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Numero do processo: 13808.000438/99-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998
Ementa:
VIGÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL QUE SUSPENDE A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Estando vigente medida judicial suspensiva do crédito tributário na data da ciência do lançamento combatido, aquela deferida anteriormente ao início do procedimento fiscal, deve-se constituir a exigência sem a multa de oficio, na forma do art. 63 da Lei n° 9.430/1996.
Numero da decisão: 2201-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício de 75% relativamente ao ano-calendário de 1993.
Assinado Digitalmente
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Estando vigente medida judicial suspensiva do crédito tributário na data da ciência do lançamento combatido, aquela deferida anteriormente ao início do procedimento fiscal, devese constituir a exigência sem a multa de oficio, na forma do art. 63 da Lei n° 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício de 75% relativamente ao anocalendário de 1993. Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 21/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 04 38 /9 9- 76 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário de 1992 a 1997, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 57/58, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 133.660,97. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, decorrentes do trabalho com vínculo empregatício. Relativamente ao procedimento fiscal, transcrevese trecho do relatório da decisão recorrida: 5. O procedimento fiscal foi efetuado a partir do processo n° 10880.010481/9400, apensado a este, cujo lançamento foi declarado nulo pela Decisão DRJ/SPO/SP/N° 14.698/97. Naquele lançamento, conforme notificação à fl. 12 daquele processo, foi incluído rendimento recebido de pessoas jurídicas considerado pelo contribuinte como não tributável. 6. Foi lavrado pela autoridade lançadora Termo de Verificação Fiscal de fls.39/40, dando contra de que o interessado, funcionário público civil aposentado pelo Estado do Rio de Janeiro, com mais de 65 anos anexou ao processo cópia do Mandado de Segurança de n. 452/89, impetrado conta àquele Estado para que cessassem os descontos de imposto retido na fonte sobre seus rendimentos, invocando o Art. 153, § 2° da Constituição Federal. 7. Que o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu a ordem e, o contribuinte passou a considerar em suas declarações de ajuste anual os proventos de inatividade como não tributáveis, resultando no exercício de 1993 em imposto a restituir e nos exercícios seguintes em declarações isentas. 8. Consta ainda, que como tal decisão não era definitiva, não tendo sido transitado em julgado o Mandado de Segurança e ainda tramitava no Supremo Tribunal Federal, em vista do recurso interposto, efetuou a majoração dos rendimentos tributáveis recebidos, observados os limites de isenção para proventos de inatividade para maiores de 65 anos, nos exercícios de 1993 a 1998. Foi então constituído o crédito tributário referente às majorações efetuadas conforme quadro demonstrativo dos rendimentos recebidos de fls.41 e minutas de cálculo de fls.42/47. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000438/9976 Acórdão n.º 2201002.710 S2C2T1 Fl. 3 3 10. Que foi contemplado com a não incidência do imposto de renda sobre os proventos da inatividade dos maiores de 65 anos, pelo acórdão ao Mandado de Segurança n.452189 — 10 Grupo de Câmaras Civeis do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em data de 14 de agosto de 1991, conforme documentos anexados. 11. Em virtude do referido acórdão a Secretaria de Finanças do Estado do Rio de Janeiro, deixou de reter o imposto de renda na fonte e seus proventos de aposentadoria foram incluídos como rendimentos isentos e não tributáveis. 12. Salienta que impetrou referido Mandado de Segurança por força do que dispõe o § 20, II, do artigo 153, da Constituição Federal. 13. Entende, que está imune ao imposto de renda desde 10 de março do ano de 1989, quando passou a viger o novo Sistema Tributário Nacional, nos termos que vier a ser fixado em lei complementar. 14. Que da leitura do inciso II do parágrafo 2° do artigo 153 da Constituição Federal se infere que ao utilizar a forma "não incidirá" o preceito reservou ao Poder Legislativo uma competência condicionada, restrita que alcança somente o quantum dos rendimentos que excederem os limites da imunidade a serem definidos, antecipadamente, em lei complementar. 15. Essa imunidade é de aplicação imediata, independe de regulamentação. Os termos e limites da não incidência é que estão sujeitos à lei complementar e são do interesse exclusivo do sujeito ativo da obrigação tributária. Nesse sentido trás ensinamentos do Prof João Gilberto Lucas Coelho. 16. Aduz que vigora atualmente lei ordinária federal e uma medida provisória que tratam da matéria. A lei 7.713/88, estabelece uma isenção. (inciso XV, artigo 6°). A medida provisória n. 68, de 14.06.89, apenas substituiu na redação do inciso XV citado, as cinqüenta OTN's por trezentos e cinqüenta BTN's. Como uma e outra não são da categoria complementar, nem se apóiam em lei complementar indispensável para a fixação dos limites da não incidência do tributo, não podem ser aplicadas ao impugnante. 17. Salienta que tais dispositivos concedem isenção do imposto, enquanto que a Carta Maior lhe garante a não incidência. E, ainda, que o artigo 6° da Lei 7.713/88, entrou em vigor em 01 de janeiro de 89 e foi aplicado normalmente ao impugnante em janeiro e fevereiro. Não poderia continuar vigendo nos meses seguintes e entrar em vigor de novo em 01 de março, quando se tornou efetivo o novo sistema tributário, com o qual é incompatível. 18. Que a isenção é um ato de liberalidade do sujeito ativo da obrigação tributária e pressupõe a competência de quem a concede para cobrar o imposto. Já a não incidência, ou Fl. 661DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 imunidade, não admite a competência do sujeito ativo, por situarse além do seu poder de tributar. 19. Assim, em janeiro e fevereiro de 1989, estava isento do imposto até o limite estabelecido. De março em frente totalmente imune, situação que deverá persistir até que a Lei complementar surja para demarcar os limites após os quais a lei ordinária poderá impor a incidência. 20. Para que se possa reclamar legitimamente o imposto de renda sobre a parte dos proventos da inatividade, que exceder determinados limites, a Carta Magna exige lei complementar balizadora e uma lei ordinária, para dispor sobre os valores taxáveis e o quanto de contribuição, sem as quais toda cobrança será ilegítima e abusiva de poder. 21. Que por meio da inércia, da inação buscase fazer um "nihil" do direito que a Constituição outorgou, aos inativos mais idosos. Destinase a Constituição, acima de tudo, a ser observada, cumprida e aplicada. Não é pela esperteza, pela falta de iniciativa, que os direitos por ela assegurados se perderão. 22. Conclui, dizendo que estando imune ao pagamento do imposto de renda quanto a seus vencimentos decorrentes do trabalho, as suas declarações estão corretas, não havendo motivo para as alterações efetuadas, requerendo, por fim, o cancelamento definitivo do auto de infração. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo/SPII julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Compõe a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual do beneficiário, os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão pagos a pessoa com idade superior a 65 anos, que excederem o limite de isenção estabelecido em lei. Lançamento Procedente O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância em 04/07/2007 (fls. 118v) e, em 24/07/2007, interpôs Recurso Voluntário de fls. 121/132, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado na sessão plenária de 06/03/2008 e o Colegiado da 6ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes (fls. 135/147), por meio do Acórdão nº 10616.793, por unanimidade de votos, não conheceu de parte do Recurso por concomitância com ação judicial para a matéria imunidade, e, no tocante à parte conhecida, reconheceu a decadência do lançamento relativo ao anocalendário de 1993 e excluiu a multa de ofício dos demais anos. Transcrevese as ementas do julgado: IRPF FATO GERADOR COMPLEXIVO – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO QÜINQÜÊNIO DECADENCIAL CONTADO A PARTIR DO FATO GERADOR QUE SE APERFEIÇOOU EM 31/12/1993 – LANÇAMENTO EFETUADO APÓS CINCO ANOS DO FATO GERADOR CADUCIDADE Fl. 662DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000438/9976 Acórdão n.º 2201002.710 S2C2T1 Fl. 4 5 A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. Os rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica estão sujeitos incidência do imposto de renda da pessoa física e ao ajuste anual na declaração de rendimentos. Na espécie, o fato gerador é considerado ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário. Tal imposto se enquadra na moldura do lançamento por homologação. Para esse, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto, pois a ciência do lançamento se deu em 27/04/1999, e o fato gerador se aperfeiçoou em 31/12/1993. VIGÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL QUE SUSPENDE A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DA MULTA DE OFICIO Estando vigente medida judicial suspensiva do crédito tributário na data da ciência do lançamento combatido, aquela deferida anteriormente ao inicio do procedimento fiscal, devese lançar o imposto sem a multa de oficio, na forma do art. 63 da Lei n° 9.430/96. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS – MATÉRIA SUBMETIDA AO CRIVO DO PODER JUDICIÁRIO TRANCAMENTO DA VIA ADMINISTRATIVA INSTAURADA IMUNIDADE PREVISTA NO REVOGADO ART. 153, § 2°, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – DECISÃO JUDICIAL EM DESFAVOR DA PRETENSÃO DO CONTRIBUINTE A discussão da imunidade do imposto de renda que incidiria sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela previdência oficial a pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos de trabalho, foi submetida a apreciação judicial, que, inclusive, decidiu de forma definitiva em desfavor da pretensão do contribuinte. Impossível renovar ou manter a discussão sobre tal matéria no rito do processo administrativo fiscal. Na espécie, incide a Súmula 1°CC n° 1: "Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso voluntário parcialmente provido. Cientificada da decisão em 07/07/2008 (fl. 149), a Fazenda Nacional manejou Recurso Especial de Divergência, fls. 151/163, admitido pelo Presidente 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conforme Despacho de fls. 164/167. Em sessão plenária realizada em 28/06/2012, os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 920202.215, deram provimento Fl. 663DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 ao Recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência, relativamente ao anocalendário de 1993, determinado o retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais questões. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, decorrentes do trabalho com vínculo empregatício. Como visto do relatório, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança de fls. 76/85 (fls. 392/401pdf), contra Estado do Rio de Janeiro para que cessassem os descontos de imposto retido na fonte sobre seus rendimentos. Em razão da ação judicial proposta, a 6ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, não conheceu de parte do Recurso por concomitância com ação judicial para a matéria imunidade, e, no tocante à parte conhecida, reconheceu a decadência do lançamento relativo ao anocalendário de 1993, além de excluir da exigência a multa de ofício dos demais anos. Por sua vez, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais rejeitou a decadência e, ato continuo, determinou o retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais questões. Pois bem, cumpre ressalvar que a antiga 6ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes já havia enfrentado todas as questões suscitadas pelo recorrente em seu apelo, tendo, inclusive, excluído a multa de ofício aplicada em relação aos demais anos. Assim sendo, a questão posta em discussão, nesta fase processual, referese à multa de ofício relativa ao anocalendário de 1993. Relativamente à imposição da penalidade, o Acórdão nº 10616.793, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, assim concluiu (fls. 146/147): Dessa forma, quando lançado o tributo aqui em discussão, o recorrente estava amparado por uma medida judicial suspensiva, não infringindo qualquer preceito legal. O crédito tributário deveria ter sido constituído sem a multa de oficio, na do art. 63 da Lei n° 9.430/96, vembis: "Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da Unido, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966". (grifei) De fato, a multa de oficio lançada nestes autos não tem base legal, pois na data da autuação (27/04/1999), encontravase o recorrente acobertado por decisão de mérito de tribunal que afastava o imposto lançado. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13808.000438/9976 Acórdão n.º 2201002.710 S2C2T1 Fl. 5 7 Ante a todo o exposto, voto por excluir a multa de ofício do anocalendário de 1993. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 665DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16624.000858/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo.
Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Fez sustentação oral: Dr. Carlos Eduardo Marino Orsolon OAB - 222242 - SP.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dr. Carlos Eduardo Marino Orsolon OAB 222242 SP. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 08 58 /2 00 5- 90 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Declaração de Compensação protocolada em 29/11/2005, na qual a contribuinte buscava compensar seus débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal utilizando crédito de Cofins nãocumulativa, relativo ao período de apuração outubro de 2005, no importe de R$ 1.791.302,71. Analisada a pretensão da contribuinte, o Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório nº 543, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, notadamente:(grifei). Contratos de Fechamento de Câmbio e telas do siscomex de todas as operações de exportação; Notas fiscais de serviços utilizados como insumos; Comprovantes de despesas de armazenagem e frete; Documentos comprobatórios de créditos a descontar de PIS importação, entre outros. Argumentou a autoridade do Seort que, nos termos da lei n° 9.784/99, caberia à contribuinte provar os fatos que tenha alegado, e que a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderia condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos que comprovassem o crédito, conforme o disposto na Instrução Normativa RFB n° 900/2008. A autoridade salientou que, embora a contribuinte tenha atendido parcialmente às intimações, a documentação apresentada ainda careceu dos elementos imprescindíveis à análise do direito creditório, tornando inviável a apuração do crédito de Cofins referente ao mês de outubro/2005. Finalizou o Despacho aditando que, uma vez não comprovados os créditos informados na declaração de compensação, tornou se obrigatória a cobrança dos débitos compensados. Cientificada do Despacho Decisório em 15/12/2009, no dia 14/01/2010 a contribuinte apresentou manifestação de Fl. 925DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000858/200590 Acórdão n.º 3302002.900 S3C3T2 Fl. 811 3 inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 247/518, alegando, em síntese, o que segue. Inicialmente, a contribuinte alegou que a declaração de compensação foi protocolada em conformidade com a Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, norma vigente à época do feito. Entende a interessada que o crédito em questão possui um tratamento próprio e específico no que diz respeito à sua recuperação, que está previsto no § 2° do artigo 22 da referida instrução normativa. Sustenta que, de acordo com este dispositivo, a liquidez e a certeza do direito ao ressarcimento de créditos dessa natureza é verificada, em princípio, no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Segundo afirma a interessada, as informações contidas no DACON seriam completas e detalhadas e a IN SRF n° 460, de 2004, não exigiria da contribuinte a apresentação de qualquer outro documento adicional a fim de demonstrar o seu direito creditório. A contribuinte prossegue alegando que, “de acordo com a disposição contida no artigo 24” da referida norma, “depreendese que a autoridade fiscal competente para analisar o pedido de ressarcimento nestes casos, poderá, se for o caso, exigir do contribuinte a apresentação de outros documentos comprobatórios do respectivo crédito, assim como determinar a realização de diligência fiscal com vistas à comprovação do direito creditório do contribuinte” (o destaque é do original). A contribuinte alegou ainda que o DACON possuiria, por si só, presunção relativa de veracidade, e seria, portanto, o único documento exigido pela IN SRF n° 460, de 2004; assim, apenas em caso de necessidade de verificação da exatidão das informações prestadas no DACON é que esta instrução normativa faculta às autoridades fiscais exigir outros documentos para a apreciação do pedido de ressarcimento; reitera que “em princípio, o DACON conhecido pelas autoridades fiscais já lhes fornece todas as informações necessárias à revisão do direito creditório requerido, não sendo, via de regra, necessária a apresentação de outros documentos”. Na sequência, afirmou: (...) A contribuinte prosseguiu exaustivamente neste tema e concluiu afirmando que: não havia obrigação legal de apresentar qualquer outro documento conjuntamente com o formulário de Declaração de Compensação e respectivos formulários de detalhamento de crédito, uma vez que a IN SRF 460/04 somente exigia, nestes casos, que o DACON fosse conhecido pelas autoridades fiscais; Fl. 926DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 em caso de dúvida adicional acerca do direito creditório devidamente informado no DACON, caberia às autoridades fiscais requerer a apresentação de documentos adicionais ou, então, determinar a realização de diligência fiscal à sede da empresa (conforme artigo 24 da IN SRF 460/04); não se dando por satisfeita com os esclarecimentos e documentos adicionais apresentados, as autoridades fiscais deveriam emitir um Despacho Decisório justificado, apontando detalhadamente as inconsistências não comprovadas que levaram a sua conclusão pelo indeferimento do pedido de ressarcimento. Depois, registrando que o fazia “apenas para evitar qualquer alegação no sentido da preclusão de seu direito a apresentar uma documentação que (...) entende não estar obrigada a apresentar”, a contribuinte afirma estar juntando documentos, e discorre sobre os documentos que juntou à manifestação de inconformidade. Ao final, pleiteou que, caso fosse determinada por esta DRJ a conversão do julgamento em diligência, fossem respondidos os seguintes quesitos: (i) Os documentos fiscais e contábeis da Requerente estão em conformidade com os valores de créditos por ela informados no DACON? (ii) O detalhamento do crédito informado nos formulários “Créditos do PIS/COFINS” anexos à DCOMP estão de acordo com a efetiva utilização do crédito feita pela Manifestante no período discutido no Despacho Decisório? (iii) É procedente o crédito de PIS/COFINS utilizado na DCOMP analisada no presente processo? Em face das alegações e, especialmente, dos documentos apresentados pela contribuinte junto com sua manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.967, de 14/06/2010, da qual destacamos o trecho a seguir transcrito: Como já abordado anteriormente, somados à presente manifestação de inconformidade, a contribuinte juntou outros documentos que não haviam sido apresentados à autoridade da DRF em Guarulhos que analisou inicialmente o processo. Sendo assim, por conta da glosa total dos créditos calculados sobre insumos, e, por terem sido juntados novos documentos pela contribuinte na presente manifestação de inconformidade, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, encaminhando o presente processo à DRF de origem para que a autoridade responsável designada por esta verifique: se as exportações contidas na listagem de fls. 114/121 verso realizadas pela contribuinte estão, em quantidade e valor, confirmam as informações contidas no DACON para o mês analisado; Fl. 927DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000858/200590 Acórdão n.º 3302002.900 S3C3T2 Fl. 812 5 se foram observadas as normas para o rateio proporcional indicado pela contribuinte, na relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa, auferida no mês, para o cálculo do crédito de PIS do mercado externo; se as importações contidas na listagem de fls. 123/141 verso foram de bens utilizados como insumos nas mercadorias exportadas, e se houve recolhimento pela contribuinte da contribuição nestas importações; se são comprovados os gastos com energia elétrica, com base nos documentos apresentados de fl. 358 verificando a correta correspondência ao mês de janeiro/2005, considerando que a contribuinte pleiteou o direito creditório deste mês específico, e não do trimestre (o crédito de COFINS do mercado externo referente ao mês de abril/2005, por exemplo, foi pleiteado no processo n° 10875.721093/200911);(sic). se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as aquisições de bens utilizados como insumos, da listagem de fls. 247/349; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, da listagem de fl. 357; se são comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, os serviços utilizados como insumos, da listagem de fls. 351/361; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, da listagem de fls. 353/356. Ficará a critério da unidade de origem a metodologia a ser aplicada nos exames solicitados. Ao final, manifestese conclusivamente acerca do trabalho fiscal, informando acerca da existência e disponibilidade do crédito aproveitado na DCOMP, cientificando a contribuinte do resultado, bem como dos respectivos demonstrativos das comprovações acima solicitadas, e reabrindo o prazo regulamentar para a interessada, se for de seu interesse, complementar suas razões de manifestação de inconformidade. Os autos retornaram à DRF/Guarulhos, que adotou as medidas que entendeu necessárias ao atendimento do solicitado na Resolução n° 2.967. É oportuno registrar que a autoridade competente procedeu conjuntamente à análise relativa a diversos processos, que tratam de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos referentes a vários períodos de apuração. No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, Fl. 928DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificarse quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DILIGÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser ressarcido/restituído ou utilizado em compensação. Apresentados novos documentos com a manifestação de inconformidade e, mediante realização de diligência fiscal, comprovado parcialmente o crédito alegado, e no silêncio da contribuinte acerca do resultado da diligência, reconhecese parcialmente o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 14/10/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 705, apresenta tempestivamente em 12/11/2014, fls. 708/741 e documentos anexados, fls.742/803, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Inicialmente recompõe os fatos que deram origem à apresentação das Declarações de Compensação apresentadas pela Recorrente no anocalendário de 2005 visto que estava sujeita ao regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o Programa de Integração (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), tendo apurado nos termos das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, créditos referentes às referidas contribuições no tocante às suas receitas de exportação, os quais foram utilizados em compensações administrativas com tributos federais; destaca que em 2005 a Recorrente auferiu tanto receitas no mercado interno, sujeitas ao PIS e à COFINS de acordo com o regime nãocumulativo, como receitas não sujeitas ao PIS e à COFINS, visto que decorrentes de exportação de mercadorias ao exterior ou Fl. 929DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000858/200590 Acórdão n.º 3302002.900 S3C3T2 Fl. 813 7 de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim de exportação ou ainda a empresas situadas na Zona Franca de Manaus; aduz argumentos já colacionados à Manifestação de Inconformidade, notadamente quanto à suposta ausência de fundamentação do Despacho Decisório nº 543; reproduz os quesitos que motivaram a o pedido de diligência pela DRJ; porém a matéria nuclear de sua peça recursal consiste em demonstrar o equívoco da decisão DRJ ao ratificar o segundo Termo de Constatação Fiscal e a elencar segundo seu entendimento os equívocos do referido segundo Termo de Constatação Fiscal, como a seguir se resume, exemplificativamente, o item 52 da peça recursal: a) o aumento do débito de PIS e de COFINS nos meses de 2005, antes do desconto de créditos é indevido, em razão da decadência do direito de se rever em 2014 a base de cálculo do PIS e da COFINS de 2005; b) a glosa de crédito do mercado interno é indevida pelos mesmos motivos, já que serviu apenas para majorar os débitos de PIS e de COFINS de 2005. Nesse sentido, a diligência foi solicitada para se verificar os créditos de PIS e de COFINS apenas vinculados às receitas de exportação; c) o direito das autoridades fiscais de analisarem os créditos vinculados ao mercado interno está decaído, já que nunca houve DCOMP pleiteando tais créditos. Ainda que a análise dos créditos vinculados às receitas de exportação pudesse estar correlacionada com a verificação dos créditos de mercado interno, ainda assim estaria decaído o direito de a fiscalização se utilizar do novo valor apurado (menor) de crédito de mercado interno, na medida em que ele acaba alterando o valor do suposto novo débito de PIS ou COFINS apurado para mais; d) não se mostra preciso o método adotado pela fiscalização para a apuração de diferenças entre as despesas incorridas pela Recorrente informadas em seu DACON e aquelas consideradas no Termo de Constatação Fiscal; e) há erros pontuais cometidos pela fiscalização , como, em relação à COFINS do mês de janeiro, o valor da linha "NF não apresentada" está erroneamente duplicado; f) no tocante aos créditos de PIS e COFINSImportação apropriados pela Recorrente na apuração de seus créditos, verificase que a fiscalização verificou recolhimentos de tais tributos de valores superiores àqueles indicados em DACON, mas não houve apropriação dos valores pagos a maior na reapuração do PIS e da COFINS, o que demonstra uma total parcialidade na condução da diligência por parte da fiscalização; g) os créditos de PIS e COFINS não englobam todos os meses de 2005, assim não houve o protocolo de qualquer DCOMP visando compensar créditos de PIS e COFINS relativos às exportações referentes aos meses de março e agosto/2005, ainda assim a fiscalização efetuou a reapuração do PIS março e agosto em um procedimento sem qualquer base legal, com impacto os meses seguintes; Ainda complementa que : Fl. 930DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Não se alegue como pretenderam as decisões de primeira instância administrativa da DRJRibeirão Preto que não existia controvérsia acerca dos valores creditórios passíveis de recolhimento, pois a Recorrente não teria se manifestado acerca do Termo de Constatação Fiscal; Referido tipo de presunção não encontra guarida no processo administrativo fiscal. O Decreto nº 70.235, de 1972 é muito claro , no sentido de que concluída a diligência, o processo deve retornar à DRJ para análise, independentemente de ter havido não manifestação contra o relatório de conclusão da diligência, uma vez que o processo administrativo é pautado pela legalidade e pela busca da verdade material; Ao receber o segundo Termo de Constatação Fiscal e ter sido informada verbalmente que ainda poderia apresentar a documentação indicada como faltante, entendeu a Recorrente que, semelhantemente ao que havia ocorrido quando recebeu o primeiro Termo de Constatação, os 12 processos não seriam remetidos à DRJ; A recorrente está em vias de concluir a localização da documentação e que apresentará organizada e integralmente a E. CARF, a fim de refutar as alegações do Termo de Constatação Fiscal, em vista disso, em prol do princípio da verdade material, protestase desde já pela posterior juntada da referida documentação. Ao final requer: a) a apensação do presente processo aos processos nºs: 10875.001972/200507, 10875.001032/200518, 10875.001627/200565, 10875.002155/200568, 10875.002303/200544, 160875.721091/200921, 10875.721093/200911, 160098.000064/200955, 16098.000065/200908, 16624.000479/200508, 16624.000858/200590; b) a reforma do acórdão proferido pela DRJ Ribeirão Preto com a consequente anulação do Despacho Decisório, ou caso assim não se entenda, pelo menos a anulação do segundo Termo de Constatação Fiscal e da decisão da DRJ Ribeirão Preto que o ratificou. Quando da sustentação oral, entre os argumentos apresentados da tribuna, notadamente quanto a não apresentação de inconformidade quando da ciência do segundo Termo de Constatação Fiscal, arguiu o Patrono: a Recorrente não apresentou manifestação de inconformidade visto que não houve encerramento da ação fiscal, apenas a emissaõ de um mero Termo de Constatação; em face do grande volume de documentos coletados não foi possível fazer a solicitação de juntada destes antes do julgamento. Em 14/12/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada, fl.810 apresenta petição e documentos diversos. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Fl. 931DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000858/200590 Acórdão n.º 3302002.900 S3C3T2 Fl. 814 9 Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do ônus probatório Da análise preliminar da peça recursal verificase que o litígio prendese a duas questões principais: a responsabilidade sobre o ônus probatório no caso dos autos e o direito de litigar acerca de matéria não suscitada em sede de primeira instância administrativa. Com o intuito de balizar a discussão inicial é importante trazer à colação as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifei). Das disposições legais acima citadas inferese que há dois pilares essenciais na discussão acerca das declarações de compensação que podem ser identificados nas seguintes questões: a) deflagração do pleito pelo sujeito passivo [entrega pelo sujeito passivo de declaração quanto aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados]; b) a extinção do crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 É digno de realce que os pilares acima destacados como a seguir se verá têm importância tanto no aspecto material quanto no aspecto formal, já que a partir de tal disposição normativa verificase que no tocante ao direito creditório pleiteado, conforme o primeiro pressuposto indicado, a deflagração do ato é do sujeito passivo mediante a entrega da declaração de compensação, sendo esta uma confissão de dívida, atribuição conferida pelo § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. O segundo pressuposto é de que o crédito tributário é extinto sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Com os pressupostos acima estabelecidos, em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão quanto ao ônus probatório, bem como o regramento processual quanto à via contenciosa na esfera administrativa. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil CPC, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. Nesse sentido disciplina a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, DOU de 31/12/2008: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito Fl. 933DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000858/200590 Acórdão n.º 3302002.900 S3C3T2 Fl. 815 11 passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.(grifei). Cabe ainda destacar que o dever de apresentação ao fisco da documentação exigida repousa em base legal como se verá, a título exemplificativo: · Código Tributário Nacional CTN, artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.(grifei). · Lei nº 9.430, de 1996, art. 34: Acesso à Documentação Art.34.São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida.(grifei). Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: · Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório nº 543, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a não homologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não Fl. 934DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 247/518. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.967, de 14/06/2010. Da diligência solicitada temse os seguintes resultados: 1) Termo de Constatação Fiscal, fls. 584/589, do qual se destaca: Decorrido 7 meses da solicitação da apresentação das notas fiscais (15 de agosto a 26 de março) e maior tempo de outras intimações anteriores, a empresa ainda iria pedir as caixas no arquivo externo, demonstrando a falta de dedicação ao atendimento às solicitações feita pela fiscalização.(grifei). É importante ressaltar excertos da decisão de piso acerca do referido termo: No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificar se quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal, a seguir transcrito: 2) Termo de Constatação Fiscal, fls. 679/683. A decisão de piso assim se manifesta: A contribuinte não se manifestou sobre o resultado da diligência solicitada. Todavia, o silêncio da interessada não afasta o dever de examinarmos as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade e a repercussão, sobre o Despacho Decisório, das conclusões a que chegou a AFRFB responsável pela diligência acerca do direito creditório pleiteado. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000858/200590 Acórdão n.º 3302002.900 S3C3T2 Fl. 816 13 Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório nº 543 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 679/683. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: Conforme já anteriormente mencionado, a autoridade fiscal responsável pela realização da diligência analisou conjuntamente os créditos de PIS e Cofins alegados pela contribuinte em 12 processos administrativos. Nesta análise conjunta concluiu que os créditos a que a contribuinte tinha direito eram inferiores aos pleiteados, pois a interessada teria 1 Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (...) IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 substimado as bases de cálculo das contribuições devidas e superstimado as bases de cálculo dos créditos a serem descontados. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 679/681, integralmente transcrito no Relatório deste Acórdão, e nos arquivos digitais que o integram e complementam, referida autoridade detalhou as razões das glosas relativas aos créditos, bem como as receitas que a contribuinte teria excluído indevidamente das bases de cálculo das contribuições devidas.(grifei). Nos arquivos digitais denominados “Dem. Apuração Saldo de Créditos –Cofins” e “Dem. Apuração Saldo de Créditos – PIS”, nas planilhas denominadas “Saldo de Céditos pCompens.”, a autoridade fiscal apresentou, para cada um dos meses em exame, os valores dos saldos de créditos disponíveis para utilização em declarações de compensação. No quadro a seguir, reproduzimos as informações constantes das referidas planilhas:(sic) Como vimos, a contribuinte, regularmente cientificada, não se manifestou acerca das conclusões a que chegou a autoridade responsável pela realização da diligência. Assim, não existe controvérsia acerca dos valores dos direitos creditórios passíveis de reconhecimento. Consequentemente, deverão ser reconhecidos os créditos pleiteados, limitados aos valores constantes do quadro acima. No quadro a seguir, relacionamos os doze processos examinados na diligência, os créditos neles pleiteados e os valores dos créditos a serem reconhecidos: Fl. 937DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000858/200590 Acórdão n.º 3302002.900 S3C3T2 Fl. 817 15 Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. Por oportuno, cabe registrar que quando da sustentação oral, entre os argumentos para justificar a não contestação do segundo Termo de Constatação arguiu o Patrono que não houve encerramento da ação fiscal, apenas um mero Termo de Constatação. Compulsandose os autos, verificase que não assiste razão à defesa haja vista está expressamente consignado no segundo Termo de Constatação Fiscal de fls. 679/683, a informação quanto ao encerramento da ação fiscal bem como quanto a abertura de prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade, como a seguir se demonstra através dos seguintes excertos: "Dos exames realizados para atendimento da solicitação, com relação a existência dos créditos aproveitados nas DCOMPs, esta ação fiscal está sendo concluída, com os resultados discriminados abaixo:"(grifei). (...) Acerca dos fatos expostos, dos demonstrativos e dos novos valores dos créditos a serem aproveitados na DCOMP, fica Fl. 938DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 facultado à contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade.(grifei). Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 14/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 14/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a)fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c)destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997).(grifei). Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 679/683, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 939DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000858/200590 Acórdão n.º 3302002.900 S3C3T2 Fl. 818 17 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 10882.903768/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, votando pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Ana de Barros Fernandes Wipprich, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, votando pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Ana de Barros Fernandes Wipprich, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, votando pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Ana de Barros Fernandes Wipprich, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 03 76 8/ 20 12 -5 4 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO NOVA CIDADE DE DEUS PARTICIPAÇÕES S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição e não homologou compensações vinculadas ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário 2003. Conforme despacho decisório de fl. 10, o saldo negativo de CSLL informado no valor de R$ 2.458.999,76 deixou de ser reconhecido em razão da não confirmação das estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, no montante de R$ 2.996.468,85. Ns informações complementares da análise do crédito consta que as estimativas de janeiro a maio/2003 e de julho/2003 a novembro/2003, bem como parte da estimativa referente a junho/2003, foram objeto de Declarações de Compensação DCOMP não homologadas. Já a parcela de R$ 6.553,09 referente à estimativa de junho/2003 não consta da DCOMP informada pela contribuinte (nº 12278.01887.310703.1.3.037408), ou em sua retificadora ativa. Impugnando a exigência, a contribuinte informou que a parcela de R$ 6.553,09 da estimativa de junho/2003 consta da DCOMP n° 33014.76166.180108.1.3.037633 e ainda da DCOMP n° 12278.01887.310703.1.3.037408, bem como que as compensações de todos os valores glosados estão em discussão no processo administrativo nº 10882.001396/200339 (e apensos n° 10882.001397/200383 e n° 10882.001398/200328), e discordou do não reconhecimento do direito credito em virtude da nãohomologação daquelas compensações por implicar cobrança em duplicidade. Pleiteou, também, o sobrestamento do presente feito até decisão final nos processos administrativos antes referidos. A Turma Julgadora condicionou o reconhecimento do direito creditório à certeza e liquidez dos valores que o compõem e consignou inexistir previsão legal para sobrestamento do processo administrativo. A decisão restou assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DA CSLL. VALORES DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO NÃO CONFIRMADOS. O saldo negativo da CSLL pode ser objeto de pedido de restituição ou utilizado como crédito em declaração de compensação somente se confirmado que os valores a título de antecipação excedem o valor devido ao final do período de apuração. Cientificada da decisão de primeira instância em 30/04/2014 (fl. 188), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 30/05/2014 (fls. 196/226). Diz que o entendimento defendido pela r. decisão recorrida contraria frontalmente o entendimento já firmado pela COSIT na Solução de Consulta Interna nº 18/2006, e destaca que nos termos do art. 9º da Instrução Normativa Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 4 3 RFB nº 1396/2013, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.434/2013, aqueles atos têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil. Argumenta que como o efeito da não homologação daquela compensação é a cobrança do débito declarado, inclusive acrescido de multa, o que já está sendo feito naqueles processos, inclusive com supedâneo no disposto nos §§ 5º a 8º da Lei nº 9.430/96, da redação dada pela Lei nº 10.833/2003. E, qualquer que seja a solução final, homologação da compensação ou pagamento com acréscimos moratórios dos débitos eventualmente não homologados, o saldo negativo aqui utilizado restará inalterado. Entende não ser possível a cobrança simultânea dos débitos tratados naquele e neste processo, e observa que em processo semelhante a própria DEINF/SP reconheceu expressamente que uma vez declarados os débitos, os efeitos quanto à não homologação de sua compensação se darão com os acréscimos devidos, naqueles autos. Aduz, ainda, que a decisão recorrida foi silente acerca da compensação da parcela de R$ 6.553,09 da estimativa de junho/2003 e reitera que a extinção se verificou por meio da DCOMP nº 33014.76166.180108.1.3.037633 e ainda da DCOMP n° 12278.01887.310703.1.3.037408, conforme documentos juntados à manifestação de inconformidade. Discorre sobre seu direito à devolução do indébito, invocando as disposições legais neste sentido e o princípio da moralidade administrativa. Subsidiariamente pleiteia o sobrestamento do presente julgamento até decisão final a ser proferida naqueles autos, ou então ao menos a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, sob pena de cobrança indevida. Invoca o disposto no art. 265, IV, "a" do Código de Processo Civil, e cita outras decisões deste Conselho em favor do sobrestamento em circunstâncias semelhantes. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente no que se refere à liquidação da parcela de R$ 6.553,09 da estimativa de junho/2003, observase na DCOMP nº 33014.76166.180108.1.3.037633 (fl. 02/09) que, ao demonstrar a composição do saldo negativo utilizado, a contribuinte indicou que a estimativa devida naquele período foi objeto das seguintes compensações: 006.Período de Apuração da Estimativa Compensada: Junho/2003 Data de Vencimento: 31/07/2003 Número do Processo Administrativo: Número da DCOMP: 12278.01887.310703.1.3.037408 Valor da Estimativa Compensado 6.553,09 Período de Apuração do Saldo de Período Anterior CNPJ do Detentor do Saldo Negativo: 04.866.462/000147 Forma de Apuração: Anual Exercício/Trimestre/Mês/Período: 2003 007.Período de Apuração da Estimativa Compensada: Junho/2003 Data de Vencimento: 31/07/2003 Número do Processo Administrativo: Número da DCOMP: 12111.85261.310703.1.3.030706 Valor da Estimativa Compensado 598.384,94 Período de Apuração do Saldo de Período Anterior CNPJ do Detentor do Saldo Negativo: 04.866.462/000147 Forma de Apuração: Anual Exercício/Trimestre/Mês/Período: 2003 008.Período de Apuração da Estimativa Compensada: Junho/2003 Data de Vencimento: 31/07/2003 Número do Processo Administrativo: Número da DCOMP: 03479.22049.310703.1.3.026385 Valor da Estimativa Compensado 253.158,47 Período de Apuração do Saldo de Período Anterior CNPJ do Detentor do Saldo Negativo: 04.866.462/000147 Forma de Apuração: Anual Exercício/Trimestre/Mês/Período: 2003 Nas informações complementares do Despacho Decisório, às fls. 11/12, está indicado que a parcela de R$ 6.553,09 foi vinculada à DCOMP nº 12278.01887.310703.1.3.03 7408, porém o valor não foi confirmado na composição do saldo negativo sob a seguinte justificativa: Débito de estimativa não consta na Dcomp informada ou em sua retificadora ativa. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 6 5 A contribuinte juntou à sua manifestação de inconformidade cópia da DCOMP nº 12278.01887.310703.1.3.037408, na qual se vê: O recibo de entrega à fl. 66 confirma a compensação do débito em referência: Por sua vez, na cópia do despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo nº 10882.001396/200339 em 11/04/2008, no qual foram analisadas, dentre Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 7 6 outras, a DCOMP nº 12278.01887.310703.1.3.037408, constatase que esta declaração está ali citada por sua numeração original, sem qualquer notícia de retificação (fl. 72). Assim, seria necessário confirmar junto à autoridade administrativa local se alguma outra ocorrência desconsiderada nesta análise justificaria a conclusão, exposta no despacho decisório, de que a parcela de R$ 6.553,09 referente à estimativa de CSLL devida em junho/2003 não estaria informada na DCOMP nº 12278.01887.310703.1.3.037408, ou em sua retificadora. Com referência às estimativas objeto de compensação não homologada, cumpre inicialmente esclarecer que o efeito vinculante das soluções de consulta, previsto no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.434/2013, somente foi estipulado para os atos publicados a partir da entrada em vigor daquele ato normativo, na forma de seu art. 32, não alcançado a mencionada Solução de Consulta Interna nº 18, exarada em 2006. A recorrente também argumenta que, caso proferida decisão definitiva em desfavor da compensação, as estimativas aqui não confirmadas na composição do saldo negativo seriam passíveis de cobrança, inclusive acrescido de multa, o que já está sendo feito naqueles processos. Assim, no caso de homologação da compensação ou pagamento com acréscimos moratórios dos débitos eventualmente não homologados, o saldo negativo aqui utilizado restaria inalterado. De fato, caso homologada a compensação da estimativa que compõe o presente saldo negativo, a parcela correspondente estará aqui convalidada, impedindo a cobrança de débitos compensados até o limite do crédito comprovado. Já em se tornando definitiva a não homologação da compensação desta estimativa, somente o pagamento decorrente de sua cobrança lhe conferirá novamente a certeza retirada pelo anterior ato de nãohomologação. Por sua vez, uma vez restabelecida esta certeza acerca da antecipação que a interessada pretende aqui ver computada no saldo negativo em debate, este direito creditório será reconstituído para imputação aos débitos compensados, impedindo sua cobrança. Logo, somente o pagamento das estimativas compensadas, vinculadas ao crédito tratado no anterior processo administrativo abordado pela recorrente, seria exigível, não se verificando qualquer duplicidade em relação a exigência decorrente dos débitos aqui compensados. Já se o sujeito passivo optar não pagar o débito que venha a se tornar exigível naqueles autos, o crédito aqui utilizado não será confirmado e então apenas os débitos com ele compensados serão exigíveis. Por certo não poderá a autoridade administrativa proceder a ambas as cobranças simultaneamente, mas apenas sucessivamente, caso se mostre inviável prosseguir na primeira cobrança. Assim, é certo que uma vez adimplidas as cobrança daquelas estimativas a glosa aqui em discussão seria sanada. Contudo, esta é apenas uma hipótese, que demanda confirmação para que o crédito seja revestido de liquidez e certeza e se preste a uma compensação extintiva. De fato, outras circunstâncias podem se verificar caso aquelas estimativas voltem a ser exigíveis, no caso de decisão desfavorável à compensação declarada para sua extinção. E neste ponto, é relevante esclarecer, ainda, que a Súmula CARF nº 82 (Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 8 7 exigir estimativas não recolhidas) aborda a questão apenas com relação às estimativas não recolhidas, não cogitando de estimativas compensadas por meio de DCOMP que restem não homologadas. A Lei nº 9.430/96 é clara quanto às conseqüências em relação ao sujeito passivo que, obrigado, deixe de pagar as estimativas devidas: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] A redação estabelecida a partir da Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, segue a mesma linha: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 9 8 III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, o fato de o sujeito passivo declarar em DCTF débitos de estimativas de IRPJ e CSLL não é suficiente para autorizar a imediata inscrição em Dívida Ativa para efeito de cobrança executiva, na forma do art. 5o, §2o do Decretolei nº 2.124/84. Ao menos nos casos em que esta declaração é desacompanhada de qualquer forma de quitação do débito, a lei reprime a omissão do sujeito passivo com a aplicação de multa isolada, e não com a cobrança do débito de estimativa. Contudo, cabe ao intérprete definir se as conseqüências expressas na lei também se aplicam aos casos em que o sujeito passivo não se omite, mas sim promove a extinção da estimativa devida mediante a entrega de DCOMP, extinção esta que pode se tornar definitiva após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos concedido para análise da operação pela autoridade fiscal. E, neste ponto, cumpre destacar que a redação dada pela Lei nº 10.833/2003 ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 (§§ 9o a 11), permitiu a interposição de manifestação de inconformidade e recurso voluntário contra o ato de nãohomologação, conferindo ao débito compensado suspensão da exigibilidade durante o contencioso administrativo, qualquer que seja sua natureza. Frente a tais circunstâncias, editado o ato de nãohomologação, a autoridade administrativa concede ao sujeito passivo a possibilidade de, espontaneamente, quitar o débito compensado, sem discutir administrativamente a compensação. Caso o sujeito passivo opte por atender a esta recomendação, convalida a utilização da estimativa no correspondente período de apuração, quer para formação de outro saldo negativo, quer para reduzir o tributo verificado no ajuste anual. Porém, se o sujeito passivo opta por interpor manifestação de inconformidade e o posterior recurso voluntário, o débito compensado passa a estar com a exigibilidade suspensa, sendo inaplicáveis as conseqüências estabelecidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em face daqueles que deixam de pagar as estimativas devidas. Eventualmente poderseia questionar qual providência seria adotada se o sujeito passivo, ao restar vencido em sua pretensão, não recolhesse as estimativas indevidamente compensadas. Poderseia argumentar que estas estimativas não seriam passíveis de cobrança executiva porque a lei assim não autoriza. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 10 9 Todavia, como demonstrado, a lei não aborda diretamente as providências que devem ser adotadas em face de estimativa indevidamente compensada, mormente quando sua exigibilidade é restabelecida em razão da definitividade do ato de nãohomologação de compensação. Assim, caberá à autoridade administrativa competente para agir em tais circunstâncias interpretar a lei e definir os procedimentos que serão adotados, e a indefinição presente neste momento, em que ainda não encerrado o litígio administrativo acerca da liquidação das estimativas por compensação, é incompatível com a certeza e liquidez necessárias para confirmação do direito creditório aqui em litígio. Por todo o exposto, embora não se aceite que a possibilidade de futura cobrança das estimativas frente a uma decisão desfavorável autorize a convalidação do crédito aqui utilizado, reconhecese que o pedido de suspensão do julgamento do presente recurso voluntário pode ser deferido, até que se confirme a extinção das referidas estimativas. De fato, em tais circunstâncias, na medida em que o Decreto nº 70.235/72 nada dispõe a respeito, mostrase aplicável, subsidiariamente, o art. 265, inciso IV do Código de Processo Civil1, assim redigido no que importa ao presente litígio: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; [...] § 5o Nos casos enumerados nas letras a, b e c do no IV, o período de suspensão nunca poderá exceder 1 (um) ano. Findo este prazo, o juiz mandará prosseguir no processo. Nas lições de Vicente Greco Filho2, referido dispositivo trata da denominada questão prejudicial, por ele conceituada como relação jurídica controvertida, logicamente antecedente, que subordina a resolução de outra dita principal e apta, em tese, a ser objeto de uma ação principal. No presente caso, segundo a classificação exposta pelo autor, há uma prejudicial externa, na medida em que a relação jurídica antecedente depende de decisão em outro processo, e não no mesmo processo em que vai ser proferida a sentença. Neste sentido, aliás, o novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, assim estipulou: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; 1 No mesmo sentido é a determinação do atual Código de Processo Civil, aprovado pela Lei nº 13.105/2015 (art. 313, inciso V, alínea "a"). 2 Direito Processual Civil Brasileiro, 2º volume, 14º edição, São Paulo, Editora Saraiva, 2000, p. 63 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 11 10 II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (negrejouse) Considerando que: 1) não se trata aqui de conexão, mas sim de decorrência, e que o §2º do art. 6º acima reproduzido autoriza a distribuição do processo decorrente para o Conselheiro responsável pela relatoria do processo principal, mas não o inverso; e 2) o processo principal nº 10882.001396/200339 aguarda distribuição/sorteio nesta 1ª Seção de Julgamento, e a decisão deste processo decorrente deve aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal na forma do §5º do art. 6º acima reproduzido, necessária seria a conversão do julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara. Todavia, tendo em conta a necessidade de encaminhamento dos autos à Unidade de origem para obtenção das informações referentes à compensação da estimativa de junho/2003, tais providências ficam postergadas para o retorno dos autos a este Conselho. Assim, como a finalização do julgamento do presente litígio depende de informações acerca da compensação de parte da estimativa de junho/2003, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade que jurisdiciona o sujeito passivo informe se houve alteração da DCOMP nº 12278.01887.310703.1.3.037408, de modo a infirmar a compensação da parcela de R$ 6.553,09, da estimativa de CSLL devida em junho/2003. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10882.903768/201254 Resolução nº 1302000.377 S1C3T2 Fl. 12 11 Ao final, a autoridade fiscal deverá informar, em relatório circunstanciado, as estimativas que restaram extintas e a repercussão destas ocorrências no direito creditório em litígio, disto cientificando o sujeito passivo e facultandolhe a complementação de suas razões de defesa no prazo de 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10865.003331/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
Ementa:
DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO. PARCELAMENTO NÃO VALIDADO.
A existência de débitos inscritos em dívida ativa da União, não regularizados, e cujo parcelamento não restou validado no prazo legal, impedem a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional.
Numero da decisão: 1201-001.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto. Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, os Conselheiros Ronaldo Apelbaum e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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NÃO REGULARIZAÇÃO. PARCELAMENTO NÃO VALIDADO. A existência de débitos inscritos em dívida ativa da União, não regularizados, e cujo parcelamento não restou validado no prazo legal, impedem a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto. Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, os Conselheiros Ronaldo Apelbaum e Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 33 31 /2 00 8- 41 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003331/200841 Acórdão n.º 1201001.354 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: I) Do Ato Declaratório Executivo Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/LIM Nº 162460, de 22/08/2008 (fls.29), por meio do qual foi a interessada excluída do regime do Simples Nacional, em virtude de possuir débitos nãoprevidenciários em cobrança na PGFN, com exigibilidade não suspensa, relacionados às fls. 30, a saber: Débitos na PGFN Inscrição Valor do Saldo 00008060607567489 R$ 4.883,40 00008020604698273 R$ 2.261,52 00008060610950875 R$ 6.590,56 00008070602500600 R$ 1.427,88 00008060610950956 R$ 1.810,12 2. A exclusão fundamentase no inciso V, do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, e na alínea “d” do inciso II do artigo 3º, combinada com o inciso I do artigo 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23/07/2007. Os efeitos da exclusão deramse a partir de 1º/01/2009, conforme dispõe o inciso IV do art. 31 da Lei Complementar nº 123/2006. Consta, ainda, do referido ato, que, caso a totalidade dos débitos fossem pagos ou parcelados no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua ciência, a exclusão tornarse ia sem efeito. II) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com os termos do ato administrativo, do qual tomou ciência em 04/09/2008 (AR, fls. 46), apresentou a interessada, em 25/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 03, instruída com os documentos de fls.04/28, alegando, em síntese, que: 3.1. apresentou em 10/09/2008 uma Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica/2008 – SIMPLES retificadora (fls.10/22), pois a original fora entregue sem o devido preenchimento do campo referente ao valor das compensações; 3.2. os débitos perante a PGFN já foram objeto de parcelamento em 20/07/2007, conforme cópia em anexo (fls. 23/24); e Fl. 74DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003331/200841 Acórdão n.º 1201001.354 S1C2T1 Fl. 4 3 3.3. ingressou com requerimento na PGFN para vinculação dos débitos ao parcelamento. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1261.695, de 26 de novembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 DÉBITOS COM A PGFN. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO. PARCELAMENTO NÃO VALIDADO. A existência de débitos com a PGFN, inscritos em dívida ativa, não regularizados, e cujo parcelamento não restou validado, impedem o reingresso da pessoa jurídica no Simples Nacional, nos termos da legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Enfim a DRJ não acolheu as razões da manifestação de inconformidade, determinando seja mantida a exclusão da pessoa jurídica do regime do Simples Nacional, a partir de 1º/01/2009, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/LIM Nº 162460, de 22/08/2008. A pessoa jurídica, foi cientificada da mencionada decisão em 23 de dezembro de 2013, conforme Aviso de Recebimento, e, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 16/01/2014. Na peça recursal, no essencial, a Recorrente alega que: ingressou com Pedido de Parcelamento para ingresso no Simples Nacional, em 20/07/2007 conforme Recibo: 981532609780; na verdade, houve um equivoco no programa da ora recorrida, e nos trâmites internos, uma vez que sequer a PGFN se manifestou acerca dos requerimentos efetuados tempestivamente; o Parcelamento em questão, não validado pela PGFN, foi feito de forma tempestiva e correta, pago mensalmente, até 30/12/2013. em parcelas de R$ 100,00; paralelamente a este processo administrativo, existe a Ação de Execução n° 10189.62.2013.403.6143, sobre o mesmo assunto; o ADE fora emitido tendo em vista a este parcelamento acima citado, não ter sido validado, e, pelo fato de o recorrente estar aguardando a manifestação da PGFN, o recorrente continuou, mesmo assim, recolhendo os DARF's competentes até meados de 30/11/2013; com respaldo legal, cm 28/09/2009 efetivou a migração do saldo do parcelamento do PAES para o parcelamento da Lei 11.941/2009, artigo 3º RFBDemais débitos. Sendo que o mesmo já se encontra liquidado; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003331/200841 Acórdão n.º 1201001.354 S1C2T1 Fl. 5 4 em 26/06/2010, o ora recorrente fez a opção pela totalidade, deste supramencionado artigo, principalmente pelo fato de que os débitos referente à PGFN estavam sendo discutidos; em 08/07/2011, houve a consolidação do parcelamento da Lei 11.941, art. 3º RFB —Demais Débitos; a decisão da SEORT em excluir o presente recorrente do Simples Nacional, de forma retroativa, é, minimamente equivocada e arbitrária; que efetivou a migração do saldo do parcelamento do PAES para o parcelamento da Lei 11.941/2009, artigo 3o RFB Demais débitos; o ora recorrente, não efetuou parcelamento no âmbito da PGFN. Para tanto precisaria ter efetivado o pedido de parcelamento. E, para ser deferido, haveria a necessidade de recolhimento da guia correspondente. O que não ocorreu; a legislação, através da Lei 12.865/13 reabriu o prazo da Lei 11.941/2009, momento no qual, com a Notificação do Indeferimento em mãos, o ora recorrente parcelou os débitos nos termos da Lei 11.941/2009, art. 1º PGFN — Demais débitos. Neste parcelamento, houve o ingresso novamente dos 05 processos. O que por si só já demonstra a boafé deste, além de, sem dúvida alguma, regularizar a situação (Recibo em Anexo); a retroação para exclusão do Simples Nacional, neste caso, causa dano irreparável, já que em qualquer outra situação o recorrente ainda teria a opção de pedir a nova reinclusão em janeiro de 2013, conforme orientação da própria SRF em matéria correlata: ...9. O contribuinte excluído poderá solicitar nova opção em janeiro de 2013? ... houve cerceamento de direito, de defesa, de agir do contribuinte, ora recorrente, que, se tivesse tido esta oportunidade lá atrás, poderia ter feito a regularização dos débitos e ter pedido a reinclusão no Simples Nacional, o que se demonstra impossível neste momento, já que estamos em 2014, e a decisão tardia da DRJ remete ao passado, há mais de 05 anos atrás, deixando o ora recorrente de mãos atadas, neste sentido. Em 27/01/2014 apresenta Recurso Voluntário complementar no qual reitera os mesmos argumentos apresentados no outro Recurso Voluntário, acrescentando que o Ato Declaratório questionado está eivado de nulidade porque apesar de fazer referencia aos valores supostamente devidos, não os indica especificamente, limitandose a sugerir um link para sua consulta. Argúi que a indicação de um link não pode substituir a necessidade de a Autoridade Administrativa listar os débitos que, sem exigibilidade suspensa, resultariam na exclusão da sistemática simplificada. Os atos administrativos devem conter todos os elementos que o reputem válidos, entre eles, notadamente, a motivação/fundamentação necessária ao amplo exercício do Direito de Defesa. Diz que a indicação expressa e precisa dos débitos "em aberto" consta nos autos tão somente na decisão recorrida, sendo tal indicação utilizada única e exclusivamente Fl. 76DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003331/200841 Acórdão n.º 1201001.354 S1C2T1 Fl. 6 5 para reforçar os fundamentos da rejeição da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Afirma que incide, na hipótese, o entendimento sedimentado nessa Corte Administrativa consubstanciado na Súmula CARF N° 22, verbis: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Finalmente requer a reconsideração da decisão da DRJ e deferimento da manutenção do ora recorrente no Simples Nacional, por ser ato de direito e lídima justiça. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo DRF/LIM Nº 162460, de 22/08/2008 (fls.29), com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, em virtude de possuir débitos nãoprevidenciários em cobrança na PGFN, com exigibilidade não suspensa. Consta do mencionado Ato Declaratório que os débitos encontramse relacionados no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do Sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico <www,receita.fazenda.gov.br >, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art.5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. E que, os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 1º de janeiro de 2009, conforme disposto no inciso IV do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006 que transcrevo a seguir: Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: ... Fl. 77DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003331/200841 Acórdão n.º 1201001.354 S1C2T1 Fl. 7 6 IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão; ... § 2o Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. (Grifei) No Recurso Voluntário a Recorrente, em confusa defesa conclui afinal que não efetuou parcelamento no âmbito da PGFN. Para tanto precisaria ter efetivado o pedido de parcelamento. E, para ser deferido, haveria a necessidade de recolhimento da guia correspondente. O que não ocorreu. Em seguida, ratificando o que dissera antes, a Recorrente argumenta que a Lei nº 12.865/13 reabriu o prazo da Lei 11.941/2009, momento no qual, com a Notificação do Indeferimento em mãos, o ora recorrente parcelou os débitos nos termos da Lei 11.941/2009, art. 1º PGFN — Demais débitos. Neste parcelamento, houve o ingresso novamente dos 05 processos. O que por si só já demonstra a boafé deste, além de, sem dúvida alguma, regularizar a situação (Recibo em Anexo). Entendese como os 05 processos ditos pela Recorrente, os débitos relatados que deram fundamento à exclusão do Simples Nacional, quais sejam: Débitos na PGFN Inscrição Valor do Saldo 00008060607567489 R$ 4.883,40 00008020604698273 R$ 2.261,52 00008060610950875 R$ 6.590,56 00008070602500600 R$ 1.427,88 00008060610950956 R$ 1.810,12 Sobre o parcelamento consta da decisão recorrida o seguinte: 6. Os débitos referidos, inscritos em Dívida Ativa na PGFN, foram objeto de Pedido de Parcelamento para Ingresso Simples Nacional (fls. 25) por parte da interessada. 7. Segundo o Sistema PGFN – Consulta (fls. 33/42), em 29/03/2011 as inscrições estariam no estágio de negociação do parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. 8. Entretanto, consta em nosso Sistema interno PAEX (fls. 31/32) que o pedido formulado em 20/07/2007 (fls. 23/24) não foi validado. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003331/200841 Acórdão n.º 1201001.354 S1C2T1 Fl. 8 7 9. Desse modo, até a presente data permanecem sem regularização os débitos perante a PGFN que ensejaram a exclusão da interessada do Simples Nacional, o que impede, portanto, o seu reingresso no regime simplificado, nos termos do art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006: Como se vê, a contribuinte tomou ciência do Ato Declaratório de Exclusão (ADE) de 22/08/2008, no entanto, em vez de quitar ou mesmo parcelar os débitos para permanecer no Simples, aproveitando o prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão, protocolizou impugnação em 25/09/2008, e, somente após o advento da Lei nº 12.865, de 09/10/2013 é que procedeu a regularização da situação, suspendendo a exigibilidade dos débitos, pelo parcelamento. É certo que, com razoabilidade e legalidade, o contribuinte tem a faculdade de contestar a exclusão do Simples quando não reconhece os débitos que motivaram o ADE. Porém, reconhecendo a existência dos débitos a lei concedeu o benefício da regularização dos débitos no prazo estabelecido, e, por conseqüência assegura sua permanência no Simples Nacional. Com efeito, a lei estabeleceu o lapso temporal para a regularização dos débitos, após a ciência do ADE como condição de permanência no Simples. Tratase de respeito ao princípio da legalidade. Ora, dispõe a Lei Complementar nº 123/2006, art. 31, § 2º: Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. No caso, o prazo para regularização ocorreu em 25/09/2008, e a suspensão da exigibilidade dos débitos apenas ocorreu em 2013, pela efetivação do parcelamento como afirmado pela Recorrente, após o advento da Lei nº 12.865, de 09/10/2013. Logo, a regularização dos débitos foi extemporânea, pelo que não há como deferir seu pedido de permanência no Simples Nacional, sob pena de afronta à clara expressão legal. A Recorrente alega que a retroação para exclusão do Simples Nacional, neste caso, causa dano irreparável, já que em qualquer outra situação o recorrente ainda teria a opção de pedir a nova reinclusão em janeiro de 2013, conforme orientação da própria SRF em matéria correlata. De fato, o "Perguntas e Respostas" no sitio da Receita Federa esclarece o seguinte para a exclusão ocorrida em 2014, verbis: 5. ... 6. O que acontecerá se os débitos que deram origem ao Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples Nacional não forem regularizados em tempo hábil? A pessoa jurídica será excluída automaticamente do Simples Nacional com efeitos a partir do dia 1/1/2015. Ou seja, até Fl. 79DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003331/200841 Acórdão n.º 1201001.354 S1C2T1 Fl. 9 8 31/12/2014, a pessoa jurídica continuará optante pelo Simples Nacional e deverá agir como tal. 7. A pessoa jurídica excluída poderá solicitar nova opção em janeiro de 2015? Sim. Não há impedimento legal para que este solicite nova opção em janeiro de 2015, ocasião na qual serão realizadas novas verificações de pendências. No entanto, não será permitida a realização de agendamento da opção, nos meses de novembro e dezembro de 2014, uma vez que nesse período ele ainda se encontra como optante pelo Simples Nacional, pois os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2015. Adotandose como parâmetro a orientação acima e comparando com o caso dos presentes autos, temse que: a contribuinte foi excluída do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo DRF/LIM Nº 162460, de 22/08/2008, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, em virtude de possuir débitos nãoprevidenciários em cobrança na PGFN, com exigibilidade não suspensa. Houvesse a contribuinte regularizado sua situação no prazo legal em 2008 não teria ocorrido a sua exclusão do Simples. E, havendo regularizado os débitos em 2013 (com a exigibilidade suspensa) poderia haver solicitado nova opção pelo Simples em janeiro de 2014, independente da data da decisão da DRJ. O que significa dizer que a DRJ em nada contribuiu para o "agir do contribuinte", seja, para a regularização dos débitos e ter permanecido no Simples, ou reinclusão no Simples Nacional. De sorte que qualquer responsabilidade atribuída pelo Recorrente à DRJ deve ser considerada improcedente. Em sede de Recurso Voluntário complementar apresentado em 27/01/2014, o contribuinte reiterando os mesmos argumentos apresentados no outro Recurso Voluntário, acrescenta que o Ato Declaratório questionado está eivado de nulidade porque apesar de fazer referencia aos valores supostamente devidos, não os indica especificamente, limitandose a sugerir um link para sua consulta. Diz que a indicação expressa e precisa dos débitos "em aberto" consta nos autos tão somente na decisão recorrida, sendo tal indicação utilizada única e exclusivamente para reforçar os fundamentos da rejeição da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Afirma que incide, na hipótese, o entendimento sedimentado nessa Corte Administrativa consubstanciado na Súmula CARF N° 22. De fato, a Súmula CARF N° 22 assim dispõe: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. O entendimento expresso na mencionada SÚMULA é no sentido de evitar ato administrativo com cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003331/200841 Acórdão n.º 1201001.354 S1C2T1 Fl. 10 9 Não é o caso dos presentes autos, conforme dito inicialmente, consta do Ato Declaratório DRF/LIM Nº 162460, de 22/08/2008 que os débitos encontramse relacionados no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do Sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico <www,receita.fazenda.gov.br>. O mencionado Ato Declaratório de exclusão do Simples não se limita a dizer que existe pendências perante a Dívida Ativa da União, mas indica ao contribuinte os débitos inscritos na PGFN sem exigibilidade suspensa, de modo que caberia ao contribuinte proceder a pesquisa para verificar os débitos relacionados no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do Sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico <www,receita.fazenda.gov.br>, conforme orientação contida no próprio Ato Declaratório. Com efeito, o ADE de exclusão tanto poderá conter, em seu texto, a relação dos débitos que motivaram sua emissão, como esta relação também poderá ser consultada no sítio da RFB na internet, conforme orientação expressa no Ato Declaratório. Nulidade afastada. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 81DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13888.900797/2008-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/06/1999
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Se a legislação tributária analisada nos acórdãos confrontados não for a mesma, não é possível deduzir que houve divergência na interpretação da legislação tributária.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional por falta de divergência.
assinado digitalmente
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional por falta de divergência. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Se a legislação tributária analisada nos acórdãos confrontados não for a mesma, não é possível deduzir que houve divergência na interpretação da legislação tributária. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional por falta de divergência. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 07 97 /2 00 8- 16 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900797/200816 Acórdão n.º 9303003.248 CSRFT3 Fl. 259 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 163 a 173) contra o v. acórdão nº 3201000.996 proferido pela Colenda Segunda Câmara/1° Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 154 a 161) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso da empresa FERRO ENAMEL DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., para determinar a não incidência das contribuições ao PIS sobre variações cambiais positivas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/1999 COFINS. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência das contribuições ao PIS sobre as variações cambiais positivas, pela aplicação da regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002 e em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação. Vale ressaltar que a presente controvérsia trata de Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada através da PER/DCOMP n° 05119.53592.080404.1.3.047865, pela inexistência de crédito, uma vez que o pagamento efetuado em 10/06/1999, através do DARF discriminado na PER/DCOMP, foi totalmente utilizado para a quitação de débito da COFINS, período de apuração maio de 1999, no valor de R$ 18.464,99. Ocorre que o crédito compensado decorre do recálculo da variação cambial sobre importações e exportações realizadas pela Recorrente, considerando a variação da moeda estrangeira desde o registro do direito ou da obrigação até a efetiva liquidação (regime caixa), conforme disposto no artigo 30 da Medida Provisória 1.858, de 1999. A FERRO ENAMEL DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA apresentou Manifestação de Inconformidade (fls 02 a 13) que restou indeferida pelo acórdão da DRJ (fls 36 a 50). Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls 55 a 75) o qual foi provido nos termos expostos acima reformando a decisão de primeira instância administrativa. Desta forma, a FAZENDA NACIONAL apresentou o já citado Recurso Especial requerendo seu provimento a fim de restabelecer a decisão de primeira instância em sua integralidade de forma indeferir o pleito do contribuinte, por entender que a contribuição é devida, pois tratase de receita tributável nos termos da legislação vigente à época. O Recurso Especial foi integralmente admitido (fls. 194 a 196). Contrarrazões do Contribuinte as fls. 202 a 214, requerendo a inadmissão do Recurso Especial por falta de similitude fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido e, no mérito, requereu a improcedência do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional em razão de estar em sentido contrário às jurisprudências consolidadas pelo STF, STF e este Conselho. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900797/200816 Acórdão n.º 9303003.248 CSRFT3 Fl. 260 3 É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 257, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais incumbiume de formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator original entregou à secretaria da Câmara Superior o relatório e a ementa acima transcritos, bem como o voto que será aqui igualmente aproveitado. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Eis o voto do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda: "Inicialmente, entendo que é devido o reexame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para negar seguimento ao mesmo. Isso porque todos os acórdãos trazidos como paradigmas, apesar de versarem sobre o tema objeto da discussão, qual seja, incidência das contribuições ao PIS e a COFINS sobre receitas decorrentes de variação cambial positiva, encontramse no cenário da vigência da lei nº 10.833/2003, lei esta que não existia no período de apuração do crédito em discussão (1999). Ainda assim, apenas por consideração à discussão, no mérito também não resta razão à Fazenda Nacional. Como se não bastasse toda jurisprudência a respeito da matéria discutida, entendo também que as variações cambiais são exatamente reversões de provisões operacionais e não representam ingresso de novas receitas, portanto, se encaixam à perfeição no conceito excludente inserto no inciso II do parágrafo segundo do artigo 30 da Lei 9.718/1998. Inicialmente, mister destacar que a premissa da exigência e o cerne do recurso especial da Fazenda Nacional diz respeito ao disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, especificamente quanto à base de cálculo da COFINS. Por fim, importante ressaltar que no tocante conceito de faturamento, como se sabe, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que limita a eficácia da decisão às partes do litígio. É de se notar, todavia, que este entendimento já foi objeto de decisões reiteradas pela Excelsa Corte, tendo sido, inclusive, cristalizado de forma definitiva pelo seu órgão plenário, com a reafirmação da jurisprudência no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, pela edição de súmula vinculante: Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900797/200816 Acórdão n.º 9303003.248 CSRFT3 Fl. 261 4 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (grifos e destaques nossos) Aplicável à espécie, portanto, o disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento , da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.900797/200816 Acórdão n.º 9303003.248 CSRFT3 Fl. 262 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal, proferida em sede de repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vale reforçar que, quanto à hipótese ora em discussão, a Excelsa Corte reafirmou a sua jurisprudência acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, determinando, ainda, a edição de súmula vinculante." Com base nele, o colegiado, por unanimidade, não conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional por falta de divergência, sendo esse o acórdão proferido que me coube redigir. assinado digitalmente Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.735668/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou com seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos.
A cópia dos cheques repassados ao prestador faz prova do pagamento, posto que não permite verificar se os cheques foram nominativos ao profissional, além de que foi acostada declaração deste confirmando o recebimento dos valores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou com seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. A cópia dos cheques repassados ao prestador faz prova do pagamento, posto que não permite verificar se os cheques foram nominativos ao profissional, além de que foi acostada declaração deste confirmando o recebimento dos valores. Recurso Voluntário Provido.
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS Recorrente LUIZ FERNANDO PINTO PALHARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou com seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. A cópia dos cheques repassados ao prestador faz prova do pagamento, posto que não permite verificar se os cheques foram nominativos ao profissional, além de que foi acostada declaração deste confirmando o recebimento dos valores. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 56 68 /2 01 2- 43 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.735668/201243 Acórdão n.º 2402005.050 S2C4T2 Fl. 109 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima contra o Acórdão n. 1257.394 exarado pela 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo, na qual é exigido o crédito tributário no valor consolidado em 31/03/2009 de R$ 9.052,84, relativo ao anocalendário 2009. O lançamento diz respeito a glosas relativas a despesas médicas não comprovadas, conforme relatado no acórdão recorrido, onde se menciona também os argumentos do sujeito passivo para afastar a exigência: "De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada dedução indevida de despesas médicas no montante de R$17.322,00 relativa ao profissional Neilton Dias da Silva. O contribuinte alega que os pagamento forma feitos ao Dr. Neilton Silva por meio de cheques nominativos e apresenta as cópias dos cheques emitidos,conforme o art.80,III do RIR." As cópias dos cheques encontramse juntadas às fls. 11/31. O órgão de primeira instância não acatou as provas colacionadas, por entender que além das cópias dos cheques deveriam ter sido juntados outros elementos que vinculassem os pagamentos à despesas médicas. Vale a pena transcrever excerto do voto condutor do acórdão: "Para comprovação do gasto no valor de R$17.322,00 o interessado junta cópias dos cheques microfilmados para comprovação da elevada quantia. Ressaltese que a conta é conjunta com Dulce Maria P G Palhares(esposa do contribuinte ,certidão de casamento com regime de separação de bens, fl.10) . Apesar de o contribuinte mencionar que as deduções podem ser comprovadas poro cheques nominativos, cabe informar que a exigência da lei referese a falta do recibo. Mas não se pode entender que cópia de um cheque sem ressalva no verso identificando a que título o pagamento foi feito, sem a identificação do registro profissional,cpf,endereço possa comprovar despesa dedutível na declaração do IRPF. E preciso demonstrar qual a natureza do pagamento, qual o serviço prestado,identificar o tratamento médico . Sequer foram apresentados receituários médicos,exames,relatórios que pudessem identificar o Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 profissional que recebeu os mencionados cheques e qual tratamento realizou no montante de R$17.322,00." Cientificado da decisão em 01/10/2014 (fl. 61), o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 65/102 em 22/10/2014, portanto, dentro do trintídio legal. Na peça de inconformismo, alegouse que: a) devem ser reunidos para julgamento conjunto todos os recursos em processos referentes ao notificado, posto que se tratam de glosas referentes ao mesmo profissional de saúde; b) em razão de sua idade, pede que o recurso tenha julgamento prioritário, nos termos do § 3. do art. 71 da Lei 10.741/2003; c) a não aceitação pelo órgão de julgamento dos documentos comprobatórios das despesas realizadas atenta contra a dignidade do recorrente e também do médico que prestou o serviço; d) durante anos, o recorrente vem deduzindo as despesas médicas relativas aos serviços prestados pelo Dr. Neilton Silva que faz acompanhamento psicanalítico de sua esposa, sendo que somente após o exercício de 2004 o fisco veio a questionar a dedutibilidade desta despesa; e) ressalta que em idêntico caso, relativo ao exercício de 2004, a DRJ/RJ1 acatou a relação de cheques relativos aos pagamentos ao médico Neilton Silva, acompanhada de declaração do profissional; f) novamente traz à colação a relação de cheques utilizados no pagamento ao referido médico e menciona que este prestou declaração contendo seu CPF, CRM, endereço e telefones; g) se o órgão recorrido tivesse o cuidado de apreciar melhor a situação, teria verificado que o sujeito passivo efetua pagamentos a esses serviços médicos a mais de 30 anos, portanto não são pagamentos incomuns ou de valor exorbitante; h) a lei é taxativa ao permitir que na ausência do recibo as despesas possam ser comprovadas mediante cheques nominativos ao prestador do serviço; i) não há qualquer exigência legal de no sentido de que sejam feitas ressalvas de qualquer natureza no verso do cheque para sua aceitação como prova da despesa; j) para espancar qualquer dúvida, junta declaração do médico, corroborando todas as afirmações do recorrente; f) apresenta decisões do CARF que, no seu entender, chocam se com o entendimento firmado pela DRJ recorrida. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.735668/201243 Acórdão n.º 2402005.050 S2C4T2 Fl. 110 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 01/10/2014 (fl. 61), tendo a peça recursal sido apresentada em 22/10/2014 (fl. 65), assim, por ter sido interposto no prazo legal, o recurso merece conhecimento. Destaquese que em razão da idade do sujeito passivo a inclusão do presente processo em pauta obedeceu a diretriz de tratamento prioritário nos termos do § 3. do art. 71 da Lei 10.741/2003. Também foi atendido o pedido do sujeito passivo para que o julgamento deste recurso fosse feito em conjunto com os demais processos relativos a despesas médicas que envolvem questões idênticas, são eles os n. 12448.736606/201259 e n. 10768.003611/200938. Glosa de despesas médicas A razão que levou o fisco a glosar as despesas médicas foi a falta de comprovação das despesas. Não teria o sujeito passivo apresentado os recibos referentes a esses serviços. Na impugnação, o sujeito passivo juntou cópias dos cheques que teriam sido utilizados para pagamento das despesas glosadas, o que não foi aceito pela DRJ, sob a justificativa de que faltavam outros elementos tais como ressalvas no verso do cheque ou prescrições médicas, exames, etc, que pudessem dar a certeza de que os cheques efetivamente foram utilizados para pagar as despesas supostamente pagas ao médico Neilton da Silva. No recurso, além de pugnar pela validade das provas juntadas, o sujeito passivo afirmou que reforçou o conjunto probatório com a juntada de declaração do prestador dos serviços confirmando as afirmações do sujeito passivo. No tocante a comprovação das despesas médicas, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 3.000/1999, estatui: Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...)" No caso em apreço, não foram exibidos os recibos nem na fase preparatória do lançamento, tampouco no curso do contencioso, todavia, o sujeito passivo, valendo do permissivo legal inserto no inciso III do § 1. acostou cópias dos cheques, conforme consta do própria acórdão recorrido. A luz das normas acima, entendo que o recorrente cumpriu o requisito legal para comprovação da despesa ao juntar os cheques nominativos utilizados para pagamento das despesas, estes utilizados em substituição aos recibos. Não tenho dúvida de que a exigência da DRJ ao condicionar a aceitação dos cheques a outros elementos vai além do que exige a norma, a qual é taxativa ao dispor que o recibo pode ser substituído pelo cheque nominativo. Ao fazer exigências adicionais, a DRJ extrapola a exigência legal, mesmo porque não foi citado qualquer indício de irregularidade na documentação. Por outro lado, a juntada da declaração de fl. 101, a qual contém a completa identificação do prestador e corrobora as alegações da recorrrente, deixame em situação confortável para encaminhar pelo restabelecimento das dedução de que trata o lançamento. Conclusão Voto por conhecer do recurso, para lhe dar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003755/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
LANÇAMENTO. NULIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA Não é nulo o lançamento efetuado sem a imposição de multa de ofício e com suspensão da exigibilidade, em estrita observância ao comando do artigo 151, IV, do CTN.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. POSTERGAÇÃO.
Admite-se a alegação de postergação do pagamento de tributo quando o contribuinte compensa integralmente o saldo de prejuízos fiscais e/ou bases negativas em um período, mas comprova nos autos que, no(s) período(s) posterior(es), encerrado(s) antes de iniciada a ação fiscal, apurou saldo positivo daquele mesmo tributo e procedeu ao recolhimento integral, sem utilização da compensação (quer por inexistência de saldo, quer por opção). POSTERGAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INCIDÊNCIA DE JUROS.
O não pagamento do tributo devido em um período em virtude da compensação integral com o saldo de prejuízos fiscais e/ou bases negativas, ainda que sob a guarida de liminar judicial favorável, importa em que os juros do período em que se subtraiu o fisco daquele montante, seja recolhido aos cofres públicos. Os juros devem ser calculados sobre o montante que deveria ter sido pago, na data do vencimento, até a(s) data(s) do(s) recolhimento(s) daquele(s) tributo(s) apurado(s) no(s) ano(s) posterior(es), como se respeitados os limites legais de compensação dos referidos saldos de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa. Os juros incidem sobre a mora no pagamento devido.
Numero da decisão: 1801-000.889
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidas a Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez e Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negaram provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Maria de Lurdes Ramirez
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA Não é nulo o lançamento efetuado sem a imposição de multa de ofício e com suspensão da exigibilidade, em estrita observância ao comando do artigo 151, IV, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. POSTERGAÇÃO. Admite-se a alegação de postergação do pagamento de tributo quando o contribuinte compensa integralmente o saldo de prejuízos fiscais e/ou bases negativas em um período, mas comprova nos autos que, no(s) período(s) posterior(es), encerrado(s) antes de iniciada a ação fiscal, apurou saldo positivo daquele mesmo tributo e procedeu ao recolhimento integral, sem utilização da compensação (quer por inexistência de saldo, quer por opção). POSTERGAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INCIDÊNCIA DE JUROS. O não pagamento do tributo devido em um período em virtude da compensação integral com o saldo de prejuízos fiscais e/ou bases negativas, ainda que sob a guarida de liminar judicial favorável, importa em que os juros do período em que se subtraiu o fisco daquele montante, seja recolhido aos cofres públicos. Os juros devem ser calculados sobre o montante que deveria ter sido pago, na data do vencimento, até a(s) data(s) do(s) recolhimento(s) daquele(s) tributo(s) apurado(s) no(s) ano(s) posterior(es), como se respeitados os limites legais de compensação dos referidos saldos de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa. Os juros incidem sobre a mora no pagamento devido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 326 1 325 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.003755/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.889 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de março de 2012 Matéria AI CSLL Recorrente LOJAS AMERICANAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA Não é nulo o lançamento efetuado sem a imposição de multa de ofício e com suspensão da exigibilidade, em estrita observância ao comando do artigo 151, IV, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. POSTERGAÇÃO. Admitese a alegação de postergação do pagamento de tributo quando o contribuinte compensa integralmente o saldo de prejuízos fiscais e/ou bases negativas em um período, mas comprova nos autos que, no(s) período(s) posterior(es), encerrado(s) antes de iniciada a ação fiscal, apurou saldo positivo daquele mesmo tributo e procedeu ao recolhimento integral, sem utilização da compensação (quer por inexistência de saldo, quer por opção). POSTERGAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INCIDÊNCIA DE JUROS. O não pagamento do tributo devido em um período em virtude da compensação integral com o saldo de prejuízos fiscais e/ou bases negativas, ainda que sob a guarida de liminar judicial favorável, importa em que os juros do período em que se subtraiu o fisco daquele montante, seja recolhido aos cofres públicos. Os juros devem ser calculados sobre o montante que deveria ter sido pago, na data do vencimento, até a(s) data(s) do(s) recolhimento(s) daquele(s) tributo(s) apurado(s) no(s) ano(s) posterior(es), como se respeitados os limites legais de compensação dos referidos saldos de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa. Os juros incidem sobre a mora no pagamento devido. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidas a Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez e Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negaram provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com exigibilidade suspensa, que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 1.142.584,39, aí incluídos o principal e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2005, relativas à compensação de 100% da base de cálculo negativa de períodos anteriores (fls. 130/135). Assim consignou o autuante: A empresa em tela, mediante liminar na justiça federal sob o processo 96.00240329 que lhe concedeu tutela antecipada, compensou no ano calendário de 2005, 100% da base de cálculo da contribuição social com a base de cálculo negativa de períodos anteriores. Em razão da legislação em vigor determinar que somente 30% do valor apurado poderia ser compensado, fazemos a autuação do excesso compensado, com Exigibilidade Suspensa, até que seja julgado o mérito da ação. Demonstramos abaixo, os valores utilizados para a lavratura do auto de infração: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.003755/200841 Acórdão n.º 180100.889 S1TE01 Fl. 327 3 1) Base de cálculo da Contribuição Social em 2005 = R$ 13.571.997,55 2) Compensação utilizada pelo contribuinte = R$ 13.571.997,55 3) Compensação permitida pela legislação em vigor (30%) = R$ 4.071.599,26 4) Valor compensado indevidamente = R$ 9.500.398,29 O valor compensado indevidamente será tributado com Exigibilidade Suspensa. Cientificada da exigência em 25/11/2008 (fl. 131), a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 141/152), alegando, em síntese, que os arts. 9o. e 62 do Decreto n° 70.235/72, vedariam a lavratura de auto de infração contra contribuinte amparado por medida judicial e que a autoridade fiscal não teria considerado os efeitos da postergação na apuração da CSLL para o anocalendário de 2006, quando teria havido o recolhimento do tributo. Os autos foram remetidos para apreciação do litígio pela 6a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, que teria efetuado pesquisas nos sistemas internos da RFB sobre DIPJs apresentadas pela interessada, anexadas às fls. 228/234, e a respeito da ação judicial no site da Justiça Federal do Rio de Janeiro, anexada às fls. 235/251. Pelo Acórdão 1234.709 (fls. 252/261) a exigência foi julgada procedente. Consignou o relator que o art. 63 da Lei n º 9.430, de 1996, determinaria, de forma clara, a constituição de crédito tributário objetivando prevenir a decadência, como seria o caso. Quanto à postergação, socorrendose de julgados do Conselho de Contribuintes, observou que para que o argumento fosse acolhido seria preciso que o contribuinte fizesse prova nos autos de que, num período posterior, encerrado quando ainda se encontrava sob ação fiscal, mesmo obedecendo o limite legal de 30%, não teria compensado ou compensado a menor prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, em virtude de inexistência ou redução do saldo pela compensação a maior que fez em períodos anteriores. Assinalou, ainda: Na espécie, a interessada tomou ciência da autuação em 25/11/2008 (fls. 131), quando os fatos geradores da CSLL relativa aos anoscalendário 2006 e 2007 já se tinham completado (fls. 228). Devese pesquisar, portanto, se o saldo da conta controladora de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores da interessada tornouse insuficiente para compensar, no limite legal de 30%, a base de cálculo positiva da CSLL dos anoscalendário 2006 e 2007, em virtude da redução do saldo dessa conta pela compensação a maior que fez no anocalendário 2005. A folha n° 52 da Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) n° 16 da interessada (fls. 03) consigna que, após a compensação da integralidade da base de cálculo positiva da CSLL de 2005 (R$ 13.571.997,55), restou, na conta controladora da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, um saldo de R$ 155.305.526,00, passível de ser utilizado em compensações futuras. Por sua vez, as declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) relativas aos anoscalendário 2006 e 2007 (fls. 180 e 229/234) indicam que, nesses períodos, as bases de cálculo positivas da CSLL alcançaram os montantes de R$ 104.694.407,11 e R$ 171.873.125,17, respectivamente. Nesse contexto, fica claro que, se a interessada assim o quisesse, poderia ter compensado 30% dessas bases de Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 cálculo positivas com o saldo de base negativa de CSLL controlado na Parte B de seu LALUR. Em manifestação “extralide” dirigida à autoridade encarregada da cobrança do crédito tributário, informou que as pesquisas realizadas no site da Justiça Federal indicariam que a tutela antecipada teria sido esvaziada pelo acolhimento de apelação da União nos efeitos devolutivo e suspensivo. Sugeriu, como alternativa, a revisão do lançamento para exigência da multa de ofício de 75%. Notificada da decisão, em 23/12/2010, como atesta a cópia do AR à fl. 265, apresentou a interessada, em 19/01/2011, o recurso voluntário de fls. 267 a 283, no qual são reproduzidas as razões de defesa deduzidas na impugnação, acrescentando que não seria verdadeira a afirmação feita na decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJI de que o Lalur apresentado demonstraria que no início do anocalendário 2006 a recorrente dispunha de bases negativas de CSLL no valor de R$ 155.305.526,00, decorrente de sobras de 2005 e que poderiam ter sido compensadas nos anoscalendário de 2006 ou 2007, mas não o foram porque a recorrente "assim o quis". Nesse sentido observa que na folha 73 da Parte B do LALUR de 2006 é informada a utilização de todas as bases negativas de CSLL e, justamente por isso, no final do anocalendário o saldo informado é zero. Tal baixa teria se dado nos termos do processo n º 2002.51.01.0039930, transitado em julgado em 14.10.2005, no qual a recorrente teria tido reconhecido o direito de utilizar suas bases negativas de CSLL não só para reduzir a base de cálculo da própria CSLL, mas também para pagar outros tributos. Nessa mesma direção estaria a linha 03 da Ficha 58A da DIPJ de 2007, relativa ao anocalendário de 2006, na qual afirma que o saldo de bases negativas de CSLL estava zerado e, da mesma forma, a Parte B do LALUR de 2007 não indicaria a existência de qualquer estoque de bases negativas de CSLL. Quanto à observação “extralide” da decisão, consignou, também em caráter “extralide” que “ainda que fosse possível ou procedente a sugestão da DECISÃO, já se encontra transcorrido o prazo decadencial para a revisão do lançamento, conforme art. 150, § 4o., do CTN”. Ao final pugna pela reforma da decisão e o cancelamento do auto de infração. Em plenário, fez sustentação oral pela recorrente o advogado Dr. Rodrigo Damazio de Miranda Ferreira, OAB/RJ 105.504. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.003755/200841 Acórdão n.º 180100.889 S1TE01 Fl. 328 5 Preliminar NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A defesa pretende a declaração de nulidade do auto de infração por violação de dispositivos legais que impediriam a instauração de procedimento fiscal contra a empresa recorrente, versando sobre a mesma matéria que se encontraria protegida por decisão judicial. Não procede a alegação. Há disposição legal expressa determinando que, nos casos como o dos autos, seja constituído crédito tributário com exigibilidade suspensa. Os dispositivos legais são aqueles já mencionados pela autoridade julgadora da DRJ, ou seja, o artigo 63 da Lei n º 9.430, de 1996 e artigos 142 e 151 do CTN. Também já é pacífico o entendimento de que, apenas para se proteger contra os efeitos da decadência, já que esta não se interrompe ou se suspende por qualquer fato ou medida judicial, o Fisco pode constituir crédito tributário que verse sobre a matéria favorecida por decisão judicial, desde que a exigibilidade desse crédito tributário fique suspensa até nova determinação judicial e não seja exigida a multa por lançamento de ofício. A exigibilidade do crédito tributário está suspensa por força de medida liminar concedida em sede de Mandado de Segurança. Nesse sentido o artigo 142 do CTN estabelece que a autoridade administrativa deve promover o lançamento sempre que verificada a ocorrência do fato gerador. E foi exatamente isso que fez a autoridade fiscal. Com o cuidado de não exigir multa de lançamento de oficio, tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme determina o artigo 63 da Lei n º 9430, de 27.12.1996. Esse entendimento já está pacificado neste órgão, conforme se verifica da Súmula abaixo: Súmula CARF n º 17. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. Cumpre observar que esta Corte não pode se manifestar sobre matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, fato reconhecido por pacífica jurisprudência deste Conselho e pela própria Administração Fazendária, conforme previsto no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 03, de 14.02.1996. Contudo, há nestes autos matéria não discutida no processo judicial. Passo, portanto, ao exame dessas questões específicas. Mérito Quanto ao apelo da defesa para que sejam aplicados os efeitos da postergação ao caso da inobservância do limite de 30% para redução da base positiva da CSLL na compensação de bases negativas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, também já tem entendimento consolidado, como se constata da seguinte Súmula: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Súmula CARF n º 36. A inobservância do limite legal de trinta por cento para a compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. A edição da súmula acima transcrita foi amparada nos seguintes “acórdãos paradigmas” da CSRF: 103.22679, de 10/09/2006; 10516138, de 08/11/2006; 10517260, de 2008; 10709299, de 05/03/2008 e 10809603, de 17/04/2008. Em todos os acórdãos tomados por paradigmas para edição da referida Súmula, que por sua vez também são resultado de sólida jurisprudência, consolidouse a tese no sentido de que, nos casos de inobservância da limitação da compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas de CSLL em 30% das bases positivas, para que sejam aplicados os efeitos tributários da postergação, é necessário que o contribuinte faça prova, nos autos, de que o tributo que deixou de ser pago num determinado período, em virtude da inobservância, foi pago em período de apuração subseqüente. A respeito, transcrevo trecho do voto condutor do Acórdão n º10517260, de 2008, da CSRF, acima mencionado: [...] É certo que a inobservância do limite de trinta por cento na compensação de prejuízos fiscais e bases negativas pode revelar, tãosomente, postergação do pagamento do imposto, vez que, como alegado pela Recorrente, a antecipação da redução da base de cálculo decorrente de tal procedimento guarda semelhança com o registro antecipado de uma despesa. Porém, tanto em uma situação como na outra, cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, que o imposto que deixou de ser pago em um período foi, em período subseqüente, devidamente quitado em razão da superveniência de resultados fiscais positivos. Assim, para que o argumento da Recorrente pudesse ser recepcionado, seria necessário que ela trouxesse aos autos comprovação inequívoca de que o imposto que deixou de ser pago relativamente ao anocalendário foi, em período subseqüente e antes do lançamento de oficio, devidamente quitado, fato esse que não se constata nos presentes autos. [...] Esse entendimento constou, inclusive, do Acórdão n º 10709425, de 26.06.2008, cuja ementa foi citada pela defesa na impugnação, mas suprimida do recurso voluntário depois que a autoridade julgadora da DRJ observou que no voto condutor do referido julgado, o então Conselheiro Luiz Martins Valero, havia justamente se manifestado no mesmo sentido: [...] Este Colegiado tem acolhido argumentações provadas de que o contribuinte teria pago imposto de renda a maior em períodos posteriores por inexistência ou insuficiência de saldo de prejuízos fiscais a compensar, motivada pela compensação integral em períodos anteriores. Não se trata de exigir do fisco que aguarde, infinitamente, a verificação dos efeitos da postergação. É que o trabalho fiscal há que ter um corte temporal, sob pena de não se dar efetividade ao comando legal. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.003755/200841 Acórdão n.º 180100.889 S1TE01 Fl. 329 7 Também não defendo que a simples apuração de lucro num período posterior já seja suficiente para macular o levantamento fiscal que não observou os efeitos de eventual postergação. O argumento deve ser acolhido quando o contribuinte faz prova nos autos de que, num período posterior, encerrado quando se encontrava sob ação fiscal, mesmo obedecendo o limite legal de 30%, não compensou ou compensou a menor prejuízos fiscais, em virtude de inexistência ou redução do saldo pela compensação a maior que fizera em períodos anteriores. [...] O entendimento é pacífico. Para aplicação da Súmula e, nos próprios termos dessa, é necessário que o contribuinte faça prova de que o tributo que deixou de ser pago num período de apuração, em virtude da inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais e/ou bases negativas, foi pago em período de apuração subseqüente, encerrado antes do início da auditoria fiscal. E para caracterização desse pagamento ocorrido no período subseqüente é necessário que, mesmo obedecendo o limite legal de 30%, o contribuinte prove que não compensou ou compensou a menor prejuízos fiscais e/ou bases negativas, em virtude de inexistência ou redução do saldo pela compensação a maior que fizera em períodos anteriores. Vejamos, pois, se o entendimento consolidado na Súmula n º 36 deve ser aplicado ao presente caso. Nesse sentido temse que a empresa, no anocalendário 2005, amparada por medida judicial, compensou integralmente (100%) a base de cálculo positiva da CSLL, no valor de R$ 13.571.997,55, com bases negativas de CSLL de períodos anteriores e, por conta da compensação integral, não apurou CSLL devida no referido período: AnoCalendário 2005 Estoque Bases Negativas Períodos Anteriores Antes Compensação 168.877.524,00 Base Positiva CSLL Apurada 31/12/2005 Antes Compensação 13.571.997,55 () Compensação (100%) (13.571.997,55) Base de Cálculo da CSLL 0,00 CSLL (9%) 0,00 Estoque Bases Negativas Períodos Anteriores Após Compensação 155.305.526,00 Nos anoscalendário subseqüentes, de 2006 e 2007, a empresa apurou bases de cálculo positivas de CSLL, não efetuou qualquer compensação com bases negativas de períodos anteriores e apurou CSLL devida em ambos os períodos, 2006 e 2007. A auditoria fiscal foi iniciada em 2008, portanto, depois de encerrados os anoscalendário 2006 e 2007: AnoCalendário 2006 Base Positiva CSLL Apurada 31/12/2006 Antes Compensação 104.694.407,11 () Compensação 0,00 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Base de Cálculo da CSLL 104.694.407,11 CSLL (9%) 9.422.496,63 AnoCalendário 2007 Base Positiva CSLL Apurada 31/12/2007 Antes Compensação 171.873.125,17 () Compensação 0,00 Base de Cálculo da CSLL 171.873.125,17 CSLL (9%) 15.468.581,26 Assim, numa verificação preliminar as condições para aplicação da Súmula estariam presentes. Ocorre, entretanto, que numa análise minuciosa, verificase que a CSLL que deixou de ser paga, no anocalendário 2005, em virtude da inobservância do limite de 30%, na verdade não foi paga nos anoscalendários subseqüentes de 2006 e 2007. Isto porque o saldo final do estoque de bases negativas de CSLL de períodos anteriores apurado ao final do anocalendário 2005, após a compensação integral (100%), no valor de R$ 155.305.526,00, já não existia mais ao final do anocalendário 2006, por conta da baixa integral desse saldo no curso do anocalendário 2006, o que foi afirmado pela própria defesa na peça recursal, nos itens 4.27 a 4.30 (fls. 281/282), adiante reproduzidos: 4.27. Todavia, esta assertiva simplesmente não é verdadeira: na folha 73 da Parte B do LALUR da RECORRENTE de 2006 (DOC. 02), é informada a utilização de todas as bases negativas de CSLL e, justamente por isso, no final do ano calendário, o saldo informado é zero. 4.28. Tal baixa se deu nos termos do processo n º 2002.51.01.0039930 ("PROCESSO"), transitado em julgado em 14.10.2005 (DOC. 03), no qual a RECORRENTE teve reconhecido o direito de utilizar suas bases negativas de CSLL não só para reduzir a base de cálculo da própria CSLL, mas também para pagar outros tributos. 4.29. Nesse mesmo sentido, a RECORRENTE faz referência à linha 03 da Ficha 58A da DIPJ de 2007, relativa ao anocalendário de 2006, no qual ela afirma que o saldo de bases negativas de CSLL estava zerado (DOC. 04). Da mesma forma, notese que a Parte B do LALUR de 2007 não indica a existência de qualquer estoque de bases negativas de CSLL. 4.30. Em suma, ao afirmar que a RECORRENTE não quis compensar bases negativas de CSLL, a DECISÃO ignorou que a escrituração fiscal dela indicava a baixa de tais bases negativas. 4.31. Alias, não seria de se esperar que um contribuinte optasse por pagar mais tributos e preservar bases negativas que, em regra, sequer são corrigidas. A defesa equivocase. Para a aplicação do entendimento sumulado é justamente isso o que se espera. Que a vantagem obtida pelo sujeito passivo num período seja compensada no período posterior. Esse é o efeito da postergação. Mas, se o sujeito passivo obtém vantagem tributária num período de apuração e também obtém vantagem tributária Fl. 367DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.003755/200841 Acórdão n.º 180100.889 S1TE01 Fl. 330 9 também em períodos de apuração posteriores, não se verifica os efeitos da postergação pois, nesse caso, não há compensação alguma para o Fisco. No caso em apreço para que fosse aplicado o entendimento sumulado seria necessário que a empresa recorrente, nos anoscalendário posteriores de 2006 e 2007, mesmo possuindo saldo de bases negativas de CSLL de períodos anteriores, não o utilizasse em qualquer compensação com base positiva, ainda que respeitando a limitação de 30% imposta pela legislação. Mas a empresa não efetuou qualquer compensação não porque não desejou não compensar, mas porque estava impossibilitada pela inexistência de saldo de bases negativas de CSLL de períodos anteriores, pois como afirmou a própria defesa, o saldo existente ao final do anocalendário 2005, no valor de R$ 155.305.526,00, foi totalmente baixado no anocalendário 2006 em decorrência de sua utilização para pagamento de outros tributos, nos termos de autorização judicial que alega possuir em sede de processo judicial transitado em julgado. Na cópia do LALUR – Parte B – à fl. 292, consta que o estoque de bases negativas de CSLL de períodos anteriores, no valor de R$ 155.305.526,00, foi baixado em 31/12/2006, por “habilitação do crédito”. Assim, os valores de CSLL apurados nos anoscalendário 2006 e 2007 foram aqueles devidos relativamente a esses próprios anoscalendário, exclusivamente, e não foi apurado e/ou pago, nesses períodos de 2006 e 2007, qualquer valor postergado, relativo ao ano calendário de 2005, que deixou de ser pago nesse respectivo período em virtude da inobservância da chamada “trava dos 30%”. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes, Redatora Designada Na presente discussão, a tese da postergação no pagamento de tributos encontrou duas faces. Em que pese o aprofundamento do estudo desenvolvido pela i. conselheira relatora, data venia divirjo tão somente das conclusões extraídas, porém diametralmente. A compensação praticada pela recorrente ao arrepio da norma tributária, materializada pelo não pagamento da CSLL devida para o anocalendário de 2005, pela Fl. 368DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 utilização de mais de 30% do saldo acumulado das bases de cálculo negativas de CSLL, primeiramente, foi autorizada judicialmente. Após efetuar a compensação e deixar de recolher 100% da CSLL relativa ao anocalendário de 2005, quando deveria ter recolhido 70% daquele valor, conforme relatado, a recorrente valeuse do instituto da compensação de créditos para “zerar’ o saldo acumulado das referidas bases de cálculo negativas. Apesar de zerado este saldo, se admitirmos correta a autuação fiscal, restalhe a compensar com tributos apurados a posteriori exatamente o valor que foi glosado por compensado indevidamente. Ocorre que a contribuinte apurou CSLL a pagar para o anocalendário imediatamente posterior, 2006, e, em vista de não possuir mais qualquer saldo acumulado negativo, recolheu integralmente o valor devido. Assim também ocorreu em relação a 2007. Notese que o valor compensado indevidamente em 2005, glosado pela fiscalização, foi da ordem de R$ 9.500.398,29, e, repito, ao ser glosado, este valor é devolvido para o saldo das bases de cálculo negativas (para ser usado nos anos subseqüentes). Seguindo o raciocínio, bem retratado pelas tabelas elaboradas pela conselheira relatora, em 2006, a empresa apurou uma base de cálculo positiva de CSLL no valor de R$ 104.694.407,00 o que lhe concederia o direito de compensar, em tese, R$ 31.408.322,13, ou seja, um valor maior do que aquele que a recorrente teria em saldo. E a recorrente apurou a título de CSLL a pagar no anocalendário de 2006, R$ 9.422.496,63. Vale dizer, se mantida a glosa fiscal como foi realizada, o saldo no ano calendário de 2006 das bases de cálculo negativa de CSLL é da ordem de R$ 9.500.398,29. E a CSLL a pagar é da ordem de R$ 9.422.496,63, sendo que a empresa tem o direito irrefutável de compensar até 30% da base de cálculo apurada (até R$ 31.408.322,13, se houvesse este saldo). Por conseguinte, a empresa não teria que pagar a CSLL apurada naquele período. Mas recolheu. E ficaria, ainda, com um saldo de bases de cálculo negativas no valor da diferença. Como no ano posterior nada compensou, novamente, e apurou CSLL a pagar, mais uma vez, saliento que o valor do principal do tributo foi recolhido aos cofres públicos, embora com o evidente atraso. Assim interpreto o instituto da postergação no pagamento do tributo, divergindo da conclusão da nobre relatora. Entendo que a fiscalização, iniciada somente em 2008, ao se deparar com a compensação integral – e posterior reforma da ação judicial inicialmente favorável à empresa – não deveria exigir o recolhimento do excesso da CSLL (valor compensado indevidamente) desde a data em que era devida, mas realizar os ajustes em vista dos pagamentos de CSLL apuradas nos anos posteriores e exigir apenas os juros isoladamente. Neste tocante, ressalto que a recorrente concorda com o pagamento dos juros subtraídos, conforme item 7 do memorial apresentado nesta sala de julgamento: “7. Nesse sentido, a RECORRENTE esclareceu que, como a compensação sem a trava acarretou em mera postergação de recolhimento, e não em pagamento a menor de tributos, o AUTO não poderia ter lançado o crédito tributário principal, mas, tãosomente, os juros de mora que incidiram sobre o atraso.” Didaticamente, observo, que no presente caso não houve a aplicação da multa de ofício, devido à obtenção da tutela jurisdicional, mas nos casos em que é aplicada, sem dúvida a penalidade pelo descumprimento da norma tributária (limite legal para compensação) também seria devida. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.003755/200841 Acórdão n.º 180100.889 S1TE01 Fl. 331 11 É oportuno ressaltar, ainda, que a postergação no pagamento de tributos não pode ser invocada nos casos em que a contribuinte não apura nos períodos subseqüentes tributo devido ou continua a proceder compensações e não procede aos recolhimentos dos valores apurados positivamente. Mas, não é este o caso relatado, fato inclusive salientado no voto ora vencido. Havendo, pois, o pagamento de CSLL integral nos anos subseqüentes, 2006 e 2007, sem qualquer compensação efetuada – e aí não importa o porquê de não haver saldo, pois é direito objetivo dos contribuintes efetuarem a compensação dos prejuízos/bases negativas com o tributo devido – dáse a mera postergação no pagamento da CSLL que deveria ter sido paga em 2005, mas acabou por ser recolhida em 2006 e pequena parte em 2007. Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cabendo à unidade de jurisdição da recorrente efetuar os cálculos quanto aos juros devidos, desde a data da compensação integral realizada sem cobertura da lei, até o exaurimento da parcela excedente pelo pagamento das CSLL posteriores (2006 e 2007), de forma proporcional. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Redatora Designada Fl. 370DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/04/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13629.721517/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator ad hoc
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Redator ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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ATOS COOPERATIVOS. Recorrente UNIMED JOÃO MONLEVADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (Presidente à época), Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Contra o interessado foram lavrados autos de infração de IRPJ no valor total de R$1.931.886,89 e de CSLL no valor total de R$ 720.777,21, em função da recorrente não ter atendido à exigência legal de contabilização em separado das receitas referentes aos atos cooperativos e aos não cooperativos, por defender a tese de que todo ato praticado por ela configurase como ato cooperativo, os quais englobam o campo da não incidência tributária prevista no art. 182 do RIR/1999. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .7 21 51 7/ 20 12 -4 2 Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 13629.721517/201242 Resolução nº 1102000.301 S1C1T2 Fl. 3 2 Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 33 – 45): “A contribuinte apresentou DIPJ/2009, referente ao anocalendário 2008, na qual informa que a forma de tributação era o Lucro Real, com apuração trimestral de IRPJ e de CSLL; O presente auto de infração foi lavrado em virtude da descaracterização de atos classificados pela autuada como cooperativos, quando, na verdade, tratavase de atos não cooperativos. A fiscalizada oferece seus serviços na forma de Plano Privado de Assistência à Saúde, conforme previsto na Lei nº 9.656/98, art. 1º, inciso I, visando à assistência médicohospitalar. Para que o contrato firmado com seus clientes seja cumprido de forma escorreita, a Unimed contrata serviços de clínicas, laboratórios e hospitais conveniados. Desta forma, ela não está praticando atos cooperados, pois este se resumem aos atos prestados pelos profissionais a ela associados. Tal pensamento já foi objeto do Parecer Normativo COSIT nº 38/1980; A autuada comercializada seus planos a preço global não discriminativo, visto que seus contratos não fazem qualquer tipo de distinção entre os valores que serão cobrados pela prestação dos serviços realizados pelos seus cooperados (atos cooperativos) daquels que serão realizados por clínicas, laboratórios, hospitais conveniados, etc. Ela vende o “pacote” como se fosse tudo ato cooperado. Dessa forma ela contabilziazda toda sua receita advinda desses planos como sendo receita de atos cooperativos, o que na verdade não representa a realidade, distorcendo sua DRE, e consequentemente, sua parcela do resultado oferecida à tributação. Para chegarmos a uma base de cálculo condizendo com a realidade da Unimed sem que ocorra arbitrariedade, utilizamos as orientações do Parecer Normativo CST 73/75 e 38/80, que interpretaram os efeitos fiscais dos atos não cooperativos previstos nos artigos 85 a 88 da Lei 5.764/71. Desse modo, a partir da contabilidade da fiscalizada, elaboramos a planilha “Cálculo da Proporcionalidade de Atos Cooperativos e Não Cooperativos”, que calculo os valores conforme relatado, segregando os valores vinculados à prestação de serviços por cooperados (atos cooperativos) e valores vinculados a prestação de serviços por não cooperados (atos não cooperativos), e também os valores de serviços clínicos e hospitalares. Os percentuais obtidos trimestralmente para Atos Cooperativos e Não Cooperativos no ano de 2008 foram: E ainda, ao refazer a DRE da contribuinte, incluímos o PIS e a COFINS lançados no Auto de Infração nº 13.629.721519/201231, conforme prevê o art. 344 do RIR/99, pois são tributos que repercutem na base de cálculo do IRPJ e CSLL, sendo dedutíveis da apuração do Lucro Real.” Houve qualificação da multa e representação fiscal para fins penais. A empresa apresentou impugnação (fls. 11531200), na qual alega, em síntese, que: Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 13629.721517/201242 Resolução nº 1102000.301 S1C1T2 Fl. 4 3 “a) A ausência de fraude controvérsia interpretativa dos ajustes da base de cálculo improcedência da multa qualificada de 150% e de suposto crime contra a ordem tributária; b) Das sociedades cooperativas e seu papel na ordem econômica – inexistência de lucro na prática de atos cooperativos; c) Atos não cooperativos – Impossibilidade de tributação pelo IRPJ das operações previstas nos arts. 85 e 86 da Lei N° 5.764/71 – Fates – Indisponibilidade econômica de renda; d) Da impossibilidade de incidência da SELIC sobre multa de ofício – Ausência de autorização legal; e) Da multa aplicada – Caráter confiscatório e desobediência ao Princípio da capacidade contributiva; f) Do pedido de diligência;” Acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade, julgar procedente em parte a impugnação, no sentido de excluir a qualificação da multa, mantendose o crédito tributário lançado com a multa de oficio de 75%. “Acórdão 0945.351 2 ª Turma da DRJ/JFA Sessão de 07 de agosto de 2013 Processo 13629.721517/201242 Interessado UNIMED JOÃO MONLEVADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. CNPJ/CPF 66.191.263/000133 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário:2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade, julgar procedente em parte a impugnação, no sentido de excluir a qualificação da multa, mantendose o crédito tributário lançado com a multa de oficio de 75%. Encaminhese à SACAT/DRF/Coronel Fabriciano MG, para que se intime para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 13629.721517/201242 Resolução nº 1102000.301 S1C1T2 Fl. 5 4 pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002.” A despeito da exclusão da qualificação da multa, a recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 2606 – 2676), requerendo a improcedência da multa de oficio, tendo em vista seu caráter confiscatório. As demais alegações presentes no recurso reiteram o exposto na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, esclareço que fui designado pelo Presidente da 1a Câmara redator ad hoc após a extinção formal da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista a não formalização do voto pelo relator originário, conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Em que pese não tenha o relator conseguido cumprir em tempo hábil todas as formalidades pertinentes à formalização do voto vencedor (assinatura eletrônica), foi por ele disponibilizada, em meio eletrônico, uma minuta de voto. Tendo participado do julgamento em questão, e efetuado a revisão desta minuta para fins de formalização do presente voto, verifico tratarse de reprodução fiel do quanto apresentado em sessão e que representa, portanto, as razões que orientaram o Colegiado, na ocasião, a converter o julgamento em diligência. Nestes termos, o voto a seguir é a reprodução do mencionado voto, com mínimos ajustes de redação que se fizeram necessários. Atendidos os pressupostos legais, tomo conhecimento do recurso voluntário interposto. Sem prejuízo dos pontos tratados no Recurso Voluntário, os quais serão analisados em momento oportuno, oriento meu voto por converter o presente julgamento em diligência, para que reste esclarecido se a fiscalização ao entender as receitas de intercâmbio como ato cooperativo, desconsiderou as despesas diretas de intercâmbio (evidente ato cooperativo) no momento da proporcionalização dos custos de atos cooperativos e não cooperativos, prelecionada pelo Parecer Normativo 73/75, onde nos parece foi aplicado pela fiscalização apenas parcialmente. Analisando a metodologia da fiscalização contida às fls. 39 dos autos, vêse que não foram tributadas as receitas e despesas de intercâmbio entre UNIMED’s, mas alocadas tais rubricas de intercâmbio recebido (usuários de outras operadoras atendidos pela Recorrente) na coluna de atos cooperativos da apuração do resultado de cada trimestre, chegando nos seguintes percentuais de proporcionalização nas contas do grupo 41 (fls. 39 dos autos): 1º Trimestre 66,2563% 33,7437% 2º Trimestre 66,7325% 33,2648% Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 13629.721517/201242 Resolução nº 1102000.301 S1C1T2 Fl. 6 5 3º Trimestre 66,3717% 33,6283% 4º Trimestre 64,7271% 35,2729% Em sede de sustentação oral e memoriais o contribuinte apresentou o quadro abaixo, trazido pela própria fiscalização, demonstrando a matemática direta adotada pelo auto de infração e a demonstração de que as despesas diretas do intercâmbio (evidente ato cooperativo) que não foram consideradas na proporção de atos cooperativos. Vejase que os percentuais daquela segregação conferem exatamente com os percentuais apurados da segregação apenas da conta 41, aplicados aos ingressos e despesas (fls. 42 a 45 dos autos): Total Atos Cooperativos Atos Não Cooperativos 1º Trim (fls. 42) 41 – Eventos Indenizaveis Líquidos 2.474.472,30 = 100% 1.639.493,79 = 66,2563% 834.978,51 = 33,7437% 2º Trim (fls. 43) 41 – Eventos Indenizaveis Líquidos 2.552.585,54 = 100% 1.703.473,07 = 66,7325% 849.112,47 = 33,2648% 3º Trim (fls. 44) 41 – Eventos Indenizaveis Líquidos 2.589.262,55 = 100% 1.718.537,57 = 66,3717% 870.724,98 = 33,2648% 4º Trim (fls. 45) 41 – Eventos Indenizaveis Líquidos 2.589.262,55 = 100% 1.592.054,95 = 64,7271% 867.587,09 = 35,2729% De acordo com os Memoriais do Contribuinte, a leitura daquelas planilhas fiscais, a título de exemplo, no 3º trimestre de 2008, depreendese que, do total de “custos” R$ 2.589.262,55 constantes do grupo 41, a fiscalização entendeu que R$ 1.703.473,07 teria natureza de atos cooperativos (repasses a cooperados), ao passo que R$ 870.724,98, seria de atos não cooperativos (repasse a terceiros). E, assim, chegou aos respectivos percentuais de 66,3717% (atos cooperativos) e 33,2648% (atos não cooperativos). Assim, claro está nos autos, que os únicos custos assistenciais que funcionaram como premissa para a definição daquele percentual envolveram os custos no atendimento a usuários próprios (grupo 41), desconsiderando que as despesas de intercâmbio (grupo 44) são igualmente despesas diretas de atos cooperativos e devem ser somados no universo de despesas para aferição dos percentuais de atos. Para o contribuinte, Tão irrazoável é o critério adotado pela fiscalização, que em todas as competências, a apuração do resultado geral (chamado de “total” na planilha), caso estivéssemos diante de uma sociedade empresária, seria MENOR do que o lucro da prática de atos não cooperativos de uma sociedade cooperativa. Vejase (fls. 42 a 45 dos autos): RESULTADO GLOBAL (ANTES DA PROPORCIONALIZAÇÃO) ATOS COOPERATIVOS ATOS NÃO COOPERATIVOS 141671,48 461.904,99 603.576,47 131.530,34 392.486,94 524.017,28 51.163,53 576.966,22 628.129,75 445.652,85 540.648,20 986.301,04 E continua: Ou seja, de acordo com o entendimento fiscal, fosse a Unimed João Monlevade uma sociedade empresária, sua base de cálculo para incidência do IRPJ seria doze vezes menor do que a base de cálculo de uma cooperativa no terceiro trimestre de 2008. Já no Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 13629.721517/201242 Resolução nº 1102000.301 S1C1T2 Fl. 7 6 primeiro trimestre, seis vezes menor. Disparidade semelhante, em menor proporção, mas não menos equivocada, se repete nas demais competências, como se vê. Pelo que se percebe da argumentação do contribuinte, a metodologia da fiscalização de aferição da base de cálculo deixou de adicionar ao universo de “custos” do grupo 41, inclusive as despesas do intercâmbio do grupo 44, pelo que a nova proporção conduziria ao reconhecimento de atos cooperativos e de atos não cooperativos. Ele exemplifica que No 1º Trimestre, de 100% das despesas diretas (grupo 41 e grupo 44) 4.219.825,00, R$ 3.384.846,49 seriam de ato cooperativo (produção cooperados e intercâmbio), correspondente a 80,21% e R$ 834.978,51, correspondente a 19,79%. As planilhas anexas ao memorial demonstram esse recálculo em cada trimestre, aplicandose aqueles novos percentuais em todas as contas que já haviam sido proporcionalizadas pela fiscal, citandose o 1º Trimestre apenas como exemplo: Nº CONTA CONTAS TOTAL ATO COOPERATIVO ATO NÃO COOPERATIVO 31 CONSTRAPRESTAÇÕES EFETIVAS DE OPERAÇÃO DE ASSIST À SAÚDE 4.467.401,64 3.583.435,04 883.966,60 41 EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS 2.474.472,30 1.639.493,79 834.978,51 33 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS INTERCÂMBIO 373.908,95 373.908,95 0,00 33 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS DEMAIS 53.425,79 42.854,41 10.571,38 44 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS INTERCÂMBIO 1.745.352,70 1.745.352,70 0,00 44 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS DEMAIS 100.402,78 80.536,04 19.866,74 32 PIS 22.190,48 17.799,64 4.390,84 COFINS 102.417,62 82.152,20 20.265,42 ISSQN 0,00 0,00 0,00 43 DESPESAS DE COMERCIALIZAÇÃO 10.032,92 8.047,70 1.985,22 34 RECEITA FINANCEIRA 157.784,66 15.581,32 142.203,34 45 DESPESAS FINANCEIRAS 11.956,15 11.956,15 0,00 1ª Trimestre RESULTADO ANTES IMPOSTOS E PARTICIPAÇÕES 141.671,49 74.276,22 67.395,27 Demonstrativo Proporção dos atos 80,21% 19,79% EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS 2.474.472,30 1.639.493,79 834.978,51 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS INTERCÂMBIO 1.745.352,70 1.745.352,70 0,00 TOTAL 4.219.825,00 = 100% 3.384.846,49 = 80,21% 834.978,51 = 19,51% Diante dessa suposta divergência na forma de apuração da proporcionalização dos custos, conforme exigese o Parecer Normativo 73/75, fazse necessário baixar o presente Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 13629.721517/201242 Resolução nº 1102000.301 S1C1T2 Fl. 8 7 processo em diligência para que: (i) reste esclarecido se tanto as receitas e despesas com o intercâmbio de serviços entre as Cooperativas UNIMED’s foram integralmente consideradas no processo de proporcionalização dos custos e despesas, para fins de definição da base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre atos nãocooperativos; (ii) caso não tenham sido, que a fiscalização elabore os pertinentes demonstrativos de resultado de exercício trimestral (à semelhança daqueles que acompanharam o relatório fiscal) de modo a demonstrar como .ficaria o “resultado antes dos impostos e participações” para os atos cooperativos e para os atos não cooperativos, acaso fossem adotadas aquelas premissas defendidas pela recorrente. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
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Numero do processo: 11829.720011/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 01/05/2012
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. AERONAVE. OCULTAÇÃO. RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. SIMULAÇÃO.
A admissão temporária é, dentro do gênero importação, uma das espécies de operação. No caso de ocultação de responsável pela operação (importação temporária de aeronave), mediante simulação, cabível a aplicação da pena de perdimento, e sua eventual substituição por multa nas hipóteses previstas no § 3o do art. 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO.
A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplica-se a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do Decreto-Lei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de acobertar, quando identificado o acobertado.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA.
Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entende-se que é dever do autuante, ao arrolá-los sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas.
Numero da decisão: 3401-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, apenas para afastar dois dos quatro fundamentos (incisos VI e VII do art. 105 do Decreto-Lei no 37/1966) empregados para a aplicação da pena de perdimento substituída por multa, e para excluir do polo passivo o Sr. José Antônio Barth de Freitas e o Sr. Leandro Rodrigues Cordeiro. Vencidos os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que mantinham no polo passivo todos os responsáveis solidários.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AERONAVE. OCULTAÇÃO. RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. SIMULAÇÃO. A admissão temporária é, dentro do gênero importação, uma das espécies de operação. No caso de ocultação de responsável pela operação (importação temporária de aeronave), mediante simulação, cabível a aplicação da pena de perdimento, e sua eventual substituição por multa nas hipóteses previstas no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 11 /2 01 3- 15 Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, apenas para afastar dois dos quatro fundamentos (incisos VI e VII do art. 105 do DecretoLei no 37/1966) empregados para a aplicação da pena de perdimento substituída por multa, e para excluir do polo passivo o Sr. José Antônio Barth de Freitas e o Sr. Leandro Rodrigues Cordeiro. Vencidos os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que mantinham no polo passivo todos os responsáveis solidários. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 81, lavrado em 26/09/2013, para exigência de multa substitutiva do perdimento (no valor de R$ 14.387.712,00), conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal (TVF). No TVF de fls. 9 a 84, narra a fiscalização que: (a) em procedimento de fiscalização da aeronave de prefixo estrangeiro N 883 RW, marca Dassault, modelo 50 EX, numero de série 338, ano de fabricação 2004, introduzida no território nacional sob alegado amparo do regime de admissão temporária estabelecida pelo Decreto no 97.464/1989, no âmbito da “Operação POUSO FORÇADO”, foi constatada irregularidade punível com a pena de perdimento da correspondente mercadoria, substituída pela aplicação de multa no valor aduaneiro, nos termos do art. 105, incisos VI, VII e XI do DecretoLei no 37/1966; do art. 23, inciso V e §§ 1o e 3o do Decretolei no 1.455/1976; (b) na Operação, deflagrada em 20/06/2012, e conduzida pela RFB em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público, foi decretado 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.082 3 o sequestro judicial da aeronave, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão de fls. 495 a 511 Anexo 20); (c) a aeronave, de propriedade da empresa estrangeira “RSE COMPANY OF DELAWARE” (“RSE”) entrava em território nacional irregularmente mediante TEAT (Termo de Entrada de Admissão Temporária), servindo aos interesses de brasileiros residentes, o Sr. “EDUARDO DE SOUZA RAMOS” (“EDUARDO”), dono da “RSE”, e os pilotos e também usuários, Sr. “LEANDRO RODRIGUES CORDEIRO” (“LEANDRO”) e “JOSÉ ANTÔNIO BARTH DE FREITAS” (“JOSÉ”), e da empresa “BAP TÁXI AÉREO” (“BAP”); (d) a “Operação POUSO FORÇADO” deriva da análise de dados do Sistema SIAVANAC (elaborado em conjunto por ANAC e RFB) para controlar admissões temporárias de aeronaves estrangeiras, bem como informações sobre propriedade e exploração de tais aeronaves, buscando esclarecer alguns dados incompatíveis com o regime aduaneiro; (e) o Decreto no 97.469/1989 trata de um caso especial de admissão temporária com suspensão total do pagamento de tributos, por prazo máximo de 60 dias, sem utilização econômica (voos não remunerados), restrito às cinco hipóteses que relaciona em seu art. 2o; (f) as aeronaves que foram objeto da “Operação POUSO FORÇADO” faziam uso indevido do disposto no Decreto no 97.464/1989, aplicando a suspensão total em aeronaves utilizadas por grandes períodos e em atividades remuneradas; (g) foi aberto procedimento especial (IN RFB no 1.169/2011) em relação às empresas “RSE” e “BAP”, e, depois de diversas intimações (relação às fls. 20/21), apurouse que a aeronave era de propriedade da “RSE” desde 30/07/2009, tendo sido vendida à empresa “MARTEZ VENTURES LLC” em junho de 2012, por US$ 8.160.000,00; (h) no relatório de movimentação encaminhado pela ANAC (período de agosto de 2009 a janeiro de 2012), foram registradas operações quase contínuas da aeronave no território nacional: em 712 dias que esteve em efetiva operação, a aeronave permaneceu no país 518, sendo o motivo declarado das viagens majoritariamente “viagem de diretor ou representante de sociedade ou firma, quando a aeronave for de sua propriedade” e “outros voos não remunerados”, e os operadores às vezes a “RSE” e às vezes a “BAP” (apontada como o “real adquirente oculto”); (i) foram registrados no período 160 voos da aeronave, sendo 120 nacionais, incluindo destinos turísticos como Salvador, Porto Seguro, Florianópolis, Angra dos Reis, e Curitiba (sede da “BAP”) e São Paulo (residência de “EDUARDO”); (j) verdadeiramente as entradas não se deram para as finalidades declaradas à Aduana nos TEAT, mas para transporte de brasileiros residentes, para fins particulares (em grande parte voos do Sr. “EDUARDO”, mas também no interesse da empresa “BAP” e dos pilotos “LEANDRO” e “JOSÉ”); (k) o Sr. “EDUARDO” nega ser representante ou participar da administração da “RSE” ou da “BAP”, endossando a finalidade particular dos voos (exemplos de viagens de turismo ao exterior, ou regressos do exterior às fls. 25 a 33, destacandose que nos voos nacionais não há lista de passageiros); (l) a admissão temporária, no que se refere às formalidades aduaneiras, é disciplinada pela IN SRF no 285/2003, que exige a adequação à finalidade e o respeito ao prazo de concessão; (m) a aeronave não era para uso de não residentes (ou “transporte de diretores”, como se alegava nos TEAT), e não se enquadra nas hipóteses de admissão temporária para utilização econômica (prestação de serviços ou produção de outros bens), devendo a ela ser aplicado o regime de importação comum; (n) a aeronave foi então desembaraçada (considerandose a “concessão do TEAT” como um “desembaraço aduaneiro”) com artifício doloso para o não pagamento dos tributos devidos (inciso XI do art. 105 do DecretoLei no 37/1966); (o) houve omissão nos TEAT de menção ao verdadeiro proprietário da aeronave, o Sr. “EDUARDO”, residente no país (“dono indireto” da “RSE” e da “BAP”, cf. figura de fl. 48), o que configura ocultação do verdadeiro responsável pela operação (inciso V do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976); (p) o Sr. “LEANDRO”, que aparece na Internet como responsável pela venda da aeronave (fls. 315 a 321 Anexo 10), e um mês após a compra da aeronave, remeteu US$ 1.155.555,56 por meio de sua empresa para “importação financiada” ao exterior (fl. 50); (q) existe contrato de mútuo entre a “BAP” e “EDUARDO” (R$ 3,1 milhões), em data próxima à compra da aeronave, Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 sendo o mútuo quitado em data próxima à venda da aeronave, em 2012 (em resposta a intimação o Sr. “EDUARDO” e o Sr. “LEANDRO” negaram a existência do contrato de mútuo); (r) após intimada (no mesmo endereço no qual a empresa foi contatada atuam outras empresas que foram objeto da “Operação Pouso Forçado”, e 381 pessoas jurídicas e 132 pessoas físicas), a “RSE” informou que atua no ramo de venda de aeronave, e que não tem sede, funcionários nem telefone, usando o endereço de diretor (sendo o diretorpresidente da “RSE” o Sr. José Maria Carneiro da Cunha, residente em Miami, mas que segundo a Declaração de IRPF apresentada no Brasil, é pessoa domiciliada no país não encontrada no endereço informado ao cadastro, e não declara qualquer rendimento recebido do exterior); (s) a aeronave foi adquirida pela “RSE” por mais de US$ 13 milhões, e vendida três anos depois por cerca de US$ 8 milhões (denotando o prejuízo de aproximadamente US$ 5 milhões que a aeronave certamente não foi adquirida para revenda), cabendo destacar que dois dias depois da revenda os cerca de US$ 8 milhões foram retirados da conta da “RSE” e transferidos para a empresa “RIO CALLERIA”, sócia da “RSE”; (t) intimada a seguradora sobre quem seria o beneficiário do seguro da aeronave, esta informou que se trata da empresa “BAP” (na apólice de fl. 59 se especifica que o perímetro de cobertura é o “território brasileiro” e que a principal região de operação é “Sul”, o mesmo acontecendo em outra apólice fl. 61); (u) houve ainda falsidade ideológica nos documentos (TEAT, entre outros) apresentados à fiscalização (fls. 66 a 71), alguns assinados por “JOSÉ”, cabendo a aplicação da penalidade prevista nos incisos VI/VII do art. 105 do DecretoLei no 37/1966; e (v) o Sr. “EDUARDO” (principal responsável) e as empresas “RSE” e “BAP” são responsáveis conjunta ou isoladamente pela prática das infrações (art. 95 do DecretoLei no 37/1966), e os pilotos “LEANDRO” e “JOSÉ” são ainda pessoalmente responsáveis (art. 135 do CTN). O Sr. “EDUARDO”, cientificado da autuação em 03/10/2013 (AR à fl. 836) apresenta impugnação em 01/11/2013 (fls. 899 a 919), sustentando que: (a) houve ausência de dolo (tendo sido corretamente preenchidos os TEAT, aceitos pela autoridade aduaneira, havendo no máximo “simulação inocente”, da qual não decorre dano) e de dano ao Erário (por não serem devidos os tributos incidentes, por diferentes razões), pressupostos indispensáveis à imputação da pena de perdimento; (b) o valor lançado é ilíquido, pois foi adotado o valor da aeronave na data de comercialização com terceiro (julho/2012), muito antes do momento da apuração da infração (outubro/2013); (c) nunca se desejou que a aeronave ficasse permanentemente em território nacional; (d) não há ilicitude nas atividades econômicas desenvolvidas pelas empresas “RSE” e “BAP” de modo a permitir a desconsideração de sua personalidade jurídica pelo fisco; (e) a legislação (Convenção de Chicago, promulgada pelo Decreto no 21.713/1946; Código Brasileiro de Aeronáutica Lei no 7.565/1986; e Decreto no 97.464/1989) foi totalmente cumprida e respeitada, sendo cabível a permanência da aeronave no país, “pouco importando a nacionalidade de seu proprietário indireto”; (f) o regime foi concedido em função de determinados critérios legais e não pode ser revisto retroativamente o entendimento de que o regime teria sido desvirtuado (cf. art. 146 do CTN, em nome da segurança jurídica); (g) “eventual equívoco na qualificação jurídica do caráter de ingresso da aeronave no país obviamente não o torna simulado, nem configura falsidade ou fraude”; (h) não justifica o perdimento o fato de se ter indicado nos TEAT que as viagens envolveriam diretor, quando na verdade se tratavam de viagens de interesse de sócio indireto da empresa proprietária da aeronave (pois “o controlador indireto é, sem dúvida, representante da sociedade”, aliás, “o representante maior da sociedade”), e as viagens eram todas “não remuneradas” como sequer contesta o fisco, sendo perfeitamente possível a admissão temporária em enquadramento próprio; e (i) a autuação considerou como data de ocorrência da infração o da última entrada da aeronave em território nacional (27/01/2012, seguida da expressão “a título exemplificativo”, fazendo parecer que poderia ter sido escolhida outra), que não se confunde com a data em que foi constatada a infração (outubro/2013). Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.083 5 A empresa “BAP”, cientificada da autuação em 03/10/2013 (AR à fl. 844 sócio “LEANDRO”) apresenta impugnação em 31/10/2013 (fls. 857 a 866), sustentando que: (j) não pode ser apenado com multa substitutiva de perdimento com fundamento no art. 124 do CTN (que trata de matéria tributária), e o art. 95 do DecretoLei no 37/1966 não se aplica ao caso (pois trataria somente das infrações nele capituladas) e não autoriza a solidariedade (cf. art. 100 do mesmo diploma, que cuida nitidamente de responsabilidade subjetiva); e (k) a multa substitutiva do perdimento não pode ser cumulada com a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, como estabelece o próprio art. 99 do DecretoLei no 37/1966, e sob pena de ser confiscatória. O Sr. “LEANDRO”, cientificado da autuação em 03/10/2013 (AR à fl. 844) apresenta impugnação em 31/10/2013 (fls. 878 a 892), sustentando que: (l) não pode ser apenado com multa substitutiva de perdimento com fundamento nos arts. 124 (pois o mero interesse econômico não configura interesse comum) e 135 do CTN (que trata de responsabilidade pessoal e exclusiva, a demandar ainda a comprovação de máfé). No mais, apresenta alegações já mencionadas na impugnação da empresa “BAP”, no que se refere à não aplicação do 95 do DecretoLei no 37/1966, à não autorização de solidariedade em tal diploma, e à impossibilidade de cumulação com multa diversa sob pena de confisco. O Sr. “JOSÉ”, cientificado da autuação em 07/10/2013 (AR à fl. 840) apresenta impugnação em 05/11/2013 (fls. 927 a 942), com o mesmo teor da entregue pelo Sr. “LEANDRO”. A empresa estrangeira “RSE” é intimada na pessoa de “EDUARDO”, seu sócio, sem retorno (no expediente de fls. 924/926, “EDUARDO” informa que não tem poderes para representar a“RSE”, e que tal empresa estrangeira tem “endereço e diretoria conhecidos”, que foram transmitidos à fiscalização no curso dos trabalhos de auditoria, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Especial e Intimação, apresentada em 27/07/2013). Foi intimada a empresa estrangeira também por edital publicado em Diário Oficial (fls. 108 e 846) e edital afixado na unidade da RFB (fl. 847). Consta ainda nos autos a intimação a Luciano Lima Falconi (fl. 853). Em 08/10/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 949 a 963), no qual se decide unanimemente pela improcedência das impugnações apresentadas, sob os fundamentos de que: (a) “resta cristalino o quadro de simulação de operação e ocultação”, e ficou evidente a utilização da aeronave com desvio de finalidade, para interesses particulares das famílias, inclusive com transporte para competição de vela no Chile; (b) a aeronave adentrou o país como mercadoria e não como meio de transporte, sendo todos os passageiros e o real proprietário residentes no Brasil, restando “clara a impossibilidade de admitir a importação temporária de veículo estrangeiro de brasileiro residente”; (c) o fato de a autoridade aduaneira ter verificado cada TEAT pouco influencia no caso, pois a somatória deles, e sua reiteração é que constituem o objeto da fiscalização realizada; (d) houve falsidade nos TEAT e em outros documentos citados, e não mera falha de natureza formal; e (e) o valor adotado não contraria a legislação, sendo que à época da venda já havia entendimento de que as importações eram irregulares. O Sr. “EDUARDO” tomou ciência da decisão de piso em 22/10/2014 (fl. 972), e apresentou recurso voluntário em 14/11/2014 (fls. 985 a 1010). A empresa “BAP”, que à época da decisão de piso já havia sido baixada (cf. extrato de fl. 970), foi cientificada em 20/10/2014, na pessoa de sua responsável, Renata Lane de Souza Ramos (AR à fl. 977), e Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 apresentou recurso voluntário em 14/11/2014 (fls. 1014 a 1025). O Sr. “LEANDRO” tomou ciência da decisão de piso em 20/10/2014 (fl. 983), e apresentou recurso voluntário em 17/11/2014 (fls. 1051 a 1068). E, por fim, o Sr. “JOSÉ” foi cientificado da decisão da DRJ em 31/10/2014 (fl. 978), e apresentou recurso voluntário em 17/11/2014 (fls. 1031 a 1048). Todos os recorrentes limitaramse a reiterar o teor de suas impugnações. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos apresentados pela empresa “BAP” e pelos senhores “EDUARDO”, “LEANDRO” e “JOSÉ” preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. Em relação à empresa “RSE”, não foi apresentado recurso voluntário. Da principal infração imputada (ocultação interposição fraudulenta) Há pouca controvérsia fática no presente processo. A aeronave que foi objeto de admissão temporária se prestava a uso pessoal do Sr. “EDUARDO” e de seus familiares/amigos, e isso não só resta evidente no processo (cf. histórico de voos fls. 22 a 33) como é admitido pelo próprio Sr. “EDUARDO” em sua peça recursal (fl. 1005): Ao mesmo tempo em que o Sr. “EDUARDO” argumenta nesse sentido, para poder sustentar que viajava com amigos e familiares constantemente na aeronave admitida temporariamente “para transporte de diretores” (pois seria uma espécie de diretor, ou, em suas palavras, “o representante maior da sociedade”), quando indagado sobre a empresa “RSE”, responde que “não é administrador, procurador ou representante da sociedade para qualquer fim” (fls. 924/925): Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.084 7 A patente contradição interna à própria defesa endossa a dificuldade em apresentar refutação aos elementos trazidos na autuação, parecendo a recorrente ora designar se como responsável, ora excluirse de tal qualidade, conforme lhe convenha. Diante da farta documentação que comprova a permanência da aeronave quase que em tempo integral no território nacional, em viagens que nada parecem remeter a atividades empresariais, e transportando pessoas brasileiras, e que não são diretores da empresa estrangeira, esperavase que a defesa indicasse ao menos um diretor da empresa estrangeira que teria sido transportado no país com a aeronave. Mas isso não é feito. Ademais, seria muito difícil que houvesse tal transporte, pois o próprio Sr. “EDUARDO”, em resposta a intimação atesta que a empresa “RSE” (cujo quadro societário é composto por duas outras pessoas jurídicas: “Rio Calleria SA” e “SR Financial LLP”, esta última com 99,99% do capital de posse do próprio Sr. “EDUARDO” valor de R$ 437.907.050,82 fl. 639) sequer possui endereço próprio, e a única pessoa física indicada como diretor é o Sr. José Maria Carneiro da Cunha (fls. 636/637): Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Tal diretorpresidente da “RSE”, designado, digase, pelo próprio Sr. “EDUARDO” (cf. doc. de fls. 777/778), é pessoa que declara IRPF como residente no Brasil, sem rendimentos vinculados à “RSE” ou a qualquer empresa estrangeira, e incompatíveis com o cargo que estaria ocupando (fls. 815 a 825). E quando o fisco tentou contatar tal diretor presidente, no endereço cadastral indicado à RFB (intimação 11), apontase que o envio retornou com a mensagem “destinatário mudouse”. Daí a impossibilidade de intimação pessoal/via correio em relação à “RSE” e a seu representante (diretorpresidente e único funcionário conhecido), no endereço por ele informado à RFB para fins cadastrais (§ 4o do art. 23 do Decreto no 70.235/1972). Ademais, não consta em nenhum dos quase duzentos voos realizados pela aeronave entrando no país, dentro dele, ou saindo dele, que tenha estado a bordo o Sr. José Maria Carneiro da Cunha. Ou seja, não se apresenta na peça recursal do Sr. “EDUARDO” nenhuma justificativa para qualquer das situações evidenciadas pela fiscalização, principalmente a que se refere à simulação de admissão temporária para transporte de diretor, utilizandose da permissão estabelecida no Decreto no 97.464/1989 (art. 2o): “Art. 2o A aeronave civil, matriculada em qualquer Estado Membro da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), poderá entrar no Brasil e sobrevoar o seu território, quando não transportar passageiros e/ou carga mediante remuneração, ou quando o fizer em trânsito, isto é, sem desembarcálos ou Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.085 9 embarcálos em território brasileiro, parcial ou totalmente, observando as seguintes normas: (...) IV Serão consideradas aeronaves engajadas em transporte aéreo não remunerado as que estiverem realizando: a) vôo para prestação de socorro e para busca e salvamento de aeronave, embarcações e pessoas a bordo; b) viagem de turismo ou negócio, quando o proprietário for pessoa física e nela viajar; c) viagem de diretor ou representante de sociedade ou firma, quando a aeronave for de sua propriedade; d) serviços aéreos especializados, em benefício exclusivo do proprietário ou operador da aeronave; e e) outros vôos comprovadamente não remunerados. V Para os fins do disposto no inciso IV, a Seção de Aviação Civil (SAC) do aeroporto de entrada aceitará declaração escrita do respectivo comandante como documento suficiente, salvo evidência em contrário.” (grifo nosso) Já se atestou aqui que não se está a tratar de transporte de diretores (alínea “c” do citado art. 2o), mas de uso pessoal da aeronave por amigos e familiares do Sr. “EDUARDO”, que, recordese, às vezes se identifica como “o representante maior da sociedade” estrangeira, mas em outras afirma que “não é administrador, procurador ou representante da sociedade para qualquer fim”. Contudo, restaria a indagação (também suscitada em sede recursal) a respeito de possível enquadramento da operação na alínea “e” do mesmo no art. 2o (“outros voos comprovadamente não remunerados”). Efetivamente não se verifica nos autos nenhuma comprovação de que qualquer transporte tenha sido pago pelo Sr. “EDUARDO”, ou por seus amigos/familiares, à empresa “RSE”, proprietária da aeronave. As sucessivas admissões temporárias da aeronave (foto a seguir), que acabou ficando no Brasil por 518 dos 712 dias que esteve em efetiva operação, sendo inclusive anunciada para venda, no entanto, destoam da finalidade contemplada no Decreto no 97.464/1989. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Sobre as formalidades aduaneiras e o prazo de permanência das aeronaves no Brasil prevê o Decreto no 97.464/1989, em seus arts. 8o e 9o: “Art. 8o A entrada de aeronave estrangeira no território nacional estará sujeita, além da Autorização de Sobrevôo expedida pela Seção de Aviação Civil (SAC), ao cumprimento das formalidades aduaneiras. § 1o A formalização da entrada farseá à vista da documentação referente à aeronave, sua carga, mala postal e a outros bens existentes a bordo e será encerrada com a lavratura: a) do Termo de Entrada, para as aeronaves em serviço de transporte aéreo remunerado; e b) do Termo de Entrada e Admissão Temporária, para as aeronaves em serviço de transporte aéreo não remunerado. § 2o A Autorização de Sobrevôo e o termo a que se refere a alínea “b” deste artigo terão prazos de validade idênticos, inclusive no que diz respeito às eventuais prorrogações e serão de porte obrigatório. Art. 9o O prazo inicial para a permanência de aeronave no território brasileiro será de 60 (sessenta) dias, podendo ser prorrogado por períodos iguais de 45 (quarenta e cinco) dias, mediante solicitação às autoridades aeronáutica e aduaneira com antecedência não inferior a 15 (quinze) dias. Parágrafo único. De acordo com o que dispuser a legislação específica, qualquer das autoridades acima mencionadas poderá rever de ofício a licença por ela concedida, cientificando à outra sobre a medida, em despacho fundamentado, para que proceda de igual forma.” (grifo nosso) Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.086 11 E não há acusação nos autos de que tenha havido descumprimento da admissão temporária, ou que tenham sido desrespeitados os prazos ou as formalidades aduaneiras. Como acordam fisco e defesa, as admissões temporárias foram todas desembaraçadas pela autoridade aduaneira, em cada entrada da aeronave. Reparese, então, que não se está aqui, então avaliando se houve ou não descumprimento do regime, descumprimento esse que seria apenado com multa específica (art. 72, I da Lei no 10.833/2003), sequer cogitada nestes autos. Assim, não resta margem à alegação de defesa que se estaria agora revendo os critérios de concessão do regime, em afronta ao art. 146 do Código Tributário Nacional. O que faz o fisco não é acusar que as admissões temporárias foram concedidas sob critério equivocado. Os critérios alegados nas admissões temporárias (“transporte de diretores” ou “outros voos não remunerados”) eram (e ainda são) efetivamente ensejadores da admissão referida no Decreto no 97.464/1989. A acusação fiscal, sintetizada à fl. 16 (TVF) é a de que foram apresentados documentos inidôneos e prestadas informações falsas em relação à aeronave, tendo havido ainda interposição fraudulenta na importação (com quatro enquadramentos diferentes: art. 105, VI, VII e XI do DecretoLei no 37/1966, e art. 23, V do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976), e de que a aeronave “sempre transportou brasileiros residentes” (fl. 24), ou, em outras palavras, que “em nenhum dos voos percebese a existência de passageiros estrangeiros”. E isso, indubitavelmente, nada tem que ver com os critérios de concessão do regime, mas com a somatória das admissões, e com fatos ocorridos após as concessões das admissões, que, no entender do fisco, desvirtuariam o regime. Reparese que os critérios para admissão temporária legalmente estabelecidos (nos arts. 75 e 76 do Decretolei no 37/1966) não abarcam brasileiros residentes, mas somente estrangeiros e, excepcionalmente, brasileiros domiciliados ou residentes no exterior e que ingressem no País a título temporário: “Art. 75. Poderá ser concedida, na forma e condições do regulamento, suspensão dos tributos que incidam sobre a importação de bens que devam permanecer no país durante prazo fixado. § 1o A aplicação do regime de admissão temporária ficará sujeita ao cumprimento das seguintes condições básicas: I garantia de tributos e gravames devidos, mediante depósito ou termo de responsabilidade; II utilização dos bens dentro do prazo da concessão e exclusivamente nos fins previstos; III identificação dos bens. § 2o A admissão temporária de automóveis, motocicletas e outros veículos será concedida na forma deste artigo ou de atos internacionais subscritos pelo Governo brasileiro e, no caso de aeronave, na conformidade, ainda, de normas fixadas pelo Ministério da Aeronáutica. § 3o A disposição do parágrafo anterior somente se aplica aos bens de pessoa que entrar no país em caráter temporário. (...) Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Art. 76. O Departamento de Rendas Aduaneiras poderá disciplinar, com a adoção das cautelas que forem necessárias a entrada dos bens a que se refere o § 2o do artigo anterior, quando importados por brasileiro domiciliado ou residente no exterior, que entre no país em viagem temporária.” (grifo nosso) Como destaca a fiscalização (fls. 37/38), não há possibilidade jurídica de um brasileiro residente admitir temporariamente uma aeronave estrangeira para uso próprio, a lazer, no país. Se um brasileiro desejar ter uma aeronave para uso próprio no país, ele deve importála em definitivo (importação comum), ou admitir temporariamente para utilização econômica (no caso de ser um prestador de serviço de transporte aéreo). Em suma, as hipóteses do Decreto no 97.464/1989 (mesmo a constante na alínea “e” do art. 2o “outros voos comprovadamente não remunerados”) não abarcam o transporte de brasileiros residentes no país. É perfeitamente compreensível que uma família, v.g., francesa, tenha uma aeronave e venha ao Brasil de férias, aqui permanecendo temporariamente, e, depois, retorne ao exterior. Da mesma forma, é admissível que uma aeronave de empresa americana traga ao Brasil seus diretores para reuniões de trabalho, ou até para lazer (alinea “c” do art. 2o do Decreto no 97.464/1989), depois regressando ao exterior. A mesma empresa americana poderia ainda trazer ao Brasil em sua aeronave alguns funcionários que foram contemplados com uma viagemprêmio em função de bons serviços prestados (alínea “e” do art. 2o do Decreto no 97.464/1989), para breves férias no país. Contudo, não é disso que tratam os presentes autos, mas de 160 voos da aeronave admitida temporariamente (sendo 120 nacionais), no período considerado na autuação, transportando majoritariamente o Sr. “EDUARDO” e seus familiares e amigos, todos residentes no Brasil (e, em nenhum caso, qualquer diretor ou funcionário da empresa americana proprietária da aeronave, a “RSE”, nem pessoa estrangeira ou brasileiro residente no estrangeiro). Há, assim, clara deturpação do regime, com utilização em hipótese para a qual não existe amparo legal. Admitir que o Decreto no 97.464/1989 se aplica a brasileiros que desejem trazer ao país aeronaves estrangeiras, sem pagamento de tributos, para utilizarem em seu lazer equivale, na prática, ao absurdo reconhecimento de que existe uma alternativa à importação definitiva de tais aeronaves, sem os inconvenientes da definitividade (pagamentos de tributos, sujeição a controles de autoridades aeroportuárias etc.). Não nos parece que tenha sido essa a solução buscada no Decreto no 97.464/1989, ou em qualquer convenção internacional que trate da matéria, sempre focadas no “livre trânsito”. E recordese que os custos de manutenção definitiva da aeronave no país é que fizeram com que se desistisse de importála definitivamente, como reconhece “EDUARDO” em sede recursal (fl. 1000): Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.087 13 Em suma, pelo exposto até aqui, não se tem dúvida de que as reiteradas admissões temporárias permitiram que a aeronave estrangeira de propriedade da empresa “RSE” fosse utilizada para transporte predominantemente nacional de pessoas residentes no Brasil e que não eram diretores da empresa (em regra, o Sr. “EDUARDO”e seus amigos e familiares), em caráter que nada tem de ocasional, prejudicando a afirmação recursal de que não havia a intenção de permanência definitiva. Ademais, a empresa “RSE”, como exposto, tinha em seu quadro societário as empresas “Rio Calleria SA” (12%) e “SR Financial LLP” (88%), cabendo destacar que esta última tinha como sócio majoritário (99,99%) o Sr. “EDUARDO”. O Sr. “EDUARDO” é ainda sócio majoritário da CERFCO Participações (99,99%), empresa que detém 99,99% da FGMSPE Empreendimentos e Part., que por sua vez detém 99,99% da empresa “BAP” (empresa de táxi aéreo curitibana que é beneficiária da apólice de seguro da aeronave no Brasil, e operador de alguns TEAT). Assim, o Sr. “EDUARDO” protagonizava as duas “pontas” da relação, o exportador “RSE” e o importador (ainda que temporário) “BAP”. Daí não lhe ser cobrado nada (ao menos não se registra nos autos nenhuma cobrança) pelo uso da aeronave em período quase integral. A fiscalização, a nosso ver, logra êxito em comprovar que a aeronave era de fato do Sr. “EDUARDO”, o que justifica a naturalidade com que este a utilizava para voos de final de semana e/ou para locais turísticos, com amigos e familiares. A construção simulada efetuada para que o Sr. “EDUARDO” pudesse utilizar a aeronave que de fato lhe pertencia em território brasileiro, em tempo praticamente ininterrupto, é bem sintetizada pela fiscalização aduaneira na figura de fl. 48, que apresenta todas as pessoas a ele relacionadas que contribuíram de alguma forma (mais ou menos ativamente) para a concretização da operação: Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Está registrado nos autos, e não é objeto de contencioso, que a aeronave pertenceu à empresa “RSE” de 30/07/2009 (adquirida por US$ 13.408.563,00) a 20/06/2012, quando foi comprovado o efetivo recebimento da venda à empresa “MARTEX Ventures LLC” pelo valor de US$ 8.160.000,00 (cópia de contrato à fl. 22, tradução às fls. 384 a 398, e explicações sobre o fato de a tradição da aeronave ter se dado exatamente na data em que a Polícia Federal efetuou diligência para cumprimento de mandado de busca e apreensão da aeronave às fls. 429/430). Há que se acordar aqui com a fiscalização quando esta afirma que a diferença de cerca de US$ 5 milhões, que representou prejuízo à “RSE”, e o tempo pelo qual a aeronave permaneceu em sua propriedade, não parecem ser compatíveis com o objeto principal da empresa estrangeira (venda de aeronaves). Em setembro de 2009 (cerca de um mês após a compra da aeronave), há registro de remessa à “RSE” de US$ 1.155.555,56 (fl. 50) efetuada pela “Táxi Aéreo PINHAL, empresa cujo sócio majoritário é o piloto “LEANDRO”, administrador da “BAP”. O Sr. “LEANDRO” aparece ainda na Internet como responsável pela venda da aeronave (fls. 316 a 321). Em outubro de 2009, há ainda contrato de mútuo celebrado entre o Sr. “EDUARDO” e a “BAP”, no valor de R$ 3.100.00,00, declarado ao fisco (IRPF do Sr. “EDUARDO” Anexo 4 e fl. 51), contrato que foi quitado em maio de 2012, mês em que a Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.088 15 aeronave foi vendida (também conforme DIRPF do Sr. “EDUARDO”). Quando a fiscalização solicitou o referido contrato, o Sr. “EDUARDO” informou (fl. 565): Além de não conseguir explicar as remessas, o Sr. “EDUARDO”, que detém majoritariamente o controle sobre a exportadora e a importadora, não soube explicar também por que o valor de US$ 8.155.750,00 relativo à venda da aeronave em 2012 foi transferido dois dias após o recebimento para uma conta não identificada do Banco Pactual (fl. 566): Difícil crer que alguém que utiliza por anos (como aqui já comprovado) a aeronave de empresa que assume (ainda que indiretamente) controlar sequer sabe o destino do produto da venda da aeronave. Assim como é difícil acreditar que uma empresa como a “RSE”, que detém dois jatos executivos, tenha capital social de US$ 1.500,00 (fl. 56). Mais improvável ainda que os pilotos da aeronave não recebam qualquer quantia da empresa “RSE” e residam no Brasil, quando a aeronave é estrangeira e deveria ter entrado no país apenas ocasionalmente (o piloto “LEANDRO”, administrador da “BAP”, e o piloto “JOSÉ”, em resposta a intimação, informaram que prestam serviços à “CERFCO”, empresa brasileira do Sr. “EDUARDO”). Da leitura do exposto, não é preciso muito esforço para perceber a simulação engendrada para ocultar a real operação efetuada de fato pelo Sr. “EDUARDO”. Cabível assim o enquadramento da situação no inciso V do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (e a substituição por multa da penalidade aplicada, em virtude da impossibilidade de apreensão da aeronave): “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. .(Redação dada pela Lei no 12.350, de 20 de dezembro de 2010)” (grifos nossos) (...) A admissão temporária é, dentro do gênero importação, uma das espécies de operação. No caso de ocultação de responsável pela operação (importação temporária de aeronave), mediante simulação, cabível a aplicação da pena de perdimento, e sua eventual substituição por multa nas hipóteses previstas no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976. Deve ser mantida, assim, a autuação em relação ao Sr. “EDUARDO”, com tal enquadramento. Do dano ao Erário O Sr. “EDUARDO” afirma que não houve dano ao erário, pois não haveria obrigação tributária a cumprir (pois o imposto de importação é de “zero” e os demais tributos são internos, não sendo ocasionados pela importação). Nas palavras do recorrente: A afirmação revela ao menos dois entendimentos equivocados em relação à “ocultação” tratada no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976. O primeiro de que toda a construção legislativa que rege a matéria teve preocupação exclusivamente tributária, quando a Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.089 17 temática afeta à ocultação é predominantemente aduaneira, ligada à gestão de risco nas operações de comércio exterior. E o segundo, de que o dano ao Erário tem que ser especificamente caracterizado para a aplicação da penalidade. O auto de infração foi lavrado com enquadramento no art. 23, V do Decreto Lei no 1.455/1976. Dada a impossibilidade de apreensão da mercadoria, o perdimento foi substituído por multa com base no § 3o do mesmo art. 23: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. .(Redação dada pela Lei no 12.350, de 20 de dezembro de 2010)” (grifos nossos) É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente, podese afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário, no caso concreto. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967): “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 18 enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”, como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Nesse sentido tenho votado em diversos processos recentes, sempre com acolhida unânime do colegiado.2 Dos demais enquadramentos da infração Além do enquadramento por ocultação (já entendido como pertinente neste voto, o que é suficiente para a manutenção da autuação), a fiscalização afirma ainda terem ocorrido as infrações tratadas no art. 105, incisos VI, VII e XI do DecretoLei no 37/1966: “Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso anterior possuída a qualquer título ou para qualquer fim; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; (...)” (grifo nosso) Não se tem dúvida de que a admissão temporária também demanda desembaraço para que se possa autorizar a livre circulação da aeronave (conforme arts. 360 e 571 do Regulamento Aduaneiro Decreto no 6.759/2009). 2 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013; Acórdão n. 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 30.jan.2014; Acórdão n. 3403002.842, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.mar.2014; Acórdão n. 3403002.865, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 26.mar.2014; e Acórdão n. 3403003.188, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 20.ago.2014. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.090 19 Mas não assiste razão à fiscalização em considerar o TEAT como documento necessário ao desembaraço. O TEAT é a própria declaração de importação no regime de admissão temporária, e não um documento instrutivo. No Regulamento Aduaneiro é clara a diferença entre a declaração de importação (art. 551) e os documentos que a instruem (art. 553). E o § 3oB inserido ao art. 689 do Regulamento Aduaneiro, de caráter explicativo, atesta que para os efeitos do inciso VI (que aqui se analisa) são necessários ao desembaraço os documentos relacionados nos incisos I a III do art. 553 (entre os quais não se encontra nem o TEAT nem o AVANAC). Vejase que a inidoneidade dos documentos atestada pelo fisco pode não ser relevante para efeito da penalidade descrita nos incisos VI e VII, mas endossa a falsidade ideológica que constituiu a simulação engendrada para a ocultação descrita no tópico inicial deste voto. Não entendemos, assim, aplicável ao caso a penalidade referida nos incisos VI e VII do art. 105 do DecretoLei no 37/1966. Em relação à penalidade mencionada no inciso XI (desembaraço com tributos aduaneiros pagos em parte, mediante artifício doloso), entendemos que há confusão sobre a leitura de tal enquadramento tanto por parte do fisco quanto por parte dos recorrentes. A fiscalização, no TVF (fls. 72/73), ao tratar do tema, intitula o tópico como “O Dano ao Erário”, já iniciando com a afirmação de que a “ocultação do real responsável pela operação é artifício em geral empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias”, passando a estimar qual seria o valor referente à importação definitiva da aeronave, no que se refere a IPI e a ICMS. Tal visão distorcida da penalidade (que não é de cunho tributário, mas aduaneiro) só é amenizada na autuação pela menção ao art. 237 da Constituição Federal, que trata do controle aduaneiro. Por certo que a ocultação em uma operação de comércio exterior pode ser motivada por diversos aspectos que sequer possuem relação com pagamento de tributos. Daí termos, no tópico referente a “dano ao Erário” deste voto, esclarecido o que o DecretoLei no 1.455/1976 trata como dano ao Erário, e como ele não se confunde com ausência de recolhimento de tributos. Ou seja, não se está afirmar que é incorreto atrelar dano ao Erário à conduta tipificado no inciso XI do art. 105 do DecretoLei no 37/1966. Esclarecese somente que o dano ao Erário está atrelado a todas as condutas referidas no art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (o que inclui as referidas nos arts. 104 e 105 do DecretoLei no 37/1966). Em matéria aduaneira, a ocultação pode objetivar, v.g., burla à análise de risco, aos critérios de habilitação, e a eventuais proibições/restrições. Não há qualquer relação necessária entre ocultação e “sonegação/crime contra ordem tributária”. A visão de que a função da Aduana é primordialmente arrecadar tributos incidentes sobre o comércio exterior foi superada há mais de três décadas. Basta verificar o próprio sítio web da Aduana brasileira, dentro da estrutura da RFB, para perceber o que aqui se expõe. Dito isso, voltemos à alegação do fisco de que houve ausência de recolhimento (ao menos de IPI), visto que a autuação referente a ICMS seria de competência estadual/distrital. Tal tese seria coerente, a nosso ver, com a efetiva exigência do tributo que deixou de ser pago, tendo em vista a impossibilidade de apreensão da aeronave. Afinal de contas, se houve falta dolosa de pagamento de tributos devidos pela importação e o bem foi apreendido, incabível se falar em exigência de tributos. Mas se houve falta dolosa de Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 20 pagamento de tributos devidos pela importação e a mercadoria não foi objeto de apreensão, necessária a exigência dos tributos. Para o imposto de importação, há disposição legal expressa nesse sentido art. 1o, § 4o, III do DecretoLei no 37/1966. Em relação ao IPI, se a fiscalização entendeu ter havido desembaraço aduaneiro e que a importação foi definitiva, nascida está a obrigação de recolhimento do tributo. Mas não se noticia nos autos que tenha havido qualquer exigência de tributos cumulativa com a multa substitutiva do perdimento (em que pese tal exigência possa ter sido efetuada em processo separado, sem que se tenha feito referência a ela nos autos). Alega o fisco que houve conduta dolosa tendente a subtrair R$ 1.448.771,20 a título de IPI (alíquota de 10% para aeronaves), que seria a quantia exigida em caso de importação definitiva. Sendo a conduta dolosa a simulação aqui já discutida, cabível a nosso ver, a priori, o enquadramento. Em apertada síntese, apesar de entendermos cabível, no caso, o enquadramento no inciso XI art. 105 do DecretoLei no 37/1966, os elementos constantes no processo apontam, como já exposto, para a hipótese de ocultação constante no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (que inclusive independe da existência de diferença de tributos a recolher). E o fato de entendermos cabíveis ambos os enquadramentos de forma alguma permite a duplicação da multa aplicada, mas tão somente sua manutenção por dois fundamentos não excludentes. Do valor da autuação A autuação toma por base a data da última admissão temporária registrada para a aeronave: 27/01/2012. E o valor adotado é o da venda da aeronave pactuada meses depois (US$ 8.160.000,00) convertido para reais ao câmbio da data da última admissão temporária. O Sr. “EDUARDO” alega em sua peça recursal que o valor lançado é ilíquido, pois foi adotado o valor da aeronave na data de comercialização com terceiro (julho/2012), muito antes do momento da apuração da infração (outubro/2013). E sustenta ainda que a autuação considerou como data de ocorrência da infração o da última entrada da aeronave em território nacional (27/01/2012), seguida da expressão “a título exemplificativo”, fazendo parecer que poderia ter sido escolhida outra. Equivocada a visão do recorrente, pois a data da apuração da infração não se confunde com a data da lavratura da autuação, mas com a data da prática da conduta tida como infracional. E nessa data foi o fisco conservador, adotando a última admissão temporária efetuada. Em que pese tenha utilizado a infeliz expressão “a título exemplificativo”, o fez notoriamente para afirmar que entre as admissões temporárias efetuadas com ocultação, v.g., elegeu a mais benéfica para o(s) recorrente(s). As infrações (v.g., ocultação) vêm sendo praticadas desde a primeira admissão temporária, e isso resta claro nos autos. Possível seria, então, exigir o valor remetendo à primeira admissão. Mas, diante da opção do fisco, mais benéfica à empresa, este tribunal não poderia agora majorar o valor lançado. O fisco adotou como marco temporal a última admissão (na qual indiscutivelmente também ocorreu a prática das infrações narradas). E tal adoção por certo reduziu o valor lançado, de forma conservadora, pois a própria recorrente reconhece (e os Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720011/201315 Acórdão n.º 3401003.092 S3C4T1 Fl. 1.091 21 documentos comprovam) que a aeronave tem seu valor paulatinamente depreciado com o tempo. Assim, a adoção do valor de venda do mês de julho de 2012, diante do marco temporal adotado de 27/01/2012 também se revela conservadora, pois se o bem tinha o valor de US$ 8.160.000,00 em julho, e está em constante depreciação, seis meses antes deveria valer mais. Ou seja, se o critério adotado pelo fisco prejudicou alguém, esse alguém foi o próprio fisco, e não o(s) recorrente(s). Mantémse assim o valor lançado. Da responsabilidade pelas infrações Esse também é um tópico sob o qual paira muita confusão, tanto na autuação quanto nas peças recursais. Cabe aqui de início esclarecer, em relação à ocultação, que não houve desconsideração da personalidade jurídica das empresas “RSE” e “BAP”, tanto que estas foram mantidas no polo passivo, na qualidade de responsáveis. Houve sim, como já exposto em tópico anterior deste voto, verificação da existência de simulação (ocultação do responsável pela operação) por tais empresas e por outras pessoas, restando claro, conforme o TVF (fl. 74) que o Sr. “EDUARDO” é o principal responsável pelas infrações apuradas. Todas as pessoas indicadas ao lado do Sr. “EDUARDO” no polo passivo da autuação (à exceção da empresa “RSE”, que foi revel ainda em sede de impugnação) propugnaram pela inaplicabilidade do art. 95 do DecretoLei no 37/1966 ao caso, e pela incompatibilidade entre a pena aplicada (multa substitutiva do perdimento) e a multa por cessão de nome, prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007. A responsabilidade em matéria de infrações aduaneiras, como a tratada no presente processo, não é especificamente regulada pelo Código Tributário Nacional, mas pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. E já no inciso I, estabelece a norma aduaneira de ordem legal que respondem pela infração conjunta ou isoladamente quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Apesar de as considerações de defesa calcadas no Código Tributário Nacional (sobre responsabilidade tributária e sobre responsabilidade pessoal) serem pouco pertinentes ao caso em análise, que trata de infração aduaneira, temse que tanto na seara tributária quanto na aduaneira, o simples fato de as pessoas físicas serem sócias de empresa é insuficiente para imputarlhes responsabilidade por infrações. Como exposto, o art. 95 do DecretoLei no 37/1966 exige, para responsabilização, que a pessoa concorra para a prática da infração ou dela se beneficie. E, neste aspecto, resta bem demonstrada, pelo que já narramos, a participação das empresas “RSE” e “BAP”, responsáveis diretas pelas operações de importação, com ativa participação e absoluta ciência das operações realizadas, concorrendo para a prática da infração direta e reiteradamente. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 22 Contudo, não restou objetivamente demonstrada a participação dos pilotos “LEANDRO” e “JOSÉ”, que não podem ser responsabilizados simplesmente por serem ou terem sido sócios (ainda que administradores) da “BAP”, ou por terem pilotado a aeronave e firmarem, em tal qualidade, os termos de entrada. Restou, em síntese, ausente a indicação objetiva de qual foi a forma pela qual tais pessoas efetivamente concorreram para a prática da infração ou dela se beneficiaram. Por fim, no que se refere à alegação de impossibilidade de aplicação conjunta da multa substitutiva do perdimento com a multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, cabe informar que, ao se comprovar ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). Assim, a penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento, prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. No entanto, o presente processo trata somente da multa substitutiva do perdimento, não havendo imputação da multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, que, destaquese, seria aplicável, em autos diversos, somente ao acobertante, jamais ao acobertado, e não representa penalidade mais específica ou mais benigna, mas penalidade diversa. Incabível, pelo exposto, a discussão da multa prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, sequer aplicada nestes autos. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento aos recursos voluntários apresentados, apenas para afastar dois dos quatro fundamentos (incisos VI e VII do art. 105 do DecretoLei no 37/1966) empregados para a aplicação da pena de perdimento substituída por multa, e para excluir do polo passivo o Sr. José Antônio Barth de Freitas e o Sr. Leandro Rodrigues Cordeiro. Rosaldo Trevisan Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10920.002996/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. AUTUAÇÃO.
A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
Numero da decisão: 2302-003.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de fls. 635/706 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada seja recalculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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DESCUMPRIMENTO. AUTUAÇÃO. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de fls. 635/706 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada seja recalculada considerando as disposições do art. 32 A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 29 96 /2 00 7- 44 Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.002996/200744 Acórdão n.º 2302003.644 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator AD HOC, para formalização do acórdão proferido. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização do acórdão, não possuindo mais competência para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, seu voto, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, como votou o relator original, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de fls. 635/706 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada seja recalculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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