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Numero do processo: 12963.000344/2007-02
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007
PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO.
Verificando-se a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência para os períodos de 08/1999 a 11/2001 (inclusive 13/2001); II) afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do REPLEG - Relatório de Representantes Legais; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para que, após confirmação no sistema da RFB, sejam apropriadas as guias de fls. 141/181.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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APROPRIAÇÃO. O contribuinte tem direito de abater da apuração fiscal os valores constantes em guias de recolhimento que foram quitadas após o encerramento da fiscalização. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007 PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 03 44 /2 00 7- 02 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência para os períodos de 08/1999 a 11/2001 (inclusive 13/2001); II) afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do REPLEG Relatório de Representantes Legais; e III) no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para que, após confirmação no sistema da RFB, sejam apropriadas as guias de fls. 141/181. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000344/200702 Acórdão n.º 2401002.654 S2C4T1 Fl. 186 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.034.7234, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado para exigência das contribuições segurados que foram descontadas e não recolhidas pela empresa. Nos termos do relatório fiscal, fls. 109/110, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos a segurados empregados no período de 01/1999 a 03/1999, 04/2000 e 05/2000, 11/2000 e 12/2000, 12/2001, de 06/2002 a 08/2002, 10/2002, 01/2003, de 03/2003 a 12/2003, 02/2004, 12/2004, de 03/2005 a 03/2006, de 05/2006 a 10/2006, 12/2006, de 01/2007 a 07/2007. Afirma o fisco que o sujeito passivo, embora devidamente intimado a apresentar as folhas de pagamento de 01/1999 a 07/2007, somente disponibilizou aquelas relativas ao ano de 2003. Ressalta que nas competências em que as folhas não foram exibidas, utilizou os dados declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Cientificada do lançamento em 03/12/2007, a Cooperativa ofertou impugnação, fls. 112/115, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG), que declarou procedente o lançamento (ver fls. 124/131), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. VALORES DECLARADOS EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO SEGURADO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e a recolher o produto arrecadado na forma lei. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. 0 direito de cobrar os créditos da Seguridade Social prescreve em 10 (dez) anos, não sendo possível, na esfera administrativa, afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em plena vigência. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. EMISSÃO OBRIGATÓRIA. O "REPLEG Relatório de Representantes Legais" 6, documento de emissão obrigatória que integra a notificação fiscal de lançamento de crédito. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ARGUIÇÃO. DESCABIMENTO NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. 0 controle da legalidade e/ou da constitucionalidade de lei é matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal. Lançamento Procedente Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 135/139, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) apresenta recolhimentos da parte dos empregados relativos às competências 01/20023,. 03/2003 a 12/2003, ,02/2004 e 12/2004, 03/2005 a 06/2005, 08/2005 a 01/2006, 03/2006.. e 25/2006 a 06/2007, pelo que requer a exclusão desses valores; b) estão decadentes as contribuições lançadas para o período de 01/1999 a 10/2002; b) devem ser excluídos do polo passivo os presidentes da entidade, posto que não praticaram qualquer ato de gestão que pudesse qualificálos como corresponsáveis; c) não deve prevalecer a apuração com base em livro contábil, sem que tenham sido analisadas as notas fiscais e recibos; d) a alíquota RAT é 1%, posto que se trata de serviço prestado em escritório; e) não foi considerado o disposto na legislação, a qual determina que, nos casos em que o valor da contribuição não atinge o valor mínimo para pagamento estabelecido pela Administração Tributária, devese acumular o valor para o próximo período. Ao final pede o reconhecimento parcial da decadência, a exclusão dos presidentes do polo passivo e a declaração de improcedência do lançamento. É relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000344/200702 Acórdão n.º 2401002.654 S2C4T1 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas, os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Conforme relatado, a ciência do lançamento pelo sujeito passivo deuse em 03/12/2007 e as contribuições foram descontadas e não repassadas pela recorrente. Assim, diante da ocorrência, em tese, do crime de apropriação indébita previdenciária, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, posto que a circunstância em que a contribuição deixou de ser recolhida indica a ocorrência de dolo. Concluo que devem ser afastadas pela decadência as contribuições até 11/2001, incluindo aquela relativa ao 13.º salário. Apuração com base na contabilidade Observase no anexo Relatório de Lançamentos, fls. 17/22, que não houve para o período lançado apuração com base no Livro Razão. Nesse sentido, esse argumento recursal é impertinente. Alíquota RAT Alega a Cooperativa que na apuração a alíquota RAT deveria ter sido fixada em 1%, posto que o grau de risco para trabalho em escritório é leve. Não não cabe também esse argumento, haja vista que a NFLD contemplou apenas a contribuição dos empregados. Contribuição sobre remuneração aos autônomos A alegada omissão no recolhimento da contribuição incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais em razão do valor ser inferior ao mínimo fixado na legislação não pode ser aceita. Mais um argumento que não merece ser considerado, posto que não há no presente lançamento contribuições sobre remuneração paga a contribuintes individuais. Apropriação das guias recolhidas O contribuinte não atendeu ao disposto no “item 1” parte final do anexo Instruções Para o Contribuinte – IPC e não se dirigiu a uma repartição da Administração Tributária para gerar a guia de recolhimento. Ao contrário, preencheu as guias incluindo as Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000344/200702 Acórdão n.º 2401002.654 S2C4T1 Fl. 188 7 contribuições que entendeu devidas e as acostou ao recurso, conforme documentos de fls. 141/181. Todavia, mesmo não tendo sido este o procedimento mais correto, é cabível o abatimento das referidas guias após a confirmação no sistema informatizado da RFB. Assim, merece acolhimento o pedido de apropriação das GPS acostadas. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa da Relação de Representantes Legais, por reconhecer a decadência para os períodos de 01/1999 a 11/2001 (inclusive 13/2001) e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso, para que, após confirmação no sistema da RFB, sejam apropriadas as guias de fls. 141/181. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.006350/2006-71
Data da sessão: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat Oct 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO.
Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente.
MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a aplicação de multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, independentemente da intenção do agente (art. 136 do CTN).
Pedido de Diligência indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, independentemente da intenção do agente (art. 136 do CTN). Pedido de Diligência indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, independentemente da intenção do agente (art. 136 do CTN). Pedido de Diligência indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 63 50 /2 00 6- 71 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10120.006350/200671 Acórdão n.º 2801002.758 S2TE01 Fl. 171 2 Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2003, por meio do qual se exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$ 5.072,06. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, a contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: “ que, ao ser intimada, procurou pessoalmente a Receita Federal e teve dificuldades em atender às solicitações, em vista de ser um pouco desorganizada e desconhecer a legislação do Imposto de Renda; que, devido ao grande lapso de tempo, fica difícil a comprovação de todos os pagamentos, que podem ter sido feitos em espécie ou com cheques de terceiros, fato que não coloca em dúvida a prestação dos serviços e o efetivo pagamento dos mesmos; que os profissionais são estabelecidos em Goiânia/GO e gozam de reputação e honradez profissional reconhecidas, além de alguns trabalharem em equipe; que apresenta declarações firmadas por Eliana Cândido Medrado, Wladmir Vargas e João Rassi Jr. a fim de elucidar as dúvidas; que não houve tratamento isonômico do Fisco com a contribuinte, haja vista que foram desconsideradas as declarações prestadas pelos profissionais médicos; que o Fisco não se preocupou em verificar se os profissionais haviam obtido o ganho, mas preferiu desconsiderar o que lhe convinha das Declarações apresentadas por eles; que, para a comprovação da renda auferida, bastam as Declarações apresentadas pelos profissionais; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10120.006350/200671 Acórdão n.º 2801002.758 S2TE01 Fl. 172 3 que, para a comprovação das despesas, basta a apresentação de documentos idôneos, como declarações de próprio punho pelos profissionais; que a Constituição Federal, o Código de Processo Civil e o Decreto n° 70.235, de 1972 lhe asseguram a possibilidade de apresentação posterior de provas, como faz, oportunamente, com a impugnação; que, face à legislação acima, solicita a juntada dos documentos em anexo à defesa; que formula os quesitos para a realização de diligência/perícia à fl. 09; que requer, então, o recebimento da impugnação, o reconhecimento da ocorrência de erro de fato, a devolução do tratamento isonômico, a conversão do julgamento em diligência/perícia, com a aceitação dos quesitos formulados, a juntada posterior de provas, o arquivamento do processo por decisão fundamentada e, caso remanesça valor tributável, a devolução do prazo para pagamento ou parcelamento com redução da multa de oficio em 50%. O lançamento foi considerado procedente, conforme Acórdão de fls. 141/147, que restou assim ementado: PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e/ou perícia. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentação hábil e idônea, dos valores informados a título de dedução de despesas médicas importa na manutenção da glosa. Regularmente cientificada daquele acórdão em 30/01/2008 (fl. 153), a interessada, representada por sua advogada (15), interpôs recurso voluntário de fls. 155/165, em 22/02/2008, no qual repete o argumentos da impugnação, para: “I. Requer, o recebimento do presente RECURSO, por tempestivo e valioso, recebendoo, em ambos os efeitos, impondo o seu conhecimento, para analisar suas Razões, para ao final, dar provimento na sua integra; II. Requerendo ainda, o reconhecimento da ocorrência do ERRO DE FATO, que exime a Contribuinte Recorrente de qualquer penalidade, em face da não existência de má fé, dolo ou simulação por parte do mesmo; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10120.006350/200671 Acórdão n.º 2801002.758 S2TE01 Fl. 173 4 III Requer, a devolução do tratamento isonômico e justo para com a contribuinte; IV. Requer, ainda, a conversão do Recurso em PERÍCIA E DILIGÊNCIAS, para posterior julgamento nos termos da Art. 16, IV do Decreto 70.235/72, em face dos esclarecimentos já coligidos. V. Requer, a aceitação dos quesitos apresentados, para base da perícia ou diligência; VI Requer a possibilidade de juntar até o momento final da perícia ou diligência, novos documentos, que comprovem as teses da defesa; VII. Assim, seja ao final, por decisão fundamentada na nova realidade dos fatos e fundamentos, uma vez cancelando o Auto de Infração, seja desconstituída a presente relação processual administrativa, com o conseqüente arquivamento do processo, após as formalidades de praxe; VIII. Outrossim, caso remanesça qualquer valor tributável e exigível contra a contribuinte, lhe seja devolvido o prazo para pagamento e/ou parcelamento com a redução da multa à razão de 50%, em face da nova realidade encontrada, anulando o Auto de Infração anterior e aplicando sobre o mesmo um novo procedimento.” É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa de despesas médicas, que foi assim motivada: “as despesas efetuadas com os profissionais Dra. Adriana Assis Carvalho e Dra. Sujanne Alves de Lima, no total de R$ 13.650,00, foram glosadas, tendo em vista a não apresentação dos comprovantes. Acrescentese que não foi apresentado nenhum documento relativo aos gastos declarados com a Uniodonto, CNPJ 00.509.018/000890, no valor de R$793,60. Também foram glosadas as despesas efetuadas com os profissionais Dra. Eliana Cândido Medrado, Dr. João Rassi Júnior e Dr. Wladmir Vargas, num total de R$ 22.782,00, em razão da não comprovação das efetivas transferências dos recursos, em datas e valores coincidentes, termos da própria intimação n° 30/2006. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10120.006350/200671 Acórdão n.º 2801002.758 S2TE01 Fl. 174 5 Ressaltese que a alegação de que um grande lapso de tempo é complicador não prospera, tendo em vista que o art. 797 do RIR/99 dispensa a juntada, a declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigando, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras. Mais de quatro meses após o inicio do procedimento fiscal é prazo suficiente para fornecimento da documentação solicitada. Vale destacar que são inquestionáveis a reputação e honradez dos profissionais mencionados, porém as declarações por eles apresentadas comprovam a realização dos serviços e não a efetiva transferência de recursos. Assim, por falta de comprovação, foi glosado o valor total de R$37.225,60, a titulo de dedução indevida de despesas médicas.” A decisão recorrida manteve a glosa, tendo em vista que não foram trazidos novos elementos junto à defesa, concluindo, após análise das provas contidas nos autos, que não foram cumpridas as solicitações feitas pela fiscalização a fim de comprovar o efetivo pagamento dos serviços médicos dos profissionais contestados, no valor total de R$ 22.782,00. Em sede de recurso, também não há como acolher a pretensão da recorrente para restabelecer as despesas médicas em questão, uma vez que não se carreou aos autos as provas consideradas necessárias, pela fiscalização e decisão recorrida, a comprovar a efetividade dos pagamentos indicados, denotando, assim, que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que a interessada não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Diferentemente do que aduz a recorrente, não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo à contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10120.006350/200671 Acórdão n.º 2801002.758 S2TE01 Fl. 175 6 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente. Além disso, rejeitase o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pela recorrente. Desarrazoado imputar tal ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir a prova necessária à defesa do sujeito passivo. Por fim, esclareçase que, a despeito das alegações da recorrente, a responsabilidade por infrações à legislação tributária não depende da intenção do agente, conforme o art. 136 do Código Tributário Nacional. Ressaltese, ainda, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. Diante do exposto, voto por indeferir o pedido de diligência e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/10/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000197/96-12
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 01/12/1995
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. II. TECIDOS DE FIOS DE FILAMENTOS DE POLIESTER NÃO TEXTURIZADOS. 5407.72.00.
O produto “tecidos de fios, que contenha pelo menos 85% em peso de filamentos sintéticos de poliéster (com aproximadamente 67% de fios sintéticos de poliéster texturizados e 33% de fios sintéticos não texturizados), sem fios de borracha” classifica-se no código TEC 5407.72.00.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.068
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões.
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 01/12/1995 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. II. TECIDOS DE FIOS DE FILAMENTOS DE POLIESTER NÃO TEXTURIZADOS. 5407.72.00. O produto “tecidos de fios, que contenha pelo menos 85% em peso de filamentos sintéticos de poliéster (com aproximadamente 67% de fios sintéticos de poliéster texturizados e 33% de fios sintéticos não texturizados), sem fios de borracha” classifica-se no código TEC 5407.72.00. Recurso Especial do Procurador Negado.
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DE TECIDOS ALASKA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/12/1995 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. II. TECIDOS DE FIOS DE FILAMENTOS DE POLIESTER NÃO TEXTURIZADOS. 5407.72.00. O produto “tecidos de fios, que contenha pelo menos 85% em peso de filamentos sintéticos de poliéster (com aproximadamente 67% de fios sintéticos de poliéster texturizados e 33% de fios sintéticos não texturizados), sem fios de borracha” classificase no código TEC 5407.72.00. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Antonio Carlos Atulim, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contra Acórdão que deu provimento ao contribuinte. A ementa dessa decisão (Acórdão nº 30130.728 (fls. 154/160), julgado em 13/08/2003 possui a seguinte redação: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. II. Tecidos de fios de filamentos de poliéster não texturizados. 5407.72.00. O produto “ tecidos de fios que contenham pelo menos 85% em peso de filamentos sintéticos de poliéster (com aproximadamente 67% de fios sintéticos de poliéster texturizados e 33% de fios sintéticos não texturizados), sem fios de borracha” classificase no código TEC 5407.72.00. Recurso provido por maioria. Tratase de descaracterização de classificação fiscal, com base em laudo técnico, que definiu a mercadoria como tecido constituído exclusivamente por fios não texturizado de poliéster (fl. 13, verso). A mudança na classificação resultou em exigência de crédito tributário. A interessada recorreu à DRJ/São Paulo, que determinou a elaboração de dois laudo, nos laboratórios credenciados da Faculdade de Engenharia Industrial – FEI e do Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami – Labana. Os laudos FEI (fls. 73/74) e Lana (fl. 74) são contraditórios. O primeiro concluiu a favor do contribuinte, definindo que a mercadoria é constituída de filamentos de poliéster texturizados (67%) e não texturizados (32%). O segundo laudo, a favor da Fiscalização, define que a mercadoria é constituída exclusivamente de filamentos de poliéster não texturizados. A DRJ, no seu julgamento, desconsiderou o laudo do FEI e manteve a exigência fiscal. A interessada apresentou recurso ao então Conselho de Contribuintes, que converteu o julgamento em Diligência, para formação de novo laudo técnico, pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT. No novo laudo apresentado (fls. 148/149), o INT conclui a favor do contribuinte, definindo a mercadoria como constituída de filamentos de poliéster texturizados (67,39%) e não texturizados (32,61%). Com respaldo neste laudo, o Conselho de contribuintes manifestouse favoravelmente ao contribuinte, contra o qual a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta recurso a este E. Conselho. Às fls. 243, Despacho nº 301532.06/05 negando seguimento ao recurso especial sob entendimento de não restar caracterizada a evidência de contrariedade de prova nos autos. Dessa decisão houve Agravo. Alegou o agravante, ter ocorrido manifesto equívoco ao adentrar na própria análise do mérito do recurso interposto, como requisito de admissibilidade do recurso. Tal feito seria de competência da CSRF. Defende a aplicabilidade do Laudo técnico do Engenheiro Técnico credenciado pela Receita Federal Por meio do DESPACHO CSRF nº 020/2007, foi acolhido o Agravo com fundamento no art. 9º, § 5º, do Regimento Interno da CSRF, considerando que “à evidência, não exige a norma regimental que o recorrente aponte a lei ou a prova contrariedade”. (fl. 195). Ás fls. 207/211 contrarrazões ao recurso especial apresentadas pelo contribuinte à interposição do recurso especial pela Fazenda Nacional. Alega que (fl.210) “diante de matéria eminentemente técnica e o julgador, se não for técnico na matéria, tem que se estribar nos dados ofertados pelos técnicos. No caso vertente há que prevalecer o laudo desempatador, pois para tanto tem esse nome de dirimir dúvidas anteriores. Não será um procurador da Fazenda Nacional, advogado, que, passando por cima das ponderações Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.000197/9612 Acórdão n.º 930301.068 CSRFT3 Fl. 217 3 técnicas do Instituto Nacional de Tecnologia, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, cuja idoneidade e capacidade é reconhecida internacionalmente, que irá decidir que a conclusão deste laudo está equivocada.” É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Presentes as condições de admissibilidade do recurso passo à análise de mérito. Discutese neste processo a classificação tarifária do produto importado, descrito como "tecidos de fios, que contenham pelo menos 85% em peso de filamentos sintéticos de poliéster (com aproximadamente 67% de fios sintéticos de poliéster texturizados e 33% de fios sintéticos não texturizados), sem fios de borracha", tendo o contribuinte adotado e defendido o código TEC 5407.72.00, destinado a "outros tecidos que contenham pelo menos 85% em peso de filamentos sintéticos", sendo que a Fazenda Nacional entende deva ser classificado no código TEC 5407.60.00, referente a "outros tecidos que contenham pelo menos 85% em peso de poliéster não texturizado". Adoto como razão de decidir, pelas conclusões claras e precisas a decisão recorrida (voto vencedor) como se os argumentos lá expostos fossem minhas. Consta da decisão recorrida do Ilustre Conselheiro LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES: A ilustre relatora situou bem a controvérsia, informando que a divergência referese ao percentual de fios não texturizados, constando dos laudos oficiais, o do engenheiro técnico e o do LABANA que o produto é composto exclusivamente por fios não texturizados, ao passo que os laudos do INT e da FEI afirmam haver 32% de fios não texturizados. Não concordo, no entanto, com as conclusões constantes de seu respeitável voto, pelas seguintes razões: O argumento de que há dois laudos corroborando a posição do Fisco não me parece de peso sob o aspecto processual. O parecer de assistente técnico, emitido no curso do despacho aduaneiro de importação, serve apenas para dar suporte ao entendimento do Auditor incumbido do exame da mercadoria, não havendo sido considerado suficiente nem mesmo pelo Fisco para sustentar seu Auto de Infração, tanto que solicitou o laudo Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 do LABANA. Temos, assim, no curso do processo apenas um laudo a favor da posição do Fisco. Em segundo lugar, ainda que admitida a existência dos dois laudos, sua comparação com o laudo da Faculdade de Engenharia Industrial é matéria vencida, pela decisão constante da Resolução 3011.211, desta Câmara, segundo a qual foi determinada a realização de nova análise do produto, a fim de solucionar a divergência, ou seja, concluiu esta Câmara ser necessário um laudo desempatador. Não se pode, desta forma, ressuscitar a controvérsia anterior e confrontar os "dois" laudos que fundamentam a posição do Fisco com os "dois" laudos que estão de acordo com o entendimento da recorrente. O laudo do 1NT é um laudo desempatador e somente seria admissível questionar essa condição probatória peculiar em função de seu conteúdo, o que não ocorre neste processo. Em terceiro lugar, porque se trata de matéria técnica, campo em que devem ser acatados os laudos e pareceres emitidos pelos especialistas nos diversos ramos do saber humano, não cabendo aos julgadores, diante de documentos conflitantes, analisar seu mérito e optar por uma das posições, admitindose somente busquem os aplicadores da lei fundamentos para seu entendimento nas provas constantes dos autos. Se conflitantes, determinase a realização de um terceiro laudo ou providência similar e, salvo circunstâncias excepcionalíssimas, adotamse as conclusões do laudo desempatador. Em quarto lugar, porque o laudo do INT é incontroverso, conclusivo e fundamentado, não havendo razões que justifiquem não seja adotado como laudo o desempatador. Conclui o INT tratarse de tecido de filamento sintético texturizado, não contendo fios de borracha, com o percentual de 32,61% de fios não texturizados. Informa que os fios texturizados distinguemse dos não texturizados pela presença de ondulações características, de pequenos anéis ou de filamentos menos retilíneos no fio, anexando fotos dos fios analisados. Pelo exposto, dou provimento ao recurso Conclusão: A matéria já foi amplamente debatida não cabendo, no meu entender, voltar à discussão técnica, já analisada por meio de laudos técnicos, conforme exposto no voto vencedor. Em matéria técnica, devem ser acatados os laudos e pareceres. No caso, adotouse o laudo desempatador do INT, por ser incontroverso, conclusivo e fundamentado. “Laudo Técnico” – na acepção vernacular, constitui uma peça expositiva na qual o expert, ou perito, faz o relato do que observou e dá as suas conclusões. CONCLUSÃO: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.000197/9612 Acórdão n.º 930301.068 CSRFT3 Fl. 218 5 Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Maria Teresa Martínez López Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13881.000378/2007-61
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
SERVIDOR PÚBLICO. GRATIFICAÇÕES E OUTRAS VERBAS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
As gratificações e outras verbas recebidas por servidor público caracterizam-se como rendimentos oriundo do trabalho e, portanto, deve ser tributado, a menos que exista lei tributária concedendo isenção.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF no 68, em vigor desde 07/12/2010.
Numero da decisão: 2202-002.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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GRATIFICAÇÕES E OUTRAS VERBAS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. As gratificações e outras verbas recebidas por servidor público caracterizam se como rendimentos oriundo do trabalho e, portanto, deve ser tributado, a menos que exista lei tributária concedendo isenção. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF no 68, em vigor desde 07/12/2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 03 78 /2 00 7- 61 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13881.000378/200761 Acórdão n.º 2202002.146 S2C2T2 Fl. 30 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 7 a 9, reduzindo o saldo de imposto a restituir declarado de R$15.852,67 para R$3.700,89, referente ao anocalendário 2004. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 8, verificase que o lançamento decorre de omissão parcial de rendimentos recebidos do Ministério da Justiça. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 5, instruída com os documentos de fls. 6 a 9, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 14 e 15): Inconformado, o interessado apresentou, em 19/11/2007, a impugnação de fls. 01/05, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. o requerente se ativou como funcionário público federal no Departamento de Polícia Rodoviária Federal, recebendo seus vencimentos já com as deduções na fonte do imposto de renda, que são calculadas sobre a somatória das verbas contidas em seu demonstrativo de pagamentos; 2. com o advento da Lei n° 8.852, de 04 de fevereiro de 1994, ficou disciplinado que não entrariam no cômputo da remuneração parcelas tidas como indenizatórias (art. 1o inciso III, alínea "r"); 3. desse modo, ao definir que tais parcelas não integram a remuneração do servidor, tornou não tributáveis tais recebimentos e, por conseguinte, passíveis de devolução, posto que tributados ao arrepio da lei; 4. no caso em tela, o servidor possui as seguintes parcelas indenizatórias: Gratificação por Atividade Executiva, Gratificação de Atividade de Polícia Rodoviária Federal, Gratificação por Desgaste Físico e Mental, Gratificação de Atividade de Risco, Gratificação de Operações Especiais e Adicional por Tempo de Serviço; 5. indenizar significa compensar, reparar ou, ainda, ressarcir e assim, se, em conseqüência do trabalho, o obreiro sofreu e sofre as conseqüências do mesmo, ante a penosidade da função que exercia e recebia gratificações em função disto, tais verbas têm caráter indenizatório; 6. desse modo, não há fato gerador a justificar a incidência de imposto sobre parcelas pagas a título de indenizações especiais com a finalidade única de minorar os efeitos das condições de trabalho a que estavam sujeitos tais obreiros, posto que pagas para compensar danos, inclusive aos já aposentados; 7. tais parcelas estão isentas de tributação por não se caracterizarem, ao teor da lei, como remuneração, o que, de per si, já está a justificar a Declaração Retificadora, não havendo porque se falar em omissão de rendimentos no valor de R$68.558,10, posto que estes estão revestidos de caráter indenizatório; Fl. 35DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13881.000378/200761 Acórdão n.º 2202002.146 S2C2T2 Fl. 31 3 8. desse modo, o requerente teve sua base de cálculo de Imposto de Renda Pessoa Física, para efeito de retenção na fonte, alterada, o que lhe causou uma cobrança de imposto maior do que a efetivamente devida e, por conseguinte, uma restituição, menor da que deveria acontecer; 9. traz à colação jurisprudência sobre o assunto; 10. em face do princípio da igualdade expresso no art. 5o da Constituição Federal, requer o mesmo tratamento dado aos parlamentares com relação a suas verbas indenizatórias, as quais, como sobejamente sabido, encontramse absolutamente isentas de tributação por se tratar de valores necessários ao desempenho de sua atividade parlamentar. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 1733.873 (fls. 13 a 18), de 05/08/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, em obediência ao princípio da legalidade em matéria tributária, disposição legal específica. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 19/08/2009 (vide AR de fl. 19 verso), o contribuinte apresentou, em 19/09/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 21 a 24, no qual reitera os temos de sua impugnação, discorrendo sobre os conceitos de vencimento, remuneração e indenização para concluir que as verbas tributadas pela fiscalização têm caráter indenizatório e, portanto, sobre elas não incidiria imposto de renda. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 1, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio numerado até à fl. 28 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13881.000378/200761 Acórdão n.º 2202002.146 S2C2T2 Fl. 32 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A questão controvérsia submetida a apreciação deste Colegiado se resume à incidência ou não do imposto de renda sobre verbas recebidas pelos servidores públicos excluídas do conceito de remuneração pela Lei no 8.852, de 14 de fevereiro de 1994. Inicialmente, importa transcrever o art. 150 da Constituição Federal (grifos nossos): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) IV utilizar tributo com efeito de confisco; V estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público; VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13881.000378/200761 Acórdão n.º 2202002.146 S2C2T2 Fl. 33 5 instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] 6o Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2°, XII, "g". [...] O texto constitucional deixa claro que, respeitados os limites acima estabelecidos, a competência da União para instituir tributos é ampla, e se o fato concreto não se enquadrar nas hipóteses de exclusão do campo de incidência, está sujeito ao imposto específico. Assevera, ainda, que somente lei específica poderá disciplinar a exceção (isenção total ou parcial, anistia ou remissão). Como se sabe, são tributáveis todos os rendimentos produto do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos, bem como os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, que não estiverem contemplados nas hipóteses de isenção, independentemente de sua denominação, bastando que fique demonstrado o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, conforme disposto no art. 3o da Lei no Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 4o A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5o Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13881.000378/200761 Acórdão n.º 2202002.146 S2C2T2 Fl. 34 6 Destaquese que a referida lei tratou também de revogar todas as isenções e exclusões da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, passando a considerar isentos apenas os rendimentos listados em seu art. 6o. Tratase de uma lista exaustiva e somente se poderá invocar nova hipótese de isenção não contemplada no referido artigo se esta estiver expressa em lei específica, tendo em vista o disposto no art. 111 do CTN. A Lei no 8.852, de 1994, mencionada pelo recorrente, como já ressaltado pelo julgador a quo, regulamenta os incisos XI e XII do art. 37 da Constituição Federal, dispondo sobre a remuneração dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos, definindo diversos tipos de rendimentos recebidos e estabelecendo limites, não contemplando, entretanto, hipóteses de isenção ou não incidência do imposto de renda. No art. 1o, define os conceitos de vencimento básico, vencimento e remuneração para fins de aplicação de seus dispositivos. O fato de o inciso III deste artigo excluir diversas verbas do conceito de remuneração (alíneas de “a” até “r”), não tem o condão de excluir esses valores do campo de incidência do imposto de renda. Convém salientar que não cabe maiores discussões acerca da natureza da Lei no 8.852, de 1995, uma vez que o entendimento adotado por esta Conselheira já foi pacificando no âmbito deste Tribunal, por meio da Súmula CARF no 68, de aplicação obrigatória desde 07/12/2010: Súmula CARF no 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Da mesma forma, não obstante alegue o recorrente que tais verbas teriam natureza indenizatória, verdade é que para que se caracterize a isenção é necessário que exista dispositivo expresso em lei específica que a reconheça, nos termos do art. 150, §6o, da Constituição Federal e do art. 111 do CTN. Como exemplo de indenizações isentas temos: a indenização por acidente de trabalho (art. 6º, inciso IV, da Lei nº 7.713); a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato (art. 70, § 5º, da Lei nº 9.430, 1996); pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (art. 14 da Lei nº 9.468, de 1997); a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista (art. 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988); e outras. Assim, não havendo um dispositivo expresso em lei que conceda isenção aos valores recebidos, tais verbas, seja qual for a denominação dada, constituem rendimentos do trabalho assalariado e, portanto, estão sujeitas à tributação do imposto de renda. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13881.000378/200761 Acórdão n.º 2202002.146 S2C2T2 Fl. 35 7 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 04/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 13819.001298/2002-72
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Programa de Integração Social - PIS
Ano-calendário: abril e maio de 1997.
PIS. NÃO PAGAMENTO. REFIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-00.230
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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Numero do processo: 10665.907641/2009-73
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO BÁSICO. PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos
aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3803-003.435
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 37221.59541.260906.1.1.012708(fls. 44 a 110),relativo a saldo credor do IPI apurado no 4º trimestre de 2004 pelo estabelecimento 19.543.206/000196, no valor de R$ 27.432,74. O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 76 41 /2 00 9- 73 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 crédito demonstrado no referido PER foi utilizado na compensação declarada por intermédios da(s) DCOMP(s) 29499.49584.260906.1.3.012001. A verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento foi efetuada, inicialmente, pelo processamento eletrônico, tendo sido emitido o despacho decisório eletrônico de fls. 5, homologando parcialmente os valores requeridos. Posteriormente, foi instaurado procedimento fiscal cujos resultados estão consolidados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 120 A 125. O auditor constatou que os produtos fabricados pela interessada (minério de ferro, NCM 2601.11.00, e pedra britada, NCM 2517.10.00) possuem notação NT na TIPI (não tributados), concluindo pela inexistência do direito ao crédito pleiteado. Em virtude das constatações acima a unidade de origem cancelou o despacho decisório emitido pelo processamento eletrônico e emitiu um novo despacho decisório de fls. 126/127, notificou o contribuinte, em 29 de junho de 2011, não reconhecendo o direito creditório alegado, em conseqüência, a compensação vinculada ao crédito em exame resultou não homologada. A empresa apresentou manifestação de inconformidade de fls. 129 A 146, por intermédio da qual discorda do indeferimento de seu pleito. Insurgiuse, inicialmente, contra a revisão de ofício do despacho decisório eletrônico, alegando que o cancelamento do primeiro ato teria sido motivado, exclusivamente, pela mudança de entendimento da Receita Federal sobre as normas aplicáveis ao caso, o que não autoriza a revisão, nos termos do artigo 149 do CTN. No tocante ao mérito defende o direito ao crédito pleiteado, argumentando, resumidamente, que: a) a produção de minério de ferro, na etapa do processamento, envolve os subprocessos de britagem, peneiramento, hidroclonagem e filtragem a vácuo, processos esses que “evidenciam claramente o processo de beneficiamento”, caracterizado como industrialização segundo art. 4º do RIPI/2002; b) o minério de ferro está alcançado pela imunidade conferida pela Constituição Federal de 1998, sendo que a notação NT da TIPI não altera a verdadeira natureza de tratarse de um produto imune; c) a Receita Federal havia reconhecido, mediante a IN SRF nº 33, de 1999, o direito ao crédito do IPI oriundo das aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes, sendo que posteriormente, em 2006, editou o ADI nº05, não reconhecendo esse direito, o que representou mudança de entendimento e, portanto, não se aplicaria a fatos geradores anteriores à publicação do ADI; d) reconhecer o direito ao crédito aos estabelecimentos que dão saídas a produtos isentos e não reconhecer esse direito aos que dão saídas a produtos imunes representa afronta ao princípio da igualdade; e) mediante soluções de consulta, a Receita Federal reconheceu o direito ao crédito ora em discussão a diversas mineradoras (que protocolaram processos de consulta à legislação tributária), o que ocasionou, para elas, que o ADI 05/2006 só se tornou aplicável após sua publicação, sendo que as demais mineradores ficaram sem esse direito. Isso representa afronta ao princípio da livre concorrência, pois caracteriza tratamento desigual a empresas que se encontram na mesma situação tributária/fiscal; f) que o Poder Judiciário já se pronunciou, em inúmeros julgados, favoravelmente ao reconhecimento do direito de aproveitamento do crédito do IPI nas aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10665.907641/200973 Acórdão n.º 3803003.435 S3TE03 Fl. 11 3 A DRJ em Juiz de Fora considerou improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório e o Termo de Verificação Fiscal conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO BÁSICO. PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 25/01/2012, apresentou recurso voluntário para este Conselho, no qual advoga a mesma tese da manifestação de inconformidade, requerendo ao final, a suspensão da cobrança e homologação da DCOMP. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, pelo que conheço e passo a análise do mérito. O Regulamento do IPI (decreto 4.544, de 26/12/2002), vigente na data da transmissão dos pedidos, nos seus artigos 163 e 190, determinam que a aquisição de MP, PI e ME empregados na fabricação de produtos não tributados, não podem ser escriturados como créditos: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n— 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade:[...] Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 § 1— Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal.” A classificação dos produtos objeto da glosa pela fiscalização, quais sejam. minério de ferro e a pedra britada (NCMs 2601.11.00 e 2517.10.00) estão incertos na seção V capítulo 25 (Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento) e no capítulo 26 (Minérios, escórias e cinzas), vejamos: CM DESCRIÇÃO LÍQUOTA (%) 6.01 Minérios de ferro e seus concentrados, incluídas as piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas). 601.11.00 Não aglomerados T 517.10.00 Calhaus, cascalho, pedras britadas, dos tipos geralmente usados em concreto ou para empedramento de estradas, de vias férreas ou outros balastros, seixos rolados e sílex, mesmo tratados termicamente T Entendemos que não é o fato do procedimento enquadrarse no conceito de industrialização que converteo, inexoravelmente, em produto industrializado tributado. Por isso os produtos dos capítulos iniciais da TIPI (produtos naturais) possuem, na sua esmagadora maioria, notação NT, independentemente do tipo de processo a que são submetidos pelas empresas que lidam com esses produtos. Ressaltese que o entendimento acerca dessa matéria encontrase pacificado no âmbito deste órgão administrativo de julgamento, através da Súmula nº 20 do CARF: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Quanto ao argumento da Manifestante de que o ADI SRF 05/2006 representa mudança de entendimento da administração e, como tal, só se aplicaria a partir de sua publicação, não alcançando créditos escriturados antes dessa data (como no caso presente), o ADI 05/2006 veio, tão somente, uniformizar o entendimento acerca da matéria abordada. Como se sabe, em regra, a norma jurídica projeta sua eficácia para o futuro. Assim, o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência, não devendo se falar em aplicação retroativa da lei. Podese dizer que esta é a regra geral do direito intertemporal. Todavia, haverá situações, em que a lei, expressamente, poderá reportarse a fatos pretéritos, modificando seus efeitos jurídicos, elidindo a incidência da lei anterior. A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio da irretroatividade relativa da lei ao determinar que esta não atingirá o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e coisa julgada (art. 5º XXXVI); ou mesmo quando prevê que "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal" (art. 5º XXXIX). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10665.907641/200973 Acórdão n.º 3803003.435 S3TE03 Fl. 12 5 No que diz respeito à matéria tributária, a Constituição proíbe a cobrança de tributos em relação "a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado" (art. 150, III, "a"). Por outro lado, diz o art. 106, I, do Código Tributário Nacional que a lei aplicase ao ato ou fato pretérito, ou seja, ocorrido antes do início de sua vigência, em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, ressalvando a aplicação de penalidade pela infração dos dispositivos interpretados. Ademais, é manifestação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal que as leis interpretativas não são inconstitucionais: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MEDIDA PROVISORIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO LEIS INTERPRETATIVAS A QUESTÃO DA INTERPRETAÇÃO DE LEIS DE CONVERSAO POR MEDIDA PROVISORIA PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE CARÁTER RELATIVO LEIS INTERPRETATIVAS E APLICAÇÃO RETROATIVA REITERAÇÃO DE MEDIDA PROVISORIA SOBRE MATÉRIA APRECIADA E REJEITADA PELO CONGRESSO NACIONAL PLAUSIBILIDADE JURÍDICA AUSÊNCIA DO "PERICULUM IN MORA" INDEFERIMENTO DA CAUTELAR. E PLAUSÍVEL, EM FACE DO ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO, O RECONHECIMENTO DA ADMISSIBILIDADE DAS LEIS INTERPRETATIVAS, QUE CONFIGURAM INSTRUMENTO JURIDICAMENTE IDONEO DE VEICULAÇÃO DA DENOMINADA INTERPRETAÇÃO AUTENTICA. – AS LEIS INTERPRETATIVAS DESDE QUE RECONHECIDA A SUA EXISTÊNCIA EM NOSSO SISTEMA DE DIREITO POSITIVO NÃO TRADUZEM USURPAÇÃO DAS ATRIBUIÇÕES INSTITUCIONAIS DO JUDICIARIO E, EM CONSEQUENCIA, NÃO OFENDEM O POSTULADO FUNDAMENTAL DA DIVISAO FUNCIONAL DO PODER. MESMO AS LEIS INTERPRETATIVAS EXPOEMSE AO EXAME E A INTERPRETAÇÃO DOS JUIZES E TRIBUNAIS. NÃO SE REVELAM, ASSIM, ESPÉCIES NORMATIVAS IMUNES AO CONTROLE JURISDICIONAL. A QUESTÃO DA INTERPRETAÇÃO DE LEIS DE CONVERSAO POR MEDIDA PROVISORIA EDITADA PELO PRESIDENTE DA REPUBLICA. O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE "SOMENTE" CONDICIONA A ATIVIDADE JURÍDICA DO ESTADO NAS HIPÓTESES EXPRESSAMENTE PREVISTAS PELA CONSTITUIÇÃO, EM ORDEM A INIBIR A AÇÃO DO PODER PÚBLICO EVENTUALMENTE CONFIGURADORA DE RESTRIÇÃO GRAVOSA (A) AO "STATUS LIBERTATIS" DA PESSOA (CF, ART. 5. XL), (B) AO "STATUS SUBJECTIONAIS" DO CONTRIBUINTE EM MATÉRIA TRIBUTARIA (CF, ART. 150, III, "A") E (C) A "SEGURANÇA" JURÍDICA NO DOMÍNIO DAS RELAÇÕES SOCIAIS (CF, ART. 5., XXXVI). NA MEDIDA EM QUE A RETROPROJEÇÃO NORMATIVA DA LEI "NÃO" GERE E "NEM" PRODUZA OS GRAVAMES REFERIDOS, NADA IMPEDE QUE O ESTADO EDITE E PRESCREVA ATOS NORMATIVOS COM EFEITO RETROATIVO. AS LEIS, EM FACE DO CARÁTER PROSPECTIVO DE QUE SE REVESTEM, DEVEM, "ORDINARIAMENTE", DISPOR PARA O FUTURO. O SISTEMA JURÍDICO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO, CONTUDO, "NÃO" ASSENTOU, COMO POSTULADO ABSOLUTO, INCONDICIONAL E INDERROGAVEL, O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. A QUESTÃO DA RETROATIVIDADE DAS LEIS INTERPRETATIVAS” Grifo nosso. Aduz a Manifestante que, reconhecer o direito ao crédito em discussão aos estabelecimentos que dão saídas a produtos isentos e não reconhecer esse direito aos que dão saídas a produtos imunes representa afronta ao princípio da igualdade. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Entretanto, o que temos neste processo é o simples fato que os produtos produzidos pela empresa, são de notação NT e não fazem jus ao crédito requerido, pelo que, entendemos não haver afronta ao principio da igualdade, mas tão somente a pura e simples aplicação da norma legal vigente. A Recursante ainda alegou que a Receita Federal teria afrontado o princípio da livre concorrência, quando, em decisões proferidas em processos de consulta, reconheceu o direito ao crédito ora em discussão a diversas mineradoras (que protocolaram processos de consulta à legislação tributária). Ao assim proceder, fez com que, para essas mineradoras (consulentes), o ADI 05/2006 só fosse aplicável após sua publicação, sendo que as demais mineradores ficaram sem esse direito. Isso representaria afronta ao princípio da livre concorrência, pois caracterizaria tratamento desigual a empresas que se encontram na mesma situação tributária/fiscal. O presente processo pode apenas apreciar os fatos aqui contidos e não discorrer sobre julgados anteriores, e decisões diversas da Receita Federal. Tais decisões e julgados não possuem efeitos erga omnes, só alcançando os seus autores, erga singulum, como é o caso dos procedimentos de consulta. Ante o exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntario, e manter a não homologação das compensações requeridas. É como voto. [Assinado Digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 25/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13909.000153/98-43
Data da sessão: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI REFERENTE AO PIS E A COFINS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei n.º 9.363 de 13.12.96 , do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (art. 2º, da Lei n.º 9.363/96). A lei citada refere-se a "valor total" e não prevê qualquer exclusão.
Numero da decisão: CSRF/02-01.434
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Josefa Maria Coelho Marques.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI REFERENTE AO PIS E A COFINS — A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n.° 9.363 de 13.12.96 , do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (art. 2°, da Lei n.° 9.363/96). A lei citada refere-se a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Josefa Maria Coelho Marques. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer. :ON PEREy' Ir(") " JES PRESIDENTE /4\1/4inQ YEROGERIO GU DRE R RELATOR D FORMALIZADO EM: 0 4 F 2004 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Processo : 10930.000153/98-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.434 Recurso :201-116.976 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : CIA IGUAÇU DE CAFÉ SOLÚVEL RELATÓRIO Por bem descrever resumidamente o fato, transcrevo o relatório de fls. 530: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 3.963/96. Segundo a Informação Fiscal de fls. 427 e seguintes, a contribuinte pretendeu ver ressarcido crédito presumido originado de compras de cooperativas, de pessoas fisicas e do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo. Além disto, glosou a pretensão do ressarcimento relativo ao consumo de energia elétrica, óleo BPF, óleo diesel e outros derivados de petróleo. Incluiu nos produtos beneficiados vários outros, relacionados à fls. 429, destinados a tratamento de água e à conservação de equipamentos. Pede, ainda, o direito ao crédito sobre o consumo de ar comprimido/vapor. Prossegue a informação fiscal para informar ter sido a receita de exportação agregada de variação cambial inaplicável. Após tais constatações, refaz o cálculo, expresso às fls. 429/430 dos autos. Em manifestação de inconformidade, a ora recorrente argumenta que a legislação pertinente à espécie não cogita da exclusão de qualquer produto contemplado, sendo irrelevante a incidência das contribuições nas fases precedentes de comercialização. Alude a utilização subsidiária da legislação do IPI, autorizada pela lei de regência, para justificar os insumos reclamados como contemplados com o crédito presumido. Defende a variação cambial utilizada e cita legislação e jurisprudência. A DRJ em Curitiba - PR indeferiu a manifestação de inconformidade, aludindo a impossibilidade da utilização do beneficio sobre produtos destinados à manutenção das máquinas e equipamentos e os lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Nega o direito sobre as compras feitas junto a cooperativas, produtores rurais e pessoas fisicas e a utilização de variações cambiais ativas. A contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, repetindo, em síntese, o exposto na manifestação de inconformidade, aduzindo a exclusão da variação cambial ativa somente na receita de exportação, não tendo o mesmo comportamento na receita operacional bruta." A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, decidiu: I) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, quanto às aquisições de cooperativas e pessoas fisicas e compras do MCT; II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto à energia elétrica e aos combustíveis; 2 Processo : 10930.000153/98-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.434 III) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto ao querosene e ao luminante; e IV) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à variação cambial e produtos para conservação de equipamentos A decisão foi assim ementada: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. As Instruções Normativas são normas complementares das leis. Não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Não integram a base de cálculo do crédito presumido na exportação as aquisições de energia elétrica e combustíveis, de vez que não existe previsão legal para tais inclusões. O art. 2° da Lei n° 9.363/96 trata apenas das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não contemplando outros insumos, como é o caso da energia elétrica e dos combustíveis. Recurso negado. VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais ativas ou passivas somente terão reflexo na receita operacional bruta ou na receita de exportação se gerarem efeito no produto da venda. Caso se limitem a mero lançamento contábil, não serão consideradas, para o efeito do crédito presumido de IPI referente ao PIS e à COFINS, como receita. Inteligência do ,sç 15 da Portaria MF n° 38/97, em consonância com o artigo 6° da Lei n°9.363/96. Recurso provido em parte" Ciente do acórdão acima, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs, com base no artigo 5°, I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55, de 16/03/98, recurso especial (doc. fls. 544/549), solicitando a exclusão da base de cálculo do crédito presumido as compras efetivadas junto às cooperativas, ao MICT e às pessoas físicas. A Presidenta da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, analisando os requisitos para admissibilidade do recuso especial proposto, às fls. 570/571, deu seguimento ao apelo. Notificada, a contribuinte, às fls. 577/582, apresentou suas contra-razões ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. 3 Processo : 10930.000153/98-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.434 VOTO VENCIDO CONSELHEIRO RELATOR OTACÍLIO DANTAS CARTAXO O recurso especial do Ilustre Procurador da Fazenda Nacional merece ser conhecido por cumprir as formalidades necessárias para tanto. Trata o apelo da Fazenda Nacional de inconformidade pela inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores das matérias-primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem adquiridos de pessoas fisicas, de cooperativas e do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, entidades que não recolhem PIS ou COFINS em suas operações. Dispõem os artigos 1° e 2° da Lei n° 9.363,/96, "in verbis": "Art. 1°. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n's 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1 0 0 crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. § 2° No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3° O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. "(grifei). O crédito presumido de IPI é um beneficio fiscal, decorrente de uma renúncia fiscal, devendo ser a Lei instituidora do beneficio interpretada restritivamente. 4 Processo : 10930.000153/98-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.434 Na análise da Lei n° 9.363/96 verifica-se que seu objetivo é estimular as exportações de empresas industriais (produtor-exportador) e a atividadede industrial interna, mediante o ressarcimento das contribuições COFINS e PIS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de todos os insumos utilizados no processo produtivo. Para esse ressarcimento a citada lei utiliza-se do Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo este tributo aproveitado em sua organicidade para operacionalizar o beneficio instituído. Dessa forma, deve ser entendido, que o favor fiscal é dado mediante o ressarcimento da COFINS e PIS embutidos nos insumos que compõem os produtos industrializados pelo beneficiário a serem exportados, direta ou indiretamente. Portanto, a meu ver, há o ressarcimento das mencionadas contribuições sociais quando elas incidem nos insumos adquiridos pela empresa produtora exportadora, não havendo que se falar em incidência em cascata e em crédito presumido independentemente de haver ou não incidência das contribuições a serem ressarcidas. Com o mesmo entendimento, dispõe o § 2°, do art. 2°, da IN SRF n° 23/97, dizendo que as aquisições efetuadas de pessoas que não sejam contribuintes do PIS/PASEP e COFINS, ou decorrentes de operações que não estejam tributadas por ambas as contribuições não geram direito ao crédito presumido. No presente caso, não há de se falar na inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, os valores das aquisições de matérias-primas, de produtos intermediários e de material de embalagem de pessoas físicas, de cooperativas e do MICT, já que essas operações não foram sujeitas a tributação do PIS e da COFINS. Ademais, cabe ressaltar que a respeito das aquisições efetuadas das cooperativas de produtores, a vedação está expressa no art. 2° da IN SRF 103/97, quando se tratam de atos cooperados não tributados pelo PIS e pela COFINS. Dessa forma, nos moldes em que está redigida a lei, não vejo como concordar com o entendimento do acórdão recorrido. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 08 de setembro de 2003 \ OTACÍLIO DANTA CARTAXO 5 Processo : 10930.000153/98-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.434 VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO-RELATOR DESIGNADO ROGERIO GUSTAVO DREYER Quando a matéria refere-se à aquisições de pessoas físicas, cooperativas e do MICT, tenho, reiteradamente, nos votos que prolatei, admitido a inclusão dos mesmos na base de cálculo do beneficio. Nos votos que tenho proferido na 1a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, tenho sistematicamente homenageado o ilustre Conselheiro Serafim Fernandes Correa, pelo voto que proferiu relativamente ao mote da discussão, pelo que, certo de sua outorga, passo a transcrever o voto formalizado no processo n° 10935-000224/98-10, Recurso n° 109.692, adotando as razões nele expendidas como minhas, como segue: O litígio versa sobre a exclusão pela decisão recorrida da base de cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n.° 9.363/96 dos valores correspondentes às matérias primas adquiridas de pessoas fisicas e de cooperativas fundamentando tal decisão no parágrafo 2°, art. 2° da Instrução Normativa n.° 23/97 quanto às aquisições de pessoas fisicas e no art. 2° da Instrução Normativa n.° 103/97 em relação às compras das cooperativas. Acresceu ainda que por força da Portaria MF n.° 609/79, I e II , e da Portaria SRF n.° 3608/94, IV, o julgador de 1' Instância está vinculado às orientações da Secretaria da Receita Federal. Por oportuno transcrevo a seguir os dispositivos citados anteriormente: PORTARIA MF N.° 609/79 "I — A interpretação da legislação tributária promovida pela Secretaria da Receita Federal , através de atos normativos expedidos por suas Coordenações, só poderá ser modificada por ato expedido pelo Secretário da Receita Federal. — Os órgãos do Ministério da Fazenda que discordarem do entendimento dos atos normativos referidos no item anterior deverão propor a sua alteração ao Secretário da Receita Federal." PORTARIA SRF N.° 3608/94 IV — Os Delegados da Receita Federal de Julgamento observarão preferencialmente em seus julgados o entendimento da Administração da Secretaria da Receita Federal, expresso em Instruções Normativas Portarias e despachos do Secretário da Receita Federal , e em Pareceres Normativos, Atos Declaratórios Normativos e Pareceres da Coordenação Geral do Sistema de Tributação." INSTRUÇÃO NORMATIVA N.° 23/97 "Art. 2° - f\y 6 Processo : 10930.000153/98-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.434 Parágrafo 2°- O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2° da Lei n.° 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." INSTRUÇÃO NORMATIVA N.° 23/97 "Art. 2° - As matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido," Contra tal decisão recorre o contribuinte alegando em seu favor que as diversas Medidas Provisórias que trataram em suas reedições do assunto, e por último a Lei n.° 9.363/96 nas quais as referidas MPs se transformaram, não fizeram tal distinção. Acresce em sua argumentação que a Portaria MF 38 de 27.02.97 igualmente não distinguiu as duas situações constantes das Instruções Normativas , a quem acusa de carecer de base legal. Lembra que o termo usado na Portaria SRF n.° 3608/94 é preferencialmente e não obrigatoriamente. Cita e transcreve trechos da Exposição de Motivos que capeou a MP n.° 1.484-27, convertida na Lei n.° 9.363/96 . Afirma que sobre o litígio — exclusão dos insumos adquiridos de pessoas fisicas e cooperativas — a Segunda Câmara do 2° Conselho de Contribuintes já se pronunciou favoravelmente à unanimidade de seus membros no Acórdão n.° 202-09.865, de 17.02.98 aprovando voto do Ilustre Conselheiro Oswaldo Tancredo de Oliveira. Diante das duas posições antagônicas, entendo que o cerne da questão está na definição do alcance das Instruções Normativas. Isto porque, efetivamente, a Lei n.° 9.363/96, ao definir a base de cálculo do crédito presumido não fez qualquer exclusão. Muito pelo contrário, como se vê pela transcrição, a seguir, do seu art. 2°, in verbis: Art. 2° - A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Como se vê da leitura, o texto legal trata de valor total e sendo valor total não há o que discutir estão abrangidas todas as aquisições, sem qualquer exclusão Os fundamentos para tais exclusões são as Instruções Normativas n.° 23/97 e n.° 103/97 conforme se viu anteriormente. E aí, no meu entender, o cerne da questão. Podem as Instruções Normativas transpor, inovar ou modificar o texto legal estabelecendo exclusões que do texto legal não constam? A resposta vem do artigo 100 do Código Tributário Nacional, Lei n.° 5.172/66 a seguir transcrito : \ c" A I- to n v. e n1 ç0õ0e —s i nS teor nnaocr mi o naasi s c e co I nd o sl edecretos:m entare ( ,/ ) P s das leis, dos tratados e das 7 Processo : 10930.000153/98-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.434 /— os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II — as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III — as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV — os convênios que entre si celebrem a União a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo Único — A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." Pela transcrição fica claro que os atos normativas , aí incluídas as Instruções Normativas, expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis. Como normas complementares que são, elas não podem modificar o texto legal que complementam. A lei é o limite. A Instrução Normativa não pode ir além da lei. Se, como no presente caso, a lei estabelece que a base de cálculo é o valor total, não pode a Instrução Normativa criar exclusões fazendo com que o valor passe a ser parcial. Somente através de outra Lei, ou Medida Provisória que tem efeito equivalente, tais exclusões poderiam ser criadas. Outro não é o entendimento de Maria de Fátima Tourinho em "COMENTÁRIOS AO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL" , Editora Forense, 2' edição, página 207, ao comentar o art. 100, parágrafo único do CTN (Lei n.° 5.172/66),a seguir transcrito : "Quanto às normas enumeradas neste artigo, também integram o conceito de legislação tributária e obrigam nos limites de sua eficácia. Não podem transpor os limites dos atos que complementam, para ingressar na área de atribuição não outorgada aos órgãos de que elas emanam. "Não se confundem normas complementares com leis complementares. "Diz-se que são complementares porque se destinam a complementar as leis, os tratados, e as convenções internacionais e decretos. Não podem inovar ou modificar o texto da norma que complementa." Registre-se, ainda, que nos moldes em que está redigido o art. 2° da Lei n.° 9.363/96 o cálculo será feito tendo como ponto de partida a soma de todas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem sobre a qual será aplicado o percentual decorrente da relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Isto significa dizer que até mesmo as aquisições que não se destinam à exportação integrarão o ponto de partida para encontrar a base de cálculo de vez que a exclusão das mesmas se dará pela relação percentual. Sendo assim, entendo assistir razão à recorrente. 8 1 ,, 1 Processo : 10930.000153/98-43 Acórdão n° : CSRF/02-01.434 1 Por outro lado registre-se que este assunto não é novo no âmbito do 2° ,, Conselho de Contribuintes posto que ao julgar o Recurso 102.571 , processo 13925- , 000111/96-05, de interesse da recorrente, a 2a Câmara à unanimidade de votos deu provimento ao mesmo aprovando o voto do Ilustre Conselheiro Oswaldo Tancredo de Oliveira, que por pertinente transcrevo a seguir : , Por todo o exposto, dou provimento ao recurso. , , Isto posto, com as minhas homenagens aos que de mim divergem, como ,,, reiteradamente tenho feito quando a discussão refere-se às aquisições de matérias-prima, !,,, produtos intermediários e material de embalagem feitas junto à pessoas físicas, cooperativas e junto ao MICT, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões — F, em 08 de setembro de 2003 (\i\j\l‘ ‘1 ,,! ROGÉRIO GUSTAVE ER ,, , ! „ ,,,, I ,,, „,, I„ 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.000723/2005-89
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/1993, 30/06/1993, 30/09/1993, 30/11/1993, 30/08/1994, 30/09/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/12/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO.
O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 28/04/2005, aplica-se o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Prescrição que fulmina os créditos com origem anterior a 28/04/1995, remanescendo apenas o fato gerador 31/12/1005.
Numero da decisão: 1102-000.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência do direito creditório correspondente a pagamentos a maior relativos ao ano-calendário de 1995, em face do reconhecimento do STF em sede de repercussão geral (RE 566.621) da aplicação do prazo de dez anos para repetição do indébito aos pleitos ajuizados antes da vigência da Lei Complementar n.º 118/2005, vencida a conselheira relatora, que dava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo de Andrade Couto.
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
Documento assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Documento assinado digitalmente
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator designado.
Documento assinado digitalmente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente da turma), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcos Vinícius Ottoni (suplente convocado) e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 28/04/2005, aplicase o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Prescrição que fulmina os créditos com origem anterior a 28/04/1995, remanescendo apenas o fato gerador 31/12/1005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência do direito creditório correspondente a pagamentos a maior relativos ao anocalendário de 1995, em face do reconhecimento do STF em sede de repercussão geral (RE 566.621) da aplicação do prazo de dez anos para repetição do indébito aos pleitos ajuizados antes da vigência da Lei Complementar n.º 118/2005, vencida a conselheira relatora, que dava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo de Andrade Couto. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Documento assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 07 23 /2 00 5- 89 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 552 2 SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Documento assinado digitalmente LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Relator designado. Documento assinado digitalmente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente da turma), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcos Vinícius Ottoni (suplente convocado) e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 553 3 Relatório Em 28 de abril de 2005, a Recorrente protocolizou, perante a Receita Federal do Brasil, Declaração de Compensação referente a direito creditório originado em 2002, no valor de R$ 1.138.344,40, em decorrência do recálculo da Lei n.º 8.200/91, justificando a ausência de transmissão de PER/DCOMP, por estar relacionado o pedido a fatos geradores ocorridos há mais de 5 (cinco) anos, que ensejaram recolhimentos no período compreendido entre maio de 1993 e dezembro de 1995. Foram apontados como débitos tributos recolhidos sob os códigos 0561, 3426, 8053, 2319 e 5706, referentes aos períodos de apuração de outubro de 2002 a fevereiro de 2003. A Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo não reconheceu o direito creditório e, portanto, não homologou as compensações requestadas, facultando ao contribuinte a escrituração do saldo devedor de Correção Monetária IPC/BTNF, no valor de R$ 2.436.320 UFIR’s em seu LALUR, a partir do ajuste efetuado para o anocalendário de 2002 Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo o julgamento do feito juntamente com o processo n.º 16327.001781/200368, sob a justificativa de que se trataria também de crédito originado do recálculo da Lei nº 8.200/91, aduzindo, em síntese, que: i) Teria ajuizado medidas judiciais – ação cautelar inominada nº 93.00146920 e Mandado de Segurança nº 131531 – para ver reconhecido o seu direito de deduzir do lucro real apurado no exercício de 1993 e subsequentes, a diferença da parcela da correção monetária obtida entre a aplicação do IPC e do BTNF sobre o balanço de 1990, assim como afastar as condições estipuladas no art. 11, da Lei n.º 8.682/93 e garantir o direito de deduzir as quotas de depreciação, amortização e exaustão, ou o valor da baixa de bens, sem a restrição contida no art.4º, da Lei n.º 8.200/91; ii) A fim de prevenir decadência para constituir crédito tributário de IRPJ, cuja exigibilidade estava suspensa por força de decisões judiciais, foi lavrado auto de infração – processo administrativo n.º 16327.017241/9527; iii) Diante da declaração de constitucionalidade da postergação dos efeitos da Lei n.º 8.200/91, pelo Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n.º 201.4656/MG, a Recorrente teria aderido à anistia veiculada pela Medida Provisória nº 38/02, que previu a possibilidade de pagamento dos Fl. 553DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 554 4 tributos cujos fatos geradores tivessem ocorrido até 30 de abril de 2002 e que eram objeto de ações judiciais propostas até essa data, sem multa e com juros variáveis de acordo com a Taxa Selic, computados a partir de 1º de fevereiro de 1999; iv) Em estrita conformidade com a MP 38/02, a Recorrente teria efetuado o pagamento do crédito tributário exigido no auto de infração e requerido a desistência das ações judiciais; v) Através de Despacho Decisório (fls. 45/48), teria sido reconhecido o preenchimento dos pressupostos necessários ao gozo da anistia prevista na Lei n.° 9.779/99 e na Medida Provisória n.º 38/02; vi) A desistência das ações judiciais e adesão à anistia teriam exigido o retorno ao status quo ante , que significaria a recomposição da base de cálculo do IRPJ e, de acordo com o art. 3º, I, da Lei n.º 8.200/91, teria sido deduzida a diferença da parcela da correção monetária obtida entre a aplicação da BTNF para o IPC, na proporção de 25% em 1993, 15% nos exercícios subsequentes (1994 a 1998), o que teria gerado crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ, nos períodos de apuração de 05/93, 06/93, 09/93, 11/93, 08/94, 12/95, 12/97 e 02/98; vii) Considerando que o direito creditório apenas teria surgido em 2002, quando teria se instalado nova relação jurídica entre o fisco e o contribuinte, equivocado e sem amparo legal o entendimento da DEINF no sentido de que se trataria de pleito referente a direito creditório dos anos de 1993 a 1995; viii) Apesar de não reconhecer o direito creditório requestado, a DEINF teria admitido a utilização de forma extemporânea do saldo de correção monetária IPC/BTNF no seu LALUR em valor correspondente a R$ 2.018.978,38, com base no art. 26, da IN 51/95, entretanto, tal medida ensejaria efeitos diversos no que tange à apuração do lucro real, diferentemente do procedimento adotado pela Recorrente, que recompôs as bases de cálculo do IRPJ, no período compreendido entre maio de 1993 e dezembro de 1995; ix) A medida sugerida pela DEINF, além de conferir efeitos diversos daqueles decorrentes da recomposição do saldo, ensejaria prejuízos para a Recorrente, além de não se coadunar com o entendimento exposto no Parecer Normativo CST nº 57/79; Fl. 554DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 555 5 x) Ad argumentandum, deveria ser observado que o saldo devedor de correção monetária, no valor de R$ 2.018.978,38, representaria crédito de R$ 389.438,64, o que autorizaria compensação de ofício com os débitos confessados, nos termos do art. 34 e seguintes da IN ;n° 600/2005. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I indeferiu o pedido de reunião do feito ao processo administrativo n.º16327.001781/200368, sob o entendimento de que já proferido o despacho decisório, sem a análise do mérito do direito creditório, e também indeferiu a solicitação, por considerar uma faculdade e não uma obrigação a dedução do saldo devedor da conta da correção monetária, autorizado pelo art. 3º, I, da Lei n.º 8.682/93. Nos termos do acórdão recorrido, os pagamentos ocorridos entre 1993 e 1995 teriam sido antecipados sem o prévio exame das autoridades administrativas e encontravamse homologados e definitivamente extintos em 2002, conforme determinaria o §4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, não poderia ser retificada de ofício a DIPJ/2003, para que fosse considerado o saldo devedor de correção monetária, porquanto seria necessária a apresentação de nova declaração pelo contribuinte, conforme MP n.º 2.18949, de 23/08/2001 e IN nº 166/1999. Cientificada do indeferimento, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 364/387), repetindo as razões postas na Manifestação de Inconformidade e acrescentando que a DRJ teria trazido novos argumentos para a manutenção do despacho da DEINF, que, segundo seu entendimento, apenas teria analisado aspectos relativos à homologação tácita, sem manifestação sobre a caracterização da dedução do saldo devedor de correção monetária como uma faculdade, o que tornaria nula a decisão. Defendeu, ainda, a Recorrente que, uma vez exercida a opção de utilização do saldo negativo de correção monetária, com base no art. 3º, I, da Lei n.º 8.200/91, seria imperiosa a dedução diferida no tempo, à razão de 25% em 1993 e 15%, nos anos subsequentes. É o relatório. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 556 6 Voto Vencido Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. A Recorrente, em razão da adesão à anistia veiculada pela Medida Provisória n.º 38/02, desistiu de ações judiciais propostas com o fito de afastar as restrições do art. 3º, I, da Lei n.º 8.200/91 e deduzir do lucro real de forma integral a diferença da parcela da correção monetária obtida entre a aplicação do IPC e do BTNF sobre o balanço de 1990. Haja vista a adesão, a Recorrente que havia deduzido integralmente o diferencial do IPC/BTNF em um único exercício, amparado por medida judicial, recompôs as bases de cálculo do IRPJ, em obediência ao art. 3º, I, da Lei n.º 8.200/91, deduzindo a diferença da parcela da correção monetária obtida entre a aplicação da BTNF para o IPC na proporção de 25% em 1993 e 15% nos exercícios seguintes (1994 a 1998). Ao recompor as bases de cálculo, a Recorrente apurou recolhimentos a maior do IRPJ e compensou com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal, apurados no período de janeiro a fevereiro de 2003, por entender que nasceu o direito creditório apenas com a adesão à anistia. Assiste razão à Recorrente. Com a revogação da ordem judicial, em decorrência do expresso pedido de desistência, deve a Recorrente adotar os procedimentos necessários ao retorno do status quo ante, o que significa exatamente a recomposição das bases como feito e não aceito no Despacho Decisório (fls. 157/164) e no acórdão da DRJ, sob o fundamento de que caberia apenas o aproveitamento do saldo devedor da correção monetária IPC/BTNF. Isto porquanto a solução dada pelas autoridades, a pretexto de que já teriam sido homologadas as declarações apresentadas antes do quinquênio legal, não corresponde à exata aplicação do art. 3º, I, da Lei n.º 8.200/91e traz consequências distintas daquelas obtidas com a recomposição das bases. O nascimento do direito da Recorrente apenas ocorreu em 2002, com a instauração de nova relação jurídica, que é justamente a adesão à anistia e o reconhecimento dos pressupostos necessários ao seu gozo através do Despacho Decisório de fls. 45/48. Assim, apenas a partir de 2002 é que se tornou possível a recomposição das bases referentes aos anos de 1993 e 1998. Registro ainda, que a matéria ora enfrentada já foi alvo de apreciação por este Conselho, quando do julgamento do processo administrativo n.º 16327.001781/200368, que trata do mesmo tema – efeitos da adesão à anistia da Medida Provisória 38/02 mas referese a períodos distintos de compensação, o que também justificou o pedido de reunião dos feitos por Fl. 556DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 557 7 parte da Recorrente, indeferido pela DRJ, mas que corrobora a necessidade de reconhecimento do presente pleito para impedir soluções discrepantes sobre o mesmo tema. Transcrevo a seguir trechos do voto comprovando a íntima relação entre os processos, verbis: “Desse pagamento feito conforme a MP 38/02, emergiu a caracterização de pagamentos a maior dos anoscalendário de 1993 a 1998. No caso dos autos, cuidase de pagamentos a maior emergentes nos anoscalendário de 1995 a 1998. Que se trata, no caso em dissídio, de pagamentos a maior relativos aos anoscalendário de 1995 a 1998 não resulta dúvida. Que os pagamentos de IRPJ desses anoscalendário se deram em seu momento próprio, igualmente não sobra dúvida. Mas não se pode ignorar que os pagamentos de IRPJ dos anos calendário de 1995 a 1998 só se convolaram em pagamentos a maior a partir do pagamento feito em 2002, mediante a adesão da recorrente à anistia da MP 38/02. É dizer, diante da relação jurídicoprocessual instalada antes da adesão da recorrente à anistia da MP 38/02, não havia pagamentos a maior. E, enquanto vigente essa relação jurídica, vale dizer, o abrigo judicial à pretensão da recorrente, tal relação prevalece sobre outra, a que decorre do art. 3º, I, da Lei 8.200/91. Com a adesão à anistia e pagamento do débito lançado do anocalendário de 1992, aquela relação jurídica que dava suporte à pretensão da recorrente deixou de existir. Tornouse prevalente a relação jurídica decorrente do art. 3º, I, da Lei 8.200/91. Noutras palavras, a partir de então, nova relação jurídica se tornou prevalecente e com caráter de definitividade. E foi à guisa disso que se configuraram pagamentos a maior. Só então nasceram os pagamentos a maior. Não vejo como se possa abstrair essa realidade jurídica, na interpretação do art. 168, I, do CTN. Tenho muito claro para mim que se os pagamentos a maior “nascem” a partir da nova relação jurídica instalada em caráter definitivo, ou seja, a partir da adesão e pagamento conforme à anistia da MP 38/02. Logo, é a partir de então que se inicia o termo a quo do prazo decadencial do direito à repetição ou compensação da recorrente. Diverso senso seria dar com uma das mãos e tirar com a outra. Por conseguinte, tendo sido protocolizada a declaração de compensação em 14/05/2003, e emergidos os pagamentos a maior em 2002, não há concreção da decadência do direito da recorrente. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 558 8 De outra parte, noto que o valor do direito creditório objetivado na declaração de compensação é diverso do apresentado na manifestação de inconformidade e no recurso. De todo modo, como a questão do quantum creditorum não se põe nos limites do feito – sequer foi apreciada pela DEINF – deixo de verter juízo sobre tanto. Por essa mesma razão não enfrento aqui a questão do termo inicial da incidência dos juros à taxa Selic sobre o direito creditório original. Em face do exposto, dou provimento ao recurso para afastar a decadência do direito creditório correspondente a pagamentos a maior relativos aos anoscalendário de 1995 a 1997. Ao órgão de origem compete apreciar o valor do direito creditório postulado. É como voto.” Assim como no caso do processo administrativo acima referido, não houve, nos presentes autos, apreciação do quantum creditorum no despacho decisório, haja vista que indeferido o pleito em razão do entendimento de que teria transcorrido o prazo quinquenal, de sorte que caberá ao órgão de origem competente a apreciação do valor creditório postulado, que não se põe nos limites desta lide. Em face do exposto, dou provimento ao recurso para afastar a decadência do direito creditório correspondente a pagamentos a maior relativos aos anoscalendário de 1993 a 1995. É como voto. Documento assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator Fl. 558DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 559 9 Voto Vencedor Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Minha divergência da Ilustre Relatora voltase aos efeitos da adesão à anistia estabelecida pela MP nº 38/02, no que se refere à suposta criação de uma nova relação jurídica. No entendimento da Relatora, caracterizada a criação de nova relação jurídica a data de adesão seria o termo inicial do prazo prescricional para requerer compensação dos valores indevidamente recolhidos, como decorrência da dedução do saldo de correção monetária. Assim, não teria se caracterizado a caducidade em relação a nenhum dos pagamentos efetuados. A meu ver, o posicionamento adotado pela decisão recorrida está correto. O texto da lei deixa claro que a dedução do saldo devedor da diferença IPC/BTNF é uma opção do sujeito passivo que deve ser exercida no prazo homologatório previsto na legislação. Como resultado da adesão, permitese ao interessado que sejam feitos os ajustes pertinentes no LALUR, inclusive pelo impacto eventual em exercícios posteriores não atingidos pela decadência. Entretanto, a formalidade não tem o condão de alterar a data do fato gerador da obrigação tributária, ou do saldo negativo/pagamento indevido passível de restituição/compensação. Assim, a contagem do prazo prescricional deve ter como termo inicial o período de apuração a que o crédito se refere. Nessa contagem, com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, a questão teria ficado decidida pelo texto do art. 3º da referida norma ao estabelecer que, para efeito de interpretação do inciso I, do art. 168, do CTN, a extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria no momento do pagamento antecipado. Assim, nos termos dos dispositivos legais mencionados, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado a partir do pagamento indevido. Dirimido o tema quanto à contagem do prazo, restou a discussão quanto à aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, tendo em vista o caráter interpretativo que lhe foi dado pelo art. 4º, o que implicaria a retroatividade da norma. Essa aplicação da norma a fatos anteriores foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Após o STF manifestar entendimento de que a decisão do STJ violaria cláusula de reserva de Plenário, caberia então o aguardo da decisão do Pretório Excelso quanto ao tema, o que ocorreu recentemente (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (Destaques acrescidos): Fl. 559DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 560 10 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Considerando que ao Acórdão em comento aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC; o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Sob esse prisma, a decisão deixa claro que a regra a ser utilizada é definida pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo. Se o pleito foi formalizado após 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, nos termos definidos pelo STJ. Na presente situação o pedido foi formalizado em 28/04/2005, data anterior a 09/06/2005. Aplicarseá, portanto, o prazo decenal definido pelo STJ o que implicar em considerar prescritos créditos apurados anteriormemte a 28/04/1995. Sob esse prisma, estão prescritos os créditos referentes a 31/05/1993, 30/06/1993, 30/09/1993, 30/11/1993, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000723/200589 Acórdão n.º 1102000.523 S1C1T2 Fl. 561 11 30/08/1994, 30/09/1994, 30/11/1994 e 31/12/1994; restando incólume (quanto à prescrição) o crédito referente a 31/12/1995. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade do Per/Dcomp sob exame, em relação ao crédito concernente ao ano calendário de 1995. Os autos devem retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil Especial de Instituições Financeiras em São Paulo – SP para que seja proferido novo despacho decisório com análise do mérito do Per/Dcomp em relação a esse crédito, restabelecendose o trâmite processual a partir daí. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Relator Designado Fl. 561DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUER RA BARRETTO, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10875.004292/2003-75
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PIS. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE INTEGRAL. Nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional, o depósito do montante integral do débito suspende a sua exigibilidade. DEPÓSITO INTEGRAL. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório da existência de depósito judicial no valor integral de todos os débitos exigidos pelo Fisco, deve prevalecer a exigência fiscal em relação àqueles sobre os quais não há prova. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PIS. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE INTEGRAL. Nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional, o depósito do montante integral do débito suspende a sua exigibilidade. DEPÓSITO INTEGRAL. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório da existência de depósito judicial no valor integral de todos os débitos exigidos pelo Fisco, deve prevalecer a exigência fiscal em relação àqueles sobre os quais não há prova. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Campinas que manteve em parte o Auto de Infração e Imposição de Multa, por entender que (i) não foram identificados os pagamentos alegados pelo contribuinte e (ii) afastou a multa de ofício em face da retroatividade benigna. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de auto de infração para exigir o montante de R$ 154.736,96, a título Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, em razão de não ter sido localizados nos bancos de dados os seguintes pagamentos: Tributo Período de Apuração Valor Motivo COFINS Jan/98 15.717,12 Pagamento não Localizado COFINS Fev/98 16.429,50 Pagamento não Localizado COFINS Mar/98 19.590,82 Pagamento não Localizado COFINS Jun/98 4.231,94 Proc. Judicial Não Comprovado Inconformada com a exigência fiscal, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando, estreita síntese, que a contribuição teria sido compensada, conforme medida liminar em Mandado de Segurança. Procede à juntada de cópia da petição inicial. Para fundamentar a sua alegação, apresentou cópia da “Ação Ordinária Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária, Cumulada com Repetição de Indébito” nº 98.0007806/61, distribuída por dependência à Medida Cautelar nº 98.00060863, em que discute a constitucionalidade da Cofins. Em 15/09/2005, a contribuinte foi intimada a apresentar cópia da sentença ou acórdão que manteve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado nos presentes autos. Em 24/11/2005, a contribuinte protocolizou petição nos seguintes termos: Na qualidade de advogado da empresa F. CONFUORTO INDÚSTRIA E COMERCIO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS LTDA, venho , através da presente comunicarlhe que a intimação recebida em 15 de setembro do corrente, em relação ao pedido da cópia da sentença, inteiro teor ou acórdão se houver, que mantém a suspensão do crédito tributário, informo o que segue: Vale informálo que o processo encontrase no SUPERIOR TRIBUNAL FEDERAL, no gabinete da Desembargadora Dr. Maria Salete, conforme andamento processual, em anexo. No mais, todas as cópias com o inteiro teor inicial, sentença, bem como recurso, foi entregue com protocolo, o qual já é de conhecimento D. Departamento. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10875.004292/200375 Acórdão n.º 3301001.482 S3C3T1 Fl. 93 3 O pedido da entrega imediata da cópia, conforme a presente exigência, não está podendo ser cumprido, pois encontramonos em dificuldades em ter acesso momentâneo aos autos, em razão do acima exposto. E, em razão destas dificuldades para a entrega de novos documentos, oportunamente, venho requerer através da presente, o prazo de 90 (noventa) dias para conseguir junto ao Tribunal as cópias solicitadas. Em petição, protocolizada em 02/01/2006, a contribuinte procede aos seguintes esclarecimentos: “(...) requer a juntada de cópias das liminares concedidas no processo nº 97/00014746, em razão ao processo e também ao pedido de desistência tal pedido fez necessário pela decisão do Senado Federal na qual o juiz optou pelo não prosseguimento do processo em trâmite perante a 14ª Vara Federal de São Paulo e processo n° 98/00060863, em trâmite perante a egrégia 5ª Vara Federal de São Paulo, comprovando, assim encontrarse ‘sub judice’ as questões concorrentes ao PIS e COFINS, respeitosamente. Desta forma, reiterando o pleito anteriormente formulado, requer seja deferido por Vossa Senhoria a expedição competente a empresa em questão”. Foi juntada a Certidão da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de São Paulo, Primeira Subseção, expedida em 21/07/2005, de seguinte teor: CERTIFICA, a pedido de pessoa interessada que, verificando os autos da Ação Cautelar, Processo n° 97.00014746, distribuída em 20/01/97, ajuizada por CONFUORTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO PEÇAS E ACESSÓRIOS LTDA contra a UNIÃO FEDERAL, constam o objeto e os principais atos conforme informado abaixo. Pedido inicial (fls.02/06): “(...) efetuar o recolhimento da supracitada contribuição do PIS, nos moldes definidos pela Lei Complementar n° 7/70, através de depósito judicial dos valores questionados, mês a mês, no curso da presente, bem como da ação principal; Sentença (fls. 21): “(...) Homologo, por sentença, para que produza seus regulares efeitos de direito, a DESISTÊNCIA manifestada pelos autores à fls. 18/19, nos termos do Art. 267, VIII, do Código de Processo Civil.”; Atual fase (fls. 33): foi pedido o desarquivamento pela parte autora para expedição de certidão de objeto e pé”. Em 15/05/2006, observou a autoridade preparadora que, na impugnação, a contribuinte se referia ao Auto de Infração nº 6176 (PIS), mas teria juntado cópia do Auto de Infração nº 6175 (Cofins), procedendo à intimação (Intimação nº 422/2006 – ciência em Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 28/08/2006) para que a pessoa jurídica regularizasse a impugnação. Entretanto, novamente em 01/09/2006, a contribuinte protocoliza petição em que contesta exigência de PIS. Em 29/11/2006, a própria autoridade preparadora afirmou que a irregularidade estaria saneada, tendo se pronunciado ainda pela tempestividade da impugnação, devido ao movimento paredista dos funcionários da RFB, entre 11 e 29/08/2003, encaminhando o processo a julgamento em 28/10/2010. A DRJ em Campinas julgou parcialmente improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1998 LANÇAMENTO. DCTF. Procedente o lançamento dos débitos declarados em DCTF como extintos por pagamento ou compensação autorizada judicialmente, quando tais fatos não puderam ser confirmados. MULTA DE OFÍCIO. DCTF. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em função do princípio da retroatividade benigna da legislação tributária penal, como a multa prevista no art. 90 é apenas atualmente aplicável em decorrência de ato de não homologação de compensação formalizada em Declaração de Compensação DCOMP, e na ocorrência de falsidade, não tem suporte fático para subsistir em processamento eletrônico de DCTF. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentada na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a solução da presente controvérsia se resume à verificação da existência ou não do depósito integral dos montantes exigidos no presente Auto de Infração. Afinal, restando demonstrada a sua existência, carece de fundamento a manutenção da presente autuação em face do que prescreve o art. 151, II, do Código Tributário Nacional CTN, verbis: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral;” Pois bem. Compulsando os autos verificase que são os seguintes os valores exigidos pela fiscalização: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10875.004292/200375 Acórdão n.º 3301001.482 S3C3T1 Fl. 94 5 Tributo Período de Apuração Vencimento Valor Motivo COFINS Jan/98 10.02.98 15.717,12 Pagamento não Localizado COFINS Fev/98 10.03.98 16.429,50 Pagamento não Localizado COFINS Mar/98 06.04.98 19.590,82 Pagamento não Localizado COFINS Jun/98 10.07.98 4.231,94 Proc. Judicial Não Comprovado Por outro lado, analisando a documentação apresentada pela ora Recorrente, em especial o extrato de depósito e as certidões de objeto e pé relativas ao Processo n° 97.00014746, contatase a realização, dentre muitos outros, dos seguintes depósitos: Valor Número do documento Data da Movimentação 16.429,50 130398 13.03.98 19.590,82 080498 08.04.98 4.231,94 000000 10.07.98 Cotejando esses dois quadros, constatase, relativamente às três últimas quantias exigidos pelo presente AI, a existência de depósito integral, coincidindo até nos centavos, realizado na data do vencimento do tributo ou em dia anterior. Sendo assim, não se sustenta a autuação quanto a estes valores, tendo em vista que eles estão com sua exigibilidade suspensa e, caso a Recorrente não obtenha provimento jurisdicional ao seu favor, serão convertidos em renda da União. Já em relação à exigência de R$ 15.717,12, não foi contatada qualquer depósito, ate mesmo porque o primeiro lançamento do extrato dói realizado no dia13.03.98, um mês após o vencimento do referido débito. Em face do exposto, dou PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, para manter apenas a exigência relativa ao débito relativo ao perídio de apuração Janeiro/98 e seus consectários legais, tendo em vista que apenas em relação a esta exigência não foi comprovada a existência de depósito integral. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 15582.000061/2007-25
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/12/2005
Decisão Judicial. Cumprimento
Havendo determinação expressa do conhecimento do mérito do litígio, cabe a este órgão julgador dar cumprimento àquela determinação.
Assim, inobstante, regra geral, a manifestação de inconformidade formulada em sede de pedido de compensação não se prestar à discussão do montante da obrigação tributária, presente o conflito acerca de determinada exigência, é dever do julgador conhecê-la e julgá-la.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/12/2005
Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não-homologação em razão de suposta insuficiência da confissão de dívida. Impossibilidade.
Diferentemente da homologação do autolançamento, que repercute sobre a totalidade da obrigação tributária, a homologação da PER/DCOMP surte efeitos exclusivamente sobre o montante do débito confessado. Por tal razão e, principalmente, por falta de previsão expressa, a confissão em montante inferior ao da obrigação tributária apurada, por si só, não dá ensejo à denegação, ainda que parcial, da homologação.
Multa de Mora. Inaplicabilidade.
Não incide multa de mora sobre o tributo que se encontre com sua exigibilidade suspensa por expressa determinação judicial.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-000.475
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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