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Numero do processo: 19515.722767/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
No julgamento do REsp nº 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utiliza-se a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62 da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE
O princípio da legalidade dos tributos, impede a aplicação analógica para criar base de cálculo não prevista na legislação federal, utilizando leis municipais e estaduais do domicílio do contribuinte, toda vez que dela resulte na criação de um débito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado). Fez sustentação oral pelo Contribuinte, o Dr. José Henrique Longo, OAB/SP 86.901/SP.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. No julgamento do REsp nº 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62 da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE O princípio da legalidade dos tributos, impede a aplicação analógica para criar base de cálculo não prevista na legislação federal, utilizando leis municipais e estaduais do domicílio do contribuinte, toda vez que dela resulte na criação de um débito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado). Fez sustentação oral pelo Contribuinte, o Dr. José Henrique Longo, OAB/SP 86.901/SP. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 67 /2 01 2- 63 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722767/201263 Acórdão n.º 2201003.255 S2C2T1 Fl. 619 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 18ª Turma da DRJ/SP1(Fls. 448), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 181/184 e Demonstrativo de Apuração de fls. 179/180, referente ao imposto de renda pessoa física – Ganhos de Capital, fato gerador 31/03/2007, que lhe exige crédito tributário no montante de R$6.298.987,47, sendo R$2.054.062,31 de imposto (código 2904), R$3.081.093,46 de multa proporcional e R$1.163.831,70 de juros de mora (calculados até 30/11/2012). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 183/184), foi(ram) apurada(s) a(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de participação societária (ações/quotas e respectivos direitos conexos), não negociada em Bolsa de Valores, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/03/2007 13.693.748,78 150,00 Enquadramento Legal: Lei nº 4.502/1964 – artigos 71 a 73; Fl. 619DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722767/201263 Acórdão n.º 2201003.255 S2C2T1 Fl. 620 3 Lei n 5.172/1966 (CTN) – artigos 43, 108, 113, 114, 150 e 173; Lei nº 6.404/1976 – artigos 7º e 8º; Lei nº 7.713/1988 – artigos 1º a 3º, 16, 19 a 22; Lei nº 8.134/1990 – artigos 1º, 2º e 4º; Lei nº 8.981/1995 – artigos 7º, 21, 22 e 24; Lei nº 9.249/1995 – artigos 10, 17 e 23; Lei nº 9.250/1995 – artigos 23 a 25; Lei nº 9.430/1996 – artigo 44; Lei nº 9.532/1997 – artigos 16 e 17; Lei nº 11.154/1991 do Município de SP (ITBI/SP) – artigo 9º; Lei nº 10.705/2000 do Estado de SP (ITCMD/SP) – artigo 9º; Lei nº 11.196/2005 – artigo 38; Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 – artigos 123 a 135, 142 e 957. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 22/01/2007 e 14/06/2007. 150,00% Art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 187/224, parte integrante do Auto de Infração. Cientificado do lançamento em foco, por via postal, em 06/12/2012 (AR de fl. 225), o interessado apresentou, em 04/01/2013, por intermédio de seus procuradores (fl. 289), a impugnação de fls. 232/287, instruída com os documentos de fls. 288/445, aduzindo, em síntese, que discorda da autuação, em face: II.a) Da Decadência; II.b) Da Legalidade do Procedimento do Requerente; II.c) Da Invenção da Base de Cálculo do IRPF e o Erro quanto à Redução de Valor da NuaPropriedade, por inexistência de apuração do bem a valor de mercado e interpretação equivocada da Legislação de ITCMD/SP; II.d) da Inexistência de Acréscimo Patrimonial; II.e) Da Ilegalidade da Hipótese de Incidência e da Base de Cálculo, pela utilização da Lei Estadual do ITCMD e descabimento da utilização da analogia e da equidade; II.f) Do Desrespeito ao Princípio da Isonomia; II.g) Da inconsistência do arbitramento da base de cálculo do IRPF; II.h) Da Inexistência de Fraude, Dolo e Simulação. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722767/201263 Acórdão n.º 2201003.255 S2C2T1 Fl. 621 4 III) para, ao final, requerer seja cancelado integralmente o lançamento de IRPF, além das condenações dele advindas; e/ou cancelada a multa qualificada de 150%. Passo adiante, a 18ª Turma da DRJ/SP1 entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, com a finalidade de dissimular e ocultar o fato gerador do ganho de capital na alienação de bens e direitos, não se aplica o prazo decadencial de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, deslocandose a contagem para a regra geral estatuída no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Se a transferência de bens e direitos, a título de integralização de capital, não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Cientificado em 19/08/2013 (Fls. 494), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 17/09/2013 (fls. 495 a 560), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de ganhos de capital na alienação de participações societárias não negociadas em bolsa, relativamente a fato gerador ocorrido em 31/03/2007. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722767/201263 Acórdão n.º 2201003.255 S2C2T1 Fl. 622 5 Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar a preliminar de decadência do crédito tributário. De início, impende assentar que em se tratando de decadência de tributo lançado por homologação, o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, o § 2º do art. 62 da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Em relação à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733/SC de 12/08/2009, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC. O julgamento determinou que nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, ainda que parcial, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN. Contudo, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, independentemente da análise do dolo, fraude ou simulação, como não houve pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador, portanto, apto a atrair o § 4º do art. 150 do CTN, devese aplicar à regra contida no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, aplicando ao caso a regra expressa no inciso I do art. 173 do CTN, a contagem do decurso do prazo de cinco anos tem início em 1º/01/2008, expirando em Fl. 622DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722767/201263 Acórdão n.º 2201003.255 S2C2T1 Fl. 623 6 31/12/2012, portanto o crédito tributário não havia sido ainda atingido pela decadência, já que a ciência do auto de infração ocorreu em 06/12/2012 (fl. 225). Encerrada a apreciação da preliminar, passase ao exame das questões de mérito. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal identificou a existência de ganho de capital, não oferecido à tributação, decorrente da subscrição e integralização de ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ 08.693.834/000131, com a nua propriedade de ações do Banco Daycoval S/A, CNPJ 62.232.889/000190. De acordo com a fiscalização, como não foi apresentado pelo contribuinte nenhum documento comprobatório do custo da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A, a autoridade fiscal se valeu do art. 16 da Lei nº 7.713/1988, ou seja, utilizouse como custo de aquisição o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão (ITCMD/SP). Por sua vez, alega o suplicante, em linhas gerais, que inexiste norma que distinga a nuapropriedade da propriedade plena de ações para efeito de integralização de capital. In casu, no momento da cessão da nuapropriedade das ações do Banco em favor da Holding, utilizouse o valor de custo contido em sua DIRPF para efeito de aumento de seu capital social, conforme determina a Lei n° 9.249/1995. Assevera ainda que é ilegal e ilegítimo a base de cálculo utilizada com base na Lei Estadual do ITCMD, já que é incabível, neste caso, a utilização da analogia e da equidade. Por fim, questiona a qualificação da multa, já que inexiste fraude, dolo ou simulação. Como visto dos autos, a controvérsia cingese na integralização de Ações da Daycoval Holding Financeira S/A com a transferência da NuaPropriedade das Ações do Banco Daycoval S/A. Na visão da fiscalização e da autoridade recorrida, a Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 20/03/2007, da Daycoval Holding Financeira S/A (fls. 64/67), juntamente com o respectivo Laudo de Avaliação nela descrito (fls. 78/81), constatouse que a avaliação exigida pelo art. 8º da Lei nº 6.404/1976, foi realizada para a propriedade plena das ações do Banco Daycoval S/A, e não para a nuapropriedade desses títulos mobiliários (Termo de Verificação Fiscal de fl. 198). Em razão do fato acima, asseverou a autoridade fiscal que “Assim, no processo em questão de integralização do aumento do capital social da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, o(a) contribuinte alienou, em 20/03/2007, a NUA PROPRIEDADE de 15.352.310 ações PN de sua titularidade no Banco Daycoval S/A, pelo valor total de R$ 41.081.246.33”. Por fim, concluiu que “Dessa forma, para se apurar o ganho de capital ocorrido no processo de integralização de capital da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, é necessário que se determine o custo da nuapropriedade das ações integralizadas”. Com fito de se apurar o custo da nuapropriedade das ações integralizadas, já que, na visão da autuante, não foi produzido um laudo de avaliação da nuapropriedade, a autoridade fiscal se valeu do art. 16 da Lei nº 7.713/1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I – o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; (grifei) Fl. 623DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722767/201263 Acórdão n.º 2201003.255 S2C2T1 Fl. 624 7 (...) § 3º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, (que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei), o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) Para fins de quantificar o custo da nuapropriedade das ações integralizadas, a fiscalização utilizouse os critérios definidos pela legislação do imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos do Estado de São Paulo ITCMD/SP, regido pela Lei Estadual nº 10.705/2000, mormente por considerar o domicílio tributário do contribuinte na capital: Artigo 9º A base de cálculo do imposto é o valor venal do bem ou direito transmitido, expresso em moeda nacional ou em UFESPs (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo). § 1º Para os fins de que trata esta lei, considerase valor venal o valor de mercado do bem ou direito na data da abertura da sucessão ou da realização do ato ou contrato de doação. § 2º Nos casos a seguir, a base de cálculo é equivalente a: (grifouse) 1. 1/3 (um terço) do valor do bem, na transmissão não onerosa do domínio útil; 2. 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa do domínio direto; 3. 1/3 (um terço) do valor do bem, na instituição do usufruto, por ato não oneroso; 4. 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa da nuapropriedade. (grifouse) Citase, outrossim, art. 9º da Lei municipal nº 11.154, de 1991, relativa ao ITBI/SP: Art. 9º O valor da base de cálculo será reduzido: (Redação dada pela Lei nº 14256/2006) I – Na instituição de usufruto e uso, para 1/3 (um terço); II – Na transmissão de nua propriedade, para 2/3 (dois terços); (grifouse) III – Na instituição de enfiteuse e de transmissão dos direitos do enfiteuse, para 80% (oitenta por cento); Fl. 624DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722767/201263 Acórdão n.º 2201003.255 S2C2T1 Fl. 625 8 IV – Na transmissão de domínio direto, para 20% (vinte por cento). Parágrafo Único – Consolidada a propriedade plena na pessoa do proprietário, o imposto será calculado sobre o valor do usufruto, uso ou enfiteuse. Pelo que se vê, a fiscalização considerou que o custo de aquisição da nua propriedade das ações do Banco Daycoval S/A representou 2/3 do valor do custo de aquisição da propriedade plena dessas ações, de acordo com as formas de cálculos previstas nos impostos de transmissão de bens e direitos. Como forma de referendar o procedimento adotado pela fiscalização, consignou a autoridade recorrida que “Na ausência de disposição expressa, a lei tributária autoriza que a autoridade administrativa lance mão de instrumentos de integração, entre os quais a analogia e a equidade utilizada pela Fiscalização. Que, no caso concreto, diante da falta de previsão expressa na legislação do imposto sobre a renda de pessoa física de regramento de determinação da base de cálculo de nuapropriedade de bens, aplicou a norma legal prevista na legislação do ITCMD/SP e ITBI/SP, no tocante à determinação da base de cálculo envolvendo a transmissão da nuapropriedade de bens”.(fls.476). Diferentemente do que argumentou a autoridade recorrida, in casu, o emprego da analogia esbarrase no princípio da legalidade, expresso no § 1° do art. 108 do CTN que taxativamente dispõe "... o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei". No caso concreto, como não há qualquer de previsão expressa na legislação federal no sentido de se utilizar o regramento de lei estadual para definir base de calculo do imposto de renda, constante dispõe o art. 142 do CTN, não pode a autoridade fiscal adotar medidas ou formas alternativas para constituir o crédito tributário. Por sua vez, o princípio da equidade também deve obedecer a reserva legal, já que sua utilização não pode afastar ou modificar a lei. A utilização do art. 16 da Lei nº 7.713/1988 é expediente legítimo; entretanto o que dispõe a lei é a utilização do "... valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão" e, com a devida venia, não consta dos autos esse valor. Com efeito, os princípios da legalidade e da tipicidade, determinam que a lei disponha de todos os elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, a lei não pode deixar a critério da autoridade fiscal os requisitos necessários à sua exigência, conforme determina o art. 150, I, da Constituição Federal (É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios – I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça). A bem da verdade, a fiscalização, por ausência de uma legislação federal dispondo sobre a matéria, se valeu da legislação estadual para chegar a grandeza econômica sobre a qual se assentou a exigência. Com efeito, a utilização de tal expediente poderia, em algum momento, conflitar com o principio da uniformidade tributária (é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou ao Município art. 151, I da Constituição Federal), já que cada estado dispõe de modo diferente sobre a quantificação da base de cálculo da nuapropriedade. À título de exemplo, a legislação do Estado do Rio Grande do Sul, Lei nº 8.821/1989, utiliza como base de cálculo para o ITCD sempre o valor total do bem, Fl. 625DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19515.722767/201263 Acórdão n.º 2201003.255 S2C2T1 Fl. 626 9 independentemente se a transmissão é da propriedade plena ou da nuapropriedade (art. 7º, Inciso II e VI, e art. 12 ), portanto para o mesmo tributo federal, qual seja, Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital, não haveria tratamento isonômico entre os contribuintes domiciliados no estado de São Paulo e aqueles domiciliados no estado do Rio Grande do Sul, o que é vedado pela Constituição Federal. Inclusive, repiso, é inaplicável ao caso, as legislações do Estado de São Paulo acerca do ITBI e ITCMD, uma vez que estas não guardam qualquer relação com o tributo lançado, o qual é de competência Federal, não podendo ter sua base de cálculo prevista, ainda que por analogia, em legislações Estaduais e Municipais. Acerca da aplicação da analogia no direito tributário, cabe transcrever as palavras do Professor Leandro Paulsen: Analogia e interpretação extensiva: Não se pode confundir a analogia com a chamada interpretação extensiva. Na analogia, há a integração da legislação tributária mediante aplicação da lei a situação de fato nela não prevista [...] em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributária à luz da doutrina e da jurisprudência, 13ª edição, 2011, p. 911/912) Desse modo, não poderia o Fisco utilizarse da analogia para criar uma base de cálculo que resulte em um débito tributário como sói ocorrer no presente caso. Assim, penso que é incabível o critério adotado pela autoridade fiscal para apuração do custo da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 626DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 18186.001193/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/07/2003 a 31/12/2006
NORMAS GERAIS. ERRO NA AUTUAÇÃO.
Deve ser dado provimento ao recurso voluntário, pois o Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 52, porque os supostos débitos previdenciários não foram declarados em GFIP ou lançados de ofício pelo fisco, tendo sido reconhecidos pela fiscalização somente através da análise dos documentos contábeis do contribuinte.
Numero da decisão: 2302-003.710
Decisão: Recurso Voluntário e de ofício
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício e por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário para desconstituir o Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 52, porque os supostos débitos previdenciários não foram declarados em GFIP ou lançados de ofício pelo fisco, tendo sido reconhecidos pela fiscalização somente através da análise dos documentos contábeis do contribuinte.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Marcelo Oliveira - Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator)
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Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/07/2003 a 31/12/2006 NORMAS GERAIS. ERRO NA AUTUAÇÃO. Deve ser dado provimento ao recurso voluntário, pois o Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 52, porque os supostos débitos previdenciários não foram declarados em GFIP ou lançados de ofício pelo fisco, tendo sido reconhecidos pela fiscalização somente através da análise dos documentos contábeis do contribuinte. Recurso Voluntário e de ofício Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício e por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário para desconstituir o Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 52, porque os supostos débitos previdenciários não foram declarados em GFIP ou lançados de ofício pelo fisco, tendo sido reconhecidos pela fiscalização somente através da análise dos documentos contábeis do contribuinte. Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 11 93 /2 00 7- 35 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator) Fl. 689DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.001193/200735 Acórdão n.º 2302003.710 S2C3T2 Fl. 689 3 . Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir o relato do conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, AI DEBCAD nº 37.015.5777, consolidado em 23/03/2007, em face ABS ADVANCED BUSINESS SOLUTIONS LTDA., no valor de R$ 1.279.448,00 (hum milhão, duzentos e setenta e nove mil, quatrocentos e quarenta e oito reais),em virtude de, estando em débito não garantido perante a Previdência Social, ter distribuído lucros a seus sóciosgerentes e cotistas, em forma de adiantamentos, durante o período fiscalizado de 01/09/02 a 31/11/05. Conforme dispõe o relatório fiscal, verificouse, através da análise dos balancetes da Recorrente, que eram contabilizados nos livros diários diversas retenções que não foram devidamente recolhidas. Além disso, constatouse que, durante o período fiscalizado, foram realizados vários adiantamentos a título de distribuição de lucros aos sócios gerentes e cotistas, configurando a infração prevista no artigo 52, inciso II, da Lei 8.212 , de 24/07/1991. Ainda no relatório fiscal, foi narrado que a Recorrente comprovou, por meio de amostragem, os recolhimentos das contribuições até então inadimplidas, mediante a apresentação de cópia dos pagamentos feitos em 06/03/2007. Apresentada impugnação pela entidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP entendeu por manter parcialmente o lançamento tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/2007 Ementa: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS.EMPRESA EM DÉBITO COM A SEGURIDADESOCIAL. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Dar ou atribuir cota ou participação nos lucros asócios, estando em débito com a Seguridade Social,constitui infração ao art. 52, inciso II da Lei n°8.212/91. ERRO NO CÁLCULO DA MULTA APLICADA. MULTA A MAIOR. RETIFICAÇÃO. Constatado erro no cálculo da multa aplicada, queenseje valor maior que o devido, é dever de oficioprovidenciar sua retificação. (art. 145, III do CTN). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃOACESSÓRIA PREVISTA EM LEI. AUTUAÇÃO.INOCORRÉNCIA DE ILEGALIDADE.LANÇAMENTO. ATO VINCULADO EOBRIGATÓRIO. Constatada a ocorrência de descumprimento deobrigação acessória prevista em lei, cumpreautoridade administrativa lavrar o respectivo auto deinfração, sendo o lançamento um ato vinculado eobrigatório sob pena de responsabilidade funcional. CONFLITO DE LEIS. INEXISTÊNCIA. SEGURIDADE SOCIAL. LEI Nº,.8.212/91. INAPLICABILIDADE DAS LEIS N° 4.357/64 EN° 11.051/04. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. A Lei n° 8.212/91 por ser lei especifica da SeguridadeSocial afasta a aplicação das Leis n° 4.357/64 e n°11.051/04 no tocante As contribuições sociais. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei éprerrogativa outorgada pela Constituição Federal aoPoder Judiciário. PROTESTO POR PROVAS. Indeferese o pedido pela produção posterior deprovas, quando não são atendidas as exigênciascontidas na norma de regência do contenciosoadministrativo fiscal vigente A época da impugnação. Lançamento Procedente em Parte Inconformada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário de fls. 4694/4717, alegando, em síntese: Que, conforme dispõe o art. 142, do CTN, compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, tendo a fiscalização confundido multa com crédito tributário; Que o Acórdão recorrido, para justificar a aplicação da multa, afirmou a existência de débito no momento da distribuição dos lucros, porém nenhum crédito tributário havia sido constituído até então; Que o fisco não pode se valer de meios coercitivos para constranger o contribuinte para pagar os tributos, sendo certo que a aplicação de multa sobre lucros distribuídos ou sobre o valor de crédito não garantido ofende o direito constitucional de propriedade; Fl. 691DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.001193/200735 Acórdão n.º 2302003.710 S2C3T2 Fl. 690 5 Que a multa aplicada é confiscatória, e não respeita os limites da razoabilidade de proporcionalidade, devendo a multa ser relevada ou aplicada a multa mais benéfica do art. 32, da Lei 4.357/64; Afirmou que a base de cálculo utilizada pela fiscalização foi equivocada, pois a multa foi aplicada sobre lucro superior ao distribuído aos sócios, posto que, foram realizados diversos contratos de mútuo, registrados nos livros e documentos fiscais; Que houve erros nos lançamentos contábeis, e que meras provisões contábeis não configuram débito líquido, certo e exigível; Que a Responsabilidade da Recorrente, sobre recolhimentos das contribuições sociais devidas pelas empresas prestadoras de serviço, é subsidiária; Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário e de Ofício. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do mérito Inicialmente, é mister salientar que o auto de infração em fustigo teve como motivação a distribuição de lucros pela recorrente a seus sócios, estando em débito com a Previdência Social. É de bom alvitre salientar, que os citados débitos previdenciários não foram declarados em GFIP ou lançados de ofício pelo fisco, tendo sido reconhecidos pela fiscalização, tão só através da análise dos documentos contábeis da Recorrente. Nesse sentir, o âmago do debate restringese ao questionamento acerca da existência formal de débitos, como óbice a distribuição de lucros aos sócios, e, consequentemente, motivação do auto de infração ora guerreado. Pois bem. É inquestionável que a obrigação tributária – pagar tributo – eo seu correspondente crédito, apenas existem juridicamente após sua formalização em linguagem adequada pela autoridade administrativa ou pelo particular, por meio de procedimento idôneo, enunciado em lei. Bem assim, ilustra a melhor: O vínculo obrigacional que corresponde ao conceito de tributo nasce por força da lei, da ocorrência do fato imponível,configuração do fato (aspecto material), sua conexão comalguém (aspecto pessoal), sua localização (aspecto espacial) e suaconsumação num momento fático determinado (aspecto temporal),reunidos unitariamente determinam inexoravelmente o efeito jurídicodesejado pela lei: criação de uma obrigação jurídica concreta, a cargo de pessoa determinada, num momento preciso.” (Ataliba, Geraldo, Hipótese de Incidência, p. 69). O crédito tributário decorre do direito subjetivo que pertence ao sujeito ativo, em virtude da prática de fato imponível pelo sujeito passivo. Destarte, passase a falar em crédito tributário quando aadministração toma conhecimento da existência do fato e Fl. 693DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18186.001193/200735 Acórdão n.º 2302003.710 S2C3T2 Fl. 691 7 oquantifica, através do lançamento, consubstanciandoo como núcleo da obrigação tributária então surgida. Nada obstante, esse entendimento decorre da norma contida no art. 139, do Codex Tributário, ao preconizar que “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Por acepção lógica, sem que a obrigação exista no mundo jurídico, não há o que se falar em descumprimento, tampouco em débito, ante a inexistência da própria obrigação. Logo, é imprescindível que o fato seja vertido em linguagem adequada, para que só então possa repercutir os desdobramentos jurídicos próprios. Nessa toada, a simples provisão de débitos em conta contábil da empresa não faz com que a obrigação tributária exista juridicamente, nem que se determine exatamente a materialidade do tributo devido, o sujeito passivo, quando e onde ocorreu o fato imponível, nem quanto ou a quem pagar. Portanto, é inarredável concluir que a provisão contábil de débitos não constitui o crédito tributário, assim como a inexistência de débito. Destaquese, que esse é o entendimento sedimentado por esse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Processonº 10552.000545/200716 Recursonº EspecialdoProcurador Acórdãonº 9202003.194–2ªTurma Sessãode 08demaiode2014 Matéria DESCUMPRIMENTODEOBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Recorrente FAZENDANACIONAL Interessado 6PROEVENTOSEMPRESARIAISLTDA. ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕESSOCIAISPREVIDENCIÁRIAS Períododeapuração:29/02/2004a31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.DISTRIBUIÇÃODELUCROS.EXISTÊNCIADEDÉB ITO.NÃOCOMPROVAÇÃO.SIMPLESPROVISÃOCONTÁBIL. Osimples fatodeseapurarnacontabilidadedacontribuinteaexistênciadesupos tos débitos previdenciários, a partir de provisões contábeis com afinalidadedesuaquitação,nãoécapazdeautorizaraimputaçãodain fraçãoprevistanoartigo52,incisoII,daLeinº8.212/91,umavezqueso mentecoma constituição definitiva do créditotributário é quese poderáinferir com asegurança que o caso exige a existência de débitos passíveis de impedir adistribuiçãodelucrosdaempresa. Recursoespecialnegado. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Não se deve perder de vista que sem o lançamento, não poderia o fisco cobrar o “débito”, sendo necessário se valer do auto de infração para constituir o crédito tributário. Outrossim, provisionar o pagamento de débito previdenciário não o constitui formalmente, nem substitui o procedimento determinado em lei para tanto ao passo que, diante do exposto, é impossível afirmar que haviam débitos previdenciários quando da distribuição de lucros aos sócios, razão pela qual entendo pelo provimento do Recurso. CONCLUSÃO: Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO e negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Foi assim que votou o conselheiro Relator. Marcelo Oliveira Fl. 695DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11128.005996/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jul 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/08/2008
PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA À AUTORIDADE ADUANEIRA.
Aplica-se a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei nº 10.833/2003, de 29 de dezembro de 2003, quando ocorre prestação intempestiva de informação atinente ao veículo e cargas.
Numero da decisão: 3302-011.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA À AUTORIDADE ADUANEIRA. Aplica-se a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei nº 10.833/2003, de 29 de dezembro de 2003, quando ocorre prestação intempestiva de informação atinente ao veículo e cargas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 59 96 /2 00 9- 76 Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005996/2009-76 Por bem descrever os fatos ocorridos até a presente data adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão nº 06-62.756, da 4ª Tirma da DRJ/CTA, de 05 de junho de 2018: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de R$ 5.000,00 de multa regulamentar, fundamentada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-lei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, por não prestar informação de desconsolidação de carga na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal. Segundo relato fiscal, a carga de que trata a exigência foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no Contêiner SUDU5916145 pelo Navio M/V “CAP SAN MARCO”, em viagem 61S, no dia 11/08/2008, com atracação registrada às 13h26; os documentos eletrônicos de transporte que amparam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 08000154860, Manifesto Eletrônico 1508501461119, Conhecimento Eletrônico Máster (MBL) 150805150082045, Conhecimento Eletrônico Sub-Master (MHBL) 150805151257400 e conhecimento eletrônico agregado (HBL) 150805153351918. Consta que as informações foram prestadas somente às 18h01 do dia 11/08/2008, com a inclusão do conhecimento eletrônico CE 150805153351918, após o registro da atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrido em 11/08/2008, às 13h26, tendo a UNIÃO CARGO LTDA EPP como agente de carga consignatário do CE Sub-Máster 150805151257400. Cientificada em 15/09/2009 (fl. 37), a interessada, por intermédio de procurador (fl. 71), apresentou, tempestivamente, em 02/10/2009, impugnação (fls. 39/70), instruída com documentos (fls. 71/83), a seguir sintetizada. Referindo-se à implantação do “Siscomex Carga”, clama por maior flexibilidade em relação aos prazos, pelos agentes alfandegários, citando o art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, e exemplificando dificuldades encontradas à época. Atribui a autuação a um “excesso de zelo da fiscalização”, ponderando que não houve atraso proposital ou com o fim de burlar a legislação. Sugere que a exação seja dirigida à empresa NNR GLOBAL LOGISTICS USA INC, da qual diz ser mandatária comercial. Como preliminar de nulidade, questiona haver “justa causa” para a lavratura da autuação, em face da não ocorrência de ilicitude, tampouco a constante da peça acusatória. Diz não ter agido com a intenção de cometer infração alguma para criar embaraço ou impedir ação de fiscalização, não tendo havido prejuízo que justifique a aplicação de penalidade, sobretudo em valor que, em determinados casos, é maior que a receita gerada pelos serviços de agente desconsolidador, representando verdadeiro confisco. Invoca os princípios da legalidade, da ampla defesa e da verdade material. Argúi inexistir justa causa para instauração da ação fiscal, por impropriedade de que está revestido o ato formal, desamparado da indispensável garantia legal ao contraditório e ampla defesa. Suscita, também, ilegitimidade passiva e ausência de conduta ilícita. Descreve que o transporte das mercadorias foram formalizados por meio do contrato Bill Of Landing entre as empresas CAROTRANS INTERNACIONAL INC e NNR GLOBAL LOGISTICS USA INC, da qual é mandatária comercial, atuando como agente responsável pela desconsolidação da carga, obrigando-se tão somente ao recebimento dos valores envolvidos na operação, tais como frete, taxas, etc, devido pelo importador. Esclarece que presta serviços de assessoria e consultoria na área de comércio exterior, agenciamento de carga e atividades correlatas; que, no caso, conforme documentos acostados, atuou apenas como consignatária e mandatária, tendo se obrigado somente ao Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005996/2009-76 recebimento dos valores envolvidos na operação a efetiva entrega da documentação para que os reais importadores indicados efetuassem a desconsolidação de suas mercadorias. Como “agente do EMBARCADOR/SHIPPER”, defende que não pode o “pequeno agente de cargas”, mero gestor de negócios, responder por impostos, pesadas multas, avarias, desaparecimentos ou até demurrages ou outros valores incorridos nos transportes, por não ser parte legítima e por não existir previsão legal para tanto. Suscita falha na investigação dos fatos pela autuante e reafirma não haver na legislação previsão para sua responsabilização, eis que mero intermediário entre os armadores e os interessados no transporte de mercadorias por via oceânica, sendo simples gestor dos negócios do proprietário da embarcação. Diz colacionar jurisprudência acerca da não responsabilidade do agente por atos impostos ao transportador, concluindo ser pacífica e predominante a que exclui do pólo passivo da obrigação por responsabilidade o “agente marítimo”. Discorre acerca das funções do “agente de navegação” ou “agente marítimo”, argumentando que nos contratos de transporte marítimo (Bill of Landing) figura como simples consignatária (“entregue para”). Conclui estar demonstrada a ilegitimidade para constar como “responsável tributária” do auto de infração. Acrescenta não haver prova de sua culpabilidade, pugnando por processo investigativo completo e isento que impute as responsabilidades fiscais. Argumenta que a imputação se assemelha a verdadeiro confisco, relatando que o seu ganho sequer corresponderia à terça parte do valor exigido. Em extenso arrazoado, faz ponderações acerca do princípio constitucional do não confisco. Reafirma a ausência de culpa como razão de nulidade, falta de justa causa para a instauração da ação fiscal, falta de observância do contraditório e ampla defesa e falta de previsão legal que responsabilize do agente de cargas, aduzindo que não firmou contrato de transporte, dele constando como consignatária. Pelo exposto, requer a nulidade ou insubsistência da autuação, a suspensão da exigibilidade nos moldes do art. 151, III, do Código Tributário Nacional, o reconhecimento da ilegitimidade passiva e a nulidade em face do art. 150 da Constituição Federal. A decisão da qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da contribuinte, não acolhendo as preliminares de justa causa do auto de infração, suposta ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa, afastando as alegações de ilegitimidade passiva e ausência de conduta ilícita, bem como as alegações de confisco. Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde, em apertada síntese, alega cometimento de mero erro material havido na prestação de informações intempestivas sobre a importação e movimentação de carga e, necessidade de cancelamento da multa tendo em vista a suposta violação a princípios constitucionais. Passo seguinte o processo foi remetido ao E. CARF para jungamento e distribuído para minha relatoria. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005996/2009-76 Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, motivo pelo qual passa a ser analisado. I – Aplicação de Princípios Constitucionais Em relação ao malferimento dos princípios invocados, como o da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade, matéria em essência de natureza constitucional, de competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o 1 art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu 2 artigo 62 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a 1 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II–que fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b)súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005996/2009-76 aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em qualquer das hipóteses excepcionadas, aplica-se como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. I – Mérito Em impugnação trazida pela contribuinte (e-fls. 39/70), firmada por seu representante legal, insurge-se contra o auto de infração em razão de suposta nulidade por falta de justa causa na lavratura, legitimidade de parte passiva e, não atendimento de princípios constitucionais. Já em seu recurso voluntário, a recorrente apresenta como tese de sua defesa a suposto erro material cometido quando da realização das informações, repetindo por fim, o não atendimento aos princípios constitucionais. Cotejando as duas peças de defesa vê-se que a recorrente, de modo geral, trata das mesmas teses, nomeando-as de forma diferente, que dizem respeito à impossibilidade de lhe imputar a penalidade pela falta de prestação de informações, de acordo com o que preceitua a legislação aduaneira. Assim, entendendo que a decisão recorrida não merece qualquer reparo, motivo pelo qual, adoto como parte de minhas razões de decidir aquelas trazidas pelo acórdão da decisão de piso: (...) Da alegação de ilegitimidade passiva e de ausência de conduta ilícita Como já exposto, a multa de R$ 5.000,00 de que trata o presente processo é aquela prevista na alínea “e” do art. 107 do Decreto-lei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, referindo-se expressamente, dentre outros, ao agente de carga que deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A fim de identificar os aspectos relacionados à regulamentação das informações a serem prestadas nas operações de comércio exterior, transcrevem-se dispositivos da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007: “Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: I - unitização de carga, o acondicionamento de diversos volumes em uma única unidade de carga; § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005996/2009-76 II - consolidação de carga, o acobertamento de um ou mais conhecimentos de carga para transporte sob um único conhecimento genérico, envolvendo ou não a unitização da carga; (…) XI - conhecimento eletrônico (CE), conhecimento de carga informado à autoridade aduaneira na forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente; (…) § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (…) IV - o transportador classifica-se em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; (…) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas ‘a’ e ‘b’ , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (…) Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: (…) IV - a informação da desconsolidação; e (…) Art. 17. A informação da desconsolidação da carga manifestada compreende: I - a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados; e II - a inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados. Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. § 1º O agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. § 2º O CE agregado é composto de dados básicos e itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV. § 3º A alteração ou exclusão de CE agregado será efetuada pelo transportador que o informou no sistema. (…) Fl. 130DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005996/2009-76 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (…) III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (…) Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (…)” (Grifou-se) Como se verifica, a desconsolidação da carga, com a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados, e inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados (art. 17), deve ser informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante (art. 18), que inclusive pode antecipar-se à identificação do CE como genérico, mediante prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório (art. 18, § 1º). As informações sobre a conclusão de desconsolidação devem observar o prazo mínimo de 48 horas da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico (art. 22, III). No entanto, a aplicação dos prazos de antecedência previstos no art. 22 da Instrução Normativa tornar-se-ia obrigatória apenas a partir de 1º de abril de 2009 (art. 50, caput); essa ressalva, porém, não eximiu o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, parágrafo único, II). Por “informação sobre as cargas transportadas” entende-se, inclusive, a desconsolidação da carga (art. 10, IV); e por “transportador”, para fins de aplicação da instrução normativa, também se considera o “desconsolidador”, quando responsável pela desconsolidação da carga no destino, no caso de não ser enquadrado como empresa de navegação operadora ou empresa de navegação parceira, e o “agente de carga”, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional (art. 2º, § 1º, IV, “d” e “e”). Portanto, a informação da desconsolidação da carga deveria ser prestada pelo agente de carga antes da atracação da embarcação. Adicionalmente, o art. 37 do Decreto-lei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, estabelece: “Art. 37.O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Fl. 131DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005996/2009-76 § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. § 2º Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (…)” (Grifou-se) A própria norma legal consigna razão para que a informação de desconsolidação ocorra antes da chegada da embarcação no porto de destino, uma vez que é previsto que não pode ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga antes que aquela seja prestada. No caso, como identificou a fiscalização, a UNIÃO CARGO LTDA EPP é aquela que constou como “consignatária” no CE Sub-Master (MHBL) 150805151257400 (fl. 22). Era, por conseguinte, indiscutivelmente, aquela que deveria ter observado o prazo para informar a desconsolidação, qual seja, a atracação da embarcação em porto no país (fl. 11): De fato, os registros que instruem o lançamento, que a impugnante não contesta, são de que a primeira atracação ocorreu em 11/08/2008, às 13h26 (fl. 18), ao passo que a informação de desconsolidação da carga se deu às 18h01 do dia 11/08/2008 (fl. 33). Houve, por conseguinte, efetivamente, a infração apontada no lançamento. Note-se que, porquanto não englobe as informações correlatas à desconsolidação (art. 17 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007), nem mesmo a apresentação do CE Sub-Master 150805151257400 supriu a falta ocorrida, não descaracterizando a infração. São obrigações distintas, cada qual com seu conjunto de informações a serem prestadas, como inclusive demonstram os extratos do CE Sub-Master, à fl. 29, e do CE agregado, à fl. 32. Nesse contexto, não cabem ser acolhidas as alegações de ilegitimidade passiva ou de ausência da conduta infracional apontada no lançamento. Há que se salientar que a exigência de que trata o presente processo não decorre de impostos, avarias, desaparecimentos ou demurrages, mas da multa devida pelo agente de cargas em face do atraso na informação da desconsolidação das cargas. É dizer, não está relacionada a obrigações de terceiros, mas da própria autuada. Quanto à jurisprudência alegada, cabe esclarecer que se aplica apenas às partes que compuseram os respectivos litígios, não beneficiando a impugnante. Ademais, as decisões judiciais suscitadas tratam de situações distintas da que é objeto do presente processo. As colacionadas na impugnação, às fls. 49/57, se referem ou à ilegitimidade ad causam do “agente marítimo” – que também não se confunde com o “agente de carga” – para Fl. 132DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-011.292 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005996/2009-76 peticionar em nome do transportador ou à responsabilidade tributária. Em contrapartida, a multa exigida no presente contencioso é aquela devida pelo “agente de carga” e não tem natureza tributária. (...) Desta forma, considerando que a recorrente não demonstrou não ser responsável pela prestação de informações estabelecida pela legislação aduaneira, deve ser mantida a aplicação da penalidade descrita no auto de infração. III – Conclusão Por todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus, Relator. Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901808/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3101-000.160
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida DRJ/BELÉMPA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender que o Contribuinte utilizouse indevidamente crédito de COFINS decorrente de suposto erro na declaração da DCTF, bem como pagamento feito a maior de tributo, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.901808/200987 Despacho n.º 3101000.160 S3C1T1 Fl. 61 2 O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário, em síntese, que: houve um equívoco no preenchimento da DCTF que resultou no pagamento a maior de COFINS; que o valor correto foi declarado na DACON; e, a DACON constitui confissão de dívida, por isso constitui o crédito tributário. É o relatório. Voto Tratase de Pedido de Compensação nº 37952.00673.220805.1.3.044411 não homologado pela Autoridade Administrativa. Pelo que se constata nos autos, o Contribuinte declarou em DCTF um valor superior ao declarado na DACON, e equivocadamente efetuou o pagamento a maior do tributo declarado em DCTF, conforme tabela demonstrativa abaixo: COFINS ‐ DCTF ‐ Janeiro/2005 R$ 686.229,82 COFINS ‐ DACON ‐ Janeiro/2005 R$ 620.979,77 DARF (cód. 5856) ‐ 15/02/2005 R$ 686.229,82 A compensação não homologada pela Autoridade Administrativa é justamente a diferença entre o valor declarado em DACON e o valor do pagamento supostamente feito a maior. Embora o Contribuinte alegue que a DACON constitua confissão de dívida, o instrumento lingüístico utilizado pela Administração Pública para constituição do crédito tributário é a DCTF. A entrega da DCTF consiste em uma das hipóteses de constituição do crédito tributário, autolançamento, jungida às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º, do CTN, e segundo as quais a atividade do Contribuinte compreende apurar o montante do tributo devido e efetuar o recolhimento antecipado. É exatamente o que ocorre com a COFINS, já que compete ao Contribuinte calcular o montante do tributo e, posteriormente, informar à Receita Federal do Brasil o débito apurado com o preenchimento da DCTF. E é justamente a DCTF, portanto, o instrumento hábil para a constituição do crédito tributário. Ocorrida a confissão de dívida por parte do Contribuinte dos valores declarados em DCTF, assim como decidiu a DRJ, o ônus da prova para desconstituir o crédito seria do Requerente, no caso o Contribuinte. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.901808/200987 Despacho n.º 3101000.160 S3C1T1 Fl. 62 3 Ocorre que em seu Recurso Voluntário, informa o Contribuinte às fls. 50 que sanou tal equívoco com a entrega da DCTF retificadora, documento esse não juntado aos autos. Diante de tal informação, fazse necessário averiguar se realmente foi realizada a retificação da DCTF, em prol do princípio da verdade material do processo administrativo. O princípio da verdade material norteia a atividade do julgador administrativo, que deve se pautar, sempre que possível no fato efetivamente ocorrido para que, a partir daí, possa fundamentar seu posicionamento. O princípio da verdade material teve início no Direito Penal, da fase inquisitória, no procedimento de averiguação dos fatos relativos ao crime, com o fim de se determinar sua materialidade e autoria, tendo sido transpassado ao processo, como direito de defesa do acusado. O que se busca no processo administrativo é averiguar se ocorreu no mundo dos fenômenos o fato hipoteticamente previsto na norma, e em que circunstâncias deve ser interpretado. Os fatos são a expressão escrita de um acontecimento em determinado tempo e espaço. São os documentos que declaram a existência ou não de um fato para que alcance sua relevância para o Direito. Assim, com base no artigo 37 da Lei nº 9.784/991 e Decreto nº 7.574/20112, e diante da alegação do Contribuinte de que efetuou a retificação da DCTF, resta fundamental a juntada da suposta DCTF retificadora para julgamento da lide. Diante disso converto o julgamento em diligência à repartição de origem para que informe e junte aos autos a alegada DCTF retificadora. Informe a Autoridade Fiscal responsável se a retificação apresenta o crédito alegado no pedido inicial. Comprida a diligência, intimese a Recorrente para, querendo, manifestese acerca de seu resultado. Luiz Roberto Domingo – Relator 1 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 2 Art. 29. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (Lei nº 9.784, de 1999, art. 37). Fl. 67DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001190/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 20/11/2009
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99 DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, “g” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PARCELAMENTO REALIZADO APÓS O TÉRMINO DA AÇÃO FISCAL.
A realização de parcelamento após o término do procedimento fiscal, não determina a improcedência do lançamento, quando não se identifica a comprovação da inclusão do débito em si no parcelamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.164
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, “g” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PARCELAMENTO REALIZADO APÓS O TÉRMINO DA AÇÃO FISCAL. A realização de parcelamento após o término do procedimento fiscal, não determina a improcedência do lançamento, quando não se identifica a comprovação da inclusão do débito em si no parcelamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 11 90 /2 00 9- 26 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.001190/200926 Acórdão n.º 2401003.164 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.217.9436, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 30, I, “a” da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, I, “g” do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 20 e seguintes, analisada a documentação as Contribuições Previdenciárias tiveram como objeto de autuação: Estamos juntando ao presente relatório a RELAÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS no período de 01/2005 a 04/2005, esclarecendo que: a) na referida relação constam tanto os pagamentos realizados diretamente pelo sujeito passivo FACULDADE DE MEDICINA DE MARILIA — FAMEMA como também os pagamentos realizados através do sujeito passivo solidário FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE ENSINO SUPERIOR DE MARILIA — FUMES; b) conforme pode ser observado na referida relação, somente em relação a alguns segurados foram efetuadas as retenções, ou os descontos, das contribuições "a cargo de segurados contribuintes individuais"; c) durante o procedimento fiscal, que foi realizado em conjunto no sujeito passivo e no sujeito passivo solidário acima indicados, com coberturas do período de 01/2005 a 11/2008, verificamos que a partir da competência 05/2005 as retenções das contribuições em questão passaram a ser realizadas de forma correta; d) os valores indicados na referida relação, na coluna "Desconto', foram recolhidos pelo sujeito passivo solidário conforme GPS apresentadas durante o procedimento fiscal, sendo que os valores, embora não descontados, foram calculados e declarados em Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIPs entregues antes do início do procedimento fiscal (competência 01/2005) e após o início do procedimento fiscal (competências 0212005 a 04/2005); d) as contribuições em questão (não descontadas), relativas às competências 02/2005 a 04/2005, objeto de GFIPs retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal, foram lançadas nesta mesma data através do Auto de Infração DEBCAD d 37.217.9410; e, e) quanto as contribuições "a cargo de Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 empresas" incidentes sobre as remunerações contidas na referida relação, relativas ao período de 01/2005 a 04/2005, também foram lançadas nesta mesma data através do Auto de Infração DEBCAD n° 37.217.9401. Quanto a multa imposta, destaca que os fatos geradores apurados não foram declarados nas GFIP, devida comparação, das multas até a vigência da Medida Provisória 449/2008 com a multa após a vigência da referida MP, aplicando a mais benigna, conforme demonstrado no relatório do AI. Ainda, conforme mencionado acima, foi elaborado relatório de sujeição passiva, fl. 21 a 25, descrevendo a responsabilidade da FANEMA, da FUMES, desde a criação das mesmas, fazendo inclusive apanhado acerca da pedido de isenção. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 20/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/11/2009. Não conformada com a autuação a recorrente e a solidária, apresentaram defesa, fls. 62 a 182. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 185 a 196. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/04/2005 N° do processo na origem DEBCAD n° 37.217.9436 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração à legislação, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 203 a 211, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam, que os valores já foram objeto de parcelamento antes mesmo da realização do procedimento fiscal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.001190/200926 Acórdão n.º 2401003.164 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 226. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Ao contrário das demais autuações lavradas durante o mesmo procedimento que são apresentados argumentos quanto a sujeição passiva e direito a isenção de contribuições previdenciárias; no presente caso, tanto o sujeito passivo principal (FANEMA), como responsável solidário (FUMES), resumiramse a questionar em recurso, que as verbas já haviam sido incluídas em parcelamento anterior ao procedimento fiscal, razão pela qual deve ser declarada a improcedência do lançamento. Contudo, dito fato já foi apreciado pelo julgador de primeira instância, que assim, destacou: Quanto à argumentação no sentido de que houve pedido de parcelamento referente às contribuições dos médicos residentes, a mesma não merece prosperar. Isso porque, diferentemente do alegado pela autuada, o pedido de parcelamento anexado pela própria autuada, o pedido de parcelamento foi enviado via internet em 27/11/2009. Ou seja, posteriormente ao início da ação fiscal (encerrada em 20/11/2009). Realmente, conforme identificamos nos autos, o protocolo referese a período posterior, sem ter a mesma demonstrado que o presente AI tivesse sido incluído em parcelamento, pelo contrário, apresentou recurso do mesmo; razão pela qual não há como abater do lançamento os referidos fatos geradores nem tampouco, há de se determina a improcedência do AI. Ademais, implicitamente o recorrente reconhece a falta, quando indica que realizou parcelamento. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços, conforme previsão no art. 283, inciso I “g” do Decreto 3.048/99. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 os seguintes valores:(Nova Redação pelo Decreto nº 4.862 de 21/10/2003 DOU DE 22/10/2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Nova Redação pelo Decreto nº 4.862 de 21/10/2003 DOU DE 22/10/2003) Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada de acordo com o previsto na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E A NECESSIDADE DE VERIFICAR SE HÁ RECOLHIMENTOS DOS AUTÔNOMOS Uma vez que a recorrente remunerou segurados contribuintes individuais – médicos residentes, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Contudo, o mérito do lançamento quanto a infração cometida não foi objeto de recurso, havendo por consequência o reconhecimento da infração cometida. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.001190/200926 Acórdão n.º 2401003.164 S2C4T1 Fl. 5 7 Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido, não tendo o recorrente demonstrado o cumprimento da exigência ou mesmo que encontravase dispensado da mesma. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Face o exposto, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903073/2013-92
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
CIÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO EM ENDEREÇO ELETRÔNICO. OPÇÃO PELO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. VALIDADE.
É válida a ciência do acórdão de Manifestação de Inconformidade no endereço eletrônico de contribuinte optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico.
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO.
Provada nos autos que a apresentação do Recurso Voluntário foi feita fora do prazo legal, é configurada a perempção, não sendo possível à instância superior conhecer do mérito recursal.
Numero da decisão: 1002-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Ailton Neves da Silva
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 CIÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO EM ENDEREÇO ELETRÔNICO. OPÇÃO PELO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. VALIDADE. É válida a ciência do acórdão de Manifestação de Inconformidade no endereço eletrônico de contribuinte optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO. Provada nos autos que a apresentação do Recurso Voluntário foi feita fora do prazo legal, é configurada a perempção, não sendo possível à instância superior conhecer do mérito recursal.
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OPÇÃO PELO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. VALIDADE. É válida a ciência do acórdão de Manifestação de Inconformidade no endereço eletrônico de contribuinte optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO. Provada nos autos que a apresentação do Recurso Voluntário foi feita fora do prazo legal, é configurada a perempção, não sendo possível à instância superior conhecer do mérito recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 30 73 /2 01 3- 92 Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.903073/2013-92 Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao julgamento da peça impugnatória, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BEL. Trata o presente acórdão da Manifestação de Inconformidade apresentada pela pessoa jurídica GEQUÍMICA S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, CNPJ 67.033.332/0001-43, contra o Despacho Decisório às fls. 18, número de rastreamento 057842811, o qual não reconheceu o crédito pleiteado e não homologou a compensação declarada no PERDCOMP 34269.74846.210410.1.3.04-3093. DO DIREITO CREDITÓRIO O crédito pleiteado, no valor de R$ 48.335,70, tem como origem o Pagamento Indevido ou a Maior no valor de R$ 48.335,70, efetuado em 30/11/2006, referente ao período de apuração 31/10/2006, sob código de receita 2362. Entretanto, verificou-se que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo a utilizar. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em sua Manifestação de Inconformidade, fls. 2 a 13, a recorrente apresenta os seguintes argumentos: 1. O crédito pleiteado é decorrente de apuração do IRPJ, involuntariamente recolhido a maior devido o critério de apuração por estimativa e por prejuízos decorrentes das apurações subsequentes; 2. O IRPJ apurado em outubro/2006 foi R$ -74.947,47 e o valor pago foi de R$ 48.335,70. Então, o total pago deve ser considerado como crédito a recuperar; 3. A recorrente pretende ver homologadas as compensações realizadas com crédito originado de indébitos de Imposto de Renda pagos a maior calculados por força do regime de estimativa mensal das contribuições e devido, também, o prejuízo registrado em alguns meses que ocasionou apuração com saldo negativo apurado; 4. Cabe à Autoridade Fiscal averiguar a verdade dos fatos, buscando sempre a prevalência do direito realmente existente, independente de eventuais faltas de atendimento às formalidades procedimentais; Diante do exposto, requer seja conhecida a Manifestação de Inconformidade para reforma do Despacho Decisório, reconhecida a existência do direito creditório decorrente do Imposto de Renda pago a maior e homologadas as compensações efetuadas. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BEL, conforme acórdão n. 01-37.023, de 27 de agosto de 2019 (e-fl. 130). Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 130, cujos fundamentos são reproduzidos resumidamente na sequência (destaques do original). Relativamente à tempestividade do recurso, diz que “tomou ciência através do portal eletrônico do v. acórdão de fls. 119/121, em 22/10/2019, como se vê da mensagem anexa”, que “Nos termos da alínea ‘c' do §2° do inciso III do art. 23 do Decreto n° 70.232/72, considera-se-á feita a intimação do contribuinte, por meio eletrônico, ‘c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;’ ”, que “No caso, como se vê da tela anexa a data registrada da ciência do ato questionado foi devidamente registrada em 22/10/2019” e que “Assim sendo, o prazo de 30 dias corridos encerrará em 21/11/2019”. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.903073/2013-92 Aduz que ”...se considerarmos a certidão de fls., tendo o termo inicial do prazo de 30 dias o dia 15/10/2019, ter-se-á a presente data como termo do prazo” e que “...seja como for, vê-se que o presente RECURSO VOLUNTÁRIO é TEMPESTIVO!”. Com relação ao mérito, afirma que “...por um lapso, do setor contábil a Recorrente, de fato, NÃO RETIFICOU os lançamentos efetuados em DCTF, o que está a gerar a divergência de informações, o que é absolutamente escusável”. Acrescenta que “deve-se tomar por base as informações constantes da DIPJ, que se baseou nos documentos societários da empresa para apuração do LUCRO TRIBUTÁVEL do exercício em questão” e que “No caso, a DIPJ fora apresentada em 2009 e NÃO FORA OBJETO DE QUESTIONAMENTO POR PARTE DA RECEITA FEDERAL, DEVENDO-SE, PORTANTO, CONSIDERAR AS INFORMAÇÕES ALI CONTIDAS, ATÉ PORQUE O PRAZO PARA SUA REVISÃO PELA AUTORIDADE FAZENDÁRIA JÁ SE ENCERROU”. Por fim, defende que a matéria tratada no recurso é de ordem pública, evoca a aplicação do princípio da verdade material e requer o provimento do recurso. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. De pronto, observo que o Recurso Voluntário foi apresentado fora do prazo legal e que houve contestação da intempestividade como preliminar, razão pela qual será ele conhecido apenas nesta parte, a teor do que dispõe o Ato Declaratório Normativo SRF n° 15/96. Dito isso, vejo que o Recorrente era optante pelo DTE na época dos fatos, conforme consta dos autos (e-fl. 124). Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ - Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão. Com relação aos optantes pelo DTE - Domicílio Tributário Eletrônico -, o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 fornece os contornos legais atinentes à ciência eletrônica de documentos e intimações fiscais (grifos nossos): Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.903073/2013-92 ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III - se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Como se observa dos trechos destacados, a ciência por meio eletrônico ocorre após 15 (quinze) dias contados da data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.131 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13896.903073/2013-92 No caso, houve ciência ficta do acórdão recorrido em 14/10/2019 por decurso do prazo (e-fls. 126) e o Recurso Voluntário foi apresentado somente em 14/11/2019 (e-fl. 128). Logo, a peça impugnatória é intempestiva, eis que protocolada após 30 dias do vencimento do prazo legal, que ocorreu em 13/11/2019. Sendo assim, o recurso não deve ser conhecido por este colegiado, tornando-se definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Em suas razões de defesa, o Recorrente defende que o termo inicial da contagem do prazo de 30 dias para apresentação de Recurso Voluntário iniciar-se-ia no dia 15/10/2019. A contagem de prazos processuais no âmbito do Processo Administrativo Fiscal é regulada pelo art. 5º , do Decreto nº. 70.235/72: "Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se, na sua contagem, o dia de início e incluindo-se o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Aplicando-se essa regra ao presente caso, tem-se: - data de ciência: 14/10/2019 – dia útil; - data de início da contagem do prazo: 15/10/2019, dia útil seguinte ao de ciência; - data de vencimento do prazo: 13/11/2019, 30 dias após a data de ciência. Como se nota, improcede o argumento do Recorrente por falta de base legal. Dispositivo Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002820/89-17
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 302-00.543
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE SOTERO TELLES DE MENEZES
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CÂMA.RA maa. Sessão de ~º<:l.~ j~.~.hº de 19 2.1.. ACORDÃO N,o . •...., ' Recurso n.O Recorrente Recorrida 113.465 - Proc. 10845/002820/89-17 COMPANHIA DE NAVEGAÇÂO LLOYD BRASILEIRO, REP. p/ AGÊNCIA DE NAVEGAÇÂO BÚSSOLA S/A. DRF/SANTOS - SP ---e R E SO LU ç Â O N!! 302-0.543 • vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ~onverter o julgamento em diligência à repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, 20 de junho de 1991. JOS':L~d!::F~E~Sidente __ "~~LL~:~JEZE~ . - ~ (f)~ -;:/;-~t;:;~{~~~~~ MARIA C . A CRUZVi"~REI0ocu:ladora da Fazen& Nacional VISTO EM SESSÂO DE: t 2 2 AGO1~q1 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes Con- selheiros: Ubaldo Campello Neto, José Affonso Monteiro de Barros Me- nusier, Luis Carlos Viana de Vasconcelos e Luiz Sérgio Fonseca Soa- res (suplente convocado). Ausentes os Conselheiros Inaldo de Vascon- celos Soares e Alfredo Antonio Goulart Sade~ . i I 2. RECORRID~ REL~TOR • SERViÇO PÚBLICO FEDERALMEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUND~ C~~~ RECURSO N~ 113.465 - RESOLUÇÃO N~ 302-0.543 RECORRENTE: COMP~NHI~ DE N~VEG~ÇÃO LLOYD BR~SILEIRO, REP.'P/ ~GÊN- CI~ DE N~VEG~ÇÃO BÚSSOL~ S/~. DRF/S~NTOS-SP JOSÉ SOTERO TELLES DE MENEZES R E L ~ T Ó R I O • .' • Em ato de conferência final de manifesto do naVlO Lloyd Houston, entrado no Porto de Santos em 16/2/88, foi apurada a fal- ta de: 18 sacos contendo Kielselghur, 20 estrados contendo Fluore- to de Alumínio, 11 sacos com Diatomita Ativada, 13 sacos com Dia- tomita Ativàda, 5 sacos com Diatomita Ativada e2 sacos com Grãode Bico. Pela falta foi responsabilizada a transportadora Cia. de Na- vegação Lloyd Brasileiro, representada por Agência de NavegaçãoBú£ sola S/A e intimada a recolher o crédito tributário de Cr$ . 13.823,30, sendo Cr$ 9.215,54 de imposto de importação e Cr$ . 4.607,76 de multa. A título de impugnação, às fls. 156, a intimada arrolou as seguintes razoes: 1) Errônea identificação do sujeito passivo. A Agência de Navegação Bússola S/A não é represen- tante da Cia. de Navegação Lloyd Brasileiro S/A e tão somente participa de uma "3,;oint-Venture".-junta- mente com outras duas Companhias. 2) Aplicação incorreta de alíquotas negociadas no âmbi- to da ALADI. 3) Carta-de ~orreção retificando o B/L-43 Tampico/ San- tos - Fluoreto de Alumínio. 4) Exclusão de multas por denúncia espontânea. 5) Taxa de câmbio incorreta. ra- dossiê Bússola o fiscal preparador assim se manifestou quanto às zoes apresentadas: 1) O Termo de visita n2 443, fls. 4 é parte do do navio e consigna a Agência de Navegação como Agente Consignatário. .' -. • • Rec.113.465 Res. 302-0.543 3. SE RVle O PÚBLICO FEDERAL 2) ~s alíquotas aplicadas sao as dos acordos internaciQ nais - ~L~DI vigentes na data da lavratura do ~uto de Infração (15/5/89). 3) ~s faltas verificadas o foram após a correçao do citado B/L. 4) ~ denúncia só pode ser aceita antes da entrada do n£ vio. 5) ~ taxa de câmbio é a vigente na data do lançamentodo crédito tributário. ~ autoridade de primeira instância manteve a açao fi~ cal e mandou exigir o pagamento do crédito tributário. Não conformada e em tempo hábil a intimada apresentour~ curso a este Terceiro Conselho de Contribuintes, repetindo as me~ mas razoes quando da impugnação. É o relatório . ,I SE RVICO PÚBLICO FEDERAL v O T O Rec.113.465 Res. 302-0.543 4. à efetiva utilização vigentes à época da • ., • Do exame dos Autos depreende-se dúvidas em dois pontos para segurança do julgamento da presente controvérsia. O Fiscal alega ter considerado a carta de correção e abatido da falta o montante corrigido, o que colidi com a manuten- ção do crédito tributário no julgamentà. ~demais, não existe clareza quanto das alíquotas negociadas no âmbito da ~L~DI e infração. Proponho retorno do processo A repartição de origem pa- ra que sejam respondidas as seguintes questões: ~ Carta de Correção apresentada para o B/L-43 - Fluore- to de ~lumínio foi aceita pela Repartição e reduziu a falta no mon tante corrigido como não embarcado? ~ Repartição utilizou as alíquotas negociadas no âmbito da ~L~DI e vigorantes à data da infração, para todos os produtos faltantes e importados de países da ~L~DI2 ~o final seja aberta vistas à Recorrente para manifes- tar-se, caso queira. Sala das Sessões, 20 de junho de 1991 . 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000572/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TITULARIDADE DOS CRÉDITOS. SÚMULA CARF N. 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
São tributáveis pelo imposto de renda os rendimentos recebidos de pessoa física do trabalho não-assalariado, como honorários do livre exercício da profissão de advogado.
Numero da decisão: 2201-008.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TITULARIDADE DOS CRÉDITOS. SÚMULA CARF N. 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. São tributáveis pelo imposto de renda os rendimentos recebidos de pessoa física do trabalho não-assalariado, como honorários do livre exercício da profissão de advogado.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TITULARIDADE DOS CRÉDITOS. SÚMULA CARF N. 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. São tributáveis pelo imposto de renda os rendimentos recebidos de pessoa física do trabalho não-assalariado, como honorários do livre exercício da profissão de advogado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 05 72 /2 01 0- 39 Fl. 1209DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-008.846 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15540.000572/2010-39 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por sua completude e proximidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de piso quanto aos motivos que levaram ao lançamento, ora em análise: Trata-se de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 20/12/2010 (fls. 927 a 941), contra o Auto de Infração de fls. 05 a 09, acompanhado do Termo de Constatação Fiscal - TCF de fls. 10 a 13 e anexos de fls. 14 a 18, que apurou um imposto suplementar no montante de R$ 152.762,88, a ser acrescido dos juros de mora e da multa de 75%, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário de 2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07 e 08), o procedimento apurou as infrações de: Omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no valor de R$ 318.664,74; e Omissão de rendimentos recebidos a título de honorários advocatícios no valor de R$ 243.206,42. Ação Fiscal De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 10 a 13 e documentos carreados aos autos, a ação fiscal foi iniciada com o envio, por via postal, do Termo de Início e Intimação Fiscal solicitando os extratos bancários, com a movimentação diária, de todas as contas-correntes, poupanças e investimentos mantidos em nome da contribuinte, contas individuais ou conjuntas, em instituições financeiras no Brasil e no exterior, durante o ano-calendário de 2007. Em resposta, a contribuinte apresentou os extratos bancários do Unibanco, Ag: 575, c/c: 201175-8 e o Informe de Rendimentos Financeiros Imposto de Renda - Pessoa Física do ano-calendário de 2007. Com os dados presentes nos extratos bancários recebidos, procedeu a fiscalização à análise das informações, e em 10/03/2010, a contribuinte foi intimada, pessoalmente, a comprovar, com documentação hábil, idônea e com compatibilidade entre datas e valores, a origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos/créditos durante o ano-calendário de 2007. Em resposta, explicou que trabalhava num escritório de advocacia, juntamente com outros advogados, e que utilizava sua conta para receber o seguro DPVAT de seus clientes. Em anexo, apresentou os seguintes documentos: cópia de um dos processos de solicitação do seguro obrigatório DPVAT, com a) Procuração do(s) cliente(s) autorizando os advogados, Dr. Antonio Carlos José Fl. 1210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-008.846 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15540.000572/2010-39 Policarpo e a Dra. Beatriz Dolores Caramori, com escritório situado na Avenida Emani do Amaral Peixoto, n° 500, sala 807, Centro, Niterói, entre outras, a efetuar o recebimento do seguro obrigatório DPVAT; b) cópias dos documentos de identificação e comprovante de residência dos beneficiários do seguro; c) Registro de Ocorrência da 78° Delegacia de Polícia; d) Certidão de Óbito; e) Escritura Declaratória nomeando os beneficiários do seguro DPVAT; f) "Autorização" para os referidos advogados descontarem, do total recebido da Companhia de Seguros, a quantia paga como adiantamento para o funeral, as despesas com a documentação exigida por lei e os honorários advocatícios contratados (entre 20% e 30% do valor do seguro DPVAT); g) Pedido de Indenização DPVAT; h) cópia da ordem de pagamento emitida pela companhia de seguros; i) "Recibo de Quitação", com o Demonstrativo do Recebimento e Despesas e datado e assinado pelos beneficiários do seguro. De acordo com o TCF, a contribuinte elaborou uma "Planilha descritiva de saldo em conta corrente" mensal, vinculando cada depósito (TED) em conta corrente com os respectivos recebimentos do seguro DPVAT, demonstrando o valor repassado para o cliente, os pagamentos efetuados, a comissão paga ao agente e os honorários advocatícios. Segundo a contribuinte, dos valores depositados apenas aqueles relativos aos honorários advocatícios pertenciam a ela e, inclusive, eram divididos com seu sócio, o Sr. Antonio Carlos José Policarpo. Anexou documentos comprovando o recebimento do seguro DPVAT de cada cliente com cópia de parte de processo, isto é, com o "Recibo de Quitação", a "Autorização" para os advogados, o Pedido de Indenização DPVAT e cópia da ordem de pagamento emitida. Apresentou declarações de alguns agentes funerários afirmando que nos casos de óbito em que existia o recebimento de seguro obrigatório DPVAT, indicavam o escritório da Dra. Beatriz Dolores Caramori e recebiam um abono de agenciamento que variava entre R$ 500,00 a R$ 2.000,00. Posteriormente, a contribuinte forneceu cópia de canhotos de cheques emitidos a fim de comprovar os valores pagos aos referidos agentes. Analisando a resposta apresentada pela contribuinte, verificou o fisco que: a maioria dos depósitos decorre do recebimento do seguro obrigatório DPVAT que, após os descontos autorizados pelos seus clientes, era repassada aos mesmos, conforme comprovado pelos documentos entregues pela contribuinte. Então, os depósitos comprovados foram retirados das planilhas e foram listados como "Honorários advocatícios recebidos", conforme Anexo 1 do TCF. os pagamentos das comissões aos agentes funerários não puderam ser deduzidos dos honorários advocatícios recebidos. Conforme legislação tributária, o profissional autônomo pode deduzir no Livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vinculo empregatício. Pode também ser deduzido o pagamento efetuado a terceiros sem vinculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devidamente acompanhado dos seus comprovantes (§2°, art. 6 o da Lei n° 8.134, de 1990). alguns depósitos não foram objeto de justificativa plausível, pois não houve comprovação com documento hábil e idôneo, ou de qualquer esclarecimento para comprovar a sua origem, conforme planilha no Anexo 2. Foi solicitado Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência para que o sócio, Sr. Antonio Carlos José Policarpo, também fosse intimado a comprovar os referidos depósitos e a confirmar o recebimento dos honorários. Em resposta, o Sr. Antonio Carlos José Policarpo confirmou que percebe sempre a proporção de 50% dos honorários advocatícios recebidos pela contribuinte. Os fatos envolvendo o Sr. Antonio Carlos José Policarpo foram apurados no processo n° 15540.000574/2010-28. Diante do exposto, concluiu o fisco que a contribuinte cometeu as seguintes infrações à legislação do Imposto de Renda Pessoa Física: Fl. 1211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-008.846 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15540.000572/2010-39 Os honorários advocatícios recebidos mensalmente, conforme Anexo 1, divididos igualmente entre os dois advogados, conforme fls. 14 a 17, e tributados como Omissão de rendimentos recebidos a título de honorários advocatícios. Como não houve a comprovação, por falta de apresentação de documentação comprobatória dos demais depósitos, houve o lançamento de Omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme fl. 18. Impugnação Cientificada do Auto de Infração em 20/11/2010 (fl. 922), a contribuinte apresentou, em 20/12/2010, a impugnação de fls. 927 a 941, alegando, em síntese, que possui escritório, juntamente com seu marido Antônio Carlos José Policarpo, especializado no ramo civil e securitário, especificamente em assuntos atinentes ao seguro DPVAT. Explica que remunerava os agentes envolvidos no primeiro atendimento às vítimas e seus familiares com uma comissão, a qual variava entre R$ 500,00 e R$ 2.500,00, para que os mesmos indicassem seu escritório. E como forma adicional para a captação dos clientes, em caso de óbito, existia a possibilidade de o escritório antecipar as despesas inerentes ao funeral da vítima. Logo, quando do pagamento do seguro DPVAT, havia o desconto dos honorários contratados, valor este que já compreendia o valor da comissão do agente já adiantada, bem como, o desconto dos valores antecipados para a despesa de funeral sem juros ou qualquer outra forma de correção. Argumenta que assim mais de 60% dos valores recebidos não eram constituídos de ganho direto da parte, mas sim de despesas assumidas e ressarcidas ou de comissão para ao agente que direcionou o cliente. Ressalta ainda que, no que concerne aos valores antecipados para a cobertura das despesas de funeral, estes já se encontravam em um caixa para fundear novo contrato e nova antecipação. Considerando assim que um processo administrativo de DPVAT dura cerca de 40 dias entre a contratação do escritório, cumprimento das diligências e pagamento, tem-se que a autoridade lançadora considerou o mesmo dinheiro por mais de seis vezes com entrada e saída no conta-corrente. Esclarece ainda que havia também o recebimento, pelo escritório, dos valores dos clientes tanto através de saque direto no caixa da instituição pagadora, como através de transferências, seja para a conta de Beatriz ou de Antônio Carlos. Ocorria ainda que, muitas vezes, era importante a transferência de fundos de uma conta para outra, com o objetivo de efetivar pagamentos, cobrir despesas ou simplesmente reorganizar a contabilidade do escritório, o que gerava a necessidade de algumas transferências e DOCs não reconhecidos pela Auditora Fiscal. Aduz que, como praxe na esfera judicial, a impugnante ou seu marido recebia os valores devidos a seus clientes em suas contas e os repassava fazendo a retenção tão somente de seu percentual, a título de honorário. Faz alegações individuais dos créditos bancários considerados como de origem não comprovada às fls. 930 a 934. Já para infração de Omissão de rendimentos recebidos a título de honorários advocatícios diz que a fiscal autuante considerou o total do valor pago a cada um dos clientes sem descontar a respectiva comissão contratada. Utiliza o caso de um de seus clientes para demonstrar o alegado erro do fisco, sendo essa a linha de raciocínio para todos os demais, tomando assim incorreto todo o demonstrativo fiscal. Refazendo o demonstrativo, entende a impugnante que os valores corretos por ela recebidos, a título de honorários, já com as deduções de comissão pagas aos agentes, e a título de Omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, são os seguintes: Omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada R$ 14.550,00 Omissão de rendimentos recebidos a título de honorários advocatícios R$ 124.558,23 Fl. 1212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-008.846 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15540.000572/2010-39 TOTAL TRIBUTÁVEL R$ 139.108,23 Ante o exposto requer que o procedimento administrativo-fiscal seja revisto, com base nos cálculos acima. A decisão de primeira instância (fls.1155/1156), julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PARTE DAS OMISSÕES DE RENDIMENTOS. Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. São tributáveis pelo imposto de renda os rendimentos recebidos de pessoa física do trabalho não-assalariado, como honorários do livre exercício da profissão de advogado. DEDUÇÕES. DESPESAS COM LIVRO CAIXA. O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que será mantida em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. A contribuinte foi cientificada da referida decisão em 21/05/2015 (fl.1169) e apresentou Recurso Voluntário no dia 22/06/2015 (fls. 1.177/1.187), oportunidade em que reitera os termos da peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. No Mérito Da Omissão de Rendimentos - Depósitos Bancário Fl. 1213DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-008.846 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15540.000572/2010-39 Alega a recorrente que os depósitos de origem não comprovada são recursos de terceiros, decorrentes de sua atividade profissional de advogada. Colacionou vários recibos no afã de comprovar o recebimento de prêmios de seguro DPVAT de seus clientes. A decisão de piso não acolheu a prova como hábil para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos, uma vez que os documentos são unilaterais, tendo sido firmados pela própria recorrente. Consoante relatado, a recorrente argumenta que os agentes envolvidos no primeiro atendimento às vítimas e seus familiares como uma comissão, a qual variava entre R$ 500,00 e R$ 2.500,00, para que os mesmos indicassem seu escritório. E como forma adicional para a captação dos clientes, em caso de óbito, existia a possibilidade de o escritório antecipar as despesas inerentes ao funeral da vítima. Logo, quando do pagamento do seguro DPVAT, havia o desconto dos honorários contratados, valor este que já compreendia o valor da comissão do agente já adiantada, bem como, o desconto dos valores antecipados para a despesa de funeral sem juros ou qualquer outra forma de correção. Neste ponto específico, a contribuinte reconhece uma infração ao Código de Ética e ao Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/1994), consistente no aliciamento de clientela, prática vedada pela OAB. A recorrente tenta demonstrar que descontava valores das vítimas de acidentes de trânsito e beneficiárias do seguro DPVAT, não ficando com a totalidade do numerário que era depositado em suas contas bancárias. Nesse ponto, acorde com os fundamentos utilizados pela decisão de piso, entendo que a prova colacionada pela recorrente não é hábil para comprovar que a mesma administrava recursos de terceiros. Não há nenhum documento emitido pelas seguradoras ou pelo Poder Judiciários, todos os recibos juntados aos autos foram emitidos pela própria recorrente, sem participação de terceiros. Assim, entendo que não há elementos probatórios produzidos de forma individualizada para se aferir a existência de depósitos bancários decorrentes de eventual utilização da conta bancária por terceiros. Os recibos apresentados, por si só, não possuem robustez probatória e não podem ser considerados documentos hábeis e idôneos para afastar a presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96. As alegações formuladas pela recorrente são genéricas e desacompanhadas do necessário arrimo probatório. A responsabilidade pelos valores depositados nas contas bancárias pertencem à recorrente, única titular da conta de depósito sob enfoque, sendo certo que, para afastar essa responsabilidade, indispensável a existência de prova robusta produzida por meios hábeis e idôneos, o que não aconteceu no caso dos autos. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente para afastar a presunção de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a alegação tem que ser comprovada de maneira individualizada, o que não ocorreu no presente caso. Os valores tributados são os que carecem de comprovação e que, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, presumem-se como omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-008.846 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15540.000572/2010-39 § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II- no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do diploma legal. Para esse fim, irrelevante a apresentação, ou não, de sinais exteriores de riqueza. Como já mencionado, de acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de documentos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Assim, em razão da ausência de comprovação da natureza do valor que transitou na conta do sujeito passivo, a decisão recorrida não merece reforma, razão pela qual deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Da Omissão de Rendimentos - Honorários Advocatícios Nos termos da legislação de regência, são tributáveis pelo Imposto de Renda os rendimentos recebidos de pessoa física decorrente do trabalho não-assalariado, como é caso dos honorários advocatícios. Constatada a omissão, a autoridade fiscal tem o poder-dever de constituir o crédito tributário através do lançamento. Fl. 1215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-008.846 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15540.000572/2010-39 Argumenta a recorrente que o seu sócio e marido, Sr. Antônio Carlos José Policarpo, tinha participação de 50% (cinquenta por cento) no valores recebidos, razão pela qual solicita o rateio nessa proporção. O pleito da recorrente não merece provimento, uma vez que a conta bancária era individual, bem como não há elementos probatórios colacionados que possa se aferir a existência de numerário pertencente a terceiros. Destarte, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1216DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10950.001172/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sun Aug 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
MATÉRIAS E ALEGAÇÕES NÃO APRESENTADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
As matérias e as alegações de defesa devem ser apresentadas pelo sujeito passivo quando da impugnação, momento em que se inicia a fase litigiosa do procedimento, precluindo o direito de argui-las quando da apresentação do recurso voluntário.
COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
O direito à compensação não pode ser oposto ao lançamento tributário como matéria de defesa, mormente quando a falta de recolhimento das contribuições não se deu a título de compensação.
O CARF não é competente autorizar ou homologar compensações não requeridas perante a administração tributária.
IMUNIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A imunidade de contribuições previdenciárias conferida a entidades beneficentes de assistência social pela Constituição Federal está condicionada aos cumprimento de requisitos previstos em lei.
A ausência de comprovação de que o contribuinte cumpria os requisitos legais para o reconhecimento da condição de entidade imune à época dos fatos geradores torna-o sujeito ao pagamento das contribuições previdenciárias.
AUDITORIA FISCAL DA RFB. COMPETÊNCIA
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para realizar fiscalizações e para lavrar o respectivo auto de infração quando constatar a falta de cumprimento quer da obrigação tributária principal, quer da obrigação acessória.
Numero da decisão: 2202-008.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às matérias trazidas apenas em grau recursal, quais sejam, contradição no relatório fiscal, equivocada diferença entre a GFIP e Folha de Pagamento, reconhecimento do recolhimento das contribuições retidas, vencida a conselheira Sonia de Queiroz Accioly, que dele conhecia parcialmente em menor extensão; e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 MATÉRIAS E ALEGAÇÕES NÃO APRESENTADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. As matérias e as alegações de defesa devem ser apresentadas pelo sujeito passivo quando da impugnação, momento em que se inicia a fase litigiosa do procedimento, precluindo o direito de argui-las quando da apresentação do recurso voluntário. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. O direito à compensação não pode ser oposto ao lançamento tributário como matéria de defesa, mormente quando a falta de recolhimento das contribuições não se deu a título de compensação. O CARF não é competente autorizar ou homologar compensações não requeridas perante a administração tributária. IMUNIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A imunidade de contribuições previdenciárias conferida a entidades beneficentes de assistência social pela Constituição Federal está condicionada aos cumprimento de requisitos previstos em lei. A ausência de comprovação de que o contribuinte cumpria os requisitos legais para o reconhecimento da condição de entidade imune à época dos fatos geradores torna-o sujeito ao pagamento das contribuições previdenciárias. AUDITORIA FISCAL DA RFB. COMPETÊNCIA O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para realizar fiscalizações e para lavrar o respectivo auto de infração quando constatar a falta de cumprimento quer da obrigação tributária principal, quer da obrigação acessória.
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PRECLUSÃO. As matérias e as alegações de defesa devem ser apresentadas pelo sujeito passivo quando da impugnação, momento em que se inicia a fase litigiosa do procedimento, precluindo o direito de argui-las quando da apresentação do recurso voluntário. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. O direito à compensação não pode ser oposto ao lançamento tributário como matéria de defesa, mormente quando a falta de recolhimento das contribuições não se deu a título de compensação. O CARF não é competente autorizar ou homologar compensações não requeridas perante a administração tributária. IMUNIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A imunidade de contribuições previdenciárias conferida a entidades beneficentes de assistência social pela Constituição Federal está condicionada aos cumprimento de requisitos previstos em lei. A ausência de comprovação de que o contribuinte cumpria os requisitos legais para o reconhecimento da condição de entidade imune à época dos fatos geradores torna-o sujeito ao pagamento das contribuições previdenciárias. AUDITORIA FISCAL DA RFB. COMPETÊNCIA O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para realizar fiscalizações e para lavrar o respectivo auto de infração quando constatar a falta de cumprimento quer da obrigação tributária principal, quer da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 11 72 /2 00 9- 61 Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às matérias trazidas apenas em grau recursal, quais sejam, contradição no relatório fiscal, equivocada diferença entre a GFIP e Folha de Pagamento, reconhecimento do recolhimento das contribuições retidas, vencida a conselheira Sonia de Queiroz Accioly, que dele conhecia parcialmente em menor extensão; e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), que julgou procedente lançamento relativo a contribuições sociais previdenciárias relativas à parcela dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontadas e não recolhidas, no período de março/2006 a dezembro/2007 (DBCAD 37.194.876-2). O Relatório Fiscal está às fls. 67 a 74. Conforme relatado pela DRJ, o contribuinte (fls. 132 a 135): apresenta a sua impugnação para requerer que seja reconhecida a improcedência e a nulidade do lançamento fiscal, posto que seria imune a todas as contribuições exigidas no presente auto de infração. Alternativamente, requer que se reconheça: a isenção das contribuições ao INCRA, SEBRAE, SESC e SENAC; a existência de suposto crédito do contribuinte, para compensação com as contribuições ora lançadas. Requer, ainda: a suspensão da exigibilidade do lançamento até decisão final; o reconhecimento da incompetência da auditora para fazer lançamentos, pois a ela só caberia fiscalizar; a anulação do lançamento pela falta de cálculos no Relatório de Lançamentos das contribuições a título de administradores autônomos e individuais. Requer, por fim, a produção de prova, protestando pela juntada oportuna de novos documentos que possam vir a interessar na solução do litígio. Para fundamentar seus pleitos, arrola as seguintes alegações: a) A auditora fiscal deixou de considerar que o contribuinte seria isento das contribuições previdenciárias e de terceiros por atender a 99% de seus pacientes pelo SUS. Conforme legislação vigente, as entidades filantrópicas ou que atendam pelo SUS em percentual acima de 60% de sua clientela, seriam isentas dessas contribuições; Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 b) A auditora fiscal tomou despesas de aluguel do contribuinte como se fossem pró- labore. Por isto, o lançamento seria nulo; c) O contribuinte possuiria supostos créditos junto ao INSS, provenientes de contribuições pagas indevidamente sobre remuneração de autônomos, avulsos administradores, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE. Tais créditos seriam passíveis de compensação, por terem sido objeto de sentenças transitadas cm julgado. Por isto, requer que esta autoridade determine a compensação, guardadas as respectivas proporções, cumprindo-se, para tanto, as formalidades de praxe. O direito à compensação não poderia ser limitado a 30% do crédito tributário mensal, por ofender o primado da igualdade e agredir o postulado da moralidade administrativa, por representar empréstimo compulsório. A decadência do direito à compensação dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria após 10 anos (tese dos cinco mais cinco). Os valores a restituir devem ser corrigidos pelos índices reais da inflação mais os expurgos inflacionários, e não pelos índices oficiais defasados, criados pelo governo para engabelar os cidadãos. Sobre o indébito deverão incidir juros compensatórios e juros moratórios; d) O lançamento foi feito por agente supostamente incompetente, pois somente caberia ao Auditor Fiscal efetuar o levantamento e fiscalização de possíveis débitos/créditos, não podendo lançar débitos. Por isto, requer-se a anulação do lançamento. e) Seria inexigível a contribuição ao INCRA, por não ser a autuada empresa da área rural. Seriam inexigíveis também a contribuição ao SEBRAE. SENAI, SESC e SENAC, por ser prestador de serviços. A DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentá-la em outro momento processual. ALEGAÇÕES IMPERTINENTES. NÃO CONHECIMENTO Não se toma conhecimento de alegações da defesa acerca de matéria que não mantenha pertinência com os autos. ERRO NA BASE DE CÁLCULO INCOMPROVADO Alegação de erro ou equívoco na base de cálculo do crédito adotada pela auditoria fiscal carece da necessária comprovação. Fica afastada a tese trazida pela impugnante nesse sentido quando não tenha sido acompanhada da respectiva prova. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Somente poderá ser compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, entre créditos e débitos líquidos e certos. O direito à compensação não pode ser oposto a lançamento tributário, como matéria de defesa, mormente quando a falta de recolhimento das contribuições não se deu a título de compensação. AUDITORIA FISCAL DA RFB. COMPETÊNCIA Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 É competente a auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil para realizar fiscalizações e para lavrar o respectivo auto de infração quando ficar constata a falta de cumprimento quer da obrigação tributária principal quer da obrigação acessória. Recurso Voluntário Cientificado da decisão de piso em 28/9/2009 (fls. 144), o contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 19/10/2009 (fls. 150 a 160), por meio do qual recorre a este Conselho das alegações já apresentadas quando da impugnação, acrescentando ainda outras teses, que podem ser assim resumidas: 1 – que o lançamento foi feito por Auditora-Fiscal incompetente; que a lei citada pelo julgador a quo (Lei nº 10.593, de 2002) é ordinária e a competência seria matéria de lei complementar; 2 – que há contradição entre os fatos e os fundamentos legais, matéria em relação o julgador de piso não teria decidido; 3 – que o relatório fiscal contém erros, matéria essa também não enfrentada na decisão recorrida; 4 – que o julgador de piso deixou de verificar os erros apontados pela recorrente; 5 – que em nenhum momento o julgador a quo contesta os valores requeridos a título de compensação, cujos créditos seriam decorrentes de tributos declarados inconstitucionais, de forma que consentiu com os valores pagos, sendo passíveis de compensação, sem qualquer limitação de 30% para compensação, limitação esta que deve ser reconhecida sua ilegalidade e inconstitucionalidade; nessa matéria alega ainda que falta da diligência requerida acarretou cerceamento do direito de defesa e do contraditório; 6 – quanto aos pedidos de diligência, que o julgador a quo confundiu o conceito de diligência e perícia; que a diligência não necessita de nomear perito, portanto infundado o seu indeferimento; quanto à diligência, entende que “a pertinência dos pedidos de diligência são tão pertinentes que podem demonstrar a filantropia da ora Recorrente e a nulidade do lançamento efetuado”, e dessa forma a decisão deve ser anulada; Por fim, requer: 1 – anulação do lançamento diante do contraditório relatório fiscal; da incompetência da Auditora-Fiscal para efetuar lançamentos; da falta de clareza na descrição dos fatos, fundamentos e do próprio lançamento; do erro no cálculo quanto ao abatimento dos valores pagos; e da negativa sem fundamento das diligências solicitadas, ou, caso contrário, que sejam determinadas tais diligências; 2 - reconhecimento de sua imunidade; 3 – improcedência da diferença apurada entre GFIP X Folha de Pagamento, tendo em vista que foi aplicada base de cálculo diversa às contribuições do INSS; 4 – sejam compensados os valores levantados após expurgados os valores indevidamente lançados; 5 – seja reconhecido o crédito relativos a autônomos, avulsos e administradores (R$ 30.812,46), que deverá se compensado no débito lançado após expurgados os valores indevidamente lançados, de uma só vez (sem a limitação de 30%); 6 – seja reconhecido que foram efetuados os repasses das contribuições retidas; Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 7 – suspensão da exigibilidade dos créditos lançados até decisão final; 8 – reconhecimento da incompetência da Auditora-Fiscal para efetuar lançamento, pois somente lhe cabe fiscalizar. É o relatório. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Relatora. O recurso é tempestivo, entretanto não atende a todos os pressupostos de admissibilidade em relação a parte das matérias ou alegações apresentadas somente no recurso, de forma que será conhecido parcialmente. Das nulidades e das inovações recursais Inicialmente o contribuinte alega que a decisão recorrida é nula pois não enfrentou teses de defesas por ele apresentadas, relativas à falta de clareza na descrição dos fatos, fundamentos, e do próprio lançamento; além disso, erro no cálculo quanto ao abatimento dos valores pagos. Noto na impugnação que os erros apontados naquela ocasião referiam-se a ter a auditora fiscal tomado por base de calculo das contribuições despesas de aluguel do contribuinte, como se fossem pró-labore. Além disso, que haveria falta de cálculos no Relatório de Lançamentos das contribuições relativo a administradores, autônomos e individuais. Ambas as alegações foram devidamente enfrentadas pela decisão de piso, ou seja: Alega a impugnante que a auditora fiscal tornou por base de cálculo das contribuições despesas de aluguel do contribuinte, como se fossem pró-labore. Por isto, o lançamento seria nulo. A impugnação não esclarece se essas despesas seriam pagamentos de aluguel feitos pela empresa a terceiros, em favor dos seus sócios diretores, ou se seriam pagamentos de aluguel a terceiros, em favor da própria impugnante. Se se tratar da primeira possibilidade, tais pagamentos configurariam remuneração e integrariam, sim, o salário de contribuição dos diretores do sujeito passivo, sujeitando-se à incidência das contribuições previdenciárias dos segurados. Mas nisto se pode falar apenas por hipótese, uma vez que a defesa lacônica nessa alegação e não oferece mais detalhes para conduzir ao adequado mime da questão. De toda forma, a este respeito, veja-se o que informa o relatório fiscal explicativo do lançamento: 5. Pura a apuração dos créditos previdenciários foram tornados por base, os valores constantes nas FOLHAS DE PAGAMENTO, RECIBOS DE PAGAMENTO DE SALÁRIO, nas Guias do Recolhimento do FGTS e Informações a previdência social — GFIP, além dos registros contábeis, inclusive aqueles contidos na conta de despesa (3.2.4.010.1 — Serviços de Terceiros). Conforme se vê, o relatório fiscal informa claramente de quais fontes documentais foram colhidas as bases de cálculo do crédito lançado: basicamente, folhas e recibos de pagamento, GFIP e a conta contábil 3.2.4.010.1 — Serviços de Terceiros. Diante dessa informação, fica fácil para a impugnante apontar com precisão, mediante a apresentação da adequada prova documental, qual parcela da base de cálculo corresponderia a despesas de alugue . Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 Ao invés disto, prefere lançar uma alegação desacompanhada de qualquer indício de prova. Por isto, tendo em conta que nas folhas de pagamento e GFIP devem ser registradas apenas as verbas integrantes do salário de contribuição dos empregados e contribuintes individuais, bem como na conta contábil devem ter sido escrituradas as despesas com serviços prestados por terceiros, não se pode crer que a auditora fiscal tenha tornado por integrantes do salário de contribuição, como despesas de aluguel realizadas pela autuada em seu próprio favor. Desta forma, por não ter sido comprovado nenhum erro ou equivoco na base de cálculo do credito, fica afastada a alegação trazida pela impugnante, neste tópico. ... O Relatório de Lançamentos é documento onde são individualizados os valores das remunerações que servirão de base de cálculo do débito lançado. As contribuições respectivas, por sua vez, estão discriminadas no DAI) Discriminativo Analítico de Debito. O Relatório de Lançamentos cumpre sua função dentro do processo, que de identificar exatamente as remunerações pagas a contribuintes individuais c a empregados. Não é função desse anexo apresentar cálculos das contribuições. Tal função é cumprida pelo DAD, que discrimina, além da base de cálculo, as respectivas contribuições que a empresa reteve das remunerações pagas a esses segurados. Portanto, não há nenhuma nulidade naquela peça processual. ... Pretende ainda a anulação da decisão recorrida sob alegação que o julgador a quo confundiu o conceito de diligência e perícia, e que o indeferimento de tal pedido teria sido infundado. Entretanto, basta ler a impugnação para ver que não houve qualquer pedido nesse sentido, mas tão somente, ao final, solicitação para “produção de prova, protestando pela juntada oportuna de novos documentos que possam vir a interessar na solução do litígio”, matéria também devidamente enfrentada pelo julgador de piso (fls. 136): Nesta questão, deve-se observar o disposto no artigo 16 do Decreto 70.235, de 1972 ... Conforme se vê, três condições estão estabelecidas no Decreto 70.235 para juntada de provas depois do prazo de impugnação. Nenhuma dessas condições se afigura no processo, qual seja, não ficou demonstrada impossibilidade de apresentação oportuna, não foi levantado nenhum direito superveniente, nem ocorreram, ainda, novos fatos ou razões, que acarretassem oportunidade de contraposição. Assim, o protesto da defesa revela-se inoportuno. Assim, pelos motivos expostos, não há qualquer nulidade no lançamento ou na decisão recorrida. Apresenta algumas teses de defesa apenas em sede recursal, o que se constitui em flagrante inovação recursal operada em sede de recurso. Basta ler a impugnação apresentada às fls. 87 106 para ver que naquela oportunidade o contribuinte não traçou um linha sequer sobre as seguintes matérias: 1 – que há contradição entre os fatos e os fundamentos legais constantes do relatório fiscal, além de falta de clareza; 2 – improcedência da diferença apurada entre GFIP X Folha de Pagamento, tendo em vista que foi aplicada base de cálculo diversa às contribuições do INSS; Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 3 – que seja reconhecido que foram efetuados os repasses das contribuições retidas. Além de não terem sido aventadas quando da impugnação, razão pela qual o julgador de piso não poderia se manifestar sobre as mesmas, nem mesmo no recurso o contribuinte aponta quais seriam as contradições ou erros existentes no lançamento, mas apresenta alegações genéricas e totalmente carentes de fundamentos. Ainda quanto ao reconhecimento de que houve o repasse das contribuições retidas, além de se tratar de inovação recursal, trata-se de mera alegação totalmente desprovida de qualquer comprovação. Conforme inciso III do art. 16 e art. 17 do Decreto nº 70.235/72, copiados abaixo, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, os motivos de fato e direito em que se fundamentam o recurso e os pontos de discordância em relação ao lançamento deverão ser apresentados, via de regra, na impugnação, admitindo-se que novas razões sejam trazidas no recurso voluntário somente quando essas se prestarem a contrapor a decisão recorrida, o que não acontece no presente recurso: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifei) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. As matérias trazidas em grau de recurso devem se limitar àquelas abordadas pelo recorrente em sua impugnação, de forma que as matérias não alegadas na impugnação não poderão mais ser alegadas em grau de recurso, sob pena de supressão de instâncias, sendo assim, preclusas e portanto delas não conheço. Do pedido de diligência feito em grau recursal Quanto ao pedido de diligência feito em grau recursal, que objetivaria demonstrar “a filantropia” do recorrente, considero-o desnecessário, pois os elementos constantes dos autos são suficientes para demonstrar que o recorrente não faz jus à isenção que pretende com tal demonstração, de forma que tal pedido é irrelevante para a decisão sobre o crédito tributário discutido nos autos. Da suspensão do crédito discutido até decisão final Conforme também apontado pela DRJ, “A suspensão da exigibilidade do credito já se dá automaticamente pela interposição da impugnação, em face do inciso Ill cio art. 151 do Código Tributário Nacional.”, tanto que o crédito discutido encontra-se com a exigibilidade suspensa até o presente momento, de forma que não procede tal pedido. Da incompetência da Auditora-Fiscal para efetuar lançamento de crédito tributário Alega o recorrente que o lançamento foi feito por agente supostamente incompetente, pois somente caberia ao Auditor-Fiscal efetuar o levantamento e fiscalização de possíveis débitos/créditos, não podendo lançar débitos, sendo por isso nulo o lançamento. Conforme já apontado pela DRJ, Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 O servidor competente para realizar o lançamento do crédito através do auto de infração a que se refere o art. 10 do PAF é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, consoante atribuição conferida pelo art. 60 da Lei n° 10.593, de 2002, na redação dada pela Lei 11.457, de 2007: "Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo c/c Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: I - no exercício da competência da Secretaria do Receita Federal do Brasil e em Caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Também é totalmente infundada a alegação que a lei citada pelo julgador a quo é ordinária e a competência seria matéria de lei complementar. Trata-se de mera alegação sem demonstração de onde estaria a exigência de lei complementar para disciplinar tal matéria, qual seja, competência funcional. Frise-se que a lei citada nunca foi declarada inconstitucional pelo STF, estando em plena vigência e sendo portanto válida. Portanto, sem razão o contribuinte quanto a essa alegação. Da suposta imunidade das contribuições previdenciárias Neste Capítulo o recorrente alega ser imune das contribuições previdenciárias e de terceiros por atender a 99% de seus pacientes pelo SUS e, conforme legislação vigente, as entidades filantrópicas ou que atendam pelo SUS em percentual acima de 60% de sua clientela, seriam isentas dessas contribuições. Conforme anotou a DRJ: Inicia a impugnação por supor que a auditora fiscal teria deixado de considerar que o contribuinte seria isento das contribuições previdenciárias e de terceiros por atender a 99% de seus pacientes polo SUS. Conforme legislação vigente, as entidades filantrópicas ou que atendam pelo SUS em percentual acima de 60% de sua clientela, seriam isentas dessas contribuições. A auditora fiscal não deixou de considerar nada. A uma, porque a impugnante, simplesmente não é, nem pode se equiparar a entidade beneficente de assistência social com direito à isenção das contribuições previdenciárias, inclusive por vedação constitucional, consoante já se viu nos processos que apuram a falta de recolhimento das contribuições patronais. A duas porque essa discussão é totalmente descabida nestes autos, especificamente, porquanto tratam-se aqui de contribuições devidas pelos segurados, incidentes sobre suas remunerações recebidas da empresa ora impugnante, as quais foram descontadas dessas remunerações mas deixaram de ser recolhidas à previdência social. Não sendo ônus financeiro da impugnante, mas dos segurados empregados e contribuintes individuais, resultam de todo inoportunas as alegações postas pela impugnação acerca da isenção das contribuições previdenciárias patronais. No presente caso, ainda que o contribuinte fosse imune do recolhimento das contribuições previdenciárias por atender ao disposto no art. 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época, tal imunidade alcançaria apenas as contribuições devidas pela empresa (cota patronal), não alcançando as contribuições discutidas nestes autos, devidas pelos segurados, incidentes sobre suas remunerações recebidas da empresa, as quais foram descontadas, mas não recolhidas à previdência social. Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: Portanto, sem razão o contribuinte neste Capítulo. Da compensação com supostos créditos junto ao INSS, provenientes de contribuições pagas indevidamente sobre remuneração de autônomos, avulsos administradores, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE. Neste Capítulo a recorrente alega possuir créditos provenientes de supostos créditos junto ao INSS, relativos a contribuições pagas indevidamente sobre remuneração de autônomos, avulsos e administradores, INCRA, SENAC, SESC, e SEBRAE, que seriam decorrentes de tributos declarados inconstitucionais, os quais requer sejam compensados com os débitos lançados, sem a limitação de 30% imposta pela legislação vigente à época. Inicialmente alega o contribuinte que o julgador de piso teria concordado com a existência de tais créditos, pois não os contestou. Basta ler os termos da decisão recorrida para perceber o equívoco do contribuinte, pois a decisão tratou explicitamente sobre a impossibilidade de compensação de créditos provenientes de contribuições devidas a terceiros com débitos de contribuições sociais previdenciárias, passando a tratar da impossibilidade de compensação do hipotético crédito alegado quando não decorrente de recolhimento indevido; discorre que apesar de o contribuinte alegar que o suposto crédito seria decorrente de contribuição recolhida indevidamente sobre remuneração de administradores, autônomos e avulsos, que teria sido objeto de sentença transitada em julgado, não trouxe aos autos nenhuma cópia de tal sentença ou de ação judicial da qual tenha sido a autor, e da qual decorra algum crédito a ser compensado ou restituído, mas apenas cita a existência de valores aleatórios, sem nenhuma demonstração da sua liquidez. O julgador de piso observou que, se a impugnação estiver se referindo à decisão do Supremo Tribunal Federal, na Adin 1.102-2/DF, que julgou inconstitucional a contribuição sobre a remuneração de administradores, autônomos e avulsos prevista no inciso I do art. 22, da lei 8.212, de 1991, na sua redação original, à toda evidência certo é que essa decisão também não mais lhe beneficia, porquanto já se esgotou o prazo para pleitear a restituição ou compensação decorrente daquela sentença. Segundo decisões judiciais, o prazo prescricional de cinco anos para iniciar a compensação daquelas contribuições começa a fluir da data da decisão do STF, ou seja 16/10/1995 Assim, se o contribuinte se refere ao Acórdão do STF no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade, que foi conhecida e julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade das expressões "empresários" e "autônomos" contidas no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 25.07.91, tal acórdão foi republicado em 17/11/1995, de forma que, ainda que fosse possível a compensação, haveria decorrido o prazo decadencial para pleiteá-la, mesmo considerando a tese decenal, uma vez que o lançamento que se discute refere-se a competência Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/446.htm#art48 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8212cons.htm#ne6 Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 03/2006 e seguintes e não constam dos autos nenhum pedido de compensação até a data da impugnação, apresentada em março de 2009, ou seja, quase 14 anos após a sentença. Ademais, conforme apontou o julgado de piso, “ Não bastasse isso, um suposto direito à compensação não pode ser oposto ao lançamento tributário, como matéria de defesa, mormente quando a inadimplência do contribuinte não decorre de manifesto procedimento de compensação de eventual crédito seu mas, conforme já se viu, da pura e simples falta de recolhimento das contribuições devidas. Isto porque, pedido de compensação não é matéria passível de apreciação no âmbito da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, por não ser este o órgão da administração tributária encarregado de examinar em preliminar pedidos da espécie. Se a empresa acredita possuir supostos créditos, o pleito de compensação ou repetição do indébito deve ser feito primeiramente junto ao setor competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá, evidentemente depois de estabelecida a liquidez e certeza de débitos e créditos. Conforme prescreve a legislação, a compensação administrativa é procedimento facultativo por meio do qual o contribuinte se ressarce de valores pagos indevidamente à Previdência Social, deduzindo-os das contribuições a ela devidas, e deve ser requerida pelo contribuinte pelos meios próprios. Nesse sentido transcrevo o art. 194 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, vigente à época dos fatos: Art. 194.... 2º O valor total a ser compensado deverá ser informado na GFIP, na competência de sua efetivação, conforme previsto no Manual da GFIP. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) Caso o contribuinte de fato possuísse créditos passíveis de compensação, deveria requerê-la pelos meios próprios junto ao órgão arrecadador, uma vez que este Colegiado não tem competência para autorizar ou homologar compensações, fato que por si só já é suficiente para indeferir o pedido feito pelo contribuinte. Além disso, conforme determina a Lei nº 8.212, de 1991, na redação vigente à época dos fatos, a compensação somente é possível em relação às contribuições sociais destinadas à seguridade social, sendo vedada a compensação de tais contribuições com créditos provenientes de contribuições devidas a terceiros (no caso, INCRA, SENAC, SESC, e SEBRAE). Copio a legislação vigente à época dos fatos: Lei nº 8.212, de 1991: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20.11.95). ... (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15860#126279 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15860#126279 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9129.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9129.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9032.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9032.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9032.htm#art2 Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-008.394 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10950.001172/2009-61 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Previdência Social. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008) I - a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos; Assim, não sendo possível a compensação requerida pelos motivos acima apontados, deixo de apreciar as questões relativas à limitação de 30% ou ainda relativa a índices de correção dos supostos créditos, de forma que nada a prover neste Capítulo. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer em parte do recurso, não conhecendo das matérias trazidas apenas em grau recursal, quais sejam, contradição no relatório fiscal, equivocada diferença entre a GFIP e Folha de Pagamento, reconhecimento do recolhimento das contribuições retidas; e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15860#126279 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15860#126279 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15860#126279 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15860#126279
score : 1.0
Numero do processo: 10940.904539/2018-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3401-002.301
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.288, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10940.904527/2018-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente)
Nome do relator: RAFAELLA DUTRA MARTINS
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.288, de 22 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10940.904527/2018-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente) Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a ressarcimento de Cofins não-cumulativo mercado interno NT. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto que seguem. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .9 04 53 9/ 20 18 -1 9 Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.301 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10940.904539/2018-19 - Bens e serviços utilizados como insumo – Enquadramento no conceito geral de insumos - Ferramentas e seus acessórios - o PN 05/2018 foi taxativo ao afirmar que não fazem parte do conceito de insumos. Observa-se que tal exclusão foi extraída diretamente do Resp. 1.221.170/PR; - Embalagens - as embalagens cujos créditos foram glosados são utilizadas exclusivamente para o transporte de mercadorias acabadas, tem-se como correta a glosa promovida pela autoridade fiscal; - Transportes e fretes - na lei especifica “frete na operação de venda” não se pode admitir créditos sobre fretes diversos e nem, tampouco, entender que tais fretes podem ser enquadrados como serviços utilizados como insumos; Transporte de insumos importados - o direito a crédito estabelecido pelo art. 3º das Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. Transporte internacional, como já bem motivado pela autoridade fiscal, não é permitida. Condição essencial para que haja o direito ao creditamento é que a aquisição dos produtos esteja sujeita ao pagamento das contribuições, o que não é o caso do Transporte Internacional; - Celulose branqueada fibra longa – Aquisição de serviços utilizados como insumo - conceito de insumo não engloba os gastos com os serviços de logística relativos às atividades portuárias, tais como procedimentos para importação e exportação, carga e descarga, distribuição, capatazia, taxas administrativas, etc, como exposto pela Solução de Consulta n° 43, de 8 de fevereiro de 2017; - Energia Elétrica - aos valores da Demanda Contratada, da Contribuição para a Iluminação Pública e Serviço de Medição Livre. Nenhum desses valores dá direito a créditos da Cofins e do PIS, porque só integram a base de cálculo em debate as parcelas que compõem, obrigatoriamente, o custo da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. - Bens diversos incorporados ao ativo imobilizado - geram direito a crédito somente no caso de serem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; - Locação de estrutura metálica – não classificam-se como equipamentos ou máquinas ou prédios, tal como elencado pelo art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03. - Aquisições de outros períodos - O indeferimento dos créditos com origem em período diverso ao pleiteado no PER se deu em razão do disposto no artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 10.637/2002, que estabelece que os créditos relativos a bens e serviços adquiridos devem ser apurados no mês de aquisição dos mesmos. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, recuperando parte substancial de sua argumentação contida na Manifestação de Inconformidade. Em síntese, os pontos suscitados são os seguintes: A – Conexão – pedido de reunião de processos que versam sobre o mesmo tema Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.301 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10940.904539/2018-19 B – Conceito de Insumo – equívoco no PN 05/18, contestadas as seguintes glosas Embalagens Transportes e Fretes Serviços de Logística Energia Elétrica Ativo Imobilizado Locação de Estruturas Metálicas e Andaimes Créditos de Outros Períodos A Recorrente cita legislação e jurisprudência e, ao final, pede, além da apensação dos processos; reforma do acórdão recorrido e reconhecimento integral do direito creditório e, consequentemente, homologação das compensações efetuadas. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Em geral, o aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Dacons (e EFD) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. Contudo, alternativamente, a jurisprudência do Colegiado, em homenagem ao princípio da verdade material, tem admitido ultrapassar a exigência das mencionadas retificações, mediante demonstração inequívoca, através de planilhas de apuração que evidenciem a existência material do crédito, segundo a legislação aplicável, e a sua disponibilidade, sempre acompanhadas de documentos contábeis-fiscais que suportem as informações prestadas. Assim, em relação à glosa das notas fiscais constantes da Tabela “Glosas – 1º trimestre – 2014” (fls. 105 e seguintes) marcadas na última coluna com a indicação “7”, VOTO por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de origem, ultrapassando a exigência de retificações, (1) intime o contribuinte para apresentar planilha de apuração que evidencie a existência material do crédito extemporâneo, ora requerido, e, após, (2) se manifeste (a Fiscalização) conclusivamente acerca da disponibilidade do crédito pleiteado, apresentando, se for o caso, apuração própria. Ao final, cientifique-se a Recorrente para, querendo, manifestar-se em trinta dias contados de sua intimação, retornando os autos a este Colegiado. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Fl. 222DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.301 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10940.904539/2018-19 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 223DF CARF MF Documento nato-digital
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