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Numero do processo: 14041.000456/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF
O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicandose destarte a regra do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 1301-001.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto Baptista que cancelava a multa isolada.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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MULTA ISOLADA. O prazo decadencial para lançamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda a título de estimativa segue a regra do tributo a que se refere, aplicandose destarte a regra do § 4°,do art. 150, do CTN. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicandose destarte a regra do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto Baptista que cancelava a multa isolada. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 56 /2 00 7- 82 Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000456/200782 Acórdão n.º 1301001.926 S1C3T1 Fl. 2.291 3 Relatório CASA DA MOEDA DO BRASIL CMB, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade para também manter em parte o crédito tributário exigido através do lançamento de ofício. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a pessoa jurídica identificada no preâmbulo, para exigência de multa isolada e de multa regulamentar, no total de R$ 3.236.693,89, decorrentes de falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada e de inexatidão na DCTF entregue à Receita Federal (RFB), atinentes ao anocalendário de 2002. Consoante o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, o lançamento decorreu de procedimento de revisão interna de declaração para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido verificado que a interessada, apesar de ter apurado imposto de renda a pagar, conforme consta da DIPJ correspondente, não efetuou o respectivo pagamento e tampouco informou tais valores em DCTF. Nesse mesmo documento, a Fiscalização registrou que a requerente foi intimada a prestar esclarecimentos quanto às divergências encontradas, porém não foi atendida em virtude de a autuada ter mudado a sede sem providenciar a alteração no cadastro da RFB, motivo pelo qual a intimação retornou. Cientificado do lançamento em 24/07/2007, o contribuinte apresentou impugnação em 21/08/2007, informando, de início, as peculiaridades relativas à localização da Casa da Moeda do Brasil em razão do disposto em sua Lei de criação, de nº 5.895/73. Quanto ao mérito, alegou que a Casa da Moeda acumulou créditos tributários referentes a pagamentos realizados por estimativa nos exercícios de 1993 e 1994, e créditos decorrentes de retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos, a partir de 1997, os quais teriam sido utilizados para quitar o tributo devido no anocalendário de 2002. O processo foi então remetido à DRF Brasília, em 18/12/2008, para que, em procedimento de diligência, fosse confirmado o direito alegado pelo contribuinte, verbis: Considerando que os créditos informados pelo contribuinte na fase impugnatória são referentes a outros exercícios, não sendo possível a esta instância julgadora verificar, a partir dos elementos dos autos, a efetiva existência dos alegados créditos, bem como a disponibilidade dos mesmos para a compensação no anocalendário 2002, objeto de autuação fiscal, proponho o retorno dos autos à autoridade lançadora, DRF/Brasília, para a realização de diligência fiscal a fim de comprovar: Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 1. A existência dos alegados créditos decorrentes de recolhimentos a maior realizados desde os exercícios de 1993 e 1994, referentes a pagamentos realizados por estimativa nos referidos exercícios, bem como dos créditos por retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos a partir de 1997, informados pelo contribuinte em sua impugnação; 2. A efetiva disponibilidade de tais créditos para compensação na DIPJ2003, certificandose, com base em seus registros contábeis/fiscais, que não houve a utilização dos referidos valores em outras compensações. Em atenção a tal solicitação, procedeu a DRF Brasília à investigação correspondente, tendo sido consignado na Informação Fiscal, constante das fls. 646 a 652 (numeração do processo digital), o que segue: Dando início à diligência demandada, em 01/09/2010 intimouse a interessada a prestar os esclarecimentos mencionados alhures por meio do Termo de Intimação 0125/2010, fl. 477, recebido em 03/09/2010, conforme AR à fl. 478. Como não houve resposta, o contribuinte foi reintimado, por meio do Termo de Reintimação 0180/2010, à fl. 479, em 01/12/2010. Em resposta, o contribuinte apresentou as informações constantes das fls. 506 a 605. A documentação consistia em impressos intitulados “ANALÍTICO DE CONTAS”, juntamente com balancetes patrimoniais, impressos na escrituração do SIAFI de 1999 a 2009 e uma planilha resumo intitulada DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO IMPOSTO DE RENDA, fl. 483. Os livros diário e razão solicitados não constavam da documentação recebida. [...] A partir das novas documentações apresentadas foi possível perceber algumas divergências, a saber: O somatório mensal dos valores recolhidos, segundo o DEMONSTRATIVO DA ORIGEM DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS, fl. 482, diverge do total dos DARFs apresentados. (...) O DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO IMPOSTO DE RENDA, fl. 483, apresenta supostos créditos em janeiro, fevereiro e março de 1993, muito embora os DARF apresentados, fls. 486 a 505, não informem recolhimentos neste período. Além disso, os valores mensalmente recolhidos não coincidem com os créditos alegados, constantes do DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO IMPOSTO DE RENDA (...) [...] Por todo o exposto, ainda que todas as informações apresentadas pelo contribuinte não divergissem ou que todas as planilhas elaboradas guardassem fidelidade entre si, ainda assim, sem a escrituração contábil, seria improvável a concessão do direito, que precisa ser provado pela forma determinada em Lei. Dessa forma, impossível a essa atividade de fiscalização comprovar, a partir de informações desencontradas e sem analisar a escrituração contábil, a existência de direito creditório em favor da interessada, tampouco determinar algum valor que pudesse ser utilizado em futuras compensações. Tendo sido concluído o procedimento de diligência, com conclusão desfavorável ao contribuinte, os autos foram remetidos a esta DRJ, para prosseguimento. Entretanto, em atenção ao princípio do contraditório e da ampla defesa, o processo foi enviado à unidade de origem para dar ciência à autuada da conclusão da diligência e reabrir o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000456/200782 Acórdão n.º 1301001.926 S1C3T1 Fl. 2.292 5 Cientificada do resultado da diligência em 04/07/2011, a interessada apresentou suas razões em 02/08/2011, alegando, entre outras questões, a isenção de tributos federais concedida pela Lei nº 5.895/73, mencionando também a Nota COFIS nº 00042/2005 e os Pareceres PGFN/CAT nº 907/2005 e PGNF/CAT nº 2.338/2007. Destacase que a requerente não contestou a conclusão da fiscalização quanto à impossibilidade de se verificar a existência do crédito alegado, em vista da não apresentação da escrituração contábil e da prestação de informações desencontradas. No tocante à alegação da isenção relativa às receitas decorrentes do exercício de atividades monopolizadas, a impugnante apresenta uma possível inclusão, no auto de infração, de valores isentos, mas não identifica tais quantias e tampouco as comprova. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), não vacila sobre os requisitos da impugnação: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Os pontos de discordância devem estar devidamente especificados, sob pena de negativa geral, consoante art. 17 do PAF e abalizada doutrina de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: O art. 16 do PAF estabelece, ainda, em seu inciso III, como requisito de peça impugnatória, a menção aos motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que o contribuinte possuir. Assim, se o contribuinte não questiona item por item da exigência fiscal, de forma direta e objetiva, corre o risco de ver sua pretensão indeferida por não estar instaurado o litígio. Impende observar que a matéria devolvida à instância julgadora é apenas aquela expressamente contraditada na peça impugnatória, ou seja, aquela em que está evidenciada, de maneira inequívoca, a reação do contribuinte ao lançamento. É preciso, portanto, demonstrar a intenção de impugnar. Não bastando contestar, de forma genérica, a autuação (negação geral) e pedir cancelamento do lançamento. Nesse sentido, é ônus do requerente apresentar, detalhadamente, os valores impugnados em razão da situação por ele alegada. Destarte, em face do exposto e em atenção ao princípio da verdade material, foi proposto a devolução do processo ao órgão preparador, nos termos do que dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para que o contribuinte preste os esclarecimentos necessários, abaixo detalhados: “1. Elaborar demonstrativo que evidencie as receitas consideradas por ele isentas, juntando os documentos hábeis e idôneos que comprovem sua alegação; 2. Comprovar que seus registros contábeis respaldam a segregação dos montantes informados no demonstrativo anteriormente citado como sendo decorrentes do exercício de atividade monopolizada passível de isenção tributária; Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 3. Elaborar demonstrativos com a apuração dos tributos devidos em decorrência do expurgo dos valores considerados como isentos de tributação, por período de apuração. De posse das informações prestadas pelo contribuinte, deverá a Fiscalização confrontar e ratificar os dados, bem como verificar a repercussão do resultado da diligência no auto de infração lavrado, com a conseqüente demonstração do valor realmente devido a título de estimativa de IRPJ relativa ao anocalendário de 2002, bem como eventual alteração nos valores lançados em decorrência da inexatidão na DCTF entregue à Receita Federal, atinente a esse mesmo anocalendário.” Após conclusão dos trabalhos de diligência, esta turma devolveu os autos à DRF de Brasília para que a fiscalização elaborasse um relatório conclusivo a respeito da repercussão nos tributos devidos, por período, decorrentes da atividade isenta. Como resultado desta nova diligência a autoridade diligenciante concluiu: “Assim, elaborouse o demonstrativo constante do Anexo I ao presente relatório, que apresenta o cálculo dos valores da multa isolada e da multa regulamentar após a exclusão das receitas monopolizadas assim consideradas por esta DRF/Brasília quando da análise objeto da já mencionada primeira diligência sobre o assunto (fls. 1927 a 1938) na determinação das bases de cálculo estimadas do imposto no anocalendário de 2002. Cabe também registrar que as antecipações (retenções na fonte) consideradas por esta Fiscalização no cálculo do imposto a pagar foram aquelas efetivamente informadas na Ficha 11 da DIPJ 2003, vez que essa questão já fora objeto de diligência anterior neste mesmo processo, encontrandose, portanto, superada. Finalmente, para fins de comparação, também foi elaborado o demonstrativo constante do Anexo II ao presente relatório, que apresenta, a partir dos dados constantes do demonstrativo apresentado pela empresa à fl. 2008, o cálculo original do auto de infração (sem a exclusão das receitas monopolizadas).” A impugnante devidamente cientificado manifestouse (resumo): INTRODUÇÃO: Devemos esclarecer, que a Casa da Moeda do Brasil em ocasiões passadas declarou em defesa apensada aos referidos processos, ter cometido engano no preenchimento da DIPJ2003/2002, no IRPJ (Ficha 12A linha 16) na CSLL (Ficha 17 linha 38 ), onde ambas deveriam constar o valor igual a ( ZERO ), fato que mesmo excluindose os valores dessas linhas a Casa da Moeda ainda assim, continuaria com Crédito Tributário de IRPJ e CSLL. Com o advento do último Parecer PGFN/CAT/N0 1.409/2009, enviado à Secretaria da Receita Federal do Brasil em 22 de Junho de 2009, o colegiado da Casa da Moeda do Brasil, passou a utilizarse da Imunidade Fiscal de suas Receitas consideradas Monopolizadas (Lei n° 5.895 de 19 de Junho de 1973). Nesta ocasião, já não havia possibilidade de retroagir à 2002, para fazer valer a exclusão do "Lucro Real", a parcela das Receitas consideradas Monopolizadas, ou seja, não tributáveis. QUANTO AO ANEXO I DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Processo n° 14041000456/200782 (IRPJ ) Processo n° 14041.000455/200738 ( CSLL ) Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000456/200782 Acórdão n.º 1301001.926 S1C3T1 Fl. 2.293 7 Os relatórios foram elaborados em duas versões, considerando as exclusões das Receitas consideradas Monopolizadas, e outra não considerando as Receitas Monopolizadas. Os relatórios somente se retrataram aos cálculos baseados nas Fichas 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, e Ficha 16 Cálculo da Contribuição sobre o Lucro Líquido por Estimativa. É fato, que os Cálculos somente contemplam as Receitas auferidas nos meses de Janeiro à Dezembro por Estimativa, e, que na ocasião, em alguns meses do período foram apontados Débitos de Impostos, porém, em ocasiões em que a Casa da Moeda se manifestou, relativamente aos Processos em questão ficou registrado, que os Débitos teriam sido compensados com Créditos de Exercícios Anteriores. É fato que, quando da ocorrência dos Débitos citados, ficou reconhecido pela própria Casa da Moeda, constante nos Processos, que no momento das compensações dos Débitos, careceram o cumprimento das Obrigações Acessórias (DCTF PERD/COMP). Diante do exposto, desejamos registrar nosso "MANIFESTO", com todo respeito, para que seja levado em consideração, que a DIPJ 2003/2002 em sua Ficha 9A é que determina a "DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL", base para o cálculo e Apuração dos Impostos Devidos, Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se levarmos em consideração que a DIPJ 2003/2002, não está contemplando as EXCLUSÕES DAS RECEITAS MONOPOLIZADAS, e caso, aplicarmos as devidas exclusões das Receitas Monopolizadas do Lucro Real, certamente a Casa da Moeda do Brasil, passará a apresentar "SALDOS CREDORES" na Apuração dos Impostos de Imposto de Renda e Contribuição Social, não havendo Imposto a Recolher. É importante registrar que, os princípios da legalidade e verdade material autorizam a retificação da declaração original a qualquer momento, principalmente quando for comprovada a existência de erro de direito ou de fato. A 2ª Turma da DRJ/BSB, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar parcialmente procedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ATIVIDADES MONOPOLIZADAS OU DELAS DECORRENTES. EXCLUSIVIDADE. FABRICAÇÃO DE PAPEL MOEDA E MOEDA METÁLICA. IMPRESSÃO DE SELOS POSTAIS E FISCAIS FEDERAIS. NÃO INCIDÊNCIA. A Casa da Moeda do Brasil, empresa pública de direito privado vinculada ao Ministério da Fazenda, exerce a fabricação de papel moeda e moeda metálica e a impressão de selos postais e fiscais federais e títulos da dívida pública federal. São atividades monopolizadas, caracterizadas como serviço público próprio, de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, razão pela qual se Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 encontram albergadas por isenção de tributos federais referente ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, enfatizando que os lançamentos de ofício quanto às multas isoladas e regulamentar estão fulminados pela decadência uma vez que tais fatos geradores têm bases mensais. É o relatório. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000456/200782 Acórdão n.º 1301001.926 S1C3T1 Fl. 2.294 9 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 1648), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, verificase que a autoridade julgadora em primeira instância constatou erro nos cálculos efetuados pela autoridade lançadora, no que tange à determinação da CSLL devida, pelo que reduziu a exigência ao valor que entendeu correto. Para maior clareza, transcrevo o excerto da decisão recorrida: Depois das diligências, permanece como matéria litigiosa a análise das receitas isentas auferidas pela impugnante no desempenho de suas atividades. Sobre o assunto, vale transcrever os artigos 1º, 2º e 11 da Lei nº 5.895, de 1973: “Art . 1º Fica o Poder Executivo autorizado a transformar a autarquia Casa da Moeda em empresa pública, sob a denominação de "Casa da Moeda do Brasil," dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, vinculada ao Ministério da Fazenda. (...) Art . 2º A Casa da Moeda do Brasil terá por finalidade, em caráter de exclusividade, a fabricação de papel moeda e moeda metálica e a impressão de selos postais e fiscais federais e títulos da dívida pública federal. Parágrafo único. Sem prejuízo do disposto neste artigo a Casa da Moeda do Brasil poderá exercer outras atividades compatíveis com suas atividades industriais. Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 10 Art . 11. No que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados as suas atividades monopolizadas ou delas decorrentes, a Casa da Moeda do Brasil goza de isenção de tributos federais.” Constatase que a isenção de tributos federais referente ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados aplicase às atividades monopolizadas ou delas decorrentes, e que a impugnante exerce, em caráter de exclusividade, a fabricação de papel moeda e moeda metálica e a impressão de selos postais e fiscais federais e títulos da dívida pública federal. Sobre o assunto, já se manifestou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN por meio dos Pareceres PGFN/CAT nº 907/2005 e PGFN/CAT nº 2.338/2007, no sentido de ratificar a isenção para as atividades monopolizadas ou dela decorrentes referentes ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados e esclarecer que a alusão aos tributos federais abrangeria também o PIS e a COFINS. Em ato mais recente, no Parecer PGFN/CAT nº 1409, de 2009, a PGFN foi provocada pela Receita Federal para que fosse retificado o Parecer PGFN/CAT/nº 2.338/2007 com o intuito de prevalecer "o não reconhecimento da isenção pretendida pela Casa da Moeda do Brasil e, por conseguinte, para concluir que as receitas decorrentes das atividades monopolizadas desenvolvidas pela Casa da Moeda do Brasil estariam sujeitas à tributação: IRPJ. CSLL, PIS Pasep e Cofins”. Contudo, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN manteve o entendimento já exposto nos pareceres anteriores. Dessa forma, quanto às atribuições da Casa da Moeda do Brasil, que fabrica papel moeda e moeda metálica e a impressão de selos postais e fiscais federais e títulos da divida pública federal, observase que na realidade, além da previsão legal de Isenção nos artigos 1º, 2º e 11 da Lei nº 5.895, de 1973, tratamse na realidade de serviços que deveriam ser prestado diretamente pela União, contudo, a União delegou à Casa da Moeda do Brasil. Este fato, a delegação, em absoluto, não tem o condão de tirar o caráter imune de tais serviços. Em suma, se a não incidência aqui pleiteada não fosse reconhecida, a União cobraria tributos de serviços prestados dela mesma, ou melhor, se ela prestasse diretamente, não cobraria, mas pelo fato da Casa da Moeda do Brasil, não ser mais Autarquia seria cobrado o tributo. Ora, a imunidade recíproca visa assegurar que as atividades públicas que sirvam de meio de ação dos entes federados no exercício de suas obrigações não tenham a eficiência comprometida em decorrência da tributação, ela não é um privilégio dos entes, ela nem é um privilégio dos serviços prestados, mas é simplesmente uma decorrência da forma do estado Brasileiro, que é a federação; pois, se fossemos um Estado unitário não seria preciso este tipo de imunidade. Diante dessa realidade, cabe ser observado, no caso concreto, qual a parcela das receitas auferidas pela impugnante seriam enquadradas como decorrentes de atividade imune, e nesse contexto, a análise dos autos permite constatar que, o resultado da diligência encaminhada por esta 2ª Turma constante na tabela anexo I de fl. 2.134 é o que se deve acatar. Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância. Com efeito, a autoridade lançadora olvidouse de excluir das bases de cálculo do IRPJ devido por estimativa as receitas isentas do contribuinte. Com isso, os valores de IRPJ Estimativa passou a ter como composição de sua base de cálculo somente as receitas tributadas, excluindose as receitas isentas. Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000456/200782 Acórdão n.º 1301001.926 S1C3T1 Fl. 2.295 11 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BSB e intimada por decurso de prazo em 29/01/2014 (fl. 2200), e apresentou em 10/02/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 2202/2283. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos presentes autos exigese a multa isolada relativa às estimativas de IRPJ não recolhidas em 2002 e descumprimento de obrigação acessória relativa ao preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Originalmente, todos os meses do anocalendário 2002 sofreram a incidência da multa isolada, bem como por entrega incompleta das DCTFs, sendolhe aplicado a multa isolada de 50% sobre o IRPJ Estimativa a pagar e a multa regulamentar de 20% sobre a mesmo IRPJ devido. Após a discussão sobre eventuais receitas isentas do contribuinte (tratadas no Recurso de Ofício), sendo tais receitas isentas reconhecidas pela DRJ/BSB, constatouse que o contribuinte só tinha IRPJ a pagar nos mêses de janeiro a maio, julho, outubro e dezembro de 2002, portanto mantevese as multas (isolada e regulamentar) somente sobre estes períodos, nos valores de R$ 416.870,16 e R$ 166.748,06 respectivamente. Contudo, em seu recurso voluntário o contribuinte se insurge contra a pretensão do fisco, alegando, preliminarmente, que o direito de lançar as multas relativas a fatos geradores ocorridos até 23/07/2002 havia decaído, nos termos do Art. 150, § 4º do CTN, uma vez que a ciência do lançamento de ofício somente ocorreu em 24/07/2007. Concordo com o argumento da recorrente! A aplicação da multa decorre do descumprimento do dever jurídico de recolher total ou parcialmente as antecipações do imposto de renda a título de estimativa. O legislador entendeu que a irregularidade seria passível de imposição da multa na modalidade isolada, sem cobrança do principal. Tal fato se justifica por não existir ainda a certeza do resultado do ajuste quando então será apurado o imposto efetivamente devido no período. Por outro lado, a aplicação isolada não desvincula a multa do tributo, ainda que a título de antecipação. Feita a opção pela apuração anual, a lei define o fato gerador mensal da estimativa que, inclusive, quando não recolhida no prazo sujeitase à multa já no mês seguinte ao vencimento. Sob esse prisma, a multa isolada decorrente de estimativa do imposto de renda ou da contribuição social não recolhida ou recolhida a menor submetese à regra decadencial daquele imposto a qual, na remansosa jurisprudência deste Colegiado, está definida no § 4º, do art. 150, do CTN, com prazo qüinqüenal contado a partir do fato gerador. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 12 No entender deste julgador, o fato gerador da estimativa mensal, ocorre ao final de cada mês calendário, pois, como dito alhures, caso não efetue as antecipações mensais, estará o contribuinte em mora, sujeito à multa e juros, ao final de cada mês calendário. Porém, ainda que o meu entendimento seja o dito acima, esta matéria (decadência das estimativas mensais), foi objeto de Súmula deste Colegiado, qual seja, a Súmula CARF nº 104, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 104 – Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. As súmulas CARF são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 45 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Como a ciência da autuação ocorreu em 24/07/2007, não há como se falar em caducidade para o lançamento de ofício relativo ao mês de Janeiro de 2002. Quanto à DCTF, nos termos da Instrução Normativa nº 126/1998, a mesma deveria ter sido entregue até o último dia útil da primeira quinzena do segunda mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Contudo, para os casos de multas regulamentares por falta ou deficiência na entrega de declarações acessórias, neste caso a DCTF, como não há como se falar em tributo sujeito à homologação, entendo que o lançamento também se submete ao prazo decadencial previso no art. 173, inciso I, do CTN. Assim, o lançamento de multa regulamentar pela deficiência na entrega da referida DCTF em 27/07/2007 não estaria fulminado pela decadência, haja vista a aplicação do artigo 173, I do CTN. Diante de todo o acima exposto, não acolho a preliminar de decadência do direito de lançar de ofício as multas isoladas e regulamentar. DO MÉRITO No mérito, alega a recorrente que os eventuais valores devidos a título de IRPJ Estimativa, teriam sido compensados com Saldos Negativos apurados em exercício anteriores. Em que pese a alegação acima, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse comprovar a referida a alegação. Ainda assim, respeitandose o princípio da verdade material, a DRJ/BSB baixou os autos em diligência a fim de que a DRF/BSB verificasse a alegação do contribuinte. Transcrevo mais uma vez, por entender relevante, excertos do Relatório Final de Diligência que tratou deste tema, lembrando que o contribuinte não apresentou, no curso da diligência, os livros diário e razão: Por todo o exposto, ainda que todas as informações apresentadas pelo contribuinte não divergissem ou que todas as planilhas elaboradas guardassem fidelidade entre si, ainda assim, sem a escrituração contábil, seria improvável a concessão do direito, que precisa ser provado pela forma determinada em Lei. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000456/200782 Acórdão n.º 1301001.926 S1C3T1 Fl. 2.296 13 Dessa forma, impossível a essa atividade de fiscalização comprovar, a partir de informações desencontradas e sem analisar a escrituração contábil, a existência de direito creditório em favor da interessada, tampouco determinar algum valor que pudesse ser utilizado em futuras compensações. Cientificada do resultado da diligência em 04/07/2011, a interessada apresentou suas razões em 02/08/2011, alegando, entre outras questões, a isenção de tributos federais concedida pela Lei nº 5.895/73 sem, contudo, contestar a conclusão da fiscalização quanto à impossibilidade de se verificar a existência do crédito alegado, em vista da não apresentação da escrituração contábil e da prestação de informações desencontradas. Ademais, além da alegação de compensação do IRPJ Estimativa devido com créditos de exercícios anteriores (saldo negativo) não ter sido comprovada, importante frisar que alegadas compensações não foram acompanhadas pela respectivas obrigações acessórias, quais sejam, a DCTF e Pedidos de Compensação. Como a contabilidade não foi apresentada para que se pudesse comprar a liquidez e certeza do crédito alegado, nem tampouco que o contribuinte, a despeito da não apresentação das obrigações acessórias, havia processado adequadamente as supostas compensações, não vejo como acatar o seu pedido. DIANTE DO EXPOSTO, oriento meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de sessões, 22 de janeiro de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 13896.902485/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO. CABIMENTO.
A comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para o reconhecimento da legalidade do procedimento compensatório realizado em conformidade com os requisitos estabelecidos na legislação vigente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO. CABIMENTO. A comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para o reconhecimento da legalidade do procedimento compensatório realizado em conformidade com os requisitos estabelecidos na legislação vigente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 24 85 /2 00 8- 48 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 15/6/2004, em que informada a compensação de parte do crédito proveniente do pagamento indevido da Cofins do mês de abril de 2004, no valor de R$ 4.655,00, com débito da Cofins do mês de maio de 2004. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 7/10, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência de crédito disponível, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do mês de abril de 2004. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em conformidade com o explicitado no demonstrativo de cálculo de fl. 19, que o crédito utilizado era decorrente do erro na apuração do débito da Cofins do mês de abril de 2004, cujo valor correto era R$ 6.331,01 e não R$ 10.986,01, informado na DCTF original. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 9ª Turma de Julgamento da DRJ – Capinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base no argumento de que a documentação apresentada, elaborada pela própria contribuinte, desacompanhada de prova documental adequada, não tinha força de infirmar os débitos informados na DCTF e tampouco permitia a confirmação da existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Em 25/11/2011, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 23/12/2011, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 44/50, instruído com a documentação de fls. 51/97, no qual reafirmou que o crédito compensado fora originado de erro de fato na apuração do débito da Cofins do mês de abril de 2004. Em aditamento, alegou que, por força do princípio da verdade material, a autoridade julgadora não poderia se contentar com a verdade formal, mas sempre buscar a verdade real. Na Sessão de 22 de maio de 2013, por meio da Resolução nº 3102000.256 (fls. 120/123), os membros da extinta Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, converteu o julgamento em diligência perante a unidade da Receita Federal de origem, para que: a) a recorrente fosse intimada a apresentar a documentação contábil e fiscal adequada e suficiente a confirmar se estava correto o valor da base cálculo da Cofins informado no demonstrativo de cálculo do mês de abril de 2004 do Dacon retificador (fl. 80); b) a autoridade fiscal designada para realização diligência emitisse parecer sobre a comprovação do direito creditório compensado e, se fosse caso, apurasse o valor o crédito da recorrente; e c) a recorrente fosse cientificada, para, dentro do prazo fixado, se manifestasse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornassemse os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Em 30/12/2013 (fls. 125/127), a recorrente foi intimada a apresentar: a) escrituração fiscal e contábil, relativa às operações de venda do “misturador intensivo horizontal CPB18 XHD em aço inoxidável 304 com 2 choppers, com painel de comando”, constantes das Notas Fiscais 5397, 5483, 5485 e 5583; e b) o demonstrativo de apuração da COFINS Nãocumulativa Mercado Interno, de forma a identificar as operações. Por meio da petição de fl. 128, em 15/1/2014, a contribuinte apresentou os Livros Diário (nº 67 e 68), Razão (Ativo/Passivo, Receitas/Despesas, Clientes/Fornecedores), Registros de Entradas (nº 36) e de Saídas (nº 19) e o de Nota Fiscal Fatura (nº 12 e 13), além de um demonstrativo de cálculo da Cofins (fls. 129/181). Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13896.902485/200848 Acórdão n.º 3302002.916 S3C3T2 Fl. 190 3 Após análise da referida documentação, por meio da Informação Fiscal de fls. 182/183, a autoridade fiscal concluiu o seguinte, in verbis: De posse destas informações contábeis e fiscais, trazidas nos livros apresentados, dos quais foram extraídas cópias das principais fls., podese verificar que a NF nº 5397 (R$ 61.250,00) referese à antecipação de numerário feito pela cliente Unilever em favor da Eirich para confecção e entrega futura de maquinário, sendo uma obrigação registrada contabilmente como antecipação de clientes, não incidindo qualquer tributação sobre a mesma, enquanto que a NF nº 5583 (R$ 201.037,45) registra o faturamento para entrega do maquinário, computada na receita de venda, sobre a qual incidiu a tributação pertinente. O valor recolhido da Cofins no montante de R$ 10.986,01 para o mês de abril/2004 recepciona em seu valor calculado o cômputo da NF nº 5397 em sua base, ou seja, o valor de R$ 4.655,00 referente à aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor de R$ 61.250,00, o que lhe permitiria valer desse valor recolhido a maior para compensálo com outros débitos administrados pela RFB. (grifos do original) Em 4/2/2014, a recorrente foi cientificada da referida Informação Fiscal (fls. 184/186) e lhe facultado o direito de apresenta manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da ciência. Porém, não houve qualquer manifestação da parte da recorrente. Em cumprimento aos despachos de fls. 187/188, os autos retornaram a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Nos termos do art. 170 do CTN, combinado com o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo depende da comprovação da existência de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento na data da realização do procedimento compensatório. E a comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, sabidamente, tratase de ônus do beneficiário do procedimento compensatório. Nesse sentido, prescreve o artigo 333, do Código de Processo Civil (CPC), aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, que o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Tratase de mandamento legal que tem como destinatário o julgador, possibilitandolhe que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 desempenhou bem a sua função de provar. Em consonância com o referido dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pleito, in verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No mesmo sentido, determina o artigo 28 do Decreto 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União), que cabe ao interessado provar os fatos que confirmem o direito alegado. Por força desse regramento, com vistas à comprovação do indébito utilizado na compensação em apreço, já na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar a alegada inexistência do crédito utilizado na compensação, que fora suscitada na decisão não homologatória da compensação. Entretanto, na atual fase recursal, a recorrente colacionou aos autos as notas fiscais de venda de fls. 91/95, com vistas a contrapor as razões aduzidas no julgado de primeira grau. Em face dessa circunstância, em conformidade com o disposto na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, tais provas foram consideradas excepcionadas do efeito preclusivo previsto no citado § 4º. Em decorrência, tais documentos podem ser apreciadas nesta fase de julgamento. Porém, como foram consideradas insuficientes para se firmar a convicção sobre os requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, os autos foram convertidos em diligência perante o unidade da Receita Federal de origem, para se pronunciar acerca dos referidos elementos probatórios. E em cumprimento ao que fora solicitado na Resolução nº 3102000.256, após análise dos documentos e livros fiscais apresentados pela recorrente, a autoridade fiscal diligente chegou a conclusão que o "valor recolhido da Cofins no montante de R$ 10.986,01 para o mês de abril/2004 recepciona em seu valor calculado o cômputo da NF nº 5397 em sua base, ou seja, o valor de R$ 4.655,00 referente à aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor de R$ 61.250,00, o que lhe permitiria valer desse valor recolhido a maior para compensálo com outros débitos administrados pela RFB." Assim, uma vez confirmado pela referida autoridade fiscal, que a recorrente recolhera indevidamente o valor de R$ 4.655,00, utilizado no procedimento compensatório em apreço, temse por devidamente comprovado os requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado. Por conseguinte, não mais subsiste o motivo pelo qual a compensação em apreço não foi homologada ou reconhecida a sua legitimidade pelas instâncias de julgamento anteriores. Com base nessas considerações e tendo em conta que o procedimento compensatório em questão foi realizado em conformidade com o disposto na legislação vigente, fica devidamente demonstrada a legalidade do citado procedimento. 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13896.902485/200848 Acórdão n.º 3302002.916 S3C3T2 Fl. 191 5 Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer a legalidade da compensação realizada pela recorrente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10972.720127/2011-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010
MULTA ISOLADA QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Quando da utilização de créditos de compensação inexistentes, não declarados, recolhidos ou parcelados, comprovada a falsidade da declaração da compensação em GFIP e caracterizada a má-fé e o dolo do contribuinte, aplicável assim a multa no referido percentual de 150%, consoante disposto no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 9202-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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APLICABILIDADE. Quando da utilização de créditos de compensação inexistentes, não declarados, recolhidos ou parcelados, comprovada a falsidade da declaração da compensação em GFIP e caracterizada a máfé e o dolo do contribuinte, aplicável assim a multa no referido percentual de 150%, consoante disposto no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 01 27 /2 01 1- 76 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10972.720127/201176 Acórdão n.º 9202003.743 CSRFT2 Fl. 311 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2402003.983, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 18 de março de 2014 (efls. 265 a 278). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que fosse excluída a multa isolada lançada de 150%, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS DISCUTIDOS JUDICIALMENTE. TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. PRESCRIÇÃO. GLOSA. Tendo a decisão judicial com trânsito em julgado concluído pela prescrição dos créditos previdenciários, cabe a este Conselho apenas cumprir o que ficou decidido judicialmente. Assim, correta a glosa de compensações de débitos previdenciários com créditos julgados prescritos pelo Poder Judiciário. MULTA ISOLADA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150% depende não só da intenção do agente como também da prova da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim, devendo ser comprovada para fins de aplicação do disposto no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91. Na ausência dessa comprovação, a multa deve ser afastada. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INCORREÇÕES. MULTA. A utilização e informação em GFIP de créditos de contribuições previdenciárias julgados prescritos pelo Poder Judiciário configura infração prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Multa devida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10972.720127/201176 Acórdão n.º 9202003.743 CSRFT2 Fl. 312 3 Decisão: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluída a multa isolada de 150%. Acompanharam pelas conclusões os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Carlos Henrique de Oliveira, Julio César Vieira Gomes e Thiago Taborda Simões. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 05/09/2014 (efl. 279) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 14/10/2014 (efl. 287), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 280 a 286). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 15 de maio de 2012, no Acórdão 2403001.294, de lavra da 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, bem como ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, também da 2a. Seção deste CARF através do Acórdão 2301002.736, prolatado em 18 de abril de 2012, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2403001.294 PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTOS EM UM MESMO PROCESSO. Na forma do § I do artigo 9° do Decreto 70.235/72, admitese a formalização de processo único, para mais de um auto de infração lavrados contra o mesmo sujeito passivo, se a comprovação do ilícito depender dos mesmos elementos de prova. COMPENSAÇÃO.GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário NacionalCTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INIDONEIDADE DA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO.POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo,impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento),calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado. Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Acórdão 2301002.736 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10972.720127/201176 Acórdão n.º 9202003.743 CSRFT2 Fl. 313 4 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2010 COMPENSAÇÃO. MULTA DE 150% POR FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. NORMA LEGAL QUE NÃO EXIGE O DOLO. FALSIDADE CARACTERIZADA POR DECLARAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO QUE NA REALIDADE JURÍDICA NÃO EXISTE. Segundo o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. A norma legal não exige dolo expressamente ou vincula sua aplicação ao conteúdo do §1º do art. 44 da Lei 9.430/96, o que deixa tal sanção submetida à regra geral das infrações tributárias prevista no art. 136 do CTN: a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica. Recurso de Oficio Provido. Decisão: I) Por voto de qualidade dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em negar provimento ao recurso Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) Enquanto o recorrido entendeu que a multa prevista no §10 do art. 89 da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, não se aplicaria na compensação decorrente de interpretação errônea da legislação tributária, sendo dependente de dolo, os paradigmas entendem que se trata de infração independente da intenção do agente, com fulcro no art. 136 do CTN (Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966); b) Entende que, quando o contribuinte declara possuir créditos líquidos e certos que não revelam ter tais qualidades por sua natureza controvertida, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica, independente da intenção do agente; c) Ressalta que uma vez que "não há dúvida de que as GFIP´s entregues pelo Município veicularam informações sabidamente falsas, não há que se falar em redução da penalidade", sob pena de se criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei, com a consequente violação do art. 97 do Código Tributário Nacional e do princípio da legalidade. Requer, assim, o conhecimento do recurso e seu provimento para que seja restabelecida a multa qualificada. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 289 a 291. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10972.720127/201176 Acórdão n.º 9202003.743 CSRFT2 Fl. 314 5 Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 21/01/2015 (efl. 300), a contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de Recurso Especial de sua iniciativa ou de contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente (Acórdão 2301001.294, que adota critério jurídico distinto do recorrido para mesma situação fática) e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Em análise o § 10 do art. 89 da Lei nº. 8.212, de 1991, verbis: Lei 8.212/91 Art. 89 (...) (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Com a devida vênia à posição esposada pela recorrente, entendo que busca o dispositivo acima penalizar a inserção dolosa de informações falsas na declaração efetuada pelo sujeito passivo, quando de caracterização de compensação indevida. A hipótese levantada pela Douta Procuradoria no sentido de que, sempre que o contribuinte usar para compensação créditos declarados como líquidos e certos, mas que "na realidade, não revelam ter tais qualidades" aplicarse ia o percentual em dobro, levaria à conclusão de que qualquer compensação considerada indevida em sede de contribuições previdenciárias, por posterior conclusão, pela Administração Tributária, no sentido de não liquidez e certeza do crédito utilizado, estaria sujeita à penalidade do dobro do percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que rechaço. Entendo que a melhor interpretação do dispositivo é no sentido de que somente quando ciente da divergência entre a alegada existência e/ou da liquidez e certeza dos créditos compensados e a realidade fática, ou seja, quando da inexistência de dúvida razoável acerca da inexistência, iliquidez ou incerteza dos direitos creditórios e, ainda assim, o contribuinte os insere, de forma dolosa, como direitos creditórios em sua declaração (GFIP), de forma a tentar alterar a verdade do fato jurídico tributariamente relevante, ou seja, a verdade acerca da existência de crédito tributário não extinto em favor da Fazenda Pública, estaria o contribuinte a inserir informação falsa naquela GFIP. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10972.720127/201176 Acórdão n.º 9202003.743 CSRFT2 Fl. 315 6 Uso da linguagem empregada juridicamente pelo Egrégio TRF da 4a. Região, no âmbito do MS no. 500044046.2012.404.7111, onde se teve de abarcar análise do termo "falsidade" para fins de declarações de compensação tributária, para manter o entendimento que se limita a multa isolada, no caso de compensações de natureza não previdenciária, às compensações realizadas pelo contribuinte com "máfé". Noto que ainda que se esteja, no referido mandamus, a se analisar o §17 do art. 74 da lei no. 9.430, de 1996, tal fato não limita sua aplicabilidade ao presente caso, visto se estar a tratar, ali também, de multa que se depreende até menos gravosa do que a decorrente de falsidade em sede de declaração de compensação (dada a coincidência de vocábulos entre o referido § 17 do art. 74 da Lei no. 9.430, de 1996, e o §10 do art. 89, da Lei no. 8.212, de 1991, sob análise). Reproduzse abaixo o teor do decisum de mérito "(...) DISPOSITIVO: Ante o exposto, CONCEDO a segurança pleiteada nos autos do presente mandado de segurança, extinguindo o feito com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I, do CPC, para, dando interpretação conforme à Constituição, afastar a aplicação das multas previstas nos parágrafos 15º e 17º do artigo 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pelo artigo 62 da Lei 12.249/10, em caso de mero indeferimento de pedidos de ressarcimento, restituição ou compensação, já protocolados e sem decisão administrativa ou que venham a ser protocolados, ressalvada a possibilidade de incidência da multa, acaso caracterizada máfé da contribuinte.(g,n,) Ilustro que o feito supra se encontra admitido já com reconhecimento de repercussão geral junto ao STF, no âmbito do RE 796.939/RS, pendente de apreciação. Destarte, entendo que somente nesta hipótese (se agir o contribuinte contra a existência de dúvida razoável, ou seja com máfé na declaração) de se aplicar o §10 do art. 89 em questão, com a consequente aplicação do percentual de 150% para fins de cálculo da penalidade, no caso de compensação de contribuições previdenciárias. Como exemplo de tal hipótese, pode ser citada a adoção de tese jurídica estapafúrdia, pouco razoável (o que não se confunde com uma "tese jurídica bastante contestada judicialmente", termo utilizado caso do Acórdão Paradigma ou com um crédito de "natureza controvertida", termo utilizado pela recorrente). Ou seja, excluo de tais situações (de aplicação da multa no percentual de 150%, quando de compensação indevida) aquelas onde há dúvida razoável, devidamente comprovada, acerca da liquidez e certeza do direito creditório, existente e utilizado para fins de compensação (onde, entendo, age o contribuinte de boafé), também no caso de contribuições previdenciárias em plena consonância com o decisum acima reproduzido. Notese, por fim, que a não aplicação da multa no percentual de 150%, no caso de inexistência de máfé, não exclui, in casu, a responsabilidade pela infração da compensação indevida, (tal como, no presente feito, no caso do lançamento das compensações de contribuições previdenciárias "improcedentes por irregularidades", tais como as de Item 6.1 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10972.720127/201176 Acórdão n.º 9202003.743 CSRFT2 Fl. 316 7 de efl. 31 e Anexo 11 do Relatório de efls. 130 a 138), permanecendo, assim, plenamente observado o teor do art. 136 do Código Tributário Nacional. Feita tal digressão, resta definir se, no caso sob análise, restou caracterizada, para as compensações objeto de multa no percentual de 150%, clara inexistência dos direitos creditórios utilizados para compensação e/ou de dúvida pouco razoável ou não comprovada acerca de sua liquidez e certeza, no caso das competências para as quais se aplicou o percentual duplicado, por compensação indevida. Ou seja, se o contribuinte agiu de máfé ou não. Analisando o caso em concreto, em que pese meu posicionamento divergir da interpretação do dispositivo legal defendida pela recorrente, entendo, todavia, lhe assistir razão no que diz respeito a seu pedido de necessidade de manutenção da multa duplicada (150%), abrangida no AI 51.004.5340. Explico. Verifico, com base nos itens 5.6 e 6.3 do Termo de Verificação Fiscal, respectivamente de efl. 26 e efl. 33, seus Anexos 8 e 9 de efls. 106 a 118, discriminadores de débitos de efls. 11 e 16 e GFIPs de efls. 163 a 175, que se cingiu a multa de 150%, in casu, às competências onde se tentou compensar contribuições previdenciárias que sequer foram objeto de declaração em GFIP (mais especificamente, remuneração dos Prefeitos e VicePrefeitos para as competências de 01/1998 a 12/2000, 02/01, 03/01 e 08/01 e 04/04 a 12/04 e dos Vereadores para as competências de 01/98 e de 05/04 a 12/04) e que, também, não foram objeto de qualquer recolhimento ou parcelamento, as quais restaram assim classificadas como "inexistentes" pela autoridade lançadora. Daí, inclusive, o tratamento diferenciado em relação às compensações indevidas tidas como "improcedentes por irregularidades", consoante Item 6.1 de efl. 31 e Anexo 11 do Relatório de efls. 130 a 138. Em tal situação, cediço que não havendo sequer declaração em GFIP ou o recolhimento/parcelamento das referidas contribuições previdenciárias nas competências citadas, cuja inexistência, também, notese, não foi refutada habilmente pelo contribuinte, não há que se cogitar de dúvida razoável acerca de sua inexistência e, consequentemente, da iliquidez e incerteza dos direitos creditórios utilizados, e, assim, da divergência da declaração constante das GFIPs de efls. 163 a 175 em relação à realidade fática. Os fatos apontam para a nítida inexistência de saldo a compensar oriundo de tais contribuições, ou seja, para a máfé do contribuinte. Caracterizados assim, em meu entendimento, o dolo e a máfé da contribuinte ao tentar se utilizar de tais montantes de contribuição para fins de compensação, concluindose, destarte, pela correção do procedimento adotado pela fiscalização no âmbito do AI 51.004.5340, ao lançar, para tais compensações com créditos "inexistentes", a multa no percentual de 150%. Assim, diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja restabelecida a multa isolada lançada no percentual de 150%. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 316DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10972.720127/201176 Acórdão n.º 9202003.743 CSRFT2 Fl. 317 8 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13869.000127/99-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. DIREITO RECONHECIDO. LIQUIDEZ DO CRÉDITO QUE RETROAGE À DATA DO PEDIDO.
Por sua natureza declaratória, os efeitos do reconhecimento do direito de crédito remontam à data do pedido de ressarcimento, significando dizer que os créditos devem ser considerados líquidos desde o momento do pedido.
COMPENSAÇÃO. FORMALIDADES. RAZOABILIDADE.
Validade da compensação procedida por meio de DCTF, ante a evidência de que houve confusão do contribuinte quanto ao manejo dos instrumentos formais, sem que com isso tenha acarretado postergação, redução ou falta de recolhimento de tributo devido, nem prejuízo à fiscalização.
Na época, o preenchimento da DCTF permitia o detalhamento das "compensações sem Darf', devendo-se reconhecer a validade da compensação quando foram apresentadas informações detalhadas quanto à origem dos créditos, inclusive com a indicação do processo administrativo de restituição e com perfeito encontro de
valores com os débitos declarados.
Recurso provido.
Numero da decisão: 202-18.356
Decisão: ACORDAM, os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de utilizar o ressarcimento de crédito de IPI para extinguir os débitos de PIS/Cofins, informados a DCTF anexa aos autos.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Ivan Allegretti
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LTDA. dirutlrono Dleti;19,0flela) %Vão Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP Rubrica e IPI. RESSARCIMENTO. DIREITO RECONHECIDO. LIQUIDEZ DO CRÉDITO QUE RETROAGE À DATA DO PEDIDO. Por sua natureza declaratória, os efeitos do reconhecimento do direito de crédito remontam à data do pedido de ressarcimento, significando dizer que os créditos devem ser considerados líquidos desde o momento do pedido. COMPENSAÇÃO. FORMALIDADES. RAZOABILIDADE. Validade da compensação procedida por meio de DCTF, ante a evidência de que houve confusão do contribuinte quanto ao manejo dos instrumentos formais, sem que com isso tenha acarretado postergação, redução ou falta de recolhimento de tributo devido, nem prejuízo à fiscalização. Na época, o preenchimento da DCTF permitia o detalhamento das "compensações sem Darf', devendo-se reconhecer a validade da compensação quando foram apresentadas informações detalhadas quanto à origem dos créditos, inclusive com a indicação do processo administrativo de restituição e com perfeito encontro de valores com os débitos declarados. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO CARLOS DA HORTA & CIA. LTDA. ACORDAM, os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de utilizar o ressarcimento de crédito de IPI para extinguir os débitos de PIS/Cofms, informadoj.a DCTf anexa aos autos. Sala d Sessões, em 21 de setembro de 2007. onioG`I'rUetAi ' te Iv. egr Rei 4 r Participar. , aind , do pr; ente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Ke A - nc: Na ja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López. 1 , , .0IF - SEGUNDOECROEN CS holf,:-.;(0,) Cofx;zC, GOIN;ARL1 Bui N 1" iz , il 22 CC-MF Segundo Conselho de Contribuinte E3rasilia, —.21-$._ .I 42' 1 '200 -i Fl. ),,,44,753 -, 315)rProcesso n2 : 13869.000127/99-29 Sueli I o:entiMelides da Cruz Recurso n2 : 136.947 - Mat. Siape 91751 Acórdão n2 : 202-18.356 Recorrente : JOÃO CARLOS DA HORTA & CIA. LTDA. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, transcrevo o seguinte trecho do relatório constante do acórdão recorrido: "A interessada em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, com base no artigo 11 da lei n°9779, de 1999, no montante de R$ 16.725,91, a ser utilizado na compensação de seus débitos com a SRF. A autoridade administrativa, mediante Despacho Decisório, deferiu parcialmente o pedido, no montante de R$ 16.574,35, alegando que as aquisições de insumos de pessoa jurídica enquadrada no Simples não geram crédito de IN. Em conseqüência foram cobrados os débitos não cobertos pelo valor deferido. Regularmente cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que seu crédito se refere ao primeiro trimestre de 2000, e que já nas DCTF do terceiro trimestre deste mesmo ano a empresa já estava informando a compensação com estes créditos. . Acrescentou que a legislação e a jurisprudência amparam seu direito de ver reconhecido 1 seu direito creditório desde a data da apuração do crédito e não a partir da data da entrega da PER/Dcomp. Refutou a cobrança da multa e de juros de mora." Como visto, tendo sido solicitado o ressarcimento pela contribuinte em novembro de 1999, seu direito aos créditos foi integralmente reconhecido. Porém, a fiscalização entendeu que deveria tomar como data da compensação o momento em que foi gerada a Dcomp pela contribuinte, em 2004, e não a DCTF, apresentada em 2000. Por isso, a fiscalização entendeu devidos os acréscimos moratórios sobre os débitos de 2000, porque a compensação apenas teria ocorrido em 2004, quando foi gerada a Dcomp. A DRJ em Ribeirão Preto - SP negou provimento à manifestaya) dv inconformidade, conforme sintetizado na ementa do Acórdão 14-13.502, de 25 de agosto de 2006 (fls. 354/357): "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal será efetuada mediante a entre: , • ,í - )1 Iii\ 2 k 22 CC-MF ,,--.---_-n• Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes --, - Processo n2 : 13869.000127/99-29 Recurso n11 : 136.947 Acórdão n'l : 202-18.356 sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Solicitação indeferida". A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 362/375), reiterando os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que pode ser traduzido, de maneira resumida, na alegação de que "o ingresso de ressarcimento foi realizado na compensação via DCTF — não podendo a empresa ser penalidade somente porque não cumpriu o dever instrumental de entregar a compensação via PER/DCOMP — já que havia feito a compensação antes da refe, a dat, via DCTF' . É o relatório.! P ‘i PO - SEGUNDO CON SELHO DE CO RIRI n'dCONFERE COAI o oR:Gilf,ITA-c-dinTES t Sueli tolm f ) Ni 1 ....................22z,2.24.11 3 i4IF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE • • . CONFERE COMO ;:MGit-IAL 22 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Brasília -zoo 4 Fl. Processo n2 : 13869.000127/99-29 Sueli Tole£ Mendes da Cruz Recurso n2 : 136.947 Mn . Siape 91751 Acórdão n2 : 202-18.356 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR IVAN ALLEGRETTI Por sua natureza declaratória, os efeitos da decisão que reconhece o direito de crédito remontam à data do pedido de ressarcimento, significando dizer que os créditos devem ser considerados líquidos desde o momento do pedido, neste caso, apresentado em novembro de 1999. Verifica-se, assim, que a compensação apresentada pela contribuinte na DCTF no segundo trimestre de 2000 revela o perfeito encaixe entre o valor dos créditos, reconhecidos líquidos, e dos débitos vincendos que a contribuinte pretendia extinguir. Sendo os créditos líquidos, e sendo preexistentes aos débitos compensados, ainda que sejam de espécies diferentes, entendo que devem ser reconhecidos os efeitos da compensação declarada pelo contribuinte por meio da DCTF. Note-se que o instrumento PER-Dcomp apenas foi criado em 2003, por meio da IN SRF n2 320/2003, restando claro que neste caso concreto a contribuinte apenas gerou a Dcomp em 2004 (repetindo a mesma compensação entre créditos de 1999 e débitos de 2000) no intuito de ratificar o procedimento de compensação que promovera por meio da DCTF. Embora naquela época (antes da Lei n2 10.637/2002, em que vigia a redação original do art. 74 da Lei n2 9.430/1996 e o art. 12, § 3 2, da Instrução Normativa n2 21/1997) fosse exigível do contribuinte a apresentação do antigo Pedido de Compensação, verifica-se que neste caso houve apenas confusão na forma de proceder a compensação, a qual, no entanto, foi declarada pela contribuinte na DCTF correspondente ao período dos débitos, sendo certo que não houve qualquer prejuízo à Fazenda Pública. Com efeito, não houve postergação de pagamento, ou mora de qualquer espécie, mas apenas confusão na instrumentalização da compensação. Também não houve prejuízo à fiscalização porque naquela época a DCTF permitia que, em seu preenchimento, quando se tratava de "COMPENSAÇÃO SEM DARF", fosse detalhada a origem dos valores utilizados na compensação, e neste caso concreto verifica- se que o contribuinte descreveu minuciosamente a origem, inclusive indicando o número do processo de ressarcimento, e os valores utilizados por ela conferem, com exatidão, com os valores dos créditos ressarcidos. Não houve qualquer prejuízo à fiscalização ou aos cofres públicos. A propósito de ser indispensável ter em conta tais finalidades, transcreve-se abaixo a ementa de julgado do Superior Tribunal de Justiça, que reflete bem o entendimento de que a instrumentalidade não pode chegar a ser um fim em si mesmo: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMEIVTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo tado é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 4 . . . ' , IMF • SEGUNDO CONFECR M 0 oCONSELHO COM 0 DERCGOINNTARLI B UI N T ES 2° CC-MF •-j: -',.L ::'tn,'...j - Ministério da Fazenda Brasília, J 1? / /02/ /e.20() I Fl. 't,'),:-12:; n*".` Segundo Conselho de Contribuintes .>.:;:::.„-.k.z.• Processo n-2 : 13869.000127/99-29 Sueli TolentirMendes da Cruz i ,. Recurso n i2 : 136.947 Mai Siape 91751 1 Acórdão n-q : 202-18.356 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporc -d o adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcancar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado. 4. À luz dessa premissa, é lícito afirmar-se que a declara cão efetuada de forma incorreta não equivale à ausência de informacão, restando incontroverso, na instância ordinária, que o contribuinte olvidou-se em discriminar os pagamentos efetuados às pessoas físicas e às pessoas jurídicas, sem, contudo, deixar de declarar as despesas efetuadas com os aludidos pagamentos. 5. Deveras, não obstante a irritualidade. não sobejou qualquer prejuízo para o Fisco, consoante reconhecido pelo mesmo, porquanto implementada a exação devida no seu auantum adequado. 6. In casu, 'a conduta do autor que motivou a autuação do Fisco foi o lançamento, em sua declaração do imposto de renda, dos valores referentes aos honorários advocatícios pagos, no campo Livro-Caixa, quando o correto seria especificá-los, um a um, no campo Relação de Doações e Pagamentos Efetuados, de acordo com o previsto no artigo 13 e parágrafos 1°, a e b, e 2°, do Decreto-Lei n° 2.396/87. Da análise dos autos, verifica-se que o autor realmente lançou as despesas do ano-base de 1995, exercício 1996, no campo Livro-Caixa de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, deixou de discriminar os pagamentos efetuados a essas pessoas no campo próprio de sua Declaração de Ajuste do IRPF (fl. 101) ' (fls. 122/123). 7. Desta sorte, assente na instância ordinária que o erro no preenchimento da declaração não implicou na alteracão da base de cálculo do imposto de renda devido pelo contribuinte, nem resultou em prejuízos aos cofres públicos, depreende-se a ausência de razoabilidade na colnutiçu da multa de 20%, prevista no ,f 2°, do Decreto Lei 2.396/87. (.) 9. Recurso especial provido, invertendo-se os ônus sucumbências." (REsp 728.999, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ de 26/10/2006 — grifos editados) Tal como no precedente judicial, neste caso concreto apenas houve confusão da contribuinte quanto ao manejo dos instrumentos formais, sem que com isso tenha acarretado postergação, redução ou falta de recolhimento de tributo devido. Diante do expos o, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, por entender indevida . - xigê 'a i. cal. iSal. • : s S nn•it Z s, i rri 21 de setembro de 2007. 10111‘ n11' _ , A GREI 5 I Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1 _0032200.PDF Page 1
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Numero do processo: 15586.000025/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano, OAB/ES 4892.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Interessado CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano, OAB/ES 4892. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 25 /2 01 1- 16 Fl. 2893DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Relatório Em sessão transcorrida em 22 de outubro de 2013, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802002.119, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 MATÉRIA NÃO CONHECIDA Não se conhece de argumento que não guarda relação com o objeto da contenda. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPOSTA OFENSA AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Assim, a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA. A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade. Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24). PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE. Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento. A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações Fl. 2894DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000025/201116 Acórdão n.º 3301002.726 S3C3T1 Fl. 2.893 3 legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestirse de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis no 10.637 de 2002 e 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. No referido regime não há previsão legal que legitime creditamento do PIS ou da COFINS pelo pagamento, a pessoas jurídicas, de serviços de assessoria. Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo da referida Contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se dá provimento em parte. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada fora omissa na medida em que não teria enfrentado a questão da competência (atribuição) da Turma Especial para julgar questão envolvendo centenas de milhões de reais e, de outro lado, há também contradição, uma vez que o Relator informa que se trata de questão que ultrapassa R$ 890 milhões de reais e, ainda assim, analisou a matéria. (destaque do original) Insurgese ainda a embargante contra a utilização de prova que não consta dos autos, eis que estavam nos autos do processo nº 15586.000089/201117. Nesse sentido, Fl. 2895DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 aduz que "[...] a Turma não teve acesso aos documentos relacionados pelo relator do processo, já que todos estão no processo nº 15586.000089/201117". Assim teria havido "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no aludido processo. Nesse sentido, ressalta, ainda, o seguinte: A nulidade poderia ter sido contornada se o pedido de unificação dos processos tivesse sido deferido, o que não ocorreu, apesar da insistência da contribuinte. Diante desta realidade, o acórdão é nulo por ausência de suporte probatório e não unificação deste processo ao de número 15586.000089/201117. Uma violação da ampla defesa e do contraditório. É crucial que tal questão seja analisada pela Turma, já que estes pontos (não unificação dos processos e não disponibilização do processo n. 15586.000089/201117 aos demais Conselheiros) não foram analisados. (grifo nosso) Na sequência, a interessada reafirma a necessidade de unificação dos processos, e aduz que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Para tanto alicerçase no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. No item 2.4 de sua petição de embargos a interessada aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". E no item 2.5 diz ter ocorrido omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". A embargante continua sua argumentação ressaltando que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. Igualmente, não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e sobre a contribuição social sobre o lucro líquido. Por todo o exposto, requer que o colegiado se manifeste acerca dos seguintes pontos: a) da incompetência da Turma julgadora para processar e julgar o pleito; b) a "nova" necessidade de unificação dos 36 processos diante do advento da Solução de Consulta COSIT nº 65/2014 e da Lei nº 12.995/2014; c) a nulidade do acórdão pelo uso de documentos apenas presentes nos autos do processo nº 15586.000089/201117; d) a existência de provas favoráveis à recorrente que nem sequer foram citadas no acórdão; Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000025/201116 Acórdão n.º 3301002.726 S3C3T1 Fl. 2.894 5 e) a não existência de provas sobre muitas empresas e a presunção de boafé; f) "A LIMITAÇÃO ESPACIAL, TEMPORAL E QUANTITATIVA DOS DEPOIMENTOS E DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO FISCO, já que as provas, apesar de usadas de forma generalizada pela Fiscalização, vinculamse apenas a poucos lugares, a períodos determinados e a valores reduzidos"; g) a necessidade de diligências / produção de provas; h) "a inexistência de provas que vinculem gestores da 'Custodio Forzza' a condutas de máfé a impossibilidade de imputar uma conduta de máfé a pessoa jurídica"; i) "sobre a necessidade de recalcular o IR/CSLL a pagar em razão das glosas dos créditos fiscais de PIS/COFINS ou, pelo menos, sobre a suspensão da prescrição do direito de pedir a restituição do IRPJ e CSLL recolhidos sobre os créditos glosados, visto que tal fato se consumará somente se for mantida a decisão de não homologar os créditos glosados. Registrase que os tributos compensado e cobrados nestes autos são, exatamente o IRPJ e CSLL compensados, cujos créditos compõem a base de cálculo de ambos". Formalizados os embargos, os autos foram movimentados para este conselheiro, relator originário do processo, em obediência ao disposto nos parágrafos 5º e 6º do artigo 49 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. É o relatório. Voto A ciência da decisão recorrida se deu em 10/08/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 2859. Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 17/08/2015, uma segundafeira. Assim, considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. A primeira argumentação suscitada pela embargante diz respeito a suposta omissão concernente à competência (atribuição) da Turma Especial para julgar o pleito, o qual, segundo alega, ultrapassaria os 890 milhões de reais. 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Tal argumento, com efeito, não merece prosperar, eis que, conforme ressaltado no relatório objeto da decisão vergastada, "a lide diz respeito a pedido de ressarcimento onde os créditos reclamados correspondem ao PIS/Pasep não cumulativo exportação do primeiro trimestre de 2008 (valor pleiteado: R$ 697.512,65)" (grifei). Diferentemente do que afirma a embargante, o mencionado valor de R$ 890 milhões de reais não se relaciona a crédito tributário lançado ou a direito creditório glosado, mas sim ao total das notas fiscais levantadas pela fiscalização em nome de empresas de fachada, conforme seguinte trecho extraído da decisão guerreada: Conforme relatado, a lide decorre de ação fiscal cujo procedimento e documentação estão acostados aos autos do processo n° 15586.000089/201117 (ao qual nos reportaremos com freqüência), onde a fiscalização relata a apropriação indevida de créditos pelo regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Entendeu a fiscalização que as aquisições de café pela recorrente foram contabilizadas em nome de diversas empresas de fachada, utilizadas para dissimular a real aquisição da mercadoria proveniente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar de crédito em montante superior ao autorizado pela lei. Segundo a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório, a análise e recomposição dos saldos desde janeiro de 2005 demonstrou que a recorrente apropriouse de créditos integrais fictos. Em face da reclamante foram levantadas notas fiscais em nome de empresas de fachada (“laranjas”) em montantes que ultrapassaram o valor de R$ 890 milhões nos anos de 2005 a 2009. (grifouse) Assim, o colegiado julgador – Turma Especial – em nada ofendeu ao disposto no artigo 2o, § 2o, da então vigente Portaria MF no 256, de 22/06/2009, segundo o qual "a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância". Tal limite, a teor do disposto na Portaria MF no 3, de 03/01/2008, é de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Logo, concluise que a Turma julgadora decidiu em processo cujo valor em litígio encontrase dentro de limite estabelecido para Turma Especial. Efetivamente, a questão da incompetência de Turma Especial para o julgamento do feito não foi aduzida pela interessada em seu recurso voluntário. Esta, em homenagem aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e da economia processual, dentre outros, defendeu apenas a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa, o que fez com fundamento no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, e em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Tal questão foi sim enfrentada pelo colegiado julgador, conforme seguinte trecho do voto que alicerçou sua decisão: Dos argumentos em defesa da nulidade da decisão de primeira instância Dentre os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância, o sujeito passivo defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, a fim de evitar Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000025/201116 Acórdão n.º 3301002.726 S3C3T1 Fl. 2.895 7 decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, bem como nos princípios que norteiam o processo administrativo elencados pela Lei nº 9.784/99. Da fundamentação legal adotada pelo sujeito passivo, a Portaria RFB nº 666/08, de fato, prevê a formalização de um único processo administrativo ou a juntada por anexação (artigo 3º), dentre outras hipóteses, relativamente a “Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas” (artigo 1º, inciso IV). Contudo, não compete a este Conselho questionar procedimento diverso adotado pela Receita Federal que não implique em prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, muito embora seja nítida a conexão processual entre os pedidos de ressarcimento reportados pela recorrente, não há nada nos autos que alicerce o reclamado cerceamento ao seu direito, uma vez que os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade. Digo isso, inclusive, em relação ao processo nº 15586.000089/201117, ao qual foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente, como, aliás, está consignado na informação fiscal que subsidiou a decisão objeto dos presentes autos. Tendo a interessada irrestrito acesso aos autos, não há que se cogitar em prejuízo para sua defesa. A suplicante se socorre também no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, bem como em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Relativamente ao § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, este determina apenas a juntada das peças que tratam da manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e da correspondente impugnação da multa de ofício decorrente de diferenças apuradas, dentre outras, em declaração de compensação (art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001). Logo, não obriga à juntada de todos os processos conexos do mesmo sujeito passivo. Já em relação aos princípios do processo administrativo reportados pela Lei nº 9.784/99, não vislumbro nos autos nada que represente ofensa ao direito de defesa da solicitante que pudesse redundar na nulidade de qualquer ato decisório contidos em suas peças, como já ressaltado. O Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009) também trata da distribuição conjunta de processos conexos. Tal preceito, contudo, não é de natureza cogente, posto que apenas faculta referenciado procedimento, como revela o verbo que integra o núcleo normativo do artigo 6o do Anexo II do Regimento em tela, abaixo transcrito e destacado: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. (grifo nosso) No mais, reiterese que a não adoção dos procedimentos perquiridos pela recorrente, por não trazerem prejuízo para a defesa, não tem o condão de dar ensejo à nulidade da decisão de primeira instância, até porque o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade. Tal princípio está assente nos artigos 563 e 566 do Código de Processo Penal2. No âmbito do Código de Processo Civil, dispõe o artigo 244 que, Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. A inocorrência de prejuízo para a defesa também afasta a hipótese de nulidade fundada na ausência de análise de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, posto que não demonstrado eventual prejuízo decorrente da citada conduta omissiva. [...] Vêse, pois, que o colegiado julgador, de forma fundamentada, afastou a arguída nulidade da decisão de primeira instância pela negativa de juntada dos 36 processos em nome da interessada. Na oportunidade, foi abordada a inexistência de prejuízo para sua defesa, já que "os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade". Isso vale para o alegado "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no processo nº 15586.000089/201117, processo este onde foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente. Fato é que foram efetivamente analisados todos os argumentos aduzidos pela suplicante concernente a suposto prejuízo ao seu direito defesa, razão pela qual não há que se falar em suposta omissão na decisão vergastada no que concerne a essa questão. A embargante assevera que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Ora, a própria data de expedição dos atos normativos retrocitados, ambos do ano de 2014, revela que a argumentação não merece ser acatada em sede de 2 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000025/201116 Acórdão n.º 3301002.726 S3C3T1 Fl. 2.896 9 embargos de declaração, eis que a decisão guerreada foi proferida anteriormente, em 22/10/2013. Logo, não se pode admitir tal argumentação em sede de embargos de declaração, eis que os mesmos são modalidade recursal destinada a sanear acórdão eivado de "[...] obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma" (conf. caput do artigo 65 do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). Com efeito, não se pode alegar omissão ou contradição em relação a argumento fundado em atos normativos que nem sequer existiam à época em que fora proclamada a decisão contestada. Embargos de declaração não são via de rediscussão de direito. A embargante também aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". No item 2.5 relata haver omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". Não obstante, a leitura do extenso voto condutor da decisão embargada revela que o conjunto probatório foi detalhadamente examinado, tendo o colegiado julgador entendido haver razões suficientes para fundamentar sua decisão no sentido da caracterização do ilícito tributário. Vale ressaltar que na decisão em tela foi examinada e rechaçada suposta nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a DRJ não ter apreciado alguns argumentos do sujeito passivo, conforme trecho do voto que alicerçou a decisão embargada, que ora transcrevo: A nulidade também é reclamada pelo fato de a DRJ, segundo alega a reclamante, não ter apreciado argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. A decisão de primeira instância também teria sido omissa concernente a depoimentos segundo os quais os gestores da recorrente “[...] não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas [...]”, bem como no tocante aos lançamentos formalizados dentro da mesma operação de fiscalização, ao princípio da boafé, ao fato de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes, dentre outros. Igualmente, entendo que isso também não leva à nulidade da decisão vergastada, posto que esta se apresenta devidamente motivada em argumentos que alicerçam suficientemente a convicção a que chegou o Colegiado a quo. Com efeito, não é indispensável que a decisão se reporte pontualmente a todas as alegações apresentadas pelo reclamante, e isso não obstante o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que a decisão deve “[...] referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (grifo nosso). Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 De fato, o Superior Tribunal de Justiça, bem como este Conselho, tem adotado a postura de não exigir a apreciação exaustiva de todos os argumentos aduzidos na impugnação, mas isso desde que a autoridade julgadora de primeira instância tenha encontrado razões suficientes para fundamentar sua decisão sobre as matérias em litígio, como ocorreu no caso presente. Nesse sentido, o seguinte julgado: PAF – NULIDADE DA DECISÃO / CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ – Resp 652.422 – (2004/0099087 0) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691 – “VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – INOCORRÊNCIA – TRIBUTÁRIO – ICMS – MANDADO DE SEGURANÇA – AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS – DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA – PRINCÍPIO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA – ART. 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – SÚMULA Nº 547 DO STF – MATÉRIA CONSTITUCIONAL – NORMA LOCAL – RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (...) 6. Recurso não conhecido.” (1º CC, Acórdão 10808866, sessão de 25/06/2006, relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Afastamse, pois, todos os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância. Como se vê, permanece a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão, pressupostos sem os quais não há como acolher os embargos de declaração da reclamante. A embargante ressalta também que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. De fato, consta do relatório objeto da decisão recorrida que a suplicante requereu diligência ou perícia para juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos vultosos de PIS e COFINS, uma vez que não é lícito à Receita Federal impor referidas contribuições duas vezes sobre a mesma cadeia produtiva; necessário também a juntada aos autos vários depoimentos mencionados no relatório fiscal, em homenagem ao direito de defesa da recorrente. Não obstante, essas questões foram devidamente apreciadas na decisão embargada, como comprova o seguinte trecho de seu correspondente voto condutor: A suplicante alega a ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais. Segundo entende, as Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000025/201116 Acórdão n.º 3301002.726 S3C3T1 Fl. 2.897 11 autuações contra “centenas de pessoas físicas e jurídicas” representaria “dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da não cumulatividade”. Tal argumento, todavia, também não merece prosperar, pois os procedimentos de fiscalização contra cada sujeito passivo são autônomos e individualizados – ressalvada a possibilidade de responsabilização solidária –, apesar de, no caso, decorrer de uma operação para investigação de um setor econômico específico. No mais, não existe fundamento legal que legitime aduzido mecanismo compensatório proposto pelo sujeito passivo, o que também descarta a necessidade de diligência ou perícia para a juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos do PIS e da COFINS em face das outras empresas envolvidas. (grifouse) Também assevera a embargante que não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido. De fato, o colegiado recorrido não conheceu do argumento em tela, eis que o mesmo não integra o litígio, restrito à apropriação indevida de créditos pelo regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Assim, a Turma recorrida acolheu o voto que, nessa parte, não conheceu do recurso, conforme trecho abaixo transcrito: Da admissibilidade parcial do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/04/2013 (fls. 199). Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 202/277 foi apresentado em 28/05/2013, tempestivamente, portanto. Contudo, muito embora os demais requisitos de admissibilidade se encontrem presentes, há argumentos apresentados no recurso que não podem ser conhecidos, uma vez que não tem relação com a lide objeto dos autos. Digo isso em relação ao aduzido direito para recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, sob o argumento de que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos. Tal pedido, decerto, não compreende a matéria objeto do litígio, razão pela qual não pode ser conhecida. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, ressalvada a observação supra, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Diante de tudo o que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 10 de dezembro de 2015. Francisco José Barroso Rios – Relator 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10283.002897/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 28/09/2000 a 19/11/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
ZFM. FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTOS. COMPETÊNCIA DA RFB.
A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem plena competência para a fiscalização de tributos federais na ZFM, não dependendo de manifestação prévia da Suframa para o exame de operações que envolvam o cumprimento de Processos Produtivos Básicos.
ZONA FRANCA DE MANAUS. IPI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO. LANÇAMENTO.
A isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus condiciona-se ao cumprimento do respectivo Processo Produtivo Básico, inclusive para as vendas destinadas à Amazônia Ocidental.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. FRAUDE.
Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada.
TAXA SELIC. JUROS. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF Nº 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Francisco José Barroso rios fará declaração de voto.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 28/09/2000 a 19/11/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. ZFM. FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTOS. COMPETÊNCIA DA RFB. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem plena competência para a fiscalização de tributos federais na ZFM, não dependendo de manifestação prévia da Suframa para o exame de operações que envolvam o cumprimento de Processos Produtivos Básicos. ZONA FRANCA DE MANAUS. IPI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO. LANÇAMENTO. A isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus condiciona-se ao cumprimento do respectivo Processo Produtivo Básico, inclusive para as vendas destinadas à Amazônia Ocidental. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. FRAUDE. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada. TAXA SELIC. JUROS. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF Nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Francisco José Barroso rios fará declaração de voto. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas e Semíramis de Oliveira Duro.
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. ZFM. FISCALIZAÇÃO DE TRIBUTOS. COMPETÊNCIA DA RFB. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem plena competência para a fiscalização de tributos federais na ZFM, não dependendo de manifestação prévia da Suframa para o exame de operações que envolvam o cumprimento de Processos Produtivos Básicos. ZONA FRANCA DE MANAUS. IPI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO. LANÇAMENTO. A isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus condicionase ao cumprimento do respectivo Processo Produtivo Básico, inclusive para as vendas destinadas à Amazônia Ocidental. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. FRAUDE. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada. TAXA SELIC. JUROS. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 28 97 /2 00 6- 34 Fl. 3771DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 845 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (Súmula CARF Nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Francisco José Barroso rios fará declaração de voto. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas e Semíramis de Oliveira Duro. Fl. 3772DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 846 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrita: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado Auto de Infração, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, decorrente do descumprimento de Processo Produtivo Básico – PPB, estabelecido para produtos a serem fabricados na Zona Franca de Manaus – ZFM, no valor de R$ 8.651.111,13, incluídos os juros de mora e a multa proporcional. 2. No campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 02), constam as seguintes informações, ao final tipificadas: 2.1. Infração apurada pela Fiscalização: “DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES NECESSÁRIAS À PERMANÊNCIA NO REGIME – ZONA FRANCA DE MANAUS”; 2.2. A empresa burlou o pagamento de tributos através do PPB, pois deveria industrializar placas a partir dos insumos importados ou valerse do que estipulado no Decreto n.º 783/83, que determina a importação de Placas de Circuito Impresso – PCI montadas, com seus componentes, até o limite anual de 18%, de acordo com as regras estipuladas na Portaria Interministerial n.º 02/95; 2.3. A empresa adquiriu, no comércio local, PCIs da empresa TDK DA AMAZÔNIA IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. (TDK), que, por sua vez, importou as placas já montadas para atender a empresa LG ELETRONICS DA AMAZÔNIA LTDA. (LG), conforme comprovado em fiscalização anterior; 2.4. Assim procedendo, a empresa não só teria contaminado o seu PPB para os processos industriais referentes aos produtos CP14J50, CP29Q30P, CP29Q50, DVD 3230N, DVD–3351N e WP 23Q10, abdicando assim dos benefícios fiscais destinados às indústrias instaladas na ZFM, como também, em tese, cometeu crime fiscal, quando, com o intuito de burlar a fiscalização, reduziu a base de cálculo dos impostos incidentes nas saídas das mercadorias do seu estabelecimento; 2.5. Ficou demonstrado que a empresa descumpriu as obrigações necessárias à fruição dos benefícios da ZFM, no que se refere aos Demonstrativos do Coeficiente de Redução do Imposto de Importação – DCR de nº.s 002397, 002378, 003661, 008236, 008237, 008790, 03862, 03865, 008829, 009780, 000643, 06378, 010023, 010338, 008780, 03861, 010338, 03862, 010023, 03865, 03851, 008829, 02712, 03293, por desobediência ao disposto no Decreto n.º 783, de 25 de março de 1983, Anexos VII e XI, e Portaria Interministerial n.º 7, de 25 de fevereiro de 1998, conforme constatado anteriormente (cópia do Relatório de Diligência Fiscal em anexo); 2.6. Tendo em vista a infração reportada, o contribuinte perde o direito à isenção do IPI, sem direito à compensação e à redução do Imposto de Importação na saída, e passa a ser penalizado com multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), agravada em virtude do que determina a legislação. Fl. 3773DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 847 4 3. No Relatório de Diligência Fiscal, cuja cópia se encontra acostada às fls. 78/88, a autoridade diligenciadora expôs os seguintes fatos: 3.1. A diligência teve origem na conversão de julgamentos de autos de infração lavrados contra a empresa LG, ora autuada, formalizados através dos processos n.ºs 10283.004094/200291 e 10283.004095/200235, para que se esclarecessem questões que restaram obscuras; 3.2. O crédito constituído no presente auto de infração resulta da conclusão de que o contribuinte em tela descumpriu obrigações necessárias para a fruição de benefícios do regime na ZFM, no que concerne aos DCRs n.ºs 2397, 2378 e 3261, todos de 30 de março de 2000, e 8236, 8237 e 8238, de 22 de agosto de 2000, por desobediência ao disposto no Decreto n.º 783, de 25 de março de 1983, Anexos VII e XI, observação n.º 2, in verbis: “Fica permitida a importação de placas de circuito impresso montadas, com seus componentes, até o limite de 18% (dezoito por cento), sendo que esse limite será calculado tomandose como 100% (cem por cento) da qualidade de placas de circuito impressos, de montagem nacional, utilizada pela empresa no ano anterior”. A Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT n.º 7, de 25 de março de 1998, estabeleceu que o percentual de 18% se estende à qualquer tipo de PCI montada com seus componentes, destinada à fabricação de aparelhos de áudio e vídeo, e altera o percentual, para o ano de 1999, para 15% e, a partir de 2000 em diante, para 12%; 3.3. As diligências solicitadas pelas DRJs visaram, basicamente, a esclarecer a razão pela qual, apesar de os DCRs se referirem ao período compreendido entre 30/03/2000 e março de 2001, a autoridade autuante considerou, como períodos de apuração, os anos de 1999 a 2001, bem como o fato de que, na determinação dos fatos geradores das obrigações tributárias, não se ateve ao período de entrada dos insumos nem à quantidade de insumos necessários na produção (relação insumos/produto). Consideraram, também, que os elementos carreados aos autos não eram suficientes para a constituição do crédito tributário, vez que não trariam a comprovação de que as placas eram realmente importadas, tampouco em que produtos foram agregadas, já que a autoridade autuante juntou notas fiscais da empresa TDK, vendendo PCIs e controles remotos com PCIs para a LG e um bilhete que comprovaria a fraude; 3.4. O contribuinte foi intimado a apresentar uma série de documentos e informações (vide fls. 80/81). Como não atendeu à intimação, após várias solicitações para dilação de prazo, foi autuado por embaraço à fiscalização; 3.5. Intimada para apresentar as importações referentes às notas fiscais de saída para a empresa LG, a TDK apresentou Declarações de Importação – DI, com faturas e conhecimentos de embarque. Da análise da documentação, constatouse que todas as faturas, exceto as referentes às DIs n.ºs 97/02571480 e 98/02407496, apresentam alternativamente o modelo do produto ou a referência das partes e peças, referindose sempre a kits completos de PCIs já montadas e controles remotos (também com placas montadas) para televisores e aparelhos de DVD. A quantidade de kits é sempre igual à quantidade de controles remotos importados, de modo que se pôde vincular as importações de insumos com os produtos finais e a quantidade de placas por produto (passa a relacionar as notas fiscais de saída da TDK para a LG, especificando os respectivos insumos e o produto final produzido por esta última); 3.6. Constatouse que se tratam de importações casadas, nas quais a LG, quando não figura como consignatária da mercadoria (como no caso do conhecimento de carga APLU 00/04705208, que, por sua vez, foi disponibilizada à Fl. 3774DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 848 5 TDK em 29/05/2000, como comprova carimbo aposto por AuditorFiscal no comprovante de importação; deu entrada na LG no dia seguinte, documentada pela nota fiscal n.º 1415), aparece como parte a ser notificada (como no conhecimento PNLSEL40009287, que instruiu a DI n.º 00/08598945, na qual a LG figura como “notify party”); 3.7. Esse procedimento visa a burlar os controles da SUFRAMA e evitar que as PCIs montadas, com seus componentes, importadas pela TDK, sejam contadas no limite anual de 12% (doze por cento) de importação permitida à LG, conforme Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº.7 de 25/02/1998 e anexo XI do Decreto nº 783, de 25/03/1993; 3.8. Foram juntados também DCRs dos produtos nos quais houve descumprimento do PPB para a fruição dos benefícios na ZFM, com a introdução de PCIs importadas pela TDK (passa a relacionar DCRs referentes aos períodos nos quais houve internações destes produtos, até o limite quantitativo dos kits importados pela TDK); 3.9. Houve pagamento antecipado de várias importações efetuadas pela empresa TDK, e o comprador da moeda estrangeira, nos contratos de câmbio fechados, foi a LG (passa a relacionar as DIs); 3.10. Tudo isso caracteriza a interposição fraudulenta nas importações da empresa TDK, que se prestou a encobrir os reais adquirentes das placas. Além disso, a LG “comprou” em duplicidade os referidos insumos, uma vez que comprou a moeda estrangeira para liquidação do contrato de câmbio e recebeu as mesmas mercadorias como compradas da empresa TDK; 3.11. As DIs nas quais foi possível fazer essa vinculação foram as primeiras. Depois a modalidade passou a ser “à vista”, sem a informação do comprador da moeda estrangeira, o que não afasta a possibilidade da continuidade da operação cambial entre as duas empresas, uma vez que, além das provas já coletadas, a própria LG recebe as mercadorias, pois apôs o carimbo de recebimento nos comprovantes de importação (passa a referenciar as DIs em que tal se verificou; nas DIs identificadas com um asterisco, aparece o funcionário da LG Orlando Laborda como responsável por atestar a entrada dos insumos na citada empresa); 3.12. Com os elementos coletados, foram produzidos relatórios, com imposto de importação e IPI separados, já com a multa agravada e com os juros de mora. Com relação aos produtos CP25Q20, CP29Q12P e DVD2240N, os créditos já se encontravam constituídos, sem, entretanto, ter havido a correção no período de apuração, tampouco a comprovação da vinculação entre as remessas de insumos da TDK e os produtos fabricados pela LG. Por essa razão, o crédito constituído caiu sensivelmente, vez que se referia a período anterior à primeira nota de saída da TDK à LG, e não guardava correspondência entre as quantidades de kits importados em relação aos produtos vendidos. 4. Ao final, a autoridade diligenciadora propõe a constituição de crédito tributário, que não estaria contemplado nos autos de infração de nºs 10283.004211/200488 e 10283.004210/200433. No que respeitante ao IPI, consignou: Fl. 3775DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 849 6 PROD. PRINCIPAL (R$) MULTA (R$) JUROS DE MORA (R$) CP14J50 25.113,00 37.669,50 6.649,92 CP29Q30P 114.947,99 172.421,99 17.577,40 CP29Q50 628.496,40 942.744,59 149.851,52 DVD3230N 1.088.099,07 1.632.148,60 281.800,39 DVD3351N 341.604,60 512.406,89 61.021,38 WP32Q10P 264.747,10 397.120,65 52.747,03 TOTAL 2.463.008,15 3.694.512,23 569.647,65 5. Inconformado com a autuação, da qual tomou ciência em 18/05/2005 (fl.01), o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação de fls. 228/251, expendendo, em síntese, a seguinte argumentação: 5.1. Em decorrência de diligência solicitada pela DRJ/REC nos autos do processo n.º 10283.004095/200235, que consubstanciou a cobrança de IPI referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 1999 a 2001, em razão de irregularidades que teriam sido encontradas em determinados DCRs, os quais conteriam a inclusão de custos relativos a PCIs adquiridas no comércio local em relação aos modelos CP29Q12P, CP25Q20 e DVD2240N, foram apontados novos valores e critérios referentes à suposta infração. Procedeuse a novo lançamento (processo n.º 10283.004210/200433), versando sobre os mesmos modelos e mesmo período, que representou lançamento em duplicidade, conforme foi demonstrado. Como se não bastasse, teve contra si, lavrado em 18/05/2005, mais um auto de infração, com base na mesma acusação. Segundo a autoridade autuante, a acusação original não teria implicado na desobediência do PPB em relação aos produtos objeto daquele primeiro auto de infração, mas sim em relação a determinadas vendas dos produtos CP14J50, CP29Q30P, CP29Q50, DVD323N, DVD3351N, WP32Q10P, objeto do auto de infração ora impugnado; A ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA IMPUGNANTE NA ZFM 5.2. A impugnante mantém na ZFM considerável parque industrial onde produz eletroeletrônicos, inclusive televisores, conforme projeto industrial aprovado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, por meio da Resolução n.º 052/95. Posteriormente, para produzir DVD na ZFM, apresentou outro projeto, aprovado pela SUFRAMA por meio da Resolução n.º 109/99; 5.3. Desde a implantação de suas linhas de produção, a empresa vem cumprindo todos os requisitos necessários à fruição dos benefícios no âmbito da ZFM, principalmente no que se refere ao nível de industrialização local compatível com seu PPB, conforme vem reconhecendo a SUFRAMA por meio de laudos técnicos emitidos periodicamente; DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS Fl. 3776DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 850 7 5.4. A empresa tem contra si uma multiplicidade de lançamentos. Conforme descrição dos fatos, teria adquirido, no comércio local, PCIs da empresa TDK. Contudo, conforme se depreende do Relatório de Diligência Fiscal, já havia sido lavrado auto de infração com base na mesma acusação (processo 10283.004095/200235, no valor de R$ 14.897.922,73), no qual teria resultado do descumprimento do PPB em relação a vendas dos modelos DVD2240N, CP25Q20 e CP29Q12P; 5.5. Após diligência requerida, a autoridade autuante houve por bem modificar o entendimento anterior, passando a entender que a suposta aquisição de placas da TDK não teria resultado no descumprimento do PPB em relação a todas as vendas escolhidas no lançamento original, mas, sim, em relação a outras vendas, relativas aos modelos CP14J50, CP29Q30P, CP29Q50, DVD323N, DVD3351N, WP32Q10P, lavrando o auto de infração ora impugnado; 5.6. Assim, como o primeiro auto de infração ainda não foi julgado, a empresa teve contra si uma multiplicidade de lançamentos, exigindose o tributo em duplicidade em relação a mesma acusação fiscal. Conforme decisão administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais, descabe a lavratura de novo auto de infração, com base na mesma matéria, quando deixa a autoridade de proferir decisão sobre lançamento anteriormente efetuado (cita decisões administrativas para corroborar o seu entendimento); VÍCIOS DO LANÇAMENTO 5.7. À luz do art. 146 do CTN, se o crédito tributário já tiver sido constituído segundo determinado critério jurídico, terseá situação jurídica consolidada, cuja estabilidade deverá ser preservada diante do fato gerador posteriormente ocorrido; 5.8. O auto de infração foi lavrado em violação ao referido dispositivo e ao princípio da segurança jurídica. Lavrouse com base em acusações nebulosas, tendo se fundado na suposição de terem sido “encontrados, pela fiscalização, documentos anexados aos DCRs (...) que comprovariam ter a autuada incluído nos referidos demonstrativos mercadorias adquiridas no comércio local (...) e em vista disso a empresa teria descumprido o PPB” em relação a diversos modelos, dentre os quais DVD2240N, CP29Q12P e CP25Q20; 5.9. Na diligência solicitada, as DRJs fizeram perguntas específicas e pontuais visando a esclarecer pontos obscuros do lançamento originário. Para que o art. 146 do CTN fosse observado, a diligência deveria ter se atido à resposta das aludidas perguntas, visando a fornecer subsídios para que o julgador pudesse aferir os critérios jurídicos adotados. Contudo, o que ocorreu foi o abandono de tais critérios no novo auto de infração; NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 5.10. O Auto de Infração seria nulo, por violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes aspectos: a) não aponta com clareza qual seria a infração imputada à empresa, nem sequer o dispositivo legal infringido, pois são citados apenas dispositivos genéricos. Há absoluto cerceamento do direito de defesa; Fl. 3777DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 851 8 b) verificase evidente precariedade da acusação fiscal, obrigando a empresa a “um exercício de pura adivinhação”. Dos documentos acostados aos autos não se pode depreender qualquer infração ao PPB em relação às vendas eleitas aleatoriamente pela fiscalização. Sempre cumpriu todas as regras do PPB, conforme reconhecido pela SUFRAMA; c) o Decreto n.º 783/93 permitiu aos produtores estabelecidos na ZFM que realizassem a importação de PCIs até o limite de 18%, calculadas sobre a quantidade de placas montadas no ano anterior à realização da importação. A fiscalização não logrou comprovar que os produtos objeto do auto de infração não teriam obedecido às normas do PPB. Em nenhum momento se comprova que a empresa não teria industrializado as PCIs aplicadas nos produtos no país, não teria realizado a montagem mínima, não teria promovido a integração da montagem no produto final e não teria feito a correta gestão de qualidade; d) são ilegítimas as Portarias Interministeriais n.ºs 7/98, 6/99 e 15/02, que alteraram os limites de importação de PCIs montadas (cita decisões administrativa e judicial); e) o auto de infração é improcedente, em virtude de absoluta falta de provas; f) o trabalho da fiscalização está baseado em mera presunção da ocorrência de infração, em frontal violação ao princípio da legalidade; g) “...o Órgão Competente para fiscalizar o cumprimento das regras relativas ao processo produtivo básico é a SUFRAMA e não a Secretaria da Receita Federal”. Portanto, o trabalho fiscal está, também, viciado “por carecer competência ao Sr. Auditor Fiscal autuante”. MÉRITO Erros materiais cometidos na lavratura do auto de infração 5.11. Vários erros materiais foram cometidos na lavratura do auto de infração: a) não há suporte para a conclusão de que, nas vendas escolhidas aleatoriamente, teria havido o pretenso descumprimento das condições para a fruição do benefício. Além disso, deixouse de considerar que a empresa realiza vendas para a ZFM, à Amazônia Ocidental e promove exportações, que deveriam ter sido descontadas; b) o auto de infração foi incongruente com suas próprias e infundadas presunções, pois presumiu que determinadas quantidades de produtos teriam perdido o direito ao incentivo, e nas planilhas de cálculo incluiu quantidades maiores que as presumidas. Ilegitimidade da aplicação da multa qualificada 5.12. A multa qualificada foi aplicada ilegitimamente, pois ainda que a impugnante tivesse violado as regras do PPB, haveria a necessidade de se configurar o evidente intuito de fraude, o que não ocorreu no caso em análise (cita decisões do Conselho de Contribuintes), “haja vista que em nenhum momento a Impugnante utilizouse de documentos falsos ou, ainda, omitiu alguma informação de suas operações à Secretaria da Receita Federal. Pelo contrário, todas as operações ...sempre foram documentadas em todos os aspectos que permitem o seu exame e a sua mais ampla fiscalização”. Na realidade, nenhuma penalidade poderia ser Fl. 3778DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 852 9 imputada à contribuinte, em razão da interpretação conjunta dos arts. 179 e 155 do CTN; Inaplicabilidade da taxa Selic para o cômputo dos juros moratórios 5.13. A taxa Selic, prevista no art. 13 da Lei nº 9.065/95, é inaplicável para o cômputo dos juros moratórios, em razão de afronta a diversos preceitos constitucionais (cita decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ). 6. Ao final, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, cancelandose, assim, integralmente o crédito tributário constituído. 7. O presente processo foi formalizado a partir do desentranhamento de documentos extraídos do processo n.º 10283.002016/200202, por solicitação da DRJ de Fortaleza. Referida impugnação foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/Recife, por meio do Acórdão nº 1117827, de 11/12/2006, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 28/09/2000 a 19/11/2001 ZONA FRANCA DE MANAUS. IPI. FISCALIZAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. COMPETÊNCIA. Não obstante a análise e aprovação de projeto técnicoeconômico que vise a obtenção de incentivos fiscais caber à SUFRAMA, a Secretaria da Receita Federal, por meio de seus Auditores Fiscais, exerce plenamente, por força de normas legais e de diplomas normativos outros (v.g., art. 196, § único, do CTN, art. 94 da Lei nº 4.502/64, arts. 12 e 13 do Decreto nº 61.244/67 e art.6º da Lei nº 10.593/02), a competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações relacionadas aos tributos que administra. A Administração Fazendária e os seus servidores fiscais têm, nos limites de suas competências e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art.37, XVIII, da Constituição Federal). IPI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO. LANÇAMENTO. A isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus condicionase ao cumprimento do respectivo Processo Produtivo Básico, ou seja, sua existência sempre decorre da ocorrência de fato das condições estabelecidas previamente. Verificado, à luz de farto e coeso acervo probatório, que o pretenso beneficiário deixou de cumprir as condições que lhe possibilitariam tratar como isentas as saídas de produtos que industrializou, impõese a constituição do respectivo crédito tributário. FALTA DE DESTAQUE DO IPI. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Comprovado o descumprimento do Processo Produtivo Básico na industrialização dos produtos comercializados, em razão de conduta que se repute fraudulenta, a falta de destaque do IPI na nota fiscal, e conseqüente não recolhimento, sujeita o contribuinte à multa de ofício de 150%, Fl. 3779DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 853 10 calculada sobre o imposto que deixou de ser lançado ou recolhido (art.80, II, da Lei nº 4.502/64). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/09/2000 a 19/11/2001 JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. Falece às instâncias administrativas competência para afastar a aplicação de textos legais ou infralegais, regularmente inseridos no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente. No recurso voluntário, a autuada reedita as suas razões de defesa, insistindo na tese de que o presente auto de infração foi lavrado em duplicidade com o lançamento exigido no Processo nº 10283.004095/200235. Alega, também, que nos autos daquele processo foi lavrado novo auto de infração sem que o anterior tenha sido anulado, o que viciou todo o procedimento fiscal, atingindo, inclusive, o presente feito, que decorre da diligência levada a efeito naquele. Centra seus argumentos na tese de nulidade do auto de infração, por alteração dos critérios jurídicos a partir da diligência determinada pela DRJ nos autos do Processo nº 10283.004095/200235, com desrespeito às normas inscritas no art. 146 do CTN, e na falta de perfeita identificação da matéria tributável, contrariamente ao que exige o art. 142 do mesmo Código. Argumenta que não há provas quanto ao descumprimento do processo produtivo básico. Neste sentido, transcrevo trechos do seu recurso voluntário: (...) 76. Sempre cumpriu a Recorrente com todas as regras de seu processo produtivo básico, inclusive no que diz respeito ao limite importação de PCI's, montando PCI's em seu estabelecimento, conforme reconhecido pela SUFRAMA. 77. Vale esclarecer, que, evidentemente, a Recorrente cumpre o PPB para os produtos em relação aos quais o cumprimento do PPB é obrigatório. 78. Neste contexto, é importante terse em mente que a Recorrente também fabrica e vende produtos que não estão obrigados ao cumprimento do PPB. São os produtos vendidos dentro da própria Zona Franca de Manaus, os produtos vendidos à Amazônia Ocidental e os produtos exportados, os quais podem ser perfeitamente fabricados sem o cumprimento do PPB e com PCI's importadas montadas. (...) 83. E a autuação fiscal, passando ao largo dos fatos acima, presumiu, sem contudo comprovar, que a Recorrente teria descumprido o PPB em relação a determinadas vendas escolhidas aleatoriamente e obrigadas ao seu cumprimento porquanto só foram escolhidas vendas efetuadas a outros pontos do território nacional que não a Zona Franca de Manaus ou a Amazônia Ocidental. (...) Fl. 3780DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 854 11 85. Com efeito, embora mencione a aquisição de PCI's importadas pela TDK, a D. Fiscalização não logrou comprovar que os produtos objeto do auto de infração não teriam obedecido às normas referentes ao seu processo produtivo básico "PPB". 86. De fato, nenhum momento o auto de infração demonstrou ou comprovou que a Recorrente (i) não teria industrializado as PCIs aplicadas nos produtos que foram objeto do auto de infração, (ii) não teria realizado a montagem mínima requerida, (iii) não teria promovido a integração da montagem ao produto final, (iv) não teria feito a correta gestão de qualidade. 87. Temse, assim, claramente configurada a improcedência do Auto de Infração em questão, por ausência de provas quanto ao descumprimento do processo produtivo básico por parte da Recorrente na fabricação dos produtos objeto da autuação em questão. 88. Nem poderia tal comprovação ser produzida, uma vez que consoante atestado pela SUFRAMA, a Recorrente cumpre o PPB. (...) 93. No entanto, ao contrário do entendido pela r. decisão recorrida, é evidente que a suposta aquisição de placas importadas pela TDK não permite, de forma alguma, a conclusão de que houve aplicação dessas placas nos produtos escolhidos pelo auto de infração, vale dizer, não permite que se conclua que os produtos objeto da autuação descumpriram o PPB. 94. Isso em face de tudo o que já foi acima exposto. A Recorrente possuía, evidentemente, placas em estoque, fabrica placas em sua planta industrial aplicando as nos produtos que devem cumprir o PPB, e vende produtos não sujeitos ao cumprimento do PPB, tais quais aqueles vendidos à ZFM, à Amazônia ocidental e os exportados, que podem perfeitamente utilizar PCI's importados montados. 95. Portanto, a suposta aquisição de placas da TDK poderia, quando muito, ser considerada um indício de que o PPB poderia ter sido descumprido. 96. Diante desse indício, deveria a Fiscalização ter buscado identificar se essas aquisições efetivamente resultaram no descumprimento do PPB, e, se pretendesse lavrar auto de infração, identificar e comprovar precisamente em relação a quais produtos esse descumprimento teria ocorrido. Só assim o lançamento estaria revestido dos atributos de certeza e liquidez que lhes são imprescindíveis. (...) Argumenta também quanto à ilegitimidade da Portaria nº 7/98, editada pelo Ministro do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, que alterou indevidamente o limite de importação de 18% das Placas de Circuito Impresso Montadas, para 15% nos anos de1999, 2000 e 2001 e em 12% para os anos subsequentes. Segundo o recorrente ela teria estabelecido novos limites não previstos na norma de hierarquia superior, no caso o Decreto nº 783/93. Neste mesmo sentido seriam ilegais também as Portarias Ministeriais nº 06/99 e 15/02 que determinaram a inclusão de outras placas, mais precisamente aquelas para produção de controle remoto, para o cômputo do limite anual estabelecido para importação de Placas de Circuito Impresso Montadas para fabricação de aparelhos de áudio e vídeo. Repete a argumentação de que os Auditores Fiscais da Receita Federal não têm competência para fiscalizar o cumprimento do processo produtivo básico. Defende que Fl. 3781DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 855 12 esta competência é da Suframa e cita neste sentido jurisprudência do então Conselho de Contribuintes. Alega que houve erros materiais no lançamento, pois a fiscalização teria deixado de descontar as vendas efetuadas pela recorrente à Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental e Exportações, uma vez que estas vendas são isentas do IPI independentemente do cumprimento do processo produtivo básico. Neste sentido teria anexado ao seu recurso diversas notas fiscais de vendas com estas características. Sustenta a ilegitimidade da aplicação da multa qualificada tendo em vista que em momento algum foi demonstrado ou comprovado a atuação fraudulenta por parte da requerente. Afirma que: (...) 132. Em nenhum momento a Recorrente utilizouse de documentos falsos ou, ainda, omitiu alguma informação de suas operações à Secretaria da Receita Federal. 133. Em suma, nada há de ilegal ou fraudulento em adquirir PCI's importadas no comercio local, desde que todas essas operações estejam registradas nos Livros e documentos Fiscais e contábeis próprios, como de fato estavam e consta nos autos. (...) Por fim, pede a inaplicabilidade da Taxa Selic para o cômputo dos juros moratórios. A Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu a Resolução nº 20201248, de 05/08/2008, relatoria do então Conselheiro Antônio Zomer, determinando a conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) Ao receber o referido processo para julgamento das impugnações, a DRJ em Fortaleza CE, conforme despacho que consta por cópia às fls. 290/292, determinou a separação das matérias, tendo em vista que a competência para julgamento do lançamento de IPI não era dela mas da DRJ em Recife — PE. Feita a separação, o auto de infração de IPI deu origem ao presente processo, de nº 10283.002897/200634, enquanto que aquele relativo ao II permaneceu nos autos do Processo nº 10283.002016/200502. Examinandose os valores lançados no demonstrativo que integra o auto de infração, às fls. 03/11, constatase que não correspondem exatamente aos valores constantes do relatório de fls. 78/88. Há valores lançados em duplicidade (FG de 28/09/2000 e 07/12/2000) e outros que não coincidem com aqueles apurados na diligência. Como o presente processo foi originado do translado de peças do Processo nº 10283.002016/200502, voto por se converter o presente julgamento em diligência à repartição de origem, para que a mesma traga aos autos os elementos que fundamentaram as discrepâncias existentes entre os dois demonstrativos antes referidos. Fl. 3782DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 856 13 Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciado da diligência, dandose conhecimento à recorrente, para que se manifeste sobre o procedimento no prazo de 10 (dez) dias, se assim o desejar. Após, com ou sem a manifestação da contribuinte, deve o processo ser devolvido para prosseguimento. O resultado da diligência está consubstanciado na Informação Fiscal EQFIS/ALFMNS nº 022/2010, fls. 686/690. De sua análise, vê se que a fiscalização reconhece que houve valores lançados em duplicidade relativos aos fatos geradores de 28/09/2000 e 07/12/2000 e que houve uma revisão do levantamento fiscal constatandose que algumas vendas para a Zona Franca de Manaus não haviam sido expurgadas por ocasião do lançamento. Efetuouse estas correções havendo uma pequena diminuição do valor apurado do IPI que foi reduzido de R$ 2.463.008,15 para R$ 2.448.525,92. Este valor está demonstrado nas planilhas anexadas ao relatório nas fls. 691/747 e Demonstrativos de apuração de fls. 748/775. Devidamente cientificado do resultado da diligência, o contribuinte apresentou as razões de fls. 777/789, repetindo basicamente os mesmos argumentos do recurso voluntário. Afirma que a diligência confirmou que houve alteração do critério jurídico em relação ao auto de infração anterior. Defende que mesmo após a diligência não foram descontadas todas as vendas para a Zona Franca de Manaus e que também não foram descontadas as vendas para a Amazônica Ocidental e as exportações, pois ambas isenções não dependem de cumprimento do processo produtivo básico. Ao final, a recorrente afirma que junta aos autos cópia da decisão proferida no processo nº 10283.002016/200502, que trata do lançamento do Imposto de Importação, que foi deste desmembrado. Porém estão juntados somente a decisão da DRJ do presente processo. Não houve juntada da decisão anunciada que teria declarado a nulidade daquele lançamento. É o relatório. Fl. 3783DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 857 14 Voto Conselheiro ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Nulidade do Lançamento O contribuinte afirma que o presente auto de infração foi lavrado em duplicidade com o lançamento efetuado no processo nº 10283.004095/200235. A este respeito a DRJ concluiu que não havia qualquer duplicidade, pois naquele processo, os produtos autuados foram os modelos CP25Q20, CP29Q12P e DVD2240N e neste foram os modelos CP14J50; CP29Q30P; CP29Q50; DVD 3230N; DVD3351N, WP 32Q10P. Cristalino está que não há alegada duplicidade, sendo que no recurso voluntário não houve contestação específica à conclusão da DRJ. A defesa alega que nos autos daquele processo foi lavrado novo auto de infração sem que o anterior tenha sido anulado, o que viciou todo o procedimento fiscal, atingindo, inclusive, o presente feito, que decorre da diligência levada a efeito naquele. Não existe nenhum impedimento legal para que se efetue um lançamento tributário a partir de elementos colhidos em realização de diligência realizada em outro processo fiscal. Ao contrário, constatada a ocorrência de fato gerador autônomo a autoridade fiscal, em decorrência de vinculação legal, tem obrigação de efetuar novo lançamento para exigência de crédito tributário não exigido no lançamento anterior. Tudo isto em respeito ao art. 42, parágrafo único do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.(destaquei) Esclareço que não vislumbrei no auto de infração constante do presente processo, qualquer mácula que pudesse tornálo nulo. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 3784DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 858 15 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. As questões apontadas pelo contribuinte referemse à ocorrência ou não dos fatos geradores, que são relativas ao mérito da autuação. Não há nem incerteza e nem falta de liquidez na autuação, pois o valor exigido está apontado e a matéria tributável devidamente caracterizada e fundamentada. A análise de mérito destas questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade. Também não consigo enxergar que tenha havido alteração no critério jurídico na autuação. O contribuinte alega flagrante descumprimento do art. 146 do CTN. Veja o seu conteúdo: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. O que aconteceu em relação ao presente lançamento e isto está demonstrado no relatório de diligência do processo anterior, o qual é parte integrante deste processo, é que ao realizar a diligência requerida no processo nº 10283.004095/200235, a autoridade fiscal constatou a existência de outros modelos de produtos vendidos com isenção do IPI para os quais também não fora obedecido o processo produtivo básico, e lavrouse auto de infração, nos termos do art. 142 do CTN, para exigir o IPI devido. Não houve qualquer mudança de critério jurídico, ao contrário, a acusação fiscal permaneceu a mesma, porém para produtos e modelos diferentes. Outra possível razão de nulidade invocada pelo contribuinte é no sentido de que os Auditores Fiscais da Receita Federal não têm competência para fiscalizar o Fl. 3785DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 859 16 cumprimento do processo produtivo básico. Defende que esta competência é da Suframa e cita neste sentido jurisprudência do então Conselho de Contribuintes. Improcedente é a assertiva formulada pela recorrente quanto a essa matéria. O Decreto n° 61.244/67, que regulamenta o DL n° 288/67, instituidor da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, confere competência legal para que seja realizada a fiscalização de todos os impostos atualmente administrados pela Secretaria da Receita Federal, consoante se depreende da transcrição dos artigos 12 e 13 do referido Decreto. Art. 12. Tôda entrada de mercadoria nacional ou estrangeira na Zona Franca de Manaus fica sujeita ao contrôle da SUFRAMA, respeitada a competência legal atribuída à fiscalização aduaneira e de rendas internas do Ministério da Fazenda. Art. 13. A saída de qualquer mercadoria da Zona Franca de Manaus para o estrangeiro ou qualquer parte do território nacional ficará sujeita ao contrôle das autoridades aduaneira e de rendas internas, para os efeitos legais, respeitados os incentivos fiscais criados pelo Decretolei n° 288/67.(destaquei) No caso cabe à Suframa propor, para aprovação interministerial, os processos produtivos básicos de produtos industriais e, ainda, administrar os incentivos fiscais, reconhecendoos na forma da lei. Porém, sua competência legal não abarca a administração tributária federal, tampouco a fiscalização dos tributos, atribuição específica da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Tal competência não se encontra elencada dentre aquelas atribuídas à Suframa pelo Decretolei nº. 288/67, em seu art. 11, sendo da Receita Federal a competência, distinta e complementar à da Suframa, de examinar a regularidade tributária que envolve todas as operações de importação e exportação efetuadas sob os benefícios do DecretoLei nº. 288/1967. A fiscalização demonstrou de forma extrafabril, ou seja, sem necessidade de conhecimentos de engenharia, que houve o descumprimento do processo produtivo básico, e efetuou a exigência do tributo na forma da legislação aplicável. Aqui cabe uma observação importante. O contribuinte alega em suas defesas que laudos técnicos periódicos da Suframa teria aprovado o seu processo produtivo básico. Veja a transcrição de alguns trechos: (...) 22. Desde a implantação da linha de produção destes dois produtos, a Recorrente vem cumprindo todos os requisitos necessários à fruição dos benefícios no âmbito da ZFM, principalmente no que se refere ao nível de industrialização local compatível com seu PPB, conforme vem reconhecendo a SUFRAMA por meio de Laudos Técnicos de produtos emitidos periodicamente. (...) 88. Nem poderia tal comprovação ser produzida, uma vez que consoante atestado pela SUFRAMA, a Recorrente cumpre o PPB. (...) 115. Concluise, portanto, que, uma vez que a matéria objeto de questionamento referese ao cumprimento ou não do PPB aprovado pela Suframa e, sendo certo que o processo produtivo foi vistoriado e aprovado por este órgão, Fl. 3786DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 860 17 este entendimento deve prevalecer, não podendo a D. Fiscalização da Secretaria da Receita Federal dispor em sentido contrário. (...) No seu recurso voluntário, a este respeito, o contribuinte cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes, no qual todas as ementas e votos destacam a existência de Parecer ou Manifestação específica da Suframa no sentido de reconhecer o cumprimento do PPB Processo Produtivo Básico. Porém, diferentemente, no presente processo não foi apresentado nenhum laudo técnico da Suframa confirmando o estrito cumprimento do PPB, especialmente no que se refere ao limite de utilização do percentual mínimo de utilização das Placas de Circuito Impresso importadas já montadas. Vêse que são alegações desprovidas de provas e jurisprudências administrativas citadas que não correspondem à mesma situação tratada no presente processo. Ademais, na minha opinião, mesmo que existissem laudos técnicos confirmando a correção do PPB, na verdade sempre é permitido que as autoridades fiscais, no estrito cumprimento de suas funções, tragam elementos probatórios que possam descaraterizar a conclusão da Suframa. Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Mérito Cumprimento do PPB O contribuinte alega que sempre cumpriu com todas as regras de seu processo produtivo básico, inclusive no que diz respeito ao limite de importação de PCI's, montando PCI's em seu estabelecimento, conforme reconhecido pela SUFRAMA. Argumenta que para as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental e para exportação, não há necessidade de cumprir o PPB. Em síntese, para boa parte de suas vendas não teria que cumprir o PPB e para outra parte, quando as vendas fossem destinadas para o restante do país, teria que comprovar o cumprimento do PPB. Neste sentido faltou à fiscalização comprovar que o contribuinte não teria cumprido o PPB somente para estas últimas. Conclui, neste sentido, que a autuação se deu por presunção, já que partiu do princípio de que as aquisições de PCI no mercado interno seria suficiente para viciar o seu PPB, sem provar efetivamente que houve o descumprimento do PPB. A saída dos produtos industrializados do estabelecimento do contribuinte se daria com isenção do IPI, quando destinadas ao consumo interno na ZFM ou à comercialização em qualquer ponto do território nacional, na forma estabelecida no Decretolei n.º 288/67, em cujo art. 9º, §1º, do Decretolei nº 288/67, incluído pela Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, se condiciona, neste último caso, à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7º, que, por seu turno, institui a obrigatoriedade de que a industrialização seja compatível com um específico Processo Produtivo Básico – PPB. Veja como está disposto o ato legal: “Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem Fl. 3787DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 861 18 para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) (...) § 5° A exigibilidade do Imposto sobre Importação, de que trata o caput deste artigo, abrange as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem empregados no processo produtivo industrial do produto final, exceto quando empregados por estabelecimento industrial localizado na Zona Franca de Manaus, de acordo com projeto aprovado com processo produtivo básico, na fabricação de produto que, por sua vez tenha sido utilizado como insumo por outra empresa, não coligada à empresa fornecedora do referido insumo, estabelecida na mencionada Região, na industrialização dos produtos de que trata o parágrafo anterior. (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 6o Os Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia estabelecerão os processos produtivos básicos no prazo máximo de cento e vinte dias, contado da data da solicitação fundada da empresa interessada, devendo ser indicados em portaria interministerial os processos aprovados, bem como os motivos determinantes do indeferimento. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 2001) (Regulamento) § 7° A redução do Imposto sobre Importação, de que trata este artigo, somente será deferida a produtos industrializados previstos em projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa que: (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) I se atenha aos limites anuais de importação de matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e suas alterações; (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) II objetive: (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) a) o incremento de oferta de emprego na região; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) b) a concessão de benefícios sociais aos trabalhadores; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) Fl. 3788DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 862 19 c) a incorporação de tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) d) níveis crescentes de produtividade e de competitividade; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) e) reinvestimento de lucros na região; e (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) f) investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico. (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 8° Para os efeitos deste artigo, consideramse: (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) a) produtos industrializados os resultantes das operações de transformação, beneficiamento, montagem e recondicionamento, como definidas na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados; (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) b) processo produtivo básico é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. (Alínea incluída pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) (...) Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no § 1° do art. 3° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)” (destaquei). Como não poderia deixar de ser o Decreto nº 2.637/98 (Regulamento do IPI/98), deixou patente a isenção já prevista no DecretoLei 288/67, nos seguintes termos: CAPÍTULO V DOS INCENTIVOS FISCAIS REGIONAIS SEÇÃO I Da Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental SUBSEÇÃO I Fl. 3789DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 863 20 Da Zona Franca de Manaus Art. 59. São isentos do imposto (DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): I os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus ZFM, destinados ao seu consumo interno, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros; II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 3303 a 3307 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico;”(destaquei). (...) Notase que as isenções, com exceção dos produtos industrializados consumidos na ZFM, e não na Amazônia Ocidental, dependem efetivamente do cumprimento do PPB. E o que vem a ser o Processo Produtivo Básico dos produtos em questão? Abaixo então as regras do PPB para os aparelhos de áudio e vídeo, aprovado no Anexo XI do Decreto nº 783/93: Anexo XI do Decreto nº 783/93: “a) montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; b) montagem das partes elétricas e mecânicas, totalmente desagregadas, em nível de componentes; c) integração das placas de circuito impresso e das partes elétricas e mecânicas na formação do produto final, montadas de acordo com os itens a e b acima; e d) gestão da qualidade e produtividade do processo e do produto final envolvendo, inicialmente, a inspeção de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, o controle estatístico do processo, os ensaios e medições e a qualidade do produto final, ressalvado o disposto no art. 2º deste decreto. Observação: 1) Fica temporariamente dispensada a montagem dos seguintes módulos ou subconjuntos: Fl. 3790DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 864 21 a) mecanismos, sintonizadores e subconjuntos óticos; b) módulos quartzo analógico ou digital. 2) Fica permitida a importação de placas de circuito impresso montadas, com seus componentes, até o limite anual de 18% (dezoito por cento), sendo que esse limite será calculado tomandose como 100% (cem por cento) da quantidade de placas de circuito impresso, de montagem nacional, utilizadas pela empresa no ano imediatamente anterior. 3) Os Ministérios da Integração Regional, da Ciência e Tecnologia e da Indústria, do Comércio e do Turismo, em ato conjunto, regulamentarão em 60 (sessenta) dias, a contar da data de publicação deste decreto, a aplicação da incidência dos dezoito por cento, referidos no item anterior, sobre os diferentes tipos e especificações de placas. 4) Independentemente do estipulado no item 2, fica facultada a importação de circuitos impressos montados somente com os componentes de tecnologia SMD (Surface Mounted Device) pelo prazo de 18 (dezoito) meses, improrrogáveis, a contar da data de publicação deste decreto. 5) Para o cumprimento do disposto neste Anexo XI, será admitida a utilização de subconjuntos montados no País, por terceiros, preferencialmente instalados na Zona Franca de Manaus. 6) Os subconjuntos industrializados por terceiros, na Zona Franca de Manaus, deverão atender ao processo produtivo básico.” Portaria Interministerial n.º 7, de 25/02/1998: “Art. 1º Estabelecer que a aplicação da incidência dos dezoito por cento para importação de Placas de Circuito Impresso, montada com seus componentes, referidos no item 2 das Observações do Anexo XI do Decreto n.º 783/93, se estenderá a qualquer tipo de placa de circuito impresso montada com seus componentes, destinada à fabricação de aparelhos de áudio e vídeo. Art. 2º Em 1999 e a partir de 2000, o percentual de que trata o artigo anterior será de, respectivamente, quinze por cento e doze por cento. Art. 3º Não caracteriza descumprimento ao Processo Produtivo Básico as importações de placas de circuito impresso montadas com seus componentes, realizadas até a data de publicação desta Portaria, desde que amparadas por autorizações da SUFRAMA” Após a leitura minuciosa da legislação acima transcrita, constatase de antemão o primeiro equívoco por parte das alegações do contribuinte. No meu entender o PPB do contribuinte não pode ser aplicado em parte. O benefício fiscal para ser usufruído não prevê a existência de processos produtivos múltiplos, sob pena de ficar impraticável a verificação do Fl. 3791DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 865 22 cumprimento dos requisitos necessários para fruição do benefício. Mesmo que isto fosse possível, a alegação do contribuinte de que não precisa cumprir o PPB para os produtos vendidos para a Amazônia Ocidental não tem fundamento na legislação. Fora do PPB só existe a isenção do IPI nas vendas para consumo interno na ZFM (art. 59, inc. I do RIPI/98) e a não incidência do IPI nas exportações por força de imunidade constitucional (art. 153, § 3º, inciso III da CF). Portanto, admitindo a possibilidade de processos produtivos múltiplos, o PPB do anexo XI do Decreto nº 783/93 deveria ser cumprido em relação aos produtos vendidos na Amazônia Ocidental. Ao admitir que descumpria o PPB nas vendas para Amazônia Ocidental, confessando a aquisição de PCI montadas para esta atividade, a defesa ajuda a comprovar que efetivamente não cumpriu corretamente o PPB. Em verdade, descumprindo o PPB, deve ser cobrado o IPI dispensado exclusivamente em sua razão. Assim, procedeu a fiscalização, ao não exigir o tributo nas situações de vendas para consumo na ZFM e nas exportações. A defesa sustenta que não há nos autos do processo provas suficientes para demonstrar o descumprimento do PPB. De fato tenho que concordar que as provas não são muito contundentes, no sentido de realizar uma auditoria completa de produção para determinar exatamente qual foi o percentual extrapolado de aquisição das PCI importadas. Porém, convém lembrar que estamos tratando de um benefício fiscal, ou seja, um favor do Estado para incentivar a modernização do parque industrial da ZFM. O cumprimento dos requisitos legais devem ser rigorosos e não só o Estado deve ter o zelo de fiscalizar, mas o beneficiário tem a obrigação de demonstrar o seu fiel cumprimento, sob pena de ver afastado o benefício. A respeito do ônus da prova pego emprestado interessante análise apresentada pelo então Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, trecho abaixo transcrito, em seu voto no Acórdão 3102000.935, de 02/03/2011, processo nº 10283.002678/200311, o qual analisava justamente questões relativas ao cumprimento do Processo Produtivo Básico: (...) Antes de adentrar na análise dos elementos carreados pelo Fisco e pela Contribuinte, entendo salutar demarcar que, a meu ver, quando da avaliação desses elementos não se pode olvidar da regra de distribuição do ônus probatório constante do art. 179, caput, do Código Tributário Nacional, que diz: (destaquei) Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Acerca do tema, leciona Souto Maior Borges: “Toda isenção deve ser concedida mediante prova documental da sua causa que remova as contestações e incertezas. (...) Devese distinguir assim, consoante o ensinamento de Amílcar de Araújo Falcão, no estudo das isenções, dois momentos ou aspectos distintos: Fl. 3792DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 866 23 I) o aspecto substancial ou material, ou seja, os requisitos ou elementos de perfeição ou integração dos pressupostos da isenção; regime que estabelece os pressupostos para o surgimento do direito à isenção (Tatbestandsstücke), os destinatários da norma (Normadressaten) e o âmbito, o alcance ou extensão do preceito isentivo; II) o aspecto formal, um processus, um requisito de eficácia para que o efeito desagravatório da isenção se produza (Wirksamkeitserfordernis). Distinguese, deste modo, entre pressupostos integrativos da relação jurídica de isenção e pressupostos de eficácia do resultado legalmente estabelecido. Estes últimos relacionamse pois com as circunstâncias que condicionam a produção dos efeitos jurídicos. (destaquei) Ou seja, o ônus de provar o cumprimento das condições necessárias ao implemento de isenção de caráter especial, inegavelmente, é do sujeito passivo, que deverá ainda observar o rito procedimental para que se opere a isenção pleiteada. Reforça esse entendimento, a pertinente lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) (...) Retornando ao presente processo, sua leitura, revela sim a dificuldade estatal em trazer uma prova contundente e matemática do exato valor do descumprimento do PPB. Mas é importante ressaltar que o contribuinte adotou um comportamento que impossibilitou a Fl. 3793DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 867 24 exatidão das verificações. Destaquei os seguintes trechos do relatório de diligência fiscal (fl. 81): (...) Para atender os quesitos, a diligenciada foi intimada a apresentar os seguintes documentos: 1. Indicadores industriais, apresentados à SUFRAMA, referentes ao período compreendido entre janeiro de 1998 e dezembro de 2000, inclusive no que se refere a produção de placas de circuito impresso; 2. Estoque em 01 de janeiro de 1998 de placas de circuito impresso montadas, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, com a cópia da página do Livro de Inventário que comprova a posição; 3. Estoque em 01 de janeiro de 1998 de placas de circuito impresso, sem os componentes agregados, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, com a cópia da página do Livro de Inventário que comprova a posição; 4. Todas as entradas no ano de 1998 de placas de circuito impresso montadas, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, indicado as aquisições no mercado interno e as importações, com a cópia do Livro de Entradas que comprova a posição; 5. Todas as entradas no ano de 1998 de placas de circuito impresso, sem os componentes agregados, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, indicado as aquisições no mercado interno e as importações, com a cópia do Livro de Entradas que comprova a posição; 6. Estoque em 31 de dezembro de 1998 de placas de circuito impresso montadas, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, com a cópia da página do Livro de inventário que comprova a posição; 7. Estoque em 31 de dezembro de 1998 de placas de circuito impresso, sem os componentes agregados, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, com a cópia da página do Livro de Inventário que comprova a posição; 8. Entradas em 1999 e 2000 de placas de circuito impresso montadas, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, com a cópia do Livro de Entradas que comprova a posição; 9. Entradas em 1999 e 2000 de placas de circuito impresso, sem os componentes agregados, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, com a cópia do Livro de Entradas que comprova a posição; 10. Estoque em 31 de dezembro de 1999 de placas de circuito impresso montadas, separadas por referência e com a indicação de qual produto se refere o citado insumo, com a cópia da página do Livro de Inventário que comprova a posição; 11. Estoque em 31 de dezembro de 1999 de placas de circuito impresso, sem os componentes agregados, separadas por referência e com a indicação de qual Fl. 3794DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 868 25 produto se refere o citado insumo, com a cópia da página do Livro de Inventário que comprova a posição; 12. Relação de produtos produzidos pela empresa em 1998, 1999 e 2000 com a correspondente quantidade de PCI (placas de circuito impresso) agregadas em cada produto; Após o decurso do prazo estabelecido para o atendimento, e após várias solicitações de dilação do mesmo, sem que a LG ELETRONICS DA AMAZÔNIA LTDA. (LG) tenha atendido à intimação na forma determinada foi lavrado o auto de infração 004012004, que deu origem ao processo 10283.002392/200416, por embaraço à fiscalização. (destaquei) (...) Note que os itens solicitados tinham o objetivo de conferir a exatidão do que foi importado e produzido pelo contribuinte, suficientes a uma auditoria de produção. Deliberadamente o contribuinte deixou de contribuir para a exata verificação do cumprimento do PPB. Agora, marotamente, acusa que a fiscalização não conseguiu provas contundentes do descumprimento do processo produtivo básico. Indago então, onde obter as provas exatas se quem as possuía não as apresentou, nem no momento oportuno, no atendimento da intimação e nem em sua impugnação ou recurso voluntário. Neste sentido, reputo convincentes as provas coletadas pela fiscalização. O contribuinte adquiriu no mercado interno, mais exatamente da TDK da Amazônia Importação e Comércio Ltda uma grande quantidade de PCI montadas e importadas, operação esta não aceita pelo PPB da recorrente. A observação 2 do Anexo XI do Decreto 983/93 é bem claro no sentido de permitir a importação de PCI montadas até o limite anual de 18% em relação à quantidade de montagem nacional realizada no ano anterior. Já as observações 5 e 6 do mesmo dispositivo permitem a aquisição de placas de terceiros, montadas no país, condicionando que o terceiro também atenda o requisito do processo produtivo básico, se for instalado na ZFM. Ora o contribuinte não cumpriu este requisito nas aquisições da TDK, pois adquiriu placas importadas e não montadas no país. Ao descumprir deliberadamente um dos prerequisitos do benefício fiscal, o contribuinte deveria ser o primeiro a querer demonstrar que não utilizou aquelas peças no processo produtivo básico. Acrescentese o fato de que as importações da TDK foram realizadas todas dos exportadores LG INTERNATIONAL CORP ou LG ELECTRONICS INC, notoriamente empresas do mesmo grupo empresarial do recorrente. Além disto está caracterizado que as importações foram efetuadas por conta e ordem da recorrente, sendo que para alguns dos casos os fechamentos de câmbio foram efetuadas por ela própria. Para tentar desfazer o lançamento o contribuinte apresenta cópias do Livro Registro de Inventário e de várias notas fiscais que compõem os anexos do presente processo. Por meio do registro de inventário quer sustentar que possuía PCI em estoque e, por consequência, fabricavaas. Evidentemente que uma fábrica do porte da recorrente possuía PCI em estoque, contudo esta informação isolada não lança qualquer luz de regularidade nas operações do PPB. Por fim o contribuinte faz juntar ao seu recurso voluntário uma enorme quantidade de cópias de notas fiscais. Ele alega que elas seriam provas de que a fiscalização incluiu no lançamento fiscal todas as suas vendas de exportação e também as vendas para a Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 869 26 Amazônia Ocidental e ainda teria esquecido de excluir algumas notas fiscais de vendas para consumo na ZFM. Uma análise inicial nas cópias das notas fiscais apresentadas, constatase já pelo anexo I, que o contribuinte juntou um amontoado de cópias sem se preocupar se elas foram ou não objeto do lançamento. As notas fiscais que iniciam o anexo I referemse ao mês de abril/2000 e o primeiro fato gerador ora lançado é referente ao mês de setembro/2000. A fiscalização teve o cuidado de relacionar todas as notas fiscais objeto do lançamento, destacando data, número da NF, modelo do produto, quantidade, valor unitário, valor total, nome do destinatário e o valor do IPI a recolher. Veja os demonstrativos às fls. 50/77. A diligência realizada em cumprimento à Resolução deste Conselho, efetuou alguns ajustes, excluindo a tributação de algumas notas fiscais, porém também teve o cuidado de relacionar uma a uma, inclusive fazendo um paralelo entre os dois levantamentos efetuados. Assim, estava fácil para o contribuinte discriminar qual ou quais notas fiscais foram incluídas indevidamente, seja em razão de vendas para consumo na ZFM ou seja para exportação. Um simples passar de olhos nos nomes dos destinatários constantes dos citados demonstrativos deixam evidente que não se tratam de vendas decorrentes de exportação. O relatório de diligência é expresso em informar que excluiu todas as vendas efetuadas para a ZFM. Portanto, não há mais qualquer exclusão a ser efetuada da base de cálculo tributável. Apresentar cópias de centenas de notas fiscais sem qualquer critério, na minha opinião, é uma poluição desnecessária ao presente processo contribuindo indevidamente para a clareza de sua leitura. Assim, comprovado por uma série de indícios, que efetivamente o contribuinte não cumpriu o processo produtivo básico, devendo ser mantida a exigência do IPI decorrente do lançamento fiscal. Diante do acima exposto, entendo desnecessária a análise da ilegalidade das Portarias Ministeriais nº 7/98 que reduziu os limites de PCI importadas de 18% para 15% e 12% nos anos subsequentes, pois como visto, não foi possível determinar o excesso tamanha a dificuldade imposta pelo contribuinte à sua apuração. No mesmo sentido, desnecessária a análise da pretensa ilegalidade das Portarias Ministeriais nº 06/99 e 15/02 que determinaram a inclusão de outras placas, mais precisamente aquelas para produção de controle remoto, para o cômputo do limite anual estabelecido para importação de Placas de Circuito Impresso Montadas para fabricação de aparelhos de áudio e vídeo. Multa Qualificada O contribuinte defende o afastamento da aplicação da multa qualificada tendo em vista que em momento algum foi demonstrado ou comprovado a atuação fraudulenta por parte da requerente. Aqui reputo ter razão o contribuinte. A qualificação da multa prevista no art. 80, inciso II da Lei nº 4.502/64 pressupõe que houve uma conduta intencional com a prática de atos de sonegação, fraude e conluio nos termos especificados nos art. 71, 72 e 73 da mesma lei. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 3796DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 870 27 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do Imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.: Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72. Aqui, entendo que a acusação tem que ser lastreada em provas contundentes para demonstrar o evidente intuito de fraude. No caso nem a suposta interposição fraudulenta está cabalmente demonstrada. O contribuinte não contesta que adquiriu as PCI importadas pela empresa TDK. Ao contrário afirma que todas as aquisições estão registradas em seus assentamentos contábeis e fiscais. Nem as supostas DI e Invoices informadas no demonstrativo fiscal estão juntadas ao presente processo. Como bem lembrado pela decisão recorrida, a prática de interposição fraudulenta na importação é caracterizado como dano ao erário, nos termos do art. 23, inc. V, do Decreto Lei nº 1455/76, o que resultaria na pena de perdimento da mercadoria ou em multa equivalente, no caso de impossibilidade da aplicação da pena de perdimento. Somente a título de exemplo, destaco o seguinte trecho da decisão recorrida: (...) 20.5. Em várias importações supostamente realizadas pela TDK, a LG apõe o seu carimbo, no respectivo comprovante, atestando o recebimento das mercadorias importadas (vide fl. 85, in fine, na qual a autoridade autuante relaciona as DIs em que tal se verificou, todas inseridas na relação de fls. 82/84). Nalgumas DIs, é possível identificar que é um funcionário da própria LG que recebe as mercadorias importadas pela TDK. (...) Se formos às fls. citadas, 82, 84 e 85, o que vemos lá são as acusações que realmente são graves, porém não localizei nos autos as DI com os supostos carimbos e recebimentos. Portanto, por ausência de provas da prática infracional com evidente intuito de fraude, entendo deva ser afastada a aplicação da qualificação da multa, mantendose naturalmente a sua exigência em seu percentual normal de 75%. Aplicação da Taxa Selic para cômputo dos juros moratórios. Fl. 3797DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 871 28 Em suma o contribuinte pede a não aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios tendo em vista que sua exigência seria ilegal e inconstitucional. Da análise do auto de infração, constatase que foram aplicados juros moratórios com base na Taxa Selic, nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º, § 3º da Lei nº 9.430/96: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Esta questão dos juros incidentes sobre tributos já está pacificado nos termos da Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 872 29 De forma que está demonstrado que os juros aplicados no lançamento também foram efetuados nos termos da legislação pertinente. Diligência Fiscal Resolução nº 20201248 De acordo com o relatório da diligência fiscal, fls. 686/690, foram efetuados ajustes no valor da exigência do IPI em face da duplicidade dos valores lançados referentes aos fatos geradores de 28/09/2000 e 07/12/2000, e também no sentido de que foram excluídas outras notas fiscais decorrentes de vendas para a ZFM. Portanto, concordo que deve ser afastada a exigência duplicada e também os valores de vendas para a ZFM, nos termos das planilhas anexadas ao citado relatório. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. 1) para manter a exigência do IPI em decorrência do descumprimento do PPB; 2) para afastar a aplicação da multa qualificada e 3) para reconhecer a redução da exigência do IPI, convalidando o resultado da diligência fiscal realizada em atendimento à Resolução nº 20201248 do então Segundo Conselho de Contribuintes. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Relator Fl. 3799DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 873 30 Declaração de Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios. O processo em tela diz respeito a constituição de crédito tributário para exigência do IPI em virtude de aduzido descumprimento do Processo Produtivo Básico PPB estabelecido para produtos fabricados na Zona Franca de Manaus ZFM. O auto de infração em questão foi subsidiado pelo Relatório de Diligência Fiscal de efls. 81/91, onde foram analisadas questões atinentes aos processos nos 10283.004094/2002911, inerente ao II, e 10283.004095/2002352, relativo ao IPI. No relatório de diligência em tela foi constatada a necessidade de constituição de crédito tributário adicional concernente aos tributos acima elencados (II e IPI), objeto do MPF nº 02276002004004858, que é vinculado ao auto de infração que deu ensejo ao presente processo (nº 10283.002897/200634). Antes, porém, importa destacar que o lançamento decorrente dos fatos apurados na diligência referenciada foi objeto do processo nº 10283.002016/200502, ao qual estavam vinculados tanto os créditos do II quanto os do IPI. Assim, em vista da necessidade de adequar os autos à competência por matéria das Delegacias de Julgamento (já que a competência para julgar o IPI era da DRJ Recife e a competência para julgar o II era da DRJ Fortaleza), houve apartação dos autos com a formalização do processo 10283.002897/200634, onde passaram a ser controlados exclusivamente os créditos relativos ao IPI. Ao processo nº 10283.002016/200502, permaneceram vinculados unicamente os créditos do II. Tais informações foram obtidas a partir do despacho da Segunda Turma de Julgamento da DRJ Fortaleza (efls. 294/297), c/c o termo de desentranhamento de efls. 299, e o expediente de e fls. 306. Quanto ao processo nº 10283.002016/200502, o mesmo foi julgado pela DRJ Fortaleza em 31/08/2006, que, por unanimidade, declarou a nulidade do lançamento por deficiência na descrição dos fatos, que, efetivamente, foi omitida. O entendimento em tela foi mantido pela Terceira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, que julgou o recurso de ofício da DRJ Fortaleza (acórdão nº 30335.055, de 28/01/2008). A omissão na descrição dos fatos, ressaltese, não ocorreu em relação ao processo ora em julgamento (nº 10283.002897/200634), de sorte que, desde já, afastase eventual hipótese de nulidade por deficiência na descrição dos fatos objeto do auto de infração, ainda que a matéria seja conexa ao processo nº 10283.002016/200502, cujo crédito tributário foi definitivamente extinto, conforme ressaltamos. Com efeito, o auto de infração de que trata o presente processo (nº 10283.002897/200634), lavrado em maio de 2005, está devidamente contemplado com a 1 Segundo informa o sítio do CARF na internet, o feito foi julgado pela 2ª TO da 3ª Seção em 27/02/2014 (acórdão nº 3202001.144), que negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário, afastando integral mente o crédito lançado em vistas da falta de provas. 2 Também de acordo com informações colhidas do sítio do CARF na internet, o então 3º Conselho de Contribuintes (3ª Câmara), em julgamento proferido em 12/09/2007 (acórdão nº 30334.695), declinou a competência para julgamento em favor do então 2º Conselho de Contribuintes. No mesmo sítio não consta outro julgamento para o feito em tela. Fl. 3800DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 874 31 descrição dos fatos que subsidiaram o presente lançamento, segundo a qual a empresa teria burlado o pagamento de tributos através do PPB, conforme se extrai do seguinte trecho do auto de infração (efls. 4): a empresa burlou o pagamento de tributos através do PPB Processo Produtivo Básico, pois deveria industrializar placas a partir dos insumos importados ou se utilizar do benefício estipulado no Decreto 783/83, que determina a importação de PCI montadas, com seus componentes, até o limite anual de 18%, de acordo com as regras estipuladas na Portaria Interministerial n. 02/95; a empresa burlou o PPB ao adquirir no comércio local placas de circuito impressos da empresa TDK DA AMAZONIA IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA, que por sua vez importou as placas montadas para atender a empresa LG ELETRONICS, conforme comprovado em fiscalização anterior (MPF 0227600.2001.0062801, 0227600.2004.003860 e 0027600.2003.003998), conforme comprova cópia anexadas ao presente Auto; assim procedendo, a empresa não só contaminou o PPB para os processos industriais referentes aos produtos CP14J50; CP29Q30P; CP29Q50; DVD 3230N; DVD3351N, WP 32Q10P objetos desta fiscalização, abdicando assim dos benefícios fiscais destinados às industrias na ZFM , como também cometeu crime fiscal, quando, com determinado intuito de burlar a fiscalização, subtraiu a base de cálculo dos impostos incidentes na saídas das mercadorias de seu estabelecimento; demonstrado ficou que a empresa descumpriu as obrigações necessárias para fruição dos benefícios da Zona Franca de Manaus, no que se refere aos DCR's de números 002397; 002378; 003661; 008236; 008237; 008790; 03862; 03865; 008829; 009780; 000643; 06378; 010023; 010338; 008780; 03861; 010338;03862;010023; 03865; 03851; 008829;02712;03293, por desobediência ao disposto no Decreto 783 de 25 de março de 1983, anexos VII e XI e Portaria Interministerial n. 7 de 25 de fevereiro de 1998, conforme constatado anteriormente ( Relatório de Diligência Fiscal em anexo); perde o contribuinte, com este procedimento, a isenção do IPI, sem direito a compensação, a redução do II na saída e passa a ser penalizado com a multa de 150%, agravada em virtude da infração relacionada acima e de acordo com a legislação vigente; foi lavrado Representação Fiscal para fins Penais (cópia anexada a este Auto) quando da constatação do fato acima, motivo pelo qual para este auto referente aos produtos acima citados, não está sendo procedido nova representação; Desde já afastase também o argumento da interessada em prol da nulidade por suposta mudança de critério jurídico. Não é mudança de critério jurídico o fato de a autoridade fiscal examinar o descumprimento do PPB concernente a produtos (PCI's) diversos. Especificamente em relação à matéria fática propriamente dita, defende a recorrente que o auto de infração não teria contemplado a efetiva demonstração de que os produtos objeto do lançamento teriam descumprido o PPB. Nesse sentido, ressalta a autuada que, nos autos do processo nº 10283.004094/200291, que seria análogo ao presente, o Colegiado reconheceu que a fiscalização incorreu em carência probatória do descumprimento do PPB, razão pela qual foi negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento ao recurso voluntário. Em consulta Fl. 3801DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 875 32 ao sítio do CARF na internet constatei que tal decisão foi objeto do acórdão nº 3202001.144, proferido em 27/02/2014 pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF. Tal não ocorreu, no meu entender, em relação ao presente processo (nº 10283.002897/200634), onde, a meu ver, está demonstrada materialmente a burla ao processo produtivo básico, razão da lavratura do auto de infração. Neste comenos, faço minhas as razões de decidir da DRJ, cujos excertos mais relevantes transcrevo abaixo (v. efls. 373 e ss.): 20.1. A fiscalização relacionou diversas notas fiscais emitidas pela TDK (fls. 82/84), através das quais repassou ao contribuinte ora autuado mercadorias que importou. A fiscalização vinculou tais mercadorias aos produtos finais fabricados pela LG, objeto do presente auto de infração, de modo a demonstrar que parte dos insumos adquiridos por esta última, a LG, cuja importação somente se permitia, nos períodos de apuração relacionados no lançamento, no limite de doze por cento, calculado sobre a quantidade de PCIs, de montagem nacional, utilizadas pela LG no ano imediatamente anterior, foi, na verdade, importada por pessoa jurídica diversa, ao menos conforme declarado à SRF; 20.2. Nas DIs por meio das quais a TDK internou insumos importados na ZFM (enfatizese, com suspensão do II e do IPI vinculado), consta como exportador, nas respectivas faturas comerciais (commercial invoice), as empresas LG INTERNATIONAL CORP. ou LG ELETRONICS INC. (fl. 86); como consignatário ou parte a ser notificada, nos conhecimento de transporte (Bill of Lading) a elas acostados, a própria impugnante, que também figura, como já ressaltado no item anterior, como destinatário das mercadorias nas notas fiscais da empresa TDK, emitidas em momento posterior às respectivas importações; 20.3. As mercadorias importadas através da TDK se referem, em sua quase totalidade, a kits completos de PCIs montadas e controles remotos, também com PCIs montadas, para televisores e DVDs (vide tabela de fls. 82/84), sendo que a quantidade de kits é sempre igual à quantidade de controles remotos importados; 20.4. Nas primeiras importações realizadas pela empresa TDK, a LG foi quem efetivamente pagou pelas mercadorias importadas, pois figura como compradora da moeda estrangeira nos contratos de câmbio, efetuado na modalidade de pagamento antecipado, posteriormente modificado para "à vista", conforme consultas realizadas no Sistema Integrado de Comércio Exterior — SISCOMEX. Ou seja, além de a LG ter adquirido a moeda estrangeira para pagamento de tais importações pela TDK, também figura como adquirente das mesmas mercadorias em operação de "venda" posterior; 20.5. Em várias importações supostamente realizadas pela TDK, a LG apõe o seu carimbo, no respectivo comprovante, atestando o recebimento das mercadorias importadas (vide fl. 85, in fine, na qual a autoridade autuante relaciona as DIs em que tal se verificou, todas inseridas na relação de fls. 82/84). Nalgumas DIs, é possível identificar que é um funcionário da própria LG que recebe as mercadorias importadas pela TDK. 21. Resta patente que a LG, tendo limitada a importação de PCIs já montadas no percentual de doze por cento, a partir do ano de 2000, utilizouse da empresa TDK para ingressar na ZFM com PCIs já montadas, que somente nela deveria produzir, mediante as atividades elencadas no PPB, conforme se obrigou no momento em que pleiteou o beneficio e que constitui o móvel de sua concessão. Fl. 3802DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 876 33 [...] 23. Não há outra razão, senão o óbice legal, para que o contribuinte promovesse a importação de componentes eletrônicos por pessoa jurídica diversa, qual seja, a TDK, quando poderia têla feito pessoalmente, mormente se tinha disponibilidade financeira para isso, conforme se demonstra pelo fato de ter pagado antecipadamente boa parte das importações, como comprador da moeda estrangeira nos contratos de câmbio, consoante registrado no SISCOMEX. 24. A conduta perpetrada pelo contribuinte, em colusão com a TDK, dirigiu se a burlar os controles da fiscalização, mediante a atribuição, a esta última, da qualidade de importador pelas operações de importação somente àquela dirigidas, pelo que assim não figuraria, em tal situação, nos sistemas aduaneiros, o que poderia despertar a atenção da SRF para o caso, mediante a deflagração de procedimento de auditoria a desaguar no exame do beneficio. 25. Ora, isso não significa outra coisa que não a fraude, a ação praticada de forma clandestina, com vistas a escapar da ação fiscal, o que permitiria ao contribuinte permanecer usufruindo do beneficio — a suspensão do II e do IPI vinculado incidentes sobre as PCIs importadas, já montadas, mas dentro do limite de doze por cento já referido, e a isenção do IPI pelas saídas de todos os produtos, nos quais empregadas, com destino a regiões localizadas fora da ZFM, porquanto as vendidas para estabelecimentos situados dentro desta região são, de qualquer forma, isentas de pagamento do imposto. [...] 27. Destarte, deu ares de aparente legalidade à operação engendrada, como se tivesse procedido à industrialização das PCIs — as mesmas que importadas já montadas — na própria ZFM, em observância às exigências expressamente previstas no PPB. [...] Por fim, resta tratar da alegação da recorrente no sentido de que os anexos I a XV juntados ao processo eletrônico seriam suficientes para infirmar as conclusões oficiais pelo descumprimento do PPB. Segundo alega a recorrente, os anexos em tela seriam suficientes para demonstrar que a empresa: possuía placas em estoque, e se as placas estavam em estoque ao final do ano é porque não foram aplicadas nos produtos vendidos durante o período, objeto do auto de infração; teria efetuado vendas à ZFM, vendas à Amazônia Ocidental e exportações, todas onde a desoneração do IPI não dependeria de cumprimento do PPB. Não obstante, todos os documentos que compõem os anexos referenciados pelo sujeito passivo são cópias de notas fiscais de saídas de mercadorias (ver efls 844/3576). Não há um único demonstrativo que, porventura, alicerce o argumento de que as placas importadas não teriam empregadas nos produtos vendidos ou de que as notas fiscais elencadas teriam sido consideradas na apuração do crédito tributário objeto dos autos. Fl. 3803DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10283.002897/200634 Acórdão n.º 3301002.754 S3C3T1 Fl. 877 34 No entanto, em relação à multa qualificada, entendo que a mesma deverá ser afastada, eis que todas as importações realizadas pela TDK, e as aquisições da referida empresa, foram escrituradas, razão pela qual, entendo, não há espaço para agravamento da multa objeto dos autos. Pelo exposto, acompanho integralmente as conclusões do voto do relator. Francisco José Barroso Rios Conselheiro. Fl. 3804DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 11330.001023/2007-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2002
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIDADE.
A obrigação acessória é obrigação tributária como outra qualquer e, não sendo possível, pela sua própria natureza, o recolhimento antecipado, deve a decadência reger-se pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Um único evento em período não decadente caracteriza a infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150, § 4º, do CTN. Vencido o relator, Carlos Alberti Mees Stringari, designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: Ronaldo de Lima Macedo
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIDADE. A obrigação acessória é obrigação tributária como outra qualquer e, não sendo possível, pela sua própria natureza, o recolhimento antecipado, deve a decadência reger-se pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Um único evento em período não decadente caracteriza a infração. Recurso Voluntário Provido.
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CONTABILIDADE. A obrigação acessória é obrigação tributária como outra qualquer e, não sendo possível, pela sua própria natureza, o recolhimento antecipado, deve a decadência regerse pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Um único evento em período não decadente caracteriza a infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 10 23 /2 00 7- 09 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150, § 4º, do CTN. Vencido o relator, Carlos Alberti Mees Stringari, designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001023/200709 Acórdão n.º 2403001.173 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I, Acórdão 1216.506 da 13ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no Relatório Fiscal: 1. A empresa autuada não possui em sua contabilidade contas ou subcontas específicas para lançamento, exclusivamente, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias relativas aos valores pagos ou creditados pela mesma, aos segurados trabalhadores autônomos e demais pessoas físicas, segurados não empregados da VOLUME, até a competência 02/2000, e aos segurados contribuintes individuais, a partir da competência 03/2000 referentes às despesas com prestações de serviços por eles executados. 2. Da mesma forma, não existem contas ou subcontas individualizadas para lançamento dos fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, de forma que se possam identificar as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, constantes das folhas de pagamento. 3. Tais lançamentos são efetuados de forma globalizada nas contas de despesas com salários e custos com pessoal (obras). 4. Para comprovação foram anexados a este Relatório Fiscal Cópia do Plano de Contas da Volume (Anexo 1), amostragem de resumos das folhas de pagamento de algumas obras – Hospital do Andaraí, Hospital de Laranjeiras e Hospital Universitário (Anexo 2) e amostragem dos lançamentos contábeis extraídos dos Livros Razão das contas de Custo de Venda de Serviços Obras Custo de Pessoal das contas "4.1.11.02.027 – Hospital do Andarai", "4.1.11.02.033 – Hospital de Cardiologia de Laranjeiras" e "4.1.11.02.008 – Hospital Universitário". (Anexo 3). 5. Observe que o Regulamento da Previdência Social, no inciso II do parágrafo 13° do seu artigo 225, determina que os fatos geradores e as contribuições previdenciárias deverão ser lançados em contas individualizadas. "§ 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 1 atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços." (grifei) 6. A situação descrita acima constitui infração ao inciso II do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, de 06/05/1999, sendo lavrado o presente Auto de Infração AI. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Decadência; · Efetuou compensação de Contribuições Previdenciárias pagas indevidamente sobre a remuneração de autônomos e administradores da Lei 7.787/89; · Quanto à impossibilidade de relevação da multa, pedido feito de início pela Recorrente em se tratando de empresa sem antecedentes de autuação do tipo, essa relevação foi negada sob fundamento de que não houve correção da falta dentro do prazo da impugnação, visto ausência de apresentação de GFIP's, mas, resta evidente que tudo tem sido feito pela pessoa jurídica dentro do que manda a legislação de regência, inocorrendo, dentro da realidade fática, incidência ou reincidência de qualquer infração. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001023/200709 Acórdão n.º 2403001.173 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de nº 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. ......................................................................................................... Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No caso presente, tratase de autuação pelo não cumprimento de obrigação acessória (deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos), portanto, não se trata de lançamento por homologação. Não há recolhimento a homologar. Aplico, portanto, a regra do artigo 173 do CTN. Os fatos geradores que motivaram a autuação ocorreram no período de 04/1999 a 03/2002. A ciência do lançamento ocorreu em 03/07/2007. Para esta autuação 1 único evento em período não decadente caracteriza a infração. Uma vez caracterizado evento em período não decadente, entendo não configurada a decadência. RELEVAÇÃO DA MULTA A relevação da multa era prevista no §1°, do Art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e estava condicionada a 3 eventos: formulação de pedido, correção da falta dentro do prazo de impugnação e ausência de circunstâncias agravantes. Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001023/200709 Acórdão n.º 2403001.173 S2C4T3 Fl. 5 7 Conforme citado no acórdão recorrido, não houve a correção da falta, o que impede a relevação da multa. O acórdão recorrido registrou que: “7.14. Não houve a correção da falta dentro do prazo de impugnação.” CONCLUSÃO: Voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Vencedor Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencedor. Pelo fato de o ConselheiroRedator Jhonatas Ribeiro da Silva ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que eu (Ronaldo de Lima Macedo), como redator adhoc, fui designado apenas para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro Redator Designado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. Inicialmente, deixo consignado que adoto o relatório do Ilustre Relator. Tratandose de lançamento fundamentado no art. 45 da Lei 8.212/91, impõe se consignar que o prazo decadencial regese pelo Código Tributário Nacional (CTN), nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do E. Supremo Tribunal Federal. Neste passo, acompanho o entendimento do Relator. No entanto, divirjo de seu entendimento em relação ao critério que deve pautar o cálculo do prazo decadencial, na hipótese de descumprimento de obrigação acessória. Entendo que a esse tipo de imposição impõese a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN, de forma que o termo inicial do prazo é a data do descumprimento da obrigação acessória, quando, então, esta converteuse em principal. Isso porque o art. 113, § 3º, do CTN estabelece que o inadimplemento da obrigação acessória (lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos) convertea em obrigação principal. Nessa linha de raciocínio, o art. 139 do CTN estabelece que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal. E o art. 150, § 4º, do CTN fala que se considera que homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, com o decurso de5 anos contados do fato gerador, com o que é aplicável o prazo decadencial nele contido, em relação às multas. Há precedente nesse sentido da lavra do I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata, o qual, mutatis mutandis, aplicase ao presente caso: PRAZO DECADENCIAL – MULTAS Ao teor do CTN, art. 113, § 3º, o inadimplemento da obrigação acessória (dever de pagar no vencimento as estimativas de IRPJ) convertea em obrigação principal. Conforme o art. 139 do CTN, o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal. E o art. 150, § 4º, do CTN fala “considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito”, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001023/200709 Acórdão n.º 2403001.173 S2C4T3 Fl. 6 9 com o decurso de 5 anos contados do fato gerador, com o que é aplicável o prazo decadencial nele contido, em relação às multas. (Acórdão 110300.598) Inobstante, as obrigações acessórias são instituídas no interesse da administração tributária e visam, em última análise, permitir a constituição do crédito tributário. Ocorre, no presente caso, que o próprio tributo objeto da lide encontrase fulminado pela decadência, de tal sorte que a obrigação acessória perdeu a sua finalidade. Assim, considerando que os fatos geradores que ensejaram a autuação ocorreram no período de 04/1999 a 03/2002 e que a lavratura do auto deuse em 03/07/2007, dou provimento ao recurso, para declarar a decadência da imposição, com espeque no art. 150, § 4º, do CTN. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, reconhecendo que o crédito tributário lançado foi extinto pela decadência quinquenal. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2015 por REGINA LOPES CATULIO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10932.000017/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/07/2004
COFINS. SEGURO DE CARGAS. INSUMO.
O seguro obrigatório pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito da Cofins.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Joel Miyazaki. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2001 a 31/07/2004 COFINS. SEGURO DE CARGAS. INSUMO. O seguro obrigatório pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito da Cofins. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Joel Miyazaki. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado Transzero Transportadora de Veículos Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/07/2004 COFINS. SEGURO DE CARGAS. INSUMO. O seguro obrigatório pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito da Cofins. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Joel Miyazaki. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 17 /2 00 5- 12 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000017/200512 Acórdão n.º 9303003.309 CSRFT3 Fl. 603 2 Rodrigo da Costa Pôssas Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão da DRJ/CPS que julgou procedente o lançamento levado a feito contra a interessada, que consubstancia exigência de COFINS para o período de apuração abril de 2001 a julho de 2004. A interessada se insurge contra a manutenção do aludido lançamento, argumentando, em apertada síntese (i) ser possível a exclusão da base de cálculo da COFINS as receitas transferidas a terceiros, in casu, terceiros subcontratados para transportes de cargas; (ii) ser possível a exclusão da base de cálculo da COFINS as despesas efetuadas com pedágios; e, (iii) ser possível os descontos de créditos oriundos da COFINS não cumulatividade, referentes à contratação de seguros que promove para o atendimento de sua atividade fim (transporte de veículos e cargas). Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado. COFINS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO. VALORES REPASSADOS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. No regime cumulativo da COFINS/Faturamento, em que não é vedada a incidência bis in idem, o faturamento corresponde à soma dos valores recebidos pela venda de mercadorias e prestação de serviços, sem dedução das importâncias repassadas a terceiros em virtude de subcontratação, descabendo cogitar da aplicação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, porque esse dispositivo não teve eficácia já que revogado antes da regulamentação prevista. DESPESAS COM PEDÁGIOS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. IRRETROATIVIDADE BENIGNA. As despesas com pedágios efetuadas antes da vigência da MP n° 2.024/00, instituidora do valepedágio, não podem ser excluídas da base de cálculo para a COFINS. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000017/200512 Acórdão n.º 9303003.309 CSRFT3 Fl. 604 3 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. DESCONTOS COM SEGUROS. Na apuração do COFINS nãocumulativo podem ser descontados créditos calculados sobre as despesas decorrentes da contratação de seguros, essenciais para a atividade fim desenvolvida pela recorrente, pois estes se caracterizam sim como ‘insumos’ previstos na legislação do IRPJ. Recurso provido em parte. Inconformada com essa decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugnou pelo restabelecimento da decisão de primeira instância e, por conseguinte, com base na contrariadade da decisão impugnada ao disposto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, requer o reconhecimento da impossibilidade de creditamento sobre os valores relativos à contratação de seguro sobre cargas pelo sujeito passivo. O especial fazendário foi admitido pelo presidente da câmara recorrida. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões, em 07/08/2009, fls. 428 a 813, onde, em preliminar, requer o não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda, alegando a ausência de votovencido quanto à matéria recorrida e no mérito, defende a manutenção do procedimento adotado pelo acórdão recorrido, quanto ao aproveitamento de créditos de Cofins em relação aos custos/despesas oriundos de contratos de seguro. Posteriormente, a informação de fls. 548/549 avisa que o contribuinte, utilizandose da prerrogativa concedida pelo art. 1º da Lei n°. 11.941/2009, e em atendimento às condições estabelecidas pelo art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°. 06/2009, manifestouse pela desistência parcial do recurso voluntário interposto contra a decisão proferida pela DRJ em CAMPINAS/SP. Em seu requerimento, o contribuinte informa que sua desistência não abrange os valores resultantes da glosa dos créditos relativos às despesas/custos referentes a seguros, sendo que o Recurso Especial da Fazenda Nacional combate exatamente o reconhecimento dos créditos da Cofins nãocumulativa sobre as despesas decorrentes de contratação de seguros, admitidos nos termos do Acórdão recorrido. Destarte, o litígio continua apenas em relação às despesas com seguros, agora em sede de Especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator. O especial fazendário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria controvertida diz respeito à possibilidade do contribuinte apurar créditos de COFINS relativos à despesas advindas da contratação de seguros de carga. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000017/200512 Acórdão n.º 9303003.309 CSRFT3 Fl. 605 4 Quanto à preliminar argüida nas contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo, entendo que não assiste razão ao argumento de suposta ausência de votovencido quanto à matéria recorrida. Tratase de recurso especial interposto contra "decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidencia de prova", nos termos do disposto no inciso I do art. 7º do RICSRF vigente à época. Neste ponto, transcrevo em seguida o acórdão da decisão recorrida (grifei): " ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negouse provimento, para não reconhecer as exclusões feitas sobre receitas de terceiros. Vencido o Conselheiro Dalton César Cordeiro dc Miranda (Relator). Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas dc Assis para redigir o voto vencedor; II) por unanimidade de votos, negouse provimento, para não reconhecer as exclusões com despesas com pedágio; e III) por maioria de votos, deuse provimento, para reconhecer o direito ao creditamento do PIS não cumulativo, referente às despesas com contratação de seguros de cargas. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e José Adão Vitorino de Morais. " Pelo acima transcrito, fica evidente que a decisão expressamente aponta que a matéria aqui recorrida (creditamento sobre despesas com contratação de seguros) foi provida por maioria de votos, chegando a nominar os conselheiros vencidos. Portanto, ao contrário do que argumenta o contribuinte, foram atendidos os requisitos presentes no inciso I do art. 7º do RICSRF, independente de que o teor dos votos (vencido e vencedor) possa demonstrar divergência apenas quanto à fundamentação legal para reconhecer o creditamento. Cabe, ainda, destacar que a única matéria onde ocorreu unanimidade foi aquela relativa ao não reconhecimento das exclusões com despesas com pedágio. Neste ponto, transcrevo em parte o Art. 63 do RICARF, com as alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 (grifei): Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. ... § 1° Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado. ... § 9º Na hipótese em que a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. ... Conforme o que determina o Art. 63 do RICARF e vide o texto do acórdão da decisão recorrida, acima transcritos, verificase que a discordância dos conselheiros Fl. 554DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000017/200512 Acórdão n.º 9303003.309 CSRFT3 Fl. 606 5 vencidos não ocorreu apenas quanto à fundamentação dos votos ao abordar a matéria relativa ao reconhecimento do direito aos créditos relativos às despesas com contratos de seguros. De acordo com o caput do Art. 63 do RICARF, existindo divergência, será consignado no acórdão quais conselheiros foram vencidos e em relação à quais matérias, exatamente como está especificado na decisão recorrida. No caso, se não houvesse voto vencido quanto à matéria, conforme afirma o recorrente, ou seja, todos tivessem concordado em reconhecer o creditamento em questão, divergindo apenas quanto aos fundamentos do resultado, a decisão deveria consignar que os conselheiros acolheram o voto vencedor apenas pelas conclusões, o que não ocorreu. Quanto ao mérito, com razão a Fazenda Nacional. Em que pese a existência de disposição legal que obrigue a contratação de seguro sobre cargas pela empresa transportadora, tal fato não é suficiente para que os referidos seguros possam se enquadrar no conceito de insumos "aplicados ou consumidos na prestação do serviço". Na verdade, como já ressaltado no acórdão da DRJ, tratamse de "contratos que tem por objeto a preservação da integridade de seu patrimônio e da carga", o que, por si só, não dá suporte ao enquadramento como insumos, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... O contrato de seguro possui natureza bilateral, onerosa e fundamentalmente aleatória, tem o risco como seu elemento essencial, a ponto de ser possível afirmar que faltaria objeto ao mesmo caso a coisa ou interesse não estivesse sujeito a qualquer tipo de perigo, incerto mas previsível. Ainda, no contrato de seguro não existe qualquer relação de equivalência entre a prestação que o segurador eventualmente fornecerá e a que recebe no momento da contratação. Assim, independentemente da empresa transportadora, como é o caso em análise, arcar com a integralidade dos custos referentes ao prêmios pactuados, o recebimento de eventuais indenizações ficará obrigatoriamente subordinado ao advento dos riscos cobertos pelos contratos de segurn o de cargas. Como se vê, tais características impossibilitam uma equiparação das despesas com a contratação dos seguros como se fossem aquisições de bens e serviços, dentro do conceito de insumo, conforme tanto defende o recorrente. Portanto, não pode ser aplicada a hipótese de creditamento prevista no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Nem todo custo, despesa ou encargo que concorra para a obtenção do faturamento mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, poderá ser Fl. 555DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000017/200512 Acórdão n.º 9303003.309 CSRFT3 Fl. 607 6 considerado crédito a deduzir, pois a admissibilidade de aproveitamento de créditos há de estar apoiada, indubitavelmente, nos custos, despesas e encargos expressamente classificados nos incisos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Examinandose os referidos dispositivos legais, concluise que as despesas com as contratações de seguros de cargas não podem ser caracterizadas como gastos com insumos aplicados ou consumidos na prestação de serviços de transporte, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da fazenda Nacional para restabelecer a decisão de primeira instância, no tocante à matéria aqui recorrida. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Discordo do nobre relator no caso em tela. O seguro contratado por transportadora de cargas se enquadra perfeitamente no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Uma das atividades mais difíceis para quem lida com as normas da Cofins é a determinação exata do que seja considerado insumo, quais os limites normativos. Ocorre que seguro obrigatório de cargas é um típico insumo utilizado na prestação de serviços. Esse é exatamente o fato típico descrito na norma e enquadrado no fato ora praticado. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10932.000017/200512 Acórdão n.º 9303003.309 CSRFT3 Fl. 608 7 Assim não há como deixar de aplicar o referido artigo 3ª Lei 10.833/2003 e considerar o seguro de cargas como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviços. Ademais o seguro é contratado para esse fim específico e se exaure com o final da prestação do serviço, argumento usado apenas para reforçar a condição de insumo do seguro obrigatório de cargas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 557DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10293.720230/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto.
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Diferença de contribuição devida Recorrente MUNICÍPIO DE RIO BRANCO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (Assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MARSICO LOMBARDI Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 93 .7 20 23 0/ 20 11 -6 5 Fl. 6105DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10293.720230/201165 Resolução nº 2401000.464 S2C4T1 Fl. 6.106 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0127.342 (fls. 6.027/6.037): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTOS DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AIOP nº 37.102.8361 e nº 37.102.8388. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Para fins de contribuição ao SAT/RAT financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho o enquadramento nos correspondentes graus de risco deve ser realizada considerando a atividade econômica preponderante da empresa. O enquadramento dos órgãos da Administração Pública direta nos correspondentes graus de risco, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), será efetuado em cada estabelecimento que possui inscrição própria no CNPJ, seja na condição de matriz ou filial. PAGAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO LANÇADO. O pagamento parcial de crédito fiscal regularmente constituído importa na extinção do respectivo crédito recolhido. (art. 156, I do CTN), configurando a anuência do sujeito passivo à exigência, devendo ser apropriado diretamente ao crédito, não acarretando retificação do lançamento. 2. O litígio diz respeito tão somente à diferença apurada pela fiscalização, no percentual de 1% (um por cento), relativa ao período de 06/2007 a 13/2008, no que tange à alíquota referente à contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT/SAT), prevista no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 3. Em seu recurso voluntário, juntado às fls. 6.041/6.087, a recorrente repete os argumentos contidos na peça vestibular, no sentido de que, a despeito do equívoco inicial do contribuinte quanto à indicação da sua atividade preponderante na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), estava correta a utilização do percentual mínimo, o qual correspondente à atividade de ensino (CNAE 85139). Fl. 6106DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10293.720230/201165 Resolução nº 2401000.464 S2C4T1 Fl. 6.107 3 3.1 Para justificar a atividade preponderante, apresenta um quadro comparativo em que indica, por cargo público, o número de segurados empregados nos anos de 2007 a 2009. 4. É o relatório, no que interessa. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator 5. Como cediço, dado o caráter vinculado do lançamento, com observância dos princípios de legalidade e tipicidade, a manutenção do crédito tributário impõe ficar comprovada a ocorrência do fato jurídico tributário e a subsunção aos critérios da regramatriz de incidência tributária. 6. Ao longo desses últimos anos, devido ao entendimento jurisprudencial, houve significativas oscilações quanto à metodologia aplicada para identificar a atividade preponderante para fins de cálculo do percentual da contribuição prevista no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, adotandose como correto: a) o número de segurados na empresa como um todo; b) análise por estabelecimento, individualmente considerado pelo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); ou até mesmo, c) a opção do sujeito passivo por um dos critérios anteriores, tendo em vista a falta de revogação do § 3º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. 7. No caso sob exame, a fiscalização expressamente menciona, conforme relatório fiscal, acostado às fls. 169/186, que a recorrente declarava em GFIP os segurados empregados integramente no estabelecimento matriz (CNPJ 04.034.583/000122) e que a verificação da alíquota correta do RAT/SAT, objeto de lançamento, levou em consideração tão somente as informações prestadas pelo município em GFIP (itens 23, 28 e 71, entre outros, do relatório fiscal). 8. Exposto nesses termos, acredito que o deslinde do mérito exige a efetiva identificação da atividade preponderante do sujeito passivo, tomandose por parâmetro o período do débito e os segurados que fazem parte do levantamento fiscal. Fl. 6107DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10293.720230/201165 Resolução nº 2401000.464 S2C4T1 Fl. 6.108 4 9. Desse modo, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com a finalidade de o Fisco manifestarse, por competência, sob o seguinte ponto: Qual a atividade preponderante e o correspondente grau de risco, tendo em conta as atividades exercidas pelos segurados empregados que foram incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelo estabelecimento CNPJ 04.034.583/000122, nas competências 06/2007 a 13/2008? É dizer, a fiscalização deve indicar se prepondera ou não a atividade de ensino fundamental, com alíquota de 1%, conforme alegações fáticas trazidas pelo sujeito passivo (fls. 6.050/6.054). 10. Após a resposta do órgão da RFB, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, com posterior retorno dos autos para julgamento deste Colegiado. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 6108DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 23/12/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 23/12/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10803.720334/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Representação Processual. Saneamento.
Superado o obstáculo que determinou o não conhecimento da impugnação, anula-se a decisão de primeira instância, e devolve-se o processo à instância a quo para análise das razões de insurgência.
Numero da decisão: 1301-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos da relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Saneamento. Superado o obstáculo que determinou o não conhecimento da impugnação, anulase a decisão de primeira instância, e devolvese o processo à instância a quo para análise das razões de insurgência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos da relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 03 34 /2 01 3- 34 Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório Em face da contribuinte acima qualificada foram lavrados autos de infração de IRPJ no valor de R$ 52.399.671,61; CSLL no valor de R$ 16.637.064,94; COFINS no valor de R$ 1.775.260,49 e PIS no valor de R$ 385.418,42 com multa qualificada de 150% e juros. As acusações fiscais conforme Termo de Verificação Fiscal decorreram das seguintes infrações: (i) GLOSA DE DESPESAS (despesas não necessárias) relativas a locação de veículos, máquinas e equipamentos pertencentes a empresa Transcel Transportes e Armazéns Gerais Ltda., no ano calendário de 2007; (ii) OMISSÃO DE APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL na alienação de bem imóvel que integrava o ativo imobilizado da empresa autuada, relativa ao ano calendário de 2008 e, (iii) consequente MULTA ISOLADA (50%) relativa a estimativa do mês de agosto de 2008. A DRJ/RIO DE JANEIRO I, apreciando a matéria, por meio do Acórdão 14 53.485, de 18 de setembro de 2014, deixou de conhecer da impugnação por irregularidade na representação processual da empresa autuada, entendendo não houve saneamento da irregularidade mesmo após a diligência para tal. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. IRREGULARIDADE. A irregularidade na representação processual da contribuinte, quando não saneada, a despeito de intimação expedida pela autoridade preparadora, impede o conhecimento da impugnação. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido É o relatório. Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10803.720334/201334 Acórdão n.º 1301001.883 S1C3T1 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas No presente julgamento fazse necessário analisar primeiro os pressupostos processuais. No caso está em questionamento a decisão da DRJ que não conheceu da impugnação por irregularidade processual tornando a referida defesa inexistente e assim não se formando a lide. Juízo de Admissibilidade Pois bem, a questão é saber se deve ser conhecida a impugnação tempestivamente apresentada quando o contribuinte, intimado a regularizar a representação processual, o faz após a apresentação da impugnação. Da leitura dos autos constatase que a contribuinte ora recorrente apresentou impugnação em 29/01/2014 subscrita pelos procuradores Adalberto Calil e Luiz Fernando Giacon Lessa Alvers, conforme procuração de fls. 2398/2399, datada de 04/05/2012, embora o art. 27, § 2º do seu Estatuto Social (consolidação datada de 14/01/2013), determina que as procurações serão válidas por no máximo 01 (um) ano. (negritei) Assim, vêse que o instrumento de mandato não atendia aos requisitos exigidos para o processo administrativo fiscal, pois ultrapassara o prazo de validade. Assim, a Contribuinte foi intimada para regularizar a sua representação processual, pois, na data da apresentação da impugnação os procuradores não tinham poderes para representála. Dessa forma, e por pertinente, importa reproduzir os seguintes trechos do voto recorrido: Aplicandose subsidiariamente o artigo 13 do Código de Processo Civil ao PAF e levandose em conta o princípio da ampla defesa o julgamento foi convertido em diligência, para que a contribuinte fosse intimada a regularizar a representação processual. Em atendimento à intimação, foi anexada a procuração de fl. 3405, datada de 21/02/2014, outorgando poderes da cláusula Ad judicia e Et extra para os advogados Vinicius José Zivieri Ralio, Ednei Oleinik e Priscila Capechi, sendo que, em 03/07/2014, o procurador Ednei Oleinik substabeleceu os poderes a ele outorgados (inclusive ratificando os atos já praticados pelos procuradores) para Adalberto Calil e Luís Fernando Giacon Lessa Alvers, dentre outros. Verificase, assim, que na data da assinatura da impugnação, ou seja, em 29/01/2014, Adalberto Calil e Luis Fernando Giacon Lessa Alvers não tinham poderes para representar a contribuinte. Dispõe o já citado art. 13 do CPC, em seu inciso II: Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Art. 13 Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel; Constatase, que a diligência e intimação para regularizar a representação processual deuse em 27 de junho de 2014, e no prazo (15 dias) a contribuinte apresenta os documentos necessários conforme atestam as Atas de Reunião do Conselho de Administração e Instrumento Público de Procuração datado de 21/02/2014, inclusive com a ratificação de todos os atos praticados pelos advogados mandatários. Outrossim, penso, que com a determinação da diligência logrouse êxito no saneamento da representação processual. Nos termos do art. 662 do Novo Código Civil, os atos praticados por quem não detenha poderes suficientes poderão ser ratificados e tal ratificação retroage à data da prática do ato. Art. 662. Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes suficientes, são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados, salvo se este os ratificar. Parágrafo único. A ratificação há de ser expressa, ou resultar de ato inequívoco, e retroagirá à data do ato. Ao meu ver, resta claro, que no caso em análise, como bem assinalou a ora recorrente, devem prevalecer os princípios da instrumentalidade das formas e do formalismo moderado que regem o procedimento administrativo fiscal, de modo a se prestigiar a manifestação de vontade do contribuinte, que expressamente pretendeu se representar pelos patronos que subscrevem a impugnação administrativa, mesmo que, a regularização da representação processual tenha sido após a apresentação da impugnação. É fato, que o processo administrativo não possui os rigores do processo judicial. Mesmo porque, na busca pela verdade real e amplo direito de defesa dos contribuintes, admitese mitigar o formalismo exacerbado, na ausência de prejuízo para as partes litigantes. Assim sendo, após a apresentação dos documentos cuja ausência fundamentara o não conhecimento da impugnação, bem assim a ratificação dos poderes dos responsáveis pela subscrição da peça de defesa, entendo superadas as questões preliminares que obstaculizariam a instauração das fases litigiosa e recursal do processo. Anotese que esta Corte Administrativa assim tem decidido com relação a esta matéria, como exemplo, podemos citar os seguintes acórdãos precedentes: 1401000.985, 3102001.588, 1302000.587, 1803001966, 10196.713 e 20178.412. Ocorre que não há como este Colegiado enfrentar o mérito da exigência, pois, do contrário, caracterizarseia supressão de instância e, consequentemente, cerceamento do direito de defesa. Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10803.720334/201334 Acórdão n.º 1301001.883 S1C3T1 Fl. 13 5 Diante do exposto, dou PROVIMENTO ao recurso voluntário, anulando a decisão de primeira instância, devendo o presente feito retornar para julgamento perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com o conhecimento da peça de impugnação. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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