Interposição Fraudulenta de terceiro Período de apuração: Setembro/2002 a Setembro/2003 Ementa: Exportação. Não comprovação da origem dos recursos. Presunção de interposição fraudulenta de terceiro. Dano ao Erário. Pena de Perdimento. Impossibilidade de apreensão da mercadoria. Conversão em multa correspondente ao valor aduaneiro. Inconformada com a decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário, em síntese, alegando e requerendo o que segue: 1 nulidade do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo, se considerar que a real empresa exportadora é a Irmãos Ribeiro, contra quem deveria ser lavrado o auto de infração, tornandoo nulo; 2 nulidade do auto de infração pela falta de responsabilização do “real vendedor” da mercadoria, partícipe necessário da infração, ao qual caberia informar a localização da mercadoria para aplicar a pena de perdimento. Cita jurisprudência do CARF. 3 com base no disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, a multa a ser aplicada é a de 10% do valor da operação, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07; 4 nulidade do auto de infração por inobservância do rito estabelecido pelo art.73 da Lei nº 10.833/03 e não na incapacidade do autuante para imposição da penalidade. Há necessidade de autorização prévia do Inspetor para a emissão do auto de infração; 5 nulidade do auto de infração por ter aplicado disposições penais previstas na Medida Provisória nº 66/2002. Ocorre que a referida medida provisória não tem aplicação imediata, nesta parte, porque em matéria penal, quando a Constituição fala em “lei” o termo é usado em sentido estrito; 6 não se configurou a alegada interposição fraudulenta de terceiros porque as exportações foram ultimadas com recursos próprios. A correta interpretação do § 2º, do art. 23, da Lei nº 10.637/02, exigese que se prova a transferência, por terceiros, dos recursos empregados na operação de comércio exterior e a motivação escusa para o anonimato do terceiro. No caso, nenhuma dessas condições se fez presente. Os recursos utilizados são oriundos de empréstimo concedido pela empresa Irmãos Ribeiro, devidamente contabilizado, que foi obrigada a viabilizar a liquidação dos ACC da empresa Recorrente. Explica as razões pelas quais foi realizada esta operação; Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10831.013447/200451 Acórdão n.º 3302003.231 S3C3T2 Fl. 4 5 7 discorre sobre o conceito de “dano ao erário” para concluir que no caso vertente não houve intenção de fraudar a lei, tampouco de causar dano ao erário. Ao contrário, a operação evitou o dano na medida viabilizou as exportações anteriormente compromissadas pela Recorrente. Remetido o processo à este Colegiado, a antiga Conselheira Relatora Fabiola Cassiano Keramidas, converteu o julgamento em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: (i) a Recorrente seja intimada a apresentar em 30 dias a documentação necessária para comprovar a regularidade do empréstimo dos recursos pela IRMÃOS RIBEIRO, respondendo ainda as seguintes questões: i.a) A que título a IRMÃOS RIBEIRO transferiu dinheiro para a COMERCIAL NR? (i.b) Foram realizados contratos de mútuo? Se sim, devem ser apresentados. (i.c) Comprovar a devolução dos valores emprestados, bem como qualquer outro fato que justifique ou comprove a veracidade do empréstimo dos valores. (ii) Após, a autoridade administrativa competente deverá analisar os documentos e informações trazidos pela Recorrente, bem como o Parecer Contábil juntado às fls. 1046/1055, manifestandose sobre ele. (iii) Especialmente, deverá a autoridade administrativa analisar – compondo com a contabilidade da empresa e com os documentos já trazidos aos autos – as informações acerca dos valores recebidos pela COMERCIAL NR, informando se os valores estão todos contabilizados e se houve comprovação de empréstimo ou qualquer outra figura jurídica civil. (iv) Ainda, deverá ser verificada a condição de exportação – pelas informações constantes da Secretaria da Receita Federal do Brasil – da empresa IRMÃOS RIBEIRO à época da ocorrência da suposta interposição fraudulenta, tinha RADAR? Qual limite? Capacidade de exportação? Quantidade de exportação mensal/anual? (v) Após, a autoridade administrativa deverá elaborar Parecer Conclusivo, intimando a Recorrente a se manifestar sobre este parecer no prazo de 30 dias. Após o encerramento da diligência, a autoridade fiscal apresentou parecer conclusivo carreado às fls. 2.1772196, contendo a descrição abaixo: Em resumo, os pontos analisados que embasam a conclusão deste parecer são os seguintes: • Não há comprovação de transferência de recursos da IRMÂOS RIBEIRO para a COMERCIAL NR (extratos bancários ou comprovantes bancários de transferência entre as duas empresas); • As operações entre a COMERCIAL NR e IRMÃOS RIBEIRO não se amoldam ao título de mútuo ou qualquer tipo de empréstimo; • A Recorrente não devolveu os valores do hipotético empréstimo mesmo após quase uma década; Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 6 • A contabilidade da COMERCIAL NR, apresenta “lançamentos de regularização” em que valores a receber e a pagar (clientes e fornecedores) são subtraídos de maneira obscura do Balanço Patrimonial; • A ausência de contabilização nas contas caixa e bancos é incoerente com operações da Recorrente como por exemplo recebimento de receitas de exportações, pagamento de fornecedores e de adiantamentos de contrato de câmbio e de operações de mútuo ou empréstimos; • O saldo das contas de Adiantamento de Contratos de câmbio é de R$ R$ 14.378.661,98 em 2002 e de R$ 5.455.831,91 em 2003. Esses valores apurados no Balanço da COMERCIAL NR estão muito abaixo dos cerca de R$ 29 milhões supostamente emprestados pela IRMÃOS RIBEIRO, o que afasta a argumentação de que essa quantia teria o objetivo de pagar essas dívidas. • Está registrado no Balanço Patrimonial da COMERCIAL NR valores a receber do Sr. Guilherme Moraes R. Júnior, sócio majoritário da COMERCIAL NR, no montante de R$ 10,8 milhões. Valor que, se de posse da Recorrente, poderia ter sido utilizado para pagamento dos empréstimos com os bancos ou ainda ser utilizado para as operações comerciais da empresa, propiciando condição para pagamento das dívidas; • Quanto às condições de exportação da IRMÃOS RIBEIRO, verificase um volume de exportação acima do limite habilitado no SISCOMEX. Desse modo, podese concluir que: 1) É custoso crer que a IRMÃOS RIBEIRO assumiu compromissos de um de seus sócios sem obter vantagem comercial, econômicos e financeiros com essas operações de exportação; 2) Ao contrário do que afirma a Recorrente, há indícios de irregularidades na contabilidade da COMERCIAL NR, como por exemplo na falta de contabilização de valores nas contas do grupo Disponível e em lançamentos contábeis de Clientes X Fornecedores; 3) Há clara confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas IRMÃOS RIBEIRO, COMERCIAL NR e ainda COSTA RIBEIRO; 3) Há clara confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas IRMÃOS RIBEIRO, COMERCIAL NR e ainda COSTA RIBEIRO; 4) A ausência de contabilização das contas do Disponível (caixa e bancos) aponta para a falta de capacidade econômica e financeira da COMERCIAL NR para operar no comércio exterior. A recorrente, por sua vez, apresentou manifestação discordando do resultado da diligência e reiterou os termos apresentados em sede recursal, conforme se verifica na petição juntada às fls.2.1992.234. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10831.013447/200451 Acórdão n.º 3302003.231 S3C3T2 Fl. 5 7 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As alegações arguidas pela Recorrente, tal como se deu em sede de impugnação, referemse, em síntese, a inexistência de interposição fraudulenta ocasionada pela ausência de ocultação do sujeito passivo; afirmando que a participação da empresa Irmãos Ribeiro, na finalização das operações de sua responsabilidade efetivamente ocorreu, contudo, ao invés de causar dano, impediu que o Erário Público sofresse dano e que essa participação foi determinada por imposição dos bancos credores. Conforme relatado acima, o procedimento fiscal empreendido pela fiscalização, conforme descrição dos fatos, relata que a Recorrente (i) operou sem a presença de funcionários na maioria de suas filiais (cópia GFIP e RAIS); (ii) não apresentou documentação probante do armazenamento, tampouco fez menção aos meios de transporte do produto até os armazéns ou até o ponto de desembaraço para exportação; (iii) não apresentou elemento de convicção quanto à capacidade financeira de adquirir as mercadorias no mercado interno; (iv) não justificou a consistência do patrimônio e renda da pessoa jurídica e dos sócios da empresa; (v) conforme declaração de seu preposto, utiliza galpões da empresa IRMÃOS RIBEIRO EXP. IMP. LTDA, CNPJ 54.226.717/000185, para guarda e preparo dos cafés crus em grãos de sua propriedade; (vi) funciona no mesmo endereço da empresa IRMÃOS RIBEIRO, de quem aluga uma sala; (vii) as contas telefônicas, de valores irrisórios, provam que a empresa não fez nenhuma ligação telefônica para clientes no exterior; (viii) os lançamentos contábeis da empresa, por não estarem acompanhados de documentação, não provam a origem dos recursos utilizados para adquirir no mercado interno as mercadorias exportadas; (ix) não atendeu a intimação para apresentar o contrato de compra e venda de café firmado com a empresa BISCAYNE COFFEE COMPANY. INC, importador das mercadorias, situada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, no mesmo endereço onde funciona outra empresa, a SNAPPER CREEK HOLDINGS LTDA; (x) encaminhou as mercadorias exportadas para empresa BISCAYNE COFFEE para os EUA e para diversos países da Europa. Deste modo, para melhor compreensão dos fatos que envolvem o presente litígio, impõe se a análise dos fatos e documentos constantes nos autos. I Os pedidos de nulidade do lançamento fiscal I.1 Erro na identificação do sujeito passivo e ausência de responsabilização do "Partícipe" no ato oficial de lançamento Alega a Recorrente que é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente demanda. Segundo a Recorrente, o fato da fiscalização atribuir à Irmãos Ribeiro condição de real exportadora da mercadoria, seria causa de incluir apenas aquela empresa no pólo passivo do presente processo, a quem caberia a imposição de penalidade. Sem razão à Recorrente. Nos termos dos incisos I e IV, do artigo 674, do Decreto nº 6.759/2009 (que revogou o Decreto nº 4.543/2002), a responsabilidade pela ação, omissão ou inobservância de norma estabelecida no referido Decreto (art.673), poderá ser imputada, conjunta ou isoladamente, a qualquer pessoa que participar e se beneficiar do fato, vejamos: Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 8 "Art.674. Respondem pela infração (DecretoLei nº 371966), art.95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; (...) IV a pessoa física ou jurídica, em razão do despacho que promova, de qualquer mercadoria;(grifado) No presente caso, restou comprovado que a Recorrente participou integralmente da exportação das mercadorias e se beneficiou com a operação realizada, sendo ela responsável direta pela infração cometida, legitimandoa, assim, a responder pela aplicação da multa. O fato da autoridade fiscal não ter incluído a empresa Irmãos Ribeiro no pólo passivo da presente demanda não inválida o lançamento fiscal, considerando que a norma prevê a exigência da infração de forma conjunta ou isolada. Portanto, não há que falar em nulidade do lançamento. I.2 Inobservância do artigo 73, da Lei nº 10.833/2003. A alegação de inobservância do artigo 73, da Lei nº 10.833/2003 foi arguida de maneira inédita no Recurso Voluntário, ou seja, não foi alegado em sede de Impugnação. Dispõe referido diploma: Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua nãolocalização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1o Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. Tal fundamento de defesa não pode ser apreciado, por restar configurada a preclusão a seu respeito, conforme determinação contida no artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Sua análise diretamente pela Segunda Instância administrativa implicará em supressão de instância, visto que a matéria não foi submetida ao julgamento de Primeira Instância. Outro não é entendimento emanado pelo Conselho Administrativos de Recursos Fiscais : (...) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10831.013447/200451 Acórdão n.º 3302003.231 S3C3T2 Fl. 6 9 voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição. (...) (Acórdão 340300.385, PA 10680.008629/200309, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 25/05/2010) Desta forma, a análise do pedido realizado pela Recorrente resta prejudicado por imposição do preceito anteriormente citado. II Mérito II.1 A documentação probatória Segundo consta do Auto de Infração, a fiscalização constatou a existência de mercadorias nacionais exportadas, através de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor ou do responsável pela operação, mediante a interposição fraudulenta de terceiros pela não comprovação da origem dos recursos utilizados para adquirir mercadorias nacionais e posteriormente exportálas. A Recorrente foi intimada diversas vezes à comprovar a origem dos recursos necessários à prática das exportações por ela realizada; apresentar cópia dos contratos de venda de mercadorias exportadas e informar a composição societária e seus responsáveis nas operações comerciais, contudo, não os apresentou. Na fase impugnatória, a Recorrente juntou: (i) demonstrativos da receita no período de 1993 a 2001; (ii) gráficos de exportação e de desempenho cambial; (iii) relação anual de salários dos exercícios de 2000 e 2001; (iv) cadastro geral de empregados e desempregados do mês de julho de 2001; (v) resumo e registro de entradas e saídas de filiais do exercício de 2000 e 2001; (vi) notas fiscais de armazéns gerais, faturas de empresas de transporte e faturas da telesp do exercício de 1999 a 2011; (vii) instrumento particular de cessão de direitos creditórios e outras avenças, firmado em 18 de setembro de 2001 com o Banco Bradesco S/A, tendo como interveniente a empresa Irmãos Ribeiro, Exportação e Importação Ltda., onde esta última cede direitos creditórios fiscais decorrentes de pedido de restituição, referente a "quota de contribuição sobre exportações de café; (viii) certidão de escritura pública de elevação de crédito e reforço de garantia lavrado em 25.06.2001, onde a Financiada (Irmaõs Ribeiro) obrigase a honrar as operações das empresas Comercial de Café e Cereais NR Ltda e Intrade Pinhal Exportação e Importação Ltda., dos ACC 00/002097, de 07/04/2001, 00/002164, de 11/04/2000, 00/002595, de 25/04/2000, e 00/006614, de 05/09/2000; (ix) registros de operações de câmbio, razão analítico e contrato de constituição de garantia a adiantamento de contrato de câmbios do período de 2000; (x) extratos do período de 1999 a 2003; (xi) planilha de valores devidos a Irmãos Ribeiro Exportação em 31/12/2003, no montante de R$ 20.130.460,59; e (xii) cópia de cheques e comprovantes de depósitos do período de 2001. Juntou posteriormente a apresentação da impugnação, laudo técnico (fls. 1.0321055), concluindo em síntese "...INÁPLICAVEL é o Auto de Infração formalizado pelo Processo 10831.01344/200451 caracterizado pela Pena de Perdimento das Mercadorias, cujo valor de R$ 28.633.465,10, correspondente ao montante dos produtos exportados no período de Setembro de 2002 a Setembro de 2003, eis que a Empresa "COMERCIAL DE CAFÉ E CEREAIS NR LTDA" CNPJ Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 10 57.934.366/000155, por força de uma situação sui generis contando com a interveniência, ou seja, com a ajuda operacional, administrativa e financeira da empresa "IRMÃOS RIBEIRO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA", que atua no mesmo ramo de atividades, e que é também sua fiadora junto as instituições bancárias, promoveu as exportações necessárias para finalizar seus adiantamentos sobre contratos de câmbio e assim liquidar a referenciada dívida". Juntamente com o referido laudo, foram carreados os seguintes documentos: (i) notas fiscais de venda realizada pela Recorrente à Citrosuco Trading N. V e registros de operações de exportação no período de 08/2003; (ii) registro de venda à Ribeiro Brothers Coffe Company em 14/07/2003; (iii) notas fiscais de venda realizada pela Irmãos Ribeiro à Recorrente, no período de 2003; (iv) balanço patrimonial do exercício de 2003; (v) comprovantes de depósitos realizados entre a empresa Irmãos Ribeirto e Citrosuco Paulista S/A; Todos os documentos apresentados pela Recorrente foram analisados pela fiscalização que concluiu o seguinte: Em resumo, os pontos analisados que embasam a conclusão deste parecer são os seguintes: • Não há comprovação de transferência de recursos da IRMÃOS RIBEIRO para a COMERCIAL NR (extratos bancários ou comprovantes bancários de transferência entre as duas empresas); • As operações entre a COMERCIAL NR e IRMÃOS RIBEIRO não se amoldam ao título de mútuo ou qualquer tipo de empréstimo; • A Recorrente não devolveu os valores do hipotético empréstimo mesmo após quase uma década; • A contabilidade da COMERCIAL NR, apresenta “lançamentos de regularização” em que valores a receber e a pagar (clientes e fornecedores) são subtraídos de maneira obscura do Balanço Patrimonial; • A ausência de contabilização nas contas caixa e bancos é incoerente com operações da Recorrente como por exemplo recebimento de receitas de exportações, pagamento de fornecedores e de adiantamentos de contrato de câmbio e de operações de mútuo ou empréstimos; • O saldo das contas de Adiantamento de Contratos de câmbio é de R$ R$ 14.378.661,98 em 2002 e de R$ 5.455.831,91 em 2003. Esses valores apurados no Balanço da COMERCIAL NR estão muito abaixo dos cerca de R$ 29 milhões supostamente emprestados pela IRMÃOS RIBEIRO, o que afasta a argumentação de que essa quantia teria o objetivo de pagar essas dívidas. • Está registrado no Balanço Patrimonial da COMERCIAL NR valores a receber do Sr. Guilherme Moraes R. Júnior, sócio majoritário da COMERCIAL NR, no montante de R$ 10,8 milhões. Valor que, se de posse da Recorrente, poderia ter sido utilizado para pagamento dos empréstimos com os bancos ou ainda ser utilizado para as operações comerciais da empresa, propiciando condição para pagamento das dívidas; • Quanto às condições de exportação da IRMÃOS RIBEIRO, verificase um volume de exportação acima do limite habilitado no SISCOMEX. Desse modo, podese concluir que: Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10831.013447/200451 Acórdão n.º 3302003.231 S3C3T2 Fl. 7 11 1) É custoso crer que a IRMÃOS RIBEIRO assumiu compromissos de um de seus sócios sem obter vantagem comercial, econômicos e financeiros com essas operações de exportação; 2) Ao contrário do que afirma a Recorrente, há indícios de irregularidades na contabilidade da COMERCIAL NR, como por exemplo na falta de contabilização de valores nas contas do grupo Disponível e em lançamentos contábeis de Clientes X Fornecedores; 3) Há clara confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas IRMÃOS RIBEIRO, COMERCIAL NR e ainda COSTA RIBEIRO; 4) A ausência de contabilização das contas do Disponível (caixa e bancos) aponta para a falta de capacidade econômica e financeira da COMERCIAL NR para operar no comércio exterior. De início, verificase que a maioria dos documentos juntados pela Recorrente não guardam relação com o lançamento tributário, objeto de fiscalização, pois dizem respeito a fatos ocorridos anteriormente ao período fiscalizado, não se prestando para infirmar o lançamento fiscal. Digase o mesmo em relação ao laudo técnico fornecido pela Recorrente, posto que o parecer apresentado pelo i. perito considerou em quase sua amplitude documentos emitidos em data que antecederam o lançamento tributário; deduzindo através de alguns documentos fiscais, sem contudo provar a origem dos lançamentos, a transferência de numerário entre a Recorrente e a empresa Irmãos Ribeiro. Neste ponto, ressaltase que todo fato que origina um lançamento contábil deve estar suportado em documentação hábil e idônea, o que não ocorreu neste processo. Com efeito, os documentos carreados autos pela Recorrente a título de transferência bancária dizem respeito às transações ocorridas entre a empresa Irmãos Ribeiro e outras empresas. Não há no processo qualquer documento que comprove a transferência de valores entre a Irmãos Ribeiro e a Comercial NR e que estejam vinculadas à operação investigada. O v. acórdão combatido foi categórico nessa questão: As provas apresentadas (doc.1 a doc.4) às fls. 493/972, não guardam relação com a situação da empresa autuada relativamente a operações de exportação ocorridas no período abrangido pela presente autuação, porque relativos aos anos base 2000 e 2001, anteriores aos fatos apurados na presente ação fiscal, não podendo, pois, comprovar a capacidade financeira e operacional do período em que fora realizadas as operações de exportação, objeto do Auto de Infração; ao contrário, reforça o entendimento de que a autuada operava como intermediária das operações, tal como apontado pela Fiscalização, a ensejar caracterização de interposição em operações de comércio exterior; outras (doc.5 a doc.7). às fls. 975/1028, indicam o fluxo de recursos entre a autuada e a empresa Irmãos Ribeiro, mas apenas isso. Outra também não foi o entendimento manifestado pela autoridade fiscal ao analisar os documentos juntados pela Recorrente no retorno da diligência: (...) Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 12 Sobre deste anexo, dois fatos chamam atenção: 1) No quadro constante na resposta ao questionamento “i.c” intitulada “RESUMO PAGAMENTOS RAZÃO CONTÁBIL COMPRAS EXPORTAÇÃO”, os valores em questão estão denominados como “Pagamentos realizados pela empresa Irmãos Ribeiro para Citrosuco” ao passo que no título do anexo V estão denominados como “Documentos comprobatórios dos pagamentos realizados – CITROSUCO – Compras para exportação realizadas pela Comercial NR”. 2) Nesse anexo existe um comprovante de transferência para a CITROSUCO no valor de R$ 521.009,80 (fl. 1677) em que consta como Remetente a empresa denominada COSTA RIBEIRO EXP IMP LTDA. O que se pode inferir da análise dos itens 1 e 2, é que em tese ou a IRMÃOS RIBEIRO pagou compras realizadas pela COMERCIAL NR (financiamento) ou comprou mercadorias em seu próprio nome e depois repassou essas mercadorias para a exportação da COMERCIAL NR, mas de qualquer forma em nenhum momento fica demostrada a transferência de recursos da IRMÃOS RIBEIRO para a COMERCIAL NR. Como visto anteriormente, os mútuos são operações em que o mutuante repassa bem fungível (dinheiro) à mutuária, que deverá restituir os bens ao mutuante. O que vimos nas operações entre a IRMÃOS RIBEIRO e a COMERCIAL NR é um fato distinto, nas quais a IRMÃOS RIBEIRO transfere valores à CITROSUCO. No anexo V, não é demonstrado o motivo dessas transferências. Se essas compras foram realizadas pela COMERCIAL NR, como defendido pela Recorrente, o correto seria transferência de valores da IRMÃOS RIBEIRO para a COMERCIAL NR que por sua vez realizaria o pagamento dessas compras em seu próprio nome. Não é o demonstrado no anexo V. Mais grave ainda é constatar que uma empresa estranha ao processo (COSTA RIBEIRO EXP IMP LTDA) consta como potencial “financiadora” ou “ajudadora” da COMERCIAL NR (fl. 1677). Mais uma vez fica a dúvida de como esses valores foram contabilizados na IRMÃOS RIBEIRO e COMERCIAL NR. Não foi apresentado contrato de mútuo entre a COSTA RIBEIRO e IRMÃOS RIBEIRO, muito menos com a COMERCIAL NR, não demonstrando, portanto, como essa transferência foi contabilizada nas duas empresas. Em consulta ao banco de dados de CNPJ da Receita Federal do Brasil, verificouse que a empresa COSTA RIBEIRO (CNPJ 53.446.332/000160) tem em seu quadro societário os mesmos sócios da IRMÃOS RIBEIRO. Apesar disso, são pessoas jurídicas distintas e como já visto, não podem assumir obrigações de outra pessoa jurídica sob pena de incorrer em confusão patrimonial. O Anexo VI (fl. 1687 a 1689) traz a informação da contabilidade da IRMÃOS RIBEIRO do ano de 2003 com valor de R$ 3.763.018,00 de direito a ser cobrado da COMERCIAL NR (conta contábil 112.02.0006 – COMERCIAL NR) aparentemente referente a Notas Fiscais de compras da COMERCIAL NR. Outra vez é demonstrado que a IRMÃOS RIBEIRO financiou essas compras ao invés de realizar transferência para que a COMERCIAL NR procedesse os pagamentos em seu próprio nome. Ora, o ponto crucial que a Recorrente deveria ter comprovado, o que não o fez, seria a apresentação por meio de documento hábil e idôneo da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados nas operações. Concernente a ausência de comprovação da origem dos recursos utilizados na operação de exportação, verificase que o contrato de empréstimo (mútuo) aventado pela antiga Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10831.013447/200451 Acórdão n.º 3302003.231 S3C3T2 Fl. 8 13 Conselheiro não existe, pois segundo a recorrente: "Não foram formalizados contratos de mútuo; todavia, todas as transferências de numerários se encontram suportadas por comprovantes de transferências bancárias". Já em relação ao questionamento sobre a devolução da quantia supostamente empregada pela empresa Irmãos Ribeiro a Recorrente esclarece o seguinte: No que concerne à devolução dos valores objeto de empréstimo junto à “IRMÃOS RIBEIRO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA”, conforme mencionado anteriormente, tais empréstimos decorreram em face ao agravamento da situação financeira da “COMERCIAL DE CAFÉ E CEREAIS NR LTDA”, que perdurou até a ocorrência de sua inatividade, mormente pelo fato de ter seu CNPJ inapto pela Secretaria da Receita Federal. Todavia, tramita uma ação ordinária em face da União, através da qual se pleiteia o benefício fiscal advindo do crédito presumido do IPI, cujo andamento se encontra em âmbito do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO – Apelação Cível nº000078873.2022.4.03.6127/SP, sendo classificada pelos patronos da Autora “COMERCIAL DE CAFÉ E CEREAIS NR LTDA”, como provável quanto à possibilidade de ganho. Desta forma, é com esse provável recurso que se pretende realizar a devolução dos valores objeto de empréstimos. Ainda nesse diapasão, o sócio majoritário da “COMERCIAL DE CAFÉ E CEREAIS NR LTDA”, Sr. Guilherme Moraes Ribeiro Júnior, se manifestou no sentido de que tramita o processo de inventário decorrente do falecimento de seu pai, Sr. Guilherme Moraes Ribeiro através do qual possui um crédito por herança, recurso que também poderá ser utilizado para o pagamento de mencionados empréstimos.” Somase a isso, que a Recorrente (i) operou sem a presença de funcionários na maioria de suas filiais (cópia GFIP e RAIS); (ii) não apresentou documentação probante do armazenamento, tampouco fez menção aos meios de transporte do produto até os armazéns ou até o ponto de desembaraço para exportação; e (iii) as contas telefônicas, de valores irrisórios, provam que a empresa não fez nenhuma ligação telefônica para clientes no exterior. Como se vê, não restou demonstrado a origem dos recursos empregados pela Recorrente nas operações de exportação por ela realizada, tampouco sua capacidade financeira para realizar operações em valores expressivos, culminando na lavratura do presente Auto de Infração. Deste modo, foi lavrado o Auto de Infração para exigência da multa tipificada no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com alteração da Lei n.º 10.637/2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, in verbis: “Art. 23. Consideram se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 14 § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” (grifei) Considerando a previsão normativa, temos que o contribuinte deve observar aos três requisitos impostos: comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Desta forma, caberia ao contribuinte trazer aos autos todas as provas de suas alegações, em especial, os documentos que comprovassem a origem dos recursos empregados nas exportações realizadas pela Recorrente, conforme determina o artigo 4º, da IN RFB nº 228/02, senão vejamos: Art. 4º O procedimento especial será iniciado mediante intimação à empresa para, no prazo de 20 dias: I comprovar o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comercias; e II comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Portanto, entendo correto o lançamento fiscal. II.2 Aplicação retroativa da Lei Penal. Sustenta a Recorrente que (i) a decisão recorrida afastou equivocadamente a alegação de retroatividade por ela arguida, com base no argumento de que as disposições da Lei nº 10.637/2002 estavam previstas na MP nº 66, de 29 de agosto de 2002, anterior, portanto, ao período autuado; e (ii) que o princípio constitucional da anterioridade da lei penal, impede a aplicação de qualquer penalidade sem que exista "lei" anterior que a defina. Em que pese os argumentos suscitados pela Recorrente, a Medida Provisória 66, de 29 de agosto de 2002, possui força de Lei e deve ser totalmente observada, conforme previsto no artigo 62, da Constituição Federal, que assim dispõe: Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Deste modo, considerando que à época do fato gerador ocorrido em setembro/2002, a MP 66/2002 já estava produzindo efeitos, correta a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. II.3 Aplicação retroativa da Lei nº 11.488/2007 Neste ponto a Recorrente argumenta que é "obrigatório adotar a retroatividade benigna do artigo 33, da Lei nº 11.488/2007, visto que o citado artigo criou Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10831.013447/200451 Acórdão n.º 3302003.231 S3C3T2 Fl. 9 15 uma norma menos severa para punir a conduta da "cessão do nome", destinando à pessoa que cedeu o nome a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação supostamente acobertada". O citado dispositivo assim preceitua: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No presente caso, não vislumbro a hipótese de aplicação retroativa a Lei nº 11.488/2007, posto que a multa de 10% (dez por cento) aplicável à pessoa jurídica que cedeu o nome não revogou a multa do valor aduaneiro da mercadoria por interposição fraudulenta. Tal fosse essa a intenção do legislador, restaria totalmente expresso a hipótese de aplicação de multa em 10% (dez por cento) para os casos de multa decorrente da conversão de pena de perdimento. Sobre o tema, salientase que o assunto está totalmente regulamentado no artigo 727, do Decreto 6.759/09, senão vejamos: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Portanto, não é o caso de aplicação retroativa da Lei nº 11.488/2007. II.4 O dano ao erário Por fim, sustenta a Recorrente que a multa substitutiva da pena de perdimento não pode ser aplicado ao presente caso, posto que na exportação não há incidência de imposto, inexistindo, assim, a ocorrência de dano ao erário. Deste modo, entende a Recorrente que a configuração do dano ao erário é elemento imprescindível para caracterização de interposição fraudulenta prevista no artigo 59, da Lei nº 10..637/2002. Mais uma vez não assiste razão à Recorrente. Com efeito, a conduta da Recorrente foi enquadrada no artigo 23 do Decreto Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, que diante da impossibilidade de localização da mercadoria exportada, o perdimento foi substituído pela multa prevista no §3º do mesmo artigo 23: Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO 16 “Art. 23. Consideram se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias:(...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” (grifei) Ao contrário do que explicitou a Recorrente, a caracterização do dano ao Erário não está atrelada somente a inexistência de recolhimento do tributo, mais também nas infrações previstas no referido dispositivo. Portanto, o dano ao Erário decorre das infrações previstas em lei e deve ser observado pelos contribuintes. Assim, considerando que a Recorrente cometeu as infrações tipificados no artigo anteriormente citado, acarretando dano ao Erário, correta a imposição da pena de perdimento e da cobrança da multa do valor aduaneiro. Diante do exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 13749.000880/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$18.000,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$18.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 08 80 /2 01 0- 01 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13749.000880/201001 Acórdão n.º 2201002.786 S2C2T1 Fl. 77 2 Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/CGE (Fls. 23), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: DO OBJETO Trata o presente processo de impugnação ao crédito tributário relativo a Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar formalizado através Notificação de Lançamento (fl. 02), em face do sujeito passivo acima identificado, emitido na data de 01/11/2010, no montante de R$ 9.933,16, por intermédio de Revisão de Declaração de IRPF referente ao exercício 2008. A partir das informações registradas nos sistemas da Receita Federal do Brasil em comparação com a Declaração prestada, foram constatados dados tributários que exigiram esclarecimentos mediante a intimação pela autoridade fiscal para apresentação de justificativa e documentos. Do confronto dos esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo com as informações registradas nos sistemas da Receita Federal do Brasil, foi efetuado o lançamento dos fatos geradores conforme o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 03 ): Dedução Indevida de Despesas Médicas . Glosa do valor de R$ 18.000,00 indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação; ou por falta de previsão legal para sua dedução. Profissional LEONARDO ARMOND FREITAS. Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada via AR em 18/11/2010 (fl. 15). DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou a impugnação, recepcionada em 08/12/2010 (fl. 01), com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: 1) O valor referese a despesas médicas do próprio contribuinte. Seguem anexos os seguintes documentos: 01 Recibos e/ou notas fiscais, contendo todos os requisitos exigidos pela legislação tributária (identificação do paciente, descrição do serviço prestado, data do pagamento, identificação Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13749.000880/201001 Acórdão n.º 2201002.786 S2C2T1 Fl. 78 3 de quem efetuou o pagamento, bem como nome, endereço, registro no órgão de classe competente e CPF/CNPJ do profissional ou estabelecimento que recebeu o pagamento) ! Outros: Declaração do Cirurgião Dentista, Dr Leonardo A Freitas, CRO/RJ 28475, reiterando a prestação de serviços e informando o n° do CPF 044.003.15754. Segue também cópia da CI do profissional . PEDIDO 1) Prioridade no julgamento prevista no Estatuto do Idoso. 2) Subentendese o pedido de improcedência parcial do lançamento. Passo adiante, 3ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DESPESAS MÉDICAS. PROVA A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Cientificada em 23/01/2012 (Fls. 39), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/02/2012 (fls. 40 a 43), argumentando em síntese: (...) II. 1 DA PRELIMINAR DE NÃO CABIMENTO DA COBRANÇA DO IMPOSTO DE RENDA SUPLEMENTAR E DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA: Em se tratando da cobrança alistada na Notificação de Lançamento sob o demonstrativo de apuração do Imposto devido e do crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 9.933,16 (nove mil, novecentos e trinta três reais e dezesseis centavos) este não é devido, uma vez que de acordo com a declaração de Imposto de Renda referente ao exercício in tela, a recorrente pagou o imposto apurado encontrado devidamente, porém na Impugnação fora apresentado o recibo que não foi aceito pela fiscalização, referente aos serviços prestados pelo Dr. Leonardo Armond Freitas, clínico geral ortodontista, frisando que fica inviabilizada, assim, a cobrança da multa e dos juros de mora alistados no presente demonstrativo do crédito tributário. (...) Por outro lado, se tamanhas e exageradas fossem as deduções elencadas na Declaração da recorrente, a autoridade lançadora poderia, inclusive, glosálas "sem a audiência do contribuinte", (grifos) como deixa bem claro o artigo 73 parágrafo 1o do Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13749.000880/201001 Acórdão n.º 2201002.786 S2C2T1 Fl. 79 4 Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto 3000/99), o que de fato não aconteceu em nenhum momento, pois como já citado acima, a recorrente fora intimada anteriormente para fins de comprovação perante a fiscalização, sendo certo que naquela ocasião foi apresentado o recibo e verificado devidamente e que foi glosado e mantida a glosa por fator desconhecido da recorrente, mesmo tendo sido apresentada uma declaração do profissional junto confirmando a prestação de serviços e assistência odontológica. Assim, outra razão não resta a não ser a de que o recibo ora glosado não foi aceito erroneamente, por equívoco, razão pela qual leva a recorrente a apresentar outros documentos agora a fim de dirimir quaisquer dúvidas ou pendências existentes e que justificam o valor pago por estes serviços em 2007, destacando se que todos os documentos citados estão em anexo ao presente. Frisase que tal declaração emitida pelo profissional constando o valor pago visa esclarecer o conteúdo do recibo, complementandoo com todas as formalidades legais exigidas e . necessárias para se atender a Lei. Por outro lado, a recorrente pagou os serviços durante o ano de 2007 em dinheiro e em várias datas diferentes, o que não lhe possibilita provar com cópias da emissão de cheques nominativos ou extratos bancários o desembolso da quantia paga ao profissional no ano de 2007, sendo certo que o profissional apenas emitiu um único recibo com o valor total pago pela recorrente, no final do ano de 2007, no dia 15/12, conforme doc. em anexo. Em 23/03/2012 (Fls. 63), a Agência da Receita Federal do Brasil em Teresópolis – RJ, emitiu a INTIMAÇÃO NO 402/2012, com o seguinte conteúdo: Intimo o interessado a comparecer a esta Agência, no prazo de dez dias contados do recebimento da intimação, para assinar o recurso voluntário protocolado em 13/02/2012 Para atendimento, é necessário que se faça o agendamento pelo número de telefone 146 ou pelo site da RFB na internet: www.receita.fazenda.gov.br Sanado o problema, o processo foi distribuído a este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13749.000880/201001 Acórdão n.º 2201002.786 S2C2T1 Fl. 80 5 De início, verifico que trata o presente processo de glosa por dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 18.000,00, relativas ao profissional LEONARDO ARMOND FREITAS. Observo ainda que o litígio trata de comprovação de despesas médicas em razão de autoridade lançadora ter considerado que a documentação apresentada pelo sujeito passivo não continha o CPF do profissional da saúde prestador dos serviços. (doc. pag. 06 dos autos) Por ocasião de sua impugnação o contribuinte fez juntar declaração emitida pelo profissional da saúde, na qual consta o CPF do mesmo. (doc. pág. 09 dos autos) A DRJ entendeu por não acolhêlos, em razão de não haver prova do efetivo pagamento das despesas médicas. Contudo, observo que a fiscalização sequer intimou a contribuinte para comprovar os efetivos pagamentos, limitandose apenas a não aceitar o recibo apresentado por considerar que não atendia aos requisitos legais, em razão da ausência do CPF do emitente. É de se considerar que a fundamentação do auto de infração é a falta do CPF do emitente do recibo para a consideração do mesmo como prova documental à dedução pleiteada. Pois bem, a autoridade autuadora não afirma haver falta de comprovantes de despesas, não invoca a falta de comprovação do pagamento, nem exibe razões para sustentar que há dúvida quanto a sua idoneidade, apenas afirma faltar o CPF do emitente. Sendo assim, a DRJ, por ocasião de seu julgamento não poderia ter argüido a falta de comprovação do pagamento das despesas médicas como razão para o não reconhecimento da dedução das despesas médicas pleiteadas, vez que este não foi o fundamento utilizado para a autuação. Deveria, outrossim, ter se prestado a DRJ a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que foi neste ponto que fundouse o lançamento. Desta feita, passo a análise dos requisitos legais constantes do artigo 8º, II, a c/c seu §2º, III, para a verificação da idoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13749.000880/201001 Acórdão n.º 2201002.786 S2C2T1 Fl. 81 6 § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; De acordo com o extraído do texto legal acima, verifico que o recibo, em conjunto com a declaração colacionada às fl. 09, atende aos requisitos legais e, por tal razão, devem ser considerados como idôneos para a comprovação das despesas medicas e conseqüente dedução das mesmas. Nestas condições, penso que os recibos e notas fiscais são documentos hábeis e suficientes para comprovar as despesas médicas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$18.000. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10580.727449/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE.
No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 49 /2 01 4- 01 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento efetuado por meio de notificação fiscal para apuração de imposto de renda da pessoa física decorrente de glosa de compensação com IRRF por ocasião do pagamento de verba decorrente de ação trabalhista contra o fundo de previdência complementar privada Petros. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. AÇÃO JUDICIAL. Mantida a infração, uma vez que confirmada a compensação indevida do imposto retido na fonte. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados ... A notificação tratou da compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 9.589,25, resultante da diferença entre o IRRF retido de R$ 757,89 e o IRRF declarado de R$ 10.347,14 (fl. 30). O Autuante consignou que foram ajustados os rendimentos e o IRRF da fonte pagadora Petros aos valores constantes no informe de rendimentos (fls. 30/31). Verificase que os rendimentos tributáveis foram reduzidos para o total de R$ 33.283,56, por meio da exclusão do rendimento de R$ 20.694,68 (fl. 31). Como resultado, o saldo de imposto a restituir declarado de R$ 7.069,49 foi ajustado para R$ 482,25. ... Cabe ressaltar ainda que a Dirf apresentada pela Petros (fl. 78) consigna exatamente os valores constantes nesse comprovante de rendimentos e corroboram os valores declarados na DIRPF, à exceção dos rendimentos de R$ 20.694,68 excluídos pelo Autuante. Entendo que a Autoridade Fiscal tem a prerrogativa de acatar ou não os documentos apresentados pelo Contribuinte, ou mesmo acatar uns em detrimento de outros, principalmente quando são juntados documentos com informações divergentes, no caso, o comprovante de rendimentos e a Dirf da fonte pagadora versus as cópias de partes da ação trabalhista. Os primeiros foram emitidos pela fonte pagadora responsável pelo pagamento dos rendimentos e pela retenção do IRRF e, neste Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.727449/201401 Acórdão n.º 2300004.628 S2C3T0 Fl. 115 3 caso, ré na ação trabalhista. As defendidas partes da ação judicial (fls. 35/36, 55/66), por sua vez, nos trazem informações passíveis de alteração, inclusive no tocante ao IRRF, uma vez que ainda em tramitação. ... Quanto à alegação de que essa cobrança ilegal (retenção do IRRF), pela inobservância da suscitada IN RFB no 1.127/11, tenha o induzido ao erro de declarar o rendimento como tributável, cabe observar que a responsabilidade pelas informações contidas na DIRPF é de inteira responsabilidade do Contribuinte, a quem cabe informar corretamente todos os dados nela inseridos. Curiosamente, na mesma peça em que defende que tal rendimento seria totalmente isento, o Contribuinte demonstra o valor tributável que consideraria correto (“o correto valor tributável seria apenas de R$ 20.694,68 – R$ 4.807,05 (Honorários Proporcionais), resultando um valor tributável de R$ 20.207,63”). Não obstante, cabe repisar que o Autuante procedeu à exclusão integral do rendimento de R$ 20.694,68 (fl.31), haja vista que o RRA já havia sido declarado corretamente no quadro correspondente da DIRPF. Do exame da decisão judicial em embargos a execução opostos pela Petros, fls. 70, concluiu a decisão recorrida: Constatase, assim, que nenhum valor a título de imposto de renda foi apurado pelo exequente, não restando qualquer valor a ser recolhido, tendo em vista a aplicação das INs RFB nº 1.127/11 e 1.261/12, também suscitada na impugnação. Verifica se, assim, que o valor calculado de imposto de renda quando do pagamento da parte incontroversa foi reduzido a zero pelo próprio exequente, por meio dos cálculos apresentados posteriormente. O valor do IRRF retido à época restou, assim, absorvido pelos cálculos da verba bruta devida ao autor, não sendo passível de compensação por qualquer forma na DIRPF. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações em impugnação, em síntese: Alega nulidade da notificação, haja vista o cerceamento ao direito de defesa e do contraditório. Não houve a devida, explícita e clara descrição dos fatos, uma vez que informou apenas que “da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil”, o que impede o conhecimento pelo contribuinte dos fundamentos e fatos que lhe serviram de base. Omitiuse tanto a documentação hábil e idônea apresentada, supostamente desqualificada pelo Fisco, que comprovavam o solicitado, quanto as informações constantes dos sistemas da RFB. Suscita o art. 2o da lei no 9.784/99, jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Alega que não houve qualquer apreciação dos comprovantes apresentados, que a seu ver abrangeu provas robustas da retenção pela fonte pagadora do IRRF e comprovadamente deduzido dos rendimentos trabalhistas recebidos no processo da Justiça do Trabalho. Supõe que o Fisco se baseou nas informações dos sistemas da RFB, simplesmente por possível falta de entrega da Dirf pela fonte pagadora e/ou de recolhimento do IRRF (ausência de Darf), o que demandaria uma apuração junto à fonte. A omissão de Dirf ou de outros comprovantes devidos pela fonte não tem o condão de se transformar em prova fática capaz de infirmar todas as provas fáticas apresentadas pelo Contribuinte, devendo o Autuante, sempre que possível, investigar a compensação pleiteada. Cita nesse sentido o art. 42 da lei no 9.430/96. Alega que a presunção legal não pode ser empregada na interpretação de norma processual fiscal, dissociada do previsto no §1o do art. 145 da CF, que determina a identificação pelo Autuante da origem do valor glosado, na busca da verdade material, que deve prevalecer no procedimento administrativo fiscal. Alega que a presunção legal aplicada viola os princípios da legalidade, da segurança jurídica e da razoabilidade. Alega que o Fisco lhe exigiu que solicitasse à fonte pagadora o Darf de recolhimento do IRRF, no que não foi atendido, implicando em uma cobrança ou apuração de seu recolhimento. Alega que resta patente que o IRRF sobre o valor incontroverso foi descontado do total bruto, liberado pelo valor líquido por meio do alvará apresentado, conforme planilha homologada pela Justiça. Tal retenção estaria prevista nos arts. 56, caput, e 38, § único, do RIR/99, o art. 46 da lei nº 8.541/92, e o art. 3o da IN SRF 101/97, encontrando ressonância na doutrina e jurisprudência do TST. Entende que a falta de recolhimento do IRRF pela fonte pagadora encontrou amparo na impunidade fiscal, buscando o Fisco tributar como rendimento o tributo pago, em flagrante excesso de exação fiscal e confisco fiscal. Alega que, quando intimado, apresentou 1) cópia de sua DIRPF, 2)comprovante de cálculo do IRRF, incluindo honorários advocatícios, com a referência à fl.1.946 da ação, no sentido de que a fonte pagadora ainda não recolhera o IRRF, 3) notas fiscais dos honorários, 4) planilha à fl. 1.905, e 5) homologação da parcela à fl. 1.946. Entende que tais documentos demonstram de modo insofismável a retenção do IRRF sobre os rendimentos do processo trabalhista, em conformidade com a pergunta 343 do Perguntas e Respostas do exercício 2011, que informa que a compensação está apenas condicionada a que os pagamentos sejam declarados na DIRPF e comprovados por meio de documentos contendo o nome/endereço/CPF ou CNPJ de quem os recebeu, concluindo estarem comprovadas as despesas médicas. Apenas na falta dessa documentação admitirseia a exigência de comprovação por outros elementos. Alega violação aos incs. X e XII do art. 5o da CF, pois o Fisco não pode transformar em dedução indevida as despesas médicas que considerar não comprovadas por mera presunção, ao arrepio da legislação e jurisprudência, sem provar a infração a despeito da comprovação pelo Contribuinte. No item “Do princípio da segurança jurídica”, tece alegações acerca da apresentação de extratos bancários e de recibos de despesas médicas. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.727449/201401 Acórdão n.º 2300004.628 S2C3T0 Fl. 116 5 Alega que a notificação omitiuse em fazer precisa indicação da infração e enquadramento legal, apresentando de forma genérica vários dispositivos, sem qualquer nexo com os lançamentos, aspecto essencial para a fixação da matéria tributável, resultando em vício substancial e insanável ensejador de nulidade. Ressalva que o valor tributável declarado (R$ 20.694,68) não deduziu os honorários advocatícios (R$ 16.807,88), mas sim os juros de mora (R$ 15.022,09). Aduz que “o correto valor tributável seria apenas de R$ 20.694,68 – R$ 4.807,05 (Honorários Proporcionais), resultando um valor tributável de R$ 20.207,63”. Ressalva ainda que o IRRF foi cobrado indevidamente a maior, vez que não calculado em conformidade com a IN RFB no 1.127/11, a qual o consideraria totalmente isento do IRRF, devendo o montante integral retido de R$ 9.589,25 ser restituído ao Contribuinte. Alega que essa cobrança ilegal, que induziu o Contribuinte ao erro de declarar o rendimento como tributável, implica necessariamente na invalidade da glosa e da nulidade da notificação. Requer que se torne sem efeito o quantum de rendimentos apurados como sujeitos à tributação, no montante de R$ 183.317,43, bem como os rendimentos lançados como omissão de rendimentos na notificação ora impugnada, com a restituição de todo o imposto cobrado indevidamente sobre os juros de mora. Requer a produção de todos os meios de prova que venham se mostrar necessários à extinção do crédito tributário. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até que haja decisão administrativa definitiva, além da prioridade no julgamento, tendo em vista o art. 71 da Lei nº 10.471/03 Estatuto do Idoso (fl. 2). E ainda que: a) a DIRF da Petros consignou, separadamente, a retenção relativa aos proventos de R$ 33.283,56 no valor de R$ 757,89, fls. 78; b) a verba decorrente da ação trabalhista também sofreu retenção no valor de R$ 9.589,25, fls. 78, embora indevidamente por ser hipótese de tributação exclusiva na fonte; c) a decisão recorrida se equivoca ao interpretar a decisão judicial às fls. 70. O recorrente não apurou imposto de renda sobre a verba trabalhista por ser caso de tributação exclusiva na fonte, mas de qualquer forma sofreu, embora indevidamente, a retenção pela Petros; fato comprovado pela própria Petros e pela decisão judicial. Um dos pedidos da embargante Petros, indeferido pelo juízo trabalhista, era justamente a convalidação da retenção indevidamente realizada no valor de R$ 9.589,25; d) a fiscalização ao desconsiderar o rendimento de R$ 20.694,68 e a correspondente retenção no valor de R$ 9.589,25 ignorou em prejuízo da recorrente um fato Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 incontroverso, independentemente de ter agido corretamente ou não, a fonte pagadora realizou a retenção. Assim sendo, a cobrança deve ser realizada contra a fonte pagadora; e e) uma vez tendo a fonte pagadora, ainda que indevidamente, realizado a retenção, o recorrente cumpriu o disposto no artigo 7ºA da IN SRFB nº 1.127, de 07/02/2011. É o Relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.727449/201401 Acórdão n.º 2300004.628 S2C3T0 Fl. 117 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Formalização do lançamento Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Contatase no demonstrativo de apuração do imposto devido que a fiscalização realizou ajuste na declaração do recorrente para excluir o rendimento de R$ 20.694,68, correspondente a ação trabalhista, sobre o qual houve retenção no valor de R$ Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.727449/201401 Acórdão n.º 2300004.628 S2C3T0 Fl. 118 9 9.589,25, fls. 31. Assim, a fiscalização manteve após os ajustes apenas o valor de R$ 33.283,56 do total de rendimentos recebidos no valor de R$ 53.978,24, fls. 44, e glosou a compensação com a retenção. Conforme DIRF às fls. 78 os valores são rendimentos recebidos da Petros e sofreram retenções de R$ 9.589,25 e R$ 757,89; sendo que somente o último foi aceita para a compensação. Também se constata às fls. 35 que o IRRF de R$ 9.589,25 corresponde à ação judicial onde se reconheceu ao recorrente a verba trabalhista no montante bruto de R$ 52.524,65. Esse fato foi reconhecido pela decisão recorrida, com a ressalva de que a fiscalização excluiu o valor de R$ 20.694,68: Cabe ressaltar ainda que a Dirf apresentada pela Petros (fl. 78) consigna exatamente os valores constantes nesse comprovante de rendimentos e corroboram os valores declarados na DIRPF, à exceção dos rendimentos de R$ 20.694,68 excluídos pelo Autuante. A ratificação do ajuste pela decisão recorrida adotou por fundamento a prerrogativa da fiscalização de desconsideração das informações na ação trabalhista que, segundo a decisão, divergem dos comprovantes de rendimentos e DIRF: Entendo que a Autoridade Fiscal tem a prerrogativa de acatar ou não os documentos apresentados pelo Contribuinte, ou mesmo acatar uns em detrimento de outros, principalmente quando são juntados documentos com informações divergentes, no caso, o comprovante de rendimentos e a Dirf da fonte pagadora versus as cópias de partes da ação trabalhista. Os primeiros foram emitidos pela fonte pagadora responsável pelo pagamento dos rendimentos e pela retenção do IRRF e, neste caso, ré na ação trabalhista. As defendidas partes da ação judicial (fls. 35/36, 55/66), por sua vez, nos trazem informações passíveis de alteração, inclusive no tocante ao IRRF, uma vez que ainda em tramitação. Ora, na verdade, a divergência somente passou a existir após os ajustes feitos pela fiscalização. Do contrário, em todos os documentos ficou comprovada a retenção pela fonte pagadora. Quanto ao comprovante de rendimentos pagos pela Petros no anocalendário 2012, vêse que nele constam os proventos de aposentadoria e a verba percebida na ação trabalhista como, de fato, deveria ter procedido a fonte pagadora, como tributação exclusiva na fonte de RRA, mas não como efetivamente o fez, como verba sujeita a IRRF, fls. 49. E os embargos de execução opostos pela Petros em nada desconstitui o fato. Vêse que em relação ao imposto de renda, a Petros pleiteara a ratificação da retenção efetuada para se eximir do erro em não tratar a verba como rendimento sujeito a tributação exclusiva na fonte, o que não foi aceito pelo juízo na decisão datada de 01/10/2013: Alega que não houve apuração do Imposto de Renda na fonte, bem como que com a alteração da INRF 1.127/11 pela INRF 1.261/2012, o Imposto de Renda deverá ser recolhido sobre o montante das complementações de benefício a serem pagos à parte autora, na data do pagamento. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Carece de razão a embargante. ... No presente caso, porém, como os rendimentos são decorrentes de “decisão da Justiça do Trabalho”, não deve haver nenhuma alteração em relação ao procedimento anterior. O § 3º se aplica ao “caput” do artigo, mas não se sobrepõe ao § 1º. O § 3º, portanto, deve referirse àqueles rendimentos pagos diretamente aos pensionistas pelas entidades de previdência privada (sem intermédio da justiça), que não é caso em apreço. Do exame das contas, percebese que o exequente, de fato, não apurou qualquer valor a título de Imposto de Renda como asseverado pela embargante. Isso se deu em função da aplicação pelo exequente da INRF 1.127/11, tendo em vista o que preceitua o §1º, art. 2º, da IN 1.261/2012, conforme acima enunciado. Assim, efetuandose a conta com base no § 1º não restará qualquer valor a ser recolhido, como procedeu o reclamante e como se verifica nas contas anexas. E, ainda, devese considerar que em 10/09/2012 já havia sido emitido o recibo de alvará judicial de pagamento, fls. 35, 36 e 66. O que comprova que a decisão em embargos do devedor em nada modificou o fato de que a retenção na fonte havia sido efetuada. Com efeito, antes da vigência da Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29/10/2014 que passou a submeter a tributação com base na tabela progressiva, vigia a Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07/02/2011. A tributação decorrente de verbas reconhecidas pela justiça do trabalho era exclusiva na fonte. Além disso, a Instrução Normativa orientava que no caso de a fonte pagadora ter equivocadamente realizado a retenção poderia o contribuinte efetuar ajuste específico na apuração do imposto relativo aos RRA na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário correspondente: Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07 de fevereiro de 2011 Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: I aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e II rendimentos do trabalho. § 1º Aplicase o disposto no caput, inclusive, aos rendimentos decorrentes de decisões das Justiças do Trabalho, Federal, Estaduais e do Distrito Federal. ... Art. 7ºA Na hipótese em que a pessoa responsável pela retenção de que trata o caput do art. 3º não tenha feito a retenção em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa ou que tenha promovido retenção indevida ou a maior, a pessoa física beneficiária poderá efetuar ajuste específico na apuração do Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.727449/201401 Acórdão n.º 2300004.628 S2C3T0 Fl. 119 11 imposto relativo aos RRA na DAA referente ao anocalendário correspondente, do seguinte modo: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1310, de 28 de dezembro de 2012) I a apuração do imposto será efetuada: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1310, de 28 de dezembro de 2012) a) em ficha própria; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1310, de 28 de dezembro de 2012) b) separadamente por fonte pagadora e para cada mês calendário, com exceção da hipótese em que a mesma fonte pagadora tenha realizado mais de um pagamento referente aos rendimentos de um mesmo anocalendário, sendo, neste caso, o cálculo realizado de modo unificado; e Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014 Art. 26. Os rendimentos pagos em cumprimento de decisões da Justiça do Trabalho estão sujeitos ao IRRF com base na tabela progressiva constante do Anexo II a esta Instrução Normativa, observado o disposto no Capítulo VII. § 1º Cabe à fonte pagadora, no prazo de 15 (quinze) dias da data da retenção, comprovar, nos respectivos autos, o recolhimento do IRRF incidente sobre os rendimentos pagos. § 2º Na hipótese de omissão da fonte pagadora relativamente à comprovação de que trata o § 1º, e nos pagamentos de honorários periciais, compete ao Juízo do Trabalho calcular o IRRF e determinar o seu recolhimento à instituição financeira depositária do crédito. § 3º A não indicação pela fonte pagadora da natureza jurídica das parcelas objeto de acordo homologado perante a Justiça do Trabalho acarreta a incidência do IRRF sobre o valor total da avença. Por tudo, entendo que ficou comprovada a retenção do imposto pela fonte pagadora e, assim sendo, poderia o contribuinte ter efetuado a compensação independentemente da falta de recolhimento pela fonte pagadora, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 01, de 25/09/2002: IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. ... IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. ... Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16561.000054/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITA. DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DIRF.
Comprovado equívoco no preenchimento da DIRF da empresa fiscalizada, por informar os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte concernentes as comissões pela prestação de serviços relativos a cartões, de crédito, débito e de outros meios de pagamento, quando a responsabilidade para tal recai sobre a pessoa jurídica tomadora do serviço. Evidenciada, ainda, inclusão indevida de receita financeira no levantamento fiscal. Assim, não subsiste a acusação fiscal referente à omissão de receita, baseada no confronto entre o declarado na DIPJ e nas DIRF das fontes pagadoras.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação.
Lançamento Improcedente
Numero da decisão: 1301-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Fez Sustentação Oral o Sr. Paulo Rogério Garcia Ribeiro, OAB/SP Nº 220753.
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
RELATOR JOSÉ EDUARDO DORNELAS SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza (Relator), Flavio Franco Correa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DIRF. Comprovado equívoco no preenchimento da DIRF da empresa fiscalizada, por informar os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte concernentes as comissões pela prestação de serviços relativos a cartões, de crédito, débito e de outros meios de pagamento, quando a responsabilidade para tal recai sobre a pessoa jurídica tomadora do serviço. Evidenciada, ainda, inclusão indevida de receita financeira no levantamento fiscal. Assim, não subsiste a acusação fiscal referente à omissão de receita, baseada no confronto entre o declarado na DIPJ e nas DIRF das fontes pagadoras. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Lançamento Improcedente
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.528 1 2.527 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000054/200815 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1301002.060 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2016 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente 3ª Turma da DRJ/SPOI Interessado CIELO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DIRF. Comprovado equívoco no preenchimento da DIRF da empresa fiscalizada, por informar os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte concernentes as comissões pela prestação de serviços relativos a cartões, de crédito, débito e de outros meios de pagamento, quando a responsabilidade para tal recai sobre a pessoa jurídica tomadora do serviço. Evidenciada, ainda, inclusão indevida de receita financeira no levantamento fiscal. Assim, não subsiste a acusação fiscal referente à omissão de receita, baseada no confronto entre o declarado na DIPJ e nas DIRF das fontes pagadoras. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Lançamento Improcedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Fez Sustentação Oral o Sr. Paulo Rogério Garcia Ribeiro, OAB/SP Nº 220753. WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. RELATOR JOSÉ EDUARDO DORNELAS SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 54 /2 00 8- 15 Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza (Relator), Flavio Franco Correa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Relatório Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente feito de autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, cuja exigência fiscal totaliza R$ 25.180.649,29, incluidos multa de oficio e juros de mora calculados até 30/04/2008 (fls. 1363/1373). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1376/1383), foram constatadas as irregularidades abaixo: • Em cotejo entre a DIPJ da empresa e as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, verificouse que a fiscalizada omitiu receitas na apuração do lucro real do período. • Também foram constatadas diferenças entre os valores de IRRF informadas nas citadas declarações. • Restou evidenciada, ainda, divergência entre os valores de imposto de renda por estimativa declarados na ficha 12A/linha 17 e na ficha 11 da DIPJ/2004. • Tais diferenças devem ser levadas em conta no presente lançamento de oficio. As disposições legais citadas nos altos de infração são as seguintes: TRIBUTO FUNDAMENTAÇÃO LEGAL IRPJ Artigos 276, 279 e 841, VI, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). CSLL artigo 2°, caput e §§, da Lei 7.689/1988, artigo 24 da Lei 9.249/1995, artigo 1° da Lei 9.316/1996, artigo 28 da Lei 9.430/1996 e artigo 37 da Lei 10.637/2002 Em 28/05/2008, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 1365) e, em 25/06/2008, apresentou defesa (fls. 1392/1420), resumidamente, nos seguintes termos: • Dos valores declarados • em DIRF, verificase que o lançamento de R$ 825.974.843,32 tem como declarante, bem como beneficiária, a própria impugnante. Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.000054/200815 Acórdão n.º 1301002.060 S1C3T1 Fl. 2.529 3 • Com efeito, a impugnante, ao efetuar o preenchimento de sua DIRF do ano calendário de 2003, equivocadamente informou esse valor, concernente a comissões recebidas por serviços prestados relacionados a cartões de créditos. Esse procedimento deveria ter sido feito apenas pelas fontes pagadoras, já que à impugnante cabia tãosomente a retenção do imposto e o envio dos informes de rendimentos a essas fontes pagadoras. • Ao efetuar o confronto dos dados, a fiscalização somente comparou as receitas, sem verificar a sua procedência, se de prestação de serviços ou se decorrentes de aplicações financeiras. • Quanto à divergência entre os valores de imposto por estimativa, notese que o MAJUR orienta que na ficha 12A da DIPJ deveria ser declarado apenas o valor efetivamente pago, motivo pelo qual a empresa informou o montante de R$ 18.858.451,57 e não a quantia declarada na ficha 11, de R$ 20.370.455,79. • Essa diferença corresponde a valores suspensos por medida judicial. Após apresentar seus argumentos de impugnação, os mesmos foram submetidos à analise da 3ª Turma da DRJ/SPOI, na sessão de 6 de novembro de 2008, que, naquela oportunidade, apreciou a impugnação apresentada pelo contribuinte, entendendo, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE o lançamento, nos termos do relatório e voto do relator, cujo ementa do acórdão restou assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA •JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DIRF. Comprovado equívoco no preenchimento da DIRF da empresa fiscalizada, por informar os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte concernentes as comissões pela prestação de serviços relativos a cartões, de crédito, débito e de outros meios de pagamento, quando a responsabilidade para tal recai sobre a pessoa jurídica tomadora do serviço. Evidenciada, ainda, inclusão indevida de receita financeira no levantamento fiscal. Assim, não subsiste a acusação fiscal referente à omissão de receita, baseada no confronto entre o declarado na DIPJ e nas DIRF das fontes pagadoras. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Lançamento Improcedente Com fundamento no art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, foi interposto recurso de oficio para esta Seção, tendo sido o contribuinte devidamente cientificado do referido Acórdão. Após, os autos foram distribuídos para o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que se declarou impedido, e posteriormente, através de novo sorteio, foram encaminhados para minha relatoria. É o relatório Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Voto Conselheiro Relator José Eduardo Dornelas Souza Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Os presentes autos decorrem do cotejo entre a DIPJ e as DIRF´s, em que se verificou divergência entre o valor de receita declarado pela fiscalizada e aquele informado pelas fontes pagadoras. Alega o contribuinte que no anocalendário de 2003, informou em sua DIRF, por equivoco, os valores relativos às receitas de comissão sobre a prestação de serviços concernente a cartões de crédito, débito e de outros meios de pagamento (R$ 825.974.843,32), que devia ter sido feito apenas pelas fontes pagadoras. A empresa complementa que as retenções do imposto e o fornecimento dos informes de rendimentos e do respectivo imposto de renda foram observados por ela e apresenta os documentos de fls. 2144/2247, com intuito de dar sustentação ao alegado. Por sua vez, a autoridade recorrente manifestouse nesse mesmo sentido, ao entender que restou comprovado o equívoco no preenchimento da DIRF por parte da empresa fiscalizada, por informar os rendimentos e o respectivo imposto de renda na fonte concernentes as comissões pela prestação de serviços relativos a cartões, de crédito, débito e de outros meios de pagamento, quando a responsabilidade para tal recai sobre a pessoa jurídica tomadora do serviço. Prossegue essa mesma autoridade que restou evidenciado que ocorreu inclusão indevida de receita financeira no levantamento fiscal. Assim, não subsiste a acusação fiscal referente à omissão de receita baseada no confronto entre o declarado na DIPJ e nas DIRF das fontes pagadoras, aplicandose este entendimento ao lançamento de CSLL que foi fundamentado nos mesmos elementos de comprovação. De fato, analisando os dados extraídos do sistema Dossiê Integrado (fl. 817), que serviu de base para a autuação, verificase que o valor R$ 825.974.843,32, cujo código de receita é 8045, foi declarado pelo CNPJ 01.027.058/000191, o qual pertence à fiscalizada, e tem como beneficiária esse mesmo CNPJ. Clara é a evidência, portanto, de erro quanto ao preenchimento da DIRF por parte da referida empresa. Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16561.000054/200815 Acórdão n.º 1301002.060 S1C3T1 Fl. 2.530 5 Salientese que, com o escopo de ajustar as informações anteriormente prestadas, a interessada providenciou a retificação da DIRF (fls. 2252/2363). No tocante à alegação de inclusão indevida das receitas financeiras, também há de dar razão à impugnante, posto que no Dossiê Integrado (fls. 739/1863) foram relacionados rendimentos decorrentes de aplicações financeiras (código de receita 3426 — fls. 739 e 1508). Ocorre que a infração apontada referese à omissão de receitas de prestação de serviços (linha 08 da ficha 12A), não havendo no Termo de Verificação Fiscal menção a respeito de exame de receitas provenientes de aplicações financeiras. Assim, concluise pela insubsistência do lançamento efetuado quanto à omissão de receita, posto que restou comprovada que a diferença apontada é decorrente de erro de fato, no tocante aos valores declarados na DIRF pela própria empresa fiscalizada, bem como de inclusão indevida de receita financeira no levantamento fiscal. Por conseguinte, fica prejudicada a apreciação das demais alegações suscitadas pela empresa recorrida. Quanto ao lançamento reflexo, observese que os elementos de comprovação são os mesmos que fundamentaram o lançamento de oficio referente ao IRPJ. Assim, aplicase ao lançamento de CSLL, no que couber, o que foi decidido naquele. Por estas razões, conduzo meu voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, no sentido de considerar improcedente o lançamento. José Eduardo Dornelas Souza Relator Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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