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Numero do processo: 10166.728591/2013-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PROVA EMPRESTADA
Deve ser exonerada a exigência calcada exclusivamente em prova emprestada, ou seja, as autuações promovidas por outras fazendas públicas sem que os documentos que as estearam tenham também se submetido ao crivo do contraditório federal. Todavia, isso não se caracteriza quando a autoridade fiscal comprovou a acusação com documentos formados pelo próprio sujeito passivo ainda que em cumprimento de exigência dos fiscos estaduais.
MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO. ANO-CALENDÁRIO. NECESSIDADE.
É certo que o intérprete deve firmar a convicção de que houve uma conduta dolosa para a qualificação da multa. Mas isso não exige a fixação de um parâmetro objetivo tal como a reiteração da conduta por um período que extrapole o ano-calendário.
Numero da decisão: 1401-001.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator) que desqualificava a multa de ofício. Designado o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
(assinado digitalmente)
RICARDO MAROZZI GREGORIO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Todavia, isso não se caracteriza quando a autoridade fiscal comprovou a acusação com documentos formados pelo próprio sujeito passivo ainda que em cumprimento de exigência dos fiscos estaduais. MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO. ANOCALENDÁRIO. NECESSIDADE. É certo que o intérprete deve firmar a convicção de que houve uma conduta dolosa para a qualificação da multa. Mas isso não exige a fixação de um parâmetro objetivo tal como a reiteração da conduta por um período que extrapole o anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 85 91 /2 01 3- 77 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator) que desqualificava a multa de ofício. Designado o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. (assinado digitalmente) RICARDO MAROZZI GREGORIO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls.215 a 254, o qual exige da interessada o recolhimento da importância de R$ 136.585,42 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora, correspondente a fatos geradores ocorridos nos trimestres do ano calendário de 2010, tributo apurado segundo as regras do Lucro Presumido. Conforme consta no Auto e no Termo de Verificação Fiscal (fls.255 a 266), a presente exigência decorre de omissão de receitas da atividade, escrituradas no Livro Fiscal Eletrônico LFE, que se revelaram superiores às receitas declaradas na DIPJ e DACON relativa ao ano calendário de 2010. Oportuno reproduzirmos excertos do referido Termo: III. PROCEDIMENTO FISCAL [...] Fl. 630DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10166.728591/201377 Acórdão n.º 1401001.478 S1C4T1 Fl. 629 3 12. Em virtude de o contribuinte ter afirmado não possuir seus livros fiscais e contábeis devido a um incêndio, solicitamos à Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal – SEF/DF o envio do Livro Fiscal Eletrônico – LFE apresentado pelo contribuinte para o período fiscalizado. 13. A partir da análise dos arquivos digitais referentes ao LFE do anocalendário de 2010 entregues pela SEF/DF, apuramos a receita bruta da empresa fiscalizada. Como este valor era muito superior à receita declarada em DIPJ, lavramos o TIF n.2 para que o contribuinte explicasse tais diferenças. A empresa também foi intimada a recompor sua escrita contábil e fiscal do período abrangido por este procedimento fiscal. 14. Decorrido o prazo estipulado na intimação, o contribuinte não se manifestou. IV. INFRAÇÕES 19. [...] a empresa foi intimada a justificar as diferenças entre a receita que declarou à SEFDF e aquela que declarou à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB por meio da DIPJ. A planilha a seguir discrimina estas diferenças. [...] 20. Importa informar que a receita declarada pelo contribuinte no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON coincide com a informada na DIPJ[...]. 21. No prazo estipulado para apresentação dos esclarecimentos e documentos pertinentes, o contribuinte se silenciou. 22. Cabe destacar que a movimentação financeira do contribuinte no período fiscalizado, de acordo com Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira – DIMOF, foi de R$ 9.632.351,99. Este valor é coerente com a receita declarada pelo contribuinte no LEF e visivelmente discrepante daquela declarada em DIPJ/DACON. 23. Também é importante deixar claro que a receita bruta foi apurada a partir de prova direta produzida pelo contribuinte no LEF. Não há que se confundir com apropriação de conclusões ou inferências desenvolvidas em processos fiscais da Fazenda Distrital. O contribuinte ainda foi intimado a se manifestar sobre os valores declarados no LEF mas permaneceu inerte. 24. A troca de informações entre os Fiscos está prevista legalmente no art.199 da Lei n.5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) c/c o art.936 do RIR/99. [...] V. MULTA DE OFÍCIO [...] Fl. 631DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO 4 36. No caso sob análise, o sujeito passivo apresentou DIPJ e DACON com informações falsas quanto ao faturamento da empresa, visto ter declarado para a RFB valores que representam aproximadamente seis por cento da quantia declarada para a SEFDF no período fiscalizado. Intimado a prestar esclarecimentos, o contribuinte nada alegou. 37. Não é razoável entender que a falta de declaração de quantia tão significativa de recursos durante todo o período fiscalizado tenha ocorrido por mero erro ou entendimento equivocado do contribuinte. Interessa mencionar que o percentual de receita omitida segue um padrão ao longo do ano de 2010 – no primeiro trimestre, omitiu 95% da receita e nos demais a omissão foi de 94%. 38. A conduta descrita evidencia que o contribuinte agiu com o intuito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da Administração Tributária, de receitas auferidas em sua atividade empresarial durante o período fiscalizado. Como tal conduta está prevista no art.71 da Lei n. 4.502/1964, foi aplicada a multa qualificada sobre os tributos apurados, conforme determina o §1º do art.44 da Lei n. 9.430/1996. 39. Deste modo, estamos aplicando multa de 150% sobre os tributos lançados de ofício em virtude das infrações relatadas. Em decorrência do lançamento de omissão de receitas da atividade, foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, nas importâncias de R$ 84.683,59, R$ 50.966,98 e de R$ 235.232,22, respectivamente, acrescidas da multa de ofício de 150% e de juros de mora à época do pagamento. Na impugnação apresentada, acostada às fls. dos autos, a autuada, após descrever a autuação que sofreu, alega que, resumidamente: Da Preliminar de Nulidade da Autuação pela Forma de Apuração do Imposto: que o auto de infração baseouse nas informações prestadas pela Impugnante para a Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, que essa troca de informações tem previsão no art.199 do CTN (que transcreve), mas que deve ser usada com cautela, pois “[...] não pode ser utilizada de forma isolada como fato gerador do tributo [...].” que o órgão fiscalizador não pode basearse unicamente nas informações prestadas pelas fazenda colaboradora para fins de lavratura de auto de infração referente à omissão de receita, o que ocorreu no presente processo; desta forma, pedese a nulidade da imposição principal uma vez que ficou demonstrada a equivocada aplicação do art.199 do CTN, acarretando na ocorrência de vício formal na presente autuação; Da Equivocada Aplicação da Multa em 150%: transcreve os artigos pertinentes às multas de ofício, inclusive os arts.71,72 e Fl. 632DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10166.728591/201377 Acórdão n.º 1401001.478 S1C4T1 Fl. 630 5 73 da Lei n. 4.502/64, para afirmar que não pode haver fraude, uma vez que o lançamento baseiase em suas próprias informações retiradas de seu Livro Fiscal Eletrônico, que toda documentação fiscal foi emitida, fato admitido pelo auditor em seu termo fiscal; transcreve ementas de decisões do CARF onde, em situações parecidas, foi reduzida a multa de ofício; conclui que no seu caso deve ser aplicada a multa de 75% por declaração inexata, com base no art.957, I do RIR/99; Da Multa Em Caráter Confiscatório: neste tópico alia argumentos de variada ordem, tudo no sentido de apontar que o percentual (150%) da multa aplicada, além de confiscatório, é inconstitucional; Impugnação dos Dados e Elementos Autuados: impugna integralmente os valores utilizados no lançamento fiscal, bem como as demonstrações e relatórios anexos a ele, em razão de que não há demonstração das transferências entre pessoas jurídicas, ou de estorno, ou de cheques devolvidos, ou seja, apresentando diversas inconsistências e, também, por não atendimento da legislação fiscal; Juros Taxa SELIC; neste tópico, também alia argumentos de variada ordem, tudo no sentido de apontar que os juros apurados com base na taxa SELIC “[...] não tem amparo no Direito Pátrio, em razão dos fundamentos constitucionais e legais citados.” DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 587 a 597) negou provimento à impugnação, nos termos da ementa que segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Receitas Declaradas. DIPJ. Receitas Escrituradas. Livro Fiscal Eletrônico. Informações entre órgãos fazendários. Legítima a utilização de livros fiscais, de escrituração da própria fiscalizada, obtidos junto à Fazenda Distrital, para subsidiar eventual lançamento tributário na esfera federal. Constatada a existência de receitas escrituradas em livro fiscal em montante superior às receitas informadas na DIPJ, correto o lançamento de ofício do imposto de renda incidente sobre as Fl. 633DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO 6 diferenças de receita omitida (base de cálculo do Lucro Presumido). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Lançamento de Ofício. Multa Aplicável As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício. Legitimidade. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. Súmula CARF n° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10166.728591/201377 Acórdão n.º 1401001.478 S1C4T1 Fl. 631 7 Lançamentos Decorrentes. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 605 a 620, mediante o qual repisou as razões já apresentadas na impugnação. É o relatório do essencial. Voto Vencido Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Prova emprestada A alegação, em sede de preliminar, de prova emprestada não merece prosperar. De fato, há jurisprudência deste colegiado no sentido de ser inadmissível prova emprestada, mas apenas em relação àqueles elementos probatórios não submetidos ao crivo do processo administrativo fiscal federal. Assim, não pode ser admitido como prova de omissão de receita para fins da tributação federal uma autuação estadual, sem que se carreie ao processo federal os documentos que formaram a convicção da autoridade estadual. Por outros termos, a convicção das demais Fazendas Públicas sobre a ocorrência de fatos não pode simplesmente substituir a convicção da Fazenda Pública Federal. O contribuinte tem o direito de se defender em ambas as esferas públicas. Para essas hipóteses, portanto, não se admite a prova indireta. Não pode prosperar o auto de infração de um fisco calcado na autuação de outro fisco, sem a possibilidade de submeter a prova que lá constava ao crivo do contraditório do processo de cá. Não é o caso, porém, do presente feito. Aqui, a autuação foi realizada com base em documentos formados pelo próprio contribuinte, ainda que previstos na legislação estadual. Não há, pois, qualquer mácula ao contraditório e à ampla defesa capaz de macular a validade do presente feito. A jurisprudência do CARF é mansa e pacífica neste sentido. Apenas a título de ilustração, reproduzo dois acórdãos sobre o tema; um recente, outro mais antigo: Fl. 635DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO 8 PROVA EMPRESTADA. INFORMAÇÃO PRESTADA PELO FISCO ESTADUAL EXTRAÍDA DE DECLARAÇÃO PRESTADA PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. DADA OPORTUNIDADE DE JUSTIFICAR DIFERENÇA DA RECEITA OMITIDA NA FASE DE FISCALIZAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual, na fase de fiscalização, são admissíveis no processo administrativo fiscal, especialmente, se o contribuinte foi intimado a justificar a diferença a menor entre a receita declarada perante à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a declarada ao órgão de Administração Tributária estadual e, de forma intencional e deliberada, não apresenta à fiscalização livros ou documentos da sua escrituração fiscal que foram juntados aos autos apenas na fase recursal. (AC nº 3102002.363, de 29/01/2015) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES Tomando o sujeito passivo ciência dos valores levados à tributação, com indicação de toda a documentação que amparou o lançamento tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem uso exclusivo de prova emprestada. (AC nº 10321902, de 18/03/2005) Rejeito, assim, a preliminar de nulidade da prova e, portanto, do feito. Multa qualificada Já me manifestei pela possibilidade de qualificação da multa no caso de condutas omissivas e não apenas as comissivas. Cito acórdão, de longa data, da minha relatoria com tal posição: MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Entregar declarações por longos períodos com omissões sistemáticas e reiteradas de valores, caracteriza a intenção do sujeito passivo de dificultar a atuação do Fisco. (AC 120100135, de 30/06/2009) Para tal, contudo, a intenção delitiva do agente deve ser inequívoca, algo que não vislumbro no presente feito em razão de abarcar apenas um único anocalendário; não é reiterada, pois. Esse critério também tenho por fixado há muitos anos. Abaixo, reproduzo acórdão também da minha lavra e da mesma data de julgamento do anteriormente reproduzido: MULTA QUALIFICADA — a autuação é relativa a apenas um único exercício, sem referências a igual comportamento em outros períodos. Ademais, os valores omitidos nas declarações foram todos obtidos do próprio livro diário e do LALUR. Desse modo, a conduta delitiva pode ter sido meramente culposa — aspecto subjetivo que não autoriza a qualificação da sanção. (AC 120100125, de 30/06/2009) Fl. 636DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10166.728591/201377 Acórdão n.º 1401001.478 S1C4T1 Fl. 632 9 Como o presente feito abarca apenas um anocalendário, entendo que não está caracterizada a reiteração e, portanto, a intenção dolosa. A multa deve, pois, ser reduzida ao seu patamar de 75%. Caráter confiscatório da multa Em relação às alegações de inconstitucionalidade do patamar punitivo, a Súmula CARF nº 2 assim fixou: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC De igual sorte, a questão da SELIC também é sumulada. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Isso posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar relativa à alegação de prova emprestada para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fim de reduzir a multa ao seu patamar de 75%. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio Sem embargo da fundamentação contida no voto do ilustre Relator, peço vênia para divergir de suas conclusões quanto à aplicação da multa qualificada. É que, nesse ponto, o Relator entendeu ser necessária uma conduta omissiva reiterada, no sentido de abranger mais de um anocalendário, para caracterizar uma inequívoca intenção delitiva do agente. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO 10 Nada obstante, não existe na lei essa exigência. A imposição da multa qualificada está prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O artigo 71 da Lei nº 4.502/64, por sua vez, prevê a figura da sonegação sem fazer qualquer exigência quanto a práticas reiteradas. Confirase: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. É certo que o intérprete deve firmar a convicção de que houve uma conduta dolosa. Mas isso não exige a fixação de um parâmetro objetivo tal como o sugerido pelo ilustre Relator, qual seja, a reiteração da conduta por um período que extrapole o anocalendário. No presente caso, os fatos relatados pela autoridade fiscal me parecem suficientes para configurar a sonegação. Nesse sentido, foi apurada uma receita bruta muito superior à declarada na DIPJ e DACON (cerca de seis por cento daquela). O valor apurado é, inclusive, compatível com a movimentação financeira informada em DIMOF. Observese que houve até uma certa reiteração da conduta se considerados os trimestres do ano de 2010. Conforme relatado, o percentual da receita omitida seguiu um padrão ao longo daquele ano (no primeiro trimestre, foi omitido 95% da receita e, nos demais, 94%). Fl. 638DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10166.728591/201377 Acórdão n.º 1401001.478 S1C4T1 Fl. 633 11 A alegação da recorrente segundo a qual não haveria fraude porque o lançamento se baseou em suas próprias informações (retiradas do seu Livro Fiscal Eletrônico) e porque toda a documentação fiscal foi emitida não se sustenta. Como já sustentado, a empresa incorreu na figura da sonegação, ou seja, praticou omissão dolosa (não declarou a receita apurada) tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. O fato de ter informado em outros documentos fiscais a existência daquela receita só reforça a certeza de que sua intenção era sonegar a informação ao Fisco Federal. Essas foram as razões pelas quais a Turma, por maioria, decidiu manter a aplicação da multa qualificada. (assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio – Redator designado Fl. 639DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 13925.000365/2003-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
NÃO CONHECIMENTO. DECISÃO QUE ADOTOU ENTENDIMENTO DE SÚMULA APROVADA DEPOIS DE INTERPOSTO O RECURSO ESPECIAL.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, conforme o § 3º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF - APURAÇÃO DE OUTROS TRIBUTOS - RETROATIVIDADE.
Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
Numero da decisão: 9101-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros André Mendes Moura e Maria Teresa Martinez Lopez.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 NÃO CONHECIMENTO. DECISÃO QUE ADOTOU ENTENDIMENTO DE SÚMULA APROVADA DEPOIS DE INTERPOSTO O RECURSO ESPECIAL. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, conforme o § 3º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF - APURAÇÃO DE OUTROS TRIBUTOS - RETROATIVIDADE. Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 NÃO CONHECIMENTO. DECISÃO QUE ADOTOU ENTENDIMENTO DE SÚMULA APROVADA DEPOIS DE INTERPOSTO O RECURSO ESPECIAL. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, conforme o § 3º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF APURAÇÃO DE OUTROS TRIBUTOS RETROATIVIDADE. Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte não conhecido por unanimidade de votos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros André Mendes Moura e Maria Teresa Martinez Lopez. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 5. 00 03 65 /2 00 3- 13 Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13925.000365/200313 Acórdão n.º 9101002.305 CSRFT1 Fl. 3 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada em 21/03/2007 (fls. 937/958), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à utilização de dados da CPMF para se realizar lançamento de outros tributos sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998, anteriormente à vigência da Lei nº 10.174/2001. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10708.068, de 18/05/2005 (fls. 863/899), por meio do qual a antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiu, relativamente à matéria tratada no presente recurso, validar a utilização de dados da CPMF para apuração de outros tributos no anocalendário de 1998. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: NULIDADE. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72. Não há que se falar em nulidade do lançamento e de decisão de primeira instância. PERÍCIA. A perícia é prescindível nos casos em que os documentos probatórios podem ser trazidos aos autos pela contribuinte. Pedido de perícia não acolhido. DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A partir do ano calendário de 1992, com base no disposto no art. 38 da Lei n° 8.383/91, o IRPJ passou a ser considerado tributo sujeito ao lançamento por homologação e, por essa modalidade o inicio do prazo decadencial é o da data da ocorrência do fato gerador do tributo, exceto se for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme o disposto no § 4° do art. 150 do CTN. ADESÃO AO PAES. Não se conhece das matérias prejudicadas pela adesão ao PAES, durante a ação fiscal. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF APURAÇÃO DE OUTROS TRIBUTOS RETROATIVIDADE. Com a nova redação do § 3º do art. 11 da Lei n° 9.311/96, dada pelo art. 1° da Lei n° 10.174/2001, não existe mais a vedação de utilização de dados da CPMF para apuração de outros tributos. Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13925.000365/200313 Acórdão n.º 9101002.305 CSRFT1 Fl. 4 3 Com base no art. 144, § 1° do CTN, nada obsta a aplicação da legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização ou ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, para o anocalendário de 1998, anterior à edição da Lei n° 10.174/2001, desde que obedecidos os demais preceitos legais. PENALIDADE MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOB BASE ESTIMADA. Não cabe a aplicação concomitante da multa proporcional, incidente sobre o tributo apurado e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, § 1°, inciso IV, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. Incabível a exigência da multa isolada. PENALIDADE — MULTA PROPORCIONAL. Não cabe à autoridade julgadora declarar indevida a exigência de multa de ofício, quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. JUROS DE MORA TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na SELIC Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, amparase na legislação ordinária e não contraria as normas contidas no Código Tributário Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências reflexas, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua íntima relação de causa e efeito. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, e procura demonstrar que os dados da CPMF não poderiam ter sido utilizados para a realização do lançamento ora combatido. Nesse intento, a contribuinte desenvolve os argumentos descritos abaixo: a decisão recorrida é divergente de outras decisões de outras Câmaras do Conselho de Contribuintes, que entenderam que a Lei n° 10.174/2001 só pode ser aplicada a fatos geradores de tributos a partir de sua vigência, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da irretroatividade, e, portanto, viciando o ato de lançamento desde sua origem, devendo o Auto de Infração que utilizou dados da CPMF para apuração de outros tributos ser anulado; a aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 não viola apenas o princípio de direito intertemporal (eficácia da lei restrita aos fatos verificados durante a sua vigência), mas também a lei n° 4.595/64, com status de Lei Complementar; o artigo 144, §1°, do CTN diz respeito ao procedimento administrativo e a prerrogativas meramente instrumentais, não tendo o condão de permitir a utilização da movimentação financeira do contribuinte, relativamente às operações anteriores à vigência da Lei nº 10.174/2001; outras Câmaras deste Egrégio Conselho entendem que eventual retroação fere os princípios da segurança jurídica, da irretroatividade, da privacidade, e da garantia do sigilo bancário, razão porque nestes casos, onde o lançamento foi baseado em dados obtidos por meio da retroatividade da Lei em tela, deve o mesmo ser cancelado. Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13925.000365/200313 Acórdão n.º 9101002.305 CSRFT1 Fl. 5 4 Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho nº DDC107140066_018, de 22/02/2008 (fls. 1273/1277), admitiu o recurso especial para a matéria em pauta, fazendo as seguintes considerações sobre a divergência suscitada: A recorrente assegura que o conteúdo do acórdão guerreado colide com o dos acórdãos de n°: a) 10613962 e 10419695, exarados pelas Sexta e Quarta Câmaras deste Conselho, que decidiram que a alteração promovida na Lei 9.311/96, pela Lei 10.174/01, somente deve ser levada em consideração após o início de sua vigência, não sendo possível sua aplicação a fatos pretéritos, anteriores à sua edição: [...] Já o acórdão recorrido teria julgado em sentido contrário, permitindo a aplicação da legislação (Lei n° 10.174/2001) que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização ou ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, para o anocalendário de 1998, desde que obedecidos os demais preceitos legais: [...] Estando caracterizada a divergência de interpretação da legislação, quanto a esta matéria, entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, presentes os pressupostos de admissibilidade do RD. Vale registrar que o recurso especial não foi admitido para outras duas matérias que ele também abordou: adesão ao Programa Especial de Parcelamento antes da lavratura do auto de infração; e qualificação da multa de ofício por evidente intuito de fraude. Em 05/05/2008, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial da contribuinte, e em 08/05/2008 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões de fls. 1280/1283, com os seguintes argumentos: o entendimento firmado pela Câmara a quo, no sentido de que a alteração procedida pela Lei n° 10.174/2001, permitindo a apuração de outros tributos a partir de dados da CPMF, configura simples ampliação dos poderes de investigação fiscal, encontra expresso assento legal no artigo 144, § 1º, do CTN; não há o que reparar na decisão da E. Câmara a quo, uma vez que a autoridade fiscal, ao realizar o lançamento utilizouse de importante ferramenta posta à sua disposição para a apuração de tributos, qual seja, os dados da CPMF; a jurisprudência do conselho de contribuintes corrobora o entendimento firmado pela Câmara a quo; requer a União seja negado provimento ao recurso especial e mantido, nesta parte, o acórdão proferido pela Câmara a quo. Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13925.000365/200313 Acórdão n.º 9101002.305 CSRFT1 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos incidentes sobre fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1998. A autuação fiscal foi motivada pela constatação de omissão de receitas relativas a operações de factoring. O lançamento também abrangeu inicialmente a aplicação de multa isolada incidente sobre a diferença entre o IRPJ devido mensalmente por estimativa e os valores efetivamente declarados/pagos pelo contribuinte. A decisão de primeira instância administrativa manteve os lançamentos. Na seqüência, a decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido) deu provimento parcial ao recurso voluntário anteriormente apresentado, para fins de excluir a exigência da multa isolada e deduzir as contribuições PIS e COFINS na determinação do lucro real. Em sede de recurso especial, a contribuinte busca o cancelamento da parte remanescente do auto de infração, alegando divergência de interpretação da legislação tributária quanto à utilização de dados da CPMF para se realizar lançamento de outros tributos sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998, anteriormente à vigência da Lei nº 10.174/2001. De acordo com seu entendimento, a Lei n° 10.174/2001, que permitiu a utilização de dados da CPMF para a apuração de outros tributos, só poderia ser aplicada a fatos geradores ocorridos a partir de sua vigência, de modo que sua aplicação retroativa, para fatos geradores ocorridos em 1998, violaria vários princípios constitucionais, maculando o auto de infração. Realmente, as questões suscitadas pela contribuinte suscitaram controvérsia durante um certo tempo. Contudo, a matéria está pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido, que adotou o entendimento desta súmula. E, segundo o § 3º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não cabe recurso especial de decisão que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso, verbis: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13925.000365/200313 Acórdão n.º 9101002.305 CSRFT1 Fl. 7 6 Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. O recurso especial foi protocolado no CARF em 21/03/2007 e a súmula foi aprovada pelo Pleno em sessão de 08/12/2009, e tornada vinculante pela Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010. Assim, o acórdão recorrido se enquadra na categoria de decisão que adota o entendimento de súmula aprovada posteriormente à data da interposição do recurso do contribuinte, sendo forçoso o não conhecimento do recurso especial. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 10435.721315/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Se a contribuinte apresenta DIPJ pelo lucro real anual, na qual informa as despesas, receitas e até apura um lucro líquido e não demonstra que a sua escrita era imprestável, é correto o procedimento fiscal que respeita a opção da contribuinte e efetua o lançamento pelo lucro real anual.
Para desconstituir a presunção iuris tantum do art. 42 da Lei 9.430/96, faz-se necessário provar que o depósito bancário não era receita tributável ou que, sendo receita tributável, já tinha sido oferecida à tributação.
Planilhas elaboradas pela recorrente não são provas, mas argumentos de defesa, os quais precisavam estar lastreados em documentos idôneos, para se constituirem em provas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente a Conselheira Talita Pimenta Félix.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - PRESIDENTE
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente NOVATERRA ALIMENTOS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Se a contribuinte apresenta DIPJ pelo lucro real anual, na qual informa as despesas, receitas e até apura um lucro líquido e não demonstra que a sua escrita era imprestável, é correto o procedimento fiscal que respeita a opção da contribuinte e efetua o lançamento pelo lucro real anual. Para desconstituir a presunção iuris tantum do art. 42 da Lei 9.430/96, fazse necessário provar que o depósito bancário não era receita tributável ou que, sendo receita tributável, já tinha sido oferecida à tributação. Planilhas elaboradas pela recorrente não são provas, mas argumentos de defesa, os quais precisavam estar lastreados em documentos idôneos, para se constituirem em provas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente a Conselheira Talita Pimenta Félix. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 15 /2 01 0- 18 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA PRESIDENTE Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1142.040 da 4ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS COMPROVADAS POR INFORMAÇÕES DA DIPJ, DIRF E ATÉ CONFESSADA PELO FISCALIZADO. HIGIDEZ DA OMISSÃO. A fiscalização apurou as receitas financeiras a partir dos extratos bancários das aplicações financeiras mantidas em instituição financeira, tudo secundado pelas informações da DIRF da instituição e da própria DIPJ apresentada pelo fiscalizado. O impugnante não enfrentou tais provas, trazendo aos autos apenas parcela da documentação representativa das receitas financeiras. Manutenção da omissão de receitas financeiras, devendo, no ponto, manterse o trabalho fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TENTATIVA DE COMPROVAÇÃO DE DÉBITOS A PARTIR DE PROVA PRODUZIDA UNILATERALMENTE PELO FISCALIZADO, SEM QUALQUER DEMONSTRAÇÃO DE CONTEMPORANEIDADE COM O FATO QUE SE QUER PROVAR. TENTATIVA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS A PARTIR DAS SAÍDAS FINANCEIRAS. INVIABILIDADE. Prova produzida unilateralmente pelo fiscalizado, sem qualquer demonstração de sua contemporaneidade com os fatos que se quer provar, não pode ser aceita para comprovar a origem dos depósitos bancários, mormente quando se foca em buscar comprovar os débitos bancários, o que sequer ocorreu nestes autos, passando ao largo da comprovação individualizada dos créditos bancários, como exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1142.040 em 04/04/2014 (vide ciência a fls. 308), interpôs, em 30/04/2014 (vide carimbo a fls. 312), recurso voluntário (doc. a fls. 312 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que em 28 de maio de 2010, a Recorrente recebeu o Termo de Início de Procedimento Fiscal exigindo a apresentação do extrato da movimentação financeira no Banco Bradesco S/A relativa ao anocalendário de 2006; Fl. 487DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10435.721315/201018 Acórdão n.º 1302001.869 S1C3T2 Fl. 487 3 b) que, em seguida, exigiu a Fiscalização notas fiscais, livros de entradas e de saídas, planilhas com receitas mensais, não sem a formulação de questionamentos sobre a atividade da empresa, e sobre a origem de depósitos em expressivo montante, realizados na sua conta bancária; c) que, em resposta, apresentou os extratos bancários, e esclarecimentos, dando conta de os depósitos efetuados na sua conta bancária estavam atrelados a um negócio jurídico perfeito e acabado, lícito em sua inteireza, de venda de propriedade rural no Município de Cotegipe/BA, que ocorrera no ano de 2005, pelo valor de R$ 6.058.000,00 (seis milhões e cincoenta e oito mil reais), distribuído na seguinte forma: Venda de estoque do Gado Bovino no valor de R$.958.000,00 (novecentos e cincoenta e oito mil reais), Venda de Benfeitorias no valor de R$.4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais), Venda de Maquinas e Equipamentos no valor de R$.600.000,00 (seiscentos mil reais); d) que parte desses recursos foi utilizada no pagamento de dívidas existentes, e outra parte permaneceu aplicada gerando rendimentos financeiros; e) que estes montantes foram tempestivamente reconhecidos na DIPJ (fichas 11, 16 e 54) e submetidos à tributação; f) que foi surpreendida com a lavratura do auto de infração em epígrafe, tal qual tivesse praticado umabsurdo, no valor de R$ 4.849.470,96 (quatro milhões, oitocentos e quarenta e nove mil, quatrocentos e setenta reais e noventa e seis centavos), com a exigência de pagamento de IRPJ, CSSL, PIS e COFINS, tidos como incidentes sobre omissão de receitas provenientes de depósitos bancários supostamente de origem não comprovada, e sobre receitas financeiras escrituradas/contabilizadas a menor; g) que a impugnação fiscal foi apresentada no prazo, tendo a Delegacia de Julgamento rechaçado seus termos, por entender que: as razões vertidas pela Recorrente não estavam lastreadas por documentos que acobertassem a integralidade do afirmado em relação às receitas financeiras; e as planilhas acostadas para justificar a omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários de origem não comprovada seguiu desacompanhada de documentos a respaldar o que ali se alinhou, em especial os contratos de abertura de crédito. h) que a decisão merece urgente reforma, como demonstra a seguir, acostando os mesmos documentos em outrora apresentados, e outros, suficientes para elidir qualquer dúvida a respeito da absoluta regularidade dos seus procedimentos, o que impõe o acolhimento do presente recurso, no qual ficará demonstrada a absoluta improcedência das acusações fiscais; i) que houve a venda de uma propriedade, e a utilização dos recursos pecuniários que foram alocados em aplicação financeira em prol de uma empresa coligada, através de mútuo, com a seguinte devolução em parcelas, no exercício seguinte; j) que as operações foram rotuladas pela Fiscalização como de "origem desconhecida", a caracterizar omissão de receitas, ingresso de recursos sem origem esclarecida, com a autuação nos montantes referidos no bojo do próprio auto; k) que não existe consideração, juridicamente sensata, logicamente aceitável ou moralmente honesta, pela qual se possa recusar a eficácia probatória dos documentos acostados, e argumentos que detalhadamente os definem, como indicadores de ampla e inegável regularidade no proceder; l) que alienou uma propriedade que integrava o seu patrimônio, situada no Município de Cotegipe, Estado da Bahia, colocando os recursos financeiramente aplicados em conta mantida no Bradesco; m) que, como prova, acosta as certidões expedidas pelo Cartório de Imóveis de Cotegipe, dando conta que a aquisição ocorreu em favor da AGROPECUÁRIA JACAREZINHO LTDA, que na mesma oportunidade, nas mesmas escrituras, constituiu pacto adjeto de "aberturas de crédito" dando conta do uso das áreas ali adquiridas para caucionar recursos que foram repassados pelo BNB BANCO DO NORDESTE DO BRASIL , com recursos do FUNDO Fl. 488DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 CONSTITUCIONAL DE FINANCIAMENTO DO NORDESTE FNE, o que implicou em constituição de hipoteca em primeiro grau; n) que, para espancar as dúvidas suscitadas pela Delegacia de Julgamento, seguem os demonstrativos de depósitos bancários, em 2005, realizados pela Adquirente AGROPECUÁRIA JACAREZINHO LTDA; o) que as referidas certidões juntamente com os depósitos bancários que as acompanham, são mais do que suficientes para elidir o argumento de que os tais valores pudessem estar atrelados a receitas de vendas de produtos, ou receitas "sem origem" demonstrada; p) que os rendimentos foram contabilizados, como um todo, como demonstram os extratos "POSIÇÃO DE CDB GERAL L", mensalmente emitidos pelo Bradesco S/A, nos exercícios de 2005 e 2006; q) que basta o somatório dos montantes constantes dos tais extratos para se concluir que não existem valores omitidos e que a planilha a fls. 315 demonstra de maneira analítica este fato, e segue acompanhada de extratos bancários; r) que, no final de 2005 deliberou a Recorrente, por seus controladores, efetuar operações de descontos de títulos com a sociedade PEDRA FIAÇÃO E TECELAGEM LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 08.007.734/000104, no montante total de R$ 4.157.071.78 (quatro milhões cento e cinquenta e sete mil setenta e um reais e setenta e oito centavos); s) que, como prova, acosta a Recorrente TODOS OS INSTRUMENTOS DE MÚTUO, com as respectivas transferências em favor da dita Mutuária, em dificuldades financeiras; t) que no período deveriam ter sido contabilizados como OUTRAS RECEITAS DA EMPRESA a importância de R$ 169.988.97 (cento e sessenta e nove mil novecentos e oitenta e oito reais e noventa e sete centavos) como juros dessas operações de descontos; u) que estas operações de desconto de duplicatas nem sempre eram pontuais, com atrasos consideráveis, todos devidamente lançados na contabilidade; v) que acosta uma planilha dando conta da integralidade dos descontos, com os respectivos comprovantes de depósito em sua conta corrente. Arremata esclarecendo que essas operações remontam ao exercício de 2005; w) que, no exercício de 2006, a Recorrente firmou ainda com a mesma empresa PEDRA, vários contratos de empréstimo, que totalizam a quantia histórica de R$ 1.142.331.04 (hum milhão, cento e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e um reais e quatro centavos), a juros mensais de 1% (um por cento); x) que a dita Mutuária reembolsou apenas a importância de R$ 905.951,59 (novecentos e cinco mil, novecentos e cinquenta e um reais e cinquenta e nove centavos); y) que todos estes ingressos de recursos no seu caixa restam absolutamente justificados, a elidir a autuação; z) que o acórdão refere que existem receitas financeiras contabilizadas a menor, no montante histórico de R$ 802.070,93 (oitocentos e dois mil, setenta reais e noventa e três centavos), o que faz a partir do documento que as planilhas apresentadas pela Recorrente estavam "desacompanhadas" de documentos comprobatórios; aa) que os valores que percebeu a título de "receitas financeiras" foi devidamente contabilizado, conforme planilhas que apresentou perante a Fiscalização; ab) que, se em 31/12/2005 mantinha a Recorrente aplicados em Títulos no Mercado Financeiro a importância de R$ 5.615.650.67 (cinco milhões seiscentos e quinze mil seiscentos e cinquenta reais e sessenta centavos), obtendo de volta em 2006 a quantia de R$ 5.735.92633 (cinco milhões setecentos e trinta e cinco mil novecentos e vinte seis reais e trinta e três centavos), permanecendo o saldo de R$ 8.310,81 (oito mil, trezentos e dez reais e oitenta e um centavos), fica claro que o total do rendimento financeiro totalizou a quantia de R$ 128.586,47 (cento e vinte e oito mil, quinhentos e oitenta e seis reais e quarenta e sete centavos), tudo devidamente contabilizado; Fl. 489DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10435.721315/201018 Acórdão n.º 1302001.869 S1C3T2 Fl. 488 5 ac) que, como prova, acosta a Recorrente estes depósitos, elidindo a imputação, por completo; ad) que, apesar de apresentar as razões, todas as razões, para submeter o contribuinte à apuração do imposto mediante a sistemática do ARBITRAMENTO DO LUCRO, o que pressupõe a TRIMESTRALIDADE, a Fiscalização optou indevidamente por efetuar o lançamento mediante a sistemática do Lucro Real Anual, procedimento duplamente equivocado, conforme restará adiante constatado; ae) que ausente a apreciação dos aspectos quantitativo e temporal do fato gerador; af) que o fisco acusa o contribuinte de ter mantido uma verdadeira contabilidade paralela à oficial, o que denota que a sua escrituração contém deficiências que a tornam realmente imprestável, diante da absoluta desproporcionalidade daquilo que se encontraria supostamente à margem da tributação, fazendo incidir na espécie, ainda o inciso II do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda, logo, inegável, portanto, que a apuração no lançamento em questão deveria ter se regido pela sistemática do Lucro Arbitrado, única alternativa legal, diante do caso concreto; ag) mesmo que pretendesse preservar a sistemática original eleita pela Recorrente, a Fiscalização incidiu em autêntico erro de avaliação dos fatos, que passou despercebido pela DRJ, pois, de acordo com a legislação do Imposto de Renda art. 222 a apuração anual do lucro real é uma opção, cuja validade depende do pagamento de estimativas mensais de IRPJ, sendo que n ão consta que a Recorrente tenha efetuado tais pagamentos, e a eles nem sequer o Autuante se referiu, logo, caso o lançamento fosse se reger pela sistemática original, deveria terse dado da regra geral, que implica também periodicidade trimestral; ah) que a Fiscalização sequer solicitou o LALUR da Recorrente para aferir a existência ou não de prejuízos compensáveis no lançamento, pois o Fiscal adotou uma modalidade de lançamento absolutamente nova, onde as despesas e os custos são ignorados, com base de cálculo surreal para o lançamento, ademais, ignorou a Fiscalização, que como a Recorrente dedicase à atividade rural, a ela não se aplica a trava de 30% (art. 510 c/c art. 512 do Regulamento do Imposto de Renda) para compensação dos prejuízos operacionais, conforme Súmula CARF nº 53; ai) que requerse seja declarada: ai.1) a NULIDADE MATERIAL do procedimento fiscal por conta da série inesgotável e sucessiva de insuperáveis ILEGALIDADES nele praticadas e explicitadas no corpo da presente impugnação, dentre as quais a inobservância da correta sistemática de apuração dos tributos; ai.2) seja determinada a IMPROCEDÊNCIA ABSOLUTA das acusações de omissão de receitas, por conta da completa inexistência de suporte fático conforme acima explicitado, decorrente também, dentre outros fatores, da juntada de todo acervo documental comprobatório da regularidade das receitas que ingressaram nos cofres da Recorrente, e da limitada CAPACIDADE OPERACIONAL da pessoa jurídica, incapaz de produzir OPERACIONALMENTE aquele montante de recursos; ai.3) seja reconhecida a absoluta improcedência do auto de infração de no. 10435.721315/201018, diante da total imprecisão dos levantamentos efetuados, suficiente para contaminar o lançamento com uma iliquidez incompatível com a certeza e segurança jurídica de que deve se revestir ai.4) seja reconhecida a improcedência do lançamento em face da inobservância do ELEMENTO TEMPORAL e QUANTITATIVO dos fictícios fatos geradores. É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por representante legal da recorrente, conforme art. 35 do Estatuto Social a fls. 344 c/c a Ata a fls. 331 e CI a fls. 330, razão pela qual dele conheço. Preliminarmente, cabe esclarecer que a opção pela modalidade de apuração do IRPJ feita pela contribuinte deve ser respeitada, só cabendo o arbitramento nas estritas hipóteses prevista em lei. É verdade que no curso do anocalendário a opção é feita com o pagamento do primeiro DARF, mas isso não quer dizer que, não tendo sido feita a opção nesse momento, seja qual for a razão, a opção firmada na DIPJ não seja válida e não deva ser observada pela Fiscalização. Por sua vez, ao se analisar a DIPJ/AC 2006 a fls. 72 e segs., verificamos que não estamos diante de uma DIPJ em branco, mas de uma declaração que informa as despesas, receitas e até apura um lucro líquido, razão pela qual o fato de ter sido verificada omissão de receitas de valores significativos não é, por si só, razão para arbitramento, se a recorrente não demonstra como tal descoberta poderia significar a imprestabilidade da escrita, como, por exemplo, pela existência de uma grande quantidade de despesas atreladas às receitas omitidas e que também estavam à margem da contabilidade. A recorrente não faz essa prova, mas tenta apenas sustentar a nulidade do auto pela existência de receitas omitidas, o que não justifica a alegação de que o lucro deveria ter sido arbitrado. Assim, concluo que a Fiscalização agiu bem quando respeitou a opção da recorrente na DIPJ/AC 2006 a fls. 72 e lançou o IRPJ sobre o lucro real anual. A recorrente questiona que a Fiscalização sequer solicitou o LALUR da Recorrente para aferir a existência ou não de prejuízos compensáveis no lançamento. Ora, trata se de um argumento ardiloso, talvez pela falta de boas razões de defesa. Primeiro, a recorrente não prova que tinha saldo de prejuízo fiscal a compensar, segundo, se ela efetivamente tivesse, porque não compensou na sua DIPJ/AC2006? Notese que, na Ficha 09A a DIPJ/AC2006 a fls. 77, a recorrente apurou um lucro real no valor R$ 29.002,28, sem ter havido qualquer compensação de prejuízo. Ademais, ainda que existe saldo de prejuízo a compensar, se a recorrente não se valeu dessa liberalidade legislativa, não seria o autuante que iria lhe impor. Ressalto que outra seria a minha conclusão, se a DIPJ demonstrasse que a recorrente espontaneamente compensou prejuízos fiscais de períodos anteriores ou se a recorrente tivesse apurado prejuízo fiscal na DIPJ. Com relação às receitas financeiras, não estamos diante de uma prova indireta, ou seja, a omissão de receitas não se baseia em presunção relativa, mas de prova direta, basta confrontar, por exemplo, a DIRF a fls. 94, na qual consta que a recorrente teve receitas financeiras decorrente de aplicação em renda fixa no montante de R$ 927.955,10 (IRRF no valor de R$ 171.329,84), quando na linha 22 da Ficha 06A da DIPJ/AC2006 (a fls. 76) foi declarado apenas R$ 128.586,47. Cabe salientar que o recorrente não prova o oferecimento de parte dessa receita financeira em períodos anteriores. Diante de tal prova, não se entende por que não foi lançada a multa qualificada. Tratase de omissão de receitas com prova direta. A recorente em sua defesa alega que: “em 31/12/2005 mantinha a Recorrente aplicados em Títulos no Mercado Financeiro a importância de R$ 5.615.650.67 (cinco milhões seiscentos e quinze mil seiscentos e cinquenta reais e sessenta centavos), obtendo de volta em 2006 a quantia de R$ 5.735.92633 (cinco milhões setecentos e trinta e Fl. 491DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10435.721315/201018 Acórdão n.º 1302001.869 S1C3T2 Fl. 489 7 cinco mil novecentos e vinte seis reais e trinta e três centavos), permanecendo o saldo de R$ 8.310,81 (oito mil, trezentos e dez reais e oitenta e um centavos), fica claro que o total do rendimento financeiro totalizou a quantia de R$ 128.586,47 (cento e vinte e oito mil, quinhentos e oitenta e seis reais e quarenta e sete centavos), tudo devidamente contabilizado” Ora, tal argumento de defesa não prima pela boafé processual. A única defesa que poderia restar para a recorrente seria provar que a DIRF a fls. 94 foi equivocadamente preenchida pelo Bradesco. Observa bem a decisão recorrida, quando sustenta que, se os rendimentos financeiros da recorrente fossem mesmo R$ 128.586,47, como ela se valeu dos IRRF no valor R$ 171.329,84 na Ficha 12A da DIPJ/AC2006 (a fls. 82), para apurar um SNIRPJ/AC2006 no valor de R$ 166.979,50. Com relação à omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, vale, inicialmente, observar que, para desconstituir a presunção iuris tantum do art. 42 da Lei 9.430/96, não basta apenas demonstrar a origem do recurso, mas também demonstrar que ele foi oferecido à tributação, caso se trate de receita tributável. A decisão da DRJ não merece qualquer reparo, mesmo porque a recorrente não trouxe, em seu recurso voluntário, qualquer elemento de prova que pussesse em dúvida suas conclusões. Vale, então, o cotejo do que fora decidido pela DRJ com o que fora apresentado pela recorrente em seu recurso voluntário. Nesse sentido, transcrevo o seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrrido: “O contribuinte foi intimado a comprovar a origem individualizada dos depósitos bancários na conta corrente nº 01414895, ag. 3001, banco Bradesco (fl. 49), quando asseverou que os recursos tinham origem na venda de uma fazenda, localizada no município de Cotegipe (BA), no valor R$ 6.300.000,00, tendo destinado tais recursos para pagamento de dívidas de empresas do grupo, com valores atribuídos aos acionistas majoritários como adiantamentos para futura redução do capital (fl. 51). Dessa forma, não comprovou individualizadamente qualquer origem dos depósitos bancários. Na impugnação, o contribuinte alterou a versão acima, passando a afirmar que havia feito empréstimos à empresa parceira comercial Pedra Negócios e Acessoria Ltda (empréstimo de R$ 1.142.331,04, com reembolso no período fiscalizado de R$ 905.951,59), também efetuando a compra de recebíveis, inclusive confessando que não havia contabilizado as receitas auferidas nas operações de recebíveis e nos empréstimos à empresa Pedra. Para comprovar suas alegações, juntou aos autos cinco instrumentos particulares de mútuos com a Pedra (fls. 231 a 235) e borderôs de descontos de títulos de janeiro a agosto de 2006 (fls. 249 a 279). De início, a falta de esclarecimentos da origem dos depósitos bancários na fase que precedeu a autuação, com completa inovação probatória e argumentativa na impugnação, demonstra que o contribuinte foge aos padrões usuais de comportamento dos fiscalizados, que tem o dever de cooperar com a fiscalização, na busca da verdade material, sem produzir comportamentos contraditórios. Em uma situação dessa espécie, a prova nova juntada, agregada da completa inovação argumentativa, tem que comprovar, de forma iniludível, a origem dos depósitos bancários, sob pena de não ser acatada. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 Ocorre que a prova juntada aos autos para comprovar a origem dos depósitos bancários, relacionados nas fls. 202 a 211, é imprestável por múltiplos motivos. Explicase. Inicialmente, quanto aos contratos de mútuos, tratase de instrumentos produzidos unilateralmente, sem qualquer confirmação pública de sua contemporaneidade com os fatos que se quer provar (como um reconhecimento de firma), o que enfraquece, por si só, sua força probante, e que atestariam, apenas, que recursos saíram da conta bancária auditada. Porém, nem a isso se presta, pois, observese, tomandose, por exemplo, o contrato de fl. 231, que buscaria atestar um mútuo de R$ 320.868,64, em 31/01/2006, não se vê qualquer débito da conta bancária nesse importe, na data referida (vide extrato bancário de fl. 164). Indo além, tomese o contrato de mútuo seguinte, no importe de R$ 199.818,61, em 28/02/2006 (fl. 232), também não se vê qualquer transferência nesse valor na data citada nos extratos bancários (fl. 166). Agora tomando o mútuo de R$ 393.556,83, de 31/03/2006 (fl. 233), também não se vê qualquer transferência no período citado (fls. 168). Da mesma forma, para o mútuo de R$ 151.680.54, de 30/04/2006 (fl. 234), não se vê qualquer débito no extrato no período citado (fl. 170). Vêse claramente que os contratos de mútuos não têm substrato nos extratos bancários, não servindo sequer para comprovar os eventuais débitos na conta bancária auditada. Ademais, relembrese, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar a origem dos créditos na conta bancária (e não os débitos), ou seja, não bastaria a demonstração da higidez dos contratos de mútuos (o que não ocorreu nestes autos, repisese), mas que tais contratos deram origem a amortizações e pagamento de juros, daí justificando os créditos. E, como agravante, o fiscalizado sequer trouxe qualquer documentação que demonstrasse que o mutuário tivesse efetuado as amortizações de capital e pagamento de juros. Na verdade, chegase a conclusão que os instrumentos de mútuos foram intencionalmente preparados para instrumentalizar a impugnação, sem qualquer liame com a realidade, quer porque não se encontram associados aos débitos na conta bancária auditada, quer porque não houve qualquer comprovação dos pagamentos por parte do mutuário, quer porque não foram contabilizados (como confessado pelo próprio impugnante), pois inexistentes de fato. Ainda, mais um ponto a provar a imprestabilidade de tais contratos, vêse que o contribuinte somente juntou uma planilha afirmando que recebera R$ 905.951,59 do mutuário (fl. 230), não havendo nos créditos bancários não comprovados tal valor (fls. 202 a 211). Com as considerações acima, devem ser rejeitados os contratos de mútuos trazidos na impugnação, pois imprestáveis para comprovar os mútuos e, muito mais, para comprovar qualquer dos depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10435.721315/201018 Acórdão n.º 1302001.869 S1C3T2 Fl. 490 9 De mal parecido sofrem a planilha e os borderôs de fls. 249 e seguintes, aos quais pretensamente comprovariam os débitos na conta bancária auditada, a justificar eventuais créditos. De plano, mais uma vez, tratase de meras planilhas, produzidas unilateralmente, não havendo sequer os contratos de abertura de créditos entre os envolvidos. Ademais, não se comprovou quais os valores que deram origem aos créditos em discussão. Na verdade, a partir de meras planilhas, produzidas pelo próprio impugnante, as quais não transitaram pela contabilidade (como confessado pelo fiscalizado), buscase comprovar a origem dos depósitos bancários, quando não há qualquer prova documental idônea para tanto. Insistese que a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar a origem dos créditos na conta bancária, e não os débitos, estes últimos que sequer restaram demonstrados, pois não há qualquer documentação comercial que vincule os contratantes, sendo imprestável, para tanto, meras planilhas produzidas pelo impugnante.”. No contrato de mútuo entre a recorrente e a Pedra Fiação, a recorrente foi presentada por Augusto Sampaio de Souza Coelho, e, a Pedra Fiação, por Geraldo de Souza Coelho, este sócioadministrador da Pedra Fiação, mas também sócio da recorrente, conforme prova a Ata a fl. 331. Ora, como bem aponta a DRJ, o contrato de mútuo, por si só, só poderia provar que houve a saída de recursos da conta bancária da recorrente (mutuante), já que a prova dos ingressos na conta da recorrente (mutuante) seria o comprovante de depósitos feito pela mutuária em valor e data coincidente com aqueles depósitos de origem não comprovadas, listados a fls. 202. A recorrente não logrou demonstrar a existência de depósitos nessas condições. As planilhas elaboradas pela recorrente não são provas, mas argumentos de defesa, os quais precisavam estar lastreados em documentos idôneos, para se constituirem em provas. Em verdade, as planilhas elaboradas pela recorrente tem a mesma força da escrituração contábil, a qual, para servir de prova em favor da contribuinte, deverá estar lastreada em documentos idôneos. Por sua vez, é até ininteligível o argumento de que para espancar as dúvidas suscitadas pela Delegacia de Julgamento, seguem os demonstrativos de depósitos bancários, em 2005, realizados pela Adquirente – AGROPECUÁRIA JACAREZINHO LTDA, pois depósitos ocorridos em 2005 jamais poderiam justificar ingressos na contabancária em 2006. Feitas tais observações, o que se nota, realmente, é que a volumosa fundamentação da decisão recorrida não foi sequer arranhada pela recorrente, pois, em seu recurso voluntário, apenas repisa o que já havia sido bem enfretado pela DRJ. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 494DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 16349.000061/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DE PIS. COMPRA DE ÁLCOOL E GASOLINA.
A compra de álcool anidro para fins carburantes e a compra de gasolina "A" com a intenção de obtenção de gasolina "C" não geram crédito de PIS para distribuidora de combustíveis.
CRÉDITO A ESCRITURAR. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo autorização legal para escriturar crédito não há que se falar em ressarcimento do mesmo.
INSUMOS. DEMAIS CRÉDITOS.
O relatório de diligência realizado pela delegacia de origem comprovou a inexistência de qualquer direito a crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumos: energia elétrica, fretes, carretos, gasolina e óleo diesel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos negou-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda, Semíramis e Valcir que davam provimento parcial para acatar os créditos nas aquisições de álcool anidro.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 628 1 627 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000061/200831 Recurso nº . Voluntário Acórdão nº 3301003.050 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de julho de 2016 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente PETROSUL DISTRIBUIDORA TRANSP. E COM. DE COMBUSTIVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DE PIS. COMPRA DE ÁLCOOL E GASOLINA. A compra de álcool anidro para fins carburantes e a compra de gasolina "A" com a intenção de obtenção de gasolina "C" não geram crédito de PIS para distribuidora de combustíveis. CRÉDITO A ESCRITURAR. INEXISTÊNCIA. Inexistindo autorização legal para escriturar crédito não há que se falar em ressarcimento do mesmo. INSUMOS. DEMAIS CRÉDITOS. O relatório de diligência realizado pela delegacia de origem comprovou a inexistência de qualquer direito a crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumos: energia elétrica, fretes, carretos, gasolina e óleo diesel. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos negouse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda, Semíramis e Valcir que davam provimento parcial para acatar os créditos nas aquisições de álcool anidro. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 61 /2 00 8- 31 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 629 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 630 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de PIS relativos à aquisição de álcool para fins carburantes, relativo ao 1º trimestre de 2006. Às fls. 22/25 foi anexada cópia autenticada de documento apresentado pelo sujeito passivo nos processos 16349.000053/200895, 16349.000054/200830 e 16349.000055/200884, no qual o contribuinte afirma que é distribuidor de combustíveis e, em relação à receita de venda de álcool para fins carburantes, se sujeita as disposições do artigo 42 da MP n°2.15835, de 2001. A DERAT/DIORT proferiu Despacho Decisório de fls. 36/40, ciência em 21/05/08 (fl. 43), por intermédio do qual foi indeferido o Pedido de Ressarcimento e não homologadas as compensações apresentadas, tendo em vista que a aquisição de álcool para fins carburantes não gera crédito da PIS. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 79/100, em 19/06/08 (conforme cópia de fls. 120/141), alegando em síntese: Os pedidos de ressarcimento não se referem apenas à aquisição de álcool para fins carburantes, mas também a créditos relativos à aquisição de bens/serviços utilizados como insumos: energia elétrica, fretes, carretos, gasolina/óleo diesel; As receitas da venda de gasolina passam a não ser excluídas da base de cálculo do PIS nãocumulativo independentemente de quem as auferiu; Somente as receitas da venda de álcool permanecem na regra da cumulatividade; Parte das receitas de venda da empresa não decorre da venda de álcool, assim teria direito a se creditar em relação a estas receitas; A decisão proferida pela DERAT/SP não analisou o ressarcimento relativo a créditos referentes à energia elétrica, fretes, carretos, gasolina e óleo diesel. Portanto, esta decisão é nula; A gasolina "C" é resultado de uma mistura de dois insumos: gasolina "A" (fornecida pela Petrobrás) e álcool etílico anidro combustível (fornecido pelas usinas). Cita a IN/SRF nºs 247/02 e 404/04 e a Resolução ANP n° 36/05; Até 08/04 as receitas decorrentes da venda de combustíveis encontravamse sujeitas a sistemática cumulativa, fator impeditivo para a geração de crédito do PIS, nos termos do inciso IV do § 3º do artigo 1° da Lei n° 10.637/02; Após 08/04 as receitas decorrentes da venda de combustíveis, exceto álcool, encontramse sujeitas à sistemática nãocumulativa, pois o inciso IV do § 3° do artigo 1° da Lei Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 631 4 n° 10.637/02 passou a prever que apenas as receitas oriundas da venda de álcool para fins carburantes não integrariam as receitas nãocumulativas; Tanto a gasolina "A" como álcool etílico anidro combustível perdem suas propriedades fisicoquímicas sendo transformadas em outro produto, portanto são insumos; Tem direito a crédito do PIS referente aos bens utilizados como insumos: álcool etílico anidro, gasolina A e óleo diesel, além daqueles relativos a serviços utilizados como insumo: transporte de insumos, despesas de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e despesas de armazenagem de Mercadoria e frete na operação de venda; O artigo 17 da Lei n° 11.033/04 confere aos contribuintes que vendem produtos submetidos à alíquota zero de PIS/COFINS o direito de manutenção dos créditos relativos à aquisição destes produtos, no mesmo sentido artigo 16 da Lei n° 11.116/05. Agir de forma contrária agride a Constituição Federal e o CTN; As receitas pela comercialização de álcool hidratado estão submetidas ao regime da cumulatividade monofásica, pois a distribuidora paga pelo restante da cadeia, fazendo jus à compensação dos créditos originados pelas aquisições tributadas; Há um custo para a distribuidora ao adquirir álcool etílico anidro, pois a usina recolhe 0,65% de PIS , assim está embutido no custo final o valor desta contribuição o que garante o direito ao crédito dos mesmos pela sistemática da nãocumulatividade; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CRÉDITO DE PIS. A aquisição de álcool anidro para fins carburantes e de gasolina A com a intenção de obtenção de gasolina C não gera crédito de PIS para distribuidora de combustíveis. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os procedimentos de reconhecimento de credito exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Solicitação Indeferida. Cientificada da decisão, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. O CARF solicitou diligência para a Delegacia de origem para: a) Intimar a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar planilha de cálculo, informando toda a apuração do crédito referente ao PIS não cumulativo para o período em discussão, apresentando documentação comprobatória das informações prestadas; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 632 5 b) Proceder, a Unidade de Origem, a verificação das informações e documentos apresentados, informando as glosas e os motivos de não aproveitamento dos créditos que julgar improcedentes, consubstanciado o trabalho em relatório fiscal; c) Dar ciência ao Recorrente das conclusões e do relatório elaborado, com prazo de 30 (dias) para manifestação. A diligência foi realizada e chegou a seguinte conclusão: Diante de todo o exposto com respaldo no solicitado no item “b” da Resolução 3102000.196, a qual demandou a diligência, concluímos que o contribuinte não tem direito aos créditos do PIS pleiteados no pedido de ressarcimento transmitido sob nº 18780.78289.200707.1.1.102459, referente ao 1º trimestre de 2006, no montante de R$ 8.917.211,81 (oito milhões, novecentos e dezessete mil, duzentos e onze Reais e oitenta e um centavos). É o relatório. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 633 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. O despacho decisório que negou a compensação, partiu da premissa de que todos os créditos alegados pela Recorrente estariam fundados na aquisição de álcool para fins carburantes, sendo que a recorrente alega que possuía créditos referentes a outras rubricas. Portanto, temos 2 matérias a analisar: 1) Direito de crédito nas compras de Gasolina A, Álcool Etílico Anidro Combustível: Como relatado, a recorrente está pleiteando o ressarcimento de crédito do PIS do 1º Trimestre de 2006, alegando que, na qualidade de empresa distribuidora de combustível, vende Gasolina C e Óleo Diesel, cuja receita de venda é tributada pela sistemática não cumulativa, com alíquota zero, e com direito de crédito nas compras de Gasolina A e Álcool Etílico Anidro Combustível. Entende a recorrente que o ressarcimento pleiteado está autorizado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/04, que também autorizaria a escrituração e manutenção dos créditos nas aquisições, por empresa distribuidora de combustível, de Gasolina A, Óleo Diesel e Álcool Etílico Anidro Combustível, este utilizado para misturar à Gasolina A e formar a Gasolina C, objeto de venda pela recorrente. Não assiste razão à recorrente. Como se pode constatar da leitura da peça recursal, o pedido da recorrente parte do pressuposto de que o art. 17 da Lei nº 11.033/04, por ter regulado inteiramente a matéria, teria revogado a alínea “b”, do inciso I, do art. 3º, da Lei n 10.637/02 (lei anterior), que vedava a utilização de crédito na aquisição de gasolinas e óleo diesel. Ocorrendo esta revogação, surgiria o direito ao crédito nas aquisições de Gasolina A, Óleo Diesel e Álcool Etílico Anidro Combustível, como de resto para todos os produtos submetidos ao regime monofásico de tributação da Cofins, adquiridos pelos comerciantes atacadistas e varejistas, como é o seu caso. Vejamos o que reza o referido art. 17 da Lei nº 11.033/04: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Literalmente, este dispositivo apenas garante a manutenção dos créditos vinculados às operações com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência do PIS. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 634 7 Entretanto, o referido dispositivo não regula toda a matéria relativa a créditos de PIS e muito menos assegura que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência de PIS geram direito a crédito, para todos os bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação dos bens ou produtos destinados à venda nestas condições. O referido dispositivo legal não tem a abrangência atribuída pela recorrente, porque efetivamente, não revogou tacitamente as disposições da legislação do PIS e da Cofins, não cumulativas, sobre o direito de efetuar créditos. Sequer fez alguma alteração nessas disposições legais. O álcool etílico anidro e consequentemente a gasolina A não são considerados insumos pela legislação tributária. O inciso II do artigo 42 da MP nº 2.158 35, de 2001, na redação vigente no período relativo ao pedido em análise, determinava que seria igual a zero a alíquota da contribuição para o PIS incidente sobre a receita bruta auferida por distribuidores decorrentes da venda de álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina. Portanto, o álcool etílico anidro era tratado como um produto vendido pela distribuidora, sujeito à alíquota zero e não um insumo. Assim, por lógica, tendo em vista que a distribuidora não podia vender o álcool etílico anidro separado da gasolina A, esta também não deveria ser tratada como um insumo, mas sim um produto. A seguir transcrevese o inciso II do artigo 42 da MP nº 2.15835. de 2001, vigente à época: Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I – gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejista; II – álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; (...) Superada essa primeira controvérsia, resta, então, analisar o direito à geração de créditos do PIS na aquisição da gasolina A e do álcool anidro, bem como do diesel, enquanto produtos revendidos pela distribuidora, ou seja, na condição de “bens adquiridos para revenda”. Sobre o assunto, assim dispõe a Lei 10.637/2002, que instituiu a cobrança nãocumulativa do PIS: Art. 1º A Contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 635 8 (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV – de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/PASEP aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) . Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (incluído pela Lei nº 10.865,de 2004) Vemos, então, que a lei 10.637/2002, conforme dispositivos acima reproduzidos e que estavam vigentes em 2006, veda o aproveitamento de créditos relativos a bens adquiridos para revenda quando esse bem se referir a gasolina e diesel, consoante o disposto no art. 3º, inciso I, letra “b”, combinado com o artigo 2º, § 1º, e, também veda quando esse bem se referir a álcool anidro, consoante o disposto no art. 3º, inciso I, letra “a”, combinado com o artigo 1º, § 3º, inciso IV. Logo, não existe crédito a escriturar por parte da recorrente e, consequentemente, a ressarcir. Como bem disse a decisão recorrida, no período objeto do pedido, feita a tributação do PIS do álcool combustível, quando adicionado à gasolina, era pelo regime cumulativo e sujeito à alíquota zero. Portanto, na sua comercialização não há que se falar em crédito na sua aquisição, mesmo que a venda seja após a adição à Gasolina A. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 636 9 Diante da afirmativa da recorrente de que toda a sua receita decorre da venda de Gasolina C e Óleo Diesel, não há crédito de PIS vinculado a esta receita. Em conseqüência, entendo correto o procedimento da autoridade administrativa de não efetuar o cotejamento dos créditos pleiteados com a escrituração e documentos fiscais da recorrente. Portanto, não assiste razão à recorrente nessa matéria. 2) Direito a crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumos: energia elétrica, fretes, carretos, gasolina e óleo diesel: No recurso voluntário, a recorrente alega que teria direito a outros créditos que não foram objeto de análise por parte do despacho denegatório do pedido de compensação. A solicitação de diligência pelo CARF concordou com tal alegação da recorrente. Como dito na Resolução que solicitou diligência à delegacia de origem, a autoridade de piso entendeu que a Recorrente, ao responder a intimação da Receita Federal, não incluiu nos créditos a que teria direito, outras rubricas que não àquelas referentes as aquisições de álcool para fins carburantes. Há a alegação de que teria direito a outros créditos que não somente àqueles referentes as aquisições de álcool para fins carburantes. Da resposta a intimação, extraio o trecho abaixo, que confirma este entendimento: Quanto aos créditos informados nos DACONs 2°, 3° e 4° trimestres de 2005, a PETROSUL, como distribuidora de combustíveis, lançou valores referentes a insumos, notadamente aqueles utilizados na elaboração da gasolina C por ela comercializada, que decorre da mistura do álcool anidro com gasolina A, bem como 40% (quarenta por cento) do total de serviços de transporte contratado pela empresa, por ser utilizado para transportar insumos e, consequentemente ser um custo inerente ao desenvolvimento da atividade de distribuição de combustível, conforme definição da ANP supra citada; Ressaltase que todos os créditos foram apurados proporcionalmente à parcela da receita sujeita à sistemática não cumulativa para o PIS e COFINS conforme definido no parágrafo 7° da Lei 10.833/2003. Há diversas soluções de consulta no sentido de que é admissível a tomada de crédito de PIS e COFINS relativo a insumos não só por indústrias, mas por "qualquer outra empresa". Portanto, foi informado que os créditos alegados pela Recorrente seriam referentes a diversas aquisições de insumos e, considerando que a autuada apurava o PIS também sob a sistemática da não cumulatividade, é necessário averiguar quais operações estariam sujeitas a cumulatividade e as que não seriam apuradas na não cumulatividade. Daí a necessidade de verificar toda a apuração do PIS para o período, explicitando se Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 637 10 o cálculo da não cumulatividade abarcava somente às operações referentes ao álcool para fins carburantes. Matéria que não ficou esclarecida no despacho decisório da Unidade de Origem, tampouco nos autos. Entretanto, a minuciosa diligência realizada pela Delegacia de origem esclareceu a dúvida que restava nos autos. Assim, transcrevo o relatório de diligência, citado nas partes de interesse: Assim, em que pese a apresentação dos documentos acima citados, a não apresentação dos diversos documentos solicitados no curso da diligência prejudicou a análise do feito no pertinente a correta quantificação de cada item e a comprovação material dos créditos pleiteados pelo contribuinte, o que se daria por meio de verificação dos registros nos livros fiscais e contábeis, dos documentos contábeis e das notas fiscais; vejamos: Nenhum comprovante de despesas com energia elétrica foi apresentado, impedindo sua quantificação, mesmo por critério de amostragem, inclusive impedindo que se possa afirmar que foram consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nenhum comprovante de despesas com frete e armazenagem foi apresentado, impedindo aferir, mesmo por amostragem, o montante das despesas, e ainda, se foram relativas à operações de vendas e se o ônus foi suportado pelo vendedor. Com referência a Serviços Utilizados como Insumos: i) nenhum documento foi apresentado; ii) sequer consta referência a essa rubrica no arquivo excel apresentado pelo sujeito passivo, e iii) apesar de solicitado no item “d” do já referido Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 001, não foi informada a origem dos valores constantes como base de cálculo dos créditos nos respectivos DACON. Assim, com relação a créditos oriundos de energia elétrica, fretes, armazenamentos, e serviços utilizados como insumos, não deve ser reconhecido qualquer direito a crédito, uma vez que nenhum documento comprobatório foi apresentado pela empresa, impossibilitando a quantificação, bem como a comprovação de as despesas terem sido realizadas em conformidade, por exemplo, com os preceitos dos inciso II e IX do artigo 3º da Lei 10.637/2002, abaixo transcritos. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (…) II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes... IX – energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 638 11 (...) Diante de todo o exposto com respaldo no solicitado no item “b” da Resolução 3102000.196, a qual demandou a diligência, concluímos que o contribuinte não tem direito aos créditos do PIS pleiteados no pedido de ressarcimento transmitido sob nº 18780.78289.200707.1.1.102459, referente ao 1º trimestre de 2006, no montante de R$ 8.917.211,81 (oito milhões, novecentos e dezessete mil, duzentos e onze Reais e oitenta e um centavos). Quanto aos demais argumentos trazidos pela recorrente em sua manifestação de inconformidade e renovados no recurso voluntário, adoto e ratifico o que disse a decisão recorrida, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei no 9.784/1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrantes do ato. Portanto, concluise que o relatório de diligência realizado pela delegacia de origem comprovou a inexistência de qualquer direito a crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumos: energia elétrica, fretes, carretos, gasolina e óleo diesel. Conclusão: 1) Quanto ao direito de crédito nas compras de Gasolina A, Álcool Etílico Anidro Combustível, não há direito ao crédito de PIS relativo ao 1º trimestre de 2006; 2) A diligência realizada pela delegacia de origem comprovou a inexistência de qualquer direito a crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumos: energia elétrica, fretes, carretos, gasolina e óleo diesel. Assim, considerando o entendimento exposto no despacho decisório, no acórdão recorrido e no relatório de diligência, está claro nos autos que a recorrente não tem qualquer direito ao crédito pleiteado de PIS relativo ao 1º trimestre de 2006 Diante do acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 16349.000061/200831 Acórdão n.º 3301003.050 S3C3T1 Fl. 639 12 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730061/2013-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde novembro de 2006, deve ser reconhecida isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde novembro de 2006, deve ser reconhecida isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 00 61 /2 01 3- 06 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.730061/201306 Acórdão n.º 2402005.294 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ADOLPHO BAHIA MENDONÇA FILHO, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora apurada inconsistência na declaração de renda Pessoa Física ano calendário 2008 do recorrente, pois este não fora considerado como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda. O lançamento considerou tributáveis os rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, o que resultou na alteração do imposto a restituir declarado de R$ 12.481,95 para o imposto a restituir após alterações de R$ 2.648,51. Tendo sido já restituído o imposto no valor de R$ 2.648,51, a notificação resultou em saldo de imposto a pagar de R$ 17,03. Consta dos autos que o recorrente apresentou laudo médico oficial atestando ser portador de doença que permite a concessão do benefício que busca ser reconhecido em seu favor, fazendo jus à isenção a partir da data de emissão do laudo. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que diante das alegações constantes no acórdão de primeira instância, de que deveria ter retornado à Junta Médica do Estado da Bahia para nova avaliação e indicação do termo inicial da enfermidade, assim o fez e apresenta nos autos o novo laudo médico, data de 21/10/2013, indicando o início da enfermidade desde novembro de 2006; 2. que o novo laudo foi emitido pelo mesmo hospital do laudo anterior e pelo mesmo médico; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de moléstia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Ademais, prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, que também dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.730061/201306 Acórdão n.º 2402005.294 S2C4T2 Fl. 4 5 [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Pois, bem, diante de tais preceitos legais, verifico que nada mais fez a recorrente do que trazer aos autos a prova que a DRJ disse seria hábil a comprovar o seu direito de isenção. De fato consta dos autos laudo médico, emitido pelo mesmo profissional do mesmo serviço serviço de saúde oficial, que subscreveu o laudo original, atestando que a moléstia grave teve como data de início 29/11/2006. A meu ver, então, restam cumpridos os requisitos para o reconhecimento da isenção. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10845.721083/2011-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/04/2011
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.657
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/04/2011 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/04/2011 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 10 83 /2 01 1- 57 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 248 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.813. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 249 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 250 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 251 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 252 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 253 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 254 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 255 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 256 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 257 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.721083/201157 Acórdão n.º 9303003.657 CSRF‐T3 Fl. 258 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13706.002230/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
LEGITIMIDADE. HERANÇA. UNIÃO ESTÁVEL.
A companheira supérstite possui legitimidade para interpor recurso voluntário na qualidade de administradora da herança, ainda que essa seja composta tão somente de obrigações.
RESGATE CONTRIBUIÇÕES PREVIDÊNCIA.
Sujeitam-se ao imposto de renda na fonte e ao ajuste anual as importâncias creditadas a título de resgate de plano de previdência privada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 LEGITIMIDADE. HERANÇA. UNIÃO ESTÁVEL. A companheira supérstite possui legitimidade para interpor recurso voluntário na qualidade de administradora da herança, ainda que essa seja composta tão somente de obrigações. RESGATE CONTRIBUIÇÕES PREVIDÊNCIA. Sujeitam-se ao imposto de renda na fonte e ao ajuste anual as importâncias creditadas a título de resgate de plano de previdência privada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 46 1 45 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.002230/200954 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.299 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente SADY FARAH Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 LEGITIMIDADE. HERANÇA. UNIÃO ESTÁVEL. A companheira supérstite possui legitimidade para interpor recurso voluntário na qualidade de administradora da herança, ainda que essa seja composta tão somente de obrigações. RESGATE CONTRIBUIÇÕES PREVIDÊNCIA. Sujeitamse ao imposto de renda na fonte e ao ajuste anual as importâncias creditadas a título de resgate de plano de previdência privada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 22 30 /2 00 9- 54 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13706.002230/200954 Acórdão n.º 2402005.299 S2C4T2 Fl. 47 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário relativo ao anocalendário 2005 no valor de R$ 6.466,48, dada a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 119.153,48 (fls. 6/10). O aresto recorrido assim resumiu os eventos do processo (fl. 48): Cientificado do lançamento em 17/03/2009, conforme aviso de recebimento (AR) à fl. 27, o contribuinte explica que o provento considerado omitido referese a resgate de fundo de previdência realizado em favor do filho SADY FARAH JUNIOR, na época menor de idade, cujas contribuições mensais foram por ele pagas. Diz que o valor transitou por sua conta para possibilitar a troca de CPF do dele para o seu filho como titular do plano de previdência, bem como permitir a alteração do tipo de plano. Afirma que o filho entregou declaração de isento em 09/10/2005 mediante recibo nº 101931177383 e apresenta laudo médico alegandose isento em virtude de ser portador da Doença de Paget (fls 11/16). Pede ao fim o cancelamento do lançamento. Em cumprimento aos arts. 1º e 6ºA da Instrução Normativa n° 1.061, de 2010, o processo foi remetido ao Setor de Fiscalização competente para manifestação sobre as questões de fato levantadas pela recorrente (fl. 33), sem que deste fato houvesse qualquer modificação do crédito tributário (Termo Circunstanciado fls. 35/37). Considerada precária a instrução processual, foi instado o recorrente a apresentar contratos relativos ao plano de previdência privada, ao que ficou inerte (fls 45/46). A instância de primeiro grau rejeitou os argumentos do contribuinte e manteve a notificação (fls. 47/50), consubstanciando seu entendimento na seguinte ementa de acórdão: RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. As importâncias pagas sob a forma de resgate a pessoas físicas por entidades de previdência privada ficam sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, devendo ser submetidas ao ajuste anual em declaração de rendimentos. Em 24/6/2013 foi protocolizada petição intitulada de "Recurso Voluntário" (fls. 61/73) por Norma Fernandes, CPF nº 299.843.00749, na qualidade de companheira do Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 notificado, conforme escritura de união estável, aduzindo, em apertada síntese, que o fundo resgatado sempre foi de titularidade do filho do notificado. Informa, ainda, ter o contribuinte falecido em 27/4/2009, sem deixar bens. Ao final, pede o cancelamento do débito fiscal e junta documentos. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13706.002230/200954 Acórdão n.º 2402005.299 S2C4T2 Fl. 48 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, devendo ser admitido. Inicialmente manifestei entendimento em sentido diverso, visto que na espécie, havendo o notificado falecido em 27/4/2009, consoante Certidão de Óbito de fl. 68, considerando o art. 131 do CTN e o art. 1997 do Código Civil, e o fato de que não deixado bens a inventariar ou testamento (fl. 63). Em decorrência, Norma Fernandes, CPF nº 299.843.00749, não se legitimaria para interposição de recurso em evidência na qualidade de inventariante, representante do espólio, o que acarretaria o não conhecimento do recurso. Não obstante, em declaração de voto apresentada na sessão de julgamento, o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci observou, com percuciência, que a referida possuiria legitimidade na condição de administradora provisória da herança, a qual é formada não só dos bens e direitos, mas também das obrigações do de cujus, inclusive as tributárias. Me convencendo que tal abordagem corresponde a melhor enfrentamento da situação em comento, é com a devida vênia que, saudando sua propriedade, acolho aquelas razões de convencimento, tanto em relação à legitimidade quanto com respeito a matéria de mérito, transcrevendoas e fazendo delas a fundamentação do presente voto. Segundo o inc. I do art. 1797 do CC, até o compromisso do inventariante, a administração da herança caberá ao cônjuge ou companheiro, se com o outro convivia ao tempo da abertura da sucessão. Vejase: Art. 1.797. Até o compromisso do inventariante, a administração da herança caberá, sucessivamente: I ao cônjuge ou companheiro, se com o outro convivia ao tempo da abertura da sucessão; Já o art. 613 do CPC, aplicável aos processos administrativos fiscais por força de seu art. 15, estabelece que, até que o inventariante preste o compromisso, continuará o espólio na posse do administrador provisório. O seu art. 614 ainda preleciona que o administrador provisório representa o espólio ativa e passivamente. Vejase: Art. 613. Até que o inventariante preste o compromisso, continuará o espólio na posse do administrador provisório. Art. 614. O administrador provisório representa ativa e passivamente o espólio, é obrigado a trazer ao acervo os frutos que desde a abertura da sucessão percebeu, tem direito ao Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 reembolso das despesas necessárias e úteis que fez e responde pelo dano a que, por dolo ou culpa, der causa. Logo, até o compromisso de inventariante, o espólio é representado ativa e passivamente pelo cônjuge ou companheiro. E a signatária do recurso mantinha união estável com o de cujus ao tempo de seu falecimento. Ademais, não se tem notícia nos autos da existência de compromisso de inventariante, mesmo porque a declaração de fl. 63 menciona que o falecido não deixou bens a inventariar ou arrolar. Portanto, o espólio está devidamente representado nos autos, sendo necessário o conhecimento do recurso voluntário. Omissão de rendimentos O recorrente alega que os valores seriam de seu filho e que o informe de rendimentos em nome deste seria prova inequívoca de que a aplicação não foi resgatada, tendo transitado em conta corrente apenas para alteração dos dados cadastrais. Contudo, tal documento não faz a prova pretendida pela parte. Na data do fato gerador da obrigação tributária, os rendimentos eram do recorrente, razão pela qual a fonte pagadora apresentou DIRF em seu nome, o que deu origem à acusação de omissão de rendimentos. Se, em dado momento, os rendimentos foram transferidos para seu filho, houve sim doação, o que não altera a conclusão de que o fato gerador da obrigação foi efetivamente realizado pelo recorrente, na qualidade de agente que tinha relação pessoal e direta com a situação dele constitutiva (art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN). Por outro lado, e de acordo com o "TERMO CIRCUNSTANCIADO" de fls. 35/36, o rendimento que teria sido omitido "enquadrase como resgate de previdência privada de PGBL". Vejase: Nesse ponto, o recorrente não nega a natureza tributária da verba informada. Destarte, e nos termos do art. 33 da Lei nº 9.250/1995, as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual (DAA). Vejase: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13706.002230/200954 Acórdão n.º 2402005.299 S2C4T2 Fl. 49 7 No caso concreto, o recorrente não levou ao ajuste de sua declaração as importâncias correspondentes ao resgate, de forma que houve omissão de rendimentos. Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. Ronnie Soares Anderson. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722128/2015-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 22 12 8/ 20 15 -9 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.722128/201596 Resolução nº 2301000.612 S2C3T1 Fl. 107 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal efetuado por meio de autuação fiscal para apuração de imposto de renda da pessoa física decorrente de suposta omissão de rendimentos. No caso, tratamse dos juros moratórios cobrados do reclamado em favor do reclamante, ora recorrente, reconhecidos em reclamatória trabalhista. Entendeu a fiscalização que os juros moratórios, por serem acessórios, acompanham a natureza jurídica da verba trabalhista. Incidindo o imposto sobre o principal também deve incidir sobre o acessório. Daí, teria o recorrente omitido de sua declaração de ajuste anual o recebimento dos juros, considerados rendimentos da pessoa física. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. JUROS INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS. Os juros incidentes sobre verbas trabalhistas seguem a mesma natureza tributária da verba principal sobre a qual são calculados. Se incidirem sobre rendimentos tributáveis são igualmente tributáveis. Não tem efeito vinculante para a Administração Tributária as decisões ou súmulas emitidas pela Justiça do Trabalho. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido... Em desfavor do contribuinte acima identificado, foi emitida Notificação de Lançamento (fl. 8), relativamente ao anocalendário 2011, na qual foi lançado de ofício crédito tributário, relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Física, no valor de R$ 8.397,39, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. ... No caso vertente, o contribuinte alega que os juros são isentos. Anexa, às fls. 36 a 39, resolução administrativa e telas de súmulas emitidas pelo TRT, que declaram a isenção dos juros. Observase que essa corrente de pensamento quer tratar os juros de forma isenta, alegando verba indenizatória, com base no artigo 404 do Código Civil de 2002. Entretanto, o referido artigo se refere à perdas e danos, ou seja, o objeto principal é uma indenização, basta verificar que tal assunto está no Capítulo III “Das Perdas e Danos”. Portanto, razoável que os juros de mora incidentes sobre os mesmos fossem também de mesma natureza. No entanto, não é possível transferir esse raciocínio para aplicar a mesma regra sobre a legislação tributária. Como cediço, o instituto da analogia somente vigora na ausência de norma sobre a matéria, o que não é o caso. ... Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.722128/201596 Resolução nº 2301000.612 S2C3T1 Fl. 108 3 No caso de juros sobre rendimentos recebidos acumuladamente ainda vigora o disposto no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, base legal do art. 56 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: ... “Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12).” (grifos acrescidos) Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações em impugnação, em síntese: Apresentou como fundamento, em síntese, que a fiscalização cometeu equívoco ao considerar tributáveis os juros incidentes sobre as verbas trabalhistas, uma vez que na homologação dos cálculos pela 17a.Vara do Trabalho, os juros foram considerados isentos de tributação. O perito judicial, seguindo orientação do TRT, fez incidir imposto de renda apenas sobre o principal. Não pode o fisco modificar essa decisão. Acrescenta que coube à justiça do trabalho, sem invasão da competência da justiça federal para apreciação de matéria tributária, definir quais parcelas teriam natureza indenizatória. E, no caso, decidiu que sobre os juros não haveria incidência do imposto. Reitera ser esse o entendimento do STJ, REsp nº 1.227.133, julgado no rito do artigo 543C do CPC. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.722128/201596 Resolução nº 2301000.612 S2C3T1 Fl. 109 4 Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, decidiu o STJ no REsp nº 1.227.133 sob rito do artigo 543C do CPC que sobre os juros de mora devidos ao reclamante em ações trabalhistas para rescisórias não há incidência do IRPF pela sua natureza indenizatória, independentemente da incidência ou não do imposto sobre a verba principal: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. ... Não é possível a incidência de imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do atraso no pagamento de verbas de natureza trabalhista reconhecidas por decisão judicial, visto que os valores que deles decorrem não representam renda tributável, tratandose de hipótese de não incidência tributária, não importando a natureza da verba principal, pois, abrangendo os juros moratórios eventuais danos materiais e, ou apenas, imateriais, não podem ser entendidos como acréscimo patrimonial, já que se destinam à recomposição do patrimônio lesado, não se enquadrando na norma do artigo 43 do CTN. O acórdão em embargos de declaração resultou na modificação da ementa que antes tinha uma redação com maior alcance, ou seja, não haveria incidência de imposto de renda sobre juros moratórios independentemente da origem ou natureza da verba. Redação anterior: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. –Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Redação modificada: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. –Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.722128/201596 Resolução nº 2301000.612 S2C3T1 Fl. 110 5 Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Assim, considerando o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STJ deverá ser reproduzido por essa turma. Para tanto, fazse necessário que seja esclarecido se, de fato, tratamse de verbas indenizatórias ou rescisórias decorrentes de reclamatórias trabalhistas: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15471.003396/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO E DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL EM SEPARADO.
O décimo terceiro salário é tributado exclusivamente na fonte, sendo as deduções correspondentes também realizadas em separado, forte nos arts. 638, inciso IV, 641 e 643 do RIR/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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TRIBUTAÇÃO E DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL EM SEPARADO. O décimo terceiro salário é tributado exclusivamente na fonte, sendo as deduções correspondentes também realizadas em separado, forte nos arts. 638, inciso IV, 641 e 643 do RIR/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 33 96 /2 01 0- 58 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJ2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) alterando o saldo de imposto de renda do anocalendário 2008 de R$ 2.213,40 a restituir para o montante de R$ 11.455,86 de imposto suplementar a pagar. A instância a quo assim sumarizou os termos da ação fiscal e da impugnação: 2. No procedimento fiscal de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2009, fundamentada nos arts. 788; 835 a 839; 841; 844; 871 e 992 do Decreto 3000, de 26/ 03/ 1999, foram tomados para o cálculo do Imposto devido os rendimentos declarados como tributáveis e os rendimentos omitidos, tributáveis declarados como isentos; o Imposto de Renda Retido na Fonte; e as deduções declaradas, tendo sido glosadas, por falta de comprovação, as despesas com dependentes; médicas; com instrução e com pensão alimentícia, segundo relato fiscal das fls.06 a 11. 3. O Impugnante, anexando cópias dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Anocalendário 2008 do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e da Fundação Sistel de Seguridade Social; e cópia do Ato do Chefe do Recursos Humanos do INSS, onde consta referência ao deferimento do pedido de designação de Renata Fernandes Ferreira como companheira junto a esse Órgão, fl. 16, contesta o Lançamento apresentando os argumentos que seguem: i) declarou os rendimentos [tributáveis] que constam nos mencionados comprovantes; ii) as pensões alimentícias declaradas de Miriam Guimarães Chaves e Regina Célia Alcântara seriam deduzidas nos contracheques; iii) a despesa com instrução, cujo recibo teria sido extraviado, referese a curso no SENAI pago para o filho Gabriel Luiz de Alcântara Cantisano; iv) e a despesa médica teria sido paga em nome de Renata Fernandes Ferreira, sua companheira. Sobre a glosa da dedução de despesas com o dependente Gabriel Luiz de Alcântara Cantisano o Interessado não se manifestou. A exigência foi mantida pela DRJ/RJ2 (fls. 39/42), levando à interposição de recurso voluntário em 31/10/2013, juntando documentos e aduzindo, em síntese, que: os documentos nº 1, 2 e 3 declaram taxativamente os descontos das pensões alimentícias, e os de nº 4 à 15 "declaram mês a mês o ano todo de 2008, os descontos"; os documentos de nº 16 a 23 são as cópias de ofícios judiciais que determinam os descontos. Pleiteia, frente à documentação trazida, a anulação da taxação. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 15471.003396/201058 Acórdão n.º 2402005.123 S2C4T2 Fl. 69 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe frisar que o recurso cingese à glosa de dedução com pensão alimentícia, motivo pelo qual as demais infrações mantidas pela decisão contestada restam incontroversas. Examinando o lançamento em tela, vejase que na parte relativa à "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" da infração "Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública", está consignado (fl. 9): Glosa do valor de R$ ******2.896,06, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Excluídos valores referentes a parcela do 13º salário. (grifei) Resta claro da fundamentação da notificação, bem como do próprio valor alcançado pela glosa, que não foi questionado pela fiscalização o total de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia nos termos do art. 4º da Lei nº 9.250/1995 R$ 61.071,07 mas sim apenas R$ 2.896,06, quantia pertinente à parcela da pensão judicial passível de ser deduzida do décimo terceiro. Visto isso, temse que não assiste razão ao recorrente. Com efeito, a pensão alimentícia judicial é descontada proporcionalmente do décimo terceiro salário, rendimento esse sujeito à tributação exclusiva na fonte, nos termos do art. 26 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dos arts. 7º, IV e 16 da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, e do art. 4º, II da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 (dispositivos esses consolidados nos arts. 638, IV, 641 e 643 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99). Nesse contexto, assim como o décimo terceiro salário é tributado em separado e exclusivamente na fonte, também é realizado em separado o cômputo das deduções que lhe são correspondentes. Incabível, desse modo, que sejam deduzidos dos rendimentos tributáveis os valores correspondentes aos pagamentos de pensão vinculados ao recebimento do décimo Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 terceiro, no total de R$ 2.896,06 apurados pela fiscalização, estando assim sem máculas a glosa realizada, no particular. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 13604.720230/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente
assinado digitalmente
Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah Presidente, Carlos Henrique De Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah Presidente, Carlos Henrique De Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah Presidente, Carlos Henrique De Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz Relatório SEBASTIÃO FONTES MARTINS recorre da decisão exarada no acórdão 16 65.875, da 22ª Turma da DRJ/SPO, de 20 de fevereiro de 2015, fls.30/34, que julgou improcedente a impugnação interposta contra Notificação de Lançamento do Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2011, com imposto suplementar de R$ 1.414,48 . No relatório do voto condutor do acórdão guerreado, assim constou: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 04 .7 20 23 0/ 20 14 -4 5 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13604.720230/201445 Resolução nº 2201000.211 S2C2T1 Fl. 54 2 (...) Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 2.499,07. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02/03, e dos documentos de fls. 04/09, alegando, em síntese, que: O pagamento ficou sob a responsabilidade da Associação Comercial, Industrial de Serviços e Agropecuária de Itabira (ACITA), por força de acordo celebrado na reclamação trabalhista em desfavor dessa proposta pelo ora recorrente perante a Justiça do Trabalho de Itabira (Proc. n° 0087200.56.2000.5.03.0060). Conforme comprovante em anexo, o recolhimento foi feito regularmente pela ACITA. Requer, diante do exposto, o acolhimento da impugnação apresentada e o cancelamento do debito fiscal reclamado. Ciente da decisão em 11 de março de 2015, conforme fls.39, interpôs o recurso voluntário, às fls.41, em 10 de abril seguinte. Pediu o cancelamento da exigência alegando que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte é de responsabilidade da fonte pagadora. Informa que o comprovante fornecido pela fonte pagadora está diferente do informado na declaração de imposto de renda oferecida. Solicita a autorização para emissão de outra declaração retificadora. Comunica a anexação de cópia do recibo do parcelamento realizado pela fonte pagadora, novo informe de rendimentos bem como a declaração retificada. Pede o cancelamento da exigência.´ É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e merece ser conhecido. Conforme anteriormente relatado tratase de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2011, ano base 2010, que implicou na exigência do imposto suplementar no valor de R$1.414,48, quando foi declarado imposto a restituir no valor de R$ 1.084,59. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13604.720230/201445 Resolução nº 2201000.211 S2C2T1 Fl. 55 3 O recorrente, em sede de impugnação, às fls.2, consignou que a infração decorria da compensação indevida do IRRF pelo CNPJ 19.540.400/000118, no valor de R$ 2.499,07.e disse juntar: "1º)documento de identidade do signatário, outros discriminativos das arrecadações selecionadas, comprovante de arrecadação e recibo de pedido de parcelamento. 2º) O pagamento ora cobrado ficou sob a responsabilidade da Associação Comercial, Industrial de Serviços e Agropecuária de Itabira (ACITA), por força de acordo celebrado na reclamação trabalhista em desfavor dessa proposta pelo ora recorrente perante a Justiça do Trabalho de Itabira (Proc.0087200.56.2000.5.03.0060) 3º Conforme comprovante em anexo, o recolhimento foi feito regularmente pela ACITA. Juntou os documentos de fls.5/11 Na descrição dos fatos e enquadramento legal,fls.11, assim consignou a autoridade lançadora: Processo trabalhista nº 00872200006003003, 1ª Vara do Trabalho de Itabira. Foi homologado o acordo de conciliação para pagamento em 60 parcelas fixas de R$4.135,47. No Termo de audiência de conciliação, datado de 01/09/2008, ficou expresso que a falta de recolhimento do INSS e IRRF, não rescindiam o pactuado, incidindo as multas pertinentes.Em resposta à intimação para apresentar planilha e DARF dos recolhimentos do IRRF, o contribuinte apresentou relatório apenas referente a DIRF do anocalendário de 2008, sem apresentar os DARF ou esclarecimentos referentes ao anocalendário da declaração (2010) Adiante, às folhas 7, no formulário de "Arrecadações Selecionadas" os DARF recolhidos, sob código 5928, Referentes ao ano de 2010, se apresentam na ordem seguinte: PA VCTO DATA PAGAMENTO VALOR R$ 31.01.2010 19.02.2010 16.11.2011 621,94 30.04.2010 20.05.2010 16.11.2011 612,15 31.03.2010 20.04.2010 17.11.2011 615,52 30.06.2010 20.07.2010 17.11.2011 604,73 31.07.2010 20.08.2010 17.11.2011 ...600,73 31.08.2010 20.09.2010 17.11.2011 ...596,91 30.09.2010 20.10.2010 17.11.2011 ...593,27 28.02.2010 19.03.2010 18.11.2011 618,53 31.05.2010 18.06.2010 18.11.2011 608,60 31.10.2010 19.11.2010 18.11.2011 589,63 Total 6.062,01 No Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte (MAFON) o código 5928 referese aos rendimentos decorrentes de decisões da Justiça (código da Receita 0561) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13604.720230/201445 Resolução nº 2201000.211 S2C2T1 Fl. 56 4 O recorrente pleiteia o valor de imposto de renda retido na fonte de R$ 2.499,07,que suponho decorra desses recolhimentos, mas há diferenças que podem corresponder ao atraso no pagamento. A impugnação não foi instruída com o informe de rendimentos da fonte pagadora , mas tão somente com os DARFs. O recorrente juntou, nesta fase processual, um declaração retificadora e um novo informe de rendimentos. Mais aqui, tanto os rendimentos quanto o imposto retido apontam valores sem qualquer conexão com aqueles lançados. Como não se trata de matéria prequestionada não cabe seu conhecimento. Contudo, como é possível que o Recorrente possa ter parcial razão, sugiro a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade jurisdicionante verifique se os DARFs acima apontados estão disponíveis para alocação e se, efetivamente, se referem aos créditos discutidos neste processo. Relatório circunstanciado deverá ser elaborado e dado ciência ao Contribuinte para que, se entender necessário, se pronuncie. Após os autos deverão retornar para julgamento. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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