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Numero do processo: 10665.721417/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO PELO CARF. CONSULTA. EFEITOS. INDEPENDÊNCIA.
A decisão proferida por colegiado do CARF/MF em relação a um caso concreto para o qual exista Solução de Consulta da RFB em sentido diverso (o que jamais poderia ocorrer nos órgãos de julgamento que são parte da própria RFB) não produz qualquer efeito em relação à Solução de Consulta destinada ao autuado, que continua aplicável e vinculante em relação a todos os demais períodos e casos, o que endossa a independência entre os processos administrativos de determinação e exigência de crédito tributário e os processos administrativos de consulta.
JULGAMENTO DE PISO. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO. NOVO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A alteração de fundamento pela DRJ equivale à declaração de improcedência da autuação, acompanhada de um novo lançamento, procedimento incompatível com a atividade do julgador.
Numero da decisão: 3401-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o conselheiro Robson José Bayerl, quanto às aquisições de carvão vegetal, por acompanhar o entendimento da autuação.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO PELO CARF. CONSULTA. EFEITOS. INDEPENDÊNCIA. A decisão proferida por colegiado do CARF/MF em relação a um caso concreto para o qual exista Solução de Consulta da RFB em sentido diverso (o que jamais poderia ocorrer nos órgãos de julgamento que são parte da própria RFB) não produz qualquer efeito em relação à Solução de Consulta destinada ao autuado, que continua aplicável e vinculante em relação a todos os demais períodos e casos, o que endossa a independência entre os processos administrativos de determinação e exigência de crédito tributário e os processos administrativos de consulta. JULGAMENTO DE PISO. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO. NOVO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração de fundamento pela DRJ equivale à declaração de improcedência da autuação, acompanhada de um novo lançamento, procedimento incompatível com a atividade do julgador.
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NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS DOS INSUMOS... POSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITOS. Em um processo produtivo de uma mesma empresa com várias etapas, cada qual gerando um produto que será insumo na etapa seguinte ("insumos dos insumos...") v.g., sementes como insumos para gerar árvores/madeira, que servem de insumos na obtenção do carvão vegetal, que constitui, por sua vez, insumo para a produção do ferrogusa temse que o único elemento que se acrescenta ao conceito de insumo é o silogismo (se "a" é necessário a "b", e "b" é necessário a "c", então "a" é necessário a "c"), não obstando a tomada de créditos, tendo em vista que a exigência de vinculação “direta” (ou mesmo contato físico) com o produto vendido não encontra respaldo legal para as contribuições não cumulativas. A simples leitura do inciso II do art. 3o das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003) mostra que os bens e serviços devem ser utilizados como insumo “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”, e não “na produção ou fabricação direta de bens ou produtos destinados à venda...”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 14 17 /2 01 1- 19 Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS DOS INSUMOS... POSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITOS. Em um processo produtivo de uma mesma empresa com várias etapas, cada qual gerando um produto que será insumo na etapa seguinte ("insumos dos insumos...") v.g., sementes como insumos para gerar árvores/madeira, que servem de insumos na obtenção do carvão vegetal, que constitui, por sua vez, insumo para a produção do ferrogusa temse que o único elemento que se acrescenta ao conceito de insumo é o silogismo (se "a" é necessário a "b", e "b" é necessário a "c", então "a" é necessário a "c"), não obstando a tomada de créditos, tendo em vista que a exigência de vinculação “direta” (ou mesmo contato físico) com o produto vendido não encontra respaldo legal para as contribuições não cumulativas. A simples leitura do inciso II do art. 3o das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003) mostra que os bens e serviços devem ser utilizados como insumo “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”, e não “na produção ou fabricação direta de bens ou produtos destinados à venda...”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO PELO CARF. CONSULTA. EFEITOS. INDEPENDÊNCIA. A decisão proferida por colegiado do CARF/MF em relação a um caso concreto para o qual exista Solução de Consulta da RFB em sentido diverso (o que jamais poderia ocorrer nos órgãos de julgamento que são parte da própria RFB) não produz qualquer efeito em relação à Solução de Consulta destinada ao autuado, que continua aplicável e vinculante em relação a todos os demais períodos e casos, o que endossa a independência entre os processos administrativos de determinação e exigência de crédito tributário e os processos administrativos de consulta. JULGAMENTO DE PISO. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO. NOVO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração de fundamento pela DRJ equivale à declaração de improcedência da autuação, acompanhada de um novo lançamento, procedimento incompatível com a atividade do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.962 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o conselheiro Robson José Bayerl, quanto às aquisições de carvão vegetal, por acompanhar o entendimento da autuação. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 07/06/2011 (fls. 2 a 10, e 70 a 79)1 para exigência, respectivamente, de Contribuição para o PIS/PASEP (crédito total original de R$ 129.036,33) e de COFINS (crédito total original de R$ 770.722,46), ambas referentes ao período de junho de 2006 a dezembro de 2007, por falta de recolhimento, detalhada em Termos de Verificação Fiscal (TVF). Nos TVF (fls. 11 a 69, e 80 a 138) a fiscalização narra basicamente que: (a) verificou, em várias operações de aquisição de carvão vegetal de pessoas jurídicas (relacionadas no Anexo II fls. 26 a 39, e 95 a 108), que a nota de entrada emitida apresenta valor superior ao da correspondente nota de saída do produtor, tendo sido contabilizado como valor da operação o constante da nota de entrada (de emissão própria), sem que tivesse havido nota fiscal de complementação pelo produtor, tendo sido as diferenças apuradas objeto de glosa pela fiscalização, conforme demonstrado no Anexo IV (fls. 49 a 56, e 118 a 125); (b) foram glosados da base de cálculo dos créditos das contribuições os custos lançados nas contas “custo da produção carvão vegetal” (4.1.2, desmembrado em “serviços de terceiros” PJ, “frete matéria prima” PJ, e “aluguel de máquinas e equipamentos”); “custo transporte próprio” (4.1.3, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, e “serviços de terceiros” PJ) e “custos das 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 fazendas “ (4.1.5, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, “serviços de terceiros” – PJ; e “aluguel de máquinas e equipamentos”), por não estarem diretamente ligados à produção dos bens destinados à venda (de ferro gusa), não se enquadrando no conceito de insumos (IN SRF no 247/2002 e no 404/2004); (c) apesar de a contribuinte sustentar que os insumos abrangem todo e qualquer custo ou despesa da empresa, a Solução de Consulta no 169, de 01/10/2008, em resposta à própria empresa, esclareceu que “gastos efetuados pela pessoa jurídica só geram direito a créditos da COFINS quando, além de atenderem aos demais requisitos da legislação de regência, estiverem diretamente vinculados à fabricação dos produtos destinados à venda”, com idêntica resposta para a Contribuição para o PIS/PASEP; (d) no que se refere a custos ligados às fazendas e/ou à produção própria de carvão vegetal, a Solução de Consulta no 144, de 09/10/2009, também demandada pela própria empresa, esclareceu que “a pessoa jurídica cujo processo produtivo consiste em, sucessivamente, formar florestas, utilizálas na produção de carvão vegetal e empregálo na fabricação de ferrogusa não faz jus a créditos da COFINS referentes aos custos de formação das florestas ou de produção do carvão vegetal”, com idêntica resposta para a Contribuição para o PIS/PASEP; (e) foram glosados, em relação ao ativo imobilizado: gastos com reflorestamento atribuídos ao período de jan/2006 a dez/2007; equipamentos aplicados nas fazendas e fornos de carvão, por não estarem diretamente ligados à produção; e benfeitorias e edificações em imóveis; (f) após a reconstituição das bases de cálculo das contribuições e dos créditos correspondentes, a fiscalização chegou aos valores constantes do Anexo IV (fls. 49 a 56, e 118 a 125), que mantém, para facilitar o cotejo, a mesma estrutura da apuração feita pelo contribuinte (Anexo I fls. 18 a 25, e 87 a 94); e a fiscalização indicou, no Anexo V, parte “B”, o estorno de valores relativos aos pedidos de ressarcimento (PER/DCOMP eletrônicos) indicados às fls. 17 e 86, sendo que as presentes autuações se referem a lançamento do tributo devido em cada período de apuração, não pago e não declarado em DCTF, conforme Anexo VII (fls. 69 e 138), acrescidos de juros e multa proporcional (75%). Cientificada das autuações em 13/06/2011 (cf. AR de fl. 834), a empresa apresenta, em 12/07/2011, impugnações em relação à Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 836 a 860), e em relação à COFINS (fls. 1016 a 1040), alegando, em síntese, que: (a) a emissão de nota de entrada referente às compras de carvão vegetal de pessoas jurídicas foi realizada em cumprimento à Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.963 5 legislação estadual (art. 150 do Anexo IX do RICMS/02 de Minas Gerais Decreto no 43.080/2002), tendo como parâmetro o preço efetivamente pago pelo produto (independente do indicado na nota de venda do produtor, que é efetuada sem aferição precisa de quantidade e qualidade), sendo que a indicação expressa na nota fiscal de entrada da empresa ao documento fiscal do produtor revela a boafé e a intenção de explicitar toda a operação (há ainda várias notas fiscais de entrada com valor inferior à emitida pelo produtor, contraditoriamente sequer mencionadas pelo fisco; mas, mesmo nesses casos, a empresa registra e efetua o pagamento pela sua nota de entrada); (b) o processo produtivo do ferrogusa é longo e envolve basicamente três etapas: (1) a produção da lenha, que será utilizada na (2) produção de carvão vegetal, por sua vez consumido na (3) produção do ferrogusa; e se inicia com a formação das florestas de eucalipto (desde a aquisição de mudas selecionadas e o sulcamento do solo, com aplicação de calcário dolomítico), passando pelo controle químico de plantas daninhas e capinação, pela aplicação de formicidas, pela adubação, pela irrigação e pelos tratos culturais, chegando à colheita (derrubada, desgalhamento, traçamento e empilhamento) das árvores e o transporte de toras para secagem e posterior carbonização em fornos de tijolos, seguindose o resfriamento e a descarga, gerando como principal produto o carvão vegetal, que é transferido para cestos e armazenado para posterior transporte até a siderúrgica, para produção do ferrogusa (como combustível e como agente químico, integrandose ao produto final), que consiste em uma liga de ferro e alto teor de carbono; (c) daí as despesas com aquisição de mudas, fertilizantes, calcário e outros produtos químicos; aluguel de máquinas e equipamentos (pagos a PJ) como tratores e caminhões pipa; contratação de serviços de PJ, como capina, limpeza e manutenção de equipamentos; máquinas, equipamentos e bens do ativo imobilizado para produção de lenha ou carvão; e frete para aquisições de insumos e bens do ativo imobilizado; (d) o conceito de insumo, para as contribuições, abarca todos os custos ou despesas necessários à atividade da empresa, como vem reconhecendo o CARF (inclusive a CSRF); e em relação ao ativo imobilizado, são improcedentes as glosas referentes a: gastos com reflorestamento (tendo a empresa se ajustado ao posicionamento que lhe foi externado em Solução de Consulta, estornando o crédito em 31/11/2008, como reconhece, mas ignora na autuação, o fisco, ensejando dupla onerosidade à empresa, com glosa do crédito e manutenção Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 do estorno, destacando ainda que a legislação permite descontar créditos sobre recursos florestais, seja no inciso VI cf. Solução de Consulta no 36/2011 ou no inciso II do art. 3o das leis de regência Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003); gastos com aquisição de equipamentos utilizados nas fazendas e com fornos de carvão (sendo a motivação da glosa não estarem os bens ligados diretamente à produção dos bens vendidos desconectada da base legal (inciso VI do art. 3o das leis de regência); e gastos com benfeitorias e edificações (se não pudesse a empresa usar a depreciação acelerada para tais bens, ao menos poderia se valer da taxa de depreciação em função do prazo de vida útil do bem, cf. prevê expressamente a IN SRF no 457/2004, art. 1o, II e § 1o). Em 29/07/2013 ocorre o julgamento de primeira instância de ambas as impugnações (fls. 1198 a 1222), no qual se decide unanimemente pela parcial procedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) deveria ter havido a emissão de nota fiscal complementar pela pessoa jurídica vendedora, visto que o RICMS/MG só dispensa de tal emissão a pessoa física, e a obrigatoriedade está ainda prevista em Convênios SINIEF; (b) não foi comprovado que o “valor pago pelo insumo” é o correspondente à nota fiscal de entrada; (c) nos casos em que o valor da nota fiscal de entrada é inferior ao da nota fiscal do produtor, a empresa poderá solicitar o crédito (não cabendo ao fisco a concessão de ofício); (d) o conceito de insumo para as contribuições é o constante das IN SRF no 247/2002 e no 404/2004, não havendo possibilidade de crédito em relação aos gastos aplicados na produção de bem que não seja o produto vendido, como já se pronunciou a DISIT/SRRF06 em resposta a diversas consultas da empresa (Soluções de Consulta no 169/2008, 179/2008, 144/2009), que também atestam a impossibilidade de crédito em relação a gastos com reflorestamento; (e) não há fundamento legal que autorize a apropriação de créditos em relação a exaustão das florestas; (f) o estorno efetuado pela empresa não foi acompanhado de retificação das DACON e demais declarações do período (v.g. DCTF e PER/DCOMP), o que fez com que a contribuinte acertasse o saldo final do crédito, mas não recolhesse as diferenças das contribuições; (g) o conceito de insumo das IN SRF no 247/2002 e no 404/2004 é ainda incompatível com a apropriação de créditos sobre equipamentos utilizados nas fazendas e com os fornos de carvão, que não são utilizados “na produção de bens destinados a venda”; e (h) em relação a benfeitorias e edificações, são procedentes as alegações da empresa no sentido de que é possível descontar créditos pela taxa de depreciação em função do prazo de vida útil do bem, devendo ser adotadas as taxas estabelecidas nas IN SRF no 162/1998 e no 130/1999 (4%) no recálculo pela unidade local. O recálculo foi feito pela unidade local em 04/09/2013 (fls. 1224 a 1271). Cientificada do acórdão da DRJ em 17/10/2013 (cf. AR à fl. 1283), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 18/11/2013 (fls. 1285 a 1307), sustentando, em síntese, que: (a) a DRJ fundou a manutenção da glosa em relação a aquisições de carvão vegetal na ausência de emissão de nota fiscal complementar atribuída a terceiro (o fornecedor), sob o qual não possui poder de polícia a recorrente, destacandose que nem mesmo a legislação do ICMS exige que a nota fiscal complementar seja emitida de forma imediata; (b) a DRJ alterou o enquadramento da autuação ao reconhecer que o valor real pago pelo insumo é que deve ser utilizado, mas que tal valor não foi comprovado pela recorrente, sendo que tais comprovantes jamais lhe foram solicitados pelo fisco (mas se for o entendimento do julgador, podem ser apresentados em sede de diligência); (c) assiste direito à recorrente de tomar créditos em relação a custos de produção relacionados a formação de florestas de eucalipto e produção do próprio carvão vegetal, aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.964 7 transporte de insumos entre seus estabelecimentos, aluguel de máquinas e equipamentos utilizados nas florestas de eucalipto e nos fornos de carvão, e reflorestamento, não podendo ser utilizado o conceito de insumo da legislação do IPI, mas o que abarca os custos essenciais ao exercício do objeto social da empresa, como vem entendendo o CARF; (d) ainda que adotado o conceito restritivo de insumos, deve ser revista a glosa dos créditos apurados sobre os custos com reflorestamento, diante do estorno anterior, para que não seja a empresa onerada duplamente (visto que todo o crédito que deveria ser estornado foi devidamente debitado do saldo acumulado de créditos, inexistindo as “diferenças das contribuições” a recolher alegada pela DRJ); e (e) a DRJ adota dois pesos e duas medidas ao não permitir que se considere a nota de saída do fornecedor (tal qual fez o fisco quando esta tinha valor menor) nas hipóteses em que tenha valor superior à nota de entrada da recorrente. Por meio da Resolução no 3403000.597, de 15/10/2014 (fls. 1311 a 1323), houve conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: (a) detalhasse os lançamentos contábeis efetuados pela recorrente (relação de bens e serviços glosados, com descrição individualizada do bem/serviço e valor) nas contas “custo da produção carvão vegetal” (4.1.2, desmembrado em “serviços de terceiros” PJ, “frete matéria prima” PJ, e “aluguel de máquinas e equipamentos”); “custo transporte próprio” (4.1.3, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, e “serviços de terceiros” PJ); e “custos das fazendas “ (4.1.5, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, “serviços de terceiros” PJ; e “aluguel de máquinas e equipamentos”); de modo a tornar possível apreciar a lide no contexto do conceito de insumo aqui adotado; e (b) esclarecesse de forma conclusiva se efetivamente está havendo, no que se refere a gastos com reflorestamento, dupla onerosidade à recorrente. No relatório de fls. 1936 a 1952, a fiscalização detalha o conteúdo das contas do grupo 4.1.2 (custo da produção carvão vegetal), 4.1.3 (custo transporte próprio), 4.1.5 (custo das fazendas), emitindo avaliação no sentido de que efetivamente, diante da glosa e do estorno efetuado pela empresa, estaria havendo duplicidade de efeitos decorrentes da desconsideração dos créditos de reflorestamento, o que seria sanado, em função dos diferentes efeitos provocados pelas medidas (glosas em dezembro de 2007 e estorno em novembro de 2008) com acerto de DACON e demais declarações a partir de janeiro de 2008. Cientificada o teor do relatório, a recorrente apresentou o documento de fls. 1954 a 1957, alegando que (a) do relatório de diligência resta evidente a relação de essencialidade/necessidade entre os bens e serviços lá descritos e o processo produtivo da empresa; e que (b) mantida a glosa dos créditos de COFINS sobre gastos com reflorestamento, a empresa estaria sendo onerada em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Como retratado na Resolução no 3403000.597, permanecem contenciosas após a decisão da DRJ e a apresentação de recurso voluntário as seguintes matérias: (a) a delimitação do conceito de insumos na legislação que trata das contribuições (Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS); (b) a aplicação de tal conceito às glosas em espécie, e (c) glosas em relação a aquisições de carvão vegetal. Retomaremos inicialmente, aqui, a análise da delimitação do conceito de insumo, já empreendida antes da conversão em diligência (para que o julgador e a unidade local estivessem a conversar em uma mesma linguagem). 1. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições Como exposto na Resolução no 3403000.597, e em reiterados julgados deste CARF, o termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.965 9 Há, assim, que se concluir que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo este CARF, e, mais especificamente, a turma de origem: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (na mesma linha os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, incumbe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. Mas, antes, cabe reiterar duas peculiaridade do caso concreto em análise: (a) a existência de sucessivas etapas de produção, servindo o produto final de uma como insumo da seguinte; e (b) a existência de Soluções de Consulta da RFB sobre a matéria discutida nos autos. 1.1. Dos “insumos dos insumos...” Quando a recorrente se refere a custos de produção relacionados a formação de florestas de eucalipto e produção do próprio carvão vegetal, está a tratar dos insumos necessários à produção do carvão vegetal, que na verdade é um insumo para produção do ferro gusa, que é o produto vendido pela empresa. Daí intitularmos este tópico de “insumos dos insumos...”. E as reticências se devem à explicação da recorrente sobre o processo produtivo do ferrogusa, no qual existem basicamente três etapas, cada uma gerando um produto que será insumo na etapa seguinte. Assim, temse, em verdade, os “insumos dos insumos dos insumos” (sementes como insumos para gerar árvores/madeira, que servem de insumos na obtenção do carvão vegetal, que constitui insumo para a produção do ferrogusa). Não se tem dúvidas de que se estivéssemos a analisar a semente, por exemplo, adquirida de pessoa jurídica como insumo para uma empresa que comercializa toras de madeira, pouco restaria de contencioso. Igualmente se estivéssemos a analisar aquisições de madeira como insumo para uma empresa que vende carvão vegetal. De forma idêntica, seria incontroverso (inclusive para o autuante, se estivessem compatíveis as quantificações nas notas fiscais, ou se tivessem havido complementações) que as aquisições de carvão vegetal constituem insumos para empresa que vende ferrogusa. Considerando o exposto, e o conceito de insumo aqui adotado (bens necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final), Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 temse que o único elemento que se acrescenta no caso concreto é o silogismo: se a semente é necessária à obtenção da madeira, necessária à obtenção do carvão vegetal, por sua vez necessário à obtenção do ferrogusa, logo a semente é necessária à obtenção do ferrogusa. Não faz sentido culpar/penalizar a empresa por ter fabricação/produção própria dos insumos necessários a etapas subsequentes de seu processo produtivo. Não assiste razão ao fisco, assim, para efetuar as glosas. A exigência de vinculação “direta” (ou mesmo contato físico) com o produto vendido não encontra respaldo legal para as contribuições não cumulativas. A simples leitura do inciso II do art. 3o das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003) mostra que os bens e serviços devem ser utilizados como insumo “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”, e não “na produção ou fabricação direta de bens ou produtos destinados à venda...”, como deseja o fisco. A turma de origem havia apreciado casos semelhantes, à época (a árvore plantada era inclusive a mesma, eucalipto, mas havia uma etapa a menos, tratandose apenas de “insumos dos insumos”). Abaixo são transcritos excertos da ementa do julgamento e do voto condutor, unanimemente acolhido por aquela turma em relação à matéria em discussão: “CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (...)” “Conforme se verifica nos autos, a fiscalização não só adotou o conceito de insumo estabelecido para o IPI, por meio das instruções normativas da Receita Federal; mas também seccionou a atividade do contribuinte em duas etapas: a produção da matériaprima (madeira) e a extração da celulose (produto final industrializado a ser exportado). Ao assim proceder a fiscalização acabou por considerar como “produção” apenas a etapa industrial do processo produtivo, como se estivesse analisando um processo de ressarcimento de IPI, esquecendose de que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 utilizam os termos “produção” e “fabricação”. (...) No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação), por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. (...) Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.966 11 Sendo assim, devem ser revertidas as glosas dos créditos relativos aos custos incorridos com os bens e serviços discriminados nas planilhas de glosa sob as rubricas: a) manejo das plantações de eucalipto; (...)” (Acórdãos n. 3403002.815 a 824, Rel. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação à matéria, sessão de 27.fev.2014) (grifo nosso) Há que se destacar, no entanto, que o recurso voluntário alude genericamente a custos de produção relacionados a formação de florestas de eucalipto e produção do próprio carvão vegetal. E a autuação remete aos bens/valores constantes das contas “custo da produção carvão vegetal” (4.1.2, desmembrado em “serviços de terceiros” PJ, “frete matéria prima” PJ, e “aluguel de máquinas e equipamentos”); “custo transporte próprio” (4.1.3, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, e “serviços de terceiros” PJ) e “custos das fazendas “ (4.1.5, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, “serviços de terceiros” PJ; e “aluguel de máquinas e equipamentos”). Não havia nos autos nenhum detalhamento dos lançamentos efetuados em relação a tais contas, o que, por certo, era irrelevante tanto para o fisco (que associava o conceito de insumos à legislação do IPI, na qual haveria necessidade de “contato físico”/desgaste do insumo em contato com o produto final) quanto para a recorrente (que acreditava estar o conceito de insumos associado simplesmente à atividade empresarial, inspirada pela legislação do IRPJ). Mas, diante do posicionamento da turma julgadora, e que já é bastante difundido no CARF, temse que aquilo que parecia a ambas as partes pouco relevante, toma proporções importantes na apreciação da lide, fazendo surgir a necessidade de conversão em diligência. O detalhamento é, então, efetuado em sede de diligência, e sobre ele se passa a discorrer no tópico 2, referente às glosas em espécie. 1.2. Das Soluções de Consulta Temse como certo que a glosa efetuada pelo fisco à integralidade das contas mencionadas no tópico anterior se deveu basicamente a duas Soluções de Consulta, em resposta a pedidos da própria recorrente, como narrado na autuação. A primeira é a de no 169, de 01/10/2008, que manifestou entendimento oficial da RFB de que “gastos efetuados pela pessoa jurídica só geram direito a créditos da COFINS quando, além de atenderem aos demais requisitos da legislação de regência, estiverem diretamente vinculados à fabricação dos produtos destinados à venda”, com idêntica resposta para a Contribuição para o PIS/PASEP. A segunda é a de no 144, de 09/10/2009, expressando posicionamento oficial da RFB de que “a pessoa jurídica cujo processo produtivo consiste em, sucessivamente, formar florestas, utilizálas na produção de carvão vegetal e empregálo na fabricação de ferrogusa não faz jus a créditos da COFINS referentes aos custos de formação das florestas ou de produção do carvão vegetal”, com idêntica resposta para a Contribuição para o PIS/PASEP. Assim, nem que o fisco discordasse de tais entendimentos poderia se furtar a efetuar os lançamentos. Da mesma forma a DRJ, órgão da RFB, deve seguir os Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 posicionamentos oficiais expressos em Soluções de Consulta. Afinal de contas, o processo de consulta foi criado exatamente para reduzir o contencioso, uniformizando entendimentos no âmbito da RFB. No entanto, o CARF, órgão externo à RFB, não se encontra vinculado por tais entendimentos expressos em Soluções de Consulta, como já tivemos a oportunidade de destacar em voto anterior (com as ponderações ali expressas), que, embora tratasse de consulta sobre classificação de mercadorias, é plenamente aplicável ao caso em análise: “(...) Como não há recurso em relação ao resultado da consulta, por expressa disposição legal (art. 48, § 3o da Lei no 9.430/1996)2, cerramse as portas administrativas ao consulente, sendo, no entanto, livre o constitucional direito de acesso ao Poder Judiciário. E passa a ser aplicável ao caso o que for naquele âmbito decidido, na estrita medida da decisão judicial. Contudo, é bem frequente que a empresa não deseje submeter o tema à apreciação do Poder Judiciário, seja pela tecnicidade da matéria, que dificilmente é objeto de estudo nas faculdades de Direito, seja pela simples probabilidade de não ser autuada em função de manter seu entendimento à revelia da decisão externada na solução de consulta. Mas, exercendo o fisco seu labor, e autuando a empresa por classificar mercadorias incorretamente após a RFB lhe ter indicado qual a classificação correta em procedimento oficial de consulta, a autuação lavrada segue o rito previsto no Decreto no 70.235/1972, e é passível de análise pela DRJ e pelo CARF. Por certo, a DRJ, por ser um órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tende a acolher o resultado da consulta, que é vinculante no âmbito da RFB. Digo tende porque a matéria a ser apreciada na autuação não se confunde (embora interseccione) com a consulta. O atendimento ao resultado da solução de consulta impede a lavratura pela RFB de auto de infração em relação à matéria consultada. E o não atendimento ao resultado da solução de consulta, por sua vez, permite a lavratura da autuação, que deve ser objeto de julgamento por rito absolutamente diverso daquele inerente ao processo de consulta, e com apreciação restrita à matéria objeto da autuação. No processo de consulta a solução dada pelo fisco se alastra no tempo, além do período que vai da consulta até a ciência do consulente. Não havendo disposição posterior (v.g. solução divergente, revogação de ofício ou ato normativo superveniente), os efeitos são eternos. E no processo de consulta sempre haverá a indicação da classificação correta, seja ela a adotada pelo consulente, a pretendida pelo consulente, ou outra. No processo de determinação e exigência de crédito tributário a solução dada restringese ao caso concreto analisado na autuação, sendo imprestável a vincular a fiscalização em casos 2 As disposições da Lei n. 9.784/1999 são de aplicação apenas subsidiária (art. 69) ao processo de consulta, que é regido por norma legal própria. Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.967 13 ou períodos diversos, ainda que para o mesmo produto e para a mesma empresa. E em tal processo, não há a necessidade de que o julgador chegue à classificação correta. Basta que consiga comprovar que a classificação/argumentação adotada na autuação estava correta ou que deve ser afastada (sem que seja necessário seguir a busca pela classificação correta). Afastada a classificação empregada na autuação, não é só irrelevante ao julgador apreciar qual a classificação correta, mas vedado, porque estará decidindo extra petita, julgando além da procedência ou improcedência da autuação. Assim, é absolutamente equivocada a conclusão de que o processo de determinação e exigência de crédito tributário configura uma espécie de recurso à decisão exarada em processo de consulta. Ainda que a autuação tenha sido lavrada com base em resultado de consulta, o que deve o julgador (DRJ e CARF) apreciar é a procedência da argumentação que leva à classificação apontada na autuação, e não a procedência da argumentação que leva à correção adotada ou pretendida pelo autuado.(...)” (Acórdão n. 3403002.822, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, unânime, sessão de 20.ago.2014 Declaração de Voto Cons. Rosaldo Trevisan, acompanhada pelos Cons. Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Antonio Carlos Atulim) Em síntese, o que se busca com o presente tópico é confirmar que a apreciação inaugural do tema neste CARF (por expressa impossibilidade normativa de as instâncias anteriores se oporem ao resultado da consulta demandada pela recorrente) acabou por requerer efetivamente esclarecimentos adicionais, já destacando a diferença entre os efeitos da consulta e do julgamento do presente caso concreto. Ao se afirmar, aqui, que os "insumos dos insumos..." geram créditos, não se está revogando os efeitos das consultas, mas apenas decidindo o presente processo. Os efeitos da consulta permanecem ali, imutáveis, até que haja Solução de Divergência. Os efeitos da presente decisão não se alastram no tempo, nem a casos/períodos distintos em relação à mesma empresa, e se prestam somente a resolver o presente contencioso. Quando muito, servem de jurisprudência, absolutamente desprovida do caráter vinculante inerente às consultas. A decisão proferida por colegiado do CARF/MF em relação a um caso concreto para o qual exista Solução de Consulta da RFB em sentido diverso (o que jamais poderia ocorrer nos órgãos de julgamento que são parte da própria RFB) não produz qualquer efeito em relação à Solução de Consulta destinada ao autuado, que continua aplicável e vinculante em relação a todos os demais períodos e casos, o que endossa a independência entre os processos administrativos de determinação e exigência de crédito tributário e os processos administrativos de consulta. Feito esse importante esclarecimento, passase à análise da aplicação do conceito de insumo às glosas em espécie. 2. Da aplicação do conceito de insumos às glosas em espécie Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 As glosas em espécie relacionadas na autuação são referentes a: (a) custos de produção relacionados a formação de florestas de eucalipto e produção do carvão vegetal; (b) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de insumos entre seus estabelecimentos; (c) aluguel de máquinas e equipamentos utilizados nas florestas de eucalipto e nos fornos de carvão; e (d) custos de reflorestamento, e a eventual duplicidade de exigência. Nos TVF, narra o fisco que foram glosados da base de cálculo dos créditos das contribuições os custos lançados nas contas “custo da produção carvão vegetal” (4.1.2, desmembrado em “serviços de terceiros” PJ, “frete matéria prima” PJ, e “aluguel de máquinas e equipamentos”); “custo transporte próprio” (4.1.3, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, e “serviços de terceiros” PJ) e “custos das fazendas “ (4.1.5, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, “serviços de terceiros” – PJ; e “aluguel de máquinas e equipamentos”), por não estarem diretamente ligados à produção dos bens destinados à venda (de ferrogusa), não se enquadrando no conceito de insumos (IN SRF no 247/2002 e no 404/2004). Diante da informação de que o processo produtivo do ferrogusa é longo e envolve basicamente três etapas (a produção da lenha, que será utilizada na produção de carvão vegetal, por sua vez consumido na produção do ferrogusa), iniciandose com a formação das florestas de eucalipto (desde a aquisição de mudas selecionadas e o sulcamento do solo, com aplicação de calcário dolomítico), passando pelo controle químico de plantas daninhas e capinação, pela aplicação de formicidas, pela adubação, pela irrigação e pelos tratos culturais, chegando à colheita (derrubada, desgalhamento, traçamento e empilhamento) das árvores e o transporte de toras para secagem e posterior carbonização em fornos de tijolos, seguindose o resfriamento e a descarga, gerando como principal produto o carvão vegetal, que é transferido para cestos e armazenado para posterior transporte até a siderúrgica, para produção do ferro gusa (como combustível e como agente químico, integrandose ao produto final), que consiste em uma liga de ferro e alto teor de carbono, houve a conversão em diligência, para que se pudesse visualizar de que forma os itens glosados em cada uma das contas (4.1.2, 4.1.3 e 4.1.5) se relacionava com o processo produtivo. No relatório de diligência (mais especificamente às fls. 1937 a 1940), informase, a partir do dados informados pela empresa, e da análise dos documentos fiscais que embasaram os lançamentos, a natureza dos valores lançados: Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.968 15 Verificandose o resultado da análise empreendida na diligência, não se vislumbra, dentro do conceito de insumo adotado por este colegiado, item que seja impeditivo de tomada de crédito por a tal conceito não se amoldar. Não descreve a fiscalização, por exemplo, nenhum gasto com combustível para transporte de pessoas, ou bem que pertença ao ativo imobilizado, ou ainda custo que não seja necessário à obtenção do produto final. Assim, cabe o afastamento das glosas efetuadas pelo fisco nesse tópico. Sobre os gastos com reflorestamento, considerados em dezembro de 2007, em relação aos quais houve estorno em novembro de 2008, o relatório de diligência emitiu a seguinte avaliação (fl. 1941): Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 No entanto, ao mesmo tempo em que reconhece a duplicidade, a unidade de origem bem sintetiza os caminhos possíveis para seu tratamento (fl. 1942): Assim, afastada a glosa se torna cabível a manutenção do estorno, sem que haja dupla onerosidade à recorrente. Resta a analisar, assim, somente a questão das glosas referentes a aquisição de carvão vegetal, que não foram objeto de indagação pela via de diligência. 3. Das glosas em relação à aquisição de carvão vegetal A fiscalização, nos TVF, informa que verificou, em várias operações de aquisição de carvão vegetal de pessoas jurídicas (relacionadas no Anexo II fls. 26 a 39, e 95 a 108), que a nota de entrada emitida apresenta valor superior ao da correspondente nota de saída do produtor, tendo sido contabilizado como valor da operação o constante da nota de entrada (de emissão própria), sem que tivesse havido nota fiscal de complementação pelo produtor, tendo sido as diferenças apuradas objeto de glosa pela fiscalização, conforme demonstrado no Anexo IV (fls. 49 a 56, e 118 a 125). Em sua defesa, a recorrente alegou na impugnação que a emissão de nota de entrada referente às compras de carvão vegetal de pessoas jurídicas foi realizada em cumprimento à legislação estadual (art. 150 do Anexo IX do RICMS/02 de Minas Gerais Decreto no 43.080/2002), tendo como parâmetro o preço efetivamente pago pelo produto (independente do indicado na nota de venda do produtor, que é efetuada sem aferição precisa de quantidade e qualidade), sendo que a indicação expressa na nota fiscal de entrada da empresa ao documento fiscal do produtor revela a boafé e a intenção de explicitar toda a operação (e que há ainda várias notas fiscais de entrada com valor inferior à emitida pelo produtor, contraditoriamente sequer mencionadas pelo fisco; mas, mesmo nesses casos, a empresa registra e efetua o pagamento pela sua nota de entrada). A DRJ analisa a legislação estadual citada na peça de impugnação, afirmando que deveria ter havido a emissão de nota fiscal complementar pela pessoa jurídica vendedora, visto que o RICMS/MG só dispensa de tal emissão a pessoa física, e a obrigatoriedade está ainda prevista em Convênios SINIEF, e que não foi comprovado que o “valor pago pelo insumo” é o correspondente à nota fiscal de entrada, e informando que nos casos em que o valor da nota fiscal de entrada é inferior ao da nota fiscal do produtor, a empresa poderia solicitar o crédito (não cabendo ao fisco a concessão de ofício). No recurso voluntário, alega a recorrente que a DRJ fundou a manutenção da glosa em relação a aquisições de carvão vegetal na ausência de emissão de nota fiscal complementar atribuída a terceiro (o fornecedor), sob o qual não possui poder de polícia a recorrente, destacandose que nem mesmo a legislação do ICMS exige que a nota fiscal complementar seja emitida de forma imediata, destacando ainda que houve alteração do lançamento pela DRJ, pois a autuação glosou créditos em relação aquisições de carvão vegetal por que as notas de entrada (de emissão do próprio contribuinte) tinham valor superior ao das Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.969 17 notas fiscais de saída (emitida pelo produtor), que não foram objeto de complementação. Mas o julgador de piso, mesmo acordando com a empresa no sentido de que o valor a ser registrado deveria ser aquele pelo qual a mercadoria foi efetivamente adquirida, negou o crédito sob o novo fundamento de que não havia provas do efetivo pagamento. E negou ainda crédito nas hipóteses em que as diferenças entre as notas eram desfavoráveis à recorrente, adotando “dois pesos e duas medidas”. Para verificar a fundamentação da autuação, e eventual alteração pela DRJ, necessário se faz atestar inicialmente qual era a descrição da infração detectada no TVF (fls. 12, 13 e 16; e 81, 82 e 85): “8) Observouse, da análise dos dados apresentados, que para várias operações, a nota de entrada emitida apresenta valor superior ao da correspondente nota de saída do produtor, tendo sido contabilizado como valor da operação o valor da nota de entrada. 9) Para os casos em que o valor da nota fiscal de saída do produtor, conforme relação apresentada, fosse inferior ao efetivo valor da operação de aquisição do carvão, o contribuinte foi intimado a apresentar Nota Fiscal do produtor que complementasse o valor. 10) No “Anexo I” a seu termo de Resposta de 24/05/2011, o contribuinte informou que, em cumprimento ao RICMS/02 em vigor à época, emitia NF`s de entrada por ocasião da aquisição do carvão vegetal, tendo calculado os créditos de PIS e Cofins com base nessas notas. 11) Desta forma, ao contabilizar as notas de entradas de emissão própria, em valor superior ao da compra representada pela nota de saída do produtor, a empresa onerou, para os casos de aquisição de pessoa jurídica, a base de cálculo dos créditos para o PIS e a COFINS no regime nãocumulativo. Nesses casos, se o valor efetivo da compra fosse o valor da nota de entrada de emissão própria, o correto seria a emissão pelo produtor do carvão de nota fiscal complementando o valor. Desta forma o emitente da nota de saída poderia corretamente contabilizar o débito da contribuição devida pelo valor real da operação, e o comprador teria o documento fiscal necessário à utilização do crédito, em obediência às normas legais que regem o regime nãocumulativo para o PIS e a COFINS. (...) 29. Em resumo, conforme descrito, na apuração da base de cálculo dos créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos foram glosados os valores contabilizados a título de aquisição de carvão vegetal, por meio de notas de entrada de emissão do próprio contribuinte, pelas diferenças não acobertadas por nota fiscal de saída emitida pelo produtor.” (grifo nosso) Pelo exposto (item 11) percebese que o fisco considerava que o valor da compra era representado pelas notas de saída do produtor. E que se estas não fossem Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 18 complementadas, o comprador não “teria o documento fiscal necessário à utilização do crédito”. A utilização como parâmetro das notas de venda foi utilizada pelo fisco em todos os casos nos quais estas tinham valores inferiores às notas de compra (e não eram complementadas). Isso gerou inclusive reclamação da recorrente quanto a existência de incongruência no procedimento (por terem sido consideradas só as diferenças contra a recorrente, tendo a autuação silenciado nas hipóteses de diferença a seu favor). De fato, não há qualquer vestígio de que o fisco tenha buscado verificar qual o preço efetivamente pago, restando claro que simplesmente adotou como parâmetro o valor da nota de venda (nas hipóteses em que este era inferior à nota de compra). E a autuação parece também não considerar relevante a menção da recorrente (já existente) à legislação do ICMS, visto que sequer a discute. No julgamento de piso, a DRJ, após examinar a aplicação da legislação referente ao ICMS, parecia inicialmente acordar com a fundamentação da autuação, vinculada à ausência de nota fiscal complementar (fl. 1204): “Por sua vez, a dispensa de emissão de nota fiscal complementar está prevista no art. 463 do Anexo IX do mesmo RICMS/MG e alcança apenas o produtor rural Pessoa Física, não se aplicando ao caso em questão, já que se tratam de aquisições de produtor Pessoa Jurídica. Sobre estes, o art. 1º da parte 1 do Anexo V do citado Regulamento assim dispõe, em relação à obrigatoriedade da emissão de nota fiscal. (...) Portanto, ainda que o art. 150 do citado Anexo IX do RICMS determinasse a emissão de nota fiscal de entrada pelos adquirentes de carvão vegetal, no momento da entrada da mercadoria em seu estabelecimento, os fornecedores do insumo não estavam dispensados da emissão de nota fiscal complementar, no caso de majoração de custos em função de suposta regularização de diferenças de quantidades de carvão vegetal ou complemento de preço.” (grifo nosso) A apontada alteração de fundamento, contudo, parece ter nascimento no trecho que sucede a argumentação acima, no julgamento da DRJ (fl. 1206): “Por outro lado, à luz da legislação que rege a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cabe razão à reclamante quando diz que “o crédito do PIS e da Cofins deve ser calculado com base no valor pago pelo insumo”. Na defesa apresentada, contudo, a contribuinte não logrou comprovar que os valores constantes nas notas fiscais de entrada que tiveram seus créditos glosados foram efetivamente pagos às empresas produtoras correspondentes.” (grifo nosso) Ao iniciar a frase com a expressão “por outro lado”, parece a DRJ estar analisando o mesmo tema com enfoque diverso (não se sabe ao certo se em caráter de contraposição ou complementação, mas a expressão é mais próxima da primeira acepção). O fato é que o julgador expressamente acorda com a empresa no sentido de que “o crédito do PIS e da Cofins deve ser calculado com base no valor pago pelo insumo” (quer seja ele o valor da nota de saída do produtor, ou de entrada, do vendedor). Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 3401003.097 S3C4T1 Fl. 1.970 19 E aí efetivamente inicia uma nova empreitada, verificando se a documentação carreada aos autos a título exemplificativo pela empresa se prestava a demonstrar que o preço efetivamente pago era o que constava nas notas fiscais de entrada. Mas apesar de verificar identidade de valores, não verifica identidade de partes na transação (fl. 1206): “Notese que a própria reclamante explica que apresenta, “a título ilustrativo”, notas fiscais de saída emitidas pelo produtor rural, notas fiscais de entrada emitidas por ela própria e comprovantes de pagamento, o que, por si só, já demonstra que não foram anexados os comprovantes da totalidade dos créditos glosados. Não obstante, examinouse a documentação anexada ao processo, mas não foi possível, nos casos apresentados, comprovar o efetivo pagamento dos valores constantes nas notas fiscais de entrada, seja porque não foi efetivado em nome/CNPJ da empresa, seja porque o pagamento foi fracionado em mais de um comprovante, dificultando que se chegasse ao valor da nota fiscal de entrada, ou seja porque havia diversos pagamentos num mesmo extrato, sendo que nenhum dos favorecidos coincidia com o produtor de carvão emitente da nota fiscal associada.” (grifo nosso) É preciso responder a uma pergunta, no caso, para verificar se efetivamente houve alteração de fundamento: o fato de a DRJ verificar se os documentos apresentados comprovavam que o preço efetivamente pago era o que constava nas notas fiscais de entrada demonstra que o julgador havia superado a conclusão da autuação de que o valor da compra é representado “pela nota de saída do produtor”? Ao que tudo indica, a resposta é positiva. Afinal de contas, o que faria o julgador se os documentos efetivamente comprovassem? Manteria a autuação ainda assim por que as notas não haviam sido objeto de complementação? Não nos parece. É lógico, assim, crer que a DRJ superou a argumentação utilizada na autuação para este tópico, e demandou requisitos adicionais (no caso, não cumpridos pela empresa, e sequer cogitados pelo autuante) de comprovação para determinação da correta base de cálculo das contribuições. A alteração de fundamento pela DRJ equivale à declaração de improcedência da autuação, acompanhada de um novo lançamento, procedimento incompatível com a atividade do julgador. Assim, temse que a autuação não merece prosperar em relação a este tópico, ainda antes de analisar os demais argumentos da recorrente, como a impossibilidade de responder pela falta de complementação de nota por terceiro (o produtor) ou a falta de critério da fiscalização (ao computar na contagem de créditos na autuação somente as diferenças em desfavor da recorrente). Acolhese, assim, o argumento da recorrente de que houve alteração de fundamento da autuação pela DRJ para afastar o lançamento neste tópico, referente a aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas. Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 20 Considerações finais Em síntese, diante do conceito de insumos adotado pelo colegiado, e explicitado no voto, aplicado à análise do caso em questão, no qual havia sucessivas etapas, inclusive com produto final de uma etapa servindo de insumo à etapa seguinte, o que não encontra obstáculo nos comandos das leis de regência das contribuições, e diante da alteração de fundamento pela instância de piso no que se refere às aquisições de carvão vegetal, há que se a afastar a parte da autuação que ainda era mantida pela DRJ. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10580.733305/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. RECURSO VOLUNTÁRIO POSTERIOR. PRECLUSÃO LÓGICA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não cabe o conhecimento, face à preclusão lógica, de recurso interposto contra a decisão de primeira instância quando após esta o contribuinte pede o parcelamento do débito, pagando inclusive a sua primeira parcela.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso do voluntário por desistência em razão de parcelamento.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO POSTERIOR. PRECLUSÃO LÓGICA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não cabe o conhecimento, face à preclusão lógica, de recurso interposto contra a decisão de primeira instância quando após esta o contribuinte pede o parcelamento do débito, pagando inclusive a sua primeira parcela. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso do voluntário por desistência em razão de parcelamento. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 33 05 /2 01 2- 13 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.575,74 relativo ao anocalendário 2007. O lançamento decorreu da glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.773,58 informadas como pagas à Caixa de Assistência dos Funcionários do Baneb Casseb, CNPJ nº 15.215.452/000158 na DIRPF/2008, face à ausência de discriminação dos beneficiários do plano de saúde. A contribuinte em sua impugnação aduziu já haver comprovado as despesas, juntando documentos e acrescentando que passa por dificuldades de ordem pessoal. Mantido integralmente o crédito tributário em primeira instância, a contribuinte realizou o seu parcelamento total no corpo do processo nº 10580.729007/201067 (fls. 38/39). Em 10/10/2012, entretanto, ela interpôs recurso voluntário afirmando ter pago a primeira parcela do parcelamento em 27/9/2012, juntando DARF, mas alegou que, em verificação posterior, constatou que a auditoria não considerou dedução da Casseb no montante de R$ 3.193,50. Pede atendimento. Tendo em vista a interposição desse recurso, e ressaltando a confissão de dívida efetuada pelo contribuinte via parcelamento, a Delegacia de origem encaminhou o presente processo ao CARF para avaliação de sua admissibilidade e eventual apreciação (fls. 50/51). É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10580.733305/201213 Acórdão n.º 2402004.763 S2C4T2 Fl. 58 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém não deve ser admitido. Consoante fls. 38/39 e 51, a contribuinte, após a decisão de primeira instância realizou o parcelamento total do crédito tributário no bojo do processo administrativo nº 10580.729007/201067, pagando voluntariamente, inclusive, sua primeira parcela (fl. 42). Assentiu, consequentemente, com os termos de constituição do débito, pois conforme disposto no art. 12 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, o pedido de parcelamento deferido constitui confissão de dívida. Nesse passo, perdeu a contribuinte o poder processual de contestar o teor do lançamento e/ou da decisão recorrida, tendo em vista o princípio da vedação ao comportamento contraditório (nemo potest venire contra pactum proprium). Operouse, em outras palavras, a preclusão lógica, não prosperando a pretensão formulada na presente irresignação, face à contrariedade desta ante o pedido de parcelamento do débito previamente formulado. Em suma, não cabe o conhecimento do recurso. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário por desistência em razão de parcelamento. Ronnie Soares Anderson. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011412/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002
PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DEMAIS RECEITAS.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF, não devendo compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins as "demais receitas".
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002 PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DEMAIS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF, não devendo compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins as "demais receitas". (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DEMAIS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002 PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DEMAIS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 14 12 /2 00 5- 11 Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF, não devendo compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins as "demais receitas". (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório José Henrique Mauri Relator. Cuidase de Recurso voluntário contra Acórdão 1122.451, 2ª Turma da DRJ/REC, de 28 de maio de 2008 que, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos tributários referentes a inclusão na base de cálculo das contribuições PIS e Cofins de "outras receitas", na forma preconizada no § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, assim ementado: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA A SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 28/02/2003, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/08/2003, 01/11/2003 a 30/1,1/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter.de validade e eficácia. JUROS DE MORA. Na imposição de juros de mora devese aplicar a legislação que rege a matéria. JUROS DE MORA / TAXA SUPERIOR A UM POR CENTO AO MES. POSSIBILIDADE. Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19647.011412/200511 Acórdão n.º 3301002.756 S3C3T1 Fl. 7 3 É válida. a imposição de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mês, quando há previsão legal nesse sentido. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestido do caráter de validade e eficácia. JUROS DE MORA. Na imposição de juros de mora devese aplicar a legislação que rege a matéria. JUROS DE MÇRA / TAXA SUPERIOR A UM POR CENTO AO MES. POSSIBILIDADE. É válida a imposição de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mês, quando há previsão legal nesse sentido. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Lançamento Procedente Irresignado o contribuinte apresentou, em 6/8/2008, Recurso Voluntário, fls. 1994 ss, com os seguintes argumentos, em síntese: 1. Que a decisão ora recorrida não acolheu as razões de defesa apresentada sob fundamento de que somente o poder Judiciário é competente para reconhecer a inconstitucionalidade de norma legal ou ato administrativo. 2. Contudo, a norma que fundamentou o lançamento, Lei 9.718/98, arts. 2º e 3º, foi declarada inconstitucional pelo pleno do Supremo Tribunal Federal. 3. Que não faz sentido necessidade de ação judicial para anular lançamento de débito levado a efeito com fundamento em norma já declarada inconstitucional pelo STF. Por sorteio, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Voto Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 4 Conselheiro José Henrique Mauri As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. Tratase de lançamento em razão de suposta insuficiência de recolhimento da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins, no período de 01/2000 a 11/2003, bem como da contribuição para o PIS, no período de 01/2000 A 11/2002. A insuficiência de recolhimento apontada pela Fiscalização é decorrente da base de cálculo das contribuições. Enquanto a empresa autuada calculou os valores recolhidos tomando por base de cálculo o faturamento, a Fiscalização, em cumprimento aos arts. 2° e 3° Lei n° 9.718/98, considerou a totalidade das receitas auferidas. Assim, a fiscalização incluiu na base de cálculo das contribuições as receitas denomidadas "demais receitas", assim identificadas: Dividendos, Bonif. Recebidas, Desconto Obtido s/ Título, Juros Recebidos ou Auferidos, Rendimentos s/ Aplicações, Variação Monetária Passiva, Redução ICMS PR, Variação Monetária Atívas, Retifica, Locação / Aluguéis, Locação Publix, indenizações de Seguros e Receitas Diversas. I Da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, em julgamento sintetizado na seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19647.011412/200511 Acórdão n.º 3301002.756 S3C3T1 Fl. 8 5 A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tornar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio) Portanto, encontrase sedimentado na jurisprudência que a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006”. Por força regimental, 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, o entendimento do Plenário do STF deve ser aplicado em relação ao presente caso: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II [...] A declaração de inconstitucionalidade pelo STF permiti que se inclua na base de cálculo de PIS/Cofins, apurados no regime cumulativo da Lei nº 9.718/98, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias, não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira. Neste caso concreto, a incidência não deveria ter acontecido sobre os valores das receitas financeiras, tais como dividendos, bonificações recebidas, desconto obtido s/ título, juros recebidos ou auferidos, rendimentos s/ aplicações, variação monetária passiva, variação monetária atíva. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 6 Dispositivo Ante o todo exposto, voto no sentido DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF, não devendo compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins as "demais receitas". É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000119/2001-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
DILIGÊNCIA - DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO
Em razão de a diligência ter validado os créditos de IPI, é reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, o direito às compensações pleiteadas.
Numero da decisão: 3301-002.769
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Andrada Márcio Canuto Natal- Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
EDITADO EM: 23/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luis Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Dias, Semíramis de Oliveira Duro, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DILIGÊNCIA - DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO Em razão de a diligência ter validado os créditos de IPI, é reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, o direito às compensações pleiteadas.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Andrada Márcio Canuto Natal- Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. EDITADO EM: 23/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luis Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Dias, Semíramis de Oliveira Duro, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DILIGÊNCIA DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO Em razão de a diligência ter validado os créditos de IPI, é reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, o direito às compensações pleiteadas. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. EDITADO EM: 23/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luis Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Dias, Semíramis de Oliveira Duro, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 01 19 /2 00 1- 79 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13811.000119/200179 Acórdão n.º 3301002.769 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Resolução CARF n° 3101000.378 e também reproduzo o voto que determinou a realização de diligência, a saber: "A contribuinte solicitou o ressarcimento de IPI (fl. 2 e 3), no valor de R$31.817,44, referentes a créditos excedentes do 4° trimestre de 2000. Em 13/03/2001 e 10/01/2001, apresentou os pedidos de compensação de tributos de fls. 41 e 43, respectivamente. A DERAT em São Paulo deferiu parcialmente o pedido do crédito no valor de R $22.509,18, glosando o valor de R$ 9.308,91, porque, segundo informado no relatório fiscal de fls. 196/197, o contribuinte não diferenciou os valores dos créditos do IPI devido às vendas para montadoras. Existindo venda tributada e com suspensão do IPI para os mesmos produtos, apurase a proporcionalidade do crédito, aplicando para tanto a mesma porcentagem obtida das vendas com a suspensão do IPI em relação às vendas totais (ambas do trimestre anterior). Regularmente cientificada em 13/03/2006, a postulante apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 207/216, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Os créditos são legítimos, pois praticamente todas as operações de venda procedidas pela empresa saem com suspensão ou possuem imunidade com relação ao IPI, permitindose a manutenção dos créditos, conforme demonstrado no documento Composição das Vendas de Produção do Estabelecimento de fl. 244; 2. Conforme disposições na legislação, os créditos decorrentes de matérias primas,produtos intermediários e materiais de embalagem poderão ser mantidos pelo exposto a seguir: 2.1. Vendas para montadoras Lei n° 9.826/99: condição verificada pela auditoria fiscal que reconheceu sua regularidade. Entretanto, o percentual de vendas a montadoras de 70% utilizado na auditoria é referente ao 3° trimestre, sendo o percentual referente ao 4° trimestre em análise é de 68,44%, como demonstrado no documento de fl. 244; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13811.000119/200179 Acórdão n.º 3301002.769 S3C3T1 Fl. 12 3 2.2. Vendas destinadas a Zona Franca de Manaus, Roraima, Amapá, Exportação e operações equiparadas e vendas de Sucata: nos termos do Decreto n° 2.637/98 (Regulamento do IPI), são vendas com suspensão ou imunidade de imposto, entretanto, são mantidos na escrita do contribuinte os créditos do imposto incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na industrialização dos produtos vendidos; 2.3. Mesmo tendo informado a origem de todo seu crédito a ser ressarcido/compensado como decorrente de vendas a montadoras, a diferença glosada pela autoridade fiscal corresponde a crédito de IPI decorrente de vendas beneficiadas, gerando direito ao ressarcimento do valor integral; 3. Encerrou solicitando o reconhecimento em sua totalidade do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento e que sejam homologadas as compensações solicitadas. A 2ªTurma da DRJ de Ribeirão Preto, em sessão de julgamento de 5 de dezembro de 2007, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o r. Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (fls. 203 a 206), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito do IPI, incidente na aquisição de bens aplicados na industrialização de produtos destinados às montadoras conforme Lei n° 9.826/99, e homologou as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. O Acórdão DRJ/RPO nª 14.17.855 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre produtos industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob pena de ensejar a desconsideração dos argumentos pelo julgador administrativo. Solicitação Indeferida A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Ribeirão Preto, interpôs o Recurso Voluntário. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13811.000119/200179 Acórdão n.º 3301002.769 S3C3T1 Fl. 13 4 A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A matéria controversa nos autos referese ao direito creditório da recorrente referente ao 4° trimestre de 2000, na parcela glosada relativa aos valores dos créditos do IPI devido às vendas para montadoras. A autoridade julgadora a quo reconheceu como válido o Despacho Decisório que calculou os valores com base na proporcionalidade obtida entre as vendas com suspensão para montadoras e vendas totais de produção do estabelecimento, por não constar nos autos as notas fiscais de vendas, nem mesmo comprovação de que a empresa tenha efetuado qualquer outra venda com suspensão ou imunidade no período que tenha assegurado a manutenção do crédito conforme preceitua a legislação. Em seu recurso voluntário, a contribuinte alega que, embora não sejam todos os créditos oriundos de vendas às montadoras, praticamente todas as suas vendas saem com suspensão ou possuem imunidade com relação ao IPI, permitindose a manutenção dos créditos, o que configura seu indiscutível direito em restituir integralmente o valor de R$ 31.817,44, informado no Pedido de Ressarcimento. Apresenta seus Registros de Entradas e Saídas do período em questão (4° Trimestre de 2000), procurando sanar as dúvidas acerca da correta apuração de IPI e correspondente valor passível de ressarcimento. Segundo seu entendimento, com base nos Registros de Entradas e Saídas do período em questão (4° Trimestre de 2000) apresentados, a Recorrente aponta minuciosamente a origem dos créditos objeto do seu pedido de ressarcimento, ressalvando que todos os créditos foram escriturados, todos os incentivos fiscais acima apontados foram devidamente informados nas notas fiscais e, apesar de ter informado que a totalidade dos créditos são decorrentes de insumos na fabricação de produtos para vendas as montadoras, as demais vendas também são incentivadas (suspensão de IPI ou imunidade tributária) e, portanto, geram créditos passíveis de aproveitamento. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13811.000119/200179 Acórdão n.º 3301002.769 S3C3T1 Fl. 14 5 Diante dos elementos apresentados, em busca de elucidar os fatos e apurar corretamente o direito creditório, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: (a) Manifestese sobre as alegações trazidas no Recurso Voluntário (fls.631 a 649) quanto ao direito creditório da recorrente e proceda a análise do Registro de Entradas e Saídas (fls 687 a 707), apresentando sua Informação Fiscal acerca dos fatos apurados; (b) Apure se as demais vendas da recorrente, foram decorrente de vendas a montadoras, gerando créditos passíveis de ressarcimento; (c) Elabore novo demonstrativo do direito creditório, caso haja alguma alteração na planilha anteriormente apresentada pela fiscalização e homologada pelo Despacho Decisório de fls. 203 a 206. Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das sessões, em 21 de agosto de 2014. Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A diligência requerida por este colegiado foi realizada e encontrase nos autos o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal TEDF (fls.397 a 400). Foi aberto prazo para a Recorrente se pronunciar, o que todavia não ocorreu. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13811.000119/200179 Acórdão n.º 3301002.769 S3C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e continha os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de glosa de glosa de créditos de IPI, objetos de Pedidos de Ressarcimento (PER fl.2 e 3) e de Compensação (DCOMP fls. 41 e 43), relativos ao 4° trimestre de 2000. Do montante total de créditos, R$ 31.817,44, R$ 9.308,91 foram glosados, por falta de comprovação. Por conseguinte, a compensação foi homologada somente até o limite dos créditos reconhecidos. O Recurso em comento já havia sido encaminhado para julgamento do CARF, o qual decidiu baixar diligência (Resolução CARF n° 3101000.378 da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção), para que fossem respondidos os quesitos já transcritos no relatório, cujo objetivo era o de validar os créditos de IPI objetos do PER (fls 2 e 3) e do DCOMP (fls. 41 e 43). A Diligência foi realizada e o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (TEDF) encontrase nos autos (fls.397 a 400). O agente fiscal responsável pela diligência concluiu que o contribuinte tinha direito ao ressarcimento da totalidade dos créditos, conforme consignado no relatório constante do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 397 a 400). Isto posto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, reconhecendo a totalidade do direito creditório pleiteado pela Recorrente por meio do Pedido de Ressarcimento (PER fls.2 e 3) e, por conseguinte, o direito à compensação requerida por intermédio dos Pedidos de Compensação (DCOMP fls. 41 e 43). Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13811.000119/200179 Acórdão n.º 3301002.769 S3C3T1 Fl. 16 7 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/02/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000006/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
Ementa:
DCOMP. FORMULÁRIO PAPEL. VEDAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE.
No silêncio da lei quanto ao modus operandi de o contribuinte implementar a declaração de compensação, é legítima a regulação da matéria por meio de atos administrativos, que são normas complementares, nos termos do art. 96 e art. 100, I do CTN, que compõem a legislação tributária à qual todos os contribuintes devem observância.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-002.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel dos Santos Porto, OAB/SP nº 234.239. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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FORMULÁRIO PAPEL. VEDAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. No silêncio da lei quanto ao modus operandi de o contribuinte implementar a declaração de compensação, é legítima a regulação da matéria por meio de atos administrativos, que são normas complementares, nos termos do art. 96 e art. 100, I do CTN, que compõem a legislação tributária à qual todos os contribuintes devem observância. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel dos Santos Porto, OAB/SP nº 234.239. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 00 06 /2 00 9- 66 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro I que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Trata o processo de representação fiscal acerca declarações de compensação que foram consideradas "não declaradas" no processo nº 13770.000890/200501, o qual, por sua vez, tratava de crédito de Cofins não cumulativa exportação do período de setembro de 2005. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo até a apresentação da Manifestação de Inconformidade, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Relatório Trata o presente processo de declarações de compensação apresentadas em janeiro de 2006, em formulário, vinculadas ao crédito de COFINS não cumulativa/exportação do período de 09/2005, demonstrado no processo nº 13770.000890/200501. A DRF VITÓRIA/ES proferiu decisão (fls. 51/54) considerando não declaradas as compensações e determinando a cobrança imediata dos débitos, uma vez que a IN SRF 598/2005 já previa a obrigatoriedade de apresentação das declarações de compensação eletronicamente. A interessada foi cientificada em 20/05/2009 e apresentou petição questionando a exigência em 19/06/2009 (fls. 66/72), alegando em síntese: a compensação não declarada não encontra respaldo no §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96; a exigência de formulário eletrônico foi criada por Instrução Normativa; o programa disponibilizado para envio da Dcomp não foi utilizado por diversos defeitos e dificuldades encontradas pelos contribuintes em baixar e utilizar o referido programa; Encerra a petição requerendo que seja recebida a impugnação em todos os seus efeitos e a procedência para que as compensações sejam consideradas como Declaradas em todos os seus efeitos. É o relatório. (...) A autoridade a quo considerou as compensações como não declaradas e, portanto, não reconheceu a aplicação do rito processual do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000006/200966 Acórdão n.º 3402002.836 S3C4T2 Fl. 349 3 A empresa recorreu ao Poder Judiciário impetrando, em 19/04/2010, o Mandado de Segurança n.° 0008831 02.2010.4.03.6100, em trâmite na 10ª VF/SPO/SP, obtendo decisão liminar em seu favor para suspensão da exigibilidade da cobrança dos débitos em tela, portanto, afastando qualquer ato de cobrança e ou restrições, até o julgamento de defesa administrativa apresentada contra a não homologação das compensações realizadas (decisão judicial, fls. 131 e 132): Pelo exposto, CONCEDO a liminar com o objetivo de determinar a suspensão da exigibilidade do credito tributário, consubstanciado no processo administrativo 15578.000006/200966, impedindo qualquer ato de cobrança e ou restrições, ate o julgamento da defesa administrativa apresentada em face da nãohomologação das compensações realizadas. Em janeiro de 2011, a liminar foi confirmada por sentença (fls. 197/201), nos seguintes termos: “.. .julgo procedentes os pedidos formulados na petição inicial, CONCEDENDO A SEGURANÇA, para determinar a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo), ou quem lhe faça às vezes, que promova o recebimento da defesa apresentada em face da nãohomologação das compensações realizadas pela empresa incorporada pela impetrante, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consubstanciado no processo administrativo n° 15578.000006/200966, abstendose de qualquer ato de cobrança ou restrições, até o encerramento do contencioso administrativo.” Tendo em vista a ordem judicial, a manifestação de inconformidade foi encaminhada a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. (...) Mediante o Acórdão nº 1251.535, de 19 de dezembro de 2012, a 16ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. É considerada não declarada a compensação que não atenda aos requisitos formais e substanciais previstos em Lei, bem como nas instruções que normatizam os referidos procedimentos. O julgador de primeira instância, em cumprimento à decisão judicial, conheceu a manifestação de inconformidade, mas, no mérito, julgoua improcedente, tendo em vista, em síntese, que a administração tributária, ao considerar as compensações como "não declaradas", agiu em conformidade com o art 37 da Constituição Federal de 1988, com o artigo Fl. 350DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 142 do CTN e com as orientações estabelecidas na legislação tributária (artigos 96 e 100 do CTN), em especial, o artigo 31 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, vigente à época da entrega das Declarações. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 12/04/2013. Em 14/05/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual alega, em síntese, que: Legalidade da Compensação realizada, reconhecida por decisão judicial. A ilegalidade dos artigos 31 e 76 da IN SRF nº 600/2006. Não admissibilidade de cobrança de valores que são manifestamente indevidos, por força do princípio da verdade material. Ao final, requereu a recorrente: i) a anulação da decisão recorrida, assegurandose, de plano, a efetividade da decisão judicial proferida no mandado de segurança, para que, finalmente, seja julgado o mérito das compensações pretendidas; e, ii) alternativamente, o reconhecimento da manifesta ilegalidade do disposto nos artigos 31 e 76 da IN SRF nº 600/2005, levando a efeito o julgamento de mérito das aludidas compensações. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte. Inicialmente fazse necessário analisar a abrangência da decisão judicial no que concerne à questão do conhecimento do recurso voluntário por este Colegiado. Conforme consta em Certidão de Objeto e Pé, juntada aos autos, o mandado de segurança nº 2010.61.00.0088311/SP foi "distribuído automaticamente em 19/04/2012 à 10a Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, em que são impetrados o Sr. Delegado da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo e o Sr. ProcuradorChefe da Procuradoria da Fazenda Nacional em São Paulo, objetivando a impetrante concessão de segurança para que seja determinado às autoridades coatoras que se abstenham de adotar quaisquer medidas voltadas à cobrança dos débitos objeto do Processo Administrativo n° 15578.000006/200966 até o encerramento do contencioso administrativo instaurado com a apresentação de defesa administrativa apresentada contra o despacho decisório prolatado nos autos da referida demanda, nos termos do artigo 74, §§ 7 ao 11 da Lei n° 9.430/96 e do artigo 151, III, do CTN". Posteriormente, foi proferida sentença de: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000006/200966 Acórdão n.º 3402002.836 S3C4T2 Fl. 350 5 i) extinção do processo em relação ao ProcuradorChefe da Fazenda Nacional em São Paulo, por ilegitimidade passiva ad causam; e ii) "resolução de mérito, nos termos do artigo 269, I, do CPC, julgando procedentes os pedidos formulados na petição inicial, concedendo a segurança, para determinar à autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil da Administração Tributária em São Paulo), ou quem lhe faça as vezes, que promova o recebimento da defesa apresentada em face da nãohomologação das compensações realizadas pela empresa incorporada pela impetrante, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consubstanciado no processo administrativo n° 15578.000006/200966, abstendose de qualquer ato de cobrança ou restrições, até o encerramento do contencioso administrativo". Conforme se depreende da leitura da sentença, na parte que diz respeito ao julgamento do presente processo, tratase de ordem endereçada para cumprimento pelo Delegado da Receita Federal do Brasil da Administração Tributária em São Paulo ou quem lhe faça as vezes, para o recebimento da defesa apresentada em face do presente processo administrativo, o que foi cumprida com o seu encaminhamento à DRJ, que, por sua vez, entendeu por conhecêla e julgála no mérito. Embora, não haja qualquer ordem judicial para cumprimento dirigida ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, inclusive, nem é parte no referido mandamus, considerando a interpretação do Poder Judiciário de que a defesa apresentada seria em face da não homologação das compensações, bem como a forma de cumprimento da decisão judicial adotada pela Derat/SP com o encaminhamento à DRJ e posteriormente ao CARF, entendo que esta Turma deve conhecer o recurso voluntário para que não se caracterize alguma forma de descumprimento reflexo da decisão judicial. Cabe a ressalva acima porque a competência deste Colegiado em matéria de compensação é para julgamento de recurso em face da decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação, mas não em face da compensação considerada "não declarada", conforme expresso do art. 74 da Lei nº 9.430/96 abaixo transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 352DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) [grifos da Conselheira Relatora] Nesse sentido, já tinham alertado a Seort da DRF/Vitória, no Despacho Decisório, e a Diort da Derat/SP, na Informação Fiscal EQITD/DIORT/DERAT/SP, que a decisão administrativa que considera não declarada a compensação seria definitiva na esfera administrativa. Tendo sobrevindo a decisão judicial, a Diort da Derat/SP entendeu pelo seu cumprimento com o encaminhamento da petição apresentada pela recorrente para julgamento pela DRJ, nesses termos: (...) Eis que, recentemente, a empresa recorreu ao Poder Judiciário impetrando, em 19/04/2010, o Mandado de Segurança n.° 000883102.2010.4.03.6100, em trâmite na 10.a VF/SPO/SP, obtendo decisão liminar em seu favor para suspensão da exigibilidade da cobrança dos débitos em tela, portanto, afastando qualquer ato de cobrança e ou restrições, até o julgamento de defesa administrativa apresentada contra a nãohomologação das compensações realizadas (decisão judicial, fls. 105/106 e 110). Para se situar no contexto, transcrevendo fragmentos da presente decisão liminar: "Com efeito, prescreve o §10 do artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, com redação imprimida pela Lei n°10.637, de 2002, que:" §1°. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados" (destacamos). Verifico que o citado dispositivo legal não determina que a entrega da declaração de compensação seja feita somente por meio eletrônico. Entendo que o meio eletrônico deve figurar como opção do contribuinte, sob pena de privação do direito de utilização do instituto da compensação. Outrossim, as Instruções Normativas, ainda que tenham por objetivo racionalizar os trabalhos da Secretaria da Receita Federal, não podem inovar no campo normativo, devendo tãosomente disciplinar as possíveis formas de realização da compensação, concretizando o comando descrito em lei. Desta forma, a Impetrante tem direito de apresentar a manifestação de inconformidade contra a não homologação das compensações realizadas, nos termos do §9° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Lei n° 10,833, de 2003. Em decorrência, caso julgada improcedente sua manifestação de Fl. 353DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000006/200966 Acórdão n.º 3402002.836 S3C4T2 Fl. 351 7 inconformidade, lhe é assegurado o direito a apresentar recurso ao Conselho de Contribuintes (§10 do mesmo dispositivo legal). Por conseguinte, a exigibilidade do débito correspondente resta suspensa, na forma do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, combinado com o §11 do mesmo artigo 74 da Lei n°9.430, de 1996. "(Grifos nossos) Por força dos comandos da decisão judicial em tela, a autoridade administrativa apontada como coatora deverá receber a manifestação de inconformidade com os efeitos jurídicos prescritos pelas leis reguladoras do processo administrativo fiscal, cuja apreciação da impugnação, por ser tempestiva, deverá ser feita pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) com jurisdição c/ domicílio fiscal da requerente, conforme art. 212, III, do Regimento Interno da RFB (RIRFB), aprovado pela Portaria MF n.° 125/2009. (...) Feitas essas considerações, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. Das compensações em face da decisão judicial: Neste tópico requer a recorrente pela apreciação de mérito das referidas compensações, ao invés de analisar questão formal que restou esgotada no Poder Judiciário. Alega, em essência, que: (...) Ora, denotase da referida sentença que o Douto Juízo da Décima Vara Federal de São Paulo entendeu pela inexistência de vícios formais no procedimento de compensação, motivo pelo qual, uma vez recebida a declaração de compensação, conforme determinado judicialmente, não poderia ela ser objeto de não homologação amparada tão somente por motivação já afastada em decisão judicial, qual seja, a suposta impossibilidade de se receber declarações de compensação por meio de formulário de papel. Assim, conhecendo a compensação, a DRF/RJ deveria proceder à sua efetiva análise de mérito, e não reanalisar discussão formal que restou esgotada no Poder Judiciário, sob pena de descumprimentpo da respectiva ordem judicial. Convém, portanto, lembrar que a nossa Constituição Federal adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões do Poder Judiciário. A partir desse momento, caberia à Administração tão somente cumprir o quanto determinado na decisão então vigente, mais precisamente: (a) apurar o montante do crédito favorável à Recorrente; (b) proceder à imputação do crédito tributário na forma do artigo 163 do Código Tributário Nacional. Tendo em vista que a análise do direito creditório utilizado nas ditas compensações já está sendo realizada no Processo Administrativo n9 13770.000890/200501, que também aguarda Fl. 354DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 pelo julgamento deste Egrégio Conselho, restava à Administração acatar a decisão do Poder Judiciário, tomando as medidas cabíveis para suspender a exigibilidade dos débitos cobrados no processo n9 15578.000006/200966, bem como aguardar pelo encerramento do contencioso administrativo instaurado no Processo Administrativo n9 13770.000890/2005 01, de modo a que, após efetuadas as compensações até o limite do direito creditório reconhecido, procedessem à cobrança, se houvesse, de eventual débito remanescente. Ocorre que, muito pelo contrário, indo inteiramente de encontro à supracitada decisão judicial, a ilustre 16ª Turma da DRF/RJ entendeu que "não merece reparos a decisão recorrida", ignorando completamente a hierarquia das decisões, e julgamento matéria definida em sede judicial! (...) Sem razão a recorrente. Em cumprimento à decisão judicial, a defesa foi integralmente conhecida e julgada nos exatos termos em que foi apresentada. O Acórdão de primeira instância é efetuado em face da defesa apresentada contra o despacho decisório, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados na referida defesa, a qual, por sua vez, estava delimitada pelo conteúdo do despacho decisório que considerou as compensações não declaradas. É de se esclarecer que, não obstante a questão da questão da possibilidade de se receber as declarações de compensação apresentadas por meio de formulário de papel esteja sendo discutida no mandado de segurança, foi em decorrência da sentença desse mesmo mandado de segurança que a autoridade de primeira instância, bem como este Colegiado, tomou conhecimento da defesa da recorrente no presente processo. Os créditos de Cofins não cumulativa exportação sobre os quais se requer as compensações objeto do presente processo já são objeto de análise de mérito no processo nº 13770.000890/200501. Da exigência de compensação por meio eletrônico Nesta parte do recurso voluntário, alega a recorrente que, "diante dos diversos problemas decorrentes do novel sistema eletrônico e pressionada pelo iminente vencimento dos débitos que seriam compensados", realmente se utilizou de formulários instituídos por meio da IN SRF nº 563/2005, os quais foram substituídos pelo sistema PER/DCOMP previsto na IN SRF 598/2005, de 30/12/2005, dias antes da apresentação das compensações em janeiro de 2006. Assim, independentemente da possibilidade de se comprovar o erro do sistema e a falta de alternativas para a recorrente compensar seus débitos fiscais com créditos de PIS e Cofins, entende ela que o instrumento efetivamente hábil para estipular condições e garantias aos procedimentos de compensação seria a lei, e não uma Instrução Normativa. Conforme disposto no §4° art. 74 da Lei nº 9.430/1996, incumbe à Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto no artigo acerca dos pleitos de restituição, ressarcimento e compensação. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000006/200966 Acórdão n.º 3402002.836 S3C4T2 Fl. 352 9 Com efeito, artigos 31 e 76 da IN SRF nº 600/2006, vigentes à época da apresentação das declarações de compensação pela recorrente, dispõem sobre a obrigatoriedade de utilização do Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação, bem como da utilização alternativa de formulário papel somente "nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP", conforme transcrito abaixo: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 76 [Retificação no DOU de 19.1.2006], não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. (...) Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI – Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexo I,II,III,IVeV. § 1º A SRF disponibilizará, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, os formulários a que se refere ocaput. § 2ºOs formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 3ºA SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º, no § 1º do art. 3º, no § 3º do art. 16, no § 1ºdo art. 22 e no § 1º do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 4º A falha a que se refere o § 3ºdeverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. § 5ºAos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 O ato normativo acima tratase de autêntica norma complementar, nos termos do art. 96 e art. 100, I do CTN, que compõe a legislação tributária à qual todos os contribuintes, sem distinção, devem observância. As normas acima encontram fundamento no princípio da igualdade, eis que a exigência de formulário eletrônico para a declaração de compensação é aplicável a todo o universo de contribuintes, bem como no princípio da eficiência da administração pública, na medida em deve ser viável para a Receita Federal o efetivo controle e análise das inúmeras declarações de compensação existentes para reconhecimento do direito creditório. Nesse sentido, conforme restou consignado no voto do Relator Henrique Pinheiro Torres, abaixo transcrito, no Acórdão nº 9303002.453, da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, é legitima a exigência do formulário eletrônico para a declaração de compensação: (...) Relativamente à questão das instruções normativas que vedaram a possibilidade de apresentação de declarações de compensação em formulários de papel, o contribuinte alegou a ilegalidade da restrição imposta por meio de atos administrativos, uma vez que nem a Lei nº 10.637/2002 e tampouco a Medida Provisória nº 66/2002, que lhe antecedeu, vedaram a apresentação das Dcomp em formulário de papel. O argumento não prospera, pois do fato de a lei não ter proibido a apresentação das declarações em papel, não decorre logicamente a conclusão de que as Instruções não poderiam fazêlo. O art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação introduzida pela Medida Provisória nº 66, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, alterou o regime jurídico das compensações tributárias, as quais, para terem existência jurídica, passaram a ser declaradas à repartição fiscal e não mais requeridas, com vinha acontecendo até então. O referido dispositivo legal estabelece que a compensação deve ser declarada à repartição e também os efeitos gerados por tal declaração na órbita jurídica, mas não diz como essa declaração deve ser implementada. No silêncio da lei, o modus operandi pelo qual a declaração deve ser efetuada obviamente fica à cargo o órgão administrativo encarregado da administração tributária. Tal encargo, sendo decorrente do poder discricionário da administração, independeria até da previsão legal existente no art. 74, § 12 da Lei nº 9.430/96. Assim, não tendo a lei estabelecido a forma pela qual a declaração de compensação deve ser implementada, não existe nenhum óbice no sentido de que a administração discipline a matéria por meio de atos administrativos com base no poder discricionário. No caso concreto, as instruções normativas não violaram o direito do contribuinte à compensação e tampouco seu direito de petição, pois os sistemas da Receita Federal funcionam 24 horas por dia, salvo paradas esporádicas para manutenção durante as Fl. 357DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000006/200966 Acórdão n.º 3402002.836 S3C4T2 Fl. 353 11 madrugadas. Esses sistemas não entram greve, não fecham para o horário de almoço, não tiram férias e nem comemoram o Natal e a passagem de ano, sendo improcedentes e injustificáveis as alegações do contribuinte. Do mesmo modo, com a adoção dos formulários eletrônicos (Per/Dcomp) nem de longe se vislumbra a violação de alguma garantia constitucional do contribuinte. Ademais, o contribuinte não comprovou o alegado “problema técnico” que supostamente o teria impedido de transmitir a declaração pela internet. No dia 23 de dezembro de 2003 milhares de contribuintes transmitiram suas declarações de compensação com utilização do programa gerador da declaração e não há registro de queixas quanto ao funcionamento do sistema. Apenas o recorrente alegou que não conseguiu fazer a transmissão, mas não apresentou nenhuma prova do fato alegado. (...) Embora esse Conselho Administrativo releve, algumas vezes, as formalidades exigidas na legislação tributária para as declarações apresentadas pelo contribuinte por questões atinentes à verdade material no caso concreto, entendo que não se trata da situação relatada nos presentes autos, de mero descumprimento de norma complementar sem uma justificativa razoável por parte da recorrente. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 358DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10166.730006/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
MATÉRIA DEVOLVIDA A JULGAMENTO. DELIMITAÇÃO. PRECLUSÃO.
É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADOR DE PESSOA JURÍDICA.
Exclui-se o vínculo de responsabilidade tributária atribuído a administrador de pessoa jurídica quando ausentes os elementos de conexão para a caracterização da solidariedade de fato ou para a responsabilização pessoal decorrente da prática de atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2401-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer dos recursos voluntários e dar-lhes provimento para afastar tão somente o vínculo de responsabilidade atribuído a Denio Losi de Morais e Osvaldino Xavier de Oliveira, sócios da "BSB", mantido integralmente o crédito tributário lançado. Fez sustentação oral: Dr. Cláudio Farag. OAB: 14005/DF.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PARTE EMPRESA E PARTE SEGURADOS Recorrente WRJ ENGENHARIA LTDA e OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MATÉRIA DEVOLVIDA A JULGAMENTO. DELIMITAÇÃO. PRECLUSÃO. É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADOR DE PESSOA JURÍDICA. Excluise o vínculo de responsabilidade tributária atribuído a administrador de pessoa jurídica quando ausentes os elementos de conexão para a caracterização da solidariedade de fato ou para a responsabilização pessoal decorrente da prática de atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer dos recursos voluntários e darlhes provimento para afastar tão somente o vínculo de responsabilidade atribuído a Denio Losi de Morais e Osvaldino Xavier de Oliveira, sócios da "BSB", mantido integralmente o crédito tributário lançado. Fez sustentação oral: Dr. Cláudio Farag. OAB: 14005/DF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 00 06 /2 01 2- 18 Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.730006/201218 Acórdão n.º 2401003.974 S2C4T1 Fl. 2.732 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.730006/201218 Acórdão n.º 2401003.974 S2C4T1 Fl. 2.733 3 Relatório Cuidase de recursos voluntários interpostos em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (DRJ/SP1), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação do contribuinte, bem como dos solidários, mantendo o crédito tributário exigido e os vínculos de responsabilidade tributária. Eis a ementa do Acórdão nº 1651.510 (fls. 2.606/2.645): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. TRANSFERÊNCIA DE VALORES. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRÉSTIMOS. NÃO COMPROVAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. A empresa deve demonstrar com documentos hábeis e idôneos como se deu a transferência de recursos de seu patrimônio. A saída de numerário da empresa sob a alegação de que se trata de distribuição de lucros aos sócios ou de que se refere a empréstimo promovido entre a empresa e os sócios, sem a devida comprovação, configura pagamento de remuneração aos sócios prólabore. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e as pessoas expressamente designadas por lei. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Não elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser mantidos. 2. Extraise do relatório fiscal que o processo administrativo é composto por 2 (dois) autos de infração (AI), compreendendo o período de 01/2009 a 12/2010, assim formalizados (fls. 43/87): Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.730006/201218 Acórdão n.º 2401003.974 S2C4T1 Fl. 2.734 4 i) AI nº 51.009.4589, referente às contribuições previdenciárias da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais; e ii) AI nº 51.009.4597, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o saláriodecontribuição, não arrecadadas pela empresa. 2.1 O crédito tributário foi apurado a partir do compartilhamento de documentos apreendidos na Operação Esperança, intitulada de "Caixa de Pandora", devidamente autorizado pela Justiça Federal, em que houve quebra do sigilo bancário do contribuinte. Além do compartilhamento, houve complementação dos elementos de provas mediante entrega de documentos e prestação de informações pelo sujeito passivo no decorrer da auditoria fiscal. 2.2 A fiscalização apurou o pagamento "por fora" a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços ao contribuinte, fatos geradores não registrados nas folhas de pagamento, tampouco em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), além do pagamento de remuneração indireta a sócios, por intermédio de adiantamentos a título de antecipação de lucros e de devolução de valores oriundos de empréstimos não comprovados. 2.3 Esclarece a autoridade lançadora que a análise da movimentação bancária, das mensagens eletrônicas apreendidas pela Polícia Federal, dos termos de depoimentos de empregados e prestadores de serviço e da escrituração contábil, entre outros elementos disponíveis, revelou que a pessoa jurídica autuada encobriu a ocorrência e o conhecimento dos fatos geradores, utilizando os seus sócios de condutas dolosas e ardilosas, com o propósito de impedir a efetiva cobrança das contribuições devidas. 2.4 Dentre os ilícitos verificados, a fiscalização destaca a constituição da empresa BSB Fundações Ltda ME, doravante "BSB", para viabilizar a continuidade das atividades empresariais do contribuinte, doravante "WRJ", inclusive participação em processos licitatórios, dada a difícil situação econômica em que se encontrava esta última sociedade. 2.5 Nesse contexto fático, a autoridade lançadora formalizou 6 (seis) termos de sujeição passiva solidária, em nome das seguintes pessoas físicas e jurídica (fls. 35/40): i) "BSB"; ii) Denio Losi de Morais, Osvaldino Xavier de Oliveira e Victor Eickhoff Cortopassi, todos sócios administradores da "BSB"; e iii) Renato Salles Cortopassi e Roberto Cortopassi Júnior, sócios administradores da "WRJ". 2.6 Em razão dos fatos constatados durante a auditoria fiscal, foi inicialmente duplicado (multa qualificada) e, depois, aumentado de metade (multa agravada) o percentual da multa de ofício, de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.730006/201218 Acórdão n.º 2401003.974 S2C4T1 Fl. 2.735 5 3. Abrangendo o procedimento fiscal o período de 2007 a 2010, os demais lançamentos relativos ao período de 2007 a 2008 fazem parte de processos administrativos específicos. 4. O contribuinte foi cientificado da autuação em 7/12/2012, via postal, conforme fls. 2.396, e impugnou a exigência fiscal (fls. 2.401/2.403, 2.404/2.406, 2.472/2.474 e 2.561/2.563). 5. Quanto às pessoas arroladas como solidárias, igualmente cientificadas em 7/12/2012, por via postal, segundo fls. 2.390/2.395, constam dos autos que a pessoa jurídica "BSB" e as pessoas físicas Denio Losi de Morais e Osvaldino Xavier de Oliveira apresentaram defesa quanto ao vínculo de responsabilidade (fls. 2.431/2.432, 2.413 e 2.450/2.455, respectivamente). 6. Intimada da decisão de piso, via edital, não consta apresentação de recurso voluntário para o contribuinte WRJ Engenharia Ltda (fls. 2.703). 7. Por seu turno, as 6 (seis) pessoas solidárias foram igualmente intimadas do acórdão de primeira instância (fls. 2.653/2.662 e 2.690/2.691). Os recursos voluntários interpostos, conforme fls. dos autos, estão sintetizados na sequência: a) Osvaldino Xavier de Oliveira i) ciência da decisão de primeira instância em 21/10/2013, por via postal (fls. 2.661/2.662); ii) recurso voluntário interposto em 12/11/2013 (fls. 2.677/2.689); iii) o peticionante afirma que nem mesmo a empresa "BSB", da qual é sócio administrador, deveria ter sido incluída como devedora solidária, haja vista inexistir relação com a "WRJ", não se enquadrando a situação descrita pela fiscalização nas hipóteses de sucessão tributária enumeradas pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN); iv) ainda que "BSB" pudesse ser considerada uma continuação dos negócios da "WRJ", os sócios daquela somente poderiam ser chamados à solidariedade passiva quando demonstrado que agiram com excesso de poder, infração à lei ou ao estatuto social, ou mesmo que contribuíram para a dissolução irregular da sociedade, conforme previsão contida no art. 135 do CTN; v) na hipótese de sucessão tributária, a sujeição passiva seria apenas subsidiária, e não solidária; vi) dada a cobrança de créditos tributários apurados no período de 2007 a 2008, devese atentar para o prazo decadencial estabelecido no § 4º do art. 150 do CTN; e Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.730006/201218 Acórdão n.º 2401003.974 S2C4T1 Fl. 2.736 6 vii) o erro na identificação do sujeito passivo pela fiscalização implica a existência de vício formal no procedimento. b) Denio Losi de Morais i) ciência da decisão de primeira instância em 20/11/2013, por via postal (fls. 2.690/2.691); ii) recurso voluntário interposto em 13/12/2013 (fls. 2.692/2.702); iii) os créditos tributários constituídos pela fiscalização são estranhos a sociedade de que faz parte, a "BSB"; iv) em decorrência do princípio da entidade, o patrimônio de uma sociedade não se confunde com aquele dos seus sócios ou proprietários; v) ao inexistir sucessão de empresas, eis que a "WRJ" subsiste, permanece os débitos tributários como obrigações de responsabilidade de cada sociedade empresarial; vi) a escrituração contábil, no período de 2007 e 2008, demonstra a existência de lucros acumulados e de lucros nos respectivos exercícios sociais, de maneira que a distribuição do lucro foi realizada de forma proporcional a participação de cada um dos sócios no capital social; e vii) a legislação tributária concede isenção de contribuição previdenciária sobre os lucros distribuídos, sendo que os lançamentos contábeis nos livros diários e razão indicam pagamentos a título de prólabore (conta 2.1.9.1.01.0001) e distribuição de lucros (conta 2.4.3.2.01.0001). É o relatório. Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.730006/201218 Acórdão n.º 2401003.974 S2C4T1 Fl. 2.737 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 8. Como sabido, a Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, assim como o enunciado da Súmula nº 71 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf)1, reconhecem o direito de as pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis tributários na autuação fiscal apresentarem impugnação e recurso sobre a exigência do crédito tributário e/ou o respectivo vínculo de responsabilidade. O prazo é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tem ciência do ato administrativo. 9. Juntados aos autos consta a interposição de recurso voluntário apenas por Denio Losi de Morais e Osvaldino Xavier de Oliveira, sócios da "BSB". 10. Uma vez satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos recursos voluntários, deles tomo conhecimento. Sujeição passiva solidária 11. Tendo em vista que as impugnações dos responsáveis tributários versavam, exclusivamente, sobre o respectivo vínculo de responsabilidade, as questões não provocadas a debate na primeira instância por meio da peça vestibular, arguidas pelos recorrentes somente na fase recursal, constituem matérias preclusas, vedada a sua análise, como regra, pelo Colegiado "ad quem", por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição que orienta o processo administrativo fiscal (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). 12. De modo que a análise recursal ficará restrita à questão do vínculo de responsabilidade. Denio Losi de Morais e Osvaldino Xavier de Oliveira 13. Nessa matéria, quanto ao vínculo de responsabilidade, analiso em conjunto os recursos voluntários interpostos por Denio Losi de Morais e Osvaldino Xavier de Oliveira, sócios da "BSB", considerando a identidade dos fatos relatados pela fiscalização e a semelhança da linha argumentativa usada nas respectivas peças defensórias em grau recursal. 14. As normas de responsabilização pessoal de terceiros, os quais ocupam a condição de sócios administradores de empresas, são de aplicação excepcional, visto que a 1 Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.730006/201218 Acórdão n.º 2401003.974 S2C4T1 Fl. 2.738 8 regra é a responsabilidade tributária da pessoa jurídica, e não das pessoas físicas que praticam os atos de gestão empresarial. 15. À luz da fundamentação que acompanha o relatório fiscal, a solidariedade passiva decorreria da conivência dessas pessoas físicas com atos simulados envolvendo a constituição da "BSB", no ano de 2010, bem assim com a prática de condutas fraudulentas, dentre elas, as direcionadas ao pagamento "por fora" para os seus segurados empregados. 16. Nesse cenário normativo, e atento aos termos da imputação fiscal, a qual ampara a responsabilidade tributária dos sócios no disposto no inciso I do art. 124 e/ou no inciso III do art. 135 do CTN, interpreto como insuficiente o conjunto carreado aos autos para sustentar a sujeição passiva solidária das pessoas físicas retromencionadas, porquanto não há provas que praticaram atos de gestão na "WRJ". 17. Com efeito, quanto ao inciso I do art. 124 do CTN, está assim redigido: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (grifouse) (...) 17.1 Da acusação fiscal, verifico que não há demonstração de haver o "interesse comum" no fato jurídico tributário, isto é, que as pessoas físicas, sócios da "BSB", participaram da realização, por ação ou omissão, dos fatos geradores que dão suporte a exigência fiscal relativamente ao período de 2009 e 2010, vinculados que estão esses fatos geradores a situações relacionadas à "WRJ". 17.2 Dessa forma, é evidente a ausência dos elementos de conexão eleitos pelo legislador para a caracterização da solidariedade de fato. 18. No que tange à responsabilidade dos administradores das pessoas jurídicas de direito privado prevista no inciso III do art. 135 do CTN, reproduzo abaixo o texto do perceptivo legal: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (grifouse) (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 18.1 Segundo depreendese da lei, o administrador é posto no polo passivo da relação tributária com a finalidade de responder pelo crédito tributário verificado na pessoa jurídica administrada, dada a constatação da prática de atos ilícitos quando da gestão da empresa na qual atua. Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.730006/201218 Acórdão n.º 2401003.974 S2C4T1 Fl. 2.739 9 18.2 Vale dizer que os atos que geram a responsabilidade tributária são causa do nascimento de obrigação tributária em nome da pessoa jurídica que o sócio exerce as atribuições de administração. 19. Porém, as condutas descritas pela fiscalização para sustentar a responsabilidade tributária dos sócios da "BSB" estão associadas ao surgimento das obrigações tributárias em nome do contribuinte "WRJ", relativamente a fatos geradores apurados nos anos de 2009 e 2010. 20. É certo que as irregularidades descritas pela fiscalização na "BSB" poderão implicar a responsabilidade de seus sócios, quando comprovado que as pessoas físicas, no exercício da administração da pessoa jurídica, praticaram atos ilícitos. Contudo, neste caso, a sujeição passiva alcançará apenas o crédito tributário vinculado aos atos de gestão da "BSB". 21. Assim, merece reforma a decisão colegiada de piso, para afastar o vínculo de responsabilidade de Denio Losi de Morais e Osvaldino Xavier de Oliveira, sócios da "BSB". Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos recursos voluntários e DARLHES PROVIMENTO para afastar o vínculo de responsabilidade atribuído a Denio Losi de Morais e Osvaldino Xavier de Oliveira, sócios da "BSB", mantido integralmente o crédito tributário lançado pela fiscalização. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001134/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA.
O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime torna-se obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral.
PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA.
São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizar-se de evidências narradas em inquérito policial.
CRIAÇÃO DE EMPRESAS DE FACHADA COM QUADRO SOCIAL COMPOSTO DE "LARANJAS".
Representa fraude tributária a criação de pessoa jurídica optante pelo Simples, registrada em nome de "laranjas", unicamente com o fim de formalizar mão-de-obra utilizada por empresa submetida à sistemática normal de pagamento de tributos, de modo a reduzir o recolhimento das contribuições sociais.
PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE TRIBUTÁRIA. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO.
Verificando-se a ocorrência de fraude tributária, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS.
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único sobre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias.
GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada.
Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas.
Recursos Voluntários Providos em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência. E, no mérito, dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluí-lo do polo passivo do lançamento, e, para os demais, negar-lhes provimento.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime tornase obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA. São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizarse de evidências narradas em inquérito policial. CRIAÇÃO DE EMPRESAS DE FACHADA COM QUADRO SOCIAL COMPOSTO DE "LARANJAS". Representa fraude tributária a criação de pessoa jurídica optante pelo Simples, registrada em nome de "laranjas", unicamente com o fim de formalizar mãodeobra utilizada por empresa submetida à sistemática normal de pagamento de tributos, de modo a reduzir o recolhimento das contribuições sociais. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE TRIBUTÁRIA. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de fraude tributária, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma encartada no inciso I do art. 173 do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 11 34 /2 00 8- 11 Fl. 14697DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único sobre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias. GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada. Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas. Recursos Voluntários Providos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e a decadência. E, no mérito, dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluílo do polo passivo do lançamento, e, para os demais, negarlhes provimento. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 14698DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.698 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.569 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.181.8854. Lançamento A lavratura em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho acrescida de adicional para custeio da aposentadoria especial. Os fatos geradores contemplados no lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada no período fiscalizado. Conforme o relato do fisco, a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Alerta o fisco que as contribuições descontadas dos segurados foram recolhidas e que a cota previdenciária contida nos recolhimentos efetuados sob a sistemática do Simples foi considerada na apuração. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas João Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patrícia Buzolin Mozaquatro. Foram Fl. 14699DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãode obra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurando lhes o exercício do direito de defesa. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” Impugnações As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência, que teria se dado mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. Fl. 14700DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.699 5 A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía com o Grupo Mozaquatro era o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Eis a ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 PRAZO DECADENCIAL. INICIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal. SIMPLES. EXCLUSÃO. IRREGULARIDADES. Eventual argüição de irregularidades ocorridas na exclusão do SIMPLES devem ser formuladas nos autos do processo que trate dessa exclusão, não importando tal possibilidade, em óbice ao lançamento de contribuições decorrentes da exclusão, nem ao prosseguimento do processo administrativo fiscal decorrente. MULTA. A multa aplicada encontrase fundamentada na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e eventuais Fl. 14701DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 modificações decorrentes das alterações legislativas supervenientes poderão ser realizadas no momento do pagamento ou parcelamento. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTANCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instancia administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE. Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo, assegurandose o contraditório e a ampla defesa aos litigantes, só se podendo falar na existência de litígio após a impugnação do lançamento. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o principio da substância sobre a forma. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo auditorfiscal da RFB. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua previsão legal e à necessidade formação da convicção da autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão, da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Fl. 14702DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.700 7 Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim, não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. As contribuições relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4.º do art. 150 do CTN. A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo ao direito de defesa da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Fl. 14703DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que recolhera as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. Esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, mediante a Resolução n.º 2401000.373, de 15/05/2014. Ali requereuse que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem informasse acerca da cientificação da recorrente do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal. Foi apensado ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, que trata da exclusão da empresa do regime tributário do Simples Federal. Conforme despacho à fl. 72 do mencionado processo, a empresa foi cientificada em 01/07/2008 do Ato Declaratório de Exclusão n.º 59/2008 de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), e não se manifestou dentro do prazo regulamentar. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência. Nova diligência foi determinada para que os devedores fossem cientificados da informação fiscal relativa à diligência anterior. Conforme despacho de fl. 14.694, a irregularidade processual foi saneada. Não houve a apresentação de novas manifestações pela empresas arroladas no polo passivo. É o relatório. Fl. 14704DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.701 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. O lançamento Conforme relatado, o lançamento referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da notificada. A ocorrência dos fatos geradores de contribuições é incontroversa, posto que a empresa declarou em GFIP as remunerações e recolheu a contribuição dos segurados, deixando de adimplir as contribuições da empresa, por se valer da opção pelo Simples. Do relatório se extrai que em 10/06/2008 o sujeito passivo foi excluído do regime simplificado por exercer atividade incompatível. A exclusão do Simples, com efeitos retroativos a 11/06/2003, deuse mediante o Ato Declaratório Executivo ADE n.º 59, de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), que compõe o processo n.º 16004.000454/200846, o qual foi apensado ao processo sob apreciação. Observase que a empresa foi cientificada da sua exclusão do Simples em 01/07/2008, não tendo se manifestado no prazo regulamentar. Assim, ocorreu o trânsito em julgado do processo de exclusão, não cabendo a essa turma discutir sobre as questões ali tratadas. Considerandose que a única alegação questionado as contribuições lançadas referiuse à possível falta de ciência do contribuinte do ADE n.º 59, a verificação do processo de n.º 16004.000454/200846 elimina qualquer dúvida acerca da regularidade da intimação da exclusão da empresa do Simples Federal. Tal constatação me leva a concluir que as contribuições lançadas são devidas, uma vez que o principal efeito da exclusão do regime simplificado é tornar obrigatório para o sujeito passivo o recolhimento dos tributos dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. Nulidade utilização de provas obtidas em procedimento de busca e apreensão As principais conclusões do fisco acerca da responsabilidade tributária de terceiros para com o crédito lançado foram lastreadas em provas documentais obtidas em procedimentos de busca e apreensão levados à efeito na "Operação Grandes Lagos" pela Polícia Federal, Receita Federal e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Fl. 14705DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 As recorrentes alegam que essas provas seriam inválidas e contaminariam todo o procedimento fiscal, acarretando na nulidade do lançamento. Alegase que, não tendo o Poder Judiciário dado a palavra final sobre a lisura do procedimento de colheita de provas no inquérito policial, os papéis ali obtidos não poderiam ter sido utilizados para fundamentar a lavratura fiscal. Não vejo como dar razão às recorrentes, posto que o fisco federal obteve autorização para extrair cópias dos documentos relativos ao processo de busca e apreensão. Não há dúvida que se a administração tributária foi oficiada pelo juízo processante a lançar as contribuições devidas em razão da fraude descoberta a partir de diligências policiais, nada mais natural de que ao fisco, para fundamentar o lançamento, fosse permitida a utilização das provas obtidas em procedimentos de busca e apreensão. Acerca dos elementos obtidos para subsidiar a ação fiscal, o fisco assim se pronunciou no Relatório de Grupo Econômico (Anexo I): "1.2.1 DOS MANDADOS JUDICIAIS NA SEGUNDA BUSCA E APREENSÃO PROCESSO N° 2007.61.24.0012673 Em conseqüência da resistência imotivada dos responsáveis pela contabilidade (na investigação inicial foram identificados como "colaboradores") e dos contribuintes —pessoas jurídicas e físicas envolvidos no Grupo Mozaquatro, em atender as requisições do fisco federal, no curso das auditorias em andamento iniciadas por força da demanda judicial foram solicitadas buscas autorizada pelo Poder Judiciário da 16.ª Vara Federal de Jales e através do processo n° 2007.61.24.0012673 em curso, foram expedidos MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO, para cumprimento em 05/10/2007, nos seguintes locais: (...) Efetuadas as buscas e apreensões, acompanhando os Mandados e o Auto Circunstanciado, foram juntados: Termos de Retenção; Nota Técnica de Autenticação —Arquivos Magnéticos; Termo de Recibo de Arquivos Digitais; Termo de Declaração, Retirada de Elementos e Lacração, referentes informações colhidas em HD ("hard disc") de computadores e documentos retidos para análise. (União doc.fls. 918 a 941 e CM4 doc.fls. 946 a 964)." Notase assim que os elementos utilizados pelo fisco para embasar o lançamento foram obtidos regularmente, sendo lícito que, dentre as provas consideradas na acusação fiscal, algumas fossem extraídas peças do inquérito policial. Todo esse conjunto probatório foi posto à disposição das pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo do lançamento, não havendo o que se falar em atropelo ao princípio do contraditório, posto que todos os interessados puderam se contrapor aos aspectos fáticos e jurídicos apresentados no relatório fiscal. Muito bem lembrado pela decisão recorrida que o procedimento fiscal é fase que precede o contencioso e ocorre a pratica dos atos de oficio necessárias à verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo e, se cabível, a constituição do crédito tributário e/ou aplicação de penalidades. Fl. 14706DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.702 11 O procedimento fiscal caracterizase como etapa oficiosa ou não contenciosa, onde a autoridade administrativa coleta dados, examina documentos, solicita esclarecimentos do contribuinte, procede à auditagem dos dados contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária. Os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização não havendo que se falar em processo. Qualquer intervenção do contribuinte tem caráter de mero cumprimento de obrigação informativa. Com a ciência do contribuinte do lançamento tributário, encerrase a fase inquisitória e, caso o contribuinte não concorde com o resultado do trabalho fiscal, tem a faculdade de dar início ao contencioso mediante a apresentação da impugnação. Nesse sentido, somente há de se falar em cerceamento ao direito de defesa quando o fisco não apresenta ao sujeito passivo a descrição fática da situação que deu ensejo ao lançamento e as provas que foram utilizadas para tal mister, impossibilitando o contribuinte de compreender a imputação na sua inteireza. Não assiste razão ao sujeito passivo quando alega a nulidade do procedimento fiscal, em razão da utilização de prova emprestada. A jurisprudência do CARF tem afastado esse entendimento como se pode ver da ementa do Acórdão n.º 2301004.269, de 04/12/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. (...) Oportuno ainda esclarecer que o fato da ação penal contra os responsáveis pela empresa não ter tido trânsito em julgado, não invalida a citação pelo fisco de trechos de relatório do inquérito policial. Embora as instâncias penais e tributárias não se confundam, a utilização de elementos do procedimento policial para fundamentar o lançamento é plenamente aceitável, desde que todos os fatos narrados e as provas produzidas sejam apresentadas pelo fisco ao sujeito passivo, de modo que este possa se defender com amplitude. Afasto, portanto, a nulidade suscitada. Decadência Na alegação recursal acerca da decadência, afirmase que a norma a ser aplicada para contagem do prazo decadencial seria o § 4.º do art. 150 do CTN, uma vez que o fisco não teria demonstrado a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Fl. 14707DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 O órgão de primeira instância não aderiu a essa tese, ao contrário, entendeu ter havido fraude, dolo e simulação, posto que o fisco teria comprovado que a empresa autuada foi criada com o intuito de absorver parte da mãodeobra de empresas sujeitas à sistemática comum de pagamento de tributos, reduzindo assim o recolhimento das contribuições. Vamos à peça de acusação. Ali o fisco mencionou explicitamente que a autuada seria integrante de um grupo econômico de fato que atuava com o intuito de fraudar a Fazenda. No caso da empresa autuada, alegase que foi criada em nome de "laranjas", exclusivamente para prestar serviços para a empresa Indústrias Reunidas CMA, que se utilizava da mãodeobra daquela para reduzir o recolhimento de contribuições sociais, uma vez que os trabalhadores eram registrados na empresa indevidamente optante pelo Simples (a autuada). Para demonstrar que a Comercial Reis era de fato uma empresa de fachada, o fisco utilizou os argumentos que agora reproduzo: a) a autuada prestava serviços exclusivamente para a Indústria CMA, conforme comprovam as notas fiscais e demonstrativos acostados; b) as informações da Comercial Reis declaradas na GFIP foram enviadas pela encarregada do Departamento de Pessoal da CMA; c) declarações de vários empregados registrados formalmente pela autuada, mas que revelaram que de fato eram vinculadas à CMA. Adicionalmente, informase que o Sr. José Roberto Barbosa, sócio da Comercial Reis, aparece como empregado da CMA antes e depois do período de atividade daquela, o que é mais um forte indício da interligação entre as empresas. Diante das evidências apresentadas, as quais não foram consistentemente rebatidas nos recursos, sou forçado a reconhecer que a situação apresentada de fato configura o tipo previsto no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, assim redigido: "Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." De fato, a interposição de empresa optante pelo Simples, constituída em nome de terceiros, como forma de reduzir o recolhimento das contribuições sociais inegavelmente caracteriza a fraude tributária prevista no preceptivo acima. Tendo concluído pela ocorrência de fraude, passo a ponderar sobre a suposta perda do fisco de constituir o crédito em razão da caducidade. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Fl. 14708DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.703 13 Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Assim, verificase que a DRJ, diante da constatação da fraude tributária, procedeu corretamente à contagem do prazo decadencial, fixando o marco de cinco anos do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento (inciso I do art. 173 do CTN). Esse entendimento inclusive é corroborado pelo STJ, conforme se vê do AgRg no AgRg no AREsp 451350 / MG (Primeira Turma, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 01/07/2014). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. ICMS. PARECER TÉCNICO UNILATERAL. APRESENTAÇÃO INOPORTUNA.FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 535 Fl. 14709DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ART. 173, I, DO CTN. 1. O Tribunal de origem, para decidir que o autor não se desincumbiu do ônus probatório, assentou que a produção de prova técnica deve observar procedimento próprio, sendo inoportuna a apresentação do parecer unilateral. Esse fundamento, que é autônomo e suficiente para a manutenção do acórdão recorrido, não foi especificamente impugnado nas razões do recurso especial, o que atrai o óbice da Súmula 283/STF. 2. Constatado que a Corte de origem empregou fundamentação suficiente para dirimir a controvérsia, tal como delineada na exordial, é de se afastar a alegada violação do art. 535 do CPC. 3. "O prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, caso tenha havido dolo, fraude ou simulação por parte do sujeito passivo, tem início no primeiro dia do ano seguinte ao qual poderia o tributo ter sido lançado" (REsp 1.086.798/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 24/04/2013). No mesmo sentido: REsp 1.340.386/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 08/03/2013; AgRg nos EREsp 1.199.262/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 07/11/2011; AgRg no REsp 1.044.953/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 03/06/2009. 4. Agravo regimental não provido. (grifei) Encaminho, portanto, por afastar a decadência suscitada, uma vez que a ciência mais tardia aos devedores, efetuada por edital, ocorreu em 30/12/2008, ou seja, quinze dias após a sua publicação, conforme preceitua o inciso IV do § 2.º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/1972. Considerandose que o período do lançamento foi de 07/2003 a 12/2005, não há decadência a ser reconhecida em 30/12/2008. Responsabilidade solidária As fundamentações fática e jurídica para vincular pelo laço da solidariedade passiva as empresas e pessoas físicas listadas no relatório fiscal encontramse detalhadas no Anexo I, denominado Relatório de Grupo Econômico de Fato Grupo Econômico Mozaquatro. Passamos a relatar os principais fatos narrados no citado relatório, na parte que interessa para a solução da presente lide. Ali informase que, desde o ano de 2001, a Administração Tributária Federal vinha recebendo denúncias de um grandioso esquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, mormente nos municípios de Jales e Fernandópolis. Para averiguar os fatos denunciados, foram abertas ações fiscais que culminaram com a lavratura de inúmeros autos de infração, todavia, os créditos tributários não eram satisfeitos em razão das empresas, nem seus sócios, possuírem qualquer patrimônio. Daí Fl. 14710DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.704 15 surgiram evidências de que o quadro societário das empresas era composto por "laranjas", que se reportavam aos verdadeiros donos dos negócios. No final do ano de 2005, a Receita Federal solicitou apoio da Polícia Federal para o aprofundamento das investigações com vistas a identificar os reais proprietários das empresas e desbaratar as quadrilhas especializadas em sonegação fiscal. Citase que o inquérito policial decorrente deu ensejo à representação ao Poder Judiciário, que culminou com a expedição de mandados de busca e apreensão necessários à deflagração da "Operação Grandes Lagos". No decorrer da investigação policial foram identificados vários núcleos de atuação da suposta quadrilha, sendo que a empresa autuada compunha o chamado "Núcleo Mozaquatro", cuja forma de atuação foi assim descrita no relatório da Polícia Federal: "O Núcleo Mozaquatro é voltado principalmente à prática de crimes fiscais e contra a organização do trabalho. Seu "modus operandi" consiste me constituir empresas em nome de "laranjas" através dos quais movimenta a maior parte do faturamento do grupo sem pagar os tributos incidentes sobre as operações. Outras empresas, também abertas em nome de "laranjas", tem como objetivo servir de anteparo entre o grupo e ações trabalhistas movidas por seus empregados, através de contratos simulados de fornecimento de mãodeobra, crime que detalharemos mais adiante. Há evidências da prática de crime de estelionato contra a Fazenda Pública, num esquema de liberação de créditos de ICMS que não são devidos à empresa." Mais adiante o fisco passa a mencionar trechos do relatório policial, onde são tratadas as participações das pessoas físicas que seriam os "chefes" da organização, os quais gozariam de autonomia ampla de dariam a palavra final em todos os negócios do grupo. Eis a transcrição: "...Já o Grupo Mozaquatro tem quatro: Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzlin Mozaquatro, Patrícia Buzlin Mozaquatro e João Pereira Fraga. É nítida, no entanto, a ascendência do primeiro sobre os demais, em que pese todos serem proprietários dos negócios da quadrilha e gozarem de autonomia decisória no subgrupo que comandam. Marcelo e Patrícia, por exemplo, gozam de autonomia sobre a empresa Friverde; João Pereira Fraga, decide sobre os negócios da empresa Coferfrigo de Fernandópolis. Ambas são empresas colocadas em nomes de "laranjas". Apesar de todos serem considerados "cabeças", Alfeu coordena as atividades, ao passo que Marcelo e Patrícia a gerenciam. O que todos têm em comum é o fato de serem os donos do empreendimento e os principais beneficiários das fraudes (...)". Continuando o fisco afirma que a empresa CM4 Participações Ltda, empresa ostensiva do Grupo Mozaquatro, arrendava suas instalações industriais frigoríficas para as empresas constituídas em nome de "laranjas", de modo a evitar que os bens fossem penhorados em eventuais ações fiscais e trabalhistas. Fl. 14711DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 Alega que os idealizadores do esquema fraudulento eram os membros da família Alfeu, seus filhos Patrícia e Marcelo, além do cunhado Djalma Buzolin. Ao lado desses é citado também João Pereira Fraga. Segundo o fisco, todos participavam ativamente da administração de todas as empresas abertas em nome de sócios de fachada. Na sequência, narrase a participação das pessoas físicas chamadas a responder pelo débito. Eis o trecho do relatório: "Alfeu Crozato Mozaquatro oficialmente é proprietário da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação), Mapra Veículos e Peças Ltda (com 99% de participação), Indústrias Reunidas CMA Ltda (com 95% de participação) e CMA Indústria de Subprodutos Bovinos Ltda (com 10% de participação). Marcelo Buzolin Mozaquatro oficialmente consta como sócio da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação), como sócioadministrador da M4 Logística Ltda e como administrador das Indústrias Reunidas CMA Ltda (sem participação no capital social). Patrícia Buzolin Mozaquatro consta como sócia da CM4 Participações Ltda (com 20% de participação) e como administradora das Indústrias Reunidas CMA Ltda (sem participação no capital social). Extraoficialmente, Alfeu, Patrícia e Marcelo são também proprietários das empresas Coferfrigo, Friverde, Transverde, Mega Boi, Caromar, Nogueira e Poggi, Pedretti e Magri, Wood Comercial e Atual Carnes, todas colocadas em nomes de sócios "laranja". Alfeu foi também proprietário de outras empresas abertas em nomes de" laranjas", como o Frigorífico Boi Rio, a Comercial de Carnes Boi Rio e a Distribuidora São Luiz (...)" O fisco relata ainda que o grupo lançou mão de empresas criadas em nome de interpostas pessoas, geralmente seus exempregados, com a finalidade exclusiva de executar a prestação de serviços nas atividadesfim dos frigoríficos. Essas empresas, ao dissimular seu verdadeiro objeto social optaram irregularmente pelo Simples. Nesse contexto, situase a Comercial Reis de Bovinos (a autuada), a qual foi criada exclusivamente para fornecer mãode obra para as Indústrias Reunidas CMA Ltda, substituindo a empresa Frigorífico Caromar que anteriormente cumpria essa função. Acerca da autuada, informase que a mesma não foi inicialmente objeto de investigação na fase preliminar no inquérito policial, todavia, no curso da ação fiscal verificou se a sua ligação com o Grupo Mozaquatro, posto que registrada em nome de José Roberto Barbosa, que já havia atuado como sócio de fachada em outra empresa do Grupo (Coferfrigo), e Nilza Alves Reis, cônjuge de Nelson Pimenta dos Reis, exempregado das Indústrias Reunidas CMA Ltda. Afirmase que esta empresa atuou no período de 07/2003 a 11/2005 com uma média de 70 empregados exclusivamente para fornecer mãodeobra para a empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O fisco cita ainda uma condenação trabalhista sofrida pela CMA em reclamação postulada por empregado da Comercial Reis. Fl. 14712DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.705 17 Citase também que a empresa de contabilidade Contábil União Ltda atendia, além das empresas registradas em nome dos membros da família Mozaquatro, àquelas constituídas pelo Grupo Mozaquatro em nome de terceiros. A partir dos fatos apresentados, a auditoria fiscal passa a vincular as empresas integrantes do Grupo Mozaquatro como responsáveis solidárias, com base no inciso II do art. 124 do CTN combinado com o IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. São citados ainda dispositivos da CLT e da Lei n.º 6.404/1976 para reforçar o conceito de grupo econômico. Por fim, é apresentado um conjunto de decisões administrativas tratando de responsabilidade solidária para empresas integrantes de grupo econômico. a) Responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Além do contribuinte, o CTN prevê a possibilidade de que possam ser incluídas como responsáveis pela satisfação do crédito tributário outras pessoas que são tratadas ali como responsáveis. Esses responsáveis em determinadas situação podem ser colocados no polo passivo da relação jurídica tributária como devedores solidários e, nesses, casos o fisco pode exigir o cumprimento da obrigação tanto do contribuinte como do responsável. Essa situação encontrase delineada no art. 124 do Códex Tributário, onde se prevê duas formas de solidariedade, uma decorre do interesse comum na situação que configura o fato gerador (solidariedade de fato), a outra depende unicamente da vontade do legislador que pode estabelecer em lei hipóteses em que um terceiro pode ser chamado a responder solidariamente com aquele que realizou fato gerador, o contribuinte (solidariedade legal). A redação do dispositivo é a seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Para as contribuições previdenciárias, o legislador achou por bem criar a responsabilidade solidária entre as empresas integrantes de grupo econômico Essa norma encontrase inserta no art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Fl. 14713DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Diante dessa conclusão, o primeiro passo para se verificar a existência da solidariedade no caso concreto é se concluir acerca da existência de grupo econômico entre as empresas arroladas. A lei previdenciária não traz o conceito do que seja grupo econômico, mas é possível localizálo na lei trabalhista, onde o § 2º, do artigo 2º, da CLT, ao tratar da matéria, é por demais enfático ao positivar: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Da conjugação dos dispositivos citados, é possível inferir que a caracterização de grupo econômico não pressupõe necessariamente que as empresas envolvidas tenham constituído formalmente um conglomerado econômico. A solidariedade em questão requer tão somente que empresas, mesmo que de fato, estejam submetidas a um comando unificado e atuem no sentido de juntar esforços visando a um ganho para todo o grupo. No caso sob testilha, verificase que a autuada foi criada em nome de pessoas que serviam apenas de anteparo para encobrir os reais proprietários do negócio, tendo feito a opção pelo Simples com o único intuito de ceder mãodeobra para a empresa Indústria Reunidas CMA, a qual pertence de fato e de direito à família Mozaquatro, que efetivamente dirige os empreendimentos. A farta documentação colacionada permite a afirmação segura de que a Comercial Reis era uma das empresas de fachada criada para favorecer a supressão do pagamento de tributos por parte do grupo econômico de fato composto por empresas ostensivas e por empresas constituídas em nome de "laranjas". As evidências são muitas. Utilização de estrutura administrativa única, o que é demonstrado pela envio das declarações da autuada por empregada da CMA; sócios que pertenciam ao quadro funcional da CMA antes de depois do funcionamento da Comercial Reis, empregados desta que declararam que efetivamente trabalhavam para a empresa formalmente pertencente ao Grupo Mozaquatro. Todos os fatos narrados no Relatório de Grupo Econômico (Anexo I), onde está evidenciada toda interligação entre as diversas empresas integrantes do Grupo Mozaquatro, deixamme à vontade para concluir pela existência de grupo econômico de fato. Fl. 14714DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.706 19 Tal constatação inexoravelmente implica na conclusão de que a responsabilidade solidária atribuídas às pessoas jurídicas é procedente, devendo ser mantido o que ficou decidido na DRJ quanto a essa questão. a) Responsabilidade solidária das pessoas físicas Foram arroladas na condição de devedoras solidárias as pessoas físicas Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e João Pereira Fraga. A fundamentação jurídica para incluílos no polo passivo diverge daquela utilizada para vincular as empresas. Aqui nos Termos de Sujeição Passiva lançouse mão de dois dispositivos do CTN, quais sejam o inciso I do art. 124 e o inciso III do art. 135, os quais passo a transcrever: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A luz da doutrina e da jurisprudência não vejo como se possa atribuir a responsabilidade solidária a um sócio ou administrador meramente com base no inciso I do art. 124 do CTN, o qual exige interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A apreciação dessa questão envolve a pesquisa do que o legislador quis atribuir ao que chamou "interesse comum". Pareceme que para a doutrina majoritária o significado do termo vinculase ao interesse jurídico, não ao mero interesse econômico. Nesse sentido os interessados devem ser partícipes da mesma relação jurídica, a qual no caso do Direito Tributário referese à formação do ato que dá ensejo à obrigação tributária. Explicando melhor, uma sociedade quando pratica o fato gerador faz nascer uma relação jurídica entre ela e a Fazenda, passando a ser sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo. O mesmo não se pode dizer do sócio, posto que este não faz parte da relação tributária, portanto, não é correto afirmar que a pessoa física integrante do quadro social da empresa possua "interesse comum" na situação que configure o fato gerador. Percebese assim que, embora o sócio possua interesse econômico na consecução dos fins empresariais, não há de sua parte o interesse jurídico exigido para caracterizar a solidariedade tratada no inciso I do art. 124 do CTN. Fl. 14715DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 O mestre Rubens Gomes de Souza não me deixa falando sozinho, quando leciona sobre o tema: "São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador." (SOUSA, Rubens Gomes de. Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed. 1960, p 67) A jurisprudência também caminha nesse sentido, como se pode observar de decisão do Egrégio STJ onde fica patente o entendimento de que o interesse econômico de uma pessoa quanto à ocorrência do fato gerador é insuficiente para caracterizar a solidariedade prevista no inciso I do art. 124 do CTN. Vejamos: "Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível." STJ REsp 884845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIM EIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009 Feitas essas considerações, entendo que deva ser afastada a responsabilidade solidária das pessoas físicas arroladas pelo fisco feita com base no inciso I do art. 124 do CTN. Passo agora a apreciar a outra fundamentação legal lançada nos Termos de Sujeição Passiva. O inciso III do art. 135 do CTN, que trata de responsabilidades de terceiros, vincula como responsáveis pelo crédito os diretores, gerentes ou representantes das empresas, quando a obrigação de pagar o tributo decorrer de atos praticados com excesso de poderes ou mediante infração à lei ou aos atos constitutivos da sociedade. No presente lançamento observase claramente que houve burla à lei comercial e à lei tributária na constituição da empresa Comercial Reis Ltda em nome de sócios de fachada, com opção por um regime tributário que vedava a inclusão de empresas dedicadas à cessão de mãodeobra. Não há dúvida também de que a administração da empresa autuada era feita em evidente afronta ao seu contrato social da autuada, posto que as pessoas que efetivamente geriam o negócio eram estranhas ao seu quadro social e não constavam como seus mandatários ou prepostos. Assim, de acordo com a jurisprudência do CARF, é certo que nesses casos cabe a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. Fl. 14716DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.707 21 O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ART. 132 DO CTN. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA NA CISÃO PARCIAL. Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. EMPRESAS SOB CONTROLE COMUM. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 1402001.601, de 11/03/2014 ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A possibilidade de se defender da imputação de responsabilidade na fase administrativa concretiza, ao responsabilizado, a ampla defesa, impedindo que ela fique restrita à defesa judicial, via embargos à execução, numa eventual execução do título representado pela Fl. 14717DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 22 CDA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Pessoa física que não consta do contrato social mas que era seu administrador de fato, conforme demonstrado mediante prova indireta, responde pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A não observância da norma que impõe que todas as obrigações da sociedade devem ser cumpridas antes da sua extinção enquadra o ato como sendo uma dissolução irregular, constituindo infração de lei, a legitimar a atribuição da responsabilidade nos termos do art. 135, III, do CTN. Acórdão n.º 1301001.536, de 03/06/2014 A luz do entendimento de que os terceiros podem ser chamados a responder pelo crédito tributário na hipótese do inciso III do art. 135 do CTN e que a situação sob análise pede a aplicação deste dispositivo, devemos nos debruçar sobre a posição de cada uma das pessoas físicas arroladas pelo fisco, de modo a decidir se é cabível a atribuição de responsabilidade imputada. a) Alfeu Crozato Mozaquatro É apontado como o líder do Grupo, que é sócio de direito da empresa Indústrias Reunidas CMA, a qual foi a beneficiária da criação da Comercial Reis em nome de "laranjas" e exclusivamente para lhe ceder mãodeobra. É evidente que a atuação de Alfeu Mozaquatro gerindo empresa criada em nome de sócios de fachada representa atropelo ao ordenamento jurídico, o que caracteriza a fraude tributária já tratada alhures. A gerência de fato da empresa autuada sem o correspondente respaldo no contrato social é, fora de dúvida, ato ilícito que contraria os atos constitutivos da empresa Comercial Reis, atraindo a regra do inciso III do art. 135 do CTN. É justa, portanto, a imputação de responsabilidade tributária a esta pessoa. b) Patrícia e Marcelo Buzolin Mozaquatro Filhos de Alfeu Mozaquatro, foram admitidos como administradores não sócios da Indústrias CMA e participavam da gestão da empresa. Para dar uma ideia da forma como essas duas pessoas atuavam no Grupo Mozaquatro, colo trecho do Relatório Fiscal de Grupo Econômico (Anexo I) Fl. 14718DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 16004.001134/200811 Acórdão n.º 2402004.843 S2C4T2 Fl. 14.708 23 No recurso apresentado não há nenhuma argumentação no sentido de infirmar a narrativa do fisco acerca da participação da família Mozaquatro nos atos de constituição da Comercial Reis em nome de "laranjas". Os autos demonstram cabalmente que Alfeu Mozaquatro e seus filhos Patrícia e Marcelo autuaram como administradores de fato de uma sociedade em que não figuravam formalmente como sócios ou integrantes da administração. Tal fato, conforme já mencionei, é suficiente para vincular os três na condição de devedores solidários, conforme o inciso III do art. 135 do CTN. c) João Pereira Fraga Passo inicialmente a apresentar excerto do Relatório de Grupo Econômico (Anexo I), que trata da atuação de João Pereira Fraga: "4.1.1.2.2. João Pereira Fraga Também é um dos "cabeças" e proprietário de fato da Coferfrigo, beneficiandose das fraudes assim como Alfeu. Segundo apontam as conversas interceptadas, João Pereira Fraga é proprietário da filial da empresa em Fernandópolis, enquanto Alfeu Crozato Mozaquatro é proprietário da filial de São José do Rio Preto. Em que pese ambos serem chefes no esquema, Alfeu tem certa ascendência sobre Fraga. Foi indiciado em dois inquéritos e denunciado em três processos criminais, havendo registro de condenação em dois deles." Observase das afirmações acima e do conjunto dos fatos trazidos ao processo pelo fisco que a atuação de João Pereira Fraga era circunscrita a um dos empreendimentos do Grupo, o Frigorífico Coferfrigo. Portanto, não se pode dizer que este atuou na constituição da empresa autuada, tampouco em sua gestão. Nesse sentido, não se pode atribuir à João Pereira Fraga a responsabilidade prevista no inciso III do art 135 do CTN, posto que não se comprovou que ele Fl. 14719DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 24 tenha incorrido, em relação à empresa fiscalizada, em nenhum ato ilícito contrário à lei ou aos atos constitutivos. Encaminho, portanto, por afastar a responsabilidade solidária atribuída a João Pereira Fraga. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade e a decadência e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso interposto pelo espólio de João Pereira Fraga, para excluílo do polo passivo do lançamento e para os demais negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 14720DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10280.000906/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. PROCESSO PRINCIPAL SEM LITÍGIO INSTAURADO.
Incluem-se na competência residual da 1ª Seção de Julgamento os recursos voluntários interpostos contra exigência de multa isolada por compensação indevida vinculados a processos de restituição/compensação nos quais não foi instaurado litígio administrativo a ser apreciado no âmbito do CARF.
MULTA ISOLADA. DCOMP NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE TERCEIROS.
Havia, desde 1997, uma vedação expressa no caput do art. 74 da Lei 9.430/96, para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiro, sendo que o fato de a legislação posterior enquadrar a situação em tela como uma das hipóteses de compensação não declarada, não significa que já não houvesse tal vedação legal. A Lei 11.051/04 apenas introduziu uma nova qualificação para as DCOMP, ou seja: homologadas, não homolgadas ou não declaradas.
Numero da decisão: 1302-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de incompetência do Colegiado, vencido o Relator, Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, acompanhado pela Conselheira Talita Pimenta Félix, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) por unanimidade de votos, CONHECER o recurso voluntário; e 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix e votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. PROCESSO PRINCIPAL SEM LITÍGIO INSTAURADO. Incluem-se na competência residual da 1ª Seção de Julgamento os recursos voluntários interpostos contra exigência de multa isolada por compensação indevida vinculados a processos de restituição/compensação nos quais não foi instaurado litígio administrativo a ser apreciado no âmbito do CARF. MULTA ISOLADA. DCOMP NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE TERCEIROS. Havia, desde 1997, uma vedação expressa no caput do art. 74 da Lei 9.430/96, para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiro, sendo que o fato de a legislação posterior enquadrar a situação em tela como uma das hipóteses de compensação não declarada, não significa que já não houvesse tal vedação legal. A Lei 11.051/04 apenas introduziu uma nova qualificação para as DCOMP, ou seja: homologadas, não homolgadas ou não declaradas.
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DCOMP não declarada. Recorrente Construtora Bandeirante Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. PROCESSO PRINCIPAL SEM LITÍGIO INSTAURADO. Incluemse na competência residual da 1ª Seção de Julgamento os recursos voluntários interpostos contra exigência de multa isolada por compensação indevida vinculados a processos de restituição/compensação nos quais não foi instaurado litígio administrativo a ser apreciado no âmbito do CARF. MULTA ISOLADA. DCOMP NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE TERCEIROS. Havia, desde 1997, uma vedação expressa no caput do art. 74 da Lei 9.430/96, para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiro, sendo que o fato de a legislação posterior enquadrar a situação em tela como uma das hipóteses de compensação não declarada, não significa que já não houvesse tal vedação legal. A Lei 11.051/04 apenas introduziu uma nova qualificação para as DCOMP, ou seja: homologadas, não homolgadas ou não declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de incompetência do Colegiado, vencido o Relator, Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, acompanhado pela Conselheira Talita Pimenta Félix, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) por unanimidade de votos, CONHECER o recurso voluntário; e 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix e votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 09 06 /2 00 7- 63 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR –Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n˚ 0110.409 da 3ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendario: 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributario, ja que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. como é exemplo a ediçao de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei 11.196/2005). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou corno parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributario Nacional, desde que não tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional nº 45, DOU de 31/12/2004. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendario: 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. A PARTIR DA LEI Nº 10.637/2002. MULTA ISOLADA. A vedaçao legal de compensação de débitos com créditos de terceiros existe desde a edição da Lei n° 10.637/2002, com a alteração da cabeça do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996. Lançamento Procedente. A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 20/05/2008 (comprovante a fls. 180) e interpôs o recurso voluntário, a fls. 181 e segs, em 18/06/2008, no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que a Autoridade Fiscal aplicou multa isolada de 75%, no valor de R$ 1.576.776,54, contra a impugnante, em função de suposta compensação indevida efetuada pela mesma em declaração, vez que formulada com base em créditos de terceiros; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.000906/200763 Acórdão n.º 1302001.760 S1C3T2 Fl. 677 3 b) que Conforme relatado no corpo do Auto de Infração, o contribuinte efetuou compensações através das Dcomp de ns.° 41735.70800.120504.1.3.012001, apresentada cm 12/05/2004, 29836.03335.011204.1.3.04.4051, apresentada em 01/12/2004, e 6138.01589.070404.1.3.010328. apresentada em 07/04/2004; c) que a autoridade competente considerou aquelas não declaradas, sob o argumento do sujeito passivo terse utilizado de créditos de terceiros para embasar o pedido e, por conseguinte, foi aplicada penalidade prevista no artigo 18, parágrafo 4º, da lei n.° 10.833/2003, alterado pela lei n.° 11.051, de 29/12/2004; d) que não apenas a multa isolada em questão é incabível porque divorciada sua aplicação no caso vertente de sua finalidade normativa, como ainda pelo fato de que admitila redundaria em frontal infringência ao principio fundamental da irretroatividade da normatização que passe a tratar como infração tributária conduta que anteriormente não era contemplada desse modo; e) que necessário se fazer uma exposição dos variados instrumentos legais que trataram sobre o tema, e como os mesmos se seguiram no tempo: e.1) que, primeiramente, temse a MP 215835/01, que previa a necessidade de lançamento de oficio, com aplicação de multa de oficio, simples ou qualificada, a todos os casos em que houvesse vinculação indevida a débitos declarados em DCTF: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelameno, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." e.2) que, posteriormente, se seguiu a MP 135/03, convertida na lei 10.833/03, que limitou o lançamento à multa isolada e aos casos de compensação indevida em que houvesse "hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal. de o crédito ser de natureza não tributária", ou em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964", conforme redação a seguir: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835. de 24 de agosto de 2001, limitarseá impocição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática de infração previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. e.3) Era este o quadro que se apresentava até a edição da Lei n.° 11.051, de 2004, que limitou ainda mais a aplicação de multa, agora somente em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964", alterando a redação do artigo 18 "caput" e parágrafos 2° e 4º do artigo 18 da Lei n.° 10.833/2003, que assim restaram redigidos: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 "Art. 18. O lançamento de ofIcio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá imposição de multa isolada em razão nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como basc dc cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipótesers do inciso II do § 12 do art. 74 da n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”; f) que as datas de apresentação das declarações foram: DComp nº 41735.70800.120504.1.3.012001 em 12/05/2004; DComp nº 29836.03335.011204.1.3.04.4051 em 01/12/2004; e DCOMP nº 06138.01589.070404.1.3.01 0328 em 07/04/2004; g) que as transmissões ocorreram antes da publicação da Lei 11.051, de 29.12.2004, aplicandose ao caso concreto, portanto, a legislação anteriormente cm vigor, uma vez que nova lei terá efeito imediato e geral, porém, não atingirá, salvo disposição em contrário, as situações jurídicas definitivamente constituídas, tudo em conformidade com o disposto no artigo 6° da Lei de Introdução ao Código Civil; h) que, à época das compensações realizadas pela recorrente, conforme se verifica pela redação original do artigo 18 da lei 10.833/03, a multa isolada deveria ser infligida somente nos casos em que o procedimento adotado pelo sujeito passivo configurasse sonegação, fraude ou conluio, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, ou que a compensação fosse expressamente vedada por lei, ou ainda que o crédito não tivesse natureza tributária; i) que a Fiscalização não apontou qualquer outra conduta da recorrente que indicasse prática de sonegação, fraude ou conluio por parte da contribuinte; j) que a proibição expressa de se compensar débitos do sujeito passivo corn créditos de terceiros adveio somente com a Lei n° 11.051/2004, logo, não há como se afirmar que a compensação efetuada pelo impugnante fosse expressamente vedada por lei A época em que formalizada perante a Administração; k) que foi citada, no Auto de Infração, a declaração de compensação n.° 37837.42249.100705.17.01.5250, entregue em 10.07.05, retificadora da de n.° 06138.01589.070404.1.3.010328, entregue em 07.04.04, como sendo um dos motivos para o lançamento, em detrimento da original apresentada, porém, de ser considerada, para efeito de determinação da data de entrega, a declaração original, entregue em 07/04/2004, vez que a retificadora serviu para mera alteração formal, conforme pode ser verificado por essa turma em consulta eletrônica a ambas, o que não altera a data de valoração do débito confessado, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original, conforme arts. 28 e 60 da IN SRF n.° 460/04: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.000906/200763 Acórdão n.º 1302001.760 S1C3T2 Fl. 678 5 a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Art. 60. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. l) que se a Instrução Normativa dessa Secretaria que disciplina a compensação no âmbito do órgão, quando da valoração dos créditos, determina que deva ser considerada a declaração original, mesmo com a apresentação de declaração retificadora, chegase a conclusão que, na situação ora posta, em respeito ao principio da razoabilidade, mesmo entendimento deve ser adotado; m) que independentemente da apresentação da retificadora, o lançamento da multa isolada quanto a esta dcomp ocorreria, o que demonstra ter sido a retificadora trio somente para corrigir eventual equivoco em informações prestadas, meramente formais, porém, a tentativa de compensação de débitos com créditos de terceiros já teria se concretizado quando da apresentação da original; n) que requer seja reformado o julgamento de la instância, que seja desconstituido o pretenso crédito fazendário atinente à multa regulamentar aplicada, por ser evidente a inexistência de violação a quaisquer dos dispositivos apontados como violados pela N. Fiscalização, mormente, a partir do principio da irretroatividade da legislação tributária que previu a multa regulamentar por apresentação de Dcomp nos moldes em que fora realizado pela Impugnante, sendo essa pois, a medida de pleno Direito. Na Sessão de 4/12/2013, esta Turma converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1302000.280 ( a fls. 235), cujo voto condutor assim versa: “Ocorre, porém, que, em 12/09/2011, foi juntada, aos autos, petição da recorrente (doc. a fls. 224 e segs) endereçada à DRF/Belém, na qual é solicitada a revisão administrativa dos valores consolidados no parcelamento da Lei 11.941/09, para excluir os valores do presente processo administrativo, por sustentar que foi equivocada a sua inclusão na consolidação para fins do referido parcelamento. Alega, ainda, a recorrente que não foi solicitada, em momento algum, a desistência do Recurso Voluntário. Por sua vez, não consta, destes autos, cópia do pedido de parcelamento a que se refere a recorrente, razão pela qual, não há como emitir qualquer juízo de valor sobre as alegações da recorrente aduzidas na referida petição. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: a) junte aos autos: a.1) cópia do pedido de parcelamento a que se refere a recorrente na sua petição; e a.2) eventual declaração de desitência de recursos administrativos, apresentados pela recorrente, para fins de instrução do referido pedido de parcelamento; e b) informe se os créditos relativos às multas isoladas, ora em julgamento (auto de infração a fls. 125 e segs.), foram incluídos na consolidação do parcelamento e, caso positivo, se os foram por Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 expressa solicitação da recorrente, hipótese em que deverá juntar prova do alegado.”. Em resposta à diligência, a DRF/BEL, por meio do Termo a fls. 241, assim se manifestou: “Regularmente intimado, o contribuinte solicitou o prazo de 10 dez dias para a apresentação de documentos e assim se manifestou: "Com referência ao Termo de Diligência acima descrito, temos a informar que a empresa não solicitou nenhuma declaração de desistência de recursos administrativos, e que os créditos relativos à multa isolada não foram incluídos em consolidação de parcelamentos". Concedi o prazo solicitado. Esclareceu dessa feita o interessado que: "Com referência ao Termo de Diligência. acima descrito, temos a informar que a empresa solicitou a consolidação do parcelamento em 29/06/2011, conforme recibo de protocolo n°18995989659593740822, em anexo. Esta consolidação foi feita equivocadamente pelo nosso contador, já que processo estava no Conselho, em Brasília, portanto, suspenso. Informamos que a empresa não pagou nenhuma parcela deste processo, diferentemente dos outros". Encontrase, em anexo, o "recibo de consolidação de parcelamento de dívidas não parceladas anteriormente art. 1º demais débitos no âmbito da RFB". Nesse parcelamento, achase incluso os débitos referentes ao processo n° 10280.000006/200763. Em consonância com determinação do ilustre relator do processo, fica o sujeito passivo intimado do presente "Termo de Encerramento de Diligência Fiscal" e aberto o prazo de 30 (trinta) dias para que,: desejando, manifestese a respeito.” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por representantes legais da recorrente, razão pela qual dele conheço. Inicialmente levanto questão sobre a competência desta Seção de Julgamento no caso em tela, tendo em vista o novo RICARF que fora editado no período em que o processo tinha sido baixado em diligência. Ocorre que estamos tratando de multa isolada aplicada porque a recorrente declarou compensações de débitos de Cofins e PIS (vide tabela a fls. 67) com créditos de Cofins de terceiros, objeto do PAF n° 12155.000071/9913, cujo extrato do Comprot já revela a natureza do crédito cuja a restituição era pleiteada, se não vejamos: Número : 12155.000071/9913 Data de Protocolo : 04/11/1999 Documento de Origem : PEDRESTITUICAO Procedência : Assunto : RESTITUICAO COFINS Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.000906/200763 Acórdão n.º 1302001.760 S1C3T2 Fl. 679 7 Nome do Interessado : MADEIRA DE EXPORTACAO MADESILJE LTDA CNPJ : 34.824.623/000109 Tipo: Papel Sistemas Profisc: Não EProcesso :Não SIEF:Não Controlado SIEF Ora, a competência para o CARF julgar processos de compensação está prevista no art. 7º do Anexo II do novo RICARF, in verbis: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação e ́ definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lanca̧mento de crédito tributário de matéria que se inclua na especializacã̧o de outra Câmara ou Seção. Assim, como a matéria principal, da qual esta decorreu, versava sobre declarações de compensação cujo o crédito pleiteado era COFINS, logo, a competência para julgálo seria da Terceira Seção a partir do novo RICARF, razão pela qual sustento que a competência para julgar a multa isolada decorrente da DCOMP julgada não declarada também é da Terceira Seção de Julgamento. Ademais, no mesmo procedimento de fiscalização (vide relatório a fls. 121) foram lançadas Cofins, PIS e a multa isolada, o que reforça ainda mais a caracterização da competência da Terceia Seção de Julgamento, não obstante o recurso ora em julgamento verse apenas sobre a multa isolada. Por essa razão, voto por declinar da competência em favor da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Caso vencido, passo a analisar o recurso voluntário A autoridade diligenciada, conforme Termo de Encerramento de Diligência, não se manifesta peremptoriamente sobre a existência de desitência do recurso, limitandose a questionar a recorrente, a qual expressamente declara nunca ter desistido do presente recurso. Ora, assim sendo, há que se prosseguir no feito, pois a simples inclusão do crédito tributário ora em julgamento no parcelamento pleiteado não seria suficiente para entendermos ter ocorrido uma preclusão lógica, principalmente, quando a recorrente alega que a inclusão foi por engano. Com efeito, a desistência do recurso é condição para o parcelamento, mas o inverso não é verdade, razão pela qual passo a analisar o recurso. No mérito, sustento que havia, desde 1997, uma vedação expressa no caput do art. 74 da Lei 9.430/96, para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiro. É verdade que durante a vigência da IN SRF 21/97, houve uma autorização sem qualquer base legal, de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Não obstante, já em 2002, a IN SRF 210/02 expressamente dispunha, no seu art. 21, que: Art. 30. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Ora, o disposto no art. 30 da IN SRF 210/02 decorre do que está expressamente disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, pois se a lei dispõe que a compensação é entre débitos e créditos do mesmo sujeito passivo, é porque está vedada a compensação com Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 créditos de terceiros. Ademais, o IN SRF 210/02 veio regulamentar o art. 74 da Lei 9.430/96, por expressa disposição legal do então § 5º deste artigo, incluído pela MP 66/01, logo, ainda que não se queira ver a vedação no caputa do art. 74, não há como se negar a expressa vedação no art. 30 da IN SRF 210/02 que regulamentava o art. 74 por força do disposto no § 5º. Lembro que esta autorização para que a RFB regulamentasse depois passou a constar do § 12 e, para finalmente, residir no § 14 do art. 74 em tela. Vale ressaltar que o fato de a legislação posterior enquadrar a situação em tela como uma das hipóteses de compensação não declarada, não significa que já não houvesse expressa disposição na lei vedando a compensação de crédito de terceiros, como demonstrado acima. A Lei 11.051/04 apenas introduziu uma nova qualificação para as DCOMP, ou seja: homologadas, não homolgadas ou não declaradas. Com relação à DCOMP retificadora nº 37837.42249.100705.1.7.01.5250, está correta a Fiscalização quando considerou a data de apresentação da retificadora para saber qual a norma aplicável na fixação da multa. Ora, se na retificadora a recorrente não tivesse mais declarado créditos de terceiros, mas sim créditos próprios e passíveis de compensação, não poderia a Fiscalização lançar a multa isolada com base na DCOMP original que declarou créditos de terceiros, o que prova que a retificadora não complementa, mas se subroga à DCOMP original. Quanto aos arts. 28 e 60 da IN SRF n.° 460/04, eles procuram apenas garantir que o o encontro de contas (débitos e créditos) seja estabelecido nas condições do primeiro momento em que o contribuinte declarou, o que é impertinente para a questão ora posta. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente voto exterioriza o entendimento da maioria do Colegiado em favor da competência da 1ª Seção para apreciação do litígio instaurado nestes autos. Embora a compensação que motivou a aplicação da penalidade aqui em debate tenha por referência direito creditório pertinente à COFINS, este aspecto não é suficiente para determinar a competência da 3ª Seção Julgamento para apreciação deste litígio. O Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, de fato, atribui à 3ª Seção de Julgamento a competência para apreciação de recursos que versem sobre a aplicação da legislação referente à COFINS, aí incluídos os litígios formados em processos administrativos de compensação, ressarcimento ou restituição. Vejase: Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.000906/200763 Acórdão n.º 1302001.760 S1C3T2 Fl. 680 9 [...] Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. § 2º Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluemse na competência da 2ª (segunda) Seção. Todavia, estes autos não veiculam compensação, mas sim penalidade aplicada em razão da forma adotada pelo sujeito passivo para promovêla. Tratase, portanto, de litígio vinculado a processo de compensação por decorrência, que poderia justificar a atribuição da competência de seu julgamento à 3ª Seção de Julgamento se aplicável o disposto no art. 6º do Anexo II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Contudo, como consta à fl. 11 que o processo de crédito nº 12155.000071/99 13 foi indeferido sem interposição de manifestação de inconformidade, e assim não houve litígio instaurado nos autos do processo principal, não há como vincular este processo, por decorrência, a outro processo passível de julgamento na 3ª Seção de Julgamento. Em tais circunstâncias, a competência de julgamento enquadrase no regramento residual presente no Anexo II do RICARF: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. (negrejouse) Na medida em que a penalidade aqui aplicada tem natureza tributária e não é possível atribuir a competência de julgamento do litígio a outra Seção do CARF, cabe à 1ª Seção de Julgamento apreciar o recurso voluntário aqui interposto. Ainda, caso se entenda que, por ser calculada em razão dos débitos compensados, estes determinariam a competência para apreciação da penalidade aqui formalizada, cumpre nas Declarações de Compensação DCOMP citadas no lançamento que foram compensados débitos inseridos na competência da 1ª e da 3ª Seção do CARF, subsistindo a 1ª Seção como competente na forma do Anexo II do RICARF: Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; e II da 2ª (segunda) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e da 3ª (terceira) Seção. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.000906/200763 Acórdão n.º 1302001.760 S1C3T2 Fl. 681 11 Estas as razões, portanto, para firmar a competência deste Colegiado para apreciação do presente litígio. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10980.006088/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 23.939, de 08/10/2009, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 06 08 8/ 20 09 -8 7 Fl. 4411DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.412 2 Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, os quais relatamse a seguir. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ O Auto de Infração do IRPJ (fls. 2/27) exige o recolhimento de R$ 315.862,26 de imposto, R$ 278.341,67 de multa de ofício prevista no art. 44, I e II da Lei n° 9.430/1996, além dos encargos legais. A exigência resulta do arbitramento do lucro tendo em vista que a contribuinte, deixou de registrar em sua contabilidade inúmeras operações, de todas as naturezas (receitas, despesas, pagamentos, recebimentos, compra de imobilizado), bem como deixou de escriturar o livro caixa com toda movimentação financeira, bem como deixou de apresentar documentos de grande parte das operações que realizou, razão porque está sujeita ao arbitramento do lucro conforme previsto no artigo 530, II, "a" do RIR/1999. A falta de apresentação dos documentos também enseja o arbitramento do lucros, conforme inciso II do artigo anteriormente citado. A base de cálculo foi apurada como a seguir demonstrada: 001 — Receita Operacional Omitida — Revenda de Mercadorias — Omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de parte das notas fiscais de venda, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104. Enquadramento legal: artigos 532 e 537, do RIR/1999 002 — Depósitos bancários de origem não comprovada — Receitas caracterizadas por créditos em conta de depósito, em valores superiores as receitas escrituradas, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104. Enquadramento legal: artigos 27, I, e 42 da Lei n° 9.430/1996 e artigos 532 e 537, do RIR/1999. 003 — Receitas operacionais — Revenda de mercadorias — Receitas da atividade da empresa, informadas nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, sujeitas ao arbitramento do lucro, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104. Enquadramento legal: artigos 530 e 532, do RIR/1999. 004 — Outras receitas — Receitas apuradas pela empresa (demais receitas e ganhos de capital), extraídas da DIPJ. Enquadramento legal Artigo 536 do RIR/1999. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS O Auto de Infração do PIS (fls. 28/39) exige o recolhimento de R$ 55.097,87 de contribuição, R$ 82.646,75 de multa de ofício prevista no artigo 86, § 1 1, da Lei n° 7.450/1985; artigo 20 da Lei n° 7.683/1988, e artigo 44, II, da Lei n° 9.430/1996, além dos encargos legais. O lançamento é decorrente da fiscalização do IRPJ, no qual foram apuradas as infrações descritas como: omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de parte das notas fiscais de venda, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104; Fl. 4412DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.413 3 receitas caracterizadas por créditos em conta de depósito, em valores superiores as receitas escrituradas, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104. Enquadramento legal: artigos 1º e 3º da Lei Complementar n° 7/1970; artigo 24, § 2º, da Lei n° 9.249/1995; e artigos 2º, I, "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins O Auto de Infração da Cofins (fls. 40/51) exige os recolhimentos de R$ 254.298,27 de contribuição, R$ 381.447,36 de multa de ofício prevista no artigo 20, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/1991, e artigo 44, I, da Lei n° 9.430/1996, além dos encargos legais. O lançamento é decorrente da fiscalização do IRPJ, no qual foram apuradas as infrações descritas como: omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de parte das notas fiscais de venda, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104; receitas caracterizadas por créditos em conta de depósito, em valores superiores as receitas escrituradas, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104. Enquadramento legal: artigos 2º, II e parágrafo único, 3°, 10, 2 , 1 e 91 do Decreto no 4.524/2002. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL O Auto de Infração da CSLL (fls. 52/74) exige o recolhimento de R$ 91.547,33 de contribuição, R$ 89.580,71 de multa de ofício prevista no artigo 44, I e II, da Lei n° 9.430/1996, além dos encargos legais. O lançamento é decorrente da fiscalização do IRPJ, no qual foram apuradas as infrações descritas como: 001 Receitas da atividade da empresa, informadas nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, sujeitas ao arbitramento do lucro, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104; 002 Omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de parte das notas fiscais de venda e receitas caracterizadas por créditos em conta de depósito, em valores superiores as receitas escrituradas, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 75/104; e 003 — Receitas apuradas pela empresa, extraídas da DIPJ. Enquadramento legal: artigo 2° e §§, da Lei n° 7.689/1988; artigo 20 da Lei no 9.249/1995; artigo 29 da Lei no 9.430/1996; e artigo 37 da Lei n° 10.63/2002. Cientificada em 18/06/2009, a interessada apresentou tempestivamente as impugnações de fls. 107/133 e 134/160, instruída com os documentos de fls. 161/330, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Fl. 4413DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.414 4 Em preliminar e com base no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional argui a decadência dos lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos em 2003. Alega, que se falhas existem em sua contabilidade, se devem a problemas administrativos, mas que no entanto em momento algum deixou de submeter à tributação o total de suas receitas. Que quando constatou que tal fato havia ocorrido nos anos de 2004 e 2005, apresentou por sua livre e espontânea vontade denúncia de tal fato a Receita Federal do Brasil, recolhendo tais débitos e parcelando o restante. Aduz que efetuou diversos pagamentos regulares, não considerados pela fiscalização, para os fatos geradores de 2004, 2005 e 2006, no valor de R$ 401.070,74, além dos parcelamentos efetuados pelo Refis, no valor de R$ 325.972,56, e simplificado, no valor de R$ 539.762,65. Argumenta que não se furtou a apresentar a documentação solicitada peio fisco. Que não ocorreram evidentes indícios de fraude e tampouco a documentação em questão é imprestável para fins de identificar a movimentação financeira. Que as notas fiscais de saída foram colocadas a disposição da fiscalização e assim continuam, conforme fazem prova alguns protocolos de entrega de documentos. Que valores foram apresentados à tributação por meio de denúncia espontânea cujos recolhimentos e valores parcelados não foram considerados. Diz que é empresa sujeita ao regime de lucro presumido, não estando sujeita ao recolhimento de tributos sobre o lucro real. Que a falta de escrituração, por si só, não configura que o imposto deixou de ser recolhido, pois a escrituração é obrigação acessória. Que não existe nexo causal direto entre a falta de escrituração e a falta de recolhimento do imposto. Contesta a autuação relativa a regularidade da escrituração das notas fiscais, já que não poderia ter vendido 86.576 metros estéreos de madeira sem a devida emissão de documento fiscal, omitindo desta foram receita, o que corresponde a 2.473 caminhões de mercadoria sem qualquer documento fiscal que acobertasse tal remessa, trafegando distâncias que variam de 20 a 600 quilômetros, sem que nenhum órgão de fiscalização municipal, estadual ou federal tivesse identificado e lavrado qualquer medida administrativa contra o mesmo por este motivo. No tocante a movimenta bancária alega que a partir dos extratos lhe foi solicitado a exata identificação de cada lançamento bancário e para os quais não conseguiu efetuar tal identificação, presumiu que a mesma se tratava de omissão de receitas. Mas, que não existe nexo causal entre os créditos bancários e receitas escrituradas. Que existem diversas operações financeiras que compõem o giro de caixa de urna empresa que não tem relação com a atividade comercial, não se constituindo em base de cálculo para a tributação. Argumenta que o seu movimento bancário é perfeitamente compatível com o volume de Notas Fiscais emitidas. Que tomando como exemplo o ano de 2004, a fiscalização apresentou um valor de créditos bancários em valores superiores as receitas escrituradas de R$ 4.761.729,07 e o faturamento oferecido a tributação foi de aproximadamente R$ 10 milhões. Que a divergência se deve a duplicidade de lançamentos em função de valores de cheques devolvidos que foram reapresentados, empréstimos feitos junto a terceiros que ingressaram na conta corrente que foram pagos e em alguns casos retomados e pagos novamente, recursos adiantados a sócios que foram devolvidos, entre outros. Que não houve prova que algum comprador houvesse efetivado depósitos em sua conta corrente em valor superior ao das notas fiscais de venda que teve emitida contra si. Fl. 4414DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.415 5 Aduz que relativamente a suposta omissão pela existência de depósitos bancários, o fisco efetuou o cálculo do montante tributável tendo por base o arbitramento. Que é irregular a tributação desta forma, devendo a apuração ser obtida não somente pela simples existência de depósitos em conta bancária. Que pode afirmar que os depósitos bancários não contabilizados são indícios ou prova de omissão de receitas, mas essa receita deve ser apurada na forma da Lei, de acordo com o § 2º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Argui que a fiscalização lança de ofício impostos relativos a Notas Fiscais não escrituradas sem comprovar que o imposto não foi recolhido independentemente da escrituração. Que os documentos que apresentou comprovam que houve recolhimento de impostos relativamente a operações que não haviam sido apresentadas a tributação e que não foram consideradas pela fiscalização. Contesta o lançamento da Cofins e do PIS, o que de acordo com o artigo 29 da Lei n° 9.430/1996, a base de cálculo é o faturamento, e não os depósitos bancários. Que o numerário depositado em instituição financeira não constitui, por si só, fato gerador do PIS ou da Cofins, porquanto caracteriza mera presunção do auferimento de renda. Questiona o enquadramento legal da multa de ofício e insurge contra seu agravamento, dizendo que sempre agiu de boafé, devendo a máfé ser comprovada pelo fisco, sendo indispensável a comprovação do dolo específico na prática da infração, não tendo ocorrido fraude no procedimento da empresa que sempre prestou as informações solicitadas e apresentou os documentos requeridos pela fiscalização, discorrendo a respeito. Alega o caráter confiscatório da multa de ofício e a ilegalidade da taxa Selic. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 23.939, de 08/10/2009 (fls. 342/367), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em casos de dolo, fraude ou simulação, o termo de início para contagem do prazo decadencial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. PAGAMENTOS EFETUADOS Não há como aproveitar os pagamentos efetuados anteriormente à ação fiscal, quando estes já foram considerados no lançamento, reduzindo o montante lançado. DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL APRESENTADA E REGULARIDADE DA ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS Não tendo sido comprovada a apresentação da documentação contábil e a regularidade escrituração das notas fiscais, é de se manter o lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 4415DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.416 6 MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática de infrações tributárias visando a sonegação fiscal. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS SUFICIENTES DE CONVICÇÃO. DESCABIMENTO DE MULTA QUALIFICADA. O lançamento feito exclusivamente por presunção legal de omissão de receitas não enseja a qualificação da multa, exceto quando a sonegação e/ou a fraude dolosa forem comprovadas por elementos de convicção suficientes. MULTA. ALEGAÇÕES CONTRA A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. Mantémse o lançamento quando as multas aplicadas, estando regularmente prevista na legislação, se mostram compatível com as ocorrências descritas nos autos. Ao julgador administrativo falece competência para determinar o afastamento de lei vigente, em decorrência de alegada inconstitucionalidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS Aplicase aos lançamentos decorrentes o mesmo decidido quanto àquele que lhe deu origem. Mantido integralmente o lançamento de IRPJ, mantêmse, na integralidade, as Contribuições lançadas por decorrência. Ao final, o acórdão restou redigido como segue: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar parcialmente a preliminar de decadência para exonerar integralmente o IRPJ e a CSLL relativos ao período do 1° ao 3º trimestre de 2003, o PIS e a COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2003, assim como a multa de ofício e os juros de mora correspondentes; e, por maioria de votos, vencido o julgador Paulo Quirino de Almeida, exclusivamente no que tange aos montantes de receita omitida apurados de acordo com a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, exonerar os seguintes tributos/períodos de apuração, assim como a multa de ofício e os juros de mora correspondentes (também atingidos pela decadência): 1. IRPJ: 4° trimestre do anocalendário 2003 e o 1º trimestre de 2004; 2. CSLL: 4° trimestre do anocalendárío 2003 e o 1º trimestre de 2004; 3. COFINS: dezembro do anocalendário 2003 e janeiro a maio de 2004; 4. PIS/PASEP: dezembro do anocalendário 2003 e janeiro a maio de 2004. No mérito, acordam, por maioria de votos, vencido o julgador Paulo Quirino de Almeida, acatar parcialmente a impugnação para exonerar as qualificações da multa Fl. 4416DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.417 7 proporcional de ofício relativas à proporção de omissão de receitas apuradas de acordo com o art. 42 da Lei n° 9.430/96, relativas aos períodos de apuração do anocalendário 2004 que não tenham sido atingidos pela decadência. Não houve recurso de ofício sobre a parcela do crédito tributário afastada em primeira instância. Ciente da decisão de primeira instância em 11/12/2009, conforme termo à fl. 373, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/01/2010 conforme carimbo de recepção à folha 376. No recurso interposto (fls. 376/410), a recorrente alega preliminarmente os pontos que se seguem: · Requer a decadência para fatos geradores ocorridos anteriormente a 18/06/2004, com base no art. 150, § 4º, do CTN. · Sustenta a ilegalidade da quebra de seu sigilo bancário, “uma vez que a recorrente durante todo o processo fiscalizatório procedeu à apresentação espontânea de informações”. O processo administrativo não poderia dispor dos dados sigilosos bancários do contribuinte, e teria havido afronta a dispositivos constitucionais (art. 5º, incisos X e XI, da Constituição Federal). No mérito, a recorrente questiona a regularidade dos lançamentos e sustenta que os valores por ela declarados estariam em consonância com a receita auferida. Acrescenta, ainda, que todos os tributos teriam sido regularmente apurados e pagos. No que toca aos livros fiscais, sustenta que estariam juntados ao processo (anexos IX a XII). No que toca à falta de apresentação de documentos, isto teria ocorrido somente com relação a 2003. O lançamento deveria, então, ser cancelado, visto que teriam sido apresentados os livros e documentos à autoridade tributária. A recorrente passa, então, a tecer considerações e argumentos acerca de cada uma das infrações lançadas e demais tópicos, que podem ser sintetizadas como segue: · Infração de IRPJ – 001 – Receita Operacional Omitida. A interessada admite que parte das receitas dos anos de 2003 e 2004 não foram escrituradas. No entanto, afirma que que houve sim oferecimento à tributação e informação na DIPJ. Busca explicar o equívoco contábil ocorrido no mês de junho/2004, que teria sido corrigido, tendo o valor correto constado da DIPJ retificadora apresentada em 21/02/2006. Observa, ainda, que “os valores imputados pela fiscalização como não contabilizados, a cerca de supostas NF não escrituradas, coresponde praticamente ao valor corrigido pela empresa, o que demonstra que os mesmos estão englobados naquele lançamento retificador”. Acrescenta que, a partir de 2005, nenhum outro equívoco teria ocorrido. Todos os tributos teriam sido quitados ou parcelados, e a totalidade das notas fiscais emitidas teria sido colocada à disposição da Fiscalização. Conclui com o pedido de afastamento dessa infração. · 002 – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Fl. 4417DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.418 8 A recorrente lembra que a lei estabelece a necessidade de tratamento individualizado dos depósitos bancários, afirma que as intimações sempre foram antendidas, ainda que, por vezes, com atraso, e que os depósitos bancários teriam as mais diversas origens. Em suas palavras: “[...] a movimentação financeira é ampla e complexa. O controle se dá por meios externos, através de provisões, previsões, negociações, transações. Declacar o extrato e determinar conhecimento, item a item, anos depois, é muito difícil”. Reitera que nenhum depósito teria sido destacado como diverso dos valores relativos às notas fiscais emitidas. A interessada aduz, ainda, que, sendo possível a identificação das receitas por meio do levantamento das notas fiscais emitidas, descaberia a imputação de receitas omitidas com base em depósitos não passíveis de identificação. · 003 – Receitas Operacionais A recorrente considera inaceitável o arbitramento de valores por ela declarados e pagos. · 004 – Outras Receitas A recorrente afirma que os valores correspondentes a essa rubrica teriam sido extraídos da DIPJ. Acrescenta que tais valores teriam sido regularmente declarados e pagos, descabendo quaisquer arbitramentos ou penalidades. · CSLL, PIS e COFINS Onde cabíveis, os argumentos atinentes ao IRPJ são também trazidos contra os lançamentos dessas contribuições. No que tange ao PIS e à COFINS, a recorrente lembra ainda que créditos bancários não seriam, indubitavelmente, receitas ou faturamento. Caberia à fiscalização essa comprovação. · Multa com Caráter Confiscatório A recorrente alega ofensa à vedação contida no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. · Multa Qualificada A recorrente sustenta que a motivação declinada pelo Fisco seria insuficiente para a aplicação do gravame. Ademais, teria ocorrido erro no enquadramento legal (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996). A interessada aduz também que teriam ocorrido alguns equívocos contábeis, corrigidos e regularizados tão logo identificados, antes do início da fiscalização, e que nada teria sido ocultado do conhecimento da Autoridade Tributária. Lembra a súmula 14 do 1º Conselho de Contribuintes, e sustenta a inexistência de dolo, fraude ou outra hipótese legal capaz de justificar a qualificação da multa. · Ilegalidade de Utilização da Taxa SELIC Fl. 4418DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.419 9 A recorrente aduz argumentos que, por sua ótica, demonstrariam a inaplicabilidade da taxa SELIC como indexador de tributos recolhidos em atraso. · Inacumulabilidade de taxa de juros e multa. A recorrente traz argumentos contrários à aplicação da taxa SELIC juntamente com a aplicação de correção monetária e juros moratórios. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Em preliminares, a recorrente sustenta a ilegalidade da quebra de seu sigilo bancário, “uma vez que a recorrente durante todo o processo fiscalizatório procedeu à apresentação espontânea de informações”. O processo administrativo não poderia dispor dos dados sigilosos bancários do contribuinte, e teria havido afronta a dispositivos constitucionais (art. 5º, incisos X e XI, da Constituição Federal). No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal encontro as seguintes afirmações (fl. 77 e 78, grifos não constam do original): A ação fiscal foi instaurada para realizar, entre outras, verificações da exatidão dos lucros distribuídos nos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006, em decorrência de demanda da Procuradoria da República no Estado do Paraná e da 2' Vara Federal Criminal em Curitiba. [...] Foi concedida pela 2a Vara Federal Criminal em Curitiba a quebra de sigilo bancário da empresa. Com isso, é de se entender que os extratos bancários (fls. 1347 e segs.), tenham sido recebidos e utilizados pelo Fisco mediante autorização do Poder Judiciário. Não obstante, não identifiquei, nos autos do presente processo administrativo, qualquer documento que corrobore essa assertiva. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, devolvendo se o processo à Unidade Preparadora, para que sejam adotadas as seguintes providências: 1. A Unidade Preparadora identifique, no presente processo administrativo, documentos emitidos pelo Poder Judiciário que encaminhem a documentação referente à movimentação bancária da interessada e autorizem seu uso pela fiscalização. Fl. 4419DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10980.006088/200987 Resolução nº 1301000.279 S1C3T1 Fl. 4.420 10 2. Caso os documentos referidos no item 1, acima, não constem do presente processo administrativo, a Unidade Preparadora deverá providenciar para que sejam acostados aos autos. 3. Caso a fiscalização tenha tido acesso à documentação referente à movimentação bancária da interessada por outro meio (por exemplo, mediante atendimento pela fiscalizada a intimação específica, ou, ainda, mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira), esclarecer como se deu esse acesso, e fazer acostar aos autos a documentação pertinente. O cumprimento da diligência deve constar de relatório circunstanciado, do qual deverá ser dada ciência à interessada, facultandolhe, ainda, a possibilidade de se manifestar nos autos em prazo adequado, caso assim o deseje. Após cumpridas as providências acima, o processo deverá retornar a este CARF, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 4420DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 11543.003095/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 03 09 5/ 20 05 -1 5 Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003095/200515 Resolução nº 3201000.594 S3C2T1 Fl. 1.156 2 "Tratase de reconhecimento de direito creditório de Cofins decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/07/05 a 30/09/05, no valor de R$4.114.874,46 (fl. 03), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu A autoridade fiscal decidiu (fl. 193) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$3.262.889,51, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.980/09 (fls. 255 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2005, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para a Cofins; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 29 maiores fornecedores; 5. aproximadamente 94% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 6. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência da Cofins na etapa anterior é de impressionantes 9,18%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 7. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 51,72% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 8. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 9. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 10. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boa Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003095/200515 Resolução nº 3201000.594 S3C2T1 Fl. 1.157 3 fé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 11. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 12. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 13. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 14. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração da Cofins, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 15. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 115/116; 16. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 17. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 18. procedeu se, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da Cofins apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 3º Trimestre de 2005 no montante de R$3.262.889,51. Cientificada da Decisão (fl. 292), em 08/03/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 312 e seguintes), em 07/04/10, onde alegou, em resumo, que: 1. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.980/2009 tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.986/2009, mister se faz o apensamento dos autos correspondentes com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitandose, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 2. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 3. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 4. o direito ao crédito da Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003095/200515 Resolução nº 3201000.594 S3C2T1 Fl. 1.158 4 contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 5. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão, e que anexará notas fiscais posteriormente; 6. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.637/02, ou da Lei nº 10.833/03, não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 7. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 8. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002, ou da Lei nº 10.833/03, não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 9. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 10. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 11. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 12. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 13. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 14. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 15. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente; 16. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 357) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão, na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado, dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 680 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003095/200515 Resolução nº 3201000.594 S3C2T1 Fl. 1.159 5 outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contribuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético, relativos às empresas de fachada; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003095/200515 Resolução nº 3201000.594 S3C2T1 Fl. 1.160 6 fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 844), em 05/10/13, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 846 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003095/200515 Resolução nº 3201000.594 S3C2T1 Fl. 1.161 7 consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003095/200515 Resolução nº 3201000.594 S3C2T1 Fl. 1.162 8 Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.003095/200515 Resolução nº 3201000.594 S3C2T1 Fl. 1.163 9 a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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