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Numero do processo: 10580.723447/2009-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 47 /2 00 9- 77 Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI, às efls. 02 a 28, cientificados ao contribuinte em 14/07/2009, com relatório fiscal às efls. 49 a 56. Os créditos do AI decorrem das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remuneração de segurados e contribuintes individuais, bem como de contribuições para o financiamento de benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre remunerações de segurados empregados, caracterizados pela fiscalização. Os referidos créditos não foram declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Os créditos lançados tem com referência o DEBCAD nº 37.220.2160, com crédito de tributo no valor de R$ 117.872,64, juros moratórios de R$ 60.899,71, multa de mora de R$ 23.113,56 e multa de ofício de R$ 16.174,69, consolidados em 13/07/2009, num montante de R$ 218.060,60. Em sua impugnação, às efls. 570 a 603, a instituição, que é uma fundação, mantida com recursos privados, tendo por fim social o apoio a atividades e projetos de pesquisa, ensino, extensão desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da Universidade Federal da Bahia e de outras instituições de ensino superior, contestou o auto de infração. A 7ª Turma da DRJ/SDR considerou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 1528.728 de 25/10/2011, às efls. 1915 a 1936. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 1942 a 1948, no qual argumenta, em síntese: · inexiste grau de risco no desenvolvimento das atividades de seus empregados; · necessária a realização de perícia que comprovaria ter ocorrido o recolhimento das contribuições relativas aos prestadores de serviço, apesar de não declarados em GFIP; · não cabe a descaracterização de do contrato de prestação de serviços para caracterizálo como vínculo empregatício, por isso descabe recolhimento Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 4 3 de valores a título de GILRAT para serviços prestados por profissionais autônomos; · não foi respeitado o limite máximo de contribuição; · valores pagos a título de bolsas de estudos não integram salário de contribuição e isso não foi acatado pela decisão recorrida; · diferenças positivas entre valores contabilizados em folha de pagamento e declarados em GFIP foram tributados podendo se tratar de equívocos contábeis e gerando a contribuinte possibilidade de múltiplas cobranças por isso necessária a realização de diligência e perícia sob pena de nulidade. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da da Segunda Seção de Julgamento em 19/06/2013, resultando no acórdão 2402003.647, às e fls. 1957 a 1976, que tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PATRONAL EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. São devidas as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 5 4 MULTA DE MORA Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa de obrigação principal nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. RE da Fazenda Irresignada, em 31/08/2013, a Procuradoria da Fazenda interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 1978 a 1989. Indica como paradigmas para divergência os acórdãos: nº 2401002.453 da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, e nº 9202 02.086 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A divergência foi assim exposta (efl. 1985): “De fato, para a Turma recorrida, a comparação deve ser feita separadamente. Primeiro, entre a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da norma revogada, com o novo art. 32A da Lei n. 8.212/91. Depois, no que toca à multa por descumprimento de obrigação principal, aplicarse o disposto no art. 35, revogado, por ser essa a regra vigente na data da ocorrência do fato gerador, limitada ao percentual de 75%. Portanto, para v. acórdão recorrido o art. 35A deve ser sempre ignorado na comparação entre as multas. Diversamente, os paradigmas defendem que, para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte, o procedimento correto consiste em somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 6 5 O então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento proferiu o despacho nº 24001056/2013, às efls. 2140 a 2143, em 01/10/2013, pelo qual deu seguimento ao RE. A contribuinte foi recebeu intimação (efl. 2030) para ciência do acórdão do recurso voluntário e do RE da Fazenda em 05/08/2014 (efl. 2031), sem que se manifestasse sobre ambos nos prazos regimentais. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Julgo, inicialmente, não haver como se afastar a aplicabilidade, ao caso, da retroatividade benéfica prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Para tanto, trago à colação os dispositivos de interesse ao caso sob análise, bem como excertos do brilhante voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão no 9.202003.070, proferido por esta mesma 2a Turma, em 13 de fevereiro de 2014, por concordar integralmente com os seus fundamentos, na forma a seguir transcrita: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Lei 8.212/1991 (Redação anterior): Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 7 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (...) Lei 8.212/1991 (nova redação): Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora (g.n.), nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício (g.n.) relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 8 7 Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 9 8 fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora propriamente ditas e b) as multas lançadas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 10 9 Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada, uma vez caracterizada a ocorrência de lançamento de ofício da obrigação principal através de NFLD(s) ou AI(s) correspondente(s), não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da estabelecida pela anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o. ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991 (aplicável para os casos de descumprimento de obrigação acessória relativa a prestação de informações em GFIP mesmo nos casos como o sob análise em que havia concomitante constituição de ofício da obrigação principal através de NFLD ou AI) com a do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, uma vez que a aplicação desta última, em meu entendimento, deve se cingir a casos em que há o efetivo recolhimento da contribuição previdenciária lançada, com somente a obrigação acessória tendo sido descumprida, sem lançamento de ofício. Fundamental notar ter decorrido a constituição da multa, originada pelo descumprimento de obrigação acessória em questão nos presentes autos, de procedimento de ofício. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou §5o da Lei nº 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s) (regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Outrossim, analisandose o relatório fiscal nas efls. 50 e 53 a 55 e em planilha de cálculo à efl. 57 e 58, podese observar que, no tocante às contribuições previdenciárias, houve a aplicação da comparação acima descrita no período de 01/2005 a 12/2005. Conclusão Dessarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora da Fazenda Nacional para darlhe provimento e para que seja mantida a multa conforme calculada no lançamento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 9202003.992 CSRFT2 Fl. 11 10 Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.003524/2001-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2000
Ementa:
ERRO MATERIAL.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e dar provimento para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
EDITADO EM: 27/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e dar provimento para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. EDITADO EM: 27/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 35 24 /2 00 1- 71 Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Cuidam os presentes autos de embargos de declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I RJ, em face do Acórdão nº 930301.499, de 31 de maio de 2011, sob o fundamento de omissão acerca do julgamento relativamente ao PIS, só mencionando expressamente a Cofins. O Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração (fls 1025/1026), concluiu em acolher os aclaratórios propostos pela Autoridade Administrativa incumbida da execução do Acórdão, para que a 3ª Turma da CSRF se pronuncie a respeito da matéria faltante. É o brevíssimo relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Esse é um caso típico de erro na confecção do acórdão, que, antes da edição do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, poderia ser sanado por um simples despacho do Presidente da Turma. Acontece que com o advento do art. 67 do citado decreto, os erros de escrita existentes na decisão só poderão ser sanados mediante prolação de um novo acórdão. Em respeito ao Decreto, acolho os embargos e voto no sentido de retificar a ementa e o voto condutor do Acórdão nº 930301.499, de 31 de maio de 2011, para fazer constar expressa menção quanto à base de cálculo da COFINS e do PIS, ambas com tratamento equivalente no que diz respeito à inconstitucionalidade do §1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, passando a ementa retificada ao seguinte teor: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15374.003524/200171 Acórdão n.º 9303003.417 CSRFT3 Fl. 101 3 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Esse entendimento é corroborado pelo disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que permite aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação, sob fundamento de inconstitucionalidade, de dispositivo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Esse entendimento é corroborado pelo disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que permite aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação, sob fundamento de inconstitucionalidade, de dispositivo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Contribuinte Provido" É como voto. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Sala de sessões, 26/01/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16624.002397/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
INCENTIVOS FISCAIS - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - uma vez comprovada a regularidade fiscal relativamente aos débitos que ensejaram a denegação do pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, o pleito deve ser acolhido.
Numero da decisão: 1401-001.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS - PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - uma vez comprovada a regularidade fiscal relativamente aos débitos que ensejaram a denegação do pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, o pleito deve ser acolhido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 311 1 310 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16624.002397/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.608 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de maio de 2016 Matéria Pedido de Revisão de Ordem Bancária de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) Recorrente ITAU UNIBANCO VEICULOS ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS uma vez comprovada a regularidade fiscal relativamente aos débitos que ensejaram a denegação do pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, o pleito deve ser acolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 23 97 /2 00 9- 13 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Tratase de análise do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, referente ao IRPJ/2007 Ano Calendário 2006, do Contribuinte supramencionado Fiat Administradora de Consórcios LTDA que optou por aplicar no Finor (Fundo de Investimentos do Nordeste) como investimentos em Incentivos Fiscais. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em Guarulhos – SP ao analisar o PERC formulado pelo sujeito passivo indeferiuo por meio de Despacho Decisório nº 0162/2013 (fls. 210/212) emitido em 29 de março de 2013, por existência de débito em cobrança (SIEF) e Divida Ativa Ajuizada na PGFN, cujos débitos vencidos anteriormente à data da entrega da DIPJ do exercício a que se refere o PERC. Irresignado com a negativa ao seu pleito (cuja ciência se deu em 23/05/2013, conforme informação às fls. 215) apresentou, em 24/06/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 218 a 221 (e anexos), informando e alegando, em síntese, o seguinte: O art. 60, da Lei nº 9.069 de 1995, não traz nenhum indicativo do momento em que a prova da quitação deve ser comprovada, para efeitos da fruição do beneficio. Assim, o CARF sumulou entendimento e tem se manifestado no sentido de que o incentivo fiscal deve ser deferido quando apresentada a prova da regularidade em qualquer momento do processo. No caso em baila, a Certidão emitida demonstra que não há débitos que impeçam o exercício dos direitos e o uso dos benefícios concedidos, merecendo reforma a decisão que indeferiu o PERC. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 253 a 255) negou provimento à manifestação de inconformidade nos seguintes termos de sua ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. COMPROVAÇÃO Fl. 312DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16624.002397/200913 Acórdão n.º 1401001.608 S1C4T1 Fl. 312 3 A empresa deve comprovar que se encontra em situação fiscal regular, pois, a existência de débitos abertos para com a Fazenda Pública impedem a fruição ao benefício de redução fiscal. A exigência da quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal é condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 258 a 261, por meio do qual aduziu as seguintes razões: a) juntou certidão negativa com efeitos de positiva para o anocalendário de 2006, mesmo ano do incentivo pleiteado; b) desse modo, realizou o pedido em conformidade com o disposto no art. 60 da Lei nº9.069/95; c) a súmula 37 do CARF possibilita a comprovação da regularidade fiscal em qualquer fase processual; d) por fim, a pessoa jurídica que consta das certidões representa aquela que foi incorporada pela ora requerente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes O julgador de primeiro grau afirmou que a interessada comprovou apenas a regularidade fiscal no anocalendário de 2006 para as contribuições previdenciárias. Teria deixado, pois, de comprovar a regularidade junto à SRF e à PFN, bem como a regularidade perante o FGTS. De fato, apesar de a interessada ter dito, na sua manifestação de inconformidade que apresentou a certidão conjunta da SRF e da PFN, o que carreou foram certidões relativas exclusivamente a contribuições previdenciárias e ao FGTS (fls. 217249). No recurso voluntário, a interessada persiste na afirmação de ter apresentado, na impugnação, a certidão conjunta, num intitulado "Doc 3". Todavia, não há o referido documento e nem sequer o chamado "Doc 3". A numeração dos documentos feita pelo interessado pula do "Doc 2" para o "Doc 4". Fl. 313DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 Nada obstante, provavelmente, incorreu em erro ao juntar a documentação na fase impugnatória. Isso, porque, agora, por ocasião do recurso voluntário, apresentou a certidão conjunta às fls. 286 e com validade de 03/07/2006 a 30/12/2006. Vale ainda consignar a apresentação ainda das seguintes certidões: contribuições previdenciárias às fls. 245 (validade 01/04/2013 a 28/09/2013), às fls. 246 (21/06/2007 a 18/12/2007) e às fls. 247 (17/01/2007 a 16/07/2007), bem como a de FGTS às fls. 249 (13/05/2013 a 11/06/2013). A Súmula CARF nº 37, assim determina "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72". Pois bem, como o indeferimento do pedido foi calcado apenas na constatação, pela autoridade fiscal, da existência de débitos administrados pela Receita Federal, mas o recorrente carreia ao feito justamente a prova da sua regularidade no respectivo período e em face das mesmas obrigações tributárias, entendo que o interessado fez prova do direito ao incentivo. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário com o fim de reconhecer o direito ao incentivo pleiteado. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 314DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19394.720127/2013-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
Ementa:
SIMPLES NACIONAL. CONDIÇÃO LEGAL NÃO OBSERVADA. DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS PAGOS APÓS O PRAZO LEGAL
Para obter o deferimento o contribuinte deve regularizar pendências impeditivas ao ingresso no referido regime, até o último dia útil do mês de janeiro do ano da opção.
Numero da decisão: 1302-001.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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CONDIÇÃO LEGAL NÃO OBSERVADA. DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS PAGOS APÓS O PRAZO LEGAL Para obter o deferimento o contribuinte deve regularizar pendências impeditivas ao ingresso no referido regime, até o último dia útil do mês de janeiro do ano da opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 4. 72 01 27 /2 01 3- 13 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte, face ao Acórdão nº 1446.684 da 9ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO DAS PENDÊNCIAS. A opção pelo Simples Nacional deve ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, sendo este o prazo de que dispõe o contribuinte para regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no referido regime, sob pena de indeferimento da opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Nos termos do acórdão recorrido, o recorrente formalizou, tempestivamente, opção pelo Simples Nacional em relação ao ano calendário 2013. O pedido foi indeferido devido à existência de débitos de natureza previdenciária nas competências 01/2009, 07/2009, 08/2009 e 05/2010, além do débito identificado pelo Debcad nº 39.294.3697. A DRJ salientou que, apesar de o recorrente apresentar guias demonstrativas do recolhimento dos valores apontados no termo de indeferimento, os pagamentos teriam sido efetuados após o prazo legal previsto artigo 6º da Resolução CGSN nº 94/2011, in verbis: Art. 6° A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5°. § 2° Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; Considerou que, de acordo com o dispositivo supra, teria a empresa o último dia do mês de janeiro de 2013 como prazo para regularização das pendências existentes. Não obstante, os recolhimentos apresentados haviam sido realizados somente em 20/02/2013, portanto, fora do prazo previsto na legislação então vigente. Com base nessa análise e conclusão, a DRJ manteve a decisão da DRF quanto ao indeferimento do pedido de opção pelo Simples Nacional e julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 19394.720127/201313 Acórdão n.º 1302001.879 S1C3T2 Fl. 3 3 A recorrente foi notificada do acórdão da DRJ, em 03/12/2013 (fl. 39) e regularmente representada (fls. 49/55), interpôs recurso voluntário em 18/12/2013 (fls. 46/48), cujas razões transcrevese a seguir: Conforme narrado no Termo de Impugnação apresentado à Secretaria da Receita Federal, após informação extraída do documento fornecido pela própria Receita Federal, o Contribuinte tratou imediatamente de providenciar os pagamentos de todos os débitos ali constantes, atendendo desse forma, as exigências contidas na Lei Complementar n° 123/2006, art. 17, Inc. V do mesmo diploma legal, para que pudesse permanecer enquadrado no Simples Nacional. Ocorre, que em 14/02/2013, foi surpreendido com o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, em razão de débitos que só apareceram nos extratos da Receita Federal após a data de 31/01/2013, portanto, notese bem, que os débitos apresentados pela Receita Federal até a data de 31/01/2013 foram totalmente quitados, conforme se verifica dos DARFs acostados ao Termo de Impugnação apresentado. Assim, em 14/02/2013, ao verificar o andamento do pedido de Enquadramento à Opção pelo Simples Nacional, foi que surpreendentemente apareceram débitos relativos à Previdência Social, que não constavam da Relação expedida pela Receita Federal no momento do pedidoide enquadramento ao Simples Nacional. Pelos fatos acima narrados, totalmente fáceis de perceber a uma simples leitura do Termo de Impugnação apresentado pelo Contribuinte, verificase, que a despeito do grau de conhecimento dos doutos Auditores membros da 9ª Turma de Julgamento que julgou improcedente o Termo de Impugnação impetrado pelo Contribuinte, somente após o dia 14/02/2013 é que o Contribuinte tomou ciência dos débitos Previdenciários, portanto, insisto, até o dia 31/01/2013, o contribuinte atendia a todas as exigências legais para que seu pedido de enquadramento ao Simples Nacional fosse defendo. Não pode o Contribuinte ser penalizado, se por informação da Receita Federal de que no dia em que protocolizou o pedido de enquadramento, não havia débito previdenciário, uma vez que os débitos apresentados até aquela data, haviam sido pagos, conforme Darfs anexados ao Termo de Impugnação. (...) Note, Doutos Membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que até a data final do prazo transcrito no inc.l da Res. N°.094 , art. 6o e §§, qual seja, 31/01/2013, o Contribuinte não tinha a informação da existência de qualquer débito que pudesse impedir o seu enquadramento ao Simples Nacional, por tanto, atendia totalmente às exigências insculpidas nos dispositivos acima aventados Fl. 65DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 4 É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente e está regularmente representada. Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A recorrente sustenta que pagou seus débitos previdenciários, até a data limite para sua manutenção no Simples Nacional no ano calendário de 2013 (31/01/2013), nos seguintes termos registrados na impugnação e nas razões de recurso voluntário: Em data de 08/01/2013, no intuito de regularizar sua situação perante o fisco para que pudesse permanecer enquadrado no Regime do Simples Nacional, o Impugnante, através de consulta ao site da Receita Federal, documento em anexo, obteve a informação dos débitos administrados pela Receita Federal que o impediam de permanecer enquadrado no Simples Nacional, conforme relação em anexo. Diante dessa situação, e de posse da relação dos débitos constantes no documento fornecido pela própria Receita Federal, o Impugnante imediatamente, providenciou o pagamento de todos os débitos relacionados no referido documento, atendendo dessa forma, as exigências contidas na Lei Complementar n° 123/2006, art.17, Inc.V. Ocorre, entretanto, que ao verificar o andamento relativo ao pedido de permanência ao Enquadramento do Simples Nacional em data de 14/02/2013, foi surpreendido com a emissão do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, em razão de débitos, para com a Previdência Social, relacionados no referido Termo, e que foram quitados em 20/02/2013, assim, o Impugnante atendeu rigorosamente com as exigências previstas no disposto da Lei Complementar n° 123/2006, art. l7, Inc. V. A questão, portanto, reside em se verificar se realmente há nos autos comprovação de inexistência de débitos previdenciários da recorrente, em 31/01/2013. A Consulta de Regularidade das Contribuições Previdenciárias, expedida em 12/03/2013, juntada à fl. 27, indica a "FALTA DE GFIP: 06/2012 e 13/2011". Os documentos apresentados pela recorrente, a seguir relacionados, demonstram que não havia débito pendente de pagamento: a) referente à competência 06/2012: (fls. 15/19) Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP Declaração ao FGTS e à PREVIDÊNCIA; no valor de R$198,00, pago na Caixa Econômica Federal, em 20/07/2012 (DARF, fl. 21) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 19394.720127/201313 Acórdão n.º 1302001.879 S1C3T2 Fl. 4 5 b) referente à competência 13/2011: (fls. 24 e 25) documentos referentes à Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP Declaração ao FGTS e à PREVIDÊNCIA, no valor de R$0,00. Realmente, não havia débito relativo às competências 06/2012 e 13/2011. Todavia, havia pendência de transmissão de GFIPs, conforme consignado na referida Certidão. Verificase, portanto, que a recorrente somente regularizou a referida FALTA DE GEFIPs, em 13/03/2013, conforme Protocolos de Envio de Arquivos Conectividade Social de fls. 20 (Comp. 06/2012) e 22 (Comp. 13/2011 Sem Movimento). Assim sendo, não há como acolher as alegações da recorrente de que, em 31/01/2013, estaria em dia com suas obrigações previdenciárias. Não há nos autos comprovação nesse sentido. De toda sorte, o que importa à solução do presente litígio é que, quanto aos débitos listados no Termo de Indeferimento, verificase que houve o pagamento, em 20/02/2013, conforme quadro abaixo. Portanto, também regularizado após a referida data limite de 31/01/2013: Fl. Documento Data Pgto. Valor (R$) 11 DARF Compet. 01/2009 20/02/2013 312,38 12 DARF Compet. 07/2009 20/02/2013 302,84 12 DARF Compet. 08/2009 20/02/2013 301,47 13 DARF Compet. 05/2010 20/02/2013 289,00 14 DARF Compet. 02/2013 20/02/2013 610,76 Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª instância em 03/12/2013 e apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 18/12/2013 (fls. 46/59). A petição está Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 6 assinada por procurador constituído pelo empresário individual à fl. 51. Assim, o recurso voluntário deve ser conhecido. A opção da contribuinte pelo Simples Nacional foi indeferida em razão da existência de débitos listados no Termo de Indeferimento de fl. 10, registrado em 14/02/2013. Manifestando sua inconformidade, a contribuinte informou que regularizara os débitos existentes em 08/01/2013, mas foi surpreendida com a indicação de outros débitos previdenciários motivando o indeferimento de sua opção. Aduz que quitou tais débitos em 20/02/2013 e pede que seja incluída no Simples Nacional. A autoridade julgadora de 1ª instância não deferiu seu pedido porque, na forma do art. 6ª da Resolução CGSN nº 94/2011, a contribuinte deve regularizar as pendências até o término do prazo para opção, o qual se verificou no último dia de janeiro de 2013, antes da regularização promovida pela contribuinte em 20/02/2013. Em recurso voluntário a contribuinte alega que os débitos que motivaram o indeferimento da opção somente apareceram nos extratos da Receita Federal depois de 31/01/2013, e que na data limite para opção ela atendia a todos os requisitos para deferimento do enquadramento no Simples Nacional. O exame dos débitos indicados no Termo de Indeferimento revela que o primeiro deles, de nº 39.294.3697, corresponde à guia de recolhimento de fl. 14, que aponta como competência 02/2013 e como vencimento 28/02/2013. Assim, se a guia de recolhimento está corretamente preenchida, este débito não poderia constar como pendência no Termo de Indeferimento expedido antes de seu vencimento, em 14/02/2013. Já com referência aos demais débitos, observase que eles correspondem às competência de 01/2009, 07/2009, 08/2009 e 05/2010, todos no valor de R$ 198,00. Desta forma, já estariam vencidos na data final para opção pelo Simples Nacional. Constatase na documentação juntada à manifestação de inconformidade que em 12/03/2013 a contribuinte obteve extrato de pendências acusando a falta de entrega de GFIP em 06/2012 e 13/2011, as quais foram transmitidas em 13/03/2013 (fls. 15/27), inclusive sendo declarado novo débito de R$ 198,00 na competência 06/2012, mas este pago em 20/07/2012. Tais evidências permitem cogitar que os débitos de 2009 e 2010 também somente teriam surgido após a apresentação tardia das correspondentes GFIP. Por sua vez, a conduta do sujeito passivo de imediatamente quitar os débitos apontados quando soube do indeferimento evidencia que ele não discordava da sua existência, e permite supor que, mesmo se tais débitos não estivessem arrolados em consulta prévia das pendências a serem solucionadas para opção pelo Simples Nacional em janeiro/2013, isto decorreria do fato de as correspondentes GFIP ainda não terem sido entregues até a data de 08/01/2013 referenciada na manifestação de inconformidade. Ora, se tais GFIP foram entregues depois de 08/01/2013, eventualmente em razão de pendências acusadas em consulta à regularidade fiscal da contribuinte, além de apresentálas, cumprialhe pagar os débitos declarados. Como somente o fez depois de 31/01/2013, não há reparos ao indeferimento de sua opção pelos Simples Nacional. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 14033.000217/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/06/2002
COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA. TRIBUTAÇÃO.
Somente não incide tributação sobre a complementação do auxílio-doença quando o direito é estendido a todos os empregados.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
SEBRAE
Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96.
MULTA POR EMPRESA SUCEDIDA.
O sucessor é responsável pelas multas da empresa sucedida.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.749
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos De Almeida.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 30/06/2002 COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIODOENÇA. TRIBUTAÇÃO. Somente não incide tributação sobre a complementação do auxíliodoença quando o direito é estendido a todos os empregados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE Submetemse à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. MULTA POR EMPRESA SUCEDIDA. O sucessor é responsável pelas multas da empresa sucedida. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 17 /2 01 1- 16 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 2 Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos De Almeida. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Gerência Executiva do INSS no Distrito Federal, Decisão Notificação nº 23.401.4/555/2003, que julgou o lançamento procedente. O lançamento foi assim relatadas no julgamento de primeira instância: DA NOTIFICAÇÃO Tratase de crédito tributário constituído contra a BRASIL TELECOM S.A, por intermédio da notificação de lançamento (NFLD) em epígrafe, no período fiscalizado que compreende os meses de janeiro/93 a junho/02, resultante de auditoria fiscal coordenada, realizada em todos os estabelecimentos da empresa, simultaneamente. 2.Para efetuar o lançamento do crédito supramencionado, verificouse a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinouse a base de cálculo tributável e calculouse o montante do tributo devido em R$ 135.816,29 (cento e trinta e cinco mil oitocentos e dezesseis reais e vinte e nove centavos), consolidado em 04/02/2003. 3. De acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 81/99, a presente notificação abrange as competências entre dezembro/2000 a junho/2002, período posterior à privatização das antigas operadoras do Sistema Telebrás, sendo objeto do lançamento as parcelas originadas do pagamento da complementação do auxíliodoença, não extensiva a todos os seus empregados. 4. Descreve, nos seus itens 07, 08, 09, 10, 11 e 12, as mudanças ocorridas na estrutura organizacional e societária da Brasil Telecom S.A, desde a cisão, em 22/05/98, da empresa Telecomunicações do Brasil S.A TELEBRÁS. 5. Segundo o mencionado relatório, constituem fato gerador das contribuições previdenciárias ora exigidas as parcelas originadas do pagamento da complementação do auxílio doença, não extensiva a todos os seus empregados. 6.Constituem o crédito previdenciário ora apurado as contribuições devidas pela notificada, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parcela de responsabilidade da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (acidentes de trabalho), bem como as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA.SEBRAE, SESI, SENAI e FNDE), observandose as Fl. 685DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 4 particularidades de cada estabelecimento, tal como demonstrado às fls. 84. 7.Ressalta que, por ter havido erro no autoenquadramento da empresa com relação à alíquota destinada ao cálculo da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a equipe fiscal procedeu a sua correção, alterando a mencionada alíquota de 1% (um por cento) para 3% (três por cento). Menciona, ainda, que a correção foi efetuada apenas para o período a partir de setembro de 1998, período posterior à privatização da empresas excepcionando a situação da CRT, cujos fatos geradores somente estão sujeitos à alíquota de 3% a partir de janeiro de 2001. 8. Esclarece, o relatório, que o pagamento da complementação do auxíliodoença, tal como definido nos Acordos Coletivos de Trabalho de 2000/2001 e 2001/2002, excluíam, expressamente, os empregados de nível gerencial que percebiam salários iguais ou superiores a R$ 6.000,00 (seis mil reais). O procedimento adotado pela empresa, portanto, encontravase em desacordo com a Lei 8.212/91, que determina que referida verba deve ser extensiva a todos os empregados da empresa. 9.No que se refere à fundamentação legal do lançamento do crédito previdenciário, a fiscalização respaldouse no inciso I, do artigo 28, da Lei 8.212/91, atualizada pela Lei 9.528/97, no § 9o, alínea "n", acrescentada pela citada lei, no § 9o, inciso XIII, e § 10,artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, com redação dada pelo Decreto n.° 3.265/99. 10.Por fim, conclui que os pagamentos efetuados a título de "Complementação de AuxílioDoença" possuem natureza salarial, devendo, portanto, integrar o salário de contribuição, por não serem extensivos à totalidade dos empregados da empresa, no período em análise. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário ao CRPS sem ter efetuado o depósito recursal, o que feriu a legislação da época, razão pela qual não foi analisado. O crédito foi encaminhado para a cobrança em dívida ativa. Por força da Súmula Vinculante 21 do STF, o processo retornou para a RFB para análise do recurso voluntário. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 4 5 Em resumo, o recurso voluntário alega/questiona o seguinte: · Tributação da complementação do auxíliodoença. · Complementava o auxíliodoença para todos. · Por todo o período fiscalizado não houve a necessidade de complementação do auxíliodoença para funcionários que percebiam remuneração acima de R$ 6.000,00, pelo simples fato de que estes funcionários não suportaram doenças que implicassem em seu afastamento. Se ocorresse a hipótese, a empresa possuía como política o pagamento do auxílio doença aos funcionários com salários acima do citado nível. Esta é a razão pela qual não houve a juntada de documentos relativos ao período notificado. Simplesmente pela sua inexistência. · O fato de constar no acordo que os funcionários com salário acima de R$ 6.000,00 estariam fora do acordo, não quer dizer que referidos profissionais não perceberiam a complementação ao auxíliodoença quando assim necessitassem. É certo que as estipulações do acordo tinham validade somente para os empregados com salários acima de R$ 6.000,00; mas isso não implica em reconhecer que alguns benefícios, como o ora tratado, não fossem concedidos aos funcionários com remuneração em patamar superior. O acordo, como se percebe, foi estendido nesta cláusula específica, exatamente em respeito aos funcionários da empresa. · Questiona o indeferimento da perícia. · Questiona o reenquadramento da alíquota do SAT. · Ilegalidade da contribuição para o INCRA. · Salário educação. · SEBRAE. · Multa por empresa sucedida. · SELIC. Por meio do Despacho Decisório nº 23.401.4/35/2007, procedeuse à retificação de ofício dos valores lançados. Foi revisto o lançamento referente ao SAT (reduzido de 3 para 1%). Fl. 687DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 6 O processo baixou em diligência frente a dúvida sobre parcelamento. A resposta foi negativa. A empresa solicitou parcelamento instituído pela Lei 11941/2009, porém não indicou os débitos nem efetuou recolhimento. O pedido de parcelamento foi cancelado. Abaixo informação fiscal. INFORMAÇÃO Em atendimento à diligência determinada pelo CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fls. 562 a 564 do processo 35346.000065/200461 e 667 a 669 do processo 14033.000217/201116, informamos que: 1. Em 01 de junho de 2004 o Serviço de Análise de Defesa e Recursos da Previdência Social decidiu pela não aceitação do Recurso face à ausência de depósito prévio recursal exigido pela legislação em vigor à época, folhas 250 a 252 de Documentos Diversos – Outros – Volume V2, deste processo; 2. Em 12/11/2009, contribuinte aderiu ao parcelamento instituído pela Lei 11941/2009, conforme tela do banco de dados da Receita Federal do Brasil às folhas 672 deste processo; 3. Em 16 de novembro de 2010, a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional devolveu o processo à fase administrativa, com cancelamento da inscrição, mediante Despacho, folhas 309 do processo 35.346.000065/20461 cópia às folhas 673 deste processo, com base na aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 21 e no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1973/2010; 4. Em 29/12/2011 foi cancelado o pedido de parcelamento, folha 674 deste processo; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 5 7 5. Não consta nenhum pagamento para a título de antecipação do parcelamento solicitado – Lei 11941PGFNartigo 1o, folha 675 deste processo. Tendo em vista que a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional devolveu o referido débito à Receita Federal do Brasil para novo exame da admissibilidade do recurso; que o parcelamento não foi consolidado na data estipulada com a indicação dos débitos a serem parcelados e que não houve recolhimento de nenhuma parcela de antecipação do parcelamento, proponho o encaminhamento do débito ao CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise. É o relatório. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PERÍCIA A recorrente questiona o indeferimento da perícia. Entendo correta e bem fundamentada a decisão recorrida. Está registrado que a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento novo que fundamentasse o pedido; que o único documento apresentado referese a período distinto do que está sendo discutido; que o pedido foi genérico, sem fundamentação e que o pedido de perícia não atendia os requisitos legais. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE COMPETÊNCIA A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento e competência deste colegiado para decidir sobre a questão. Inicialmente devese registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 6 9 COMPLEMENTO DO AUXÍLIODOENÇA TRIBUTAÇÃO A regra geral estabelecida pela legislação é a da tributação da totalidade dos rendimentos do trabalho. A base de cálculo das contribuições previdenciárias, é bastante abrangente, conforme se depreende do artigo 195 da Constituição Federal de 1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) A Lei 8.212/91, que institui o Plano de Custeio da Seguridade Social, no inciso I do artigo 28 da Lei 8212/91 conceitua o salário de contribuição, para os segurados empregados, como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, incluindo os ganhos habituais sob a forma de utilidades: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) Fl. 691DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 10 Não se pode confundir o conceito trabalhista de remuneração com o conceito de salário de contribuição, este sim a verdadeira base de cálculo onde incidem as contribuições previdenciárias. A este respeito transcrevese, a seguir, obra de Fábio Zambitte Ibrahim (Curso de Direito Previdenciário, Niterói, Rio de Janeiro, Ed. Impetus, 2006, fls. 247248), que se insurge contra tal equívoco: “O salário de contribuição, exclusivo do direito Previdenciário, é a expressão que quantifica a base de cálculo da contribuição previdenciária dos segurados da Previdência Social, configurando a tradução numérica do fato gerador. .... A delimitação do salário de contribuição é assunto de grande complexidade do ramo previdenciário do Direito, sendo, por conseqüência, fonte de intermináveis discussões e simplificações indevidas, que acabam por macular o instituto previdenciário. Uma causa de grandes prejuízos à autonomia didática do Direito Previdenciário é propiciada pelo próprio PCSS ao definir que o salário de contribuição é, em regra, equivalente à remuneração do trabalhador. Devido a esta conceituação, freqüentemente, a base de cálculo previdenciária é vista como mero sinônimo da própria remuneração, sendo esta analisada exclusivamente perante o prisma trabalhista. ... Como fonte do Direito Previdenciário, é lícito ao aplicador do Direito buscar uma predefinição do conceito de salário de contribuição, a partir do conceito trabalhista, mas sem aceitar de imediato a similitude de conceitos. Se o legislador criou instituto próprio previdenciário, como o salário de contribuição, cabe ao intérprete subentender que existe uma razão para tanto, pois, se assim não fosse, seria mais fácil utilizarse de pronto do signo remuneração”. A não incidência se limita ao estabelecido no § 9º do acima citado artigo 28, que, textualmente registra que exclusivamente as verbas listadas não integram o salário de contribuição. Para a complementação do auxíliodoença, não integra a base de cálculo somente quando este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 7 11 Conforme o Relatório Fiscal, os Acordos Coletivos de Trabalho continham cláusula excluindo expressamente a complementação do auxíliodoença para os empregados de nível gerencial com salário maior que R$ 6.000,00. DAS RAZÕES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 28. O pagamento da complementação do auxílio doença foi estabelecido em Acordos Coletivos de Trabalho, sendo concedidos regularmente a todos os empregados, motivo pelo qual não integravam o saláriodecontribuição. 29. No entanto, o Acordo Coletivo de Trabalho 2000/2001, com vigência no período de 30/11/2000 a 01/12/2001, excluiu expressamente os empregados de nível gerencial que percebiam salários iguais ou superiores a R$ 6.000,00 (seis mil reais). Tal exclusão se repetiu no Acordo Coletivo de Trabalho seguinte (2001/2002). Apesar de a empresa informar que possuía política de estender o beneficio a todos, de informar que não houve a necessidade de complementação do auxíliodoença para funcionários que percebiam remuneração acima de R$ 6.000,00 e anexar Recibo de Pagamento de Salário de período posterior ao do lançamento contendo o benefício para 1 empregado, entendo que o direito era limitado, conforme acima exposto. Entendo correta a incidência. INCRA. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 12 DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: Fl. 694DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 8 13 I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 14 I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas Fl. 696DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 9 15 empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. SALÁRIO EDUCAÇÃO Com relação à contribuição social ao salárioeducação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação, conforme Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: Súmula nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 16 Súmula n° 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” SEBRAE A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 10 17 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. SELIC SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 4. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 18 “Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA POR EMPRESA SUCEDIDA. A recorrente questiona sua responsabilidade sobre a multa por ser sucessora. Não concordo com a recorrente. Entendo que os artigos 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Concluo que é devida a multa. Processo AgRg no REsp 1452763 / SP Fl. 700DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 14033.000217/201116 Acórdão n.º 2201002.749 S2C2T1 Fl. 11 19 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2014/01061841 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 10/06/2014 Data da Publicação/Fonte DJe 17/06/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. SUCESSÃO EMPRESARIAL (INCORPORAÇÃO). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. PRECEDENTES. 1. "Os arts. 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo" (REsp 670.224/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 13.12.2004). No caso, considerando que o fato gerador foi praticado pela pessoa jurídica sucedida, inexiste irregularidade na "simples substituição da incorporada pela incorporadora", como bem observou o Tribunal de origem. Nesse sentido: REsp 613.605/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 22.8.2005; REsp 1.085.071/SP, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 8.6.2009. 2. Agravo regimental não provido. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 701DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10860.004460/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
UTILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS DE MÊS ANTERIOR PARA COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DO MÊS SEGUINTE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N 30
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. RENDIMENTOS LANÇADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, confirmados tacitamente pelo Fisco, e os rendimentos omitidos e lançados, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.
NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Reduz-se o percentual da multa de ofício para 75%, uma vez que a falta de atendimento a intimação não prejudicou a elaboração do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$35.605,10, e para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Vencido o Conselheiro Márcio Martins na questão do agravamento da multa no ganho de capital.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. UTILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS DE MÊS ANTERIOR PARA COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DO MÊS SEGUINTE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 44 60 /2 00 3- 91 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 295 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. RENDIMENTOS LANÇADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, confirmados tacitamente pelo Fisco, e os rendimentos omitidos e lançados, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Reduzse o percentual da multa de ofício para 75%, uma vez que a falta de atendimento a intimação não prejudicou a elaboração do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$35.605,10, e para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Vencido o Conselheiro Márcio Martins na questão do agravamento da multa no ganho de capital. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/BHE(Fls. 53), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 296 3 Contra o Contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 90/98, que exige o Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercício de 1999, anocalendário de 1998, no valor de R$ 134.583,68, acrescido de multa de ofício agravada, no percentual de 112,5% e juros de mora pertinentes, calculados até 30 de setembro de 2003. O lançamento decorre do procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias tendo sido constatadas as seguintes irregularidades: "001. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL O contribuinte deixou de oferecer à tributação, sem apresentar as justificativas hábeis e idôneas, o Ganho de Capital apurado na alienação do imóvel, denominado "Apartamento n° 207, situado no Edifício Anagro, à Rua Mario Gomes dos Santos, 210, Bairro Mato Dentro, em UbatubaSP, a JOSÉ MILTON DE OLIVEIRA REIS, C.P.F. n° 041.077.96876, conforme demonstrativo abaixo: (...) 002. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA O contribuinte, regularmente intimado, não apresentou e nem justificou, por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, as origens dos valores utilizados nos depósitos e/ou créditos em Contas Bancárias junto a Instituições Financeiras, apurados por meio dos respectivos Extratos, de fls. 17/53 e Demonstrativos fls. 54/75, caracterizandose assim, Rendimentos Tributáveis nos termos da legislação tributária aplicável e abaixo mencionada, nos seguintes valores: Como enquadramento legal, para o item "001", foram citados os seguintes dispositivos legais: arts. 2, 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988, arts. 1° e 2° , da Lei n° 8.Í34, de 1990, arts. 4° , 12, § 1° , 52, § 1° , da Lei n° 8.383, de 1991, arts. 7° e 21 , da Lei n° 8.981, de 1995 e art. 17 da Lei n° 9.249, de 1995; para o item "002", art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997; art. 21 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Da Impugnação. Cientificado do lançamento em 16 de outubro de 2003 (fls. 96), o Contribuinte, por meio de seus procuradores (fls. 118), Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 297 4 apresentou em 17/11/2003, a impugnação de folhas 101/117, com as argumentações a seguir sintetizadas. Inicialmente, o Impugnante fez um breve resumo dos fatos. Alega que a sua fiscalização deuse em razão da utilização de informações da CPMF, só prevista no ano de 2001. Assim, foi intimado a apresentar os extratos bancários. De posse deles, sem qualquer critério, indiscriminadamente, houve soma de todos os depósitos efetuados, culminando com a transformação, como num passe de mágica, desses valores em receitas omitidas. Salienta que um fato pode ser classificado como econômico ou financeiro. O primeiro indica resultado, agregação patrimonial, ganho ou perda. O outro envolve movimentação de valores. Pretender dar a mesma função (acréscimo patrimonial) para ambos, além de temerário, é improvável e tecnicamente impossível. Diz, no presente caso, ocorreu que o Impugnante passava por séria crise financeira, e socorriase de juros exorbitantes, pela sistemática de descontar cheques junto à Caixa Econômica do Estado de São Paulo, utilizandose de cheques emprestados de seus cunhados e irmãos, a saber: JOSÉ MILTOM DE OLIVEIRA REIS, inscrito no CPF 041.077.96876, cheques no valor de R$ 10.500,00 e R$ 2.000,00, cuja conta corrente mantida é 205.277 9, Ag. 0787 Unibanco; EDMILSON TADEU MARTINS, inscrito no CPF 025.966.34848, diversos cheques da conta corrente 01.002.4028, Ag. 056 Banespa; JERÓNIMO JOSÉ JUNQUEIRA, inscrito no CPF 042.214.70879, diversos cheques da conta corrente 201.7301 Ag. 0787 Unibanco; FELIPE CARLOS DIAS ARCAS, inscrito no CPF 264.575.64844, diversos cheques da conta corrente 9.709.4774, Ag. 0330 Banco Real S/A; os quais apresentam, neste ato, declarações, confirmando tal situação. Alega, isso pode ser comprovado pela vinculação existente entre as contas correntes, bem como pelos históricos constantes dos extratos. Assevera, deve ser anotado que nos demonstrativos de apuração de base de cálculo não foram considerados as rendas auferidas pelo Impugnante no ano em questão, bem como a alienação do imóvel em Ubatuba, que foi objeto de lançamento, assim, invalidando o lançamento. Aduz, em relação à parte da origem dos depósitos, há de anotar se os rendimentos obtidos pelo Contribuinte junto à Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, de Taubaté, referente a diversos convênios mantidos com a iniciativa privada. O montante percebido foi de R$ 6.088,40, com retenção na fonte de R$ 393,68, conforme comprovante em anexo. Assim, devendo este ser contabilizado na movimentação bancária do contribuinte. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 298 5 Destaca, deve ainda ser observado que a IN 48/98, confirmada pela LN 84/01, que cuida da atualização do custo de bens e direito, demonstra que o imóvel vendido tem o seu valor de custo diferente do apurado pela Fiscalização, o que torna o lançamento ilegal. Argumenta, para dar sustentação ao lançamento, primeiro deveria ser comprovada a aderência (ganho) ao patrimônio do Impugnante dos valores transitados por sua conta corrente. Isso sem contar a ilegalidade do Auto de Infração, visto que a utilização dos dados bancários quebra o sigilo do Impugnante, o que só é possível a partir da Lei Complementar n° 105, de 2001, respeitado o princípio constitucional da anterioridade, ou seja, só a partir de 2002. Salienta, o princípio da anterioridade em matéria tributária é absoluto. Alega, ainda que se utilizasse o extrato bancário como instrumento para obtenção de possíveis acréscimos patrimoniais, a sistemática para apuração de tais valores deveria obrigatoriamente obedecer à tributação do chamado "dinheiro novo". Aduz, ademais, observase que o Fisco desconsiderou todos os rendimentos originalmente oferecidos à tributação pelo Impugnante, em sua DTRPF/99, o que fere frontalmente a sistemática tributária em vigência. Diz, como já exposto anteriormente, a utilização ilegal dos dados da CPMF acaba por macular, definitivamente, o Auto de Infração, com vício insanável, pois há nítida quebra do princípio da anterioridade, ou seja, não aplicação da lei nova a fatos anteriores. Destaca, a alteração do CTN, pela LC 105, de 2001, franqueou a utilização de dados da CPMF para fins de fiscalização. Além do que, a Lei n° 10.174, de 2001, alterou dispositivo da Lei n° 9.311, de 1996, que vedava tal utilização. Em outras palavras, com tal arquitetura legal procurouse acabar com o sigilo bancário. Nesse sentido, o Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu contrariamente (acórdão e ementa citados). E, confirmando a interpretação correta da esfera administrativa, o TRF da 4ª Região negou a apelação interposta pela União Federal em mandado de segurança (decisão transcrita). Evidencia, ainda, a quebra da garantia constitucional da intimidade e da privacidade, prevista no art. 5º , inciso 10, da Constituição da República de 1988. Alega, quanto à aplicação da multa agravada, é imperdoável, pois o Impugnante sempre atendeu às intimações, com seu comparecimento à repartição, e só deixou de atender a última não por desprezo ou desrespeito, mas sim, simplesmente por incapacidade emocional e de memória, para se recordar de acontecimentos ocorridos há mais de cinco anos. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 299 6 Diz, em relação ao ganho de capital, cabe informar que a transferência do imóvel foi efetuada a José Milton de Oliveira Reis, inscrito no CPF, 041.077.96876, seu cunhado, cuja venda fora realizada anteriormente e só legalizada no ano de 1998, fato este que justifica o imóvel não constar em sua declaração de bens. A seguir, o Impugnante, na sua defesa, sob o título "da posição doutrinária e jurisprudencial", discorre atacando a presunção legal criada pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. Ao final, requer seja improcedente o presente lançamento. Portarias. Competência para Julgamento. Nos termos da Portaria SRF n° 106, de 29 de janeiro de 2007, publicada no Diário Oficial da União de 30 de janeiro de 2007, o presente processo foi transferido para ser julgado na DRJ de Belo Horizonte. E, nos termos da Portaria DRJ/BHE n° 12, de 21 de fevereiro de 2007, DOU de 05 de março de 2007, foi designada a 2a turma para o julgamento do processo. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: Aplicação da Lei no Tempo. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Sigilo Bancário. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Depósitos Bancários. Omissão de Rendimentos. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou investimentos. Imposto retido por fonte pagadora não aproveitado na declaração de ajuste anual simplificada entregue pelo sujeito passivo. Tendo a defesa comprovado a existência de IRRF, não indicado na declaração de ajuste anual, em razão de rendimento omitido que restou tributado pela presunção legal aplicada pela Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 300 7 Fiscalização, tal valor deve ser descontado do correspondente apurado e montante lançado, no respectivo período de apuração. Multa Agravada. Lançamento de Ofício. Segundo reza a legislação pertinente, nos casos de lançamentos de ofício, a multa aplicada será agravada no percentual de 112,5%, quando o sujeito passivo deixar de prestar, no prazo marcado, os esclarecimentos solicitados pelo Fisco em razão de intimação fiscal. Cientificado em 03/05/2007 (Fls. 165), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 01/06/2007 (fls. 63 a 66), onde alegou, segundo relatório da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que transcrevo abaixo: a) Por força do que dispõe o artigo 150, § 4 o , do CTN, considerando que a base de cálculo do imposto de renda pessoa física deve ser apurada mensalmente e levandose em conta que o lançamento ocorreu em dezembro (sic) de 2003, operouse a decadência para os fatos ocorridos entre janeiro e setembro de 1998; b) Como os depósitos são considerados como omissão de rendimentos, os mesmos valores se tornam automaticamente origem para o mês subseqüente; c) Não houve o desconto do total dos depósitos bancários da base de cálculo do imposto declarado, nem do valor da alienação do imóvel tributado neste auto de infração; d)Não se pode admitir a irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementam0 105/2001; e) Quanto ao agravamento da multa, a r. decisão deve ser reformada, pois não atrapalhou, dificultou, impediu ou criou qualquer embaraço para o lançamento fiscal. O contribuinte transcreveu diversos ensinamentos jurisprudenciais relacionados às teses defendidas. A prouve aos membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, dar provimento ao Recurso Voluntário (Fls. 188) no sentido de: ...acolher a preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 e considerar nulo o auto de infração quanto à infração relativa à presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada e, com relação à omissão de ganhos de capital, por unanimidade de votos, reconhecer que a decadência atingiu o crédito tributário,... Cientificada em 05/11/2010 (fl. 199), a Fazenda Nacional entrou com recurso especial no mesmo dia (fls.203) alegando contrariedade à lei ou à evidência da prova e de divergência (fls. 209 a 238). Em 07/11/2012 aprouve a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, reconhecendo a Fl. 303DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 301 8 retroatividade das determinações do artigo 11, §3o, da no Lei 9.311, de 1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.174, de 2001, afastando a decadência do lançamento relativo ao ganho de capital, dessa forma o processo retornou para análise das demais questões do recurso voluntário. O Interessado Carlos Anderson Nogueira foi cientificado da decisão em 06/12/2012 (fls.291). O processo retornou ao CARF para julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, resta em litígio a omissão de rendimentos em decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada e em decorrência do ganho de capital. De início, verifico que o Contribuinte recorreu do lançamento do ganho de capital unicamente com a alegação preliminar da decadência do lançamento. Tal matéria já foi decidida pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido da inexistência da decadência; não havendo, portanto, qualquer outro argumento para ser analisado quanto a esta parte do lançamento. Razão pela qual deve ser mantido o lançamento relativo ao ganho de capital. Quanto a omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, argumenta o recorrente, em preliminar, a decadência de parte do lançamento, e, no mérito, que há impossibilidade da autuação com base apenas em presunção de renda dos depósitos bancários do art. 42 da Lei 9.430/96, que as omissões havidas em um mês deverão ser consideradas como origem dos meses seguintes, que não foram considerados os valores declarados e os que provocaram o ganho de capital, e que a multa agravada não pode ser aplicada ao caso. Em sede de preliminar alega o impugnante que o lançamento deve ser notificado ao sujeito passivo dentro do período de cinco anos, contadose do último dia de cada mês em que o crédito é apurado. Acresce que, de janeiro a setembro de 1998, o direito de a Fazenda Pública lançar encontravase atingido pela decadência. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 302 9 Quanto a apuração do Imposto em 31 de dezembro de 1998, e não de forma mensal, cumpre esclarecer que, no lançamento, os depósitos foram apurados mensalmente, com a definição do fato gerador em 31 de dezembro do ano base. Tal procedimento é acatado amplamente pelo CARF, conforme se verifica na Súmula CARF n 38, de aplicação obrigatória por este Conselheiro: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese do Recorrente que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Dentro deste parâmetro, cabe analisar a decadência relativa ao ano calendário 1998; portanto, com fato gerador em 31/12/1998. O IRPF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 303 10 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Fl. 306DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 304 11 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, o lançamento relativo ao ano calendário de 1998 poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2003. Tendo sido notificado o contribuinte em 16 de outubro de 2003 (folha 102 dos autos), o foi dentro do período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, não encontravase decaído o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Razão pela qual entendo ultrapassada a preliminar argüida. Passo a análise do mérito. Argumenta o Recorrente que há impossibilidade da autuação com base apenas em presunção de renda dos depósitos bancários do art. 42 da Lei 9.430/96. Entendo que tal matéria também já encontrase pacificada no ambito do CARF; com o emprego da seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por este Conselho: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias; in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Deste modo, não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Seguindo, alega o contribuinte que as omissões havidas em um mês deverão ser consideradas como origem dos meses seguintes. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 305 12 Porém, quanto ao tema, vige Súmula deste Conselho, cuja aplicação é obrigatória: Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Resta claro que o argumento do recorrente é insubsistente, tendo em vista que os depósitos de respectivo mês não pode ser utilizado para a comprovação de origem de meses seguintes. Razão pela qual entendo improcedente tal alegação. Assim, o Recorrente não apresenta, em seu recurso, as origens dos depósitos apontados pela fiscalização, se limitando a argumentar que os valores por ele declarados (pág. 178 dos autos) e os resultantes da venda que implicaram no ganho de capital não foram levados em consideração pela fiscalização. Neste sentido, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que, de fato, não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Na DIRPF sob exame (fls. 81 dos autos), observase que foi declarado, a título de rendimentos, o valor de R$14.090,10 no ano calendário 1998. Assim, o citado valor deve ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Do mesmo modo, e por razões correlatas, é dever excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada os valores que a própria fiscalização afirma como recebidos pelo Recorrente em razão da venda do imóvel, no montante de R$21.515,00. Quanto à multa de ofício, observase que, na espécie, o agravamento da penalidade ao percentual de 112,5% não se coaduna com as disposições do art. 44, § 2° da Lei n° 9.430, de 1996, porquanto, neste caso, a fiscalização já tinha conhecimento das informações que permitiam a autuação do contribuinte. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10860.004460/200391 Acórdão n.º 2201002.808 S2C2T1 Fl. 306 13 Registrese que a jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associada a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o Fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. É evidente, portanto, que a não apresentação das origens dos depósitos ou a falta de apresentação de justificativa hábeis e idôneas pela falta de pagamento do Ganho de capital não obstaram o procedimento fiscal, pelo contrário, tal conduta autorizou o lançamento de ofício. Assim, no tocante à multa de ofício, não cabe ser exigida com o agravamento aplicado, devendo o percentual da penalidade ser reduzido de 112,5% para 75%. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$35.605,10, e para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 12448.734629/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgado em diligência nos termos da resolução do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgado em diligência nos termos da resolução do relator. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 83 1 82 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.734629/201229 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.530 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 08 de março de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RODOLPHO BARBIERI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgado em diligência nos termos da resolução do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 34 62 9/ 20 12 -2 9 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.734629/201229 Resolução nº 2402000.530 S2C4T2 Fl. 84 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2008 de R$ 15.939,84 para o montante de R$ 5.209,42 a pagar a título de imposto suplementar (fls. 3/7). O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos tributáveis indevidamente considerados como isentos por moléstia grave recebidos da Fundação Eletrobrás de Seguridade Social (ELETROS), no valor de R$ 100.696,42. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2. A DRJ/RJ1 manteve a exigência julgamento datado de 15/5/2013 (fls. 31/34), havendo o contribuinte sido cientificado do resultado do julgamento somente em 1/4/2014. Entrementes, o contribuinte entregara, em 25/3/2014 (fls. 42/44), petição para ser juntada ao processo junto com "laudo de isenção de retenção de imposto de renda na fonte, reiterando, ao final, o pedido de devolução do valor retido no período pela Receita Federal. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.734629/201229 Resolução nº 2402000.530 S2C4T2 Fl. 85 3 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator De plano, cabe explicar que o contribuinte não formalizou entrega de recurso voluntário, assim denominado, após a ciência do acórdão de primeira instância, em 1/4/2014. Tampouco qualquer petição, manifestando inconformidade com o resultado daquele julgamento, foi protocolizada após a mencionada data. Não há, ainda, qualquer documento que ateste ter havido ciência do contribuinte ou seu procurador do resultado do aresto de primeiro grau, anteriormente à ciência comprovada pelo Aviso de Recebimento dos correios anexado aos autos à fl. 39, que se reporta, como referido, a 1/4/2014.. No entanto, consta menção da existência de recurso voluntário interposto em 31/3/2014 no documento "Extrato de Processo", à fl. 47/48, menção essa repetida à fl. 49. Portanto, há registros no processo, de lavra da autoridade preparadora, à existência de recurso voluntário datado de 31/3/2014, porém esse documento não consta nos autos. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem esclareça se há efetivamente, recurso voluntário interposto pelo contribuinte, e, sendo o caso, providencie sua juntada aos autos. Ronnie Soares Anderson. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000080/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.da
JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-004.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, negar provimento ao recurso.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Juni
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.da JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, negar provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Juni
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Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.DA JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, negar provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/06/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 80 /2 01 1- 24 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Juni Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1246.487, exarado pela 18ª Turma da DRJ em São Rio de Janeiro I (fls. 128 a 147 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 07 a 15), é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, correspondentes ao anocalendário 2007, por intermédio do qual lhe exigido crédito tributário de R$1.252.516,30, dos quais R$616.760,05 correspondem a imposto, R$462.570,03 à multa proporcional e R$137.186,22 a juros de mora. O termo de verificação fiscal (fls. 11 a 13) descreve que o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, tendo a fiscalização efetuado relação de cada depósito/crédito individualizado e encaminhado juntamente com a intimação (fls. 50 a 53). Da documentação analisada durante o desenvolvimento da ação fiscal em confronto com os créditos/depósitos ocorridos na conta bancária restaram não comprovados (após expurgos dos cheques devolvidos) créditos que totalizam R$2.265.681,36. Os fundamentos legislativos do auto de infração é o art. 849 do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000, de 1999 (RIR 99) e o art. 1º da Lei 11.482, de 2007. O Auto de Infração foi lavrado em 21/02/2011 e cientificado ao contribuinte em 22/02/2011 (fl. 08). Em 13/11/2008, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 83 a 100), alegando, em síntese, que: (a) a existência de vício insanável de inconstitucionalidade por terem sido obtidos seus extratos bancários sem autorização judicial; (b) a existência de vício insanável de inconstitucionalidade em face da exigência de multa confiscatória; (c) a impossibilidade da utilização de meros extratos como prova única para a presunção de omissão de receita; e (d) a impossibilidade de aplicação da taxa Selic. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15540.000080/201124 Acórdão n.º 2301004.721 S2C3T1 Fl. 257 3 Exercício: 2008 NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em nulidade. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade da legislação que ampara a exigência fiscal. DO PROCEDIMENTO FISCAL Não há que se falar em qualquer irregularidade no procedimento fiscal, tendo em vista que a autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando ao contribuinte, por meio de diversas intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa SELIC, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as decisões judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 21/01/2013 (aviso de recebimento EBCT, fl. 150). Em 05/02/2013, foi apresentado recurso voluntário (juntado duas vezes aos autos, fls. 152 a 173 e 201 a 222), sendo repetidos os argumentos apresentados por ocasião da impugnação. Os pedidos cumulativos na modalidade eventual consistem na anulação do auto de infração em face dos apontados vícios ou sua anulação por erro de cálculo, em face da utilização da taxa Selic no cálculos dos juro de mora. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 255). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DOS VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE É alegada a existência de vícios de inconstitucionalidade, por terem sido obtidos seus extratos bancários sem autorização judicial e em face da exigência de multa confiscatória. No que tange às alegações de inconstitucionalidade, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), plasmada em sua Súmula 02, são claros Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15540.000080/201124 Acórdão n.º 2301004.721 S2C3T1 Fl. 258 5 ao impedirem o controle repressivo de constitucionalidade por parte deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Desse modo, neste voto não serão apreciadas as alegações de vícios de inconstitucionalidade. Registro porém que os depósitos bancários foram entregues pela própria contribuinte (fls. 28 a 47), em atendimento à intimação da fiscalização (fls. 26 a 28). Assim, não há falar sequer em quebra de sigilo bancário. DA OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA É alegada a impossibilidade da utilização de meros extratos como prova única para a presunção de omissão de receita. Não assiste razão à contribuinte. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15540.000080/201124 Acórdão n.º 2301004.721 S2C3T1 Fl. 259 7 regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editada a Súmula CARF 26, a fim de consolidar tal entendimento: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC É asseverada a impossibilidade de utilização da taxa Selic. Não lhe assiste razão. A possibilidade da utilização, a partir de 1º de abril de 1995, da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é tema da Súmula 04 deste CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Voto, portanto, por não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator João Bellini Júnior Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13971.002116/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA
Nos tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, ocorre a homologação tácita do lançamento decorridos 5 anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Quando comprovado dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial desloca-se para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 1401-001.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares, considerar não formulado o pedido de perícia e DAR provimento PARCIAL ao presente recurso voluntário apenas para reconhecer a decadência da CSLL referente ao 2º e 3º trimestres de 2001, bem como acolher a decadência para aos fatos geradores mensais do PIS e COFINS anteriores ao mês de novembro de 2001 (inclusive), apenas em relação às infrações punidas com multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: Relator
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ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA Os sócios (únicos mandatários) da pessoa jurídica são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários decorrentes de atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. MOTIVAÇÃO LEGAL Determinase o IRPJ com base nos critérios do lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária ou determinar o lucro real. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA Nos tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, ocorre a homologação tácita do lançamento decorridos 5 anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Quando comprovado dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 21 16 /2 00 6- 41 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares, considerar não formulado o pedido de perícia e DAR provimento PARCIAL ao presente recurso voluntário apenas para reconhecer a decadência da CSLL referente ao 2º e 3º trimestres de 2001, bem como acolher a decadência para aos fatos geradores mensais do PIS e COFINS anteriores ao mês de novembro de 2001 (inclusive), apenas em relação às infrações punidas com multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta da decisão de piso, fls. 332341: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração (fl. 207 a 226) o qual lhe exige a importância de R$ 19.283,35, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, anoscalendário de 2000 a 2004, acrescido de multa de ofício de 75% e de 150%, conforme o caso, e juros de mora à época do pagamento. Segundo consta na Descrição dos Fatos do lançamento de IRPJ, a exigência de imposto decorre do arbitramento de lucro correspondente aos anoscalendário de 2001 a 2004, com base na receita bruta conhecida, tendo em vista que a “[....]escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação da efetiva movimentação financeira, inclusive a bancárias, conforme descrito no Termo de Verificação em anexo”. Em decorrência deste lançamento, foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 227 a 246), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 246 a 264), e de Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL (fls. 265 a 283), nas importâncias de R$ 3.138,33, R$ 14.485,70 e de R$ 9.895,64, respectivamente, acrescidas da multa de ofício de 75% e/ou de 150% e de juros de mora à época do pagamento, Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 173 a 205), temse que, de forma reduzida: […] Do Arbitramento c) Tendo por base as informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal, conforme previsão do art. 11 da Lei 9.311/96, com descrição dada pelo art. 1º da Lei 10.174/2001, a fiscalizada possui, ou possuía, em seu nome, contas bancárias nas instituições financeiras abaixo explicitadas, com a respectiva movimentação financeira ali apontada: […] ci) Não há, na escrita contábil relativa aos anos de 2003 e 2004, registro de escrituração de contas representativas de depósitos bancáriios. […] Fl. 955DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 5 4 35. A discrepância entre os valores escriturados nos Livros Caixa e Razão – Conta Caixa, e os movimentados nas referidas contas bancárias mostram ser impossível que a escrituração destes livros contemple a totalidade da movimentação financeira informada pelas instituições bancárias. […] 37. Em que pese o fato do presente Auto de Infração e seu respectivo Termo de Verificação traduzirem o encerramento apenas parcial da fiscalização amparada pelo MPF 09.2.04.002006002944, ficando a apuração e o lançamento dos tributos eventualmente devidos decorrentes dos depósitos bancários não contabilizados para uma etapa posterior, definitivo que a escrita fiscal da fiscalizada contempla hipótese prevista pelo inciso II do artigo 530 do RIR. 38. É impossível, através das escrita contábil da fiscalizada, identificar a sua efetiva movimentação financeira. O licro Caixa, em 2001 e 2002, e o Livro Razão – Conta caixa, em 2002 e 2003 (anexo 01), conforme já explicado no parágrafo 35 acima, mostram valores de movimentação financeira absolutamente incompatíveis com os constantes das DCPMF apresentadas pelas instituições financeiras nominadas no parágrafo 32 e cujas cópias constam deste Termo (documento 11). […] 43. Destarte, por conter, a escrituração contábil, deficiências que a tornam imprestável para identificar a movimentação financeira da fiscalizada, o tributo serpa determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, nos termos da alínea “a” do inciso II do artigo 530 do RIR. 44. Como da fiscalizada conhecese a receita bruta, o arbitramento se farpa aos auspícios do art. 532 do RIR […] IV. DA MULTA QUALIFICADA 45. Em razão das informações prestadas pelas instituições financeiras, mediante DIRF (documento 17), constatouse que a contribuinte fiscalizada recebeu, durante o período sob fiscalização, de diversas instituições financeiras, receitas de prestação de serviços sob o códio 8045 “outros rendimentos”. Tais receitas foram encaminhadas à contribuinte fiscalizada, via tabela anexa ao Termo de Intimação nº 20061484/02 (documento 9), para que esta se manifestasse. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 6 5 46. A fiscalizada, sempre na figura daquele que foi um de seus sóciosgerentes, Pedro Matias Schweigert, nada respondeu a este respeito. Silenciou. 47. Cumpre ressaltar que estes valores montam a quantias deveras expressivas se comparadas aos escriturados e declarados pela fiscalizada como decorrentes de sua atividade de compra e venda de veículos, conforme pode se observar no quadro abaixo: […] 49. Ora, do aqui exposto deduzse que de modo algum seria factível afastar o caráter da intencionalidade da ação da contribuinte fiscalizada em evitar o pagamento dos tributos devidos que se vinculam às receitas omitidas aqui tratadas. […] 51. Assim, considerando que a fiscalizada, nos anos calendário de 2001 a 2004, escriturou em seus Livros Contábeis receitas em montantes bastante inferiores àquelas efetivamente auferidas, com o objetivo inequívoco de reduzir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, como reflexo, as demais contribuições a pagar, será aplicada, então, a mesma, relativamente às receitas omitidas, a multa qualificada capitulada no art. 957, inciso II do “RIR/99”, que assim dispõe: […] V. DAS INFRAÇÕES VERIFICADAS cii) V. I Aplicação Indevida do Coeficiente de Determinação do Lucro IRPJ 55. Através do exame das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (anexo 2), da fiscalizada, constatouse que ela, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda, aplicou percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta apurada, no período abrangido pelo procedimento fiscal, descumprindo a legislação de regência Lei 9.249/95, art.15, §1, alínea III, "a " que prevê, para a sua atividade, o percentual de 32% (trinta e dois por cento). […] 57. Especificamente em relação aos anos de 2001 e 2002, o coeficiente aplicado foi de 16% (dezesseis por cento), acrescido de 20% (vinte por cento) decorrente do arbitramento, art.532 do RIR, montando a um percentual total de 19,2% (dezenove inteiros e dois décimos porcento), em razão da receita bruta anual ter sido inferior a RS 120.000,00 (cento e vinte mil reais), nos Fl. 957DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 7 6 termos do art.519, §4° do Regulamento do Imposto de Renda. […] V.2. Falta de Recolhimento da CSLL ciii) 60. Através do exame das DIPJ (anexo 02) da fiscalizada, constatouse que ela, na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, a partir de 09/2003, aplicou percentual de 12% (doze por cento) quando deveria ter utilizado 32% (trinta e dois por cento), segundo o art.20 da Lei 9.249/95, alterado pela Lei n° 10.684/2003. 61. Destarte, os valores correspondentes às receitas brutas dos períodos fiscalizados, a partir de 09/2003, foram objeto da aplicação do percentual previsto pela legislação 32% (trinta e dois por cento), para a determinação das bases de calado da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. […] V.3. Omissão de Receitas de Prestação de Serviços 64. Com base em informações extraídas das DIRF (documento 17), apresentadas por instituições financeiras, constatouse que a fiscalizada recebeu receitas de prestação de serviços no período de 2001 a 2004, não as oferecendo à tributação, conforme verificado em suas DIPJ (anexo 02). […] 67. Os valores do Imposto de Renda retido na Fonte foram devidamente compensados no Auto de Infração. VI. DA DECADÊNCIA 68. Os próximos parágrafos contém considerações a respeito do instituto da decadência, defendidos por José Oleskovicz, exconselheiro do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que têm a nossa concordância, e que entendemos pertinentes ao caso. […] 79. A literalidade dos arts.150 e 173 do CTN e a própria estrutura coerente do Código Tributário Nacional, ao tratar da constituição e da extinção do crédito tributário em capítulos e seções distintas, não admitem interpretação de que o §4° do art. 150 do CTN trataria de decadência, ou seja, de uma das formas de extinção do crédito tributário. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 8 7 80. À decadência, como se constata, é regida apenas pelo art. 173 do CTN, donde ressalvada as exceções desse dispositivo legal anteriormente mencionadas, o prazo de 5 anos contase sempre a partir de primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 91. Assim, prevenida está a decadência relativamente ao período abrangido pelo Mandado de procedimento Fiscal. VII . DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR 82. A fiscalizada foi baixada pelo motivo de extinção por encerramento/liquidação voluntária na data de 27/02/2004, conforme informação cadastral constante dos arquivos informatizados da Secretaria da Receita Federal (documento 21). 83. De fato, a fiscalizada apresentou junto com o contrato social o respectivo distrato social (documento 4). […] 85. Isto posto, o que se demonstrará, nos parágrafos seguintes, é que a dissolução da empresa fiscalizada operouse de forma irregular, tornando os sócios gerentes pessoalmente responsáveis pelos tributos decorrentes das infrações verificadas, apuradas conforme item V. […] 88. A dissolução da sociedade constitui um conjunto de atos visando à extinção da pessoa jurídica. Finalizada a dissolução, entrase na fase de liquidação, fase esta em que são levantados os valores que compõem o patrimônio da sociedade ativo e passivo, sendo pagas as dívidas, finalizando o procedimento com a partilha de resultado líquido final, que se for positivo, será distribuído entre os sócios conforme estabelecer o contrato social. Normalmente esta divisão é feita na proporção de suas cotas de capital, podendo, entretanto, a critério dos sócios, se efetivar em proporções diferentes. 89. Por outro lado, se dívidas houver, a dissolução ou extinção regular de pessoa jurídica implicará a transferência da sujeição passiva para os sócios, os quais responderão por estas dividas até o limite do valor eventualmente recebido da partilha dos bens patrimoniais havidos. Isto é da natureza das sociedades por cotas de responsabilidade limitada. 90. A regra geral, portanto, é a distinção entre a empresa e o sócio, mesmo aquele que exerce a gerência do empreendimento. Assim, ocorrendo infração à legislação Fl. 959DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 9 8 tributária e conseqüentes tributos e acréscimos a adimplir, responderão os bens da empresa, sendo esta a executada. 91. Contudo, há situações em que a execução é redirecionada para o sóciogerente, isso na hipótese em que este tenha agido com excesso de poderes, infração à lei ou em infringência ao contrato social, ou ainda, em caso de dissolução irregular da sociedade. Essa a jurisprudência pacífica atualmente. 92. Entretanto, para que se efetive essa responsabilidade deverá ele o sóciogerente, ter agido com dolo, preenchendo algum dos requisitos prescritos no capul do art. 135 da CTN. 93. Esta responsabilidade tributária do sóciogerente de responder pela dívida com seus bens pessoais dependerá sempre, portanto, da prática ilegal de atos. 94. Assim, um sóciogerente da sociedade por cotas de responsabilidade limitada só terá a sua responsabilidade restringida à cota social se for diligente e agir consoante as normas estatutarias, legais ou contratada. 95. No caso em tela, os socios gerentes, Pedro Mathias Schweigert e Braz Eduardo Schweigert, promoveram a dissolução irregular da fiscalizada, porquanto se apurou a existencia de omissão de receita pela empresa enquanto em atividade, omissão esta provocada deforma dolosa. […] 100. Repetindo o que já dissemos parágrafos acima, não é admissível que as referenciadas omissões possam ser enquadradas como mero esquecimento, pois são receitas que ao longo do período de 2001 a 2004 somam o montante de RS 406.215,37, valor maior que o quíntuplo das receitas informadas pela fiscalizada, RS 76.697,00, em igual período. […] 103. Os parágrafos 32 a 35, por sua vez, traduzem a movimentação financeira realizada pela empresa nos anos de 2001 a 2004. As respectivas Declarações sobre a Contribuição sobre a Movimentação financeira DC PMF encontramse anexas (documento 11). 104. Esta movimentação financeira, montando a RS 30.778.024,74, esteve completamente fora da escrituração contábil da empresa administrada pelos sócios Pedro Mathias Schweigert e Braz Eduardo Schweigert. 105. Durante os anos de 2001 a 2004 a escrituração contábil da empresa sequer contemplava a existência de Fl. 960DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 10 9 uma conta "Bancos conta Movimento'' ou similar! A cópia dos livros contábeis em amxo confirma o alegado (anexo 01). 106. Entretanto, os sóciosgerentes acima nominados movimentavam as contas bancárias por onde transitavam os recursos que traduziam esta movimentação financeira, como comprovam à farta os cheques por eles emitidos, dos quais diversas cópias está anexadas a este termo (documento 14). […] 111. Ao dissolver a sociedade omitindo intencionalmente as receitas recebidas de instituições financeiras e a portentosa movimentação financeira acima descrita, apostaram os sócios na inércia do fisco que os livraria do pagamento dos tributos omitidos. 112. Limitar, pois, a responsabilidade dos sóciosgerentes à proporção de suas cotas de capital é afrontar o bom senso. E permitir aceitar que uma sociedade possa ser constituída, perpetrar infrações à legislação tributária durante um determinado interregno e em seguida dissolverse, tendo os sóciosgerentes limitada a sua responsabilidade somente até o montante de seu quinhão de capital. 113. No caso em tela, equivaleria limitar a responsabilidade dos sociosgerentes a RS 100.000,00 (cem mil reais), valor do capital social que a eles retornou, conforme distrato social. 114. Não se olvide ainda, por importante, que a par de ter infringido a legislação tributaria, ao omitir receitas e movimentação financeira, os referidos socios infringiram também a legislação civil, especificamente o artigo 1184 da Lei n° 10.406/2002, abaixo transcrita: "Art 1184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa." […] 116. Destarte, por haverem dissolvido de forma irregular a empresa Lecar Comércio de Automóveis Ltda. CNPJ 04.421.484/000100, da qual eram sóciosgerentes, inclusive com infração à lei civil, além da tributária, tornamse responsáveis solidários passivos Pedro Mathias Schweigert e Braz Eduardo Schweigert identificados ao início, nos termos do artigo 135. inciso 111 da Lei n° 5.172, Código Tributário Nacional. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 11 10 117. O presente Auto de Infração é emitido, portanto, em nome destes dois sócios. Os interessados Pedro Mathias Schweigert e Braz Eduardo Schweigert, nominados no Auto de Infração, apresentaram sua impugnação (fls.288 a 309) ao lançamento, que ora se reproduz, resumidamente: após descrever sumariamente o procedimento fiscal e as infrações apontadas (I Das Considerações Gerais), trazem para debate, preliminarmente, a questão de decadência, onde tecem suas considerações (Item II, fls.290 a 295) e concluem que o prazo a ser obedecido é o do §4° do art. 150 do CTN e não o do inciso I do art. 173; alegam, então, que "o período de débito compreendido neste procedimento, relativos aos IRPJ e seus reflexos, correspondem ao 1º Trimestre de 2001 ao 4º Trimestre de 2004, e CSLL, período dc 09.2003 a 12.2004. Assim, tendo a notificação da empresa sido realizada apenas em 06.12.2006, é de ser reconhecida a decadência relativamente aos fatos geradores anteriores a dezembro/2001." em outra questão preliminar Item III Ilegitimidade Passiva Da Nulidade Quanto ao Redirecionamcnto da Execução na Pessoa Jurídicas dos Sócios da Autuada, alegam o seguinte, resumidamente: que a Autoridade Administrativa entende de que a dissolução operada pela empresa LF.CAR COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA., se deu de forma irregular, mesmo tendo os sócios aqui REQUERENTES apresentado o Distrato Social desta empreia, encerrando/liquidando suas atividades, de forma voluntária, em 27.02.2004; entende que os sócios da referida empresa tomaramse responsáveis solidários passivos, nos termos do art. 135, III, do CTN, uma vez que concluem que tal dissolução se deu de forma dolosa, consoante arrazoado no Termo de Verificação Fiscal, item 95; que da observância do disposto no art.135, III do CTN, a responsabilidade pessoal atribuída aos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica somente se coaduna com a prática de atos em excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (transcreve a fl.296); notase, portanto, que o elemento indispensável para tal atribuição, ou seja, para o redirecionamento da responsabilidade da pessoa jurídica a seus sócios é o dolo, não bastando para tal a simples falta de pagamento do tributo ou como no caso em tela, o simples entendimento da Fiscalização de que a dissolução da sociedade se deu de forma irregular; sobre este fato, há de se ressaltar que o entendimento pacificado em nossos Tribunais de que se tem por Dissolução Fl. 962DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 12 11 irregular de uma sociedade "quando se constata que a empresa encerrou suas atividades sem o regular pagamento dos débitos e baixa nos órgãos próprios, ou mesmo, quando não é localizada para citação ou demais atos de execução" (TRF 3a R. DJU 09.06.2006) no caso presente o que se percebe é exatamente o oposto, uma vez que os sócios operaram a Dissolução Regular da referida empresa promovendo sua regular liquidação de acordo com os parâmetros legais, que protegem os interesses dos sócios e dos credores, junto a JUCESC, tendo apresentado Certidões Negativas de Débitos dos mais diversos órgãos públicos, inclusive da União e da SRF e PGFN; assim, para que seja possível a inclusão dos sócios da REQUERENTE no Pólo Passivo desta demando (sic), necessário se faz a comprovação, a cargo da SRF, sendo este seu ônus, em consonância ao preceito do art.333, I do CPC, de que se configurou uma das hipóteses em que o sócio passaria a ser responsabilizado, lembrandose que tal responsabilidade em nosso ordenamento jurídico é subjetiva e não objetiva; transcreve ementas de decisões judiciais (fls.297/298) a respeito do não cabimento da inclusão dos sócios da pessoa jurídica no pólo passivo da demanda, sem a devida demonstração de prova cabal, indissolúvel e induvidosa da suposta ação dolosa por parte dos sócios da REQUERENTE; assim sendo, é de se declarar nulo o redirecionamcnto da presente cobrança aos sócios da empresa por ilegitimidade passiva, mesmo porque a responsabilidade do sócio é limitada a sua quota parte na sociedade, salvo fraude, o que não é o caso. Neste sentido prescreve o artigo 1.052 do Código Civil: “Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social”. IV Da Utilização Arbitrária de Movimentação Financeira como Base de Cálculo para Apuração do Imposto; que, muito embora suas justificativas acerca das origem dos créditos bancários não tenham sido acolhidas, os requerentes efetivamente demonstraram de que tais créditos/movimentação bancária são derivados de serviço de garantia de pagamento para que pessoas físicas vendessem e adquirissem veículos; os requerentes efetivavam lançamento de cheques em garantia junto a concessionárias de veículos para que estes pudessem ser adquiridos por seus clientes, restando a esta, a título de receita, a diferença entre um e outro, deduzidas as despesas, conforme explanado à fiscalização; que não se contesta a faculdade inexorável do fisco efetuar a fiscalização por arbitramento, todavia deve ser feita em parâmetros coerentes e na forma do RIR (transcreve o art.284, fls.299/300); Fl. 963DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 13 12 contudo, o arbitramento praticado pela SRF tendo como base exclusivamente os extratos bancários dos requerentes é totalmente vedado consoante Súmula 182 do TFR (transcreve súmula e ementas de decisões judiciais, fls.300/302); V Da equiparação das Operações do Requerente como Operações de Consignação e da Aplicação do Percentual de Determinação da Base de Cálculo; que os requerentes utilizaram os índices corretamente, sendo que a distorção mencionada se deu por interpretação subjetiva da fiscalização; de fato, a Fiscalização, consoante o Termo de Verificação utilizou como critério para apuração da base de cálculo, a diferença entre o valor da receita de venda e o valor do custo de aquisição dos veículos, como sendo este equivalente ao valor da comissão recebida na operação de consignação por comissão; que do próprio §1° do art.2° da IN SRF 152/98 que regulamentou o disposto no art.5° da Lei 9.716/98, prevê de que: "§1° Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal dc entrada; data vênia, este critério não poderá ser levado em conta, uma vez que estes dados não refletem a REAL ESCRITA auferida pela requerente, portanto requer a anulação da autuação e a realização de perícia técnica contábil; VI Da Omissão das Receitas Comissões de Prestação de Serviços; que a presunção da notificação fiscal de que o fato das comissões recebidas pelos requerentes, através de financiamentos realizados pelos adquirentes dos veículos comercializados junto a diversas instituições financeiras, tratar se intencionalmente de fraudar a legislação tributária, é precipitada; o fato é que tais valores jamais foram apresentados à contabilidade dos requerentes para posterior informação ao fisco, uma vez que como se tratavam de valores já deduzidos de IRRF pela própria instituição financeira, e uma vez de que não lhe era solicitada nota fiscal dc serviço pela devida intermediação/indicação da instituição financeira ao cliente/adquirente do veículo financiado, restou erroneamente, de fato, o entendimento pelos gestores da empresa que nada mais necessitaria ser informado ao Fisco; o fato é que os requerentes concordam com o fato relativo a omissão de tais receitas, porém impugna de que tais omissões Fl. 964DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 14 13 tenham se dado em caráter doloso, com o fito de fraudar a legislação tributária; VII Da Aplicação das Multas nos Patamares de 75% e 150%; que as multas em questão ferem dispositivos constitucionais (transcreve a fl.304), pois tem efeito confíscatório; no tocante à aplicação da multa de 75%, alega que esta multa Irata de falta de pagamento e o que houve foi pagamento parcial com base em alíquota diversa que os requerentes entendiam aplicável à sua situação jurídica, portanto, pagamento, muito embora menor que o devido; assim sendo, não se coaduna com o comando na norma punitiva (transcreve ementa de decisão judicial neste sentido, fls.306/307); igualmente em se tratando da multa de 150%, requerente reitera que as omissões não se deram em caráter doloso, com o fito de fraudar a legislação tributária; que deverá ser aplicado o percentual de 20%, previsto na Lei 9.430/96, §2° do art. 61(transcreve às fls.305/306) e observado o disposto no art. 106, II, "c" do CTN (transcreve a fl.307); A 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de ilegitimidade passiva e, por força da ocorrência da decadência, cancelou o lançamento de IRPJ (com multa de ofício de 75%) correspondentes aos fatos geradores do 2º e 3º trimestres do ano calendário 2001, julgando procedente em parte o lançamento de IRPJ e procedentes os demais lançamentos constantes dos autos de infração que integram o presente processo. Os autuados foram devidamente cientificados do aludido Acórdão em 27/09/2007, conforme AR de fls. 364. Em 24/10/2007 apresentaram em conjunto o recurso voluntário de fls. 365392, reiterando as preliminares de decadência e de ilegitimidade passiva, bem como as alegações de mérito apresentadas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Da decadência A decisão de piso deu provimento à arguição de decadência do IRPJ referente aos fatos geradores do 2º e 3º trimestres do anocalendário 2001, consoante a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150 do CTN (parcela do lançamento com multa de ofício normal, de 75%). No entanto, em relação às contribuições sociais (CSLL, PIS e COFINS), o colegiado julgador a quo considerou que as mesmas estavam sujeitas ao prazo decadencial de 10 anos, consoante art. 45, I da Lei nº 8.212/91. No entanto, devese ter em conta o inteiro teor da Súmula Vinculante nº 8 do STF, verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. Consequentemente, considerandose que os presente lançamentos foram constituídos em 07/12/2006, é forçoso reconhecer o decurso do prazo decadencial em relação aos fatos geradores trimestrais da CSLL referentes ao 2º e 3º trimestres de 2001, bem como em relação aos fatos geradores mensais do PIS e COFINS anteriores ao mês de novembro de 2001 (inclusive). Ressaltese, por oportuno, que o presente reconhecimento da decadência vale apenas para os fatos geradores apenados com a multa de 75%, posto que para tais fatos geradores aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN. Para o caso das condutas que motivaram o lançamento da multa qualificada, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173 do CTN. Consequentemente, em relação a tais fatos geradores, não havia transcorrido o prazo decadencial. Da preliminar de ilegitimidade passiva Conforme relatado, os autuantes consideraram ter havido dissolução irregular da pessoa jurídica, promovida pelos sócios Pedro Mathias Schweigert e Braz Eduardo Schweigert. Tal fato teria tornado estes dois senhores responsáveis solidários passivos, nos termos do art. 135, III do CTN. Sobre o tema, assim se pronunciou o Termo de Verificação Fiscal, fls. 194, verbis: VII DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR Fl. 966DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 16 15 [...] 95. No caso em leia, os sócios gerentes, Pedro Afathias Schweigert e Braz Eduardo Schweigert, promoveram a dissolução irregular da fiscalizada, porquanto se apurou a existência de omissão de receita pela empresa em enquanto em atividade, omissão esta provocada de forma dolosa. [...] 100. Repetindo o que já dissemos parágrafos acima, não é admissível que as referenciadas omissões possam ser enquadradas como mero esquecimento, pois são receitas que ao longo do período de 2001 a 2004 somam o montante de R$ 406.215,37. valor maior que o quintuplo das receitas informadas pela fiscalizada. RS 76.697,00, em igual período. […] 103. Os parágrafos 32 a 35. por sua vez, traduzem a movimentação financeira realizada pela empresa nos anos de 2001 a 2004. As respectivas Declarações sobre a Contribuição sobre a Movimentação Financeira DCPMF encontramse anexas (documento II). 104. Esta movimentação financeira, montando a RS 30.778.024,74, esteve completamente fora da escrituração contábil da empresa administrada pelos socios Pedro Mathias Schweigert e Braz Eduardo Schweigert. 105. Durante os anos de 2001 a 2004 a escrituração contábil da empresa sequer contemplava a existencia de uma conta "Bancos conta Movimento " ou similar! A cópia dos livros contábeis em anexo confirma o alegado (anexo 01). 106. Entretanto, os sóciosgerentes acima nominados movimentavam as contas bancárias por onde transitavam os recursos que traduziam esta movimentação financeira, como comprovam à farta os cheques por eles emitidos, dos quais diversas cópias está anexadas a este termo (documento 14). [...] 111. Ao dissolver a sociedade omitindo intencionalmente as receitas recebidas de instituições financeiras e a portentosa movimentação financeira acima descrita, apostaram os sócios na inércia do fisco que os livraria do pagamento dos tributos omitidos. [...] 116. Destarte, por haverem dissolvido de forma irregular a empresa Lecar Comércio de Automóveis Ltda. CNPJ 04.421.484/000100. da qual eram sóciosgerenies, inclusive com infração à lei civil, além da tributária, tornamse responsáveis solidários passivos Pedro Mathias Schveitzer e Braz Eduardo Schveitzer identificados ao inicio, nos termos do Fl. 967DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 17 16 artigo 135, inciso III da Lei 5.172/66, Código Tributário Nacional. Em sua peça recursal, os contribuintes requerem a nulidade do redirecionamento da presente cobrança aos sócios da empresa por ilegitimidade passiva, por cconsiderarem que a responsabilidade do sócio é limitada a sua quota parte na sociedade, salvo fraude, o que não é o caso. Neste sentido, fez referência ao art. 1.052 do Código Civil. Não assiste razão aos recorrentes. Conforme bem apontado pela decisão de piso, os Srs. Pedro Malhias Schweigert e Braz Eduardo Schweigert eram os únicos sócios da empresa Lecar Comércio dc Automóveis Ltda, e os únicos que detinham poderes de gerir a sociedade, conforme previa o Contrato Social da Pessoa Jurídica, em seu art. 13° Da Administração, Sua Remuneração e Contabilidade. (fls. 016). Sobre o tema, posicionouse com clareza e objetividade a decisão de piso, fls. 351352: Podese, seguramente, afirmar que os atos de gerência destes senhores na administração da empresa supra (extinta), se praticados com dolo (que ensejaram o nascimento de relações jurídicotributárias), serão de sua exclusiva responsabilidade (pessoal) e de mais ninguém, afinal tratase dc uma sociedade de apenas duas pessoas, ou seja, estes administradores são os mandatários da sociedade. Diante de omissão reiterada de receita de serviços de sua atividade e de movimentação financeira à margem da contabilidade por quatros anos calendário (de 2001 a 2004), só se pode concluir, como fizeram os autuantes, que tal conduta tinha a intenção deliberada de fraudar a Fazenda Nacional e os responsáveis pelo dano causado foram, acertadamente, aqueles apontados pela Fiscalização, quais sejam os sócios da empresa, já extinta. […] O quadro a seguir, com valores indicados no Termo Fiscal, mostra a magnitude dos números e deixa bem claro o dolo dos: dirigentes da empresa extinta Fl. 968DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 18 17 Diante dos elementos de prova constantes dos autos, considero que não remanescem dúvidas de que a pessoa jurídica foi, de fato, dissolvida irregularmente, sem prévio pagamento dos tributos devidos em função de sua conduta deliberada de não demonstrar toda a receita de sua atividade e não registrar, de maneira reiterada (quatro anos calendários seguidos) sua portentosa movimentação financeira. Sobre a pretensão dos recorrentes de que a autuação recaísse sobre a pessoa jurídica já extinta, também se pronunciou com muita contundência a decisão recorrida, fls. 351352: Ora, ressaltese, que neste caso concreto, tal questão é irrelevante, pois, alem de a empresa já estar extinta, ela se confunde com seus proprietários, pois os sociosadministradores são os únicos beneficiários das transações da empresa extinta, eles eram os mandatários da empresa extinta e o resultado financeiro de seus atos ilícitos (impostos/contribuições sonegados) evidentemente que foi dirigido ao patrimônio destes sócios administradores. De forma que andou bem a Fiscalização, aplicando corretamente a legislação pertinente ao caso (o art. 135, III do CTN), pois mais que evidenciada a conduta dolosa dos sócios administradores da empresa extinta. Diante de todo o exposto, considero que a presente arguição de ilegitimidade passiva não merece ser acolhida. Da extensão da responsabilidade solidária dos sócios Em sua peça recursal, os autuados reiteraram o argumento de que a responsabilidade do sócio seria limitada a sua quota parte na sociedade, salvo fraude, o que não é o caso. Neste sentido, fez referência ao art. 1.052 do Código Civil. Também em relação a este tema, considero que não assiste razão aos recorrentes. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 354: Assim considerado, a responsabilidade do sócio não fica limitada à sua participação no capital da sociedade. É o que consta na legislação tributária (como mostrado) e na legislação civil (responsabilidade nas sociedades limitadas) e na doutrina: Lei n° 10.046, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) DA SOCIEDADE LIMITADA Art. 1.080. As deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos que expressamente os aprovaram. Da obra Comentários Ao Novo Código Civil Direito das Sociedades Volume IV, de Atila de Souza Leão Andrade Jr., Fl. 969DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 19 18 extraise os comentários acerca das exceções à limitação de responsabilidade dos sócios: (pág.113] A terceira exceção é a hipótese do cometimento de ilícito por parte dos sócios. Hipótese típica é a prevista no art. 10 do Dec. Nº 3.708 que regula as sociedades por quotas de responsabilidade limitada. Passa a ser ilimitada, se o sócio administrador violar a lei, o contrato social, ou atuar ultra vires (ou seja, em excesso de poderes) quando mandatário. Em qualquer dessas hipóteses, a sua responsabilidade é ilimitada e solidária. Na mesma categoria se situam os chamados comportamentos fraudulentos de sócios em qualquer espécie societária. Sobre o tema, é pacífica a orientação jurisprudencial no âmbito deste CARF, a qual pode ser exemplifica pelo seguinte Acórdão: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI De acordo com o contido no artigo 135 do Código Tributário Nacional, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Provada nos autos a utilização de interposta pessoa para fraudar o recolhimento de tributos federais, deve a responsabilidade tributária por tal ilícito recair sobre a pessoa física dos sócios de fato da pessoa jurídica. (Acórdão nº 108 08.938, de 10.11.2004, DOU de 02/06/2005) Diante do exposto, considero que em relação ao presente tema, o recurso voluntário não merece provimento. Do arbitramento do lucro Em sua peça recursal, os recorrentes alegaram que o arbitramento não poderia se dar exclusivamente com base em extratos bancários. Alegação desprovida de sentido, uma vez que no presente caso o arbitramento não utilizou os extratos bancários para fins de lançamento de IRPJ, conforme bem demonstra o enquadramento legal do auto de infração (art. 530 do RIR/99), conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 209. No caso concreto, a escrituração contábil da pessoa jurídica extinta não contemplava integralmente a movimentação financeira de contas bancárias de titularidade da empresa, conforme minuciosamente relatado no item III Do Arbitramento do Termo Fiscal (v. fls.179 a 182), verbis: 33. Não há, na escrita contábil relativa aos anos de 2003 e 2004, registro de escrituração de contas representativas de depósitos bancários. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 20 19 [...] 35. A discrepância entre os valores escriturados nos Livros Caixa e Razão — conta Caixa, e os movimentados nas referidas contas bancárias mostram ser impossível que a escrituração destes livros contemple a totalidade da movimentação financeira informada pelas instituições bancárias. [...] 37. Em que pese o fato do presente Auto de Infração e seu respectivo Termo de Verificação traduzirem o encerramento apenas parcial da fiscalização amparada pelo MPF 09.2.04.00 2006002944, ficando a apuração e o lançamento dos tributos eventualmente devidos decorrentes dos depósitos bancários não contabilizados para uma etapa posterior, 'definitivo que a escrita fiscal da fiscalizada contempla hipótese prevista pelo inciso II do artigo 530 do RIR. 38. É impossível, através da escrita contábil da fiscalizada, identificar a sua efetiva movimentação financeira. O livro Caixa, em 2001 e 2002, e o Livro Razão Conta caixa, em 2003 e 2004 (anexo 01), conforme já explicado no parágrafo 35 acima, mostram valores de movimentação financeira absolutamente incompatíveis com os constantes das DCPMF apresentadas pelas instituições financeiras nominadas no parágrafo 32, e cujas cópias constam deste Termo (documento 11). [...] 43. Destarte, por conter, a escrituração contábil, deficiências que a tornam imprestável para identificar a movimentação financeira da fiscalizada, o tributo será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, nos termos da alínea "a" do inciso II do artigo 530 do RIR. Como facilmente se observa, no caso sob análise o lucro arbitrado foi determinado com base na receita bruta conhecida (receita declarada e receita omitida), conforme dispõe o art.532 do RIR/99, transcrito no Termo Fiscal às fls. 182/183. Em outras palavras, no presente processo não utilizaram os extratos bancários para fins de lançamento de IRPJ e demais lançamentos decorrentes. Consequentemente, revelamse incabíveis as alegações recursais contra o procedimento do arbitramento do lucro. Diante do exposto, em relação ao presente tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Da equiparação das operações da requerente como operações de consignação e da consequente aplicação do percentual de 32% para determinação da base de cálculo Em sede recursal, as pessoas físicas autuadas reafirmaram que o critério considerado pelos autuantes não refletem a real escrita efetuada pela pessoa jurídica, razão pela qual reiterou o pedido de realização de perícia técnica contábil, novamente sem indicar o seu perito e sem apontar os quesitos que eventualmente pretendia ver respondidos. Alegou, Fl. 971DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 21 20 outrossim, que a decisão de piso teria deixado de apreciar o seu pedido de perícia, incorrendo em nulidade. Não procedem as alegações dos recorrentes. De plano, convém analisar o que dispõe o Decreto nº 70.235/72 acerca dos pedidos de perícia, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: […] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. […] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. No caso presente, claramente não foram preenchidos os requisitos previstos no art. 16, IV, de onde se conclui que o pedido de perícia deveria ser considerado como não formulado, desde a fase impugnatória. Ademais, os elementos constantes dos autos são amplamente suficientes para o deslinde da matéria, o que demonstra a desnecessidade de realização da perícia reclamada pelos recorrentes. Especificamente no que tange à equiparação das operações da requerente como operações de consignação e a consequente aplicação do percentual de 32% para fins de determinação da base de cálculo, convém destacar que tal método de apuração encontra amparo no art.5° da Lei 9.716/98. Conforme bem apontado pela decisão de piso, fls. 359, tal dispositivo permite a equiparação das operações de compra e venda de veículos automotores com a operação de consignação (opção confirmada pela empresa, conforme Termo de Inicio de Fiscalização, fls. 06/10, e declaração da empresa, fls. 21, dada pelo sócio). A decisão de piso analisou esta matéria com muita objetividade e precisão, fls. 359: Dc forma que com base no levantamento feito pela empresa (fls.63 a 91), apurouse a parcela, então tributável, que foi objeto da aplicação do percentual de 32%, típico à njtureza do serviço prestado, conforme já destacaram os autuantes no Termo Fiscal (fls.178/179) uma vez que na DIPJ apresentada havia sido utilizado indevidamente o coeficiente de 8%, sendo despropositada a realização de perícia contábil conforme alegado. Este é o percentual (32%) aplicável nestas situações, conforme entendimento já pacificado da SRFB [...] Fl. 972DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 22 21 Tratase, outrossim, de matéria já sumulada no âmbito deste CARF: Súmula CARF nº 85: Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. Diante do exposto, também em relação a este tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Da omissão de receitas e da exigibilidade das multas de ofício Em sua peça recursal, repetindo o que fora alegado na fase impugnatória, os autuados reconheceram expressamente que as receitas em questão não foram contabilizadas, por entenderem que não havia necessidade de informálas ao Fisco, uma vez que as instituições financeiras já o haviam feito. Reafirmaram que tais valores não tinham sido apresentados à contabilidade, mas que não teria havido a intenção de fraudar o Fisco. Alegaram, outrossim, que as multas de ofício, tanto no percentual de 75% quanto no percentual qualificado de 150%, são inconstitucionais, por apresentarem inegável efeito confiscatório. Conforme já analisado no corpo do presente voto, a omissão de receitas da própria atividade da empresa, por quatro anos calendário seguidos, denota claramente a sua intenção de não oferecer à tributação aquelas receitas. Tal fato motivou a qualificação da multa de oficio, conforme disposto no Termo Fiscal (fls. 183185). Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão recorrida, fls. 360 As instituições financeiras cumpriram o que lhe era devido fazer, ou seja, entregaram suas DIRF (fls.150 a 169) onde consta a empresa extinta como beneficiária dos rendimentos, então omitidos, os quais, pela legislação tributária, deveriam compor a receita bruta total para fins de apuração do imposto devido, ocasião em seriam deduzidos do imposto retido na fonte (destaquese que estes foram deduzidos na apuração fiscal do lançamento). De forma que não se pode atribuir à situação constatada, uma simples falta de atenção à legislação tributária ou que os documentos não lhe foram conhecidos. Especificamente no que diz respeito aos percentuais das multas de ofício, importa frisar que este este colegiado não possui competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade, conforme Súmula nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos temas sob análise, concordo inteiramente com o entendimento expresso pelas autoridades autuantes e corroborado, à uninimidade, pelo colegiado julgador a quo. Consequentemente, também em relação aos presentes temas, considero que o recurso voluntário não merece ser provido. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13971.002116/200641 Acórdão n.º 1401001.475 S1C4T1 Fl. 23 22 Lançamentos decorrentes Os lançamentos referentes à CSLL, PIS e COFINS, constituem meros reflexos das mesmas irregularidades identificadas em relação ao IRPJ. Assim sendo, em vista da íntima relação de causa e efeito, o que restou decidido em relação ao lançamento principal (IRPJ) deve aplicarse por inteiro em relação aos lançamentos que lhe são decorrentes. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitas as preliminares, considerar não formulado o pedido de perícia e dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, apenas para reconhecer o decurso do prazo decadencial da CSLL referente ao 2º e 3º trimestres de 2001, bem como em relação aos fatos geradores mensais do PIS e COFINS anteriores ao mês de novembro de 2001 (inclusive), apenas em relação às infrações punidas com multa de 75%. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 974DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 3/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 16327.001732/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2005
DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA.
O Ato Administrativo de lançamento requer seja produzida a prova da ocorrência de fato que, inequivocamente, se subsuma à hipótese descrita pela norma jurídica. A glosa em bloco de contas de despesas, especialmente, como é o caso dos autos, de contas representativas de despesas que, por definição, são de natureza operacional e que estão entre as de maior vulto em instituição financeira, demonstra a falta de aprofundamento da ação fiscal, entre outros equívocos, o que denota a fragilidade em parte dos lançamentos efetuados.
DESPESAS REGISTRADAS ANTECIPADAMENTE.
Se os documentos reunidos pelo contribuinte, inclusive os de emissão dos próprios prestadores dos serviços, autorizam concluir que os gastos foram contabilizados observando-se o regime de competência, há que se cancelar a exigência relativa a glosa de despesas.
GLOSA DE DESPESAS. ESTORNOS
Se um registro de despesa foi posteriormente estornado, então, não produziu qualquer efeito no resultado fiscal da empresa. Não há que se perquirir, pois, a sua comprovação. O estorno é o expresso reconhecimento de sua inexistência e visa a anular os efeitos do registro original.
ADMISSÃO DE DOCUMENTOS ACOSTADOS EXTEMPORANEAMENTE. COMPLEMENTAÇÃO DE PROVAS TIDAS POR INSUFICIENTES.
Na situação em que os demonstrativos acostados aos autos com a impugnação foram considerados insuficientes para provar a alegação, inclusive por falta de clareza, podem ser admitidos em fase recursal novos demonstrativos e/ou outros documentos com maiores detalhes e esclarecimentos, com o objetivo de complementar a prova anterior e tempestivamente apresentada. As regras da preclusão processual devem ser temperadas com o princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1301-002.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA. O Ato Administrativo de lançamento requer seja produzida a prova da ocorrência de fato que, inequivocamente, se subsuma à hipótese descrita pela norma jurídica. A glosa em bloco de contas de despesas, especialmente, como é o caso dos autos, de contas representativas de despesas que, por definição, são de natureza operacional e que estão entre as de maior vulto em instituição financeira, demonstra a falta de aprofundamento da ação fiscal, entre outros equívocos, o que denota a fragilidade em parte dos lançamentos efetuados. DESPESAS REGISTRADAS ANTECIPADAMENTE. Se os documentos reunidos pelo contribuinte, inclusive os de emissão dos próprios prestadores dos serviços, autorizam concluir que os gastos foram contabilizados observando-se o regime de competência, há que se cancelar a exigência relativa a glosa de despesas. GLOSA DE DESPESAS. ESTORNOS Se um registro de despesa foi posteriormente estornado, então, não produziu qualquer efeito no resultado fiscal da empresa. Não há que se perquirir, pois, a sua comprovação. O estorno é o expresso reconhecimento de sua inexistência e visa a anular os efeitos do registro original. ADMISSÃO DE DOCUMENTOS ACOSTADOS EXTEMPORANEAMENTE. COMPLEMENTAÇÃO DE PROVAS TIDAS POR INSUFICIENTES. Na situação em que os demonstrativos acostados aos autos com a impugnação foram considerados insuficientes para provar a alegação, inclusive por falta de clareza, podem ser admitidos em fase recursal novos demonstrativos e/ou outros documentos com maiores detalhes e esclarecimentos, com o objetivo de complementar a prova anterior e tempestivamente apresentada. As regras da preclusão processual devem ser temperadas com o princípio da verdade material.
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GLOSA. O Ato Administrativo de lançamento requer seja produzida a prova da ocorrência de fato que, inequivocamente, se subsuma à hipótese descrita pela norma jurídica. A glosa em bloco de contas de despesas, especialmente, como é o caso dos autos, de contas representativas de despesas que, por definição, são de natureza operacional e que estão entre as de maior vulto em instituição financeira, demonstra a falta de aprofundamento da ação fiscal, entre outros equívocos, o que denota a fragilidade em parte dos lançamentos efetuados. DESPESAS REGISTRADAS ANTECIPADAMENTE. Se os documentos reunidos pelo contribuinte, inclusive os de emissão dos próprios prestadores dos serviços, autorizam concluir que os gastos foram contabilizados observandose o regime de competência, há que se cancelar a exigência relativa a glosa de despesas. GLOSA DE DESPESAS. ESTORNOS Se um registro de despesa foi posteriormente estornado, então, não produziu qualquer efeito no resultado fiscal da empresa. Não há que se perquirir, pois, a sua comprovação. O estorno é o expresso reconhecimento de sua inexistência e visa a anular os efeitos do registro original. ADMISSÃO DE DOCUMENTOS ACOSTADOS EXTEMPORANEAMENTE. COMPLEMENTAÇÃO DE PROVAS TIDAS POR INSUFICIENTES. Na situação em que os demonstrativos acostados aos autos com a impugnação foram considerados insuficientes para provar a alegação, inclusive por falta de clareza, podem ser admitidos em fase recursal novos demonstrativos e/ou outros documentos com maiores detalhes e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 32 /2 01 0- 54 Fl. 9916DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 esclarecimentos, com o objetivo de complementar a prova anterior e tempestivamente apresentada. As regras da preclusão processual devem ser temperadas com o princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 9917DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada foram apurados os fatos descritos a seguir e, em decorrência lavrados auto de infração relativo a IRPJ (R$ 60.428.800,43) e CSLL (R$ 21.754.368,13, incluídos juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício de 75%. 1. Da ação fiscal A ação fiscal teve como objetivo verificar os valores informados na linha 30 – “Outras Despesas Operacionais” da ficha 05B – “Despesas Operacionais PJ Componente do Sistema Financeiro”, no valor de R$2.503.606.463,14, da DIPJ do ano calendário 2005. A contribuinte foi intimada a apresentar a decomposição das contas que compõem o referido valor, e comprovar as despesas selecionadas em cada conta Cosif (relacionadas às fls.3134 e 5999). Após análise da documentação apresentada relativa às despesas operacionais em tela, a fiscalização constatou que a contribuinte não apresentou documentos que pudessem justificar os lançamentos nas correspondentes contas de despesas, ou então o fez de maneira insatisfatória. 2. Da não comprovação dos valores informados em “Outras Despesas Operacionais” Detalhase a seguir, as contas de despesas operacionais não comprovadas pela contribuinte (documentação em CD acostadas aos autos), com os respectivos valores por conta: 2.1) Conta Cosif 8.1.7.24.006 Despesas de Materiais. Relação (Rel.) 1: razão 0506, conta 00000116. Desp. Mat. Plásticos Outros Cart.(R$15.730.233,53): segundo a empresa, os valores referemse a apropriação de despesas pelas emissão dos cartões de crédito/débito dos clientes do Banco, tendo como contrapartida a conta do ativo de despesas antecipadas. Portanto, não se referem a provisões de despesas, mas ao registro contábil da despesa pelo regime de competência. A contribuinte apresentou Demonstrativos, fichas de controle de estoque (de parte dos valores) e notas fiscais de aquisição de materiais, as quais não correspondem aos valores contabilizados nessa conta. Rel. 2: razão 0506, conta 00000035. Despesas de Materiais Gráficos (R$229.786,30): segundo a empresa, os valores referemse a reclassificações contábeis entre as contas de despesas. Apresentou demonstrativos emitidos pelo Departamento de Cartões do Bradesco. Rel. 3: razão 0506, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$548.234,90): a empresa enviou documentos de uso interno, referentes a ajuste contábil, reclassificação de Fl. 9918DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 lançamento, estorno parcial de lançamento, transferência entre contas e contabilização de provisão. Rel. 4: razão 0506, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$8.399.849,11): segundo a empresa, os valores referemse ao consumo de materiais pela rede de agências e dependências administrativas do Banco. Apresentou extratos de contas contábeis, explicação da forma de contabilização e notas fiscais de entrada de estoque, todos sem relação com as despesas em tela. Posteriormente, a empresa enviou cópia do razão, notas fiscais e documentos referentes à aquisição de materiais, demonstração do fluxo contábil da aquisição, estoque e consumo dos materiais. Todavia: a) não foi apresentado o batimento do saldo de R$2.191.474,35 da conta Cosif 1.9.8.40.000 – “Materiais em Estoque” com as correspondentes notas fiscais de aquisição. b) não foram enviadas as notas fiscais que compõem esse saldo, nem as fichas de estoque por tipo de material (saldo em 03/01/2005) com os respectivos valores. c) não foram apresentadas todas as notas fiscais contabilizadas na conta de Material em Estoque, para comprovar a aquisição e dar suporte para as saídas através de requisições. A contribuinte apresentou apenas 31 notas fiscais, que envia a título de amostragem, as quais são escuras e contêm falhas, dificultando a leitura do inteiro teor desses documentos. d) não foram apresentadas fichas de estoque contendo a movimentação de entradas e saídas de materiais no ano de 2005, por tipo de material, cujos valores deveriam ser identificados com os contabilizados na conta Material em Estoque da agência 42307, razão 16/37, Conta 00000027. e) não foram apresentadas as requisições de materiais emitidas semanalmente pelas agências e dependências, as quais seriam consolidadas pelo Departamento de Materiais, conforme resposta da contribuinte às fls. 188. Rel. 5: razão 0505, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$325.345,59): segundo a empresa, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência em contrapartida à conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. A empresa enviou demonstrativo das contabilizações e respectivos razões contábeis. 2.2) Conta Cosif 8.1.7.66.002. Despesas de Transporte Rel. 6: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transp.de Valores (R$327.709,20): não foi atribuído pela empresa nenhum histórico para esta conta. A empresa apresentou cópia de fatura parcialmente ilegível, não fazendo prova desse lançamento. Rel. 7: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transportes de Valores (R$1.236.944,66): a empresa informou que contabilizou os serviços prestados em 12/2005 pelo regime de competência, ocorrendo os pagamentos em 2006. As notas fiscais anexadas pela empresa foram emitidas, em parte, no ano de 2006. tratandose de regime de competência, essas notas não podem ser aproveitadas no ano de 2005, pois referemse a outro período. Rel. 8: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transp. Valores (R$1.996.592,49): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, os documentos apresentados pela empresa estão parcial ou totalmente ilegíveis, ou não Fl. 9919DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 13 5 conferem com os valores dos lançamentos, ou já haviam sido aproveitados para comprovação do mesmo valor de outro período. Rel. 9: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transportes de Valores (R$10.886.387,19): segundo a contribuinte, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência à contrapartida de conta de provisão de despesas. No pagamento da despesa é revertido o lançamento. Apresentou notas fiscais, razões das contas “Provisão Outras Despesas Administrativas” e “Despesas de Transportes de Valores”, demonstrativo contendo os lançamentos nessas contas, e extrato da conta “Provisão Outras Despesas Administrativas”. A documentação apresentada comprovou parte dos valores, restando pendente de comprovação o valor de R$10.886.387,19. Rel. 10: razão 0573, conta 00000213 – Desps. C Contratação de Transportes (R$3.719.614,55): segundo a contribuinte, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência tendo como contrapartida a conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. Apresentou extrato contendo os lançamentos em questão. Rel. 11: razão 0573, conta 00000116 – Desp. Transp. Compensação Integra (R$24.188.926,89): a empresa informa que essa conta registra a despesa de malotes compartilhados relativos à compensação entre todas as instituições financeiras do território nacional. Anexou documentos, lançamentos contábeis e mapas de rateio da Febraban. A documentação apresentada não comprovou os lançamentos dessas despesas. Rel. 12: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transportes de Valores (R$7.343.330,78): segundo a empresa, os valores referemse a despesas de transporte de numerário. Portanto, não se referem a provisões de despesas, mas sim ao registro contábil da despesa pelo regime de competência. Anexa comprovantes das despesas, ficha contábil, boletos de transporte, relatórios e planilhas de controle interno. Rel. 13: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transportes de Valores (R$155.424,32): a contribuinte informa que houve reclassificação departamental, e apresentou documentos internos e extrato da conta Desp. de Transp. De Valores. Rel. 14: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transp. Valores (R$2.932.231,72): a contribuinte apresentou documentos de parte das despesas apenas. Além disso, os documentos apresentados pela empresa estão ilegíveis, impedindo sua análise. Posteriormente, a empresa informou que as despesas são contabilizadas pelo regime de competência debitandose a conta de despesa e creditandose a conta de provisão. Por ocasião do pagamento, os lançamento são revertidos. Apresentou documentação interna, relações, planilhas e estorno de provisão. Rel. 15: razão 0573, conta 00000213 – Desp. C Contrat. Transp. (R$332.108,88): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, alguns documentos não conferem com os valores dos lançamentos, ou já haviam sido aproveitados para comprovação do mesmo valor de outro período. Posteriormente, a empresa apresentou ficha de despesas, relatórios de despesas sem comprovantes, planilhas, mapas, relações, Contrato de Coleta e Entrega de Malotes Via Transporte Terrestre firmado entre Transmalotes São Judas Ltda e Federação Brasileira de Bancos – Febraban, de 17/10/2010, Fl. 9920DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 sem assinatura das partes, e extratos das contas “Desp. de Transp. de Valores” e “Desp. C/Contratação de Transp.”. 2.3) Conta Cosif 8.1.9.99.006 Despesas Diversas Rel. 16: razão 0505, conta 0256 – Despesas Gerais – Perdas Diversas (R$1.760.067,82): a empresa apresentou extrato p/simples conferência do razão” contendo lançamentos com o histórico “Despesas de Lctos Internos”, cujo saldo diverge do valor de R$1.760.067,82. Rel. 17: razão 0505, conta 0213 – Repasse de Anuidade Cartões Afin (R$500.000,00): tratase de contrato para emissão de cartões afinidade firmado com a empresa Four Team Ltda. Para tanto, foi paga a importância de R$500.000,00 como adiantamento da venda de 50.000 cartões, sendo a 1ª parcela de R$250.000,00 (nota fiscal de serviço nº 173, emissão de 01/07/2003) e a 2ª parcela de R$250.000,00 (nota fiscal de serviço nº 180, emissão 15/07/2003). A contribuinte contabilizou tais valores como antecipação e somente quando houve a rescisão do contrato firmado em 30/05/2003, através do Instrumento Particular de Quitação Recíproca, de emissão de 13/07/2005, baixou o valor de R$500.000,00 da conta que representa a antecipação para a conta de despesas de Repasse de Anuidade Cartões em 07/2005. Analisando correspondência interna Bradesco de 10/06/2005, verificase que o objetivo do desembolso era um adiantamento para venda futura de 50.000 cartões, porém só foram vendidos 128 cartões até a 05/2005. Assim, essa despesa não foi incorrida, por não haver existido. O que houve foi apenas o registro contábil como despesas antecipadas no ativo, quando do pagamento, mas seu fato gerador não ocorreu (não foram incorridas) pelo fato já citado, o que torna essa despesa indedutível para efeitos fiscais. 2.4) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Desp. Bônus – Cartão Crédito Rel. 18: razão 0581, conta 86 – Bônus Programa Cartão Platinum (R$959.981,34): a empresa enviou cópias de tela de “Gerenciador de contas contábeis”, de detalhes da operação e de histórico do processo, e extrato da conta “Bônus Programa Cartão Platinum”. Rel. 19: razão 0581, conta 27 – Bônus Cartão Volkscard (R$503.384,37): a empresa informa que os portadores desse cartão acumulam pontos, os quais são usados para quitar parte do pagamento de veículos da marca Volkswagem. A Bradesco Cartões efetua os pagamentos dos regates de Bônus por meio de TED, mediante relação fornecida pela Volkswagem do Brasil Ltda. contendo os dados dos clientes. Apresenta (i) demonstrativo no qual consta provisão mensal Cartão Volkscard dos valores contabilizados como despesas, (ii) solicitação do Departamento de Cartões dirigida à Diretoria do Bradesco para emissão de TED para ressarcimento de certificados resgatados no Programa de Bônus desse cartão. Posteriormente, apresentou cópia dos TED para a Volkswagen e Instrumento Particular de Contrato de Emissão de Cartão de Crédito, firmado entre o Bradesco e a Volkswagen do Brasil Ltda, contendo cláusula de “bônus de 5% sobre o valor das compras realizadas pelo Associado com o Volkscard, cujo bônus deverá ser utilizado na compra de um veiculo novo marca Volkswagen” e “o Banco provisionará internamente 1% do valor das compras efetuadas com o Volkscard e efetivamente pagas.” Na documentação apresentada, a contribuinte não informa os modos de aferição do bônus de 5% sobre o valor das compras efetuadas pelos associados, e da provisão de 1% sobre o valor das compras efetivamente pagas, bem como não disponibiliza a contabilização das mesmas. Além disso, os TED apresentados não espelham a realidade da despesa, e os valores contabilizados como despesa não conferem em data e valor com os respectivos TED. Fl. 9921DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 14 7 2.5) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Desp. c/ Cartões Crédito Rel. 20: razão 5506, conta 19 – Desp. Taxa Interc. C. Crédito (R$4.196.391,63): segundo a empresa, a conta registra os pagamentos efetuados à bandeira “Cartões Visa”, relativos aos custos mensais incorridos pela utilização dos cartões de crédito Visa pelos clientes do Bradesco. A contribuinte registra mensalmente pelo regime de competência as despesas incorridas, ocorrendo os pagamentos no dia 15 do mês subseqüente mediante débito em conta corrente do Bradesco no exterior. Apresenta faturas da Bandeira Visa, relatórios e extratos bancários da conta corrente do Bradesco no exterior. Não há nesses documentos vinculação com as despesas em tela, nem comprovação do efetivo pagamento a título “Cartão Visa”, tampouco comprovação de fechamento de câmbio. Os documentos apresentados em língua estrangeira, para terem legitimidade, necessitam de tradução em língua portuguesa por tradutor juramentado, conforme art.157 do Código de Processo Civil. Rel. 21: razão 5506, conta 35 – Tx Trim Cart. Crédito Visa (R$5.321.194,29): a empresa apresentou planilhas, lançamentos contábeis, correspondência interna, documento de transferência financeira do exterior, tabelas e demonstrativos. As datas e valores constantes de tais documentos, cuja maior parte é de natureza interna, não coincidem com os lançamentos contábeis. Rel. 22: razão 5506, conta 43 – Desp. Tx Trim. C. Créd. Ma (R$2.395.406,42): a empresa apresenta extrato das contas 40258 “Desp. Taxa Trimestral C. Créd. Ma” e 40258 “Provisão Pagto. Efetuar Taxa Trimestral”, planilhas, correspondência interna, boletos de pagamento e notas fiscais. As datas e valores das notas fiscais apresentadas divergem dos contabilizados na conta em questão. Além disso, a contribuinte enviou notas fiscais emitidas em 2006, sendo que o solicitado foram documentos do ano de 2005. Rel. 23: razão 5506, conta 78 – Desp. Tit. Capital Cartão de Crédito (R$600.952,95): a empresa foi intimada a comprovar tais despesas porém não encaminhou nenhum documento comprobatório desses valores. Rel. 24: razão 5506, conta 124 – Tx S Serviço Isa Visa (R$570.660,63): a empresa enviou planilhas e lançamentos contábeis. 2.6) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Despesas Diversas Rel. 25: razão 0505, conta 00000302 Desp. Regularização Documentos (R$1.865,00): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, os documentos apresentados referemse a classificação contábil e reclassificação de contas. Rel. 26: razão 0505, conta 00001023 – Emolumentos Judiciais Cartorário (R$25.594,38): a empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. Rel. 27: razão 0505, conta 00001023 – Emolumentos Judiciais Cartorário (R$14.970,80): a empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. Rel. 28: razão 0505, conta 00001015 – Associações de classes (R$1.430.501,91): a documentação apresentada pela empresa relativa à contribuição extraordinária Projeto Cisternas 2004 – parcelas de R$839.999,01 e R$108.416,29 é insuficiente para comprovação da dedutibilidade dessas parcelas. As despesas, para serem dedutíveis, devem ser necessárias, usuais e ter estrita conexão com a atividade explorada e com Fl. 9922DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 a manutenção da respectiva fonte de receita. Com relação aos valores de R$25.240,00 e R$456.846,61, não foi apresentado nenhum documento para comprovar os valores em tela, os quais foram feitos por liberalidade da empresa, não sendo despesas dedutíveis na forma do art. 13 da Lei n° 9.249/95. Rel. 29: razão 0505, conta 00000302 – Desp. Regularização Documentos (R$2.627.010,38): a contribuinte apresentou documentos relativos a pagamentos de taxas no Detran de veículos em nome de terceiros e documentos internos (listagem de pagamentos, relatório de pagamentos, planilhas e pesquisas). Para comprovarem as despesas em tela, os documentos contábeis e fiscais devem ser emitidos em favor de quem efetivamente contratou o serviço ou adquiriu a mercadoria, devendo o documento ser hábil, idôneo e coincidente em datas e valores com as despesas contabilizadas, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte também não comprovou a necessidade, usualidade ou normalidade dos valores em análise. Rel. 30: razão 0505, conta 00000280 – Desp. C Assim. P Consulta de Infor (R$164.290,80): a empresa informou essas despesas são apropriadas pelo regime de competência tendo como contrapartida a conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. A contribuinte não comprovou esse valor, limitandose a apresentar o extrato da conta Provisão Outras Despesas Administrativas e o fluxo de contabilização dessas despesas. 2.7) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Despesas de Perdas Diversas Rel. 31: razão 0528, contas: 006P – Desfalques c/c Ativa (R$1.626.371,75); 0426 Lançamentos Indev. em C/C (R$1.664.611,01); 5193 – DesfalquesTrib. e taxas s/CAG (R$1.219.178,36); e 5843 Furtos Recinto da AgênciaS/C AG (R$2.221.318,27): a empresa apresentou extrato contendo lançamentos e histórico “Bx.autorizada em Despesa”. A empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. No caso de desfalques ou furtos, há que ser observado ainda o art. 364 do RIR/99, que determina, para dedução dos prejuízos com desfalque, a apresentação de queixa perante a autoridade policial. Do exposto, constatase que, embora tenham sido dados prazos e condições suficientes para apresentação dos documentos solicitados, a empresa não comprovou, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores conforme determina a legislação de regência, os lançamentos efetuados nas referidas contas de despesas operacionais, no total de R$106.136.472,22. A manutenção da escrituração com observância das leis comerciais e fiscais é condição necessária, mas não suficiente, para a dedutibilidade de despesas. É necessário que os valores registrados na contabilidade sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, conforme o art.2º do Decreto nº 64.567/69, sob pena de serem desconsiderados pela fiscalização. A contabilidade e sua aplicação têm como normas balizadoras a rigorosa fidelidade aos fatos de gestão da empresa e o embasamento obrigatório em documentação hábil e idônea, conforme o art. 264 do RIR/99. Cabe exclusivamente à empresa a prova de que os registros efetuados em sua escrituração correspondem aos fatos realmente ocorridos em sua gestão, com base em documentação hábil e idônea pertinente à matéria. Ressaltese que documentos internos não fazem prova a favor da contribuinte. Fl. 9923DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 15 9 Assim, tornase necessária a constituição do correspondente crédito tributário para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, em razão de constatação de infração à legislação do IRPJ e CSLL no ano calendário de 2005. Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 360/414, acompanhada dos documentos de fls. 415/8788, alegando em síntese que: 1. Do cerceamento de defesa e da nulidade dos autos de infração A impugnante entregou os livros balancetes diários do ano calendário 2005 à fiscalização em 08/06/2010, permanecendo até o momento na posse desses livros. A prova de determinada despesa tem por base o documento retido pela fiscalização, porém a fiscalização não juntou cópia integral dos livros aos autos, impedindo a análise dos documentos pela empresa, a fim de que esta compreendesse a matéria de fato, elaborasse a defesa e comprovasse fatos cuja prova estaria nos livros retidos pela fiscalização. Houve cerceamento de defesa, sendo nula a autuação, a teor do art.59 do Decreto nº 70.235/72. 2. Da juntada de documentos após a apresentação da impugnação No caso dos autos, a prova documental pode ser juntada posteriormente à impugnação por motivo de força maior, conforme art.16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, pois os livros estavam em poder da fiscalização, impedindo a empresa de juntálos à impugnação e de confrontar os lançamentos contábeis com os documentos apresentados à fiscalização. Assim, protesta a impugnante pela juntada de prova documental a posteriori, após a devolução de seus livros pela fiscalização. 3. Do mérito O método de trabalho adotado pela fiscalização fere a legislação. Documentos emitidos por terceiros foram tratados como se fossem emitidos pela própria impugnante, os quais foram considerados inidôneos por serem de emissão própria. A fiscalização pinçou lançamentos específicos, tirandoos do contexto da conta em que estão inseridos e exigindo comprovantes discretos. Isso fez com que lançamentos a crédito fossem glosados com despesa, e que em certa conta a glosa fosse maior que o saldo da conta levada ao resultado do exercício. Toda a despesa de transportes da impugnante com os malotes de compensação integrada foi glosada, demonstrando que a glosa é ilegal, pois algum custo esse transporte terá tido. A escrituração da impugnante merece credibilidade, fazendo prova a seu favor conforme o § 1º do art.9º do Decreto Lei nº 1.598/77, pois, do total de despesas lançado na linha 30 da ficha 05B da DIPJ (R$2.503.606.463,14), apenas 4,23% (R$106.136.47,22) foram glosadas. Fl. 9924DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 A fiscalização não auditou os fatos contábeis reais, considerando como sem comprovantes despesas que foram legitimamente provadas. A apropriação de despesas pelo regime de competência exige a contabilização dos desembolsos no ativo. À medida em que o consumo acontece, esses valores vão sendo apropriados gradualmente ao resultado do exercício. No caso dos materiais de consumo, o custo será igual ao estoque inicial mais compras menos o estoque final. As despesas são distribuídas pelas respectivas agências, de modo que a contabilidade possa servir também como ferramenta de gestão. Ao se apropriarem as despesas por competência, essas despesas têm que ser distribuídas corretamente pelas agências, para que a gerência do negócio possa saber o resultado em cada uma delas. Para contabilizar a aquisição de materiais ou serviços a prazo, a impugnante constituía uma provisão para o pagamento do respectivo valor, lançando a despesa em contrapartida ao registro da obrigação no passivo. Para materiais de consumo o registro era feito na conta de estoques do ativo, da mesma forma que os serviços aproveitáveis em mais de um exercício eram registrados em despesas antecipadas no ativo. Tal lançamento refletia a despesa incorrida, ainda não paga, aparecendo no histórico como “provisão”, sendo uma provisão para pagamento, e não uma provisão de despesa (essa já foi incorrida). No pagamento eram efetuados dois lançamentos, sendo que o primeiro (histórico “estorno”), estornava o lançamento original feito no recebimento da mercadoria ou serviço, creditandose a conta de despesa ou de ativo anteriormente debitada e debitandose o valor provisionado no passivo para pagamento. Ao final, o lançamento original se anulava, não havendo efeito no resultado do exercício. O segundo lançamento (histórico “Contas a pagar SAP”) decorrente do pagamento registrava a saída de caixa do valor pago, em contrapartida a um débito na conta creditada no lançamento anterior para restabelecer, à conta de despesas (ou de estoque ou de despesas antecipadas), seu valor real e efetivo, respeitando o regime de competência. A fiscalização selecionou lançamentos com a palavra provisão, sem levar em conta que se tratavam de lançamentos provisórios, estornados, sem efeito no resultado do exercício. Para comprovar as despesas em tela, a empresa apresentou à fiscalização o sistema contábil utilizado e o contexto no qual se inseria cada lançamento objeto da intimação, com os respectivos documentos. Mostrou ainda notas fiscais de compras, requisições dos materiais aos estoques e a apropriação das despesas nas respectivas agências. Colocouse à disposição da fiscalização para abrir todo o sistema e apresentarlhe cada um dos documentos que desejasse. Em se tratando do manuseio de centenas ou milhares de documentos, é impossível separar os documentos para uma centena de lançamentos, devendo a fiscalização ser feita no local onde estão os documentos, por amostras que possam dar respaldo e certeza sobre o sistema e os procedimentos adotados. A fiscalização não examinou o sistema da impugnante para controle das despesas apropriadas pelo regime de competência, exigindo o impossível da contribuinte, e impondo a exação. Esse procedimento foi realizado na apuração dos valores constantes de 11 relações de lançamentos (a saber, relações 1 a 5, 7, 9, 10, 12, 25 e 30), num total de R$48.565.882,41, cujas glosas são baseadas na ausência de documentação comprobatória emitida por terceiros. Não existe nota fiscal, recibo ou documento assemelhado para a despesa Fl. 9925DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 16 11 que é baixada do ativo por competência. A fiscalização deveria analisar as planilhas de apropriação apresentadas pela empresa com as notas fiscais de aquisição e as planilhas dos estoques iniciais e finais, verificando que esses lançamentos estavam estornados. Para as outras 20 relações de lançamentos (total de R$57.570.589,81), embora tenham sido apresentados documentos que permitem sua dedutibilidade, a impugnante apresenta documentos adicionais. A seguir, analisase cada relação de lançamentos: Relação 1: a intimação de fls. 29 a 33 demonstra que o total das despesas da conta 00000116 é de R$15.109.348,17, porém a glosa efetuada foi de R$15.730.233,53. A fiscalização não identificou como a empresa controla as despesas com materiais de consumo. As compras de materiais são debitadas em uma conta de estoque em contrapartida ao provisionamento para pagamento. Na sequência, consumindose a mercadoria nas agências, creditase a conta de estoque no ativo e debitase a conta de despesas, correspondente ao custo da mercadoria consumida. Nas compras a prazo, a formação do estoque passa por três lançamentos: o primeiro no recebimento do material, o segundo por ocasião de seu pagamento, estornandose o lançamento original, e o terceiro em seguida para refletir o custo incorrido e pago. As remessas de material para as agências não têm correspondência em quantidades com as notas fiscais de compras. As compras são feitas em grandes volumes para abastecer a empresa como um todo, sendo impossível fazer corresponder esses valores de custo e quantidades da mercadoria remetida para a agência, com uma nota fiscal específica de compras. Esta “amarração” só é possível via sistema, através dos relatórios renegados pela fiscalização, que se recusou a emprestarlhes força probatória, e não os auditou. A empresa colocou à disposição da fiscalização os documentos que demonstram seu sistema de contabilização (fls. 02209 do CD e fls.145149 deste processo) relativamente aos lançamentos constantes da Relação 1 do Termo de Verificação Fiscal. Ali constam cópias de notas fiscais de compra, do livro razão das contas envolvidas, das fichas de controle de estoque e das requisições de materiais ao estoque. O valor contabilizado como despesa neste tópico é correto, como se demonstrará a seguir. A ficha razão da conta de estoque desse tipo de material mostra os saldos iniciais e finais do estoque, no caso R$6.322.962,81 e R$6.266.872,62, respectivamente. O material consumido foi de R$20.575.636,31. As compras foram de R$23.017.509,42 e anexamos a relação de cada compra, especificando número de lançamento contábil, número da nota fiscal, data, valor e fornecedor. O razão dessa conta demonstra ter havido estornos de R$2.497.963,30. Assim, o valor registrado na conta “00000116” é de R$15.109.348,17, conta que recebeu parte do consumo total de material. A outra conta é a “00000108”, que recebeu o restante do encargo no valor de R$3.128.921,49. O valor de R$2.337.266,65 que sobram são valores reclassificados para outras agências, como demonstram os lançamentos de estorno nas duas contas aqui mencionadas. Portanto, os materiais saíram exclusivamente para as duas contas citadas. A impugnante junta, por amostragem, cópias das Notas Fiscais de origem do estoque, referente ao mês de outubro de 2.005 (fls. 437542). Fl. 9926DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 Do exposto, fica demonstrada a improcedência da glosa. Documentos às fls.48415051. Relação 2: os 24 valores que totalizam R$229.786,30 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Despesa de Materiais Gráficos, Razão 0573, Conta 000000035”, e consistem em reclassificação de contas de despesa. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a empresa atendido à fiscalização, entregando o solicitado. Documentos às fls.543603 e 50525084. Relação 3: os 5 valores que totalizam R$548.234,90 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, Despesa de Materiais, Razão: 0506, Conta: 000000019” e consistem em reclassificação de contas de despesa. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a empresa atendido à fiscalização entregando o solicitado. Anexa, por amostragem, cópias das Notas Fiscais de aquisição dos materiais que ensejaram a reclassificação das contas de despesa (fls. 604759). Documentos às fls. 50855114. Relação 4: os 57 valores que totalizam R$8.399.849,11 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40308, Despesas de materiais, Razão: 0506, Conta: 00000019”. A glosa correspondeu a lançamentos na conta cujo histórico era "gastos materiais agenc" e ocorreu por falta de análise da documentação apresentada. Os elementos foram colocados à disposição e ignorados por não ter a empresa apresentado notas fiscais correspondentes ao valor do estoque inicial e do estoque final. Mas esses saldos decorrem de um processo histórico, desde o início de operação da empresa, não existindo um conjunto de notas fiscais que batam com o valor do estoque inicial ou final. O sistema contábil da empresa está em conformidade com o art.294 do RIR/99. A impugnante listou todas as entradas/compras em seu estoque de materiais, nota a nota, designando para cada compra o número de lançamento contábil, número da nota fiscal, data, valor e fornecedor, no valor de R$35.675.858,11 (total de despesas contabilizados nessa conta). Todo o valor lançado em despesas está amarrado ao sistema contábil da impugnante e lastreado em notas fiscais emitidas por fornecedor. A fiscalização não quis ver as notas fiscais de compras, quis apenas as relativas ao estoque inicial e ao estoque final, razão pela qual não procede a glosa dos R$8.399.849,11. A impugnante junta, por amostragem, cópias de notas fiscais de compras. Documentos às fls. 760976 e 51155193. Relação 5: o valor de R$325.345,49 provém de um lançamento contábil da conta identificada como “Agência 42501, Despesa de Materiais, Razão: 0505, Conta: 000000019”. A impugnante lança o material comprado a prazo no estoque, em contrapartida da constituição de uma provisão para pagamento do fornecedor. No pagamento ocorre o estorno da provisão, creditando a conta de estoque e debitando a provisão, e há um novo lançamento a débito do estoque e a crédito do caixa. Portanto, o lançamento inicial na conta de estoque, com o histórico “Prov. Desp S/inc CPMF”, é anulado pelo pagamento da fatura, sendo substituído pelo novo lançamento de estoque contra caixa, e não tendo qualquer impacto no resultado do exercício. A glosa efetuada duplica o estorno da despesa, vez que este estorno já foi feito pelo próprio contribuinte, anulandose o lançamento (fls. 242). Documentos às fls.5194 5201. Fl. 9927DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 17 13 Relação 6: o valor de R$327.709,20 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 42528, Despesa de Transp Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”. A glosa foi efetuada por estar a nota fiscal rasurada e ilegível, de modo que a impugnante junta a nota fiscal legível e sem rasuras (fls. 978). Documentos às fls.52025203. Relação 7: o valor impugnado de R$1.236.944,66 consiste em lançamentos contábeis da conta “Agência 42528, Despesa de Transportes de valores, Razão: 0573, Conta: 00000035”. A glosa ocorreu porque a despesa foi apropriada em 12/2005 e as notas fiscais foram emitidas em 01/2006. Porém, embora as notas tenham sido emitidas em 01/2006, os serviços foram prestados em 12/2005, conforme informação constante das notas fiscais. Pelo regime de competência, o serviço efetivado em dezembro deve ser deduzido em dezembro, independente de seu pagamento. Além disso, mesmo se as despesas fossem dedutíveis em 2006, apropriálas antecipadamente apenas provocaria postergação de imposto. Documentos às fls. 52045386. Relação 8: o valor impugnado de R$1.996.592,49 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Despesa de Transp valores, Razão: 0573, Conta: 00000035”. A glosa ocorreu por não apresentação ou ilegibilidade dos documentos apresentados, de modo que a impugnante reapresenta os documentos legíveis e aptos à comprovação da despesa (fls. 9791143 e 53875392). Relação 9: os 38 valores que totalizam R$10.866.387,19 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Desp. de Transportes de Val, Razão: 0573, Conta: 000000035”. O mecanismo de contabilização dessas despesas consta às fls.184185. Nos pagamentos a prazo, existem dois eventos: 1º) recebimento da fatura: a conta despesa com transporte de valores recebe um lançamento a débito com histórico “Prov Desp S/ CPMF"; 2º) pagamento da fatura: a mesma conta recebe dois lançamentos, sendo o primeiro, a crédito histórico é “Estorno Lanc”, e o segundo a débito, histórico “Contas a pagar SAP”. Esse débito é o que materializa a despesa, pois o primeiro débito é anulado com o crédito. Todos os lançamentos da relação 9 constituem o primeiro débito referente ao provisionamento da fatura, histórico “Prov Desp S/ CPMF”, ou seja, todos esses lançamentos foram anulados com o crédito, cujo histórico é “Estorno Lanc”, realizado por ocasião do pagamento da fatura. Assim, os valores glosados não tiveram impacto no resultado do exercício. Comparandose o valor total dos lançamentos de histórico “Prov Desp s/inc CPMF” com o valor total dos lançamentos de histórico “Estorno Lanc”, constatase que eles se anulam. No ano de 2005 os lançamentos com histórico “Prov Desp S/ inc CPMF” somaram R$24.842.243,89, e os de histórico “Estorno Lanc”, R$27.141.282,03. Portanto, o rol de lançamentos com este histórico não afetou o resultado do exercício, pois os lançamentos foram anulados. Os lançamentos da relação 9 são parte desses primeiros créditos que foram anulados. Não há nota fiscal ou comprovação para eles, pois tais lançamentos não compõem o resultado do exercício, são transitórios e foram anulados antes do fechamento do exercício. Os Fl. 9928DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 autos de infração glosam despesa que não foi apropriada, anulando uma despesa legítima da impugnante. Documentos apresentados às fls. 9793039 e 53935845. Relação 10: os 6 valores que totalizam R$3.719.614,55 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 48003, Despesa C contratação de Transportes, Razão: 0573, Conta: 000000213” e constituem uma provisão de despesa feita no recebimento de serviço de transporte de valores. Tais lançamentos serão estornados para contabilizar a despesa por ocasião do pagamento. A despesa é dedutível por ter sido incorrida, porém o vencimento das faturas ocorreu em 01/2006, quando foram efetuados os pagamentos, os estornos dos lançamentos apontados pela fiscalização e registrada a despesa. Cabe esclarecer que os documentos comprobatórios das despesas não são notas fiscais emitidas pelas empresas de transporte, mas sim comprovantes de pagamento (transferência bancária ao Banco do Brasil), em razão de convênio estabelecido com a Febraban. Documentos anexos às fls. 30403212 e 58465864. Relação 11: os 93 valores que totalizam R$24.188.926,89 são lançamentos contábeis da conta “Agência 48003, Desp. Transp compensação integra, Razão: 0573, Conta: 000000116”. Esse valor corresponde ao custo total que a impugnante teve com transportes para o serviço de compensação integrada dos cheques e ordens de pagamento. Esse serviço é coletivo e todos os bancos do sistema financeiro nacional participam, cada um assumindo parte do custo. A Febraban administra o sistema e o Banco do Brasil arca com os custos, repassando a cada banco o seu quinhão. É um serviço essencial à atividade bancária, de existência pública e notória. A Febraban cobra de cada banco seu quinhão, disponibilizando para cada banco os dados necessários ao pagamento através de sistema eletrônico, que emite um documento para funcionar como comprovação a cada participante. Os serviços são faturados pelos prestadores de serviço ao Banco do Brasil, que repassa a cada instituição financeira cópias das faturas. Mas o que cada banco paga é o valor demonstrado pela Febraban. Portanto, o Mapa de Malhas do Banco 237 não é um documento interno, é um documento eletrônico de emissão da Febraban como base da cobrança. A impugnante apresenta cópias dos convênios celebrados e relação dos pagamentos mensais efetuados ao Banco do Brasil (fls. 32133435). Comparandose os valores dos documentos eletrônicos emitidos pela Febraban com a relação de pagamentos emitida pelo Banco do Brasil verificase a correção do procedimento da impugnante. Documentos às fls.58656249. Relação 12: os 123 valores que totalizam R$7.343.330,78 são lançamentos contábeis da conta identificada “Agência 48003, Despesa de Transportes de Valores, Razão: 0573, Conta:000000035”. O valor dessa despesa na apuração de resultado do exercício foi de R$92.507.231,16, e o valor pago aos transportadores de numerários foi de R$96.340.622,93, conforme o razão apresentado à fiscalização, comprovando que o valor está coberto por documentos hábeis, consistentes nas notas fiscais dos transportadores emitidas contra a impugnante. A exigência da fiscalização de “amarrar” a despesa com a nota fiscal do fornecedor é uma exigência impossível, pois a nota fiscal agrupa muitos serviços prestados num período. Como a despesa é apropriada no período em que o serviço é prestado, e como a nota fiscal/fatura cobre todos os serviços de período determinado, não há correspondência entre o valor contabilizado em despesas e uma nota fiscal específica. Fl. 9929DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 18 15 Não há como questionar a dedutibilidade desses valores de uma instituição financeira, tratandose de serviço essencial à sua operação. Documentos às fls. 34364039 e 62506390. Relação 13: os 3 valores que totalizam R$155.423,52 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 492004, Conta: Desp de Transportes de Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”, consistindo em reclassificação de contas de despesa para alocálas de forma mais adequada aos centros de custo. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a impugnante atendido à fiscalização, entregando os documentos solicitados. Documentos às fls.63916418. Relação 14: os 8 valores que totalizam R$2.932.231,72 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 48003, Conta: Desp de Transp de Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”. Dos oito lançamentos dessa relação, seis são a crédito na conta da despesa (total de R$2.518.641,36). A impugnante não apresentou nota fiscal para esses seis lançamentos a crédito, pois crédito em conta de despesa é estorno. A glosa de lançamentos a crédito na conta de despesas aumenta as despesas, não havendo sentido no procedimento da fiscalização, sendo totalmente improcedente o lançamento efetuado. Com relação aos dois lançamentos a débito (total de R$413.590,36), são eles parte da despesa registrada em contrapartida aos serviços de fornecedores (valor de R$96.340.622,93 discutido na análise da Relação 12). A impugnante junta nota fiscal de R$262.762,28 (Relação 14 fls. 34364039 e 64196494). Relação 15: os 3 valores que totalizam R$332.108,88 são lançamentos contábeis da conta “Agencia 48003, Desp C Contrat de Transp, Razão: 0573, Conta: 000000213”. Os valores de R$74.623,24 e R$140.205,04 (histórico “Contas a pagar SAP”) consistem em reclassificação de contas de despesa para alocação mais adequada aos centros de custo, conforme esclarecido à fiscalização (fls. 211218), e devidamente comprovado. Nesses casos, o documento apresentado é o único (ficha de lançamento), não cabendo a glosa. Com relação ao valor de R$117.260,60, corresponde a pagamento de serviço de malote compartilhado pelos bancos na região metropolitana de São Paulo e cidades adjacentes, executado pelo Banco do Brasil e coordenado pela Febraban, conforme esclarecido no item 11. O comprovante da despesa é o Mapa de Malhas do Banco 237, de emissão da Febraban, que cobra a cota de participação da impugnante, bem como o comprovante de pagamento ao Banco do Brasil sendo impertinente essa glosa. Ainda com relação ao valor de R$117.260,60, a impugnante havia apresentado contrato sem assinatura à fiscalização, tendo agora localizado cópia da via assinada pela prestadora dos serviços, porém não localizando a via do contrato assinada pela Febraban. A impugnante solicitou cópia do contrato assinado por todas as partes à Febraban, e aguarda sua disponibilização para juntada aos autos. Documentos anexos às fls. 42944305 e 64956554. Relação 16: o valor de R$1.760.067,82 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 23720, Despesas Gerais Perdas Diversas, Razão: 0505, Conta: 000000256”, e corresponde ao valor de despesa registrada em contrapartida da constituição da Provisão para Contingências Trabalhistas. Tal valor foi adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro real, conforme fls. 5657, nada mais havendo para ser comprovado. Documentos às fls. 6555 6558. Fl. 9930DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 Relação 17: o valor de R$500.000,00 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40258, Repasse de Anuidade Cartões AFIN, Razão: 0505, Conta: 000000213”. A discussão é sobre a efetivação ou não dessa despesa, em razão do Contrato firmado com a empresa Four Team Ltda para emissão de cartões de crédito com a marca “Sandy e Júnior”. No entanto, as partes deramse quitação mútua na rescisão do contrato, encerrandoo sem que houvesse a devolução de quaisquer valores, ou obrigação da devolução, até porque não havia cláusula contratual que previsse a devolução do valor pela Four Team. Tal caso não configura liberalidade, apenas o negócio não deu o resultado esperado e foi menos oneroso encerrar que continuar, o que foi feito com a perda dos valores antecipados pela impugnante para a Four Team Ltda, sendo a perda registrada, comprovada e dedutível, pois inerente ao negócio. Portanto, tal despesa não é indedutível. Documentos às fls.43104329 e 65596575. Relação 18: os 7 valores que totalizam R$959.981,34 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Bônus Programa Cartão Platinum, Razão: 0581, Conta: 000000086”, e constituem despesas decorrentes do pagamento, a terceiros, de bônus obtidos pelos clientes pelo uso do cartão de crédito. Esse bônus tem finalidades promocional e de incremento no faturamento. A impugnante reunirá os comprovantes de pagamentos a terceiros e os juntará aos autos, mesmo após a impugnação. Documentos às fls. 65766590. Relação 19: os 4 valores que totalizam R$503.384,37 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Conta: Bônus Cartão Volkscard, Razão: 0581, Conta: 000000027”, e referemse a contrato celebrado entre a impugnante e a Volkswagen do Brasil Ltda, para emissão de cartão afinidade e concessão de bônus aos clientes possuidores do cartão, para aquisição de veículos dessa marca. O bônus tem finalidades promocional e de acréscimo ao faturamento. Documentos às fls. 65916680. Se a Volkswagen concedeu ou não o bônus ao cliente é assunto que foge aos interesses e ao controle da impugnante. A despesa é necessária e foi paga, há o contrato entre as partes e consta dos autos a “relação de certificados do programa Volkscard para reembolso”, relacionando o cliente final e identificadoo. Documentos às fls. 43304352 e 65916680. Relação 20: os 13 valores que totalizam R$4.196.391,63 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Desp Taxa Interc C Credito, Razão: 5506, Conta: 000000019”, e corresponde a uma taxa de uso da bandeira Visa pelos clientes da impugnante, sendo uma despesa necessária ao negócio de cartões de crédito desenvolvido pelo banco. A fiscalização alega que os documentos estão em língua estrangeira. Ocorre que os pagamentos dos valores foram feitos com débito em conta corrente da impugnante no exterior, e o documento comprobatório desse débito é o extrato da mencionada conta corrente. O extrato bancário não é um documento interno e pode ser compreendido sem conhecimento de língua estrangeira. Documentos às fls.43534401 e 66816936. Relação 21: os 9 valores que totalizam R$5.321.194,29 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, TX Trim Cart Credito Visa, Razão: 5506, Conta: 000000035” e correspondem a uma taxa trimestral pelo uso da bandeira Visa pelos clientes do impugnante, sendo uma despesa necessária ao negócio de cartões de crédito desenvolvido pelo banco. A fiscalização alegou que a comprovação teria ocorrido através de documentos internos. Entretanto, os pagamentos foram feitos mediante contratos de câmbio de remessa para o exterior (documentos anexos à resposta de fls. 195 e 196), contratados no Sistema Financeiro Nacional (Banco Central do Brasil), não sendo documentos de produção interna. Documentos às fls.44024441 e 69376968. Relação 22: os 11 valores que totalizam R$2.395.406,42 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Desp TX TRIM C CRED MA, Razão: 5506, Conta: Fl. 9931DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 19 17 000000043”. Para essa despesa foram apresentadas à fiscalização as notas fiscais de prestação de serviço, os comprovantes dos pagamentos dessas notas, o razão da conta e quatro mapas demonstrando a "amarração" entre os valores da contabilidade, das notas fiscais emitidas pelo fornecedor e os respectivos pagamentos (fls. 21612164 do CD, cópias impressas às fls.4442 4577). Documentos às fls. 69697055. As notas fiscais emitidas e pagas nos primeiros dias de 2006 referemse aos serviços prestados no quarto trimestre de 2.005, estando claro que as despesas incorreram em 2005. Relação 23: o valor de R$600.952,95 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40258, Desp Tit Capital Cartão de Credito, Razão: 5506, Conta: 000000078”, e consiste em despesa de aquisição de títulos de capitalização da Bradesco Capitalização S/A. A impugnante junta contrato de aquisição, extrato da conta onde houve o débito do valor pago e respectivo relatório de resgate (fls. 45784588). Relação 24: os 2 valores que totalizam R$570.660,63 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, TX S Serviço ISA VISA, Razão: 5506, Conta: 000000124”. A empresa junta relatórios e correspondências emitidos pela Visa Internacional para comprovação dessa despesa (fls. 45894607 e 70567067). Relação 25: os 3 valores que totalizam R$1.865,00 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, iDesp Regularização Documentos, Razão: 0505, Conta: 000000302”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Documentos às fls. 70687078. Relação 26: o valor de R$23.594,38 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40401, Emolumentos Judiciais Cartorários, Razão: 0505, Conta: 000001023”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Relação 27: os 3 valores que totalizam R$14.970,80 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40401, Emolumentos Judiciais Cartorário, Razão: 0505, Conta: 000001023”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Relação 28: os 4 valores que totalizam R$1.430.501,91 são lançamentos contábeis da conta “Agência 41009, Associações de classes, Razão: 0505, Conta: 000001015”. Os valores de R$839.999,01 e R$108.416,29 foram glosados, segundo a fiscalização, porque os documentos apresentados não permitiram avaliar a necessidade da despesa para a atividade da impugnante. Os valores de R$25.240,00 e R$456.846,61 foram glosados em razão da não comprovação das despesas. As contribuições para o Projeto Cisternas da Febraban foram glosadas. Contudo, a fiscalização não analisou os termos do Comunicado FB105/2004, pois a contribuição glosada não era opção da associada, mas sim uma imposição estatutária. A contribuição para o Projeto Cisternas é necessária pois é condição para ser associado da Febraban, tratandose de imposição estatutária e não contribuição voluntária e facultativa. A glosa dos outros dois valores por falta de documento comprobatório também não tem procedência, pois a contabilização da despesa está escudada em notas de débito emitidas pela Febraban, conforme documento 17 confirmado pela fiscalização. Documentos às fls. 7079 7133. Relação 29: os 78 valores que totalizam R$2.627.010,38 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, Desp Regularização Documentos, Razão: 0505, Conta: Fl. 9932DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 000000302”. Os documentos apresentados à fiscalização foram emitidos em nome de terceiros, e são comprovantes de pagamento de despesas de veículos financiados pela impugnante, cujo cliente não honrou os compromissos assumidos no contrato de financiamento, e a impugnante, como financiadora, exerceu seu direito sobre a garantia o próprio veículo financiado. A impugnante pagou taxas e regularizou a situação dos veículos, para poder alienálos, e parte dos documentos está vinculada aos leilões de venda desses veículos. Dessa forma, não há como se questionar a dedutibilidade desses valores, pois financiar é parte da atividade operacional da impugnante, não havendo como recolher, em nome da impugnante, tributos e taxas de veículos registrados em nome de terceiros e recuperados, sendo necessário o recolhimento em nome de quem o veículo esteja registrado, para regularização e posterior alienação do veículo. A impugnante junta, por amostragem, cópias dos autos de apreensão dos veículos e certificados de propriedade, em nome da impugnante, após a transferência, esclarecendose a razão do pagamento de despesas relativas a veículos em nome de terceiros (fls. 46084839 e 71348764). Relação 30: os 7 valores que totalizam R$164.290,80 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Desp C Assim P Consulta de infor, Razão: 0505, Conta: 000000280”. No recebimento do serviço, a impugnante constitui uma provisão para o pagamento, cujo histórico na conta de despesas é “Prov Desp s/ inc CPMF”. No pagamento, ocorrem dois lançamentos, um reverte o valor lançado em despesas (histórico “Estorno de Lançamento”), creditando a conta de despesa pelo valor da nota fiscal, e outro debita a conta de despesas em contrapartida à conta caixa (histórico “Contas a pagar SAP”). Essa conta recebeu débitos (“Prov Desp s/ inc CPMF”) de R$322.415,62, sendo glosado uma parte desse valor, e créditos de R$423.923,02 (“Estorno de lançamento”), sendo, portanto, estornado todo o valor da provisão. Assim, os valores glosados pela fiscalização também foram estornados. A impugnante anexa planilha para comprovar que os valores arrolados pela fiscalização foram estornados, não compondo o resultado do exercício. Documentos às fls. 11443039 e 8765 8783. A presente glosa distorce o resultado do exercício pois o valor que a fiscalização pretende expurgar do resultado já foi retirado pela contribuinte. Relação 31: os 4 valores que totalizam R$6.731.479,39 são lançamentos contábeis das contas “Desfalques C/C ativa, Lançamentos Indevidos em C/C, Desfalques Trib. e taxas” e decorrem de furtos e roubos havidos nas agências, desfalques ou débitos indevidos nas contas correntes dos clientes e desfalques nos pagamentos de taxas e tributos, tendo por finalidade ressarcir os clientes de danos sofridos, restituindolhes os valores subtraídos indevidamente. A impugnante somente contabiliza a despesa decorrente do prejuízo relacionado a desfalque, apropriação indébita ou furto após registrado o Boletim de Ocorrência, ou instaurado o competente inquérito trabalhista. A respectiva documentação será carreada aos autos em breve. Documentos às fls. 8784/8788. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI) decidiu a questão por meio do Acórdão 1634.453, de 27/10/2011 (fls. 8848 e seguintes), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E USUALIDADE. A contribuinte deve comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, os valores lançados como despesas operacionais dedutíveis na DIPJ. Fl. 9933DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 20 19 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à CSLL dele decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descritos os fatos e apontadas pormenorizadamente as infrações que motivaram o lançamento fiscal, e tendo o sujeito passivo demonstrado pleno conhecimento das infrações ao impugnar o lançamento, não se verifica a nulidade por cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO À NORMA LEGAL. Há que ser indeferido o protesto genérico pela produção de provas, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. ESCRITURAÇÃO. PROVA. SUPORTE POR DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor da contribuinte, dos fatos nela registrados, se tais fatos forem comprovados por documentos hábeis e idôneos. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. TRADUÇÃO JURAMENTADA. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada. É o relatório. Fl. 9934DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 Voto ConselheiroRelator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal com algumas variações repete as argumentações trazidas na impugnação, aduzindo em relação a decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que o Acórdão ignora todos os argumentos e documentos apresentados. Afirma que a autuação ao pretender glosar despesas no montante de R$ 106.136.472,22, que inserida no universo analisado no total de R$ 2.503.606.463,14 lançado na Linha 30 da Ficha 5B (Outras Despesas Operacionais) da DIPJ/2006, corresponde apenas a 4,23%, a qual, a seu ver, já demonstra o acerto e a absoluta regularidade da sua contabilidade. A glosa fiscal no montante de R$ 106.136.472,22 conforme descrita no Termo de Verificação Fiscal/TVF (fls. 233 e seguintes do vol 2), em 31 tópicos (denominadas de relação) trazem como fundamentação, em síntese, a constatação que o contribuinte não apresentou documentos hábeis e idôneos que pudessem justificar os lançamentos nas correspondentes contas de despesas, ou então o fez de maneira insatisfatória. O recurso voluntário sintetiza as referidas glosas em 05 grupos: (1) despesas com a compensação integrada num total de R$ 27.908.541,44; (2) despesas de transportes de valores totalizando R$ 25.280.729,24; (3) despesas de materiais no montante de R$ 25.233.448,63; (4) despesas da operação cartão de crédito totalizando R$ 15.047.971,63 e (5) despesas diversas no valor total de R$ 12.665.781,28 (totalizando os R$ 106.136.472,22). Compulsando os autos verifico, nas razões de defesa, tanto na fase de impugnação como em recurso voluntário que as principais argumentações trazidas pela empresa autuada, estão relacionadas aos estornos de lançamentos contábeis referente a despesas incorridas “provisionadas”, e, também, pela não apresentação de documentação probatória. Com efeito, ressaltese que a competência da autoridade administrativa “julgadora”, no âmbito do processo administrativo fiscal, é de revisão do ato praticado pela autoridade fiscal lançadora e, conseqüentemente, cumpre a esta autoridade verificar se a imputação feita contra a contribuinte encontrase devidamente consubstanciada em documentação de suporte, e, se o procedimento que levou a tal imputação foi executado com fiel obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, aqui utilizada de forma subsidiária. É certo que o contribuinte apenas pode deduzir despesas que estejam devidamente comprovadas, e que sejam necessárias à atividade da empresa, e cabe a ele efetuar tal comprovação perante a fiscalização. Também é certo que existem dois momentos distintos para a produção dos elementos probantes (o ônus da prova); da autoridade fiscal na ora de fazer a acusação, salvo nas presunções legais, quando prova somente o fato; ou do contribuinte fiscalizado no curso da própria auditoria fiscal e após a instauração do litígio (impugnação). Fl. 9935DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 21 21 Os autos do presente processo vieram a julgamento por esta Turma Julgadora em Sessão de 06 de agosto de 2013, na qual por meio da Resolução 1301000.146 foi convertido em diligência para que a Unidade de origem verificasse através de comprovação documental juntados pela defesa a veracidade dos valores contabilizados e registrados na DIPJ/2006 a título de OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Antes de entrar na análise do mérito cumpre repisar que o auto de infração discrimina as despesas (glosadas) por "relação" (numeradas de 1 a 31), já a defesa sintetiza as mesmas, como já visto, em 05 grupos. A descrição dos fatos no TVF, em breve síntese, é que os lançamentos das referidas despesas são lastreados em documentação que não dão respaldo legal as mesmas, sendo elas na maioria constituídos de documentação interna, cópias ilegíveis, ou sem prova em documentação hábil, idônea, coincidentes em datas e valores, conforme determina a legislação de regência. Registrese que o resultado da diligência na quase sua totalidade em nada esclareceu ou complementou os fatos, limitandose a ratificar a acusação fiscal. No caso dos autos toda a controvérsia diz respeito a questões de provas documentais, demandando uma conciliação entre os valores contabilizados com os declarados na DIPJ (valores coincidentes) e documentos de suporte que prove, no mínimo, que tais despesas são necessárias e usuais a atividade do contribuinte. Dito isto, registro que procedi atentamente o exame da validade ou não das despesas individualmente por "relação" e à vista de toda documentação, justificativas e relatórios apresentados pelo recorrente, comparativamente com a composição dos valores discriminados no Termo de Relatório Fiscal no qual cada rubrica apresenta determinados pontos em comum e peculiaridades. Nesta linha, de toda análise efetuada, restou a conclusão, conforme demonstrado no Quadro exposto logo após a conclusão deste voto, que decidi pelo afastamento das glosas relativas as "relações" de números 1, 2, 3, 5, 6, 7, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 29 e 30. Mantendo as glosas correspondentes as "relações", de números 4, 8, 25, 26,27 e 28. Assim, em primeiro lugar, passo a discriminar sinteticamente, por "Relação" os motivos do afastamento das glosas. "RELAÇÃO" 1: DESP. MAT. PLÁSTICOS OUTROS CART (TVF, fls. 271/272). Glosa reconsiderada no curso da diligência realizada pela apresentação da documentação: notas fiscais, razão da conta Material em Estoque e Balancetes. Por elucidativo, transcrevese a "Conclusão da Diligência": "Verificase que as notas fiscais de compras apresentadas de janeiro a junho de 2005, guardam correspondência com os valores contabilizados na conta Material de Estoque. O que permite concluir por essa amostragem que as compras realizadas no ano calendário de 2005, relativamente a esta conta de estoque são consistentes. Os saldos inicial e final constante do Razão da Conta Material em Estoque conferem com os balancetes apresentados dos mesmos períodos. Portanto, a apropriação das despesas em questão, quando da baixa da conta de estoque para a conta de despesa, está suficientemente garantida pelas compras no ano de 2005." Fl. 9936DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 22 "RELAÇÃO" 2: DESP. DE MAT.GRÁFICOS (TVF, fls. 273/274). Verifica se que se trata de reclassificação de contas de despesas conforme atesta os demonstrativos de lote contábil apresentados (fls. 5052/5084), por exemplo: Primeiro valor da relação R$.38.800,00. Débito da Conta 0506/Desp. Materiais Gráficos (acerto Contábil) e Crédito na Conta (original) 0554; "RELAÇÃO" 3: DESP. DE MATERIAIS (TVF, fls. 275): idem ao item anterior (docs. de fls. 5092/5114); "RELAÇÃO" 5: DESP. DE MATERIAIS (TVF, fls. 279): Demonstrativo da Contabilização da Reversão de Provisões (fls. 5.194/5202). A despesa é lançada quando incorrida (chamada de "provisão") por ocasião do recebimento da nota fiscal o lançamento inicial é estornado e constituída despesa definitiva conforme nota fiscal; "RELAÇÃO" 6: DESP. TRANSP. DE VALORES (TVF fls, 280). Unico documento (NF no valor de R$ 327.709,20 emitida em jan/2005). Motivo da glosa: "nota fiscal parcialmente ilegível e não coincidente com a data". Verifico neste item que a nota fiscal reapresentada com a IMPUGNAÇÃO (fls. 960), em que pese a má qualidade da cópia xerox, extraise perfeitamente o nome do emitente, data da emissão, discriminação dos serviços prestados, valor total, ou seja, perfeitamente legível. Além do que a nota é coincidente com a data da contratação do serviço (contabilização: jan/2005) e não com sua apropriação à despesa (28/02/2005). "RELAÇÃO" 7: DESP. TRANSP. DE VALORES (TVF fls. 281): idem, itens anteriores. Documentos (inclusive NF) às fls. 5206/5386. O contribuinte traz aos autos o Anexo 2 (fls. 212/213), demonstrando que as referidas despesas são apropriadas pelo regime de competência (contratação dos serviços) tendo como contrapartida a conta provisão para despesas, e por ocasião do pagamento é revertido o lançamento mediante débito da conta provisão e crédito da conta despesa; além do que, pelo efetivo pagamento da despesa é debitado a conta de despesa tendo como contrapartida a conta caixa. Evidente que se um registro de despesa foi posteriormente revertido/estornado, então não produziu qualquer efeito no resultado fiscal. "RELAÇÃO" 9: DESP. TRANSP. DE VALORES (TVF fls. 281): idem. Demonstrativos de Lançamentos Contábeis (estornos/reversão: saldos finais não se alteram) docs. 5394/5845). Neste ponto, alega o contribuinte: "Todos os lançamentos da Relação 9 são, portanto, o primeiro a débito referente a contratação dos serviços, com o histórico "Prov Desp S/CPMF", ou seja, todos estes lançamentos foram anulados com o crédito, cujo histórico é "Estorno Lanc", realizado na etapa seguinte, por ocasião do pagamento da fatura. Analisandose o razão da conta de forma global, vêse que, na prática, é isso que se passa, se comparado o valor total dos lançamentos com o histórico "Prov Desp s/ inc CPMF", contra o valor total dos lançamentos com o histórico "Estorno Lanç", constatase que eles se anulam. No ano de 2.005, os lançamentos de histórico "Prov Desp. S/ inc CPMF" somaram R$ 24.842.243,89 e os de histórico "Estorno Lanç" R$ 27.141.282,03, portanto, o rol de lançamentos com este histórico foi todo anulado." "RELAÇÕES" 10 (parte), 11, 12 e 13: DESP. TRANSP. COM A COMPENSAÇÃO INTEGRADA (TVF, fls. 286/294): Tratase, também, de reclassificação entre contas contábil, no geral as despesas encontramse relacionadas no documento denominado "Mapa de Malhas do Banco 237", (fls. 5865/6349). Exemplo de lançamento, Fl. 9937DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 22 23 "Relação 12" com o histórico: "Valor que transferimos relativo a serviços de transportes de numerários visto ter sido contabilizado na conta/razão 04.91.043 quando o correto seria na conta/razão 05.73.035" (apresentado documentos de fls 6251/6390); outro exemplo de tipo do lançamento trazido aos autos: "Relação 13"com o histórico: "Provisionamento das despesas com TRANSPORTES DE NUMERÁRIO do mês de junho/2005 a serem contabilizados no decorrer do mês de julho/2005 (fls. 6136)". Neste tópico, até mesmo a ressalva colocada pelo agente fiscal diligenciante em relação a despesa no valor de R$ 2.670.000,00 por referirse a dezembro/2004, tendo o contribuinte efetuado o lançamento somente em fev/2005, o próprio (contribuinte) em suas contrarrazões assume tratarse de caso de postergação de despesa e que não interfere em sua dedutibilidade para fins fiscais. Ou seja, não é motivo de glosa. Neste ponto específico, verificando o documento apresentado "Mapa de Malhas do Banco 237", dentre outros, entendo, não se tratar de documento interno (um dos motivos da glosa), mas, sim de documento eletrônico emitido pela FEBRABAN para lastrear a cobrança do referido rateio de despesa através de recibo denominado "transferência interbancária". Ao meu juízo e, a vista dos lançamentos contábeis e documentação apresentada descabe a glosa neste grupo de despesas deduzidas. "RELAÇÃO" 14: DESP. TRANSP. DE VALORES (TVF fls. 296): idem/estorno de provisão de despesa. Tratase de oito lançamentos, sendo que seis referemse a lançamentos a crédito na conta de despesas (estornos) e dois a pagamentos de notas fiscais da TRANSBANK (Docs. de fls. 6225/6299). Verificase o seguinte histórico nos lançamentos: "Estornos de diversas notas fiscais contabilizadas na conta de despesa pelo sistema R/3SAP, cuja apropriação correta é na conta de provisão. "RELAÇÃO" 15: DESP. COM TRANSP. COMPENSAÇÃO INTEGRADA (TVF, fls. 297). Idem aos itens 11, 12 e 13 retro. "RELAÇÃO" 16: (DESPESAS GERAIS. PERDAS DIVERSAS/TRABALHISTA. Conta 8.1.9.99.00.6). O lançamento corresponde ao valor de despesa registrada em contrapartida da constituição da "Provisão para Contingências Trabalhistas" e que tal valor foi adicionado ao lucro líquido para efeito de apuração do Lucro Real, como se demonstra às fls. 51/52 em resposta à intimação fiscal. Apresenta, para tanto, toda a movimentação da conta "Provisão para Contingências Trabalhistas", inclusive da "Parte "B" do LALUR" com o registro do valor total de R$ 3.106.666,38 adicionado na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL (Livro 2, pág. 53). Neste item, entendo improcedente a glosa vez que o contribuinte considerou e registrou o valor como "Despesa Não Dedutível", fato este não considerado pela fiscalização. "RELAÇÃO" 17: REPASSE DE ANUIDADE CARTÕES AFINConta 00215 (TVF, fls. 300). Tratase, no caso, de multa contratual previamente contratada para a hipótese de desfazimento de negócio. Demais disso, consta que tal despesa foi contabilizada mediante contrato e efetivamente paga. RELAÇÃO 18: BÔNUS PROGRAMA CARTÃO PLATINUMConta 816 (TVF, fls. 301). Referidas despesas decorrem do pagamento, a terceiros, de bônus obtidos pelos clientes através do uso de cartão de crédito (programa de recompensa). Fl. 9938DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 24 Entendo, neste caso, que a documentação apresentada, em especial contábil, comprova a operação, além do que é evidente tratarse de despesas usual e necessárias a atividade empresarial da contribuinte. "RELAÇÃO" 19: BÔNUS CARTÃO VOLKSCARD (TVF, fls. 302). Idem, item anterior. "RELAÇÃO" 20: DESPESAS TAXAS INTERCÂMBIO. CARTÃO CRÉDITO Conta 40258), (TVF, fls. 303/304). Neste item, defendese a recorrente aduzindo que o extrato bancário emitido no exterior (bandeira visa) não é, portanto, um documento interno. Também afirma ser verdade que "o documento contém alguns vocábulos em língua estrangeira, mas é um extrato bancário confeccionado nos mesmo moldes que se faz em todo o mundo, inclusive no Brasil, sendo absolutamente desnecessário qualquer conhecimento de qualquer língua estrangeira para a perfeita compreensão do extrato bancário apresentado". Compulsando os autos confirmase a assertiva da defesa, inclusive, ao meu ver, os demonstrativos do Razão apresentados das referidas contas, juntamente com os extratos relativos as transferência de recursos à Visa Internacional, comprovam a efetividade das despesas. "RELAÇÃO" 21: TAXA TRIMESTRAL. CARTÃO CRÉDITO VISA Conta 40258, (TVF, fls. 305). Neste item, igualmente ao item precedente, a linha de defesa centrase na alegação "que a despesa corresponde a uma taxa trimestral da Bandeira Visa pelos clientes do recorrente, sendo, portanto, uma despesa necessária ao negócio de cartões de crédito desenvolvido pelo banco". Aduz, ainda, que a comprovação deuse através de contratos de fechamento de câmbio, para pagamento no exterior, documentos estes que se encontram às fls. 6749, 6755, 6762 e 6768, redigidos em língua portuguesa e perfeitamente legíveis. Da mesma forma que o item precedente, compulsando os autos (vol. 48) encontro os documentos de fls. 6749 a 6768 confirmando os argumentos de defesa, inclusive os lançamentos contábeis. De se ver, inclusive, que tais documentos encontramse anexados aos autos no volume 34 (numeração original) com termo de abertura em 17/02/2011, portanto, depreendese que antes da decisão de primeira instância (27/10/2011). "RELAÇÃO" 22: Conta DESP. TX TRIMESTRAL. CARTÃO CRÉDITO MA Conta 40258, (TVF, fls. 306). Idem, item anterior. "RELAÇÃO" 23: Conta DESP. TIT. CAPITAL. CARTÃO CRÉDITO, (TVF, fls. 307). A peça de defesa esclarece que tal despesa decorre do pagamento à Bradesco Capitalização S/A, decorrente da aquisição de títulos de capitalização e comprova com a juntada de documentos, tais como: contrato de aquisição, extrato da conta onde houve o débito do valor pago e respectivo relatório de resgate (fls. 4586/4588). "RELAÇÃO" 24: TX. S/SERVIÇO ISA VISA Conta 00124, Razão 5506, (TVF, fls. 308). Verificase dos autos que foi apresentado "Relatórios e Correspondências" emitidos pela Visa Internacional e correspondentes lançamentos contábeis (Razão). "RELAÇÃO" 29: DOC. EM CD. Desp Reg Documentos. Tratase de pagamentos de taxas junto ao Detran de veículos, em nome de terceiros. Alega a defesa: Fl. 9939DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 23 25 "Neste caso, os autos de infração reconhecem a comprovação das despesas, elas foram glosadas sob a alegação de que os documentos apresentados não seriam hábeis para garantir a dedutibilidade delas a favor do recorrente, pelo fato dos documentos comprobatórios serem emitidos pelo Poder Público em nome de terceiros. E, de fato, a emissão foi feita em nome de terceiros. Tais documentos são comprovantes de pagamento de despesas de veículos financiados pelo recorrente, cujo cliente não honrou os compromissos assumidos no contrato de financiamento, e assim, na qualidade de financiador, o recorrente teve de exercer o direito sobre a garantia, o próprio veículo financiado, através de busca e apreensão. Assim, o recorrente pagou taxas, regularizou a situação dos veículos junto ao Departamento de Trânsito Estaduais, para criar condições legais de alienálos e reaver, ao menos em parte, os valores dados em financiamentos, visto ser impossível, legal e tecnicamente, a transferência de veículos com pendências no pagamento do IPVA, multas, taxas de licenciamento, etc. (Docs. fls. 4608 e seguintes). Grande parte dos documentos está até vinculada à busca e apreensão e aos respectivos leilões de venda dos veículos. Constatase da peça de defesa planilha com referência aos lançamentos contábeis, identificação do veículo, relatório de pagamentos, valor estornado, inclusive constando às fls. dos autos do presente processo, pelo que, entendo, restar devidamente comprovadas as despesas. "RELAÇÃO" 30: DESP. C ASS. P CONSULTA DE INFOR Conta 00280. Razões da defesa (recurso voluntário): "Nesta relação, novamente, necessário relembrar a metodologia contábil adotada pela recorrente. Por ocasião do recebimento do serviço, é constituída uma provisão para futuro pagamento, cujo histórico na conta de despesas é "Prov Desp s/inc CPMF", categoria a qual pertencem todos os lançamentos "pinçados" pela fiscalização. Quando do pagamento da nota fiscal/fatura, ocorrem dois lançamentos, um que reverte o valor lançado em despesa, com o histórico "Estorno de Lançamento", que credita a conta de despesa, e um terceiro lançamento, que faz o débito definitivo na conta de despesas em contrapartida à conta caixa, com o histórico "Contas a Pagar SAP". Uma estratificação desta conta de despesas com base no histórico do lançamento demonstra que a conta, no total, recebeu (i) débitos de R$322.415,62, titulados de "Prov Desp s/inc CPMF" sendo o valor glosado uma parte deste valor e (ii) créditos de R$423.923,02 titulados de "Estornos de lançamento", ou seja, todo o valor da provisão foi estornado, e, assim, os valores glosados pela fiscalização, que dele fazem parte, também foram estornados. Anexou a recorrente, à sua Impugnação, planilha onde, a partir do razão da conta, é feita a estratificação do mesmo tipo por estoque. Tendo sido tempestivamente estornados os valores arrolados pela fiscalização, não mais poderia recair sobre eles uma glosa, pois não compõem o resultado do exercício." Fl. 9940DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 26 Neste item, entendo improcedente a glosa vez que o contribuinte contabilmente estorna os registros dos valores glosados, fato este não considerado pela fiscalização. A seguir passo a análise dos itens dos quais concluir pela manutenção das despesas glosadas ("RELAÇÃO" de números 4, 8, 25, 26, 27, 28 e 31). "RELAÇÃO" 4 (parte do Grupo 1.c "DESP. DE MATERIAIS"), no montante de R$ 8.399.849,11 (TVF fls. 275/276). A peça recursal traz as seguintes argumentações: Como na glosa efetuada pela relação 1, a suposta falta de documentação decorreu da ausência de análise da documentação apresentada. Os elementos foram colocados à disposição da fiscalização, tendo sido ignorados, com argumentações singelas, tais como o. contribuinte não ter apresentado notas fiscais correspondentes ao valor do estoque inicial e do estoque final. Como já vimos, isto corresponderia a exigir uma nota fiscal da quota de depreciação, pois saldo inicial e final de estoque é decorrência de um processo histórico, que remonta a exercícios anteriores, pelo que jamais existirá um conjunto de notas fiscais que corresponda exatamente ao valor do estoque inicial ou final. Tal afirmativa consiste numa impropriedade absoluta e revela a não compreensão do funcionamento do sistema contábil do recorrente, que está absolutamente em conformidade com a legislação, em especial o artigo 294 do RIR/99. A conta onde ocorreu a glosa é representativa das despesas do recorrente com material de expediente usado pelas agências bancarias, apropriadas pelo regime de competência, onde os materiais comprados são contabilizadas numa conta de estoque para depois ser levados a despesa gradativamente, na medida que o material é consumido. Como já demonstramos na abordagem da relação 1, com materiais plásticos apropriados na mesma metodologia contábil, a comprovação final destes gastos é feita pela nota fiscal do fornecedor, por ocasião da compra. Os saldos iniciais e finais do estoque é comprovado e garantido pela própria escrituração contábil. Aqui o recorrente apresentou o razão da conta de estoque relativa aos materiais de expediente usados pelas agencias bancárias, a conta 19 do razão 0506, agência 42307, onde as entradas de materiais tem o histórico "contas a pagar SAP*". Este razão está às fls. 0749 a 0819 destes autos. A relação de fls. 0820 a 0870 é uma segregação a partir do razão da conta de estoque, onde se identifica cada uma das entradas de materiais no estoque, que perfazem o valor total de R$35.362.984,69. Na relação de fls. 0871 a 0891 estão relacionadas todas as transferências para despesa identificando quais foram glosadas, glosas essas que perfazem o valor de R$8.399.849,11 de um total de R$15.874.047,86 de lançamentos com esta mesma natureza e histórico. Por sua vez, a autoridade fiscal diligenciante, simplesmente, informa que o contribuinte não apresenta nenhum documento. Nas contrarrazões em manifestação genérica relativas aos itens das "Relação" de números 1, 2, 3, 4 e 5 o contribuinte alega, em apertada síntese, que "A impugnação e o Recurso demonstraram os números, "casando" o valor das notas fiscais de entrada com o destino para os vários centros de custos, e o valor da entrada é suficiente para dar amparo aos valores levados à despesa (Relação 4)". Neste item e ao contrário do afirmado pelo recorrente em referência à "Relação" de número 1 (voto acima), nem mesmo durante a ação da diligência fiscal não há Fl. 9941DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 24 27 nenhum tipo de documentação que respalde os lançamentos efetuados nas contas contábeis que compõem os valores desta "Relação" (de número 4). Neste passo, entendo que as glosas devem ser mantidas por absoluta falta de comprovação dos referidos gastos no montante de R$ 8.399.849,11. "RELAÇÃO" 8 (TVF fls. 281), glosa de despesas no valor de R$ 1.996.592,49 (parte do Grupo 1.b "DESPESAS COM TRANSPORTES"). Aqui, a decisão a quo e diligência mantiveram a glosa sob os mesmos argumentos do TVF, qual seja: "Não apresentação de documentos, notas fiscais apresentadas parcialmente ilegíveis e/ou com respectiva datas de emissão posteriores aos lançamentos contábeis". Manifestação do contribuinte/recorrente: Equivocase uma vez mais a Turma Julgadora, e a alegação de falta de legibilidade das notas fiscais soa novamente estranho, revelando notada má vontade na análise dos documentos, pois todos os dados relevantes estão perfeitamente legíveis. Por exemplo, a Nota Fiscal de fl. 928, foi emitida pela empresa prestadora Prosegur Brasil S/A, na data de 17/05/2005, no valor de R$ 1.292,90, constando no corpo da nota a seguinte informação: "referente(s) ao(s) serviço(s) de transporte de valores no mês de maio/2005 conforme relatório(s) anexado(s)". Perguntase, o que mais seria necessário para a análise do documento? Não obstante, todas as notas fiscais objeto da presente glosa foram emitidas dentro do exercício de 2005, tendo as apropriações ocorrido dentro deste mesmo exercício (2005), sendo indevida a glosa, em qualquer das hipóteses. Aduz, ainda, que "reapresentou os documentos que deram suporte e respaldo à dedução, perfeitamente legíveis e aptos à comprovação da despesa." Compulsando os autos, não encontro a referida documentação reapresentada, com exceção às notas fiscais carreadas as fls. 962 do volume 8 ou fls. 5195 do vol. 26 (item 6 acima), fls. 963vol. 8 ou fls. 5193 do vol. 26 (item 4) e fls. 964vol. 8, nota fiscal no valor de R$ 112.814,40 a qual não se refere a nenhum item relacionado acima. Desta análise forçoso concluir que apesar da recorrente afirmar que "reapresentou os documentos que deram suporte e respaldo à dedução, perfeitamente legíveis e aptos à comprovação da despesa", noto, em convergência com o destacado pela Turma Julgadora de primeira instância e relatório conclusivo de diligência efetuada, que ela não colacionou aos autos comprovação do que afirma, isto é, não trouxe documentos capazes de demonstrar que os desembolsos efetivamente representam despesas incorridas. Os documentos deixaram de ser apresentados ou como se constatou se refere a comprovação de outra despesa incorrida no mês de julho de 2005 (item 1 acima). Em conclusão, quanto a este item, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente as glosas de R$ 1.996.592,49. "RELAÇÃO" 25 (DOC. EM CD. Desp Reg Documentos. Conta 42 050530 7, Razão), no valor total de R$ 1.865,00 (TVF fls. 309); Relação 26 (Emolumentos Judiciais Fl. 9942DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 28 Cartorários Valor R$ 23.594,38; Relação 27 ((Emolumentos Judiciais Cartorários Valor R$ 14.970,80. GRUPO 1.e "DESPESAS DIVERSAS" Face a não apresentação de documentação probatória em nenhuma fase processual, em razão da irrelevância do valor, mantidas as glosas das "Relações 25, 26 e 27. "RELAÇÃO" 28 (Conta 01015: Associações de Classes), no valor total de R$ 1.430.501,91. (TVF fls. 310/314). Razões da Glosa: Analisando toda a documentação apresentada, com exceção do Comunicado FB105/2004, as demais dão suporte legal aos respectivos lançamentos. No caso, especifico da contribuição extraordináriaProjeto Cisternas 2004 2 parcela de R$. 839.999,01 e 3 parcela de R$. 108.416,29, verificase que esta documentação apresentada, juntamente com as "notas de débito, são insuficientes para comprovação da dedutibilidade das referidas contribuições. As despesas para serem dedutíveis além de serem observados os aspectos formais impostos pela legislação, há que ser levado em conta o aspecto da necessidade, usualidade e guardem estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Observase, ainda, que com relação aos valores de R$. 25.240,00 e R$. 456.846,61, não foram apresentados na resposta de 16/12/2010, nenhum documento complementar para comprovação cabal das mesmas. Ressaltase que os valores constantes da planilha acima, referemse a despesas de contribuições efetuadas por mera liberalidade do contribuinte, não se enquadrando como DESPESAS DEDUTÍVEIS. Nesse sentido o artigo 13 da Lei n° 9.249/95, disciplina as condições de dedutibilidade para as contribuições. Tendo em vista que foi dado ao contribuinte, condições e prazos suficientes para apresentação dos documentos solicitados, e uma vez que o mesmo não os apresentou, até a presente data, tornase necessário a constituição do correspondente crédito tributário, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, no que diz respeito ao instituto da decadência." Glosa mantida no montante de R$ 1.430.501,91, haja visto que a peça recursal em nada corrobora no sentido de elidir tal exação. "RELAÇÃO" 31 (DESFALQUE EM C/C ATIVA). Valor de R$ 6.731.479,39. Este último item relacionado as glosas das "Despesas de Perdas Diversas" a fiscalização assim considerou (TVF): "Em 03/08/2010, o contribuinte apresenta "Extrato p/Simples Conferência do Razão, onde consta o lançamento de diversos valores, cuja soma é coincidente com os valores discriminados acima. O histórico utilizado é "Bx.autorizada em Despesa". Destacase que não foi apresentada nenhuma documentação hábil, idônea, coincidentes em datas e valores para comprovação fiscal dos referidos lançamentos. Especificamente, no caso de desfalques/furtos, há que ser observado, ainda, o disposto no artigo 364 do RIR/99. Tendo em vista que foi dado ao contribuinte, condições e prazos suficientes para apresentação dos documentos solicitados, e uma vez que o mesmo não os Fl. 9943DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 25 29 apresentou, até a presente data, tornase necessário a constituição do correspondente crédito tributário para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, no que diz respeito ao instituto da decadência." Razões de defesa (recurso voluntário): "O quadro demonstrativo da relação 31 (fls. 318 do TVF), base da glosa efetuada pela fiscalização, mostra que os quatro valores que totalizam R$ 6.731.479,39 são lançamentos contábeis das contas identificadas como "Desfalques C/C ativa, Lançamentos Indevidos em C/C, Desfalques Trib e Taxas". Mencionadas despesas se relacionam e decorrem de furtos e roubos havidos nas agências, desfalques ou débitos indevidos nas contas correntes dos clientes e desfalques nos pagamentos de taxas e tributos, ou seja, as despesas tem por finalidade ressarcir os clientes de danos sofridos, restituindolhes os valores que lhes foram subtraídos indevidamente, sendo a despesa, assim, decorrente e inerente à própria atividade bancária, e perfeitamente dedutível. Ressalta o I. agente fiscal que tais despesas somente seriam dedutíveis quando houvesse a instauração de inquérito no âmbito trabalhista ou notícia à autoridade criminal, nos termos ao artigo 364 do RIR/99. Tais procedimentos foram efetivamente adotados pelo recorrente, que somente contabiliza a despesa decorrente do prejuízo relacionado a desfalque, apropriação indébita ou furto após registrado o respectivo Boletim de Ocorrência, perante a autoridade criminal, ou instaurado o competente inquérito trabalhista. O Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal, conclui em relação a este item, da seguinte forma: "Apesar das inúmeras prorrogações concedidas, e transcorrido mais de 100 dias da primeira intimação, o contribuinte não apresentou, até a presente data, nenhuma informação ou documentação que comprove seu pedido de impugnação, permanecendo, dessa forma o entendimento já exarado no Acórdão 1634.453 da DRJ (fls. 8894)." Em suas contrarrazões a recorrente se limita ao seguinte fragmento: "Com relação à dedutibilidade das perdas oriundas de incidentes criminais, a lei fiscal prevê formalidade para sua dedutibilidade, as quais, se cumpridas literalmente, poderiam expor a empresa a riscos de prejuízos ainda maiores. Todavia, a perda efetivamente existiu, encontrase comprovada, e é inerente ao negócio, e portanto, jamais poderia ser desconsiderada ou tida como inexistente (Relação 31). É evidente e incontroverso, que se não foi apresentado nenhuma comprovação fáctica, contábil, lastreada em documentação hábil, idônea, coincidentes em datas e valores para comprovação fiscal dos referidos lançamentos, como no caso em concreto, resta claro, que tais despesas definitivamente não foram comprovadas. Concluindo, neste item, é de se manter a glosa em sua totalidade (R$ 6.731.479,39). Todo o exposto neste voto, com relação ao IRPJ, também se aplica integralmente à CSLL. Fl. 9944DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 30 Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, conforme resumido no quadro abaixo. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator RELAÇÃO Nr. CONTA VALOR/GLOSADO EXONERADO MANTIDO 1: Mat.Plasticos 81724006 R$15.730.233,53 R$15.730.233,53 0 2: Mat.Graficos 81724006 R$ 229.786,30 R$ 229.786,30 0 3: Desp.Materiais 81724006 R$ 548.234,90 R$.....548.234,90 0 4: Desp.Materiais 81724006 R$.8.399.849,11 0 R$ 8.399.849,11 5: Desp.Materiais 81724006 R$ 325.345,59 R$ 325.345,59 0 6: Transp.Valores 81766002 R$ 327.709,20 R$ 327.709,20 0 7: Transp.Valores 81766002 R$ 1.236.944,66 R$ 1.236.944,66 0 8: Transp.Valores 81766002 R$ 1.996.592,49 R$ 0 R$ 1.996.592,49 9: Transp.Valores 81766002 R$10.866.387,19 R$10.866.387,19 0 10 Contratação de Transportes 81766002 R$ 3.719.614,85 R$ 3.719.614,85 0 11 Transp.Comp.Integrada 81766002 R$24.188.926,89 R$24.188.926,89 0 12 Transp.de Valores 81766002 R$ 7.343.330,78 R$ 7.343.330,78 0 13 Transp.de Valores 81766002 R$ 155.424,32 R$ 155.424,32 0 14 Transp.de Valores 81766002 R$ 2.932.231,72 R$ 2.932.231,72 0 15 Contratação de Transportes 81766002 R$ 332.108,88 R$ 332.108,88 0 16 Desp.Gerais Perdas 81999006 R$ 1.760.067,82 R$ 1.760.067,82 0 17 Repasse Anuidade Cartões Afin. 81999006 R$ 500.000,00 R$ 500.000,00 0 18 Bônus Programa Cartão Platinum 81999006 R$ 959.981,34 R$ 959.981,34 0 19 Bônus C. Volkscard 81999006 R$ 503.384,37 R$ 503.384,37 0 20 Taxa Interc.C Cred. 81999006 R$ 4.196.391,63 R$ 4.196.391,63 =0= Fl. 9945DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.001732/201054 Acórdão n.º 1301002.049 S1C3T1 Fl. 26 31 21 Tx Trim CCredVisa 81999006 R$ 5.321.194,29 R$ 5.321.194,29 0 22 Tx Trim CCred MA 81999006 R$ 2.395.406,42 R$ 2.395.406,42 0 23 Tit Capital. CCred 81999006 R$ 600.952,95 R$ 600.952,95 0 24 Tx Serv. Isa Visa 81999006 R$ 570.660,63 R$ 570.660,63 0 25 Regularização Docs 81999006 R$ 1.865,00 R$ 0 R$ 1.865,00 26 Emolumentos Judic 81999006 R$ 25.594,38 R$ 0 R$ 25.594,38 27 Emolumentos Judic 81999006 R$ 14.970,80 R$ 0 R$ 14.970,80 28 Assoc.de Classes 81999006 R$ 1.430.501,91 R$ 0 R$ 1.430.501,91 29 Regularização Docs 81999006 R$ 2.627.010,38 R$ 2.627.010,38 R$ 0 30 Ass.Consulta Inf. 81999006 R$ 164.290,80 R$ 164.290,80 R$ 0 31 Perdas Diversas 81999006 R$ 6.731.479,39 R$ 0 R$ 6.731.479,39 TOTAIS R$106.136.472,22 R$87.535.619,14 R$18.600.853,08 Base tributável: R$ 18.600.853,08 Fl. 9946DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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