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Numero do processo: 10480.725110/2014-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2009, 2010
ÔNUS DA PROVA. LIVROS COMERCIAIS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
Em se tratando de processo decorrente de auto de infração, cabe à fiscalização o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fiscal e cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. INCIDÊNCIA.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitam-se à incidência do IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99.
IOF. CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Não provando o Fisco que as operações escrituradas na contabilidade do Contribuinte devem ter sua natureza jurídica reavaliada, porque teriam características de operação de crédito correspondentes a mútuo, deve prevalecer a presunção de veracidade e legitimidade dos livros, não havendo a incidência do IOF sobre operações comerciais lançadas na conta-corrente entre empresas ligadas.
DECADÊNCIA. IOF. FATO GERADOR. OPERAÇÕES DE CRÉDITO.
O lançamento tributário calculado com base no artigo 7º, inciso I, alínea a do Decreto n. 6.306/2007 utiliza como base de cálculo o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. O mesmo Decreto, em seu artigo 3º, §1º, inciso I, estabelece que o fato gerador do IOF ocorre na data da efetiva entrega do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado. Pela leitura conjunta dos dois dispositivos, conclui-se que, na apuração dos saldos devedores diários, base de cálculo do IOF, a Fiscalização não pode computar valores que haviam sido transacionados anteriormente ao prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a cobrança do IOF, juros de mora e multa de ofício e multa com base nos valores constantes da Conta 0012201030 - Conta Corrente - Comp. Ligadas; bem como para cancelar a cobrança do IOF sobre as operações de crédito ocorridas em 2007 e 2008 relativamente à Conta 0012201040 - Mútuo a Receber - Comp Ligadas, em virtude da decadência. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento na íntegra. E os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento na íntegra. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Humberto Ávila, OAB/RS 30.675, e pela Fazenda Nacional o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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LIVROS COMERCIAIS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Em se tratando de processo decorrente de auto de infração, cabe à fiscalização o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fiscal e cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. INCIDÊNCIA. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. IOF. CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não provando o Fisco que as operações escrituradas na contabilidade do Contribuinte devem ter sua natureza jurídica reavaliada, porque teriam características de “operação de crédito correspondentes a mútuo”, deve prevalecer a presunção de veracidade e legitimidade dos livros, não havendo a incidência do IOF sobre operações comerciais lançadas na contacorrente entre empresas ligadas. DECADÊNCIA. IOF. FATO GERADOR. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. O lançamento tributário calculado com base no artigo 7º, inciso I, alínea “a” do Decreto n. 6.306/2007 utiliza como base de cálculo o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. O mesmo Decreto, em seu artigo 3º, §1º, inciso I, estabelece que o fato gerador do IOF ocorre na data da efetiva entrega do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado. Pela leitura conjunta dos dois AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 51 10 /2 01 4- 90 Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 2 dispositivos, concluise que, na apuração dos saldos devedores diários, base de cálculo do IOF, a Fiscalização não pode computar valores que haviam sido transacionados anteriormente ao prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a cobrança do IOF, juros de mora e multa de ofício e multa com base nos valores constantes da Conta 0012201030 Conta Corrente Comp. Ligadas; bem como para cancelar a cobrança do IOF sobre as operações de crédito ocorridas em 2007 e 2008 relativamente à Conta 0012201040 Mútuo a Receber Comp Ligadas, em virtude da decadência. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento na íntegra. E os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento na íntegra. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Humberto Ávila, OAB/RS 30.675, e pela Fazenda Nacional o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre operações entre empresas do mesmo grupo, sem o respectivo recolhimento do IOF nos anos de 2009 a 2010, no importe de R$ 89.692.421,07, incluídos principal, juros de mora e multa. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: O Relatório preparado pela auditoria, fls. 11/30, ao fim dos trabalhos de fiscalização, aponta infrações à legislação do IRPJ, CSLL e IOF. No que respeita ao IOF, anotam as autoridades autuantes que se verificou a falta de retenção e recolhimento do Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 112 3 imposto incidente sobre operações de mútuo com pessoas jurídicas ligadas. Segundo o documento, nos anos de 2009 e 2010, a fiscalizada possuía créditos com pessoas jurídicas ligadas em valores bastante elevados, de acordo com análise das contas –12201010 (AFAC Controladas e Coligadas); 0012201030 (Conta Corrente – Comp. Ligadas); 0012201040 (Mútuo a Receber – Comp Ligadas) e 0012201060 (Títulos a Receber – Comp Ligadas). Informam as autoridades fiscais que a contribuinte foi intimada a esclarecer a natureza jurídica das operações registradas nas citadas contas e que, na sua resposta, [a contribuinte] se limitou a descrever as operações de créditos realizadas entre as partes relacionadas, sem, contudo, se referir à verdadeira natureza jurídica daquelas operações. Todavia, prossegue o termo, tendo em conta os registros contábeis e as respostas da fiscalizada seria possível concluir que as operações registradas nas contas 00122001030 (Conta Corrente – Comp Ligadas) e 0012201040 (Mútuo a Receber – Comp Ligadas), controlam mútuos financeiros e estariam, portanto, sujeitas à incidência do IOF nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999. A fiscalização acrescenta que a aplicação do mencionado dispositivo não se restringe apenas às instituições financeiras, mas a qualquer pessoa jurídica que promova os fatos nele tratados. E assim, conclui a auditoria: “Em resumo, ficou constatado que a fiscalizada incorreu nas hipóteses de incidência do IOF sobre mútuos financeiros, porém, deixou de recolher o tributo de sua responsabilidade; portanto, levantamos os valores do IOF devidos no período de 01/2009 a 12/2010, nas suas operações de mútuos financeiros com outras pessoas jurídicas ligadas, conforme registrado nas contas: 0012201030 (Conta Corrente Comp. Ligadas); 0012201040 (Mútuo a Receber Comp. Ligadas), onde a mesma figura na qualidade de mutuante, portanto, responsável tributária do IOF. As bases de cálculo mensais foram obtidas a partir dos saldos devedores diários dos lançamentos contábeis efetuados nas contas de mútuo (acima discriminadas), assim considerado, o somatório dos saldos devedores diários. O valor do IOF devido mensalmente é o resultado da aplicação da alíquota mensal prevista no Regulamento do IOF (0,0041% a.m.) sobre as bases de cálculo conforme acima especificada, e que será cobrado em auto de infração específico [tratase do objeto dos presentes autos]. Ademais, foi compilado o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, sobre cujos montantes incide o Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 4 adicional do IOF (de 0,38% a.m.), de que trata os parágrafos 15 e 16 do art. 7o do Decreto n° 6.306/2007 (parágrafos incluídos pelo Decreto n° 6.391, de 2008). Com efeito, calculamos os valores devidos de IOF, cuja responsabilidade pelo seu recolhimento recaiu sobre a fiscalizada, que estão abaixo reproduzidos e serão objeto de tributação, por esta fiscalização, através de auto de infração (…) Os valores a lançar estão consolidados em tabela de fl. 28. Notificada da exigência em 26/05/2014, em 25/06/2014 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 866/894 na qual ela própria assim resume suas objeções ao lançamento: É nulo por cerceamento do direito de defesa da Impugnante tendo em vista deficiência e obscuridade na descrição dos fatos e na determinação da base de cálculo; É nulo em razão da forma eleita pela Autoridade Fiscal para apuração dos valores supostamente devidos, que não está em consonância com os fatos alegados. Grande parte das transações não se referem a “mútuo de recursos financeiros”, mas sim a “contacorrente”, arranjo contratual que tem natureza jurídica completamente distinta; Parte dos numerários que transitaram em referidas contas não possuem qualquer natureza de operação de crédito; e Portanto, a autuação é improcedente por não se verificar a ocorrência do fato gerador do IOFCrédito. A impugnante, na sequência detalha cada um desses argumentos. (…) Sobreveio então o Acórdão n. 1453.683, da 14ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. CONTA CORRENTE. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação de mútuo, sobre ela incidindo o IOF, sendo irrelevante para fins tributários o fato de que os recursos disponibilizados pela mutuante sejam feitos na forma de pagamentos de obrigações da mutuária. Irresignado, o Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls. 679/723, repisando os argumentos trazidos quando da sua impugnação ao lançamento tributário, que são mais precisamente destacados a seguir: Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 113 5 1 Preliminarmente: 1.1. Cerceamento do direito de defesa por descrição insuficiente dos fatos. No sentir da Recorrente não teria sido cumprido pela Fiscalização o artigo 10, inciso III, do Decreto 70.235 (descrição do fato), tampouco o artigo 142 do CTN (procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente), pois não descreveu e enquadrou precisamente as circunstâncias fáticas sujeitas ao IOFcrédito, o que implicou na ofensa ao direito de defesa da Recorrente. Isto porque a fiscalização não demonstrou por que os “lançamentos/direito creditórios contabilizados nas contas ‘Conta Corrente – Comp. Ligadas’ e ‘Mútuo a Receber – Comp. Ligadas’ foram enquadrados como mútuo financeiro na presente autuação”, como também não esclarece o motivo de os referidos direitos creditórios serem caracterizadas como mútuo para efeitos de incidência do IOFCrédito. 1.2. Uso indevido de presunções e afronta ao princípio da motivação para a determinação da base de cálculo, o que também acarreta em nulidade do lançamento. Pela análise da “apuração de IOF devido”, a Recorrente alega que a fiscalização apurou a base de cálculo do imposto com base no artigo 7º, I, alínea “a”, item 1, §§12, 13, 15 e 16, do Decreto n. 6.306/2007. Ou seja, utilizouse a somatória dos saldos devedores diários verificados no último dia de cada mês, aplicandose a alíquota de 0,0041%, o que não se coaduna com o presente caso. Não há contrato nesse sentido analisado pela Fiscalização, que se baseou tão somente na escrituração contábil da Recorrente para o lançamento. Portanto, afirma que foi utilizada base de cálculo gravosa e equivocada para a constituição do presente lançamento; 1.3. Ofensa ao princípio da legalidade pela decisão recorrida, uma vez que se baseia no Ato Declaratório SRF n. 007, de 22 de janeiro de 1999, que colocou ser a conta corrente um dos meios de aperfeiçoamento de mútuo entre os particulares. Tal ato normativo, ao alargar a hipótese de incidência do IOF crédito, incorre em ilegalidade. Ademais, este ato normativo foi revogado. 2. Quanto ao mérito, argumenta que não há dúvidas sobre se tratar de operação de conta corrente, o que deu azo à cobrança do IOF. Diante disso, afirma que, diferentemente do que ocorre na tributação do mercado financeiro pelo IOF, nas relações entre pessoas jurídicas não financeiras, o imposto federal só atinge operações que correspondem a mútuo de recursos (artigo 586 do Código Civil). No caso em tela, porém, a autoridade fiscal em nenhum momento justificou os elementos pelos quais requalificou a sistemática de conta corrente efetuada contabilmente entre as empresas para conferirlhe a natureza de “mútuo”. No mútuo, insiste, há a necessidade de devolução do bem do mutuário ao mutuante (artigo 582 do Código Civil), enquanto, no contrato de contacorrente, as partes não são credoras ou devedoras uma da outra antes do encerramento da conta. Aqui, as pessoas jurídicas concedem e recebem prestações de diversas naturezas, sendo a conta corrente indivisível, já que retira a natureza própria dos lançamentos efetuados. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 6 Já tratando das contas fiscalizadas (Conta “comp. Ligadas – 0012201030), procura demonstrar que as transações ali consignadas em nada evidenciam qualquer modalidade de operação de crédito, mas sim a cooperação mútua de empresas ligadas (centralização de caixa das sociedades). A desconsideração desta diferença pela Fiscalização implica em afronta ao artigo 110 do CTN. Reafirma que a análise dos registros constantes nas contas contábeis evidencia que os lançamentos em nada se aproximam a mútuos. Todo e qualquer lançamento das Contas (Conta Corrente – Comp. Ligadas 0012201030 – e Mútuo a receber – Comp Ligadas 0012201040) foi entendido como mútuo, sem a análise da natureza dos lançamentos (e.g., aluguel de veículos, despesas de viagens, cheque moradia, etc.). Assim, como o quantum debeatur não foi apurado em conformidade com a fundamentação fazendária, o trabalho fiscal deve ser anulado. A Procuradoria da Fazenda Nacional, a seu turno, apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 1043 e seguintes), nas quais demanda que seja mantida a cobrança do imposto, por força dos seguintes argumentos: 1. Com relação às preliminares, 1.1. O lançamento é válido, uma vez que não se encontram preenchidas quaisquer das hipóteses para sua nulidade, vale dizer ter sido lavrado por pessoa incompetente; ou resultar em preterição do direito de defesa (artigo 59 c/c artigo 60 do Decreto n. 70.235/72). 1.2. Em relação à alegação de nulidade por erro na apuração da base de cálculo, decorrente do uso indevido de presunções e afronta ao princípio da motivação, é preciso destacar que a questão se confunde com a matéria de mérito deduzida pela autuada, não merecendo, por si só, análise preliminar. 1.3. A referência ao Ato Declaratório n. 7/1999 somente foi um reforço à tese fazendária, de modo que não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. 2. Já com relação ao mérito, 2.1. O IOF deve incidir sobre as operações de crédito, e fato gerador da exação é a concessão do crédito. Pelo artigo 13 da Lei n. 9.779/99 e pelo art. 3º, §3º, e art. 7º, §13, do Regulamento do IOF, percebese que o legislador quis abarcar todos os negócios jurídicos que representem uma operação de crédito, seja qual for a forma jurídica que se adotar, de modo a ser devido o imposto sempre que alguém coloca à disposição de outrem ou lhe entrega uma soma em dinheiro. Foi justamente o que aconteceu in casu. 2.2. Cita jurisprudência do CARF que corrobora seu entendimento (acórdão n. 3401002.490, acórdão n. 330200.616, acórdão n. 340200.270, acórdão n. 3302002.264), bem como o julgamento do Resp n. 1.239.101 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). 2.3 Assim, afirmase que o contrato de mútuo não é a única espécie contratual que leva à incidência do IOF, tanto que o legislador, quando se refere ao mútuo, trata de “operações de crédito” que sejam “correspondentes” àquele Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 114 7 negócio jurídico, sem limitar, portanto, a cobrança do imposto exclusivamente sobre este tipo de contrato. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 13/10/2014, conforme informação de fls. 995, e apresentou em 06/11/2014 o recurso voluntário de fls. 998 a 1036. O recurso, portanto, é tempestivo, conforme artigo 33 do Decreto n. 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Passo, então, à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, na mesma ordem em que elencados em sua peça dirigida ao CARF. 1. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A Recorrente brada pela decretação de nulidade do lançamento tributário, uma vez que teriam ocorrido, no presente caso, os seguintes vícios: i) ofensa ao direito de defesa, pois a fiscalização efetuou descrição insuficiente dos fatos no momento do lançamento tributário, sem demonstrar o porquê do entendimento de que as operações escrituradas nas Contas Contábeis enquadramse na hipótese de incidência do IOF; ii) uso indevido de presunções e afronta ao princípio da motivação para a determinação da base de cálculo; iii) ofensa ao princípio da legalidade pela decisão recorrida, uma vez que se baseia no Ato Declaratório SRF n. 007, de 22 de janeiro de 1999, e tal ato normativo, ao alargar a hipótese de incidência do IOF crédito, incorre em ilegalidade. Entendo que os itens ii e iii acima citados se confundem o mérito da causa, não tendo lugar sua apreciação em sede de preliminar. Assim, reservo sua apreciação ao tópico seguinte deste voto. Com relação ao item i, analisando o TVF, verifico que a fiscalização se baseou nos documentos fiscais e informações apresentados pelo próprio contribuinte, deixando claro seu o entendimento de por que considerou ocorrido o fato gerador do IOF. Nesse sentido, destaco os seguintes trechos, de fls. 22 e 23 do TVF: Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 8 […] […] Em seguida, a fiscalização traz a fundamentação legal para a cobrança do IOF sobre operações de crédito correspondentes a mútuo entre pessoas jurídicas não financeiras (artigo 13 da Lei n. 9.779/99, Decreto n. 6.306/2007), bem como a decisão do Supremo Tribunal Federal (“STF”) no RE n. 426.918/RS. Conclui então que (fls. 28): Outrossim, há notícia da fiscalização no sentido de que o contribuinte foi intimado para esclarecer a natureza jurídica das transações, porém não o fez. Assim, entendo que os fundamentos da Fiscalização, apesar de sucintos, são claros e objetivos, bem como os fatos que ensejaram a autuação estão corretamente descritos. Não existem, portanto, as alegadas ofensas ao artigo 10, inciso III, do Decreto n. 70.235/72, tampouco o artigo 142 do CTN, razão pela qual tampouco caracterizouse ofensa ao direito da Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 115 9 ampla defesa e do contraditório do contribuinte, a ensejar a nulidade do lançamento tributário (artigo 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/72). Assim, afasto a preliminar de nulidade apresentada pela Recorrente. 2. MÉRITO: IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO 2.1. DA NÃO INCIDÊNCIA DO IOF SOBRE CONTRATOS DE CONTA CORRENTE A Recorrente afirma que não ocorreu o fato gerador do IOF in casu. Isto porque os valores vinculados às Contas que foram objeto de autuação, referente a operações entre ela e as demais pessoas jurídicas do grupo econômico em que está inserida, no seu sentir, não se enquadram na hipótese de incidência traçada pela legislação para o referido imposto, o mútuo, capaz de lhe atribuir a condição de responsável pelo pagamento do IOF. Vejamos a legislação sobre o fato gerador do IOF, utilizada como fundamento da autuação fiscal: Artigo 13 da Lei n. 9.779/99: Art. 13 As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. (grifei) Artigos 2º, inciso I, alínea “a” e 3º, §3º, inciso III, do Decreto n. 6.306/2007: Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras; b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei no 9.249, de 26 de Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 10 dezembro de 1995, art. 15, § 1o, inciso III, alínea “d”, e Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (…) § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos; II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). (grifei) Disto já ressalvo que a decisão a quo não apresenta qualquer problema com relação à legalidade, como afirma a Recorrente (item iii do tópico sobre as preliminares). Isto porque a menção ao Ato Declaratório n. 7/1999 somente foi um reforço a toda legislação acima, que levou a DRJ às conclusões expostas no Acórdão recorrido. Pois bem. Diante dos supratranscritos mandamentos legais, a Recorrente afirma que os registros contábeis que levaram ao lançamento tributário são decorrentes de contratos de conta corrente, e não de mútuo, cujo objeto é a escrituração de prestações mútuas, quitadas periodicamente pela apuração de haveres. Assim, ao tributar tais valores pelo IOF, que fora do mercado financeiro só incide sobre os contratos de mútuo, a Fiscalização estaria infringindo o princípio da legalidade, bem como indo na contramão dos artigos 108 e 110 do CTN. A diferenciação entre contrato de mútuo e contrato de conta corrente de fato existe e é imprescindível para a aferição da legalidade das autuações fiscais para cobrança de IOF como a presente, tendo em vista os mandamentos dos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional.1 Tal distinção deve ser precisamente aplicada ao caso concreto, demonstrandose que as transações entre empresas relacionadas se subsomem a uma ou outra hipótese. No presente caso, contudo, não havendo contrato firmado entre as empresas relacionadas, a análise da natureza jurídica das transações restringese aos livros contábeis e informações prestadas pelo contribuinte. A rigor, portanto, a questão do presente processo encontrase atrelada somente à conta corrente contábil da empresa Recorrente, e não à conta 1 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 116 11 corrente contratual, 2 uma vez que nenhum instrumento particular foi firmado entre as partes do grupo econômico para disciplinar os negócios jurídicos sob apreço. De qualquer forma, sobre a importância da aferição da natureza das transações para fins de solução de casos como este, registro o trecho do voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento no Acórdão n. 3102002.318: É indubitável que o contrato de conta corrente e de mútuo são distintos, porém, a meu ver, esta não é questão relevante para o deslinde da controvérsia, mas sim a natureza das transações financeiras que a recorrente realizou com as demais empresas do grupo, isto é, se tais operações representavam, na essência, uma operação de mútuo financeiro ou uma mera operação de conta corrente. Disto já deixo consignado que é absolutamente impróprio o julgamento que a utilização da conta corrente, em si, implica na existência de operação de crédito correspondente mútuo a ser tributado pelo IOF. Com efeito, enquanto nos contratos de conta corrente (artigo 4º, §2º, b, da Lei n. 7.357/1985 – “Lei do Cheque”), as partes acordam efetuar remessas recíprocas de valores oriundos de quaisquer espécies de negócios jurídicos, com o que se objetiva a compensação entre créditos e débitos das partes, para, ao final do prazo contratual, verificarse a existência de saldo exigível3, nas operações de mútuo, “o empréstimo de coisas fungíveis”, “o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade” (artigo 586 do Código Civil). São situações jurídicas que, portanto, não se confundem. Todavia, é possível que nos contratos de conta corrente ou na utilização do conta corrente contábil haja, concomitantemente, operações de concessão de crédito correspondentes a mútuo. Somente em tais situações é que haverá evento capaz de ensejar a tributação pelo IOF, como expressamente estabelecido pelo artigo 13 da Lei n. 9.779/99. É o que ressalta o Superior Tribunal de Justiça, ao afirmar que a abertura de crédito é uma das formas de realização da “operação de crédito correspondente a mútuo”, prevista no artigo 13 da Lei n. 9.779/99,4 de modo que deve sim ensejar a tributação pelo IOF. Vale destacar o trecho do voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, bem como a ementa atribuída ao Recurso Especial n. 1.239.101 – RJ: 2 É certo, contudo, que a as operações ocorridas sob o abrigo de um contrato de conta corrente serão normalmente lançadas em conta corrente contábil da pessoa jurídica. 3 Além das modalidades comuns de empréstimo por descontos de títulos à ordem, adquiriram grande incremento o contrato de financiamento, a abertura de crédito e a conta corrente. (...) Na conta corrente (que pode combinar com a abertura do crédito), as partes ajustam um movimento de débito e crédito, por lançamentos em conta, e podem estipular que os saldos credores, para um ou para outro, vencerão juros. (...) A maior utilidade da conta corrente é produzir a compensação de créditos e débitos, dispensando reciprocamente os pagamentos diretos. (PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil – VOL. III – Contratos. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2007, 12ª ed, p 354 e 355) 4 Não se olvida aqui que este dispositivo legal tem sua constitucionalidade contestada, perante o Supremo Tribunal Federal, no RE 590186/RS com repercussão geral reconhecida. Esse julgamento, contudo, ainda é pendente, de modo que o CARF deve aplica a lei em seus exatos dizeres (súmula CARF n. 2) até que sobrevenha eventual declaração de inconstitucionalidade por parte do Pretório Excelso. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 12 “Com efeito, o que a lei caracteriza como fato gerador do IOF é a ocorrência de ‘operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas’ e não a específica operação de mútuo. (…) Sendo assim, o contrato de mútuo, longe de ser a única espécie contratual a ser tributada, é tido por um modelo cujas características essenciais devem ser buscadas em outras espécies de contrato que envolvam operações de crédito para que possam ser alcançadas pela hipótese de incidência do IOF. É por esse motivo que o §1º, do art. 13, da lei citada considera ocorrido o fato gerador do tributo na data da concessão do crédito. O contrato de abertura de crédito que a recorrente celebra estabelece que a controladora disponibiliza créditos às controladas, que poderão utilizálos total ou parcialmente. A remuneração do capital emprestado são os juros sobre o capital da controladora disponibilizado às controladas. Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente” Ementa: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de “operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas “ e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. Recurso especial não provido Disto percebese que o problema a ser enfrentado não se esgota na discussão de existir ou não um contrato de conta corrente – com as características que lhe são particulares, tão bem desenvolvidas pela doutrina jurídica – entre a Recorrente e as demais empresas do grupo econômico. Quanto à impossibilidade de o IOF incidir indiscriminadamente sobre toda e qualquer transação abrigada pelo contrato de conta corrente, não há dúvida. A questão palpitante é, isto sim, o fato de a conta corrente ser utilizada para a concretização de empréstimos entre as empresas (pela abertura de crédito, por exemplo), o famigerado mútuo. Sobre a qualificação do mútuo, ressalto que o prazo pode ser livremente estipulado pelas partes, e que, como se trata de grupo empresarial, não há necessidade de estabelecimento de juros sobre os valores emprestados (artigos 591 e 592 do Código Civil).5 5 Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 117 13 Nesse sentido, com a precisão com que sempre proferiu seus votos, o Conselheiro Natanael Martins, depois de acurada explanação sobre a natureza do contrato de conta corrente na doutrina de Fran Martins,6 Carvalho de Mendonça,7 Pontes de Miranda8, conclui justamente sobre a indispensabilidade de verificação dos negócios jurídicos operados através da conta corrente: Ementa IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA ART. 21 DO DL. 2.065/83 CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS CARACTERIZAÇÃO COMO MÚTUO IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO O mútuo, a teor do disposto no artigo 1256 do Código Civil, pressupõe o empréstimo de coisas fungíveis, não se caracterizando como tal a figura do contrato de conta corrente. (…) Voto Assim, não teria o contrato de conta corrente o condão de modificar a causa jurídica das remessas individualmente consideradas, ocorrendo, apenas, espécie de paralisação de sua exigibilidade, ao menos até o encerramento da conta. O Conselho de Contribuintes, em reiterados acórdãos, tem exarado o entendimento de que o contacorrente e o mútuo são institutos jurídicos distintos, de modo que, casuisticamente, deve ser avaliada a origem das remessas que integram a conta corrente para que se possa discernir sua real natureza. Ocorre que, como já se disse, o contrato de conta corrente é, na verdade, contrato normativo, destinado a regular, apenas e tão somente, o tratamento a ser dados a cada uma das remessas, não interferindo em suas respectivas causas. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível 6 " (...) é o contrato segundo o qual duas pessoas convencionam fazer remessas recíprocas de valores sejam bens, títulos ou dinheiro anotando os créditos daí resultantes em uma conta para posterior verificação do saldo exigível, mediante balanço" (Contratos e Obrigações Comerciais, Ed Forense, 14ª Edição, p. 397 e seguintes) 7 "a) O contrato de conta corrente 'supõe uma série de operações sucessivas e recíprocas entre as partes'. Essas operações não se liquidam imediatamente e sim são anotadas nas contas, como partidas de débito e crédito. Ao final do prazo convencionado, ou no fim de um ano, se não houver período estabelecido, somamse as partidas de débito e as de crédito, verificandose o saldo. Esse será o resultado da diferença entre os débitos e os créditos. b) (..) c) Durante a vigência da conta corrente não pode um dos correntistas julgarse credor ou devedor, pois essa averiguação só se obterá no momento do encerramento da conta. As remessas constituem uma massa homogênea cujo resultado só será reconhecido pelas partes ao fazerse o balanço para a verificação final d) As remessas de cada correntista, perdendo a sua individualidade, unificamse na massa de débitos e de créditos, não podendo, assim, dar causa a ação particular sobre elas, nem ser objeto de execução." 8 "Pontes de Miranda, em seu Tratado de Direito Privado (Ed. BookSeller, § 4.615 e seguintes), ressalta a normatividade do contrato de conta corrente, haja vista que se destina a regular o tratamento a ser conferido a remessas, de diversas origens, efetuadas entre as partes contratantes." (trecho retirado do próprio voto citado) Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 14 Nesse contexto, um contrato de conta corrente poderia, entre suas remessas, conter adiantamentos ou reembolsos de despesas, dívidas ou adiantamentos comerciais, remessas para gestão unificada de caixa e, até mesmo, mútuos, sem que, pelo fato de serem escrituradas em conta corrente se desvinculassem de suas origens. In casu, resta comprovado que o contrato de conta corrente compreende remessas decorrentes de duplicatas recebidas pela interligada em nome da Recorrente, como também despesas a pagar pela Recorrente à interligada, liquidandose o saldo apurado ao final de cada mês. Ou seja, os valores lançados na conta corrente em análise não caracterizam contrato de mútuo, de modo que não se deve pretender seja aplicado à hipótese o DecretoLei n° 2.065/83.” Corroborando esse entendimento, confirase a ementa do Acórdão n° 10180.803, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: “IRPJ — Negócios de mútuo. A contacorrente relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar negócio de mútuo. Há que se investigar a natureza jurídica de cada operação objeto do lançamento, separando aquelas que realmente espelhem mútuo.” (Recurso n° 132.337, Sétima Câmara, Acórdão n° 10706.903, Rei. Natanael Martins) (grifei) Ratificando tudo quanto exposto, a doutrina especializada de Antônio da Silva Cabral9 traz a seguinte lição da obra de Pontes de Miranda: “5.6 – MÚTUO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE PONTES DE MIRANDA (Tratado, cit., LXII, pág. 120) ‘Os negócios jurídicos de que resultam os créditos e os débitos são estranhos à conta corrente, que a eles apenas se refere, para os submeter à escrituração específica.’ Este é um aspecto para o qual tanto o Fisco quanto os contribuintes não vêm atentando, querendo aquele se computem juros e correção monetária sobre quantias escrituradas em conta corrente só porque estão em conta corrente, como se esta conta representasse um mútuo em si mesmo. Esquecemse de que o importante é a análise do negócio jurídico que deu motivo ao lançamento em conta corrente. É um erro, freqüentemente encontrado na escrituração de empresas e em atos normativos do Fisco, encararse a conta corrente como se esta representasse uma dação recíproca de empréstimo, quando o importante seria analisaremse os negócios jurídicos que motivaram os débitos ou créditos em conta corrente. Nem há que se calcular correção monetária e 9 Negócios de Mútuo entre Empresas do Mesmo Grupo”. In. Direito Tributário Atual n. 10, p. 2855 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 118 15 juros sobre determinada quantia escriturada em conta corrente justamente porque, enquanto existir a conta corrente nenhum dos contratantes poderá exigir a obrigação do outro. Tal só ocorrerá quando a conta corrente for fechada. O que é exigível é, repitase, o saldo da conta corrente.' Pois bem. In casu, entendo que os lançamentos contábeis da Recorrente falam por si só, com relação à natureza das operações. Com efeito, a trabalho contábil de separação dos lançamentos efetuados na Conta 0012201030 (Conta Corrente – Comp. Ligadas); daqueles efetuados na Conta 0012201040 (Mútuo a Receber – Comp Ligadas) corresponde às informações prestadas pela Recorrente, ao nome atribuído às contas, bem como ao histórico dos lançamentos apresentados pelo contribuinte. Vejamos. · Conta 0012201030, denominada “Conta Corrente – Comp. Ligadas” (fls. 802 a 856), sobre a qual a Recorrente sempre afirmou tratarse de lançamento de créditos e débitos de conta corrente entre empresas do grupo (fls. 511), da mesma forma como coloca em seu recurso (fls. 1024), sem caráter de mútuo. Traz inclusive termos de Quitação de débitos entre a Recorrente e empresa do Grupo como exemplo dos acertos de contas representados nos lançamentos. Ainda, observando os lançamentos, encontramos situações como “Saída merc/fornecimento Conta Corrente”, “Fatura fornecedor Conta Corrente”, “Antecip Dívid VPAR pela VCH”, “Negociação Ref Direitos Minerários”, “Serviços...”, “Contratos...”, “Despesas compartilhadas”, “Liquidação por encontro de Contas”, “Linhas Celulares Soc Parceira”, “rateio leasing”, “compra escória”, “transferência ativo/passivo”, dentre outros. Ressalto também que uma enormidade dos lançamentos ali constantes é de valores bastante baixos (na casa das centenas de reais), o que também leva a crer que as transações não constituem empréstimos entre as empresas do grupo (e.g., linha 88, “fatura fornecedor Conta Corrente Com Como Ref”, no valor de R$ 115,14 – fls. 803). · Conta 0012201040, nomeada “Mútuo a Receber – Comp Ligadas” (fls. 857 a 859), o contribuinte expressamente afirmou em suas informações à Fiscalização (fls. 513) tratarse de montante relativo a mútuo, e o histórico dos lançamentos referemse a “mútuo”, “amortização de mútuo”, “atualização de valores”, “atualização de juros”, “atualização de mútuo”, dentre outros. É verdade que não se pode, por indução, compreender todos os lançamentos constantes das referidas Contas Contábeis (e.g., linha 49 da Conta 0012201030, “transf. 4008.4001”, de R$ 397.000,00 – fls. 803; e linha 1 da Conta 0012201040, “478726 jan./07”, de R$ 121.000,00 – fls. 857). Porém, pelo todo, parece claro que a própria separação de contas, que constam na escrituração dentro do Ativo Realizável a Longo Prazo (artigo 179 da Lei da S.A.)10 visa à separação de naturezas das transações: há a operações de crédito correspondentes 10 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 16 a mútuo representadas nos lançamentos da Conta 0012201040 “Mútuo a Receber – Comp Ligadas”, mas não daqueles da Conta 0012201030 “Conta Corrente – Comp. Ligadas”. Esta última, a meu ver, cuida de operações comerciais, prestação de serviços, compartilhamento/transferência de ativos, etc., entre empresas relacionadas, não se sujeitando, portanto, à incidência do IOF, imposto federal que incide unicamente sobre operações de crédito correspondentes a mútuo (artigo 13 da Lei n. 9.779/1999 e artigos 2º e 3º do Decreto n. 6.306/2007). Não há empréstimo, uma vez que os valores constituem registros de transações entre empresas relacionadas, que possuem grande sinergia com relação às suas operações comerciais, acarretando na necessidade de escrituração de conta corrente para que fielmente sejam destacadas tais ocorrências, mas que em nada se enquadram nos elementos para a configuração do mútuo (artigo 586 e seguintes do Código Civil).11 Destaco que foi esta a ratio firmada pelo CARF no Acórdão n. 340200.472. Lá julgouse inexistir mútuo em contrato de contacorrente em que havia adiantamento de recursos a fornecedor de serviços regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução de serviço. O mesmo se diga em relação ao Acórdão n. 0105.472, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que analisou contrato de conta corrente cujos saldos eram compostos por valores de cobrança de duplicadas sacadas pela empresa, decorrentes da prestação de serviços comuns às sociedades ligadas. Vale destacar trecho do voto do Conselheiro Relator Julio Cesar Alves Ramos, quando do julgamento do Processo n. 10746.001486/200394 (Recurso n. 237.710 Voluntário, Acórdão n. 340200.472): Por isso, ainda que se possa entender que a operação consistente nos adiantamentos é diversa da contratação das obras, e assim também penso, o máximo que se pode considerá la é modalidade de financiamento pelo contratante. Como bem se sabe, distinguese tal modalidade daquela prevista na Lei n° 9.779 pelo fato de estar vinculada à elaboração de um bem ou realização de serviço, por meio da qual o adiantamento é pago. Já o mútuo, como citado no recurso, é modalidade diversa de crédito e tem expressa definição no Código Civil (art. 586). Nela a obrigação do mutuário é devolver, em quantidade determinada, coisa da mesma espécie e qualidade que lhe fora entregue pelo mutuante. A modalidade mais comum, por óbvio, é o mútuo de dinheiro, em que dinheiro, portanto, tem de ser devolvido Ainda, é preciso lembrar a força probatória que possuem os livros e a escrituração contábil das empresas, conforme dispõem os artigos 378 e 379 do Código do II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; 11 Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 119 17 Processo Civil (CPC),12 bem como o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99),13 elemento que propiciou ao Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão n. 3402002.862, identificar o relacionamento de tal força probatória dos livros com a distribuição do ônus da prova no processo administrativo fiscal, in verbis: Não é demais lembrar que a escrituração contábil goza da presunção de veracidade e legitimidade, a teor do que dispõe o art. 9º, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.598/77. A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais. E, de outro lado, cabe ao contribuinte, em caso de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato. Versando este processo sobre autos de infração, o ônus da prova das diferenças apuradas era do fisco. E o fisco se desincumbiu desse ônus, pois não contestou a veracidade e a legitimidade dos registros contábeis e declarações prestadas pelo contribuinte, baseando seu trabalho nos documentos produzidos pelo próprio fiscalizado. Sendo assim, cabe ao contribuinte o ônus da prova de comprovar que as diferenças não existem ou que estão incorretas, a teor do previsto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. No caso em tela, a fiscalização não promoveu maiores esforços na demonstração de qualquer irregularidade na escrituração efetuada pelo Contribuinte com relação à Conta 0012201030 (Conta Corrente – Comp. Ligadas), de modo a tentar demonstrar a suposta natureza de mútuo das operações correspondentes àqueles lançamentos. A Recorrente tampouco comprovou que os lançamentos contábeis constantes da Conta 0012201040 (Mútuo a Receber – Comp Ligadas) não constituem efetivamente mútuos, mas sim de outras situações, limitandose a algumas alegações em seu recurso, porém sem provas para embasar seu direito. Dessarte, há de se concluir que a separação das duas contas e seus respectivos conteúdos é apta a comprovar, nos termos dos dispositivos legais supracitados, justamente a segregação das operações em que há conta corrente entre empresas ligadas para registro de operações diversas (Conta 0012201030 – Conta Corrente – Comp. Ligadas), das operações de crédito correspondentes a mútuo entre as empresas ligadas (Conta 0012201040 – Mútuo a Receber – Comp Ligadas), sendo que somente estas últimas operações sujeitamse à incidência do IOF, conforme os diplomas legais citados e transcritos acima. 12 Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Art. 379. Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam também a favor do seu autor no litígio entre comerciantes. 13 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º ). Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 18 Saliento, por fim, que o voto vencedor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão n. 3101001.094, citado pela Recorrente como fundamento para seu direito, tratava de questão diversa, qual seja, o exercício da atividade de gestão de recursos em caixa único, que é característica de holdings, controladoras de grupos econômicos. 2.2. DA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA PELA FISCALIZAÇÃO A Recorrente reclama ter sido erroneamente apurada a base de cálculo do tributo devido in casu. Tal argumentação somente faz sentido em relação à Conta 0012201040 – Mútuo a Receber – Comp Ligadas, e não à Conta 0012201030 – Conta Corrente – Comp. Ligadas, pois somente na primeira, como afirma a própria Recorrente, é que existiriam “valores principais” contratados como mútuo entre as partes, capaz de levar à necessidade de regra específica de apuração segundo a legislação do IOF. Com efeito. O Decreto n. 6.306, de 2007, coloca que, quando não ficar definido o valor do principal, a base de cálculo do IOF será o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, sob o qual incidirá a alíquota de 0,0041% (artigo 7º, inciso I, “a”). Já na hipótese de ficar definido o valor do principal, a base de cálculo será o principal entregue ou colocado à disposição, e sobre ela incidirá alíquota diária de 0,0041% (artigo 7º, inciso I, “b”). Por essa razão, a Recorrente afirma que teria andado mal a fiscalização ao calcular o IOF da Conta 0012201040 – Mútuo a Receber – Comp Ligadas nos termos do artigo 7º, inciso I, “a”, do Decreto n. 6.306//2007, já que nessas operações houve quitação de mútuo realizada com a sociedade Votorantim Cimentos Ltda, ou seja, havia valor principal da operação de crédito e, portanto, a apuração deveria ser feita nos moldes do artigo 7º, inciso I, “b”. Seria realmente o caso de acolher a argumentação da Recorrente se tivessem sido comprovadas as suas alegações. A Fiscalização intimoulhe para esclarecer as transações da Conta 0012201040 – Mútuo a Receber – Comp Ligadas, mas nenhum contrato ou informação precisa sobre quais seriam os valores principais acordados como mútuo foram apresentados pela Contribuinte. O mesmo se passou na Impugnação e no Recurso Voluntário, nos quais a Contribuinte permanece sem esclarecer quais seriam os “valores principais” para o cálculo do IOF com fulcro no artigo 7º, inciso I, “b”. Dessa forma, continua sendo necessário entender que o movimento financeiro ocorreu sem prazo definido e sem valor principal, sendo, portanto, correta a conduta da autoridade lançadora em proceder ao lançamento do IOF sobre a somatória dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. Sem reparos, portanto, o auto de infração relativamente à base de cálculo adotada na autuação fiscal. 2.3. DA DECADÊNCIA DE PARTE DOS VALORES LANÇADOS Embora não tenha apresentado qualquer questão relativa à decadência do auto de infração em seu recurso voluntário, a Recorrente apresenta tal ponto no memorial de Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 120 19 autoria do Professor Humberto Ávila entregue aos Conselheiros deste Colegiado antes do julgamento do feito. Uma vez que a decadência constitui matéria de ordem pública, conhecível a qualquer tempo do processo, admito a sua análise. A lavratura do auto de infração ocorreu em 26/05/2014, exigindo valores do Contribuinte no período compreendido entre 01/2009 e 12/2010. Uma vez que não houve antecipação de qualquer pagamento relativo ao IOF, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, vale dizer, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o tributo poderia ser lançado. Nesse contexto, a Recorrente clama pelo reconhecimento da decadência dos valores referentes aos fatos geradores (operações financeiras) datados entre 01/2007 e 12/2008, cujos prazos decadenciais teriamse expirado em 01/01/2013 e 01/01/2014, respectivamente. A constatação de que as operações de crédito datadas entre 01/2007 e 12/2008 foram inseridas na base de cálculo do IOF ocorre tanto em relação ao Razão Contábil 0012201030 (“Conta Corrente – Comp. Ligadas”), quanto ao Razão Contábil 0012201040 (“Mútuo a Receber – Comp. Ligadas”), em cujos cálculos foram considerados os saldos acumulados em períodos anteriores a 31/12/2008. Quanto à primeira Conta, foi utilizado o saldo inicial acumulado R$ 1.559.553.285,64. Já na segunda, constatase a utilização do montante de R$ 78.044.942,10. Chegase a esta conclusão pela análise dos relatórios de apuração do IOF devido, elaborados pela Autoridade Fiscal nos anexos ao Auto de Infração (fls. 718 e 724), pelos quais: i) a base de cálculo já constante antes do primeiro lançamento do ano é composta de “saldo inicial” que pertence a lançamentos efetuados antes de 01.01.2009; ii) o saldo inicial é equivalente aos valores contidos dos razões de 01.01.2007 a 31.12.2008 (fls. 535 e 571) apresentados pela Recorrente em 25/09/2013 em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 01 – MPF 04.0.01.00.2013000085 (fl. 510). Com razão, a Recorrente sobre a decadência. O lançamento tributário foi calculado com base no artigo 7º, inciso I, alínea “a”, do Decreto n. 6.306/2007, in verbis: Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: Este mesmo Decreto, em seu artigo 3º, §1º, inciso I, estabelece que o fato gerador do IOF ocorre na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado. Vejase: Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 20 disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; Pela leitura conjunta dos dois dispositivos, concluise que na apuração dos saldos devedores diários, base de cálculo do IOF, a Fiscalização não pode computar valores que haviam sido transacionados anteriormente ao prazo decadencial. Em outros termos, a dívida acumulada no passado não pode ser computada na base de cálculo do IOF. Nesse sentido, o Relator Berbardi Leite de Queiroz Lima proferiu os seguintes dizeres em caso com questão análoga: Para que exista saldo devedor no mês, é necessário que, antes disso, tenham sido disponibilizados recursos ao mutuário. O saldo devedor nada mais é do que o valor que o mutuário deve ao mutuante e que ainda não foi amortizado. Isto porque o IOF é apurado considerando o prazo em que o recurso fica à disposição do tomador do crédito, sendo este prazo um critério para definir o valor do tributo, mas não a ocorrência do fato gerador, que se dá no momento da disponibilização. (Processo 15504.010425/201011, Acórdão 3401002.877 Dessarte, para que não restassem extintos pela decadência os fatos geradores ocorridos entre 2007 e 2008, a autoridade fiscal possuía como prazo fatal para o lançamento os dias 01/01/2013 e 01/01/2014 (cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o IOF poderia ser lançado), respectivamente. Entretanto, o lançamento efetivouse em 26/05/2014. Portanto, encontrase extinto pela decadência o crédito tributário referente a todas as operações de crédito ocorridas em 2007 e 2008, que devem ser expurgadas da base de cálculo do IOF devido pela Recorrente. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para cancelar a cobrança do IOF e respectivos juros e multa com base nos valores constantes da Conta 0012201030 – Conta Corrente – Comp. Ligadas; bem como cancelar a cobrança do IOF sobre as operações de crédito ocorridas em 2007 e 2008 relativamente à Conta 0012201040 – Mútuo a Receber – Comp Ligadas, cuja soma foi destacada no saldo de 31/12/2008 do relatório de apuração anexo ao auto de infração (fls. 724), uma vez que se encontra extinta pela decadência. Thais De Laurentiis Galkowicz – Relatora Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 121 21 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Trata a presente autuação acerca da incidência de IOF sobre remessas entre empresas coligadas com fundamento em contratos de conta corrente estabelecidos entre as partes, sob o fundamento de que tais remessas haviam se dado a título de mútuo. A questão controvertida nesse processo é a existência ou não de dissimulação decorrente da utilização de um contrato de conta corrente para realização de operações de mútuo sem o pagamento o IOF. Antes de entrar na questão propriamente da suposta dissumulação e do atendimento ou não aos requisitos do contrato típico de conta corrente mercantil, cabe enfrentar questões prejudiciais. 1. Da Relação entre o Direito Privado e o Direito Tributário Tema dos mais relevantes, que põe em contraste a ideia de uma unidade do sistema jurídico e a coexistência de subsistemas correlacionados (mas com sistemáticas que lhe são peculiares por refletirem suas igualmente próprias finalidades.), é a relação entre o Direito Tributário e o Direito Privado. Tratase de preocupação antiga, visto que remete ao Precis de Droit Financier (1906) de MyrbachRheinfeld, cuja obra defendia à época pela inaplicabilidade das normas de Direito Privado para reger relações de Direito Financeiro (incluindo aí o tributário), mas que mantém sua atualidade (e prejudicialidade) em uma infinidade de discussões atuais. Como lembra Alcides Jorge Costa (Direito Tributário e Direito Privado. In Direito Tributário Estudos em Homenagem a Ruy Barbosa Nogueira. São Paulo: Dialética, 1984. P.222), as relações entre o Direito Tributário e o Direito Privado é multifacetada, com um foco maior na subordinação ou não do daquele aos conceitos e institutos deste, que por sua vez comportaria, no plano teórico: i) a recepção expressa dos conceitos de direito privado; ii) uma recepção implícita; iii) uma alteração implícita de conceitos do direito privado; e iv) uma aplicação analógica das normas de direito privado. É fato inconteste que a legislação tributária faz diversas remissões ao Direito Privado, todavia, o que causa discussão é a pergunta acerca de o que é salário, serviço, mútuo etc., e se a resposta do Direito a esta pergunta é privatista ou não isso nos situa entre duas hipóteses limites de trabalho: ou i) o empréstimo de expressões é o mais restrito possível, não passando de uma remissão meramente terminológica; ou ii) o emprego da terminologia privatista implica uma assunção substancial do objeto em matéria fiscal (PUJOL, Jean. L'application du Droit Privé en Matière Fiscale. Paris: Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1987. P.23). No mesmo sentido, enfrentou Humberto Ávila (Eficácia do Novo Código Civil na Legislação Tributária. In: GRUPPENMACHER, Betina. (Org.). Direito Tributário e o Novo Código Civil. São Paulo: Quartier Latin, 2004, p.6465) a discussão sobre tratarse de Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 22 uma remissão meramente terminológica ou conceitual, posicionandose pela segunda opção, haja vista que carecia de sentido lógico referirse a uma figura jusprivatística de forma arbitrária, sem qualquer propósito linguístico. Naturalmente, o Direito Tributário possui fonte essencialmente legislativa, de modo que é natural que se busque prescrições textuais que indiquem a solução para essa questão. Tradicionalmente a remissão é imediata aos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Parecenos, todavia, que os dispositivos normalmente tratados de forma unitária tratam de coisas distintas. O artigo 110 encontrase embrincado a uma questão vertical, ligada à hierarquia da Constituição e à impossibilidade da lei alterar dispositivos dela através de alteração de institutos e formas do direito privado a que as competências tributárias fazem remissão. Seria um dispositivo despiciendo em um sistema jurídico com o funcionamento são, mas que no Brasil assume o papel cada vez mais relevante de lembrar a todos o óbvio. A respeito disso, inclusive, o Supremo Tribunal Federal possui jurisprudência consolidada acerca da necessária observância dos conceitos pressupostos pelo Constituinte no momento de positivação das regras de competência (Ex. RE nº 150.7641, RE nº 117.8876, RE nº 203.0759 etc.), cujo entendimento encontra lúcida formulação no voto do Min. Marco Aurélio Mello no RE nº 166.7729, ao rechaçar a contribuição cobrada sobre a remuneração dos autônomos: O conteúdo político de uma Constituição não é conducente ao desprezo do sentido vernacular das palavras, muito menos ao do técnico, considerados institutos consagrados pelo Direito. Toda ciência pressupõe a adoção de escorreita linguagem, possuindo os institutos, as expressões e os vocábulos que a revelam conceito estabelecido com a passagem do tempo, quer por força de estudos acadêmicos quer, no caso do Direito, pela atuação dos Pretórios. Por outro lado, o art.109 traz uma questão horizontal, a respeito da forma que o Direito Privado se relaciona com o Direito Tributário nos demais conceitos e institutos que são utilizados em normas tributárias infraconstitucionais, especialmente para determinar quais os efeitos tributários a que elas estarão sujeitas. Mais do que isso, é preciso determinar se a utilização de “conceitos impregnados pelo Direito Civil” (zivilrechtliche vorgeprägte Begriffe) implica a possibilidade da sua alteração pelo legislador tributário tese da flexibilidade ou ele deve acatar o conceito existente e somente lhe determinar as consequências tributárias tese da rigidez (Cf. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 122 23 CREZELIUS, Georg. Steuerrechtliche Rechtsanwendung und allgemeine Rechtsordnung. Berlin: Neue Wirtschaftsbriefe, 1983. P.180). Nesse sentido, devemos buscar subsídios no Direito Positivo para fundamentar a opção por um ou outro. Em primeiro lugar, verificase que a Constituição Brasileira optou, ao tratar do Direito Tributário, pela previsão expressa de diversas regras de competência, que, em razão da sua eficácia de trincheira entrenchment (SCHAUER, Frederick. Playing by the Rules. Oxford: Clarendon Press, 2002. P.42) dão maior rigidez e certeza ao conjunto normativo, evitando que poderes e obrigações surjam exclusivamente de princípios constitucionais, dando um timbre de segurança e previsibilidade ao subsistema constitucional tributário que, por força da hierarquia. No âmbito do CTN, calha remeter a dois artigos pouco mencionados nesta discussão, o art.114 e 116: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ora, é aristotélica a lição de que as condições necessárias e suficientes para que um objeto seja determinado como algo são o conteúdo desse conceito! É dizer, na dicção do artigo mencionado, que falar em fato gerador é pressupor a existência de um conceito ao qual ele vai se subsumir, com elementos determinados. Fica evidente que o CTN reconhece a existência de conceitos nas hipóteses de incidências tributárias que devem ser observados no momento da aplicação, sob pena de restar sem sentido a dicção do artigo supramencionado. Em mesmo sentido, o art.116 é categórico: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (grifos nossos) Ora, ao incluir determinado ato ou negócio jurídico no antecedente de uma norma tributária abstrata e geral, o legislador não abarca a totalidade do fenômeno, o fato bruto (rohe Tatsachen), mas sim fatos institucionais (WEINBERGER, Ota. Fatti e Descrizione di fatti Riflessioni logicometodologiche su un problema fondamentale delle scienze sociali. In. LA TORRE, Maximo. Il Diritto come Instituizione. Milano: Giuffrè, 1990. P.95113) seja à partir de uma institucionalização dos fatos brutos, quando delimita positivamente “as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios”, seja à partir de convenções humanas normativamente instauradas, caso em que o fato se verificará quando “definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável”. Há, pois, uma necessidade intrínseca ao Direito que tais fatos tenham alguma determinação prática seja ela normativa ou não anterior à sua utilização nas hipóteses de incidência tributárias. Em se tratando das situações jurídicas, remetese a um “direito Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 24 aplicável” que, a nosso ver, nada mais é do que o Direito Privado que impõe a sua observância não por razões de unidade conceitual necessária que a nosso ver pode ser elidida pela construção de conceitos próprios no âmbito tributário (como se fez com o conceito de faturamento, com a Lei das S.A. e o DecretoLei 2397/67) mas por uma unidade conceitual decorrente do grau de elaboração do Direito Privado quando da tomada de consciência da autonomia do Direito Tributário (VANONI, Ezio. Natureza e Interpretação das leis tributárias. Trad. Rubens Gomes de Sousa. Rio de Janeiro: Edições Financeiras, 1932. p.167). Não se trata de uma vinculação necessária, mas apriorística, desde que não sobrevenha uma previsão específica de sentido na seara tributária. Corroborando essa conclusão, a Lei Complementar 95/98, versando expressamente sobre a redação de textos legais, traz relevantes subsídios interpretativos, a exemplo de seu art.11: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: I para a obtenção de clareza: a) usar as palavras e as expressões em seu sentido comum, salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando; Além disso, sob uma análise estrutural do Código Tributário, a própria previsão da figura da simulação, evidenciando uma discrepância entre o declarado e o efetivamente realizado para justificar a revisão do lançamento e outras consequências legais, já traz pressuposta a assunção de uma estrutura de Direito Privado que, por conta de um vício (se de vontade ou de causa é outra discussão) deve ser desconsiderado para fins tributários mas ainda assim, um prius lógico deste instituto é a consideração da forma de Direito Privado, ainda que vicidada. Resta clara, portanto, a necessidade de observância, via de regra, dos conceitos de Direito Privado na interpretação das hipóteses de incidência tributária. Todavia, entendemos necessário acrescentar uma segunda camada de considerações, haja vista que o que foi dito acima o foi com vistas apenas à interpretação do Direito Tributário o que seria suficiente em um pensamento estritamente subsuntivo e conceitual, mas que não se sustenta diante das teorias hermenêuticas atuais. Em rigor, a aplicação do Direito não consiste apenas em interpretar normas. A interpretação da lei (Gesetzauslegung) e a valoração dos fatos (Sachverhaltsbeurteilung) são dois aspectos do mesmo problema hermenêutico, haja vista que no processo aplicativo os elementos fático e jurídico atuam reciprocamente um sobre o outro tanto a interpretação da norma quanto a qualificação dos fatos fazem parte do processo de compreensão do sentido da norma e sua projeção sobre os casos concretos (NOVOA, César García. La Cláusula Antielusiva en la Nueva Ley General Tributaria. Madrid: Marcial Pons, 2004. P.209211). Podemos entender como qualificação, o conjunto de operações que se realizam, por parte dos aplicadores do Direito, com a finalidade de analizar desde o ponto de vista jurídico aquelas circunstâncias do mundo real que podem ser incluídas nas hipóteses da normas (SANCHÍS, Luís Prieto. Ideologia e Interpretación Juridica. Madrid: Tecnos, 1987. P.88). Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 123 25 A distinção é relevante pois a incidência tributária passa pela determinação do conteúdo normativo da hipótese interpretação e pela análise dos fatos concretos ocorridos e da sua pertinência ou não àquela hipótese qualificação. A respeito dela, deve a Administração Pública respeitar as formas adotadas pelo Contribuinte sempre que estiverem de acordo com o regramento específico da situação jurídica que se incorre, respeitando os elementos que compõem o conceito adotado na hipótese de incidência. Da mesma forma que a interpretação das normas, o CTN traz disposições específicas acerca da qualificação dos fatos, a exemplo do art.108, §1º: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; (…) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Não se pode utilizar de juízos de semelhança entre fatos, negócios ou atos para exigir o tributo é dizer, a legislação veda que o aplicador do Direito Tributário, ao se deparar com um caso que esteja fora da hipótese de incidência, se baseie em elementos desse fato que tenham semelhança com elementos de outro fato (este presente em uma hipótese de tributação) para que determine a sua tributabilidade (a exemplo do caso que erroneamente se pretenda tributar indenização por danos materiais como se renda fosse, estendendo por analogia a hipótese do IR, considerando apenas o elemento de aquisição de disponibilidade, mas não o do acréscimo patrimonial). Não é à toa que o art.150, I da Constituição Federal determina que a exigência do tributo está condicionada a Lei que o estabelece, que tem como consectário lógico o dever de conformidade da tributação com o “fato gerador”, desenvolvido em festejado trabalho de Gerd Rothmann, que reflete uma faceta principiológica da legalidade na disposição de que a lei não pode deixar ao critério da administração a diferenciação objetiva, devendo ela própria prever, na maior medida, possível, os aspectos necessários à configuração do fato gerador, não bastando ao legislador autorizar, de forma ampla, vaga, genérica ou indeterminada, a criação do tributo, mas cabendo a ele descrever a situação que lhe dará causa (ROTHMANN, Gerd Willi. O Princípio da Legalidade Tributária. In. DÓRIA, A.R.S.; ROTHMANN, G.W. Temas Fundamentais do Direito Tributário Atual. Belém: Cejup, 1983. P.9099). E ao determinar, através do art.109, que a a definição, conteúdo e alcance dos institutos, conceitos e formas de Direito Privado deverão ser aqueles que naquele ramo lhe são atribuídos, ressalvados os efeitos tributários que decorrem das regras tributárias, o legislador optou por vedar a possibilidade de requalificação de atos e negócios jurídicos sob um filtro finalístico a exemplo da malfadada interpretação econômica do Direito Tributário. Nesse ponto, concordamos com as lições de García Novoa, ao sustentar que somente o desrespeito aos dois dispositivos acima citados somente pode se dar quando a Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 26 Administração é dotada de autênticos poderes extraordinários para, por exemplo, requalificar, interpretar as normas de acordo com sua finalidade econômica ou aplicar o tributo por analogia, ou, em geral, para desconsiderar atos ou negócios realizados com fins de elusão fiscal (NOVOA, Ob.Cit., p.211.) É o que se dá, por exemplo, com o parágrafo único do art.116 do CTN, que prevê expressamente, digase a possibilidade de requalificação de atos ou negócios jurídicos com finalidade dissimulatória. O caráter excepcional da prática de requalificação ou de analogia fica mais expresso ainda na cláusula “salvo disposição de lei em contrário” no caput do art.116 do CTN, que evidencia a primazia ao regime de Direito Privado na constituição dos fatos geradores. Pois bem, parecenos que há uma clara primazia dos conceitos e formas de Direito Privado na definição, conteúdo e alcance das hipóteses de incidência e dos fatos geradores, salvos nas exceções previstas expressamente por lei. 2. Do Contrato de Conta Corrente seus elementos e requisitos O primeiro cuidado a ser dispensado quando se examina a espécie contratual contacorrente reside em definir as suas características básicas e, mais ainda, o seu fundamento no Direito Positivo. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer um equívoco que parece comprometer grande parte das decisões do CARF e de outros órgãos decisórios que enfrentam a questão: o contrato de Conta Corrente NÃO É UM CONTRATO ATÍPICO. O Código Comercial de 1850 já tratava desse contrato em seus arts.253, 254, 432 e 445, referindose expressa e nominalmente a ele: Art. 253 É proibido contar juros de juros; esta proibição não compreende a acumulação de juros vencidos aos saldos liquidados em conta corrente de ano a ano. Art. 254 Não serão admissíveis em juízo contas de capital com juros, em que estes senão acharem reciprocamente lançados sobre as parcelas do débito e crédito das mesmas contas. Art. 432 As verbas creditadas ao devedor em conta corrente assinada pelo credor, ou nos livros comerciais deste (artigo nº. 23), fazem presumir o pagamento, ainda que a dívida fosse contraída por escritura pública ou particular. Art. 445 As dívidas provadas por contas correntes dadas e aceitas, ou por contas de vendas de comerciante a comerciante presumidas líquidas (artigo nº. 219), prescrevem no fim de 4 (quatro) anos da sua data. E sobre tais dispositivos já escrevera Augusto Teixeira de Freitas: O art.254 do Código do Comércio também referese unicamente às contas correntes, pois que só nestas há contagem de juros recíprocos. (…) Toda conta não é uma conta corrente. Uma coisa é conta simples e outra é conta corrente. Esta última corre, isto é, vai reciprocamente demonstrando as parcelas de débito e Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 124 27 crédito, sem compensação de umas com as outras; para no fim do ano, ou de outro período, fazerse, então a liquidação ou compensação total. (Aditamentos ao Código de Comércio, Rio de Janeiro, vol.1, 1878. P.618) Ainda que se objete que a lei retrocitada foi revogada pelo Código Civil atual, há que se acatar a validade e vigência da Lei do Cheque (Lei 7.357/1985), que em seu art.4º, §2º, b, traz a previsão expressa dessa forma contratual, inclusive é feliz em contrastar expressamente a contacorrente contratual da contacorrente bancária, afastando incautos que pretendam uma identificação entre figuras positivamente distintas: Art . 4º O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar autorizado a sobre eles emitir cheque, em virtude de contrato expresso ou tácito. A infração desses preceitos não prejudica a validade do título como cheque. (…) § 2º Consideramse fundos disponíveis: a) os créditos constantes de contacorrente bancária não subordinados a termo; b) o saldo exigível de contacorrente contratual; Essa lei expressase de maneira clara, ressaltando a caraterística principal desse contrato, que é a exigibilidade do saldo na liquidação da conta, ao dispor no §2º do art.4º que se considera fundo disponível o saldo exigível de conta corrente contratual. Além disso, alegar a ausência de disposições expressas sobre seu regime jurídico é uma afirmação de todo equivocada, como bem apontou Fran Martins (Ob.Cit., p.367 368), ao apontar a existência de regulação no art.4º do Decreto nº 22.626/33 (a chamada Lei da Usura), revogado por Decreto de 25/04/1991, mas revigorado em seguida, por Decreto de 29/11/1991, estando vigente atualmente, in verbis: “É proibido contar juros de juros: esta proibição não compreende a acumulação dos juros vencidos aos saldos liquidados em conta corrente de ano a ano.” Poderseia argumentar que nunca um texto legislativo trouxe expresso as minúcias do regime jurídico do contrato em comento mas isto não é suficiente (além de ser equivocado, como demonstramos nos parágrafos anteriores) para negar a tipicidade do mesmo haja vista que uma peculiaridade do Direito Comercial e Civil é o caráter de fonte que assumem os “usos e costumes”, inclusive positivado no art.113 do atual Código Civil ao tratar da parte geral dos Negócios Jurídicos (Art.113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé e os usos do lugar de sua celebração.). A previsão típica do contrato na Lei de Cheque, complementado pelos dispositivos mencionados e os usos e costumes de sua prática longínqua, desde o Tribunal de Comércio da Corte no Brasil, lhe dá o timbre de um CONTRATO TÍPICO com elementos necessários para a sua caracterização que devem, por força do art.109 do Código Tributário Nacional, serem observados no momento de qualificação dos fatos geradores. É dizer, uma vez que a Lei de Cheque traz nomeadamente o contrato de contacorrente, tornao típico o nome traz consigo a prática e a convenção sobre ele. Todos os usos e costumes relacionados àquela espécie de contrato são recepcionados pela remissão expressa e nominal que a supramencionada lei traz. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 28 Ainda que, ad argumentandum, se ponha alguma dúvida sobre a tipicidade desse contrato pela sua menção expressa na legislação vigente, é forçoso reconhecer que se trata de um contrato socialmente típico, expressão do costume e dos fatos sobre o Direito positivo, como bem colocado por Pedro Pais de Vasconcelos: Na sua generalidade, os tipos contratuais legais foram construídos sobre os correspondentes tipos extralegais, sobre práticas contratuais que já eram típicas na sociedade. Estes tipos, que são tipos normativos, quando contrapostos aos tipos legais, que são tipos jurídicos estruturais, podem designar se adequadamente por “tipos sociais” (Contratos Atípicos 2 ed. Coimbra: Almedina, 2009. P.61) É dizer, não obstante desprovido de regulação legal específica, é típico do ponto de vista social, devendo ter seu regime jurídico respeitado, conforme as lições da melhor doutrina, a exemplo de Emilio Betti (Teoria Generale del Negozio Giuridico, 2ªed. Edizioni Scientifiche Italiane: Nápole, 1994. P.192 e ss.), Vincenzo Roppo (Il contratto, In Trattato di Diritto Privato. Milão: Giuffré, 2001. P.423 e ss.) e, no Brasil, Antônio Junqueira de Azevedo (Novos Estudos e Pareceres de Direito Privado. São Paulo: Saraiva, 2009. P.136 e ss.) Uma vez ultrapassada a questão da tipicidade que imediatamente conduz à obrigatoriedade da Administração Tributária observar seus elementos típicos devese tratar aqui das suas características principais. Em definições de consagradas autores brasileiros e estrangeiros fica evidente que não se trata de uma invenção recente, mas de uma forma contratual historicamente consolidada: Conta corrente é o contrato segundo o qual duas pessoas convencionam fazer remessas recíprocas de valores sejam bens, títulos ou dinheiro , anotando os créditos daí resultantes em uma conta para posterior verificação do saldo exigível, mediante balanço. (…) As remessas são as operações praticadas pelos correntistas para alimentar a conta. Podem constar essas remessas de dinheiro, bens ou títulos de crédito; deverão, sempre, ter um valor determinado, para que possam servir de base aos lançamentos que são feitos na conta. (MARTINS, Fran. Contratos e Obrigações Comerciais, 16ªed. Rio de Janeiro: Forense, 2010. P.366) No mesmo sentido é a lição de Gianinni, expoente italiano do tema, e Paulo de Lacerda, comercialista brasileiro responsável pela obra maior acerca do contrato de conta corrente: “[o contrato de conta corrente é] um contrato pelo qual duas pessoas convêm em concederse crédito recíproco a respeito de operações realizadas entre si e por igual duração de tempo de modo a que, ao fim do prazo, a diferença entre as duas somas de crédito represente um crédito exigível” (GIANINNI, Torquato. I contratti di conto corrente. Firenze, 1895. P.59) O nome do contrato é contacorrente, a qual abrese quando se estabelece entre os correntistas ou correspondentes, alimentase pelas recíprocas remessas a debito e credito, formando no exercício do contrato as sucessivas parcellas, verbas, artigos ou lançamentos das partidas de deve e haver; sujeitase a Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 125 29 encerramentos, balanços ou liquidações periódicos, para de tempos a tempos ser acertada a mesma contacorrente e extrahindose o saldo periódico a se levar ao seguinte período de contacorrente, até o fechamento ou encerramento final quando, feito o balanço definitivo, se apurar o saldo final possível de pronunciase contra um qualquer dos dois correntistas e portanto a favor do outro. (LACERDA, Paulo de. Do Contrato de ContaCorrente, Editor Jacinto Ribeiro, 2ª edição, 1928, P.24 25) Em um esforço sistematizador, e recorrendo às lições de J. X. Carvalho de Mendonça, Waldirio Bulgarelli (Contratos Mercantis, 4ªed. São Paulo: Atlas, 1987. P.555) e Fran Martins (Ob.cit., P.369370) trazem uma sistematização das características desse contrato: 1) O contrato de conta corrente supõe uma série de operações sucessivas e recíprocas entre as partes. Essas operações são anotadas nas contas, como partidas de débito e de crédito, e somente ao final do prazo convencionado, ou com a manifestação de uma das partes, se não houver período estabelecido, somamse as partidas de débito e as de crédito, verificandose o saldo final. 2) Só entram na conta corrente os créditos resultantes das operações a elas destinadas. 3) Durante a vigência da conta corrente não pode um dos correntistas julgarse credor ou devedor, pois esse status só lhe será atribuídos após o encerramento da conta. 4) Enquanto vigente o contrato, as remessas constituem uma massa homogênea cujo resultado só pode ser conhecido com o balanço final, destacandose a indivisibilidade e unidade das remessas. 5) Em razão da perda da individualidade das remessas, não podem dar causa a ação particular sobre elas, nem ser objeto de execução. Prosseguindo na caracterização desta espécie contratual, é preciso classificá la nas categorias tradicionais do Direito Privado: I) Tratase de um contrato bilateral, com obrigações recíprocas para as partes que nele se vinculam, devendo cada um dos contraentes fazer crédito ao outro pelas remessas a que procederem. II) É contrato oneroso, por envolver vantagens econômicas para ambos os contratantes. Frise que o contrato tem essa natureza não porque a conta corrente faz decorrer juros recíprocas, pois estes podem ser excluídos contratualmente (Cf. LACERDA. Ob.Cit., p.111; e GIANINNI, ob.cit., §10º), mas pela concessão de crédito recíproco. III) É contrato comutativo, pela reciprocidade de obrigações; IV) É contrato consensual, formandose pelo simples consentimento das partes sobre esta última característica precisamos dedicar mais alguma análise. Paulo de Lacerda faz extenso histórico da discussão sobre o conteúdo desse contrato, que pretendemos resumir brevemente aqui (Ob. Cit., p.113 e ss.). Durante o séc.XIX, especialmente pela lavra de Delamarre e Lepoitvin, o contrato de conta corrente era definido como um contrato real, exigindo para sua perfeição a realização de pelo menos a primeira remessa. Essa afirmação, todavia, sofreu inúmeras críticas da doutrina e da jurisprudência, vindo a ser abandonada universalmente. O equívoco da consideração como contrato real está em colocar em antítese a convenção de conta corrente com a própria conta corrente, quando, em rigor, pouco importa as Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 30 características individuais da remessa, vez que remetida através da convenção, ele perde sua individualidade. Não apenas isso, fosse o contrato real, o estorno da primeira remessa por qualquer motivo que seja implicaria a rescisão do contrato, o que não se verifica, pela possibilidade de outras remessas posteriores permanecerem. Enfim, em perfeita síntese, Paulo de Lacerda (ob.cit., p.121) pontua que os contratos em regra são consensuais, sendo reais apenas aqueles em que se obriga a parte a dar retorno ao mesmo objeto que recebe, ou outro da mesma espécie o que não acontece com o contrato de conta corrente, pois a intenção das partes está em criar uma massa homogênea das transações recíprocas, para gozar das vantagens que daí resultam. A perda da existência autônoma e distinta das remessas que descaracteriza o contrato como real é inclusive reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal: CONTACORRENTE Contrato Indivisibilidade Análise das suas remessas Discussão pretendida de algumas operações que o alimentaram, para arguir a sua prescrição Inadimissibilidade. Nos contratos de contacorrente não há que esmiuçar a natureza das operações originárias para verificar a prescrição de cada lançamento porque as remessas lançadas na conta perdem a sua existência autônoma e distinta. (Rec. Extr. nº 12.941SC. Ac. unânime da 1ª Turma Rel. Min. Barros Barreto, julgado em 05/07/1948) O fato das remessas se iniciarem imediatamente após o contrato é mera contingência, haja vista que enquanto permanecer válido o contrato a conta corrente será válido meio para as remessas. Em síntese: o seu ponto central é a convenção, e não a tradição. Sobre a temporalidade do contrato, as partes podem convencionar um prazo de duração, mas Gianinni (Ob.cit., §87) observa que um limite convencional de tempo é coisa supérflua em contratos de contacorrente, frisando que é pouco usado na verdade, poucas vezes se apresentará uma hipótese do contrato de conta corrente com prazo determinado, sendo facultado aos correntistas romper o contrato quando quiserem. Além disso, não há obrigatoriedade de realização de balanços provisórios mas podendo ser estipulado contratualmente dentro de prazos determinados sendo essencial à forma contratual apenas o balanço definitivo, quando da sua extinção (Cf. LACERDA, Paulo M. de. Ob.Cit. P.267271). O que também não impede que o saldo apurado em uma liquidação periódica seja transportado para nova conta ou seja logo pago, a critério da estipulação dos contratantes. Um último ponto essencial à sua caracterização diz respeito à forma de sua contabilização, que demanda uma atenção especial. A escrituração se faz nos mesmos moldes da conta corrente contábil, não devendo ser confundidos o contrato e a sua escrituração (MARTINS, ob.cit., p.367). Sobre a escrituração contábil do contrato de contacorrente, é feita como qualquer contacorrente, mas há distinção entre a contacorrente de contrato e a mera conta corrente derivada apenas de procedimento escritural, como veremos logo abaixo. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 126 31 Não obstante, face ao regime jurídico próprio do contrato de conta corrente, impõese que a escrituração derivada dele seja feita à parte de outras contascorrentes meramente contábeis, assim como se impõe a sua separação em relação a outros débitos e créditos das duas partes envolvidas no contrato, débitos e créditos estes que não estejam abrangidos pelo contrato, segundo suas disposições quanto ao seu objeto. Cremos ter elucidado aqui a natureza jurídica do contrato de conta corrente e suas características essenciais. Cabe fazer um contraste com a figura que consideram sua próxima, o mútuo. 3. Contrato de Conta Corrente e Mútuo Contrastes O primeiro cuidado que se deve ter ao contrastar o Contrato de Conta Corrente e o de Mútuo é observar que ambos são contratos típicos, como cuidamos de demonstrar cabalmente no tópico anterior. Esta distinção não é necessária apenas para verificação das possíveis incidências tributárias sobre a movimentação econômica e financeira decorrente do contrato, mas principalmente, e até mesmo antes daquelas, para que as partes possam ser exigidas no cumprimento das suas obrigações e possam exercer os seus direitos de acordo com a efetiva natureza jurídica do contrato. O Mútuo é contrato tipificado pelo Código Civil, regulado pelos artigos 586 a 592, e consistindo no empréstimo de bens fungíveis, como o dinheiro, para serem restituídos ao mutuante na mesma quantidade, gênero e qualidade. Calha trazer a definição legal de mútuo, qual seja: “Art. 586 O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.” Da essência desse contrato, portanto, são os seguintes elementos que lhe dão conformação e existência como tal: 1) empréstimo de coisa fungível; 2) obrigação do mutuário restituir ao mutuante o mesmo que dele recebeu, no mesmo gênero, na mesma qualidade e na mesma quantidade. Tratando sobre as características do Mútuo, Waldirio Bulgarelli (Ob. Cit., p.562)) aponta que se trata de um contrato: I) Unilateral, pois uma vez aperfeiçoado, gera obrigações para apenas uma das partes, o mutuário, que deverá devolver a coisa, e se for o caso, acrescido de juros. II) Oneroso ou Gratuito, a depender da previsão de juros, os quais, quando o mútuo tenha fins econômicos, presumemse devidos, e também podem ser objeto de fixação contratual, desde que no limite legal (SELIC), além de ser permitida a capitalização anual (art. 406 e 591). III) Temporário, pela necessidade de previsão temporal para a restituição da coisa emprestada. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 32 IV) Real, pois implica a entrega da coisa para o uso do mutuário, transferindose a sua propriedade. Por meio do contrato de mútuo, a propriedade dos bens é transferida ao mutuário. Na verdade, o mútuo, embora contratado, somente se aperfeiçoa se houver a efetiva entrega dos bens mutuados, sendo por isso classificado como contrato real. Após a transferência dos bens, o mutuário pode utilizálos como quiser, eis que, sendo proprietário, pode deles dispor, usando e gozando deles como lhe aprouver (Código Civil, art. 1228). Todavia, ele passa a ser responsável pelos prejuízos que os bens possam sofrer, exatamente porque fica com a propriedade daqueles que recebeu, mas, em contrapartida, tem a obrigação de devolver outros do mesmo gênero, da mesma qualidade e na mesma quantidade. Vejase de pronto, de cotejo entre as características, que é evidente a distinção entre os dois contratos, o que se pode demonstrar com a tabela abaixo: Critério de classificação Contrato de Conta Corrente Contrato de Mútuo Quanto a positivação Típico Típico Quanto à natureza do contrato Convencional Real Quanto ao objeto do contrato Abertura de conta corrente para débitos e créditos recíprocos, para liquidação posterior. Empréstimo de coisa determinada e fungível, mediante devolução posterior. Quanto à natureza da tradições entre as partes Indivisíveis, devendo ser tratadas como uma massa homogênea Divisíveis e individualizadas, com tratamento próprio para cada transação Quanto ao aspecto subjetivo da obrigação Bilateral Unilateral Quanto à dimensão econômica Oneroso ou Gratuito Oneroso ou Gratuito Quanto ao aspecto subjetivo As partes assumem natureza de credor e devedor após a liquidação da conta corrente As partes são mutuante e mutuário desde a tradição do bem Quanto à cobrança de juros Somente após a liquidação Imediatamente após a tradição Quanto ao tempo do contrato Temporário ou Tempo Indeterminado Temporário Parece estar clara a distinção entre as duas figuras. No contrato de conta corrente não se faz um mútuo nem se abre um crédito, mas se determina o destino de créditos futuros entre dois sujeitos, adotando uma conta na qual Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 127 33 vão sendo lançados débitos e créditos que se excluem mutuamente e cujo saldo só é exigível quando se dá o vencimento do contrato ou mediante extinção voluntária deste. Não discrepa disso Antônio da Silva Cabral (“Negócios de Mútuo entre Empresas do Mesmo Grupo”. In. Direito Tributário Atual nº10, p. 2855.), jurista que integrou os quadros da SRF e foi por vários anos presidente da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes e, como tal, membro da Câmara Superior de Recursos Fiscais, notabilizandose por seu rigor técnico e por sua cultura jurídica, ao enfrentar o tema à partir das lições de Pontes de Miranda, o maior civilista brasileiro: “5.6 – MÚTUO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE PONTES DE MIRANDA (Tratado, cit., LXII, pág. 120) forneceu a seguinte definição: ‘Contrato de conta corrente é o contrato pelo qual os figurantes se vinculam a que se lancem e se anotem, em conta, os créditos e débitos de cada um para com o outro, só se podendo exigir o saldo ao se fechar a conta.’ Pela definição logo se percebe não existir possibilidade de se confundir mútuo com contrato de conta corrente, como também não existe qualquer identidade entre mútuo e abertura de crédito. Estamos diante de três espécies de acordos que de maneira alguma se confundem, embora, na contabilidade, o contrato de abertura de crédito se exteriorize mediante conta corrente. O contrato de conta corrente não envolve em si nenhum acordo para empréstimo de dinheiro. A promessa, neste caso, está, apenas, em se escriturarem os créditos decorrentes de operações em que os contratantes sejam titulares. No contrato de conta corrente não se faz um mútuo nem se abre um crédito, mas se convenciona o que fazer com créditos passados, presentes e futuros. Nessa conta vão sendo lançados débitos e créditos que se excluem mutuamente e o saldo da conta só é exigível quando se dá o vencimento do contrato de conta corrente, (…) ‘Do contrato de conta corrente não se irradiam relações jurídicas creditícias (que são relações jurídicas obrigatórias entre os figurantes), mas apenas o dever de lançar e anotar os créditos de um e de outro, e, para o outro figurante, o de aterse a esses lançamentos e anotações.’ Mais adiante haveria de escrever: ‘Os negócios jurídicos de que resultam os créditos e os débitos são estranhos à conta corrente, que a eles apenas se refere, para os submeter à escrituração específica.’ Este é um aspecto para o qual tanto o Fisco quanto os contribuintes não vêm atentando, querendo aquele se computem juros e correção monetária sobre quantias escrituradas em conta corrente só porque estão em conta corrente, como se esta conta representasse um mútuo em si mesmo. Esquecemse de que o Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 34 importante é a análise do negócio jurídico que deu motivo ao lançamento em conta corrente. É um erro, freqüentemente encontrado na escrituração de empresas e em atos normativos do Fisco, encararse a conta corrente como se esta representasse uma dação recíproca de empréstimo, quando o importante seria analisaremse os negócios jurídicos que motivaram os débitos ou créditos em conta corrente. Nem há que se calcular correção monetária e juros sobre determinada quantia escriturada em conta corrente justamente porque, enquanto existir a conta corrente nenhum dos contratantes poderá exigir a obrigação do outro. Tal só ocorrerá quando a conta corrente for fechada. O que é exigível é, repitase, o saldo da conta corrente. O que domina, pois, o contrato de conta corrente é o princípio da reciprocidade: ao mesmo tempo em que se lança um crédito, temse que considerar o que a débito existe, de modo a sempre se apurar um saldo, não se podendo lançar uma quantia simplesmente como mútuo, sem se atentar para o fato de que essa conta supõe relação débitocrédito. Além do mais, o contrato de conta corrente é consensual, enquanto o contrato de mútuo é real. Não há, pois, como se tomar um pelo outro. Em homenagem à sabedoria do Mestre, transcrevo o que disse PONTES DE MIRANDA (Tratado de Direito Privado, 3ª. ed., 1984, vol. LXII, pág. 132): ‘MÚTUO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE – O que mais caracteriza o contrato de conta corrente é que as prestações prometidas são atividades computísticas e contabilísticas. Não há mútuo, nem promessa de mútuo. Quando se fecha a conta corrente ocorre o reconhecimento é que se estabelece nova relação jurídica, pois os créditos constantes dos saldos expedientes, sobre os quais se pode convencionar fluírem juros, são créditos com pretensões paralisadas, por sua função meramente contábil. A falta de atenção de muitos juristas à exterioridade, em relação aos créditos entrados, do conteúdo e da função do contrato de conta corrente, levou ao desespero, a ponto de ter um jurista francês afirmado haver sujeito (ente moral) na conta corrente. Não há, tãopouco, abertura recíproca de crédito, porque os créditos entrados ficam sem pretensão eficaz e sem ação eficaz, mesmo no que se refere aos saldosexpedientes. (…) A idênticas conclusões chegou Paulo M. de Lacerda (Ob.cit., p.109 e ss.), em sua obra nunca suficientemente citada nas discussões sobre o Contrato de Conta Corrente: É da substância do mútuo que o mutuário se obrigue a dar ao mutuante outro tanto ‘in genere’ do que recebeu; de maneira que imediatamente após a realização do contrato, perfeito e acabado pela entrega do objeto fungível cuja propriedade passa do mutuante para o mutuário, começa a existir dívida certa a cargo Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 128 35 de devedor certo, que é o mutuário. A obrigação assumida pelo mutuário é de dar no significado jurídico técnico da palavra. Sem a tradição do objeto não ha mútuo, pois este contrato é real: ‘Re contrahitur obligatio, velut mutui datione’, dizia Gaio no seu Commentario II, 90. Fungível deve ser o objeto do mútuo, que se numera, pesa ou mede, ‘qualis est pecunia numerata, vinum, oleum, frumentum, aes, argentum, aurum’; pois é da essência do contrato que essas coisas sejam emprestadas para serem consumidas. Devem elas ser fungíveis pela sua mesma natureza, ou pelo modo que as partes as consideram. A propriedade do objeto deve passar do mutuante para o mutuário, como explicava Paulo, no Digesto, liv. XII, tit .I, fragmento 2 §2: ‘Appellata est autem mutui datio ab eo, quod de meo tuum fit: et ideo si non fiat tuum, non nascitur obligatio’. Ora, na contacorrente não há dívida enquanto a conta corre. O aparecimento do saldo, única dívida que a contacorrente pode produzir, é eventual, não certo, e como se não pode ao menos juridicamente determinar desde logo contra quem resultará, o devedor, se houver dívida, não é certo desde logo, porém incerto. Dupla incerteza na contacorrente: a dívida, que pode vir ou não vir, e a do devedor que, caso futuramente haja dívida, tanto pode ser um como outro correntista. No mútuo a certeza é desde logo dupla: a divida é certa, o devedor é certo. Quando as partes formam o contrato de mútuo já imediatamente sabem que o mutuante há de entregar ao mutuário um determinado objeto fungível, transferindolhe a propriedade, que o mutuário, findo o prazo concedido para gozar do beneficio, deve dar por sua vez ao mutuante outro objeto do mesmo gênero. Na contacorrente as partes não sabem de antemão precisamente quais os objetos que se remeterão reciprocamente, e cujos valores nela entrarão como verbas componentes. A distinção entre objetos fungíveis e infungíveis é supérflua; pois na contacorrente entram somente valores, e estes, em sendo depósitos, não pertencerão juridicamente a ela, embora materialmente anotados no respectivo quadro gráfico, uma vez que a remessa feita e recebida funde no todo indivisível da contacorrente o respectivo valor, coisa esta incompatível com o depósito regular. Igualmente não pesa ao recipiente a obrigação de dar outro tanto do mesmo gênero. Ele tem apenas a faculdade de remeter também; mas não coisa de gênero certo, idéia que se não aplica ao valor. (…) na contacorrente não há dívida a que se possa aplicar uma cláusula que torne exigíveis as suas parcelas, uma a uma, no fim de certo tempo. Enquanto a contacorrente há tão somente obrigação para cada um dos correntistas de se debitar pelos valores das remessas recebidas. Se as verbas fossem Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 36 suscetíveis de sujeitarse à clausula semelhante, burlada ficaria a intenção das partes e nada mais significaria o encerramento da contacorrente, quando esta na verdade se teria composto de créditos independentes uns dos outros, com vencimentos seus, e por conseguinte inscritos na contacorrente como inscritos estariam em qualquer outra conta ou quadro computístico de transações efetuadas. Tirarseia, portanto, à contacorrente o caráter contratual; ficaria ela reduzida a mero sistema computístico, e muito menos estaríamos em face a um contrato ‘sui generis’. A verdadeira intenção das partes, porém é reunir as operações numa só massa homogênea, deixar de lado todos os característicos, efeitos e conseqüências especiais de cada uma das transações, e liquidar todas por junto depois de findo o tempo do contrato. Isto exclui a idéia de obrigação exigível ou exeqüível. A única obrigação é a de creditar e debitar; a única dívida a do saldo, findo o contrato ou, segundo for a vontade das partes, no fim de períodos determinados.” Aderem às lições supra também José Xavier Carvalho de Mendonça (“Tratado de Direito Comercial Brasileiro”, Livraria Editora Freitas Bastos, 1934, vol. VI, Livro IV, Parte II, p.352); Caio Mário da Silva Pereira (“Instituições de Direito Civil”, Editora Forense, 7aed., p. 368); e Fran Martins (“Comentários ao Código Civil”, Editora Forense, 5ª ed., p. 483 e 490). Parece restar derrocada qualquer dúvida que possa haver sobre as diferenças e semelhanças entre o mútuo e a conta corrente, com a conclusão de que se tratam de figuras absolutamente diversas. Podese passar agora, com segurança, à discussão dos reflexos tributários deste contrato. 4. Da Inaplicabilidade do art.13 da Lei 9.779/99 aos contratos de conta corrente O título deste tópico decorre da norma de incidência do IOF e a pretensão fiscal de fazêla incidir sobre os contratos de conta corrente, suficientemente descritos anteriormente, pelo que repetimos o seu teor: “Art. 13 As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.” Ora, como já insistentemente demonstrado, o contrato de contacorrente não é contrato de mútuo, pelo contrário, guardam diversas diferenças e tampouco é operação de crédito correspondente a mútuo, como as diferenças entre eles já evidenciam. Para ser semelhante a mútuo, teria que ter o mesmo núcleo, a mesma natureza, divergindo apenas em aspectos acidentais o que não se verifica no cotejo que fizemos na tabela supra. Como falamos no primeiro tópico, é dever imposto por força do art.109 do CTN que se respeitem os conceitos, institutos e formas de Direito Privado no momento de interpretar normas tributárias e qualificar fatos geradores, cabendo à lei tributária apenas lhe Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 129 37 atribuírem efeitos característicos de normas desta jaez, sem alterarlhes as condições e características. Em exemplo irá elucidar isto. O Direito Privado traz uma figura negocial X, atribuindolhe as características A, B e C (X = A,B,C). O Direito Tributário, ao utilizar esse X em uma hipótese de incidência, sujeita a consideração dos elementos caracterizadores desse negócio a dois níveis de aplicação, de modo que diante de um Fato Y, com a presença da característica A (Y = A), as seguintes situações podem ocorrer: I) Em um primeiro nível (interpretação), o aplicador da norma tributária pode considerar que: I.a) X = A,B,C nesse caso, ele respeita integralmente a regra de Direito Privado na configuração da hipótese de incidência; I.b) X = Ø caso em que o intérprete desconsidera inteiramente o conceito do Direito Privado, construindo um novo conceito dentro do Direito Tributário; e I.c) X = A e/ou B e/ou C caso em que ele transforma um conceito de Direito Privado em um tipo, tratando seus elementos característicos como renunciáveis para fins de adequação à hipótese. II) Em um segundo nível (qualificação), o aplicador irá analisar o caso concreto para qualificálo normativamente: II.a.) (X = A,B,C) ≠ (Y=A) o aplicador reconhece que para a caracterização de um fato Y como o conceito X, é preciso que todos os elementos estejam presentes. II.b) X é semelhante a Y o aplicador reconhece a divergência entre os critérios de X e o elemento de Y, mas entende que a característica A é o suficiente para que Y seja tratado como X, à partir de um juízo de semelhança. II.c) F(X = Y) O aplicador entende que sob o critério jurídico Y não possui as características de X, mas entendeos como semelhantes à partir da aplicação de um“filtro” F, que passa a tratar tanto a hipótese quanto o fato gerador sob outro ponto de vista, como o econômico. Analisando as hipóteses possíveis à luz da posição assumida no item 1, verificase que a possibilidade I.b só é possível nos casos em que há legislação tributária expressa dando uma definição própria pra determinada figura, já o I.c se afigura de difícil aplicação no caso concreto, por se estar tratando de figuras típicas, nominadas, com regime jurídico bem delimitado. Resta, por exclusão e por força da literalidade do art.109 do CTN, a opção de acatar as características do conceito no âmbito privado. A nível de qualificação, as hipóteses II.b e II.c correspondem, respectivamente, à utilização de analogia e à interpretação econômica, ambas vedadas no Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 38 Direito Tributário brasileiro para que se exija tributo. Resta ao aplicador negar a qualificação de um fato ao conceito quando não tenha consigo as demais características. Isto é, quando por exemplo uma norma de lei tributária determinar certo tratamento aos contratos de mútuo, ela somente se aplicará aos negócios jurídicos que, de acordo com a lei civil, sejam efetivamente enquadrados como mútuo. Já quando se tratar de outra espécie de contrato, ainda que inominada, não será ela abarcada pela norma da lei tributária relativa aos mútuos, salvo se essa mesma lei, por uma regra expressa, também der a esta outra espécie de contrato o mesmo tratamento prescrito para os mútuos. No caso concreto, digase desde logo que não há disposição legal estendendo a norma do art. 13 da Lei n. 9.779 a outras espécies de contrato que não sejam mútuos. E não se pode olvidar que, além do art. 109, o CTN prescreve no art. 116, inciso II, que tratandose de situação jurídica, considerase realizado o fato gerador no momento em que esteja definitivamente constituída a operação, nos termos de direito aplicável. O fato gerador do IOF somente ocorre quando a situação jurídica de crédito decorrente de mútuo estiver completa de acordo com o direito aplicável, o qual é o previsto nos art. 1.256 e seguintes do Código Civil. Isso nada mais é do que consectário do princípio da legalidade, limitação constitucional ao poder de tributar prevista no art. 150, inciso I, da Constituição e no art. 97 do CTN, e tem preciosa descrição no art. 114 desse mesmo código, quando diz: “Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.”. Já percorremos esta senda anteriormente: condições necessárias e suficientes para a ocorrência de algo correspondem exatamente ao conceito disto, aos seus elementos caracterizadores, que devem ser buscados no Direito Privado. Portanto, se a lei tributária se refere a mútuo, e não estende a disposição referida a mútuo para outras espécies contratuais nominadas, a situação necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador descrito nessa lei é exclusivamente a de contrato de mútuo segundo o Direito Privado, e não haverá a situação necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador quando de outro contrato se tratar. Senão, vejamos o art. 63, I do CTN: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; Podese ver que é elemento essencial das operações de crédito tributáveis por IOF que a efetivação da operação se dê pela entrega total ou parcial do montante ou a sua colocação à disposição noutros termos, exige que a operação tenha natureza real, caracterizada pela tradição, o que largamente discrepa do contrato de conta corrente, de natureza convencional,, determinando que os créditos e débitos recíprocos dos contratantes serão registrados em uma conta contábil especial, para balanço e liquidação posterior, somente à partir daí se caracterizando relação creditícia no caso de se verificar que um é credor do outro. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 130 39 É de obviedade exuberante a impossibilidade de aproximar o conceito de mútuo e operação de crédito ao de conta corrente: basta verificar que as remessas feitas na conta corrente não caracterizam um ou outro contratante como credor e devedor, o que é essencial às operações de crédito, e mais, é plenamente possível que ao fim do contrato, com a liquidação da conta corrente, não haja débitos ou créditos, de modo que em momento algum qualquer dos contratantes teve direito subjetivo patrimonial oponível ao outro. Basta que se compulse o art. 64 do CTN para verificar a procedência da crítica feita acima: Art. 64. A base de cálculo do imposto é: I quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros; Ao escolher a base de cálculo, opta pelo montante da obrigação. Ora, no caso das remessas de conta corrente não há qualquer obrigação, que só será eventual e acidentalmente verificada após a liquidação da conta não haveria como adequar a operação à base de cálculo eleita pelo CTN. A mera remessa de valores no bojo de uma conta corrente não pode ser equiparada à entrega da coisa do mútuo, pois divergem largamente em seu regime jurídico salvo se considere possível interpretar economicamente a remessa e a entrega, para considerar apenas o montante econômico transladado, hipótese esta em que poderíamos certamente pôr fogo em todos os livros de Direito Tributário e toda a jurisprudência de nossas Cortes Superiores, usando a Constituição Federal como estopa para acender essa fogueira. Para haver mútuo não é suficiente haver a entrega de dinheiro, mas, sim, é necessário que esta seja acompanhada da obrigação da pessoa que a recebe de devolver a mesma quantidade de dinheiro na data aprazada, ou, na falta de prazo contratual, na data legal. Para haver remessa em conta corrente também não é suficiente a entrega de dinheiro, é preciso que essa remessa seja integrada a uma massa homogênea e indivisível de créditos e débitos, sem qualquer exigibilidade, e desvinculada das condições e operações que originaram a remessa, dependendo de liquidação posterior com ou sem prazo determinado para a apuração do saldo final. Querer equiparar entrega de dinheiro no mútuo à remessa em conta corrente é equiparar o tratamento jurídico tributário das duas pela simples semelhança de envolver movimentação de montantes economicamente apreciáveis. Tributar com base em juízo de semelhança nada mais é do que tributar com base em analogia (LARENZ, Karl. Metodologia da Ciência do Direito, 6ªed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2012. P.540541), conduta vedada expressamente pelo art. 108, §1º do CTN: “O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.”. Outra leitura possível do art.13 da Lei 9.779/99, posto que igualmente desprovida de juridicidade, é interpretar o termo “As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros “ como uma cláusula indeterminada, aberta, para permitir abranger qualquer espécie de remessa de dinheiro entre pessoas jurídicas e/ou físicas. Tal leitura viola frontalmente o dever de conformidade da tributação com o “fato gerador”, consectário da legalidade tributário apontado por Gerd Rothmann, que reflete Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 40 uma faceta principiológica da legalidade na disposição de que a lei não pode deixar ao critério da administração a diferenciação objetiva, devendo ela própria prever, na maior medida, possível, os aspectos necessários à configuração do fato gerador, não bastando ao legislador autorizar, de forma ampla, vaga, genérica ou indeterminada, a criação do tributo, mas cabendo a ele descrever a situação que lhe dará causa (ROTHMANN, Ob.Cit.. P.9099). Por força do próprio art.97, III do CTN, é dever da lei definir o fato gerador, isto é, darlhe significado, determinação, de modo que não coaduna com esse dispositivo, tampouco com a legalidade tributária, a utilização de expressões vagas ou indeterminadas na definição das hipóteses de incidência. O absurdo da assunção de tal interpretação é patente: estarseia incluindo na hipótese de incidência do IOF também pagamentos, doações e quaisquer remessas de dinheiro, independente da sua causa e regime jurídico. Igualmente patente é a ilegalidade do Ato Declaratório nº 07/99, no qual o Secretário da Receita Federal declara: 1. No caso de mútuo entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sem prazo, realizado por meio de conta corrente, o Imposto sobre Operações de Crédito Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF devido nos termos do art. 13 da Lei No 9.779, de 19 de janeiro de 1999: a) incide somente em relação aos recursos entregues ou colocados à disposição do mutuário a partir de 1o de janeiro de 1999; b) será calculado e cobrado no primeiro dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, relativamente a cada valor entregue ou colocado à disposição do mutuário durante o mês, e recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente; c) os encargos debitados ao mutuário serão computados na base de cálculo do IOF a partir do dia subseqüente ao término do período a que se referirem. Ao equiparar o contrato de conta corrente ao de mútuo, ambos contratos típicos e largamente distintos, o Ato Declaratório anda ao largo das restrições que deve ter, inaugurando no ordenamento nova hipótese de incidência do IOF, ao arrepio da lei e da própria Constituição. Não causa espécie que a jurisprudência de Conselho reconhecera essa distinção claramente. Neste sentido, para exemplificar cito o acórdão n. 10180803, de 21.11.1990, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, cuja ementa diz: “IRPJ – Negócios de mútuo. A contacorrente relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar negócio de mútuo. Há que se investigar a natureza jurídica de cada operação objeto do lançamento, separando aquelas que realmente espelhem mútuo.” Na mesma linha, mas aludindo à gestão de recursos de empresas coligadas (gestão de caixa), foi o acórdão n. 10177901, de 15.8.1988, no qual se lê: Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 131 41 “IRPJ – NEGÓCIOS DE MÚTUO – ART. 21 DO DECRETO LEI N. 2065/83. A CONTACORRENTE CONTÁBIL. A conta corrente contábil relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar ‘negócios de mútuo’. Há que investigar a natureza jurídica de cada operação objeto de lançamento na contacorrente, separando aquelas que, realmente, espelham o mútuo. Ademais, a evidência de que a recorrente era uma espécie de gestora de negócios com outorga das coirmãs afasta a hipótese do art. 21 do Decretolei n. 2065/83.” Também o acórdão n. 10707173, de 11.6.2003, que aludiu expressamente ao contrato de contacorrente, diferentemente de outros casos que giraram em torno da conta corrente meramente contábil, embora sempre no mesmo sentido: “IRPJ – CORREÇÃO MONETÁRIA – ART. 21 DO DL. 2065/83 – CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS – CARACTERIZAÇÃO COMO MÚTUO – IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO – O mútuo, a teor do disposto no artigo 1256 do Código Civil, pressupõe o empréstimo de coisas fungíveis, não se caracterizando como tal a figura do contrato de conta corrente, mormente quando originado de operações mercantis.” E também o acórdão n. 10195392, de 22.2.2006, que fez o contraste entre mútuo e conta corrente, com os seguintes dizeres: “NEGÓCIOS DE MÚTUO – Os negócios de mútuo não se confundem com o da contacorrente ou qualquer movimentação financeira existente entre empresas ligadas que acuse débito ou crédito, ao teor do disposto no art. 1256 do antigo Código Civil Brasileiro e do art. 247 do Código Comercial Brasileiro.” Por fim, mais recentemente, há o Acórdão 3101001.094, julgado em 04.07.2013, no qual se reconhece também a distinção entre os dois contratos e a possibilidade da conta corrente ser utilizada para gestão de caixa: IOF. RECURSOS DA CONTROLADA EM CONTA DA CONTROLADORA. CONTA CORRENTE. RAZÃO DE SER DA HOLDING. Os recursos financeiros das empresas controladas que circulam nas contas da controladora não constituem de forma automática a caracterização de mútuo, pois dentre as atividades da empresa controladora de grupo econômico está a gestão de recursos, por meio de contacorrente, não podendo o Fisco constituir uma realidade que a lei expressamente não preveja. Recurso Voluntário Provido Tratase, pois, de um contraste que antiguíssimo, que apenas por um descuido técnico sofreu o lapso que verificamos atualmente. Desse modo, não restam dúvidas que o Contrato de Conta Corrente não pode ser admitido na hipótese de incidência do IOF prevista no art.13 da Lei 9.779/99, por se tratarem de contratos típicos e absolutamente distintos entre si. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 42 Estabelecido o regime jurídico do contrato de conta corrente e a clara inadmissibilidade da sua tributação por meio do IOF, resta agora analisar os elementos do caso concreto. 5. Do Caso Concreto No caso em tela, há intenção de qualificar a operação de conta corrente como operação “correspondente a mútuo” para fins de incidência do IOF. O Auditor equipara as remessas entre as empresas operações de mútuo, de resto já qualificadas aqui, nos termos do Art. 586: “O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.” a sua natureza real e seus caracteres típicos são incompatíveis com empréstimos sem definição de prazo e de valor. Tãosó pela fundamentação do termo de verificação fiscal, evidenciase uma confusão clara entre o que é um mútuo, além de ressaltar elementos nos contratos da Recorrente que nada tem a ver com elementos típicos de um contrato desta natureza, para ao final chegar à conclusão de que se trata de mútuo e, portanto, sujeito à incidência de IOF. Além disso, a ausência de uma forma contratual escrita não é óbice à configuração do contrato de conta corrente, vista que, nos termos do art.107 do Código Civil, a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. O fato de ocasionalmente alguns (uma minoria, digase) dos lançamentos serem registrados contabilmente como “mútuo” não faz com que a remessa assuma automaticamente natureza de mútuo! Como diria Michel de Montaigne, “il y a le nom et la chose; le nom, c'est une voix qui remerque et signifie la chose; le nom, ce n'est pas une partie de la chose ny de la substance, c'est une piece estrangere joincte à la chose, et hors d'elle” (Em tradução livre: Há o nome e há a coisa, o nome é uma voz que representa e significa a coisa; o nome não é uma parte da coisa nem sua substância, é uma peça estrangeira ligada à coisa, mas fora dela). Não basta a simples menção na partida contábil a um mútuo para que a operação se materialize instantaneamente sobretudo quando as evidências contratuais demonstram o contrário, tratarse de remessas operados no bojo de um contrato de conta corrente. Caso pretendase aqui falar em dissimulação, é preciso que duas coisas sejam lembradas. Em primeiro lugar, o parágrafo único do art.116 do CTN, instrumento próprio para requalificação de fatos decorrentes de dissimulação, está carente de regulamentação legal para que seja procedimentalizado, impedindo a sua realização: Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.018 S3C4T2 Fl. 132 43 Além disso, o Fiscal não trouxe em sua motivação do ato qualquer referência ou indício de que houvera simulação ou dissimulação, figuras de Direito Civil que demandam um ônus probatório acerca de um vício de causa ou de vontade (a depender da assunção de uma teoria voluntarista ou causalista da simulação), o que não ocorre de forma alguma. O que há, em rigor hermenêutico, é pura e simples analogia na qualificação dos fatos verificados no fiscalização, procedimento este vedado para que se dê a exigência de tributo não previsto em lei, como de resto já foi devidamente explorado. Desse modo, pelas razões acima delineadas, dou PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para excluir a incidência de IOF sobre contratos de conta corrente. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 10073.721063/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique junto ao IBAMA qual seria o ADA vigente transmitido para o ano 2010 para a propriedade, e o motivo da existência de dois ADA´s contraditórios para o mesmo ano (efls 31 e 789) no processo. O contribuinte deve ser cientificado do resultado da diligência e da possibilidade de se manifestar no prazo regulamentar de 30 dias.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique junto ao IBAMA qual seria o ADA vigente transmitido para o ano 2010 para a propriedade, e o motivo da existência de dois ADA´s contraditórios para o mesmo ano (efls 31 e 789) no processo. O contribuinte deve ser cientificado do resultado da diligência e da possibilidade de se manifestar no prazo regulamentar de 30 dias. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 21 06 3/ 20 13 -2 6 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10073.721063/201326 Resolução nº 2401000.522 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Recurso Voluntário e de Ofício em face da decisão proferida no Acórdão 03 062.012 1a. Turma da DRJ/BSB que exonerou R$ 23.768.813,00 do tributo lançado, relativamente ao imóvel denominado "Fazenda São Gonçalo", cadastrado sob NIRE 4.726.702 0, com área declarada de 10.783,1ha, localizado no município de Parati/RJ. O Acórdão de Impugnação está assim ementado. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Cabe acatar a área de preservação permanente comprovada com documentos hábeis, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN por hectare arbitrado pela fiscalização, caracterizada a subavaliação do VTN, com base no SIPT, posto que os Laudos de Avaliação apresentados pela contribuinte possuem um VTN por hectare maior que o arbitrado pela fiscalização, e o seu acatamento implicaria no agravamento da exigência. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outro momento processual. O dispositivo da decisão de primeira instância está conforme a seguir. Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, votar no sentido de considerar procedente em parte a impugnação apresentada pela Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 07105/00018/2013 de fls. 625/629, para acatar uma área de preservação permanente de 10.215,6 ha, comprovada com documentos hábeis, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$23.768.813,03 para R$749.339,33, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Auto de infração à efl 688. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10073.721063/201326 Resolução nº 2401000.522 S2C4T1 Fl. 4 3 O lançamento decorreu da não comprovação das áreas de preservação permanente e de servidão florestal, e nem o valor da terra nua declarado (na impugnação o contribuinte apresentou laudo com valor da terra nua VTN superior ao arbitrado pelo SIPT). O Recurso Voluntário foi interposto em 04/08/2014 e a ciência ao Acórdão de Impugnação deuse em 10/07/2014. O contribuinte aduz as seguintes razões para o recurso. A decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a impugnação, reconhecendo a área de 10.215,6ha. como Área de Preservação Permanente, porém mantendo a autuação em relação à glosa da área de 298,7ha. remanescentes da glosa original de 10.514,3 ha. que havia sido promovida pela autoridade fiscal. Afirma que essa área de 298,7ha. também é preservação permanente. Assim, deveriam ser considerados como de preservação permanente o total de 10.514,3ha e desconsiderada a Área de Servidão Florestal ou Ambiental. O principal argumento da DRJ para não reconhecer a área remanescente (298,7ha) decorre do Ato Declaratório Ambiental (ADA) de 2010 apresentado pelo contribuinte. Informa que tal área foi atestada em Parecer Técnico juntado aos autos (Engenheiro Cartógrafo João Gonçalves Bahia). O ADA 2010 contém declarações de 10.006,3ha de Área de Preservação Permanente e de 508,00 ha de Servidão Florestal ou Ambiental. Tais áreas somadas correspondem à 10.514,3ha, que é a área atestada pelo laudo antes referido. Informa que não é mais possível retificar o ADA 2010. Ressalta que há contradição e incoerência na análise do ADA pela DRJ. Muito embora o ADA em que se pautou a DRJ tenha indicado uma área de interesse ambiental não tributável de 10.215,6ha (9.707,60 APP e 508ha servidão florestal), também consta nesse mesmo documento uma área utilizada na atividade rural de produtos vegetais de 496,50 ha que simplesmente foi ignorada pelo julgador mas que, caso tivesse sido também considerada, reduziria substancialmente o valor do ITR no período, por afetar o grau de utilização da terra e, por consequência, a alíquota de ITR aplicável. Assim, a DRJ considerou apenas parte das informações contidas no ADA e fez "vista grossa" para a informação sobre a área de exploração de atividade rural. Discorre sobre os motivos que levaram a autuação pela autoridade fiscal, aonde ficou claro que o ADA do ano já havia sido entregue tempestivamente e o verdadeiro motivo da glosa seria a não apresentação do Laudo de Avaliação Técnica acompanhado de ART. O recorrente afirma que a DRJ decidiu com base em um ADA que não seria o mesmo apresentado no momento da autuação e que, para usar este último ADA, o julgador a quo deveria ser coerente e aceitar também a área de exploração do imóvel. A área de preservação permanente em questão está devidamente comprovada no laudo técnico juntado aos autos e incluem as previstas no art. 2o. do Código Florestal vigente à época (Lei 4.771/65). Entende que o reconhecimento dessas áreas picos de morros, margens de rios, etc. independe de um ato meramente formal, registral, declaratório, tal como o ADA. Cita decisões Judiciais. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10073.721063/201326 Resolução nº 2401000.522 S2C4T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, requer o provimento do recurso para que seja reconhecida como de preservação permanente, 298,7ha, e, subsidiariamente, caso assim não se entenda, seja reconhecida a área de 496,5ha, que consta declarada no ADA de 2010 que pautou a decisão recorrida, como área de exploração de atividade rural de produtos vegetais. ADA tempestivo do ano 2010 à efl 31. É o relatório. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10073.721063/201326 Resolução nº 2401000.522 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. O Ato Declaratório Ambiental de 2010, à efl 31, juntado ao processo pela autoridade fiscal, enviado ao IBAMA tempestivamente, contém as seguintes informações de áreas para o imóvel: Área total da propriedade: 10.783,10ha Área de Preservação Permanente: 9.707,600ha Área de Servidão Florestal ou Ambiental: 508ha (sem averbação) Área com Benfeitorias Úteis/Necessárias : 10ha Área de Produtos Vegetais : 496,50ha Área de Pastagens: 50ha Área Inexplorada: 1ha Outras áreas: 10ha. Este ADA fora transmitido em 23/09/2010, número de recibo 11035330417971, código validador ES7UFZQQCSISR8FA, e fora emitido em 25/03/2013. Contudo, o contribuinte apresentou outro ADA juntamente com o Recurso Voluntário (anexo Doc. 2), que informa as seguintes áreas: Área total da propriedade: 10.783,10ha Área de preservação permanente: 10.006,30ha Área de Servidão Florestal: 508ha Outras áreas: 268,80ha Este último ADA possui número de recibo 11035330417971, código validador ES7UFZQQCSISR8FA, e fora emitido em 14/09/2011, tendo sido transmitido em 23/09/2010. Observo que os dois documentos possuem os mesmos dados de transmissão, o que leva a crer que um deles é, definitivamente, inverídico. Considerando que a informação contida no ADA é vital para solucionar a lide e os documentos juntados ao processo são contraditórios, voto por transformar o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verifique junto ao IBAMA qual seria o ADA vigente transmitido para o ano 2010 para a propriedade, e o motivo da existência de dois ADA´s contraditórios para o mesmo ano (efls 31 e 789) no processo. O contribuinte deve ser cientificado do resultado da diligência e da possibilidade de se manifestar no prazo regulamentar de 30 dias. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 11/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10907.001742/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a relatora e os Conselheiros Marcelo Malagoli da Silva e Amílcar Teixeira Barca Júnior. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
João Bellini Júnior - Presidente.
Alice Grecchi - Relatora.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos a relatora e os Conselheiros Marcelo Malagoli da Silva e Amílcar Teixeira Barca Júnior. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. João Bellini Júnior Presidente. Alice Grecchi Relatora. Luciana de Souza Espíndola Reis Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 17 42 /2 00 5- 15 Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/CTA, nº 0611.446, constante em fls. 364/371 (PDF): Contra o contribuinte supraidentificado foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF de fls. 277 e 279 a 282, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração de fls. 283 a 287, o demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 288, o termo de encerramento de fl. 350, o termo de verificação de infração de fls. 289 a 291 e os demais documentos e demonstrativos constantes dos autos, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 2.430.922,48, sendo R$ 643.790,65 de imposto c R$ 1.448.528,93 de multa de oficio de 225%, prevista no art. 44, II, § 2", da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além de R$ 338.602,90 de juros de mora calculados até 30/06/2005. Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, conforme detalhado no termo de verificação de infração de fls. 289 a 291 e no auto de infração as fls. 279 a 282. O enquadramento legal da exigência reportase ao art. 42 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ao art. 4" da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997; ao art. 21 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997; ao art. 1" da Lei 9.887, de 07 de dezembro de 1999; ao art. 1º da Medida Provisória 22, de 2002, convertida na Lei 10.451, de 10 de maio de 2002; e ao art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999, aprovado pelo Decreto n." 3.000, de 26 de março de 1999, (fl. 282). Cientificado do lançamento, em 22/07/2005 (fl. 278), o contribuinte apresentou, em 23/08/2005, por meio de representante (procuração à fl. 21), a impugnação de fls. 352 a 356. Contesta a versão dos fatos dada pela autoridade fiscal, pois "o impugnante prestou todas a.' informações que foram requisitadas, pois como se confirma nos autos, este forneceu todos os seus extratos bancários e a relação das suas contas correntes, sem omissão " sendo que, em relação à falta de alguns documentos "diligenciou no sentido de obter os malsinados recibos, mas como eles estavam em poder dos depositantes, no Paraguai, na contabilidade das empresas, o prazo não foi suficiente, mesmo prorrogado, para obtêlos". Conclui que tendo “prestado todas as informações que lhe foram possíveis prestar, inclusive fornecendo voluntariamente os seus extratos de movimentação bancária, tanto que a fiscalização sequer teve necessidade de quebrar o seu sigilo bancário, o seu enquadramento no inciso II do art. 44 da Lei 94.430/96 (sic), foi absolutamente injusto, pois o seu atuar não configurou “evidente intuito de fraude", já que cm nenhum momento tentou falsear ou ocultar qualquer informação”. Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10907.001742/200515 Acórdão n.º 2301004.527 S2C3T1 Fl. 564 3 Quanto à movimentação bancária, "com exceção dos seus rendimentos declarados, constituise de movimentação de recursos de terceiros, que estão nominados neste processo as empresas exportadoras paraguaias, para as quais atuou cm Paranaguá como representante junto às agências marítimas, Porto, Receita Federal, Receita Estadual, Sindicatos de Transportes, Sindicatos Portuários e outros entes envolvidos no processo portuário de exportação" sendo que “esses recursos eram destinados para fazer frente aos custos das operações de exportação. Essas empresas depositavam esses valores em sua conta corrente, geralmente cm dinheiro, para pagamento de despesas e recolhimento de impostos, taxas e emolumentos (sempre em nome delas), como provam os documentos inclusos". Acrescenta que os “pagamentos dos serviços, os recolhimentos dos impostos, taxas e emolumentos, eram feitos pelo requerente com cheques pessoais, já que os valores eram depositados em sua conta, como os extratos bancários constantes dos autos provaram desde o inicio e que se confirma com os documentos ora inclusos”. Aduz que “para provar suas afirmações, junta as procurações que lhe foram outorgadas pelas empresas, para representálas em Paranaguá ”, enumerandoas. Argúi que os altos dispêndios com tarifas bancárias se deve à movimentação dos recursos de terceiros. Afirma que sua evolução patrimonial está perfeitamente dentro de sua renda e os bens arrolados em sua declaração “foram adquiridos mediante pagamento parcelado, como consta das declarações (ano calendário 2001), bem como o imóvel ali constante, que. Foi adquirido por permuta, com outro bem que foi recebido em herança pela esposa do impugnante, como provará mediante a escritura pública, que requer seja juntada oportunamente ”. Requer que sejam periciados os cálculos do lançamento, indicando o perito, bem como seja diligenciado junto ao Registro de Imóveis de Paranaguá, para comprovar a permuta alegada. Reafirma a impugnação do Termo de Verificação de Infração e o Auto de Infração. A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a impugnação. O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0611.446 da 4ª Turma da DRJ/CTA em 09/08/2006 (fl. 374 PDF). Sobreveio Recurso Voluntário em 08/09/2006 (fls. 375/381 PDF), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. Fora convertido o julgamento em diligência, nos seguintes termos (fls. 390/391 – PDF): Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 “[...]Nessa linha, com a devida vênia, discordo das conclusão da DRJ de origem de que seria inviável a investigação dos elementos trazidos pelo interessado já que as empresas representadas se encontram em outro Pais, fora da jurisdição da autoridade fiscal. Ocorre que os documentos trazidos A. abundândia pelo interessado, apontam nomes e endereços localizados no Brasil, em Paranaguá e imediações. É o caso da Administração de Portos de Paranaguá e Antonina, da Unimar Agenciamentos Marítimos Ltda. com endereço na Rua Soares Gomes, 999, Paranaguá, da Cooperativa de Transportes de Cargas e Anexos, Lachmann Agencia Marítima S.A., também de Paranaguá e com CNPJ declarado nos documentos (v.por exemplo, fl. 156 Anexo L v. II / III, Agencia Marítima Transatlântica Ltda., com endereço na Rua Nestor Victor, 800, Paranaguá (com indicação de CEP, CNPJ nos documentos apensado, por exemplo, a fl. 28 do Anexo II, v. I /, V, e outros. Nestas condições, proponho o retorno dos autos, para a realização de diligência baseada nos documentos apensados pelo interessado para: 1. seja verificada a participação do interessado na sociedade IBANEZ E FARIAS LTDA, com CNPJ n. 00476.990/000139 e inscrição estadual n. 118.0792720, situada a Rua Theodorico dos Santos, Bairro Costeira, Paranaguá, Estado do Paraná, CEP. 083.203450, e se a sociedade exerce a atividade de despachos aduaneiros ou similares. 2. seja intimado o sr. João Marcelo Farias da Costa para saber se é sócio do interessado na sociedade mencionada e qual a atividade exercida pelo Sr. Juan e pela sociedade; 3. sejam intimadas todas as sociedades indicadas em destaque (em negrito e sublinhadas) no parágrafo precedente, bem como, demais pessoas e empresas com endereço no Estado do Paraná, constantes dos documentos apensandos pelo interessado como envolvidas nas operações praticadas, para que confirmem os valores recebidos, quem os pagou, a atividade do sr. Juan. a procedência de suas alegações. 4. excluir as transferências entre contas do mesmo titular, as devoluções e outros valores previstos na legislação pertinente. 5. que sejam realizadas todas as providências necessárias tendentes a apurar os valores auferidos pelo interessado, e que se refiram ao pagamento das despesas pelo exercício de Sua atividade, sobretudo vinculando as operações alegadas com aquelas registradas pelas empresas no SISTEMA SISCOMEX.” Os autos foram encaminhados ao setor de fiscalização (fl. 393 – PDF) e, emitido Termos de Diligência às pessoas indicadas (fls. 398/408 – PDF). É o relatório. Passo a decidir. Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10907.001742/200515 Acórdão n.º 2301004.527 S2C3T1 Fl. 565 5 Voto Vencido Conselheiro Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. DEPOSITOS BANCÁRIOS No mérito, quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tal omissão respaldase no art. 849 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), e no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo ambos redação semelhante, e inclusive, o art. 849 faz referência expressa ao art. 42 da supracitada Lei. Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). (grifei) O art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, assim dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Cabe frisar que, o objeto da tributação não foi o depósito bancário em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Com efeito, verificase que fora convertido o julgamento em diligência pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 383/391), nos seguintes termos: "[...] Do trabalhoso cotejo entre os documentos apresentados em sede de impugnação e os extratos bancários trazidos pelo próprio interessado A autoridade fiscal no inicio do procedimento, difícil não se concluir pela prática de atividade de espécie de despachante alfandegário alegada pelo contribuinte. O primeiro forte indicio que me conduz a esta a conclusão são as procurações outorgadas ao interessado, apensas as fls. 237 e seguintes dos autos. Constatase que o interessado é um procurador das empresas com sede no Paraguai. Sua atividade, conforme se pode depreender dos autos, é de despachante que recebe valores das representadas para pagamento de suas despesas de despacho das mercadorias. Na procuração apensada As fls. 241 do v. II, consta que o interessado é um despachante aduaneiro, com domicilio em Paranaguá (cidade Portuária) e que recebe poderes para solucionar todas as questões relativas aos despachos de mercadorias, entre outras diligências, inclusive pagar impostos, etc. Às fls. 246 do v.II, consta procuração em língua portuguesa, outorgada pela empresa LA FLORESTAL ALTO DO PARANA SRL, com endereço no Paraguai, outorgando poderes para IBANEZ E FARIAS LTDA, com CNPJ n. 00476.990/000139 e inscrição estadual n. 118.0792720, situada a Rua Theodorico dos Santos, Bairro Costeira, Paranaguá, Estado do Paraná, CEP. 083.203450, nas pessoas de Juan Crisostomo Diaz Ibanez e Joao Marcelo Farias da Costa, indicando RG e CPF inclusive deste ultimo. Os poderes outorgados são para exercer atividades relacionadas com despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas, podendo inclusive pagar impostos, dentre outras atribuições. Às fls. 248 consta uma carta da Industrial Maderera Copeland, informando ao Administrador do Deposito em Paranaguá, que o interessado é o representante da mencionada empresa para fins das questões de despachos. Às fls. 244 do mesmo volume, encontrase uma carta da IMSA — Indl.Maderera San Alberto, informando ao Administrador do Deposito de Paranaguá, que o sr. Juan é o seu representante Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10907.001742/200515 Acórdão n.º 2301004.527 S2C3T1 Fl. 566 7 para as questões de despacho naquele local. Idem As fls. 245, carta emitida pela empresa Timberland S.R.L. Os valores dos depósitos considerados desconhecidos (por amostragem) de R$ 1.000,00, R$ 920,60, R$ 850,00, R$ 4.400,00, R$ 6.000,00 (exemplos extraídos da fl. 250 da intimação), Outros depósitos tem os seguintes valores: R$ 50,00, R$ 300,00, R$ 4.592,50, R$ 354,00, R$ 6.000,00, R$ 1.000,00, R$ 1.500,00, (exemplos extraídos da fl. 253). Vários depósitos de R$ 500,00, R$ 300,00 e R$ 200,00 (v.f1.255). Vários depósitos de R$ 1.0 0,00 (v.f1.259). Vários depósitos de R$ 1.000,00, R$ 500,00 e um de R$ 370,00 (v.fl.263). Analisandose os documentos trazidos pelo interessado como prova de sua atividade de despachante aduaneiro, constatase, por exemplo, na f1.334 do volume denominado Anexo I, Vl.III / III um recibo de movimentação de cargas, capatazia de exportação, no valor de R$ 69,00, COM a observção "PAGTO. EM DINHEIRO, DESPACHANTE JUAN.". Outro documento escolhido por amostragem, esta apenso à fl. 341 do mesmo volume Anexo I, V. III / III, no valor de R$ 0,57 com a mesma observação: "PAGTO. EM DINHEIRO, DESPACHANTE JUAN". No volume denominado Anexo V — VI. II / IV, As fls. 221 em diante, encontramse apensados vários documentos de cobrança emitidos pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina no valor de R$ 35,39, R$ 33,08, R$ 33,86, etc... todos com o comprovante original de pagamento, através de depósito bancário no Banco do Brasil referida Administração dos Portos indicada. Diante das circunstâncias acima relatadas, com a devida vênia das autoridades lançadoras, convençome da atividade de prestação de serviços de despachante do interessado. Ou seja, (i) o confronto entre os valores depositados em sua conta corrente — que são, individualmente, de pequena monta e os valores pagos a titulo de despesas aduaneiras (também inúmeros pagamentos de valor reduzido), (ii) as procurações outorgadas ao interessado e correspondências apensadas de teor similar, (iii) os documentos de pagamento de despesas aduaneiras, (iv) a indicação da sociedade IBANEZ E FARIAS LTDA. tendo como sócio o Sr.Juan, as fls. 246 do v.II, e, finalmente (v) o volume de movimentação na conta corrente do interessado, conduzemme A conclusão que a conta corrente foi utilizada para abrigar também, outros valores que apenas os seus rendimentos. Se não for possível se afirmar com segurança absoluta a procedência desta condução, de igual modo não se pode afastar a presença de sérias e relevantes dúvidas sobre a base de cálculo do lançamento e discussão. Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 O artigo 42 da Lei 9430 de 1.996, embora contemple uma presunção legal, não pode ser aplicado ilimitadamente. A legislação estabelece contornos firmes a serem observados pela autoridade fiscal. [...] Nessa linha, com a devida vênia, discordo da conclusão da DRJ de origem de que seria inviável a investigação dos elementos trazidos pelo interessado já que as empresas representadas se encontram em outro Pais, fora da jurisdição da autoridade fiscal. Ocorre que os documentos trazidos A. abundancia pelo interessado, apontam nomes e endereços localizados no Brasil, em Paranaguá e imediações. É o caso da Administração de Portos de Paranaguá e Antonina, da Unimar Agenciamentos Marítimos Ltda. com endereço na Rua Soares Gomes, 999, Paranaguá, da Cooperativa de Transportes de Cargas e Anexos, Lachmann Agencia Marítima S.A., também de Paranaguá e com CNPJ declarado nos documentos (v.por exemplo, fl. 156 Anexo L v. II / III, Agencia Marítima Transatlântica Ltda., com endereço na Rua Nestor Victor, 800, Paranaguá (com indicação de CEP, CNPJ nos documentos apensado, por exemplo, a fl. 28 do Anexo II, v. I /, V, e outros. Nestas condições, proponho o retorno dos autos, para a realização de diligência baseada nos documentos apensados pelo interessado para: 1. seja verificada a participação do interessado na sociedade IBANEZ E FARIAS LTDA, com CNPJ n. 00476.990/000139 e inscrição estadual n. 118.0792720, situada a Rua Theodorico dos Santos, Bairro Costeira, Paranaguá, Estado do Paraná, CEP. 083.203450, e se a sociedade exerce a atividade de despachos aduaneiros ou similares. 2. seja intimado o sr. João Marcelo Farias da Costa para saber se é sócio do interessado na sociedade mencionada e qual a atividade exercida pelo Sr. Juan e pela sociedade; 3. sejam intimadas todas as sociedades indicadas em destaque (em negrito e sublinhadas) no parágrafo precedente, bem como, demais pessoas e empresas com endereço no Estado do Paraná, constantes dos documentos apensados pelo interessado como envolvidas nas operações praticadas, para que confirmem os valores recebidos, quem os pagou, a atividade do sr. Juan. a procedência de suas alegações. 4. excluir as transferências entre contas do mesmo titular, as devoluções e outros valores previstos na legislação pertinente. 5. que sejam realizadas todas as providências necessárias tendentes a apurar os valores auferidos pelo interessado,e que se refiram ao pagamento das despesas pelo exercício de Sua atividade, sobretudo vinculando as operações alegadas com aquelas registradas pelas empresas no SISTEMA SISCOMEX." A partir da diligência, devidamente atendida pelas empresas, as quais, exceto a empresa Pollyanna Merlly Michelson Rabery ME, confirmaram os recebimentos dos valores constantes dos documentos anexos acostados aos termos de diligência. Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10907.001742/200515 Acórdão n.º 2301004.527 S2C3T1 Fl. 567 9 Embora conste do Relatório de Diligência que o contribuinte não é credenciado junto à Receita Federal do Brasil para atuar na 9ª Região Fiscal, a partir da farta documentação acostada aos autos, e confirmada pelas empresas diligenciadas, de fato, o contribuinte exercia atividade equivalente à de despachante aduaneiro. Assim, tem verossimilhança as afirmações do contribuinte no sentido de que os valores que transitaram por suas contas bancárias tinham por finalidade o pagamento de despesas aduaneiras, posto que "os recolhimentos e pagamentos, à medida que se faziam necessários, eram feitos pelo requerente, quase sempre em dinheiro, de sua conta corrente, uma vez que os órgãos públicos não aceitam cheques de terceiro, como é o caso da Receita Federal, Receita Estadual e Transportadoras". Cumpre esclarecer que, equivocase a autoridade fiscal em não atender a diligência no item 4 "excluir as transferências entre contas do mesmo titular, as devoluções e outros valores previstos na legislação pertinente", com o seguinte fundamento: " Quanto ao item 4., fl. 386, é solicitado exclusão de valores do crédito tributário o que não pode ser atendido por diligência tendo em vista o art. 145 do Código Tributário Nacional." A diligência neste item buscou que fossem excluídas pelo fisco da base de cálculo do tributo os valores à título de transferências entre contas da mesma titularidade, devoluções e outros valores previstos na legislação pertinente, indevidamente incluídos no lançamento. Ora, não poderia o Fiscal ter se negado a verificar a existência de tais ocorrências, e inclusive, o fundamento utilizado pelo mesmo para deixar de atender a diligência, não se aplica no caso, eis que interpretado equivocadamente pelo auditor fiscal responsável pela diligência. Assim, diante da farta documentação constante dos autos, a qual corrobora as alegações do contribuinte no sentido que os valores que transitaram por suas contas bancárias são provenientes do exercício de sua atividade como operador de despachos aduaneiros, portuários e logísticos junto às empresas diligenciadas, as quais, face aos custos dessas operações efetuavam o pagamento das despesas de taxas a medida que se faziam necessárias nas contas do recorrente, vez que os órgãos como a Receita Federal não aceitam cheques de terceiros (das empresas), é de ser dado provimento ao recurso. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. Relatora Alice Grecchi (Assinado digitalmente) Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Voto Vencedor Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Redatora Designada. Apesar da consistente fundamentação trazida pela ilustre relatora, divirjo do seu voto por entender que a documentação acostada aos autos é ineficaz para comprovar a origem dos depósitos bancários. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários não comprovados decorre de presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996, e tem por efeito a transferência do ônus da prova da origem dos depósitos para o contribuinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10907.001742/200515 Acórdão n.º 2301004.527 S2C3T1 Fl. 568 11 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) No caso concreto, o Recorrente deixou de juntar aos autos quaisquer documentos comprobatórios dos depósitos e créditos realizados em sua contacorrente. A documentação juntada aos autos é composta de: a) procurações das empresas localizadas no Paraguai que lhe outorgaram mandato para representálas no Porto de Paranaguá (empresas La Florestal Alto Paraná, Timberland SRL, Ambay SRL, Tosca Parquet, Impa Parquet SRL e Madeiras Iguassu SRL. Trebol); b) comprovantes de pagamentos de serviços e custos de exportação de mercadorias, realizados por empresas exportadoras em favor de empresas públicas e privadas, a título de prestação de serviços de movimentação de cargas, transporte de mercadorias, descarga de caminhões, taxa de infraestrutura portuária, taxa de liberação do B/L Fee, dentre outros (fls. 5633.360). Há recibos que identificam o Recorrente na condição de intermediário/despachante (Ex.: fls. 564663, emitidos pela Cooperativa de Transportes de Cargas e Anexos, Unimar, fls. 691754). Há recibos nos quais o Recorrente aparece como o devedor e responsável pelo pagamento (Ex.: fls. 665666, emitidos por Tranzella). Há recibos sem qualquer referência ao Recorrente (Ex.: fls. 667690, emitidos por Lachmann, Wilson Sons Agência Marítima Ltda, Mitsui). As empresas arrecadadoras e as prestadoras dos serviços de exportação, após intimadas pela fiscalização, em atendimento à diligência fiscal determinada pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 383/391), assim se manifestaram a respeito dos recibos juntados aos autos e da atividade do Recorrente: Tabela 1 Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Informante Informação Prestada fls Superintendência da Receita Federal 9ª Região não consta inscrição em nome do contribuinte nos prontuários de despachante aduaneiro e de ajudante de despachante 411 Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina o contribuinte é cadastrado na Guarda Portuária como sócio gerente da empresa Ibanez e Farias Ltda e não renovou cadastro 412423 Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina confirma recebimento de valores arrecadados pelo cliente Ibanez e Farias Ltda discriminados às fls. 458, 484488 (engloba o período de 01/2002 a 01/2003) 424 Agência de Vapores Grieg afirma que o contribuinte atuava como despachante aduaneiro 524 Agência Marítima Transatlântica Ltda informa que o contribuinte se apresentou como despachante aduaneiro dos importadores que constam dos documentos 538540 Cia Libra de Navegação encaminha procuração de La Florestal Alto Paraná, outorgada ao contribuinte em 26/08/2004, para representála perante a Administração dos Portos. 499502 Cia Libra de Navegação encaminha procuração de Mamata SRL outorgada ao contribuinte em 10/11/2004 para representála perante Administração dos Portos. 503504 Cooperativa de Transporte de Cargas e Anexos Ltda confirma os valores pagos pelo entreposto de depósito franco do Paraguai Sr. Juan. 527 Hélice Agencia Marítima Ltda confirma os valores dos boletos/recibos e que recebeu tais valores 515 Hélice Agencia Marítima Ltda confirma que o pagamento foi feito pelo contribuinte 515 JBR Agendamentos Maritimos S/C Ltda confirma recebimento dos valores contidos nos boletos/recibos de 23/05/2003, 20/08/2003 e 26/11/2003 pela empresa neles constantes (não constam os recibos) 491 JBR Agendamentos Maritimos S/C Ltda informa que não tem conhecimento da atividade do Sr. Juan 491 Oceanus Agência Maritima S.A confirma os pagamentos relacionados no termo de diligência 543545 Oceanus Agência Maritima S.A afirma que não tem como confirmar se os pagamentos foram feitos pelo contribuinte 543545 Pollyanna Merlly Michelson Rabery ME reconhece as formatações dos boletos/recibos mas não reconhece o seu conteúdo 494495 Rocha não sabe qual atividade é exercida pelo contribuinte 521 Rocha informa que só localizou os pagamentos recebidos no ano de 2003, mas tais documentos não foram apresentados. 521 TCPTerminal de Conteineres de Paranaguá S/A confirma o recebimento dos valores pagos 512 TCPTerminal de Conteineres de Paranaguá S/A não tem como afirmar quem fez os pagamentos 512 TCPTerminal de Conteineres de Paranaguá S/A não tem como afirmar qual atividade é exercida pelo contribuinte 512 Tranzella Transporte de Cargas desconhece quem realizou os pagamentos dos boletos/recibos anexos ao Termo de Diligência 509 Tranzella Transporte de Cargas não sabe qual atividade é exercida pelo contribuinte 509 Unimar Agenciamentos Maritimos Ltda confirma o recebimento dos valores relacionados no Termo de Diligência 531 Unimar Agenciamentos Maritimos Ltda informa que o contribuinte se apresentou como despachante aduaneiro dos importadores que constam dos documentos anexos ao Termo de Diligência 531 Wilson Sons Agência não sabe quem realizou o pagamento dos documentos relacionados no Termo de Diligência 518 Wilson Sons Agência não sabe qual atividade é exercida pelo contribuinte 518 Conforme demonstrado na tabela acima, somente três das quatorze empresas diligenciadas confirmaram que o pagamento foi feito pelo Recorrente, na condição de intermediário (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Cooperativa de Transporte de Cargas e Anexos Ltda, Hélice Agencia Marítima Ltda), Entretanto, a maioria das empresas diligenciadas confirmam que o Recorrente exercia a atividade de despachante aduaneiro, a exceção de seis empresas (JBR Agendamentos Maritimos S/C Ltda, Pollyanna Merlly Michelson Rabery ME, Rocha, TCP Terminal de Conteineres de Paranaguá S/A, Tranzella Transporte de Cargas, Wilson Sons Agência). A partir das informações dos autos é possível inferir que o Recorrente exercia a atividade de operador de despachos aduaneiros, portuários e logísticos, entretanto, não existe qualquer elemento nos autos que demonstre que os valores de terceiros, identificados nos boletos/recibos, foram pagos pelo Recorrente, na condição de intermediário, a partir de depósitos feitos por esses terceiros em sua conta bancária. Conforme visto, para elidirse da exação, o contribuinte deve comprovar cada crédito de suas contas bancárias de forma individualizada, vale dizer, deve demonstrar, através Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10907.001742/200515 Acórdão n.º 2301004.527 S2C3T1 Fl. 569 13 de documentação hábil e idônea, de forma individual, crédito a crédito, depósito a depósito, e essa exigência não é afastada nem suprida com a simples demonstração da natureza da atividade do contribuinte. A respeito do tema, transcrevo trecho do voto proferido no Acórdão nº 9202 003.736, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relator Cons. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, sessão de 28 de janeiro de 2016, no qual se concluiu pela ineficácia, como prova da origem dos depósitos bancários, da mera demonstração de desenvolvimento de atividade profissional pelo contribuinte, naquele caso, a atividade rural: Entendo, a propósito que caberia exclusivamente ao contribuinte, a partir da presunção legal estabelecida em favor do Fisco pelo art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, o ônus de elidir a incidência da presunção de omissão de rendimentos (que se dá, pela presunção, em sede de IRPF), necessariamente mediante a comprovação da origem dos créditos bancários sob análise, através de documentação hábil e idônea e, sim, de forma individual, crédito a crédito, depósito a depósito. Tratase, aqui, de presunção relativa passível de prova em contrário, conforme observa muito bem José Luiz Bulhões Pedreira, que, no texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas JUSTECRJ1979 pg. 806, onde o autor defende muito propriamente que: "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." Noto, a propósito, que o referido art. 42 em nenhum momento autoriza que a mera prestação de informação, pelo contribuinte, de se tratarem de recursos oriundos da atividade rural ou a existência de meros indícios (mas sem a correspondente documentação hábil e idônea) possam afastar a aplicação da presunção ou mesmo reverter o ônus da prova por uma segunda vez, agora para o Fisco, a quem, na forma do recorrido, caberia, em tais hipóteses, um maior aprofundamento investigatório, hipótese que, repito, descarto a partir do teor da mencionada presunção juris tantum. Destarte, entendo que a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação exclusiva do contribuinte a ser feita através de documentação hábil e idônea, descartada a aceitação de meras alegações e provas indiretas como forma de afastar a presunção. ... Entendo, aqui, que a comprovação de desenvolvimento de atividade rural pelo contribuinte em nenhuma hipótese seria condição suficiente de forma a afastar a aplicação do dispositivo Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 legal da presunção no caso de depósitos bancários não comprovados com documentação hábil e idônea e que, assim, se pudesse considerar (com base em indícios ou na comparação de montantes entre o total de depósitos não comprovados vs. receita de atividade rural, tal como fez o recorrido), que a correta forma de tributação para estes depósitos seria como atividade rural. Em suma, os documentos apresentados pelo Recorrente não são hábeis a comprovar a origem dos depósitos, uma vez que não estão devidamente correlacionados aos créditos bancários. Vale dizer, não é possível fazer uma vinculação entre os depósitos e os comprovantes de pagamentos apresentados. Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o Recorrente não logrou comprovar, de forma individualizada, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos em suas contas bancárias, sendo esses considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13901.000030/2008-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/02/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.642
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 1. 00 00 30 /2 00 8- 70 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 9303003.642 CSRF‐T3 Fl. 550 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.507, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 9303003.642 CSRF‐T3 Fl. 551 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 9303003.642 CSRF‐T3 Fl. 552 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 9303003.642 CSRF‐T3 Fl. 553 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 553DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 9303003.642 CSRF‐T3 Fl. 554 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 9303003.642 CSRF‐T3 Fl. 555 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 9303003.642 CSRF‐T3 Fl. 556 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13901.000030/200870 Acórdão n.º 9303003.642 CSRF‐T3 Fl. 557 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 557DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.720832/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há qualquer omissão quando o v. acórdão recorrido deixa de analisar matéria preclusa (não objeto de impugnação). Não cabe trazer novo argumento em sede de Embargos de Declaração, em virtude da preclusão e/ou por se configurar em rediscussão dos fatos.
Numero da decisão: 1301-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, no mérito, NEGAR-LHES provimento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não há qualquer omissão quando o v. acórdão recorrido deixa de analisar matéria preclusa (não objeto de impugnação). Não cabe trazer novo argumento em sede de Embargos de Declaração, em virtude da preclusão e/ou por se configurar em rediscussão dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, no mérito, NEGARLHES provimento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 32 /2 01 3- 26 Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo contribuinte acima identificado, em face do Acórdão 1301001.856, sessão de 09 de dezembro de 2015, cujo julgamento, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 Ementa: REDUÇÃO DE CAPITAL COM ENTREGA DE AÇÕES AOS ACIONISTAS. EFETIVAÇÃO. AUTORIZAÇÃO DO BANCO CENTRAL. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. Os atos societários de redução de capital das instituições financeiras devem ser autorizados pelo Banco Central do Brasil, somente tendo efetividade a partir de tal autorização. Não prospera a preliminar de ilegitimidade passiva, quando o sujeito passivo da obrigação tributária foi corretamente identificado no auto de infração. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÃO. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. OMISSÃO. Os juros sobre o capital próprio compõem a base de cálculo da pessoa jurídica que o receber. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301002.039 S1C3T1 Fl. 12 3 Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei 11.488, de 2007 (art. 44, II, "b"). MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. O Embargante sustenta no presente pleito a nulidade do acórdão recorrido por não ter sido respeitado o prazo regimental de 15 dias para apresentação da declaração de voto manifestada por ocasião do julgamento pelo Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, além de omissão quanto a pontos trazidos na petição protocolada em 03/08/2015, que traz fatos novos ao processo, especificamente o disposto na Lei 13.097/2015 e Portaria PGFN/RFB 148/2015, quanto ao valor das ações para fins de apuração da real base de cálculo dos tributos (R$ 11,84), contudo, o ilustre Relator não enfrentou tal questão no acórdão ora recorrido. O Presidente desta Primeira Turma Ordinária admitiu os presentes embargos nos termos do art. 65, Anexo II, do RICARF, para que sejam prestados os devidos esclarecimentos ou o saneamento da omissão apontada, se for o caso. É o relatório do essencial. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os embargos são tempestivos, já que opostos dentro do prazo regimental. Conforme relatado, em primeiro lugar, a Embargante protesta pela nulidade do Acórdão 1301001.856, prolatado por esta Turma Julgadora na sessão de 09 de dezembro de 2015, pois, no caso, não foi respeitado o prazo regimental de 15 dias para apresentação da declaração de voto manifestada por ocasião do julgamento pelo Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo (julgamento em 09/12/2015 e publicação do acórdão 23/12/2015 = 14 dias). Em seguida, a embargante alega um segundo ponto "DA OMISSÃO NO ACÓRDÃO QUANTO AO ENFRENTAMENTO DOS FATOS NOVOS TRAZIDOS NA PETIÇÃO PROTOCOLADA EM 03/08/2015", a seguir sintetizado: No primeiro dia em que os títulos poderiam ser negociados em bolsa, em 20 de agosto de 2008, o valor da ação após a incorporação foi de R$ 11,84. Esse valor está devidamente apontado na Portaria PGFN/RFB 148, de 26 de janeiro de 2015, que regulamentou o artigo 145 da Lei 13.097/2015. ... A despeito do texto legal ter sido veiculado em Lei que tratou de pagamento em Refis, o fato é que a própria Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional declararam que o valor de venda das ações para fins de apuração do ganho de capital seria de R$ 11,84, e não de R$ 24,82, como foi considerado nos lançamentos questionados nos presentes autos. Inicialmente, de se ressaltar, que não consta da ata (Sessão de 09/12/2015) a manifestação do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo em proferir declaração de voto. Transcrevese, a seguir, a íntegra do item da referida ata (disponibilizada no sitio do CARF): Relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS 57 Processo nº: 16327.720832/201326 Recorrente: ALPES CORRETORA DE CÂMBIO, TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A e Recorrida: FAZENDA NACIONAL DECISÃO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista, que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Sr. Rafael Correia Fuso, OAB/SP nº 174.928. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Rodrigo Moreira Lopes. ACÓRDÃO Nº 1301001.856. Quanto ao segundo ponto, a decisão embargada assim se pronunciou: 3) Do incorreto lançamento de valores a título de IRPJ e CSLL Alega a contribuinte/recorrente, neste ponto, "que os valores utilizados como base para o lançamento dos tributos questionados, per si, estão errados, o que implica em falta de liquidez e certeza quanto ao crédito tributário." Aduz, mais: Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301002.039 S1C3T1 Fl. 13 5 "Ora, na incorporação das ações houve um acordo entre os acionistas da BOVESPA para não alienarem suas ações num determinado período, a fim de manter a coesão do grupo até a concretização da junção da BM&F e da BOVESPA e a sua repercussão no mundo econômico, inclusive para proteção de especulação. Tal restrição foi refletida às ações da própria incorporadora. Desse modo, conforme bem asseverou Ricardo Mariz de Oliveira no parecer ora acostado, em determinado período as ações incorporadas ficaram inalienáveis em razão de cláusulas contratuais, de sorte que o valor nominal considerado pelo Fisco para autuar a Recorrente e demais empresas corretora de valores mobiliários não reflete o valor das ações no momento em que, efetivamente, a Recorrente poderia vender tais ações no mercado de balcão. (...) A desconsideração da cláusula lock up no lançamento fiscal, além de implicar na inadequada descrição do fato gerador da obrigação tributária, em virtude da equivocidade na indicação da data da ocorrência do fato, implicou na inadequada quantificação do montante tributável, o que torna o lançamento fiscal ilíquido e passível de ser anulado." Com relação a este ponto, acrescento que a interessada apresentou a impugnação ao lançamento sem fazer qualquer menção a este tópico. Agora, em sede de recurso, traz essa alegação, a qual não merece acolhida a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, ao determinar que a matéria a qual não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Acerca do instituto da preclusão, assim leciona Humberto Theodoro Júnior: A essência da preclusão, para Chiovenda, vem a ser a perda, extinção ou consumação de uma faculdade processual pelo fato de se haverem alcançado os limites assinalados por lei ao seu exercício. Decorre a preclusão do fato de ser o processo uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas, a fim de que se obtenha a prestação jurisdicional, com precisão e rapidez. Sem uma ordenação temporal desses atos e sem um limite de tempo para que as partes os pratiquem, o processo se transformaria numa rixa infindável. Do exposto, sobressai a falta de competência da Autoridade Julgadora de segunda instância para tomar conhecimento dessa matéria em sede de recurso voluntário. O Decreto nº 70.235/1972 estabelece no seu art. 16, inc. II que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O art. 17 do mesmo diploma, estabelece que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O dispositivo processual adotou “a teoria da eventualidade no processo, em que toda matéria de defesa deverá ser suscitada. Vale ressaltar que a questão de fato ou de direito que não for expressamente impugnada não será considerada para fins de decisão”. Nesse sentido, dispõe o Código de Processo Civil: Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 Art. 245. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Com efeito, vêse que a recorrente, não suscitou tal alegação (relativa aos valores utilizados como base para o lançamento dos tributos questionados), por ocasião da impugnação, precluindo seu direito de fazêlo por ocasião do recurso, pois, entendo, que o caso em análise, não se trata do que dispõe a alínea "b" do parágrafo 4o., do artigo 16 do Decreto 70.235, de 1972, (refirase a fato ou a direito superveniente), a que alude a embargante. A citada Portaria PGFN/RFB 148, de 26 de janeiro de 2015, que regulamentou o artigo 145 da Lei 13.097/2015, trata especifica e excepcionalmente de parcelamento especial, in verbis: Art. 145. O art. 42 da Lei no 13.043, de 13 de novembro de 2014, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 42. Os débitos para com a Fazenda Nacional relativos ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL decorrentes do ganho de capital ocorrido até 31 de dezembro de 2008 pela alienação de ações que tenham sido originadas da conversão de títulos patrimoniais de associações civis sem fins lucrativos, poderão ser: I pagos à vista com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício e de 100% (cem por cento) dos juros de mora; II parcelados em até 60 (sessenta) prestações, sendo 20% (vinte por cento) de entrada e o restante em parcelas mensais, com redução de 80% (oitenta por cento) da multa isolada e das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) dos juros de mora. § 1o Na hipótese do caput, fica remitido, sob condição resolutória até que se efetive o pagamento de que trata o inciso I ou seja quitado o parcelamento de que trata o inciso II, o valor do IRPJ e da CSLL incidente sobre a parcela do ganho de capital relativa a diferença entre o valor atribuído à ação na subscrição de capital e considerado na apuração do referido ganho, ainda que em eventual lançamento de ofício, e o valor verificado na data de início das negociações da ação em operação regular em bolsa de valores, independentemente da existência de cláusula de restrição de comercialização ou transferência. § 2o O disposto neste artigo aplicase à totalidade dos débitos, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior não integralmente quitado, ainda que excluído por falta de pagamento. § 3o Para efeito de consolidação dos débitos de que trata o caput, após o ajuste referido no § 1o, poderão ser deduzidos os valores do IRPJ e da CSLL que tenham sido recolhidos, até 31 de dezembro de 2013, em função da alienação posterior das ações decorrentes da conversão de títulos patrimoniais de associações civis sem fins lucrativos pelo próprio sujeito Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301002.039 S1C3T1 Fl. 14 7 passivo, por empresa controladora ou por empresa controlada de forma direta, desde que: I tenha sido utilizado o custo original dos respectivos títulos patrimoniais na apuração do ganho; II seja limitado ao valor do IRPJ e da CSLL incidentes sobre o ganho de capital apurado considerando como valor de venda o valor verificado das ações na data de início das negociações em operação regular em bolsa de valores. § 4o Os depósitos existentes vinculados aos débitos a serem pagos ou parcelados nos termos deste artigo serão automaticamente convertidos em pagamento definitivo, aplicandose as reduções previstas no caput ao saldo remanescente a ser pago ou parcelado. § 5o O contribuinte poderá, mediante requerimento, utilizar créditos de prejuízos fiscais e de base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL próprios, apurados até 31 de dezembro de 2013 e declarados até 30 de junho de 2014, para a quitação do saldo remanescente dos débitos após as reduções previstas no caput. § 6o Para usufruir dos benefícios previstos neste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável de todas as ações judiciais que tenham por objeto os débitos que serão pagos ou parcelados na forma deste artigo e renunciar a qualquer alegação de direito sobre as quais se fundam as referidas ações. § 7o As reduções previstas no caput não serão cumulativas com quaisquer outras reduções admitidas em lei. § 8o Na hipótese de anterior concessão de redução de multas ou de juros em percentuais diversos dos estabelecidos no caput, prevalecerão os percentuais nele referidos, aplicados sobre o saldo original das multas ou dos juros. § 9o Enquanto não consolidada a dívida, em relação às parcelas mensais referidas no inciso II do caput, o contribuinte deve calcular e recolher mensalmente o valor equivalente ao montante dos débitos objeto do parcelamento dividido pelo número de prestações pretendidas. I (revogado); II (revogado). § 10. O pagamento ou o pedido de parcelamento deverá ser efetuado até o 15o (décimo quinto) dia após a publicação desta Lei e independerá de apresentação de garantia, mantidas aquelas decorrentes de débitos transferidos de outras modalidades de parcelamento ou de execução fiscal. § 11. Implicará imediata rescisão do parcelamento, com cancelamento dos benefícios concedidos, a falta de pagamento: Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 I de 3 (três) parcelas, consecutivas ou não; ou II de até 2 (duas) prestações, estando pagas todas as demais ou estando vencida a última prestação do parcelamento. § 12. É considerada inadimplida a parcela parcialmente paga. § 13. Rescindido o parcelamento: I será efetuada a apuração do valor original do débito, restabelecendose os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores; II serão deduzidas do valor referido no inciso I as prestações pagas. § 14. Aplicase ao parcelamento de que trata este artigo o disposto no caput e nos §§ 2o e 3o do art. 11, no art. 12, no caput do art. 13 e no inciso IX do art. 14 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. § 15. Ao parcelamento de que trata este artigo não se aplicam: I o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000; e II o § 10 do art. 1º da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. § 16. Não será computado na base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins a parcela equivalente à redução do valor do montante principal dos tributos, das multas, dos juros e dos encargos legais em decorrência do disposto neste artigo. § 17. A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no âmbito de suas competências, editarão os atos necessários à execução do parcelamento de que trata este artigo.” (NR) Portaria PGFN/RFB 148, de 26 de janeiro de 2015 Art. 1º Os débitos junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrentes do ganho de capital ocorrido até 31 de dezembro de 2008 pela alienação de ações que tenham sido originadas da conversão de títulos patrimoniais de associações civis sem fins lucrativos, poderão excepcionalmente ser pagos ou parcelados na forma e nas condições estabelecidas nesta Portaria Conjunta. Em assim sendo, não conheço a omissão apontada nos presentes embargos de declaração. Nesse sentido, é o artigo 65 do RICARF, segundo o qual: “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma” (destacamos). Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 16327.720832/201326 Acórdão n.º 1301002.039 S1C3T1 Fl. 15 9 Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos interpostos, para no mérito NEGARLHES provimento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 14485.002151/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/10/2000
AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DECORRENTE DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. Considerando que o lançamento fora efetuado com base nas folhas de pagamento e livros fiscais apresentados durante a ação fiscal, é de ser mantido o lançamento quando a recorrente não carreia qualquer documento que comprove equívocos no lançamento
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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LANÇAMENTO DECORRENTE DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. Considerando que o lançamento fora efetuado com base nas folhas de pagamento e livros fiscais apresentados durante a ação fiscal, é de ser mantido o lançamento quando a recorrente não carreia qualquer documento que comprove equívocos no lançamento Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 21 51 /2 00 7- 96 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14485.002151/200796 Acórdão n.º 2402005.118 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por AUTO VIAÇÃO TABOÃO, em face de Decisão Notificação que manteve a integralidade da NFLD n. 35.211.1470. Consta do relatório fiscal que o lançamento compreende as competências de 01/1999 a 10/2000 e referese a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e destinadas ao GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados contida em folha de pagamentos. Após isso tudo, o contribuinte veio a ser intimado da DN, tendo apresentado recurso voluntário, através do qual aduz o seguinte: 1. que o relatório fiscal foi feito de forma tendenciosa; 2. reconhece a existência dos débitos, mas não no patamar lançado, de modo que o não acatamento de sua planilha a demonstrar as divergências lançadas, bem como a não realização de perícia, ensejou o cerceamento de seu direito de defesa; Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO O recurso voluntário, bastante curto, é por demais claro a demonstrar que a recorrente reconhece a procedência do lançamento das contribuições, mas não em sua totalidade. Ao se analisar os autos, vejo que o lançamento fora realizado com base nas folhas de pagamento e livros fiscais apresentados pelo recorrente, de modo que, eventual equívoco na escrituração deveria ser por ele demonstrada. Apesar da alegação demonstração das divergências, vejo que a recorrente não trouxe aos autos um documento sequer a demonstrar eventual equívoco cometido, seja quanto as informações constantes em sua escrita fiscal, seja com relação ao lançamento efetuado. Também pelos motivos supra, não vejo como considerar a realização de perícia no caso, eis que despicienda em razão do lançamento originarse das informações prestadas pelo contribuinte. A par de tais argumentos, não posso acatar qualquer cerceamento do direito de defesa cometido nos autos, sobretudo quando este se funda no mero inconformismo da parte com o desfecho dado ao caso. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 19515.003673/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Verificada a existência de omissão no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pelo contribuinte.
Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202-003.022, de 11/03/2015, sanando a omissão existente, sem efeitos infringentes, para manter a decisão anterior no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 821.110,24.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificada a existência de omissão no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pelo contribuinte. Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes. Acórdão rerratificado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202-003.022, de 11/03/2015, sanando a omissão existente, sem efeitos infringentes, para manter a decisão anterior no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 821.110,24. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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Embargos acolhidos parcialmente, sem efeitos infringentes. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202003.022, de 11/03/2015, sanando a omissão existente, sem efeitos infringentes, para manter a decisão anterior no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 821.110,24. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Composição do colegiado: participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 73 /2 00 9- 96 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário, que descreve os fatos ocorridos até a decisão anterior desta Turma do CARF. Foi lavrado Auto de Infração contra o contribuinte JOSÉ ROBERTO SILVEIRA BRAZÃO (fls. 152 a 159), com o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao ano calendário de 2005, no valor de R$ 796.984,48, multa de ofício de R$ 597.738,36 e juros de mora de R$ 309.628,47, calculados até 31/08/2009, referente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base na Lei nº 9.430/96. Por meio do Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários (fls. 03 e 04), tendo os apresentado dentro do prazo estipulado. Após análise dos extratos bancários, ele foi intimado a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n° 01/2009 (fls. 112 a 117), lavrado em 09/02/2009, com ciência por via postal em 13/02/2009 (fl. 118). Por esse termo, o contribuinte foi cientificado do procedimento de lançamento de ofício, a título de omissão de rendimentos, dos valores cuja origem não fosse comprovada, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96. Em 01/04/2009, o contribuinte apresentou documentação comprobatória de venda e compra de imóvel, conforme indicado no Termo de Comparecimento por ele assinado naquela data (fl. 119). Ainda em 01/04/2009, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal 01/2009 (fls. 128 a 130), com ciência pessoal do contribuinte, consignando que não foram apresentados os documentos que comprovassem a origem de todos os recursos creditados nas contas bancárias do Banco Itaú e Banco Santander do anocalendário 2005 em seu nome, conforme planilhas anexas ao referido Termo. Em 06/04/2009, lavrouse o Termo de Constatação fiscal 02/2009 (fls. 131 a 132), com ciência em 13/04/2009 (fl. 134), esclarecendo que foram considerados como depósitos de origem comprovada os valores de R$ 81.600,00 (09/2005) e R$ 18.400,00 (12/2005), relacionados à transação imobiliária documentada, ambos creditados na conta do Banco Sudameris. O contribuinte apresentou resposta em 19/08/2008 (fl. 133) com algumas explicações sobre créditos em suas contas bancárias. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.391 S2C2T2 Fl. 491 3 Foi então lavrado o Auto de Infração (fls. 152 a 159) com o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao ano calendário de 2005, referente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base na Lei nº 9.430/96. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 145 a 151. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 166 a 196) alegando, em síntese: cerceamento de defesa, por falta de emissão de Termo de Intimação próprio, com identificação individualizada dos depósitos; a intimação foi genérica e não foram informadas as possíveis exclusões das transferências entre as contas; as contas mantidas junto às instituições financeiras eram em conjunto com sua esposa, Sra. Miriam Gambette Brazão, a qual não foi intimada para justificar os depósitos; o AuditorFiscal não obedeceu aos Princípios do Dever de Investigação e da Verdade Material, uma vez que, antes de proceder ao lançamento do crédito tributário, não investigou as atividades do contribuinte, de modo a identificar aquelas que guardam relação com as normas tributárias; o fiscalizado várias vezes informou, verbalmente, à autoridade fiscal que os créditos apontados pela fiscalização decorriam de uma movimentação de entradas e saídas do mesmo dinheiro, uma vez que praticava o desconto de cheques de pequenos comerciantes que vendiam a prazo e não tinham capital de giro, recebendo em troca um "spread". Apresenta na impugnação oposta o rol de pessoas jurídicas com as quais operou em 2005 (fl. 186); ao proceder ao lançamento do crédito tributário a partir dos depósitos bancários, a fiscalização deixou de observar os princípios da razoabilidade e da materialidade, presentes no artigo 6º , § 6º , da Lei n° 8.021/1990, que estabelece a escolha de modalidade de arbitramento que mais favorecer o contribuinte. A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2) julgou improcedente a impugnação. A ementa do Acórdão foi assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 NULIDADE . INOCORRÊNCIA . Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1.972. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL . A emissão regular de intimações, bem como os esclarecimentos e elementos de prova solicitados, demonstram a observância do princípio da verdade material e o cumprimento do dever de investigação por parte da autoridade fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Durante a ação fiscal vige o princípio inquisitório. Somente na fase litigiosa, iniciada por impugnação válida, há que se falar em contraditório e ampla defesa, assegurados no presente caso. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430 / 1996. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Quando se tratar de presunções legais, cabe ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. TITULARES DE CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Devem ser intimados para informar a origem e a titularidade dos depósitos bancários, os titulares de conta conjunta que não sejam dependentes entre si e apresentam declaração do Imposto de Renda em separado. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Somente é conceituada como empresa individual e equiparada à pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda os requisitos exigidos pela legislação de regência. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 24 de outubro de 2011 (fl. 218/v), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 9 de novembro de 2011 (fls. 348 a 392), no qual, além de repisar os argumentos da impugnação, alega que ocorreu violação do seu sigilo bancário sem autorização judicial, acarretando total nulidade da fiscalização. Ao final, requer preliminarmente a nulidade da exigência e, no mérito, o cancelamento total da exação. Protesta pela apresentação de memorial descritivo e sustentação oral. Em sessão de julgamento ocorrida em 11 de março de 2015, foi dado provimento parcial ao recurso, cuja decisão foi consubstanciada no Acórdão nº 2202003.022, assim ementada: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.391 S2C2T2 Fl. 492 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O dispositivo do acórdão foi assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 821.110,24. O Contribuinte foi cientificado da decisão em 05/02/2016 (sextafeira), por via postal (A.R. de fl. 465), tendo oposto Embargos de Declaração em 11/02/2016 (fls. 442 a 463), no qual apresentou as seguintes alegações: não se trata do Banco Sudameris como afirmou o Relator, mas sim do Banco Santander; a informação prestada pelo Banco Santander, constante da impugnação, comprova que a conta é conjunta do Recorrente com sua esposa; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 inicialmente o Recorrente e sua esposa tinham uma conta corrente no Banco Geral do Comercio (conta 30330360, agência 0009) até a data de 14/04/2006; posteriormente, com a compra do Banco Geral do Comércio pelo Banco Santander, houve a mudança do número da conta e do número da agência, sem alteração dos titulares; O Banco Santander informou que a conta foi aberta no Banco Geral do Comércio em 07/08/1981; em 2005 ele não possuía conta no Banco Santander e sim no Banco Geral do Comércio; ele realmente nunca tinha aberto uma conta no Banco Santander no período examinado de 2005, pois a conta que já existia anteriormente no ano de 2005 era no Banco Geral do Comércio; quando perguntado pela Fiscalização se tinha conta no Banco Santander, em sua resposta estava se referindo na realidade que não tinha nenhuma conta conjunta a mais naquele banco no ano de 2015, pois só tinha uma conta conjunta, no Banco Geral do Comércio; solicitou novamente informações ao Banco Santander, que respondeu, pela sua Gerente de Relacionamento, que "a numeração da conta corrente em nome de Jose Roberto da Silveira Brazão e/ou Mirian Gambette Brazão até 14/04/2006 era 30330360 agência 0009, sendo alterada para 010000068 agência 2009 pelo motivo do Banco Geral do Comércio ter sido comprado pelo Banco Santander"; a Fiscalização se confundiu e entendeu que a conta 30330360 agência 0009 do fiscalizado era do Banco Santander Meridional, que em 2005 não existia, levando o relator a equívoco em sua interpretação; o Recorrente em sua impugnação e recurso demonstrou que a diferença entre débitos e créditos, consolidados nos Bancos Itaú e Santander (sucessor), foi de R$ 103.248,32, porém a autoridade fiscal tributou um acréscimo patrimonial de R$ 2.999.850,10; o princípio da razoabilidade foi ferido frontalmente, pois a movimentação financeira é de operação comercial e não de pessoa física; a Fiscalização deveria ter observado o artigo 150, § 1º, do RIR/99, matéria não enfrentada pela autoridade julgadora; o Relator somente se ateve ao art. 42 da Lei nº 9.430/96, mas não obedeceu à norma prevista no art. 42, § 3º, que prevê a individualização dos depósitos. O Embargante anexou diversos documentos (fls. 449 a 463) e, ao final, requereu o acolhimento dos Embargos de Declaração, com efeitos modificativos, para cancelar a exigência fiscal. Posteriormente, em 30/03/2016, o Contribuinte apresentou uma outra petição em que anexa nova declaração do Banco Santander visando à comprovação da existência da conta conjunta com sua esposa (fls. 468 a 474). Os embargos foram admitidos em relação à omissão na apreciação das provas relativas à cotitularidade da conta corrente 0009/0030330360, mantida junto ao Banco Fl. 504DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.391 S2C2T2 Fl. 493 7 Santander e rejeitados quanto às demais alegações, conforme despacho de admissibilidade (fls. 476 a 479). É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, relativos ao Acórdão nº 2202003.022, de 11 de março de 2015. Na parte acolhida, o Embargante afirma que a informação prestada pelo Banco Santander, constante da impugnação, comprova que a conta 0009/0030330360 é conjunta do Recorrente com sua esposa, o que não foi apreciado pela decisão da Turma do CARF. Entendo que assiste razão ao Embargante em relação à omissão, posto que no voto condutor da decisão embargada foi afirmado não constar dos autos nenhuma prova de que a conta corrente do Santander seja uma conta conjunta, não tendo sido apreciada a prova apresentada na impugnação, conforme excerto abaixo: Em relação às contas nº 0009/0030330360 (contacorrente e poupança), junto ao Banco Sudameris (sic), não consta dos autos de que ela seja uma conta conjunta como defende o contribuinte. Ele próprio afirma, em declaração à fl. 136, que não possui nenhuma conta conjunta naquela instituição. Por essa razão, não há nenhuma ilegalidade no lançamento em relação a essas contas, no que toca à falta de intimação dos co titulares, por se tratar de contas individuais. (destaquei) Portanto, entendo que existe uma omissão do julgado na apreciação da prova, que necessita ser sanada por meio de um novo julgamento do Colegiado. Em sua impugnação, o Contribuinte apresentou a declaração do Banco Santander de fl. 293, onde consta o seguinte: Em atenção a sua solicitação para devidos fins, confirmamos que a numeração atual de Conta Corrente em nome de Jose Roberto da S Brazão e/ou Mirian Gambette Brazão é 010000068, agência 2009, Banco 033, e que referida Conta possuía numeração anterior 30330360, agência 0009, Banco 353. Por ocasião dos Embargos de Declaração, o Contribuinte apresentou novos documentos visando corroborar seus argumentos no sentido de que a conta em referência possuía como cotitular sua esposa. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Embora não seja possível, em tese, a apresentação de novas provas em sede de Embargos de Declaração, os quais se prestam apenas para sanar omissão, contradição ou obscuridade no julgado, não vejo impedimento em se apreciar os documentos trazidos pelo Contribuinte, tendo em vista terem apenas o intuito de reforçar as informações já prestadas pelo mesmo em sua impugnação e porque, na realidade, o documento de fl. 456, anexo aos embargos, possui praticamente o mesmo teor do documento de fl. 293, apresentado na impugnação, assim como a declaração apresentada posteriormente na petição de 30/03/2016 (fl. 471). Entretanto, observo que as declarações do Banco Santander acostadas aos autos pelo Contribuinte, tanto na impugnação como nos Embargos de Declaração e na petição de fls. 468 a 474, não lhe socorrem no objetivo de demonstrar que as contas nº 0009/0030330360 (contacorrente e poupança) são contas conjuntas, tendo como cotitular sua esposa Mirian Gambette Brazão. É que os argumentos sustentados pelo Recorrente são de que essas contas eram na realidade do Banco Geral do Comércio no ano de 2005, objeto da fiscalização, e não do Banco Santander como afirmaram a Fiscalização e o voto condutor da decisão embargada. Porém, verificase que todos os extratos bancários dessas contas, acostados aos autos às fls. 71 a 205, cuja emissão ocorreu no próprio ano de 2005, mostram que se tratava de contas do Banco Santander. Assim, existe uma incoerência nas declarações prestadas posteriormente aos fatos pelo Banco Santander, ao afirmar que se tratava de contas conjuntas do Banco Geral do Comércio até 14/04/2006. Não há como admitir que as contas eram do Banco Geral do Comércio até aquela data, uma vez que os extratos foram emitidos em 2005 pelo Banco Santander e a compra daquele banco por este último somente aconteceu em 2006. Ademais, constatase que em nenhum dos extratos bancários apresentados consta a informação de que as contas são conjuntas e não existe nenhuma informação nos autos nesse sentido, salvo nas declarações do Banco Santander, as quais foram emitidas posteriormente aos fatos e não guardam coerência com os extratos bancários. Portanto, entendo que não assiste razão ao Contribuinte, devendo ser mantida a decisão anterior no sentido de que não há nenhuma ilegalidade no lançamento em relação a essas contas do Banco Santander, no que toca à falta de intimação dos cotitulares, por se tratar de contas individuais. Diante do exposto, acolho parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202003.022, de 11/03/2015, sanando a omissão existente, sem efeitos infringentes, para manter a decisão anterior no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 821.110,24. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.391 S2C2T2 Fl. 494 9 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13882.720397/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO. GLOSA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE.
Os rendimentos tributáveis recebidos pelo dependente devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para fins de tributação na Declaração de Ajuste Anual - DAA.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
O resgate de contribuição à previdência privada é rendimento tributável sujeito à incidência do imposto na fonte, sendo o valor retido considerado redução do devido na Declaração de Ajuste Anual - DAA.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA / FAPI.
São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas os valores pagos a título de Contribuição Previdenciária Privada - modalidade PGBL que restarem devidamente comprovados por documentação hábil e idônea, mantendo-se a glosa sobre a parte não comprovada nestes termos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-24T22:45:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-03-24T22:45:50Z; Last-Modified: 2016-03-24T22:45:50Z; dcterms:modified: 2016-03-24T22:45:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:6adf9b47-2a5e-4498-9dae-138db8feefef; Last-Save-Date: 2016-03-24T22:45:50Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-03-24T22:45:50Z; meta:save-date: 2016-03-24T22:45:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-03-24T22:45:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-03-24T22:45:50Z; created: 2016-03-24T22:45:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2016-03-24T22:45:50Z; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-24T22:45:50Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 126 1 125 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13882.720397/201346 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.981 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente JACOB CARVALHO REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IRPF. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO. GLOSA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis recebidos pelo dependente devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para fins de tributação na Declaração de Ajuste Anual DAA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. O resgate de contribuição à previdência privada é rendimento tributável sujeito à incidência do imposto na fonte, sendo o valor retido considerado redução do devido na Declaração de Ajuste Anual DAA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA / FAPI. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas os valores pagos a título de Contribuição Previdenciária Privada modalidade PGBL que restarem devidamente comprovados por documentação hábil e idônea, mantendose a glosa sobre a parte não comprovada nestes termos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 72 03 97 /2 01 3- 46 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13882.720397/201346 Acórdão n.º 2402004.981 S2C4T2 Fl. 127 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis recebidos pelo dependente devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para fins de tributação na Declaração de Ajuste Anual DAA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. O resgate de contribuição à previdência privada é rendimento tributável sujeito à incidência do imposto na fonte, sendo o valor retido considerado redução do devido na Declaração de Ajuste Anual DAA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA / FAPI. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas os valores pagos a título de Contribuição Previdenciária Privada modalidade PGBL que restarem devidamente comprovados por documentação hábil e idônea, mantendose a glosa sobre a parte não comprovada nestes termos. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. É dedutível na Declaração de Ajuste Anual DAA apenas a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea, mantendose a glosa sobre a parte não comprovada nestes termos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendose parcialmente o crédito tributário, com apuração de imposto suplementar de R$ 10.254,77, mais acréscimos legais cabíveis, nos termos do relatório e do voto, que passam a integrar os autos. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Segundo a fiscalização, de acordo com o Notificação de Lançamento (NL), como bem relatado na decisão a quo: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2012, anocalendário 2011, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 23.579,96. De acordo com a Descrição dos Fatos, de fls. 10/14, e os Demonstrativos às fls. 15/16, foram apuradas as seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 8.139,21, consoante Dirf informada pela fonte pagadora São Paulo Previdência – SPPREV (CNPJ 09.041.213/000136); 2. omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi, no valor de R$ 51.548,75, de acordo com Dirf informada pela fonte pagadora Zurich Vida e Previdência S/A (CNPJ 01.206.480/000104), sendo que na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF de R$ 7.732,31; 3. dedução indevida de previdência privada / Fapi, no valor de R$ 13.163,28, tendo em vista que dos documentos apresentados só restou comprovada a contribuição de previdência privada no valor de R$ 1.277,01, da Brasilprev, não tendo sido apresentados os demais comprovantes; e 4. dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 1.570,00, sendo que, relativamente à Clínica Odontológica Santiago S/C Ltda. o contribuinte só comprovou R$ 100,00, enquanto que não foram apresentados os comprovantes de despesa com o profissional Luciano Moura Vale. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos na NL e nos demais anexos que o configuram. Em 11/09/2013 foi dada ciência ao sujeito passivo do lançamento, conforme aviso de recebimento (AR). Contra o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, em 01/10/2013, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: no que tange à infração omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 8.139,21, afirma que os rendimentos são isentos por se tratar de proventos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma ou pensão de declarante ou dependente, com 65 anos ou mais; no que diz respeito à infração omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi, no valor de R$ 51.548,75, alega que não Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13882.720397/201346 Acórdão n.º 2402004.981 S2C4T2 Fl. 128 5 houve omissão, pois teria sido recebido da fonte pagadora de CNPJ 01.206.480/000104 apenas o valor declarado; na parte atinente à infração dedução indevida de previdência privada / Fapi, no valor de R$ 13.163,28, argumenta que o mesmo se refere a pagamento de contribuição à previdência privada / Fapi do contribuinte, e que o montante deduzido não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados; no que se refere à infração dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 1.570,00, o gasto se refere a despesas do próprio contribuinte e com o cônjuge, Eneida Ferrari de Oliveira Reis; por fim, solicita prioridade na análise de sua impugnação, tendo em vista o Estatuto do Idoso. Ainda, por meio da petição de fls. 06/07, protocolizada no mesmo dia 01/10/2013, alega que: em sua declaração foi incluído o nome da esposa, Eneida Ferrari de Oliveira Reis, como dependente, e os seus rendimentos como professora aposentada, com os respectivos valores; os valores de previdência privada e Fapi, já inclusas em declarações de anos anteriores, nunca foram objetos de contrariedade, sendo que na mesma declaração o PGBL da Brasilprev já consta com um valor aplicado bem superior ao descrito na Notificação impugnada; quanto às despesas médicas, informa que seguem cópias da nota fiscal da Clínica Odontológica Santiago S/C Ltda. e dos recibos fornecidos pelo médico Dr. Luciano Moura Vale; quanto ao alegado carnêleão não quitado, não tem procedência, visto que a importância inserida, de R$ 7.732,31, tratase de valor retido pela empresa Zurich Vida e Previdência S/A, do Banco Mercantil do Brasil S/A, quando houve o resgate de PGBL correspondente, que permitia a retenção de IRPF no percentual de 15%, sendo o débito, portanto, de responsabilidade da empresa em questão; por fim, conclui que o valor da Notificação de Lançamento é totalmente improcedente e indevido, esperando o deferimento da impugnação. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte a impugnação, a fim de manter no lançamento: 1. omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 8.139,21, consoante Dirf informada pela fonte pagadora São Paulo Previdência – SPPREV (CNPJ 09.041.213/000136); 2. omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi, no valor de R$ 51.548,75, de acordo com Dirf informada Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 pela fonte pagadora Zurich Vida e Previdência S/A (CNPJ 01.206.480/000104), sendo que na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF de R$ 7.732,31; 3. parcialmente, dedução indevida de previdência privada / Fapi, no valor de R$ 13.163,28, tendo em vista documentos apresentados; 4. parcialmente, dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 50,00, relativamente à Clínica Odontológica Santiago S/C Ltda, devido a documentos apresentados. Em 16/04/2014, o sujeito passivo foi cientificada do lançamento, conforme (AR). Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, em 08/05/2014, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Admite o erro de colocação indevida quanto ao resgate de PGBL, mas o fato não foi omitido na declaração sub judice; 2. Quanto aos rendimentos da esposa, o valor foi corretamente registrado em informações do cônjuge; 3. foram registradas despesas com pagamentos e doações, com direitos previstos na legislação; 4. No prazo previsto retificou sua declaração, mas o sistema não permitiu envio pela internet, inclusive efetuando pagamento; 5. Conforme decisão da DRF Taubaté, o requerente está isento do IRPF, a partir de 12/2012; e 6. Diante do exposto, o requerente solicita a compensação do débito referente ao imposto apurado, com créditos que terá, devido a solicitação de restituições, por sua isenção. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13882.720397/201346 Acórdão n.º 2402004.981 S2C4T2 Fl. 129 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o sujeito passivo não apresenta, de forma direta, qualquer divergência quanto ao que foi decidido na decisão a quo. Quanto ao resgate de PGBL, admite seu erro. Quanto aos rendimentos da esposa, informa que o valor foi corretamente registrado em informações do cônjuge, mas a decisão a quo foi precisa em demonstrar o equívoco do sujeito passivo em sua declaração: Isto porque a parte isenta, relativa aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, no valor de R$ 20.163,55, se encontra devidamente identificada no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte anexado à fl. 22, não se confundido com o valor de R$ 8.139,21, que foi informado pela fonte pagadora no quadro atinente aos rendimentos tributáveis, e devidamente confirmado por consulta à Dirf entregue pela SPPREV. Quanto à tributação dos rendimentos na Declaração de Ajuste Anual DAA/2012 apresentada pelo contribuinte, é de se destacar que, conforme já exposto, na referida DAA/2012 a sra. Eneida Ferrari Oliveira Reis foi informada como dependente (fl. 76), de forma que o interessado obrigatoriamente deveria ter oferecido à tributação os rendimentos por ela auferidos, nos termos do § 8º, do art. 38, da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. Cumpre esclarecer que essa obrigação decorre da opção da tributação conjunta dos rendimentos, realizada pelo contribuinte no momento da confecção da Declaração. Notese que a identificação dos rendimentos do cônjuge no campo destinado a “Informações do Cônjuge” na DAA/2012 (fl. 82) não socorre ao interessado, pois tal campo, em verdade, foi preenchido equivocadamente, já que se destina, na prática, apenas aos dados do cônjuge que não consta como dependente na DAA do declarante, o que não se insere no caso concreto, em que a sra. Eneida Ferrari foi informada como dependente. Assim, deve ser mantida a omissão de R$ 8.139,21. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Destacamos, no campo de rendimentos tributáveis recebidos por dependente não há informação alguma, esse foi o equívoco do sujeito passivo. Portanto, não há razão em seu argumentos. O sujeito passivo cita que há registro de despesas com pagamentos e doações, com direitos previstos na legislação, só não cita quais são essas despesas, qual seu direito e qual seu objetivo com essa alegação no litígio em questão. Portanto, não há como analisar a questão. Informamos ao sujeito passivo que somente declarações enviadas, com recibos emitidos, são válidas perante o Fisco e que pagamentos efetuados de forma equivocada, assim como supostos direitos à restituições por isenções reconhecidas, devem ser solicitados na Delegacia da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 19396.720003/2011-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 25/02/2009, 03/06/2009
REPETRO. MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRODUTO USADO. OBRIGATORIEDADE.
O dano ao erário não se restringe somente a falta de pagamento dos tributos devidos, mas também a falta da prestação das informações necessárias ao perfeito controle aduaneiro.
RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO.
Numero da decisão: 9303-003.871
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 25/02/2009, 03/06/2009 REPETRO. MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRODUTO USADO. OBRIGATORIEDADE. O dano ao erário não se restringe somente a falta de pagamento dos tributos devidos, mas também a falta da prestação das informações necessárias ao perfeito controle aduaneiro. RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Vanessa Marini Cecconello - Relatora Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRODUTO USADO. OBRIGATORIEDADE. O dano ao erário não se restringe somente a falta de pagamento dos tributos devidos, mas também a falta da prestação das informações necessárias ao perfeito controle aduaneiro. RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 03 /2 01 1- 56 Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3403002.436 (fls. 1.053 a 1.064) proferido pela 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de julgamento, em 24/09/2013, provendo o recurso voluntário da Contribuinte e negando o recurso de ofício, com a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 25/02/2009, 03/06/2009 REPETRO. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE TIPICIDADE DA CONDUTA EM RELAÇÃO AO ART. 633, II, “A”, DO RA/2002. IMPRECISÃO DA LEGISLAÇÃO QUANTO AO TRATAMENTO DA ADMISSÃO TEMPORÁRIA DE BEM USADO. ART. 8º, II, DA PORTARIA SECEX 25/2008. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ART. 112 DO CTN. A legislação também não deixa claro se diante do art. 8º, II, da Portaria SECEX 25/2008, que dispensa de licenciamento especificamente os bens importados sob regime de admissão temporária, inclusive os amparados pelo Repetro, deveria prevalecer ou não a exigência da informação de que se trataria de bem usado, da qual dependeria o licenciamento. MULTA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PARTICIPAÇÃO NA CONDUTA. MOTIVAÇÃO. A atribuição de responsabilidade solidária em relação à penalidade aduaneira depende de lei e da comprovação da participação do responsável na conduta tipificada, que deu causa à aplicação da multa. MULTA POR FALTA DE INFORMAÇÃO. NATUREZA FINALÍSTICA. A multa do art. 69 da Lei 10.833/2003 apenas pode ser aplicada se constatada a ausência, inexatidão ou incompletude de uma informação que seja capaz de alterar o procedimento de controle aduaneiro no caso concreto. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19396.720003/201156 Acórdão n.º 9303003.871 CSRFT3 Fl. 714 3 O processo teve origem em Auto de Infração (fls. 02 a 10), lavrado em face da Contribuinte para exigência de (a) multa de 30% (trinta por cento) sobre o valor aduaneiro, por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, com fundamento no art. 633, II, “a” do Regulamento Aduaneiro, e (b) de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, por não ter sido prestada informação necessária ao controle aduaneiro, com fundamento no art. 69, §1º da Lei 10.833/03 c/c art. 84, caput, da MP 2.15835 de 24/08/2001. A Contribuinte solicitou e obteve a concessão do regime especial de admissão temporária (REPETRO) para: a) a mercadoria descrita na Declaração de Importação (DI) n° 09/02321069 como embarcação de apoio marítimo “HEBERT TIDE”, ano de construção 2006 (fl. 317), PAF n° 16707.000625/200909 (fls. 132 a 227); b) a mercadoria descrita na DI n° 09/06991263 como embarcação “HEBERT TIDE”, ano de construção 2006, PAF nº 10730.005033/200900 (fls. 250 a 286). No Relatório de Fiscalização, (fls. 12 a 50) consta não ter a Contribuinte informado, nas Declarações de Importação, trataremse de mercadorias usadas, exigência prevista no art. 4º, §2º combinado com o Anexo II, item 17.01, ambos da Portaria MF/MICT nº 291/1996 e reiterada no item 40.01 da IN SRF nº 680, de 02/10/2006. Consignou, ainda, a Autoridade Fiscal ser obrigatória a obtenção do licenciamento para a importação em análise, embasandose nos artigos 8º e 10, inciso II, alínea "e" da Portaria SECEX nº 25/2008 e no art. 490 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26/12/2002. Além disso, com base no art. 124 do Código Tributário Nacional CTN, foi responsabilizada solidariamente pela obrigação tributária a empresa Devon Energy do Brasil Ltda, sob o fundamento de ter sido esta a providenciar efetivamente a vinda da embarcação do exterior. A autuação foi concluída nos seguintes termos: [...] 51. Não obstante as disposições contidas na Portaria MF/MICT nº 291/1996, o contribuinte decidiu "silenciar" sobre a condição da embarcação "HEBERT TIDE", não informando a condição dos bens nas DI(s) nº(s) 09/02321069 e 09/06991263, haja vista a sigla NI (NãoInformado) existente no campo "CONDIÇÃO" da ficha "MERCADORIA", conforme tela do SISCOMEX. 52. O DecretoLei nº 37/66, em seu art. 169, I, alínea "b", e parágrafo 6º, qualifica a importação de mercadorias sem licença de importação, quando esta for exigível, como infração administrativa ao controle das importações, estabelecendo a aplicação de multa igual a 30% (trinta por cento) sobre o valor aduaneiro. [...] 54. No tocante à exigência da multa de 1% (um por cento), penalidade decorrente do fato de o contribuinte ter omitido a condição dos bens importados, descumprindo assim obrigação acessória prevista no art. 69, §1º, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 84, caput, da MP nº 2.158 35, de 2001, transcrevese a seguir a respectiva base legal: [...]. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 133. Admitindose como premissa que a realização em conjunto por duas ou mais pessoas de atividade tipificada pela norma tributária denota a existência de interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, é deveras razoável afirmar que a realidade fática exposta em detalhes no presente Relatório se presta a configurar a comunhão de interesses entre a afretadora, a Devon, e o contribuinte, a Maré Alta, na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal: importação da embarcação "HEBERT TIDE". Considerando a exposição anterior, toda a documentação anexa ao Relatório, bem assim que restou evidente a matéria de fato no que tange à realização de despachos aduaneiros de bens usados sem licença de importação e à nãoprestação de informação necessária a controle aduaneiro, procedeuse à lavratura de auto de infração com o propósito de constituir o crédito tributário respectivo, o qual encontra esteio nas infrações cometidas e na legislação aplicável. [...] Cientificadas da autuação, a Contribuinte Mare Alta e a responsável solidária Devon Energy apresentaram suas impugnações (fls. 632 a 673 e 709 a 740, respectivamente), cujos argumentos foram assim sintetizados no relatório da decisão ora recorrida, in verbis: [...] A contribuinte apresentou impugnação (fls. 632/673), na qual discorre sobre o sentido jurídico do termo importação alegando que, segundo a doutrina, a importação é fato gerador que apenas se aperfeiçoa com a incorporação do bem importado à economia interna. Alega não ter promovido a importação, mas sim a admissão temporária de embarcações, sob a égide do REPETRO para atender a contratos de prestação de serviços celebrados com empresa concessionária da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), nos termos da Lei nº 9.478/94, o que não caracteriza conduta tipificada na norma relacionada à licença de importação. Além disso, afirma que as Portarias SECEX vigentes à época dispensavam o licenciamento, e que somente com o advento da Portaria SECEX nº 10 de 24/05/2010 passou a se prever de modo claro a necessidade de obtenção de LI para os bens usados, mesmo quando admitidos temporariamente sob a égide do REPETRO. Alega a inaplicabilidade da multa por omissão de informação, pois mesmo que tivesse ocorrido a infração, afirma que não há uma perfeita subsunção do fato à norma que prescreve a conduta infracional, bem como não houve dolo e nem dano ao erário. Esclarece que no campo “Descrição Detalhada da Mercadoria” de cada uma das DIs foi consignado o ano de fabricação da respectiva embarcação, deixando clara a condição de que se tratava de bem usado. Ressalta que foi um equívoco a atribuição de responsabilidade solidária a terceiro, quando esse agente não praticou a infração. O dispositivo legal Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19396.720003/201156 Acórdão n.º 9303003.871 CSRFT3 Fl. 715 5 invocado pela fiscalização diz respeito à solidariedade em relação ao fato gerador da obrigação principal e não obrigação acessória. Destaca que a autuação, da forma como foi feita, fere o princípio da segurança jurídica, visto que o processo de admissão temporária evidentemente passa pelo crivo dos Auditores Fiscais responsáveis pela concessão do regime especial, e neste momento é que seria de se esperar que fosse detectada qualquer irregularidade, o que não aconteceu. Não por negligência, mas porque não havia necessidade de apresentar tal documento. A empresa Devon Energy do Brasil Ltda. também apresentou impugnação (fls. 709/740) alegando, em síntese, que o Decreto nº 4.543/02 e a Portaria SECEX n° 35/06, citados na autuação, já se encontravam revogados (Decreto n° 6.759/09 e Portaria SECEX n° 36/07) quando do registro das declarações de importação. Também sustentou que o disposto no art. 124. inciso I do CTN não é aplicável ao caso, pois a autuação não versa sobre obrigação principal, além do que, a multa por falta de licença de importação tem natureza administrativa e não tributária. Além disso, no campo “Descrição Detalhada da Mercadoria” de cada uma das DI’s foi consignado o ano de fabricação da respectiva embarcação, deixando clara a condição de que o bem era usado. [...] Como resultado do julgamento das impugnações, a DRJ de Florianópolis/SC, por meio do Acórdão nº 0726.748, de 21/11/2011 (fls. 885 a 903), manteve parcialmente o auto de infração, afastando a incidência da multa decorrente da ausência de Licença de Importação prévia, e excluiu do pólo passivo a empresa Devon Energy do Brasil Ltda, restando assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 25/02/2009, 03/06/2009 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. A multa aplicase também ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 relacionadas à “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/02/2009, 03/06/2009 INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. Impugnação Procedente em Parte Em face da decisão, foi interposto recurso de ofício nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72 combinado com o art. 1º da Portaria MF nº 3/2008. A Contribuinte, por sua vez, apresentou recurso voluntário (fls. 984 a 1.011), reprisando os argumentos expendidos na impugnação na parte em que restou vencida. Na apreciação dos recursos de ofício e voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403002.436, de 24/09/2013, pela 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário e negou o recurso de ofício. Entendeu o Colegiado caber a aplicação da multa do art. 69, §1º da Lei nº 10.833/03 apenas quando a ausência, inexatidão ou incompletude de uma informação seja capaz de alterar o procedimento de controle aduaneiro, situação não caracterizada com a omissão da informação acerca da condição da mercadoria importada, por se tratar de "material usado". Nesta oportunidade, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial de divergência (fls. 1.066 a 1.076) sustentando ser o acórdão recorrido contrário a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF no que toca à improcedência da multa por ausência de informação, requerendo a reforma neste ponto. Aponta como paradigma o acórdão nº 3401002.059, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Em seu apelo especial, sustenta o ente fazendário ser inequívoca a necessidade de prestação da informação de se tratar de material usado nas operações de importação praticadas pelo Sujeito Passivo, pois se trata de um dever objetivo do administrado previsto na legislação (art. 69, §2º, inciso III da Lei nº 10.833/03 c/c art. 4º da IN SRF 680/06). Refere que não se pode deduzir a condição de "material usado" a partir do ano de fabricação da embarcação. Afirma, ainda, ser aplicável a multa em razão de prejuízo ao controle das importações, não estando vinculada à subtração de tributos. Aduz que a informação era relevante para a parametrização das importações, com influência nas decisões sobre a extensão das atividades de fiscalização sobre os bens na ocasião de seu ingresso em território nacional. Ao final, roga pelo provimento do recurso especial com o restabelecimento da exigência da multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho nº 3400000.384 (fls. 1.124 a 1.125), de 05/12/2014, pois preenchidos os requisitos de admissibilidade, em especial, a demonstração da divergência jurisprudencial. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19396.720003/201156 Acórdão n.º 9303003.871 CSRFT3 Fl. 716 7 Não foram apresentada contrarrazões pela Contribuinte (fls. 1.145). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009. No mérito, a matéria em discussão restringese à análise da aplicação da multa prevista no art. 69 da Lei nº 10.833/2003 em razão da ausência de informação de se tratar o bem importado de "material usado", conforme obrigação imposta por ato normativo da Secretaria da Receita Federal. Restou assentado nos presentes autos que as importações, efetuadas pela Contribuinte estavam no regime aduaneiro especial de admissão temporária instituído pela, então vigente, Instrução Normativa nº 285/2003, da Secretaria da Receita Federal (revogada pela IN RFB nº 1.361, de 21 de maio de 2013), o qual permite a importação de bens que devam permanecer no País durante prazo fixado, com suspensão total do pagamento de tributos, ou com suspensão parcial, no caso de utilização econômica. Tratase, portanto, de regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens, destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), estando no campo de incidência dos tributos sobre o comércio exterior, embora a exigibilidade de seu pagamento permaneça suspensa, em razão dos tratamentos aduaneiros, dispensados aos bens admitidos no Repetro, conforme art. 459, caput e §3º do Regulamento Aduaneiro. Nessa esteira, a DRJ excluiu a multa do art. 633, II, “a”, do Regulamento Aduaneiro, decisão confirmada no julgamento do recurso voluntário, com fundamento na interpretação dos artigos 8º, II, e 10, II, alínea "e", ambos da Portaria SECEX nº 25/2008 em conjunto com o art. 112 do CTN, entendendo pela dispensa da licença de importação no caso dos autos. Em relação à multa por omissão de informações, segundo o acórdão recorrido, a legislação da época levou o contribuinte a acreditar que o fato de se tratar de bem usado não Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 alteraria o procedimento de controle aduaneiro, em razão de se tratar de importação em admissão temporária, submetida ao Regime Especial Repetro. De fato, em razão de não ter sido informada a condição de "usado" das mercadorias importadas, não houve alteração de tratamento tributário, administrativo ou aduaneiro. Portanto, frente à inexistência de alteração de procedimento do controle aduaneiro, no caso dos autos, não há de se falar na aplicação da multa do art. 69, §1º da Lei nº 10.833/2003. Para elucidar a legislação vigente à época, fazse breve retrospectiva da legislação. A Secretaria de Comércio Exterior SECEX, no âmbito da competência outorgada pelo art. 15, do Anexo I do então vigente Decreto nº 4.632/2003, editou a Portaria nº 17, de 01/12/2003, para consolidar os procedimentos relativos às operações de importação. No art. 6º da referida Portaria, restaram definidas as modalidades de importação do sistema administrativo: I importações dispensadas de Licenciamento; II importações sujeitas a Licenciamento Automático. e III importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. O dispositivo legal tem sido reproduzido nas Portarias subsequentes editadas pela SECEX: Portaria nº 14/2004; Portaria nº 35/2006; Portaria nº 36/2007; Portaria nº 25/2008; Portaria nº 10/2010 e Portaria nº 23/2011, que consolidou as normas e procedimentos aplicáveis às operações de comércio exterior, e está em vigor. Em razão da data dos fatos geradores do processo, farseá remissão aos artigos da Portaria SECEX nº 25/2008. O art. 8º, §único da Portaria Secex nº 25/2008, traz as hipóteses de dispensa de licenciamento de importação, abrangendo as importações de bens usados e não usados, com exceção daquelas decorrentes de doações, para as quais só é admitida a licença no caso de bens novos. No inciso II, § único do art. 8º da Portaria Secex nº 25/2008, está prevista como dispensada da licença a admissão dos bens provenientes do exterior sob o regime aduaneiro especial do Repetro, in verbis: Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. Parágrafo único. São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural REPETRO; III – sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito franco e depósito especial; Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19396.720003/201156 Acórdão n.º 9303003.871 CSRFT3 Fl. 717 9 IV – com redução da alíquota de imposto de importação decorrente da aplicação de “extarifário”; V – mercadorias industrializadas, destinadas a consumo no recinto de congressos, feiras e exposições internacionais e eventos assemelhados, observado o contido no art. 70 da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991; VI – peças e acessórios, abrangidas por contrato de garantia; VII – doações, exceto de bens usados; VIII – filmes cinematográficos; IX – retorno de material remetido ao exterior para fins de testes, exames e/ou pesquisas, com finalidade industrial ou científica; X – amostras; XI – arrendamento mercantil leasing, arrendamento simples, aluguel ou afretamento; XII – investimento de capital estrangeiro; XIII – produtos e situações que não estejam sujeitos a licenciamento automático e não automático; e XIV – sob o regime de admissão temporária ou reimportação, quando usados, reutilizáveis e não destinados à comercialização, de recipientes, embalagens, envoltórios, carretéis, separadores, racks, clip locks, termógrafos e outros bens retornáveis com finalidade semelhante destes, destinados ao transporte, acondicionamento, preservação, manuseio ou registro de variações de temperatura de mercadoria importada, exportada, a importar ou a exportar. (grifouse) O dispositivo reproduzido acima tratase de norma especial, tendo em vista ser admitida a dispensa de licenciamento somente nas hipóteses ali enumeradas, com uma única exceção com relação aos bens usados que ingressam no território nacional por doação, os quais sujeitamse ao licenciamento não automático do art. 10, inciso II, alínea "e" da Portaria nº 25/2008. Prevalecia, portanto, quando realizadas as importações, a Portaria SECEX nº 25/2008, segundo a qual nas admissões temporárias de bens vinculados ao Repetro, independente da condição de novos ou usados, estavam dispensadas as licenças de importação. De fato, a partir da Portaria SECEX nº 10, de 24/05/2010, sobreveio situação de prevalência da necessidade de licença sobre a dispensa, conforme disposto no art. 8º, §2º. No entanto, tal exigência não pode ser imposta sobre as importações em regime temporário de embarcações para pesquisas efetuadas sob a égide de regulamentação anterior, sob pena de violação ao art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez sendo admissível a retroação tão somente da legislação mais benigna ao contribuinte. Assim, incabível a exigência de licença de importação no Repetro nos termos do art. 8º, §único da Portaria SECEX nº 25/2008, inexistente também a obrigatoriedade de que Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 conste no documento a informação de se tratar de material usado, ainda mais quando para se prestar referida informação seja necessária a correlação com um número de licença de importação, providência impossível de ser realizada no caso. Além disso, foram consignadas pela contribuinte, nas declarações de importação, as datas de fabricação das embarcações, a partir das quais é possível depreenderse terem sido utilizadas anteriormente à entrada no território nacional, interpretação dada pela Autoridade Fiscal no momento da autorização da entrada das embarcações no País, cuja alteração implica em violação ao art. 146 do CTN. Tendo sido prestadas pela contribuinte todas as informações exigíveis pela legislação vigente à época dos fatos geradores, inclusive com a indicação das datas de fabricação das embarcações, evidenciando trataremse de bens usados, não há de se falar na aplicação da multa do art. 69, §1º da Lei nº 10.833/2003. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19396.720003/201156 Acórdão n.º 9303003.871 CSRFT3 Fl. 718 11 Voto Vencedor Ouso discordar da nobre relatora e, assim, apresento o presente voto vencedor, nos mesmos termos de outro julgado idêntico, nessa mesma sessão. Em primeiro plano, cumpre registrar que a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma apontado está cabalmente evidenciada, na medida em que a mesma matéria multa por falta ou omissão de informação no âmbito do Repetro1 foi discutida em ambos os contenciosos administrativos e as soluções dadas pelos colegiados deste segundo grau são totalmente opostas. Como a matéria é bastante específica e não tive oportunidade de encontrar precedentes nesta esfera (Câmara Superior de Recursos Fiscais) ou no campo do Judiciário, impõese mostrar ao máximo as duas teses em confronto. A decisão recorrida assim embasa a exoneração da multa: No que se refere ao Recurso Voluntário discutese acerca da aplicação da “multa de não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro”, lastreada no § 1°, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03. Assim como relatado, neste ponto a discussão alcança o fato de o importador (contribuinte Maré Alta) ter deixado de informar, na Declaração de Importação, que o bem importado era usado. A contribuinte alega em seu favor que não houve prejuízo ao Fisco e que na DI indicou a data da fabricação da mercadoria, o que supriria a mencionada deficiência. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte ainda alegou pela impossibilidade de manutenção da infração em vista da conexão lógica com a obrigação principal – apresentação de LI – que foi cancelada. Ao analisar esta questão, a decisão recorrida entendeu que a indicação da característica de “usada” do bem é de responsabilidade objetiva, e que o dado omitido pretende informar a fiscalização para que seja possível submeter as mercadorias ao procedimento adequado de desembaraço. Ainda, registra a decisão que havia um campo específico na DI para esta informação. A multa lançada encontra supedâneo no inciso III do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro RA, o qual da seguinte forma determina: “Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1º): 1 regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1º As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §2º): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. (...)” Pareceme estar com razão a Recorrente. É que o inciso III acima citado trata das informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é realmente a emissão prévia de LI, assim, em princípio, poderseia imaginar que a informação do bem usado era necessária. Todavia, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI (conforme voto da DRJ, que mantive). Desta forma, no meu entender, se não é hipótese de sujeição prévia à LI, esta informação deixou de ser necessária para o procedimento aduaneiro. Por coerência de raciocínio, se a ausência desta informação não se coaduna com a exigência pautada no inciso III, do artigo 711, do RA, não é possível manter a multa da forma como lançada. De outra banda, o acórdão paradigma, apontado pela PGFN, mantém a multa: Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19396.720003/201156 Acórdão n.º 9303003.871 CSRFT3 Fl. 719 13 MULTA POR NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS AO CONTROLE ADUANEIRO Em segundo lugar abordo a multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro, abordada no Recurso Voluntário, lastreada no § 1°, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A leitura do § 1° indica que a multa deve ser aplicada ao importador que prestar de forma inexata informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Não obstante as mercadorias terem sido submetidas a regime aduaneiro de Repetro, a multa em trato também é aplicada ao beneficiário de regime aduaneiro, conforme expressamente consignado no §1º acima transcrito. O próprio § 2º do artigo 69, da Lei n° 10.833/03 traz a possibilidade de que, em ato normativo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil estabeleça outras informações que estejam fora do conceito de “descrição detalhada da operação”. Neste sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa (IN) SRF n° 680/06, determinou as informações constantes do Anexo Único que serão prestadas pelo importador: Art. 4º A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. ... (Grifos acrescidos) O Anexo Único da citada IN SRF assim dispõe: ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR ... 40 Indicativos da Condição da Mercadoria Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 Assinalar o(s) indicativo(s) abaixo, se adequado(s) à condição da mercadoria objeto da adição: 1 Material usado 2 Bem sob encomenda.... (Grifos acrescidos) Quanto à condição de “material usado”, não obstante o próprio ano de construção da mesma indicou tal situação, é condição necessária o preenchimento do campo indicativo desta condição nos termos da IN acima transcrita. Considerando que não foi assinalada a condição de que a mercadoria se tratava de “material usado” na DI e que tal informação é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, não se vislumbra qualquer mácula em referência à autuação para esta mercadoria. Como se percebe, era obrigação da interessada assinalar o indicativo relacionado à condição da mercadoria, dado que efetivamente se tratava de material usado. Tal informação, não era irrelevante ou prescindível, tratavase de obrigação devidamente estabelecida e, necessária ao controle aduaneiro, controle este exercido pela administração que por ato específico determinou que tal informação deveria ser prestada pelo importador quando esta condição (material usado) se fizer presente. Neste sentido, o juízo de valor relacionado à necessidade de aposição desta informação é prescindível, posto que determinado em ato normativo. O fato de a interessada ter informado o ano de construção das mercadorias em outro campo (descrição da mercadoria), não afasta a obrigação acessória a que a interessada estava submetida. Era sua obrigação informar no campo próprio das declarações de importação a condição das mercadorias, que efetivamente se enquadravam na condição de “material usado”. No presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN). Em primeiro plano, cumpre dizer que a natureza jurídica da admissão temporária em Repetro é a de um regime de admissão temporária para utilização econômica com suspensão total do pagamento de tributos incidentes na importação. No acórdão paradigma, que de fato é exceção aos casos que tais, foi dada razão à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e mantido o lançamento da multa basicamente pelas razões do acórdão de piso, declinadas supra: art. 4º da IN e item 40 do respectivo Anexo Único Indicativos da Condição da Mercadoria. Além de adicionar as razões mencionadas acima, o acórdão do órgão judicante de primeira instância entendeu que a indicação da característica de “usada” do bem é de responsabilidade objetiva, e que o dado omitido pretende informar a fiscalização para que seja possível submeter as mercadorias ao procedimento adequado de desembaraço. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19396.720003/201156 Acórdão n.º 9303003.871 CSRFT3 Fl. 720 15 A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, mas sim pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributos ou de parte dele não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade o descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano punível e essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — falta de pagamento de impostos mesmo. Mas é basilar que as normas não são feitas por acaso, ao alvitre do legislador, para seu belprazer. O julgador deve cumprilas e pode decorrer que de uma convicção muito sólida de que estejam na contramão dos interesses sociais, resolva denunciálas imediatamente ao poder público para que as julgue e as corrija. Voltando para o caso em julgamento, os controles exigidos pela legislação foram descumpridos pelo sujeito passivo. A multa lançada, objeto da lide, está prevista no art. 711, inciso III, do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), abaixo reproduzido. Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o): [...] III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. §1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69,§2o): Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 16 I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. A autuada alega de que não houve omissão da informação de que se tratava de um bem (embarcação) usado porque no campo das DI destinado à “Descrição Detalhada da Mercadoria” consta a descrição detalhada e suficiente da embarcação e também argumenta que o erro cometido não acarretou dano ao Erário e que não houve dolo, sendo injustificável a imposição da penalidade. Como já explicitado acima o dano ao erário não significa somente a falta de pagamento dos tributos devidos, mas também a falta da prestação das informações necessárias ao perfeito controle aduaneiro As razões pelo relator da DRJ sintetizam bem as razões pela qual o presente recurso da PGFN deve ser provido. Como se percebe, era obrigação da interessada assinalar o indicativo relacionado à condição da mercadoria, dado que efetivamente se tratava de material usado. Tal informação, não era irrelevante ou prescindível, tratavase de obrigação devidamente estabelecida e, necessária ao controle aduaneiro, controle este exercido pela administração fazendária,que por ato específico determinou que tal informação deveria ser prestada pelo importador quando esta condição (material usado) se fizer presente. Neste sentido, o juízo de valor relacionado à necessidade de aposição desta informação é prescindível, posto que determinado em ato normativo. [...] Ocorre que no presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ouresponsável e da efetividade,natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19396.720003/201156 Acórdão n.º 9303003.871 CSRFT3 Fl. 721 17 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributáriaindepende da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Grifos do original). Como se sabe, a administração pública regese pelo princípio da estrita legalidade (CF, art. 37, caput), especialmente em matéria de administração tributária, que é uma atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, arts. 3º e 142, parágrafo único). Pelo exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11050.000314/2009-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 157 1 156 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11050.000314/200980 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.804 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OCEANUS AGENCIA MARITIMA SA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração:11/03/2004 a 27/03/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 03 14 /2 00 9- 80 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 9303003.804 CSRFT3 Fl. 158 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.534, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 9303003.804 CSRFT3 Fl. 159 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 9303003.804 CSRFT3 Fl. 160 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 9303003.804 CSRFT3 Fl. 161 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 9303003.804 CSRFT3 Fl. 162 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 9303003.804 CSRFT3 Fl. 163 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 9303003.804 CSRFT3 Fl. 164 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000314/200980 Acórdão n.º 9303003.804 CSRFT3 Fl. 165 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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