Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18471.000029/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972.
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do o art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/2003 e terminado em 31/12/2008. Como o lançamento se deu em 18/02/2008, não se operou a decadência.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. RECOLHIMENTO AO FUNDO ESPECIAL DA JUSTIÇA. PROVA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário. O valor dos emolumentos é base de cálculo da taxa a ser recolhida ao Fundo Especial dos Tribunais de Justiça; logo, o valor dessa taxa pode ser usada para se estabelecer o valor dos emolumentos do notário ou registrador.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas.
Numero da decisão: 2301-004.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior
Presidente e Relator
EDITADO EM: 03/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do o art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/2003 e terminado em 31/12/2008. Como o lançamento se deu em 18/02/2008, não se operou a decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. RECOLHIMENTO AO FUNDO ESPECIAL DA JUSTIÇA. PROVA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário. O valor dos emolumentos é base de cálculo da taxa a ser recolhida ao Fundo Especial dos Tribunais de Justiça; logo, o valor dessa taxa pode ser usada para se estabelecer o valor dos emolumentos do notário ou registrador. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18471.000029/2008-76
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572202
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.492
nome_arquivo_s : Decisao_18471000029200876.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 18471000029200876_5572202.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6299283
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122829045760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 333 1 332 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000029/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.492 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente Sálvio Mareio Porto Arcoverde Recorrida União (Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do o art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/2003 e terminado em 31/12/2008. Como o lançamento se deu em 18/02/2008, não se operou a decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. RECOLHIMENTO AO FUNDO ESPECIAL DA JUSTIÇA. PROVA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 00 29 /2 00 8- 76 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 tributário na pessoa física do beneficiário. O valor dos emolumentos é base de cálculo da taxa a ser recolhida ao Fundo Especial dos Tribunais de Justiça; logo, o valor dessa taxa pode ser usada para se estabelecer o valor dos emolumentos do notário ou registrador. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1323.318, exarado pela 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro II (fls. 84 a 95 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 27 a 36), é referente imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), e diz respeito ao anocalendário 2003. É exigido crédito tributário de R$1.943.443,82, dos quais R$548.875,84 correspondem a imposto, R$ 823.313,76 à multa proporcional de 150% e R$ 296.941,82 a juros de mora e R$274.312,40 à multa exigida isoladamente. As infrações apontadas são omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnêleão e multa isolada relativa à falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A omissão de rendimentos foi constatada em face de divergência entre os rendimentos declarados na DIRPF e os valores recolhidos para o Fundo Especial do Tribunal Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18471.000029/200876 Acórdão n.º 2301004.492 S2C3T1 Fl. 334 3 de Justiça (Lei 3217/99), através de GRERJ – Guia de Recolhimento de Receita Judiciária, num total de R$750.592,49, o qual representa 20% dos serviços prestados, a saber: Valor declarado em DIRPF ................... 1.757.050,29 Valor recolhido ao TJ (20%) ................. 750.592,49 Valor dos serviços (100%) .................... 3.752.962,40 Diferença entre serviços e a DIRPF....... 1.995.912,11 Em sua impugnação (fls. 46 a 72), o contribuinte alegou, em síntese, que: (a) o prazo para constituição de créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2003 decaiu em 01/02/2008; (b) não obteve acesso aos autos do processo, pelo que pede a anulação do auto de infração, uma vez que teve seu direito de defesa cerceado, ou que lhe seja reaberto o prazo para impugnação; (c) a suposta infração, se fosse o caso, seria uma presunção de omissão de receita, já que a fiscalização apurou o valor da suposta omissão através de uma presunção não legal; o procedimento adotado pelo Fisco, além de ilegal é impreciso, fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada e o lançamento tributário não comporta esse tipo de imprecisão; (d) o auditor elegeu indevidamente as datas de ocorrência do suposto fato gerador, já que o recolhimento tem vencimento no sétimo dia após o recebimento das receitas (serviços cobrados pelo cartório), conforme disposto na legislação de regência; (e) em qualquer cartório existem clientes pessoas físicas e jurídicas, portanto os rendimentos atribuídos aos tabeliães são decorrentes de pessoas físicas e jurídicas; a fiscalização concluiu, ao arrepio de qualquer evidência cabal, que se tratava exclusivamente de hipótese de carnêleão, e efetuou a tributação em tela sem amparo na lei; (f) somente estão sujeitas ao pagamento mensal do imposto os rendimentos recebidos de pessoas físicas ou de fontes situadas no exterior; (g) não foram consideradas pelo Auditor responsável pelo lançamento as despesas usuais no exercício de sua atividade, que são os gastos efetuados com pagamentos aos escreventes; (h) teve exigida a multa de ofício sobre os valores de imposto correspondentes aos rendimentos supostamente omitidos e sobre a mesma base foi também exigida a multa isolada, sendo incabível a dupla penalização sobre o mesmo fato gerador; (i) não existir intuito de fraude; Foi reaberto o prazo de trinta dias para impugnação. O contribuinte, intimado, não se manifestou. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, cancelado a multa qualificada. O acórdão recebeu as seguintes ementas: DECADÊNCIA Em se tratando de lançamento de ofício efetuado pela Autoridade Autuante em decorrência de infração apurada com qualificação de multa de ofício por ocorrência dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. EMOLUMENTOS E CUSTAS DE SERVENTURÁRIO DA JUSTIÇA. APURAÇÃO DOS VALORES. E lícito ao Fisco apurar os valores recebidos a título de emolumentos e custas por tabelião tomando por base documentos idôneos expedidos pelo Cartório, mormente quando estes apontam valores muito superiores àqueles consignados no Livro Caixa, não se caracterizando tal ato nem como arbitramento nem como presunção. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. É devida a multa isolada por falta de pagamento mensal de Imposto de Renda, nos casos previstos em lei. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo A ciência dessa decisão ocorreu em 15/05/2009 (fl. 96). Em 21/05/2009, foi apresentado recurso voluntário (fls. 103 a 123), no qual foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação. Pediu a anulação da decisão recorrida. O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 420). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. questões preliminares Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18471.000029/200876 Acórdão n.º 2301004.492 S2C3T1 Fl. 335 5 da nulidade da decisão recorrida De acordo com o contribuinte, haveria nulidade da decisão recorrida, por não ter sido reconhecida a nulidade do auto de infração em face da alegação de haver erro na identificação do sujeito passivo. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, a jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. (processo 11075.900013/200899, Acórdão 1801001.499, Relator(a) Carmen Ferreira Saraiva) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada pelas Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. (processo: 11634.000552/200681, Acórdão: 2202002.892, relator: Antonio Lopo Martinez) Preliminar. Nulidade. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. (processo: 10680.015093/200531, Acórdão: 280100.790, redatoradesignada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente ou despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente (art. 59, I), nem Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18471.000029/200876 Acórdão n.º 2301004.492 S2C3T1 Fl. 336 7 despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, II). Logo, não há nulidade do auto de infração. Caso configurado o erro ou incorreções nos aspectos material, temporal ou subjetivo do lançamento, presentes no art. 142 CTN, a solução a ser dada é a procedência da contestação (impugnação ou recurso voluntário), o qual é provimento distinto da declaração de nulidade do procedimento, que se ampara no retrocitado art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Dessa forma, não se configurou a nulidade suscitada. questões de mérito da decadência É alegada a decadência do poderdever do Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, referente a janeiro de 2003. A data da ciência do auto de infração é 18/02/2008 (fl. 38). No caso em tela, tratase de lançamento de crédito tributário sobre omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnêleão. Devese registrar que em 21/12/2010 houve a edição da Portaria MF 586, que incluiu o art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, o qual determinou a observância, pelo CARF das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil) : Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Decorrentemente, no que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62A do RICARF, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial 973.733/SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifos no original.) Assim, na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplicase o art. 173, I, do CTN, e o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste processo, há indicação, na Declaração de Ajuste Anual (fl. 06) do pagamento de IRPF, a título ode carnêleão, informação que não é contestada no auto de Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18471.000029/200876 Acórdão n.º 2301004.492 S2C3T1 Fl. 337 9 infração. Desse modo, é obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como sabido, o imposto sobre a renda das pessoas físicas possui fato gerador complexivo anual, que só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário. Assim, o fato gerador do anocalendário 2003 ocorreu em 31/12/2003, sendo esse o termo inicial do prazo decadencial do poderdever de efetuar o lançamento; o termo final é 31/12/2008. Como o lançamento se aperfeiçoou em 18/02/2008, não ocorreu a aludida decadência. Da omissão de receitas No que tange à imputação de omissão de receitas advindas da atividade notarial e/ou registral, o contribuinte alegou que haveria presunção de omissão de receita, já que a fiscalização apurou o valor da suposta omissão por meio de uma presunção não legal, o que é ilegal e impreciso, fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada e o lançamento tributário não comporta esse tipo de imprecisão; que não foram consideradas no lançamento as despesas do exercício de sua atividade e que seus rendimentos são provenientes de pessoas físicas e jurídicas, seus clientes, e não apenas de pessoas físicas, como constou no auto de infração. Não lhe assiste razão. Inicialmente, cabe esclarecer que os emolumentos e custas dos notários e registradores (denominação dada pelo art. 3º da Lei 8.935, de 1994), independentemente de a fonte pagadora ser pessoa física ou jurídica, são tributáveis pela pessoa física (notário ou registrador), obedecidos os procedimentos atinentes ao livrocaixa e ao recolhimento mensal pelo carnêleão, exceto quando remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. Isso é o que se depreende dos arts. 8º e 11 da Lei 7.713, de 1988: Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. § 1º O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. (Grifouse.). (...) Art. 11. Os titulares dos serviços notariais e de registro a que se refere o art. 236 da Constituição da República, desde que mantenham escrituração das receitas e das despesas, poderão deduzir dos emolumentos recebidos, para efeito da incidência do imposto: I – a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, inclusive encargos trabalhistas e previdenciários; II – os emolumentos pagos a terceiros; Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 III – as despesas de custeio necessárias à manutenção dos serviços notariais e de registro. Assim, tais rendimentos são tributados pela sistemática do “recolhimento mensal obrigatório” (carnêleão), estabelecida em lei e regulamentada pelo Decreto 3.000, de 1999, que aprova o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR 99), artigos 106 a 112, devendo integrar a base de cálculo do imposto na Declaração de Ajuste Anual. Dessa forma, é irrelevante se seus rendimentos são provenientes de pessoas físicas ou jurídicas, pois todos os rendimentos devem integrar a base tributável. A prestação dos serviços notariais e de registros tem seus fundamentos jurídicos estabelecidos pelo art. 236 da Constituição Federal de 1988: Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. § 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário. § 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. A regulamentação desse artigo se deu pela Lei 8.935, de 1994, que dispõe que os notários e registradores têm direito à percepção dos emolumentos integrais pelos atos praticados (art. 28). Os valores declarados na Declaração de Ajuste Anual (fl. 06) e registrados no livrocaixa do contribuinte divergiram significativamente da base de cálculo do Fundo Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, previsto pelas Leis Estaduais 713, de 1983 e 3.217, de 1999, que é de 20% sobre as custas remuneratórias dos atos de valor declarado praticados pelas serventias do foro extrajudicial e incide sobre todos os atos extrajudiciais: Lei nº 713, de 1983, do Estado do Rio de Janeiro Art. 19 As custas remuneratórias dos atos de valor declarado praticados pelas serventias do foro extrajudicial ficam acrescidas em 20% (vinte por cento). § 1º Os acréscimos de que cuida o caput deste artigo não se aplicam aos atos que, comprovadamente, se referirem à primeira aquisição de casa própria pelo adquirente em seu domicílio. § 2º A isenção referida no § 1º, antecedente, é extensiva aos atos praticados com interveniência de Cooperativas Habitacionais, desde que destinadas a residência do adquirente. (Artigo com redação dada pelo artigo 1º da Lei 723, de 1984.) Art. 20 Nas serventias não oficializadas, o acréscimo de que trata o artigo anterior constituirá receita do Estado. Lei nº 3.217/1999, do Estado do Rio de Janeiro Art. 1º Os valores percentuais de que tratam os artigos 19 e 20 da Lei nº 713, de 26 de dezembro de 1983, com a redação que Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18471.000029/200876 Acórdão n.º 2301004.492 S2C3T1 Fl. 338 11 lhes foi dada pela Lei nº 723/84, incidirão sobre todos os atos extrajudiciais e serão, juntamente com as custas e a taxa judiciária, recolhidos em favor do Fundo Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro FETJ, instituído pela Lei nº 2.524, de 22 de janeiro de 1996. (Grifouse.) Intimado e reintimado (fls. 12 a 16) a justificar a significativa diferença entre o valor declarado e o apurado com base nos recolhimentos das guias de recolhimento de custas judiciais do Estado do Rio de Janeiro (GRERJ), o contribuinte silenciou. Quanto à alegação de que não foram consideradas no lançamento as despesas do exercício de sua atividade, temse que não foram efetuadas glosas de despesas de seu livro caixa, ou seja, foram aceitas todas as receitas registradas. O livrocaixa, para fins do imposto sobre a renda, deve registrar as receitas e despesas da serventia, para que o Fisco possa verificar a sua dedutibilidade no ajuste anual, entre elas a remuneração de terceiros com vínculo empregatício e os respectivos encargos previdenciários e trabalhistas. As despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devem estar comprovadas mediante documentação, conforme art. 6º da Lei 8.134, de 1990. Como foram aceitas todas as receitas registradas, descabe maiores considerações a respeito. Ademais, não há qualquer presunção ou arbitramento de omissão de receitas, já que os valores dos emolumentos e dos adicionais, devidamente recolhidos ao Fundo Especial do TJRJ, são prova irrefutável do recebimento dos recursos, já que, como visto, o acréscimo de 20% incide sobre as custas remuneratórias. O lançamento se lastreia em ofício do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que informa as serventias extrajudiciais que apresentaram as cinquenta maiores arrecadações em 2003 (fls. 20 a 22), não havendo qualquer fato que desqualifique tais dados. A correlação entre os valores recolhidos ao Fundo Especial do Tribunal de Justiça e as receitas se fundamenta em lei estadual. É prova lícita, passível de demonstrar as receitas auferidas pela serventia. A respeito da apreciação das provas, dispõe o art. 29 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nesse mesmo sentido já foi decidido por este CARF: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. LIVROCAIXA. VALORES CONTABILIZADOS COMO EMOLUMENTOS E ADICIONAIS. RECOLHIMENTO AO FUNDO ESPECIAL DA JUSTIÇA. PROVA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário. O valor dos emolumentos e do adicional sobre ele incidente, informados pelo próprio declarante à Corregedoria e devidamente recolhidos ao Fundo Especial dos Tribunais de Justiça, constitui prova irrefutável da prestação do serviço. (Acórdão: 2201002.634, Relator: Francisco Marconi de Oliveira.) Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Assim, realizada pelo Fisco a prova da percepção dos rendimentos, cabe contribuinte, se for o caso, desconstituíla, demonstrando, inclusive, eventuais erros na base de cálculo decorrentes do aspecto temporal do fato gerador, o que não foi realizado no presente caso. Da multa isolada No respeitante à multa isolada em face da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, minha opinião coincide com a do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator (vencido) do acórdão 920202.297, as quais reproduzo assumindoas, mutatis mutandis, como razões de meu voto: Verifico que a presente autuação aplicou a multa de ofício de 75% sobre os rendimentos omitidos recebidos de fontes no exterior e a multa isolada de 75% sobre os mesmos valores, a título de falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê leão (fls. 63 a 65). Sou forçado a reconhecer que a jurisprudência deste Conselho há muito se assentou no sentido de não admitir a cobrança concomitante de multa de ofício incidente sobre os rendimentos omitidos e da multa isolada por falta do recolhimento mensal do carnêleão, calculada sobe os mesmos rendimentos. Afirmase que aplicar duas penalidades sobre a mesma base de cálculo resulta em verdadeiro bis in idem, o que não é admitido no direito pátrio. Apesar da força dos argumentos, ainda não consegui me convencer de sua correção. Penso que a aplicação conjunta das duas multas é decorrência direta do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e de que não existe dupla penalidade pela mesma infração, uma vez que a multa isolada pune o não recolhimento mensal do carnêleão, nos termos do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, enquanto a multa de ofício pune a falta de tributação dos rendimentos omitidos na declaração de ajuste anual, sendo necessárias punições diferentes para condutas ilícitas diversas. Do mesmo modo, não encontro qualquer óbice na legislação tributária para a adoção da mesma base de cálculo para penalidades relativas a duas infrações distintas. Não vejo qualquer semelhança com o fenômeno do bis in idem, onde se cobra o mesmo tributo de um mesmo contribuinte sobre um mesmo fato gerador. Entretanto, como o art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho 2007, reduziu o percentual dessa multa de 75% para 50%, há que se aplicar a retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. Embora mantendo respeitosa divergência quanto a essa orientação, devo ajustarme, no entanto, em atenção ao princípio da colegialidade, ao entendimento prevalecente neste CARF a propósito do litígio em exame, pelo que voto pelo cancelamento da exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18471.000029/200876 Acórdão n.º 2301004.492 S2C3T1 Fl. 339 13 Voto, portanto, por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901419/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13839.901419/2009-16
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577132
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-000.363
nome_arquivo_s : Decisao_13839901419200916.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 13839901419200916_5577132.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6322486
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122845822976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1398; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 142 1 141 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.901419/200916 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.363 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de janeiro de 2016 Assunto IRPJ Recorrente Thyssenkrupp Metalurgica Campo Limpo Ltda Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 41 9/ 20 09 -1 6 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13839.901419/200916 Resolução nº 1401000.363 S1C4T1 Fl. 143 2 RELATÓRIO Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A empresa acima qualificada, por meio do PER/DCOMP nº 41860.72604.200705.1.3.046808, pretende compensar pretenso crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 2362, P.A. 31/01/2004, arrecadado em 27/02/2004, no valor original de R$ 1.275.127,35 com débito próprio de IRPJ 2362, P.A. 0106/ 2005. A DRF/Jundiaí, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 49 (nº 821072132) resolveu por não homologar a compensação declarada, tendo em vista a utilização total do DARF relacionado no PER/DCOMP em questão, consoante demonstrado a seguir: (...) Não se conformando, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 02), alegando, em síntese, que cometeu equivoco ao informar na DCTF os débitos de IRPJ e CSLL, referentes ao 1° trimestre de 2004, especificamente do mês de Janeiro/2004, corrigindoos conforme DCTF Retificadora entregue em 11/03/2009 (protocolo de entrega n° 24.36.07.23.6481). DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 5659) negou provimento à impugnação nos seguintes termos do voto do relator: A declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. Para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é necessário que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Para comprovar suas alegações a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da DCTF retificadora. Logo, além de não retificar a DCTF, antes do Despacho Decisório, que constituía obrigação sua (obrigação mantida nas Instruções Normativas seguintes) não trouxe a interessada provas do alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13839.901419/200916 Resolução nº 1401000.363 S1C4T1 Fl. 144 3 condão de comprovar as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais sendo improcedente a manifestação de inconformidade. Ante o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho (nossos destaques). DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 72 a 89 com as razões que se seguem. A decisão da DRJ seria nula em razão de ter alterado a fundamentação para negar o pedido do interessado. Nulidade do despacho decisório em razão do cerceamento do direito de defesa. Em primeiro lugar, o formulário padrão não permite que o interessado informe todos os detalhares necessários para o reconhecimento do seu direito; em segundo lugar, ao ser realizado o tratamento eletrônico do pedido, a administração deixou de examinar outros documentos, inclusive por meio da intimação prévia do interessado. O mesmo tipo de procedimento foi realizado pela DRJ, uma vez que deixou de intimar o interessado para apresentar a documentação que considerasse apta para comprovar o seu crédito. A recorrente, porém, apresentou a documentação necessária para comprovar seu crédito (no caso, a DCTF retificadora), a qual, uma vez não sendo considerada suficiente pela autoridade julgadora, deveria ter sido dado oportunidade para apresentar nova documentação. Entende que o valor está comprovado por meio da DIPJ do período e para comprovar o alegado requer perícia, em que formula questões e indica o seu perito. É o relatório. VOTO O recorrente alega que cometeu erro material ao preencher a DCTF original. No entanto, na impugnação, apresentou apenas uma DCTF "retificadora", a qual não produz qualquer efeito jurídico por ser intempestiva. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13839.901419/200916 Resolução nº 1401000.363 S1C4T1 Fl. 145 4 Aduziu ainda que o valor correto do IRPJ do período seria de R$ 1.738.669,32 e não R$ 1.833.774,48. O primeiro valor estaria consignado na sua DIPJ, enquanto o segundo (incorreto) teria constado incorretamente na DCTF original. Na fl. 46, consta cópia da DIPJ com o valor apurado de IRPJ de R$ 1.738.669,32. O deslinde da refrega depende da apuração fática. O documento carreado aos autos pela defesa precisa ser confirmado pela autoridade local. Ademais, pode não ser o único apresentado pelo interessado, além de divergir da sua contabilidade. Isso posto, proponho a conversão do processo em diligência para a autoridade local: a) trazer aos autos todas as DCTF e DIPJ (originais e retificadoras) apresentadas no período; b) identificar os valores que serviram para extinguir o débito da estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 (pagamentos e compensações); c) dirimir, com base nas informações contábeis do interessado, a suposta divergência entre os valores consignados na DIPJ e na DCTF. Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. É como voto. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001429/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 30/06/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Matéria ventilada na peça recursal e objeto de Súmula CARF, deve ser enfrentada mesmo que não tenha sido, em específico, objeto da peça impugnatória.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
assinado digitalmente
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Valdete Aparecida Marinheiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 30/06/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Matéria ventilada na peça recursal e objeto de Súmula CARF, deve ser enfrentada mesmo que não tenha sido, em específico, objeto da peça impugnatória. Embargos rejeitados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18471.001429/2007-18
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5571610
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.937
nome_arquivo_s : Decisao_18471001429200718.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 18471001429200718_5571610.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim - Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Valdete Aparecida Marinheiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6297042
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122848968704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 135 1 134 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001429/200718 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.937 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2016 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TIM BRASIL SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 30/06/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Matéria ventilada na peça recursal e objeto de Súmula CARF, deve ser enfrentada mesmo que não tenha sido, em específico, objeto da peça impugnatória. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Valdete Aparecida Marinheiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 29 /2 00 7- 18 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 28/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 340200.805, de 10/12/2015. Em suma, alega a douta Fazenda Nacional (fls. 130/132) que o aresto embargado ao afastar a incidência dos juros de mora, descolouse do princípio da adstrição do julgador ao pedido do autor, uma vez que tal matéria não fora ventilada em sede de impugnação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Averba que, em função de tal, ficou "claro o desrespeito ao princípio da eventualidade e do ônus da impugnação específica". É relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. De fato, não houve na impugnação uma especificidade postulando a não incidência dos juros de mora ante o fato de ter havido depósito tempestivo do montante litigado em processo judicial. Contudo, o item IV.c da peça recursal abordou a quaestio sob o título de "impossibilidade de cobrança de juros de mora" (fls. 116/118). Contudo, em casos como tais, sendo a matéria sumulada (Súmula nº 5) e, portanto, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros deste tribunal administrativo, entendo que a mesma deve ser aplicada, inclusive, de ofício, desde que os fatos sejam incontestes como o dos presentes autos. Assim, nos termos do próprio auto de infração, a constituição do crédito tributário foi levada a efeito para prevenir a Fazenda dos efeitos da decadência, sendo indiscutível o depósito tempestivo do montante integral da indigitada CPMF. Portanto, entendo que o Acórdão 340200.805 não merece reparos. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração da Fazenda Nacional. Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 28/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721264/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007
PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES.
Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, deve-se tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000.
PLANOS DE STOCK OPTIONS. MOMENTO DO FATO GERADOR.
Caso os ganhos com os planos de "stock options" sejam tomados como remuneração, consideram-se ocorridos os fatos geradores na data em que o beneficiário possa dispor das ações sem restrição.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
No cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais não adimplidas no prazo legal, estes, calculados pela taxa SELIC, incidem sobre os valores das contribuições e sobre a multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos documentos apresentados após o recurso, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, declarar a decadência até a competência 10/2007 nos AI n. 37.377.796-5 e 37.377.797-3, a teor § 4º do art. 150 do CTN, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo, considerando cada segurado individualmente, as primeiras parcelas semestrais da PLR que tenham sido pagas em obediência às Convenções Coletivas de Trabalho, e para a exclusão dos levantamentos OC - OPÇÕES e OE - OPÇÕES.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, deve-se tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000. PLANOS DE STOCK OPTIONS. MOMENTO DO FATO GERADOR. Caso os ganhos com os planos de "stock options" sejam tomados como remuneração, consideram-se ocorridos os fatos geradores na data em que o beneficiário possa dispor das ações sem restrição. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais não adimplidas no prazo legal, estes, calculados pela taxa SELIC, incidem sobre os valores das contribuições e sobre a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.721264/2012-08
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573148
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.011
nome_arquivo_s : Decisao_16327721264201208.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16327721264201208_5573148.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos documentos apresentados após o recurso, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, declarar a decadência até a competência 10/2007 nos AI n. 37.377.796-5 e 37.377.797-3, a teor § 4º do art. 150 do CTN, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo, considerando cada segurado individualmente, as primeiras parcelas semestrais da PLR que tenham sido pagas em obediência às Convenções Coletivas de Trabalho, e para a exclusão dos levantamentos OC - OPÇÕES e OE - OPÇÕES. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6306384
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122860503040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1998; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 3.991 1 3.990 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721264/201208 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.011 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente UNIBANCO UNIAO DE BANCOS BRASILEIROS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 APRESENTAÇÃO DOCUMENTAL APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO. Os documentos apresentados após o prazo de defesa somente deverão ser conhecidos se atenderem às hipóteses previstas no § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 64 /2 01 2- 08 Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000. PLANOS DE STOCK OPTIONS. MOMENTO DO FATO GERADOR. Caso os ganhos com os planos de "stock options" sejam tomados como remuneração, consideramse ocorridos os fatos geradores na data em que o beneficiário possa dispor das ações sem restrição. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais não adimplidas no prazo legal, estes, calculados pela taxa SELIC, incidem sobre os valores das contribuições e sobre a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos documentos apresentados após o recurso, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, declarar a decadência até a competência 10/2007 nos AI n. 37.377.7965 e 37.377.7973, a teor § 4º do art. 150 do CTN, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo, considerando cada segurado individualmente, as primeiras parcelas semestrais da PLR que tenham sido pagas em obediência às Convenções Coletivas de Trabalho, e para a exclusão dos levantamentos OC OPÇÕES e OE OPÇÕES. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3993DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 3.992 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 48.107 de lavra da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n. 37.377.7965: exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b) AI n. 37. 377.7973: exigência de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (Salário Educação e INCRA); c) AI n. 37. 377.7981: aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. De acordo com o relatório fiscal, fls. 3.404/3.449, os fatos geradores contemplados nas lavraturas foram: a) pagamentos a segurados empregados a título de "Participação nos Lucros ou Resultados PLR", em desacordo com a legislação específica; b) pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais na forma de concessão de opções de compra de Units. Passo agora a apresentar as principais considerações do fisco acerca da inclusão dos referidos pagamentos na base de cálculo dos AI. PLR Os pagamentos foram demonstrados em planilha denominada Demonstrativo da PLR por Beneficiário, os quais tem como causa os seguintes instrumentos: a) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre PLR dos Bancos em 2006 e 2007; b) Acordos Próprios sobre Plano de PLR (ACT) para os AnosBase 2005/2006 e 2007/2008, estes celebrados entre o Grupo Unibanco e comissão de trabalhadores das empresas integrantes. A periodicidade legal não foi atendida, como se pode ver da amostragem consignada no Demonstrativo de Periodicidade dos Pagamentos de PLR, onde se registra casos de um mesmo beneficiário recebendo três ou quatro pagamentos dentro do mesmo ano ou dois pagamentos no mesmo semestre. Fl. 3994DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Concluiu que, uma vez descumprida a periodicidade, e sendo a PLR um instituto único, todos os valores pagos a esse título foram considerados como integrantes do saláriodecontribuição. Outra desconformidade apontada referese à inexistência de acordo prévio ao período aquisitivo do benefício. Menciona que o acordo relativo ao exercício de 2006, somente foi formalizado em 15/08/2006, ao passo que o de 2007 veio a ser assinado apenas somente em 29/03/2007. O fisco constatou ainda a ausência do representante sindical no ACT PLR assinado em 15/06/2006 e, para o que foi formalizado em 29/03/2007, a assinatura é de representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito CONTEC, entidade estranha à categoria e que não possuiria legitimidade para representar os empregados da empresa. Ressalta, todavia, que neste caso a empresa apresentou carta convocando a Confederação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro CONTRAF a se fazer representar nas reuniões para negociação da PLR, todavia, esta não atendeu ao chamamento. Acusa ainda o fato de não ter havido a comprovação de que o Plano Próprio da PLR se encontra arquivado na entidade sindical que detém legitimidade para representar os trabalhadores. Assevera que os documentos apresentados pela empresa para comprovar que os valores pagos a título de PLR estavam em consonância com o acordado com os empregados não se prestaram para tal mister. Primeiro, porque não foram apresentados as avaliações para todos os sete empregados que o fisco requisitou. Segundo, por que, para aqueles onde houve a apresentação da "avaliação de performance individual e contrato de metas", inexistia a assinatura dos empregados, nem a data da ciência destes, o que torna sem efeito os documentos. Acerca das memórias de cálculo relativas aos ACTPLR 2007/2008, o fisco afirma que os valores ali lançados não equivalem aos constantes do "Demonstrativo da PLR Paga por Beneficiário", cujos dados foram extraídos das folhas de pagamento. Em razão dessas constatações, a autoridade lançadora concluiu que a empresa mais uma vez violou a legislação, posto que a deficiência documental denota a inexistência de regras claras e objetivas e a falta de conhecimento prévio pelos empregados acerca das metas a serem atingidas. Sustenta que a eleição de critérios subjetivos para aplicação às metas da PLR, torna impossível sua posterior aferição, o que descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de PLR. Além das desconformidades apontadas anteriormente, o fisco menciona o desrespeito ao "caput" do art. 3.º da Lei n.º 10.101/2000, haja vista que a PLR da empresa teria sido paga para substituir ou complementar a remuneração. Justifica a conclusão no fato de que a PLR paga aos empregados da autuada, em grande parte dos casos, ultrapassa em muito o valor da remuneração, tornandose mais importante que o próprio salário. Fl. 3995DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 3.993 5 Conclui que, diante das constatações narradas, a PLR paga com base em acordo próprio e nas CCT integra o saláriodecontribuição, posto que não atende aos requisitos de lei específica em seus aspectos formal e material. Opções de compra de Units Estes fatos geradores referemse a ganhos obtidos pelos trabalhadores em razão de plano de outorga condicional valores mobiliários criado para possibilitar ao Unibanco a obtenção e a manutenção dos serviços de executivos de alto nível, sendolhes oferecido em contrapartida o benefício de se tornarem acionistas da companhia, por meio da concessão de opções de compra de ações ou de units, nos termos, condições e modo previstos no Regulamento do Plano de Opções de Compra de Ações Unibanco, aprovado na Assembleia Geral Extraordinária de 31/01/2001. Reconhecendo ser tema de elevada complexidade, o fisco entendeu indispensável, antes de tratar das questões fáticas, apresentar os conceitos gerais e os pontos mais relevantes acerca das consequências para tributação previdenciária dos planos de opções de compra de ações. Iniciou sua explanação enfatizando que as opções de compra de ações são valores mobiliários derivativos e, embora seu valor derive do valor da própria ação, não de deve confundir a opção de compra com a ação, posto que são bens distintos e independentes, sendo negociados individualmente no mercado e cuja aquisição traz diferentes consequências ao seu titular. A seguir passou a apresentar os traços distintivos entre uma ação e o direito de opção de comprála. Apresentou a sistemática de negociação desses papéis, apresentando inclusive exemplo numérico. Continuando mostrou a diferenciação entre as opções de compra de ações mercantis, também chamadas de comuns ou comerciais, daquelas outorgadas pelas empresas aos seus empregados como forma de incentivo para fidelização, as chamadas stock options. Afirmou que a ausência de desembolso e as condições para aquisição da opções impostas unilateralmente pela companhia são os principais diferenciais das stock options em relação às opções comuns. Argumentou que o fato do trabalhador não fazer qualquer desembolso no momento da outorga, elimina para este qualquer possibilidade de risco, denotando a existência de um prêmio decorrente da prestação de serviço, o que dá às stock options caráter de remuneração. Para arrematar, afirma que as outorgas, na verdade, são ofertas dos acionistas em troca de serviços prestados, que representam parcela do rol das verbas remuneratórias. Sustentou que, mesmo que a opção não seja exercida ou que o seu exercício possa acarretar em prejuízo ao trabalhador, ainda assim o trabalhador terá recebido uma parcela contraprestativa representada pela aquisição da opção de compra da ação. Argumenta que o que ocorrerá após a aquisição da opção é uma decorrência do risco que é inerente a esse tipo de negócio. Advogou que não se pode afastar a natureza salarial das stock options apenas com base na imprevisibilidade do valor da ação, pela incerteza quanto ao lucro, ou mesmo, Fl. 3996DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 pela possibilidade de não ocorrer o exercício da ação. De acordo com o seu raciocínio, o ganho do trabalhador não decorre da negociação da ação em si, mas da aquisição de um direito autônomo, a opção de compra. Na sequência apresentou a parca legislação existente no Brasil tratando das stock options (Lei n.º 6.404/1976 e Pronunciamento Técnico CPC n.º 10). E depois passa a mencionar as normas que dão ensejo à cobrança das contribuições sobre tais parcelas, fazendo referência desde a matriz constitucional até a Lei de Custeio da Previdência Social. Concluiu que o fato gerador das contribuições para a remuneração paga sobre a forma de opções de compra de ações ocorre na data em que são implementadas as condições para aquisição das stock options, independentemente do trabalhador exercer ou não as opções que detém. Chegando ao caso concreto, o fisco transcreveu as principais cláusulas do Regulamento do Plano de Opções de Compra de Ações do Unibanco. Depois passou a apresentar os traços distintivos entre ação e unit, destacando que, embora conceitualmente apresentem diferenças, o tratamento tributário para a outorga de opção de compra de uma ou de outra é idêntico. Mencionou que da análise das Atas das Reuniões do Conselho de Administração do Plano, verificouse que no período da auditoria somente houve a opção de compra de units, sendo que o prazo de exercício foi sempre estipulado da seguinte forma: "1/3 por ano, após 3 anos". Mais uma vez se reportando ao fato gerador das contribuições incidentes sobre as remunerações repassadas por meio de opções de compra de units, a autoridade lançadora ponderou: "... é a data de aquisição das opções de units, e no caso em apreço, é definida como o dia imediatamente seguinte ao término do prazo de exercício, e a base apurada é a mensurável nessa mesma data. Lembramos mais uma vez que não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções que adquiriu." Depois passou a tratar da aferição indireta da base de cálculo, afirmando que este procedimento é justificável na medida em que as remunerações correspondentes as stock options não foram lançadas em folha de pagamento, atraindo assim a aplicação do § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Afirmou que o saláriodecontribuição foi obtido com esteio em critérios tecnicamente aceitáveis, passando a detalhar que a remuneração foi calculada como sendo o produto da quantidade de opções outorgadas pela diferença entre o preço de mercado da unit no dia posterior ao término da carência e o preço de exercício da opção. A multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Fl. 3997DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 3.994 7 Cientificada do lançamento em 08/11/2012, a empresa ofertou defesa de fls. 3.452/3.475 cujas razões não foram aceitas pelo órgão de primeira instância. Decisão recorrida A DRJ entendeu que não houve pagamento antecipado da contribuição exigida nos lançamentos que constituem o presente processo, eis que o sujeito passivo não reconheceu as verbas tributadas como base de cálculo das contribuições previdenciárias, assim a contagem do lapso decadencial deveria ser efetuada pela norma do inciso I do art. 173 do CTN. Afastouse, portanto, a decadência suscitada. Não foi acatada a preliminar de nulidade arguida na defesa, sob o entendimento de que inexiste erro na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a verba paga a título de PLR, posto que todos os pagamentos foram considerados irregulares pelo fisco. O órgão recorrido assegurou também que o lançamento foi confeccionado em perfeita sintonia com a legislação que regula a matéria. No mérito, a DRJ entendeu que os demonstrativos juntados pela autuada para comprovar que os pagamentos foram efetuados de acordo com a periodicidade legal não têm o condão de afastar a imputação fiscal de que teria havido mais de dois pagamentos por ano e mais de um pagamento por semestre, devendo ser mantido o entendimento da auditoria que tratou todos os pagamentos como contrários à legislação. A seguir, o voto condutor do acórdão a quo destacou que os planos próprios da empresa desatenderam à lei da PLR nos seguintes pontos: a) ausência de negociação prévia; b) falta de comprovação do arquivamento na entidade sindical; c) falta de participação do sindicato nas negociações; d) ausência de demonstração das métricas de cálculo dos pagamentos efetuados. Acerca da PLR, a decisão regional assim concluiu: "Salientese que a PLR é um instituto único, sendo certos que todos os valores pagos sejam com fundamento nas Convenções Coletivas de Trabalho específicas de PLR, quanto os relativos aos Acordos Próprios de PLR, integram o salário de contribuição. Desta forma, razão não assiste à Impugnante e, sim que o pagamento a título de “PLR” PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS está em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, portanto base de cálculo de contribuição previdenciária." As outorgas do direito de compra de units foram consideradas pela DRJ como saláriodecontribuição, haja vista se tratarem de ganhos concedidos aos trabalhadores que, embora decorra de uma parcela não convencional, não há como se esconder que são vantagens obtidas em decorrência da prestação de serviço. Para a DRJ a parcela tributada Fl. 3998DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 representa uma utilidade salarial que se enquadra no conceito de remuneração para fins de incidência das contribuições lançadas. Quanto ao momento do fato gerador, o órgão recorrido manifestou o entendimento que este ocorre ao final do período de vesting, considerandose que o direito à opção de comprar o bens mobiliários passou ao patrimônio do trabalhador na data imediatamente posterior ao prazo estipulado no plano de stock options, independentemente do beneficiário exercer ou não este direito. A seguir, o acórdão passou a tratar da multa por descumprimento de obrigação acessória aduzindo que a autuação foi efetuada em conformidade com a legislação vigente na data do fatos geradores e a imposição da multa, em 100% da contribuição não declarada, decorreu da aplicação da legislação mais benéfica, em conformidade com o disposto no art. 106 do CTN. Imposição de juros sobre multa de ofício foi chancelada pela DRJ, que enfatizou que essa consequência tributária está em consonância com a legislação de regência, além de que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF tem se posicionado favoravelmente à incidência de juros sobre a multa. Por derradeiro, foi indeferido o pedido para a juntada posterior de provas, aduzindo o voto condutor do acórdão que o momento facultado pela lei para a juntada de documentos é a defesa, ressalvadas as hipóteses do § 4.º do art. 57 do Decreto n.º 70.235/1972. Recurso voluntário Inconformado com esta decisão, o sujeito passivo apresentou recurso, fls. 3.608/3.631, onde inicia pela narrativa dos principais fatos processuais. Depois, pugna pelo reconhecimento da decadência do crédito para parte das competências incluídas na apuração, haja vista que fez prova de que efetuou recolhimentos das contribuições no período lançado (doc. 02 da impugnação), assim, a contagem do lapso decadencial deve ser aferido pela regra do § 4.º do art. 150 do CTN, o que leva ao reconhecimento da caducidade para as competências de 04 a 10/2007. A seguir afirma que a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas a título de PLR é improcedente, posto que inexistiram os descumprimentos da Lei n.º 10.101/2000 apontados pela fiscalização e confirmados pela DRJ. Argumenta que ao contrário do que afirmou o fisco, houve negociação prévia para pagamento desta verba, uma vez que uma vez que a garantia de pagamento da PLR já se encontrava previamente negociado pela CCT de 2006 e a partir de setembro de 2007, pela CCT de 2007. Demais disso, as metas, as condições e os critérios estabelecidos nos planos próprios de PLR são sempre negociados pela empresa com seus empregados no início do período aquisitivo, sendo que a formalização do acordo pode ocorrer, em determinadas situações, em momento posterior ao da contratação das metas de desempenho. Por outro lado, os referidos acordos foram assinados antes da efetivação do pagamento da rubrica, assim, nos termos da jurisprudência do STJ, não colidem com as disposições da lei de regência. Fl. 3999DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 3.995 9 Apresenta precedente do CARF, Acórdão n.º 920201246, em que ficou decidido pela regularidade do acordo de PLR que é assinado antes do término do período a que se refere. Acerca da participação do sindicato no acordo, adverte que a CONTEC teria sim legitimidade para ser signatária do acordo, haja vista que o plano próprio foi assinado por várias empresas, dentre elas algumas do ramo de crédito, o que legitimou a participação da citada Confederação. Por outro lado, a CONTRAF (representante dos trabalhadores da recorrente em nível nacional) foi convocada pela entidade a indicar membro para integrar a comissão de negociação da PLR de 2007, mas se manteve inerte. Relativamente ao acordo assinado em 15/08/2006, a recorrente fez prova de que convocou as entidades sindicais CONTRAF e CONTEC a indicarem representantes para a comissão de negociação, mas estas não atenderam a convocação. A imputação de falta de arquivamento dos acordos também não deve prevalecer, uma vez que os autos demonstram que o acordo assinado em 29/03/2007 foi arquivado na CONTEC e no Ministério do Trabalho e aquele formalizado em 15/08/2006 foi recepcionado pela CONTEC. Sustenta que o entendimento do STJ é o de que, mesmo que não haja o arquivamento de acordo de PLR no ente sindical, tal fato não descaracteriza o pagamento. A DRJ desconsiderou por completo que as regras dos programas próprios foram estabelecidas de forma clara e objetiva, fixando os direitos substantivos de participação e as regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição de cumprimento do acordado tal como determina a legislação. Os anexos II, III e IV dos planos próprios que tratam do modelo de distribuição da PLR trazem o contrato de metas estipuladas entre patrão e trabalhadores. Apresentou, por amostragem, contratos de metas de alguns funcionários, todavia, estes documentos foram desconsiderados pela autoridade lançadora. Novamente destaca, a título exemplificativo, os documentos relativos a dois de seus empregados, que demonstram as metas contratadas e o cálculo efetuado para fins de pagamento da PLR. Arremata que, com base nos exemplos apresentados e nas provas juntadas, resta demonstrado que os programas próprios estabeleceram regras claras e objetivas que possibilitam a aferição do cumprimento do acordado. Os salários pagos aos funcionários da recorrente são compatíveis com as atribuições e atividades inerentes ao cargos assumido e estão em perfeita consonância com a realidade de mercado, assim, o argumento de a PLR serviu para substituir o salário não se sustenta. Ressalta que o próprio fisco admite ser consenso que a realidade do mercado em que está inserida a autuada obriga ao pagamento de remuneração variável, que em muitos casos tornase mais relevante que o salário contratual. Fl. 4000DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Aduz que não há na legislação de regência qualquer limitação acerca do percentual de PLR a ser pago ao trabalhador. O próprio Judiciário tem tentando afastar os formalismos excessivos que acabam por tolher um direito constitucional dos trabalhadores. Chama atenção que a parcela paga em periodicidade diferente da legal busca possibilitar a correta quitação da PLR. Em 2007, a parcela paga em suposto descompasso com a legislação decorreu de mero ajustes dos primeiros pagamentos realizados. A TST entende que o valor pago a título de ajuste de alguma parcela da PLR não altera a natureza da verba, nem traduz ofensa à Lei 10.101/2000. Pede que, caso a decisão recorrida não seja reformada neste ponto, a tributação recaia apenas sobre a parcela excedente. Passou, a partir de então, a atacar os lançamentos na parte relativa à tributação de ganhos decorrentes de outorgas de opções de compras de ações/units. Afirma que essas operações não se vinculam ao contrato de trabalho, mas se referem a matéria de natureza societária, regulada que é pela legislação das companhias, pela CVM e pelo Estatuto Social, posto que depende de deliberação da Assembleia Geral. A doutrina e a jurisprudência não qualificam as stock options como remuneração, mas enxergam como programas cuja finalidade principal é incentivar os cargos de liderança a participarem da empresa, na condição de acionistas, mediante a possibilidade de adquirir ações por preços determinados. Além de que, os planos oferecem condições associadas a fatores de risco inerentes ao mercado mobiliário, aos quais os administradores se submetem para o exercício das opções de compra, o que os distingue como participantes do risco do capital, jamais como trabalhadores. Nessas circunstâncias o ganho ou perda experimentados no mercado de ações não dependem do trabalho prestado pelo titular da ação , posto que trabalhando ou não, o resultado decorrerá das oscilações do mercado e não do esforço empreendido pelo titular das opções. Ao tomar aspecto temporal do fato gerador como a data do término da carência, o fisco incorreu em grave equívoco, posto que tributou situações em que as pessoas sequer exerceram as opções ou exerceram mas não venderam as ações. Da mesma forma que no imposto de renda, em que não se pode tributar a renda que não entrou na titularidade do contribuinte, para as contribuições sociais inexiste remuneração diante da mera possibilidade do exercício da ação pelo seu titular. Na espécie, mesmo quando exercida a opção, o eventual resultado é incerto e ilíquido, posto que a participação societária não pode ser integralmente vendida de imediato. Apresenta jurisprudências administrativa e judicial, onde se afasta o caráter remuneratório da outorga de opção de compra de ações. Alega que não tendo se verificado o fato gerador da contribuições é também improcedente a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 4001DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 3.996 11 Apresenta decisões do CARF para demonstrar que não há de se aplicar juros sobre a multa de ofício. Ao final, pediu o provimento do recurso, com consequente cancelamento das lavraturas. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou contrarazões, fls. 3.692/3.732, onde assevera inicialmente que a contagem do prazo decadencial há de ser aferido com esteio no art. 173, I, do CTN, posto que não houve antecipação de pagamento referente às contribuições decorrentes dos fatos geradores considerados no lançamento. Argumenta que as CCT não estabelecem metas a serem atingidas para o pagamento da PLR, estabelecendo apenas um valor mínimo obrigatório. Depois assevera que uma análise detida da forma como o pagamento de PLR decorrente dos planos próprios foi implementado demonstra que essa verba está, em verdade, cercada de subjetivismos, não existido critérios claros e objetivos a nortear a atribuição dos valores a que cada empregado faz jus a título de PLR. Acrescenta que os ACT planos próprios foram firmados com data retroativa, tendo o instrumento de negociação sido elaborado em data posterior ao início do período a que se referem os lucros. A falta de participação do sindicato nas tratativas para elaboração dos acordos que deram ensejo ao pagamento da PLR também é indicativa de que a empresa descumpriu a lei. Advoga que as justificativas apresentadas pelo recorrente, no sentido que os pagamentos em mais de duas parcelas anuais ou mais de uma por semestre ocorreram em virtude de meros ajustes dos primeiros pagamentos efetuados, não têm o condão de validar o descumprimento da regra legal de periodicidade. Defende que, tendo havido descumprimento da periodicidade, todos as parcelas da PLR restam descaracterizadas como tal, justificandose a incidência tributária sobre todos os pagamentos a esse título. Os argumentos apresentados pelo fisco demonstram claramente que a PLR foi paga pela autuada em substituição ao salário dos empregados com cargo de direção, Aduz que o plano de opções de compra de ações da recorrente reflete o compromisso da empresa de implementar a parcela da remuneração variável sob o manto de contrato de stock options. Argumenta que as vantagens patrimoniais conferidas aos executivos da companhia por meio das stock options possuem natureza de remuneração e, deste modo, devem sofrer os efeitos fiscais previstos na legislação. Sustenta que essa forma de remuneração não se dá no momento da revenda das ações no mercado, essa circunstância dá ensejo a outro evento jurídico tributário, qual seja ganhos de capital e rendimentos acumulados. Fl. 4002DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Aduz que o fisco não está a tributar a mera possibilidade de se vir a adquirir ações com deságio, mas o fato concreto da outorga de stock options. Não se perca de vista que a aquisição de direitos sobre uma opção constitui uma vantagem econômica concreta, pois as stock options são bens que por si só acresce ao patrimônio dos beneficiários. Finalmente apresenta decisões judiciais que chancelam a incidência de juros sobre a multa de ofício. Posteriormente, a empresa apresentou petição de fls. 3.748/3.751, onde requer a juntada de documentos, alegando que seriam decorrentes de fatos novos ocorridos posteriormente à interposição do recurso. Argumenta que, não tendo como extrair do seu sistema interno as informações relativas à data e hora em que os gestores e empregados acessaram o sistema informatizado para efetuar a assinatura do contrato que deu ensejo ao pagamento da PLR, bem como para registro das avaliações de desempenho, resolveu em 20/09/2013 ajuizar ação cautelar de justificação (doc. 01) com o objetivo de colher o testemunho de alguns de seus funcionários que receberam PLR no período do lançamento. Neste processo as testemunhas também foram inquiridas pelo Procurador da Fazenda Nacional presente na audiência. Assevera que a riqueza dos detalhes narrados pelas quatro testemunhas demonstram que elas conheciam perfeitamente os requisitos que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba, além de que ficou evidenciado que houve negociação prévia. Sustenta ainda que os depoimentos não deixam dúvida de que as regras constantes do plano de PLR e dos seus quatro anexos eram rigorosamente aplicadas pela recorrente, não havendo margem para que se fale em ausência de regras claras e objetivas no referido plano. Depois passa a tratar do documento acostado para dar guarida às suas alegações quanto à improcedência da tributação sobre valores vinculados à outorga de stock options. Aduz que, depois de apresentado o recurso, tomou conhecimento do Acórdão do CARF n.º 2301003.597, tratando da mesma matéria, o que a levou a solicitar de empresa de auditoria externa a elaboração de Termo de Constatação (doc. 02) a respeito do plano de outorga do direito de compra de ações por ela mantido. Este documento, alega, corrobora expressamente os fatos apontados em seu recurso, demonstrando que os lançamentos também não devem prevalecer quanto a esta rubrica. Argumenta que no seu plano o preço de exercício das opções era calculado pela média ponderada do valor de mercado das ações nos 90 dias anteriores à outorga, corrigido pelo IPCA até a data do exercício. Por esse sistemática era impossível saber na data da outorga se o exercício das opções era economicamente viável. Assegura que em razão do seu plano estabelecer que, mesmo depois do exercício 50% das ações adquiridas permaneceriam indisponíveis por dois anos, ainda que num primeiro momento houvesse vantagem financeira, era possível a ocorrência de prejuízo no futuro. Ao final, pede ainda a juntada dos documentos de domínio público que também demonstrariam desacerto do fisco, a saber: a) extrato de ação judicial movida pela CONTEC contra a CONTRAF (doc. 03), o qual demonstraria que na data da celebração do acordo próprio de PLR firmado em 29/03/2007 o registro sindical da CONTRAF tinha sido tornado sem efeito por decisão judicial, Fl. 4003DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 3.997 13 situação que somente foi revertida após a assinatura do referido acordo. Isso demonstra que a CONTEC possuía legitimidade para subscrever o ACT em questão. b) CCT Bancos 2007 (doc. 04) subscrito por representante da CONTRAF, fato demonstrativo de que esta entidade aceitou expressamente os termos da CCT. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada a se pronunciar sobre esses documentos, tendo se manifestado pelo não seu não conhecimento, posto que alcançados pela preclusão processual. Por fim, a empresa apresentou petição na qual desiste parcialmente do recurso interposto para o período não decadente, de modo que concorda com a apuração fiscal sobre os pagamentos descritos no lançamento como "PLR BONUS' e "PLR PLUS RV". Nova petição foi apresentada, esta em 17/02/2016, onde o recorrente, no que diz respeito à multa por obrigação acessória, desiste do recurso na parte relativa aos pagamentos efetuados a título de PLR, quanto ao plano próprio. É o relatório. Fl. 4004DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso, por preencher os requisitos legais de tempestividade e legitimidade merece conhecimento, todavia, apenas parcial, haja vista que o sujeito passivo desistiu de parte de suas alegações, conforme mencionado no relatório. Quanto aos documentos apresentados após o recurso voluntário, entendo que não devam ser conhecidos, sob pena de subverter a lógica do andamento processual, que não permite o retorno da marcha a etapas anteriores, de modo que se alcance a deseja celeridade para conclusão dos feitos administrativos fiscais. Sobre esse tema, o Decreto n.º 70.235/1972 dispõe: “Art. 16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)”. No caso sob apreciação, observo que não incidem quaisquer das hipóteses que autorizam a dilação probatória após o prazo para impugnar. Não se demonstrou que os documentos deixaram de ser apresentados oportunamente, em razão de força maior. Todos os documentos colacionados após a apresentação do recurso referem se a fatos anteriores a data limite para impugnar e também não se nota qualquer inovação normativa que pudesse justificar o seu conhecimento tardio. Por outro lado, inexistiu manifestação posterior da Administração que pudesse ensejar uma contradita por parte da recorrente. Fl. 4005DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 3.998 15 É certo que não podemos abandonar o tão caro princípio da verdade material, todavia, não enxergo na nova juntada de provas qualquer fato novo relevante que pudesse ensejar o excepcional conhecimento de elementos após o prazo legal. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que o sujeito passivo colacionou as guias que comprovam a antecipação de pagamentos, ainda que não referentes às rubricas lançadas (ver doc. 02 da defesa). Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Assim, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência para os processos de exigência da obrigação principal, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Esse entendimento encontrase alinhado com a jurisprudência sumulada no âmbito do CARF, como se vê: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Nessa toada, é possível se concluir que devem, nos AI n. 37.377.7965 e 37.377.7973, ser excluídas pela caducidade as competências até 10/2007, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 08/11/2012. Quanto ao AI n.º 37.377.7981, não há o que se falar em decadência, pois se trata de lavratura para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, devendo, neste caso, a decadência ser aferida pela regra do inciso I do art. 173 do CTN. O período do lançamento é 04 a 12/2007 e a ciência ocorreu também em 08/11/2012, portanto, não houve o transcurso do lapso decadencial para quaisquer das competências envolvidas. PLR Os pagamentos efetuados a título de PLR que foram incluídos na base de cálculo do lançamento referemse apenas a segurados empregados e tiveram como origem as CCT Bancos de 2006 e 2007, bem como planos próprios decorrentes dos ACT PLR correspondentes aos exercícios 2005/2006 e 2006/2007. A discriminação das parcelas pagas, por segurado e por competência, constam do discriminativo chamado de DEMONSTRATIVO DA PLR PAGA POR BENEFICIÁRIO, fls. 978/3.319, onde há inclusive a descrição da rubrica que originou o pagamento. Toda a construção argumentativa do fisco para caracterizar os pagamentos como remuneração é direcionada para as parcelas decorrentes dos planos próprios, sendo que aquelas relativas às CCT foram tidos como irregulares apenas por descumprirem o requisito da periodicidade. Em relação a PLR paga com base nos acordos, o sujeito passivo desistiu da discussão totalmente, conforme petições atravessadas após o recurso. Assim, restanos apreciar a questão da periodicidade em relação aos pagamentos efetuados com base em CCT. As planilhas constantes às fls. 3.320/3.360, juntadas pelo fisco, fazem um apanhado da frequência de pagamento por empregado, cabendonos apenas apreciar se houve pagamento de parcelas pagas em razão de CCT que desobedeceram a periodicidade legal. Vejamos o que dizia o texto da Lei n.º 10.101/2000, na redação vigente no período do lançamento: Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 3.999 17 Art.3.º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2.º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Os dados tabulados pelo fisco demonstram que, de fato houve o desrespeito à periodicidade legal e, ainda que a empresa alegue, que os valores pagos em excesso representariam ajustes de parcelas anteriores não há nos autos elementos hábeis a me convencerem dessa afirmação. Da leitura da legislação (Lei 10.101/2000) acima mencionada, verificase que não há nenhuma exceção em relação aos pagamentos referentes às competências anteriores ou posteriores, ou seja, ainda que se trate de antecipação ou complementação, tal parcela será considerada na aplicação da regra da periodicidade. Porém, uma vez desrespeitada a periodicidade legal, apenas as parcelas tidas como irregulares devem sofrer a tributação. É esse o entendimento que vem sendo manifestado tanto pela jurisprudência administrativa quanto a judicial, conforme se observa dos trechos abaixo transcritos: Quanto ao pagamento de PLR efetuado aos empregados nas localidades em que a recorrente firmou acordo coletivo com o sindicato da categoria, entendo que a recorrente deixou de cumprir os requisitos legais apenas no exercício de 2000, quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo duas delas dentro do mesmo semestre civil. A recorrente efetuou pagamentos em 05/2000, 06/2000 e 12/2000. A meu ver, a parcela que representou o descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada em 06/2000 e sobre esta devem incidir as devidas contribuições. (CARF, trecho do voto condutor, proferido pela Relatora Conselheira Ana Maria Bandeira, Acórdão 20601.025, Sessão de 02/07/2008). TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO.[...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). [...] (STJ, REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Feitas essas considerações, já posso retornar à apreciação do caso concreto. Portanto, para cada semestre, a tributação deveria incidir apenas a partir do segundo pagamento efetuado a um mesmo segurado. Considerando que o fisco não indicou razões para que se tribute as parcelas pagas conforme as CCT, estas devem ser tidas como irregulares somente a partir do segundo pagamento em cada semestre. Stock options Em breves considerações, tentarei apresentar os principais argumentos do fisco para tributar a verba em questão. Dos processos tratando dessa matéria que tinham chegado ao conhecimento deste julgador, esse é o primeiro em que o raciocínio que dá sustentação ao lançamento tem como premissa primeira a diferenciação do que seja o direito de compra de uma ação e a própria ação. Para o fisco, embora o direito de aquisição da ação seja classificado como derivativo cujo valor está atrelado ao da própria ação, não se pode confundir os dois bens mobiliários. Afirma que o direito de compra é autônomo e pode ser negociado independentemente da transação da ação que lhe dá suporte. Partindo dessa diferenciação, a autoridade lançadora concluiu que o momento do fato gerador das contribuições é aquele em que a promessa da outorga do direito de compra das ações tornase realidade, ou seja, no dia imediatamente posterior ao transcurso do prazo de carência. Em suas palavras, com o cumprimento dos requisitos temporal e de manutenção do vínculo com a empresa, o bem, representado pelo direito de ação, passa ao patrimônio do trabalhador e, mesmo que ele não exerça esse direito ou deixe para fazêlo em momento posterior, o ganho já foi obtido e, assim, concretizouse a hipótese de incidência das contribuições. Para mensurar a base tributável, o fisco menciona que se utilizou do procedimento de aferição indireta, em razão da empresa não haver lançado nas folhas de pagamento ou na escrita contábil qual o ganho real verificado com a aquisição da opção de compra de ações ou units. Esse ganho foi fixado como sendo o produto do número de ações/units sobre os quais adquiriuse o direito à opção pela diferença entre o valor de mercado da ação/unit na data imediatamente posterior o término da carência e o seu valor de exercício fixado no momento da outorga condicional. Fl. 4009DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 4.000 19 Para caracterizar a natureza remuneratória da verba, a autoridade fiscal lançou mão de dois argumentos principais. Primeiramente sustenta que a outorga representa um ganho para o trabalhador que decorre não de um contrato mercantil, mas de uma benesse concedida aos trabalhadores pela empresa em função de um vínculo de prestação de serviço. Em adição a isto advoga que nesse tipo de negócio inexiste qualquer risco, posto que, diferentemente dos contratos comuns de outorga efetuados no mercado mobiliário, o trabalhador nada tem que desembolsar no momento da assinatura do contrato, eliminandose assim o risco do negócio, uma vez que se o exercício da opção se mostrar desvantajoso, simplesmente o outorgado não o faz. Assim, jamais haveria a possibilidade de haver perdas para o trabalhador. Acerca da incerteza quanto à ocorrência de lucros, o fisco afirmou que esta é inerente à natureza de todo negócio que envolve a transferência de ações, não sendo este motivo suficiente para se afastar a natureza remuneratória das "stock options". A empresa buscou afastar as conclusões do fisco, primeiramente alegando que as operações de outorga das opções são na verdade matéria de natureza societária, posto que reguladas pela legislação que regula as sociedades anônimas, pela CVM e pelo estatuto da companhia. Assim, não se poderia tratar tais situações como fatos jurídicos tributários relativos às contribuições sociais. Utilizase fartamente de precedentes judiciais e administrativos, além de textos doutrinários, para afastar a natureza remuneratória desses supostos ganhos, os quais teriam como finalidade incentivar a permanência na empresa de pessoas de reconhecida liderança, possibilitando a esses se tornarem acionistas da companhia. Advoga que as pessoas contempladas com as outorgas passam a assumir o risco do capital, o que é incompatível com a posição de trabalhadores que o fisco quer lhes dar. Acrescenta que o ganho ou perda experimentados no mercado de ações não dependem do trabalho prestado pelo titular da ação , posto que trabalhando ou não, o resultado decorrerá das oscilações do mercado e não do esforço empreendido pelo titular das opções. Voltase contra o critério adotado pelo fisco para fixação do momento da ocorrência dos fatos geradores, aduzindo que não se admite a tributação de situações em que as pessoas sequer exerceram as opções ou exerceram mas não venderam as ações. Assevera ainda que, mesmo quando exercida a opção, o eventual resultado é incerto e ilíquido, posto que a participação societária não pode ser integralmente vendida de imediato. Passo agora às minhas considerações. Centrarei a minha atenção na questão do momento da ocorrência do fato gerador, pois há de fato uma mudança procedimental do fisco em relação aos processos que julguei anteriormente. Observo que a tese apresentada pela autoridade fiscal não deixa de ser tentadora. De fato, não se pode negar o caráter autônomo das opções de compra de ações que, embora derivem da ação, têm o seu valor fixado de forma diferenciada e podem ser negociadas separadamente. Fl. 4010DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 Todavia, as opções concedidas a empregados ou a outra categoria de trabalhadores têm uma particularidade que, a meu ver, altera o tratamento que lhe deve ser dado quanto a sua autonomia frente ao direito corresponde à propriedade da ação. É que estes bens, por não poderem ser negociados perdem totalmente o seu caráter de autonomia, posto que, se não podem ser alienadas, a única possibilidade que o seu detentor possui é exercer as opções ou abrir mão do direito deixando transcorrer sem manifestação o prazo de exercício previsto no regulamento do plano. Nesse sentido, o direito de opção passa a estar atrelado ao direito de adquirir a propriedade da ação, posto que não pode ser exercitado de outra forma. Acerca do direito de propriedade, o Código Civil assim dispõe: Art. 228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.(...) Ora se o detentor não pode dispor das opções para alienálas, não se pode dizer que é o seu proprietário, uma vez que não reúne as prerrogativas mencionadas no dispositivo acima. Nesse sentido, se o bem não se incorporou ao seu patrimônio, o fato gerador não pode ser considerado como ocorrido, revelandose assim que na situação sob cuidado o fisco equivocouse ao eleger o momento do fato gerador como o dia posterior ao término da carência. Esse raciocínio poderia até sugerir que há uma contradição com as conclusões acima obtidas quando se está diante de uma situação em que a outorgante estipula um prazo após o exercício para a venda das ações, dando a entender que nesses casos também não se poderia considerar como ocorrido o fato gerador das contribuições na data do exercício. Digo que inexiste esta incongruência, na medida em que, no meu entender, somente as ações exercidas e disponíveis para a venda, poderiam ser consideradas na apuração da base de cálculo das contribuições. A par de todo o exposto, encaminho pelo provimento do recurso nesta parte em razão da escolha inadequada do momento do fato gerador, fato que torna a descrição exigida no art. 142 do CTN imprecisa, conduzindo a lavratura à improcedência. Juros sobre multa de ofício A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. Esse posicionamento tem sido adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. Fl. 4011DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.721264/201208 Acórdão n.º 2402005.011 S2C4T2 Fl. 4.001 21 O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Processo n.º 16327.002244/9933, Relator Conselheiro Elias Freire, Sessão 16/02/2012) Assim, devemos nos curvar à jurisprudência predominante nesse Tribunal Administrativo para afastar a tese recursal de que não pode incidir juros sobre a multa de ofício imposta nos lançamentos guerreados. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso e não conhecer dos documentos apresentados após o prazo legal, por declarar a decadência para as competências até 10/2007 nos AI n. 37.377.7965 e 37.377.7973 e, no mérito a) por excluir da base de cálculo as primeiras parcelas semestrais da PLR que tenham sido pagas a um mesmo segurado em obediência às Convenções Coletivas de Trabalho e b) pela exclusão dos levantamentos OC OPÇÕES e OE OPÇÕES Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 4012DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.005185/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.
Será excluída de ofício do Simples Nacional a Microempresa ou a Empresa de Pequeno Porte, a partir do primeiro dia do ano-calendário subsequente, que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema.
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
A pessoa jurídica que se dedica à cessão ou locação de mão-de-obra está impedida de exercer a opção pelo Simples Nacional.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
A interposição de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão não possui efeito suspensivo, por ausência de previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Presidente acompanhou o Relator por suas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO Presidente
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Será excluída de ofício do Simples Nacional a Microempresa ou a Empresa de Pequeno Porte, a partir do primeiro dia do ano-calendário subsequente, que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. A pessoa jurídica que se dedica à cessão ou locação de mão-de-obra está impedida de exercer a opção pelo Simples Nacional. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A interposição de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão não possui efeito suspensivo, por ausência de previsão legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13971.005185/2010-93
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5574517
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.384
nome_arquivo_s : Decisao_13971005185201093.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 13971005185201093_5574517.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Presidente acompanhou o Relator por suas conclusões. (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
id : 6309270
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122886717440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.005185/201093 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.384 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de março de 2016 Matéria Exclusão do Simples Recorrente MADEIRAS GOEDE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Será excluída de ofício do Simples Nacional a Microempresa ou a Empresa de Pequeno Porte, a partir do primeiro dia do anocalendário subsequente, que ultrapassar o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO E CESSÃO DE MÃO DEOBRA. A pessoa jurídica que se dedica à cessão ou locação de mãodeobra está impedida de exercer a opção pelo Simples Nacional. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A interposição de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão não possui efeito suspensivo, por ausência de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Presidente acompanhou o Relator por suas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 51 85 /2 01 0- 93 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO – Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e João Otavio Oppermann Thome. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão que julgou parcialmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, em razão de sua exclusão da sistemática do Simples Federal. Pela clareza e completude na descrição dos fatos, reproduzimos a seguir excertos do relatório da decisão recorrida, que bem demonstra as questões debatidas nos autos: I. DO ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Tratase de manifestação de inconformidade da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA. contra exclusão do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 94, de 29 novembro de 2010, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau (SC), de fl.285 (volume II). Referido ato teve por base os fatos apurados na Representação Fiscal de fls. 0212, e encontrase fundamentado nas seguintes infrações: Art. 1° Excluir, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, a pessoa jurídica MADEIRAS GOEDE LTDA (CNPJ: 85.104.537/000154 e PROCESSO: 13971.005185/201093), pelos seguintes motivos: I realização de locação de mãodeobra (art. 17, inciso XII da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 e art. 12, inciso XXIII da Resolução CGSN N° 4/2007); II formação de grupo econômico, DE FATO, com a empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA. (CNPJ: 05.196.672/000138), Fl. 541DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 4 3 conseqüentemente, incidindo na restrição do art. 3°, inciso II e §4º, incisos I, IV, V e VII da Lei Complementar n° 123/2006 e do art. 12, incisos I, II, V, VI e VIII da Resolução CGSN N° 4/2007; III — incorrer, no ano de 2009, na hipótese legal de omissão de receitas prevista no art. 12, §3°do Decretolei nº 2 1.598/77 e Art. 282 do RIR/99, cujo valor somado a sua receita declarada neste ano, ultrapassa o valor de R$ 2.400.000,00, estabelecido pelo art. 30, inciso II da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006; Os efeitos da exclusão, de acordo com o art. 2º do citado ADE, operaramse retroativamente a 01/07/2007, nos termos do art. 29, inciso V e parágrafo 1º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; do inciso XI do art. 5º, e do inciso VII do art. 6º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. Consoante a Representação Administrativa que ampara o ato de exclusão, foram investigadas as empresas Madeiras Goede Ltda. e Goede Exportadora Ltda., restando apurado, ao final do procedimento fiscal, a existência das infrações antes descritas, motivadas, em síntese, nos seguintes termos: A empresa MADEIRAS GOEDE LTDA. (optante pelo SIMPLES) presta serviços de industrialização, EXCLUSIVAMENTE, para a empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA., sendo aquela, apenas uma empresa interposta na contratação formal da mãodeobra utilizada, unicamente, em beneficio desta. Caracterizase, portanto, locação permanente de mãodeobra da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA. para a empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA., prática vedada pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, art. 17°, inciso XII. Há que se distinguir, pois, a terceirização legal, referente a prestação de serviços, da ilegal, referente à locação permanente de mãodeobra. Entendese por locação irregular de mãodeobra aquela que se faz fora das hipóteses de trabalho temporário, cujo limite é de 3 meses (Lei 6.019/74); e do trabalho de vigilante (Lei 7.102/83), conforme ficou assentado pelo TST ao editar a Súmula n° 256, em 22.09.86, cujo teor é o seguinte: "Salvo os casos de trabalho temporário e de serviço de vigilância, previstos nas Leis nºs 6.019, de 03.01.74, e 7.102, de 20.06.83, é ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vinculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços"; A empresa MADEIRAS GOEDE LTDA., conforme lançamentos contábeis apresentados, incorreu, no ano 2009, na hipótese legal de omissão de receitas nos valores de R$ 1.265.000,00. Sendo que a receita omitida, somada com sua receita bruta declarada de R$ 1.811.581,10 neste ano, ultrapassa o limite de faturamento (para optante do SIMPLES) de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), estabelecido pelo art. 3°, inciso II da Lei Complementar n º 123, de 14 de dezembro de 2006; Fl. 542DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 5 4 as empresas MADEIRAS GOEDE LTDA. E GOEDE EXPORTADORA LTDA. constituemse em um Grupo Econômico DE FATO, sendo que a existência de duas empresas com personalidades jurídicas distintas, mas com interesse comum e sob o comando e direção da família Goede, objetivava dividir o faturamento, a fim de evitar ultrapassar o limite de exclusão e, com isso, manter, INDEVIDAMENTE, os benefícios da opção pelo SIMPLES, pela empresa MADEIRAS GOEDE LTDA. Dessa forma, são atingidas pelo instituto da solidariedade determinado conforme legislação vigente, citada abaixo. II. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Ato de Exclusão do SIMPLES, a empresa Madeireiras Goede Ltda. apresentou manifestação de inconformidade, anexa às folhas 289306, expondo suas razões de fato e de direito, a seguir resumidas. Após a exposição fática do ato administrativo de exclusão, diz que, contrariamente à representação de autoridade fiscal, a empresa faz jus ao regime de tributação simplificado, não podendo prosperar o ato de exclusão. No item “II – Não há grupo econômico – o ato de exclusão está focado em meros indícios e presunções”, destaca que a autoridade fiscal não comprovou o suposto poder de direção, inerente a caracterização do grupo econômico, preocupandose somente em levantar indícios e presunções que não se sustentam. Assevera que as empresas são pessoas jurídicas autônomas, distintas e independentes uma das outras, estando todas elas em plena atividade, cada qual possuindo contrato, quadro social e faturamento, registro nos órgãos competentes, inclusive INSS e Secretaria da Receita Federal, e arcando em dia e em nome próprio, com todas as obrigações comerciais, fiscais e trabalhistas assumidas, razões pela qual as conclusões emanadas do processo não passam de meros indícios e presunções. Invoca o princípio da entidade conforme estabelecido no Código Civil Brasileiro, de acordo com o qual é reconhecida a autonomia patrimonial da pessoa jurídica e a desvinculação de seus atos e conseqüentes responsabilidades, dos atos dos administradores. Aduz que diversamente ao apontado pela fiscalização, a Madeiras Goede Ltda. opera com outras empresas, sendo que no ano de 2010, como exemplo, vendeu um total de R$ 312.253,37 em mercadorias para pessoas jurídicas diversas (doc. n ° 2), pelo que cai por terra a falsa premissa da fiscalização, no sentido de que a Goede Madeiras atenderia exclusivamente à Goede Exportadora. Questiona que o simples fato de as empresas investigadas terem sócios com relação de parentesco entre si e de ocuparem o mesmo endereço não podem ser considerados, por si sós, como Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 6 5 elementos aptos e suficientes a caracterizar grupo econômico e justifica que o parentesco entre os sócios da empresa se explica facilmente, explicando que a Madeiras Goede Ltda. se dedica a produção de portas de madeira, com foco no mercado interno, e que no ano de 2002, os filhos dos seus sócios fundaram a empresa Goede Exportadora, com o objetivo de alcançar o mercado externo. Ainda, diz que a manifestante continua sendo a empresa de sempre, adquirindo insumos e vendendo sua produção para o mercado interno, para a Goede Exportadora e outras empresas, acrescentando que as operações por encomenda são plenamente lícitas e não fraudulentas. Diz que a constituição de uma outra pessoa jurídica (Goede Exportadora), por outros sócios, com o fim de atender a novos clientes, não é hábil a indicar grupo econômico, e que a livre iniciativa é fundamento do modelo capitalista, pelo que nada impede que uma geração da família abra novos rumos comerciais. Defende que o fato de a Goede Exportadora adquirir produtos da Madeiras Goede é natural, pois as relações familiares trazem segurança ao negócio e não seria normal comprar produtos da concorrência dos próprios pais. Pelo mesmo motivo, a relação de parentesco e a inerente relação de confiança, justificamse as procurações aos sócios da Madeiras Goede Ltda. e os cheques por estes emitidos me nome da Goede Exportadora Ltda. Entende que a exclusão de ofício do contribuinte do SIMPLES não pode prescindir de prévia intimação para que exerça a ampla defesa e o contraditório a respeito dos fatos que lhe são imputados, para só ao final se decidir, administrativamente, pela sua exclusão ou não do programa simplificado. Anexa decisão do STJ que reforça o argumento posto. Alude que a relação existente entre salários e receita bruta não ajuda a pretensão fazendária, pois em 2002, p. ex., quando somente a Madeiras Goede operava, a mesma auferiu prejuízo, sendo este um dos motivos, aliás, que levou os filhos ao novo e independente empreendimento. Tocante ao fato de inexistirem funcionários na Goede Exportadora, entende que é justificado porque sendo uma empresa exportadora, o foco está na venda de mercadorias em grande quantidade, o que pode ser realizado apenas na pessoa dos sócios, em uma simples sala, tal como aquela onde está sediada. Refere que no ano de 2010 foram efetuadas 137 vendas, com média de 11 por mês, todas de responsabilidade de Fredi Goede, sócio da Goede Exportadora, conforme provam os documentos nº 5. De outra parte, diz que a compra de insumos pela Goede Exportadora, remetidos à Madeiras Goede para industrialização por encomenda (doc nº 6), e o pagamento de despesas, pode se dar apenas na pessoa dos sócios. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 7 6 Esses mesmos motivos justificam o fato de que os sócios da Goede Exportadora Ltda. acumularem emprego na Madeiras Goede Ltda., onde, aliás, está estabelecida a empresa deles, não sendo esses elementos que juridicamente irão vincular as duas pessoas jurídicas. Quanto ao fato de o seguro de vida dos funcionários da Madeiras Goede ser pago através da conta bancária da Goede Exportadora Ltda., tratase, única e tãosomente, de um acordo comercial, pois as operações existentes entre as empresas implicam em crédito a favor daquela, parcialmente compensado com esta despesa. Quanto à energia elétrica e aos combustíveis/lubrificantes, cumpre lembrar que a empresa faz industrialização por encomenda (doc. n° 6), e nesse sentido é plenamente válido o fornecimento destes insumos pelo encomendante. Acerca da ação trabalhista apontada no ato de exclusão, destaca que a exordial da referida ação há apenas menção a suposto grupo econômico, mas que a ação foi somente contra a Madeiras Goede, porque inexistiam elementos hábeis a comprovar a incorreta inclusão, e, na sentença correspondente, não foi tratado sobre o tema. Aduz, também, que o maquinário e veículos de Goede Exportadora Ltda. estão cedidos mediante comodato a Madeiras Goede, na forma da lei civil (art. 579 e seguintes do CC/2002), contrato este que pode ser verbal, ou seja, em operação plenamente lícita, e, por tal motivo, quem arca com os custos da manutenção do maquinário cedido é a própria impugnante (documento 7). Repisa que, em face das considerações supra, em nenhum momento a fiscalização conseguiu provar o suposto e inexistente poder de direção de uma empresa sobre a outra, sendo que os indícios apontados não militam neste sentido, a par de serem muito frágeis, insustentáveis diante da realidade dos fatos. Na seqüência, o contribuinte expõe julgados da Justiça do Trabalho acerca da caracterização do grupo econômico, e, ainda, jurisprudência do Tribunal Regional da 4ª Região. Discorre quanto aos princípios da legalidade e da tipicidade, quanto ao ônus da prova e seu dever em face das autoridades administrativas lançadoras; quanto a busca da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal e o uso de indícios e presunções no campo tributário, citando doutrina quanto aos temas e jurisprudência administrativa, do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, que afastou a descaracterização de pessoa jurídica validamente constituída, requerendo o afastamento do ato de exclusão. No item subsequente, “III – Não houve omissão de receitas”, assevera que os pretensos saldos credores de conta caixa na verdade não existem, e a conclusão da autoridade lançadora Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 8 7 decorre de equívocos incorridos pela empresa em sua escrituração contábil. Relata que deixou de escriturar receitas recebidas no ano de 2006, relativas a vendas ocorridas e tributadas no exercício 20005, e que quando sanado tal equívoco, automaticamente desaparece o saldo credor, inclusive em relação ao exercício 2007. Tais correções não foram efetuadas até o presente momento porque o ato de exclusão foi exarado no final do não de 2010, com consequentes dificuldades para ajustes de última hora, em virtude das festas de final de não. Justifica os equívocos da contabilidade pelo fato de ser empresa de pequeno porte, com carência de recursos materiais e pessoal para corrigir equívocos ocorridos há quatro anos, mas que está trabalhando para resolver essa questão. A seguir, no item “IV – Não houve locação de mãodeobra”, defende que para fins tributários a operação realizada pela impugnante com a Goede Exportadora não pode ser considerada uma locação de mão de obra (=prestação de serviços), por não se tratar de obrigação de fazer, sobrelevando a obrigação de dar. Aduz, ainda, que atende a outras empresas, não havendo que se falar na pretensa exclusividade que no pensar da fiscalização indicaria locação de mãodeobra, e, ainda, não se verifica a hipótese prevista no art. 31, §3°, da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, "a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos", pois como destacado pela própria fiscalização, a industrialização por encomenda se deu nas próprias dependências da manifestante, mediante a direção de seus sócios/funcionários. Defende que a atividade desenvolvida pela Madeiras Goede Ltda., na verdade, foi industrializar mercadorias mediante encomendas, e não a locação de mãodeobra, pois os empregados desta continuaram sob o comando, a subordinação e a responsabilidade da mesma, e não de terceiros, anotando que remessa de mercadorias se deu nesta modalidade (doc nº 6). Invocando conceitos aplicáveis ao imposto sobre o consumo (IPI, ICMS e ISS), conclui que a entrega de insumos para a industrialização, não se trata de prestação de serviços, categoria a que pertence a locação de mão de obra, estando inserido na categoria de circulação de mercadorias, atividade tipicamente industrial, alcançada pelo parágrafo único do art. 3º da Lei nº 4.502, segundo o qual "considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto". Nesse sentido, tem que o recebimento de insumos, para transformálos em produtos acabados (no caso, portas), é uma atividade tipicamente industrial, sendo muito clara, portanto, a impossibilidade de subsistir a exclusão do Simples, ainda mais quando, além disso, verificase também que a empresa vende Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 9 8 seus produtos, não só à Goede Exportadora, mas a terceiras empresas igualmente, como já demonstrado e provado conforme documento nº 02. Requer, por fim, que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, cancelando o ato de exclusão da empresa impugnante do SIMPLES. A manifestação veio instruída com documentos inclusos às fls. 307484, quais sejam: contrato social (doc nº 1); comprovantes de vendas a outras empresas (doc nº 02); prova de compra de insumos (doc nº 3); relatório de vendas (doc. nº 04); emails comprovando a coordenação de vendas implementada por sócio de Goede Exportadora (doc. nº 5); nota fiscal de remessa de mercadorias para industrialização (doc nº 6); despesas de manutenção (doc. nº 7). Em sessão realizada em 11 de julho de 2013, a 5a turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Florianópolis julgou, por unanimidade, parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, para afastar as infrações discriminadas nos incisos I, IV e VII do § 4º, do artigo 3º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, mantendo, todavia, as demais infrações discriminadas no artigo 1º Ato de Declaratório Executivo n° 94, de 29 de novembro de 2010, bem como os efeitos da exclusão fixados no seu artigo 2º. Os autos, juntamente com dois outros processos destinados à cobrança de tributos, foram apensados ao processo de n. 13971.005184/201049 e encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Contudo, percebemos que não havia sido dada ciência ao Contribuinte dos julgamentos de primeira instância anexados, de sorte que foi exarada, por esta Turma, a Resolução de n. 1201000.138, de 31 de julho de 2014, para que tal providência fosse adotada: De plano, convém ressaltar que foram anexados aos autos outros três processos, de n. 13971.005393/201092, 13971.005394/201037 e 13971.005185/201093, que tratam do excesso de receita bruta, contribuições sociais previdenciárias, contribuições e outros tributos. Contudo, não se tem notícia da comunicação do resultado de tais julgamentos ao Contribuinte, de forma que, em homenagem aos princípios que regem o processo administrativo, entendo que essa providência é fundamental antes de qualquer análise material ou documental sobre os fatos. Ante o exposto, voto por CONVERTER o julgamento em diligência, para determinar à autoridade responsável que dê ciência ao Contribuinte do resultado dos acórdãos proferidos naqueles processos, abrindolhe prazo para, nos termos da lei, interpor Recurso Voluntário a este Conselho. A partir da Resolução, foi dada ciência ao Contribuinte das referidas decisões, conforme atestou a autoridade competente: Encaminhamos cópia da Resolução nº 1201000.138 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 10 9 Recursos Fiscais (CARF), que determinou a realização da ciência do resultado de julgamento dos processos 13971.005393/201092, 13971.005394/201037 e 13971.005185/201093, relacionados à exclusão do Simples Nacional. Ressaltese que, nos dois primeiros, houve a desistência do contencioso com a adesão ao parcelamento/pagamento à vista instituído pela Lei 12.996/2014. Quanto à decisão do acórdão do processo 13971.005185/201093 é assegurado prazo de 30 (trinta) dias para interposição de Recurso Voluntário ao CARF, a partir do recebimento deste comunicado. (grifamos) O Contribuinte foi efetivamente intimado da decisão e interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, em síntese, os mesmos argumentos aduzidos em 1a instância. Os autos retornaram a este Conselho, para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Convém ressaltar, de plano, que os fatos e fundamentos jurídicos aqui discutidos são exatamente os mesmos do processo n. 13971.005184/201049, sendo que a única diferença diz respeito ao período de exclusão, pois aquele feito se refere aos anos calendário de 2005 e 2006 (sistemática do Simples Federal), enquanto neste temos a exclusão do SIMPLES NACIONAL, para o anocalendário de 2007. Por tal motivo houve, inicialmente, o apensamento deste feito ao de n. 13971.005184/201049. Como o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância aqui proferida e exerceu o direito ao contraditório, com a apresentação de Recurso Voluntário, entendemos pertinente a análise dos dois processos, com a elaboração de votos separados, sem prejuízo da posterior união dos feitos. A Recorrente funda seus argumentos de defesa em quatro pilares, que serão analisados individualmente neste voto, conforme tópicos a seguir. 1. Do efeito suspensivo para o Ato Declaratório de exclusão no Simples Quanto a este tópico, não há fundamento legal que suporte a pretensão da Recorrente. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 11 10 Ao contrário, o artigo do art. 29, parágrafo 3º, da Lei Complementar 123, de 2006 estabelece a vigência e a eficácia dos Atos Declaratórios de Exclusão do Simples, de competência da Receita Federal. Também não prospera a alegação de que deva ser aplicada a suspensão prevista no artigo 151, III, do Código Tributário Nacional, posto que o dispositivo cuida de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da exclusão de regimes de tributação. 2. Formação de grupo econômico de fato Conquanto seja lícito e louvável que os empresários possam constituir sociedades como bem entenderem, tanto no que respeita ao quadro societário como à determinação das atividades de cada empreendimento, as normas trabalhistas e tributárias estabelecem consequências para tal decisão, notadamente no sentido de conferir responsabilidade solidária às entidades, quando houver confusão entre as partes. Nesse sentido, tanto a doutrina como a jurisprudência concordam que cabe ao Fisco demonstrar a existência do chamado grupo econômico de fato. É o que já decidiu o STJ, no Recurso Especial 1144884/SC, publicado em 03/02/2011 e relatado pelo Ministro Mauro Campbell Marques, de cuja ementa reproduzimos, a seguir, o trecho mais relevante: 3. O Tribunal de origem declarou que “é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico . O sóciogerente da [...], Sr. [...] tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sóciogerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas /embargantes". 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. Conquanto não exista na legislação do SIMPLES NACIONAL previsão legal de exclusão apenas em decorrência da caracterização de grupo econômico, podemos perceber, como será demonstrado adiante, que a íntima relação entre as empresas justifica a medida, pelo fato de que foi ultrapassado o limite de receita bruta anual a partir do terceiro trimestre de 2003. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 12 11 Essa é a inteligência do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, ao prever a atribuição de responsabilidade solidária para as empresas que integrarem grupo econômico: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; No caso dos autos, são inúmeras as circunstâncias que demonstram a configuração de grupo econômico de fato, todas narradas na Representação Fiscal que deu origem ao Ato Declaratório de exclusão do Simples. Tratase de conjunto robusto de provas (e não de meros indícios, como alega a Recorrente), que foram reconhecidos pela decisão recorrida: I – A Goede Exportadora Ltda. foi constituída em 08/07/2002, pelos sócios Srs. Thomas Goede (99%) e Frederik Goede (1%), filhos dos sócios da empresa Madeiras Goede Ltda., Sr. Irineu Goede e Sra. Loriana Sell Goede e é optante pelo Lucro Presumido; II – As empresas estão localizadas no mesmo endereço, sendo que a Exportadora Goede está instalada numa sala no interior do prédio administrativo da Madeiras Goede (vide fotos de fls. 23 e 24); III – No comparativo entre a receita bruta e o número de empregados, verificouse que nos anos de 2000 a 2009, houve grande disparidade na relação entre o número de empregados e a receita auferida pelas duas sociedades empresárias: Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 13 12 IV – a interligação administrativa e econômica das duas empresas é evidenciada pelos seguintes indícios (item 5.2 do REFISC): Procurações outorgadas pela empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA, em 19/10/2005 e 11/01/2006, para os sócios (Sr. Irineu Goede e Sra. Loriana Sell Goede, respectivamente) da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA, conferindolhes plenos poderes para administrála (documento 3 anexado à Representação Fiscal); Os sócios (Srs. Thomas Goede e Frederik Goede) da empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA, constam como empregados da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA, desde 04/01/2005 e 01/09/2005, respectivamente (documento 4 anexado à Representação Fiscal); Verificadas cópias, por amostragem, de cheques da empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA assinados pelo Sr. Irineu Goede, sócio da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA (documento 5 anexado à Representação Fiscal); O seguro de vida em grupo dos empregados e da sócia da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA é pago pela empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA, através de débito automático na conta desta (documento 6 anexado à Representação Fiscal); A relação de bens (documento 7 integrante da Representação Fiscal) da GOEDE EXPORTADORA LTDA demonstra que possui várias máquinas, equipamentos e veículos, porém não possui empregados, bem como, em análise contábil, não consta nenhum lançamento referente à receita de aluguel de tais bens, ou a despesas com pagamentos a terceiros para operálos. Diante de tal circunstância, a Fiscalização aponta que os referidos bens eram utilizados pelos empregados da Madeiras Goede Ltda. A despesa com energia elétrica, a partir de 10/2006, foi transferida da Madeiras Goede Ltda, para a Goede Exportadora Ltda.; As despesas com combustíveis e lubrificantes são pagas, em sua maior parte, pela Goede Exportadora Ltda. Verificadas, por amostragem, notas fiscais da empresa Goede Exportadora Ltda. (documento 10 anexo à Representação Fiscal), restou evidenciado que esta compra as matériasprimas (toras de pinos, entre outras) e remete para empresa MADEIRAS GOEDE LTDA (optante pelo SIMPLES), que por sua vez realiza os serviços de industrialização e retorna o produto acabado (portas) para ser comercializado por aquela; A interligação administrativa é corroborada pela constatação de que a empresa GOEDE EXPORTADORA LTDA não possui empregados e sua sede resumese a uma sala dentro do prédio Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 14 13 administrativo da empresa MADEIRAS GOEDE LTDA, e considerandose que o faturamento (Receita Bruta) desta é resultante de serviços de industrialização prestados, exclusivamente, para aquela. V – a existência de reclamatória trabalhista (nº 00440/07), onde o Sr, Cláudio Moura dos Santos, exempregado as Madeiras Goede Ltda. afiram que recebeu verbas rescisórias através de cheque da referida empresa e de outro da Goede Exportadora Ltda., nos quais constavam a mesma assinatura, onde alega que referidas empresas integram grupo econômico. Entendo que as provas são fortes e incontroversas e que as explicações trazidas pela Recorrente apenas corroboram a evidente interconexão e a dependência entre as empresas, o que, por certo, não é proibido, mas justifica a exclusão do Simples, ante o fato de terem as sociedades extrapolado, a partir do 3o trimestre de 2003, o limite de receita bruta anual previsto para o regime. As peculiaridades da relação entre as empresas e suas implicações no caso do SIMPLES NACIONAL foram bem apontadas pela decisão recorrida, cujos fundamentos adoto e reproduzo: A análise conjunta das provas e constatações discriminadas acima, não deixa dúvidas de que Madeiras Goede Ltda. e Goede Exportações Ltda. compõem grupo econômico de fato, visto que ambas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (no caso, os sócios da Madeiras Goede Ltda., Sr. Irineu Goede e Sra Loriana Sell Goede), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Notase, claramente, que se trata de empreendimento familiar, constituído pela Madeiras Goede e pela Exportadora Goede Ltda., organizado de forma a permitir que a primeira se beneficiasse do regime de tributação simplificado do Simples Federal, e, depois, Nacional. Cabe observar que esses elementos de prova e constatações, se forem analisados individualmente, podem até não demonstrar, por si sós, a existência de grupo econômico de fato, no entanto, quando apreciados todos em conjunto, comprovam que foi correta a análise da autoridade fiscal, uma vez que demonstram que a sociedade empresária Goede Exportações Ltda. é comandada pelo pelos pais de seus sócios, e que as duas empresas atuam de forma integrada. No caso em tela, percebese claramente que a empresa Madeiras Goede Ltda., no intuito de expandir seus negócios e alcançar o mercado externo ao país, constitui a empresa Goede Exportação Ltda., através dos sócios seus filhos, todavia, a administração dessa empresa ficou a cargo dos sócios do manifestante, Madeiras Goede Ltda. Assim procedente, a Madeiras Goede Ltda., formalmente, manteve seu faturamento anual dentro do limite estabelecido pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e, dessa forma, deixou de arcar com o encargo previdenciário Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 15 14 patronal incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviço, causando prejuízo a Fazenda Pública. O Simples Nacional, introduzido em 2007, consiste, basicamente, em permitir que as empresas optantes recolham os tributos e contribuições devidas, calculadas sobre a receita bruta, mediante a aplicação de alíquota única, em um único documento de arrecadação. Dentre as contribuições substituídas encontramos as contribuições previdenciárias patronais, conforme dispõe a Lei Complementar nº 123, de 2006, in verbis: Art. 12. Fica instituído o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: (...) VI Contribuição Patronal Previdenciária CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5ºC do art. 18 desta Lei Complementar; No caso que aqui se tem, constatado que as empresas compõem grupo econômico de fato, a autoridade lançadora concluiu que, desde o primeiro trimestre de 2003, o manifestante foi beneficiado em relação à opção ao sistema SIMPLES da Lei n° 9.317/96, e, sucessivamente, da Lei Complementar nº 123, de 2006, uma vez que seu faturamento ultrapassou o limite da receita bruta prevista nas referidas legislações, para permanência no sistema simplificado. O manifestante, por sua vez, não faz qualquer demonstração que infirme as conclusões expostas na Representação Administrativa que ensejou o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples. Quanto a alegação de que a representação administrativa estaria fundamentada em meros indícios e presunções, e, ainda, de que estes não se sustentam, não é a conclusão que se extrai dos fatos acima apurados. (...) Tocante ao poder de direção, que o contribuinte aduz não ter sido comprovado, restou amplamente demonstrada a gestão única pela autoridade fiscal, uma vez que os sócios da Goede Exportações Ltda., mediante procurações, outorgaram poderes plenos para os sócios da Madeiras Goede Ltda. administrála. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 16 15 (...) Ora, restou demonstrado que a Goede Exportadora Ltda. está sediada em uma sala dentro das instalações de propriedade da Madeiras Goede Ltda., que esta é quem administra, por força de procurações, a primeira, de propriedade dos filhos dos sócios da segunda. Além disso, os sócios da Goede Exportadora Ltda., estão registrados como empregados da Madeiras Goede Ltda. No caso presente, contrariamente ao que pretende a contribuinte, a relação de parentesco é, sim, um forte elemento de prova a favor do Fisco. (...) Outrossim, a contribuinte alega que no período fiscalizado operou com outras empresas, não se fazendo presente a exclusividade, conforme apurado pela fiscalização. Sobre esse aspecto, o manifestante informa ter efetuado vendas no valor de R$ 312.253,37 no anocalendário 2010, todavia, esse ano calendário não foi objeto de fiscalização, que se restringiu ao período até 12/2009 (vide TIPF fls. 281282 do processo de exclusão do Simples Federal comprot nº 13971.005184/201049, em apenso). Tocante aos demais anoscalendário, o manifestante não apontou o volume das transações efetuadas com terceiros. Além disso, ainda que comprovada a prestação de serviços terceirizados para outras empresas, não restaria alterado o conjunto probatório colhido nos autos. Digase, ainda, que a Madeiras Goede Ltda. poderia ser contratada para efetuar serviços terceirizados com outras empresa (sem entrar no aspecto da existência da locação da mão de obra, impeditiva da opção pelo Simples), e, em relação a essas outras empresas poderia não se verificar a mesma confusão administrativa e patrimonial existente com a Goede Exportadora Ltda., mas isso somente no campo das hipóteses, porque o manifestante não comprovou a existência de terceirização para outras pessoas jurídicas no período fiscalizado, que não a Goede Exportadora Ltda. No que pertine ao quadro comparativo entre os valores do faturamento e da remuneração de empregados elaborado pela fiscalização, tratase de mais um elemento de prova a indicar que a constituição de grupo econômico de fato, objetivando cindir o valor total do faturamento apresentado pelas duas empresas, a fim de manter o manifestante no Simples. 3. Locação de mão de obra Outra circunstância que enseja a exclusão do Simples, nos termos do que dispõe no artigo 17, inciso XII, da Lei Complementar n. 123/2006, a locação de mão de obra deve ser entendida como a contratação indireta de mão de obra por intermédio de empresa interposta. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 17 16 Nos autos, a fiscalização demonstrou que a Recorrente disponibiliza mão de obra em caráter permanente e exclusivo, que fica à disposição do contratante, em suas dependências e realiza serviços de forma contínua, todos relacionados com a atividadefim da empresa, nos termos do art. 31, parágrafo 3° da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, vigente à época dos fatos. A questão foi bem analisada pela decisão recorrida: O manifestante alega que para fins tributários a operação realizada pela impugnante com a Goede Exportadora não pode ser considerada uma locação de mão de obra (=prestação de serviços), por não se tratar de obrigação de fazer, (industrializar mercadorias mediantes encomendas) sobrelevando a obrigação de dar. Segundo o manifestante não há que se falar na pretensa exclusividade que no pensar da fiscalização indicaria locação de mãodeobra, pois atende a outras empresas, e, ainda, não se verifica a hipótese prevista no art. 31, §3°, da Lei no 8.212, de 1991, ou seja, "a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos", pois como destacado pela própria fiscalização, a industrialização por encomenda se deu nas próprias dependências do manifestante, mediante a direção de seus sócios/funcionários. Compulsando os autos, porém, verificase que não há como se dar razão ao manifestante, porquanto resta evidente que a contratação da Madeiras Goede Ltda. pela Goede Exportadora Ltda. tinha como objeto, essencialmente, o fornecimento da mão deobra necessária a industrialização das matérias primas fornecidas pela Goede Exportadora Ltda. A prova de que esta mãodeobra estava sujeita às ordens, ao controle e à vontade da Goede Exportações Ltda., por sua vez, foi produzida através da demonstração de que esta e o manifestante formam grupo econômico de fato e, principalmente, de que as duas empresas eram comandadas pelas mesmas pessoas. Quer dizer, devido a existência de grupo econômico de fato, não há como se dizer que os trabalhadores vinculados ao Interessado também não estavam à disposição da Goede Exportações Ltda., já que ambas, além de serem controladas e administradas pelo mesmo grupo familiar, atuavam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Tocante ao local da prestação de serviços, como destacado no presente voto, a Goede Exportadora Ltda. está localizada em uma sala nas instalações do manifestante e é quem registra, contabilmente, maquinários e veículos. Como se vê, há uma confusão entre as duas empresas, porquanto o espaço físico compõe o patrimônio de uma das empresas (Madeiras Goede Ltda.) e as máquinas destinadas à produção o patrimônio da outra empresa do grupo econômico de fato (Goede Exportadora Ltda). Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 18 17 De se lembrar que não restou comprovado o alegado comodato de máquinas pela Goede Exportadora Ltda para a Madeiras Goede. Ou seja, a prestação de serviços ocorreu na sede da contratante, a Goede Exportadora Ltda., que também é a sede da Madeiras Goede Ltda., uma vez que se trata de empreendimento único, caracterizado como grupo econômico de fato. Neste ponto, não podem prosperar os argumentos trazidos pela Recorrente, pois restou evidenciado que a contratação da Madeiras Goede Ltda. pela Goede Exportadora Ltda. tinha como principal objeto o fornecimento da mão de obra necessária para a industrialização das matérias primas fornecidas pela própria Goede Exportadora Ltda. Ademais, ressaltese que a mão de obra disponibilizada atuava sob o mesmo controle e sujeitavase às ordens do chamado grupo econômico de fato, que operava no mesmo recinto e tinha, como vimos, sócios e interesses comuns. Não se trata, portanto, de industrialização por encomenda, como quer a Recorrente, mas de verdadeira confusão, no sentido jurídico, entre as duas entidades, em função de atividade econômica comum, pois a exportadora apenas atuava como extensão da fabricante. 4. Omissão de Receitas A fiscalização fundamentou a omissão de receitas da seguinte forma: 7.1 A TABELA 1 abaixo contém os lançamentos contábeis de suprimento da conta: 1.1.1.01 Caixa Geral, apresentados pela empresa MADEIRAS GOEDE LTDA durante o ano de 2009, através de empréstimos realizados pelo seu sócio: Sr. Irineu Goede. Conforme o Termo Intimação Fiscal (TIP n° 02), foram solicitados a documentação comprobatória destes empréstimos, sendo que a empresa se manifestou, limitandose a informar que a origem dos recursos constavam na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), ano calendário 2009, do Sr. Irineu Goede. Considerase, portanto, que a documentação apresentada pela empresa é insuficiente para afastar a hipótese legal da omissão de receitas no valor de R$ 1.265.000,00, conforme previsto no Art. 12, § 3º do Decretolei nº 1.598/77 e Art. 282 do RIR/99. Os comandos normativos mencionados determinam que: Decreto n. 3.000/99: Saldo Credor de Caixa, Falta de Escrituração de Pagamento, Manutenção no Passivo de Obrigações Pagas e Falta de Comprovação do Passivo Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 19 18 presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Suprimentos de Caixa Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). (grifamos) A empresa apenas alega, no Recurso Voluntário, que os saldos credores não existiram, porque motivados por equívocos na escrituração contábil. Contudo, quando intimada, não conseguiu comprovar a efetividade da entrega e a origem dos recursos escriturados, que seriam oriundos de empréstimos dos sócios. A ausência de comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, prejudica o argumento da Recorrente e aponta para a manutenção da infração, posto que a fiscalização verificou a existência dos recursos a partir de documentos elaborados pela própria empresa, cujo resultado foi consolidado na tabela a seguir: Entendo comprovada, pois, a infração relativa à omissão de receitas. Por fim, a Recorrente aduz que não houve práticas reiteradas de infração à legislação tributária, argumento que cai por terra em razão de todos os fatos descritos e analisados nos tópicos anteriores, que, em conjunto e ao longo dos períodos fiscalizados, Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13971.005185/201093 Acórdão n.º 1201001.384 S1C2T1 Fl. 20 19 justificam a exclusão do Simples Nacional, quer pela omissão de receitas constatada, quer pela excesso de receita bruta das atividades combinadas do grupo econômico. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGO LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11251.000060/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR.
Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a Fiscalização lavrará de ofício Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores apurados, das contribuições sociais devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de responsabilidade funcional.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE.
É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. ENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa como um todo, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, sendo irrelevante para tal enquadramento se tais segurados ocupam cargos na atividade meio ou na atividade fim da empresa.
CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.
A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a Fiscalização lavrará de ofício Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores apurados, das contribuições sociais devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de responsabilidade funcional. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. ENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa como um todo, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, sendo irrelevante para tal enquadramento se tais segurados ocupam cargos na atividade meio ou na atividade fim da empresa. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11251.000060/2009-33
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5576257
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.019
nome_arquivo_s : Decisao_11251000060200933.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11251000060200933_5576257.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6316049
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122894057472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 137 1 136 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11251.000060/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.019 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente TRANSPORTES E TURISMO EROLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a Fiscalização lavrará de ofício Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores apurados, das contribuições sociais devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de responsabilidade funcional. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. ENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa como um todo, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, sendo irrelevante para tal enquadramento se tais segurados ocupam cargos na atividade meio ou na atividade fim da empresa. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 60 /2 00 9- 33 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000060/200933 Acórdão n.º 2401004.019 S2C4T1 Fl. 138 3 Relatório Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 Data da lavratura da NFLD: 28/02/2002. Data da Ciência da NFLD: 04/03/2002. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Seção de Análise de Defesas e Recursos do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.354.9339, consistentes em Contribuições Sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e a Segurados Contribuintes Individuais nas competências de novembro a dezembro de 1998, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 27/28. De acordo com o Relatório Fiscal, os valores considerados no presente levantamento consistem em diferenças apuradas entre os valores lançados no LDC Debcad nº 32.091.5107 e os valores lançados na rubrica de Salário de Contribuição, nas competências de novembro a dezembro de 1998, gerando uma diferença entre o valor declarado para efeito de parcelamento espontâneo e o montante constante nas Folhas de Pagamento da empresa, incluindose as Retiradas dos sócios a título de pro labore, apuradas na contabilidade da empresa, conta 422.010.11, não consideradas na elaboração do LDC nº 32.091.5107. Os valores das bases de cálculo, das deduções e das fontes de apuração encontramse discriminados no Relatório de fatos geradores a fl. 11. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo apresentou contestação administrativa em face do lançamento, nos termos da Impugnação a fls. 32/34. A Seção de Análise de Defesas e Recursos do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos/SP lavrou Decisão Administrativa aviada na DecisãoNotificação nº 21.025.0/0079/2002, a fls. 75/77, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 22/04/2002, conforme Aviso de Recebimento a fl. 79. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 81/107, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Nulidade absoluta da NFLD, em razão de repetir períodos já fiscalizados; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 · Inconstitucionalidade da contribuição para o SAT, uma vez que a lei não definiu quais são as atividades que oferecem risco leve, médio e grave, nem tampouco estabeleceu o que se venha a entender por atividade preponderante, o que foi instituído por decreto; · Que os Decretos nº 612/92 e 2.173/97 são inconstitucionais, por violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária; · Que é vedada a edição de regulamentos autônomos; Ao fim, requer a declaração de improcedência da NFLD e o seu arquivamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000060/200933 Acórdão n.º 2401004.019 S2C4T1 Fl. 139 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 22/04/2002. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02/05/2002, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA NULIDADE O Recorrente alega nulidade absoluta da NFLD, em razão de repetir períodos já fiscalizados. E desde quando é vedado formalizar lançamentos tributários decorrentes de fatos geradores não antes levantados ou adimplidos, ocorridos em período já fiscalizado ??? A Legislação Tributária expressa exatamente o contrário !!! O art. 37 da Lei nº 8.212/91 determina que ao ser constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previstas nessa mesma Lei, a fiscalização tem o dever jurídico de lavrar a competente notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, inexistindo qualquer restrição a períodos que já foram objeto de fiscalização anterior, salvo o eventual exaurimento do prazo decadencial. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). De outro eito, o art. 142 do CTN reserva à autoridade administrativa a competência privativa para constituir o crédito tributário pelo lançamento, sempre que se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, devendo o procedimento administrativo em questão determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, se for caso, propor a aplicação da penalidade cabível, sendo certo que o desencadeamento de tal atividade administrativa não se arroga à discricionariedade da Autoridade Fiscal, sendo, antes, plenamente vinculado à lei e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No caso dos autos, a Fiscalização procedeu ao lançamento de diferenças apuradas entre os valores lançados no LDC Debcad nº 32.091.5107 e os valores lançados na rubrica de Salário de Contribuição, nas competências de novembro a dezembro de 1998, gerando uma diferença entre o valor declarado para efeito de parcelamento espontâneo e o montante constante nas Folhas de Pagamento da empresa, incluindose as Retiradas dos sócios a título de pro labore, apuradas na contabilidade da empresa, conta 422.010.11, não consideradas na elaboração do LDC nº 32.091.5107, conforme ilustrado na tabela exposta ao pé da fl. 27. Aditese que a empresa não contestou os valores apurados pela Fiscalização. O mero exame perfunctório do Relatório de fatos geradores a fl. 11 é suficiente para se perceber que a Fiscalização, quando da elaboração do vertente lançamento, procedeu à dedução dos valores já anteriormente lançados mediante a LDC nº 32.091.5107, restando no vertente lançamento, tão somente, as diferenças não contempladas na LDC acima citada, nem antes apuradas, tampouco recolhidas espontaneamente pela Notificada. Inexiste, portanto, qualquer lançamento em duplicidade a amparar a alegação de “bis in idem” suscitada pelo Recorrente. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000060/200933 Acórdão n.º 2401004.019 S2C4T1 Fl. 140 7 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE DO SAT. O Recorrente alega a inconstitucionalidade da contribuição para o SAT, uma vez que a lei não definiu quais são as atividades que oferecem risco leve, médio e grave, nem tampouco estabeleceu o que se venha a entender por atividade preponderante, o que foi instituído por decreto. Aduz que os Decretos nº 612/92 e 2.173/97 são inconstitucionais, por violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária. NÃO !!! Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. O art. 195, I da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000060/200933 Acórdão n.º 2401004.019 S2C4T1 Fl. 141 9 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Registrese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Devese atentar igualmente para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ao revés, o Pretorio Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000060/200933 Acórdão n.º 2401004.019 S2C4T1 Fl. 142 11 IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A inteligência do dispositivo constitucional ora invocado conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar taxativamente previstas, com todos os seus elementos, na Lei stricto sensu, mas sim, serem estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei. Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a lei formal a outorgar competência legislativa a outros instrumentos normativos de menor escalão para dispor sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social inerentes à hipótese de incidência da obrigação. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II, da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos primários conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Na sequência, o parágrafo 3º do mesmo dispositivo legal autorizou o Ministério do Trabalho e da Previdência Social a alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento de empresas nos respectivos graus de risco para efeito da contribuição destinada ao SAT. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder Fl. 147DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º Fl. 148DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000060/200933 Acórdão n.º 2401004.019 S2C4T1 Fl. 143 13 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos) 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (grifos nossos) 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 10. Agravo regimental desprovido. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 Conforme se observa, o Regulamento da Previdência Social não se configura como um Regulamento Autônomo, como assim alega o Recorrente. Ele foi editado atendendo ao comando legal aviado no art. 103 da Lei nº 8.212/91, e apenas dispõe sobre as matérias aviadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, conferindolhe as condições de contorno indispensáveis para a sua execução. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 103. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de sua publicação. E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assentado que o Regulamento Suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Regulamento da Previdência Social. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000060/200933 Acórdão n.º 2401004.019 S2C4T1 Fl. 144 15 Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não teve, ainda, a sua constitucionalidade abatida pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 16 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade pleiteadas pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000060/200933 Acórdão n.º 2401004.019 S2C4T1 Fl. 145 17 É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000441/2003-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Período de apuração: 13/07/1998 a 24/08/1998
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
A admissibilidade do recurso especial previsto no art. 32 do então vigente Regimento Interno está condicionada à demonstração, pelo recorrente, da existência de decisão divergente sobre a mesma matéria. Distintos os pressupostos do drawback suspensão, tratado no paradigma, do drawback isenção, objeto da decisão recorrida, não se instaura a divergência, o que impede conhecer do recurso.
Numero da decisão: 9303-002.110
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 13/07/1998 a 24/08/1998 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. A admissibilidade do recurso especial previsto no art. 32 do então vigente Regimento Interno está condicionada à demonstração, pelo recorrente, da existência de decisão divergente sobre a mesma matéria. Distintos os pressupostos do drawback suspensão, tratado no paradigma, do drawback isenção, objeto da decisão recorrida, não se instaura a divergência, o que impede conhecer do recurso.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10209.000441/2003-80
conteudo_id_s : 5538816
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-002.110
nome_arquivo_s : Decisao_10209000441200380.pdf
nome_relator_s : JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10209000441200380_5538816.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
id : 6163930
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122900348928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 10 1 9 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10209.000441/200380 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.110 – 3ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2012 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DRAWBACK Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASILS/A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 13/07/1998 a 24/08/1998 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. A admissibilidade do recurso especial previsto no art. 32 do então vigente Regimento Interno está condicionada à demonstração, pelo recorrente, da existência de decisão divergente sobre a mesma matéria. Distintos os pressupostos do drawback suspensão, tratado no paradigma, do drawback isenção, objeto da decisão recorrida, não se instaura a divergência, o que impede conhecer do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 06/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 04 41 /2 00 3- 80 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdão nº 302 39.349) que julgou procedente autuação que lhe exige o imposto de importação. A exigência fiscal referese ao incentivo fiscal à exportação conhecido como “drawback intermediário” e se deveu ao cometimento das infrações apontadas às fls. 10/12, que reproduzo a seguir: DO REGIME DE DRAWBACK O regime Drawback é considerado incentivo a exportação estabelecido pelo DecretoLei nº 37/66, artigo 78 e compreende a suspensão, restituição e isenção de tributos incidentes na importação de mercadoria utilizada na industrialização de produto exportado ou a exportar. Esse benefício é concedido pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que após análise do pedido expede o Ato Concessório. Cabe à Secretaria da Receita Federal a fiscalização dos beneficiários do regime de Drawback para verificar o cumprimento do Ato Concessório. Na modalidade Isenção de tributos, chamada também de reposição de estoques a sua operacionalização se verifica com os seguintes procedimentos: 1 realização de importação de produtos com pagamento integral dos tributos incidentes nas operações de comércio exterior; 2 industrialização dos produtos importados e posterior exportação e/ou venda no mercado interno para empresa comercial exportadora e/ou empresa de fins comerciais; 3 solicitação a Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio, de Ato Concessório de Drawback, modalidade isenção, onde é requerida a isenção de Imposto de Importação e IPI Vinculado, na mesma quantidade e qualidade dos produtos que foram importados anteriormente (Principio da Vinculação Física). No ato em análise, tratase da modalidade de isenção de tributos incidentes na importação de mercadorias em quantidade e qualidade destinadas à reposição de mercadorias anteriormente importadas utilizadas na industrialização de produto já exportado. Para habilitação a essa modalidade, a data do registro das declarações de importação, com pagamento integral dos tributos utilizadas para tal fim, não poderá ser superior a dois anos da data de apresentação do Pedido de Drawback. Ainda, o beneficiário do regime deverá indicar no pedido do Ato Concessório a classificação fiscal (NCM), a descrição, a quantidade e o valor da mercadoria a ser importada como Fl. 588DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10209.000441/200380 Acórdão n.º 9303002.110 CSRFT3 Fl. 11 3 também do produto exportado. As importações com pagamento integral do II e IPI vinculado e exportações realizadas devem ser comprovadas para a análise da concessão do Regime. O regime de Drawback na modalidade isenção poderá ser concedido: 1) a mercadoria importada para beneficiamento e posterior exportação realizada diretamente pelo beneficiário; 2) a mercadoria fornecida no mercado interno a industrial exportadora; 3) a mercadoria destinada a venda no mercado interno com o fim especifico de exportação, isto é, vendida para uma empresa comercial exportadora (trading companyDecretoLei 1.248/72). O contribuinte fiscalizado se utilizou de uma operação especial do regime chamada de "drawback intermediário" operação especial concedida a empresas denominadas fabricantes intermediários, para reposição de mercadoria anteriormente importada utilizada na industrialização de produto intermediário fornecido a empresas industriais exportadoras, para emprego na industrialização de produto final destinado a exportação. Para utilização dessa operação especial existem diversas obrigações previstas na legislação a serem cumpridas, pois o seu descumprimento impossibilitará a concessão do regime na modalidade isenção como por exemplo: obrigatoriedade da menção expressa da participação do fabricanteintermediário no RE registro de exportação (16.4 da Consolidação das Normas de Drawback CND); cumprimento do disposto no Anexo X da CND que trata da utilização de nota fiscal de venda no mercado interno (empresa comercial exportadoradecreto n" 1.248/72), especialmente dos itens 5, 6 e 7. cumprimento do disposto no Anexo XI da CND (Comunicado Decex 21/97) que trata da utilização de nota fiscal de venda no mercado interno (empresa de fins comerciais) especialmente os itens 4.1 a 4.6. A fiscalização de drawback, que compete à Secretaria da Receita Federal, obedecerá o disposto na legislação fiscal vigente bem como no Comunicado Decex que trata da consolidação das normas do regime de drawback. DA ANÁLISE DO ATO. O Ato Concessório ri° 000197/0001116 de 27/08/1997 foi concedido para a importação, com isenção, de 23.530,64 (base seca) toneladas métricas de hidróxido de sódio (soda cáustica) em solução aquosa, aproximadamente 50%, NCM 2815.12.00; A empresa foi intimada a informar e apresentar, através do Termo de Inicio de Fiscalização, recebido pela empresa em Fl. 589DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 25/03/2003 (fls. 15) as declarações de importação com pagamento integral (fls. 22 a 35), os registros de exportações realizadas (fls. 36 a 175) que serviram de base para a concessão do referido ato concessório bem como as notas fiscaisde venda no mercado interno e das declarações de importação com isenção (f1s. 194 a 201) DA FISCALIZAÇÃO DO ATO DAS INFRAÇÕES: Após análise dos documentos apresentados relacionada ao Ato Concessório n° 0001097/0001 116, de 27/08/1997, modalidade drawback isenção,constatamos o seguinte: 1) Referente as declarações de importação pagamento integral: O importador apresentou quatro declarações de importação (78/95, 14/96, 15/96 e 26/96) para comprovação do pedido de ato concessório. Analisando as referidas declarações constatamos que a de n° 00015/96 em_que foram importadas 6.139.550 tm de hidróxido_ de. sódio, havia sido apresentada como parte das comprovações dos atos concessórios 0001 97/00007 (2.0045,000 tm) e 000198/0000368 (2.045,000 TM) já anteriormente fiscalizados conforme demonstrativo anexo (fis. 232), motivo pelo qual as quantidades importadas e consideradas nos referidos atos (4.090,000 tm) foram deduzidas do ato ora fiscalizado (000197/00(1116) Portanto, em referência a DI 15/96, somente_foram_aproveitadas 2.049 550 tm do produto. Assim, a fiscalização concluiu que o beneficiário tinha o direito de importar através deste ato, 21.486,190 tm do produto com isenção dos tributos aceitando como correta às importações realizadas—pelas DI's 78/95, 14/96 e 2.6)96. 2) Referente as comprovações das exportações : O beneficiário do ato concessório (Alunorte) como comprovação das exportações, apresentou os seguintes documentos: notas fiscais de venda de mercadorias no mercado interno para empresa considerada industrial exportadora (Albrás); notas fiscais de venda de produtos no mercado interno emitidas por industrialexportadora e notas fiscais de venda para exportação (Albrás) notas fiscais emitidas por comercial exportadora para exportação (Aluvale) cópias dos Registros de Exportações efetuadas pelas empresas Albrás e Aluvale. A documentação_fiscal apresentada não está de acordo com o que determina a legislação que rege o Regime de Drawback, especificamente os subitens 4.1 a 4.6 do Anexo XI da Consolidação das Normas de Drawback, como exposto abaixo. As notas fiscais emitidas pelo contribuinte — fabricante intermediária Alunorte (fls. 237 a 238 como exemplo) constatou se que não foi observado o que determina o subitem abaixo "4.1 Para a modalidade isenção, sem prejuízo das normas específicas em vigor, a Nota Fiscal de venda emitida pela empresa industrial que pretenda se habilitar ao Regime deverá conter, obrigatoriamente, as seguintes informações: Fl. 590DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10209.000441/200380 Acórdão n.º 9303002.110 CSRFT3 Fl. 12 5 a) declaração expressa de que o produto destinado à exportação contém mercadoria importada e que a empresa pretende habilitarse ao Regime de Drawback, modalidade isenção; b) número e data de registro da Declaração de Importação que amparou a importação da mercadoria utilizada no produto destinado à exportação; c) quantidade da mercadoria importada empregada no produto destinado à exportação; d) valor da mercadoria importada utilizada no produto destinado à exportação, assim considerado o somatório do preço no local de embarque no exterior e das parcelas de frete, seguro e demais despesas incidentes, em dólares norte americanos; e) valor da venda do produto, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para compra vigente na data da emissão do documento fiscal de venda. As notas fiscais emitidas pela industrial exportadora (Albrás) não cumpriu (sic) com o subitem 4.2 da CND) 4.2 Quando houver participação de produto intermediário, cuja Nota Fiscal de venda tenha sido emitida nos termas da IN SRF n o 21/85, na Industrialização do produto final, sem prejuiza das normas especificas em vigor, a Nota Fiscal de venda da empresa industrial deverá conter, obrigatoriamente: a) declaração de que o produto final destinado à exportação contém produto Intermediário no qual foi empregada mercadoria importada e que o fabricante intermediário, nos termos da Nota Fiscal de venda de sua emissão, pretende habilitarse ao Regime de Draviback, modalidade isenção; h) identificação do fabricanteintermediário nome, endereço e CGC; c) número, série e data de emissão da Nota Fiscal de venda do fabricante intermediário, nos termos da legislação em vigor; d) identificação do produto intermediário empregada no produto final destinado à exportação, inclusive a classificação na NCM; e) quantidade do produto intermediário empregado no produto final destinado à exportação; f) valor do produto intermediário utilizado no produto final destinado á exportação, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para compra vigente na data da emissão da Nota Fiscal de venda do fabricante intermediário. Nos registros de exportação das empresas Albras e Aluvale (fls 36 a 175), a fiscalização constatou a não observação (sic) dos subitens abaixo: "4.4 Caberá à empresa industrial que pretenda se habilitar ao Regime de Drawback comprovar que a empresa de fins comerciais consignou, no campo 24 (Dados do Fabricante) do Registro de Exportação (RE), as seguintes informações: a) CGC da empresa industrial; b) NCM do produto; c) Unidade da Federação onde se localiza a empresa industrial; d) quantidade do produto efetivamente exportado; Fl. 591DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 e) valor do produto efetivamente exportado, assim considerado o valor da venda da industrial, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para compra vigente na data da emissão da Nota Fiscal de venda. 4.5 Caberá à empresa industriai comprovar que a empresa de fins comerciais consignou, no campo 24 (Dados do Fabricante) do Registro de Exportação (RE), os dados relativos ao fabricanteIntermediário, para permitir sua habilitação ao Regime de Drawback, modalidade isenção, devendo estar consignado: a) CGC do fabricanteintermediário; b) NCM do produto intermediário utilizado no produto final; c) Unidade da Federação onde se localiza o fabricanteintermediário; d) quantidade do produto intermediário efetivamente utilizado no produto final; e) valor do produto intermediário efetivamente empregado no produto final, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para compra vigente na data da emissão da Nota Fiscal de venda emitida pelo fabricante intermediário. 4.6 Caberá, ainda, à empresa industrial comprovar que a empresa de fins comerciais consignou, no campo 25 (Observação/Exportador) do Registro de Exportação (RE), o número da sua Nota Fiscal de venda, bem corno o número • da Nota Fiscal emitida pelo fabricanteintermediário. 1. Eventuais correções relativas aos dados consignados no campo 24 (Dados do Fabricante), bem como no campo 25 (Observação/Exportador), deverão ter sido procedidas no prazo máximo de 10 (dez) dias contados da data do embarque consignada no campo 281, (Dados do Despacho/Data de Embarque Transposição da Fronteira)." Ainda com referência à comprovação das exportações, o fiscalizado apresentou notas fiscais as quais, em anexo, apresenta (sic) "Aviso de Irregularidade em Documento Fiscal" (não previsto pela legislação fiscal) inserindo correção de irregularidade em que as notas referemse ao Ato ora fiscalizado 000197/00001116. (Fls.235 e 236 cópia de uma nota fiscal e de um Aviso de irregularidade como exemplo). Enfim, concluímos pela impossibilidade da concessão do regime de drawback modalidade isenção pela inobservância dos requisitos, conforme dispõe o subitem 4..7 do Anexo X1 do Comunicado Decex 21/97 in verbis: " 4.7. O descumprimento do disposto nos subitens 4.1 a 4.6 impossibilitará a concessão do Regime de drawback modalidade isenção." 3) Referente as importações com isenção: Corno a empresa não observou os requisitos exigidos para a concessão do regime de drawback modalidade isenção, cobramos os tributos exigidos na importação com os acréscimos legais devidos. Em suma, a fiscalização entendeu que as exportações apontadas à Secex como justificadoras do direito à importação com isenção não foram comprovadas na medida em que os documentos exibidos para as demonstrar não cumpriam os requisitos previstos no Comunicado DECEX 21/97, cumprimento esse que é requisito para a concessão do pedido. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10209.000441/200380 Acórdão n.º 9303002.110 CSRFT3 Fl. 13 7 Essa conclusão decorreu da não vinculação das exportações praticadas por terceiro (industrial exportador) às mercadorias recebidas do industrial postulante ao benefício. A Câmara a quo, por maioria, manteve o lançamento, tendo restado vencido o relator, que, após a realização de diligência que visava apurar se as exportações haviam mesmo ocorrido, de modo a aplicar a jurisprudência daquele conselho que dispensava a vinculação física, considerou que isso ocorrera, muito embora o relatório da diligência tenha expressamente consignado: AC 0001 97/0001116. Os documentos apresentados para a fiscalização foram os seguintes: Ato Concessário, DI's n os 78/95, 14/96, 15/96, 20/96 com pagamento integral dos tributos, DI's de isenção de tributos, Registros de Exportação, Notas Fiscais de saídas, e outros que constam deste processo e anexados por ocasião da lavratura do Auto de Infração. Para a Secex, foram apresentados cópias do AC, Comunicações de n's DEFV422/08/97 de 06/08/97 (fls. ), DEFV450/08/97 sem data, DEFV453108/97 de 20/08/97, DEFV448/08/97 de 19/08/1997 Termo de Responsabilidade e Aditivos n° 0001 98/0001755 de 15/06/1998 e 000198/0002107 de 08/7/98. Este Ato foi considerado inadimplido por diversas infrações a legislação que rege o drawback isenção, já exaustivamente tratada quando da lavratura do Auto de Infração. A fiscalização foi efetuada obedecendo aos ritos da CND (Consolidação das Normas de Drawback) anexa ao Comunicado Decex 21/97, que trata da concessão e das condições para cumprimento do regime e também da legislação pertinente, a exemplo do DecretoLei 37/66 e Regulamento Aduaneiro. Já para o redator designado, Conselheiro Corintho Oliveira Machado, o total descumprimento dos requisitos previstos no ato da DECEX impede apurar se as mercadorias foram efetivamente exportadas e invalida o benefício. O voto vencedor registra: A matéria em que houve discrepância do entendimento explicitado pelo i. relator foi apenas a relativa à comprovação do cumprimento das obrigações assumidas nos atos concessórios. Os argumentos trazidos à colação não foram suficientes para afastar a imputação, de vez que por mais que se tentasse relevar a completa desobediência ao princípio da vinculação fisica, em virtude de se tratar de drawback na modalidade genérica, e levando em consideração outro principio, o da fungibilidade, as violações perpetradas à legislação aplicável ao regime especial do drawback foram de tal gravidade e tal monta (não foram observados os requisitos constantes do item 4.1 do Anexo XI da Consolidação das Normas de Drawback — CND, Comunicado DECEX n° 21, de 11/06/1997) que a recorrente não conseguiu demonstrar o adimplemento de suas obrigações como beneficiária. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 O recurso pugna haver divergência interpretativa com o entendimento prevalecente na Câmara Superior de Recursos Fiscais, apresentando como paradigma o Acórdão CSRF 0304.975 , da lavra do Conselheiro Nilton Bartoli, em cujo relatório se lê: (...) iii) incumbe a beneficiária de Drawback intermediário comprovar que os produtos industrializados mediante emprego do insumo importado com suspensão de tributos foram fornecidos a empresas industriais exportadoras e embutidos em mercadorias efetivamente exportadas, sob pena de ter de arcar com os tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da suspensão, acrescidos de juros de mora, no caso de não ser feita tal comprovação (...) Em seu voto, quanto à admissibilidade registra o n. relator: A divergência encontrase no fato de que o entendimento do v. acórdão recorrido é de que a comprovação do cumprimento dos requisitos atinentes ao Regime Drawback, independe da integral vinculação física entre o produto importado e as mercadorias exportadas, desde que comprovada a exportação da exata quantia de mercadorias prevista no compromisso assumido pelo importador. Em contrapartida, se extrai dos r. acórdãos paradigma o posicionamento de que a exportação deve corresponder exata e integralmente aos insumos importados sob o regime Drawback Suspensão. Demonstrada, pois, a divergência alegada pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional. Depreendese que o julgado apontado como paradigma debruçouse sobre a modalidade de drawback suspensão, entendendo que basta a comprovação de que a quantidade de produto compromissada foi efetivamente exportada para a validade do benefício, sendo desnecessário comprovar que os exatos insumos importados foram neles aplicados. Em contrarazões, a Fazenda Nacional postula a manutenção do julgado pelas considerações expendidas no voto vencedor. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Embora tempestivamente apresentado, entendo que o recurso do contribuinte não pode ser admitido. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10209.000441/200380 Acórdão n.º 9303002.110 CSRFT3 Fl. 14 9 É que, a meu sentir, não se instaurou a pretendida divergência com o acórdão apontado como paradigma. E isso por dois motivos. Por primeiro, porque nele discutiase se, na modalidade drawback suspensão, em que o beneficiário importa, sem pagamento do II, mercadorias a serem empregadas em produtos a serem por ele exportados, a comprovação de que efetuou exportações na quantidade compromissada dos produtos compromissados basta. Ou seja, no acórdão recorrido, há um compromisso de exportação futura (drawback suspensão) enquanto aqui a necessidade de se comprovar a exportação prévia é que é o requisito, ou melhor, um deles. Não há no paradigma indicação de que o raciocínio valha também neste caso. Ademais, todo o raciocínio repousa na premissa de que houve a exportação, enquanto aqui a premissa é exatamente a de que ela não ocorreu. Caso vencido quanto ao conhecimento, adentro o mérito. E entendo que o julgado merece ser mantido. Isso porque não vejo como se possa aplicar ao “drawback intermediário” o princípio da fungibilidade. Explicome. A idéia subjacente a ele é que se a empresa beneficiária efetivamente exportar (suspensão) ou já exportou (isenção) a quantidade que postula, tanto faz que os insumos neles empregados sejam mesmo aqueles importados. Essa conclusão se baseia na premissa de que se os insumos importados não foram empregados naqueles produtos exportados, outros, de fabricação nacional, necessariamente o terão sido, uma vez que a exportação está demonstrada. Tratase, assim penso, de raciocínio por exclusão: a própria empresa só tem esses dois caminhos para produzir aquilo que exportou. Diversa é, no entanto, a situação quando envolvida uma terceira empresa, como ocorre no drawback intermediário. É que a mera comprovação de que esta última empresa – que não é a beneficiária do regime – exportou dada quantidade da mercadoria compromissada pela outra não garante que, necessariamente, os insumos tenham sido adquiridos no mercado interno com tributação: eles podem provir de qualquer outro produtor igualmente beneficiário de regime equivalente. Por isso, as exigências apostas no ato normativo da DECEX e listadas pela autoridade autuante não são, de modo algum, meras obrigações acessórias, como quer fazer crer a recorrente. Muito pelo contrário, são elas que permitem assegurar, no caso do drawback intermediário, que houve a exportação na quantidade compromissada ou alegada. Sua ausência, pelo contrário, tem o condão de promover uma verdadeira multiplicação das verificações necessárias à fiscalização de cada ato concessório. Com efeito, embora a fiscalização devesse ser realizada apenas no beneficiário do regime, teria de ser deslocada para o outro interveniente, de modo a assegurar que aquela mesma nota fiscal de exportação não beneficie um terceiro ato concessório. E a cadeia não teria fim. Essa é, aliás, a mesma justificativa para que nas operações envolvendo comerciais exportadoras não baste a comprovação de que determinada quantidade de mercadorias foi por ela exportada para que se admitam as isenções previstas em lei para o Fl. 595DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 produtor que a ela vendeu. Como se sabe, o legislador estabeleceu o requisito de que as mercadorias saiam, se não diretamente para o veículo que a transportará, ao menos para recinto alfandegado; do contrário, somente auditando todas as compras feitas pela comercial exportadora se poderia evitar a “multiplicação” do incentivo. No presente caso, a norma reguladora, sabiamente, impôs a menção nos documentos que atestam as saídas dos estabelecimentos industriais dos atos concessórios envolvidos, bem como sua indicação nos Registros de Exportação. E previu que sua desobediência basta à não concessão do regime. O auto de infração apenas aplica a norma. Com essas considerações, voto pelo não conhecimento do recurso; e caso vencido, pelo seu não provimento. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 596DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720305/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEPENDENTE. CÔNJUGE/COMPANHEIRO. AUSÊNCIA INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS.
Não tendo a contribuinte informado em sua Declaração de Imposto de Renda seu cônjuge/companheiro como dependente, não há se falar em dedução de suas despesas médicas, por absoluta falta de previsão legal.
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DIRPF. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. EXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. DESCRIMINAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA EM PARTE LANÇAMENTO. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE.
A apresentação de extrato discriminando os valores referente a cada beneficiário, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física.
In casu, tratando-se de Plano de Saúde, os documentos ofertados pela contribuinte, notadamente extrato dos pagamentos por beneficiário, conjugado com os demais elementos de prova acostados aos autos, oferecem sustentação à tese da recorrente, impondo seja restabelecida parte da dedução pretendida. Por outro lado, quanto ao beneficiário, Sr. Benedicto Jose da Silva, por não constar como dependente na declaração da contribuinte, é de se manter a glosa procedida pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas no quantum de R$ 5.905,09 (cinco mil, novecentos e cinco reais e nove centavos), referente as despesas da contribuinte com o plano de saúde Unimed de Bauru, mantendo as demais glosas.
André Luís Marsico Lombardi- Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEPENDENTE. CÔNJUGE/COMPANHEIRO. AUSÊNCIA INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. Não tendo a contribuinte informado em sua Declaração de Imposto de Renda seu cônjuge/companheiro como dependente, não há se falar em dedução de suas despesas médicas, por absoluta falta de previsão legal. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DIRPF. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. EXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. DESCRIMINAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA EM PARTE LANÇAMENTO. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE. A apresentação de extrato discriminando os valores referente a cada beneficiário, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. In casu, tratando-se de Plano de Saúde, os documentos ofertados pela contribuinte, notadamente extrato dos pagamentos por beneficiário, conjugado com os demais elementos de prova acostados aos autos, oferecem sustentação à tese da recorrente, impondo seja restabelecida parte da dedução pretendida. Por outro lado, quanto ao beneficiário, Sr. Benedicto Jose da Silva, por não constar como dependente na declaração da contribuinte, é de se manter a glosa procedida pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10825.720305/2012-33
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577051
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.123
nome_arquivo_s : Decisao_10825720305201233.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10825720305201233_5577051.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas no quantum de R$ 5.905,09 (cinco mil, novecentos e cinco reais e nove centavos), referente as despesas da contribuinte com o plano de saúde Unimed de Bauru, mantendo as demais glosas. André Luís Marsico Lombardi- Presidente Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6321549
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122903494656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 66 1 65 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.720305/201233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.123 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente DAISE GODOI SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEPENDENTE. CÔNJUGE/COMPANHEIRO. AUSÊNCIA INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. Não tendo a contribuinte informado em sua Declaração de Imposto de Renda seu cônjuge/companheiro como dependente, não há se falar em dedução de suas despesas médicas, por absoluta falta de previsão legal. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DIRPF. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. EXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. DESCRIMINAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA EM PARTE LANÇAMENTO. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE. A apresentação de extrato discriminando os valores referente a cada beneficiário, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 03 05 /2 01 2- 33 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 In casu, tratandose de Plano de Saúde, os documentos ofertados pela contribuinte, notadamente extrato dos pagamentos por beneficiário, conjugado com os demais elementos de prova acostados aos autos, oferecem sustentação à tese da recorrente, impondo seja restabelecida parte da dedução pretendida. Por outro lado, quanto ao beneficiário, Sr. Benedicto Jose da Silva, por não constar como dependente na declaração da contribuinte, é de se manter a glosa procedida pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas no quantum de R$ 5.905,09 (cinco mil, novecentos e cinco reais e nove centavos), referente as despesas da contribuinte com o plano de saúde Unimed de Bauru, mantendo as demais glosas. André Luís Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10825.720305/201233 Acórdão n.º 2401004.123 S2C4T1 Fl. 67 3 Relatório DAISE GODOI SILVA, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 22a Turma da DRJ em São Paulo/SP1, Acórdão nº 1641.146/2012, às fls. 28/32, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de glosas de deduções indevidas de despesas médicas, em relação ao exercício 2011, conforme peça inaugural do feito, às fls. 19/24, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 30/01/2012, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Especificamente, no decorrer da ação fiscal apurouse deduções indevidas com despesas médicas referentes a Unimed de Bauru e ao Instituto de Assistência Médica, não comprovadas, razão das glosas procedidas pelo auditor fiscal. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 45/46, procurando demonstrar sua total improcedência e nulidade, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que equivocouse na elaboração do imposto de renda referente ao exercício em epígrafe, não declarando como dependente o seu cônjuge Sr. Benedicto José da Silva, requerendo desde já seja oportunizada a retificação de sua Declaração, de maneira a corrigir a informação equivocada. Explicita que inicialmente tinha como intenção elaborar a Declaração de imposto de renda de forma conjunta com seu cônjuge, porém, por dificuldades de interpretação das instruções de preenchimento, não o declarou como dependente na declaração original em 12/03/2011 e nem mesmo na retificadora a posterior. Entrementes, assevera estar o Sr. Benedicto José da Silva acamado desde 2007, sendo dependente totalmente da contribuinte, pagando todas as despesas médicas, ora objeto de autuação. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, sustentando que não omitiu rendimentos, mas simplesmente os informou em outro campo, objetivando usufruir da isenção decorrente de moléstia grave, não tendo agido de máfé, o que reforça a necessidade de ser oportunizado proceder a correção da sua Declaração. Alega a recorrente que os valores de R$ 16.572,00 e R$ 249,24 são referentes a procedimentos realizados pelo seu esposo e, como já explicitado anteriormente, o mesmo é totalmente dependente da contribuinte, porém, o simples motivo da glosa foi por este não ter sido inserido como dependente na declaração. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Já em relação aos R$ 11.810,17, afirma ter sido glosado porquanto não fora juntado aos autos o demonstrativo informando os valores referentes a cada beneficiário do plano, colacionando ao processo nesta oportunidade. Por todo o exposto, requer a contribuinte o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10825.720305/201233 Acórdão n.º 2401004.123 S2C4T1 Fl. 68 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas referente ao plano de saúde e as despesas com o seu companheiro no decorrer do exercício sob análise. Uma vez intimada a apresentar os comprovantes do plano de saúde com os valores discriminados por beneficiários, a autuada não o fez, na forma que a legislação de regência exigia, ensejando a respectiva glosa e a lavratura da presente notificação de lançamento. Com mais especificidade, a autoridade lançadora procedeu às glosas das despesas em comento em face das seguintes razões: 1) Despesas médicas com cônjuge dependente dedução indevida de despesas com Sr. Benedicto Jose da Silva, pessoa não incluída como dependente na Declaração da contribuinte; 2) Plano de saúde a contribuinte não apresentou os comprovantes de despesas com plano com os valores discriminados por beneficiários; Diante das peculiaridades das despesas suportadas pela contribuinte, as quais foram glosadas pela fiscalização, mister se faz separálas para melhor análise da demanda, como segue: 1) Despesas médicas com o Sr. Benedicto Jose da Silva dedução indevida com não dependentes erro na Declaração: No que concerne à aludida infração, apurouse que a contribuinte pretendeu deduzir do seu imposto de renda despesas médicas de seu companheiro, sem conquanto ter informado como seu dependente na respectiva DIRPF. Em sua peça recursal, a contribuinte contrapõese à aludida exigência, suscitando não haver dúvidas que o dependente e beneficiário (Sr. Benedicto Jose da Silva) é seu companheiro, motivo pelo qual impõese afastar a glosa da despesa efetuada pela fiscalização. Admite que, de fato, houve equívoco ao deixar de informar em sua Declaração seu companheiro como dependente, não podendo, no entanto, ser punida por esse mero erro, sobretudo diante da ausência de prejuízo ao erário, devendo ser, igualmente, afastada a glosa da despesa médica e retificada sua Declaração. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal. Do exame dos elementos que instruem o Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 processo, concluise que o lançamento, neste item, se apresenta incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. A rigor, apesar de concordar que não declarou seu companheiro como dependente em sua Declaração, pretende a contribuinte afastar a exigência fiscal procurando demonstrar que, de fato, se apresenta como seu dependente, razão pela qual merece o tratamento tributário desta condição. Ocorre que, a legislação de regência, somente possibilita a dedução de despesas médicas de seus dependentes, na forma precisamente determinada nas normas legais e, para tanto, antes de mais nada, cumpre à contribuinte informar seu dependente como tal em sua Declaração de Imposto de Renda. Assim não o tendo feito, não há como se acolher sua pretensão. Observese, que referida situação (não declaração como dependente) fora extraída dos próprios documentos (DIRPF) elaborados pela contribuinte e ratificada posteriormente, não havendo qualquer amparo legal a pretensão da recorrente. Aliás, a própria contribuinte confirma tal situação, pleiteando simplesmente a possibilidade de retificar sua declaração, de maneira a inserir no campo certo seu companheiro como dependente, ressaltando sua boafé. No entanto, a boafé ou máfé da contribuinte costuma ser apenada com a qualificação da multa, o que não se observou no caso dos autos e, a sua intenção, quanto ao recolhimento do tributo em si, não tem o condão de rechaçar a exigência fiscal. Com mais especificidade, a legislação de regência estabelece que a responsabilidade por infrações independe dos efeitos do ato praticado pelo contribuinte. É o que se extrai do artigo 136 do Códex Tributário, nos seguintes termos: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Por sua vez, relativamente a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento, o artigo 138 do Código Tributário Nacional é por demais enfático ao vedar tal procedimento, in verbis: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." (grifamos) Na hipótese dos autos, a contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10825.720305/201233 Acórdão n.º 2401004.123 S2C4T1 Fl. 69 7 Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. 2) Despesas com Plano de Saúde Unimed de Bauru Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 72DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Na hipótese dos autos, a querela se resume na apresentação dos comprovantes discriminando os valores por beneficiários do plano (titular e dependentes). Assim, a contribuinte fora intimada para prestar tal informação, não o tendo feito na forma pleiteada pela fiscalização, que achou por bem glosar a integralidade da despesa. Por outro lado, com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, trouxe à colação por ocasião deste recurso extrato discriminando os valores pagos ao Plano de Saúde por beneficiário, de fls. 54/57. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito da contribuinte merece acolhimento em parte, como passaremos a demonstrar. Da análise dos documentos acostados aos autos, de fls. 54/57, fica claro que a contribuinte faz jus a dedução de parte dessas despesas, uma vez ter rechaçado o motivo da glosa efetuada pelo auditor, qual seja, apresentar documento comprobatório com os valores discriminados por beneficiário. Com efeito, os extratos de pagamento colacionadas ao processo junto ao recurso voluntário melhor esclarece os fatos, demonstrando com maiores detalhes as especificidades do plano e respectivos beneficiários. Destarte, consta de tais documentos a confirmação da titularidade da contribuinte do plano de saúde, bem como a relação de beneficiários, quais sejam, a própria contribuinte e o Sr. Benedicto José da Silva. Assim, conforme já analisado no tópico anterior, não podemos considerar como dependente o Sr. Benedicto José da Silva, pelas razões já narradas, motivo pelo qual a glosa do valor descriminado referente a este beneficiário deve ser mantida, não sendo mais apreciada. Portanto, sanada a exigência que deu margem a notificação de lançamento, deve ser restabelecida a dedução no quantum de R$ 5.905,09 (cinco mil, novecentos e cinco reais e nove centavos) (fls. 55), referente as despesas da contribuinte com o plano de saúde Unimed de Bauru. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10825.720305/201233 Acórdão n.º 2401004.123 S2C4T1 Fl. 70 9 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, parcialmente em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas no quantum de R$ 5.905,09 (cinco mil, novecentos e cinco reais e nove centavos), referente as despesas da contribuinte com o plano de saúde Unimed de Bauru, mantendo as demais glosas, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720542/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Descabida a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.
LEI TRIBUTÁRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2).
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 2401-003.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabida a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. LEI TRIBUTÁRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2). Recurso voluntário negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18088.720542/2012-97
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559058
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-003.952
nome_arquivo_s : Decisao_18088720542201297.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 18088720542201297_5559058.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6255602
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122906640384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 738 1 737 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.720542/201297 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.952 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. Recorrente MARCHESAN IMPLEMENTOS E MÁQUINAS AGRÍCOLAS TATU S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS PELA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabida a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. LEI TRIBUTÁRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2). Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 05 42 /2 01 2- 97 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18088.720542/201297 Acórdão n.º 2401003.952 S2C4T1 Fl. 739 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18088.720542/201297 Acórdão n.º 2401003.952 S2C4T1 Fl. 740 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1441.373 (fls. 678/683): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE VALORES DECLARADOS EM GFIP APRESENTADA POSTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CAUSA DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 263/268, que o processo administrativo é composto por dois Autos de Infração (AI) relativos à obrigação principal, nas competências 10/2008 e 13/2008, nesses termos: i) AI nº 37.337.4704, relativo às contribuições previdenciárias patronais, constantes dos incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, incidentes sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais; e ii) AI nº 37.337.4712, referente às contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre remunerações de segurados empregados (FPAS 507 TERCEIROS 0079). 2.1 Em síntese, consta da acusação fiscal: i) em relação à competência 10/2008, o contribuinte, após alegar equívoco na apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), entregou documento retificador, em 15/5/2012, com a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais; ii) segundo a fiscalização, a "declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz efeitos tributários, Fl. 740DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18088.720542/201297 Acórdão n.º 2401003.952 S2C4T1 Fl. 741 4 devendo ser as contribuições nela informadas consideradas como não declaradas e, por conseguinte, sujeitas ao lançamento de ofício."; iii) ainda quanto à competência 10/2008, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, em atendimento ao art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN); iv) no tocante à competência 13/2008, a fiscalização registrou que o sujeito passivo deixou de informar em GFIP as remunerações relativas a dois segurados, conforme tabela; e v) para ambas as competências foram confrontadas as folhas de pagamento de salários e as GFIPs. No caso da GFIP, a fiscalização analisou os documentos transmitidos antes e depois do início da auditoria. 3. Cientificado da autuação por via postal em 13/11/2012, às fls. 275/276, o contribuinte impugnou a exigência fiscal e aduziu, em resumo (fls. 278/315): i) preliminarmente, o cerceamento do seu direito de defesa, pois a fiscalização impossibilitou o autuado de identificar a origem dos valores considerados na apuração do crédito tributário lançado, ao deixar de demonstrar a metodologia que foi utilizada nos cálculos. O auto de infração não descreve de forma clara e completa a matéria tributável e não permite a compreensão das diferenças de contribuições exigidas; ii) que o lançamento foi realizado sem provas diretas e cabe à Administração Tributária o ônus da prova do ilícito tributário, devendo o ato jurídico administrativo estar devidamente fundamentado; iii) no mérito, tanto a inconstitucionalidade da contribuição patronal incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais quanto das contribuições devidas a terceiros; e iv) valor excessivo da multa, assim como o caráter confiscatório da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), por não possuir embasamento legal e a capitulação não guardar correlação lógica com a natureza jurídica. Em última análise, a disciplina da penalidade não atende aos princípios constitucionais. 4. Intimada em 27/5/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 685, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 21/6/2013, em que repete os argumentos expendidos em sua impugnação, requerendo a nulidade do auto de infração por vício material e, no mérito, a reforma do Acórdão nº 1441.373 (fls. 687/720). É o relatório. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18088.720542/201297 Acórdão n.º 2401003.952 S2C4T1 Fl. 742 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Cerceamento de defesa 6. A recorrente alega que se vê prejudicada no exercício da plenitude do direito de defesa, vez que: "não consegue identificar a origem dos valores considerados pela fiscalização para fins de determinação do quanto devido, não sendo possível impugnar o lançamento, quer de forma geral, quer de forma pormenorizada." (destaque no original). 6.1. Portanto, sustenta que o relatório fiscal não explica de forma clara e precisa a origem do crédito tributário exigido, deixando a autoridade lançadora de demonstrar como chegou ao valor das bases de cálculo das contribuições previdenciárias. 7. Pois bem. Li e reli o relatório fiscal, assim como os seus anexos, e não constatei o alegado cerceamento do direito de defesa. 8. Além de conter a descrição pormenorizada dos fatos que são imputados ao sujeito passivo, o relatório expõe de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. 9. A acusação deixa explícito que os valores apurados e lançados, na competência 10/2008, referemse a fatos geradores declarados pelo próprio contribuinte em GFIP após o início da ação fiscal, ao passo que, na competência 13/2008, os valores apurados e lançados dizem respeito a remunerações omitidas em GFIP, verificados mediante confronto com as respectivas folhas de pagamento apresentadas pelo fiscalizado (itens "3.8", "3.10" e "4", entre outros, do relatório fiscal). 10. Ao identificar os fatos geradores e as bases de cálculo a partir de documentos produzidos e apresentados pelo sujeito passivo, cujos valores foram declarados e incluídos em folhas de pagamento, não há que se falar em omissão da autoridade fiscal quanto à metodologia aplicada nos cálculos, tampouco merece acolhida o argumento de desconhecimento da origem dos valores lançados pela fiscalização. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18088.720542/201297 Acórdão n.º 2401003.952 S2C4T1 Fl. 743 6 11. A autoridade fiscal motivou adequadamente o ato administrativo, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção às regras matrizes de incidência, conforme exigido tanto pelos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, quanto pelo art. 142 do CTN. 12. Ausentes vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, entendo que descabe cogitar a nulidade do lançamento fiscal. b) Carência de elementos probatórios 13. Por sua vez, aponta a recorrente haver deficiência na produção de prova pela Administração Tributária, alegação que se confunde, a meu sentir, com o próprio mérito da autuação. 14. Nada obstante, mantendo a ordem das razões recursais, analiso tal argumento nessa parte do voto, sob o prisma de existir vício em dos elementos intrínsecos do ato administrativo. 15. Como acima já anotado, o Fisco motivou o lançamento e descreveu os elementos comprobatórios da ocorrência do fato jurídico, assim como das circunstâncias em que foi verificado, respaldando o nascimento da relação jurídica por meio de suporte na linguagem das provas. 15.1 Acaso instaurado o litígio, como realmente foi, caberia ao contribuinte provar a inocorrência dos fatos alegados pela fiscalização, pela existência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito invocado pela acusação fiscal, amparados minimamente em indício de prova material. 16. Além disso, o lançamento foi realizado mediante uso de provas diretas obtidas em documentos fiscais produzidos pelo sujeito passivo, pois têm relação direta com os fatos neles registrados, de sorte que se mostram desprovidas de qualquer fundamento as alegações da recorrente que a autuação decorreu de "mera arguição teórica e incomprovada" e amparouse em "fatos especulativos ou superficiais". 17. Dessa feita, realizado o lançamento com respaldo em provas, devidamente motivado, rejeito a declaração de nulidade da autuação fiscal mais uma vez. Mérito 18. Verifico que a recorrente não logrou êxito em desincumbirse do ônus que lhe pesa de elidir a imputação da acusação fiscal, tendo em vista que, sob a ótica da aplicação das leis tributárias aos fatos jurídicos detalhados na autuação, não indicou qualquer incorreção no lançamento por parte da autoridade fiscal. 19. Em verdade, concentrou sua defesa em apontar possíveis aspectos de inconstitucionalidade nas leis tributárias que sustentam a exigência da(s): a) contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes; Fl. 743DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18088.720542/201297 Acórdão n.º 2401003.952 S2C4T1 Fl. 744 7 b) contribuições devidas a terceiros, especificamente quanto ao Salário Educação, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Serviço Nacional de Aprendizagem dos Industriários (Senai), Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); e c) multa de ofício. 20. Porém, como sabido, argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 21. No caso das contribuições devidas a terceiros, cabe lembrar que a definição da sujeição passiva observa um critério de referibilidade indireta. Vale dizer que a incidência dessas contribuições dáse, por força da lei, sobre sujeitos passivos que não são necessariamente beneficiários diretos do resultado da atividade estatal que elas objetivam ou implementam. 21.1 Por isso, a elisão da relação tributária impõe o ônus de quem alega em comprovar a sua não vinculação com o tributo, por intermédio do confronto com os dispositivos da respectiva lei instituidora da exação. Uma vez inobservado esse encargo pela recorrente, há de se confirmar as imposições tributárias. 22. Quanto à multa de mora e à multa de ofício, respectivamente, no percentual de 24 (vinte e quatro por cento) e 75% (setenta e cinco por cento), as discussões em face do alegado valor excessivo e confiscatório refogem ao âmbito administrativo, conforme acima exposto, porquanto envolvem juízo de valoração de validade e/ou constitucionalidade da exigência naqueles patamares, vedado no âmbito do contencioso administrativo. 1 23. De qualquer sorte, em relação à competência 10/2008, a fiscalização verificou a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações promovidas na Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 23.1 Comparou, para fins de aplicar a retroatividade benigna expressa na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, de um lado, a legislação anterior, igual ao somatório da multa aplicada nos moldes do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (obrigação principal), e da multa aplicada na forma do § 5º do art. 32 da mesma Lei (obrigação acessória); e, de outro, a legislação atual, equivalente a multa de ofício de 75% sobre o valor não declarado, prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e introduzida pela MP nº 449, de 2008, sem qualquer limitação. 23.2 Ao final, inferiu corretamente que a penalidade menos severa para a obrigação principal, na competência 10/2008, era a multa estabelecida no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores. 1 Súmula Carf nº 2. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18088.720542/201297 Acórdão n.º 2401003.952 S2C4T1 Fl. 745 8 24. No que tange à multa de ofício no percentual de 75%, incidente para os fatos geradores a partir da competência 12/2008, inclusive décimo terceiro, sua aplicação encontra fundamento no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, c/c inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, como bem indicou a fiscalização. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 745DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001460/2011-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/09/2010, 08/09/2010, 23/09/2010, 28/09/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/09/2010, 08/09/2010, 23/09/2010, 28/09/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10314.001460/2011-36
anomes_publicacao_s : 201511
conteudo_id_s : 5546885
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.123
nome_arquivo_s : Decisao_10314001460201136.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10314001460201136_5546885.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 6183455
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122910834688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2090; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 155 1 154 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.001460/201136 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.123 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria PAF MANDADO DE SEGURANÇA Recorrente SOCIEDADE BENEFICIENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN" Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/09/2010, 08/09/2010, 23/09/2010, 28/09/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 14 60 /2 01 1- 36 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 154), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.541, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 04 a 29, cientificados em 24.03.2011, em que são exigidos o imposto sobre produtos industrializados, o imposto de importação e as contribuições PIS importação e COFINS importação, todos acrescidos dos juros de mora calculados até 28.02.2011, perfazendo um montante de R$ 124.363,35. Através das declarações de importação (DI) nº 10/15531808, 10/16708418 e 10/17061680, registradas, respectivamente, em 06.09.2010, 23.09.2010 e 28.09.2010, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força da tutela concedida nos autos do Agravo de Instrumento TRF nº 2010.03.00.0157913, originário do Mandado de Segurança nº 000724357.2010.403.6100, impetrado perante a 15ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram desembaraçadas e entregues à importadora em atenção Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.001460/201136 Acórdão n.º 3802004.123 S3TE02 Fl. 156 3 ao despacho exarado no mandado de segurança supracitado e atendendo o disposto no MEMO nº 53/2011 GAB/IRF/SPO de 07/02/2010 (fls. 34). No item 1 do referido expediente, a autoridade competente, expõe o que segue: “1. Nos termos da decisão de primeira instância prolatada nos autos do Mandado de Segurança nº 000724357.2010.403.6100 da 15ª Vara Federal/SP, proposta pela SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA –HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, contra o Inspetor Alfandegário da Receita Federal em São Paulo, pleiteando a impetrante que lhe seja reconhecida a imunidade referente ao Imposto de Importação – II, ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e às contribuições sociais do PIS e COFINS, o juízo assim se manifestou:”Como se vê, a autora não logrou êxito a demonstrar a preenchimento das exigências legais e constitucionais, ou seja, deixou e atender as condições impostas pelo art. 14, do CTN, quais sejam, a manutenção não permite concluir pelo direito ao gozo da imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido”. Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu, em 13.04.2011, defesa administrativa às fls. 58 a 68, para, de início, alertar que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força da tutela concedida nos autos do Agravo de Instrumento TRF nº 2010.03.00.0157913, originário do Mandado de Segurança nº 000724357.2010.403.6100 em trâmite perante a 15ª Vara Cível da Subseção Judiciária de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Prosseguindo na sua defesa, alega que ainda que o tributo fosse devido, no presente caso não seria possível a aplicação dos juros moratórios, em razão do disposto no inciso V do artigo 151 do CTN. Assevera que estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa não há falar em aplicação de juros, pois se não pode ser cobrar o referido tributo, não há, por decorrência, como entender que esteja em mora. Cita, em seu favor, doutrinas e jurisprudências sobre os temas em debate. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/09/2010, 08/09/2010, 23/09/2010, 28/09/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010, 08/09/2010, 23/09/2010, 28/09/2010 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iii) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 154), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.001460/201136 Acórdão n.º 3802004.123 S3TE02 Fl. 157 5 O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em três itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iii) Da insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (ii) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Apesar de não haver sido feita a juntada aos autos da petição inicial do writ (o que, por si, já seria razão para não conhecer desse item, conforme art. 16, V, do Decreto 70.235/72), as menções à sentença suspensiva denegatória mencionado nos autos do Mandado de Segurança n° 000724357.2010.403.6100 da 15ª Vara Federal/SP, feito pela Recorrente, pelo Fisco e na decisão a quo, permite tal constatação. Em seu recurso, a recorrente informa que " a exigibilidade suspensa por força de liminar concedida por força da tutela no Agravo de Instrumento nº 2010.03.00.0157913, originários do MS acima especificado". Segue informando que "foi proferida sentença que pende de julgamento junto ao Tribunal Federal da Terceira Região. Segue transcrito abaixo um excerto do Relatório e do Voto a decisão da DRJ (fls. 119/125), que trata dessa matéria (frifo nosso): "(...) Através das declarações de importação (DI) nº 10/15531808, 10/16708418 e 10/17061680, registradas, respectivamente, em 06.09.2010, 23.09.2010 e 28.09.2010, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força da tutela concedida nos autos do Agravo de Instrumento TRF nº 2010.03.00.0157913, originário do Mandado de Segurança nº 000724357.2010.403.6100, impetrado perante a 15ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. (...)Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 000724357.2010.403.6100, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 São Paulo, perante a 15ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio das declarações de importação (DI) nº 10/15531808, 10/16708418 e 10/17061680, registradas, respectivamente, em 06.09.2010, 23.09.2010 e 28.09.2010, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação. Mais adiante, a própria Recorrente em sua peça impugnatória, ressalta o que segue (fls. 60 e seguintes), grifo nosso: "(...) Preliminarmente, cabe ressaltar que o crédito tributário lançado através de presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de tutela concedida nos autos do Agravo de Instrumento TRF n° 2010.03.00.0157913, originário do Mandado de Segurança n° 0007243 57.2010.403.6100 em tramite perante a 15ª Vara Cível da Subseção Judiciária de São Paulo (...). (...) Com estas palavras não pairam dúvidas acerca da impossibilidade da Unido Federal (ou qualquer outro ente tributário) gravar o que está disposto no artigo 150, VI e 195 § 7° da Constituição Federal. (...) É de hialina clareza que todos os preceitos constitucionais atinentes à imunidade tributária pelas entidades de assistência social são preenchidos pela Impugnante, não se vislumbrando motivo plausível para a exigência de recolhimento do Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Cofins e o PIS. De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a ele. (iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado no Mandado de Segurança Preventivo 000724357.2010.403.6100 perante a 15ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo (processo nº 2008.61.00.0203671). Naquela demanda, após ter indeferido seu pedido de antecipação de tutela, o contribuinte interpôs Agravo de Instrumento TRF n° 2010.03.00.0157913, perante o TRF da Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.001460/201136 Acórdão n.º 3802004.123 S3TE02 Fl. 158 7 3ª Região, originário do Mandado de Segurança acima, no qual foi deferida a antecipação dos efeitos da tutela recursal. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
