Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 17460.000204/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/11/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. LANÇAMENTO PRINCIPAL JÁ JULGADO. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas procedentes parte das contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção da multa aplicada no presente Auto de Infração relativamente às rubricas consideradas como base de cálculo das contribuições.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.(Súmula CARF nº2)
TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observá-la, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência até a competência 11/2001, inclusive, a teor do art. 173, inciso I, do CTN.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 30/11/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. LANÇAMENTO PRINCIPAL JÁ JULGADO. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas procedentes parte das contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção da multa aplicada no presente Auto de Infração relativamente às rubricas consideradas como base de cálculo das contribuições. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.(Súmula CARF nº2) TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observá-la, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 17460.000204/2007-19
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5593921
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.149
nome_arquivo_s : Decisao_17460000204200719.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 17460000204200719_5593921.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência até a competência 11/2001, inclusive, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6393956
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418664841216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17460.000204/200719 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.149 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria AUTO DE INGRAÇÃO: GFIP Recorrente IVEP IND VANGUARDA EMB PERSONALIZADAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 30/11/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. LANÇAMENTO PRINCIPAL JÁ JULGADO. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas procedentes parte das contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção da multa aplicada no presente Auto de Infração relativamente às rubricas consideradas como base de cálculo das contribuições. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.(Súmula CARF nº2) TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 02 04 /2 00 7- 19 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência até a competência 11/2001, inclusive, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17460.000204/200719 Acórdão n.º 2402005.149 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por IVEP IND VANGUARDA EMB PERSONALIZADAS LT , em face do acórdão de fls. 47, por meio do qual foi mantida parcialmente a multa lançada no Auto de Infração n. 37.067.5452, por ter a recorrente deixado de informar em folha de pagamentos diversos contribuintes autônomos que lhe prestaram serviços e seus respectivos pagamentos. Conforme dispõe o relatório fiscal : "1. Em ação fiscal na empresa "IVEP INDÚSTRIA VANGUARDA EMBALAGENS PERSONALIZADAS LTDA.", constatouse que esta deixou de informar diversos segurados contribuintes individuais (exautônomos) em suas folhas mensais de pagamento. Este procedimento constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso I da Lei n. 8.212, de 24/07/91, combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 90, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06/05/99. 2. A empresa deixou de informar em suas folhas de pagamento mensais todos os segurados contribuintes individuais (ex autônomos) constantes dos Relatórios de Lançamentos em anexo, conf. Códigos de Levantamento (LEV) a seguir identificados: 2.1 os Relatórios de Lançamento (RL) em anexo são parte integrante da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n. 37.067.5436, lavrada nesta ação fiscal para restabelecimento do crédito previdenciário devido. 2.2 justificase a aferição da remuneração do prolabore lançada no Levantamento "IPA", período de 01/2004 a 08/2006, tendo em vista a regular atividade da empresa, a não apresentação dos recibos de pagamento, a não inserção dos lançamentos contábeis respectivos nos arquivos digitais apresentados, e pelo fato da empresa ter definido em suas alterações contratuais que somente a sócia gerente Maria da Conceição Camara tem direito A retirada de prolabore no Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 exercício da administração da empresa. A empresa, no período de outubro/2001 a agosto/2006, permaneceu com suas atividades em pleno funcionamento, não declarando nenhuma outra pessoa como responsável pela administração da mesma, o que reforça que, pelo exercício da administração da empresa, fica garantido a esta sócia a remuneração pelo serviço prestado a mesma e, conseqüentemente, devida é a contribuição previdenciária respectiva. 2.2.1 para aferição da remuneração devida a titulo de pro labore, tomamos por base o último valor declarado relativo à competência 12/2003, transformandoo em números de salário mínimo vigente nesta, e aplicando o índice encontrado nos meses subseqüentes." O lançamento compreende as competências de 10/2001 a 04/2002, 06/2002 e 11/2002 a 11/2005, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 05/03/2007 (fls. 28). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a multa aplicada é confiscatória; 2. que foi ofendido o princípio da capacidade contributiva; 3. a impossibilidade da cumulação da SELIC e juros de mora de 1% Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. Os autos foram baixados para diligência, Resolução nº 2402000.386– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, para que os presentes tramitassem em conjunto com as NFLD's correlatas, ou quando estas já estivessem definitivamente julgadas tendo em vista que o resultado do julgamento influenciaria no deslinde do processo em tela. Vejamos: "De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, especialmente nos quais foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e que originaram a multa objeto deste Auto de Infração. Se o lançamento principal conexo vier a ser anulado, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente incluir em folha de pagamentos os contribuintes individuais e suas respectivas remunerações, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde das NFLD´s nas quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com as NFLD´s correlatas, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17460.000204/200719 Acórdão n.º 2402005.149 S2C4T2 Fl. 4 5 presente processo passem a tramitar em conjunto com os relativos ao lançamento da obrigação principal". Por fim, verifico o retorno da diligência (fl. 122), cito: "...Informo que as contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, que originou a lavratura do AI nº 37.067.5452, foram incluídas no AI nº 37.067.5436, cuja cópia do Discriminativo do Débito foi juntada às fls.79/107. Juntamos, também, às fls.108/120, cópia do Acórdão do referido AI. O AI nº 37.067.5436 encontrase inscrito em dívida ativa da União. Após cumprida a Diligência, proponho o retorno do processo ao CARF. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Pois bem, conforme já relatado, o presente Auto de Infração fora lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições individuais mencionados no Relatório Fiscal (fl.29/31). E os fatos geradores estão acima discriminados no quadro constante do presente relatório.[ Fato é que o julgamento do processo principal relacionado ao auto de infração supra mencionado já fora levada a efeito, sendo que os argumentos constantes no recurso voluntário que ora se examina, já foram objeto de decisão quando do julgamento do processo principal, como restou ementado: ”ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 30/08/2006 DECADÊNCIA.O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91.Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Não comprovado nos autos pagamento parcial da exação lançada, aplicase o artigo173, I. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34daLei8.212/91. Súmulado Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época do lançamento, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora,na hipótese de recolhimento em atraso. TERCEIROS São devidas pelas empresas em geral, as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. Recurso Voluntário Provido em Parte." Fl. 130DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17460.000204/200719 Acórdão n.º 2402005.149 S2C4T2 Fl. 5 7 Destaco que o acórdão supra mencionado deu provimento parcial apenas no tocante a considerar a decadência excluir do lançamento as competências até 11/2001, inclusive, situação também aplicável aos autos do presente processo, considerando tratarse do lançamento de obrigação acessória, tendo em vista que a cientificação do contribuinte deuse em 05/03/2007. No tocante ao pedido de nulidade uma vez que alega o recorrente que os sócios não foram notificados, tenho que tal alegação não se coaduna com a realidade dos fatos uma vez que a empresa foi devidamente notificada às fls., oportunidade em que lhe fora oportunizado, dentro do prazo legal, exercer o seu direito à defesa. No passo seguinte, verifico que a matéria objeto do presente recurso voluntário se limitou apenas a multa e taxa selic. Com relação a alegação da Recorrente de ter caráter confiscatório a multa aplicada, tenho que tal irresignação não pode ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim resta mantida a multa aplicada pela autoridade fiscal. Por fim, no que tange à aplicação da taxa SELIC, temse que, enquanto juros moratórios e multa, aplicada sobre as contribuições objeto do lançamento, fora efetuada com amparo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Logo, em se tratando os presentes autos de obrigação acessória e uma vez mantida a incidência das contribuições sobre tais pagamentos, também é de ser mantida a multa objeto do presente Auto de Infração. Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso apenas excluir do lançamento as competências até 11/2001, inclusive, com fundamento no art. 173, I, do CTN. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723101/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira, e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.723101/2014-27
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5613413
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-000.565
nome_arquivo_s : Decisao_10166723101201427.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10166723101201427_5613413.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Kleber Ferreira de Araújo - Presidente Natanael Vieira dos Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira, e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6448729
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418686861312
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-07-25T10:04:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-07-25T10:04:44Z; Last-Modified: 2016-07-25T10:04:44Z; dcterms:modified: 2016-07-25T10:04:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:3cb3e378-6ef1-4bed-bf41-bf1ae12707c7; Last-Save-Date: 2016-07-25T10:04:44Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-07-25T10:04:44Z; meta:save-date: 2016-07-25T10:04:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-07-25T10:04:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-07-25T10:04:44Z; created: 2016-07-25T10:04:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2016-07-25T10:04:44Z; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-07-25T10:04:44Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 139 1 138 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.723101/201427 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.565 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de julho de 2016 Assunto Solicitação de Deligência Recorrente SAULO GARCIA QUEIROZ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Kleber Ferreira de Araújo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira, e Theodoro Vicente Agostinho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 23 10 1/ 20 14 -2 7 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.723101/201427 Resolução nº 2402000.565 S2C4T2 Fl. 140 2 RELATÓRIO 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por SAULO GARCIA QUEIROZ, em face do acórdão n° 0437.867, proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE, de Campo Grande MS, em sessão de 03 de dezembro de 2014, na qual os membros daquele Colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo recorrente. 2. Por bem retratar os fatos, adoto parcialmente o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim apontou: 2.1. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fls. 37), a autoridade fiscal informou, em suma, que, da análise de informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes de sistemas da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 290.757,16, recebidos pelo titular e/ou dependente, das fontes pagadoras Coopernorte Coop. de Econ. e Créd. Mutuo dos Funcion. de Instit. e Caixa de Previdência dos Func. do Banco do Brasil. Em complemento, constou que laudo médico de reavaliação, emitido por serviço médico da União (Departamento Médico da Câmara dos Deputados), em cumprimento à legislação tributária, atesta que o contribuinte não é mais portador de moléstia grave, devendo a isenção do IR ser suspensa a partir de abril/2011, e que foram lançados rendimentos recebidos no anocalendário 2012 e declarados como isentos. 2.2. Cientificado do lançamento, em 09/04/2014 por via postal (fls. 41), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 04 a 05, em 02/05/2014, acompanhadas dos documentos de fls. 06 a 33, onde argumentou, em suma, o que segue: Concorda com a infração referente à omissão de rendimentos oriundos do CNPJ 01.658.426/000108. Discorda da omissão de rendimentos no valor de R$ 289.413,85, referente ao CNPJ 33.754.482/000124, que são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. 3. Analisada a defesa apresentada pelo contribuinte, entendeu o julgador de primeira instância pela improcedência da peça impugnatória, cuja decisão restou assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2013 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não se constituem em normas gerais e não se aproveitam em julgamento administrativo e a terceiros. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos de imposto de renda os proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave especificada na legislação Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.723101/201427 Resolução nº 2402000.565 S2C4T2 Fl. 141 3 em vigor. Para o reconhecimento do direito à essa isenção, além da comprovação de que o rendimento auferido se refere a proventos de aposentadoria ou pensão, há necessidade de apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial que reconheça ser o contribuinte portador de uma das doenças que permite a isenção do imposto e que indique a data em que essa foi contraída e o prazo de validade, no caso de moléstia passível de controle. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." 4. A recorrente foi regularmente notificada (05/02/2015) da decisão proferida pelo julgador a quo (fls. 79), e, para demonstrar seu inconformismo, tempestivamente, em 24/02/2015, interpôs recurso voluntário (fls. 82/100), onde, em síntese, pugna pelo cancelamento do lançamento suplementar, sob o argumento de que os valores recebidos em 2012 tratamse de complementação de aposentadoria, e, pelo fato do interessado tratarse de pessoa portadora doença grave (CID C32.9 neoplasia maligna) não são os referidos proventos tributados pelo IR, isentos, portanto. 5. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.723101/201427 Resolução nº 2402000.565 S2C4T2 Fl. 142 4 VOTO Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA SÍNTESE DA LIDE E NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. O lançamento em análise, de acordo com o consignado às fls. 37/38 dos autos, resulta da omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, num total de R$ 290.757,16, pagos ao recorrente pelas fontes pagadoras Coopernorte Coop. de Econ. e Créd. Mutuo dos Funcion. ee Instit. e Caixa de Previdência dos Func. do Banco do Brasil, sujeitos à tabela progressiva. Do levantamento feito pela fiscalização resultou em um imposto suplementar de R$ 75.423,08, valor este que, considerando também os dados constantes da DAA original (fls. 42/50), foi assim apurado pela fiscalização (fl. 38): DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO Descrição Valores em Reais l) TOTAL DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS 248.729,92 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA 290.757,16 3) TOTAL DAS DEDUÇÕES DECLARADAS 29.805,00 4) GLOSA DE DEDUÇÕES INDEVIDAS 0,00 5) PREVIDÊNCIA OFICIAL SOBRE RENDIMENTO OMITIDO 0,00 6) BASE DE CÁLCULO APURADA (1+23+45) 509.682,08 7) IMPOSTO APURADO APÓS ALTERAÇÕES (TAB PROGR ANUAL) 131.084,19 8) DEDUÇÃO DE INCENTIVOS DECLARADA 0,00 9) CONTRIB. PREV. A EMP. DOMÉSTICO DECLARADO 0,00 10) GLOSA DE DEDUÇÃO DE INCENT./ CONTRIB. PREV. EMP. DOMÉSTICO 0,00 1 1 ) IMPOSTO DEVIDO RRA 0,00 1 2 ) TOTAL DO IMPOSTO A PAGO DECLARADO (AJUSTE ANUAL + RRA)L 55.661,11 13 GLOSA DE IMPOSTO PAGO 0,00 14) IRRF SOBRE INFRAÇÃO OU CARNÊ LEAO PAGO 0,00 15) SALDO DO IMPOSTO A PAGAR APÓS ALTERAÇÕES (789+10+1112+1314) 75.423,08 16) IMPOSTO A RESTITUIR DECLARADO 4.535,14 17) IMPOSTO JÁ RESTITUÍDO 0,00 18) IMPOSTO SUPLEMENTAR 75.423,08 3. O recorrente, uma vez notificado do lançamento acima fez a competente impugnação, a qual foi julgada improcedente em primeira instância, tendo o interessado interposto recursos voluntário, por meio do qual, em especial, dentre outras matérias, questiona o laudo emitido pelo serviço médico da Câmara dos Depurados, onde consta que não é mais portadora de doença especificada em lei. 4. Feitas as considerações necessárias à compreensão do litígio, verificase que a contenda instalada decorre do fato de serem divergentes as informações contidas no laudo pericial, emitido pelo Hospital de Base do Distrito Federal e assinado pelo médico Dr. Milton Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.723101/201427 Resolução nº 2402000.565 S2C4T2 Fl. 143 5 Menezes da Costa Neto, CRMDF4141 (fl. 27), e o laudo pericial emitido pelo serviço médico da Câmara dos Deputados (fl. 117), o que, a meu ver, suscita dúvidas o conjunto probatório juntado aos autos, impossibilitando o reconhecimento da isenção ora pleiteada pelo contribuinte sobre seus proventos de aposentadoria. 5. Está assente na doutrina especializada que o processo administrativo tem como persecução a busca da verdade material relativa aos fatos tributários, inclusive em relação às provas que os suportam, sendolhes nuclear o princípio da verdade material. 6. Ressaltese que o princípio da verdade material decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade, de tal modo que se busca, incessantemente, o convencimento da verdade, a qual, hipoteticamente, esteja mais aproximada da realidade dos fatos. Referido princípio tem sua relevância na medida em que é através do mesmo que se deve considerar todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. 7. É nessa toada que, por meio das provas, buscase a realidade dos fatos, e, em regra, se despreza outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal desses mesmos fatos. Sob esse enfoque é que deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. 8. Está em linha com as assertivas anteriormente firmadas as lições de Celso Antônio Bandeira De Mello, o qual afirma que a verdade material: "Consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com precedência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade substancial. (BANDEIRA DE MELLO, 2011, p. 306)." 9. Assim, com supedâneo na doutrina acima citada, entendo como coerente e plausível que, em matéria de procedimento tributário, o julgador ao se deparar com uma dúvida é o caso a verdade material deve ser buscada, de forma que a legislação seja aplicada adequadamente, ou, em caso de decisão que esta seja justa, assim entendida aquela que não privilegie mais ou só uma das partes. Em outras palavras significa dizer que o princípio da verdade material e a equidade seja o mote. 10. Coadunase com o até aqui apontado o disposto no Dec. nº 70.235/72 que regula o processo administrativo, o qual em seu art. 29 é cristalino no sentido de que referido procedimento é informado pelos princípios anteriormente mencionados, in verbis: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." 11. Nesse mesmo diapasão são os ensinamentos de LEANDRO PAULSEN (Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.723101/201427 Resolução nº 2402000.565 S2C4T2 Fl. 144 6 doutrina e da jurisprudência, 5. ed., Porto Alegre, Livraria do Advogado), o qual é categórico em afirmar que: "(...) o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo." 12. Também não é dissonante o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, eis que alinhado com o princípio da verdade material, in verbis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” 13. No caso em análise, consta dos autos que a recorrente, segundo laudo emitido pelo serviço médico da Câmara dos Depurados, não é mais portadora de doença especificada em lei, de acordo com o que se depreende da decisão de primeira instância (fl. 71), nos termos que segue: "Além disso, cabe informar que consta do processo n.° 10166.723102/201471, do mesmo interessado, em julgamento nessa mesma data, um Laudo da Junta Médica do Serviço de Perícia Médica da Câmara dos Deputados que informa que o interessado foi submetido à nova avaliação em 21/03/2011 e que a Junta concluiu que ele não é mais portador de doença especificada em Lei." 14. Dessas colocações doutrinária e legislativa, bem como da documentação acostadas aos autos, para esse relator fica visível a divergência, reiterese, entre o conteúdo constante do laudo pericial, emitido pelo Hospital de Base do Distrito Federal e assinado pelo médico Dr. Milton Menezes da Costa Neto, CRMDF4141 (fl. 27), e o laudo médico pericial, anexo às fls. fl. 117, e, assim entendo como sendo necessário baixar os autos em diligência para que se verifique junto ao emitente desse último documento citado Serviço médico da Câmara dos Deputados para que esta traga mais detalhadamente aos autos as razões pelas quais se concluiu que o recorrente não é mais portadora de doença especificada em lei. CONCLUSÃO 15. Isto exposto, proponho em converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa de origem intime o serviços médico da Câmara dos Deputados para que: a) forneça ou, formalmente, informe à Receita Federal do Brasil o teor da resposta dada ao contribuinte, relativamente ao ofício/carta constante nos autos, fls. 119; b) esclareça se o Sr. SAULO GARCIA QUEIROZ, aposentado, desde 01/02/1999, pelo extinto Instituo de Previdência dos Congressistas IPC, ainda Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS Processo nº 10166.723101/201427 Resolução nº 2402000.565 S2C4T2 Fl. 145 7 está em controle, ou curado, da doença CID C32.9, com diagnóstico desde novembro de 2005, de acordo com o que consta do laudo pericial, fls. 27, emitido em 19/05/2006 pelo Hospital de Base do Distrito Federal; c) se o contribuinte estiver curado da doença, informar a partir de que data; d) se referida doença for passível de controle, em sendo este o enquadramento da condição do interessado, informar o prazo de validade do controle a que está eventualmente submetido. 16. Após as providências diligenciais solicitadas no item precedente sejam os dados ou informações juntadas aos autos, devendo estes, em seguida, serem devolvidos a este Conselho para a conclusão do julgamento. 17. Por fim, salientese que deve ser dada ciência à recorrente dessa diligência com o respectivo resultado, concedendolhe prazo, caso queira, para sobre ela se manifestar. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 7/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.007470/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
Consideram-se preclusas, não se tomando conhecimento, as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
NORMAS PROCESSUAIS.
Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial não comprovado. Tendo em vista tratar-se de contribuição de mesma espécie, a compensação deve ser levada a efeito na contabilidade da contribuinte, independentemente de requerimento. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação para se prestar a lançamento destinado a prevenir decadência.
Numero da decisão: 3301-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Consideram-se preclusas, não se tomando conhecimento, as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. NORMAS PROCESSUAIS. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial não comprovado. Tendo em vista tratar-se de contribuição de mesma espécie, a compensação deve ser levada a efeito na contabilidade da contribuinte, independentemente de requerimento. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação para se prestar a lançamento destinado a prevenir decadência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11610.007470/2002-11
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5578494
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.874
nome_arquivo_s : Decisao_11610007470200211.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 11610007470200211_5578494.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6330840
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418697347072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 411 1 410 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.007470/200211 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301002.874 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2016 Matéria IPI DCOMP Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ARAFERTIL SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Consideramse preclusas, não se tomando conhecimento, as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. NORMAS PROCESSUAIS. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial não comprovado. Tendo em vista tratarse de contribuição de mesma espécie, a compensação deve ser levada a efeito na contabilidade da contribuinte, independentemente de requerimento. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação para se prestar a lançamento destinado a prevenir decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 74 70 /2 00 2- 11 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11610.007470/200211 Acórdão n.º 3301002.874 S3C3T1 Fl. 412 2 Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, alegando omissão no acórdão proferido no processo em epígrafe. BUNGE FERTILIZANTES S.A., devidamente qualificada os autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 120/137 contra o Acórdão n° 0917.630, de 09/11/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, fls. 110/115, que julgou procedente em parte o auto de infração n° 0000188 (fls. 78/79) relativo ao PIS, referente aos períodos de abril a junho de 1997, decorrente de auditoria interna na DCTF em razão de que os créditos vinculados ao Processo n° 136460000329740, não foram confirmados, sob a ocorrência: "Proc jud não comprova", conforme fl. 80. A contribuinte foi devidamente cientificada do lançamento em 18/03/2002 (fl. 85). Inconformada, a interessada apresentou impugnação, fls. 01/16, com as seguintes alegações: 1. É nulo o lançamento pois o tributo lançado fora objeto de compensação com o próprio PIS com créditos requeridos no processo administrativo n° 13646.000032/97 40; 2. É incabível o lançamento de oficio, tendo em vista que o tributo devido foi declarado em DCTF; 3. Inconstitucionalidade da taxa SELIC. As fls. 100/107, encontrase o Despacho Decisório proferido no processo supracitado não homologando a compensação declarada. Os membros da lª Turma da DRJ em Juiz de Fora houveram por bem considerar o lançamento procedente em parte de modo a cancelar a multa de oficio aplicada no percentual de 75%. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11610.007470/200211 Acórdão n.º 3301002.874 S3C3T1 Fl. 413 3 Ausente a comprovação do direito credit6rio apurado em processo especifico para tanto, é de se manter a contribuição exigida em face de vinculação de compensação em DCTF. VALORES DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFICIO. No período compreendido entre a edição da MP n.° 2.158 35/2001 e a MP n.° 135/2003, convertida na Lei n.° 10.833/2003, em face de expressa disposição legal, é cabível o lançamento de oficio das diferenças apuradas em DCTF, decorrentes de compensação indevida ou não comprovada. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força de nova disposição legal e do principio da retroatividade benigna, é incabível a imposição da multa de oficio em conjunto com tributo ou contribuição, espontaneamente declarados em DCTF. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, em 16/01/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 120/137, acrescido dos documentos de fls. 138/172, apresentando as seguintes alegações: 1. É nulo o lançamento por erro na determinação do sujeito passivo e pela ausência de MPF; 2. Nulidade da autuação, uma vez que lavrada antes de decisão definitiva no processo administrativo de compensação, ou pelo menos, os presentes autos deverão ser sobrestados até o julgamento definitivo do processo n° 13646.000032/9740; 3. Dissonância entre os fatos narrados no libelo fiscal e a realidade dos fatos. A compensação procedida pela contribuinte foi desconsiderada sem verificação na empresa; 4. A vista da Resolução Senatorial n° 49/95, apresentou pedido de ressarcimento mediante compensação e passou a compensar os créditos apurados, informando, mensalmente, em DCTF, as compensações efetivadas. Ao final, requereu seja dado provimento ao recurso, cancelandose a exigência fiscal ou, ao menos, suspendendo os efeitos do lançamento tributário, até a decisão final do processo administrativo n° 13646.000032/9740. A 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento decidiu sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 NS/PASEP Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11610.007470/200211 Acórdão n.º 3301002.874 S3C3T1 Fl. 414 4 Consideramse preclusas, não se tomando conhecimento, as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. NORMAS PROCESSUAIS. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial não comprovado. Tendo em vista tratarse de contribuição de mesma espécie, a compensação deve ser levada a efeito na contabilidade da contribuinte, independentemente de requerimento. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação para se prestar a lançamento destinado a prevenir decadência. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração onde primeiramente afirma que os presentes embargos não estão sendo opostos com o propósito de modificar o entendimento firmado por este colegiado, mas sim com o desígnio de corrigir um dos argumentos acima aduzidos, posto que não corresponde à realidade posta nos autos. Aduz o relator que a contribuinte estava autorizada a proceder a compensação diretamente em sua escrita fiscal, independentemente de requerimento, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91 e do art. 14 da IN SRF nº 21/97, por pretender compensação entre contribuições de mesma espécie. Alega que tal informação está equivocada. Os embargos de declaração foram admitidos. É o relatório. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11610.007470/200211 Acórdão n.º 3301002.874 S3C3T1 Fl. 415 5 Voto Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, alegando omissão no acórdão proferido no processo em epígrafe. Primeiramente, como dito no relatório, insta consignar que os presentes embargos não foram opostos com o propósito de modificar o entendimento firmado pelo CARF, mas sim com o desígnio de corrigir um dos argumentos aduzidos, posto que não corresponde à realidade posta nos autos. Aduz o relator que a contribuinte estava autorizada a proceder a compensação diretamente em sua escrita fiscal, independentemente de requerimento, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91 e do art. 14 da IN SRF nº 21/97, por pretender compensação entre contribuições de mesma espécie. Alega que tal informação está equivocada. Depreendese dos autos que o contribuinte pretendia compensação de indébitos PIS, decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos 2.445/88 e 2.449/88, com outros tributos além do próprio PIS, quais sejam, COFINS, IRPJ e CSLL. Isso pode ser comprovado no relatório do despacho decisório de fls. 100, em que o julgador elabora planilha expondo os débitos objetos do pedido de compensação. Nesta planilha estão consignados débitos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. A embargante tem razão em suas alegações. O contribuinte estava obrigado a formular pedido de compensação/restituição, posto que pretendia compensação de tributos de espécies distintas, restando vedada pela própria Lei 8.383/91 este tipo de compensação na própria escrita fiscal. Portanto, acolho os embargos apenas para corrigir a informação constante do voto condutor do acórdão embargado: O contribuinte estava obrigado a formular pedido de compensação/restituição, posto que pretendia compensação de tributos de espécies distintas, restando vedada pela própria Lei 8.383/91 este tipo de compensação na própria escrita fiscal. Tal correção em nada afeta o resultado do julgamento e nem deve afetar a execução do julgado. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 415DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11610.007470/200211 Acórdão n.º 3301002.874 S3C3T1 Fl. 416 6 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903916/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e redator ad hoc da formalização da Resolução
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10865.903916/2008-62
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5601488
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-000.324
nome_arquivo_s : Decisao_10865903916200862.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865903916200862_5601488.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e redator ad hoc da formalização da Resolução Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
id : 6416751
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418723561472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 810 1 809 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.903916/200862 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.324 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 06 de abril de 2016 Assunto IRPJ COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente FAZENDA SETE LAGOAS AGRÍCOLA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e redator ad hoc da formalização da Resolução Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 03 91 6/ 20 08 -6 2 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 811 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1433.108, às fls. 49 a 57: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.o s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 812 3 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em “valores exatos” (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: · R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; · R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; · R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; · R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). Fl. 813DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 813 4 desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a nãohomologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao “Tipo do Crédito” a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de ter preenchido “Pagamento Indevido ou a Maior” defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção “Saldo Negativo do IRPJ” (anocalendário de 2003); todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao “tipo de crédito” informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e istorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; Fl. 814DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 814 5 a incorreção foi ratificada pela 5ª Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o “Tipo do Crédito” como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo “tipo do crédito”; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores “pagos a maior” (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a “renda” ou contribuição social sobre o “lucro líquido”, o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; Fl. 815DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 815 6 portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a “decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização”, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 816 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães redator ad hoc. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada, na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de janeiro/2003, no valor total de R$ 858.160,00 (principal mais acréscimos). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 858.160,00 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da Contribuinte. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, demonstrando que os valores apropriados nestes outros PER/DCOMP eram diferentes daqueles informados no despacho decisório, e que estas outras compensações não teriam consumido todo o crédito, ao contrário do alegado pela Delegacia de origem. Ao examinar este e outros processos que tratam do mesmo direito creditório, a Delegacia de Julgamento (DRJ) observou que os valores dos débitos objeto dos outros PER/DCOMP eram diferentes (e bem menores) que aqueles mencionados pelo despacho decisório que não homologou a presente compensação e, superando esse óbice, deu prosseguimento ao exame do reivindicado direito creditório. Nesse contexto, a DRJ consignou que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário não seriam pagamentos passíveis de compensação, e que, assim, caberia examinar a eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo no período em questão. Contudo, diante do que havia nos autos, concluiu a DRJ que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, este sim passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição Fl. 817DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 817 8 ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Certo, por outro lado, que a diferença de antecipação realizada a maior pode ser deduzida do imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes ao longo do anocalendário em curso, mas assim se permite justamente porque envolvidas parcelas de antecipação da mesmo natureza, sem incidência de qualquer índice de correção. Mencionese, a respeito do tema, entendimento manifestado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão n.° 1.102, de 01 de setembro de 2010, proferido em face do Recurso Voluntário n.° 515.908, interposto contra decisão da 3a Turma de Julgamento da DRJ/Belo HorizonteMG, relator o conselheiro José Sérgio Gomes, cuja ementa assim dispõe: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDARIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de Iº de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do ano calendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido " Fl. 818DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 818 9 Por tudo isso, concluise que os "recolhimentos mensais por estimativa" a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3o , da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJestimativa mensal, código de arrecadação 2362. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao disposto no § 2o do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verhis: Lei n° 7.450/1985 "Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos ". Lei n° 8.981/95 Fl. 819DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 819 10 "Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; (...) § 2o Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de Io de janeiro de 1995 integrarão o lucro real". Como corolário do exposto, esta 5a Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo de IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro "Diário", principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de IRPJ, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo T do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou tais elementos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de PER/DCOMP juntadas à impugnação, e o demonstrativo apresentado, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 820 11 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. O primeiro ponto a esclarecer é que não mais subsiste o argumento contido na decisão recorrida defendendo restrições para restituição ou compensação de recolhimentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais. A matéria inclusive já foi sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. No caso concreto, não há dúvidas de que o crédito reivindicado corresponde a pagamento a maior de estimativa, e não a saldo negativo do período. Prova disso é que a Contribuinte começou a promover compensações com o referido crédito ainda no curso do próprio ano de 2003, antes mesmo da data para o ajuste anual (31/12/2003), conforme o PER/DCOMP objeto do processo 10865.903909/200861. Um segundo aspecto importante para a solução do presente processo é que as considerações contidas na decisão recorrida a respeito da comprovação do direito creditório valem tanto para indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa, quanto para indébito decorrente de apuração de saldo negativo no ajuste anual. As duas situações exigem a comprovação dos atributos de certeza e liquidez em relação ao indébito. Para o seu aproveitamento, ele precisa existir, ter o seu valor definido, e ainda estar disponível para a compensação. Inicialmente, a Delegacia de origem confirmou a existência do pagamento apresentado como origem do crédito, mas consignou que ele já havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da Contribuinte, em razão da apresentação de outros PER/DCOMP. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento observou que os valores dos débitos objeto destes outros PER/DCOMP eram diferentes e bem menores que aqueles mencionados pelo despacho decisório que não homologou a presente compensação e, superando esse óbice, deu prosseguimento ao exame do reivindicado direito creditório. Admitindo, então, a possibilidade de restituição/compensação do indébito como saldo negativo, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez de seu direito creditório. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 821 12 No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Não há nem mesmo uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Foi essa dinâmica de produção de prova que orientou a evolução do presente processo, não obstante a decisão recorrida tenha defendido restrições preliminares quanto à compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. No caminhar do processo, a Contribuinte foi se insurgindo contra os óbices apontados pela Administração Tributária, no que toca à existência e à disponibilidade de seu direito creditório. E essa formação gradativa da prova é comum aos processos de restituição/ compensação, não havendo que se falar em inovação nos fundamentos da negativa, nem na necessidade de elaboração de novo despacho decisório, nem em situação que poderia dar ensejo ao reconhecimento da homologação tácita da compensação, etc. Cabe é examinar os documentos que a Contribuinte juntou aos autos nessa fase recursal, em razão das considerações contidas na decisão recorrida sobre a necessidade de comprovação do indébito. Procurando comprovar a existência e a disponibilidade de seu direito creditório, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário: Demonstrativo de todas as compensações realizadas com o crédito ora examinado; DIPJ do anocalendário 2003; DCTF´s trimestrais referentes ao anocalendário 2003; cópia do Livro Diário contendo Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos no Período, referentes aos anos de 2003 a 2005; Demonstrativo da composição da receita bruta mensal abrangendo o período em questão; Lançamentos realizados na conta “1.1.34.1.1.234IRPJ2003DARF Rec Indevido”; Balancetes Analíticos de 2003; e LALUR de maio/2003 em diante. Pela ficha 11 da DIPJ, e também pela DCTF, o valor da estimativa de janeiro/2003 seria de R$ 162.507,07. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903916/200862 Resolução nº 1301000.324 S1C3T1 Fl. 822 13 As estimativas foram apuradas com base na “receita bruta e acréscimos” até o mês de abril, e a partir do mês de maio a apuração das estimativas se deu mediante balancetes de suspensão/redução. De acordo ainda com a DIPJ, a Contribuinte apurou prejuízo em 2003, e todas as antecipações ao longo do ano, a título de recolhimento de estimativa (R$ 250.122,08) e de retenção de IR na fonte (R$ 193.631,24), converteramse em saldo negativo no montante de R$ 443.753,32. Esse saldo negativo englobou apenas o valor de R$ 162.507,07 como estimativa de janeiro. A indicação, portanto, é de que houve recolhimento a maior para a referida estimativa, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a sua disponibilidade para as várias compensações realizadas pela Contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF nº 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães, redator ad hoc Fl. 823DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724074/2012-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora) e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial ao recurso e os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Provido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.724074/2012-48
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5598299
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.879
nome_arquivo_s : Decisao_10166724074201248.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 10166724074201248_5598299.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora) e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial ao recurso e os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6407385
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418742435840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1545; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 508 1 507 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.724074/201248 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.879 – 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAIXA ECONOMICA FEDERAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 74 /2 01 2- 48 Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 509 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora) e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial ao recurso e os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 510 3 Relatório O presente processo possui como objeto a cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes do DEBCAD nº 37.348.2361 e DEBCAD nº 37.348.2370, respectivamente, contribuição patronal e contribuição de segurados incidentes sobre as remunerações pagas no período de 04/2007 a 12/2008. O lançamento considerou integrar a base de cálculo do salário de contribuição os valores pagos por terceiros aos empregados da Recorrida à titulo de bonificação, conforme previsto em programa de estímulo e incremento de produtividade. Esses bonificações denominadas de gueltas, segundo o lançamento, eram valores acrescidos ao salário do empregado, que levavam em consideração fatores de ordem pessoal como a economia de tempo, de matéria prima, meta estabelecida, assiduidade, eficiência, rendimento, produtividade, dentre outros, podendo ser pagos em pecúnia ou utilidades. Esclareceu o agente que as premiações não eram eventuais, havendo o pagamento consecutivo para diversos funcionários da empresa, além de que as campanhas ocorriam de modo regular e frequente. Diversas campanhas de premiação eram modificadas ou substituídas por outras, sempre com o mesmo objetivo de aumentar a venda dos produtos das empresas da CEF e do Grupo Caixa. No mais, o fiscal, entendendo estar caracterizada a figura de grupo econômico entre a Caixa Econômica Federal e os terceiros responsáveis pelo pagamento dos prêmios, laçou como sujeitos passivos solidários as empresas Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A e FPC PAR Corretora de Seguros S/A. Com base no art. 44, §1º da Lei 9.430/96 c/c art. 71 da Lei nº 4.502/64, considerando ter havido crime de sonegação, aplicouse multa agravada de 150%. O relatório do acórdão recorrido muito bem delimitou os argumentos de defesa das partes e o entendimento da DRJ: A autuada e demais solidárias apresentaram defesa, com alegações que levaram o órgão julgador de primeira instância determinar a realização de diligência para que o fisco se manifestasse sobre a alegação de existência de recolhimentos relativos às contribuições lançadas. Em resposta a diligência, foi emitida informação fiscal segundo a qual as guias apresentadas foram apropriadas em lançamentos efetuados contra a empresa FPC PAR. Do resultado da diligência foram cientificadas a autuada e a empresa FCP PAR, as quais se manifestaram para rebater o teor da informação fiscal. A DRJ, então, declarou o lançamento procedente em parte. Foi reconhecida a decadência para a competência 04/2007, por aplicação da regra do § 4.º do art. 150 do CTN. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 511 4 Foi excluída a qualificação da multa, por entender o órgão a quo que não houve a demonstração pelo fisco da ocorrência de fraude ou dolo. Em razão da existência de ação judicial, na qual a autuada busca a anulação de lançamentos contemplando os mesmos fatos geradores e com os idênticos fundamentos do que ora se julga, não foram conhecidos os argumentos de ilegitimidade passiva da Caixa Econômica Federal, bem como da improcedência do lançamento. Também deixaram de ser conhecidas as alegação da FCP PAR apresentados após a impugnação. Esta empresa foi excluída do polo passivo, posto que a DRJ não vislumbrou a sua participação no grupo econômico apontado pelo fisco. Foram negados os pedidos para realização de perícia e para juntada posterior de novos documentos. A autuada interpôs recurso, no qual, em síntese apertada, alegou que: a) a Caixa Econômica Federal CEF não renunciou à discussão administrativa referente ao presente AI, posto que, embora tenha ajuizado uma ação anulatória de débito, relativa à incidência de contribuições sobre "prêmios" concedidos a seus empregados por empresas parceiras, o referido lançamento se refere a período anterior ao que agora se discute; b) ao mencionar na sua defesa a existência de ação judicial discutindo os mesmos fatos geradores, pretende a recorrente a suspensão do feito administrativo; c) o reconhecimento da concomitância somente seria possível se a discussão travada nas lides administrativa e judicial fosse exatamente a mesma, o que não se verifica na espécie; d) deve, portanto, ser anulada a decisão de primeira instância, por claro cerceamento ao direito de defesa da recorrente; e) mesmo diante da nulidade da decisão da DRJ, o CARF pode decidir a demanda em favor do sujeito passivo, com base no § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972; f) inexiste o grupo econômico apontado pelo fisco, posto que em momento algum este demonstra a concentração do controle do grupo em quaisquer das empresas listadas; g) não havendo grupo econômico, devese afastar a solidariedade prevista no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991; h) a vedação de recebimento pelos empregados da CEF de quaisquer prêmios ou vantagens de terceiros não se aplica às operações realizadas com empresas com que a CEF tenha firmado acordo operacional de cooperação; i) os prêmios não têm natureza salarial, funcionando como instrumento de gestão e incentivo para aumento da produtividade nas atividades empresariais; Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 512 5 j) a aceitação dos programas de premiação é facultativa, além de que os empregados recebem "pontos" de bonificação, que, uma vez acumulados, podem ser trocados por produtos previamente anunciados em catálogos; k) há de se diferenciar as premiações oferecidas pela própria CEF (endomarketing) daquelas repassadas aos empregados pelas empresas parceiras; l) nas campanhas realizadas pela recorrente não há uma periodicidade definida, tampouco uniformidade nos objetivos, o que retira das premiações o caráter salarial, por falta de habitualidade; m) a jurisprudência tem entendido que a ausência de habitualidade, periodicidade e certeza dos prêmios desconfiguram a sua feição remuneratória. Cita decisões; n) em relação às campanhas de bonificações oferecidas pelas empresas parceiras, melhor sorte não assiste à acusação fiscal, uma vez que as pontuações oferecidas não se revestem dos critérios mínimos para caracterização da pretendida natureza remuneratória, uma vez que ausente requisito essencial representado pela habitualidade; o) os empregados da CEF não promovem diretamente a venda dos produtos das empresas parceiras, mas apenas efetuam as indicações destes aos clientes, funcionando como elo entre o interessado na aquisição do produto/serviço e a empresa fornecedora; p) não se pode dizer que as premiações assumem natureza salarial, posto que são benefícios pagos não pelo empregador, mas por terceiros; q) também não podem as premiações ser tratadas como gorjetas, posto que estas são pagas aos empregados por clientes e não por fornecedores de produtos serviços; r) as gueltas, que são prêmios pagos por terceiros fornecedores como forma de incentivar a comercialização preferencial de seus produtos ou serviços, somente assumem feição salarial quando o empregador tem controle sobre os valores repassados, o que não se observa na presente situação; s) as parcelas tomadas pelo fisco não se enquadram no conceito de salário de contribuição, posto que são premiações efetuadas por fornecedores aos funcionários da CEF, sem que esta tenha qualquer controle sobre as pontuações creditadas; t) qualquer eventual obrigação tributária decorrente das premiações sob enfoque é de responsabilidade das empresas fornecedoras, não podendo ser imputada à CEF; u) por isso, a partir do exercício de 2007, as empresas parceiras passaram a efetuar o recolhimento dos tributos supostamente devidos, de forma a excluir a CEF de qualquer imposição fiscal. Esses recolhimentos devem ser identificados mediante a realização de diligência fiscal. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 513 6 Ao final, pedese a nulidade da decisão recorrida ou, caso o CARF pretenda apreciar o mérito da causa, que se reconheça a improcedência da lavratura. Interpuseram recurso comum as empresas do Grupo Caixa Seguros (Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A). Na peça de inconformismo, alegaram que: a) a decisão de primeira instância deve ser anulada, posto que inexiste a concomitância ali reconhecida, uma vez que a ação anulatória n.º 005604036.2011.4.01.3400 não tem as recorrentes como partes, e possui objeto totalmente distinto do presente processo administrativo; b) reconhecida a inexistência de grupo entre a CEF e a FCP PAR, dissolvese o suposto vínculo empregatício entre esta e os empregados daquela e devem ser excluídos do lançamento os valores que envolvem a FCP PAR; c) embora consideradas responsáveis solidárias pelas contribuições lançadas, as recorrentes não foram devidamente intimadas nem do resultado da diligência fiscal, tampouco da decisão de primeira instância. Por isso todos os atos do processo a partir da diligência fiscal são nulos; d) as recorrentes efetivamente não formam grupo econômico com a CEF, mas apenas atuam em parceria na captação de clientes. Em nenhum momento o fisco demonstrou a existência de controle entre a autuada e as empresas do Grupo Caixa Seguradora ou viceversa; e) não é crível que a CEF, empresa pública, cujo único sócio é a União, forme grupo econômico com empresas privadas; f) a CEF têm participação acionária nas recorrentes, mas os sócios majoritários são de origem francesa, sendo que a relação entre as empresas arroladas no polo passivo do débito é apenas comercial; g) a utilização da marca da CEF pela empresas parceiras decorre de cessão de uso, não podendo ser usada para caracterizar a existência de grupo econômico, também a inserção de links das recorrentes na página eletrônica da CEF não pode ser tomada para comprovar este fato; h) a jurisprudência do CARF não aceita que meras presunções sejam adotadas para dar sustentação a conclusões fiscais que imponham responsabilidade tributária; i) por outro lado, para ser chamada para o polo passivo na condição de solidária, não basta que uma empresa seja integrante de grupo econômico, mas que esta efetivamente participe das ações geradoras da obrigação tributária; j) a premiação não representa sistemática substitutiva da remuneração dos empregados da CEF, mas um adicional pago àqueles que aceitam participar das campanhas e atingem as condições estabelecidas no programa de incentivo; Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 514 7 k) apresenta os principais aspectos do marketing de incentivo, para comprovar que as premiações não se subsumem ao conceito de salário de contribuição; l) os valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas empresas de marketing de incentivo não se referem apenas a prêmios, mas também a retribuição pelos serviços prestados por estas à contratante e a reembolsos de despesas para realização das campanhas; m) o traço característico dos programas de premiação é a eventualidade, que retira o caráter remuneratório dos prêmios; n) o fisco não cuidou de segregar as diversas formas de pagamentos de incentivo, as quais não se relacionavam apenas a premiação por alcance de metas, mas também concursos culturais destinados a filhos de empregados das recorrentes e de empresas parceiras; o) faz considerações doutrinárias sobre a hipótese de incidência de contribuições, para aplicálas ao caso concreto dos pagamentos decorrentes de marketing de incentivo, onde conclui não haver subsunção dos fatos à norma tributária; p) prejudicou o seu direito de defesa a denegação dos pedidos de realização de perícia e de juntada posterior de documentos; q) apresentam quesitos para produção da prova pericial e indica profissional para atuar como assistente técnico; r) deve ser mantida a exclusão da multa qualificada, uma vez que não restou configurada a existência de sonegação e fraude; Ao final, requereram: a) declaração de nulidade da decisão recorrida; b) que seja afastada a concomitância declarada no acórdão da DRJ; c) que sejam excluídos do lançamento os valores pagos pela FCP PAR; d) o afastamento da solidariedade imputada às recorrentes; e) que se declare improcedente a lavratura; f) o acatamento para a realização de prova pericial; g) que se faculte a juntada de novos documentos. Apos análise dos argumentos, acordaram por maioria de votos conhecer dos recursos dos contribuintes, afastando a concomitância, e por maioria de votos excluir do pólo passivo os responsáveis solidários e dar provimento aos recursos em virtude da improcedência do lançamento. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo. O acórdão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 515 8 Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL LANÇADO ANTERIORMENTE. INOCORRÊNCIA DE RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Ainda que os lançamentos objeto de ação anulatória contenham os mesmos fatos geradores e fundamentos jurídicos presentes nos lançamentos agora impugnados, para esses não há de se declarar ocorrência de renúncia à discussão administrativa em razão do ajuizamento da ação anulatória proposta para desconstituir as lavraturas anteriores. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. NÃO DECLARAÇÃO DE NULIDADE QUE A ESTE BENEFICIARIA. Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá absterse de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 32/12/2008 PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR. Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência apenas e tão somente contra a parte da decisão que exclui a responsabilidade tributária da Caixa Econômica Federal pelo recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre o pagamento de valores a seus empregados, efetuados por terceiros, a título de incentivo de vendas, as denominadas “gueltas”. Foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 516 9 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora. Conforme despacho de admissibilidade, o recurso preenche todos os requisitos legais razão pela qual dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que entendeu que os valores pagos por terceiros aos empregados de outra pessoa jurídica à titulo de incentivo/gratificação de venda, as conhecidas "gueltas", não se subsumem ao conceito de base de cálculo da contribuição patronal sobre a remuneração de empregados, nos termos do inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. Para a Recorrente o entendimento diverge da posição dominante da jurisprudência judicial e administrativa. Cita como paradigmas os acórdãos 2302002.794 e 230200.758 para os quais as gueltas possuem a mesma natureza jurídica das gorjetas e como tais possuem natureza remuneratória, compondo, portanto, o salário de contribuição. Prática muito usual, as gueltas são valores pagos aos empregados por terceiros alheios aos vínculo empregatício, em regra são fornecedores que visando incrementar as vendas dos seus produtos premiam os funcionários de seus clientes incentivandoos a oferecer tais produtos em detrimento aos de seus concorrentes. Tratase de assunto comum nas discussões travadas junto ao Poder Judiciário, especialmente na Justiça do Trabalho onde a corrente majoritária da Corte Especializada é no sentido de as gueltas são parte da remuneração recebida pelo emprego, possuem a mesma natureza jurídica das gorjetas e assim produzirão os mesmo efeitos. Recentemente o Tribunal Superior do Trabalho assim se manifestou: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1. DURAÇÃO DO TRABALHO. HORAS EXTRAS. CONFIGURAÇÃO. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULAS 126 E 338, III/TST. 2. PAGAMENTO DE VALORES EFETUADO POR TERCEIROS. GUELTAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. No setor do comércio varejista é comum a existência de verbas pagas por terceiros ao longo da relação de emprego representando estímulos materiais entregues por produtores a empregados vendedores do ramo comercial, em face de vendas realizadas de seus produtos. Essas verbas se denominam gueltas. Caso efetivamente sejam suportadas e pagas por terceiros (os produtores e fornecedores de mercadorias) e não pelo empregador comerciante, as gueltas não se enquadram como salários, por não atenderem ao requisito legal de serem devidas e pagas pelo empregador (caput do art. 457 da CLT). Entretanto, têm a mesma natureza jurídica das gorjetas (art. 457, caput, in fine, CLT), uma vez que são pagas por terceiros ao empregado, em função de uma conduta deste, resultante do contrato de trabalho com seu empregador. São tidas, pois, como Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 517 10 parte da remuneração do empregado, porém não de seu salário. Assimilandose juridicamente às gorjetas, as gueltas produzem os mesmos efeitos contratuais daquelas. Nesse quadro, integram se à remuneração para os fins das seguintes repercussões: salário de contribuição previdenciária; FGTS; 13º salário; férias com 1/3; aviso prévio trabalhado. Contudo, segundo a Súmula 354 do TST, não compõem a base de cálculo de verbas como aviso prévio indenizado, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado. Desse modo, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os termos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. Processo: AIRR 10800013.2010.5.17.0013 Data de Julgamento: 30/03/2016, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 01/04/2016. Mais uma vez baseando nos ensinamento do Ministro, e agora sendo citado como Jurista, Mauricio Godinho, destacamos que as gueltas são verbas não tipificadas em lei, resultante da criatividade empresarial. Diante dessa ausência de tipificação justificouse a integração do direito com a aplicação da regra da analogia equiparando tais verbas às gorjetas. E aqui destaco não vislumbrar qualquer violação a restrição prevista no parágrafo primeiro do art. 108 do CTN, afinal não houve a criação de tributo e nem mesmo a inovação no que tange a sua base de cálculo. Assim, a decisão acima e também as razões exposta no Recurso Especial atendem a determinação da lei, que ao prever a regra matriz de incidência do tributo deixa claro que uns dos critérios quantitativos é a remuneração e não o salário recebido pelo trabalhador, por opção do legislador a base da contribuição previdenciária é mais ampla, vai além dos valores pagos pelo empregador. Afirmamos isso porque a distinção entre salário e remuneração é anterior a da Lei nº 8.212/91, está da CLT Consolidação das Leis do Trabalho e ciente deste diferença o legislador optou por usar o termo remuneração e não salário quando da redação do inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. ... § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 518 11 Portanto o fato de as gueltas serem pagas por terceiros, alias essa é uma e suas características, não é o suficiente para afastar sua natureza remuneratória e muito menos tem o condão de alterara o sujeito passivo eleito pela norma jurídica. Conforme muito bem colocado pelo Recorrente a única exigência é que a remuneração decorra do contrato de trabalho. O que de fato ocorreu. No mais, faço o destaque de que tais premiações/bonificações, segundo o item 34.18 do relatório fiscal, por vezes eram pagas por intermédio da própria empregadora, ora Recorrida. E aqui, ainda que compartilhasse do entendimento externado pela Recorrida em suas contrarrazões no sentido de que não se trata de gueltas e sim premiações, pois seus funcionários não comercializam os produtos, apenas autuam como intermediadores, ainda assim entendo que tais valores integram o conceito de salário de contribuição, afinal a norma diz I) remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, II) destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Somente não haveria a incidência de contribuição previdenciária, e aqui me redimo de manifestação feita em outro julgado, se as parcelas em questão se revestissem de natureza nitidamente indenizatória ou se tratassem de verbas expressa e taxativamente indicadas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Entre as hipóteses prescritas, destaco o item 7 da alínea e: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) Por uma análise conjunta do inciso I e do §9º, e, item 7, do citado art. 28, é forçoso concluir que as verbas pagas por terceiros para integrar o conceito de remuneração e, consequentemente, de salário de contribuição devem estar revestidas da característica da Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 519 12 habitualidade, característica presente nas gorjetas e nas gueltas segundo o entendimento majoritário e também no presente caso. O relatório fiscal no itens 34.4 e 34.7 esclarece: 34.4 De acordo com a Lei nº 8.212/91, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais. A despeito disso, no presente caso, ao revés do que dispõe o permissivo legal, há pagamento de premiação em meses consecutivos para vários empregados da empresa. No período objeto desta Ação Fiscal, houve diversas campanhas que resultaram em premiações aos empregados da CEF. Em nenhum momento podemos caracterizar tais premiações como ganho eventual, uma vez que as campanhas ocorrem de modo regular e frequente. Somase a isso o fato de que o pagamento destas premiações aos empregados da CEF ocorre pelo menos desde 1997. (...) 34.7 Destacase ainda que as diversas campanhas de premiação. muitas vezes são modificadas ou substituídas por outras sempre com o mesmo objetivo, aumentar a venda de diversos produtos das empresas do GRUPO CAIXA SEGUROS e da CEF. Além disso, contatase a existência de diversas campanhas simultâneas, todas com o mesmo propósito aos empregados: vender um produto ou cumprir determinada tarefa estabelecida. Em troca, cada empregado receberá o prêmio, seja em espécie seja em utilidade, snedo este um elemento balisador no contexto da relação de trabalho habitual. Não há nos autos quaisquer provas capazes de afastar os argumentos da existência da habitualidade, portanto, correto o lançamento. Destacase que o pedido do recurso é no sentido de que seja reformado o acórdão com a manutenção da decisão de primeira instância. Ocorre que a decisão da DRJ apenas se manifestou no que tange a solidariedade, multa qualificada e valores indevidamente incluídos no Lançamento, não apreciando o mérito quanto a natureza das verbas pagas, pois entendeuse pela concomitância. Diante disto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Especial, alterandose o acórdão recorrido no que tange a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos por terceiros aos empregados da Recorrida e mantendo a decisão da DRJ no que tange as demais matérias. No que tange as argumentações apresentadas em sede de contrarrazões pela FPC Par Corretora de Seguros S.A., apenas cito meu entendimento que não há mais nos autos qualquer discussão quanto existência de litisconsórcio com a Recorrida. A FPC Par Corretora de Seguros S.A. foi excluída da lide não tendo sido apresentado qualquer recurso contra essa parte da decisão restou caracterizada a coisa julgada. Por fim, determino, quando da realização da liquidação do julgado, que sejam descontados do valor apurado, o montante das parcelas eventualmente recolhidas pelos terceiros à título de contribuições previdenciárias decorrentes dos fatos geradores ora discutidos, ou seja, as contribuições recolhidas pelos terceiros com a rubrica de "trabalhador autônomo". Isso porque a presente decisão poderia gerar uma bitributação, afinal ao que parece Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 520 13 para os mesmos fatos geradores já houve a realização do pagamento do respectivo tributo, ainda que erroneamente, ou realizado por "sujeito passivo" ilegítimo. E digo isso porque, considerando as datas envolvidas, aqueles que realizaram os pagamentos os terceiros não poderão mais solicitar a repetição do indébito ou a compensação, afinal o crédito já se encontra atingido pela decadência em razão do prazo fixado no art. 168 do CTN. Assim, caso tais valores não tenham de fato sido restituídos ou aproveitados pelos respectivos credores, para se evitar o enriquecimento ilícito da União, devem tais valores recolhidos serem considerados em sua totalidade quando da liquidação deste julgado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento parcial, reformando o acórdão para reconhecer a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos por terceiros aos empregados da Recorrida. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 521 14 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada No presente caso, a única divergência levantada em relação ao brilhante voto da ilustre conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri diz respeito ao comando de que sejam aproveitados no presente lançamento supostos recolhimentos realizados pela empresa FCPAR. Notese que foi requerida diligência fiscal às fls. 629, nos seguintes termos: DA ANÁLISE DO RELATÓRIO FISCAL A Caixa Econômica Federal alega em sua impugnação, fls. 109/137, que tendo em vista a pendência de discussão judicial a respeito da matéria tratada (Ação anulatória 00560403620114013400 da 20a. Vara Federal de Brasília/DF) as empresas envolvidas passaram, a partir do ano de 2007 à promoção dos recolhimentos dos tributos supostamente devidos, afastando, assim, os possíveis riscos decorrentes da exigência dos referidos montantes (recolhimento efetivado sob a rubrica relacionada ao trabalho autônomo). Para provar o alegado anexou Guias da Previdência Social (GPS) por amostragem (fls. 158 a 208), recolhidas pela empresa FPC PAR Corretora de Seguros S/A. Idêntica alegação foi feita pela própria FPC PAR em sua impugnação, fls. 209/229, afirmando que as GPS apresentadas (fls. 158/208) são referentes ao crédito lançado nos DEBCAD citados. As demais empresas apresentaram impugnação conjunta, fls. 253/307, fazendo menção a estes recolhimentos, e anexando cópia dessas mesmas GPS (fls. 390/440 e fls. 578/628). DA DILIGÊNCIA SOLICITADA Tendo em vista as alegações acima, solicitase à fiscalização a seguinte diligência: a) seja informado se as GPS apresentadas se referem, de fato, aos AIOP lançados; b) Em caso afirmativo, seja elaborada planilha, discriminando mensalmente os valores a serem deduzidos das rubricas lançadas nos AIOP; c) Cientifiquese os impugnantes do despacho exarado no processo, abrindolhes novo prazo para manifestação. Após a adoção das providências solicitadas, sejam retornados os autos para julgamento. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 522 15 Em resposta a referida diligência, destacou a autoridade fiscal a impossibilidade de aproveitamento. Vejamos os termos da resposta: INFORMAÇÃO FISCAL 1. Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa Caixa Econômica Federal (CEF) – Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 51.015.025 e n°51.015.0268. 2. O crédito em questão se refere a incidência de contribuição previdenciária, devida e não recolhida, sobre o pagamento de premiações aos segurados empregados da CEF, efetuado pelas empresas do grupo Caixa Seguros e pela empresa FPC PAR Corretora de seguros S/A. 3. A Caixa Econômica Federal apresentou impugnação, na qual alega que as envolvidas passaram a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento das premiações, a partir do ano de 2007. 3. Visando a comprovação do pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as premiações, a CEF anexou algumas Guias da Previdência social (GPS) recolhidas pela empresa FPC PAR que em tese comprovariam o recolhimento das contribuições previdenciárias em questão. 4. Destacase ainda que a empresa FPC PAR e as empresas do Grupo Caixa Seguro, também apresentaram impugnação, anexando as mesmas GPS, nas quais afirmam que tais guias se referem ao crédito previdenciário em questão. 5. Tendo em vista tais alegações, o referido processo foi encaminhado em diligência à fiscalização para que a mesma se manifestasse informando se as GPS apresentadas se referem de fato ao crédito previdenciário objeto do processo 10166.724075/201292 e em caso afirmativo, elaborasse uma planilha discriminando mensalmente os valores a serem deduzidos das rubricas lançadas nos AIOP. 6. Isto posto, cabe ressaltar que as GPS anexadas pelas empresas, foram sim consideradas e devidamente apropriadas quando da apuração do crédito previdenciário lavrado em nome da empresa FPC PAR. Em face de tais apropriações, os AIOP DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117 lavrados contra esta empresa contêm lançamento tãosomente das competências 04 a 07/2007, período no qual não houve nenhum recolhimento. Conforme Relatório Fiscal (folha 19) dos autos de infração DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117. 7. No entanto, os créditos previdenciários objetos deste processo fiscal, lavrados contra a CEF, AIOP DEBCAD n° 51.015.025 e n°51.015.0268, referemse ao pagamento de remunerações pagas aos empregados da CEF. Ficando portando esta empresa diretamente responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela mesma, ou seja, não há Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 9202003.879 CSRFT2 Fl. 523 16 possibilidade de se aproveitar o recolhimento efetuado por outra empresa (FPC PAR), mediante GPS exclusivas da mesma, para apropriação no crédito previdenciário da Caixa Econômica Federal. 8. Diante do exposto, a fiscalização reafirma as informações contidas no relatório fiscal dos Auto de Infração DEBCAD n° 51.015.025 e n°51.015.0268. Ou seja, pelos termos da informação fiscal as GPS indicadas pelos recorrentes já foram devidamente apropriadas nos autos de infração lavrados contra a empresa FCPAR, mais precisamente nos AI DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117, o que inviabiliza a apropriação de referidos créditos no presente lançamento. Notese, por fim, apenas para esclarecer, que mesmo que existisse crédito, seria impossível sua analise e concessão neste momento. Vale lembrar que a delimitação da lide sob apreciação desta CSRF é o recurso da Fazenda Nacional que encontrase delimitado pelos pedidos ali formulados. Não houve por parte do sujeito passivo insurgência quanto ao acórdão recorrido nesse ponto, o que inviabiliza a demonstração de seu inconformismo senão por recurso especial próprio, o que não apresentou. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional . É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001323/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2008
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL.
Identificada a existência de responsabilidade solidária, é dever da Autoridade fiscal promover a inclusão formal da empresa responsável no polo passivo do Processo Administrativo Fiscal (PAF).
O lançamento como ato administrativo que é poderá ser nulo ou anulável em razão de vício material ou de vício formal, sendo que a diferença entre ambos, reside, basicamente, em verificar se o vício está no instrumento de lançamento ou no próprio lançamento.
O vício formal ocorre no instrumento de lançamento (ato fato administrativo), de maneira que se relaciona tal defeito com a forma do ato. Ao passo que, o vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos necessários, em especial aos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, daí resultando em equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento fiscal. O conselheiro Marcelo Oliveira acompanhou a declaração de nulidade pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson, que não declaravam a nulidade do lançamento. II) após declaração de nulidade do lançamento, por maioria de votos, reconhecer a natureza do vício como formal. Vencidos os Conselheiros Natanael Viera dos Santos (Relator) e Marcelo Malagoli, que reconheciam a natureza do vício como material. Redator Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Kleber Ferreira Araújo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Identificada a existência de responsabilidade solidária, é dever da Autoridade fiscal promover a inclusão formal da empresa responsável no polo passivo do Processo Administrativo Fiscal (PAF). O lançamento como ato administrativo que é poderá ser nulo ou anulável em razão de vício material ou de vício formal, sendo que a diferença entre ambos, reside, basicamente, em verificar se o vício está no instrumento de lançamento ou no próprio lançamento. O vício formal ocorre no instrumento de lançamento (ato fato administrativo), de maneira que se relaciona tal defeito com a forma do ato. Ao passo que, o vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos necessários, em especial aos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, daí resultando em equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11065.001323/2009-29
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595049
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.259
nome_arquivo_s : Decisao_11065001323200929.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11065001323200929_5595049.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento fiscal. O conselheiro Marcelo Oliveira acompanhou a declaração de nulidade pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson, que não declaravam a nulidade do lançamento. II) após declaração de nulidade do lançamento, por maioria de votos, reconhecer a natureza do vício como formal. Vencidos os Conselheiros Natanael Viera dos Santos (Relator) e Marcelo Malagoli, que reconheciam a natureza do vício como material. Redator Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Natanael Vieira dos Santos - Relator Kleber Ferreira Araújo - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6399856
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418748727296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 433 1 432 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.001323/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.259 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente HENRICH & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Identificada a existência de responsabilidade solidária, é dever da Autoridade fiscal promover a inclusão formal da empresa responsável no polo passivo do Processo Administrativo Fiscal (PAF). O lançamento como ato administrativo que é poderá ser nulo ou anulável em razão de vício material ou de vício formal, sendo que a diferença entre ambos, reside, basicamente, em verificar se o vício está no instrumento de lançamento ou no próprio lançamento. O vício formal ocorre no instrumento de lançamento (ato fato administrativo), de maneira que se relaciona tal defeito com a forma do ato. Ao passo que, o vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos necessários, em especial aos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, daí resultando em equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 13 23 /2 00 9- 29 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 434 2 Acordam os membros do colegiado, : I) por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento fiscal. O conselheiro Marcelo Oliveira acompanhou a declaração de nulidade pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson, que não declaravam a nulidade do lançamento. II) após declaração de nulidade do lançamento, por maioria de votos, reconhecer a natureza do vício como formal. Vencidos os Conselheiros Natanael Viera dos Santos (Relator) e Marcelo Malagoli, que reconheciam a natureza do vício como material. Redator Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Kleber Ferreira Araújo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 435 3 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, AIOP, no valor de R$ 849.904,83 (consolidado em 24/06/2009), lavrado em 29/06/2009, contra a empresa Henrich & Cia Ltda, em decorrência da falta de recolhimento de contribuições sociais, relativas ao período de 06/2004 a 12/2008, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a contribuintes individuais e a segurados considerados empregados da recorrente, haja vista à constatação de que empresas optantes pelo sistema SIMPLES funcionavam como interpostas pessoas na contratação de trabalhadores com redução de encargos previdenciários. 2. Por bem retratar os fatos, em parte, passo a reproduzir o relatório emitido pelo julgador a quo, conforme consta das fls. 318/1658, in verbiss: "(...). O Relatório Fiscal (fis. 120/142) consigna que em auditoria fiscal realizada junto à empresa Henrich & Cia Ltda, foram constatadas situações fáticas que levaram ao entendimento de que terceiras empresas todas optantes do sistema SIMPLES e, a partir de 01/07/2007, optantes do SIMPLES Nacional , funcionam como interpostas utilizadas pela autuada para contratar trabalhadores com redução de encargos previdenciários. As empresas interpostas são as seguintes: Civitanova Indústria de Calçados Ltda CNPJ n° 08.164.075/000110; RHH Indústria de Calçados Ltda CNPJ n° 06.075.927/0001 77 c Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda CNPJ n° 03.389.395/000154. No caso, o Relatório Fiscal descreve que a Henrich & Cia Ltda remete matéria prima para as empresas Civitanova indústria de Calçados Ltda, RHH Indústria de Calçados Ltda e indústria de Calçados Monte Bianco Ltda através de nota fiscal cuja natureza da operação é "Remessa para industrialização por encomenda". Depois de industrializado, o produto retorna para a Henrich & Cia Ltda, desta feita acompanhado de nota fiscal cuja natureza de operação indica "Retorno da Industrialização'', devolvendo a matéria prima e cobrando a mão de obra. Examinando a contabilidade e os Livros de Registro de Entradas e Saídas das empresas Civitanova Indústria de Calçados Ltda, RHH Indústria de Calçados Ltda e Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda, a Fiscalização constatou que a receita destas empresas provem das vendas e/ou prestação de serviços exclusivos à autuada Henrich & Cia Ltda.. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 436 4 Os fatos concernentes à relação verificada entre a impugnante e as empresas interpostas, estão detalhados no item 4 do Relatório Fiscal (fls. 86/94 dos autos). Em virtude da situação fática verificada, a Fiscalização vinculou os segurados empregados e contribuintes individuais das empresas Civitanova Ind. de Calçados Ltda, RHH Ind. de Calçados Ltda e Ind. de Calçados Monte Bianco Ltda, à empresa Henrich & Cia Ltda. O fato gerador do crédito previdenciário se originou das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas em GFIP pelas empresas Civitanova Ind. de Calçados Ltda, RHH Ind. de Calçados Ltda e Ind. de Calçados Monte Bianco Ltda e foi apurado através de aferição indireta, com base nas folhas de pagamento destas empresas. Os valores de remuneração em questão não foram declarados pela autuada nas suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs. A identificação mensal dos segurados empregados e contribuintes individuais objeto deste Auto de Infração, bem como da remuneração mensal e do respectivo desconto, constam dos seguintes demonstrativos: "Anexo 1 Remuneração apurada por aferição indireta (com base na folha de pagamento da empresa Civitanova Ind. de Calçados Ltda) "; "Anexo 2 — Remuneração apurada por aferição indireta (com base na folha de pagamento da empresa RHH Ind. de Calçados Ltda) " e, "Anexo 3 — Remuneração apurada por aferição indireta (com has? na folha de pagamento da empresa Ind. de Calçados Monte Bianco Ltda) ". (...). Consigna o Relatório Fiscal que à vista dos fatos constatados, ficou claro que o "planejamento tributário" utilizado pela Henrich, com a abertura da empresa Civitanova, RHH e Monte Bianco, optantes pelo Simples e Simples Nacional, teve como propósito criar uma situação jurídica com vistas a dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias relativas à empresa Henrich, reduzindo a tributação. Continuando, diz ainda que os fatos descritos evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica e que por meio deles concluiu que as empresa Civitanova, RHH e Monte Bianco, optantes pelo Simples e Simples Nacional, constituem empresas interpostas utilizadas Fl. 436DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 437 5 pela empresa Henrich & Cia Ltda para contratar trabalhadores com redução de encargos previdenciários (Grifei). Cita o princípio da primazia da realidade sobre a forma (Enunciado 331 do TST) para dizer que nas relações trabalhistas deve prevalecer a situação fática e não a incorretamente formalizada. A Fiscalização desconsiderou o vínculo empregatício dos empregados para com as empresas Civitanova, RHH e Monte Bianco com respaldo no princípio da primazia da realidade, nos artigos 9º e 444 da CLT, no Enunciado 331 do TST e no art. 142 do CTN\ por entender que o procedimento adotado foi instituído com o fim de não recolher as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados.(Grifei) (...). O Relatório Fiscal descreve que a alteração da Lei n° 8.212/91 pela Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009,produziu modificações no que diz respeito à multa aplicada em lançamento de ofício sobre a totalidade ou diferença das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos, simultaneamente nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração e no de declaração inexata, que passou a ser regido pelo art. 44 da Lei n° 9.430/96. A multa prevista no art. 44, inciso I é de 75%. Essa mudança é a partir da competência 12/2008. Aos fatos geradores até 11/2008, para ausência de declaração em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e ausência de recolhimento, relativamente à contribuição para Outras Entidades, foi aplicada a multa de mora de 24% do inciso \(sic II), do art. 35 da Lei n° 8.212/91. Em relação às competências 12/2008 e 13/2008. a multa aplicada é a de ofício qualificada (2 x 75% = 150%), tendo em vista a constatação de fatos que se enquadram no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. (...)." 3. Cientificada pessoalmente do lançamento em 29/06/2009 (fl. 01), a autuada, tempestivamente, apresentou sua defesa em 20/07/2009 (fls. 147/187), a respeito da qual o julgador a quo decidiu pela procedência da autuação e cuja decisão (fls. 1645/16/80) restou ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2008 AI Debcad n° 37.189.7904 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 438 6 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. MULTA. SEL1C. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. MEIOS DE PROVA. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Consoante legislação vigente, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento sendo tal atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie, garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa Autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracteriza a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária e de reduzir o montante das contribuições devidas. Os juros, calculados pela variação da taxa Selic, têm caráter irrelevável e estão de acordo com a legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. A legalidade/constitucionalidade das Leis é vinculada para a Administração Pública, não cabendo tal questionamento senão perante o Poder Judiciário. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Deve ser considerado não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atender aos requisitos legais e indeferido, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2008 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 439 7 AI Debcadn0 37.189.7912 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. RECOLHIMENTOS. MULTA. SELIC. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. MEIOS DE PROVA. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Consoante legislação vigente, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento sendo tal atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie, garante o pleno exercício do contraditório e da ampla "e:v., gerando a nulidade do lançamento. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa Autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. O recolhimento efetuado por uma empresa não aproveita outra. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária e de reduzir o montante das contribuições devidas. Os juros, calculados pela variação da taxa Selic, têm caráter irrelevável e estão de acordo com a legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. A legalidade/constitucionalidade das Leis é vinculada para a Administração Pública, não cabendo tal questionamento senão perante o Poder Judiciário. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Deve ser considerado não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atender aos requisitos legais e indeferido, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 440 8 4. Irresignada com o resultado proferido na primeira instância, após ter sido devidamente intimada (fl. 398) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 399/428, no qual, em síntese, aduz que: a) o lançamento é nulo por inobservância ao princípio do devido processo legal, uma vez que "a Agente Fiscal não incluiu no auto de infração as empresas cuja personalidade jurídica e relações de emprego desconsiderou", e, por conseguinte tendo prejudicado o direito de defesa daquelas; b) a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços impõe que estas componham o pólo passivo do auto de infração para que exerçam seu direito de defesa, tratandose de litisconsórcio necessário para garantir o direito de defesa da recorrente, tendo o ato dessa desconsideração das pessoas jurídicas, inclusive, ferido o princípio fundamental da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV, CF); c) o procedimento fiscal é nulo por agressão ao direito fundamental da ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal; além disso o julgador a quo negou a realização de perícia, ferindo assim o direito constitucional ao contraditório; d) o acórdão hostilizado fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, na medida em que desconsidera os já efetuados e regulares recolhimentos das contribuições patronais e ao SAT efetuadas pelas empresas Civitanova Indústria de Calçados Ltda., RHH Indústria de Calçados Ltda. e Indústria de Calçados Monte Bianco Ltda., conforme restou devidamente comprovado nas GFIP's entregues a fiscalização; e) o procedimento fiscal é nulo porque apresenta contradição, carecendo assim o ato de motivação; f) o acórdão recorrido que mantém a exigência fiscal da autuação não merece prosperar pela não demonstração e pela não comprovação da subordinação e demais elementos da relação de emprego com a Recorrente; g) a terceirização é lícita e no caso dos autos não há prova de que a recorrente estivesse a terceirizar sua atividade fim. 5. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 441 9 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade. previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NULIDADE EM FACE DA INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS E GARANTIAS CONSTITUCIONAIS 2. Em sede de preliminar recursal, defende a recorrente a nulidade do lançamento sob o argumento que estaria invalidado o referido ato administrativo porque deixouse de observar os princípios e direitos constitucionais a ela deferidos pela ordem jurídica vigente, quais sejam, o do devido processo legal, uma vez que "a Agente Fiscal não incluiu no auto de infração as empresas cuja personalidade jurídica e relações de emprego ignorou, assim agindo restou prejudicado o devido processo legal." 3. Ocorre que, está assente na doutrina e na jurisprudência judicial que os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicamse plenamente à constituição do crédito tributário em desfavor de qualquer espécie de sujeito passivo, irrelevante sua nomenclatura legal (contribuintes, responsáveis, substitutos, devedores solidários, etc.). 4. Isto significa dizer que, para a constituição regular do crédito tributário pelo Fisco, implica na observância aos ditames do art. 142 do CTN que assegura as garantias do princípio do contraditório, devido processo legal e da ampla defesa, conforme estabelece a CF, art. 5º, LIV e LV da CF. 5. Assim, identificada a ocorrência do fato gerador e as pessoas que tenham nele interesse, tornase imprescindível que a autoridade administrativa lançadora/autuante imponha formalmente contra aos sujeitos passivos solidários a cobrança do tributo devido, sob pena de violação aos princípios anteriormente mencionados, e uma vez constada essa violação nulo será o procedimento pela ausência de notificação/intimação, imprescindível para a constituição do crédito tributário. 6. No presente caso, de fato, observo nos autos que a autoridade fiscal ignorou “o vínculo empregatício dos empregados das empresas Citanova, RHH e Monte Bianco, uma vez que o mesmo foi instituído com o intuito exclusivo de não recolher as contribuições sociais” (fl. 12 do Relatório Fiscal), ao passo que apenas contra a empresa Henrich foi lavrado auto de infração, inexistindo nos autos qualquer registro de termo de sujeição passiva relativo às outras empresas. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 442 10 7. Constatado o vínculo das empresas Citanova, RHH e Monte Bianco com a situação fática que constitui fato gerador da obrigação tributária, fica evidente a existência de responsabilidade passiva solidária entre elas e a autuada Henrich, nos termos do art. 124, I do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)." 8. Reiterese, identificada a existência de responsabilidade solidária, é dever da Autoridade fiscal promover a inclusão formal da empresa responsável no polo passivo do Processo Administrativo Fiscal (PAF), isso também por imposição do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, o qual estabelece que todo responsável é sujeito passivo tributário. 9. Nessa perspectiva, é condição essencial para o lançamento válido a intimação/notificação de todos os sujeitos passivos do crédito tributário, conforme determina o art. 10, inciso V, do Decreto 70.235/72, sob pena de violação dos princípios do Devido Processo Legal, Contraditório e Ampla defesa. Decreto 70.235/72: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; (...)." 10. Corroborando a determinação legal acima delineada, a Secretaria da Receita Federal editou a Portaria RFB 2.284/10, tratando especificamente os procedimentos a serem adotados pelos agentes fiscais, quando constatada pluralidade de sujeitos passivos tributários, in verbis: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 443 11 Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. 11. Com relação à inobservância ao princípio do devido processo legal que está inserido no inciso LIV, do art. 5º, da CF, e, segundo o qual "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”, observo que as empresas Citanova, RHH e Monte Bianco efetivamente arcaram com o ônus do procedimento de constituição de crédito tributário — isto é, tiveram o vínculo jurídico com seus empregados desconstituído por intermédio do procedimento— sem que fossem incluídas no polo passivo da relação jurídica creditória. 12. Além disso, considerando que as referidas empresas recolheram contribuições previdenciárias de segurados empregados, ainda que indevidamente, a condenação da empresa Henrich a pagar os valores de contribuições previdenciárias devidos, acarretará enriquecimento ilícito da Fazenda Pública às custas destas mesmas empresas que não integram o polo passivo da demanda administrativa. 13. Dessa forma, inexistindo termo de sujeição passiva em relação às empresas Civitanova, RHH e Monte Bianco, nem tampouco qualquer registro de intimação/notificação sobre o procedimento fiscal ora impugnado, restam violados os direitos ao Devido Processo Legal, Contraditório e Ampla Defesa, bem como eivado de vício insanável o Auto de Infração AI DEBCAD 37.189.7912, por descumprir requisito de validade do art. 10, V do Decreto 70.235/72, sendo imperioso reconhecer a nulidade do Lançamento. 14. A propósito o tema, tal entendimento foi adotado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em acórdão proferido em sessão de 08 de dezembro de 2015, cuja decisão restou ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 444 12 dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Recurso Voluntário Provido." 15. Feitas essas considerações a respeito da inobservância aos princípios e garantias constitucionais, importante observar acerca do vício que padece o lançamento em análise, se material ou formal. Esse enquadramento tornase importante porque se material estarseá diante de um vício insanável, tornandose, de pronto, nulo o lançamento, enquanto que se formal o vício, além de possibilitar que a fiscalização possa novamente emitir o lançamento, ao teor do Inc. II, do art. 173 do CTN, alterado estará, por exemplo, a data de início da contagem do prazo decadencial de cinco anos para que a Fazenda Pública possa exigir o pertinente crédito tributário, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...); II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 16. Vejase que de acordo com o dispositivo acima transcrito, o Fisco procede o lançamento, permitida a impugnação do sujeito passivo, quanto ao vício formal, sendo que após a decisão definitiva que anular o lançamento originário, reabrese o prazo de cinco anos para que se faça novo lançamento. 17. Como já dito, o lançamento como ato administrativo que é poderá ser nulo ou anulável em razão de vício material ou de vício formal, sendo que a diferença entre ambos, reside, basicamente, em verificar se o vício está no instrumento de lançamento ou no próprio lançamento. 18. Ou seja, em síntese, o vício formal ocorre no instrumento de lançamento (ato fato administrativo), de maneira que se relaciona tal defeito com a forma do ato. Ao passo que, o vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos necessários, em especial aos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, daí resultando em equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou constituição do crédito tributário; relacionandose, assim, o referido vício com o objeto do ato. Visto de outra maneira, o vício formal, neste contexto, relacionase com o procedimento, enquanto o vício material relacionase com à norma introduzida pelo lançamento, hipótese esta que, uma vez constatada, implica em nulidade do ato. 19. Do até aqui exposto, no presente caso, entendo que o ato está eivado de vício material, eis que, por se tratar de solidariedade passiva, deixou o Agente Fiscal de observar os princípios constitucionais pertinentes, mais precisamente ao que diz respeito ao devido processo legal, no que tange à ampla defesa e contraditório, na medida em que não notificou como sujeitos passivos solidários as empresas Citanova, RHH e Monte Bianco, o que torna nulo o presente lançamento. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 445 13 CONCLUSÃO 20. Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, acolher a preliminar suscitada pelo contribuinte com fins de declarar a nulidade do lançamento (DEBCAD nº 37.189.7890). É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 446 14 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Cabeme neste voto somente tratar da natureza do vício que levou a maioria da turma a cancelar o lançamento por nulidade. Ao contrário do I. Conselheiro Natanael Vieira do Santos, entendo que neste caso específico a mácula é de natureza formal. Explico. Durante o procedimento fiscal foram intimadas todas as empresas envolvidas a apresentar os documentos que levaram o fisco a entender que havia a simulação consistente na contratação pela autuada de segurados da Previdência Social, mediante a interposição de empresas optantes pelo Simples, as quais existiam apenas formalmente, posto terem sido constituídas para reduzir fraudulentamente a massa salarial da real empregadora, de modo a minorar para esta o recolhimento das contribuições sociais. Ao formalizar o crédito tributário a autoridade lançadora achou por bem não incluir as "empresas de fachada" no lançamento, certamente por entender que tal procedimento seria inócuo, posto que uma das conclusões que levaram à concluir pela simulação foi exatamente a total dependência destas empresas da autuada para funcionarem. Assim, não haveria utilidade prática em se incluir no polo passivo empresas sem capacidade financeira para fazer frente ao débito lançado. Por outro lado, verifico que os elementos substanciais do lançamento foram corretamente indicados. A sujeição passiva foi atribuída à empresa tomadora dos serviços ( a autuada), os fatos geradores narrados consistiram na prestação de serviços remunerados pelos segurados formalmente contratados pelas "empresas de fachada" e a base de cálculo, a remuneração destes trabalhadores. Segundo voto do Relator o defeito que levou o lançamento à nulidade decorreu da falta de inclusão das empresas prestadoras de serviço no polo passivo como devedoras solidárias. Ouso pensar diferente. Isso porque a solidariedade tributária prevista no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN (interesse comum na ocorrência do fato gerador) não comporta benefício de ordem, ou seja o fisco pode exigir de um, de todos ou apenas de alguns dos codevedores o cumprimento da obrigação tributária. Não havendo em absoluto obrigatoriedade de inclusão de todos os devedores solidários no polo passivo do lançamento. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11065.001323/200929 Acórdão n.º 2402005.259 S2C4T2 Fl. 447 15 Assim, por considerar que a mácula encontrada pela maioria da turma para anular o lançamento não se situa em seus elementos substanciais, quais sejam aqueles indicados no art. 142 do CTN, encaminho no sentido de que se reconheça que o vício do lançamento foi de natureza formal. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 447DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001404/99-60
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR.
CTN, ART. 150, § 42. PREVALÊNCIA. LEI N2 8.212/91.
INAPLICABILIDADE.
As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a
seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão
submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art.
146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de
prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula
inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o
Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de
inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei n2 8.212/91, que
fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das .
contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei
complementar.
DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO
EXCLUDENTE.
As normas dos arts. 150, § 4.2, e 173, do CTN, não são de
aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são
reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos
pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4 2, aplica-se
exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito
passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da
autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se aos
tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o
pagamento.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA
LEGALIDADE E DA ISONOMIA.
A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da
Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades
administrativas e tribunais que não dispõem de função
legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de
isonomia, beneficias de exclusão da base de cálculo do crédito
tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em
critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar
com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos
magistrados e administradores essa anômala função jurídica,
equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis
legisladores positivos, condição institucional esta que lhes éj
recusada pela própria Constituição Federal.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 201-79.676
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para considerar decaídos os períodos até agosto de 1994. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva
votou pelas conclusões.
Nome do relator: Fernando Luiz Gama Lobo D´Eça
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200412
ementa_s : PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. CTN, ART. 150, § 42. PREVALÊNCIA. LEI N2 8.212/91. INAPLICABILIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei n2 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das . contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4.2, e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4 2, aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se aos tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ISONOMIA. A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, beneficias de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes éj recusada pela própria Constituição Federal. Recurso provido em parte
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 10920.001404/99-60
conteudo_id_s : 5583392
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 201-79.676
nome_arquivo_s : Decisao_109200014049960.pdf
nome_relator_s : Fernando Luiz Gama Lobo D´Eça
nome_arquivo_pdf_s : 109200014049960_5583392.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para considerar decaídos os períodos até agosto de 1994. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva votou pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2004
id : 6351560
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418806398976
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-03T20:48:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-03T20:48:37Z; Last-Modified: 2009-08-03T20:48:37Z; dcterms:modified: 2009-08-03T20:48:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-03T20:48:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-03T20:48:37Z; meta:save-date: 2009-08-03T20:48:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-03T20:48:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-03T20:48:37Z; created: 2009-08-03T20:48:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-03T20:48:37Z; pdf:charsPerPage: 2532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-03T20:48:37Z | Conteúdo => ....._— —. ME - SEGUNDO CONSE IMO r..E crnr::emimits c ci:,.E Re: çu 1 O C , ., :. k. • V -4*.i;Ão., Brasil a, _0_,3 1_0 6 ____.t.97,Qte- 2° CC-MF Ministério da Fazenda &MO 5W V 'ta Fl. Segundo Conselho de Contribuintes';:41t '4' M3i b. )1745 de COrit 'it ,_ Processo n2 : 10920.001404/99-60 to.s.gundo comomrsm ardo osic...., Recurso n2 : 131.602 2nrs __a:X-1 cie •Acórdão n2 : 201-79.676 subam Recorrente : ATACADO JOINVILLE LTDA. Recorrida : DRJ em Florianópolis - SC PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. CTN, ART. 150, § 42. PREVALÊNCIA. LEI N2 8.212/91. INAPLICABILIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei n2 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das . contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4.2, e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4 2, aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se aos tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ISONOMIA. A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob funda-mento de isonomia, beneficias de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes éj recusada pela própria Constituição Federal. 4(-14‘71Recurso provido em parte. 1 - _ 14 • SEGUI, IDO COPLça}t,3T C.f , SAit:41 ES . fl.jf; LC CG1O , • ••• -2,1(Dtts• 20te -I•WS Ministério da Fazenda 2° CC-MF sito a C23 J—CIL-- FL ttr Segundo Conselho de Contribuintes 4-t44- I a";Stdr • 91745 Processo n2 : 10920.001404/99-60 Recurso n9 : 131.602 Acórdão n2 : 201-79.676 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ATACADO JOINVILLE LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para considerar decaídos os períodos até agosto de 1994. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva votou pelas conclusões. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2006. Qn11001CA.C4/ Atila a ir: osef Maria Coelho Marques Presidente \ditiM"flet"tdir Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudia de Souza Arzua (Suplente). 2 • • ME - SECIMO O CONSFI.HO rE CC.rTR.SUINTES • '::-F..rkE COM O Cr. O A s_ 22 CC-MF • tr•—.~-1/2; Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ura::; O g ,42,00g cark, ajtk,za Processo n2 : 10920.001404/99-60 MaL 5 S.A: 91745 Recurso nsi : 131.602 Acórdão n2 : 201-79.676 Recorrente : ATACADO JOINVILLE LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 444/465, vol. I) contra a Decisão DRJ/FNS n2 1.128, de 21/11/2000, constante de fls. 424/438, exarada pela DRJ em Florianópolis - SC, que houve por julgar procedente lançamento original de contribuição para o PIS (MPF n2 0920200/00166/99), notificado em 01/09/99 (fls. 359/383-388 - vol. I), no valor total de R$ 3.804.095,33 (PIS: RS 1.640.189,65; juros de mora: R$ 933.763,74; multa proporcional: R$ 1.230.141,94), que acusou a ora recorrente de diferenças de PIS apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago no período de 31/01/93 a 31/09/99, cujas bases de cálculo estão demonstrados nas planilhas de fls. 256/358. Em razão desses fatos a d. Fiscalização acusou infringência à seguinte legislação: art. 77, inciso III, do Decreto-Lei n2 5.844/43, art. 149, do CTN, art. 3 2, alínea "b", da LC n2 7/70, art. 12, parágrafo único, da LC n2 17/73, Titulo 5, capítulo 1, seção 1, alínea "h", itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n 2 142/82, arts. 22, inciso I, 32, 82, inciso I, e 92, da MP n2 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n2 9.715/98; arts. 22, inciso 1, 82, inciso!, e 92, da Lei n2 9.715/98, e arts. 22, 32 e 92, da Lei n2 9.718/98. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 424/438, exarada pela DRJ em Florianópolis - SC, houve por bem julgar procedente lançamento original da contribuição para o PIS retromencionado, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/1999 Ementa: BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO 1CMS. A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações - ICMS, compõe a base de cálculo do PIS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/1999 Ementa: ARGÜIÇÕES DE INCONST1TUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMLVISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observáncia da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário MgrPeríodo de apuração: 01/01/1993 a 31/03/1999 Ementa: JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA 4gÂ. 3 MF - SEGUNDO CONDE ! PO DE CONTRIBUINTES CE . .FERE CLX .NAL CC-MF • .0"!. St?: Ministério da Fazenda 6 /2,0d.? Segundo Conselho de Contribuintes B." I ".-- Q9 ca n . Fl.io . Uno arra:asa Processo n2 : 10920.001404/99-60 Mat. 64epe 01745 Recurso n2 : 131.602 Acórdão n2 : 201-79.676 Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem, a partir de 01/04/1995, juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, acumulada mensalmente. MULTA DE OFICIO. INCIDÊNCIA As multas de oficio são aplicáveis em todos aqueles casos em que resta constatado, em procedimento fiscal, a falta de cumprimento espontáneo das obrigações tributárias, sendo razoável que sejam tão gravosas aponto de cumprirem sua função precipua. MULTAS. LANÇAMENTO DE OFICIO E MORA. DISTINÇÃO As multas de oficio possuem natureza punitiva, constituindo-se em instrumento de desestimulo a prática de infrações fiscais, não se confundindo com as multas de mora, meramente compensatórias, destinadas ao simples ressarcimento pelo atraso no pagamento de obrigação devidamente constituída. LANÇAMENTO PROCEDENTE". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 444/465, vol. I) oportunamente apresentadas e instruídas com a Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fl. 365), a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1 2 instância na parte em que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, eis que, dado ciência da autuação em 31/08/99, não mais poderia ter sido efetuado o lançamento, cujo fato gerador supostamente teria ocorrido anteriormente a agosto de 1995, eis que os créditos encontram-se extintos (§ 4 2 do art. 150 e art. 156, inciso V, do CTN, e jurisprudência deste Conselho); b) que a verificação da adequação de um ato jurídico não é monopólio do Poder Judiciário; c) que o ICMS não representa riqueza da impetrante, não pode ser considerado para fins de apuração da Cofins nem do PIS, do contrário, estar-se-á utilizando o tributo com efeito conflscatório, como se fosse uma penalidade a ser aplicada ao contribuinte, em manifesta ofensa ao seu direito de propriedade, ao princípio constitucional da capacidade contributiva e ao art. 195, I, da CF/88; d) impossibilidade de utilização da taxa Selic para fins de indexação de tributos, nos termos do art. 161 do CTN; e e) que a eventual multa a ser aplica., é de 20%, conforme o art. 59 da Lei n2 8.383/91, sendo confiscatória a multa de 75%. 1 f É o relatório. 441 4 _ — — MF SEGUNDO CONSELHO n. C oN TFtSUINTES 22 CC-MFC COM O C. LINAl..Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Dresllia _._a3 r j‘ /..2,00g Fl. i:wo S.45ar.a Processo n2 : 10920.001404/99-60 Mat. Sapo 91745 Recurso n2 : 131.602 Acórdão n2 : 201-79.676 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA O recurso voluntário (fls. 444/465, vol. I) reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece ser provido parcialmente. De fato, inicialmente, verifico que a conclusão da r. decisão recorrida, quanto à questão da decadência, merece reforma, por não se conformar com o que dispõe a Lei Complementar e com a interpretação que lhes empresta as jurisprudências judicial e administrativa. De fato, solidamente apoiado no principio constitucional da reserva da lei complementar, o Egrégio STJ recentemente proclamou que "as contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária" e, "por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos", razões pelas quais aquela Egrégia Corte Superior de Justiça expressamente reconheceu que "padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social." (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no AgRg no REsp n 2 616.348-MG, Reg. n2 2003/0229004-0, em sessão de 14/12/2004, rel. Min. Teori Albino Zavascici, publ. in DJU de 14/02/2005, p. 144, e in RDDT, vol. 115, p. 164), diferentemente do prazo de qüinqüenal estabelecido na lei complementar (CTN, arts. 150, § 42, e 173). Na mesma ordem de idéias, já na interpretação dos dispositivos da lei complementar prevalente, aquela mesma Egrégia Corte Superior de Justiça recentemente esclareceu que "as normas dos artigos 150, g* 4° e 173" do CIN "não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, # 4° aplica-se exclusivamente aos tributos 'cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa': o art. 173, ao revés, aplica-se tributos em que o lançamento, em principio, antecede o pagamento". Assim, entende aquela Egrégia Corte que "a aplicação concorrente dos artigos 150, ,§ 4 0 e 173", a par de ser juridicamente insustentável' e padecer de invencível 'ilogicidade', apresenta-se como 'solução (...) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica." (cf. Acórdão da 22 Turma do STJ no REsp n2 638.962-PR, rel. Min. Luiz Fux, publ. no DJU de 01/08/2005 e na RDDT 121/238). Acolhendo e conformando-se com esses ensinamentos de inegável juridicidade a jurisprudência, esse Egrégio Conselho tem reiteradamente proclamado a inaplicabilidade do art. 45 da Lei n2 8.2123/91, invocado como fundamento da r. decisão recorrida, em razão do que dispõem as normas da Lei Complementar (art. 150, § 42, do CTN), como se pode ver d seguintes e elucidativas ementas: (W1/41- 5 • r MF - SEGUNDO CONSE.10 rCIMTRIBUINTES ERE COM O . ".f. 2° CC-MF •497‘tc).%, Ministério da Fazenda• -ft 3-ita Segundo Conselho de Contribuintes Bras'ba. • s Fl. <4,f, • talot Processo n2 : 10920.001404/99-60 Mc. Zjae9r45 Recurso n2 : 131.602 Acónito n2 : 201-79.676 "DECADENCL4 - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO: (..) a regra a ser seguida na contagem do prazo decadencial é a estabelecido no artigo 150, § 4°. do Código Tributário Nacional, que é de 5 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. Da mesma forma, os lançamentos das contribuições sociais que, por se revestirem de natureza tributária, sujeitam-se às regras instituídas por lei complementar (CT/s), por expressa previsão constitucional (artigos 146, III, 'b' e 149 da C.F). Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso." (Acórdão n2 101-94.394, da l e Câmara do 1 2 CC - Relator: Raul Pimentel, publ. in DOU 1 - 28/01/2004, pág. 9, e in "Jurisprudência-IR" anexo ao Boi. 10B n 2 11/2004) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO- NATUREZA JURÍDICA TRIBUTÁRIA - PRAZO DE DECADÊNCIA DE 10 ANOS PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO - ART. 45 DA LEI 8.212/91, DIANTE DO ART. 150, § 4° DO CTN. CSLL de 1997. Preliminar decadência - CSLL - Inaplicabildiade do ar:. 45 da Lei 8.2123/91 _frente às normas dispostas no art. 150, §4° do CTN. A partir da Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais voltaram a ter natureza jurídico-tributária, aplicando-se-lhes todos aos princípios tributários previstos na Constituição (art. 146, III, '6', e no C17,1 (arts. 150, 4°e 173)." (cf. Acórdão n2 101-94.602 da 12 Câmara 1 2 CC/MF, publ. no DJ de 28/0412005 e in RDDT 118/146) "CSL - Decadência do direito ao crédito tributário - Prazo (..) LANÇAMENTO - DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Não se operou a decadência do direito de constituir o crédito tributário em virtude de ter prevalecido o entendimento de se aplicar às contribuições sociais o prazo definido no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, aliado ao prazo definido no artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91 (dez anos). Preliminar rejeitada (.)." (cf. Acórdão n2 103-21.255, da 32 Câmara 1 2 CC, rel. Victor Luis de Salles Freire, publ. in DOU 1 de 24/12/20, pág. 45, e in Jurisprudência-1R anexo ao Boi. IOB n2 7/2004) • "CSLL - Decadência - Caracterização CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - DECADÊNCIA - CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - ART. 150, § 4° - NÃO "APLICAÇÃO DA LEI N°8.212/91. O prazo decadencial das contribuições é o previsto no art. 150, do CTIV, pois, em virtude de prescrição constitucional (art. 146, III), trata-se de matéria exclusiva de lei complementar, não podendo ser tocada por lei ordinária No caso, até o exercício de 1996, pode-se falar em decadência (..). Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Octávio Campos Fischer (Relator). Designado o Conselheiro Natanael Martins para redigir o voto vencedor." (cf. Acórdão n2 107-07049, da 72 Câmara 1 2 CC, rel. Cons. Natanael Martins; publ. DOU 1 de 10/12/2003, pág. 38, e in Jurisprudência-1R anexo ao Bo1.10B a2 1/2004) Dos preceitos expostos, desde logo verifica-se que o auto de infração original, notificado em 31/08/99 (fls. 359/383-388 - vol. 1), jarriais poderia abranger operações ocorridas no período de 01/93 a 08/95, sobre as quais já se achava extinto o direito de a Fazenda Pública de proceder ao lançamento, por ter se consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário, nos expressos termos dos arts. 150, § 4 2, e 156, inciso V, do CTN, impondo-se a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamaram as jurisprudências administrativa e judicial retrocitadas. No mais, a r. decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, plenamente conformes com a jurisprudência judicial. Realmente, como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI, o ICMS, 'SOÁ' 6 - • ME - SEGUNDO CONSET.H0 DE CONTRIBUINTES CCWERF_ COMO C 22 CC-MF • 'etr- vk Ministério da Fazenda 0‘ Fl. tirc"-R»k" Segundo Conselho de Contribuintes >: fi'rkg, k ;ir -L- Uzt...z.mape iss Processo n2 : 10920.001404/99-60 Recurso n2 : 131.602 Acórdão n2 : 201-79.676 • por expressa disposição do art. 13 da LC n2 87/96, integra o preço da mercadoria faturado, que é apurado "por dentro", não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3 2 da Lei n2 9.715/98). Nesse sentido anoto que a matéria já se pacificou no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. 1.A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do ST.I. 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Nato, DJ de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatara Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relatar Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Lida e Outros (fls. 564/592)." (cf. Acórdão da 19 Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp n9 706766-RS, Reg. n2 2004/0168598-2, em sessão de 18/05/2006, rel. MM. Luiz Fux, publ. in DE) de 29/05/2006, p. 169) A jurisprudência desta Corte Administrativa também já assentou que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, sendo certo ainda que, no caso excogitado (exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo "os magistrados e Tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o beneficio da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anómala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo (RTJ 146/461, Rel. Min. Celso de Mello)." (cf. Acórdão da 1 9 Turma do STF no Agr. Reg. no AI n9 171.733-SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ, vol. 188/237) Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 444/465, vol. 1) , reformando parcialmente a r. Decisão de fls. 414/438, exarada pela DRJ em Florianópolis -- SC, apenas para proclamar a decadência e a extinção do direito 4,p/ st 7 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFE COP.: C '4AL 2.g CC-MF Ministério da Fazenda Ste.s n,.a 2421) ".• Fl. 11'j T.,,,"a4. Segundo Conselho de Contribuintes . ;* avio Se>r ;S na Mat: b..spe s1743 Processo n2 : 10920.001404/9940 Recurso n2 : 131.602 Acórdão n2 : 201-79.676 constituir o crédito tributário em relação às operações ocorridas no período de 01193 a 08/95, nos expressos termos dos arts. 150, § 42, e 156, inciso V, do CTN, e, no mérito, manter a r. decisão, por seus próprios e jurídicos fimdamentos. É O meu voto. a das Sessões, em 1 de outubro de 2006. iftd," FERNANDO LUIZ DA G A LOBO D'EÇA 8 • Page 1 _0124300.PDF Page 1 _0124500.PDF Page 1 _0124700.PDF Page 1 _0124900.PDF Page 1 _0125100.PDF Page 1 _0125300.PDF Page 1 _0125500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000575/95-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
REVISÃO DO VTN MÍNIMO. APRESENTAÇÃO DE LAUDO HÁBIL.
A revisão pela administração do VTN mínimo previsto no art. 3º da Lei nº 8.847/94 requer a apresentação de laudo técnico que observe as orientações da NBR 8.799/1995, da ABNT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 REVISÃO DO VTN MÍNIMO. APRESENTAÇÃO DE LAUDO HÁBIL. A revisão pela administração do VTN mínimo previsto no art. 3º da Lei nº 8.847/94 requer a apresentação de laudo técnico que observe as orientações da NBR 8.799/1995, da ABNT. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10835.000575/95-43
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5609086
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jul 09 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.361
nome_arquivo_s : Decisao_108350005759543.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 108350005759543_5609086.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6435922
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418858827776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 86 1 85 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.000575/9543 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.361 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente JOSE MARIO FREIRE LEMOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 REVISÃO DO VTN MÍNIMO. APRESENTAÇÃO DE LAUDO HÁBIL. A revisão pela administração do VTN mínimo previsto no art. 3º da Lei nº 8.847/94 requer a apresentação de laudo técnico que observe as orientações da NBR 8.799/1995, da ABNT. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 05 75 /9 5- 43 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir notificação para exigência do ITR e das contribuições à CONTAG, CNA e ao SENAR do anocalendário de 1993 Apresentada a defesa, a DRJ, em 09/10/1998, julgou improcedente a impugnação, sob o fundamento de que o laudo apresentado pelo sujeito passivo para comprovação do valor da terra nua estaria em desconformidade com as exigências legais. Primeiro porque foi elaborado tomando como referência preços de maio de 1995, quando deveria ter adotado tabela de 31/12/1993. Depois, afirmase que o referido laudo fora confeccionado em desacordo com a NBR 8.799, além de estar desacompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade – ART. O contribuinte, segundo a DRJ, teria deixado de atender a intimação da Receita Federal a apresentar laudo em conformidade com as normas legais, todavia, decorridos mais de 360 dias da intimação, não teria havido qualquer pronunciamento. Cientificado da decisão em 28/10/1998, fl. 48, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 51/54 em 26/11/1998, acompanhado dos documentos de fls. 55/64, no qual alega irregularidade na intimação que lhe foi feita pela Receita Federal para apresentação do novo laudo. Assevera que não há no AR de fl. 28 a identificação de quem recebeu a intimação, tampouco a data do recebimento, não sendo sequer possível saber qual o funcionário do condomínio onde reside que assinou o documento. Alega ainda que não há também a assinatura do funcionário dos Correios. Assevera que para comprovar a insubsistência da lavratura carreia aos autos laudo pericial com a ART respectiva, com avaliação da propriedade em 31/12/1993. Por fim, pede a reforma da decisão recorrida. Em razão de liminar em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal para afastar a exigibilidade do ITR relativo ao exercício de 1994 para imóveis situados no Mato Grosso do Sul, o processo ficou sobrestado até decisão do TRF – 3.ª Região, que deu provimento à apelação da União, restabelecendo a exigibilidade do tributo. Sem contrarrazões, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10835.000575/9543 Acórdão n.º 2402005.361 S2C4T2 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme se viu do relatório acima o recurso é tempestivo. Por atender às demais exigências para admissibilidade, merece conhecimento Mérito Em homenagem ao princípio da verdade material, vou apreciar a documentação apresentada no recurso, malgrado haja norma processual que prescreva que o momento adequado para apresentação da prova documental seja no prazo para impugnar a exigência. Verifico que o novo laudo apresentado cumpriu dois dos requisitos tidos como não atendidos pela DRJ, quais sejam: a exigência de ART e que os valores adotados tomassem como referência o último dia do anocalendário de 1993. Vejamos, então, se o laudo de fls. 58/64 foi elaborado em consonância coma norma da ABNT vigente a época do fato gerador, a NBR 8.799/1985. No exercício do lançamento, o ITR era regido pela Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, cujo artigo 3º trazia as seguintes disposições: “Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. (...) § 2º O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. § 3º O VTN aceito será convertido em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta no mês de janeiro do exercício da ocorrência do fato gerador. § 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte.” Para regulamentar esses preceitos a SRF editava anualmente instrução fixando o Valor da Terra Nua mínimo – VTNm para fins de arbitramento do tributo nos Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 lançamentos de ofício relativos ao exercício anterior. Para o exercício 1994, esses valores, levantados com referência a 31/12/1993, foram determinados no mencionado Anexo da IN SRF nº 16/95. Como visto no § 4.° acima, o contribuinte poderia questionar o VTNm atribuído pelo fisco, todavia, o inconformismo deveria vir acompanhado de laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou por profissional habilitado. Deparandose com inúmeras controvérsias acerca desse tema, o CARF uniformizou o entendimento acerca dos requisitos necessários ao laudo para alterar os lançamentos de ofício do ITR. Vejamos: “Súmula CARF nº 23: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas.”(grifei) Apreciando o laudo apresentado, vejo que não preenche os requisitos estabelecidos pelas normas de regência para infirmar o VTNm fixado administrativamente. A hoje substituída Norma Brasileira para Avaliação de Bens, Imóveis Rurais, NBR 8.799/1985, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), dispunha que o laudo deveria demonstrar os métodos de avaliação, fontes pesquisadas e data a que faz referência, levando à convicção sobre o valor atribuído ao imóvel por meio de provas materiais idôneas, provenientes de fontes externas, a exemplo de cópias de documentos relativos às transações imobiliárias realizadas no município, anúncios em jornais e revistas, folhetos de publicação geral, informando os preços dos imóveis daquela municipalidade. O laudo examinado não discrimina o grau de precisão/rigor e de fundamentação utilizados nos termos estipulados pela NBR 8.799/1985. Tampouco há qualquer registro fotográfico ou cartográfico, a amparar a sucinta descrição do imóvel nele constante. Por outro lado, verificase que nenhum levantamento dos preços das áreas rurais semelhantes, situadas na região, foi realizado, o que poderia ter sido efetuado via pesquisa em jornais, registros cartorários, junto a corretores, etc. A avaliação não fez menção, também, a qualquer metodologia estatística utilizada para fins de apuração do valor da terra nua. De fato, o responsável pelo documento apenas apresenta em relação à Fazenda São João o valor da terra nua acrescido das benfeitorias e menciona que esse cálculo aproximase ao valor médio correspondente a uma vaca boiadeira por ha, correspondendo nos termos do laudo à realidade local. Observese que sequer é apresentado o valor da terra nua apartado das benfeitorias. O que me leva a concluir que a metodologia utilizada não possui o rigor científico Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10835.000575/9543 Acórdão n.º 2402005.361 S2C4T2 Fl. 88 5 que o faça ser considerado laudo com grau de precisão normal, exigível para infirmar o VTNm atacado. Não surpreende, nesse contexto, que o documento em questão não mencione em momento algum, a NBR 8.799/1985, posto que não foi elaborado em consonância com esta norma. Revelase por todos esses aspectos ineficaz o laudo apresentado pelo contribuinte para os fins a que se pretende destinar. Eis que a Lei nº 8.847/94 delineou claramente ser necessário para a revisão do VTNm a apresentação de laudo técnico hábil e idôneo, sendo que a jurisprudência administrativa rumou ao encontro desse preceito, consoante a já transcrita Súmula nº CARF nº 23, de observância obrigatória para este Colegiado por força do art. 72 do RICARF. Nesse sentido encaminho pela negativa de provimento ao recurso. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002379/2005-18
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA - Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação
hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados.
OMISSÃO DE RECEITAS - DEDUÇÃO DO IPI - Estando a contribuinte omissa de entrega de declaração de rendimentos e de pagamento dos
impostos e contribuições devidos à SRF, não há como se acatar a dedução do IPI sobre a receita omitida.
ARBITRAMENTO - IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO CORRETO RESULTADO
TRIBUTÁVEL - Restando demonstrado que a contribuinte não possuía escrituração comercial e fiscal que permitisse a apuração do correto resultado tributável,configura-se correto o arbitramento de lucro tratado nos autos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS - FALTA DE COMPETÊNCIA - Não compete às Delegacias da Receita Federal de
Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos e contribuições exigidos nos autos.
DECORRÊNCIA - PIS, COFIS E CSLL - Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento e IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao Pis, à Cofins e à CSLL.
PIS - DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE - Após a edição da Medida Provisória n° 1.215/95 a base de cálculo do PIS
passou a ser o faturamento do próprio mês. Lançamento efetuado nos anos-calendários de 1997 a 2000 deve tomar como base o valor mensal da receita omitida.
INCONSTITUCIONALIDADE - SÚMULA N° 2 - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA - Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizada que a interessada agiu de maneira dolosa ao omitir a receita bruta por ela auferida e utilizar interpostas pessoas no quadro societário, procurando eximir a
responsabilidade do sócio de fato pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos pela pessoa jurídica.
JUROS DE MORA - SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula n° 4, do 1° CC).
Numero da decisão: 105-16.709
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR ,provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Irineu Bianchi
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200710
ementa_s : IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA - Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados. OMISSÃO DE RECEITAS - DEDUÇÃO DO IPI - Estando a contribuinte omissa de entrega de declaração de rendimentos e de pagamento dos impostos e contribuições devidos à SRF, não há como se acatar a dedução do IPI sobre a receita omitida. ARBITRAMENTO - IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO CORRETO RESULTADO TRIBUTÁVEL - Restando demonstrado que a contribuinte não possuía escrituração comercial e fiscal que permitisse a apuração do correto resultado tributável,configura-se correto o arbitramento de lucro tratado nos autos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS - FALTA DE COMPETÊNCIA - Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos e contribuições exigidos nos autos. DECORRÊNCIA - PIS, COFIS E CSLL - Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento e IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao Pis, à Cofins e à CSLL. PIS - DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE - Após a edição da Medida Provisória n° 1.215/95 a base de cálculo do PIS passou a ser o faturamento do próprio mês. Lançamento efetuado nos anos-calendários de 1997 a 2000 deve tomar como base o valor mensal da receita omitida. INCONSTITUCIONALIDADE - SÚMULA N° 2 - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA - Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizada que a interessada agiu de maneira dolosa ao omitir a receita bruta por ela auferida e utilizar interpostas pessoas no quadro societário, procurando eximir a responsabilidade do sócio de fato pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos pela pessoa jurídica. JUROS DE MORA - SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula n° 4, do 1° CC).
turma_s : Quinta Câmara
numero_processo_s : 10935.002379/2005-18
conteudo_id_s : 5581125
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 105-16.709
nome_arquivo_s : Decisao_10935002379200518.pdf
nome_relator_s : Irineu Bianchi
nome_arquivo_pdf_s : 10935002379200518_5581125.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR ,provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
id : 6348598
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418891333632
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-14T14:30:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-14T14:30:27Z; Last-Modified: 2009-07-14T14:30:27Z; dcterms:modified: 2009-07-14T14:30:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-14T14:30:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-14T14:30:27Z; meta:save-date: 2009-07-14T14:30:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-14T14:30:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-14T14:30:27Z; created: 2009-07-14T14:30:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-07-14T14:30:27Z; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-14T14:30:27Z | Conteúdo => • Fls. I ,e4n L'A MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° 10935.002379/2005-18 Recurso n° 152.625 Voluntário Matéria IRPJ e OUTROS - EXS.: 2002 a 2005 Acórdão u° 105-16.709 Sessão de 17 DE OUTUBRO DE 2007 Recorrente MOURA & PRESTES LTDA. Recorrida 2. TURMA/DRJ-CURITIBA/PR IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA - Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados. OMISSÃO DE RECEITAS - DEDUÇÃO DO IPI - Estando a contribuinte omissa de entrega de declaração de rendimentos e de pagamento dos impostos e contribuições devidos à SRF, não há como se acatar a dedução do IPI sobre a receita omitida. ARBITRAMENTO - IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO CORRETO RESULTADO TRIBUTÁVEL - Restando demonstrado que a contribuinte não possuía escrituração comercial e fiscal que permitisse a apuração do correto resultado tributável, configura-se correto o arbitramento de lucro tratado nos autos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS - FALTA DE COMPETÊNCIA - Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos e contribuições exigidos nos autos. DECORRÊNCIA - PIS, C' S E CSLL - Tratando-se de tributação r- exa • e irregularidade descrita e analisada no lança ento e IRPJ, constante do mesmo processo, e dad à rei: ção de causa e 4 • • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 2 efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao Pis, à Cofins e à CSLL. PIS - DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE - Após a edição da Medida Provisória n° 1.215/95 a base de cálculo do PIS passou a ser o faturamento do próprio mês. Lançamento efetuado nos anos-calendários de 1997 a 2000 deve tomar como base o valor mensal da receita omitida. INCONSTITUCIONALIDADE - SÚMULA N° 2 - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA - Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizada que a interessada agiu de maneira dolosa ao omitir a receita bruta por ela auferida e utilizar interpostas pessoas no quadro societário, procurando eximir a responsabilidade do sócio de fato pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos pela pessoa jurídica. JUROS DE MORA - SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula n° 4, do 1° CC). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por MOURA & PRESTES LTDA. ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA • o PR MEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR ,rovi ento ao recurso, nos termos do relatório e oto que sam a integrar o presente julgado. 14Í • " IS • ES jesidente • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Acórdão n.• 105-16.709 Fls. 3 I INEU BIANCHI Relator Formalizado em: 18 ABR 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, ROBERTO BEKIERMAN (Suplente Convocado), WALDIR VEIGA ROCHA e MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente o Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Processo n.0 10935.002379/200518• Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 4 Relatório MOURA & PRESTES LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado contra a decisão da 2' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que manteve parcialmente a exigência de IRPJ e reflexos, concretizada através dos autos de infração de fls. 237/250 (IRPJ), 251/263 (PIS), 264/276 (COFINS) e 277/293 (CSLL). A exigência fiscal deu-se com base no lucro arbitrado, em face da falta de apresentação de livros e documentos fiscais e decorreu da omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados nas contas correntes d's 11.484- 7-1, agência 1987-9, do Banco Bradesco S/A e 668-7, agência 1287, da Caixa Econômica Federal, ambas em seu próprio nome, além de parte dos recursos creditados na c/c 0330-13286- 03 do HSBC Bank Brasil, mantida em nome da empresa V. Quadri Cozinhas (pertencente a pessoa vinculada), de acordo com a descrição contida no Termo de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária (fls. 209/236). Os fatos geradores que foram alvo de tributação ocorreram a partir do 1° trimestre do ano-calendário de 2001 ao 2° trimestre do ano-calendário de 2004. No mesmo Termo de Verificação a fiscalização assinalou a ocorrência de simulação de participação societária, haja vista os sócios de fato Nestor dos Santos de Moura e José Ataides Prestes, ambos com diminuta capacidade econômica e financeira, serem apenas interpostas pessoas (laranjas) do proprietário de fato Dilamar Quadri, que recebeu destes diversas procurações com amplos poderes para, com total autonomia, gerir e administrar a empresa, inclusive a movimentação financeira (fls. 54/58 e 25/27). Por este motivo, além de Dilamar Quadri, também foram alçados à condição de responsável tributário as pessoas fisicas Gilmar Quadri e Vilson Quadri, por também terem se beneficiado das receitas assim omitidas. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 299/385, instruída com os documentos de fls. 386/753, inaugurando o contencioso administrativo, alegando em síntese: Que é apenas em parte procedente, já que sofre dupla tributação caracterizada pelo somatório das receitas de venda de mercadorias com o valor dos depósitos bancários; Que está caracterizada a ocorrência de cerceamento ao seu direito à ampla defesa, posto que não obteve êxito em conseguir cópia das peças necessárias à elaboração de sua defesa; Que o valor correspondente ao IPI deve ser excluído da base de cálculo da exigência, haja vista esse imposto estar inserido no valor das vendas; Que concorda com a exigência sobre os valores t butá - is comprovadamente não computados pelo contador da empresa, mas não com a fo a de ap ração utilizada pela • fiscalização, • ,,, • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 5 Que o ônus da prova incumbe a quem alega e assim, a autoridade fiscal deveria provar de forma ampla que as infrações foram realmente cometidas; Que a autoridade fiscal não examinou individualizadamente os depósitos bancários e que a jurisprudência se firmou no sentido de que a simples falta de justificativa de depósito não é prova de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, sendo que a falta de comprovação pode, quando muito, servir como indício da existência de irregularidade. Que o processo está amparado em provas obtidas de forma ilícita, porquanto as informações bancárias do ano-calendário de 2001 não poderiam ter sido fornecidas pelas instituições financeiras em face de as disposições da Lei Complementar n° 105, de 2001, e da Lei n° 10.174, de 2001, somente serem aplicáveis a partir de 01/01/2002; Que não concorda com a tributação dos depósitos efetuados na conta corrente n° 330/13286-03 mantida no HSBC Bank Brasil, em nome da V. Quadri Cozinhas, com a qual não possui qualquer tipo de vinculo; Que a tributação deveria ter recaído somente sobre o valor tributável constante das GIAS/ICMS (fls. 412/434), razão pela qual pede que da base de cálculo da exigência seja exonerada a diferença de R$ 3.932.908,75 lançada a maior; Que a fiscalização desconsiderou como origem dos recursos os valores das duplicatas pendentes de recebimento ao final de cada ano; Que deduzindo-se dos depósitos efetuados nas contas bancárias mantidas em seu nome (no montante de R$ 13.718.518,94) o somatório das vendas contabilizadas com a integralização de capital (R$ 7.443.432,07), resta não justificada apenas a diferença de R$ 6.275.086,87; Que essa diferença corresponde às remessas efetuadas por clientes que adquiriram mercadorias de outras empresas do grupo e que, por um lapso, acabaram efetuando depósitos nas contas bancárias da interessada; Que, pela falta de documentos, declara que concorda com a penalidade relativa a esse item, a fim de regularizar sua situação perante a SRF. Que segundo os demonstrativos que junta, os valores passíveis de tributação nos anos-calendário de 2001 e 2002 são, respectivamente, R$ 4.238.503,50 e R$ 2.834.336,82, porquanto dos valores utilização para comprovação da origem dos depósitos bancários, antes do cálculo do imposto de renda e reflexos, deve ser deduzido o valor correspondente ao IPI; Que a responsabilidade pessoal pelos tributos não poderia ser atribuída aos dirigentes (art. 137 do CTN) em face de não ter sido comprovada a ocorrência de dolo por parte deles, razão pela qual requer a exclusão do pólo passivo dos autos de infração. Também pede a descaracterização dos responsáveis tributários Vilson Quadri e Gilmar Quadri, haja vista não participarem e nunca terem participado da administração d. presa; Que ditas pessoas não têm nenhuma vinculaçã, a não s r os laços familiares com o administrador Dilamar Quadri; Processo n.° 10935.002379/2005-18• Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 6 Que os créditos oriundos de clientes da interessada que foram depositados em contas bancárias de empresas pertencentes a Vilson Quadri e Gilmar Quadri referem-se a vendas a prazo das referidas empresas; Que atuou no período de fevereiro/2001 a julho/2002 no ramo de fabricação de móveis com predominância de madeira; que a sua documentação comercial e fiscal havia sido requisitada pela fiscalização estadual, o que acabou dificultando a defesa no presente processo; Que os valores obtidos mediante circularização junto a diversos clientes fecharam com os valores levantados pela fiscalização; Que do levantamento fiscal deveriam ter sido deduzidos os cheques devolvidos; Que a base de cálculo do PIS deve ser o faturamento do sexto mês anterior e que os decretos-lei que determinavam a base de cálculo da Cofins sobre a receita operacional foram considerados inconstitucionais; Que a multa de oficio de 150% é confiscatória e que os juros de mora com base na taxa Selic é ilegal. Através do Acórdão DRJ/CTA N° 10.575 (fls. 785/824), a Segunda Turma Julgadora da DRJ em Curitiba (PR), julgou procedente em parte a ação fiscal, cujos fundamentos acham-se consubstanciados na ementa a seguir transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE - Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁMOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA - Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - DEVOLUÇÃO DE CHEQUES - INGRESSO BANCÁRIO NÃO CARACTERIZADO - LANÇAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE - Não devem fazer parte da base de cálculo os valores relativos a cheques devolvidos, uma vez que a omissão de receita se baseia em depósitos bancários, que não se configuram efetivamente nos casos em que o cheque foi devolvido, não cabendo a assertiva de que tal exclusão não é prevista na Lei n° 9.430/96, eis que, a rigor, o recurso não ingressou na conta bancária, e não se pode excluir algo que não foi incluído. OMISSÃO DE RECEITAS - DEDUÇÃO DO IPI - Estando a contribuinte omissa de entrega de declaração de rendimentos e de pagamento dos impostos e contribuições devidos à SRF, não há como se acatar a dedução do IPI sobre a receita omitida. ARBITRAMENTO DO LUCRO - IMPOSSIBILID á DE 'URAÇÃO DO CORRETO RESULTADO TRIBUTÁVEL - Re ando de ,onstrado que a contribuinte não possuía escrituração com- ial e s ri que Processo n.° 10935.00237912005-18• Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 7 permitisse a apuração do correto resultado tributável, configura-se correto o arbitramento de lucro tratado nos autos. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA — IMPUGNAÇÃO — APRESENTAÇÃO — TEMPESTIVIDADE - É tempestiva a impugnação postada via Sedex, comprovadamente, dentro do prazo regulamentar. 1NOCORRÊNCIA DE OFENSA AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS - Aplica-se ao lançamento a norma procedimental editada após a ocorrência do fato gerador, quando tenha criado novos critérios de apuração e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS - FALTA DE COMPETÊNCIA - Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos e contribuições exigidos nos autos - MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA - Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizada que a interessada agiu de maneira dolosa ao omitir a receita bruta por ela auferida e utilizar interpostas pessoas no quadro societário, procurando eximir a responsabilidade do sócio de fato pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos pela pessoa jurídica. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA - PIS, COFINS E CSLL - Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao Pis, à Cofins e à CSLL. PIS — BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE - A Contribuição para o PIS é calculada sobre o faturamento do próprio mês de competência em face de o prazo de recolhimento previsto na Lei Complementar n° 07, de 1970, ter sido validamente alterado por leis ordinárias editadas posteriormente. Cientificada da decisão (fls. 833), tempestivame t - - sada interpôs o recurso voluntário de fls. 836/883. ii " • o Relatório ,. . Processo n.°10935.002379/2005-18 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 8 Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI, Relator Estando presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso voluntário merece ser conhecido. Tratam os autos de exigências a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativas aos anos-calendário de 2001 a 2004. A recorrente foi excluída do sistema simplificado de tributação — SIMPLES — através do processo n° 10935.00439/2005-68, o qual já se encontra arquivado, de sorte que no presente voto não se fará qualquer apreciação a respeito. O lucro tributável restou arbitrado em razão de vários motivos: falta de apresentação de livros e documentos fiscais, omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados nas contas correntes n's 11.484-7-1 (Bradesco) e 668-7 (CEF) em nome do sujeito passivo e parte dos recursos creditados na c/c 0330-13286-04 (HSBC) em nome de V. Quadri Cozinhas, pertencente à pessoa vinculada. Na constituição do crédito tributário, foram adotados como base de cálculo, os valores mensais dos depósitos bancários, por ser notoriamente superior em relação ao movimento informado em GlAs. Embora tendo apresentado as G1AS, a interessada não tinha contabilidade e apresentou esparsos documentos, incapazes de determinar qualquer outra base tributável. A multa de oficio restou qualificada, uma vez que a fiscalização constatou a ocorrência de simulação de participação societária, haja vista os sócios de fato Nestor dos Santos de Moura e José Ataides Prestes, ambos com diminuta capacidade econômica e financeira, serem apenas interpostas pessoas (laranjas) do proprietário de fato Dilamar Quadri. As interpostas pessoas outorgaram diversas procurações ao Sr. Dilamar, com amplos poderes para, com total autonomia, gerir e administrar a empresa, inclusive a movimentação financeira (fls. 54/58 e 25/27). Além de Dilamar Quadri, também foram alçados à condição de responsáveis tributários as pessoas fisicas Gilmar Quadri e Vilson Quadri, por também terem se beneficiado das receitas assim omitidas. Na peça recursal, a interessada submete a este Colegiado diversos argumentos, que podem ser assim sintetizados: 1) Pretende a exclusão da base de cálculo do IPI incidente sobre as operações sob o argumento de que é empresa industrial e não pode haver tributação sobre o IPI; 2. Alega que o fisco não esclarece corretamente a ba u - cálculo, entendendo que a mesma deva ser os valores declarados em GIAs. Pede a r“ izaç.ie de diligência para apurar os reais valores devidos, aduzindo que o IRPJ e a CSLL t co o base de cálculo o valor presumido, conforme opção realizada com a entrega da DIPJ; /.0- • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Acórdão n.°105-16.709 Fls. 9 3) Deseja ver declarada a inconstitucionalidade relativamente ao lançamento do PIS, dizendo, também que não foi obedecida a semestralidade; 4) Contestou a base de cálculo da COFINS, sob o argumento de que os Decretos que determinavam a base de cálculo sobre a receita operacional foram considerados inconstitucionais; 5) Disse também que os depósitos bancários devem ser analisados individualmente, o que não ocorreu (Lei 9.430, art. 42, § 30); 6) Contestou a caracterização dos responsáveis tributários, nas pessoas físicas indicadas pela fiscalização; 7) Argumentou no sentido de que o ônus da prova é do fisco. O lançamento funda-se em simples alegação de que não restou comprovada a origem dos recursos que deram suporte aos depósitos. Diz ainda que a falta de justificativa de depósito não é prova de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica e que as provas foram obtidas de forma ilícita, anteriormente à LC 105. 8) Contestou a imposição da multa pelo seu caráter confiscatório, dizendo ainda que não há prova de dolo a justificar a sua qualificação; 9) Por fim, contestou a exigência dos juros moratórias calculados com base na taxa Selic. O requerimento final pode ser assim resumido: a) Desvinculação por depósitos bancários da conta 330/13286-03 do HSBC, em nome de V. Quadri Cozinhas; b) Exclusão IPI (5%) da base de cálculo do IRPJ e seus reflexos; c) Descaracterização dos Responsáveis Tributários; e d) Exoneração do valor de R$ 3.932.908,75, tributado indevidamente a maior (diferença entre os depósitos bancários e as GIAs). A r. decisão recorrida não merece reparos. O recurso interposto pela Recorrente efetivamente não traz à colação as provas necessárias à comprovação de suas alegações, especialmente no que se refere aos alegados equívocos da fiscalização na apuração da base de cálculo dos tributos exigidos. Embora considere que os fundamentos da decisão recorrida não mereçam qualquer tipo de censura, passo a analisar os argumentos do recurso. EXCLUSÃO O IPI DA BASE TRIBUTÁVEL A recorrente pretende que da base de cálculo obti ' a pelo isco seja abatido o valor correspondente a 5% (cinco por cento) a título de IPI, u • a vez • ue sua atividade é industrial. 9 44 1 ii - • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Acórdão n.° 105-16,709 Fls. to A decisão recorrida deu adequada solução ao reclamo da interessada, nos seguintes termos: Contudo, não há como se acatar a pretensão da interessada, porquanto, tratando o caso de presunção legal de omissão de receitas e não tendo sido declarado valor tributável algum para a SRF (está omissa de entrega de declaração de rendimentos) e nem recolhido os demais impostos e contribuições devidos (11. 52), infere-se que não seria racional concluir que tivesse a contribuinte efetuado o recolhimento do IP1, à aliquota de 5 1.16, sobre a receita que ela própria omitir do fisco. Ainda que a entenda indevida a exclusão do IP1, deve prevalecer a dedução procedida pelas autoridades fiscais (fls. 154/156), que levaram em conta somente os valores obtidos a partir de informações colhidas mediante circularização junto a clientes, tendo em vista o princípio da proibição de reformado in pejus, segundo o qual o julgador encontra-se impedido de agravar a situação do demandante. De qualquer sorte, para que a tese da recorrente fosse acolhida, cabia-lhe comprovar que os depósitos bancários referiam-se às receitas da empresa, com a indicação das correspondentes notas fiscais, e o respectivo destaque do IPI. Tendo em vista a inexistência de quaisquer registros capazes de comprovar as alegações do sujeito passivo, a base tributável não deve sofrer modificações, mantendo-se a decisão recorrida quanto a este particular. BASE DE CÁLCULO Acerca da base de cálculo determinada pelo Fisco, a recorrente alega que a mesma não está devidamente clara. Diz que deveriam ter sido utilizados apenas os valores declarados em GIAs e não em duplicidade com os depósitos bancários. Disse também que o seu regime de tributação é pelo Lucro Presumido, conforme opção concretizada com a entrega da DIPJ. Pediui a realização de diligência com a finalidade de apurar os reais valores devidos. • Descarto de pronto o pedido para converter o julgamento em diligências uma vez que os elementos constantes dos autos permitem o julgamento sem a necessidade de qualquer esclarecimento adicional. Outrossim, diante da realidade fática encontrada pelo Fisco e que levou ao arbitramento do Lucro, não há que se falar em opção pelo Lucro Presumido. A propósito, o arbitramento levado a efeito é de todo procedente, uma vez que o sujeito passivo, mesmo intimado por inúmeras vezes, deixou de apresentar seus livros fiscais e contábeis, impedindo a correta apuração do seu resultado tributável. Quanto à base de cálculo propriamente dita, de ini sio deve ficar assentada a legitimidade da presunção legal que caracteriza como omissão e rec4e #: os d - • ositos bancários não contabzados a „Yr • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Actdão n.° 105-16.709 Fls. 11 Com efeito, após a edição da Lei n. 9.430/96 (art. 42), não existem mais dúvidas a respeito da legitimidade do procedimento fiscal de presumir a omissão de receitas ou rendimentos tributáveis quanto a valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Apenas para ilustrar, cita-se alguns julgados: IRPJ - CSLL - PIS/FATURAMEIVTO - COFINS - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁMOS - Quando a autoridade fiscal apura movimentação financeira nos estabelecimentos bancários de um determinado contribuinte e este, quando intimado, não consegue comprovar a origem dos valores depositados, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o arbitramento da receita omitida, com base nos valores depositados. (Ac. 105-15428) No mesmo sentido: IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — OCORRÊNCIAS ANTERIORES A 1997 - A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, só produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997, conforme disposto no art. 87 deste mesmo diploma legal. (Ac. 108- 08.430) Ainda: DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS - O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 erigiu em legal a antiga presunção simples de que a falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária do contribuinte, objeto de expressa intimação para sua comprovação, o que não fazer ou mesmo tentar, reflete omissão de receitas. (Ac. 103-22.660) Fixada a premissa, cumpre destacar que a decisão recorrida deixou claro que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito tributário, considerado isoladamente. Ao contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem do numerário creditado, como no presente caso, em que, por inúmeras vezes o fisco intimou o sujeito passivo, dando-lhe a oportunidade de comprovar os depósitos bancários, sem sucesso. Por este motivo, é ineficaz a alegação recursal no sentido de que deve haver a análise individualizada dos depósitos bancários. No caso das presunções legais inverte-se o ônus da prova e assim, cabia ao sujeito passivo esclarecer cada um dos depósitos constantes da listagem de fls. 83/124. Não o fazendo, restou incólume a presunção legal. Outrossim, embora a inércia da interessada em e • clare , er a origem dos depósitos bancários, é de ser ver que a decisão recorrida deu provim to à i pugnação quanto aos cheques devol 9d s. 4 - • • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 12 Relativamente aos argumentos que dizem respeito à obtenção das provas através de meios ilícitos, reproduzo os fundamentos da decisão recorrida, uma vez que pela contundência, não deixam dúvidas quanto à licitude do procedimento adotado pelos auditores fiscais: Quanto à alegação de que o presente processo estaria amparado em provas obtidas de forma ilícita (informações bancárias do ano- calendário de 2001), porquanto as disposições da Lei Complementar n° 105, de 2001, e da Lei n°10.174, de 2001, somente seriam aplicáveis a partir de 01/01/2002, cabe salientar que o § 1° do art. 144 do CTN assim dispôs acerca da possibilidade ou não de aplicação retroativa da lei: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1°. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (Gr(ou-se) Portanto, enquanto o caput do artigo acima transcrito refere-se à aplicação da lei de regência do fato gerador, o seu parágrafo 1° diz respeito a critérios de apuração ou processos de fiscalização. Como o dispositivo legal que definiu o fato gerador do imposto — o art. 42 da Lei 9.430, de 1996— produziu efeitos financeiros desde 1° de janeiro de 1997 (art. 87 da mesma lei), o lançamento fiscal tratado nos autos, relativo aos anos-calendário de 2001 a 2004, obedeceu ao comando do caput do art. 144 do CM. Por outro lado, é perfeitamente aplicável ao lançamento a norma procedimental editada após a ocorrência do fato gerador, quando tenham sido criados novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, tal como ocorreu com a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal, de informações bancárias com fundamento na Lei Complementar n° 105, de 2001, Decreto n° 3.724, de 2001, e Lei n° 10.174, de 2001. Observe-se que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, porquanto é determinado, às autoridades administrativas, seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no artigo 198 do CT/V, como também do disposto no art. 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 105, de 2001. Acrescente-se que as informações se prestam apenas à constituição de crédito tribut; .. e eventual apuração de ilícito penaL Há, na verdade, mera a . ência da responsabilidade pelo sigilo, que antes vinha sendo ,sse: ado pela instituição financeira, e passa a ser mantido pe 's a oridades administrativas. y 411 . '' . • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 13 As lições de Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 506) deixam patente que as normas procedimentais, no âmbito tributário, têm aplicação imediata: No § I° do art. 144, todavia, o C7'N manda aplicar a lei posterior ao fato gerador naturalmente a que está em vigor na data do lançamento — se ela instituiu novos critérios de apuração, processos de fiscalização e investigação com poderes mais eficazes da autoridade, ou outorgou maiores garantias ou privilégios ao crédito fiscal, exceto, neste último caso, a atribuição da responsabilidade a terceiros. Essa disposição não altera o caráter declarató rio do lançamento, que continua a considerar o fato gerador na data de sua ocorrência, segundo a lei então vigente, quanto à definição deste fato, base de cálculo e alíquota. A disposição é puramente de Direito Processual Tributário. E as normas processuais têm eficácia imediata, aplicando-se logo aos casos pendentes. No mesmo sentido são os ensinamentos de Misabel Abreu Machado Derzi, (Comentários ao Código Tributário Nacional, Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 378), invocando a semelhança à processualística civil: Como dispõe o Código de Processo Civil, as normas processuais (ou procedimentais) têm imediata executoriedade e aplicação aos processos pendentes. Assim, o lançamento será regido pela legislação nova, posterior à data da ocorrência do fato jurídico que: a) instituir novos critérios de apuração ou de fiscalização; b) ampliar os poderes de investigação das autoridades administrativas: c) outorgar maiores garantias ou privilégios ao crédito tributário, exceto para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 4, Oportuna também é a lição de José Souto Maior Borges (Lançamento Tributário, São Paulo: Malheiros, 1981, p. 233), por bem distinguir a concepção de lançamento, no § 1° do art. 144, como procedimento: Lançamento está, aí, no art. 144, caput, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissigncativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1° o art. 144 reporta-se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a ' liando os poderes de investigação das autoridades a, minis ativas ou outorgando ao crédito maiores garantias ou p 'vilégi 's, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir - spo abilidade tributária g terceiros.7 4 - .- .. • Processo n.• 10935.002379/2005-18 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 14 O art. 144, §I°, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao caput desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplica-se, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplica-se legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente a estabelecer as alterações estipuladas no § 1° do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico — enquanto in fieri o procedimento de lançamento - legislação nova, aplicar-se-lhe-á também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário. O Conselho de Contribuintes vem adotando esta mesma conclusão: LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO.Aplica-se ao lançamento a lei que amplia os meios de fiscalização, pois o princípio da irretroatividade atinge somente os aspectos materiais do lançamento. (Acórdão n°106-13188, Data da Sessão: 30/01/2003). LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE.É incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. (Acórdão n°106-13161, Data da Sessão: 29/01/2003). A questão de ter ou não havido aplicação retroativa da Lei n° 10.174, de 2001, vem sendo decidida de forma reiterada pelo Poder Judiciário nos termos expressos pelo seguinte julgado: TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n° 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. 1. A Lei n°10.174/01, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n°9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN, art. 144, § Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeira de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, esd - que já instaurado o procedimento de fiscalização e o ao e dos documentos seja indispensáveis à instruça o, presa ado o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso info ções 411 • Processo n.° 10935.002379/2005-18 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 15 junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n° 105/01 e pelo Decreto n° 3.724/01. (fAc. Da P T do TRF da 4° R — mv — ag 2002.04.01.003040- O/PR — Rel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria — j 02.05.02 — Agte.: Joaquim Costa; Agdas.: União Federal/Fazenda Nacional — DJU 2 05.06.02, p164). Diante de todo o exposto, por estar o acesso às informações bancárias regularmente autorizado nas leis mencionadas, bem como no Decreto n° 3.724, de 2001, regulares são os procedimentos aqui adotados e as provas relativas ao ano-calendário de 2001 assim obtidas, inexistindo qualquer prejuízo à validade da exigência. Quanto ao reclamo de que a base de cálculo deveria ter levado em conta apenas os valores constantes das GIAs, igualmente é irreparável a decisão de l a Instância. É de se ver que um dos motivos do arbitramento reside justamente inexistência de contabilidade. Assim, a receita informada à Receita Estadual através das GIAs demonstra que o sujeito passivo não declarou todo o seu faturamento ao Fisco Federal. A afirmação se toma mais concreta na medida em que o Fisco realizou circularização com o intuito de obter informações adicionais junto a fornecedores e clientes. Ademais, competia-lhe demonstrar as razões pelas quais os depósitos bancários superam em muito a receita declarada ao Fisco Estadual. Quanto às bases de cálculo propriamente ditas a recorrente apresenta planilhas que diferem dos valores apurados pelo fisco. A discrepância, ao contrário do que alega a recorrente decorre do fato de que os auditores fiscais adotaram como base de incidência os valores mensais dos depósitos bancários, por serem notoriamente superiores à movimentação registrada nas GlAs, enquanto que a Recorrente considera correta apenas a incidência tributária sobre os valores referidos nos documentos por ela apresentados à fazenda estadual nesse período. Portanto, nada a reparar no procedimento adotado pela fiscalização também nesse sentido, ante a legítima presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei 9.430/96. Ao contrário do alegado pela Recorrente, não houve dupla incidência tributária no caso dos autos, representada pela soma das receitas relativas às GIAs com os depósitos bancários. Com efeito, como bem explicitado pela fiscalização em seu relatório, a fiscalização adotou como base de cálculo exclusivamente o valor dos depósitos bancários, visto que a receita respectiva superou em muito aquelas declaradas através das GlAs. Desta forma, não há reparos a fazer na bem lançada decisão de primeira instância. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Outro argumento do recurso diz respeito à caract ;zação como responsáveis tributários, as pessoas fisicas indicadas pela fiscalização. • Processo n." 10935.00237912005-18 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 16 Está assentado no acórdão recorrido que "...a questão relativa à responsabilidade solidária não pode ser tratada nesse momento, por falta de previsão legal Se e quando for necessário, será analisada pelo órgão responsável pela execução da divida". Correta a afirmação. Consoante iterativa jurisprudência deste E. Conselho de Contribuintes, não cabe à autoridade administrativa tratar a respeito da questão relativa à responsabilidade tributária dos sócios de fato ou de direito do sujeito passivo, visto que tal matéria deverá ser objeto de exame pelos órgãos do Poder Judiciário, em se de execução. PIS/COFINS Com relação às exigências de PIS, a recorrente deseja ver declarada a sua inconstitucionalidade, dizendo, ainda, que não foi obedecida a semestralidade. Também contestou a base de cálculo da COFINS, sob o argumento de que os Decretos que determinavam a base de cálculo sobre a receita operacional foram considerados inconstitucionais. Quanto aos aspectos constitucionais suscitados pela recorrente, fixa-se de imediato que, no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes vige a Súmula n° 2, com a seguinte dicção: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, Nada há a reparar nos lançamentos relativos às contribuições em destaque. As mesmas devem incidir regularmente sobre as receitas (faturamento) omitidas pela Recorrente no exercício de suas atividades econômicas. Quanto à Cofins, receita tributada coincide com o faturamento em sentido estrito da Recorrente, consubstanciado em recursos depositados em suas contas correntes. No que se refere à contribuição social destinada ao PIS, a aplicação da invocada semestralidade para apuração da base de cálculo do tributo, a mesma restringe-se a fatos geradores ocorridos anteriormente à edição da MP 1.212/95,0 que não ocorre no presente caso. Mantém-se, pois, a exigência. MULTA DE OFÍCIO A recorrente contestou a imposição da multa pelo seu caráter confiscatório, dizendo ainda que não há prova de dolo a justificar a sua qualificação; Deixa-se de apreciar a irresignação relativamente ao aspecto confiscatório em face da Súmula ri° 2, acima citada. Ao lado disto, a multa de oficio decorre de expressa disposição legal e o fisco, por disposição expressa (CTN, art. 142), nã, ' o'' deixar de exigi-la quando constatada infração à legislação tributária passível de punição. No que diz respeito à qualificação, não há reparos a faz •1 , qu r no lançamento, quer na decisão recorrida. Processo n.0 10935.002379/200518 Acórdão n.° 105-16.709 Fls. 17 Conforme salientado nas verificações fiscais, a Recorrente utilizou-se de manobras ilegítimas para afastar do Fisco o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, como também, a perfeita identificação do sujeito passivo e responsáveis tributários. Tais manobras dizem respeito ao uso de interpostas pessoas no quadro societário da empresa ("laranjas") e de sede fictícia, uma vez que a administração da empresa era conduzida em local diferente daquele referido nos atos sucessórios, sem qualquer informação a terceiros ou a Fisco. Esta convicção considera, também, o valor probante da tomada de empréstimo de notas fiscais de interpostas pessoas jurídicas para acobertar parte de suas operações. O conjunto de fatos narrados pela fiscalização caracteriza o evidente intuito de fraude de que trata o art. 44, II, da Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos. Assim, considera-se de todo procedente a aplicação da multa de oficio na sua forma qualificada. TAXA SELIC Por fim, a recorrente contestou a exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa Selic. A exigência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic acha-se pacificada na jurisprudência administrativa, principalmente a partir da edição da seguinte Súmula: Súmula CC n° 4: A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Desta maneira, também para este item a decisão recorrida não merece qualquer reparo. NTE DO EXPOSTO e por tudo o mais que dos autos consta, conheço do recurso vi ntário voto no sentido de NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 17 DE OUTUBRO DE 2007 1. INEU BIANCHI Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1 _0040600.PDF Page 1 _0040700.PDF Page 1 _0040800.PDF Page 1 _0040900.PDF Page 1 _0041000.PDF Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041200.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041400.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041600.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1 _0041800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10935.720502/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS.
A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício.
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 1401-001.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de ofício.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS. A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. Recurso de Ofício Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10935.720502/2013-96
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5584799
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.586
nome_arquivo_s : Decisao_10935720502201396.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO MAROZZI GREGORIO
nome_arquivo_pdf_s : 10935720502201396_5584799.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6359649
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048418907062272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 730 1 729 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.720502/201396 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1401001.586 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de abril de 2016 Matéria IRPJ. Omissão de receitas. Passivo fictício. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FIASUL INDUSTRIA DE FIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS. A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 05 02 /2 01 3- 96 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 731 2 de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício contra acórdão proferido pela DRJ/Recife que concluiu pela procedência parcial da impugnação. Recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/CascavelPR, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, totalizaram o valor de R$ 17.542.045,11. A autuação foi motivada pela omissão de receita com base em passivo fictício. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Ao contribuinte foi imputada uma omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas e obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada (passivo fictício), nos importes de R$ 24.672.328,66 e R$ 2.406.913,02, nos anoscalendário 2008 e 2009, respectivamente, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre os tributos lançados (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP). Assim a autoridade fiscal motivou a autuação: • considerando a existência de obrigações escrituradas em contas de fornecedores (grupo contábil 20.01) de obrigações originadas em operações ocorridas em anoscalendário anteriores, a fiscalização intimou 17 fornecedores a comprovar se tais operações ainda estavam pendentes de pagamento, quando recebeu respostas de 15 deles, comprovando que as obrigações haviam sido extintas dentro dos prazos de pagamento. Dessa forma, os montantes de R$ 4.243.250,40, R$ 2.760.993,56 e R$ 2.406.913,02 foram extintos até 2007, no curso do ano de 2008 e no curso do 1º trimestre de 2009, respectivamente (fl. 580), sendo que os dois primeiros montantes remanesciam como obrigações exigíveis em 31/12/2008 e o último em 31/12/2009, a demonstrar a manutenção de obrigação não exigível em conta passiva em 31/12/2008 e 31/12/2009; • verificando a fiscalização a transferência da quase totalidade dos montantes da conta “Adiantamentos de Clientes” do passivo circulante (curto prazo) para o passivo exigível a longo prazo, sendo que, das 252 operações contabilizadas, 241 apresentavam como histórico “MC’JU Ind Com Confecções Ltda” e as restantes “Vlr Transf. Curto Prazo p/ Longo Prazo”, intimouse o contribuinte a apresentar documentação comprobatória dessas operações. Como resposta, o fiscalizado asseverou que tal documentação não foi localizada (fl. 97). O montante de tais Fl. 731DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 732 3 operações alcançou R$ 17.668.084,70 e foi considerado como omissão de receitas, por manutenção de obrigação no passivo sem exigibilidade comprovada, no anocalendário 2008 (fls. 66 a 73, 554 a 574 e 581 a 585). Vêse que tais operações foram contabilizadas nos anos de 2003, 2004 e 2005 (fls. 66 a 73 e 581 a 585). Em adição às considerações acima, devese transcrever a parte final da motivação da autoridade fiscal (fl. 589): (...) Inconformado com o lançamento, em 31/05/2013, o contribuinte apresentou impugnação, deduzindo as seguintes defesas: 1. defende o afastamento das limitações probatórias do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, sendo certo que está realizando minuciosa apuração em seus registros contábeis e nos documentos que os embasam, que serão apresentados para demonstrar a improcedência do lançamento; 2. a autoridade fiscal entendeu que o termo “manutenção” seria amplo o suficiente para justificar a tributação do passivo fictício independentemente da época em que se deram os lançamentos que ocasionaram a sua formação, mero expediente para evitar o reconhecimento acerca da indiscutível extinção do eventual crédito tributário pela decadência. “Vale destacar, neste ponto, que sem qualquer respaldo legal a autoridade legal tributou as “obrigações pagas até 2007” (nas quais se incluem pagamentos efetuados até mesmo no ano de 2004) tendo como data do fato imponível o dia 31.12.2008, o que só pode ser justificado, como se disse, pela tentativa de evitar o reconhecimento acerca da decadência” (fl. 627 – grifo do original); 3. “Ressaltese ainda que no que tange os anos de 2008 e 2009 o lançamento está incorreto, por desconsiderar que a apuração de todos os tributos exigidos pelo auto de infração é mensal (PIS e COFINS por decorrência da própria legislação, e IRPJ e CSLL em razão de opção da Impugnante, que se valia de antecipações após a elaboração de balancetes de suspensão). Com efeito, para a lisura do procedimento fiscal a Autoridade lançadora deveria ter relacionado os valores mês a mês, procedendo aos ajustes necessários, ou seja, incluindo as receitas porventura omitidas àquelas declaradas para fins de efetivação das antecipações realizadas” (fl. 628 – grifo do original). Nesta peça impugnatória, discriminaramse os “pagamentos não baixados” dos anoscalendário 2008 e 2009, em cada mês. “Ainda quanto a este aspecto, convém reforçar que não há qualquer fundamento legal que possa justificar a posição adotada pela Autoridade Fiscal, que elegeu as datas de 31.12.2008 e 31.12.2009 como sendo correspondentes ao fato imponível do PIS e da COFINS que foram exigidos sobre a totalidade da suposta omissão de receitas apurada” (fl. 629); 4. em relação aos registros contábeis da conta gráfica “Adiantamentos de Clientes”, que guardam relação com o período de 07/04/2003 a 07/03/2005, tais registros foram contabilizados de maneira imprópria, pois representavam suprimento de caixa, e não uma obrigação cuja exigibilidade não se provou. “É que, conforme lançamentos contábeis das contas gráficas caixa, fornecedores e adiantamentos de clientes (em especial MC’JU Ind. e Com.), extraídos do livro diário da Impugnante cuja cópia segue em anexo, os valores correspondentes ao “suprimento de caixa”, quando ingressavam na empresa, eram contabilizados a débito/crédito de caixa pelo ingresso e saída, tendo como contrapartida as contas “crédito MC’JU” e “débitos em fornecedores”, conforme a seguir exemplificado:...” (fl. 629). (...) “O Fl. 732DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 733 4 suprimento de caixa ainda resta provado pelos documentos em anexo, que evidenciam o pagamento de obrigações com os recursos não provenientes do caixa da empresa. Portanto, se infração houve quanto a estes recursos (R$ 17.668.084,70), corresponde ela a um suprimento de caixa incorretamente contabilizado a crédito da conta gráfica “Adiantamento de Clientes”, e não à existência de passivo fictício. Logo, a omissão de receitas se caracteriza na data do suprimento contabilizado, ainda que equivocadamente classificado. Os reflexos dessa constatação se assemelham àqueles ligados à infração anteriormente tratada. Em outras palavras, é necessário reconhecer que o valor de R$ 17.668.084,70 não pode compor a base de incidência tributária do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ainda mais tendo como data base (fato imponível) o dia 31.12.2008” (fls. 634 e 635). Ao apreciar a impugnação apresentada, a 4ª Turma da já mencionada DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1145.400, de 21 de março de 2014, por meio do qual decidiu pela procedência parcial da impugnação. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 IRPJ. CSLL. PASSIVO FICTÍCIO. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O aspecto temporal do fato gerador da presunção de omissão decorrente de obrigação paga e mantida no passivo aperfeiçoase no momento em que se comprova que obrigação foi paga, ou seja, a omissão de receitas que justificou o pagamento da obrigação não pode ser considerada em momento futuro ao pagamento, pois, por decorrência lógicotemporal, omissões de receitas futuras não podem efetuar pagamentos passados. Já quando o passivo fictício decorre de obrigação mantida no passivo, que inexiste desde o início, o lançamento contábil da obrigação não reflete a existência de dívida alguma, a implicar que, ao se identificar que a obrigação lançada no passivo jamais existiu, temse, desde o seu registro no passivo, concretizado o acréscimo patrimonial em prol da devedora, com fato gerador ocorrido no período do registro contábil. PIS/PASEP E COFINS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL. A presunção de omissão de receita do passivo fictício provém da legislação do imposto de renda e, como tal, é considerada na periodicidade do IRPJ/CSLL respectivo. Em todo caso, isso não implica que a periodicidade da tributação sobre a renda, para tal caso, deva ser observada pelas contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, pois estas têm periodicidade mensal. Tanto assim o é que uma omissão de receitas em janeiro, por exemplo, é considerada para composição do resultado do 1º trimestre para um contribuinte tributado pelo lucro real trimestral, porém considerada para a base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP de janeiro (e não de março). Não há qualquer razão lógica ou jurídica para tratar de forma diversa os períodos de apuração, para o IRPJCSLLCOFINSPIS/ PASEP, de uma presunção Fl. 733DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 734 5 de omissão de receita, como no caso do passivo fictício, de uma omissão de receita ordinária. Cumpre esclarecer que a instância a quo entendeu que a base de cálculo no valor de R$ 4.243.250,40, correspondente ao saldo de obrigações já pagas no passivo, ao final de 2008, deveria ser afastada porque se refere a obrigações pagas anteriormente a 2007, inclusive. De forma semelhante, afastou a base de cálculo no valor de R$ 17.668.084,70, correspondente ao saldo de obrigações inexistentes no passivo, ao final de 2008, porque referiase a operações contabilizadas em 2003, 2004 e 2005. Relativamente à base de cálculo no valor de R$ 2.760.993,56, correspondente ao saldo de obrigações pagas durante o ano de 2008, mas mantidas no passivo ao final desse mesmo ano, foi confirmada a integralidade do montante para a apuração do IRPJ e da CSLL; porém, foram confirmadas somente as parcelas pagas no mês de dezembro, totalizando R$ 191.104,76 para a apuração do PIS e da COFINS. Por fim, relativamente à base de cálculo no valor de R$ 2.406.913,02, correspondente ao saldo de obrigações pagas durante o ano de 2009, mas mantidas no passivo ao final desse mesmo ano, foi confirmada a integralidade do montante para a apuração do IRPJ e da CSLL; porém, foi afastada a integralidade do montante para a apuração do PIS e da COFINS porque os pagamentos ocorreram nos meses de janeiro e fevereiro daquele ano. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto deve ser conhecido. A DRJ entendeu que a presunção de omissão de receita com base na existência de passivo fictício deve ser consubstanciada nos períodos de apuração em que se verifica: (i) o momento em que a obrigação foi paga quando se está diante da hipótese normativa que trata da manutenção no passivo de obrigações já pagas; e (ii) o momento em que Fl. 734DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 735 6 ocorreu o lançamento contábil da obrigação quando se está diante da hipótese normativa que trata da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Nada obstante, discordo dessa opinião. Entendo que a presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Confirase, nesse sentido, o inciso III do artigo do 281 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (...) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Portanto, não há nada na norma que permita inferir, como fez a instância a quo, que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. Por bem esclarecer a fundamentação desse raciocínio, peço vênia para reproduzir o trecho que trata do assunto no voto condutor do Acórdão nº 1102 001.075, de 29/04/2014, da lavra do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé: Tanto nas situações que a recorrente denomina de passivo “fictício” (manutenção no passivo de obrigações já pagas) quanto nas de passivo “insubsistente” (manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada), a lei não fixou propriamente o momento em que o passivo em questão tornase “fictício” ou “insubsistente”, referindose apenas à “manutenção” no passivo de obrigações naquelas condições. Tratase, no caso, de uma presunção de omissão de receitas. Por óbvio o momento em que a verdadeira omissão de receitas ocorreu é desconhecido, funcionando a “manutenção” no passivo de obrigações já pagas ou não comprovadas apenas como um “marcador” que aponta para a ocorrência de uma omissão de receitas em período anterior. De fato, nas presunções legais de omissão de receitas, a verdadeira receita auferida (e omitida) sempre se dá em momento anterior àquele que é tomado em consideração para se efetuar o lançamento. Tomese o exemplo de um pagamento não escriturado. Ao identificar a data em que ocorreu tal pagamento, tomase esta data como a da ocorrência do fato gerador, por presunção. Contudo, cediço que pagamento nada tem a ver com receita, senão antes com despesa ou custo. O pressuposto da presunção é de que aquele pagamento foi efetuado com recursos mantidos à margem da escrituração. De onde provieram tais recursos? Certamente de vendas, ou de outras receitas, auferidas em Fl. 735DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 736 7 período pretérito, contudo também não contabilizadas. Importante registrar que este período pretérito em que se deu a efetiva omissão de receita pode se encontrar em momento tão distante no tempo que até abrangido pela decadência se encontraria o respectivo período de apuração, contudo, a presunção legal em comento desloca o momento da ocorrência da omissão de receita para o momento da verificação da existência do pagamento não escriturado. Da mesma forma se dá com o saldo credor de caixa. O saldo da conta caixa somente tornase credor justamente quando os pagamentos superam os recebimentos. Mais uma vez, o momento da ocorrência do saldo credor, por óbvio, nada tem a ver, portanto, com o momento da efetiva omissão de receita, que lhe é anterior. Assim também com o passivo “fictício” ou “insubsistente”. Ainda que se tomasse, como sugere a recorrente, e ao arrepio da lei, a data do registro contábil do passivo como a referência temporal para a aplicação da presunção, isto não significa que seria naquele momento que teria ocorrido a efetiva omissão de receitas. Isto porque é cediço que a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou não comprovadas, no mais das vezes, tem por objetivo justamente impedir o surgimento de saldo credor de caixa. E assim, mais uma vez estamos tratando de omissões de receita pretéritas. Neste sentido, portanto, enquanto “mantiver” o contribuinte um registro contábil de um passivo já pago ou não comprovado, está ele sujeito à autuação ante a constatação, pela fiscalização, desta situação, a qual, conforme acima referido, funciona como um “marcador” da existência de omissões de receita pretéritas, ocorridas em período(s) impreciso(s). E, para completar esse raciocínio, vale a pena também reproduzir a ementa do Acórdão nº 120100.213, de 28/01/2010, da lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício . 2001 Ementa: PASSIVO FICTÍCIO o passivo fictício é infração continuada. Não cabe afastar a autuação em razão da possibilidade de a obrigação não comprovada já ter sido fictícia em exercício anterior ao período fiscalizado. Todavia, um mesmo passivo fictício não legitima diversas autuações por persistir na escrita por mais de um período de apuração, pois seria tributar diversas vezes uma única omissão de receita. Assim, não se pode dar guarida aos argumentos da decisão recorrida que serviram de fundamento para exonerar a maior parte das bases de cálculo utilizadas para apuração, tanto do IRPJ e da CSLL, quanto do PIS e da COFINS. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 737 8 Com efeito, a exoneração da base de cálculo no valor de R$ 4.243.250,40 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) foi justificada no entendimento de que os fatos geradores da omissão de receita ocorreram em períodos de apuração dos pagamentos das obrigações, portanto, em períodos anteriores a 2007, inclusive. De forma semelhante, a exoneração da base no valor de R$ 17.668.084,70 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) foi justificada no entendimento de que a omissão de receita ocorreu nos anos da contabilização das obrigações inexistentes, quais sejam, 2003, 2004 e 2005. No que concerne às bases de cálculo exoneradas exclusivamente no âmbito do PIS e da COFINS, entendeuse que deveriam ter sido consideradas nos exatos meses em que foram verificados os pagamentos das respectivas obrigações (no curso dos anos de 2008 e 2009). Como já mencionado, não concordo com esses entendimentos. O fato indiciário é a manutenção das obrigações no passivo. Tratase de uma infração continuada. A omissão de receita fica consubstanciada no período de apuração em que havia o passivo fictício (qualquer que seja a sua modalidade, isto é, obrigações já pagas ou inexistentes), mesmo no âmbito do PIS e da COFINS. Há que se verificar, entretanto, as alegações remanescentes do contribuinte. Em sua impugnação, a empresa pede o afastamento das limitações probatórias do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Nada obstante, mesmo sabendo que a decisão da DRJ seria ainda levada ao crivo da segunda instância, decorridos quase três anos, nada acrescentou para infirmar os fatos indiciários da presunção legal. O conteúdo do referido dispositivo legal é claro: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se vê, as hipóteses de exceção à norma preclusiva são expressas. O presente caso não incorreu em nenhuma dessas situações. Portanto, nego o referido pedido. Ainda, com relação à alegação de que os registros contábeis na conta gráfica "Adiamentos de Clientes" teriam sido efetuados de forma imprópria pois representavam suprimentos de caixa e não uma obrigação inexistente, tratase de mera tentativa de se valer da própria torpeza. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 738 9 A impugnante pretende transferir o enquadramento legal da infração para a presunção com base em suprimentos de caixa por acreditar que nessa circunstância é mais evidente que a omissão de receitas se caracteriza na data do suprimento caracterizado, ainda que equivocadamente classificado. Tomemos o primeiro par de lançamentos trazidos como exemplo (todos os demais são identicamente estruturados) para justificar o seu raciocínio na impugnação (fls. 630): i) Maio/2003 Livro Diário nº 24, páginas 406/408: D Caixa C MC'JU Recebimento de R$ 50.000,00. D Santa Flora (fornecedor) C Caixa Pagamento de 50.000,00. Ora, essa estrutura de lançamentos evidencia que a conta passiva "MC'JU" teve a finalidade de possibilitar débitos na conta Caixa, evitando, assim, o surgimento de saldos credores. O que importa é que foram registradas obrigações inexistentes em conta do passivo mantidas até o período de apuração em que houve a sua constatação pela fiscalização. Essa é a singela hipótese prevista na norma legal. Destarte, é descabido o argumento. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer a integralidade da autuação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 738DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.720502/201396 Acórdão n.º 1401001.586 S1C4T1 Fl. 739 10 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
