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Numero do processo: 11829.720003/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. INCLUSÃO INDEVIDA DE ITENS AUTUADOS. IMPROCEDÊNCIA.
Devem ser excluídos da autuação os valores, comprovados em diligência, que correspondem a itens diferentes aos produtos objetos da autuação.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. INCLUSÃO INDEVIDA DE ITENS AUTUADOS. IMPROCEDÊNCIA. Devem ser excluídos da autuação os valores, comprovados em diligência, que correspondem a itens diferentes aos produtos objetos da autuação. Recurso de Ofício Negado.
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INCLUSÃO INDEVIDA DE ITENS AUTUADOS. IMPROCEDÊNCIA. Devem ser excluídos da autuação os valores, comprovados em diligência, que correspondem a itens diferentes aos produtos objetos da autuação. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 03 /2 01 1- 15 Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11829.720003/201115 Acórdão n.º 3301002.772 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: A impugnante promoveu o registro das declarações de importação relacionadas nas fls. 06 a 17 do auto de infração submetendo a despacho mercadorias descritas como: “transponder óptico para sistema dwdm 10 GBPS para telecomunicação”, doravante “módulo 10G”, classificando na NCM 8541.50.20. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta é a NCM 8517.90.99 até 31/12/06 e a NCM 8517.70.99 a partir de 01/01/07. Baseouse a fiscalização nos Laudos de Assistência Técnica nº 19814/018/2009 de Julho de 2009, fl. 584 e sua Adição de Outubro de 2009, fl. 617 e no Laudo nº 10831/03/2010, fl. 674 e em seu Aditamento, fl. 820, ambos realizados por peritos credenciados pela Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos. Foram lançados pelo presente auto de infração as diferenças de II, IPI, PIS Importação e CofinsImportação, multas por classificação fiscal incorreta além de juros de mora e multas de ofício. A autuação totalizou o valor de R$ 12.845.765,67. Intimada do Auto de Infração em 29/06/2011 (fl. 1202), a interessada apresentou impugnação e documentos em 29/07/2011, juntados às fls. 1229 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que o auto de infração é “obscuro”, não possui “coerência interna” e se caracteriza como uma “colcha de retalhos”. 2. Alega que o produto importado , apesar de ser tecnicamente chamado de transponder é de fato um transceiver. Alega que esse transceiver é um dos componentes do transponder comercializado pela impugnante. Alega que o transceiver tem como função converter o sinal elétrico em luz coerente em comprimento de onda definido e vice versa. 3. Alega preliminarmente que ocorreram erros por parte da fiscalização na autuação com a inclusão de produtos diferentes do objeto de reclassificação “transponder”. Alega que mais de 20% dos produtos importados não são “Módulo 10G”, o que significaria mais de 3000 itens. Alega que ocorreu erro de direito. Cita doutrina sobre o tema. Cita doutrina sobre a motivação do ato administrativo. Cita jurisprudência administrativa sobre reclassificação fiscal. 4. Alega que, em decorrência da inclusão de produtos na autuação distintos do Módulo 10G, ocorreu erro na determinação da base de cálculo. 5. Questiona a validade do laudo de assistência técnica pois não foi emitida a ART conforme Resolução CONFEA nº 1025/09. Alega que foram utilizadas conclusões de outros dois laudos emitidos anteriormente à esta fiscalização e com objetivos diferentes, configurando prova emprestada. Alega que o lançamento não pode basearse exclusivamente em prova emprestada. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Reafirma que a autuação não possui coerência interna e que é confusa, sendo portanto nula. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11829.720003/201115 Acórdão n.º 3301002.772 S3C3T1 Fl. 12 3 6. Alega que o produto importado, Módulo 10G, tem uma parte (função essencial) que converte sinais elétricos em sinais ópticos (luz coerente) e outra parte (função acessória) que converte sinais ópticos em elétricos. Alega que o Módulo 10G é utilizado para compor os produtos Transponder, Muxponders e Combiners, na forma de placas de circuito impresso montadas. Alega que a citada função principal é realizada pelo “módulo Laser”. Faz citações dos laudos indicando que o módulo 10G possui função própria independente do produto ao qual é acoplado. Cita que o equipamento é utilizado por diversas empresas em aplicações distintas, como em “analisadores digitais de transmissão”. Alega que essa aplicação não se caracteriza como processo de comunicação, afastando a premissa da fiscalização. Alega que a fiscalização interpretou incorretamente a nota 2 a) do Capítulo 90. Alega que a fiscalização considerou que as partes de aparelhos dos capítulos 84, 85, 90 ou 91 devem seguir a classificação dos aparelhos. Cita as NESH alegando que o módulo 10G seria classificado em outra posição do Capítulo 85 que não a indicada pela fiscalização. Cita as Notas da Seção XVI, notadamente a nota 2 a). Alega violação à Regra de Classificação 3 a). 7. Reforça a afirmação de que outros produtos que não o módulo 10G foram erroneamente incluídos na autuação. 8. Alega ser incabível a multa por erro na classificação fiscal. Afirma que a fiscalização não indicou especificamente qual a conduta praticada que gerou a tipificação. Afirma que os bens estavam descritos com elementos suficientes para a correta classificação fiscal. 9. Peticiona pela realização de perícia complementar indicando assistente pericial e quesitos. 10. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares alegadas e/ou no mérito seja julgada improcedente a autuação fiscal. Tendo em vista as manifestações dos itens 3 e 7, foi realizada a diligência de fls. 1781 a 1783 para apuração da eventual inclusão na autuação de itens diferentes do transceiver – módulo 10G. Intimada a apresentar uma relação dos itens que estariam erroneamente incluídos na autuação, a impugnante limitouse a apresentar uma lista amostral, não se manifestando sobre todos os itens lançados. A fiscalização elaborou então uma planilha com todos os itens autuados e seu parecer sobre a inclusão ou não na autuação e encaminhou à impugnante para manifestação. Não houve resposta da impugnante. Novamente intimada a impugnante alegou a nulidade do auto de infração e indicou divergências de valores de alguns itens. A fiscalização novamente intimou a impugnante para confirmar se haveriam outras indicações errôneas de valores. A impugnante afirmou que poderiam haver outros erros, mas não indicou quais. A fiscalização reexaminou a planilha de valores e afirmou que não foram encontradas novas divergências. Finalmente a fiscalização intimou a impugnante da planilha definitiva para que esta se manifestasse antes do retorno do processo a esta DRJ. A impugnante apenas sustentou que a autuação seria nula. O processo retornou então para julgamento. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11829.720003/201115 Acórdão n.º 3301002.772 S3C3T1 Fl. 13 4 Ao analisar referida impugnação, a 24ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1661.519, de 17/09/2014, acatando parcialmente a impugnação, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto importado caracterizado como um transceiver e descrito como módulo 10G, utilizado na produção do produto final transponder, com as características técnicas deste processo, encontra correta classificação fiscal na NCM 8517.90.99 até 31/12/2006 e na NCM 8517.70.99 a partir de 01/01/2007. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão do limite de alçada imposto pela Portaria MF nº 03/2008, foi apresentado recurso de ofício ao CARF. O contribuinte apresentou contrarazões ao recurso de ofício, fls. 2202/2268. É o relatório. Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11829.720003/201115 Acórdão n.º 3301002.772 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso de ofício atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Em síntese, o acórdão recorrido manteve o mérito do lançamento em relação à classificação fiscal adotada no lançamento. Porém, previamente ao julgamento, solicitou a realização de diligência a cargo da autoridade autuante, para que confirmasse eventual inclusão na autuação de itens diferentes do transceiver módulo 10G. De fato, a diligência confirmou a existência de itens na autuação que não correspondiam ao transceiver módulo 10G. Neste sentido elaborou duas planilhas, uma denominada modelo 1, (arquivo não paginável fl. 1982) a qual contém a relação de todas as DI com todos os itens correspondentes. Nela identificase os itens em que a cobrança seria indevida. A outra planilha, denominada de modelo 2, (arquivo não paginável fl. 2010) constam os valores a serem mantidos na tributação e os valores a serem excluídos de tributação que estão refletidos e totalizados no final do acórdão recorrido. Então, considerando que os valores a serem excluídos foram confirmados em diligência pela própria autoridade fiscalizadora, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004522/2005-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
IRPJ. ESTIMATIVAS MENSAIS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1103-000.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos às DRF de origem para verificação do valor e disponibilidade do crédito pleiteado, retomando-se, do início, o rito processual do Decreto nº 70.235/72.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Hugo Correia Sotero - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Marcos Shigueo Takata, Mario Sergio Fernandes Barroso, Hugo Correa Sotero, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Cristiane Silva Costa.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 28/08/2015.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 IRPJ. ESTIMATIVAS MENSAIS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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ESTIMATIVAS MENSAIS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos às DRF de origem para verificação do valor e disponibilidade do crédito pleiteado, retomandose, do início, o rito processual do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Hugo Correia Sotero Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Marcos Shigueo Takata, Mario Sergio Fernandes Barroso, Hugo Correa Sotero, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Cristiane Silva Costa. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 28/08/2015. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 45 22 /2 00 5- 26 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19647.004522/200526 Acórdão n.º 1103000.739 S1C1T3 Fl. 173 2 Relatório TIM NORDESTE S/A (SUCESSORA DE TELPA CELULAR SA), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Recife/PE, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal Recife/PE. Trata a lide de pedido de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ do mês de novembro de 1999, com débitos de Pis e Cofins, pleiteados por meio de diversas PER/Dcomp's. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal Recife/PE) os indeferiu, após concluir que o crédito alegado não poderia ser compensado, conforme relatado no acórdão recorrido, verbis: Por meio do Despacho Decisório A fl. 43, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife, aprovando proposta contida no Relatório de Informação Fiscal As fls. 38 a 39, NÃO HOMOLOGOU as compensações declaradas mediante PER/DCOMP acima mencionados, DETERMINANDO, ainda, a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Consta do citado Relatório (fls. 38/39) que, de acordo com o que preceitua o artigo 10 da IN/SRF/n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a titulo de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRRI devido ou para compor o saldo negativo do IRPJ. Sendo assim, concluiu a autoridade fiscal que o valor alegado como sendo de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação — DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR", para compensação de débitos. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento Recife/PE , trazendo os seguintes argumentos, sintetizados no acórdão de primeiro grau, verbis: Tempestivamente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 48 a 60 (juntamente com documentação de fls. 61 a 89), onde, inicialmente, afirma que, em outubro de 2006, recebeu autos de infração de IRPJ e CSLL, envolvendo diversas supostas infrações (sic), que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699 e que, entre tais infrações, constavam dos itens 6 e 7, respectivamente, "deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de 1RPJ e de CSLL não comprovadas" e "imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e CSLL por estimativa mensal". Adita que as mencionadas exigências não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa da empresa autuada. Em seguida, a contribuinte alega que, em março de 2007, foi intimada pela DRF/Recife, mediante Relatório de Informação Fiscal, onde os auditores responsáveis informam que tomaram conhecimento da Solução de Consulta Interna n° 18, de 2006, que prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19647.004522/200526 Acórdão n.º 1103000.739 S1C1T3 Fl. 174 3 adotada por ocasião da fiscalização e, por essa razão, alguns valores foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699, passando a ser tratados em processos específicos e objeto de cobrança espontânea, entre os quais o presente processo de compensação. Feitas as considerações acima, a contribuinte se insurge contra a decisão da autoridade administrativa, nos seguintes termos: I — Previsão do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não tem amparo em lei Segundo a contribuinte, o artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 estabelece restrição A restituição e/ou compensação que a Lei n° 9.430/1996 não prevê. Transcreve, nesse sentido, redação do artigo 74 da citada Lei, dada pela Lei n° 10.637/2002, dispositivo que faculta ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive judicial transitado em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, sua utilização na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo Órgão. Assim, entende que, se foi apurado crédito fiscal, o que ocorre quando hi recolhimento indevido ou a maior de tributo, o mesmo pode ser utilizado para compensar seus próprios débitos fiscais. Em seguida, afirma que o mesmo artigo 74, em seu § 3°, prevê os casos em que a compensação não poderia ser realizada e no § 12 estão relacionadas as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada. Entretanto, argumenta, o citado dispositivo não proibiu a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos, não podendo a Receita Federal criar restrições e proibições não previstas em lei. Alega que o fato de o citado artigo 74 estabelecer, em seu § 14, que cabe Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto no mesmo artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação, não significa permitir restrição ou vedação de direitos, mas apenas estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Com relação ao IRPJ e A CSLL, manifesta seu entendimento de que tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido, com base em tais regras, configurase a situação de recolhimento indevido ou a maior. Reportase ao IRRF, argumentando que, como a retenção ocorre independentemente do total do lucro apurado no período (estimado, real ou presumido), poderá ocorrer que o imposto retido supere o valor efetivamente devido com base no lucro apurado. A contribuinte afirma que o artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não poderia ter estabelecido restrição ao direito de compensação que já não estivesse prevista em lei e que, apenas por tal razão, o Despacho Decisório de fl. 43 deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação declarada. II — Quando das compensações realizadas pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 ainda não existia. A contribuinte afirma que, ainda que o questionamento anterior venha a ser superado, o Despacho Decisório de fl. 43 deve ser reformado, pois, quando da formalização das declarações de compensação, não existia a regra estabelecida no já mencionado artigo 10. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19647.004522/200526 Acórdão n.º 1103000.739 S1C1T3 Fl. 175 4 Alega que a regra contida no citado artigo é a mesma estabelecida no artigo 10 da IN/SRF n° 460, de 18/10/2004 (mas não contida nas revogadas IN/SRF n° 210/2002 e IN/SRF n° 21/1997, publicadas anteriormente). Prossegue a interessada afirmando que, ao decidir pela não homologação das compensações declaradas entre 30/07/2004 e 04/08/2004 e, portanto, anteriormente A restrição contida nas IN/SRF n° 460/2004 e IN/SRF n° 600/2005 (artigo 10, em ambos os casos), a autoridade administrativa aplicou retroativamente dispositivo restritivo ao direito da empresa, afrontando as disposições contidas no artigo 5°, inciso XXXVI da Constituição Federal e nos artigos 103, 105 e 146 da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), cujas redações se encontram reproduzidas As fls. 53/54. Com as considerações acima, a contribuinte conclui que a aplicação retroativa do artigo 10 da IN/SRF n° 600, pela autoridade administrativa, contraria a legislação tributária, entendendo que tal razão, por si só, já seria suficiente para que fosse reformado o Despacho de fl. 43, homologandose, em decorrência, as compensações declaradas mediante PER/DCOMP relacionados A fl. 42. III — Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de novembro de 1999, recolhida a maior, haveria saldo negativo ao final do ano. A contribuinte afirma que, mesmo que se pudesse discordar de todas as razões expostas acima, haveria mais um motivo para que se desse provimento a sua manifestação de inconformidade, homologandose a compensação realizada. Isto porque, como defende, o 1RPJ de novembro de 1999, recolhido a maior, foi utilizado em compensação de débitos do PIS, da CSLL e da COFINS. Segundo a interessada, chegase A conclusão, a partir dos termos do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005, de que o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do anocalendário somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período, de onde conclui que, no máximo, haveria um problema de inobservância de exercício em que o IRPJ de novembro de 1999, recolhido a maior, transformarseia em saldo negativo de IRPJ, passível de compensação com qualquer tributo, a partir do final do ano de 1999. Em seguida, a contribuinte, sob o argumento de que o Despacho Decisório não contém qualquer fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico (sic), alega que, possivelmente, a DRF/Recife julgasse que, ao final do ano calendário, não teria saldo negativo de IRPJ e que, portanto, o referido órgão teria concluído, em razão do auto de infração lavrado, constante do processo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte, sucedida pela TIM Nordeste S/A, foi considerada indedutível. Feitas essas considerações, a contribuinte manifesta seu entendimento no sentido de que, se a decisão a ser prolatada nos autos do mencionado processo for pelo cancelamento do auto de infração, o provimento da manifestação de inconformidade no presente processo (19647.004522/200526) será imperativo. IV Indevida revisão de lançamento. Sob outro enfoque, a contribuinte questiona os termos em que foi efetuada a revisão do lançamento consubstanciado no auto de infração lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELPA Celular S/A), constante do processo n° 19647.009690/200699. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19647.004522/200526 Acórdão n.º 1103000.739 S1C1T3 Fl. 176 5 Segundo a contribuinte, o novo valor total exigido por intermédio dos trinta e dois despachos decisórios por ela recebidos (sic) é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. Conclui, dessa forma, ter havido uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado, que não se coaduna com o que estabelecem os artigos 145 a 149 do CTN (redação do artigo 145 e seus incisos, à fl. 58). A contribuinte afirma que, assim agindo, a autoridade administrativa, ao rever seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que uma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Adita que, ao adotar entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil contido na Solução de Consulta Interna n° 18, de 13/10/2006, posterior aos autos de infração lavrados em 09/10/2006, a autoridade administrativa introduz modificação nos critérios jurídicos por ocasião do lançamento, atentando contra o disposto no artigo 146 do CTN, segundo o qual é vedada a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento da exigência fiscal. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua manifestação de inconformidade, seja reformado o Despacho Decisório ora contestado, para que a compensação seja integralmente homologada, com base nos argumentos já expostos e sintetizados como a seguir: a) a previsão do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não tem amparo em lei; b) quando da compensação realizada pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 ainda não existia; c) se a compensação do IRPJ de novembro de 1999 recolhido a maior não fosse realizada haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais; d) o Despacho Decisório de fl. 43 é fruto de uma revisão de oficio de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela autoridade administrativa), o que configura violação ao artigo 149 do CTN. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Recife/PE analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1123.643, de 03/09/2008, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. ATRIBUIÇÃO DOS JULGADORES. O julgador da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. IRPJ/CSLL LUCRO REAL ANUAL PAGAMENTO POR ESTIMATIVA MENSAL. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto ou contribuição social com base em estimativa mensal deve apurar seus resultados ao final do ano calendário, ocasião em que, caso venha a constatar a existência de saldo negativo de 1RPJ e/ou CSLL, nasce o Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19647.004522/200526 Acórdão n.º 1103000.739 S1C1T3 Fl. 177 6 direito de requerer a restituição do referido saldo ou proceder a sua compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação de regência. INSTRUÇÃO NORMATIVA. APLICAÇÃO. A orientação contida em instrução normativa se aplica a fatos ocorridos anteriormente a sua vigência quando dispõe sobre procedimento compatível com diploma legal em vigor A época de ocorrência desses fatos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFICÁCIA A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento MIA e suficiente para a exigência de débitos indevidamente compensados. Solicitação Indeferida Ciente da decisão de primeira instância em 01/06/2009 e, com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 26/06/2009, mediante o qual, em linhas gerais, refuta as razões do acórdão recorrido e reitera os argumentos trazidos na sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19647.004522/200526 Acórdão n.º 1103000.739 S1C1T3 Fl. 178 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Formalizo este acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Hugo Correa Sotero, por ocasião do julgamento realizado em 08/08/2012, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Assim, o entendimento consubstanciado neste voto, tem por base os elementos dos autos e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 08/08/2012, às quatorze horas, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e, portanto, devidamente conhecido. Analisando as razões recursais, acolheramse as alegações da recorrente no sentido de serem inaplicáveis as restrições contidas no art. 10 da Instrução Normativas da RFB nº 600, que dispõe sobre impossibilidade de compensação de valores pagos indevidamente ou a maior a título de estimativas, e que foram utilizadas como fundamento, para a não homologação das compensações pleiteadas, no Despacho Decisório proferido pela autoridade administrativa da DRFRecife/PE. Consagrouse o entendimento de que o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Não obstante, como o despacho decisório não examinou o crédito pleiteado quanto ao seu valor e disponibilidade, a decisão foi no sentido devolver o processo à unidade de origem para sua verificação e processamento da compensação conforme o resultado que venha a ser apurado. Ante ao exposto, votouse por dar provimento parcial ao recurso para afastar o fundamento do despacho decisório que levou ao indeferimento da compensação e devolver os autos às DRF de origem para verificação do valor e disponibilidade do crédito pleiteado, retomandose, do início, o rito processual do Decreto nº 70.235/72. Acórdão formalizado em, 28 de Agosto de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 19647.004522/200526 Acórdão n.º 1103000.739 S1C1T3 Fl. 179 8 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 14 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
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Numero do processo: 10640.000594/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE.
Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1416; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000594/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.759 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES Recorrente DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE SAÚDE PÚBLICA DR. ANTÔNIO BENEDITO DE ARAÚJO DEMASP (AUTARQUIA MUNICIPAL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 05 94 /2 00 9- 13 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.000594/200913 Acórdão n.º 2402004.759 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas, nas competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 04/06), a empresa apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) contendo informações incorretas ou omissas referentes aos contribuintes individuais (médicos). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 17/06/2010 (fls. 01 e 60), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 63/67), alegando, em síntese, a nulidade do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0927.050 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 76/78) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que retificou a multa aplicada para que remanesça, do valor originalmente aplicado, o valor de R$6.000,00. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à autuação do ente público na vigência do art. 41 da Lei 8.212/1991, competências até 10/2008, entendo que há impossibilidade de aplicação retroativa da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. A Recorrente é entidade de direito público (autarquia municipal). Quanto ao descumprimento da obrigação acessória, no que tange a órgão ou entidade da administração pública, a redação original do art. 41 da Lei 8.212/1991 atribuía a responsabilidade pela prática de tal infração ao seu dirigente, não recaindo sobre a pessoa jurídica qualquer responsabilidade, em virtude de infração dessa natureza, cometida por seus agentes. Posteriormente, com a edição da Medida provisória (MP) n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, o art. 41 supracitado foi revogado e, por consectário lógico, a responsabilidade pela infração à legislação previdenciária no âmbito da administração pública deixou de ser do dirigente. Para tais infrações, passou a ser aplicada a regra geral, ou seja, a partir da vigência da MP supracitada, a pessoa jurídica na qual está inserido o órgão público ou o próprio ente da administração é quem deve responder pelas infrações perpetradas contra a legislação previdenciária. Vejamos o artigo 65, I, da referida MP n° 449, de 04 de dezembro de 2008: Art.65. Ficam revogados: I os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 4º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do art. 80, o art. 81, os §§1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89, e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (grifos nossos); Vejamos também o art. 79 da Lei 11.941/2009, de 27 de maio de 2009: Art. 79. Ficam revogados: I os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (grifos nossos); Era exatamente o preceito estabelecido no art. 41 da Lei 8.212/1991 que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária, que assim dispunha: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.000594/200913 Acórdão n.º 2402004.759 S2C4T2 Fl. 4 5 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Sabemos que o procedimento administrativo do lançamento, em regra, deve se reportar sempre a lei vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, conforme dispõe art. 144 do Código tributário Nacional (CTN). Contudo, há situações em que o próprio CTN, especificamente em seu art. 106, autoriza excepcionalmente que fatos pretéritos sejam regulados pela legislação futura, tratandose de retroatividade benigna (retroatividade benéfica). Vejamos as disposições do art. 106 do Códex: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: (a) quando deixe de definilo como infração; (b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Assim, em consonância com os incisos I e II do art. 106 do CTN, veemse as hipóteses que estipulam, no plano da hermenêutica, a retroação para uma lei interpretativa e para uma lei mais benéfica ao sujeito passivo tributário, respectivamente. Por sua vez, o inciso II do art. 106 do CTN, aproximandose do campo afeto às sanções tributárias, permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Na realidade, o CTN consagra a regra da retroatividade da Lei mais favorável, autorizando assim que a penalidade seja readequada para seguir o tratamento mais benéfico ao contribuinte. Com a referida mudança legislativa, a questão que se levanta é a possibilidade de aplicála a infrações cometidas em período anterior a sua vigência. Em razão de se tratar de legislação tributária, sua interpretação deverá ser orientada pelo art. 106 do CTN, susomencionado. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, pela MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Esta nova regra, entretanto, deve ser aplicada às infrações ocorridas a partir do início da sua vigência, ou seja, para as infrações ocorridas após a MP n° 449, de 04 de dezembro de 2008. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa, a qual somente deverá ocorrer nas hipóteses específicas do art. 106 do CTN, retromencionado. No presente Auto, a multa foi aplicada em razão de infração cometida nas competências 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal. A infração em tela consumase no momento em que a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas, até o dia 07 (sete) do mês seguinte àquele a que se referirem as informações (conforme o art. 225, inciso IV e § 2o, do Regulamento da Previdência Social RPS). Sendo assim, resta claro que a infração relativa às competências 01/2004 a 12/2004, ocorreu em período anterior à vigência da MP n° 449, ocorrida em 04/12/2008. Logo, a responsabilidade pela multa não poderia ter sido atribuída ao órgão público, pois isto implica dar eficácia retroativa à revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela MP n°449/2008. Diante desse contexto fático e jurídico, entendo que a multa aplicada deverá ser excluída, eis que os entes públicos passaram a responder pelas infrações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, previstas na legislação previdenciária, somente após a vigência da MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos, em sua totalidade, os valores da multa aplicada, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10280.720887/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2010
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. INTEMPESTIVIDADE. REQUISITO EXTRÍNSECO NÃO ATENDIDO. NÃO INSTAURADA A FASE CONTENCIOSA.
Estando devidamente fundamentada a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação e não tendo o recorrente apresentado qualquer argumento capaz de alterar aquela decisão, deve ser negado provimento ao recurso que requereu o conhecimento da impugnação. Nos termos do art. 14 do Decreto 72.235/1972, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. Ausente momentaneamente o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO Recorrente UNIÃO DE ENSINO SUPERIOR DO PARÁ UNESPA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. INTEMPESTIVIDADE. REQUISITO EXTRÍNSECO NÃO ATENDIDO. NÃO INSTAURADA A FASE CONTENCIOSA. Estando devidamente fundamentada a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação e não tendo o recorrente apresentado qualquer argumento capaz de alterar aquela decisão, deve ser negado provimento ao recurso que requereu o conhecimento da impugnação. Nos termos do art. 14 do Decreto 72.235/1972, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. Ausente momentaneamente o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 87 /2 01 3- 33 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10280.720887/201333 Acórdão n.º 2401004.182 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação da recorrente por falta de observância do prazo legal, mantendo o crédito tributário lançado. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/03/2013 (fls. 47 e 48). Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 187/196), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] Este processo é composto pelos Autos de Infração: a) Debcad nº 51.040.5738: referese ao lançamento nas competências 05/2010 e 06/2010 relativo à glosa da compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 2009.39.00.0120129, em desacordo com o artigo 170A do CTN. O montante do crédito, consolidado em 26/03/2013, corresponde a R$ 2.035.585,54 (dois milhões, trinta e cinco mil, quinhentos e oitenta e cinco reais e cinqüenta e quatro centavos); b) Debcad nº 51.040.5746: referese ao lançamento nas competências 07/2010 e 08/2010 da multa isolada de 150% decorrente da apresentação das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com falsidade na declaração, tendo sido utilizados pretensos créditos decorrentes de decisão não transitada em julgado para compensar indevidamente as contribuições devidas. O montante do crédito, consolidado em 26/03/2013, corresponde a R$ 2.091.651,51 (dois milhões, noventa e um mil, seiscentos e cinqüenta e um reais e cinqüenta e um centavos). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente das autuações em 28/03/2013 por meio de sua VicePresidente, o sujeito passivo apresentou impugnação em 20/03/2014 por meio do instrumento de fls. 87 a 141, cujos argumentos são sintetizados a seguir. Da preliminar de nulidade pela não intimação pessoal do representante legal O sujeito passivo afirma que, apesar de ter sido eleita pelo Fisco a intimação pessoal (e não a via postal) prevista no inciso I do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, não houve a notificação do seu representante legal definido no Estatuto Social, que anexa. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Alega que apenas o seu Presidente tem poderes para representá lo perante instituições e órgãos da Administração Pública/Fazendária, não podendo nem mesmo nomear preposto para tal ato. Sustenta que, ao encerrar a ação fiscal, a fiscalização entregou ao contribuinte o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, sob o argumento de que enviaria posteriormente, via postal, o Auto de Infração, tendo aí a oportunidade de notificar o Representante Legal do contribuinte. Esta ação não se concretizou, o que importaria na nulidade do Auto de Infração. Do efeito suspensivo Requer que a impugnação seja recebida no seu efeito suspensivo, conforme disposição do artigo 151, III do Código Tributário Nacional CTN. Do Debcad nº 51.040.5738 a) Da distinção entre a compensação prevista no artigo 66 da Lei nº 8.383/1991 c/c artigo 165 do CTN e a disposta nos artigos 170 e 170A do CTN. Afirma que, de acordo com o artigo 66 da Lei nº 8.383/1991, possui o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente pagos de imediato, independente de autorização administrativa ou decisão judicial. Alega que o direito de efetuar a compensação pelo autolançamento já foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 78.301BA. Entende que o artigo 170 do Código Tributário Nacional e o seu apêndice, o artigo 170A, cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o crédito tributário já constituído, nos termos do artigo 156, II do CTN e da lição de Hugo de Brito Machado. Conclui que não se aplica ao presente caso o regime dos artigos 170 e 170A do CTN. (...) Dos pedidos finais Ao final, requer o acolhimento da impugnação, anulandose o auto de infração por preterição ao direito de defesa, ou por violação da motivação dos atos administrativos, do contraditório, da ampla defesa, ilegitimidade de parte ou, subsidiariamente, determinandose a anulação dos Autos de Infração Debcads nº 51.040.5738 e 51.040.5746, por sua insubsistência, ensejando, assim, a convalidação da compensação efetuada, inexistindo tributo ou qualquer cominação que dele advenha a ser recolhido, ainda que em parte, pelo contribuinte, com a indevida multa isolada. Requer a intimação na pessoa de seu representante legal infra assinado para oportuna sustentação oral quando do julgamento da referida impugnação, bem como reitera a necessidade de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10280.720887/201333 Acórdão n.º 2401004.182 S2C4T1 Fl. 4 5 conversão do julgamento em diligência para as verificações necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. Requer, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao feito sejam sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, no endereço que indica. [...]” Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente não foi conhecida, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário (fls. 203/209), no qual alega, em apertada síntese, a nulidade da decisão de primeira instância, garantindo ao Recorrente os primados da ampla defesa e contraditório, retornando o processo ao seu curso regular e a conseqüente análise de mérito. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fls. 200/203. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO: Constatase que os termos registrados na peça recursal encaminhamse no sentido de que seja declarada a nulidade da decisão de primeira instância, bem como seja conhecida a impugnação, considerando que os documentos acostados aos autos permitem o julgamento do processo. Para tanto, a Recorrente afirma que a ciência do lançamento fiscal deuse por meio do seu vicepresidente, mesmo estando presente o Presidente da instituição, sendo que isso caracterizaria ausência de notificação do auto de infração ao representante legal do sujeito passivo. Quanto aos motivos que ensejaram o não conhecimento da impugnação por intempestividade, nos termos da decisão de primeira instância (fls. 187/196), a Recorrente não apresentou qualquer argumento capaz de justificar o ocorrido, nem tampouco que tenha ocorrido qualquer erro por parte do julgador de primeira instância na análise da extemporaneidade. Notese que na peça recursal (fls. 203/209) o próprio Recorrente reconhece a falta cometida, pela não apresentação da peça impugnativa dentro do prazo legal, demonstrando o acerto daquele julgador ao não conhecer da impugnação face ao descumprimento de um dos requisitos extrínsecos legais, mais especificamente o art. 15 do Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), conforme descrito na própria decisão de primeira instância: “[...] O prazo para o sujeito passivo apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamenta, é de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência (artigo 15 do PAF). O § 2º do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, que regulamentou o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, dispõe que a petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. O acatamento da preliminar de tempestividade tem como efeito a recepção da impugnação extemporânea com os efeitos próprios de uma impugnação tempestiva. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10280.720887/201333 Acórdão n.º 2401004.182 S2C4T1 Fl. 5 7 Embora o sujeito passivo tenha sido cientificado pessoalmente dos Autos de Infração em 28/03/2013, a impugnação foi apresentada apenas em 20/03/2014. Neste instrumento de defesa o sujeito passivo direcionou sua argumentação preliminar com o objetivo de obter a anulação dos Autos de Infração “por preterição ao direito de defesa, ou por violação da motivação dos atos administrativos, do contraditório, da ampla defesa e ilegitimidade de parte” (conforme seus pedidos finais). Alegou que somente o Presidente poderia ter recebido os Autos de Infração, e não a VicePresidente, como ocorreu. [...]” Nesse caminhar, a Recorrente alega ainda que a ciência do lançamento fiscal em 28/03/2013 (fls. 47/48) deuse na pessoa do vicepresidente da instituição, o qual não teria competência para tal ato. Tal alegação não será acatada, pois, a teor do artigo 24 do Estatuto Social Reformado1, a presentação judicial e extrajudicial da Recorrente (UNESPA) poderá ser feita tanto por meio do seu órgão Presidencial como também, em suas ausências e/ou impedimentos, pela VicePresidência, que foi o caso dos autos. Esse entendimento está consubstanciado no fato de que a VicePresidente, Sra. Etiane Maria Borges Arruda, representante de um dos sócios da Recorrente (UNESPA) e uma das responsáveis pela elaboração do Estatuto Social Reformado, tinha pleno conhecimento das normas institucionais no momento em que tomou ciência do lançamento fiscal (fls. 47/48) e, com isso, não há como admitir outra hipótese a não ser de que agiu no cumprimento das disposições estatutárias. Acrescentase a isso o fato de que a ciência do Auto de Infração pelo sujeito passivo da obrigação tributária constitui um ato interna corporis2 da empresa (instituição), pois não pode o Fisco interferir em sua materialidade, permitindose somente ao Fisco observar às suas formalidades legais ou regimentais e não pode este direcionar ou substituir a deliberação sobre assunto que seja da exclusiva competência da Recorrente (Instituição). Esse entendimento está em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 93, ao afirma que é válida a ciência da notificação realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, desde que haja a assinatura do recebedor dos documentos, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Registrase ainda que a afirmação de que o Presidente da Instituição estava presente não foi comprovada nos autos e nem há qualquer comprovação de que existiria impedimento institucional para a realização do ato pela VicePresidência. 1 Estatuto Social Reformado da UNESPA: Art. 24 A UNESPA será representada judicial e extrajudicialmente pelo Presidente e, em suas ausências e/ou impedimentos, pelo VicePresidente ou por outro integrante do Conselho Diretor, designado por decisão tomada pela maioria dos integrantes do mesmo colegiado. 2 Atos "interna corporis" são aqueles que interessam direta e imediatamente a gestão da instituição, com seus privilégios e com a formação ideológica do Estatuto Social, que, por sua natureza, são reservados à exclusiva apreciação e deliberação dos Diretores da Instituição. 3 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Dentro do contexto fático, deixo consignado que a data de recebimento dos Autos de Infração é que materializa o termo inicial para a apresentação da impugnação tempestiva e não há qualquer correspondência com as assinaturas registradas no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), conforme descrito na própria decisão de primeira instância nos seguintes termos: “[...] Em 14/09/2012 foi realizada reunião do Conselho Diretor da União de Ensino Superior do Pará, presentes os representantes da Sociedade Colégio Moderno e da Associação Paraense de Ensino e Cultura, quando foram escolhidos como Presidente da Instituição o conselheiro Paulo Roberto Carvalho Batista, e como VicePresidente a conselheira Etiane Maria Borges Arruda, para cumprirem mandato de quatro anos. O sujeito passivo alegou na impugnação que “o Fiscal ao finalizar a Ação Fiscal, entregou ao contribuinte o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, sob o argumento de que enviaria posteriormente, via postal, o Auto de Infração, tendo aí a oportunidade de notificar o Representante Legal do contribuinte, o que não concretizouse, importando desta forma na nulidade do presente AINF.” No aditamento à impugnação, acrescentou que no momento da entrega do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF o Presidente da Instituição estava presente, mas que a VicePresidente foi eleita à revelia para o recebimento, e o fez agindo de boafé e a pedido do Fiscal competente. Primeiro é necessário ressaltar que o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF e os Autos de Infração constituem documentos diferentes. Enquanto que o TEPF atesta o encerramento da ação fiscal e demonstra o resultado do procedimento fiscal, o Auto de Infração intima o sujeito passivo do lançamento realizado e do prazo de 30 dias contados da ciência para pagamento, parcelamento ou impugnação. Portanto, a data de recebimento dos Autos de Infração é que define o termo inicial para a apresentação da impugnação tempestiva. [...]” Percebese, então, que podem coexistir perfeitamente, durante o procedimento de auditoria fiscal, tanto a ciência do lançamento fiscal (auto de infração) como a ciência do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), porque é diversa a natureza de cada um: a ciência do lançamento fiscal está ligada umbilicalmente ao termo inicial para a apresentação da impugnação tempestiva – o qual registra que a impugnação deverá ser feita no prazo de 30 dias (fls. 47/48) –, enquanto o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) se fará presente para confirmar o encerramento da auditoria fiscal. Dessa forma, estando devidamente fundamentada a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação e não tendo o recorrente apresentado qualquer argumento capaz de alterar aquela decisão, não há o que ser acatado no recurso voluntário, estando em perfeita consonância com as regras atinentes ao processo administrativo tributário (Decreto 70.235/1972). Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10280.720887/201333 Acórdão n.º 2401004.182 S2C4T1 Fl. 6 9 A teor do art. 14 do Decreto 70.235/19724, percebese que, em razão do não conhecimento da impugnação, não se instaura o contencioso administrativo. A análise de mérito do recurso neste caso, por esse colegiado, resumirseá a apreciar os argumentos relativos à decisão proferida, no que diz respeito aos aspectos de conhecimento ou não da peça de impugnação de fls. 87/141. Não tendo o Recorrente conseguindo comprovar a regular interposição da impugnação, correta a decisão proferida em primeira instância. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações do Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, pois o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator 4 Decreto 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 15586.001870/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Recorrente MULTILIFT LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 70 /2 01 0- 10 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001870/201010 Acórdão n.º 2402004.726 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, devidas por esses segurados e não descontadas de suas remunerações, para as competências 01/2007 a 12/2007. O Relatório Fiscal (fls. 22/25) informa que fato gerador decorre do fornecimento de auxílioalimentação sob a forma de ticket refeição e visavale, sem estar inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 17/12/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 103/238), alegando, em síntese, que o beneficio não tem natureza remuneratória e o fato de a empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador não é suficiente para a modificação da natureza do instituto, consoante precedentes jurisprudenciais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1237.761 da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 241/246) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que o fato gerador decorrente da presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal, informando que “a empresa não possui o PAT para o período do presente lançamento”. Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001870/201010 Acórdão n.º 2402004.726 S2C4T2 Fl. 4 5 I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001870/201010 Acórdão n.º 2402004.726 S2C4T2 Fl. 5 7 presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para que sejam excluídos, em sua integralidade, os valores decorrentes da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13817.000005/2003-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÃO. REDUÇÃO DE TRIBUTO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A retificação das declarações, entregues pela pessoa jurídica à RFB em cumprimento a obrigações acessórias, visando reduzir o valor do débito declarado deve ser acompanhada de comprovação hábil da correta apuração do tributo.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se homologa a compensação de débitos vinculada a direito creditório não reconhecido pela administração tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RETIFICAÇÃO. REDUÇÃO DE TRIBUTO. AUSÊNCIA DE PROVA. A retificação das declarações, entregues pela pessoa jurídica à RFB em cumprimento a obrigações acessórias, visando reduzir o valor do débito declarado deve ser acompanhada de comprovação hábil da correta apuração do tributo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa a compensação de débitos vinculada a direito creditório não reconhecido pela administração tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 00 05 /2 00 3- 31 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13817.000005/200331 Acórdão n.º 2201002.862 S2C2T1 Fl. 182 2 Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente). Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/CPS (Fls. 141), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO de fl. 01, formalizada em 09/01/2003, referente ao débito compensado no código 0561, apurado em 11/01/2003 no valor de R$ 32.947,59 com o indébito decorrente de pagamento indevido no mesmo valor, discriminado na planilha de fl. 02 como recolhido em 16/10/2002 no código 8045 (cópia de DARF à fl. 24), e demonstrado à fl. 03 como referente ao IRRF apurado no processo do Poder Judiciário Federal Justiça do Trabalho 2 Região n° 2009/1992 Vara de Trabalho de Mauá. Em 29/06/2007 o SEORT da DRF Santo André/SP proferiu o Despacho Decisório de fl. 57, com a seguinte ementa: Assunto: Pedido de restituição de pagamento indevido ou maior que o devido, cumulado com pedido de compensação. Ementa: Indeferimento total do pedido de restituição não homologação da compensação por inexistência de indébito. Reproduzse adiante a fundamentação adotada pela autoridade administrativa: Não foi apurado pagamento a maior que o devido. Ao contrário do que pretende o interessado, por consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil constatouse que o pagamento feito em 16/10/2002 está em plena conformidade com o que foi declarado em DCTF, sendo que o valor pago foi totalmente alocado, não restando saldo de pagamento feito a maior que o devido, tudo conforme comprovado pelas telas de folhas 52/54. Tendo tomado ciência da decisão em 11/07/2007, AR à fl. 58 verso, em 06/08/2007 a interessada interpôs contra o indeferimento a manifestação de inconformidade de fls. 61/64, por meio de seu advogado e bastante procurador (Procuração à fl. 93), argüindo as razões adiante sintetizadas. Esclarece que diante da posição adotada no despacho decisório, e por orientação recebida na ARF em Mauá/SP, procedeu a retificação das DCTF, via internet dia 25/07/2007, de forma a Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13817.000005/200331 Acórdão n.º 2201002.862 S2C2T1 Fl. 183 3 refletir o valor do tributo efetivamente devido e, por conseqüência, demonstre o pagamento indevido. Consigna a manifestante: A obrigação tributária decorre exclusivamente da lei e surge com a ocorrência do chamado fato gerador. Assim, eventual equivoco do contribuinte no cumprimento das obrigações acessórias não tem o condão de criar obrigação tributária sem que tenha ocorrido o fato gerador. No caso em tela o imposto de renda a ser retido na fonte em decorrência do processo trabalhista n°2009/92 era de R$ 5.183,63 e não R$ 38.131,22, conforme, equivocadamente, foi pago e constou na DCTF; Com isso a Recorrente é legitima credora da Unido Federal no montante objeto do pedido de restituição em questão. (...) Assim, caso este órgão recursal considere insuficiente a documentação em anexo para comprovar o credito perseguido pela Recorrente o presente recurso deve ser convertido em diligencia para que seja comprovado o pagamento indevido e homologada a compensação. Aos documentos anteriormente apresentados (fls. 03/47), consistentes em planilha de apuração do IRRF devido por beneficiário da reclamação trabalhista, e cópias de despachos no processo judicial n° 2009/92, onde consta o DARF no valor de R$ 38.1231,32, a manifestante complementa a instrução processual com cópias das DCTF retificadoras do 4° trim./2002 e do 10 trim./2003, entregues em 25/07/2007, bem como aquelas originariamente apresentadas; e cópia de alteração contratual (fls. 73/109), requerendo, ao final, a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações efetuadas, ou, se necessário, a realização de diligência, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/CPS entendeu por bem não homologar a compensação , em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando sua realização para obtenção de provas do direito alegado pela peticionária. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13817.000005/200331 Acórdão n.º 2201002.862 S2C2T1 Fl. 184 4 Improcedente o pleito de reconhecimento de direito creditório que carece de elementos probatórios que explicitem e comprovem a apuração de tributo em montante inferior ao recolhido. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÃO. REDUÇÃO DE TRIBUTO. AUSÊNCIA DE PROVA. A retificação das declarações, entregues pela pessoa jurídica à RFB em cumprimento a obrigações acessórias, visando reduzir o valor do débito declarado deve ser acompanhada de comprovação hábil da correta apuração do tributo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF 01/2003. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa a compensação de débitos vinculada a direito credit6rio não reconhecido pela administração tributária. Cientificada em 24/03/2009 (Fls. 170), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/04/2009 (fls. 173 a 178), argumentando em síntese: (...) O primeiro ponto a ser enfrentado é a nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento ao direito de defesa do Contribuinte. Conforme referido anteriormente a Recorrente anexou a sua manifestação de inconformidade provas que reputa suficientes para comprovar os seus créditos e, por atenção ao principio da eventualidade, pediu a conversão do julgamento em diligência para que fossem examinados os documentos contábeis que dão suporte ao crédito e que não podem ser carreados aos autos. As autoridades responsáveis pelo julgamento do caso em primeira instancia decidiram pelo indeferimento das diligências postuladas e, ato continuo, denegaram o pedido por falta de provas. Ora, tendo a Recorrente postulado a produção de provas e tendo essas sido indeferidas, jamais o pedido poderia ser rechaçado sob o argumento de falta de provas. Em outras palavras, não se permitiu produzir as provas necessárias e com base nesta decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. Tal decisão contém severa contradição intrínseca e afronta o disposto no Decreto n° 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Igualmente violado, restou o artigo 30 , da Lei 6.830180. (...) (...) Em nenhum momento as autoridades administrativas que examinaram este processo afirmam que o valor devido é efetivamente o que foi declarado ou que o pagamento objeto do pedido de restituição não foi efetuado como afirma a ora Recorrente. O único argumento que vem sendo usado para Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13817.000005/200331 Acórdão n.º 2201002.862 S2C2T1 Fl. 185 5 denegar o pedido é a alegada falta de provas do equivoco cometido pela Recorrente. Ocorre que os documentos retificadores trazidos aos autos demonstram que houve um pagamento indevido. Todavia, sequer esse fato é examinado, sob o singelo argumento de que são posteriores ao despacho decisório. Ora, os autos demonstram que a questão pode ser facilmente resolvida com um mero exame dos registros contábeis da recorrente que pode ser realizado mediante a conversão do julgamento em diligência. Não se questiona que o fato do crédito perseguido não estar reconhecido na DCTF originária dificulta o entendimento do caso. Entretanto, tal omissão não pode implicar na criação de tributo, mormente quando já foi retificado o documento (cópias nos autos). Importante frisar que não se pode cobrar tributo sem que tenha ocorrido o seu fato gerador, pois tal expediente é expressamente vedado pelos termos do artigo 113, § 1°, do Código Tributário Nacional. No que diz respeito ao argumento de que os pagamentos em questão não constam na DIRF apresentada pela empresa (fls. 136/137) há que considerar que o pagamento não foi feito aos beneficiários ou ao sindicado. A Recorrente condenada na Justiça do Trabalho efetuou o depósito judicial do valor da condenação. Coube a Justiça individualizar os pagamentos e autorizar o levantamento dos valores. Portanto irrelevante o argumento utilizado. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o litígio se restringe a não homologação do pedido de compensação, com aproveitamento de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou à maior de IRRF. Segundo a recorrente, esta teria recolhido IRRF em valores maiores que o determinado pela justiça trabalhista. Do exposto, resta evidente que a recorrente, por força de determinação judicial, foi responsável pela retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre a verba trabalhista recebida pelos autores da ação, na forma estabelecida pelo 718 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 29/03/1999: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13817.000005/200331 Acórdão n.º 2201002.862 S2C2T1 Fl. 186 6 Responsabilidade no Caso de Decisão Judicial Art. 718. O imposto incidente sobre os rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma o rendimento se torne disponível para o beneficiário (Lei n°8.541, de 1002, art. 46). §2° Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês do pagamento (Lei n°8.541, de 1992, art. 46, §2°). §3°O imposto incidirá sobre o total dos rendimentos pagos, inclusive o rendimento abonado pela instituição financeira depositária, no caso de o pagamento ser efetuado mediante levantamento do depósito judicial. Em tese, todo o IRRF recolhido deveria ser aproveitado nas DIRPF'S de cada autor da ação trabalhista, na forma e valores determinados pela justiça do trabalho. Deste modo, não é a DCTF da recorrente que esclarece se o recolhimento foi indevido ou maior que o devido; mas sim a determinação judicial do quanto deveria ser retido à título de IRRF de cada autor da ação. Ademais, como já ressaltado pela DRJ "cumpre destacar que a retificação de declarações regularmente processadas nos sistemas da RFB submetese à comprovação do erro alegado, sobretudo quando implica redução do valor do tributo devido". Caso o valor recolhido tenha sido integralmente aproveitado pelos autores da ação trabalhista não há que se falar em pagamento indevido por parte da empresa. Neste ponto sustenta a recorrente que o valor devido de IRRF seria de R$5.183,63, de acordo com sua planilha de folha 5 dos autos. Percebo que em mencionada planilha constam os nomes de apenas de 18 autores da ação trabalhista. Também observo que a planilha, supostamente do perito judicial, indica a existência de 109 autores da ação trabalhista. (doc págs. 6 a 15 dos autos) Ressalto, entretanto, que na planilha do perito judicial consta que vários autores seriam isentos do pagamento do Imposto de Renda. Contudo, é dever observar que a planilha do perito é utilizada apenas para a obtenção dos valores que cabem a cada autor. A determinação das verbas isentas, e conseqüentemente dos valores que devem ser retidos à título de IRRF, é fixada na sentença judicial e apurada em cálculos realizados pela própria Vara Trabalhista. Tais elementos probantes não constam no rol dos documentos apresentados. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13817.000005/200331 Acórdão n.º 2201002.862 S2C2T1 Fl. 187 7 Por outro lado, esclareço que uma perícia a ser realizada na contabilidade da recorrente, como requerido pela mesma, não teria o condão de apontar os valores devidos, pelos motivos já explicados acima. Assim, não há nos autos elementos suficientes para se afirmar que o pagamento do DARF de folha 27 foi realizado em valor superior ao determinado pela justiça do trabalho. Assim como também não há nos autos elementos que permitam supor que o valor de R$38.131,22, apresentado pela recorrente à justiça do trabalho, não foram utilizados pelos autores da ação trabalhista em suas DIRPF'S. Por conseqüência, não há como este Conselheiro afirmar que a empresa possuí crédito decorrente de pagamento indevido ou à maior de IRRF. Por fim, temos ainda os fatos destacados pela DRJ, que adoto interalmente, e que se somam para o indeferimento do pleito; quais sejam: "Ademais, tendo em conta os diversos débitos de IRRF declarados na DCTF no período, tornase necessário atestar que na escrituração da empresa o valor de R$ 38.131,21 recolhido em 16/10/2002, corresponde unicamente ao IRRF apurado/retido sobre as indenizações pagas aos reclamantes, visto que o código de arrecadação 8045 registrado no DARF em questão referese a rendimentos de comissões e corretagens pagas A pessoa jurídica, não prevendo pessoa Mica como beneficiária. Na consulta realizada na DlRF entregue pela contribuinte, fls. 124/131, notase que no anocalendário de 2002 não constou qualquer dado no campo "Justiça do Trabalho", sendo informados 386 beneficiários do IRRF (144 de pessoas jurídicas e 242 de pessoas físicas) sobre rendimentos pagos nos códigos de arrecadação 0561 (trabalho assalariado), 0588 (trabalho sem vinculo empregatício), 1708 (serviços prestados por pessoas jurídicas), 3208 (alugueis e royalties pagos a pessoa Mica) e 8045 (outros rendimentos). Destacase adiante alguns dados relativos ao IRRF no ano de 2002 informados na D1RF entregue em 28/02/2003, recibo n° 2462.71.33.0817: (...) Registrese que dentre as 114 beneficiárias pessoas jurídicas do código 8045 não foi localizado o Sindicato autor da ação trabalhista, sendo possível que o montante recolhido no DARF em pauta englobe IRRF apurado sobre rendimentos de outras naturezas, eventualmente registrados tanto na DIRF como nos informes de rendimentos em outro código, não identificado na pesquisa ora realizada. Logo, tanto os documentos trazidos aos autos como as consultas realizadas nos sistemas de processamento da RFB não permitem concluir pela ocorrência de indébito junto A Fazenda Pública Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13817.000005/200331 Acórdão n.º 2201002.862 S2C2T1 Fl. 188 8 conforme alegado pela peticionária, restando assim não homologadas as compensações declaradas na DCOMP de fl. 01." (págs. 164 e 165 dos autos) Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 11052.000805/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO EFETUADO SOB A VIGÊNCIA DA LEI N.º 10.101/2009. RITO PROCEDIMENTAL.
Para os lançamentos efetuados após a vigência da Lei n.º 12.101/2009, o fisco deve verificar se a entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos geradores, todavia, adotando o procedimento da lei nova.
Na peça de acusação, portanto, não basta mencionar a inexistência de ato declaratório de isenção ou sua cassação, há a necessidade de que se apresente quais os requisitos legais necessários ao gozo do benefício fiscal deixaram de ser cumpridos.
Para os créditos constituídos na vigência da legislação anterior, aplicam-se os procedimentos ali traçados.
ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL.
Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-004.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso por vício formal.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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LANÇAMENTO EFETUADO SOB A VIGÊNCIA DA LEI N.º 10.101/2009. RITO PROCEDIMENTAL. Para os lançamentos efetuados após a vigência da Lei n.º 12.101/2009, o fisco deve verificar se a entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos geradores, todavia, adotando o procedimento da lei nova. Na peça de acusação, portanto, não basta mencionar a inexistência de ato declaratório de isenção ou sua cassação, há a necessidade de que se apresente quais os requisitos legais necessários ao gozo do benefício fiscal deixaram de ser cumpridos. Para os créditos constituídos na vigência da legislação anterior, aplicamse os procedimentos ali traçados. ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL. Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 08 05 /2 01 0- 44 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso por vício formal. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11052.000805/201044 Acórdão n.º 2402004.738 S2C4T2 Fl. 591 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 42.271 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ)), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.307.6762. A lavratura diz respeito à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, incluindo aquela destina ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Nos termos do relatório fiscal, fls. 29/37, as bases de cálculo das contribuições lançadas foram apuradas através das GFIP que a autuada preencheu informando o "código FPAS 639", relativo à entidade com isenção de contribuições previdenciárias, desconsiderando a cassação de sua imunidade realizada através do Ato Cancelatório n.º 17.001/002/2005. Informase que a entidade interpôs recurso tempestivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS contra o referido ato cancelatório, o qual até a data da lavratura fiscal ainda não havia sido julgado. Assim, a autuação teria sido efetuada para prevenir a decadência do direito do fisco de lançar as contribuições. Cientificada do AI em 20/10/2010, a autuada apresentou defesa, na qual pugna pela nulidade da lavratura em razão do fato da autoridade lançadora não ter observado o rito para cancelamento/suspensão da isenção previsto no § 8.º do art. 206 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. Depois afirma que a sua condição de entidade isenta foi garantida pela adesão ao PROUNI. A DRJ não acatou as razões da impugnação. Segundo a decisão daquele órgão, a sequência de atos administrativos Informação Fiscal / DecisãoNotificação / Ato Cancelatório está em perfeita sintonia com o que dispõe a legislação previdenciária sobre o tema. Afirmase que, embora o processo de cancelamento da isenção esteja com julgamento do recurso pendente, a emissão do ato cancelatório efetivamente suspendeu o benefício fiscal, justificando a lavratura do presente AI, o qual ficará com exigibilidade suspensa até o trânsito em julgado do processo relativo à perda do direito à isenção. Para o órgão a quo seria cabível apenas a apreciação da procedência das contribuições lançadas, não sendo de sua alçada enfrentar questões tratadas no processo de cancelamento da isenção. Inconformada com a decisão, a atuada apresentou recurso, fls. 492/535, no qual apresentou os pontos abaixo relatados. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Inicialmente faz uma retrospectiva dos principais fatos ocorridos desde o procedimento fiscal até a prolação da decisão de primeira instância. Assegura ser imperiosa a aplicação da Súmula CARF n.º 17, posto que, tendo o lançamento sido edificado para prevenir a decadência, é descabida a imposição de multa de ofício. Sustenta que deve ser acolhida a preliminar de nulidade da lavratura, haja vista que a autoridade fiscal deixou de considerar o procedimento próprio à suspensão e ao cancelamento da isenção tributária em apreço. Pede que se reconheça que a adesão ao PROUNI é causa suficiente para aquisição da condição de entidade isenta, por força do art. 8.º da Lei n.º 11.196/2005. O presente processo foi apensado àquele relativo ao cancelamento de isenção para que a unidade de origem se manifestasse se a empresa na data dos fatos geradores atendia ao disposto na legislação de regência, conforme determina o art. 234 da Instrução Normativa RFB n.º 1.071/2010. O processo retornou com informação que transcrevo na íntegra: "1 Conforme a Informação Fiscal IF de 28/10/04, folhas 03 a 06 do processo 35301.000910/200503 (Cancelamento de Isenção), apensado, temos: a) A Empresa infringiu o § 6° do art. 55 da Lei n° 8.212/91 e o § 3° do art. 195 da Constituição Federal, por apresentar débito em relação às Contribuições Sociais de sua responsabilidade. b) O processo administrativo dos débitos acima mencionados é o de n° 13708.000017/952 (cópia às folhas 16 a 182 do processo 35301.000910/200503). c) No referido processo, houve entre outros, lançamento de débito, períodos base 1989 e 1990, constituídos em 11/01/95, relativos à Contribuição FINSOCIAL/Faturamento e Contribuição Social. d) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, após apreciar a Impugnação interposta pelo contribuinte considerou como devidos os valores das Contribuições Sociais (cópia às folhas 823 a 847 do processo 35301.000910/2005 03). e) Em conseqüência, o 1° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda concluiu pela perda do gozo ao benefício fiscal, por violação aos inc. I e II do art. 14 do CTN. f) Em seguida, em 10/06/97, o 1° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda manteve o débito relativo à Contribuição FINSOCIAL/Faturamento e Contribuição Social (cópia às folhas 865 a 878 do processo 35301.000910/200503). g) As Contribuições Sociais devidas foram inscritas na Dívida Ativa, sob n° 70 6 02 00355556 em 31/05/02 (cópia às folhas 908 a 911 do processo 35301.000910/200503). 2 Deste modo a Empresa encontravase em débito com o Sistema de Seguridade Social, que compreende tanto as Contribuições Previdenciárias, quanto às Contribuições Sociais (voltadas ao custeio da Seguridade Social), as quais a União figura como sujeito ativo, tendo sido emitida em 11/03/05 a Decisão de Notificação – DN n° 17.401.4/001/2005 (folhas 943 a 956 do processo 35301.000910/200503), a qual rejeita as alegações da Impugnação impetrada pela Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11052.000805/201044 Acórdão n.º 2402004.738 S2C4T2 Fl. 592 5 Empresa (processo 35301.000432/20523, apenso), inconformada com o teor da Informação Fiscal – IF de 28/10/04 e determina que seja emitido ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, com efeitos a partir de 01/08/97. 3 Em 23/05/05 foi emitido o ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 17.001/002/2005 (folha 962 do processo 35301.000910/200503), cancelando a partir de 01/08/97 a isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei n° 8.212/91." É o relatório. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 04/01/2012 e o recurso foi apresentado pelo sujeito passivo em 03/02/2012, portanto, dentro do prazo legal. Assim, a peça merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Erro de procedimento Conforme se percebe do relatório, o lançamento foi edificado para prevenir a decadência, posto que o Ato Cancelatório de Isenção, o qual embasa o lançamento, encontrava se com recurso pendente. Vale a pena reproduzir as palavras da autoridade lançadora: "14. O presente Auto de Infração foi emitido, com o objetivo de prevenir a decadência do tributo em questão, uma vez que o recurso da Empresa está pendente de julgamento pelo Conselho de Recursos." (grifos originais) Outra fato não menos importante é que o lançamento ocorreu em 06/10/2010, com ciência do sujeito passivo 20/10/2010. Esse marco tem grande relevância, posto que a constituição do crédito tributário ocorreu sob a vigência da Lei n.º 12.101/2009, de 27/11/2009. Esse diploma legal trouxe nova regulamentação sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, tratando também dos requisitos necessários para isenção das contribuições previdenciárias. Por outro lado, verificase que os fatos geradores (01/2006 a 12/2007) ocorreram quando se encontrava em vigência o art. 55 Lei n.º 8.212/1991, norma revogada pela Lei n.º 12.101/2009. É cediço que a nova norma trouxe significativas alterações, podendose destacar duas em especial. Primeiro, a determinação de que a responsabilidade pela certificação das entidades beneficentes não seria mais exclusividade do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, ficando a cargo do ministério cuja competência abrange a área de atuação da entidade. A outra alteração relevante foi a desnecessidade da interessada requer à Administração o reconhecimento do benefício fiscal, o qual se dava mediante a emissão de ato declaratório de isenção. A nova disciplina legal causou grande alteração nos procedimentos fiscais, posto que a legislação revogada exigia ao fisco, para efetuar o lançamento baseado na perda da isenção, primeiramente a emissão de informação fiscal demonstrando o descumprimento dos requisitos legais pela entidade, garantindose a esta a possibilidade de se contrapor ao ato em primeira e segunda instâncias. A partir da Lei n.º 12.101/2009, a auditoria fiscal, ao constar a desconformidade da conduta do sujeito passivo com a norma de regência, já pode efetuar o lançamento dos tributos devidos, indicando os dispositivos que teriam sido desrespeitados. É isso que se infere do seu art. 32: "Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11052.000805/201044 Acórdão n.º 2402004.738 S2C4T2 Fl. 593 7 Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção." Essa norma, inegavelmente tem caráter procedimental, uma vez que estabelece os atos a serem seguidos pelo fisco nas fiscalizações das entidades beneficentes de assistência social. Observese que a regra em tela não trata dos requisitos materiais necessários à isenção, mas apenas faz referência a esses e traça o procedimento a ser adotado em caso de desvio da norma de direito material. É oportuno esclarecer ainda que, por se tratar de norma de natureza procedimental, em consonância com disposto no art. 144, § 1º, do CTN, o comando normativo veiculado pelo art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009 deve ser aplicado na data da formalização do lançamento. Eis o dispositivo mencionado: "Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." Não tenho dúvida de que o art. 32 da Lei n.º 12.101/2009 introduziu novo procedimento para o fisco, subsumindose inteiramente ao § 1.º do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN, motivo pelo qual deve ser aplicado na data do lançamento, independentemente deste se referir a fatos geradores ocorridos sob os auspícios do regramento jurídico precedente. A primeira conclusão que se pode extrair dessa interpretação jurídica é que, malgrado a afirmação do fisco, o lançamento não foi confeccionado para prevenir a decadência, haja vista que a lei nova não exige como condição para lavratura do auto de infração a anterior revogação do benefício fiscal. Tanto isso é verdade que, os processos de pedido de reconhecimento e de cancelamento de isenção ainda pendentes de julgamento deixaram de seguir seu curso normal e passaram a ser devolvidos para as unidades competentes da Administração Tributária, conforme determinação do Decreto n.º 7.237, de 20/07/2010: “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 pedido de isenção até a data de publicação da Lei n.º 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei n.º 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Observase que o Decreto que regulamentou à Lei n.º 12.101/2009 (posteriormente revogado pelo Decreto n.º 8.242/2014) era enfático ao determinar que os pedidos de reconhecimento de isenção e os processos de cancelamento de isenção submetamse à nova sistemática de reconhecimento deste benefício fiscal. Assim, de acordo com o texto regulamentar transcrito, os requisitos para gozo da isenção deverão ser aqueles previstos na legislação vigente à época do fato gerador, todavia, o rito procedimental há de se adequar a novel legislação. Diante dessas considerações, vejo que andou mal a autoridade lançadora quando, tendo efetuado o lançamento sob a égide da Lei n.º 12.101/2009, adotou o procedimento da lei antiga, desrespeitando o § 1.º do art. 144 do CTN. Essa conclusão encontrase em consonância com a jurisprudência desta turma de julgamento, como se pode observar dos acórdãos abaixo transcritos: Acórdão n.º 2402004.623, de 10/03/2015, Rel. Cons. Ronaldo de Lima Macedo ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NA LEI 12.101/2009 E NO DECRETO 7.237/2010. POSSIBILIDADE. REGRAS PROCEDIMENTAIS. A nova Lei 12.101/2009, apesar de revogar o art. 55 da Lei 8.212/1991, estabeleceu que o auto de infração relatará os fatos que demonstram o não atendimento dos requisitos para o gozo da imunidade. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. OCORRÊNCIA. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos determinados na legislação tributária, consignados na Lei 12.101/2009 e no Decreto 7.327/2010. A motivação por remissão (per relationem ou aliunde), que consiste em se reportar às razões fáticas consignadas na fundamentação de outro documento do Fisco, poderá ser utilizada, desde que não haja previsão expressa na legislação tributária exigindo o relato dos fatos dentro do período do lançamento e no próprio auto de infração. Em outras palavras, os fatos evidenciados pelo Fisco deverão constar no próprio Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11052.000805/201044 Acórdão n.º 2402004.738 S2C4T2 Fl. 594 9 auto de infração relativo ao período do lançamento, sob pena de configuração da nulidade formal. Recurso Voluntário Provido. No mesmo sentido caminhou o Acórdão n.º 2402003.246, cujo voto vencedor foi redigido pelo Conselheiro Thiago Taborda Simões: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Como se percebe, o entendimento majoritário desta Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara é de que seja adotada a tese de que, para os créditos constituídos após a edição da Lei n.º 12.101/2009, devese observar o rito procedimental ali previsto, não sendo suficiente para fundamentar o lançamento a mera citação de que a entidade não possuía ou teve cassado o Ato Declaratório de Isenção. Frisese que este entendimento referese apenas aos procedimentos fiscais levados a efeito após a edição da nova lei, não tratando dos créditos constituídos na vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. No caso sob comento, apreciandose o relatório fiscal, observase que a autoridade lançadora não cuidou de elencar os fatos que comprovam o desatendimento dos requisitos da isenção. Naquele relato, fls. 29/37, o fisco apresenta como motivo para o lançamento apenas a existência do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n.º 17.001/002/2005, o qual ainda não seria ainda definitivo, posto que havia recurso pendente de julgamento. Não há na peça de acusação sequer a indicação dos fatos que levaram à emissão do mencionado ato cancelatório. Somente tive contato com esses fatos a partir do teor da informação fiscal de fls. 585/586. Ali, conforme já transcrevi, informase que a entidade teria infringido o § 6.º do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 e o § 3.º do art. 195 da Constituição, por possuir débitos relativos à Contribuição FINSOCIAL/Faturamento e Contribuição Social, com inscrição em dívida ativa em 31/05/2002, como mostra as fls. 908/911 do processo de cancelamento da isenção (apenso). Não há porém como se saber se à época dos fatos geradores esses créditos mencionados estariam com exigibilidade suspensa, posto que há notícia, nos autos do processo n.º 35301.000910/200503 (cancelamento de isenção), que a empresa os teria incluído em parcelamento especial, conforme despacho de fl. 1062, sem que, todavia, seja informada a data em que as dívidas tributárias foram efetivamente parceladas. Nessa toada, não podemos inferir, com base nas informações prestadas pela Fazenda se no período do lançamento houve o descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 que viesse a constituir motivo para que a autuada estivesse impedida de usufruir da isenção. Esse vício, ocasionado por procedimento de fiscalização efetuado com base em legislação revogada para mim é motivo para que se decrete a nulidade do lançamento por defeito no rito da auditoria . A natureza da mácula é tema a ser tratado no tópico seguinte. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11052.000805/201044 Acórdão n.º 2402004.738 S2C4T2 Fl. 595 11 Vício formal Inicialmente, devemos fazer um breve comentário acerca dos elementos que constituem o procedimento de lançamento, para depois tratar das consequências jurídicas advindas de vícios em cada uma das partes que compõem o ato procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume. Compõem o ato de lançamento: a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do ato de lançamento, fazendo parte de sua própria estrutura. São tratados no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a identificação do sujeito passivo são considerados requisitos do lançamento. b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a formação do ato, a exemplo de cientificação do início do procedimento fiscal, intimação para apresentação de documentos, cumprimento de normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do crédito, inadequação do procedimento de apuração à legislação de regência e equívoco na citação dos fundamentos legais, etc. c) Condições: são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo. Quando a mácula situase nos requisitos do lançamento, devese fulminálo por vício material, nos casos em que a autoridade julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato gerador, todavia, tenha verificado a ocorrência de falha na sua descrição, no cálculo do tributo ou na identificação do sujeito passivo. Ao contrário, os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento pedem o saneamento o seu saneamento ou a declaração de vício formal, quando a mácula não possa ser afastada. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais, posto que a falha localizase em elemento exterior ao lançamento. Ainda sobre os requisitos do lançamento, para as situações em que as provas colacionadas e a motivação do fisco não trazem o convencimento da ocorrência do fato gerador, posto que o mesmo não restam suficientemente demonstrados pela Autoridade Fiscal, há de se declarar a improcedência do lançamento. Votemos ao caso concreto. A falha cometida pelo fisco sem dúvida não se deu nos requisitos do lançamento, posto que os fatos geradores, as bases de cálculo as alíquotas e a identificação do sujeito passivo estão apresentados com perfeição. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 O vício detectado situase em pressuposto do lançamento, referente ao rito procedimental observado na constituição do lançamento, que, fora de dúvida, não se confunde com os requisitos essenciais do crédito tributário. O fato do fisco, na sua narrativa haver adotado como motivação para o lançamento apenas a inexistência de Ato Declaratório de Isenção, quando deveria, nos termos do procedimento previsto na legislação vigente na data do lançamento, ter mencionado os requisitos legais que teriam sido descumpridos, não afeta o fato gerador, a base de cálculo, as alíquotas ou a identificação do sujeito passivo, tampouco impacta nos próprios requisitos da necessários ao gozo da isenção, que existem independentemente de haver um pronunciamento formal da administração quanto à existência do direito ao benefício fiscal. É certo dizer que este direito não se modifica em razão da análise ser feita mediante solicitação do sujeito passivo ou mediante procedimento de ofício. Observese que aqui os requisitos legais para isenção são aqueles do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, posto que os fatos geradores ocorreram sob a égide desta legislação, e essas exigências legais não sofrem qualquer interferência em razão do momento da verificação do seu cumprimento. Se houve o cumprimento dos requisitos materiais previstos na lei o direito à isenção existirá, quer a análise deste direito seja feita previamente por impulso do sujeito passivo, quer seja realizada em ação fiscal. No meu entender, o vício decorrente de inadequação de procedimento de fiscalização, por não se situar nos requisitos do lançamento, é de natureza formal. Nesse mesmo caminho, embora com argumentos mais convincentes, trilhou o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, quando ao relatar o processo no qual foi exarado o Acórdão n.º 2402004.623, cuja ementa transcrevi acima, lançou as seguintes ponderações: "Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza formal, pois o Fisco delineou uma motivação instrumental (procedimental e processual) equivocada do contexto legal, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação tributárioprevidenciária. De mais a mais, com a declaração de nulidade por vício formal, a situação de fato e de direito que permeia o fato gerador da contribuição previdenciária patronal não se modificará, permanecendo intangível – tanto nos registros contábeis da Recorrente como na legislação aplicável à época de sua ocorrência – os elementos (ou aspectos) que compõem tal fato gerador. Logo, não há que se falar em vício material, já que o vício apontado anteriormente não atinge os elementos substanciais desse fato gerador; em outras palavras o vício evidenciado nos autos não atinge os elementos enumerados no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11052.000805/201044 Acórdão n.º 2402004.738 S2C4T2 Fl. 596 13 Em respeito à regra do art. 173, inciso II, do CTN, ressalto que o Fisco deverá cientificar o sujeito passivo dessa decisão e tomar as devidas providências estampadas na regra retromencionada, que concede ao Fisco um prazo de 5 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulada, por vício formal, o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.)" Diante do exposto, concluo que o lançamento deve ser anulado por vício formal, facultandose ao fisco, caso conclua pela inexistência do direito à isenção, a possibilidade de lançar as contribuições, no prazo fixado no inciso II do art. 173 do CTN. Conclusão Voto por conhecer do recurso, dandolhe provimento para anular o lançamento por vício formal. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 19515.721600/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovada que o aumento do custo das ações de acionistas pessoas físicas se deu através de planejamento tributário que capitalizou dividendos em duplicidade, pois são meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial nas holdings, seguidas de correspondentes incorporações reversas, com o fim de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital, por configurar conduta abusiva e dissociada dos fins visados pela legislação pertinente.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO.
No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE
O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo. É legitima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou pelas conclusões o Dr. João Bellini Junior. Fez sustentação oral o Dr. Luis Claudio Pinto, OAB/RJ 88.704.
João Bellini Júnior - Presidente.
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovada que o aumento do custo das ações de acionistas pessoas físicas se deu através de planejamento tributário que capitalizou dividendos em duplicidade, pois são meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial nas holdings, seguidas de correspondentes incorporações reversas, com o fim de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital, por configurar conduta abusiva e dissociada dos fins visados pela legislação pertinente. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO. No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo. É legitima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Recurso Provido em Parte
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LUCROS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovada que o aumento do custo das ações de acionistas pessoas físicas se deu através de planejamento tributário que capitalizou dividendos em duplicidade, pois são meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial nas holdings, seguidas de correspondentes incorporações reversas, com o fim de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital, por configurar conduta abusiva e dissociada dos fins visados pela legislação pertinente. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO. No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legitima a incidência de juros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 00 /2 01 1- 02 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou pelas conclusões o Dr. João Bellini Junior. Fez sustentação oral o Dr. Luis Claudio Pinto, OAB/RJ 88.704. João Bellini Júnior Presidente. Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 16ª Turma da DRJ/SP1, nº 1637.543, constante em fls. 555/586: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi lavrado, em 03/11/2011, o Auto de Infração de fls. 355/363, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 335/352, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006 e 2009, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 3.430.512,28 (três milhões, quatrocentos e trinta mil, quinhentos e doze reais e vinte e oito centavos), sendo R$ 1.217.667,43, referentes ao imposto, R$ 1.826.501,14, à multa de ofício e R$386.343,71, aos juros de mora (calculados até 31/10/2011). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 360/361), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa [...] Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 335/352, em dezembro de 2006, após um complexo processo de reorganização societária, o contribuinte alienou à empresa UBS Brasil Participações Ltda a participação que possuía no Banco Pactual, representada por 7.371.501 (sete milhões, trezentas e setenta e uma, quinhentas e uma) ações ordinárias. Tal alienação Fl. 680DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721600/201102 Acórdão n.º 2301004.480 S2C3T1 Fl. 680 3 resultou na apuração de um ganho de capital no valor aproximado de R$ 25,5 milhões e de um imposto de renda pessoa física da ordem de R$ 3,83 milhões, sendo R$ 1,49 milhão no ano de 2006 e R$ 2,34 milhão em 2009 (uma vez que parte do valor da venda foi recebida apenas nessa data, diferindose, assim, sua tributação). Afirma a autoridade lançadora que, antes de concluir a venda de sua participação no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações Ltda, o contribuinte elevou indevidamente o custo de aquisição dessa participação, utilizandose de sofisticados artifícios contábeis, engendrados através de diversos negócios societários, que, resumidamente, consistiram na elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Com isto, o contribuinte inflou artificialmente o custo das ações que pretendia vender, com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação. De acordo ainda com o Termo de Verificação Fiscal, através dessa manobra, o contribuinte promoveu, em 2006, um aumento do custo de aquisição de sua participação no Banco Pactual de incríveis 695,43%, enquanto que, no mesmo período, o patrimônio líquido do Banco experimentou um aumento de 84,45%. Conclui, então, o fiscal autuante que a análise em conjunto de todas as operações que antecederam a alienação das ações representativas do capital social do Banco Pactual, realizadas entre o grupo Pactual e o contribuinte, evidenciam que este incorreu na prática de ato simulado, ao inflar artificialmente o custo de aquisição das ações, com capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, nas operações de incorporações inversas, com o propósito de lesar terceiros, no caso a Fazenda Nacional, configurandose a hipótese de incidência prevista no inciso I, do parágrafo primeiro, do art. 167 do Código Civil, combinado com seu parágrafo 2º. Assim, para efeito da correta apuração do ganho de capital ocorrido na alienação da participação societária que o contribuinte possuía no Banco Pactual S/A, foi expurgado, para fins de cálculo de seu efetivo custo de aquisição, o efeito produzido pelas capitalizações de lucros e/ou reservas nas empresas Nova Pactual Participações e Pactual Holdings, ocorridas em 13/10/2006, nos respectivos valores de R$ 686 milhões e de R$ 202,5 milhões, uma vez que, como acima evidenciado, esse efeito foi utilizado em duplicidade e está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A, realizada em 03/11/2006, no valor de R$996.087.876,00. Expurgandose o acréscimo promovido pelo contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão capitalização da empresa Nova Fl. 681DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Pactual Participações, no valor de R$ 8.117.624,00, foi apurado o valor correto do custo de aquisição das ações alienadas, que somou R$ 8.572.820,70 (R$ 16.690.444,70 R$ 8.117.624,00). Cientificado da autuação em 17/11/2011 (fls. 364), o interessado apresentou, em 30/11/2011, por meio de seu representante legal, a impugnação de fls. 368/408, por meio da qual alega, em síntese, o que segue: 1. antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 0,8315% da Nova Pactual Participações Ltda, sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital da empresa Pactual S/A., holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual; 2. os investimentos representativos dos demais 21,82% do capital da Pactual S/A eram de propriedade da Pactual Holdings S/A., sociedade holding na qual o impugnante não tinha qualquer participação; 3. os principais atos da reestruturação questionados pelo Auto de Infração foram: i) aumento de capital da Nova Pactual Participações, realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo do custo dos investimentos do impugnante em R$8.117.624,00; ii) aumento de capital da Pactual Holdings, na mesma data, mediante a capitalização e lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, o qual é irrelevante no caso concreto porque, como visto acima, o impugnante não era titular de investimentos na Pactual Holdings; iii) incorporação da Nova Pactual Participações (e Pactual Holdings, o que não é relevante no caso) pela Pactual S/A, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao impugnante, em substituição à sua participação no capital da incorporada, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, na Pactual S/A; iv) aumento de capital da Pactual S/A, em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, resultando em aumento do custo dos investimentos do impugnante na Pactual S/A em R$ 6.474.568,00; v) incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual (incorporação reversa), tendo o impugnante recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no Banco Pactual; 4. depois da incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual, as ações deste último, das quais o impugnante se tornou proprietário, foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda, pelo preço total de R$ 34.083.513,27, sendo que uma parcela foi paga a vista, em 2006 (R$ 13.246.603,51), e outra parcela, em 2009 (R$ 20.836.920,00); 5. do montante de R$ 20.836.920,00, parte foi paga em dinheiro (R$ 14.902.708,62) e o restante (R$ 5.934.211,38), em ações representativas de aumento de capital de BTG Pactual Participações II S/A; 6. após a implementação da reestruturação, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual passou a ser de R$ 16.690.444,70; Fl. 682DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721600/201102 Acórdão n.º 2301004.480 S2C3T1 Fl. 681 5 7. a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual, refletida em suas investidoras em razão da aplicação do MEP, seguida da incorporação inversa dessas mesmas investidoras por suas investidas, acarretou majoração do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco e a conseqüente redução do montante do ganho de capital e do IRPF sobre ele incidente; 8. no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, a fiscalização afirma que a reestruturação: i) implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; ii) consubstanciou ato simulado cujos efeitos, nos termos do art. 116, § único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; iii) implicou na caracterização cumulativa de todas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, quais sejam, sonegação, fraude e conluio, motivando a aplicação da multa de 150%; 9. em razão do exposto, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, qual seja, aquele decorrente da capitalização de lucros pelas holdings do Banco Pactual (Nova Pactual Participações e Pactual S.A), no que excederam os lucros existentes no próprio Banco Pactual; 10. o auto indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, e nenhum deles foi infringido pelo impugnante; 11. o Grupo Pactual era composto por diversas holdings existentes há mais de dez anos e constituídas em uma época em que as pessoas físicas integrantes do grupo (controladores) sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; 12. os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e a distribuição de seus resultados e, dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as mesmas se tornassem totalmente desnecessárias; 13. em tese, as holdings poderiam ser extintas antes ou depois da concretização da venda do Banco Pactual, sendo que, na primeira hipótese, os controladores figurariam no pólo vendedor da operação, ao passo que, na segunda, as holdings ocupariam essa posição; 14. pela natureza do negócio celebrado com o UBS Brasil, optouse pela extinção das holdings antes da realização do negócio; 15. como é comum em vendas de instituições financeiras com as características do Banco Pactual, os acionistas assumiram obrigações de caráter personalíssimo, como a de não competirem com a sociedade vendida Fl. 683DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 e mesmo de nela continuarem atuando até que seu fundo de comércio tenha se consolidado após a transferência de seu controle acionário; 16. o descumprimento de tais obrigações gerava reflexos no pagamento do preço de venda das ações do Banco e, por isso, caso os acionistas não fossem os vendedores, mas uma das holdings do Grupo, a inadimplência por parte de apenas um dos acionistas acabaria afetando o recebimento do preço pela holding vendedora, com consequência para todos os acionistas; 17. assim, nada mais lógico que eles fossem parte no negócio, e não meros intervenientes. 18. o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; 19. entre as diversas variantes que poderiam ser adotadas para fazer com que os controladores figurassem como vendedores, tais como: i) a liquidação das holdings com a entrega dos ativos (no que se incluiriam as ações do Banco Pactual) aos controladores em devolução do capital; ii) a redução do capital das holdings, mediante entrega dos investimentos no Banco Pactual aos controladores; iii) incorporações diretas ou tradicionais, cujos inconvenientes são enormes, ressaltando que a incorporação de um banco como o Pactual por outra empresa, sobretudo uma que não seja instituição financeira, seria extremamente complexa e onerosa; iv) a venda, pelos controladores, de investimentos diretos nas holdings, hipótese em que seria desnecessária qualquer reestruturação societária prévia; a última variante disponível, a incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual, sem dúvida, era a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; 20. desde que o art. 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; 21. não procede, assim, a alegação de que a opção pelas incorporações inversas consistiu em um artifício motivado exclusivamente pela economia fiscal; 22. nas incorporações, a incorporadora recebe um conjunto patrimonial (bens, direitos e obrigações) e “paga” aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas de aumento de seu capital; 23. não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada têm o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; 24. a incorporação das holdings pelo Banco Pactual é um exemplo de incorporação “inversa” ou “reversa”, na qual a investida (Banco Pactual) sucede as investidoras (as holdings) em todos os seus bens, direitos e Fl. 684DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721600/201102 Acórdão n.º 2301004.480 S2C3T1 Fl. 682 7 obrigações, dentre os quais figuram os investimentos da investidora/incorporada na investida/incorporadora, cabendo à investida/incorporadora aumentar seu capital social e entregar as ações representativas desse aumento aos acionistas da investidora/incorporada; 25. contudo, a investida/incorporadora passa a ter ações representativas de seu próprio capital social, que são canceladas no próprio ato ou, opcionalmente, mantidas em tesouraria, na hipótese de a investida dispor de lucros ou reservas suficientes à subsistência das ações; 26. ocorre, assim, um aumento de capital (para a emissão de ações destinadas aos acionistas da investidora/incorporada) e uma subsequente redução do capital para cancelamento das ações representativas do próprio capital da investida, caso a mesma não possa ou não queira mantêlas em tesouraria; 27. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 28. a parcela do patrimônio líquido da incorporada, representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação e, por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 29. a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e até mesmo pelo fisco; 30. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S/A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 31. em vista disto, os lucros de Nova Pactual Participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação; 32. tal assertiva é comprovada pela simples análise da capitalização de lucros de Nova Pactual Participações, realizada nos termos de sua 4a Alteração Contratual, datada de 13/10/2006 oportunidade em que o capital de Nova Pactual foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, créditos estes decorrentes do direito ao recebimento de lucros; 33. esta foi, portanto, a razão de a capitalização de lucros de Nova Pactual Participações ter sido expressa e não mera decorrência de sua incorporação por Pactual; Fl. 685DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 34. a legislação do Imposto de Renda determina, no art. 130, §1º e art. 135 do RIR, que o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados; 35. nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado, ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada; 36. no caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação, mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação; 37. o ajuste de custo do valor dos investimentos se verificaria, quer houvesse deliberação expressa específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings, como houve, quer não; 38. a legislação em vigor prevê que a capitalização dos lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro; 39. quer a capitalização dos lucros das holdings tivesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionistas eram os vendedores e, dentre eles, estava o impugnante e, ssim, o ajuste do custo dos seus investimentos decorre da aplicação da lei, não havendo como rejeitálo; 40. a opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do Banco Pactual pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi mera consequência da adoção dessa opção legítima e essencial aos negócios; 41. ainda que a majoração dos investimentos do impugnante no Banco Pactual seja em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco e que esta seja encarada como uma distorção, ela resulta da aplicação das normas societárias em vigor; 42. não se pode esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe favorecer, pela peculiaridade de determinada situação; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; 43. as distorções decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial ocorrem não só nas hipóteses de incorporações reversas, mas também em outras situações; 44. o 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que Fl. 686DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721600/201102 Acórdão n.º 2301004.480 S2C3T1 Fl. 683 9 “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”; 45. as distorções que ocorrem devem ser corrigidas por quem tem competência para isso, o legislador, estando o intérprete e o aplicador da lei adstritos aos seus termos, não lhes cabendo deixar de aplicála por considerar que deveria ter tratado de forma diversa uma situação específica; 46. ao afirmar que o impugnante deveria ter baixado uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos quando ocorreu a incorporação reversa das holdings do Grupo Pactual, a fiscalização quer impor a adoção de procedimento sem base legal e sequer previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil; 47. além disso, faltaria até lógica a esse procedimento, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital; 48. o impugnante tinha investimentos direitos na Nova Pactual Participações e a realização de aumento de capital dessa empresa propiciou um aumento de custo de R$8.177.624,00; 49. a distribuição proporcional dos lucros da Nova Pactual Participações, decorrente desse aumento de capital, resultou em um acréscimo significativo na participação do impugnante, que passou de 0,3839% para 0,8315%; 50. por outro lado, após a incorporação da Nova Pactual Participações pela Pactual S/A ocorreu um aumento de capital dessa última, que proporcionou ao impugnante um acréscimo de custo no montante de R$ 6.474.568,00, sendo que o auto de infração desconsidera o acréscimo de custo decorrente do primeiro aumento de capital, ou seja, o de maior valor; 51. por coerência com o que consta do auto de infração, se alguma parcela de custo tivesse que ser desconsiderada, seria a decorrente do aumento de capital da Pactual S/A e não da Nova Pactual Participações uma vez que: i) o aumento vinculado à esta última empresa é resultante da utilização de lucros nela existentes e o impugnante tinha investimentos diretos na empresa; e ii) esse aumento de custo teria ocorrido mesmo na hipótese da empresa Nova Pactual Participações ter incorporado a Pactual S/A (a investida), dentro do que seria o “padrão normal” destas operações, conforme sustenta o auto de infração; 52. o art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil contempla situação em que pessoas sem qualquer interesse real (as chamadas interpostas pessoas) participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes; 53. no caso concreto, não houve simulação por interposição de pessoa, pois em nenhum momento aparentouse conferir direitos a pessoa distinta Fl. 687DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 com o objetivo de ocultar a que efetivamente os recebeu, não tendo havido em qualquer etapa da reestruturação a interposição de parte oculta; 54. a alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e o UBS Brasil, tendo a reestruturação sido feita às claras para viabilizar a negociação das ações do Banco Pactual diretamente pelos controladores e, nesse particular, ela não foi contestada; 55. os bens transferidos aos controladores foram ações do Banco Pactual e não direitos caracterizados pela majoração artificial do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A; 56. ainda que a legislação vedasse a elevação dos custos do investimento do impugnante, a reestruturação teria ocorrido exatamente da mesma forma que ocorreu, pois ela representava a maneira mais rápida e econômica de viabilizar o negócio; 57. de acordo com a maior parte dos precedentes do 1º CC, a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles; 58. o art. 116, § único, do CTN é inaplicável, seja porque ele não se destina ao combate de atos simulados, seja porque ele é ainda ineficaz, por não ter sido regulamentado; 59. o referido dispositivo não é autoaplicável e o próprio texto faz referência aos “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, sem os quais o referido dispositivo não produz efeitos; 60. a fiscalização não lançou a multa agravada com base na ocorrência de simulação, a qual foi suscitada no TVF unicamente para justificar a aplicação do art. 116, § único do CTN; 61. todavia, se este tivesse sido o caso, a inaplicabilidade da multa já teria restado plenamente comprovada, pois, conforme visto, não houve qualquer ato simulado na reestruturação; 62. o fato de o TVF indicar a existência cumulativa de simulação, sonegação, fraude e conluio é um fortíssimo indício de que a fiscalização não se preocupou em comprovar suas alegações, optando por mencionar todas as patologias que lhe ocorreram; 63. tal procedimento contraria a jurisprudência pacífica do CARF e da CSRF, que em numerosos julgados têm decidido que a aplicação da multa agravada está condicionada à comprovação, por parte do fisco, da existência de “evidente intuito de fraude do sujeito passivo”; 64. diante do exposto, fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721600/201102 Acórdão n.º 2301004.480 S2C3T1 Fl. 684 11 65. é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; 66. à vista do exposto, requer que seja julgado improcedente o auto de infração, com a consequente extinção do crédito tributário dele decorrente. Para fins de instrução processual, o contribuinte juntou aos autos os documentos de fls. 409/550. A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação. (g.n) O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1637.543 da 16ª Turma da DRJ/SP1 em 27/04/2012 (fl. 591). Sobreveio Recurso Voluntário em 07/05/2012 (fls. 595/642), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Inicialmente, cumpre esclarecer que a matéria aqui tratada não é nova neste E. Conselho. Vários julgados analisaram as operações que resultaram na alienação de participações societárias do Banco Pactual à UBS. A fim de elucidar a questão, cito como exemplo, os acórdãos 210201.938, 2202002.164, 2202002.165, 2202002.166, 2202 002.167, 2202002.258, 2202002.260, 2202002.262, 2202002.263, 2202002.428 e 2802 003.285. Dá análise destes, verificase que apenas o primeiro dos acórdãos citados considerou totalmente indevido o lançamento; os demais deram parcial provimento ao recurso voluntário apenas para cancelar a qualificadora da multa. O contribuinte alienou a participação societária que possuía no BANCO PACTUAL, representada por 7.371.501 (sete milhões, trezentas e setenta e um mil, quinhentas e uma) ações ordinárias, à empresa UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. Pelo contrato de compra e venda celebrado entre o Banco Pactual e a UBS, ficou acertado que a compra e venda se daria diretamente entre as pessoas físicas, sócios e/ou acionistas das sociedades controladoras do Banco Pactual e a UBS. Para tanto, foi promovida uma série de reestruturações societárias, nas quais a sociedade controlada incorporou a sociedade controladora (operação nominada de Fl. 689DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 “incorporação reversa” ou “incorporação às avessas”); assim, no que interessa ao presente processo, a Pactual S.A. incorporou a Nova Pactual em 13/10/2006 e foi incorporada pelo Banco Pactual em 1º/12/2006. Previamente a cada incorporação reversa ocorreu, na incorporada/ controladora, aumento de capital social, por meio da capitalização de créditos que os sócios detinham perante a sociedade, decorrentes do direito a receber dividendos. Os sócios, em vez de receberem os dividendos a que teriam direito, os utilizaram para aumentar o capital social da sociedade que, em seguida, foi incorporada por sua controlada. Como decorrência do aumento de capital na sociedade em que detinham participação direta (primeiramente a Nova Pactual, e, após sua incorporação pela Pactual S.A., esta última), os quotistas/acionistas promoveram o aumento do custo de aquisição de sua participação societária, que segundo o recorrente estariam autorizados pelo art. 135 do Decreto 3.000, de 1999, que aprova o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR 99). O recorrente alienou, conjuntamente com os demais acionistas, suas ações do Banco Pactual, apurando ganho de capital nos anoscalendário 2006 e 2009 (anos em que recebeu pagamentos atinentes à operação). Acerca da matéria ora em julgamento, há recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Acórdão nº 9202003701 2ª Turma, em sessão de 27/01/2016, ementada conforme segue: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância à correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. Do julgado acima referido, subtraio excertos do voto da Ilustre Relatora Maria Helena Cotta Cardozo, os quais utilizo como fundamento para decidir: [...] A distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings), tendo por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia societária. Nesse passo, não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), tampouco capitalizá lo mais de uma vez. Isso porque as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding. Esta, por sua vez, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, Fl. 690DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721600/201102 Acórdão n.º 2301004.480 S2C3T1 Fl. 685 13 pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional, e os acionistas somente podem aumentar capital na holding em que possuam participação direta. Finalmente a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar o capital da pessoa jurídica operacional. Assim, somente haverá capitalização de lucros passíveis de distribuição se toda a cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizar a capitalização. Caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único, do art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. [...] Com efeito, como bem analisou a decisão de primeira instância, o aumento do custo de aquisição das ações não pode superar a riqueza produzida pela sociedade. Desse modo, o planejamento tributário adotado capitalizou os mesmos dividendos por duas vezes, considerando que as reservas e lucros capitalizados por Nova Pactual Participações S/A e Pactual S/A são o resultado da equivalência patrimonial do Banco Pactual. Nesse sentido, utilizo como razões para julgar o mérito os fundamentos adotados pela decisão a quo, abaixo transcritos, os quais as ratifico e bem elucidam a questão posta nos autos: Conforme relatado pela fiscalização, ocorreu um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos patrimônios líquidos das sociedades investidoras (Nova Pactual Participações e Pactual S/A) em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial originado pelo lucro obtido pela investida (Banco Pactual S/A), todas elas tiveram seus lucros e reservas capitalizados. Os acionistas consideraram, então, o valor incorporado como dividendos não distribuídos e aumentaram o custo de suas ações nas investidoras. Ocorre que os recursos financeiros ainda não se encontravam nas investidoras, mas na investida. Após as incorporações inversas, as investidoras foram extintas e suas ações substituídas pelas ações emitidas pela investida. No ato de incorporação, ocorreu a capitalização dos lucros e reservas da investida, aumentandose novamente o custo de aquisição das ações dos acionistas, que consideraram o valor incorporado como dividendo não distribuído. Percebese, pelo exposto, que todos os atos de reorganização societária (capitalização de lucros e reservas e incorporações reversas) de Nova Pactual Participações S/A por Pactual S/A foram contínuos, todos na data de 13/10/2006, ocorrendo, em 03/11/2006, a capitalização de lucros e reservas de Pactual S/A e, em 01/12/2006, sua incorporação pelo Banco Pactual S/A. Tais operações geraram um aumento importante do custo de aquisição das ações pertencentes ao contribuinte antes da alienação, por ocasião da capitalização de dividendos da Fl. 691DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 holding Nova Pactual Participações S/A e da incorporadora Pactual S/A. Entretanto, conclui a fiscalização, de forma acertada, que os aumentos de capital promovidos pelo interessado e utilizados como justificativa para esses aumentos de custo tiveram origem em um único fato econômico: o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, sendo que os demais aumentos de custo foram destituídos de qualquer amparo material e econômico. Pretendeuse aumentar o custo do Banco Pactual não através de recursos, mas através de reflexos/imagens de recursos, o que se torna patente ao compararmos o aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual em 2006 (84,45%) ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período (695,43%). O aumento do custo de aquisição das ações não pode superar a riqueza produzida pela sociedade. Não há sentido econômico em tal fato, mas sim uma distorção, que não decorreu do texto de lei, mas de procedimento que capitalizou os mesmos dividendos por duas vezes, considerando que as reservas e lucros capitalizados por Nova Pactual Participações S/A e Pactual S/A são o resultado da equivalência patrimonial do Banco Pactual. [...] Todavia, no que tange a multa qualificada, da análise especificamente do Termo de Verificação Fiscal, constante em fls. 335/352 (PDF) entendo que a fiscalização não logrou êxito em comprovar o dolo do contribuinte em sonegar e fraudar o erário Público, tal qual previsto nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502 de 1964, limitandose apenas a argumentar que através das operações societárias realizadas entre as empresas envolvidas, pretendeu o contribuinte simular e elevar o custo de aquisição da sua participação detida junto ao Banco PACTUAL S/A e alienada a UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. A multa qualificada, aplicada ao caso em exame, está prevista no art. 44, inciso I, §1º, da Lei n° 9.430/96, que determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os arts. 71 e 72 da Lei n° Lei 4.502/64, por seu turno, assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 692DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721600/201102 Acórdão n.º 2301004.480 S2C3T1 Fl. 686 15 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tecla ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ocorre que, a fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito de liberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizando se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que a diferenciada declaração inexata ou da falta ou pagamento a menor do tributo ou da omissão de rendimentos, seja ela pelos mais variados motivos que se possa alegar. Dessa forma, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O intuito do contribuinte de fraudar não pode ser presumido: Compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa de fraudar o fisco. No planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Apesar da nítida intenção do contribuinte em ver reduzida sua tributação, não se vislumbra a presença do dolo relacionado à conduta que levou à pretendida redução de tributo. Nos casos de planejamento tributário, é necessário que seja identificado o dolo relacionado à ilicitude da conduta praticada, e não com relação ao objetivo de redução de tributo. Mesmo porque, está no cerne do conceito de elisão fiscal a existência do direito do contribuinte de planejar seus negócios com o objetivo de redução ou não pagamento de tributos. No entanto, frustrado o planejamento tributário e ausente a evidência de que o contribuinte sabia e queria praticar o ilícito, deve ser afastada a multa qualificada. Temse, assim que, apesar de o negócio ter sido desconsiderado, afastandose os seus efeitos para fins Fl. 693DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 de tributação, identificandose ser o tributo devido, resta evidente que o Recorrente agiu certo de que estaria praticando o chamado negócio jurídico lícito, afastando o dolo apontado. Neste sentido cabe transcrever a ementa dos julgados abaixo, os quais coadunam com o entendimento desta relatora: "Processo nº 12448.736211/201175 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.285 2ª Turma Especial Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria IRPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2010 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249/95 (ART. 135 DO RIR/99). A sucessiva capitalização de lucros que são meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial nas holdings, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 (art. 135 do RIR/99) para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital, por configurar conduta abusiva e dissociada dos fins visados pelo referido preceito legal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL ACERCA DO DOLO. DESCABIMENTO. Não restando suficientemente evidenciado que o contribuinte pautou sua conduta com o dolo de infringir as normas tributárias, não cabe perseverar a qualificação da multa de ofício. [...]" "Processo nº 18471.000009/200633 Recurso nº 154.824 Voluntário Matéria IRPJ E OUTRO Exs.: 2002 a 2004 Acórdão nº 10709.601 Sessão de 17 de dezembro de 2008 [...] MULTA QUALIFICADA Ainda que se possa vislumbrar nas condutas da autuada as figuras doutrinárias, e hoje positivadas na legislação civil, da fraude à lei e do abuso de direito, se os Fl. 694DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721600/201102 Acórdão n.º 2301004.480 S2C3T1 Fl. 687 17 atos negociais foram devidamente registrados, feitos às claras e cumpridas todas as obrigações acessórias, quando foi dado ao fisco conhecer, sem dificuldade alguma, toda a extensão dos negócios engendrados, não cabe a qualificação da penalidade, porque não provadas as figuras delituosas requeridas pela lei que autoriza a exasperação da penalidade. [...]" Por fim, passo a análise da alegação de impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão, envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício após a lavratura do auto de infração, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendo lhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, sendo, portanto, possível a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento, conforme preceituado pelo art. 113, § 3º, do CTN. Por seu turno o §1º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei n° 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5º a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Neste sentido se posicionou a 2ª Turma da CSRF: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, isto porque a multa de oficio integra o “crédito ” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de oficio, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado." (Acórdão no 920200I.991.de 16/02/2012, relator: conselheiro Elias Sampaio Freire) Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de oficio após a lavratura do auto de infração, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para, desqualificar a multa de ofício aplicada, reduzindoa para 75%. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 696DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16327.720086/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DO JULGADO.
Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF, não constituindo peça recursal hábil à simples rediscussão da matéria julgada pelo colegiado.
Numero da decisão: 3401-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração prestamse ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF, não constituindo peça recursal hábil à simples rediscussão da matéria julgada pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 86 /2 01 3- 71 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Tratase de embargos de declaração (fls. 610 a 617) opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3403003.509 (fls. 428 a 455), relatado pelo Cons. Ivan Allegretti, no qual atuei como redator designado. Alega a embargante que a decisão é omissa no que se refere à "determinação judicial de apuração do PIS pela sistemática da Lei Complementar (LC) no 7/70, afastados os ditames da Lei no 9.718/98", a despeito de tal ponto ter sido suscitado no Recurso Voluntário. Assim, seria indevida a multa de ofício exigida em relação à Contribuição para o PIS/PASEP. Figuram ainda no presente processo recurso especial interposto pela Fazenda (fls. 457 a 471), com exame de admissibilidade às fls. 473 a 475, e contrarrazões do contribuinte (fls. 524 a 546, e, depois, às fls. 652 a 674). Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 764/765, e a mim distribuídos para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 764/765, passase diretamente à análise da omissão objetivamente apontada, em relação à "determinação judicial de apuração do PIS pela sistemática da Lei Complementar (LC) no 7/70, afastados os ditames da Lei no 9.718/98". Recordese que a parcela relativa a COFINS não é objeto de embargos, e que no que se refere à Contribuição para o PIS/PASEP, concluiu majoritariamente a turma que o Mandado de Segurança no 2005.61.00.0276612 objetivava afastar a aplicação do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, e que tal discussão não se confunde com a referente ao que se entende por receitas financeiras de instituições financeiras. Naquela ação judicial, como se narra no voto vencedor, o demandado era efetivamente o afastamento da Lei no 9.718/1998, mas o provimento obtido na instância de piso, além de ser restritivo temporalmente, afastou o somente § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, determinando a aplicação da LC no 7/70. E, na sequência da narração, o voto vencedor enfaticamente esclareceu (fl. 448): "Não é preciso muito esforço na leitura para perceber que o provimento judicial obtido não discute se as rubricas em análise nestes autos administrativos (7.1.1.00.00.1 Rendas de operações de créditos; 7.1.3.00.00.0 Rendas de câmbio; 7.1.4.00.00.0 Rendas de aplicação interfinanceira de liquidez; 7.1.5.00.00.3 Rendas de títulos de renda fixa; 7.1.8.00.00.2 Rendas de participações; e 7.1.9.00.00.5 outras receitas operacionais) são receitas operacionais ou de prestação de serviços de uma instituição financeira, como a recorrente. Tal discussão, por certo, sequer foi travada no processo judicial." (grifo nosso) Fl. 767DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720086/201371 Acórdão n.º 3401003.077 S3C4T1 Fl. 767 3 Ou seja, não há omissão em relação à aplicação da LC no 7/70, ou ao afastamento da Lei no 9.718/1998 (esclareçase, precisamente de seu art. 3o, § 1o), mas simplesmente o reconhecimento expresso de que tal aplicação/afastamento foi tomada em conta pelo fisco, mas não resolveu a questão referente à definição do que seria uma receita financeira de instituição financeira, o que reflete exatamente a divergência presente nos autos, e já apreciada pela turma, como se depreende do mesmo voto vencedor (ainda à fl. 448): "Assim, a fiscalização, em face do provimento judicial, busca aplicálo ao caso concreto, identificando qual seria a base de cálculo a tomar em conta, nos termos das Leis Complementares de regência (tal qual assegurado em juízo), considerando a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, inclusive reconhecida pelo STF. Contudo, aí surge uma segunda controvérsia, exatamente aquela sequer encarada em juízo: as receitas de operações de créditos, títulos de renda fixa, câmbio, participações etc. (que seriam “receitas financeiras” para a maior parte das empresas), no caso de instituições financeiras (como a recorrente), seriam receitas operacionais, ou de prestação de serviços? E é com base na resposta a essa questão (que não tem relação necessária com a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998) que a unidade local, alicerçada no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, efetua o lançamento." (grifo nosso) Caso o contribuinte discorde da decisão do colegiado, a peça recursal a ser empregada é diversa, e atende a pressupostos distintos. Os embargos de declaração prestamse ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF, não constituindo peça recursal hábil à simples rediscussão da matéria julgada pelo colegiado. A embargante busca, assim, objetivamente, rediscutir a leitura que fez o Acórdão nº 3403003.509 da decisão judicial por ela obtida à época, e isso não reflete em verdade "omissão", nem matéria passível de análise em sede de embargos. Assim, pela inexistência da omissão apontada no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos de declaração, que não se prestam a simples rediscussão de mérito. Voto, portanto, no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 768DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720109/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
SOBRESTAMENTO.
O disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62-A não mais se aplica, ou seja, não se aplica o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF nº 545/2013.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS
O lançamento é procedente uma vez que a diferença entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito e os fatos que levaram-nos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.
PIS. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.
A exclusão do ICMS da base das contribuições não pode ser feita tendo em vista o artigo 62-A do Regimento do CARF uma vez que a decisão do tema cuja repercussão geral foi reconhecida não é definitiva.
IRPJ. TRIBUTOS REFLEXOS.
Em relação aos lançamentos decorrentes, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela íntima relação entre eles.
Numero da decisão: 1202-001.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas; em NÃO CONHECER do pedido de perícia; e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que negava integralmente provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Bellini Junior.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente da Segunda Câmara
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Redator ad hoc.
EDITADO EM: 14/09/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta (redatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando:
(I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF;
(II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181);
(III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e
(IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 34, de 31 de agosto de 2015.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 SOBRESTAMENTO. O disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62-A não mais se aplica, ou seja, não se aplica o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF nº 545/2013. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O lançamento é procedente uma vez que a diferença entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito e os fatos que levaram-nos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. PIS. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. A exclusão do ICMS da base das contribuições não pode ser feita tendo em vista o artigo 62-A do Regimento do CARF uma vez que a decisão do tema cuja repercussão geral foi reconhecida não é definitiva. IRPJ. TRIBUTOS REFLEXOS. Em relação aos lançamentos decorrentes, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela íntima relação entre eles.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SOBRESTAMENTO. O disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, não se aplica o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF nº 545/2013. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O lançamento é procedente uma vez que a diferença entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito e os fatos que levaramnos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. PIS. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. A exclusão do ICMS da base das contribuições não pode ser feita tendo em vista o artigo 62A do Regimento do CARF uma vez que a decisão do tema cuja repercussão geral foi reconhecida não é definitiva. IRPJ. TRIBUTOS REFLEXOS. Em relação aos lançamentos decorrentes, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela íntima relação entre eles. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 09 /2 01 1- 98 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas; em NÃO CONHECER do pedido de perícia; e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que negava integralmente provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Bellini Junior. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente da Segunda Câmara (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Redator ad hoc. EDITADO EM: 14/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício à época do julgamento), Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta (redatora à época do julgamento), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto do presente acórdão, considerando: (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181); (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 34, de 31 de agosto de 2015. Relatório Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 3 3 Segundo a relatora: "VERGOTI COMÉRCIO DE METAIS LTDA EPP (CNPJ 81.709.800/000188), teve contra si iniciado procedimento administrativo, decorrente de dois Atos Declaratórios Executivos – nº 46, que determinou sua exclusão do Simples Federal, retroativa à data de 1º de janeiro de 2007, e nº 47, que determinou sua exclusão do Simples Nacional, retroativa à data de 1º de janeiro de 2007. Em decorrência de tais ADE, foram lavrados Autos de Infração, pelo lucro arbitrado, relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Quanto aos Atos Declaratórios Executivos, ambos datados de 17.06.11, transcrevo trecho contido no acórdão recorrido para elucidar a situação: “2. O ADE nº 46, de 17/06/2011 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 301303, onde restou comprovado que a contribuinte em análise, auferiu no ano calendário de 2006 movimentação bancária de R$16.456.958,68, sendo que deste montante, ofereceu à tributação apenas R$1.341.347,59. Após a análise das justificativas do contribuinte, foi considerado como receita omitida o importe de R$15.115.611,09, conforme detalhado na representação. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 9º, inciso II e artigo 13, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2007. 3. Já o ADE nº 47, de 17/06/2011, foi emitido em face da mesma Representação Fiscal já mencionada e sob o mesmo argumento, com efeitos a partir de 01/07/2007, tendo como fundamento legal afronta ao disposto no artigo 12, inciso I da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007 e artigo 5º, inciso IX e 6º, inciso VII, ambos da Resolução nº 15, de 23/07/2007. 4. Cientificado em 04/07/2011 (fl.306), apresentou manifestação de inconformidade em 19/07/2011, fls. 307314, onde solicita a realização de diligências, mediante a oitiva de prepostos da pessoa jurídica a fim de que seja devidamente comprovado que a impugnante faz jus à condição exigida nas leis que regulam o Simples; que sejam recebidos e conhecidos eventuais documentos apresentados posteriormente, haja vista que, diante da antiguidade dos fatos tratados no presente processo, não conseguiu levantar em tempo hábil, toda a documentação; que seja reconhecida a procedência desta manifestação, para o fim de anular os atos de exclusão ao Simples, bem como todos os autos de infração lavrados em decorrência desta exclusão ou; caso ocorrer a rejeição da manifestação, requer que a exclusão surta efeitos apenas a partir do exercício seguinte àquele em que transitar em julgado a decisão aqui prolatada, bem como da impugnação que será apresentada ao PAF 11634.720109/2011 98". Como dito, em decorrência da exclusão da sistemática do Simples Nacional e do Simples Federal, foram lavrados autos de infração. O lançamento se deu pelo Lucro Arbitrado, ante a ausência de manifestação ou opção do contribuinte quanto à tributação Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 desejada, a partir do 2º Semestre de 2007. Neste ponto, o contribuinte somente indicou que sua tributação é pelo Simples e que não haveria necessidade de retificar as GFIP´s, já que contestou a exclusão ao Simples por defesa administrativa. Não houve a comprovação da origem de valores depositados/creditados nos demonstrativos contidos em anexo ao termo de intimação fiscal, resultando na lavratura dos seguintes autos de Infração: IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fl. 2980). Valor: 814.901,72 CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fl. 3020), Valor: R$ 385.558,82 Cofins (fl. 3061). Valor : R$ 1.069.279,35 Contribuição ao PIS (fl. 3073) . Valor: R$ 231.564,72. Aos mencionados valores acresceuse multa de ofício no patamar de 75% e juros moratórios calculados com base na taxa SELIC. Regularmente intimada, em 29 de dezembro de 2011, a contribuinte apresentou impugnação, onde indica que, em 2006, exercia atividade econômica consistente no comércio atacadista de sucata de metais, serviço de torno e repuxo de metais e indústria de vergalhões de metais, e em novembro do mencionado ano, alterou sua atividade para comércio atacadista de sucata de metais (exceto chumbos, acumuladores e resíduos industriais) e comércio atacadista de vergalhões e linguotes de metais. Aponta que sempre fora enquadrada como Empresa de Pequeno Porte (EPP), nos termos do art. 2º, II, da Lei Federal 9841/99, recolhendo seus impostos pelo Simples. Mediante fiscalização da Receita Federal, ocorreu sua exclusão do Simples, justificada por terem suas receitas ultrapassado o teto legal para a opção. Contra o ato de exclusão, foi apresentada impugnação, que teria expressamente efeitos suspensivos. Ainda assim, teve contra si lavrados autos de infração, objetos do presente processo. Discorrendo sobre o lançamento, aponta, inicialmente para a necessidade de se observar o efeito suspensivo da impugnação apresentada no PA n. 11634.720286/201174, onde se discute sua exclusão do Simples, manifestação esta ainda pendente de julgamento. Considerando os efeitos suspensivos da impugnação apresentada, não pode a exclusão começar a produzir efeitos, consoante o artigo 3º dos Atos Declaratórios de Exclusão e o artigo 23, parágrafo único, da Instrução Normativa n. 608 de 09 de janeiro de 2006, que entende equiparar a manifestação de inconformidade apresentada ao ADE à impugnação do Decreto nº 70.235/72, que expressamente suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme artigo 151, III do CTN – Código Tributário Nacional. Assim, sem sequer a análise da exclusão, sofreu autuação, que é manifestamente ilegal, sendo os Autos de Infração inexigíveis e merecedores de anulação. Discorre sobre a invalidade do lançamento realizado unicamente com base em movimentação financeira, que entende ser o caso dos presentes autos. Indica que o objeto do lançamento são valores creditados em contas de depósito ou investimento mantidas junto às instituições financeiras sem a comprovação de origem. Entende que não deixou de escriturar nenhuma receita, inexistindo movimentações Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 4 5 bancárias representativas de receitas não escrituradas. Aponta para o respeito à noção razoável de que nem toda movimentação bancária é receita, pelo que entende que a autuação foi arbitrária e precipitada. Destaca sua boafé durante todo o procedimento, tendo atendido sempre e adequadamente as solicitações fiscais, mas que o exíguo tempo deferido para a juntada de documentação comprobatória compromete sua defesa, indicando que por parte do fisco, buscouse realizar o lançamento de forma apressada e invalida, reiterando, neste ponto, não haver receita omitida. Aponta que não há, pelo Fisco, a indicação do que considera como receita, eis que a totalidade de sua movimentação bancária foi como tal computada, sendo o lançamento realizado unicamente com base na movimentação bancária, prática vedada, inclusive pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes e Tribunais pátrios, trazendo decisões neste sentido. Por tais motivos, requer seja determinada a anulação do auto, ou que, alternativamente, seja determinada a revisão do lançamento, conferindose prazo razoável a contribuinte para que demonstre a origem dos depósitos bancários. Aponta para a existência de erros na apuração pelo lucro arbitrado, apontando que o Regulamento de Imposto de Renda possui regras diferenciadas para sua aplicação, quando a receita é conhecida (artigos 519 e 533) e quando não é conhecida (artigo 535). Em ambos os casos, de se notar que a base de cálculo não equivale ao valor da receita, sendo encontrada pela aplicação de alíquotas sobre o montante da receita ou pelas formas de cálculo expostas no artigo 535. No caso concreto, ao utilizar como base de cálculo todos ou quase todos os depósitos realizados em suas contas, houve a equiparação da base de cálculo à receita bruta, o que não é admissível no lucro arbitrado. Ante tais erros de apuração, de rigor a anulação dos autos de infração ou ao menos a revisão destes valores. Ainda, indica o caráter confiscatório da multa que lhe foi imposta, no patamar de 75%, valor que no caso dos autos é de aproximadamente R$ 1.800.000,00, valor superior a sua receita bruta do ano de 2006, consistente em R$ 1.341.347,54, que dá a exigência fiscal viés de confisco, em descompasso com qualquer parâmetro de legalidade, impondolhe ainda a impossibilidade de continuidade de suas atividades com a manutenção desta, pelo que requer sua anulação. Assim, requer a realização de diligencias, com oitiva de prepostos seus, para comprovar que não houve a omissão de receitas, e a determinação a DRF de Londrina que apresente os documentos que comprovem sua inadimplência com o Simples. Requer ainda sejam recebidos e analisados documentos posteriormente, por ter lhe sido conferido prazo insuficiente para demonstrar a origem das suas movimentações bancárias, considerandose também a antiguidade das notas fiscais e documentos relacionados ao período de autuação. Pugna por sua intimação na pessoa de seu representante legal quando da inclusão do processo na pauta de julgamento da DRJ Curitiba. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 Por fim, requer a procedência do pedido, com a anulação do lançamento e do auto de infração, pelas exposições efetuadas, e alternativamente, requer em nome da equidade e da boafé, o perdão da dívida por ato da autoridade competente, no intuito de resguardar a continuidade da empresa. A 2ª Turma da DRJ/CTA, ao julgar o feito no acórdão n. 385558.82, houve por bem manter o lançamento em sua integralidade. Antes da análise dos termos do processo, aponta que os presentes autos são continuação do PAF nº 11634.72019/201198, destacando que referido feito “já apreciado por essa Turma de Julgamento, onde restou confirmado que o sujeito passivo, no ano calendário de 2006, para uma receita bruta declarada de R$1.341.347,59, obteve créditos em suas contas correntes bancárias no importe de R$16.456.958,68, gerando uma omissão de receitas da ordem de R$15.115.611,09. Chamado a comprovar a origem dos valores que circularam pelas contas bancárias, não logrou apresentar argumentos e instrumentos que pudessem lhe dar sustentação e que criassem uma vinculação entre os depósitos e suas operações comerciais, essa representadas por umas poucas notas fiscais, por amostragem, e com informações verbais em relação aos créditos lançados.” Aponta preliminarmente que as decisões judiciais e administrativas citadas na impugnação devem se submeter às disposições contidas no artigos 102, §2º, 103A, artigo 8º da Emenda Constitucional nº 45/2004, pelo que somente as Súmulas vinculantes editadas de acordo com tais dispositivos deverão ser observadas pela Administração Pública e em relação às decisões judiciais em que a contribuinte também seja parte. No mais, os entendimentos e as súmulas dos Tribunais Superiores não submetem o administrador em seus julgados, por não fazerem parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN. Passa a analisar os atos de exclusão, onde de pronto indica que a contribuinte não afastou a presunção de omissão de receitas, pelo que restou comprovado que no período fiscalizado houve a circulação de valor superior a R$ 16.000.000,00 no ano de 2006, presumida, portanto, que se trata de receita bruta da pessoa jurídica, o que a fez afrontar a norma prevista no artigo 9º da Lei nº 9317/2006. De tal situação, originaramse os Atos Declaratórios de Exclusão nº 46 e 47. Disto, destaca que, como se trata de lançamento por presunção, temse a inversão do ônus da prova, cabendo ao fisco apresentar a demonstração da movimentação bancária, cabendo ao contribuinte comprovar que tais valores já foram tributados, bem como comprovar a origem dos depósitos não declarados. Em relação à perícia solicitada, traz a dicção do artigo 18 do Decreto n. 70.235/72, informando que ela não se presta a suprimir o encargo probatório imputado ao contribuinte, sendo seu cabimento para dirimir dúvidas com relação às provas anteriormente trazidas ao processo. Cita também o artigo 195 do CTN, artigo 4º do Decreto –Lei n. 486, artigo 264 do RIR/99 e artigo 37 da Lei n. 9430/96, pelo que afasta o pedido de perícia formulado, indicando que é de responsabilidade do sujeito passivo a manutenção e a guarda de documentos e sua respectiva escrituração contábil e fiscal, enquanto não prescritas eventuais ações relacionadas ao período. Do mesmo modo, afasta o pedido de apresentação posterior de documentos, pois em regra o rito do processo administrativo fiscal não permite a apresentação de documentos após a impugnação, momento adequado para a apresentação de provas, nos termos Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 5 7 dos artigos 15 e 16, III do Decreto nº 70.235/72, indicando que a juntada posterior é excepcional, mediante possibilidades contempladas na legislação, o que não ocorreu. Ante a situação dos autos, especialmente considerandose que a contribuinte declarou apenas 8,2% da sua receita bruta auferida em 2006, também perfeitamente cabível a exclusão retroativa, pois ao verificar que a receita extrapolou o permissivo legal, a partir do primeiro dia do ano do calendário subsequente àquele em que se verificou a ofensa, haveria a exclusão de ofício, nos termos dos artigos 2º, II e 9º, II da Lei 9317/96. Destaca que, na hipótese de a receita bruta exceder ao limite legal, a PJ optante deve comunicar o fato, mediante alteração cadastral, em forma e prazos definidos nos artigos 12 e 13 da lei mencionada. Na hipótese de isto não ocorrer, tem lugar a exclusão de ofício, nos termos do artigo 14, I. Esse mesmo entendimento deve ser aplicado ao Simples Nacional, regulamentado pela Lei Complementar nº 123/2006, indicando que o ato de exclusão praticado quanto a este sistema também deve ser considerado correto, atentandose a seguinte situação: “No ano calendário de 2007, quando até 30/06/2007 vigeu o Simples Federal, regulado pela Lei nº 9.317, de 1996 e, a partir de então, entrou em vigor o Simples Nacional, da Lei Complementar nº 123, de 2006 e, o ora impugnante agiu como optante pelos dois regimes, conforme se depreende das declarações então apresentadas ao fisco. Constatado o excesso de receitas em relação ao ano calendário de 2006, objeto do processo nº 11634.720109/201198, a autoridade fiscal promoveu sua exclusão aos dois regimes, por meio dos dois atos ora comentados: o ADE nº 46/2011 e, o ADE nº 47/2011. Desta forma, não tendo o contribuinte logrado afastar a omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários não escriturados e cuja origem não restou comprovada, são de se declarar procedentes os atos de exclusão. Analisando as preliminares invocadas, afasta a argüida nulidade do lançamento. Cita os artigos 59 e 60 do PAF sobre o tema, transcrevendoos, para apontar que na ausência de atos insanáveis e ante a observância dos procedimentos fiscais nos termos do artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade. Afasta também a alegação de nulidade do lançamento ante a ausência de decisão definitiva quanto a discussão do ato de exclusão, já que a emissão dos atos de exclusão pautaramse estritamente à legislação da matéria. Melhor sorte não cabe à questão pleito de suspensão dos efeitos da exclusão. Indica que ao ato declaratório não é possível apontar o efeito suspensivo, por falta de previsão legal, sendo que as hipóteses previstas no artigo 151 do CTN não são cabíveis ao caso, já que a suspensão do Simples não envolve crédito. No mais, não há a presunção de efeito suspensivo ao ato, nos termos do artigo 61 da lei n. 9784/99, pelo que não aceita o pedido. Aponta que os efeitos da exclusão também foram corretamente fixados pela autoridade fiscal, com inicio a partir do primeiro dia do ano subseqüente em que for constatado o excesso de receitas, nos termos do artigo 15, IV da Lei 9317/96. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 Indica ainda não haver razão quanto à ausência de decisão administrativa sobre a questão do Simples, apontando que referida decisão foi decidida nos presentes autos, com a reunião dos processos de exclusão do Simples e dos autos de infração de períodos posteriores é medida com recomendação da própria SRF, já que o julgamento do lançamento do IRPJ e reflexos depende da decisão a respeito do Simples, questão prejudicial ao primeiro lançamento, citando sobre o tema a Portaria SRF nº 6129/2005, artigo 1º, II. Em relação aos efeitos da retroatividade da exclusão, aponta que a data determinada no ADE também está correta, não cabendo quanto a esta o respeito ao princípio da irretroatividade da lei tributária, que diz respeito a vigência da lei em relação a data dos fatos, indicando que no caso concreto, os fatos são posteriores à Lei do Simples, com vigência em 1996. Cita a respeito da exclusão, o artigo 15, II da lei do Simples e a Resolução CGSN nº 04 de 30.05.07,artigo 12, I e a Resolução CGSN de 23.07.2007, artigo 5º, XI. Na análise do mérito, ante a alegação de que o lançamento foi realizado exclusivamente com base em movimentação financeira, indica que, na verdade, o inconformismo do contribuinte é o lançamento com base em dispositivo legal que criou nova presunção, contido no artigo 42 da Lei nº 9430/96, de onde passa a contextualizar o lançamento efetuado, definir o fato gerador e a distribuição do ônus da prova. Aponta que a tributação discutida não é em relação aos depósitos bancários, mas a omissão de rendimentos por eles representada, sendo os primeiros somente sinal de exteriorização da omissão. Em um primeiro momento, estes são simples indício da aludida omissão, que se transforma em prova quando não há a comprovação de sua origem, por parte da contribuinte. Diante de tal fato, há o poderdever da autoridade de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Para aclarar a situação, traz histórico legislativo sobre o tema, que aqui transcrevo: “64. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: “Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte.” 65. À vista de tais regras temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico à contribuinte. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 6 9 66. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de 1990: foi promulgada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que nos arts. 42 e 88, XVIII, com a alteração do art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997: “Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – Os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). [...]” 67. Portanto, diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea.” Desta explanação, entende que o ônus da prova de que os valores depositados e creditados nas contas correntes não são receitas ou de seu oferecimento à tributação é incorreto é da contribuinte. Neste sentido, cita a Súmula nº 26 do CARF. Assim, indica que, na ausência de comprovação da origem dos depósitos, o nexo de causalidade entre eles e as receitas tidas por omitidas se dá em decorrência lógica da titularidade da conta bancária, sendo da Fazenda Pública o ônus de identificar os depósitos de Fl. 489DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 origem não comprovada, intimar a contribuinte a se manifestar sobre tais créditos, e não afastada a presunção relativa, regular é o lançamento, que é, neste caso, por presunção. Discorre sobre a diferenciação entre as presunções de fato das presunções legais. Diz que as primeiras são as presunções do homem, de pouco valor no direito tributário e as segundas decorrem de norma jurídica expressa, transmudandose em declarações de verdade mediante ordem legal. Quanto às presunções legais, distingue as absolutas, que não admitem prova em contrário, das relativas. Prossegue, informando que o lançamento é resultante da atividade administrativa, subordinado aos princípios da legalidade e da tipicidade, sendo a exigência de tributos somente possível quando prevista em lei de forma expressa. Na hipótese do lançamento decorrente de presunção legal, há a possibilidade de serem a base imponível da exação, mas que meros indícios ou suspeitas não autorizam concluir pela ocorrência do fato imponível. Indica a necessidade do Auto de Infração, peça acusatória, de trazer todos os elementos de prova para embasar a exigência fiscal ou ser fundamentado em presunção legal, como é o caso, não cabendo ao fisco, neste ponto, mera presunção sem amparo legal. No caso dos autos, a presunção indicada é presunção legal, que aponta para a inversão do ônus da prova, cabendo a contribuinte a comprovação da origem dos depósitos, conforme artigo 334 do Código de Processo Civil CPC, aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70235/1072 PAF. Atenta para o respeito ao princípio constitucional da ampla defesa, respeitado ante a possibilidade de na impugnação afastar tal presunção. Por fim, analisando o pedido de diligências, rejeitao, indicando que, no caso de presunção cabe ao sujeito passivo constituir as provas necessárias para afastar a exigência, e se estes não foram apresentados, inexiste revisão a ser realizada. Passa a analisar a alegação de que houve erro na apuração do lucro presumido. De pronto, indica que a regra geral para apuração dos resultados é a determinação do lucro real, mas que há o permissivo legal para que as pessoas jurídicas optem por tributação mais simplificada, a exemplo do lucro presumido e do Simples, desde que atendidos os requisitos legais, sendo que é a pessoa jurídica que deve indicar expressamente sua vontade neste sentido. De tal opção ás modalidades simplificadas, cabe a manutenção durante todo o anocalendário, e em relação ao Simples, diz ser este pelos anoscalendários subsequentes até a exclusão da sistemática. Esclarece ainda que com o início do procedimento fiscal, excluise a espontaneidade do sujeito passivo, conforme o artigo 7º do Decreto nº 70.235/72. Ainda, aponta que a sistemática do Simples Federal, diferentemente do Simples Nacional, não prevê a possibilidade de opção pelo lucro presumido no caso de exclusão de sua sistemática. Cita a este respeito o acórdão proferido pelo 1º Conselho de Contribuintes, de nº 10708.045, de 14.04.2005. No caso do Simples Nacional, não há a vedação a opção ao lucro presumido, ainda que no curso da ação fiscal, citando neste sentido entendimento da Administração Tributária – SCI COSIT nº 7, de 13 de abril de 2010, indicando que seja para a opção pelo lucro real, seja para a opção ao lucro presumido, é dever da contribuinte manter a escrituração exigida para cada uma das sistemáticas de apuração. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 7 11 Diz que o lucro real é representa a renda efetivamente auferida, mas impõe a contribuinte maior ônus procedimental, especialmente em relação à obrigatoriedade de manutenção de escrituração contábil comercial e fiscal regular, nos termos do artigo 251 do RIR/99. Ante tal situação, houve por parte do legislador a possibilidade de o contribuinte adotar outras formas de apuração de lucro, onde também há a exigência de dados de escrituração obrigatória, como no artigo 527 do RIR/99, disciplinando a exigência de se manter ao menos o Livro Registro de Inventário e o Livro Caixa, que deve conter toda movimentação financeira e bancária. Prossegue, ensinado que o lucro arbitrado é forma excepcional de se quantificar a renda, sendo utilizado pela Administração Tributária nos casos de omissões ou erros graves constatados na escrituração na qual se deve respaldar o contribuinte, sendo este o fato determinante para a adoção desta modalidade de lucro, o que afasta a pela qual o contribuinte optou, nos termos do artigo 530 do RIR/99. Ainda, indica que cabe a autoridade examinar a escrituração e a documentação de modo a verificar se a opção é legitima e se a apuração do lucro é correta, citando a este respeito o artigo 276 do RIR/99, sendo que para a efetivação deste exame, cabe a contribuinte o dever de escriturar os livros e manter em boa guarda e ordem a documentação, nos termos do artigo 264 do citado dispositivo legal, que serve, em última análise, a resguardar a legitimidade da opção efetuada quando a apuração do seu lucro tributado, ou seja, pode haver a frustração de tal pretensão em face do descumprimento da obrigação do art. 264, indicado como base da efetividade do comando previsto no art. 293 do regulamento, de modo a indicar que a escrituração regularmente mantida faz prova em favor da contribuinte. Cabe reproduzir os ensinamentos do Acórdão recorrido. “108. A ordem estipulada no citado art. 264 do RIR/99 se dirige, dessa forma, a defender aos interesses do sujeito passivo. Tanto é assim que o legislador admite, em mesmo dispositivo legal, § § 1º e 2º, quando comprovada a existência de fatores alheios à vontade da pessoa jurídica, desde que efetuada a devida comunicação à sociedade, bem como aos órgãos competentes, a reconstituição da sua escrita, como medida de exceção. 109. Isso, porque a escrituração se presta a reproduzir, dia a dia, os atos ou operações da atividade que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da empresa, sendo que o registro atemporal dos atos de comércio não se encaixa dentro desse contexto. 110. Veja se que a oportunidade oferecida não é a de legitimar as informações porventura já prestadas ao Fisco sem respaldo em documentação pertinente, em virtude da ocorrência de caso fortuito ou de força maior, mas, ao contrário, de oferecer elementos ao sujeito passivo para que este venha a reconstruir sua documentação e livros contábeis e fiscais, a fim de legitimar as mesmas informações antes apresentadas. 111. Para dar legalidade ao procedimento assim permitido deve a contribuinte observar, necessariamente, ambos os requisitos e na ordem prescrita. Ou seja, comunicar a sociedade e aos órgãos competentes – Registro do Comércio e SRF, no prazo Fl. 491DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 previsto e, em seguida, efetivar a reconstituição da sua escrita, mediante a legalização de novos livros e fichas, tudo com apoio em documentos devidamente recuperados. Sem a adoção desse segundo procedimento, totalmente ineficazes se tornam os atos anteriormente praticados, para os efeitos fiscais. 112. São os livros e os documentos que acobertam os registros ali efetuados elementos imprescindíveis para legitimar a adoção de tributação pelo lucro real/presumido.” Indica, assim, que o arbitramento ocorre ante a não apresentação em tempo hábil dos livros contábeis e fiscais, sua ausência ou imprestabilidade. Neste ponto, se concedido em juízo de admissibilidade também há o arbitramento se a reconstituição da escrituração da escrita não se der no prazo assinalado. Ainda, aponta que no tema, a obtenção de informações junto a terceiros tem como uma de suas finalidades a busca de elementos para confirmar ou afastar a opção do contribuinte para se determinar se a escrituração é ou não imprestável. Destaca que é do sujeito passivo a obrigação de manter a escrituração e/ou composição de seus registros contábeis e fiscais, cabendo também a ele a demonstração de que a modalidade de lucro pretendida obedece aos termos legais. De outra banda, cabe à fiscalização investigar e concluir pela autenticidade dos documentos e demais informações prestadas, e na hipótese da conclusão pela impertinência da opção do lucro, por qualquer dos motivos descritos, cabendo a adoção do arbitramento como a única forma legalmente respaldada pela lei para apurar a pessoa jurídica. Neste passo, temse o arbitramento como medida extrema, que necessita da exaustão de esforços que permitam a contribuinte adotar as providencias necessárias para justificar a apuração do lucro na forma em que é exercida, indicando ainda que eventuais falhas podem ser retificadas, como ocorre com o atraso de escrituração ou a possibilidade de sua reconstituição em ocorrência de caso fortuito ou força maior, em prazo razoável, desde que não se vislumbre pelo Fisco a ocorrência de danos ao Erário. Informa assim que não se deve afastar a responsabilidade do fisco pela revisão, dentro do prazo fatal determinado, dos atos praticados pelo contribuinte e a este, cabe o pronto atendimento das determinações daquele, em relação aos livros e documentos, especialmente ante a manutenção obrigatória destes prevista em lei. Assim, a reconstituição da escrita e/ou a permissão de sua escrituração fora do prazo, como prevista em lei, são medidas excepcionais, destacando que no caso da ocorrência de caso fortuito ou força maior deve ocorrer sua reconstituição por iniciativa do contribuinte e tão logo se verifique o sinistro. Aponta que o prazo imposto decorre do interesse público em detrimento do particular, legalmente amparado, sendo que a celeridade do prazo indicado observa o prazo decadencial, e seu descumprimento gera responsabilidade funcional e a falta de apresentação dos registros ou falta do reconhecimento e comunicação da ausência ou atraso na escrituração, sem justificativa, sendo embaraço à fiscalização. De tudo isso, indica que o arbitramento não é uma penalidade, mas a única consequência possível a uma situação consumada, de não apresentação dos livros no prazo correto, sendo o arbitramento é somente um critério adotado para o cálculo do lucro, trazendo Fl. 492DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 8 13 jurisprudência administrativa (Ac. CSRF/010.123/81), indicando a forma que este ocorre, nos termos do art. 532 do RIR/99. Ainda, indica que a apresentação a posteriori de documentação não se presta a afastar o arbitramento, indicando que, no caso concreto, como se verifica o Termo de Verificação Fiscal, de que houve intimação e reintimação da contribuinte para apresentar os livros contábeis e fiscais e o livro caixa. Entende pela correção do procedimento de exclusão, indicando que: “considerando a falta da escrituração para adoção do lucro real e a vedação legal, às pessoas jurídicas excluídas do Simples Federal, para a opção pelo lucro presumido, no curso de procedimento fiscal (AC 2006); bem como a falta de escrituração regular para adoção do lucro presumido pela pessoa jurídica excluída do Simples Nacional, por não contemplar a totalidade da movimentação financeira, inclusive bancária, correta é a exigência mediante o arbitramento do lucro na determinação do IRPJ e da CSLL, relativa aos Anoscalendário 2007 a 2009”. Passa a analisar as exigências reflexas, correspondentes aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, destacando que estes são decorrentes da autuação de IRPJ e que, portanto, devem seguir o decidido no lançamento deste tributo, pelo que entende não caber reparos. Neste sentido, aponta ser pacífica a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, citando julgados, Em relação à multa de ofício, lembra que o lançamento é ato vinculado, nos termos do artigo 142 do CTN e parágrafo único, sendo dever do lançador aplicar a lei ao caso concreto. Sendo que a norma legislativa possui presunção de constitucionalidade, só afastável mediante decisão proferida pelo Poder Judiciário. Tais considerações, ao proceder ao lançamento de ofício, só cabe ao agente público a aplicação de penalidade no patamar de 75% prevista no art. 44, I da Lei 9430/96, indicando que este também é o entendimento contido na Súmula n. 1 do CARF. Afasta também o pedido genérico de produção de provas, indicando inicialmente que foi dada ampla possibilidade de produção probatória e de defesa ainda na fase de fiscalização, não apresentando a interessada nenhum documento neste sentido. Demais disso, a juntada de documentação comprobatória deve ter como momento oportuno a impugnação, sob pena de preclusão, conforme o art. 15 do Decreto n. 70.235/72, citando também o art. 16, §4º do mesmo diploma, que indica em quais situações a regra pode ser excepcionada, o que não ocorreu no caso concreto. Nesse contexto, indica que a pretensão da contribuinte de imputar ao fisco o ônus de apurar a verdade dos fatos, parte de pressuposto falso de que todo auto de infração deve ser perfeito e acabado já em sua lavratura, afastando tal premissa. Diz que o rito processual administrativo serve para apurar a legalidade do lançamento, e se verificadas imperfeições no auto de infração, caberia sua reforma e não anulação. Analisando o argumento de que o lançamento não reproduz a verdade dos fatos, diz que a verdade é um conceito metafísico, de análise difícil, e que apesar de não poder sofrer experimentação, pode ser conhecida, racionalizada. Cita doutrina de Fabiana Del Padre Tomé e Tárek Moyses Moussalem sobre o tema, identificando, em apertada síntese que o que Fl. 493DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 se convencionou chamar de “verdade real” não é senão a submissão do processo administrativo aos princípios da legalidade e da oficialidade, pelo que afasta o entendimento do contribuinte. Indefere, da mesma forma, o pleito de depoimento pessoal do impugnante, de oitiva de testemunhas e sustenções orais ante a inexistência de previsão legal sobre o tema na primeira instância administrativa. Em relação à perícia, entende que esta busca transferir ao Fisco o ônus probatório imposto a contribuinte a ser exercido no decorrer da ação ou na impugnação. Destaca que embora o pedido de prova pericial seja permitido, o mesmo pode ser indeferido, nos termos do art. 18 do PAF, se a autoridade julgadora decidir que estas são prescindíveis ou impraticáveis. Ainda, indica que a realização da diligência ou perícia pressupõe a necessidade de conhecimento técnico especializado ou esclarecimentos de fatos considerados obscuros, não se incluindo entre os direitos subjetivos do contribuinte. No caso concreto, a perícia requerida busca comprovar a origem dos depósitos bancários no período fiscalizado, o que era de responsabilidade da parte, pelo que indefere o pleito, por considerala prescindível para o deslinde do feito. Por fim, em relação ao pedido alternativo de aplicação do instituto da remissão, nos termos do art. 156, IV do CTN, indica que eventual remissão do imposto sobre a renda deve ser precedida de lei, nos termos do art. 150, §6º da Constituição Federal, o que é repetido pelo artigo 172 do CTN, que acresce que a remissão deve ser feita em despacho fundamentado. Ante a absoluta inexistência de previsão legal, afasta o pedido de outorga da remissão. Afasta, a seu turno, o pleito de intimação do representante legal da contribuinte quando da inclusão em pauta de julgamento deste na DRJ, por falta de previsão legal. Assim, mantém integralmente o lançamento. A contribuinte foi intimada em 6 de agosto de 2012 e apresentou seu Recurso Voluntário em 5 de setembro de 2012, reiterando os argumentos apresentados na Impugnação, acrescidos do que a seguir sintetizamos. Aponta a necessidade de atenção à repercussão geral reconhecida aos temas tratados no recurso junto ao Supremo Tribunal Federal, com o sobrestamento de todos os recursos em trâmite perante sua competência, referentes a “fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar n. 105/2001; b) Aplicação retroativa da lei n. 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência – Tema n. 225”. Discorre quanto à necessidade do sobrestamento, ante o disposto no art. 62 A, §1º do Regimento Interno do CARF, vez que há nos autos a discussão da constitucionalidade e legalidade das provas – extratos bancários – que serviram de base dos autos de infração de modo a evitar decisões conflitantes entre o STF e o órgão administrativo. Indica a nulidade da decisão por cerceamento de defesa surgido pelo indeferimento da produção de provas e realização de diligências. Aponta que tais pedidos foram feitos ante as inúmeras operações que lhe foram atribuídas, sendo requerido juntada posterior de documentos que pudessem afastar a presunção aplicada em seu desfavor, o que não foi aceita pelo julgador de primeira instância. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 9 15 Diz que a decisão é nula, implicando em severo cerceamento de defesa, em violação a garantia fundamental da recorrente de proceder à produção de provas no âmbito administrativo (art. 5º, LIV e LV da CF). Disto, refuta a afirmação que o processo administrativo deve buscar a verdade processual. Cita doutrina de Leandro Paulsen, que indica que é necessário a busca da realidade dos fatos. Neste passo, aponta que o formalismo excessivo não pode se sobrepor à verdade, citando o acórdão n. 1402000.497 do CARF. Destaca que é clara a intenção da recorrente em produzir as provas necessárias para afastar a presunção legal, especialmente por meio da juntada de novos documentos que irão comprovar que os depósitos realizados nas contas correntes não são receitas tributárias. Ainda, que a prova pericial requerida buscava afastar as incorreções dos cálculos realizados pela autoridade fiscal, especialmente por incluir na base de cálculo tributos como o ICMS ou valores correspondentes à venda de sucata para empresas no lucro real. Só pelo volume de operações imputados, há a autorização do pedido de provas requerido, conforme indica os arts. 36, 57, §6º do Decreto n. 7574/2011, mas mesmo assim não houve o deferimento pela autoridade, o que aponta para o cerceamento de defesa. Ainda no tema de nulidade, indica que este ocorreu também em virtude da ausência de motivação quanto ao coeficiente utilizado por ocasião por arbitramento do lucro, fixado no patamar de 9.60%. Diz que da análise dos autos de infração não há como se inferir as razões de tal valor, indicando que sequer há menção ao dispositivo legal que prevê tal coeficiente, sendo – lhe impossível impugnar este ponto do auto de infração, novamente incorrendo em cerceamento de defesa. Embora haja várias hipóteses de arbitramento e diferentes coeficientes previstas no RIR/99, sendo impossível no caso concreto quais os critérios jurídicos adotados, recaindo nulidade sobre as autuações. Indica que embora o objeto do lançamento tenha sido a ausência de comprovação de origem de valores contidos em conta corrente, diz que não deixou de escriturar nenhuma receita, inexistindo movimentação bancária que represente receita bruta que não fora escriturada, sendo necessária ter a razoável noção que nem toda movimentação bancária é receita, o que indica arbitrariedade e precipitação da autuação realizada, o que seria comprovado por documentação a ser juntada. Informa ter apresentado extratos bancários e outras informações consistentes em documentos contábeis, sendo estes últimos ignorados pela fiscalização, que se ateve exclusivamente às informações bancárias, de onde foram relacionados em documento consistente em seis anexos e mais de 500 operações bancárias, sobre as quais foi intimada a contribuinte em a se manifestar em 5 dias, prorrogados por mais 5 dias mediante solicitação da contribuinte. Destaca que ante exíguo prazo, apresentou declaração referente ao ano calendário de 2006, com receita bruta, despesas e pagamento do Simples devido; seu contrato social e alterações que indicam a atividade econômica exercido e seu enquadramento como EPP e notas fiscais que demonstram as origem dos depósitos bancários. Diz que houve a conclusão de parte da fiscalização em menos de seis meses do início desta, e apenas 23 dias após a apresentação da documentação por parte da Fl. 495DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 16 contribuinte. Indica que houve nova intimação, e que prestou todos os esclarecimentos referentes à movimentação bancária, mas que as justificativas foram aceitas apenas em parte. Menciona que é patente sua boafé, pois sempre atendeu às solicitações da fiscalização, que foram prontamente atendidos, comparecendo diversamente para prestar esclarecimentos, indicando a declaração da receita bruta não havendo qualquer omissão. Ante tais indicações, conclui que não houve pela autoridade fiscal a demonstração do que considera como receita, pois todas as movimentações bancárias (sejam depósitos, cheques ou transferências) foram computadas como receitas, de onde esclarece que nem todo depósito é receita, eis que estes podem ser parte de pagamentos de despesas ou mesmo realizadas para cobrir cheques debitados para compras de materiais. Neste ponto, aponta que não se demonstra idôneo o tempo conferido à recorrente para afastar a rápida e volumosa autuação, o que demonstraria que a autoridade fiscal buscou realizar o lançamento de forma apressada e inválida, já que não há qualquer despesa omitida, destacando que houve o completo desprezo à contabilidade da decorrente. Cita ensinamento de Maria Rita Ferragut, que condiciona a validade da presunção de omissão de receitas com base em receitas bancárias não contabilizadas à verificação de outros documentos. Traz também jurisprudência que reforça que esta prova contábil é essencial pois a função destes é demonstrar em linguagem adequada a vida da empresa. Ante o contexto explanado, diz ser possível afirmar que o lançamento foi realizado única e exclusivamente com base nas movimentações bancárias da recorrente, o que é vedado. Traz neste sentido jurisprudência. Assim, requer a anulação dos autos de infração, pelos motivos explanados. Alternativamente, requer a determinação da revisão dos lançamentos, excluindose destes os valores que não sejam receitas e que lhe seja conferido prazo razoável para demonstrar a origem dos depósitos bancários. Pugna ainda pela necessidade da exclusão do ICMS e de receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS. Indica que exerce atividades comerciais, pelo que se sujeita à tributação pelo ICMS, sobre o qual também incide a contribuição ao PIS por ser faturamento da empresa. Aponta que no como decido pelo STF, o ICMS, por se tratar de receita transferida a terceiro, a qual não incorpora definitivamente o patrimônio da empresa, não se inclui na base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, nos autos do RE 240.7852/MG, pelo que entende que são nulos os créditos de PIS e COFINS constituídos com base na receita de ICMS. Aponta que o artigo 48 da Lei n. 11.196/2005 prevê a suspensão da incidência de PIS e COFINS sobre a venda de sucatas (operação realizada pelo contribuinte) para pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, ressaltando que a ressalva contida no parágrafo único do mencionado artigo não se aplica ao caso, eis que embora incluída no Simples quando das operações, sua exclusão deuse com efeitos retroativos, o que faz incidir a ela os termos do artigo 32 da Lei Complementar nº123/2006, pelo que a ela se aplicam todas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas não incluídas no regime de tributação do Simples. De toda estas exposições, indica que é possível se chegar a duas conclusões “(i) o lançamento é nulo pelo fato de que em momento algum se analisou a contabilidade da empresa a fim de averiguar se esta realizou as operações beneficiadas pela suspensão; (ii) o lançamento é nulo pela própria inclusão de valores indevidos.”. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 10 17 Afasta ainda a incidência de juros sobre a multa aplicada, em atenção ao princípio da eventualidade. Menciona que em decisão recente de sua 1º Turma, o CARF afastou de maneira expressa a incidência de juros sobre a multa, transcrevendo ementa da decisão. Por tal questão, considera evidente a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa, sendo necessário anular os valores referentes à base de cálculo da taxa de juros aplicada. Por fim, indica a ilegalidade de sua exclusão da sistemática do Simples, que por toda a argumentação trazida no recurso, temse que os ADE n. 46 e 47, de 17 de junho de 2011, eis que a suposta causa de exclusão do regime, o excesso de receita, não persiste aos argumentos trazidos". Foi o relatório da Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator ad hoc Segundo a relatora: "O presente Recurso Voluntário cumpre os requisitos de admissibilidade, inclusive o temporal, portanto, dele tomo conhecimento. Tratamse os autos de exclusão do SIMPLES, consoante Atos Declaratórios Executivos de nº 46 que determinou sua exclusão do Simples Federal, retroativa à data de 1º de janeiro de 2007, e de nº 47, que determinou sua exclusão do Simples Nacional, retroativa à data de 1º de janeiro de 2007. Em decorrência da exclusão do SIMPLES, está sendo cobrado IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e COFINS com base no lucro arbitrado para o período em análise. A exclusão foi fundamentada no artigos 9º, II, e 13, II, da Lei nº 9317/1996, pelo fato da autoridade fiscal ter constatado que o montante da receita bruta era superior ao limite previsto para opção do SIMPLES, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2007. Para o ano de 2006, a autoridade fiscal identificou que 92% da movimentação bancária do período não constavam nas declarações entregues à Receita Federal. A empresa era optante do SIMPLES, considerada como Empresa de Pequeno Porte (EPP), nos termos do art. 2º, II, da Lei nº 9841/99. Consoante relatório, sua atividade em 2006 era o comércio atacadista de sucata de metais, serviço de torno e repuxo de metais e indústria de vergalhões de metais. A partir de novembro do mesmo ano, alterou sua atividade para comércio atacadista de sucata de metais (exceto chumbos, acumuladores e resíduos industriais) e comércio atacadista de vergalhões e linguotes de metais, continuando a ser uma EPP. A recorrente, em seu Recurso Voluntário, traz o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal no Tema de nº 225 sobre o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001, o que resultaria em sobrestamento do julgamento em virtude do artigo 62A, §1º do Regimento Interno do CARF. Cabe esclarecer que , em 18 de novembro de 2013, foi publicada Portaria nº 545, com o objetivo de revogar os §§ 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, os quais possuíam a seguinte redação: Fl. 497DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 18 "§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes." Ou seja, de acordo com a regra anterior, caso o Supremo Tribunal Federal reconhecesse a repercussão geral de determinada controvérsia, esse colegiado deveria sobrestar os julgamentos dos recursos interpostos em sede de processos administrativos que versassem sobre matéria idêntica àquela tratada no leading case a ser julgado pela Suprema Corte. Após o julgamento da matéria que teve o reconhecimento em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, esse Colegiado deveria reproduzir em seus julgados a conclusão firmada no recurso julgado sob o regime da repercussão geral. Com a revogação desses parágrafos, não há mais o que se falar em sobrestamento dos recursos submetidos ao CARF com reconhecimento de repercussão geral, os julgamentos dos recursos administrativos sobrestados com base na regra antiga devem ser retomados, mesmo que o Supremo Tribunal Federal não tenha emitido juízo de valor definitivo sobre a controvérsia que teve a repercussão geral reconhecida. Permanece o dispositivo 62A, o qual determina que esse colegiado, em suas decisões, deve refletir o entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral (artigo 543B, CPC) e pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (artigo 543C, CPC). Desse modo, sem mesmo adentrar na semelhança ou da discussão aqui neste processo com o tema de nº 225 reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal como de repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, não se aplica o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF nº 545/2013. Voltemos ao julgamento das preliminares e mérito. Alega a recorrente que o procedimento de fiscalização foi às pressas e não foi feita segregação do que é receita e o que não era. Como relatado pela autoridade lançadora e não refutado pela contribuinte, o procedimento fiscal se iniciou em 25 de outubro de 2010, para o período de janeiro de 2006 a setembro de 2010. Nos termos da Lei nº 9317/1996, artigo 7º, § 1º, a microempresa deve apresentar declaração simplificada em todos os anoscalendários e, apesar de não estar sujeita à escrituração comercial, deve manter em boa ordem e guarda o Livro Caixa, Livro de Registro de Inventário, e todos os demais documentos e papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos. Solicitada a apresentar os documentos, incluindo os extratos bancários, a recorrente o fez prontamente, quando possibilitou à autoridade fiscal a observar que foi declarada uma "receita bruta de R$1.341.347,59, enquanto que o total de crédito nas contas correntes bancárias foi de R$16.456.958,68, com uma diferença de R$15.115.611,09. Chamada a explicar a diferença, no prazo de 5 dias prorrogados por mais 5 dias, a recorrente apresentou notas fiscais, por amostragem, (cópias de fls. 338342),que coincidem com créditos lançados em contas correntes bancárias e também com receitas declaradas à Receita Federal, até o momento, a recorrente não explicou a diferença, como solicitado pela autoridade fiscal, individualizadamente e por conta e banco (fls. 250269)". A reclamação da recorrente poderia estar correta se, em algum momento, tivesse dado indício de que há explicação para ter um crédito em contacorrente bancária muito maior que o apresentado nas declarações simplificadas, mas não apresentou. Apenas argumenta com os fatos e entrega para a autoridade lançadora o ônus da prova dessa diferença. Não há nada nos autos que dê sustentação ao pedido de diligência, requerido pela recorrente, ou que Fl. 498DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 11 19 demonstre que há uma explicação para a não vinculação dos créditos em contacorrente bancária e os registros da declaração simplificada. Com isso, a presunção aqui apontada de omissão de receitas, parecenos correta. Com base no artigo 42, da Lei nº 9430/1996, temos que: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A partir de 1996, com o advento do artigo retro transcrito, temos que é considerada omissão de receitas ou rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou investimento junto à instituição financeira que não forem comprovados sua origem, mediante documentação hábil e idônea. Suportada por tal regra, a autoridade lançadora efetuou o lançamento. Em nenhum momento, a recorrente apresenta qualquer documento que tenha uma explicação para tal diferença. Portanto, o lançamento é procedente uma vez que a diferença entre as receitas declaradas e a movimentação bancária, é omissão de receitas, por presunção legal, a qual pode ser afastada se comprovada. Não há obrigatoriedade, por parte da autoridade lançadora, em estabelecer o nexo causal entre o depósito e os fatos que levaramnos, mas a recorrente, de forma a afastar a presunção. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência da omissão de receitas quando a contribuinte, titular de conta de deposito ou de investimento, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Constatado que o limite excedeu o permitido com base no artigo 9º, II, da Lei nº 9317/1996, ou seja, receita bruta foi superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), portanto, é vedada a opção ao SIMPLES, dáse a exclusão nos termos do artigo 13, II, da mesma lei. O início da exclusão darseá a partir de 1º de janeiro de 2007, nos termos do artigo 15, IV, da Lei nº 9317/2007. Portanto, entendemos procedentes os Atos Declaratórios Executivos emitidos em face dos fatos constatados, estando a recorrente excluída do SIMPLES a partir de 1º de janeiro de 2007. Feita a exclusão do SIMPLES com base em omissão de receitas, foi apurada os tributos devidos com base no lucro arbitrado, consoante o artigo 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000/99, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do artigo 527 do mesmo Regulamento. A recorrente alega que houve cerceamento de defesa, pois a autoridade fiscal utilizou percentual para o cálculo do lucro arbitrado que não consegue entender e não ficou esclarecido no Auto de Infração. Além disso, não segregou os valores que correspondem às receitas, imputou os créditos em contacorrente como base de cálculo. A alegação da recorrente não procede; no Auto de Infração consta a apuração do lucro arbitrado e do IRPJ, com detalhes dos valores e base legal. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 20 Portanto, está sim esclarecido e apresentado, não podendo ser acatado o alegado pela recorrente em relação ao cerceamento de defesa. A questão aqui é que não há contestação objetiva alguma das diferenças apresentadas pela fiscalização entre os valores creditados e os declarados, não há comprovação da origem dos créditos, portanto, a autoridade fiscal se valeu do artigo 42 acima transcrito, conjugado com o artigo 530, III, do RIR/99 para a apuração do lucro arbitrado. O procedimento da fiscalização está correto, seguindo o disposto no artigo 142 do CTN e fundamentado na legislação tributária específica ao caso. Sobre a perícia, produção de provas e oitiva de testemunhas, até o momento não temos documentação que traga algum indício de que não houve omissão de receitas, nada foi apresentado pela impugnante, nem na fase de Impugnação ou de Recurso Voluntário. Nos termos do artigo 16, IV, §4º do Decreto 70235/1972, temos que: “Art. 16. A impugnação mencionará: ............. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” As diligências ou perícias tem que estar motivadas, o que aqui não vemos apresentados. Não há motivo para retardar o julgamento e solicitar nova revisão por parte de peritos, uma vez que não há documentação que indique os peritos que devem ser indicados, basta que sejam apresentadas provas, documentos que justifiquem a diferença apresentada, o que não foi feito. Assim, não cabe aqui também acatarmos o pedido da recorrente. Em relação à aplicação de multa de ofício de 75%, os termos da Súmula 2 do CARF, esse colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, devem ser seguidos os ditames do artigo 44, I, da Lei nº 9430/1996. Para os juros incidentes sobre a multa de ofício, concordo com a recorrente que a melhor interpretação que se faz do artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9430/1996. Há juros de mora somente sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, conforme o § 3º do mesmo, isto é, só se aplica os juros sobre os tributos e contribuições e, não, sobre as penalidades aplicadas aos tributos e contribuições. Esse também foi o entendimento desse colegiado, cuja ementa do Acórdão assim dispõe sobre os juros sobre multa de ofício: “Processo nº 19515.003663/200527 Acórdão 10196523 Sessão de 23/01/2008 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1202001.118 S1C2T2 Fl. 12 21 INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado. RV Provido em Parte.” Em relação aos lançamentos decorrentes, CSLL, contribuição ao PIS, COFINS e contribuições previdenciárias, são decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o lá decidido, pela intima relação entre eles. A recorrente requer ainda que se observe, para o cálculo da contribuição ao PIS e COFINS, a exclusão do ICMS e receitas financeiras na determinação da base de cálculo. A exclusão do ICMS da base das contribuições não pode ser feita tendo em vista o artigo 62A do Regimento do CARF uma vez que a decisão do tema cuja repercussão geral foi reconhecida não é definitiva. Em relação à receita financeira, Decreto nº 5.164/2004 , a questão aqui é que a recorrente deveria segregar os valores que correspondem às receitas financeiras, mas não apresentou nada, não só não comprovou a origem, como alega incorreções sem indicar documentação que possa cumprir com tal procedimento. Como não foi feito, está correta a apuração feita pela autoridade fiscal. Por todo o exposto, o voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso apenas para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício". Foi como votou a relatora. Plínio Rodrigues Lima Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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