Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13121.000006/93-15
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 1994
Ementa: ITR - Comprovado, com documentos hábeis e idôneos, que o Recorrente não reveste a condição de contribuinte do tributo, nos termos do art. 3l do CTN, em parte do imóvel a que se refere o lançamento, faz-se necessária sua retificação. Recurso provido.
Numero da decisão: 202-07416
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199412
ementa_s : ITR - Comprovado, com documentos hábeis e idôneos, que o Recorrente não reveste a condição de contribuinte do tributo, nos termos do art. 3l do CTN, em parte do imóvel a que se refere o lançamento, faz-se necessária sua retificação. Recurso provido.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 1994
numero_processo_s : 13121.000006/93-15
anomes_publicacao_s : 199412
conteudo_id_s : 4721330
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 202-07416
nome_arquivo_s : 20207416_096854_131210000069315_003.PDF
ano_publicacao_s : 1994
nome_relator_s : Tarásio Campelo Borges
nome_arquivo_pdf_s : 131210000069315_4721330.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 1994
id : 4832976
ano_sessao_s : 1994
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:05:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045545810919424
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T05:55:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T05:55:24Z; Last-Modified: 2010-01-30T05:55:24Z; dcterms:modified: 2010-01-30T05:55:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T05:55:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T05:55:24Z; meta:save-date: 2010-01-30T05:55:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T05:55:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T05:55:24Z; created: 2010-01-30T05:55:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-01-30T05:55:24Z; pdf:charsPerPage: 1224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T05:55:24Z | Conteúdo => AIS% fr.Cy MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 2.,, PI-JRLICALIO NO D 6U. t:C4- • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Le--- titnI a Processo n.° 13121.000006/93-15 Sessão de : 07 de dezembro de 1994 Acórdão n.° 202-07.416 Recurso n.°: 96.854 Recorrente : DANILO DE OLIVEIRA Recorrida : DRF em Goiânia -(30 ITR - Comprovado, com documentos hábeis e idôneos, que o Reorrente não reveste a condição de contribuinte do tributo, nos termos do art. 31 do CIN, em parte do imóvel a que se refere o lançamento, faz-se necessária sua retifi- cação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DANILO DE OLIVEIRA ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em d r provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de d- embro de 1994. Hei 'o E .7•Ii :arcello PrI7nte s T. Arp ç o erges - Relator fra, - • 'ana Queiroz de Carvalho - Procuradora-Representante da Fazenda Nacional - - VISTA EM SESSÂO DE 2 7 ABR 1995 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elio Rothe, Antonio Carlos Buena Ribeiro, Osvaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Tarásio Campeio Borges, José Cabral Garofano e Daniel Corrêa Homem de Carvalho. 1 toc " MINISTÉRIO DA FAZENDA Cm .é SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Jrfr Processo n2 1312L000006/93-15 Recurso n2 096.854 Acórdão n2 202- 07.416 Recorrente: DANILO DE OLIVEIRA RELATÓRIO O presente processo trata da exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, Contribuição Sindical Rural - CNA - CONTAG, Taxa de Serviços Cadastrais e Contribuição Parafiscal, exercício de 1992, com vencimento em 21.12.92, referente ao imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob o número 1 940 248.1, com área de 46,9 ha, situado no Município de Formosa - GO. Tempestivamente, o contribuinte contesta o lançamento de fls. 02, solicitando a retificação da área total erroneamente informada na Declaração Anual de Informação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 1992. A autoridade julgadora de primeira instância concluiu pela procedência do lançamento, em decisão assim ementada: "Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Exercício financeiro 1992. Inscrição Cadastral. Serão indeferidas as impugnações feitas com base em solicitações de alterações cadastrais protocolizadas após o contribuinte ter sido notificado do lançamento. Inteligência do parágrafo 1 2 do art. 147 do CTN. LANÇAMENTO PROCEDENTE." No recurso voluntário, manifestado dentro do prazo legal, o Notificado, representado por sua genitora e tutora, reitera suas razões iniciais, acostando aos autos a Certidão de fls. 22, fornecida pelo Cartório do 1 g Oficio e do Registro de Imóveis da Comarca de Formosa/GO. É o relatório. 2 -y..., 01., MINISTÉRIO DA FAZENDA S i EGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..‘ o * Processo n2 13121.000006/93-15 Acórdão n2 202- 07.416 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TARÁSIO CAMPELO BORGES A Certidão de fls 22, fornecida pelo Cartório do 1 2 Oficio e do Registro de Imóveis da Comarca de Formosa/GO, comprova a ocorrência de erro material no preenchimento do campo referente à área total do imóvel da Declaração Anual de Informação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício de 1992. Segundo a Certidão do Cartório do Registro de Imóveis de fls. 22 e Certidão de Inventário de fls. 04/06, ao Recorrente somente pertence a área de 27,5777 ha da Fazenda Cocal da Extrema, objeto da lide. O restante da área do referido imóvel pertence à genitora e ao irmão do Recorrente. Portanto, nos termos do artigo 31 do Código Tributário Nacional, entendo que o Recorrente somente é contribuinte do imposto relativo à área de 27,5777 ha do imóvel identificado na Notificação de fis 02 São estas as razões pelas quais dou provimento ao recurso, para excluir da exigência a parcela referente à área que excede a 27,5777 ha. Sala f. S s Sessões, em 07 de dezembro de 1994. v gier‘ --NL • T 'et O CA IPELO BORGES 3
score : 1.0
Numero do processo: 11080.013955/89-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IPI - BEBIDAS - Cervejas importadas do Uruguai sob regime da ALADI, tem sua incidência do imposto em igualdade de condições com o produto nacional, que ocorre em dois momentos distintos, para o produto estrangeiro no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador. O art. 76 do RIPI/82 e Port. Nr. 75/83, determinam procedimento prático quanto à base de cálculo e recolhimento do imposto. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-04715
Nome do relator: ELIO ROTHE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199112
ementa_s : IPI - BEBIDAS - Cervejas importadas do Uruguai sob regime da ALADI, tem sua incidência do imposto em igualdade de condições com o produto nacional, que ocorre em dois momentos distintos, para o produto estrangeiro no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador. O art. 76 do RIPI/82 e Port. Nr. 75/83, determinam procedimento prático quanto à base de cálculo e recolhimento do imposto. Recurso negado.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 12 00:00:00 UTC 1991
numero_processo_s : 11080.013955/89-14
anomes_publicacao_s : 199112
conteudo_id_s : 4701066
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 202-04715
nome_arquivo_s : 20204715_085460_110800139558914_008.PDF
ano_publicacao_s : 1991
nome_relator_s : ELIO ROTHE
nome_arquivo_pdf_s : 110800139558914_4701066.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Thu Dec 12 00:00:00 UTC 1991
id : 4831515
ano_sessao_s : 1991
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:04:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045545811968000
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-29T20:39:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-29T20:39:39Z; Last-Modified: 2010-01-29T20:39:39Z; dcterms:modified: 2010-01-29T20:39:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-29T20:39:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-29T20:39:39Z; meta:save-date: 2010-01-29T20:39:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-29T20:39:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-29T20:39:39Z; created: 2010-01-29T20:39:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-01-29T20:39:39Z; pdf:charsPerPage: 1403; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-29T20:39:39Z | Conteúdo => 1 2. . i De tli 13 LoRD Co) ásvr0 / D. O. 32_,U i 1 C C (* Rubrica I a_e4hY''''N -"°1;.--5 44W MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.°11.080.013.955/89-14 - Sessão de 12 de dezembro de 19 91 ACORDA() N.° 202-04.715 Recurso n.° 85. 460 Recorrente SUPERMERCADOS REAL S/A Recorrida DRF EM PORTO ALEGRE—RS IPI - BEBIDAS - Cervejas importadas do Uruguai sob regime da ALADI, tem sua incidência do imposto em igualdade de condições com o produto nacional, que ocorre em dois momentos distintos, para o produto estrangeiro no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador. O art. 76 do RIPI/82 e Port. nQ 75/83, determinam procedimento prático quanto -ã. base de cálculo e recolhimento do imposto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SUPERMERCADOS REAL S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar pro vimento ao recurso. .,t Sala das Sessõ .t..s, 12 de •=zembro de 1991 , 4(-HE VI .CO ; DO B RCE"OS - 'RESIDENTE OP ' - 411à E O R0,40 RE ,ToR ',..Noop ' •nnn-- JO CARLe. wE AL wA LEMOS - PROCURADOR-REPRESEN TANTE DE FAZENDA NACIONAL — VI TA EM SESSÃO DE 10 JA N 1992 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CABRAL GAROFANO, ANTONIO CARLOS DE MORAES, OSCAR LUÍS DE MORAIS , ACÃCIA DE LOURDES RODRIGUES, JEFERSON RIBEIRO SALAZAR e SEBASTIÃO BORGES TAQUARY. • ,onirJo MINISTÉRIO DA FAZENDA -02- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N9 11.080-013.955/89-14 Recurso N -Q: 85.460 Acordão N2: 202-04.715 Recorrente: SUPERMERCADOS REAL S/A. RELATÓRIO SUPERMERCADOS REAL S/A recorre para este Conselho de Contribuintes da decisão de fls. 188/190, do ,Delegado da Receita Federal em Porto Alegre, que indeferiu sua impugnação aaAuto de Infração de fls. 10/11. Em conformidade como referido Auto de Infração, Ter- mo de Encerramento de Fiscalização, demonstrativos e demais docu- mentosque o acompanham, a ora recorrente foi intimada ao recolhi- mento da importância correspondente a 558.145,96 BTNFs a título de Imposto sobre Produtos Industrializados. ":;.cail,laseno artigo 59 do RIPI/82, por infração ao disposto nos artigos 55,inciso I, alínea "b"; 62;76; 107; 113 (combinado com a Portaria MF nQ 75/83);265; 277 e 308, incisos I e II, sujeitando-se às penalida des previstas nos artigos 364,inciso II,e 383(combi-1 nando com o artigo 357, parágrafo 2Q e ADN /IQ 17, de 08.08.89), todos do citadoregulamento.Caracterizou - -se a infração por: 1) não recolhimento do IPI ante- cipado, calculado nos termos do artigo 76 do RIPI/82, decorrente da importação de produtos do código 2203.00.0201 da TIPI/88(código 22.03.0 .2 .01 da TIPI/ 83), no período de 29.01.86 a 28.03.88 e 2) saída do estabelecimento equiparado a industrial, dos produ - tos citados em 1 e daqueles (de mesma classificação fiscal) importados entre 18.11.88 e 19.01.89, sem o lançamento do IPI devido." -segue- -03- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo nQ 11.080-013.955/89-14 Acórdão n(2 202-04.715 Exigidos,também, correção monetária, juros de mora e multa dp artigo 364,inciso II doRIPI/82. Impugnando o feito, a autuada expõe em resumo: a) que a República Federativa do Brasil, a República Central do Uruguai e os demais países sul-americanos são signatários do Tratado de Montevideo, promulgado no Brasil pelo Decreto 87.054, de 23.03.82, instituindo, em substituição à ALALC, a Associação Latino-Americana de Integração, dispondo, por força do seu artigo 46 e decreto: "Em matéria de imposto, taxas e outros gravames in- ternos, os produtos originários do território de um País-Membro gozarão no território dos demais Países- Membros de um tratamento não menos favorável do que o'tratamento que se aplique o produto similares nacio nais." b) que,no plano interno, a regra dp artigo 98 do Código Tributário Nacional dispõe: "Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna,e.seí.ão observados pela quas lhes sobrevenhai ." c) que ninguém desconhece que as cervejas produzidas no País não estão sujeitas ao imposto de que trata o artigo 76 do RIPI/82, porque o dispositivo somente se aplica aos produtos de proce - ciência estrangeira, significando que à luz do .referido Tratado de Montevideo impossível se dar às cervejas importadas da Repú Imprensa Nacional - - - 8,4 -04- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo nQ 11.080-013.955/89-14 Acórdão n(2 202-04.715 plica Oriental do Uruguai o tratamento fiscal contemplado no mencionado artigo 76; d) que o gravame fiscal audebate é inexigível, tanto que o seu desembaraço aduaneiro sempre se deu sem o pagamento do mesmo. A decisão recorrida julgou procedente a ação fiscal, adotando as seguintes razões de decidir: "Não assiste razão à interessada ao afirmar que a exigência do Imposto sobre Produtos Indus- trial(IPI) na forma dos artigo 76 e 113 do RIPI/82, relativamente ao acréscimo de 55% do valor tributá- vel dos produtos de procedência estrangeira, consti tui gravame na forma dos que dispõe o Decreto n(2.. 90.783/84, em razão do acordo firmado entre Brasil e Uruguai(PEC). O artigo 46 do Tratado de Montevideu-1982dis põe que os produtos originários de um país gozarão no território dbs;demais países, de um tratamento não menos favorável do que o aplicado a produtos simila res nacionais, o que significa que os referidos pr5 dutos originários não poderão ter tratamento mais fa varável do que o aplicado aos produtos similares cionais. Esclarece o assunto o Parecer CST/DET n(2 1002 de 19.09.88, cuja ementa transcrevo: "Serão tambem tributados pelo IPI os produtos originários de países-membros da ALADI, se os produtos similares, de fabricação nacional,so frerem tributação interna do imposto. O trata do de Montevidéu 1982 não criou favorecimentU para aqueles produtos em relação aos produtos nacionais." A argumentação da autuada no que se refere a não aplicação ap artigo 76 do RIPI/82 aos produtos na cionais, razão pela qual entende também não ser devi da em relação aos produtos originários da ALADI, não procede. -segue- Imprensa Nacional 6'2 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -05- Processo n ci 11.080-013.955/89-14 Acórdão nc2 202-04.715 O Imposto sobre Produtos Industrializados in- cide sobre a cerveja produzida no País por força do artigo 1(2 do RIPI/82 e é devido no momento da saída do estabelecimento industrial,ou equiparado a indus - trial (art. 29 do RIPI/82). O IPI incide também sobre a cerveja de proce- dência estrangeira no momento da saída de estabele- cimento equiparado a industrial (art.94, do RIPI/82), conforme dispõe o artigo 76 do Regulamento citado. O artigo 113 do mesmo Regulamento e a Portaria n9. 75/83 determinaram a antecipação do seu recolhimento. Como explanado acima, a não exigência do IPI em relação aos produtos estrangeiros constituiria trata- mento mais favorável que o concedido aos produtos do capítulo 22 da TIPI, produzidos no País. Não prospera a alegação de que não é devido o IPI porque não foi exigido na ápoca do desembaraço da mercadoria, já que tal fato não exime o contribuinteéb efetivar o lançamento na forma prescrita em lei, vis- to não existir nenhum ato legal, administrativo ou= mativo, que elide a exigência do IPI." • Tempestivamente foi interposto recurso a este Conse - lho, pelo qual a autuada, em substância e expressamente, se repor- ta às suas razões de impugnação, no sentido de ser inaceitável que se negue vigência ao artigo 98 do CTN, ao artigo 46 do Tratado de Montevideo e ao Decreto 90.783/84. Pede seja reformulada a decisão recorrida e decretada a insubsistência do Auto pie Infração. É o relatório. -segue- Imprensa Nacional SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -06- Processo nQ 11.080-013.955/89-14 Acórdão nQ 202-04.715 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ELIO ROTHE Não assiste razão ã recorrente, porque não infringi do o invocado artigo 46 do 'Tratado de Montevideo que instituiu a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), eis que às cervejas importadas do Uruguai foi dado o mesmo tratamento que é deferido ã cerveja nacional. Com efeito, tanto a cerveja nacional como a estran - geira,pela legislação do IPI, vigente à época dos fatos, e dado o mesmo tratamento tributário,ou seja, a incidência do imposto se verifica em dois momentos distintos. Em conformidade comoRIPI/82, a cerveja nacional so- fre a incidência do imposto, em um primeiro momento, por ocasião de sua saída do estabelecimento industrial (art. 29, inciso II e art. 8Q) e, ainda, num segundo momento, ao sair do estabelecimen- to equiparado a estabelecimento industrial (art. 29, inciso II e art. 9Q). Por outro lado, a cerveja estrangeira também sofre a incidência do imposto em dois momentos, primeiro, no seu desemba- raço aduaneiro (art. 29, inciso I) e, posteriormente, ao sair do estabelecimento equiparado a estabelecimento industrial,como no caso o estabelecimento importador (art. 29, inciso II e art. 9Q inciso I, II e III). -segue- Imprensa Nacional SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -07- Processo nQ 11.080-013.955/89-14 Acórdão rig. 202-04.715 O disposto no artigo 76 do RIPI/82 regulado pela Por tarja MF ri c2 75/83, invocacbpela recorrente como responsável pelo in devido tratamento que estaria sendo dado ao produto estrangeiro pe la autuação, e, como conseqfiencia,favorecendo o produto nacional nada mais e que um dispositivo que visa facilitar a vida do contri buinte no que respeita à base de cálculo e ao recolhimento do im - posto, umavezpeloqmdispae, o imposto incidente naqueles dois mo - mentos (desembaraça aduaneiro e saída do estabelecimento, equipara do - importador) deve ser calculado e recolhido em um só momento no desembaraço aduaneiro. Como visto, tal procedimento visa facilitar a ativida de do importador, que passa a fazer apenas um recolhimento do im - posto, englobando os dois momentos em que o tributo e devido, e ainda coma a fixação da diferença tributável (55%), que inegavel - mente á inferior à realidade. Por conseguinte,oinvocado artigo 76, regulado pela Portaria MF n(2 75/83, não discrimina quanto à incidencia do irripos to sobre o produto .estrangeiro em relação ao nacional, que tem o mesmo tratamento, mas apenas dispõe sobre procedimento prático pa- ra o produto estrangeiro no que respeita ã sua base de cálculo e recolhimento. Como, no caso, a recorrente,relativamente a determi-; nado período examinado, deixou de recolher o imposto devido sobre o momento da saída da cerveja do estabelecimento importador, e -segue- Imprensa Nacional g g SERVIÇO PUBLICO FEDERAL -08- Processo n(2 11.080-013.955/89-14 AcOrdão n(2 202-04.715 também, em outro período nenhum imposto pagou sobre a cerveja im- portada, entendo procedente o Auto de Infração, devendo ser manti da a decisão recorrida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Ss o s, em 12 de dezembro de 1991. ELIO ROTHE - Imprensa Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001144/90-73
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 1993
Ementa: FINSOCIAL - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. Contribuem para o FINSOCIAL, a partir da edição da Lei nº 7.738, de 09/02/89, sobre os fatos geradores ocorridos após 10/05/89, inclusive. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-05768
Nome do relator: JOSÉ CABRAL GAROFANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199304
ementa_s : FINSOCIAL - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. Contribuem para o FINSOCIAL, a partir da edição da Lei nº 7.738, de 09/02/89, sobre os fatos geradores ocorridos após 10/05/89, inclusive. Recurso provido em parte.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 30 00:00:00 UTC 1993
numero_processo_s : 11020.001144/90-73
anomes_publicacao_s : 199304
conteudo_id_s : 4748966
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 202-05768
nome_arquivo_s : 20205768_085753_110200011449073_003.PDF
ano_publicacao_s : 1993
nome_relator_s : JOSÉ CABRAL GAROFANO
nome_arquivo_pdf_s : 110200011449073_4748966.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Fri Apr 30 00:00:00 UTC 1993
id : 4829755
ano_sessao_s : 1993
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:04:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045545814065152
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-13T17:58:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-13T17:58:23Z; Last-Modified: 2010-01-13T17:58:23Z; dcterms:modified: 2010-01-13T17:58:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-13T17:58:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-13T17:58:23Z; meta:save-date: 2010-01-13T17:58:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-13T17:58:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-13T17:58:23Z; created: 2010-01-13T17:58:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-01-13T17:58:23Z; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-13T17:58:23Z | Conteúdo => o 2 19 2. *° ------ ----- MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ------ Rubrica ni,151.1CAD ------ 90 I-3• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C Processo no: 11020.001144/90-73 C ... Sesso den 30 de abril de 1993 ACORDn0 No 202-05.760 Recurso no N 05.753 Recorrente : vIAçno SANTA TEREZA DE CAXIAS DO SUL LTDA. Recorrida n DRE EM CAXIAS DO SUL - RS FINSOCIAL - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. Contrilntem para o FINSOCIAL, a partir da edi0o da Lei n2 7.730, de 09/02/09, sobre os fatos geradores ocorridos após 10/05/09, inclusive. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por vIAÇNO SANTA TEREZA DE CAXIAS DO SUL LTDA. • ÁCORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigOncia as parcelas indicadas no voto do rei • r Ausente o Conselheiro JOSE ANTONIO AROCHA DA CUNHA. Sala das Sesses, em • de abril de 1993. HELVIO 1 1:ár5 - Presidente JOSE CABRAL, - Relator ‘1... OS DE: A I. HF 1 . DA I... E: O S -E' ro C: lk a Cl r" n- tante da 1 a..7.enda Nacional v:EsTA SE:SSPo DE: 2 7 /( r, 1993 ,Ao PFN , Dr . GUSTAVO DO AMARAL MARTINS, ex-vi da Portaria PGFN nQ 483, DO de 04/08/93. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, TERESA CRISTINA GONÇALVES PANTOJA, ANTONIO CARLOS BUENO R IDE: :I: RO„ OSVAL.DC:3 1 . A 1.10 RE DO DE: 01 IVES.RA t TARASIO CAMPELO DOR opr/jm/ga/ja e..?P j-, a,n; -,- • ..À, .~ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTOvriv SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . Processo no:: 11020.001144/90-73 Recurso no:: 85.753 Acórdão no:: 202-05.768 Recorrente n vuiçno SANTA TEREZA DE CAXIAS DO SUL LTDA. RELATORI O Contra a Empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infra0o de (fls. 04), decorrente da fiscaliza0o do Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, por falta de recolhimento desta contribui0o nos prazos reuamen.aro A Autuada apresentou Impugna0(o Tempestiva (fls. - 06/07) alegando, em síntese, a inconstitucionalidade do recolhimento do FINSOCIAL de acordo com o inciso I, art. 154 da Constitui0o Federal. O fiscal autuante manifestou-se ás fls. 10 pela manutençãO integral do auto de infrapb. A Autoridade 'julgadora de Primeira Instáncia, ás fls. 12/13, julgou procedente o lançamento, ementando assim sua decisoN "FINSOCIAL - BASE DE CALCULO - RECOLHIMENTO - IMPUONAÇg0 DA EXIGENCIA - JULGAMENTO DO PROCESSO - Falta de recolhimento da contribui0o para o FINSOCIAL sob a alega0o, formulada em impugnaçXo a Auto de InfraçXo, de inconstitucionalidade da Lei 1 is2 7.730/S9. A alega0o de inconstitucionali- dade é matéria que n'So pode ser 'di(Atida na esfera administrativa, por extravasar os limites de sua competOncia." O recurso voluntário foi interposto dentro do . prá7.6 legal (fis, -, 1.b/17) onde a Recorrente alega basicamente as mesmas razffes apresentadas na peça impugnatória. E o relatório. ,-?., • . MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no:: 1.1020.001:144/90-73 A c. i."d X0 no:: 202-0 5 .. 768 varo x)o coNsE:1..1-1E:IR ,'JOSE CABRAL. GAR 01" . AN O 1:1 R c It r s. o V o :I. n r :1o (-::? v o „ in tê r. :i. a .1 r- t. c( n s. a U. t OS C; C.? 5 C.? r C) C: 0 Ci n :i.stra v o *Vis c <.:1. :1 „ e x. :1 g @ri ci. ittI :: c ri•r:i. C:1 para 3:11S 01::: 1: Pi I... p r 5 a 5 it.:< V a filen t e p s tYl. Ci s':).s c! e so:, r. o s V á r :i. as s.21:b a e c: :I. Ci.c.? d oi. t C ma rè.t „ n sent ti. d o ci a c on t r ção se') or da para c:is 1" .a tos g radores ocor r. :1 cl os. a pó :10/0 5/89 „ clusive „ e „ n .;'Cc3 ser osta a cl pra z o de :1 h :É me.:=n .10 • c: o IDO bcm en -1 e n cl e a F:onda Ha c ..i. o n a]. -1. n cl :1. filen t. O Vem cl a :1.11 *Ie.:, r- p .1 a dt norf 11 a :111 "t. C.? r a ri -to:, cl c:, a r ri 2 7 „ 738 d 09./02/139 „ pelo „ r 5 rp..k á ad05 os rl ovent ) c I pa r. a sua g ri c: :i. „ COn :i. b O 1rá Ci :i. C; a a r -1 r cl „ Para 5 eiri r C.? 5. a P s. tad o r S C; C.? 5 C.? I' V À. Si: 0 C?? in bora ri ão ton ha 's to Co 3. c..., g ti. a c! o PI d itfl ti. ri :1 t v o c:o m p n c :i. a para a pr C.? C: ri. a r q s t 1.011 amon to que v e rsci sobr e n cor] s :i. c: :1 o n :1 :1 dade cl 3. • on tonittlo ci U. e a I.. c.:, :1 no 7 „ 738./89 n ão fittrd d s p o s. :i. :I. vos cl C o n st:1 i.Utl. ç -ão r a :1 c e cl ctiit Vá :1 o s C.C.1 Cl 0 „ ;21C) C.? 5 a 5 V.a 7. X.5 NI C....? 3. V a rn v o té.i. P O prov C.:11 10 13 a r C: :i. a cl o Re so V o 1 ntár :1 o „ p X CE r OX :i. g n c :i. o r:i. :i.n :i. i:11::1 11.C.:' 3. a 5 p a r C: i:En 5 I'itt 1. tti. V a 5 a O5 'f t o s. c! o r. ocor r:i. dos a g: 09/ O / 9 „ ri c: 1 IA s :1 v „ Sai. cl as SE.:, sse:íes „ em 30 de a b r:i. 3. do :1993 JOSE CABRA.. • FZOFA110 s.)
score : 1.0
Numero do processo: 13055.000072/00-82
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Em matéria de ressarcimento de IPI, quem deve primeiro analisar o mérito do pedido é a Delegacia da Receita Federal do domicílio fiscal do requerente. Não havendo esta análise, o processo não está apto a ser apreciado pelo Conselho de Contribuintes.
Processo anulado.
Numero da decisão: 202-16981
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Antonio Zomer
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200603
ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Em matéria de ressarcimento de IPI, quem deve primeiro analisar o mérito do pedido é a Delegacia da Receita Federal do domicílio fiscal do requerente. Não havendo esta análise, o processo não está apto a ser apreciado pelo Conselho de Contribuintes. Processo anulado.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 13055.000072/00-82
anomes_publicacao_s : 200603
conteudo_id_s : 4117001
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 202-16981
nome_arquivo_s : 20216981_129555_130550000720082_004.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : Antonio Zomer
nome_arquivo_pdf_s : 130550000720082_4117001.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2006
id : 4832768
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:05:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045545815113728
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-11T11:44:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-11T11:44:31Z; Last-Modified: 2009-08-11T11:44:32Z; dcterms:modified: 2009-08-11T11:44:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-11T11:44:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-11T11:44:32Z; meta:save-date: 2009-08-11T11:44:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-11T11:44:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-11T11:44:31Z; created: 2009-08-11T11:44:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-08-11T11:44:31Z; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-11T11:44:31Z | Conteúdo => • t 1. ./ 471i: 01 CC-MF - Ministério da Fazenda Ft. "91 Segundo Conselho de Contribuintes ovai ADO NO 0, O. U. 2.9 Do 147 1j2S- 122 - Processo nt : 13055.000072100-82 C 4.9fit Recurso nik : 129.555 C Rubrica Acórdão na : 202-16.981 Recorrente : CORTUME KRUMENAUER S/A Recorrida : DRJ em Porto Alegre - RS NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes Em matéria de ressarcimento de IPI, quem deve primeiro CONFERE COXO ORIGILJAV analisar o mérito do pedido é a Delegacia da Receita Federal do Svasilis-CiF. em ti- I /O_I COOT° domicilio fiscal do requerente. Não havendo esta análise, o diu444-a*cs. fuji processo não está apto a ser apreciado pelo Conselho de Contribuintes. Secretária dê Segunda C &mai Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CORTUME ICRUMENAUER S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão da DRF em Novo Hamburgo — RS, inclusive. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente). Sala Sessõe- em 28 de março de 2006. / tonio arlos A lim Presidente et=latrowri e Re ator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. .. ,. .. MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes r CC-MF ' -• 'kl?, V..; Ministério da Fazenda CONFERE CORO ORIGINjok Fl. =1, ; . ,.... nt Segundo Conselho de Contribuintes Bresllie-DF. em L t i /0 l(CO) ,.=.:, s.:, dr Processo n2 13055.000072/00-82 d‘' uzát afuji Recurso nt : 129.555 &lamina da Segunda Cárni4i Acórdão n2 : 202-16.981 Recorrente : CORTUME KRUMENAUER S/A RELATÓRIO O relatório constante da decisão recorrida descreve o litígio tratado neste processo nos seguintes termos: "O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido de In autorizado pela Lei n.° 9.363, de 13 de dezembro e 1996, para ressarcir o valor das contribuições para o PIS e a Cofins, incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao 1° trimestre de 2000, no montante de R$ 274.361,43, conforme Pedido constante da folha n.° 1, apresentado em 09/05/2000. Juntou também diversos pedidos de compensação de débitos (/h. 5504), que • seriam transferidos, posteriormente, para outro processo, conforme pedido de fl. 87. 1.1 — O Relatório de Ação Fiscal, consubstanciado na peça delis. 76/83, informa que, de acordo com a investigação que descreve, o contribuinte teria se utilizado de notas fiscais inidõnecrs na aquisição de insumos, da firma COURO PAR de Pedro Reginaldo Bueno (CNPJ 80.143.241/0001-29) o que configura, em tese, crime contra a ordem tributária, conforme estabelece o art. I° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, concluindo que o requerente não teria direito ao ressarcimento. 1.2 — Com suporte no Relatório de Ação Fiscal referido acima e no art. 59 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, a Delegada da Receita Federal em Novo Hamburgo indeferiu o pedido, pelo despacho de jr. 84, com ciência do interessado, em 27/6/2002, à fies. • 2 - O contribuinte não se conformou com o indeferimento e apresentou, no devido prazo, a impugnação de fls. 92/102 e anexos, relacionando as notas fiscais (pelo n°, data e valor), relativas a compras da Couro Par, de Pedro Reginaldo Bueno (lis. 93/95) tidos como inidôneas pela Fiscalização, informando que iodas as compras daquele fornecedor foram pagas na forma que explica 2.1 — Na continuação, afirma que os pagamentos efetivamente existiram e que a empresa não iria pagar por algo que não recebera; que assim que soube que as notas fiscais emitidas por Pedro Reginaldo Bueno (Couro Par), que acobertavam as compras de couro, eram inidemeas imediatamente deixou de comprar do referido senhor, bem como estornou os créditos do ICMS; que, com o artifício dos carimbos falsificados dos postos fiscais. dava uma aparência de regularidade; que a jurisprudência administrativa tem o entendimento que comprovada a efetiva entrada das mercadorias, as compras deverão ser consideradas, mesmo que o documento seja inickineo, mencionando neste sentido o Acórdão n° 103-19023, cuja ementa transcreve, à fi. 97, do qual se atraem chias condições: a entrada efetiva das mercadorias e o pagamento correspondente, condições essas que alega ter atendido, conforme registros contábeis e fiscais, juntando cópias. 2.2 — Prossegue a manifestação de inconformidade afirmando que o contribuinte portou-se de forma normal e dentro dos ditames legais e da boa fé; que não praticou ato que tipificasse a supressão e a redução de tributos, premissa do art. 1° da Lei n° 8.137, de 1990, que passa a analisar, e que pelo valor dos impostos que a empresa teria reduzido (R$ 31.394,05) comparado com o crédito presumido de IPI (R$ 678.506,22) percebe-se que a afirmação da fiscalização é ridícula ao enquadrar na citada lei. Ç.3 2 . -. . MINISTÉRIO DA FAZENDA . .,', 21 CC-MF1 Segundo Conselho de Contribuintes - 4`::---- r: Ministério da Fazenda w ls. :: r• CONFERE COM O ORIGINAI. Fl. 1 S.P.:12kt- Segundo Conselho de Contribuintes Brestlie-DF. em r/ / ° KW e ';i::.5.12z > (Q.; Processo n2 : 13055.000072/00-82 l uzafaltafuji Recurso 112 : 129.555 Sentina da Snunda Cimag e Acórdão te : 202-16.981 Encerra a defesa afirmando que não cometeu infração que configure crime contra a ordem tributária e requer o ressarcimento do crédito presumido de IPI em questão." Apreciando a impugnação, a DRJ em Porto Alegre - RS manteve o indeferimento total do pedido, em Acórdão assim ementado: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Ementa: Crédito Presumido de IPI O contribuinte que pratica ato que configure crime contra a ordem tributária, perde direito ao beneficio fiscal no ano-calendário correspondente à prática. Solicitação Indeferida" . . No recurso voluntário, a empresa reedita seus argumentos de defesa, acrescentando que a perda do direito aos incentivos tratada no art. 59 da Lei n 9 9.069/95 decorre da prática de crime contra a ordem tributária, o que não ocorreu na hipótese dos autos, posto que comprovou, com lançamentos contábeis, fiscais e de controle de estoques, que recebeu as mercadorias discriminadas nas todas fiscais inidôneas e por elas pagou. Em reforço de sua tese, traz à colação a integra do Acórdão n2 201-73.880, no ' qual foi decidido que a aplicação do art. 59 da Lei n 2 9.069/95 depende de sentença penal, condenatória, da exclusiva competência do Poder Judiciário. Aduz, ainda, que a própria decisão de primeira instância reconheceu a inexistência de dolo, embora não tenha examinado a documentação existente nos autos, comprobatória do ingresso no estoque e do pagamento das mercadorias relacionadas nas notas fiscais iniclôneas. Alega, também, que o art. 82 da Lei n2 9.430/96 permite a utilização dos créditos destacados em notas fiscais iniclôneas, nos casos em que a empresa adquirente comprove o recebimento e o pagamento das mercadorias, como foi reconhecido na decisão recorrida, em trecho que transcreve. Ao final, requer o provimento do seu recurso, tendo em vista que sequer em tese cometeu crime contra a ordem tributária, pois como bem reconheceu o órgão julgador a quo, a recorrente foi vitima e não infratora, bem como pelo fato de a perda dos Incentivos ter sido decretada com base em fatos que em tese configuram crimes e não em decisão judicial condenatória. É o relatório. , ., 3 . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA 2° CC-IVIE I -: t '47. ",;4 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes tifitz<f:, Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE CO$. 0 ORIGINAti Fl. 8rasIlie-DF, em A i /o /aspo .. Processo n! : 13055.000072/00-82 • . Recurso n!" : 129.555 ko.COuttairda. segawma jcuáj.i.. Acórdão u! : 202-16.981 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO ZOMER O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais para ser admitido, pelo 'que dele conheço. O Fisco imputou à recorrente a prática de crime contra a ordem tributária, pela utilização, no cálculo do ressarcimento, de algumas notas fiscais inidôneas. Em conseqüência, aplicou à contribuinte a pena prevista no art. 59 da Lei n 2 9.069/95, verbis: "Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei n o 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no ano-calendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária." Como as notas fiscais inidôneas foram registradas pela empresa nos anos de 1999 e 2000, a perda de incentivos alcançou os pedidos relativos ao referido período. A caracterização da infração foi feita no Processo n2 11065.002717/2002-28, no qual se emitiu auto de infração para cobrança de ressarcimento que já havia sido efetuado. Este Colegiado, ao apreciar o recurso voluntário apresentado naqueles autos, decidiu pela aplicação, ao caso, do disposto no art. 82 da Lei n2 9.430/96, verbis: 'Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Pardgrafo étnico. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o 'ornador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços." (destaquei) Tendo-se caracterizada a situação prevista no parágrafo único do art. 82 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito, o lançamento fiscal foi cancelado. Como decorrência daquela decisão, tenho que o indeferimento do pedido de ressarcimento ora analisado foi indevido, devendo ser revisto por esta Câmara. Entretanto, ao indeferir o pleito da contribuinte, com base na pena prevista no art. 59 da Lei n2 9.069/95, a autoridade fiscal e o órgão julgador de primeira instância deixaram de examinar o mérito do ressarcimento requerido. Desta forma, para que não haja supressão de instância, voto no sentido de se anular o processo, a partir do Despacho de fl. 84, proferido pela DRF de Novo Hamburgo - RS, inclusive, para que o mérito do pleito seja apreciado, pela aplicação do disposto no art. 82, parágrafo único, da Lei n2 9.430/96. is"• . ilasis Se .ii es, em 28 de março de 2006..9iip n jiw • 1 Oh e MER 4 Page 1 _0053100.PDF Page 1 _0053200.PDF Page 1 _0053300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13150.720273/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13150.720273/2014-14
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5598823
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jun 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-000.689
nome_arquivo_s : Decisao_13150720273201414.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 13150720273201414_5598823.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
id : 6410003
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048415427887104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 69 1 68 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13150.720273/201414 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.689 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de maio de 2016 Assunto IRPF Recorrente GLEIDE AMARAL DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 37, complementandoo ao final: Tratase de impugnação apresentada em face de notificação de lançamento (fls. 06/10) expedida em procedimento de revisão de declaração do exercício 2010, tendo sido apurado IR suplementar no valor de R$ 7.455,25, acrescido de multa de ofício e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 50 .7 20 27 3/ 20 14 -1 4 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13150.720273/201414 Resolução nº 2202000.689 S2C2T2 Fl. 70 2 Conforme descrição dos fatos foi constatada Dedução indevida de Despesas Médicas, glosa do valor de R$ 27.110,00. Conforme consta da descrição dos fatos: 1) Os seguintes valores não podem ser deduzidos porque o comprovante não identifica o endereço do prestador do serviço: R$ 5.648,00 pago a VANESSA PERGHER (CPF: 936.914.16187). 2) Os seguintes valores não podem ser deduzidos porque o contribuinte não apresentou a nota fiscal do prestador pessoa jurídica: R$ 5.000,00 pago a HARMONIA FISIOTERAPIA E ESTETICA LTDA (CNPJ:07.996.055/000142). 3) Os seguintes valores não podem ser deduzidos porque o documento apresentado não é relativo ao exercício em questão e porque o comprovante não identifica o endereço do prestador do serviço: R$ 4.650,00 pago a MARCELEY CAPPELLETTO (CPF: 551.464.57115); R$ 1.870,00 pago a EDUARDO WAGNER GOMES SILVA (CPF: 718.054.001 34). 4) Os seguintes valores não podem ser deduzidos porque as assinaturas dos recibos são divergentes daquelas dos outros recibos dos mesmos emitentes e porque eles não identificam o endereço do prestador do serviço: R$ 1.742,00 pago a MARCELEY CAPPELLETTO (CPF: 551.464.57115); R$ 1.000,00 pago a EDUARDO WAGNER GOMES SILVA (CPF: 718.054.001 34). 5) Os seguintes valores não podem ser deduzidos porque os comprovantes não possuem o número do registro profissional do prestador e porque eles não identificam o endereço do prestador do serviço: R$ 7.200,00 pago a JULIANA FRISON (CPF: 933.250.96115). Cientificada em 09/07/2014 (fl. 16), a contribuinte apresentou em 08/08/2014 a impugnação de fl. 02 na qual contesta despesas médicas no valor de R$ 22.110,00, solicitando a reconsideração dos recibos ora apresentados. A DRJ ao analisar a impugnação da contribuinte, manteve o lançamento, uma vez que apontou que foram feitas correções nos mesmos recibos anteriormente apresentados à fiscalização, que apontara as deficiências acima especificadas, sem que os profissionais emitentes os firmassem novamente. Entendeu o Julgador de 1ª instância (fl. 39): Para ter sua pretensão atendida, a contribuinte deveria ter providenciado junto aos profissionais envolvidos a segunda via desses recibos ou uma declaração dos mesmos a fim de sanar as irregularidades apontadas no lançamento. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13150.720273/201414 Resolução nº 2202000.689 S2C2T2 Fl. 71 3 Ressaltese que para que os recibos anteriormente considerados insuficientes pela autoridade fiscal possam ser convalidados, é imprescindível que sejam retificados pelo próprio profissional emitente, ou seja, a inclusão das informações faltantes nos recibos teria de ser realizada pelo profissional, com aposição de novo carimbo e de sua assinatura, o que não ocorreu no presente caso, em que houve apenas aposição de novos carimbos sem assinaturas dos respectivos profissionais. À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento à impugnação, para manter a exigência do crédito tributário impugnado. Cientificada dessa decisão em 16/12/2014, conforme Aviso de Recebimento na fl. 42, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/01/2015, como protocolo na folha 44. Em sede de recurso, firmado por procurador, transcreve a legislação que fala dos requisitos necessários ao reconhecimento dos recibos como prova de pagamento das deduções pleiteadas a título de despesas médicas na declaração de rendimentos e entende que estão atendidos, listandoos. PEDE o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Do total de recibos glosados, R$ 27.110, a contribuinte impugnou apenas R$ 22.110,00, não se manifestando em relação à despesa de R$ 5.000,00 com a Harmonia Fisioterapia e Estética. Portanto, esse ponto está precluso e não será tratado, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. As razões específicas do indeferimento de cada recibo foram apresentadas pela Autoridade Fiscal, na Notificação de Lançamento. Após a impugnação, onde se apresentou os mesmos recibos, porém com aposição de carimbos e correções, a DRJ disse que não poderia aceitar recibos corrigidos pelo próprio contribuinte, sem que os profissionais emitentes confirmassem e/ou ratificassem as informações. No recurso a contribuinte não enfrenta especificamente essa questão, batendo no ponto de que os recibos contêm os requisitos legais. Apesar das disposições da 1ª instância, para que fossem buscadas segundas vias dos recibos ou declarações dos profissionais confirmando os recibos, a contribuinte recorrente apresentou declaração apenas da fisioterapeuta Marceley Cappelletto Felismino, datada de 14 de janeiro de 2015, véspera da apresentação do recurso, onde a profissional declara que "emitiu recibo de R$ 1.742,00 datado de 21 de setembro de 2009, por serviços fisioterápicos prestados ... no período" (fl. 64). Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13150.720273/201414 Resolução nº 2202000.689 S2C2T2 Fl. 72 4 Após as indicações da DRJ, juntamente com seu recurso, a Recorrente apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c", § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da verdade material. Anexa cópias de recibos que teriam sido emitidos por Marceley Cappelletto em 25 de fevereiro de 2009 (R$ 1.100,00, fl. 63); 23 de abril de 2009 (R$ 800,00, fl. 62); 24 de julho de 2009 (R$ 1.250,00, fl. 61); 15 de dezembro de 2009 (R$ 1.742,00, fl. 58); 27 de maio de 2009 (R$ 250,00, fl. 54); 21 de setembro de 2009 (R$ 1.250,00, fl. 53), no total de R$ 6.392,00, que foi o montante glosado pela fiscalização. Mas ora, se na véspera da apresentação do recurso esteve com a fisioterapeuta para conseguir a declaração de folha 64, por que o documento referese a apenas um recibo de R$ 1.742,00, com data de 21 de setembro de 2009, que aliás não corresponde à data do recibo de mesmo valor, que fora firmado em 15 de dezembro e não 21 de setembro? Por que a profissional, na declaração, não confirmou todos os recibos e apenas um deles e ainda com data diferente? Além disso, ainda fico com dúvidas sobre como se escreve corretamente o nome da fisioterapeuta. Nos recibos, existe um carimbo em letras menores, com assinatura sobreposta, escrito "Marceley Cappelletto" e, logo ao lado, outro carimbo, em letras maiores, escrito "Marcelley Cappelleto" (não existe correspondência entre as letras dobradas nem em Marcelley, nem em Cappelletto). Ademais, o Auditor Fiscal anotou que o recibo no valor de R$ 5.648,00 emitido por Vanessa Pergher "não identifica o endereço do prestador". Mas na cópia apresentada na folha 18 e repetida na folha 55, salta aos olhos o endereço "Av. Alzira Santana, nº 301, Centro, Várzea Grande MT". Pareceme que essas cópias não foram as mesmas originalmente apresentadas à fiscalização e que de fato pode ter havido "emenda" posterior nos recibos, sem que os profissionais emitentes os ratificassem, como alertou a DRJ. Também estranho que o Auditor anotou que os recibos emitidos pelo odontólogo Eduardo Wagner G. Silva estariam sem o endereço e não se refeririam ao exercício em questão. Mas os dois recibos das folhas 24 e 25 têm um carimbo claro com a indicação do endereço e datam, respectivamente, de 18 de junho de 2009 e 21 de setembro de 2009, ou seja, relativos ao exercício fiscal de 2010, exatamente o da Notificação em caso. Aliás, não encontrei nestes autos nenhum recibo que não esteja datado de 2009. Resto pleno de dúvidas quanto a validade dos documentos apresentados. Considero que é necessário aprimorar a instrução processual, para esclarecer os diversos pontos levantados e explicados neste voto. Sendo assim, VOTO pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, a fim de que: a) a Unidade preparadora, responsável pelo feito fiscal, intime os profissionais Marceley Cappelletto, Eduardo Wagner Gomes da Silva, Vanessa Pergher e Juliana Medeiros de Lima Frison, listados na Notificação de folha 07, a confirmarem a prestação de serviço, a data e o valor dos recibos apresentados pela contribuinte recorrente; Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13150.720273/201414 Resolução nº 2202000.689 S2C2T2 Fl. 73 5 b) Analise as declarações em resposta, juntamente com as constatações efetuadas pela DRJ e neste voto, emitindo o juízo que entender necessário ao esclarecimento das deficiências apontadas nos recibos pela Notificação de Lançamento, em face dos documentos apresentados pela recorrente; c) Também, intime a contribuinte interessada dos termos desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe prazo legal para, querendo, manifestarse. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724081/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
VÍCIO MATERIAL.
O lançamento deve ser cancelado, por vício material, quando se reporta a fato estranho à declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-002.938
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 VÍCIO MATERIAL. O lançamento deve ser cancelado, por vício material, quando se reporta a fato estranho à declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10380.724081/2013-96
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5584610
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.938
nome_arquivo_s : Decisao_10380724081201396.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10380724081201396_5584610.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6357973
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048415831588864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.724081/201396 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.938 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2016 Matéria PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente ANTONIO MONT ALVERNE LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 VÍCIO MATERIAL. O lançamento deve ser cancelado, por vício material, quando se reporta a fato estranho à declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 40 81 /2 01 3- 96 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10380.724081/201396 Acórdão n.º 2201002.938 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0644.495 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Trata o processo de impugnação à Notificação de Lançamento nº 2012/748284159228241 de fls. 3 a 5 (numeração digital é a adotada neste acórdão), resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA, correspondente ao exercício de 2012 (DIRPF 2012), ano calendário de 2011, na qual foi reduzido o valor da restituição pleiteada de R$ 14.998,98 para R$ 10.678,68, em face da glosa de R$ 15.710,21, indevidamente deduzido a título de pensão judicial, por falta de apresentação da decisão judicial que fixou tal valor. O contribuinte apresenta impugnação à fl. 2, alegando que o valor glosado referese a pagamento de pensão judicial a Gilvania Bonfim Ferreira. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Reafirma o pagamento de pensão. · Junta declaração da Polícia Militar do Ceará, comprovante de rendimentos e declaração do INSS contendo dados sobre pensões pagas pelo recorrente. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE No presente caso, conforme consta da Notificação de Lançamento, a motivação da glosa de valores pagos a Gilvania Bonfim Ferreira feita em procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do IR do recorrente foi a falta de apresentação da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ocorre que consultando a declaração de ajuste anual, folhas 11 a 19, não encontro pensão paga a Gilvania, apenas encontro pensão paga a Liliana e a Eduardo Augusto, conforme abaixo. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10380.724081/201396 Acórdão n.º 2201002.938 S2C2T1 Fl. 4 5 Analisando os valores, concluo que foi glosada a pensão paga a Eduardo Augusto (os valores pagos a Liliana foram aceitos). Entendo aqui presente vício material. Na notificação, glosouse o que não constava da declaração do contribuinte (valores pagos a Gilvania). CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10580.014010/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil.
NULIDADE. ARBITRAMENTO DA BASE DE CALCULO DOS TRIBUTOS. INOCORRÊNCIA
Incabível a argüição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa.
COOPERATIVA. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. DESQUALIFICAÇÃO.
Constatado que a empresa não cumpre os requisitos legais para a fruição dos benefícios fiscais outorgados às cooperativas, cabível a sua desqualificação para fins fiscais, sujeitando-a às normas tributárias que regulam as pessoas jurídicas em geral.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL.
Havendo erros na escrituração da empresa, que a tomem imprestável para a apuração do lucro real, é cabível o arbitramento dos lucros com base no valor das receitas conhecidas, apuradas a partir das notas fiscais emitidas.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Contribuição para o PIS/Pasep; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL; bem como a multa de ofício e os juros moratórios Matérias não impugnadas.Tratando-se de matérias não impugnadas, mantém-se os respectivos lançamentos e penalidades.
Numero da decisão: 1301-002.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Fez Sustentação Oral O Sr. Luiz Fernando Garcia, OAB/RJ Nº 16.911.
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
JOSÉ EDUARDO DORNELAS SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza (Relator), Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, e Helio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. NULIDADE. ARBITRAMENTO DA BASE DE CALCULO DOS TRIBUTOS. INOCORRÊNCIA Incabível a argüição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugná-lo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. COOPERATIVA. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. DESQUALIFICAÇÃO. Constatado que a empresa não cumpre os requisitos legais para a fruição dos benefícios fiscais outorgados às cooperativas, cabível a sua desqualificação para fins fiscais, sujeitando-a às normas tributárias que regulam as pessoas jurídicas em geral. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Havendo erros na escrituração da empresa, que a tomem imprestável para a apuração do lucro real, é cabível o arbitramento dos lucros com base no valor das receitas conhecidas, apuradas a partir das notas fiscais emitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL; bem como a multa de ofício e os juros moratórios Matérias não impugnadas.Tratando-se de matérias não impugnadas, mantém-se os respectivos lançamentos e penalidades.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.014010/2007-87
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5597705
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-002.056
nome_arquivo_s : Decisao_10580014010200787.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10580014010200787_5597705.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Fez Sustentação Oral O Sr. Luiz Fernando Garcia, OAB/RJ Nº 16.911. WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente. JOSÉ EDUARDO DORNELAS SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza (Relator), Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, e Helio Eduardo de Paiva Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
id : 6406777
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048415853608960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.593 1 1.592 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.014010/200787 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.056 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de junho de 2016 Matéria ARBITRAMENTO. IRPJ, CSLL, COFINS, PIS ATOS COOPERATIVOS Recorrente COOPERATIVA DE MÉDICOS COOPAMED Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. NULIDADE. ARBITRAMENTO DA BASE DE CALCULO DOS TRIBUTOS. INOCORRÊNCIA Incabível a argüição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. COOPERATIVA. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. DESQUALIFICAÇÃO. Constatado que a empresa não cumpre os requisitos legais para a fruição dos benefícios fiscais outorgados às cooperativas, cabível a sua desqualificação para fins fiscais, sujeitandoa às normas tributárias que regulam as pessoas jurídicas em geral. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Havendo erros na escrituração da empresa, que a tomem imprestável para a apuração do lucro real, é cabível o arbitramento dos lucros com base no valor das receitas conhecidas, apuradas a partir das notas fiscais emitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 40 10 /2 00 7- 87 Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Contribuição para o PIS/Pasep; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL; bem como a multa de ofício e os juros moratórios Matérias não impugnadas.Tratandose de matérias não impugnadas, mantémse os respectivos lançamentos e penalidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Fez Sustentação Oral O Sr. Luiz Fernando Garcia, OAB/RJ Nº 16.911. WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. JOSÉ EDUARDO DORNELAS SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza (Relator), Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório O presente processo administrativo versa sobre a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, multa de ofício e juros moratórios, referente ao ano de 2005 em razão de alegada desqualificação da Recorrente como cooperativa. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Consta nos autos que trata o processo de lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (642/647), PIS (fls. 648/654), Cofins (fls. 655/661) e CSLL (fls. 662/667), relativos ao anocalendário de 2005, decorrentes do arbitramento do lucro da empresa, tendo em vista que, segundo a autuante, a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real, nos termos do Relatório Fiscal 9IRPJ e CSLL) anexado às fls. 619/634, resumido a seguir: I DOS FATOS a presente fiscalização foi aberta, para o anocalendário de 2005, em virtude de Representação Criminal nº 1.14.000.000042/200784, encaminhada ao Ministério Público Federal para apuração de suposta ocorrência de crimes de corrupção ativa, falsificação de documentos e sonegação fiscal, dentre outros, em tese praticados por funcionários da Cooperativa de Médicos Coopamed. A denúncia menciona expressamente a participação do presidente da cooperativa, Sr. Paulo César Queiroz Rocha, CPF nº 319.343.74504, no esquema denunciado, o qual lhe teria propiciado rápido acréscimo patrimonial nos últimos seis anos; Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.594 3 o Sr. Paulo César Queiroz Rocha foi objeto de ação fiscal pela Receita Federal do Brasil, também para o anocalendário de 2005, que resultou na constituição de um crédito tributário de R$1.365.830,43 (Processo nº 10580.100316/200755), bem como na propositura de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo nº 10580.100318/200744, protocolizado em 04/10/2007); o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia instaurou procedimento de sindicância para apurar as irregularidades apontadas na referida Representação Criminal, cujas conclusões foram condensadas em relatório, encaminhado à Superintendência da extinta Secretaria da Previdência Social, através do Ofício nº 535/01, de 15/03/2001. Diante disso, a Receita Federal do Brasil, após a fusão com a Secretaria da Previdência Social, instaurou ação fiscal para fiscalizar os tributos e as contribuições federais, inclusive as previdenciárias. Uma parte da fiscalização restou concluída, resultando na descaracterização da cooperativa para fins tributários e posterior autuação (Notificação Fiscal de Lançamentos de Débito nº 37.056.0833, relativo às contribuições previdenciárias; Auto de Infração nº 37.056.0841, por apresentação deficiente de documentos e irregularidades nos lançamentos contábeis do ano de 2000, e Auto de Infração n° 37.056.0850, por falta de entrega de GFIP nos anos de 1999 e 2000). Este relatório trata apenas das autuações referentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro, havendo outro para tratar do PIS e da Cofins (fls. 635/641); a Coopamed é uma cooperativa de trabalho singular (constituída pelo número mínimo de vinte pessoas físicas, da categoria de médicos e demais atividades congêneres), nos termos do inciso I do art. 6° da Lei n° 5.764, de 1971. O Estatuto de constituição, datado de 30/09/1994, somente foi registrado em 21/10/1994, no Cartório do Terceiro Oficio de Notas (fls. 123/134), e, na Junta Comercial, em 21/12/1994 (fl. 122). Nos termos do art. 982 do novo Código Civil, a Coopamed é uma sociedade simples e tem por objetivos congregar, representar e promover os interesses da sua categoria econômica, inclusive firmando acordos e contratos de trabalho com pessoas físicas e jurídicas, desde que estes tenham como base os interesses dos sócios. O Capital Social da cooperativa foi distribuído em quotasparte, constituídas por percentuais de admissão pagos mensalmente por cada associado, destinados às despesas gerais de instalação. O responsável legal da cooperativa perante a Receita Federal do Brasil, na qualidade de presidente, é o Sr. Paulo César Queiroz Rocha, o qual também preside outra cooperativa de saúde, a Coopersaúde — Cooperativa de Saúde e Serviços Correlatos (fls. 113/119). O CNAE fiscal da Coopamed enquadrao nas "atividades de atendimento hospitalar, exceto prontosocorro e unidades para atendimento a urgências" (8610101); a presente ação fiscal teve inicio em 27/02/2007, através do Termo de Inicio de Fiscalização de fl. 04, que demandou a entrega dos Livros Diário, Razão, de Apuração do Lucro Real e de Registro de ISS, estatuto social e alterações, notas fiscais emitidas, contratos com terceiros em vigor no ano fiscalizado, folha de pagamento de funcionários e cópia de ações judiciais existentes em relação a tributos federais. Essa intimação foi parcialmente atendida, em 05/03/2007, através da representante da contribuinte, Sra. Fany Jackelyne Ancajima Ancajima, o que resultou na emissão do Termo de Fiscalização de fl. 70, solicitando, novamente, cópias das ações judiciais existentes e das atas das assembléias realizadas. Isso porque, do exame da escrituração contábil e Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 da DCTF, para o anocalendário de 2005, constatouse que a Coopamed não declarou nem recolheu qualquer valor a titulo de PIS e de Cofins; a análise contábil identificou as contas do passivo "Cliente Contratante 21201" e "Valor de Cooperado 21600", nas quais estavam registrados os valores repassados aos associados, decorrentes das notas fiscais emitidas. A contribuinte foi, então, intimada a demonstrar a correlação entre os lançamentos registrados nessas contas e as notas fiscais emitidas (fls. 56/68). Novamente foi requerida uma explicação para o não recolhimento do Pis e da Cofins (fl. 71), reiterada em 19/03/2007, através da intimação de fl. 73; a interessada, em 22/05/2007, foi intimada (fl. 81) a apresentar cópias das notas fiscais faltantes e das decisões judiciais, relação dos cooperados com os respectivos números de Cremeb, copia das atas de assembléias, Livro Razão n° 102 e plano de contas, sendo que, em 31/05/2007, apresentou cópias de apenas algumas notas faltantes e informou que não foram lavradas atas de assembléias no anocalendário fiscalizado. Em 12/06/2007, através do Termo de Constatação de fl. 84, reconheceu não possuir nenhuma decisão judicial que amparasse o não recolhimento do PIS e da Cofins e informou que não houve assembléias no ano fiscalizado, alegando que as assembléias realizadas em 2006 referiramse ao ano de 2005. A época, forneceu cópia de petição (fl. 86) supostamente encaminhada ao Exmo. Juiz da lOa Vara Federal, em 20 de agosto de 2001, pleiteando a inexigibilidade do PIS e da Cofins pela Coopamed; a contribuinte, optante pelo lucro real, com apuração anual do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, declarou na DIPJ/2006 ter auferido receitas da prestação de serviços no valor de R$1.532.480,66, enquanto a auditoria realizada nas notas fiscais emitidas apontou receitas de R$45.019.128,45, já excluídas as vendas canceladas. A divergência explica se pelo reconhecimento contábil apenas dos valores referentes à taxa de administração cobrada pela cooperativa pela intermediação dos serviços prestados a seus associados, taxa esta não expressa na grande maioria das notas fiscais emitidas. Não há contabilização, em conta de resultado, das receitas auferidas pela prestação de serviços, que decorrem da prática do ato cooperado da intermediação da venda de serviços dos cooperados a hospitais e clinicas. Registrese, ainda, que não houve elaboração da Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), conforme cópia das principais páginas do Livro Diário (fls. 209/214 do Anexo III); II — DESCARACTERIZAÇÃO DA COOPAMED PARA FINS TRIBUTÁRIOS II.1 — HISTÓRICO a Constituição Federal de 1988 dedicou disposições especificas para as cooperativas, refletindo a tendência mundial de constitucionalização dessas empresas, a saber: inciso XVIII do art. 5° (autonomia, na forma da lei, para a criação de cooperativas sem autorização prévia); inciso XXV do art. 21 (competência da Unido para estabelecer áreas e condições para o exercício da atividade de garimpagem); §§ 3 0 e 40 do art. 174 (favorecimento, pelo Estado Brasileiro, da organização da atividade garimpeira em cooperativas); alínea "c" do art. 146 (tratamento tributário adequado para o ato cooperativo praticado pelas cooperativas, previsto em lei complementar); § 2° do art. 174 (função de fiscalização, incentivo e planejamento do Estado Brasileiro sobre o cooperativismo); inciso VI do art. 187 (o Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.595 5 cooperativismo na política agrícola); inciso VIII do art. 192 (o funcionamento das cooperativas de crédito); e §§ 1 0, 2° e 3° do art. 199 (o cooperativismo no sistema de saúde); 11.2 — CLASSIFICAÇÃO DAS COOPERATIVAS as cooperativas podem ser classificadas como de distribuição, de colocação da produção e de trabalho. As cooperativas de trabalho objetivam a prestação de serviços a seus associados através da intermediação e do fornecimento de trabalho, administração e comercialização das tarefas por eles desempenhadas. Entre as cooperativas de trabalho, as cooperativas de trabalho médico constituem exemplo recorrente, na medida em que intermedeiam o fornecimento dos serviços dos médicos cooperados em hospitais, clinicas, etc, caso em que se enquadra a autuada; 11.3 — TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DAS COOPERATIVAS no âmbito da legislação infraconstitucional, as sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei n° 5.764, de 1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas. Nos termos do art. 95 dessa lei, cabe ao Conselho Nacional de Cooperativismo (CNC) a orientação geral da política cooperativista nacional, e à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), órgão consultivo do Governo, a representação do sistema cooperativista nacional, incluindo (art. 105, alínea "c") denunciar, ao CNC, práticas nocivas ao desenvolvimento cooperativista; no pensamento de Hiromi Higuchi et alli, os arts. 85, 86 e 88 da Lei n° 5.764, de 1971, "definem e delimitam as operações com não associados que as cooperativas poderão efetuar. Se a cooperativa efetuar operações sociais não permitidas em lei, isto 6, se fizer operações não previstas naqueles três artigos, ela perderá a natureza jurídica de cooperativa e passa a ser sociedade comercial ou civil com fins lucrativos"; o art. 111 da Lei n° 5.764, de 1971, determina que serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 da mesma lei, não havendo sequer menção A possibilidade de a cooperativa praticar qualquer outro ato não cooperado. O fato explicase pelo tratamento tributário diferenciado e favorecido dispensado às cooperativas, que, em contrapartida, devem operar nos estritos ditames da lei; o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), no seu art. 183, dispõe sobre o tratamento das cooperativas, quanto A apuração do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei n° 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88e 111, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 1° e 2°) (grifo nosso): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. a presente fiscalização definiu como ato cooperado a intermediação realizada pela Coopamed entre os médicos cooperados e os hospitais e clinicas interessados na contratação de serviços médicos. Entretanto, diversas irregularidades foram detectadas quanto A constituição, ao funcionamento e à operação da Coopamed, o que levou à sua descaracterização para fins tributários, por descumprimento a diversos artigos da Lei n° 9.430, de 1996. Ê que não basta, para o usufruto da isenção, a prática exclusiva de atos cooperados, já que, em virtude do tratamento tributário diferenciado e favorecido, deve a cooperativa também operar em estrito cumprimento da legislação, o que não ocorreu, conforme descrito a seguir; 11.4 — IRREGULARIDADES DA LEI N° 5.764, DE 1971 11.4.1 — DAS EXIGÊNCIAS PARA INGRESSO NO QUADRO DAS COOPERATIVAS a análise dos dados cadastrais do presidente da Coopamed, eleito em 30/09/1994 (fls. 123/136), responsável legal pela sociedade perante a Receita Federal do Brasil, Sr. Paulo César Queiroz Rocha, CPF n° 319.343.74504, revelou que ele também preside, desde 17/03/2001 (fls. 116/119), outra cooperativa de saúde, a Coopersaúde — Cooperativa de Saúde e Serviços Correlatos (CNPJ n° 01.599.748/000115), além de ser responsável, no ano fiscalizado, por mais 7 (sete) empresas (lista), conforme síntese da consulta anexada As fls. 615/618, o que configura infração ao art. 29, § 4 0, da Lei n° 5.764, de 1971, já que o presidente da Coopamed é também sócio administrador da empresa Itapuã Medical Center Ltda. (CNAE 8630503, referente A atividade médica ambulatorial restrita a consultas), e o responsável pela empresa perante o Ministério da Fazenda; através do Termo de Intimação de 10/09/2007 (fl. 237), item 1, a contribuinte foi intimada a justificar o requerimento de inscrição de filiação do cooperado Sr. Eduardo Estevam da Silva Abud, datado de 04/04/2000, uma vez que ele desempenhava a função de digitador (fls. 239), já que isso contraria o estatuto da cooperativa, em seu art. 4°, § 1°, que determina que "É condição para admissão à cooperativa, (sic) ser profissional devidamente habilitado para o desempenho da atividade médica e demais aqui compreendida". O art. 3° do estatuto, reformado em 19/09/2001, também regula o ingresso de cooperados, determinando que "Poderá associar (sic) A COOPAMED qualquer profissional médico que possa se dedicar e atuar na (sic) atividades e serviços desenvolvidos pela COOPAMED, dentro de sua Area de ação, tenha livre disposição de si e seja legalmente capacitado, concorde com as disposições deste Estatuto, decisões da Assembléia Geral e do Conselho de Administração e não pratique atividades que possam prejudicar ou colidir com os interesses e objetivos da COOPAMED". Concluise que um profissional digitador não poderia ser filiado A cooperativa fiscalizada, devendo relacionarse com ela como prestador de serviços ou como empregado. Através do Termo de Constatação Fiscal de fl. 247, a contribuinte confirmou, no item 1, que o Sr. Eduardo Estevam da Silva Abud, identificado no requerimento de filiação como quotista, de fato não é médico, mas não soube justificar a sua aprovação como cooperado; no item 2 do mesmo Termo de Intimação, a contribuinte foi instada a justificar o requerimento de filiação, datado de 01/01/1995 (fl. 242), do Sr. Paulo César Queiroz Rocha, uma vez que ele foi eleito presidente da Coopamed em 30/09/1994, antes, portanto, de sua filiação. Em resposta, a interessada afirmou que Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.596 7 houve erro de preenchimento da data na ficha de requerimento, apresentando novas folhas de filiação do presidente (fls. 240/241), assinadas por ele próprio. O fato constitui infração ao art. 47 da Lei n° 5.764, de 1971, que dispõe que a sociedade será administrada por uma diretoria ou Conselho de Administração, composto exclusivamente de associados eleitos por Assembléia Geral, com mandato nunca superior a quatro anos, sendo obrigatória a renovação de, no mínimo, 1/3 (um terço) do Conselho de Administração; argüido quanto à divergência entre a data do requerimento de filiação como cooperado do Sr. Virgílio Davi Rocha Oliveira (fl. 244), de 25/02/1996, e a data da ficha de matricula n° 26, de 05/04/2005 (observando se que o requerimento de filiação não foi assinado em 1996 pelo próprio Virgílio), a contribuinte não soube explicar o fato (fl. 247, item 3); 11.4.2 DOS LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS o art. 22 da Lei n° 5.764, de 1971, determina a obrigatoriedade de as cooperativas possuírem os seguintes livros: de Matricula dos Cooperados; de Atas das Assembléias Gerais; de Atas do Conselho Fiscal; e de Presença dos Associados nas Assembléias Gerais, além de outros livros fiscais e contábeis obrigatórios, sendo facultada a adoção de livros de folhas soltas ou fichas para arquivamento dos dados dos cooperados. Intimada a apresentar os Livros de Atas das Assembléias Gerais, das Atas dos Órgãos de Administração, das Atas do Conselho Fiscal, de Presença de Associados nas Assembléias Gerais e de Matricula dos Associados (fl. 104), a contribuinte respondeu que "existem os livros, porém não foram transcritos na sua totalidade" (fl. 120); em 01/10/2007, a contribuinte compareceu para fornecer o Livro de Atas das Assembléias (fls. 97/99), registrado em 27/09/2007, claramente elaborado para atender à exigência fiscal, no qual está transcrito o teor das assembléias supostamente realizadas em 30/09/1994, assinado apenas pela lª secretária e nenhum cooperado (fls. 161/164), em 11/02/1995, assinado apenas pela lª secretária e pelo presidente Paulo César Queiroz (fls. 165/169), em 23/10/1997, assinado pela lª secretária e por onze pessoas (fls. 169/171), em 21/03/2001, assinado por oito pessoas (fls. 175/182), em 19/09/2001, assinado por onze pessoas (fls. 182/185), em 10/06/2002, assinado por doze pessoas (fls. 186/192), em 14/08/2003, assinado por onze pessoas (fls. 192/203), em 24/05/2004, assinado por doze pessoas (fls. 204/214), em 02/08/2004, assinado por onze pessoas (fls. 214/219), em 13/02/2006, assinado apenas pelo 1° secretário e pelo presidente (fls. 220/221), em 26/03/2006, assinado apenas pelo 10 secretário e pelo presidente (fls. 221/226). Salientese que a cooperativa já possuía, em 2005, mais de mil cooperados; a contribuinte ainda exibiu o Livro de Registro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal, também registrado em 27/09/2007 (fl. 100), e o Livro de Registro de Presença de Acionistas (fl. 102), registrado na mesma data e completamente em branco a partir do Termo de Abertura. No primeiro consta o relatório de gestão de 2002, assinado em 04/08/2003 (fl. 227), e o Parecer do Conselho Fiscal relativo ao ano de 2002 (fl. 230), assinado apenas pelo presidente da cooperativa em 04/08/2003. Nesse livro foi transcrito também o relatório de gestão de 2003, Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 assinado em 21/05/2004 pelo presidente e por mais três pessoas, não identificadas claramente (fl. 231). Não foi apresentado o Livro de Atas dos Órgãos de Administração, informando a contribuinte, através do Termo de Constatação Fiscal de fl. 248, que não o possui; 11.4.3 DAS ASSEMBLÉIAS do exposto no item precedente, observase a ocorrência de diversas infrações A lei que rege as cooperativas; o Estatuto de Constituição de 30/09/1994 (fl. 126) determina, no art. 15º, que "A Assembléia Geral reunirse6 ordinariamente uma vez em cada ano civil e, extraordinariamente, por convocação do Presidente sempre que julgar necessário ou ainda por manifestação expressa de dois terços dos seus membros". Entretanto, as atas das assembléias transcritas no livro próprio, anteriormente discriminadas, comprovam que não houve convocações nos anos de 1996, 1998, 1999, 2000 e 2005; a Assembléia Geral é o órgão supremo da sociedade para decidir os negócios relativos ao seu objeto, assim como para tomar as resoluções convenientes A defesa e ao desenvolvimento da cooperativa, como determina o art. 38 da Lei n°5.764, de 1971. A gestão de uma cooperativa sem a convocação de assembléias, por tantos anos, não apenas fere o próprio estatuto de constituição, mas também demonstra a forma totalitária como a cooperativa foi administrada, sem a participação dos cooperados nas decisões do cotidiano da sociedade; a falta de convocação das assembléias pode ser também comprovada pelo extrato dos arquivamentos de atas de assembléias (fl. 122), fornecido pela Junta Comercial do Estado da Bahia, em que estão registradas as assembléias realizadas. Em 31/05/2007 (fl. 83), a própria contribuinte afirmou não existirem atas de assembléias realizadas no ano calendário de 2005; o Termo de Intimação Fiscal de fl. 104, item 6, demanda da contribuinte explicação, conforme Denúncia do Ministério Público Federal, para o fato de a publicação no Jornal Correio da Bahia de 16/09/1999, para convocação da Assembléia Geral Ordinária marcada para o dia 22/09/1999, ter exibido no texto a data de 14/09/1994. Em resposta, a contribuinte alegou apenas (fl. 160) que "A Ata da Assembléia foi registrada no cartório de Títulos e Documentos em 23/09/1999"; III. DO AUTO DE INFRAÇÃO a contribuinte é optante pelo lucro real, com apuração anual do IRPJ e da CSLL, e informou na DIPJ 2006 ter auferido receitas de prestação de serviços no valor de R$1.532.480,66. Entretanto, a auditoria realizada nas notas fiscais emitidas apontou receitas de R$45.019.128,45, conforme planilhas "Relação das Notas Fiscais Emitidas pelo Contribuinte" (fl. 610) e "Faturamento Mensal — Ano calendário 2005" (fl. 609), valor este coerente com o Registro Especial do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza. Quanto a estas divergências, em resposta à intimação de fl. 104, item 7, a contribuinte apenas informou que "não localizou todas as vias das notas fiscais, admitindo a tributação com base em todas as notas fiscais emitidas". Em virtude de não ter preparado, em tempo hábil, a DRE de 2005, apresentou ao Fisco durante a ação fiscal (fl. 250) planilhas contendo dados supostamente extraídos da contabilidade (custos e despesas) e receitas das notas fiscais emitidas; as DRE mensais foram também elaboradas (fls. 253/256), retificadas (fls. 266/269) e apresentadas ao Fisco, corroborando a discrepância entre o Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.597 9 faturamento declarado e o efetivamente auferido. Em resposta à intimação de fl. 282, declarou que a taxa de administração, de R$1.532.480,06, corresponde a "parte do ingresso". Em verdade, essa taxa corresponde ao valor cobrado pela cooperativa na intermediação dos serviços prestados a seus associados, mas não se encontra destacada da maioria das notas fiscais emitidas; a contribuinte não segrega as receitas dos atos cooperados daquelas dos atos não cooperados. Em verdade, todas as receitas auferidas decorrem da prática do ato cooperado, mas não transitam, contabilmente, por conta de resultado; a prática adotada consiste em: 1) no recebimento das receitas, debitar "Bancos" (Ativo) e creditar "Clientes e Contratantes" (Passivo 2102010000), cuja soma não coincide com o total das notas emitidas nem correlaciona pessoas e notas; 2) no reconhecimento dos valores a pagar aos cooperados, pelos serviços por eles prestados, debitar "Clientes e Contratantes" e Creditar a cada cooperado, também em contas de Passivo (2105000000); 3) no pagamento a cada cooperado, debitar "Valor a Cooperados" (2105000000) e creditar "Bancos"; a forma eleita para contabilização das operações da cooperativa impossibilitou ao Fisco auditar as receitas auferidas, uma vez que a conta "Receitas", ou outra similar, inexiste nos Livros Razão (Anexos) e no Plano de Contas (fls. 440/599), constando, apenas, a conta 5.9.01.00.00.00 (Resultado do Exercício), em que são creditados os valores, em tese, referentes à Taxa de Administração da Cooperativa, como afirmou a contribuinte; a Coopamed não elaborou a DRE ao final do ano de 2005, vindo a apresentálo ao Fisco em 19/10/2007 e 23/10/2007 (retificação), mediante resposta à intimação de fl. 249, uma vez que a Lei n° 10.676, de 2003, possibilitou a exclusão, nas bases de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, das sobras apuradas na DRE antes da destinação ao Fundo de Reserva e ao Fates. Em 24/09/2007, a contribuinte informou ao Fisco que o total das receitas do balanço foi de R$40.513.733,17 (fl. 160), diferente do informado no documento de fl. 250, de R$40.693.476,47 (R$52.137.299,26 R$11.443.822,79), e mais diferente ainda da soma das notas fiscais fornecidas pela contribuinte (R$45.019.128,45). Ressaltese que a receita informada pela contribuinte não guarda relação direta com as notas fiscais emitidas, mas parece referirse apenas à taxa de administração auferida pela intermediação dos serviços prestados aos seus cooperados. O valor da taxa também não pode ser confirmado pelo Fisco, uma vez que não é destacado no corpo de grande parte das notas fiscais emitidas; a contribuinte foi intimada a responder acerca da existência de contas de resultado (receitas, despesas e custos) em sua contabilidade (fl. 281) e, como resposta (fl. 282), informou que os gastos e dispêndios são contabilizados nos grupos 430005, 440000, 510000, 530000 e 560000 e os ingressos no grupo 610003. Entretanto, auditoria no Livro Razão constatou que, após as contas de Passivo, existem as contas "Ajuda de Custos" (4401490000), "Prolabore" (4301010000), "Salários e Ordenados" (4301020000), "INSS" (430103000), "FGTS" (4301040000), entre outras despesas do grupo 4, "IPTU" (5106010600), "CPMF" (4106010700), "Resultado do Exercício" (5901010000) e "Taxa Administrativa" (6101010000), mas em nenhuma conta são registradas as receitas auferidas através das notas fiscais emitidas (Anexos), o que impossibilitou a Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 apuração do lucro da cooperativa. Embora a contribuinte tenha respondido (fl. 282) que os ingressos transitam por contas de resultado, não comprovou o fato, nem apontou contas que porventura registrasse tal contabilização; arguída quanto à. forma utilizada para a apuração das receitas liquidas, divergentes dos valores informados em 24/09/2007 e 23/10/2007, respondeu que se deu pela subtração dos ingressos pelos dispêndios, sem mencionar o que compõem os ingressos e os dispêndios (fl. 282, item 3). Embora tenha informado que o faturamento guarda relação com as notas fiscais emitidas, não foi detectada nenhuma conta de receita na contabilidade, nem foi apontada nenhuma conta na sua resposta ao Fisco. Tal fato vem ao encontro da tese de que a taxa administrativa, declarada na DIPJ como receita da cooperativa, corresponde apenas a "parte do ingresso", como declarou a contribuinte; a contribuinte alegou que não utiliza o regime de caixa (fl. 282), mas não explicou porque, no mês de dezembro de 2005, emitiu notas fiscais no montante de R$8.098.873,37 (fls. 609/613), reconhecidas no Registro do ISS (fl. 68), mas, no expediente de fl. 250, informou ter auferido receita bruta de apenas R$4.091.515,21 naquele mês, sendo que não existiram no período deduções da receita bruta (vendas canceladas ou descontos incondicionais); a opção pela apuração anual do imposto de renda deve ser manifestada com o pagamento do imposto, determinado sobre a base de cálculo estimada, correspondente ao mês de janeiro, ou de inicio de atividade, e será irretratável para todo o anocalendário, como determina o art. 222 do RIR/1999; observandose as DCTF apresentadas pela contribuinte (fls. 17/45), constata se a declaração apenas de débitos referentes ao imposto de renda retido na fonte, não tendo declarado nem pago qualquer valor a titulo de IRPJ ou CSLL. Para o mês de janeiro de 2005, conforme DRE elaborada pela fiscalizada, a Coopamed teria apresentado prejuízo, justificando a falta de pagamento do imposto de renda desse período. Para o mês de fevereiro de 2005, apesar de a sociedade ter apurado lucro, também não manifestou a opção pelo lucro real anual, nos moldes do parágrafo único do art. 222 do RIR/1999. Ressaltese que a contribuinte se considerava isenta do IRPJ e da CSLL, razão pela qual não haveria recolhimento mensal desses tributos, não cabendo ao Fisco, portanto, apurar o lucro, para fins de tributação, numa sistemática que não foi escolhida formalmente pela contribuinte; a falta de contabilização das receitas, registradas em conta de passivo, como obrigações a serem pagas aos cooperados, fere os princípios gerais da contabilidade, possibilitando ao Fisco desconsiderar a escrita, por ser imprestável para a apuração do lucro real. Por outro lado, a descaracterização da Coopamed para fins tributários sujeitaa ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social; a falta de escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, autoriza o arbitramento do lucro e o fato de a contribuinte gozar de isenção concedida por lei não a exime de escriturar seus lançamentos na forma legal; ainda no sentido de comprovar a imprestabilidade da escrita, atentese para o fato de que a contabilização dos valores repassados aos cooperados, que comporiam custos na apuração do lucro, permaneceram em conta de passivo circulante, mesmo quando baixada a obrigação. Ou seja, a contabilidade (Anexos) não exibiu, em conta de resultado, o repasse aos cooperados como custo, limitandose a registrar apenas aqueles custos e despesas de manutenção do escritório; o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, é determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519, e seus Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.598 11 parágrafos, do RIR/1999, acrescidos de 20%. No caso, foi adotado o percentual de 38,4%; o Ato Declaratório Interpretativo no 19, de 07/12/2007, assim dispõe: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1°, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clinica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. as instalações da Coopamed, conforme registra o próprio endereço cadastrado na Receita Federal, compreendem um conjunto de salas em edificio comercial, visitadas durante a auditoria contábil da fiscalizada, sem qualquer estrutura física para a prestação dos serviços mencionados no ato interpretativo citado. O que de fato faz a cooperativa é intermediar a prestação de serviços dos médicos cooperados, que prestam os serviços contratados nas próprias instalações das clinicas e dos hospitais contratantes, contando apenas com funcionários administrativos que dão suporte a estes serviços; Em relação ao PIS e a Cofins, o Relatório Fiscal de fls. 635/641 aponta, adicionalmente, os seguintes fatos: a base de cálculo para o PIS/Pasep é o faturamento mensal, que corresponde a receita bruta da pessoa jurídica (arts. 2°, 3°, caput e § 1°, e 17, inciso I, da Lei n° 9718, de 1998). As sociedades cooperativas de trabalho devem recolher a contribuição para o PIS sobre a base de cálculo aplicável as demais pessoas jurídicas, com as exclusões previstas no § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, e aquelas dispostas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, também constantes da Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002, e no art. 10 da Lei n° 10.676, de 2003. O art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003, que alterou a Lei n° 10.637, de 2002, inserindo o inciso X no art. 8°, excluiu as sociedades cooperativas do regime da não cumulatividade do PIS/Pasep; a Lei n° 10.676, de 2003, no art. 1°, tratou de excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 18 da Lei n° 5.764, de 1971, limitado aos valores destinados a formação dos fundos anteriormente previstos (§ 2° do mesmo artigo). No presente caso, as sobras totalizaram R$6.483,62, no mês de dezembro de 2005, valor este que foi excluído das bases de calculo do PIS e da Cofins; Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 a Medida Provisória n° 1.858, de 1999, revogou os atos anteriores que conferiam isenção a certas receitas para o PIS/Pasep e definiu quais as parcelas que seriam isentas; considerando as exclusões possíveis, no caso concreto, as vendas canceladas e as sobras apuradas na DRE, foi elaborada a planilha "Base de Calculo do PIS/Pasep e Cofins para o AnoCalendário 2005" (fl. 614). Dentre as notas tidas como canceladas pela contribuinte, remanesceu no cálculo das receitas apuradas a de n° 184, por falta de apresentação de todas as vias (art. 330 do Decreto n° 4.544/2002 — Regulamento do IPI); as receitas auferidas pelas sociedades cooperativas de trabalho, em decorrência dos serviços executados por seus cooperados, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins, por falta de previsão legal; a legislação utilizada para o lançamento de oficio da Cofins coincide, no caso, com aquela utilizada no lançamento do PIS, bem como sua base de cálculo. Por força do art. 10 da Lei n° 10.833, de 2003, as cooperativas de trabalho também se sujeitam a incidência cumulativa da Cofins. A interessada tomou ciência dos lançamentos em 20/12/2007, conforme Aviso de Recebimento de fl. 673, e apresentou, em 21/01/2008, a impugnação de fls. 675/711, acompanhada dos documentos de fls. 712/751. Após apresentar seus argumentos de impugnação, os mesmos foram submetidos à analise da 2ª Turma da DRJ/SDR, na sessão de 05 de maio de 2010, que, naquela oportunidade, apreciou a impugnação apresentada pelo contribuinte, entendendo, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, julgar IMPROCEDENTE a citada impugnação, cujo ementa do acórdão restou assim descrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do procedimento fiscal eventual erro na emissão e trâmite desse instrumento. NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, não pode ser considerado nulo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COOPERATIVA. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. DESQUALIFICAÇÃO. Constatado que a empresa não cumpre os requisitos legais para a fruição dos benefícios fiscais outorgados As cooperativas, cabível a sua Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.599 13 desqualificação para fins fiscais, sujeitandoa As normas tributárias que regulam as pessoas jurídicas em geral. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Havendo erros na escrituração da empresa, que a tomem imprestável para a apuração do lucro real, é cabível o arbitramento dos lucros com base no valor das receitas conhecidas, apuradas a partir das notas fiscais emitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o matriz, no que couber. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do acórdão recorrido (fls. 806 eproc), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 22/06/10 recurso voluntário, através de advogado regularmente constituído (fls. 826 eproc), pugnando pelo provimento, aduzindo os seguintes argumentos: IRREGULARIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) • que a não prorrogação do MPF implica em nulidade de todos os atos praticados desde a sua expiração, dentre os quais a lavratura do referido auto de infração, acrescentando, em seu favor, interpretação a contrario sensu do que dispõe o art. 16 da Portaria MF/SRF 6.087/72; • que no caso, não houve prova de tal prorrogação, e, mesmo que houvesse, não há qualquer evidência de que o contribuinte, ora Recorrente, tenha sido notificado desta prorrogação. • e que assim não procedendo, feriu a fiscalização o principio da legalidade que obriga entes administrativos e servidores públicos a cumprirem aquilo a que a lei determina, sob pena de nulidade do ato e responsabilização funcional. • que de acordo cpom o art. 16, parágrafo único da Portaria MF/SRF 6.087/72 e ao art. 59, I do Dec. 70.235/72., há obrigação de se promover a alteração do Auditor Fiscal a cada nova dilação de prazo, providência esta que não foi tomada no caso concreto, havendo, portanto, incompetência superveniente do auditor que procedeu a lavratura do auto de infração; DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DO ARBITRAMENTO DA BASE DE CALCULO DOS TRIBUTOS: A NÃO ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADOS DAS RECEITAS PROVENIENTES DOS SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 • que as receitas decorrentes da prestação do serviço médico jamais chegaram a integrar o seu patrimônio, vez que repassadas aos cooperados, porém apesar disso, os valores recebidos dos tomadores de serviços e os honorários repassados aos cooperados estavam regularmente escriturados na contabilidade, fato este admitido pelo ilustre AFRFB quando detalha no Relatório Fiscal, a prática adotada pela Recorrente para escrituração destes valores e repasses. Essa prática é transcrita pelo Ilustre Relator do acórdão As fls. 775 e 775v • que, ainda que se admita que as receitas e despesas não estivessem contabilizadas da forma correta, ainda assim todos os elementos necessários para a correta apuração do "lucro" estavam a disposição da Fiscalização, não subsistindo o uso do arbitramento como meio de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL . DA CORRETA ESCRITURAÇÃO DA IMPUGNANTE NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS • que não houve no caso concreto a dita falta de escrituração na forma das leis comerciais, verificandose, apenas, que a escrituração foi feita levando em consideração que os valores recebidos pela intermediação da prestação de serviços médicos pelos seus cooperados não constituiriam receitas da Recorrente, haja vista que, conforme inclusive admitido pela própria AFRFB, estes valores eram recebidos transitoriamente APENAS E TÃO SOMENTE EM RAZÃO DA PRATICA DE ATOS COOPERADOS, sendo imediatamente redirecionados aos seus reais destinatários (os médicos cooperados), A exceção daquilo que se convencionou chamar de taxa de administração. DA NULIDADE DO ARBITRAMENTO NO CASO VERTENTE VIS A VIS A JURISPRUDÊNCIA DESTE EGRÉGIO CARF • inaplicabilidade de arbitramento, conforme jurisprudência do CARF, que colaciona em favor de suas alegações. DA IMPROCEDÊNCIA DA DESQUALIFICAÇÃO DA RECORRENTE EM RAZÃO DA DESCONSIDERAÇÃO DA VERDADE MATERIAL PELO ACÓRDÃO RECORRIDO — DA DESCONSIDERAÇÃO DO RECONHECIMENTO PELA PRÓPRIA FISCALIZAÇÃO DA ATUAÇÃO DA RECORRENTE COMO MERA INTERMEDIADORA DO TRABALHO DOS COOPERADOS DO EFETIVO DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES COOPERATIVAS • que a desqualificação como cooperativa e consideração como uma sociedade empresária, vai de encontro a verdade material, pois o próprio AFRB autuante expressamente reconhece que a Recorrente efetivamente intermediava a prestação de serviços médicos de seus cooperados, firmando contratos com os tomadores desses serviços e repassava os valores recebidos aos mesmos somente retendo um pequeno percentual a titulo de taxa de administração para custeio das suas despesas administrativas; •da impossibilidade da prevalência da forma em detrimento do conteúdo, alegando que não deve prevalecer os motivos formalistas que serviriam de justificativa para a desconsideração da personalidade jurídica da recorrente em face do conteúdo da natureza cooperativista da recorrente, haja vista a primazia da verdade material apurada pela própria fiscalização. • que chamase atenção para um aspecto tributário: em decorrência de adotar expediente próprio de sociedade cooperativa, gerou recolhimento por parte dos contratantes da cooperativa para a União, na alíquota de 15% sobre o total das faturas; Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.600 15 Encaminhados os autos para o CARF, foram inicialmente distribuídos para um dos conselheiros da 2ª TO da 2ª Câmara. Analisado os autos, em vista de repercussão geral reconhecida pelo STF, nos autos do RE nº 598085 (COFINS) e RE nº 599362 (PIS), o Presidente da mencionada Turma proferiu despacho de sobrestamento (Fls. 15861589) nos termos do artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF então vigente. Posteriormente, ocorreu alteração do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revogando o artigo que fundamentou o sobrestamento, sendo os autos submetidos a novo sorteio, em razão de renúncia ao mandato do Conselheiro Geraldo Valentim Neto É o relatório. Voto Conselheiro Relator José Eduardo Dornelas Souza O contribuinte foi cientificado do teor do acórdão da 2ª Turma da DRJ/SDR em 21/05/10, e apresentou em 22/06/10 recurso voluntário e demais documentos. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. Registrese que os argumentos apresentados em sede de recurso voluntário serão examinados na ordem em que apresentados pela Recorrente PRELIMINARES Irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Alegou a Recorrente que: i) que a não prorrogação do MPF implica em nulidade de todos os atos praticados desde a sua expiração; ii) acaso exista, não há qualquer evidência de que o contribuinte, ora Recorrente, teria sido notificado desta prorrogação; iii) na hipótese de dilação de prazos, há obrigação de se promover a alteração do Auditor Fiscal, providência esta que não foi tomada no caso concreto, e; iv) que assim não procedendo, feriu a fiscalização o principio da legalidade que obriga entes administrativos e servidores públicos a cumprirem aquilo a que a lei determina, sob pena de nulidade do ato e responsabilização funcional. Essa matéria tem sido apreciada no CARF em diversas oportunidades e a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. Transcrevo duas decisões desta 2ª Turma da CSRF nesse sentido: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (Acórdão nº920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade lançamento é obrigatória e vinculada,e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Filiome a essa interpretação. Por bem resumir os argumentos a favor da tese, transcrevo parte do voto Acórdão nº 920201.637, que adoto como razões de decidir: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF, estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Aplicandose esse raciocínio ao caso em tela, o fato de i) não existir prorrogação ou; ii) existindo essa prorrogação do MPF, não fora cientificado o contribuinte, pessoalmente, ou não ter sido promovido alteração do Auditor Fiscal, ou; iii) inclusão de Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.601 17 lançamentos relativos ao PIS, à COFINS e à CSLL, em face do MPF tratar apenas do IRPJ; não importa em nulidade dele e muito menos do auto de infração. Tal equívoco, quando existente; aponta apenas falha de procedimento de controle, mas isso em nada prejudica o contribuinte, muito menos importa em cerceamento de defesa do contribuinte. O auto de infração, por sua vez, cumpriu os requisitos legais do Decreto nº70.235/1972 PAF, e foi efetuado por auditor fiscal, legitimado para sua lavratura. Ademais, ainda que houvesse a suposta extinção do MPF por decurso de prazo, não caberia interpretar que uma expiração de prazo de MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma Portaria), possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública. Portanto, afasto a preliminar de nulidade. Da nulidade do auto de infração em razão do arbitramento da base de calculo dos tributos: Além de alegar irregularidade no MPF, conforme acima destacado, a recorrente requer também a nulidade dos lançamento sob o argumento de que são descabidos os motivos alegados pela autuante para justificar o arbitramento do lucro. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF): Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Pelo acima transcrito, é de se considerar que só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. Por outro lado, a lavratura de ato ou termo (categoria à qual pertence o auto de infração) não pode configurar cerceamento do direito de defesa, porquanto somente os despachos e as decisões podem estar eivados desse vício processual, quando proferidos com preterição desse direito de defesa. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No presente caso, verificase inexistem as causas de nulidade apontadas pela impugnante, pois os todos os motivos mencionados pela fiscalização para justificar o Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 arbitramento do lucro estão descritos em Lei, além do que os autos de infração foram lavrados por servidor competente, que fez a descrição completa dos fatos e enquadramento legal pertinentes, não sendo o caso de haver vício, assim, a ensejar a alegada nulidade dos referidos autos DO MÉRITO Pelo que se vê dos autos, entendeu a fiscalização desqualificar a Recorrente com sociedade cooperativa por constatar que a empresa não cumpriu os requisitos legais para a fruição dos benefícios fiscais outorgados às cooperativas, e por isso, entendeu cabível a sua desqualificação para fins fiscais, sujeitandoa às normas tributárias que regulam as pessoas jurídicas em geral. Segundo a fiscalização, as razões são as seguintes: o presidente da empresa autuada também preside outra cooperativa de saúde, a Coopersaúde, e ainda é o responsável perante o Ministério da Fazenda por mais 7 (sete) empresas, incluindo a Itapuã Medical Center Ltda., que opera no mesmo campo econômico da fiscalizada; nos quadros sociais da cooperativa existe um cooperado que não é médico, mas digitador (Eduardo Estebam Abud); o Sr. Paulo César Queiroz Rocha foi eleito presidente da Coopamed antes mesmo de sua filiação à cooperativa, o que constitui infração ao art. 47 da Lei n°5.764, de 1971; existe divergência entre a data do requerimento de filiação do cooperado Virgílio Davi Rocha de Oliveira e a data da ficha de matricula; a contribuinte deixou de apresentar à fiscalização os livros obrigatórios previstos no art. 22 da Lei n°5.764, de 1971; foram verificadas diversas irregularidades na convocação das assembléias. Como se observa, as razões mencionadas estão previstas em lei e dizem respeito às peculiaridades das cooperativas, que as distinguem dos demais tipos societários, vez que são constituídas para prestar serviços aos associados, sem almejarem finalidade lucrativa. Analisarei três hipóteses legais descritas pela fiscalização que, se configuradas, evidenciam por si só o caráter estritamente comercial da recorrente, não se compatibilizando com a natureza da sociedade cooperativa, fundamentando, segundo penso, seu desenquadramento, e por conseqüência, sujeitará a recorrente às normas tributárias que regulam as pessoas jurídicas em geral. Alega a recorrente, no seu recurso voluntário, quando tratou do fato do presidente da sociedade participar, como sócioadministrador, de empresa de mesmo campo econômico da sociedade cooperativa, que isso não ocorre, sustentando que a empresa Itapuã Medical Center encontrase inativa desde a sua constituição. Tal alegação não prospera. Conforme se extrai dos autos, o documento colacionado às fls. 893, que é prova trazida pela recorrente quando de seu recurso voluntário, confirma prova já existente nos autos (fls 626) em seu desfavor, pois demonstra que empresa Itapuã Medical Center Ltda., encontravase "Ativa" e não "Inativa", tanto que apresentou declaração de rendimentos com apuração de imposto de renda com base no lucro presumido Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.602 19 nos anoscalendário 2003, 2004, 2006 e 2007, não sustentandose seu argumento de que "encontravase inativa desde a sua constituição". Com referência à outra hipótese levantada pela fiscalização, qual seja, a falta de apresentação dos livros obrigatórios previstos no art. 22 da Lei n° 5.764, de 1971, a interessada não discordou da referida infração, alegando apenas que tal fato ensejaria somente multa por descumprimento de obrigação acessória. Equivocase a recorrente, pois cabe à RFB avaliar o cumprimento, por parte do contribuinte, da legislação tributária em relação aos tributos por ela administrados, inclusive no que concerne à correta aplicação das isenções e tratamentos fiscais diferenciados, o que passa, necessariamente, pela avaliação das condições necessárias ao gozo dos incentivos fiscais destinados às cooperativas, como no caso em exame. Eventuais multa que entender cabíveis, ou eventuais avaliações efetuadas por outros órgãos da administração pública, não possui o condão de desfigurar as razões da desqualificação apresentadas pela fiscalização. Sem embargos, analisando o parecer emitido pelo Ministério de Trabalho e Emprego, colacionado às 754, e mencionado pela recorrente para sustentar suas razões defensivas, observo que ele não traz em seu bojo pronunciamento sobre a natureza da cooperativa para fins tributários, e por isso não serve como contraprova em favor da recorrente, limitandose a analisar a relação de trabalho e os efeitos decorrentes desta relação. Tais conclusões, por óbvio, não guardam relação com os impostos e contribuições aqui em discussão, cujos fatos geradores não coincidem com o fato dos valores pagos pela cooperativa aos seus associados serem considerados salários ou não. Por outro lado, com referência à falta de convocação de assembléias em vários anos (1996, 1998, 1999, 2000 e 2005), alega a recorrente, sem apresentar provas, que elas se realizaram, acrescentando que eventual ausência de transcrição de ata, ensejaria apenas multa por descumprimento de obrigação acessória. Mais uma vez equivocase a recorrente, primeiro porque não trouxe a recorrente nenhuma prova de que ocorreu a convocação dos associados das assembléias listadas no livro que apresentou, sendo tal fato, a ausência de convocação dos associados para deliberação em assembléia, o fator importante considerado pela fiscalização para desqualificar a natureza da cooperativa, pois demonstra a forma da administração da sociedade, que não se compatibiliza com a natureza deste tipo societário. Além do que, ainda que considerando que elas, as assembléias, de fato se realizaram, é fato que elas careceriam de forma solene, pois tornase imprescindível sejam transcritas em ata e registradas no cartório competente, acompanhadas dos documentos pertinentes, entre eles o documento de convocação dos associados, de forma que suas deliberações sejam oponíveis a terceiros e comprovem a regularidade e aplicação da lei de regência. Assim, se realmente estas assembléias fossem convocadas e realizadas na forma da lei, a prova apta para afastar o motivo levantado pela fiscalização seria de fácil obtenção, o que, evidencia, mais uma vez, que as deliberações da empresa ocorriam sem participação dos associados. Estas irregularidades, por si só, são suficientes para evidenciar o caráter estritamente comercial, com o objetivo de lucro, da empresa fiscalizada, tendo em vista que as decisões são tomadas por um número restrito de sócios, sem qualquer participação das demais Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 pessoas envolvidas e sem a observância da legislação que rege as cooperativas, estando a interessada, portanto, sujeita às normas tributárias que regulam as pessoas jurídicas em geral. Porém, antes de analisar tópico seguinte, analiso argumento levantado pelo recorrente relacionado ao fato de que os contratantes da cooperativa foram obrigados, de acordo com a legislação tributária, a recolherem 15% sobre o total das notas emitidas, e por isso tal fato impediria desqualificar a cooperativa em face dos efeitos então produzidos. Entendo que este fato diz respeito à relação entre aqueles contribuintes e o fisco, não interessando ou produzindo efeitos para esta discussão. Logo, as razões sustentadas pela fiscalização não sucumbem ao fato de existirem recolhimento de contribuições previdenciárias efetivadas pelas pessoas jurídicas destinatárias das notas fiscais emitidas, devendo este argumento ser rejeitado. Com referência aos motivos que justificaram o arbitramento da base cálculo dos tributos exigidos, a empresa recorrente alega que: os valores recebidos dos tomadores de serviços e os honorários repassados aos cooperados estavam regularmente escriturados na contabilidade, sustentando sua correta escrituração na forma das leis comerciais. Logo, no entender da recorrente, sua contabilidade encontravase apta para determinar o lucro real. Consultando os autos, não é isso que se verifica. O fundamento legal utilizado pela fiscalização para o arbitramento da base de cálculo do IRPJ reside no artigo art. 530, inciso II, do RIR/99. assim redigido: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (...) Conforme visto, a recorrente não escriturou corretamente suas receitas e despesas em conta de resultado; deixou de elaborar o DRE em tempo hábil; não exerceu a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, por não ter recolhido os valores devidos de estimativa mensal; os valores repassados aos cooperados não são escriturados em conta de resultado e não é possível a sua perfeita quantificação. Além disso, notese que não há discriminação da chamada "taxa de administração" na totalidade das notas fiscais emitidas pela recorrente, fato este que também dificulta a verificação, pelo fisco, de sua correta apuração, ainda que se considerasse que suas receitas fossem unicamente as decorrentes das referidas taxas. Registrese ainda (fls. 638): Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10580.014010/200787 Acórdão n.º 1301002.056 S1C3T1 Fl. 1.603 21 (...) Através do Termo de Intimação Fiscal nº13, de 25/10/2007, o contribuinte fora intimado a responder da existência de contas de resultado (receitas, despesas e custos) na sua contabilidade. Como resposta (fls 282) informou que os gastos e dispêndios são contabilizados nos grupos 430005, 440000, 510000, 530000, 560006 e os ingressos no grupo 610003. Entretanto, auditoria no livro razão, constatou que, após as contas de passivo (folha 01803 do Livro Razão) existem as contas de "Ajuda de Custo" (4401490000), "Prolabore" (430101000), "Salários e Ordenados" (4301020000), "INSS" (4301030000), "FGTS" 94301040000), dentre outras despesas do grupo 4; "IPTU" (5106010600), "CPMF" (5106010700), "Resultado do Exercício" (5901010000) e " Taxa Administrativa" (6101010000), mas em nenhuma conta são contabilizadas as receitas auferidas através das notas emitidas emitidas (Anexos). A falta de contabilização das receitas auferidas através das notas emitidas impossibilitou a apuração do lucro da cooperativa através da análise da contabilidade. Embora o contribuinte tenha respondido (fls 282) que os ingressos transitam por contas de resultado, não comprovou o fato, nem apontou contas contábeis que porventura registrassem tal contabilização." Além do que, é incontroverso o fato da recorrente não ter escriturado o Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), vez que reconhecido pela própria recorrente (fls 164), como também restou demonstrado que a mesma aponta receitas diferentes, ora totalizando R$40.513.733,17, ora 40.693.476,47, valores estes que também são diferentes da totalidade das notas fiscais emitidas no ano de 2005, cujo montante é de R$ 45.019.128,45. Trago ainda o mesmo exemplo trazido pela DRJ, quando do julgamento de primeira instância, que no mês de dezembro de 2005, a interessada registrou no livro de ISS a receita de R$8.098.873,37, e por outro lado, apresentou planilha (fls. 255), informando a receita de R$4.091.515,21, sem que tenha existido, naquele mês, qualquer dedução de vendas (vendas canceladas). Sendo assim, concluise que a escrituração efetuada pela contribuinte não são registradas todas as suas receitas e despesas na forma da legislação comercial, não permite a perfeita quantificação da base tributável pelo regime de apuração do lucro real trimestral, não restando alternativa a não ser o arbitramento do lucro da empresa, em conformidade com o art. 530, inciso II, do RIR/1999, acima transcrito. Com relação aos demais lançamentos decorrentes do IRPJ, ou seja, CSLL, PIS e COFINS, bem como a multa de ofício e os juros moratórios, observo que essas matérias não foram impugnadas através do recurso voluntário.Tratandose de matérias não impugnadas, mantenho os respectivos lançamentos. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO, para, no MÉRITO, NEGARLHES PROVIMENTO, mantendo o lançamento tributário na forma originária. José Eduardo Dornelas Souza Relator Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 22 Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/ 06/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.005203/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da Cofins-Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO.
No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Cofins deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência.
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e o pedido de realização de diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa correspondente aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. Os Conselheiros Walker Araújo e Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação à manutenção da glosa sobre dos gastos com fretes vinculados às operações de devolução de venda. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Ricardo Roble - OAB 254.891 - SP.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13971.005203/2009-01
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595887
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.209
nome_arquivo_s : Decisao_13971005203200901.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 13971005203200901_5595887.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e o pedido de realização de diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa correspondente aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. Os Conselheiros Walker Araújo e Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação à manutenção da glosa sobre dos gastos com fretes vinculados às operações de devolução de venda. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Ricardo Roble - OAB 254.891 - SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6401661
ano_sessao_s : 2016
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da Cofins-Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Cofins deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048415921766400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.421 1 1.420 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.005203/200901 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.209 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de maio de 2016 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente BUNGE ALIMENTOS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 03 /2 00 9- 01 Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Cofins deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.422 3 Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e o pedido de realização de diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa correspondente aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. Os Conselheiros Walker Araújo e Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação à manutenção da glosa sobre dos gastos com fretes vinculados às operações de devolução de venda. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Ricardo Roble OAB 254.891 SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório encartado na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de pedido de restituição, por meio do qual a contribuinte acima qualificada busca repetir valores, através dos PER nº 22087.45262.030409.1.2.041335 e 36766.06984.290109.1.2.048255, os quais teriam sido indevidamente recolhidos em 20/11/2007, referente ao período de apuração de outubro de 2007, a título de Cofins, e através de 2 (dois) DARF, no importe de R$ 6.455.808,55 cada [total de R$ 12.911.617,10]. Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 Em análise do pleito, inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC entendeu por não reconhecer o direito creditório pleiteado em sua totalidade (Parecer SAORT/DRF/Blumenau n.° 017/2010), decisão esta que foi objeto de manifestação de inconformidade por parte da contribuinte e, conseqüentemente, motivo de análise por parte desta Delegacia de Julgamento. Em sessão realizada no dia 25 de março de 2011, a 4ª Turma da DRJ/Florianópolis, por meio do Acórdão nº 0723.616 (fls. 268/277), anulou o referido Despacho Decisório e determinou que um novo fosse formalizado. Segundo a decisão prolatada pela DRF/Blumenau, o processo foi encaminhado à Seção de Fiscalização – Safis, para a análise das operações geradoras de crédito registradas pela contribuinte e a conseqüente determinação do valor da contribuição para a Cofins devida no mês de setembro de 2007, correspondente à linha 27 da ficha 25B do Dacon (Cofins a pagarFaturamento). Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal, foram feitas as análises fiscais dos Pedidos de Ressarcimento realtivos aos Processos abaixo relacionados, todos do ano de 2007, instrumentadas através de diversas intimações à contribuinte para obtenção de informações, documentos e esclarecimentos. [...] Em razão da análise fiscal empreendida, procederamse às seguintes glosas: 1. Glosas de créditos constantes da Linha 01 do Dacon relativo a “Bens para Revenda”, os quais foram adquiridos para uso e consumo (Arquivo Digital RVJ), cujo critério para a glosa foi a descrição incompatível com a finalidade de revenda, constante do demonstrativo intitulado “Glosa Produtos Incompatíveis” – Linha 1.xls – DVD 2. 2. Glosas de Complemento de Valor, relativa a aquisições sem direito a crédito, constantes dos Arquivos RVJ, INJ, AGS e AGD, referentes às operações de compra de soja com “preço a fixar” (commoditie), relativa às remessas e/ou complementações de valor efetuadas em períodos pretéritos, sem direito à créditos da nãocumulatividade. A contribuinte efetua operações de compra, venda e industrialização de insumos (preponderância de soja) com preço a fixar, feitas de pessoas físicas e jurídicas. As glosas se fundamentaram, em síntese, no fato de que o direito ao crédito do PIS/Pasep apurado na modalidade nãocumulativa foi regulado respeitando o regime de competência. Desta forma, não foram consideradas as complementações dos valores ocorridas no regime nãocumulativo, em relação às remessas (aquisições) ocorridas no período da cumulatividade, bem como em relação àquelas que, no regime da nãocumulatividade, não geram direito aos créditos. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.423 5 Coube a glosa, da mesma forma, em relação aos créditos sem a devida comprovação das operações, bem como quanto às aquisições de milho em grão com fim específico de exportação (Compl_RVJ), identificados no campo “FEX” do Demonstrativo de percentual de glosas do 2º. Semestre de 2007. Para o cálculo das glosas dos complementos de valores foi considerada a mesma razão existente entre as remessas sem direito a créditos e as remessas totais, conforme o Demonstrativo de Percentual de Glosas dos Contratos de Complemento de Valores, onde constam todas as remessas de cada contrato informado no arquivo “Compl”. Os itens glosados estão contidos no Demonstrativo da Glosa de Complementos de Valor, cujas bases de cálculo encontramse totalizadas, conforme item 59 do Relatório Fiscal. 3. Glosas do Imobilizado, por falta de comprovação do valor de aquisição e inexistência de fundamentação legal para o crédito do bem. Os valores glosados encontram nos Demonstrativos de Glosa do Valor de Aquisição de bens do Imobilizado, por bem do Ativo Imobilizado e do arquivo AI_Aq. No arquivo AI_Aq_NF, foram identificados: diferenças entre o valor de aquisição do bem constante do arquivo AI_Aq e o valor comprovado no arquivo AI_Aq_NF no mercado interno, valores estes glosados por falta de comprovação; registros com o código de operação fiscal de importação, parte dos quais foram selecionados para instruir o processo; e registros com o código de operação fiscal de compra de material para uso ou consumo. Todos esses registros se encontram identificados no Demonstrativo de glosas do valor de aquisição do imobilizado Houve glosa, ainda, por falta de comprovação de aquisições em razão da não apresentação dos documentos fiscais solicitados, conforme identificados no Demonstrativo de glosas do valor de aquisição do imobilizado. No arquivo “AI_Imp”, foram localizados bens do Ativo Imobilizado importados, com tomada de crédito também no arquivo “AI_Aq”, o qual se refere a aquisições de ativo imobilizado no mercado interno, os quais foram glosados, sendo estas identificadas no Demonstrativo de glosa por bem do ativo imobilizado. 4. Glosa de valores incluídos no demonstrativo “Créditos sobre Peças 2007.xlx”, este relativo a aquisição de serviços e peças de manutenção, onde foram incluídas valores de bens e serviços relacionados à vigilância, limpeza, segurança contra incêncio, transporte de pessoas e outros que não guardam qualquer relação com a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados como insumos na fabricação de bens destinados à venda. 5. Glosas dos Fretes: Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 Fretes internos em importações (após desembaraço), correspondentes a operações com CFOP de importação; Fretes em aquisições com CFOP indicativo de fim específico de exportação; Fretes correspondentes a operações de devolução de vendas ou de compras de mercadorias; Fretes em transferências de bens entre estabelecimentos BUNGE; Fretes correspondente a fretes em remessas para armazéns gerais; Fretes em aquisições de pessoas físicas de bens para revenda, Falta de comprovação dos fretes, relativas a operações com remetente Pessoa Física e CFOP de compra para comercialização; Frete relativo à aquisições de Pessoa Física de insumos para industrializaçâo que foram posteriormente revendidos/exportados, não gerando créditos, de forma que as despesas com os respectivos fretes são glosadas na mesma proporção daqueles estornos (arquivo EST_Rv). 6. Glosa – Falta de Comprovação, por falta de apresentação de documentos fiscais comprobatórios do crédito, por amostragem, conforme critério de relevância das operações. 7. Demonstrativo das Glosas: encontramse relacionados os demonstrativos no itens 132 do Relatório Fiscal. As totalizações encontramse discriminadas nos itens 133 a 135 do Relatório Fiscal. Em vista do Relatório de Auditoria Fiscal, foi proferido o Despacho Decisório ora impugnado, onde o direito creditório é reconhecido em parte e a restituição deferida parcialmente. Segundo o referido Despacho Decisório: Uma vez que a restituição pleiteada se refere a um valor supostamente indevido, relativo à COFINS apurada pelo regime da nãocumulatividade, o processo seguiu à apreciação da EFI3/Safis desta DRF/Blumenau, equipe especializada neste tributo. No decorrer da análise foram juntados os documentos de fls. 284/412 e, especialmente, a Informação Fiscal de fls. 389/392, cujos itens 4 a 7 esclarecem que os valores das glosas fiscais consideradas na AuditoriaFiscal provêm dos relatórios fiscais de fls. 752/781 e 789/809, bem assim dos exarados nos autos nºs 13971.001036/200598, 13971.001375/200493, 13971.001080/200417, 13971.001568/200444, 13971.005306/200963, 13971.000132/200519, 13971.001475/200509, 13971.005209/200971, 13971.005212/200994, e 13971.005208/200926, os quais, portanto, tiveram suas cópias juntadas às fls. 413/922. (g.n.) Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.424 7 Em relação às análises feitas anteriormente, ressalta que os relatórios fiscais lá exarados tiveram suas cópias juntadas ao presente processo sendo que, a despeito de a contribuinte já ter obtido ciência dos mesmos, manifestando à época seu inconformismo para a maioria deles, foilhe entregue novamente uma via de cada relatório. No tocante à utilização dos créditos e apuração de saldos, a AuditoriaFiscal confeccionou planilha demonstrativa da origem e aproveitamento dos créditos da empresa mediante a identificação: a) do crédito apurado no mês, que, quando transferidos de períodos de apuração anteriores, não correspondem aos do Dacon (contribuinte), mas aos saldos remanescentes de créditos do período de origem ajustados pelas glosas fiscais; b) das glosas fiscais aplicadas sobre o crédito apurado no mês; c) da eventual diminuição da glosa pela Delegacia de Julgamento – DRJ; d) da utilização do crédito em descontos, respeitandose sempre a informação do Dacon; e) dos remanejamentos dos créditos (de ofício, visando ao aproveitamento de créditos porventura existentes para cobrir insuficiências decorrentes de glosas fiscais, no próprio mês ou em meses seguintes); f) saldo disponível de créditos, antes da utilização em compensação ou ressarcimento. Em razão das glosas fiscais deste e de períodos anteriores, os créditos apurados e utilizados em desconto das contribuições mostraramse insuficientes no mês 09/2007. Tal insuficiência está demonstrada na planilha “Utilizações de Créditos Bunge – Cofins.xls” e sua constatação pelo Fisco repercute no valor da contribuição para a Cofins a pagar apurado pela contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório, após “a análise das operações geradoras de crédito registradas pela contribuinte”, a AuditoriaFiscal demonstrou que o valor correto da Cofins a pagar (Linha 27 da Ficha 25B do Dacon) é R$ 8.511.197,03 e este, então, é o valor que a contribuinte deveria ter informado na DCTF como “Débito Apurado” e, por consequência, levado à conta para apuração de eventual pagamento indevido. Conclui, por fim, que uma parte do DARF reclamado pela contribuinte prestase a solver a contribuição devida no mês, remanescendo crédito em seu favor no importe de R$ 4.400.420,07, o que corresponde à diferença entre o pagamento (R$ 12.911.617,10) e o valor da contribuição (R$ 8.511.197,03). Manifestação de Inconformidade: Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte suscita inicialmente a tempestividade da manifestação. Explica que, com base em diversas Soluções de Consulta, retificou suas Dacon desde 2004 até 2008 para se ajustar aos termos das mesmas, formulando pedidos de restituição. Após, coloca as suas considerações com a legislação que rege o sistema tributário, às dificuldades da empresa para produzir as provas documentais específicas em filiais remotas, e ao que chama de burocrático de sistema de obrigações acessórias e de pagamento dos tributos. Na continuidade, aborda as seguintes questões, ora em breve síntese: 1. Questões preliminares de mérito: Inicialmente, sob o título “Dos antecedentes processuais” a contribuinte traça um histórico do desenrolar do processo desde as Soluções de Consulta formuladas e dos pedidos de restituição, o que a levou a retificar os respectivos Dacon desde 2004 até 2008. Observa que as primeiras alterações que geraram as restituições pleiteadas ocorreram a partir de 2005 e que, em face de tais circunstâncias, nem todas as alterações foram para reduzir tributo, na medida em que também ocorreram alterações para aumentar o tributo devido ou diminuir os saldos credores acumulados. Em seguida, desenvolve os seus argumentos sob os seguinte títulos: Da natureza dos ajustes após 2009, em que observa que as alterações efetuadas após 2009 registraram apenas troca de linhas (reclassificações) e para reduzir o saldo credor ou aumentar o débito a recolher, nunca para reduzir a contribuição devida. Da inexistência de preclusão por força maior demonstrada e reconhecida pela própria Receita Federal do Brasil, em que sustenta que o prazo de 30 (trinta) dias é insuficiente para produzir a ampla defesa que lhe é assegurada constitucionalmente, em vista das assertivas fiscais e dos relatórios que incluem inúmeras planilhas de cálculos a serem examinados, e suscita a incidência da norma prevista no art. 16, do Decreto 70.235/72, §4º. por entender que a força maior está perfeitamente demonstrada nos autos pela declaração feita pelos agentes da RFB no que tange aos prazos exíguos para análise dos pedidos de restituição; Da contestação das premissas dos Despachos Decisórios e do feito fiscal, onde alega que os atos da administração pública lesivos ao patrimônio das pessoas de direito privado são tipificados nos termos da Lei nº. 4717/65, sendo anuláveis, segundo as prescrições legais. Da contribuição para o PIS/Pasep relativa ao período de dezembro/2003, onde alega que a análise do crédito depende do desfecho do Processo nº. 13971.000029/200498, uma vez que constatouse a inexistência de saldo credor no final do período de apuração do mês de dezembro/2003, e que não se pode considerar a inexistência de saldo, enquanto não houver decisão Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.425 9 definitiva perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, sob pena de efetuarse glosas indevidamente. Da Decisão sobre alegações não contidas nas manifestações de inconformidade, onde argumenta que, no caso concreto, a própria ação fiscal demonstra com clareza o montante que julga ser devido, em face das circunstâncias materiais do caso concretamente examinado, sem subterfúgios a quaisquer eventuais “teses tributárias” que a fiscalização afirma existirem fora destes autos (existência de tributaristas que sustentam que o valor do tributo devido a ser considerado pela autoridade administrativa no exame de pedidos de restituição ou de declarações de compensação é o valor do débito declarado pelo sujeito passivo em DCTF) e que nunca foram alegadas neste processo e que, portanto, nada tem a ver com os lançamentos contidos nos Autos de Infração impugnados nem como os Despachos Decisórios objetos de manifestações de inconformidade protocoladas a tempo e modo. Suscita, ainda, que a ocorrência de decisões caracterizadamente “chapadas” enseja e confirma a nulidade do feito em face do vício de forma e do desvio de finalidade. Do pagamento indevido e do direito a restituição, em que alega vícios no despacho decisório que ensejariam a anulação do mesmo, tais como a exiguidade do intervalo de tempo entre a juntada do feito fiscal e o despacho decisório demonstra que quem decidiu sobre o assunto foram os agentes fiscais que promoveram a fiscalização direta e não o Sr. Delegado competente; que, no caso, não existe previsão legal de delegação de competência; e que esta evidência atrai a regra da Lei nº. 4.717/65 que considera caracterizada a incompetência quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Suscita expressamente e questiona a matéria para os fins de evitarse a preclusão, devendo a questão ser apreciada e julgada para, ao final, determinar a nulidade do feito para que novo despacho seja proferido nos termos da Lei e do Direito como expressão de justiça. Da resistência ao cumprimento de sentenças, onde aduz que os procedimentos fiscais que embasaram o despacho decisório ora contestado (cita alguns exemplos), adotou os mesmos critérios genéricos e sem fundamento, tomou as falhas pontuais como reiteradas e uniformes, generalizou sob a forma de percentual e o aplicou durante todo o período de fiscalização, sem levar em conta o fato concretamente ocorrido; que, ao estabelecer critérios genéricos para determinar o montante a ser glosado, contraria expressamente o comando da decisão da 4ª. Turma da DRJ/FNS, a qual proíbe a aplicação deste tipo de procedimento; e reitera que o prazo de 30 dias é exíguo para se pronunciar acerca de cálculos produzidos por processamento eletrônico, o qual requer conhecimento especializado e estrito, além do conhecimento da matéria legal a ser examinada e contestada. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 Alega, ainda, que a comprovação desta ocorrência somente poderá ser feita mediante prova pericial, que o procedimento deve ser refeito, e, suscita a nulidade por falta de fundamento legal. Da produção de todas as provas admitidas em direito: Pedido de Perícia: Requer expressamente, nos termos do regulamento do PAF, a produçaõ de perícia para exame e verificação das planilhas e processamento eletrônico de informações trazidas ao processo pelos auditores. Indica o perito assistente, formula 12 quesitos e justifica o pedidos, alegando que, os trabalhos de perícia e diligência se fazem necessários por envolver processamento eletrônico automático e inúmeras operações produzidas pela RFB que, a exemplo de outros casaos, tem dado azo a rpocessos administrativos totalmente deprovidos de sentido e realidade, tal como os lançamentos eletrônicos em processamentos de DCTF. Por outrolado, alega que há necessidade de testes de consistências impossíveis de serem transpostas por meio de documentos porque envolvem processamento de informações, seus cruzamentos e conciliações, somente possível por trbalho de auditoria e perícia, e, ainda, que em sendo constatado inconsistências, haverá necessidade de recorrerse aos documentos físicos. 2. Das circunstâncias materiais de fato e de direito: Da alegação de decadência impossível de ser vista nos autos, em que alega que o fundamento do indeferimento parcial nem de longe sustenta o feito em face da legalidade e das exigências previstas no art. 37 da Constituição Federal; e que, ao se recusar a examinar o que é de seu ofício, a autoridade fiscal remeteu o exame e fiscalização à DRJ, o que não pode ser feito, em face da incompatibilidade entre os trabalhos de exame da materialidade tributária (art. 142 do CTN) e a função de julgador no mesmo caso. Do que se pode efetivamente verificar nos autos: as retificações dos Dacon, onde alega que a retificação do Dacon em 2012 resultou em um aumento da contribuição devida e somente ocorreu devido a entendimentos com os auditores da RFB, conforme evidenciado nos emails anexos; que a retificação, como visto, não apresentou alterações para acrescer créditos, e que as afirmações dos auditores fiscais não podem ser levadas em consideração na questão relativa a qualquer decadência dos direitos creditórios. Da igualdade de todos perante a Lei: onde alega que a apresentação do Pedido de Restituição interrompe e extingue qualquer pretensão fazendária à decadência do direito da manifestante em se ver ressarcida do pagamento a maior ou indevido das contribuições sociais, afastando a possibilidade de alegarse a decadência do seu direito. As situações normadas: a exigência de verificação das circunstâncias materiais necessárias e da situação jurídica definitivamente constituída (art. 116 do CTN): – a exigência de verificação das circunstâncias materiais necessárias e da Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.426 11 situação jurídica definitivamente constituída (art. 116, CTN) onde alega, após a citação de várias doutrinas/doutrinadores: Daí a razão pela qual o feito carece de sentido, uma vez que se prende ao mero formalismo abstrato da norma, sem considerar nem integrar a situação normada ao Direito a ser aplicado e observado (decisão conforme a lei e Direito – nos termos do Processo Administrativo Disciplinar), e constitutivo da fórmula concreta do Devido Processo Legal (...). Dos Complementos de Valor por preços a fixar e Do faturamento no regime de competência – o fato gerador das contribuições e a comparação com outros tributos sobre o faturamento: onde sustenta que, ao contrário do alegado pela autoridade fiscal (que o faturamento deve ocorrer no momento da tradição), cujo raciocínio seria induzido pela a analogia com os demais tributos (ISS, ICMS, IPI), o faturamento no regime de competência, onde se tem preço a fixar, jamais pode ser considerado no momento da tradição, eis que neste momento não há, a rigor, nenhum faturamento, pela absoluta ausência do preço real da transação, constando somente o seu valor simbólico em nota exclusivamente fiscal, sendo que o faturamento ocorrerá somente quando da fixação do preço, oportunidade em que os contratantes tomarão conhecimento preciso do valor da operação outrora contratada, o que seria impossível mensurar em tempo pretérito (à época da tradição). Alega, ainda, que a complementação de preço lastreada em remessa que detenha direito a crédito gera o direito de retificar a sua base, no momento do faturamento (quando da fixação do preço e não da tradição), para complementar o preço da transação de origem; que, havendo remessa originária com direito a crédito o mesmo deverá ocorrer na complementação, sendo que qualquer glosa contrária a tal regra deve ser repudiada; e que o § 4º do art. 3º da lei de regência do crédito é muito clara ao dispor expressamente que o crédito não apropriado no mês poderá ser aproveitado nos meses posteriores. Dos fatos geradores pendentes e o alcance da nova lei, onde remete aos artigos 105 e 116 do Código Tributário Nacional para afirmar que o caso pertinente ao tema “Preços a Fixar” abrange as duas situações: “de fato (manifestação do vendedor para fixar o preço) e jurídica (contrato – como assinalado pelos auditores, definitivamente constituído, porém pendente de liquidação do preço). E continua: Nestas circunstâncias os fatos futuros (reajustes e liquidação de preço) são submetidos definitivamente à lei nova como sempre entendeu a Fazenda Pública em termos de inovação legal para majoração da cobrança de tributos sujeitos à anterioridade anual e consolidada na Súmula 577 do STF (“Na importação de mercadorias do exterior, o fato gerador do Imposto de Circulação de Mercadorias ocorre no momento de sua entrada no estabelecimento do importado”), e também a Súmula Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 12 584 do STF: “Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do anobase, aplicase a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.” Completa a sua argüição afirmando que os casos específicos sujeitos à norma de transição foram expressamente contemplados na lei específica, tais como os casos dos contratos de longo prazo, atividades imobiliárias e inúmeros outros, o que motivou complexidade da legislação até então pendente de consolidação e unificação num Regulamento Geral. Do Complemento de preços nas remessas com FEX, onde sugere que podem ter havido falhas humanas eventuais e pontuais na execução dos procedimentos internos, principalmente nos primeiros anos em face dos motivos já alegados e que motivaram tantas retificações dos Dacons, mas não de procedimento uniforme e reiterado. Segundo ela, caso constatado o erro, estará sujeito ao ajuste necessário, mas jamais poderá ser generalizadamente calculado com base em percentuais para ser aplicado em todo o período fiscalizado, o que deverá ser objeto de reexame para eventual constatação, em homenagem ao Princípio da Verdade Real. Justifica a alegação pelo fato do feito fiscal desconsiderar os valores específicos de cada operação de entrada, considerando as todas ao mesmo preço, o que distorceria o cálculo final, motivo pelo qual haveria necessidade de perícia sobre os cálculos efetuados e em especial quanto aos critérios escolhidos pelos agentes. Dos créditos relativos aos contratos de transporte tomados de pessoas jurídicas ou a ela equiparadas e da situação normada as contribuições sociais sobre o faturamento no regime da não cumulatividade e as atividades econômicas empresariais: Sob estes itens, a contribuinte traça um perfil das atividades empresariais e conclui, em síntese, que, tanto as atividades principais quanto as secundárias, enquanto atividades que adicionam valor à economia da empresa e à renda nacional se habilitam à tomada de créditos, sendo as atividades auxiliares desprovidas dos requisitos que habilitam à tomada de créditos. Com base nas suas conclusões, entende que a contratação do frete está relacionado à atividade principal da empresa, estando atrelados por força das circunstâncias de que não há nem pode haver circulação de bens sem o necessário contrato de transporte. Aduz que os gastos com fretes nas aquisições de bens destinados ao custeio da atividade econômica não se encontra expressamente listado nos itens da norma que autoriza o direito ao crédito porque subsumese ao conceito de insumo necessário ao exercício das atividades relacionadas nos incisos I e II da norma autorizadora dos créditos. Em relação às despesas de frete com transferência dos bens para o armazém, alega que o mesmo fundamento que motiva a glosa, também fundamenta a contestação: a falta de fundamento legal Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.427 13 para a glosa. Sustenta que falta autorização legal expressa para a glosa dos fretes que ocorrem nas operações de transferências internas entre estabelecimentos da mesma empresa para fins de remessa de industrialização ou para fins de armazenamento. Requer, desta forma, que sejam admitidos os créditos relativos aos fretes para a transferência entre estabelecimentos e para armazéns gerais ou depósitos fechados(para simples armazenamento ou para formação de lotes padronizados para venda). Remete à Solução de Consulta nº. 210/SRRF/8a. RF/Disit e ao Acórdão nº. 330100.4243ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Sustenta que hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados a as filiais do contribuinte, os quais compõem o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3º. , II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03, o que não se confunde com o transporte do produto acabado entre os estabelecimentos. Insurgese, ainda, contra o fato de ser negado o direito ao crédito em relação às compras de produtos adquiridos com a finalidade exclusiva de exportação. Das glosas de créditos sobre Fretes referentes a devoluções de compra e de venda, alega que devem ser analisados funcionalmente para o fim de ensejar direito de crédito, anulado o feito fiscal que entende em sentido contrário. Das glosas de créditos de Fretes Internos em importações (após o desembaraço), em importações (após o desembaraço), do Pedido Incidental, em aquisições de pessoas físicas para revenda, e das inconsistências em relação à nota vinculada: Alega que as importações constituem uma operação de compra, logo devem gerar o direito ao crédito, e contesta o fundamento da glosa com base no § 3º. da Lei 10.833/03. Insurgese, especificamente, contra a glosa com base no CFOP das operações, alegando que o CFOP das operações não podem ser os mesmos da importação de produtos, que não há nenhuma lógica, evidência, racionalidade e muito menos qualquer indicação de documentos que amparem este procedimento e que possibilite dar consistência aos argumentos trazidos à colação neste tópico; que não há cópias dos conhecimentos de transportes comprovando serem as prestadoras dos serviços de transportes empresas não domiciliadas no país, e que não há justificação séria nem a comprovação requerida para suportar a motivação do lançamento neste item; que é manifesto o cerceamento do amplo direito de defesa, como de resto, todos os argumentos contraditórios entre sai dificultam e impossibilitam a defesa. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 14 São mencionados os artigos 289 e 290 do RIR/99, que só se aplicam a insumos utilizados na produção industrial ou em relação a mercadorias para revenda, portanto, não há que deixar de reconhecer tratase da importação de bens que eles mesmos classificam como objeto da atividade principal e secundária da impugnante e que, portanto , são geradores de créditos na importação. Que o desvio de forma se apresenta configurado de modo a atrair a nulidade , senão de todo o processo, pelo menos e sem dúvida deste tópico. Em face do exposto e considerando o que do Processo de Consulta nº. 13971.000992/200633, que resultou na Solução de Consulta nº. 441 de 18 de dezembro de 2006 da DISIT da 9ª. RF/SRRF, tendo como interessada a contribuinte identificada nestes autos, pede que seja apensado a este feito cópia daquela Solução de Consulta e do respectivo processo, ficando dispensada a produção de prova por se tratar de docuemntos emitidos pela própria RFB. Das glosas referentes à falta de comprovação e Das demais glosas referentes, a contribuinte alega que a eventual e fortuita falta de comprovação documental está sendo analisada e será providenciada tão logo tenha completado o ciclo das verificações necessárias para a presente defesa e contestação, nos termos justificados por motivo de força maior. Dos pedidos, onde requer, em síntese: o direito à restituição requerida até a apreciação final de todos os demais processos matrizes do qual este é parcialmente decorrente, em face da continência dos temas e das matérias; que seja declarada a improcedência das glosas de créditos; que, alternativa e sucessivamente, seja anulado o Despacho Decisório para que outro seja proferido, sob pena de cerceamento de defesa; que o presente processo seja convertido em diligência para o exame, verificação e constatação de quaisquer elementos da situação normada (nos termos do art. 114, 116 c/c art. 142 do CTN) e os termos do disposto no art. 18 do Decreto Federal nº. 70.235. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, bem como a realização de perícia técnica, e requer, em suma, que seja assegurado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer documento ou de qualquer outro ato ou fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1251/1282), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2011 a 30/10/2011 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.428 15 Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, independentemente do pagamento. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 30/10/2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 30/5/2013, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 1284). Inconformada, em 28/6/2013, postou o recurso voluntário de fls. 1285/1356, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Adicionalmente, alegou nulidade da decisão de primeiro grau, sob o argumento de que (i) não fora reconhecida a segregação da função da autoridade julgadora e fiscalizadora, (ii) houve cerceamento do direito de defesa, por ausência de enfrentamento de alegações suscitadas na manifestação de inconformidade e inovação do feito, ao fazer afirmações não contidas no despacho decisório. Em caráter alternativo, caso não fossem acatados os pedidos de nulidade e improcedência formulados, que o julgamento fosse convertido em diligência, para juntada de novos documentos, comprovação dos motivos de força maior e realização de perícia técnica. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 16 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Nos presentes autos, a recorrente pleiteou a restituição do pagamento da Cofins do mês de setembro de 2007, no valor total de R$ 12.911.617,10. Deste valor, a autoridade julgadora da unidade da Receita Federal de origem reconheceu o direito da recorrente à restituição da importância de R$ 4.400.420,07 e indeferiu o saldo remanescente, no valor de R$ 8.511.197,03, que é parcela do valor do crédito objeto do presente litígio, que compreende questões preliminares e de mérito, a seguir analisadas. 1) Da Análise das Questões Preliminares. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do despacho decisório e da decisão de primeiro grau e, em caráter alternativo, formulou pedido de realização diligência/perícia. Da preliminar de nulidade do despacho decisório. No recurso em apreço, a recorrente reiterou a preliminar de nulidade do despacho decisório, com base nos seguintes argumentos: (i) fora exíguo o intervalo de tempo entre a juntada do feito fiscal e o prolação do despacho decisório, (ii) foram adotados critérios genéricos para determinar o montante valor do crédito glosado e (iii) o prazo de defesa de 30 (trinta) dias fora insuficiente para analisar todos os documentos elaborados pela fiscalização. No âmbito processo administrativo fiscal federal, as hipóteses de nulidade do despacho decisório encontramse estabelecidas no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, a saber: (i) incompetência da autoridade julgadora e (ii) preterição do direito de defesa do sujeito passivo. No caso em tela, não se vislumbra nenhuma das situações. Com efeito, o citado despacho decisório foi proferido pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da jurisdição da recorrente, que é a autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição colacionados aos autos, nos termos do art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 203/2012. E compulsando o referido decisório, verificase que ele apresenta adequada fundamentação fática e jurídica, ademais, nas robustas peças defensivas colacionadas aos autos a recorrente demonstrou pleno conhecimento das razões do indeferimento do seu pleito de restituição, o que afasta qualquer imputação de cerceamento de direito defesa. Dada essa característica, todas as alegações de vício de nulidade do citado despacho decisório, aduzidas pela recorrente, não tem procedência, pelas razões a seguir. A recorrente alegou que o intervalo de tempo exíguo entre a juntada dos documentos e relatórios de auditoria fiscal pela fiscalização e a prolação do despacho decisório em questão, o que demonstrava que quem decidira o assunto foram os agentes fiscais que promoveram a fiscalização e não o Sr. Delegado competente; que, no caso, não existia previsão Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.429 17 legal de delegação de competência; e que esta evidência atrai a regra da Lei 4.717/1965, que considera caracterizada a incompetência quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. De forma equivocada a recorrente utilizase de conceitos e institutos da Lei 4.717/1965, denominada de Lei da Ação Popular, para fundamentar juridicamente os seus argumentos, quando é de sabença que o processo administrativo fiscal federal é regido por diploma legal próprio e específico (o Decreto 70.235/1972), aplicandoselhe subsidiariamente os preceitos da Lei 9.784/1999 e do Código de Processo Civil. E especificamente sobre o ponto em comento, expressamente autoriza o art. 501, § 1º, da Lei 9.784/199, que, na motivação do ato administrativo, principalmente, do ato administrativo de natureza decisória, a autoridade julgadora pode declarar concordância com fundamentos de anteriores informações, que, neste caso, passam integrar o ato decisório. No caso, foi o que fez a autoridade julgadora da unidade da RFB de origem, ao utilizar na motivação do questionado despacho decisório as informações colacionadas aos autos pela fiscalização, que foram exaradas em perfeita consonância com o disposto no art. 65 da Instrução Normativa RFB 900/2008, vigente à época do pedido, que assim determinava, in verbis: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [...] (grifos não originais) Também conflita com as informações e os dados detalhados nas planilhas e informações coligidas aos autos pela fiscalização, o argumento apresentado pela recorrente de que foram utilizados critérios genéricos para determinar o montante valor do crédito glosado, sem que apresentasse qualquer elemento indicativo da existência dessa circunstância. Também sem não procede alegada da recorrente de que fora insuficiente o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar sobre os demonstrativos e planilhas elaborados pela fiscalização. A uma, porque tais documentos foram elaborados com base nos dados e informações extraídos da escrituração contábil e fiscal da própria recorrente, portanto, elementos que já eram do seu pleno conhecimento. A duas, porque por ocasião da formulação do pedido de restituição a recorrente já deveria ter todos os elementos probatórios do valor do crédito pleiteado, logo, se não os tinha o valor do indébito pleiteado não era certo e líquido, ou seja, não existia e, por essa circunstância, o pedido fora formulado indevidamente. A três, porque o referido prazo de defesa foi estabelecido por lei, no caso o art. 15 do Decreto 1 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1oA motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.” Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 18 70.235/1972, logo, aplicável a todos sem qualquer distinção; ademais, por se tratar de norma legal vigente, não cabe a este Colegiado afastar a sua aplicada. Com base nessas considerações, ficam rejeitadas todas as alegações de nulidade do despacho decisório em apreço. Da nulidade da decisão primeiro grau. A recorrente alegou nulidade da decisão de primeiro grau, sob o argumento de que (i) não fora reconhecida a segregação da função da autoridade julgadora e fiscalizadora, (ii) houve cerceamento do direito de defesa, por ausência de enfrentamento de alegações suscitadas na manifestação de inconformidade e inovação do feito, ao fazer afirmações não contidas no despacho decisório. Sem razão a recorrente. Diferentemente do alegado, da leitura da decisão vergastada, constatase que o Colegiado se pronunciou de forma adequada e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas pela recorrente na manifestação inconformidade. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada. Além disso, de acordo com robusta peça recursal em apreço, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão, inclusive, apresentou as razões de discordância em relação aos argumentos aduzidos no voto condutor do referido julgado, o que contraria o alegado cerceamento do direito de defesa. O mero fato de a recorrente discordar dos referidos fundamentos, certamente, não representa circunstância idônea com vistas a conspurcar a legitimidade da decisão em apreço. Da mesma forma, o fato de constar do referido voto afirmações não contidas no despacho decisório não implica inovação do feito, pois, além de demonstrada, verificase tratarse novos argumentos destinados a rebater as razões de defesa e robustecer os motivos consignados no referido despacho como fundamento para o indeferimento do pedido de restituição em apreço, que foram integralmente mantidos pela decisão recorrida, sem qualquer inovação. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal, não existe determinação de qualquer ordem que obrigue o julgador do órgão ad quem a utilizar os mesmos argumentos ou informações aduzidos no julgamento a quo, ao contrário, desde que devidamente motivado, o efeito devolutivo amplo e o princípio da livre convicção, previsto no art. 29 do Decreto 70.235/1972, asseguralhe ampla liberdade para fundamentar a sua decisão. Também não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o órgão julgador de primeiro grau não ter analisado as provas coligidas aos autos pela recorrente após a fase de manifestação de inconformidade, porque atingidas pela preclusão e rejeitado o alegado motivo força maior. E nesse ponto, entende este Relator que decidiu com o acerto o Colegiado a quo, porque a razão aduzida pela recorrente, ou seja, a existência de relatórios fiscais que incluíam inúmeras planilhas de cálculos não tem a menor a procedência, pois, além de fácil compreensão, as glosas realizadas, na grande maioria, foi motivada por questões de direito, falta de previsão legal para apropriação de crédito ou em razão da decadência do direito incluir novos créditos no Dacon retificador. As glosas motivadas por ausência de provas e que demandavam a coleta de documentos foram inexpressivas e, por óbvio, não se inclui na alegada condição de força maior, principalmente tendo vista que, no ato formulação do pleito a recorrente estava obrigada a manter a disposição da fiscalização todos os documentos comprobatórios do crédito pleiteado. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.430 19 Também não justificativa a alegada força maior, o fato de a recorrente ter sido cientificada de vários despachos decisórios na mesma ou em data aproximada, pois, se não tinha condição de comprovar o alegado em tantos pedidos de restituição formulados, tal deficiência não pode ser apresentada como justificativa para o não cumprimento das normas legais. Enfim, não procede a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa, porque o órgão julgador de primeira instância não apreciou todos os argumentos de defesa suscitados na manifestação inconformidade, pois, não se pode olvidar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 312 do Decreto 70.235/1972, o órgão de julgamento de primeira instância deve analisar todas as razões de defesa suscitados pela impugnante/manifestante, porém, sem a obrigatoriedade de rebater, um a um, todos argumentos aduzidos na peça defensiva. No mesmo sentido, tem se pronunciado a jurisprudência do STF, conforme se infere dos enunciados da ementa do julgado, analisado sob regime de repercussão geral, que seguem transcritos: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (BRASIL. STF. AI 791292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 1208 2010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau suscitada pela recorrente. Do pedido de realização de diligência/perícia. Em caráter alternativo, caso não fossem acatados os pedidos de nulidade e de improcedência formulados na peça recursal em apreço, a recorrente pleiteou que o julgamento fosse convertido em diligência, para juntada de novos documentos, comprovação dos motivos de força maior e realização perícia técnica. No âmbito do processo administrativo fiscal, além do atendimento dos requisitos legais, a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de diligência ou de produção de prova pericial integra poder discricionário da autoridade julgadora. Assim, 2 "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências". (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 20 somente se esta entender necessária a obtenção de provas adicionais imprescindíveis ao deslinde da controvérsia é que converterá o julgamento em diligência, caso contrário, indeferirá o pedido, sendo suficiente que apresente fundamentação adequada para sua decisão. Esse é o entendimento que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 293 do Decreto 70.235/1972. Ainda segundo os referidos preceitos legais, o deferimento de realização de diligência somente se justifica se as provas documentais não puderem ser carreadas aos autos pelas partes e o de perícia somente quando há dúvida sobre questão de natureza técnica, cujos esclarecimentos dependem de conhecimento especializado, não sendo necessária nenhuma das duas quando o fato probante puder ser demonstrado com a mera juntada de documentos aos autos. No caso em tela, o pleito da autuada não merece acatamento, pois se limita a pedido de exame de provas documentais que se encontram sob sua guarda e que, certamente, poderia ter sido coligidas aos autos na fase processual adequada. Além disso, os questionamentos por ela formulados podem ser facilmente respondidos com base na análise dos elementos probatórios coligidos aos autos, em especial, dos demonstrativos e planilhas que integram o relatório fiscal, em que explicitados, pormenorizadamente, quais os valores dos créditos que foram glosados em correlação os valores informados nos respectivos Dacon, o que dispensa o concurso de profissional especializado, o que, por si só, torna desnecessária a realização da perícia requerida, conforme expressamente prevê o art. 4204, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil. Com base nessas considerações, por entender prescindíveis, indeferese o pedido de diligência/perícia reiterado pela recorrente. 2) Da Análise das Questões de Mérito. Em relação ao pedido de restituição em apreço, de acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 356/382, os créditos glosados pela fiscalização referemse a: a) “Glosa de créditos calculados indevidamente”; b) “Glosas do Imobilizado”; c) “Glosa de Complementos de Valor”; d) “ Glosa dos Fretes”; e e) “Glosa de Falta de Comprovação”. No recurso em apreço, a recorrente não apresentou qualquer manifestação contrária a glosa dos créditos calculados indevidamente e sobre o valor do ativo imobilizado, bem como em relação aos créditos não comprovados, com exceção da glosa dos créditos calculados sobre os gastos com frete não comprovados, a seguir analisados. Dessa forma, a controvérsia remanescente cingese a glosa dos créditos calculados sobre (i) complementos de preço; e (ii) gastos com fretes, por falta de amparo legal e por falta de comprovação. 3 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." 4 Eis a redação do citado preceito legal: "Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável." Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.431 21 Da glosa dos créditos calculados sobre complementos de valor. De acordo com referido Relatório de Auditoria Fiscal, no período de apuração do crédito pleiteado, a recorrente adquiriu produtos (soja e outras commodities) de pessoas jurídicas para revenda, que dependia da fixação do preço definitivo a posteriori (modalidade de compra a “preço a fixar”), em que a entrega era feita em várias remessas, com preço unitário provisório, cujo preço definitivo somente era definido no final. Dada essas características, frequentemente, havia complementação do valor a ser pago pela adquirente, se o preço final fosse superior aos praticados nas remessas com preços provisórios. Caso contrário, ou seja, se o preço das remessas resultasse superior ao preço definitivo, havia a devolução simbólica de certa quantidade do bem e o acerto financeiro da diferença apurada. Segundo a fiscalização, no período analisado, a recorrente adquiriu parte das mercadorias (soja e outras commodities) com direito a crédito e outra parte sem direito a crédito da Cofins não cumulativa, porém, apropriou créditos sobre os valores integrais dos complementos de preço, isto é, sem excluir a parcela dos créditos referente às mercadorias adquiridas sem direito a crédito. No caso, se não havia amparo legal para apropriar crédito sobre o valor da aquisição desse tipo mercadoria, por óbvia, o valor complementar do preço da operação também não podia propiciar direito a crédito da referida contribuição. Aliás, a recorrente sequer questionou a legalidade da glosa em questão, tendo se limitado a solicitar a produção de prova pericial, para reavaliar o critério de apuração e a exatidão dos valores das glosas efetuadas pela autoridade fiscal, o que, evidentemente, não se justifica, por se tratar de valores calculados com base nos dados dos documentos fiscais emitidos pela própria recorrente e extraídos dos arquivos por ela fornecidos à fiscalização. Logo, se existente algum equívoco na apuração dos valores dos créditos glosados, cabia a recorrente apurar qual seria o valor correto e indicar a documentação comprobatória do equívoco. Como não o fez, deve arcar com ônus da sua omissão. Por todas essas razões, mantémse a glosa do valor integral do crédito, conforme determinado pela fiscalização. Da glosa dos créditos relativo a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 22 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução 5 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.432 23 de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, II e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, com o art. 290 do RIR/1999, é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de transporte: a) de bens de produção (matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais, in verbis: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; [...] [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 24 pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: [...] II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; [...] (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.433 25 § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de competência), pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, gera direito à apropriação de créditos das referidas contribuições. Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 26 De acordo com o citado Relatório da Auditoria Fiscal, a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes foram motivadas por falta de amparo legal, por falta de comprovação e por falta de estorno. As glosas por falta de amparo legal foram realizadas em relação aos créditos apropriados sobre os gastos com fretes relativos às operações de: a) de importação de bens após desembaraço (frete interno), b) aquisições de mercadorias com fim específico de exportação; c) de devolução de vendas e de compras de mercadorias; d) de transferências de mercadorias entre estabelecimentos; e) de remessas para armazéns gerais; e f) aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. As glosas dos créditos com fretes não comprovados referemse aos gastos com transporte, em que, embora intimada a comprovar, a contribuinte não apresentou os documentos fiscais solicitados pela fiscalização. Por fim, as glosas dos créditos não estornados relativo a “frete de grãos exportados”, ou seja, a parcela do valor do crédito relativo aos gastos com frete correspondente ao valor dos insumos (bens) adquiridos de pessoas físicas para industrialização, posteriormente revendidos, cujo valores dos créditos estornados pela recorrente limitaramse apenas a parcela dos custos dos bens revendidos, sem o estorno do valor do frete incorporado aos custos de aquisição. A seguir serão analisados apenas as glosas relativas aos gastos com fretes contestados pela interessada no recurso em apreço e que se refira a glosas realizadas pela fiscalização. Do frete interno vinculado à operação de importação. Segundo a fiscalização, no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não havia amparo legal para apropriação de créditos sobre os gastos com transporte de mercadoria importadas, inclusive, o frete interno (após o desembaraço aduaneiro) pago a pessoa jurídica domiciliada no País. Assiste razão à fiscalização, pois, em conformidade com o disposto no art. 3º, § 3º, da Lei 10.833/2003, o direito à dedução do crédito da Cofis e da Contribuição para o PIS/Pasep, em regra, é assegurado em relação ao custo de aquisição do bem para revenda ou utilizado como insumo de produção ou fabricação quando adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, bem como em relação aos custos e despesas incorridos pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País, expressamente designados no referido preceito legal. Em relação aos bens para revenda ou utilizados como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, adquiridos de pessoas não domiciliadas no País, excepcionalmente, é assegurado o direito de desconto de crédito das referidas contribuições somente em relação aos bens importados sujeitos ao pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, porém, valor a ser deduzido, fica limitado ao valor das contribuições efetivamente pagas na importação dos respectivos bens, segundo dispõe o art. 15, I e II, e § 1º, da Lei 10.685/2004, a seguir transcritos: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.434 27 sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...] § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...] (grifos não originais) Assim, os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. A recorrente alegou que o direito aos referidos créditos estava amparado no entendimento exarado na Solução de Consulta n° 441, de 18 de dezembro de 2006, editada pela Disit da Superintendência Regional da Receita Federal da 9ª Região Fiscal (Disit/SRRF/9ª RF), expedida em resposta a consulta por ela formulada no âmbito do processo n° 13971.000992/200633. Sem razão a recorrente. O entendimento explicitado na referida Solução de Consulta não trata de direito ao crédito da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep sobre gasto com frete interno no transporte de produto importado, mas, especificamente, do direito ao crédito da Cofins na importação de cereais por cerealistas, condicionado a que a venda subsequente não fosse feita com suspensão das referidas contribuições, conforme se infere do texto em destaque do enunciado da ementa que segue transcrito: SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 9ª REGIÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 441 de 18 de dezembro de 2006 EMENTA: SUSPENSÃO. CEREALISTA. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITOS NA IMPORTAÇÃO. Somente cabe a suspensão da COFINS nas vendas efetuadas por cerealista em que, na aquisição, o cereal for utilizado como insumo na produção das mercadorias do caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. As vendas de cereais, efetuadas por cerealista, para outros fins não dão direito à suspensão. Quando é desempenhada, pela pessoa jurídica, mais de uma atividade, a Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 28 incidência da COFINS fica suspensa somente em relação às vendas na condição de cerealista, desde que essas vendas se destinem às pessoas jurídicas agroindustriais do caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, somente as vendas na condição de pessoa jurídica agroindustrial, obedecidos os requisitos do caput do artigo 8º, permitem descontar crédito presumido em relação aos cereais do § 1º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, adquiridos de cerealistas, utilizados como insumo na produção agroindustrial. Há direito ao desconto de créditos de COFINS, paga na importação de cereais por cerealista, somente quando a venda subseqüente não for feita com suspensão. (grifos não originais) Com base nessas considerações, mantémse a glosa integral dos créditos em questão. Dos fretes vinculados às aquisições com fim específico de exportação. Em relação aos gastos com fretes vinculados às aquisições de mercadorias com fim específico de exportação há expressa vedação à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre tais operações, determinada no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art. 15, III, da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.435 29 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; [...]. (grifos não originais) A vedação de dedução de créditos em destaque tem por objetivo evitar a apropriação de créditos em duplicidade, tanto pela pessoa jurídica vendedora quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora. Ademais, por se tratar norma legal vigente, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, não cabe a este Conselheiro afastar aplicação a referida norma sob argumento de que ela fere preceito de ordem constitucional, em especial, princípio da não cumulatividade das referidas contribuições. Em relação ao ponto, a recorrente alegou que era possível a apropriação de crédito sobre os gastos com frete vinculados tais operações, porque, como se tratava de operação isenta, em conformidade com o entendimento do STF, exarado no julgamento dos RREE 196.527/MG e 212.637/MG, era legítimo o direito de apropriação de crédito nas operações de fretes em questão, uma vez que houve incidência sobre o gasto com a operação de frete e a lei previa a manutenção de créditos nas operações anteriores à exportação. Sem razão à recorrente. A uma, porque à jurisprudência citada referese ao princípio da não cumulatividade do IPI e se encontra superada pela atual jurisprudência da colenda Corte. A duas, porque a glosa em apreço não se refere à manutenção de crédito sobre os gastos com frete vinculados à operação exportação, mas à gastos com operação de frete vinculado a vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, que, conforme demonstrado, há expressa determinação legal que proíbe a apropriação de créditos. O entendimento exarado no Acórdão nº 340300.485 também não se aplica ao caso tela, pois, além de ser uma Resolução, no referido julgado não foi abordado o assunto em comento. Por todas essas razões, mantémse a glosa integral dos créditos apropriados sobre o valor dos gastos com frete vinculados às operações de venda com fim específico de exportação. Dos fretes vinculados às transferências entre estabelecimentos e remessas para depósitos fechados e armazéns gerais. Segundo a fiscalização, as glosas dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de transporte entre estabelecimentos alcançavam transferência de produtos acabados, de produtos em elaboração e de insumos, pois, em qualquer dessas situações, inexistia previsão legal para a tomada de créditos relativamente aos serviços de transporte. O deslinde da questão envolve a análise do tipo gasto com transporte que permite apropriação de crédito. E com base no entendimento anteriormente esposado, geram de direito de créditos da Cofins os gastos com frete no transporte (i) de bens utilizados como insumos de industrialização de produtos destinados à venda e dos produtos em elaboração, nas transferências entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica; e b) dos produtos acabados na operação de venda. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 30 Por outro lado, não geram direito a crédito da Cofins os gastos com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos industriais e os estabelecimentos distribuidores da pessoa jurídica, por não configurar transferência de bens a ser utilizado como insumo nem operação de venda, mas mera operação de transferência dos produtos acabados, com intuito de facilitar a comercialização e a logística de entrega aos futuros compradores. Dessa forma, chegase a conclusão que a recorrente só não faz jus aos créditos sobre os gastos com frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Logo, apenas em relação a esses gastos deve ser mantida a glosa. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, também deve ser mantida a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de remessas de produtos acabados para depósito fechado ou armazém geral, porque, induvidosamente, tais operações também não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de industrialização nem como operação de venda, operações asseguram a apropriação dos referidos créditos, conforme anteriormente demonstrado. Dos fretes vinculados às operações de devolução de venda e de compra. Segundo a fiscalização, a presente glosa referese a créditos calculados sobre despesas com frete no transporte de mercadorias devolvidas tanto nas operações de devolução de compras quanto nas operações de devolução de vendas. Em relação à operação de devolução de venda, há permissão apenas para o estorno do valor do débito da contribuição calculado sobre o valor da receita da venda do bem devolvido, conforme se extrai do disposto no art. 3º, VIII, e § 1º, IV, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: [...] IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] (grifos não originais) Já no que tange à operação de devolução de compra, não há previsão de legal de apropriação de crédito, mas determinação para o estorno do valor do crédito calculado sobre custo de aquisição do bem devolvido. Assim, independentemente do tipo de operação de devolução, não existe amparo legal para a apropriação de crédito da contribuição calculado sobre os gastos com frete Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.436 31 no transporte de bens devolvidos tanto nas operações de devolução de vendas6 quanto nas operações de devolução de compras. Com base nessas considerações, deve ser integralmente mantida a presente glosa determinada pela fiscalização. Dos fretes vinculados às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. Segundo a fiscalização, se não há direito a créditos nas aquisições de mercadorias para revenda, feitas de produtor pessoa física não havia que se falar em créditos relativos aos fretes relacionados a essas aquisições, visto que os mesmos constituemse em parte do custo de aquisição. Assiste razão à fiscalização. Os bens adquiridos para revenda de pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Cofins, segundo determina o art. 3º, § 3º, I, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Dessa forma, se os gastos com frete vinculados ao transporte de bens adquiridos para revenda admitem apropriação de crédito somente sob forma de custos agregados aos referidos bens, conforme anteriormente demonstrado, como não há direito a apropriação de crédito sobre aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas, por conseguinte, também não existe permissão para dedução de créditos sobre os gastos de frete com transporte de tais bens. Assim, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que fazia jus ao referido crédito, porque as operações de aquisição e as operações de transporte (frete) eram operações de distintas naturezas e a isenção ou não incidência em uma das operações não afetava a incidência tributária da outra operação, nem lhe prejudicava o direito ao crédito quando admitido nos termos da lei. Com base nessas considerações, mantémse integralmente a glosa realizada pela fiscalização. 6 Cabe esclarecer que nas assentadas anteriores, com base na análise isolada do art. 3º, VIII, da Lei 10.637/2002, este Relator apresentou entendimento de que, em relação à operação de devolução de venda, era assegurado o direito de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete no transporte dos bens devolvidos. Porém, após análise combinada do disposto no inciso VIII com o disposto no § 1º, IV, ambos do art. 3º da Lei 10.637/2002, este Relator rever o o entendimento anterior e passa a admitir que também em relação à operação de devolução de venda também não existe amparo legal para apropriação de crédito sobre o valor da despesa com frete relativa a esta operação. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 32 Da glosa dos créditos de fretes não comprovados. Em relação as glosas dos créditos por falta de comprovação, a recorrente limitouse em alegar que não havia apresentados as provas em razão do prazo exíguo do 30 (trinta) dias que lhe fora concedido, que deveria ser dilatado por este Conselho, sob pena de mais uma vez ferir o direito de ampla defesa. Sem procedência a alegação da recorrente. Os documentos comprobatórios do valor crédito pleiteado, se existentes, deveriam estar em poder da recorrente desde o momento em que formulado o pedido de restituição, para que, quando solicitado pela fiscalização, fosse apresentado dentro do prazo estabelecido, o que não ocorreu no caso em tela. Noticiam os autos que, embora regularmente intimada, a recorrente não apresentou os documentos comprobatórios dos gastos relativos aos créditos declarados no respectivo Dacon. Da mesma forma, no prazo legal de apresentação manifestação de inconformidade, a recorrente também não apresentou tais documentos, a que estava obrigada, nos termos do art. 16, III, do Decreto 70.235/1972. Assim, ao não apresentar a referida documentação com a manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, consumouse a preclusão do direito de posteriormente apresentála nos presentes autos. Além disso, no recurso em apreço, a recorrente não dignou demonstrar quais a quais itens dos gastos com frete referiamse os supostos documentos comprobatórios, o que impossibilita analisálos. Com efeito, no final recurso, a recorrente apenas mencionou que foi coligido aos autos arquivo em excel contendo listagens das notas fiscais do ano 2007, sem contudo especificar quais tipos de gastos as referidas notas fiscais destinamse a comprovar. A propósito, não se pode olvidar que o exercício do direito de defesa prescinde de objetividade e clareza nos argumentos e, quando necessário a comprovação, da apresentação e referência direta aos elementos probatórios correspondentes. A apresentação de longo texto recheado, em grande parte, de argumentos desconexos e fora de contexto, sem qualquer referência direta aos meios de provas adequados que lhe dão sustentação, além de não esclarecer o cerne da questão, atrapalha e dificulta o deslinde da contenda. Dada essa circunstância, este Relator fica impossibilitado de analisar a citada documentação e, por conseguinte, converter o julgamento em diligência, pelas razões anteriormente aduzidas, por entender que, no caso em tela, não ficou demonstrada a intenção da recorrente em comprovar os fatos em questão, no tempo propício e por meio da documentação adequada, pois, se assim desejasse, certamente, teria trazido aos autos, sem dificuldade, a documentação adequada, posto que, no caso em tela, a comprovação dos fatos controversos dependia apenas da apresentação de documentos fiscais e contábeis que, se existentes, deveriam estar em poder da recorrente. Por essas razões, mantémse a glosa integral dos referidos créditos, por ausência de comprovação. Dos supostos erros de apuração cometidos pela fiscalização. No recurso em apreço, a recorrente reiterou o alegado erro cometido pela fiscalização na apuração dos créditos do 1º trimestre 2005 e no 2º trimestre de 2006. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005203/200901 Acórdão n.º 3302003.209 S3C3T2 Fl. 1.437 33 Entretanto, por não se referir ao período de apuração dos créditos em apreço e não haver a recorrente demonstrado qualquer influência dos alegados erros sobre a apuração do valor dos créditos apurados no período de apuração dos créditos objeto do presente pedido de restituição, deixase de analisar o mérito dos citados erros. 3) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase pela rejeição das preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão de primeiro grau e pelo indeferimento do pedido de diligência/perícia, e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito da recorrente à dedução dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete no transporte de bens utilizados como insumos de industrialização de produtos destinados à venda, inclusive os produtos em processamento, entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009573/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
Tendo o fato gerador da obrigação ocorrido em 31/05/2005 e sendo efetuado pagamento espontâneo deste mês de competência, considera-se decaído o crédito lançado em 25/11/2010, diante da regra do art. 150, § 4º, do CTN.
MUDANÇA DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. REGIME CONTÁBIL. EXCEÇÃO PARA FORNECIMENTO DE BENS PARA ÓRGÃO PÚBLICO.
Adotando o sujeito passivo o regime de caixa e a tributação pelo lucro presumido até o ano-calendário de 2005, a mudança para a tributação pelo lucro real, a partir do ano-calendário subsequente, implica submeter à tributação as receitas contabilizadas e ainda não recebidas, em 31/12/2005, na forma determinada pelo art. 1º. da IN SRF nº. 345, de 2003.
Entretanto, no caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, na época do lançamento e atualmente, há a possibilidade do diferimento do pagamento do PIS e da Cofins para o mês do efetivo recebimento, com amparo no art. 7º da Lei nº 9.718/98.
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
As provas trazidas ao processo comprovam que as receitas auferidas de empresas domiciliadas no exterior e os descontos incondicionais concedidos fizeram parte da base de cálculo lançada e devem ser excluídos.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. Tendo o fato gerador da obrigação ocorrido em 31/05/2005 e sendo efetuado pagamento espontâneo deste mês de competência, considera-se decaído o crédito lançado em 25/11/2010, diante da regra do art. 150, § 4º, do CTN. MUDANÇA DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. REGIME CONTÁBIL. EXCEÇÃO PARA FORNECIMENTO DE BENS PARA ÓRGÃO PÚBLICO. Adotando o sujeito passivo o regime de caixa e a tributação pelo lucro presumido até o ano-calendário de 2005, a mudança para a tributação pelo lucro real, a partir do ano-calendário subsequente, implica submeter à tributação as receitas contabilizadas e ainda não recebidas, em 31/12/2005, na forma determinada pelo art. 1º. da IN SRF nº. 345, de 2003. Entretanto, no caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, na época do lançamento e atualmente, há a possibilidade do diferimento do pagamento do PIS e da Cofins para o mês do efetivo recebimento, com amparo no art. 7º da Lei nº 9.718/98. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As provas trazidas ao processo comprovam que as receitas auferidas de empresas domiciliadas no exterior e os descontos incondicionais concedidos fizeram parte da base de cálculo lançada e devem ser excluídos. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10120.009573/2010-76
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577995
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.892
nome_arquivo_s : Decisao_10120009573201076.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10120009573201076_5577995.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6328452
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048415994118144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 960 1 959 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.009573/201076 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.892 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2016 Matéria PIS e COFINS Auto de Infração Recorrente EMSA EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. Tendo o fato gerador da obrigação ocorrido em 31/05/2005 e sendo efetuado pagamento espontâneo deste mês de competência, considerase decaído o crédito lançado em 25/11/2010, diante da regra do art. 150, § 4º, do CTN. MUDANÇA DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. REGIME CONTÁBIL. EXCEÇÃO PARA FORNECIMENTO DE BENS PARA ÓRGÃO PÚBLICO. Adotando o sujeito passivo o regime de caixa e a tributação pelo lucro presumido até o anocalendário de 2005, a mudança para a tributação pelo lucro real, a partir do anocalendário subsequente, implica submeter à tributação as receitas contabilizadas e ainda não recebidas, em 31/12/2005, na forma determinada pelo art. 1º. da IN SRF nº. 345, de 2003. Entretanto, no caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, na época do lançamento e atualmente, há a possibilidade do diferimento do pagamento do PIS e da Cofins para o mês do efetivo recebimento, com amparo no art. 7º da Lei nº 9.718/98. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As provas trazidas ao processo comprovam que as receitas auferidas de empresas domiciliadas no exterior e os descontos incondicionais concedidos fizeram parte da base de cálculo lançada e devem ser excluídos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 95 73 /2 01 0- 76 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 961 2 DECADÊNCIA. Tendo o fato gerador da obrigação ocorrido em 31/05/2005 e sendo efetuado pagamento espontâneo deste mês de competência, considerase decaído o crédito lançado em 25/11/2010, diante da regra do art. 150, § 4º, do CTN. MUDANÇA DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. REGIME CONTÁBIL. EXCEÇÃO PARA FORNECIMENTO DE BENS PARA ÓRGÃO PÚBLICO. Adotando o sujeito passivo o regime de caixa e a tributação pelo lucro presumido até o anocalendário de 2005, a mudança para a tributação pelo lucro real, a partir do anocalendário subsequente, implica submeter à tributação as receitas contabilizadas e ainda não recebidas, em 31/12/2005, na forma determinada pelo art. 1º. da IN SRF nº. 345, de 2003. Entretanto, no caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, na época do lançamento e atualmente, há a possibilidade do diferimento do pagamento do PIS e da Cofins para o mês do efetivo recebimento, com amparo no art. 7º da Lei nº 9.718/98. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As provas trazidas ao processo comprovam que as receitas auferidas de empresas domiciliadas no exterior e os descontos incondicionais concedidos fizeram parte da base de cálculo lançada e devem ser excluídos. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 962 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DF: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 603/616, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo ao fato gerador de 31/12/2005, incluindo juros de mora e multa proporcional, totalizando R$ 13.173.587,88: De acordo com a descrição dos fatos dos autos de infração, que remete ao Relatório de Fiscalização anexado às fls. 617/621, os lançamentos de ofício se fundamentam na constatação das irregularidades a seguir expostas. a) INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTO DA COFINS E DO PIS Até o anocalendário de 2005, a empresa optou pela tributação do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro presumido, e, para reconhecimento de suas receitas, adotou o regime de caixa, determinando a base de cálculo do IRPJ e das contribuições (inclusive PIS/Cofins) sobre a receita efetivamente recebida. A partir do anocalendário de 2006, a contribuinte optou pela tributação com base no lucro real, ficando desde então submetida ao regime de competência, e, assim, conforme o art. 1º da IN SRF nº. 345, de 2003, deveria encerrar em 31/12/2005 a adoção do regime de caixa, reconhecendo naquela data as receitas auferidas e ainda não recebidas, submetendoas à tributação, o que não ocorreu. A empresa, em relação às receitas auferidas de 2003 a 2005, permaneceu adotando o regime de caixa, e, diante deste cenário, a fiscalização refez o cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins devidos em 31/12/2005 e recolhidos de 2006 a 2007 (postergação), conforme demonstrativo acostado à fl. 602 (parte superior), apurando insuficiências de recolhimento de R$ 51.601,30 e R$ 238.159,85, que estão sendo exigidas em lançamento de ofício, com os acréscimos legais. b) FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS E DO PIS De outra parte, em razão da prática adotada pela contribuinte, a fiscalização constatou que as receitas faturadas em anoscalendário anteriores a 2006, ainda não recebidas, não foram submetidas à tributação, o que motivou o lançamento da Cofins e da contribuição para o PIS sobre essas receitas, com os devidos acréscimos legais, conforme discriminado a seguir (planilha à fl. 602, parte inferior): (A) Receita de obras tributadas – DIPJ/Dacon (2003/2005) 454.162.230,58 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins 10.827.606,48 Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS 2.345.981,40 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 963 4 (B) Receitas de anos anteriores a 2003 118.391.911,26 (C) Receita de obras contabilizadas (2003/2005) 515.648.522,38 (D) Receitas tributadas postergadas (infração anterior) 29.449.064,65 (E) Receitas não tributadas em 31/12/2005 (CA+BD) 150.429.138,41 (F) PIS a lançar (0,65% x E) 977.789,40 (G) Cofins a lançar (3% x E) 4.512.874,15 Dentre as receitas acima computadas, a fiscalização enfoca o caso específico de recebíveis da EMSA transferidos para a empresa Ibuka Mineração Ltda. (CNPJ 33.394.776/00192), destacados nas planilhas de apuração de PIS/Cofins apresentadas pela EMSA (fls. 240/263), que justifica a operação com o argumento de que subscreveu e integralizou cotas do capital social da Ibuka mediante a transferência de direitos creditórios de sua titularidade, conforme 10ª Alteração Contratual e Consolidação da Ibuka e cujos valores foram tributados nesta última. Conforme verificado nos sistemas da RFB, a fiscalização constatou que a Ibuka, de fato, declarou em DCTF montante de débitos tributários compatível com as receitas relativos aos títulos que lhe foram transferidos pela EMSA, mas não recolheu a totalidade desses débitos, cujo saldo foi objeto de parcelamento não honrado, e, recentemente, a Ibuka optou pelo parcelamento da Lei nº. 11.941, de 1009, incluindo todos os débitos (fl. 462). Sobre essa situação, a fiscalização destaca que não há na 10ª Alteração Contratual e Consolidação da Ibuka nenhuma cláusula que obrigue esta empresa a recolher os tributos sobre as receitas relativas aos direitos transferidos pela EMSA, e, ainda que houvesse, vige a respeito o art. 123 do CTN, de sorte que não se pode considerar os pagamentos feitos pela Ibuka como se da EMSA fossem, nem a confissão feita via DCTF, pois não há previsão para tanto. E, mesmo que se aceitasse tal situação, para a qual não há previsão legal, a EMSA deveria ter sido excluída do Refis, instituído pela Lei nº. 9.964, de 2000, da qual é optante, por força do art. 5º., inciso II, deste diploma legal. Por fim, o recebimento dos títulos transferidos à Ibuka se dava na EMSA (lançamentos contábeis às fls. 240/263), o que, corroborado pela alteração contratual da Ibuka, demonstra que esta não se transformou em credora das instituições públicas e privadas devedoras da EMSA, pelo menos formalmente, razão porque tais quantias foram incluídas na base de cálculo das receitas da EMSA por ela não submetidas à tributação. Cientificada das exigências, por via postal, em 25/11/2010 (AR reproduzido à fl. 522), a autuada apresentou em 23/12/2010 as petições impugnativas acostadas às fls. 624/656 (Cofins) e 752/784 (PIS), nas quais, após enfocar os fatos que fundamentam a autuação, ataca o procedimento fiscal com os argumentos a seguir sumariados: DA MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO Evidenciase a patente ilegalidade e inadequação do entendimento adotado pela autoridade tributária que presidiu o procedimento, ao considerar devida a Fl. 963DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 964 5 contribuição para o PIS e a Cofins incidentes sobre receitas diferidas pela impugnante, decorrentes de contratos de longo prazo celebrados com entes públicos, pelo simples fato de o sujeito passivo ter alterado seu regime de apuração do IRPJ, porquanto tal simples mudança de regime tributário (do lucro presumido para o lucro real) não constitui hipótese de incidência ou fato gerador das exações em foco, à luz do disposto no art. 2º da Lei nº. 9.718, de 1998, c/c o art. 2º da IN SRF nº. 247, de 2002, a justificar a antecipação do oferecimento daquelas receitas diferidas que, via de regra, representam mera expectativa de receita. Esclarece que até o anocalendário de 2005 optou pela apuração do IRPJ pelo regime do lucro presumido, o que lhe permitia oferecer à tributação apenas as receitas efetivamente recebidas (regime de caixa), conforme faculdade expressamente contida no art. 13 da Lei nº. 9.718, de 1998, c/c a IN SRF nº. 104, de 1998. Para os anoscalendário de 2006 e subseqüentes, decidiu proceder à mudança daquele regime de tributação, passando a apurar o IRPJ pelo lucro real, mantendo, todavia, em relação às receitas auferidas nos períodos anteriores, a prática contábil e fiscal de somente oferecer à tributação as receitas efetivamente recebidas, pelo fato de todas as suas receitas decorrerem de contratos de empreitada com prazo de execução superior a um ano, celebrados com entidades governamentais, e, assim, serem aplicáveis as disposições específicas constantes dos arts. 407 e 409 do RIR/99, diante do comando expresso no art. 8º da Lei nº. 10.833, de 2003. Neste caso, afirma que se impõe a prevalência da norma específica sobre a regra geral, como decidiu o Conselho de Contribuintes em caso análogo ao vertente, acrescentando, também, que a decisão pela manutenção da prática contábil anteriormente adotada teve sustento, inclusive, na prévia emissão de competente parecer jurídico de uma banca de advogados de notória especialização na matéria, a sociedade Braga & Marafon – Consultores e Advogados (do qual reproduz trechos), que, naquela oportunidade, apresentou entendimento favorável à manutenção da dita prática. A prevalecer o entendimento da autoridade tributária, estarseia diante de uma verdadeira nova hipótese de incidência ou fato gerador das exações lançadas, qual seja, “mudança de regime tributário”, o que afrontaria de morte o disposto no art. 2º da Lei nº. 9.718, de 1998, c/c o art. 2º da IN SRF nº. 247, de 2002, que, em consonância com a Carta Constitucional de 1988, determinam como fato gerador o “auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado”, expressão que apresenta íntima relação com os conceitos de “renda” e “acréscimos” trazidos pelo art. 43 do CTN. Enfim, aduz que não há como aceitar a presuntiva precipitação da tributação sobre renda que, à época da mudança do regime de tributação da empresa, ainda não se encontrava disponível, já que, conforme exposto anteriormente, seu fato gerador somente se configura a partir de fato futuro: o efetivo pagamento, por parte da entidade governamental contratante, do preço acordado. DA TRANSFERÊNCIA DOS DIREITOS CREDITÓRIOS PARA A IBUKA A impugnante faz um relato de seu ingresso, em 02/05/2005, como sócia cotista da Ibuka Mineração Ltda., confirmando que utilizou para integralizar novas cotas de capital social desta, no valor de R$ 132.965.409,00, direitos creditórios de sua titularidade, com respaldo na própria legislação civilista vigente (Lei nº. 10.406, de 2002, art. 997, III e art. 1.081). Diante dessa operação societária permitida por lei e adotando a Ibuka a sistemática de apuração pelo regime do lucro presumido, a mesma registrou o Fl. 964DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 965 6 aumento de capital lançando em sua contabilidade os valores a receber que lhe foram transferidos, bem como procedeu, à medida do recebimento desses valores, ao oferecimento destes à tributação, como receitas não operacionais, na forma do art. 521 do RIR/99. Ademais, é entendimento abraçado pela própria RFB que o valor pelo qual a pessoa subscritora confere bens integrantes de seu patrimônio a título de integralização de capital social de determinada pessoa jurídica constitui receita bruta para efeitos de tributação, como esclarece a Solução de Consulta nº 169, de 2010, de modo que é injustificado o fundamento da autoridade lançadora, no sentido de que não se pode considerar os pagamentos feitos pela Ibuka como se da EMSA fossem, nem a respectiva confissão de débitos feita via DCTF. Sobre o fato de terem sido pagos à EMSA os créditos transferidos à Ibuka, esclarece que atuou, no caso, com uma mera intermediária na percepção e posterior trespasse dos referidos valores, contabilizando tais quantias recebidas como “numerário em trânsito”. DA QUESTÃO EVENTUAL DE DECADÊNCIA Eventualmente, a prevalecer o errôneo entendimento firmado pela autoridade fiscal de que o fato gerador restaria configurado quando das contratações firmadas entre a impugnante e suas tomadoras de serviços, ainda assim grande parte dos lançamentos tributários encontrarseia definitivamente fulminada pela decadência. Isto porque todo o crédito tributário objeto do auto de infração restou constituído em 19/11/2010, sendo certo, todavia, que, conforme entendimento firmado pelo mesmo autor do feito, grande parte do crédito tributário combatido possui fato gerador que remonta ao período anterior a 19/11/2005, cuja decadência ocorreu em razão do disposto no art. 150, § 4º., do CTN. DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS Também em caráter eventual, protesta contra a indevida desconsideração pela autoridade fiscal, na apuração do montante tributável, da existência de valores representativos de descontos incondicionais concedidos sobre serviços prestados pela impugnante, no valor total de R$ 3.535.413,17, conforme consta de seu balancete analítico consolidado e documentos ora juntados. Ignorar esta exclusão constitui frontal violação à IN SRF nº. 247, de 2002, que em seu art. 23 determina que, para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, devem ser excluídos/deduzidos da receita bruta os descontos incondicionais concedidos. DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO Por fim, igualmente por cautela, destaca que parte dos valores considerados tributáveis pela autoridade fiscal são representados por receitas geradas por serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (no caso a IGECO SPA), consideradas isentas da contribuição para o PIS e da Cofins, conforme determinação expressa no art. 14 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 2009 e do art. 46 da IN SRF nº. 247, de 2002, razão porque se impõe o recálculo das exações, neste particular, acaso mantidas. Encerra manifestando a pretensão de provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 966 7 A DRJ/Brasília considerou a impugnação procedente em parte sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2005 REGIME DE CAIXA. LUCRO PRESUMIDO. MUDANÇA PARA O REGIME DO LUCRO REAL. Adotando o sujeito passivo o regime de caixa e a tributação pelo lucro presumido até o anocalendário de 2005, a mudança para a tributação pelo lucro real, a partir do anocalendário subsequente, implica submeter à tributação as receitas contabilizadas e ainda não recebidas, em 31/12/2005, na forma determinada pelo art. 1º. da IN SRF nº. 345, de 2003. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. CRÉDITOS A RECEBER. Na tributação pelo lucro presumido e regime de caixa, constitui receita do subscritor, na data da operação, o valor pelo qual este transfere créditos a receber a título de integralização de capital social de outra pessoa jurídica. DECADÊNCIA. Tendo o fato gerador da obrigação ocorrido em 31/05/2005 e efetuado pagamento espontâneo deste mês de competência, considerase decaído o crédito lançado em 25/11/2010, diante da regra do art. 150, § 4º., do CTN. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Não há exclusões a fazer do valor apurado pela fiscalização, uma vez tendo este se baseado em planilhas de apuração do sujeito passivo, na qual não estão incluídas nas bases de cálculo as receitas de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2005 LANÇAMENTO DECORRENTE DOS MESMOS FATOS. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o que foi decidido em relação ao lançamento da Cofins, formalizado a partir dos mesmos elementos fáticos. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 967 8 No recurso voluntário a recorrente repete os argumentos da impugnação, em relação aos itens do auto de infração que foram mantidos pelo acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DF. Houve recurso de ofício questionando a decadência do direito do Fisco de constituir os lançamentos, declarada pelo Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DF. É o relatório. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 968 9 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. 1) Recurso de Ofício: Há recurso de ofício questionando a decadência do direito do Fisco de constituir os lançamentos, declarada pelo Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DF. Houve reconhecimento da decadência em relação à operação que envolve o ingresso da recorrente como cotista da empresa Ibuka. O fato gerador se deu na transferência de créditos para integralização de cotas de capital da empresa Ibuka, subscritas pela EMSA. Em decorrência da utilização de recebíveis de titularidade da EMSA para a integralização das cotas subscritas para aumento de capital da Ibuka, no montante de R$ 132.965.409,00, este valor ficou sujeito à incidência tributária na EMSA em 02/05/2005, que foi a data do fato gerador do PIS e da Cofins. O Auditor Fiscal considerou a data do fato gerador como 31/12/2005, por colocar esses créditos a receber na mesma situação das receitas diferidas e que deveriam ter sido oferecidas à tributação no momento da mudança do regime de tributação do lucro presumido para o lucro real. Entretanto, a realização desses créditos efetivamente se deu em 02/05/2005. Superada a questão da data do fato gerador, passo a analisar a questão do pagamento antecipado dos tributos. As planilhas de fls. 442/443 do processo trazem que a recorrente realizou pagamentos de PIS e Cofins referentes ao mês de maio de 2005. Tais pagamentos não se caracterizam como pagamentos parciais do fato gerador surgido com a integralização das cotas subscritas para aumento de capital da empresa Ibuka. Entretanto, o CARF considera que o conceito de pagamento parcial é o do pagamento realizado na competência em questão, para o tributo em questão. Portanto, efetivamente, houve pagamento antecipado de PIS e Cofins na competência de maio de 2005. A matéria foi objeto do Parecer PGFN/CAT nº. 1.617, de 2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, cujo entendimento vincula os órgãos da administração fazendária, no sentido de que, tendo havido pagamento espontâneo pelo sujeito passivo, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4º., do CTN. Quando não houver pagamento antecipado, deve ser seguido o mandamento do art. 173, inciso I, do mesmo CTN. No processo em tela, o auto de infração alega que não é possível considerar que pagamentos da empresa Ibuka sejam utilizados pela recorrente para caracterizar Fl. 968DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 969 10 pagamentos de PIS e Cofins na competência de maio de 2005. Não foi isso o que ocorreu. Houve pagamentos de PIS e Cofins da empresa EMSA em maio de 2005. O auto de infração também afirma que débitos confessados em DCTF não podem ser considerados pagamentos. Entretanto, na planilha de fls 442 e 443 há débitos declarados em DCTF e há DARFs comprovando que o tributo foi recolhido, caracterizando o pagamento antecipado dos tributos. Assim, considerando que os períodos de apuração da contribuição para o PIS e da Cofins são mensais, o fato gerador concretizouse em 31/05/2005, e, como houve pagamentos espontâneos da recorrente relativos a esse período, a regra decadencial aplicável é a definida no art. 150, § 4º., do CTN, de forma que o Auditor Fiscal poderia constituir, de ofício, o crédito tributário de PIS e da Cofins relativo a maio de 2005, até 31/05/2010. Portanto, em 25/11/2010, quando o sujeito passivo foi cientificado dos autos de infração, havia ocorrido a decadência do direito de lançar. Assim, não assiste razão à Fazenda Nacional em seu recurso de ofício. 2) Recurso Voluntário: No recurso voluntário, a recorrente ataca três pontos do auto de infração: a) A ilegalidade e inadequação dos critérios de apuração da Cofins e do PIS decorrentes da mudança de opção de regime tributário, de lucro presumido para lucro real; b) A autuação sobre receitas oriundas de prestação de serviço para empresa domiciliada no exterior; c) Recálculo da base imponível, com a consideração dos descontos incondicionais concedidos pela recorrente. Assim, analiso os itens abordados no recurso voluntário: a) Lançamento sobre as receitas contabilizadas e não recebidas em conseqüência de mudança de regime de tributação: Como bem dito no acórdão recorrido, o regime de competência constitui a regra geral para o reconhecimento da receita auferida pela pessoa jurídica, quer o resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL seja apurado pelo lucro real ou pelo lucro presumido. Excepcionalmente, a pessoa jurídica optante pelo regime de apuração com base no lucro presumido foi autorizada a adotar o regime de caixa no reconhecimento da receita auferida a ser tributada, conforme faculdade expressa no art. 13, § 2º., da Lei nº. 9.718, de 1998: Art. 13 (...) §2° Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou de caixa, observado o critério Fl. 969DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 970 11 adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido. Assim, o legislador admitiu que o fato gerador da obrigação tributária ficasse suspenso até que se concretizasse a realização da receita, enquanto a pessoa jurídica permanecesse no regime do lucro presumido. Posteriormente, a Instrução Normativa nº. 345, de 2003, dispôs sobre o tratamento tributário aplicável na hipótese de mudança do regime de reconhecimento das receitas em função do recebimento para o regime de competência. Art. 1º Para fins de apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep, a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido ou pela tributação na forma do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas à medida do recebimento e, por opção ou obrigatoriedade, passar a adotar o critério de reconhecimento de suas receitas segundo o regime de competência, deverá reconhecer no mês de dezembro do ano calendário anterior àquele em que ocorrer a mudança de regime as receitas auferidas e ainda não recebidas. Portanto, a autuação foi realizada porque a recorrente optou pela tributação pelo lucro presumido até o anocalendário de 2005, e, a partir do anocalendário de 2006, resolveu migrar para o regime do lucro real, mas permaneceu a oferecer à tributação as receitas auferidas até 31/12/2005 e, ainda não recebidas, pelo regime de caixa. No recurso voluntário a recorrente afirma que a manutenção da autuação traria uma nova hipótese de incidência, mas isso não é verdade já que, enquanto permanecer no regime do lucro presumido, a pessoa jurídica pode optar pela apuração pelo regime de caixa, mas, uma vez migrando para o regime do lucro real, essa permissão cessa na data da mudança do regime de tributação, daí a regra estampada no art. 1º da IN SRF nº. 345, de 2003. A recorrente contratou um laudo técnico para analisar se sua conduta estava correta. Neste laudo consta o argumento de que receitas não recebidas representam mera expectativa de receitas. Não se pode aceitar isso, já que isso desnaturaria o próprio regime de competência e o fato de que a base de cálculo das contribuições ser a receita auferida e não a receita recebida. A recorrente também incorre em equívoco ao afirmar que poderia continuar adotando o regime de caixa após ingressar no regime do lucro real, para tributar as receitas faturadas no pretérito, no regime do lucro presumido, sob o comando dos artigos 407, inciso II e 409 do RIR/99, que admitem o seguinte: Art. 407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10): Fl. 970DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 971 12 ......................................................................................................... .......................... II parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. (...) Art. 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso I). As receitas auferidas no regime do lucro presumido e ainda não recebidas devem ser oferecidas à tributação no momento em que a pessoa jurídica abandona esse regime, de sorte que as regras acima enfocadas, aplicáveis ao regime do lucro real, só podem ser adotadas em relação às receitas auferidas no novo regime de tributação. A recorrente também afirma que as regras constantes dos artigos 407, inciso II e 409 do RIR/99, seriam as regras mais específicas para o caso, e, com isso, deveriam prevalecer. Tal argumento também não se sustenta, já que a norma mais específica para o caso em questão é exatamente a Instrução Normativa nº. 345, de 2003. Entretanto, o tratamento tributário dos contratos de construção ou fornecimento a órgãos públicos é uma exceção à essa regra. Nos contratos de construção por empreitada, subempreitada ou fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, o contribuinte poderá diferir o pagamento da Cofins para o mês do efetivo recebimento. Na época do lançamento e atualmente, o diferimento do pagamento do PIS e da Cofins para o mês do efetivo recebimento está amparado no art. 7º da Lei nº 9.718/98 e foi estendido ao subempreiteiro ou subcontratado, na hipótese de subcontratação parcial ou total da empreitada ou do fornecimento. Abaixo transcrevo a fundamentação, disposta no art. 7º da Lei nº 9.718/98: Art. 7º No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, o pagamento das contribuições de que trata o art. 2º desta Lei poderá ser diferido, pelo contratado, até a data do recebimento do preço. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 972 13 Parágrafo único. A utilização do tratamento tributário previsto no caput deste artigo é facultada ao subempreiteiro ou subcontratado, na hipótese de subcontratação parcial ou total da empreitada ou do fornecimento. Portanto, com base na fundamentação acima disposta, o auto de infração deve ser cancelado em relação a essa matéria. b) Receitas recebidas de empresas domiciliadas no exterior: No recurso voluntário a recorrente afirma que deve ser excluída da base de cálculo do lançamento a receita de exportação advinda de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, conforme balancete analítico consolidado de dezembro de 2003. Alega que há isenção de PIS e Cofins sobre tais receitas. No acórdão recorrido é dito que sobre serviços prestados pela impugnante à empresa IGECO SPA, pessoa jurídica domiciliada no exterior, importa frizar que a autuação adotou as planilhas analíticas das bases de cálculo de PIS e Cofins fornecidas pela própria recorrente. Ainda no acórdão recorrido é dito que em tais planilhas contatase que as receitas em questão sequer foram computadas como receitas constantes da base de cálculo do PIS e da Cofins. Como prova, transcrevo o exemplo citado na decisão recorrida: A invoice exibida à fl. 735, no valor líquido de US$ 3,298,955.74 (já deduzido o desconto incondicional de US$ 507,385,26, emitida em 30/03/2004, cujo recebimento em moeda corrente foi realizado em 06/04/2004, consoante contrato de câmbio de compra às fls. 736/738. A planilha analítica relativa ao mês de março de 2004 mostra que essa fatura, por ser configurar receita de exportação, não foi computada como receita contabilizada para fins de incidência de PIS/Cofins, e, por via de conseqüência, não integra os valores tributáveis apurados pela fiscalização. Não concordo com o acórdão recorrido. Primeiramente, no balancete analítico consolidado de dezembro de 2003, de fl. 697, está contabilizada na conta Receita de Exportação Construção Civil Exportação o valor de R$ 26.388.984,10. Isto é, efetivamente houve a escrituração contábil da prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior. No acórdão recorrido afirmase que não há que se fazer qualquer exclusão, já que as citadas operações não foram incluídas nas receitas contabilizadas sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, por não terem sido computadas nas planilhas apresentadas pela recorrente e que serviram de base para a autuação. Entretanto, tais receitas fizeram parte da base de cálculo apurada no auto de infração. A base de cálculo apurada para os anos de 2003, 2004 e 2005 foi de R$ 515.648.522,38, composta de R$ 157.978.966,75 em 2003, R$ 159.400.307,37 em 2004 e R$ 169.216.077,84 em 2005. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 973 14 Especificamente em 2003, que foi o ano em que a exclusão foi pedida no recurso voluntário, o valor foi composto pelas contas Construção Civil Obras com R$ 127.572.162,99 e Construção Civil Exportação com R$ 26.388.984,10. Portanto, as receitas auferidas com a prestação de serviços para pessoas jurídicas domiciliadas no exterior fizeram parte da base de cálculo do PIS e da Cofins lançadas no auto de infração. A fundamentação para a exclusão dessas receitas está no art. 14 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 2009 e no art. 46 da IN SRF nº. 247, de 2002. Portanto, em relação ao ano de 2003, assiste razão à recorrente nessa matéria do recurso voluntário. c) Descontos incondicionais: De maneira semelhante ocorre a análise do pedido de exclusão dos descontos incondicionais concedidos pela recorrente. No já citado balancete analítico consolidado de dezembro de 2003, de fl. 697, está contabilizada na conta Descontos Incondicionais o valor de R$ 3.535.413,17. Isto é, efetivamente houve a escrituração contábil de tais descontos incondicionais. Como dito no item anterior, a base de cálculo lançada incluiu esse valor, sendo que o balancete trazido ao processo prova que o mesmo deveria ser excluído da base de cálculo. A fundamentação para a exclusão dos descontos incondicionais da base de cálculo é a IN SRF nº. 247, de 2002, que em seu art. 23 determina que, para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, devem ser excluídos da receita bruta os descontos incondicionais concedidos. Portanto, em relação ao ano de 2003, assiste razão à recorrente nessa matéria do recurso voluntário. Conclusão: Recurso de Ofício: 1) Em relação à decadência reconhecida pelo Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília no que tange à operação que envolve a transferência de créditos para integralização de cotas de capital da Ibuka, subscritas pela EMSA, não assiste razão à Fazenda Nacional. Recurso Voluntário: 1) Em relação às receitas de PIS e Cofins que deveriam ser submetidas à tributação em 31/12/2005 e o foram a partir do anocalendário de 2006, o auto de infração deve ser cancelado; 2) Em relação à exclusão da base de cálculo das receitas recebidas de empresa domiciliada no exterior, assiste razão à recorrente. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10120.009573/201076 Acórdão n.º 3301002.892 S3C3T1 Fl. 974 15 3) Em relação à exclusão da base de cálculo dos descontos concedidos, assiste razão à recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e por dar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 974DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 11020.907883/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
RESTITUIÇÃO. VALORES COMPENSADOS.
O valor restituível no caso de pagamento a maior que o devido é aquele proveniente de pagamento ou valores compensados.
MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO DESPACHO DECISÓRIO. INDEFERIMENTO LIMINAR DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DA TESE PELO CARF. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR.
Constatando-se que o despacho decisório não analisou matéria em razão do indeferimento liminar do direito pleiteado, superado tal entendimento pelo CARF, impõe-se o retorno dos autos à Unidade local a fim de que profira despacho decisório complementar sobre o tema.
Numero da decisão: 1402-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido levando em consideração eventual crédito decorrente das Dcomps relacionadas no bojo do voto condutor que tenham sido homologadas, retomando-se o rito processual a partir daí. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 RESTITUIÇÃO. VALORES COMPENSADOS. O valor restituível no caso de pagamento a maior que o devido é aquele proveniente de pagamento ou valores compensados. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO DESPACHO DECISÓRIO. INDEFERIMENTO LIMINAR DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DA TESE PELO CARF. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. Constatando-se que o despacho decisório não analisou matéria em razão do indeferimento liminar do direito pleiteado, superado tal entendimento pelo CARF, impõe-se o retorno dos autos à Unidade local a fim de que profira despacho decisório complementar sobre o tema.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11020.907883/2012-19
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5581072
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-001.993
nome_arquivo_s : Decisao_11020907883201219.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
nome_arquivo_pdf_s : 11020907883201219_5581072.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido levando em consideração eventual crédito decorrente das Dcomps relacionadas no bojo do voto condutor que tenham sido homologadas, retomando-se o rito processual a partir daí. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6347359
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048416011943936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2182; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 352 1 351 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.907883/201219 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.993 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de dezembro de 2015 Matéria CSLL Recorrente MARCOPOLO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 RESTITUIÇÃO. VALORES COMPENSADOS. O valor restituível no caso de pagamento a maior que o devido é aquele proveniente de pagamento ou valores compensados. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO DESPACHO DECISÓRIO. INDEFERIMENTO LIMINAR DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DA TESE PELO CARF. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. Constatandose que o despacho decisório não analisou matéria em razão do indeferimento liminar do direito pleiteado, superado tal entendimento pelo CARF, impõese o retorno dos autos à Unidade local a fim de que profira despacho decisório complementar sobre o tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido levando em consideração eventual crédito decorrente das Dcomps relacionadas no bojo do voto condutor que tenham sido homologadas, retomandose o rito processual a partir daí. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 78 83 /2 01 2- 19 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907883/201219 Acórdão n.º 1402001.993 S1C4T2 Fl. 353 2 (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907883/201219 Acórdão n.º 1402001.993 S1C4T2 Fl. 354 3 Relatório Marcopolo S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Campo Grande/MS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A contribuinte acima qualificada apresentou o Pedido de Restituição nº 25333.41169.200312.1.6.033373, relativamente ao crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do período de apuração 4º trimestre de 2009, no valor original de R$ 743.509,37. Houve Declaração de Compensação que utilizava o crédito pleiteado nesse pedido. O direito creditório não foi reconhecido e a compensação não foi homologada. Pelo despacho decisório de fl. 45 o pedido de restituição foi indeferido uma vez não haver saldo negativo disponível, em face de na DIPJ correspondente ao período de apuração ter sido apurado contribuição social a pagar. A ciência quanto ao referido despacho decisório ocorreu em 16 de julho de 2012, conforme AR à fl. 46. Em 14 de agosto de 2012 foi protocolado o documento de fls. 2 a 7, no qual, após relato resumido dos fatos, é aduzido que: a) para o 4º trimestre de 2009, apurou e recolheu, em 29 de janeiro de 2010, o valor de R$ 1.819.153,24 (doc 6); b) quando da entrega da DIPJ/2010 (anocalendário 2009), o valor apurado de CSLL devida para o 4º trimestre de 2009 foi de R$ 1.075.643,87; c) houve equívoco quanto ao pedido apresentado, que deveria ser relativo a “pagamento indevido ou a maior” e não a “saldo negativo”; d) não havia como retificar a DIPJ, porque correta, e nem o PER uma vez que não é possível alterar a origem do crédito depois de enviado o pedido; e) o crédito é existente, embora o equívoco perpetrado no PER; f) no processo administrativo prevalece a verdade material sobre a verdade formal. Ao final, é requerido o reconhecimento total do direito creditório pleiteado e a consequente homologação das Dcomps.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 04 34.431 (fls. 5153) de 10/12/2013, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907883/201219 Acórdão n.º 1402001.993 S1C4T2 Fl. 355 4 RESTITUIÇÃO. VALORES COMPENSADOS. O valor restituível no caso de pagamento a maior que o devido é aquele proveniente de pagamento e não de valores compensados.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/12/2013 (A.R. de fl. 57) a interessada interpôs recurso voluntário em 28/01/2013 (fls. 5986) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907883/201219 Acórdão n.º 1402001.993 S1C4T2 Fl. 356 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Alega a recorrente que apurou o valor de R$ 1.819.153,24 em 29 de janeiro de 2010, quitandoo por meio de DCOMP (cópia trazida na manifestação de inconformidade às fls. 23 – doc 6). De fato, constatase do “doc 6”, anexo à manifestação de inconformidade, que o montante de R$ 1.819.153,24 decorre de compensação em que foi indicado como débito a CSLL e, como crédito, valor de Cofins não cumulativa. A decisão recorrida considerou improcedente a manifestação de inconformidade sob a alegação de que não havia pagamento de CSLL, já que a extinção do crédito tributário (CSLL) se dera por compensação e não por pagamento. Vejase o trecho da decisão recorrida. Dessa forma, não houve pagamento de CSLL no valor de R$ 1.819.153,24. Se a Dcomp respectiva foi homologada, a extinção do crédito tributário (CSLL) deuse por compensação e não por pagamento. Aliás, a própria interessada reconhece isso na manifestação de inconformidade quando cita o “doc 6” (fl. 4). E a restituição de “pagamento indevido ou a maior que o devido” só pode ser efetuada se tiver havido efetivo pagamento. No caso de extinção do crédito tributário por compensação, se isso deuse de forma incorreta em face de apuração de valor a maior do débito, a correção há que ser efetuada, mas não é cabível o pedido de restituição. O procedimento deve ser o de retificação da DCTF em que o débito a maior foi informado, em consonância com a DIPJ, o que liberaria o valor excedente do crédito compensado, esse sim passível de restituição ou compensação, observada a legislação específica. Dessa forma, não podem prosperar as alegações veiculadas. Com efeito, esta Turma tem entendimento assente no sentido de reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação. E isso porque compensação e pagamento, embora não possuam a mesma natureza jurídica, a teor do art. 156 do CTN são modalidades de extinção do crédito tributário e, consequentemente, produzem os mesmos efeitos quanto ao reconhecimento de direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior, seja por pagamento ou por compensação. Vejase a jurisprudência deste Conselho, nesse particular. DCOMP. PAGAMENTO. EQUIVALÊNCIA. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907883/201219 Acórdão n.º 1402001.993 S1C4T2 Fl. 357 6 A compensação pressupõe um pagamento anterior, ocorrido a maior ou indevidamente. A DCOMP é apenas a afetação desse pagamento, surtindo o mesmo efeito e merecendo equivalência. (Acórdão nº 1803002.091, de 11/03/2014). Reconhecido o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação, há que se analisar, para o caso em apreço, sua certeza e liquidez. Dessa forma, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido levando em consideração eventual crédito decorrente da Dcomp referenciada acima, retomandose o rito processual a partir daí. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
