Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.001850/2001-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DE DECISÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em consonância com a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça pela sistemática dos recursos repetitivos, ajuizada a demanda judicial em 18/04/1995, portanto, anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, não há que se falar na vedação à compensação antes do trânsito em julgado da ação, imposta pelo art. 170-A do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9303-003.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem, para afastar a vedação à compensação antes do trânsito em julgado contida no art. 170-A do CTN.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
EDITADO EM: 21/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López (Vice-presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DE DECISÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em consonância com a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça pela sistemática dos recursos repetitivos, ajuizada a demanda judicial em 18/04/1995, portanto, anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, não há que se falar na vedação à compensação antes do trânsito em julgado da ação, imposta pelo art. 170-A do Código Tributário Nacional.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.001850/2001-71
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578756
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.492
nome_arquivo_s : Decisao_16327001850200171.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001850200171_5578756.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem, para afastar a vedação à compensação antes do trânsito em julgado contida no art. 170-A do CTN. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Vanessa Marini Cecconello - Relatora EDITADO EM: 21/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López (Vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6334508
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418266382336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 652 1 651 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001850/200171 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.492 – 3ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2016 Matéria Pedido de compensação FINSOCIAL Recorrente ALLIANZ SEGUROS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DE DECISÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em consonância com a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça pela sistemática dos recursos repetitivos, ajuizada a demanda judicial em 18/04/1995, portanto, anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, não há que se falar na vedação à compensação antes do trânsito em julgado da ação, imposta pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem, para afastar a vedação à compensação antes do trânsito em julgado contida no art. 170A do CTN. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora EDITADO EM: 21/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 50 /2 00 1- 71 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López (Vice presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência, interposto pela empresa contribuinte Allianz Seguros S.A. em face do acórdão de nº 3102001.999 (efls. 520 a 528), de 24/09/2013, que, por voto de qualidade, proveu parcialmente o recurso voluntário do contribuinte para acolher a prejudicial de prescrição/decadência, reconhecendo a impossibilidade de se promover a compensação de ofício no intuito de extinguir créditos tributários declarados há mais de 10 anos. Além disso, ficaram vencidos os Conselheiros que entenderam pela possibilidade de efetuar compensação anteriormente ao trânsito em julgado da sentença que reconheceu os créditos. O julgado restou assim ementado: [...] PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DÉBITO PRESCRITO OU DECAÍDO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a compensação de ofício de débitos do contribuinte com créditos reconhecidos por sentença judicial depois do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador correspondente e da confissão da dívida, sem que tenha sido tomada qualquer iniciativa para cobrança ou constituição do crédito tributário correspondente. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. A restituição, ressarcimento ou compensação somente pode ser feita, com base em créditos reconhecidos judicialmente, depois do trânsito em julgado da sentença proferida pelo Poder Judiciário. Recurso voluntário provido em parte. [...] A lide tem origem em pedido de compensação de créditos do FINSOCIAL com débitos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, reconhecidos na Ação Ordinária nº. 94.00161581, que são consistentes de pagamentos excedentes à alíquota de 0,5% (cinco décimos por cento) sobre o faturamento. A demanda judicial teve trânsito em julgado na data de 28/11/1007. O pedido de compensação foi homologado parcialmente por meio do despacho decisório proferido em 12/07/2007 (efls. 255 a 260), restando integralmente compensados os débitos de CSLL e declarado insuficiente o crédito para a compensação integral do débito de COFINS do Fl. 653DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001850/200171 Acórdão n.º 9303003.492 CSRFT3 Fl. 653 3 período de apuração de 02/1999, determinando o prosseguimento da cobrança do saldo remanescente de R$922.228,46 (novecentos e vinte e dois mil, duzentos e vinte e oito reais e quarenta e seis centavos), de acordo com a Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes (efls. 244). Devidamente intimada do despacho decisório, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 266 a 278), postulando a integral homologação das compensações sob os fundamentos, em síntese, de que: (a) o crédito tributário de FINSOCIAL seria suficiente para compensar a parcela do débito tributário referente à COFINS de 02/1999, se não tivesse a Autoridade Administrativa compensado de ofício de supostos saldos devedores de FINSOCIAL dos períodos de apuração de 11/1991 a 03/1992; (b) os débitos compensados de ofício encontravamse extintos pela prescrição/decadência; e (c) a Recorrente incorporou ao seu crédito o montante de 152.312,97 UFIR´s referente ao crédito da empresa Serviprest Informática, a qual incorporou em 10/1994 (efls. 340 a 349). Na análise da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP) indeferiu a solicitação contida na peça e ratificou o despacho decisório anteriormente proferido (efls. 353 a 359), tendo sido ementada a decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 FINSOCIAL. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. Efetuadas a apuração do direito creditório e a compensação de débitos, determinadas em sentença judicial, em conformidade com a legislação de regência, deve permanecer incólume o despacho decisório proferido pela autoridade administrativa competente. Solicitação indeferida. Inconformada com a decisão, a Contribuinte interpôs recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, alegando, em síntese, que a DIPJ apresentada não tem o condão de confessar dívida tributária e, mesmo que assim o fosse, não exime a Autoridade Administrativa de proceder à cobrança de débito por meio de lançamento tributário. Esclareceu que, ao contrário do entendimento do Julgador de primeira instância, a decadência referese ao débito de FINSOCIAL, compensado de ofício e não ao crédito da Recorrente, utilizado na compensação. Quanto ao crédito da Serviprest Informática, asseverou que, com a incorporação, passou a ser legítima detentora do direito ao aproveitamento do mesmo, havendo inclusive reconhecimento judicial para compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Serviprest a título de FINSOCIAL. Na primeira análise do recurso voluntário pelo CARF, o julgamento foi convertido em diligência para elaboração de novos cálculos com a exclusão dos períodos compensados de ofício e aplicação da correção plena e a incidência da taxa SELIC sobre os créditos de FINSOCIAL, conforme determinado pela legislação. Cumprida a diligência e encaminhados os autos para nova apreciação do recurso voluntário, ao mesmo foi dado parcial provimento para reconhecer o direito da Recorrente aos valores de créditos compensados indevidamente de ofício pela Autoridade Administrativa com débitos declarados em DIPJ de janeiro a outubro de 1991 e janeiro a março de 1992. Além disso, entendeu o julgador que não assiste razão à Contribuinte no que concerne à compensação dos créditos oriundos da incorporação da empresa Serviprest Informática, sob o argumento de que o trânsito em julgado da ação judicial deuse posteriormente às compensações efetuadas (efls. 510 a 518). Fl. 654DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Não resignada em parte com o acórdão de julgamento do recurso voluntário, a Recorrente interpôs o presente recurso especial (efls. 548 a 562) para ver reformada a decisão no que concerne à possibilidade de utilização do crédito de FINSOCIAL da empresa que incorporou para compensação do débito de COFINS da competência de 02/1999. A tese recursal veio embasada no fato de que a decisão judicial que reconheceu o direito ao crédito foi proferida antes da Lei Complementar n. 104/2001, havendo o direito à compensação sem a condição de já ter ocorrido o trânsito em julgado. O recurso especial do Contribuinte foi admitido nos termos do despacho de e fls. 640 a 643. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 645 a 649), sustentando a impossibilidade de compensação de créditos tributários reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado, face à vedação contida no art 170A do Código Tributário Nacional, o qual deve ser aplicado ao presente processo administrativo. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, com numeração eletrônica até a folha 651 (seiscentos e cinquenta e um), estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Admissibilidade Devidamente demonstrada e comprovada a divergência existente entre os acórdãos recorrido e paradigmas referente à possibilidade compensação de créditos tributários objeto de demanda judicial antes do seu trânsito em julgado face à inaplicabilidade do art. 170 A do CTN ao caso em apreço, e, ainda, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte. Pedido de restituição/compensação de crédito objeto de decisão judicial antes do trânsito em julgado A matéria trazida para debate em sede de recurso especial de divergência do contribuinte limitase à possibilidade de pleitear a restituição/compensação de crédito tributário objeto de ação judicial antes do seu trânsito em julgado. De início, cumpre destacar que, quanto à possibilidade de restituição/compensação antes do trânsito em julgado, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse sobre o tema na sistemática dos recursos repetitivos, conforme disposição do art. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001850/200171 Acórdão n.º 9303003.492 CSRFT3 Fl. 654 5 543C do Código de Processo Civil, ao julgar o recurso especial nº. 1164452/MG, em 25/08/2010, cuja ementa segue transcrita: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (grifouse) Desta forma, foi consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça entendimento, segundo o qual a vedação contida no art. 170A do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar nº. 104, de 10 de janeiro de 2001, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência do referido dispositivo. Conforme relatado, no que tange à matéria pertinente ao recurso especial, a Contribuinte, detentora de créditos de FINSOCIAL decorrentes de incorporação da empresa Serviprest que foram reconhecidos em demanda judicial, na data de 31/03/1999, efetuou a compensação dos mesmos com o débito vincendo de COFINS da competência de fevereiro de 1999. Neste caso, tendo sido a demanda judicial ajuizada em 18/04/1995, portanto, anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, não há que se falar na vedação à compensação antes do trânsito em julgado da ação. Assim, o caso em análise amoldase ao entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça, devendo ser afastada a aplicação do art. 170A do Código Tributário Nacional. De outro lado, conforme estabelecido no §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015, a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, n os termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superi or Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplina da pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratór io da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de E stado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos d o art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante de todo o exposto, e com fulcro no §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a vedação à compensação antes do trânsito em julgado contida no art. 170A do CTN, determinando o retorno dos autos à unidade da Receita Federal de origem para análise do mérito dos créditos. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 657DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.728757/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2013
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO NO PERÍODO PLEITEADO.
Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa.
Numero da decisão: 2201-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 13/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO NO PERÍODO PLEITEADO. Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10480.728757/2014-73
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5590627
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.036
nome_arquivo_s : Decisao_10480728757201473.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10480728757201473_5590627.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6380519
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418288402432
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-05-13T18:19:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-05-13T18:19:36Z; Last-Modified: 2016-05-13T18:19:36Z; dcterms:modified: 2016-05-13T18:19:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:1eeebb72-31d9-4729-aa0f-f736bb5cd043; Last-Save-Date: 2016-05-13T18:19:36Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-05-13T18:19:36Z; meta:save-date: 2016-05-13T18:19:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-05-13T18:19:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-05-13T18:19:36Z; created: 2016-05-13T18:19:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2016-05-13T18:19:36Z; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-05-13T18:19:36Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 164 1 163 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.728757/201473 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.036 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria IRRF Recorrente JOÃO LIBERATO PEREIRA DE MELO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO NO PERÍODO PLEITEADO. Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 87 57 /2 01 4- 73 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 04/08/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2013, anocalendário 2012, na qual foi constatada a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte pelo titular, no valor de R$ 8.517,83 (oito mil quinhentos e dezessete reais e oitenta e três centavos), referente à fonte pagadora Fundação Chesf de Assistência e Seguridade Social (FACHESF). Constou da mencionada Notificação que: o valor informado como retido na fonte se referiu a depósitos judiciais incidentes sobre rendimentos sub judice. Caso o interessado ganhe a ação, o IRRF será recebido judicialmente. A restituição do IRRF mediante a Declaração Anual de Ajuste implicaria no recebimento em duplicidade dos mesmos valores. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte, em sede de impugnação, aduziu, em síntese, que: a) durante o período de tramitação da ação, o valor do IRRF foi depositado em juízo. Esta ação transitou em julgado no dia 21/07/2014, com baixa definitiva. Alega também que ainda não foram efetuados os cálculos da liquidação da sentença para determinar o montante a ser restituído ao autor. Entretanto, afirma que uma parte do valor do IR Fonte que está depositado em juízo será revertido em favor da União. Aduz que a Justiça Federal considerou como tributados em duplicidade apenas os valores dos complementos de aposentadoria decorrentes de contribuições vertidas pelo contribuinte entre 1989 e 1995, quando tais aportes ao fundo previdenciário não podiam ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda; b) informa ainda que foi acometido de neoplasia maligna da pele, conforme documentos em anexo, fato reconhecido pela perícia médica do INSS e, portanto, teria direito à isenção do imposto, tal qual definido em lei. por este motivo, apresentou declarações retificadoras para os anos de 2009 a 2012, informando como isentos todos os proventos recebidos a partir de março/2009, tanto do INSS, quanto da Fachesf, pleiteando a compensação do IR retido na fonte que a Fachesf depositou em juízo; c) observa que a fiscalização não questiona os valores que o contribuinte informou como isentos em função de moléstia grave, mas pela possibilidade de recebimento de restituição em duplicidade. Conclui que a questão a ser decidida consiste na possibilidade ou não de se compensar o imposto retido de 2009 a 2012; d) já há trânsito em julgado no sentido que não são tributáveis os valores da complementação de aposentadoria recebidos, quando decorrentes das parcelas de contribuições efetuadas pelo autor entre 1989 e 1995. Assim, uma parcela do depósito será convertida em renda da União; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.728757/201473 Acórdão n.º 2201003.036 S2C2T1 Fl. 165 3 e) por outro lado, embora ocorra uma coincidência parcial de pedidos, o fundamento utilizado nas duas situações é distinto. Na esfera judicial o contribuinte pleiteou a não incidência do imposto sobre seus complementos de aposentadoria alegando que eles já haviam sido tributados. Na esfera administrativa, a retificação das declarações com a reclassificação dos proventos como isentos baseouse na existência de moléstia grave, da qual é portador, fato este que é incontroverso; f) entende que a isenção motivada pela moléstia especificada em lei prevalece sob a questão judicial; g) não merece prevalecer o argumento da Fiscalização para negar a compensação do imposto retido na fonte, pois não há restituição em duplicidade porque o contribuinte não recebeu de volta os valores que lhe foram descontados. Remetese ao prazo prescricional existente para o pedido de restituição, a fim de não perder o prazo para exercer seu direito à restituição. Destacase que foi solicitada informação fiscal à autoridade lançadora a fim de esclarecer a situação dos depósitos judiciais efetuados pelo interessado, nas qual consta que os depósitos judiciais permanecem à disposição do juízo, ainda não estando convertidos em renda, nem devolvidos ao contribuinte, conforme consultas anexadas aos autos, fl. 41 a 126. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I negou provimento à impugnação entendendo pela inexistência de direito creditório, com a seguintes considerações: a) a partir do ano do exercício de 2010, quando foi incluída uma nova ficha denominada "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas com exigibilidade Suspensa", os respectivos valores a serem preenchidos têm caráter meramente informativo e não integram os cálculos do ajuste anual do IRPF; b) resta evidenciado que houve, de fato, a indevida inclusão pelo contribuinte em sua DIRPF do IRRF e dos respectivos rendimentos cuja tributação está sendo discutida judicialmente; c) nos termos da SCI n.º 9, de 18 de maço de 2013, não se verifica concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa, uma vez que a primeira se refere à isenção do IRPF e a segunda discute o tratamento adequado a ser dado no ajuste anual aos rendimentos com exigibilidade suspensa e seu respectivo IRRF; d) verificase que, nesta instância administrativa, não cabe a discussão da natureza dos rendimentos, eis que já foi discutido na esfera judicial e na própria DIRF entregue pela Fachesf já consta que o crédito tributário está com exigibilidade suspensa, em função da existência de ação judicial; e) na DIRF consta também que o sujeito passivo é portador de moléstia grave, a partir da competência 10/2012, conforme Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 laudo médico apresentado, e o rendimento não consta nem como tributável; f) os valores dos rendimentos do IRRF relativos à fonte pagadora FACHESF devem ser excluídos do ajuste anual do IRPF, ressaltandose que caberá à unidade competente da SRFB dar o devido cumprimento ao comando expedido pelo Poder Judiciário. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte teceu as seguintes alegações: a) que a isenção a que tem direito o contribuinte, sobre seus proventos de aposentadoria recebidos no anocalendário de 2012, por ser portador de moléstia grave especificada em lei, prevalece sobre a não incidência parcial determinada pela Justiça Federal por força da decisão proferida no processo n.º 001491330.2006.4.05.8300; b) que não existem razões jurídicas para impedir a compensação do IR Fonte depositado em juízo, uma vez que a retificadora onde tal valor foi informado somente foi transmitida após o trânsito em julgado da ação judicial; c) que não ocorreu ainda qualquer restituição de imposto de renda ao requerente em função do processo judicial, fato que afasta a duplicidade de restituição invocada pela autoridade lançadora para glosar a compensação de IR Fonte informada nas declarações retificadoras; d) que a quantia a ser restituída neste processo é líquida e certa, haja vista o pedido de conversão em renda da União dos depósitos judiciais efetuados, bem como da renúncia da execução judicial do referido ano; e) que o contribuinte enquadrase no estatuto do idoso; f) que todas as provas necessárias ao julgamento desta lide já estão com a Receita Federal no dossiê n.º 10020000012/0714 03; g) assim, requereu a reforma do acórdão n.º 1275972 para que seja restabelecido o valor da restituição apurada na declaração retificadora do exercício de 2013, anocalendário de 2012. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.728757/201473 Acórdão n.º 2201003.036 S2C2T1 Fl. 166 5 A controvérsia em questão se restringe à glosa da compensação do IRRF no valor de R$ 8.571,83 (oito mil quinhentos e dezessete reais e oitenta e três reais). Como anteriormente relatado, houve a tramitação da ação ordinária n.º 001491330.2006.4.05.8300, impetrada perante a 2ª Vara da Justiça Federal, Seção Judiciária de Pernambuco, na qual consideraramse tributados em duplicidade apenas os valores dos complementos de aposentadoria decorrentes de contribuições vertidas pelo contribuinte entre 1989 e 1995, quando tais aportes ao fundo previdenciário não podiam ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda, de modo que o contribuinte teve êxito parcial em seu pleito. Salientase que, durante o período de tramitação da ação, o valor de IRRF foi depositado em juízo, sendo que a ação transitou em julgado em 21/07/2014, sem atualmente constar informação relativa aos cálculos da liquidação de sentença para a determinação do montante a ser restituído ao contribuinte. Não obstante a situação narrada, o contribuinte apresentou declarações retificadoras para os anos de 2009 a 2012, informando como isentos todos os proventos recebidos a partir de março de 2009 (provenientes do INSS e da Fachesf) e pleiteando, após o trânsito em julgado da decisão judicial, a compensação do IR retido na fonte que a Faschesf depositou em juízo. A fiscalização, por sua vez, não questionou os valores informados pelo contribuinte como isentos por moléstia grave, mas fundamentou a notificação dispondo que o "valor informado como retido na fonte se referiu a depósitos judiciais incidentes sobre rendimentos sub judice. Caso o interessado ganhe a ação, o IRRF será recebido judicialmente. A restituição do IRRF mediante a Declaração Anual de Ajuste implicaria no recebimento em duplicidade dos mesmos valores". Assim, na esfera judicial o contribuinte pugnou pela não incidência do imposto sobre seus complementos de aposentadoria alegando que eles já haviam sido tributados; e, na esfera administrativa, solicitou a retificação das declarações com a reclassificação dos proventos como isentos, tomando como base a existência de moléstia grave, da qual é portador, conforme documentação anexa (laudo médico oficial data de início da doença em 11/03/2009). Nesse contexto, tendo em vista a motivação da glosa, as alegações do contribuinte, bem como o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96 (Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão), deve ser mantida a glosa referente à compensação indevida, pois, quanto realizada a compensação, a ação judicial ainda encontravase em trâmite e os depósitos não haviam sido convertidos em renda para a União. Assim, diante da impossibilidade de compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, não assiste razão ao recorrente. Assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720130/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 27/11/2009
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. GANHO DE CAPITAL.
Constatado que o real alienante de participação societária eram os acionistas pessoas físicas, incorreta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo, assim, indevida a atribuição de sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/11/2009
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS. INEXISTÊNCIA. CONFUSÃO PATRIMONIAL
Não se aplica o artigo 135 do CTN no caso não apenas por não haver prova de dolo das pessoas físicas, mas especialmente, por não serem estas sequer sócias da interessada por ocasiao da operação societária. O fato de ter havido incorporação não tem o condão de responsabilizar os sócios da empresa incorporada com base unicamente no artigo 132 do CTN.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ).
Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes.
Numero da decisão: 1402-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
DEMETRIUS NICHELE MACEI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 27/11/2009 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. GANHO DE CAPITAL. Constatado que o real alienante de participação societária eram os acionistas pessoas físicas, incorreta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo, assim, indevida a atribuição de sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/11/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS. INEXISTÊNCIA. CONFUSÃO PATRIMONIAL Não se aplica o artigo 135 do CTN no caso não apenas por não haver prova de dolo das pessoas físicas, mas especialmente, por não serem estas sequer sócias da interessada por ocasiao da operação societária. O fato de ter havido incorporação não tem o condão de responsabilizar os sócios da empresa incorporada com base unicamente no artigo 132 do CTN. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.720130/2014-51
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5587739
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.150
nome_arquivo_s : Decisao_16561720130201451.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DEMETRIUS NICHELE MACEI
nome_arquivo_pdf_s : 16561720130201451_5587739.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. DEMETRIUS NICHELE MACEI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6369950
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418309373952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.387 1 2.386 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720130/201451 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402002.150 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Matéria IRPJ Ganho de Capital Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HYPERMARCAS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 27/11/2009 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. GANHO DE CAPITAL. Constatado que o real alienante de participação societária eram os acionistas pessoas físicas, incorreta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo, assim, indevida a atribuição de sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/11/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS. INEXISTÊNCIA. CONFUSÃO PATRIMONIAL Não se aplica o artigo 135 do CTN no caso não apenas por não haver prova de dolo das pessoas físicas, mas especialmente, por não serem estas sequer sócias da interessada por ocasiao da operação societária. O fato de ter havido incorporação não tem o condão de responsabilizar os sócios da empresa incorporada com base unicamente no artigo 132 do CTN. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 30 /2 01 4- 51 Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 DEMETRIUS NICHELE MACEI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relatório Trata o presente processo de Auto de infração que exige da interessada HYPERMARCAS S/A Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ sobre ganho de capital, relativo a fato gerador ocorrido em 27/11/2009, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora. Consta no referido Auto de infração que o lançamento do IRPJ foi apurado sob as regras do Lucro Real. Ainda, como lançamento decorrente da matéria tributável apontada no lançamento de IRPJ, foi lavrado Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, igualmente acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora. Nos Autos de Infração consta também, como Responsáveis, nos termos do artigo 135 do CTN, os Sres. Cláudio Alionis, Claudemir Mairena Ramirez e Edson Mairena Aviles, administradores e titulares indiretos do contribuinte Nunter do Brasil Ltda. Do Termo de Verificação Fiscal se extrai a seguinte sequencia de fatos, resumidamente: = em 18/09/2009, foi emitido um Memorando de Entendimentos entre a Hypermarcas e as pessoas físicas controladoras indiretas da POM POM Produtos Higiênicos Ltda., aceito e assinado em 30/09/2009; este Memorando estabelecia as condições para a aquisição das quotas da Pom Pom pela Hypermarcas, no valor de R$ 300.000.000,00; = até 15/10/2009, a POM POM Produtos Higiênicos Ltda. era controlada pela Nunter do Brasil Ltda. (esta com 99,99% de participação); o restante em nome de La Línea do Brasil Ltda., Zaragoza do Brasil Ltda. e Segovia do Brasil (com uma quota cada uma); = até 15/10/2009, a Nunter do Brasil Ltda. era controlada por Cláudio Alionis, Claudemir Mairena Ramirez e Edson Mairena Aviles, com 33,33% cada um; = em 15/10/2009, a POM POM Produtos Higiênicos Ltda. incorpora suas investidoras diretas Nunter do Brasil Ltda, La Línea do Brasil Ltda., Zaragoza do Brasil Ltda. e Segovia do Brasil; Segundo a fiscalização, esta "ação societária" teria feito com que os titulares indiretos da Pom Pom passassem a ser, a partir deste momento, titulares diretos. Assim, por meio do artifício da incorporação às avessas, armouse o cenário para fugir da tributação do IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital na alienação das quotas da Pom Pom. A interessada, e as pessoas fisicas responsáveis, apresentaram tempestivamente impugnação administrativa, todas com o mesmo teor, alegando que: Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720130/201451 Acórdão n.º 1402002.150 S1C4T2 Fl. 2.388 3 Preliminarmente, o auto é nulo pois a autoridade autuante tinha um escopo definido: averiguar a legitimidade do ágio amortizado; mas muda completamente o enfoque da fiscalização para ganho de capital, sem alterar o MPF, pois houve ampliação de sujeitos passivos. Ainda preliminarmente, apontaram erro de identificação do sujeito passivo pois, por um lado, a autoridade fiscal relativiza a estrutura dos alienantes da participação societária na Pom Pom, afastando a eficácia da venda pelos Srs. Cláudio, Claudemir e Edson, por outro, imputa a responsabilidade por sucessão à interessada considerandose justamente a incorporação reversa da Nunter pela Pom Pom. Seja por qualquer prisma que se analise a questão, ou estaria evidenciado o erro na identificação da Nunter, e não os Srs. Cláudio, Claudemir e Edson, como a real alienante da Pom Pom, ou estaria evidenciado o erro na atribuição da interessada como responsável por sucessão pela cobrança. As duas preliminares de nulidade acima apontadas foram rejeitadas pela Delegacia de Julgamento DRJ. Em seguida, no merito, alegaram as impugnantes que: 1) O negócio relativo à Pom Pom era detido na essência pelas pessoas físicas que efetivamente o alienaram como um todo essa foi a verdadeira causa objetiva da operação; 2) A manifesta intenção das partes envolvidas na operação no negócio praticado e para a obtenção do ganho de capital que se verificou no caso concreto 3) A lógica da tributação sobre o ganho de capital e o desacordo das premissas encerradas pela fiscalização Outros cenários com igual ou menor resultado e a inexistência de planejamento tributário abusivo; 4) A ausência de fundamento em se considerar válido o cenário do Fisco ausência de lógica na alienação da Pom Pom diretamente pela Nunter; 5) A impossibilidade de se considerar o intervalo de tempo entre as operações como único fundamento para caracterizar o suposto planejamento tributário como abusivo; 6) A inexistência de qualquer vantagem tributária na manutenção do investimento das pessoas físicas por meio de uma holding. Finalmente, a DRJ acabou acolhendo as razões de mérito das impugnações, cuja decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 27/11/2009 Alienação de Participação Societária. Ilegitimidade do Sujeito Passivo. Ganho de Capital. Tributação Exercida. Constatado que o real alienante de participação societária eram os acionistas pessoas físicas, incorreta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo, assim, indevida a atribuição de sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/11/2009 CSLL. Lançamento Decorrente. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" Considerando a exoneração do crédito tributário, a DRJ recorre de ofício a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei DA DECISÃO NÃO UNÂNIME DA DELEGACIA DE JULGAMENTO A decisão da DRJ neste processo não foi unânime e o julgador divergente registrou sua declaração de voto. Assim, em se tratando de Recurso de Ofício, me parece bastante apropriado examinar as razões do voto vencido, a fim de verificar se poderia ter havido alguma ilegalidade ou insubsistencia na decisão daquele órgão julgador. Consta da declaração de voto, quanto ao alegado Planejamento tributário abusivo, que houve a caracterização de planejamento tributário abusivo nas operações de incorporação na empresa Nunter do Brasil Ltda, pela empresa Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda, tal como descrito no termo fiscal, com sua fundamentação e conclusão. O julgador limitouse, no ponto que me parece ser o cerne de toda a questão, a remeter ao Termo de Verificação Fiscal e seus anexos, sem apresentar maiores argumentos. Em relação à multa Multa de ofício qualificada, entendeu devidamente caracterizado o dolo nos procedimentos utilizados para criar todo um cenário no qual a alienação das ações da empresa Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda., à Hypermarcas teria sido operada pelas pessoas físicas de Cláudio Alionis, Claudemir Mairena Ramirez e Edson Mairena Aviles. Segundo ele, embora o Memorando de Entendimentos entre a Hypermarcas e as citadas pessoas físicas tenha sido assinado e aceito [por essas pessoas] na qualidade de sócios vendedores, a real detentora do controle direto e, portanto, o real titular dos direitos sobre o objeto de alienação da Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda era, então, a empresa Nunter do Brasil Ltda. A simulação tendente a encobrir a real situação de controle direto da Nunter do Brasil Ltda. ao modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, tal como diz o art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, apontado pela autoridade fiscal revela sim a intenção, o dolo, da contribuinte. Tal situação leva, pois, à qualificação da multa de ofício conforme dita o § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. A incorporação de Nunter por Pom Pom e, posteriormente esta última incorporada pela Hypermarcas faz com que o crédito tributário [tal como constituído pela autoridade fiscal] seja de responsabilidade de Hypermarcas, inclusive multa de mora, uma vez que o patrimônio de Nunter que responderia também pela multa de ofício está ao final de todos os procedimentos no bojo do patrimônio de Hypermarcas. Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720130/201451 Acórdão n.º 1402002.150 S1C4T2 Fl. 2.389 5 Finalmente, quanto a responsabilidade tributária solidária dos sócios, entendeu o julgador vencido que os mesmos fatos caracterizadores da hipótese de aplicação da multa qualificada de 150% são também os que dão sustentação à imposição de responsabilidade tributária solidária aos sócios, uma vez que praticados com excesso de poder ou infração de lei por sócios administradores da pessoa jurídica autuada, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN:. DA NECESSÁRIA MANUTENÇÃO DA DECISÃO DA DRJ A meu ver, assiste razão à decisão tomada pela DRJ no caso em exame. Como bem sustentou o voto condutor, não há nada no lançamento que possa ter ligação com o ágio a que se referiu a autoridade fiscal em seu início de trabalho investigativo, posto que a autoridade autuante procurou, de alguma forma, vincular aquele ágio com a alienação cujo ganho de capital e legitimidade do sujeito passivo. Vejase trecho extraido dos trabalhos da fiscalização: "Na aquisição das quotas da Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda., CNPJ n°43.842.079/000100, em 2009, a Hypermarcas S.A. registrou um ágio de aproximadamente R$ 328 milhões, o qual começou a ser deduzido da base tributável do IRPJ e da CSLL paulatinamente a partir do ano calendário de 2010. Se de um lado houve o ágio, o qual, após a incorporação da Pom Pom pela Hypermarcas, permitiu a esta uma dedução nos tributos (IRPJ/CSLL) equivalente a 34% do valor daquele ágio, igual percentual deveria ser recolhido aos cofres públicos sobre o ganho de capital, uma vez que, na outra ponta da operação havia uma pessoa jurídica." Ocorre porém que a Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda. era controlada direta da Nunter do Brasil Ltda e indiretamente pelas pessoas físicas Cláudio Alionis, Claudemir Mairena Ramirez e Edson Mairena Aviles, controladores desta última. Em atendimento à intimação fiscal (fls.13 a 29), a Impugnante apresentou um MEMORANDO DE INVESTIMENTOS, onde ali encontravamse as condições de negociação entre a Interessada esses mesmos controladores pessoas físicas da Nunter do Brasil Ltda. para a aquisição das quotas (capital) da Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda., que, ressaltese, era o único investimento registrado no ativo não circulante daquela empresa. Reproduzo, por oportuno, abaixo trecho de tal documento: MEMORANDO DE INVESTIMENTOS Este Memorando de Investimentos (o "MEMORANDO") indica os principais termos e condições acordados para a negociação da potencial operação de aquisição, pela Hypermarcas S.A (a "Operação") do negócio de fraldas descartáveis e absorventes, conduzido sob as marcas Pom Pom, BIGFRAL, Piui e Bigmaxi, entre outras (o "Negócio"), através da compra das quotas representativas da totalidade do capital social da Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda. (a Companhia"), atualmente detidas, direta ou indiretamente, pelos Sócios Vendedores (como definido abaixo). Este MEMORANDO representa a manifestação do interesse das partes no momento de sua celebração, e deverá ser considerado como uma referência na elaboração dos contratos definitivos, que serão celebrados entre as partes, para implementação da Operação."] Os Sócios Vendedores ali consignados aceitaram os termos do acordo, assinado em 30/09/2009. Se estes senhores resolveram se desfazer das quotas da Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda., algo que está documentado e que reflete a real intenção dos mesmos, bastava que as Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 referidas quotas passassem a ser possuídas diretamente por eles, porque o controle da Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda, eles já o detinham, indiretamente. Veja que tanto a sociedade investida como a sociedade investidora, na sua essência como destaca a Interessada, apresentam os mesmos Controladores, não havendo outros acionistas/quotistas e/ou acionistas minoritários que não fossem aquelas pessoas físicas já mencionadas. Ambas são sociedades limitadas. Também me pareceu correta a observação do julgador de primeira instancia ao consignar não estarmos aqui diante de constituição de empresas de curta duração (a Nunter do Brasil Ltda. já controlava a Pom Pom desde 2002), de passagem ou efêmera, criadas ou construídas para legitimar, de forma artificial, uma operação que se constataria simulada; nem se está diante de seqüências de reorganizações societárias visando, de forma simulada/dissimulada escapar de tributação mais onerosa ou arranjar despesas fictícias. Os sócios pessoas físicas queriam, sim, alienar as suas quotas que possuíam da Pom Pom e as tratativas para que isto acontecesse foram negociadas antes da alienação, o que é reconhecido pela própria autoridade autuante. Entendeu a DRJ que eventual ausência de propósito negocial, deve estar aliada a outros parâmetros que possam permitir concluir, sem sombra de dúvida, de que tudo teria sido parte de atos orquestrados, sucessivos, de forma a simular ou dissimular a real intenção das partes. Idéia com a qual compartilho entendimento. Observou corretamente o julgador que corroborar com o ponto de vista da autoridade autuante seria o mesmo que dizer aos empresários (sócios pessoas físicas): vocês não podem se desfazer de seu investimento (as quotas das Pom Pom), em momento nenhum....somente a empresa (de quem já são os donos!) é que pode concluir a operação (de venda). Ora, a empresa que foi incorporada pela Pom Pom Produtos Higiênicos Ltda. tratavase de uma holding (Nunter do Brasil Ltda.) e não tinha outros sócios que não aqueles já mencionados e possuía apenas um único ativo, o investimento na Pom Pom. DA DESCONSIDERAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO PELAS PESSOAS FISICAS Independentemente da questao do propósito negocial, está evidente que se alguém deve ser objeto de fiscalização por eventual recolhimento a menor de ganho de capital deveria ser os vendedores, nao o comprador, aqui autuado. É nao apenas lógico como também bastante razoável entender que o ganho de capital é devido por quem aufere ganho, ou seja, o alienante, nao o adquirente. Se a discussão envolvesse o aproveitamento do ágio (e não é o caso desses autos) aí sim a interessada seria de fato "interessada" na questao. Ademais, isto é ponto decisivo da questão: a fiscalização reconhece que houve pagamento de Imposto de Renda sobre ganho de capital recolhido em virtude da venda da POM POM por parte dos sócios, na pessoa física dos mesmos. Até mesmo o julgador divergente, em sua declaração de voto, concorda que tal recolhimento deveria ter sido considerado pela autoridade autuante, e não o foi. Ora, nestas circunstancias, exigir o recolhimento de IR sobre ganho de capital da interessada, além de indevido em razão de sua ilegitimidade, seria equivalente ao enriquecimento ilicito da União. Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720130/201451 Acórdão n.º 1402002.150 S1C4T2 Fl. 2.390 7 Por esta razão, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida, no sentido de cancelar o lançamento, pois a Interessada não é o sujeito passivo da operação de alienação que gerou ganho de capital, já tributado, pelo que consta nos autos, nas pessoas físicas dos sócios, os verdadeiros alienantes. Inexistindo as razões que motivaram o lançamento de IRPJ, o mesmo destino deve ter os lançamentos decorrentes (CSLL) bem como a necessária exclusão dos responsáveis arrolados nos Autos de Infração. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. É o meu voto. Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008090/2001-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-003.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.008090/2001-57
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5594075
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.955
nome_arquivo_s : Decisao_10830008090200157.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10830008090200157_5594075.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6396635
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418359705600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 330 1 329 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.008090/200157 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.955 – 2ª Turma Sessão de 14 de abril de 2016 Matéria IRPF Recorrente Fazenda Nacional Interessado João Hélio Vidal Blaya ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 80 90 /2 00 1- 57 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 331 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102000.958, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 01 de dezembro de 2010 (efls. 239 a 266). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Inteligência da Súmula CARF nº 11 (Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal). NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. MERO ATO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de nulidade oriundo de eventuais falhas formais no MPF não pode ser acatado em decorrência da jurisprudência do CARF ter se consolidado na linha de que o MPF é um mero instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento do procedimento fiscal, em sua fase prévia à autuação, sendo que eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento. DATA DE ALIENAÇÃO. CONTRATO PARTICULAR DE VENDA E COMPRA EM FACE DA ESCRITURA DE VENDA E COMPRA. PREVALÊNCIA DO INSTRUMENTO PÚBLICO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. No Contrato Particular de Compromisso de Venda e Compra acostado aos autos sequer consta o nome do autuado (consta somente o nome do outro condômino proprietário), havendo a assinatura de apenas um dos adquirentes e de uma testemunha, sem reconhecimento de firma em cartório ou qualquer outro indício que efetivamente comprovasse que a transação foi efetivada na data do instrumento particular, como o registro nas declarações de bens e direitos dos contratantes ou mesmo a documentação bancária que comprovasse a extinção da obrigação. Assim não se compreende como tão precário instrumento contratual possa espraiar seus efeitos além dos próprios contratantes. Dessa forma , devese privilegiar como data da avença aquela constante do registro cartorário, no qual, inclusive, não há qualquer informação sobre a existência da Fl. 331DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 332 3 compra e venda em data pretérita. Considerada como data da venda e compra a constante no registro público, forçoso concluir que o qüinqüênio decadencial ainda não se tinha operado. GANHOS DE CAPITAL AUFERIDOS NA ALIENAÇÃO DE DUAS ÁREAS COMPLEMENTARES. CUSTO DE AQUISIÇÃO DEFERIDO EM PROPORÇÃO COM AS ÁREAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO PUGNADO EM PROPORÇÃO AOS PREÇOS DE ALIENAÇÃO. DEFERIMENTO DO CRITÉRIO MAIS BENÉFICO AO CONTRIBUINTE. Considerando que a alienação de ambas as áreas gerou ganho de capital, a autoridade fiscal terminou por computar todo o custo de aquisição na apuração dos ganhos de capital. Ademais, o critério utilizado pela autoridade terminou por beneficiar o contribuinte, pois aumentou o custo de aquisição da alienação mais antiga, reduzindo o imposto lançado, o que tem condão de reduzir os encargos moratórios conjuntos das exações lançadas. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. TRIBUTAÇÃO DO GANHO REFERENTE À TERRA NUA. IMPOSSIBILIDADE DE TRATAR O GANHO DE CAPITAL DE UM IMÓVEL RURAL COMO URBANO, SEM CONSIDERAR A SITUAÇÃO RURÍCOLA DO IMÓVEL. Não se pode calcular um ganho de capital na alienação de imóvel rural sem efetuar considerações sobre o valor da terra nua e sobre as benfeitorias. Em regra, somente a parte do preço referente à terra nua é passível de tributação pelo ganho de capital. Eventualmente, caso o contribuinte não consiga apartar as parcelas referentes às benfeitorias do custo de aquisição e do preço de venda, as normas infralegais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com esteio no art. 21 da Lei nº 8.023/90, determinam que todo o preço e o custo totais sejam utilizados para cálculo do ganho de capital. Porém, para que isso ocorra, mister que o contribuinte seja intimado a comprovar o custo das benfeitorias e a parcela dela no preço de venda, não se desincumbindo da tarefa, o que não ocorreu no caso vertente. O imóvel ora em debate foi considerado como urbano, não havendo qualquer remissão à legislação da tributação da atividade rural no auto de infração, o que implica em patente desconformidade do procedimento fiscal com a legislação de regência da matéria, pois, em princípio, somente o ganho obtido na alienação da terra nua poderia ser atingido pelo imposto incidente sobre o ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA À TAXA DO ART. 161 DO CTN. NÃO CABIMENTO DA TAXA SELIC. Juros de mora de 1% a (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional incidem sobre a multa de ofício vinculada ao tributo não paga no vencimento legal. Não há base legal para incidência de juros de mora à taxa selic sobre a multa vinculada ao tributo. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 333 4 MULTA DE OFÍCIO. EXORBITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DO DEFERIMENTO DESSA PRETENSÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. A multa de ofício lançada tem sede no art. 44 da Lei nº 9.430/96, e não se pode afastála sob o argumento de que é exorbitante, pois isso implicaria na decretação de inconstitucionalidade de modo incidental da norma citada, o que é vedado ao julgador administrativo. Na espécie incide a inteligência da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Recurso provido em parte. Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento para cancelar o imposto de renda relativo ao ganho de capital auferido no imóvel de 5.884,30 ha, localizado no município de Porto dos Gaúchos (MT), e reconhecer que os juros de mora devem incidir à taxa de 1% a.m. sobre a multa de ofício vinculada. Ainda, por maioria, decidiuse que a incidência dos juros de mora não poderá exceder àquela que a fiscalização outrora imputou ao contribuinte (juros de mora à taxa Selic sobre a multa vinculada), vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura Matos e Rubens Maurício Carvalho. Enviados os autos à PGFN para fins de ciência da decisão, ocorrida em 05/08/2011 (efl. 267), insurgindose contra esta, a Fazenda apresenta, em 19/08/2011 (efl. 269), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 270 a 279). O recurso foi admitido pelos despachos de efls. 305/306. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 11/03/2010, no Acórdão 9.10100.539, de lavra da 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como ao decidido pela 4a. Turma da mesma Câmara, no Acórdão 0400.651, prolatado em 18 de setembro de 2007, de ementas e decisões a seguir transcritas, visto que adotados como paradigmas, na forma do art. 67, §7o. do referido Anexo II ao RICARF. Acórdão 9.10100.539 Juros Sobre Multa de Ofício Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso da Contribuinte Improvido. Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e Fl. 333DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 334 5 negar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Suzy Gomes Hoffman. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner. Acórdão CSRF 0400.651 JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol que deu provimento ao recurso. O Conselheiro Remis Almeida Estol apresentará declaração de voto. Alega a Fazenda Nacional, em seu recurso, a necessidade de aplicação dos arts. 44, I e 61, §3o. da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, à situação fática, entendendo a recorrente que, nas expressões "débitos para com a União" e "débitos a que se refere este artigo", constantes do mencionado art. 61 estão abrangidos todos os créditos tributários devidos à União, incluindo a multa de ofício aplicada e não somente o valor do tributo (principal). Entende a recorrente que a referida Lei no. 9.430, de 1996, assim, dispôs de modo diverso do §1o. do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a taxa a que se refere o §3o. do art. 5o. daquela Lei (taxa SELIC), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Subsidiariamente, entende estar tal posicionamento de incidência de juros sobre a multa de ofício devidamente, ainda, respaldado pelo teor do disposto no art. 2o., caput e §2o. da Lei no. 6.830, de 22 de setembro de 1980, no no art. 39., caput e §2o. da Lei no. 4.320, de 17 de março de 1964, que estabelecem a incidência dos juros sobre a multa de ofício após sua inscrição em dívida ativa, não fazendo sentido " a aplicação de tais acréscimos ao mesmo débito quando apto a ser executado (Dívida Ativa) e afastálo quando ainda em discussão administrativa (impugnação e recursos voluntário e especial), embora não pago no vencimento. Cita, ainda, a necessidade de observância ao disposto nos arts. 29 e 30 da Lei no. 10.522, de 19 de julho de 2002. Argumenta que, no caso de não cobrança de juros à taxa SELIC, o contribuinte poderia se beneficiar, através da aplicação dos recursos em investimentos remunerados a esta taxa. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido o recurso e no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar, na parte objeto de irresignação, o acórdão hostilizado, reconhecendose a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 335 6 Encaminhados os autos ao Contribuinte para fins de ciência do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ocorrida através de Edital em 07/05/2013 (efl. 314), o autuado quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e de Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Inicialmente, quanto ao conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional, ressalto meu posicionamento pessoal no sentido da matéria admitida (incidência de juros sobre a multa de ofício), ainda que objeto de prequestionamento na instância ordinária, tratarse de matéria atinente à cobrança do crédito tributário, ultrapassando assim o controle de legalidade do lançamento (que, notese, não abrange os referidos juros), seara a que deveria se limitar este Conselho e se constituindo, assim, em meu entendimento pessoal, em matéria estranha ao litígio, inclusive desde sua fase impugnatória. No que tange às restrições estabelecidas pelo recorrido à discussão através do rito previsto pela Lei no. 9.784, de 1999, faço notar ser este o rito disponível para o contribuinte quando se tenciona discutir acréscimos legais incidentes sobre tributos exigidos não constituídos de ofício, acréscimos este que não diferem em nada quanto à sua natureza jurídica dos aqui discutidos, uma vez que (antecipando posição detalhada a seguir no âmbito deste voto), tanto o tributo per se como a multa de ofício são parcelas componentes de um mesmo crédito tributário. Curvome, porém, aqui, à jurisprudência pacificada no âmbito deste mesmo CARF, de conhecimento da matéria (evidenciada de forma clara pela existência de paradigmas divergentes em relação ao recorrido), de forma a superar eventual preliminar de não conhecimento. No mais, pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Adentrando o mérito, entendo inexistir, in casu, dúvida sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício (posicionamento esposado pelo vergastado, ao qual acedo integralmente), adotando como razões de decidir aquelas brilhantemente expostas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, que inclusive foi citado pela recorrente, verbis: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 336 7 De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Fl. 336DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 337 8 Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de Fl. 337DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 338 9 que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.(g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 339 10 "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." Permanece em litígio, todavia, a taxa a ser utilizada para fins de aplicação dos referidos juros sobre a multa de ofício. Enquanto o vergastado se manifestou pela incidência à razão de 1% ao mês, defende a PGFN que deva ser utilizada a Taxa Selic para fins de cômputo dos referidos juros. Em que pese a brilhante exposição do recorrido acerca da problemática (efls. 253 a 259) e sua sólida argumentação de efls. 261 a 266 no sentido de adoção do art. 161, §1o. da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) em detrimento do art. 61 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, entendo que, no âmbito administrativo deste Conselho, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal (dos quais não vislumbro se poder excluir os valores a título de multa de ofício) já foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (...) Cediço que de forma a se cogitar a aplicação do art. 161, §1o. do CTN, haveria de se afastar a aplicabilidade da referida Súmula à multa de ofício lançada, o que rejeito não só por se tratar, em meu entendimento, a multa de espécie do gênero "débito tributário", mas também, e especialmente, por verificar que dentre os Acórdãos que deram origem à referida Súmula, há situações em que a multa de ofício havia sido aplicada (e.g. Acórdãos 10418.935 e 20211.760), sem que se tenha, porém, ali, se afastado a aplicação de juros SELIC sobre referida multa de ofício, em detrimento da aplicação da multa no patamar de 1% ao mês, na forma proposta pelo Acórdão hostilizado Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10830.008090/200157 Acórdão n.º 9202003.955 CSRFT2 Fl. 340 11 Assim, diante do exposto, concluo pela incidência dos juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre a multa de ofício constante do lançamento e, destarte, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721074/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008, 2009
CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins.
CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL.
O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõe-se o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos.
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO.
É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativa, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização, bem como que os insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringem apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos do PIS e da Cofins.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3201-002.236
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por voto de qualidade, afastou-se a alegação de retroatividade do art. 56-A da Lei nº 12.350, de 2010. Vencidos, no ponto, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; b) por maioria de votos, mantiveram-se as glosas sobre as exportações realizadas por terceiros e sobre o transporte entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schlinewein.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008, 2009 CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins. CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõe-se o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativa, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização, bem como que os insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringem apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos do PIS e da Cofins. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10945.721074/2012-19
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5609639
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.236
nome_arquivo_s : Decisao_10945721074201219.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10945721074201219_5609639.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por voto de qualidade, afastou-se a alegação de retroatividade do art. 56-A da Lei nº 12.350, de 2010. Vencidos, no ponto, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; b) por maioria de votos, mantiveram-se as glosas sobre as exportações realizadas por terceiros e sobre o transporte entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schlinewein. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6441648
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418376482816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 4.907 1 4.906 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.721074/201219 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.236 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2016 Matéria PIS. RESSARCIMENTO Recorrente DISAM DISTRIBUIDORA DE INSUMOS AGRICOLAS SUL AMERICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins. CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 10 74 /2 01 2- 19 Fl. 4908DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativa, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização, bem como que os insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringem apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos do PIS e da Cofins. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por voto de qualidade, afastouse a alegação de retroatividade do art. 56A da Lei nº 12.350, de 2010. Vencidos, no ponto, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; b) por maioria de votos, mantiveramse as glosas sobre as exportações realizadas por terceiros e sobre o transporte entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schlinewein. Charles Mayer de Castro Souza PresidenteRelator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. Relatório Fl. 4909DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.908 3 A interessada apresentou pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS apurada no regime não cumulativo, com origem nos anos de 2008 e 2009. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente de pedidos de ressarcimento e declarações de compensação referentes a créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, relativos ao mercado externo, dos trimestres dos anos de 2008 e 2009. Conforme Informação Fiscal e Despacho Decisório de fls. 4571/4593, foram verificadas as receitas decorrentes de vendas para o mercado externo, com suspensão no mercado interno e com alíquota zero também no mercado interno (não tributadas). Com relação às receitas de venda para o mercado externo, a fiscalização excluiu da rubrica de exportação as receitas auferidas como comercial exportadora, de exportação direta por divergências nos documentos comprobatórios e de exportação indireta, por meio de outras comerciais exportadoras, por falta de atendimento aos requisitos estabelecidos na legislação de regência. Sobre as receitas com suspensão, não foram identificadas vendas passíveis de tributação. No tocante às receitas tributadas à alíquota zero, a fiscalização não identificou glosa no que diz respeito à composição de vendas, ou seja, não verificou a existência de produtos tributados compondo tais receitas. Apenas no que diz respeito às receitas financeiras, ela foram excluídas do cálculo do rateio proporcional, ante o entendimento de não estarem “associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns”. Apurados os percentuais para rateio (fls. 4548/4555), a fiscalização procedeu ao exame dos créditos informados nos Dacon da interessada. Dessa análise, resultaram as seguintes glosas: a) despesas de energia elétrica: foram glosados valores referentes a encargos, taxas e multas, que não se caracterizam como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; b) armazenagem e frete: glosadas as notas fiscais relativas a transferência de mercadorias entre unidades da própria empresa, o que não se enquadra no conceito de frete na operação de venda; c) depreciação de máquinas e equipamentos: a glosa se deu em relação aos bens que não são utilizados diretamente na produção de mercadorias destinadas à venda; Fl. 4910DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 d) crédito presumido – atividades agroindustriais: as aquisições de pessoa física (grãos e lenha) foram excluídas da base de cálculo dos créditos, em virtude da revogação do crédito presumido de empresa cerealista pela Lei nº 10.925/2004. Nas planilhas de fls. 4563/4566, a fiscalização demonstrou os valores mensais reconhecidos e a utilização dos créditos deferidos, o que resultou – em razão das exclusões nas receitas de exportação – em saldo a pagar em quase todos os meses. No tocante ao ressarcimento da contribuição sobre vendas não tributadas para o mercado interno, apuraramse os valores descritos à fl. 4590, significando o reconhecimento de R$ 1.133,61 dos R$ 353.749,92. A fiscalização ressaltou ainda ter lavrado auto de infração para exigência dos débitos apurados (processo nº 10945.720325/201329) e de multa isolada sobre os pedidos de ressarcimento indeferidos/indevidos (processo nº 10945.720324/201329). Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 4597/4659. Nela, discorreu sobre a sistemática da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, a legislação de regência, suas premissas e exposições de motivo, defendendo a tese de que o crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas já estava previsto desde seu nascedouro, não se tratando de favor ou subsídio fiscal. A seguir, tratou dos créditos vinculados às receitas de exportação e de sua previsão legal. Referindose ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, defendeu a manutenção dos créditos apurados e vinculados às receitas nele mencionadas – de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. E mais, de acordo com o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, foi permitida a compensação ou ressarcimento desses créditos. Passando à análise da informação fiscal e despacho decisório, argumentou que a aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação não gera direito a crédito, como de fato ela não se creditou, mas o fato da contribuinte não ser produtora das mercadorias não acarreta tributação de suas vendas para o exterior, como entendeu a fiscalização. Exemplificou às fls. 4612/4613, acrescentando ter havido equívoco na interpretação do § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, ao se ignorar a previsão de não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre todas as receitas de exportação. Sobre as exportações diretas, apresentou quadro com dados dos registros de exportação (fl. 4615), que comprovariam as notas fiscais de exportação glosadas por supostas divergências de documentação. Além disso, as referidas notas fiscais trariam eu seu corpo dados correspondentes às informações do Siscomex, Fl. 4911DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.909 5 cujos comprovantes de exportação teriam sido anexados pela própria fiscalização às fls. 771/1083. No tocante às exportações indiretas, por meio de vendas para comercial exportadora com o fim específico de exportação, alegou que as disposições mencionadas pela fiscalização – Decreto Lei nº 1.248/1972, art. 1º, parágrafo único, Lei nº 9.532/1997, art. 39, § 2º, Decreto nº 4.524/2002, art. 45, § 1º e Instrução Normativa RFB nº 1.068/2010 – “não definem em momento algum o que deve ser considerado como venda com fim específico de exportação, mas visam somente evitar que a mercadoria não deixe de ser exportada pela empresa comercial exportadora adquirente”. Aduziu que o art. 9º da Lei nº 10.833 “exime o vendedor das contribuições para o PIS e Cofins”, atribuindo a responsabilidade pelos tributos à comercial exportadora caso a exportação não venha a ocorrer no prazo devido. Assim, havendo comprovação da efetiva exportação da mercadoria, conforme documentação de fls. 1088/3277, não se pode descaracterizar tais operações como fez a fiscalização. Argumentou que o procedimento de descaracterização prendeu se a excesso de formalismo, em desobediência aos princípios estabelecidos no art. 2º da Lei nº 9.784/1999. A propósito, transcreveu jurisprudência e doutrina (fls. 4617/4620). Refutou também a desconsideração das exportações em que se identificou que não foi o adquirente da mercadoria com o fim específico que a efetivamente exportou, mas uma terceira empresa. Procurou esclarecer como se dão determinadas vendas, reiterando que as exportações foram efetivamente realizadas e comprovadas, o que é suficiente para não incidência das contribuições. Suscitou a vedação constitucional ao tratamento desigual a contribuintes que se encontrem em situação equivalente, transcrevendo jurisprudência (fls. 4622/4623). Discordou também do entendimento quanto às vendas para empresas que constam como fabricantes junto ao Siscomex, repetindo os mesmos argumentos do parágrafo anterior. Ainda sobre a exportação indireta, alegou não poder ser responsabilizada pelas contribuições sobre exportações não realizadas pelas comerciais exportadoras para as quais vendeu, notas fiscais relacionadas à fl. 4624, pois os arts. 7º da Lei nº 10.637 e 9º da Lei nº 10.833 prevêem sua exigência das referidas comerciais exportadoras. Sintetizando (fl. 4611): Fl. 4912DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 No que diz respeito ao rateio proporcional dos créditos, reclamou que a descaracterização de algumas receitas de exportação ocasionou também a alteração desse rateio, o mesmo ocorrendo em virtude da exclusão das receitas financeiras das receitas do mercado interno “com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência”. Todavia, as receitas financeiras, embora sujeitas à alíquota zero, fazem parte da base de cálculo das contribuições, devendo compor as referidas receitas do mercado interno (com suspensão, isenção, etc) para fins de rateio para apropriação dos créditos. Refutou o procedimento de terem sido as receitas de exportação e do mercado interno sem incidência, com suspensão, isenção e alíquota zero, apesar da exclusão pela fiscalização, computadas na receita bruta total, distorcendo a apuração da proporcionalidade da receita de exportação em relação à receita bruta total. Transcreveu doutrina e jurisprudência. Com relação à glosa dos créditos das despesas de frete na transferência de produtos entre estabelecimentos, argumentou tratarse de etapa da operação de venda para exportação, o que justifica sua apropriação. Transcreveu acórdão do Carf nesse sentido. Defendeu caracterizarse como agroindústria, e como tal fazer jus a crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, mencionando legislação e normas do Ministério da Agricultura sobre o processo produtivo de grãos (fls. 4663/4668) e descrevendo suas etapas, a saber (fls. 4638/4640): recebimento e classificação, descarga das mercadorias, prélimpeza dos grãos, secagem, póslimpeza, armazenagem e controle de qualidade, expedição. Assim, as mercadorias produzidas pela recorrente passam por um processo que agrega insumos, produtos intermediários e embalagens. Transcreveu dispositivos do RIPI/2010 que tratam do produto industrializado e da industrialização (fls. 4640/4641), bem como jurisprudência sobre o conceito de processo produtivo (fls. 4641/4643), que apoiam sua tese sobre ser o beneficiamento de grãos a industrialização a que se refere a legislação de PIS/Cofins. Acrescentou que a própria fiscalização admitiu, em seu relatório, que a recorrente efetua vendas de “produção própria”, como comprovam também os memorandos de exportação. Reiterou enquadrarse no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, “pessoas jurídicas (..) que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal”, fazendo jus a crédito presumido. Sobre o Fl. 4913DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.910 7 conceito de cerealista, procurou demonstrar que não desempenha somente essa atividade, definida no inciso I do § 1º do referido art. 8º, pois a atividade de secar, também desempenhada por ela, não altera tal interpretação, mesmo porque a Lei nº 11.906/2005 alterou tal inciso retirando o termo “secar”. Refutou a menção da fiscalização, no item 96 do relatório, da IN RFB nº 660/2006 sobre o conceito de cerealista, por não ter atentado que o referido dispositivo está inserido no tópico – DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO, não havendo o propósito de tratar de crédito presumido. O direito a esse crédito está previsto nos art. 5º a 7º dessa norma, onde se evidenciam as operações que permitem à recorrente o direito de crédito. Relativamente às vendas com suspensão, o art. 9º da Lei nº 10.925 permitiu sua efetivação para os produtos relacionados em seu art. 8º. Em contrapartida, o § 4º, II deste artigo vedava o aproveitamento dos créditos correspondentes, situação alterada com a edição da Medida Provisória nº 206/2004 (convertida na Lei nº 11.033/2004), cujo art. 16 (17 na conversão) teria derrogado tal vedação, ao prever: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. De acordo com a Lei nº 11.116/2005, art. 16, a tais créditos foi possibilitada a compensação e o ressarcimento, não deixando dúvida quanto ao direito da requerente. A própria Receita Federal, em Solução de Consulta da 4ª Região Fiscal (nº 77, de 27/09/2005), teria corroborado tal entendimento (fl. 4651). Porém, contrariando a lei a referida Solução de Consulta, a IN RFB nº 660, em seu art. 3º, § 2º, inovou, na tentativa de impedir o aproveitamento de tais créditos. Contra tal disposição, discorreu sobre seu direito, transcrevendo trecho da exposição de motivos da referida MP, recorreu à Lei de Introdução ao Código Civil (para explicar a derrogação da vedação ao aproveitamento do crédito) e mencionou jurisprudência para demonstrar a ilegalidade de tal dispositivo normativo (fls. 4652/4654). Requereu ainda a incidência de juros à taxa Selic incidentes sobre os valores a serem ressarcidos, trazendo à colação farta jurisprudência nesse sentido. Pleiteou ainda: (o julgamento conjunto dos processos de ressarcimento e dos autos de infração em que aplicada a multa isolada). Por fim, requereu a reforma do despacho decisório, para reconhecer seu direito creditório. Fl. 4914DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1445.625, de 24/10/2013 (fls. 4800 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 EXPORTAÇÃO DIRETA E INDIRETA. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas decorrentes de exportação direta ou indireta, por meio de comercial exportadora, não se sujeitam à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. As vendas a comercial exportadora não se sujeitam à Contribuição para o PIS/Pasep e ao Cofins, se atendidos os requisitos legais da venda com fim específico de exportação. VENDA A COMERCIAL EXPORTADORA. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. A comprovação da exportação da mercadoria vendida com fim específico cabe à comercial exportadora, e não ao vendedor da mercadoria. RECEITAS FINANCEIRAS. RATEIO PARA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. O rateio para apropriação de créditos deve considerar as receitas de prestação de serviços e da venda de produtos ou bens, nas quais não se incluem as receitas financeiras. FRETE. CRÉDITOS. Apenas os fretes na operação de venda dão direito a crédito, não se enquadrando em tal conceito a transferência de mercadorias entre estabelecimentos. CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO. As empresas caracterizadas como cerealistas não fazem jus ao crédito presumido da Lei nº 10.925/2004. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. RESSARCIMENTO. JUROS. O ressarcimento de créditos não se assemelha à restituição de indébitos e, por absoluta falta de previsão legal, não comporta a incidência de juros. Fl. 4915DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.911 9 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 REUNIÃO DE PROCESSOS. Indeferese o pedido de reunião de processos para julgamento conjunto quando não se enquadrarem na norma administrativa que disciplina a matéria. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 4825/4891, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Considerações iniciais A Recorrente pleiteou o ressarcimento de créditos de PIS apurados no regime não cumulativo, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios, com origem em todos os trimestres dos anos de 2008 e 2009. Deferido em parte o direito vindicado, o litígio foi submetido à instância de piso, que reformou parcialmente a decisão recorrida, reconhecendo o direito à apropriação de créditos sobre valores relativos a notas fiscais glosadas a título de “Receitas de Exportação Direta”, bem como sobre os itens referidos na “Relação dos Memorandos de Exportação Glosados – Exportação Indireta” (motivo alegado foi a exportação não comprovada). Esses temas serão abordados quando da apreciação dos autos de infração lavrados contra a Recorrente, uma vez que, como cediço, não há interposição de recurso de ofício em sede de pedido de ressarcimento. O entendimento quanto aos demais temas objeto do litígio, tal como apresentado pela fiscalização, foi mantido na decisão recorrida. Vendas a comerciais exportadoras O primeiro diz com as vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras. Segundo a fiscalização, para caracterizar como regular uma venda realizada a uma comercial exportadora, seria necessária a observância dos seguintes requisitos objetivos: a) o destinatário da venda deve ser a comercial exportadora que efetivamente realizou a Fl. 4916DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 exportação da mercadoria, ou seja, a empresa destinatária da venda com fim específico de exportação deve constar como exportadora da mercadoria nas declarações de Despacho de Exportação DDE registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex; b) o local de destino da mercadoria vendida deve ser um recinto alfandegado ou ela deve ser remetida diretamente para embarque de exportação (por conta e ordem da empresa comercial exportadora). Como cediço, as exportações não se dão apenas através da própria empresa produtoraexportadora da mercadoria, mas, também, por meio das chamadas trading companies – aquelas adrede criadas com a só finalidade de promover a importação e a exportação de produtos fabricados no exterior ou aqui manufaturados –, para as quais o legislador ordinário atribuiu, também às vendas a estas efetuadas e em apreço à imunidade constitucional, uma isenção tributária das contribuições para o PIS e para a Cofins, desde que os produtos tenham sido adquiridos com o fim específico de exportação. O Decretolei nº 1.248/1972, ao dispor sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, por empresa comercial exportadora, para o fim específico da exportação, deu a seguinte disciplina às operações por ela realizadas: “Art. 1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decretolei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art.2º. O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I – Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II – Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III – Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. § 1º. O registro a que se refere o item I deste artigo poderá ser cancelado, a qualquer tempo, nos casos: a) de inobservância das disposições deste DecretoLei ou de quaisquer outras normas que o complementem; b) de práticas fraudulentas ou inidoneidade manifesta. § 2º. Do ato que determinar o cancelamento a que se refere o parágrafo anterior caberá recurso ao Conselho Monetário Fl. 4917DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.912 11 Nacional, sem efeito suspensivo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de sua publicação. § 3º. O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas relativas à estrutura do capital das empresas de que trata este artigo, tendo em vista o interesse nacional e, especialmente, prevenir práticas monopolísticas no comércio exterior. Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação.” (g.n). Assim também o Decreto nº 4.524, de 2002, que regulamenta as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3º; V do transporte internacional de cargas ou passageiro; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, Fl. 4918DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (g.n.) Como se vê, o legislador estabeleceu alguns requisitos para que a isenção do PIS e da Cofins se confirmasse – os mesmos defendidos pela fiscalização e sustentados na decisão recorrida. Além de as vendas necessariamente terem de ser efetuadas a empresas comerciais exportadoras, devem ser assim realizadas com o fim específico de exportação, finalidade explicitada, embora já constante do Decretolei n.º 1.248, de 1972, por meio da IN SRF nº 247/2002, nos termos seguintes: remessa direta do produtorvendedor para embarque de exportação ou depósito em entreposto aduaneiro, em ambos os casos por conta da empresa comercial exportadora. Portanto, a questão de maior relevo para o desate do litígio, ao menos nesta matéria, resumese em saber se as vendas realizadas às trading pela Recorrente observaram tais requisitos, uma vez que a condição de comercial exportadora das destinatárias não foi questionada em nenhum momento nos autos. E, consoante informações fornecidas pela fiscalização e não contestadas no recurso, as mercadorias vendidas não foram depositadas em entreposto aduaneiro (recinto alfandegado) por conta e ordem das empresas que as adquiriram – as comerciais exportadoras, fato que impossibilita sejam tais vendas consideradas como exportações da Recorrente e acarreta a sua reclassificação como receita de venda de produção própria tributada no mercado interno. Como a lei não estabeleceu exceções, considerações outras como a forma em que se apresentavam as mercadorias exportadas pela Recorrente, ou mesmo a alegação de que as saídas das mercadorias se destinaram primeiramente à formação de lotes para a exportação, não são suficientes para afastar exigências previstas em dispositivos legais plenamente vigentes. Esse é o entendimento que vem sendo amplamente adotado nesta Corte Administrativa, inclusive nesta mesma Turma de Julgamento: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. SAÍDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do Fl. 4919DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.913 13 estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (CARF/3ª Seção/1ª Câmara /1ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Acórdão n.º 3101001.787, de 11/12/2014). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI EXPORTAÇÃO INDIRETA VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que reste caracterizada a venda à comercial exportadora com finalidade específica de exportação é necessário que o produto seja remetido diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, o que não ocorreu na hipótese. (Acórdão CARF/3ª Seção/1ª Câmara /1ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Acórdão n.º 3301 002.379, de 22/06/2014). SAÍDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. As saídas para comercial exportadora com o fim específico de exportação referemse àquelas remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, a passagem desses produtos por outros estabelecimentos intermediários, tais como armazéns gerais ou estabelecimento comercial, descaracteriza a saída com o fim especifico de exportação. (CARF/3ª Seção/1ª Câmara /1ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Acórdão n.º 3101000.874, de 31/08/2011). VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Acórdão n.º 3202000.779, de 25/06/2013). Exportações realizadas por terceira empresa Outro tema referese às exportações que foram realizadas por uma terceira empresa, diversa da adquirente da mercadoria, ou por uma empresa exportadora na condição de fabricante. Fl. 4920DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Conforme destacado na legislação aqui reproduzida, as saídas com o fim específico de exportação devem se destinar a uma comercial exportadora, diretamente para embarque de exportação, ou para recintos alfandegados, por conta e ordem desta. Já enfatizamos, não é o só fato da exportação que leva ao reconhecimento da não incidência das contribuições para o PIS/Cofins, mas a realização, no plano fático, dos requisitos previstos em lei já aqui expressamente ressaltados. Ainda que as mercadorias tenham sido vendidas para uma empresa exportadora (não se confunda com uma comercial exportadora, uma trading company) registrada na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as operações assim realizadas devem apresentarse com o fim específico de exportação para o exterior. É o que estabelece, como requisito à isenção, o inciso IX do art. 45 do Decreto nº 4.524, de 2002, que regulamenta as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. Correta, portanto, a fiscalização ao desconsiderar, como exportações da Recorrente, aquelas realizadas por uma terceira empresa, diversa da adquirente da mercadoria, ou por uma empresa exportadora na condição de fabricante. Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Distorção no rateio proporcional Sobre o suposto equívoco que teria decorrido da descaracterização de algumas vendas efetuadas para exportação, é evidente que a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, deverá Fl. 4921DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.914 15 ser alterada quando modificadas as parcelas que as compõem, o que ocorrerá quando a unidade de origem, com as considerações expostas no presente voto, recalcular o valor a ser ressarcido. Frete na transferência entre estabelecimentos da mesma empresa A discussão em torno do creditamento sobre fretes pagos na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa também não é novo nesta mesma Turma de Julgamento. Temos entendido que, como a lei fala em “frete na operação de venda”, não se justificaria o crédito na circunstância de a operação reportarse a uma mera transferência entre estabelecimentos (CARF/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, redator para o acórdão Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). Esse também é o entendimento de outras Turmas de Julgamento. Exemplificativamente: CRÉDITOS. FRETES. REMESSA PARA ARMAZÉNS E DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Carece de previsão legal a apropriação de créditos, na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em relação ao custo do frete arcado com a transferência de mercadorias acabadas ou prontas para consumo a depósitos ou armazéns, próprios ou de terceiros. (CARF/4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403002.373, de 22/8/2013). CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. (CARF/3ª Câmara /2ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3302002.027, de 23/4/2013). FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. (CARF/4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403002.681, de 28/1/2014). Do crédito presumido da agroindústria Uma outra questão submetida à apreciação deste Colegiado envolve o crédito presumido conferido por lei às agroindústrias. As Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, estabelecem, como regra geral, o não creditamento nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins (art. 3º, § 2º, das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). Nada obstante, essa regra Fl. 4922DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 16 geral foi excepcionada por lei especial, qual seja, o art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, que conferiu, apenas para as pessoas jurídicas que menciona, crédito presumido a ser calculado sobre o valor que seria devido fosse a operação tributada nos termos do art. 2º das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (sobre os 1,65% e os 7,6% a título de PIS e de Cofins, respectivamente): Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012)” § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal Fl. 4923DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.915 17 classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007). § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (g.n.). Afirma a fiscalização que, no período de análise, a Recorrente beneficia cereais (basicamente de milho NCM 1005.9010, soja NCM 1201.0090, trigo NCM 1001.9090 e triguilho NCM 1001.1090), atividade que se caracterizaria como a de um cerealista. No recurso voluntário, a Recorrente sustenta beneficiar as mercadorias referidas pelas fiscalização, que, posteriormente, são destinadas, já beneficiadas, à alimentação humana e animal. Com efeito, a despeito da exclusão do crédito da agroindústria pela fiscalização, este Conselho Administrativo, depois de intenso debate (no qual, registrese, restei vencido), assim como vem conferindo ao termo "insumos" interpretação mais abrangente que a definição conferida pela legislação do IPI, de molde a abarcar aqueles fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e para a obtenção da receita tributável pelo PIS/Cofins, também tem entendido que a produção de bens não se restringe apenas ao conceito estrito de industrialização. A título de ilustração: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Fl. 4924DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 18 Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. (g.n.) (3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª TO, Acórdão nº 3401003.001 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8/12/2015). É o que ocorre com a Recorrente, que adquire bens, de pessoas físicas e cooperativas, e os beneficia, produzindo mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM, posteriormente destinadas à alimentação humana ou animal. A impossibilidade de ressarcimento do crédito presumido decorre da própria lei que o instituiu, como previsto no caput do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, que só permite seja utilizado como dedução dos débitos da própria exação. Não por outro motivo, a RFB, por meio do ADI SRF nº 15, de 2005, dispôs que “o valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o P1S/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa” e que “não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento” por falta de previsão legal. Concluindo, a Recorrente também faz jus ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições de bens, de pessoas físicas ou cooperativas, empregados na produção (beneficiamento) de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 Fl. 4925DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721074/201219 Acórdão n.º 3201002.236 S3C2T1 Fl. 4.916 19 e 12 da NCM, que, contudo, só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime não cumulativo. A retroatividade benigna, é sabido, aplicase, quando cabível, em matéria de infrações à legislação tributária, não para conferir, retroativamente, direitos só estabelecidos em momento futuro. Com a devida vênia, discordamos veementemente de decisão administrativa que tenha adotando entendimento diverso. Das vendas efetuadas com suspensão A Recorrente pretende o reconhecimento de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão a empresas agroindustriais. Ocorre que, como ressaltado pela instância de piso, a Lei nº 11.033, de 2004, que resultou da conversão da Medida Provisória nº 206, de 2004, de fato previu a manutenção de créditos nos casos de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Cofins, mas essa disposição normativa não revogou o disposto no § 4º do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, supra, conforme se depreende da simples leitura do disposto no art. 24 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (...) Art. 24. Ficam revogados o art. 63 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a partir de 1o de janeiro de 2005, e o § 2o do art. 10 da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004. Tratase de norma geral posterior que, nos termos do disposto no art. 2º, § 2º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (antiga Lei de Introdução ao Código Civil), não revoga nem modifica lei especial anterior, donde resta impossível a manutenção, pela Recorrente, de créditos de PIS/Cofins em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão a empresas agroindustriais. Da taxa Selic sobre os valores ressarcidos No que concerne aos juros à taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos, há norma expressa na Lei nº 10.833, de 2003, vedando, para o ressarcimento do PIS/Cofins, a correção monetária e a aplicação dos juros de mora. Confirase: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II Fl. 4926DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 20 do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: a) reconhecer a inclusão das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos do PIS não cumulativo; b) reconhecer o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições de bens, de pessoas físicas ou cooperativas, empregados na produção (beneficiamento) de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 e 12 da NCM; É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 4927DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721416/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009).
FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO.
O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Por sua vez, a utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE.
A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão.
Numero da decisão: 1402-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e: ii) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% em relação à infração indicada no item 002 do auto de infração e excluir a responsabilidade do coobrigado em relação às infrações apenadas com multa de 75%, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que votaram por dar provimento em maior extensão para excluir integralmente a responsabilidade do coobrigado. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Por sua vez, a utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721416/2013-16
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5581074
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.117
nome_arquivo_s : Decisao_19515721416201316.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 19515721416201316_5581074.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e: ii) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% em relação à infração indicada no item 002 do auto de infração e excluir a responsabilidade do coobrigado em relação às infrações apenadas com multa de 75%, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que votaram por dar provimento em maior extensão para excluir integralmente a responsabilidade do coobrigado. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6347372
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418386968576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 4.486 1 4.485 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721416/201316 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402002.117 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2016 Matéria IRPJ E OUTROS OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO EIRELI FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Por sua vez, a utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 16 /2 01 3- 16 Fl. 4486DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.487 2 A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e: ii) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% em relação à infração indicada no item 002 do auto de infração e excluir a responsabilidade do coobrigado em relação às infrações apenadas com multa de 75%, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que votaram por dar provimento em maior extensão para excluir integralmente a responsabilidade do coobrigado. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 4487DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.488 3 Relatório Tratamse de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas –IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, e das Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, lavrados em 20/06/2013, pela Delegacia Especial de Fiscalização – DEFIS em São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no total de R$ 17.854.435,20 (incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e a multa qualificada de 150%, e os juros de mora devidos até a data da lavratura), tendo em conta as irregularidades apuradas, nos anos calendário 2007 e 2008, descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 193/204, parte integrante da peça acusatória, abaixo transcrito na parte relacionada às presentes autuações. Foram analisados extratos bancários de titularidade do sujeito passivo em diversas instituições financeiras que, após intimações para que fosse justificados depósitos em contacorrente implicaram nas seguintes irregularidades: 1) Recebimento de valores representados por transferência da empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda. na agência contacorrente 457620, agência 1651 do Bradesco; e contacorrente 5948, agência 647, do Banco do Brasil; não justificadas pela Fiscalizada e não escrituradas, que deveriam compor a receita bruta; 2) Valores a crédito correspondentes a descontos de cheques na conta corrente 457620, agência 1651 do Bradesco, não escriturados e sem comprovação de origem; 3) Recebimento de valores através de transferências bancárias nas contas correntes 5948 e 22676, na agência 647 do Banco do Brasil, não justificadas e não escrituradas; e: 4) Depósitos dos cheques em cheques valor de R$ 210.000,00 (em 27/03/2008) e R$ 25.600,00 (em 10/11/2008), realizados na contacorrente n° 45.7620 do Banco Bradesco, agência 1651, de origem não comprovada. As irregularidades correspondentes aos itens 1, 2 e 3 foram apenadas com multa qualificada. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o sócio e único administrador da autuada Sr. Humberto Ferri, que teria utilizado indevidamente recursos da pessoa jurídica ao fazer a contratação e pagamento a pessoas físicas e jurídicas para executar obras em imóveis de sua propriedade particular. Em impugnação a autuada sustenta, sinteticamente: A ocorrência da decadência; Excesso na utilização do MPF; Não houve omissão de receita e nem há justificativa para a imputação da multa qualificada, pois foram prestados todos os esclarecimentos requeridos; Fl. 4488DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.489 4 Não caberia a responsabilidade solidária do sócio, pois não ocorreu o fato imputado e o art. 135 do CTN deveria ser analisado em conjunto com o art. 134, implicando que a responsabilização do sócio só poderia ocorrer na liquidação da sociedade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1656.329 acolhendo parcialmente a decadência. Nas demais questões, manteve o lançamento. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 4489DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.490 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e do coobrigado foram apresentados tempestivamente e por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual deles conheço. A arguição de decadência já foi enfrentada pela decisão recorrida tendo sido parcialmente provida e objeto de recurso de ofício, em relação ao qual voto por negarlhe provimento, eis que o acórdão questionado aplicou corretamente a regra do inciso I, do art. 173 do CTN. Considerando que, conforme informado pela decisão recorrida, não foram localizados pagamentos de tributos e contribuições nos anoscalendário sob exame, não haveria alteração na contagem do prazo decadencial feita pela decisão recorrida, independentemente do percentual da multa aplicado. O suposto excesso em relação ao MPF não ocorreu. Partilho do entendimento de que um vício no MPF pode comprometer a legitimidade do procedimento fiscal. Entretanto, meu posicionamento dirigese fundamentalmente às situações nas quais a ação fiscal é executada fora do alcance do MPF que lhe deu origem. Nessa hipótese é plausível a argüição de ilegalidade do procedimento, com flagrante violação do princípio da transparência e da segurança jurídica do administrado. Registrando que tal posição não encontra respaldo na jurisprudência desta Corte, para quem o MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo, ainda assim o procedimento fiscal esteve sempre albergado pelo MPF respectivo, e respectivas prorrogações. A Portaria RFB nº 3.014/2011 que embasou a emissão do MPF aqui sob discussão deixa claro que o documento alberga a fiscalização de outros tributos com base nos mesmos elementos de prova do IRPJ: [...] Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. [...] Assim, as autuações da CSLL, PIS e Cofins referentes à omissão de receitas já estariam automaticamente incluídas no MPF. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do Fl. 4490DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.491 6 artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) A aplicabilidade dos dispositivos legais em comento só poderia ser afastada por decisão judicial nesse sentido específica para o sujeito passivo ou Acórdão do STF proferido em caráter definitivo com eficácia universal. No mérito, conforme ressaltado pela decisão recorrida, a interessada só apresentou questionamento específico em relação à infração decorrente dos depósitos bancários correspondentes a valores recebidos da empresa Cordeiro Lopes. Quanto aos demais, limitou se a afirmar que não teria ocorrido a omissão de receita. Assim, no que se refere às operações de desconto de cheques e ao recebimento de outras fontes, a autuação deve ser mantida. Quanto àqueles valores recebidos da empresa Cordeiro Lopes , a recorrente afirma que as notas fiscais apresentadas referentes a transações com a mencionada empresa Fl. 4491DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.492 7 teriam sido escrituradas. Entretanto, não conseguiu vincular esses documentos aos depósitos questionados, motivo pelo qual aqui também o recurso não merece guarida. Em relação à multa qualificada, a interessada defendese afirmando que: "conforme amplamente demonstrado na presente peça, a Recorrente prestou todos os esclarecimentos requisitados sobre os pagamentos, bem como apresentou os devidos recibos, contratos de prestação de serviços e outros documentos comprobatórios das operações, provando que não houve qualquer tipo de fraude." As alegações do sujeito passivo não encontram respaldo nos fatos apurados. Como já afirmado, não houve qualquer argumento ou documento probante de defesa em relação às operações de desconto de cheques e ao recebimento de outras fontes. A decisão recorrida bem resumiu a situação: Quanto às operações de desconto de cheques não comprovadas, a contribuinte também foi intimada no curso do procedimento (intimação fiscal nº 19 – fls. 178 e anexo de fls. 179/181), e na impugnação sequer se pronuncia diretamente. As operações se encontram discriminadas na planilha de fls. 4229/4231, por mês, data, valor, d/c, histórico e nº de documento, e comprovadas pelos extratos bancários do Bradesco (conta corrente n° 457620, agência 1651– fls. 421 e seguintes). [...] No que se refere aos recebimentos de outras fontes, a fiscalização procedeu à discriminação das operações, por data, valor, fonte pagadora, nº do lançamento/documento, banco, agência e conta corrente, a partir das transferências interbancárias informadas pelo Banco do Brasil (fls. 4232/4233), e no curso do procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada a provar a contabilização das operações, mas nada apresentou e nem sequer por ocasião da impugnação [...] Finalmente, com relação aos depósitos de cheques de origem não comprovada, realizados na contacorrente n° 45.7620 do Banco Bradesco, agência 1651, em relação aos quais a contribuinte sequer foi capaz de identificar as fontes pagadoras, quanto mais as operações que teriam dado causa aos depósitos, e a sua regular escrituração, não há reparos a fazer aos lançamentos. [...] Registrese que a imputação da multa qualificada não se vincula necessariamente à não apresentação de documentos, mas à natureza da infração e, mais especificamente, à conduta. Quanto a esse ponto a autoridade lançadora corretamente não imputou a qualificadora nos lançamento referente aos depósitos bancários não identificados. Sendo assim, a princípio a autoridade lançadora procedeu nos moldes que partilho, ou seja, para efeito de aplicação da qualificada cada infração deve ser analisada como resultado de uma conduta específica. Em relação às demais infrações, a Fiscalização aplicou a exasperadora em função de, segundo o Termo de Verificação, não se tratar de simples omissão de receitas mas ausência total de qualquer tipo de registro das operações na contabilidade da pessoa jurídica. No que se refere às operações devidamente identificadas como transações com a empresa Cordeiro Lopes, não faço reparo ao procedimento fiscal. Fl. 4492DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.493 8 Quanto à operações de desconto de cheques e as transferências bancárias não comprovadas, foram tratadas como receita operacional e tributadas, apenas com base no histórico do respectivo extrato bancário. Inegável, destarte, que tratase de autuação por presunção legal. Nesse caso, a lei estabelece a presunção legal de omissão de receita, mas não a presunção da fraude. A meu ver, não se pode dar a essa situação o mesmo tratamento da omissão direta. Sob essa ótica voto por reduzir a multa ao percentual de 75% para as irregularidades relacionadas no item 0002 do auto de infração, correspondentes às transferências bancárias e ao desconto de cheques. Por outro lado, exatamente por não estar definida a natureza das operações que geraram os valores tributados, não há como aplicar o coeficiente de presunção para revenda de mercadorias, como pleiteia a recorrente. Nos termos do art. 24, §1º da Lei nº 9.249, de 1995, abaixo transcrito, em caso de omissão de receitas, quando não for possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta deve ser adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. (...) Quanto à responsabilidade tributária do coobrigado, a autoridade lançadora justificou a responsabilização pelo fato do Sr. Humberto Ferri ter contratado e pago diversas pessoas físicas e jurídicas para executarem obras e prestação de serviços em imóveis de sua propriedade, com recursos da interessada. Não há duvida quanto à irregularidade cometida pelo coobrigado e o enquadramento, em tese no art. 135, do CTN, para efeitos de responsabilização. Entretanto, o dispositivo em questão estabelece que a obrigação tributária a ser imputada ao coobrigado é aquela decorrente do ato praticado. No caso, as irregularidades tributárias que geraram o crédito tributário neste processo não tem qualquer ligação com a conduta do coobrigado que implicaram na responsabilização. Entendo que a relevância dessa conduta deve ser avaliada quando da apuração dos efeitos tributários sobre a pessoa jurídica dos pagamentos irregulares feitos pelo coobrigado. Sendo assim, voto por excluir o coobrigado da relação jurídicotributária de que tratam os autos. Fl. 4493DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.494 9 Com relação aos juros de mora sobre a multa de ofício é tema que adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência Fl. 4494DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.495 10 à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Fl. 4495DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.496 11 Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Fl. 4496DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.497 12 Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a Fl. 4497DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.498 13 ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.499 14 Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.500 15 geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano1 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal 1 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.501 16 resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.502 17 Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.503 18 É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício2: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.504 19 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.505 20 "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. . Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.506 21 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Para o ilustre conselheiro relator, a cominação de multa qualificada não enseja, automaticamente, a responsabilização tributária dos administradores da pessoa jurídica. Com a devida vênia, em que pesem os seus valiosos e respeitáveis argumentos, discordo de tal conclusão. Tratase de analisar se a aplicação de multa qualificada é suficiente para caracterizar a responsabilidade tributária de administradores de pessoas jurídicas a que alude o art. 135, III, do CTN. As alegações de defesa partem do princípio de que o simples inadimplemento de tributos não pode levar à responsabilização dos representantes legais da pessoa jurídica. Pois bem, passo à análise do tema. O termo responsabilidade, em sentido amplo, possui estreita ligação com o direito civil, em especial com o direito das obrigações. Karl Larenz aduz que a possibilidade de o devedor responder, em regra, com seu patrimônio perante o credor surgiu de longa evolução do direito de obrigações e do direito de execução.3 A obrigação, em sentido técnico, tem origem em uma relação jurídica entre duas ou mais partes, na qual o polo ativo (credor) passa a ter o direito de exigir do polo passivo (devedor) uma prestação, ou, de modo contrário, o devedor passa a ter obrigação de determinado comportamento ou conduta para com o credor.4 No bojo dessa relação jurídica obrigacional, temse como elemento necessário o denominado vínculo. Este pode se originar de inúmeras fontes e obriga o devedor a cumprir determinada prestação para com o credor. Subdividese em débito (prestação a ser cumprida conforme pactuado) e responsabilidade (o direito de o credor exigir o cumprimento da obrigação quando não satisfeita a prestação, podendo esta exigência incidir, inclusive, sobre os bens do devedor). Segundo Gonçalves A responsabilidade é, assim, a consequência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Pode se, pois, afirmar que a relação obrigacional tem por fim 3 LARENZ, 1958, apud GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35. 4 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 22. Fl. 4506DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.507 22 precípuo a prestação devida e, secundariamente, a sujeição do patrimônio do devedor que não a satisfaz.5 No âmbito da responsabilidade civil e tributária, a sujeição tem como limite o patrimônio do responsável, ainda que não seja este, necessariamente, o infrator da norma de conduta desrespeitada. Já o termo responsabilidade tributária, em sentido ainda amplo, é entendido como a sujeição do patrimônio de uma pessoa, física ou jurídica, ao cumprimento de obrigação tributária inadimplida por outrem. Assim, podese afirmar que “responsabilidade tributária” possui conceito próximo a “sujeição passiva tributária”, porém, ressaltese que há diferenças entre estes conceitos: enquanto a sujeição tributária nasce a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, a responsabilidade exsurge somente se a pretensão tributária tornarse exigível, ou nas palavras de Luciano Amaro, “a presença do responsável como devedor na obrigação tributária traduz uma modificação subjetiva no polo passivo da obrigação, na posição que, naturalmente, seria ocupada pela figura do contribuinte”.6 É importante distinguir a responsabilidade tributária da responsabilidade civil. Esta advém da prática de ato ilícito lato sensu causador de dano a terceiro, sobrevindo a obrigação de indenizar, enquanto aquela, em que pesem algumas hipóteses de surgimento a partir de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137 do CTN), possui também como propulsor atos lícitos.7 Assim discorre Maria Rita Ferragut sobre a responsabilidade: É a ocorrência de um fato qualquer, lícito ou ilícito (morte, fusão, excesso de poderes etc.), e não tipificado como fato jurídico tributário, que autoriza a constituição da relação jurídica entre o Estadocredor e o responsável, relação essa que deve pressupor a existência do fato jurídico tributário. 8 Ao ponderar sobre a matéria, Marcos Vinícius Neder anota que a responsabilidade tributária tem respaldo no CTN, o qual consagra normas gerais sobre sujeição passiva de tal forma a redirecionar a responsabilidade pela dívida tributária do contribuinte para um terceiro, facilitando e tornando mais efetivo o trabalho dos órgãos da administração tributária9, e afirma que a “lei tributária autoriza ao Fisco incluir terceira pessoa, distinta da que pratica o fato jurídico tributário, no polo passivo da obrigação tributária como responsável pelo pagamento do crédito tributário”.10 5 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral das Obrigações. Vol. II. 6. ed. rev. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35. 6 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. atual. – São Paulo: Saraiva, 2004, p. 295. 7 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária: Conceitos Fundamentais. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 11. 8 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária: Conceitos Fundamentais. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 11. 9 NEDER, MARCOS Vinícius. Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 28. 10 NEDER, MARCOS Vinícius. Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 28. Fl. 4507DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.508 23 O CTN contempla em seus artigos 128 a 138 os casos de responsabilidade tributária, assim distribuídos: Disposição geral (art. 128); Responsabilidade dos sucessores (arts. 129 a 133); Responsabilidade de terceiros (art. 134 e 135) e Responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138). O que nos interessa, no momento, é a análise da responsabilidade dos representantes legais de empresas a que se refere o art. 135, III, do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Doravante, de modo genérico, o tema será tratado como responsabilidade dos representantes legais de empresas. 1.1.1 Elementos da Responsabilidade Tributária do Representante Legal de Empresas Para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, fazse necessário a presença dois elementos: Elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Tratase, na realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão; Elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto.11 Desse modo, “não basta ser sócio da empresa (pessoa jurídica), é indispensável que exerça função de administração no período contemporâneo aos fatos geradores”.12 Conforme já salientado, o art. 135, III, do CTN possibilita responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado desde que sejam os responsáveis pela ocorrência do elemento fático que ensejou o nascimento da obrigação tributária. O conceito de diretor é dado pelo art. 144 da Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas: o sócio ou administrador de uma organização é o que possui poderes 11 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 124. 12 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. 5. reimp. Curitiba: Juruá, 2010, p. 99. Fl. 4508DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.509 24 para representála, inclusive em juízo, bem como para praticar todos os atos necessários ao seu regular funcionamento.13 Já a definição de gerente é trazida pelo Código Civil (art. 1.172 e seguintes): considerase gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. Notese que na hipótese de lei não determinar poderes especiais, considerase o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados.14 Maria Rita Ferragut assim conceitua representante: é a pessoa física ou jurídica que, em função de um contrato mercantil, obrigase a obter pedidos de compra e venda de mercadorias fabricadas ou comercializadas pelo representado, não tendo poderes para concluir a negociação em nome do representado. Não possui vínculo empregatício, e sua subordinação tem caráter empresarial, cingindose à organização do exercício da atividade econômica.15 Percebese que, para a caracterização da responsabilidade de que trata o dispositivo legal em questão, fazse necessária a coexistência de dois elementos essenciais em relação a um fato: que seja praticado por um representante legal de empresa e que denote excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica. Passo à análise do caso concreto. A autoridade fiscal, ao cominar a penalidade qualificada de 150%, entendeu restar caracterizado o conjunto fáticojurídico a ensejar a responsabilidade tributária. Entendo lhe assistir razão. Não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. 13 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 125. 14 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 126. 15 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 126. Fl. 4509DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.510 25 Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que tratar o art. 135 do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo às infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. Doutrina, ainda em que franca minoria, e farta jurisprudência, endossam tal entendimento. O Juiz Federal, Zenildo Bodnar, assim se manifestou a respeito do inadimplemento tributário: Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos práticos com infração à lei”, é fácil concluir que o simples inadimplemento tributário da pessoa jurídica não autoriza a responsabilização do sóciogerente ou administrador, salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas, a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes.16 [grifos nossos] No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim: Art. 134: exigência de culpa, restrição da responsabilidade à obrigação tributária principal e limitação do montante ao valor do tributo, acrescido de juros de multa de mora; Art. 135: exigência de dolo, abrangência da responsabilidade para abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício. Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. O que não pode é a responsabilidade ser atribuída à pessoa física com supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de 16 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128. Fl. 4510DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.511 26 culpa ou dolo. Permitir que assim aconteça é substituir a responsabilidade subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico. Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). [...]17 [grifos nossos] Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos nossos] NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: 17 DANTAS DE ASSIS, Emanuel Carlos. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158159. Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.512 27 a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. 56. Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. [grifos nossos] E a jurisprudência também caminho nesse mesmo sentido. Vejamos: Tribunal Regional Federal da 3ª Região: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. INTELIGÊNCIA DO AR TIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. REDIRECIONAMENTO AO SÓCIOGERENTE. DECRETO LEI Nº 1.736/79. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E JULGAR PREJUDICADA A APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO. 1. Os embargos declaratórios somente podem ser utilizados quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou omissão acerca de ponto sobre o qual deveria pronunciarse o Tribunal e não o fez, isso nos exatos termos do artigo 535 do Código de Processo Civil. 2. Assiste razão à embargante, pois efetivamente o acórdão embargado não apreciou detidamente a questão referente a aplicação do artigo 8º do Decreto lei nº 1.736, de 20/12/1979, sendo omissa nesta parte. 3. Os débitos em execução referemse a IRPJFonte, devendo ser aplicado o Artigo 8º do Decretolei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124, II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas expressamente designadas por lei... A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem). 4. É correto fixar a responsabilidade dos sóciosgerentes ou administradores nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o não pagamento revela mais que inadimplemento, mas também o descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário valores recebidos de outrem ou descontados de terceiros, tratandose de delito de sonegação fiscal previsto na Lei nº 8.137/90, o que atrai a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (infração a lei). 5. Recurso provido para dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação interposta pelo executado. (Embargos de Declaração em Apelação Cível Nº 0509878 53.1997.4.03.6182/SP, Relator Fl. 4512DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.513 28 Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO, Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) [grifos nossos] Tribunal Regional Federal da 4ª Região: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. A jurisprudência da 1ª Seção desta Corte firmouse, em consonância com entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o redirecionamento contra o sóciogerente somente tem lugar com início de prova de que o sócio agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou estatuto, não decorrendo da simples inadimplência no recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, é possível a responsabilização solidária dos sócios, pois configura infração expressa à lei, não em razão do mero inadimplemento, mas em virtude da prática, em tese, de infração penal (apropriação indébita de contribuições previdenciárias 168A do CP). (EMBARGOS INFRINGENTES Nº 2006.70.99.0020750/PR, Relatora Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão unânime, sessão de 04 de junho de 2009) [grifos nossos] Superior Tribunal de Justiça – STJ – Primeira Turma: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIO GERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) [grifos nossos] Fl. 4513DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.514 29 Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária. Entendo ser desarrazoado pensar que o responsável pela administração da pessoa jurídica possa vir a ser responsabilizado penalmente, inclusive com restrições ao seu direito de ir e vir, e não possa, diante dos mesmos fatos, responder também pela obrigação tributária correspondente. Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Isso porque há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário, como, por exemplo, nos casos de apropriação indébita previdenciária (art. 168A do Código Penal) e na apropriação indébita de que trata como crime contra a ordem tributária pela art. 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90 (falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte e de IPI destacado na nota fiscal, por exemplo). Em tais hipóteses, basta o contribuinte declarar o débito e não recolhêlo para que o administrador da pessoa jurídica, ao lado da própria empresa, passe a responder pelo débito correspondente, sem que haja necessidade sequer da realização do lançamento de ofício, e, muito menos, de penalidade qualificada. Nesse mesmo sentido, este colegiado vem decidindo que nos lançamentos em que reste configurado que a pessoa jurídica autuada encontrase em nome de interpostas pessoas, mas o fato gerador correspondente não tem qualquer correlação com tal interposição (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os reais proprietários de tal pessoa jurídica devem responder pelo crédito tributário correspondente, quer por força do art. 124, I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135, III, do CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica.18 18 A esse respeito, vejase o Acórdão 1402002.120, por mim relatado e julgado por esta turma na sessão de 01 de março de 2016, cujo o seguinte excerto do voto condutor do aresto é elucidativo: “[...]A meu ver, os elementos apontados pela autoridade fiscal não permitem concluir ter o contribuinte tenha agido com dolo, de modo a caracterizar a fraude a que alude o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Em primeiro lugar porque a autuação baseiase única e exclusivamente em presunção legal de omissão de receitas, sendo que as contas bancárias em que se apoia o lançamento estavam em nome da própria empresa. No mais, o fato de a fiscalização acusar o contribuinte de possuir interpostas pessoas, embora possa surtir efeitos no que atine à responsabilidade tributária de terceiros, em nada altera as características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins de dosimetria da penalidade a ser cominada. Vejase que o fato de a empresa estar em nome de terceiros em nada dificultou a seleção da pessoa jurídica para procedimento fiscal, ou seja, não impediu, dificultou ou retardou tanto o conhecimento da Fl. 4514DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721416/201316 Acórdão n.º 1402002.117 S1C4T2 Fl. 4.515 30 Assim sendo, voto por manter a imputação de responsabilidade tributária aos coobrigados em relação ao crédito tributário decorrente de infração cuja multa qualificada foi confirmada. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal (sonegação) quanto a própria ocorrência do fato gerador (fraude), uma vez que as contas bancárias a partir das quais se apurou a omissão de receita estavam em nome da própria RECORRENTE. Assim, concluo que a fraude detectada tem a ver com a cobrança do crédito tributário, e não com sua constituição.” Fl. 4515DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.723911/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA.
Configura-se simulação ou fraude quando os elementos probatórios indicam que duas sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma atividade econômica e unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades-fins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra, que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (SIMPLES).
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA.
O Fisco, por meio de seus agentes auditores fiscais, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art.229 do RPS/99.
MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% no período posterior à vigência da MP 449/2008 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interposta pessoa jurídica.
JUROS SOBRE MULTA.
É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa porque esta integra o crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro João Bellini Junior, que não conhecia da matéria "juros sobre multa".
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA. Configura-se simulação ou fraude quando os elementos probatórios indicam que duas sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma atividade econômica e unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividades-fins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra, que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (SIMPLES). SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. O Fisco, por meio de seus agentes auditores fiscais, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art.229 do RPS/99. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% no período posterior à vigência da MP 449/2008 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interposta pessoa jurídica. JUROS SOBRE MULTA. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa porque esta integra o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10920.723911/2012-22
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577747
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.535
nome_arquivo_s : Decisao_10920723911201222.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10920723911201222_5577747.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro João Bellini Junior, que não conhecia da matéria "juros sobre multa". João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6326435
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418416328704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 363 1 362 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.723911/201222 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.535 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2016 Matéria INTERPOSTA PESSOA. SIMULAÇÃO. Recorrente JOINVILLE COMÉRCIO E TRANSPORTE DE GÁS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PESSOA INTERPOSTA. Configurase simulação ou fraude quando os elementos probatórios indicam que duas sociedades empresárias constituem um único empreendimento de fato, por possuírem mesma atividade econômica e unidade de gestão, sendo que uma delas se utiliza, na execução das suas atividadesfins, da força de trabalho formalmente vinculada à outra, que, por sua vez, é optante pelo regime simplificado de tributação (SIMPLES). SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. O Fisco, por meio de seus agentes auditores fiscais, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art.229 do RPS/99. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TAXA SELIC. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 39 11 /2 01 2- 22 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% no período posterior à vigência da MP 449/2008 diante da constatação da prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interposta pessoa jurídica. JUROS SOBRE MULTA. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa porque esta integra o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro João Bellini Junior, que não conhecia da matéria "juros sobre multa". João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10920.723911/201222 Acórdão n.º 2301004.535 S2C3T1 Fl. 364 3 Relatório Tratase de recurso interposto por Joinville Comércio e Transporte de Gás Ltda em face do Acórdão n.º 1445.361 da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto, f. 320340, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o debcad nº 51.002.3827. De acordo com o relatório fiscal de fls. 1734, tratase de exigência de contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, nas competências 01/2009 a 12/2011, aos segurados empregados registrados na empresa Maria Ivete Cabral ME, CNPJ 05.453.190/000116, mas que, segundo a fiscalização, são de fato empregados da autuada, bem como, a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados contribuintes individuais incluídos na folha de pagamento da empresa Maria Ivete Cabral ME, mas que, de fato, prestaram serviços à autuada. De acordo com a fiscalização, a empresa Maria Ivete Cabral ME não existe de fato, uma vez que não possui patrimônio e estrutura operacional necessários à realização de seu objeto, concluindo que ela foi constituída somente para formalizar os registros dos empregados da autuada e realizar os pagamentos aos contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada, funcionando como verdadeiro departamento de pessoal dessa última. Ainda de acordo com o relatório fiscal, o contribuinte agiu com intenção de suprimir tributo devido à Fazenda Pública Federal, pois a empresa Maria Ivete Cabral ME, no período do lançamento, era optante pelo regime diferenciado de tributação do SIMPLES NACIONAL, de acordo com a Lei Complementar nº 123/2006, e, nessa condição estava dispensada do recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos empregados, que é substituída por uma contribuição única apurada sobre o faturamento. A autuada apresentou impugnação ao lançamento, contendo os seguintes pontos controvertidos: a) a empresa individual Maria Ivete Cabral foi constituída em 24/05/1999 e somente em 05/01/2004 a sócia Maria Ivete Cabral ingressou na sociedade autuada; b) não é suficiente para configurar grupo econômico de fato, a mera existência de sócios comuns em entidades empresariais distintas; c) a empresa individual Maria Ivete Cabral possui personalidade jurídica própria, está sediada no mesmo endereço desde sua constituição, ocorrida em 2002, sendo que a filial da autuada passou a existir no mesmo endereço somente em 03 de setembro de 2003, quando adquiriu o fundo de comércio da empresa Josuel Antunes ME; d) a empresa Maria Ivete Cabral jamais sonegou tributos; e) a relação com a empresa Maria Ivete Cabral tem natureza de contrato de terceirização de serviços; f) as rescisões de contrato de trabalho da empresa individual Maria Ivete Cabral foram homologadas pelo sindicato da categoria; g) a fiscalização não tem competência para caracterizar vínculo empregatício, exclusividade da Justiça do Trabalho; h) a fiscalização não afastou o vínculo empregatício existente entre os empregados e a empresa Maria Ivete Cabral; i) a fiscalização não pode desconstituir personalidade jurídica e afastar o vínculo existente; j) a aplicação de multa agravada de 150% não foi motivada; k) a multa deve ser aplicada com base na legislação Fl. 365DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 anterior à MP 449/2009, por ser mais benéfica; l) a multa aplicada fere o princípio constitucional da vedação ao confisco; m) é inconstitucional a taxa Selic. Ao final, pediu o cancelamento do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente, adotando os seguintes fundamentos: a) no relatório fiscal foi demonstrado que a firma individual Maria Ivete Cabral não possui autonomia financeira, administrativa e operacional, estando totalmente vinculada à autuada, o que configura o uso de interposta pessoa jurídica como forma de supressão de contribuições previdenciárias; b) a caracterização do vínculo empregatício com a autuada, dos empregados formalmente vinculados à firma individual, decorre da situação real, o que independe da formalidade apresentada no contrato; c) a fiscalização da RFB tem competência para caracterizar segurados empregados, conforme art. 229 § 2º do RPS/99, e jurisprudência citada; d) ficou caracterizada fraude dolosa, o que justifica a imposição da multa agravada; e) a fiscalização procedeu à comparação das multas, até 11/2008, data da MP 449/2008, tendo sido adotada a multa mais benéfica, f) a autoridade julgadora não tem competência para afastar a vigência de lei com base em tese de inconstitucionalidade. O sujeito passivo foi intimado do lançamento em 05/11/2012, fl. 3, e teve ciência do acórdão em 18/10/2013, fls. 342. Em 14/11/2013, a interessada apresentou recurso, fls. 345360, reiterando as razões da impugnação, e acrescentando que é indevida a exigência de juros de mora sobre multa de ofício. Pede o cancelamento do auto de infração. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10920.723911/201222 Acórdão n.º 2301004.535 S2C3T1 Fl. 365 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Terceirização Ilícita A Recorrente tem por objeto social a revenda e o transporte de gás liquefeito de petróleo e a revenda de água mineral, bebidas, carvão, peças para instalação em fogões (cf. 7ª alteração contratual) e, segundo alega, terceirizou suas atividades mediante contratação da firma individual Maria Ivete Cabral ME, a qual possui o mesmo objeto social. A terceirização é uma modalidade jurídica de contratação permitida pela legislação, desde que exercida dentro dos limites do direito, e desde que não afete de forma ilícita o legitimo interesse da sociedade e dos trabalhadores. As situaçõestipo de terceirização lícita estão atualmente assentadas na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que são: a) a contratação de trabalho temporário, nas situações expressamente especificadas na Lei nº 6.019/74 (inciso I) e b) os serviços especializados ligados à atividademeio do tomador do serviço, desde que inexistente a subordinação jurídica (inciso III): Súmula TST n° 331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Assim, é ilícita a terceirização das atividadesfins da empresa1, é ilícita a terceirização de qualquer atividade quando inexistente a pessoalidade e a subordinação direta, e, por fim, é ilícita a terceirização quando utilizada como fraude à lei. Todas as situações de ilicitude da terceirização foram identificadas neste processo. No caso, a firma individual Maria Ivete Cabral ME possui o mesmo objeto social da Recorrente, sendo possível afirmar que ela realiza a atividade fim daquela. Além disso, ficou evidenciada a pessoalidade e a subordinação, em face da Recorrente, dos trabalhadores formalmente vinculados à firma individual, conforme será fundamentado adiante neste voto. E, por fim, a terceirização foi realizada sob a forma de interposição de pessoas com vistas à violação da legislação tributária, em evidente fraude à lei, conforme passase a expor. Interposição de Pessoa Jurídica Os elementos expostos no relatório fiscal demonstram que as empresas Joinville Comércio e Transporte de Gás Ltda e Maria Ivete Cabral ME formam um único empreendimento, com unidade de gestão e mesmo quadro funcional, sendo essa última inexistente de fato porque não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, tendo sido constituída apenas para registrar formalmente os contratos de trabalho cuja relação material se dá em face da recorrente, com o objetivo de usufruir do Sistema Simplificado de Tributação (SIMPLES), do qual Maria Ivete Cabral ME é optante. Os fatos abaixo mencionados, extraídos do relatório fiscal, que corroboram essa assertiva são os seguintes: 1) Em relação à estrutura operacional da firma individual Maria Ivete Cabral ME: a) a empresa não possui estrutura operacional, como se pode constatar de seu ínfimo capital social e pelos demais números apontados em seus balanços; 1 Maurício Godinho Delgado define atividadesfins como sendo “as funções e tarefas empresariais e laborais que se ajustam ao núcleo da dinâmica empresarial do tomador dos serviços, compondo a essência dessa dinâmica e contribuindo inclusive para a definição de seu posicionamento e classificação no contexto empresarial e econômico. São, portanto, atividades nucleares e definitórias da essência da dinâmica empresarial do tomador dos serviços”. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2012, p. 450. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10920.723911/201222 Acórdão n.º 2301004.535 S2C3T1 Fl. 366 7 b) as receitas são contabilizadas a título de prestação de serviços "4.1.01.005.001.001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A VISTA R$ 398.868,52 (ano de 2011), tratandose, em verdade, de meros repasses aleatórios de custos, tanto que feitos geralmente em valores redondos. No relatório fiscal constam os valores dos repasses financeiros. c) a empresa não tem sede própria, não tem ativos operacionais, não tem patrimônio necessário às operações a que se propõe executar, não existindo de fato. d) a empresa só acumula prejuízos, não sendo crível que terceiros não vinculados assumissem compromissos com ela, que possui patrimônio líquido negativo, em montantes 20 a 80 vezes o capital integralizado. e) o único ativo imobilizado da empresa foi adquirido em 2011, e consiste de uma impressora multifuncional. f) as despesas da empresa se restringem à folha de pagamentos, ou seja, não há custos ou despesas de nenhuma outra espécie, denotando seu total descasamento com a realidade empresarial, conforme resumos dos Demonstrativos de Resultados do Exercício (DRE) juntados ao relatório fiscal. g) a empresa individual não faturou com nenhum outro cliente que não fosse a "JOINVILLE GÁS", ao longo dos anos 2008, 2009 e 2010. Somente em 2011 começou a disfarçar essa realidade, porém de forma ainda totalmente inexpressiva. Esses dados constam do relatório fiscal, e foram extraídos do arquivo "MANAD CONTÁBIL/ Razão de Receitas Anuais. h) De acordo com os registros da folha de pagamento e GFIP, o quantitativo de empregados e respectivas bases de cálculo de contribuições previdenciárias somente são compatíveis com as atividades de uma empresa efetivamente operacional, a exemplo da "JOINVILLE GÁS"; i) os cargos existentes na folha do último mês do período fiscalizado (12/2011) permitem concluir que se trata de força de trabalho ocupada pela "JOINVILLE GÁS" (Fonte: Tabela Mestre de Folha/MANAD). 2) Em relação à estrutura operacional da empresa Joinville Gás Ltda: a) é uma empresa de médio porte que opera no ramo de Comércio Varejista de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), detém quatro estabelecimentos ativos e faturou R$ 5,8 milhões no último exercício abarcado pela fiscalização (2011) (fonte: Declaração IRPJ2012). b) seu faturamento demonstra crescimento ao longo de todo o período fiscalizado, conforme dados apresentados no relatório fiscal (fonte: Arquivos Digitais da Contabilidade/MANAD). c) o cadastro dos trabalhadores dessa empresa (MANAD/FOLHA) aponta a existência de um só empregado (Célia Regina Vilani) entre 02/01/2001 e 15/02/2010 e nenhum empregado até 02/05/2011, sendo então admitido o único empregado (Solange Miers). Esses foram contratados para o cargo de Auxiliar de Escritório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 d) apenas os sócios Maria Ivete Cabral (no estabelecimento sede) e Nilton Ludgero Cabral (nos estabelecimentos sede e filiais) figuram na folha de pagamento (estes figuram como segurados "Categoria 11" em distinção aos empregados "Categoria 01"). e) é irrisório o valor das despesas operacionais contabilizadas na conta "Salários e Ordenados" representando a totalidade das remunerações pagas aos empregados e não apenas a base de incidência previdenciária informada em GFIP (fonte: Arquivos Digitais da Contabilidade/MANAD e Declarações IRPJ). Segundo a Recorrente, as empresas são independentes, argumentando que o fato de a firma individual Maria Ivete Cabral ME ter sido constituída em 17 de dezembro de 2002, o que ocorreu depois da constituição da Recorrente, que é de 24 de maio de 1999, afastaria a afirmação fiscal de que a primeira teria sido criada com a única finalidade de registrar os empregados em seu nome. Segundo a fiscalização, a constituição da firma individual Maria Ivete Cabral ME ocorreu no ano em que a Recorrente foi excluída do SIMPLES (itens 18 e 19 do relatório fiscal), o que não foi contestado, de modo que se trata de matéria incontroversa. 18. [JOINVILLE GÁS] Foi optante do SIMPLES FEDERAL até 2002 (sistema de tributação destinado às micro e pequenas empresas instituído pela lei 9.317/96 e vigente até junho/2007 quando foi substituído pelo SIMPLES NACIONAL instituído pela Lei Complementar 123/2006). 19. Já a empresa individual “Maria Ivete Cabral ME”, CNPJ 05.453.190/000116, foi constituída em 2002 (ano de exclusão da JOINVILLE GÁS do SIMPLES FEDERAL) com capital social de R$ 5 mil (cinco mil reais) inalterado até a presente data, para exercer objeto social idêntico ao exercido pela JOINVILLE GÁS na qual a Sra. Maria Ivete Cabral já era sócia minoritária (nos limites da forma legal), qual seja: Comércio Varejista de Gás Liquefeito de Petróleo. (fonte: Declaração de Constituição da Firma Mercantil Individual levada a registro na JUCESC em 17/12/2002). Em 2002, a Recorrente não mais poderia se beneficiar do sistema tributário do SIMPLES, sendo que a constituição, no mesmo ano, da firma individual, com opção pelo SIMPLES, é mais um indício de que o foi apenas para permitir que a Recorrente, através de interposta pessoa jurídica, continuasse a se beneficiar de um regime tributário mais vantajoso. A Recorrente também afirma que o fato de Maria Ivete Cabral configurar como sua sócia, a partir de 05 de janeiro de 2004, e possuir vínculo familiar com os demais sócios, não seria suficiente para configurar grupo econômico. O lançamento tributário não trata de responsabilidade tributário de grupo econômico. O sujeito passivo identificado no lançamento é somente Joinville Gás, na condição de contribuinte, pois teve configurada relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador (art. 121, I, do CTN). A Recorrente também sustenta que a firma individual possui a mesma sede desde sua constituição (2002), ao passo que a filial da Recorrente, sediada no mesmo endereço da firma individual Maria Ivete Cabral, foi constituída somente em 03 de setembro de 2003, quando adquiriu o fundo de comércio da empresa Josuel Antunes ME, que, por sua vez, já estava situada naquele endereço. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10920.723911/201222 Acórdão n.º 2301004.535 S2C3T1 Fl. 367 9 Segundo a autoridade lançadora, em diligência realizada no endereço da sede da firma individual, existe somente um depósito de gás, o que seria a sede da filial/0002 da Joinville Gás. Essa assertiva não foi contestada pela Recorrente, de modo que se trata de matéria incontroversa. A existência formal da sede da firma individual em data anterior à da filial/0002 da Joinville Gás não muda o fato de que, no período do lançamento (2009 a 2011), a firma individual não existia naquele local. A Recorrente também alega que a terceirização é lícita porque as rescisões de contrato de trabalho foram homologadas pelo sindicato da categoria dos empregados da empresa individual. A homologação é um ato de natureza administrativa, que visa a conferir os direitos trabalhistas lançados pelo empregador no Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho. Sua eficácia está restrita ao empregado e ao empregador, conforme Súmula nº 330 do TST2, portanto, não atinge terceiros, caso da Fazenda Pública. Em suma, os elementos fáticos probatórios dos autos não foram afastados pela Recorrente e são suficientes para demonstrar que a empresa individual Maria Ivete Cabral ME não existe de fato, restando caracterizada a subordinação dos trabalhadores em face da Recorrente, quem, na realidade, contratou, administrou e remunerou esses trabalhadores no período do lançamento, os quais se submetiam à direção dela. Caracterização de Segurados Empregados Como visto, ficou configurada a simulação objetiva da relação empregatícia em decorrência da relação obrigacional com a empresa individual Maria Ivete Cabral ME ser apenas formal e não material. A fraude nas relações empregatícias é objetiva, decorrente da presença material dos requisitos da relação de emprego, conforme ficou assentado no voto proferido pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, acórdão nº 2402004.380, sessão de 04/11/2014, cujas razões de decidir, abaixo transcritas, adoto aqui: Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação "(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, 2 Súmula 330 do TST QUITAÇÃO. VALIDADE Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A quitação passada pelo empregado, com assistência de entidade sindical de sua categoria, ao empregador, com observância dos requisitos exigidos nos parágrafos do art. 477 da CLT, tem eficácia liberatória em relação às parcelas expressamente consignadas no recibo, salvo se oposta ressalva expressa e especificada ao valor dado à parcela ou parcelas impugnadas. I A quitação não abrange parcelas não consignada no recibo de quitação, e, consequentemente, seus reflexos em outras parcelas, ainda que estas constem desse recibo. II Quanto a direitos que deveriam ter sido satisfeitos durante a vigência do contrato de trabalho, a quitação é válida em relação ao período expressamente consignado no recibo de quitação. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica ("pejotização") pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes" (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15a Região, n. 36, 2010; pág. 170/171). Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que "(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor" (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, a relação real entre as empresas, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária, desde que haja elementos probatórios apontado o real sujeito passivo da obrigação tributária. Mais uma vez valhome dos fundamentos expostos pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo sobre o tema, no acórdão já referido, cujas razões de decidir adoto aqui: De mais a mais, a legislação tributária, expressamente, confere atribuição à autoridade fiscal para impor "sanções" sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, conforme regras previstas nos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 372DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10920.723911/201222 Acórdão n.º 2301004.535 S2C3T1 Fl. 368 11 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) ... Além da outorga de poderes explícitos ao Fisco para identificar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, nos termos do art. 142 do CTN, supõe que se reconheça, ainda que por implicitude, à autoridade responsável pelo lançamento fiscal a titularidade de meios destinados a viabilizar a concretude da regra prevista no art. 149, inciso VII, do CTN, permitindo, assim, que se confira efetividade aos fins legais nessa empreitada de caracterizar a real sujeição passiva da obrigação tributária decorrente de fraude ou simulação objetiva. Se assim não fosse esvaziarseiam, por completo, as atribuições legais expressamente concedidas ao Fisco em sede de lançamento fiscal de ofício oriundo do fato de que o sujeito passivo agiu com fraude ou simulação.. Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. Ademais, a verificação do enquadramento feito pela empresa em relação aos segurados que lhe prestam serviços é decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Verificando, a autoridade fiscal, que o trabalhador desempenha suas atividades com a presença de todos os elementos característicos da condição de empregado para fins previdenciários, previstos no art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91, regulamentado pelo art. 9o, inciso I, do RPS/99, aprovado pelo Decreto 3.048/99, deve desconsiderar o vínculo pactuado, se em desacordo com a realidade, conforme autorizado pelo § 2o do artigo 229 do RPS/99: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 Art. 229 ... .... § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) O STJ, ao analisar a questão, já se manifestou no mesmo sentido: ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INSS. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. AFERIÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes fiscais tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária, não acarretando a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. 2. O agente fiscal do INSS exerce ato de competência própria quando expede notificação de lançamento referente a contribuições devidas sobre pagamentos efetuados a autônomos, por considerálos empregados, podendo chegar a conclusões diversas daquelas adotadas pelo contribuinte. 3. À evidência, o IAPAS ou o INSS, ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação. O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestada, seja administrativamente, seja judicialmente (REsp nº 515.821/RJ, Relator Ministro Franciulli Netto, publicado no DJU de 25.04.05). (STJ, 2ª T., REsp 575.086/PR, Min. CASTRO MEIRA, mar/06) (gn) Em suma, com base nos arts. 142 e 149 do CTN, a fiscalização corretamente efetuou o lançamento em face da sociedade empresária Joinville Comércio e Transporte de Gás Ltda, na condição de real sujeito passivo das contribuições sociais aqui tratadas. Sujeição Passiva A Recorrente alega que o lançamento é ilegal porque o contribuinte dos fatos geradores é Maria Ivete Cabral ME, de modo que a fiscalização deveria ter excluído essa empresa do SIMPLES, e, depois disso, ter exigido dela os tributos aqui tratados. Concluiuse, no capítulo anterior deste voto, que a eleição da pessoa jurídica Joinville Comércio e Transporte de Gás Ltda como sujeito passivo do lançamento foi acertada e decorreu da situação de fato que envolve o vínculo jurídico real existente entre a Recorrente e os trabalhadores cujas remunerações constituem o fato gerador do lançamento. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10920.723911/201222 Acórdão n.º 2301004.535 S2C3T1 Fl. 369 13 Entretanto, ficou demonstrado que não se trata de terceirização lícita3, mas sim, de fraude nas relações de trabalho, mediante transferência da folha de pagamento da autuada para a empresa Maria Ivete Cabral ME, que é optante pelo SIMPLES. Ao examinar os fatos acima expostos, chegase à conclusão de que a recorrente e a mencionada firma individual formam um único empreendimento de fato, e, por conseguinte, a recorrente possui relação pessoal e direta com as situações que constituem o fato gerador, o que viabiliza a sua condição de contribuinte, nos termos do art. 121, parágrafo único, I, do CTN4. A aceitação da alegação da inexistência de fato da firma individual decorre da valoração das provas diretas dos fatos trazidos ao processo (provas diretas da existência de unidade de gestão, do uso da mesma força de trabalho, do exercício da mesma atividade, da insuficiência operacional da empresa individual, da insuficiência do quadro de empregados da Recorrente para fazer frente à suas necessidades operacionais e ao seu faturamento, dentre outros). Em suma, Joinville Comércio e Transporte de Gás Ltda Ltda responde, na condição de contribuinte, pela dívida ora constituída, sendo irrelevante o fato de existir ou não procedimento de exclusão do SIMPLES em face da firma individual Maria Ivete Cabral ME pois essa última não figura como sujeito passivo do lançamento. Multa O lançamento se refere ao período de 01/2009 a 12/2011. A legislação que rege a multa no período do lançamento é o art. 35A da Lei 8.212/91, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009 c/c art. 44 inc. I § 1o da Lei 9.430/96, na redação da Lei 11.488/2007, e art. 71 inc. I da Lei 4.502/64. A legislação citada foi corretamente aplicada no lançamento, conforme se constata no relatório Discriminativo do Débito (DD), fls. 512, o qual demonstra os percentuais aplicados (150%) e os valores de multa calculados, por competência, e, ainda, no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), fls. 1314, o qual relaciona os fundamentos legais da multa aplicada. Convém esclarecer que essa legislação não foi posteriormente modificada, de modo que não se trata, no caso, de aplicação retroativa de legislação mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Multa Qualificada 3 É inviável a terceirização das atividadesfim da empresa, e, mesmo das atividadesmeio, quando existe pessoalidade e subordinação direta. 4 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; ... Fl. 375DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 14 A partir da competência 12/2008 cabe aplicação da multa qualificada nos casos de evidente intuito de sonegação, conforme preconiza o art. art. 35A da Lei 8.212/91 c/c art. 44 inc. I § 1o da Lei 9.430/96, na redação da Lei 11.488/2007, e art. 71 inc. I da Lei 4.502/64, o qual define sonegação, in verbis: Lei 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei 4.502/64: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O agravamento da penalidade dá lugar quando existe sonegação dolosa, hipótese em que se verifica a vontade do sujeito passivo de alcançar o resultado consistente em impedir que a autoridade tributária tome conhecimento ou retarde a identificação da ocorrência do fato jurídico tributário, ou quando há vontade de assumir o risco de produzir esse resultado. A autoridade lançadora configurou a sonegação ao demonstrar que houve contratação de empregados através de interposta pessoa (Maria Ivete Cabral ME), cuja empresa individual foi constituída apenas para ser optante pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à Seguridade Social, tendo ficado caracterizado, portanto, o elemento volitivo, e fazendo incidir o agravamento da multa. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10920.723911/201222 Acórdão n.º 2301004.535 S2C3T1 Fl. 370 15 Por fim, em razão do enunciado da Súmula CARF nº 02, nessa instância administrativa não é possível negar vigência aos dispositivos legais que tratam da multa, com base em tese de inconstitucionalidade por afronta ao princípio da vedação ao confisco. Juros sobre Multa É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa porque esta integra o crédito tributário, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.” (STJ, 1ª T., AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, dez/2012) A adoção da Taxa Selic, por sua vez, deve ser mantida, considerando que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Em síntese, são rejeitadas as alegações sobre essa matéria, de modo que se mantém a taxa de juros aplicada com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 16 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito, negar lhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000638/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito
GLOSA DE GASTOS. ATRIBUTOS DE DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO EM PARTE.
Mantém-se a glosa de gastos cujos atributos de dedutibilidade não foram comprovados. Os gastos comprovadamente dedutíveis devem ser excluídos.
Numero da decisão: 1401-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para: I) excluir da base de cálculo as transferências entre contas correntes da mesma titularidade (10 (dez) depósitos remanescentes na decisão de primeira instância); II) excluir da base de cálculo 2(dois) DEPÓSITOS de conta garantida por se tratar de operações de mútuo; III) Excluir da base de cálculo, no item 3.1, receitas de prestação de serviço, cuja tributação foi comprovada(R$ 97.000,00 em 26/01/2005 e 97.000,00 em 25/02/2005); e IV) Excluir da base de cálculo os dois valores constantes do item 3.2 da decisão (R$ 26.939,00 em 06/01/2005 e R$ 15.000,00 em 19/01/2005).
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito GLOSA DE GASTOS. ATRIBUTOS DE DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO EM PARTE. Mantém-se a glosa de gastos cujos atributos de dedutibilidade não foram comprovados. Os gastos comprovadamente dedutíveis devem ser excluídos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12897.000638/2009-29
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5581098
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.557
nome_arquivo_s : Decisao_12897000638200929.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 12897000638200929_5581098.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para: I) excluir da base de cálculo as transferências entre contas correntes da mesma titularidade (10 (dez) depósitos remanescentes na decisão de primeira instância); II) excluir da base de cálculo 2(dois) DEPÓSITOS de conta garantida por se tratar de operações de mútuo; III) Excluir da base de cálculo, no item 3.1, receitas de prestação de serviço, cuja tributação foi comprovada(R$ 97.000,00 em 26/01/2005 e 97.000,00 em 25/02/2005); e IV) Excluir da base de cálculo os dois valores constantes do item 3.2 da decisão (R$ 26.939,00 em 06/01/2005 e R$ 15.000,00 em 19/01/2005). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6347639
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418422620160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000638/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.557 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2016 Matéria IRPJ Recorrente TV Zero Produções Audiovisuais Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou investimento, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Comprovado que o crédito bancário não representa receita ou já fora tributado, cancelase o lançamento correspondente. GLOSA DE GASTOS. ATRIBUTOS DE DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO EM PARTE. Mantémse a glosa de gastos cujos atributos de dedutibilidade não foram comprovados. Os gastos comprovadamente dedutíveis devem ser excluídos. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para: I) excluir da base de cálculo as transferências entre contas correntes da mesma titularidade (10 (dez) depósitos remanescentes na decisão de primeira instância); II) excluir da base de cálculo 2(dois) DEPÓSITOS de conta garantida por se tratar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 06 38 /2 00 9- 29 Fl. 3827DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 de operações de mútuo; III) Excluir da base de cálculo, no item 3.1, receitas de prestação de serviço, cuja tributação foi comprovada(R$ 97.000,00 em 26/01/2005 e 97.000,00 em 25/02/2005); e IV) Excluir da base de cálculo os dois valores constantes do item 3.2 da decisão (R$ 26.939,00 em 06/01/2005 e R$ 15.000,00 em 19/01/2005). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. Fl. 3828DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 35083517: Tratase de lançamentos que exigem do interessado acima as seguintes exações: 1.1 IRPJ, no valor de R$ 863.592,02, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 861/868); 1.2 CSLL, no valor de R$ 319.533,12, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 877/881); 1.3 PIS/Pasep, no valor de R$ 41.441,99, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 867/872); 1.4 Cofins, no valor de R$ 190.884,34, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 873/876); e 1.5 Multa regulamentar por erro de preenchimento de DIPJ, no valor de R$ 500,00 (fls. 861). 2. Os fatos geradores lançados se referem ao anocalendário de 2005 e a apuração do IRPJ e da CSLL foi anual. 3. Os fatos e circunstâncias que fundamentam o lançamento foram discriminados no Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 853, o qual foi parcialmente transcrito abaixo: (...) De início constatamos o erro de preenchimento da DIPJ, em relação aos valores constantes nos livros e documentos contábeis e fiscais, apresentados pelo contribuinte, o que o sujeitou a multa regulamentar prevista no art. 7o, IV, e o seu §3º, II da Lei n° 10.426/02. Da análise dos valores constantes no livro razão e nos extratos bancários apresentados, selecionamos, por amostragem, valores de depósitos bancários, em que não encontramos relação com a receita contabilizada, e intimamos o contribuinte, em 05/02/09, a comprovar a origem de cada depósito. Não tendo o contribuinte respondido a nossa intimação, reintimamos o mesmo, em 01/04/09, a cumprila. Da análise da documentação apresentada (contrato de mútuo financeiro e extrato bancário do mutuário), temos que o contribuinte demonstrou que grande parte destes depósitos resultaram de mútuo com a empresa TV ZERO SÃO PAULO Fl. 3829DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 LTDA, CNPJ: 05.474.957/000193, outros resultaram de transferências entre suas contas e de contratos de créditos bancários, porém alguns depósitos bancários não tiveram a sua origem devidamente comprovada, conforme planilha em anexo, e nem foram contabilizados como receita, o que caracteriza a omissão da mesma nos termos do art. 287 do Decreto n° 3.000/99 (RIR). Regularmente intimado em 05/02/09, e reintimado em 01/04/09, o contribuinte não comprovou serem dedutíveis, na apuração do Lucro Real, certas despesas selecionadas nestas intimações, conforme planilha em anexo, nos termos dos arts. 273; 299; 360; 369 e 841, II do Decreto n° 3.000/99 (RIR). Devido ao erro de preenchimento da DIPJ, levamos em consideração, nesta ação fiscal, os valores presentes nos livros e documentos contábeis e fiscais apresentados pelo contribuinte, portanto, o valor do prejuízo a compensar, por nós adotado, no auto de infração foi de R$ 455.363,23, conforme balancete analítico, e não o de R$ 2.796.630,93, lançado erroneamente na DIPJ. Infração 1 – Omissão de receitas 4. Os créditos em conta de depósito mencionados no termo, cuja origem não foi comprovada, e, por isso, lançados como omissão de receitas, foram discriminados nas planilhas de fls. 854/855, e podem ser vistos abaixo: Fl. 3830DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 4 5 Infração 2 – Glosa de despesas 5. Como mencionado no TVF, as despesas glosadas estão discriminadas nas planilhas de fls. 855/860, e podem ser vistas abaixo: Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 5 7 6. Na descrição dos fatos do auto de infração de IRPJ (fls. 864), no que tange à glosa das despesas, a autoridade faz menção expressa aos seguintes artigos do RIR, de 1999: 273 (inobservância do regime de competência); art. 299 (não comprovação da necessidade à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora); art 360 (serviços assistenciais devem ser destinados de forma indistinta a todos os seus empregados); art. 369 (despesas com alimentação devem abranger indistintamente a todos os seus empregados) e art. 841, II (falta de apresentação de documentação probatória da operação). É mencionado ainda o art. 13 da Lei 9.249/95. Infração 3 – Inexatidão na DIPJ 7. Além das infrações acima, o contribuinte, foi multado em R$ 500,00, na forma do art. 7°, §3°, II, da Lei n°10.426/2002, pela apresentação, antes do inicio da ação fiscal, da DIPJ ano calendário de 2005 com valores incorretos em relação aos valores registrados nos livros e documentos contábeis e fiscais apresentados pelo contribuinte. 8. O enquadramento legal, além do já mencionado, pode ser visto no campo específico de cada lançamento. Impugnação 9. Inconformado com a autuação, o interessado, por meio da peça de fls. 903/920, alegou, em síntese: Infração 1 – Omissão de receitas 9.1 que os valores do Banco Santander, conta corrente 980064 4, referemse a empréstimos bancários na modalidade “conta Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 garantida”; logo, não são receitas tributáveis, como provam os documentos juntados (doc. 1); 9.2 que o valor de R$ 13.237,50, da conta corrente 255459 do Banco ITAÚ advém de transferência bancária da conta corrente 234876, também do Banco Itaú (doc. 02); logo, conforme § 3º, I, do art. 42 da Lei n° 9.430/96, não deve ser considerados para fins da determinação da receita supostamente omitida; 9.3 que créditos identificados pela fiscalização na conta corrente 307102, também do BANCO ITAÚ, temse os seguintes esclarecimentos: (a) são oriundos de transferências entre contas do mesmo titular (origem c/c 395255 e 442412, ambas do ITAU), (origem c/c 1000676, do UNIBANCO), e (c/c 121.8816 do BRADESCO) (DOC. 03) ; logo, não se constituem em receita supostamente omitida: (b) o valor de R$ 10.000,00, em 05102005 referese a receita tributada, originada da nota fiscal de serviços n° 002437, de 08 092005, emitida para FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA (DOC. 04); c) O valor de R$ 53.746,99, em 16032005, referese a receita tributada, originada do pagamento parcial da nota fiscal de serviços n° 002322, de 16022005, emitida para SMP&B COMUNICAÇÃO LTDA. (DOC. 05); d) Os créditos abaixo são identificados no próprio extrato da conta corrente 307102 do BANCO ITAU, como originados de recebimento de receitas tributadas por desconto de duplicatas ou de serviços prestados a clientes do IMPUGNANTE (DOC. 06). Vejamos: Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 6 9 (e) Notese, ainda, que o lançamento de R$ 15.000,00 em 2005 2005, objeto da listagem da autuação, não tem contrapartida no extrato bancário do IMPUGNANTE, o que configura um erro do AUTO que, portanto, deve ser de plano expurgado da autuação (DOC. 06). 9.4 que o maior valor relativo a crédito na conta Banco do Brasil 167436 referese a repasse de subscrição de Certificados de Investimento Audiovisual, que não é tributado (pois não é receita), conforme determina o art. 48 4 e seguintes do RIR/99. Os subscritores foram o BNDES e a Companhia Brasileira de Offshore, nos valores de R$ ,194.000,00 e R$ 45.115,67, respectivamente, conforme carta do agente financeiro, PROSPER CORRETORA (DOC. 07): 9.5 que os demais valores abaixo indicados referemse a transferências entre contas do mesmo titular no BANCO DO BRASIL que, como visto, devem ser excluídos do auto por força do art. 3o, I, da Lei n° 9.430/96 (DOC. 08): 9.6 que há também nessa conta créditos originados da prestação de serviços já tributados, conforme indicação abaixo (DOC. 09): 9.7 que os lançamentos na conta corrente 395255, Banco Itaú, referemse a lançamentos de créditos de prestação de serviços/recebimento de duplicatas, saber (DOC. 10): Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 9.8 que os créditos na conta 161071 no BANCO DO BRASIL têm origem em captação de recursos da Companhia Brasileira de Offshore, através subscrição de Certificado de Investimento Audiovisual, no valor liquido de comissão (R$ 24.250,00) e de transferência bancária de outra conta corrente na mesma instituição financeira, no valor de R$ 52.250,00; logo, não configuram receita tributável que justifique a manutenção da autuação nesta parte (DOC. 11): 9.9 que os créditos na conta corrente 5187X, no Banco do Brasil têm origem em captação de recursos, desta vez da Companhia Siderúrgica Nacional através subscrição de Certificado de Investimento Audiovisual, nos valores líquidos de comissão de R$ 242.500,00 e R$ 48.500,00, respectivamente (DOC. 12): 9.10 que o crédito na conta corrente 242012, no Banco do Brasil, no valor líquido de R$ 58.224,56 tem origem na autorização da ANCINE relativa à anterior captação de recursos para o Projeto Audiovisual denominado "Herbert Vianna Nossa Gente", conforme extrato ora anexados (DOC. 13): 9.11 que o crédito que consta da conta corrente 267406 no Banco do Brasil referese à primeira parcela (R$ 480.000,00) do Contrato de Patrocínio do documentário de longametragem denominado "João" firmado com a Petróleo Brasileiro SA., que não se reveste da qualidade de receita tributável, conforme documentos, em anexo (DOC. 14): 9.12 que a conta corrente 242039, Banco do Brasil, serve apenas para captação de recursos para projeto audiovisual específico, sendo que os créditos de R$ 28.266,24 e R$ 22.307,95 foram autorizados pela ANCINE e o crédito de R$ 7.000,00 se refere à transferência advinda da conta 13.2764 da mesma instituição financeira; nesse contexto, os valores nela creditados não devem ser tributados (DOC. 15): Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 7 11 9.13 que o crédito identificado na conta corrente 206627, no Banco Itaú, no valor de R$ 7.000,00, referese a receita já tributada originada da emissão da nota fiscal n° 2361, de 11042005, para MEIOS DE PRODUÇÃO E DE COMUNICAÇÃO LTDA (DOC. 16): Infração – 2 – Glosa de despesas 9.14 que esse item do auto foi subdividido pela fiscalização em três seções: (a) Despesas diversas sem comprovação, no valor global de R$ 631.755,16; (b) Despesas com serviços prestados por terceiros, no valor global de R$ 798.263,09; e (c) Despesas não dedutíveis com brindes e doações, no valor global de R$ 64.076,92; 9.15 que cabe ao fisco provar que as despesas não são necessárias, usuais ou efetivas; 9.16 que se afirma que parte da documentação exigida não foi apresentada pelo contribuinte, inclusive no que tange as despesas de alimentação e de assistência médica, mas ao mesmo tempo se entende, no auto, que tais despesas não são inerentes a todos os seus empregados; 9.17 que, dessa forma, não procede a afirmação e o enquadramento legal do auto no que tange ao pagamento das despesas de alimentação e assistência médica aos empregados; logo, o auto foi lavrado, nessa parte, apenas porque o contribuinte não apresentou a totalidade da documentação exigida no curso da ação fiscal; 9.18 que, nesse contexto, apresentou planilhas, acompanhadas de documentação (doc. 17), que comprovam a correta contabilização dessas despesas; 9.19 que no que se refere às despesas listadas na conta do livro Razão 520932 – SERVIÇOS PRESTADOS PJ, a fiscalização identificou dois motivos para a sua glosa: (1) por se referirem a despesas do exercício anterior, sendo aplicável o art. 273 do RIR/99; (2) por falta de comprovação da operação que lhes deu causa ou por falta de apresentação de qualquer documento suporte, sendo aplicável o art. 299 do RIR/99; 9.20 que quanto ao primeiro motivo, assiste razão à fiscalização, porque se tratavam de lançamentos equivocados do contribuinte; todavia, à exceção desses lançamentos e de outros que foram feitos em duplicidade (por erro do setor contábil do contribuinte), todos os demais devem ser expurgados do auto, tendo em vista que o contribuinte elaborou detalhada planilha capeando os documentos suporte dos respectivos lançamentos contábeis (DOC. 18); Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 9.21 que o art. 299 do RIR/99 não configura uma presunção legal, de maneira que compete exclusivamente ao fisco provar que os serviços pagos não foram necessários, usuais ou efetivos; assim, ainda que a descrição nas notas fiscais ora apresentadas não tenha sido adequadamente feita ou contenha falhas, isso não é fator suficiente para desconsiderar a dedutibilidade das referidas despesas, que foram normais e efetivas; 9.22 que tal particularidade não impede que a respectiva despesa seja dedutível para fins fiscais, uma vez que a mesma encontrase suportada por outros documentos, como notas fiscais e comprovantes do efetivo pagamento; 9.23 que a contabilidade faz prova em seu favor; 9.24 que os autos de PIS/PASEP, Cofins e CSLL decorrem do lançamento de IRPJ; portanto, também são eles improcedentes; 9.25 que a autoridade julgadora poderá deferir diligências que entender necessárias. A 3ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II, por unanimidade de votos, decidiu: a) declarar definitivamente constituídos na esfera administrativa os lançamentos: a.1) de redução de prejuízo fiscal e de base negativa a compensar de R$ 2.796.630,93, para R$ 393.348,31; e a.2) dos seguintes créditos tributários relativos a matérias não impugnadas: IRPJ, R$ 36.050,66; CSLL, R$ 21.618,24; PIS/PASEP, R$ 1.705,29; Cofins, R$ 7.854,66; e multa regulamentar de R$ 500,00 (fls. 861). Tais valores foram apartados destes autos para fins de cobrança; b) julgar procedente em parte os lançamentos, de modo a: b.1) manter o valor de R$ 637.078,67 de IRPJ, juntamente com a multa de ofício e os juros de mora, cancelando o montante desse tributo no valor de R$ 190.462,69; b.2) manter o valor de R$ 237.988,32 de CSLL, juntamente com a multa de ofício e os juros de mora, cancelando o montante desse tributo no valor de R$ 59.926,57; b.3) manter o valor de R$ 30.680,91 de PIS/Pasep, juntamente com a multa de ofício e os juros de mora, cancelando o montante desse tributo no valor de R$ 9.055,80; b.4) manter o valor de R$ 141.318,14 de Cofins, juntamente com a multa de ofício e os juros de mora, cancelando o montante desse tributo no valor de R$ 41.711,56. O Acórdão nº 1242.576, de 30 de novembro de 2011, recebeu a seguinte ementa: Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 8 13 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. REDUÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL. GLOSA DE DESPESAS DE BRINDES E OUTRAS. MULTA REGULAMENTAR.OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Consideramse não impugnadas as matérias não expressamente contestadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou investimento, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Comprovado que o crédito bancário não representa receita ou já fora tributado, cancelase o lançamento correspondente. GLOSA DE GASTOS. ATRIBUTOS DE DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO EM PARTE. Mantémse a glosa de gastos cujos atributos de dedutibilidade não foram comprovados. Os gastos comprovadamente dedutíveis devem ser excluídos. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Cientificada do Acórdão em 03/02/2012 (fls. 3564), a contribuinte apresentou em 06/03/2012 o recurso voluntário de fls. 36033639, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase de impugnação. Ao apreciar este processo, em sessão realizada em 07/03/2013, este colegiado, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1401000.219, concedendo à recorrente a oportunidade de trazer aos autos uma correspondência oficial, emitida pelo Banco Santander, informando se, na época dos fatos (29 de julho de 2005), todos os valores consignados nos extratos bancários da contribuinte sob o código “CTA GARANTIDA” efetivamente se referiam a contratos de mútuo. Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Em atendimento a esta solicitação, foi juntado aos autos o documento de fls, 3822, firmado pelo Banco Santander, informando que os lançamentos creditados na c/c 2080120002897 (antiga conta 9800644), nos valores de R$ 50.000,00 e R$ 200.000,00, no dia 29 de julho de 2005, referiamse a uma operação de Empréstimo de Conta Corrente Garantida. É o relatório. Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. INFRAÇÃO 1 – OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA 1) Conta garantida Originalmente foram quatro depósitos considerados sem origem pelo Fisco. No entanto, o colegiado julgador a quo reconheceu que dois deles efetivamente se referiam a contratos de mútuo, tendo em vista a apresentação dos respectivos contratos. O quadro abaixo, extraído do Acórdão de piso, fls. 3521, ilustra essa situação: No tocante aos outros dois depósitos, a contribuinte não trouxe aos autos os correspondentes contratos, capazes de comprovar a efetividade daqueles empréstimos. No entanto, este colegiado reconheceu que havia um forte indício de que estes dois valores creditados em sua conta bancária também decorram de contratos de mútuo. Afinal, no respectivo extrato de conta corrente tais depósitos possuem a mesma descrição (“CTA GARANTIDA”) daquela que constava em relação aos depósitos efetivamente comprovados. Em atendimento à diligência determinada por este colegiado, foi juntado aos autos o documento de fls, 3822, firmado pelo Banco Santander, informando que os lançamentos creditados na c/c 2080120002897 (antiga conta 9800644), nos valores de R$ 50.000,00 e R$ 200.000,00, no dia 29 de julho de 2005, referiamse a uma operação de Empréstimo de Conta Corrente Garantida. Assim sendo, dou provimento ao recurso voluntário, em relação a estes dois depósitos (não negritados no quadro acima). Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 16 2) Transferências entre contas de sua titularidade O colegiado julgador a quo considerou comprovados 12 depósitos, em relação aos quais resultou comprovada a transferência bancária entre contas de mesma titularidade. No entanto, outros 10 depósitos não foram aceitos pela decisão de piso, conforme quadro abaixo (montagem feita a partir da decisão de piso, fls. 35223523: Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 10 17 Em sede recursal, a contribuinte apresentou um conjunto de extratos (doc. 3, fls. 37213726), contendo as operações capazes de comprovar as suas alegações (transferências entre contas de mesma titularidade). Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, em relação aos 10 depósitos controversos. 3) Receitas de prestação de serviços Remanesce litígio em relação a 20 depósitos, para os quais a contribuinte, ora recorrente, alega tratarse de receitas de prestação de serviços ou desconto de duplicatas, que teriam sido regularmente oferecidas à tributação. Para facilitar a análise, estes 20 depósitos bancários serão divididos em 5 grupos. 3.1. Depósitos cuja única prova trazida aos autos era o próprio extrato da conta creditada O quadro abaixo, extraído da decisão de piso (fls. 3525), apresenta os quatro depósitos que compõe este grupo: Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 18 Em sua peça recursal, fls. 36243625, a contribuinte apresentou esclarecimentos individualizados para cada um desses créditos, indicando as folhas dos livros Diário e Razão em que as correspondentes receitas foram escrituradas. Compulsando os autos, constatei o seguinte: a) Em relação ao primeiro crédito, no valor de R$ 82.445,15, verifiquei que o lançamento efetuado na fl. 220 do Livro Razão (fls. 3749 dos autos) apesar de coincidente quanto à data, não coincide quanto ao valor. A recorrente não justificou esta diferença. b) Em relação ao segundo e terceiro créditos, ambos no valor de R$ 97.000,00, verifiquei que os lançamentos efetuados na fls. 219 do Livro Razão (fls. 3748) são coincidentes em datas e valores. Assim sendo, considero provadas as origens destes créditos. c) Em relação ao quarto crédito, no valor de R$ 18.892,71, verifiquei que na fl. 255 do Livro Razão (fls. 3753 dos autos), efetivamente consta um lançamento neste valor e nesta data, com o seguinte histórico: “VRE REF RECEBIMENTO EM DIVS. NFS. EM 17/05/05”. No entanto, como não foram informados os números das notas fiscais descontadas, não foi possível comprovar se tais notas encontravamse devidamente escrituradas como receita (fls. 650653 do Livro Razão, fls. 37543757 dos autos). Conseqüentemente, não foi possível comprovar que este crédito correspondia a uma receita devidamente oferecida à tributação. Assim sendo, dou provimento parcial ao recurso voluntário, apenas em relação aos valores mencionados no item “b” acima. 3.2. Depósitos cuja única prova trazida aos autos era o próprio extrato da conta creditada, sem prova de que se referiam a receitas e que as mesmas foram tributadas Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 11 19 Este grupo abrange dois depósitos, resumidos no quadro a seguir (conforme decisão de piso, fls. 3525). Em sua peça recursal, fls. 36253626, a contribuinte apresentou esclarecimentos detalhados, com referências às fls. dos livros Diário e Razão onde tais duplicatas teriam sido contabilizadas. Compulsando os autos, verifico que os citados valores efetivamente encontramse contabilizados às fls 254 do Livro Razão (fls. 3752 dos autos). As datas dos lançamentos não são inteiramente coincidentes com as datas dos créditos nas contas bancárias, porém são muito próximas (diferença de apenas 2 dias). Assim sendo, considero provadas as origens destes créditos. 3.3. Depósitos para quais foi apresentadas nota fiscal de serviços, porém sem coincidência de datas e valores Este item abrange 4 créditos, assim resumidos na decisão de piso, fls. 3526: Em sua peça recursal, a contribuinte não apresentou quaisquer esclarecimentos ou elementos de prova adicionais. Os elementos constantes dos autos já foram corretamente analisados pelo colegiado julgador a quo, conforme quadro acima transcrito. Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 20 Ressalto, por oportuno, que pelo fato de não haver concordância de datas e valores, tornase impossível verificar se as alegadas receitas teriam sido oferecidas à tributação. Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário, em relação a estes créditos. 3.4. Depósitos em relação aos quais houve coincidência de valores e datas entre os depósitos e as notas fiscais, mas não foi possível comprovar que as receitas foram tributadas Este item engloba 4 créditos, assim resumidos na decisão de piso, fls. 3526: Analisandose a peça recursal, não localizei nenhum argumento de defesa apresentado pela contribuinte em relação a estes créditos bancários. De igual forma, compulsando os documentos anexados ao seu recurso, não encontrei nenhum elemento de prova capaz de comprovar que estas receitas tenham sido oferecidas à tributação. Assim sendo, também nego provimento ao recurso, em relação a estes créditos. 3.5. Receitas de subvenções públicas para produções audiovisuais Este item abrange 8 créditos, abaixo discriminados (montagem feita com dados extraídos da decisão de piso, fls. 35273528: Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 12 21 A contribuinte, ora recorrente, admite expressamente que o valor destes créditos não foi oferecido à tributação. Em sua peça recursal, repetindo o que foi alegado na fase impugnatória, a contribuinte afirma que tais valores não constituem subvenções correntes, razão pela qual não devem ser computadas na determinação do lucro operacional (conforme prevê expressamente o art. 392 do RIR/99). Em sua defesa, a recorrente faz referência ao art. 35 da IN 267, de dezembro de 2012, o qual prevê que, em caso de não cumprimento do projeto ou realização em desacordo com o estatuído, a produtora deveria recolher integralmente tais recursos ao Tesou Nacional, Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 22 acrescidos de multa de 50% e juros de mora. Em defesa de seu entendimento, apresentou precedente da DRJ Campinas. Não assiste razão à recorrente. A recorrente limitase a afirmar que as receitas em apreço não constituem subvenções para custeio. Abstevese, contudo, de informar qual seria, então, a natureza destes repasses. Abstevese, igualmente, de indicar qual seria o fundamento legal para considerar estas verbas recebidas como rendimentos isentos ou não tributáveis. A alusão ao art. 35 da IN 267/12 é totalmente irrelevante, pois não há prova nos autos de que algum daqueles projetos não tenha sido regularmente cumprido. Em outras palavras, não há prova de que os citados recursos tenham sido devolvidos ao Tesouro Nacional. Ao contrário, a recorrente admite tacitamente que efetivamente recebeu e se beneficiou daqueles recursos, tato é que limitase a afirmar que os mesmos não seriam tributáveis. Sobre o tema, posicionouse com muita objetividade a decisão de piso. Por essa razão, adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 35263527: [...] Deveras, pude observar no contrato social do interessado, no sítio na internet da Ancine – Agência Nacional do Cinema , órgão regulador e fiscalizador do mercado do cinema e do audiovisual no Brasil, no sítio na internet da Comissão de Valores Mobiliários e no sítio na internet do impugnante, que se trata de empresa produtora cinematográfica, responsável por um grande número de obras artísticas de amplo conhecimento. Observei ainda que os projetos vinculados aos créditos vistos em quadro abaixo são todos eles frutos de projetos aprovados pela Ancine. De resto, o documental trazido dá conta, de forma suficiente, da coincidência de elementos entre os comprovantes bancários e os documentos apresentados, o que me convence no sentido de que se trata, efetivamente, de repasses oriundos de investimentos em obras audiovisuais produzidas pelo impugnante. Uns são fruto de patrocínio, outros de subscrição de Certificados de Áudio Visual, controlados pela CVM, mas todos controlados pela Ancine. 35. Contudo, esses repasses têm natureza de subvenção pública, a qual, a teor do que dispõe o art. 392 do RIR, de 19991, devem ser levados a resultado. Assim, do mesmo modo que nos demais casos, cabia ao interessado demonstrar que esses recursos foram tributados, pois só assim elidiria a presunção de omissão. Em não fazendo, mantenho o lançamento também nesta parte [...] Pelas razões expostas, em relação à presente parcela do lançamento, nego provimento ao recurso voluntário. INFRAÇÃO 2 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS Conforme relatado, a maior parte destas despesas foi glosada por falta de comprovação do preenchimento dos requisitos para sua dedutibilidade. Uma pequena parcela foi glosada por falta de apresentação do documento hábil para comprovação da despesa. Para facilitar a análise, as citadas despesas serão divididas em dois grupos: a) Serviços prestados por pessoas jurídicas – Livro Razão 520932; b) Despesas diversas. Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 13 23 1) Despesas indedutíveis – Livro Razão 520932 – Serviços prestados por Pessoas Jurídicas Em relação a estas despesas, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 3533: 48. Vimos que o impugnante apresentou em sua peça de defesa um conjunto de documentos composto de cópias de registros contábeis de despesas e custos, bem como cópias de notas fiscais relativas a parte das despesas e custos aqui glosados. Após analisar os documentos, entendi que não foram apresentados documentos que nos habilitassem a conhecer a real natureza dos dispêndios. Em grande parte dos casos nada foi apresentado, em outros as notas fiscais praticamente nada descrevem, limitando se a dizer que se trata de serviços ou consultorias prestados. Estes últimos casos se referem às notas fiscais das empresas SCF Promoções e Eventos Ltda. e Faísca Cine Vídeo. Ressalto que quando o fiscal autuante intimou a empresa acerca desses gastos foi claro em exigir que os documentos comprovassem “... a necessidade à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora dos pagamentos ...” (fls. 43). Ora, além das notas fiscais com a descrição genérica, nada mais foi trazido de documento que esclarecesse a real natureza desses gastos. 49. Apresento abaixo quadro com a relação das despesas glosadas referentes à mencionada conta 520962 – Serviços prestados. Ali eu discrimino aquelas despesas para as quais foi apresentado documento, mesmo com descrição insuficiente e pouco clara: Por se tratar de uma relação muito extensa, abstenhose de aqui transcrever todo o quadro que consta da decisão de piso, fls. 35343536. Menciono, porém, que no citado quadro estão indicadas individualmente as razões pelas quais o colegiado julgador a quo considerou indedutíveis aquelas despesas. Na grande maioria dos casos, a fundamentação para a glosa foi a “descrição genérica dos serviços prestados, sem comprovação da operação”. Num pequeno número de casos, a fundamentação da glosa foi a ausência de apresentação dos documentos comprobatórios das despesas. No que tange às despesas não comprovadas, a recorrente alegou ter juntado aos autos os documentos necessários à comprovação dos gastos, conforme quadro apresentado no início de sua peça recursal (fls. 36123617). No que tange às despesas com “descrição genérica dos serviços prestados”, a recorrente também apresentou esclarecimento individualizados, no mesmo quadro acima referido (fls. 36123617). Uma análise detalhada dos esclarecimentos apresentados no retrocitado quadro revela que a recorrente efetivamente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova inovador, em relação àqueles que já haviam sido apresentados na fase impugnatória e devidamente analisados pelo colegiado julgador a quo. Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 24 Por esta razão, merece ser ratificada in totum a análise realizada pelo colegiado recorrido. Assim sendo, em relação à presente parcela da exigência, nego provimento ao recurso voluntário. 2) Despesas diversas O quadro abaixo apresenta um resumo das despesas que foram aceitas e que permanecem sem comprovação, após a análise procedida pelo colegiado julgador de 1ª instância: Compulsando os autos, à luz das informações prestadas pela contribuinte em sua peça recursal, não logrei êxito em localizar os comprovantes de despesas remanescentes. Pelas razões expostas, também em relação à presente parcela da exigência, considero que o recurso voluntário não merece ser provido. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para: I) excluir da base de cálculo os valores correspondentes às transferências entre contas correntes da mesma titularidade 10 (dez) depósitos remanescentes na decisão de primeira instância; II) excluir da base de cálculo o valor correspondente a 2 (dois) depósitos de conta garantida por se tratar de operações de mútuo; III) Excluir da base de cálculo, no item 3.1, receitas de prestação de serviço, cuja tributação foi comprovada (R$ 97.000,00 em 26/01/2005 e 97.000,00 em 25/02/2005); e IV) Excluir da base de cálculo os 2 (dois) valores constantes do item 3.2 da decisão (R$ 26.939,00 em 06/01/2005 e R$ 15.000,00 em 19/01/2005). (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12897.000638/200929 Acórdão n.º 1401001.557 S1C4T1 Fl. 14 25 Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.721159/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por maioria de votos, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.721159/2013-06
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5614565
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-000.936
nome_arquivo_s : Decisao_13888721159201306.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 13888721159201306_5614565.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por maioria de votos, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6454597
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418428911616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 7.544 1 7.543 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.721159/201306 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3401000.936 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de junho de 2016 Assunto PIS e Cofins Recorrentes SEMPERMED BRASIL COMERCIO EXTERIOR LTDA e FAZENDA NACIONAL SEMPERMED BRASIL COMERCIO EXTERIOR LTDA e FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por maioria de votos, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 13888.721159/201306, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de PISImportação e CofinsImportação, acrescidos de multa de ofício e juros, totalizando crédito tributário no valor histórico R$ 15.439.811,06. 2. Segundo se depreende do Relatório de Fiscalização de 18/04/2013, situado às fls. 984 a 1239, a autoridade fiscal entendeu que a contribuinte utilizou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 15 9/ 20 13 -0 6 Fl. 7544DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13888.721159/201306 Resolução nº 3401000.936 S3C4T1 Fl. 7.545 2 indevidamente benefício fiscal de redução à alíquota zero de PISImportação e Cofins Importação incidentes na importação de luvas de borracha nos termos do inciso III do art. 1º do Decreto nº 6.426/2008 ao destinar os produtos importados para pessoas diversas de "hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, órgão responsável ou executor de campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas", em descumprimento à Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 236, de 24/07/2008, formulada pela própria contribuinte em outubro de 2014. 3. Consta, no arrazoado em referência, que as luvas de borracha seriam importadas pela contribuinte e "(...) vendidas no mercado interno para outras empresas revendedoras ou consumidores que não são os destinatários listados no art. 1º, inciso III do Decreto nº 6.426/2008", não sendo possível se garantir aprioristicamente a destinação da mercadoria pelo simples fato de se tratar de uma luva de borracha. Ao contrário, ainda segundo a autoridade fiscal, para a fruição do benefício seria "(...) necessária a efetiva comprovação, em uma dada operação, que o adquirente/destinatário e usuário dos bens" seja um daqueles referenciados pela norma de regência. 4. O procedimento de fiscalização apurou que o objeto social de alguns adquirentes/destinatários da mercadoria vendida pela contribuinte seria estranho àqueles previstos no dispositivo disciplinador da isenção, denotando atividades relacionadas ao setor de "(...) alimentos, agropecuária, papelaria, cabeleireiros, cosméticos, perfumaria, funerária, pesquisas, química, limpeza doméstica, eletrônicos, beleza, manutenção de máquinas e aparelhos, açougues, manutenção e montagem de equipamentos de informática etc.". 5. Nas palavras da autoridade fiscal, a Solução de Consulta nº 236/2008 SRRF/8ª RF/Disit visando assegurar que a fiscalizada destinasse as luvas aos destinatários descritos pelo inciso III do art. 1º do Decreto nº 6.426/2008, entendeu que as importações fossem feitas por encomenda ou por conta e ordem dos destinatários incentivados, mas que "(...) tal medida nunca foi observada pela fiscalizada". 6. Foi aplicada, ainda, a multa qualificada de 150% porque a contribuinte teria dolosamente suprimido ou reduzido as contribuições para o PIS e a Cofins incidentes sobre a importação "(...) mediante a conduta de intencionalmente prestar informações falsas ao fisco", tendo procedido a tal expediente em momento posterior à solução de consulta de 24/07/2008. Assim, segundo o raciocínio da autoridade fiscalizadora, a partir da ciência do conteúdo da Solução de Consulta nº 236/2008, ocorrida em 06/08/2008, não poderia mais a contribuinte agir em descumprimento à norma, de maneira a reduzir ou suprimir o montante de tributos devido, sem demonstrar dolo em seu conduta. Em seus precisos termos, que abaixo transcrevemos: "Informou nas Declarações de Importação ter amparo de benefício fiscal de redução das alíquotas das contribuições a zero, mesmo sabendo que descumpria expressamente as regras específicas exigidas para fruição de tal benefício fiscal, ou seja, tinha consciência que não podia destinar os produtos importados para as pessoas distintas daquelas especificadas no inciso III do art. 1º do Decreto nº 6.426/2008, conforme Solução de Consulta nº 236 SRRF/8ª RF/Disit, de 24 de julho de 2008. Uma vez formulada a consulta, o sujeito passivo obrigase ao cumprimento da decisão que a solucionar, disposição não observada pela interessada, originando a lavratura dos Autos de Infração em apreço. Esclareçase, por sua vez, que Fl. 7545DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13888.721159/201306 Resolução nº 3401000.936 S3C4T1 Fl. 7.546 3 enquanto não resolvida a consulta, não pode o contribuinte sofrer exigência, de ofício, relativamente a matéria consultada. No caso em comento, é de se notar que a mencionada norma foi plenamente atendida, pois a solução de consulta é de 24/07/2008, tendo o contribuinte dela tomado ciência em 06/08/2008, ou seja, transcorreramse mais de 4 anos. (...). Portanto, em razão da fiscalizada ter deixado de declarar e recolher as contribuições para o PIS e COFINS na importação de luvas, mesmo após ter conhecimento das regras específicas de observância necessária para fruição do benefício fiscal, voluntariamente continuouas descumprindo, é cabível a aplicação da multa de ofício qualificada" (seleção e grifos nossos). 7. Entendeu, ainda, a autoridade fiscal, que o exsócio e diretor JAMIL EL KADRE deveria responder solidariamente pela dívida da sociedade, uma vez que teria restado comprovado, ainda, ao longo do procedimento de fiscalização, que ele praticou, no exercício da gerência da sociedade, atos com excesso de poderes ou infração à lei ou do contrato social, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. 8. A responsabilidade decorreria da própria falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre a importação por "(...) ação consciente e contrária à lei e, também, terminantemente e continuamente contrária as determinações da Solução de Consulta 236 SRRF/8ª RF/Disit, de 24/07/2008". 9. Em 20/05/2013, a contribuinte e o sujeito passivo solidário apresentaram impugnação, alegando, em síntese: (i) a nulidade do auto de infração lavrado uma vez que, conforme se depreende da leitura do próprio relatório de fiscalização, o exame foi realizado por amostragem das notas fiscais de saída, concluindo, portanto, que todas as transações teriam sido realizadas em desacordo com a norma de regência do benefício fiscal; aponta, em seu favor, operações realizadas com o Hospital Alemão Osvaldo Cruz e com o Laboratório de Análises Clínicas Fleury: Fl. 7546DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13888.721159/201306 Resolução nº 3401000.936 S3C4T1 Fl. 7.547 4 10. Alega, ainda: (ii) a nulidade do auto de infração decorrente do fato de que a expressão "destinados ao uso em" implica necessidade de realização de diligência a cada estabelecimento destinatário para, em prestígio à busca da verdade material, verificar o efetivo uso ou emprego das luvas de borracha e que a não comprovação elide de certeza a acusação fiscal, restando, assim, os elementos colhidos, como insuficientes ou inconclusivos para, sozinhos, respaldarem o auto de infração; (iii) nulidade do auto de infração por caracterização de revisão de lançamento em decorrência de erro de direito uma vez que não foi apontada qualquer impropriedade ou omissão nas informações prestadas na declaração de importação, tendo a autoridade responsável pelo desembaraço aduaneiro todos os elementos e informações disponíveis no momento do lançamento caracterizado pelo desembaraço das mercadorias, não sendo possível à Administração em momento posterior revisitar tal procedimento, uma vez que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a homologação em referência se daria mediante a atividade prevista na legislação, nos termos do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional; (iv) da inaplicabilidade da multa qualificada por inexistência de dolo ou prática de fraude, observando, ademais, que a Consulta Fiscal teria efeito vinculante para a Administração, mas de mera orientação para a contribuinte que poderia ter, inclusive, entendimento diverso daquele da Administração, cabendolhe, v.g., discutir judicialmente a posição firmada, não havendo de se confundir o dolo ou a fraude com o inconformismo com uma postura interpretativa adotada em Solução de Consulta. 11. Quanto ao mérito, alega que: (v) o benefício foi criado em razão de uma qualidade objetiva, intrínseca do produto, e não em razão de sua destinação efetiva, com o objetivo de atuar na área da saúde, sendo que, quando o Decreto nº 6.426/2008 teve por desiderato condicionar a redução à alíquota zero a uma venda direta a entidade determinada, assim o fez de maneira expressa e objetiva, como no caso das alíneas 'a' e 'b' do inciso II do art. 1º em que a regra referencia especificamente, e.g., "(...) para serem utilizados na fabricação dos produtos relacionados no Anexo I", caso no qual haveria expresso condicionamento do benefício à consecução de determinadas operações por pessoa jurídica industrial, diferente do caso da contribuinte, em que predomina a característica do bem e não do destinatário: "(...) luvas de borracha classificadas na posição 40.15 da NCM em razão das suas características intrínsecas como luvas de procedimento para aplicação na área da saúde"; argumenta, neste sentido, que a própria Receita Federal do Brasil, em outras soluções de consulta, admite a possibilidade de aplicação da alíquota zero na hipótese de revenda, incluindo as empresas distribuidoras; argumenta, ainda, que este próprio Conselho, no Acórdão CARF nº 3201 000.835, julgado em sessão de 05/12/2011, proferiu entendimento no sentido de que a aplicação da alíquota zero para as contribuições ao PIS/CofinsImportação está atrelada às características do bem e que, no caso das luvas de borracha (Posição NCM 4015), que possuem o selo da Anvisa, são destinadas à saúde, para uso em hospitais, clínica e laboratórios "em razão de suas características intrínsecas", sendo irrelevante a comprovação do destino dado pelo importador; (vi) as luvas de borracha importadas possuem selo da Anvisa e são consideradas como "produtos correlatos médicos", sujeitos, inclusive, ao controle da vigilância sanitária, conforme art. 1º da Lei nº 6.360/76, devendo ter, ademais, por determinação do art. 12, o registro no Ministério da Saúde, estando a definição de produto correlato prevista no Decreto nº 79.094/77; por fim, a Resolução RDC nº 185/2001 estabelece que os produtos correlatos se equiparam a produtos médicos e a Resolução RE nº 2605/2006, lista os de produtos médicos enquadrados como de uso único, entre eles as luvas descartáveis: Fl. 7547DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13888.721159/201306 Resolução nº 3401000.936 S3C4T1 Fl. 7.548 5 12. Alega, ainda, que (vii) 84,33% dos clientes da contribuinte seriam destinatários que se enquadram na norma concessiva do benefício fiscal, juntando planilha distribuída de acordo com os respectivos CNAEs, o que denotaria, ademais, a precariedade e inconsistência do trabalho fiscal realizado; (viii) a opção pelo regime cumulativo ou não cumulativo não seria relevante como requisito para a redução da alíquota zero, vez que a Lei nº 10.865/04 não realiza esta discriminação, sendo aplicável a todos os contribuintes, independentemente do seu regime de apuração; (ix) a inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, por decorrência do Recurso Extraordinário nº 559.607 julgado pelo Supremo Tribunal Federal; (x) descabimento da multa qualificada de 150% por inexistência de dolo ou fraude por mero descumprimento da Solução de Consulta; (xi) ilegalidade da responsabilização pessoal da figura do sócio, diante da inexistência de prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social do qual resulte obrigação tributária. 13. No Acórdão DRJ nº 1149.102, julgado em sessão de 23 de janeiro de 2015 pela 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Recife (PE), a turma julgou, por unanimidade de votos, parcialmente improcedente a impugnação para (i) afastar a multa de ofício, (ii) excluir da base de cálculo das contribuições o valor correspondente ao ICMS e às próprias contribuições, exonerando, assim, o montante de R$ 9.783.853,26, e (iii) excluir do pólo passivo o exsócio JAMIL EL KADRE, mantendo, por outro lado, o auto de infração por descumprimento aos requisitos dos benefícios fiscais, de modo a entender que a Revisão Aduaneira não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou mudança de critério jurídico conforme ementa abaixo transcrita: "REVISÃO ADUANEIRA E MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INSTITUTOS QUE NÃO SE CONFUNDEM. A verificação do cumprimento das condições fixadas na legislação que concede isenção parcial, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a Fl. 7548DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13888.721159/201306 Resolução nº 3401000.936 S3C4T1 Fl. 7.549 6 redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Descabe alegar mudança de critério jurídico, quando o objetivo do lançamento é exatamente adotar o critério jurídico pactuado entre a Administração e o sujeito passivo em Solução de Consulta formalmente exarada, a qual, vincula toda a Administração, conforme reconhece o contribuinte. DECISÃO EXARADA EM PROCESSO DE CONSULTA. EFEITOS A decisão exarada em solução de consulta representa, em relação ao consulente a interpretação da Secretaria da Receita Federal do Brasil acerca de determinado tema. Conseqüentemente, enquanto não modificada, deve ser observada por seus servidores. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS A constatação de que o contribuinte não preenche os requisitos para reconhecimento da isenção pleiteada e que não agiu mediante dolo fraude ou simulação, autoriza a formalização de lançamento de ofício, com vistas à cobrança das contribuições que deixaram de ser recolhidas no momento do registro da declaração de importação, acrescidas de juros. A formalização de pedido de isenção por ocasião do registro da declaração de importação, por si só, não é suficiente para caracterizar intuito doloso, ainda que o pedido formulado esteja em desacordo com a interpretação da RFB assentada em solução de consulta. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR. CONDIÇÕES Afastada a acusação de dolo, não há que se falar na prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou do contrato social o que afasta igualmente a responsabilidade do administrador. Impugnação Procedente em Parte". 14. Em 16/03/2015, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, situado às fls. 7460 a 7522, no qual reiterou os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Fl. 7549DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13888.721159/201306 Resolução nº 3401000.936 S3C4T1 Fl. 7.550 7 Voto A recorrente argumenta, entre outros pontos, a existência de alteração no critério jurídico, vedado para fins de revisão do lançamento com base no art. 146 CTN. Apesar de mencionar rapidamente a existência de mercadorias importadas por meio do canal vermelho, não há como se apontar com certeza, na análise dos documentos trazidos ao presente processo, se de fato houve parametrização por este canal, ainda que tais afirmações, em conjunto com as provas, apontem indício de que elas realmente tenham ocorrido. Ainda assim, serão necessários alguns outros esclarecimentos a cargo da Administração, inclusive sob o pálio do contraditório, com manifestação expressa sobre tais fatos e documentos, para a formação de nosso convencimento a respeito da matéria, vez que, em nosso entendimento, este é um dado muito importante para o julgamento do feito. Para casos como o ora analisado, em que efetivamente se materializa a insuficiência de provas para o deslinde da análise do processado, o próprio regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72) prevê, no art. 29, o seguinte: Decreto nº 70.235/72 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim sendo, entendo que o processo não se encontra suficientemente instruído e as provas existentes não foram ainda totalmente exauridas e analisadas sob o pálio do contraditório, não se encontrando, conseqüentemente, em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências, cuja redação retiro do Acórdão nº 3402000.658, ora utilizado tanto como modelo de quesitos como precedente para justificar o entendimento pela conversão: a) Relacionar todas as Declarações de Importação (DIs) que compõem o lançamento constante deste processo administrativo fiscal (PAF), de modo a adicionar colunas com a classificação adotada, a data do desembaraço aduaneiro e o canal de parametrização no qual cada referida DI foi desembaraçada (verde, amarelo, vermelho ou cinza); b) Esclarecer se em relação às DIs objeto de revisão aduaneira neste PAF, alguma delas foi objeto de determinação administrativa, quando do processo de desembaraço aduaneiro, para alteração da classificação fiscal, com ou sem imposição de multa por erro de classificação fiscal, em caso positivo relacionandoas e indicando as respectivas classificações fiscais empregadas pelo sujeito passivo e pela Autoridade Aduaneira, bem como as datas de desembaraço aduaneiro. c) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, relativamente aos documentos relativos aos desembaraços aduaneiros, os canais de parametrização e eventuais erros de classificações fiscais quando dos desembaraços aduaneiros; Fl. 7550DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13888.721159/201306 Resolução nº 3401000.936 S3C4T1 Fl. 7.551 8 d) Após, seja intimando o contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento. É como voto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 7551DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 07/07/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por J ULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901346/2006-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE.
Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõe-se o seu reconhecimento nessa medida.
IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES. OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE.
Em face de determinação expressa na lei, é vedado o creditamento do IPI sobre aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório, na exata medida verificada pela fiscalização no curso da diligência, relativamente a todas as aquisições da empresa Brincobre Industria e Comércio de Metais Ltda, homologando nessa proporção as compensações declaradas.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE. Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõe-se o seu reconhecimento nessa medida. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES. OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Em face de determinação expressa na lei, é vedado o creditamento do IPI sobre aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. Recurso Voluntário provido em parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10855.901346/2006-23
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5618483
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.182
nome_arquivo_s : Decisao_10855901346200623.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 10855901346200623_5618483.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório, na exata medida verificada pela fiscalização no curso da diligência, relativamente a todas as aquisições da empresa Brincobre Industria e Comércio de Metais Ltda, homologando nessa proporção as compensações declaradas. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6462449
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418442543104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.798 1 1.797 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.901346/200623 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.182 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de julho de 2016 Matéria IPI Recorrente METALUR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE. Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõese o seu reconhecimento nessa medida. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES. OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Em face de determinação expressa na lei, é vedado o creditamento do IPI sobre aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório, na exata medida verificada pela fiscalização no curso da diligência, relativamente a todas as aquisições da empresa Brincobre Industria e Comércio de Metais Ltda, homologando nessa proporção as compensações declaradas. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 13 46 /2 00 6- 23 Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo de pedido de ressarcimento de IPI, objeto do PER/DCOMP nº 18087.80998.180903.1.7.012810, referente a crédito do segundo trimestre de 2003, decorrente da aquisição de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos. Conforme constatado pela fiscalização, foram glosados os créditos de correntes das aquisições efetuadas junto ao fornecedor de CNPJ 60.631.827/000125 (Brincobre Industria e Comércio de Metais Ltda), pela falta de apresentação respectivas das notas fiscais; bem como do fornecedor de CNPJ 63.096.507/000100 (Lucimikel Recuperadora de Metais Ltda EPP), em razão de este ser ser optante do SIMPLES nos anos de 2000 a 2004. Assim, mediante Despacho Decisório, a DRFSorocaba reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, homologando somente em parte as compensações declaradas. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em face do Despacho Decisório, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) A manifestante tece uma série de alegações fundadas no princípio da não cumulatividade para demonstrar que bastaria comprovar o pagamento para se obter o direito ao crédito, na medida que a escrituração dos créditos da Brincobre foram feitos, na ocasião, à vista das notas fiscais, as quais não foram apresentada por terem sido entregues à Secretaria da Fazenda Estadual em São Paulo. Com relação ao fornecedor optante pelo SIMPLES, argúi que agiu de boa fé, sendo que a documentação do fornecedor não informava que era optante e destacava regularmente o IPI, portanto, tais operações foram regulares e não poderia ser punido, mormente por caber ao Estado exercer a ação fiscalizatória sobre o fornecedor, além disso, demonstrado que as empresas estavam ativas na época e que pagou pelos insumos. (...) Mediante o Acórdão nº 1437.109 2ª Turma da DRJ/RPO, de 28 de março de 2012, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 LIVROS FISCAIS. ESCRITURAÇÃO. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10855.901346/200623 Acórdão n.º 3402003.182 S3C4T2 Fl. 1.799 3 A nota fiscal é o documento que legitima os lançamentos escriturados nos Livros Fiscais. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte foi regularmente cientificada do Acórdão de primeira instância, pela via postal, em 10/04/2012. Em 09/05/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário, mediante o qual alega e requer, em síntese: a) Da nãocumulatividade do IPI A teor do disposto no § 3o, inciso II do referido artigo 153 da Constituição Federal, o IPI tem como característica precípua a nãocumulatividade, ou seja, os valores devidos a esse título na operação anterior geram créditos passíveis de serem compensados com o montante devido nas operações subseqüentes. Na mesma esteira, o artigo 49 do Código Tributário Nacional estabeleceu que "o imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados". Ao contrário do que aponta o v. aresto recorrido, a Constituição Federal não admite restrições que amesquinhem o princípio da nãocumulatividade, eis que o direito à compensação é mandamento que nasce a partir do momento em que o imposto incide na operação anterior. A não cumulatividade está fixada pelas próprias normas constitucionais que são suficientes em si, autoexecutáveis. Verificase, então, que para fins de concretização do princípio da nãocumulatividade, o Regulamento do IPI permite o creditamento do IPI relativo à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem que forem consumidos no processo de industrialização. Constatase que o Regulamento do IPI estabeleceu diversas regras para a escrituração dos créditos e condicionou o aproveitamento dos mesmos à sua estrita observância, quando o artigo 153 da Constituição Federal apenas determinou que o montante devido em cada operação deveria ser compensado com o montante devido das operações anteriores. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 Importante ressaltar que todos os requisitos infraconstitucionais para a compensações de créditos de IPI foram seguidos pela Recorrente. Nesse passo, os lançamentos das operações realizadas com a empresa Brincobre Indústria e Comércio de Metais Ltda., como as realizadas com a empresa Lucimikel Recuperadora de Metais Ltda. foram lastreadas com nota fiscal e o negócio jurídico efetivamente foi realizado com o pagamento do preço e entrega da mercadoria. Por esta razão, atraise a este caso a regra insculpida no parágrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430/96, in verbis: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por essa pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, "(grifos russos). Na ocasião das operações as empresas Brincobre e Lucimikel estavam regularmente inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda (CNPJ) com a inscrição ativa, razão pela qual era perfeitamente legítimo o crédito do IPI. Salientese que todas as operações realizadas pela Recorrente foram comprovadas, inclusive com a demonstração de pagamento da operação. Desta feita, no caso em apreço observase que: a) Houve efetivamente realização de negócio jurídico de compra e venda de matériaprima, com pagamento do preço e entrega da mercadoria; b) As operações foram lastreadas pela emissão de nota fiscal com destaque do valor do IPI; c) A ausência de pagamento do IPI pelas empresas Brincobre e Lucimikel nãoatinge o crédito de IPI da Requerente, pois para fins da efetivação da nãocumulatividade basta que tenha existido imposto na operação anterior, ou seja,não se faz necessária a comprovação do pagamento; d) Na ocasião das operações as empresas Brincobre e Lucimikel não tinham sua situação cadastral declarada INAPTA pela Receita Federal, logo, todos os documentos fiscais por elas emitidos são passíveis de produzir efeitos tributários perante terceiros; Em relação as notas fiscais da Brincobre informa a Recorrente que as mesmas não foram apresentadas ao ilustre agente fiscal porque foram encaminhadas ao Posto Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, onde se encontram até o Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10855.901346/200623 Acórdão n.º 3402003.182 S3C4T2 Fl. 1.800 5 presente momento. Entretanto, em virtude do princípio da verdade material, a Administração Pública tem a obrigação de verificar se a operação de fato ocorreu, não somente analisando as notas fiscais, mas os livros de apuração, os comprovantes de pagamento da mercadoria adquirida, cujo valor do IPI também foi pago, dentre outros. Ademais, para que os documentos fiscais sejam declarados tributariamente ineficazes é necessária a apuração de sua inidoneidade nos termos da Portaria MF n° 187/93, o que não se observa no presente caso. b) Das operações com fornecedores optantes pelo Simples e da boafé da Recorrente Concluise que a Recorrente agiu dentro de suas prerrogativas legalmente estabelecidas, não podendo ser penalizada em virtude de uma hipotética irregularidade do fornecedor, que deixou de informar que era optante pelo SIMPLES, e emitiu nota fiscal com destaque do IPI. Quem descumpriu a legislação foi a empresa que emitiu a nota fiscal de forma equivocada. A Recorrente não pode ser punida por erro de terceiros, mesmo porque, quem possui o poder fiscalizante não é a Recorrente, mas sim a Administração Pública. Além disso, ao contrário do que apontado do v. acórdão, não pode o Estado eximirse de sua competência fiscalizatória, repassando esta obrigação ao contribuinte, uma vez que a competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações principais ou acessórias de índole tributária são eminentemente do próprio Fisco. Dessa forma, concluise que qualquer irregularidade por parte dos fornecedores de insumos não pode atingir o ato jurídico perfeito realizado pelo terceiro de boafé, que deve estar protegido por sua própria regularidade tal como demonstra o entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo colacionada: (...) Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução SIV 08/2008. (REsp 1148444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, * PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010). A Turma deste CARF decidiu por converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: (...) Resolução nº: 3401000.572– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data: 27 de setembro de 2012 Assunto: Solicitação de diligência comprovação da documentação apresentada Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 (...) Conselheiro Odassi Guerzoni Filho A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 10/04/2012, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 09/05/2012. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Com a devida vênia, a instância recorrida parece não ter atentado ao fato de que a empresa trouxe para o processo quando de sua Manifestação de Inconformidade várias cópias das notas fiscais de aquisição da empresa Brincobre, de sorte que não procede a afirmação contida no voto ora recorrido, à sua fl. 4, de que “nada” teria sido apresentado. Aliás, creio eu que tampouco a Recorrente se apercebeu que apresentara as cópias das notas fiscais, visto que em seu Recurso Voluntário continua a alegar que as mesmas ainda estariam em poder do Fisco estadual. Refirome aos documentos de fls. 902 a 1.155, nos quais observase não só cópias de notas fiscais que foram objeto da glosa por falta de sua apresentação, bem como comprovantes de entrada das mercadorias nos estoques e de seu efetivo pagamento junto ao referido fornecedor. Em princípio, pois, não se justifica o voto da DRJ, que, não se apercebendo da existência de tais documentos, invocou dispositivo do Código de Processo Civil e do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, para ratificar a glosa feita pela DRF, repitase, lastreada tão somente na falta de apresentação das notas fiscais de aquisição. Pelo exposto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Unidade de origem aprecie os documentos de fls. 902 a 1.155, informando a este Colegiado quais deles, ou melhor, quais notas fiscais são capazes de afastar as glosas apontadas no documento de fl. 75 a 77, denominado “Creditamento Indevido por falta de apresentação da Nota Fiscal”. O resultado da diligência deverá ser comunicado à interessada para que, em desejando, sobre ele se manifeste no prazo de trinta dias, ao final do qual, o processo deverá ser devolvido ao Carf. Odassi Guerzoni Filho Relator Em atendimento ao solicitado, a fiscalização da DRF/Sorocaba lavrou o TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL das fls. 1671/1673, consignando, em síntese: (...) ANÁLISE Os créditos de IPI escriturados e glosados por esta fiscalização, relativos a Brincobre, foram lançados nos livros fiscais com base em notas fiscais de entrada de emissão da própria Metalur Ltda. Em obediência aos ditames do Regulamento do IPI, intimei o contribuinte para que apresentasse as notas fiscais de compra de mercadorias de produtos de Brincobre. Em resposta, foi dito que tais documentos encontravamse em poder da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo. Após decurso de prazo suficiente para que o contribuinte cumprisse a intimação, nada foi juntado e para que não houvesse homologação tácita por disposição legal do pleito do contribuinte, não restou outra alternativa ao Fisco, senão a glosa destes créditos. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10855.901346/200623 Acórdão n.º 3402003.182 S3C4T2 Fl. 1.801 7 Em assim, foi elaborada uma planilha que compôs às fls. 75 a 77, onde foram relacionadas as notas fiscais de entrada de Metalur Ltda, todas relacionadas a aquisições de Brincobre e com os créditos glosados no valor total de R$ 273.136,39. Em sua peça impugnatória, o contribuinte anexou documentos de fls. 902 a 1.155, cumprindo parcialmente o que houvera sido exigido pela fiscalização. Da análise deste documentos, pude verificar a correta escrituração dos créditos de IPI. Além das notas fiscais de Brincobre, onde fica constatada a entrada das mercadorias, o contribuinte demonstrou o efetivo pagamento, anexando ordens de pagamento bancárias, duplicatas quitadas e cópias contábeis dos cheques. No entanto, dos documentos juntados pelo contribuinte, não foram encontradas as seguintes notas fiscais de emissão de Brincobre: Não foram encontrados também quaisquer outros documentos que onde ficasse constatada a entrada destas mercadorias ou seu efetivo pagamento, através de pagamentos bancários, duplicatas quitadas ou cópias contábeis dos cheques. Do total dos créditos da Brincobre glosados pela fiscalização no valor de R$ 273.136,39, o contribuinte conseguiu demonstrar seu direito à R$ 230.514,89 (R$ 273.136,39 – R$ 42.621,50). (...) Instada a se manifestar, a contribuinte, em 21/03/2013, requereu "a juntada das inclusas cópias das notas fiscais relacionadas pelo Agente fiscalizador, bem como as cópias duplicatas devidamente quitadas, e dos comprovantes de pagamento, quais sejam, extratos de conta corrente identificando as compensações das autorizações de transferências bancárias, comprovando o pagamento das mercadorias adquiridas". Diante das novas provas apresentadas, mediante a Resolução nº 3402000.760– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de março de 2016, este Colegiado converteu novamente o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analisasse "a nova documentação acostada pela recorrente na manifestação em face da diligência anterior e sua potencialidade para comprovar o direito creditório alegado e modificar o valor a ressarcir ou compensar e, sendo o caso, em que medida". A fiscalização concluiu que: (...) Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 Do novo exame destes documentos, constatei a correta apuração dos créditos faltantes do IPI, no valor de R$ 42.621,50. Além de ter apresentado as notas fiscais faltantes, o contribuinte demonstrou o efetivo pagamento, anexando ordens de pagamento bancárias, duplicatas quitadas e extratos bancários. Do total de créditos da Brincobre glosados pela fiscalização no valor de R$ 273.136,39, o contribuinte conseguiu demonstrar seu direito integral aos R$ 273.136,39. Em resumo, da glosa apontada pela fiscalização de R$ 423.358,99 no exame do Ressarcimento de IPI, 2º trimestre de 2003, PER/DCOMP 18087.80998.180903.1.7.012810, de 18/09/2003, 2º Trimestre de 2003, o contribuinte comprovou seu direito ao crédito do IPI relativo ao fornecedor Brincobre no valor total de R$ 273.136,39. O novo valor da glosa total no PER/DCOMP 18087.80998.180903.1.7.012810, de 18/09/2003, 2º Trimestre de 2003, Ressarcimento de IPI, seria de R$ 150.222,60 (R$ 423.358,99 – R$ 273.136,39). (...) A recorrente foi cientificada da conclusão da segunda diligência, mas não apresentou manifestação no prazo concedido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. a) "Da não cumulatividade do IPI" Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre todos os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei ordinária, regulamento e normas complementares (art. 100 do CTN) que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte. Relativamente às glosas cujo crédito não foi comprovado, como é consabido, nos pedidos do contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como o presente, cabe ao requerente a demonstração do cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 333 do Código de Processo Civil, juntando aos autos os documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento. Com efeito, entendendo a autoridade fiscal que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não eram hábeis a demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, caberia à recorrente trazer aos autos na manifestação de inconformidade, nos Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10855.901346/200623 Acórdão n.º 3402003.182 S3C4T2 Fl. 1.802 9 termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do CPC, a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão da fiscalização. Não incumbe à fiscalização ou ao julgador administrativo buscar informações complementares ou fazer diligências para comprovar o seu pleito de reconhecimento do direito creditório da contribuinte. No entanto, em relação aos documentos apresentados pela contribuinte após o despacho decisório, já foram objeto de análise pela fiscalização nas diligências, o que será tratado mais adiante neste Voto. A hipótese dos autos tratase de não comprovação do crédito pleiteado, e não da declaração de inidoneidade de documentos fiscais, de forma que o art. 82 da Lei nº 9.430/96 em nada favorece a recorrente. b) "Das operações com fornecedores optantes pelo Simples e da boafé da Recorrente": Com relação às glosas pertinentes ao fornecedor optante pelo Simples, a Lei nº 9.317/1996, à época dos fatos, vedava expressamente, em seu art. 5º, § 5º, a transferência de créditos para aos adquirentes de seus produtos: "§ 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS". Cabe lembrar que a atividade administrativa é vinculada, cabendo ao agente administrativo prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). A eventual emissão da Nota Fiscal pelo fornecedor optante pelo Simples com destaque do imposto tratase de uma irregularidade, que, por certo, não tem o condão de conferir à adquirente/recorrente o direito ao crédito do IPI cuja transferência é vedada por lei. Também o Acórdão proferido no REsp 1148444/MG (Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010), submetido ao regime do artigo 543C do CPC, não pode ser aplicado aos presentes autos, vez que trata de matéria completamente diversa, qual seja, de aproveitamento de créditos de ICMS relativamente a notas fiscais posteriormente declaradas inidôneas. c) Das diligências efetuadas: Como relatado, o julgamento do recurso voluntário foi, anteriormente, convertido em diligência por este CARF, para análise dos documentos fiscais apresentados pela então manifestante, tendo a fiscalização concluído que os documentos comprovavam parcialmente o crédito pleiteado em relação às aquisições da empresa Brincobre Industria e Comércio de Metais Ltda. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 Em sua manifestação em face dessa diligência, a recorrente requereu a juntada de outros documentos, relativamente às aquisições mencionadas na tabela acima pela fiscalização, para as quais não havia restado comprovado o respectivo direito creditório nas aquisições da Brincobre. Tendo sido o julgamento novamente convertido em diligência, concluiu ao final a fiscalização que, em relação às aquisições da recorrente da Brincobre, além de "ter apresentado as notas fiscais faltantes, o contribuinte demonstrou o efetivo pagamento, anexando ordens de pagamento bancárias, duplicatas quitadas e extratos bancários". De forma que, do "total de créditos da Brincobre glosados pela fiscalização no valor de R$ 273.136,39, o contribuinte conseguiu demonstrar seu direito integral aos R$ 273.136,39". Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório, na exata medida verificada pela fiscalização no curso da diligência, relativamente a todas as aquisições da empresa Brincobre Industria e Comércio de Metais Ltda, homologando nessa proporção as compensações declaradas. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
score : 1.0
