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Numero do processo: 19647.002428/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SALDO DE PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LASTRO PARA COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado que o sujeito passivo possuía saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa suficientes para proceder às compensações realizadas e informadas na DIPJ correspondente, restam prejudicadas as infrações apontadas no procedimento de revisão de declaração e objeto de lançamento.
Numero da decisão: 1402-002.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 SALDO DE PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LASTRO PARA COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovado que o sujeito passivo possuía saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa suficientes para proceder às compensações realizadas e informadas na DIPJ correspondente, restam prejudicadas as infrações apontadas no procedimento de revisão de declaração e objeto de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 24 28 /2 00 9- 66 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.002428/200966 Acórdão n.º 1402002.137 S1C4T2 Fl. 531 2 Relatório HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A, sucessora por incorporação de HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da DRJ Recife/PE. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/18) consta, em síntese, as seguintes observações: · no que diz respeito aos saldos de prejuízos de períodos anteriores (até 31/12/2003) é de se dizer que apresentamos no quadro abaixo a situação fiscal do contribuinte, relativa aos saldos anteriores de prejuízo fiscal, levantada a partir das informações prestadas por ele nas DIPJs, cujos períodos de apuração foram encerrados de 01/01/2000 até 31/12/2003, sendo as aludidas informações controladas no âmbito da Receita Federal pelo Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, da Base de Cálculo Negativa da CSLL e do Lucro Inflacionário — SAPLI: ANOCALENDÁRIO LUCRO REAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO DE PERÍODOS ANTERIORES OBSERVAÇÕES 2000 50.184.378,22 DIPJ 2001 2001 59.933.550,83 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 01/01/ A 19/04/2002 15.832.423,33 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 20/04 A 25/09/2002 52.024.846,29 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 26/09 A 31/12/2002 7.100.678,27 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 2003 72.659.080,98 LANÇAMENTO DE OFÍCIO · salientamos que, nos períodos 2001 e 2002 os prejuízos fiscais declarados foram revertidos após lançamento de ofício na determinação do lucro real nos termos do Processo Administrativo Fiscal n° 19647.013200/200497; · portanto, inexistia no anocalendário 2004, saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores; · no que diz respeito aos saldos da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores (até 31/1212003) é de se dizer que no quadro resumo abaixo transcrevemos a situação fiscal do contribuinte, Fl. 531DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.002428/200966 Acórdão n.º 1402002.137 S1C4T2 Fl. 532 3 relativa aos saldos anteriores da base de cálculo negativa da CSLL, levantada a partir das informações prestadas por ele nas DIPJs cujos os períodos de apuração foram encerrados de 01/01/2000 até 31/12/2003, sendo as referidas informações controladas no âmbito da Receita Federal pelo Sistema SAPLI: ANOCALENDÁRIO BASE DE CÁLCULO DA CSLL COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIOS OBSERVAÇÕES 2000 44.900.951,04 DIPJ 2001 2001 53.516.556,87 DIPJ 2002 01/01/ A 19/04/2002 10.582.371,24 DIPJ 2002 20/04 A 25/09/2002 47.804.696,57 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 26/09 A 31/12/2002 27.119.725,18 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 2003 71.741.331,14 LANÇAMENTO DE OFÍCIO · ressaltamos que, no anocalendário 2002 a base de cálculo negativa da CSLL declarada foi revertida após lançamento de ofício na determinação da contribuição social sobre o lucro nos termos do Processo Administrativo Fiscal n° 19647.013200/200497; · logo, inexistia no anocalendário 2004 saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores; · no que diz respeito à responsabilidade da empresa sucessora é de se dizer que em razão da extinção de HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA, CNPJ n° 35.525.989/000131, por ter sido incorporada por HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A, CNPJ n° 03.012.230/000169, evento ocorrido em 28/07/2005 conforme Protocolo e Justificação de Incorporação DOC. 8. , assim sendo, nos termos dos arts. 129 e 132, da Lei n° 5.172/1966; inciso III do art. 5° do DecretoLei n° 1.598/1977; inciso III do art. 207 e art. 209, do Decreto n° 3.000/1999 a sucessão naquela data passou a ser responsável pelos tributos devidos pela sucedida; · então, todos os atos processuais relativos aos lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL serão lavrados em nome do contribuinte sucessor; · no que diz respeito das alegações apresentadas pela sucessora é de se dizer que durante o procedimento de revisão a sucessora foi regularmente intimada a apresentar esclarecimentos acerca da compensação a maior realizada no anocalendário 2004 relativamente ao prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL e, dentre outros elementos, a sua escrita contábil e fiscal, conforme Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.002428/200966 Acórdão n.º 1402002.137 S1C4T2 Fl. 533 4 demonstram os documentos: TERMO N° 001, lavra de 21/11/2008, enviado pelos Correios; e, TERMO N° 002, a ciência a esse termo foi pessoal em 03/12/2008 DOC.2; · mediante correspondência datada de 12/12/2008 a sucessora HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A, por intermédio de sua representante legal DOC.3 , tentou justificar as aludidas compensações apresentando 02(dois) quadros demonstrativos de composição e utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, onde esclareceu que a sucedida possuía um saldo de prejuízo fiscal de R$ 133.053.849,72 e de base de cálculo negativa da CSLL um saldo de R$ 129.196.835,23 oriundos do período de apuração encerrado em 25/09/2002; · o sujeito passivo não apresentou a escrita fiscal e/ou contábil, especialmente, o LALUR; · diante do exposto e considerando que as matérias tributárias (lucro real e base de cálculo da CSLL) do período encerrado em 25/09/2002 foram determinadas e lançadas de ofício, conforme já evidenciamos nos tópicos 1 e 2, o que nos leva a concluir que a pessoa jurídica sucedida dispunha efetivamente para compensação no anocalendário 2004,;relativamente a prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, saldos iguais a zero; · no que diz respeito aos efeitos tributários decorrentes das divergências apuradas do IRPJ e da CSLL anocalendário 2004 é de se dizer que conforme verificamos, a empresa apresentou a DIPJ do ano calendário de 2004, pela forma de tributação com base no Lucro Real Anual; · em conseqüência de o contribuinte ter reduzido indevidamente em 30% o Lucro Líquido Ajustado na forma do artigo 510 do RIR/1999, como também a base de cálculo da CSLL; tendo em vista a inexistência de saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, por conseguinte, no referido ano calendário ocorreu falta ou insuficiência de recolhimentos do IRPJ e CSLL; · dessa forma, elaboramos nos tópicos 6.1 e 6.2 demonstrativos de apuração anual do IRPJ e da CSLL, com base nos quais apuramos os valores de insuficiência de recolhimentos; · face ao exposto, estamos procedendo ao Lançamento de Ofício sobre os valores de insuficiências de recolhimentos do IRPJ e da CSLL, para fins de constituição do Crédito Tributário na forma do artigo 841 — III e IV, 926 e 957 — I, § único — I, do Regulamento do imposto de Renda, aprovado pelo Decreto N° 3.000 de 29/03/1999; art. 33, caput e §3°, da Lei n° 8.212/1991; arts. 57 e 97, da Lei n° 8.981/1995, c/c inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/96. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.002428/200966 Acórdão n.º 1402002.137 S1C4T2 Fl. 534 5 Irresignada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou tempestivamente a sua impugnação (fls. 136/151), amparado, em síntese, nas seguintes argumentações: · os valores lançados só poderiam ser exigidos se confirmadas, por decisão final, as reversões de oficio efetuadas no Sapli decorrentes do lançamento consubstanciado no Processo n° 19647.013200/200497. De maneira que haveria a necessidade de sobrestar o presente processo, ou suspender a exigibilidade do crédito, "sob pena de cobrança indevida de tributos; · a multa de 75% seria indevida, porquanto a infração que lhe deu ensejo teria sido praticada pela Hipercard Administradora de Cartão de Crédito, antes de essa empresa ter sido incorporada pela impugnante, o que teria ocorrido em 28/07/2005; · seria indevida a exigência de juros sobre a multa e seria imprestável a aplicação da Taxa Selic, para efeito de cálculo dos juros de mora. A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a defesa apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão n° 1129.377, de 30 de março de 2010 (fls. 631/640), negou provimento, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEL INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade, tarefa privativa do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO, IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de prejuízos de anos anteriores caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. É cabível lançamento de oficio para formalizar crédito decorrente de Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.002428/200966 Acórdão n.º 1402002.137 S1C4T2 Fl. 535 6 compensação indevida de bases de cálculo negativas de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE OFICIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. A incorporadora é responsável pelo pagamento da multa de ofício decorrente de infração atribuída à incorporada, mormente se sucessora e sucedida têm em comum a mesma controladora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão de primeira instância em 17/05/2000 (fls. 642), e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 16/06/2010 (registro de recepção à fl. 643 e razões de recurso às fls. 643/667, mediante o qual reitera todos os argumentos expendidos na manifestação e inconformidade, reforçando os seguintes itens: · o Termo de Verificação Fiscal anexo aos autos de infração esclarece que o que levou o ilustre fiscal autuante a concluir pela suposta insuficiência de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSL foi o fato de ter assumido como definitivas as reversões efetuadas de oficio pela fiscalização no auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.013200/200497, o qual contudo é objeto de impugnação na esfera administrativa, estando atualmente aguardando julgamento do recurso voluntário pela la Turma., 2a Câmara Ordinária do CARF (doc. j.), encontrandose por esse motivo o crédito tributário correspondente (e as respectivas compensações de oficio de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa) com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional; · os valores objeto destes autos de infração somente poderão ser exigidos se confirmadas por decisão final as reversões de oficio procedidas naquele auto de infração n° 19647.013200/200497, prejudicial ao presente lançamento, posto que até que isto ocorra permanece suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, não se podendo falar em insuficiência de saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de modo que, tal como demonstrado na impugnação interposta, deverá ser sobrestado o julgamento deste feito, ou suspensa a exigibilidade do crédito tributário, até julgamento final daquele outro processo administrativo; · a prevalecer a cobrança dos autos de infração em questão correse o risco de ver concretizada nestes autos a execução definitiva da conseqüência de uma decisão ainda provisória proferida nos autos do processo administrativo n° 19647 .0132001200497, o que não pode ser admitido; Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.002428/200966 Acórdão n.º 1402002.137 S1C4T2 Fl. 536 7 · os autos de infração impugnados foram lavrados contra o ora Recorrente na qualidade de sucessor por incorporação, tendo as infrações apontadas pela fiscalização sido supostamente praticadas pela empresa sucedida em 31/12/2004, antes portanto do evento sucessório que se deu em 28/07/2005. Não obstante o Recorrente ser responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica sucedida, contudo, certo é que na qualidade de sucessor por incorporação jamais poderia dele ser exigida a multa por infração supostamente cometida pela empresa incorporada. Com efeito, nos termos do artigo 132 do Código Tributário Nacional, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos, jamais por multas Punitivas; · os juros moratórios sobre a multa de ofício, incidentes com base na taxa Selic, embora não exigidos nos autos de infração, o Recorrente impugnou a pretensãofiscal, até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada; · é imprestável a taxa Selic para o cômputo dos juros moratórios. Por meio da Resolução n° 1402000.248, de 14/04/2014 (Fls. 469480), o julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade de origem tomasse as seguintes providências: · recomponha os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) observando o que foi decidido no processo n° 19647.013200/2004 97; · elabore um parecer conclusivo sobre o caso dandose vista ao recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo. · após, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.002428/200966 Acórdão n.º 1402002.137 S1C4T2 Fl. 537 8 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase de julgamento de recurso voluntário convertido em diligência por meio da Resolução n° 1402000.248 de 14/04/2014 (Fls. 469480). Na Resolução em comento determinouse que a Unidade de origem tomasse as seguintes providências: · Que a autoridade recomponha os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) observando o que foi decidido no processo n° 19647.013200/200497; · Que a autoridade elabore um parecer conclusivo sobre o caso dandose vista ao recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo. · Após, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em resposta, aquela Repartição informou, fls. 489/493: Em função do que foi decidido no processo n° 19647.013200/200497, com a conseqüente repercussão nas infrações de glosas de compensação de prejuízos fiscais, e glosa de compensação de base negativa da CSLL, na apuração do IRPJ e CSLL, restou concluído que os saldos de Prejuízos Fiscais (PF) e da Base de Calculo Negativa da Contribuição Social (BCN) a compensar, devidamente recompostos até 31/12/2003, resultaram nos seguintes valores: PF R$ 175.287.834,46 BCN R$ 166.688.263,01 Assim, as compensações de PF no valor de R$ 20.206.624,15 e de BCN no valor de R$ 20.182.303,91 promovidas pela HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA, CNPJ 35.525.989/000131, em 31/12/2004, foram realizadas com base na existência de saldos de períodos anteriores (vide demonstrativos em anexo, fls.492493). Portanto, restaram prejudicados os créditos tributários lançados de ofício no procedimento de Revisão de Declaração relativamente às infrações tributárias: 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES; e Fl. 537DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.002428/200966 Acórdão n.º 1402002.137 S1C4T2 Fl. 538 9 001 CSLL BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. 3 Conclusão Em face dessas breves considerações, concluise que em 31/12/2004 a HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA possuía saldos de PF e BCN suficientes para proceder às compensações realizadas e informadas na DIPJ correspondente, consequentemente, prejudicadas as infrações apontadas no procedimento de Revisão de Declaração e formalizadas neste processo. Por todo o exposto, Voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 538DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13886.000833/99-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2201-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 08 33 /9 9- 17 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13886.000833/9917 Acórdão n.º 2201003.244 S2C2T1 Fl. 257 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/SPOII (Fls. 119), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/03, acompanhado dos demonstrativos de fls. 04 a 06, e Termo de Constatação Fiscal de fls. 07 a 11, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas referente ao ano calendário de 1994, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 49.676,99, dos quais R$ 18.863,49 são referentes a imposto, R$ 16.665,89 correspondem a juros de mora calculados até 30/11/1999 e R$ 14.147,61 são cobrados a titulo de multa proporcional. 2. Conforme descrição dos fatos de fl. 03, a exigência decorreu da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados, conforme Termo de Constatação de 13/12/99. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/12/1994 42.656,33 75,00 Enquadramento Legal: arts. 1 0 a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3°, da Lei n° 8.134/90; arts. 4° e 5°, da Lei n° 8.383/91. 3. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 75% com base legal no art. 4°, inciso I, da Lei n° 8.218/91 e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172/66. 4. Do Termo de Constatação Fiscal de fls. 07 a 11, constam, em síntese, as seguintes informações: 4.1. a fiscalização, devido a possibilidade do advento da decadência, atevese apenas à análise da declaração de ajuste anual do anocalendário de 1994 e aos dados disponíveis nos sistemas da Secretaria da Receita Federal devido à demora do contribuinte na entrega dos documentos, mesmo porque a entrega dos documentos solicitados no Termo de Inicio não alteraria o resultado da ação fiscal, que se trata apenas de revisão de declaração; 4.2. com relação aos rendimentos tributáveis foram apuradas inconsistências assim tratadas: 4.2.1. ELETROMETAL S/A MET — não foram considerados os rendimentos declarados como recebidos desta fonte pagadora, Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13886.000833/9917 Acórdão n.º 2201003.244 S2C2T1 Fl. 258 3 17.005,61 UFIR, nem o imposto retido na fonte, 4.079,74 UFIR, por não ter sido localizada tal empresa nos sistemas da SRF nem ser um CNPJ válido; 4.2.2. GRÁFICA FRANZINI LTDA — o contribuinte, proprietário da empresa, declarou rendimentos recebidos no valor de 24.632,04 UFIR, com retenção de fonte de 2.035,44 UFIR, porém o informe de rendimentos anexado à declaração não tem o valor do imposto retido na fonte e em consulta aos sistemas da SRF verificouse que a empresa não apresentou DIRF, pelo que o rendimento foi mantido porém foi glosado o valor do imposto retido na fonte; 4.2.3. LIVRARIA E PAPELARIA FRANZINI LTDA o contribuinte, proprietário da empresa, declarou rendimentos recebidos no valor de 22.652,00 UFIR, com retenção de fonte de 2.265,20 UFIR, porém o informe de rendimentos anexado à declaração não tem o valor do imposto retido na fonte e em consulta aos sistemas da SRF verificouse que a empresa não apresentou DIRF, pelo que o rendimento foi mantido porém foi glosado o valor do imposto retido na fonte; 4.2.4. VILLARES METAL S/A — em pesquisa aos sistemas informatizados da SRF, verificouse que a empresa Villares Metal S/A, CNPJ 42.566.752/000164, declarou ter realizado pagamento ao contribuinte no valor de 14.436,01 UFIR com retenção de fonte de 3.463,58 UFIR em dezembro de 1994, sendo tais valores considerados nos rendimentos tributáveis (como pagos pela Eletrometal S/A Met); 4.3. a partir das alterações referentes aos rendimentos tributáveis (redução de 2.569,60UFIR em relação ao total declarado), do imposto de renda retido na fonte (redução de 4.249,40UFIR em relação ao declarado) e dos dados declarados pelo contribuinte foi apurada variação patrimonial a descoberto no valor de 64.455,01UFIR, assim demonstrada: Origem dos Recursos 1. Rendimentos Tributáveis 76.570,05 2. Deduções (30.790,93) 3. IRRF (3.463,58) Total dos Recursos 42.315,54 Aplicação dos Recursos 1. Veiculo Chevrolet omega/95 46.670,82 2. Banco Bandeirantes Multiconta 60.099,73 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13886.000833/9917 Acórdão n.º 2201003.244 S2C2T1 Fl. 259 4 n°16879 Ag. 176 Total das aplicações 106.770,55 Variação Patrimonial a Descoberto (64.455,01) 4.4. no cômputo do cálculo da variação patrimonial não foram considerados os rendimentos do cônjuge pois foram totalmente utilizados para justificar os acréscimos patrimoniais de sua esposa, destacandose, ainda, que o apartamento sito na Rua Bela Cintra, 2.302, apto. 153, adquirido em 1994 e declarado nas declarações do contribuinte e também na de sua esposa, foi considerado apenas como aplicação de recursos da esposa. 5. A ciência do auto de infração deuse por via postal em 14/12/1999 (AR de fl.12). 6. O contribuinte apresentou, por seu procurador legal (fl. 51), em 13/01/2000, a impugnação de fls. 47 a 50, acompanhada dos documentos de fls. 52 a 54, argumentando, em síntese, que: 6.1. a empresa ELETROMETAL S/A foi sucedida pela empresa Villares Metal S/A, não havendo irregularidade na declaração de rendimentos e sim na sucessão de uma empresa por outra, salientandose que o valor recebido foi de 17.005,61 UFIR com retenção de fonte de 4.079,74 UFIR conforme declarado e ora demonstrado pelo RPA anexado, podendo ter havido erro na transformação da moeda corrente para UFIR pela fonte pagadora; 6.2. quanto as empresas onde o ora impugante é sócio as declarações foram efetuadas corretamente conforme comprovantes de rendimentos em anexo; 6.3. em relação a variação patrimonial basta analisar a declaração de rendimentos do ano anterior que se verá que o capital não está nem um pouco descoberto; 6.4. não há que se falar em qualquer tipo de lançamento de multa ou juros que devem ser desconsiderados.. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/SPOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade fiscal. Para serem considerados como origem de recursos os bens e direitos existentes no anocalendário anterior devem constar da declaração de bens ou ter sua existência comprovada.. Cientificado em 16/11/2007 (Fls. 134), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/12/2007 (fls. 139 a 163), argumentando em síntese: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13886.000833/9917 Acórdão n.º 2201003.244 S2C2T1 Fl. 260 5 (...) Quanto ao exposto em relação aos valores recebidos da empresa VILLARES METAL S/A, sucessora da ELETROMETAL S/A MET, no montante de 17.005,61UFIR, com retenção de 4.079,74UFIR, entendeu não proceder a alegação constante da impugnação apresentada pelo ora recorrente, uma vez que os valores expressos no RPA de fls. 52 já teriam sido considerados pelo lançamento, conforme pedimos vênia para transcrever o item 10 e 11 da atacada decisão. (...) Assim, pelo fato de ter sido os valores em questão considerados inexistentes e glosados em sua totalidade, evidente, portanto, que a autoridade fiscal não levou em consideração os valores apresentados no RPA de fl. 52 juntado pelo contribuinte em sede de impugnação, maculando os fundamentos expressos na decisão. Dessa forma, demonstrado está a insubsistência dos argumentos aduzidos em sede de decisão de 1a instância, quanto ci divergência em apreço, uma vez que não se deduziram os valores apresentados em RPA, motivo suficiente para reformar a presente decisão, para que se subtraia os valores demonstrados pelo recorrente do montante glosado. II Já em relação ao alegado de que não constam dos informes de rendimentos de fls. 53 e 54, anexadas pelo contribuinte, o valor do imposto retido na fonte, nem tampouco dos sistemas informatizados da SRF a entrega de DIRF pelas empresas Gráfica Franzini Ltda e Livraria e Papelaria Franzini Ltda, empresas das quais o contribuinte é sócio, insubsistentes são seus argumentos. Pois, é notória a força do instituto da personalidade previsto por nosso ordenamento jurídico, o qual confere às pessoas jurídicas direitos e obrigações próprios,destacandose da personalidade da pessoa física, conseqüentemente, de seus sócios. Sendo assim, o fato das fontes pagadoras não terem apresentado documento hábil a demonstrar a retenção alegada pelo contribuinte, não dá direito ao fisco de desconsiderar os argumentos por ele aduzidos, submetendoo ao encargo legal que pertence às pessoas jurídicas. Ao contribuinte resta apenas declarar os valores retidos, como foi realizado pelo recorrente. (...) Por tais motivos, não assiste razão ao Fisco a alegação de que os informes de rendimentos de fls. 53 e 54, bem como a ausência da entrega de DIRF, por aquelas fontes pagadoras, sejam motivos cabais para que fossem glosados os valores declarados como retidos na fonte pelo recorrente, já que a referida Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13886.000833/9917 Acórdão n.º 2201003.244 S2C2T1 Fl. 261 6 obrigação tributária cabia à pessoa jurídica e não à física e, ainda mais, eventuais débitos existentes das referidas empresas estão incluídos no PA EX. III. Por último, ao que diz respeito a procedência do auto em relação à apuração de variação patrimonial a descoberto no importe de 64.455,01UFIR, com fundamento de que "a Declaração de Ajuste Anual, exercício 19951 anocalendário de 1994, apresentada pelo contribuinte (fls.13/13verso), não consta na coluna dos bens em 31/12/1993 nenhum recurso declarado (seja em patrimônio ou em numerário depositado em banco ou em poder do contribuinte que pudesse justificar a variação patrimonial apurada pelo langamento", não merece apreço. Pois, conforme se verifica na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1993, protocolizada em 13/06/1994, que se junta novamente aos autos, demonstra, no campo de discriminação de bens no exercício de 1993(doc.2 folha3), a existência do montante de R$ 1.592.373,60 (um milhão quinhentos e noventa e dois mil trezentos e setenta e três reais e sessenta centavos), declarado a titulo de "dinheiro em meu poder". (...) Notase que as declarações dos anoscalendários 1993 e 1994 constavam o valor do patrimônio do Recorrente, sem que se tenha havido um acréscimo patrimonial descoberto, desde então. (...) IV. Em relação à aplicação de multas fiscais, quanto ao seu limite quantitativo, ad argumentandum tantum, o CTN busca a sua aplicação com a finalidade única de atribuir sanção à prática de ato ilícito, não tendo assim, a natureza de dilapidar o patrimônio do responsável fiscal. (...) Nesse contexto, a multa estipulada nos percentuais em que foi fixado não deve prevalecer, pois perde sua finalidade de sanção, para atingir patamares de confisco, o que é reprimido pela Constituição Federal em seu art. 150, inc. IV, ainda mais com a inflação anual em torno de 10%. Dessa forma, a multa onera o contribuinte a pagar um montante muito superior à inflação anual, tornando uma cobrança superior à do principal devido; assim o Fisco age impensadamente, pois com isto faz nada mais, nada menos que o extermínio das empresas existentes, desviandose de seu objetivo, que é o de' arrecadar; ora se há um enfraquecimento do contribuinte, há também o enfraquecimento da própria Receita, o que não pode acontecer, motivo pelo qual deve agir de forma prevista na Carta Magna e diminuir sensivelmente a multa imposta inconstitucionalmente, visto que fere de morte o principio da capacidade contributiva, que está intimamente ligado a outro principio que é a da não tributação com efeito de confisco. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13886.000833/9917 Acórdão n.º 2201003.244 S2C2T1 Fl. 262 7 (...) Portanto, não há como prevalecer a multa de 75%, por ser uma imposição leonina, inconstitucional, prejudicial à empresa e conseqüentemente à Receita Federal. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao endereço do contribuinte, via correio, com a ciência em 16/11/2007, conforme de verifica à fls. 134 dos autos. A peça recursal somente foi protocolizada em 20/12/2007, quintafeira, conforme atesta documento de fls. 139, portanto, fora do prazo fatal que seria em 18/12/2007, terçafeira. Nos termos do artigo 33 do Decreto n 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência da decisão da DRJ; in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Caberia ao recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13886.000833/9917 Acórdão n.º 2201003.244 S2C2T1 Fl. 263 8 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005319/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CONHECIMENTO. ART. 65 DO RICARF. Tendo em vista que um dos permissivos legais de conhecimento dos embargos restou demonstrado, o recurso merece conhecimento.
NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.941/09. NÃO CABIMENTO. Não cabe a aplicação da retroatividade benigna das novas disposições da Lei 11.941/09, para os casos de aplicação de multa pela não apresentação de documentos solicitados pela autoridade fiscal, durante o curso da ação fiscal.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para retificar o julgamento do recurso voluntário, passando o resultado do julgamento embargado a ser o seguinte: "Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CONHECIMENTO. ART. 65 DO RICARF. Tendo em vista que um dos permissivos legais de conhecimento dos embargos restou demonstrado, o recurso merece conhecimento. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.941/09. NÃO CABIMENTO. Não cabe a aplicação da retroatividade benigna das novas disposições da Lei 11.941/09, para os casos de aplicação de multa pela não apresentação de documentos solicitados pela autoridade fiscal, durante o curso da ação fiscal. Embargos Acolhidos.
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E EXP. LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CONHECIMENTO. ART. 65 DO RICARF. Tendo em vista que um dos permissivos legais de conhecimento dos embargos restou demonstrado, o recurso merece conhecimento. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.941/09. NÃO CABIMENTO. Não cabe a aplicação da retroatividade benigna das novas disposições da Lei 11.941/09, para os casos de aplicação de multa pela não apresentação de documentos solicitados pela autoridade fiscal, durante o curso da ação fiscal. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 53 19 /2 00 7- 01 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para retificar o julgamento do recurso voluntário, passando o resultado do julgamento embargado a ser o seguinte: "Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10120.005319/200701 Acórdão n.º 2402004.875 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO em face do v. acórdão n. 2402001.204, proferido por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/03/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. Nos termos do art. 33, parágrafo 2o da Lei 8.212/91, a empresa é obrigada a franquear à fiscalização documentos relacionados com os fatos geradores de contribuições previdenciárias e que sejam devidamente requeridos por meio de TIAD. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Sustenta a embargante encontrarse o acórdão obscuro, diante da ocorrência de erro material, pois em se tratando do caso de lançamento de multa isolada pela não apresentação de documentos, com fundamento no art. 33, 2o da Lei 8.212/91, não poderia ter sido determinado o recálculo da multa aplicada em comparação com as alterações levadas a efeito pela Lei 11.941/09 nos arts. 32A e 35A da Lei 8.212/91, somente aplicável aos casos de erros constados na apresentação de GFIP´s. Prestadas as devidas informações, fora determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. MÉRITO Os embargos de declaração sob análise foram opostos sob o fundamento da ocorrência de obscuridade, tendo em vista que, no momento do recebimento dos autos pela repartição de origem, a autoridade fiscal competente suscitou a impossibilidade de cumprimento da decisão proferida por este Eg. Conselho, em razão da parte final do acórdão conter comando no sentido da necessidade de recálculo da multa aplicada com base nas inovações trazidas pela Lei 11.941/09, aplicandose, in casu, aquela mais benéfica ao contribuinte, situação esta, que ao ver da autoridade fiscal, não se adequaria ao presente caso. Tem razão. Conforme consta do julgamento do recurso voluntário, o presente caso trata da aplicação de multa por ter a recorrente deixado de apresentar Livro Diário, devidamente requerido pela fiscalização por meio de TIAD. A multa aplicada, possui fundamento legal no art. 33, da Lei 8.212/91 "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)." Dessa forma, referido artigo não fora objeto das inovações trazidas no bojo da Lei 11.941/09, de modo que a determinação de recálculo da multa, conforme constou no v. acórdão embargado, não se faz pertinente. Assim, o seguinte trecho deve ser considerado como não escrito no v. acórdão embargado: "Por fim, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar que, em se tratando de infração à Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10120.005319/200701 Acórdão n.º 2402004.875 S2C4T2 Fl. 4 5 legislação previdenciária, deve ser verificada qual a situação mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídicotributária, na aplicação da multa, face às alterações trazidas à lume pela Lei 11.941/09. Referido diploma reformou o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, o qual, sua vez, assim dispôs no tocante a aplicação da multa objeto do presente Auto de Infração, confirase: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata " Os demais termos do v. acórdão são mantidos em sua integralidade. Ante todo o exposto, ACOLHO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para reratificar o julgamento do recurso voluntário, conforme fundamentação supra, passando o resultado do julgamento embargado a ser o seguinte: “Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO.” É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 10830.011034/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE NÃO COMPROVADA.
Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando o pagamento tenha a natureza de alimentos; sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-003.046
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE NÃO COMPROVADA. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando o pagamento tenha a natureza de alimentos; sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.011034/201091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.046 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente ANTONIO CARLOS DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE NÃO COMPROVADA. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia quando o pagamento tenha a natureza de alimentos; sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 10 34 /2 01 0- 91 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10830.011034/201091 Acórdão n.º 2201003.046 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I , Acórdão 1644.975 da 16ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Contra o contribuinte acima qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento (fls. 6/9, relativa ao imposto de renda de pessoa física e ao anocalendário 2008, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 4.711,80 (fl. 6). Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 7), o lançamento glosou a “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública”, no valor de R$ 24.720,00 por falta de comprovação de pagamentos. Em sua impugnação de fls. 4 e 5, o contribuinte reconhece que o valor pleiteado referese ao pagamento efetuado a título de pensão alimentícia e de prestação de alimentos provisionais, em decorrência de acordo homologado judicialmente. O interessado juntou o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, cópia do acordo homologado judicialmente em que foi estabelecida a pensão alimentícia judicial. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde apresenta, para comprovar os pagamentos, declaração da exesposa Maria Raquel Alves da Silva e da filha Isabella Maria machado da Silva, assinadas e com firma reconhecida, dando plena quitação dos recebimentos com pensão alimentícia no ano 2008. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PENSÃO ALIMENTÍCIA A dedução da base de cálculo relativa ao pagamento de pensão alimentícia encontrase prevista no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; III a quantia, por dependente, de: ... Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10830.011034/201091 Acórdão n.º 2201003.046 S2C2T1 Fl. 4 5 serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seus artigos 73, 78 e 83: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). §3ºNa hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. ... Art.78.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 §1ºA partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3ºCaberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4ºNão são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5ºAs despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). ... Art.83.A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): Ide todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; IIdas deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74,75,78a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Conforme as normas acima apresentadas, são requisitos para a dedutibilidade: · que o pagamento tenha a natureza de alimentos; · que sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e · que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Valores entregues por liberalidade não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. A doutrina admite que o pagamento de pensão alimentícia se dê após a maioridade e até os 24 anos de idade, apenas se comprovado que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência (salvo em condições excepcionais de saúde). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10830.011034/201091 Acórdão n.º 2201003.046 S2C2T1 Fl. 5 7 Também a legislação fiscal segue esse entendimento, conforme Decreto 3.000/99. Art.77.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1ºPoderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e5º, parágrafo único(Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): Io cônjuge; IIo companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; IIIa filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IVo menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; Vo irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VIos pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VIIo absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. §2ºOs dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §1º). §3ºOs dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §2º). §4ºNo caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §3º). §5ºÉ vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §4º). O que aqui se discute é que na declaração de ajuste relativa ao ano calendário de 2008, o contribuinte consignou no campo próprio “Pagamentos e Doações Efetuados”, a título de pensão alimentícia, em nome de Maria Raquel Alves Pinto e Izabella Maria Machado Silva, respectivamente, nos montantes de R$ 16.800,00 e R$ 7.920,00, totalizando a importância de R$ 24.720,00. O fisco glosou tal dedução visto que, mesmo intimado, o contribuinte não apresentou decisão judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão nem comprovou os pagamentos. Em primeira instância o contribuinte comprovou a separação judicial e a obrigação de pagar as pensões. Voto DRJ Constatase pelos documentos de fls. 11/19 que de fato a ação de separação consensual foi homologada judicialmente, pela qual foi fixada a quantia de R$ 1.000,00, à Sra. Maria Raquel Alves da Silva; e o valor mensal de 660,00 para sua filha Isabella Maria Machado da Silva, a ser depositado todo quinto dia útil de cada mês. Além disso, ficou também estabelecido que o cônjuge varão contribuiria mensalmente com a quantia de R$ 400,00 corresponde a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do aluguel da residência. A declaração de rendimentos informa que não houve desconto pelas fontes pagadoras para pensão. Agora, no recurso, o contribuinte anexa, para comprovar os pagamentos, recibos da exesposa Maria Raquel Alves da Silva e da filha Isabella Maria Machado da Silva, assinadas e com firma reconhecida, dando plena quitação dos recebimentos com pensão alimentícia no ano 2008. Entendo que os recibos comprovam os pagamentos e dão quitação da pensão devida. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10830.011034/201091 Acórdão n.º 2201003.046 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 10314.730109/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 13/02/2013 a 26/07/2013
LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.
O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento").
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 13/02/2013 a 26/07/2013
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. GASOLINA E SUAS CORRENTES. IRRELEVÂNCIA DA OPÇÃO POR REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO.
Aplicam-se as alíquotas específicas fixadas pela legislação de regência à época, para a Contribuição para o PIS/PASEP-importação e a COFINS-importação, quando a operação de importação se referir a gasolinas e suas correntes (exceto gasolinas de aviação e óleo diesel e suas correntes), independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento referido pelo art. 23 da Lei no 10.865/2004, com fundamento no § 8o do artigo 8o da Lei no 10.865/2004.
SISTEMÁTICA DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IRRELEVÂNCIA.
A COFINS-importação e a Contribuição para o PIS/PASEP-importação têm fatos geradores e fundamentos de validade próprios. A equivalência da carga fiscal suportada pela contribuinte em etapa posterior de comercialização, em decorrência da sistemática da não-cumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, não anula ou supre os efeitos da insuficiência do recolhimento dos tributos devidos na etapa da importação da mercadoria.
Numero da decisão: 3401-003.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) respeitante à possibilidade de revisão do lançamento tributário - por maioria, negou-se provimento, vencido o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), sendo que o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanhou pelas conclusões; e, ii) quanto à alíquota aplicável e a faculdade da opção por regime especial de apuração - por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. Designado o conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento o advogado Marco Antonio Meneguetti, OAB/DF no 3.373.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 13/02/2013 a 26/07/2013 LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 13/02/2013 a 26/07/2013 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. GASOLINA E SUAS CORRENTES. IRRELEVÂNCIA DA OPÇÃO POR REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO. Aplicam-se as alíquotas específicas fixadas pela legislação de regência à época, para a Contribuição para o PIS/PASEP-importação e a COFINS-importação, quando a operação de importação se referir a gasolinas e suas correntes (exceto gasolinas de aviação e óleo diesel e suas correntes), independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento referido pelo art. 23 da Lei no 10.865/2004, com fundamento no § 8o do artigo 8o da Lei no 10.865/2004. SISTEMÁTICA DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IRRELEVÂNCIA. A COFINS-importação e a Contribuição para o PIS/PASEP-importação têm fatos geradores e fundamentos de validade próprios. A equivalência da carga fiscal suportada pela contribuinte em etapa posterior de comercialização, em decorrência da sistemática da não-cumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, não anula ou supre os efeitos da insuficiência do recolhimento dos tributos devidos na etapa da importação da mercadoria.
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AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 13/02/2013 a 26/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 73 01 09 /2 01 3- 18 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 2 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. GASOLINA E SUAS CORRENTES. IRRELEVÂNCIA DA OPÇÃO POR REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO. Aplicamse as alíquotas específicas fixadas pela legislação de regência à época, para a Contribuição para o PIS/PASEPimportação e a COFINS importação, quando a operação de importação se referir a gasolinas e suas correntes (exceto gasolinas de aviação e óleo diesel e suas correntes), independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento referido pelo art. 23 da Lei no 10.865/2004, com fundamento no § 8o do artigo 8o da Lei no 10.865/2004. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IRRELEVÂNCIA. A COFINSimportação e a Contribuição para o PIS/PASEPimportação têm fatos geradores e fundamentos de validade próprios. A equivalência da carga fiscal suportada pela contribuinte em etapa posterior de comercialização, em decorrência da sistemática da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, não anula ou supre os efeitos da insuficiência do recolhimento dos tributos devidos na etapa da importação da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) respeitante à possibilidade de revisão do lançamento tributário por maioria, negouse provimento, vencido o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), sendo que o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanhou pelas conclusões; e, ii) quanto à alíquota aplicável e a faculdade da opção por regime especial de apuração por unanimidade, negouse provimento ao recurso. Designado o conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento o advogado Marco Antonio Meneguetti, OAB/DF no 3.373. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. ROSALDO TREVISAN Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Fl. 694DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 694 3 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo no 10314.730109/201318, situado às fls. 0529, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Contribuição para o Programa de Integração Social incidente na Importação de Produtos Estrangeiros (PISImportação) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidente na Importação de Produtos Estrangeiros (CofinsImportação), acrescidos de juros de mora e multa de ofício, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 15.645.937,62. 2. Em conformidade com o Relatório Fiscal, situado às fls. 3051 do presente processo administrativo, a recorrente realizou a importação da mercadoria descrita como "nafta utilizada na formulação de gasolina, de nome comercial Solvent B" por meio de Declarações de Importação registradas entre 13/02/2013 a 26/07/2013, tendo recolhido as contribuições para a CofinsImportação e para o PISImportação, respectivamente, com base nas alíquotas ad valorem de 7,6% e 1,65%, em conformidade com os incisos I e II do art. 8o da Lei no 10.865/2004. Lei no 10.865/2004 Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I. 1,65% (...), para o PIS/PASEP Importação; e II. 7,6% (...), para a COFINSImportação. 3. Posteriormente, ao analisar o período fiscalizado, a autoridade fiscal entendeu que a recorrente não deveria ter utilizado as alíquotas ad valorem, mas sim as alíquotas específicas de R$ 46,58 para o PISImportação e de R$ 215,02 para a Cofins Importação, fixadas por unidade de volume da mercadoria (metro cúbico), em conformidade com o § 8o do art. 8o e o § 5o do art. 23 da Lei no 10.865/2004, procedendo, desta forma, à lavratura do auto de infração objeto da presente discussão administrativa: Lei no 10.865/2004 Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: (...) § 8o A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido. 4. Observase que o art. 23 da Lei no 10.865/2004 define os valores das contribuições e, em seu § 5o, autoriza o Poder Executivo a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas, nos seguintes termos: Lei no 10.865/2004 Art. 23. O importador ou fabricante dos produtos referidos (...) poderá optar por regime especial de Fl. 695DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 4 apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados, respectivamente, em: I. R$ 141,10 (...) e R$ 651,40 (...), por metro cúbico de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação (...). § 5o. Fica o Poder Executivo autorizado a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas neste artigo, os quais poderão ser alterados, para mais ou para menos, ou extintos, em relação aos produtos ou sua utilização, a qualquer tempo. 5. Com fundamento no dispositivo ora transcrito, o inciso I do art. 2o Decreto no 5.029/2004 reduziu as alíquotas do PISImportação e da CofinsImportação para, respectivamente, R$ 46,58 e R$ 215,02. 6. A autoridade fiscal, ao entender que a mercadoria seria uma "corrente da gasolina", ao aplicar as alíquotas correspondentes, previstas no Decreto no 5.029 de 2004, concluiu pela insuficiência de recolhimento das contribuições, o que culminou na lavratura do auto de infração em referência. 7. A ora recorrente apresentou impugnação, situada às fls. 349361, na qual sustenta que as alíquotas ad valorem seriam a regra geral, sendo que as exceções, assim entendidas como situações especiais, estariam previstas nos parágrafos do art. 8o da Lei no 10.865/04, constituindo, assim, um critério normativo para a importação da mercadoria, de maneira a dispensar dois regimes jurídicos diferentes, um para "gasolina e suas correntes" e outro para "óleo diesel e suas correntes". 8. Argumenta que aplicar alíquotas ad rem para "óleo diesel e suas correntes" configuraria analogia gravosa, vedada pelo § 1o do art. 108 do Código Tributário Nacional, e que não pode a interpretação resultar em tributo não previsto em lei devido à garantia constitucional da tipicidade fechada (sic). 9. Sustenta, ainda, que as alíquotas ad rem configurariam regime especial de apuração das contribuições, em conformidade com o texto do art. 23 da Lei no 10.865/04, acima transcrito, cuja opção é facultada ao importador e que, in casu, não foi exercida pela contribuinte, o que a remete ao regime geral ad valorem. 10. Argumenta, ainda que o § 8o do art. 8o da diploma referido, ao determinar que haverá a aplicação da alíquota ad rem no caso de importação de gasolina e suas correntes "independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido" não obriga à adoção da alíquota específica, sob "(...) pena de grave contradição interna na lei", concluindo que: Fl. 696DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 695 5 11. Argumenta, ainda, que a sistemática de crédito e débito supriria com eficácia qualquer e eventual insuficiência de recolhimento no momento da importação com a etapa posterior, de comercialização. 12. Argumenta, por fim, que a recorrente cumpriu lealmente todas as suas obrigações de prestar informações ao Fisco para a apuração das contribuições, tratandose a autuação de alegação de cometimento de erro de direito, ou seja, a equivocada escolha da norma de regência do fato por parte da autoridade alfandegária que permitiu o desembaraço aduaneiro da mercadoria pela alíquota ad valorem, o que, em decorrência do art. 146 do Código Tributário Nacional, não poderia ensejar revisão de lançamento. 13. O acórdão de primeira instância administrativa afasta o argumento preliminar da nulidade com base em revisão com fundamento em erro de direito porque a Súmula no 227 do Tribunal Federal de Recursos "(...) foi editada há quase três décadas" e desde então o direito aduaneiro teria experimentado diferentes transformações e aperfeiçoamentos. 14. Fundamenta, ainda, a sua decisão, com base no fato de que, a partir do DecretoLei no 2.472/1988, a conferência aduaneira deixou de ser feita pelos agentes fiscais sobre toda mercadoria despachada ou parte dela, conforme determinava o art. 46 do Decreto Lei no 37/66. Argumenta, ainda, que "(...) a imensa maioria das declarações, hoje, sequer são submetidas a qualquer tipo de exame e/ou crítica por parte da fiscalização aduaneira, vez que parametrizadas para o 'canal verde' de conferência, que de 'conferência' somente possui apenas o nome". Neste sentido, a decisão admite que, considerado o fluxo atual de importações, em regra as "(...) declarações são automaticamente desembaraçadas pelo sistema informatizado". 15. Refuta, ainda, o acórdão a quo a argumentação da ora recorrente de que a atual jurisprudência conferiria lastro à alegação de vedação de revisão fiscal fundada em alteração de critério jurídico com fundamento em que "(...) apenas as súmulas vinculantes (...) deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas em que o contribuinte figure como parte". 16. Afasta, ademais, o argumento da ora recorrente de que o eventual pagamento insuficiente das contribuições na fase de nacionalização teria sido absorvido na etapa posterior de comercialização, tendo em vista a aplicação da sistemática nãocumulativa. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 6 17. Aponta como fundamento para a decisão a existência de fatos geradores diversos, cada qual com sua respectiva base de cálculo e momento de ocorrência específico, e que cada obrigação deve ser cumprida a seu tempo e na forma preconizada pela lei. Aduz que o "(...) determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, e não eventual repercussão da exigência". 18. Quanto ao mérito, entende que a Lei no 10.865/04 criou regime de tributação especial para os produtos de que tratam os incisos I a IV do art. 4o da Lei no 9.718/98 e o art. 2o da Lei no 10.560/02, consistente "(...) na aplicação de alíquotas específicas, fixadas em reais, por quantidade de produto comercializado". Simultaneamente, foi publicado o Decreto nº 5.059/04, alterando as alíquotas do PISImportação e da CofinsImportação. 19. Complementa com o fato de que o § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04, estabeleceu regime especial para a gasolina e suas correntes. Logo, por considerar o "nafta utilizada na formulação de gasolina, de nome comercial Solvent B" como uma corrente da gasolina, entende ser aplicável a alíquota específica para o cálculo das referidas contribuições. 20. Considera, por derradeiro, que a impugnação apresentada teria escopo meramente protelatório, tendo em vista que, conforme se depreende do relatório fiscal, até 13/02/2013, a ora recorrente se utilizava das alíquotas específicas e que, a partir do início da ação fiscal que motivou o auto de infração impugnado, voltou a se utilizar do mesmo método, reputado correto pela autoridade fiscal. 21. Assim, única e exclusivamente no período compreendido entre 13/02 e 26/07 do ano de 2013 a ora recorrente aplicou a alíquota ad valorem às suas importações, prova suficiente, para a decisão de primeira instância administrativa, de que os "(...) argumentos [da ora recorrente] se mostram absolutamente desconexos e incongruentes com a realidade fática", julgando improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 13/02/2013 a 26/07/2013 PRELIMINAR. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Não se considera alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, para os efeitos do art. 146 do CTN, a adoção de alíquota diversa daquela informada na declaração de importação objeto de desembaraço aduaneiro. Constatado que no registro da declaração de importação a importadora efetuou recolhimento a menor das contribuições CofinsImportação e PIS/Pasep Importação em função do emprego de alíquota incorreta, cabível o lançamento de ofício, em revisão aduaneira. Ocorreria mudança de critério jurídico, a que se refere o art. 146 do CTN, somente na hipótese de a autoridade competente proceder ao lançamento de conformidade com ato normativo baixado pela Administração e, em face de segundo ato, posteriormente editado, veiculando nova interpretação jurídica aplicável ao mesmo fato jurídico, procedesse a novo lançamento. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 696 7 JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS JUDICIAIS. NÃO VINCULAÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não está vinculada ao entendimento dos tribunais judiciais, desde que não se traduza em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, de 31.12.2004, pois referida jurisprudência não é considerada, a teor do disposto no art. 96 do CTN, legislação tributária. (...) PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. NAFTA UTILIZADA NA FORMULAÇÃO DE GASOLINA. Aplicase a alíquota específica de quarenta e seis reais e cinqüenta e oito centavos, para o PIS/PasepImportação, conforme fixadas pela legislação de regência à época, quando a operação de importação se referir a despacho aduaneiro de nafta utilizada na formulação de gasolina. (...) COFINSIMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. NAFTA UTILIZADA NA FORMULAÇÃO DE GASOLINA. Aplicase a alíquota específica de duzentos e quinze reais e dois centavos, para a CofinsImportação, conforme fixada pela legislação de regência à época, quando a operação de importação se referir a despacho aduaneiro de nafta utilizada na formulação de gasolina. (...) SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DA COFINS E PIS/PASEP. O lançamento das contribuições CofinsImportação e PIS/Pasep Importação tem base de cálculo, fato gerador e momento de sua ocorrência distintos daqueles observados no lançamento destas contribuições devidas no faturamento. Cada obrigação há de ser cumprida ao seu tempo e compensada na forma preconizada pela sistemática da nãocumulatividade, sem inversão da seqüência cronológica dos respectivos fatos geradores. IMPORTAÇÃO DE NAFTA UTILIZADA NA FORMULAÇÃO DE GASOLINAS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. Pessoa jurídica que realiza a importação de nafta utilizada na formulação de gasolinas sujeitase à incidência da Cofins Importação e do PIS/PasepImportação quando da entrada da mercadoria no território aduaneiro. A contribuição é devida na importação, em qualquer hipótese, pelo valor fixado por unidade de quantidade de produto importado, consideradas as reduções determinadas pelo Poder Executivo. Essa forma de incidência dessas contribuições na importação independe de o importador ter efetuado a opção pelo regime especial de tributação para cálculo da Cofins e PIS/Pasep incidentes sobre sua receita bruta obtida com a venda de gasolinas no mercado interno". Fl. 699DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 8 22. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte, ora recorrente, manejou recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões de sua impugnação, alegando, em síntese: · Impossibilidade de revisão de erro de direito na importação da mercadoria; · Aplicação ao caso concreto é a ad valorem, regra geral, vez que não houve opção pelo regime especial, devendo o § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04 ser interpretação de maneira sistemática; e · Equivalência da carga fiscal devido à sistemática da não cumulatividade, que supriria, na etapa da comercialização, eventual recolhimento a menor na etapa da importação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, relator 23. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. I. DA REVISÃO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO I. 1. Do conhecimento de todos os aspectos envolvidos na importação 24. Para que se comprove a cristalização de um entendimento para, em seguida, constatarse a alteração do critério jurídico adotado que fundamenta revisão de lançamento, temos considerado pertinente a demonstração incontroversa da parametrização das mercadorias pelo canal vermelho. Contudo, a especificidade do caso concreto desobriga ao enfrentamento da questão vez que não há discussão concernente à correta classificação da mercadoria, mas, a partir de sua caracterização, sobre qual seria a alíquota aplicável. 25. A exigência de parametrização por um determinado canal se faz necessária unicamente para comprovar que a autoridade aduaneira teve de fato possibilidade de acesso a todas as informações necessárias para formar a sua convicção a respeito do enquadramento legal de uma determinada mercadoria, ou, em outras palavras, para adotar um critério jurídico apto a pautar a sua relação jurídica com o contribuinte. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 697 9 26. No caso concreto, entretanto, observamos que não há controvérsia a respeito de qual seria o produto importado: tratase, conforme se demonstrou, de "nafta utilizada na formulação de gasolina, de nome comercial Solvent B". 27. Conforme se demonstrará mais adiante, no item II deste voto, sequer a tipificação da mercadoria encontra qualquer dificuldade: em que pese uma breve ilação realizada na peça de impugnação que de início parecia conduzir à classificação do produto como "corrente de óleo diesel", a leitura atenta das peças demonstra, de maneira a não restarem dúvidas, que se trata de fato incontroverso às partes estarmos diante de uma "corrente da gasolina". 28. Tratase, em resumo, como se pode perceber, de uma contenda a respeito da alíquota aplicável aos produtos entendidos como correntes da gasolina. 29. Uma vez que os fatos eram não apenas conhecidos por recorrente e recorrida e, não obstante, incontroversos, não há, neste caso específico, a exigência de parametrização por um canal específico, pois tal requisito apenas se presta a demonstrar, como aqui restou sobejamente comprovado, a possibilidade do pleno conhecimento de todos os aspectos fáticos pertinentes para a adoção de um critério jurídico. I. 2. Aplicação de alíquota diversa e revisão do lançamento 30. A recorrente aponta, desde a sua impugnação, a impossibilidade da revisão do lançamento tributário efetuado, o que implicaria alteração do critério jurídico. Necessário se faz compreender se de fato houve ou não tal alteração, para, somente então, cogitarse dos seus efeitos. 31. Em nosso entendimento, uma vez que todos os elementos da importação eram conhecidos e, ademais, incontroversos, não há disputa sobre os fatos, mas unicamente sobre as suas implicações jurídicas, ou seja, sobre o regime de apuração das correntes da gasolina, se por alíquotas ad valorem ou ad rem. 32. O erro de direito é justamente a aplicação incorreta da norma; neste caso, a autoridade fiscal que lavra o auto de infração discorda da fundamentação aceita pela autoridade aduaneira no momento do desembaraço, pois a reputa equivocada. Nada obsta quanto aos elementos fáticos, e prescinde de qualquer dilação probatória: diante da mercadoria importada, revisa o lançamento anteriormente efetuado. Em outras palavras, entende equivocado o lastro positivo utilizado pelo aplicador (intérprete autêntico; autoridade competente) que o precedeu. 33. Tratase o presente de clássico caso de revisão fiscal por alteração de critério jurídico, o que a literatura especializada denomina de apontamento de erro de direito. I. 3. Limitação imposta pelo Art. 146 CTN 34. Em terceiro lugar, por fim, há de se ter em conta quais os efeitos jurídicos da revisão do lançamento por conta da alteração dos critérios jurídicos adotados. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 10 35. Observese que o desembaraço de diversas mercadorias sob o mesmo fundamento jurídico, uma vez que a autoridade aduaneira tenha tido o acesso a todos os elementos fáticos para a formação de sua convicção, implica não apenas a mera homologação e lançamento, mas, sobretudo, a cristalização de um critério jurídico que servirá de baliza ou pólo magnético para orientar a relação fiscocontribuinte. 36. Não se trata, de maneira nenhuma, de negar à recorrida a plena eficácia do art. 54 do DecretoLei no 37/1966 combinado com o art. 570 do Decreto no 4.543/2002, que prevêem a possibilidade da revisão aduaneira como ato por meio do qual, após o desembaraço, apurase a regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames devidos, bem como a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. Evidenciase que os erros de fato constatados serão revistos com base nos dispositivos em referência 37. O que não se evidencia, e jamais se poderia evidenciar, é a contrariedade destes dispositivos infralegais ao art. 146 do Código Tributário Nacional: Lei no 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 38. Neste sentido, conforme estudo realizado por Francisco Secaf Alves Silveira, "(...) prestadas as informações na Declaração de Importação e ocorrido o despacho aduaneiro, o contribuinte passa a estar protegido pelo art. 146 do Código Tributário Nacional",1 o que, não obstante, implica em vedação à modificação do lançamento "(...) e, portanto, sua revisão, quando decorrente de erro de direito".2 39. A revisão aduaneira prevista pelo art. 570 do Decreto no 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, diploma recepcionado como lei complementar pela Constituição da República de 1988. Assim, prestase a revisar os erros de fato, mas jamais os erros de direito. Ao se propor a alterar os termos da relação que mantém com o contribuinte, o Estado deverá fazêlo apenas com relação aos fatos geradores ainda a serem praticados, sem alcançar aqueles já praticados, pois o passado prossegue resguardado: sob o crivo dos novos critérios, de uma nova política fiscal, decidirá o contribuinte se continuará ou não a realizar importações, resguardado o direito de organizar os seus negócios. 40. O art. 146 do Código Tributário Nacional não pode ser ignorado pelo aplicador ao tratar da revisão do lançamento, pois atua como norma reguladora das limitações constitucionais ao poder de tributar e, neste sentido, resguarda o valor jurídico da segurança jurídica, de modo a deslindar previamente o conflito eventual entre legalidade e boafé do contribuinte: "(...) essa tensão é resolvida pela lei complementar, que dá prevalência à 1 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 318. 2 Idem, p. 319. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 698 11 proteção à boafé".3 Assim, nas palavras de Luís Eduardo Schoueri, "(...) não se pode invocar a legalidade para a revisão de lançamento por erro de direito".4 41. Com base nos estudos de Heinrich Kruse, conclui que, ressalvado o caso em que uma característica do bem avaliado estivesse oculta do conhecimento do aplicador, "(...) a avaliação não é mera questão de fato, mas antes um resultado de conclusões acerca das propriedades valorativas do bem",5 ou, em outras palavras, uma questão de direito: "(...) na verdade, poucas são as questões que não constituem modificação de critério jurídico em matéria de lançamento". Colocada a questão sob tais premissas, utiliza o seguinte exemplo, em tudo consentâneo com o caso sobre o qual ora nos debruçamos: "(...) por exemplo, no caso do imposto sobre produtos industrializados, adotase classificação fiscal para a identificação da alíquota aplicável à luz da seletividade. Se um mesmo produto recebia, antes, uma classificação e, posteriormente, outra classificação é adotada, não há dúvida de que se está sobre o mesmo fato o qual, entretanto, passa a ser apreciado de outro modo: o aplicador da lei vê, no mesmo fato, características que antes não eram tomadas em conta. Conquanto se trate de uma apreciação do fato, temse novo critério jurídico, i.e., nova valoração jurídica do fato. Uma mudança em tais critérios jurídicos dobrase à regra do art. 146".6 42. Assim, "(...) a mera divergência na interpretação da norma que culmina em classificação equivocada configura erro de direito",7 não havendo possibilidade de revisão do lançamento sob pena de se malferir norma complementar de limitação ao poder de tributar. 43. Para Rubens Gomes de Sousa, não caberia ao Fisco a prerrogativa de invocar o "erro de direito" com a finalidade de revisar lançamento anterior,8 e muito menos adotar uma dada conceituação jurídica para, em um segundo momento, revêla, de forma a albergar outra, mais onerosa ao contribuinte. Esta era a posição jurisprudencial, aliás, que registrava ser pacífica já em sua época: o critério jurídico na apreciação do fato gerador, para o autor do anteprojeto do Código Tributário Nacional, deverá ser estável. 9 44. Entre os mais percucientes estudos sobre o tema da revisão fiscal deve ser trazido, sem qualquer espaço para dúvidas, aquele realizado por Ruy Barbosa Nogueira na sua clássica tese de cátedra "Teoria do lançamento tributário". Na época em que a escreveu, o CTN ainda era um projeto, mas já então, confirmando o apontamento realizado por Rubens 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 5ª edição, 2015, pp. 620622. 4 Ibidem. 5 Ibidem. 6 Ibidem. 7 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 320. 8 SOUSA, Rubens Gomes. Compêndio de legislação tributária. São Paulo: Editora Resenha Tributária, 3ª edição, 1975, p. 108. 9 Ibidem. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 12 Gomes de Sousa, relatava que "(...) a prática, a doutrina e a legislação, na proteção da certeza jurídica não admitem, em princípio, que seja feita revisão do lançamento pela superveniência de outros critérios jurídicos".10 Aduziu, ainda, que o Supremo Tribunal Federal já havia enfrentado a questão no Recurso Extraordinário no 37.141, cujo acórdão foi prolatado em 26/08/1958, no qual se decidiu que "(...) não é lícito ao fisco rever o lançamento fiscal com base em mudança de critério, mas só com fundamento em êrro de fato".11 45. Noticia Ruy Barbosa Nogueira que também no Código Tributário da Alemanha, de 1919, elaborado por Enno Becker, o lançamento retificativo ou a chamada "verificação retificativa" não pode ser pautada por uma alteração de critérios meramente jurídicos, o que impede que se aplique "(...) retroativamente à realização do fato gerador um critério jurídico diferente do então adotado, e assim prevê para garantir a certeza do direito".12 O preceito, em seu entendimento, teria "(...) grande aplicação, protegendo a estabilidade jurídica".13 Na esteira do ensinamento de Tullio Ascarelli, preleciona ser absolutamente inadmissível que o fisco possa venire contra factum proprium de maneira a anular ex officio um lançamento, substituindoo por outro, "(...) ou ainda proceder a lançamento suplementar, baseandose na alegação de ter passado a adotar critérios jurídicos diferentes dos que aceitara por ocasião de um primeiro lançamento".14 46. Ainda sob a lição de Ascarelli, haveria "(...) uma falta de certeza jurídica se o fisco pudesse (...) voltar a lançar (...) em virtude de uma mudança de critérios jurídicos, não obstante todos os prazos e tôda a organização instituída para a revisão das declarações dos contribuintes".15 Assim, para Ruy Barbosa Nogueira, enquanto o fisco é detentor da direção do procedimento do lançamento, caberia a ele a fixação final dos seus elementos. Apenas caberia uma revisão quanto aos erros de fato, pois se admite que "(...) as relações fáticas da vida, das quais partem os fatos geradores tributários legais são (...) numerosas e multiformes".16 47. Não é diversa da quase sexagenária decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 a jurisprudência contemporânea ao momento da leitura pública deste voto: em igual sentido, o Acórdão no 3302002.444 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, em sessão de 25/02/2014, em votação unânime: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Seguese a jurisprudência do 10 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Teoria do lançamento tributário.São Paulo: Editora Resenha Tributária, 1973, p. 133. O Capítulo VIII, "A revisão do lançamento", está compreendido entre as páginas 99138. 11 Ibidem. 12 Idem, p. 134. 13 Idem, p. 135. 14 Idem, p. 136. 15 Ibidem. 16 Idem, p. 137. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 699 13 Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito" (grifos nossos). 48. Do acórdão ora referido se extrai o seguinte trecho: "(...) a fiscalização entendeu que os produtos importados pela Recorrente não poderiam seguir com a classificação fiscal indicada pela contribuinte no momento do desembaraço. Não há, pelo que consta dos autos, divergência quanto à natureza do produto, que permanece sendo o mesmo, mas à forma como foi classificado. Tal diferença é primordial para se compreender que não houve “erro de fato”, o que ocorreria se a fiscalização tivesse indicado que a importação de produto diverso daquele declarado pela Recorrente" (grifos nossos). 49. Esta também era a posição sumulada do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) editada em 1986: Tribunal Federal de Recursos (TFR) Súmula no 227 de 24/11/1986 "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". 50. O posicionamento sustentado pelo Tribunal Federal de Recursos, outrora já sumulado, foi reeditado e reiterado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como, por exemplo, no Recurso Especial no 202.958/RJ, relatado pelo Ministro Franciulli Netto e cujo acórdão foi publicado em 22/03/2004: “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA REVISÃO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE ERRO QUANTO À IDENTIFICAÇÃO FÍSICA DA MERCADORIA ART. 149 DO CTN. A impetrante importou da França 2.200 Kg do produto TESAL e recolheu o imposto de importação após regular conferência da mercadoria pela autoridade fiscal. Diante dessas circunstâncias, é de elementar inferência que não poderia o contribuinte, em momento posterior, ser notificado para novo recolhimento do imposto de importação, sob a alegação de que a classificação do produto deveria ser diversa, com incidência de alíquota maior. O art. 149 do CTN autoriza a revisão do lançamento, dentre outras hipóteses, "quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória", ou seja, quando há erro de direito. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 14 Se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, arca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação do imposto pago por eventual equívoco na classificação do bem. Divergência jurisprudencial não configurada ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. Recurso especial improvido” (STJ REsp no 202.958/RJ, Min. Franciulli Netto, publicado em 22/03/2004) (grifos e destaques nossos). 51. No Recurso Especial no 478.389/PR, de Relatoria do Ministro Humberto Martins, cujo acórdão foi publicado em 05/10/2007, constou em ementa que "(...) se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, marca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação ou revisão". Este é justamente o caso ora em análise em que, conforme se expôs, contou com mercadorias parametrizadas pelo canal vermelho. 52. Em idêntico sentido o entendimento do Ministro Luiz Fux no Recurso Especial no 1.112.702/SP, cujo acórdão foi publicado em 06/11/2009 nos seguintes termos: "(...) a revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico vedada pelo CTN". Assim, "(...) o lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito". 53. A posição é também reiterada pela jurisprudência ainda mais recente do Superior Tribunal de Justiça, conforme se tem notícia a partir do acórdão a seguir transcrito, do Recurso Especial no 1.347.324/RS, de relatoria da Ministra Eliana Calmon, de 14/08/2013: “TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 227 DO EXTINTO TFR. 1. É permitida a revisão do lançamento tributário, quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 2. A jurisprudência do STJ, acompanhando o entendimento do extinto TRF consolidado na Súmula 227, tem entendido que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 3. Hipótese em que o contribuinte atribuiu às mercadorias classificação fiscal amparada em laudo técnico oficial confeccionado a pedido da auditoria fiscal, por profissional técnico credenciado junto à autoridade alfandegária e aceita por ocasião do desembaraço aduaneiro. 4. Agravo regimental não provido” (STJ AgRg no REsp no 1.347.324/RS – Agravo Fl. 706DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 700 15 Regimental no Recurso Especial – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 14/08/13) (grifos e destaques nossos). 54. Observese que, em nome da segurança e da previsibilidade das relações jurídicas, o Superior Tribunal de Justiça chega a adotar a postura extremada de afirmar que sequer o erro de classificação por parte do contribuinte permitiria a alteração do critério jurídico da classificação fiscal: “TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – IPI – DESEMBARAÇO DUANEIRO ERRO A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA DOS ATOS RECLASSIFICAÇÃO A MERCADORIA IMPOSSIBILIDADE. 1. O contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 2. O erro de direito cometido pelo contribuinte, mas não detectado pelo Fisco, é o mesmo que alteração de critério jurídico, vedado pelo CTN. Precedentes. 3. Recurso especial provido” (STJ REsp no 1079.383/SP – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 01/07/09) (grifos e destaques nossos). 55. Sem qualquer pretensão de ingressar no mérito da decisão, há de se apontar para o fato de que, independentemente de quem incorreu em erro, seja Estado ou particular, o que se prestigia, na dicção da Corte Superior, é a estabilidade das relações e da aplicação do direito. A decisão que impede a modificação dos critérios jurídicos que regem o relacionamento entre o Estado e os particulares prestigia a segurança jurídica e, portanto, o próprio convívio social. Decidir de maneira diversa, acatandose a alteração da classificação fiscal da mercadoria seria agir em completo desprestígio ao trabalho da autoridade aduaneira que efetuou o desembaraço, homologando os dados constantes na declaração de importação. 56. Luciano Amaro, ao tratar do art. 146 do Código Tributário Nacional, preconiza que o dispositivo torna defesa a aplicação de critério jurídico novo a fatos geradores anteriores à sua introdução, de maneira a atestar a sua irretroatividade: "(...) o dispositivo é severo com o Fisco",17 que "(...) deve primeiro divulgar o novo critério para depois poder aplicálos nos lançamentos futuros pertinentes a fatos geradores também futuros",18 ponto no qual diverge de Alberto Xavier, para quem a norma se destinaria aos fatos geradores já ocorridos, porém ainda não lançados. 19 57. E o que resta, ao nos voltarmos ao caso concreto da recorrente? De um lado, resta a sedimentação jurisprudencial em torno do tema por mais de meio século, desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 até as decisões mais recentes, sejam aquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, sejam aquelas proferidas por este Conselho, o que aponta para o que José Maria Arruda de Andrade chama de amadurecimento 17 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Editora Saraiva, 16ª edição, 2010, pp. 380381. 18 Ibidem. 19 Ibidem. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 16 institucional que cede lugar a regularidades comportamentais.20 De outro lado, resta um relacionamento que, a considerar apenas o período fiscalizado, remonta a cinco meses, período no qual se realizou a importação reiterada da mesma mercadoria por um mesmo critério, sem qualquer óbice ou dificuldade, conhecidos todos os pressupostos fáticos da operação. Assim, para onde quer que se olhe, o que há é estabilidade e uniformidade. 58. Sob o escólio de Humberto Ávila, há de se sustentar que “(...) a segurança jurídica pode da mesma forma ter como objeto não a norma propriamente dita, mas a sua aplicação uniforme”21 e, bem poderíamos adicionar, sem qualquer prejuízo, a sua aplicação estável. 59. Assim, seja por uma questão de uniformidade da aplicação do entendimento jurisprudencial, neste caso tanto judicial como administrativo, seja por um imperativo de estabilidade que deve pautar as relações, de maneira a não ser admissível a alteração de critérios para fatos pretéritos, acolhese o argumento de impossibilidade de revisão de lançamento já homologado com fundamento em alteração de critério jurídico, entendendo se pelo provimento do recurso voluntário neste particular. II. DA ALÍQUOTA APLICÁVEL E DA FACULDADE DA OPÇÃO POR REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO 60. A discussão de fundo se resume à norma aplicável à mercadoria objeto da importação, se aquela que aponta para o cálculo por meio da alíquota ad valorem, como entendeu o contribuinte, ou por meio da alíquota específica, como reputa ser correto a autoridade fiscal. ALÍQUOTAS AD VALOREM | UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE PARA REALIZAR A IMPORTAÇÃO PISImportação 1,65% COFINSImportação 7,6% Lei no 10.865/2004 Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I. 1,65% (...), para o PIS/PASEPImportação; e II. 7,6% (...), para a COFINSImportação. ALÍQUOTAS AD REM | REPUTADAS CORRETAS PELA AUTORIDADE FISCAL PISImportação R$ 46,58/metro cúbico COFINSImportação R$ 215,02/metro cúbico Lei no 10.865/2004 Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: (...) § 8o A importação de 20 ANDRADE, José Maria Arruda de. Interpretação da norma tributária. São Paulo: MP Editora/APET, 2006, p. 137. 21 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica – entre permanência, mudança e realização no direito tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 2011, p. 142. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 701 17 gasolinas e suas correntes, exceto de aviação e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido. 61. Em outras palavras, a questão se circunscreve à aplicação da regra geral (alíquota ad valorem) ou da regra excepcional (alíquota ad rem). 62. A excepcionalidade deverá ser observada sempre que se tratar da importação de "gasolinas e suas correntes", conforme dicção do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004, observadas as exceções. 63. Assim, em primeiro lugar, seria necessário responder se a mercadoria importada pela recorrente, "nafta utilizada na formulação de gasolina, de nome comercial Solvent B", é ou não espécie do gênero: (i) gasolina e suas correntes, salvo gasolina de aviação e óleo diesel e suas correntes; (ii) gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo; (iii) gás natural de aviação; ou (iv) querosene de aviação. 64. Caso se responda afirmativamente a qualquer uma destas categorias, observada a exceção do item (i), aplicase a alíquota ad rem, reputada correta pela autoridade fiscal. Em caso negativo, aplicase a regra geral da alíquota ad valorem, utilizada pela recorrente para realizar a importação da mercadoria. 65. No caso vertente, observase que o fundamento da autuação, conforme se depreende da leitura da fl. 48 do Relatório Fiscal, compreendeu que a mercadoria importada pela recorrente seria uma corrente da gasolina, conforme trecho abaixo colacionado: 66. A análise estaria restrita, portanto, em prestígio à adstrição, a responder, em primeiro lugar, se a mercadoria importada se trata de corrente da gasolina e, em segundo lugar, se não figura entre as exceções: (i.a) gasolina de aviação; e (i.b) óleo diesel e suas correntes. 67. Há de se destacar, todavia, que em nenhum momento de seu recurso voluntário, ou mesmo de sua impugnação, a ora recorrente discorda do fato de que a mercadoria importada se trata de uma corrente da gasolina. Tampouco argumenta que se trataria de uma das exceções legais possíveis. 68. Concluise, desta feita, que a mercadoria importada é, de fato, para recorrida e recorrente, uma corrente da gasolina que não figura entre as exceções em referência, não cabendo maiores ilações sobre a matéria vez que se está diante de fatos admitidos no processo como incontroversos. Parece haver, ademais, verossimilhança na Fl. 709DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 18 afirmação, vez que o produto, de nome comercial "Solvent B" é descrito como nafta "(...) utilizada na formulação de gasolina". 69. A questão se torna, portanto, ainda mais restrita, cabendo averiguar unicamente quais são as alíquotas aplicáveis às mercadorias consideradas correntes da gasolina. 70. Para se alcançar a resposta, parece ser suficiente a leitura do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04 que sujeita tal produto à incidência das contribuições fixadas por unidade de volume, ou seja, às alíquotas ad rem reputadas corretas pela autoridade fiscal. 71. Por fim, cabe analisar a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a possibilidade de a contribuinte optar pelo regime ad valorem ou pelo regime especial de apuração das contribuições em discussão com base no texto do caput do art. 23 da Lei no 10.865/04, abaixo transcrito: Lei no 10.865/04 "Art. 23. O importador ou fabricante dos produtos referidos nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e no art. 2o da Lei no 10.560, de 13 de novembro de 2002, poderá optar por regime especial de apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" (grifos nossos). 72. Contudo, a argumentação da recorrente, neste particular, não deve prosperar, tendo em vista que o § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04 dispõe que as alíquotas aplicáveis no caso de importação das correntes da gasolina serão específicas, conforme aponta a autoridade fiscal com precisão, "independentemente" de opção por parte do importador. 73. Observese, ademais, que a objeção à escolha se reporta especificamente ao regime especial de apuração previsto pelo art. 23 objeto de fundamentação da recorrente: Lei no 10.865/2004 "Art. 8o (...) § 8o A importação de gasolinas e suas correntes (...) fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido" (grifos nossos). 74. Não pode o contribuinte escolher, a seu talante, o regime que melhor lhe aprouver diante de vedação expressa da lei. 75. Assim, inexiste faculdade ao contribuinte para optar por regime especial de apuração no caso de importação de corrente da gasolina em virtude de expressa determinação do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04, cabendo a fixação da alíquota por unidade de volume do produto (i.e., alíquota específica ou ad rem), e não alíquotas ad valorem, razão pela qual, neste particular, entendo assistir razão ao acórdão recorrido. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 702 19 III. DA ALEGADA EQUIVALÊNCIA DE CARGA FISCAL 76. Alega, por fim, a recorrente, que eventual pagamento insuficiente das contribuições na fase de nacionalização teria sido absorvido na etapa posterior de comercialização, tendo em vista a aplicação da sistemática nãocumulativa, o que implicaria a equivalência da carga fiscal suportada pela contribuinte. 77. A asserção tampouco merece prosperar, pois se cogita de lançamento de CofinsImportação e de PISImportação, com fatos geradores e mesmo fundamentos de validade próprios, não havendo pertinência em se cogitar de "equivalência da carga fiscal" em uma (eventual, digase) etapa posterior: ainda que ela de fato seja efetivada e comprovada, em nada alterará os efeitos jurídicos dos fatos geradores que a precederam. 78. Correto, ademais, o posicionamento da autoridade julgadora de primeira instância ao entender pela completa irrelevância do fato de eventual pagamento insuficiente na etapa de importação ter sido "absorvido" na etapa de comercialização. Transcrevese, abaixo, trecho da ementa do acórdão recorrido: "O lançamento das contribuições CofinsImportação e PIS/Pasep Importação tem base de cálculo, fato gerador e momento de sua ocorrência distintos daqueles observados no lançamento destas contribuições devidas no faturamento. Cada obrigação há de ser cumprida ao seu tempo e compensada na forma preconizada pela sistemática da nãocumulatividade, sem inversão da seqüência cronológica dos respectivos fatos geradores". 79. Assim, inexiste razão à recorrente quanto ao argumento de que o recolhimento posterior de PIS e Cofins pela sistemática da nãocumulatividade possa produzir qualquer efeito sobre o auto de infração lavrado. Com base nestes fundamentos, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para a finalidade de reconhecer unicamente a nulidade da revisão de lançamento já homologado com fundamento em alteração de critério jurídico. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 711DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 20 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado, Registro, por meio do presente voto, divergência em relação ao posicionamento externado pelo relator, unicamente no que se refere ao item I de seu voto, intitulado "Da Revisão do Lançamento Tributário". Em que pese a substancial argumentação do voto proferido, invocando a Súmula TRF no 227, o posicionamento de conhecidos tributaristas brasileiros sobre a matéria, e até um precedente deste CARF, entendo que as considerações externadas requerem um melhor detalhamento na seara aduaneira. Como reconhecem os próprios tributaristas, a área aduaneira apresenta suas peculiaridades, e não pode simplesmente ser encarada sob a ótica tributária.22 Sobre o tema da "revisão aduaneira", instituto tipicamente aduaneiro, e não tributário, já tivemos a oportunidade de externar entendimento em artigo publicado em 2012. Aproveitase para reproduzir excerto de tal estudo, plenamente aplicável ao caso aqui analisado (ainda que não verse sobre classificação de mercadorias):23 “O art. 638 do Regulamento Aduaneiro, com base no art. 54 do DecretoLei no 37, de 1966, com a redação com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, estabelece que revisão aduaneira “é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”. A revisão aduaneira assume crescente importância, na medida em que se está selecionando para conferência aduaneira, no despacho, um percentual cada vez menor de declarações de importação. Chegase até a cogitar a impropriedade da denominação do instituto, visto que o termo “revisão” sugere que já tenha havido uma primeira análise, o que nem sempre 22 Geraldo ATALIBA já adevertia, na década de 80 do sécuilo passado, que "Daí o poderse dizer que a aduana é instituto fiscal, sim, mas não necessariamente tributário" (no prefácio à obra "Regimes Aduaneiros Especiais", p. 8, de Osíris de Azevedo Lopes Filho, editata pela RT/SP, em 1983). Como afirma Paulo de Barros CARVALHO: “A tributação incidente sobre o comércio exterior de bens no Brasil forma complicado feixe de normas jurídicas, com perfil peculiar e traços distintivos que o apartam de outros setores do sistema constitucional tributário” (no prefácio da obra "Tributos sobre o comércio exterior", p. 19, derivada da tese de doutorado de sua orientanda Liziane Angelotti Meira, editada pela Saraiva/SP, em 2012). Sobre as distinções entre Direito Tributário e Direito Aduaneiro, já discorremos em: "Direito Tributário e Direito aduaneiro Distinções Básicas", In: "Temas Atuais de Direito Aduaneiro", LEX/SP, 2008, p. 1155. 23 A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros. Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 341376. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 703 21 ocorre nas importações. No canal verde, por exemplo, sequer houve verificação da mercadoria ou exame documental; no amarelo, não ocorreu a verificação da mercadoria; e, mesmo no vermelho, pode ser que a verificação, feita por amostragem, não tenha abarcado especificamente o tópico que venha a ser discutido futuramente em procedimento de “revisão” aduaneira. Assim, a revisão aduaneira (cuja denominação fica cada vez mais inadequada), em verdade, tornase frequentemente a primeira oportunidade em que as informações prestadas pelo importador na declaração de importação são checadas pelo fisco. São numerosas as reclassificações de mercadorias desembaraçadas em canal verde (ou seja, sem qualquer intervenção humana).” (op. cit, p. 364) Também já efetuamos considerações sobre o tema em julgamentos anteriores, com acolhida unânime da turma: "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias, não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita)." (Acórdão n. 3403002.555, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 23.jan 2013; e Acórdão n. 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25.fev 2014) (grifo nosso) É de se acrescentar que nos presentes autos sequer se menciona em quais canais de conferência foi a mercadoria desembaraçada, e tal matéria não é objeto de controvérsia específica, alegando a recorrente (fl. 637)24, simplesmente, em referência a todas as operações, que: Em suma, o único ponto relevante ressalvado no Relatório Fiscal, fundamento para a referida autuação fiscal foi ter o importador adotado o regime jurídico de alíquota ad valorem em vez do ad rem, esse entendido pela autoridade fiscal autuante como o legalmente adequado ao caso, não obstante ter sido aceito pela autoridade fiscal no momento do desembaraço aduaneiro. Tratase, pois, de erro de direito, assim conceituado como a equivocada escolha da norma de regência do fato. A valoração jurídica do fato, que traz ínsita a escolha da norma que deve incidir, integra a competência privativa da autoridade fiscal, que não pode ser delegada ao contribuinte. 24 Todos os números de folhas indicados neste voto são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 713DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 22 As contribuições devidas na importação, assim como o imposto de importação, são tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. O sujeito passivo (em regra, o importador) detalha em uma DI (declaração de importação) as mercadorias que está importando, suas classificações e seus valores, entre outras informações (como a alíquota, se ad rem), e paga os tributos devidos segundo seus cálculos, independentemente de qualquer ato administrativo. A declaração é, então, sujeita a conferência, podendo ser desembaraçada em canal verde (sem qualquer ato da autoridade fiscal), amarelo (com verificação apenas dos documentos), vermelho (com verificação dos documentos e da mercadoria, por amostragem), ou cinza (com procedimento especial de controle aduaneiro). É míope e desconectada da realidade do comércio internacional a visão, comumente externada por tributaristas, de que o desembaraço aduaneiro é um ato cujo objetivo central seja o lançamento de crédito tributário, ou sua homologação. O crédito tributário é coadjuvante nesse processo, exatamente porque pode ser exigido a posteriori, mediante "revisão" aduaneira. Em zona primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira), a principal preocupação é com o cometimento de fraudes (como a importação de mercadoria proibida), especialmente se houver possibilidade de que um procedimento de fiscalização posterior seja frustrado (v.g., pela própria inexistência de fato do importador ou do real adquirente da mercadoria). É essa a realidade, hoje, no Brasil e em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento do mundo, que passaram a adotar, para não obstaculizar o comércio e para não entravar os portos, aeroportos etc., parâmetros de seletividade, fiscalizando efetivamente baixo percentual de cargas importadas, restringindo a análise àquelas que apresentem efetivo potencial de risco, não sendo o tema tributário, repitase, protagonista nessa discussão (em face de o crédito poder ser exigido a posteriori).25 Assim, aquele que invoca a Súmula no 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), no Brasil, para tratar de "revisão" aduaneira, está meio século atrasado na análise da questão, pois está a raciocinar na realidade da redação original do DecretoLei no 37/1966, e no contexto em que todas as mercadorias e todos os documentos de todas as declarações de importação eram (ou, ao menos, deveriam ser) examinados, quando hoje, a regra é a ausência de exame. Não é preciso muito esforço para perceber que a Aduana brasileira mudou em relação àquela que existia há meio século, à época em que se consolidou o entendimento expresso na súmula no 227, inadvertidamente mantido para a área aduaneira em realidade diversa, inclusive pelo STJ, como se depreende dos precedentes colacionados. Basta uma olhadela no sítio web da RFB para que vejamos quais as preocupações da aduana, hoje:26 25 Como não é possível (nem efetivo) fiscalizar um percentual elevado das cargas que chegam ao País ou dele saem, investese em mecanismos de seleção fundados em parâmetros objetivos previamente cadastrados, permitindo que se verifiquem em despacho as mercadorias sobre as quais recai o mais alto grau de risco, ou as mercadorias com indícios de prática de fraude para a qual a fiscalização a posteriori seja improdutiva. Algumas infrações, como as relativas a propriedade intelectual, a saúde, ou que possam resultar em contrabando, devem ser tratadas em tempo de despacho. Outras, como o simples erro de classificação fiscal, ou o simples preenchimento incorreto de campo, poderiam ser objeto de fiscalização a posteriori (a menos que haja elementos que levem à convicção de que a empresa infratora é inexistente de fato, ou não disporá de patrimônio para saldar a dívida a posteriori, v.g.). Assim, a exemplo do que ocorre em diversos países, o Brasil prioriza, em despacho, o tratamento de um quantitativo reduzido de declarações, dando maior fluidez ao comércio internacional. 26 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2015", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana#, acesso em 01 mar.2016. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 704 23 "Aumento na Fluidez no Comércio Exterior Na importação, a fluidez é medida pelo percentual de declarações que são desembaraçadas com menos de 24 horas (Indicador do Grau de Fluidez). No primeiro semestre de 2015, 84,73% do total dos despachos de importação registrados foram liberados pela Aduana em menos de um dia. Isto representa uma melhora da fluidez na importação de 1,4% em relação ao primeiro semestre de 2014 e de 1,9% em relação ao primeiro semestre de 2013. (...) Mais rapidez dos tempos no despacho O tempo médio bruto de despacho na importação (DI), o qual computa do registro da declaração até o seu desembaraço, tem o tempo médio de 1,60 dias no período de janeiro a junho de 2015, o qual representa a redução de 2,43% no comparativo 2015 x 2014. (...) Declarações de Importação e Exportação No primeiro semestre de 2015, a Aduana do Brasil desembaraçou 1,71 milhões de declarações de operações de comércio exterior, sendo 1,159 milhões de despachos de importação e aproximadamente 560 mil despachos de exportação. (...)" Lamentavelmente, neste último relatório disponível, de 2015, a Aduana brasileira não divulgou o número de declarações por canal de conferência. Mas no anterior, de 2014, é possível acessar os números, inclusive de forma gráfica:27 "A capacidade de conferência no despacho e a gestão de risco evoluíram nos últimos 12 anos, de forma a permitir a maior fluidez ao comércio, conforme mostram os dois gráficos seguintes e, ao mesmo tempo, a aumentar o grau de eficácia na seleção e a efetividade da atuação da Receita Federal no combate às irregularidades nas operações de importação e exportação. O Brasil hoje tem um nível de seletividade, na importação, da ordem de 11,02%, índice menor que o de 2013 (11,21%) e 9,28% na exportação. Um dos indicadores do Custom Assessment Trade Toolkit – CATT, utilizado pelo Banco Mundial, relacionado ao nível de seletividade para controle do despacho aduaneiro, estabelece como parâmetro ideal 3% de seletividade. 27 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2014", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana/arquivoseimagens/balancoaduaneiro2014.pdf, acesso em 01 mar.2016. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 24 É a essa realidade que se pretende aplicar o art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN), imaginando que tenha sido efetuado no procedimento aduaneiro aqui descrito uma revisão como a malha do imposto de renda, ou uma fiscalização de IPI realizada na empresa. Atentese que a área em verde do gráfico corresponde ao percentual de declarações de importação para as quais não foi verificada nem a mercadoria importada nem os documentos que ampararam a importação (ou seja, declarações para as quais não houve qualquer intervenção humana). E a área em amarelo, às importações para as quais foram verificados apenas os documentos, cabendo destacar que, mesmo nas áreas vermelhas, foram verificados documentos e mercadoria por amostragem. Em síntese, a realidade e a própria legislação aduaneira hoje existentes são distintas do contexto tributário e aduaneiro do qual foram extraídas as conclusões que se informa serem amoldadas à Súmula no 227 do extinto TFR. Aliás, o período em que eram atuais e pertinentes tais discussões foi a década de 80 do século passado. E tais discussões levaram justamente à alteração do DecretoLei no 37/1966, em 1988. O Capítulo III do DecretoLei no 37/1966 (referente a "Normas Gerais de Controle Aduaneiro das Mercadorias") era originalmente subdividido em quatro seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 47; ‘conferência’, arts. 48 a 52; ‘desembaraço’ art. 53; e ‘revisão’ art. 54), estabelecendo este último artigo (54), único a compor a Seção IV, que: "Seção IV Revisão Art 54. A revisão para apuração da regularidade do recolhimento de tributos e outros gravames devidos à Fazenda Nacional será realizada na forma que estabelecer o regulamento, cabendo ao funcionário revisor 5% (cinco por cento), das diferenças apuradas, revogado o art. 4º do Decreto lei nº 8.663, de 14 de janeiro de 1946." (grifo nosso) O Decretolei no 2.472/1988, porém, deu nova redação a todo o Capítulo III do DecretoLei no 37/1966, que passou a contar com apenas duas seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 53; e ‘conclusão do despacho’ art. 54), dispondo, a partir de então, o artigo 54: "Seção II Da Conclusão do Despacho Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício Fl. 716DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 705 25 fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei." (grifo nosso) Percebase que o legislador, em 1988, não desejou somente retirar dos funcionários o percentual das diferenças apuradas, mas também libertarse da tradicional visão eminentemente tributária do despacho. E desejou ainda deixar claro que o despacho não termina com o desembaraço. Por isso intitulou o antigo artigo que tratava da "revisão", na nova redação, como "da conclusão do despacho".28 Assumese, com tal comando normativo, ainda vigente, que a fiscalização não se esgota com o desembaraço, e que a "apuração da regularidade" (sem utilizar mais o texto de estatura legal a palavra "revisão") da declaração desembaraçada não é efetuada fora, mas dentro do despacho, que ainda não está concluído até que haja manifestação expressa (com a "revisão") ou tácita (com o decurso do prazo para sua realização). O termo "revisão" aduaneira, inexistente na nova redação do art. 54, continuou a ser usado pelas normas de hierarquia inferior (v.g., Regulamentos Aduaneiros de 2002 e 2009), mas deve se advertir que não se está, de fato, naquilo que ficou conhecido como "revisão aduaneira", revisando algo, mas simplesmente apurando, em continuidade das verificações efetuadas (se efetuadas) antes do desembaraço, a regularidade da operação, em seus aspectos tributários ou aduaneiros, inclusive no que se refere a restrições/proibições à importação. Estava o Brasil cada vez mais se adequando à regulação aduaneira internacional, e se distanciando da visão à época externada pelos tribunais, que ainda pareciam imaginar que nos portos, aeroportos e pontos de fronteira tudo se verificava (ou tudo se presume que teria sido verificado), e que a discussão aduaneira era, em verdade, tributária (embora se possa relacionar substancial lista de temas que podem ser objeto de revisão aduaneira e sequer produzem consequências tributárias: importação de bens sem autorização do órgão competente, contrabando, importação de bens com falsidade na documentação de amparo etc.). E, de lá para cá, com o surgimento de canais de conferência (em 1997), que expressamente dispensaram a verificação em alguns casos, tornouse absolutamente dissociado da realidade o entendimento de que se estaria, em um desembaraço, promovendo uma verdadeira homologação de lançamento (ainda mais quando em cerca de 90% deles sequer se verificou nada). Mas o posicionamento em alguns julgados do STJ, de forma aparentemente cômoda, acabou congelado no tempo, a parecer que ainda se verifica efetivamente 100% das cargas nos portos, aeroportos e pontos de fronteira brasileiros. É certo que tal posicionamento, pela impossibilidade de revisão, poderia perigosamente levar o Brasil de volta à década de 60 do século passado, quando as cargas demoravam semanas (hoje, diante da relação funcionário / declarações de importação, seriam 28 Para deixar ainda mais claro que o despacho aduaneiro não termina com o desembaraço, tal Decretolei, ao dar nova redação ao art. 102, § 1o do Decretolei no 37, de 1966, dispôs que “não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ...". Fl. 717DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 26 certamente meses) para serem verificadas, pois tal visão imporia efetivamente o dever de fiscalização de 100% da mercadoria importada e dos documentos correspondentes. E aí se poderia falar que o que ocorre depois do desembaraço seria uma efetiva "revisão". Estamos certos de que o problema não reside na Súmula no 227, mas em sua extensão a hipóteses em que não houve homologação alguma, mas simples liberação de mercadorias sob condição de posterior apuração de regularidade para conclusão do despacho. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Ademais, se o julgador do CARF está a analisar matéria aduaneira, deve tomar como vigente o art. 54 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 2.472/1988, e que não apresenta a restrição defendida pela recorrente e por julgados do STJ, não podendo o julgador administrativo negar vigência ao referido artigo 54, ainda que por afronta a dispositivo do CTN ou da própria Constituição, por determinação da Súmula CARF no 2 (que, por certo, não se refere somente a "lei tributária", mas também a lei "aduaneira, ou mesmo de outro ramo jurídico). A Súmula no 227, do TFR, tem teor irretocável: em nome da segurança jurídica, não há argumento que fragilize a afirmação de que “a mudança de critério jurídico não autoriza a revisão do lançamento”. O problema é aplicar tal súmula em casos nos quais não houve necessariamente lançamento nem homologação, como o presente. No presente processo, parece a recorrente entender que o teor da Súmula no 227 do TRF e dos julgados colacionados do STJ (que não vinculam este tribunal administrativo, salvo sistemática excepcional) lhe favorecem, mesmo tratando os autos de declarações de importação para as quais a recorrente sequer faz prova de que foram efetivamente verificadas por uma autoridade aduaneira. Deveria a recorrente ter apresentado ao menos uma declaração de importação onde o fisco efetivamente analisou a matéria aqui discutida. Afinal, todas as declarações de importação foram por ela registradas e está em sua posse a documentação de amparo. No presente caso, a fiscalização é que detecta que a empresa mudou seu comportamento/entendimento (fl. 44): "Não obstante a descrição da mercadoria ser sempre a mesma desde 13 de setembro de 2012, a partir de 13 de fevereiro de 2013 a empresa deixa de recolher o PIS/PASEPImportação e a CofinsImportação com base nas alíquotas específicas fixadas no Decreto 5.059/2004 e passa a fazer uso das alíquotas ad valorem de 1,65% e 7,60%, respectivamente." (grifo nosso) Fl. 718DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo nº 10314.730109/201318 Acórdão n.º 3401003.117 S3C4T1 Fl. 706 27 Não consta no presente processo informação de que nas DI que a empresa adotou o posicionamento que hoje ela própria questiona, de uso das alíquotas específicas, o fisco tenha reformado o entendimento. Afinal de contas, se era o "critério" da fiscalização que a alíquota aplicável era ad valorem (como parece defender a recorrente), não deveriam ter sido desembaraçadas as citadas DI. Resumemse, assim, os esforços da recorrente, em tecer considerações sobre revisão de critério jurídico, e sobre a jurisprudência do STJ, olvidandose a defesa de conectar tais temas a contento com o caso que se está a analisar. Afinal de contas, qual era o critério jurídico adotado pela fiscalização no caso concreto, se ambas as declarações (com alíquotas ad valorem e específicas) eram igualmente desembaraçadas sem ressalvas? Simples: o "critério" é de que os temas tributários que não demandam verificação in loco, nem ação imediata, como aqui se tratou, não são, em regra, analisados antes do desembaraço, mas sim em procedimento de "revisão" aduaneira. Por isso não se homologou nada, nem se efetuou lançamento, não havendo que se falar em alteração de critério jurídico "adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento", na letra do art. 146 do CTN. A defesa não traz, no caso, nenhum elemento que indique que houvesse efetivamente uma orientação (ou um critério) da fiscalização para aplicação da alíquota ad valorem. E não colaciona nenhum despacho no qual tenha enquadrado a mercadoria em alíquota específica e houvesse o fisco determinado o reenquadramento para a alíquota ad valorem. Fracassa, então, na tentativa de indicar que efetivamente teria havido alteração de critério pela fiscalização, e não meros atos administrativos de desembaraço / liberação de mercadorias no curso do despacho. Desnecessário, assim, qualquer procedimento de baixa em diligência para agora checar informação sequer ventilada nos autos de que poderia ter havido um caso, no período, para o qual a fiscalização determinou a aplicação de alíquota ad valorem, procedimento que a autuação condena. Afinal de contas, a própria fiscalização informa as épocas em que a empresa enquadrava as mesmas mercadorias em alíquotas específicas, sem noticiar qualquer ressalva efetuada no despacho. Ademais, esta turma vem manifestando entendimento majoritário de que somente naqueles casos em que tenha efetivamente havido verificação, com exigência efetuada ao importador para adequarse ao entendimento do fisco, e posterior exigência (em autuação) cobrando do mesmo importador entendimento diverso é que se poderia falar propriamente em "revisão de critério jurídico" (Acórdãos no 3401003.107 e no 3401003.111)29. Não havendo vestígios da ocorrência de tal hipótese no presente processo, endossase a desnecessidade de diligência, que não se prestaria a impactar a conclusão do colegiado. Improcedentes, assim, as alegações de alteração de critério jurídico. 29 Nos referidos acórdãos, proferidos em julgamentos efetuados em fevereiro de 2016, a turma entendeu majoritariamente no sentido aqui exposto, sendo vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que entendia haver efetiva revisão de critério jurídico apenas nas declarações de importação desembaraçadas em canal vermelho, e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO 28 Por fim, há que se detalhar melhor a informação, presente no voto do relator, sobre a existência de julgado unânime deste CARF em relação à matéria, consubstanciado no Acórdão no 3302002.444, ainda que seja pouco relevante para a formação de convicção, neste processo. Isso porque, na leitura do referido acórdão, percebi que o caso, além de ser substancialmente diverso do encontrado no presente processo, não tratou, de fato, unanimemente, da questão referente à "revisão aduaneira". No citado Acórdão, a matéria apreciada era bem distinta da aqui presente, pois já havia autuação anterior (lançamento), relativa à entrada das mercadorias no estabelecimento, tratando o contencioso sobre a saída das mesmas mercadorias de tal estabelecimento. Ainda assim, na votação "unânime", três dos seis conselheiros da turma votaram "pelas conclusões", tendo um deles, inclusive, registrado a justificativa em declaração de voto, da qual aqui se transcreve excerto, pela relevância: "Convém, no entanto, ressaltar que, com devido respeito aos argumentos da relatora, não compartilho com a interpretação de que o artigo 146 do CTN se aplique à revisão aduaneira. É que a condição inserta no artigo 146 implica em um prévio lançamento tributário, o que entendo não ocorrer no despacho aduaneiro. (grifo nosso) Percebese, assim, que a votação, de unânime, só tem o resultado, não se podendo concluir que houve concordância com os argumentos externados pela relatora. Pelo contrário, os argumentos da relatora foram vencidos, pois a turma, por qualidade, visto que o presidente da turma estava entre os três conselheiros que votaram "pelas conclusões", entendeu prevalecer o posicionamento argumentativo externado nas "conclusões", ainda que apenas um conselheiro tenha especificamente motivado a discordância argumentativa. Por tudo o exposto neste voto, então, entendo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 720DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Assinado digitalmen te em 15/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, A ssinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Numero do processo: 10882.723986/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
SIMPLES FEDERAL. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE LEGAL DE FATURAMENTO. EVIDÊNCIAS E LANÇAMENTOS RELATIVOS À OMISSÃO DE RECEITAS E À EXTRAPOLAÇÃO. EXCLUSÃO DEVIDA.
Ainda que não haja decisão definitiva em processo administrativo, o fato de haver evidências e lançamentos que demonstram a omissão de receitas e a extrapolação do limite legal de faturamento, justificam a exclusão do Simples Federal.
Numero da decisão: 1302-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Talita Pimenta Félix.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente da Turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 SIMPLES FEDERAL. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE LEGAL DE FATURAMENTO. EVIDÊNCIAS E LANÇAMENTOS RELATIVOS À OMISSÃO DE RECEITAS E À EXTRAPOLAÇÃO. EXCLUSÃO DEVIDA. Ainda que não haja decisão definitiva em processo administrativo, o fato de haver evidências e lançamentos que demonstram a omissão de receitas e a extrapolação do limite legal de faturamento, justificam a exclusão do Simples Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Talita Pimenta Félix. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente da Turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 39 86 /2 01 1- 26 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RO GERIO APARECIDO GIL Processo nº 10882.723986/201126 Acórdão n.º 1302001.888 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário, interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 1047.475 da 6ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2007 SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. INDICAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do ano calendário subsequente, sujeitandose às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Não se configura ausência de indicação dos motivos fáticos da exclusão do Simples quando a empresa recebe do fisco cópia do Termo de Verificação Fiscal, no qual está presente a razão que fundamentou a expedição do ADE, quando consta expressamente no Ato a base legal e o motivo que o originou, bem como quando a empresa apresenta contestação demonstrando ter pleno conhecimento da razão de sua exclusão do sistema simplificado de tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 29/11/2013 (fl. 144) e protocolou recurso voluntário em 27/12/2O13 (fl. 146). Demonstrou a regularidade da representação processual, juntando contrato social e procuração outorgada por representante legal (fls. 104/109). Em suas razões de recurso, a recorrente sustenta que: a) a notificação e o ato declaratório de exclusão do Simples Federal não descrevem os fatos que teriam ensejado a aplicação da penalidade cominada. Mais que isso, aliás, deixou de apresentar mínimas indicações de que a penalização decorreria das conclusões tiradas no processo administrativo n° 10882.723716/201115. b) a singela existência da expressão "exclusão de ofício do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2007" grafada na notificação e no próprio ato, pouco, ou em nada ajuda a compreender os motivos que haveriam de ter desencadeado a punição; sequer uma pequena descrição dos eventos caracterizadores da necessidade de exclusão foi consignada no docu mento encaminhado à recorrente; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RO GERIO APARECIDO GIL Processo nº 10882.723986/201126 Acórdão n.º 1302001.888 S1C3T2 Fl. 4 3 c) somente por meio do acórdão recorrido foi possível afastar dúvida e esclarecer de maneira direta e clara que a imputação da penalidade decorreu diretamente da autuação sofrida nos autos do processo administrativo n° 10882.723716/201115; d) tanto a notificação, como o ato declaratório executivo, não mencionam adequadamente o dispositivo legal que permitiria, em tese, a aplicação da punição à recorrente. Não há, minimamente, destaque dos eventuais dispositivos que teriam sido ofendidos, ou, ainda, que permitiriam a con fecção do ato administrativo de que foi a recorrente intimada a se pronunciar; e) não bastasse a ausência de fundamento legal, ainda não descreve qual seria o evento caracterizador da imposição da penalidade, razões suficientes para que a notificação e o ato que a acompanhou sejam declarados nulos de pleno direito, e, por conseguinte, não prosperem da forma pretendida; f) o Ato administrativo, seguiu para a recorrente de maneira absolutamente apócrifa, sem assinatura do responsável indicado no documento; g) no mérito, sustentou que, o ordenamento impede que a aplicação de uma sanção qualquer, antecipese ao reconhecimento de um delito. Ora, não é possível punir, sem que antes haja a caracterização de ofensa a legislação. E isso é evidente, notório e encontrase inserido em inúmeros diplomas vigentes, inclusive e, principalmente, na Carta Política de 88; h) que o ato declaratório executivo 64, que excluiu a recorrente do SIMPLES, escorouse, conforme finalmente deixou claro o acórdão recorrido, no fato de que a recorrente teria superado, no exercício de 2006, o limite anual de faturamento que lhe permitiria gozar do mesmo sistema de tributação no exercício de 2007, isso, exclusivamente por força das conclusões tiradas no curso do processo administrativo n° 10882.723716/201115; i) naquele processo, a recorrente foi autuada por força de suposta omissão de receitas, que orientaram lançamento complementar de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, que, somados, alcançavam mais de R$ 8 milhões de reais. Essas considerações fazendárias foram reduzidas a termo em auto de infração e encaminhadas para ciência da recorrente em 16 de dezembro de 2011. Ou seja, por pelo menos 30 dias (até 17 de janeiro de 2012), a fazenda teria que aguardar um posicionamento da recorrente para avaliar se o crédito seria definitivamente constituído (se houve parcelamento, pagamento ou ausência de apresentação de impugnação), o que lhe autorizaria a aplicar a penalidade de exclusão do SIMPLES; já em janeiro de 2012; j) que o lançamento complementar e, via de consequência, a presunção de que o faturamento da recorrente ultrapassou os limites para a tributação pelo SIMPLES só se tornaram definitivos depois desse julgamento havido em 10 de abril de 2012; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RO GERIO APARECIDO GIL Processo nº 10882.723986/201126 Acórdão n.º 1302001.888 S1C3T2 Fl. 5 4 k) que antes disso, cogitar da penalização seria ato intempestivo e representaria aplicação de sanção anterior a ocorrência ou constatação de um ato contrário a norma vigente e passível de penalização. Ora, antes de se tornar definitivo, ao menos para a administração, o lançamento vazado na autuação fiscal não poderia desaguar na aplicação ou gerar qualquer efeito para o administrado. Caso contrário, seria admitir que as penas pudessem ser aplicadas antes da constatação da ocorrência de um delito e antes de um julgamento apropriado; l) que a declaração contida no ato ora impugnado só poderia ser realizada depois de 10 de abril de 2012, ainda que fosse para fazer retroagir seus efeitos ao primeiro dia do exercício de 2007. Finaliza o recurso voluntário nos seguintes termos: "Por essas razões é que a recorrente não se conforma com o teor do ato declaratório executivo n° 64, de 21 de dezembro de 2011. Primeiro, porque não traz menção qualquer aos motivos de sua prolatação, não contém assinatura do responsável ainda que pela via digital , e não apresenta os dispositivos legais que autorizariam a administração a aplicar a pena de exclusão do SIMPLES antes do julgamento de lançamento de ofício realizado por ela própria. Além disso, como se destacou no último item deste arrazoado, a declaração não poderia ter ocorrido antes de 10 de abril de 2012, ou, minimamente, antes do transcurso dos 30 dias da lavratura da autuação (17/01/2012), sob pena de representar aplicação de pena antes da constatação da ocorrência de um delito. Exaustivamente assim expostas as razões de inconformismo com o conteúdo do acórdão recorrido, a recorrente suplica pela reforma do v. acórdão para que reste reconhecida, a nulidade do ato declaratório, por força dos argumentos desenvolvidos no item III.2, da presente. Alternativamente, não reconhecidas as causas de nulidade do ato, a recorrente ainda insiste no acolhimento de sua manifestação de inconformidade e conseqüente reforma do v. acórdão, ao menos, para que restem modulados os seus efeitos, de molde que eles possam ser efetivamente aplicados a partir de 10 de abril de 2012 (data da prolatação de decisão no processo administrativo 10882.723716/201115), ainda que para retroagir para o primeiro dia do exercício de 2007." É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RO GERIO APARECIDO GIL Processo nº 10882.723986/201126 Acórdão n.º 1302001.888 S1C3T2 Fl. 6 5 Voto O recurso é tempestivo e a recorrente está legitimamente representada. Conheço do recurso e passo a analisálo. Verificase que, os motivos que ensejaram a exclusão da recorrente do Simples Federal foram objeto de auditoria fiscal, em outro processo administrativo (Proc. 10882.23986/201126). No presente processo (Proc. 10882.723986/201126) houve tão somente o ato declaratório de exclusão da recorrente do referido programa. Preliminarmente, a recorrente centra suas razões no fato de que o ato declaratório de exclusão do Simples Federal não consignou os motivos de tal decisão, nem mesmo a fundamentação legal para tanto. Também sustenta que o ADE não estava assinado pela autoridade indicada ao final. Com esses argumentos, requereu a declaração de nulidade do ADE. Quanto à alegação de que o ADE não teria sido assinado, verificase, em realidade, que está assinado digitalmente: Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001: Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por CLAUDIA KLINGER PERISSE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por MARIO SERGIO MARTINEZ PICCINI. Em relação às demais alegações preliminares, o acórdão recorrido as rebate e registra que, o Termo de Verificação Fiscal, fls. 04/07, descreve as situações verificadas; os procedimentos efetuados; e a origem das receitas omitidas em 2006 que levaram à conclusão pela exclusão da recorrente do Simples Federal. A ciência do Ato Declaratório Executivo nº 64, de 21 de dezembro de 2011 deuse em 26/12/2011, após a ciência do Termo de Verificação Fiscal. Em tal expediente consta a base legal (art. 9º, 14, I e 15, IV da Lei nº 9.317/1996) e o motivo que originou o ato: a extrapolação prevista em lei do limite de faturamento para ingresso e permanência no sistema simplificado de tributação. A DRJ destacou que o sujeito passivo demonstrou amplo conhecimento do ponto indicado pelo fiscal para justificar a emissão do ADE, que não houve prejuízo para sua defesa, tanto que, em sua manifestação de inconformidade diz que imagina que as razões da emissão do ADE sejam as considerações e imputações lançadas nos autos do processo administrativo nº 10882.723716/201115, em que foi apurado suposto crédito tributário pendente de liquidação de R$ 8.471.271,55, superando o limite mensal de faturamento previsto na Lei nº 9.317/1996. Diante desses fundamentos do acórdão recorrido, vejamos os exatos termos do ADE, a seguir transcrito: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RO GERIO APARECIDO GIL Processo nº 10882.723986/201126 Acórdão n.º 1302001.888 S1C3T2 Fl. 7 6 SERVIÇO PÚBLICO FERDERAL DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM OSASCO SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n.º 64, DE 21/12/2011 Declara excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro Empresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES o contribuinte que menciona. O CHEFE DO SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA – SEORT, no uso da atribuição conferida pelo inciso V do artigo 1.º, da Portaria DRFOSA n.º 140 de 26 de outubro de 2011, publicada no DOU de 28 de outubro de 2011, considerado o disposto nos artigos 9º, 14, I e 15, IV da Lei nº 9.317/96 e o que consta no processo 10882.723986/201126, DECLARA: Art. 1º A exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2007, da empresa PUNHO FORTE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO LTDA, CNPJ n.º 53.269.817/000126 por ter ultrapassado, no ano calendário de 2006 o limite de receita bruta prevista em Lei. Art. 2º Poderá a contribuinte, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, manifestarse por escrito contra esse ato, junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, assegurado o contraditório e ampla defesa nos termos do que dispõe o Decreto 70.235 de 06 de março de 1972, e alterações posteriores. Art. 3° Tornarseá definitiva a exclusão após o prazo de manifestação acima indicado. MARIO SERGIO MARTINEZ PICCINI CHEFE DO SEORT/DRF/0SA Conforme termos em negrito, acima transcritos, o ADE fundamentou a decisão no disposto nos artigos 9º, 14, I e 15, IV da Lei nº 9.317/96 e o que consta no processo 10882.723986/201126 e registrou como respectiva motivação, o fato de ter ultrapassado, no ano calendário de 2006 o limite de receita bruta prevista em Lei. Diante dessas consignações expressas, entendo que estão preenchidas as exigências formais para a validade e eficácia do ADE e, assim, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito a recorrente apresenta as seguintes razões: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RO GERIO APARECIDO GIL Processo nº 10882.723986/201126 Acórdão n.º 1302001.888 S1C3T2 Fl. 8 7 ...o lançamento complementar e, via de consequência, a presunção de que o faturamento da recorrente ultrapassou os limites para a tributação pelo SIMPLES só se tornaram definitivos depois desse julgamento havido em 10 de abril de 2012. Antes disso, cogitar da penalização é ato intempestivo e representa aplicação de sanção anterior a ocorrência ou constatação de um ato contrário a norma vigente e passível de penalização. Ora, antes de se tornar definitivo, ao menos para a administração, o lançamento vazado na autuação fiscal não pode desaguar na aplicação ou gerar qualquer efeito para o administrado. Caso contrário, seria admitir que as penas podem ser aplicadas antes da consta tação da ocorrência de um delito e antes de um julgamento apropriado. O que se defende, então, Nobre Julgador, é que a declaração contida no ato ora impugnado só poderia ser realizada depois de 10 de abril de 2012, ainda que fosse para fazer retroagir seus efeitos ao primeiro dia do exercício de 2007. Realmente, até 10/04/2012, não havia decisão definitiva. Não entanto, havia evidências e lançamentos decorrentes da extrapolação do limite legal de faturamento, antes do ADE. De todo modo, como reconhecido nas próprias razões de recurso acima transcritas, os efeitos da exclusão do Simples devem retroagir ao primeiro dia do exercício de 2007, tendo em vista que, ao final do referido PAF nº 10882.723716/201115, restou comprovada, a omissão de receita pela recorrente, em 2006, que ao ser considerada resultou na extrapolação do valor de faturamento permitido para enquadramento e permanência no Simples Federal, em conformidade com os fundamentos legais expressos no ADE e retro citados. Por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. ROGÉRIO APARECIDO GIL Conselheiro Declaração de Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Jr. Ouso divergir do I. Relator, pelos argumentos a seguir expostos. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RO GERIO APARECIDO GIL Processo nº 10882.723986/201126 Acórdão n.º 1302001.888 S1C3T2 Fl. 9 8 Ocorre que a extrapolação do limite do lucro permitido para a opção pelo Simples Federal foi consequência da apuração pelo Fisco da prática reiterada de infração pela contribuinte em todo o ano calendário em tela. Ou seja, houve omissão receitas em todos os meses do anocalendário, o que configura a prática reiterada de infração, a qual por força do disposto nos do disposto no art. 14, V, combinado com o art. 15, V, todos da Lei 9.317/96, obrigava a exclusão do Simples Federal desde o primeiro mês em que ocorrida a omissão de receitas. Assim, sustento que a omissão de receita deveria se dá sobre o lucro real, se a escrita contábil e fiscal da recorrente possibilitasse, ou sobre o lucro arbitrado, em em caso de impossibilidade de apuração do lucro real. Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 20/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 23/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RO GERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 10680.724482/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVO DIGITAL.
Constitui infração à legislação tributária as omissões e incorreções em dados digitais pela pessoa jurídica que utilize sistemas eletrônicos para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou para elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal.
É observado o princípio da especialidade quando aplicada a legislação do tributo a que se refere a informação em meio digital.
Numero da decisão: 2301-004.439
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) por unanimidade de votos, não reconhecer a decadência, nos termos do voto do relator; (b) pelo voto de qualidade, recalcular a multa nos termos do voto do relator. Em relação ao item "b" , submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) nulidade do lançamento; b) aplicação das regras estabelecidas pelo art. 12, II e parágrafo único da Lei 8.218, de 1991 e (c) aplicação das regras estabelecidas pelo art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, § 22, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva; pela tese "b" Luciana de Souza Espíndola Reis e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes, Amílcar Barca Texeira Júnior e João Bellini Júnior. Excluída a tese "b" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "c", vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu. Fez sustentação oral o Dr. Vitor Nobre Freire, OAB/RJ 197.546.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVO DIGITAL. Constitui infração à legislação tributária as omissões e incorreções em dados digitais pela pessoa jurídica que utilize sistemas eletrônicos para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou para elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. É observado o princípio da especialidade quando aplicada a legislação do tributo a que se refere a informação em meio digital. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 44 82 /2 01 0- 19 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) por unanimidade de votos, não reconhecer a decadência, nos termos do voto do relator; (b) pelo voto de qualidade, recalcular a multa nos termos do voto do relator. Em relação ao item "b" , submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) nulidade do lançamento; b) aplicação das regras estabelecidas pelo art. 12, II e parágrafo único da Lei 8.218, de 1991 e (c) aplicação das regras estabelecidas pelo art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, § 22, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva; pela tese "b" Luciana de Souza Espíndola Reis e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes, Amílcar Barca Texeira Júnior e João Bellini Júnior. Excluída a tese "b" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "c", vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu. Fez sustentação oral o Dr. Vitor Nobre Freire, OAB/RJ 197.546. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724482/201019 Acórdão n.º 2402004.439 S2C4T2 Fl. 143 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 29/11/2010 em razão de omissões e incorreções nos registros de pagamentos em meio digital. No caso, tratase do benefício auxílioalimentação oferecido in natura na modalidade tickets refeição/alimentação. Embora tenha sido reconhecido pela decisão recorrida que não incidiria a contribuição previdenciária sobre as parcelas, considerouse que a infração pelo descumprimento da obrigação acessória independente da incidência do tributo. Segue transcrição da decisão recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVO DIGITAL. A apresentação, pela pessoa jurídica que utilize sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, para escriturar livros ou para elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal., de informações em meio digital com omissão ou incorreção constitui infração à legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... A empresa apresentou, em meio digital, informações referentes a despesas com alimentação de empregados no período de 2005 a 2007. Contudo, constatouse durante a finalização dos trabalhos de análise e levantamento das contribuições previdenciárias, que os valores referentes a ticket alimentação, a ticket refeição e os valores reembolsados pelos empregados foram informados com erros e omissões, impossibilitando a apuração correta das bases de cálculo individualizadas. Também foi constatado que os valores informados não correspondem ao valor real das operações escrituradas na contabilidade. Especificamente: as informações, relativas aos anos de 2005, 2006 e 2007, referentes aos tickets e valores reembolsados, continham valores incorretos e foram omitidos os dados referentes aos valores de ticket refeição relativos ao ano de 2007, tendo sido disponibilizado somente informações referentes aos reembolsos. De acordo com as informações do relatório fiscal da multa aplicada (fl. 7); da capa do auto de infração (fl. 3); e do demonstrativo de fls. 24/30, em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa de R$ 943.926,32, calculada de acordo com a Lei nº 8.218/1991, artigo 12, inciso II, parágrafo Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 único. A multa equivale a 5% do valor da operação, correspondente à informação omitida e/ou incorreta, limitada a 1% da receita bruta da empresa no período. O valor da receita bruta que serviu de base para o cálculo do limite foi o declarado pelo contribuinte por meio da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Diz que parte do crédito tributário cobrado referese ao ano de 2005, período abrangido pela decadência nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Acrescenta que, como o auto de infração foi lavrado em 12/2010, os valores referentes às competências de 01/2005 a 11/2005 encontramse abrangidos pela decadência. Afirma que, conforme destacado na impugnação apresentada relativamente ao AI DEBCAD nº 37.272.0420, não incide contribuição previdenciária sobre os valores referentes aos tickets alimentação ou refeição e, diante disso, não se pode cogitar da aplicação da penalidade se, ao final do julgamento do AI mencionado, concluirse pela inexistência de obrigação de pagar ou declarar a contribuição pretendida pela fiscalização. Diz que a obrigação acessória cujo cumprimento é exigido, sob pena de imposição de multa, deve necessariamente ter um vínculo com o fato gerador do tributo, ainda que não exista tributo a ser pago. Cita Súmula nº 439 do STF que aponta a sujeição dos livros comerciais à fiscalização tributária e previdenciária limitada ao exame dos pontos objeto da investigação, para concluir que a fiscalização só pode exigir do contribuinte a apresentação dos livros e informações relacionados com o que estiver no escopo do MPF. Aduz que o fiscal só poderia examinar e, porventura, aplicar multa sobre o que dissesse respeito às contribuições previdenciárias. Cita decisões do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda relativos a não apresentação de livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. Conclui que se os documentos examinados em nada modificam ou influenciam a apuração da contribuição previdenciária, jamais poderia ser penalizado por suposta incorreções neles. É o Relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724482/201019 Acórdão n.º 2402004.439 S2C4T2 Fl. 144 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724482/201019 Acórdão n.º 2402004.439 S2C4T2 Fl. 145 7 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Tratandose de auto de infração de obrigação acessória não é o caso de lançamento sujeito a homologação, mas lançamento de ofício. No mérito No presente processo há três questões relevantes sob exame. A primeira é quanto a procedência ou não da autuação pelo fato de que as parcelas supostamente omitidas não se submetem à incidência do tributo, ou seja, não constituindo obrigação principal também não poderiam constituir obrigação acessória; a segunda, trata no mérito da obrigatoriedade de fazer incluir em folha de pagamento parcelas pagas in natura; e a última, a regra aplicável para o cálculo da multa. Auxílioalimentação: parcela não sujeita a incidência da contribuição previdenciária Quanto à alegação de que não persistiria a multa nos casos de parcelas sobre as quais não há incidência, não assiste razão ao recorrente. As parcelas pagas aos segurados são incluídas em folhas de pagamento independentemente da incidência ou não do tributo. As Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724482/201019 Acórdão n.º 2402004.439 S2C4T2 Fl. 146 9 omissões e incorreções dificultam a identificação e discriminação das parcelas que devam se incluídas na base de cálculo, o que dificulta o procedimento de auditoria fiscal. Quando não se preparam os arquivos digitais também se dificulta uma verificação dos fatos geradores mais automatizada, já que dispensa a tarefa de digitação individualizada de cada valor. Todas as obrigações acessórias promovem uma praticidade administrativa para a fiscalização e no caso de descumprimento a norma jurídica imputa uma penalidade correspondente a natureza da obrigação e sua gravidade. Em suma, os fatos devem ser revelados para que a auditoria fiscal possa identificar dentre todos eles aqueles sobre os quais incidirá o tributo. Daí a existência da obrigação instrumental ou acessória para o contribuinte. Auxílioalimentação oferecido in natura na modalidade tickets refeição/alimentação e sua individualização por segurado Quanto a essa questão, constatase que a recorrente utiliza sistema de processamento de dados e incorreu em omissões e incorreções em seus registros de pagamentos. No caso, os benefícios do auxílioalimentação oferecidos in natura na modalidade tickets refeição/alimentação, embora devidamente registrados na escrituração contábil, não foram incluídos na integralidade em seus registros digitais de folha de pagamento. De fato, assevera a fiscalização e a decisão recorrida que não houve omissões nos registros contábeis digitais, o que leva a crer que os documentos objeto da autuação foram as folhas de pagamentos de meio digital, que não contemplariam todos os tickets de auxílio alimentação: Relatório Fiscal: A empresa apresentou, em meio digital, informações referentes a despesas de alimentação, por ela custeadas para seus segurados empregados no período de 2005 a 2007. Entretanto, na finalização dos trabalhos de análise e levantamento dos Créditos Previdenciários, foi constatado que os valores referentes aos Tickets Alimentação e Tickets Refeição e a parte de Reembolso custeada pelos segurados empregados foram informados com erros e omissões, impossibilitando a apuração correta das Bases de Cálculo individualizadas, bem como constatouse que os valores não correspondem ao valor real das operações escrituradas. ... Decisão recorrida: A empresa apresentou, em meio digital, informações referentes a despesas com alimentação de empregados no período de 2005 a 2007. Contudo, constatouse durante a finalização dos trabalhos de análise e levantamento das contribuições previdenciárias, que os valores referentes a ticket alimentação, a ticket refeição e os valores reembolsados pelos empregados foram informados com erros e omissões, impossibilitando a apuração correta das bases de cálculo individualizadas. Também foi constatado que os valores informados não correspondem ao valor real das operações escrituradas na contabilidade. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Especificamente: as informações, relativas aos anos de 2005, 2006 e 2007, referentes aos tickets e valores reembolsados, continham valores incorretos e foram omitidos os dados referentes aos valores de ticket refeição relativos ao ano de 2007, tendo sido disponibilizado somente informações referentes aos reembolsos. Nas folhas de pagamento são registrados todos os valores de parcelas, remuneratórias ou de outra natureza, pagas aos segurados. Algumas constituem salário de contribuição da contribuição previdenciária e outras não. Existem também parcelas in natura pagas aos segurados que sofrem a incidência de contribuição previdenciária. Essas parcelas, como qualquer outra, são registradas contabilmente. Acontece que pela modalidade de pagamento aos segurados, nem todas são possíveis de transitarem pelas folhas de pagamento. É que não se consegue individualizar por segurado a sua cota do benefício in natura. A alimentação oferecida in natura seria um desses casos. Transporte administrado pela própria empresa, vestuário, veículo a disposição do segurado também são outros exemplos. Assim, entendo que tendo registrado os custos com a aquisição dos tickets alimentação na escrituração contábil digital, o recorrente atendeu o disposto na legislação. Os pagamentos de parcelas in natura e que não integrem a base de cálculo da contribuição previdenciária são escriturados contabilmente, mas não constituem infração quando não lançados em folhas de pagamento: Lei nº 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Entretanto, no caso sob exame, também foram omitidos os valores financeiros do desconto na remuneração do segurado e esses valores fogem da discussão sobre a viabilidade ou não de registro do auxílioalimentação quando pago in natura. Nessa parte relativa a falta de registro dos descontos ou reembolso pelos segurados que têm por base o salário do segurado, de fato, procede a autuação. Assim, entendo que a falta de escrituração nas folhas de pagamento em meio digital das parcelas relativas aos tickets refeição/alimentação não constitui infração. Legislação aplicável aos registros digitais relativos às contribuições previdenciárias A fiscalização aplicou a multa na forma do art. 12, inciso II e parágrafo único da Lei n° 8.218, de 29/08/1991. Contudo, entendo não ser essa a regra aplicável à época às contribuições previdenciárias que possuíam norma específica para esse tipo de infração. Como se vê, a Lei nº 8.218/91 editada anteriormente à criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil tem por objeto tributos que adotam como base de cálculo a receita bruta, daí também ter sido esse o critério para a fixação da multa: Lei nº 8.218/91, de 29/08/91 Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.724482/201019 Acórdão n.º 2402004.439 S2C4T2 Fl. 147 11 Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Para a sistemática das contribuições previdenciárias, vigia à época dos fatos o artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, combinado com o Artigo 225, §22 do regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art. 225 (...) §22. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003). Dessa forma, a multa tal como aplicada é improcedente, já que foi calculada pela regra geral no art. 12, inciso II e parágrafo único da Lei n° 8.218, de 29/08/1991. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para o recálculo da multa na forma acima, retroatividade benéfica. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10707.001524/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
PRELIMINAR DE NULIDADE.
Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Vinculante CARF nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
ÔNUS DA PROVA.
Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
Numero da decisão: 2301-004.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: Relator João Bellini Júnior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. ÔNUS DA PROVA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
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Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário” (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 15 24 /2 00 8- 80 Fl. 5067DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1330.676, exarado pela 2ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro II (fls. 3222 a 3239 – numeração dos autos eletrônicos, volume XVI). O auto de infração (fls. 2276 a 2325, volume XII) é referente a imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, correspondentes aos anoscalendário 2003 e 2004. É exigido crédito tributário de R$1.316.067,68, dos quais R$570.734,92 correspondem ao imposto, R$428.051,18 à multa proporcional de 75% e R$317.281,58 a juros de mora. O termo de verificação fiscal (fls. 2276 a 2317) descreve que, pelo termo de início de fiscalização, solicitouse a comprovação da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, tendo a fiscalização efetuado relação de cada depósito/crédito individualizado e intimado a contribuinte a comprovar a origem de cada depósito. O fundamento legislativo do lançamento é o art. 849 do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000, de 1999 (RIR 99) e o art. 1º da Medida Provisória 22, de 2002, convertida na Lei 10.451, de 2002. O auto de infração foi lavrado em 03/11/2008 e cientificado à contribuinte em 07/11/2008 (fl. 2327). Em sua impugnação, a contribuinte alegou, em síntese (fls. 2329 a 2365): 1) a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o lançamento relativo ao meses de janeiro a outubro de 2003, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; 2) a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo quando presume omissão de rendimentos equivalentes a 50% do valor dos créditos efetuados em contas conjuntas cuja titularidade dos recursos foi integralmente reconhecida pelo primeiro titular das contas; Fl. 5068DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 2301004.598 S2C3T1 Fl. 5.056 3 3) estar comprovada a origem dos depósitos relacionados no auto de infração e ser absurdo o cômputo dos mesmos valores por várias vezes na base de cálculo do imposto; 4) tendo a própria fiscalização reconhecido que os depósitos teriam origem nas duplicatas endossadas, não haveria como aplicar ao caso as regras previstas no art. 42 da Lei 9.430, de 1996; 5) se a fiscalização entende não comprovados os seus créditos, os depósitos teriam sido efetuados sem causa, sendo inevitável considerálos doações isentas do IRPF; 6) a causa dos endossos das duplicatas cujos pagamentos foram depositados nas contas suas e de seu marido estaria demonstrada de maneira insofismável; 7) a iverossimilhança da presunção erigida nos autos, que levou a fiscalização a desconsiderar a origem verdadeira e declarada dos depósitos concedidos à Caolim Azzi Ltda. (doravante referida tãosomente como Caolim) para tratálos individualmente como receitas omitidas, olvidandose de que os pagamentos retornavam às suas contas bancárias e eram novamente empregados em favor daquela sociedade, chegando a um montante estratosférico, incompatível com as dimensões da Caolim e o seu patrimônio real; 8) a conta 6507335 (Unibanco) era movimentada exclusivamente pelo marido da impugnante, para receber rendimentos mensais de aluguel de imóvel de terceiro, do qual era procurador; 9) o valor de R$40.000,00, creditado em 21/12/2004 na conta 058437 (Banco Itaú), referese a investimento realizado pela titular da conta no Fundo DIFACFI; 10) os depósitos realizados na conta 3702355, mantida no Banco Real, referemse ao aluguel de imóvel de propriedade comum do casal; 11) os comprovantes apresentados por seu marido comprovam a origem dos depósitos realizados na conta 17.4572, mantida no Banco do Brasil; 12) há comprovação da origem dos depósitos realizados na conta 16.8249.08, mantida no Banco de Boston. Foi pediu o cancelamento do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, e o acórdão recebeu as seguintes ementas: ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 5069DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. Na hipótese de conta bancária mantida em conjunto, se os titulares da conta apresentarem declarações em separado e não havendo a comprovação da origem dos depósitos nela efetuados, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas da natureza da operação, com a comprovação de que cada depósito corresponde ao pagamento de um valor anteriormente emprestado. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS Deve ser indeferido o pedido de produção de novas provas, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Os valores lançados receberam as seguintes alterações (fls. 3238 e 3239): Destarte, com base em todo o exposto supra, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE DA IMPUGNAÇÃO, nos seguintes termos: 1) em relação ao anocalendário de 2003, alterese o valor de imposto com vencimento anual de R$308.050,67 (fl. 2.308) para R$302.187,41, acrescido de multa de oficio e juros de mora regulamentares; 2) em relação ao anocalendário de 2004, alterese o valor de imposto com vencimento anual de R$262.684,25 (fl. 2.309) para R$246.967,78, acrescido de multa de oficio e juros de mora regulamentares. A ciência dessa decisão ocorreu em 19/11/2010 (comparecimento do procurador à unidade preparadora, fls. 3243 e 3244). Em 20/12/2010, foi apresentado recurso voluntário (fls. 3246 a 3296, volumes XVI e XVII), reiterando, em síntese, os termos da impugnação, no que tange à matéria a qual não obteve provimento. Especificadamente quanto às contas bancárias, foi repisada a insurgência quanto aos depósitos realizados na conta 3702355, mantida no Banco Real, e na conta 16.8249.08, mantida no Banco de Boston. Foi pedido que o recurso voluntário seja julgado procedente, cancelandose a exigência tributária. Fl. 5070DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 2301004.598 S2C3T1 Fl. 5.057 5 O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 5054). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÕES PRELIMINARES – DAS NULIDADES De acordo com a contribuinte, haveria três nulidades: (a) a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo quando presume omissão de rendimentos equivalentes a 50% do valor dos créditos efetuados em contas conjuntas cuja titularidade dos recursos foi integralmente reconhecida pelo primeiro titular das contas; (b) a nulidade ou insubsistência do lançamento por cerceamento do direito de defesa, em relação aos depósitos realizados na conta n° 355607 (Banco Bradesco), porque a fiscalização não forneceu a fonte da qual teria extraído os valores arrolados no auto de infração; e (c) a nulidade da decisão recorrida, que teria deixado de apreciar a questão da nulidade ou insubsistência do lançamento por cerceamento do direito de defesa, do lançamento calcado em depósitos realizados na conta n° 355607 (Banco Bradesco) (item “b”). Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou Fl. 5071DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) Nesse sentido, a pacífica jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. (processo 11075.900013/200899, Acórdão 1801001.499, Relator(a) Carmen Ferreira Saraiva) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada pelas Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são Fl. 5072DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 2301004.598 S2C3T1 Fl. 5.058 7 as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. (processo: 11634.000552/200681, Acórdão: 2202002.892, relator: Antonio Lopo Martinez) Preliminar. Nulidade. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. (processo: 10680.015093/200531, Acórdão: 280100.790, redatoradesignada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente nem algum despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente (art. 59, I). A existência ou não de erro de identificação do sujeito passivo é questão de mérito; caso configurado o erro, a solução a ser dada é a procedência da contestação (impugnação ou recurso voluntário) em face de não restar observado o aspecto subjetivo do lançamento, restando, nesse caso, ferido o art. 142 do CTN. É provimento distinto da declaração de nulidade do procedimento, que se ampara no retrocitado art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Assim, tal questão será tratada como questão de mérito. Quanto as questões envolvendo os depósitos realizados na conta n° 355607 (Banco Bradesco), a contribuinte pede (1) a nulidade por cerceamento do direito de defesa ou a insubsistência do lançamento, em razão de a fiscalização não ter fornecido a fonte da qual teria extraído os valores arrolados no auto de infração, e (2) a nulidade da decisão recorrida, que não teria abordado essa questão, temos que a decisão recorrida. Não procede a primeira dessas alegações – nulidade por cerceamento do direito de defesa ou a insubsistência do lançamento, em razão de a fiscalização não ter fornecido a fonte da qual teria extraído os valores arrolados no auto de infração. Ocorre a que conta n° 355607, do Banco Bradesco, é de propriedade conjunta da contribuinte e de seu marido, o Sr. Sérgio Arthur Fabiano Leão Menescal, que foi fiscalizado concomitantemente, pelas mesmas infrações (referências a esse, por exemplo, nas fls. 10, 11, 14, 67, 199, 307, 360 365, 394, 431474, 475556, 704, 705, 714719, 746, 788803); o Sr. Sérgio Arthur Fabiano Leão Menescal assinava, por procuração, correspondências ao Fisco em nome de sua esposa, a fiscalizada/recorrente, Maria Clara Ferreira Neto Menescal (fl. 11). À fl. 607 há referência específica do Sr. Sérgio à conta n° 355607, do Banco Bradesco. A seu turno, à fl. 30 do processo administrativo 10707.001524/200880, que se refere à recorrente, e diz respeito às mesmas infrações, apuradas nos anoscalendário 2003 e 2004, e que está sedo julgado nesta mesma sessão de julgamento, o Sr. Sérgio Arthur Fabiano Leão Menescal solicita ao Bradesco cópias dos extratos de movimentação financeiras de sua conta corrente, referente ao anos calendário 2002 a 2004 à fl. 941 há a informação de que a fiscalização recebeu extratos e cópias dos cheques da conta conjunta do Banco Bradesco, cujos extratos foram juntados às fls. 10471088 e cópias dos cheques às fls. 1754 a 1805 (intermetentemente). Fl. 5073DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Em suma: não há cerceamento do direito de defesa em relação à conta corrente do Bradesco. Tanto é assim, que no referido processo administrativo 10707.001524/200880, não foi alegada esta nulidade. Não há qualquer prejuízo para a recorrente no fato de não ter sido juntado aos presentes autos os documentos pelos quais o Sr. Sérgio Arthur Fabiano Leão Menescal solicita ao Bradesco e entrega a fiscalização os extratos e cópias dos cheques do Bradesco. Quanto à última alegação de nulidade – da decisão recorrida, que não teria abordado a questão da nulidade por cerceamento do direito de defesa ou a insubsistência do lançamento, temos que a decisão recorrida –, diferentemente do que a contribuinte alega, tratou da questão, no seguinte termos: No que tange à conta n° 35.5607, mantida no Banco Bradesco, a Interessada alega ter havido cerceamento de defesa em virtude de a Fiscalização não ter fornecido a fonte da qual teria extraído os valores arrolados no auto de infração. Primeiramente, é imperativo destacar que a Fiscalização baseouse nos extratos da mencionada conta bancária para elaborar a planilha de fls. 407 a 411, contendo depósitos cujas origens a Contribuinte foi devidamente intimada a esclarecer, conforme Termo de Constatação/Reintimação e Intimação Fiscal (fl. 392, item B, 1). Desse modo, inexistem razões para se cogitar de um eventual cerceamento de defesa ou de uma ofensa ao contraditório, haja vista que a Interessada foi corretamente intimada a elucidar a origem dos depósitos efetuados em conta de sua cotitularidade e pôde, tanto durante o procedimento fiscal, quanto na fase de impugnação ao auto de infração, trazer os argumentos e provas que entendesse pertinentes. DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO É alegada a decadência do poderdever de a Fazenda Pública constituir o lançamento relativo ao meses de janeiro a novembro de 2002, nos termos do art. 150, §4°, do CTN e das decisões administrativas do Conselho de Contribuintes. Não lhe assiste razão. A matéria é objeto da Súmula Vinculante CARF nº 38, que dispõe que “o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Tendo tomado ciência do auto de infração em 07/11/2008, não ocorreu a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorrida no anocalendário de 2003, uma vez que o termo inicial do prazo para ser efetivado o lançamento é 31/12/2002 e seu termo final 31/12/2007. DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Fl. 5074DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 2301004.598 S2C3T1 Fl. 5.059 9 A contribuinte alega que detém, juntamente com seu marido, 97% das quotas representativas do capital da Caolim, CNPJ 22.349.880/000148, (cada um possui 48,5% das quotas); em 1999, tendo sido elevado o volume de inadimplência dos seus clientes, ela e seu marido estipularam “contrato oneroso de abertura de crédito”, pelo qual ambos se propuseram “a emprestar o dinheiro necessário para a manutenção do funcionamento do negócio, utilizando recursos próprios que se encontram aplicados em instituições financeiras" (cláusula 2); em garantia do pagamento dos empréstimos a devedora endossaria, “em favor dos mutuantes duplicatas mercantis representativas do faturamento para seus clientes das vendas de itens de sua linha de produção”, as quais eram “alocadas em cobrança simples em contascorrentes bancárias de titularidade dos mutuantes” (cláusula 3); sendo que “a remuneração do capital emprestado será acordada pelas partes conforme juros cobrados pelos bancos para empréstimos com a garantia de duplicatas” (cláusula 6). Afirma que, na prática, o contrato funcionava sob a forma de crédito rotativo, de modo que ela e seu marido pagavam, com seus próprios recursos, as obrigações contraídas pela Caolim, subrogandose nos direitos dos credores, bem como adiantavamlhe recursos financeiros por transferências bancárias; em contrapartida, os créditos de ambos eram quitados à medida que os clientes da Caolim pagavam as duplicatas de sua emissão, mediante depósitos nas contas bancárias pessoais dos mutuantes e, concomitantemente, os valores recebidos eram destinados para saldar novas dívidas da Caolim, em um sistema que se autoalimentava. Assevera que negar a validade jurídica do contrato de mútuo significa desconsiderar a personalidade jurídica da Caolim, e que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a sua causa o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos: a) contrato de mútuo oneroso (doc. 02 da Impugnação); b) cópias dos Extratos de Movimentação de Títulos fornecidos pelo Banco ITAÚ (fls. 143/537, 572/626, 648/684 e 1.219/1.331), que atestam serem as duplicatas neles indicadas provenientes do endosso da CAOLIM em favor da RECORRENTE e de seu marido, com a menção especifica aos valores, às datas, aos nomes dos sacados e números da cada um daqueles títulos; c) demonstrativos apresentados pela própria CAOLIM (fls. 1.332/ 1.501), que indicam as prestações de contas dos valores pagos à RECORRENTE e ao seu marido em razão dos mútuos concedidos, com a descrição das duplicatas emitidas pela empresa e endossadas como garantia dos empréstimos rotativos realizados; d) cópia do Livro Caixa da CAOLIM, curiosamente não trazida aos autos pelos autuantes, mas apresentada como doc. 06 anexo da Impugnação, que registra o endosso de cada uma das duplicatas sacadas contra seus clientes, com a indicação dos respectivos valores, datas, nomes dos sacados e números dos títulos, que são rigorosamente os mesmos que deram origem aos depósitos nas contas correntes da RECORRENTE Ê de seu marido. Fl. 5075DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Lembra que a quase totalidade dos depósitos bancários advém de movimentação rotativa de recursos decorrente de empréstimos e descontos de duplicatas, a gerar sucessiva tributação sobre os mesmos valores que reingressam na conta da autuada. Afirma que as cópias reprográficas (verso e anverso) dos cheques emitidos por si seu marido para o pagamento das obrigações da Caolim foram apresentadas à fiscalização com relação ao período de janeiro a agosto de 2003 (fls. 1.676 a 2.183), sendo que a compensação daqueles cheques pode ser facilmente confirmada pelos débitos registrados nos extratos bancários daquelas contas que se encontram nos autos, com coincidência das datas e valores estampados nas suas cópias, eliminando qualquer dúvida sobre a “efetiva movimentação financeira”. Diz que a fiscalização nunca teve dúvida da existência de sues créditos perante a Caolim, tanto que examinou detalhadamente os cálculos dos juros que incidiam sobre os saldos daqueles créditos, discriminados nos demonstrativos apresentados pela Caolim às fls. 1.332 a 1.501, tendo esmiuçado os detalhes da sua tributação na fonte, declaradas nas DIRPF de seu marido (doc. 03 da impugnação) e que os cheques emitidos, acompanhados de comprovantes de pagamentos em favor da Caolim, foram listados pela fiscalização às fls. 2.297 a 2.302, com relação aos períodos de janeiro a agosto de 2003; outrossim, outorgou expressamente às autoridades lançadoras poderes para quebrar seu sigilo bancário (fl. 1.218) o que lhes permitiria acessar os originais e extrair cópias de tudo o que desejassem, inclusive dos cheques compensados. Por primeiro, cumpre registrar que não se está, nesse processo, procedendo à desconsideração da pessoa jurídica Caolim Azzi Ltda. Ocorre que a recorrente, ao firmar contrato de mútuo com a sociedade em questão, pelo qual se obriga a pagar contas dessa sociedade com seus fornecedores e a ser ressarcida pelo recebimento de duplicadas endossadas pela sociedade, originada de créditos dessa com seus fornecedores, deve saber que a prova da execução de tal contrato exige prova detalhada de cada operação, ou seja, devem estar documentados cada valor que repassa à Caolin bem como cada valor dessa recebido. Caso contrário, ante à impossibilidade de provar a origem de cada depósito em sua conta corrente é aplicável a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 5076DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 2301004.598 S2C3T1 Fl. 5.060 11 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editada a Súmula CARF 26, a fim de consolidar tal entendimento: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 5077DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Foram diversas as intimações para a comprovação da origem dos recursos (fls. 541 a 542, 557 a 558, 636 a 638, 708 a 709, 745 a 747, 941 a 942, 1222 a 1223, 1666 a 1667). A cada intimação, foram excluídos, caso existissem, os depósitos comprovados em resposta à intimação anterior. Entende a recorrente que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a causa dos depósitos o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos. Não lhe assiste razão. A origem a ser comprovada é a do crédito que a recorrente possui com a Caolim, o qual, segundo ela, advém do contrato do mútuo. Pois bem, não basta apresentar o contrato de mútuo, mas deve ser demonstrado documentalmente que os recursos foram emprestados à Caolim, sendo quitados pelos pagamentos das duplicatas. Foi o que conseguiu parcialmente comprovar (ver resumo das operações, comprovadas ou não, às fls. 2283 a 2295). O contribuinte alega que: (a) foram depositados em suas contas correntes valores destinados a prover a sobrevivência de várias pessoas, os quais não são receitas tributáveis; (b) os depósitos efetuados na conta n° 16824908, mantida no Banco de Boston teriam como origem os aluguéis dos imóveis de propriedade de seu marido, rendimentos esses que já teriam sido em parte declarados e em parte tributados no processo n° 10707.001523/200835. Competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, segundo o disposto na referida Súmula CARF 32, no art. 42 da Lei 9.430, de 1996 e, ainda no art. 36 da Lei 9.784, de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido, o art. 330 da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil): Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...) II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) Ademais, não restou demonstrado que os depósitos efetuados na conta do Banco de Boston eram atinentes aos rendimentos de aluguéis recebidos por seu marido, permanecendo, em virtude disso, tais depósitos no montante de depósitos sem origem comprovada. Fl. 5078DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 2301004.598 S2C3T1 Fl. 5.061 13 A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, a teor da Súmula Carf 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Quanto às cópias dos cheques não compensados emitidos pela recorrente e por seu marido para o pagamento das obrigações da Caolim, não foi feita a prova de que tais cheques tenham quitado dívidas da Caolim. Para tanto, seria necessário examinar a contabilidade dessa sociedade, da qual, repito, a recorrente e seu marido detém 97% das cotas. Porém, no curso do procedimento de fiscalização, do qual a recorrente foi intimada em 12/01/2007 (fl. 09), a Coalim, em 05/07/2007, registrou o extravio de todos os seus livros contábeis e fiscais, bem como da documentação que os lastreia e do disco rígido de computador que continha seus dados (fls. 875 a 880). Impossibilitouse, assim, de fazer provas (outras que já não tivessem sido apresentadas) da origem dos créditos da recorrente com a Caolim. Como apontou o acórdão guerreado, a origem dos depósitos efetuados nas contas de cotitularidade da interessada não restou provada pelas planilhas das fls. 937 a 941 e 942 a 946, uma vez que não há nenhuma prova que vincule os créditos efetuados nas contas particulares da recorrente a esses pagamentos, nem tampouco que os depósitos em favor dessa fariam parte de uma grande operação de crédito rotativo envolvendo a Caolim. Não foi demonstrado que os depósitos recebidos por meio de títulos de crédito emitidos pela Caolim correspondia a algum pagamento efetuado em favor dessa. Não houve identificação de pagamentos em favor da Caolim e demonstração de que valores que saíram da conta da contribuinte teria retornado a ela através de duplicata emitida pela Caolim endossada à recorrente. Não há qualquer correspondência de valores ou datas entre os pagamentos mencionados na impugnação e os depósitos com origem não comprovada. Nas operações de mútuo, existe uma vinculação evidente entre os recursos emprestados e seus respectivos pagamentos. Esse nexo de causalidade não foi estabelecido entre os pagamentos efetuados a terceiros e os depósitos nas contas da recorrente. Por essa razão, os depósitos em questão não podem ser considerados como pagamentos de empréstimos concedidos à Caolim. Friso também que não há qualquer elemento nos autos que possa levar ao erro de identificação do sujeito passivo. As contas correntes fiscalizada efetivamente pertencem à recorrente, individualmente ou conjuntamente com seu marido e a tributação levou em consideração tais fatos. Sendo assim, não tendo sido elidida a presunção constante no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, deve ser mantido o lançamento, a exceção do depósito mencionado. No que tange aos depósitos de R$1.100,00 na conta 3702355 (Banco Real) nos anoscalendário de 2003 e 2004, não restou provado que se tratava dos aluguéis recebidos pelo imóvel localizado na Rua Conde Baependi n° 34, apartamento 801, uma vez que, apesar de haver coincidência de valores, não foi produzida prova de que os referidos depósitos foram efetuados pelo locatário do citado imóvel como pagamento pelo aluguel devido. Assim, Fl. 5079DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 permanecem sem origem comprovada os depósitos de RS1.100,00 efetuados na conta de poupança n° 3702355 (Banco Real) nos anoscalendário de 2003 e 2004. DOS CRÉDITOS COMO DOAÇÕES ISENTAS DO IRPF Sustenta que se a fiscalização considera que direitos relativos às duplicatas cujos resgates foram creditados nas contas bancárias suas e de seu marido foram transferidos a essas pessoas físicas sem causa, isto é, por mera liberalidade, estarseá diante de doação insuscetível de entrar no cômputo de seu rendimento bruto, haja vista o previsto no inciso XV do artigo 39 do RIR/99. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XV o valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, e Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos); Não lhe assiste razão. Ocorre que, como já abordada, a fiscalização considerou todas as provas da origem de recursos apresentadas. Os depósitos cuja origem não restou comprovada caracterizam omissão de receitas, de acordo com o já transcrito art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Voto, portanto, por rejeitar as preliminares e no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 5080DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007077/00-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1999
COFINS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA
SOCIAL. IMUNIDADE. O atendimento gratuito ao hipossuficientes é condição mínima para o gozo da imunidade deferida às entidades que prestem os serviços definidos no art. 203 da Constituição e os coloquem à disposição da comunidade em geral. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 9303-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Maria Teresa Martinez López, Ivan Allegretti, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. O atendimento gratuito ao hipossuficientes é condição mínima para o gozo da imunidade ‘deferida às entidades que prestem os serviços definidos no art. 203 da Constituição e os coloquem à disposição da comunidade em geral. Precedentes do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Maria Teresa Martinez López, Ivan Allegretti, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 70 77 /0 0- 16 Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.412 2 Relatório Cuidase de recurso especial interposto pelo SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL SENAC (fls. 484 a 500) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 419 a 428) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, por reconhecer que para o gozo da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, é condição mínima o atendimento gratuito aos hipossuficientes. O Auto de Infração (fls. 10 a 29) foi lavrado para exigência de COFINS, relativamente ao período de 30/04/1992 a 31/01/1999, pelo não recolhimento da contribuição, devida à alíquota de 2% (art. 2º da LC 70/91). Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento (fls. 30 a 34), a contribuição é devida pelo fato de a entidade ter auferido receitas decorrentes da prestação de serviços educacionais e, dentre os requisitos estabelecidos em lei para que a sociedade seja enquadrada como imune/isenta, teria apenas o registro no CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social), por meio do processo nº 28990.0153879439, o qual foi deferido através da Resolução nº 142/97, de 05/12/1997, não possuindo o Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social. Ademais, segundo a fiscalização, conforme disposto no art. 2º, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 113 de 21 de setembro de 1998, e segundo previsto nos artigos 12 a 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, mesmo se enquadrado como entidade imune/isenta, tal situação não se aplicaria quanto à COFINS relativamente a receitas de serviços educacionais. Regularmente cientificada da constituição do crédito tributário, a ora Recorrente apresentou Impugnação (fls. 177 a 189), tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte proferido acórdão (fls. 281 a 290) que restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 31/01/1999 Ementa: IMUNIDADE. Os dispositivos constitucionais sobre imunidade são interpretados literalmente. O § 7º, do art. 195, da Constituição da República de 1988, só se aplica ao faturamento das entidades que atenderem, concomitantemente, aos requisitos estabelecidos em toda e qualquer legislação tributária que disponha sobre condições de imunidade. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 298 a 318), ao qual foi negado provimento, conforme acórdão a seguir ementado: COFINS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. O atendimento gratuito aos Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.413 3 hipossuficientes é condição mínima para o gozo da imunidade deferida às entidades que prestem os serviços definidos no art. 203 da Constituição e os coloquem à disposição da comunidade em geral. Precedentes do STF. Recurso negado. Em vista da decisão acima, o Contribuinte opôs embargos declaratórios (fls. 446 a 456), alegando que o r. acórdão recorrido conteria contradições, tendo em vista que a questão da gratuidade mínima dos cursos que ministra não foi posta explicitamente como condicionante para o gozo da imunidade do Auto de Infração e que, na decisão recorrida, não se teria atentado para a verdade material, acostando aos embargos relatórios encartes que atestam o oferecimento de cursos gratuitos. Foi negado seguimento aos embargos (fls. 461 a 462 ), ao fundamento de que a ora Recorrente tentara fazer prova da gratuidade de cursos não ofertadas em momento inoportuno nos autos. Ademais, a prova então coligida ao processo, ao invés de impugnar, confirmaria a conclusão que embasa o julgamento, é dizer, apenas alguns cursos foram oferecidos “gratuitamente”, e o que caracteriza a beneficência seria o fato de alguém que não disponha de recursos poder se qualificar de forma gratuita, o que pressupõe a escolha e o pleno acesso aos cursos da instituição. Ato contínuo, foi interposto recurso especial de divergência pelo contribuinte (fls. 484 a 500), defendendo, em síntese, que, assim como nos julgados relacionados, o SENAC, enquanto entidade assistencial e educacional, aplica as suas receitas integralmente aos seus objetivos de educação profissional e assistência social, não possuindo finalidade lucrativa, o que não implica gratuidade de serviços para que seja reconhecida a imunidade. Ademais, a entidade cumpre todas as regras constantes do art. 14 do CTN. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 685 a 688. A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões (fls. 692 a 706), alega que a educação remunerada configura atividade econômica e não de assistência social, de acordo com a Lei nº 8.274/93 (Lei de Organização da Assistência Social), descabendo falar em direito à imunidade com base no art. 195, § 7º, da Constituição. Alega ainda que para fazer jus a tal benefício, devese observar não só os requisitos materiais previstos no artigo 14 do CTN, como também aqueles formais elencados no art. 55 da Lei nº 8.212/1991. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 1.410, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais a formalizar o voto vencido do presente acórdão. Ressaltese que o relator original entregou o relatório e o voto vencido à secretaria da Câmara Superior. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização do citado voto. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.414 4 Desta forma, adotase o voto vencido entregue pelo relator original, Conselheir Rodrigo Cardozo Miranda, vazado nos seguintes termos: Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso deve ser conhecido e, no mérito, julgado procedente. Defende a Recorrente, em todo o processo, essencialmente, que: i) O SENAC é uma entidade de Serviço Social autônoma (e não uma entidade educacional, conforme estabelecido na IN SRF 113), criada por meio do DecretoLei 8.621/1946, e regulamentada pelo Decreto 64.843/1967; ii) o art. 195, §7º, da CF, estabelece que a imunidade seja aplicada também às instituições de assistência social; ii) os requisitos estabelecidos em lei para usufruir do benefício constam do art. 14 do CTN; iii) oferece alguns cursos gratuitos, mas, para que lhe seja conferida a imunidade, basta que não apresente finalidade lucrativa e que cumpra os requisitos estabelecidos no CTN. A matéria em discussão, em sede especial, diz respeito ao enquadramento do Recorrente como entidade de assistência e beneficência social, para fins do gozo da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, e a necessidade, para tanto, de oferecimento gratuito de seus cursos a hipossuficientes e observância dos requisitos previstos no art. 14 do CTN e no art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Deveras, consiste o art. 195, § 7º, da Constituição Federal, em verdadeira norma imunizante, concedendo “isenção” da contribuição para seguridade social às entidades beneficentes que atendam as exigências especificadas em lei. Conforme demonstrado pela Recorrente, as normas instituidoras do SENAC (DecretosLeis 8.621/1946 e 8.622/1946, bem como Decreto 61.843/1967) preveem que essa instituição parafiscal tem por finalidade a organização e administração de escolas de aprendizagem comercial, promover a melhoria do aparelhamento escolar e determinado número de matrículas gratuitas, aplicar o quanto arrecadado de contribuições no desenvolvimento de suas atividades, não ter finalidade lucrativa, dentre outros. Constituise, portanto, numa entidade de assistência social e formação profissional. Dos acórdãos paradigmas é possível se inferir o entendimento de que a própria legislação que previu a instituição do SESI (entidade análoga ao SENAC) a caracterizou como instituição de educação e assistência social, de acordo com o preceituado na Constituição. Assim, o serviço social autônomo prestado por essa instituição, de acordo com a lei específica que o regulamente, caracterizariam, de per si, essa entidade como de assistência social para fins de gozo da imunidade fiscal. Assim, não obstante tenham sido reconhecidos como constitucionais os requisitos elencados no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 para as entidades em geral, devese compulsar a legislação específica atinentes às Instituição do Sistema S, para que se possa ou não aferir pela possibilidade dessas entidades usufruírem a imunidade constitucional. Segundo o art. 13 da Lei n. 2.613/55, as instituições do Sistema S terão ampla isenção fiscal, tal como se equiparadas à União: Art 11. O S. S. R. é obrigado a elaborar anualmente um orçamento geral, cuja aprovação cabe ao Presidente da República, que englobe as previsões de receitas e as aplicações dos seus recursos e de remeter ao Tribunal de Contas no máximo até 31 de março do ano seguinte, as contas da gestão anual, Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.415 5 acompanhadas de sucinto relatório do presidente, indicando os benefícios realizados. Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). (Vide Lei nº 8.706, de 1993) Desta forma, referida lei – tal como o disposto no art. 5º do DecretoLei nº 9.403/46 – concedeu “isenção” plena ao SENAC, a qual abrange tanto impostos como contribuições sociais. Referida norma, então em vigor e específica para entidades como SENAC, não estabelece quaisquer requisitos além daqueles materiais estabelecidos pelo CTN para o gozo da imunidade/“isenção”. Neste sentido, é o entendimento recente do E. Superior Tribunal de Justiça, conforme decisão a seguir ementada: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. COFINS. ISENÇÃO APLICADA AO SESI. VIGÊNCIA DOS ARTS. 12 E 13 DA LEI N. 2.613/55. 1. O SESI goza da isenção prevista nos arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/55 sendo esta aplicável à COFINS. 2. Irrelevante a classificação do SESI como entidade beneficente de assistência social ou não, pois sua isenção decorre diretamente da lei (arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/55) e não daquela condição que se refere à imunidade constitucional (art. 195, §7º, da CF/88). O raciocínio também exclui a relevância de se verificar o cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/91 (agora dos arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009), notadamente, a existência de remuneração ou não de seus dirigentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ. REsp 1.425.931/RS. 2013/04107620. Segunda Turma. Relator: Min. Mauro Campbell Marques. 18/02/2014. Dje: 25/02/2014). Ainda sobre a imunidade das entidades do “Sistema S”, o CARF já se posicionou favoravelmente ao seu reconhecimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. COFINS. SENAC. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. LEI 2.613/46. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.416 6 A norma constitucional do art. 195, §7º, CF determina a isenção na verdade, imunidade de contribuição para a seguridade social às entidades beneficentes que atendam às exigências legais. As normas instituidoras do SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Decretosleis 8.621/46 e 8.622/46) dispuseram que ele tem como finalidade a organização e administração de escolas de aprendizagem comercial (art. 1º, Decretolei 8.621/46), determinando, inclusive, a oferta de matrículas gratuitas (art. 3º, Decretolei 8.621/46), bem como prevendo que o produto da arrecadação da contribuição para esta instituição seja aplicado em suas unidades (art. 4º, §2º, Decretolei 8.621/46), características que demonstram sua natureza jurídica de entidade beneficente. A Lei 2.613/55 dispõe que o SENAC gozará de ampla isenção fiscal como se fosse a própria União (art. 13). As entidades pertencentes ao chamado sistema “S” (SESC, SENAI, SESI, SENAC, SEST, SENAT) gozam de imunidade tributária, sendolhes dispensada a apresentação de certificado emitido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. Dita imunidade compreende não apenas os impostos, mas também as contribuições sociais, a exemplo da COFINS. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado (CARF. 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. Proc. 10680.013441/200889. Acórdão 3401002.417. Relator: Fernando Marques Cleto Duarte. Sessão de 22/10/2013, publicado em 17/07/2014). Mister se faz, portanto, o reconhecimento da imunidade tributária, conforme DecretosLeis 8.621/1946 e 8.622/1946, Decreto 61.843/1967, c/c o artigo 195, § 7º, da Constituição e artigos 12 e 13 da Lei nº 9.403/46. Com base nesses fundamentos, o relator original votou no sentido de dar provimento ao recurso especial da contribuinte, para reconhecer como indevidos os lançamentos relativos à COFINS, no período de abril/1992 a janeiro/1999, tendo em vista que a instituição goza da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, sendo vencido pelo voto de qualidade. Henrique Pinheiro Torres Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.417 7 Fui designado para redigir o acórdão por meio do qual o colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitou o recurso do sujeito passivo, entendendo não se lhe aplicar a imunidade de que cuida o art. 195, § 7º da Constituição Federal. Ao fazêlo, ratificou o colegiado a premissa por mim adotada por ocasião do julgamento do recurso voluntário do sujeito passivo e que não foi rebatida no especial: a de que a instituição não presta gratuitamente nenhum de seus cursos regulares. Com efeito, pretendeu o longo recurso demonstrar a desnecessidade que isso ocorra, valendose, para tanto, de reiterada jurisprudência. Não tendo ela, porém, sensibilizado a maioria (qualificada) do colegiado superior, ao contrário, tendo sido mantida a base do voto por mim proferido há oito anos, peço vênia para, aqui, meramente transcrevêlo: Como apontado no relatório, pretende a fiscalização exigir a contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC sobre as receitas obtidas pela entidade a titulo de prestação de serviços educacionais Em específico, tributou os valores recebidos como contraprestações pelos cursos prestados. O deslinde da questão passa primeiro pelo apropriado enquadramento da tributação aqui discutida. É que no confuso Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento, de fls. 26/27, a fiscalização menciona uma série de atos legais e normativos que justificariam, em seu entender, a tributação perpetrada. O enquadramento legal do lançamento, de f1.10, porém, restringe se aos arts 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91. Fundamentalmente, no termo se afirma que a Instrução Normativa n° 113/98 assegura que as entidades educacionais imunes/isentas que cumpram os requisitos dos arts. 12 a 15 da Lei n° 9.532/97 não estão dispensadas do recolhimento da Cofins. Mencionase ainda no mesmo termo o Parecer Normativo CST n° 05/92 Apenas de passagem levantase, no auto, a questão de se enquadrar o SENAC na condição de entidade beneficente de assistência social. Repelese essa possibilidade sob simplório argumento (fl. 27) de que a instituição não possui o Registro de "entidade beneficente de assistência social" concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Ao assim fazer, embora não explicitamente, está a fiscalização condicionando o gozo da imunidade ao preenchimento dos requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, entre os quais, como se sabe, figura a obtenção do certificado de "Entidade de Fins Filantrópicos" (inciso II do art. 55 da Lei n° 8.212/91). Quanto ao Parecer Normativo n° 05/92, entendo que não se aplica à situação aqui tratada, pois ele apenas disciplina as incidências relativas às associações, sindicatos, federações e Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.418 8 confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. O SENAC não é entidade de nenhum desses tipos. Ele apenas é administrado pela Confederação Nacional do Comércio e recebe contribuições das empresas a ela filiadas, por meio das federações e dos sindicatos que a integram. Prosseguindo na pesquisa do correto enquadramento da tributação, devese separar nitidamente as normas dos arts. 150, inciso VI, e 195, § 7° da CF. O primeiro, como se sabe, estabelece imunidade a impostos e tem suas disposições "reguladas" pela Lei n° 9.532/97, arts. 12 a 14, e pela IN SRF n° 113/98. Não é necessário aqui discutir a constitucionalidade dessa "regulação"; ela não se aplica ao caso concreto em análise, já que aqui se discute a outra imunidade, a do art. 195, § 7° da CF. Assim, devemse afastar do caso, também, as disposições dos arts. 12 a 15 da Lei n° 9.532/97, mencionados pela própria recorrente. Isto porque, estão eles direcionados à imunidade a impostos instituída pelo art. 150 da Constituição Federal. A imunidade que aqui pode ser alegada é a do art. 195, § 7° da CF, cuja disciplina não está na Lei n° 9.532/97. Por esse mesmo motivo é de se repelir também a menção à IN SRF n° 113/98, que disciplinando aqueles artigos, igualmente trata apenas da imunidade do art. 150. Rejeitados, assim, os enquadramentos "legais" expressamente mencionados no Termo, resta averiguar aquele que apenas implicitamente é argüido, qual seja, o art. 55 da Lei n° 8.212/91. Como se sabe, tratase de lei ordinária intitulada de lei orgânica da Seguridade Social e em seu art. 55 estabelece condições para fruição pelas entidades beneficentes de assistência social do beneficio fiscal de "isenção". Estaria, desse modo, aparentemente, "regulando a isenção" criada pela CF em seu art. 195 § 7°. A análise da situação, portanto, há de prosseguir pela definição de que tipo de desoneração estabelece o art. 195 da CF: isenção ou imunidade. Sobre a matéria, peço vênia para transcrever parte de brilhante voto do culto conselheiro Jorge Freire cujas lições são oportunas. Descreve o ilustre conselheiro: Assim, dúvida não há que a lide gira em torno da aplicação de imunidade e, de forma alguma, como incorretamente inserto no texto constitucional, de isenção. E a marcação de tal distinção é fulcral para o deslinde do litígio. A principal nota distintiva é que a imunidade encontra seu fundamento na própria Constituição, delimitando o campo de atuação legiferante das pessoas políticas para a produção de normas jurídicas tributárias impositivas. Consiste a imunidade, então, na exclusão da competência dos entes políticos de veicularem leis tributárias impositivas em relação a certos bens, pessoas e fatos. Ou, no Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.419 9 dizer do mestre Pontes de Miranda1, 'a imunidade é limitação constitucional à competência para editar regras jurídicas de imposição'. E a imunidade, em remate, limitação constitucional ao poder de tributar. A isenção, por sua vez, como ensina Luciano Amaro2, "se coloca no plano da definição da incidência do tributo, a ser implementada pela lei (geralmente ordinária) através da qual se exercite a competência tributária. E a distinção de tais institutos tributários quanto aos seus regimes legais conduz a relevantes conseqüências jurídicas. 'Em se tratando de imunidade, afastase do plano da iniciativa política o tratamento da matéria (raciocínio inverso se aplica aos casos de isenção, determináveis por conveniência política ou econômica), restringese, na disciplinada imunidade, a esfera legislativa ordinária, que passa a depender da disciplina geral ou especial constante de lei complementar (diferentemente do regime isencional, que independe de lei complementar disciplinadora)' 3 Na seqüência de tal argumento temse que a doutrina e mesmo a Corte Maior já têm eliminado questionamentos quanto à natureza da imunidade. Querse dizer que tanto para uma como para outra, tratase de limitação constitucional ao poder de tributar. E como se sabe a regulação dessas limitações há de se dar por meio de lei complementar por expressa disposição constitucional (art. 146, inciso II). Nesse ponto, deparamonos com grave implicação: a se reconhecer que o instituto ventilado na norma constitucional é a imunidade, temse que sua regulação por meio da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, dado que se trata de lei ordinária. Sendo vedado aos julgadores administrativos a negativa de aplicação de norma em vigor por alegação de inconstitucionalidade, afigurase um impasse. Para sua solução, recorro uma vez mais à erudição do preclaro conselheiro Jorge Freire: Talvez pudéssemos discutir acerca da competência dos órgãos administrativos para fazer este juízo de inconstitucionalidade, mas a questão passa a ser inócua quando o próprio STF, ao julgar a ADIN 20285, já deu a posição do Excelso Pretório sobre o alcance e limitações do § 7º do artigo 195 da Constituição Federal. Bem, mas poderão os incautos aduzirem que não compete a este Colegiado declararem inconstitucionalidades formais ou mesmo materiais. E estarão com a razão, em que pese, a meu sentir, no caso focado, a flagrante inconstitucionalidade. E sobre tal 1 MIRANDA, Pontes. "Questões Forenses", 2' ed., Tomo III, Borsoi, RI, 1961, p. 364. 2 AMARO, Luciano. "Direito Tributário Brasileiro", 2' ed., Saraiva, São Paulo, 1998, p. 265. 3 MARINS, Jaime. "Imunidade Tributária das Instituições de Educação e Assistência Social", in "Grandes Questões Atuais do Direita Tributário", vol. Hl, Dialética, São Paulo, 1999, p. 149. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.420 10 questão longamente discorri em vários julgados, mas cito como paradigma o Acórdão 20170.501, de 19/11/1996. Decisão plenária do STF, em 11/11/1999, confirmando a liminar deferida pelo Ministro Moreira Alves em 14/07/1999 (DJ 02/08/1999), na AD1N 20285, para suspender, até a decisão final daquela, a eficácia do artigo 1° da Lei 9.732, de 11/12/1998, que deu nova redação ao artigo 55, da Lei 8.212/91, onde é restringido o alcance da imunidade da norma constitucional reiteradamente citada. E na fundamentação da liminar, no que se refere a questão da inconstitucionalidade formal, assim afirmou, a certa altura, o ilustre Ministro Relator: 'A toda evidência, adentrouse o campo da limitação ao poder de tributar e procedeuse — ao menos é a conclusão neste primeiro exame — sem observância da norma cogente do inciso lido artigo 146 da Constituição FederaL Cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. Ainda que se diga da aplicabilidade do Código Tributário Nacional apenas aos impostos, temse que veio à baliza, mediante veículo impróprio, a regência das condições suficientes a terse o beneficio, considerado o instituto da imunidade e não o da isenção, tal como previsto no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal'. Com efeito, é de aplicarse ao caso o Decreto 2.346/97. Portanto, não pode a Lei ordinária 8.212/91, matriz legal do lançamento, tratar de limitações ao poder de tributar, matéria, como exposto, restrita ao âmbito da lei complementar. Dada sua gravidade, esse ponto merece um maior aprofundamento. É que a decisão do Excelso Pretório espancou do mundo jurídico o art. 1° da Lei n° 9.732/98. Este dispositivo expressamente criava restrições ainda maiores ao usufruto da imunidade disciplinada no art. 195, § 7°, pois exigia que as entidades de educação e saúde só poderiam pleiteála se prestassem gratuitamente os seus serviços. Não é demais lembrar que o at. 55 da Lei n° 8.212/91 remetia a exigência à obtenção do certificado já referido antes. Este, por sua vez, segundo a regulação do Decreto n° 2.536/98 exigia que tais entidades aplicassem uma parte das receitas obtidas com a cobrança dos seus serviços no fornecimento gratuito dos mesmos a quem por eles não pudesse pagar. Ainda se pode argüir que a declaração de inconstitucionalidade pelo STF não atingiu a própria Lei n° 8.212/91. Tal interpretação, porém, afiguraseme sofismática: a decisão só poderia atingir aquele dispositivo posto a exame pelo Supremo, mas a fundamentação empregada para a declaração obviamente impõe sua extensão ao próprio texto original. Não obstante, e para que nada se possa argüir, examinemos mais detidamente o art. 55 da Lei n°8.212/91, a seguir transcrito: Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.421 11 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: 1 seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou beneficias a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. A leitura do dispositivo deixa claro que entidades educacionais podem se enquadrar na condição de entidades beneficentes de assistência social. Para tanto, são acrescentadas duas exigências àquelas disciplinadas no art. 14 do CTN, quais sejam: 1.ser reconhecida como de utilidade pública federal, estadual ou municipal; 2.ser portadora do certificado ou do registro de entidade filantrópica no CNAS. Nos autos consta a informação de que o SENAC encontrase registrado no CNAS, mas que não dispõe do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Não há nos autos informação de que a fiscalização tenha questionado a entidade quanto à condição de entidade de utilidade pública. Por outro lado, a concessão do certificado de entidade de fins filantrópicos é definida pela Lei n° 8.742/98, regulamentada pelo Decreto n° 2.536/98. Este, ao explicitar as condições para que uma entidade educacional, como se define o próprio autuado, obtenha aquele certificado preceitua: Art . 2 0 Considerase entidade beneficente de assistência social, para os fins deste Decreto, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de: 1 proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice; II amparar crianças e adolescentes carentes; Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.422 12 III promover ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiências; IV promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde; V promover a integração ao mercado de trabalho. O SENAC enquadrase, em meu entender, nos dois incisos negritados. Ainda o mesmo decreto estabelece: Art. 32 Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:(Redacão dada pelo Decreto n"4.499, de 4.12.2002) VI aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeira, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída; Vêse que, dando aplicação à norma reconhecida como inconstitucional, e entendendo o SENAC como uma instituição educacional, ainda poderia a autuada comprovar o preenchimento das condições para o seu enquadramento nas condições de entidade beneficente de assistência social no entender do Poder Executivo. Não o fez e aqui reside, em meu entender, o nó da questão. É que a exigência de que pelo menos uma parte dos serviços seja fornecida gratuitamente, determinada na legislação infraconstitucional que se quer inquinar de inconstitucional, encontra amparo na própria decisão da Corte maior que assim a considerou. Recorrendo mais uma vez ao Dr. Jorge Freire, vemos: Como afirma o Ministro Moreira Alves ao adentrar na questão de fundo veiculada na ADIN 20285, no preceito do parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição Federal "cuidase de entidades beneficentes de assistência social não estando restrito, portanto, às instituições .filantrópicas. Indispensável, é certo, que se tenha o desenvolvimento da atividade voltada aos hipossuficientes, àqueles que, sem prejuízo do próprio sustento e o da família, não possam dirigirse aos particulares que atuam no ramo buscando lucro, dificultada que está, pela insuficiência de estrutura, a prestação do serviço pelo Estado". E concluiu que na norma constitucional imunizatória "Não se contém a impossibilidade de reconhecimento do beneficio quando a prestadora de serviço atua de forma gratuita em relação aos necessitados, procedendo à cobrança junto àqueles que possuam recursos suficientes". (grt) Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.423 13 Por tudo que até aqui se disse, uma conclusão se impõe: aceita ou não a tese de que a regulamentação do art. 195 é inconstitucional, é imprescindível para o gozo da imunidade ali estabelecida que a entidade preste serviços enquadráveis no conceito de assistência social e possa ser definida como uma entidade beneficente. Embora assente no âmbito de Poder Judiciário que a educação, sob certas condições, se enquadre no conceito de assistência social, tenho a esse respeito, bem mais restrições. Entretanto, elas não se aplicam ao caso do SENAC que não promove simplesmente a educação, mas uma especifica e direcionada educação que, sem sombra de dúvida, se amolda à definição de assistência social preconizada no art. 203 da CF, mais especificamente em seu inciso III. É que se trata aqui de uma aprendizagem comercial, que tem o efeito de abrir ao trabalhador oportunidade efetiva de ingresso no mercado de trabalho. Por isso mesmo, como aprendizagem específica que é, se insere nas atividades de promoção da integraeão ao mercado de trabalho. Vêse, com isso, que divirjo daqueles que englobam no conjunto indicado naquele inciso apenas as atividades de intermediação endereçadas à colocação ou recolocação do trabalhador. Mais que isso, e antes disso, promover a sua integração ao mercado de trabalho pressupõe treinálo naquilo que o mercado está disposto a absorver. Assim sendo, dúvida não me cabe de que o SENAC se enquadra perfeitamente na condição de entidade de assistência social.. Mas isto não basta. É preciso, mais, ser entidade beneficente. E é aqui que a coisa se complica, pois o SENAC não conseguiu fazer pr,ova sequer daquele mínimo de gratuidade a que se refere o ilustre ministro Moreira Alves em seu voto. Poderseá alegar que o ônus da prova caberia ao fisco. Havendo, porém, a informação de que a entidade não possui o certificado que, por si só, atenderia a exigência, entendo que o ônus da prova fica invertido, cabendo ao SENAC demonstrar que cumpre a condição necessária. Ainda assim, por amor ao princípio da verdade material e porque recusavame, a princípio, a crer, perquiri, eu mesmo, no sitio da instituição na internei (www.senac.com.br) tal possibilidade. Não sem surpresa constatei que, hoje, todos os cursos, sem exceção, são cobrados. Mais: não há qualquer programa regular de concessão de bolsas ou outra forma de gratuidade. Nem mesmo os já empregados no comércio, e ainda que em empresas que contribuam para o SENAC, têmnos fornecidos gratuitamente; o máximo que se confere é um desconto. É certo que alguns valores cobrados não podem ser considerados exorbitantes, longe disso. Contudo, igualmente certo é que para quem não pode pagas, mesmo R$ 50,00 (preço do curso de garçom, o mais baixo constatado) já é muito. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.007077/0016 Acórdão n.º 9303003.285 CSRFT3 Fl. 1.424 14 Por essas considerações, não tendo ficado comprovado que o SENAC se enquadra nas condições mínimas para que possa ser definido como uma entidade beneficente, mesmo se rejeitando, por inconstitucional, o art. 55 da Lei n° 8.212/91, voto por negar provimento ao recurso para manter, em sua integralidade, a exação combalida. É como voto. Ao longo desses mais de oito anos tenho refletido sobre diversos desses argumentos, modificando, inclusive, meu entendimento em relação a alguns deles. Não, entretanto, no que concerne ao mais relevante aqui: para ser entidade beneficente, seja de assistência ou não, a entidade tem de prestar os serviços a qualquer um que dele demande, sem que haja, pois, obrigatoriedade de pagamento por todo e qualquer pretendente. E, como já disse, nada no recurso prova que tal ocorra. Votei, assim, pelo não provimento do recurso no que tive a satisfação de ser acompanhado pelos meus pares formandose a maioria qualificada que rejeitou o recurso. E esse é o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000449/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato ao IBAMA, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000.
VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA). REQUISITOS.
Para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como Área de Proteção Ambiental aquelas assim declaradas, em caráter especifico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso.
Numero da decisão: 2201-002.829
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em Exercício.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato ao IBAMA, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA). REQUISITOS. Para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como Área de Proteção Ambiental aquelas assim declaradas, em caráter especifico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 04 49 /2 01 1- 04 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em Exercício. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado no Auto de Infração e respectivos anexo (fls. 15/26), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 812.020,28, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Massarapoan”, com área de 4.966,3 ha, NIRF 7.253.3080, localizado no município de Guaraqueçaba/PR. A fiscalização glosou toda a área declarada de preservação permanente (4.966,3 ha), além de alterar o VTN de R$ 400.000,00 (R$ 80,54/ha) para R$ 4.767.648,00 (R$ 960,00/ha), com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras por aptidão agrícola "mista não mecanizável", conforme demonstrativo de fl. 13. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ∙ Ficou demonstrado na descrição dos fatos e enquadramento lega constante do auto de infração que as áreas de preservação permanente foram glosadas, por falta de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental do Ibama, certidão do órgão público competente, culminando com a majoração do valor da terra nua, totalmente fora da realidade; ∙ As áreas do imóvel estão localizadas dentro da APA de Guaraqueçaba dentro do Bioma Mata Atlântica, amparadas pela Lei Federal n° 11.428 de 22 de dezembro de 2006, a qual estabelece, através do artigo 1°, a conservação proteção e regeneração, do Bioma da Mata Atlântica, bem como a legislação ambiental vigente em especial a Lei n° 4.771 de 15 de setembro de 1.965; ∙ O imóvel que é constituído por matas nativas, secundárias e terciárias em estado avançado de regeneração, é totalmente de preservação permanente, porque nele não pode ser desenvolvido, qualquer tipo de atividade agropastoril ou qualquer tipo de exploração florestal, por isso o valor Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10980.000449/201104 Acórdão n.º 2201002.829 S2C2T1 Fl. 3 3 considerado no lançamento é absolutamente absurdo e fora da realidade; ∙ O Imposto Territorial Rural ITR, é tributo sujeito a lançamento por homologação que nos termos da Lei nº 9.393/96, permite a exclusão da sua base de cálculo da área de preservação permanente, sem necessidade da apresentação de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes; ∙ Por último, requer insubsistência e improcedência do lançamento ora impugnado. Instruiu a impugnação com os documentos de fls. 42 a 91, representados pela Procuração, documentos pessoais do representante legal do contribuinte, cópias de julgados do Superior Tribunal de Justiça, Laudo de Avaliação do imóvel e mapas da propriedade e Ato Declaratório Ambiental ADA. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: Área de Preservação Permanente/Área Coberta por Florestas Nativas. Prova. Laudo Técnico. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e cobertas por florestas nativas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas mediante apresentação de Laudo Técnico emitido por profissional competente, com a correta localização e dimensão dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado no prazo previsto em Ato Normativo do Ibama. As áreas de interesse ecológico para serem excluídas da incidência do ITR é necessário, além de ADA, que essas áreas sejam assim declaradas mediante Ato do órgão público competente, federal ou estadual, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. Valor da Terra Nua VTN. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Multa de Ofício. Juros Taxa Selic. A obrigatoriedade da aplicação da multa de ofício, nos casos de informação inexata na declaração, e os acréscimos do imposto com juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC decorrem de lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Intimado da decisão de primeira instância em 30/08/2012 (fl. 38), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 26/09/2012 (fls. 41 e seguintes), reiterando os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos, a autoridade glosou toda a área declarada de preservação permanente (4.966,3 ha), além de alterar o VTN de R$ 400.000,00 (R$ 80,54/ha) para R$ 4.767.648,00 (R$ 960,00/ha), com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras, conforme demonstrativo de fl. 13. Em seu apelo reitera o contribuinte as razões postas em sua Impugnação, solicitando, em apertada síntese “... anexo a presente cópia da impugnação e do Auto de infração, como também todas as peças que fazem parte da mesma para que Vv.Sss. possam analisálas....". No que tange à área de preservação permanente alega o suplicante que o imóvel está localizado dentro da Área de Preservação Ambiental (APA) de Guaraqueçaba e dentro do bioma Mata Atlântica, amparadas pela Lei n° 4.771/1965 e Lei n° 11.428/2006, a qual estabelece a conservação proteção e regeneração do bioma, já que a propriedade é constituída por matas nativas, secundárias e terciárias em estado avançado de regeneração e de total preservação, sem que seja permitido qualquer tipo de atividade agropastoril ou de exploração florestal e, por isso, seria permitida a exclusão da sua base de cálculo da área sem a necessidade da apresentação de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA. Pois bem, a Lei n° 9.985/2000, instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC cujo objetivo é a utilização racional dos recursos naturais, sendo admitida a coleta e uso, comercial ou não, dos recursos naturais, mas de forma planejada e regulamentada. Nesse grupo está inserido a APA Área de Proteção Ambiental. As propriedades privadas inseridas dentro dos limites de uma APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições impostas pelo órgão ambiental gestor. As restrições variam dentro de uma APA de forma que o zoneamento ecológico econômico indicará as atividades a serem encorajadas em cada zona e as que deverão ser limitadas, restringidas ou proibidas. Daí decorre a necessidade do reconhecimento específico do poder público, ou seja, em que zona ecológica e econômica se insere a propriedade (ou frações desta). Portanto, diferentemente do que defende o recorrente, para se obter a isenção tributária, não basta, simplesmente, reservar, preservar e declarar, já que essas áreas, além de existirem, atendendo à legislação ambiental, têm que estar documentadas, regularizadas e atualizadas, toda vez que assim a lei tributária exigir para serem contempladas com a isenção. Ademais, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA é essencial para exclusão da área de preservação da tributação do imposto, para os contribuintes que Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10980.000449/201104 Acórdão n.º 2201002.829 S2C2T1 Fl. 4 5 desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, conforme determina o art. 17O da Lei n° 10.165/2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) A entrega do ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR, não importando se são as áreas de utilização limitada ou de preservação permanente. Dito isso, compulsandose os autos, verificase que o contribuinte juntou ao recurso ADA relativo ao exercício de 2007; entretanto, para o exercício objeto da exação, qual seja, 2008, a apresentação do ADA se tornou anual, consoante se extrai das "Orientações e Informações ao Proprietário Rural", disponível no site "http://www.ibama.gov.br/servicos/ato declaratorioambientalada": O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O cadastramento das áreas de interesse ambiental declaradas permite a redução do Imposto Territorial Rural do imóvel rural. (...) A partir do Exercício de 2007 o ADA passou a ser apresentado anualmente, de 1º/01 a 30/09 (extensivo até 31/12 apenas para declarações retificadoras). O servidor responsável lançará os dados no sistema ADAWeb e fornecerá ao interessado uma via do Recibo do ADA, no qual consta o Número a ser informado em campo específico do DIAT/ITR. É importante lembrar que o preenchimento do ADAWeb, em Unidade do IBAMA, somente é aplicável para aqueles que se inserem no perfil do declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar. O proprietário rural deverá guardar o seu comprovante (Recibo do ADA) pelo período mínimo de 05 (cinco) anos. (grifei) Citase, outrossim, a IN Ibama nº 05/2009: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 § 3º O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. De qualquer forma, a autoridade fiscal solicitou a comprovação da existência efetiva da área de preservação, conforme Termo de Intimação à fl. 05; contudo o suplicante não logrou comprovar. Ante a esses argumentos, correta a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. No que tange ao arbitramento do Valor da Terra Nua, reproduzo, de antemão, o art. 14, caput, e §1o da Lei no 9.393/1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/1996 dispunha: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Pelo que se vê, o arbitramento do valor da terra nua é um expediente legítimo previsto no art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10980.000449/201104 Acórdão n.º 2201002.829 S2C2T1 Fl. 5 7 prestadas pelo sujeito passivo. Nesse passo, compulsandose o Laudo de Avaliação de fls. 70/72, apresentado pelo recorrente para comprovar o efetivo valor da terra nua, verificase que o documento apresentado, apesar de elaborado por engenheiro agrônomo, não atende aos requisitos das Normas da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. O laudo técnico apresentado simplesmente limitou a indicar que os valores estariam atualizados por meio dos “índices fornecidos pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP”, com uma “redução de 10% para compensar a eventual superestimativa dos ofertantes”, os quais não foram informados. Portanto, o laudo técnico apresentado não demonstrou, efetivamente, que o Valor da Terra Nua à época era inferior ao valor utilizado como base de cálculo para apuração do ITR pela fiscalização. E, por último, cumpre destacar que é improfícua a jurisprudência judicial trazida pelo recorrente, porque essas decisões, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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