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Numero do processo: 13986.000181/2005-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
EMBARGOS. OMISSÃO. INSUMOS. PIS. COFINS. EMBALAGENS. RELEVÂNCIA.
As bandejas de cartão corrugado, bup de isopor, bobina de papelão ondulado e isomanta são utilizados para a proteção dos móveis transportados logo relevantes ao processo produtivo (sua supressão importa em perda de qualidade do produto final) e, consequentemente, insumos das contribuições não cumulativas.
Numero da decisão: 3401-009.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Ronaldo Souza Dias, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
1.0 = *:*
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OMISSÃO. INSUMOS. PIS. COFINS. EMBALAGENS. RELEVÂNCIA. As bandejas de cartão corrugado, bup de isopor, bobina de papelão ondulado e isomanta são utilizados para a proteção dos móveis transportados logo relevantes ao processo produtivo (sua supressão importa em perda de qualidade do produto final) e, consequentemente, insumos das contribuições não cumulativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Ronaldo Souza Dias, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Lazaro Antonio Souza Soares (Presidente). Relatório 1.1. Trata-se de pedido de ressarcimento de COFINS apurado no primeiro trimestre de 2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 01 81 /2 00 5- 92 Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.095 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000181/2005-92 1.2.1. A DRF de Joaçaba deferiu parcialmente o pedido, afastando o crédito pleiteado sobre: 1.2.1.1. Aquisição de material de embalagem para transporte, eis que, “embora essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo, por não conterem rótulos dispensáveis ou indicações promocionais (...) não tinham o objetivo de, por si, motivar a compra do produto nelas acondicionado ou valorizá-los”; 1.2.1.2. Aquisições de fretes de envio de documentação para bancos, documentos diversos da Recorrente e documentos de outras empresas; 1.2.1.3.Aquisições de combustíveis e lubrificantes bem como de serviço de lavagem de veículo automotor; 1.2.2. Ainda, a fiscalização incluiu nas receitas de exportação para rateio proporcional as Receitas Financeiras informadas no campo 7, Fichas 07 e 13 da DACON bem como excluiu das receitas com exportação as mercadorias recebidas com fim específico da exportação. 1.3. Intimada, a Recorrente apresentou peça de irresignação apenas quanto à glosa de aquisições de embalagens destinadas ao acondicionamento (porque inexistente vedação legal e este custo é parte do processo produtivo) e de combustíveis e lubrificantes (vez que utilizados em maquinas e veículos que compõe o processo produtivo). 1.4. A DRJ de Florianópolis manteve a parcial procedência do creditamento vez que: 1.4.1. Embalagem de transporte não é insumo do processo produtivo, porém pós- processo; 1.4.2. Os combustíveis foram adquiridos em pequenas quantidades em postos; 1.4.2.1. Não há prova de propriedade dos veículos utilizados no processo produtivo; 1.4.2.2. Não há descrição do processo produtivo, em especial, no que pertine ao uso dos veículos que supostamente consomem o combustível adquirido. 1.5. Irresignada, a Recorrente busca guarida neste Conselho reiterando o quanto descrito em manifestação de inconformidade somada às seguintes teses e esclarecimentos: 1.5.1. A distinção entre os tipos de embalagem no IPI faz sentido apenas para a incidência do imposto em questão, logo tal conceito não pode ser transportado ao PIS/COFINS; 1.5.2. Violação ao princípio da não cumulatividade; 1.5.3. O único veículo utilizado no processo produtivo sujeito ao emplacamento é um caminhão Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.095 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000181/2005-92 1.5.3.1. “As demais maquinas, tratores, empilhadeiras e carregadeiras, a Contribuinte informa que são utilizadas nos Postos de Operação (serraria, pré-corte, usinagem, embalagem), no transporte e abastecimento de matéria-prima, deslocamento de produtos acabados para o estoque, transporte de móveis e seus componentes entre os setores da fábrica”. 1.6. Esta Turma, em Acórdão de minha relatoria, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar as glosas referentes à calços, caixas e cantoneiras. 1.7. A Recorrente então apresentou Aclaratórios, com o intuito de afastar omissão sobre a reversão das glosas na aquisição de “bandejas de cartão corrugado, bup de isopor, bobina de papelão ondulado” – admitido, neste ponto, pela Presidência. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. A Recorrente é indústria moveleira que, ao final de seu processo produtivo, faz o acondicionamento dos móveis para posterior revenda. Por este motivo, esta Turma por unanimidade de votos, afastou as glosas de créditos das contribuições não cumulativas sobre a aquisição de calços, caixas e cantoneiras. De outro modo, “inobstante tratar-se de embalagem de transporte, relevante, no mínimo, o seu uso para evitar danos aos móveis fabricados pela Recorrente durante o transporte – conclusão, aparentemente, compartilhada pela fiscalização”: 2.2. Todavia, como bem constata a Recorrente, na lista de itens glosados existem outras aquisições além de calços, caixas e cantoneiras, nomeadamente: “bandejas de cartão corrugado, bobina de papelão ondulado, bup de isopor, pinos, corrediça de madeira, isomanta e adesivos” que, nos termos da própria listagem que acompanha o Parecer que embasou a glosa, são utilizados na embalagem dos bens da Recorrente: Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.095 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000181/2005-92 2.3. Destarte, sabedores que ubi eadem ratio ibi idem jus, devem os Embargos ser conhecidos e providos para sanar a omissão do Acórdão Embargado e, consequentemente, dar parcial provimento ao Recurso para também afastar as glosas sobre “bandejas de cartão corrugado, bup de isopor, bobina de papelão ondulado e isomanta”. 2.4. Todavia, a glosa deve ser mantida para pinos, etiquetas e corrediças de madeira por falta de melhor descrição do uso de tais itens na embalagem dos bens produzidos pela Recorrente. 3. Ante o exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço dos Embargos dando- lhe provimento para afastar a omissão do Acórdão Embargado que passará a ter o seguinte dispositivo: “Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço em parte do Recurso Voluntário e a na parte conhecida dou parcial provimento para afastar as glosas referentes à calços, bandejas de cartão corrugado, bup de isopor, bobina de papelão ondulado, caixas e cantoneiras”. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.095 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000181/2005-92 Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002952/2001-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1995
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar de decadência quando a norma individual e concreta, consubstanciada no lançamento, materializa-se no lapso temporal estabelecido no CTN.
IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS/ORIGENS. APURAÇÃO.
A apuração de acréscimo patrimonial em desconformidade com a estrutura do lançamento estabelecida no art. 142 do CTN, bem assim com enunciado vinculante de Súmula CARF, padece de nulidade por vício material.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2402-009.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB procedesse a um ajuste no cálculo do lançamento em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, sendo vencido os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem e Francisco Ibiapino Luz (autor da proposta), e, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o lançamento em face da infração tipificada por acréscimo patrimonial a descoberto. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que negou provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Francisco Ibiapino Luz.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar de decadência quando a norma individual e concreta, consubstanciada no lançamento, materializa-se no lapso temporal estabelecido no CTN. IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS/ORIGENS. APURAÇÃO. A apuração de acréscimo patrimonial em desconformidade com a estrutura do lançamento estabelecida no art. 142 do CTN, bem assim com enunciado vinculante de Súmula CARF, padece de nulidade por vício material. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
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INOCORRÊNCIA. Não há que se falar de decadência quando a norma individual e concreta, consubstanciada no lançamento, materializa-se no lapso temporal estabelecido no CTN. IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS/ORIGENS. APURAÇÃO. A apuração de acréscimo patrimonial em desconformidade com a estrutura do lançamento estabelecida no art. 142 do CTN, bem assim com enunciado vinculante de Súmula CARF, padece de nulidade por vício material. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB procedesse a um ajuste no cálculo do lançamento em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, sendo vencido os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem e Francisco Ibiapino Luz (autor da proposta), e, por unanimidade de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o lançamento em face da infração tipificada por acréscimo patrimonial a descoberto. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que negou provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente (documento assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima – Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 29 52 /2 00 1- 18 Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.936 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.002952/2001-18 Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Cuida-se de recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário consignado no Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física – ano-calendário 1995 – no valor total de R$ 19.002,86 – constituído em 19/10/2001 – com fulcro em omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício; acréscimo patrimonial a descoberto e falta/atraso na entrega da declaração (com imposto devido), conforme discriminado no relatório fiscal. Cientificado do teor da decisão de primeira instância em 08/09/2003, o Impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 08/10/2003, alegando, em apertada síntese, prejudicial de decadência, e, no mérito propriamente dito, que a autoridade lançadora, quando da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, não conseguiu evidenciar qualquer consumo de renda superior às suas disponibilidades; que houve ilegalidade no arbitramento de rendimentos; violação ao devido processo legal previsto no art. 148 do CTN e na Lei n. 8.021/1990; ilegalidade da tributação dos saldos de contas-corrente bancárias e impossibilidade de aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima - Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos no Decreto n. 70.235/1972, portanto, dele conheço. Passo à apreciação. Para uma melhor compreensão deste litígio, resgato o relatório da decisão recorrida: Este processo trata de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 119- 123) mediante o qual foi lançado contra 0 contribuinte acima qualificado o crédito tributário no valor de R$ 19.002,86, calculado até o mês de setembro do ano 2001, como se vê às fls. 122. Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.936 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.002952/2001-18 Conforme relata o Termo de Verificação Fiscal (fls. 115-118), não tendo o contribuinte apresentado espontaneamente seus extratos respectivos, foi decretada a quebra judicial de seu sigilo bancário. Na seqüência, a fiscalização apurou a sua variação patrimonial no ano-calendário de .1995, como se vê às fls. 114, na qual foram considerados todos os seus rendimentos, saldos em conta corrente bancária, aplicações financeiras e aquisições. Da tabulação mensal dos recursos e dispêndios comprovados, apuraram-se valores a tributar a título de 'acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e maio do ano-calendário de 1995, uma vez que não foi comprovada a origem dos recursos que justificaram os acréscimos patrimoniais respectivos. Tendo em vista que o contribuinte somente apresentou a declaração de rendimentos após intimação fiscal, foi aplicada a multa correspondente. Também foi efetuado o lançamento, a título de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, relativamente ao valor de R$ 7.040,00, correspondente aos rendimentos incluídos na declaração entregue intempestivamente. O auto de infração de que cuida este processo foi lavrado em face da necessidade de evitar a decadência relativamente ao ano-base de 1995, tendo a fiscalização alusiva aos anos-calendário subseqüentes prosseguido, conforme PAF n° 10930.000049/2001-12. Os enquadramentos de cada um dos itens do lançamento encontram-se discriminados no campo próprio do auto de infração, as fls. 123. Cientificado da autuação em 19/10/2001 (fls. 124), o contribuinte apresentou, em 19/11/2001, a impugnação de fls. 125-137, desfraldando as alegações adiante sintetizadas: - considerando que o imposto de renda é tributo sujeito ao lançamento por homologação, conclui-se que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário já foi fulminado pela decadência, posto que o próprio enquadramento legal citado pela fiscalização está fundado no recolhimento mensal obrigatório, o carnê-leão; - o crédito lançado decorre da constatação de consumo de renda superior ao declarado, além da multa regulamentar por atraso na entrega da declaração. A variação patrimonial a descoberto funda-se na planilha de fluxo de caixa de fls. 114, elaborada única e exclusivamente com base em extratos e créditos bancários; - a fiscalização não demonstrou o consumo de renda de um só centavo superior aos rendimentos informados à depósitos bancários que entende de origem não comprovado. Essa prática sempre foi repudiada pelo Poder Judiciário e pelo próprio Poder Executivo, por meio do Decreto-lei n° 2.471/88, que constitui basicamente o teor da Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; - a lei veda o prosseguimento da cobrança do crédito tributário, principalmente porque constituído no ano de 2001; - o fato que serviu de base à autuação não evidencia o auferimento de renda pelo impugnante. Não se fez presente prova plena do fato imputado. O Fisco apoiou-se exclusivamente em prova empresta, que não se sabe de onde veio, querendo fazer crer que seria exatamente a existência de um único depósito bancário efetuado na conta do impugnante, de origem perfeitamente identificada, que houvesse sido consumido pelo impugnante. Partindo desse fato conhecido, os extratos bancários, o Fisco presumiu o auferimento de renda, o que é inadmissível, porque a presunção não está autorizada pela lei. Nem o simples fato de a fiscalização ter em seu poder um comprovante de depósito bancário que julga ser de origem não identificada, lhe autoriza a concluir que este corresponda a recursos mantidos fora do alcance da tributação; -a exigência fiscal tem apoio exclusivamente em presunção e ilações e não encontra lastro na legalidade, razão pela qual afronta o art. 142 do CTN; nenhum dispositivo legal citado pela fiscalização autoriza a conclusão a que aquela chegou. - a fiscalização não verificou um só gasto efetuado pelo impugnante que seja incompatível com seus rendimentos. O depósito bancário que pensa ser de origem não comprovada, não caracteriza renda auferida; tampouco foi comprovado que o impugnante efetuou um só gasto incompatível com sua renda declarada; - outra impossibilidade para o lançamento com base em depósito bancário é a ausência da aquisição da sua disponibilidade, quer econômica, quer jurídica. Na ausência de tal disponibilidade econômica ou jurídica de acréscimo patrimonial, não se implementa o Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.936 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.002952/2001-18 fato gerador do imposto sobre a renda. Se a fiscalização tivesse elaborado um levantamento patrimonial, verificaria que os rendimentos consumidos pelo impugnante no ano-calendário de 1995 estão compatíveis com os valores declarados à Secretaria da Receita Federal; - a multa pelo atraso na entrega da declaração também é improcedente, uma vez que decorre única e exclusivamente dos fatos imputados ao impugnante; - é abusiva a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, prevista no art. 13 da Lei n° 9.065, de 20/06/ 1995. A exigência afronta o art. 161 do CTN e o art. 192, 3° da Constituição Federal vigente, tendo sido repudiada pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme acórdão transcrito às fls. 135. No julgamento da impugnação, a DRJ decidiu pela improcedência da impugnação e manteve integralmente o lançamento. Em sede de recurso voluntário, o Recorrente enfrenta a decisão da DRJ aduzindo prejudicial de decadência, e, no mérito propriamente dito, que a autoridade lançadora, quando da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, não conseguiu evidenciar qualquer consumo de renda superior às suas disponibilidades; que houve ilegalidade no arbitramento de rendimentos; violação ao devido processo legal previsto no art. 148 do CTN e na Lei n. 8.021/1990; ilegalidade da tributação dos saldos de contas-corrente bancárias e impossibilidade de aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Muito bem. Da prejudicial de decadência O Recorrente sustenta que parte do lançamento encontra-se extinto pela decadência (art. 156, V, do CTN), com fulcro no art. 150, § 4º., do CTN, vez que o IRPF abriga- se na modalidade de lançamento por homologação. Inicialmente, impende ressaltar que o fato gerador do IRPF é, em regra, complexivo (continuado ou periódico), e, nesse contexto, compreende a disponibilidade econômica ou jurídica (riqueza nova) adquirida em determinado ciclo anual, que se inicia em 1º. de janeiro e se encerra em 31 de dezembro de cada ano-calendário, sendo esta última data o momento em que se materializa e se consolida a hipótese de incidência tributária. Ressalte-se que, quando afirmo que o fato gerador é em regra complexivo, faço referência às circunstâncias em que ele assume feições instantâneas, v.g., a tributação exclusiva/definitiva (ganho de capital, entre outros). Portanto, em determinadas situações previstas no ordenamento jurídico, o IRPF também pode ter fato gerador instantâneo. Na espécie, importa esclarecer que o Recorrente só veio a apresentar declaração de ajuste anual relativa ao ano-calendário 1995 em 22/11/2000 (e-fl. 101), após o início da ação fiscal, que se iniciou em 06/06/2000 com a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início de Fiscalização (e-fl. 22), observando-se que, nessas circunstâncias, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, a teor do Enunciado 33 de Súmula CARF, e, ainda que se fosse possível considerá-la, só para argumentar, não traz qualquer informação de retenção de imposto de renda na fonte – capaz de atrair o Enunciado 123 de Súmula CARF – ou de qualquer outro tipo de recolhimento antecipado de IRPF relativo ao ano-calendário 1995. Nesse contexto, em se tratando do ano-calendário 1995, o fato gerador do IRPF consolidou-se na data de 31/12/1995, e, uma vez ausente recolhimento antecipado de IRPF, Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.936 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.002952/2001-18 aplica-se inexoravelmente a regra geral de decadência do art. 173, I, do CTN, sendo o dies a quo a data de 01/01/1997 (o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) e o dies ad quem a data de 31/12/2001. Considerando-se que o lançamento se aperfeiçoou em 19/10/2001, não há que se falar de decadência. Do acréscimo patrimonial a descoberto Em face dessa infração, o Recorrente aduz um conjunto argumentativo no sentido de que a autoridade lançadora não conseguiu evidenciar qualquer consumo de renda superior às suas disponibilidades, que houve ilegalidade no arbitramento de rendimentos, violação ao devido processo legal previsto no art. 148 do CTN e na Lei n. 8.021/1990 e ilegalidade da tributação dos saldos de contas-corrente bancárias. De plano, importa esclarecer que em nenhum momento o lançamento em apreço diz respeito à movimentação financeira. A propósito, assim se pronuncia a DRJ: Está evidente, portanto, que não se trata de lançamento com base em depósitos bancários ou em extratos bancários. A razão do lançamento é o fato de o patrimônio do contribuinte, em diversos meses do ano-calendário de 1995, ter apresentado crescimento inexplicado, conforme se vê na planilha de fls. 114. É irrelevante o fato de o ativo objeto da fiscalização estar representado por saldo bancário no final do mês. O efeito seria o mesmo se estivesse representado por imóveis, veículos, etc. Dessa forma, desde logo restam prejudicadas as alegações relativas a depósitos bancários/extratos bancários. Com relação às alegações de ilegalidade no arbitramento de rendimentos, violação ao devido processo legal previsto no art. 148 do CTN e na Lei n. 8.021/1990, serão apreciadas no contexto da análise do acréscimo patrimonial descoberto, vez que a este são correlatas. Pois bem. Da análise da planilha “Demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo de Caixa Mensal – 1995” verifica-se que a autoridade lançadora considerou como origens os rendimentos tributáveis registrados na declaração de ajuste anual, saldos em conta corrente bancária no fim de cada mês, aplicações financeiras e aquisição de quotas, apurando variação patrimonial a descoberto no valor de R$ 28.363,14. Importa destacar que, uma vez que a declaração de ajuste anual foi apresentada após o início do procedimento fiscal, conforme alhures informado, e, com espeque no Enunciado 33 de Súmula CARF, nenhuma informação nela registrada poderia ter sido considerada. Todavia, a autoridade lançadora aproveitou rendimentos tributáveis nela informados como origens/recursos, bem assim aquisição de quotas de entidade de advocacia como se aplicações/dispêndios fossem. Não bastasse, a autoridade lançadora atribuiu a fração de um duodécimo da base de cálculo do imposto devido (após a aplicação de 20% sobre os rendimentos tributáveis) a cada mês do ano-calendário, como se tal valor tivesse sido auferido mensalmente, sem que nenhum elemento nos autos nesse sentido indique. E, ainda que assim tivesse sido e apresentada a Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-009.936 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.002952/2001-18 declaração de ajuste anual antes do início da ação fiscal, na verdade deveria ter sido considerado o total dos rendimentos tributáveis de R$ 8.800,00 e não a base de cálculo do imposto devido (R$ 7.040,00). Noutro giro, a autoridade fiscal considerou, na composição de origens/recursos e de aplicações/dispêndios, com base nos extratos bancários, saldos credores em conta-corrente no início do mês e saldos devedores no final do mês, bem assim aplicações financeiras. Não me parece ser esta a melhor técnica. Com efeito, na apuração de origens/recursos devem ser considerados bens/direitos que correspondam a acréscimo patrimonial (riqueza nova), a teor do art. 43 do CTN, e, na forma como procedeu a autoridade lançadora, tal situação não resta devidamente caracterizada, vez que foram considerados valores consolidados no início e no final do mês, sem qualquer depuração do que efetivamente é origem/recurso, nem do que é aplicação/dispêndio. Nesse contexto, impende regatar o enunciado prescritivo 67 de Súmula CARF, de natureza vinculante, verbis: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, registrados em extratos bancários, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula revisada conforme (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). É o que se identifica na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto em apreço. Com efeito, verifica-se na composição dos saldos bancários consolidados no início/final de cada mês valores a título de saques e transferências bancárias para os quais não resta comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, bem assim cheques devolvidos. Outrossim, a sistemática de transporte de valores também está equivocada, pois o que se transfere para somar-se à origem/recursos de um mês para outro é a diferença positiva entre as origens/recursos e as aplicações/dispêndios, e não o próprio valor das aplicações/dispêndios, como procedeu a autoridade fiscal. Além do mais, as aplicações/dispêndios devem ser apuradas dentro do próprio mês, fato que não também não foi considerado na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto em apreço. Conforme se observa, resta evidenciado que o lançamento em face da infração acréscimo patrimonial a descoberto procedeu-se em desconformidade com a estrutura estabelecida no art. 142 do CTN, razão pela qual pugna-se pela sua nulidade do auto de infração neste ponto. Dos juros de mora pela taxa Selic Quanto aos juros de mora à taxa Selic importa ressaltar que se trata de matéria já pacificada neste Conselho a teor do Enunciado 4 de Súmula CARF, verbis: Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital http://portal.imprensanacional.gov.br/web/guest/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/40320339/do1-2018-09-11-ata-de-julgamento-40320301 http://portal.imprensanacional.gov.br/web/guest/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/40320339/do1-2018-09-11-ata-de-julgamento-40320301 http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-009.936 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.002952/2001-18 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Outrossim, acerca da matéria, merece resgate o Enunciado 5 de Súmula CARF, verbis: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nessa perspectiva, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitando a prejudicial de decadência, e dar-lhe provimento parcial para afastar o lançamento em face da infração tipificada por acréscimo patrimonial a descoberto. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf
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Numero do processo: 10314.720172/2018-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jun 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2016
NULIDADE DO LANÇAMENTO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento lavrado por autoridade competente e com a observância do artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 11 e 59 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, de modo a permitir ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2016
LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de documentação deficiente autoriza a Autoridade Fiscal a lançar o tributo que apurar devido. O lançamento de ofício devidamente fundamentado gera presunção de validade do ato administrativo, restando ao contribuinte o ônus de comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo da exigência fiscal, com a inversão do ônus probatório na forma prevista pelo art. 373, inciso II do Código de Processo Civil.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. INEXISTÊNCIA.
A falta de comprovação do interesse comum previsto no art. 124, I do Código Tributário Nacional e a inexistência da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social, nos termos do art. 135, II, do mesmo Diploma Legal, afasta aplicação da sujeição passiva solidária ao sócio proprietário.
Numero da decisão: 3402-008.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do polo passivo do lançamento o Sr. Aurélio Conrado de Souza.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: MARIA MARLENE DE SOUZA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2016 NULIDADE DO LANÇAMENTO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento lavrado por autoridade competente e com a observância do artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 11 e 59 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, de modo a permitir ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2016 LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de documentação deficiente autoriza a Autoridade Fiscal a lançar o tributo que apurar devido. O lançamento de ofício devidamente fundamentado gera presunção de validade do ato administrativo, restando ao contribuinte o ônus de comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo da exigência fiscal, com a inversão do ônus probatório na forma prevista pelo art. 373, inciso II do Código de Processo Civil. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. INEXISTÊNCIA. A falta de comprovação do interesse comum previsto no art. 124, I do Código Tributário Nacional e a inexistência da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social, nos termos do art. 135, II, do mesmo Diploma Legal, afasta aplicação da sujeição passiva solidária ao sócio proprietário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do polo passivo do lançamento o Sr. Aurélio Conrado de Souza. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
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REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento lavrado por autoridade competente e com a observância do artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 11 e 59 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, de modo a permitir ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2016 LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de documentação deficiente autoriza a Autoridade Fiscal a lançar o tributo que apurar devido. O lançamento de ofício devidamente fundamentado gera presunção de validade do ato administrativo, restando ao contribuinte o ônus de comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo da exigência fiscal, com a inversão do ônus probatório na forma prevista pelo art. 373, inciso II do Código de Processo Civil. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. INEXISTÊNCIA. A falta de comprovação do interesse comum previsto no art. 124, I do Código Tributário Nacional e a inexistência da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social, nos termos do art. 135, II, do mesmo Diploma Legal, afasta aplicação da sujeição passiva solidária ao sócio proprietário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do polo passivo do lançamento o Sr. Aurélio Conrado de Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 01 72 /2 01 8- 51 Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 14-89.542 (e-fls. 255-263), proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para manter a multa lançada no valor de R$ 181.097,15 (cento e oitenta e um mil, noventa e sete reais e quinze centavos), bem como excluir do polo passivo do lançamento o Autuado Paulo Eugênio Fernandes de Souza, conforme Ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2016 MULTA REGULAMENTAR. DECLARAÇÃO. INEXATA. PROCEDÊNCIA. Cabível a aplicação de multa regulamentar por apresentação de arquivos digitais com informações inexatas, a teor do art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2016 LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INOCORRÊNCIA. Afasta-se a responsabilidade de administrador quando não restar comprovada a ocorrência de excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos por parte deste. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Por bem reproduzir os fatos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância: Trata-se de lançamento de multa regulamentar por apresentação de arquivos digitais com informações inexatas, incompletas ou omitidas, prevista no art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001, conforme auto de infração de fls. 106/108. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 101/105, a contribuinte apresentou os arquivos do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) - Escrituração Contábil Digital (ECD), Nota Fiscal Eletrônica (Nfe), Escrituração Fiscal Digital (EFD) IMCS/IPI e EFD contribuições – com divergências. Posteriormente, o Sped ECD foi retificado, mas remanesceram diferenças nos demais arquivos, assim foi lançada a referida multa regulamentar. Para apurar a base de cálculo da multa, a fiscalização considerou as saídas registradas na ECD para os CFOPs 5401, 6401 (vendas), 5910 e 6910 (bonificações), no valor de R$ 7.786.278,12, e comparou com os mesmos CFOPs da EFD ICMS/IPI, no valor de R$ 1.729,109,46, no período de julho a dezembro de 2016. Sobre a diferença entre as quantias informadas nos dois arquivos, no valor de R$ 6.057.168,46, a fiscalização aplicou a multa no percentual de 3%. Como a fiscalização entendeu que restou caracterizada a infração à lei, deduziu daí a responsabilidade solidária e o interesse comum de que tratam os arts. 124, I, e 135, III, todos do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, foram arrolados como responsáveis solidários os srs. Paulo Eugênio Fernandes de Souza (diretor e administrador da empresa até 13/12/2016) e Aurélio Conrado de Souza (procurador e, a partir de 13/12/2016, administrador da empresa), conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 122/127. Em sua impugnação, de fls. 132/143, a contribuinte alega, em resumo, que já havia encaminhado à fiscalização arquivo contendo as diversas modalidades de Sped e que ela ignorou as informações, bem assim os esclarecimentos apresentados, e promoveu a penalidade sem apresentar demonstrativo de cálculo para justificar a divergência apurada. Expõe que o demonstrativo por ela apresentado tendo por base as informações constantes do arquivo Sped EFD ICMS/IPI, que teria sido ignorado pela fiscalização, apresenta um montante de R$ 7.534.156,51, a título de saídas nos CFOP 5401/6401/5910/6910, o mesmo apurado pela fiscalização por meio da ECD, e bem superior ao valor de R$ 1.729.109,66, utilizado pelo autuante para aplicação da multa. Quanto à responsabilização solidária do Sr. Aurélio Conrado de Souza, alega que até 13/12/2016 ele era somente procurador, não tendo praticado qualquer ato de gestão até essa data, assim não há que se falar em interesse comum. Aduz que o interesse comum é caracterizado pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador da obrigação, portanto esse interesse é inaplicável ao sr. Aurélio pelo menos até 13/12/2016. Argumenta que também a responsabilização em virtude de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei é inaplicável pelos mesmos motivos, pois essa Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 responsabilização somente seria possível se ele tivesse exercido a gestão da impugnante durante todo o período dos fatos geradores objeto do lançamento. O também arrolado como responsável solidário, sr. Paulo Eugênio Fernandes de Souza, apresenta sua impugnação, às fls. 176/196, onde, alega, em síntese, que a responsabilização não pode prosperar por inaplicabilidade da legislação aplicada, pois as exigências apuradas pela fiscalização foram devidamente informadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) e na EFD Contribuições. Assim, não haveria inexatidão e consequentemente ato em desacordo com a legislação. Argui que a entrega da declaração constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra evidência do Fisco. Argumenta ainda que os valores já se encontram parcelados por meio de adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), conforme comprovante que anexa, que também caracteriza confissão de dívida. Transcreve ainda os arts. 71 a 76 da Lei nº 4.502, de 1964, para concluir que esta lei fixa regras pela não punibilidade. Conclui também que jamais praticou qualquer ilegalidade quando exerceu a representação temporal da sociedade. Ao final, solicita a nulidade de todas as "punibilidades", tais como multas, lançamentos de ofício e arrolamento de bens, uma vez que todos encontram-se eivados de vícios e erros passíveis de nulidade. Como, de fato, de acordo com relatórios do Sped – documentos reproduzidos às fls. 148/154 –, os valores informados na EFD ICMS/IPI coincidem com aqueles apurados pela fiscalização por meio da ECD, o presente foi baixado em diligência à unidade de origem para manifestação do Auditor-Fiscal autuante, conforme resolução de fls. 202/203. Em resposta, foi exarada a informação fiscal, de fls. 223/228, que teve a seguinte conclusão: Do exposto, e com base nos elementos de autuação e de impugnação juntados ao processo administrativo fiscal n° 10314-720.172/2018-51, concluímos o que segue: a) O lançamento de multa regulamentar ora sob análise decorreu da divergência de valores de receitas de vendas, identificada entre o informado pelo contribuinte através dos arquivos SPED ECF e os arquivos SPED EFD ICMS/IPI; b) O lançamento foi realizado na data de 05/03/2018, com base nos arquivos SPED baixados pela Fiscalização na data-base de 06/02/2018, arquivos esses ora integralmente juntados ao processo administrativo fiscal, na forma de arquivos não pagináveis; c) Foram produzidos pela Fiscalização, no curso da presente diligência fiscal e com base nos mesmos arquivos SPED considerados na autuação, demonstrativos em arquivos não pagináveis, igualmente ora juntados ao processo, relacionando todas as operações que integram as contas contábeis de vendas e de bonificações (SPED ECF), no montante anual de R$ 7.786.278,12, e também as operações de saídas informadas no SPED EFD – ICMS/IPI, no total de R$ 1.729.109,66; Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 d) Por fim, cumpre assinalar, que, a despeito dos valores de saída contidos nos arquivos SPED de nota fiscal eletrônica – Nfe, não terem integrado a base de cálculo da multa regulamentar ora sob comento, o contribuinte foi igualmente intimado a retificá-los, conforme o constatado no citado termo fiscal n. 002, tendo, da mesma forma, se omitido de providenciar tal retificação, bem como abstendo- se, em sua impugnação, de qualquer comentário ou da apresentação de elementos de prova; e) Nesse sentido, os demonstrativos em arquivos não pagináveis mencionados na alínea “c” anterior, igualmente integram discriminação de todas as operações de saídas informadas no SPED NFe, e que somam R$ 1.744.712,12, valor esse muito próximo ao informado no SPED EFD ICMS/IPI, evidenciando a iniciativa do contribuinte em guardar coerência entre os dados fiscais declarados, representando indício de intenção de burlar o Fisco. Portanto, durante o procedimento fiscal o sujeito passivo não corrigiu as informações no SPED EFD e SPED Contribuições, conforme o demonstrado e constatado através das informações supra relatadas. Assim, o presente auto de infração deve ser mantido. Ciente da informação acima, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 210/218, onde, em resumo, reforça a alegação de que as saídas referentes aos CFOP 5401/6401/5910/6910, informadas nos arquivos Sped EFD ICMS/IPI, totalizaram R$ 7.534.156,51 e que a fiscalização continua ignorando os esclarecimentos e as informações constantes nos arquivos apresentados. Argumenta que, em processo diverso, de constituição do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a própria fiscalização considerou receitas totais superiores ao valor de R$ 1.729.109,66 considerado no presente. Alega também que na EFD ICMS/IPI foram declarados débitos de IPI correspondentes a receitas de vendas no valor de R$ 7.534.156,51, Reforça que os arquivos em questão foram entregues em 18/09/2017, conforme se verifica nos recibos anexados com a impugnação, antes do termo de intimação nº 2, à fl. 85. Por fim, requer a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. A autuada IBC – INDÚSTRIA BRASILEIRA DE CIGARROS LTDA foi intimada pela via eletrônica em data de 03/02/2019, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 275. O Autuado AURÉLIO CONRADO DE SOUZA foi intimado pela via postal em data de 07/02/2019, conforme Rastreamento de fls. 277. O Recurso Voluntário de fls. 282-293 foi protocolado em data de 27/02/2019 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 281) pelos autuados IBC – INDÚSTRIA BRASILEIRA DE CIGARROS LTDA e AURÉLIO CONRADO DE SOUZA, os quais pediram pelo provimento do recurso para que seja julgado improcedente o lançamento em todos os seus termos, desconstituindo os créditos dele originados e afastando ou reduzindo as multas aplicadas. O Autuado AURÉLIO CONRADO DE SOUZA igualmente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 296-304 em data de 08/03/2019 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 295, pelo qual pediu o provimento do recurso para que seja afastada a responsabilidade solidária sobre o lançamento. Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Ao analisar o processo, esta Relatora inicialmente propôs a Resolução nº 3402- 002.473 (e-fls. 309-320), acatada por unanimidade pelo Colegiado, convertendo o julgamento do recurso em diligência para as seguintes providências: 2.10. Com isso, no intuito de exaurir o contraditório e elucidar toda e qualquer dúvida sobre o crédito tributário, entendo pela necessidade de propor a conversão do julgamento em diligência, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem analise os argumentos apresentados em Recurso Voluntário, bem como demonstrativos e demais documentos comprobatórios constantes dos autos, possibilitando exaurir as dúvidas suscitadas sobre as comprovações alegadamente não analisadas. 2.11. Caso necessário, deve a Unidade de Origem intimar a Recorrente para apresentação de documentos que entender pertinentes para elucidação da diligência. 2.12. Após, elaborar Relatório Conclusivo e recálculo sobre as apurações e resultado da diligência, bem como intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. 2.13. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. Termo de Informação Fiscal às fls. 326-337, com ciência da contribuinte em 04/05/2020 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fls. 340), sem manifestação sobre o resultado da diligência. Através do Despacho de Encaminhamento de fls. 347 os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório e conforme analisado em Resolução nº 3402-002.473, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Síntese dos fatos Trata o presente litígio de contestação ao Auto de Infração para lançamento de multa regulamentar por apresentação de obrigação acessória, no caso, arquivos digitais com informações inexatas. A autuação teve por fundamento o artigo 57, inciso III, alínea “a”, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24/08/2001, incluído pela Lei n. 12.873, de 24/10/2013. Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 101/105, a contribuinte apresentou os arquivos do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) – Contábil - ECD, Nota Fiscal Eletrônica - NFe, Fiscal - EFD IMCS/IPI e EFD contribuições com divergências, uma vez que informou a receita, para os CFOP’s 5401, 6401, 5910 e 6910, no arquivo Sped ECD, no período de julho a dezembro de 2016, após a sua retificação, no valor de R$ 7.786.278,12. Todavia, o valor informado no arquivo Sped EFD ICMS/IPI, no mesmo período para aqueles CFOPs, foi de R$ 1.729.109,66. Posteriormente, o Sped ECD foi retificado, mas remanesceram diferenças nos demais arquivos, as quais foram apuradas pela Fiscalização considerando as saídas registradas na ECD para os CFOPs 5401, 6401, 5910 e 6910 e comparou com os mesmos CFOPs da EFD ICMS/IPI. A Recorrente alegou em peça de impugnação que: i) Já havia encaminhado à fiscalização arquivo contendo o SPED EFD ICMS/IPI e prestado esclarecimentos, os quais foram ignorados, com a penalidade aplicada sem o demonstrativo de cálculo necessário para justificar a divergência apurada, sendo de desconhecimento dos Recorrentes a origem dos valores apontados como supostas divergências, motivo pelo qual incide a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; ii) O demonstrativo entregue à Fiscalização teve por base as informações constantes dos arquivos do SPED EFD-ICMS/IPI e EFD-Contribuições, apresentando o valor de R$ 7.534.156,51, a título de saídas nos CFOP 5401/6401/5910/6910, o mesmo apurado por meio da ECD, e bem superior ao valor de R$ 1.729.109,66, utilizado para aplicação da multa; iii) Tais arquivos foram entregues em 18/09/2017, ou seja, antes do Termo de Intimação, de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal n. 002 (fls. 85) lavrado em 17/10/2017. Inicialmente, o ilustre Julgador de primeira instância reconheceu que os valores informados na EFD Fiscal ICMS/IPI e apontados com os relatórios do SPED (fls. 148/154), coincidem com aqueles apurados pela Fiscalização por meio da ECD, convertendo o julgamento do processo em diligência (Resolução nº 14-4.717 - fls. 202-203), para manifestação do Auditor Fiscal e reapuração do valor lançado. Em resposta, a Unidade de Origem informou que a base de cálculo da multa correspondeu ao percentual de 3% (três por cento), aplicado sobre o montante de informação omitida, inexata ou incompleta, o que foi demonstrado da seguinte forma: Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Esclareceu a Fiscalização que autuação foi embasada na seguinte conclusão: a) O lançamento foi realizado na data de 05/03/2018, com base nos arquivos SPED baixados pela Fiscalização na data-base de 06/02/2018 (arquivos não pagináveis de fls. 233 a 246), incidindo a multa regulamentar em razão da divergência de valores de receitas de vendas, identificada entre o informado pelo contribuinte através dos arquivos SPED ECF e os arquivos SPED EFD ICMS/IPI; b) Foram produzidos pela Fiscalização, no curso da diligência fiscal e com base nos mesmos arquivos SPED considerados na autuação, demonstrativos em arquivos não pagináveis, relacionando todas as operações que integram as contas contábeis de vendas e de bonificações (SPED ECF), no montante anual de R$ 7.786.278,12, e também as operações de saídas informadas no SPED EFD – ICMS/IPI, no total de R$ 1.729.109,66; c) A despeito dos valores de saída contidos nos arquivos SPED de nota fiscal eletrônica – Nfe não terem integrado a base de cálculo da multa regulamentar, o Contribuinte foi intimado a retificá-los (Termo Fiscal nº 2), o que não foi atendido. Em resposta de fls. 210 a 218, a Contribuinte esclareceu que, conforme consta no Item 5 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 335), os arquivos SPED Escrituração Contábil Digital (ECD) foram retificados em 24/11/2017, não tendo retificado os arquivos de Nota Fiscal Eletrônica, Fiscal ICMS/IPI e Contribuições por não haver qualquer erro ou inconsistência nas respectivas informações. Esclareceu, ainda, que os valores constantes do SPED EFD – ICMS/IPI, desconsiderados no cálculo da multa regulamentar, estão convalidados pelos demonstrativos referentes aos meses de julho a dezembro de 2016 e recibos de entrega da escrituração fiscal digital respectiva, os quais eram de pleno conhecimento da Fiscalização, motivo pelo qual é descabida a aplicação da penalidade. O Ilustre Julgador a quo não acolheu os argumentos da defesa e assim concluiu: De acordo com planilhas "operações consideradas no cálculo da multa", constantes dos arquivos não pagináveis (fl. 234)), a Fiscalização considerou as receitas referentes aos CFOPs aqui tratados, relativas ao segundo semestre de 2016, contidas na ECD (razão) e confrontou com as receitas dos mesmos CFOPs contidas na EFD ICMS/IPI, da seguinte forma (em R$): De acordo com o termo de verificação, a fiscalização apurou a base de cálculo da multa no valor de R$ 6.057.168,46, a diferença em relação à quantia apurada na tabela acima (R$ 6.036.571,71), no valor de R$ 20.596,75, deve-se ao valor das devoluções contido na ECD, que a fiscalização não levou em consideração. Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Em recurso voluntário a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: i) O Auditor Fiscal incorreu em erro ao ignorar os esclarecimentos prestados em 18/12/2017 (Dossiê do Procedimento Fiscal no. 10010-049.892/0817-32), nos quais foram apontados os valores constantes dos arquivos SPED EFD ICMS/IPI do período de julho a dezembro de 2016, o que poderia elucidar a improcedência dos valores utilizados no cálculo da penalidade aplicada; ii) No caso do SPED EFD-Contribuições os valores de receitas das saídas correspondem exatamente ao declarado no SPED EFD – ICMS/IPI, sendo que o valor apontado pelo Auditor-Fiscal de R$ 881.012,90 como suposta divergência, corresponde à receita ssomente do mês de dezembro de 2016, conforme restou consignado na resposta em atendimento ao Termo de Intimação nº 2 e respectivo demonstrativo; iii) Não foram contraditados os esclarecimentos em referência, resultando na aplicação da penalidade sem demonstração do cálculo utilizado para justificar as divergências que embasaram a autuação. Em peça recursal foram exemplificadas as informações que eram de conhecimento do Auditor Fiscal, através dos seguintes demonstrativos e recibos do SPED EFD- ICMS/IPI: Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Diante da dúvida suscitada pela Recorrente sobre o trabalho realizado em procedimento fiscal, em especial pelo argumento de inexistência das divergências apontadas e desnecessidade de retificação dos arquivos SPED EFD-ICMS/IPI e EFD/Contribuições, o julgamento do recurso foi convertido em diligência para os devidos esclarecimentos pela Unidade de Origem quanto aos erros indicados em recurso. Em resposta à Resolução nº 3402-002.473 (e-fls. 309-320), foram prestadas as Informações Fiscais de fls. 326-337, concluindo que a totalidade dos elementos de prova trazidos pelo contribuinte e juntados ao PAF 10314-720.172/2018-51 não alteram o lançamento, acrescentando que: i) Os arquivos SPED que fundamentaram a divergência de valores evidenciada no quadro supra, foram baixados exatos 110 (cento e dez) dias após o contribuinte ter sido regularmente intimado a corrigi-los, em desrespeito ao prazo concedido de 45 (quarenta e cinco) dias; ii) Os valores de receita bruta, constantes dos arquivos SPED ECD (recibo de entrega em 24/11/2017) e ECF (recibo de entrega em 07/12/2017) (fls. 99 e 100), não foram objeto de questionamento pela Fiscalização, uma vez que o contribuinte originalmente havia apresentado o SPED ECD com valores zerados de receita contabilizada e, através da retificação do SPED ECD, elevou a receita bruta anual contabilizada para R$ 7.786.278,12, montante esse efetivamente considerado no cálculo da multa regulamentar; iii) Foram relacionadas todas as operações que integram as contas contábeis de vendas e de bonificações (SPED ECF), no montante anual de R$ 7.786.278,12, e também as operações de saídas informadas no SPED EFD – ICMS/IPI, no total de R$ 1.729.109,66; iv) A simples apresentação dos recibos de entrega não faz prova dos valores de receita bruta; v) Os relatórios indicativos dos valores de receitas contidos em arquivos SPED EFD, relativos aos meses de julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2016 constantes às fls. 148 a 154, apresentaram montantes coincidentes com aqueles apurados pela Fiscalização por meio da ECD, porém sem elementos comprobatórios acerca da data em que foram produzidos, ou mesmo se os correspondentes arquivos digitais chegaram a ser efetivamente depositados pelo contribuinte; vi) As cópias de recibos de entrega de arquivos SPED EFD (fls. 155 a 166) foram datados em 18/09/2017 e 19/09/2017 e, portanto, em datas coincidentes com a ciência do autuado sobre o Termo de Fiscalização nº 2; vii) Os demonstrativos apresentados pela parte não constituem elemento de prova, tendo em vista que não integram recibos de apresentação do SPED, devidamente chancelados pelo agente recebedor. 3. Preliminarmente Como mencionado, a Recorrente pede a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, uma vez que os esclarecimentos prestados à Fiscalização e arquivo entregues, contendo o SPED EFD ICMS/IPI, foram ignorados, com a penalidade aplicada sem o demonstrativo de cálculo necessário para justificar a divergência apurada, sendo de desconhecimento dos Recorrentes a origem dos valores apontados como supostas divergências. Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Sem razão à defesa. Das informações trazidas a este voto, é possível verificar que o auto de infração apontou e descreveu claramente o fato e apuração que deu ensejo ao lançamento, bem como a capitulação e valores que compõem a base de cálculo do crédito tributário exigido. E como esclarecido pelo Autuante, a metodologia de cálculo da multa, por sua vez, encontra-se detalhada no Termo de Verificação Fiscal, de folhas 101 a 105. Verifica-se, pois, que a nulidade do lançamento somente poderia ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo e/ou insuficiente, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal, de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. Por sua vez, o rito processual do Decreto nº 70.235/1972 foi devidamente respeitado no litígio em análise, sendo a contribuinte devidamente cientificada, instaurando-se a fase litigiosa do procedimento com a apresentação tempestiva da defesa, pela qual foram apontados, detalhadamente, todas as matérias objeto de irresignação, demonstrando conhecimento pormenorizado do ato administrativo. Ademais, cumpre observar que a Contribuinte teve todos os seus direitos de defesa devidamente garantidos. Foram feitas várias intimações para possibilitar a apresentação dos livros contábeis e documentos passíveis de justificar eventuais razões modificativas ou extintivas da autuação, nos termos previstos pelo artigo 373, inciso II do Código de Processo Civil. Com isso, resta claro que inexiste nulidade a ser sanada, e não estão configuradas as hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual são nulos somente os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por tais razões, afasto a nulidade pleiteada pela Recorrente. 4. Mérito 4.1. Da multa aplicada A Recorrente questiona a autuação, argumentando que os arquivos SPED EFD ICMS/IPI foram entregues ao Auditor-Fiscal, porém ignorados, impossibilitando a apuração da base em que metodologia de cálculo para aplicação da penalidade. Alega que o fornecimento de informações pelos contribuintes, base de processamento pelo Fisco em suas diversas frentes de atuação (cobrança, parcelamento, restituição, ressarcimento, fiscalização, etc) se dá eletronicamente. Desta forma, o ateste do efetivo cumprimento da obrigação acessória de apresentar tais informações é materializado através de recibos, que contenham chancelas ou códigos de recebimento emitidos pelos agentes recebedores, sejam eles o SERPRO (no caso das diversas declarações IRPF, DCTF, PER/DCOMP, etc.) ou o Repositório Nacional (no caso dos arquivos SPED). Sem razão à defesa. Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 O lançamento em análise teve origem na apuração realizada por Auditor Fiscal da Delegacia Especial de Fiscalização de Comércio Exterior e Indústria – DELEX em São Paulo/SP, pela qual foi constatado que contribuinte informou a receita, para os CFOPs 5401, 6401, 5910 e 6910, no arquivo Sped ECD, no período de julho a dezembro de 2016, após a sua retificação, no valor de R$ 7.786.278,12, mas o valor informado no arquivo Sped EFD ICMS/IPI, no mesmo período para aqueles CFOPs, foi de R$ 1.729.109,66. Em sua impugnação, a contribuinte alega que apresentou arquivo EFD ICMS/IPI, durante o procedimento, em 18/09/2017, com receitas referentes aos CFOPs em questão no valor de R$ 7.534.156,51, que foi ignorado pela fiscalização. Como já mencionado neste voto, o auto de infração foi devidamente motivado, apontando, de forma inequívoca, a apuração que deu ensejo ao lançamento, bem como a capitulação e valores que compõem a base de cálculo do crédito tributário exigido. A metodologia de cálculo da multa igualmente foi demonstrada, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 101 a 105. Considerando os esclarecimentos prestados pela Unidade de Origem em resposta à diligência, os quais não foram contestados pela Recorrente, que permaneceu inerte à intimação de fls. 343, cumpre destacar as observações que serviram de base para conclusão pela procedência do lançamento: De acordo com planilhas não pagináveis, anexadas conforme Termo de Anexação de Arquivo Não-Paginável, de fl. 234 ("operações consideradas no cálculo da multa"), a fiscalização considerou as receitas referentes aos CFOPs aqui tratados, relativas ao segundo semestre de 2016, contidas na ECD (razão) e confrontou com as receitas dos mesmos CFOPs contidas na EFD ICMS/IPI, da seguinte forma (em R$): De acordo com o termo de verificação, a fiscalização apurou a base de cálculo da multa no valor de R$ 6.057.168,46, a diferença em relação à quantia apurada na tabela acima (R$ 6.036.571,71), no valor de R$ 20.596,75, deve-se ao valor das devoluções contido na ECD, que a fiscalização não levou em consideração. A impugnante alega que os valores da receita total informada na EFD ICMS/IPI seria de R$ 7.534.156,51, no entanto, conforme dados obtidos desses arquivos enviados pela contribuinte ao Sped, e anexados ao presente como arquivo não-paginável, conforme termo de anexação de fl. 233, o valor total da receita informado foi de R$ 1.729,109,46, o mesmo considerado pela fiscalização, conforme demonstrado na tabela abaixo: Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Frise-se que contrariamente ao que alega a impugnante não foram apresentados arquivos retificadores relativos à EFD ICMS/IPI, que foram originalmente enviados nas datas constantes na tabela abaixo (obtida do sistema ReceitanetBX): Portanto, não procede a alegação da contribuinte de que durante o procedimento fiscal enviou ao Sped arquivos com valores diferentes daqueles considerados pela fiscalização para apuração da multa lavrada. A defesa alegou que os arquivos do SPED EFD-ICMS/IPI foram entregues em 18/09/2017, ou seja, antes do Termo de Intimação, de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal n. 002 (fls. 85) lavrado em 17/10/2017. Todavia, consta nos autos que o Contribuinte teve ciência do Início de Procedimento Fiscal em 29/08/217 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 19), sendo que os recibos de entrega de arquivos SPED EFD (fls. 155 a 166) foram transmitidos em 18/09/2017 e 19/09/2017 (fls. 155-166), ou seja, após o conhecimento sobre a fiscalização. Ademais, como bem destacado pela Fiscalização em seus esclarecimentos, inexistem nos autos recibos que contenham chancela de entrega por parte do agente recebedor. Todos os elementos juntados pelo Contribuinte resumem-se a extratos e demonstrativos, que não atestam a retificação requisitada no início do procedimento de Fiscalização. E a exibição de demonstrativos de cálculo, minutas, extratos (até mesmo os obtidos junto ao próprio SPED ou de programas geradores de declarações), dentre outros, não tem o condão de atestar o efetivo cumprimento da obrigação acessória de apresentação de informações, assim como não comprova a época em que tal obrigação teria sido atendida. Observo que, não obstante o ônus da prova ser da Fiscalização, uma vez tratar-se de lançamento de ofício, em nenhum momento a Contribuinte buscou contrapor, Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 especificamente, o levantamento realizado, apresentando contraprova suficiente para demonstrar a insubsistência do trabalho fiscal. A mera alegação abstrata e sem qualquer elemento de prova não é suficiente para a desconstituir o lançamento de ofício. E, uma vez fundamentado o ato administrativo, como de fato ocorreu no caso em análise, resta gerada a presunção de validade, especialmente por ter origem em dados constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, de acordo com as informações prestadas pela própria Contribuinte. Com isso, diante da presunção de validade atribuída ao lançamento, restou à Autuada o ônus de comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo da autuação (art. 373, II do CPC), resultando na inversão do ônus probatório em desfavor da Contribuinte. Diante de tais fatos, entendo que não subsistem os argumentos da defesa sobre a ausência de demonstração da apuração da base de cálculo e metodologia e demais alegações de mérito apontadas para contestar o lançamento. Por sua vez, o lançamento de multa regulamentar teve por fundamento o art. 57, inciso III, alínea “a”, da Medida Provisória n. 2.158-35, de 24/08/2001, incluído pela Lei nº 12.873, de 24/10/2013, que assim prevê: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumpri-las ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III - por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) A penalidade aplicada observou o percentual de 3% (três por cento), aplicado sobre o montante de informação inexata, ou seja, sobre a divergência de valores de receitas de vendas, identificada entre o informado pelo contribuinte através dos arquivos SPED ECF e os arquivos SPED EFD ICMS/IPI. Portanto, está correta a multa aplicada, a qual deve ser mantida. 4.2. Da responsabilidade solidária de Aurélio Conrado de Souza Considerou a Fiscalização que restou caracterizada a responsabilidade solidária em razão do interesse jurídico, que diz respeito à realização conjunta, pelos sócios administradores elencados, da situação que constitui o fato gerador. Consta no Termo de Sujeição Passiva Solidária a seguinte motivação: 3. As divergências identificadas no curso da auditoria fiscal e explicitadas através dos Termos de Verificação Fiscal e dos Autos de Infração - ora entregues em cópias Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9779.htm#art16 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12873.htm#art57 Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 integrais aos responsáveis mencionados em epígrafe, juntamente com o presente Termo de Sujeição Passiva Solidária - ensejaram a imposição de multa regulamentar, bem como lançamentos de IPI, PIS e COFINS. 4. Com efeito, a legislação estabelece que será realizado lançamento de ofício quando constatado que o sujeito passivo fez declaração inexata, que contenha ou omita elementos que impliquem redução do imposto a pagar, ou quando não fizer ou fizer com inexatidão o pagamento do imposto devido. (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 - RIR/99, art. 841, III e IV, concomitantemente com os artigos 181 e 186 do Decreto 7.212, de 15/06/2010 - RIPI). 5. No presente caso a Lei 8.137, de 27/12/1990 em seus artigos 1º e 2º também define crimes contra a ordem tributária e econômica e contra as relações de consumo constatados no curso desta fiscalização. 6. Em razão do demonstrado através dos Termos de Verificação Fiscal citados, restou caracterizado que falta de declaração e de recolhimentos do IPI, do PIS e da COFINS constituem infração de lei, daí decorrendo a responsabilidade de que trata o art. 135, III do Código Tributário Nacional – Lei n 5.172, de 25/10/1966: (..) 10. Da estrutura societária demonstrada no item 1 supra, restou caracterizada a existência do interesse comum de que trata o art. 124, I do CTN, revelado pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização conjunta, pelos sócios administradores elencados, da situação que constitui o fato gerador. (...) Com base no conjunto de informações ora relatadas, fica caracterizada a SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, nos termos dos art. 121, II, 124, I e 135, III, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e artigo 210, VI, do Decreto 300, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda, de AURÉLIO CONRADO DE SOUZA, CPF n. 043.022.486-96 e PAULO EUGÊNIO FERNANDES DE SOUZA, CPF n. 285.102.594-53, relativamente às exigências tributárias formalizadas no curso do presente procedimento fiscal, como decorrência das verificações acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo IBC – INDÚSTRIA BRASILEIRA DE CIGARROS LTDA, CNPJ n. 20.901.675/0001-19. Argumenta a defesa que de Aurélio Conrado de Souza nunca foi sócio da empresa IBC – INDÚSTRIA BRASILEIRA DE CIGARROS, bem como não praticou qualquer ato de gestão até 13/12/2016, não havendo que se falar, portanto, em interesse jurídico e responsabilidade solidária. O ilustre julgador a quo manteve a responsabilidade solidária do autuado em referência, por concluir que: De fato, o sr. Aurélio somente passou a administrador da empresa a partir de dezembro de 2016, no entanto era dela procurador, conforme consta no TVF, ou seja, era seu representante, assim está entre as pessoas elencadas no art. 135 do CTN, acima transcrito. Quanto ao fato de não haver praticado atos de gestão durante a ocorrência dos fatos geradores, cabe esclarecer que os arquivos Sped EFD ICMS/IPI, relativos ao segundo semestre de 2016, e que foram considerados pela fiscalização, foram apresentados em 2017, conforme tabela acima, ou seja, já com o sr. Aurélio como administrador da sociedade. Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Desta forma, não se pode alegar que no período em questão o sr. Aurélio não exerceu a gestão da empresa, pois todos os arquivos utilizados foram apresentados durante a sua administração. Com relação à alegada falta de interesse comum por parte do sr. Aurélio, cumpre esclarecer que durante o período fiscalizado ele era procurador e posteriormente passou a ser administrador da empresa (período em que os referidos arquivos foram apresentados), assim não há como negar que alguém com tais características possua os mesmos interesses que a empresa que dirige. Diante do exposto, o sr. Aurélio Conrado de Souza deve ser mantido como responsável solidário do lançamento, uma vez que ficou caracterizada a infração à lei durante a sua gestão, prevista no art. 135 do CTN, acima transcrito. (sem destaques no texto original) Neste ponto, entendo que assiste razão à defesa. Explico: Assim dispõe o artigo 135 do Código Tributário Nacional: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O inciso III trata de responsabilidade pessoal e demonstra evidente contradição com a figura da solidariedade. A responsabilidade pessoal necessariamente recai sobre aquele que cometeu pelo menos uma das condutas estabelecidas, quais sejam: atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Neste caso, a dívida tributária é direcionada para aquele que, agindo por conta própria, pessoalmente, usurpou poderes que não possuía, indo além do que lhe era permitido pelo estatuto, pela lei ou pelo contrato social. Logo, a exigência atinge pessoalmente aquele que cometeu o ato infracional, não se configurando solidariedade com o contribuinte (pessoa jurídica). Tanto é que a responsabilidade pessoal prevista pelo artigo 135 não foi inserida pelo legislador no texto legal que trata da solidariedade (Sessão II, do Capítulo IV do CTN). Cumpre ponderar que, se a ocorrência de toda e qualquer infração de lei autorizasse a atribuição de responsabilidade tributária a terceiros com fulcro no inciso III, do art. 135 do CTN, deveria todo e qualquer lançamento de ofício trazer como responsável solidário ao menos um dos diretores, gerentes ou representantes legais das pessoas jurídicas, considerando que uma autuação necessariamente nasce embasada em uma suposta infração de lei. Por sua vez, concluir que a falta de declaração e de recolhimento de tributos automaticamente configura a responsabilidade de que trata o art. 135, III do CTN, na forma como procedeu e justificou a Fiscalização no caso em análise, resulta em negar a distinção da personalidade da pessoa jurídica e de seus sócios, o que somente pode ser desconsiderada nas hipóteses previstas pelo artigo 50 do Código Civil, que assim prevê: Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) Feitas tais considerações, não é possível aceitar que a exceção (desconsideração) passe a ser indiscriminadamente uma regra. Ademais, a responsabilidade tributária de terceiros, na forma prevista pelo art. 135 do CTN, mantém inalterada a personalidade jurídica da empresa, redirecionando a exigência para aquele que agiu com excessos sobre o ato relacionado ao fato gerador da exigência. Já a desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 da Lei nº 10.406/02, exige o desvio de finalidade ou confusão patrimonial, passando a confundir a personalidade jurídica da empresa com a do sócio. Portanto, diante da motivação utilizada pela Fiscalização para atribuir a responsabilidade ao Sr. Aurélio Conrado de Souza apenas pelo simples fato de ser sócio, entendo que não resta configurada a conduta necessária para vinculação com a infração cometida. Da mesma forma, não cabe a incidência do artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 Fl. 18 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Concluiu a Fiscalização no caso em análise, que “restou caracterizada a existência do interesse comum de que trata o art. 124, I do CTN, revelado pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização conjunta, pelos sócios administradores elencados, da situação que constitui o fato gerador.” Ocorre que o “interesse comum” previsto pelo inciso I do art. 124 do CTN não pode ser interpretado de forma genérica e utilizado indistintamente, e sem os pressupostos fáticos necessários, desvirtuando o objetivo do legislador, numa aparente busca de se manter o crédito tributário a qualquer custo. O interesse comum previsto pelo art. 124, inc. I, do CTN pressupõe que todos os sujeitos passivos da obrigação tributária tenham concorrido para a realização do fato jurídico tributário, instaurando-se um concurso de contribuintes na realização daquele fato. Neste sentido, colaciono os ensinamentos do ilustre Doutrinador Paulo de Barros Carvalho 1 : "(...) O interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação." Destaco igualmente o r. voto da Ilustre Conselheira Bianca Felícia Rothschild, referente ao v. Acórdão nº 2402-005.703, proferido em julgado ao PAF nº 15983.720065/2015-11: O dispositivo acima pugna pela solidariedade quando há interesse comum na constituição do fato gerador da obrigação principal. Ou seja, não basta que haja interesse financeiro nos resultados advindos da situação, mas um envolvimento direto na materialização do fato econômico tributável. Em outras palavras, há que se reconhecer que tal interesse comum é um interesse jurídico e não um interesse meramente econômico. Em linha com este entendimento, são precisas as palavras do Professor Luís Eduardo Schoueri 2 : Interesse comum só têm as pessoas que estão no mesmo pólo na situação que constitui o fato jurídico tributário. Assim, por exemplo, os condôminos têm ‘interesse comum’ na propriedade; se esta dá azo ao surgimento da obrigação de recolher o IPTU, são solidariamente responsáveis pelo pagamento do imposto todos os condôminos. Note-se que o débito é um só, mas todos os condôminos se revestem da condição de sujeitos passivos solidários. (grifei) 1 CARVALHO. Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 525. Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3402-008.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.720172/2018-51 O responsável obrigado solidário para utilizar a redação do Código Tributário Nacional – portanto, é a pessoa que esteja relacionada intrinsecamente, em comum com outra, na realização do núcleo do aspecto material da respectiva hipótese de incidência tributária. Desta forma, resta-se configurado o interesse jurídico de tal solidário. Ou seja não basta nem a mera participação na situação fática que gera o fato gerador e nem o benefício econômico para se caracterizar o interesse comum. Prossegue, neste sentido, o Professor Luís Eduardo Schoueri 3 : Mesmo que duas partes em um contrato fruam vantagens por conta do não recolhimento de um tributo, isso não será, por si, suficiente para que se aponte um ‘interesse comum’. Eles podem ter ‘interesse comum’ em lesar o Fisco. Pode o comprador, até mesmo, ser conivente com o fato de o vendedor não ter recolhido o imposto que devia. Pode, ainda, ter tido um ganho financeiro por isso, já que a inadimplência do vendedor poderá ter sido refletida no preço. Ainda assim, comprador e vendedor não têm ‘interesse comum’ no fato jurídico tributário. (grifei) Deste modo, somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum se autoridade fiscal demonstrar o interesse jurídico dos aludidos sujeitos passivos em relação a situação que constitui os lançamentos fiscais. Restando configurado que o autuado solidário agiu legalmente no exercício de suas funções, dentro dos limites estabelecidos no contrato social, não há que se falar em responsabilidade solidária com fundamento no inciso I, do art. 124 do Código Tributário Nacional, uma vez que eventual interesse econômico, neste caso, não se constitui em interesse jurídico na prática do fato gerador. Importante esclarecer que não se defende que o sócio jamais poderá responder pelas dívidas tributárias da empresa, mas somente que tal imputação não poderá ser embasada pelo inciso I do art. 124 do CTN, uma vez que a circunstância abstrata deste dispositivo legal exige a pluralidade de contribuintes com “interesse comum” (jurídico) na ocorrência do fato gerador, o que, via de regra, não se molda ao presente caso. Por tais razões, voto para que seja afastada a responsabilidade solidária em análise. 5. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do polo passivo do lançamento o Sr. Aurélio Conrado de Souza. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. op. cit. p. 526. Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.994163/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1302-000.976
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1302-000.974, de 16 de junho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.994155/2012-38, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourao, Flavio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert, Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1302- 000.974, de 16 de junho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.994155/2012-38, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourao, Flavio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert, Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se, o presente processo administrativo, de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte Houston S/A – Empreendimentos e Participações, ora Recorrente, através do qual pretendia-se quitar débitos próprios com créditos de IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Nos termos do despacho decisório emitido, contudo, o direito creditório não foi reconhecido, uma vez que identificou-se que a “ partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Não concordando com o que constou do Despacho Decisório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que o direito creditório não foi reconhecido, porque teria se olvidado de retificar a DCTF do período. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 94 16 3/ 20 12 -8 4 Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1302-000.976 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.994163/2012-84 Neste sentido, o Recorrente afirmou, em síntese, que, após realizar revisões internas na sua apuração, verificou que teria declarado um valor a maior a pagar em sua DCTF quando, na verdade, o valor a ser pago estaria corretamente declarado em sua DIPJ. Assim, o crédito invocado como direito creditório seria justamente da diferença entre o valor declarado na DCTF originária diminuído do valor efetivamente devido (posteriormente declarado na DCTF retificadora). Contudo, ao analisar as razões recursais do Recorrente, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente a Manifestação de Inconformidade. Como se observa do acórdão recorrido, a Turma de Julgamento a quo, em que pese ter reconhecido que na DCTF retificadora, transmitida após a emissão do Despacho Decisório, constar o débito correto de IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ), entendeu que caberia ao Recorrente comprovar, por meio da escrituração contábil e fiscal, notadamente o Livro Diário, o motivo pelo qual, na retificação, o débito anteriormente constituídos não era o correto. Não concordando com o entendimento exarado por aquela DRJ, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. Ainda, para comprovar suas alegações, juntou aos autos Livro Diário, o Razão Contábil, argumentando que, pela análise desses documentos seria possível verificar o pagamento indevido ou a maior indicado como crédito no pedido de compensação. Este é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, o contribuinte foi intimado do resultado do julgamento no dia 21/05/2019 (comprovante de fls. 62), apresentando seu Recurso Voluntário em 18/06/2019, conforme comprovante de fls. 64, ou seja, o Recurso ora em análise foi apresentado no prazo de 30 dias, como fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Como demonstrado acima, em síntese, o Recorrente alega que o seu direito creditório não foi reconhecido, uma vez que não promoveu a retificação da sua DCTF quando do envio do pedido de compensação. Contudo, quando do recebimento do despacho decisório, que foi emitido eletronicamente, o contribuinte retificou sua DCTF. Neste ponto, é bom deixar claro que o DD foi expedido em 05/12/2012 e a DCTF retificadora foi enviada, pelo contribuinte, em 02/01/2013. Pois bem. Este julgador, como já externando em vários acórdãos, tem o entendimento de que o processo administrativo fiscal é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1302-000.976 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.994163/2012-84 julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifou-se). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. - São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa, em especial quando se está invocando um direito creditório, oriundo de um pagamento indevido ao maior. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confira-se: IRPJ - PREJUÍZO FISCAL - IRRF - RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO - ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ - PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL - Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 - Câmara: Quinta Câmara - Número do Processo: 13877.000442/2002-69 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 - Primeira Câmara - Número do Processo:10768.100409/2003-68 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 - Acórdão 101-96829). Inclusive, não se pode deixar de mencionar que, no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confira-se: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. De toda forma, pelos documentos apresentados pelo contribuinte, pode-se verificar que, a princípio, lhe assiste razão. Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1302-000.976 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.994163/2012-84 Em primeiro lugar, quando se analisa a DIPJ 2011 (ano-calendário de 2010) (acostada aos autos às fls. 97 e seguintes), o que se verifica é que, no 4º Trimestre de 2010, de fato, o IRPJ foi apurado no valor de R$94.468,79, mesmo valor apontado na DCTF retificadora acostada aos autos às fls. 45. Por outro lado, às folhas 95, consta DARF com o pagamento de IRPJ do período no valor de R$240.553,45. Com o Recurso Voluntário, o Recorrente juntou aos autos o Razão Diário, em que consta a contabilização do “pagamento a maior” no valor de R$146.084,66. Entretanto, pela análise dos documentos realizada por este relator, em que pese ser bem factível a argumentação do Recorrente, não foi possível identificar a forma de apuração do tributo no período, em especial se o valor declarado como devido na DCTF retificadora, de R$94.468,79, estaria correto, para justificar o pagamento indevido ou a maior de R$146.084,66. Assim, tendo como Norte o princípio da Verdade Material, entende-se pela necessidade de conversão do julgamento em diligência. Neste sentido, a unidade de origem deverá, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, atestar se o valor declarado na DIPJ 2011, que, a princípio, é ratificado na DCTF retificadora, foi devidamente contabilizado pelo Recorrente. Caso positivo, a unidade de origem deve verificar se o valor que o contribuinte alega ter sido pago indevidamente e que foi indicado como crédito no pedido de compensação ora em análise, não foi utilizado em outro pedido de compensação e não compôs o ajuste anual. Deverá ser elaborado relatório conclusivo sobre a diligência, intimando-se o contribuinte a se manifestar no prazo de 30 dias. Após este prazo, independentemente da manifestação do Recorrente, os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10675.002080/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jun 29 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
ANÁLISE DE EVENTUAL INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02, ao Colegiado é defesa a manifestação sobre a eventual inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA AGRAVADA
Cabível a multa agravada, quando o autor do procedimento fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, reiteradamente, além de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixar de recolher os tributos devidos. A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma ou outro artifício, é forte indício de prática fraudulenta.
INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA AO ACUSADO
O princípio in dubio pro réu, ou acusado, pressupõe uma dúvida que, se inexistente, enseja a aplicação da norma que tipifica o fato que a ela se subsume.
Numero da decisão: 3302-010.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Recurso de Ofício: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Recurso Voluntário: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 ANÁLISE DE EVENTUAL INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA Em conformidade com a Súmula CARF n. 02, ao Colegiado é defesa a manifestação sobre a eventual inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA AGRAVADA Cabível a multa agravada, quando o autor do procedimento fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, reiteradamente, além de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixar de recolher os tributos devidos. A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma ou outro artifício, é forte indício de prática fraudulenta. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA AO ACUSADO O princípio in dubio pro réu, ou acusado, pressupõe uma dúvida que, se inexistente, enseja a aplicação da norma que tipifica o fato que a ela se subsume.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Recurso de Ofício: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Recurso Voluntário: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
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MULTA AGRAVADA Cabível a multa agravada, quando o autor do procedimento fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, reiteradamente, além de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixar de recolher os tributos devidos. A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma ou outro artifício, é forte indício de prática fraudulenta. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA AO ACUSADO O princípio in dubio pro réu, ou acusado, pressupõe uma dúvida que, se inexistente, enseja a aplicação da norma que tipifica o fato que a ela se subsume. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Recurso de Ofício: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Recurso Voluntário: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 20 80 /2 00 6- 52 Fl. 2132DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório Trata-se de processo administrativo fiscal no bojo do qual discute-se a exigência de PIS e COFINS da Recorrente, tanto na condição de contribuinte como na de substituto. Por retratar com precisão os fatos até então ocorridos no presente processo, adoto e transcrevo o Relatório elaborado pela Primeira Seção do CARF, quando da sua análise do processo, que resultou na declinação de competência. Trata o feito de auto de infração para exigência de créditos tributários relativos à COFINS e ao PIS, devidos pelo recorrente no período de apuração de 28/02/1999 a 30/12/2002 tanto na condição de contribuinte, como enquanto substituto tributário. A ação fiscal em exame teve por objeto, inicialmente, a verificações de possíveis ações ilícitas perpetradas pelo recorrente com relação ao IRPJ e a CSLL. Quanto aos dois tributos retro, foi lavrado auto de infração específico, autuado no processo de nº 10675005110/200411 (IRPJ e CSLL). Vale destacar que a empresa já havia sido alvo de outros dois processos em que foram lavrados autos de infração para exigir o PIS e COFINS (autuados nos PAs de ns. 10675003709/200509 e 10675002105/200618) concernentes aos anos calendários de 1997 e 1998 e ao mês de janeiro de 1999. Posteriormente, e dando prosseguimento ao trabalho investigativo, e após relatar as inúmeras intimações encaminhadas ao contribuinte, em que pouquíssimas foram efetivamente respondidas, a D. Auditoria trouxe notícias, também, da prática de atos pela empresa tendentes a dificultar o exercício investigativo, a se destacar: a) a falta de exibição de livros e documentos fiscais (mormente quanto aos anos de 2000 a 2002, tendo a empresa afirmado ter sido objeto de roubo e que, por isso, tais documentos teriam se perdido); b) as sucessivas mudanças de endereço de sua sede (domicílio tributário), inclusive no curso da ação fiscal; c) a interposição de pessoas desprovidas de capacidade econômica, apontadas como titulares da pessoa jurídica autuada. Frise-se que os motivos efetivamente declinados pela D. Auditoria Fiscal para justificar a exigência objeto deste feito, centra-se na falta de quaisquer informações concernentes ao PIS e COFINS em DCTFs nos anos de 1999 e 2000 (ainda que, nestes anos se tenha identificado "alguns" recolhimentos das contribuições em análise). Quanto aos anos de 2001 e 2002, a Autoridade Lançadora afirma terem sido declarados débitos das aludidas contribuições os quais, todavia, foram incluídos em programa de parcelamento não quitado pelo recorrente. E, para se proceder ao cálculo das exações, tanto as devidas pelo próprio contribuinte, como quanto aquelas cujo recolhimento lhe era imposto, enquanto substituto tributário, Fl. 2133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 foram considerados os valores de notas fiscais de compra (obtidas juntamente à fornecedores do contribuinte e mediante ordem judicial de busca e apreensão). Ao crédito apurado, foram acrescidas multa qualificada e agravada (225%), além dos encargos moratórios de praxe. Notem que justificativa para qualificar e agravar a penalidade foi concentrada nos mesmos fundamentos: a interposição de pessoas na gerência da empresa, as mudanças sucessivas da sede (ocorridas, insista-se, no curso da ação fiscal), a simulação do contrato de compra e venda das quotas sociais da empresa (por meio do qual passou-se o controle da sociedade às ditas "interpostas pessoas"), a falta de atendimento a diversas intimações fiscais e a falta de exibição de livros, documentos e declarações contábeis e tributárias. Além disso, foram lavrados termos de sujeição passiva em desfavor dos sócios de fato da empresa, a saber: JEFFERSON DE CASTRO, MARLI MENDONÇA MASSON, IRINEL1 CONCEIÇÃO JUNIOR e WLADIMIR CONCEIÇÃO. Regularmente intimados dos termos da autuação, apenas o contribuinte opôs a sua impugnação administrativa, por meio da qual arguiu, em síntese: a) a decadência do crédito tributário (a luz dos preceitos do art. 150, § 4, do CTN); b) o erro da apuração da base de cálculo, sustentando inexistir previsão legal a permitir o cálculo das exações a partir dos valores de entrada das mercadorias, além de haver uma ilegal presunção de que todos os combustíveis adquiridos teriam sido concretamente vendidos; c) a inexistência de motivos para o agravamento da multa, dado ter a empresa atendido a todas as intimações fiscais (não tendo se oposto à qualificação, propriamente, da penalidade); d) a inconstitucionalidade, por violação ao princípio do não confisco, do percentual da multa de ofício aplicado; e) a inconstitucionalidade da aplicação da variação da SELIC para apuração dosjuros de mora. A DRJ de Juiz de Fora, inicialmente, julgou parcialmente procedente aimpugnação exclusivamente para afastar o agravamento da penalidade imposta, mantendo-se, quanto ao mais, o lançamento ora polemizado. Ao chegar a este órgão julgador, a 2ª Turma do Segundo Conselho houve por bem anular o acórdão recorrido dado que, ante a exoneração de parte do crédito tributário, cabia à DRJ recorrer de ofício, o que inocorreu. Em novo julgamento, DRJ/JFA proferiu acórdão, desta feita para, além de afastar o agravamento da multa, reconhecer a decadência quanto a parte do crédito aqui exigido, relativo aos períodos compreendidos entre 28/02/1999 a 31/07/2001 (considerando-se a edição da Súmula 8, erigida pelo STF). Destaque-se, que a citada turma julgadora aplicou os preceitos do art. 173, I, quanto aos três primeiros trimestres de 1999 (assentando não ter ocorrido, neste período, qualquer pagamento dos tributos), e 150, § 4º quantos aos demais (justamente por ter identificado pagamentos, ainda que parciais, durante aqueles exercícios). Por ocasião do novo exame ora noticiado, a DRJ recorreu de ofício a este CARF. O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento em 08/05/2009 (uma sexta-feira efl. 2008), tendo interposto seu recurso voluntário em 09/06/2009 (doc. de efl. 2047), por meio do qual reiterou o argumento concernente à impropriedade da base de cálculo apurada, reprisando, outrossim, e apenas, a alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada. Fl. 2134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 Os solidários, registre-se mais uma vez, não se manifestaram. Os autos foram, então, distribuídos à 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara que resolveu converter o julgamento em diligência a fim de determinar o sobrestamento deste feito até o julgamento em definitivo dos processos atinentes ao IRPJ e a CSLL e os reflexos (PIS e COFINS devidos em anos anteriores). Conforme se depreende do despacho de encaminhamento constante de efl. 2.114, verifica-se a notícia de que a diligência supra não teria sido cumprida tendo em conta o fato dos débitos objetos dos processos tratados alhures já se encontrarem inscritos em dívida ativa e sob a responsabilidade da PGFN. Este é o relatório. Como resultado da análise do processo pela 2ª Seção foi declinada a competência do julgamento para a 3ª Seção, nos seguintes termos: A par das considerações do D. Relator, o fato é que a situação tratada no processo não se amolda aos preceitos do art. 2º, IV, do RICARF. Realmente ainda que se possa identificar alguma "interseção" entre os elementos de fato dos processos, quando muito, conexos, é inegável que, pelo próprio TVF, as infrações apuradas no PTA de nº 10675.005110/200411 e aquelas aqui analisadas são absolutamente distintas. Aliás, o próprio Relator deixa claro que, naquele feito, constatou-se a omissão de receitas por meio de depósitos bancários de origem desconhecida, ao passo que, aqui, lançou-se o crédito por constatação de mera ausência/insuficiência de recolhimento. É certo, outrossim, que neste processo calcou-se a apuração fiscal tão só na disparidade entre volumes de compra de combustíveis e os valores registrados pela empresa a título de venda destas mesmas mercadorias. Em outras palavras, este auto de infração não só não considerou as receitas omitidas a partir de depósitos bancários, como também partiu de elementos absolutamente estranhos ao processo concernente ao IRPJ e à CSLL. Assim, e com o devido respeito ao D. Relator, inexiste na espécie uma coincidência entre os elementos de fato utilizados para fundamentar as autuações relativas ao IRPJ e a CSLL e a imposição aqui versada (PIS e COFINS), não se observando, pois, o preenchimento dos requisitos descritos no aludido art. 2º do RICARF para, assim, atrair, à esta turma, a competência para a análise do feito. Diante do exposto, voto por, com espeque nos preceitos combinados dos artigos 2º, IV e 4º, inciso I, do RICARF, declinar a competência desta Turma para apreciar a matéria em litígio, devendo os autos serem encaminhados à D. 3ª Seção deste CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad, Relator. 1. Recurso de Ofício 1.1. Admissibilidade do Recurso de Ofício. Fl. 2135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 A DRJ, na decisão ora sob exame, evidencia o valor exonerado às e-fls. 1988. b) excluir, por decadência, os valores de R$ 3.948.444,13 e R$ 855.280,48, exigidos nos autos, referente á Cofins e ao PIS, respectivamente, no período de fevereiro de 1999 a julho de 2001; c) manter as exigências de R$ 1.338.930,89 e RS 290.035,45, referente à Cofias e ao PIS, respectivamente, do período de agosto de 2001 a dezembro de 2002 com multa qualificada (150%) e juros moratórios. Tendo sido o valor exonerado superior a quatro milhões e meio de reais, conforme consta na própria decisão atacada, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. 1.2. Mérito do Recurso de Ofício. O Acórdão proferido pela DRJ de e-fls. 1988, submeteu este processo ao CARF em “recurso de ofício.” em razão de (i) declarar decadência, e (ii) excluir parcela referente a multa agravada. Em relação ao reconhecimento da decadência, a decisão sob exame considerou que tratando-se de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vigorava a norma que estabelecia o prazo de dez anos (Lei 8.212/91, art. 45), que foi declarada inconstitucional, inclusive objeto de súmula vinculante n. 08, que vincula a Administração Pública que, por sua vez, passa a aplicar o CTN, especificamente os artigos 150 e 173. No caso, é de se pontuar o seguinte: A empresa não apresentou as DCTF entre o 1º trimestre de 1999 e o 4º trimestre de 2000, A empresa recolheu parte do PIS e da COFINS devidos a partir do 4º trim de 1999, Em 2001 e 2002 a Recorrente apresentou DCTF. Em relação ao três primeiros trimestres de 1999, nos quais não houve declaração ou recolhimento, é de se aplicar o artigo 173, I do CTN, o prazo para lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido realizado. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para estes casos, o prazo para lançamento terminou no dia 31.12.2004, e ele foi realizado em agosto de 2006, portanto atingido pela decadência. Em relação ao 4º trimestre de 1999, quando houve recolhimento parcial do tributo, aplica-se o prazo decadencial regido pelo art. 150, IV do CTN, contado a partir do prazo de cinco anos a partir da data do fato gerador, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da Fl. 2136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação No caso concreto, tendo o lançamento sido realizado em agosto de 2006, encontram-se atingidos pela decadência os lançamentos dos tributos cujos fatos geradores ocorreram entre 28.02.1999 e 31.07.2001, razão pela qual deve ser negado provimento a este capítulo do Recurso de Ofício. No que diz respeito à exclusão de parcela referente a multa agravada, para a análise da questão é necessário destacar a existência de duas penalidades distintas, quais sejam: O parágrafo 2º do art. 44 da Lei 9.430/96 e inciso I do art. 70 da Lei n. 9.532/97 preveem a aplicação da multa de ofício de 112,5% (agravamento) nos casos em que o contribuinte não atender, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou documentação técnica específica prevê aumento da multa em 50% O artigo 44 da Lei 9.430/96 prevê duplicação da multa no caso de sonegação, fraude ou conluio (art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64) No caso concreto a DRJ entendeu que houve sonegação por fraude, o que motiva a duplicação da multa, todavia o Acórdão em questão não identificou a ocorrência do não atendimento aos prazos estipulados pela fiscalização, razão pela qual entendeu que ser indevido o agravamento de 50% da multa. Efetivamente, por efetivamente não haver ocorrido o fato que enseja o agravamento da multa, voto no sentido de negar provimento a este capítulo do Recurso de Ofício. 2. Recurso Voluntário. 2.1. Admissibilidade do Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário protocolado por Uberlândia Distribuidora de Petróleo do Triangulo em 15.06.2009 é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual o conheço. 2.2. Merito do Recurso Voluntário. Não havendo preliminares é de se adentrar no mérito do Recurso. Inicialmente cumpre destacar que no processo 10675.005110/200411, relativo aos mesmos fatos, todavia com repercussão no Imposto de Renda, restou decidido pelo CARF que não houve nulidade do processo pelo fato do termo de intimação haver sido recebido pelo zelador da empresa no domicílio fiscal da mesma, que a empresa não apresentou escrituração contábil em relação ao ano-calendário de 1999, nem foram entregues o Livro Diário, Livro Fl. 2137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 Razão e o LALUR, o que configura infração ao dever de manter escrituração contábil-fiscal, resultando correto o arbitramento do lucro, bem como a multa no percentual de 225%, eis que configurado o evidente intuito de fraude, especialmente em razão das DCTF haverem sido entregues com valores zerados, em decisão proferida em 05.02.2009 e mantida pela CSRF em 16.05.13, nos seguintes termos O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Delimitando a lide, a questão cinge- se à investigação acerca da manutenção da multa qualificada decorrente de suposta conduta dolosa por parte do contribuinte co m vistas a praticar fraude. Ressaltase que o Recorrente manifestouse apenas no que concerne à manutenção da multa qualificada, nada mencionando a respeito da multa agravada. Ainda, o contribuinte pugna pela fixação do dies a quo para a contagem do prazo decadencial pel a regra do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, e não pela regra do artigo 173, inciso I do referido diploma. A Fazenda Nacional, em suas Contrarrazões, requer a manutenção da multa qualificada em 150%, tanto do IRPJ quanto da CSLL, em razão de considerar o conjunto probatório trazido aos autos suficiente para a caracterização do dolo da conduta do contr ibuinte autuado, notadamente, com base nos fatos do Relatório Fiscal de fls. 20/35. Conseqüentemente, alega ser incabível a contagem do prazo decadencial pela regra do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Antes de analisar as situações fáticas do caso, cumpre verificar a natureza da sanção tributária, em especial da multa qualificada. O vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe1 . Assim, a sanção corresponde à conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual é a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verificase no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vínculo (i n casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcular- se o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatória, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas2 classificaas como repressivas ou repressivo- compensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigá- lo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passase ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de ofício de natureza tributária, mais especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em decorrência, principalmente, do nãopagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. Em lançamentos de ofício poderão ser Fl. 2138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penaltributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cofres públicos). Será de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada às infrações decorrentes de atos dolosos, visa ndo a fraude ou a sonegação fiscal. Para o evento do não pagamento, nos lançamentos de ofício, verificamos a imposição de multa de ofício, espécie de sanção pecuniária. As multas de ofício são penalidades pecuniárias repressivo- compensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de ofício constituemse em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. O percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compen satória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de ofício será agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 7 1, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Ou seja, importante observar que a menção aos a rtigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos cas os em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a aut oridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resul tado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzilo. Afirma- se que a autoridade administrativa precisa averiguar se efetivamente existiu dolo para que então possa imputar a multa qualificada, com base no próprio Código Penal Brasileiro, o qual assevera no parágrafo único do artigo 18 que: “Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.” Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de ofício sem qualificaçã o, não impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo paga mento do imposto é objetiva. O elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, que se ousa descrever de natureza “penal tributária”, tem característica repr essiva e punitiva devido à grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. O conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), Fl. 2139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a aç ões ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido3 . Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplicase o elemento subjetivo (trata- se de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplica- se o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penais- tributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referem- se ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Nesse ponto, para a falta de pagamento do imposto aplicase a responsabilidade objetiva, prevista no artigo 136 do Código Tributário Nacional: “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Já a aplicação da “multa qualificada” pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza “penal tributária”, alé m da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Sobre este aspecto, nunca é demais lembrar que a mera falta de pagamento de tributo não é crime, tampouco ato doloso. Arrematando a questão, o saudoso Ministro A liomar Baleeiro4 também pugna pela responsabilidade pessoal do agente por infrações decorrentes de dolo específico, firmando o seguinte entendimento: “RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE. Em princípio, a responsabilidade tributária por infrações da legislação fiscal cabe ao contribuinte ou ao coresponsável, como tais definidos no CTN Mas este, como vimos, em certos casos taxativos, também a estende a terceiros os arts. 134 e 135). Em certos casos especiais, a responsabilidade será de quem cometeu a infração o agente sem que nela se envolva o contribuinte ou sujeito passivo da obrigação tributária. Isso acontece, em princípio, quando o ato do agente também se dirige contra o representado ou quando se reveste de dolo específico. O CTN distingue três hipóteses. A primeira é a de a falta constituir ao mesmo tempo um crime ou contravenção penal. Mas, nesse caso, também, responde o contribuinte fiscalmente, se o agente estava no exercício regular de administração, mandato, função, emprego ou no cumprimento de ordem expressa de quem podia expedila. No terceiro caso, há diferentes hipóteses de o agente ter praticado atos contra os seus representados, mandantes, preponentes, patrões, etc. seria demais punilos quando já são vítimas e culpa não revelaram nas faltas dos prepostos. Mas entendase: a responsabilidade é exclusiva do agente quanto aos efeitos das infrações (multa, inclusive moratória, se se apossou dos fundos do mandante ou patrão e correção monetária,). Mas se o sujeito passivo continua responsável pelo imposto devido por atividade, ato ou coisa que fez surgir a obrigação tributária.” Concluise, assim, que a qualificação pressupõe a existência de fraude ou sonegação. Portanto, sempre que houver qualificação, esta deve ser motivada em separa do, já que não se confunde com o próprio motivo do lançamento, sendo certo que a motivação pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. Voltando ao presente caso, é inquestionável o fato de que o contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal solicitada pela Fiscalização. Conforme se dep reende do Relatório Fiscal de fls. 20/35, a fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica teve início com a lavratura do Termo de Intimação, com ciência em 08/11/2000. Contudo, reiteradamente, o contribuinte apresentou informações Fl. 2140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 incompletas e agiu com intuito meramente protelatório, extendendo a duração do procedimento de fiscalização. Após reiteradas tentativas frustradas de intimação do contribuinte para que este apresentasse os documentos necessários à apuração da contabilidade, não restou outra alternativa à fiscalização, que solicitou ao Ministério Público Federal a Busca e Apreensão de docum entos e livros fiscais, conforme seguinte trecho do Relatório Fiscal. “Haja vista a não manifestação do contribuinte, apesar de regularmente intimado, e impossibilidade de levantamento do crédito tributário por ausência de documentação para apuração do quantum devido, foi solicitada, ao Ministério Público Federal, a busca e apreensão de documentos e livros contábeis/fiscais na matriz da empresa, em Pindamonhangaba e na filial em Paulínea, bem como a obtenção junto às instituições financeiras, dos extratos bancários, visando apuração dos indícios de sonegação fiscal.” Portanto, não procede a alegação do contribuinte de que teria apresentado à fiscalização todos os documentos que estavam em seu poder. Em verdade, a Fiscalização somente pôde concluir o procedimento após decisão judicial de fls. 250/251 (Processo n° 2002.38.03.0023263), de 14 de junho de 2002, que decretou a quebra do sigilo bancário da empresa, bem com deferiu o pedido de busca e apreensão dos documentos e livros contá beis da empresa. Mas não é só, no tocante à qualificação da penalidade, há que se considerar o conjunto probatório, que não se confunde com eventual fato que enseja o agravamento da penalidade pelo embaraço da fiscalização. A qualificação da penalidade exige a compro vação de que vários fatos convergem para o agir de forma dolosa a ocultar a realidade dos fato s. É o que entendo ter ocorrido no presente caso, pelo que reproduzo os fatos narrados em trec ho do voto condutor do acórdão da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes nesse sentido: “(...) No presente caso, temse que a contribuinte apresentou suas DCTFs com valores “zerados”, o que afasta qualquer margem de erro e comprova o intuito fraudulento do Contribuinte de afastar a tributação, na medida em que indica a existência de intencional divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte, e seus motivos simulatórios. Entendo, assim, que deve ser mantida a qualificação da multa aplicada.” Não bastasse a falta de apresentação dos documentos solicitados, as buscas realizadas nos estabelecimentos indicados como da empresa fiscalizada foram diversas vezes frustradas, conforme Relatório Fiscal fls. 20/35, o que evidencia a utilização de estabelecimentos de fachada que serviram para ocultação da realidade dos fatos: “Na busca efetuada no estabelecimento matriz, em Pindamonhagaba, os Auditores Fiscais constataram que a sala alugada encontravase fechada e desabitada, sem lâmpadas telefone ou energia elétrica, havendo em seu interior diversas correspondências enviadas pela fiscalização (...)” (...) “Na busca efetuada na filial de Uberlândia, MG, foi constatado que o local encontravase lacrado e em estado de abandono, tendo sido informado, por um vizinho, que a empresa estava fechada há aproximadamente um ano e que uma funcionária lá comparecia esporadicamente para recolher as correspondências” Quanto ao estabelecimento de Paulínea, a fiscalização buscou informações junto à Agência de Correios da cidade, para averiguar se estava havendo extravio de correspondências, obtendo a seguinte resposta: “Foi obtida a informação de que a empresa adquiriu uma caixa postal e que as correspondências eram depositadas nesta, sendo colocado um aviso na caixa sobre a existência de correspondências registradas para serem retiradas. E o contribuinte não estava retirando as registradas, apenas as cartas comuns.” Diante o conjunto probatório, verifico hipótese de aplicação do disposto no artigo 72 da Lei 4.502/64, conforme seguinte trecho também extraído do Relatório Fiscal Fl. 2141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 de fls. 20/35: “(...) os sócios posteriores da empresa (sucessores), srs. Wladimir Conceição e Irineu Conceição Junior, ao ocultarem da fiscalização os livros e documentos contábeis/fiscais, não atendendo às intimações dos Auditores Fiscais da Receita Federal, protelando e dificultando de todas as formas possíveis o bom andamento do trabalho, demonstraram a intenção dolosa não só em impedir o conhecimento dos fatos geradores já ocorridos, mas também que o fisco apurasse a ocorrência de novos fatos geradores de obrigações tributárias, omitidas na escrituração e documentação ocultada propositalmente, visando reduzir o montante do imposto devido ou a evitar o seu pagamento, o que, em tese, configura fraude, nos termos do Artigo 72 da Lei No 4.502/64” De fato, há a Súmula n° 14, CARF, entretanto, no presente caso não se trata de mera presunção, mas de provas de fatos que, no conjunto, convergem para o intuito d oloso. Nessa toada, de se afastar a possibilidade de aplicação da regra contida no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, o que enseja a contagem do prazo decad encial conforme o disposto no artigo 173, inciso I do referido diploma. Portanto, tendo sido o contribuinte notificado em 27/12/2004 e os fatos geradores se reportarem a 31/03/1999; 30/06/1999; 30/09/1999 e 31/12/1999, verifico que não houve decadência para nenhum dos trimestres. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, mantendo integralmente o quanto decidido pelo acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 16 de maio de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias 2.3. Base de Cálculo utilizada. A Recorrente insurge-se contra a base de cálculo arbitrada, resultado da movimentação de combustíveis adquiridos para revenda com base nas notas fiscais de compra multiplicado pela preço usualmente praticado em cada período, o que resultou na ‘receita mensal’. A Recorrente insurge-se contra o ‘preço de mercado’ arbitrado, bem como que deveria ter sido levado em conta o volume do produto negociado, o tempo de giro e a forma de pagamento. Todavia, a Recorrente não contrapõe o argumento utilizado pela DRJ, na decisão atacada, segundo o qual o preço utilizado foi o mesmo usado nas suas notas fiscais que estavam em poder do fisco. Em relação à exclusão do estoque a DRJ entendeu que a Recorrente não apresentou à fiscalização qualquer documento a partir do qual pudesse ser calculado, nem contrapôs-se a este argumento, expresso na decisão atacada. Quanto a outros elementos que a Recorrente alega serem imprecisos, ela não trouxe nem na impugnação ou Recurso Voluntário qualquer argumento que pudesse contrapor aos utilizados. Finalmente, o fato da DRJ haver desconsiderado elementos inexistentes definitivamente não gera qualquer nulidade, como a pretendida, razão pela qual é de negar provimento a este capítulo recursal. 2.4. Natureza Confiscatória da Multa. Fl. 2142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 A Recorrente alega que a multa é confiscatória, violando os comezinhos princípios que norteiam o direito constitucional. Todavia tais argumentos, foram rechaçados pela DRJ em razão dela haver entendido que o princípio do não confisco aplica-se apenas aos tributos e não às multas. Todavia, em que pese tal entendimento, a arguição de princípios constitucionais para que sejam contrapostos a regras em vigor, ao menos em sede do CARF, é argumento que não pode ser apreciado por este Colegiado por força da Súmula Vinculante n. 02, razão pela qual voto por negar provimento a este Capítulo Recursal. 2.5. Aplicação da penalidade mais favorável ao acusado A Recorrente insurge-se contra os critérios utilizados para imposição da multa, requerendo a redução para o percentual de 20%. Contudo, durante o processo é possível constatar que a fiscalização envidou inúmeros esforços no sentido de obter a documentação que refletiria a base de cálculo do tributo, todavia durante a fiscalização a Recorrente transferiu sua sede três vezes de lugar, inclusive para lugares onde jamais exerceu atividades, alegou que houve roubo de documentos em 2002 (três anos antes da fiscalização, com tempo suficiente para que houvesse refeito a escrita), fatos levados em consideração pelo CARF quando da análise do processo relativo ao Imposto de Renda. Costatou-se ainda que o contribuinte optou por parcelamento no PAES mas foi excluído por inadimplência. Identificou-se que as cotas da empresa foram vendidas por cerca de 10% do seu valor, mas o valor pago foi ainda menor, e ainda adquiridas por funcionário da empresa e outra pessoa que não comprovaram ter capital para adquiri-las, tendo sido consideradas como ‘laranjas’. Em 2003 a cota de um dos sócios foi adquirida por uma sociedade sediada no Uruguai, cujo procurador não respondeu intimação a ele dirigida, o que caracterizou simulação. No Recurso Voluntário a Recorrente limitou-se a defender uma ‘tese’ deixando de mencionar o motivo pelo qual entende que a conduta por ela praticada foi culposa e não dolosa. Por estes motivos, não vejo como não afastar o elemento dolo na conduta da Recorrente. Com base nos entendimentos já expostos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 2143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-010.943 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.002080/2006-52 Fl. 2144DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11686.000379/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jun 25 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3402-002.960
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-002.954, de 28 de abril de 2021, prolatada no julgamento do processo 11686.000366/2008-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402- 002.954, de 28 de abril de 2021, prolatada no julgamento do processo 11686.000366/2008-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição para COFINS, cumulado com declaração de compensação. A Unidade de Origem, embasada em Relatório Fiscal proferiu Despacho Decisório, no qual foi concedido parcialmente o crédito solicitado e homologada parcialmente a declaração de compensação. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 37 9/ 20 08 -7 8 Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.960 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11686.000379/2008-78 O indeferimento parcial decorreu da constatação de supostas irregularidades, como a conclusão da Autoridade Fiscal pela não tributação sobre a cessão de créditos de ICMS para terceiros, bem como a apuração de créditos sobre fretes de transferências e fretes de devoluções, por não serem permitidos pela legislação. Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Os argumentos de defesa estão resumidos no respectivo relatório do acórdão recorrido e, na ementa, sumariados os fundamentos da decisão, devidamente detalhados no voto condutor. A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância, apresentando o recurso voluntário, pelo qual reiterou os argumentos da peça de manifestação de inconformidade, e pediu o provimento para que seja reconhecido o direito de constituir e descontar créditos de PIS e COFINS referente aos fretes de transferência de mercadorias entre suas unidades, seja de produto acabado, seja de matéria prima, bem como para excluir os créditos de ICMS da base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: 1. Pressupostos legais de admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 2. Da necessária conversão do julgamento do recurso em diligência Conforme relatado, a DRF de origem concedeu parcialmente o crédito solicitado pela Contribuinte, sob a conclusão de que foram constatadas as seguintes irregularidades: Não tributação sobre a cessão de créditos de ICMS para terceiros; Apuração indevida de créditos sobre fretes de transferências e fretes de devoluções; Com relação à cessão onerosa de ICMS, argumentou a Fiscalização que essa operação equipara-se a verdadeira alienação de direitos a título oneroso e origina receita tributável, devendo compor a base de cálculo para a contribuição para o PIS e da COFINS. Argumentou, ainda, que ao realizar a aquisição de produto sujeito à incidência do ICMS, está comprando a mercadoria propriamente dita, bem como comprando o crédito do imposto inerente àquele produto e, posteriormente, será alienado juntamente com a mercadoria, além de alienação do crédito fiscal, não sendo possível dispensar tratamento tributário diferenciado, devendo incidir PIS/COFINS sobre tais operações para restabelecer o equilíbrio tributário na operação. Por sua vez, argumenta a Recorrente que: Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.960 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11686.000379/2008-78 Não houve alienação onerosa de créditos de ICMS a terceiros, conforme afirma a Autoridade Fiscal, a quem incumbiria o ônus de provar tal alegação; É titular de incentivo fiscal, outorgado pelo estado do Rio Grande do Sul, que consistiria em um desconto dos valores devidos a título de crédito presumido de ICMS na ordem de 75% sobre o valor incidente nas saídas interestaduais de fertilizantes; Em processos com igual discussão, referentes a outros semestres, a Fiscalização reconheceu que os créditos de ICMS constantes da escrita fiscal da impugnante referiam ao benefício fiscal outorgado pelo Estado do Rio Grande do Sul e não de cessão onerosa de ICMS, de acordo com documento anexado aos autos; Caso fosse cessão de ICMS a terceiros não haveria tributação, pois deveria aplicar a Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008, que desonera a incidência de PIS e Cofins sobre cessão onerosa de ICMS, tendo aplicação retroativa, por ser norma mais benéfica, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional; A DRJ rejeitou os argumentos da Contribuinte, concluindo que bastaria a demonstração fidedigna de que o destino de qualquer uma das transferências identificadas no demonstrativo fiscal teria sido diverso daquele relatado pela Fiscalização para evidenciar o alegado equívoco ou que não houvesse outra operação. Ocorre que a Recorrente apresentou nos autos o Termo de Acordo firmado com o estado do Rio Grande do Sul, pelo qual concede à Recorrente crédito presumido de ICMS em montante igual ao que resultar da aplicação do percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do imposto incidente sobre as saídas interestaduais de fertilizantes de produção própria. Por sua vez, a Fiscalização fez menção à cessão de onerosa de créditos de ICMS, passando a discorrer sobre a natureza de tais operações e sem, no entanto, apontar detalhadamente a origem dos valores sobre os quais efetuou os ajustes, incluindo a tributação a título de PIS/COFINS. Igualmente cabe salientar que os documentos solicitados pela Unidade de Origem foram entregues por ocasião do termo de Início de Fiscalização, motivo pelo qual não pode ser considerada a omissão quanto ao ônus da prova sustentada pelo ilustre julgador de primeira instância. E a matéria de defesa trazida pela Recorrente neste processo, ou seja, a existência de crédito presumido de ICMS, foi objeto de análise em outros processos da mesma Contribuinte, a exemplo do PAF nº 11080.917958/2011-76, igualmente sorteado para esta relatora. Diante de tais fatos, resta demonstrada dúvida acerca da origem dos valores apurados pela Fiscalização, a qual deve ser sanada antes de se proceder ao julgamento deste litígio. Esclareço que esta Relatora não afasta a necessária aplicação da regra do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, uma vez que cabe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Todavia, diante dos indícios acima, tornando possível o erro ventilado, aplica-se o Princípio da Verdade Material, pelo qual a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, devendo prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para demonstração do direito pleiteado. O Ilustre Doutrinador MEIRELLES (2003, p. 660) 1 assim preleciona: O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio administrado, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. 1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro, 28. ed. atualizada. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 660. Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.960 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11686.000379/2008-78 Observo igualmente a necessária atenção aos Princípios da Finalidade e Razoabilidade na busca pela verdade material. No mesmo sentido, destaco a lição de Leandro Paulsen 2 : O processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação das provas ou ao esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos no processo. Com isso, antes de proceder ao julgamento, é necessário que a Unidade de Origem preste esclarecimentos sobre a motivação exposta na Informação Fiscal, em especial por não ter considerado o Acordo firmado com o Estado do Rio Grande do Sul para concessão do crédito presumido de ICMS, cujo incentivo fiscal a Contribuinte identifica como os valores que a Fiscalização aponta se tratar de cessão onerosa de créditos de ICMS. Observo, ainda, que não estão nos autos os documentos apontados pelo ilustre Julgador a quo, passíveis de fazer concluir que, de fato, deveria a Contribuinte afastar o argumento da Fiscalização quanto à origem dos ajustes realizados sobre os valores levados à compensação. Por outro lado, a Fiscalização menciona a glosa dos créditos originados de fretes de transferências e fretes de devolução, sem especificar a que títulos se deram tais transportes, ou seja, se referem a transferências de matéria-prima, embalagens ou produto acabado. Entendo que seja imprescindível tal detalhamento, evitando inviabilizar a discussão individual de cada item glosado, especialmente em razão de eventuais divergências sobre o tipo de cada operação e, principalmente, em razão do novo conceito de insumo trazido pelo Superior Tribunal de Justiça através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, para o qual a tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para apresentar documentos contábeis e fiscais que demonstrem a origem dos valores considerados pela Fiscalização para tributação das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS a título de cessão onerosa de ICMS ou, ainda, comprovar que tais valores se referem especificamente ao crédito presumido de ICMS, na forma alegada; b) Intimar a Contribuinte para demonstrar, de forma detalhada e individualizada, a natureza de cada frete que deu origem aos créditos solicitados, considerando o conceito de insumos segundo os critérios da essencialidade ou relevância, em conformidade com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; c) Realizar eventuais diligências que julgar necessárias para constatação especificada nesta Resolução; 2 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 5ª edição, Porto Alegre, Livraria do Advogado. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.960 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11686.000379/2008-78 d) Elaborar Relatório Conclusivo esclarecendo de forma conclusivas sobre as glosas e apurações efetuadas, constantes da Informação Fiscal e, sendo o caso, recalculando os valores apurados com o resultado da diligência; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para apresentar documentos contábeis e fiscais que demonstrem a origem dos valores considerados pela Fiscalização para tributação das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS a título de cessão onerosa de ICMS ou, ainda, comprovar que tais valores se referem especificamente ao crédito presumido de ICMS, na forma alegada; b) Intimar a Contribuinte para demonstrar, de forma detalhada e individualizada, a natureza de cada frete que deu origem aos créditos solicitados, considerando o conceito de insumos segundo os critérios da essencialidade ou relevância, em conformidade com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN- MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; c) Realizar eventuais diligências que julgar necessárias para constatação especificada nesta Resolução; d) Elaborar Relatório Conclusivo esclarecendo de forma conclusivas sobre as glosas e apurações efetuadas, constantes da Informação Fiscal e, sendo o caso, recalculando os valores apurados com o resultado da diligência; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.941560/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSA ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazê-lo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ÔNUS PROBATÓRIO. REQUERENTE.
A teor do art. 373, I, do Código de Processo Civil vigente (reprodução do art. 333, I do CPC/73), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do autor do feito a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, como sói ocorrer nas hipóteses de processos administrativos que albergam pedido de restituição de valores pagos indevidamente ou ressarcimento de direitos creditórios, onde o ônus probatório do cumprimento dos requisitos é do contribuinte, titular do direito reivindicado.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE DO CONCEITO.
Em conformidade com o Resp nº 1.221.170/PR, exarado pelo STJ, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.
Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA COBRANÇA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante o art. 32 da Lei nº 12.058/09, as saídas de produtos classificados nas posições NCM que menciona, quando efetuada a aquisição por pessoa ocorrem com suspensão do pagamento das contribuições não cumulativas, jurídica que industrialize produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02, sendo vedada a apropriação de créditos nessas hipóteses, a teor do art. 34, § 1º do mesmo diploma, pouco importando que os estabelecimentos adquirentes operem exclusivamente com a revenda, uma vez que o dispositivo se refere à pessoa jurídica e não ao estabelecimento.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. LENHA E BAGAÇO UTILIZADO COMO COMBUSTÍVEL PARA AQUECIMENTO DE CALDEIRAS. POSSIBILIDADE.
As aquisições de lenha e bagaço, como combustíveis para aquecimento de caldeiras permite a apuração de crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO D AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL.
Prevê o art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 que os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 da NCM garantem crédito presumido no percentual de 60% (sessenta por cento) sobre as aquisições de insumos, sinalizando o parágrafo dez do mesmo dispositivo, incluído pelo art. 33 da Lei nº 12.865/13, que a expressão produtos de origem animal refere-se às mercadorias produzidas pela pessoa jurídica beneficiária e não aos insumos por ela adquiridos.
CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. AQUISIÇÃO DE BOVINOS PARA ABATE. VINCULAÇÃO Á EXPORTAÇÃO NECESSÁRIA.
Pela leitura dos arts. 33 e 37 da Lei nº 12.058/09, as aquisições de bovinos para o abate e produção de carne e derivados somente garantem crédito presumido da agroindústria quando vinculadas à produção de mercadorias destinadas à exportação, não havendo como reconhecer o creditamento para as operações atreladas ao mercado interno.
DEVOLUÇÕES DE VENDAS REALIZADAS COM SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. DIREITO A CRÉDITO. DESCABIMENTO.
As devoluções de vendas realizadas com suspensão das contribuições não cumulativas, por imperativo de ordem lógico-jurídica, não possibilitam a apropriação de créditos.
FRETE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os fretes referentes às aquisições de insumos, pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, compõem o custo de aquisição dos insumos aplicados na produção, nessa condição, garantem o creditamento na apuração das contribuições não cumulativas.
FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os fretes relativos às transferências de insumos, entre as unidades fabris da pessoa jurídica, caracteriza-se como serviços aplicados na produção de bens destinados à venda, com direito de crédito no art. 3º, II da Lei nº 10.833/03.
FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. DIREITO DE CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica ou centros de distribuição, compõem o custo da operação de venda, garantindo o creditamento.
PEÇAS DE REPOSIÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. GLOSA COMO INSUMO. QUOTAS DE DEPRECIAÇÃO. REALOCAÇÃO.
Uma vez que a autoridade fiscal tenha promovido a reclassificação de peças de reposição averbadas como insumos aplicados à produção, por se enquadrarem, pelas suas características, como bens passíveis de registro no ativo imobilizado, deve realocar ditos valores para a rubrica máquinas e equipamentos aplicados na produção, com crédito pelas respectivas quotas de depreciação, nos termos do art. 3º, VI, § 1º, III da Lei nº 10.833/03.
JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA NO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE.
Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. Para incidência de SELIC deve haver mora da Fazenda Pública, configurada somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, nos termos do art. 24 da Lei n. 11.457/2007. Aplicação do o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 3301-010.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito á inclusão das aquisições com o CFOP 1125 na apuração dos créditos, como serviços (insumos) aplicados á produção, acaso ainda não consideradas; II) admitir o cálculo do crédito presumido das aquisições de ovinos pelo percentual de 60% (sessenta pro cento); III) reverter a glosa referente ás peças de reposição dos equipamentos utilizados na produção; IV) admitir o creditamento relativo aos fretes sobre aquisições de insumos, sobre transferências de insumos e de produtos acabados entre os estabelecimentos fabris da pessoa jurídica; V) para reconhecer o direito á tomada de crédito, como quota de depreciação, pelas aquisições de peças de reposição de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo e VI) admitir o cálculo do crédito presumido sobre as aquisições de lenha e bagaço, utilizados como combustível para aquecimento de caldeiras. Votou pelas conclusões o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior no item IV. E, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar a SELIC sobre os créditos parcialmente reconhecidos, com termo a quo após 360 dias para análise dos pedidos de compensação. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente0, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Junior, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada) e Ari Vendramini.
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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A teor do art. 373, I, do Código de Processo Civil vigente (reprodução do art. 333, I do CPC/73), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do autor do feito a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, como sói ocorrer nas hipóteses de processos administrativos que albergam pedido de restituição de valores pagos indevidamente ou ressarcimento de direitos creditórios, onde o ônus probatório do cumprimento dos requisitos é do contribuinte, titular do direito reivindicado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE DO CONCEITO. Em conformidade com o Resp nº 1.221.170/PR, exarado pelo STJ, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA COBRANÇA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 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Prevê o art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 que os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 da NCM garantem crédito presumido no percentual de 60% (sessenta por cento) sobre as aquisições de insumos, sinalizando o parágrafo dez do mesmo dispositivo, incluído pelo art. 33 da Lei nº 12.865/13, que a expressão produtos de origem animal refere-se às mercadorias produzidas pela pessoa jurídica beneficiária e não aos insumos por ela adquiridos. CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. AQUISIÇÃO DE BOVINOS PARA ABATE. VINCULAÇÃO Á EXPORTAÇÃO NECESSÁRIA. Pela leitura dos arts. 33 e 37 da Lei nº 12.058/09, as aquisições de bovinos para o abate e produção de carne e derivados somente garantem crédito presumido da agroindústria quando vinculadas à produção de mercadorias destinadas à exportação, não havendo como reconhecer o creditamento para as operações atreladas ao mercado interno. DEVOLUÇÕES DE VENDAS REALIZADAS COM SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. DIREITO A CRÉDITO. DESCABIMENTO. As devoluções de vendas realizadas com suspensão das contribuições não cumulativas, por imperativo de ordem lógico-jurídica, não possibilitam a apropriação de créditos. FRETE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes referentes às aquisições de insumos, pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, compõem o custo de aquisição dos insumos aplicados na produção, nessa condição, garantem o creditamento na apuração das contribuições não cumulativas. FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes relativos às transferências de insumos, entre as unidades fabris da pessoa jurídica, caracteriza-se como serviços aplicados na produção de bens destinados à venda, com direito de crédito no art. 3º, II da Lei nº 10.833/03. FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. DIREITO DE CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. 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Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. Para incidência de SELIC deve haver mora da Fazenda Pública, configurada somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, nos termos do art. 24 da Lei n. 11.457/2007. Aplicação do o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-07-01T19:01:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-07-01T18:59:27Z; Last-Modified: 2021-07-01T19:01:08Z; dcterms:modified: 2021-07-01T19:01:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:ab8f24f1-844c-4b26-8c16-4a5a96393bee; Last-Save-Date: 2021-07-01T19:01:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-07-01T19:01:08Z; meta:save-date: 2021-07-01T19:01:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-07-01T19:01:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-07-01T18:59:27Z; created: 2021-07-01T18:59:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; Creation-Date: 2021-07-01T18:59:27Z; pdf:charsPerPage: 2643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-07-01T18:59:27Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.941560/2012-53 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-010.260 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2021 Recorrente MFB MARFRIG FRIGORÍFICOS BRASIL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 PROVA DOCUMENTAL. CONTENCIOSA ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 (c/c art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96), que regula o processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o recorrente fazê-lo em outra oportunidade processual, ressalvadas as hipóteses de demonstração impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ÔNUS PROBATÓRIO. REQUERENTE. A teor do art. 373, I, do Código de Processo Civil vigente (reprodução do art. 333, I do CPC/73), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do autor do feito a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, como sói ocorrer nas hipóteses de processos administrativos que albergam pedido de restituição de valores pagos indevidamente ou ressarcimento de direitos creditórios, onde o ônus probatório do cumprimento dos requisitos é do contribuinte, titular do direito reivindicado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE DO CONCEITO. Em conformidade com o Resp nº 1.221.170/PR, exarado pelo STJ, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 15 60 /2 01 2- 53 Fl. 2512DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA COBRANÇA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Consoante o art. 32 da Lei nº 12.058/09, as saídas de produtos classificados nas posições NCM que menciona, quando efetuada a aquisição por pessoa ocorrem com suspensão do pagamento das contribuições não cumulativas, jurídica que industrialize produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02, sendo vedada a apropriação de créditos nessas hipóteses, a teor do art. 34, § 1º do mesmo diploma, pouco importando que os estabelecimentos adquirentes operem exclusivamente com a revenda, uma vez que o dispositivo se refere à pessoa jurídica e não ao estabelecimento. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. LENHA E BAGAÇO UTILIZADO COMO COMBUSTÍVEL PARA AQUECIMENTO DE CALDEIRAS. POSSIBILIDADE. As aquisições de lenha e bagaço, como combustíveis para aquecimento de caldeiras permite a apuração de crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO D AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL. Prevê o art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 que os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 da NCM garantem crédito presumido no percentual de 60% (sessenta por cento) sobre as aquisições de insumos, sinalizando o parágrafo dez do mesmo dispositivo, incluído pelo art. 33 da Lei nº 12.865/13, que a expressão “produtos de origem animal” refere-se às mercadorias produzidas pela pessoa jurídica beneficiária e não aos insumos por ela adquiridos. CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO. AQUISIÇÃO DE BOVINOS PARA ABATE. VINCULAÇÃO Á EXPORTAÇÃO NECESSÁRIA. Pela leitura dos arts. 33 e 37 da Lei nº 12.058/09, as aquisições de bovinos para o abate e produção de carne e derivados somente garantem crédito presumido da agroindústria quando vinculadas à produção de mercadorias destinadas à exportação, não havendo como reconhecer o creditamento para as operações atreladas ao mercado interno. DEVOLUÇÕES DE VENDAS REALIZADAS COM SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. DIREITO A CRÉDITO. DESCABIMENTO. As devoluções de vendas realizadas com suspensão das contribuições não cumulativas, por imperativo de ordem lógico-jurídica, não possibilitam a apropriação de créditos. FRETE. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes referentes às aquisições de insumos, pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, compõem o custo de aquisição dos insumos aplicados na Fl. 2513DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 produção, nessa condição, garantem o creditamento na apuração das contribuições não cumulativas. FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes relativos às transferências de insumos, entre as unidades fabris da pessoa jurídica, caracteriza-se como serviços aplicados na produção de bens destinados à venda, com direito de crédito no art. 3º, II da Lei nº 10.833/03. FRETES. TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS. DIREITO DE CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica ou centros de distribuição, compõem o custo da operação de venda, garantindo o creditamento. PEÇAS DE REPOSIÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. GLOSA COMO INSUMO. QUOTAS DE DEPRECIAÇÃO. REALOCAÇÃO. Uma vez que a autoridade fiscal tenha promovido a reclassificação de peças de reposição averbadas como insumos aplicados à produção, por se enquadrarem, pelas suas características, como bens passíveis de registro no ativo imobilizado, deve realocar ditos valores para a rubrica máquinas e equipamentos aplicados na produção, com crédito pelas respectivas quotas de depreciação, nos termos do art. 3º, VI, § 1º, III da Lei nº 10.833/03. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA NO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. Para incidência de SELIC deve haver mora da Fazenda Pública, configurada somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, nos termos do art. 24 da Lei n. 11.457/2007. Aplicação do o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito á inclusão das aquisições com o CFOP 1125 na apuração dos créditos, como serviços (insumos) aplicados á produção, acaso ainda não consideradas; II) admitir o cálculo do crédito presumido das aquisições de ovinos pelo percentual de 60% (sessenta pro cento); III) reverter a glosa referente ás peças de reposição dos equipamentos utilizados na produção; IV) admitir o creditamento relativo aos fretes sobre aquisições de insumos, sobre transferências de insumos e de produtos acabados entre os estabelecimentos fabris da pessoa jurídica; V) para reconhecer o direito á tomada de crédito, como quota de depreciação, pelas aquisições de peças de reposição de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo e VI) admitir o cálculo do crédito presumido sobre as Fl. 2514DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 aquisições de lenha e bagaço, utilizados como combustível para aquecimento de caldeiras. Votou pelas conclusões o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior no item IV. E, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar a SELIC sobre os créditos parcialmente reconhecidos, com termo a quo após 360 dias para análise dos pedidos de compensação. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente0, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Junior, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada) e Ari Vendramini. Relatório 1. Trata o presente processo de análise do PER – Pedido de Ressarcimento Eletrônico nº 05958.87659.311011.1.1.09-9289, que trata de pedido de ressarcimento de créditos de COFINS NÃO CUMULATIVA – EXPORTAÇÃO, referente ao 1º trimestre de 2011. 2. Verifica-se, pelo despacho de fls. 936 dos autos digitais, que foi formalizado o processo administrativo nº 12585.000001/2013-32 (vinculado ao processo nº 10880.941550/29012- 18), com a finalidade de anexar documentos utilizados para subsidiar a análise dos e-processos listados com seus respectivos PER : Nº E-PROCESSO TIPO DE CRÉDITO PERÍODO PER Nº 10880.941550/2012-18 COFINS MI 1ºT 2010 00130.29842.311011.1.1.11-0241 10880.941552/2012-15 COFINS MI 2ºT 2010 28790.73274.311011.1.1.11-3544 10880.941554/2012-04 COFINS MI 3ºT 2010 25898.10520.311011.1.1.11-0381 10880.941556/2012-95 COFINS MI 4ºT 2010 29163.66435.311011.1.1.11-1786 10880.941549/2012-93 PIS MI 1ºT 2010 36100.82773.311011.1.1.10-6031 10880.941551/2012-62 PIS MI 2ºT 2010 11902.22739.311011.1.1.10-5089 10880.941553/2012-51 PIS MI 3ºT 2010 34128.62094.311011.1.1.10-4186 10880.941555/2012-41 PIS MI 4ºT 2010 21685.26599.311011.1.1.10-2508 10880.941542/2012-71 COFINS ME 1ºT 2010 32963.00412.311011.1.5.09-6613 10880.941544/2012-61 COFINS ME 2ºT 2010 25413.85546.311011.1.5.09-6613 10880.941546/2012-50 COFINS ME 3ºT 2010 05930.22819.311011.1.5.09-3915 10880.941548/2012-49 COFINS ME 4ºT 2010 01385.63014.311011.1.5.09-3216 10880.941541/2012-27 PIS ME 1ºT 2010 09299.81907.311011.1.5.08-7010 10880.941543/2012-16 PIS ME 2ºT 2010 00619.74575.311011.1.5.08-0469 10880.941545/2012-13 PIS ME 3ºT 2010 08987.93514.311011.1.5.08-4469 Fl. 2515DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 10880.941547/2012-02 PIS ME 4ºT 2010 38654.24821.311011.1.5.08-7011 10880.941559/2012-29 COFINS MI 1ºT 2011 42538.31710.311011.1.1.11-9917 10880.941561/2012-06 COFINS MI 2ºT 2011 38591.60797.311011.1.1.11-5383 10880.941557/2012-30 PIS MI 1ºT 2011 30710.59922.311011.1.1.10-3558 10880.941562/2012-42 PIS MI 2ºT 2011 20262.36163.311011.1.1.10-9098 10880.941560/2012-53 COFINS ME 1ºT 2011 05958.87659.311011.1.1.09-9289 10880.941563/2012-97 COFINS ME 2ºT 2011 25074.45813.311011.1.1.09-3316 10880.941558/2012-84 PIS ME 1ºT 2011 26077.36199.311011.1.1.08-6004 10880.941564/2012-31 PIS ME 2ºT 2011 19798.67067.311011.1.11.08-0758 3. Ás fls. 1887 / 1992, encontram-se planilhas de cálculo dos créditos presumidos das atividades agroindustriais ressarcíveis e não-ressarcíveis, referentes aos meses de JANEIRO/2010 a JUNHO/2011, onde temos as informações referentes a DACON apresentada pela requerente e a DACON refeito pela Fiscalização. 4. Foi juntada aos autos a Informação Fiscal de fls. 1993/ 2030, que traz as seguintes informações : INFORMAÇÃO FISCAL 1. A presente Informação Fiscal tem por objeto a análise dos pedidos eletrônicos de ressarcimento (PER) de PIS e de Cofins não cumulativos mercado interno e exportação compreendido entre o 1º trimestre de 2010 e 2º trimestre de 2011. Os PER analisados estão discriminados na tabela abaixo ( REPRODUZ A TABELA ANTERIOR) 2. Em 02/05/2012 demos início á diligência fiscal determinada pelo Mandado de procedimento Fiscal de Diligência (MPF-D) nº 08.1.80.00.2012-00048-8 e intimamos o contribuinte a apresentar os seguintes documentos (fls. 472 a 476). (…) 1- DO DIREITO AO CRÉDITO 27. As regras que cuidam da não cumulatividade do PIS e da Cofins foram instituídas pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Os artigos 1º e 2º tratam, respectivamente, da base de cálculo e das alíquotas aplicáveis. 28. O artigo 3º das citadas Leis trata do desconto de créditos : (…) 29. Não obstante, a Lei nº 10.637/2002 em seu art. 5º, § 1º e a Lei nº 10.833/203 em seu art. 6º, § 1º, também permitiram que fossem apurados créditos relativos á aquisição de mercadorias, produtos e insumos utilizados para o auferimento da receita de exportação, sob as mesmas regras, condições e limites aplicáveis aos créditos vinculados ás receitas auferidas no mercado interno, podendo aproveitá-los da seguinte forma: (…) 31. Além disso, o artigo 17 da lei nº 11.033/2004, garantiu a manutenção do crédito vinculado ás receitas de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição: (…) 32. Tendo em vista o supracitado art. 17 da lei nº 11.033, o art. 16 da lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, disciplinou a forma de aproveitamento dos créditos, inclusive retroagindo seus efeitos a 09 de agosto de 2004. 33. Diante do exposto, conclui-se que as únicas hipóteses legais de utilização do saldo credor da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins na compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB ou no ressarcimento desses créditos relacionam-se ás seguintes situações : Fl. 2516DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 33.1. Créditos vinculados a receitas decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003, desde que não seja uma operação realizada como comercial exportadora 33.2. Saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário nos termos do art. 16, inciso II, da lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, em razão do disposto no art. 17 da lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que assegura a manutenção de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência da Contribuição para a Cofins e o PIS/PASEP. 34. No caso, consoante Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) do período analisado (fls. 02 a 469), o interessado possui receitas tributadas e não tributadas no mercado interno e receitas da exportação de mercadorias. 35. Com relação aos créditos, conforme se observa nos DACON apresentados, no período em tela, o contribuinte apurou créditos com a seguintes origens: 35.1. Compra de bens para revenda 35.2. Compra de bens utilizados como insumos 35.3. Serviços utilizados como insumos 35.4. Despesas de energia elétrica 35.5. Despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídicas 35.6. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídicas 35.7. Despesa de armazenagem e fretes na operação de venda 35.8. Despesas de contraprestações de arrendamento mercantil 35.9. Crédito sobre bens do ativo imobilizado com base nos encargos de depreciação 35.10. Devoluções de vendas sujeitas ás contribuições 35.11. Crédito presumido calculado sobre os insumos de origem animal 36. Dentre esses créditos, selecionamos os mais relevantes para uma análise mais pormenorizada, conforme segue : (…) 5. Em seguida, descreve a análise dos créditos nos seguintes tópicos : 2 – Da análise do crédito – serviços utilizados como insumos, bens utilizados como insumos, créditos presumidos das atividades agroindustriais, bens para revenda, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de imóveis, arrendamento mercantil, energia elétrica, devoluções de vendas, despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, crédito com base no valor da depreciação dos bens do ativo imobilizado, rateio; 3 – Da apuração do crédito : 130. Com base nos ajustes acima relatados, refizemos o cálculo do crédito da contribuição para o Pis e a Cofins no regime não-cumulativo (fls. 1887 a 1992), do período em tela, e constatamos que o interessado tem os seguintes saldos de crédito a serem ressarcidos : 6. Com base nesta Informação Fiscal, foi emitido, para os presentes autos, o Despacho Decisório Eletrônico nº Rastreamento 119028706 (fls. 2031 / 2097) destes autos digitais), deferindo parcialmente o pedido de ressarcimento, sendo que, do valor pleiteado, de Fl. 2517DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 créditos de COFINS não cumulativa – mercado interno, referente ao 1º trimestre de 2011, de R$ 29.901.872,05, foi deferido o valor de R$ 53.124,18. 7. Contra este Despacho Decisório Eletrônico a requerente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2034/ 2097), acompanhada dos documentos de fls. 2098/2226. 8. A DRJ/PORTO ALEGRE apreciou as razões de defesa, no Acórdão nº 10-061.183, do qual adoto e reproduzo o relatório : O contribuinte em epígrafe foi alvo de fiscalização que teve seu início com o Termo de Início de Procedimento Fiscal (MPF-D nº 08.1.80.00-2012-00048-8) das fls. 472 a 476 1. Os períodos de apuração compreendidos nesse MPF-D eram do 1º trimestre de 2010 ao 2º trimestre de 2011. O objetivo do procedimento era analisar pedidos de ressarcimento de créditos formalizados pelo contribuinte, sendo que esses autos se referem à Cofins não-cumulativa, Mercado Interno, do 1º trimestre de 2011. O crédito alegado como passível de ressarcimento é de R$ 29.901.872,05, de acordo com o PER/DCOMP nº 42538.31710.311011.1.1.11-9917 das fls. 2.227 a 2.232. De ressaltar que o sistema alertou a possibilidade da existência de operações não especificadas na Escrituração Fiscal Digital (SPED), o que já resultaria no indeferimento do pedido. Durante a fiscalização foi solicitado ao contribuinte documentação fiscal e contábil, além de esclarecimentos, a seguir destacados: registros contábeis; arquivo de fornecedores/clientes; notas fiscais de saída e de entrada; plano de contas; registro de saídas não sujeitas ao ICMS; saídas de documentos fiscais emitidos por ECF; planilha com relação de notas fiscais de compras de bens para revenda que compuseram o DACON; planilha com relação de notas fiscais de aquisição de insumos que compuseram o DACON; planilha discriminando as despesas de energia elétrica, de aluguéis de máquinas e de equipamentos, de despesas de armazenagem e frete; de arrendamento mercantil e de bens do ativo imobilizado; relação de compras que compuseram a base de cálculo do crédito presumido; relação das notas fiscais de devoluções de venda; listagem de todos os insumos utilizados na industrialização; discriminação das receitas que estavam sujeitas à alíquota zero do PIS e da Cofins; ações judiciais e processos de consulta envolvendo essas contribuições; contrato social e alterações; entre outros. Encontram-se juntados a esses autos: DACONs (fls. 2 a 469); planilha com os serviços utilizados como insumos (fls. 1687 a 1.695); planilha com os créditos presumidos (fls.1.696 a 1.700); planilha com bens para revenda (fls. 1.701 a 1.704); relação de aquisições com fornecedores (fls. 1.705 a 1.721); planilha com locações (fls. 1.722 a 1.724); relação de clientes com notas fiscais (fls. 1.725 a 1.741); demonstrativos de comparação entre os dados do DACON declarados pelo contribuinte e os refeitos pela fiscalização (fls. 1.887 a 1.992); entre outros. Foram fornecidos ao contribuinte demonstrativos gerados em planilhas excel, gravados em um CD e autenticados pelo sistema SVA, entregues em 05/03/2013, conforme fls. 1.675 a 1.676 dos autos (as mesmas informações que constariam no processo nº 12585.000001/2013-32). A Informação Fiscal das fls. 1.993 a 2.030 fez um resumo de todo o procedimento fiscalizatório, onde identifica uma série de inconsistências no crédito total requerido o que levaria a algumas glosas devido aos seguintes motivos: a) cálculo indevido de crédito integral para aquisições de mercadorias classificadas nas NCM 01.02 e 01.04, de acordo com o estabelecido nas Leis nº 10.925/04 e 12.058/09; b) créditos de mercadorias vendidas com suspensão das contribuições; c) compras de lenha/bagaço em operações que não sofreram incidência das contribuições; d) alegados créditos tendo pessoas físicas incorretamente informadas como se fossem pessoas jurídicas; e) créditos de aquisições de peças em valores superiores a R$ 326,61; f) cálculo em duplicidade de créditos (integral e presumido) para as compras de NCM 01.02 e 01.04; g) rubricas que não se tratavam de aluguel de máquinas e de equipamentos; h) aluguéis de imóveis de pessoas físicas e de contratos não apresentados; i) créditos de contratos de arrendamento mercantil em que eram outras pessoas jurídicas arrendatárias; j) créditos de devoluções de vendas de operações que não tiveram tributação; l) créditos de despesas de armazenagem e de frete que não se tratavam de operações de vendas; m) créditos de depreciação de itens que não eram utilizados na produção de bens; Fl. 2518DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 n) créditos de despesas ou custos sem previsão legal para creditamento ou sem a apresentação dos respectivos comprovantes; entre outros. Com base nas inconsistências apuradas e nas análises realizadas na documentação do contribuinte foi constatada a existência de um direito creditório parcial daquele requerido no montante de R$ 53.124,18. Dessa forma, o Despacho Decisório da fl. 2.031 confirmou esse valor de crédito. A ciência do Despacho Decisório se deu em 04/02/2017 (fls. 2.234 e 2.235). A manifestação de inconformidade foi apresentada em 10/02/2017 (data do termo de solicitação de juntada da fl. 2.032), às fls. 2.034 a 2.097, onde em síntese o contribuinte faz as seguintes alegações: - QUE como serviços utilizados como insumos teria incluído as operações classificadas no CFOP 1125 com a rubrica “bens utilizados como insumos”. No entanto, a fiscalização descaracterizou isso afirmando que tais operações deveriam ser consideradas como serviços utilizados como insumos, não tendo, porém, acrescentado esses créditos quando de sua análise específica desse item. Por fim, protesta pela posterior juntada de notas fiscais e planilhas comprobatórias. - QUE relativamente às glosas de bens utilizados como insumos, as aquisições das mercadorias classificadas nas NCM 01.02 e 01.04 foram excluídas pela fiscalização, pois os créditos deveriam ser calculados de acordo com as Leis nº 10.925/04 e 12.058/09. Outras glosas corresponderam a códigos de NCMs de mercadorias vendidas com suspensões das contribuições de PIS e de Cofins. A fiscalização destacou que essas mercadorias poderiam no máximo gerar direito a crédito presumido, sendo que em algumas operações nem isso. - QUE ainda sobre bens utilizados como insumos diz que todas as suas compras geraram direito ao crédito presumido, conforme o art. 34, da Lei nº 12.058/09, visto que a redação do inciso II, do art. 32 dessa mesma lei vigente na época lhe proporcionava tal direito. Diz que para as mercadorias adquiridas com os NCMs em questão eram de produtos apenas para revendas, não sendo realizado nenhum tipo de industrialização, e, dessa forma não havendo vedação legal para aproveitamento de crédito presumido em 40% das alíquotas previstas na legislação. - QUE sobre as compras glosadas de lenha e bagaço utilizadas como combustível para aquecimento das caldeiras por não sofrerem incidência das contribuições, tal glosa seria arbitrária, ilegal e inadmissível. Cita decisões administrativas. Afirma que o combustível consumido nas máquinas industriais e caldeiras, deveriam gerar crédito. - QUE a respeito das aquisições de peças de reposição e de equipamentos glosadas por terem valor superior a R$ 326,61 nos termos do art. 301, do Decreto nº 3.000/09, e que de acordo com a fiscalização só poderiam ser creditadas com base nas respectivas depreciações, diz não ter sido considerado o aproveitamento dessa forma. - QUE sobre a glosa de diversas outras operações com base nas colunas descrição detalhada, família e item, defende que o termo insumo representa elementos diretos e indiretos necessários à produção. Nesse ponto passa a tecer comentários do conceito de insumos para aproveitamento de créditos. - QUE a natureza jurídica desses créditos de PIS e de Cofins não guarda correlação com o ICMS e o IPI, mencionando o chamado método indireto subtrativo, defendendo, em síntese, que devem ser consideradas todas as suas despesas necessárias à produção do resultado econômico. Comenta sobre a interpretação do conceito de insumo e produção, sob o aspecto da acepção e terminologia desses termos, posicionando insumos como cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à elaboração de produtos e realização de serviços. Aponta que, ao contrário do entendimento fiscal, todos os produtos que adquiriu dão direito ao creditamento. Protesta pela juntada posterior de dossiê para comprovar a utilização direta de suas aquisições no processo produtivo. - QUE do crédito presumido da agroindústria a fiscalização disse que as compras de bovinos e ovinos tinham sido utilizadas para apurar créditos de bens utilizados como insumos e ao mesmo tempo crédito presumido, ou seja, em duplicidade (apareciam nas duas listas de créditos), o que gerou glosa. Na sequência reproduz as constatações feitas pelo Auditor-Fiscal no relatório de análise dos créditos. - QUE sobre a aquisição de carne ovina – NCM 0104 – deveria ser aplicada sobre a base de cálculo apurada dos créditos o percentual de 60% das alíquotas originais das contribuições (a fiscalização teria aplicado o percentual de 35 %). Diz que as aquisições de carne ovina são utilizadas para a fabricação de mercadorias de origem animal, destinadas à preparação de carnes para a alimentação humana e animal. Portanto, o produto final comercializado seria de origem Fl. 2519DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 animal correspondendo a alíquota de 60 %. Em seguida, discorre sobre a motivação do legislador na concessão de créditos presumidos. Defende que o percentual deveria ser determinado de acordo com as saídas e não com fulcro nas entradas. - QUE no tocante as aquisições de carne ovina - NCM 0204 - a fiscalização apurou que foram adquiridas com suspensão das contribuições, aplicando-se a alíquota de 60 % para as compras efetuadas de pessoas jurídicas que exerçam a atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. As aquisições foram feitas junto à empresa Marfrig Alimentos S/A, afirmando que esse não exerce atividade de agropecuária, mas sim de agroindústria, não se enquadrando nas disposições dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/09. Ou seja, a empresa defende ter direito ao crédito integral e não ao percentual definido para o crédito presumido. Aponta, ainda, que tais operações não estariam assim amparadas pela suspensão da exigibilidade das contribuições. Diz ter agido com total boa-fé quando se creditou desses valores na sua integralidade. - QUE a respeito do crédito presumido decorrente da compra de bois para abate – NCM 01.02 – a fiscalização constatou que o crédito deveria ser calculado mediante a aplicação do percentual correspondente a 50% das alíquotas das contribuições, tendo também sido verificadas quais receitas tributadas e não tributadas no mercado interno (a legislação somente permitiria créditos de aquisições de bois quando os produtos decorrentes forem destinados à exportação). Argumenta, no entanto, que as vendas no mercado interno gerariam direito a crédito presumido no percentual de 60% das alíquotas das contribuições, entendendo que o NCM em questão seria diverso dos relacionados no art. 37, da Lei nº 12.058/09. Diz que pouco importa se o insumo adquirido para o processo produtivo é animal ou vegetal. Protesta aqui também pela juntada posterior de documentos para demonstrar suas alegações. - QUE dos bens para revenda o Agente Fiscal fez uma comparação entre o código fiscal CFOP e descrição da NCM com a base de cálculo informada no DACON. Dessa comparação foram encontradas diferenças. Questiona dizendo que os valores apresentados no DACON estariam corretos e que a fiscalização teria desconsiderado suas planilhas sob a alegação de que não teriam sido juntadas ao processo. - QUE relativamente ao aluguel de máquinas e de equipamentos, ocorreram glosas de operações, tendo em vista a empresa ter se creditado de aluguéis de pessoas físicas (CPF) como se fossem jurídicas (CNPJ), entre outros. A legislação somente permitiria o crédito de aluguéis de pessoas jurídicas. Foram também glosadas operações que não se tratavam de aluguéis de máquinas. O contribuinte discordou das glosas, protestando pela posterior juntada de documentos comprobatórios. - QUE sobre os aluguéis de imóveis ocorreram glosas de contratos de locação feitos com pessoas físicas, outros contratos que já haviam sido rescindidos, e alguns contratos que não tiveram a apresentação dos documentos comprobatórios e que não se tratavam de aluguel, mas sim de condomínio. Não concorda o contribuinte com as glosas. Cita divergência ocorrida no mês de julho/2010. Diz ter juntado planilha dos aluguéis no dia 30/10/2014. - QUE a respeito de arrendamento mercantil a fiscalização, com base na documentação apresentada, identificou contratos de arrendamento com 4 empresas. A fiscalização afirmou que o contrato com a empresa Bravo Beef S/A a arrendatária seria a MFG Agropecuária. Nos contratos com a Frigorífico Mercosul, Frigorífico 4 Rios e com a Frigorífico Boivi Ltda. a arrendatária seria a Marfrig Alimentos S/A, ou seja, o manifestante aqui não seria arrendatário em nenhum dos contratos. O contribuinte argumenta que esses imóveis lhes foram sublocados. - QUE a respeito das devoluções de vendas, a fiscalização afirmou que parte das receitas advinham de operações com suspensão das contribuições, e com base nas notas fiscais entregues, considerou as devoluções apenas aquelas em que não se encontravam no regime de suspensão. Discorda o contribuinte dizendo que tais devoluções seriam de vendas sujeitas à tributação, pois teriam sido incluídas outras mercadorias com classificação NCM diferentes daquelas sujeitas à suspensão. - QUE relativamente às despesas de armazenagem e de frete a fiscalização alertou que só gerariam crédito quando vinculadas às operações de venda, tendo essas sido mantidas com direito creditório. Já outros tipos de fretes foram glosados a saber: a) fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos – ataca dizendo que se trata de etapa essência a sua atividade econômica, e que tais transferências tem o propósito de aproximar as mercadorias dos consumidores finais; b) fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos – contesta no sentido de entender que tais despesas integrariam o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda; Fl. 2520DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 c) fretes nas aquisições compras de mercadorias – entende que no caso de fretes sobre compras, tais valores fazem parte do custo de aquisição da mercadoria, devendo serem aceitos os créditos correspondentes. Em relação a esse último item protesta pela apresentação posterior dos documentos que comprovem o seu direito creditório. - QUE no tocante aos créditos com base no valor da depreciação dos bens do ativo imobilizado o Auditor-Fiscal glosou valores dos bens não adquiridos para utilização na produção de itens destinados à venda, pois nem todos bens registrados são necessários para o desenvolvimento da atividade. É dito pelo contribuinte que haviam bens que pertenciam a Marfrig Alimentos S/A e que foram entregues ao manifestante por meio de contrato de dação em pagamento. O contribuinte não apresentou memorial de cálculo a fiscalização demonstrando quais créditos seriam da produção ou que teriam sido dados em dação, e quais teriam sido considerados no DACON. Não foram considerados passíveis de crédito aquisições de peças de reposição com valor superior a R$ 326,61, pois tais aquisições deveriam ser consideradas como ativo permanente somente podendo ser creditada a depreciação incorrida no mês. O contribuinte protesta pela posterior juntada de memorial de cálculo contendo essas informações, as quais não haviam sido apresentadas quando da fiscalização. POR FIM, requer que seja recebida e processada sua manifestação de inconformidade, acatando-se os argumentos consignados, dando provimento para: a) suspender a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN; b) reformar parcialmente o Despacho Decisório a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório postulado. Protesta também pela juntada de documentos a fim de corroborar todas as argumentações expostas. É o relatório. 9. A DRJ/PORTO ALEGRE ementou desta forma o Acórdão : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. CERTEZA E LIQUIDEZ. A mera alegação da existência de crédito, desacompanhada de elementos de prova - certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão da glosa de créditos. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 2521DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 10. Irresignado, a então impugnante, apresentou recurso voluntário, onde, repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, em síntese, alega: - em preliminar, sob o título Da verdade Material no Processo Administrativo Fiscal Federal –da possibilidade de juntada de documentos a qualquer tempo, requer posterior juntada dos documentos que comprovam que os procedimentos realizados estão amplamente corretos, devendo ser reconhecido em sua integralidade os créditos pleiteados. - no mérito, alega ; - recente decisão do STJ (REsp 1.221.170) assentou que as instruções normativas da Receita Federal (INs 247/2002 e 404/2004) extrapolam a legislação do PIS e da Cofins e, em razão disso, as restrições nelas previstas são ilegais. Assim, infere-se que podem ser considerados como insumos tudo aquilo que for essencial ou relevante para o desempenho das atividades econômicas do contribuinte, não devendo prevalecer o entendimento de que apenas os gastos com matéria- prima ou produtos usados no processo industrial geram direito aos créditos das contribuições. - em 03 (três) tópicos (natureza jurídica dos créditos de PIS/COFINS; interpretação do conceito de “insumos” e “produção” á luz da atividade econômica do contribuinte; insumo acepção e terminologia) discorre sobre o novo conceito de insumos; i) Serviços utilizados como insumos – A mencionada realocação das aquisições com CFOP 1.125 para a rubrica “serviços utilizados como insumos” não ocorreu e que todos os serviços se referiam a insumos, protestando pela juntada posterior de planilhas e notas fiscais. Cita Acórdão CARF nº 3401-004400. ii) Bens utilizados como insumos – Todas as aquisições de mercadorias das NCM 0201.20.10, 0201.20.20, 0201.20.90, 0201.30, 0202.20.90, 0202.30, 0206.10, 0206.21, 0206.29.10, 0206.29.90, 0506.90, 1502.00.19 e 1502.10.11 garantem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 34 da Lei nº 12.058/2009; que a redação do dispositivo, à época dos fatos, permitia o cálculo do crédito presumido; que os seus estabelecimentos apenas revendiam tais produtos, sem qualquer industrialização, de maneira que não havia vedação para apropriação do crédito pelo percentual de 40%; que a lenha/bagaço é utilizado como combustível, devendo ser incluída no cálculo do crédito; que as aquisições de peças de reposição não foram aceitas como insumos e tampouco calculadas como quota de depreciação, contrariando o próprio raciocínio da fiscalização; quanto aos demais itens glosados neste grupo, após discorrer sobre o conceito de “insumos”, concluiu que sua acepção equivale a custo de produção e despesas necessárias, nos termos dos arts. 289 e 290 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), abrangendo todos os custos, diretos e indiretos, necessários à produção e realização de serviços, protestando pela juntada posterior de dossiê, com a função de cada item no processo produtivo. iii) Crédito presumido da agroindústria – As aquisições de ovinos garantem crédito presumido no percentual de 60%, por força do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/04; as aquisições de produtos das NCM 0204.22, 0204.23 0204.42 e 0204.43 – carne ovina – foram realizadas da empresa Marfrig Alimentos S/A, que exerce atividade agroindustrial e não agropecuária, razão porque não foram realizadas com suspensão e garantem o crédito integral das contribuições, finalizando com protesto pela posterior juntadas das notas fiscais de aquisições. iv) Crédito presumido de bois para abate (NCM 01.02) – Tem direito ao crédito presumido no percentual de 60% pelas aquisições de bovinos para comercialização da produção no mercado interno, por força do art. 37 da Lei nº 12.058/2009 (não se lhe aplicando o disposto no art. 33, § 1º) c/c art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/2004. v) Bens para revenda – Todos os valores indicados nos DACONs estão corretos, na planilha de entradas apresentada. (apesar da referência, nada foi juntado). vi) Aluguel de máquinas e equipamentos – Todos os valores constantes dos DACONs estão corretos, protestando pela posterior juntada dos documentos comprobatórios. vii) Aluguel de imóveis – Todos os valores informados nos DACONs estão corretos, as glosas relativas às empresas VS Empreendimentos e Participações Ltda. e VD do Carmo Imobiliária ME são improcedentes, porque os valores foram pagos a pessoas jurídicas; que há uma inconsistência no valor utilizado pela fiscalização no mês de julho/2010 e requer Fl. 2522DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 a juntada Processo nº 10880.941561/2012-06 de memorial descritivo das operações que compuseram a apuração desta rubrica (não foi juntado). viii) Arrendamento mercantil – Os imóveis das empresas Frigorífico Mercosul, Boivi e 4 Rios foram sublocados ao requerente, conforme contratos anexados (não juntados), uma vez que a Marfrig Alimentos S/A cedeu todos os direitos e obrigações oriundos desses contratos. Protesta pela juntada posterior de prova. ix) Devolução de vendas – As glosas não devem prosperar porque todas as devoluções se referem a vendas originalmente tributadas, informando que será encaminhada planilha com todas as devoluções sujeitas às contribuições. x) Despesas de armazenagem e frete – Os fretes entre estabelecimentos se referem à transferência de produtos acabados, matérias-primas ou produtos em elaboração, defendendo que os fretes da primeira espécie garantem, também, direito ao crédito; que as transferências de produtos acabados entre os centros de distribuição são etapas intermediárias das operações de venda e devem ser admitidos os respectivos fretes, citando decisões administrativas e soluções de consulta. Os fretes nas aquisições de insumos qualificam-se como custo de aquisição e devem ser considerados como insumos. xi) Crédito pela depreciação dos bens do ativo imobilizado – As peças de reposição glosadas como insumos utilizados na produção devem ser admitidas no cálculo desse grupo. Protesta pela juntada posterior de contrato de dação em pagamento e planilha com os bens sujeitos à depreciação. Ao final, requer : Face ao exposto, requer seja recebido e processado o presente Recurso Voluntário, acatando-se os argumentos consignados e, consequentemente, DANDO PROVIMENTO para: (i) suspender a exigibilidade do crédito tributário, consoante disposição do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; (ii) reformar o v. acórdão recorrido, a fim de que seja reconhecido o direito creditório postulado e, efetuando-se, por conseguinte o ressarcimento dos créditos remanescentes em da empresa, ora Recorrente. Por fim, protesta-se pela intimação do signatário da presente, para realização da sustentação oral das razões deste Recurso Voluntário, conforme previsto no artigo 58, inciso II, do Regimento Interno do CARF. 12. Foi emitida Resolução por esta Turma para que os processos administrativos de nº 10880.941558/2012-84, 10880.941562/2012-42, 10880.941563/2012-97 e 10880.941564/2012-31, referentes a pedidos de ressarcimento de créditos da Contribuição ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas, referentes aos 1º e 2º trimestres de 2011 fossem distribuídos a este Relator em função da conexão. 13. Ás fls. 2380/2396 apresenta documento com o título “ Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido Contábil apurado por meio de livros contábeis”, emitido em 31/08/2016. 14. Ás fls. 2424/2438 apresenta documento com o título “ Memoriais”. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini, Relator. Fl. 2523DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 16. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINAR POSSIBILIDADE DE JUNTADA DE DOCUMENTOS A QUALQUER TEMPO 17. Defende a recorrente a tese de que a juntada de documentos, no processo administrativo fiscal, em razão do Princípio da Verdade Material, pode ser feita a qualquer tempo. 18. Deve-se atentar de que tratam os autos de pedido de ressarcimento de créditos, o que transfere o ônus da prova do seu direito ao requerente/autor, nos ditames do artigo 373 do Código de Processo Civil. 19. Portanto, é de concluir-se que, ao fazer o pedido, o autor possui toda a documentação comprobatória do seu direito, a contrário senso, seria afirmar que o pedido não fundamento, pois que não estaria lastreado por documentação alguma. 20. Assim, para chegar aos números finais constantes do pedido, o autor deve possuir todos os documentos que foram usados para tal conclusão. 21. De forma excepcional, o § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (que regulamenta o processo administrativo fiscal), admite a apresentação da prova em prazo fixado (30 dias) da ciência do lançamento, na oportunidade da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, ressalvando algumas hipóteses (demonstração de impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos) de apresentação intempestiva. 22. Por fim, há que se esclarecer que a aceitação de provas, muito após o prazo legal fixado, é de discricionaridade do julgador que, para formar sua convicção, pode admitir tais documentos. 23. Portanto, não assiste razão á recorrente pois, nos termos do citado § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 , que regula o processo administrativo fiscal e, ainda, no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a prova documental será apresentada na impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito do autor em outra oportunidade processual, ressalvadas aas hipóteses citadas. 24. Desta forma, rejeito a preliminar suscitada MÉRITO O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS 25. Há que se esclarecer que, diante da nova conceituação de insumo adotada por este CARF, deve-se, preliminarmente, definir este novo conceito, que desconsidera os conceitos trazidos pelas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2003, por já ultrapassados. Fl. 2524DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 26. A Secretaria da Receita Federal expediu as Instruções Normativas de nº 247/2002 404/2003, onde informa o conceito de insumos passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi considerada excessivamente restritiva, pois aproximou-se do conceito de insumo utilizado pela sistemática da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para que o bem seja considerado insumo ele deve ser matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. 27. Consideravam-se, também, os insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos diretamente no processo de produção e, embora frequentemente também sofram alterações durante o processo produtivo, jamais se agregam ao produto final, como é o caso dos combustíveis. 28. Mais tarde, evoluiu-se no estudo do conceito de insumo, adotando-se a definição de que se deveria adotar o parâmetro estabelecido pela legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que tem como premissa os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. A doutrina e a jurisprudência concluíram que tal procedimento alargaria demais o conceito de insumo, equiparando-o ao conceito contábil de custos e despesas operacionais que envolve todos os custos e despesas que contribuem para atividade da empresa, e não apenas a sua produção, o que provocaria uma distorção na legislação instituidora da sistemática. 29. Em contrapartida, a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep criou créditos, por intermédio de legislação ordinária, que tem alíquotas variáveis, assumindo diversos critérios, que, ao final se relacionam com a receita auferida e não com o processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao processo de obtenção da receita, seja ela de produção, comercialização ou prestação de serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos ou valor dos tributos sobre os quais se calculariam os créditos, não estariam destacados nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação. 30. Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa, assim redigida : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). Fl. 2525DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam- se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 31. Neste contexto, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. 32. Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica 33. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS. 34. Do Contrato Social extraímos as atividades da recorrente : Fl. 2526DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO 35. A recorrente reclama, a não inclusão das aquisições com CFOP 1125 (Industrialização efetuada por outra empresa quando a mercadoria remetida para utilização no processo de industrialização não transitou pelo estabelecimento adquirente da mercadoria) na apuração dos créditos, ao passo que a autoridade fiscal promoveu a glosa no grupo “bens utilizados como insumos” e afirmou a realocação dos valores na rubrica “serviços utilizados como insumos”, mas não o fez. 36. Assiste razão à recorrente, pois a própria fiscalização aduziu que faria o ajuste, porém, não resta claro, no relatório fiscal, se realmente foi feito, devendo ser admitida a inclusão das aquisições com o CFOP 1.125 na apuração dos créditos por aquisição de serviços como insumos. Registre-se que a própria fiscalização reconhece a procedência do direito, como se verifica do seguinte trecho da Informação Fiscal, onde se constata a ausência do acerto necessário: “46. Glosamos também a operação classificada no CFOP 1125, pois trata-se de serviço utilizado como insumo, e essa operação será analisada na rubrica correta como veremos posteriormente.” 37. Quanto às demais diferenças, havidas entre as memórias de cálculo e os valores indicados nos DACONs, limita-se a recorrente a afirmar a correção dos dados da declaração, sustentando corresponderem a serviços empregados no processo produtivo, sem, no entanto, fazer prova de suas alegações. 38. Nada foi glosado, restringindo-se a fiscalização ao ajuste de valores, a partir do cotejo do memorial analítico de cálculo, onde constou a decomposição dos valores averbados, e os DACONs. 39. Tratando-se de pedido de ressarcimento, o ônus probatório do direito vindicado é do requerente, a teor do art. 373, I do CPC, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, ante a ausência de norma específica no Decreto nº 70.235/72, encargo esse que o contribuinte não se desincumbiu de cumprir no prazo processual próprio. 40. Assim, deve ser revertida a glosa efetuada na apuração dos créditos, com a inclusão das aquisições com código CFOP 1125. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS 41. A recorrente contesta a glosa das aquisições de insumos, supostamente acobertadas pela suspensão, classificados nas posições NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) 0201.20.10, 0201.20.20, 0201.20.90, 0201.30, 0202.20.90, 0202.30, 0206.10, 0206.21, 0206.29.10, 0206.29.90, Fl. 2527DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 0506.90, 1502.00.19 e 1502.10.11, com fulcro no art. 32, II c/c 34, § 1º da Lei nº 12.058/09, ao argumento que a fiscalização examinou a legislação vigente após a ocorrência dos fatos geradores (1º trimestre/2010 - 2º trimestre/2011), empregando a redação dada pela Lei nº 12.431/11, quando deveria adotar aquela determinada pela Lei nº 12.350/10, que não previa a suspensão das contribuições pela venda de animais vivos da posição NCM 0102 a empresas que apenas revendessem aludidas mercadorias, aduzindo que os estabelecimentos que as adquiriram não realizaram qualquer espécie de processo industrial ou de produção a justificar a suspensão, razão porque deveria ser concedido o crédito presumido. 42. Ocorreu, realmente, um equívoco na reprodução do texto legal vigente por ocasião dos fatos jurídicos ensejadores do direito de crédito, no relatório fiscal, como apontado pela recorrente. Isto não conduz à conclusão de que a recorrente que faria jus ao crédito presumido, como postula. 43. Transcrevo a redação vigente dos arts. 32, II e 34, § 1º da Lei nº 12.058/2009: “Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: (...) II – produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda mercadorias com a suspensão do pagamento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins prevista no inciso II do art. 32, poderá descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o É vedada a apuração do crédito de que trata o caput deste artigo nas aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do caput do art. 32 desta Lei.” 44. A recorrente sustenta, sem fazer prova dessa alegação, como acentuado pela decisão recorrida, que os estabelecimentos que adquirem os produtos das posições (NCM) citadas não os industrializam, mas apenas os revendem. 45. Ocorre que, diversamente da legislação atinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o princípio da autonomia dos estabelecimentos não vigora na legislação do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, cuja apuração inclui o movimento da pessoa jurídica, daí porque ainda que se admita que estes estabelecimentos da pessoa jurídica sejam exclusivamente comerciais, em nada modifica o raciocínio pela impossibilidade do direito de crédito.É inconteste que a pessoa jurídica MFB MARFRIG Frigoríficos Brasil S/A realiza operação de industrialização de produtos das posições 0201 e 0202 da NCM, pouco importando que alguns de seus estabelecimentos apenas comercializem os produtos relacionados no art. 32 da Lei nº 12.058/09, razão porque as respectivas aquisições se davam, ou deveriam se dar, com suspensão das contribuições e, nessa condição, por força do art. 34, § 1º, não garantiam crédito algum, sequer presumido, de modo que não assiste razão ao recorrente. Fl. 2528DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 46. Neste caso, não existe mudança de critério jurídico em relação à manifestação fiscal, porque o agente em momento algum afirmou que a glosa ocorreu por ser o estabelecimento industrial, como sugere o recorrente, mas sim porque os produtos estavam sujeitos à saída com suspensão, o que se mostrou procedente. 47. Assim, estas glosas devem ser mantidas. AQUISIÇÕES DE LENHA/BAGAÇO A SEREM UTILIZADAS COMO COMBUSTÍVEL 48. Concernente às aquisições de lenha e bagaço, utilizados como combustível para aquecimento de caldeiras, não se discute que se trate de um insumo, tampouco esse foi o motivo arrolado pela fiscalização para promover sua glosa, mas sim por envolver aquisições de pessoas físicas, o que não é negado pelo recorrente, que invoca o seu direito no art. 3º , II da Lei nº 10.833/2003. Segue o trecho do relato fiscal: “47. As compras de Lenha/Bagaço utilizado como combustível para aquecimento das caldeiras em que o fornecedor era uma pessoa física também foram glosadas, pois tais operações não sofreram incidência da contribuição, e por força do § 2º, II, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica), não dão direito a crédito as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.” 49. O art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/03, textualmente citado, é categórico em dispor que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, como no caso das pessoas físicas, que não se qualificam como contribuintes da exação em comento. 50. Quanto ao pedido alternativo, de reconhecimento de crédito presumido em relação a estas aquisições, com lastro no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, apesar de não ter sido deduzido expressamente na manifestação de inconformidade (efls. 2.060/2.064), o direito deve ser reconhecido por ser garantido por dispositivo legal. 50. Assim, a glosa deve ser revertida. PEÇAS DE REPOSIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO 52. Relativamente às peças de reposição dos equipamentos utilizados na produção, ouve glosa por entender a fiscalização que, segundo o regramento da legislação do imposto de renda, deveriam tais produtos ser ativados, nos seguintes termos: “49. O contribuinte havia incluído ainda na base de cálculo a aquisição de peças de reposição de equipamentos utilizados na produção. Tais valores somente podem ser considerados como despesa e incluídos na base de cálculo como bens utilizados como insumos, se tiverem valor inferior à R$ 326,61 (trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos), como previsto no art. 301, do regulamento do imposto de renda (Decreto nº 3000/99). Valores acima deverão ser considerados como ativo permanente e o aproveitamento do crédito só poderia ser realizado com base na depreciação incorrida no mês. Sendo assim, todos os valores de compras de peças para reposição de equipamentos utilizados na produção em valores maiores do que o estipulado foram glosadas.” Fl. 2529DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 53. A recorrente, por seu turno, não questiona a conclusão da fiscalização, sendo irrelevante avaliar a solicitada requalificação, sob pena de julgamento extra petita, resumindo-se a reclamação da recorrente à não consideração desses valores como quotas de depreciação de bens do ativo empregados no processo produtivo, como aduzido pela própria autoridade fiscal. 54. A recorrente tem razão, não se justificando o argumento da decisão recorrida, consoante o qual a pretensão implicaria transferir o ônus da apuração ao Fisco, haja vista que é, sim, atribuição da autoridade fiscal, na aferição desta apuração de créditos requeridos, a realocação de direitos que, pela sua natureza, o contribuinte tenha cometido erro em sua qualificação, não podendo se limitar a glosá-los. Mesmo porque a recorrente requereu, desde o início do contencioso, a concessão de ditos créditos, mesmo porque a fiscalização não mencionou que estes produtos (peças de reposição) não atendiam aos demais requisitos para garantia de crédito pelas quotas de depreciação, o que, aliás, seria um contrassenso, não fazendo sentido afirmar que o contribuinte faz jus a um determinado crédito, sem examinar o cumprimento das condições para sua fruição. 55. O fato de não ser reconhecido qualquer valor originário, a título de depreciação, em função de deficiências verificadas nas memórias de cálculo apresentadas, não afasta o direito em relação, pelo menos, às peças de reposição, que, como dito, a própria fiscalização reconheceu procedente, sendo coerente o pleito do contribuinte. 56. Deve ser revertida a glosa referente ás peças de reposição dos equipamentos utilizados na produção. DEMAIS GLOSAS 57. Quanto às demais glosas, o recurso, em longa exposição, apresentou a sua acepção do termo, ao final, equiparando-o ao custo de produção e despesas operacionais da legislação do imposto de renda (arts. 290 e 299 do RIR/99), no entanto, não contestou especificamente qualquer glosa, simplesmente afirmando que todas as aquisições se classificavam como insumos. 58. A recorrente restringiu-se ao conceito amplo e abstrato de insumo, uma vez que não contestou especificamente glosa alguma e tampouco trouxe, no momento oportuno, qualquer esclarecimento acerca do efetivo emprego dos materiais glosados no seu processo produtivo, como alegado em sede de manifestação de inconformidade, devendo ser mantida a exclusão promovida pela fiscalização, lembrando que o encargo probatório é incumbência do recorrente, visto tratar- se de processo de ressarcimento de créditos. 59. Diante da ausência de comprovação e detalhamento das rubricas ou materiais que são insumos, com sua devida correlação com o processo de obtenção da receita, deve ser mantida a glosa. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA AQUISIÇÃO DE OVINOS 60. A autoridade fiscal aplicou o seguintes percentual para apuração do crédito presumido: Fl. 2530DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 - Aquisição de ovinos – NCM 01.04 – 35% (trinta e cinco por cento) – art. 8º, § 3º, III da Lei nº 10.925/04 – não há direito a ressarcimento por falta de previsão legal; 61. A recorrente, nesse tópico, destaca a superveniência da Lei nº 12.865/13, que fez incluir o § 10 ao art. 8º da Lei nº 10.925/04, com caráter interpretativo, imputando erro na decisão recorrida, ao afirmar que o direito de crédito estava atrelado às aquisições de insumos classificados nas posições (NCM) relacionadas no mencionado art. 8º, III, e não às saídas dos mesmos produtos do estabelecimento industrial. 62. A redação do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/04, à época dos fatos, era a seguinte: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II - 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)” 63. Posteriormente, como mencionado pela recorrente, houve inclusão do § 10, no dispositivo, pelo art. 33 da Lei nº 12.865/2013, com a seguinte redação: Fl. 2531DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 “Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” 64. Aludida previsão foi inserida na conversão da Medida Provisória nº 615/2013 na sobredita lei, datada de 09/10/2013, logo, posterior à confecção do relatório fiscal, que assim justificou a adoção da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento): “68. A empresa é produtora de mercadorias classificadas no capítulo 2 da NCM e os ovinos constituem insumos utilizados na sua produção. Esclareça-se que os ovinos vivos são classificados no capítulo 1 da NCM, na posição 01.04. Sendo assim, o crédito presumido, no caso, será calculado com base no inciso III, do parágrafo 3º, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, na forma estabelecida no art. 8º, caput e § 1º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006. Dessa forma, a alíquota a ser aplicada sobre a base de cálculo apurada será 35% da alíquota original do PIS e da Cofins que é de 1,65% e de 7,6%, ou seja, sobre a base de cálculo do crédito presumido devem ser aplicadas as alíquotas de 0,5775% para o PIS e de 2,66% para a Cofins.” 65. Como se observa, o texto do art. 8º, § 3º supra transcrito, inadvertidamente, causa uma confusão intelectiva no intérprete, ao afirmar que o crédito presumido seria calculado sobre as aquisições para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 da NCM, sem esclarecer se a expressão “produtos de origem animal” guardaria referência com os insumos adquiridos pela pessoa jurídica ou com os produtos acabados por ela produzidos. 66. A fiscalização e a DRJ relacionam-na aos insumos, esta última, mesmo após o advento do citado § 10, enquanto a recorrente defende sua ligação com as mercadorias produzidas. 67. Aplicável à espécie as disposições do art. 106, I do Código Tributário Nacional, que prevê as hipóteses de retroatividade da norma, dentre as quais, figuram aquelas que sejam expressamente interpretativas, como no caso. 68. Também aplicável ao exame da questão, a Súmula CARF nº 157, com efeito vinculante, assim redigida : “ O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê- lo.” 69. Assim, uma vez que a pessoa jurídica “é produtora de mercadorias classificadas no capítulo 2 da NCM e os ovinos constituem insumos utilizados na produção”, como destacado pela fiscalização, a partir da integração do art. 3º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 e do art. 106, I do CTN, infere-se que o contribuinte tem direito ao cálculo com a aplicação do percentual de 60% (sessenta por cento), como defende a recorrente. 70. Assim, deve ser revertida a glosa para admitir o percentual de 60% para apuração do crédito presumido. AQUISIÇÃO DE CARNE OVINA Fl. 2532DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 71. A autoridade fiscal aplicou o seguintes percentual para apuração do crédito presumido: Aquisição de carne ovina – NCM 0204.22, 0204.23, 0204.42 e 0204.43 – 60% (sessenta por cento) – art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/04 – não há direito a ressarcimento por falta de previsão legal; 72. A fiscalização fixou o direito de crédito presumido em 60% (sessenta por cento), divergindo o contribuinte, que defende o direito ao crédito integral, uma vez que as premissas adotadas pelo relatório estão equivocadas, ao entender que as aquisições ocorreram com suspensão das contribuições, nos termos do art. 9º, III da Lei nº 10.925/04. 73. Esta suspensão alcançaria apenas as vendas de produtos enquadrados como insumos dos produtos listados no art. 8º, caput, do mesmo diploma, quando realizadas por pessoa jurídica que exercesse atividade agropecuária. 74. Sustenta a recorrente que as aquisições de carne ovina se realizaram através da pessoa jurídica Marfrig Alimentos S/A, com recolhimento das contribuições, eis que não se trata de exercente de atividade agropecuária, mas sim agroindustrial, por consequência não haveria que se falar em suspensão da contribuição. 75. Contudo, como bem pontuado pelo Acórdão DRJ, a alegação de ser o fornecedor empresa agroindustrial e que teria havido incidência das contribuições nessas operações não veio acompanhada de qualquer prova hábil a desconstituir a glosa, competindo ao recorrente a sua produção. 76. Assim, deve ser mantida a glosa. AQUISIÇÕES DE BOI PARA ABATE 77. A autoridade fiscal aplicou o seguintes percentual para apuração do crédito presumido: Aquisição de bois – NCM 01.02 – 50% (cinqüenta por cento) – art. 33 da Lei nº 12.058/2009 – direito a crédito presumido/ressarcimento quando vinculadas as aquisições às receitas de exportações. 78. O recálculo limitou o crédito presumido às aquisições de bois para produção de mercadorias destinadas à exportação, no percentual de 50% (cinqüenta por cento), com base no art. 33 da Lei nº 12.058/09, com a inadmissão de crédito para aquisições vinculadas às vendas no mercado interno. 79. O contribuinte, mesmo concordando com o percentual de 50% em relação às aquisições atreladas às exportações, sustentou o direito ao crédito presumido de 60% pelas aquisições destinadas ao mercado interno, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, não se lhe aplicando a vedação do art. 37 da Lei nº 12.058/09, por industrializar outros produtos além daqueles indicados no mencionado dispositivo (posições 0201, 0202, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29 e 1502.00.1 da NCM). Fl. 2533DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 80. Assim estão redigidos os artigos citados : “Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Art. 37. A partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1 da NCM. (Produção de efeito)” 81. Porém, assim como em situações anteriores, o recorrente apenas aduz que produz outros “itens”, além daqueles arrolados no transcrito art. 37, o que lhe garantiria o crédito presumido, pelas vendas internas (art. 8º da Lei nº 10.925/2004), não especificando sequer quais seriam esses “outros” produtos de classificação distinta daquelas, mais uma vez não se desencarregando do ônus de provar o que alega, motivo pelo qual o crédito deve ser mantido apenas para as aquisições relativas às exportações, no percentual de 50%. 82. Assim, deve ser mantida a glosa. BENS PARA REVENDA 83. Diz a Informação Fiscal : 84. Utilizando a descrição da mercadoria adquirida, o código fiscal de operações e prestações (CFOP) e a descrição da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), comparamos a base de cálculo de bens para revenda informada no DACON, com as compras de bens para revenda que localizamos na planilha de entradas apresentada. 84. Mais uma vez o cerne da questão está na prova oportuna das alegações, pois o recorrente, diante do ajuste dos valores promovido pela fiscalização, ante a diferença entre os DACONs e as memórias de cálculo, limitou-se a asseverar que os valores constantes desses demonstrativos estavam corretos, protestando por apresentar planilha e documentos posteriormente. 85. Assim, a glosa deve ser mantida. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS 86. Diz a fiscalização : 87. Para analisarmos as despesas de aluguel de máquinas e equipamentos, solicitamos à empresa memorial descritivo em que discriminasse todas as operações que compuseram a base de cálculo dessa rubrica na Dacon. 88. De novo, constatamos que o memorial de cálculo continha uma inconsistência no número do CPF/CNPJ dos fornecedores. Os Fl. 2534DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 CPF listados estavam no formato de CNPJ, da seguinte maneira: CPF correto – 073.517.128-91, formato encontrado na planilha - 073517128000091, Titular do CPF – Vitório Morimoto. Por isso, consideramos que todos os números que estavam nesse formato eram na verdade CPF, e não CNPJ. 87. Nesse grupo foram excluídos valores que não correspondiam a aluguéis, bem como, quantias pagas a pessoas físicas, insistindo o recorrente que os valores estão corretos, sem enfrentar diretamente a impossibilidade de crédito. 88. O tema não merece maiores argumentações, dispondo expressamente o art. 3º, IV que o direito de crédito circunscreve –se aos valores pagos a pessoas jurídicas, verbis: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...)” (grifado) 89. Assim, a glosa deve ser mantida. ALUGUÉIS DE IMÓVEIS 90. Consta da Informação Fiscal : 92. Para analisarmos as despesas de aluguel de imóveis, solicitamos à empresa memorial descritivo em que discriminasse todas as operações que compuseram a base de cálculo dessa rubrica no Dacon. 93. Com base na listagem de aluguéis apresentada, solicitamos todos os contratos de aluguel vinculados as operações que foram consideradas na base de cálculo pelo contribuinte. 94. Os valores dos aluguéis cujo locador descrito na planilha é o Sr. Evaristo César Paim de Souza foram glosados, tendo em vista que o proprietário desse imóvel como consta no contrato de locação é a Sra. Begair Trindade da Silva, ou seja pessoa física (fls. 897 a 899). Pelo mesmo motivo foi glosado o valor do aluguel que está em nome de Rodrigo Marcello Rosa que como consta do termo de rescisão do contrato de aluguel é o proprietário do imóvel (fl. 888). 95. Glosamos também os valores pagos ao Condomínio Edifício Montab, CNPJ 04.847.891/0001-77 por dois motivos. Primeiramente por não ter sido apresentado contrato de aluguel com essa pessoa jurídica. Segundo porque o Condomínio Edifício Montab esta no mesmo endereço do imóvel locado de Reipil Participações Ltda, o que nos leva a crer que essa despesa trata-se de pagamento de condomínio do imóvel locado, e esse tipo de custo não permite a apuração de crédito. 91. Como bem descrito no Acórdão DRJ, a recorrente argumenta que não concorda com as glosas de contratos de locação feitos com pessoas físicas, contratos rescindidos e contratos em que não teriam sido apresentados os documentos comprobatórios, citando divergência ocorrida no mês de julho de 2010 e que apresentou planilha dos aluguéis no dia 30/12/2014. 92. Quanto á ocorrência referente ao mês de julho de 2010, deve destacar que os presentes autos tratam de outro período, qual seja o 1º trimestre de 2011. 93. O inciso IV do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 somente permite créditos quando pagos a pessoas jurídicas e os objeto da glosa foram pagos a pessoas físicas. Fl. 2535DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 94. Assim, as glosas devem ser mantidas. ARRENDAMENTO MERCANTIL 95. Consta da Informação Fiscal : 99. Com base nessa listagem, solicitamos todos os contratos de arrendamento mercantil ali descritos. Basicamente o contribuinte tem contratos de arrendamento com 4 empresas: Bravo Beef S.A., Frigorifico 4 Rios S.A., Frigorifico Boivi Ltda e Frigorifico Mercosul S.A. 100. No contrato com a empresa Bravo Beef S.A. (fls. 804 a 809) a interessada aparece como “interveniente anuente”, a empresa que aparece como Subarrendatária é a MFG Agropecuária Ltda, CNPJ 11.938.605/0001-44. Por isso o valor referente a esse contrato será glosado, tendo em vista que a lei só atribui direito a apuração de crédito a pessoa jurídica arrendatária. 101. Nos contratos firmados com o Frigorífico Mercosul (fls. 810 a 816), Frigorífico 4 Rios (fls. 824 a 848) e com o Frigorífico Boivi Ltda (fls. 849 a 873), a empresa que figura como arrendatária é a Marfrig Alimentos S.A., CNPJ 03.853.896/0001-40. O interessado não figura de nenhuma forma nesses contratos, e por isso os valores referentes eles também serão glosados. 102. Em resumo, todo o valor referente a arrendamento mercantil pleiteado pelo contribuinte será glosado, tendo em vista que o contribuinte não figura em nenhum dos contratos apresentados como arrendatário do imóvel. 96. Na contestação a própria MFB aponta que não era arrendatária de nenhum dos 4 contratos de arrendamento mercantil, mas sim sublocatária dos mesmos. No contrato com a empresa Bravo Beef S/A a arrendátaria seria a MFG Agropecuária. Nos contratos com a Frigorífico Mercosul, Frigorífico 4 Rios e com a Frigorífico Boivi Ltda. a arrendatária seria a Marfrig Alimentos S/A. 97. Observe-se, primeiramente, que a legislação permite o crédito apenas no caso de contratos de arrendamento mercantil e não de outros tipos de locações: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. 98. Os contratos de sublocações não se caracterizavam como arrendamento mercantil. 99. Tal fato impossibilita o direito creditório. No caso aqui em questão as empresas MFG Agropecuária e Marfrig Alimentos S/A, como reais arrendatárias dos imóveis, é que possuem a titularidade do direito de aproveitar os créditos relativos aos valores para fins de PIS e de Cofins como bem dispõe a norma já citada, e tal crédito não tem como ser repassado para terceiros. 100. Assim, a glosa deve ser mantida. DEVOLUÇÕES DE VENDAS 101. A Informação Fiscal diz : 104. Parte das receitas da empresa advem de operações cuja lei atribui a suspensão das contribuições para o PIS e a Cofins não cumulativos, como previsto no art. 32, II da Lei nº 12.058/2009. Por isso, é necessário que separemos as devoluções de vendas Fl. 2536DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 sujeitas à tributação, pois apenas as mercadorias que foram tributadas na saída podem constituir a base de cálculo do crédito no caso da sua devolução. 102. Discorre a peça de defesa que a fiscalização afirmou que parte das receitas advinham de operações com suspensão das contribuições, e com base nas notas fiscais entregues, considerou como devoluções de vendas apenas aquelas em que não se encontravam no regime de suspensão, discorda o contribuinte dizendo que tais devoluções seriam de vendas sujeitas à tributação, pois teriam sido incluídas outras mercadorias com classificação NCM diferentes daquelas sujeitas à suspensão. 103. A Informação Fiscal deixa claro que foram separadas as devoluções de vendas sujeitas à tributação daquelas que estariam sujeitas à suspensão, não se sustentando à alegação da defesa: “105. Com base no arquivo de notas fiscais eletrônicas entregue à Receita Federal utilizamos a descrição da mercadoria, o código fiscal de operações e prestações (CFOP) e a descrição da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) para separarmos as devoluções de vendas realizadas com suspensão das contribuições daquelas que são tributadas”. (gn) 104. Tal separação das vendas tributadas das com suspensão foi realizada com base no arquivo de notas fiscais entregue à Receita Federal pelo próprio contribuinte, onde consta a descrição da mercadoria, o código fiscal de operações e prestações (CFOP), e a descrição da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM|). 105. Os códigos considerados pela fiscalização de receitas não sujeitas ao pagamento das contribuições com base na Lei nº 12.058/09 foram os seguintes: 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 0210.20.00, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30. As demais devoluções de venda com códigos de NCM diferentes desses foram consideradas pela fiscalização em favor do contribuinte. 106. A MFB se limita em sua defesa apenas a dizer que foram glosados determinados códigos NCM sem nem ao menos apresentar nenhum elemento probatório nesse sentido. Ao contrário da falta de elementos por parte da MFB, temos nos autos às fls. 1.725 a 1.741 detalhadamente nota fiscal por nota fiscal consideradas em favor do contribuinte, discriminando o dia da emissão, o nome do cliente, o CNPJ, o número da nota fiscal, o Código NCM e o valor da nota fiscal. Não se mantém assim tal alegação. 107. A glosa deve ser mantida. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE 103. Sobre as despesas de armazenagem e de frete a fiscalização alertou que só gerariam crédito quando vinculadas às operações de venda, tendo essas sido mantidas com direito creditório. Já outros tipos de fretes foram glosados a saber: a) fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos; b) fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos e c) fretes nas aquisições compras de mercadorias. 104. Consta da Informação Fiscal : 110. As despesas de frete só geram direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo, quando vinculadas as operações de venda, conforme art. 3, IX da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS por força do seu art. 15, II. Fl. 2537DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 105. A Informação Fiscal ainda esclarece que as glosas realizadas na rubrica se referem exclusivamente a fretes, especificamente áqueles que relativos ás aquisições de mercadorias (SUP3760), compras diversas e transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica, indistintamente, e também os fretes havidos nos meses de fevereiro/2011 e junho/2011, porque as memórias de cálculo apresentadas não continham informações das operações nesses períodos. 106. A recorrente contesta tais glosas, dizendo que os fretes sobre transferências de produtos acabados como despesa inerente á atividade empresarial, estando englobada no conceito de “operação de venda”, os fretes sobre transferência de matéria-prima entre estabelecimentos seriam despesas atreladas ao processo produtivo, essenciais ao beneficiamento dos produtos e, quanto aos fretes sobre aquisições de insumos compõem os custos de aquisição e protesta pela apresentação posterior dos documentos que comprovem o seu direito creditório. 107. Diante da nova conceituação de insumos, deve-se admitir apuração de créditos sobre : a) despesas de frete sobre aquisição de insumos pois que estas se inserem entre os custos de produção, inscritas no permissivo legal constante do artigo 3º, II da Lei nº 10.833/2003; b) despesas de frete sobre transferências de matéria-prima entre os estabelecimentos da empresa, pois também se incluem entre os custos de produção, com o permissivo legal constante do artigo artigo 3º, II, da Lei nº 10.833/2003; c) despesas de frete sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, pois que estas se incluem na “operação de venda”, inscritas no permissivo legal constante do artigo 3º, IX da Lei nº 10.833/2003. 108. Assim, devem ser revertidas as glosas sobre despesas de fretes sobre aquisição de insumos, despesas sobre transferências de matéria-prima entre os estabelecimentos da empresa e despesas sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITO COM BASE NO VALOR DA DEPRECIAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO 109. Esta rubrica comportou a glosa integral dos créditos apropriados em razão de insubsistências nas memórias de cálculo apresentadas, o que impediu a aferição dos valores aproveitados. 110. A recorrente não questionou a exclusão promovida, entretanto, pugnou pela consideração, nesse cálculo, das peças de reposição empregadas nos equipamentos da área de produção e que, originalmente, foram imputadas como insumos aplicados na produção e glosados pela fiscalização, devido à alegada necessidade de ativação desses bens para aproveitamento dos créditos pelas quotas de depreciação. 111. Ainda que a fiscalização tenha inferido pela impossibilidade de crédito como insumo, admitiu o creditamento da depreciação correspondente, contudo, não promoveu o ajuste necessário, limitando-se à glosa, o que nos leva a concluir por assistir razão ao recorrente. 112. Ou seja, relativamente às peças de reposição dos equipamentos utilizados na produção, houve glosa por entender a fiscalização que, pelas regras da legislação do imposto de renda, deveriam tais produtos ser ativados, nos seguintes termos constantes da Informação Fiscal : Fl. 2538DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 ‘49. O contribuinte havia incluído ainda na base de cálculo a aquisição de peças de reposição de equipamentos utilizados na produção. Tais valores somente podem ser considerados como despesa e incluídos na base de cálculo como bens utilizados como insumos, se tiverem valor inferior à R$ 326,61 (trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos), como previsto no art. 301, do regulamento do imposto de renda (Decreto nº 3000/99). Valores acima deverão ser considerados como ativo permanente e o aproveitamento do crédito só poderia ser realizado com base na depreciação incorrida no mês. Sendo assim, todos os valores de compras de peças para reposição de equipamentos utilizados na produção em valores maiores do que o estipulado foram glosadas.’ 113. A recorrente, por seu turno, não questiona a conclusão da fiscalização, sendo despiciente debater a requalificação, cingindo-se a reclamação à não consideração dos valores, então, como quotas de depreciação, como aduzido pela própria autoridade fiscal. 114. Nesse ponto, a razão está com a recorrente, não se justificando o argumento de que a pretensão implicaria transferir o ônus da apuração ao Fisco, haja vista que é atribuição da autoridade fiscal, na aferição desta apuração de créditos requeridos, a realocação de direitos que, pela sua natureza, o contribuinte tenha cometido erro em sua qualificação, não podendo se limitar a glosá-los. 115. Deve-se pontuar que a recorrente requereu, desde o início do contencioso, a concessão de ditos créditos, mesmo porque a fiscalização não mencionou que estes produtos (peças de reposição) não atendiam aos demais requisitos para garantia de crédito pelas quotas de depreciação, não fazendo sentido afirmar que o contribuinte faz jus a um determinado crédito, sem examinar o cumprimento das condições para sua fruição. 116. O fato de não ser reconhecido qualquer valor originário, a título de depreciação, devido a deficiências nas memórias de cálculo apresentadas, não afasta o direito ao cálculo pela depreciação ao menos das peças de reposição, que, como dito, a própria fiscalização, reconheceu procedente, sendo coerente o pleito da recorrente. 117. Assim, a glosa deve ser revertida. CORREÇÃO MONETÁRIA De ofício, entendo ser correta a aplicação da SELIC em caso de obstáculo ao ressarcimento por parte da Fazenda Pública, criando embaraço ao crédito após a apresentação do pedido de ressarcimento, como no caso concreto. No entanto, ainda é preciso esclarecer alguns pontos, pois, especificamente para PIS e COFINS, este E. CARF editou uma súmula que afasta a aplicação de correção monetária ou juros aos pedidos de ressarcimento: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Peço vênia para transcrever os dispositivos mencionados na súmula acima: Fl. 2539DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4 o do art. 3 o , do art. 4 o e dos §§ 1 o e 2 o do art. 6 o , bem como do § 2 o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata aLei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] VI - no art. 13 desta Lei. No entanto, em meu sentir, referidos dispositivos têm aplicação apenas para os créditos escriturais do regime não cumulativo, utilizados para deduzir do PIS e da COFINS devidos pela incidência dos tributos em cada período de apuração. Enquanto no regime da não cumulatividade, os créditos não podem ter correção monetária, já que não há mora da Fazenda. Dispositivo semelhante não existe para o IPI e gerou uma questão judicial até ser pacificada pelo REsp 1.035.847/RS, no sentido de que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não- cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. No entanto, uma vez acumulados os créditos de IPI e formulado o pedido de ressarcimento, o obstáculo da Fazenda Pública representa a mora, sendo devida a aplicação da correção monetária, conforme entendimento firmado na Súmula STJ 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco Recentemente, esse mesmo racional adotado para o IPI foi adotado para os créditos não cumulativos do PIS e da COFINS, em sede de recursos repetitivos, no REsp nº 1.767.945/PR, relator ministro Sérgio Kukina, tendo sido fixada a seguinte tese: TESE FIRMADA: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)" (grifei) Utiliza como fundamento o decidido no EREsp 1.461.607/SC quando foi conferido o direito de aplicação da SELIC para créditos escriturais de PIS e COFINS após escoado o prazo de 360 dias para a Fazenda responder o pedido de ressarcimento. O voto ainda transcreve diversos outros julgamentos do STJ conferindo o direito aos juros e correção monetária para créditos de PIS e COFINS, utilizando como fundamento o artigo 24 da Lei n. 11.457/2007 e utilizando como base as decisões relativas ao crédito escritural de IPI, aplicando a Súmula STJ 411 e o repetitivo REsp 1.035.847/RS. O embate travado na corte não foi se a SELIC é ou não aplicável, mas, sim, a partir de quando a correção monetária e juros são aplicados: se do protocolo do pedido de ressarcimento (Min. Mauro Campbell e Min. Regina Helena Costa) ou após transcorrido os 360 dias, restando vencedor o entendimento pelos 360: "Com a devida vênia, tenho que esperar o transcurso do prazo de 360 dias não equivale a equiparar a correção monetária a uma sanção, Fl. 2540DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 mas sim conceder prazo razoável ao fisco para averiguar se o pedido de ressarcimento protocolado vai ser confirmado ou rejeitado." Consta do voto uma discussão sobre os artigos 13 e 15, VI, da Lei n. 10.833/2003 retro transcritos, inclusive mencionando a Súmula CARF n. 125, para contextualizar que os créditos escriturais do regime da não cumulatividade não podem sofrer correção monetária. No entanto, uma vez acumulados os créditos, como admitido pelo art. 6º, I, § 2º, da Lei 10.833/2003, e o contribuinte formula um pedido de ressarcimento, deve-se aplicar o artigo 24 da Lei n. 11.457/2007. Peço vênia para transcrever alguns trechos do voto: Assim, considerando que o STJ já havia decidido que: (I) os créditos decorrentes do princípio da não cumulatividade possuem natureza escritural; (II) essa natureza só pode ser desconfigurada acaso seja comprovada a resistência ilegítima do fisco; e (III) o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para analisar os pleitos de compensação/ressarcimento de créditos é 360 dias, começou a aportar ao Judiciário a seguinte questão: qual o marco inicial para eventual incidência de correção monetária nos pleitos de compensação/ressarcimento formulados pelos contribuintes: a data do protocolo do requerimento administrativo do contribuinte ou o dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei n. 11.457/2007? [...] Foi então que essa questão controvertida foi novamente submetida à Primeira Seção deste STJ, pelo julgamento do EREsp 1.461.607/SC, tendo se sagrado vencedor o entendimento de que "o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco". [...] Consoante decisão de afetação ao rito dos repetitivos, a presente controvérsia cinge-se à "Definição do termo inicial da incidência de correção monetária no ressarcimento de créditos tributários escriturais: a data do protocolo do requerimento administrativo do contribuinte ou o dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei n. 11.457/2007". Debatido artigo legal tem a seguinte redação: Art. 24 da Lei 11.457/2007. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. [...] Com efeito, a regra é que no regime de não cumulatividade os créditos gerados por referidos tributos são escriturais e, dessa forma, não resultam em dívida do fisco com o contribuinte. Veja-se o que dispõe o art. 3º, § 10, da Lei 10.833/2003, que versa sobre a COFINS: "O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição." (vide ainda o art. 15, II, dessa mesma lei: "Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei;"). Ratificando essa previsão legal, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF editou o Enunciado sumular n. 125, o qual dispõe que, "No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas, não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003." Fl. 2541DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 ... A leitura do teor desses artigos deixa transparecer, isso sim, a existência de vedação legal à atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes do referido aproveitamento de crédito - seja qual for a modalidade escolhida pelo contribuinte: dedução, compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro. Convém ainda relembrar que a própria Corte Constitucional foi quem definiu que a correção monetária não integra o núcleo constitucional da não cumulatividade dos tributos, sendo eventual possibilidade de atualização de crédito escritural da competência discricionária do legislador infraconstitucional. ... Dessa forma, na falta de autorização legal específica, a regra é a impossibilidade de correção monetária do crédito escritural. ... Além disso, apenas como exceção, a jurisprudência deste STJ compreende pela desnaturação do crédito escritural e, consequentemente, pela possibilidade de sua atualização monetária, se ficar comprovada a resistência injustificada da Fazenda Pública ao aproveitamento do crédito, como, por exemplo, se houve necessidade de o contribuinte ingressar em juízo para ser reconhecido o seu direito ao creditamento (o que acontecia com certa frequência nos casos de IPI); ou o transcurso do prazo de 360 dias de que dispõe o fisco para responder ao contribuinte sem qualquer manifestação fazendária. Assim, o termo inicial da correção monetária do pleito de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente quando caracterizado o ato fazendário de resistência ilegítima, no caso, o transcurso do prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo sem apreciação pelo Fisco. (grifei) E a tese fixada se refere a qualquer tributo não cumulativo, na medida em que o artigo 24 da Lei n. 11.457/2007 não trouxe um tratamento para um tributo específico, como o IPI: 3. Tese a ser fixada em repetitivo Em suma, para os fins do art. 1.036 do CPC/2015, este relator propõe a fixação da seguinte tese em repetitivo, sem necessidade da modulação de que trata o art. 927, § 3º, do mesmo Codex: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)" (grifei) O REsp nº 1.767.945/PR, julgado em sede de recursos repetitivos, teve seu acórdão publicado em 06/05/2020 e transitado em Julgado em 28/05/2020, ou seja, após a Súmula CARF n. 125. Com isso, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, deverão ser obrigatoriamente reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o art. 62, § 2º, do Regimento Interno. Fl. 2542DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 3301-010.260 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.941560/2012-53 A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas, não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. E a resistência ilegítima resta configurada após 360 dias contados da data do pedido de ressarcimento, configurando a partir de então, a mora da Fazenda Pública, nos termos do que decido pelo STJ. Conclusão 31. Por todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para : I) reconhecer o direito à inclusão das aquisições com o CFOP 1.125 na apuração dos créditos, como serviços (insumos) aplicados à produção, acaso ainda não consideradas; II) admitir o cálculo do crédito presumido das aquisições de ovinos pelo percentual de 60% (sessenta por cento); III) reverter a glosa referente ás peças de reposição dos equipamentos utilizados na produção. IV) admitir o creditamento relativo aos fretes sobre aquisições de insumos e sobre transferências de insumos e produtos acabados entre os estabelecimentos fabris da pessoa jurídica V) para reconhecer o direito à tomada de crédito, como quota de depreciação, pelas aquisições de peças de reposição de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo. VI) admitir crédito presumido sobre aquisição de lenha e bagaço utilizados como combustível no processo produtivo. VII) aplicar a taxa SELIC sobre os valores dos créditos reconhecidos, tendo como termo a quo, a data logo após o 360º dia para análise dos pedidos de ressarcimento/compensação. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini Fl. 2543DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11065.902910/2011-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
Diante da comprovação de crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior, à luz do art. 170 do CTN, o provimento do pedido de compensação é medida que se impõe.
Numero da decisão: 1001-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Diante da comprovação de crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior, à luz do art. 170 do CTN, o provimento do pedido de compensação é medida que se impõe. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão n.º 03-85.958 da 7ª Turma da DRJ/BSB, de 18 de julho de 2019 (fls. 141 a 149): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 29 10 /2 01 1- 51 Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.450 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902910/2011-51 Tratam os autos da Declaração de Compensação - DCOMP nº 36586.25246.100706.1.3.04-2427, transmitida eletronicamente em 10/07/2006, com base em créditos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. O contribuinte declarou em PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF, com as seguintes características: Em 01/04/2011, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 63-64), cuja decisão não homologou a compensação declarada, uma vez que não foi comprovada a existência de pagamento indevido ou a maior, conforme justificativa abaixo reproduzida: Cientificado dessa decisão bem como da cobrança dos débitos confessados na declaração de compensação, o sujeito passivo apresentou em 12/05/2011, a manifestação de inconformidade de folhas 04-09, acrescida de documentação anexa. Em sua defesa, o contribuinte alegou, em síntese, que é empresa industrial que atua no setor calçadista e que para consecução de suas atividades, utiliza diversos softwares, entre os quais o Shoemaster, adquirido no mercado externo da empresa Torielli Spa em 2003. Argumentou que a licença de uso não tem como objetivo a revenda, tendo adquirido o software apenas para utilização em suas atividades industriais. Acrescentou que tributou indevidamente o Imposto de renda sobre a remessa de valores na compra do software, visto que a operação é não incidente. Comprovado o equívoco, apresentou Per/Dcomp para compensar o crédito com o débito de Cofins. Relatou que foi intimada a apresentar documentação comprobatória da origem do crédito mas que o direito creditório não foi reconhecido por falta de prova. Defendeu que o software adquirido é do tipo “software de prateleira” e que a não incidência de imposto de renda é incontroversa, face à Solução de consulta nº 68, de 2010 e de decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colacionando ementa de acórdão proferido pela 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro, de 2008. Quanto à não comprovação da origem do crédito, reiterou: Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.450 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902910/2011-51 Ao final, entendendo ter comprovado que adquiriu software de prateleira do exterior e que indevidamente reteve o imposto de renda, pediu provimento à defesa para o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação. A DRJ, por sua vez, não deu provimento à manifestação de interesse da empresa contribuinte, por entender que: Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.450 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902910/2011-51 [...] Em síntese, a DRJ entende que não restou comprovado que o software adquirido do exterior teria sido para uso próprio (o a eximiria da tributação de 15% de IRRF aplicável para aquisição de softwares do exterior que se destinem à revenda). A recorrente, por sua vez, interpôs Recurso Voluntário (fls. 158 a 163), aduzindo que o software adquirido seria o “de prateleira”, e não o de encomenda. Aduz ainda que não mais dispões do documento de contrato original por ter sido celebrado em 2003, e que não seria cabível a DRJ ter mencionado o art. 167 do Código Civil (que trata sobre simulação de negócios jurídicos). Aduz ainda a recorrente que contratos dessa natureza não exigem registro. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.450 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902910/2011-51 Ao fim, a empresa contribuinte pede o reconhecimento do crédito. Vale ressaltar que, nas fls. 4 e 5 constam detalhes do software adquirido: Nas fls. 41 a 45 constam detalhes do software, preço e modo de prestação dos serviços. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF nº 329/2017, considerando-se tratar da análise de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, ano- calendário 2003. Ainda, observo que o recurso é tempestivo, na medida em que foi interposto em 28/08/2019 (vide termo de solicitação de juntada, fl. 156), face à intimação recebida em 05/08/2019 (vide termo de ciência, fl. 155), e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.450 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902910/2011-51 Mérito Acerca do mérito do presente processo, necessário indicar que a empresa contribuinte busca obter crédito relativo a IRRF supostamente retido indevidamente ou a maior, o qual ora se encontra veiculado em pedido de compensação. A DRJ não deu provimento à manifestação de interesse da empresa contribuinte, por entender que: Segundo a DRJ, a empresa contribuinte não teria comprovado que tal software teria se dado para uso próprio e, por tal razão, entendeu não haver demonstração cabal de tal condição legal. A DRJ entendeu que não estaria comprovado uso próprio do software adquirido no exterior, cuja conclusão seguiu as seguintes razões: Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.450 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902910/2011-51 Acerca da apreciação da prova, necessário indicar o disposto no art. 29 do Decreto Federal nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, [...] Nesse contexto, necessário indicar que, em que pese a afirmação da DRJ, segundo a qual não teria verificado aquisições de software no livro razão, necessário indicar que, na fl. 52 do presente processo consta a seguinte contabilização: Verifica-se que referido registro foi realizado na conta contábil de imobilizado, sob o valor de R$ 38.309,45, valor este infimamente superior, ao valor mencionado no contrato Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-002.450 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902910/2011-51 de câmbio (diferença inferior a 1% do valor de contrato de câmbio), de fl. 47, pelo valor de R$ 38.128,20. Nas fls. 41 a 45 constam detalhes do software, preço e modo de prestação dos serviços, que denotam tratar-se da aquisição de um só licenciamento de software devidamente acompanhado da assistência técnica, dirigida, exatamente, ao consumidor final, no caso, a empresa de fabricação de calçados. Na fl. 45, consta documento da fornecedora do software indicando não se tratar de serviços de desenvolvimento de software (o que dá ensejo à caracterização de que o sistema objeto de análise é categorizado como “software de prateleira”), e na fl. 44 consta oferta de disponibilização do Software ShoeMaster e Updates (respectivas atualizações). Vale ressaltar ainda que a empresa ora contribuinte não possui atividade econômica de “revenda de softwares”, fls. 12 a 20 (Contrato Social, vide cláusula segunda, fl. 15). Não há, ainda, demonstração de tal software tenha sido efetivamente revendido. Necessário considerar ainda que tal aquisição diz respeito a uma unidade de licenciamento, associada a toda uma prestação de serviços de assistência técnica ao seu usuário final (empresas fabricantes de calçados). Assim, à luz do conjunto probatório presente neste processo, entendo perfeitamente demonstrado o fato de que tal aquisição de software tenha se dado para o atendimento das finalidades econômicas da empresa contribuinte, seja pela natureza da transação (software de prateleira usualmente destinado a consumidores finais quando adquiridos em uma única unidade), pelo objeto social da empresa, pela forma de contabilização, pelo contrato de câmbio, pela caracterização de serviços associados ao consumidor final. Ademais, improvável ainda vislumbrar a possibilidade de uma empresa fabricante de calçados dispor-se a adquirir um único software de prateleira para que pudesse revendê-lo a algum concorrente. Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-002.450 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902910/2011-51 Entendo, portanto, terem sido atendidos os requisitos de certeza e liquidez necessários ao reconhecimento do crédito passível de ser utilizado para fins de compensação em DCOMP para tal finalidade, à luz do art. 170 do CTN. Em decorrência do exposto, o presente recurso merece provimento. Dispositivo Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900807/2015-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o despacho decisório e a decisão recorrida em razão da falta da efetiva demonstração e comprovação dos argumentos de defesa.
Numero da decisão: 3201-008.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Relator), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o despacho decisório e a decisão recorrida em razão da falta da efetiva demonstração e comprovação dos argumentos de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Relator), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
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O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o despacho decisório e a decisão recorrida em razão da falta da efetiva demonstração e comprovação dos argumentos de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Relator), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte acima identificado para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem em que não se reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à Contribuição para o PIS, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 07 /2 01 5- 47 Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.602 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900807/2015-47 Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento integral do direito creditório, aduzindo o seguinte: a) o crédito apurado se originara, após revisão contábil, da alteração do regime de tributação das receitas de assinaturas/facilidades; b) o indeferimento da restituição decorrera da falta de retificação da DCTF e do Dacon, fato esse que não gera crédito a favor da Fazenda Pública, pois, no processo administrativo, deve-se observar o princípio da verdade material, de acordo com a doutrina e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de Tribunais Regionais Federais e do CARF e em conformidade com os princípios da legalidade, da proteção da confiança, da formalidade moderada em favor do contribuinte, da boa-fé e da vedação ao enriquecimento ilícito; c) a Administração tributária não pode restringir o direito do sujeito passivo à restituição do valor pago indevidamente, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN) e da Constituição Federal. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte carreou aos autos cópia do despacho decisório, do Pedido de Restituição, do comprovante de arrecadação, de planilhas de apuração, da DCTF, do Dacon e de relação de contas contábeis. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentando- se na falta de retificação da DCTF e na ausência de prova do crédito pleiteado (escrituração e documentos fiscais). Cientificado da decisão de primeira instância em 06/05/2020 (fl. 241), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 01/09/2020 (fl. 242) e requereu o retorno dos autos à repartição de origem para apreciação dos documentos então acostados ou, alternativamente, o reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe aos autos planilhas identificadas como “Estrutura de Balanço da Brasil Telecom” (fls. 264 a 305) e planilhas Excel com “Exibição de saldos de contas do Razão” (fls. 307 a 308). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que não se reconheceu o direito creditório pleiteado, relativo à Contribuição para o PIS, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.602 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900807/2015-47 A defesa do Recorrente, em ambas as instâncias, se restringiu, além das alusões a princípios desrespeitados pela autoridade tributária e ao erro escusável quanto à ausência de retificação da DCTF e do Dacon, à seguinte afirmativa: Trata-se de pedido de restituição referente ao crédito de PIS, originado da alteração do regime de tributação das receitas de assinatura/facilidades, no montante de R$ 201.161,45, efetuado por meio da PER/DCOMP nº 34881.57016.291014.1.2.04-8000 (doc. nº 03), o qual foi glosado pela Receita Federal. (fl. 97 da Manifestação de Inconformidade e fl. 247 do Recurso Voluntário – g.n.) Nota-se que, tanto na primeira quanto na segunda instância, a única alegação acerca da natureza jurídica do crédito pleiteado se restringiu à afirmativa de que o crédito se referia à “alteração do regime de tributação das receitas de assinaturas/facilidades”, inexistindo nas peças recursais qualquer outro mínimo esclarecimento acerca desse alegado direito. Na primeira instância, o Recorrente havia dito que, para “ratificar a verossimilhança do que foi alegado”, bastava “verificar seu Livro-Razão 2009 (doc. nº 07)” (fl. 98). No entanto, consultando-se o referido doc. 07 (fls. 211 a 212) verifica-se que se trata de uma tabela, com 12 colunas, contendo códigos, datas, valores e descrição de fatos como, por exemplo, “PIS s/ faturamento a pagar”, inexistindo qualquer outra informação que viabilizasse a apuração de eventual indébito. Nas planilhas de apuração da contribuição para o PIS devida em outubro de 2009 (fl. 121), consta que a retificação da apuração decorrera da inclusão na base de cálculo de dois valores relativos a “facilidades”, inexistindo qualquer outra informação nos autos que pudesse esclarecer a natureza dessa rubrica. Na segunda instância, o Recorrente traz aos autos um documento intitulado “Estrutura de Balanço da Brasil Telecom” (fls. 264 a 305), sem indicação, nas contas do Ativo e do Passivo distribuídas em 42 folhas, de que itens deveriam ser considerados na apuração do crédito pleiteado. Os dados que o Recorrente alega poderem ser obtidos de seu livro Razão constam de duas planilhas Excel, com 13 linhas e cinco colunas, contendo números sem qualquer indicação de sua natureza ou de sua origem (fls. 307 a 308). Nesse contexto, torna-se impossível confirmar a existência do saldo creditório pleiteado, situação fática deficitária essa que não pode ser suprida a partir de meras alegações de violação de princípios por parte da autoridade administrativa. As meras alegações sem amparo em documentos efetivos se mostram incompatíveis com as regras que orientam o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regido, precipuamente, pelo Decreto nº 70.235/1972. Até mesmo observando-se os dispositivos da Lei nº 9.784/2004 1 , aplicável subsidiariamente ao PAF, atinentes ao direito de prova do administrado, nem mesmo assim se 1 Art. 2º (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: Fl. 314DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.602 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900807/2015-47 vislumbra possibilidade de se obter o reconhecimento de um crédito de natureza tributária sem a sua efetiva identificação, demonstração e comprovação. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), o ônus da prova encontra-se delimitado de forma expressa, dispondo os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) De acordo com os dispositivos supra, o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão de origem em razão da falta de demonstração dos motivos de fato e de direito em que pautados o crédito, bem como da ausência de apresentação dos documentos considerados imprescindíveis à demonstração e à comprovação dos fatos alegados. Ainda que se considerasse o princípio da busca da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode, eventualmente, ir além das provas trazidas aos autos pelo interessado, no presente caso, o Recorrente não se desincumbiu do seu dever de comprovar de forma efetiva sua defesa, não tendo nem mesmo identificado a natureza e a origem do crédito, situação em que se têm, indubitavelmente, por prejudicadas as meras alegações. Quanto às alegações do Recorrente acerca da violação dos princípios da legalidade, da proteção da confiança, da formalidade moderada em favor do contribuinte, da boa- (...) X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas (...) Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art16iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.602 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900807/2015-47 fé e da vedação ao enriquecimento ilícito, elas se mostram de todo infundadas, pois que, conforme já dito, desacompanhadas da identificação dos fatos e dos dispositivos legais a que se reportam. Não se pode ignorar que este órgão administrativo de julgamento não detém competência para se pronunciar acerca de violação a princípios constitucionais por lei válida e vigente, cuja observância por parte dos conselheiros é vinculada e obrigatória, em conformidade com o teor da súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, ressalte-se que, em 28/04/2021, esta turma julgadora, por meio do acórdão nº 3201-008.313, decidiu acerca de outro crédito pleiteado pelo mesmo contribuinte destes autos, em que a sua natureza jurídica encontrava-se identificada, tendo a decisão constado da ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FACILIDADE E COMODIDADE. Por não decorrerem de serviços de telecomunicações, as receitas relativas aos serviços de facilidade (bloqueio e identificado de chamadas) e de prestação e comodidade (PUC) são tributadas na sistemática não cumulativa das contribuições sociais. Nota-se que, no processo em que prolatada a decisão supra (nº 16682.903429/2017-15), o Recorrente havia identificado as chamadas “facilidades” como serviços de bloqueio e identificação de chamadas, identificação essa não prestada nestes autos. Mas, mesmo que se cogitasse acerca da aplicação da analogia, considerando que as “facilidades” sem identificação destes autos correspondem às “facilidades” devidamente identificadas nos outros autos, ainda assim, melhor sorte não teria o Recorrente, pois, ali, o resultado foi, por unanimidade, desfavorável a ele. Diante do exposto, vota-se por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.602 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.900807/2015-47 Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000290/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO. REGULARIZAÇÃO EM TEMPO HÁBIL.
Considerando que o óbice ao ingresso no Simples Federal foi regularizado dentro do prazo previsto em lei, deve a contribuinte ser incluída no sistema simplificado. Ou seja, a regularização do débito até 31/01 do respectivo ano-calendário permite o deferimento da opção da contribuinte por esse regime tributário favorecido e unificado.
Numero da decisão: 1402-005.642
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para autorizar a inclusão retroativa da recorrente desde 01/01/2007 no regime do SIMPLES FEDERAL.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Iagaro Jung Martins, Luciano Bernart, Barbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO. REGULARIZAÇÃO EM TEMPO HÁBIL. Considerando que o óbice ao ingresso no Simples Federal foi regularizado dentro do prazo previsto em lei, deve a contribuinte ser incluída no sistema simplificado. Ou seja, a regularização do débito até 31/01 do respectivo ano-calendário permite o deferimento da opção da contribuinte por esse regime tributário favorecido e unificado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para autorizar a inclusão retroativa da recorrente desde 01/01/2007 no regime do SIMPLES FEDERAL. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Iagaro Jung Martins, Luciano Bernart, Barbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO. REGULARIZAÇÃO EM TEMPO HÁBIL. Considerando que o óbice ao ingresso no Simples Federal foi regularizado dentro do prazo previsto em lei, deve a contribuinte ser incluída no sistema simplificado. Ou seja, a regularização do débito até 31/01 do respectivo ano calendário permite o deferimento da opção da contribuinte por esse regime tributário favorecido e unificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para autorizar a inclusão retroativa da recorrente desde 01/01/2007 no regime do SIMPLES FEDERAL. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 02 90 /2 00 7- 55 Fl. 130DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 11543.000290/200755 Acórdão n.º 1402005.642 S1C4T2 Fl. 131 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Iagaro Jung Martins, Luciano Bernart, Barbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 131DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 11543.000290/200755 Acórdão n.º 1402005.642 S1C4T2 Fl. 132 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o indeferimento do pedido de inclusão retroativo ao Simples Nacional da Recorrente devido a constatação de débito sem a exigibilidade suspensa. O Parecer Seort nº 1.391/2013 de fls. 53/55 e do Despacho Decisório de fl. 56, ambos proferidos pela Seção de Orientação e Análise Tributária – Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil de VitóriaES, não acolheram o pedido de inclusão no Simples com data retroativa a 01/01/2007, protocolado pelo contribuinte em 31/01/2007. O pedido foi indeferido sob o argumento de que embora a empresa satisfizesse as condições para inclusão no Simples na data de seu pedido de inclusão retroativa formalizado em 31/01/2007, existiam óbices que a impediram de ingressar nesse regime de tributação quando fez a sua opção em 24/01/2007. Cientificada do Parecer Seort nº 1.391/2013 e do Despacho Decisório por via postal em 16/09/2013 (AR de fl. 65), a pessoa jurídica interessada apresentou em 03/10/2013, por intermédio de procurador regularmente constituído (instrumento de mandato de fl. 22), a manifestação de inconformidade de fls. 72/82. Na peça de defesa apresentada o patrono da empresa protesta que requereu o pedido de inclusão no Simples em 24/01/2007, que o prazo final para opção pelo Simples se esgotaria em 31/01/2007 e, que nessa mesma data de 31/01/2007 foi concedido parcelamento dos débitos que impediram sua inclusão no Simples por meio dos processos nº 10783.507010/200669 e nº 10783.504182/200419. Aduz que o prazo final para opção pelo Simples foi dia 31/01/2007 e que nessa data a empresa preenchia os requisitos para sua inclusão no Simples. Sustenta que “a Lei nº 9.317/96 não prevê que a análise do pedido de inclusão terá por base a data de seu protocolo, em detrimento da data final para a satisfação da exigência” de forma que “o entendimento disposto nas razões de indeferimento do pedido de inclusão criou regra restritiva de direito inexistente no ordenamento jurídico”. Requer a inclusão retroativa no Simples ou, sucessivamente, a aplicação do §5º do art.15 da Lei nº 9.317/96. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente o indeferimento de inclusão do Simples Nacional, por entender que a Recorrente não teria regularizado os débitos dentro do prazo legal e que por isso teria direito de entrar no Simples apenas no ano subseqüente, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 132DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 11543.000290/200755 Acórdão n.º 1402005.642 S1C4T2 Fl. 133 4 Anocalendário: 2007 OPÇÃO. DEFERIMENTO. EFEITOS. Consoante o que dispõe a legislação tributária, não há qualquer previsão para que o deferimento da opção pelo SIMPLES tenha efeitos retroativos ao 1º dia do ano calendário da sua opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 11543.000290/200755 Acórdão n.º 1402005.642 S1C4T2 Fl. 134 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual deve ser admitido. A matéria dos autos trata apenas do pedido de inclusão retroativa ao Simples Federal da Recorrente desde de 01/01/2007, sendo que o argumento de defesa é apenas relativo ao fato de que ela quitou os débitos até o dia 31/01/2007, ou seja dentro de prazo previsto na legislação para inclusão no regime simplificado. Consta nos autos, conforme Despacho e Parecer (fls. 53/56), que a Recorrente fez o pedido de inclusão no Simples Federal em 24/01/2007 e tal pedido foi negado devido a existência de débitos junto a PGFN. Em seguida, a Recorrente parcelou/quitou os débitos e fez novamente o pedido de inclusão retroativo em 31/01/2007, ou seja dentro do mês de janeiro do ano de 2007. Desta feita, como a Recorrente parcelou/quitou os débitos antes do dia 31/01/2007, ela requer sua inclusão no Simples Federal de forma retroativa desde 01/01/2007. Importante ressaltar que não constam dúvidas nos autos de que a Recorrente realmente parcelou/quitou os débitos antes do dia 31/01/2007, fato inclusive confirmado no Parecer Seort de fls. 53/55. O pedido de inclusão retroativo feito em 31/07/2007 foi indeferido apenas pelo fato de que no momento em que a Recorrente fez o sua opção ao Simples Federal, em 24/01/2007, constavam débitos em aberto, nos termos do artigo 9, inciso XV, da Lei 9.317/96. (Parecer Seort de fls. 53/55). O v. acórdão recorrido vai no mesmo sentido do Parecer Seort (fls. 53/55) e do r. Despacho Decisório (fls. 56) afirmando que como a Recorrente tinha débitos em abeto quando fez sua opção em 24/01/2007 e por tal motivo não poderia mais ser incluída no Simples Federal neste ano de 2007 de forma retroativa. Desta forma, entendo que tanto o Despacho Decisório, como o v. acórdão recorrido, devem ser reformados, eis que a Recorrente tinha regularizado os débitos até o dia 31/01/2007. Vejamos. Conforme pode se verificar, este procedimento de inclusão do Simples Federal determina que a opção ao Simples Federal seja condicionada a inexistência de débitos não suspensos e que seja feita até janeiro do respectivo ano, ou seja até 31 de janeiro. Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 11543.000290/200755 Acórdão n.º 1402005.642 S1C4T2 Fl. 135 6 No presente caso, a Recorrente quitou/parcelou os débitos e fez sua opção/pedido de inclusão no Simples Federal até o dia 31/01/2007, ou seja respeitou as regras impostas pela lei. Ademais, a Instrução Normativa da SRF 608 de janeiro de 2006, em seu artigo 16, parágrafo primeiro e artigo 17, inciso I, determinam que a inclusão no Simples se dará a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Vejamos. Art. 16. A opção pelo Simples darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I aos impostos dos quais é contribuinte (IPI, ICMS, ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º A pessoa jurídica, inscrita no CNPJ, formalizará sua opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral. [...] Art. 17. A opção exercida de conformidade com o art. 16 será definitiva para todo o período a que corresponder e submeterá a pessoa jurídica à sistemática do Simples a partir: I do primeiro dia do anocalendário da opção, na hipótese do § 1º do art. 16, se aquela for exercida no mês de janeiro; Assim, como a Recorrente fez o pedido inicial em 24/01/2007 e posteriormente parcelou/quitou os débitos até o dia 31/01/2007 e no mesmo dia fez novamente o pedido de inclusão retroativa desde 01/01/2007, entendo que seu pedido de inclusão retroativo ao Simples Federal desde 01/01/2007 deve ser deferido. Este inclusive é o entendimento da C. Câmara Superior, que ao julgar caso análogo decidiu da mesma forma que este Relator, aplicando o Parecer Cosit 60/99, o ADI SRF 16/02 e a SCI Cosit 21/2003, conforme pode se verificar na ementa abaixo. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 11543.000290/200755 Acórdão n.º 1402005.642 S1C4T2 Fl. 136 7 A possibilidade de inclusão retroativa no Simples foi criada pela própria Receita Federal, que é o órgão competente para disciplinar o registro de informações cadastrais, entre elas aquela que dizia respeito à opção pelo Simples nos primeiros anos de sua implantação. Citese o Parecer Cosit nº 60/1999, o ADI SRF nº 16/2002 e a SCI Cosit nº 21/2003. É com base na orientação normativa contida nestes atos que o acórdão recorrido admitiu a inclusão retroativa da contribuinte no sistema simplificado. (Acórdão 9101002.383) Desta forma, reformo o r. Despacho Decisório e o v. acórdão recorrido para dar provimento ao pedido de inclusão retroativo ao Simples Federal da Recorrente desde 01/01/2007. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital
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