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Numero do processo: 10680.012696/00-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/1998 a 31/07/2000
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Para fins da isenção a que se refere o art. 195, § 7º, da CF, nos termos do decidido pelo STF em repercussão geral, devem ser atendidos cumulativamente os artigos 9º e 14 do CTN, assim como aqueles veiculados no artigo 55 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3402-002.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Para fins da isenção a que se refere o art. 195, § 7º, da CF, nos termos do decidido pelo STF em repercussão geral, devem ser atendidos cumulativamente os artigos 9º e 14 do CTN, assim como aqueles veiculados no artigo 55 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 26 96 /0 0- 79 Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.012696/0079 Acórdão n.º 3402002.974 S3C4T2 Fl. 1.224 2 Relatório Versam os autos lançamento de COFINS nos termos do auto de infração de fls. 04/10. O Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 11/17), informa que a autuada exerce, nos termos estatutários, e em caráter geral, o desenvolvimento e a manutenção das atividades educacionais e de pesquisa no campo das ciências médicas e da tecnologia, e, em particular, a manutenção da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, mantendo, à época a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, os hospitais Universitários São José (BH/MG), São Sebastião (Santo Antônio do Amparo/MG) e Professor Basílio (Moema/MG), a CIMED Clínica Médica e o CEPEC (Centro de Pesquisa e Educação Continuada). Entendeu a fiscalização que a autuada "não logrou comprovar a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, a partir de janeiro de 1998. Aduz que intimada, a entidade apresentou cópias da Resolução CNAS/115/99, publicada no DOU de 13/05/99 e da Resolução 156/00, de 18/07/2000 (DOU 20/07/2000), as quais indeferiram o pedido de recadastramento e a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Aduz que a contribuinte recorreu dessa decisão, tendo sido mantido o indeferimento objeto da Resolução CNAS/115/99. Frente a tal fato, entendeu o Fisco que a "fiscalizada não comprovou a condição de entidade beneficente de assistência social, nos termos do parágrafo 7º do art. 195 da CF, do art. 55, II, da Lei 8.212/91, do art. 6º, III, da LC 70/91, dos arts. 206, III, e 207, do Decreto 3.048/99", e, em consequência, constituiu o crédito tributário relativo àquela contribuição, apurando a base de cálculo com fulcro nos arts. 1º e 2º da LC 70/91, arts. 2º, 3º e 8º da Lei 9.718/98, e suas alterações, conforme Demonstrativos da Base de Cálculo da COFINS, de Bolsas/Descontos Concedidos pela FELUMA e de Apuração da COFINS para Lançamento de Ofício (fls. 14/17). O lançamento foi impugnado (fls. 171/199) sob o fundamento nodal de que "o que caracteriza uma entidade como sendo beneficente de assistência social é o fato dela prestar serviços de interesse público, sem fins lucrativos, garantindo aos hipossuficientes meios de satisfação de suas necessidades vitais, sem qualquer contraprestação, independentemente de possuir ou não o certificado de fins filantrópicos". Afirma que "é entidade beneficente de assistência social que atua nas áreas de educação e saúde ", e que o STF na ADIN 20855 teria "concluído que a entidade beneficente a que faz menção o § 7º , do art. 195 da CF/88 englobaria entidades beneficentes de assistência social à saúde, entidade beneficentes de assistência educacional e entidades de assistência social propriamente ditas". A DRJ/BHE, em decisão de 31/07/2001 (fls. 288/297), julgou improcedente o lançamento, ao fundamento, em suma, que para que uma entidade seja caracterizada como filantrópica e beneficente de assistência social, tem que preencher todos requisitos elencados no art. 55 da Lei 8.212/91, cumulativamente, e que, uma vez não cumprido um desses requisitos, não tem direito à isenção prevista no art. 6º, III, da LC 70/91. Não resignada, a entidade interpôs recurso (fls. 303/317) contra a r. decisão, onde, em síntese, repisa os argumentos expendidos em sede de impugnação, acrescendo que as esferas administrativas de julgamento tem competência para reconhecer a inconstitucionalidade da legislação federal que contrarie as normas constitucionais. Alega, ao fim, que o "processo mediante o qual se busca a renovação do mencionado documento ainda se encontra em trâmite perante o CNAS", pelo que requer a suspensão do presente processo administrativo "até decisão definitiva do CNAS a respeito de concessão do Certificado de Filantropia, no caso Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.012696/0079 Acórdão n.º 3402002.974 S3C4T2 Fl. 1.225 3 deste Eg. Conselho de Contribuintes não entender que a entidade encontrase dentre as beneficiadas pelo art. 195, § 7º, da Carta Constitucional". A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 27/06/2012, converteu o julgamento em diligência (fls. 452/455), sobrestando o julgamento do recurso voluntário, com arrimo no § 2º, do art. 62 do então vigente RICARF, para aguardar a decisão do STF em repercussão geral acerca da possibilidade de lei ordinária disciplinar as exigências para concessão de imunidade às entidades beneficentes de assistência social, consoante o disposto no art. 195, § 7º, da CF. Em 22/07/2014, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 457/461), considerando que o STF no REsp 636.941RS julgou que a pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos os artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085, converteu novamente o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora adotasse as seguintes providências: 1 – Manifestarse quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN, 12 da Lei 9.532/97 e art.55 da Lei nº. 8.212/1991, durante o período autuado; 2 Descrever quais as receitas consideradas pela autoridade lançadora como sendo próprias bem como quais seriam as receitas consideras “não próprias” que compuseram o lançamento, fazendoo para todo o período autuado; 3 Oficiar ao Conselho Nacional de Assistência Social solicitando que se manifeste quanto à condição da entidade em questão, quanto à sua natureza de entidade beneficente de assistência social, bem como se preenchia os requisitos para assim ser considerada, nos anos calendário de 1998/1999/2000; respondendo ainda se existiam, no referido período, razões de fato ou de direito que obstariam a entidade de obter o CEBAS; 4 Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. Às fls. 1.203/1.206, Relatório Final de Diligência, datado de 08/04/2015, no qual a fiscalização assevera que "a FELUMA não demonstrou possuir o certificado para o período de janeiro de 1998 a dezembro de 2000 (período da autuação), tendo apresentado os certificados e publicação do deferimento da renovação para o período imediatamente posterior". A fiscalização segregou as receitas que considera própria das nãopróprias, de natureza constraprestacional. Em relação ao item 3 da diligência (oficiar ao Conselho Nacional de Assistência Social quanto ao preenchimento dos requisitos para ser considerada entidade de beneficente de assistência social e se existiam razões de fato e de direito que obstariam a autuada de obter o CEBAS), a fiscalização assim se pronunciou: Sobre o item 3 a fiscalização oficiou o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e solicitando que este se manifestasse Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.012696/0079 Acórdão n.º 3402002.974 S3C4T2 Fl. 1.226 4 quanto à condição da entidade em questão, quanto à sua natureza de entidade beneficente de assistência social, bem como se preenchia os requisitos para assim ser considerada, nos anos calendário de 1998/1999/2000, respondendo ainda se existiam, no referido período, razões de fato ou de direito que obstariam a entidade de obter o CEBAS; Em sua resposta o CNAS não respondeu às solicitações da fiscalização. Apresentou apenas o histórico da concessão e do renovamento dos certificados CEBAS. Neste histórico (item 4) verificase que o certificado referente ao período de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, não foi concedido à FELUMA, aliás, isto é corroborado pela própria incapacidade da FELUMA de apresentálo à fiscalização Intimada desse relatório de diligência, a recorrente se manifestou na peça de fls. 1212/1214, na qual, alegou que "o processo de renovação do período de 1998/2000 é o de nº 440006.005513/9765 (folha 39 do PTA) e a prova de que havia um recurso apresentado pela recorrente pendente de julgamento está numa certidão emitida pelo CNAS juntada às fls. 408/409 do PTA", cuja imagem colou em sua petição à fl. 1213. Averba que o item 8 dessa Certidão esclarece que existia um Parecer pelo não conhecimento do pedido de reconsideração do recurso, donde conclui "que havia recurso pendente de julgamento". Articula que diante desse fato e da regra prevista no art. 39 da MP 446/08, "concluise que o CEBAS da entidade estava deferido, razão pela qual a falta desse atendimento desse requisito previsto na Lei 8.212 foi suprimida". Alega ainda que a questão das receita próprias e impróprias ventilada no item 2 da diligência "não constou do relatório fiscal lavrado quando da autuação". É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Emerge do relatado que a questão de fundo centrase no fato de que a autuada, por não ter o Certificado e Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, não faria jus à isenção a que se refere a Lei Complementar 7/70, de 30/12/1991. A redação do art. 6º dessa LC à época do lançamento tinha a seguinte redação: Art. 6° São isentas da contribuição: ... III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. De seu turno, o artigo 55 da Lei 8.212/91, prescrevia o seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.012696/0079 Acórdão n.º 3402002.974 S3C4T2 Fl. 1.227 5 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Portanto, à época dos fatos geradores sob análise vigia a redação do inciso II, do art. 55, com a redação da Lei 9.429/96, que vigeu até 2001, período abarcado pela exigência fiscal. Posteriormente, o art. 29 da Lei 12.101, melhor regulamentou a matéria. A discussão encetada no meio jurídico foi se lei ordinária poderia regulamentar a isenção (em verdade, imunidade) veiculada no art. 195, § 7º, da CF ou se somente Lei Complementar, pelo que seria inconstitucional as condições veiculadas no artigo 55 da Lei 8.212. O STF, em repercussão geral, julgou que as condições para a isenção daquela norma constitucional deveriam atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como do art. 55, da Lei nº 8.212/91. Assim, a questão acerca da constitucionalidade do art. 55 da Lei 8.212/91 foi ultrapassada no curso desta lide. Portanto, inequívoco que a Certificação a que alude a fiscalização, somada aos demais requisitos previstos no CTN e em leis esparsas, era, ao tempo dos fatos em comento, requisito para a incidência da norma isencional da LC 70/91, uma vez que ela era cogente no sentido de que a isenção de COFINS das entidades beneficentes de assistência social só incidiria em relação aquelas que atendessem às exigências estabelecidas em lei, que é o caso da Certificação de Entidade de Fins Filantrópicos, a que remete o art. 55, supra citado. Esse fato restou inconteste da diligência fiscal. Dessarte, despicienda a diligência quanto à segregação de receitas próprias e impróprias, posto não ser aventada essa questão na imputação fiscal. Não se olvide, igualmente, da interpretação restrita que deve ser dada ao instituto da isenção, conforme determina o art. 111 do Digesto Tributário. De outro turno, a questão agitada nas contrarazões ao Relatório de Diligência, no que se refere ao art. 39 da MP 446/08, no sentido de que o requisito da certificação fora suprimido, sem razão a recorrente. A um porque a vigência daquela MP foi a partir de sua publicação, o que ocorreu em 10/11/2008; e, a dois, a mencionada MP foi rejeitada pelo Congresso Nacional em sessão de 10/02/1999. Demais disso, claro está que todos os recursos foram exauridos pela recorrente, nos termos do relato fiscal em atendimento à referida diligência, que abaixo transcrevo (fl. 438): Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.012696/0079 Acórdão n.º 3402002.974 S3C4T2 Fl. 1.228 6 Portanto, entendo que a exação fiscal foi correta considerandose a legislação à época dos fatos, ou seja, entre janeiro de 1998 a dezembro de 2000, pois a entidade não atendeu a um dos requisitos para fruir da isenção a que alude o art. 6º da LC 7/70. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.012696/0079 Acórdão n.º 3402002.974 S3C4T2 Fl. 1.229 7 Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.727852/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NORMAS GERAIS. CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
É intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Nesse caso, a defesa apresentada não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do processo e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Para efeito de contagem do prazo de 30 dias para impugnar, considera-se feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado para tanto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 NORMAS GERAIS. CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. É intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Nesse caso, a defesa apresentada não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do processo e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Para efeito de contagem do prazo de 30 dias para impugnar, considera-se feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado para tanto. Recurso Voluntário Negado.
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CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. É intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Nesse caso, a defesa apresentada não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do processo e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Para efeito de contagem do prazo de 30 dias para impugnar, considerase feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado para tanto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 78 52 /2 01 1- 02 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.727852/201102 Acórdão n.º 2402005.001 S2C4T2 Fl. 105 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que não conheceu de impugnação apresentada pelo sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data da ciência da notificação de lançamento. Rejeitada a preliminar de tempestividade da impugnação. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 20ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), como relatado na decisão a quo: " Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária, todas em decorrência do não atendimento à intimação fiscal: Dedução Indevida de Despesas Médicas: glosa de R$ 41.705,51, por falta de comprovação; Dedução Indevida de Previdência Privada: glosa de R$ 1.855,86, por falta de comprovação." Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos na NL e nos demais anexos que a configuram. Devido a infrutíferas tentativas de cientificar o sujeito passivo, de lançamento lavrado em 03/08/2009, em 08/10/2009, a ciência do lançamento ocorreu por edital. Contra o lançamento, o recorrente apresentou impugnação, em 30/05/2011. A Delegacia não conheceu da impugnação, por sua intempestividade. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 O recorrente tomou ciência da decisão a quo em 05/06/2013. Em 25/06/2013, o recorrente apresentou recurso voluntário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.727852/201102 Acórdão n.º 2402005.001 S2C4T2 Fl. 106 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. Quanto à tempestividade, o contribuinte alega que a intimação por edital é nula. Esclarecemos ao contribuinte que a legislação determina os prazos para apresentação de impugnação. A atividade dos servidores públicos é totalmente vinculada à legislação e seu desrespeito é passível de punições. Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ... V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; ... Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.727852/201102 Acórdão n.º 2402005.001 S2C4T2 Fl. 107 7 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária Portanto, pela determinação legal, não há como aceitar as alegações do recorrente. O próprio sujeito passivo demonstra, em documento acostado aos autos, que o Fisco buscou intimálo de 04/2009 a 08/2009. Portanto, restaram improfícuas as tentativas, obrigando a administração tributária a intimálo por edital, como determina a legislação. Corretas as conclusões da decisão recorrida, que assim se pronunciou e que utilizo como razão de decidir: "Importa destacar que o fato de o contribuinte alegar que era de conhecimento de todos o fato de que estaria ausente de seu consultório médico por motivo de viagem, que sua residência é próxima ao consultório, que deixou um aviso no local informando sobre o período de seu afastamento, ou ainda, que sua residência e o consultório são casas térreas, de fácil acesso, nada disto é suficiente para desqualificar a ciência efetuada por Edital, tanto das intimações quanto das notificações de lançamento. Por oportuno, frisese que o processo administrativo fiscal é regido, fundamentalmente, pelo Decreto nº 70.235, de 1972, sendo que somente a partir da lavratura da Notificação de Lançamento é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose então, falar em ampla defesa e direito ao contraditório. Sobre a citação do contribuinte há regras específicas previstas no Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação dos artigos do CPC, transcritos na impugnação. Quanto ao pleito de reabertura do prazo para impugnação a ser contado a partir de abril/2011, data na qual o contribuinte alega que foi de fato intimado, inexiste fundamento jurídico para tal pedido. Desta forma, estritamente de acordo com os dispositivos anteriormente reproduzidos, houve a regular intimação, por meio do Edital nº 00035/2009 (fls. 53/54), afixado no período de 23/09/2009 a 08/10/2009. Sendo assim, a manifestação protocolizada apenas em 30/05/2011 é intempestiva, visto que apresentada após o prazo legal de trinta dias, e não deve ser conhecida por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ." Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Desse modo, com a apresentação extemporânea da impugnação, não se instaurou a fase litigiosa do procedimento, o que impede o conhecimento de razões de mérito. Por isso, nego provimento ao recurso. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 36266.007277/2006-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004
PROCESSO RELATIVO ÀS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. SOBRESTAMENTO PARA AGUARDAR DECISÃO DO PROCESSO PRINCIPAL.
O processo relativo ao auto de infração deve ser sobrestado PA julgamento em conjunto com a NFLD.
Numero da decisão: 2301-001.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o processo relativo ao auto de infração para julgamento conjunto com a NFLD, respeitando-se a decisão proferida pela quarta câmara, vencida a relatora que entendia que o processo deveria ser devolvido para a origem. Apresentará voto divergente vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Patrícia Regina Lopes Martins, OAB 204067
Marcelo Oliveira Presidente na data da formalização.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Mauro José Silva Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Junior e Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: Não informado
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004 PROCESSO RELATIVO ÀS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. SOBRESTAMENTO PARA AGUARDAR DECISÃO DO PROCESSO PRINCIPAL. O processo relativo ao auto de infração deve ser sobrestado PA julgamento em conjunto com a NFLD.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o processo relativo ao auto de infração para julgamento conjunto com a NFLD, respeitando-se a decisão proferida pela quarta câmara, vencida a relatora que entendia que o processo deveria ser devolvido para a origem. Apresentará voto divergente vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Patrícia Regina Lopes Martins, OAB 204067 Marcelo Oliveira Presidente na data da formalização. Bernadete de Oliveira Barros- Relator. Mauro José Silva Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Junior e Damião Cordeiro de Moraes.
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FATOS GERADORES Recorrente COMPANHIA DE MELHORAMENTOS DE SÃO PAULO Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004 PROCESSO RELATIVO ÀS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. SOBRESTAMENTO PARA AGUARDAR DECISÃO DO PROCESSO PRINCIPAL. O processo relativo ao auto de infração deve ser sobrestado PA julgamento em conjunto com a NFLD. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o processo relativo ao auto de infração para julgamento conjunto com a NFLD, respeitandose a decisão proferida pela quarta câmara, vencida a relatora que entendia que o processo deveria ser devolvido para a origem. Apresentará voto divergente vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Patrícia Regina Lopes Martins, OAB 204067 Marcelo Oliveira – Presidente na data da formalização. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva – Redator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 72 77 /2 00 6- 93 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Junior e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36266.007277/200693 Acórdão n.º 2301001.005 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de processo que retorna de diligência determinada pela então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração foi lavrado em 29/06/2005 por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c com inciso IV, § 4º, art. 225, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 04), a empresa deixou de informar, por meio da GFIP, as remunerações dos empregados nas competências 03/2002 a 12/2004. O agente autuante informa que esses segurados foram declarados indevidamente na GFIP de outra empresa do mesmo grupo econômico, tendo sido tal fato objeto do lançamento de débito NFLD 35.634.8415. A recorrente impugnou o débito (fls. 23 a 90), alegando, em apertada síntese, nulidade por responsabilidade tributária imposta ao administrador sem motivação, inocorrência da infração apontada pela auditoria fiscal e requerendo a aplicação do princípio da consumação. A então Receita Federal do Brasil, por meio da DecisãoNotificação nº 21.0024/0025/2005 (fls. 93 a 98), julgou o Auto de Infração procedente e a autuada, inconformada com a decisão, interpôs recurso ao CRPS (101 a 122), repetindo as alegações trazidas na defesa. Entende que a Lei 8.212/91 não determina a responsabilidade pessoal dos sócios, administradores ou gerentes para débitos com a Seguridade Social, devendo, assim, ser observado o que determina o art. 135, do CTN, e que a auditoria fiscal não pode impor responsabilidade por eventuais débitos previdenciários da recorrente a sóciogerente, administrador, diretor ou equivalente, sem ter ao menos comprovado a ocorrência das hipóteses previstas no citado art. 135 do CTN. No mérito, reitera que o presente auto está, aparentemente, vinculado com os fatos que deram origem à NFLD 35.634.8415, e que foram lavrados dois autos de infração e uma NFLD para o mesmo fato, ou seja, um auto contra a recorrente, pelo fato de ter deixado de informar, em suas GFIPs, a remuneração de empregados que, segundo entendimento da fiscalização, teriam sido declarados indevidamente na GFIP da Melhoramentos Florestais S/A; um auto contra a Melhoramentos Florestais S/A, pela declaração indevida, em GFIP, dos empregados que, segundo a auditoria fiscal, são segurados vinculados à recorrente; e multa pelo suposto descumprimento da obrigação principal da Recorrente pela NFLD referida acima. Ressalta que a recorrente e a Melhoramentos Florestal S/A não prestaram informações falsas ou equivocadas em suas GFIPs, que estão plenamente de acordo com a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 massa salarial por elas registradas, tendo sido informada exatamente a remuneração percebida pelos segurados que constavam como empregados em seus registros, conforme folhas de salários. Considera desqualificadas as penalidades aplicadas pela fiscalização previdenciária à Melhoramentos Florestais, uma vez que o valor das remunerações informadas em GFIP é um retrato fiel de sua folha de salário, e à recorrente, já que não poderia ela informar o valor das remunerações percebidas por empregados registrados em outras empresas. Argumenta que, apesar da acusação ora combatida se referir a suposto descumprimento de obrigação acessória, o AI formaliza cobrança de uma multa decorrente do suposto descumprimento da mesma obrigação que ensejou a lavratura da referida NFLD e que, se for admitida a cobrança do tributo exigido na Notificação citada, não pode a fiscalização exigir uma segunda penalidade (ou terceira) em face do mesmo fato, ainda que relativa ao descumprimento da obrigação acessória, uma vez que a multa pelo descumprimento da obrigação principal absorve eventuais multas pelo descumprimento da obrigação acessória. Discorre sobre o princípio da consumação, no qual as penalidades que apenam infrações mais abrangentes absorvem as multas que punem infrações mais específicas, para concluir que, se for mantida a cobrança do tributo e multa exigidos por intermédio da NFLD lavrada contra a recorrente, o valor da multa formalizada no presente AI há de ser cancelado. Defende que a falta somente será caracterizada caso exista decisão final transitada em julgado que considere reais as alegações da fiscalização e que, antes desse momento, não há que se falar em penalidade por descumprimento de obrigação acessória e, ao menos, em correção da suposta falta apontada pela fiscalização. Em contrarazões (fls. 180 a 183), a SRP manteve os termos da Decisão Notificação e a 04a CAJ do CRPS, por meio do Acórdão 575/2006 (fls. 193 a 195), decidiu não conhecer do recurso por falta de comprovação de depósito prévio. A notificada, inconformada com a decisão do CRPS, formulou pedido de revisão de acórdão (fls. 199 a 207), alegando, em síntese, que há decisão judicial assegurando à requerente o direito de ter o seu recurso voluntário devidamente processado e julgado pelo CRPS, independentemente da realização do depósito recursal. A SRP apresentou Contrarazões ao pedido de revisão (fls. 334 a 337), entendendo que restou restabelecida a situação anterior, tendo em vista a concessão da liminar nos autos no Agravo de Instrumento que suspendeu os efeitos da sentença denegatória da segurança.. Às fls. 338 a 346, foi juntado o Memorial da Recorrente, no qual reitera o entendimento de que não é possível responsabilizar os gerentes, administradores e diretores da recorrente, por não restar evidenciado o dolo ou culpa, e de que antes do julgamento definitivo da NFLD correlata não há que se falar em penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, a qual somente irá existir após decisão definitiva que mantenha a obrigação principal. Os autos foram encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e o pedido de revisão foi acolhido pelo Presidente da 6a Câmara, tendo sido designada ad hoc a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, nos termos do art. 29, III, da Portaria MF 147/2007. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36266.007277/200693 Acórdão n.º 2301001.005 S2C3T1 Fl. 4 5 Por meio da Resolução 206.00.177, de 03/12/2008 (fl. 353), a extinta Sexta Câmara do 2o CC decidiu converter o julgamento em diligência, conforme fundamentação do voto de fls. 356, e a Delegacia da Receita Federal em São Paulo devolveu o processo a este CARF para que fosse apensado e julgado concomitantemente com o lançamento de débito correspondente, NFLD 35.634.8415. É o relatório. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora Tratase de processo que retorna de diligência determinada pela então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo, DERAT SPO/DICAT/EQREC encaminhou o processo a este CARF para que o mesmo possa ser apensado e julgado concomitantemente com o lançamento de débito correspondente, NFLD 35.634.8415. Contudo, não se afigura possível, atualmente neste CARF, se apensar dois processos que tiveram trânsito administrativo distintos. E, por meio da Resolução 206.00.177, de 03/12/2008 (fl. 353), a extinta Sexta Câmara do 2o CC decidiu converter o julgamento em diligência, conforme fundamentação do voto de fls. 356, cuja conclusão transcrevo a seguir: Dessa forma, considerando que o julgamento do auto em questão depende da procedência ds Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que lançou as contribuições referentes ao pagamento de remuneração dos segurados empregados,, cuja omissão na GFIP ensejou a lavratura do presente Auto, entendo que o processo deva ser devolvidos à origem e fique sobrestado até o trânsito em julgado administrativo da NFLD correlata. Portanto, verificase que o julgamento foi convertido em diligência para que ficasse sobrestado até o trânsito em julgado da NFLD. Dessa forma, constatase que não foi cumprida determinação emanada deste Conselho, já que ainda não ocorreu o trânsito em julgado administrativo da NFLD que lançou as contribuições cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do Auto em discussão. Ademais, em que pese a informação constante da tela de fl. 358, em consulta aos sistemas informatizados deste Conselho de Contribuintes, verificase que não consta registro da NFLD 35.634.8415, e nem do processo informado na referida tela, qual seja, 36266.003981/200596. Assim, reiterando que o julgamento do auto em questão depende do julgamento do mérito da Notificação que lançou as contribuições omissas em GFIP, entendo que o processo deva retornar à origem e ficar sobrestado até o trânsito em julgado administrativo da NFLDs correlata. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA É como voto. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 36266.007277/200693 Acórdão n.º 2301001.005 S2C3T1 Fl. 5 7 Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator ad hoc do voto vencedor. Em sintonia com o que ficou consignado na Ata, observamos que a maioria dos Conselheiros presentes na sessão de julgamento, a despeito dos muito bem apresentados argumentos da Relatora, decidiu, por maioria de votos, que a melhor solução para o caso seria sobrestar o processo relativo ao auto de infração para julgamento conjunto com a NFLD, respeitandose a decisão proferida pela quarta câmara. Pelo exposto, cumprindo nossa função de Redator ad hoc, apresentamos a síntese do que a maioria do Colegiado decidiu de modo a consignar que ficou decidido o sobrestamento do processo relativo ao auto de infração para julgamento conjunto com a NFLD, respeitandose a decisão proferida pela quarta câmara. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator ad hoc. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 06/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000402/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Ausente contradição entre a decisão e seus fundamentos, o acolhimento dos embargos para esclarecimento das razões de decidir deve se dar sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1302-001.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, CONHECER os embargos, divergindo as Conselheiras Talita Pimenta Félix e Daniele Souto Rodrigues Amadio e votando pelas conclusões o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone; e 2) por voto de qualidade, ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, divergindo as Conselheiras Talita Pimenta Félix e Daniele Souto Rodrigues Amadio que rejeitavam os embargos, e restando vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que acolhia os embargos com efeitos infringentes, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora designada
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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OBSCURIDADE. Ausente contradição entre a decisão e seus fundamentos, o acolhimento dos embargos para esclarecimento das razões de decidir deve se dar sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, CONHECER os embargos, divergindo as Conselheiras Talita Pimenta Félix e Daniele Souto Rodrigues Amadio e votando pelas conclusões o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone; e 2) por voto de qualidade, ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, divergindo as Conselheiras Talita Pimenta Félix e Daniele Souto Rodrigues Amadio que rejeitavam os embargos, e restando vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que acolhia os embargos com efeitos infringentes, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora designada (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 02 /2 01 0- 41 Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1302001.624, que cancelou o lançamento de multa isolada, pela seguinte razão exposta no voto condutor do acórdão recorrido: "Neste ponto a matéria posta em julgamento é referente ao item 002 do auto de infração do IRPJ (fls. 502/503) e item 001 do auto de infração da CSLL (fls. 514), ou seja, multa isolada lançada com fundamento no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96. Ao me pronunciar, na Sessão de Julgamento, favoravelmente a incidência cumulativa da multa isolada em tela com a multa de ofício, fui alertado da recentíssima publicação da Súmula CARF nº 105 que determina o cancelamento da multa lançada com base neste dispositivo legal, se não vejamos: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A embargante alega que há obscuridade na decisão embargada, pois a Súmula nº 105 não pode ser aplicada em relação ao disposto no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, ou seja, para fatos geradores posteriores ao advento da MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), razão pela qual pede que seja dado os efeitos infringentes aos embargos, com a consequentente manifestação sobre a validade da cumulação entre as multas de ofício e isolada, à luz do disposto no art. 44, II, alínea "b", da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11488/07. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O despacho de encaminhamento a fls. 295 informa que a data de remessa dos autos para ciência do acórdão recorrido pela Fazenda Nacional, ora embargante, se deu em 17/03/2015, logo houve a intimação pessoal presumida da embargante em 16/04/2015, nos termos do art. 7º, §§ 1º e 3º, da Portaria MF nº 527/2010, razão pela qual os embargos de declaração opostos em 15/04/2015 (vide despacho de encaminhamento a fls. 300) é tempestivo (art. 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, RICARF). Sendo os embargos de declaração tempestivos e tendo a embargante apontado suposta obscuridade na decisão embargada, voto por conhecer dos embargos de declaração. No mérito, entendo que a decisão embargada não só incorreu em obscuridade, mas também em contradição, pois, apesar de expressamente dito que a única matéria posta em julgamento é referente ao item 002 dos autos de infração do IRPJ e CSLL, ou seja, multa isolada lançada com fundamento no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.000402/201041 Acórdão n.º 1302001.744 S1C3T2 Fl. 1.231 3 9.430/96, concluiu por cancelar o lançamento da multa isolada unicamente em razão da Súmula CARF 105, a qual se aplica tãosomente para as multas lançadas com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, voto por acolher os embargos de declaração e darlhes efeitos infringentes, pelas razões a seguir expostas. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário. A falta de recolhimento da estimativa mensal não é uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Ora, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade, são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. A tese de que as multas isolada e de ofício incidem sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofíco, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2. Alfim, ressalto que a redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44 da Lei 9.430/96 diferenciou os percentuais de multa ad valorem e de multa isolada, como também o legislador deixou ainda mais claro que a multa isolada incide sobre os pagamentos mensais, diferentemente da outra que incide sobre o tributo, o que deixa ainda mais claro que as referidas multas são sanções sobre condutas diversas. Em face do exposto, voto por acolher os embargos de declaração e darlhes efeitos infringentes, para manter o lançamento da multa isolada referente ao item 002 do auto de infração do IRPJ (fls. 502/503) e item 001 do auto de infração da CSLL (fls. 514). . Alberto Pinto Souza Junior Relator Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A Procuradoria da Fazenda Nacional aponta obscuridade que demanda esclarecimento. De fato, se a Súmula CARF nº 105 não poderia ser aplicada para fatos geradores posteriores ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), necessário seria justificar a exoneração das penalidades lançadas com fundamento no art. 44, II, alínea "b", da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Como bem observado nos debates acerca da questão, duas hipóteses poderiam ser cogitadas na decisão adotada pelo I. Relator ao ser alertado da recentíssima publicação da Súmula CARF nº 105: 1) interpretouse que a redação do enunciado alcançaria qualquer hipótese de concomitância; ou 2) não se atentou que a referência ao art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, pretendia limitar o alcance do enunciado apenas às infrações Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16327.000402/201041 Acórdão n.º 1302001.744 S1C3T2 Fl. 1.232 5 anteriores à Medida Provisória nº 351/2007. Frente a tais circunstâncias, relevante seria, para a Fazenda Nacional, identificar a vertente interpretativa adotada para assim, eventualmente, buscar o paradigma que melhor caracterizasse divergência a ser levada, em sede de recurso especial, à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Evidenciado, pelo I. Relator, que teria se verificado a segunda hipótese, cumpre, em sede de embargos, apenas esclarecer o motivo da decisão. Inexiste, no caso, contradição entre a decisão e seus fundamentos que permita o acolhimento dos embargos com efeitos infringentes. A decisão está coerente com os fundamentos da decisão agora esclarecidos. Por tais razões, prevalecendo o entendimento do I. Relator em favor do conhecimento dos embargos, o presente voto prestase, apenas, a explicitar as razões para ACOLHIMENTO dos embargos SEM efeitos infringentes, mantendose o provimento dado ao recurso voluntário para cancelar o lançamento da multa isolada referente aos itens 002 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 16366.000100/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de peças de reposição, rolamentos, retentores, mancais, kits de regulagem, e demais peças utilizadas na limpeza, na manutenção e no reparo de máquinas utilizadas no processo de beneficiamento de couros.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3301-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento integral ao recurso. A Conselheira Semíramis de Oliveira Duro acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 01 00 /2 00 8- 92 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de peças de reposição, rolamentos, retentores, mancais, kits de regulagem, e demais peças utilizadas na limpeza, na manutenção e no reparo de máquinas utilizadas no processo de beneficiamento de couros. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento integral ao recurso. A Conselheira Semíramis de Oliveira Duro acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Curitiba (fls. 197/209), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte que não foi reconhecida de seu pedido de ressarcimento de aduzidos créditos da COFINS relativo ao quarto trimestre de 2007. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (n.º 24286.85280.230108.1.1.095965, fls. 02/04) do montante de R$ 620.556,11, referente a créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16366.000100/200892 Acórdão n.º 3301002.675 S3C3T1 Fl. 328 3 Social – Cofins nãocumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, relativos ao quarto trimestre de 2007. Constam dos autos, ainda, as declarações de compensação de fls. 116/119 (n.º 28910.23657.290108.1.3.092480), 120/123 (n.º 2711334384.290108.1.3.099686), 124/127 (n.º 25073.38659.070208.1.3.09 7000), 128/133 (n.º 18264.73698.080208.1.3.090510), 134/137 (n.º 36266.90595.290208.1.3.098033) e 138/143 (40388.93247.100308.1.3.09 8063). Valendose do Termo de Diligência Fiscal de fls. 106/115, que explicita as glosas nos valores dos créditos pleiteados pela interessada, a Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina (Saort/DRF/LON) emitiu o Parecer n.º 191/2008 de fls. 149/151 e o Despacho Decisório de fl. 152, com a seguinte decisão: “(...) – DEFERIR PARCIALMENTE o Pedido de Ressarcimento – PER n.º 24286.85280.230108.1.1.095965, de fls. 02/04, para RECONHECER à interessada o direito ao crédito de COFINS relativo ao 4º trimestre de 2007, no valor de R$ 518.182,83 (quinhentos e dezoito mil cento e oitenta e dois reais e oitenta e três centavos), remanescendo à interessada após as compensações promovidas, o valor a ser ressarcido de R$ 475.791,24 (quatrocentos e setenta e cinco mil setecentos e noventa e um reais e vinte e quatro centavos); HOMOLOGAR as compensações declaradas pela interessada nas DCOMP’s transmitidas eletronicamente n.º 28910.23657.290108.1.3.092480, 2711334384.290108.1.3.099686, 25073.38659.070208.1.3.097000, 18264.73698.080208.1.3.090510, 36266.90595.290208.1.3.098033 e 40388.93247.100308.1.3.098063. (...)”. Cientificada em 14/04/2008 (AR à fl. 169), a contribuinte encaminhou, em 02/05/2008 por intermédio de procurador (mandato à fl. 175), a manifestação de inconformidade de fls. 170/174, a seguir sintetizada. Inicialmente, faz breve relato sobre os fatos que levaram a emissão do despacho decisório, após o que, sob o título “da justificativa da fiscalização para as glosas efetuadas”, depois de reproduzir o item 10.1.1 do Termo de Diligência Fiscal, onde é descrito que a glosa diz respeito ‘a partes e peças de reposição que não se consomem na ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação’ (fl. 111); sobre isso, diz que há equívoco no procedimento do fisco, assim justificando tal assertiva: “ao admitir apenas as peças de reposição que se consomem na ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, pois as peças de reposição glosadas são consumidas pelo funcionar das máquinas e totalmente indispensáveis sua reposição sob pena de sua paralisação” (fl. 172). À guisa de comprovação, junta cópias de 05 notas fiscais, emitidas entre os anos de 2003 e 2007, que seria uma amostragem das peças que não foram aceitas pela fiscalização, as quais se referem a “rolamentos, retentores, mancal, kits com peças para regular altura do corte do couro de máquinas, dentre outras peças de reposição consumidas na operação das máquinas no preparo de couros.”; quanto a tais documentos fala ainda que as peças adquiridas fazem parte do custo com manutenção de máquinas, e, portanto, não integram o ativo imobilizado. Transcreve, a propósito, trecho da Solução de Consulta n.º 459, de 02/10/2007, emitida no âmbito da 8ª Região Fiscal da RFB, e publicada no Fl. 329DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 DOU de 05/11/1997, bem como o art. 66 da IN SRF n.º 247, de 2002, citado na base legal da referida solução de consulta. Argumenta que o custo total do período entre fevereiro/2004 e setembro/2007 atingiu o montante de R$ 3.440.405,81, que multiplicados pelo percentual de 7,60%, propiciaria um crédito de Cofins de R$ 261.470,84, mas que, em virtude da glosa, que considera indevida, aquele montante foi reduzido para R$ 2.113.075,00, o que redundou em um crédito de R$ 160.593,70; reafirma que o valor glosado (R$ 100.877,14), diz respeito às partes e peças que foram usadas na manutenção das máquinas, que sem elas não funcionariam. Por fim, pede a reconsideração do despacho decisório, com a concessão do direito ao creditamento da Cofins no tocante “às aquisições de peças consumidas pelas máquinas, conforme demonstrado acima, amparado na Solução de Consulta 459/2007 / 8ª RF e na IN SRF n.º 247/2002, art. 66, por ser um direito da contribuinte.”. Não obstante, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito de pedido de ressarcimento, é ônus da interessada a comprovação minuciosa da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 02/05/2011 (vide AR de fls. 212), a interessada, em 20/05/2011, apresentou o recurso voluntário de fls. 213/226, onde reitera os argumentos apresentados à primeira instância, e requer, ao final, seja dado provimento ao recurso, com o consequente reconhecimento integral do crédito cujo ressarcimento fora requerido. Alternativamente, requer seja produzida prova pericial para comprovação da aquisição e escrituração dos bens de uso e consumo cujo crédito é pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 330DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16366.000100/200892 Acórdão n.º 3301002.675 S3C3T1 Fl. 329 5 Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Amplitude do conceito de insumo diante das atividades exercidas pela suplicante. Conforme relatado, a lide decorre de pedido de ressarcimento da COFINS do quarto trimestre de 2007, reconhecido apenas em parte pela unidade de origem, e cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente pela DRJ Curitiba. O direito em discussão diz respeito ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, instituído, respectivamente, pelas Lei nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Assim, aludido regime de incidência nãocumulativa foi inaugurado em relação ao PIS/Pasep, fruto da Medida Provisória no 66, de 2002, posteriormente convertido na Lei nº 10.637/2002. Os efeitos do regime em tela, alusivos à nãocumulatividade do PIS/Pasep, passaram a atingir os fatos geradores a partir de 1o de dezembro de 2002. Quanto à não cumulatividade da COFINS, objeto da Lei nº 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135/2003), a vigência do regime se deu a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). As leis em evidência, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo, releva destacar que [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. (SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315) Defende ainda o i. professor que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”2. 2 ob. cit., p. 315316. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16366.000100/200892 Acórdão n.º 3301002.675 S3C3T1 Fl. 330 7 Há ainda os que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins3, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco4 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS5, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há também outras teses doutrinárias que revelam esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide, entendemos que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. 3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 4 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 5 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendemos que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Feito o registro concernente ao alcance das normas alusivas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, passase à análise das demais questões pontualmente aduzidas no recurso. Das glosas de aquisições de bens não considerados como insumos A suplicante tem como objeto social a “industrialização de couros para exportação". Sem dúvida, a natureza da atividade exercida pela interessada é relevante para a caracterização, como insumo, dos custos e despesas apresentados. Segundo o Termo de Diligência Fiscal de fls. 107/116, a glosa ocorreu em parte dos custos aproveitados "[...] tendo em vista que se referem a partes e peças de reposição que não se consomem na ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação [...]" (conf. item 10.1.1.). Vêse, de pronto, que o critério adotado pela autoridade fiscal foi aquele proclamado pela legislação do IPI, adotado pelas instruções normativas SRF nº 247, de 2002 – nãocumulatividade do PIS/Pasep – e 404, de 2004 – nãocumulatividade da COFINS. Tais instruções normativas foram utilizadas como fundamento para a análise do pleito por parte da autoridade fiscal. Mas tendo como norte a essencialidade como pressuposto para a consideração de determinado bem como insumo, entendo que as partes e peças de reposição adquiridas pelo sujeito passivo podem, sim, ser admitidas para fins de creditamento. Em exame dos autos, especialmente dos documentos acostados à manifestação de inconformidade, pude constatar que não há nenhum elemento que desacredite as justificativas apresentadas pela interessada no sentido de que os bens adquiridos pela empresa, acima elencados, devem sim estar relacionados às correspondentes finalidades mencionadas. Num rápido exame das notas fiscais apresentadas com a manifestação de inconformidade (fls. 190/195), verifiquei que as mesmas dizem respeito a aquisições de rolamentos, retentores, mancais, kit regulador, etc. Me parece que tais produtos guardam correlação com a finalidade declarada pela recorrente no recurso voluntário: As Glosas referemse a peças de reposição, rolamentos, retentores, mancal, kits com peças para regular a altura do corte do couro de máquinas, pequenos reparos, mangueiras, correias, limpeza, dentre outras peças de reposição consumidas na operação das máquinas de preparo do couro. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16366.000100/200892 Acórdão n.º 3301002.675 S3C3T1 Fl. 331 9 Evidentemente, a análise quanto à aplicação dos produtos acima na atividade industrial da interessada, e, portanto, sua possível caracterização como insumo, é superficial, já que este conselheiro não tem conhecimento técnico específico em relação ao processo produtivo de couros. Mesmo assim, entendo que a questão não merece sejam os autos baixados em diligência, uma vez que a premissa adotada pela autoridade fiscal obedeceu aos ditames traçados pelas instruções normativas nos 247/02 (para o PIS/Pasep vide § 5º do artigo 66) e 404/04 (para a COFINS vide incisos I e II do § 4º do artigo 8o), as quais, como vimos, seguem conceituação de insumo demasiadamente restritiva por equiparar sua acepção à que é adotada pela legislação do IPI, o que, conforme defendemos, não é adequado ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Assim, diante da fundamentação adotada pela autoridade fiscal, e considerando que o parâmetro aqui adotado é o de dar à acepção de insumo um caráter de essencialidade à concretização da razão de ser do empreendimento, e por fim, fundado nas explicações trazidas pela recorrente e na documentação acostada aos autos, penso que deverão ser admitidos os créditos calculados em relação a peças de reposição, rolamentos, retentores, mancais, kits de regulagem do corte do couro, e demais peças utilizadas na limpeza, na manutenção e no reparo das máquinas utilizadas no processo produtivo. Produtos não utilizados nas especificações acima citadas, ou não escriturados, não deverão ser considerados para fins de apuração do crédito em tela. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, reconhecendo o direito creditório sobre os bens escriturados que se caracterizem como peças de reposição, rolamentos, retentores, mancais, kits de regulagem do corte do couro, e demais peças utilizadas na limpeza, na manutenção e no reparo das máquinas utilizadas no processo produtivo. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 335DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10580.727332/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ART. 22, III, DA LEI Nº 8.212/91.
A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99.
REMUNERAÇÃO PAGA POR EMPRESA DE PLANO DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA A DENTISTA AUTÔNOMO CREDENCIADO, CONTRATADO PARA O ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS DE PLANO ODONTOLÓGICO.
Os valores pagos por Operadora de Plano de Assistência Odontológica a Profissionais credenciados/contratados, sem vínculo de emprego, para o atendimento dos usuários do seu plano, com cobertura financeira de 100% pelo plano, configuram-se despesas operacionais da Operadora - Custos dos Serviços Vendidos, e nessa condição, sofrem a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 22, III, da Lei nº 8.212/1991.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ART. 22, III, DA LEI Nº 8.212/91. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. REMUNERAÇÃO PAGA POR EMPRESA DE PLANO DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA A DENTISTA AUTÔNOMO CREDENCIADO, CONTRATADO PARA O ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS DE PLANO ODONTOLÓGICO. Os valores pagos por Operadora de Plano de Assistência Odontológica a Profissionais credenciados/contratados, sem vínculo de emprego, para o atendimento dos usuários do seu plano, com cobertura financeira de 100% pelo plano, configuram-se despesas operacionais da Operadora - Custos dos Serviços Vendidos, e nessa condição, sofrem a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 22, III, da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ART. 22, III, DA LEI Nº 8.212/91. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. REMUNERAÇÃO PAGA POR EMPRESA DE PLANO DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA A DENTISTA AUTÔNOMO CREDENCIADO, CONTRATADO PARA O ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS DE PLANO ODONTOLÓGICO. Os valores pagos por Operadora de Plano de Assistência Odontológica a Profissionais credenciados/contratados, sem vínculo de emprego, para o atendimento dos usuários do seu plano, com cobertura financeira de 100% pelo plano, configuramse despesas operacionais da Operadora Custos dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 32 /2 01 0- 95 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Serviços Vendidos, e nessa condição, sofrem a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 22, III, da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727332/201095 Acórdão n.º 2401003.998 S2C4T1 Fl. 292 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006. Data da lavratura do AIOP: 30/09/2010. Data da Ciência do AIOP: 18/10/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.120.4330, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, porém não recolhidas aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 107/114. De acordo com a resenha fiscal, os créditos ora em fase de constituição foram apurados através dos seguintes levantamentos: · CI CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS contribuições previdenciárias decorrentes das remunerações dos segurados contribuintes individuais, conforme Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. · SE SEGURADOS EMPREGADOS – Contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, constantes nas folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo e em lançamentos efetuados na conta contábil 4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA. Informa a Autoridade Lançadora que na conta contábil 4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA da PREVDONTO ODONTO EMPRESA DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA LTDA, doravante Prevdonto, constavam, equivocadamente, lançamentos de pagamentos efetuados a segurados empregados, tais como horas extras e comissões, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos – RL, a fls. 12/55. Na constituição do crédito Tributário, a fiscalização considerou as remunerações declaradas na DIRF, nas competências em que os serviços foram efetivamente prestados. Por outro lado, as remunerações pagas aos demais contribuintes individuais sócios administradores e prestadores de serviços não relacionados na DIRF foram apuradas, respectivamente, com base nos lançamentos das contas contábeis 4.6.1.1.0.9.01.1 – DIRETORIA EXECUTIVA e 4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA. No Relatório de Fl. 295DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Lançamentos – RL, a fls. 12/55, estas remunerações podem ser identificadas através do campo “OBS”, cujo texto registra a conta contábil em que foi lançada a referida remuneração. Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo e considerados para apuração do crédito ora em constituição estão relacionados no Relatório de Documentos Apresentados – RDA. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 175/190. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0733.056 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 229/243, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 24/01/2014, conforme Termo de Abertura de Documento a fl. 246. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 249/259, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a contribuição social previdenciária prevista no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, não incide sobre pagamentos efetuados por operadora de plano de assistência à saúde a profissionais odontólogos credenciados; · Que a relação que mantém com os profissionais que realizam os serviços de odontologia, “sejam pessoas físicas ou jurídicas”, integrantes da rede credenciada, “limitase ao pagamento dos custos relativos aos serviços realizados por conta e ordem do seu tomador, caracterizandose exercício de representação legal expresso e específico para o referido ato, conforme veiculado no inciso I e II, da Lei nº 9.656/98; · Que todos os valores disponibilizados pela Autuada para quitação dos honorários que decorrem dos atendimentos odontológicos realizados pelos profissionais que integram a rede referenciada não correspondem a qualquer contraprestação por serviços odontológicos prestados à Autuada, consistindo, tão somente, no ressarcimento dos valores devidos pelos serviços odontológicos prestados diretamente aos usuários do plano, cuja responsabilidade da Autuada decorre do contrato de assunção de risco, previamente estabelecido com os beneficiários daqueles serviços médicos; · Que a autoridade fiscal agiu de forma contraditória ao noticiar a inexistência de documentação hábil e idônea a respaldar os registros contábeis de despesas efetuadas nas contas “4.6.1.1.0.9.01.1 – DIRETORIA EXECUTIVA” e “4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA” e ao mesmo tempo considerar tais registros válidos para fins de lançamento de contribuições sociais previdenciárias; Ao fim, requer a anulação do Auto de Infração. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727332/201095 Acórdão n.º 2401003.998 S2C4T1 Fl. 293 5 Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 24/01/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 24/02/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS GERADORES – SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O Recorrente alega que a contribuição social previdenciária prevista no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, não incide sobre pagamentos efetuados por operadora de plano de assistência à saúde a profissionais odontólogos credenciados. Aduz que a relação que mantém com os profissionais que realizam os serviços de odontologia, “sejam pessoas físicas ou jurídicas”, integrantes da rede credenciada, limitase ao pagamento dos custos relativos aos serviços realizados por conta e ordem do seu tomador, caracterizandose exercício de representação legal expresso e específico para o referido ato, conforme veiculado no inciso I e II, da Lei nº 9.656/98. O Recorrente acrescenta que todos os valores disponibilizados pela Autuada para quitação dos honorários que decorrem dos atendimentos odontológicos realizados pelos profissionais que integram a rede referenciada, não correspondem a qualquer contraprestação Fl. 298DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727332/201095 Acórdão n.º 2401003.998 S2C4T1 Fl. 294 7 por serviços odontológicos prestados à Autuada, consistindo, tão somente, no ressarcimento dos valores devidos pelos serviços odontológicos prestados diretamente aos usuários do plano, cuja responsabilidade da Autuada decorre do contrato de assunção de risco, previamente estabelecido com os beneficiários daqueles serviços médicos. Em que pese a energia argumentativa do Recorrente, do contrato coletivo empresarial exposto a fls. 195/198 a realidade que floresce é outra bem distinta: Os serviços são prestados pela Pessoa Jurídica Prevdonto, ora recorrente, que o faz, obviamente, por intermédio de profissionais dentistas por esta contratados na condição de Segurados Contribuintes Individuais. Dessai do contrato que a Prevdonto “se obriga a garantir a prestação de serviços de assistência odontológica às pessoas vinculadas à contratante mediante contrato de trabalho, sindicalização ou associação, [...], através de sua rede própria ou por ela contratada”. O usuário é a “Pessoa Física vinculada à contratante, mediante contrato de trabalho, relação de sindicalização ou associação, inscrita e aceita pela contratada (a Recorrente) que usufruirá os serviços ora pactuados, seja na qualidade de titular, seus respectivos dependentes ou, ainda, agregados ...” A cobertura do plano é “a especificação contratual dos direitos que cabem ao usuário, decorrentes dos serviços a serem prestados pela Contratada (a Recorrente) observadas as limitações derivadas dos prazos de carência e demais limitações expostas no contrato, proposta de admissão e manual do usuário”. O Manual do Usuário contém a relação dos serviços próprios e/ou contratados pela operadora, orientação de uso do plano e a relação dos procedimentos cobertos. Serviços contratados ou credenciados são “aqueles colocados à disposição do usuário pela contratada, para atendimento dentário, mas que não são realizados por sede própria da Unidonto, e sim por terceiros”. Os serviços contratados são prestados pela CONTRATADA, através de seus dentistas e/ou clínicas próprias ou por ela contratada, conforme previsto no Manual do Usuário entregue ao CONTRATANTE. Atentese que somente tem direito aos serviços ora contratados os usuários regularmente inscritos, bem como para aqueles cujas empresas se encontrarem adimplentes quanto ao pagamento das suas mensalidades, e ainda quando o atendimento requerido estiver em acordo com os prazos estipulados a título de carência e demais exigências de contrato. A mensalidade é o valor pago mensalmente à contratada, em face da cobertura prevista no contrato. A CONTRATADA assegurará aos usuários as coberturas previstas no Manual do Usuario relacionadas no item COBERTURA DOS PLANOS – Fl. 299DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 PROCEDIMENTOS, de acordo o tipo de plano escolhido pelo USUARIO na proposta de adesão, conforme especificado a seguir: · Consultas os usuários serão atendidos no consultório do dentista escolhido, dentre os credenciados da UNIDONTO. · Atendimentos clínicos e cirurgia oral menor serão prestados em consultórios, clínicas, serviços próprios e/ou contratados. Eis o modus operandi do empreendimento: A Prevdonto celebra contrato coletivo empresarial com determinadas empresa contratantes, para a prestação de serviços odontológicos aos empregados desta e aos seus dependentes. O Beneficiário (empregado ou dependente da contratante) tem que se cadastrar perante a Prevdonto, mediante proposta de admissão, condicionada ao aceite expresso da Recorrente. Ao ser admitido no Plano, o Beneficiário recebe o Cartão Individual de Identificação e, após cumprido o prazo contratual de carência, passa a usufruir dos benefícios previstos no contrato, observadas as limitações derivadas dos prazos de carência e demais limitações expostas no contrato, proposta de admissão e manual do usuário, estipuladas unicamente pela Recorrente, não pelos profissionais credenciados. Vejam que é facultado ao Recorrente, a critério exclusivo desta, a realização de perícia dentária prévia à admissão do usuário, fato que demonstra ser a Prevdonto a efetiva prestadora dos serviços. Em reforço a tal assertiva, registrese que a Recorrente se reserva o Direito, a seu critério exclusivo, de solicitar aos seus usuários a retirada de autorizações para realização de procedimentos e/ou tratamentos. Mesmo os serviços prestados por terceiros, em estabelecimento não integrante da Unidonto, eles são contratados pelo Recorrente, não pelo usuário; São colocados à disposição dos usuários diretamente pelo Recorrente, não pelo profissional dentista; Os profissionais são remunerados pela Recorrente, não pelo usuário. Salvo em caso de emergência/urgência, quando não for comprovadamente possível a utilização de serviços próprios, contratados ou credenciados pela UNIDONTO, terá direito o usuário a reembolso de despesas com assistência odontológica realizadas, dentro do território nacional, com outro profissional não credenciado, cláusula contratual que demonstra que os serviços regulares de atendimento encontrase adstrito aos profissionais contratados pelo Recorrente. A Recorrente fornece aos usuários Cartões Individuais de Identificação, cuja apresentação, acompanhada de documento de identidade legalmente reconhecido, assegura a fruição dos direitos e vantagens do plano odontológico contratado, podendo a Recorrente adotar, a qualquer tempo, novo sistema para melhor atendimento dos usuários. Tal contingência revela que quem controla a prestação dos serviços é a própria Recorrente. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727332/201095 Acórdão n.º 2401003.998 S2C4T1 Fl. 295 9 Os serviços cobertos pelos planos compreendem os procedimentos de Diagnostico, Urgência, Emergência, Radiologia, Prevenção em Saúde Bucal, Dentística, Periodontia e Endodontia, Cirurgia oral menor, Prótese, Ortodontia e Odontopediatria. Tais coberturas são identificadas no Manual do Usuário da seguinte forma: S = Procedimento com cobertura financeira de 100% da UNIDONTO N = Procedimento sem cobertura financeira da UNIDONTO Estão excluídos do contrato os Serviços de cobertura médicohospitalar, bem como todos os demais serviços não relacionados no Manual do Usuário no item COBERTURA DOS PLANOS – PROCEDIMENTOS, além daqueles assinalados e identificados com a letra “N = Procedimento sem cobertura financeira da UNIDONTO”. Nada obstante, os serviços não cobertos pelo plano poderão ser realizados a critério do dentista, mediante pagamento do Usuário aos profissionais da rede credenciada, em valores que seguem obrigatoriamente a tabela Nacional de Credenciamento, de posse do profissional credenciado, com descontos de ate 60% sobre o valor da referida tabela. Mesmo no plano Participativo, os procedimentos sem cobertura financeira da UNIDONTO (procedimento assinalado com a letra “N”), quando solicitado pela empresa CONTRATANTE, serão realizados pelo dentista e pagos diretamente pelo usuário ao mesmo, em valores que seguem obrigatoriamente a tabela UNIDONTO PARTICIPATIVO. Avulta, portanto, o discrimen esclarecedor: a) Os serviços cobertos pelo plano são pagos pelos usuários diretamente à Recorrente, mediante mensalidade, nada sendo vertido pelo Usuário ao profissional credenciado, o qual é remunerado unicamente pelo Prevdonto. Tal situação revela que os profissionais credenciados, neste caso, prestam serviços à Prevdonto, no atendimento regular dos clientes desta. b) Os serviços não cobertos pelo plano podem ser realizados pelos profissionais credenciados, a critério exclusivo destes, sendo que o pagamento, nestes casos, é efetuado diretamente pelo Usuário ao Profissional credenciado, não passando pela Contabilidade do Recorrente. Decorre de tais cláusulas contratuais que somente transitaram pela Contabilidade da Recorrente os pagamentos realizados diretamente por esta aos profissionais contratados para prestar serviços aos clientes da Prevdonto, cuja cobertura financeira é de 110%, ou seja, cujos serviços são prestados pelos profissionais à Prevdonto, sendo por esta remunerados. Neste caso, a Prevdonto capta no mercado consumidor os clientes potenciais, oferecendolhes os produtos e serviços constantes no Manual do Usuário, nas condições estabelecidas unilateralmente em seu Contrato de Adesão – Coletivo Empresarial, serviços esses que são executados pela própria Recorrente ou por profissionais credenciados, Segurado Fl. 301DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 Contribuinte Individual, os quais são remunerados exclusivamente pela Prevdonto, na proporção dos serviços prestados. No presente caso, em relação aos valores transitados pela contabilidade do Recorrente, não existe qualquer dúvida de que os profissionais odontólogos que atendiam os usuários do Plano de Assistência Odontológica da Autuada não eram remunerados pelos usuários, mas, sim, unicamente pela Autuada. Prova disso são as informações declaradas em DIRF pela própria Prevdonto. Os usuários dos planos remuneram a Prevdonto mediante o pagamento regular de mensalidades em favor Recorrente, utilizando ou não naquele mês os serviços desta, e esta remunera os seus empregados e os profissionais credenciados, na proporção dos serviços prestados à Prevdonto, no atendimento aos usuários dos planos empresariais vendidos pela Recorrente no mercado consumidor. Nessa vertente, o montante das mensalidades recebidas dos usuários compõem contabilmente as Receita dos Serviços Prestados, enquanto que os pagamentos efetuados aos profissionais credenciados integram o Custo dos Serviços Vendidos, sendo ambos os títulos contábeis levados à Apuração do Lucro Líquido do Exercício. Dessarte, também sob o aspecto contábil avulta que o pagamento efetuado aos profissionais credenciados é debitado do Patrimônio da Recorrente, evidenciando que o serviço é a esta prestado de maneira imediata, e aos clientes da Recorrente, tão somente, em caráter mediato, por intermédio daquela. Nesse contexto, reza o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 que a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/1999) (...) Procede, portanto, o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal em debate. 2.2. DA ALEGADA CONTRADIÇÃO O Recorrente alega que “existe uma verdadeira contradição no auto de infração. Declinando ele pela inexistência de documentação hábil e idônea a respaldar os registros contábeis de despesas efetuadas nas contas 4.6.1.1.0.9.01.1 DIRETORIA EXECUTIVA e 4.6.2.1.0.9.02 PESSOA FÍSICA, não poderia tomar os lançamentos como válidos, exigindo o pagamento da contribuição previdenciária. Se não foram considerados válidos, deveria glosar referidos lançamentos contábeis e, sendo o caso, exigir o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro”. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727332/201095 Acórdão n.º 2401003.998 S2C4T1 Fl. 296 11 Confesso que examinei detidamente o Relatório Fiscal a fls. 107/114 e não me deparei com qualquer declaração, pelo Auditor Fiscal, de “inexistência de documentação hábil e idônea a respaldar os registros contábeis de despesas efetuadas nas contas 4.6.1.1.0.9.01.1 DIRETORIA EXECUTIVA e 4.6.2.1.0.9.02 PESSOA FÍSICA”, ou assemelhado, fato que revela que este subscritor esta a necessitar de novos óculos. O Relatório Fiscal informa, isso sim, que: “3.5. As remunerações pagas aos demais contribuintes individuais sócios administradores e prestadores de serviços não relacionados na DIRF foram apuradas, respectivamente, com base nos lançamentos das contas contábeis 4.6.1.1.0.9.01.1 – DIRETORIA EXECUTIVA e 4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA. No Relatório de Lançamentos – RL, anexo a este relatório fiscal, estas remunerações podem ser identificadas através do campo “OBS”, cujo texto registra a conta contábil em que foi lançada a referida remuneração. 3.6. Também na conta contábil 4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA constavam, equivocadamente, lançamentos de pagamentos efetuados aos segurados empregados, como horas extras e comissões, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos – RL em anexo”. Onde estará a tal contradição suscitada pelo Recorrente ??? 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 12045.000546/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2004
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃOS PARADIGMAS DO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL - CRPS. NÃO APROVEITAMENTO PARA CARACTERIZAÇÃO DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do prequestionamento a respeito do tema. Não se presta a caracterizar divergência entre Câmara e Turmas dos Conselhos de Contribuintes e/ou CARF as decisões proferidas pelas Câmaras do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, por absoluta falta de amparo regimental.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.965
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2004 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃOS PARADIGMAS DO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL CRPS. NÃO APROVEITAMENTO PARA CARACTERIZAÇÃO DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do prequestionamento a respeito do tema. Não se presta a caracterizar divergência entre Câmara e Turmas dos Conselhos de Contribuintes e/ou CARF as decisões proferidas pelas Câmaras do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, por absoluta falta de amparo regimental. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 05 46 /2 00 7- 16 Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório PROJEL PLANEJAMENTO ORGANIZAÇÃO E PESQUISAS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.016.3893, em 22/11/2006, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim caracterizados os funcionários das empresas prestadoras de serviços elencadas/listadas nos autos, cuja personalidade jurídica fora desconsiderada pela fiscalização, em relação ao período de 12/1997 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 3.042/3.050, e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o Relatório Fiscal, a ilustre autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos funcionários como segurados empregados da autuada, tendo em vista que do exame da documentação apresentada pela contribuinte, verificouse a existência dos requisitos do vínculo empregatício entre àqueles e a recorrente, inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a onerosidade. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da então Delegacia Secretaria da Receita Previdenciária, DN nº 22.401.4/0021/2007, às fls. 3.353/3.380, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 3a Câmara, em 05/05/2009, pelo voto de qualidade, achou por bem CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, acolher a decadência de parte da exigência fiscal e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 230100.236, sintetizados na seguinte ementa: Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 12045.000546/200716 Acórdão n.º 9202002.965 CSRFT2 Fl. 3.710 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2004 DECADÊNCIA: 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. Se a fiscalização constatar que o segurado contratado sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 92, do Decreto 3.048/1999, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Principio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. SALÁRIOEDUCAÇÃO DECRETOLEI N.° 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao SalárioEducação veiculado pelo DecretoLei n.° 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATORIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita A multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO A COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a Unido decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 3.672/3.682, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas n°s 1.299/2004 e 1.909/2006, trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, defende não ter havido a devida comprovação da existência dos requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício entre os prestadores de serviços, funcionários das empresas desconsideradas, e a recorrente, de maneira a fundamentar a pretensão fiscal, não tendo a autoridade lançadora se aprofundado no exame dos documentos ofertados pela contribuinte durante a fiscalização, os quais seriam capazes de rechaçar qualquer entendimento a respeito da relação laboral. Reforça que o procedimento fiscal adotado pela autoridade lançadora encontrase apoiado em meras presunções/subjetividades, a partir de critérios discricionários, sem nenhuma comprovação dos fatos imputados, mormente se tratando de “Quarteirização”, que significa a gestão da terceirização, aumentando o grau de especialização dos serviços prestados, com redução de custos. Refuta pontualmente cada pressuposto da relação empregatícia, quais sejam, a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a onerosidade, com a finalidade de demonstrar que não se fizeram presentes na hipótese dos autos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras do CRPS a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 2300114/2011, às fls. 3.697/3.698. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 3.702/3.706, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 12045.000546/200716 Acórdão n.º 9202002.965 CSRFT2 Fl. 3.711 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao nobre Presidente da então 3ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Contribuinte, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, tratase de NFLD lavrada contra a contribuinte, exigindo contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim caracterizados os funcionários das empresas prestadoras de serviços elencadas/listadas nos autos, cuja personalidade jurídica fora desconsiderada pela fiscalização. A Turma recorrida, ao analisar a matéria, entendeu por bem acolher a decadência parcial da exigência fiscal, mantendo, no entanto, o lançamento em relação ao seu mérito, ratificando a pretensão do Fisco no sentido da existência dos pressupostos do vínculo laboral entre os prestadores de serviços, contratados pela recorrente por meio de pessoas jurídicas. Por seu turno, pretende a Contribuinte a reforma do decisum atacado, requerendo seja admitido o Recurso Especial de Divergência, mesmo que escorado em Acórdãos exarados pelas 2a e 4a Câmaras de Julgamento do CRPS, uma vez que as decisões paradigmas são provenientes de órgãos julgadores atualmente transformados no CARF, entendimento que fora ratificado pelo nobre Presidente da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, ao acolher o pleito processual da notificada. Não obstante as alegações da recorrente, compartilhadas pelo ilustre subscritor do Despacho que admitiu a peça recursal, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Contribuinte não logrou comprovar a divergência argüida, na forma que os dispositivos regimentais vigentes à época da protocolização do recurso especial prescrevem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 [...]” Como se verifica, a Contribuinte ao formular o Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto demonstrar a divergência entre a tese sustentada no Acórdão atacado e outras decisões das demais Câmaras e Turmas dos Conselhos de Contribuintes, CARF ou CSRF, na forma que exigem os preceitos constantes do caput e § 1o, capaz de ensejar o conhecimento de sua peça recursal. Observese, que o RICARF é por demais enfático ao afirmar que a divergência somente será caracterizada quando o Acórdão paradigma advir de umas das Turmas ou Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, CARF ou Câmara Superior de Recursos Fiscais, estabelecendo, inclusive, literalmente que “§ 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF.” Constatase, que em momento algum o Regimento Interno da CARF faz referência às Câmaras do Conselho de Recursos da Previdência Social, para efeito de caracterização da divergência exigida para o conhecimento do recurso sub examine. Na esteira desse raciocínio, ao contrário do posicionamento do Presidente da Câmara Recorrida, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Somente a título de reflexão, até quando seria possível adotar Acórdãos do CRPS para comprovação da divergência? Quando poderíamos afirmar que a jurisprudência das “Câmaras previdenciárias” dos Conselhos de Contribuintes (atualmente CARF) encontrase sedimentada? Veja que estaríamos partindo para conclusões subjetivas que, no entendimento deste Conselheiro, não são cabíveis para efeito de análise de admissibilidade de Recurso Especial de Divergência. Aliás, nos parece que a autoridade fazendária que elaborou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e, posteriormente, do CARF, ao estabelecer regras claras e objetivas, sobretudo em relação ao Recurso Especial, não pretendeu fossem aplicadas de forma relativa, mas, sim, de maneira literal. A fazer prevalecer tal entendimento, impende elucidar que durante o interregno entre a criação da Receita Federal do Brasil (Super Receita), oportunidade em que a competência para julgamento do CRPS, relativamente ao custeio da Previdência Social, passou a ser do então 2o Conselho de Contribuintes, até o presente momento, o Regimento Interno deste Órgão fora alterado inúmeras vezes, não trazendo, porém, qualquer menção quanto as decisões do Conselho de Recursos da Previdência Social no que concerne a possibilidade de adotálas na caracterização de divergência. Imaginase que tal conduta não fora tomada por acaso, mesmo porque, em outras situações, como na contagem do tempo de mandato, por exemplo, o novo Regimento Interno faz referência expressa ao CRPS, abarcando o período de mandato dos Conselheiros advindos daquele Órgão Julgador. Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 12045.000546/200716 Acórdão n.º 9202002.965 CSRFT2 Fl. 3.712 7 Pretendesse a autoridade fazendária, bem como os demais interessados chamados a participar do estudo e elaboração do novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e, posteriormente, do CARF, incluir essa possibilidade naquelas normas teriam procedido de forma expressa, sendo defeso aos Conselheiros alargarem os requisitos regimentais para o conhecimento do Recurso Especial de Divergência que não decorrem do seu próprio bojo para contemplar decisões do CRPS. Por derradeiro, não é demais lembrar que a Lei nº 11.457/2007, que criou a intitulada “Super Receita”, prescreveu em seu artigo 25, inciso I, que as regras do processo administrativo fiscal insculpidas no Decreto nº 70.235/72, somente passariam a ser aplicadas às contribuições previdenciárias após praticamente 01 (um) ano da publicação daquela lei, senão vejamos: “Art. 16. [...] § 1o A partir do 1o (primeiro) dia do 13o (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no § 1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; Art. 27 Observado o disposto no art. 25 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais referentes às contribuições sociais de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei permanecem regidos pela legislação precedente.” Extraise dos dispositivos legais encimados, que o legislador se preocupou com o período de implementação e atuação das “Câmaras previdenciárias” nos Conselhos de Contribuintes, concedendo tempo hábil (01 ano) para análise de casos e início da consolidação jurisprudencial a propósito da matéria previdenciária. Destarte, durante esse primeiro ano da edição da Lei nº 11.457/2007, continuaria a vigorar o regramento da Portaria MPS nº 520/2006, que regulamenta o contencioso no âmbito do INSS, bem como a Portaria MPS nº 88/2004, que aprovava o Regimento Interno do CRPS, possibilitando, ainda, a interposição de Pedidos de Revisão ou de Uniformização Jurisprudencial, neste caso, adotandose as decisões das Câmaras do Conselho de Recursos da Previdência Social. Estes recursos foram devidamente processados e encontramse, ainda hoje, muitos deles, sob exame deste Colegiado. Transcorrido este lapso temporal, devem ser aplicadas as normas processuais e/ou regimentais específicas dos Conselhos de Contribuinte e, atualmente, Conselho de Recursos Administrativos Fiscais – CARF, as quais não permitem a interposição de Recurso Especial de Divergência, adotandose como paradigmas decisões das extintas Câmaras do CRPS. Fl. 4169DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Contribuinte em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 4170DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13708.003280/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PAF - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
O princípio da verdade material alia o dever de investigação da administração com o dever de colaboração por parte do particular, com vistas a aproximar a atividade formalizadora com a realidade dos fatos.
PAF - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
São solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
IRPF - OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUÉIS
A alegação de que os valores consignados em DIMOB teriam com destinatário a dependente e não sua genitora, titular da Propriedade, só se compaginaria com a verdade material se os rendimentos estivessem devidamente declarados .
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 2201-002.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR - Presidente.
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora
EDITADO EM: 29/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ .
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR - Presidente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ .
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PAF RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA São solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. IRPF OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUÉIS A alegação de que os valores consignados em DIMOB teriam com destinatário a dependente e não sua genitora, titular da Propriedade, só se compaginaria com a verdade material se os rendimentos estivessem devidamente declarados . Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR Presidente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 32 80 /2 00 8- 58 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13708.003280/200858 Acórdão n.º 2201002.774 S2C2T1 Fl. 75 2 EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ . Relatório Mariza de Almeida Moreira recorre da decisão proferida no acórdão 12 45.778 – 21ª Turma da DRJ/RJ1, de 25 de abril de 2012, fls. 37/41, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2005 PARCELA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA PREFEITURA RJ. Considerarseá não impugnada a matéria não contestada expressamente. TRIBUTÁRIO. DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUEL. Acusando a busca nos sistemas da Receita Federal do Brasil uma Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob com rendimentos líquidos de aluguéis de imóveis registrados na Declaração de Bens e Direitos do contribuinte, sem a apresentação suficiente de documentos probatórios de que os aluguéis foram recebidos por outra pessoa, não há que se falar em revisão do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Reproduzo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio. Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 21/08/2008 contra a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 12/05/2008, que apurou o crédito tributário de R$ 11.425,17, em resultado da Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13708.003280/200858 Acórdão n.º 2201002.774 S2C2T1 Fl. 76 3 revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA Exercício de 2006, Anocalendário de 2005, recepcionada em 25/04/2006, fls. 25 a 27. 2. No procedimento fiscal de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA 2006, fundamentada nos arts. 788; 835 a 839; 841; 844; 871e 992 do Decreto 3000, de 26/ 03/ 1999, foram tomados para o cálculo do Imposto devido os rendimentos declarados e os omissos, estes de R$ 5.251,79 e de R$ 15.690,15, recebidos respectivamente das fontes pagadoras Rio de Janeiro Prefeitura e Irigon Programações Imobiliárias Ltda., CNPJs 42.498.733/000146 e 33.546.532/000188; o desconto simplificado e o valor declarado de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. 2.1. A Notificada apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, cujo resultado, datado de 07/07/2008, foi de indeferimento do pedido, pela não comprovação dos valores que deram origem à Notificação, fl. 28. 3. A Interessada manifestouse contra a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, alega que os valores informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob. Exercício 2006 entregue pela Irigon Programações Imobiliárias não foram por ela recebidos, mas por sua filha Alyne de Almeida Moreira. Só a indicação de um beneficiário na Dimob não comprovaria o recebimento de aluguéis por essa pessoa; isso motivaria a promoção de diligência pela Administração Fazendária com o fim de atestar a veracidade das informações. A retificação da Dimob não compete ao sujeito passivo, que, nessa situação teria de produzir uma prova negativa. A Interessada teria solicitado à Irigon que fosse sanado o erro, mas só obteve da Administradora um relatório interno onde consta como beneficiária a Alyne, o qual anexa à defesa. Entende que outra prova não poderia ser produzida pela Impugnante. 3.1. A Impugnante não se manifestou contrariamente ao lançamento da omissão de rendimentos auferidos da Prefeitura do Rio de Janeiro. 3.2. Requer a prioridade no julgamento do feito em vista de sua idade, fl.08; e o acolhimento da impugnação. Ciente da decisão em 15 de abril de 2013, fls.42, interpõe, em 13 de maio de 2013, às fls.46/53 suas razões de recurso, onde, em síntese aduz ser o crédito tributário decorrente do lançamento 2006/607435092492025 apurado exclusivamente com base em DIMOB apresentada pela empresa Irigon Programações Imobiliárias – CNPJ 33.546.582/0001 88, com informações sobre rendimentos de aluguéis dos seguintes imóveis: a) Rua Visconde de Itamarati, nº20 apt.101, Maracanã Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13708.003280/200858 Acórdão n.º 2201002.774 S2C2T1 Fl. 77 4 b) Av.Armando Lombardi,800, sala 205,Barra da Tijuca c) Rua Piragibe Frota Aguiar, 61/808 Na SRLS apresentada teria esclarecido que não era detentora dos direitos sobre os imóveis, cujos rendimentos foram indevidamente alocados em seu CPF, por erro da imobiliária, vez que ditos imóveis seriam de propriedade de sua filha Alyne de Almeida Moreira, CPF 017.992.32778 e reitera o pedido para que a DIMOB seja consertada. Informa que a reposta da Irgon ao fisco foi de que não tinha conhecimento que os rendimentos seriam de outra pessoa física, porém apresentou cópias autenticadas de contratos de comodato firmados entre ela e sua filha, fato a comprovar suas alegações. Posteriormente, em 27 de novembro de 2008, a empresa apresentou DIMOB retificadora (recibo de entrega 04.54.02.05.99) onde retificou o favorecido dos aluguéis para Alyne de Almeida Moreira, o que comprova suas alegações, infelizmente ignoradas pela turma julgadora. Reclama do descaso da administração pública, no presente caso, porque devia ter adotado diligências para comprovar a verdade material, ante suas razões impugnatórias que alegaram a nulidade do lançamento por erro da informação prestada na DIMOB. Ao argumento contido no item 09.1, do voto condutor do acórdão combatido, de que bastaria que ela juntasse aos autos de defesa as provas de suas alegações, porque o domicílio da filha era o mesmo dela, contrapôs a pluralidade de domicílios e a “falsidade “ da premissa do fisco. Alyne estaria naquela época residindo em Zurich, na Suiça, cursando o Swiss Textile College. Ainda, a título de esclarecimento, informa que era procuradora de sua filha, motivo pelo qual a representava perante a administradora dos imóveis, conforme procuração pública que anexa. No tocante ao mérito, repisa que a favorecida dos aluguéis foi sua filha, porque os imóveis localizados à Rua Visconde de Itamarati, nº 20 apt.101, Maracanã e Av. Armando Lombardi,800, sala 205,Barra da Tijuca, por conta de cessão de uso e gozo através de Contratos de Comodato, firmados em 03 de fevereiro de 1997, lhe permitiram dentre outros, o direito de sublocação e os valores dai decorrentes (segundo cópias que anexou). Quanto ao imóvel da Rua Piragibe Frota Aguiar, 61/808, a propriedade já seria de Alyne, desde 1992, conforme escritura de compra e venda de 20.11.1992, livro 2626, fls. 097, do 22º Ofício de Notas (Certidão RGI anexa). Alega que o bem não estaria na declaração de sua filha, talvez por erro de preenchimento, só passando a constar em declarações de anos posteriores. Transcreve os artigos 29 e 18 do Decreto 70235/1972, para pedir que sejam observados esses princípios neste julgamento, tendo em vista que a base da improcedência da impugnação foi a falta de documentos que sustentassem seus argumentos. Alega fato superveniente, transcreve jurisprudência administrativa que justificaria esta análise. Pede vigência para o princípio da verdade material, transcreve as ementas dos acórdãos:3802001.234 de 28/11/2;2802001.778 de 30/11/2012; 2101002.049, de 11/03/2013 .Pede provimento ao recurso. Anexos fls.54/62. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13708.003280/200858 Acórdão n.º 2201002.774 S2C2T1 Fl. 78 5 Pelo despacho de fls. 64 recebo o processo. É o Relatório Voto Conselheira Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Tratase, conforme anteriormente relatado, de lançamento para o imposto de renda referente aos aluguéis, para o ano calendário de 2004, exigido de Mariza de Almeida Moreira, referente aos imóveis localizados na : a) Rua Visconde de Itamarati, nº20 apt.101, Maracanã; b)Av. Armando Lombardi,800, sala 205,Barra da Tijuca e c)na Rua Piragibe Frota Aguiar, 61/808. A administradora dos imóveis, Irigon Programações Imobiliárias – CNPJ 33.546.582/000188, informou na DIMOB que os valores foram pagos a Recorrente, no total de R$ 20.357,26. A Contribuinte arguiu que a DIMOB fora apresentada de forma incorreta. Os rendimentos auferidos sobre os imóveis beneficiaram sua filha, Alyne de Almeida Moreira e não ela. Em seu socorro oferece o contrato de comodato, inserto às fls.57/60, onde consigna os bens situados à Rua Visconde de Itamarati, nº20 apt.101, Maracanã e Av. Armando Lombardi,800, sala 205, Barra da Tijuca. Na cláusula que trata do valor do contrato assim reza:” o presente comodato não terá ônus para as partes”. Esses dois imóveis constam da Declaração do Imposto de Renda da Recorrente, às fls.26 (pag.2/3 da Declaração, item 01e 06), sem qualquer observação. Aqui não se trata, de fato, de contrato de comodato, mas de valores doados. A recorrente por liberalidade transferiu por tempo indeterminado, do seu patrimônio, as vantagens sobre os frutos dos imóveis que lhe pertenciam e mais determinou que não haveria ônus entre as partes. Assim, da mesma forma que o artigo 110 do Código Tributário Nacional impede que a lei tributária altere a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias, o artigo 123 também proíbe os Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13708.003280/200858 Acórdão n.º 2201002.774 S2C2T1 Fl. 79 6 particulares de oporem clausulas em contratos privados que modifiquem a definição legal do sujeito passivo e as obrigações tributárias dai surgidas. Entendo que, por liberalidade a recorrente transferiu por tempo indeterminado, do seu patrimônio, as vantagens sobre os frutos dos imóveis que lhe pertenciam.Também, como bem apontado pela Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, (...) acerca dos contratos de comodato realizados, nos quais a contribuinte figurou como comodante e a sua filha, Alyne, como comodatária, cabe frisar que não assiste razão à contribuinte, em suas alegações, principalmente considerando que os referidos contratos, como ensinam Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald, são espécies do Contrato de Empréstimo e não envolvem a transferência de titularidade da propriedade, mas somente a transferência provisória da posse direta da coisa, mantida a propriedade com o comandante. Com esteio na lição de Orlando Gomes, "comodato é a cessão gratuita de uma coisa para seu uso com estipulação de que será devolvida em sua individualidade, após algum tempo", sendo a temporariedade elemento estrutural do comodato, até mesmo porque, como já salientado, a entrega gratuita de um bem sem prazo para a sua restituição caracteriza doação e não empréstimo. Desse modo, além de não transferir a titularidade do bem, o contrato de comodato, embora não necessite de formalidade para a sua validade, para que produza efeitos oponíveis a terceiros deve ser registrado no registro público, o que não ocorreu com os contratos constantes do processo em análise. Nesse sentido, o artigo 221, do Código Civil, dispõe expressamente:"O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público". Diante desse contexto, a procuração acostada aos autos também não goza de efeitos práticos para a presente situação, tendo em vista que, ainda que os contratos de comodatos fossem oponíveis a terceiros, não haveria utilidade do "Contrato de Mandato", já que a outorgada é titular do direito à propriedade do bem, podendo, sem o instrumento de procuração, agindo em nome próprio, executar atos referentes aos seus bens imóveis (apartamentos objetos do contratos de comodato). Por isto entendo que está correto o lançamento, no que tange aos dois imóveis anteriormente especificados, por restar clara a titularidade dos bens e a inoponibilidade do contrato de comodato a terceiros, ante a ausência de registro público, nos termos do art. 221 do Código Civil. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13708.003280/200858 Acórdão n.º 2201002.774 S2C2T1 Fl. 80 7 No que se refere ao imóvel localizado na Rua Piragibe Frota Aguiar, 61/808, de titularidade da filha da contribuinte, Alyne, os efeitos da procuração, fls.58/59, são válidos, não assistindo razão à Recorrente, pois, por ser procuradora da proprietária do imóvel, recebeu os rendimentos oriundos da locação, permanecendo, assim, com a responsabilidade pelos tributos devidos. Corroborando o exposto, o artigo 124 do CTN é claro, nos seguintes termos: Art. 124.São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O conteúdo do artigo 124 é amplo, são solidários para o Fisco os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que é o caso dos autos. Por tudo que do processo consta, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 13851.001095/99-03
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/11/1989 a 13/04/1992
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Numero da decisão: 9900-000.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, PrimeiraSeção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente EDITADO EM: 17/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Cuida-se de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 213 a 224) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 202 a 209) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 21/10/1999, de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de outubro de 1989 a março de 1992 (fls. 02 a 37). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 92 a 93, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN, e no mérito quanto à matéria não prescrita a inexistência do direito creditório. A ementa do v. acórdão recorrido, impugnado através do presente recurso extraordinário, é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear a restituição dos valores pagos a título de Contribuição para o Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% é de cinco anos contados da data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95. Recurso Especial Negado. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001095/99-03 Acórdão n.º 9900-000.849 CSRF-PL Fl. 2 3 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o recurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Para tanto, apresentou como paradigma v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da relatoria da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 227 a 229. Contrarrazões às fls. 235 a 246. É o relatório Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho - Conselheiro Redator designado. Preliminarmente, ressalto que o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda relator original não é mais conselheiro do CARF, porém deixou a minuta de voto, apenas não pode assiná-lo. Diante desse quadro, fui designado como redator ad hoc. Reproduzo as razões de decidir do relator original, verbis: Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominam-se leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo " os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezá-la se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001095/99-03 Acórdão n.º 9900-000.849 CSRF-PL Fl. 3 5 caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...)... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "trata-se unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitando-se- lhes os perigos. Compreende-se, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storico-teorico- pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, deve-se, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligá-la com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurge-se o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62-A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 263DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13851.001095/99-03 Acórdão n.º 9900-000.849 CSRF-PL Fl. 4 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Verifica-se, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 21/10/1999, de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de outubro de 1989 a março de 1992 (fls. 02 a 37). Aplicando-se a tese dos “cinco mais cinco”, depreende-se que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em outubro de 1999 e março de 2002, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 21/10/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, e tendo em vista especificamente as parcelas referentes a outubro de 1999 a março de 2002, ele afigura-se tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62-A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, com retorno para os órgãos a quo para que seja proferida decisão quanto ao mérito do pedido de restituição. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Foram esses os fundamentos jurídicos e legais utilizados pelo relator original para negar provimento ao recurso extraordinário. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado Fl. 265DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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Numero do processo: 10580.729462/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
Observa-se a não aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 porque os pagamentos das parcelas de auxílio-alimentação não foram feitos in natura, mas sim foram efetuados em espécie.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - VALE-TRANSPORTE - PAGAMENTO EM PECÚNIA - POSICIONAMENTO PLENÁRIO DO STF - PARCELA NÃO INTEGRANTE.
No RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu-se que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales-transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa.
Desta forma, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tem-se então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de vale-transporte não têm natureza salarial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA
A autuação - CFL 30 - ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE PRESTAR AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NA FORMA ESTABELECIDA - INCIDÊNCIA
A autuação - CFL 35 - ocorre por deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS.
Constitui infração - CFL 59 - à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES - CFL 78
Constitui infração - CFL 78 -, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração - GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - CFL 78 - ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015 - ART 49 DA LEI 13.097/2015 - INCIDÊNCIA
A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL - 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32-A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.102
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para excluir a tributação incidente no AIOA nº 50.009.314-8, vencido o Conselheiro WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que dava provimento em maior extensão.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. Observase a não aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 porque os pagamentos das parcelas de auxílioalimentação não foram feitos in natura, mas sim foram efetuados em espécie. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO VALETRANSPORTE PAGAMENTO EM PECÚNIA POSICIONAMENTO PLENÁRIO DO STF PARCELA NÃO INTEGRANTE. No RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiuse que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Desta forma, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, temse então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de valetransporte não têm natureza salarial. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 94 62 /2 01 1- 43 Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação CFL 30 ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE PRESTAR AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NA FORMA ESTABELECIDA INCIDÊNCIA A autuação CFL 35 ocorre por deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO, CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. Constitui infração CFL 59 à legislação deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES CFL 78 Constitui infração CFL 78 , punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 78 ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015 ART 49 DA LEI 13.097/2015 INCIDÊNCIA A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.805 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para excluir a tributação incidente no AIOA nº 50.009.3148, vencido o Conselheiro WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que dava provimento em maior extensão. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1531.955 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA que julgou procedente os Autos de Infração de obrigação acessória: (a) AUTO DE INFRAÇÃO 50.009.3113 ( CFL 30 ) O contribuinte deixou de incluir nas folhas de pagamento alguns de seus segurados empregados (ver Tabelas "SEGURADOS NÃO INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO" e "BASE DE CÁLCULO E CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO PELA RAIS"), conforme determina o art. 32, I, da Lei 8.212/91, combinado com ao art. 225, I e parágrafo 9, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, redação alterada pelo Decreto 3.265/99. Não ficou configurada a circunstância agravante prevista no artigo 290, V, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. APLICAÇÃO DA MULTA O contribuinte, por infração ao artigo art. 32, I, da Lei 8.212/91, combinado com ao art. 225, I e parágrafo 9, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, redação alterada pelo Decreto 3.265/99, se sujeita à penalidade prevista no artigo 283, I, "a" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/99. Conclusão: Assim, o contribuinte fica Autuado por ter descumprido a obrigação acessória descrita no item 2.1 deste relatório, convertendose em obrigação principal cuja natureza é pagar a multa de R$ 1.524,43 (um mil, quinhentos e vinte e quatro reais e quarenta e três centavos). (b) AUTO DE INFRAÇÃO 50.009.3121 ( CFL 35 ) Apesar de regularmente notificada, durante a ação fiscal, mediante TIPF Termo de Início de Procedimento Fiscal e TIF's 1 e 2 Termo de Intimação Fiscal, mencionados anteriormente, referente ao período de 01/2008 a 12/2008, a empresa deixou de apresentar a relação dos bens imobilizados e relação dos veículos ou uma declaração afirmando não possuir os bens citados, não apresentou os arquivos digitais das folhas de pagamento e da contabilidade solicitados no formato MANAD, tendo apresentado os arquivos solicitados em PDF, conforme documento de recibo de arquivos digitais datado de 15/08/2011, não prestou esclarecimentos sobre a que se referem os valores excedentes aos declarados e não apresentou a GFIP retificadora para sanar eventual erro de fato por ele justificado (NA Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.806 5 COMPETÊNCIA 07/2008), nos termos da IN RFB 971, de 2009, art. 463, parágrafo 5°, inciso II Não ficou configurada a circunstância agravante prevista no artigo 290, V, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. APLICAÇÃO DA MULTA. O contribuinte, por infração ao disposto no item 2.1 deste relatório, se sujeita à penalidade prevista no artigo 92 e 102 da Lei 8.212/91 e no artigo 283, II, "b" e Artigo 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/99. Conclusão: Assim, o contribuinte fica Autuado por ter descumprido a obrigação acessória descrita no item 2.1 deste relatório, convertendose em obrigação principal cuja natureza é pagar a multa de no valor de R$ 15.244,14 (quinze mil, duzentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos). (c) AUTO DE INFRAÇÃO 50.009.3130 ( CFL 59 ) O contribuinte deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas, a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, que não constam das folhas de pagamento e das GFIP's, porém constam na RAIS (Ver Tabela "BASE DE CALCULO E CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO PELA RAIS"), conforme determina o art. 30, I, "a" daLei 8.212/91, com as alterações da Lei 10.666/2003, combinado com ao art. 216, I,"a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99,redação alterada pelo Decreto 4.729/2003 Não ficou configurada a circunstância agravante prevista no artigo 290, V, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. APLICAÇÃO DA MULTA O contribuinte, por infração ao artigo 30, I, "a" da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 10.666/2003, combinado com ao art. 216, I, "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, redação alterada pelo Decreto 4.729/2003, se sujeita à penalidade prevista no artigo 283, I, "g" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/99. Conclusão: Assim, o contribuinte fica Autuado por ter descumprido a obrigação acessória descrita neste relatório, convertendose em obrigação principal cuja natureza é pagar a multa de RS 1.524,43 (um mil quinhentos e vinte e quatro reais e quarenta e três centavos). (d) AUTO DE INFRAÇÃO 50.009.3148 ( CFL 78 ) Da análise das GFIP's entregues pela autuada (competências de 01/2008 a 13/2008, verificouse que o contribuinte em Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 epígrafe, entregou as GFIP's em todas as competências do período citado, porém com informações incorretas, uma vez que não informou todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. A tabela COMPMULTA, anexada a este processo demonstra os valores não declarados pela empresa auditada. Assim, o contribuinte, ao omitir do instrumento declaratório próprio estes empregados, configurando a infração ao disposto no art. 32, inc. IV e § 5°, da Lei n. ° 8.212/91. Não ficou configurada a circunstância agravante previstas no artigo 290, V, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Não ficou configurada a circunstância agravante previstas no artigo 290, V, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 APLICAÇÃO DA MULTA. Pelo fato do contribuinte ter entregado a declaração a que se refere à Lei n. 8.212, de 24/07/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10/12/97 e redação da MP n. 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27/05/2009, com informações incorretas ou omissas, relativas ao período de 01/2008 a 13/2008 e 01/2009 a 12/2009, incorre na multa prevista no art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2. e 3, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, incluídos pela MP n. 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25/10/1966 CTN, que determina a multa de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, observado o valor da multa mínima que é de R$ 500,00, como dispõe o parágrafo 3°, II da Lei mencionada. Conclusão: Em razão do valor da multa calculada em função do número de informações incorretas ter sido inferior ao valor mínimo estabelecido, aplicamos o valor mínimo da multa prevista na legislação, que corresponde aos valores constantes na tabela abaixo: COMPETÊNCIA VALOR 2008 01 500,00 2008 02 500,00 200803 500,00 200804 500,00 200805 500,00 200806 500,00 200807 500,00 200808 500,00 Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.807 7 200809 500,00 200810 500,00 200811 500,00 200812 500,00 13/2008 0,00 6.000,00 Assim, o contribuinte fica Autuado por ter descumprido a obrigação acessória descrita no item 2.4 deste relatório, convertendose em obrigação principal cuja natureza é pagar a multa de R$ 6.000,00 (seis mil reais). O período objeto doS autoS de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2008 a 12/2008. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 29.08.2011, conforme informação nos autos. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 6.1. A impugnação foi apresentada dentro do prazo legal. 6.2. O auxílio alimentação tem além de mais nada, cunho social, em benefício do empregado que passa a se alimentar melhor e em melhores condições. E a determinação contida em Convenção Coletiva de Trabalho afasta a incidência deste benefício como forma de incorporação ao salário para fins de incidência tributária. Transcreve decisões judiciais. 6.3. A jurisprudência já considerou que quando a concessão do valealimentação não advêm do contrato de trabalho pactuado entre obreiro e empregador, mas da convenção coletiva da categoria, fica afastada a aplicação do art. 458 da CLT e Súmula 241 do c. TST, que atribui natureza salarial às verbas pagas a título de alimentação por força do contrato de trabalho (00085.2008.006.14.003 TRT 14). 6.4. Seguindo a mesma linha de temática, e dentro do mesmo contexto aplicado ao quanto restou definido no tocante aos auxílios alimentações pagos em pecúnia, os valestransportes pagos em pecúnia seguem a mesma conduta sobre o referendado, haja vista o quanto disposto em Convenção Coletiva da Categoria. 6.5. Por simples confrontação do Relatório consolidado fiscal em seu tópico que trata da base de cálculo, as previsões tratadas pela CCT da categoria, que foram determinantes na conduta de Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 boafé da empresa, derrubam por si só os pontos inerentes a tributação aplicada sobre os valores de auxílio alimentação, vales transportes, pagamento de auxílio de vale transporte sem o devido desconto do empregado e demais pontos ali tratados, os quais foram exercidos por força do quanto previsto na CCT da categoria. Transcreve decisões judiciais. 6.6. O art. 2º da Lei n° 7.485/85 estipula que o valetransporte não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para qualquer efeito, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de FGTS e não se configura como rendimento tributável do obreiro. 6.7. Assim, restam impugnados os autos de infração que se pautaram em falta de informações da GFIP com base em supostas remunerações não indicadas nas mesmas, pelo Simples fato de que não se constituem em verbas salariais, e como tais, não são passíveis de tributação de qualquer espécie, devendo ser completamente anulado o auto de infração objeto da presente impugnação em sua totalidade, inclusive no que diz respeito as multas, juros e correções monetárias e demais penalidade administrativas, fiscais e penais incorporadas no referido auto. 6.8. As glosas alegadas nos autos de infração, que foram computadas pelo Ilustre auditor na apuração dos autos de infração impugnados, não restam devidamente comprovadas. Mesmo porque, a fundamentação utilizada no auto de infração é imprecisa e incoerente de acordo com seus próprios termos. 6.9. De acordo com o consolidado no auto de infração impugnado, as notas ficais não foram corretamente informadas, não sendo indicados os números das mesmas, nem os períodos exatos informados. Até porque, a base do procedimento administrativo fiscal foi de janeiro de 2008 à outubro de 2008 e sobre valores oriundos de contrato firmado entre a impugnante e a EMBASA no fornecimento dos serviços contratados pela mesma de forma terceirizada. 6.10. O contrato informado fora assinado e passou a ter validade em 17 de janeiro de 2008. E várias notas datadas de fevereiro de 2008 apensadas ao procedimento fiscal, não foram corretamente apuradas por seu período de indicação e do tempo e faturamento da mesma. Não podendo ser conclusivo os elementos indicados no referido auto de infração. 6.11. Ademais, é importante frisar de que, o Ilustre Auditor em seu auto de infração informa tão somente valores e alega supostas informações errôneas. Não sendo mesmas. Tornando o referido tópico completamente inconsistente, até por falta de amparo legal e de periodicidade comprobatória que possa pautar eventual impugnação mais consistente e sólida. 6.12. Assim, é de fácil constatação de que o auto de infração infringe a Constituição Federal ao afastar o direito da Impugnante da ampla defesa e do contraditório, visto que alega o inconsistente e não apresenta provas robustas e precisas dos valores informados, nos quais faltam elementos consubstanciais para a devida apreciação do quanto alegado. Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.808 9 6.13. Ressaltase, por oportuno, que fica humanamente impossível a contestação de algo que não se tem os elementos suficientes para tais fundamentos. A falta da indicação correta das notas fiscais apuradas em cada período para a confrontação das mesmas, deixa o pedido inepto e impreciso de sua conclusão, devendo ser liminarmente impugnado e anulado em sua totalidade. 6.14. Nos moldes determinantes da CCT da categoria, o adicional de boa permanência tem aplicação após 3(três) meses de serviços prestados pelo empregado sem faltas injustificadas. Nesse diapasão, e de acordo com os contracheques que integram a documentação analisada pelo Auditor Fiscal no procedimento fiscal realizado pelo mesmo junto à Impugnante, restam comprovados que não houve de forma alguma aplicação errônea dos procedimentos fiscais adotados nos mesmos. 6.15. Os contracheques por si só comprovam de que a Impugnante ao realizar o pagamento do adicional de boa permanência o fez com o enfoque de verba salarial e aplicou este benefício dentro de todos os recolhimentos necessários. Inclusive FGTS e INSS, como comprovam os contracheques analisados pelo Auditor e que fazem parte do procedimento fiscal realizado pelo mesmo. 6.16. Desta forma, inócuas são as alegações infundadas do Auditor, não devendo prosperar tais informações imprecisas, sendo determinada a anulação do auto de infração e demais penalidades correlatas e inseridas no mesmo, por força do quanto comprovado pelos documentos que compõem o procedimento fiscal realizado. 6.17. Não restam dúvidas de que jamais houve qualquer tipo de apropriação indébita por parte da Impugnante. Os valores descontados, seja por força de auxílio alimentação/vale alimentação e vales transportes, o foram feitos por força da CCT da categoria. O que restou demonstrado e comprovado, e pode ser corretamente analisado pelos documentos juntados com a Impugnação. Desta forma, não podem pairar acusações infundadas de apropriação indébita, e nem de retenção de valores indevidamente 6.18. As penalidades assinaladas nos autos de infração impugnados devem ser liminarmente extirpadas dos mesmos, seja por força das determinações legais traçadas na impugnação, seja por força do quanto restou evidenciado que a Impugnante agiu de acordo com os ditames legais aplicados à espécie e dentro da normalidade exigida, não implicando em nenhum tipo de crime e nenhuma forma de apropriação indébita de valores. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1531.955 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, conforme a Ementa a seguir: Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PECÚNIA. Integra o salário de contribuição o auxílio alimentação pago em pecúnia recebido em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. VALE TRANSPORTE. PECÚNIA. AGU. SÚMULA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. MULTA. VALOR MÍNIMO. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Constitui infração, punível com multa, apresentar a empresa a GFIP com informações incorretas ou omissas. Há impossibilidade de redução no valor da multa cobrada em seu valor mínimo, quando houve apresentação de GFIP com outras informações incorretas ou omissas, além das que foram indevidamente consideradas omissas pela fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE a presente autuação, nos termos do voto e sua fundamentação Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, com redução de 25% (vinte e cinco por cento), conforme art. 293, §2º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, na forma dos arts. 25, II, e 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 A decisão de primeira instância assim decidiu, em resumo: (i) procede o lançamento da contribuição incidente sobre o auxílio alimentação pago em pecúnia; (ii) acolho o entendimento exarado na Súmula nº 60 da AGU, e voto pela improcedência das contribuições incidentes sobre o vale transporte pago em pecúnia. Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.809 11 (ii) manter o Levantamento GR se refere à glosa de compensação em virtude de ter o contribuinte efetuado compensação de valores registrados em GFIP superiores aos valores retidos em notas fiscais de serviços (iv) O impugnante reconhece que o adicional de boa permanência é verba salarial, portanto incontroversa essa questão, mas alega que teria realizado o pagamento das contribuições incidentes sobre esta verba. Não prospera o quanto argüido pelo Contribuinte de que ao realizar o pagamento do adicional de boa permanência o fez com o enfoque de verba salarial e aplicou este benefício dentro de todos os recolhimentos necessários, inclusive FGTS e INSS. (...) EM RELAÇÃO AO AIOA nº 50.009.3148, (CFL 78) foi verificado, nos sistemas informatizados da RFB, que as GFIP analisadas pela fiscalização das competências 01/08 a 12/08 foram enviadas após a vigência da MP nº 449, de 2008, sendo que, na competência 12/08, houve somente lançamento de contribuições devidas para Outras Entidades e Fundos (Terceiros), no Processo 10580.729459/201120 (AI DEBCAD nº 37.327.9370), apenso aos presentes autos. Em todas as competências, o Impugnante deixou de declarar em GFIP o auxílio alimentação pago em pecúnia e o adicional de boa permanência, conforme planilha de fls. 2.423 do Processo 10580.729459/201120. Como a multa foi aplicada no AI DEBCAD nº 50.009.3148 pelo seu valor mínimo de R$ 500,00, por competência, conforme dispõe o art. 32A, §3º, inciso II, da Lei n° 8.212, de 1991, incluídos pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, a exclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias do valor relativo ao vale transporte pago em pecúnia não influencia na multa cobrada no mencionado DEBCAD. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da incidência tributária sobre o valetransporte necessidade de reforma, da decisão. (ii) Da incidência tributária no auxílioalimentação pago em pecúnia necessidade de reforma, contrariedade com julgados sobre o tema. O auxílio alimentação tem além de mais nada, cunho social, em benefício do empregado que passa a se alimentar melhor e em Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 melhores condições. E a determinação contida em Convenção Coletiva de Trabalho afasta a incidência deste benefício como forma de incorporação ao salário para fins de incidência tributária. Transcreve decisões judiciais. (..) A jurisprudência já considerou que quando a concessão do valealimentação não advêm do contrato de trabalho pactuado entre obreiro e empregador, mas da convenção coletiva da categoria, fica afastada a aplicação do art. 458 da CLT e Súmula 241 do c. TST, que atribui natureza salarial às verbas pagas a título de alimentação por força do contrato de trabalho (00085.2008.006.14.003 TRT 14). Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.810 13 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada nos autos em Despacho de encaminhamento. às fls. 3813. DO MÉRITO. (i) Da incidência tributária sobre o valetransporte necessidade de reforma, da decisão. Analisemos. (i.1) Da incidência tributária sobre o valetransporte A argumentação do Recorrente está centrada na não incidência de contribuição social previdenciária sobre os benefícios concedidos a título de valetransporte. O STF no RE 478.410/SP, Relator Min. Eros Grau, com o Acórdão publicado em 14.05.2010, em decisão do PLENÁRIO DO STF, decidiu que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa Portanto, como esta decisão plenária do STF no RE 478.410/SP se amolda ao disposto no Regimento Interno do CARF em seu art. 62,§ 2º do Anexo II do RICARF, temos então que as parcelas pagas em pecúnia aos segurados a título de valetransporte não têm natureza salarial. Neste sentido, a Súmula CARF nº 89 dispõe sobre a não incidência sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. (i.2) Da multa aplicada Fl. 2822DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 A incidência tributária sobre o valetransporte só teria efeito, em tese, no Auto de Infração AIOA nº 50.009.3148 ( CFL 78 ). No entanto, conforme já analisado na decisão de primeira instância às fls. 2767, a exclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias do valor relativo ao vale transporte pago em pecúnia não influencia na multa cobrada no AIOA nº 50.009.3148 ( CFL 78 ): 21. Relativamente ao AI DEBCAD nº 50.009.3148, foi verificado, nos sistemas informatizados da RFB, que as GFIP analisadas pela fiscalização das competências 01/08 a 12/08 foram enviadas após a vigência da MP nº 449, de 2008, sendo que, na competência 12/08, houve somente lançamento de contribuições devidas para Outras Entidades e Fundos (Terceiros), no Processo 10580.729459/201120 (AI DEBCAD nº 37.327.9370), apenso aos presentes autos. Em todas as competências, o Impugnante deixou de declarar em GFIP o auxílio alimentação pago em pecúnia e o adicional de boa permanência, conforme planilha de fls. 2.423 do Processo 10580.729459/201120. 22. Como a multa foi aplicada no AI DEBCAD nº 50.009.3148 pelo seu valor mínimo de R$ 500,00, por competência, conforme dispõe o art. 32A, §3º, inciso II, da Lei n° 8.212, de 1991, incluídos pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, a exclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias do valor relativo ao vale transporte pago em pecúnia não influencia na multa cobrada no mencionado DEBCAD. Ora, em função da multa aplicada no AIOA nº 50.009.3148 (CFL 78) pelo seu valor mínimo de R$ 500,00, por competência, conforme dispõe o art. 32A, §3º, inciso II, da Lei n° 8.212, de 1991, incluídos pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, a exclusão da base de cálculo do valor relativo ao valetransporte não alteraria a multa porque restam ainda a incidência de contribuição social previdenciária sobre as verbas pagas a título de auxílio alimentação pago em pecúnia e o adicional de boa permanência, Portanto, não há alteração a ser feita na multa aplicada no AIOA nº 50.009.3148 (CFL 78) em função da exclusão da base de cálculo do valetransporte. (i.2.1) Alteração dada pela Lei 13.097/2015 Outrossim, o art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015, prevê expressamente que ficam anistiadas as multas, previstas no art. 32A, Lei 8.212/1991, que foram lançadas até a data da publicação desta Lei: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega. Fl. 2823DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.811 15 Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Ora, conforme o disposto no Relatório Fiscal, o AIOA nº 50.009.3148 (CFL 78) teve como fundamento a aplicação da multa prevista no art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2. e 3, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, incluídos pela MP n. 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27/05/2009. O período objeto dos autos de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2008 a 12/2008. Observase nos autos que não há informação de que a GFIP não tenha sido apresentada até o último dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega, pois conforme se observa do Relatório Fiscal, a autuação ocorreu porque o contribuinte entregou as GFIP's em todas as competências do período citado, porém com informações incorretas, uma vez que não informou todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias: Da análise das GFIP's entregues pela autuada (competências de 01/2008 a 13/2008, verificouse que o contribuinte em epígrafe, entregou as GFIP's em todas as competências do período citado, porém com informações incorretas, uma vez que não informou todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. A tabela COMPMULTA, anexada a este processo demonstra os valores não declarados pela empresa auditada. Assim, o contribuinte, ao omitir do instrumento declaratório próprio estes empregados, configurando a infração ao disposto no art. 32, inc. IV e § 5°, da Lei n. ° 8.212/91. Portanto, a multa aplicada no AIOA nº 50.009.3148 (CFL 78), para as competências 01/2008 a 12/2008, que teve como fundamento a aplicação da multa prevista no art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2. e 3, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015. Diante do exposto, afasto a tributação incidente no AIOA nº 50.009.3148 (CFL 78), em função da anistia expressamente prevista no art. 49, da Lei 13.097/2015. (ii) Da incidência tributária no auxílioalimentação pago em pecúnia necessidade de reforma, contrariedade com julgados sobre o tema. Analisemos. A argumentação do Recorrente está centrada na não incidência de contribuição social previdenciária sobre os benefícios concedidos em pecúnia a título de auxílioalimentação, porque pode ser pago em pecúnia o auxílioalimentação por força de Convenção Coletiva (conduta admitida expressamente pela própria Convenção). Fl. 2824DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Conforme o constatado no Relatório Fiscal, a Recorrente fornece alimentação aos empregados, por meio de pagamento em espécie, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação. A Recorrente também admite o pagamento de auxílioalimentação pago em espécie, conforme se depreende do Recurso Voluntário às fls. 3783: "Da incidência tributária no auxílioalimentação pago em pecúnia". A Recorrente aduz que a Convenção COletiva da Categoria, na cláusula vigésima segunda, possibilita o pagamento do auxílioalimentação pago em espécie, tendo caráter indenizatório de forma a não se incorporar ao salário. Outrossim, a Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.812 17 previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ainda, embora existam decisões judiciais em sentido contrário, o Poder Judiciário também apresenta posicionamentos neste sentido da exigibilidade da contribuição previdenciária: TRIBUTÁRIO: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS A FUNCIONÁRIOS DO BANCO. ACORDO COLETIVO. HABITUALIDADE E FINALIDADE. NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. I Os pagamentos habituais efetuados pelo banco aos seus funcionários empregados, tais como ajuda de custo para supervisor de contas, prêmio produção, salário, licença prêmio, gratificação semestral, auxilio crechebabá e ajuda de custo aluguel/alimentação/transporte compõem a remuneração e integram o salário de contribuição, donde exigível a contribuição previdenciária sobre tais verbas (Lei CF, art. 201 § 11°c Lei 8212/91, art. 28, I). II O acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho não têm o condão de afastar a lei, dispondo sobre a natureza jurídica de verbas percebidas pelo empregado, nem tampouco excluilas da incidência da contribuição previdenciária. (TRF3 — REO — REMESSA EX OFICIO 429742 Processo n° 98030621629 SP. Decisão 28/05/2002. 2° Turma. Relatora Des. Marianina Galante. DJU 28/02/2002). Ademais, o disposto em Convenção Coletiva de Trabalho não tem o condão de afastar a exigência de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a isenção de contribuições sociais previdenciárias, nos termos do art. 97, CTN c/c art. 175, I, CTN c/c art. 176, CTN: Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (..) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta a incidência de contribuição previdenciária na parcela a título de alimentação recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. Observase também a não aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 porque os pagamentos das parcelas de auxílioalimentação não foram feitos in natura, mas sim foram efetuados em pecúnia. Diante do exposto, não prosperam as argumentações da Recorrente. (iii) Demais Autos de Infração Em função da Recorrente não ter se manifestado expressamente em relação aos demais Autos de Infração de obrigação acessória lavrados, mantenho os levantamentos realizados na integralidade. Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729462/201143 Acórdão n.º 2202003.102 S2C2T2 Fl. 2.813 19 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, no MÉRITO, dar parcial provimento para excluir a tributação incidente no AIOA nº 50.009.3148 (CFL 78). É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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