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Numero do processo: 10640.909381/2009-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS EM
PRODUTOS SITUADOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA.
O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. (Súmula CARF nº 20)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.081
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS SITUADOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. (Súmula CARF nº 20) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS SITUADOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. (Súmula CARF nº 20) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Relatório O estabelecimento industrial de Esdeva Indústria Gráfica S/A formulou Pedido de Restituição/ Declaração de Compensação PER/DCOMP, visando ao reconhecimento de direito creditório referente ao saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no período compreendido entre 01/10/2002 a 30/09/2005 e entre 01/10/2005 e 30/09/2008. Em decorrência do pleito, a DRFJuiz de Fora/MG emitiu o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 06.1.04.002009000978, com fito de verificar a legitimidade dos saldos credores de IPI apurados nos trimestres referidos. O Relatório Fiscal acostado aos autos deu conta das seguintes irregularidades nos trimestres de interesse: Créditos por entrada de insumos aplicados em produtos NT A Fiscalização constatou que o contribuinte, estabelecimento que industrializa, simultaneamente, produtos tributados e não tributados (NT), não manteve controle de estoque da quantidade de insumos aplicados em produtos tributados e não tributados. Em razão disso e em face de resposta a Intimação no sentido de que o contribuinte tinhase como desobrigado de manter tal controle, procedeuse ao devido estorno, no Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC), dos créditos originários da aquisição de insumos destinados à fabricação de produtos NT. Tendo em vista que o estabelecimento utilizou insumos comuns na fabricação de produtos tributados e produtos não tributados (com direito e sem direito a manutenção de créditos), o estorno seguiu o procedimento previsto no art. 3° da Instrução Normativa SRF nº 033 de 04 de março 19991. Para tanto, 1) apurouse o valor das saídas de produtos tributados e não tributados, nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, considerando a planilha fornecida pelo contribuinte contendo as receitas consolidadas de vendas, por período de apuração, de cada produto industrializado pelo estabelecimento, 2) calculouse a relação percentual entre as saídas de produtos não tributados e as saídas totais de produtos industrializados, e; 3) aplicouse esse percentual sobre o valor total dos créditos do período de apuração a considerar, relativos às aquisições de insumos com destinação comum, com vistas a apurar o valor de créditos decorrentes dos insumos aplicados em produtos NT a ser estornado no SCC. As glosas estão relacionadas na planilha "Demonstrativo de Glosas". Créditos extemporâneos Créditos extemporâneos relativos ao 3° trimestre de 2003 Em PER/Dcomp retificador, o contribuinte declarou R$ 663.953,59 de créditos extemporâneos referentes ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002. Instado a apresentar os documentos fiscais comprobatórios do crédito, o contribuinte deixou de fazêlo quanto aos períodos de apuração do anocalendário de 1999. Por essa razão, a Fiscalização declarou ilegítimos os créditos do IPI desamparados de documentação competente, no 1 "Dos créditos inerentes aos insumos (MP, PI, ME) com destinação comum Art. 3° Poderão ser calculados proporcionalmente, corn base no valor das s aídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e utilização do crédito." Fl. 340DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10640.909381/200959 Acórdão n.º 380303.081 S3TE03 Fl. 12 3 montante de R$ 226.398,02, conforme planilha intitulada "CRED. EXTEMP. (NF não apresent)". Além desses, no período em questão, a Fiscalização também glosou créditos decorrentes: a) de aquisição de insumos junto a estabelecimentos varejistas, não contribuintes do imposto, como se atacadistas fossem, no montante de R$ 29.204,95; b) de diferenças apuradas entre os reais valores de créditos destacados nos document6s fiscais e os lançados no livro Registro de Apuração do IPI, no montante de R$ 7.907,23; c) de aquisição de insumos de alíquota igual a zero, no montante de R$ 2.725,00; d) de aquisição de insumos adquiridos de fornecedores optantes pelo Simples, no montante de R$ 253,68; Assim, do total de R$ 663.953,59 de créditos extemporâneos relativos ao 3° trimestre de 2003, reconheceuse como legitimo o montante de R$ 397.464,71. Desse total foram estornados os créditos originários da aquisição de insumos destinados fabricação de produtos NT, em procedimento idêntico ao descrito no item anterior. Os ajustes estão demonstrados na planilha intitulada "Demonstrativo de Glosas. Créditos extemporâneos relativos ao 2° trimestre de 2004 Em PER/Dcomp retificador, o contribuinte declarou R$ 117.111,15 de créditos extemporâneos referentes ao período de janeiro de 2003 a março de 2004. Após análise da documentação que amparava o creditamento, apresentada em resposta a intimação, foram objeto de glosa os créditos decorrentes: a) de aquisição de insumos junto a estabelecimentos varejistas, não contribuintes do imposto, como se atacadistas fossem, no montante de R$ 10.867,44; b) de aquisição de insumos adquiridos de fornecedores optantes pelo Simples, no montante de R$ 122,28; c) de documentos fiscais de aquisição cujos créditos do IPI já foram aproveitados pelo contribuinte à época própria, no montante de R$ 21.649,13; d) de aquisição de insumos de alíquota igual a zero, no montante de R$ 10.654,63; e) de aquisição de insumos isentos, no montante de R$ 2.028,68; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN 4 f) de aquisição de produtos que não são considerados insumos por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem estabelecido nas normas que regem o IPI, no montante de R$ 2.745,44; g) de não apresentação de documentação fiscal, no montante de R$ 2.550,51 Assim, do total de R$ 117.111,15 de créditos extemporâneos relativos ao 2° trimestre de 2004, reconheceuse como legitimo o montante de R$66.493,04, do qual, da mesma forma, foram estornados os créditos originários da aquisição de insumos destinados fabricação de produtos não tributados (NT), em procedimento idêntico ao já descrito. O demonstrativo da glosa de créditos efetuada na 2ª quinzena de junho de 2004, encontrase na planilha intitulada "Demonstrativo de Glosas”. Irregularidades constatadas nos créditos escriturados nos demais períodos de apuração Além da falta de estorno dos créditos aplicados na fabricação de produtos NT, nos períodos de apuração compreendidos entre 01/10/2005 a 30/09/2008, a Fiscalização procedeu a glosas nos créditos referentes a: a) Créditos do IPI aproveitados pelo contribuinte relativos à aquisição de insumos a fornecedores optantes pelo Simples; b) Créditos do IPI aproveitados pelo contribuinte relativos a aquisição de insumos de alíquota zero; c) Diferença de crédito do IPI apurada entre o real valor destacado no documento fiscal abaixo discriminado e o lançado no livro Registro de Apuração do IPI; d) Créditos do IPI aproveitados pelo contribuinte relativos à aquisição de insumos imunes, pelos quais nada foi pago de imposto. Procedida à glosa, a Fiscalização aplicou o percentual apurado nos moldes do art. 3º da INSRF nº 33, de 1999, a fim de segregar os insumos aplicados em produtos tributados dos aplicados em produtos NT e recalcular os saldos credores trimestrais passíveis de ressarcimento: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10640.909381/200959 Acórdão n.º 380303.081 S3TE03 Fl. 13 5 Em razão dessas irregularidades, emergiu saldo credor de IPI em montante insuficiente para a pretensão do contribuinte, motivo pelo qual, em Despacho Decisório eletrônico, deferiuse parcialmente o ressarcimento pleiteado e homologouse as compensações somente até o limite do valor do direito creditório reconhecido. Sobreveio reclamação, por meio da qual o contribuinte A 3ª Turma da DRJ/JFA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 09036.625, de 26 de agosto de 2011, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2° do RIPI/98 (Decreto n° 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto n° 4.544, de 2002). IN SRF nº 33, de 1999. IMUNIDADE. ALCANCE A imunidade prevista no art. 40 da Instrução Normativa nº 33, de 1999 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados ã exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso VI, alínea "d", do art.150 da Constituição Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/JFA. O arrazoado de fls. s/nº, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, Pede provimento de modo que seja reconhecido o crédito referente a insumos aplicados em produtos NT, devidamente atualizado, e, por conseguinte, o seu direito de se ressarcir destes valores. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJJFA3ª Turma nº 09036.625, de 26 de agosto de 2011. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN 6 Matéria controvertida A matéria devolvida a esta Turma recursal cingese à possibilidade de creditamento por entrada de insumos aplicados em produtos situados fora do campo de incidência do IPI (notação “NT” na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Crédito por entradas de insumos aplicados em produtos NT A propósito, a matéria já tem tratamento pacificado na instância recursal administrativa, desde o tempo do extinto Conselho de Contribuintes. Atualmente, a Súmula CARF nº 20 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009) veda expressamente o creditamento do IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT: Súmula CARF Nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT Conclusão Em face do exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012 Alexandre Kern Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10640.909381/200959 Acórdão n.º 380303.081 S3TE03 Fl. 14 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10640.909381/200959 Interessada: ESDEVA INDÚSTRIA GRÁFICA S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.081, de 26 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11522.002809/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IRPF. FÉRIAS INDENIZADAS CONVERTIDA EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA
Somente é afastada a incidência do imposto de renda sobre férias indenizadas, nas hipóteses em que tais direitos não forem usufruídos por necessidade do serviço.
SÚMULA Nº 73
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-007.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para que seja excluída do lançamento a multa de oficio.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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FÉRIAS INDENIZADAS CONVERTIDA EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA Somente é afastada a incidência do imposto de renda sobre férias indenizadas, nas hipóteses em que tais direitos não forem usufruídos por necessidade do serviço. SÚMULA Nº 73 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para que seja excluída do lançamento a multa de oficio. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 28 09 /2 00 7- 88 Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.755 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.002809/2007-88 Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios 2003, 2004 e 2005, anos-calendário 2002, 2003 e 2004, incluindo a multa de ofício de 75% e juros de mora, incidente sobre as seguintes infrações: - Omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica - Rendimentos classificados indevidamente na DIRPF. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, onde alegou o seguinte, conforme relatório do acórdão recorrido - a tributação atinge o patrimônio do contribuinte em situação fora do campo de incidência do tributo, pois nem a lei e nem o regulamento precisariam dispor de modo a definir a indenização de férias como caso de isenção de tributo. - nesse caso, o que ocorre é que os valores pagos a título de indenização, pelos dias de férias não gozados, não estão abrangidos pela hipótese de incidência do imposto. - a indenização tem natureza compensatória e não pode ser considerada acréscimo patrimonial, mas sim uma reposição do patrimônio desfalcado, não podendo os valores recebidos pelas férias não gozadas, de forma alguma se enquadrar no conceito de renda. - o dinheiro pago ao servidor em substituição às férias não gozadas por necessidade de serviço é uma recomposição da perda experimentada pelo trabalhador, que faria jus ao gozo do descanso, mas teve que acudir à efetiva necessidade de serviço e, sobretudo, ao interesse público durante o seu período de férias. - traz à baila ensinamentos doutrinários que corroboram sua alegação de que indenização não é rendimentos em razão de sua natureza indenizatória, por isso, não pode ser fato gerador do imposto de renda. - também traz entendimentos jurisprudenciais sobre o tema, citando as Súmulas n° 125 e 136 do STJ e também diversas outras decisões judiciais, fls. 159/166, 168/171. - os servidores do Ministério Público do Estado do Acre, sem embargo da decisão desfavorável do Tribunal acreano, acabaram tendo êxito no recurso ordinário em mandado de segurança n° 18.750, que considerou ilegal a retenção, na fonte, de imposto de renda sobre indenização de férias não gozadas, mesmo não havendo aposentadoria, rescisão de contrato ou demissão. - conclui que na interpretação da norma tributária, não se pode ampliar uma hipótese de incidência não contemplada na lei, sob pena de o aplicador, inclusive o auditor da receita federal, incorrer em grave violação ao postulado da separação dos poderes, que pode e deve ser reparada pela Justiça, até mesmo através de mandado de segurança, se for o caso. - tributar a indenização de férias é afrontar o fato gerador previsto na norma tributária para a hipótese de incidência do imposto de renda, restando evidente que a verba indenizatória paga pelo Poder Público quando não pode gozar as férias, não está apta a satisfazer as exigências contidas no artigo 16, do Código Tributário Nacional, eis que não se configura renda e nem acréscimo patrimonial. - não se pode alegar que a aplicação da referida Súmula está condicionada aos casos de aposentadoria, rescisão de contrato ou demissão, porque não há, no seu texto, qualquer Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.755 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.002809/2007-88 restrição desta ordem, e o Ato Interpretativo SRF n° 14, de 1° de dezembro de 2005, não pode estar acima de uma decisão da Justiça, particularmente do STJ, interprete máximo do nosso direito infraconstitucional. - quanto às diferenças salariais de 11,98% a título de URV, decorrentes do Plano Real, cita decisões do Conselho de Contribuintes e do Tribunal Regional Eleitoral de que não se sujeira à incidência do imposto de renda. - impugna a multa em razão de que nenhuma informação prestada pelo contribuinte, em sua declaração de ajuste anual, diverge daquelas informadas diretamente pela fonte pagadora, através do “comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte”, ano-calendário 2004, citando jurisprudência sobre o assunto. - tendo sido induzido a erro pela fonte pagadora, não pode ser penalizado com multa, se não teve a intenção de sonegar tributos, até por que não havia incidência de imposto sobre aqueles valores. - requer o cancelamento do auto de infração. A DRJ considerou a impugnação procedente em parte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade Do Mérito Sendo coincidentes as razões deduzidas no recurso voluntário e aquelas ofertadas por ocasião da impugnação, e por concordar com os fundamentos expostos na decisão recorrida, adota-se como razões de decidir, o trecho do voto inserto na decisão de primeira instância, que se passa a transcrever: Rendimentos classificados indevidamente na Declaração No que tange à omissão de rendimentos, o interessado questiona a tributação das verbas percebidas a título de férias indenizadas e abono provisório que seria decorrente de diferença salarial de URV. Com relação às férias indenizadas classificadas como rendimentos isentos e não- tributáveis em sua declaração, cabe transcrever o que disciplina 0 Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999 (aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.755 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.002809/2007-88 “ Art. 43 - São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei no 4.506, de 1964, art. 16, Lei no 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°, Lei n° 8.383, de 1991, art. 74, e Lei n° 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória n° 1.769, de 1998, arts. 1° e 2°). II - férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas. acrescidas dos respectivos abonos;_(Grifou-se). ” Verifica-se que o inciso II, do artigo 43 do RIR/1999, tendo como matriz legal a Lei n° 7.713, de 1988, determinou, literalmente, que sobre a remuneração de férias, mesmo transformada em pecúnia ou indenizada, bem como sobre o respectivo abono incide imposto de renda. Por outro lado, em que pese a previsão de tributação contida no citado art. 43 do Decreto n° 3.000/99, o entendimento atual expresso no Ato Declaratório Interpretativo n° 5, de 27 de abril de 2005, conforme abaixo reproduzido, trilha no sentido de que valores relativos à conversão de licença-prêmio em pecúnia e férias não gozadas por necessidade de serviço devem ser subtraídos dos rendimentos tributáveis: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe o confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto nos §§ 4° e 5° do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e o que consta no processo n° 10168. 001185/2005-33, e considerando que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, com base no art. 19, II, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c o art. 5° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante com relação às decisões que afastaram a incidência do imposto de renda das pessoas físicas sobre as verbas recebidas em face da conversão em pecúnia de licença- prêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, por trabalhadores em geral ou por servidores públicos, por meio dos seguintes pareceres e atos declaratórios: (...) Art. 1° Os Delegados e Inspetores da Receita Federal deverão rever de ofício os lançamentos referentes ao Imposto sobre a Renda incidente sobre os valores O pagos (em pecúnia) a título de licença-prêmio e férias não gozadas, por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral ou a servidor público, desde que inexista qualquer outro fundamento relevante, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito tributário. (grifei.) Art. 2° A autoridade julgadora, nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, subtrairá a matéria de que trata o art. 1° na hipótese de crédito Tributário já constituído cujo processo esteja pendente de julgamento. " Posteriormente, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 14, de 1° de dezembro de 2005, veio esclarecer o alcance material da não-incidência do imposto de renda, limitando-a aos casos em que a verba fosse recebida quando da aposentadoria, rescisão do contrato de trabalho ou exoneração: “Art. 1°. O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 5, de 27 de abril de 2005, editado em decorrência do Parecer PGFN/CRJ/N° 1905/2004, de 29 de novembro de 2004, tratou da não incidência do imposto de renda somente nas hipóteses de pagamento de valores a título de férias integrais e de licença-prêmio não gozadas por necessidade do serviço quando da aposentadoria, rescisão de contrato de trabalho ou exoneração, previstas nas Súmulas n°s 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a trabalhadores em geral ou a servidores públicos. " Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-007.755 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.002809/2007-88 (grifei) Art. 2º Sofrem a incidência do imposto de renda, prevista no art. 3º, §§ 1 °e 4 °, da Lei n° 7. 7.13, de 1988, e no art. 43, inciso III, do Decreto n” 3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), as demais formas de pagamento em pecúnia a título de férias e de licença-prêmio não gozadas.” Verifica-se que o Parecer PGFN n° 1.905/2004 (base do ato declaratório interpretativo n° 05/2005), condiciona a não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas por trabalhadores a título de férias e licença-prêmio não gozadas por necessidade de serviço. Finalmente, com base em tudo o que foi citado, conclui-se, que somente não se sujeitam à incidência do imposto de renda, os rendimentos que corresponderem à conversão em pecúnia de férias e de licença-prêmio, quando não gozadas por necessidade de serviço e nas hipóteses de aposentadoria, rescisão de contrato de trabalho e exoneração. No caso em exame, não há nos autos, elementos que comprovem a impossibilidade de gozo das férias por necessidade de serviço, nas hipóteses de que trata o Ato Declaratório Interpretativo n° 05/2005 (aposentadoria, rescisão de contrato e exoneração), fato que impede reconhecer a não-incidência pleiteada pelo impugnante, sendo, portanto, procedente a omissão de rendimentos, na forma apurada pela autoridade lançadora. Cabe esclarecer que as indenizações isentas são aquelas expressamente previstas em Lei, uma vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos arts. 111 e 176 do CTN. - Frise-se que as normas citadas e os diversos artigos utilizados no enquadramento legal da infração permitem a tributação de férias indenizadas, que somente deve ser excluída dos rendimentos tributáveis quando paga por necessidade de serviço nas hipóteses de aposentadoria, rescisão de contrato de trabalho e exoneração, por força do Ato Declaratório Interpretativo n° 05/2005. É que a autoridade administrativa se encontra totalmente vinculada aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei nº 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). A esta autoridade, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia dos preceitos legais considerados, pelo sujeito passivo, como inconstitucionais e/ou ilegais. Em verdade, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a autoridade fiscal encontra-se limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Outrossim, o art. 7.° da Portaria MF n° 258/2001 determina que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários. De mais a mais, como as leis em vigor gozam da presunção de legalidade e constitucionalidade, resta ao agente da Administração Pública aplicá-las, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto n° 2.346/1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que efetivamente não é o caso. Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-007.755 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.002809/2007-88 Sobre as jurisprudências e Súmulas do STJ citadas pelo impugnante, vale reproduzir o Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, que consolida as normas e procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais. Quanto aos créditos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o art. 4° determina: “Art. 4°. Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os Órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei. tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal . "(Grifou-se) Verifica-se que a extensão dos efeitos de decisões judiciais possui como pressupostos a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e que tal decisão se refira especificamente à inconstitucionalidade da lei, do tratado ou do ato normativo federal que esteja em litígio. Não é o caso das citações feitas pelo impugnante e, portanto, em face da inexistência de ato do Secretário da Receita Federal, na forma prevista- no art. 4° daquele diploma legal, as mesmas não o beneficiam. Como o contribuinte também informou que não participa de ação para reconhecimento de isenção de férias indenizadas, não cabe exclusão do campo tributário por falta de amparo em medida judicial que retire a natureza tributária de referidas verbas. Note-se que a previsão para a tributação das férias indenizadas está contida no artigo 43 do RIR/99, já reproduzido, porém como a autoridade administrativa está vinculada aos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve observar o que estabelece o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05/2005, que baseado no entendimento jurídico trazido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em caráter meramente interpretativo, excluiu da incidência do imposto de renda as verbas relativas a férias não gozadas, nos casos de aposentadoria, rescisão e exoneração. Quanto à alegação de que as férias não gozadas têm natureza indenizatória, vale transcrever o Parecer Normativo CST nº 5, de 1984, que esclarece em sua ementa: O caráter indenizatório e a exclusão dentre os rendimentos tributáveis do pagamento efetuado a assalariado devem estar previstos pela legislação federal para que seu valor seja excluído do rendimento bruto Assim, por expressa determinação legal, não há como excluir as verbas relativas às férias indenizadas e ao abono de férias da base cálculo do lançamento, a não ser que o caso concreto se enquadrasse nas condições trazidas pelo Ato Declaratório n° 05/2005, o que de fato não ocorreu. DAS DEMAIS QUESTÕES SUSCITADAS Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-007.755 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11522.002809/2007-88 Da Multa de Oficio O recorrente alega que não seria responsável pela multa e juros sobre eventual imposto que deixou de recolher, uma vez que o erro seria da fonte pagadora que consignou tais rendimentos como isentos no comprovante de rendimentos. De acordo com o relatório da fiscalização, a omissão de rendimentos apurada teve como causa o fato de haver o Recorrente elaborado sua declaração de ajuste respaldada no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, que contemplou como rendimentos isentos e não tributáveis as férias convertidas em pecúnia e as diferenças salariais a título de URV, o que é bastante para caracterizar o erro escusável, que não tem o condão de afastar a exigência tributária, incluindo juros, mas impede a imposição de penalidade sobre o imposto lançado. A matéria já se encontra pacificada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, culminando inclusive com a edição da Súmula nº 73: Súmula nº 73 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Do exposto voto por dar parcial provimento ao recurso para que seja excluída do lançamento a multa de oficio (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15277.000128/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007
COOPERATIVA DE TRABALHO
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
Numero da decisão: 2202-007.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 COOPERATIVA DE TRABALHO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-11-10T22:24:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-11-10T22:24:31Z; Last-Modified: 2020-11-10T22:24:31Z; dcterms:modified: 2020-11-10T22:24:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-11-10T22:24:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-11-10T22:24:31Z; meta:save-date: 2020-11-10T22:24:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-11-10T22:24:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-11-10T22:24:31Z; created: 2020-11-10T22:24:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2020-11-10T22:24:31Z; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-11-10T22:24:31Z | Conteúdo => S2-C2T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15277.000128/2008-66 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-007.422 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de outubro de 2020 Recorrente SIND DOS ELETRICITÁIOS SUL MINAS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 COOPERATIVA DE TRABALHO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 09-23.676 (fls. 506/510) – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão de 22 de abril de 2009, que julgou procedente o Auto de Infração DEBCAD 37.035.067-7, de 24/10/2008, código fiscal de lançamento (CFL) nº 68. Consoante o relatório elaborado pela autoridade fiscal lançadora (fls. 7/12), trata- se de crédito tributário lançado contra a pessoa jurídica acima identificada, em valor original de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 27 7. 00 01 28 /2 00 8- 66 Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.422 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15277.000128/2008-66 R$ 45.755,21, por ter deixado a autuada de informar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) as bases de cálculos previdenciárias decorrentes dos pagamentos de faturas emitidas pela Unimed Poços de Caldas e por ter informado em GFIP retificadas, após início da ação fiscal, as bases de cálculo previdenciárias decorrentes das faturas emitidas pela Unimed Sul Mineira, ou pela omissão das informações nessas GFIP. O procedimento fiscal refere-se ao período de 10/2003 a 12/2007 e encontra-se assim descrito, quanto às irregularidades apuradas: Analisando os documentos apresentados, constatou-se que o SINDICATO DOS ELETRICITÁRIOS DO SUL DE MINAS GERAIS contratou a UNIMED POÇOS DE CALDAS SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHOS E SERVIÇOS MÉDICOS, CNPJ n° 41.781.949/0001-53, através de Contrato de Plano de Saúde Modalidade Custo Operacional Grande Risco, de 08/05/1992 e, a partir de 17/02/2003, celebraram Contrato Coletivo Empresarial Custo Operacional Local — Ambulatorial, que foram acordados para atender aos trabalhadores sindicalizados do contratante. Em 01/04/2007 o SINDICATO DOS ELETRICITÁRIOS DO SUL DE MINAS GERAIS contratou a COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO DE POUSO ALEGRE — UNIMED SUL MINEIRA, CNPJ n° 21.490.586/0001-90, através de Contrato Coletivo de Custo Operacional Grande Risco, para fornecimento de plano de saúde a seus empregados. (...) Verificou-se que o SINDICATO DOS ELETRICITÁRIOS DO SUL DE MINAS GERAIS recolheu em 14/02/2008, após o início da auditoria fiscal, parte das contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento de faturas emitidas pela COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO DE POUSO ALEGRE - UNIMED SUL MINEIRA, encaminhando, durante a auditoria fiscal, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP retificadas que incluem parte das bases de cálculo dessas contribuições. Nas competências 04/2007 e 09/2007, os valores lançados nessas GFIP divergem das bases de cálculo previdenciárias extraidas das faturas emitidas pela UNIMED SUL MINEIRA. Em 12/2007 nada declarou. O SINDICATO DOS ELETRICITÁRIOS DO SUL DE MINAS GERAIS - SINDSUL deixou de recolher as contribuições decorrentes do pagamento de faturas à UNIMED POÇOS DE CALDAS SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO E SERVIÇOS MÉDICOS e tampouco informou em suas GFIP os valores das faturas pagas. Por ter informado nas GFIP as bases decorrentes dos serviços prestados pela UNIMED SUL MINEIRA após o início da ação fiscal, incorrendo na perda da espontaneidade, e por ter omitido nas GFIP de 10/2003 a 12/2007 os valores pagos à UNIMED POÇOS DE CALDAS, o SINDICATO DOS ELETRICITÁRIOS DO SUL DE MINAS GERAIS infringiu a disposição do artigo 32, inciso IV e parágrafo 5°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e, concomitantemente, do artigo 225, inciso IV e parágrafo 4° do Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Foi ainda emitido o Auto de Infração-DEBCAD n° 37.035.066-9, relativo à falta de recolhimento, e recolhimento a menor, das contribuições sociais devidas à Seguridade Social decorrentes da contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio das cooperativas de trabalho acima mencionadas, conforme previsto no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Inconformada com o lançamento fiscal a autuada apresentou impugnação, documento de fls. 164/185, onde, relativamente ao contrato firmado com a Unimed Poços de Caldas, advoga que não mantém sob sua responsabilidade o alegado contrato de prestação de Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.422 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15277.000128/2008-66 serviços com a Cooperativa de Trabalho Médico, não suportando assim o ônus do pagamento dos serviços prestados pela cooperativa, sendo mera intermediária. Assim, o ônus é suportado pelo associado, que efetua os pagamentos via desconto em folhas de pagamentos mediante autorização outorgada à CEMIG ou, que também os pagamentos são efetuados diretamente ao Sindicato pelos usuários. Assim, entende que não há como prevalecer a obrigação, pois inexiste o fato gerador das contribuições, ou seja, a autuada não é responsável pelo ônus do pagamento dos serviços prestados, que é assumido integralmente pelo associado, usuário do convênio médico. Acrescenta que a inclusão do associado como usuário do Plano de Saúde se dá mediante adesão por Termo de Responsabilidade, ato unilateral do associado sem a anuência da autuada, ficando caracterizado assim ser mera intermediária, cujo contrato-realidade se fez entre o usuário e a cooperativa de trabalho médico. Conclui que: “Neste sentido, não não há como prevalecer a obrigação principal, e neste caso, inexistíndo o principal padece da mesma sorte a obrigação acessória, não podendo ser aplicada a multa...” Quanto à autuação relativa ao contrato com a Unimed Sul Mineira, informa que reconheceu os valores das diferenças lançadas no meses 04, 09 e 12/07 referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre as faturas emitidas pela referida prestadora, tendo sido devidamente incluídos em GFIP retificadora e recolhidas. Assim, requer a relevação da penalidade aplicada, relativamente a tal item, nos termos do art. 291, § 1, do Decreto nº3.048, de 6 de maio de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), ou sua atenuação, conforme o caput do mesmo artigo. Ao final, questiona a aplicação dos juros de mora mediante aplicação da Taxa Selic, sob argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade e protesta pela não responsabilização dos administradores do sindicato (diretores e presidentes, atuais e anteriores), pelos créditos tributários lançados. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, não obstante, foi mantido o lançamento por aquela autoridade. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: NOTA FISCAL/FATURA. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. RESPONSABILIZAÇÃO DE DIRIGENTES. NÃO APLICAÇÃO DA NOVA SISTEMÁTICA DE CÁLCULO DA MULTA. É fato gerador de obrigação tributária o pagamento, mediante nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. É devida a aplicação da Selic como juros de mora. Não é possível, em sede administrativa, afastar-se a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Os relatórios informando os responsáveis legais e as pessoas vinculadas ao sujeito passivo são de expedição necessária para documentação do lançamento. As determinações da MP449/2008 para aplicação da multa por omissões em GFIP em cuja ação fiscal restou lavrada autuação com multa de mora, incluídas na Lei 8.212/1991, não retroagem pela nova sistemática de apuração de multa adotada. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 514/516), onde informa ter apresentado recurso relativo ao lançamento relativo à obrigação principal (processo nº 15.277.000129/2008-19), pugnando pela improcedência total do principal e requerendo que ao reflexo, por questão de decorrência, seja dado o tratamento. Argumenta ainda que a Medida Provisória 449, de 2008, revogou integralmente o artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991, o qual entende dava suporte ao lançamento fiscal, devendo assim ser aplicado o Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.422 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15277.000128/2008-66 disposto no art. 106, inc. II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional, para efeito de aplicação da princípio da retroatividade benigna. Ao final, é reiterado o pedido pela não responsabilização dos administradores do sindicato (diretores e presidentes, atuais e anteriores), pelos créditos tributários lançados e julgamento da improcedência do lançamento. Em petição protocolizada em 28/03/2017 (fls. 431/432), a recorrente requer a aplicação do disposto no §2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), tendo em vista provimento do RE nº 595.838/SP, pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), julgando inconstitucional o art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212, de 1991, sob o rito de repercussão geral. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 12/05/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 512. Conforme o Despacho DRF/VAR/SACAT/MG - 0.115.273-4 (fl. 541), exarado pela Chefe da EAC1/DRF/VAR/SACAT, datado de 26/05/2009, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em 22/05/2009, considera-se assim tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, deve portanto ser conhecido. Conforme relatado, a presente autuação trata de processo reflexo do processo nº 15277.000129/2008-19, pela falta de inclusão em GFIP’s das bases de cálculos previdenciárias decorrentes dos pagamentos de faturas emitidas pela Unimed Poços de Caldas e Unimed Sul Mineira, dos valores decorrentes da contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto no art. 23, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ocorre que o dispositivo legal que acobertava o lançamento da obrigação principal foi julgado inconstitucional pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em sessão realizada no dia 23/04/2014, sob o rito de repercussão geral, nos autos do RE nº 595.838/SP, o que foi corroborado no julgamento dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, acontecido em 18/12/2014, ocasião em que foi rejeitado o pedido de modulação de efeitos dessa decisão. A tese firmada, de nº 166, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/03/2015, é a de que “[é] inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.” Em decorrência de tal julgamento, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editou, em 24 de fevereiro de 2015, a NOTA/PGFN/CASTF/Nº 174/2015 incluindo a presente matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014. Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.422 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15277.000128/2008-66 Preceitua o §2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos seus conselheiros no julgamento dos recursos. Nesta mesma sessão de julgamento, desta 2ª Turma Ordinária/2ª Cãmara/2ª Seção, foi dado provimento ao recurso relativo ao processo principal (15277.000129/2008-19). Desse modo, considerando que o único objeto da lide é o lançamento de multa pela falta de informação em GFIP da contribuição de 15%, atinentes aos contratos firmados entre a autuada, relativos às prestações de serviços por cooperado por intermédio de Cooperativas de Trabalho, que deixou de se caracterizar como hipótese de incidência da contribuição previdenciária, da mesma forma do quanto decidido no procedimento relativo ao lançamento da contribuição, deve também ser afastada a presente exação. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e no mérito para dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907939/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Conhecido
Numero da decisão: 3803-003.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Conhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 12/07/2012 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 14/06/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 8109, do período de apuração de agosto de 2004, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que: De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907939/200912 Acórdão n.º 3803003.003 S3TE03 Fl. 2 3 o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (28/10/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 25/11/2011, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e Cofins sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907939/200912 Acórdão n.º 3803003.003 S3TE03 Fl. 3 5 Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de agosto de 2004, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.908731/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/12/2001
COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA
Constitui ônus do contribuinte em trazer aos autos prova de seu direito creditório em se tratando de pedido de compensação. Ainda que seja pacífica a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei n.º 9.718/98, o sujeito passivo deve instruir os autos com livros contábeis e prova do recolhimento do tributo, sob pena de se rejeitar inclusive pedido diligência, sem que isso configure desrespeito ao direito a ampla defesa.
Numero da decisão: 3803-002.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA Constitui ônus do contribuinte em trazer aos autos prova de seu direito creditório em se tratando de pedido de compensação. Ainda que seja pacífica a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei n.º 9.718/98, o sujeito passivo deve instruir os autos com livros contábeis e prova do recolhimento do tributo, sob pena de se rejeitar inclusive pedido diligência, sem que isso configure desrespeito ao direito a ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafatá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/05/20 12 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Cuidase de PER/DCOMP com a finalidade de compensar crédito proveniente do recolhimento a maior de Cofins ocorrido em 14/12/2001 em razão do alargamento da base de cálculo, promovido pelo art. 3º da Lei n.º 9.718/98, referente ao PA de novembro/2001 com débitos de IRPJ e CSLL relativos a dezembro/2005. O Despacho Decisório anexo às fls. 05, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento da inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 10/17, pleiteado os efeitos do art. 151 do CTN e justificando que o valor exigido referese a recolhimento a maior do PIS que incidiu sobre a totalidade de suas receitas, por força do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. Às fls. 40/41 sobreveio a Decisão n.º 1333.434 da 4ª Turma da DRJ, que indeferiu o pedido de compensação sob o argumento de que pertence ao sujeito passivo o ônus da prova de seu direito e principalmente é sua obrigação reunir e apresentar documentos que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Descontente com o posicionamento da DRJ, manejou Recurso Voluntário às fls. 45/53, discorrendo a respeito da inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. Cita julgados do Supremo Tribunal Federal em seu favor. Segundo o seu ponto de vista, não há necessidade de apresentar documentos que comprovem o direito ao crédito, tendo em vista que o recolhimento a maior decorre do “alargamento indevido” da base de cálculo do Cofins, a qual deu fundamento para a compensação não homologada. Neste sentido, compreende que simples diligência fiscal pode comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Inicialmente é preciso dizer que em relação a matéria de mérito assiste razão ao contribuinte, pois efetivamente está pacífico que o art. 3º da Lei n.º 9.718/98 extrapolou a sua função e desrespeitou o comando do art. 110 do CTN e quanto a esta questão tornase desnecessária maior explanação. Entretanto, por outro lado é certo que constitui ônus do sujeito passivo fazer prova de seu direito, ainda mais em se tratando de pedido de compensação. Acontece que percorrendo os autos, verifico que não foram juntados documentos contábeis e nem DARFs, com o propósito de demonstrar os valores recolhidos indevidamente. Neste passo, embora sempre que possível este relator tenha decidido por baixar os autos em diligência em busca da verdade material, no caso em questão voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que cabia à empresa ter apresentado alguma prova em seu favor, ainda que fosse o Livro Razão ou documentos comprobatórios de recolhimento do tributo. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/05/20 12 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.908731/200971 Acórdão n.º 380302.890 S3TE03 Fl. 66 3 A partir do momento que o contribuinte deixa de juntar qualquer prova em seu favor, por certo que se torna despropositada a realização de diligência, uma vez que seus documentos contábeis e fiscais são objeto para a análise de seu direito, sem os quais tornase inútil toda a argumentação de mérito. Além do que, é bom observar que o contribuinte poderia ter anexado tais documentos após a decisão da DRJ, todavia optou por insistir na realização de diligência, ainda que nos autos não constasse qualquer prova de seu direito. Por fim, insisto que na hipótese de terem sido juntadas provas de recolhimento do tributo, bem como os livros fiscais, certamente que não hesitaria em votar pela realização de diligência, ainda que tais documentos fossem apresentados aos autos após a decisão de primeiro grau. Ante o exposto, voto por negar provimento ao apelo. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/05/20 12 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19647.003225/2003-00
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.130
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência do
julgamento ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, na forma do .relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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DEPÓSITO DO CONSTRUTOR LTDA. DRJ - RECIFE/PE RE,SOLUÇÃO N° 303-01.130 Vistos, relatados e discutidos os presentes, autos; MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA , ' FormalizadO em: .\ ! - Participaram, ~inda,. do presente. julg ento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanei Gama, Sérgio de Castro Neves, Mareie! Eqer Costa, Nilton L'4iz, Barto!i e Tarásio Campelo Borges. ' " .. Processo n° Recurso n° . Sessão de Recorrente Recorrida RESOLVEM os, Membros. da Terceira .Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes," por unanimidàde de' votos, dedinar competência do julgamento ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em ra~ão da matéria, na forma do .relatório e voto quepassam a integrar o presente julgado. i I I I . i, I ; I I1 I i ! ' °,0 '" 121. 685,31 38.243;0 91.263,9 251.192,21 ~-,------------ ALOREMREAL RELATÓRIO' 19647.003225/.2003-00 303-01.130 NATURE 'lA OFINS ' uros de Mora (até 30/09/2003) ulta Proporcional OTAL Processo nO Resolução nO 2 as referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de , fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização' constatou infrações a legislação do SIMPLES, do IRPJ, da CSLL, tio PIS ti da CO'FINS. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração e, no Termo de Vérificação Fiscal, às fls. 117 a 120, a autuante descreve detalhadamentetodas as informàções concernentes ao procedimento fiscal e relata ás apurações efetuadas' n~sta audito'ria que'passamos a resumir abaixo: , , , Pela clareza das informações prestadas, adotó o relatóriopr,oferido pelaDRJ- RECIFEIPE, o qual passo a transcrevê-lo: . ,) . ) \:....~ ' . . ~. -~, "Contra a contribuinte' acima, qualificada foi lavrado o Auto de' Infração, às fls. 126 a 128, para exigência de créditos tributários;, referentes aos fatos geradores de 31/0112001 a 31/i2/2002, adiante especificados: '. , 1) a empresa fiscalizada apresentou Declaração Anual.Simplificada - PJ-SIMPLES, referentes aos anos calendários de 1999 a 2002, porém não se , enquadrava nos valores de faturamento déterminado pela Lei n° 9.317/1996, pois a mesma já no ano de 2000 obteve fat}lramento (R$ 1.388.410,71) superior aos R$ 1200.000,00 anuais, para empresa de-pequeno porte, condição de enquadramento. \ ' ~ ' . '\ 2) Foi efetuada a Representação Fiscal' - Exclusão do SIMPLES, Processo nO 19647.002705/2003-45 para exclusão da,empresa a partir de janeiro de ' 2001. No dia 17/10/2003 foi publicado no DOU o AtoDeclaratório Executivo n° 92, excluindo a empresa do SIMPLES com eféitos a partir' de 01/011200i. Ressalta a: autuante que a contribuinfe não efetuou a comú'nicação de ~ua exclusão do sistema a que estava obrigada. 6) O fiscal autuante efetuau Representação. Fiscal para Fins Penais na PROCESSO N° 19647.003500/2003-87. \ }) A empresa fai intimada na dia 17/10/2003 a apresentar as DCTF's das 'períadas a partir dó 10. trimestre de 2001. As declarações foram apresentadas na dia 21/10/2003 canfarme recibas às fls. 59 à 66. 3) Apurou a fiscalização. para os anas calendárias de 1999 e 2000, as valores das receitas brutas cam bas~ nas Livros de Apuração. da ICMS e nas infarmações farnecidas pela cantribuinte para calc,ular as vaIares de SIMPLES devidas. Diante da canstataçãa da INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO a fiscalização. procedeu a apuração. das vaIares de cada impastas 'e cantribuiç.ões da SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS) lavrando. os respectivas' autas farmalizadas na PROCESSO N° 19647.003226/2003-46: " ;,e •• ,.~ _ 3 19647.003225/2003-00 303-01.130 Processa nO Resaluçãa nO 4)De acarda ca,m a art. 16 da Lei n° 9.317/.1996 a pessaajurídica excluída da SIMPLES sujeitar-se:..á, a partir da períada em que se pracessarem as efeitas da exclusão. as narmas de tributação. aplicáveis as demais pe,ssaas-jurídicas. Na presente casa, a cantribuinte fai excluída a partir de 01/01/2001 e cama não. efetuau as pagamentas, nas anas calendárias de 2001 e 2002, pela lucra estimada au pela lucra presumida, não aptanda par estas farmas de tributação., ficau sujeita à tributação. pela lucro real trimestral. A cantribuinte .fai intimada a apresentar sua escrita cantábil e fiscal que passibilitaria a apuração. da lucra real nas anas calendárias de 2001 e 2002, parém declarau que não. passuía escrita cantábil. ,A fiscalização. pracedeu para estes anas calendárias à, tributação. da IRPJ e da CSLL utilizando. as regras da Lucra Arbitrada (~rt. 530, incisa 'l, da RIR/1999). Autas de infração. canstantes da PROCESSO N° 19647.003227/2003-91. Cama base para a arbitramento. faram ,utilizadas as receitas brutas canhecidas (art. 532 da RIR/1999) ; canstantes do Livra de Apuração. da ICMS apresentada pela própria cantribuinte. 5) Também decarrente da exclusão. da empr~sa a' partir de 01/01/2001 . a cantribuinte ficau sujeita aos recalhimentas da COFIN,8 e da Cantribuiçãa para a PIS cama as démais pessaas jurídicas. A fiscalização. cpnstatau a falta de recalhimenta destas cantribuições, através da canstataçãa de diferenças entre a vaIar escriturada e a declarada/pága e canstituiu as' autas de infração. da COFINS - PROCESSO N° -19647.003225/2003-00 e da CONTRIBUIÇÃO PARA. (O PIS - PROCESSO N° 19647.003224/2003-57. Faram utilizadas cama base de cálCulo.para a apuração. destas cantribuições a receita bruta canstante da Livro de apuração. da ICMS, às fls. 83 a 110, apresentada pela cantribuinte. ' Neste processa canstam ~s infrações relatadas na item 5 - COFINS - DIFERENÇA APURADA ENTRE O ':êLOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO, fatos geradores de31101\~OOl a 3'1~. \ ~' \ \ - Ainda, a respeito da denÚncia dos débitos nos casos de entrega das DCTF's a contribuinte cita ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 134 a 142, n~ qual questiona integralmente o auto de infração, alegilndo em síntese o seguinte: _''''''_~'--:l&I~~~~'',~ _ 19647.003225/2003-00 303-01.130 Processo nO Resolução nO - No mérito alega que a empresa foi intimada a. apresentar as DCTF'S do 10 trimestre de 2001 ao quarto trimestre de 2002 e que as mesmas foram apresentadas. Com a apresentação destas declarações a Receita Federal passou a ter conhecimento do imposto, de renda devido pela contribuinte e estas. infonnações o • , foram fornecidas ante~ da lavratura do presente auto de infração, assim, n(io ,caberia mais o lançamento de parcelas já lançadas, pois caracterizaria duplicidade de lançamento. Os débitos declarados caso não fossem' pagos deveriam ser cobrados através da POFN e sem a exigência de multa de oficio. A entrega das DCTr's caracteriza a denúncia .da infração, a prova é que o próprio recibo alerta que os valores ali informados constituem confissão de dívida. Cita a respeito a regra do art. 10 da IN SRF 'no 77' de 24/07/1998 e afirma que esta regra continua em vigor conforme parágrafo 1° do art. 8° da 'IN SRF nO255 de 11/12/2002. Preliminarmente a contribuinte expõe a legislação referente à emissão do Mandado de Procedimento Fiscal e contesta acerca da falta de emissão de' MPF complementar para tomar competente a autoridade fiscal para a verificação e constituição de crédito tributário da COFINS. Alega a autoridade fiscal confundiu o direito que tiriha de fiscal~zai com o direito de constituir crédito tributário. Afirma que em relação ao IRPJ e SIMPLES foram emitidos os mandados complementares e no caso da COFINS não foi. o Ainçla em relação à importância do MPF a 'contribuinte ressalta que, autoridade fiscal deve atender ,a legislação e neste ponto o' MPF nâo é mero instrumento de controle interno. Cita a respeito Acórdão da DRJ/Salvador e' ementa de acórdão do Conselho de "Cohtribuintes. Também se refere a contribuinte ao art. 37 da Constituição Federal e a importância da administração seguir os princípios da legalidade, impessoalidade, moral idade e publicidad'e. - Também, a contribuinte requer, caso seja superada à solicitação anterior, que sejam compensados os valores pagos através da sistemática do . SIMPLES no período de' janeiro de 2001 a dezembro de 2002. Apresenta nas planilhas às fls. 143 e 144 os valores recolhidos no SIMPLES e os valores proporciooms a C7:1::: ::::~;~ o SObres~mento ~eseote julgamento para aguardar o julgamento da manifestação de i conformidade~anto à exclusão do SIMPLES . . . 4 \' ~ ~ . lo 1"9647.003225/2003-00 303-01.130 Processo nO Resolução nO 5 É o relatório. Subiram então os autos a este Colegiado, tendo sido distribuídos, por sorteio, a este Relator, em Sessão realizada no dia 06/1212005. . Cientificada da DeCisão a qual julgou procedentes os lançamentos; fIs: 1.51/161, o a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivo, em 22/1112004, conforme "documentos de fls. 166/174, repetindo as razões da peça inicial. Finaliza a contribuinte requerendo a improcedência do auto de infração lavrado, e protesta pela produção de novas provas que se façam necessáriás." Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator XIV - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribtt.ições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). " -VOTO 19647.003225/2003-00 303-01'.130 IJ r A celebração de convênio, na forma do art: 4°, implica delegar competência à Secretaria da Receita Federal, para. o exercício das atividades de que trá ta este artigo, nos termos do art. 7° da Lei nO 5.172, de 25 de outubr~ de 1966 (Sis(ma Tri~~tário Nacional) .. . . \ ') 6 \ "Art. 17. Competem à Secretaria da Receita Federal as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos impostos e cpntribuições pagos d~ conformidade com o SIMPLES. J 1° Aos processos de determinação e exigência dos créditos tributários e de consulta, relativos aos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SJMPLES, aplicam-se as normas relativas ao imposto de renda. "Art. 9° Compete ao Terceiro Conselho de 'Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre aplicação da legislação'referente a: 'De fato, pela disposição contida no art. 9°, inciso XI,\', do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, temos que compete ao Terceiro Conselho de ContribuiIÍtes, o julgamento ,dos Recursos que versem sobre .a aplicação da legislação referente ao SI!V1PLES.Neste sentido: Por 'seu turno, dispõe a Lei 9.317/96 que institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Port~ - SIMPLES, com alterações posteriores: / Trata o presente processo de exigência de ,~rédito tributário relativa ao COFINS decorrente de diferença apurada' entre o valor escriturado e o , , declarado/pago. Nesse diapasão, o que se discute no presente processo'é a imputação 'Ounão de débito de COFINS à Recorrente. , Processo nO Resolução rio I Diante da normativa legal ora transcrita, tem-se que, compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes o julgamento de casos (recursos de ofício e voluntários) que dizem respeito à aplicação da legislação do SIMPLES, desde que estes. não representem a exigência do crédito tributário, pois :se assim resultarem a, competência pertence ao Primeiro Conselho de Coptribuintes, por força do' parágrafo primeiro do art. 17 da lei supra transcrita, ou seja, pelo fato de competir ao Primeiro Conselho o exame da matéria relativa ao Imposto de Renda, fi teor do art. 7°, caput do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. ' . 7 " inar competência para julgamento do e Contribuintes, pela fundamentação ,\. , Sala das Sessões" e 19647.003225/2003-00' 303-01.130 Da Omissão de.Receita 8 3 o O cpnvênio a que se refere p parágrafo' anterior, poderá, também, disciplinar d forma de participação das Unidades Federadas nas atividades de fiscalização. Art. 18. Aplicam-se à microempresa e à empresa de pequeno porte ,todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que a@ráv.els cOm base nos livros e documentos ;a 'que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. " ( grifo nosso) :Por tal, voto no sentido de d presente processo para o Primeiro Conselho supra. Processo nO Resolução nO 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903817/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.200
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de COFINS referente ao PA de 28.02.2003. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS incidente sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofíns a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.867 4 º Turma da DRJ/POR, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903817/200961 Acórdão n.º 3803003.200 S3TE03 Fl. 106 3 provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de PIS/Pasep, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903817/200961 Acórdão n.º 3803003.200 S3TE03 Fl. 107 5 186,60, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903817/200961 Acórdão n.º 3803003.200 S3TE03 Fl. 108 7 Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.903817/200961 Acórdão n.º 3803003.200 S3TE03 Fl. 109 9 No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por J ULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10580.724824/2009-95
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
PRECLUSÃO. PRODUÇÃO DE PROVAS.
A simples alegação do contribuinte de fatos modificadores do lançamento, sem a comprovação da sua ocorrência, não é suficiente para que o lançamento seja revisto.A não apresentação de provas cujo ônus seja do recorrente importa em preclusão.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção dos portadores de moléstia grave deve ser comprovado nos autos que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e a existência da moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988 deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos
Municípios que identifique a data da presença da doença. A isenção não alcança os rendimentos decorrentes do trabalho do servidor em atividade e, quando o laudo médico oficial atesta a existência da doença mas não identifica a data de início da doença anteriormente à data de sua emissão, a isenção somente se aplica a proventos recebidos a partir da data do laudo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-000.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PRECLUSÃO. PRODUÇÃO DE PROVAS. A simples alegação do contribuinte de fatos modificadores do lançamento, sem a comprovação da sua ocorrência, não é suficiente para que o lançamento seja revisto.A não apresentação de provas cujo ônus seja do recorrente importa em preclusão. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção dos portadores de moléstia grave deve ser comprovado nos autos que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e a existência da moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988 deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que identifique a data da presença da doença. A isenção não alcança os rendimentos decorrentes do trabalho do servidor em atividade e, quando o laudo médico oficial atesta a existência da doença mas não identifica a data de início da doença anteriormente à data de sua emissão, a isenção somente se aplica a proventos recebidos a partir da data do laudo. Recurso negado.
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PRODUÇÃO DE PROVAS. A simples alegação do contribuinte de fatos modificadores do lançamento, sem a comprovação da sua ocorrência, não é suficiente para que o lançamento seja revisto.A não apresentação de provas cujo ônus seja do recorrente importa em preclusão. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção dos portadores de moléstia grave deve ser comprovado nos autos que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e a existência da moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988 deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que identifique a data da presença da doença. A isenção não alcança os rendimentos decorrentes do trabalho do servidor em atividade e, quando o laudo médico oficial atesta a existência da doença mas não identifica a data de início da doença anteriormente à data de sua emissão, a isenção somente se aplica a proventos recebidos a partir da data do laudo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 01/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de notificação de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2006, anocalendário 2005, por meio da qual se exige a devolução de imposto de renda no valor de R$2.115,35 mais acréscimo de juros de mora. Houve a restituição do imposto com base na Declaração de Ajuste Anual original. O contribuinte apresentou declaração retificadora com os campos de rendimentos e de imposto retido na fonte em branco, além de não preencher o campo “natureza da ocupação” com o código correspondente a portadora de moléstia grave (código 62), o qual foi preenchido com o código 61 (aposentado, militar da reserva ou reformado e pensionista de previdência, exceto código 62). A notificação de lançamento foi mera decorrência do processamento da declaração retificadora entregue pelo contribuinte. A impugnação foi indeferida por não ter sido comprovada a existência da moléstia grave com laudo médico expedido por serviço médico oficial, bem como pela falta de comprovação de que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria. Ciente da decisão de primeira instância em 12072010, o recorrente apresentou recurso voluntário em 20072010, no qual: 1. reitera o argumento central da impugnação no sentido de que, desde 2005, é portador de doença de Parkinson, doença grave que justifica a isenção do imposto de renda; 2. apresentou laudo médico retirado na Receita Federal, assinado pelo médico que o acompanha, o qual também é médico de Hospital Público, bem como fez perícia médica no Estado da Bahia; 3. se a Receita Federal não aceita o laudo, deve providenciar perícia médica; 4. alega que é servidor aposentado da Secretaria de Fazenda da Bahia. Requer prioridade de tramitação e julgamento por ter mais de 80 anos e ser portador de moléstia grave. É o relatório. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.724824/200995 Acórdão n.º 280200.872 S2TE02 Fl. 40 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Registro inicialmente que a autuação decorreu de mero processamento de declaração retificadora de forma que não haveria um litígio propriamente dito mas tão só um pleito para que fosse apreciada uma revisão de ofício do lançamento. Entretanto, a impugnação foi conhecida e, no mérito, julgada improcedente. Destarte, cabe apreciar tão só o inconformismo com a decisão prolatada na primeira instância que não acolheu a tese da isenção dos rendimentos por falta de comprovação ns termos legais da existência da doença e de que os proventos eram proventos de inatividade. Portanto, a matéria a ser enfrentada é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (a exigência do laudo médico oficial foi acrescentada pelo caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Dois laudos foram juntados ao processo: a) Laudo de fls. 08 que atesta a presença de doença de Parkinson desde 2005 porém não foi emitido por serviço médico oficial, nada nesse laudo permite aferir a qual serviço médico oficial se refere, tanto que o campo de identificação do serviço médico oficial está em branco; b) o Laudo Médico Pericial nº 882/2008 emitido por Junta Médica do Estado da Bahia e assinado em 25 de abril de 2008 que atesta a presença da doença de Parkinson, sem qualquer menção à existência da doença em data anterior à de emissão do laudo (fls. 28), sendo que o anocalendário desse processo é 2005. Embora a DRJ tenha apontado que não foi comprovado que os rendimentos eram de inatividade, o recorrente apenas juntou aos autos um comprovante de rendimentos de 2009 o qual indica ser aposentado da Secretaria de Estado da Fazenda da Bahia, sem trazer qualquer documento referente ao anocalendário 2006. Por se tratar de uma notificação fruto da retificadora apresentada pelo contribuinte com dados em branco, a não juntada pelo recorrente da declaração original não permite aferir com segurança se a retenção na fonte foi exclusivamente sobre os rendimentos de aposentadoria. O ônus da prova nesse caso é do recorrente. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Ressaltese que não cabe ao julgador providenciar perícia médica quando o recorrente não traz aos autos os documentos necessários a comprovar sua defesa. A não apresentação dos documentos que comprovam a natureza dos rendimentos tributados na fonte, a retenção do imposto de renda e a existência da moléstia grave com laudo expedido por serviço médico oficial que identifique a data de existência da doença contemporânea ao anocalendário objeto do processo importa em preclusão (4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 42DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10920.000963/00-21
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 303-00.839
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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RECORRIDA : DRJ/FLORIANOPOLIS/SC RESOLUÇA0 N°303-00.839 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 16 de outubro de 2002 Jak H 1 A1NDA COSTA Pres ente ,sev 4./ ANELISE DAUDT PRIETO Relatora 11 DEZ 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS e CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. Ausentes os Conselheiros NILTON LUIZ BARTOLI e HÉLIO GIL GRACINDO. MC MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.834 RESOLUÇÃO N° : 303-00.839 RECORRENTE : TERRANOVA BRASIL LTDA. RECORRIDA : DRJ/FLORIANOPOLIS/SC RELATORA : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 17/22, para exigir o montante de R$ 84.295,99, relativo ao Imposto Territorial Rural com fato gerador em 01/01/97, à multa de oficio e aos juros de mora. Trata-se do imóvel "Fazenda Rio Corredeiras", localizado no município de Rio Negrinhos/SC registrado na SRF sob no 514690-9. Conforme Termo de Encerramento de fl. 14, o contribuinte não comprovou, mediante Ato Declaratório Ambiental emitido pelo IBAMA, a Area de 745,2 ha declarada como de preservação permanente. Apresentou somente um protocolo do A.D.A. ao IBAMA, datado de 13 de junho de 2002, após o inicio da ação fiscal, quando deveria protocolar o requerimento no prazo de 6 meses contados da entrega da declaração do ITR. Intimada, a empresa impugnou, alegando, em suma que: a) foi autuada com fulcro nos artigos 1 0 , 70 , 90 , 10, 11 e 14 da Lei n° 9393/96 e nenhum deles prevê a autuação por falta de entrega do ADA; b) como descrição do fato consta do auto a falta de recolhimento do ITR mas, de acordo com os documentos acostados o recolhimento do ITR, fato gerador de 1997, foi efetuado; c) o Decreto 70.235/72, em seu artigo 10, prevê que o auto de infração deve conter a descrição do fato e a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; d) o auto de infração que não observa o dispositivo acima, não obedece ao principio da legalidade, ao principio da ampla defesa, e ao devido processo legal, é nulo; cita doutrina e jurisprudência; e) o regulamento para apuração do imposto relativo a 1997 é dado pela Instrução Normativa SRF n° 43/97 e nela não há previsão expressa de obrigatoriedade de entrega do ADA; f) os documentos acostados aos autos demonstram que desde o ano de 1997 a empresa mantém sua política de conservação de recursos naturais, utilizando-se unicamente das áreas aproveitáveis para sua atividade, plantio de espécies exóticas; 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.834 RESOLUÇÃO N° : 303-00.839 g) a destinação de sua terra tem sido regulamentada pelo IBAMA desde então, conforme laudo técnico e mapas apresentados, referentes ao ano de 1989, que demonstram perfeitamente as áreas utilizadas para as áreas de reflorestamento (tributáveis) e as áreas de interesse ambiental; h) o art. 2° da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal) estabelece os casos em que as florestas e demais formas de vegetação natural deverão ser consideradas de preservação permanente pelo só efeito daquela lei; • i) a MP n° 1956-53, de 23/08/00, deu nova redação ao art. 1° daquela lei, estabelecendo um conceito de área de preservação permanente dispondo no § 2° que, para os efeitos daquele Código, entende-se por área de preservação permanente a área protegida nos termos do art. 2° e 3°, coberta ou não por vegetação permanente nativa, com a função de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade ecológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas; j) se a simples não entrega do ADA permite a interpretação de que inexiste área de preservação permanente para efeitos de pagamento do imposto, a lei deixa de ter aplicabilidade; k) o IBAMA reconhece a área como de preservação permanente, tendo inclusive realizado vistorias que atestam a veracidade da alegada destinação daquela porção da propriedade; 1) independentemente da exigência prevista na Portaria IBAMA n° 162/07, art. 2°, parágrafo 2°, de apresentação do ADA, a área de preservação permanente continuará assim sendo, pois se encontram dentro das situações definidas no art. 2° do Código Florestal; 111 m) os atos da administração, como a referida Portaria, estão subordinados A. lei, não podendo ultrapassar os seus limites; n) foram também feridos os princípios da razoabilidade e da finalidade; o) conforme o art. 113 do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e não há determinação legal que disponha que o ADA é o documento que confere ao contribuinte o direito de isenção sobre a extensão das terras em condições de preservação ambiental; p) não há fato gerador que legitime a cobrança do tributo; q) se a Lei n° 9393/96 isentou as Areas de preservação não pode a simples falta de apresentação do ADA fazer incidir tributo sobre o que a lei declarou isento; MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.834 RESOLUÇÃO N° : 303-00.839 r) quanto A. multa, no máximo poderia incidir aquela prevista no art. 7° c/c art. 9° da Lei no 9393/96, por falta de obrigação acessória, que deveria ter por base somente o valor já pago pela impugnante. A decisão de Primeira Instância considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: "AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE A existência, no imóvel, de Areas de preservação permanente, assim consideradas pelo só efeito da Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 — Código Florestal Brasileiro (art. 2°), pode ser comprovada, para efeito da isenção do ITR, por Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, acompanhado da correspondente Anotação de Responsabilidade Técnica, a teor do art. 7° da Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966." Manteve o lançamento relativo à Area de preservação permanente não comprovada no laudo apresentado (fls. 89/90), eis que lá constava somente 445,2 ha. Chegou a uma exigência, a titulo de ITR, de R$ 12.427,32. Concluiu que seriam também devidos multa de oficio e acréscimos legais. A empresa apresentou recurso voluntário em que se remete à decisão de Primeira Instancia, repete argumentos trazido por ocasião da impugnação e acrescenta que a finalidade do recurso é demonstrar tecnicamente que as Areas de preservação permanente e de reserva legal estão de acordo com que exige o Código Florestal Brasileiro com o teor que lhe deu a MP n° 2080-63 devendo, portanto, gozar da isenção prevista na Lei n° 9393/96. Afirma que o mapa que anexa ilustra a exata dimensão das Areas. Conforme laudo anexo, o total das Areas de preservação permanente soma 415 hectares. Na impugnação informou que a Area de preservação permanente equivalia a 745,2 hectares, sendo que o valor considerado na decisão foi de 445,2. Ocorre que, à época do lançamento em questão, quando do laudo técnico, foram somadas as Areas de reserva legal e de preservação permanente, o que totalizava 745,2 hectares. A Fazenda Corredeiras atualmente abriga, além da Area referente A. sua reserva legal (480,07 ha, devidamente averbados na matricula n° 8.921 da Comarca de Rio Negrinho), também as Areas de reserva legal da Fazenda Bituva Grande, (110 hectares, referente à. matricula n° 6.363, do Registro de Imóveis da Comarca de Mafra-SC) e, ainda, 230 hectares destinados à. compensação de reserva legal da Fazenda Rio Bonito (matriculas números 6.364 e 13.596, do Registro de Imóveis da Comarca de Mafi-a-SC). Somando-se o total de Areas destinadas à reserva legal e à preservação permanente localizadas nesta fazenda chega-se a Area muito maior que a acatada pela SRF, de 1.235 hectares/ 0 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.834 RESOLUÇÃO N° : 303-00.839 Demonstra por meio dos documentos em anexo que possui a área de reserva legal devidamente averbada, conforme a exigência do artigo 16, parágrafo 8°, do Código Florestal Brasileiro. A Fazenda Corredeiras possui 820 hectares destinados a reserva legal, dos quais 480,7 se referem a matricula desta mesma fazenda. Consta também do laudo que nesta fazenda existem mais duas areas destinadas a reserva florestal: 110 hectares destinados a. compensação da reserva legal da Fazenda Bituva Grande e 230 destinados a compensação da reserva legal da Fazenda Rio Bonito. S A localização das reservas legais das fazendas Bituva Grande e Rio Bonito na Fazenda Rio Corredeiras 6 procedimento permitido pela legislação ambiental brasileira, de acordo com o que determina expressamente o art. 44, item 2 e 3 parágrafo 4° do Código Florestal. A empresa inclusive já protocolou pedido na FATMA (Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina), documento anexo, para que a mesma verificasse que estão presentes os pressupostos exigidos pelo artigo 44, parágrafo 4° da MP e autorizasse o Cartório a proceder a averbação. A empresa respondeu que o pedido estaria em conformidade com o disposto na MP 1.956/54 que permite a compensação da reserva legal por area equivalente em importância ecológica e extensão. Porém, tal compensação estaria vinculada a critérios que deveriam ser estabelecidos em regulamento e, por isso, a empresa permanece no aguardo, estando impedida até o momento de averbar as reservas legais, que mantém intactas. Alega que, se a Lei 9.393/96 isentou as areas de preservação permanente e de reserva legal conforme disposto no artigo 10, parágrafo 1°, inciso II, não podem as areas, uma vez comprovada a sua existência e manutenção conforme as exigências legais, serem objeto de tributação. Se a isenção é declarada por lei, somente a lei pode passar a tributar a hipótese isenta. Transcreve jurisprudência. Finaliza solicitando seja dado provimento ao recurso voluntário. • t o relatório/vP • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.834 RESOLUÇÃO N° : 303-00.839 VOTO 0 recurso trata de matéria de competência deste Colegiado e está acompanhado da comprovação da realização do depósito recursal. Entretanto, faltam elementos para a avaliação do outro quesito de admissibilidade, a tempestividade. Não foi anexado o Aviso de Recebimento e a autoridade preparadora não se pronunciou sobre o assunto. A recorrente anexou cópia autenticada de envelope cujo remetente é a Agência da Receita Federal em Sao Bento do Sul-SC, no qual consta carimbo com data de 16/05/2001. Porém, não fica comprovado que o documento que ele continha era a Intimação da decisão singular. Como a data da intimação é 10/05/2001 não é possível deduzir que o recurso, apresentado em 13/06/2001, e tempestivo. Pelo exposto, voto pela realização de diligência para que a Repartição de Origem anexe o Aviso de Recebimento, se possível, manifestando-se quanto à tempestividade ou não da peça recursal. Sala das Sessões, em 16 de outubro de 2002 /ANELISE DAtDT PRIETO - Relatora • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES le, TERCEIRA CAMARA Processo n°: 10920.000963/00-21 Recurso n.°: 123.834 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 20 do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Camara, intimado a tomar ciência do Resolução n.° 303-00.839. Brasilia- DF, 02 de dezembro de 2002 it João an a / Costa Preside e da Terceira Camara •
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003679/97-93
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 303-00.806
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência a CAEX/CAMEX do Ministério do Desenvolvimento através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO DE ASSIS
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência a CAEX/CAMEX do Ministério do Desenvolvimento através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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