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Numero do processo: 10945.720601/2011-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/09/2011
O CONTRIBUINTE DEVIDAMENTE INTIMADO DEIXOU DE APRESENTAR DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. VIOLAÇÃO AO DEVER LEGAL. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. APLICAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. DEVER DO FISCO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente V. PILATI EMPRESA DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/09/2011 O CONTRIBUINTE DEVIDAMENTE INTIMADO DEIXOU DE APRESENTAR DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. VIOLAÇÃO AO DEVER LEGAL. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. APLICAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. DEVER DO FISCO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 06 01 /2 01 1- 97 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.720601/201197 Acórdão n.º 2202003.208 S2C2T2 Fl. 302 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 50.002.6041, CFL.38, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP 449, de 03.12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, 27.05.2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 213 a 215, com período de apuração de 01/2007 a 12/2009, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 17 e 18. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 10/09/2011, conforme AR, de fls. 219. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 224 a 227, recebida, em 11/10/2011, estando acompanhada dos documentos, de fls. 228 a 245. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 247. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0641.305 5ª, Turma DRJ/CTA, em 29/05/2013, fls. 254 a 257. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 20/06/2013, conforme Termo de Abertura de Documento, de fls. 259, bem como pelo Termo de Ciência Por Decurso de Prazo, em 20/06/2013, fls. 261. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 263 a 268, recebida, em 17/07/2013, acompanhada dos documentos, de fls. 269 a 280, e, ainda, documentos, de fls. 283 a 296. As teses recursais sumariadas estão a seguir descritas. Mérito. · que a alegação de que a recorrente não aprestou a totalidade dos documentos, não passa de mera suposição, pois o fisco não identificou a suposta irregularidade, sendo que todos os documentos necessários e suficientes a provar as operações da recorrente foram Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.720601/201197 Acórdão n.º 2202003.208 S2C2T2 Fl. 303 3 apresentados, tendo a recorrente disponibilizados planilhas anuais com o intuito de auxiliar o trabalho fiscal; · que o fisco deveria ter demonstrado suficientemente os eventos considerados como fundamentos da atuação, pois ao lançamento é ato administrativo, demandando fundamentação, cita Paulo de Barros Carvalho; · que caberia ao fisco desconstituir o que demonstrado na impugnação; · Dos pedidos e requerimentos: a) recebimento e processamento do recurso; b) com total provimento, reformando a decisão recorrida e desconstituindo o auto de infração. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 298. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 03, fls. 299. É o Relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.720601/201197 Acórdão n.º 2202003.208 S2C2T2 Fl. 304 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. O agente fiscal lançador não fez suposição da ocorrência da infração, mas na realidade tal agente demonstrou de forma efetiva e simples a ocorrência da infração, basta ler as passagens do REFISC, abaixo transcritas. Analisando os documentos apresentados referente ao período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009, foi constatado que a Autuada deixou de apresentar a totalidade das CartasFrete, dos Conhecimentos Internacionais de Transporte Rodoviário – CRT, dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas – CTRC e dos Manifestos Internacionais de Carga – MIC. Salientamos que tais documentos foram solicitados por diversos meios: durante a Diligência, no Termo de Intimação Fiscal 003 e no curso da ação fiscal, no Termo de Início de Procedimento Fiscal e no Termo de Intimação Fiscal 004. Entretanto, a Autuada não disponibilizou a totalidade dos documentos para nosso exame, se limitando a enviar, em 29 de abril de 2011, planilhas anuais com a relação de Cartas Frete emitidas pela empresa. Vide relação das solicitações abaixo: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.720601/201197 Acórdão n.º 2202003.208 S2C2T2 Fl. 305 5 Desta forma, a infração está configurada, pois nos termos da lei o contribuinte tem o dever de apresentar ao fisco os documentos solicitados, sendo prerrogativa do fisco examinar os documentos que entender necessários, artigo 195, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 33, parágrafo 2º da Lei 8.212/91. A lei não autoriza o contribuinte a substituir os documentos solicitados pelo fisco por planilhas elaboradas pelo próprio contribuinte, sendo dever deste apresentar os documentos que dão suporte e que demonstram a realização de suas operações. O órgão julgador de primeiro grau deixou claro em sua decisão os motivos e fundamentos pelos quais não acatou a impugnação. 6.2. Cabe observar, no caso, que a empresa incorreu em infração ao artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212, de 24/07/1991 e aos artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, a seguir transcritos, ao deixar de apresentar à fiscalização a totalidade das Cartas Frete, dos Conhecimentos Internacionais de Transporte Rodoviário – CRT, dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas – CTRC e dos Manifestos Internacionais de Carga – MIC, apesar de formalmente intimada, relativos ao período de 01/2007 a 12/2009, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fls. 213/215. 6.3. Cumpre ressaltar que, todos os documentos solicitados pela fiscalização são indispensáveis a verificação do regular cumprimento das suas obrigações perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. A empresa tinha a obrigação de apresentálos, e, ao não fazêlo sujeitouse a aplicação da penalidade cabível, além de ter sido inscrita na importância que o fisco reputou devida em relação ao pagamento de fretes contabilizados na conta 310103001 FRETES PAGOS, através Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.720601/201197 Acórdão n.º 2202003.208 S2C2T2 Fl. 306 6 dos Processos Comprot Números 10945.720604/201121 e 10945.720605/201175, cabendolhe o ônus da prova em contrário, nos termos do § 3º, do art. 33 da lei 8.212/91: Lei 8.212/91: Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. 6.4. Portanto, não procede a alegação da impugnante de que tenha apresentado à fiscalização todos os documentos contábeis e fiscais de cunho obrigatório que lhe foram exigidos. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10945.720601/201197 Acórdão n.º 2202003.208 S2C2T2 Fl. 307 7 Com os esclarecimentos acima rejeito todos os pedidos, pois os argumentos apresentados não são suficientes para alterar o lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000601/2007-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1988 a 28/02/1996
Ementa.
NORMA ISENTIVA. INTERPRETAÇÃO.
Ao intérprete/aplicador das normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendê-los a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de decisão administrativa
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
TÁXI. AQUISIÇÃO COM ISENÇÃO.
O direito à aquisição de veiculo de passageiros, para ser usado como táxi, com o beneficio da isenção de IPI, poderá ser exercido somente uma vez a cada dois anos, sem qualquer exceção.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausente, momentaneamente, a conselheira Maria Teresa Martínez López.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1988 a 28/02/1996 Ementa. NORMA ISENTIVA. INTERPRETAÇÃO. Ao intérprete/aplicador das normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendê-los a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de decisão administrativa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI TÁXI. AQUISIÇÃO COM ISENÇÃO. O direito à aquisição de veiculo de passageiros, para ser usado como táxi, com o beneficio da isenção de IPI, poderá ser exercido somente uma vez a cada dois anos, sem qualquer exceção. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausente, momentaneamente, a conselheira Maria Teresa Martínez López.
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NORMA ISENTIVA. INTERPRETAÇÃO. Ao intérprete/aplicador das normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendêlos a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de decisão administrativa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI TÁXI. AQUISIÇÃO COM ISENÇÃO. O direito à aquisição de veiculo de passageiros, para ser usado como táxi, com o beneficio da isenção de IPI, poderá ser exercido somente uma vez a cada dois anos, sem qualquer exceção. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 06 01 /2 00 7- 98 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausente, momentaneamente, a conselheira Maria Teresa Martínez López. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 64, II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RI CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão 3803 02.036, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Anocalendário: 2008 TÁXI. AQUISIÇÃO COM ISENÇÃO DE IPI. SINISTRO COM PERDA TOTAL Diante da comprovação de sinistro com perda total de veículo de passageiro usado como táxi, o benefício da isenção do IPI para a aquisição de novo veículo, poderá ser concedido, ainda que não tenha transcorrido 2 (anos) da primeira aquisição, pois neste caso pressupõe que o primeiro benefício não foi devidamente utilizado. A decisão recorrida, por maioria de votos, admitiu a fruição do benefício fiscal de isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas portadoras de deficiência física e aos destinados ao transporte escolar, instituído pela Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, ao arrepio do prazo estabelecido no seu art. 2°, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 (Lei do Bem), em razão da ocorrência de sinistro com o veículo. O apelo fazendário foi formalmente admitido à CSRF pelo Despacho nº 330000.013, de 15 de janeiro de 2014, fls. 103 a 105. A Fazenda Nacional, fls. 92 a 101, controverte a liberalidade tomada pela 3ª Turma Especial, invocando o art. 111 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, para impugnar a interpretação extensiva dada pela decisão recorrida à norma isentiva. Reitera que, nos termos do art. 2° da Lei nº 8.989, de 1995, o benefício somente poderá ser utilizado uma vez, salvo se o veículo tiver sido adquirido há mais de três anos. Requer o conhecimento e o provimento do recurso para que seja reformada a decisão recorrida. O requerente do benefício não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13502.000601/200798 Acórdão n.º 9303003.503 CSRFT3 Fl. 116 3 O cerne do litígio cingese à possibilidade de fruição do benefício fiscal de isenção de IPI na aquisição de um novo veículo automotor para uso como táxi, para substituir outro adquirido com igual beneficio fiscal em 10/09/2007, mas que foi sinistrado, com perda total, em 27/10/2007. A legislação que trata da isenção pleiteada concedida às pessoas portadoras de deficiência para aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi);(Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) II motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); (...) Art. 2o A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata o art. 1o desta Lei somente poderá ser utilizada uma vez, salvo se o veículo tiver sido adquirido há mais de 2 (dois) anos; O poder regulador do benefício, atribuído à Secretaria da Receita Federal pelo art. 3° da mesma Lei, foi exercido nos termos da Instrução Normativa SRF nº 606, de 5 de janeiro de 2006, que, em seu art. 2°, § 2°, assentou que, observada a vigência da Lei nº 8.989, de 1995, o direito à aquisição com o benefício da isenção de que se trata poderá ser exercido apenas uma vez a cada dois anos, sem limite do número de aquisições. A restrição repetiuse na Instrução Normativa RFB nº 988, de 2009, no seu art. 2°, § 3°. A decisão recorrida, extravagantemente, resolveu excepcionar a restrição legal, sob a consideração de o veículo foi sinistrado, descabendo neste caso a imposição do decurso do prazo de dois anos para a aquisição de novo veículo. Entretanto, a Lei nº 8.989, de 1995, e os atos normativos regulamentadores não excepcionam o interstício de 2 (dois) anos para o exercício do direito ao benefício pleiteado. Princípio comezinho de hermenêutica em matéria tributária, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: outorga de isenção, o que inviabiliza uma interpretação ampliativa ou mesmo analógica da norma com base em critério subjetivo de Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 justiça do julgador. Não se olvide que normas que criam direitos em matéria tributária devem ser interpretadas de forma restritiva, porquanto tais direitos implicam, em última análise, uma renúncia fiscal a favor de uns em detrimento do interesse público da arrecadação de tributos. Assim, ao intérprete/aplicador das normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendêlos a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de decisão administrativa. Apoiome na melhor doutrina: 402 – III. O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência de concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou melhor, presumese não haver o Estado aberto mão da sua autoridade para exigir tributos. 1 Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Pública, para reformar a decisão recorrida, restabelecendo a proibição de fruição do benefício em tela antes de transcorridos dois anos do primeiro aproveitamento. Sala de sessões, em 25/02/2016 25 de fevereiro de 2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho. 1 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro: Forense. 9ª ed. 1980. p. 3334. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11684.720093/2011-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/06/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.689
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/06/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 72 00 93 /2 01 1- 28 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 179 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802002.316. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 180 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 181 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 182 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 183 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 184 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 185 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 186 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 187 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 188 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.720093/201128 Acórdão n.º 9303003.689 CSRF‐T3 Fl. 189 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11040.720787/2012-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessórias e principais foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 18/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 18/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 486 1 485 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11040.720787/201211 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.845 – 2ª Turma Sessão de 09 de março de 2016 Matéria Multa retroatividade benigna Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MASTER TRANSPORTES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessórias e principais foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 87 /2 01 2- 11 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 EDITADO EM: 18/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória no Código de Fundamento Legal CFL 68, por infração ao disposto no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212, de 1991, em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme Relatório Fiscal (fls. 09 a 13), os fatos geradores omitidos referemse às bases de cálculo dos serviços prestados por transportadores rodoviários autônomos e demais contribuintes individuais, nos períodos de apuração de 01/2008 a 09/2008. Na autuação foi feita a comparação entre a soma das multas calculadas conforme a legislação vigente na data dos fatos geradores e a multa de 75%, vigente na data da lavratura do Auto de Infração (após edição da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 2009), concluindose que a legislação posterior era mais benéfica nas competências 06/2008, 08/2008, 10/2008 e 11/2008 (demonstrativo de fls. 37). Em sessão plenária de 19/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2301003.634 (fls. 433 a 447), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento. CONDUTOR DE VEÍCULOS. AUTÔNOMOS. FRETES. O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido no §4º do art. 201 do RPS corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720787/201211 Acórdão n.º 9202003.845 CSRFT2 Fl. 487 3 ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte" A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para a redução da multa correspondente ao condutor autônomo de veículo rodoviário, considerando como base de cálculo da contribuição 20% do frete bruto e, após, que à multa remanescente seja aplicada a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica." O processo foi encaminhado à PGFN em 18/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 448). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 1º/09/2013, o que foi feito em 12/08/2013 (fls. 449 a 459), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 460. O Recurso Especial está fundamentado no artigo 67, do Anexo II, do RICARF, e visa rediscutir a forma de cálculo utilizada para a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, se a da legislação vigente à época dos fatos geradores ou a da legislação vigente no momento da autuação. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 1019/2013, de 1º/10/2013 (fls. 462 a 465). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: nosso ordenamento jurídico rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, portanto não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; nessa linha, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32, da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449, de 2008, dispõe que: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.” tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% ; assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720787/201211 Acórdão n.º 9202003.845 CSRFT2 Fl. 488 5 por certo, devesse privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212, de 1991; essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). nessa linha de raciocínio, a NFLD (AIOP) e o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35‑ A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cientificada em 17/03/2014 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 468), a Contribuinte ofereceu, em 31/03/2014, as Contrarrazões de fls. 471 a 476, pedindo a manutenção da decisão recorrida, aplicandose o art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, introduzido pela Lei nº 11.941, de 2009. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o Recurso Especial, de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em ação fiscal exigindose também obrigação principal, em que já foi aferida a Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 situação mais benéfica para o Contribuinte se a soma das multas vigentes às datas dos fatos geradores, ou a multa de 75% (demonstrativo às fls. 37). Na decisão recorrida foi determinada a aplicação da multa do artigo 32A, da Lei n° 8.212, de 1991, inserido pela Lei nº 11.941, de 2009. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que previam as penalidades por descumprimento de obrigações principais e acessórias, tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720787/201211 Acórdão n.º 9202003.845 CSRFT2 Fl. 489 7 Assim, no caso em apreço, considerandose que houve aplicação de multas pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias, no contexto de lançamento de ofício, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720787/201211 Acórdão n.º 9202003.845 CSRFT2 Fl. 490 9 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10675.907381/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
Per/Dcomp. Estimativas. Comprovação Pagamento a Maior/Indevido.
Comprovado nos autos, que as estimativas mensais objeto do Pedido de Restituição e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) foram recolhidas a maior, ou indevidamente, defere-se o direito creditório do contribuinte.
Numero da decisão: 1302-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ESTIMATIVAS. COMPROVAÇÃO PAGAMENTO A MAIOR/INDEVIDO. Comprovado nos autos, que as estimativas mensais objeto do Pedido de Restituição e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) foram recolhidas a maior, ou indevidamente, deferese o direito creditório do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 73 81 /2 00 9- 17 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 Este litígio foi objeto da Resolução nº 1801000.186, deliberada em 05 de dezembro de 2012, efls. 215 a 219, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: "A empresa recorre do Acórdão nº 0936844/11 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 60 a 63, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: 'O interessado transmitiu a Dcomp nº 33004.28171.241008.1.3.049950, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior à CSLL, efetuado em 26/09/2008; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01/02), na qual alega, em síntese, que conforme DCTF retificadora o pagamento foi indevido [...] A apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), declaração que constitui confissão de divida nos termos do artigo 5°, § 1º, do Decretolei n° 2.124/84, que dispõe que "o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". O sistema não impede que o sujeito passivo retifique sua apuração e declaração via DCTF, no entanto, é pressuposto da mecânica da compensação que haja uma relação lógica e cronológica entre a DCTF (original ou retificadora) e a Declaração de Compensação (Dcomp). Se após a declaração em DCTF e a extinção do débito, normalmente efetuada por meio de pagamento via DARF, o contribuinte efetuar uma nova apuração contábil e por ela constatar que o pagamento efetuado foi indevido ou a maior, ele deve apresentar uma DCTF retificadora com os novos valores do débito apurado. Só assim seu crédito poderá ser considerado liquido e certo. [...] A empresa transmitiu a Dcomp n° 33004.28171.241008.1.3.049950, declarando como crédito pagamento que teria sido efetuado a maior em 26/09/2008, relativo à CSLL do período de apuração 08/2008. Porém, na DCTF referente ao 3o trimestre de 2008 (também na DIPJ respectiva) que deu suporte fático à Dcomp em questão, não existe o crédito pleiteado, tendo em vista que o débito declarado é igual ao valor pago, e por isso, o pagamento efetuado foi corretamente alocado a esse débito, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação na data da transmissão da Dcomp ora analisada. Além disso, a manifestação de inconformidade não traz demonstração, comprovada por documentação hábil, da apuração do crédito declarado na Dcomp, Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10675.907381/200917 Acórdão n.º 1302001.930 S1C3T2 Fl. 3 3 para que se possa certificar a sua correção. Nela também não consta elementos que comprovem que esse novo valor fora apurado e declarado à RFB em data anterior à transmissão da Dcomp sob julgamento, contrariando assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, que estabelece que "a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir " O crédito objeto da Per/Dcomp é o recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa de CSLL, relativa ao mês de agosto/08.' A empresa interpôs (...) reiterando os termos da defesa exordial, e: a) o acórdão recorrido fundamentouse na ausência de documentação hábil da apuração do crédito declarado na Per/Dcomp; b) a recorrente, no entanto, juntou à manifestação de inconformidade cópia da DIPJ/09, onde resta comprovado que não há tributo a recolher no mês de agosto/08, tratandose de um indébito tributário; este documento foi ignorado; c) apesar de entender que basta anexar aos autos a cópia da DIPJ/09, instrui o presente recurso com o balancete de suspensão registrado no Diário relativo ao mês de agosto e cópias de folhas do Lalur; d) argumenta que o acórdão incorreu em erro ao afirmar que a DCTF retificadora foi entregue pela recorrente após a emissão do Despacho Decisório; a retificadora foi entregue em 23/07/09 enquanto o Despacho data de 07/10/09; e) discorda do entendimento esposado no acórdão recorrido que a retificação da DCTF tem que ser simultânea ou anterior à entrega da Per/Dcomp. [...] VOTO [...] A recorrente pleiteia restituição da estimativa de CSLL relativa ao mês de agosto/2008, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que a DCTF foi preenchida com erro e apresenta cópias do balancete de suspensão do mês e do Lalur. A turma julgadora de primeira instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de que a declaração retificadora DCTF foi entregue após transmissão da Per/Dcomp, não surtindo qualquer efeito portanto. E, ainda, que a recorrente deveria apresentar a escrituração contábil e documentos respectivos juntamente á manifestação de inconformidade para comprovar o alegado erro. Divirjo do acórdão recorrido. Se houver efetivamente erro no cálculo da estimativa de IRPJ, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, ou retificado a confissão após a entrega da Per/Dcomp, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. No presente caso, os documentos trazidos pela recorrente junto à manifestação de inconformidade espelham a entrega da DCTF retificadora e da DIPJ/09 antes da ciência pela recorrente do Despacho Decisório. A DCTFret foi entregue em 23/07/09 (fls. 33), a DIPJ/09 em 12/10/09 e a ciência do Despacho Denegatório ocorreu em 20/10/09 (fls. 09). Daí que parte do raciocínio tecido no acórdão combatido está equivocado. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. Observo que em nenhum momento a autoridade revisora da Per/Dcomp intimou a recorrente à retificar as declarações para que correspondessem à Per/Dcomp (DIPJ e DCTF), ou a apresentar a contabilidade para análise do direito creditório. Tampouco o fez a turma de julgamento de primeira instância. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10675.907381/200917 Acórdão n.º 1302001.930 S1C3T2 Fl. 4 5 O procedimento acertado da Administração Tributária é, antes de emitir o Despacho Eletrônico intimar o contribuinte a apresentar a contabilidade completa e, após a emissão do Despacho, conceder prazo para o contribuinte proceder a eventuais retificações de declarações, consoante escriturado. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, o balancete de suspensão, memória de cálculo demonstrando a apuração do tributo e o Lalur, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época (fichas do Razão analítico, balancetes de suspensão dos meses anteriores registrados no Diário e verificação de possíveis alterações no Lalur no período em comento). Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que a autoridade fiscal verifique: a) o valor da base de cálculo da estimativa de IRPJ referente a agosto/2008 junto à contabilidade completa da recorrente escriturada à época dos fatos, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando, em cópia, os registros contábeis pertinentes, a fim de reratificar os cálculos da recorrente; b) os valores efetivamente recolhidos de estimativas no ano de 2001, destacando se a estimativa objeto deste litígio compôs eventual saldo negativo e/ou se foi objeto de outra Per/Dcomp já processada." Determinada a conversão do julgamento na realização de diligências, a autoridade fiscal designada ao seu cumprimento, após intimar a contribuinte a exibir a contabilidade, prestou as informações fiscais de efls. 403 a 405. Regularmente intimada, a contribuinte não se manifestou a respeito. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por considerálo tempestivo. Apesar da data de protocolo estar ilegível no corpo do documento (carimbo), a autoridade preparadora dos autos atesta, às efls. 214 em despacho de encaminhamento, que a peça recursal foi interposta em 05/12/2011, sendo que o Aviso de Recebimento (AR) de ciência do acórdão recorrido deu se em 07/11/2011 (efls. 67), portanto dentro do trintídio legal. Como acima relatado, a recorrente requer a repetição de indébito tributário consubstanciado na estimativa mensal de CSLL, relativa a agosto de 2008, no valor de R$ 10.624,26, sendo alegado que foi recolhida por equívoco. A DCTF do período foi devidamente retificada, fato que não foi admitido pela Turma de Julgamento de Primeira Instância, mas esta motivação já foi refutada e reformada nesta sede recursal, quando da deliberação da Resolução relatada. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 6 Superado o tópico sobre a validade da retificação da DCTF, seja antes, concomitantemente ou após a entrega do Per/Dcomp, restou aguardar a verificação realizada pela autoridade fiscal em face à contabilidade da contribuinte se a repetição do indébito tributário é procedente, ou não, bem como a consequente compensação tributária, consubstanciados no Per/Dcomp objeto do presente litígio. Na Informação Fiscal de efls. 403 a 405, a autoridade fiscal constata: [...] Analisando os documentos apresentados pela interessada em confronto com as informações constantes dos sistemas informatizados da RFB verificase que os valores de estimativas de CSLL (2484), consignados na ficha 16, tanto na DIPJ original, apresentada em 12/10/2009 como DIPJ retificadora entregue em 15/10/2010 estão em consonância com o resultado do exercício apurado nos balancetes de verificação constantes das fls. 72/465 do Livro Diário Geral nº 12 e demonstrativos transcritos no LALUR, cópia fls. 297/360. Foram apurados valores a pagar, a título de estimativas de CSLL, com base em balancetes de suspensão/redução, relativos aos meses de janeiro, fevereiro, junho e julho de 2014, os quais foram extintos por pagamento e compensação conforme extrato fl. 397, demonstrado a seguir: Conforme Balanço Patrimoninal e Demonstração do Resultado do Exercício, foi apurada na ficha 17 da DIPJ base de cálculo negativa da CSLL, relativa ao exercício financeiro 2009, anocalendário 2008, no valor () R$ 2.759.271,22, resultando no crédito de saldo negativo da CSLL, no valor de R$ 54.330,16, cuja composição é exatamente o total das estimativas de janeiro, fevereiro, junho e julho, extintas no decorrer do ano, conforme acima demonstrado. Referido crédito foi objeto das declarações de compensação nºs 01685.47717.300609.1.3.034194 e 38682.37969.170709.1.3.033943, já processadas, cujo crédito foi totalmente reconhecido em análise pelo sistema eletrônico da RFB. Relativamente aos demais períodos de apuração: março, abril, maio, agosto, setembro, outubro, novembro de dezembro, verificase pelos demonstrativos constantes do LALUR e balancetes de verificação que o resultado foi pela suspensão dos pagamentos de estimativas por terem sido apurados valores inferiores aos valores acumulados devidos dos meses anteriores. Planilha detalhada da apuração mensal das estimativas foi anexada à fl. 395. Especificamente em relação ao período de apuração agosto/2008 foi anexada cópia do balancete de verificação acumulado de janeiro até agosto, cujo resultado do exercício somada à provisão do IRPJ e CSLL, foi de R$ 567.654,42, origem da apuração constante do demonstrativo de cálculo da CSLL transcrita no LALUR, fls. 31/33, correspondente às fls. 327/329 do presente processo. Assim, podemos concluir em relação ao pagamento da estimativa do período de apuração agosto/2008, objeto do presente litígio, tratarse de pagamento indevido, que não foi aproveitado na composição do saldo negativo de CSLL, apurado no Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10675.907381/200917 Acórdão n.º 1302001.930 S1C3T2 Fl. 5 7 encerramento do exercício e nem objeto de alocação para extinção de débitos de estimativa, estando com saldo disponível reservado para o presente processo. (grifos não pertencem ao original) Em se tratando de situação fática, o resultado das diligências foram conclusivos e favoráveis à pretensão da recorrente, nada mais restando a ser analisado. Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecer o direito creditório pleiteado pela recorrente e homologar as compensações tributárias até o limite deste crédito, respeitadas as devidas atualizações monetárias. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002434/98-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1996
ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO. PERC/FINOR.
Há que se interpretar cum grano salis a Súmula CARF nº 37, pois o que está dito ali é que a situação de regularidade fiscal a ser exigida é a do período a que se referir a DIRPJ ou DIPJ na qual houve a opção pela aplicação de parte do IR em investimento regionais, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento, mas logicamente a prova relativa àquele período, ou seja, ao período a que se referir a declaração na qual foi feita a opção.
Por sua vez, quando a Delegacia da Receita Federal não indica com precisão qual o débito que estava pendente de pagamento no período em que foi entregue a DIRPJ/DIPJ, há que se aceitar a comprovação da regularidade fiscal por meio de certidões apresentadas em qualquer fase do processo de julgamento do PERC.
Numero da decisão: 1302-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1996 ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO. PERC/FINOR. Há que se interpretar cum grano salis a Súmula CARF nº 37, pois o que está dito ali é que a situação de regularidade fiscal a ser exigida é a do período a que se referir a DIRPJ ou DIPJ na qual houve a opção pela aplicação de parte do IR em investimento regionais, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento, mas logicamente a prova relativa àquele período, ou seja, ao período a que se referir a declaração na qual foi feita a opção. Por sua vez, quando a Delegacia da Receita Federal não indica com precisão qual o débito que estava pendente de pagamento no período em que foi entregue a DIRPJ/DIPJ, há que se aceitar a comprovação da regularidade fiscal por meio de certidões apresentadas em qualquer fase do processo de julgamento do PERC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 554 1 553 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.002434/9814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.865 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de maio de 2016 Matéria PERC Recorrente UNIÃO PARTICIPAÇÕES LTDA. ( atual denominação de Caulim Participações Ltda., sucessora de UNIÃO DE COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1996 ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO. PERC/FINOR. Há que se interpretar cum grano salis a Súmula CARF nº 37, pois o que está dito ali é que a situação de regularidade fiscal a ser exigida é a do período a que se referir a DIRPJ ou DIPJ na qual houve a opção pela aplicação de parte do IR em investimento regionais, admitindose a prova da quitação em qualquer momento, mas logicamente a prova relativa àquele período, ou seja, ao período a que se referir a declaração na qual foi feita a opção. Por sua vez, quando a Delegacia da Receita Federal não indica com precisão qual o débito que estava pendente de pagamento no período em que foi entregue a DIRPJ/DIPJ, há que se aceitar a comprovação da regularidade fiscal por meio de certidões apresentadas em qualquer fase do processo de julgamento do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 24 34 /9 8- 14 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0539.250 da 1ª Turma da DRJ/CPS, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO. PERC/FINOR. QUITAÇÃO DE DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativo a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação, pela pessoa jurídica, à época da formulação/opção do pedido, da quitação de tributos e contribuições federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Vale a transcrição do seguinte trecho do voto condutor do acórdão recorriido, in verbis: “O Despacho Decisório em litígio, reportandose ao extrato de fls. 126/256 (numeração em papel, correspondente à numeração digital de fls. 129/259) apontou, como motivação para indeferimento do pedido de revisão, a existência de débitos. Observese que a necessidade de comprovação, pelo contribuinte, de sua regularidade fiscal constava do artigo 60 da Lei n.º 9.069, de 1995, a seguir transcrito: Art. 60. A Concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Neste ponto, importa registrar que cumpre à autoridade julgadora perquirir a situação da empresa até o momento da formulação do pedido, externado, no presente caso, com a entrega em 30/04/1997 da declaração anual do anocalendário de 1996. Não se cogita assim, da possibilidade da alegada oscilação da situação do contribuinte, na medida que a verificação da regularidade devese ater à época da opção. De fato, necessária se faz a verificação de existência, ou não, de prova de que o contribuinte estaria com a situação fiscal irregular até o momento da entrega da declaração do imposto de renda em que configurada a opção pelo investimento. Eventuais débitos posteriores Fl. 555DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.002434/9814 Acórdão n.º 1302001.865 S1C3T2 Fl. 555 3 ou com exigibilidade suspensa não são hábeis a ensejar o indeferimento do PERC. (...) Como conseqüência deste reiterado posicionamento, foi editada Súmula CARF de nº 37, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 37 Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (destaques incluídos) À referida Súmula foi atribuído efeito vinculante em relação à administração tributária federal, pela Portaria MF 383, de 12/07/2010 (DOU de 14/07/2010). No presente caso, como visto, o Despacho Decisório, ao indeferir o pedido de revisão (PERC) em razão da existência de débitos, fez referência ao extrato de fls. 126/256 (129/259). E, dentre as pendências ali apontadas, a par de débitos com exigibilidade suspensa da requerente e de empresas por ela sucedidas, bem como de débitos e processos em cobrança e débitos junto a PGFN de empresas incorporadas após à data da opção pelo incentivo em questão, encontrase, também, pendência junto à PGFN da empresa Melhoramentos de Caxias S A incorporada pela ora manifestante em 30/11/1989, como se vê nas pesquisas de fls. 162 e 229, a seguir parcialmente transcritas: (...) Se a extinção por incorporação da empresa de CNPJ 29.325.081/000181 ocorreu em 30/11/1989, o débito em aberto e que veio a ser encaminhado para inscrição em dívida é anterior a esta data e, portanto, a incorporadora (ora requerente) já respondia por ele quando formalizou sua opção pelo incentivo em abril de 1997. Acrescentese que não consta dos autos Certidão Quanto à Divida Ativa da União válida até a data da entrega da DIRPJ em que formalizada a opção (30/04/1997), mas apenas aquela de fls. 17, emitida em 23/10/1998. Também dentre os documentos que instruem a manifestação de inconformidade não se identifica referência a Certidão emitida pela PGFN abrangendo o período de interesse (até 30/04/1997). Neste contexto, não afastada a motivação contida no Despacho Decisório de existência de débitos em aberto no momento da opção, situação que impede o reconhecimento do benefício vinculado ao FINOR nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, mencionado no Despacho Decisório questionado, impõese manter a decisão de indeferimento do Pedido de Revisão. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 Diante do exposto, o presente voto é no sentido de considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade para manter o Despacho Decisório recorrido.”. Cientificado da decisão recorrida em 22/11/2012 (AR a fls. 449), a recorrente interpôs, em 21/12/2012 (Recibo a fls. 451), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que se trata de processo administrativo oriundo de Pedido de Revisao de Ordem Emissao de Incentivos Fiscais ("PERC") referente ao anobase 1996, exercfcio 1997, formulado pela empresa União de Comércio e Participaçõees Ltda. ("União de Comércio") e apresentado em 16/11/1998; b) que não foi atendida a opção feita pela União de Comércio, conforme se verifica pelo Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 13), o que ensejou a apresentação do PERC em tela, sendo que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco ("DRF/Osasco") houve por bem indeferir o PERC, sob o argumento de ofensa ao artigo 60 da Lei 9.069/951, por suposta irregularidade fiscal da União de Comércio (fls. 261/263); c) que a a Recorrente manifestou sua vontade de destinar parcela de seu IRPJ devido ao FINOR em sua DIPJ apresentada em 30/04/1997, referente ao anobase 1996, momento em que estava em dia com suas obrigações fiscais, em cumprimento a referido artigo 60 da Lei n° 9.069/1995; d) que, enquanto a DIPJ/1997, referente ao anobase 1996, foi entregue em 30/04/1997, o débito em tela foi inscrito em dívida ativa em 15/02/2007, sendo que o processo administrativo a ele referente teve início em 17/01/2007, como atesta o extrato da movimentação processual obtido comprot (Doc. 04), o que é mais do que suficiente para que essa D. Turma Julgadora determine a reforma da decisão ora guerreada; e) que, se o referido débito foi inscrito em dívida ativa em 15/02/2007, é certo que na data da entrega da DIPJ/1997 ele sequer existia ou, se existia, era um débito sob administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil ("RFB"), ou seja, ainda não estava definitivamente constituído; f) que se equivoca a DRJ ao entender ser necessária a juntada de CND emitida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN"), já que o débito por ela apontado para motivar a alegada irregularidade fiscal, se existia a época da entrega da DIPJ/1997, era de competência da RFB, órgão para o qual a União de Comércio tinha CND válida; g) que a comprovação da regularidade fiscal em momento posterior ao da opção pelo benefício é suficiente para atender ao disposto no artigo 60 da Lei nº 9.609/1995, uma vez que a comprovação da regularidade fiscal em momento presente significa a inexistencia de debitos do passado; h) que, na remota hipótese de essa D. Turma Julgadora considerar que a regularidade fiscal da Recorrente não foi comprovada no momento da opção, o que se admite apenas por amor ao debate, é certo que a regularidade fiscal da Recorrente pode ser provada pela anexa Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e a Dívida Ativa da União, emitida em 14/12/2012 e válida ate 12/06/2013 (Doc. 07); i) que se trata de CERTIDÃO NEGATIVA, não de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, ou seja, a Recorrente efetivamente quitou todos os seus débitos, sejam do presente ou do passado; j) que não resta dúvida de que, independente do momento em que se analise a regularidade fiscal da Recorrente, se na entrega da DIPJ/1997 ou atualmente, sua comprovação resta incontestável nos presentes autos, devendo essa D. Turma Julgadora reconhecêla e determinar a reforma integral da decisão recorrida com o fito de deferir integralmente o PERC. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.002434/9814 Acórdão n.º 1302001.865 S1C3T2 Fl. 556 5 É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 494 e susbtabelecimento a fls. 492, razão pela qual dele conheço. A efls. 17, consta Certidão Quanto à Dívida Ativa da União, expedida em 23/10/1998, em nome da União de Comércio e Participações Ltda., pessoa jurídica que apresentou o PERC/97, ora em julgamento, e que fora depois incorporada pela Caulim Participações Ltda, a qual depois mudou sua denominação para União Participações Ltda., ora recorrente. Consta também a efls. 15, Certidão Negativa de Débitos, expedida pelo INSS em 14/10/1998, em nome da União de Comércio e Participações Ltda.. A efls. 113, consta intimação da DRF/Osasco, datada de 26/12/2000, no qual é requerido à recorrente que comprovantes de entrega da DITR (AC de 1995 a 1998) dos imóveis da Agropecuária Rio Araguaia Ltda, que fora incoporada pela União de Comércio e Participações Ltda, sob pena de ser indeferido o PERC/AC97. Em resposta a e fls. 114, informa que todos os imóveis já haviam sido vendidos em 1993, juntando as provas que entendeu necessária. A efls. 60, consta Intimação nº 1001/01, datada de 09/01/2001, na qual a DRF/Osasco requer da recorrente as seguintes providências: “1. Comprovar a regularidade de recolhimentos em relação ao PIS de Janeiro de 2000 até apresente data; 2. Comprovar o valor de R$ 9.352.312,37 informado na Linha 07 da Ficha 10 da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do exercício de 1996. Apresentar cópia do(s) DARF do correspondente pagamento do imposto; Apresente intimação visa buscar elemento imprescindível para a análise e deferimento dos Pedidos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC do processo acima mencionado. A não apresentação da documentação exigida no prazo estipulado ensejará o indeferimento do PERC.”. Inicialmente, ressalto que o eventual débito de PIS de janeiro de 2000 é totalmente irrelevante para a discussão em tela – PERC/97. Quanto ao valor de R$ 9.352.312,37 informado na Linha 07 da Ficha 10 da DIRPJ/AC 96, a recorrente informou o seguinte (doc. a fls. 61): “O valor de R$9.352.312,37, informado na linha 07 da ficha 10 da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do exercício de 1997 (ano calendário de 1996) e que fez parte da composição da base de cálculo dos incentivos fiscais indicada na ficha 10, linha 01, da mesma declaração (R$ 40.997.846,35), refere se a imposto de renda retido exclusivamente na fonte, retido no decorrer do ano de 1996, conforme artigo 67, parágrafo 1º, da Lei 8.981/95, sobre rendimentos produzidos até 31/12/94 sobre aplicações financeiras existentes naquela data e resgatadas no decorrer de 1996, conforme a seguir demonstrado e que, conforme preconiza o art. 11 da Lei n° 8.541/92 (matriz legal do art. 602 do Fl. 558DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 RIR/94), mencionado expressamente no MAJUR/97 ao tratar da ficha 10 linha 01 (pág. 48), deve fazer parte da base de cálculo dos incentivos fiscais: (...) Esclarece, ainda, o contribuinte, que, a exemplo do procedimento adotado em relação ao anocalendário de 1995 (exercício de 1996), utilizou este campo da declaração para inserir o imposto de renda retido exclusivamente na fonte, de forma a fazer jus ao incentivo fiscal no ano de sua retenção, por inexistir na declaração campo apropriado e específico para declarar tal valor, tendo sido dito procedimento devidamente APROVADO POR UNANIMIDADE PELO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, através do processo administrativo n° 10882.000409/9898, Recurso n° 119.743 e Acórdão n° 10805.898 de 21/10/99 (cópia do Acórdão anexa doc. 10).”. A fls. 261 e segs, consta o Parecer Seort/DRF/OSA nº 800/2008, datado de 23/07/2008, o qual foi assim exarado: “Com efeito, conforme acostado a fls. 12, o contribunite não teve direito ao beneficio pleiteado por possuir pendências com tributos e contribuições federais, por força do art. 60, da lei n° 9.065/95, transcrito a seguir: (...) Neste aspecto, exame do extrato sobre a situação fiscal do contribuinte, acostado a fls. 126 usque 256, demonstrou a irregularidade do requerente. Destarte, entendese que o contribuinte não faz jus ao incentivo FINOR , devendo, pois, ser indeferido o presente pleito. (...) CONSIDERANDO o exposto, propõese o INDEFERIMENTO do presente pedido.”. Ao se compulsar os documentos acostados a fls. 126 a 256, verificase que a maior parte dos débitos ali apontados ou estavam com a exigibilidade suspensa ou se referiam a período de apuração posterior a ano de entrega da declaração em que foi feita a opção pelo incentivo fiscal. Vale ressaltar que o referido relatório não informa a data do fato gerador dos débitos pendentes de pagamento nele indicados, o que impossibilita a verificação se eles eram ou não um óbice ao deferimento do PERC. Além disso, , em alguns casos é informado que há medida judicial pendente de comprovação, mas a DRF/Osasco não se aprofundou na análise, pois, como acima transcrito, limitouse apenas a indeferir o pleito do recorrente com base no referido relatório sem qualquer explicação. A DRJ/CPS teve a mesma dificuldade, mas também não se dignou a aprofundar a pesquisa, fundamentando seu indeferimento do PERC na existência de um débito de código de arrecadação 2209, se não vejamos o seguinte excerto do Acórdão 0539.250 (a fls. 438 e segs.): “E, dentre as pendências ali apontadas, a par de débitos com exigibilidade suspensa da requerente e de empresas por ela sucedidas, bem como de débitos e processos em cobrança e débitos junto a PGFN de empresas incorporadas após à data da opção pelo incentivo em questão, encontrase, também, pendência junto à PGFN Fl. 559DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.002434/9814 Acórdão n.º 1302001.865 S1C3T2 Fl. 557 7 da empresa Melhoramentos de Caxias S A incorporada pela ora manifestante em 30/11/1989, como se vê nas pesquisas de fls. 162 e 229, a seguir parcialmente transcritas: Se a extinção por incorporação da empresa de CNPJ 29.325.081/000181 ocorreu em 30/11/1989, o débito em aberto e que veio a ser encaminhado para inscrição em dívida é anterior a esta data e, portanto, a incorporadora (ora requerente) já respondia por ele quando formalizou sua opção pelo incentivo em abril de 1997. Acrescentese que não consta dos autos Certidão Quanto à Divida Ativa da União válida até a data da entrega da DIRPJ em que formalizada a opção (30/04/1997), mas apenas aquela de fls. 17, emitida em 23/10/1998. Também dentre os documentos que instruem a manifestação de inconformidade não se identifica referência a Certidão emitida pela PGFN abrangendo o período de interesse (até 30/04/1997).” Inicialmente, vale ressaltar que o código de arrecadação 2294 referese a “Receita Dívida Ativa – SPU”, ou seja, receitas de taxa de ocupação, foro, laudêmio, aluguéis. Destarte, débito de código de arrecadação 2294 não se refere a tributos federais, logo, ainda que fosse um débito pendente de pagamento, não teria o condão de obstar o deferimento do PERC, já que o art. 60 da Lei 9.069/95 condiciona a concessão de incentivo ou benefício fiscal à comprovação de quitação de “tributos e contribuições federais”. Além do mais, notese que os débitos referidos nas folhas 163 e 229 estavam suspenso para análise da Secretaria do Patrimônio da União. Ou seja, totalmente descabida a fundamentação da DRJ/CPS neste ponto. Por outro lado, a DRJ/CPS fala em débitos em cobrança, sendo que mais uma vez a autoridade julgadora agiu sem a devida atenção, pois, já que adota a Súmula CARF nº 37, não poderia, in casu, fundamentar o indeferimento do PERC em débitos relativos a fatos geradores posteriores a entrega da declaração na qual foi feita a opção, se não vejamos: a) a fls. 218, é informado a existência de débito de IRPJ (2362) em cobrança, sendo do PA 01/2004, logo irrelevante para o caso em análise, pois posterior a data de entrega da DIRPJ/AC96; e b) a fls. 222, é informado a existência de débito de IRPJ (2362) e CSLL (2484) em cobrança, sendo do PA 12/2003, logo irrelevante para o caso em análise, pois posterior a data de entrega da DIRPJ/AC96. Por sua vez, há alguns débitos que o relatório não informa se estavam com a exigibilidade suspensa, mas também não permite concluir se os seus fatos geradores são anteriores a data da entrega da DIRPJ/AC96, quais sejam: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 a) a fls. 151, contribuição social (1804) e IRPJ (3551), inscrita em dívida em 13/07/2004 e autos com data de 2004; b) a fls. 176 e 245, contribuição social (1804), inscrita em dívida em 26/06/2006 e autos com data de 2001; c) a fls. 177, IRPJ (3551), inscrita em dívida em 26/06/2006 e autos com data de 2001; e d) a fls. 217, contribuição social (1804) e IRPJ (3551), inscrita em dívida em 13/07/2004 e autos com data de 2004. Como a DRF/Osasco se limitou a alegar que havia débitos pendentes no relatório a fls. 126 a 256 e a DRJ/CPS a exemplificar tal pendência com um débito que sequer tinha natureza tributária, concluo que nem a DRF/Osasco nem a DRJ/CPS indicou com precisão qual o débito que estava pendente de pagamento no período em que foi entregue a DIRPJ/AC96, logo, entendo que se aplica, in casu, a Súmula CARF 37. Por sua vez, há que se interpretar cum grano salis a Súmula 37, pois o que está dito ali é que a situação de regularidade fiscal a ser exigida é a do período a que se referir a DIRPJ ou DIPJ na qual houve a opção pela aplicação de parte do IR em investimento regionais, admitindose a prova da quitação em qualquer momento, mas logicamente a prova relativa àquele período, ou seja, ao período a que se referir a declaração na qual foi feita a opção. É lógico que é impossível para o contribuinte fazer uma prova de quitação de períodos passados com base em certidões emitidas pelos diversos órgãos, até mesmo porque nem a RFB nem a PGFN emitem certidões de quitação de períodos pretéritos. Por sua vez, vale lembrar que, no momento da apresentação/envio da DIRPJ ou DIPJ, nunca foi estabelecido qualquer procedimento por parte da Administração Tributária que permitisse a anexação de certidões negativas de forma a instruir o pedido de incentivo nela contido. Assim, embora o art. 60 da Lei n° 9.069/1995 disponha que a concessão do benefício fica condicionada a prova de quitação, ali não está determinado que essa quitação só possa ser feita por certidões e, pior, nem dispõe em que momento deverá ser apresentada a prova. Por sua vez, poderia até o contribuinte mais zeloso, manter certidões negativas do período relativo à DIRPJ ou DIPJ na qual houve a opção pela aplicação de parte do IR em investimento regionais., mas não me parece que estivesse clara tal obrigação na legislação vigente. São por esses motivos que tenho sustentado a possibilidade de se aceitar certidões negativas (ou positivas com efeitos negativos) em qualquer fase do processo administrativo de julgamento do PERC, desde que o despacho decisório não tenha especificado quais os débitos estavam pendentes de pagamento no período a que se refere a DIRPJ/DIPJ na qual houve a opção pela aplicação de parte do IR em investimento regionais. Ora, se o despacho decisório define que o débito pendente de pagamento era de um determinado tributo relativo a um determinado fato gerador, a prova que se pede não é a certidão negativa, mas o comprovante de pagamento, o qual deveria ter sido guardado pelo contribuinte enquanto não acolhida a ordem de emissão do incentivo. Assim sendo, como já salientado que que nem a DRF/Osasco nem a DRJ/CPS indicou com precisão qual o débito que estava pendente de pagamento no período em que foi entregue a DIRPJ/AC96, entendo que estamos diante de situação em que se deva aceitar a comprovação da regularidade fiscal por meio de certidões apresentadas em qualquer fase do processo de julgamento do PERC. Verifico a existência das seguintes certidões de quitação de tributos nos autos: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.002434/9814 Acórdão n.º 1302001.865 S1C3T2 Fl. 558 9 a) a fls. 15, Certidão Negativa de Débitos (INSS), datada de 14/10/1998; b) a fls. 17, Certidão Quanto à Dívida Ativa da União, datada de 23/10/1998; c) a fls. 331 a 334, consta tela de “Consulta Certidão Emitida Internet”, na qual podese constatar inúmeras certidões negativas emitidas pela RFB e, conjuntamente, com a PGFN, para a sucessora União Participações Ltda, ora recorrente; e d) a fls. 549, Certidão Conjunta Negativa (RFB e PGFN), datada de 14/12/2012. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para que seja deferido o PERC e, consequentemente, liberada a Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 562DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13233.000004/93-97
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 1994
Ementa: ITR - INEXISTENTE DÉBITOS ANTERIORES O CONTRIBUINTE FAZ JUS ÁS REDUÇÕES PREVISTAS EM LEI. Recurso provido.
Numero da decisão: 201-69.275
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Henrique Neves da Silva
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F'H ITR :rr)exis.tir)d() clét)ito~~ al'ltel"ic)r'e~s () (:c)ntl":ibLlj.I')'.' te -faz .jl.l~; à~~~r'ec!u~~ôes lJV"evis'tas em :lei.. Recurso provido .. Vis.tc)s; Irelata(j()s e cl:i!~Clt.tidc)s 01; pre~;ef)tes allt(:)S~ de "."'<::u"",,,o :i.nt""--po",to PCll'" Fl'MI'4CISC() DA COSTA DIHIZ. COr!~:;f::.):I.ho d (o':~ p"'OV:i.fllf:.~nto ao AC:C)RI)AI1 os; I~emt)ros (:Ia l:'lr:ifneil"a C:à(nara de) Contl":i.bu:i.n'l:'['~~:;~1pOr" unan:i.fnidacle de votos, 1'"8 curso • ~:)(':~(":.Iun cIo EHO dar P I"(.:.~~:;:i.d (.:,~nt(,:~ . ~I...1.(.)'~"I.'J .Ic/..;e') .•••..eA.çhl/J$,., '...1' ,..1\h: .. : tY: 1"II~:.,:1'"f:);~)("1 b ..~ .... ,:~(::.~.. ~':\"1.:.01" ~I. J" ,.., '.),"' A I ).'1...1..'.1.(.).1.'11...)1....1.'.." ..("' (...(.),.., "( ...1'1 LH'~ ...l. ,:) 1...1..,., ::...... ::, ::,., .•..l.L:) ..', ::.I...".J .... F~r'C)C~"rACfc)I"-"Repl"e"" sel,tal,te (ja F:'azeQ cld i'idc..i.Ulldl elA M. DA a Drª DO de CARMEM-r;ü- 07/11/94. F'.;;\1" t :i. c :i. P,':'ll" <:\(1) ~, "WI"~C10 (')UI'IE,:; UUbTAVO DI:':EYEI"~ a:illda, do presen'te ,jl,l:Lqan~entc)~, os (:(:)I'~!:;elt~e:ll~(:)S VI..' I..lJ,)U" "I. i. I'r() ,:,,,,I'ITUb b",1...01"'.If.iCl \l101..5Z<::Z"d<" F:OGEI":I O (,:> ' ..•UIZA '..IEI...E},I() U,::,1...",H.ll,: DE l'IUi'ME,:; (buplo:'n te) " hl"/,:im/c:f/qb MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO'DÉ CONTRIBUINTES F~ecurso nQ:: Acôrdi?\o nQ:: I:~ecor'rentf2 :: 94.878 ~~O:l.-6C:Y..275 FR~l~ICISCO DA COSTA DHHZ R E L A T O R I (] [J r"e(:ol"I"efl"te j,nlplAql'ld o :[1'1:~de 1991~ d i I"(.~:i.to ~\~:;1"(.:.~cIU~;:e;f:~~:;c~:'.b:r.\l(.~:i.~:;" di z(-:.~ndo t{:l d (.:.~c :i. ~:;~~to d (.:.~p I' :1.m(.;,! ]. r'~':\ :i. n ~:;t f(( r'l c: :i. ,':l n (.;,:q.ou Et p 1"f;~t f: ri S ~Tto !l a'fil~n)ar}cloa exis;tênc:la (je déb:l-tc) no pel'"i()(:!c) de 1986" () C:(;)ll'tl'"iblA:irlte jllfl"tclLl o (:C)(npl~()Var).te de pagail\erlto elo ITh: de:: :1.9~:jó~!pc.:.d:i.ndoa 1"(.::con~:;:i.d(.::r'<:'I,~~'KC) dt:'\ d(.::c:L~:;~'!I:'o~J d:i.sp(.:!n~:;.::"t.nclo a I'lecessi(jac!e de I~ec(:)r'r'era este E~grégi() COI'ls;el1'l(). r:':l f::ll.~tOl":i.d(':'~cl<-:,! 1"eCt,lV'SCJ e lr~meteu de plr:lo)eil"a :lf)s.tân(:j.a l"e(::ebeu o ~)eSOlOà e~~te c:oflselho. ' " ::' , "o .••• ,, " ,.,' •L. (.) 1 (.::ldl.UI JU MINIST~RIO OA FAZENOA SEGUNOO CONSELHO DÉ CONTRIBUINTES nQ: 13233.000004/93-97 nQ: 201-69.275 VOTO DO CONSELHEIRO--RELATOR HEI-IRIQUE NEVES DA SILVA p~?ti~~t\'od(,? C::~?leI"o id ad (,2 Apesar da falta de técnica recUlrsal~ cQrlhe~o fls. 09 como recursc~ homellagean<:io o principio Pl"c)cessual .. D 1"E~C()I'"I""enti::.'comprovou a qui.ta~;:~~odo ITr~ de :1.9t3é>!1 cuj a (;,1('2ga~âo q(.:.~ (,:"x :i.stC#nc:i.i:\ de.?déb:i. to n(-;)ss(.:,' ano iloi a bas(,? pal"i:\ [) :i.nd(.?'fE'~1'":l.f1H-?n to d (,:.~SUe:\ :i.mpLlqna~ão. d (.? c::i. s~~o N~~c) I'"e c:C),r r':i. cf c:\. ~. persistindo a base 'fátic:aem qLle se fUfldoLl a ~'esma deve ser re1:or(nada. r(.?cul"~:;(J pavoa <,:\p1:i. c:ando'-~.;e (-?f:;péc:i:c-?, dado Assim, voto no sentido de clar' proviOlellto ao que-? ~:;(o?:ii:\m l"(.?"fei t.("JS O~:-) ci~lculc)s dc) ITE~ de-? 1<t<t:l, Of:). coef:i,c:i,(.:~ntf..~sd(::~ l"c:?duç:âo CF"E e FI,lJ) Ci:\b:[V0~i~; na il'lexistir débito antev'iOFn Sala das Sessões, em 15 de junho de 1994~ ------_._~_. ---- ----_._-- .•_-_._- --- ----_.----- ------ ---- -------~-- -- ",'{ _. ---- --- 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 14751.000010/2005-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NOTA FISCAL CALÇADA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62-A DO RICARF.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a prova nos autos da conduta dolosa do contribuinte, consubstanciada na prática conhecida como “nota calçada”, foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. CABIMENTO. Comprovadas nos autos condutas que evidenciam o intuito de impedir o conhecimento da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal tributária, é de se manter a multa qualificada no percentual de 150%. No caso concreto, o contribuinte alterou os valores das diferentes vias das notas fiscais, contabilizando apenas dez por cento das receitas auferidas,
em prática dolosa conhecida como “nota calçada”.
IRPJ. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DO
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Diante de receitas omitidas em percentuais, em média, acima de 500% daquelas escrituradas, da impossibilidade de reconstituição da escrita e de indícios de que haveria outros custos, de imprecisa quantificação e comprovação, além daqueles escriturados (conforme diligências levadas a
efeito pela Fiscalização), deveria o Fisco ter adotado o critério de arbitramento dos lucros. A escrita da interessada, nessas condições, é imprestável para a apuração do lucro real. Da forma como foi feito o lançamento, a tributação incide sobre as receitas e não sobre o lucro, não podendo assim subsistir as exigências de IRPJ e CSLL. O mesmo não se aplica, entretanto, aos lançamentos de PIS e COFINS, cuja incidência é sobre
o faturamento.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 2001, 2002, 2003
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS
NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO
OU SUA CAUSA.
Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar os beneficiários de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não há dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos, diante das provas de que as receitas auferidas pela empresa eram recebidas mediante cheques descontados “na boca do caixa”. Do total
recebido, 10% eram depositados na conta corrente
da própria empresa e contabilizados como receitas. Os 90% restantes eram destinados a terceiros, sem contabilização nem identificação dos destinatários e/ou das operações que teriam dado causa aos pagamentos. Em tal situação, compete ao
contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001, 2002, 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade,
independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No
caso concreto, quando comprovado que as pessoas indicadas como
responsáveis solidários praticaram atos de gestão da empresa e o efetivo exercício dos amplos poderes de administração da sociedade que lhes foram outorgados, deve ser mantida a responsabilidade. Ao contrário, quando não se comprova a prática de qualquer desses atos, a mera condição de mandatário é
insuficiente para a caracterização da responsabilidade tributária.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001, 2002, 2003
RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO
PROCESSO.
São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como
responsáveis tributários.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
A perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se considerá-la
desnecessária, indeferir motivadamente o pedido.
Tal é a situação dos autos, em que a prova a ser produzida é de natureza documental, a cargo do interessado. Não há, pois, a nulidade arguida.
Numero da decisão: 1301-000.644
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade: não conhecer dos argumentos acerca das multas isoladas, por falta de objeto; rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; acolher, parcialmente, os argumentos atinentes à sujeição passiva, para afastar a responsabilidade tributária solidária imputada à Sra. Maria Suely Alves de Oliveira e à Sra. Maria Nilda Santiago Silva, sendo que, para esta última, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 03/04/2002; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar apenas as exigências do IRPJ e CSLL.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade: não conhecer dos argumentos acerca das multas isoladas, por falta de objeto; rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; acolher, parcialmente, os argumentos atinentes à sujeição passiva, para afastar a responsabilidade tributária solidária imputada à Sra. Maria Suely Alves de Oliveira e à Sra. Maria Nilda Santiago Silva, sendo que, para esta última, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 03/04/2002; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar apenas as exigências do IRPJ e CSLL.
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NOTA FISCAL CALÇADA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62-A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a prova nos autos da conduta dolosa do contribuinte, consubstanciada na prática conhecida como “nota calçada”, foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. CABIMENTO. Comprovadas nos autos condutas que evidenciam o intuito de impedir o conhecimento da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal tributária, é de se manter a multa qualificada no percentual de 150%. No caso concreto, o contribuinte alterou os valores das diferentes vias das notas fiscais, contabilizando apenas dez por cento das receitas auferidas, em prática dolosa conhecida como “nota calçada”. IRPJ. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO. Diante de receitas omitidas em percentuais, em média, acima de 500% daquelas escrituradas, da impossibilidade de reconstituição da escrita e de indícios de que haveria outros custos, de imprecisa quantificação e comprovação, além daqueles escriturados (conforme diligências levadas a efeito pela Fiscalização), deveria o Fisco ter adotado o critério de arbitramento dos lucros. A escrita da interessada, nessas condições, é imprestável para a apuração do lucro real. Da forma como foi feito o lançamento, a tributação incide sobre as receitas e não sobre o lucro, não podendo assim subsistir as exigências de IRPJ e CSLL. O mesmo não se aplica, entretanto, aos lançamentos de PIS e COFINS, cuja incidência é sobre o faturamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2001, 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar os beneficiários de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não há dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos, diante das provas de que as receitas auferidas pela empresa eram recebidas mediante cheques descontados “na boca do caixa”. Do total recebido, 10% eram depositados na conta corrente da própria empresa e contabilizados como receitas. Os 90% restantes eram destinados a terceiros, sem contabilização nem identificação dos destinatários e/ou das operações que teriam dado causa aos pagamentos. Em tal situação, compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade, independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, quando comprovado que as pessoas indicadas como responsáveis solidários praticaram atos de gestão da empresa e o efetivo exercício dos amplos poderes de administração da sociedade que lhes foram outorgados, deve ser mantida a responsabilidade. Ao contrário, quando não se comprova a prática de qualquer desses atos, a mera condição de mandatário é insuficiente para a caracterização da responsabilidade tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO PROCESSO. São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como responsáveis tributários. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se considerá-la desnecessária, indeferir motivadamente o pedido. Tal é a situação dos autos, em que a prova a ser produzida é de natureza documental, a cargo do interessado. Não há, pois, a nulidade arguida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 13.983 1 13.982 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000010/200580 Recurso nº 163.443 Voluntário Acórdão nº 130100.644 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrente CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES ADRINA LTDA. (contribuinte), JOSÉ WILSON SANTIAGO, MARIA NILDA SANTIAGO SILVA e MARIA SUELY ALVES DE OLIVEIRA (responsáveis solidários) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NOTA FISCAL CALÇADA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a prova nos autos da conduta dolosa do contribuinte, consubstanciada na prática conhecida como “nota calçada”, foi decisiva para que a contagem do prazo decadencial fosse feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. CABIMENTO. Comprovadas nos autos condutas que evidenciam o intuito de impedir o conhecimento da Autoridade Fazendária do fato gerador da obrigação principal tributária, é de se manter a multa qualificada no percentual de 150%. No caso concreto, o contribuinte alterou os valores das diferentes vias Fl. 200DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.984 2 das notas fiscais, contabilizando apenas dez por cento das receitas auferidas, em prática dolosa conhecida como “nota calçada”. IRPJ. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO. Diante de receitas omitidas em percentuais, em média, acima de 500% daquelas escrituradas, da impossibilidade de reconstituição da escrita e de indícios de que haveria outros custos, de imprecisa quantificação e comprovação, além daqueles escriturados (conforme diligências levadas a efeito pela Fiscalização), deveria o Fisco ter adotado o critério de arbitramento dos lucros. A escrita da interessada, nessas condições, é imprestável para a apuração do lucro real. Da forma como foi feito o lançamento, a tributação incide sobre as receitas e não sobre o lucro, não podendo assim subsistir as exigências de IRPJ e CSLL. O mesmo não se aplica, entretanto, aos lançamentos de PIS e COFINS, cuja incidência é sobre o faturamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2001, 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar os beneficiários de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não há dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos, diante das provas de que as receitas auferidas pela empresa eram recebidas mediante cheques descontados “na boca do caixa”. Do total recebido, 10% eram depositados na contacorrente da própria empresa e contabilizados como receitas. Os 90% restantes eram destinados a terceiros, sem contabilização nem identificação dos destinatários e/ou das operações que teriam dado causa aos pagamentos. Em tal situação, compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade, independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, quando comprovado que as pessoas indicadas como responsáveis solidários praticaram atos de gestão da empresa e o efetivo exercício dos amplos poderes de administração da sociedade que lhes foram outorgados, deve ser mantida a responsabilidade. Ao contrário, quando não se Fl. 201DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.985 3 comprova a prática de qualquer desses atos, a mera condição de mandatário é insuficiente para a caracterização da responsabilidade tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO PROCESSO. São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como responsáveis tributários. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se considerála desnecessária, indeferir motivadamente o pedido. Tal é a situação dos autos, em que a prova a ser produzida é de natureza documental, a cargo do interessado. Não há, pois, a nulidade arguida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade: não conhecer dos argumentos acerca das multas isoladas, por falta de objeto; rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; acolher, parcialmente, os argumentos atinentes à sujeição passiva, para afastar a responsabilidade tributária solidária imputada à Sra. Maria Suely Alves de Oliveira e à Sra. Maria Nilda Santiago Silva, sendo que, para esta última, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 03/04/2002; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar apenas as exigências do IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES ADRINA LTDA. (contribuinte), JOSÉ WILSON SANTIAGO, MARIA NILDA SANTIAGO SILVA e MARIA SUELY Fl. 202DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.986 4 ALVES DE OLIVEIRA (responsáveis solidários), já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 1124.057, de 09/10/2008, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, às fls. 5.580/5.583, a seguir transcrito: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 08/18, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 11.975.031,56, incluídos juros de mora e multa proporcional. O lançamento reportase aos anoscalendário de 2000 a 2002. 2. O lançamento do IRPJ decorreu das seguintes irregularidades: i) receitas não contabilizadas, ii) subfaturamento de vendas (notas calçadas) e iii) multa isolada por falta de recolhimento do imposto calculado por estimativas mensais. Em conseqüência da omissão de receitas (itens i e ii), foram lavrados os autos de infração reflexos concernentes à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 17/27), no valor de R$ 321.102,56, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 28/38), no valor de R$ 1.482.012,97, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 39/48), no valor de R$ 4.365.924,62. 3. Ante a ocorrência de pagamentos sem causa e pagamentos a beneficiários não identificados, foi lavrado auto de infração para exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (fls. 49/65), no valor de R$ 16.347.848,56. 4. O crédito tributário total importa em R$ 34.491.920,27, conforme demonstrativo consolidado de fl. 07. 5. De acordo com os autos de infração e com o Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 66/253), o procedimento fiscal identificou ilícitos tributários e teve os seguintes desdobramentos, em resumo: a) Foram identificadas três notas fiscais não escrituradas nos Livro Diário (infração i). b) A contribuinte, ao receber cheques em pagamento por execução de obras, ia diretamente ao caixa do banco e sacava 90% do valor em espécie, depositando na conta corrente os 10% restantes, que eram escriturados. Mediante artifício da “nota calçada”, a empresa emitia a 1ª via da nota com o valor correto e as demais vias com valores da ordem de 10% do valor realmente faturado (infração ii). c) Nos meses dos anoscalendário de 2000 a 2002, a contribuinte deixou de recolher o imposto incidente sobre a base de cálculo estimada (infração iii). d) Dos cheques sacados no caixa, 90% eram depositados em contas correntes de pessoas físicas e jurídicas, sem a devida comprovação da operação ou de sua causa. Tal fato ensejou a lavratura do auto de infração para exigência do imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.987 5 e) A omissão de receitas (infrações i e ii) deu azo à lavratura dos autos reflexos para exigência do PIS, da Cofins e da CSLL. f) A multa qualificada de 150% incidiu sobre a omissão de receita decorrente da emissão de notas calçadas. 6. Foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, constituindo o Processo nº 14751.000011/200524, apenso a este. 7. Em razão do interesse comum nos fatos geradores, foram incluídos no pólo passivo da relação tributária, na condição de responsáveis solidários, as pessoas físicas de José Wilson Santiago, CPF 161.599.77415, Maria Nilda Santiago Silva, CPF 185.921.80406, e Maria Suely Alves de Oliveira, CPF 309.323.94434, que são procuradores da empresa. 8. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração, encontramse estampados nos autos de infração e em seus anexos. 9. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 3400/3455), alegando, em síntese, que: a) Não localizou o processo referente à CSLL. b) A fiscalização não considerou todos os documentos relativos a despesas. c) Os valores depositados nas contas de procuradores destinaramse a diversos pagamentos, embora muitos deles não foram contabilizados. Foi tomado empréstimo particular para início das obras, além de outros, porém os sócios não celebraram os mútuos. d) Todos os valores levados pelo auditor para o lucro líquido sofreram dupla tributação pelo mesmo valor considerado para o imposto na fonte. Isso significaria que a empresa não teve despesas e que todo o lucro foi distribuído. Praticouse, assim, excesso de exação. e) O auditor provou que o sócio da autuada fez retiradas, as quais retornaram para apuração do lucro líquido, base para cobrança do IRPJ. Esse mesmo valor foi lançado no IRRF, quando a retirada era de pessoa conhecida, que a movimentou de “certa forma ilegitimamente, mas não ilegal”. f) Gastos não foram contabilizados pela empresa, porém não se trata de pagamento imotivado. g) As despesas não contabilizadas têm como ser provadas para a apuração do lucro real. h) O arbitramento seria menos oneroso. O confisco é vedado pela Constituição. O valor exigido é 2,4 vezes a receita bruta da empresa. i) Decaiu o direito de lançar o IRRF, que tem como fato gerador o próprio mês de recolhimento, pois a empresa foi intimada em 02/01/2006. Pelo mesmo motivo, o IRPJ não poderia ter sido lançado para o anocalendário de 2000. j) O agravamento da multa, além do caráter confiscatório, não caberia pelo fato de a empresa ser primária. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.988 6 l) A inclusão dos procuradores e do advogado da empresa como responsáveis solidários e como representados para fins penais, com a exclusão dos verdadeiros donos, constitui prévia decisão do auditor, que assumiu o papel de julgador. Não está provado o interesse comum de nenhum dos arrolados. m) São insubsistentes a solidariedade tributária dos procuradores e a exclusão dos verdadeiros sócios da empresa. n) É falsa a informação constante do termo de encerramento de que os livros teriam sido devolvidos. o) A empresa teve prejuízos entre os anos de 2000 e 2002, ano em que, na prática, desativouse pela incapacidade financeira. O relatório fiscal restringese a amostragem referente a 2002. p) Parte do faturamento não estava contabilizada, porém todo o dinheiro que passou pelas mãos dos procuradores destinouse à empresa. q) O lançamento é nulo em face da incompatibilidade de datas entre o auto de infração, o termo de encerramento, o relatório de trabalho fiscal e o edital de intimação, bem assim em face da desobediência a ordem judicial que determinou a análise de novos documentos antes do prosseguimento da exação. r) A tributação deveria ser calculada pelo lucro presumido, excluindose a movimentação financeira do sócio da empresa, vez que os valores em seu poder retornaram para a empresa através de pagamentos diversos. s) Cerceamento do direito de defesa. A empresa apresentou documentos que não foram considerados pela fiscalização nem lhe foram devolvidos, impedindoa de apresentálos na impugnação. t) A exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte representa bitributação. 10. Ao final, requereu: I) a exclusão dos procuradores e a inclusão dos sócios no pólo passivo da relação tributária; II) a nulidade do auto de infração; III) a reforma do valor tributado em face do caráter confiscatório, promovendose o arbitramento do lucro; IV) o abrandamento da multa por ser primária; V) a decretação da decadência relativamente ao ano de 2000; VI) a improcedência do lançamento do IRRF por representar bitributação e VII) a realização de perícia nos documentos não considerados pela fiscalização nem devolvidos à empresa. 11. As pessoas físicas Maria Nilda Santiago Silva, José Wilson Santiago e Maria Suely Alves de Oliveira, alçados pela fiscalização à condição de responsáveis solidários, apresentaram defesas (fls. 2836/2869, 2996/3028 e 3155/3190), por meio das quais contestam a sujeição passiva que lhes foi atribuída e repisam a argumentação expendida pela pessoa jurídica. 12. Posteriormente a contribuinte, amparada em decisão judicial, apresentou, em conjunto com os indicados como responsáveis solidários, nova impugnação (fls. 3474/3539), através da qual reitera os termos da defesa anterior e acrescenta os seguintes argumentos, em resumo: a) A demanda relacionase com uma única fonte pagadora e uma única obra, a qual teve dispêndios elevados, embora não contabilizados. Os Fl. 205DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.989 7 custos estão arrimados em parâmetros oficiais e a margem de lucro é muito limitada. Houve excesso de exação, de impossível pagamento. b) A fiscalização não esclareceu o porquê da recusa dos 2.304 documentos entregues pela empresa. c) O valor bruto considerado pagamento sem causa, somado ao Imposto na Fonte, ultrapassou a receita bruta da empresa. A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e pelos responsáveis solidários e, por via do Acórdão nº 1119.754, de 31/07/2007 (fls. 5.577/5.597), considerou procedente o lançamento, porém deixou de se manifestar acerca da responsabilidade tributária, por considerarse incompetente para tanto. Apresentados os recursos voluntários pela contribuinte e pelos responsáveis, o processo foi levado a julgamento perante a Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes em 25/06/2008. Mediante o Acórdão 10517.080 (fls. 13.813 e segs), aquele colegiado decidiu anular a decisão de primeira instância, por deixar de enfrentar os argumentos expendidos na impugnação pelas pessoas indicadas como responsáveis solidários, indicadas no lançamento e cientificadas do ato administrativo. Mais uma vez, a 3ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e pelos responsáveis solidários e, por via do Acórdão nº 11 24.057, de 09/10/2008 (fls. 13.825/13.849), considerou procedente o lançamento e manteve a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Wilson Santiago, Sra. Maria Nilda Santiago Silva, e Sra. Maria Suely Alves de Oliveira, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Fl. 206DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.990 8 A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia e de diligência quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. OMISSÃO DE RECEITAS. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. Do valor apurado como omissão de receita não se cogita, a princípio, a dedução de custos e despesas, visto que estes somente poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, por meio da escrituração realizada com observância das leis comerciais e fiscais. A dedução condicionase à prova inconteste da ocorrência de custos e despesas ainda não computados, bem assim de sua cabal vinculação com as receitas omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002 IRPJ. IRRF. DECADÊNCIA. Restando caracterizada a ocorrência de fraude por parte do contribuinte, o prazo decadencial regese pelo disposto no art. 173 do CTN. SÚMULA VINCULANTE. EFEITOS SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DIRETA. A súmula vinculante editada pelo STF obriga a Administração Direta à adoção do entendimento nela fixado, a partir de sua publicação no órgão de imprensa oficial. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.991 9 CSLL. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. Parecer PGFN 1437/2008 O prazo para a constituição do crédito tributário relativo à CSLL, ao PIS e à Cofins é de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. Segundo o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado nos autos que os obrigados efetivamente conduziram os negócios da empresa, , acobertados pela interposição de terceiros sem capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica,deve ser mantida a sujeição passiva solidária daqueles. INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. O evidente intuito de fraude enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Ciente da decisão de primeira instância em 03/11/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 13.859, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/12/2008 conforme carimbo de recepção à folha 13.875. No recurso interposto (fls. 13.876/13.959), alega preliminarmente os seguintes pontos: • Nulidade da decisão recorrida, por rejeitar seu pedido de perícia em “ato arbitrário, desmotivado e insensível”, cerceando seu pleno direito de defesa. • Decadência para os fatos geradores correspondentes ao ano de 2000, em face das disposições do art. 150, § 4º, do CTN, e considerando ter sido o lançamento Fl. 208DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.992 10 formalizado em 02/03/2006 (item 14 da decisão recorrida). Não haveria sequer indícios de fraude, dolo ou conluio a autorizar a aplicação do art. 173, I, do Código. Argumenta que, ainda que se pudesse considerar a manutenção da multa qualificada, mesmo nessa hipótese parte do crédito estaria decaído, em vista da data da efetiva ciência do lançamento em 02/03/2006. Após colacionar doutrina e jurisprudência sobre a matéria, assim se manifesta (grifos no original): No presente caso, observase que a contribuinte somente fora devidamente intimada do auto de infração em 02/03/2006, tendo em vista que a intimação pretérita, via edital, tornouse sem efeito a partir de decisão judicial/concedida, dando prosseguimento a ação fiscal, com reabertura de prazo para apresentação de novos documentos. Ora, se a decisão judicial concedeu novo prazo para que a contribuinte ofertasse documentação pertinente, da mesma forma restabeleceu a ação fiscal, não se cogitando em constituição definitiva do crédito tributário antes de 02/03/2006, data da efetiva lavratura do Auto de Infração. • Nulidade do lançamento, por vício formal. Em confusa argumentação, a recorrente busca associar o vício formal a que se refere a um suposto erro na fundamentação legal das omissões de receitas. Sustenta que não caberia o lançamento de IR Fonte concomitantemente com a apuração do lucro real, “isto é, com a mesma base de cálculo, por antagonismo”. Após o final do exercício, o IR Fonte somente poderia ser cobrado do beneficiário, não da fonte pagadora. Argúi a natureza punitiva do IR Fonte em questão, e acrescenta que “ao aplicar tal sanção a Fazenda Pública transformaa em ‘HERANÇA VACANTE’”. Haveria dupla punição à pessoa jurídica. • Nulidade dos lançamentos de PIS e COFINS, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, declarada pelo STF. • A responsabilidade tributária atribuída aos procuradores da contribuinte, Srs. José Wilson Santiago, Maria Nilda Santiago Silva e Maria Suely Alves de Oliveira, seria ilegal e irregular, diante do seguinte: a) Se fosse o caso, a empresa responderia isoladamente, com seus próprios bens, pelos débitos que lhe são impostos, eis que possui endereço certo e patrimônio significativo capaz de suportar a exigência fiscal. b) Sustenta que a responsabilidade solidária teria sido imputada com o exclusivo fundamento de que as pessoas físicas teriam procuração outorgando poderes de gestão e administração da referida empresa. No entanto, ainda que fossem sócios da empresa, o que não ocorre, não estariam presentes os requisitos legais indispensáveis a sua responsabilização pelos supostos débitos tributários da empresa. c) Estribada nos artigos 134 e 135 do CTN, aduz que a responsabilidade dos sócios seria visivelmente subsidiária, quando a própria empresa não cumprisse as obrigações. E, quanto à responsabilidade pessoal, esta seria limitada aos casos em que a obrigação tributária tenha decorrido de atos praticados comprovadamente pelo sócio, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, hipótese não vislumbrada nos autos, seja porque os tidos como responsáveis não são sócios, seja Fl. 209DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.993 11 porque inexistiria prova de qualquer intervenção sua por ação ou omissão em atos que dessem causa ao pretenso crédito tributário. d) Acrescenta, ainda, que somente mediante prévio procedimento judicial de cognição com obtenção de sentença condenatória transitada em julgado seria possível considerar os recorrentes como coresponsáveis pelo crédito tributário. Transcreve doutrina e jurisprudência em favor de sua tese. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: • A recorrente afirma que não cabe lançamento com fulcro em suposições, conjecturas e presunções, antes deve ser apoiado em fatos concretos, demonstrados, susceptíveis de comprovação. Colaciona doutrina e jurisprudência que entende suportar sua tese. Passa, então, a discorrer sobre a omissão de receitas, não negando sua ocorrência, mas questionando seu montante e pleiteando a consideração dos custos incorridos, conforme excertos abaixo (grifos no original): Na hipótese vertente, a omissão de receitas, resulta de ato pueril, uma verdadeira traquinada dos sócios da empresa; a sua sócia administradora em desespero e o sócio de capital sem muitas luzes não viu outro caminho a depositar a receita em suas contas e delas administrar os pagamentos da construção da BARRAGEM DE TAVARES, único serviço prestado ao ente público e com margem de ganho limitada a PREÇOS OFICIAIS ADMINISTRATIVOS (PARÂMETROS FEDERAIS). [...], em se tratando de uma única fatura e fonte pagadora pública (decomposta em notas de serviços), uma única obra pública realizada e entregue dentro das especificações ao Governo da Paraíba, é nítido o despreparo de quem assim procedeu, até no ato de fornecer as provas, quais sejam os talonários de notas de serviços, atitudes que representa um atenuante. Digase que a infração é tão infantil que merece reconsideração dos julgadores, por ser ato primário e ingênuo, pois tem natureza infradolosa. [...] Não há como contestar as evidências de omissão de receitas, mas, sustentase que diante de fatos não há argumentos: [...] Qualquer que fosse o critério ou regime tributário, o contribuinte, apesar das circunstâncias provadas, jamais auferiu lucro superior à margem de preços oficial, de 37,66% (valor máximo) porque a licitação (concorrência pública) implica na redução desses ganhos. [...] É evidente que existe custos em toda obra conclusa e entregue oficialmente como resta aqui provado por documentos juntados. • Reclama do prazo exíguo que lhe teria sido concedido para a apresentação de um “oceano copioso de notas e recebidos, guias fiscais autenticadas”, e reclama ainda Fl. 210DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.994 12 mais do fato de que os documentos por ela apresentados teriam sido desconsiderados pelos autuantes, sem que fossem reveladas as razões para tanto. • Acerca do Imposto de Renda na Fonte (IRF), a recorrente afirma que seria descabida sua exigência juntamente com o IRPJ por redução do lucro líquido, amparada em jurisprudência e doutrina que colaciona. Insiste na existência de custos para a construção da barragem, e que os recursos depositados na conta do sócio João de Souza Brito teriam sido utilizados como custo da obra. O que na verdade se reclama é a superposição de infrações antagônicas. Ou se tem lucro liquido ou se distribui o lucro, pois a entrega reduziria a zero o lucro líquido, pois, juntas, as duas infrações não convivem. • Contesta o julgador de primeira instância, e afirma que a observância do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 levaria a um lançamento maior do que a receita bruta, representando mais um indicador de sua inaplicabilidade, além de excesso de exação e crime. • A interessada questiona a aplicação da multa de 150%, visto que “não foi a contribuinte que deu causa ao fato, mas simplesmente a suposta falta de comprovação, pelos exíguos prazos concedidos pela fiscalização, bem como do lapso temporal, já atingido parcialmente pela decadência, como restou comprovado”. No caso, a qualificação da multa teria sido levada a efeito para “acobertar parte do lançamento alcançando fatos geradores já decaídos”. Sustenta que não haveria a comprovação cabal, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência de dolo ou fraude. • A recorrente acrescenta argumentos contrários à aplicação da multa qualificada de 150% juntamente com a multa isolada de 75% pela falta/insuficiência no recolhimento de estimativas. Por sua ótica, essas penalidades não poderiam ser aplicadas cumulativamente, por serem oriundas do mesmo fato gerador tributário. Pede, então, o afastamento da multa isolada. • Estende seus argumentos aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL. A Sra. Maria Nilda Santiago Silva tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/11/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 13.860, e apresentou recurso voluntário em 03/12/2008 conforme carimbo de recepção à folha 13.961. A Sra. Maria Nilda Santiago Silva aderiu expressamente às razões de defesa trazidas no recurso voluntário apresentado pela contribuinte Construções e Incorporações Adrina Ltda. A administração tributária buscou dar ciência da decisão de primeira instância ao Sr. José Wilson Santiago e à Sra. Maria Suely Alves de Oliveira por via postal, sem sucesso. As correspondências a eles enviadas foram devolvidas pelos Correios, com a indicação de “mudouse”. Foi, então, afixado na repartição fiscal o Edital de Intimação nº 163 (fl. 13.867). Em 24/11/2008, o Sr. Jose Wilson Santiago compareceu à DRF João Pessoa/PB e tomou ciência pessoalmente da decisão de primeira instância, em seu nome e, mediante procuração, em nome da Sra. Maria Suely Alves de Oliveira, vide documentos às fls. 13.868/13.871. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.995 13 O Sr. José Wilson Santiago e a Sra. Maria Suely Alves de Oliveira apresentaram recurso conjuntamente em 22/12/2008, conforme carimbo de recepção à fl. 13.963. Em seu recurso, (fls. 13.964/13.981), após afirmar que subscrevem o recurso apresentado pela pessoa jurídica, os recorrentes atacam especificamente a responsabilidade solidária que lhes foi imposta, conforme segue, em apertada síntese: • Afirmam que o Sr. José Wilson Santiago, OABPB n° 5164, no período de 1996 a 1999, atuou profissionalmente como advogado da pessoa jurídica autuada, conforme se depreende do contrato de prestação serviços de assessoria jurídica de fls. 3031, vol. XV, outorgando poderes ainda para a comercialização de imóveis a particulares. Acrescenta que haveria na Adrina dois departamentos: um destinado à prestação de serviços a órgãos públicos, outro, à compra e venda de imóveis a particulares. A atuação/prestação de serviços do Sr. José Wilson Santiago se restringiria ao segundo departamento, não havendo nos autos qualquer prova documental de atos por ele praticados em relação ao poder público. • Quanto a Sra. Maria Suely Alves de Oliveira, afirmam os recorrentes que “jamais praticou qualquer ato gerencial ou administrativo, sequer qualquer recibo da empresa”. Esclarece que a procuração foi a ela outorgada em razão de problemas de saúde de sua irmã Terezinha Alves de Oliveira, no ano de 2002, mas que não teria havido a necessidade do exercício dos poderes outorgados. “Nunca assinou recibos, contratos, carteiras profissionais, enfim não exerceu, nem antes, durante, depois de 2002, qualquer ato que justifique a sua inclusão como devedora solidária”. • Sustentam que a responsabilidade solidária lhes teria sido imputada com o exclusivo fundamento de que teriam procuração outorgando poderes de gestão e administração da referida empresa. No entanto, ainda que fossem sócios da empresa, o que não ocorre, não estariam presentes os requisitos legais indispensáveis a sua responsabilização pelos supostos débitos tributários da empresa. • Estribados nos artigos 134 e 135 do CTN, aduzem que a responsabilidade dos sócios seria visivelmente subsidiária, quando a própria empresa não cumprisse as obrigações. E, quanto à responsabilidade pessoal, esta seria limitada aos casos em que a obrigação tributária tenha decorrido de atos praticados comprovadamente pelo sócio, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, hipótese não vislumbrada nos autos, seja porque os tidos como responsáveis não são sócios, seja porque inexistiria prova de qualquer intervenção sua por ação ou omissão em atos que dessem causa ao pretenso crédito tributário. • Acrescentam, ainda, que somente mediante prévio procedimento judicial de cognição com obtenção de sentença condenatória transitada em julgado seria possível considerar os recorrentes como coresponsáveis pelo crédito tributário. Transcrevem doutrina e jurisprudência em favor de sua tese. Ao final, novamente se reportam às razões recursais desenvolvida pela pessoa jurídica e pedem sua exclusão do pólo passivo da relação jurídicotributária. É o Relatório. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.996 14 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Todos os recursos interpostos são tempestivos e devem ser conhecidos. O primeiro ponto a ser apreciado, antes mesmo das questões preliminares suscitadas, é a ocorrência ou não de dolo na conduta da contribuinte, posto que dessa decisão se poderão orientar outras, no que tange às alegações de decadência e da qualificação da multa. Compulsando os autos, constato que a acusação contempla a conduta sistemática da interessada, ao longo de três anos, de contabilizar tão somente 10% (dez por cento) das receitas auferidas com a prestação de serviços a órgãos públicos, tal como descrito detalhadamente no Relatório de Trabalho Fiscal às fls. 68 e segs. Em breve resumo, a empresa prestadora dos serviços emitia a primeira via da nota fiscal com o valor “cheio”, correspondente a 100% de sua receita, recebia do órgão público contratante o cheque nesse valor, descontava o cheque “na boca do caixa” e depositava na contacorrente da empresa meros 10% do total. Os restantes 90% recebiam destinações as mais diversas, desde pagamentos a outras empresas ou pessoas físicas por causas não identificadas até depósitos em contascorrentes pessoais de sócios, administradores e procuradores da própria pessoa jurídica, sem qualquer prova de que tais valores de fato revertessem ou fossem usados em benefício da empresa. Para acobertar seu procedimento, as demais vias da nota fiscal, que permaneciam de posse da empresa emitente, eram preenchidas com valor diferente da primeira via, mais exatamente com valor equivalente aos 10% que eram depositados na contacorrente da empresa. Essas vias de notas fiscais, com valor muito inferior ao real, eram então registradas na escrita contábil e fiscal da interessada, e os 90% restantes ficavam à margem de qualquer registro ou tributação. Tal conduta é conhecida popularmente como “nota calçada”. Esse procedimento se encontra fartamente provado nos autos, devendo ser especialmente destacado o minucioso trabalho investigativo do Fisco, colhendo informações junto aos órgãos públicos contratantes sobre os valores efetivamente empenhados e pagos, junto às instituições financeiras sobre o destino dado a esses valores, inclusive mediante exame das fitas detalhe de caixa, e na escrita contábil e fiscal da interessada. As primeiras vias das notas fiscais emitidas pela interessada, com o valor “cheio”, e demais documentos fornecidos pelo órgão público contratante se encontram às fls. 264/339. Por exemplo, à fl. 266 se encontra cópia da primeira via da Nota Fiscal de Serviços nº 000019, no valor de R$ 200.000,00. Às fls. 1.220/1.255 se encontram cópias da 4ª via das mesmas notas fiscais, nas quais o valor foi reduzido em 90%. No mesmo exemplo, à fl. 1220 temos a mesma Nota Fiscal de Serviços nº 000019, em tudo idêntica à primeira via, exceto quanto ao valor, aqui de R$ 20.000,00. O mesmo ocorre para todos os demais documentos fiscais. Ao examinar o Livro Registro de Serviços Prestados (fls. 2.478 e segs.), é possível constatar que os valores ali escriturados são aqueles reduzidos (a NFS nº 000019 foi escriturada à fl. 2.485 por R$ 20.000,00), sendo a receita contabilizada pelo mesmo valor (vide Razão à fl. 2.416). Tenho que tal conduta se amolda com perfeição à sonegação e à fraude, tipificadas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964: Fl. 213DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.997 15 Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Ao alterar o valor das diferentes vias dos documentos fiscais emitidos, reduzindo os valores dos serviços prestados e contabilizando apenas 10% das receitas auferidas, a interessada claramente buscou ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. Ainda que ocorrido uma única vez, não se poderia cogitar de equívoco não intencional. Mas, no caso concreto, a repetição se deu em trinta e quatro notas fiscais, emitidas entre abril/2000 e novembro/2002, vide quadro à fl. 82. Não há como aceitar a tese da recorrente acerca de “ato pueril”, “traquinada dos sócios da empresa”, muito menos “despreparo”. Ao contrário, a conduta revela preparo e intenção de fraudar o fisco e de se esquivar às obrigações tributárias. Diante do exposto, impõese a conclusão da correção da multa de 150% aplicada à infração 002 – omissão de receitas – subfaturamento de vendas. Eis o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação vigente à época do lançamento: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Observese que a Lei nº 11.884/2007 introduziu alterações na redação do art. 44, acima, pelo que a multa de 150% passou a ser prevista pelo § 1º, e não mais pelo inciso II. As hipóteses de sua aplicação, no entanto, restaram inalteradas, sempre que presente alguma das situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.998 16 A utilização do expediente descrito e conhecido como “notas calçadas” indiscutivelmente se amolda à perfeição à situação descrita no texto legal, evidenciando a conduta dolosa no sentido de reduzir o montante tributável e evitar o pagamento dos tributos devidos. Correta, pois, a decisão de primeira instância que manteve a multa qualificada, devendo ser rejeitados os argumentos recursais em contrário. A seguir, cabe apreciar os argumentos da recorrente acerca da decadência para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2000. Seu principal argumento é de que o lançamento teria sido formalizado em 02/03/2006. Desta forma, e de acordo com as disposições do art. 150, § 4º, do CTN, o anocalendário 2000 estaria alcançado pela decadência. Fazse necessário, aqui, breve retrospecto dos fatos ocorridos por ocasião da lavratura do auto de infração e sua ciência aos sujeitos passivos, até a apresentação da impugnação. Ao final do procedimento de fiscalização, o AuditorFiscal encarregado do feito fez protocolizar em 07/11/2005 o presente processo administrativo sob o nº 14751.000010/200580, como se verifica na capa do processo. No Relatório Fiscal de fls. 3.461/3.465 são descritas as tentativas infrutíferas de dar ciência aos sujeitos passivos, em especial à contribuinte Construções e Incorporações Adrina Ltda., dos autos de infração, então já lavrados, seja pessoalmente, seja por via postal. Afinal, em 25/11/2005, foi emitido o Edital DRF/JPA nº 182, afixado em local visível da repartição na mesma data. De acordo com o art. 23, § 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, considerarseia feita a intimação quinze dias após a publicação do edital. Ocorre que a pessoa jurídica impetrou Mandado de Segurança nº 2005.82.00.0143050 junto à 1ª Vara da Justiça Federal da Paraíba, obtendo liminar (fls. 3.468/3.470) na qual o MM Juiz Federal assim decidiu: 7. Diante do exposto, defiro parcialmente a liminar requerida para conceder à impetrante o prazo de 20 (vinte) dias para apresentação dos documentos solicitados pelo impetrado (fls. 46/47), ficando suspensos, nesse prazo, a exigibilidade do crédito tributário, bem como o procedimento fiscal de que tratam os autos (Procedimento n° 14751.000010/200580 —fls. 80). A autoridade coatora foi cientificada da liminar em 06/12/2005 (fl. 3.468). Naquele momento, os autos de infração já haviam sido lavrados, estando em curso o lapso temporal estipulado na legislação de regência para que deles o contribuinte fosse considerado ciente. A suspensão de 20 dias, determinada pelo Poder Judiciário, por certo não se aplicava à exigibilidade do crédito tributário, ainda pendente de ciência pelo sujeito passivo e, em decorrência, ainda não exigível. Aplicavase, sim, ao procedimento fiscal em curso. E o que se encontrava em curso naquele momento era o lapso temporal para ciência dos autos de infração por via do edital. Em nenhum momento o provimento jurisdicional determinou a anulação de quaisquer atos processuais até então praticados, muito menos o refazimento dos autos de infração já então lavrados. Suas disposições foram no sentido de garantir à impetrante um prazo adicional de vinte dias para a apresentação de documentos, o que foi integralmente cumprido. A esse respeito, o acórdão recorrido alertou com propriedade para o fato de que, para efeitos de intimação por edital, a contagem dos quinze dias sempre se inicia no dia Fl. 215DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 13.999 17 seguinte ao da publicação do edital e se encerra no décimo quinto dia seguinte, mesmo se essas datas recaírem em dia não útil, visto que não se trata de prazo para a prática de atos processuais, inaplicáveis as disposições do art. 5º do Decreto nº 70.235/19721. Vejamos, então, a sequência de eventos: • 25/11/2005: publicação do edital. • 26/11/2005: início da fluência do lapso de 15 dias. • 06/12/2005: Delegado da Receita Federal é cientificado da liminar. Suspensão, por 20 dias, do lapso de 15 dias, sendo certo que, até a véspera, haviam decorrido 10 dias. • 25/12/2005: Final da suspensão determinada pela Justiça. • 26/12/2005: reinício da fluência do lapso de 15 dias, faltando então 5 dias. • 30/12/2005: final do lapso de 15 dias, considerandose, nessa data, o sujeito passivo ciente dos lançamentos. A apresentação pelo contribuinte, em 26/12/2005, de documentos adicionais em nada interfere na lavratura e ciência dos autos de infração. Tais documentos foram corretamente recebidos pela autoridade administrativa e acostados aos autos. De seu exame, a autoridade lançadora não considerou ser o caso de revisão de ofício dos lançamentos, de tal sorte que permaneceram nos autos à disposição para fins do contencioso administrativo que veio afinal a ser instaurado. Os fatos foram reduzidos a termo no Relatório Fiscal de fls. 3.462/3.465, do qual foi dada ciência ao contribuinte em 02/03/2006. A reabertura de prazo para impugnação que então ocorreu não implica, em absoluto, que essa tenha sido a data da ciência e aperfeiçoamento do lançamento, o que, conforme demonstrado, ocorreu em 30/12/2005. Tão somente, para não prejudicar o direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório, foi a ela dado conhecimento de que os documentos apresentados em nada alteraram os lançamentos já efetuados e cientificados, e reaberto o prazo para que pudesse, em sua impugnação, se reportar a esses novos documentos, já então acostados aos autos. Fixada a data da ciência dos lançamentos em 30/12/2005, é de se verificar se os fatos geradores objeto de lançamento teriam sido alcançados pela decadência, como sustenta a recorrente. A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. 1 Nesse sentido, ver Solução de Consulta Interna COSIT nº 5, de 14/11/2002. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.000 18 Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 217DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.001 19 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 218DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.002 20 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. De se ver, portanto, de que forma essa jurisprudência deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das nóveis disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte , inexistindo declaração prévia do débito. No caso concreto, conforme anteriormente demonstrado, está presente o dolo na conduta adotada pelo contribuinte com o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador. Nos termos da decisão do STJ que deve ser reproduzida por este Colegiado, tenho que a circunstância verificada é suficiente para fazer com que o regramento aplicável à contagem do prazo decadencial seja aquele do art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, o dies a quo deve ser considerado como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Para o IRPJ e a CSLL, sujeitos à apuração em períodos anuais, os fatos geradores correspondentes ao período encerrado em 31/12/2000 poderiam ter sido objeto de lançamento já em 01/01/2001. O primeiro dia do exercício seguinte seria, então, 01/01/2002, a partir de quando se há de contar o lustro decadencial, que se encerraria em 31/12/2006. Desde que a ciência do lançamento se deu em 30/12/2005, não se há de falar em decadência. Para o PIS e a COFINS, sujeitos à apuração em períodos mensais, os fatos geradores correspondentes ao período encerrado em 30/04/2000 (período mais antigo) poderiam ter sido objeto de lançamento em 01/05/2000. O primeiro dia do exercício seguinte seria, então, 01/01/2001, a partir de quando se há de contar o lustro decadencial, que se encerraria em 31/12/2005. Desde que a ciência do lançamento se deu em 30/12/2005, também aqui não se há de falar em decadência. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.003 21 Finalmente, para o IRF, sujeito à apuração diária, os fatos geradores correspondentes ao dia 26/04/2000 poderiam ter sido objeto de lançamento em 27/04/2000. O primeiro dia do exercício seguinte seria, então, 01/01/2001, a partir de quando se há de contar o lustro decadencial, que se encerraria em 31/12/2005. Desde que a ciência do lançamento se deu em 30/12/2005, resta definitivamente sepultado qualquer questionamento acerca da decadência. Ainda em preliminares, a recorrente argúi a nulidade da decisão recorrida, por rejeitar seu pedido de perícia em “ato arbitrário, desmotivado e insensível”, cerceando seu pleno direito de defesa. Sobre a matéria, assim lecionam Neder e López2: [...] A prova pericial mostrase útil somente quando não se puder encontrar a verdade de outra forma mais simples. [...] Na verdade, grande parte dos requerimentos de perícia no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de dados constantes da escrita fiscal do contribuinte, cujo teor já é do conhecimento do auditorfiscal antes da lavratura do auto de infração. Apenas seria necessário o reexame por outro especialista se bem demonstrada a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. [...] a perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador, se, justificadamente, entendêla desnecessária, não acolher o pedido formulado pelo interessado. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demande juízo técnico”. A situação sob exame se amolda à perfeição à doutrina. A prova a ser produzida e examinada é de natureza documental, seja ela destinada a provar a inexistência de receitas omitidas, seja para demonstrar as causas e os beneficiários dos pagamentos efetuados. Tal prova deve ser produzida pela interessada e trazida aos autos, se não com base na escrita contábil e fiscal da interessada, no mínimo mediante documentos hábeis e idôneos, revelando se prescindível a perícia solicitada. Ao contrário do que afirma a recorrente, a decisão a quo fundamentou adequadamente a negativa da perícia, no que não vislumbro qualquer nulidade. A preliminar deve, então, ser rejeitada. Outra preliminar suscitada seria a arguição de nulidade dos lançamentos de PIS e COFINS, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, declarada pelo STF. Eis os dispositivos legais em comento. Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. 2 NEDER, Marcos Vinicius, e LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, pp. 242, 243 e 260. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.004 22 § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O parágrafo 1º do art. 3º, declarado inconstitucional pela Suprema Corte, trata do alargamento das bases de cálculo dessas contribuições, pelo que abrangeriam, além das receitas originadas do faturamento da pessoa jurídica (conforme caput do artigo), também aquelas denominadas “outras receitas”, entre as quais principalmente as receitas financeiras, além de outras. Não é do que cuidam os presentes autos. Os lançamentos de PIS e COFINS são reflexos do lançamento principal do IRPJ, e as contribuições incidem sobre receitas decorrentes do faturamento da pessoa jurídica, omitidas à tributação. Não há, pois, qualquer nulidade que deva ser reconhecida, e rejeito também esta preliminar. Pela ótica da recorrente o lançamento também seria nulo por vício formal. Ao examinar seus argumentos, no entanto, constatase que se dirigem contra um suposto erro na fundamentação legal das omissões de receitas, em conexão também com o lançamento concomitante do imposto de renda na fonte. Ora, tais argumentos, ainda que, por hipótese, viessem a ser acolhidos, poderiam, quando muito, implicar a improcedência dos lançamentos ou de parte deles, nunca sua nulidade. A recorrente não consegue demonstrar de forma clara em que consistiria o alegado vício formal, pelo que suas alegações nesse sentido devem ser desconsideradas, sem prejuízo de que, ao apreciar o mérito do lançamento, suas razões sejam apreciadas, o que se fará mais adiante, neste voto. Finalmente, no campo das preliminares, deve ser apreciada a irresignação dos recorrentes no que toca à sujeição passiva do presente lançamento, que trouxe, no polo passivo da relação jurídicotributária, a pessoa jurídica Construções e Incorporações Adrina Ltda., relacionada na qualidade de contribuinte (CTN, art. 121, I), e as pessoas físicas dos Srs. José Wilson Santiago, Maria Nilda Santiago Silva e Maria Suely Alves de Oliveira, arrolados na qualidade de responsáveis (CTN, art. 121, II). Ainda sem entrar no mérito da responsabilidade imputada, entendo que agiu corretamente o Fisco ao, com base nos elementos de que dispunha e nos fatos que apurou, lavrar os Termos de Sujeição Passiva Solidária e trazer para o polo passivo da relação jurídico tributária as pessoas físicas que considerou responsáveis tributários. O art. 142 do CTN assim dispõe (grifo não consta do original): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 221DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.005 23 Observese que a obrigação de constituir o crédito tributário pelo lançamento, imposta à autoridade administrativa, tem como um de seus aspectos a identificação do sujeito passivo. O mesmo diploma legal, em seu artigo 121, caracteriza o sujeito passivo da obrigação tributária como gênero, do qual define duas espécies: o contribuinte e o responsável. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Desta forma, repito, andou bem o Fisco ao relacionar no polo passivo não apenas o contribuinte (a pessoa jurídica Construções e Incorporações Adrina Ltda.), mas também aqueles sobre os quais entendeu recair a responsabilidade tributária. Diante disso, não se pode acolher a tese dos recorrentes, de que somente mediante prévio procedimento judicial de cognição com obtenção de sentença condenatória transitada em julgado seria possível considerálos como coresponsáveis pelo crédito tributário. A responsabilização em sede administrativa faz parte da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, sem prejuízo de que aqueles que se sentirem prejudicados possam recorrer ao Poder Judiciário em defesa de seus direitos. Quanto à legitimidade daqueles tidos como responsáveis para intervir no processo administrativo, entendo que essa legitimidade em tudo se equipara àquela reconhecida ao contribuinte. O impugnante em primeira instância, ou o recorrente em segunda instância, é aquele contra quem foi lavrado o auto de infração, de quem se exigiu o pagamento do crédito tributário constituído ou, se inconformado, a reclamação correspondente. Em outras palavras, é tanto o contribuinte quanto o responsável. Negar àquele apontado como responsável a possibilidade de aduzir provas e razões contrárias não apenas à sua responsabilização, mas também contra o lançamento, em si, constituiria grave equívoco e causa de nulidade, por cercear o direito ao contraditório e à ampla defesa, garantido pela Constituição Federal. Na esteira desse raciocínio, e por não tratar especificamente do assunto o Decreto nº 70.235/1972, considero plenamente aplicáveis as disposições dos arts. 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999: Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; [...] Fl. 222DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.006 24 Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: I os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; [...] No mesmo sentido já se manifestou a douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, do qual transcrevo os excertos abaixo: [...] 96. A conseqüência jurídica principal da conclusão de que o administrador que comete ato ilícito, no exercício da gerência, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, é a de que ele, nesse caso, deve ser considerado “sujeito passivo” e “devedor” para efeito de aplicação da legislação tributária em geral. É ele “sujeito passivo” porque, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, todo responsável é sujeito passivo tributário. É ele “devedor” em razão de que a pretensão do Fisco para com ele é exigível independentemente da solvabilidade da pessoa jurídica. 97. Assim, o responsável solidário pode sofrer, individualmente, auto de infração, com forte no art. 142 do CTN, sendo, nesse ato, declarado o ato ilícito que praticou o administrador no exercício da gerência e imputada a responsabilidade a esse infrator. Sendo, porém, sua responsabilidade autônoma da obrigação do contribuinte quanto ao nascimento e à natureza, não está obrigada a Administração Tributária a declarar sua responsabilidade ao mesmo tempo em que constitui o crédito tributário de que é devedora a pessoa jurídica. A responsabilidade do terceiro pode ser declarada a qualquer tempo, na esfera administrativa ou judicial, desde que subsista a obrigação do contribuinte. [...] 102. Noutros termos, podemos afirmar que o responsável pode participar do processo administrativo fiscal em que se discute o crédito tributário na posição de terceiro interessado; tratase de faculdade sua. Não é obrigatória, porém, sua presença e sequer sua intimação para tanto, justamente porque ele, no PAF em questão, é meramente terceiro interessado. Distintamente, em processo administrativo em que se apura sua responsabilidade “pessoal” decorrente de ato ilícito, sua presença é indispensável, obviamente. Passo, então, a apreciar os argumentos dos recorrentes, pessoas físicas, acerca da responsabilidade tributária que lhes foi imputada. Alegam os interessados que a responsabilidade dos sócios seria visivelmente subsidiária, quando a própria empresa não cumprisse as obrigações. E, quanto à responsabilidade pessoal, esta seria limitada aos casos em que a obrigação tributária tenha decorrido de atos praticados comprovadamente pelo sócio, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, hipótese não vislumbrada nos autos, seja porque os tidos como responsáveis não são sócios, seja porque inexistiria prova de qualquer intervenção sua por ação ou omissão em atos que dessem causa ao pretenso crédito tributário. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.007 25 Quanto à natureza da responsabilidade imputada, se solidária (como entende o Fisco), subsidiária ou pessoal (com exclusão do contribuinte do polo passivo), muito se tem discutido. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, filiome à corrente que defende que a responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN possui o atributo da solidariedade. Nesse sentido, encontro apoio na doutrina a seguir transcrita: A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não diz que sejam as únicas. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria que ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte decorre de sua condição de sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, e o que se depreende do disposto no art. 128 do Código Tributário Nacional [...]3. E mais: A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são ‘pessoalmente responsáveis’ os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio. [...] A tese da responsabilidade subsidiária – em sentido próprio – peca por ler implícito no art. 135 do CTN a condição de ‘impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte’ (pessoa jurídica), condição esta que está expressa somente no art. 134... [...] Por sua vez, a tese da responsabilidade por substituição, pessoal e exclusiva, peca por prever implícito no art. 135 do CTN a desoneração da pessoa jurídica contribuinte, coisa que não está dita nem insinuada nesse dispositivo legal. A desoneração do contribuinte não pode ocorrer por obra de mera interpretação extensiva; demanda, rigorosamente, norma expressa nesse sentido. Logo, não havendo qualquer preceito que afaste o dever da pessoa jurídica de pagar o crédito tributário, continua ela com este dever, sem óbice para a exigência de pagamento também do terceiro responsável. 4 Sustentam os recorrentes que a responsabilidade solidária teria sido imputada com o exclusivo fundamento de que as pessoas físicas teriam procuração outorgando poderes de gestão e administração da referida empresa. Não é o que ocorre. O que o Fisco buscou demonstrar nos autos foi o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador das obrigações tributárias e, além disto, a prática concreta de atos que permitem afirmar que, além de procuradores, as pessoas físicas atuavam como administradores, possuindo e exercendo poderes para a tomada de decisão na empresa fiscalizada e se beneficiando com os resultados auferidos. Daí a responsabilidade solidária imputada, nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: 3 MACHADO. Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 30ª ed. Malheiros, 2009, p.161. Citado por PAULSEN, Leandro, in Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010, p. 971. 4 LOPES, Anselmo Henrique Cordeiro. A responsabilidade tributária dos administradores. RFDT 36/155, nov dez/08. Citado por PAULSEN, Leandro, in Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010, p. 971. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.008 26 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Vejamos, então, quais seriam esses atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, a ensejar a responsabilidade tributária. Sr. José Wilson Santiago O Sr. José Wilson Santiago surge, a princípio, como procurador da pessoa jurídica então fiscalizada, atuando em negócios imobiliários mediante assinatura de instrumentos particulares e escrituras públicas de compra e venda de imóveis, firmando recibos de sinal e quitação de prestação, negócios esses descritos minuciosamente pela fiscalização no Relatório de Trabalho Fiscal às fls. 217/226. A atuação nesses negócios, fartamente documentada nos autos, não é negada pelo interessado, que, entretanto, afirma haver agido como mero mandatário. Os poderes que lhe foram outorgados, no entanto, não são aqueles comuns aos mandatários. As procurações que constam dos autos, elencadas pelo Fisco às fls. 216/217, lhe conferem “amplos e gerais poderes de gerência do seu negócio ou filial” ou, ainda, “amplos e ilimitados poderes para gerir a Firma Outorgante”. Em outros dois casos, as procurações são para o fim especial de alienar os imóveis nelas especificados, chamando atenção o fato de se tratar de poderes conferidos “em caráter irrevogável e irretratável e sem prestação de contas”. Tais poderes são típicos, não de meros mandatários, a quem se conferem poderes específicos e sujeitos à prestação de contas, mas daqueles que exercem de fato poderes de mando e administração da empresa. Acresçase a esses fatos, e reforçando a conclusão de que o Sr. José Wilson Santiago era quem, de fato, administrava a empresa, a circunstância de que os sócios de direito, Sr. João de Souza Brito e Sra. Terezinha Alves de Oliveira além de cunhados do Sr. José Wilson Santiago, são, ambos, funcionários do Poder Legislativo, ocupando o cargo de Secretário Parlamentar, aquele, e de Assessora Especial, esta, com lotação no Gabinete do então Deputado Estadual Sr. José Wilson Santiago durante o período autuado. O vínculo persistiu após a eleição do Sr. José Wilson Santiago para Deputado Federal, passando ambos os sócios de direito da fiscalizada a ocupar cargos em comissão de Secretário Parlamentar, com lotação no Gabinete do Deputado Federal Sr. José Wilson Santiago. Também estes fatos estão comprovados nos autos e são descritos pelo Fisco às fls. 229/230. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.009 27 Além do exposto, os sócios de direito não revelaram nem comprovaram capacidade financeira para arcar com os aumentos de capital da empresa, nem capacidade administrativa para a gestão do negócio (fls. 135/142). O benefício financeiro obtido igualmente se encontra configurado e comprovado. A contacorrente bancária aberta em nome de “ELEIÇÃO 2002 CANDIDATO JOSÉ WILSON SANTIAGO” recebeu seis depósitos em 27/08/2002, totalizando R$ 45.000,00, originados dos recursos sonegados pela empresa. Também foram identificados cheques emitidos pelo sócio de direito, seu cunhado e funcionário Sr. João de Souza Brito, em benefício do Sr. José Wilson Santiago, em três meses do ano de 2000, totalizando R$ 46.000,00. Em ambos os casos, as explicações para essas transferências foram insatisfatórias e desacompanhadas de documentos que as comprovassem. Vide descrição detalhada às fls. 228/231, 118/119, 188. Também é relevante, para o perfeito entendimento e caracterização da prática de atos de gestão, o que consta do processo acerca de outra empresa, ADRINA Imobiliária Projetos e Construções Ltda, CNPJ n° 11.900.941/000106. Essa empresa, da qual eram sócias e dirigentes a Sra. Terezinha Alves de Oliveira (cunhada do Sr. José Wilson Santiago) e sua irmã, Sra. Maria Suely Alves de Oliveira Santiago (esposa do Sr. José Wilson Santiago), possuía o mesmo endereço da pessoa jurídica autuada, a saber, Av. Maximiano de Figueiredo, 628, 1º andar, Centro, João Pessoa, PB, em imóvel de propriedade do Sr. José Wilson Santiago (fl. 228). Essa empresa apresentou declarações de rendimentos entre os anoscalendário 1990 e 1993. Entre os anoscalendário 1994 e 2000 permaneceu omissa, voltando a apresentar declarações em 27/03/2006, quando entregou as declarações correspondentes aos anos calendário 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, sempre qualificandose como inativa, situação que persistiu até o anocalendário 2008. A partir desse ano, não há mais registro de declarações. Não obstante não fosse formalmente sócio ou dirigente dessa empresa, o Sr. José Wilson Santiago praticou atos de gestão, assinando a Carteira de Trabalho e Previdência Social de empregados na qualidade de empregador, vide fls. 1357, 1358v, 1359, 1389, 1391, durante o período em que aquela empresa esteve em atividade. Pelo que se depreende das declarações apresentadas, e dos anos em que esteve omissa, a partir de um certo momento, a ADRINA Imobiliária Projetos e Construções Ltda, CNPJ n° 11.900.941/000106, começou a ser desativada, passando a operar, no mesmo local e com o mesmo objeto, a interessada Construções e Incorporações ADRINA Ltda. Os sócios de direito, agora, eram o Sr. João de Souza Brito e a Sra. Terezinha Alves de Oliveira, ambos irmãos da Sra. Maria Suely Alves de Oliveira e cunhados do Sr. José Wilson Santiago. Em abril de 2003 foi constituída uma terceira empresa, TERRADRINA Construções Ltda., CNPJ 05.596.538/000124, com sede em Brasília/DF. Os sócios e administradores dessa terceira empresa são os Srs. José Wilson Santiago e sua esposa Sra. Maria Suely Alves de Oliveira. Essa empresa firmou negócio imobiliário com a então fiscalizada Construções e Incorporações ADRINA Ltda. em janeiro/2004, em condições no mínimo atípicas, descritas pelo Fisco às fls. 227. Como se vê, há um liame familiar, um vínculo que surge e reaparece ao longo de muitos anos, sempre tendo como elemento comum e central a pessoa do Sr. José Wilson Santiago, ora cercado por sua irmã, ora pela esposa ou cunhados. Em especial, no período autuado, a influência, os poderes e os atos típicos de administrador praticados pelo Sr. José Wilson Santiago se encontram demonstrados à saciedade nos autos. Não pode ele, assim, Fl. 226DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.010 28 alegar o desconhecimento e a desvinculação da sonegação fiscal amplamente praticada no seio da empresa. Diante de todo o exposto, rejeito os argumentos em contrário e considero correta a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. José Wilson Santiago. Sra. Maria Nilda Santiago Silva A Sra. Maria Nilda Santiago Silva atuou como procuradora da pessoa jurídica Construções e Incorporações Adrina Ltda., com amplos e ilimitados poderes, como se observa na procuração pública de fls. 546/547, datada de 03/04/2002. Tais poderes foram efetivamente exercidos, visto que referida senhora assinou Carteira de Trabalho e Previdência Social de empregados, na qualidade de empregadora, em 2003 (fl. 908 e 1359v), em 2004 (fl. 1357v e 1360), além de atuar como representante da pessoa jurídica junto ao Banco Real (cartão de assinaturas à fl. 602). Os benefícios financeiros obtidos pela Sra. Maria Nilda Santiago Silva estão documentados nos autos. Às fls. 111/112 se encontra a descrição de transferência bancária em 18/07/2002 no valor de R$ 116.330,00, originada dos recursos sonegados pela Construções e Incorporações ADRINA Ltda. para a contacorrente de titularidade conjunta do Sr. José Alberto Galiza da Silva e sua cônjuge Sra. Maria Nilda Santiago Silva. A resposta apresentada ao Fisco, quando questionado, se refere à procuradora da empresa remetente (Sra. Maria Nilda) e à implantação de canteiro de obras no sertão paraibano. Não há, absolutamente, qualquer evidência de que os recursos tenham sido de fato usados em benefício da pessoa jurídica remetente ou que a ela tenham retornado, de alguma forma (vide documentos às fls. 895/901). Na mesma data, recursos de mesma origem foram transferidos para a conta corrente da Sra. Adrina Glória Santiago, mãe da Sra. Maria Nilda Santiago Silva e do Sr. José Wilson Santiago, desta feita no valor de R$ 21.938,00. Da mesma forma, a Sra. Adrina respondeu ao Fisco que a remessa estava relacionada à procuradora da empresa, sua filha, Sra. Maria Nilda, e a obras próximas à região em que residia. Também como antes, nenhuma prova foi apresentada de que os valores houvessem sido empregados em benefício da pessoa jurídica ou que a ela houvessem retornado (vide documentos às fls. 902/905). Também a Sra. Maria Nilda Santiago Silva dispôs de recursos da pessoa jurídica fiscalizada, ao entregar a quantia de R$ 1.000,00, originada dos recursos sonegados pela pessoa jurídica, ao Sr. Sivaldo Torres Ferreira, recebendo em troca cheque de emissão desse senhor, no valor de R$ 1.050,00 para posterior resgate. O cheque recebido era nominal à Sra. Maria Nilda, não havendo qualquer prova de que houvesse sido empregado em benefício da pessoa jurídica ou que a ela tenham retornado os recursos (vide documentos às fls. 885/894) O conjunto probatório reunido pelo Fisco é suficiente para firmar minha convicção de que a Sra. Maria Nilda Santiago Silva não apenas detinha procuração com amplos poderes de administração, mas efetivamente exerceu tais poderes, inclusive praticando atos em benefício próprio e de seus familiares, pelo que a responsabilidade tributária solidária deve ser mantida. No entanto, visto que a procuração que se encontra nos autos é datada de 03/04/2002, e que os atos documentados e benefícios obtidos são posteriores a essa data, sua responsabilidade deve ser limitada aos fatos geradores ocorridos a partir de 03/04/2002. Sra. Maria Suely Alves de Oliveira Fl. 227DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.011 29 No que tange à Sra. Maria Suely Alves de Oliveira, cônjuge do Sr. José Wilson Santiago, o Fisco não se aprofunda acerca dos motivos que o levaram a atribuir àquela senhora a responsabilidade tributária solidária aqui tratada (fls. 232/233). Com efeito, encontro nos autos a procuração pública de fls. 546/547, datada de 03/04/2002, outorgandolhe amplos e ilimitados poderes, mas não encontro prova de que tais poderes tenham sido efetivamente exercidos. O fato de constar também como representante da pessoa jurídica junto ao Banco Real (fl. 602) não implica, por si só, a prática de atos de gestão da empresa. Finalmente, não encontro qualquer evidência de que tenha auferido benefícios financeiros a partir dos recursos sonegados pela pessoa jurídica. Diante do exposto, e à míngua de maiores evidências, entendo que deve ser afastada a responsabilidade tributária solidária imputada à Sra. Maria Suely Alves de Oliveira. No mérito, quanto à acusação de omissão de receitas, a recorrente se limita a afirmar que não caberia lançamento com fulcro em suposições, conjecturas e presunções, antes deveria ser apoiado em fatos concretos, demonstrados, susceptíveis de comprovação. Sua alegação não poderia ser mais adequada à situação sob análise, mas não pelo ângulo que deseja. Com efeito, a omissão de receitas está cabalmente comprovada nos autos, não se tratando em absoluto de suposições ou presunções, mas de prova direta de que, das receitas auferidas, tão somente 10% (dez por cento) foram escrituradas e oferecidas à tributação. O montante das receitas foi comprovado mediante circularização de informações junto aos órgãos públicos contratantes dos serviços da interessada, constando do processo os valores empenhados e pagos, bem assim as primeiras vias das notas fiscais emitidas, nas quais consta o valor integral dos serviços. Também constam as vias fixas (de talonário) das mesmas notas fiscais, com meros 10% do valor total, sendo esta parcela a que consta dos livros contábeis e fiscais e das declarações de rendimentos. Impossível maior concretude, não deixando margem a qualquer dúvida quanto às receitas omitidas. Tanto é assim que, em outro ponto de seu recurso, a própria interessada admite que “não há como contestar as evidências de omissão de receitas, mas, sustentase que diante de fatos não há argumentos”. Outros e mais consistentes argumentos se dirigem contra a forma de apuração do lucro, base para a incidência do imposto de renda. A interessada insiste em que, apesar das omissões provadas nos autos, seria inconteste que concluiu e entregou a obra contratada, incorrendo em custos para tanto, e que tais custos não teriam sido computados no lançamento. A incidência do imposto de renda se dá sobre o resultado. A princípio, até mesmo por disposição legal, deve ser respeitado o regime de apuração escolhido pelo contribuinte, e tal foi o procedimento do Fisco, ao adicionar as receitas omitidas para o cálculo do lucro real. Também, ao serem apuradas as omissões de receitas, pode acontecer que sejam encontrados e comprovados custos incorridos para a obtenção das receitas omitidas, que não tenham sido escriturados. Em tal situação, os custos devidamente comprovados devem ser considerados quando da determinação do resultado tributável. Tal procedimento, no entanto, encontra seus limites quando as receitas omitidas são de tal monta, diante das receitas e custos escriturados, que sua inclusão venha a implicar a tributação das próprias receitas, em lugar do resultado. Diante de uma tal situação e, ainda, da impossibilidade de reconstituição da escrita, com a inclusão das receitas omitidas e dos custos incorridos e comprovados (até por falta de sua comprovação), é de se entender que a escrituração não se presta à apuração do lucro real, consistindo o remédio legal no arbitramento Fl. 228DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.012 30 do lucro, ou seja, a aplicação do percentual estabelecido em lei mediante o qual se presume o lucro a partir das receitas auferidas, escrituradas ou não. Nessa linha de raciocínio, devese dar razão à recorrente. O quadro5 a seguir bem ilustra a enorme desproporção entre as receitas auferidas e as escrituradas, em totais anuais, também incluindo na análise as despesas/custos escriturados e comparações percentuais. Período Receitas Omitidas Receitas Escrituradas Custos + Despesas Escriturados (Receitas Omitidas) / (Receitas Escrituradas) (%) AC 2000 4.964.807,52 1.119.307,79 991.461,71 444% AC 2001 4.017.000,00 687.925,85 644.944,62 584% AC 2002 6.462.489,00 1.225.660,98 1.029.828,43 527% Totais 15.444.296,52 3.032.894,62 2.666.234,76 509% Diante de receitas omitidas em percentuais, em média, acima de 500% daquelas escrituradas, da impossibilidade de reconstituição da escrita e de indícios de que haveria outros custos, de imprecisa quantificação e comprovação, além daqueles escriturados (conforme diligências levadas a efeito pela Fiscalização), deveria o Fisco ter adotado o critério de arbitramento dos lucros. Da forma como foi feito o lançamento, a tributação incide sobre as receitas, não podendo assim subsistir. Idêntico raciocínio leva ao afastamento da exigência de CSLL. No que toca às contribuições para o PIS e a COFINS, entretanto, a incidência se dá diretamente sobre o faturamento. Comprovadas, como foram, as omissões de receitas, as exigências dessas contribuições devem ser integralmente mantidas. O próximo ponto a ser apreciado são as alegações da recorrente acerca do lançamento de Imposto de Renda na Fonte. A infração apurada pelo Fisco foi o pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem comprovação da operação ou sua causa, capitulada no art. 61 e seu § 1º da Lei nº 8.981/1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. 5 Para a elaboração do quadro, foram consideradas as informações do auto de infração (fls. 13/15), das DIPJs (fls. 2.561, 2.559, 2.599 e 2.597) e das Demonstrações do Resultado do Exercício que constam da escrita contábil (fls. 2.247, 2.304 e 2.353). Fl. 229DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.013 31 § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Inicialmente, cumpre observar que a incidência tributária aqui analisada é de natureza diversa do imposto de renda das pessoas jurídicas. No IRPJ, a empresa se situa na condição de contribuinte, respondendo por fato gerador por ela mesma praticado. Ao contrário, na situação em tela, a lei estabelece que, ao não registrar e comprovar o destinatário ou a causa dos pagamentos, a fonte pagadora se torna responsável pelo imposto que seria devido pelo beneficiário dos pagamentos. Tal presunção legal se justifica diante da onerosidade das relações que uma empresa trava com terceiros, como regra, e da impossibilidade de buscar o imposto devido por aquele que recebeu o pagamento, por não identificado ou por falta de comprovação da causa da operação, a permitir a incidência tributária. Não se há de acolher, portanto, qualquer argumento no sentido de que a tributação do IRPJ e a do IRF não poderiam conviver “por antagonismo”. A convivência é perfeitamente possível, posto que possuem hipóteses de incidência diversas. Quanto ao argumento de que, após o final do exercício o IR Fonte somente poderia ser cobrado do beneficiário, não se aplica à situação vertente, em que a lei impõe a incidência do imposto exclusivamente na fonte pagadora. Quanto aos valores da autuação, que a recorrente reputa excessivos, constato que decorreram da correta aplicação da lei, pelo que descabe qualquer questionamento nesse sentido. A incidência do Imposto de Renda na Fonte ora discutida recai sobre pagamentos efetuados por pessoas jurídicas. A situação descrita e comprovada nos autos não deixa qualquer dúvida de que a pessoa jurídica Construções e Incorporações ADRINA Ltda. auferiu receitas por prestação de serviços e que tais receitas foram efetivamente pagas pelo ente contratante e recebidas pela interessada. O recebimento se deu “na boca do caixa”, pelo funcionário e procurador da fiscalizada Sr. José da Silva Vieira, o qual endossava o cheque recebido, depositava 10% de seu valor na contacorrente da interessada e destinava os demais 90% a diversas pessoas físicas e jurídicas, mediante transferências online e ordens de pagamento. Os recursos ingressaram, inegavelmente, no patrimônio da empresa, tanto de direito quanto de fato, e, ato contínuo, deixaram esse mesmo patrimônio, sendo entregues a terceiros. A seguir, a lei impõe duas condições cumulativas para que se possa afastar a incidência tributária: o beneficiário do pagamento deve estar identificado e a operação e sua causa devem estar comprovadas. Durante os procedimentos de fiscalização foram identificados os beneficiários de diversos pagamentos, conforme se verifica da leitura do Relatório de Trabalho Fiscal, às fls. 95 e segs. Não obstante, as causas de cada pagamento não restaram esclarecidas nem comprovadas. O ônus de tal demonstração é da interessada, a quem compete provar, para cada pagamento, seu destino e causa. Ao deixar de escriturar suas operações com observância das regras contábeis e nem ao menos se resguardar com a documentação adequada à identificação e comprovação individualizada das operações que deram causa aos pagamentos, a contribuinte deve se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte incidente sobre esses pagamentos. A hipótese de incidência tributária permanece hígida, pois, e as exigências do imposto de renda na fonte devem ser mantidas. Finalmente, a recorrente reclama das multas exigidas isoladamente por falta/insuficiência do recolhimento de estimativas mensais de IRPJ. Aduz que tais multas não poderiam ser exigidas de forma cumulativa com as multas proporcionais pela falta de recolhimento de imposto devido ao final do período de apuração anual. Tais reclamações não Fl. 230DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.014 32 merecem ser conhecidas por falta de objeto, desde que as multas em questão não foram efetivamente lançadas, e sobre essa matéria não se instaurou o litígio. Por oportuno, transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido: 44. O auto de infração do IRPJ menciona, como infração 003, a falta de pagamento do imposto sobre a base de cálculo estimada nos meses dos anos calendário de 2000 a 2002 (fls. 12 e 17), com indicação dos respectivos valores porém sem sua demonstração. Contudo, o crédito tributário não foi efetivamente lançado, conforme se verifica no demonstrativo individual de fl. 08 e no consolidado de fl. 07, nem foi alvo de contestação pela contribuinte. 45. Considero, assim, inexistente o litígio quanto a esta matéria, por falta de objeto, cabendo ao órgão preparador, sendo caso, promover o lançamento do crédito tributário através de novo auto de infração. Conferi as folhas mencionadas pelo ilustre Relator do acórdão recorrido, e cheguei a idêntica conclusão. O demonstrativo de multa e juros de mora do IRPJ (fl. 16) totaliza as multas proporcionais, e somente elas, em R$ 5.727.804,18. Ora, esse é exatamente o total de multas lançadas para esse tributo, vide quadro Demonstrativo do Crédito Tributário à fl. 08 e Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo à fl. 07. O minucioso Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 68 e segs) em momento algum menciona a exigência de multas isoladas. Resta claro, então, que as fls. 12 e 17, na parte em que cuidam de multas isoladas, foram incluídas indevidamente no processo e não se traduzem em qualquer exigência fiscal, devendo ser desconsideradas. Quanto a essa matéria, pois, inexiste litígio a ser solucionado por este Colegiado, pelo que os argumentos não devem ser conhecidos. Em conclusão: não conheço dos argumentos acerca das multas isoladas, por falta de objeto; rejeito as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; acolho parcialmente os argumentos atinentes à sujeição passiva, para afastar a responsabilidade tributária solidária imputada à Sra. Maria Suely Alves de Oliveira e à Sra. Maria Nilda Santiago Silva, sendo que, para esta última, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 03/04/2002; e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para afastar apenas as exigências do IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 231DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14751.000010/200580 Acórdão n.º 130100.644 S1C3T1 Fl. 14.015 33 Fl. 232DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10932.720118/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.720118/201232 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.213 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de abril de 2016 Assunto CONTRIBUIÇOES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente M. F. MONTAGENS E COBERTURAS S/S LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .7 20 11 8/ 20 12 -3 2 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.720118/201232 Resolução nº 2201000.213 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1443.117, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Ação fiscal – lançamentos fiscais Na ação fiscal, da qual resultou o processo em análise, foram lavrados os seguintes processos, com respectivos lançamentos fiscais: Fl. 577DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.720118/201232 Resolução nº 2201000.213 S2C2T1 Fl. 4 3 Fundamentos do lançamento fiscal Com base no Relatório Fiscal (fls. 36/58) e nos demais documentos que integram o lançamento fiscal podese constatar que: 1. Em função do Mandado de Procedimento Fiscal 0811900.2011.00395, foi emitido, em 03/05/2012, o TIPF – Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 15/16), em razão do qual o Auditor Fiscal dirigiuse ao endereço onde constava estar estabelecido o Contribuinte (Av. Senador Vergueiro, 2685, Bloco 16B, Vila Tereza, em São Bernardo do Campo/SP), tendo constatado que (Termo de Constatação, fl. 5): Fl. 578DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.720118/201232 Resolução nº 2201000.213 S2C2T1 Fl. 5 4 a) O local é um endereço estritamente residencial, ocupado pela Sra. Eunice de Souza Campanile, que informou a inexistência de qualquer empresa no local. b) A Sra. Eunice, no entanto, declarou que sua filha entrega as correspondências recebidas em nome da empresa aos sócios responsáveis (“Aparecida Michela”); declarou, também, que desconhece o endereço da empresa ou dos seus responsáveis. 2. Foram, então, empreendidas diligências, visando contato com a Sra. Adriana Maria Silva de Melo, que, segundo os dados cadastrais disponíveis, constava como sócia do Contribuinte. A correspondência voltou com a informação de que “não existe o número indicado”. 3. Foi expedido edital, em 21/05/2012, objetivando a intimação do Contribuinte, para atualizar dados cadastrais e tomar ciência do TIPF. 4. Em face destes fatos, foi instaurado procedimento de “inaptidão” (nº. 10932.000030/2012 09), do que resultou a alteração da situação cadastral do Contribuinte para “inapta” na Receita Federal do Brasil, em 31/08/2012. 5. Finalmente, em função de Termo de Constatação e Intimação, tornado público pelo edital 45/2012, de 20/08/2012, atendeu à intimação o Sr. Maurício Adriano dos Santos, um dos sócios constantes dos cadastros do Contribuinte. Entretanto, consta que nenhuma das requisições de informações e documentos foi atendida, nem mesmo depois da expedição de novo Termo de Reintimação Fiscal nº. 56/2012, de 28/09/2012. 6. Diante destas circunstâncias e considerando a falta de outros elementos, a Fiscalização realizou pesquisas nos sistemas cadastrais disponíveis à Administração Tributária, tendo adotado seguinte procedimento (com base no artigo 33 da Lei 8.212/1991): a) Obteve informações no cadastro da RAIS – Relação Anual de Informações Sociais do ano de 2008, constando que as massas salarias lá declaradas divergiam e eram superiores do montante das remunerações obtidas a partir das informações declaradas pelo Contribuinte em GFIP. b) Para a base de cálculo relativa ao décimo terceiro salário de 2008 foi adotado o mesmo montante do respectivo mês de dezembro de 2008. c) Para determinação da contribuição de segurados foi aplicada linearmente a alíquota mínima, de 8%. d) Consta do Relatório Fiscal uma planilha demonstrando a apuração das diferenças entre RAIS e GFIP (fl. 45). e) Os levantamentos realizados com base neste procedimento foram codificados como: “AF”, “AF1” e “AF2”. 7. As bases de cálculo declaradas em GFIP foram adotadas, para efeito de determinação das contribuições devidas, considerando o Contribuinte não optante do Simples Nacional (o regime tributário da Lei Complementar 123/2006), conforme dados cadastrais disponíveis. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.720118/201232 Resolução nº 2201000.213 S2C2T1 Fl. 6 5 Tais valores estão demonstrados em planilha que integra o Relatório Fiscal (fls. 46/47), integrando os levantamentos codificados como “CN”, “CN1” e “CN2”. 8. Consta que os valores apurados como recolhimentos realizados pelo Contribuinte foram considerados (descontados dos créditos tributários apurados, mediante rateio). 9. A Fiscalização relata os fatos e os motivos que, em face das disposições legais que informa, determinaram a inclusão dos sócios do pólo passivo da relação jurídica instaurada a partir do lançamento fiscal (fls. 48/54). 10. O Relatório Fiscal informa a inclusão, como anexo, do demonstrativo de apuração de multa, considerando as alterações introduzidas na Lei 8.212/1991 pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009) – fls. 59/60. Informa, também, as razões de fato e de direito que justificaram o agravamento das multas aplicadas (fl. 53); finalmente, demonstra o cálculo do montante obtido, a título de multa, em relação ao crédito tributário correspondente à imposição de multa por omissão de segurados e de remuneração em GFIP (lançamento fiscal DEBCAD 37.348.6332 – fls. 53/57). Fundamentos da Impugnação São as seguintes, em síntese, as razões de Impugnação apresentadas pelo Contribuinte (fls. 115/121): 1. Inicia, declarando que Adriana Maria Silva de Mello teria “adquirido a empresa” em 05/05/2008. E, quanto ao endereço no qual estaria estabelecido o Contribuinte, informa: 2. Quanto à opção pelo Simples Nacional, assim se posiciona a Impugnação: Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.720118/201232 Resolução nº 2201000.213 S2C2T1 Fl. 7 6 3. Passa, então, a discorrer sobre o direito à compensação, para concluir pelo pedido de “...compensação devida de seus créditos com os débitos devidos ...”. 4. Formula, então, seus pedidos Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Adriana Maria Silva de Mello adquiriu a empresa em 05/05/2008. · Inatividade declarada no mesmo exercício fiscal. · Apresentou Declaração Simplificada DSPJInativa. · Inexiste fato gerador. · Empresa sempre recolheu como optante pelo SIMPLES por acreditar que era optante. · Requer compensação com seus créditos. É o relatório. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.720118/201232 Resolução nº 2201000.213 S2C2T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. O recurso é tempestivo. Passo à análise das questões pertinentes. Registro inicialmente que os devedores solidários não foram cientificados da decisão do julgamento de primeira instância. Entendo que tal proceder pode representar cerceamento de defesa e macular este contencioso administrativo fiscal. Para sanar tal vício, o processo deve retornar à origem para que os devedores solidários sejam intimados do resultado do julgamento da DRJ. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para que a DRF de origem dê ciência aos devedores solidários do resultado do julgamento de primeira instância. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 582DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10730.726512/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas do alimentando referentes a aparelhos e próteses ortopédicas, quando realizada pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que especificados e comprovados mediante receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.
No caso concreto, a declaração do médico responsável pelo procedimento cirúrgico, revestida dos requisitos formais, e avaliada em conjunto com os dados da nota fiscal de compra dos materiais utilizados na cirurgia, são elementos hábeis e suficientes para a comprovação das despesas médicas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas do alimentando referentes a aparelhos e próteses ortopédicas, quando realizada pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que especificados e comprovados mediante receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. No caso concreto, a declaração do médico responsável pelo procedimento cirúrgico, revestida dos requisitos formais, e avaliada em conjunto com os dados da nota fiscal de compra dos materiais utilizados na cirurgia, são elementos hábeis e suficientes para a comprovação das despesas médicas. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 55 1 54 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.726512/201170 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.386 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria IRPF: AJUSTE GLOSA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente LUIZ RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas do alimentando referentes a aparelhos e próteses ortopédicas, quando realizada pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que especificados e comprovados mediante receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. No caso concreto, a declaração do médico responsável pelo procedimento cirúrgico, revestida dos requisitos formais, e avaliada em conjunto com os dados da nota fiscal de compra dos materiais utilizados na cirurgia, são elementos hábeis e suficientes para a comprovação das despesas médicas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 65 12 /2 01 1- 70 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10730.726512/201170 Acórdão n.º 2401004.386 S2C4T1 Fl. 56 2 Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10730.726512/201170 Acórdão n.º 2401004.386 S2C4T1 Fl. 57 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1247.905 (fls. 42/44): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. INDEDUTIBILIDADE. COMPRAS DE ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS. Por falta de previsão legal, são indedutíveis os pagamentos de produtos médicos comprados de estabelecimentos comerciais. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2009/276425300399810, relativa ao anocalendário 2008, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 15.000,00 (fls. 9/13). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificado da notificação por via postal em 16/11/2011, às fls. 39, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/7). 4. Intimado em 25/7/2012, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 45/48, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 23/8/2012 (fls. 49/51). 4.1 Reitera o contribuinte que as despesas glosadas foram pagas em favor de Suely Canto Ribeiro, sua exmulher, em virtude de acordo homologado judicialmente. 4.2 Na condição de alimentante, adquiriu em estabelecimento comercial prótese médica de utilização necessária na aplicação cirúrgica, constituindose em despesas médicas em favor do alimentando. 4.3 Diante do argumento contido na decisão de 1ª instância de que não teria ocorrida a comprovação da utilização do material na cirurgia da sua exmulher, por meio de receituário médico, junta aos autos o relatório assinado pelo médico responsável pela intervenção cirúrgica. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10730.726512/201170 Acórdão n.º 2401004.386 S2C4T1 Fl. 58 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A acusação fiscal justificou a glosa das despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento, nos termos abaixo transcritos, "ipsis litteris" (fls. 11): Glosa de valor correspondente a pagamento efetuado em favor de empresa de comércio de produtos médicos, abaixo especificada, por falta de previsão legal. 7. Quanto às deduções de despesas médicas, por parte do alimentante, com aparelhos e próteses ortopédicas relativos ao tratamento cirúrgico do alimentado, prescreve o Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10730.726512/201170 Acórdão n.º 2401004.386 S2C4T1 Fl. 59 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...) § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (grifouse) 8. Tendo em vista a legislação tributária acima reproduzida, entendo que o conjunto probatório existente nos autos é hábil e suficiente para afastar a imputação da irregularidade apontada pela fiscalização. 9. Com efeito, a obrigação de arcar com as despesas médicas de sua excônjuge, Suely Canto Ribeiro, está comprovada por meio das cópias da petição inicial, do termo de audiência e do mandado de averbação referentes à separação judicial consensual do casal homologada judicialmente por sentença do Juiz da Comarca de São Sebastião do Alto, Estado do Rio de Janeiro (fls. 14/26). 10. A nota fiscal de compra de aparelhos e próteses ortopédicas, emitida em nome do recorrente pela empresa World Medical Importação e Exportação Ltda, em 16/12/2008, revela, conforme dados do campo "informações complementares", a requisição em nome do paciente Suely Canto, pelo médico Dr. José Manes, em 10/12/2008, do Hospital Unimed Friburgo (fls. 27). 11. Por derradeiro, foi apresentada declaração assinado pelo Dr. Ronaldo Purger, médico ortopedista e traumatologista, revestida dos requisitos formais, tais como nome, endereço e número de inscrição profissional, confirmando a cirurgia na paciente Suely Canto Ribeiro, no Hospital de Nova Friburgo em 10/12/2008, em procedimento de artroplastia total de quadril, com utilização dos mesmos produtos descritos no corpo da nota fiscal acima mencionada, suprindose, desse maneira, a exigência do receituário médico (fls. 52).1 1 Artroplastia de quadril é o nome dado ao procedimento para substituição do quadril natural por outro quadril protético, conforme http://medicinadoquadril.com.br/site/proteses/ Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10730.726512/201170 Acórdão n.º 2401004.386 S2C4T1 Fl. 60 6 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no importe de R$ 15.000,00, tornando insubsistente a notificação fiscal emitida. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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