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Numero do processo: 10435.000150/96-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1994
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Não cabem embargos contra acórdão que não contenha obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, e no qual não foi omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-003.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Jairo Victor Silva de Brito OAB/PE nº 33.410. Adiado o julgamento para o período vespertino a pedido do recorrente
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1989 a 31/12/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Não cabem embargos contra acórdão que não contenha obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, e no qual não foi omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Embargos Rejeitados.
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NÃO CABIMENTO. Não cabem embargos contra acórdão que não contenha obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, e no qual não foi omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Jairo Victor Silva de Brito OAB/PE nº 33.410. Adiado o julgamento para o período vespertino a pedido do recorrente (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 01 50 /9 6- 55 Fl. 904DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10435.000150/9655 Acórdão n.º 3801003.414 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório A contribuinte com fundamento no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, opõe embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 001.406, proferido por esta Turma Especial da Terceira de Julgamento do CARF. Argumenta que a autoridade fiscal utilizou, nos cálculos de apuração do direito de crédito referente ao Finsocial, valores divergentes dos efetivamente pagos para os períodos em questão, comprovados através de DARFs, cujas cópias estão às fls. 98/160 dos autos. Alega omissão quanto à análise de elementos constantes nos autos, pois a turma, ao proferir a decisão recorrida, teria deixado de proceder à análise comparativa entre os valores efetivamente pagos, conforme DARFs às folhas 98/160, e os utilizados pela fiscalização no cálculo. Requer o recebimento dos embargos declaratórios para atribuirlhes efeitos infringentes, sanando a omissão apontada. O processo foime distribuído para relatar, tendo em vista que o Conselheiro José Luiz Bordignon, relator do acórdão recorrido, não mais pertence a esta turma. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O pedido foi protocolado dentro do prazo previsto no parágrafo 1º, do art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do CARFRICARF, logo é tempestivo. Os arts. 64 e 65 do Anexo II do RICARF assim dispõem: “Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; e II Recurso Especial. Parágrafo único. Das decisões dos colegiados não cabe pedido de reconsideração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e Fl. 905DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10435.000150/9655 Acórdão n.º 3801003.414 S3TE01 Fl. 4 3 os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. (...)” Não houve a omissão apontada pela embargante. As seguintes considerações foram retiradas do relatório do acórdão embargado. i) A fiscalização da DRF/Caruaru analisou a documentação anexada às folhas 47/90 e 98/160, verificou a autenticidade de recolhimentos e procedeu à imputação de pagamentos dos respectivos débitos, para fins de apurar o direito de crédito da contribuinte. ii) Em relação ao Finsocial, a fiscalização realizou diligências e analisou documentos e livros fiscais, com base nos quais apurou a base de cálculo, confrontandoa com os pagamentos efetuados pela contribuinte, fls. 98/160, resultando no demonstrativo de folhas 233/234. iii) Com base nesta análise, procedeuse à imputação conforme demonstrativos de folhas 235/249, após a qual se concluiu pela existência de saldos de pagamentos (créditos) em favor da contribuinte, conforme demonstrativo à folha 250. iv) A contribuinte apresentou petição dirigida à DRF/Caruaru, insurgindose contra as conclusões da fiscalização, alegando, entre outras coisas, que foram ignoradas as base de cálculo utilizadas por ela para pagamento dos DARF, tendo sido consideradas somente as informações constantes dos livros Registro de Apuração do ICMS. v) A autoridade fiscal analisou as alegações da contribuinte e as contestou, afirmando que cumpriu o que foi determinado judicialmente, ressaltando que não foi vedada ao Fisco a apuração da certeza e liquidez do montante compensado e que os livros fiscais foram aceitos pela fiscalização como meio de obtenção das bases de cálculo dos tributos. vi) A contribuinte apresentou nova manifestação, que foi considerada improcedente pela DRF/Caruaru, e, após, manifestação de inconformidade à DRJ/Pernambuco, indeferida com fundamento na não apresentação de provas capazes de infirmar as conclusões decorrentes do procedimento fiscal baseado em registros da própria contribuinte. vii) No recurso voluntário, foram apresentadas as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, destacandose que não foram considerados os valores pagos constantes dos DARF, o que demonstraria a fragilidade da decisão de primeira instância administrativa. Do voto condutor do acórdão embargado, extraio o seguinte: Fl. 906DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10435.000150/9655 Acórdão n.º 3801003.414 S3TE01 Fl. 5 4 “O relatório da autoridade fiscal, fls. 251/252, descreve com clareza o procedimento adotado com vistas a cumprir a decisão judicial relativa a ação nº 95.3830, inclusive com a indicação das folhas do processo, conforme se constata do trecho abaixo transcrito: Após o contribuinte apresentar os documentos solicitados, foram apuradas as bases de cálculo (faturamento) do FINSOCIAL (período 09/89 a 03/92) e do PIS (período 09/89 a 12/94), confrontando os valores informados pelo contribuinte nos demonstrativos de fls. 18 a 33, declarações do IRPJ entregues pelo mesmo (extrato de fls. 94 a 97) e aqueles obtidos a partir dos livros de registro de apuração do ICMS. Foram então considerados por esta fiscalização os valores mais expressivos, conforme demonstrativos de fls. 172 a 174. A partir das bases de cálculo apuradas (demonstrativos de fls.175 e 176 – PIS e 231 – FINSOCIAL), e dos pagamentos efetuados pelo contribuinte, conforme DARFs apresentados pelo mesmo (cópias de fls. 98 a 160), descritos nos demonstrativos de fls. 179/185 (PIS) e 233/234 (FINSOCIAL), donde decorreu a existência de saldos de pagamentos (créditos) em favor do contribuinte, conforme demonstrativo de fls. 230 (PIS) e 250 (FINSOCIAL). Confrontandose o alegado pelas partes, verificase o acerto do procedimento adotado pela fiscalização em fazer a apuração dos débitos considerando as bases de cálculo apuradas na escrituração e não naquelas eventualmente constantes de Darf, conforme requer a contribuinte. Quanto à apuração do crédito de Finsocial, destacase novamente o correto procedimento praticado pela autoridade fiscal ao calcular o valor devido com base na alíquota de 0,5%, uma vez que as majorações de alíquotas foram julgadas inconstitucionais, para logo depois imputar os pagamentos que foram realizados com as alíquotas majoradas. Assim, foi apurado o crédito do Finsocial e feito o encontro de contas (compensação) com os débitos de Cofins. Portanto, não vislumbro reparo algum no procedimento adotado pela autoridade fiscal quanto a apuração do crédito do Finsocial e da compensação com os débitos da Cofins. Quanto a reclamação da requerente de que a fiscalização desconsiderou valores pagos e que a planilha por ela elaborada não traduz a realidade dos valores a serem recuperados, é de se dizer que não basta a alegação de divergências, devendo as mesmas virem acompanhadas de elementos capazes de se contraporem aos cálculos apresentados pela autoridade fiscal.” Em resumo: Fl. 907DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10435.000150/9655 Acórdão n.º 3801003.414 S3TE01 Fl. 6 5 i) Os DARF que a embargante afirma não terem sido analisados na decisão embargada foram considerados no procedimento fiscal, no julgamento de primeira instância e no julgamento de segunda instância administrativa. ii) Em todos estes momentos eles foram comparados com as bases de cálculo apuradas na escrituração da contribuinte, prevalecendose estas. iii) Em especial, na decisão atacada, assentouse que a fiscalização acertou em apurar os débitos de acordo com as bases de cálculo obtidas da escrituração e não naquelas eventualmente constantes dos DARF, e, mais, que as divergências só poderiam ser resolvidas a favor do alegado pela contribuinte se esta tivesse outros elementos capazes de se contraporem aos cálculos apresentados pela fiscalização. Conclusão Concluise que não houve a omissão apontada pela embargante, motivo pelo qual voto pela rejeição dos embargos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 908DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002823/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. No entanto, em que pese o contribuinte tenha alegado que figurou como interposta pessoa, não se desincumbiu de provar que a origem dos recursos creditados nas suas contas sejam provenientes de movimentação de terceira pessoa, ou seja, empresa na qual é funcionário.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1.501 1 1.500 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.002823/200946 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.110 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente MANOEL JOÃO FERREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. No entanto, em que pese o contribuinte tenha alegado que figurou como interposta pessoa, não se desincumbiu de provar que a origem dos recursos creditados nas suas contas sejam provenientes de movimentação de terceira pessoa, ou seja, empresa na qual é funcionário. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 28 23 /2 00 9- 46 Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 08/07/2009 (fls. 330/337), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao AnoCalendário 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 4.992.796,15, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 08/07/2009. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes à fl. 332, o Fisco em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, constatou Omissão de Rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais, o contribuinte intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 221/329 o que segue: “[...] foi solicitado ao contribuinte através do Termo de Intimação 001 comprovar com documentos hábeis e idôneos a origem dos créditos relacionados individualizadamente nas tabela 01 e 02 constante no referido termo de intimação. Como tratase de contas conjuntas, também foi solicitada a sua esposa através do Termo de Diligência 001 a comprovação desses mesmos créditos. Em atenção a esse Termo de Intimação 001, o fiscalizado compareceu na presença desta fiscalização em 17/06/2009, através de seus procuradores e informou que “é o único titular das contas e dos valores creditados nas contas n. 001.6176 do BESC, Agência 191 (Luís Alves) e n. 00000809, da cooperativa de crédito rural, Agéncia 004300 (Cresol Luís Alves)”, ainda em sua declaração solicitou a exclusão dos cheques devolvidos da base de cálculo do imposto.(grifo nosso) Por sua vez, sua esposa Sra. Maristela Goederet Ferreira em sua declaração informou que: “conquanto conste a participação da contribuinte como segunda titular das contas n. 001.6176 do BESC, Agéncia 191 (Luís Alves) e n. 00000809, da cooperativa de crédito rural, Agência 004300 (Cresol Luís Alves)a mesma não é titular de nenhum dos valores noticiados no Termo de Diligência, não obtendo qualquer acréscimo de renda e/ou patrimonial com a origem nos mesmos”.(grifo nosso) Sanada a questão da titularidade dos valores movimentados nas contas, onde o fiscalizado confirma ser o único responsável pelo mesmos, passamos a questão da comprovação da origem dos créditos. Não tendo o contribuinte apresentado nenhuma justificativa em relação aos créditos questionados no Termo de intimação 001, os mesmos constarão do cálculo de omissão de rendimento Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10909.002823/200946 Acórdão n.º 2102003.110 S2C1T2 Fl. 1.502 3 caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada. Por último, informo que somente serão considerados no Termo De Intimação 001. Por fim, consideramos os lançamentos de devolução, como exemplo “DEVOL.CHEQUE DEP. IDENTIF”, como redutor dos lançamentos de créditos, por entender ser este ajuste necessário para correta tributação. [...] Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual efetuando o lançamento do imposto correspondente. [...]” Cientificado da exigência tributária em 05/08/2009 (fl. 344), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 10/08/2009 (fls. 347/360), trazendo os seguintes argumentos: a) Alega que em 24/03/2009 foi juntado o Aviso de Recebimento de entrega do Termo de Início de Fiscalização, datado de 13/03/2008, e que por ter passado mais de um ano da entrega no endereço do contribuinte, seriam nulo os atos praticados na seqüência da ação fiscal, nos termos do § 2° do inciso III do art. 7° do Decreto 70.235/72. Aduz que em 24/O3/2009, o Termo de Início de Fiscalização já perdera a sua validade. b) Que para a validade da prorrogação do procedimento fiscal, a cada sessenta dias deve ser proferida decisão fundamentada, na qual se justificasse a necessidade de se proceder a prorrogação, o que importa em reconhecer a nulidade do prosseguimento por ato omissivo da autoridade fiscal. c) Argumenta que seria ilegítimo o lançamento efetuado unicamente com base nos extratos bancários e que este entendimento não é aceito pelo conselho de contribuintes. d) Que teria direito ao silencio e ao direito de não incriminação. Alega que tanto em processo administrativo como no processo judicial, a pessoa tem o direito de não se autoincriminar, bem como não incriminar outrem, pois nenhuma pessoa está obrigada a praticar ato que seja prejudicial a sua defesa, nos termos da CF, art. 5°, inciso LV. Cita outros dispositivos da Constituição Federal nesta linha de entendimento. Alega que não tinha o contribuinte a obrigação de responder a acusação do fisco antes que esta fosse formalizada, nem de apresentar provas que pudessem incriminálo, ou a terceiros. Que, desta forma, se apresenta como legítimo, nada podendo pesar sobre o contribuinte, o fato deste ter deixado de apresentar a origem dos recursos financeiros que passaram por suas contas bancárias no ano de 2006. e) Alega com fundamento no § 5° do art. 42 do RIR/99, que todos os depósitos bancários realizados em suas contas junto ao BESC, conta n° 001 .6l 76 e à CRESOL de Luiz Alvez, conta n° 809, no ano de 2006, pertencem à empresa “COMERCIAL NILO GOEDERT LTDA EPP, CNPJ 95.838.504/000191. Argumenta que passa a ser devido por esta pessoa jurídica, segundo o art. 849 do RIR/99 a obrigação de pagamento de imposto de renda eventualmente devido em conseqüência dos valores creditados nas referidas contas Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 bancárias. Cita que os depósitos, em moeda corrente nacional e em cheques, provem de vendas a varejo feitas pelo referido estabelecimento comercial, que tem nome de fantasia de Supermercado Nilo Goedert, o qual tem como sócio a esposa do impugnante. Informa que também trabalha no supermercado. Cita que os depósitos bancários foram efetuados por consumidores finais dos produtos revendidos pelo supermercado. Que os boletos de pagamentos dos fornecedores anexados por amostragem, em razão do grande volume que formariam, comprovam que os valores depositados na conta de sua titularidade pertencem à pessoa jurídica Comercial Nilo Goedert, a qual é a legítima dona dos depósitos. Anexa documentos que fariam prova desta alegação, fls. 361 a 413 dos autos. f) Solicita a realização de perícia e diligências, e que coloca a disposição os emitentes dos cheques depositados nas citadas contas para que sejam ouvidos para comprovar se os referidos depósitos serviram para o pagamento de compras feitas no supermercado. g) Requer que seja calculado o imposto devido pela COMERCIAL NILO GOEDERT LTDA, considerando a omissão de receita no ano de 2006 no valor de R$ 9.108.142,43, bem como seja deferido o pagamento parcelado no máximo de meses possíveis, a fim de regularização pela pessoa jurídica. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. PROCEDIMENTO FISCAL. ATO VINCULADO. À administração tributária cabe aplicar a lei, efetuando o lançamento, de forma vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não lhe sendo permitido qualquer discricionariedade ou juízos valorativos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0721218 da 6ª Turma da DRJ/FNS em 30/09/2010 (fl. 423). Sobreveio Recurso Voluntário em 03/11/2010 (fls. 428/452), acompanhado dos documentos de fls. 453 e seguintes, no qual o contribuinte, em suma, alegou o que segue: Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10909.002823/200946 Acórdão n.º 2102003.110 S2C1T2 Fl. 1.503 5 “[...] 12. Não há, com efeito, como exigir uma contraprova definitiva do recorrente, demonstrando a exata coincidência de valores entre os depósitos identificados e a escrituração contábil da pessoa jurídica, da forma exigida pelo v. acórdão recorrido, vez que tal elemento é totalmente desnecessário, pois uma empresa pode ser notificada sem a existência de tal elemento. 13. O recorrente não alega que o tributo já foi pago pela empresa e muito menos que estas receitas já foram escrituradas contabilmente; apenas defende que a "devedora" é a terceira pessoa, devendo esta ser responsabilizada, portanto, pelos "débitos" correlatos. 14. É necessário ter em vista, também, as dificuldades que permeiam a escrituração de tais valores após passado o momento apropriado, pois as informações se perdem com o tempo, sobretudo em casos como o presente, no qual houve milhares, repitase, milhares de operações de depósitos, saques para pagamentos e devoluções de cheques, todas elas envolvendo vários títulos, somados, sem possibilidade de individualização. É humanamente impossível cumprir tal encargo. 15. Apenas com a informação constante nos extratos (soma do depósito de vários cheques e soma do pagamento de várias despesas), não há como fazer o apontamento exigido pelo v. acórdão recorrido, mas não será isto, certamente, que justificará a exigência de valores de quem manifestamente não se enquadra como sujeito passivo da obrigação tributária, sob pena de assim não o sendo, estarse ofendendo frontalmente o mandamento do art. 42, par. 5°, da Lei n. 9.430/96. 16. De fato, em que pese esta impossibilidade de identificação exata, diante do principio da verdade material e da alegação de que as receitas são da pessoa jurídica, uma simples análise da movimentação constante dos extratos bancários (fls.) permitia que a autoridade julgadora a quo identificasse a pertinência da tese levantada. [...]” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os presentes autos acerca de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Preliminarmente, alega o recorrente que a tributação levada a efeito tem por base presunções, lastreada unicamente em extratos bancários, e que este entendimento não é aceito pelo CARF. No entanto, não merece guarida os fundamentos invocados pelo recorrente, isso porque, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é matéria pacificada neste E. Conselho, através da Súmula nº 26, in verbis: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A omissão de rendimentos em decorrência de depósitos bancários creditados em contas de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi comprovada, respaldase no art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. O recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame do contexto probatório dos autos, o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas suas contas bancárias. Em suma, não há comprovação de que os depósitos creditados nas contas bancárias sejam provenientes de movimentações da empresa COMERCIAL NILO GOEDERT LTDA EPP, CNPJ 95.838.504/000191, o que evidenciaria ser o contribuinte interposta pessoa, a fim de ilidir a tributação da referida empresa. Por ser assim, afasto a preliminar. No mérito, no que tange a alegação do recorrente de que os depósitos bancários creditados em suas contas bancárias são provenientes da atividade exercida pela empresa “COMERCIAL NILO GOEDERT LTDA EPP, CNPJ 95.838.504/000191”, a qual tem como sócias sua esposa (Maristela Goedert Ferreira) e sua filha (Juliana Ferreira), verifica se que o interessado não desincumbiu do ônus de comprovar que tais depósitos tem como origem receita operacional do mercado. Nesse sentido, cabe transcrever excertos do presente recurso de fls. 440, que esclarecem esta questão. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10909.002823/200946 Acórdão n.º 2102003.110 S2C1T2 Fl. 1.504 7 “De fato, o Sr. Manoel João Ferreira, embora seja formalmente empregado (inclusive para evitar questionamentos do MTB), na realidade administra a empresa, cuidando das operações cotidianas em todos os seus aspectos. Tratase de uma empresa familiar.” Conforme se infere do trecho acima transcrito, vislumbrase que o interessado informa que, além de sua esposa e filha (Maristela Goedert Ferreira e Juliana Ferreira) constituírem a sociedade, declara que de fato, o próprio, é o administrador da empresa Nilo Goedert, logo, sendo o administrador da empresa, teria acesso a todas as informações da contabilidade e poderia facilmente ter realizado a prova de que os depósitos constantes em suas contas bancárias tinham como origens receitas da pessoa jurídica, podendo inclusive trazer aos autos todos os registros contábeis, o que deixou de fazer, alegando em suma, que “o recorrente não está alegando que a tributação já recaiu sobre a pessoa jurídica e nem que a receita correlata foi lançada contabilmente, mas sim que a devedora é esta, devendo ser lançado o imposto em sua face.” Ora, como bem analisou a decisão de primeira instância, os documentos acostados pelo contribuinte não tem qualquer relação, seja em datas e valores, com os depósitos e as operações da pessoa jurídica, portanto, não merece ser acolhida a justificação do recorrente de que tais depósitos efetuados nas contas de sua titularidade são provenientes de vendas do estabelecimento comercial, o qual, tem apenas vínculo laboral. Com efeito, para que seja aplicado o preceituado pelo artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, que nos casos de interposta pessoa, a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo, neste caso, deve ser acostado aos autos prova inequívoca. No entanto, compulsando os autos, verificase que o contribuinte não acostou documentos hábeis, como a escrituração contábil da empresa, no qual repiso, tinha pleno acesso como “administrador”, a comprovar que os valores creditados nas suas contas bancárias pertencem à terceira pessoa, qual seja, à empresa COMERCIAL NILO GOEDERT LTDA. Portanto, não sendo devidamente comprovada através de documentação hábil e idônea que os valores creditados na conta bancária sob análise referemse à terceira pessoa, é der ser afastada tal justificativa. Nesse sentido, cale transcrever excertos da decisão a quo, que bem fundamentou acerca da falta de documentação à justificar a origem dos depósitos bancários: “Outro fato que deve ser considerado neste julgamento é que não foi apresentado documentação idônea que comprove que os valores depositados nas contas em análise sejam provenientes destas vendas. Não foi apresentado ao fisco, no curso da ação fiscal, bem como em sede de impugnação, prova documental destas alegações, tais como os registros contábeis da Comercial Nilo Goedert Ltda. Se o contribuinte pretende demonstrar que os valores creditados em sua contas bancária supostamente pertenceriam a citada pessoa jurídica, deveria ter apresentado aos autos a comprovação de que estes valores estão regularmente escriturados na contabilidade da empresa Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Comercial Nilo Goedert Ltda, a título de receitas operacionais, no exercício de 2006. Considerando que este, sem qualquer dificuldade, acostou aos autos diversos documentos relativos a pagamentos de fornecedores daquela empresa, não teria também qualquer dificuldade em apresentar comprovação desta movimentação financeira, caso esta estivesse registrada na contabilidade da Comercial Nilo Goedert. Cabe lembrar que o supermercado tem como sócia a sua esposa, Sra. Maristela Goedert Ferreira, CPF 380.172.61934. Nestes termos, por não ter logrado o contribuinte comprovar, nem durante a ação fiscal, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, nem na oportunidade da impugnação ao lançamento, de forma individualizada, a origem de cada um dos ingressos incluídos em sua conta bancária, caracterizada resta a omissão de receita, nos estritos termos do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96.” Por todos estes motivos, não merece reparos a decisão da DRJ, devendo ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720283/2010-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - EXISTÊNCIA DE OMISSÃO - AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO - RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Constatada a existência de omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado.
Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado.
DIAT. QUEM DEVE DECLARAR.
O contribuinte do ITR, proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT.
Embargos de Declaração Acolhidos Sem Efeitos Infringentes.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão de nº 2801002.861, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada..
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - EXISTÊNCIA DE OMISSÃO - AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO - RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado. DIAT. QUEM DEVE DECLARAR. O contribuinte do ITR, proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT. Embargos de Declaração Acolhidos Sem Efeitos Infringentes. Recurso Voluntário Provido.
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Constatada a existência de omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado. DIAT. QUEM DEVE DECLARAR. O contribuinte do ITR, proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT. Embargos de Declaração Acolhidos Sem Efeitos Infringentes. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão de nº 2801002.861, sem alteração do resultado do julgamento, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 02 83 /2 01 0- 71 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.720283/201071 Acórdão n.º 2801003.648 S2TE01 Fl. 127 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº nº 2801002.861 (fls. 111/118 deste processo digital), por meio do qual este Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrido. Aduz a Embargante que o Colegiado admitiu premissa inexistente, qual seja, de que o Embargado apresentou a DIAT. Observa que o Recorrido não apresentou a DIAT relativa ao ano de compra, nem tampouco a da alienação, e que as DIAT foram apresentadas por terceiros. Conforme despacho de fls. 124/125, os embargos foram acolhidos relativamente à contradição apontada para que se possa proceder ao aclaramento da situação em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. No caso, alega a Embargante que o acórdão que proveu o recurso voluntário apresentava contradição e omissão, uma vez que admitiu premissa inexistente, qual seja a de que o contribuinte apresentou a DIAT. De fato o Relator é categórico ao afirmar que houve sim a entrega dos DITR’s à Receita Federal, tanto do ano de aquisição quanto de alienação do imóvel. In verbis: “Ora, no caso em tela não resta a menor dúvida de que as DITR’S dos anos de aquisição e alienação, referentes ao imóvel em questão, foram enviadas para a RFB”(pág. 118 dos autos) Entretanto, conforme se extrai dos autos, as DITR’s não foram entregues pelo contribuinte, mas sim por terceiros conforme consta da decisão da DRJ. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.720283/201071 Acórdão n.º 2801003.648 S2TE01 Fl. 128 3 O Relator, em seu voto, não foi específico ao mencionar quem de fato teria procedido à entrega das DITR’s, abrindo margem para interpretação errônea, permitindo, então, que se chegasse a equivocada conclusão de que o responsável pela entrega das DITR’s teria sido o contribuinte. Sendo assim, há que se reconhecer a omissão apontada para que se possa proceder ao aclaramento da situação em questão. De fato, conforme apontado pela Embargante, o relator não especificou quem teria efetuado o oferecimento das DITR’s, porém não houve admissão de premissa inexistente. O que ocorreu foi uma omissão do acórdão em apontar o cumprimento da obrigação secundária pelo vendedor do imóvel em 2001 e 2002 e pelo posterior adquirente do mesmo em 2003. Tal fato já havia sido reconhecido pela DRJ quando de seu julgamento, nas páginas 78 e 79 dos autos: Na análise dos documentos apresentados, verificase que o contribuinte adquiriu o imóvel rural, localizado no Bairro do Fogueteiro, em Campinas, denominado Sítio São José, em 07/08/2001, da empresa SOCICAM Administração de Projetos e Representações Ltda., CNPJ 43.217.280/000105, conforme Escritura de Venda e Compra lavrada (fls. 23 a 29), pagando o valor de R$ 400.000,00. Posteriormente, em 20/12/2002, o impugnante alienou o sítio para a empresa JCPG Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ 05.616.702/000118, pelo valor de R$ 993.025,00, conforme Escritura de Venda e Compra lavrada em 12/05/2005, apurando ganho de capital na alienação do imóvel no valor de R$ 593.025,00 e imposto sobre a operação no valor de R$ 88.953,75. [...] Quanto às DITR, conforme pesquisas de fls. 07/11, verificase que foram entregues Declarações de ITR, conforme segue abaixo: ANO DE REFERÊNCIA DEPÓSITO DECLARANTE CPF/CNPJ DATA DE RECEPÇÃO 2001 SOCICAM ADM. PROJETOS E REPRES 43.217.280/000105 09/12/2002 2002 SOCICAM ADM. PROJETOS E REPRES 43.217.280/000105 09/12/2002 2003 JCPG EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS 05.616.702/000118 13/10/2003 Ante o que foi acima colacionado verificase que de fato houve a entrega das DITR’s dos anos de aquisição e de alienação do imóvel à RFB, pelas empresas SOCICAM e JCPG, respectivamente, e não pelo Recorrido, como fez crer a Recorrente. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10830.720283/201071 Acórdão n.º 2801003.648 S2TE01 Fl. 129 4 Ora, no caso em tela não resta a menor dúvida de que as DITR’S dos anos de aquisição e alienação, referentes ao imóvel em questão, foram enviadas para a RFB. Também constato que nos autos não consta qualquer informação de que tais DITR’S foram objeto de qualquer tipo de revisão ou glosa. Assim, é de se entender que tais DITR’S já se encontram homologadas tacitamente em razão do escoamento do prazo qüinqüenal. São, portanto, plenamente eficazes para apontar o VTN do imóvel em questão para os fins que visava o Recorrido. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentindo de acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão de nº 2801002.861, sem alteração do resultado do julgamento. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 129DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/ 08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 12893.000162/2007-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2002
PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. APLICAÇÕES DAY-TRADE. JUROS ATIVOS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. ALUGUEL.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Na apuração da base de cálculo de PIS/Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento. Precedentes deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça.
A possibilidade de se excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins pelo argumento de obediência ao conceito constitucional de faturamento, previsto no art. 195, II da Constituição, exigiria pronunciamento quanto à constitucionalidade das leis de regência, o que extrapola a competência do Conselho (Súmula CARF nº 2). Encontra-se em andamento o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785 e da ADC nº 18, não se podendo dizer que já exista decisão do Supremo Tribunal Federal quanto ao tema.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de indébito apenas em relação à inclusão das receitas financeiras e outras receitas na base de cálculo, conforme os valores apurados em diligência pela Unidade de origem.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2002 PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. APLICAÇÕES DAY-TRADE. JUROS ATIVOS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. ALUGUEL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Na apuração da base de cálculo de PIS/Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento. Precedentes deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça. A possibilidade de se excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins pelo argumento de obediência ao conceito constitucional de faturamento, previsto no art. 195, II da Constituição, exigiria pronunciamento quanto à constitucionalidade das leis de regência, o que extrapola a competência do Conselho (Súmula CARF nº 2). Encontra-se em andamento o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785 e da ADC nº 18, não se podendo dizer que já exista decisão do Supremo Tribunal Federal quanto ao tema. Recurso parcialmente provido.
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REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. APLICAÇÕES DAYTRADE. JUROS ATIVOS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. ALUGUEL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Na apuração da base de cálculo de PIS/Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento. Precedentes deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça. A possibilidade de se excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins pelo argumento de obediência ao conceito constitucional de faturamento, previsto no art. 195, II da Constituição, exigiria pronunciamento quanto à constitucionalidade das leis de regência, o que extrapola a competência do Conselho (Súmula CARF nº 2). Encontrase em andamento o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785 e da ADC nº 18, não se podendo dizer que já exista decisão do Supremo Tribunal Federal quanto ao tema. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 01 62 /2 00 7- 02 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de indébito apenas em relação à inclusão das receitas financeiras e outras receitas na base de cálculo, conforme os valores apurados em diligência pela Unidade de origem. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de restituição (fl. 1) apresentado pelo contribuinte em 08/08/2007, por meio do qual pleiteia a restituição de valores recolhidos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) relativo ao período de apuração de 03/2002. O motivo do pedido, conforme informado pelo contribuinte, foi o seguinte: Tratase de pedido de restituição de valores de PIS incidentes sobre as receitas acrescidas à base de cálculo da contribuição pela Lei 9.718/98 uma vez que tal ampliação de base de cálculo foi julgada inconstitucional pelo STF no Recurso Especial 346.084, bem como incidente sobre o valor do ICMS indevidamente incluído na base de cálculo da referida contribuição. Esclarecemos que a parcela da Cofins objeto do presente pedido de restituição foi quitada à época de seu vencimento com créditos oriundos do processo 13851.001142/200112 (doc. 1). Esclarecemos, ainda, que o presente pedido de restituição está sendo efetuado neste formulário tendo em vista que o formulário eletrônico PER/DCOMP não prevê a possibilidade de sua utilização para os casos de créditos oriundos de compensações efetuadas indevidamente ou a major, o que como visto é o caso.” (fl. 1). Com o pedido, o contribuinte apresenta uma planilha (fl. 04) demonstrando os valores do “faturamento”, do ICMS e das “outras receitas”. Na apuração da base de cálculo, o contribuinte não adiciona o valor das “outras receitas” e em relação ao “faturamento” exclui o valor correspondente ao ICMS. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000162/200702 Acórdão n.º 3403002.938 S3C4T3 Fl. 298 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araraquara/SP (DRF) proferiu decisão negando o direito do contribuinte (fls. 11/16), pelas seguintes razões sintetizadas em sua ementa: Assunto: RESTITUIÇÃO/COFINS Ementa: BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da Cofins devido pelas pessoas jurídicas é o faturamento da empresa, correspondente à sua receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas por ela auferidas, conforme determinação legal. COFINS BASE DE CÁLCULO ICMS INCLUSÃO O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da COFINS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE – APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA – IMPOSSIBILIDADE – A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "h" da Constituição Federal. No âmbito administrativo fica vedado aos órgãos julgadores afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de lei em vigor. Crédito Indeferido. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 19/25) argumentando (a) que o Plenário do Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que servia de fundamento legal para a ampliação da base de cálculo, e que este entendimento já era adotado por este Conselho, citando precedentes judiciais e administrativos, (b) e que em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo, já teria havido pronunciamento favorável do Ministro Marco Aurélio no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785, em julgamento pelo Plenário do STF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão 1422.975, de 6 de abril de 2009 (fls. 34/40), negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo a decisão de indeferimento da restituição, pelas seguintes razões constantes de sua ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/04/2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. PREVISÃO LEGAL. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que corresponde à receita bruta, entendida como a totalidade das Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 receitas auferidas pela pessoa jurídica. Somente as parcelas legalmente autorizadas podem ser excluídas da base de cálculo, não se enquadrando nessa situação os valores devidos a título de ICMS. Solicitação Indeferida. O contribuinte interpôs então recurso voluntário (fls. 43/52) reafirmando que seu direito se apóia na “indevida inclusão na base de cálculo da contribuição para o PIS de valores estranhos ao conceito de faturamento”, visto que não poderiam compor tal base de cálculo os valores correspondentes a aplicações financeiras e ao ICMS. Este Conselho, por meio da Resolução nº 340300.083, de 30 de setembro de 2010 (fls. 70/71), converteu o julgamento em diligência para que a Unidade de origem obtivesse as informações e documentos necessários à demonstração das receitas financeiras que o contribuinte alega, bem como verificar e informar quanto à homologação da compensação utilizada pelo contribuinte para o pagamento do débito que é objeto do pedido de restituição. Depois de apresentados esclarecimentos e documentos pela contribuinte (fls. 84/184) foi lavrado Relatório de Diligência Fiscal (fls. 185/191), o qual atestou o seguinte (fls. 187/191): (...) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000162/200702 Acórdão n.º 3403002.938 S3C4T3 Fl. 299 5 (...) Por meio do Termo de Constatação (fl. 199), também se constatou ter sido homologada pela RFB a compensação que foi utilizada anteriormente pelo contribuinte para o pagamento da Cofins do período de apuração 03/2002, vencimento em 15/04/2002, no valor inicial de R$42.676,73. Intimado a respeito do resultado da diligência, o contribuinte apenas manifestou que “Considerando que os montantes das "outras receitas", não enquadradas ao conceito de faturamento, indicados no referido quadro demonstrativo são os mesmos que constam no Demonstrativo das Contas Contábeis, anexado à petição protocolada em 25.3.2011, (...), a requerente não tem nada a acrescentar ao resultado da diligência fiscal” (fl. 175), reiterando o pedido de reconhecimento do seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. (fl. 41 e 42) O contribuinte alega que houve recolhimento a maior de PIS/Cofins por duas razões: primeiro porque incluiu indevidamente na base de cálculo valores de “outras receitas”, as quais não configuram faturamento, conforme decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e a segunda porque o valor do ICMS deveria ser excluído da base de cálculo. O recurso deve ser provido quanto ao primeiro fundamento mas negado em relação ao segundo. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 1) A inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, em julgamento sintetizado na seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio) Este entendimento do Plenário do STF deve aplicado em relação ao presente caso concreto, com amparo no art. 62, p.u., I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que dispõe o seguinte: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000162/200702 Acórdão n.º 3403002.938 S3C4T3 Fl. 300 7 Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” Com razão, portanto, cuidou a Câmara Superior de Recursos Fiscais de aplicar o mesmo entendimento de mérito em âmbito administrativo, concluindo categoricamente que “A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006” (Acórdão nº 0203.757, j. 11/02/2009). Neste mesmo sentido também já entendeu esta Eg. Câmara nos seguintes precedentes: BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. (Acórdão 340300.312, Processo 10580.002107/200402, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, j. 29/04/2010) (...) BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tão só ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o art. 3º da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições. (...) (Acórdão 3403000.816, Processo 10680.720418/200500, Rel. Cons. Domingos de Sá Filho, j. 04/02/2011) PIS, ART. 3º, § I' DA LEI 9.718/98, AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL, EXISTÊNCIA, Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § I" do art. 3' da Lei n° 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, o que permite a este Conselho Administrativo aplicar esta interpretação, com fundamento no art. 26A, § 6°, I do Decreto n° 70,235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09. Recurso Provido em Parte (Acórdão 340300.471, Processo 10384.003078/200595, Rel. Cons. Robson Jose Bayerl, j. 01/07/2010) Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 PIS. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. RECEITA FINANCEIRA. ALUGUEL. SUBVENÇÕES E INCENTIVOS FISCAIS. Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência das contribuições, as receitas financeiras – assim compreendidos os descontos obtidos, dividendos e os ganhos de aplicações financeiras, bem como, em relação às “Outras Receitas Operacionais”, os valores correspondentes a locação, créditos presumidos de IPI e de ICMS e outros subsídios. (Acórdão 340300.566, Processo 10410.004617/200204, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 29/09/2010) (...)PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência das contribuições as variações cambiais. (...) (Acórdão 3403000.081, Processo 18471.002940/200222, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 03/02/2011) O efeito prático da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, como visto, é o de apenas permitir que se inclua na base de cálculo de PIS/Cofins, apurados no regime cumulativo da Lei nº 9.718/98, o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias, não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira. Neste caso concreto, a incidência não deveria ter acontecido sobre os valores das receitas financeiras – tais como ganhos com operações daytrade, juros ativos e variações monetárias ativas –, além de descontos incondicionais obtidos e de receitas de aluguel, visto que o objeto social não alcança a atividade de locação de móveis ou imóveis. Entendo, pois, que assiste razão ao contribuinte na parte em que alega que incluiu indevidamente na incidência de PIS/Cofins receitas que não estariam abrangidas pelo conceito de faturamento, na forma do regime cumulativo previsto na Lei nº 9.718/98, devendo ser reconhecido o direito de indébito nesta parte, conforme apurado pela autoridade de origem em relação à Cofins de 03/2002. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000162/200702 Acórdão n.º 3403002.938 S3C4T3 Fl. 301 9 2) A impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo de PIS/Cofins. O segundo fundamento do contribuinte é de que o valor do ICMS não deveria compor a base de cálculo de PIS/Cofins, pois seu valor não configuraria faturamento. No plano em que o enfrentamento das razões de recurso impõe o pronunciamento sobre a constitucionalidade de dispositivos das leis, cumpre esclarecer que refoge à competência deste órgão julgador administrativo pronunciarse a este respeito, conforme disposto no artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de junho de 2009). Com efeito, dispõe o art. 62 do Anexo II do RICARF que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. A propósito deste mesmo tema também já foi uniformizado o entendimento jurisprudencial deste Conselho, pela edição da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Sob o aspecto da interpretação da lei, este Conselho já se manifestou reiteradamente no sentido da impossibilidade de exclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se verifica, exemplificativamente, nas seguintes ementas: COFINS INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. BASE DE CÁLCULO Irreparável a exigência fiscal, cuja base de cálculo guarda conformidade com as determinações contidas nos artigos 2º e 7º da Lei Complementar nº 70/91. Recurso ao qual se nega provimento. (Acórdão nº 20308745, Relatora Maria Teresa Martínez López, j. 18/03/2003 – grifo editado) COFINS BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO DO ICMS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 MATÉRIA CONSTITUCIONAL É vedado aos tribunais administrativos apreciar a constitucionalidade ou legalidade dos atos legais regularmente editados pelo Poder Legislativo. ENCARGOS LEGAIS Não há como contestar sua cobrança, quando constituídos de acordo com as normas legais que regem a matéria. Recurso negado (Acórdão nº 20309618, Relator Valdemar Ludvig, j. 15/06/2004 – grifo editado) COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS.O ICMS compõe o faturamento da empresa, não existindo previsão legal que possibilite sua exclusão legal da base de cálculo para a Cofins, como já definido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº REsp 152.736/SP, com acórdão publicado no DJU, Seção I, de 16/02/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Não há previsão legal para excluir da base de cálculo da Cofins a parcela do ICMS cobrada pelo intermediário (contribuinte substituído) da cadeia de substituição tributária do comerciante varejista. O ICMS integra o preço da venda da mercadoria, e, estando agregado ao mesmo, incluise na receita bruta ou faturamento. Recurso negado. (Acórdão nº 20216994, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, j. 28/03/2006) COFINS BASE DE CÁLCULO ICMS O ICMS integra a base de cálculo da COFINS por compor o preço do produto e não se incluir nas hipóteses elencados no parágrafo único do art. 2 da Lei Complementar nº 07/70. MULTA Reduzse a penalidade aplicada, por força do art. 106, inciso II, do CTN, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 20171269, Relator Expedito Terceiro Jorge Filho, j. 09/12/1997) COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. A parcela referente ao ICMS, por ser cobrada por dentro, incluise na base de cálculo da Cofins. Precedentes jurisprudenciais. Recurso negado. (Acórdão nº 20401837, Relator Jorge Freire, j. 18/10/2006) Também no âmbito do judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, exercendo seu papel de uniformização da jurisprudência, consolidou o seu entendimento no mesmo sentido, de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se confere, exemplificativamente, nos seguintes julgados: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000162/200702 Acórdão n.º 3403002.938 S3C4T3 Fl. 302 11 TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. 3. Recurso especial improvido. (REsp 501626/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2003, DJ 15.09.2003 p. 301) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III. VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MP Nº 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97, IV, DO CTN. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SÚMULAS NºS 68 E 94, DO STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que desproveu agravo de instrumento em face de acórdão a quo segundo o qual não são possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores repassados a outras pessoas jurídicas. Asseverou, também, com base nas Súmulas nºs 68 e 94 do STJ, estar pacificado o entendimento de que a parcela relativa ao ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS. 2. Se o comando legal inserto no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP nº 1.99118/2000. Não comete violação do art. 97, IV, do CTN o decisório que em decorrência deste fato não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 3. In casu, o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 4. Pacífico o entendimento nesta Corte de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL (e, conseqüentemente, da COFINS, tributo da mesma espécie) e também do PIS. Súmulas nºs 68 e 94/STJ, respectivamente: “a parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS” e Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 “a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial.” 5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 750.493/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.05.2006, DJ 08.06.2006) TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI nº 9.718/98. MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. REVOGAÇÃO. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A jurisprudência firmada na 1ª Seção desta Corte é a de que o ICMS compõe a base de cálculo da COFINS e do PIS. Súmulas 68 e 94/STJ (AG 520431, Rel. Ministro João Otávio Noronha, 2ª Turma, DJ 24.05.04; AGREsp 463.629/RS, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, 1ª Turma, DJ 06/01/03). 2. "A exclusão prevista no art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98 não chegou a produzir efeitos no mundo jurídico, visto que condicionada a regulamento do Poder Executivo, o qual não veio a ser editado até o advento da Medida Provisória n.º 1.991 18/2000, que, por sua vez, a revogou (cf. REsp 502.263/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 13.10.03; REsp 512.232/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 20.10.03)". (RESP 641377, Rel Min. Franciulli Neto, 29/11/2004) 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 667.170/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.08.2005, DJ 12.09.2005 p. 224) Sabese que a pretensão de exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins ganhou novo fôlego com o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785, ainda em andamento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. E ficou ainda mais aquecida com a propositura da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18. Ocorre que ainda não houve desfecho destes julgamentos, não se podendo ainda dizer que exista decisão do STF quanto à inconstitucionalidade do cômputo do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS. De outro lado, conforme ilustrado acima, é entendimento consolidado das Câmaras deste Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça que não há respaldo legal para a exclusão do ICMS. Somese a isto, conforme esclarecido no início do voto, que este tribunal administrativo não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei. Deve, pois, prevalecer o entendimento sedimentado na jurisprudência, de que o ICMS integra o preço do produto, de sorte que o valor total da nota fiscal deve ser tomado como faturamento, sofrendo a incidência de PIS/Cofins. Assim, nada obstante o ICMS componha parte do valor que se recebe pela venda do produto, isto não implica em redução do preço de venda, e é este preço de venda que compõe o faturamento sobre o qual incide PIS/Cofins. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000162/200702 Acórdão n.º 3403002.938 S3C4T3 Fl. 303 13 Por tais razões, nego provimento ao recurso quanto a este segundo fundamento. 3. Conclusão. Voto pelo provimento parcial do recurso, reconhecendo o direito de indébito apenas em relação à inclusão das receitas financeiras e outras receitas na base de cálculo, conforme os valores apurados em diligência pela Unidade de origem. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10580.911729/2009-20
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2006
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 29 /2 00 9- 20 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911729/200920 Acórdão n.º 3802003.458 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903600/2011-57
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. INTIMAÇÃO POR AR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9).
É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressalte-se que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumir-se que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida.
A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo.
PIS-SIMPLES E COFINS-SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada.
À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1802-002.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 NULIDADE. INTIMAÇÃO POR AR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressalte-se que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumir-se que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. PIS-SIMPLES E COFINS-SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação.
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INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 00 /2 01 1- 57 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 87 2 PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 88 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 89 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 59/73 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (efls. 49/54) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 14/11/2007, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 21128.09911.141107.1.3.047587 Recibo(efl. 28), informando compensação tributária: débito informado no valor de R$ 959,09, assim especificado: a) – SIMPLES, código de receita 6106, período de apuração outubro/2007, data de vencimento 21/11/2007, valor R$ 959,09; crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 438,90: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido do Simples Federal (parcelas do PISSimples e da CofinsSimples) do período de apuração 31/01/2003, código de receita 6106, data de arrecadação 10/02/2003, valor original do recolhimento – DARF R$ 3.404,60. Em 01/11/2011, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 31, pela DRF/Guarulhos, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do crédito creditório está limitada ao valor do “crédito original na data da transmissão” informado no PER/DCOMP, correspondendo a R$ 567,61. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 90 5 (...) Ciente dessa decisão em 21/11/2011 – Aviso de Recebimento – AR (efl. 40), a Contribuinte, em 16/12/2011 (efls. 30 e 48), apresentou Manifestação de Inconformidade por via postal (efls.02/14), juntando ainda documentos de efls. 15/30, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 50), in verbis: (...) DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma traz consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214,215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. Pede a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. (...) A 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, à luz dos fatos e da legislação de regência, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão, de 26/11/2013 (efls. 49/54), cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 50), in verbis: (...) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 91 6 Ciente desse decisum em 02/01/2014 (efls. 57), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls.61/75 em 22/01/2014 comprovante de postagem ECT (efls. 59/60), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao objeto social: que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, ramo de comércio varejista de materiais/produtos ou equipamentos elétricos e eletrônicos e materiais de construção; 2) – Preliminar de nulidade: que, apesar da pessoa jurídica Recorrente ter sido notificada do despacho decisório, a notificação não ocorreu conforme determina a lei, ou seja, não houve notificação na pessoa física dos sócios ou administradores, implicando nulidade do ato por prejuízo à defesa e ao contraditório (cerceamento do direito de defesa). que, se o endereço eleito pela pessoa jurídica, é o local para receber intimações e notificações, isso não autoriza que qualquer pessoa que esteja ocasionalmente no estabelecimento, por exemplo um cliente, seja pessoa capacitada juridicamente para receber notificação em nome da empresa. que, por conseguinte, deve ser declarada nula a ciência do despacho decisório, pois realizada em desconformidade com a lei. 3) – Quanto ao direito creditório: que é pessoa jurídica sujeita a pagamento de tributos federais; que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta, sem exclusão da parcela do ICMS; que a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, as receitas de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar a parcela do ICMS, que não é receita própria; que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; que na DCOMP não tem como esclarecer a origem do crédito (no caso de declaração expressa de inconstitucionalidade pelo STF) e não tem como usar o direito de peticionar, restando na manifestação de inconformiade o direito de peticionar, esclarecer e requerer; que efetuou o recolhimento do Simples sobre a receita bruta, em DARF; porém, isso implicou pagamento do PISSimples e Cofins –Simples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 92 7 que, consoante melhor doutrina pátria e decisão do STF, faz jus à restituição do PIS/Cofins incidente sobre o ICMS; que o crédito pleiteado do PISSimples e CofinsSimples decorreu, portanto, da exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). que, por fim, pediu deferimento do direito creditório pleiteado, mediante reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 93 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária. Nas decisões anteriores objeto deste processo, o crédito pleiteado foi denegado, por ser inexistente; faltou comprovar sua liquidez e certeza. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, suscitando, primeiro, preliminar de nulidade e, no mérito, matéria de direito. NULIDADE. INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. Nas razões do recurso voluntário, a Recorrente sucitou preliminar de nulidade da intimação atinente ao Despacho Decisório da DRF/Guarulhos, por via postal, Aviso de RecebimentoAR, na pessoa física diversa da designada pela empresa. Na primeira instância de julgamento, a Contribuinte, também, suscitou esta preliminar de nulidade, conforme razões constantes da Manifestação de Inconformidade que, nessa parte, transcrevo no que pertinente (efls. 05/08), in verbis: PRELIMINARMENTE Em 20/07/2011 a manifestante recebeu o DESPACHO DECISÓRIO, (DOC 03) oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil, conforme AR em poder desta delegacia, (...) Senhor Delegado o despacho decisório foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa DOMINIUM MATERIAIS HIDRÁULICOS E FERRAGENS LTDA, (...) O representante legal da manifestante é seu sócio gerente (DOC 01) razão pela qual somente ele poderia ter recebido a correspondência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, máxime por tratarse de intimação para pagamento postada com aviso de recebimento. Da assinatura oposta no documento do correio, o assinante não é sócio, não é procurador, e nem legitimado e não representa legalmente a requerente. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 94 9 Portanto, quem recebeu e assinou o despacho decisório, não é sócio, não é procurador, nem legitimada, não representa legalmente a requerente, e nem tem vínculos com a Manifestante. (...) Entretanto para eficácia da intimação ou notificação, e para sua validade, deve a mesma ser revestida na forma da lei, e a lei dispõem que deve a mesma ser entregue na pessoa do sócio, procurador, ou legitimado, e não a um estranho que não tem relação processual (art. 222 do CPC). (...) A garantia da ampla defesa do "due process of law" deve impor que obrigatoriamente se faculte a parte o direito de produzir provas, argüir legitimidade, enfim, o amplo contraditório, tudo dento dos ditames da lei, evitando assim remeter a parte à via administrativa em toda a sua inteireza. A manifestante entende que o DESPACHO DECISÓRIO não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei, e trás a nulidade do processo. (...) Assim sendo, em preliminares requer que V.S. se digne determinar seja declarada a nulidade da notificação do despacho decisório, (...) Data venia, a preliminar suscitada não merece prosperar, pois carece de pressupostos fáticos e jurídicos. Diversamente do alegado pela Recorrente, a notificação por via postal, com Avisto de Recebimento – AR, deuse nos termos da lei. A propósito, estatui o art. 23 do Decreto 70.235/72, in v erbis: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 95 10 No caso, a Contribuinte foi notificada do Despacho Decisório por via postal – Aviso de Rececimento – AR em 21/11/2011 (efl. 40), assinado por André R. Cruz. A Recorrente confirma, em suas razões, que recebeu a correspondência no dia seguinte, ou seja, em 22/11/2011 e que, porém, a ciência do recebimento no AR foi dada por pessoa sem vículo funcional com a empresa; que apenas estariam aptos a receber correspondência e dar ciência no AR sócio da empresa ou representante legal. Não tem guarida a pretensão da Recorrente. Primeiro, André Ribeiro da Cruz é sócio da Recorrente, conforme cópia do Instrumento Particular de Alteração e Consolidação do Contrato Social, de 29/01/2002 (efl. 16/21), e consta assinatura de Andre R. Cruz no Aviso de RecebimentoAR (efl. 40). Ainda que não sejam a mesma pessoa, isso é irrelevante. A legislação processual administrativa não exige, não estabelece que a ciência do recebimento de correspondência por via postal, Aviso de Recebimento – AR, seja dada exclusivamente a sócio ou representante legal de empresa. Inclusive, para informação da Recorrente, porteiro do Prédio, onde funciona a empresa, pode receber a correspondência e assinar o AR. A matéria é pacífica neste CARF, inclusive, encontrase sumulada, conforme Súmula CARF nº Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A Recorrente não comprovou prejuízo algum à sua defesa. Pelo contrário, mencionou expressamente que recebeu a correspondência no dia 22/11/2011 (dia seguinte à data de assinatura constante do AR). E, conforme consta dos autos, exerceu plenamente o contraditório e a ampla defesa na instância a quo, em alentada defesa, suscitando preliminar e defesa de mérito, revelando conhecer plenamente a lide objeto do processo. Como visto, a intimação, entrega do Despacho Decisório por via postal, cumpriu plenamente sua função, sem prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Ademais, em observância do princípio da instrumentalidade das formas, ainda que o ato processual tenha sido realizado de outro modo ou forma, mas restou atingido, alcançado o seu objetivo sem prejuízo às partes, é plenamente válido, não existindo razão alguma para suscitar sua nulidade. Nesse sentido, são também os precedentes da jurisprudencia dos tribunais pátrios: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 96 11 TJSP Apelação : APL 491469820098260000 SP 0049146 98.2009.8.26.0000 NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. Relator(a):Roberto Mac Cracken. Julgamento:03/03/2011. Órgão Julgador:37ª Câmara de Direito Privado. Publicação:24/03/2011. Ementa NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. Recurso não provido TJRJ AGRAVO DE INSTRUMENTO: AI 00229201220138190000 RJ Relator(a):DES. CLAUDIO BRANDAO DE OLIVEIRA. Julgamento:16/10/2013. Órgão Julgador:SÉTIMA CAMARA CIVEL. Publicação:24/03/2014 11:09 Ementa: Agravo de Instrumento. Direito Processual Civil. Recurso no qual se alega nulidade da citação postal, por ter sido recebida por terceiro. Matéria de ordem pública que não é passível de preclusão, eis que ainda não foi apreciada. Citação via postal de Pessoa Jurídica recebida pelo porteiro do prédio. Citação válida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. Recurso a que se nega provimento. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 97 12 TRF2APELAÇÃO CIVEL: AC 388942 RJ 2006.51.01.0153937 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. Relator(a):Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES. Julgamento:05/05/2009. Órgão Julgador:QUARTA TURMA ESPECIALIZADA. Publicação:DJU Data::01/07/2009 Página::99. Ementa TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. 1. Consoante os dispositivos acima citados, e mesmo em face do que dispõe o art.223, parágrafo único do CPC, convém ressaltar que em respeito ao princípio da aparência, bem como ao princípio da instrumentalidade do processo, a jurisprudência pátria, de longa data já possui entendimento que a citação/intimação realizada em pessoa que não possui poderes de gerência/administração da pessoa jurídica é válida, não lhe sendo exigido que possua poder de gerência ou que receba costumeiramente correspondências. 2. Segundo a jurisprudência dominante no STJ, e regular a citação de pessoa jurídica, por via postal, quando a correspondência é encaminhada ao estabelecimento da ré, sendo ali recebida por um seu funcionário. Desnecessário que o ato de comunicação processual recaia em pessoa ou pessoas que, instrumentalmente ou por delegação expressa, representem a sociedade (REsp 161167). 3. Consoante entendimento já consolidado nesta Corte Superior, adotase a teoria da aparência, considerando válida a citação de pessoa jurídica, por meio de funcionário que se apresenta a oficial de justiça sem mencionar qualquer ressalva quanto à inexistência de poderes para representação em juízo (AgRg no Ag 547864). 4. Apelação improvida. STJ EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL : EREsp 156970 SP 1999/00158032. Ministro Vicente Leal. Julgamento 02/08/2000. CECorte Especial. Publicação: DJ 22.10.2001 p. 261RDR vol. 22 p. 164 Ementa PROCESSUAL CIVIL. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. RECEBIMENTO QUE SE APRESENTA COMO REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. Em consonância com o moderno princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovida de efeitos prejudiciais, é de se aplicar Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 98 13 a teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada em quem, na sua sede, se apresenta como sua representante legal e recebe a citação sem qualquer ressalva quanto a inexistência de poderes para representála em Juízo. Embargos de Divergência conhecidos e acolhidos. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO DO SIMPLES FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DE PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Nas razões do recurso, a Recorrente informou que apurou direito creditório do Simples Federal do anocalendário 2003, da seguinte forma: a) que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta (faturamento), sem exclusão da parcela do ICMS; b) que, pela legislação de regência, a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, a receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; c) que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar, não deve compreender, a parcela do ICMS, pois não é receita própria; d) que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; e) que, pela decisão do STF, a base de cálculo da Contribuição para PIS e da Cofins é o faturamento bruto (receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços); f) que efetuou o recolhimento do Simples, em DARF, que implicou apuração e pagamento da Contribuição PIS – Simples e da CofinsSimples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; g) que tem direito de crédito sobre o pagamento do PISSimples e da Cofins –Simples sobre a parcela do ICMS, quanto ao anocalendário 2003; h) que, por iniciativa própria, recalculou o valor devido no Simples Federal, a título de PISSimples e CofinsSimples dos períodos mensais do anocalendário 2003, excluindo o ICMS da receita bruta, e apurou, assim, valor pago a maior dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 99 14 i) que pediu, por fim, o reconhecimento do crédito utilizado na DCOMP. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. O crédito demandado pela Recorrente não tem respaldo fáticojurídico. Na legislação do ICMS (Lei Complementar nº 87/96, art. 13, § 1º, I) e suas ulteriores atualizações, o ICMS é calculado “por dentro”, nos seguintes termos: Art. 13. (...) § 1º. Integra a base de cálculo do imposto, inclusive o inciso V da caput deste artigo: I O montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. (...). O ICMS integra a receita bruta, ou seja, o faturamento bruto. Ainda, quanto à legislação do ICMS, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) ratificou, recentemente (18/05/2011), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461SP (18/05/2011). A seguir trancrevo a Ementa do Acórdão do Pleno do STF, proferido nos autos do processo do RE 582461SP, sessão de 18/05/2011, Relator Min. Gilmar Mendes: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 100 15 ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Na legislação de regência da Cofins e da Contribuição para o PIS (Lei 9.718/1998, Lei 10.637/200, Lei 10.833/2003 e Lei nº 10.865/2004) também não há previsão legal de exclusão do ICMS da receita bruta (faturamento), em relação às operações de venda de mercadorias e prestação de serviços quando incide esse imposto. Diversamente do alegado pela Recorrente, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, como efeito erga omnes, não tratou da questão do ICMS, se cabível ou não sua exclusão da receita bruta =faturamento bruto. Vale dizer, em relação à legislação da Contribuição para o PIS e da CSLL, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 o STF fixou o entendimento de que a receita bruta = faturamento bruto corresponde a vendas de mercadorias, prestação de serviços ou vendas de mercadorias com prestação de serviços, não abarcando outras receitas, mormente receitas financeiras para as pessoas jurídicas cujo objeto social seja o comércio de mercadorias e prestação de serviços em geral; afastou, por conseguinte, o alargamento da base de cálculo desse dispositivo. Como demonstrado, a parcela do ICMS faz parte da receita bruta (faturamento), base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins.. Logo, enquanto não houver mudança da legislação de regência da Contribuição para o PIS e da Cofins para exclusão do ICMS da receita bruta ou decisão judicial erga omnes excluindo o ICMS da receita bruta, a base de cálculo dessas exações continua abarcando o ICMS. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 101 16 Ainda, não consta dos autos que a Recorrente tenha decisão transitada em julgado conferindolhe o direito de excluir a parcela do ICMS da apuração da base de cálculo da Cofins e da Contribuição do PIS. Quanto ao afastamento da exigência da Contribuição para o PIS e da Cofins nas operações de importação de mercadorias e serviços, a decisão do STF no Recurso Extraordinário 559.937RS tem efeito, apenas, inter partes, não beneficia a Recorrente, pois não é parte daquele processo. No citado RE, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 .O ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições PIS/Cofins no desembaraço de importação de bens e serviços, sessão de 20/03/2013. O citado dispositivo extrapolou o art. 149, § 2º, II, “a”, da CF que constitucionalizou o conceito técnicojurídico de valor aduaneiro, base de cálculo das contribuições PIS/Cofins incidentes na importação. A Fazenda Nacional, porém requereu a modulação dos efeitos dessa decisão do STF. Como visto, a Recorrente não tem respaldo legal para excluir o ICMS da receita bruta. E, também, não é beneficiária de decisão judicial nesse sentido. Logo, o crédito pleiteado não tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN. Além disso, apenas para argumentar, a Recorrente sequer demonstrou como apurou o suposto crédito (não juntou demonstrativo, planilha, memória de cálculo, nem cópia da escrituração contábil/fiscal). A arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação de regência dessas exações fiscais federais que não prevê a exclusão do ICMS da receita bruta, não pode ser enfrentada na órbita administrativa, por não ser a esfera competente. A matéria é da alçada do Poder Judiciário, e não da esfera administrativa. Esse entendimento, por ser pacífico, já está sumulado neste CARF, conforme Súmula CARF nº 02, que transcrevo a seguir, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como visto, a Recorrente não comprovou o direito creditório pleiteado. A Contribuinte é autora do pedido de crédito, no processo de compensação tributária. À luz do Código de Processo Civil Brasileiro, de aplicação subsidiária, o ônus probatório é do autor quanto ao fato constituitivo do direito creditório alegado contra o fisco (CPC, art. 333, I). O momento para a produção das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903600/201157 Acórdão n.º 1802002.301 S1TE02 Fl. 102 17 Portanto, não restando comprovado o direito creditório pleiteado, pela falta de demonstração da liquidez e certeza, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10166.912629/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. PAGAMENTO JÁ EFETUADO EM OUTRO PROCESSO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Se já houve pagamento em outro processo administrativo fiscal, não há como se homologar a compensação, sob pena de enriquecimento sem causa.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Dr. José Carlos Zanforlin. OAB/PE 4.791.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Dr. José Carlos Zanforlin. OAB/PE 4.791.
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PAGAMENTO JÁ EFETUADO EM OUTRO PROCESSO. NÃOHOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Se já houve pagamento em outro processo administrativo fiscal, não há como se homologar a compensação, sob pena de enriquecimento sem causa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Dr. José Carlos Zanforlin. OAB/PE 4.791. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 26 29 /2 00 9- 10 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” A manifestação de inconformidade foi apresentada em face de despacho decisório que entendeu prescrito o direito do contribuinte. A DRJ, por sua vez, afastou a prescrição. Porém, entendeu que não havia liquidez e certeza do direito de crédito, porque já ocorreu o pagamento da restituição, por meio de ordem bancária/pagamento em lote. O Recorrente, nas razões de fls. 99 e ss., alega que teria havido erro da Receita Federal ao deferir a restituição, o que, por conseguinte, implicou o erro da decisão que, ao indeferir a compensação, deflagrou a cobrança do tributo constituído por meio do PER/Dcomp nãohomologado. Alega que “[...] ainda não foi notificada para proceder à devolução. Tão logo receba a notificação e lhe sejam informados os procedimentos a serem adotados a EMGEA devolverá o valor para alocação como crédito compensável com o informado na DCOMP nº 28517.97093.270509.1.3.041024, não homologada. Não há falar em multa e outros assessórios em face da EMGEA, pois que não se lhe pode atribuir culpa na restituição efetuada pela RFB” (fls. 63). Requer o provimento do recurso, com a consequente anulação da cobrança e homologação da compensação e, restando crédito em seu favor, que o mesmo seja devidamente restituído, acrescido de correção monetária. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 30/07/2013 (fls. 99), protocolizando tempestivamente sua petição recursal em 30/08/2013 (fls. 101). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso voluntário pode ser conhecido. Compulsando os autos, notase, consoante destacado pela decisão da DRJ, que o direito de crédito do Recorrente já foi restituído: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10166.912629/200910 Acórdão n.º 3802003.431 S3TE02 Fl. 70 3 “Examinandose os autos, folhas 44/45 (Informação Fiscal Diligência, itens 5, 6 e 7), certificase que: 1. a interessada preencheu a Dcomp de final 1024 deste processo de forma errada, o que gerou sua nãohomologação, informou como “no do PER/Dcomp inicial” a Dcomp 31993.03009.150507.3.047603 que diz respeito a uma outra declaração de compensação homologada; 2. Portanto, procede a alegação de que não estaria extinto o direito de utilização do crédito; 3. Entretanto, verificandose a situação do processo 10166.913163/201186, constatase que a contribuinte não tem mais direito a utilizar o crédito, pois se nota que o mesmo já foi restituído. Houve a emissão de ordem bancária/pagamento automático em lote, no dia 20/01/2012, referente ao PER de final 6633, tendo como beneficiária a contribuinte.” (fls. 49). Portanto, considerando que já houve pagamento, não há como se homologar a compensação, sob pena de enriquecimento sem causa. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10945.002580/2006-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
O lucro da atividade comercial, advindo de receitas oriundas de vendas destinadas à exportação compõe a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sendo que eventual isenção da receita de exportação tem que ter comprovada, primeiramente, a exportação propriamente dita e também a existência de norma legal expressa em vigor.
LANÇAMENTOS REFLEXOS
Tratando-se de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento contribuição ao PIS, à Cotins e à CSLL.
MULTA DE OFICIO.
Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidadc ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1202-001.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. O lucro da atividade comercial, advindo de receitas oriundas de vendas destinadas à exportação compõe a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sendo que eventual isenção da receita de exportação tem que ter comprovada, primeiramente, a exportação propriamente dita e também a existência de norma legal expressa em vigor. LANÇAMENTOS REFLEXOS Tratando-se de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento contribuição ao PIS, à Cotins e à CSLL. MULTA DE OFICIO. Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidadc ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. O lucro da atividade comercial, advindo de receitas oriundas de vendas destinadas à exportação compõe a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sendo que eventual isenção da receita de exportação tem que ter comprovada, primeiramente, a exportação propriamente dita e também a existência de norma legal expressa em vigor. LANÇAMENTOS REFLEXOS Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento contribuição ao PIS, à Cotins e à CSLL. MULTA DE OFICIO. Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 25 80 /2 00 6- 67 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidadc ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Por bem sintetizar a exigência, transcrevo parte do relatório constante no Acórdão da Turma Julgadora de nº 0618.826. “Trata o processo do auto de infração, fls. 168/188, em que se exige: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 7.545,36, fatos geradores em 30/09/2003 e 31/12/2003; por omissão de receitas da atividade evidenciada por depósitos/créditos bancários não contabilizados e de origem não esclarecida. em contas de sua titularidade; o imposto está sendo exigido na modalidade de Lucro Presumido. dada a opção da interessada por esse regime no anocalendário em epígrafe; base legal nos arts. 25 e 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 28 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto a' 3.000, de 26 de março de 1999). b) contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, R$ 2.043,53 devido às mesmas infrações descritas no lançamento do IRPJ; fatos geradores mensais de 31/08/2003 a 31112/2003; base legal nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 26 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10945.002580/200667 Acórdão n.º 1202001.153 S1C2T2 Fl. 3 3 de dezembro de 1995; arts. 2°, I, "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 c 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; c) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, R$ 9.431,69, devido às mesmas infrações descritas no lançamento do IRPJ; fatos geradores mensais de 31/08/2003 a 31/12/2003; base legal nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002; d) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, R$ 8.964,43, devido às mesmas infrações e fatos geradores descritos no lançamento do 1RPJ. base legal no art. 2ºc §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 19 e 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; e) Exigemse também, multa de oficio de 75% do art. 44, I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora calculados sobre o imposto e as contribuições.” Durante o procedimento fiscal, melhor sistematizado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 158/159), a contribuinte foi intimada a apresentar livros e documentos fiscais, o que foi atendido para exame. Nova intimação foi expedida para prestar esclarecimentos, por escrito e acompanhados da documentação pertinente, sobre a origem dos recursos depositados/creditados nas contas correntes que mantinha junto ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Como resposta, vieram apenas notas fiscais do período, que não se prestaram à comprovação. Ainda, a empresa não possui contabilização em contas “Bancos” onde se descreve a movimentação financeira, essa movimentação fica registrada apenas na conta Caixa Geral (fls 160/161). Por todo o contexto, o agente fiscal entendeu caracterizada a omissão de receitas, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/96, lavrandose os autos de infração já descritos anteriormente. Em sua impugnação apresentada, fls. 193/217, temse, em sede de preliminares a discussão da presunção de receita. Ensina que a obrigação tributária consiste no dever jurídico de o sujeito passivo efetivar o pagamento do tributo, que só surge com a materialização dos fatos descritos na legislação pertinente, e surgida a hipótese de incidência, a Administração tem o dever de lançar o tributo, com o respeito da determinação da matéria tributável, identificação do sujeito passivo e a quantificação da dívida. Diz que no caso concreto, o lançamento se baseia em premissa equivocada, pela presunção de omissão de rendimentos por parte da contribuinte. Para iniciar sua argumentação, indica o conceito de presunção, esclarecendo que esta se insere no campo da prova, representando uma prova indireta, ocorrência de fatos secundários que apontam para o principal, partindo de um fato conhecido, de onde se infere o desconhecido. Aponta que somente a correlação natural entre dois fatos considerados autoriza a inserção da correlação lógica entre eles por meio da lei. Traz doutrina de Alfredo Augusto Becker e Leonardo Sperb de Paola. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 4 A partir disto, diz que os depósitos bancários quando muito podem ser considerados indícios de aferição de renda ou proventos, sendo inconcebível sua presunção como renda para fins de tributação pelo IRPJ e outros tributos, destacando que a realização dos depósitos pode ter surgido de inúmeras fontes, sem com que estas representem o fato gerador do imposto. Transcreve jurisprudência administrativa sobre o tema. Em relação à omissão de receita, diz que esta sempre foi examinada com cautela e que sua dedução a partir de depósitos bancários não necessariamente aponta para aumento de renda, mas mera presunção, cabendo a demonstração pelo fisco, o que, no caso, não ocorreu. Aponta que a alteração trazida pela Lei nº 9430/96, previu tributação de depósitos bancários quando não houvesse a comprovação destes, estabelecendo o artigo 42 uma presunção juris tantum de omissão de receitas quando não houvesse a comprovação dos depósitos por documentação hábil e idônea, surgindo nova hipótese de fato gerador para o imposto de renda e outros tributos, incluindo ainda referidos depósitos como faturamento para fins tributários. Entende ser referida disposição inconstitucional, por ter sido operada por lei ordinária, quando só poderia fazêlo por Lei Complementar. Indica o artigo 146 da Constituição Federal, apontando as matérias reservadas a essa espécie normativa, entendendo que o máximo permitido à lei ordinária neste caso é autorizar a tributação dos depósitos por presunção. Explicita ainda que o artigo 110 do CTN restringe a ampliação pelo legislador do campo de competência tributária que lhe foi atribuído. Indica também que não é possível desconsiderar a realidade, desconsiderando aspectos do Direito Comercial, analisandose sua situação fática como empresa que atua em zona de fronteira. Indica que o auditor considerou todos os créditos existentes em conta corrente como receita bruta, não se utilizando de estatísticas e percentuais utilizados por outras empresas do ramo. No caso, diz que o lançamento se fundamentou unicamente na caracterização do depósito bancário como se fosse renda e/ou faturamento, sem amparo na legislação específica, sem sequer considerar o demonstrativo contábil apresentado pela contribuinte. Em relação à sua movimentação bancária, informa estar sediada na costa oeste do Estado do Paraná, possuindo forte comércio com o Paraguai. Diz que estas relações com o país vizinho não são documentadas, realizandose os negócios sem os trâmites burocráticos exigidos no Brasil, rezando naquele país a informalidade. Por muitos anos, diz ter trabalhado vendendo produtos e prestando serviços de instalação de equipamentos metalúrgicos, sendo a remuneração recebida sempre de forma informal, pelo que trouxe os valores correspondentes ao Brasil em mãos, por serem pequenos montes, trocados em casas de câmbio e com posterior depósito em conta corrente da contribuinte. Traz ainda que houve concessão de isenção para a venda e mercadorias destinadas ao exterior, estabelecidas constitucionalmente e infraconstitucionalmente. Em relação ao mérito, discorre sobre a omissão de receitas e lançamento exclusivamente com base em depósito bancário. Invoca inicialmente o Princípio da Isonomia, indicando que é descabido o entendimento esposado pelo auditor fiscal quando do lançamento, por não se prender ao espírito de igualdade que desponta do constituinte buscando o crescimento nacional. Entende Fl. 287DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10945.002580/200667 Acórdão n.º 1202001.153 S1C2T2 Fl. 4 5 que não há previsão legal que permita a caracterização dos depósitos bancários por si só como faturamento que justifiquem o lançamento sobre estes, apontando que a jurisprudência é pacífica neste sentido, transcrevendo trechos de Acórdãos administrativos e citando a Súmula nº 182 do extinto TRF. Assim, conclui que a presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pelo que não há nexo causal entre o depósito bancário e o rendimento omitido, não estando referida presunção baseada na experiência e na ordem natural das coisas, existindo vício de origem na presunção. Ainda, a mesma encontra sérios obstáculos técnicos. Citando Aires Fernandino Barreto e Cléber Giardino, aponta a necessidade de caracterização do sinal de riqueza, que não é suficientemente demonstrada pelo depósito bancário, a saber: perfeita identificação do sinal; fixação da renda tributável relacionada com o sinal; demonstração da natureza tributável do rendimento; demonstração de que tal renda já não foi tributada. No mesmo sentido, traz entendimento do antigo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, que diz, em síntese, que os depósitos são mero marco inicial da investigação. Disto, entende a contribuinte que sendo início de investigação, os depósitos não podem ser o fato indiciário da presunção legal, pois tal providência significaria a transferência do encargo probatório integralmente para a contribuinte, prova esta que ante os rigores do fisco não poderá ser produzida. Reitera que alteração trazida com a Lei nº 9430/96 e seu artigo 42 é inconstitucional, por ter tratado de matéria reservada a Lei Complementar em sede de Lei Ordinária. Ainda, aponta que referida lei também regula o conceito de empresa optante da tributação pelo Lucro Presumido, nos termos de seu artigo 25, resultando no fato de que a própria lei estabelece a base de cálculo para o imposto de renda, ali determinado como a receita auferida pela contribuinte. Novamente, retoma o tema do contexto de sua atividade mercantil de exportação, citando o artigo 15 da Lei nº 9430/96, sobre compensação do imposto pago, indicando que o dispositivo determina a obrigação de ônus da prova a quem dela se aproveita, o que é cabível no processo administrativo fiscal, nos termos do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72 e da contestação da contribuinte, prevista no artigo 16 do mesmo diploma. Indica que se houve o lançamento por presunção legal, cabe ao fisco provar a origem dos recursos utilizados para tal ato, não podendo referida prova ser substituída por alegações vagas e desprovidas de fundamentação e nexo causal entre a situação real e jurídica. Assim, entende que o depósito bancário e a receita não possuem nexo causal, eis que o primeiro é mera movimentação de dinheiro e esta é a base para entrada de numerários e produção de riquezas. Indica que os parâmetros elencados no RIR são mais relevantes para este fim (aumento do patrimônio, poder aquisitivo, etc). Aponta ainda que, em termos contábeis, o fluxo de caixa não é considerado relatório confiável para a situação geral das empresas, não sendo reflexo da situação econômica e ante a estrutura do sistema tributário brasileiro, vêse que o foco é direcionado a fatores que contemplam a situação econômica e não resultante de movimentação financeira. Em relação às obrigações acessórias, invoca a inaplicabilidade da taxa Selic. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 6 Inicialmente, discorre sobre o conceito de juros, diferenciando os compensatórios dos moratórios, segundo lição de Maria Helena Diniz, para quem estes últimos constituem penalidade imposta ao devedor pelo atraso no cumprimento da obrigação. Cita Sacha Calmon Navarro Coelho, que aponta o caráter legal da multa como indenização. Assim, aponta que em sede tributária, a natureza dos juros é moratória. No caso, a insurgência contra a taxa Selic é que esta não possui natureza moratória, mas sim compensatória, não se prestando ao papel imposto pelo fisco. Diz que sua aplicação foi determinada pela Lei nº 9065/95 aos juros de mora decorrentes de inadimplemento de obrigações tributárias pela União, sendo seu cálculo regulamentado por circulares do Banco Central, indicando que, de sua forma de apuração, tem se que esta traduz o custo do dinheiro no mercado interno, não possuindo em sua essência caráter moratório. Traz doutrina de Fábio Augusto Junqueira Carvalho e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva. Ainda, indica que a Segunda Turma do STJ acolheu a argüição de inconstitucionalidade da aplicação da Selic no RESP nº 215881/PR, trazendo trecho de artigo publicado pelo Min. Relator do mencionado Recurso Especial, Min. Franciulli Neto, deduzindo o caráter remuneratório da Taxa Selic. Ainda, indica que, como o índice é estabelecido por circulares do Comitê de Política Monetária do Banco Central, com possibilidade de sua alteração até mesmo antes do prazo previsto para sua vigência, há ofensa ao princípio da anterioridade, não possuindo o BACEN competência tributária para estabelecer a taxa para fins fiscais. Prossegue, indicando que o CTN, art. 161, §1º, estabelece juros à taxa de 1% ao mês, não podendo Lei Ordinária (que estabeleceu a Selic), alterar a definição estabelecida por lei complementar, trazendo jurisprudência sobre o tema. Por fim, invoca haver violação ao princípio da proporcionalidade na aplicação da multa. Esclarece que tal princípio constitui instrumento fundamental no controle de constitucionalidade dos atos normativos do Estado, eis que este ao aplicar sanções deve buscar sempre o interesse público. No caso do direito tributário, sendo as sanções pecuniárias, estas devem ser limitadas em quantidade, sob pena de caracterização do confisco de bens, situação vedada de maneira genérica pela Constituição Federal. No caso, aponta que a penalidade imposta ultrapassa o limite do razoável, sendo que o valor da multa de 75% viola a proporcionalidade. Cita Regis Fernandes de Oliveira sobre o tema. Pede assim, a desconsideração do coeficiente da multa aplicada. Por fim, requer a nulidade do ato administrativo que determinou o lançamento, pelos motivos esposados, ou no caso de adentrar ao mérito da questão, a improcedência do feito. A 2ª Turma da DRJ/CTA julgou o feito procedente no Acórdão n. 0618.826 (f. 222/242). Analisa, inicialmente, a questão da nulidade, afastando a insinuação de cerceamento à defesa. Aponta que previamente à lavratura dos Autos de Infração, houve a notificação da autuação fiscal à contribuinte, para prestar esclarecimentos e apresentar cópias dos documentos comprobatórios das operações investigadas, sendolhe concedido prazo de 20 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10945.002580/200667 Acórdão n.º 1202001.153 S1C2T2 Fl. 5 7 dias, esgotados em 2 de setembro de 2006, procedendose a lavratura dos autos em 5 de setembro de 2006, com a respectiva ciência à contribuinte, cumprindose a determinação contida no artigo 42 da Lei nº 9430/96. Prosseguindo na argüida nulidade, também afasta a ocorrência do aludido vício formal – pela desconsideração de elementos constitutivos de renda e receita e pela presunção de considerar os depósitos bancários como receita bruta tributável – já que referidas hipóteses não se enquadram entre as previstas como nulidade a macular os autos de infração, nos termos dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72. Em relação à omissão de receitas decorrente dos depósitos em conta de origem não esclarecida, indica que o artigo 42 da Lei nº 9430/96, também contido no artigo 849 do RIR/99, “determina claramente que se caracterizam como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício , os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; portanto, não cabe a acusação de ilegalidade da legislação que embasou a autuação” No que tange ao outro argumento trazido, de que depósitos bancários nunca teriam sido admitidos pela jurisprudência como indicativo de renda, informa que os acórdãos administrativos trazidos não se aplicam a este caso, ante a ausência de lei que lhes atribua eficácia normativa, nos termos do artigo 100, II do CTN. Assinala ainda que a Súmula 182 do TFR (órgão extinto pela CF/88), não se presta como parâmetro para decisões proferidas em lançamentos fundamentados em lei superveniente, a saber, Lei nº 9430/96. Traça histórico da legislação sobre o tema, de modo a aclarar a evolução do ordenamento jurídico. Transcreve trechos da Lei nº 8021/90 (artigo 6º), destacando que a omissão normalmente se atrelava a sinais exteriores de riqueza. Porém, a partir de 1997, com a edição da Lei nº 9430/96, que em seu artigo 42 estabeleceu presunção legal de omissão de receitas. Assim, não havendo a comprovação da origem de referidas receitas, o fisco tem autorização para considerar ocorrido o fato gerador, presumindo que tais receitas são rendimentos do contribuinte, invertendose a carga probatória, cabendo a comprovação ao contribuinte. No caso concreto, não houve tal comprovação, tornando legal e legítima a presunção legal de omissão de receitas, identificadas a partir dos depósitos/créditos não justificados. Em relação ao ônus da prova, não cabe a invocação de que a administração fiscal deve comprovar os motivos da exigência. Em casos como o aqui discutido, a presunção legal é que determina a ocorrência do fato gerador, dispensandose ao fisco a produção de provas, que na situação ficam a cargo da contribuinte, de modo a afastar a presunção estabelecida. Sobre as presunções legais, cita os art. 333 e 334 do Código de Processo Civil. Menciona que as presunções são estabelecidas por lei, responsáveis por determinar o principio pelo qual se tem provado o fato. Discorre sobre a diferenciação entre presunções absolutas e relativas, destacando que estas últimas não se confundem com os indícios (que necessitam de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível), para Fl. 290DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 8 por fim, apontar que no caso vertente cuidase de presunção relativa legalmente estabelecida e não de meros indícios de omissão de receitas, permitindo prova em sentido contrário por parte da contribuinte. Traz doutrina de José Luiz Bulhões Pedreira sobre o tema (in Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas, JUSTEC – RJ, 1979, pg. 806), e de Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, São Paulo, Dialética, 2001, pg. 91/92). De tudo isso, indica que não houve por parte do contribuinte a comprovação necessária para afastar a presunção legal. Quanto à alegação da contribuinte de que o autuante deveria ter se valido de referências estatísticas de outras empresas do ramo para estabelecer o quanto dos depósitos bancários poderia ser considerado receita bruta, vislumbra que a fiscalização estabeleça presunção com base em critérios não objetivos de quanto dos depósitos configuraria receita tributável. Destaca que referida presunção não tem amparo legal, desconsiderando o pleito. Aponta a contribuinte de que houve precipitação por parte do fisco no que considerou receita bruta, afastando as informações contidas em demonstrativo contábil. Analisando a questão, indica que a autuada baseia sua impugnação a partir do conceito de que a base de cálculo do IRPJ no lucro presumido é a receita (Lei nº 9430/96, artigo 25). Assim, indica que mesmo que a premissa fosse verdadeira com a apresentação de demonstrativos contábeis com lucro diverso do presumido (aplicado pela fiscalização), não haveria influência sobre as conclusões fiscais, já que somente documentação hábil e idônea, de modo a comprovar que as receitas mantidas junto às instituições financeiras são receitas que se submetem à tributação ou pertencem a terceiros ou ainda outra explicação plausível e adequada ao caso, de modo a elidir a autuação. Na ausência de tal situação, não se apresentando as provas no procedimento de fiscalização ou no prazo concedido para a impugnação, presumemse os depósitos bancários como receitas omitidas, aplicando o conceito do artigo 25 da Lei nº 9430/96. Ainda, indica a autuada que as receitas omitidas são decorrentes de exportação de serviços para o Paraguai e assim, isentas de impostos e contribuições, sem, contudo, apresentar comprovantes. Entende o julgador que a contribuinte admite que os depósitos bancários se referem à receita de vendas de mercadorias e serviços. Discorre sobre os tributos incidentes, a começar pelo IRPJ. Aponta que, em relação ao IRPJ, a base de cálculo do lucro presumido, situação do caso discutido, é a disciplinada no artigo 224 do RIR/99, conjugado com artigos 518 e 519 do mesmo dispositivo. Em relação ao pleiteado benefício decorrente da exportação, deve comprovar fazer jus a ele, apurando a receita na forma da legislação fiscal e contábil, destacando que não houve a indicação sobre o dispositivo que autoriza a isenção do IRPJ sobre receitas de exportação. Aponta que, no Direito Tributário, as normas sobre renúncia fiscal devem ser interpretadas restritivamente, citando o artigo 111 do CTN sobre o tema. Destaca que o lucro da atividade comercial surgido de vendas destinadas à exportação compõe a base de cálculo do IRPJ, e não há no período autuado norma que conceda a isenção. Analisando a invocação de que as receitas de exportação não integram a base de cálculo da CSLL, cita o artigo 149 da Constituição Federal, indicativo de que não incidirão Fl. 291DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10945.002580/200667 Acórdão n.º 1202001.153 S1C2T2 Fl. 6 9 sobre referidas receitas as contribuições sociais, mencionando o §2º, I, do mesmo artigo, destacando que a CSLL incluise entre as contribuições sociais mencionadas pelo texto legal, mas cabe esclarecimento específico se esta está entre as contribuições sociais exoneradas. Para tanto, cita o artigo 195, I da Constituição Federal, que distingue as bases de cálculo diferentes para apuração de contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social (que é o caso da CSLL). Portanto, o comando que permite a exoneração aplicase somente às contribuições sociais incidentes sobre a receita – PIS e Cofins –, mantendose a tributação quanto ao lucro, não alcançando a CSLL. Destaca que a SRF já se posicionou sobre o tema, por meio de sua Coordenação Geral de Tributação, conforme Solução de Consulta Interna n. 33, de 2 de dezembro de 2003, de onde conclui que não cabe a exclusão das receitas de exportação na apuração da CSLL. Traz sobre o tema, decisões da 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. No mais, diz que quanto à possibilidade de serem excluídas das receitas omitidas da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, por serem receitas de exportação, deve a interessada fazer prova a respeito. Acerca do requerimento de para apresentar provas de que as receitas omitidas se referiam à exportação, diz o julgador que é possível a juntada de documentos posteriormente à impugnação em situações específicas, citando o artigo 16, §4º e seguintes, do Decreto nº 70.235/72. Porém, indica que mesmo que provadas as alegações, entende que “temse que a litigante pretende alterar os impostos e contribuições devidos que havia declarado antes de iniciada a ação fiscal, sendo que, conforme regem as normas de administração tributária, a alteração de valores declarados, depois de iniciada a fiscalização e, corno no caso, depois de cientificada da autuação, não fará efeitos, não sendo aceita, conforme segue: 77. As Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ deixaram de configurar confissão de divida a partir do exercício de 2000, passando a ter caráter meramente informativo, não ostentando o atributo de confissão de divida em conformidade com o preconizado na Instrução Normativa SRF n° 14, de 14 de fevereiro de 2000, que, alterando o art. 10 da IN SRF no 77, de 1998, deixou de considerar a declaração de rendimentos da pessoa jurídica instrumento de confissão de divida. 78. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF passou a ser o documento próprio para que o sujeito passivo informe a existência da obrigação tributária constituindose em instrumento de confissão de divida apto A exigência do crédito nela informado de acordo com o artigo 5° do DecretoLei n° 2.124, de 13 de junho de 1984.” Entende que a contribuinte pretende apresentar documentos, após sua cientificação acerca da autuação, que permitiriam a comprovação de valores distintos dos declarados, sendo as receitas tidas como omitidas de exportação. Ocorre que eventual retificação das receitas declaradas, mesmo com suporte probatório documental, não produzirá Fl. 292DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 10 efeitos, como se infere do artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007. Transcreve sobre o tema, acórdão do Conselho de Contribuintes. Diz haver insistência por parte da contribuinte de que o artigo 15 da Lei nº 9430/96 prevê a compensação de imposto pago no país para onde exporta suas mercadorias ou serviços – o Paraguai – com os impostos devidos no Brasil. Entende que tal argumentação contradiz suas alegações anteriores de que no Paraguai não se consegue documentar as transações de maneira adequada, realizandose os negócios sem os trâmites burocráticos do Brasil, destacando que sempre recebeu os valores de maneira informal, pelo que, não havendo comprovação, ainda que viável, não há que se dizer de compensação. Analisando a multa de ofício de 75%, indica que a penalidade foi imposta pelo art. 44, I, da Lei nº 9430/96, em total acordo com a legislação de regência, aplicada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, não cabendo sua redução por critérios subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Indica que considerações sobre a graduação da penalidade não podem ser efetuadas pela autoridade administrativa, apontando que as considerações atinentes a efeito confiscatório ou ofensa ao princípio da proporcionalidade ultrapassam sua esfera de autuação, e que qualquer pedido que assim atue, enseja reconhecimento somente pelo Poder Judiciário, pelo que considera correto o percentual de multa aplicado. No tema da taxa de juros Selic, diz que as razões trazidas pela contribuinte são infundadas. Aponta que o CTN, em seu artigo 161, §1º, permite exigência de juros de mora em valor superior a 1% ao mês, com disposição legal diversa a respeito contida no artigo 61 da Lei nº 9430/96, de onde entende que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administradas pela SRF, sujeitamse, a partir de 1º de janeiro de 1997 a juros calculados com base na taxa Selic. Assim, indica que cabe à autoridade seguir estritamente os termos legais, o que foi feito no presente feito. Acresce que a validade da aplicação da taxa Selic é pacífica na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, inclusive tendo este órgão proferido o Enunciado n. 4, neste sentido. Ressalta que quanto à citação de acórdãos administrativos, os mesmos não são aplicáveis ao presente feito, por força da disposição contida no artigo 100, II, do CTN, por não haver lei que lhe atribua eficácia normativa, ressaltando que a interessada não figura em nenhum dos pólos das decisões trazidas, que só têm efeito entre as partes participantes do processo. Em relação às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade, aponta que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento são Órgãos do Poder Executivo, não lhes sendo permitido apreciar a legalidade de lei validamente editada para lhes declarar nulidade ou inaplicabilidade, matéria esta reservada ao Poder Judiciário, cabendo a elas somente o controle de legalidade dos atos administrativos, verificando a adequação desses com as normas legais vigentes. Por fim, indica que tratandose de tributação reflexa, oriunda das mesmas irregularidades discutidas quanto ao lançamento do IRPJ, constante do mesmo processo e ante a relação de causa e efeito, aplicase o entendimento discutido às exigências de CSLL, PIS e Cofins. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10945.002580/200667 Acórdão n.º 1202001.153 S1C2T2 Fl. 7 11 A contribuinte foi cientificada em 8 de setembro de 2008 e apresentou seu Recurso Voluntário em 6 de outubro do mesmo ano. Em suas razões recursais, analisando o julgamento, aponta que ante a conclusão da DRJ de que administrativamente a doutrina e Jurisprudência dos Tribunais Superiores e das próprias delegacias de julgamento não podem ser aplicadas, referida esfera administrativa nada mais é que “brincadeira de defesa”, havendo somente contraditório formal. Invocado o princípio da ampla defesa, contido no artigo 5º, LV, da Constituição Federal, indica que, no processo administrativo, o contraditório permite ao sujeito passivo manifestar sua posição quanto aos fatos e documentos trazidos ao processo pelo autuante, conhecendo dos atos processuais e contra estes reagindo. Indica que o direito tributário é regido (ou deve ser) pelo princípio da legalidade, considerando a Constituição Federal, as decisões do STF e o próprio CTN como princípios informadores legais, em uma interpretação inteligente da norma tributária. Aduz que o fato da decisão recorrida não considerar a hierarquia das normas (CTN em detrimento da Lei nº 9430/96), é em seus dizeres, “exigir que reconheçamos que somos todos idiotas em Direito”, mais ainda quando se vê que a decisão desconsidera a Constituição Federal em detrimento de lei ordinária. Aponta que o próprio julgador administrativo pode aplicar a realidade legal, porque esta será reconhecida posteriormente pelo judiciário. Assim, entende que se a postura da seara administrativa for a mesma do indicado no acórdão recorrido, não há vantagem na existência da instância administrativa, eis que não há matéria de defesa válida passível de alegação, pelo que entende ser mais proveitoso passar diretamente ao judiciário. Invoca ainda o princípio da verdade material, indicando que a administração deve tomar decisões com base nos fatos tais quais como estes se apresentam na realidade, devendo carrear todos os dados, informações e documentos pertinentes à matéria tratada, detendo plena liberdade de produzir provas, desde que por meios lícitos, cabendo a aplicação da lei corretamente. Cita Luiz Henrique B. de Arruda, que indica que a busca da legalidade é a missão constitucional do Estado, cabendo o impulso oficial, contraposto ao princípio da inércia existente no processo civil. Traz também os Princípios Fundamentais de Contabilidade, contidos na Resolução nº 750, de 21 de dezembro de 1993 do Conselho Federal de Contabilidade – CFC, de onde se extraem princípios que devem ser utilizados também na seara tributária, como os abaixo transcritos: “1. Depósito bancário considerado receita bruta; 2. O IRPJ e a CSLL possuem como fato gerador o lucro, que é resultado da atividade econômica, não é tributo incidente sobre o resultado financeiro, mas sim econômico (receita menos custo menos despesa = lucro x alíquota = CSLL/IRPJ); 3. O lançamento do crédito tributário presumiu depósitos bancários como efetivo faturamento e/ou receitas da empresa. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 12 Isso é criação de fato gerador de tributo, só lei complementar pode criar tributo. 4. Usar os elementos do RIR para apurar a sonegação fiscal; (aumento do patrimônio, sinais exteriores de riqueza, etc.); 5. Para fins de descoberta do sinal exterior de riqueza, os depósitos bancários, por si só, não satisfazem, é necessário: perfeita identificação do sinal; fixação da renda tributável relacionada com o sinal; demonstração da natureza tributável do rendimento; demonstração de que tal renda já não foi tributada. 6. Fluxo de numerários é fundamento de capacidade financeira, não de capacidade econômica. o sistema tributário brasileiro é, de forma massificada, direcionado à tributação de fatores econômicos (lucro, receita bruta, aumento patrimonial, etc) e pouco focado na atividade financeira (CPMF) não se pode aplicar a tributação de impostos incidentes sobre a receita bruta (fundamento econômico) utilizandose o fluxo de numerários (fundamento financeiro).” No mais, repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Com o recurso, vieram os autos para julgamento neste Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso Voluntário cumpre os requisitos de admissibilidade, inclusive o temporal, portanto, dele conhecemos. Tratase de exigência de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e COFINS, em decorrência de omissão de receitas sob a forma de presunção legal com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9430/96, ao constatar a ocorrência de movimentação bancária nas contas do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, cuja origem não foi comprovada. A cobrança está acrescida de multa de ofício de 75% e juros calculados com base na taxa SELIC. Preliminares A Recorrente entende que foi intimada a justificar os créditos ou depósitos nas contas bancárias da empresa e, no processo de justificativas, foi surpreendida com lavratura de Auto de Infração, caracterizandose assim o cerceamento de sua defesa. Ora, a Recorrente foi devidamente intimada a apresentar documentos que comprovassem a origem dos depósitos bancários, o que não trouxe esclarecendo dentro dos prazos solicitados, incluindo prorrogações. Com isso, valendose do artigo 42 da Lei nº 9430/1996, a autoridade lançadora exigiu a cobrança dos tributos incidentes sobre o lucro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10945.002580/200667 Acórdão n.º 1202001.153 S1C2T2 Fl. 8 13 Ainda, cabe esclarecer que ao ser constatada a omissão de receitas, seja ela por presunção ou omissão direta, a autoridade fiscal deve efetuar a cobrança das diferenças dos tributos adotando a mesma sistemática de apuração do imposto adotado pela contribuinte, consoante artigo 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Portanto, a autoridade lançadora cumpriu a determinação legal e não há o que se aventar em relação à cerceamento de defesa, pois não ocorreu. Também avocou a Recorrente, em preliminar, a nulidade do lançamento de ofício por vício formal, uma vez que não foi considerada a natureza da sua receita e também pela presunção de omissão apenas com base nos depósitos bancários. Lembramos que a nulidade do lançamento de ofício se dá nos termos dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/1972. As nulidades estão lá elencadas e não estão aqui evidenciadas no lançamento. Dado que não há a evidência de tais irregularidades, incorreções ou omissões, ou mesmo que houve lavratura por parte de autoridade incompetente, não há nulidade. Assim, tais preliminares não devem ser acolhidas em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. Omissão de Receitas A Recorrente foi intimada a justificar a origem das contas de depósitos bancários nos Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal e não logrou apresentar qualquer documentação, mesmo em sede de Impugnação ou Recurso Voluntário. Tanto em sua Impugnação como em seu Recurso Voluntário, a Recorrente questiona a ‘fórmula mágica’ da presunção de que os depósitos bancários se transformaram em receita bruta, arbitrando a totalidade; que os depósitos não podem ser considerados como matéria probatória de receitas omitidas e também de fraude fiscal. Quanto à apuração da receita omitida, cabe dizer que esta (a presunção) se origina da integralidade dos créditos efetuados em conta de depósito bancário, e decorre de expressa previsão legal, contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, como expressamente consignado na autuação, a saber: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifamos) Tal dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita que autoriza o lançamento do tributo correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e Fl. 296DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 14 idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Não comprovada, com documentação hábil e idônea, a que título ocorreu os depósitos bancários, incide na hipótese a norma de presunção da omissão de receitas. Essa presunção deve ser oposta pelo contribuinte, e a Recorrente em momento algum apresentou qualquer prova da origem desses depósitos. Nesse sentido temos o artigo 333 do Código de Processo Civil: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...]; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. No caso em tela, a fiscalização, de posse dos extratos bancários em nome da Recorrente, intimoua a apresentar a documentação hábil e idônea, que justificasse a origem dos depósitos efetuados, o que não foi atendido, quer no curso da ação fiscal, quer na fase impugnatória, inclusive em sede de Recurso Voluntário, não logrando comprovar a origem dos depósitos efetuados junto às instituições bancárias. Cabe também esclarecer à recorrente que o fato imponível do lançamento não necessita da comprovação do nexo causal existente entre o depósito bancário e o fato que represente omissão de rendimentos. Pelo contrário, a lei não prevê que seja feita essa comprovação pelo fisco, estabelecendo que o fato gerador seja a aquisição de disponibilidade de renda representada pelos recursos que ingressam no seu patrimônio por meio dos depósitos que não foram devidamente esclarecidos, conforme expressamente determina a regra do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Assim, uma vez que houve intimação regular sem que tenha sido comprovada a origem dos depósitos bancários efetuados, mediante documentação hábil e idônea, a lei atribuiu que todos os valores creditados em conta de depósito mantidos junto às instituições financeiras sejam considerados omissão de receita, devendo sofrer as incidências dos tributos e contribuições devidos, exatamente como fez a fiscalização e como bem entendeu o acórdão recorrido. A recorrente traz argumentos para tentar anular os lançamentos fiscais, trazendo à tona questões de direito sobre a procedência da presunção da omissão de receitas, de alternativas sobre outras formas de tributação, não apresentando, porém, provas para desconstituir a presunção legal. Quanto ao lançamento da CSLL, do PIS e da Cofins, devese dizer que uma vez subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos, devendo ser mantida a tributação dessas contribuições por disposição expressa contida no § 2º do mesmo artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: “§ 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” A autoridade lançadora aqui não usou do seu poder discricionário para aplicar a norma regulamente inserida no ordenamento jurídico, pelo contrário, valeuse do disposto no Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10945.002580/200667 Acórdão n.º 1202001.153 S1C2T2 Fl. 9 15 artigo 42 já mencionado, o qual se subsumiu aos fatos que identificou durante o processo de fiscalização. É dever da autoridade lançadora, sua responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN. Das Receitas decorrentes de exportação Alega a Recorrente que a receita omitida se refere à exportação de serviços para o Paraguai, portanto, não está sujeita à tributação aqui em comento. Todavia, não traz qualquer comprovação dessa exportação, apenas diz que os negócios são efetuados de maneira informal. Analisando, para fins de IRPJ, as receitas de exportação devem ser computadas no seu cálculo, não há previsão legal para realizar a exclusão, não há a isenção de que evoca a Recorrente. Aliás, mesmo a Recorrente não esclarece qual o dispositivo que autoriza tal isenção, mesmo que considerássemos que de fato houve exportação. Nos termos do artigo 111 do CTN, as condições para obter o benefício fiscal devem ser observadas e a interpretação deve se restritiva. Portanto, não cabe tal alegação, há que se apresentar a determinação legal que concedeu a isenção. Em relação à CSLL, contribuição ao PIS e COFINS, mais uma vez, não houve comprovação dessa afirmação. Ademais, para discutirmos a Emenda Constitucional 33/2001, se é aplicável ou não à CSLL, primeiramente teríamos que comprovar que de fato há exportação. Assim, sem a devida comprovação de que houve exportação, direta ou indireta, não é possível considerar a incidência ou não dos tributos em discussão. Multa de Ofício Alega a Recorrente que a aplicação de percentual de multa de 75% ofende o Principio da Proporcionalidade. Ora, a aplicação da multa de 75% em lançamento de ofício foi feita com base no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. Juros com base na taxa SELIC Requer ainda que se já reconhecido a não aplicação da Taxa Selic. Da mesma forma, foi aplicado o que determina o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96 e também a Súmula nº 4 desse Colegiado, a saber: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Alegada ilegalidade e inconstitucionalidade Como dispõe a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 16 Não compete a essa turma apreciar os temas dessas naturezas trazidos pela Recorrente. Lançamentos reflexos Dada a relação de causa e efeito, o entendimento proferido para o IRPJ, aplicase à CSLL, contribuição ao PIS e COFINS. Em face do exposto, o voto é no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora (assinado digitalmente) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA
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Numero do processo: 10865.900369/2008-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/07/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA.
As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/07/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/07/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 69 /2 00 8- 63 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900369/200863 Acórdão n.º 3802003.539 S3TE02 Fl. 423 2 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/07/2001 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Dispositivos legais: arts. 2º e 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; e IN SRF nº 51, de 03/11/1978. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão de bonificações na base de cálculo das contribuições. Após a conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a documentação apresentada pelo contribuinte seria insuficiente para o reconhecimento do direito. Isso porque as bonificações não constaram da nota fiscal de venda dos bens, tendo sido objeto de nota fiscal própria, o que impede a exclusão da base de cálculo, à medida que não poderiam ser consideradas descontos incondicionais. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900369/200863 Acórdão n.º 3802003.539 S3TE02 Fl. 424 3 O Recorrente, nas razões de fls. 381 e ss., alega que, embora as bonificações tenham sido objeto de nota fiscal separada, as mesmas eram emitidas conjuntamente às notas fiscais de venda, de forma sequencial, o que comprovaria a sua vinculação às operações de venda e a incondicionalidade do desconto concedido. Sustenta que as bonificações tanto podem ser concedidas mediante abatimento do preço ou com entrega de mercadorias em quantidade superior à paga pelo comprado, como na hipótese dos autos. Aduz não ter havido o recebimento de qualquer valor decorrente das notas fiscais de bonificação. Requer, assim, o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 30/03/2010 (fls. 380), interpondo recurso tempestivo em 28/04/2010 (fls. 381). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900369/200863 Acórdão n.º 3802003.539 S3TE02 Fl. 425 4 REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900369/200863 Acórdão n.º 3802003.539 S3TE02 Fl. 426 5 verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte apresentou como prova da liquidez e da certeza do direito de crédito as notas fiscais de bonificação. A DRJ, entretanto, após a Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900369/200863 Acórdão n.º 3802003.539 S3TE02 Fl. 427 6 conversão do julgamento em diligência, entendeu que tais documentos seriam insuficientes porque a nota fiscal em separado, sem vínculo com outra nota de venda de produto que lhe daria suporte, não caracteriza o desconto incondicional concedido. Entendo, no entanto, que as notas fiscais, mesmo isoladas ou emitidas em separado, são suficientes para a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito, porque denotam claramente que se trataram de bonificação. Cumpre considerar que há, na verdade, dois tipos de bonificação: as bonificações vinculadas e as desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço de venda e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto (condição), têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. Nesse sentido, cumpre destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900369/200863 Acórdão n.º 3802003.539 S3TE02 Fl. 428 7 doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Registrese ainda o Acórdão nº 3802002.410, decidido por unanimidade pela Turma, em sessão de 27 de fevereiro de 2014: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação1. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, as notas fiscais, mesmo isoladas, são suficientes para a demonstrar a liquidez e a certeza do direito, sobretudo quando descrevem claramente a natureza da operação. 1 Isso não significa que todos as bonificações vinculadas à operações de venda devam ser concedidas na mesma nota fiscal. Há casos em que, mesmo em operações subsequentes, a bonificação redutora de custo de aquisição pode estar vinculada a uma ou mais vendas anteriores. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900369/200863 Acórdão n.º 3802003.539 S3TE02 Fl. 429 8 Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos do processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10280.001835/2005-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Homologa-se a compensação de débitos com créditos cuja liquidez e certeza foi certificada pela Administração Tributária.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente AMAZÔNIA CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Homologase a compensação de débitos com créditos cuja liquidez e certeza foi certificada pela Administração Tributária. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AMAZÔNIA CELULAR S.A. apresentou, em 4 de junho de 2003, Declaração de Compensação nº 24326.50034.040603.1.3.049693, fls. 04 a 08., visando à extinção de débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (cód. 0561) de maio/2003 pela via de sua compensação com indébito por pagamento a maior da Contribuição para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 18 35 /2 00 5- 54 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Financiamento da Seguridade Social — COFINS (cód. 2172) de dezembro de 1998. Na origem, após tratamento manual da DComp, a compensação foi nãohomologada ao fundamento de que o contribuinte não apresentara à auditoria balancetes e demais documentos que comprovassem a base de cálculo da COFINS para o período de apuração em referência (PARECER SEORT/DRF/BLM/N° 090/2006, fls. 120 a 122 e Despacho Decisório fls. 123). Ao ensejo da manifestação de inconformidade (fls. 130/135), a recorrente complementou a prova documental então havida por insuficiente. A DRJBelém/PA desproveu a manifestação de inconformidade (fls. 302/304) ao fundamento de que, na DCTF relativa ao 4° Trimestre de 1998, a recorrente declarara, para o mês de dezembro, um debito equivalente ao do DARF respectiva recolhido (R$25.000,00), dai haver alocado o valor recolhido integralmente para adimplemento da própria COFINS do período, sem reconhecer, por conseguinte, qualquer crédito ao contribuinte. O Acórdão nº 0110.216, de 22 de janeiro de 2008, fls. 308 a 310, teve ementa lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando, á. época de sua transmissão, inexistia crédito compensável. Solicitação Indeferida Interpôsse, então, recurso voluntário (fls. 318/323) e, com ele, veio aos autos protocolo de Pedido de Retificação de DCTF (fls. 336/337), apresentado em 17 de janeiro de 2002, por meio do qual a recorrente teria diminuído (para R$20.757,78) o debito confessado de COF1NS relativo ao período de dezembro/1998 (P.A. 10280.000911/200261). A diferença entre os débitos retificado e retificador (R$4.242,22) corresponde precisamente ao débito de IRRF que se pretendeu compensar via PER/DCOMP. Sob a consideração de que a recorrente requerera a retificação da DCTF, 17 meses antes de apresentar a PER/DComp, processada sob o nº 10280.000911/200261, e que esse processo encontrase na própria DRJBelém/PA desde 2 de junho de 2010, este Colegiado houve por bem em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, baixando o presente processo à autoridade preparadora para que fossem prestados os seguintes esclarecimentos: (a) Há, no âmbito do processo administrativo n.° 10280.000911/200261, pedido da requerente para retificação da DCTF do 40 trimestre de 1998, especificamente para alterar o débito de Cofins de dezembro/I998, de R$ 25.000,00 para RS 20.757,78? (b) Já há decisão proferida neste processo administrativo ? Em que sentido? A fim de atender a diligencia solicitada e para melhor instruir o julgamento, a DEMAC/RJO/DIORT providenciou a apensação a este processo o de nº 10280.000911/200261. O Despacho de fls. 395 prestou ainda as seguintes explicações: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001835/200554 Acórdão n.º 3403003.007 S3C4T3 Fl. 397 3 7. Verificamos em relação ao questionamento do item 6a que as fls. 141/142 do apenso consta pedido de retificação do valor da Cofins de dezembro de 1998 de R$ 25.000,00 para R$ 20.757,78 8. Em relação ao item 6b, verificamos as fls. 245 do mesmo apenso que a DRFBelém PA aplicou no presente processo o disposto no artigo 10 a IN SRF 255/2002 (fls. 372/376), ou seja, como o pedido ainda estava pendente de apreciação há época dos fatos, considerouse como tacitamente deferido. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 318 a 323 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 0110.26, de 22 de janeiro de 2008. O fundamento da decisão recorrida é, em tese, acertado. Afinal, na esteira do entendimento consolidado, inclusive, em âmbito judicial (vide Súmula/STJ nº 436), os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF consideramse confessados e devidamente constituídos. Assim, o débito de R$ 25.000,00 de COFINS originalmente declarado pela recorrente em DCTF restou incontroverso, havendo, já ai, razão bastante para a não homologação da compensação pretendida, ante a conseqüente inexistência do crédito de R$ 4.242,22 levado à PER/DCOMP. Todavia, conforme se relatou, a recorrente requerera a retificação da DCTF 17 meses antes de apresentar a PER/DComp. A partir do pedido de retificação, o débito de DCTF declarado deixou de ser fato bastante à recusa do crédito da recorrente. Segundo o art. 8°, III, da INSRF nº 126, de 1998, então vigente, as retificações de DCTF posteriores ao prazo legal de entrega da declaração original deveriam ser requeridas por via documental, com a formação de processo administrativo, exatamente como procedeu a recorrente. Às folhas 2251 10280.000911/200261, há o seguinte despacho do SECCACT/SECAT/DRF/BLM: Tendo consultado o sistema SIEF do contribuinte acima identificado, verificouse que a DCTF relativa ao 1° trimestre de 1998, que corresponde à retificadora tratada neste processo, foi processada, conforme fls. 211/223. Foi consultado, também o Sistema SINCOR, TRATANI em que observouse não haver débitos e nem inscrição em DAU para o período acima, fls. 224. 1 Numeração do processo físico. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Com base no Art. 10, § 1° da IN SRF N° 255, de 11/12/2002, encaminhese o presente processo ao arquivo por 5 (cinco) anos. Concluise, assim, que a retificação da DCTF foi acolhida pela DRF/BLM, nos moldes propostos pelo contribuinte. Emerge daí direito creditório líquido, certo e hábil para a homologação da compensação de que se trata. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 29 de maio de 2014 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
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