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Numero do processo: 13830.722733/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESA QUE SE UTILIZA DOS SERVIÇOS E REMUNERA OS SEGURADOS.
É sujeito passivo da relação jurídico-obrigacional concernente ao recolhimento das contribuições sociais a empresa que se utiliza da prestação de serviço e remunera os segurados, independentemente da contratação formal ter sido efetuada por outra pessoa jurídica.
IMUNIDADE. TRANSFERÊNCIA PARA PESSOA JURÍDICA DIVERSA. IMPOSSIBILIDADE.
A imunidade ao recolhimento das contribuições sociais não pode ser estendida a entidade outra que aquela que preenche os requisitos legais para gozar do benefício fiscal.
FUNDAÇÕES CRIADAS POR LEI. DESNECESSIDADE DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE PARA GOZO DA IMUNIDADE.
A criação de entidade filantrópica sem fins lucrativos por lei supre o certificado ou registro que ateste tal finalidade, devendo ser considerada imune ao recolhimento das contribuições sociais se somente foi esse o requisito apontado como descumprido pelo fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do polo passivo a Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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EMPRESA QUE SE UTILIZA DOS SERVIÇOS E REMUNERA OS SEGURADOS. É sujeito passivo da relação jurídicoobrigacional concernente ao recolhimento das contribuições sociais a empresa que se utiliza da prestação de serviço e remunera os segurados, independentemente da contratação formal ter sido efetuada por outra pessoa jurídica. IMUNIDADE. TRANSFERÊNCIA PARA PESSOA JURÍDICA DIVERSA. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade ao recolhimento das contribuições sociais não pode ser estendida a entidade outra que aquela que preenche os requisitos legais para gozar do benefício fiscal. FUNDAÇÕES CRIADAS POR LEI. DESNECESSIDADE DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE PARA GOZO DA IMUNIDADE. A criação de entidade filantrópica sem fins lucrativos por lei supre o certificado ou registro que ateste tal finalidade, devendo ser considerada imune ao recolhimento das contribuições sociais se somente foi esse o requisito apontado como descumprido pelo fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 27 33 /2 01 3- 09 Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do polo passivo a Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13830.722733/201309 Acórdão n.º 2402005.254 S2C4T2 Fl. 1.676 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração que integra o presente processo. Tratase do AI n.° 51.051.4367, no qual são exigidas as seguintes contribuições patronais para a Seguridade Social: a) contribuição para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS incidente sobre a remuneração de segurados empregado e contribuintes individuais; b) contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); e c) adicional para financiamento da aposentadoria especial concedida aos segurados que laboram em condições prejudiciais a sua integridade física. Segundo o relatório fiscal, fls. 1.565/1.579, os fatos geradores considerados no lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais formalmente contratados e informados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP da Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília FMESM (antiga FUMES), mas que prestavam serviços para a Faculdade de Medicina de Marília FAMEMA. Afirmase ainda que a apuração se estendeu aos fatos geradores declarados nas GFIP da FAMEMA e da Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília FAMAR, todavia, não se verificou diferenças a recolher. Acrescentase que as contribuições patronais relativas aos segurados vinculados à FMESM não foram recolhidas posto que esta se enquadrava incorretamente como entidade beneficente de assistência social. Segundo o relato da autoridade lançadora a FAMEMA, autarquia de regime especial estadual criada pela Lei n.° 8.898/1994, assumiu as atividades da Faculdade de Medicina de Marília, até então mantida pela FUMES (agora FMESM), incorporando o patrimônio, direitos e obrigações da Faculdade, inclusive o Hospital das Clínicas de Marília e os estabelecimentos a ele vinculados. Quanto ao pessoal, informase que a FAMEMA aproveitou os trabalhadores a serviço do FMESM, que se mantiveram formalmente vinculados a esta, todavia, as remunerações e vantagens, além dos encargos sociais, eram suportados pela Autarquia Estadual. Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Concluiu o fisco que a FAMEMA, por se utilizar dos serviços e assumir o pagamento das remunerações, é o sujeito passivo das contribuições sociais, conforme definição contida no art. 121 do Código Tributário Nacional CTN. A FMESM foi incluída do polo passivo da exação na condição de devedora solidária, por entender o fisco que esta teria interesse comum na situação que constitui o fato gerador (art. 124, I, do CTN), em razão de manter os segurados envolvidos na apuração formalmente em seu quadro de pessoal. Acrescentase ainda que a FMESM não era detentora do direito à isenção das contribuições sociais, haja vista que não possuía o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nem na vigência do art. 55 da Lei n.° 8.212/1991, tampouco na atual configuração normativa. Por outro lado, o fisco enfatizou que, mesmo que a FMESM tivesse direito à isenção em tela, este benefício não poderia ser estendido para a prestação de serviços à FAMEMA, posto que a isenção restringese à entidade para a qual foi concedida. Cientificada do lançamento em 30/12/2013, a FMESM apresentou impugnação de fls. 1.586/1.589, alegando a sua condição de isenta. Às fls. 1.590/1.607, também compareceu aos autos a FAMEMA para alegar, além da questão da isenção, a sua ilegitimidade para figurar no polo passivo. A DRJ manteve integralmente o lançamento (ver fls. 1.620/1.626), em acórdão assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 SUJEIÇÃO PASSIVA É sujeito passivo da obrigação tributária, contribuinte, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. SOLIDARIEDADE É responsável solidária a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA Inexiste isenção quando a entidade não comprova, por meio da certificação de entidade beneficente de assistência social, o cumprimento dos requisitos necessários à sua obtenção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" A FAMEMA apresentou recurso de fls. 1.634/1.654, no qual, em síntese, alegou os pontos abaixo. Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13830.722733/201309 Acórdão n.º 2402005.254 S2C4T2 Fl. 1.677 5 Ilegitimidade passiva Não pode ser responsabilizada pela dívida, haja vista que sequer tem empregados. A provisão de cargos para suprir suas necessidades de pessoal depende de concurso público, que ainda não foi realizado. Em se tratando de tributo decorrente de relação empregatícia, a sua exigência deve ser direcionada para a FMESM, que é a real empregadora dos segurados envolvidos na apuração. O fisco, na verdade, está a criar uma nova hipótese de incidência resultante da transferência de segurados de uma entidade para outra. A Lei de Custeio da Previdência Social prevê que a contribuição somente pode ser imposta a quem é empregadora, o que não é o caso da recorrente. Cita dispositivos das leis que criaram a FUMES e a FAMEMA, para concluir que a transferência de pessoal entre as entidades não ocorreu, até porque o ingresso nos quadros desta última somente pode ocorrer via concurso público. Não procede o argumento de que a FUMES foi extinta, esta entidade ainda está em efetivo funcionamento, cumprindo os termos do convênio firmado com a recorrente. Cita a "Cláusula Quarta" do convênio que prevê o pagamento dos salários e encargos dos empregados da FUMES postos a sua disposição. Não há que se falar em qualquer cobrança em face da Autarquia Estadual, posto que esta não era o sujeito passivo da obrigação tributária. Imunidade/Isenção A FUMES foi criada pela Lei n.° 1.371/1966, vindo a ser declarada de utilidade pública em 1968, quando requereu e obteve no ano seguinte o registro no Conselho Nacional de Serviço Social. Diante dessas providências, o INSS reconheceu a condição de isenta da Fundação nos termos da Lei n.° 3.577/1959, tanto que, por quase vinte anos, jamais questionou tal situação. O DecretoLei n.° 1.572/1977, que revogou a Lei n.° 3.577/1959, trouxe novas exigências para o reconhecimento do benefício fiscal e a FUMES prontamente obteve o certificado de filantropia e a declaração de utilidade pública, conseguindo do INSS o reconhecimento expresso da isenção. Todavia, mais de dez anos depois vem o órgão recorrido alegar que a Fundação Municipal não mais faria jus à isenção pelo fato do certificado de filantropia somente ter sido emitido em 21/06/1983 e a declaração federal de utilidade pública se dado em 30/07/1981. Não tem razão a Fazenda, pois a Lei n.° 3.577/1959 não exigia que o decreto de utilidade pública fosse federal. Essa exigência veio com o DecretoLei n.° 1.572/1977 e a entidade formulou o pedido dentro do prazo ali estabelecido, conforme Processo MJ n.° 71.503/1977. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Quanto ao certificado de entidade filantrópica, este foi obtido em 21/06/1983, todavia, com efeitos retroativos a 07/06/1977. Ainda que não tivesse adotado tais providências, haveria de ser reconhecer a sua condição de entidade filantrópica e isenta do recolhimentos das contribuições sociais, posto que a jurisprudência tem entendido que o reconhecimento da condição de isenta das filantrópicas é meramente declaratório e tem efeito retrooperante. A relevância dos serviços de saúde prestados pela Fundação Municipal não deixa espaço para não se reconheça sua condição de isenta, tanto que o Judiciário quando provocado extinguiu execuções ajuizadas pela Fazenda para recebimento de créditos relativos às contribuições sociais. A FUMES atendeu ainda a todos os requisitos da Lei n.° 8.212/1991 e do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999, inclusive aquele que dispõe ser entidade beneficente de assistência social aquela que preste efetivamente sessenta por cento de seus serviços ao Sistema Único de Saúde SUS. Este direito também foi reconhecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social quando baixou a Resolução n.° 177. Outro fundamento que fulmina o lançamento encontrase no art. 4.° da Lei n.° 9.429/1996, o qual preceitua que os débitos de contribuições sociais devidos a partir de 25/07/1981 estariam extintos para as entidades que cumprissem os requisitos do art. 55 da Lei n.° 8.212/1991 e, sem dúvida, a Fundação Municipal atendeu a esses ditames legais. Apresenta excerto da decisão judicial em embargos à execução que desonerou a FUMES do pagamento de contribuições objeto de lançamento fiscal e conclui que não sendo devidas as contribuições em razão da isenção mencionada não há débito a ser transferido para a recorrente. Ao final, pede o arquivamento da autuação. A FMESM também recorreu, fls. 1.658/1.661, para apresentar os mesmos argumentos da autuada no tocante a sua imunidade. É o relatório. Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13830.722733/201309 Acórdão n.º 2402005.254 S2C4T2 Fl. 1.678 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão recorrida deuse em 19/07/2014 (fl. 1.634), tendo o recurso sido apresentado pela FAMEMA em 19/08/2014, portanto, dentro do trintídio legal. Por atender também ao requisito de legitimidade, merece conhecimento. O recurso da codevedora também merece apreciação, todavia, seus argumentos são idênticos ao outro recurso, por isso não serão individualizados no corpo do voto. Ilegitimidade passiva A recorrente afirma que não possuía segurados em seus quadros, assim, não poderia figurar como sujeito passivo da relação obrigacional sob questão. Sustenta que os segurados eram vinculados à FMESM, que por força de convênio colocava a sua disposição a mãodeobra necessária à consecução de suas atividades. Nos termos do CTN, o sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo é a pessoa que tenha relação pessoal e direta com a concretização da hipótese de incidência tributária. Eis o que diz o art. 121: " Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." As contribuições lançadas são aquelas de responsabilidade da empresa, as quais se encontram previstas no art. 22 da Lei n.° 8.212/1991: " Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Conjugando os dispositivos do CTN com aqueles da Lei de Custeio da Previdência Social é possível concluir que o sujeito passivo neste caso é a empresa que paga remuneração a segurados que lhe prestem serviço. O conceito de empresa para o direito previdenciário vem estampado no art. 15 da Lei n.° 8.212/1991: " Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...)" Chegando ao caso sob análise, vislumbrase que a recorrente é de fato quem executa a atividade econômica sem fins lucrativos na área de saúde, contando para tal com os segurados, que embora formalmente estejam vinculados à FMESM, de fato lhe prestam serviços e por ela são remunerados. Ressaltese que nos autos não há qualquer controvérsia acerca da ocorrência da prestação dos serviços, tampouco se esta se dava nos moldes preconizados pela CLT, assim, não há dúvida de que havia segurados empregados prestando serviço para a FAMEMA. Isso é suficiente para concluir que o verdadeiro sujeito passivo é a autuada que se beneficia da prestação de serviços e remunera os segurados. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13830.722733/201309 Acórdão n.º 2402005.254 S2C4T2 Fl. 1.679 9 Já me deparei com essa situação ao julgar recurso contra lançamento da mesma entidade relativo a período anterior. A conclusão a que chegamos foi expressa no Acórdão n.° 2401003.152, cuja ementa foi assim redigida: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA CONCORDÂNCIA COM OS LANÇAMENTOS NÃO QUESTIONADOS Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presumese a concordância da recorrente com a Decisão de Primeira Instância. Controvérsia não instaurada. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE A autarquia FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA FAMEMA foi criada pela Lei Estadual nº 8.898/1994, em regime especial, vinculada a Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, gozando dos privilégios administrativos do Estado e auferindo vantagens tributárias e as prerrogativas processuais da Fazenda Pública. No art. 3º da referida Lei assim está prescrito: “ A Faculdade assumirá os serviços atualmente prestados pela atual Faculdade de Medicina de Marília, bem como o patrimônio, os direitos e obrigações que vierem a lhe ser transferidos pelo Município e pela Fundação Municipal de Ensino Superior.” O Hospital das Clínicas de Marília e os estabelecimentos a ele vinculados, até então mantidos pela FUMES, passam a ser mantidos pela FAMEMA, como órgão complementar da docência, pesquisa e prestação de assistência à saúde da população. TRANSFERÊNCIA DE ISENÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Incabível o aproveitamento de isenção de terceira entidade, quando demonstrado que os segurados encontramse sob a gestão de instituição que não possui direito a mesma. FUMES ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO NÃO COMPROVAÇÃO DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS Mesmo considerando correto o lançamento das contribuições na instituição FAMEMA, por deter essa o poder diretivo em relação aos segurados lançados na presente autuação, convém mencionar que da análise dos autos não restou demonstrado o direito adquirido a isenção da instituição FUMES. Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Não demonstrou o recorrente o preenchimento dos requisitos quando da edição do DECRETOLEI 1.572/77, nem tampouco o preenchimento dos requisitos previstos na lei 8212/91. Recurso Voluntário Negado." Este aresto já transitou em julgado na seara administrativa, tendose decidido, por unanimidade, que a responsabilidade pelo pagamento das contribuições era da Fundação Estadual, uma vez que esta era destinatária dos serviços prestados pelos segurados envolvidos no lançamento e era de fato quem os remunerava. De se concluir que o sujeito passivo da relação jurídicotributária surgida com a prestação remunerada de serviços por segurados obrigatórios da Previdência Social é a FAMEMA, não devendo ser acolhido o argumento de ilegitimidade passiva. Imunidade Em relação à imunidade frente às contribuições sociais, que a recorrente trata como isenção, à qual faria jus a FMESM (antiga FUMES) é de ressaltar que não tem interferência no lançamento, haja vista que não há de se cogitar a transferência do benefício fiscal de uma entidade para outra. Essa diretriz normativa constava do § 2.° do revogado art. 55 da Lei n.° 8.212/1991 e no art. 30 da Lei n.° 10.101/2009. Portanto, em relação a responsabilidade da FAMEMA, não há qualquer interferência o fato da Fundação Municipal ostentar ou não a qualidade de imune, todavia, para esta, caso se constate o direito ao benefício fiscal, devese afastar a solidariedade, posto que as contribuições lançadas são abarcadas pela imunidade prevista no § 7.° do art. 195 da Constituição Federal. Com a revogação do art. 55 da Lei n.° 8.212/1991 deixou de haver a necessidade das entidades beneficentes requererem à Administração Tributária o reconhecimento do direito de não recolherem as contribuições patronais. A partir de então, caberia ao fisco verificar o cumprimento dos requisitos fiscais para imunidade, de acordo com a legislação vigente na data do fato gerador. No relatório fiscal consta que a FMESM não seria detentora do certificado de entidade beneficente, nem na vigência do art. 55 da Lei n.° 8.212/1991 e também no período do novo regramento da Lei n.° 12.101/2009. Ocorre que em julgamento realizado nesta Turma em janeiro último, o colegiado chegou à conclusão de que para as fundações públicas instituídas por lei não haveria obrigatoriedade de apresentar o certificado de entidade beneficente. Vejam que a situação era também de uma fundação universitária. Peço licença para transcrever excerto do excelente voto do Conselheiro Ronaldo Macedo, o qual redundou no Acórdão n.° 2402004.828: "No caso dos autos, o Fisco desconheceu o enunciado do Parecer nº AGU/MP01/ 98, anexo ao Parecer nº GQ169, aprovado pelo Presidente da República, de 08/10/1998, ratificado pela Solução de Consulta COSIT no 04/2013, de 07/02/2013 – o qual dispõe que a instituição (criação), por lei, de entidade filantrópica supre o Certificado ou Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), previsto nos arts. 3º, 12, 13 e 13A da Lei 12.101/2009 (correspondente ao Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13830.722733/201309 Acórdão n.º 2402005.254 S2C4T2 Fl. 1.680 11 inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, que foi revogado) –, e, com isso, efetuou indevidamente lançamento de contribuições previdenciárias patronais, não levando em conta, portanto, o fato de a Recorrente ser isenta de contribuições sociais patronais que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91. Isso configura ausência de motivação fática e jurídica do lançamento fiscal, vício insanável. “[...] Solução de Consulta Interna no 4 Cosit Data: 7 de fevereiro de 2013 Origem: SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NA 1a REGIÃO FISCAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ementa: ISENÇÃO. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS INSTITUÍDA POR LEI. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE CERTIFICADO OU REGISTRO DE FILANTROPIA. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO DOS DEMAIS REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO DE PARECER DO AGU APROVADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. A criação de entidade filantrópica sem fins lucrativos por lei supre o certificado ou registro que ateste tal finalidade, é isenta a entidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei no 8.212, de 1991, desde que atendidos os demais requisitos previstos no art. 29 da Lei no 12.101, de 2009. Dispositivos Legais: Lei Complementar n 73, de 10 de fevereiro de 1993, arts. 40 e 41; Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009, art. 29; Parecer AGU no GQ169. [...]” (g.n.) Relatório A Divisão de Fiscalização da Superintendência Regional da Receita Federal da 1ª Região Fiscal (Difis/SRRF01) formulou consulta interna sobre requisitos para fins de gozo da isenção de contribuições para a seguridade social de que trata a Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. A consulta foi analisada pela Divisão de Tributação da 1ª RF (Disit/SRRF01) e revisada pela Disit da 10ª RF (Disit/SRRF10), na forma do § 1º do art. 4º da Ordem de Serviço Cosit nº 1, de 5 de setembro de 2011. 2. A consulente questiona se, com a publicação da Lei nº 12.101, de 2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, dispondo sobre a certificação e isenção concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades de assistência social, continua vigorando entendimento exarado em Parecer do AdvogadoGeral da União, aprovado pelo Presidente da República, que dispensou determinada instituição de apresentar o certificado de filantropia para fins de gozo da isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Fundamentos (...) Conclusão 9. Concluise que a criação de entidade filantrópica sem fins lucrativos por lei supre o certificado ou registro que Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 ateste tal finalidade, e isenta a entidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n. 8.212, de 1991, desde que atendidos os demais requisitos previstos no art. 29 da Lei n 12.101, de 2009, consoante o disposto n. Parecer N. AGU/MP 01/98 (Anexo ao Parecer GQ169)." No caso sobre apreço observase que a Fundação de Ensino Superior de Marília foi instituída pela Lei Municipal n.° 1.371, de 22/12/1966, tendo como principal finalidade organizar, instalar e manter a Faculdade de Medicina de Marília. Considerandose que o fisco apontou como único requisito legal descumprido a falta do certificado de entidade beneficente, é de se concluir que não temos como afastar a sua imunidade, haja vista que a sua criação por lei supre esse requisito. Assim, encaminho para excluir do polo passivo a FMESM. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do polo passivo a Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13827.000150/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ARTIGO 24 DA LEI Nº 11.457, DE 2007. INOCORRÊNCIA.
O conteúdo do dispositivo é programático, não fixando o artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, quais seriam as conseqüências objetivas de sua inobservância. Assim, não impõe à Administração Pública a perda de seu poder-dever de julgar processos administrativos no caso de escoado o prazo impróprio trazido no referido dispositivo. Outrossim, prevalece sobre a Lei n. 11.457/07, o Decreto n. 70.235/72, que trata especificamente sobre o processo administrativo fiscal federal, que, em seu artigo 59, estabelece taxativamente as hipóteses de nulidade do ato administrativo concernente.
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Hipótese em que a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
Quanto a ser a multa nesse percentual "confisco", o princípio da proibição de tributos com efeito de confisco envolve conceito jurídico indeterminado, não é preceito matemático, cuja aferição é labor do legislador e do Poder Judiciário, ao avaliar a compatibilidade da lei com a Constituição Federal. Em sede administrativa, cumpre aplicar a lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ARTS. 62-A E 72.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Está firmado no âmbito da 1º Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre débitos tributários para com a Fazenda Nacional, foi o que afirmou o STJ, 1ª Turma, no Resp 1048710/PR, Min. TEORI ZAVASCKI, ago/08 e também no Resp 879844/MG, Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, julgado em 11/11/2009.
JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES.
O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, sob pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. (conforme Acórdão nº 2801-003.544 - 1ª Turma Especial, de 14 de maio 2014)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento parcial para restabelecer as deduções de despesas médicas e o Conselheiro Martin da Silva Gesto que deu provimento parcial em maior extensão.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ARTIGO 24 DA LEI Nº 11.457, DE 2007. INOCORRÊNCIA. O conteúdo do dispositivo é programático, não fixando o artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, quais seriam as conseqüências objetivas de sua inobservância. Assim, não impõe à Administração Pública a perda de seu poder-dever de julgar processos administrativos no caso de escoado o prazo impróprio trazido no referido dispositivo. Outrossim, prevalece sobre a Lei n. 11.457/07, o Decreto n. 70.235/72, que trata especificamente sobre o processo administrativo fiscal federal, que, em seu artigo 59, estabelece taxativamente as hipóteses de nulidade do ato administrativo concernente. DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Quanto a ser a multa nesse percentual "confisco", o princípio da proibição de tributos com efeito de confisco envolve conceito jurídico indeterminado, não é preceito matemático, cuja aferição é labor do legislador e do Poder Judiciário, ao avaliar a compatibilidade da lei com a Constituição Federal. Em sede administrativa, cumpre aplicar a lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ARTS. 62-A E 72. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Está firmado no âmbito da 1º Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre débitos tributários para com a Fazenda Nacional, foi o que afirmou o STJ, 1ª Turma, no Resp 1048710/PR, Min. TEORI ZAVASCKI, ago/08 e também no Resp 879844/MG, Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, julgado em 11/11/2009. JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, sob pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. (conforme Acórdão nº 2801-003.544 - 1ª Turma Especial, de 14 de maio 2014) Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. O conteúdo do dispositivo é programático, não fixando o artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, quais seriam as conseqüências objetivas de sua inobservância. Assim, não impõe à Administração Pública a perda de seu poderdever de julgar processos administrativos no caso de escoado o prazo impróprio trazido no referido dispositivo. Outrossim, prevalece sobre a Lei n. 11.457/07, o Decreto n. 70.235/72, que trata especificamente sobre o processo administrativo fiscal federal, que, em seu artigo 59, estabelece taxativamente as hipóteses de nulidade do ato administrativo concernente. DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIAS. MOTIVAÇÃO A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 01 50 /2 01 1- 11 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 238 2 Hipótese em que a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento da despesa e não o fez. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Quanto a ser a multa nesse percentual "confisco", o princípio da proibição de tributos com efeito de confisco envolve conceito jurídico indeterminado, não é preceito matemático, cuja aferição é labor do legislador e do Poder Judiciário, ao avaliar a compatibilidade da lei com a Constituição Federal. Em sede administrativa, cumpre aplicar a lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ARTS. 62A E 72. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) “Está firmado no âmbito da 1º Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre débitos tributários para com a Fazenda Nacional”, foi o que afirmou o STJ, 1ª Turma, no Resp 1048710/PR, Min. TEORI ZAVASCKI, ago/08 e também no Resp 879844/MG, Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, julgado em 11/11/2009. JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, sob pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. (conforme Acórdão nº 2801 003.544 1ª Turma Especial, de 14 de maio 2014) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento parcial para restabelecer as deduções de despesas médicas e o Conselheiro Martin da Silva Gesto que deu provimento parcial em maior extensão. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 239 3 Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 187), complementandoo ao final: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual com base nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), foi lavrada, em 12/04/2010 a Notificação de Lançamento às fls. 13, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do anocalendário 2006, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário apurado de R$ 13.682,02, dos quais R$ 6.445,88, correspondem ao Imposto de Renda Pessoa FísicaSuplementar; R$ 4.834,41 Multa de Ofício (passível de redução) e R$ 2.401,73 de Juros de Mora (calculados até 30/11/2010). A fiscalização apurou as seguintes infrações: 2. De conformidade com a Descrição dos Fatos e enquadramento legal, fls. 17/18, Dedução indevida de Incentivo no valor de R$ 180,00 e Despesas Médicas no valor de R$ 22.785,00, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Inconformada com a notificação de lançamento recepcionada em 03/12/2010,(AR fls. 180) a contribuinte protocolou a defesa (fl. 03/13) em conforme consta do protocolo da ARFJaú em 30/12/2010, para alegar que: (...) Ao Julgar a Impugnação apresentada pela contribuinte, a DRJ em Recife/PE assim dispôs, em resumo: a) A contribuinte alega que o lançamento é nulo, por ausência de requisito essencial à sua validade que é a motivação. Não caracterizada a ocorrência de nenhuma outra Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 240 4 das hipóteses previstas na legislação, não cabe falar em nulidade do feito. Dessa feita, não deve ser acolhida a preliminar de nulidade. b) A contribuinte reclama da quebra do sigilo bancário. A solicitação da apresentação do extrato bancário aos contribuintes, é uma das modalidades de comprovação dos pagamentos, com também extrato de cartão de crédito, cópia de transferência bancária, ordem de pagamento etc. cabe ao impugnante trazer aos autos documentos e elementos que façam prova cabal da despesa deduzida na declaração de ajuste anual nos moldes previstos na legislação do imposto de renda. c) De conformidade com o Termo de Intimação de fls. 24, datado de 08/01//2009, a contribuinte fora intimada para apresentar comprovantes dos efetivos pagamentos das despesas com médicos e afins e comprovantes da efetiva prestação dos serviços. No caso em questão, o motivo da glosa foi a falta de comprovação do efetivo pagamento. Como solução alternativa, a interessada poderia demonstrar a realização do serviço através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento ou outros documentos de natureza similar, vinculados diretamente aos tratamentos informados, que servissem de sustentação ao conteúdo dos recibos. Nada foi juntado ao processo nesse sentido. A defesa apenas anexa declarações dos profissionais, com o objetivo de reafirmar os pagamentos informados. Contudo, tais papéis possuem, na essência, o mesmo grau probante dos recibos, sem acrescer robustez ao conjunto probatório. O contribuinte deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do desembolso e da realização do serviço. d) Sobre a “dedução de incentivo” pleiteada pelo contribuinte cumpre esclarecer que a legislação regente da matéria, o artigo 87, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, cuja base legal é o artigo 12 da Lei nº 9.250/1995, determina que: “do imposto devido apurado na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas pelo contribuinte as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Assim deuse o Julgamento de 1ª instância para considerar procedente em parte o lançamento, excluindose apenas a despesa no valor de R$ R$ 425,00, referente ao recibo emitido pelo profissional Milton C. Ciuffa, atinente a procedimentos odontológicos. Cientificada dessa decisão em 25/06/2014 (AR na folha 205), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/07/2014, com protocolo na folha 207. Em sede de recurso, apresenta, em resumo, as seguintes razões: 1 – Nulidade do julgamento recorrido por demora, uma vez que ultrapassado o prazo de 360 dias; 2 – Reconhecimento de seu estado de saúde, ante a farta documentação apresentada, citando sofrer de hipertensão arterial, dislipidemia, insuficiência circulatória e depressão. Apresentação de laudo encaminhado para tratamento psicológico; 3 – Particularidades que justificam a necessidade de tratamento odontológico de grande monta; 4 – Lograra apresentar todos os comprovantes das despesas questionadas, sendo de boafé e com lisura as sus despesas; Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 241 5 5 – Os recibos são suficientes para suportar a dedução das despesas pleiteadas. Caberia ao Fisco demonstrar sua inidoneidade; 6 – Comprova, com os documentos pertinentes, as doações efetuadas, que também foram glosadas; 7 – Falta de motivação para a manutenção da multa de ofício aplicada no percentual de 75%, que tem efeito confiscatório; 8 – Suspensa a exigibilidade do crédito pela apresentação do recurso, incabível a correção com juros e multa de mora. PEDE a nulidade absoluta do procedimento administrativo fiscal, por extrapolar o prazo para julgamento ou o cancelamento do débito fiscal. Em caso de manutenção, que não seja aplicada multa nem correções (juros de mora). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A contribuinte teve glosadas deduções com despesas médicas, por falta da comprovação do efetivo pagamento, e dedução com incentivo, por falta de previsão legal. PRELIMINAR A contribuinte alega que a decisão recorrida seria nula, maculando todo o procedimento fiscal, como consta de seus pedidos, porque ultrapassado o prazo de 360 dias, previsto no artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007. Essa lei dispõe sobre a administração tributária federal e seu principal objetivo foi a transformação da então Secretaria da Receita Federal em Secretaria da Receita Federal do Brasil, com a fusão entre essa Secretaria e a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social, criandose o que a imprensa chamou de “Super Receita”. Promoveu ainda alterações na competência da Procuradoria da Fazenda Nacional (artigo 16), criando cargos e seccionais (artigos 18 e 19) no intuito de adequar o trabalho à maior demanda no que tange à execução de dívidas tributárias. E, em seqüência, no artigo 24 dispôs que “é obrigatório que seja proferida decisão administrativo, no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” Ante a criação de uma nova Secretaria e ampliação das competências da PGFN, no mesmo diploma, podese verificar que o conteúdo do dispositivo em comento é meramente programático, não se podendo concluir que no dia seguinte ao da publicação da lei, todos os procedimentos fiscais que estivessem há mais de 360 dias “nas prateleiras” estavam nulos. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 242 6 Esforçamse os órgãos competentes para que o conteúdo da lei seja cumprido, mas de forma alguma se pode pleitear a nulidade de uma ato administrativo, sob este argumento, mesmo porque, para reforçar que o conteúdo do dispositivo é programático, não diz a artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, quais seriam as conseqüências objetivas de sua inobservância. Também a demonstrar seu conteúdo programático, o parágrafo 1º desse dispositivo foi vetado, sob a seguinte argumentação, vejamos: Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Assim, o artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não se incluindo, portanto, entre as nulidades a falta de observância do prazo de 360 dias em comento. Citese ainda, sobre este tópico, a Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ademais, colho posicionamentos anteriores deste CARF: Acórdão 1801002.315 – 1ª Turma Especial Sessão de 04 de março de 2015 PRAZO DE 360 DIAS. JULGAMENTO. ART. 24 DA LEI N. 11.457/07 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O art. 24 da Lei n. 11.457/07 não impõe à Administração Pública a perda de seu poderdever de julgar processos administrativos no caso de escoado o prazo impróprio trazido no referido dispositivo. Outrossim, prevalece sobre a Lei n. 11.457/07, o Decreto n. 70.235/72, que trata especificamente Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 243 7 sobre o processo e procedimento administrativos federais. Precedentes. Acórdão: 1301001.697 Sessão: 23/10/2014 PRAZO PARA QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO ADMINISTRATIVA. O descumprimento do prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 não leva a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário sobrevinda de decisão administrativa proferida em prazo superior a 360 dias. Acórdão:2102003.031, Sessão: 17/07/2014 APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO.EFEITO. O prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade da decisão recorrida por extrapolar o prazo de 360 para ser proferida. MERITO Quanto à dedução de incentivo, que foi pleiteada no valor de R$ 180,00, ao ser intimada a comprovar seu direito a contribuinte apresentou "recibos de doação" à Associação das Senhoras Cristãs "Nosso Lar", conforme folhas 63 e seguintes, no total de 12 recibos mensais no ano de 2006, cada um no importe de R$ 15,00. Podem ser deduzidos os seguintes pagamentos, referentes a: I Estatuto da Criança e do Adolescente — contribuições aos Fundos controlados pelos Conselhos municipais, estaduais, Distrital e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, II Fundos Nacional, Estaduais ou Municipais do Idoso, III Incentivo à Cultura IV Incentivo à Atividade Audiovisual V – Incentivo ao desporto Todas essas deduções possuam requisitos específicos, dispostos em lei. Não verifico que a Associação das Senhoras Cristãs esteja enquadrada em nenhuma dessas situações acima. Não é qualquer doação, a qualquer associação de escolha do contribuinte, que enseja a possibilidade de abatimento do imposto apurado, não se podendo descontar do dinheiro público (imposto devido) qualquer doação particular, mas apenas aquelas que o legislador entendeu cabíveis. Portanto, deve ser mantida essa glosa. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 244 8 Quanto à dedução com despesas médicas, após a decisão de 1ª instância, que deu provimento em pequena parte à impugnação movida pela contribuinte, restam em litígio as seguintes (fl. 195): ... mantida a glosa das despesas médicas no total de R$ 22.360,00, correspondentes aos valores informados em nome de Ademir Basso, psicólogo no valor de R$ 960,00, Rubens Reinaldo Ruiz, também psicólogo, R$ 1.400,00, Talita Fernanda Q. Gasparetto, fisioterapeuta R$ 6.000,00, Karina de Castro Martins, fonoaudióloga R$ 6.000,00 e Lucas Antonio Teixeira, dentista, no valor de R$ 8.000,00. A motivação para a glosa, expressa pela Autoridade Fiscal na Notificação de Lançamento foi "falta de comprovação do pagamento". Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 245 9 proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Nestes autos, observo que existe o termo de intimação fiscal de folha 24 intimando a contribuinte a apresentar os comprovantes do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços, representados pelos recibos encaminhados. Transcrevo mais um Acórdão deste CARF, para ilustração: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. multa de ofício. CARF 2a. Seção 1a. Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.497 em 12.05.2010. Publicado DOU: 16.09.2010.(destaquei) Tenho sustentado que não é possível se fazer 'juízo sobre o juízo', ou seja, a faculdade conferida por lei à Autoridade Lançadora, para concluir se havia ou não motivos para que exigisse a comprovação do pagamento. Poderseia, apenas, verificar se o procedimento transcorreu na devida forma, oportunizando ao contribuinte a apresentação de documentos que façam prova a seu favor. Como já disse o Julgador de 1ª instância, o recibo não é prova inquestionável da efetividade do tratamento e do efetivo pagamento, para fins de comprovação junto ao Fisco, na verificação do cumprimento das obrigações tributárias. Transcrevo algumas observações feitas pela Autoridade julgadora de 1ª instância, em seu voto: ... Em se tratando de tratamento dentário em especial os acima citados é necessário Raio X, Radiografia Panorâmica, Tomografia, procedimentos fácil de serem comprovados a efetividade de tais serviços. (...) ... esta relatora fará uma amostragem dos pagamentos realizados ao profissional Lucas Antonio Teixeira, recibos de fls. 39/42, datados de 15/01(domingo), 15/02, 15/03, 15/04(sábado), 15/05, 15/06, 15/07(sábado), 15/08/2006, no valor de R$ 1.000,00, totalizando R$ 8.000,00. (...) ...verificase que a legislação tributária não confere aos recibos valor probante absoluto ainda que cumpridos todos os requisitos formais enumerados. A tônica do art. 80, §1º, inciso III, do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 246 10 que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários. A contribuinte alega que sofre de hipertensão arterial e insuficiência circulatória, mas não há em questão nenhum recibo envolvendo cardiologistas. Os documentos referemse a tratamento dentário, fisioterapia, fonoaudiologia e psicólogos. Do tratamento dentário, além de não ter sido comprovado o efetivo pagamento, nenhum exame, RX, tomografia, etc. foi apresentado, que pudesse comprovar a efetividade do tratamento descrito, como já sugeriu a DRJ. O recurso não traz nenhum novo documento. Além disso, não se encontram encaminhamentos de outros médicos para fisioterapia e fonoaudiologia. A "farta documentação" a que se refere o recurso consiste nos recibos, que foram regularmente questionados, e em declarações dos próprios emitentes que, em suma, encerram as mesmas informações. Quanto à existência de "laudo encaminhando para tratamento psicológico", mencionado no recurso, não encontro nos autos. Porque e relatório médico feito pelo Dr. Octávio Junqueira Gonzaga Neto, que consta da folha 165, diz que a contribuinte sofre, dentre outras moléstias, de "depressão" e recomenda o uso contínuo de medicamentos, mas não menciona, absolutamente, encaminhamento para tratamento psicológico. Assim sendo, os recibos questionados pela Autoridade lançadora, na forma do artigo 73 do RIR/1999, não são prova definitiva e inconteste da despesa médica e, não trazendo elementos requisitados pela fiscalização, é de ser mantida a glosa perpetrada. MULTA O recurso questiona ainda a aplicação e manutenção da multa de ofício sobre o valor do crédito tributário mantido em exigência. Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada em dispositivo de lei e tem natureza objetiva, independente de demonstração de culpa ou dolo, quando, neste último caso, seria aplicada a multa qualificada, prevista no mesmo artigo legal Quanto a ser a multa nesse percentual "confisco", o princípio da proibição de tributos com efeito de confisco envolve conceito jurídico indeterminado não é preceito matemático, cuja aferição é labor do legislador e do Poder Judiciário, ao avaliar a compatibilidade da lei com a Constituição Federal. Em sede administrativa, cumpre aplicar a lei. Importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 247 11 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. FLUÊNCIA. SELIC A recorrente diz que a interposição de recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário. Está correta! Verificase que a Unidade preparadora tratou de suspender a exigibilidade, conforme folhas 220 extrato do processo. A aplicação da taxa Selic como índice de correção dos créditos tributários é matéria já sumulada por este Conselho, sendo de observância obrigatória neste julgamento, conforme disposição regimental e, portanto, desnecessário alongar a discussão. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Entretanto, quanto à fluência dos juros no curso do contencioso administrativo, citese Acórdão deste CARF, do qual participei, que entendo de clareza meridiana e profundidade suficiente: Acórdão nº 2801003.544 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de maio de 2014, Relator Marcelo Vasconcelos de Almeida. (...) JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. A argumentação daquele Voto é a seguinte, que transcrevo em parte, para sustentar minha conclusão: Quanto à incidência dos juros no curso do contencioso fiscal, pretende o Interessado a suspensão no período compreendido entre a data da protocolização da impugnação até o final do presente processo administrativo. Anoto, no entanto, que em direito tributário os efeitos da mora são automáticos (mora ex re), não sendo necessário ao credor tomar qualquer providência para constituir em mora o devedor. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 248 12 A conclusão decorre da disposição expressa contida no caput do art. 161 do CTN, assim descrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. Como sustentei na ocasião, entendo que para que não exista fluência de juros de mora no curso do contencioso administrativo fiscal, deve o contribuinte efetuar o depósito do montante integral do crédito discutido, conforme artigo 151, II, do Códex, uma vez que a apresentação da impugnação/recurso já suspende a exibilidade do mesmo (inciso III) e o depósito tem, então, o único condão de suspender a fluência dos juros. Citemse: "Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral."(grifei) "Na via administrativa, o depósito tem por objeto apenas impedir a atualização monetária do débito. Depositando no curso do procedimento administrativo, o sujeito passivo busca apenas evitar a incidência de quaisquer acréscimos (juros e correção monetária), uma vez que a suspensão da exigibilidade já é obtida mediante a apresentação de impugnação ou a interposição de recurso administrativo (art. 151, III, do CTN)" (PIMENTA. Paulo Rogério Lyrio. A impossibilidade de restrições á realização do depósito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, apud PAULSEN, Lendro, 15 edição, p. 1071) "A garantia prevista no art. 151, II, do CTN, tem natureza dúplice, porquanto ao tempo em que impede a propositura da execução fiscal, a fluência dos juros e a interposição de multa, também acautela os interesses do Fisco em receber o crédito tributário com maior brevidade, ...." (STJ, 1ª T, AgRg 799.539/SP, Min LUIZ FUX)(grifei) Portanto, incabível a alegação de que não correm juros de mora para atualização do crédito tributário no curso do contencioso administrativo, apenas pela interposição da impugnação/recurso. CONCLUSÃO Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13827.000150/201111 Acórdão n.º 2202003.404 S2C2T2 Fl. 249 13 Face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, VOTO por negar provimento ao recurso, tendo em vista que, regularmente intimada, a contribuinte não apresentou a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas pleiteadas. Ao tributo em exigência aplicamse multa proporcional (75%), conforme artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996 e o crédito tributário deve ser corrigido com juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10480.015542/2001-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 27/02/2002
ISENÇÃO. TRANSPORTE EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA.
È obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira para as mercadorias importadas com quaisquer favores governamentais, entendendo-se por favores governamentais os benefícios de ordem fiscal, cambial ou financeira concedidos pelo governo federal, conforme disposto no art. 6º do referido ato, com a redação dada pelo Decreto-lei nº 687/69.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/02/2002 ISENÇÃO. TRANSPORTE EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA. È obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira para as mercadorias importadas com quaisquer favores governamentais, entendendo se por favores governamentais os benefícios de ordem fiscal, cambial ou financeira concedidos pelo governo federal, conforme disposto no art. 6º do referido ato, com a redação dada pelo Decretolei nº 687/69. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 55 42 /2 00 1- 74 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), tempestivamente manejado, em face do Acórdão n° 310100.513, de 27/08/2010, cuja ementa abaixo se transcreve: ISENÇÃO DO IPI MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.508/97. CONDIÇÕES SATISFEITAS. VIGÊNCIA DE ACORDO INTERNACIONAL. DISPENSA NA EXPEDIÇÃO DE WAIVER. COMPROVADA. Uma vez comprovada o pedido de expedição de waiver implementado pela Recorrente e subseqüente recusa expressa do Ministério dos Transportes de sua expedição por entender vigente o Acordo Internacional entre o Brasil e os Estados Unidos da América, não pode o contribuinte sofrer as restrições acerca da isenção do IPI, uma vez que não concorreu para o inadimplemento da exigência do Decreto n° 666/96. 0 ato expedido pelo Ministério dos Transportes constitui ato administrativo que não pode ser objeto de apreciação por parte da Receita Federal por não deter esta hierarquia superior àquele órgão que expediu a autorização. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração (fls. 02/04), o importador, por meio da Declaração de Importação n° 97/01490126, registrada em 27/02/1997, submeteu a despacho mercadoria, pleiteando isenção IP1, com base na Medida Provisória MP n° 1.50814, de 1997. Em ato de revisão aduaneira, constatouse que o importador não faz jus à isenção pelo fato de não ter sido cumprido o requisito de transporte da mercadoria em navio de bandeira brasileira, conforme previsto no art. 2° c/c art. 6° do DecretoLei n° 666/69, alterado pelo Decretolei n° 687/69 e Resolução SUNAMAM n° 10.207, de 1988. Segundo informa a fiscalização, para que a mercadoria transportada em navio de bandeira estrangeira possa ser importada com o beneficio fiscal é obrigatória a apresentação do certificado de liberação de carga, nos termos do art. 3° do citado Decretolei e art. 217, § 40, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030, de 05 de março de 1985. A fiscalização discorre sobre a importância da obrigatoriedade de transporte em navio de bandeira brasileira, no tocante à balança de serviços; menciona a súmula n° 581 do Supremo Tribunal Federal e acórdãos do Terceiro Conselho de Contribuintes. Ainda conforme o relato, por força do princípio da reciprocidade, a carga pode ser transportada navios dos países de procedência da mercadoria, porém, no caso, não obstante a mercadoria ser procedente dos Estados Unidos da América e haver sido transportada por navio de bandeira norteamericana, o projeto de Acordo Marítimo, entre Brasil e Estados Unidos, consoante entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional (Nota PGFN/CAT n° 631, de 15/10/1998), não tem validade jurídica, uma vez que a eficácia do citado acordo está condicionada à manifestação do Congresso Nacional e do Presidente da República. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10480.015542/200174 Acórdão n.º 9303003.522 CSRFT3 Fl. 378 3 Assim, concluiu a fiscalização, com base no Ato Declaratório SRF n° 135, de 1998, que é exigível, para o reconhecimento da isenção de tributos na importação, o documento de liberação de carga emitido pelo órgão competente do Ministério dos Transportes, relativamente às mercadorias transportadas em navio de bandeira norte americana. Com base na conclusão de que o contribuinte não faz jus ao beneficio fiscal, foi efetuado o lançamento de oficio de IPI, acrescido de juros e multa de mora. O Recurso Voluntário foi provido, nos termos da ementa transcrita acima. A PGFN apresentou o presente recurso , onde pede a reforma do acórdão recorrrido, sob a alegação de literalidade da lei ao obrigar que, para usufir dos benefícios concedidos, o tranporte das mercadorias deve ser feito em navio de bandeira brasileira. Cita jurisprudência administrativa e judicial. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pede a manutenção do julgado pelos fatos e fundamentos já expostos no Recurso Voluntário e no próprio acórdão recorrido. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Conforme mencionado, o recurso trata da obrigatoriedade, ou não, que o navio que transporta as mercadorias em que se pleitea os benefícios legais contidos na lei tenha bandeira brasileira . Assim, o objeto da presente lide reside no fato de ser obrigatório o transporte de mercadoria importada por via marítima, para fins de fruição da isenção fiscal prevista na legislação, por navio de bandeira brasileira. É questão incontroversa que a importação se deu em navio de bandeira não brasileira, no caso, norteamericana, o que, como veremos, resulta na perda do benefício. No presente caso, não resta dúvida da obrigatoriedade de o navio que transporta as mercadorias tenha que possuir a bandeira brasileira. Tal obrigação está contida de maneira expressa na legislação de regência que trata dos benefícios fiscais (isenção) que o recorrente pleiteia. O Decretolei nº 666/69, em seu art. 2º, institui a obrigatoriedade do transporte em navio de bandeira brasileira para as mercadorias importadas com quaisquer favores governamentais, entendendose por favores governamentais os benefícios de ordem fiscal, cambial ou financeira concedidos pelo governo federal, conforme disposto no art. 6º do referido ato, com a redação dada pelo Decretolei nº 687/69. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 O § 2º do art. 2º do Decretolei nº 666/69 trata da extensão dessa obrigatoriedade às mercadorias cujo transporte estiver regulado em acordos ou convênios firmados ou reconhecidos pelas autoridades brasileiras, in verbis: "Art 2° Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o principio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de credito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. § 1° Estão igualmente sujeitas à obrigatoriedade prevista neste artigo as mercadorias nacionais exportadas com quaisquer dos benefícios nele deferidos. § 2° A obrigatoriedade prevista neste artigo sera extensivo as mercadorias cujo transporte esteja regulado em acordos ou convênios firmados ou reconhecidos pelas autoridades brasileiras obedecidas as condições nos mesmos fixadas. Art 6° Entendese como favor governamental qualquer isenção ou redução tributaria, tratamento tarifário protecionista e beneficio de qualquer natureza concedido pelo Governo Federal." Resta esclarecer que existe no Regulamento Aduaneiro, em seu art. 217, § 4º, norma que permiria, atendidos os procedimentos ali contidos, a fruição dos favores fiscais. Porém a recorrente não se utilizou desta permissiva e tampouco satisfez os requisitos necessários contidos no RA. O art. 3º e parágrafos correspondentes desse mesmo diploma legal, com as alterações introduzidas pelo Decretolei nº 687/69, regulamentados pelo § 4º, do art. 217 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, prevêem a relevação do descumprimento da exigência de bandeira brasileira no transporte de mercadorias objeto de benefício fiscal, quando por via aquática, desde que apresentado o documento de liberação da carga, expedido pelo órgão competente do Ministério dos Transportes. O art. 217, inciso III, do citado regulamento assim dispõe: "Art. 217 – Respeitado o princípio da reciprocidade de tratamento, é obrigatório o transporte: (...) III em navio de bandeira brasileira, de qualquer mercadoria a ser beneficiada com isenção ou redução do imposto (DecretoLei n º 666/69, art. 2º). (...) § 4º Relevase o descumprimento deste artigo, no caso de transporte por via aquática, com o documento de liberação da Fl. 493DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10480.015542/200174 Acórdão n.º 9303003.522 CSRFT3 Fl. 379 5 carga expedido pelo órgão competente do Ministério dos Transportes (DecretoLei nº 666/69 alterado pelo DecretoLei nº 687/69 artigo 3º, §§ 1º, 2º e 3º)." O art. 218, inciso II, do Regulamento Aduaneiro trata da perda do benefício: "Art. 218 O descumprimento do disposto no artigo anterior: (...) II – quanto ao inciso III, importará na perda do benefício de isenção ou redução de tributos." Da mesma maneira tem dicidido os nossos tribunais superiores: Resp 262587/CERECURSO ESPECIAL: 2000/00574651 Relator(a): Ministra ELIANA CALMON Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 12/03/2002 Data da Publicação/Fonte: DJ 22/04/2002 p. 188 Ementa: TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO ISENÇÃO DO IPI EXIGÊNCIAS LEGAIS. 1. A isenção do IPI foi outorgada pela Lei 9.000/95 que, sem estabelecer exigências, liberou as mercadorias que menciona. 2. O DL 666/69, seguindo jurisprudência consolidada do STJ, deve ser observado conjuntamente com a regra de isenção, de tal modo que o benefício seja aplicado somente para a importação de mercadorias transportadas em navio de bandeira brasileira. 3. Hipótese dos autos que se enquadra na exceção do art. 3º, § 2º, do DL 666/69, diante da liberação expressa da SUNAMAM quanto ao uso de navio de bandeira brasileira. 4. Recurso especial improvido. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 Processo: REsp 268910 / PR RECURSO ESPECIAL 2000/00751090 Relator(a): Ministro JOSÉ DELGADO Órgão Julgador: T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 16/11/2000 Data da Publicação/Fonte: DJ 05/03/2001 p. 128 RJADCOAS vol. 20 p. 75 RSTJ vol. 147 p. 97. Ementa TRIBUTÁRIO. IPI. ISENÇÃO. MERCADORIA IMPORTADA. NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA. 1. A Lei nº 8.191, de 1991, não revogou as disposições do DL nº 666, de 1969, art. 2º. 2. A isenção tratada pelos referidos dispositivos só produz efeitos quando presentes as condições exigidas pelas duas leis. 3. A isenção do IPI, nas situações previstas no art. 1º, da Lei 8.191, de 1991, só ocorre quando a mercadoria importada descrita no referido dispositivo é transportada em navio de bandeira brasileira. 4. Precedentes jurisprudenciais: Resp 254382/SC; REsp 162982/SP; REsp nº 173874/SP; REsp 75665/SP. 5. Recurso improvido. Do mesmo modo caminha a jurisprudência desta CSRF: CSRF/0305.403 "ADMISSÃO TEMPORÁRIA. TRANSPORTE OBRIGATÓRIO EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA A exigência de transporte de mercadoria em navio de bandeira brasileira (DL 666/69, art. 2° e RA, art. 217, III e 218, II) uma precondição, instituída em caráter geral, que implicitamente integra toda e qualquer lei concedente de isenção de tributos na importação. Recurso especial provido." 930300.001 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10480.015542/200174 Acórdão n.º 9303003.522 CSRFT3 Fl. 380 7 "ASSUNTO: ISENÇÃO II IPI Data do fa to gerador: 20/12/1996, 08/01/1997 ISENÇÃO II IPI. BENEFICIO FISCAL BEFIEX. A mercadoria importada corn beneficio fiscal deve obrigatoriamente ser transportada por navio de bandeira brasileira, sob pena de perda do beneficio. Recurso Especial do Contribuinte Negado." Conforme se pode depreender da análise feita acima, a recorrente não poderia fazer jus aos benefícios ficais por não atender aos requisitos necessários para tal. Ademais, o art. 111 do CTN preceitua que as normas que tratam de favores fiscais devem ser interpretadas literalmente e, no presente caso, as normas são bem claras ao dispor das condições exigidas para a fruição dos benefícios. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 496DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 14033.000688/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-005.411
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Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 68 8/ 20 10 -3 5 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000688/201035 Resolução nº 2402000.568 S2C4T2 Fl. 877 2 RELATÓRIO Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP para a matrícula CEI relativa à prestação dos serviços, além de insuficiência de mãode obra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificado da decisão em 13/04/2011(fl. 560), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 561 e segs.) em 13/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 2803000.197, de 17 de julho de 2013 (fls. 648 a 654), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar se, no prazo de 30 (trinta) dias". O fisco se pronunciou às fls. 659/660, para informar que: a) não é mais possível a retificação da GFIP, haja vista já haver transcorrido mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores; b) a competência 06/2007 não foi alcançada pela decadência; c) o sujeito passivo apresentou a documentação solicitada pelo fisco; Fl. 878DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000688/201035 Resolução nº 2402000.568 S2C4T2 Fl. 878 3 d) os recolhimentos dos subempreiteiros foram realizados no CNPJ destes e não na matrícula da obra; e) há nas folhas de pagamento empregados em funções incompatíveis com obras de construção civil, como é o caso de desenhista, auxiliar de compras, gerente administrativo, auxiliar administrativo, etc; f) há divergência entre os valores de retenção lançados na contabilidade e aqueles constantes no pedido de restituição. Ao final, concluiu: " PELO EXPOSTO NOS PARÁGRAFOS ANTERIORES EM RELAÇÃO À COMPETENCIA 06/2007 DAS MATRÍCULAS CEI 38.720.05895/70, 50.047.09467/77 E 50.075.02434/73 CORRESPONDENTE AO PER/DCOMP 39580.84916.181209.1.2.150708 NÃO FICOU COMPROVADO O DIREITO LÍQUIDO E CERTO DO CRÉDITO DA CONTRIBUINTE, TENDO EM VISTA O REFLEXO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO NA ESCR ITURAÇÃO CONTÁBIL, ONDE CONSTAM FUNÇÕES INCOMPATÍVEIS COM MÃO DE OBRA DE CANTEIRO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL, NÚMERO DE EMPREGADOS INFORMADOS NO CAGED, E VALORES DE RETENÇÃO TRANSMITIDOS EM PER/DCOMP EM DESACORDO COM AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS NA COMPETÊNCIA, PORTANTO NÃO SENDO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO NESTA COMPETENCIA." A empresa manifestouse sobre esse pronunciamento às fls. 667/708, onde, em síntese, ponderou que: a) a autoridade fiscal ignorou as providências determinadas na diligência comandada pelo CARF, que foi enfático ao requerer que fosse analisado o cumprimento pelo pedido de todos os requisitos necessários ao reconhecimento do direito creditório e, em caso afirmativo, qual o valor a ser restituído; b) não há necessidade de retificação da GFIP apresentada, a qual está em total consonância com as folhas de pagamento e com a contabilidade, mas se houvesse necessidade de retificação esta seria plenamente possível; c) embora a Resolução do CARF tenha claramente afastado a aplicação da aferição indireta ao caso, o fisco insiste em manter seu entendimento quanto à utilização deste método excepcional, argumentando a existência de segurados com funções incompatíveis com obras de construção civil e em supostas divergências entre a GFIP e a escrituração contábil; d) as funções tidas como incompatíveis para execução da obra são funções administrativas que guardam estreita relação com a construção civil, além de que este argumento não constou no despacho que indeferiu o pedido de restituição. Tal inovação na fundamentação fática da informação fiscal é inconcebível; e) para comprovar a inexistência das discrepâncias apontadas pela autoridade fiscal, apresenta a metodologia utilizada para chegar ao direito creditório pleiteado, a qual pode ser assim resumida: Fl. 879DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000688/201035 Resolução nº 2402000.568 S2C4T2 Fl. 879 4 Ao final, pugna pela anulação da informação fiscal combatida e pede o reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000688/201035 Resolução nº 2402000.568 S2C4T2 Fl. 880 5 VOTO Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Necessidade de diligência Observo que de fato a autoridade tributária não cumpriu a risca a determinação contida na Resolução da Turma do CARF. Vejamos. No item 1, pedese que seja afastada a aferição indireta da base de cálculo e que se proceda à apreciação do pedido do contribuinte com base na documentação exibida. Vejo que o fisco, ao alegar a inclusão na folha de pagamento de trabalhadores com funções incompatíveis com obra de construção, acaba por adotar exatamente a idéia de massa salarial mínima para execução da obra, o que recai exatamente num critério de aferição indireta. O item 2 também não foi observado, posto que não se ofereceu, antes da emissão da informação, a possibilidade de apresentação de novos elementos e retificação de informações que porventura estivessem discrepantes. Também não houve resposta específica a pontos levantados pelo sujeito passivo nos seus pronunciamentos, conforme determinado na Resolução. Feitas essas ponderações e se considerando que, em vinte e um processos da mesma empresa e tratando de pedido de mesma natureza para competências diversas, após a realização de uma segunda diligência fiscal, o fisco acabou acatando integralmente as alegações da recorrente, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência de modo que a autoridade fiscal aprecie os argumentos e elementos apresentados no recurso voluntário e nas demais manifestações do contribuinte apresentadas na sequência e se manifeste conclusivamente acerca do direito creditório pleiteado. Desse pronunciamento, ao contribuinte deve ser facultado o prazo legal para manifestação. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10840.722798/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo- Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .7 22 79 8/ 20 13 -3 9 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722798/201339 Resolução nº 2402000.554 S2C4T2 Fl. 84 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário nno montante de R$ 22.506,48, relativamente ao anocalendário 2010, tendo em vista o confronto dos rendimentos declarados como recebidos de pessoa física com total dos rendimentos dos aluguéis informados por administradoras de imóveis em Dimob, bem como constatação de compensação indevida (fls. 4/9). Em sua impugnação (fls. 2/64), o contribuinte concordou com a infração de compensação e afirmou os rendimentos de aluguel produzidos por bem comum foram oferecidos à tributação na declaração da cônjuge. A DRJ/RJ1 manteve a exigência (fls. 89/93), motivo pelo qual foi interposto o recurso voluntário em 8/5/2014 (fls. 98/107), reiterando as razões da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722798/201339 Resolução nº 2402000.554 S2C4T2 Fl. 85 3 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Há informações desencontradas e incompletas no caso sob exame, razão pela qual impõese o retorno dos autos à origem, para realização de diligência. Explico. Muito embora o notificado assevere que todos os rendimentos de aluguéis foram oferecidos à tributação na DIRPF/2011 de sua esposa Antônia Lavezzo Norberto, CPF nº 315.326.55851 (fls. 56/60), as Dimob enviadas pelas administradoras de imóveis informam, aparentemente, que tanto o contribuinte quanto o cônjuge virago receberam, cada um, um total de R$ 37.467,08 (fls. 86/88). Necessário, então, examinar os contratos de aluguel acostados aos autos, fls. 21/54, para checar sua compatibilidade com os dados da Dimob. No contrato intermediado pela Dinardi Imóveis Ltda., CNPJ nº 55.108.914/001 62, com início em 1º/5/2009 (fls. 21/31), o valor do aluguel inicial mensal é de R$ 700,00, similar ao informado nas Dimob de cada um dos cônjuges, R$ 8.540,00 brutos no ano calendário 2010, levandose em conta os reajustes contratuais. Ou seja, o mesmo montante foi informado para ambos os cônjuges, traduzindo se em duplicidade de informações. Se já tributado na DIRPF da esposa, não cabe ser o rendimento tributado novamente na declaração do cônjuge varão. Da mesma forma, no contrato de aluguel firmado através da Phercon Imóveis Ltda., CNPJ nº 05.448.780/000150, com início em 6/9/2007 e término em 5/3/2010, ano calendário sob exame, o valor de aluguel inicial é de 1.666,77, também compatível com o rendimento informado em cada uma das Dimob. Já para os aluguéis intermediados por meio da Expandi Imóveis Ltda., CNPJ nº 64.922.214/200106, a situação não resta clara, não sendo possível associar os valores informados na Dimob com os contratos apresentados, até mesmo porque um deles, em particular, é bastante antigo, iniciado em 25/10/1995 e não tendo sido colacionados documentos explicitando os termos de seus posteriores reajustes. Desse modo, se considerados os documentos relativos às administradoras Dinardi Imóveis Ltda e Phercon Imóveis Ltda a versão dos fatos tal como narrada pelo contribuinte se revela deveras factível, o mesmo não se pode dizer, com um mínimo de confiabilidade, no tocante aos rendimentos percebidos através da Expandi Imóveis Ltda Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10840.722798/201339 Resolução nº 2402000.554 S2C4T2 Fl. 86 4 Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem intime a Expandi Imóveis Ltda, acima qualificada, para que confirme o valor, discriminado por imóvel e total, dos aluguéis pagos e respectiva comissão, nos quais tenha o contribuinte em epígrafe constado como locador. Ronnie Soares Anderson. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10715.001484/2010-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 06/08/2006 a 28/08/2006
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 06/08/2006 a 28/08/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/08/2006 a 28/08/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 14 84 /2 01 0- 91 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001484/201091 Acórdão n.º 9303003.755 CSRFT3 Fl. 246 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3201001.124, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001484/201091 Acórdão n.º 9303003.755 CSRFT3 Fl. 247 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001484/201091 Acórdão n.º 9303003.755 CSRFT3 Fl. 248 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001484/201091 Acórdão n.º 9303003.755 CSRFT3 Fl. 249 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001484/201091 Acórdão n.º 9303003.755 CSRFT3 Fl. 250 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001484/201091 Acórdão n.º 9303003.755 CSRFT3 Fl. 251 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001484/201091 Acórdão n.º 9303003.755 CSRFT3 Fl. 252 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001484/201091 Acórdão n.º 9303003.755 CSRFT3 Fl. 253 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11516.722096/2013-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Presidente - Andrada Márcio Canuto Natal
Relator - Marcelo Costa Marques d'Oliveira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Presidente Andrada Márcio Canuto Natal Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 09 6/ 20 13 -0 8 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.722096/201308 Resolução nº 3301000.252 S3C3T1 Fl. 11 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Contra o interessado foi lavrado auto de infração de MULTA REGULAMENTAR por pedido de ressarcimento indeferido ou indevido e declaração de compensação não homologada, no valor total de R$ 20.034.122,91 (fls. 306/311), em função das irregularidades que se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 301/304. A empresa apresentou impugnação, na qual alega, em síntese: a) DA INEXIGIBILIDADE DA MULTA; b) DA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS; É o breve relatório." A impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário. O Acórdão n° 0949788, da 2 ª Turma da DRJ/JFA, foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2010 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. A incorporadora responde pelo pagamento da multa de ofício decorrente de operações da sucedida. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Não cabe ao julgador administrativo se manifestar quanto à constitucionalidade de leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Reproduzo trecho do termo de Verificação Fiscal (fls 301 a 304): "O procedimento que ora encerramos parcialmente referese ao 3º trimestre calendário do ano 2008 e exclusivamente aos lançamentos decorrentes de multa isolada devida ao indeferimento do Pedido de Ressarcimento de nº 41046.65702.291210.1.5.098512, tratado no processo nº 10925.907012/201150 e à não Fl. 400DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.722096/201308 Resolução nº 3301000.252 S3C3T1 Fl. 12 3 homologação das declarações de compensação de nº 39776.80490.270810.1.3.089989 e 37095.73644.221110.1.7.082941, tratadas no processo nº 10925.907013/201102. (. . .) De acordo com cópia do Estatuto Social (fls 147 e seguintes), a empresa BRF S/A tem sede e foro na cidade de Itajaí, SC. A empresa SADIA S.A. 20.730.099/000194, subsidiária integral da BRF Brasil Foods S/A, conforme estatuto social de fls. 46 e seguintes, foi incorporada pela BRF S/A (fls. 002/009), nova denominação social de BRF – BRASIL FOODS – 01.838.723/00012, cuja sede está localizada no município de Itajaí – SC na rua Jorge Tzachel, nº475. A incorporação foi oficializada pela Assembléia Geral Extraordinária da Sadia S.A., realizada em 31 de dezembro de 2012, registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 10/01/2013 . Na ata da assembléia realizada pela SADIA S.A. (fl. 143), consta que: “(...) foi aprovada a incorporação da Companhia pela BRF – Brasil Foods, com a sua consequente extinção de pleno direto, sendo sucedida a título universal, nos termos da lei, em todos os seus direitos e obrigações, pela BRF – Brasil Foods S.A. passando o acervo patrimonial da Companhia para o patrimônio da BRF – Brasil Foods S.A. O estabelecimento sede, bem como as filiais da Companhia continuarão operando como filiais da BRF – Brasil Foods S.A., ...”; em outro trecho temos que: “... Cumpre consignar que a incorporação ora aprovada não conferirá direito de retirada, tendo em vista que 100% (cem por cento) das ações de emissão da SADIA são de titularidade da BRF. ...” (destacamos) Em virtude da incorporação, caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional e, no caso em tela, é aplicável a Súmula CARF nº 47. (. . .) Assim, os Pedidos de Ressarcimento indeferidos, por força do §15, ou as declarações de compensação não homologadas, por força do §17, ambos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, devem ser penalizados com multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito indeferido ou não homologado. A Nota Técnica nº 10 Cosit, da Coordenação Geral de Tributação, de 08/02/2011 conclui que a penalidade é aplicável nos casos de PER/Dcomp retificadores. Isto posto, estão sendo constituídos os seguintes valores: Fl. 401DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11516.722096/201308 Resolução nº 3301000.252 S3C3T1 Fl. 13 4 No Recurso Voluntário, a Recorrente pleiteia o cancelando das multas isoladas, apresentando, basicamente, os mesmos argumentos contidos na impugnação, quais sejam: a) Não é cabível a cobrança de multa isolada por indeferimento de PER e não homologação de DCOMP, em razão de terem sido apresentadas pela empresa Sadia S/A, antes de ser incorporada pela Recorrente. Colaciona o Enunciado de Súmula n° 2, aprovado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e publicado pela Portaria CARF n° 49/2010 atual Sumula CARF n° 47: "Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico." b) A cobrança das multas isoladas afronta o direito de petição e aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório, devido processo legal, proporcionalidade e razoabilidade; é desarrazoada e desproporcional, uma vez que foi aplicada antes do término do respectivo processo administrativo; e não está vinculada à comprovação de máfé da Recorrente. Colaciona decisões judiciais. À luz da Súmula CARF n° 47 e acórdãos paradigmas, são cabíveis as multas isoladas em comento, desde que a sucedida (Sadia S/A) e a sucessora (Recorrente) estivessem sob controle comum ou pertencessem ao mesmo grupo econômico, nas datas em que foram cometidas as infrações, ou seja, nas datas em que foram protocolizadas as PER e as DCOMP. Consta nos autos que o PER foi transmitido em 29/12/2010 e as DCOMP em 27/8/2010 e 22/11/2010. E que, na data em que a empresa Sadia S/A foi incorporada pela Recorrente, 31/12/2012, era sua subsidiária integral. Contudo, não há nos autos informação acerca da composição societária da Sadia S/A e tampouco se ela e a Recorrente pertenciam ao mesmo grupo econômico, nas citadas datas das protocolizações dos PER e DCOMP. Assim, para que possamos concluir quanto ao cabimento ou não da aplicação das multas isoladas, à luz da Súmula CARF n° 47, fazse necessário baixar o processo em diligência, para que a unidade de origem investigue e informe a este colegiado qual era composição societária da Sadia S/A, bem como se pertenciam ao mesmo grupo econômico, nas datas em que foram protocolizados os PER e as DCOMP. É como voto. Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 402DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 24/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10580.001227/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996
DECISÃO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DECORRENTE.
A decisão proferida em pedido de restituição deve ser refletida nas declarações de compensação cujo crédito seja dele decorrente, desde que apresentadas antes do indeferimento do pedido, ainda que não definitivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o acórdão embargado e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para efetivar a compensação até o limite do saldo do direito de crédito apurados nos processos 10580.002854/2003-51 e 10580.001146/2005-65, observadas as pedidos/declarações de compensações anteriormente pleiteadas.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DECORRENTE. A decisão proferida em pedido de restituição deve ser refletida nas declarações de compensação cujo crédito seja dele decorrente, desde que apresentadas antes do indeferimento do pedido, ainda que não definitivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o acórdão embargado e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para efetivar a compensação até o limite do saldo do direito de crédito apurados nos processos 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565, observadas as pedidos/declarações de compensações anteriormente pleiteadas. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 12 27 /2 00 3- 01 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001227/200301 Acórdão n.º 3302003.156 S3C3T2 Fl. 3 2 Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de declaração de compensação protocolada em 17/02/2003, compensando débitos de Pasep, código 3703, de janeiro de 2003, com créditos de R$ 530.000,00, sem indicação da origem do direito creditório. Intimada, a recorrente afirmou serem decorrentes dos créditos alegados nos pedidos de restituição nº 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565 e que a compensação referese apenas ao débito de Pasep sob o código 3703, efl. 17. O despacho decisório não homologou a declaração de compensação em razão do indeferimento dos pedidos de restituição referentes aos processos acima mencionados. Em manifestação de inconformidade, a recorrente reafirmou a pendência de julgamento dos pedidos de restituição acima referidos, alegando a necessidade de se aguardar a decisão dos referidos processos, como também defendeu que o prazo para efetuar o pedido de restituição seria de dez anos a partir da publicação da Resolução nº 49/1995 ou, alternativamente, de dez anos contados do fato gerador conforme jurisprudência do STJ. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade pela inexistência dos créditos em comento, decidindo pela inaplicabilidade da semestralidade e pelo prazo decadencial de cinco anos, previsto no artigo 168, inciso I do CTN, nos termos dos Acórdãos DRJ/SDR nº 9.390/2005 e 9.391/2005, afastando o pedido de sobrestamento por falta de previsão legal. A recorrente interpôs recurso voluntário, alegando que o prazo para pedir a restituição de indébito tributário seria de dez anos a partir da publicação da Resolução nº 49/1995 e propugnando pela aplicação da semestralidade no cálculo do Pasep. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência nos seguintes termos: "À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a delegacia de origem, onde a autoridade lançadora deverá incluir as informações pertinentes às questões abaixo formuladas, e outras que julgar necessárias à boa apreciação da preliminar e do mérito do presente recurso: 1 se a contribuinte solicitou parcelamento correspondente aos períodosbase compreendidos entre 1992 e 1996, a quais fatos geradores se referiram, quais foram as bases de cálculo declaradas e quais os valores envolvidos, assim como as parcelas relativas à atualização monetária e multa moratória porventura consignada, e se foram efetivamente recolhidos conforme alega a recorrente; e 2 informação sobre se o parcelamento fora feito considerando as bases de cálculo, alíquotas, atualização monetária e multa moratória constantes Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001227/200301 Acórdão n.º 3302003.156 S3C3T2 Fl. 4 3 dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 ou se pertinentes à Lei Complementar n 2 8/70 e ao Decreto n 2 71.618/72. 3 se a contribuinte efetivamente recolheu ao erário o referido parcelamento, uma vez que em algumas Declarações de Compensação, aparentemente, ele busca compensar os pretendidos créditos com algumas parcelas devidas a esse título"." Foram anexados a este processo algumas peças do processo 10580.002854/200351, contendo apenas a informação de que os débitos parcelados nos processos 10580.012163/92 15, (débitos parcelados relativos a fatos geradores de 01/1990 a 09/1992), 10580.000824/9610 (débitos parcelados de 04/1994 a 11/1995), 10580.009598/9391 (débitos parcelados de 06/1993 a 10/1993 e transferido para o processo 10580.007020/9308), 10580.004015/9434 (débitos parcelados de 01/1994 a 04/1994 e transferidos para o processo 10580.007020/9308), 10580.007020/9308 (débitos parcelados de 10/1992 a 12/1992) , 10580.007019/9311 (débitos parcelados de 01/1993 a 05/1993), conforme extratos constantes no processo 10580.002854/200351, foram calculados com base nos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88. Na sessão de 27/01/2016, esta turma proferiu o Acórdão nº 3302003.022, dando provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996 PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Por seu turno, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando a existência de contradição ou obscuridade, por ter o acórdão julgado matéria estranha ao processo, uma vez que este tratava de declaração de compensação indeferida pela ausência de créditos apurados em outros dois processos administrativos, ao passo que o julgado apreciou as matérias relativas ao prazo para efetuar o pedido de restituição e a aplicação da semestralidade aos recolhimentos efetuados de acordo com a Lei Complementar nº 08/1970 e o Decreto nº 71.618/72. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001227/200301 Acórdão n.º 3302003.156 S3C3T2 Fl. 5 4 Os embargos de declaração foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Constatase, de fato, que o voto condutor do acórdão embargado tratou de matérias estranhas ao fundamento do despacho decisório de indeferimento da declaração de compensação protocolada em 17/02/2003, pois que este indeferiu a compensação em razão da ausência de créditos nos processos de restituição 10580.002854/200351 (PER protocolado em 16/04/2003) e 10580.001146/200565 (PER protocolado em 08/10/2003), conforme excerto abaixo: "Após a prorrogação do prazo, o contribuinte informou da existência de dois Pedidos de Restituição: um, de protocolo n° 10580.002854/200351, apresentado em 16 de abril de 2003, no valor de R$ 2.405.766,02, e outro, de numero de transmissão 10820.73723.081003.1.2.041.564, transmitido em 08 de outubro de 2003, sendo este último com número no protocolo geral 10580.001146/200565, no valor de R$ 9.359.794,33. Ambos, com supostos créditos originários de recolhimentos antecipados do Pasep. Os créditos requeridos nos processos acima identificados, não foram reconhecidos, pela preliminar de decadência do direito de pedir, conforme se lê dos decisórios que se faz acompanhar dos Pareceres n° 115 e 169, anexos. Desta forma, na ausência de direito de crédito nos processos indicados, sou pela não homologação do débito indicado nas fls. 01, abaixo reproduzido: [...]Do exposto, proponho a não homologação da compensação, em razão direta da inexistência de crédito nos processos 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565, com base nas disposições contidas da IN SRF n°210/2002, atualmente contido no parágrafo 10 do artigo 26 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, lastreada no Código Tributário Nacional, art. 68,I." O recurso voluntário aduziu que o prazo para pedir a restituição de indébito tributário seria de dez anos a partir da publicação da Resolução nº 49/1995 e propugnou pela aplicação da semestralidade no cálculo do Pasep. Entretanto, como salientado acima, estas matérias são estranhas à razão do indeferimento e foram tratadas nos processos de restituição já mencionados, devendo, portanto, não serem conhecidas como razões recursais neste processo. Destarte, a discussão cingiuse, na realidade, apenas ao procedimento de compensação. Neste ponto, a declaração foi entregue em 17/02/2003, ao passo que os despachos de indeferimento dos pedidos de restituição ocorreram em 13/04/2005, em relação Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001227/200301 Acórdão n.º 3302003.156 S3C3T2 Fl. 6 5 ao processo 10580.002854/200351, e em 02/06/2005, para o processo 10580.001146/200565, portanto, posteriormente à declaração de compensação. Esta declaração foi entregue sob a vigência da IN SRF nº 210/2002, cujo §4º do artigo 21 possibilitava a compensação com origem em créditos objeto de pedido de restituição, desde que estes pedidos se encontrassem pendentes de decisão administrativa, o que foi o caso destes autos. Ressaltase que, embora, cronologicamente, os pedidos de restituição tenham sido posteriores à declaração de compensação, tal fato não foi fundamento para o indeferimento da compensação. De modo similar, a IN SRF nº 460/2004 dispôs em seu artigo 26, §5º, possibilitando a compensação com créditos objeto de pedido de restituição pendente de decisão administrativa, regra esta que se repetiu em todas as instruções normativas subseqüentes. Por outro lado, a revogada Portaria SRF nº 6.129/2005 previa a reunião em um único processo dos pedidos de restituição ou de ressarcimento e as Declarações de Compensação que tivessem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, exceto se as declarações de compensação tivessem sido apresentadas em data posterior ao indeferimento ou nãohomologação, nos termos do artigo 1º, abaixo transcrito: Art. 1ºSerão objeto de um único processo administrativo: [...]III aos Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e às Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; [...]§ 4ºAs DComp baseadas em crédito constante de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido ou em compensação não homologada pela autoridade competente da SRF, apresentadas após o indeferimento ou nãohomologação, serão objeto de processos distintos daquele em que foi prolatada a decisão. Art. 2ºOs processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da SRF em que se encontrem. Esta portaria foi revogada pela Portaria RFB nº 666/2008, que foi revogada pela Portaria RFB nº 354/2016, as quais, entretanto, mantiveram os dispositivos acima. Depreendese que a regra possui o objetivo de que tais processos sejam julgados de forma única e que as decisões proferidas nos processos originais sejam refletidas nos processos decorrentes. É exatamente isto que deveria ocorrer em relação a este processo. Porém, tal anexação não é possível, pois o crédito objeto desta declaração está lastreado em dois processos de restituição, os quais, inclusive, foram julgados por esta turma na mesma data de 27/01/2016, conforme as seguintes ementas e dispositivos: Processo 10580.002854/200351: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996 PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001227/200301 Acórdão n.º 3302003.156 S3C3T2 Fl. 7 6 Aplicase o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Dispositivo: “Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do pedido de restituição de pagamentos efetuados entre maio/1993 e 1996, vinculados a fatos geradores da contribuição de abril/1993 em diante, ressalvado o direito de a autoridade administrativa apurar a liquidez e certeza do direito creditório, mediante a aplicação da semestralidade prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95 Andamento processual em 20/04/2016: Processo 10580.001146/200565: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996 PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Dispositivo: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001227/200301 Acórdão n.º 3302003.156 S3C3T2 Fl. 8 7 “Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do pedido de restituição de pagamentos efetuados entre novembro/1993 e 1996, vinculados a fatos geradores da contribuição de outubro/1993 em diante, ressalvado o direito de a autoridade administrativa apurar a liquidez e certeza do direito creditório, mediante a aplicação da semestralidade prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95. Assim, na impossibilidade de se anexar para que se promova o julgamento único, é necessário refletir a decisão dos processos de restituição nestes autos. Diante do exposto, acolho os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado e dar parcial provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem efetive a compensação até o limite do saldo de direito creditório a ser apurado nos processos 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565, observados os pedidos/declarações de compensações anteriormente pleiteados. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 12448.735988/2011-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-003.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Vencida, também, a Conselheira Patrícia da Silva. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra apresentarão declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator-designado.
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes
(Assinado digitalmente)
Gérson Macedo Guerra
EDITADO EM: 24/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Vencida, também, a Conselheira Patrícia da Silva. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 59 88 /2 01 1- 12 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.600 2 provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra apresentarão declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redatordesignado. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes (Assinado digitalmente) Gérson Macedo Guerra EDITADO EM: 24/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.601 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de crédito tributário decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas de empresa não negociadas em bolsa. Os fatos geradores ocorreram nos anos de 2006 e 2009 e decorreram da alienação à UBS Brasil Participações Ltda. de ações de propriedade do contribuinte, de emissão de Banco Pactual S.A. O crédito gerado foi de R$ 18.459.355,52, sendo R$ 6.521.435,99, de imposto; R$ 2.155.765,55 de juros de mora calculados até 30/9/2011 e R$ 9.782.153,98 de multa proporcional calculada sobre o principal. Conforme esclarecido no relatório da Delegacia Fiscal de Julgamento: A ação fiscal teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A, CNPJ nº 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Sr. Alessandro Monteiro Morgado Horta, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactual. A referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactual diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Por meio da reorganização societária foi adotado um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Verificouse um acréscimo no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A pertencentes ao acionista Alessandro Monteiro Morgado Horta da ordem de 385%, na data da alienação em dezembro de 2006, enquanto o aumento de patrimônio líquido do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, no mesmo período, foi de 89% conforme Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ da instituição financeira relativa ao ano calendário de 2006. Constatouse, assim, uma total discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada com o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes a um dos seus acionistas. Tais processos de reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tão somente a majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à operação de alienação do Banco. Através de contrato firmado em 09/05/2006, entre a pessoa jurídica UBS AG, a pessoa jurídica Pactual S.A (controladora Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.602 4 direta do Banco Pactual S.A.) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactual S.A., ficou definido, entre outras cláusulas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactual S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas. O pagamento pela compra das ações do Banco Pactual S.A. foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de “Fechamento” da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006, e a segunda em data posterior denominada de “Pagamento Diferido”. Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda outros valores denominados “Pagamentos Especiais; Usufruto”. Os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactual S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactual Participações Ltda nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactual Participações S/A transformouse em Nova Pactual Participações Ltda. Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactual Participações Ltda no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A é incorporada por Pactual S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Também nesta data, a Nova Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93. Em 01/11/2006, o capital social da Pactual S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.603 5 conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactual S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactual S/A é incorporada pelo Banco Pactual S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactual S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Observase um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactual S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactual Participações Ltda, Pactual Holdings S/A e Pactual S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados e posteriormente foram incorporadas pelas suas Investidas, operações essas inversas ao processo normal que é o da Investidora incorporar a Investida. Nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Participações Ltda, Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings S/A e da Nova Pactual Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactual S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactual S/A (PL), no montante de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual S/A. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração, da mesma forma como se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam em uma sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.604 6 Concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactual S/A, em 01/12/2006. Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$ 290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactual S/A. Por isso, esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 25.650.412,21, correspondente a 3,00% do total da sociedade. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactual Participações Ltda, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactual Participações Ltda e Pactual S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactual S/A. As operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídicocontábilfinanceiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactual S/A, com repercussão na controladora Pactual S/A. Com efeito, eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactual S/A em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações Ltda e Nova Pactual Participações Ltda nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactual S/A. A capitalização cumulativa dos lucros de equivalência patrimonial para aumentar o custo de aquisição das ações acima do cabível não pode ser admitida por causa de sua ilicitude, além do que deve ser inibida, para que, futuramente, não só comprometa a eficácia de toda tributação do ganho de capital sobre participações societárias, uma vez que o estratagema contábil viabilizaria a utilização de “empresas de papel” (holdings) tão somente para não pagar imposto de renda sobre ganho de capital, distorcendo gravemente a percepção do Fisco acerca da capacidade contributiva dos sócios pessoas físicas. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.605 7 Com os procedimentos adotados pelos exacionistas, estes informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art.72, da Lei 4.502/64). Todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos I o e 2o da Lei 8.137/90. O ato praticado vai contra as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o contribuinte fiscalizado afirmar que nela se baseou. Mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado. O abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral. Foi aplicada a multa de 150% com base no art. 957, II, do RIR/99, tendo em vista a intenção do fiscalizado de majorar o custo de suas ações e permanecer com esse valor de custo majorado, mesmo após o recebimento de dividendos previstos no contrato de compra e venda das ações do Banco Pactual S/A em fevereiro de 2007, momento em que deveria recalcular o imposto apurado referente à primeira parcela, deduzindose tal valor do custo. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – Processo nº 12448.735989/201167, a qual se encontra em anexo, para comunicação ao Ministério Público da prática de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Em sua impugnação o Contribuinte pugna pelo cancelamento do auto de infração, defende a legalidade das operações e explica as características e o porque do negócio jurídico realizado. Insurgese contra a aplicação da multa de 150% e contra os juros sobre a multa. Acordaram os membros da 21ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Em Recurso Voluntário o Contribuinte reitera suas argumentações e, posteriormente, para reforçar sua tese, junta aos autos decisão favorável proferida pela 1ª Câmara em caso similar (Acórdão nº 210101.938). A 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção, por meio do acórdão 2202002.258, por maioria de votos, reduziu a multa de ofício ao percentual de 75% e excluiu Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.606 8 da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Referido julgado recebeu a seguinte emenda: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006, 2009 OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal. Citando como paradigmas aos acórdãos nº CSRF/9202‑ 01.779 e CSRF/9101‑ 00.539, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra a parte da decisão que desqualificou a multa e a que afastou a incidência de juros sobre a multa de ofício. Após exame de admissibilidade o recurso foi recebido apenas no que tange a discussão da incidência dos juros sobre a multa de ofício. O contribuinte apresentou contrarrazões e também o seu Recurso Especial, baseado no mesmo acórdão juntado após a interposição do Recurso Voluntário (Acórdão nº 210201.938) com a seguinte ementa: Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.607 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2006 IRPF. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. Há um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde àquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação. IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS. APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99. O art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que “no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista”. A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastála, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto. Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento. Tal recurso, aborda os seguinte pontos: legalidade das operações realizadas e do método de equivalência patrimonial, o art. 135 do RIR/99 e sua aplicação ao aumento do custo de aquisições dos investimentos feitos pelo Contribuinte, mostrase contrário ao arbitramento do custo de aquisição realizado pela autoridade fiscal, especialmente pelo fato de inexistir procedimento uniforme para cálculo do valor de ganho de capital apurado nas diversas autuações efetuadas junto aos demais acionistas. Requer, ainda o afastamento da multa e dos juros em razão da aplicação do art. 100, parágrafo único do CTN. Foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora O presente processo teve seu julgamento inicialmente marcado para o dia 12 de abril de 2016, data em que foi realizada sustentação oral pelo Procurador do Contribuinte e distribuído aos Conselheiros parecer jurídico acerca do assunto debatido. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.608 10 Conforme ata publicada o resultado provisório do julgamento foi no seguinte sentido: Vista para a Conselheira Ana Paula Fernandes, convertida em vista coletiva. Realizou sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Hermano Antonio do Cabo Notaroberto Barbosa, OAB/RJ 127.529. A Conselheira Relatora votou por negar provimento aos Resp do Contribuinte e da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira votaram por negar provimento ao Resp do Contribuinte e dar provimento ao Resp da Fazenda Nacional. A Conselheira Patrícia da Silva votou por dar provimento ao Resp do Contribuinte e negar provimento ao Resp da Fazenda Nacional. Observando as normas regimentais o processo retorna para julgamento nesta sessão, e embora já tenha me manifestação sobre o mérito da questão, com base no art. 58, §3º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, passo agora a fundamentar meu novo entendimento sobre a lide. Da preliminar de nulidade absoluta do auto de infração: Conforme esclarecido no relatório foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de ganho de capital na alienação de ações, haja vista a duplicidade de capitalização de lucros e reservas pela utilização do Método da Equivalência Patrimonial, onde entendeu o fiscal ter havido por parte do contribuinte abuso de direito na interpretação dada ao art. 135 do RIR/99. No entendimento do Fisco, o dispositivo legal acima citado só permitiria ao contribuinte considerar para fins de o aumento do custo de aquisição de suas quotas sociais uma das capitalizações realizadas. Com base nesta premissa apurouse a diferença do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física relativo ao Ganho de Capital decorrente da alienação dessas ações, tendo sido realizado o seguinte método para apuração da respectiva base de cálculo: 2 DOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A Fiscalização tomou como base para o cálculo do custo do investimento do recorrente a sua participação no patrimônio líquido da empresa Pactual Holding S.A., no valor de R$ 1.149.610.206,41, antes de sua incorporação pelo Banco Pactual S.A. Acredita a Fiscalização que o patrimônio líquido da aludida empresa, por ter sido a última a participar das operações de capitalização de resultados positivos decorrentes do MEP, representaria, perfeitamente, a base para o cálculo do custo da participação de cada um dos sócios. Em outra conta para chegar ao mesmo resultado, a Fiscalização somou o valor do patrimônio líquido de cada sociedade investida/ incorporadora no evento “incorporação às avessas” (além de uma pequena diferença oriunda do resultado da Pactual Holding S.A. nos meses anteriores à sua incorporação pelo Banco Pactual S.A.), e chegou ao mesmo montante: R$ 1.149.610.206,41. Além disso, em razão de o contrato de venda do Banco Pactual S.A. prever o pagamento de “exdividendos” (apurados após a venda, no valor de R$ 290.754.000,06) aos exacionistas, a Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.609 11 fiscalização deduziu da base para cálculo do custo do investimento dos sócios o valor dos dividendos por eles recebidos a posteriori, chegando ao valor final de R$ 858.876.206,35. Por fim, identificada a base de cálculo, bastou à fiscalização aplicar o percentual que cada sócio detinha no patrimônio líquido da Pactual Holding S.A. (no caso do recorrente, 3 %), para chegar ao alegado valor do custo de aquisição do investimento do recorrente R$ 25.650.412,21. (Parte retirada da declaração de voto do Conselheiro Rafael Pandolfo juntada no acórdão recorrido) E é exatamente esse procedimento de fixação da base de cálculo que me leva a concordar com os argumentos expostos pelo Contribuinte e compartilhado pela Declaração de Voto do Conselheiro Rafael Pandolfo, no sentido de haver vício material insanável do lançamento. Isso porque, viola o art. 148 do CTN o lançamento cuja base de cálculo tenha sido arbitrada sem que tenha restado comprovado nos autos a ocorrência dos requisitos autorizativos da norma legal, quais sejam: deixar o contribuinte de apresentar declarações ou esclarecimentos, deixar de expedir documentos obrigatórios ou uma vez apresentados os documentos, declarações e esclarecimentos esses não mereçam fé. Vejamos o teor do dispositivo citado: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Ora, não se discute que revelase plenamente possível o arbitramento da base de cálculo do imposto pelo órgão fazendário competente sempre que sejam omissos ou não mereçam fé os esclarecimentos, as declarações, os documentos ou os recolhimentos prestados, expedidos ou efetuados pelo sujeito passivo ou por terceiro legalmente obrigado, mediante procedimento regular, por meio do qual fixará o valor na forma e nas condições regulamentares, entretanto, tais condições demonstram que tratase de metodologia cuja aplicação é excepcional. Maria Rita Ferragut, em sua obra intitula Presunções no Direito Tributário, ao definir o arbitramento nos traz exatamente esses esclarecimentos: Já a segunda hipótese de significado diz respeito à base de cálculo originalmente substitutiva. A substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regramatriz de incidência construído a partir do texto constitucional por outra subsidiária, dáse em virtude da inexistência de documentos fiscais, ou da impossibilidade dos mesmo fornecerem critérios seguros para mensuração do fato, casos em que a base de Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.610 12 cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. ... Diante dessas características, verificase, primeiramente, que o arbitramento é dotado de caráter excepcional, e só deve ser exercido em casos extremos, já que a base de cálculo originária é a que deve ser utilizada por ser a prevista na regramatriz de incidência tributária e por guardar, a princípio, relação direta com as riquezas constitucionalmente previstas. O próprio princípio da verdade material inerente às demandas administrativas nos impõe concluir que o procedimento de arbitramento é realmente a última solução para o cálculo de um tributo, devendo ser adotado apenas depois de esgotados todos os outros meios de provas legais, quando não é possível, de nenhuma maneira, conhecer, ao menos aproximadamente, a efetiva realidade arbitrada. Entendese, com base no art. 142 do CTN, que o lançamento tributário é procedimento de competência exclusiva da autoridade administrativa fiscal, cujo objetivo é verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, culminar penalidade. Assim, apesar de a norma prever como possível a utilização do arbitramento esse poderdever do Administrador não é discricionário. Conforme entendimento unânime da doutrina, o lançamento é procedimento composto pela sucessão da atos administrativos vinculados e como tal deve quando da sua realização obedecer aos princípios constitucionais do art. 37, especialmente ao da legalidade. Como se observa dos autos, inclusive pelos esclarecimentos suscitados no próprio relatório fiscal, o Contribuinte em momento algum se furtou a apresentar documentos, prestar as informações e esclarecimentos necessários à delimitação das discussões, em momento algum foi alegada a idoneidade dos documentos ou esclarecimentos, e no mais toda a operação por sua natureza foi inclusive autorizada e fiscalizada pelo Banco Central. Diante disto, o correto seria que o fiscal tivesse diligenciado no intuito de apurar o verdadeiro custo de aquisição das ações comercializadas desde a realização da primeira capitalização ocorrida na Novo Pactual Ltda.. Ao contrário, para apuração da base de cálculo utilizouse de operação aritmética e correlações para as quais não há respaldo jurídico, gerando um lançamento eivado de vício. E aqui entendo tratarse de vício material pois estamos diante de erro que violando a lei maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz de incidência. Entendo que erro na construção da base de cálculo é erro que não pode ser sanado pela Autoridade Julgadora face à competência exclusiva delegada pelo já mencionado Art. 142 do CTN à autoridade fiscal, levando à nulidade do lançamento e, por conseguinte, à inexigibilidade do crédito tributário. Do mérito do recurso do Contribuinte: Vencida quanto a preliminar arguida, passo à análise do mérito. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.611 13 Tratase de matéria já debatida neste Conselho, onde após a realização de sustentações pelas partes indicando os principais pontos controversos da lide e tecendo suas explicações, esse colegiado vem adotando entendimento construído pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator no Acórdão nº 9202003.700. Por hora, apesar de discordar da conclusão final da lide adotada pelo Ilustre Conselheiro, no que tange a forma de aplicação do método da equivalência patrimonial utilizado para apuração do ganho de capital, diante da evolução histórica da legislação e das circunstâncias da operação, entendo não haver reparos a ser feito ao coerente raciocínio aplicado pelo julgador. Vejamos: O deslinde da questão se resume à correta interpretação da legislação aplicável ao caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica. Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.612 14 de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.613 15 aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.614 16 de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendose para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.615 17 (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.616 18 Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para não tributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.617 19 Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.618 20 somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding () Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); somente houve glosa da atualização do custo de participação societária, para uma das capitalizações de lucro, mais especificamente, para a capitalização ocorrida em NOVA PACTUAL em 13.10.2006, no valor de R$ 30.233.762,00. Portanto, a autoridade autuante entendeu indevida apenas a atualização de custo da participação em decorrência de uma das capitalizações de lucro, em razão da aplicação a ela, pelo autuado, do disposto no art. 135 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999. Porém, de acordo com a interpretação já apresentada por este conselheiro, entendese que ambas deveriam ter sido glosadas. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.619 21 De fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Conforme exposto no relatório, no presente caso foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda., o montante de 34.022.332 ações de propriedade do contribuinte, de emissão de Banco Pactual S.A. O crédito gerado foi de R$ 18.459.355,52, sendo R$ 6.521.435,99, de imposto; R$ 2.155.765,55 de juros de mora calculados até 30/9/2011 e R$ 9.782.153,98 de multa proporcional calculada sobre o principal. Pelo lançamento somente foi glosado o valor de atualização do custo das ações de uma das duas operações de capitalização de lucros. Aplicando aos fatos geradores em questão o critério do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, os quais adoto como razão de decidir, chegaríamos a crédito apurado bem superior aquele calculado pelo Fiscal, afinal como exposto devem ser desconsiderados para fins de apuração do ganho de capital e do valor aceitável para o aumento do custo das respectivas participações societárias as duas capitalizações de lucro. Nestas circunstância, considerando a limitação imposta pelo princípio processual da "proibição da reformatio in pejus', que impede o agravamento da situação do Recorrente, seria coerente manter o lançamento nos moldes do acórdão a quo. Entretanto, em que pese o entendimento acima, como dito e conforme exposto em sede de preliminar, apesar de o contribuinte ter adotado conduta imprópria, discordo da conclusão final haja vista o critério utilizado pela autoridade fiscal para a fixação da base de cálculo. Ora, não se discute haver a possibilidade de arbitramento da base de cálculo do imposto pela autoridade fiscal competente. Ocorre que tal procedimento deve observar as determinações contidas no art. 148 do CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, apesar de a norma prever como possível a utilização do arbitramento esse poderdever do Administrador não é discricionário e tratase de metodologia cuja aplicação é excepcional. Somente admitirseá a utilização de base de cálculo diversa da real Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.620 22 quando omissos ou não mereçam fé os esclarecimentos, as declarações, os documentos ou os recolhimentos prestados, expedidos ou efetuados pelo sujeito passivo ou por terceiro legalmente obrigado, hipóteses essas não presentes no caso. Como se observa dos autos, inclusive pelos esclarecimentos suscitados no próprio relatório fiscal, o Contribuinte em momento algum se furtou de apresentar documentos, prestar informações e esclarecimentos necessários à delimitação das discussões, em momento algum foi alegada a idoneidade dos documentos ou esclarecimentos, e no mais toda a operação por sua natureza foi inclusive autorizada e fiscalizada pelo Banco Central. Diante disto, o correto seria que o fiscal tivesse diligenciado no intuito de apurar o verdadeiro custo de aquisição das ações comercializadas desde a realização da primeira capitalização ocorrida na Novo Pactual Ltda.. Ao contrário, para apuração da base de cálculo utilizouse de operação aritmética e correlações para as quais não há respaldo jurídico, gerando um lançamento eivado de vício. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte. Recurso Especial da Fazenda Nacional: Vencida quanto ao mérito do recurso especial interposto pelo Contribuinte, manifestome sobre o mérito do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Preenchidos os requisitos legais, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, lembrando que o mesmo foi admitido apenas no que tange a discussão acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. E aqui, após um estudo mais aprofundado sobre o tema, entendo que razão assiste à Fazenda Nacional. Isso porque o art. 113 do CTN nos traz a descrição de quais parcelas compõem o crédito relacionado à obrigação principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Percebese que para o legislador o crédito tributário pode ser composto por três parcelas: I) o crédito decorrente da obrigação principal, II) o crédito gerado em razão de penalidade pecuniária decorrentes dessa obrigação principal e III) o crédito eventualmente decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Citado por Leandro Paulsen, o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi, assim esclarece: Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.621 23 A obrigação principal, criação de expediente técnicojurídico, congrega em um só objeto, em uma só relação jurídica, mediante a operação de soma ou união de relações, os objetos das relações patrimoniais: relação jurídica tributária, relação jurídica da multa pelo nãopagamento, relação jurídica de mora e relação jurídica sancionadora instrumental, prática esta que, se, de um lado, facilita a integração e cobrança do débito fiscal, de outro, dificulta o discernimento das várias categorias e regimes jurídicos díspares que compõem a denominada obrigação tributária principal. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. No âmbito da regulamentação dada à matéria pelas legislação ordinária, devemos citar os dispositivos das leis nº 9.430/1996 e 10.522/2002, que disciplinaram o assunto: Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Lei nº 10.522/2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...). Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.622 24 Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Assim, considerando a abrangência do conceito de crédito tributário, forçoso concluir que há previsão legal para a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada em razão do não pagamento do tributo devido. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.623 25 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Em que pese o brilhantismo do voto proferido pela relatora do feito, ouso discordar tanto quanto à preliminar de nulidade levantada quanto ao mérito no âmbito do Recurso Especial do Contribuinte, matérias para as quais exponho, a seguir, meu posicionamento. 1. Quanto à preliminar de nulidade levantada Quanto à preliminar de nulidade inicialmente levantada, noto, a propósito, que, em meu entendimento, não se está, aqui, diante de caso de arbitramento da base de cálculo, uma vez que, em nenhum momento, no caso em questão, se adotou critério especial ou substitutivo ao legalmente estabelecido para fins de determinação do custo de aquisição a ser computado quando da apuração do ganho de capital (base de cálculo do IRPF). O que se discute aqui é : na situação fática em questão que abrange aumentos de capital de reservas oriundas do método de equivalência patrimonial, seguidos de incorporações reversas, quais parcelas podem ou não compor este custo, notese, sempre mantido o critério de apuração da base de cálculo do tributo legalmente estabelecido, sem adoção de critérios alternativos ou substitutivos, tal como bem lecionou a Prof. Maria Rita Ferragut, na parte citada pela Relatora . Rejeito, assim, se tratar, na situação fática, de arbitramento e, ainda, a ocorrência de vício material no auto, uma vez que o critério jurídico para apuração da base de cálculo legalmente estabelecido foi ali plenamente obedecido cabendo tão somente discussão acerca da diferente valoração feita pela fiscalização e pelo autuado, para fins de aplicação do referido critério. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade levantada. 2. Quanto ao mérito do Recurso Especial do Contribuinte Passandose à análise de mérito, continuo a entender, a propósito, que a correta interpretação do dispositivo legal em questão, a saber o art. 135 do RIR/99, já reproduzido no voto da relatora, deve privilegiar a consistência do arcabouço normativo como um todo, a partir da adoção do método de interpretação sistemática, em detrimento da adoção de uma interpretação literal, que causa, in casu, relevantes e inaceitáveis inconsistências ("disfuncionalidades") no sistema tributário, permitindo, notese, que se admita que uma série de capitalizações seguida de incorporações reversas multiplique o custo de aquisição de determinada participação societária, de forma a reduzir ou até a eliminar totalmente o ganho de capital apurado, quando de sua posterior alienação. O assunto foi perfeitamente explorado pelo voto vencedor do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos no âmbito do Acórdão 9.202003.700, ao qual continuo a aceder, reproduzindoo, em parte, a seguir, de forma a esclarecer o que aqui se defende e adotando o excerto a seguir aqui também como razões de decidir, verbis: Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.624 26 "(...) Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. (...) Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.625 27 Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988;... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.626 28 Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para não tributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.627 29 Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.628 30 (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). (...)" Notese que não se está, aqui, nesta linha de interpretação, se violando o princípio da legalidade ou se afastando a vigência de texto legal, mas, sim, interpretandose o dispositivo em análise de forma sistemática, a fim de que o arcabouço legal tributário permaneça sem inconsistências, de forma coerente, ainda, com uma interpretação teleologicamente adequada, sendo de se rechaçar que tenha o legislador tencionado criar inconsistências ou disfuncionalidades na tributação em questão (tais como a possibilidade de eliminação do ganho de capital pela realização de um ciclo de capitalizações e incorporações reversas), quando da edição do dispositivo em apreço. Aplicandose tal interpretação ao caso em questão, concluise que não deveriam ser considerados nenhum dos dois aumentos de custo computados pelo autuado decorrentes das capitalizações ocorridas em 2006, em Nova Pactual Participações S/A (no valor de R$ 31.492.296,00), e de Pactual S/A (no valor de R$ 29.882.639,00), uma vez que, notese, o lucro da pessoa jurídica operacional (Banco Pactual S/A) permaneceu passível de distribuição isenta mesmo após tais operações, tendo assim permanecido até o momento da alienação da referida participação. Considerando, todavia, ter a autuação se limitado a glosar parcela inferior ao somatório de ambas as capitalizações e vedada a esta altura a reformatio in pejus, entendo, assim, que é de se manter o custo concedido pela fiscalização, no valor de R$ 25.650.412,21 (vide TVF à efl. 109). Por fim, entendo cabíveis aqui, ainda, as seguintes considerações de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo Santos, no âmbito do Acórdão 9.202003.700, as quais adoto como razões de decidir adicionais quanto à matéria em litígio: "(...) Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.629 31 i. o fato é a alienação de participações societárias, ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada. iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui. Cumpre lembrar que o julgador não está vinculado ao fundamento das partes, somente não pode exarar uma decisão extrapetita, o que, conforme acima esclarecido, não ocorreu. Finalmente, quanto ao pedido subsidiário da recorrente de não aplicação de penalidade e juros de mora, a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada. Assim, é de se manter a multa de ofício aplicada pela autoridade lançadora, bem como os juros de mora incidentes sobre o principal e sobre a multa de ofício, neste último caso em linha com o explicitado a seguir quando da análise do recurso especial de iniciativa da Fazenda Nacional. (...)" Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o custo de aquisição concedido pela autoridade lançadora de R$ 25.650.412,21, dada a impossibilidade de reformatio in pejus, bem como mantida, também, a incidência da multa de ofício no patamar de 75%, consoante decisão a quo, acrescida esta última, também, de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, mantidos consoante decisão da relatora acerca do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com a qual me alinho. É como voto. (Assinado digitalmente) Redatordesignado Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.630 32 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes 11 RREECCUURRSSOO DDOO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEE.. DDAA FFOORRMMAA DDEE AAPPUURRAAÇÇÃÃOO DDOO CCUUSSTTOO DDEE AAQQUUIISSIIÇÇÃÃOO AA SSEERR CCOONNSSIIDDEERRAADDOO NNOO CCÁÁLLCCUULLOO DDOO GGAANNHHOO DDEE CCAAPPIITTAALL.. DDOO AARRBBIITTRRAAMMEENNTTOO.. DDAA MMAANNUUTTEENNÇÇÃÃOO DDOO AAUUTTOO DDEE IINNFFRRAAÇÇÃÃOO.. Em sessão passada acompanhei o brilhante voto do eminente conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, contudo, com o passar as sessões, analisando detidamente os recursos de cada um dos processos que vêm sendo julgado nesta turma, bem como as sustentações orais proferidas, fui definindo um entendimento divergente. Observando os casos já julgados, os quais são análogos ao processo que hora passo a julgar, não posso deixar de demonstrar minha enorme preocupação com a pacificação social. Afinal, a regras num Estado Democrático de Direito são definidas para serem cumpridas, mas para isso elas precisam ser claras, objetivas e não levantarem dúvidas a respeito de seu cumprimento. Isso garante a segurança jurídica e demonstra a seriedade de nossas Instituições. No caso em tela, observo dois pontos a serem analisados no tocante ao auto de infração que deu origem a este processo. Primeiramente a utilização do artigo 135 (RIR) para ganhos advindos do Método de Equiparação Patrimonial MEP, e em segundo momento a forma de constituição do auto de infração pela via do Arbitramento. Quanto ao primeiro tópico, observo que há uma discrepância entre a interpretação dada pelo contribuinte e a que foi dada pela fiscalização, no tocante a regra do Imposto de Renda Pessoa Física, que define o que deve e o que não deve ser tributado nestas operações. E isso sim gerou grande dúvida a respeito de sua aplicabilidade. Entendeu a Receita Federal que a extinção das sociedades holdings por meio de incorporações acompanhadas de capitalizações de lucros e reservas de lucros acumulados teria gerado uma majoração artificial dos custos de aquisição de investimentos detidos pelas pessoas físicas alienantes. E em razão disso, tratou a Administração Pública por desconsiderar o efeito das capitalizações dos lucros advindos pelo Método de Equivalência Patrimonial. Observo, portanto, que toda problemática reside na possibilidade ou não de capitalização de lucros advindos da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial. A questão levanta dúvidas. Tanto é verdade que a própria Administração Pública no momento de fiscalizar o imposto devido autuou os contribuintes com cinco teses distintas de interpretação da legislação fiscaltributária para fins de cálculo do custo de aquisição. Ora, se a mesma legislação, no caso em tela, especificamente os mesmos dispositivos legais, levou os fiscais, auditores da Receita Federal, a cinco interpretações Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.631 33 distintas, isso nos leva a crer que não se trata de simples equívoco interpretativo, mas sim de dúvida razoável causada pela impropriedade do texto legal. A celeuma citada se refere ao artigo 135 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 1999), cuja regra matriz é o artigo 10 da Lei 9.249/95. Vejamos o que diz o comando legal, no trecho que interessa a lide: Lei 9.249/95 Art. 10 Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. (...) Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Seguindo entendimento esposado por esta Turma anteriormente, o referido artigo não se aplicaria às bonificações decorrentes da capitalização de lucros formados com ganhos provenientes da aplicação do método de equivalência patrimonial, pois os lucros, cuja capitalização seria apta a gerar acréscimo e custo para o investidor, seriam aqueles capazes de atingir o patrimônio da pessoa física (o que excluiria aqueles advindos pelo MEP). Contudo, o contribuinte alega que esta interpretação está dissociada da lei e dos conceitos de receita e lucro da legislação vigente, e que, ainda que fosse necessário que este atingisse o patrimônio da pessoa física, pois os ganhos do MEP são possíveis de chegar ao seu patrimônio, só não são obrigatórios dependendo de um fato de natureza exclusivamente financeira – disponibilidade de caixa ou da vontade da companhia. Compulsando os autos e toda legislação aplicável, reconheço que assiste razão ao contribuinte. A literalidade da norma leva a conclusão de que a capitalização de lucros implica um aumento do custo da correspondente participação societária. Observese que a lei fala em capitalização, logo isso se aplica a qualquer capitalização, uma vez que a lei não traz exceções. Isso decore do fato de que a norma positiva não faz qualquer distinção quanto a forma ou modo que deve ser operacionalizada esta "capitalização" para que esse aumento corresponda a participação societária. Entender assim gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações? Pode ser que sim. Contudo isso decorre de impropriedade legal, não cabendo a Administração Pública dar a interpretação que lhe assiste para corrigir a impropriedade de um texto de lei, utilizandose de fundamentos outros que não aqueles que se encontram no comando legal do dispositivo em apreço. Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.632 34 Para esclarecer, quando um investimento é contabilizado pelo Método de Equivalência Patrimonial, os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora. E o que são estas receitas? São resultados positivos ou ganhos de equivalência, que não configuram propriamente lucro da investidora, mas se consubstanciam como elemento positivo na formação deste, que a rigor, segundo a explicação de diversos especialistas contábeis, podem vir a existir ou não dependendo do conjunto de receitas de despesas desta sociedade. Os ganhos advindos do MEP advêm de um ativo classificado como investimento, e por esta razão realizamse financeiramente num prazo mais longo que as demais receitas. Então se os ganhos de MEP representam uma receita efetiva da investidora porque não estão sujeitas a incidência de imposto de renda e outros tributos? Isso ocorre por que a lei permite sua exclusão da base de cálculo dos mesmos, exclusão essa que não ocorre na base de cálculo do imposto de renda, quando o lucro provém de investimentos em controladas ou coligadas sediadas no exterior (Art. 74 da MP 2.15335/2001). Assim, as receitas de MEP não apenas integram o resultado do exercício da investidora como também devem ser distribuídos (Art. 202, §6º da Lei 6.404/76), embora em alguns casos haja autorização legal para que não o seja feito. E para o bom deslinde desta questão é fundamental compreender, o que isso significa. Ou seja, como regra, os ganhos advindos pelo MEP devem ser distribuídos, mas, como estes correspondem a lucros não realizados, a Lei que regula o funcionamento das Sociedades Anônimas, faculta as companhias que estes lucros sejam mantidos em uma reserva específica, o que o contribuinte aduz ser possível com a finalidade de preservar a saúde financeira destas Sociedades. Logo, se os ganhos de equivalência são suscetíveis de distribuição (prevista em lei), leva a conclusão que poderiam também gerar aumento de custo, quando capitalizados. E sua ocorrência vai depender de fatores como Situação financeira da Sociedade ou até mesmo sua conveniência, uma vez que a distribuição de dividendos em bens é uma possibilidade legal prevista na Lei das Sociedades Anônimas. A doutrina do Direito tributário também compreende deste modo. Vejamos o que diz o ilustre professor Heleno Taveira Torres: Ao tempo que o instituto da capitalização de lucros corresponde, legalmente, ao acréscimo do custo da participação dos sócios que decidem por não distribuíIos, apenas a diferença entre o novo custo (majorado) e o valor recebido, quando da venda de participação societária, gerará ganho de capital. a ser tributado pelo Imposto de Renda. Entendimento diverso fere a legalidade, a condicional', no país, o exame da capacidade contributiva. Importa considerar que o caso em tela não envolve a utilização artificial de "empresas veículo", com vistas ao aumento irreal dos custos de aquisição das participações societárias detidas pelo Consulente. Embora meu entendimento pessoal seja de que o artigo 135 do RIR seja uma forma inadequada de tratar os ganhos advindos do MEP, justamente pela possibilidade de admitir a duplicidade (a meu ver imoral) de aproveitamento de custos, que foi muito bem demonstrada no voto que acompanhei em sessões anteriores, ainda assim é uma forma legal, Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.633 35 cujas distorções econômicas foram geradas pela literalidade do texto de lei, cujo regimento interno deste Conselho me impede de afastar vigência. Ou seja, por mais imoral ou excessiva que seja a duplicidade de aproveitamento de custos realizada pelo contribuinte, não cabe a este conselho administrativo, alterar o texto da lei por meio de construções interpretativas, com a finalidade de corrigir impropriedades, com as quais deveria ter sido mais cauteloso o legislador. É princípio basilar do Direito Administrativo o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a idéia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. Voltando para análise do caso concreto, vemos que os ganhos advindos do Método de Equivalência Patrimonial representam meras receitas da investidora, integram sua conta de resultados e são responsáveis pela formação de seu lucro. E não há qualquer menção na redação do artigo 135 do RIR que afaste seus efeitos do ganho de MEP, não há sequer dúvida a respeito, ao contrário, o artigo não coloca isso em discussão, não gerando, portanto, nenhuma dúvida de que o Contribuinte então possa fazêlo. Até por que em Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.634 36 diversos casos a Receita Federal permitiu isso. E não é admitido que a permissão ou proibição seja definida com base em quem tem vantagem com a conduta, pois, conforme já foi dito anteriormente, a Administração só cabe fazer aquilo que está previsto em Lei, não podendo interpretar a norma a seu bel prazer de acordo com o que lhe traga vantagem. Por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, compreender e aplicar a lei diferente desse entendimento, consiste em tentar mudar por força de ato administrativo interpretativo, previsão disposta em lei, impondo ao particular uma proibição que não se encontra no texto legal. Seja por omissão ou vontade do legislador, o fato é que ele nada disse sobre isso. Nesse ponto cabe citar o parecer jurídico do Professor Heleno Taveira Torres: À guisa de complementação, as operações de aumento de capital social, mediante capitalização de lucros, devidamente garantida pelo método da equivalência patrimonial, caro à contabilização das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, como se verá adiante, bem conduziram, no caso. o Consulente ao aumento do valor nominal da participação societária. Tratase de efeito civil de instituto de direito privado (Lei n. 6.404/1976, art. 169) precisamente mantido, nos mesmos moldes e sem quaisquer ressalvas, pelo legislador fiscal. nos termos do art. 135 do RIR1l999. Por força do art. 109 do CTN, tão relembrado neste Parecer. afiguramse juridicamente impossíveis in casu quaisquer ajustes promovidos, em via interpretativa, pela Administração Fazendária. No que toca aos atos e negócios jurídicos praticados de acordo com as normas existentes, a função social dos contratos (CC/2002, art. 421), garantida constitucionalmente, ao lado da liberdade de iniciativa econômica, impedem a desconsideração e a requalificação na situação sob exame. pelos agentes fiscais, sem observância do art, 149, VII do CTN. Resta evidente que a Receita Federal já se deu conta da problemática que reside na literalidade do texto legal, contudo não cabe ao Poder Executivo, por meio de atos interpretativos da Administração Pública, Fiscalização e Conselho de Recursos Fiscais, corrigir eventuais distorções econômicas advindas da aplicação da lei. Observo, inclusive, que tal necessidade já chegou ao conhecimento do Poder Legislativo, que, por meio da MP n. 694/2015, tenciona tal ajuste. Contudo, até que ele ocorra, não poderá ser imputado ao Contribuinte proibições, sanções ou quaisquer atos mais gravosos que aqueles “estritamente” constantes no texto de lei. Motivo pelo qual, em função da redação original da Lei (nunca alterada) julgo ser plenamente possível a sua utilização para ganhos advindos do emprego do método de equiparação patrimonial. Por fim, impossível ignorar os apontamentos como muito bem ponderados pelo Professor Heleno Taveira Torres, ao analisar os fatos atinentes ao caso da reestruturação operada entre as sociedades holdings, que detinham investimentos do BANCO PACTUAL S/A, no qual pontua estarem devidamente escriturados todos os efeitos contábeis e fiscais, a exemplo da capitalização de lucros, decorrentes dos mencionados atos, os quais foram Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.635 37 corretamente levados não só ao conhecimento do Fisco, mas, igualmente, do Banco Central do Brasil. Desse modo, não restaria, à Administração Fazendária, outra opção, senão reconstituir o efetivo custo de aquisição do investimento detido pelo contribuinte na aludida instituição financeira, louvandose nos elementos idôneos aos quais teve acesso, caso pretendesse validamente questionar a base de cálculo por este utilizada em autolançamento, quando do cômputo do ganho de capital. A alegação dada por àqueles que insistem em defender o contrário é a de que a adoção do método de interpretação sistemática proibiria a aplicação do artigo 135 do RIR aos ganhos de MEP, o que elidiria a possibilidade de dupla capitalização, como a utilizada pelo contribuinte. Contudo, isso significaria permitir que a Fazenda Nacional desse a interpretação que lhe agrada ao dispositivo com fundamento de que este seria o interesse do Ordenamento Jurídico Tributário Nacional, quando analisado como um todo. Pensar desse modo justificaria que normas positivadas fossem interpretadas sempre no sentido que melhor aprouver à administração, o que não é aceitável num estado que preza pela segurança jurídica e pela repartição dos poderes. Caso contrário a Administração Pública poderá legislar por via transversa, alterando a aplicação do texto de lei toda vez que lhe for conveniente, alegando adoção da interpretação sistemática, o que denota nítida e inaceitável interferência do Poder Executivo no Legislativo. “É princípio de hermenêutica que não pode o intérprete excepcionar quando a lei não excepciona, sob pena de violar o dogma da separação dos Poderes”. (REsp 1499898/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 24/03/2015) Desse modo, em respeito ao princípio razoabilidade e segundo o princípio da legalidade art.37, caput da Constituição Federal – “a Administração está, em toda a sua atividade, adstrita aos ditames da lei, não podendo dar interpretação extensiva ou restritiva, se a norma assim não dispuser. Desta forma, a lei funciona como balizamento mínimo e máximo na atuação estatal" (REsp 603.010/PB, Rel. Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ 8/11/2004). Contudo, se não forem estas as razões para anulação do auto de infração em comento, ainda existe um segundo ponto que preciso analisar para concluir meu voto. No tocante ao arbitramento de Imposto de Renda Pessoa Física sobre a alienação de participação societária do contribuinte, observo que a utilização do arbitramento, previsto no artigo 529 e seguintes do Decreto 3000/99 (RIR), gera dúvidas sobre a assertividade de sua aplicação no caso concreto. O arbitramento é devido somente nos casos em que o contribuinte impede a fiscalização de ter acesso aos seus dados. Contudo não é o que ocorreu no caso em tela, pois verifico total transparência do contribuinte com os atos por ele levados a cabo na alienação de sua participação societária. A Receita Federal não tem como afirmar com as provas dos autos que houve qualquer ato por parte do contribuinte capaz de justificar a opção pelo arbitramento, conforme a previsão do RIR. No Brasil, segundo Maria Rita Ferragut, “a tipificação dos fatos passíveis de serem tributados é rígida, não permitindo qualquer extensão infraconstitucional, estando a competência residual da União Federal (artigo 154,I, da Constituição Federal) excepcionada Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.636 38 dessa regra desde que exercida obedecendose os limites impostos pela Carta Magna”(FERRAGUT, M. R. Presunções no Direito Tributário, 2001). O agente administrativo detém competência para estabeler critérios especiais para a prática de lançamento, por via do arbitramento, espécie do gênero lançamento de ofício, tendente a avaliar preços, bens, serviços ou atos jurídicos, sempre que inexistam documentos ou declarações do contribuinte, ou que, embora existentes não mereçam fé. Contudo, nas palavras da especialista citada “a impossibilidade de comprovação direta da base originária é condição necessária para a aplicação de arbitramento”. Observo aqui que, não há nos autos qualquer situação de SIMULAÇÃO. A análise de fatos concretos denota estarmos diante de uma estrutura previamente existente, que opta pela adoção de um caminho que lhe confere menor custo tributário, para levar a cabo seu intuito de permitir a distribuição desproporcional de lucros, entre os sócios na medida de contribuição de cada um para o êxito da atividade da instituição financeira sob consideração, o que consistiu em efetivo planejamento tributário, constituído dentro das normas legais. E por isso, especificamente no que diz respeito à técnica jurídica do arbitramento, tratase de GRANDE EQUÍVOCO utilizado nestes casos. Registrese, mais uma vez, que o aumento do custo de aquisição decorrente da capitalização de lucros e reservas, prevista no art. 169 da LSA, foi recepcionado, sem ressalvas, pelo legislador tributário, no art. 135 do RIR/1999, o que autoriza concluir que a Administração Fazendária infringiu o art. 109 do CFN. E esse aumento de custo de aquisição decorre de operação aritmética de subtração entre o patrimônio final de um contribuinte, consistente em valores recebidos quando da alienação de ativos em dado espaço de tempo, e o Custo de aquisição destes. E, no cômputo deste custo de aquisição, não podem ser desconsiderados, repitase, os acréscimos legalmente admitidos no direito tributário vigente, ainda que por ficção jurídica; especialmente quando estes acréscimos decorrem de disposições legais expressas, mediante regular utilização de técnicas jurídicocontábeis, como é o Método de Equivalência Patrimonial em operação de reestruturação societária válida e, ademais, referendada pelo Banco Central do Brasil. Tratase de acréscimos decorrentes da recepção expressa de institutos privados, a exemplo da capitalização de lucros e reservas, prevista, sem quaisquer ressalvas, no art. 169 da LSA e arts. 135 e 383 do RIR/I 999. Estáse, portanto, diante de Auto de Infração que consigna crédito tributário (IRPF, somado a multa e juros) ilíquido, incerto e inexigível, por dois motivos: 1) Há permissão legal para que o contribuinte tenha seu custo de aquisição majorado por capitalização de lucros oriundos da aplicação de MEP. Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.637 39 2) Tendo em vista que os critérios jurídicos para formação da base de cálculo do imposto ora cobrado não foram respeitados no ato de lavratura do auto de infração entendo este estar eivado de vício material, devendo este restar cancelado. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao Recurso Especial do Contribuinte e negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional por restar prejudicado. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.638 40 Declaração de Voto Conselheiro Gérson Macedo Guerra. Gostaria de destacar que o ponto que me chamou a atenção nos presentes autos foi a forma de apuração da base de cálculo do imposto ora cobrado, mais precisamente da recomposição do custo de aquisição da participação societária realizada pela autoridade fiscal. Na página 82 dos presentes autos, item 2.5 do Termo de Verificação Fiscal, verificase que no procedimento fiscalizatório o contribuinte informou exatamente a evolução do custo de aquisição das ações da sociedade alienada, identificando detalhadamente as capitalizações realizadas nas sociedades Holdings das quais participou. A par disso, na página 116, dos presentes autos é possível identificar um custo de aquisição para as ações alienadas no valor de R$ 25.650.412,21. Para se chegar a esse valor, a autoridade fiscal identificou o percentual de participação do contribuinte no capital social da Pactual S/A (página 115) e aplicou esse percentual sobre o custo total das ações do Banco ajustado, encontrado na planilha da página 116. Ora, qual a fundamentação para esse raciocínio? Se a informação de capitalizações realizadas foi disponibilizada pelo contribuinte durante a fiscalização e a razão para a não concordância com o custo das ações utilizado para a apuração do ganho de capital é de que as capitalizações de lucros gerados pelo reconhecimento de receitas com base no método de equivalência patrimonial não têm o condão de elevar o custo, deveria ter sido realizada a glosa da parcela capitalizada. Não vislumbro qualquer lógica no cálculo aritmético realizado no trabalho fiscal. E essa falta de clareza na apuração da base de cálculo do tributo lançado fere de morte o mandamento contido no artigo 142 do CTN, em relação ao extado cálculo do tributo devido na constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa. Vale aqui a transcrição do referido artigo: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse contexto, a meu ver, estamos diante de um vício no lançamento, que ouso qualificar como um erro de direito, que, nos ensinamentos do Ilustre Professor Paulo de Barros Carvalho pode ser assim caracterizado: “Erro de direito”, por sua vez, estará configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Processo nº 12448.735988/201112 Acórdão n.º 9202003.959 CSRFT2 Fl. 1.639 41 faturamento da empresa, ou ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva. O erro de direito ou vício material consiste em uma mácula no núcleo do lançamento e sua constatação leva ao cancelamento do auto de infração. Conforme ensina Renata Elaine Silva, se refere à conformação do crédito, os vícios materiais dizem respeito à essência do lançamento, melhor dizendo, aos elementos que compõe o fato jurídico e a relação jurídica. São exemplos de vícios materiais a não comprovação da ocorrência do fato, em qualquer dos seus critérios material, espacial, e temporal, tendo em vista as provas apresentadas. Vejo que no caso em apreço estamos diante de um lançamento eivado de vício material, dada a inconsistência na apuração da base de cálculo do tributo ora cobrado. Erro esse, cometido pela autoridade fiscal, insanável, que demanda o cancelamento do Auto de Infração. Diferentemente do defendido pela Relatora, não entendo que se está diante de hipótese de nulidade, mas sim de cancelamento do auto de infração, daí ter me posicionado pela rejeição da preliminar levantada de ofício. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da União e dar provimento ao Recurso do Contribuinte para que seja cancelado o Auto de Infração, pele ocorrência de vício material. É como voto. (Assinado digitalmente) Gérson Macedo Guerra Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 2 4/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Numero do processo: 13629.721175/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração no valor de R$ 221.264,24 de COFINS e R$ 47.940,66 de PIS, referente ao período de 01/2008 a 12/2008. Esclarece a autoridade fiscal, que a UNIMED intentou dois Mandados de Segurança, processos nº 2002.38.00.0275134 (COFINS) e 2002.38.00.027512 (PIS), discutindo judicialmente o recolhimento das contribuições apenas sobre as receitas de atos não cooperativos. Por isso, foram efetuados dois lançamentos distintos para a COFINS e dois para o PIS. Assim, para COFINS e PIS sobre as receitas de atos nãocooperativos, foi efetuado o lançamento com multa qualificada, que é objeto deste processo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .7 21 17 5/ 20 12 -6 1 Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13629.721175/201261 Resolução nº 3301000.249 S3C3T1 Fl. 12 2 E, COFINS e PIS sobre as receitas de atos cooperativos foram lançadas sem multa de ofício, e com a exigibilidade suspensa para prevenção da decadência, que é o objeto do processo nº 13629.720065/201362. Após a análise da escrituração contábil e planilhas apresentadas pela UNIMED, a autoridade fiscal glosou as deduções de custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora (hospitais, clínicas médicas, laboratórios, etc.), excluindoas da base de cálculo. Entendeu a fiscalização que a UNIMED só poderia realizar a dedução do valor pago que correspondesse a atendimentos a associados de outra operadora. A 2ª Turma da DRJ/JFA, no Acórdão nº 0943738, datado de 08/05/2013, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, no sentido de excluir a qualificação da multa, mantendose o crédito tributário lançado com a multa de ofício de 75%, com decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo da COFINS e do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e nãocooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc., para fins de apuração da base de cálculo da Cofins e do PIS. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. (Grifei) Inconformada com a decisão, a UNIMED requer em recurso voluntário, a total improcedência dos autos de infração, sintetizando seus argumentos nos pedidos: (i) necessários ajustes na base de cálculo, deduzindose todos os custos assistenciais repassados a terceiros, (ii) a não incidência tributária sobre os atos cooperativos; (iii) a não incidência das contribuições sobre as sobras cooperativistas destinadas ao FATES e Fundo de Reserva, bem como das sobras líquidas repassadas aos cooperados, inclusive via aumento de capital social; (iv) impossibilidade de composição da base de cálculo do PIS e da COFINS com ingressos estranhos ao conceito de faturamento (juros de aplicações financeiras); (v) não incidência de SELIC sobre a multa de ofício e (vi) caráter confiscatório da multa de ofício de 75%. É o relatório. Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13629.721175/201261 Resolução nº 3301000.249 S3C3T1 Fl. 13 3 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Os lançamentos tributários objetos deste processo e do processo 13629.720065/201362 foram lavrados em 16/01/2013. Posteriormente à lavratura, a Lei nº 12.873/2013 (de 25/10/2013) incluiu o § 9ºA ao art. 3º da Lei 9.718/98, cujo teor prescritivo é justamente as exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS relativas às operadoras de planos de assistência à saúde. O artigo 3º, §9º e §9ºA da Lei 9.718/1998 prescrevem: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Essa alteração legislativa tem expresso caráter interpretativo, dispondo sobre as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que, portanto, podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O art. 106, I, do CTN, comanda a aplicação da lei interpretativa a ato ou fato pretérito, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13629.721175/201261 Resolução nº 3301000.249 S3C3T1 Fl. 14 4 A decisão da DRJ, na interpretação do disposto no III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, referiuse a “pertencentes à outra operadora”, como se verifica no voto do Relator: Como se vê, o disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, somente permite a dedução da base de cálculo das contribuições em tela dos valores relativos às indenizações efetivamente pagas, correspondentes a eventos ocorridos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Significa dizer que se trata da diferença existente entre duas quantias, quais sejam, o valor das despesas desembolsadas efetivamente por uma operadora com tratamento de saúde realizado mediante consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora (indenizações efetivamente pagas), diminuído da importância recebida a título de transferência de responsabilidade dessa outra operadora. (Os grifos são da própria decisão) Por conseguinte, a aplicação do § 9A tem direta influência na apuração da base de cálculo das contribuições, pois podem ser excluídos: o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os de beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. O que quer significar: usuários próprios e usuários de outras operadoras. Do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que: 1 A autoridade lançadora faça os ajustes ao lançamento tributário, aplicando a interpretação dada pelo § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873/2013, independentemente de se tratar de atos cooperativos ou nãocooperativos; 2 Elabore relatório circunstanciado do resultado, conferindo prazo à UNIMED para manifestação. Após retornem os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sala de Sessões, em 27 de abril de 2016 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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