Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10074.000963/00-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS- IPI
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2000
MULTA. ARTIGO 463, INCISO I, DO RIPI/98. NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS RELATIVAS ÀS SAÍDAS DAS MERCADORIAS IMPORTADAS.
A mera ausência de apresentação das notas fiscais relativas às saídas de produtos importados do estabelecimento do contribuinte não acarreta a multa prevista no artigo 463, inciso I, do RIPI/98, sobretudo quando as importações daqueles produtos deu-se de forma regular.
Numero da decisão: 9303-001.859
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS- IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2000 MULTA. ARTIGO 463, INCISO I, DO RIPI/98. NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS RELATIVAS ÀS SAÍDAS DAS MERCADORIAS IMPORTADAS. A mera ausência de apresentação das notas fiscais relativas às saídas de produtos importados do estabelecimento do contribuinte não acarreta a multa prevista no artigo 463, inciso I, do RIPI/98, sobretudo quando as importações daqueles produtos deu-se de forma regular.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10074.000963/00-40
conteudo_id_s : 5209704
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.859
nome_arquivo_s : Decisao_100740009630040.pdf
nome_relator_s : Susy Gomes Hoffmann
nome_arquivo_pdf_s : 100740009630040_5209704.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
id : 4556273
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396230782976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10074.000963/0040 Recurso nº 126.578 Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.859 – 3ª Turma Sessão de 02 de fevereiro de 2012 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PR COLA EQUIPAMENTOS CIENTÍFICOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2000 MULTA. ARTIGO 463, INCISO I, DO RIPI/98. NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS RELATIVAS ÀS SAÍDAS DAS MERCADORIAS IMPORTADAS. A mera ausência de apresentação das notas fiscais relativas às saídas de produtos importados do estabelecimento do contribuinte não acarreta a multa prevista no artigo 463, inciso I, do RIPI/98, sobretudo quando as importações daqueles produtos deuse de forma regular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000963/0040 Acórdão n.º 9303001.859 CSRFT3 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. O contribuinte foi autuado com base nos seguintes fatos: 1. A interessada deu saída, sem destaque do IN, a produtos estrangeiros de sua importação, para as empresas Knoll Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda. e Petróleo Brasileiro S/A, como fazem prova as cópias das notas fiscais de fls. 1.413/1.590 e 1.591/1.838, respectivamente. Consubstanciouse, assim, a exigência de IPI no valor de 49.695,88 reais e de multa proporcional de 225%, acrescidos dos encargos moratórios. A multa foi agravada de 75% para 225%, com base nos arts. 80II da Lei n° 4.502/1964 e 46 da Lei n° 9.430/1996, por causa da não apresentação de documentos fiscais, pela interessada. Foi exigida isoladamente, a multa sobre o imposto não lançado, com cobertura de crédito, no valor de 36.430,04 reais, também resultante do percentual de 225%. 2. A interessada deu saída (de 1996 a 1999) e deu entrada (em 2000) em seu estabelecimento a produtos estrangeiros de sua importação, desacompanhados de notas fiscais, uma vez que, intimada três vezes a apresentálas, não o fez. A irregularidade acarretou a aplicação da multa do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964 (art. 4631 do RIPI1998), no valor de 6.887.819,69 reais. O valor das vendas sem nota fiscal foi apurado pela fiscalização, deduzindo, do total das vendas anuais, as vendas feitas às . empresas Knoll e Petrobrás que foram acompanhadas de nota fiscal. 3. A interessada creditouse do valor de IPI pago no desembaraço aduaneiro sem, contudo, escriturar o livro de registro de entradas e sem indicar, nas notas fiscais de entrada, a repartição que liberou a mercadoria e o número e a data do registro da declaração de importação (requisitos exigidos pelo art. 33811 do RI P1/1998). A glosa dos créditos básicos ensejou a exigência de IPI no valor de 82.810,84 reais e de multa proporcional de 75%, acrescidos dos encargos moratórios. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000963/0040 Acórdão n.º 9303001.859 CSRFT3 Fl. 3 3 O contribuinte apresentou impugnação às fls. 1889/1897 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2000 Ementa: FALTA DE LANÇAMENTO E PAGAMENTO. Comprovada a falta do destaque e do recolhimento do imposto nas notas fiscais de saída de mercadorias importadas pelo contribuinte, é de se exigir o imposto correspondente. MULTA PROPORCIONAL. O fato de o contribuinte não exibir seus documentos fiscais quando intimado, por si só, não caracteriza dolo e não enseja o agravamento da multa, previsto no art. 8011 da Lei n° 4.502/1964, mormente quando tal conduta encontra penalidade específica no art. 46 da Lei n° 9.430/1996. MULTA REGULAMENTAR. Não tendo o contribuinte provado haver emitido nota fiscal na saída de mercadoria estrangeira de seu estabelecimento, mesmo intimado reiteradamente, correta é a aplicação da penalidade do art. 4631 do RIPI/1998 CRÉDITO BÁSICO. Descabe a glosa do crédito relativo ao imposto pago no desembaraço aduaneiro, se os elementos contidos nos autos demonstram que as mercadorias vendidas foram regularmente importadas pelo contribuinte e houve pagamento do imposto, em respeito ao princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que as notas fiscais de entrada não atendam a requisitos estabelecidos em Regulamento. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 2757/ A antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte (fls. 2805/2816). Eis a ementa do julgado: IPI. MULTA. RIPI/98, ART. 463, I. RIPI/82, ART. 365, I. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÃO IRREGULAR. Para se configurar a infração prevista no art. 463, I, do RIPI/98, equivalente ao art. 365, I, do RIPI/82, há necessidade de a fiscalização comprovar importação irregular ou fraudulenta, não bastando a demonstração de saída de produto estrangeiro desacompanhado de nota fiscal. Recurso provido. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000963/0040 Acórdão n.º 9303001.859 CSRFT3 Fl. 4 4 Entendeuse, no acórdão recorrido, que a mera entrada ou saída de mercadorias estrangeiras, sem a emissão das respectivas notas fiscais não constitui fundamentação suficiente para a imposição da multa prevista no artigo 463, inciso I, do RIPI/98, sendo imprescindível, para tanto, a comprovação de que a importação deuse de forma irregular ou fraudulenta, o que não ocorreu na hipótese, conforme os seguintes termos: “Todavia, a conclusão a que chegou a, fiscalização e a primeira instância, no tocante à aplicação da multa regulamentar estatuída no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64, supedâneo legal do 463, I do RIPI/98 e do art. 365, I do RIPI/82, apresentase em desacordo com a interpretação majoritária deste Segundo Conselho de Contribuintes, que é pela necessidade de comprovação irregular ou fraudulenta da importação, para que possa ser aplicada a penalidade em questão. No caso dos autos não restou caracterizada a importação irregular ou fraudulenta, até porque a fiscalização não diligenciou neste sentido, já que interpretou diferentemente.” A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência (fls. 2818/2825), com base em divergência jurisprudencial. Sustenta a aplicabilidade da multa prevista no artigo 463, inciso I, do RIPI aprovado pelo Decreto n° 2.637/98. Expôs que o fundamento da aplicação da multa encontrase previsto na letra “c” do “Termo de Descrição dos Fatos e das Infrações anexo ao Auto de Infração”. Salientou que o objeto social da empresa contribuinte é o seguinte: “o comércio, a importação e a exportação de equipamentos, instrumentação e acessórios científicos”. Argumentou que a sua atividade de comercialização de mercadorias estrangeiras já lhe equipara a indústria para efeito da obrigatoriedade de recolher IPI. Contrapondose aos fundamentos do acórdão recorrido, a recorrente trouxe as seguintes alegações: Discordase respeitosamente de tal conclusão, que deu provimento integral ao recurso da interessada, tendo em vista que: a) a empresa dificultou e não forneceu as diversas informações requisitadas pela fiscalização, inclusive para apresentação das notas fiscais de saída da mercadoria do seu estabelecimento, como consta das colocações do i. Relator, em conseqüência do que essa apuração foi feita dentro do possível, pelas notas fiscais de entrada e registros do SISCOMEX, conforme descrição inserida nos n°s 54 a 74, da alínea "C", concernente à aplicação da multa do artigo 463, por infringência do seu inciso I, do RIPI/98, (Lei 4.502/64), fls.147 a 151 dos autos; b) o provimento integral e não parcial do recurso, vale como prêmio à desídia da empresa em dificultar a fiscalização, como ficou registrado nos autos; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000963/0040 Acórdão n.º 9303001.859 CSRFT3 Fl. 5 5 c) a aplicação de penalidade mais branda, em atendimento ao Regulamento do IPI, aprovado posteriormente à ocorrência desta infração, caso do § 2° do art. 490 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26/12/2002, não tem cabimento, porque tem efeito de atenuante, inadmissível para contribuinte que dificultou a ação fiscal, não apresentando as notas fiscais de saída (venda) das mercadorias estrangeiras. Sob estes argumentos, a recorrente postulou o provimento do recurso especial, “para o fim de considerar a multa do artigo 83, I, da Lei n° 4.502/64, então regulamentada pelo Decreto n° 2.637/98, art. 463, I, aplicáveis ao montante de IPI apurado, vez que a interessada não apresentou a documentação comprobatória (notas fiscais) das saídas regulares da mercadoria estrangeira negociada, referente ao período fiscalizado, que pudesse diferenciar das irregulares que poderiam compor a base de cálculo da infração”. O contribuinte não apresentou contrarrazões. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. O dissídio jurisprudencial que deve ser dirimido concerne à interpretação que se deve dar ao artigo 463, inciso I, do Decreto n° 2.637/98, que tem a seguinte redação: "Art. 463 — Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n° 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n° 400, de 1968, art. 1°, alteração 2a): 1— os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal conforme o caso (Lei n° 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n° 400, de 1968, art. 1°, alteração 2°) No acórdão recorrido, fixouse o entendimento, por unanimidade de votos, no sentido de que a mera ausência de notas fiscais correspondentes à entrada ou saída de mercadorias estrangeiras, não enseja a incidência do dispositivo transcrito, se a fiscalização não diligenciou no sentido de comprovar o efetivo caráter irregular ou fraudulento da importação. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000963/0040 Acórdão n.º 9303001.859 CSRFT3 Fl. 6 6 No primeiro acórdão paradigma, a seu turno, fundamentouse a aplicação da multa tendo em vista que: “Especificamente em relação à multa ora infligida, alegou a recorrente que possui a documentação comprobatória da aquisição das mercadorias no mercado interno. Entretanto, conquanto intimada pela fiscalização às fls. 214 e 215, a empresa não apresentou a totalidade dos documentos e nem justificou a impossibilidade de fazêlo. Não se olvide que os documentos que foram apresentados foram levados em conta pelo Fisco na elaboração dos demonstrativos de apuração da multa que constam dos autos.” No segundo acórdão paradigma, por outro lado, entendeuse que a imposição da multa prevista no artigo 365, inciso I, do RIPI/82, não se condicionava à comprovação da irregular importação, sendo suficiente a entrega a consumo de produto de procedência estrangeira, desacompanhado da nota fiscal correspondente. A divergência jurisprudencial, desta forma, em princípio, concerne à suficiência, ou não, para a imposição da multa prevista no artigo 463, inciso I, do RIPI/98, da ausência de nota fiscal referente à saída dos produtos importados do estabelecimento do contribuinte. No acórdão recorrido, estabeleceuse que, independentemente da ausência da nota fiscal, fazse imprescindível a comprovação, por parte da Fiscalização, da anterior importação fraudulenta ou irregular, o que não ocorreu no presente caso. Cumpre tecer, primeiramente, algumas considerações. Em primeiro lugar, as importações em questão acabaram por ser constatadas pela Fiscalização como regular, conforme se depreende da expressa exposição no acórdão da DRJ: “A fiscalização constatou, através de pesquisa aos registros de importações do sistema SISCOMEX e de notas fiscais de entrada (fls. 135/151) que a interessada importava mercadorias estrangeiras e revendia no mercado nacional”. O contribuinte, na sua impugnação, expôs o seguinte: 4.1. Declaram os Ss. Fiscais Autuantes: a) Que a impugnante não apresentou qualquer Nota Fiscal de Saída de mercadorias referente aos anos de 1998 e 1999; b) Que a Impugnante na DIPf, ano calendário de 1998, informa que não efetuou compras de mercadorias naquele ano; c) Que a pesquisa no LINCE/FISC demonstrou que, em 1998, a impugnante adquiriu mercadorias estrangeiras no valor de R$ 457.564,00; d) Que na DIPJ, ano calendário 1999, é informado que a Impugnante não realizou nenhuma operação com o exterior e Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000963/0040 Acórdão n.º 9303001.859 CSRFT3 Fl. 7 7 que em pesquisas no LINCE/FISC, no entanto, é demonstrado que no ano de 1999 foram adquiridas mercadorias estrangeiras no valor de R$ 332.196,00; 4.2. Sobre o acima declarado, cabe esclarecer: a) Não só dos anoscalendário de 1998 e 1999 deixaram de ser apresentadas notas fiscais, mas, de todos os anos, todavia, as vendas foram todas registradas como comprovam os Livros de Saídas entregues à fiscalização (por ela retidos), e o Livro Diário da impugnante, sem o que a Fiscalização não teria como apurar o valor das vendas, logo, não foram subtraídos aos Srs. Fiscais Autuantes os meios para calcular o recolhimento ou não dos tributos devidos. Dessa forma, o procedimento adotado para calcular tributo, subtraindo do total das vendas naquele ano, somente as notas fiscais obtidas, por cópias com a Knoll e a Petrobrás, evidentemente, não se constitui em procedimento adequado e, ainda, desconsiderando o imposto já pago, o que se , "bi idem". O fato da Impugnante na DIPJ do anocalendário 1998 não ter informado, ou corretamente, ter deixado em branco as informações sobre as operações com o exterior, é omissão que se não pode levar ao caminho pretendido pela Fiscalização, uma vez que, não adquirindo a Impugnante mercadorias no mercado interno, não poderia registrar as vultosas vendas, como o fez registrar no referido documento, não tivesse ela procedido a importações, o que está sobejamente comprovado nos registros do SISCOMEX. Assim, não se pode, diminuindo das vendas, nos anos de 1998 e 1999, as operações feitas pela Impugnante junto a Petrobrás e Knoll, considerar as diferenças como entradas clandestinas de importações mormente para os efeitos do art. 463 do RIPI/98, pois tal multa é aplicável, quando se procede a não emissão de nota fiscal de saída. Nesse caso a receita é omitida, implicando em sonegação, o que não ocorreu no caso em foco, pois a impugnante indicou à Fiscalização a receita de todas as saídas de produtos que efetivou, ressaltandose a não ocorrência dos pressupostos nos incisos I e Il do artigo citado. Temse, portanto, que o contribuinte, não obstante reconhecendo a ausência de entrega das notas fiscais, asseverou que as vendas das mercadorias importadas restou comprovada por intermédio dos registros efetuados nos Livros de Saídas entregues à fiscalização, bem como pelo Livro Diário. Por outro lado, temse que a Fiscalização constatou a importação das mercadorias por parte do contribuinte por meio dos registros de importações presentes no sistema SISCOMEX e das notas fiscais de entrada. Os tributos correspondentes foram devidamente recolhidos. O artigo 463, inciso I, do RIPI/98 estabelecia, como hipótese para a aplicação da multa respectiva, que a mercadoria tenha “dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal conforme o caso”. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000963/0040 Acórdão n.º 9303001.859 CSRFT3 Fl. 8 8 Desta forma, no presente caso, além de haver, no que tange às mercadorias importadas, registro no SISCOMEX, as sua saídas restaram comprovadas pelos registros nos Livros de Saída e Diário. De outro modo, a interpretação fixada no acórdão recorrida é de ser reputada como a mais correta. Com efeito, se, para além de não se comprovar que a importação das mercadorias deuse de forma irregular, depreenderse dos autos, pelo contrário, que houve mesmo incontroversa no sentido de que a importação ocorrera regularmente, com o recolhimento dos respectivos tributos, não se sustenta a aplicação da multa prevista no artigo 463, inciso I, do RIPI/98. A mera ausência de notas fiscais não pode preponderar sobre a constatação da regular importação, do pagamento dos respectivos tributos, quanto mais quando a fiscalização não contesta tais importações. Neste sentido, os seguintes julgados, citados no acórdão recorrido: "IPI MULTA ISOLADA PIPI/82 ART. 365, I O elemento nuclear da infração é a importação clandestina, irregular ou fraudulenta de produtos de procedência estrangeira, daí que não tipifica a infração em relação à mercadoria constante de Declaração de Importação registrada junto à repartição aduaneira. Recurso provido." (Acórdão n° 20213.944, Recurso n° 113.631, Relator Antônio Carlos Bueno Ribeiro, sessão de 09/07/2002, unanimidade). "IPI. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPORTAÇÃO IRREGULAR. Para se configurar a infração prevista no art. 463, I, do RIPI/98, há necessidade de a fiscalização comprovar a importação irregular ou fraudulenta, não bastando a existência de indícios representados por aquisições a empresas supostamente fraudadoras ou desprovidas de capacidade operacional para realizar importações." Recurso de oficio negado. (Acórdão n° 20309.658, Recurso de Oficio n° 124.416, sessão de 06/07/2004, unanimidade). Assim, não existe razão para aplicação da multa, pois que não houve a lesão que se visa proteger por parte do dispositivo em questão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10074.000963/0040 Acórdão n.º 9303001.859 CSRFT3 Fl. 9 9 Sala das Sessões, em 02 de fevereiro de 2012 02 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 9DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002263/2010-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2009
LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. PAGAMENTOS A DIRIGENTES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONFIGURAÇÃO
Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados aos dirigentes não se amolda ao previsto no art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00, configurando-se como salário de contribuição.
PLANO DE SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO À SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA.
Os valores relativos aos pagamentos de planos de saúde dos dependentes dos segurados configura salário de contribuição, sujeitando-se às contribuições sociais pertinentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2009 LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. PAGAMENTOS A DIRIGENTES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONFIGURAÇÃO Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados aos dirigentes não se amolda ao previsto no art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00, configurando-se como salário de contribuição. PLANO DE SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO À SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA. Os valores relativos aos pagamentos de planos de saúde dos dependentes dos segurados configura salário de contribuição, sujeitando-se às contribuições sociais pertinentes. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.002263/2010-40
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199810
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.099
nome_arquivo_s : Decisao_11516002263201040.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11516002263201040_5199810.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4538199
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396243365888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.002263/201040 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.099 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente DÍGITRO TECNOLOGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2009 LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. PAGAMENTOS A DIRIGENTES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONFIGURAÇÃO Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados aos dirigentes não se amolda ao previsto no art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00, configurandose como salário de contribuição. PLANO DE SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO À SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA. Os valores relativos aos pagamentos de planos de saúde dos dependentes dos segurados configura salário de contribuição, sujeitandose às contribuições sociais pertinentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 22 63 /2 01 0- 40 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002263/201040 Acórdão n.º 2803002.099 S2TE03 Fl. 3 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002263/201040 Acórdão n.º 2803002.099 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de planos de saúde pagos aos dependentes dos empregados e Participação nos Lucros pagos aos sócios, considerados como salário de contribuição. O r. acórdão – fls 663 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto de infração lavrado em razão da exclusão das competências 01/2005 a 06/2005 em razão da decadência considerada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A decisão recorrida considera que a extensão do plano de saúde aos dependentes cabe nos estritos limites da 'isenção' prevista no art. 28, §9°, 'q' da Lei 8.212 e que, por se tratar de benefício (utilidade), deve integrar o salário de contribuição. O raciocínio merece reforma. A uma, porque parece impossível estabelecer um conceito de salário utilidade ou indireto para efeito trabalhista e outro para efeito tributário, estabelecendo assim tratamento diverso para o mesmo fato jurídico. A duas, porque o art. 28, §9°, 'q' da Lei 8.212 não trata de isenção fiscal a ser interpretada restritivamente. · A hipótese do §9° do art. 28 da Lei 8.212 não prevê a exclusão do crédito tributário pela inexigibilidade da contribuição. Absolutamente. A declaração da lei de que "não integram o salário de contribuição" repercute sobre a hipótese de incidência do tributo que deixa de existir e não apenas de ser exigível. · Podese afirmar que a 'isenção' se aplica ao valor da assistência médica conveniada, não existindo na literalidade Lei nenhuma limitação da isenção ao valor do plano do empregado ou dirigente ou exclusão do valor dos dependentes. · A decisão recorrida afirma que a Constituição assegura aos empregados o direito à participação nos lucros e resultados e que esse direito não seria extensivo aos sócios (ainda que diretores da empresa). A interpretação, mais uma vez, desnatura o texto legal. Isto porque a Constituição confere direitos ao trabalhador (não necessariamente do tr balhador com vínculo de emprego) e a Lei 8.212 exclui a participação nos lucros ou resultados da base de cálculo do salário de contribuição (sem fazer qualquer distinção entre o trabalhador empregado e o trabalhador' autônomo), desde que cumpridos os requisitos da Lei 10.101. · Na verdade, o único dispositivo que procura restringir o efeito da exclusão é o Decreto n° 3.048/1999 que se refere "a participação do Fl. 694DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002263/201040 Acórdão n.º 2803002.099 S2TE03 Fl. 5 4 empregado". Ora, é evidente que o Regulamento não pode impor restrição (vínculo de emprego) não prevista na Constituição ou na legislação ordinária (Lei 8.212 e Lei 10.101). · Requer o provimento do recurso para anular o auto de infração.. É o relatório. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002263/201040 Acórdão n.º 2803002.099 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS A lei 10.101/00 veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI, referente à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. Complementando, a lei 8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição. Constituição Federal: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; A lei 8.212/91 informa: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; O art. 2º da lei 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, assim traz: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002263/201040 Acórdão n.º 2803002.099 S2TE03 Fl. 7 6 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) O arcabouço normativo citado traz as linhas gerais que devem ser obedecidas pelas empresas quando da implementação de participações nos resultados ou lucros. Não cabe, na esfera administrativa, dar a lei sentido diverso do que estatuído pelo legislador. O Min Luiz Fux, relator do REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010), transcreve excerto do acórdão hostilizado que resume o que se espera dos planos de participação. "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados Dessa feita, tenho como correta a r.decisão, uma vez que descabe se falar em Plano de Participação nos Lucros aos dirigentes da empresa, em razão da falta de previsão legal para tanto. DO PAGAMENTO DOS PLANOS DE SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS Tratase a decidir se a legislação em regência determina que a assistência médica oferecida aos dependentes dos empregados se configura ou não como salário de contribuição. Vejamos a legislação que trata o tema: Lei 8 212/1991 An 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos o creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 697DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002263/201040 Acórdão n.º 2803002.099 S2TE03 Fl. 8 7 coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n' 9.528, de 10/12/97) ... §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) ... q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei n • 9.528, de 10/12197) No caso presente, temos que o pagamento de planos de saúde dos dependentes dos empregados não se encontra albergado na exceção legal, configurandose como salário de contribuição. Os referidos pagamentos a desdúvida representam benefício financeiro aos segurados, os quais não necessitam de efetuar desembolsos para a cobertura de seus dependentes e são pagos em razão do vínculo empregatício existente, amoldandose no conceito trazido no art. 28,I da lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.002263/201040 Acórdão n.º 2803002.099 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007773/2001-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF E STJ NO RITO DOS ART. 543-B E 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
PRAZO. RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Em consequência de decisões proferida pelo STF (RE 566.621)e STJ (1002932- SP) deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ decidida em Recurso Repetitivo transitada em julgado, no sentido de que o prazo de repetição de indébito de tributos sujeitos à homologação, para os pedidos efetuados até 08/06/2005, é de 5(cinco) anos, a contar da homologação tácita ou expressa; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
ANÁLISE DE MÉRITO.
A legitimidade do pleito da recorrente, e o valor do crédito devem ser decididos pela autoridade da Receita Federal do Brasil competente, a quem compete conferir liquidez e certeza ao crédito a restituir.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF E STJ NO RITO DOS ART. 543-B E 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. PRAZO. RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em consequência de decisões proferida pelo STF (RE 566.621)e STJ (1002932- SP) deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ decidida em Recurso Repetitivo transitada em julgado, no sentido de que o prazo de repetição de indébito de tributos sujeitos à homologação, para os pedidos efetuados até 08/06/2005, é de 5(cinco) anos, a contar da homologação tácita ou expressa; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. ANÁLISE DE MÉRITO. A legitimidade do pleito da recorrente, e o valor do crédito devem ser decididos pela autoridade da Receita Federal do Brasil competente, a quem compete conferir liquidez e certeza ao crédito a restituir. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10830.007773/2001-97
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199850
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.780
nome_arquivo_s : Decisao_10830007773200197.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
nome_arquivo_pdf_s : 10830007773200197_5199850.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4538239
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396249657344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 102 1 101 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007773/200197 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.780 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2012 Matéria PIS RESTITUIÇÃO. PRAZO. Recorrente ASGA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF E STJ NO RITO DOS ART. 543B E 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. PRAZO. RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em consequência de decisões proferida pelo STF (RE 566.621)e STJ (1002932 SP) deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ decidida em Recurso Repetitivo transitada em julgado, no sentido de que o prazo de repetição de indébito de tributos sujeitos à homologação, para os pedidos efetuados até 08/06/2005, é de 5(cinco) anos, a contar da homologação tácita ou expressa; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. ANÁLISE DE MÉRITO. A legitimidade do pleito da recorrente, e o valor do crédito devem ser decididos pela autoridade da Receita Federal do Brasil competente, a quem compete conferir liquidez e certeza ao crédito a restituir. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 77 73 /2 00 1- 97 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS, requerido pela empresa ASGA S.A. em 05/12/2001, conforme protocolo de fl. 01, referente a importâncias relativas aos períodos de apuração compreendidos entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 (código 8109) e que no entendimento da contribuinte foram recolhidas indevidamente, face à decretação, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade do art. 15 da Medida Provisória n° 1.212/95, cujo texto foi repetido no art. 18 da Lei n° 9.715/98, bem como diante do reconhecimento de tal circunstância pela Secretaria da Receita Federal, através da IN/SRF número 6, de 19 de janeiro de 2000 e, em conseqüência, neste interregno em pauta o PIS teve como matriz a Lei Complementar n° 7/1970. A Requerente afirma ter o direito de reaver as importâncias indevidamente pagas a titulo de PIS, relativamente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, acrescidas das importâncias correspondentes à correção monetária, nos moldes previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSMCOSAR nº 08, de 27 de junho de 1997, aplicando se, a partir de 01.01.1996, os juros SELIC, na forma prevista no artigo 39, parágrafo 4°, da Lei número 9.250/95. Verificase que a contribuinte postula genericamente pela compensação (fl.30), mas que não há apresentação de débitos a compensar utilizando o crédito supostamente existente em seu pedido por meio deste processo através de declarações de compensação eletrônicas. A DRF em Campinas/SP não reconhece o direito creditório reclamado no montante de R$ 19.261,17 (atualizado, conforme alegação da contribuinte, até novembro de 2001) e, consequentemente, indefere o pedido de restituição de fl. 1, sob o argumento de que se esgotara o prazo para pleitear a restituição, conforme despacho decisório e relatório de fls. 58/60, deixando de analisar o mérito do pedido. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 3 Cientificada do indeferimento de seu pleito em 03/01/2007 (fl. 58), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 02/02/2007 (fls. 59/71), na qual alega: • conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito de restituição de recolhimento indevido; • as inovações trazidas pela Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, por pacifica exegese do STJ, não são aplicáveis as demandas anteriores a sua vigência. A DRJ em Campinas/SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0519.077 – 1ª Turma da DRJ/CPS, de 30 de agosto de 2007, cuja ementa abaixo transcrevese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP. Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento.” Por meio do Comunicado SEORT/DRF/CPS/ 651/2008 (fl.84) a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 26/05/2008, conforme AR de fl. 85, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 23/06/2008, com o recurso voluntário de fls. 86/99, no qual repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade no sentido de demonstrar que as inovações trazidas pela Lei Complementar 118/2005, por pacifica exegese do Superior Tribunal de Justiça e deste Conselho, não são aplicáveis às demandas anteriores à sua vigência, conforme se verifica no caso dos autos, afigurandose inegável que o prazo de cinco anos estabelecido pelo inciso I do artigo 168 do CTN somente começa a fluir com a extinção definitiva do crédito tributário, sendo certo que, nos termos do artigo 156, inciso VII, também do CTN, a extinção definitiva do crédito tributário, in casu, somente se verifica pela homologação do pagamento antecipado, conforme estabelecido pelos parágrafos 10 e 40 artigo 150, do mesmo diploma legal. Ao final, requer a recorrente seja “recebido e dado total provimento ao presente recurso voluntário, reformandose integralmente o acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, nos autos deste processo administrativo n° 10830.007773/2001 97, para afastar a decadência alegada e finalmente reconhecerlhe o direito de restituição integral dos valores referentes à contribuição para o PIS, recolhidos no período entre 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, nos termos exigidos pela Medida Provisória 1.212/1995 e artigo 18 da Lei n°. 9.715/1998, os quais devem ser devidamente corrigidos, até a data da efetiva restituição/compensação, com base nas disposições contidas na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR número 08, de 27 de junho de 1997, sem prejuízo quanto à aplicação do disposto no artigo 39, parágrafo 4° da Lei número 9.250/95, como medida que represente a mais perfeita e necessária JUSTIÇA TRIBUTARIA!” Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. O cerne da questão diz respeito ao prazo para requerer a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos indevidamente ou a maior, haja vista o entendimento da RFB, por meio de suas DRF e DRJ, de que o prazo para requerer a restituição é de 05 (cinco) anos, contados da data do pagamento antecipado tido como indevido. Em consequência desse entendimento, a contribuinte teve o seu pleito indeferido em razão do transcurso do prazo para pleitear a restituição e a RFB não analisou o mérito do pedido de restituição da recorrente. A contribuinte, então, apresenta recurso voluntário, combatendo os fundamentos da decisão recorrida, consoante consta do relatório acima e alegando razões de mérito que não foram objeto de decisão por parte da RFB, motivo pelo o qual, não se pode, nesta instância, apreciar as razões de mérito. Desconheço, portanto, tais argumentos da Recorrente. Passase, portanto, a analisar o objeto do litígio, qual seja, o prazo para a recorrente pleitear restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos indevidamente ou em valor superior ao devido. Sabese que esta sempre foi uma questão controvertida motivo pelo o qual, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o próprio legislador, na tentativa de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: “Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional.” Entretanto, no julgamento do RE n.º 566.621/RS (Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11/10/2011), submetido ao regime da repercussão geral, o e. Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/05, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, nos termos da seguinte ementa: "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 5 Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido." Não obstante o STF não ter, no julgamento do RE 566.621, prolatado juízo de valor acerca do prazo para requerer restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, posto reconhecer ser do Superior Tribunal de Justiça a competência para dar a interpretação definitiva da legislação federal, nos termos do art. 105, III, da Constituição de 1988, ressaltou em seus fundamentos para decidir a natureza modificativa da LC 118/2005, que aquele Tribunal já havia firmado posição consolidada de que o prazo de repetição ou compensação de indébito nos caso de pagamento indevidos ou maior de tributos sujeitos a lançamento por homologação seria, na prática, de 10 (dez) anos, contados do fato gerador, no caso de homologação tácita. De fato, há inúmeros julgados do STJ que demonstram a jurisprudência pacificada nesse sentido, inclusive em Recursos Repetitivos já transitados em julgados, a exemplo do Recurso Especial nº 1002932 SP (2007/0260019), publicado em 18/12/2009 (anterior ao julgamento do RE 566.621 do STF) e transitado em julgado em 28/05/2012, que teve como relator o ministro Luiz Fux, cuja ementa abaixo se transcreve, no que interessa à presente lide: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. (...); 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 7 contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecidona lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. (...); 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Em consequência da decisão do STF proferida no RE 566.621 e da decisão do STJ proferida no Recurso Especial nº 1002932 SP (2007/0260019) resta obrigatória a observância das disposições sobre prescrição nelas contidas e expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 08/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador, quando da homologação tácita; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso dos autos, não ocorreu homologação expressa de pagamento e o pedido inicial de restituição foi formalizado em 05/12/2001 pela contribuinte (fls. 01) e os alegados recolhimentos indevidos ou a maior referemse ao PIS dos fatos geradores ocorridos entre 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, efetuados nos devidos vencimentos, portanto, até 15/03/1996, conforme documentos comprobatórios de recolhimento anexos às fls. 04 a 07, devendose, então, considerandose o prazo de 10 anos estipulado pelo STJ para os pedidos formulados até 09/06/2005, concluir pela não ocorrência da prescrição do direito da Recorrente de pleitear a restituição em relação ao período solicitado, porque a homologação tácita mais remota de pagamento efetuado, objeto do pedido de restituição, ocorreu em 31/10/2000 (artigo 150, § 4º, do CTN), momento a partir do qual teria mais cinco anos para requerer a restituição que ultimaria em 31/10/2005. O reconhecimento do direito de pleitear a restituição não implica em reconhecimento do crédito a restituir pleiteado. A legitimidade do pleito da recorrente, e o valor do crédito devem ser decididos pela autoridade da Receita Federal do Brasil competente, a quem compete conferir liquidez e certeza ao crédito a restituir. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Esclareçase que a decisão da autoridade da Receita Federal do Brasil que julgar o mérito do pedido da Recorrente é passível de contestação, na forma do Decreto nº 70.235/72. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição objeto deste processo, devendo a autoridade competente da RFB julgar o mérito do pedido da recorrente. (assinado eletronicamente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000154/2004-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA.
As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina).
CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação e quanto à tomada do crédito sobre o custo do serviço de remoção da lama vermelha. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan, quanto ao serviço de remoção de lama vermelha. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões quanto à questão das variações cambiais, pois à época da apuração do crédito as receitas financeiras estavam sujeitas à alíquota zero, nos termos do Decreto nº 5.164, de 30/07/2004.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. Recurso Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13204.000154/2004-99
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5210184
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.977
nome_arquivo_s : Decisao_13204000154200499.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13204000154200499_5210184.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação e quanto à tomada do crédito sobre o custo do serviço de remoção da lama vermelha. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan, quanto ao serviço de remoção de lama vermelha. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões quanto à questão das variações cambiais, pois à época da apuração do crédito as receitas financeiras estavam sujeitas à alíquota zero, nos termos do Decreto nº 5.164, de 30/07/2004. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4556766
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396279017472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 5 1 4 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13204.000154/200499 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.977 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO DE PIS Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 54 /2 00 4- 99 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação e quanto à tomada do crédito sobre o custo do serviço de remoção da lama vermelha. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan, quanto ao serviço de remoção de lama vermelha. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões quanto à questão das variações cambiais, pois à época da apuração do crédito as receitas financeiras estavam sujeitas à alíquota zero, nos termos do Decreto nº 5.164, de 30/07/2004. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito do PIS nãocumulativo, protocolado em 22 de dezembro 2004, cumulado com as declarações de compensação anexadas aos autos. Por meio do despacho decisório exarado em 17/10/2008, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologada parcialmente a compensação declarada. Conforme se depreende do Relatório de Diligência e do Parecer SEORT, que lastreou o despacho da autoridade administrativa, a fiscalização efetuou os seguintes ajustes no crédito apurado pelo contribuinte: a) Glosa de IPI recuperável (art. 66, § 3.°, da IN SRF n.° 247/2002), incluído indevidamente na base de cálculo dos créditos, como parte integrante do valor de aquisição dos bens (item 2 do Relatório de Diligência Fiscal); Fl. 289DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 3403001.977 S3C4T3 Fl. 6 3 b) Glosa de despesas de serviços de transporte de "lama vermelha" e "manutenção de refratários", conforme art. 66, § 5.°, I, "b", da IN SRF n.° 247/2002 e art. 346, § 2.°, do RIR/99 (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); c) Ajustes de base de cálculo de créditos que haviam sido computados por valores superiores aos constantes em memória de cálculo disponibilizada pelo contribuinte (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); d) Ajustes nos créditos referentes às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, retificados pela fiscalização com base nos percentuais aplicáveis aos mercados interno e externo (51% e 49%, respectivamente); (item 4 do Relatório de Diligência Fiscal) f) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de receitas financeiras, atinentes a transações realizadas com o exterior e com pessoa jurídica domiciliada no Brasil, tendo em vista o disposto no art. 10 da IN SRF n.° 247/2002 (item 5 do relatório de Diligência Fiscal); g) No mês de dezembro de 2004 foi retificado o crédito presumido da Cofins relativo ao estoque de abertura, obedecendose à regra de sua utilização, na proporção de 1/12, nos termos do art. 11, § 2.°, da Lei n.° 10.637/2002 e art. 12, § 2.°, da Lei n.° 10.833/2003 (item 6 do relatório de Diligência Fiscal); h) Alteração dos "ajustes positivos de créditos", em conformidade com os valores apontados em memória de cálculo disponibilizada pelo contribuinte (item 7 do relatório de Diligência Fiscal); i) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de despesas financeiras decorrentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que haviam sido indevidamente subtraídas das receitas financeiras (item 8 do relatório de Diligência Fiscal); j) Inclusão, na base cálculo do PIS/Cofins, do crédito presumido de IPI, na modalidade de ressarcimento de PIS e de Cofins incidentes nas aquisições no mercado interno de insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação (item 9 do relatório de Diligência Fiscal); k) Ajustes visando a desconsideração dos débitos em contas de receitas, em função de mudanças de preços de produtos vendidos no mercado interno, devido a sua fixação em moeda estrangeira e/ou a desvios de características físicoquímicas, vez que se trata de despesas financeiras não decorrentes de empréstimos/financiamentos obtidos de pessoas jurídicas (item 10 do relatório de Diligência Fiscal). Regularmente notificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) é inconstitucional incluir os ganhos de variação cambial em empréstimos contraídos no exterior nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois o STF declarou inconstitucional o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Assim, não há que se admitir, para fins de composição da base de cálculo, que os ajustes contábeis relativos às perdas de operação de hedge (conta 4303), bem como nas transações das contas 430402 – VC –Cliente no exterior; 430405 – VC Mat. Aquis. Ext; 430423 – VC Itabira Rio Doce Co. Ltd.; 430427 – VC Hdro Aluminium AS; 430474 – Geral Metais S/A e 430478 – VC SWAP CDI/US$ apenas quando refletirem ganho devam ser considerados no lançamento da obrigação de recolher aquele tributo; c) é equivocado o entendimento da fiscalização quanto ao conceito de “insumos”, pois o PN CST nº 65/79 estabelece que a expressão “consumidos” no processo produtivo deve ser entendida em sentido amplo. Todos os produtos que forem Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 empregados no processo de industrialização e não diretamente aplicados no produto final, são idôneos à geração de créditos. Assim, tanto a lama vermelha, quanto o material refratário participam e são essenciais à produção da alumina, não havendo relevância alguma o fato de terem ou não contato físico com o produto em fabricação; e) requereu o acolhimento de suas razões para o fim de desconstituição das glosas e protestou pela produção de prova pericial. A DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi considerada não impugnada a matéria em relação à qual não houve contestação e considerado não formulado o pedido de perícia. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, ficou decidido que no regime nãocumulativo a base de cálculo é a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Quanto aos insumos, ficou decidido que só geram direito a crédito insumos aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Quanto aos serviços, foi decidido que embora não haja a exigência de ação direta, é necessário para a geração do crédito que os serviços sejam aplicados ou consumidos diretamente na linha de produção do bem destinado à venda. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 04/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/05/2012, no qual alegou em síntese: a) inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, conforme decisão do STF no RE 346.084PR, que declarou inconstitucional o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Essa declaração de inconstitucionalidade tem impacto no julgamento deste recurso voluntário, pois retira o fundamento de validade da exigência; b) o STJ tem inúmeros julgados no sentido de determinar a incidência sobre a variação final apurada na liquidação da operação de empréstimo e também no sentido da não incidência por força do art. 149, § 2º, I da CF/88; c) o regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins considera insumo todos os elementos imprescindíveis para a produção de mercadorias ou para a prestação de serviços; d) disse que o art. 6º §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03 autoriza, no caso de exportação, a tomada do crédito em relação a todos os custos e despesas que sejam vinculados à receita de exportação e não apenas aos insumos usados na produção da alumina; e) os gastos com serviços de transporte de lama vermelha devem gerar crédito da contribuição porque se tratam de rejeitos decorrentes do processo industrial da alumina exportada pela recorrente; f) quanto às glosas de créditos decorrentes da aquisição de bens do ativo imobilizado, alegou que as soluções de consulta exaradas pela Superintendência da 8ª Região reconheceram o direito à tomada do crédito em relação a bens empregados na manutenção de máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção de bens destinados à venda; g) a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5988/2006 criaram a opção de o contribuinte tomar o crédito sobre 1/12 em relação ao custo de aquisição dos equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas Exportadoras; h) não ocorrência de matérias não impugnadas, pois uma vez acolhidas as razões recursais relativas ao mérito, as alterações perpetradas pela fiscalização seriam irrelevantes; i) insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa; j) requereu o acolhimento do recurso voluntário para o fim de desconstituir as glosas do despacho decisório, possibilitando o aproveitamento integral do valor do crédito constante da declaração de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 3403001.977 S3C4T3 Fl. 7 5 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O cotejo do relatório de diligência fiscal com a impugnação revela que o contribuinte deixou de manifestar sua inconformidade em relação a vários ajustes efetuados pela fiscalização. Entende o contribuinte que o provimento deste recurso “tornará irrelevantes” os demais ajustes efetuados. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação (ou no caso, a manifestação de inconformidade), deve ser específica e vir acompanhada dos documentos hábeis à comprovação das alegações de defesa. E o art. 17, do mesmo diploma, estabelece que se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Sendo assim, ao contrário do que entende o contribuinte, os ajustes efetuados pela fiscalização na apuração do crédito que não foram expressamente contestados, tornaram se definitivos na esfera administrativa e não poderão ser revertidos por este colegiado. O litígio só foi instaurado quanto à base de cálculo das contribuições e quanto às glosas dos serviços de remoção de rejeitos industriais e manutenção de refratários. As questões eventualmente levantadas no recurso voluntário que não foram objeto de glosa ou que não foram objeto de contestação específica na manifestação de inconformidade serão desconsideradas neste voto. Relativamente à questão das receitas financeiras, no item 8 do relatório de diligência a fiscalização consignou o seguinte: “(...) 8 Quanto às operações de "Hedge/Opções" identificadas sob as contas de receita 4303, bem como, as transações controladas nas contas de receita 430402 (VCCliente no Exterior), 430405 (VCMat.Aquis. Ext.), 430423 (VCltabira Rio Doce Co LTD), 430427 (VCHidro Aluminium A.S.), 430474 (Gerald Metals S.A.) e 430478 (VC SWAP CDI/US$), a empresa aproveitou indevidamente no DACON [PIS (FICHA 05 / LINHAS 09 e 24); COFINS (FICHA 07 / LINHAS 09 e 24)]os lançamentos a débito de tais contas. Ainda que corretamente não tenham sido considerados para fins de descontar créditos, por representarem despesas financeiras de contratos celebrados com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, conforme resposta do contribuinte ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (em anexo), foram subtraídos das receitas financeiras, em afronta ao permissivo legal referente às deduções na base de cálculo das contribuições, admitidas de forma exaustiva, a teor do art. 1º , § 3º da Lei nº 10.637/02 e art. 1º , § 3º da Lei nº 10.833/03, verbis: (...) omissis. Por conseguinte, os lançamentos a débito de tais contas de receita foram acrescidos ao cálculo da contribuição (planilha em anexo), extraídos com base nos balancetes mensais disponibilizados pela empresa (em anexo). Em observância à base legal supracitada, tal procedimento foi também adotado pela fiscalização em relação às contas 430472 (VCFrete s/Transp. Bauxita) e 430467 (VCCessão P.Créd. Export. CVRD).” Fl. 292DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O contribuinte invocou a inconstitucionalidade da inclusão das aludidas receitas na base de cálculo das contribuições. Cabe esclarecer que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 só interfere na apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime cumulativo. O caso concreto versa sobre os créditos apurados no regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins). A base de cálculo dessas contribuições no regime nãocumulativo inclui a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, in verbis: Lei nº 10.833/03: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Lei nº 10.637/02: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Tendo em vista que essas leis foram publicadas após a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, a ampliação do conceito de faturamento está amparada pela nova redação do art. 195, I, “b”, da CF/88, que passou a autorizar a incidência com base no faturamento ou na receita. Relativamente à jurisprudência do STJ invocada pelo contribuinte, verificase que no RESP 1.059.041/RS, o tribunal considerou que as variações cambiais positivas decorrentes da exportação de mercadorias estão imunes à incidência das contribuições, em razão do art. 149, § 2º, I da CF/88. Essa questão da imunidade das variações cambiais positivas obtidas nas operações de exportação de produtos é objeto de repercussão geral decretada no RE nº 627.815 (Tema 329) e poderia render ensejo ao sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, caso o contribuinte tivesse trazido alguma prova de que as variações monetárias foram auferidas na exportação de seus produtos. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 3403001.977 S3C4T3 Fl. 8 7 O contribuinte limitouse a invocar a decisão do STJ sem comprovar que o caso concreto é semelhante ao precedente daquele tribunal. A leitura do excerto do relatório de diligência acima transcrito, revela que não foram tributadas variações cambiais decorrentes da exportação de produtos, mas basicamente receitas financeiras decorrentes de empréstimos contraídos com empresas no exterior, cujos valores estavam atrelados à variação da moeda estrangeira, e receitas financeiras decorrentes de operações de hedge/opções. O contribuinte não contestou em momento algum a natureza dessas receitas. Não há nenhuma alegação no sentido de que seriam decorrentes da exportação de produtos. Portanto, não há razão para se cogitar do sobrestamento deste recurso, sendo inaplicável o entendimento do RESP nº 1.059.041. Já quanto ao RESP nº 898.372, cuja ementa foi transcrita pela recorrente, verificase que o STJ entendeu que a incidência das contribuições sobre variações cambiais positivas decorrentes de contratos firmados em moeda estrangeira, ocorre no momento da liquidação da obrigação contraída, pois enquanto isso não ocorrer, o que se tem é mera expectativa de receita. Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. Considerando que a situação fática nestes autos se assemelha àquela que foi analisada na assentada do dia 21 de março de 2012, na parte em que as variações monetárias foram consideradas antes da liquidação dos contratos ou das obrigações, adoto os fundamentos lançados pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz no Acórdão 340301.503, quanto aos efeitos do regime de competência no reconhecimento das receitas (e despesas) provenientes de variações monetárias ativas e passivas, in verbis: “(...) 3. Efeitos do Regime de Competência. Da autuação originária, remanescem agora apenas os lançamentos efetuados a título de PIS para as competências 12/2002 a 07/2004. E, para estas, a autuação não terá melhor sorte, porque a opção pelo regime de competência na escrituração contábil não implica tributação das variações monetárias positivas independentemente de o sujeito passivo ter adquirido, em definitivo, o direito a elas. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 É que a sujeição – obrigatória ou por opção – ao regime de competência na escrituração contábil não quer significar que as variações cambiais positivas sobre os direitos e as obrigações da pessoa jurídica constituam receita passível de tributação pelo PIS independentemente de o sujeito passivo ter adquirido, em definitivo, o direito a elas. Enquanto as oscilações positivas na paridade cambial não se incorporarem em caráter irreversível ao patrimônio do contribuinte, vale dizer, enquanto puderem ser neutralizadas por subseqüentes oscilações negativas, não se caracterizam como receita para o fim de constituírem, inclusive sob o regime de competência, base de cálculo da contribuição. Segundo se lê do artigo 178, §2º da Lei nº 6.404/76, o patrimônio líquido das sociedades anônimas compõese de “capital social, reservas de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e lucros ou prejuízos acumulados”. Os “lucros ou prejuízos acumulados”, de seu turno, correspondem à soma, a outras parcelas, do “lucro líquido do exercício” (art. 186, II). E, finalmente, a definir o “lucro líquido do exercício”, o artigo 187 do mesmo diploma, dispõe: “§1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.” Estes dispositivos têm permitido à doutrina conceituar “receita” como a percepção de ingressos aptos a influir positivamente sobre o patrimônio líquido de um sujeito de direitos. Nesse sentido, expõe Marco Aurélio Greco: “esse ingresso deve ter cunho patrimonial no sentido de corresponder (no momento em que ocorrido) a um evento que integra o conjunto de eventos positivos que inferem com o patrimônio da empresa, (...) ainda que, em sua totalidade ou individualmente, não implique um ganho, pois este poderá existir, ou não, conforme vier a ser aferido no final do período de apuração” (Cofins na Lei nº 9.718/98: variações cambiais e regime da alíquota acrescida. Revista dialética de direito tributário, SãoPaulo: SP, v. 50, p. 110/151 (130)). Em sentido análogo, leiase, respectivamente, em Ricardo Mariz de Oliveira e em Douglas Yamashita: “Ora, toda e qualquer receita é um ‘plus’ no patrimônio da pessoa jurídica, algo a mais que se acrescenta a ele.” (Repertório IOB de jurisprudência, nº 24/99, p. 704) “(...) do necessário exame do arquétipo constitucional de receita resulta que seja como produto da empresa e seja como aumento bruto de ativos (patrimônio) da empresa, todo ativo que não resulta da empresa ou não aumenta o patrimônio, está fora das fronteiras semânticas do arquétipo constitucional de receita e não pode ser definido pelo legislador infraconstitucional como receita.” (Repertório IOB de jurisprudência, nº 13/00, p. 328 e ss) Ocorre que o patrimônio – e aqui já ingressamos na seara do direito civil – não é senão a soma dos direitos e das obrigações dotados de valor economicamente apreciável, conforme define o artigo 91 do Código Civil em vigor. Por coerência, então, a obtenção de receitas, por induzir ao aumento do patrimônio, há de Fl. 295DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 3403001.977 S3C4T3 Fl. 9 9 necessariamente se materializar, em termos jurídicos, através da aquisição de direitos novos ou, quando menos, da supressão das obrigações existentes. É necessário precisar, portanto, o momento a partir do qual um novo direito pode ser havido por adquirido, a fim de se considerar implementado o aumento patrimonial e, enfim, recebida a respectiva receita. Novamente é no direito civil que se consegue a resposta. O artigo 121 do atual Código conceitua “condição” como a cláusula do negócio jurídico que, “derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto”. Complementao, em seguida, o artigo 125 para, no que interessa, prescrever que “subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa”. Significa que, na pendência de uma condição suspensiva, o direito por ela subordinado não estará ainda incorporado ao patrimônio do indivíduo a quem favorece até o seu implemento. É o que se dá com as variações monetárias positivas enquanto não vencido, segundo o contrato, o prazo para o fechamento do câmbio. Valorizandose o real em relação ao dólar, o devedor de obrigação contraída na moeda estrangeira não adquire, imediatamente, o direito de pagar menor montante em moeda nacional, o que caracterizaria a percepção de receita, mas, por ora, a mera expectativa de que, mantendose inalterada paridade cambial até o vencimento do prazo contratual, ter a possibilidade de despender menos reais quando liquidar a dívida. Numa palavra: as oscilações cambiais positivas só se agregam ao patrimônio de quem favorecem quando, em razão do disposto em contrato, se tornarem impassíveis de reversão. Até que isso ocorra, subordinamse à condição suspensiva. Por isso, explica Mariz de Oliveira, “o direito à receita de variação cambial, que se incorpora ao ativo a receber, somente é adquirido quando definitivo, não mais passível de fato ou condição falível. Vale dizer, isto somente ocorre na data do vencimento do período de apuração previsto no ato jurídico que dele decorre, porque antes desse momento nenhuma variação cambial positiva pode ser exigida da pessoa, não porque haja um prazo para pagamento, o que seria irrelevante para a aquisição do direito, mas, sim, porque o direito à receita de variação cambial está subordinado a que não haja reversão da taxa cambial, o que é fato futuro de realização incerta e independente da vontade das partes”. (Conceito de receita como hipótese de incidência das contribuições para a seguridade social (para efeitos da COFINS e da Contribuição ao PIS. 9º Simpósio nacional IOB de direito tributário, p. 3980 (50)). Dois preceitos encontráveis no Código Tributário Nacional induzem a semelhante conclusão. O primeiro deles é o artigo 116, inciso II, de acordo com o qual, definindo a lei como fato gerador da obrigação tributária uma “situação jurídica”, precisamente o que se dá com o fato gerador “receita”, considerase consumada a hipótese de incidência “desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável”. O segundo é o artigo 117, inciso I, onde se lê que, sendo suspensiva a condição que subordina a eficácia do direito, o fato gerador só ocorre com o implemento dela. Mais do que isso, até: sabese que os fatos suscetíveis de desencadearem o surgimento de obrigações tributárias devem revelar capacidade contributiva de quem os pratica. Imaginar, então, que a opção pelo regime de competência possa, por si só, expor a pessoa jurídica a exigências tributárias sobre variações cambiais não incorporadas ao seu patrimônio, representaria menoscabar o princípio. Evidentemente que, se no momento em que a obrigação se vencer, apurarse variação cambial positiva em relação à paridade existente na data da contratação, a Fl. 296DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 pessoa jurídica beneficiada deverá oferecer a receita auferida à incidência do PIS, independentemente de qualquer movimento de caixa. Não é preciso haver pagamento, já o diz o artigo 187 da LSA, para que se caracterize, no regime de competência, a percepção da receita. Por outro lado, friso, nada autoriza acreditar que a sujeição tributária seja possível antes da definitiva aquisição do direito. Sob esta perspectiva de análise, é muito menos ampla e significativa a modificação advinda ao trato da matéria com a MP nº 2.15835, artigo 30. A substituição do regime de competência pelo regime de caixa permite tão só diferir o reconhecimento da receita do átimo em que o crédito de variação cambial é adquirido para o momento em que é extinto (liquidação). Nada além disso. (...)” Desse modo, em relação às contas discriminadas no item 8 do relatório de diligência, a fiscalização só poderá considerar como receita financeira as variações monetárias positivas aferidas quando da liquidação do contrato ou da operação. E o contribuinte, por sua vez, só poderá considerar como despesa financeira as variações monetárias negativas aferidas na liquidação do contrato ou da operação. Relativamente aos insumos, segundo o item 3 do relatório de diligência fiscal, as glosas recaíram sobre o serviço de remoção de lama vermelha e sobre o serviço para substituição de revestimentos refratários em bens do ativo imobilizado. A motivação para a glosa do serviço de transporte de lama vermelha consistiu em que esse serviço não foi consumido ou aplicado no processo produtivo para a fabricação do produto destinado à venda, pois a lama é resíduo obtido por decantação da mistura bauxita/soda cáustica (polpa), oriunda de etapas anteriores do processo produtivo. Assim, pelo que se pode entender, o serviço de remoção de lama foi glosado porque é aplicado em algo que “sai” da linha de produção sem ser o produto final e não em algo que “entra” na linha para contribuir na formação do produto destinado a venda. No que tange aos bens e aos serviços aptos a gerarem créditos da contribuição, a discórdia entre a fiscalização e os contribuintes reside na conceituação do vocábulo “insumo” existente no art. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. A fiscalização atribui a esse vocábulo o mesmo conceito de produto intermediário fixado pelo PN CST nº 65/79 para o IPI, enquanto que os contribuintes almejam adotar todos os custos e despesas operacionais previstos pela legislação do imposto de renda. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação do IPI. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido nos arts. 3º , II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 3403001.977 S3C4T3 Fl. 10 11 Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é de imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é de base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leia nº 10.637/02 e 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, das referidas leis, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito nas redações do art. 3º , II, das referidas leis, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Voltando ao caso concreto, a análise do processo produtivo empreendida pela fiscalização no relatório de diligência, revela que esse processo gera o rejeito denominado lama vermelha, que é umbilicalmente ligado ao processo produtivo, tendo em vista que esse rejeito se origina da decantação da polpa (mistura de bauxita com soda cáustica). Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto relativo a bem ou serviço que não contribuiu para a formação do bem ou serviço produzido ou que não foi “aplicado na linha de produção”. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo. E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será cozida, decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama também “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois “sai” da linha sob a forma de rejeito misturada à lama. Tratandose de rejeito inerente à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos serviços de colocação de materiais refratários, a glosa foi motivada no fato de que o contribuinte não tem direito à tomada do crédito diretamente sobre o custo do serviço, mas sim sobre despesa mensal de depreciação, pois o gasto é passível de ativação obrigatória. Segundo o relatório de diligência fiscal, não houve a ativação do gasto e o próprio contribuinte respondeu ao termo de intimação fiscal informando que a periodicidade do serviço é superior a um ano. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000154/200499 Acórdão n.º 3403001.977 S3C4T3 Fl. 11 13 O contribuinte não contestou o motivo da glosa, limitandose a alegar que a fiscalização só reconheceria o crédito se o refratário tivesse sido enquadrado como ativo imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Entende o contribuinte que pode optar por classificar o material refratário como insumo, pois a legislação não dispensa tratamento diferente, quer esse material seja tratado como insumo, quer seja tratado como ativo imobilizado. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a glosa recaiu sobre os serviços de manutenção de materiais refratários, que o próprio contribuinte reconheceu terem durabilidade superior a um ano. Assim, a glosa não recaiu sobre o bem “material refratário”, mas sim sobre um serviço que é destinado à reparação do ativo imobilizado e que possui durabilidade superior a um ano. Sendo incontroverso nos autos que não houve a ativação do gasto que está sujeito à ativação obrigatória (art. 346 do RIR/99), foi correto o entendimento da fiscalização no sentido de glosar o crédito tomado diretamente sobre o custo de aquisição do serviço. A diversidade de tratamento, que a recorrente diz inexistir, está prevista no art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, combinado com o art. 346 do RIR/99. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo. Por fim, quanto à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que: a) o reconhecimento contábil das receitas ou despesas financeiras decorrentes das variações monetárias, que integram o item 8 do relatório de diligência, ocorra somente quando da liquidação dos contratos ou das obrigações; e b) reconhecer o direito do contribuinte tomar o crédito em relação aos serviços de remoção de lama vermelha. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 300DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720417/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência.
Hipótese em que o Recorrente apresentou a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA
A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exige-se Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao Ibama.
Tempestivamente protocolado, o ADA tem o condão de comprovar, por presunção legal, que a área de preservação permanente nele declarada pelo titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama.
Na falta de protocolização tempestiva do ADA, a área de preservação permanente deve ser atestada pelo órgão ambiental.
Na hipótese, a área de preservação permanente não foi suficientemente comprovada.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO.
Apenas é cabível a aceitação do VTN informado pelo contribuinte quando apresentado laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das normas da ABNT.
Hipótese em que o contribuinte não apresentou laudo de avaliação ou qualquer documento que infirmasse o valor apresentado.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 1.350,8 ha. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator) e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento em maior extensão, reconhecendo também a área de preservação permanente de 1.862,4 ha. Redatora designada a conselheira Celia Maria de Souza Murphy.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
(assinado digitalmente)
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente apresentou a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exige-se Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao Ibama. Tempestivamente protocolado, o ADA tem o condão de comprovar, por presunção legal, que a área de preservação permanente nele declarada pelo titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama. Na falta de protocolização tempestiva do ADA, a área de preservação permanente deve ser atestada pelo órgão ambiental. Na hipótese, a área de preservação permanente não foi suficientemente comprovada. ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO. Apenas é cabível a aceitação do VTN informado pelo contribuinte quando apresentado laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das normas da ABNT. Hipótese em que o contribuinte não apresentou laudo de avaliação ou qualquer documento que infirmasse o valor apresentado. Recurso provido em parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10140.720417/2009-98
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200296
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2101-002.024
nome_arquivo_s : Decisao_10140720417200998.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 10140720417200998_5200296.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 1.350,8 ha. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator) e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento em maior extensão, reconhecendo também a área de preservação permanente de 1.862,4 ha. Redatora designada a conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Eivanice Canário da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4538685
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396297891840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 79 1 78 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720417/200998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.024 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria ITR Recorrente CACILDO ARANTES NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente apresentou a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exigese Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao Ibama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 17 /2 00 9- 98 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 80 2 Tempestivamente protocolado, o ADA tem o condão de comprovar, por presunção legal, que a área de preservação permanente nele declarada pelo titular do imóvel rural é reconhecida pelo Ibama. Na falta de protocolização tempestiva do ADA, a área de preservação permanente deve ser atestada pelo órgão ambiental. Na hipótese, a área de preservação permanente não foi suficientemente comprovada. ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO. Apenas é cabível a aceitação do VTN informado pelo contribuinte quando apresentado laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das normas da ABNT. Hipótese em que o contribuinte não apresentou laudo de avaliação ou qualquer documento que infirmasse o valor apresentado. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 1.350,8 ha. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator) e Eivanice Canário da Silva, que votaram por dar provimento em maior extensão, reconhecendo também a área de preservação permanente de 1.862,4 ha. Redatora designada a conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Redatora designada Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 81 3 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 45/51) interposto em 17 de maio de 2011 contra o acórdão de fls. 30/39, do qual o Recorrente teve ciência pessoal em 18 de abril de 2011 (fl. 43), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MT), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 01/05, lavrada em 01 de junho de 2009, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Matéria não impugnada Valor da Terra Nua Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, ao qual acostou laudo técnico de avaliação, pedindo a reforma do acórdão recorrido para que sejam consideradas as áreas glosadas de reserva legal e preservação permanente. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 82 4 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia é relativa à falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural ITR, decorrente da glosa, em virtude de não comprovação pelo contribuinte, das áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas na DITR/2005, além de arbitramento do valor da terra nua (VTN), diante da inexistência de quaisquer documentos que o embasassem. No que se refere às áreas de preservação permanente e de reserva legal, sendo recorrente a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 83 5 do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispunha o antigo Código Florestal (Lei n.º 4.771/65), vigente à época dos fatos, e, também, as Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 84 6 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 85 7 Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 86 8 I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 87 9 mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelecia, em sua essência, como lembra MILARÉ, a ideia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 88 10 A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. Em relação à reserva legal, entendo que a averbação à margem da matrícula do imóvel, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001). Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, foi prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 89 11 de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio “Manual de Perguntas e Respostas” editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), estabelece a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 90 12 ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, a fiscalização retificou a declaração feita pelo contribuinte relativamente ao quantum devido a título de ITR, para o exercício de 2005, para o imóvel rural “Fazenda Rancho Grande”, localizado no Município de Aquidauana/MS. O próprio Recorrente, em sua impugnação, indicou ter havido inversão dos valores de reserva legal e preservação permanente quando do preenchimento e entrega da DITR. A dimensão correta de APP seria de 4.000,0/ha, e não 1.888,5/ha, ao passo que a ARL correta seria de 1.350,0/ha, e não os 3.377,0/ha declarados. Com efeito, até a interposição do presente recurso voluntário, o Recorrente não havia apresentado qualquer documento comprobatório das áreas preservadas, tampouco prova que fosse apta a infirmar o VTN arbitrado pela fiscalização. O que havia, unicamente, era a averbação na matrícula do imóvel dos 20% exigidos por lei para fins de reserva legal (fls. 22/25). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 91 13 Entretanto, foi acostado a este recurso o laudo técnico de fls. 59/69, elaborado pela engenheira agrônoma Lauriane Calixto dos Santos, CREA/MS n.º 11.939/D, com a correlata anotação de responsabilidade técnica (ART) de fl. 70, do qual constam as seguintes informações: a) área total do imóvel: 6.754,00 ha; b) área de reserva legal: 1.350,8 ha; c) área de preservação permanente: 1.864,42 ha. À luz dos princípios da verdade material e da informalidade que regem este processo administrativo tributário, a despeito de a prova ter sido produzida pelo contribuinte a destempo, porquanto o sistema processual rígido e preclusivo somente aceitaria sua juntada concomitantemente à impugnação, aceito o laudo técnico apresentado. Pois bem. Diante das considerações teóricas tecidas acima, no que se refere à área de reserva legal, há sua averbação na matrícula do imóvel, o que, de acordo com a jurisprudência do CARF, supre a falta de apresentação do ADA. Por outro lado, no que tange à área de preservação permanente, que decorre de expressa previsão legal, tenho para mim que o laudo técnico apresentado, subscrito por profissional habilitado, com a devida ART, além do desenho técnico a que alude a fl. 79 (numeração digital), são aptos a comprovar a sobredita área, até o limite no laudo apontado, qual seja, 1.862,42/ha. Por fim, no que tange ao valor da terra nua (VTN), melhor sorte não assiste ao Recorrente, que não apresentou qualquer laudo técnico que infirmasse o arbitramento utilizado pela fiscalização, por meio do SIPT. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a área de preservação permanente de 1.862,4 ha., bem como a área de reserva legal de 1.350,8 ha. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 92 14 Voto Vencedor Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Em que pese aos fundamentos declinados pelo i. Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, peço vênia para divergir do seu entendimento quanto à comprovação da área de preservação permanente, para o fim de excluíla, na apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, pelas razões a seguir deduzidas. Cumpre, primeiramente, salientar que excluise da área total do imóvel rural, para fins de tributação pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, a área de preservação permanente, a teor do que prescreve o artigo 10 da Lei n. º 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] (grifouse) Da leitura do texto legal, é de se concluir que a área de preservação permanente existente no imóvel rural não deve ser considerada no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, eis que, sobre ela, o imposto não incide. Sendo assim, da regra geral, na qual o ITR incide sobre o Valor da Terra Nua do imóvel, fica fora da tributação a parcela do VTN que espelha o valor da área de preservação permanente, quando esta existir no imóvel. Tratase, assim, de uma hipótese de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Vejamos. Ensina Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008, p. 521) que as normas de isenção são regras de estrutura, que impõem modificações no âmbito da regramatriz de incidência tributária, investindo contra um ou mais de seus critérios, mutilandoos parcialmente, suprimindo a funcionalidade da regra matriz de oito formas distintas: “(i) pela hipótese: i.1) atingindolhe o critério material, pela desqualificação do verbo; i.2) mutilando o critério material, pela subtração do complemento; i.3) indo contra o critério espacial; 1.4) voltandose para o critério temporal; (ii) pelo conseqüente, atingindo: ii.1) o critério pessoal, pelo sujeito ativo; ii.2) o critério pessoal, pelo sujeito passivo; ii.3) o critério quantitativo, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 93 15 pela base de cálculo; e ii.4) o critério quantitativo, pela alíquota.” A regramatriz de incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural pode ser assim construída: Critério material: ser proprietário de imóvel por natureza, titular do seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer título. Critério espacial: localizado fora da zona urbana do município. Critério temporal: no primeiro dia de janeiro de cada ano. Critério pessoal: sujeito ativo é a União; sujeito passivo é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Critério quantitativo: a alíquota é variável, de 0,03% a 20%, em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização; a base de cálculo é o Valor da Terra Nua do imóvel, que reflete o seu preço de mercado em 1.º de janeiro do exercício. Dessa breve análise, concluise que, no caso em estudo, o critério da regra matriz atingido é o critério quantitativo, pela base de cálculo. O Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel obtémse a partir do resultado da operação VTN/hectare x Área Total do Imóvel em hectares. Todavia, existindo uma ou mais áreas enumeradas nas alíneas “a” a “f” do inciso II do § 1.º do artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, dentre elas a área de preservação permanente (alínea “a”), estas devem ser excluídas, no cômputo da área tributável. Com isso, a base de cálculo fica reduzida. Posto isso, ressaltamos que, segundo dispõe o Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 1966), a isenção é sempre decorrente de lei que especifique as condições e os requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, se for o caso, o prazo de sua duração. O caput do artigo 179 do CTN estipula que a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para a sua concessão. Ainda sobre a isenção, o artigo 111 do CTN assim estipula: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; [...]. A Lei n.º 10.165, de 2000, ao alterar a redação do § 1.º do artigo 17O da Lei n.° 6.938, de 1981, tornou obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA para efeito da isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, nos seguintes termos: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 94 16 Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (grifouse) [...] § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). Com isso, após o advento da Lei n.° 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama, passou a ser exigível para que se possa excluir, da base de cálculo do ITR, as áreas previstas nas alíneas “a” a “f” do inciso II do § 1.º do artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, dentre as quais a área de preservação permanente (alínea “a”). Sendo assim, é condição para a concessão da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente que o Ibama, órgão de controle do meio ambiente, seja previamente informado sobre essas áreas, por meio do ADA. Há, assim, uma presunção legal em favor do contribuinte: uma vez apresentado o ADA ao Ibama, ficam comprovados os dados nele declarados, nos quais se incluem as áreas isentas, a exemplo da área de preservação permanente. Tratase, contudo, de uma presunção relativa. Com efeito, o § 5.º do artigo 17O da Lei n.º 6.938, de 1981, acima transcrito, previu que, com base no Ato Declaratório Ambiental entregue, o Ibama pode realizar vistoria por amostragem nos imóveis rurais, e, caso os dados declarados no ADA não coincidam com aqueles levantados por seus técnicos, novo ADA será lavrado de ofício e encaminhado à Secretaria da Receita Federal do Brasil. O ADA, tempestivamente protocolizado junto a ao Ibama, é, portanto, documento hábil para comprovar, ao órgão de fiscalização tributária, a existência e a regularidade da área de preservação permanente existente no interior do imóvel rural. Sua protocolização naquele Instituto permite presumir que as informações nele prestadas são verdadeiras, até que o órgão ambiental promova (ou não) a vistoria nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos da isenção do ITR. Nessa presunção, o fato indiciado é a protocolização tempestiva do ADA junto ao Ibama; o fato indiciário é a coincidência das áreas de preservação permanente nele declaradas pelo titular do imóvel com aquelas constantes dos levantamentos do Ibama, ficando as áreas declaradas, neste caso, comprovadas pela só protocolização do Ato Declaratório Ambiental. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 95 17 Nesse diapasão, caso o contribuinte tenha protocolizado ADA junto ao Ibama, tempestivamente, comprovada está, por presunção legal, a área de preservação permanente nele declarada, até que, em vistoria, o órgão ambiental comprove a imprecisão das informações prestadas pelo titular (e tome as providências necessárias). Todavia, na hipótese de o contribuinte não entregar o ADA ao órgão ambiental até a data do início da fiscalização, tal presunção não se estabelece, eis que não terá ocorrido o fato indiciário, consubstanciado na protocolização do ADA, que daria ensejo ao fato indiciado, de que as áreas de preservação permanente estão comprovadas, por coincidirem com aquelas efetivamente levantadas pelo Ibama. E, não se estabelecendo esta presunção em favor do contribuinte, para comprovar o seu direito à isenção do ITR, perante a fiscalização tributária, impõese a constatação de que a área de preservação permanente declarada coincide, efetivamente, com aquela levantada pelo órgão ambiental ou está, por outros meios, suficientemente comprovada junto àquele órgão. Na situação configurada no presente processo, a recorrente acostou laudo técnico às fls. 59 a 69, elaborado pela engenheira agrônoma Lauriane Calixto dos Santos, CREA/MS n.º 11.939/D, com a correlata anotação de responsabilidade técnica (ART) de fl. 70, do qual constam as seguintes informações: a) área total do imóvel: 6.754,00 ha; b) área de reserva legal: 1.350,8 ha; c) área de preservação permanente: 1.864,42 ha. Contudo, a parte interessada não protocolizou Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama em data anterior à do início da ação fiscal nem submeteu a documentação acima descrita ao crivo do Ibama. Diante dessa omissão, não pode se beneficiar da presunção legal de que as áreas de preservação permanente declaradas em sua DITR (DIAC/DIAT, fls. 11 e seguintes) estão em conformidade com as áreas de preservação permanente apuradas nos levantamentos do Ibama. Desse modo, para que se possa conferir isenção do ITR sobre a área de preservação permanente, no caso, é necessário que o Ibama ateste que a área declarada pelo contribuinte efetivamente coincide com a área de preservação permanente apurada nos levantamentos daquele órgão ou que tal área está, perante ele, por outros meios, suficientemente comprovada. Sendo assim, no caso sob análise, não estamos vinculando a concessão da isenção a um formulário, mas à condição que a lei estipulou, qual seja, que a isenção incide sobre a área de preservação permanente efetivamente existente no imóvel. Se cumprida a exigência legal de apresentação do ADA ao Ibama antes do início da ação fiscal, a prova da efetiva existência da área de preservação permanente se dá por presunção legal; se não cumprida a exigência da lei, é de se exigir a manifestação do órgão ambiental quanto à exatidão da área declarada à administração tributária. Também não estamos a questionar a confiabilidade e a precisão dos documentos apresentados pelo contribuinte com o intuito de comprovar a área de preservação permanente, consistentes em laudo técnico, às fls. 59 a 69 e a correlata anotação de responsabilidade técnica (ART) de fls. 70, mas devemos ressaltar que nem o órgão da fiscalização tributária nem os órgãos julgadores são competentes para avalizar tal laudo, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 96 18 atestando que as áreas de preservação permanente que nele figuram estão corretas, em conformidade com os registros do Ibama. Isso é atribuição do órgão ambiental. Por fim, não estamos afirmando que o Ato Declaratório Ambiental meramente protocolado junto ao Ibama seria mais preciso ou mais confiável que esses documentos, emitidos por profissional habilitado e até mesmo aceitos pelo próprio órgão ambiental na comprovação da área de preservação permanente, tal como se pode constatar da resposta à pergunta n.º 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), do “Manual de Perguntas e Respostas” editado pelo Ibama, já citado no voto do i. Conselheiro Relator. O que estamos afirmando é que, não tendo sido apresentado ao Ibama o ADA tempestivo, de modo a constituir a presunção de regularidade dessa área em favor do contribuinte, impõese a comprovação de que a área de preservação permanente declarada foi efetivamente acolhida pelo Ibama, para que seja possível conferir a isenção do ITR sobre elas, em atendimento ao prescrito no artigo 179 do CTN. Desse modo, não tendo havido entrega tempestiva do ADA ao órgão ambiental, assim como ocorreu na hipótese, caso o interessado tivesse a intenção, tal como ficou patente nos autos, de comprovar a área de preservação permanente, para gozo da isenção do ITR, deveria ter apresentado o laudo técnico ao Ibama, órgão competente para atestar a conformidade das áreas de preservação permanente nele informadas com seus levantamentos, e, a partir da manifestação do órgão competente, fazer prova no processo administrativo fiscal. Sendo assim, conforme exposto, não se trata de vincular a isenção do ITR à apresentação de um formulário, no caso, o ADA, nem de impossibilitar a produção da prova da existência e regularidade da área de preservação permanente nos casos em que referida prova não tenha sido providenciada antes de determinado marco temporal. Conforme adrede explicitado, o ADA entregue tempestivamente ao órgão ambiental constitui uma presunção de que a área de preservação permanente nele declarada está corretamente informada. Todavia, na circunstância em que tal condição não foi cumprida, isto é, nas hipóteses em que o contribuinte não tenha entregue esse documento ao órgão ambiental, a presunção não opera em seu favor, e fica o contribuinte com o ônus de comprovar que mencionadas áreas foram reconhecidas como tais pelo órgão regulador do meio ambiente. Na hipótese dos autos, o contribuinte, que não protocolou ADA junto ao Ibama, pretende obter isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre área de preservação permanente indicada em laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, apresentado no âmbito do processo administrativo fiscal. Todavia, conforme visto anteriormente, este documento não é hábil para comprovar o pretendido, eis que nem os órgãos de fiscalização nem os órgãos julgadores no âmbito tributário possuem competência para atestar a área de preservação permanente nele informada. A competência para isso, como visto, é do órgão de controle ambiental. Diante das razões colocadas, tendo em vista que: (i) não ficou comprovado nos autos que, por meio de ADA, a área de preservação permanente que o contribuinte pretende seja declarada isenta foi tempestivamente informada ao Ibama; e (ii) também não se comprovou que, na falta de cumprimento da exigência legal, o Ibama tenha reconhecido a área de preservação permanente que o laudo técnico aponta existir na propriedade rural sob análise, não há como reconhecer a isenção das áreas declaradas, nos termos do artigo 179 do Código Tributário Nacional. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720417/200998 Acórdão n.º 2101002.024 S2C1T1 Fl. 97 19 Sendo assim, os documentos acostados são insuficientes para comprovar a área de preservação permanente para o fim de excluíla da apuração do ITR do exercício de 2005. Conclusão Ante todo o exposto, dou provimento em parte ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 1.350,8 ha. (assinado digitalmente) __________________________________________ Celia Maria de Souza Murphy – Redatora designada Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001038/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA.
Os carbonatos de cálcio, cuja composição química seja semelhante aos carbonatos de potássio obtidos por precipitação, são classificados na posição 2836.50.001.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a correção da classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo e determinar a devolução do processo à instância recorrida para análise das demais questões de mérito.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Os carbonatos de cálcio, cuja composição química seja semelhante aos carbonatos de potássio obtidos por precipitação, são classificados na posição 2836.50.001. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15586.001038/2008-07
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5201140
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.741
nome_arquivo_s : Decisao_15586001038200807.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15586001038200807_5201140.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a correção da classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo e determinar a devolução do processo à instância recorrida para análise das demais questões de mérito. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
id : 4548646
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396313620480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 254 1 253 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001038/200807 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.741 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Recorrente PROVALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Os carbonatos de cálcio, cuja composição química seja semelhante aos carbonatos de potássio obtidos por precipitação, são classificados na posição 2836.50.001. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a correção da classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo e determinar a devolução do processo à instância recorrida para análise das demais questões de mérito. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 38 /2 00 8- 07 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Tratase do PER/DCOMP n° 00354.81024.201005.1.1.019457 (fls. 02/67), onde a empresa requer o ressarcimento de crédito de IPI relativo ao 3º trimestre de 2003, no valor de R$ 8.701,98, com base no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999 e a compensação dos referidos créditos com o débito apontado no PER/DCOMP n°13102.71220.251005.1.3.011473 (fls.68/71) . O Parecer DRFNIT/SEFIS n° 08/2009 (fls.97/106) concluiu que: "Versam os autos sobre pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, originado das aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero ... ... o contribuinte classificou o produto carbonato de cálcio no código 2836.50.00 da ... TIPI, ... como a seguir: 2836 CARBONATOS;PEROXOCARBONATO(PERCARBONATOS); CARBONATO DE AMÔNIO 2836 2836.50.00 Carbonato de cálcio 0% Segundo os comentários da NESH ..., à posição 2836.50.00 se aplica ao seguinte produto: '4) Carbonato de Cálcio precipitado. O carbonato de cálcio precipitados (CaCO3), aqui incluído, provém do tratamento de soluções de sais de cálcio pelo anidrido carbônico. Empregase como carga na preparação de pastas, de pódearroz, em medicina ( como tratamento antiraquítico), etc. Excluemse desta posição os calcários naturais (capítulo 25), o crê (carbonato de cálcio natural), mesmo lavado e pulverizado (posição 25.09) e o carbonato de cálcio em pó, cujas partículas estejam envolvidas de uma película hidrófuga de ácidos graxos (gordos*) (ácido esteárico, por exemplo) (posição 38.24).' (grifo nosso) De posse de informações obtidas do contribuinte. (fls. 78/87) e do site da empresa ... constatase o equívoco em relação à classificação fiscal adotada. Ressaltese que existem, basicamente, dois tipos de carbonato de cálcio, o natural, aquele que é retirado da natureza e moído de Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001038/200807 Acórdão n.º 3102001.741 S3C1T2 Fl. 255 3 acordo com a granulometria desejada, e o precipitado, aquele obtido, artificialmente, por meio de uma reação química com o anidrido carbônico (dióxido de carbono — CO2), a qual promove a formação de uma substância insolúvel (precipitado de CaCO3). O termo "calcário" é empregado para caracterizar um grupo de rochas (com mais de 50% de carbonatos ... No caso da requerente, seu produto se aplica como carga mineral em várias aplicações industriais. Para entender melhor classificação fiscal adequada ao presente caso, fazse necessária a leitura do Capítulo 25 da TIPI — SAL; ENXOFRE; TERRAS E PEDRAS; GESSO E CIMENTO ...: 'apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, ... Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados,resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições. Os produtos do presente Capítulo podem estar adicionados de uma substância antipoeira, desde que essa adição não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral.' (grifo nosso) Não há, pois, nenhum impedimento do citado produto ser classificado no capítulo 25. A posição, 2521 CAST1NAS; PEDRAS CALCÁRIAS UTILIZADAS NA FABRICAÇÃO DE CAL OU DE CIMENTO ... não prevê ... nenhuma exclusão para outras utilizações. Para corroborar tal entendimento, apresento como subsídio os comentários da NESH a respeito: 'Incluemse nesta posição as castinas e as pedras de clã ou de cimento propriamente ditas, com exclusão das pedras desta espécie próprias para construção (posições 25.15 ou 25.16). A dolomita classificase na posição 25.18. O crê incluise na posição 25.09. Denominamse "castinas" as pedras grosseiras, mais ou menos ricas em carbonato de cálcio, utilizadas em siderurgia, principalmente como fundentes. As pedras desta posição são também utilizadas sob a forma de pós, como corretivos de terras.' (grifo nosso) Portanto, com base nas descrições dadas pelo contribuinte e de acordo com a nova Nomenclatura de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado/Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados ..., concluise que a classificação Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 fiscal adequada ao produto "carbonato de cálcio" é 2521.00.00, cuja alíquota é NT (nãotributado). ... restando patente que o estabelecimento dá saída a produtos que se caracterizam como tributados e nãotributados (NT), passase, a seguir à apreciação da matéria concernente ao pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI acumulado ao final do trimestrecalendário ... Quanto aos produtos fora do campo de incidência do imposto (NT), não há porque se efetivar o aproveitamento dos créditos básicos nele empregados, devendose providenciar o estorno destes na escrita fiscal, em respeito ao disposto no art. 2°, parágrafo único do RIPI/98... Com o advento da Lei n°9.779/99, foi mantida a orientação de estorno dos créditos referentes à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de produtos nãotributados... ... o contribuinte escriturou no Livro de Registro de Entrada as notas fiscais referentes aos insumos adquiridos e no Livro de Registro de Apuração de IPI os respectivos créditos desse imposto. De posse da descrição dos produtos, às fls. 78/87, efetuamos a conferência dos créditos de IPI discriminados na PERIDCOMP 00354.81024.201005.'1.1.019457 com o destacado nas notas fiscais de aquisição de insumos apresentadas pelo contribuinte, procedendo à exclusão dos créditos relativos: a) A partes e peças de reposição de máquinas (mancal, bucha de mancal) e ferragens, os quais não se enquadram no ... disposto no Parecer COSIT n° 65/79...; b) Ao material de embalagem destinada aos produtos não tributados (NT) Na sequência, a fiscalização elaborou a tabela de fls. 102/103 onde relaciona as notas fiscais objeto de glosa, apontando seu número, data e, ainda, o valor e a motivação das glosas, cujo total foi R$ 5.843,50. Em alguns casos, foram utilizados os mesmos insumos em produtos tributados e NT, assim, a auditoria calculou a relação percentual entre as saídas tributadas e NT e aplicou o referido índice nos créditos de IPI referentes a tais entradas. Dando prosseguimento aos cálculos acima a empresa elaborou a tabela de fls. 104, concluindo que a glosa relativa aos insumos de uso comum utilizados em produtos NT perfez o montante de R$ 3.706,41. Assim, o total de créditos de IPI indevidos, segundo a auditoria foi R$ 9.549,91, "equivalente à soma dos créditos de IPI aplicados somente na saída de produtos não tributados (tabela 1), no valor de R$ 5.843,50, com aquele relativo aos insumos comuns aplicados na saída dê não tributados, no valor de R$ 3.706,41 (tabela 2)." Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001038/200807 Acórdão n.º 3102001.741 S3C1T2 Fl. 256 5 A fiscalização conclui seu arrazoado: ... tendo em vista as considerações ... e o estorno do saldo. credor de IPI, efetuado no mês de outubro de 2005 (fls. 90), a fiscalização apurou um valor passível de ressarcimento no montante de R$3.788,62. O despacho de fls. 106 acatou a Informação Fiscal, deferindo parcialmente o pedido formulado, reconhecendo o direito creditório no montante de R$ $ 3.788,62 e homologando parcialmente a compensação pleiteada. Cientificada do Parecer DRFNIT/SEFIS n° 08/2009 (fls. 97/105) e do Despacho Decisório, insurgiuse a contribuinte contra o deferimento parcial do ressarcimento pleiteado, através de sua manifestação de inconformidade (fls. 114/115), que em resumo argumenta que: A inconformidade ... versa sobre a classificação fiscal adotada pela empresa e não aceita pela Receita Federal. Não são todas as "Castinas"(posição 2521) que servem como matériaprima para carbonato de cálcio devido às impurezas contidas em sua formação geológica. Porém: as pedras de carbonato de cálcio puras, que a empresa utiliza, podem servir corno matériaprima para o calcário siderúrgico e calcário corretivo de acidez quando seus índices de pureza são baixos e pobres de carbonato. A classificação fiscal do Carbonato de Cálcio (posição 2836.50.00) não contempla apenas o Carbonato de cálcio precipitado podendo ser atribuído ao Carbonato de Cálcio com outros atributos, como pode ser verificado na NESH ...: "4) O Carbonato de cálcio precipitado. O carbonato de cálcio precipitado(CaCO3), aqui incluído ..." (grifo nosso)". As exclusões desta posição são limitadas aos processos mencionados, não se aplicando à totalidade do processo industrial dos produtos fabricados na empresa. As propriedades fisicoquímicas do carbonato de cálcio precipitado e o Carbonato de cálcio fabricado na empresa têm praticamente, as mesmas propriedades e utilizações, como se comprova com laudos em anexo, ALEM DE O CARBONATO DE CÁLCIO PRECIPITADO TER A MESMA COMPOSIÇÃO QUÍMICA QUE O CARBONATO DE CÁLCIO PRODUZIDO PELA EMPRESA, APÓS O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. Assim, o que deve contar para a Receita Federal é a composição química final do produto, aferido através de análise química dele, afim de classificálo ou desclassificálo de uma posição para outra e não uma simples descrição. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Requer, in fine, o acolhimento de suas razões de defesa. Com o objetivo de subsidiar sua apreciação o presente processo foi enviado à DRF/Vitória/ES para que a interessada apresentasse, dentre outros documentos, declaração descrevendo o processo produtivo dos seguintes produtos: PROCARB T, CARBONATO DE CÁLCIO FINO, CARBONATO DE CALCIO MÉDIO, CALCÁRIO 244 MICRONS e PROCARB LEVE. Em resposta à intimação a empresa apresentou os documentos de fls. 137/179 e os esclarecimentos de fls. 130/135: ... a empresa esclarece ... que dá aos produtos resultantes do seu processo industrial as seguintes denominações ...: GRUPO 1: PRO 08, PRO 10, PRO 14, PRO 16; PRO 20, PRO 30, PRO 40 e PRO 50. GRUPO 2: PRO 60, PRO 80, PRO 100, PRO 200 e PRO 325. GRUPO 3: PROCARB 1, PROCARB 1R, ... 2, ... 2 R, ... 2D, ... 3, ... 4 e ... 5. Todos os produtos aqui referidos, indistintamente, tem a forma de um pó. E as designações de todos eles ... estão basicamente relacionadas ao tamanho das partículas de carbonato de cálcio que compõem o pó, ou seja, à granulometria. Enfim: a linha de produtos da empresa é composta pelos carbonatos de cálcio (em pó) anteriormente especificados... A razão da empresa manter uma diversidade de produtos em produção e oferta se deve à intenção, portanto, de atender aos anseios do mercado, que, como dito, toma por principal referencial a dimensão da partícula que compõe o carbonato de cálcio em pó, possibilitandoa negociar itens que são enquadrados pelos seus clientes como carbonato de cálcio "MÉDIO", "FINO", "LEVE", "CALCÁRIO 244 MíCRONS", etc. ... produtos que a PROVALE vendeu e vende são, na verdade e tãosomente, os que acima especificou ... ... a PRO VALE solicitou laudo para o INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA (INT), afim de que ele procedesse à descrição minudenciada do processo industrial ..., expusesse as denominações e características dos produtos elaborados, e desse aos mesmos o enquadramento devido a nível de materiais, como efetivamente ocorreu (cópia anexa). De acordo com o laudo confeccionado pelo INT verificase que a PROVALE produz três classes de produtos: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001038/200807 Acórdão n.º 3102001.741 S3C1T2 Fl. 257 7 (i) carbonato de cálcio proveniente do processo de peneiramento, "GRUPO 1" ...; (ii) carbonato de cálcio finos provenientes de moagem em moinhos de rolos, ... "GRUPO 2" ..., e; (iii) carbonato de cálcio micronizados, ... "GRUPO 3", ... O "PROCARB T", ... se encaixa na classe dos produtos PROCARB, que constituem carbonato de cálcio micronizados. O "CALCÁRIO 244 MíCRONS" é exemplo de carbonatos de cálcio finos provenientes de moagem em moinhos de rolos, equivalendo, no geral, ao PRO 325 (... peneira 325 MESH possibilita a passagem de partículas de até 45 microns .. e ..., permite a vazão de unidades desde 2 mícrons até 44 mícrons...). O' "PROCARBLEVE" ... também se encaixa entre os carbonato de cálcio micronizados. ... "LEVE" em virtude da sua textura extremamente fina que não lhe dá peso ... (de 1,75 mícrons a 6,0 micros). ... os "CARBONATOS DE CÁLCIO MÉDIO" ... representam produtos de uma granulometria mais acentuada, embora igualmente diminuta. Segundo o INT ... todos se tratam de CARBONATOS DE CÁLCIO, merecendo enquadramento na posição 2836.50.00 da NCM/TEC. Com estas colocações a PRO VALE dá a justificativa de haver utilizado expressões genéricas ... em notas fiscais que expediu... I) a "CALCITA 325 CI 50" ... carbonato de cálcio PRO 325, originado ... de moagem de calcita em moinho de rolos, acondicionado em saco de 50 quilos (ou ao "CALCÁRIO 244 MÍCRONS" referido na intimação); II) a "DOLOMITA 325 CI — 50" ... carbonato de cálcio PRO 325 originado ... de moagem de dolomita em moinho de rolos, acondicionado em saco de 50 quilos (ou ao "CALCÁRIO 244 MÍCRONS" referido na intimação); III) o "PRO — EXTRA LEVE CI 25— B" ... carbonato de cálcio PROCARB2, acondicionado em saco de 25 quilos, originado ... de moagem e micronização de dolomita ou calcita do tipo "B" (ou ao "PROCARBLEVE" ..); IV) a "DOLOMITA 020 CI — 50" ... carbonato de cálcio PRO 20, acondicionado em saco de 50 quilos, originado de ... peneiramento de dolomita (ou ao "CARBONATO DE CÁLCIO MEDIO" referido na intimação); V) o "PRO EXTRA LEVET SI20" ... carbonato de cálcio PROCARB 1, acondicionado em saco de 20 quilos, originado ... Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 de moagem e micronização de dolomita ou calcita (ou ao "PROCARB T" referido na intimação); O laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, trazido pela empresa (fls. 137/168), afirma que os produtos em questão PRO 08, PRO 10, PRO 14, PRO 16; PRO 20, PRO 30, PRO 40, PRO 50, PRO 60, PRO 80, PRO 100, PRO 200, PRO 325, PROCARB 1, PROCARB 1R, PROCARB 2, PROCARB 2 R, PROCARB 2D, PROCARB 3, PROCARB 4 e PROCARB 5, produzidos pela PRO VALE, são resultantes do processo de moagem e micronização e não resultantes do processo de precipitação." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento deliberou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo a classificação fiscal do produto na posição 2836.50.00, em razão do processo produtivo da recorrente. A decisão da DRJ foi assim ementada. "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Os carbonatos de cálcio resultantes de trituração, pulverização ou peneiramento, devem ser classificados no código 2521.00.00 da TIPI, que detem a notação NT Não tributado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade, reafirmando a procedência da classificação por ela adotada para o carbonato de cálcio na posição 2836.50.00. Aduz ainda em caráter suplementar, que sendo a decisão do recurso pela manutenção da classificação do carbonato de cálcio no capítulo 25, este seria um mineral e estaria alcançado pela imunidade, prevista no parágrafo 3º, do artigo 155 da Constituição Federal, sendo assim, estaria dentre aqueles situações previstas no art. 11 da Lei nº 9.779/99, pois a expressão "inclusive", inclui os produtos imunes, dentre aqueles que estariam aptos a ensejar a devolução do IPI. É o Relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001038/200807 Acórdão n.º 3102001.741 S3C1T2 Fl. 258 9 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado, a lide esta em definir a classificação do produto "carbonato de cálcio" produzido pela Recorrente. A recorrente classificou o produto na posição 2836.50.00 a Fiscalização reclassificou o produto para a posição 2521.00.00. A Fiscalização motivou a sua reclassificação, no fato da Notas de classificação da NESH para a posição em questão, determinar que na posição 2836.50.00 classificamse os carbonatos de cálcio precipitados, e não sendo o carbonado produzido pela recorrente obtido por este processo industrial, estaria afastada a classificação nesta posição, sendo, também por força das notas da NESH, o produto classificado na posição 2521.00.00. A DRJ manteve o mesmo entendimento da Fiscalização por considerar, que apesar do produto industrializado pela Recorrente ter a mesma composição do carbonato de cálcio precipitado, a forma de obtenção foi de um processo produtivo diverso e portanto, a reclassificação estaria correta em razão do processo produtivo da recorrente. O trecho abaixo, extraído da decisão recorrida, demonstra este entendimento. "Desta forma, restou evidente a impossibilidade de manutenção dos carbonatos de cálcio produzidos pela Provale na classificação por ela adotada 2836.50.00, pois, referidos produtos carecem, objetivamente, de uma característica necessária para sua inclusão na classificação desejada pela empresa – 2836.50.00 serem obtidos por precipitação. E mais, o argumento trazido pela reclamante, de que a similaridade química entre os produtos resultantes do seu processo produtivo e do processo de precipitação de outra empresa permitiria incluir seus produtos no capítulo 28, não merece prosperar, pois, para a classificação fiscal dos carbonatos de cálcio dos quais se cuida, o que deve ser relevado é a sua forma de obtenção e não a composição química final do produto." A Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, para que fosse obtido laudo técnico tratando do produto e sua forma de obtenção. A perícia técnica foi realizado pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 136 a 168). Das conclusões deste laudo, destaco três pontos que entendo serem importantes para o deslinde da questão: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 O carbonato de cálcio produzido pela Recorrente é obtido a partir da industrialização de pedras naturais em processos de moagem e micronização, quanto ao carbonato de cálcio resultante do processo de precipitação são na realidade o mesmo produto carbonato de cálcio, porém com especificações diferenciadas em função dos processos industriais de que são decorrentes; Tendo em vista o exposto neste Relatório Técnico, na análise visual do processo produtivo durante a visita realizada, no acompanhamento da produção do Interessado, nas análises laboratoriais realizadas e na documentação técnica apresentada pela Consulente, bem como pelas considerações acima elencadas, assim como pelas citações da Tarifa Externa Comum (T.E.C.) e da Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (T.I.P.I), notadamente aquelas abrangidas pelo capítulo 28, nas suas diversas posições e subposições, além do equivalente capítulo das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (N.E.S.H.), este Instituto entende que o carbonato de cálcio, objeto desta consulta, possui as características dos produtos enquadrados no código 2836.50.00, com base na T.E.C/T.I.P.I, alterada pelo Decreto n 2.376/97, de 12 de novembro de 1997, referente à Nomenclatura Comum do Merco sul (NCM/TEC), baseada no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, conforme Decreto n 97.409/88, de 23 de dezembro de 1988; A descrição de todo o ciclo de produção desenvolvido pela PROVALE, desde a retirada da rocha calcifica ou dolomitica da respectiva jazida até a obtenção dos produtos (carbonatos de cálcio) por moagem e micronização, é longa com muitos detalhes técnicos, portanto, esta descrição está apresentada no teor deste Relatório Técnico. Analisando os autos é inconteste que o carbonato de cálcio, produzido pela recorrente, possui as mesmas características do carbonato de cálcio precipitado. A divergência esta na forma de obtenção do produto. Estudando as notas para o capítulo 25, consta que estão afastadas daquela capítulo, produtos minerais que sofram um processo de industrialização mais complexo, conforme pode ser visto nas notas transcritas abaixo. "SAL; ENXOFRE; TERRAS E PEDRAS; GESSO, CAL E CIMENTO NOTAS. 1 – Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por (lotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, Fl. 263DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001038/200807 Acórdão n.º 3102001.741 S3C1T2 Fl. 259 11 resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado que os indicados em cada uma das posições." Os produtos classificados no capítulo 25 são minerais in natura ou que recebam um tratamento simples, sem alterar a sua característica. As notas retiram do capítulo os produtos minerais que recebam um tratamento mais complexo. O processo produtivo da Recorrente, conforme consta dos laudo técnico, possuí diversas etapas, sendo o produto final com a mesma composição química do carbonato de cálcio precipitado, classificado na posição 2836.50.00. Ora, se o processo produtivo da Recorrente é tal e suficiente para transformar o mineral in natura em um produto com a mesma composição química do carbonato de cálcio precipitado, não há como fugir do fato, que a produção da Recorrente é complexa, sendo assim, entendo que fica impossibilitada a classificação do produto no capítulo 25. Afastando a classificação no capítulo 25, resta a posição 2836.50.00, utilizada pela Recorrente, como a mais acertada para o produto, visto a sua composição química ser semelhante a do carbonato de cálcio precipitado ali classificado, nos termos do laudo emitido pelo INT. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a correção da classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo e determinar a devolução do processo à instância recorrida para análise das demais questões de mérito. Winderley Morais Pereira Fl. 264DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000439/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/11/2006
EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL.
Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado.
Existindo erro material quanto ao numero de DEBCAD e competências lançados no relatório, porém tendo o julgamento levado em considerações as informações corretas do processo, não há de se promover alteração no resultado proferido.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão nº 2401-02.112, sem alteração do resultado do julgamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 28/11/2006 EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado. Existindo erro material quanto ao numero de DEBCAD e competências lançados no relatório, porém tendo o julgamento levado em considerações as informações corretas do processo, não há de se promover alteração no resultado proferido. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10552.000439/2007-24
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5202640
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-002.906
nome_arquivo_s : Decisao_10552000439200724.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10552000439200724_5202640.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão nº 2401-02.112, sem alteração do resultado do julgamento. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4554610
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396317814784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10552.000439/200724 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401002.906 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Embargante MAKENA MAQUINAS EQUIPAMENTOS E LUBRIFICAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/11/2006 EMBARGOS CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado. Existindo erro material quanto ao numero de DEBCAD e competências lançados no relatório, porém tendo o julgamento levado em considerações as informações corretas do processo, não há de se promover alteração no resultado proferido. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 04 39 /2 00 7- 24 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão nº 240102.112, sem alteração do resultado do julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 2401002.906 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a DRFB, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração nos seguintes termos: Com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009 e art. 32 do PAF a Delegacia da Receita federal do Brasil em Porto Alegre/RS, por intermédio de seu delegado, opõe Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240102.112 de 27 de outubro de 2011. Segundo o embargante, o Acordão nº 240102.112, referese ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 21/08/2006 sob o nº 37.021.5117 e do qual o contribuinte foi cientificado em 28/08/2006, decorre da omissão de informações dos valores pagos aos segurados contribuintes individuais, competências fev/2003 a abr/2004 e jul/04 a abr/2006, dos valores pagos aos segurados empregados, nas competências jan/2005 a jul/2005 e dos valores pagos aos segurados empregados das filiais nas competências ago/2005 a nov/2005. No entanto, constatouse que o Auto de Infração de Obrigação Acessória supracitado não coincide com aquele efetivamente lançado neste feito. O Auto de Infração constante do presente processo corresponde ao DEBCAD de nº de nº 37.020.5847, lavrado em 28/11/2006 e do qual o contribuinte obteve ciência em 22/12/2006, conforme constante às fls. 02/07. Decorre da omissão dos valores pagos aos segurados contribuintes individuais e aos segurados empregados, à titulo de remuneração pelos serviços prestados nas competências 10/2003, 12/2003, 01/2004 a 02/2005, conforme as Planilhas I e II, fls. 266/267. Contudo para adentrar aos pontos que entende a relatora geraram contradição, transcrevo abaixo o novo relatório onde já encontramse promovidas as alterações descritas pela autoridade . O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n.37.020.5847, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, em Auditoria Fiscal na empresa, verificouse que o contribuinte deixou de informar, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência — GFIP: decorre da omissão dos valores pagos aos segurados contribuintes individuais e aos Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 segurados empregados, à titulo de remuneração pelos serviços prestados nas competências 10/2003, 12/2003, 01/2004 a 02/2005, conforme as Planilhas I e II, fls. 266/267. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 22/12/2006. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 123 a 126, requerendo a relevação da multa, face ter corrigido a falta. O processo foi baixado em diligência, fls. 257 a 258, tendo o auditor emitido informação fiscal fls. 262 a 268. Foi exarada a Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, contudo relevou em parte a multa aplicada, fls. 281 a 285 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 293 a 296 , requerendo o contribuinte seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, reformandose o acórdão recorrido para determinar que as disposições constantes do inciso I do art. 32A da Lei n.° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.° 11.941/2009, sejam imediatamente aplicadas na determinação da penalidade imposta a empresa, na forma da alínea "c" do inciso III do art. 106 do CTN. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10552.000439/200724 Acórdão n.º 2401002.906 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Analisando os embargos opostos pela DRFB, entendo que razão assiste ao embargante, considerando que por evidente erro, fez constar no relatório do acordão proferido, outro numero de DEBCAD, e por conseguintes as competências abrangidas pela autuação, referindo a outro processo desta relatora. Contudo, após apreciar detidamente o restante do relatório e o encaminhamento do voto, identifiquei que o julgamento teve por base as informações corretas contidas nos autos, bem como a impugnação, Decisão de Primeira instância e recurso constantes dos autos. Assim, entendo tratarse de inexatidão material, considerando que o julgamento realizado, levou em consideração a correta decisão de primeira instância proferida, bem como os argumentos recursais trazidos pelo recorrente.. Sendo assim, no Acordão n. 240102.112, onde no relatório fiscal se lê: O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n.37.021.5117, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, em Auditoria Fiscal na empresa, verificouse que o contribuinte deixou de informar, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência — GFIP: 1) os valores pagos a segurados contribuintes individuais nas competências fev/03 a abr/04 e jul/04 a abr/06 conforme PLANILHA 1 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO INFORMADOS NA GFIP, em anexo, onde constam os nomes dos segurados, as competências dos pagamentos, os valores pagos e as contas contábeis onde foram lançados os pagamentos. A empresa foi autuada pela não apresentáção de documentos contábeis através do Auto de Infração DEBCAD 37.021.5095, por essa razão não foi possível identificar os nomes de alguns segurados cujos pagamentos foram contabilizados. Cabe a empresa identificar tais pagamentos e informar a GFIP corretamente. 2) Os valores pagos a segurados empregados, conforme folha de pagamento, nas competências jan/05 a jul/05. Os nomes dos segurados, as competências dos pagamentos e os valores pagos, assim como as contribuições não declaradas encontramse na Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 PLANILHA 2 SEGURADOS EMPREGADOS QUE NÃO CONSTARAM DA GFIP. 3) Os segurados empregados das filiais, conforme folha de pagamento, não foram incluídos em GFIP nas competências,ago/2005 a nov/2005. A empresa entregou, durante a ação fiscal essas GFIP, conforme a PLANILHA 3 — EMPREGADOS DAS FILIAIS QUE NÃO CONSTARAM NA GFIP. Leiase: O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n.37.020.5847, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, em Auditoria Fiscal na empresa, verificouse que o contribuinte deixou de informar, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência — GFIP: decorre da omissão dos valores pagos aos segurados contribuintes individuais e aos segurados empregados, à titulo de remuneração pelos serviços prestados nas competências 10/2003, 12/2003, 01/2004 a 02/2005, conforme as Planilhas I e II, fls. 266/267. Notese, conforme mencionado acima, que o encaminhamento do voto deuse devidamente, razão pela qual entendo que deva ser mantido o resultado proferido, mantendo a integra do voto: CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para reratificar o acordão 240102.112, nos termos acima propostos, tendo em vista erro material no seu conteúdo, mantendo inalterado o resultado do julgamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007783/2006-06
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO.
Não configurada a omissão no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos.
Numero da decisão: 1802-001.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO. Não configurada a omissão no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.007783/2006-06
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200479
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.574
nome_arquivo_s : Decisao_10680007783200606.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10680007783200606_5200479.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4538868
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396320960512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.007783/200606 Recurso nº 513.832 Embargos Acórdão nº 1802001.574 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de março de 2013 Matéria CSLL Embargante DOIS IRMÃOS EMPREENDIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO. Não configurada a omissão no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 77 83 /2 00 6- 06 Fl. 914DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.007783/200606 Acórdão n.º 1802001.574 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, às fls. 438 a 443, interpostos pela Contribuinte acima identificada, visando sanar alegados vícios de omissão presentes no Acórdão nº 180200.948, proferido por este colegiado na sessão de 03/08/2011, às fls. 413 a 429. No presente processo, a Contribuinte questionou exigência de CSLL, que deixou de recolher porque entende estar desobrigada desta exação, em razão de decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88. O lançamento foi realizado em 14/08/2006 e abrangeu a CSLL com períodos de apuração nos anoscalendário de 1996 a 2004, alguns trimestrais, outros anuais. A Delegacia de julgamento, em primeira instância administrativa, já havia afastado parte do crédito tributário, cujos fatos geradores ocorreram até 31/12/1999, por força da decadência prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional – CTN. A parte remanescente do lançamento foi mantida em sede de recurso voluntário, por meio do acórdão ora embargado, que foi proferido por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173, I, do CTN. LIMITES DA COISA JULGADA Não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado, que afastou a incidência da Lei nº 7.689/88 sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente quando considerado o pronunciamento posterior do STF, em sentido contrário, cuja eficácia tornouse “erga omnes” pela edição de Resolução do Senado Federal. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício padrão, no percentual de 75%, foi estabelecida para punir a mera falta de pagamento ou recolhimento de tributo. Sua aplicação independe da caracterização de outros elementos ou circunstâncias, tanto do ponto de vista objetivo, quanto do subjetivo (intenção do agente). Incabível a aplicação Fl. 915DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.007783/200606 Acórdão n.º 1802001.574 S1TE02 Fl. 4 3 da multa moratória de 20%, uma vez que o tributo não foi confessado espontaneamente pela Contribuinte em documento hábil à execução fiscal, e a exigência de ofício é sempre acompanhada da multa de 75%. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS TAXA SELIC Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 61, § 3º, e art. 5º, § 3º, ambos da Lei n° 9.430/96, uma vez que se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. A ciência da Contribuinte em relação ao acórdão acima referido ocorreu em 11/11/2011 (sextafeira), conforme AR às fls. 437, e os embargos foram apresentados em 17/11/2011. A Embargante alega que esta Turma Julgadora incorreu em duas omissões, com os seguintes argumentos: a decisão embargada, ao negar provimento ao apelo da Recorrente, incorreu em uma primeira omissão, porque não considerou a aplicação ao presente caso do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF; sobre a matéria dos autos há recente e importante decisão da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, já juntada aos autos em petição protocolizada em 25/5/11 (RESP 1.118.893MG, Relator Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA), proferida nos termos e com o alcance do artigo 543C do CPC (Recursos Repetitivos, com efeitos vinculantes); tal precedente trata exatamente da questão dos autos, qual seja, a eficácia da coisa julgada operada em favor da Recorrente, que continua sendo titular do direito adquirido de não pagar a contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88, pois todas as leis posteriores apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da CSLL, sem alterar sua matriz normativa; a decisão embargada também se omitiu ao não se manifestar expressamente sobre a impossibilidade de se cobrar a CSLL com base na Lei n° 8.212/91 e subseqüentes, matéria que foi tratada no recurso voluntário, e em relação à qual não houve nenhuma manifestação por parte desta 2ª Turma Especial. Este é o Relatório. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.007783/200606 Acórdão n.º 1802001.574 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Os embargos são tempestivos e dotados dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento Conforme relatado, o processo versa sobre exigência de CSLL que a Contribuinte deixou de recolher porque entende estar desobrigada desta exação, em razão de decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88. Na primeira instância administrativa, houve cancelamento de uma parte do crédito tributário, em razão de decadência. A Contribuinte apresentou recurso voluntário, mas esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF manteve integralmente a decisão de primeira de instância administrativa. A Contribuinte, então, ingressou com os embargos de declaração ora examinados. O fundamento do acórdão embargado é que as decisões judiciais não poderiam se projetar para o futuro, obstando a incidência da norma tributária sobre fatos geradores de períodos supervenientes à coisa julgada, principalmente porque o Supremo Tribunal Federal acabou por reconhecer a constitucionalidade da exação em pauta. Nesse contexto, a conclusão foi no sentido de que a decisão judicial proferida no processo nº 89.00016652, mesmo com o trânsito em julgado na data de 12/08/1992, não poderia obstar a incidência da CSLL nos períodos de apuração dos anoscalendário de 2000 a 2004, que representam o objeto do litígio submetido a este Conselho Administrativo. Em sede de embargos, a Contribuinte invoca o art. 62A do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações posteriores, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Com base neste dispositivo, a Contribuinte alega que a 1ª Seção do STJ, ao julgar o RESP 1.118.893MG na sistemática do artigo 543C do CPC, tratou de questão idêntica à dos autos, ou seja, da eficácia da coisa julgada operada em favor da Recorrente, que continuaria sendo titular do direito adquirido de não pagar a contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88, pois todas as leis posteriores apenas teriam modificado a alíquota e a base de cálculo da CSLL, sem alterar sua matriz normativa. Deste modo, segundo a Embargante, esta Turma Julgadora teria incorrido em omissão ao não aplicar o referido art. 62A do Regimento Interno do CARF. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.007783/200606 Acórdão n.º 1802001.574 S1TE02 Fl. 6 5 O RESP 1.118.893MG, interposto por outro contribuinte, mas julgado pelo STJ na sistemática do art. 543C do CPC, decorreu de ajuizamento de execução fiscal buscando a cobrança de valores correspondentes à CSLL referentes ao ano base de 1991, com vencimento em 30/4/92. Aquele outro sujeito passivo, resistindo à cobrança, ingressou com embargos à execução, também com o argumento de ofensa à coisa julgada, e seu pedido foi considerado improcedente nas instâncias ordinárias, o que motivou a apresentação do referido recurso especial ao STJ. Ao examinar o mencionado caso, o STJ deu provimento ao recurso especial, e julgou procedente o pedido formulado nos embargos à execução fiscal para anular a Certidão de Dívida Ativa CDA nº 6069600474909, referente à CSLL do ano base de 1991. Mas o que precisa ficar claro é que o STJ, no contexto do RESP 1.118.893 MG, não examinou as implicações futuras das decisões do Supremo Tribunal Federal STF que acabaram considerando constitucional a Lei 7.689/88, com exceção apenas de seu art. 8º, seja as decisões de controle difuso em Recursos Extraordinários (que resultaram na Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995), seja a decisão em controle concentrado proferida na ADI nº 152/DF, publicada no DJ de 31/8/2007. Ao contrário disso, o STJ tratou apenas dos efeitos retroativos em relação ao que restou decidido pelo STF, especificamente quanto à exigência de débito de CSLL com fato gerador ocorrido em 1991. O STJ não se manifestou sobre a eficácia prospectiva das decisões do STF, ou seja, da implicação destas decisões que reconheceram a constitucionalidade da Lei 7.689/88 (somadas à Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995) sobre os fatos geradores ocorridos a partir de então. Isto ainda é matéria controversa, e não há decisão definitiva de mérito a esse respeito, nem do STF, nem do STJ, que enseje a aplicação do art. 62A do regimento interno do CARF. Portanto, a alegada omissão não restou configurada. Em relação a esse aspecto, não há óbice à exigência da CSLL constante destes autos, posto que os fatos geradores em questão ocorreram entre 2000 e 2004. A Contribuinte também alega omissão na apreciação do recurso voluntário, eis que a decisão embargada não examinou os argumentos sobre a impossibilidade de se cobrar a CSLL com base na Lei n° 8.212/91 e em outras leis igualmente posteriores à Lei 7.689/88. Quanto a esse ponto, cabe registrar que o auto de infração já mencionava o problema relativo aos efeitos futuros das decisões judiciais: [...] a decisão transitada em julgado que tenha declarado a inconstitucionalidade da CSLL, com base na lei 7.689/88, favorece o contribuinte somente nos limites das questões decididas, não fazendo coisa julgada em relação a exercícios futuros ao trânsito em julgado.[...] A decisão de primeira instância administrativa, no desenvolvimento de seus fundamentos, também fez comentários a esse respeito: Fl. 918DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.007783/200606 Acórdão n.º 1802001.574 S1TE02 Fl. 7 6 [...] Por outro lado, é bom assinalar que no tocante à Lei n° 7.689/88, o STF de fato chegou a apreciar a questão de sua inconstitucionalidade, pela via incidental, em ação diversa, ocasião em que a considerou conforme à Constituição, menos seu art. 8°, que determinava a cobrança da lei no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988. Desde então, não mais se duvidou da validade da norma. Tempos depois, fundandose nessa decisão, o Senado Federal expediu a Resolução n° 11, de 04 de abril de 1995, que da lei em causa suspendeu a execução apenas do art. 8°. Ou seja, deixou de existir no mundo normativo unicamente o referido artigo, tudo o mais vigora com plena eficácia. Não obstante, estando o contribuinte sob o manto da coisa julgada, isto é, deixando a Lei n° 7.689/88, de incidir sobre a esfera jurídica do sujeito passivo, ainda assim se poderia exigir dele a contribuição social com base na legislação superveniente. [...] Sendo imutável, a sentença não mais sujeita a recurso tem força de lei nos limites da lide e das questões resolvidas. Nesse sentido, o conteúdo da sentença aqui em voga exime claramente a impugnante do pagamento da contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88. Portanto, respeitados os limites dessa lide o reconhecimento incidental da inconstitucionali dade da Lei n° 7.689/88, não fez coisa julgada e o juiz o declarou apenas com o intuito de julgar o caso concreto , são os efeitos desta lei aplicados concretamente à Dois Irmãos Empreendimentos Ltda. o objeto da coisa julgada, e não a própria contribuição social prevista sobre o lucro, que é estabelecida pela Constituição, art. 195, de forma genérica, dependendo apenas de lei que a regulamente. Em conseqüência, após o trânsito em julgado da referida sentença, rompeuse, com isso, tão só uma relação jurídica determinada, pela qual o contribuinte em questão estava obrigado a recolher essa contribuição para os cofres da Fazenda Pública Nacional. [...] A defesa alega que, em face das peculiaridades do Direito Tributário, temse que a decisão transitada em julgado extinguiu o crédito tributário, por força do inciso X do artigo 156 do CTN, lei complementar de normas gerais. Não pode prosperar tal argumento, pois configuraria uma extinção futura de um crédito tributário cujo fato gerador não teria sido sequer constituído. [...] Fl. 919DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.007783/200606 Acórdão n.º 1802001.574 S1TE02 Fl. 8 7 Ocorre que no curso do processo também foram feitas considerações no sentido de que mesmo com o afastamento da Lei 7.689/88, restaria ainda a possibilidade de cobrança da CSLL pela lei 8.212/91, o que gerou argumentação contrária à essa tese. Mas o acórdão embargado não incorreu em omissão quanto a esse ponto. Foram inclusive transcritos trechos de um voto que orientou decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0105.402, de 20/03/2006) admitindo a possibilidade de recriação da CSLL por lei posterior à Lei 7.689/88. Se há erro em tal entendimento, o remédio não seriam os embargos, posto que no presente caso não houve omissão sobre a matéria. Não se desconhece que o STJ, no julgamento do referido RESP 1.118.893 MG, repeliu a tentativa de cobrança de CSLL fundada na tese de que a regra matriz desta contribuição estaria contida em outros dispositivos legais, que não a lei 7.689/88. Contudo, já mencionamos que esse julgamento se deu no âmbito da exigência de um débito de CSLL com fato gerador ocorrido em 1991, e que, portanto, o STJ não se manifestou sobre a eficácia prospectiva das decisões do STF, ou seja, da implicação das decisões que reconheceram a constitucionalidade da Lei 7.689/88 (somadas à Resolução do Senado Federal nº 11/1995) sobre os fatos geradores ocorridos a partir de então. Além disso, embora o acórdão embargado tenha reproduzido decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que admitia a possibilidade de recriação da CSLL por leis posteriores à Lei 7.689/88, ficou bastante evidente que seu fundamento se deu pelo entendimento de que a decisão judicial obtida pela Recorrente não poderia se projetar para o futuro, obstando a incidência da norma tributária sobre fatos geradores de períodos supervenientes à coisa julgada, principalmente porque o Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade da exação. Essa questão relativa aos efeitos futuros das decisões judiciais está posta desde o início, e o acórdão embargado reproduziu uma série de argumentos nas áreas do Direito Constitucional e do Direito Processual que abordam esse problema. O debate sobre a recriação da CSLL pela Lei 8.212/91, na verdade, tornouse irrelevante, porque é a própria Lei 7.689/88 que possibilita exigir da Recorrente a CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anos de 2000 a 2004, uma vez que antes disso o Supremo Tribunal Federal proferiu decisões reconhecendo a constitucionalidade da Lei 7.689/88, com exceção de seu art. 8º, e o Senado Federal, por meio da Resolução nº 11/1995, atribuiu eficácia “erga omnes” às decisões do STF. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 920DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.007783/200606 Acórdão n.º 1802001.574 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13019.000065/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2000
ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO DEVIDO (E LANÇADO). MESMA BASE DE CÁLCULO.
IMPOSSIBILIDADE.
Já estando sendo cobrada a multa de oficio vinculado ao imposto lançado, vedada é a cobrança também da multa por atraso na entrega da declaração, aplicada sobre a mesma base de cálculo. Entendimento em linha com remansosa e iterativa jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e das Turmas do CARF (acórdãos nºs: 10193.925, sessão de 22/08/2002, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni; 10246.055, sessão de 12/06/2003, relator o Conselheiro José Oleskovicz; 10247.534, sessão de 28/04/2006, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima de Fonte Filho;
10417.569, sessão de 16/08/2000, João Luis de Souza Pereira; 10418.941, sessão de 17/09/2002, relatora a Conselheira Vera Cecília Manos Vieira de Moraes; 10613.454, sessão de 12/08/2003, relatora a Conselheira Thaisa Jansen Pereira; 10804.865,
sessão de 06/01/1998, relatora a Conselheira Márcia Maria Léria Meira; 10617.129, sessão de 10 de outubro de 2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos; 280101.538,
sessão de 14 de abril de 2011, relatora o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima; e 280200.792, sessão de 11 de maio de 2011, redatora do voto vencedor a Conselheira Lucia Reiko Sakae).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para cancelar a multa lançada por atraso na entrega da DITR.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO DEVIDO (E LANÇADO). MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Já estando sendo cobrada a multa de oficio vinculado ao imposto lançado, vedada é a cobrança também da multa por atraso na entrega da declaração, aplicada sobre a mesma base de cálculo. Entendimento em linha com remansosa e iterativa jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e das Turmas do CARF (acórdãos nºs: 10193.925, sessão de 22/08/2002, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni; 10246.055, sessão de 12/06/2003, relator o Conselheiro José Oleskovicz; 10247.534, sessão de 28/04/2006, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima de Fonte Filho; 10417.569, sessão de 16/08/2000, João Luis de Souza Pereira; 10418.941, sessão de 17/09/2002, relatora a Conselheira Vera Cecília Manos Vieira de Moraes; 10613.454, sessão de 12/08/2003, relatora a Conselheira Thaisa Jansen Pereira; 10804.865, sessão de 06/01/1998, relatora a Conselheira Márcia Maria Léria Meira; 10617.129, sessão de 10 de outubro de 2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos; 280101.538, sessão de 14 de abril de 2011, relatora o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima; e 280200.792, sessão de 11 de maio de 2011, redatora do voto vencedor a Conselheira Lucia Reiko Sakae). Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13019.000065/2005-11
conteudo_id_s : 5217999
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-002.119
nome_arquivo_s : Decisao_13019000065200511.pdf
nome_relator_s : GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 13019000065200511_5217999.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para cancelar a multa lançada por atraso na entrega da DITR.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4567538
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396325154816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 96 1 95 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13019.000065/200511 Recurso nº 142.693 Voluntário Acórdão nº 210202.119 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria ITR Recorrente EDNA MENEGAZ e outra Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO DEVIDO (E LANÇADO). MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Já estando sendo cobrada a multa de oficio vinculado ao imposto lançado, vedada é a cobrança também da multa por atraso na entrega da declaração, aplicada sobre a mesma base de cálculo. Entendimento em linha com remansosa e iterativa jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e das Turmas do CARF (acórdãos nºs: 10193.925, sessão de 22/08/2002, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni; 10246.055, sessão de 12/06/2003, relator o Conselheiro José Oleskovicz; 10247.534, sessão de 28/04/2006, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima de Fonte Filho; 10417.569, sessão de 16/08/2000, João Luis de Souza Pereira; 10418.941, sessão de 17/09/2002, relatora a Conselheira Vera Cecília Manos Vieira de Moraes; 10613.454, sessão de 12/08/2003, relatora a Conselheira Thaisa Jansen Pereira; 10804.865, sessão de 06/01/1998, relatora a Conselheira Márcia Maria Léria Meira; 10617.129, sessão de 10 de outubro de 2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos; 280101.538, sessão de 14 de abril de 2011, relatora o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima; e 280200.792, sessão de 11 de maio de 2011, redatora do voto vencedor a Conselheira Lucia Reiko Sakae). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para cancelar a multa lançada por atraso na entrega da DITR. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Aqui se transcreve excerto do relatório da decisão da Delegacia de Julgamento, o qual bem sintetiza o objeto da autuação e os limites da impugnação (fl. 66): Com base na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, os artigos 6º e 9º, exigese a multa por atraso na entrega da Declaração do ITR – DITR, do exercício 2000, no valor total de R$ 11.571,30, referente ao imóvel rural denominado Rasip XVII ed. M e outra, com área total de 1.176, 3ha, com Número na Receita Federal – NIRF 2.559.6888, conforme Auto de Infração de fl. 07. 2. A exigência foi impugnada tempestivamente, onde foi requerida anulação do Auto de Infração tendo em vista que o valor da multa por atraso na entrega da declaração foi com base no imposto suplementar, que inclusive está sendo contestado. Por último, requereu que este fato seja levado em consideração e a multa seja apurada conforme a situação do imóvel em tela. (...) A 1ª Turma de Julgamento da DRJCampo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 65 a 69, consubstanciada no Acórdão n° 0413.022, de 14 de novembro de 2007, que restou assim ementado: MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração do ITR, após o prazo fixado, sujeita o contribuinte à multa prevista no art. 9º, da Lei nº 9.393/96. Quando o valor devido do imposto decorre de procedimento de fiscalização, a multa é de 1% por mês de atraso, calculada sobre o valor apurado conforme o art. 14 da Lei nº 9.393/96. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 25/03/2008 (fl. 72). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 23/04/2008 (fl. 73). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que a base de cálculo da multa foi definida a partir do imposto devido apurado no bojo do processo administrativo fiscal nº 11020.003266/200424, o qual foi objeto de competente insurgência na via administrativa, quando o autuado logrou parcial sucesso em sua pretensão, com redução do imposto lançado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13019.000065/200511 Acórdão n.º 210202.119 S2C1T2 Fl. 97 3 Assim, pede o sobrestamento deste julgamento, aguardando a decisão final a ser prolatada no processo administrativo fiscal nº 11020.003266/200424. Na sessão plenária de 10 de março de 2010, esta Turma de Julgamento acatou o pleito acima e sobrestou o julgamento. Apreciado pela CSRF – 2ª Turma o recurso especial tombado no processo administrativo fiscal nº 11020.003266/200424, em sessão de 12 de abril de 2011, o presente recurso voluntário retornou para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 25/03/2008 (fl. 72), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 23/04/2008 (fl. 73), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 24/04/2004, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes tudo devese anotar que este Colegiado sobrestou o presente julgamento logo após ter recebido a competência para processar e julgar os feitos do ITR, não se apercebendo, na oportunidade, que a multa por atraso na entrega da DITR e a multa vinculada ao imposto apurado na ação fiscal, ambas lançadas de ofício, com a mesma base de cálculo, tinha estreita similaridade com as hipóteses ocorridas no âmbito da tributação do imposto de renda, este já de competência deste colegiado julgador. Compulsando os autos, vêse que a base de cálculo da multa lançada foi o imposto apurado na revisão da DITRexercício 2000, do imóvel NIRF nº 2.599.6888, quando a autoridade fiscal alterou o imposto devido de R$ 555,57 para R$ 89.010,00 (fls. 07 e 11). A autuação que apurou o imposto que serviu de base de cálculo para a multa aqui em discussão encontrase tombada no processo administrativo nº 11020.003266/200424 (fls. 10 a 25, 38 e 68). A base legal da infração repousa nos arts. 7º e 9º da Lei nº 9.393/96, com redação assim vazada: Entrega do DIAC Fora do Prazo Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Art. 8º Omissis. Entrega do DIAT Fora do Prazo Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Art. 9º A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7º, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Pelos dispositivos acima, apreendese que a multa pelo atraso na entrega da declaração (DIAC/DIAT) deve incidir sobre o imposto devido apurado na declaração apresentada a destempo. Não se vislumbra nenhuma autorização para que a base de cálculo da multa por atraso na entrega da declaração seja o imposto apurado no lançamento de ofício, como se viu nestes autos. Indo mais além, vêse que a fiscalização utilizou a mesma base de cálculo (imposto devido) para calcular a multa vinculada ao imposto lançado (conforme processo administrativo fiscal nº 11020.003266/200424) e a multa por atraso na entrega da declaração, o que tem encontrado óbice na jurisprudência administrativa. No âmbito da tributação do imposto de renda, a jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e agora do CARF têm rechaçado a incidência cumulativa de ambas as multas acima, a vinculada e a por atraso na entrega da declaração de ajuste. Como exemplo desta jurisprudência, citamse os arestos nºs: 10193.925, sessão de 22/08/2002, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni; 10246.055, sessão de 12/06/2003, relator o Conselheiro José Oleskovicz; 10247.534, sessão de 28/04/2006, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima de Fonte Filho; 10417.569, sessão de 16/08/2000, João Luis de Souza Pereira; 10418.941, sessão de 17/09/2002, relatora a Conselheira Vera Cecília Manos Vieira de Moraes; 10613.454, sessão de 12/08/2003, relatora a Conselheira Thaisa Jansen Pereira; 10804.865, sessão de 06/01/1998, relatora a Conselheira Márcia Maria Léria Meira; 10617.129, sessão de 10 de outubro de 2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos; 280101.538, sessão de 14 de abril de 2011, relatora o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima; e 280200.792, sessão de 11 de maio de 2011, redatora do voto vencedor a Conselheira Lucia Reiko Sakae. Não há qualquer razão para não aplicar os precedentes acima ao caso aqui em debate, pois há estreita similaridade jurídica entre os casos, parecendo razoável compreender que a ausência da entrega da declaração ou a entrega desta a destempo, na qual deveria ter sido confessado o imposto que restou acertado na via administrativa, funciona como meio para concretizar a conduta fim, esta que é o não pagamento do imposto devido. Assim, podese compreender que a conduta meio de entregar a declaração a destempo foi absorvida pela conduta fim do não pagamento do imposto devido, esta última apenada com multa de 75% sobre o imposto lançado. Apreciando com o enfoque acima, fica robustecida a jurisprudência administrativa que não admite a concomitância das multas, a vinculada e a por atraso na entrega da declaração, ambas com a mesma base de cálculo, como no caso em debate. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar a multa lançada por atraso na entrega da DITR. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13019.000065/200511 Acórdão n.º 210202.119 S2C1T2 Fl. 98 5 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900006/2009-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
FORMULÁRIO. PER/DECOMP. AUTORIA.
Ficando comprovada a autoria da DCTF, que vinculou créditos tributários ali declarados ao formulário PER/DECOMP cuja autoria é negada, conclui-se que também restou comprovada a autoria deste último, notadamente quando todos os indícios existentes apontam para essa conclusão.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 FORMULÁRIO. PER/DECOMP. AUTORIA. Ficando comprovada a autoria da DCTF, que vinculou créditos tributários ali declarados ao formulário PER/DECOMP cuja autoria é negada, conclui-se que também restou comprovada a autoria deste último, notadamente quando todos os indícios existentes apontam para essa conclusão. Recurso voluntário negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.900006/2009-77
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5210156
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.013
nome_arquivo_s : Decisao_10680900006200977.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10680900006200977_5210156.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4556738
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041396348223488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3 1 2 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.900006/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.013 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2013 Matéria IPI Recorrente TEIXEIRA AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 FORMULÁRIO. PER/DECOMP. AUTORIA. Ficando comprovada a autoria da DCTF, que vinculou créditos tributários ali declarados ao formulário PER/DECOMP cuja autoria é negada, concluise que também restou comprovada a autoria deste último, notadamente quando todos os indícios existentes apontam para essa conclusão. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 00 06 /2 00 9- 77 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de ressarcimento eletrônico do saldo credor de IPI relativo ao 3º Trimestre de 2004, cumulado com declaração de compensação, transmitido em 16/11/2004, para compensar débitos de IRRF e de PIS do ano calendário de 2003 e de COFINS do ano calendário de 2003 até abril de 2004. Por meio do despacho decisório eletrônico emitido em 07/07/2009 e recebido pelo contribuinte em 13/07/2009, o ressarcimento foi indeferido em razão de os créditos terem sido integralmente glosados em procedimento fiscal. As compensações não foram homologadas. Regularmente notificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 13/08/2009, alegando, em síntese, que não transmitiu o PER/Decomp e nem as DCTF retificadoras que fizeram referência ao citado PER/Decomp. Disse que foi vítima de um escritório de advocacia inescrupuloso, que tentou lhe vender créditos de IPI de origem duvidosa e que ao desistir do negócio, esse escritório teria enviado o PER/Decomp. Juntou os recibos de transmissão das DCTF originais e retificadoras que reconhece serem de sua autoria (fls. 55/69). Alegou que os valores ora exigidos estão em duplicidade com autos de infração lavrados em relação aos tributos compensados. Requereu a utilização da prova juntada aos processos de auto de infração, pois lá teria sido anexado um laudo preliminar que seria capaz de comprovar suas alegações. Disse que o fato de os débitos terem sido pagos, seria mais um indício que comprovaria a negativa de autoria da transmissão do PER/Decomp e das DCTF retificadoras. Requereu a realização de perícia na intenção de demonstrar que o formulário eletrônico foi enviado de uma máquina que não é a comumente usada para a transmissão de suas DCTF e que o perito responda a seguinte pergunta: “O expert pode afirmar que o banco de dados da Secretaria da Receita Federal é inviolável e que somente pode ser acessado mediante o fornecimento de senha e/ou dados sigilosos do contribuinte, sendo imune a ataque de um “hacker”?” Requereu que o perito informasse, em relação aos débitos indicados no PER/Decomp, o valor total destes e se algum deles foi extinto por pagamento ou compensação. Solicitou que o perito informasse também qual seria o valor total dos créditos de IPI compensados e, com base nessa resposta, que o perito informasse se o crédito tributário aqui exigido não é objeto dos autos de infração contidos nos processos nº 15504.100082/200934; 15504.100094/200969; 15504.100080/200945; 15504.100081/209 90 e 15504.100084/200923. Por meio do Acórdão 35.587, de 17 de junho de 2011, a 3ª Turma da DRJ – Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade improcedente. A turma de piso constatou que não foi instaurado nenhum litígio quanto ao direito de crédito. O pedido de perícia foi negado pelo fato da providência ser desnecessária, pois os questionamentos efetuados ao perito ou são irrelevantes para a solução do caso concreto, ou podem ser respondidos consultando os documentos que instruem o processo. Além disso, um perito “contabilista” não tem qualificação técnica para se pronunciar sobre o nível de segurança dos sistemas de grande porte da Receita Federal e tampouco para localizar o endereço IP da máquina que transmitiu o PER/Decomp. No mérito, a turma de julgamento concluiu que os elementos juntados aos autos comprovam que foi a recorrente ou alguém a seu serviço quem de fato transmitiu as DCTF retificadoras e o PER/Decomp. Também ficou decidido que não existe duplicidade entre os valores exigidos em decorrência da não homologação do PER/Decomp e os valores lançados nos autos de infração nos processos elencados pela defesa. A DRJ percebeu a existência de pagamentos parciais relativos aos débitos que estão sendo cobrados e determinou à autoridade administrativa que tais pagamentos sejam abatidos do débito. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 27/10/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/11/2011, no qual reafirmou não ter Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.900006/200977 Acórdão n.º 3403002.013 S3C4T3 Fl. 4 3 transmitido as DCTF retificadoras e o PER/Decomp; que foi envolvida em uma manobra ardilosa e fraudulenta engendrada por um escritório de advocacia, na qual foi proposta a aquisição de créditos de IPI para compensação; por não concordar com a postura do escritório de advocacia a recorrente rescindiu o contrato de assessoria jurídica firmado, dando por desfeito o negócio da cessão de créditos, não pagando mais nada e nem assinando quaisquer documentos; no curso da ação fiscalizadora, foi surpreendida pela fraude perpetrada por terceiros, consistente no envio de pedidos de compensação e DCTF retificadoras; disse que não tem como precisar as datas dos eventos ocorridos porque o escritório não lhe forneceu nenhum documento; alegou que se fosse deferido o pedido de perícia seria possível rastrear o IP da máquina que fez as transmissões, o que comprovaria que foram utilizados os computadores do referido escritório de advocacia; disse que não há como concluir que foi a autora do envio dos formulários e reafirmou a necessidade da produção de prova pericial. Alegou a ilegalidade da aplicação da taxa Selic para a correção dos débitos ora exigidos. Requereu o acolhimento de suas razões para o fim de cancelar a exigência e, se isso não for possível, que seja reduzida a multa ao menor patamar legalmente possível. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica no relatório, a recorrente não trouxe nada de novo no recurso voluntário. A recorrente limitouse mais uma vez a alegar sem nada provar. Sendo assim, valhome do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/98 para adotar como fundamentos deste voto a mesma fundamentação ançada no voto condutor do Acórdão 35.587, de 17/06/2011, da DRJ – Juiz de Fora, in verbis: “(...) De início, devemos mencionar que não foi instaurado qualquer litígio atinente ao direito creditório. Ao contrário, a manifestação de inconformidade tem como ponto central a negativa da autoria do formulário PER/DCOMP Nº 08698.87592.161104.1.3.018940. De se mencionar que, conforme requerimento da manifestante, foram juntados a este processo o Laudo Pericial Preliminar ( fls. 333/359), sendo que as conclusões ali apresentadas foram consideradas para efeito de solução do litígio. Antes de adentrar no mérito das alegações feitas pela manifestante, vamos analisar a necessidade e viabilidade da realização da perícia solicitada pela manifestante. Para tanto vamos analisar cada quesito separadamente, tendo sempre em mente que o perito indicado pela manifestante é por ela qualificado como “Contabilista”, tendo registro no respectivo órgão de classe (CRC/MG 78.924/O). Fl. 521DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 No primeiro quesito quer a manifestante que o perito informe ”quais os números de identificação e datas de envio das DCTFs e PER/DCOMP utilizadas pelo Fisco para proceder ao lançamento fiscal”. Desnecessário levar tal quesito á análise de perito. A manifestante deve ter percebido que os débitos inseridos na compensação informada no PER/DCOMP em análise se referem ao anobase 2003 (IRRF, PIS e COFINS) e nos autos de infração foram lançados tributos referentes a fatos geradores ocorridos nos anosbase 2004 a 2008, como podemos observar nos extratos dos autos de infração juntados ás fls. 362/373. Portanto, é obvio que para a solução do presente processo não faz a menor diferença saber quais foram as declarações que o Fisco tomou por base para as autuações, o que torna desnecessária a realização de perícia para resposta a este quesito. No segundo e terceiro quesitos quer a manifestante que o perito informe o IP da máquina através da qual foi feito o envio de cada um dos documentos mencionados no quesito primeiro, bem como, que o perito informe se a identificação da máquina corresponde àquela comumente usada pela Requerente. Pelas mesmas razões já mencionadas acima, quando da análise da necessidade de perícia para resposta ao quesito primeiro, fica também caracterizada a desnecessidade de ocupar o perito com a verificação de informações que em nada ajudarão na solução do presente litígio. Há que se acrescentar ainda que a informação do IP da máquina de onde foi enviado o formulário eletrônico, seja do PER/DCOMP seja da DCTF, considerada isoladamente, não tem o condão de comprovar a autoria do referido formulário pois a informação pode ter sido enviada de um computador que pertence ao tal escritório de advocacia, ou outro computador qualquer, mas sob a ordem da manifestante, que, ao que tudo indica, foi o que aconteceu. No quarto quesito a manifestante pretende que o perito, um “Contabilista”, informe se “o banco de dados da Secretaria da Receita Federal é inviolável e que somente pode ser acessado mediante o fornecimento de senha e/ou dados sigilosos do contribuinte, sendo imune a ataque por um “haker””. Ora, pretender que a opinião de um “contabilista”, em matéria afeta à segurança de um sistema informatizado dessa magnitude, seja ouvida e considerada para efeito de decisão no âmbito deste processo me parece totalmente impossível. A manifestante deveria ter indicado um perito que tivesse qualificação técnica condizente com o nível de complexidade que a questão exige, no caso, pelo menos que o perito fosse um especialista comprovado em segurança de sistemas de informação de grande porte. O fato de o contabilista utilizar os programas da Receita Federal para transmitir informações relativas aos contribuintes que assiste não o habilita a emitir, com a devida fundamentação técnica, parecer sobre o tema proposto. Além do que, devo dizer que tal informação não é relevante para solução da questão posta já que o que deve ser comprovado, e isto é encargo de quem alega, é que as declarações não são de fato de sua autoria, questão esta que não tem ligação com a segurança do banco de dados da Receita Federal e sim com a seriedade e segurança com que a empresa trata o seu documentário fiscal e contábil, tema que será tratado na análise de mérito. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.900006/200977 Acórdão n.º 3403002.013 S3C4T3 Fl. 5 5 A resposta ao quesito de número cinco fará parte da análise de mérito já que uma das alegações da manifestante é justamente a existência de pagamentos relativos aos débitos inseridos na PER/DCOMP analisada. No sexto quesito a manifestante quer que seja informado o valor total dos créditos de IPI compensados através da PER/DCOMP. A resposta a este quesito é bastante simples e direta: 0 (zero). Se todo o crédito foi indeferido, naturalmente nenhum crédito foi utilizado na compensação. Por outro lado, se a manifestante queria saber qual o valor total de créditos estavam sendo solicitados no PER/DCOMP, na tentativa de se efetuar a compensação declarada, a resposta também é bastante simples: R$ 330.003,99. Esta informação está estampada no despacho decisório eletrônico juntado ás fls. 20 pela própria manifestante. Por fim, como último quesito, pretende a manifestante que o perito informe se o “crédito tributário aqui exigido já não foi exigido nos Autos de Infração nºs 15504.100082/200934; 15504.100094/200969; 15504.100080/200945; 15504.100081/200990 e 15504.100084/200923”. Essa questão já foi tratada na análise do quesito primeiro, acima, e a resposta é negativa, pelos motivos já expostos. Assim devo concluir que é totalmente desnecessária a realização da perícia solicitada, e resolvo por indeferir tal solicitação. No mérito, nos é trazida de início pela manifestação de inconformidade a questão relativa á autoria do formulário PER/DCOMP objeto do presente processo. Esta questão já foi objeto de avaliação pela fiscalização, como menciona a própria manifestante, que concluiu, pelos elementos trazidos pela então fiscalizada, que o referido formulário fora enviado pela manifestante. As alegações trazidas na manifestação de inconformidade são exatamente as mesmas que foram oferecidas para a fiscalização: simplesmente vem a manifestante alegar que foi vítima de um advogado inescrupuloso e que existiriam indícios que apontariam tal advogado como autor do envio do mencionado formulário e de diversas DCTF’s retificadoras. Após leitura e releitura de todo o processo não encontrei um único indício que possa conduzir á conclusão que o autor do envio dos formulários não seja a própria manifestante ou alguém a seu serviço, como ficará demonstrado a seguir. O fundamento da manifestante para imputar a autoria do formulário PER/DCOMP a uma terceira pessoa seria uma suposta tentativa de venda de crédito de IPI, levada a efeito pelo escritório de advocacia “BADY E CURI ADVOGADOS ASSOCIADOS”, que foi frustrada devido à negativa da manifestante em concordar com a realização do negócio. Um fato curioso é que a manifestante sequer sabe precisar a época em que tal reunião ocorreu, limitandose a dizer que em “certa oportunidade, na qualidade de representantes legais das empresas qualificadas no preâmbulo desta carta, fomos Fl. 523DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 convidados pelo escritório de advocacia “BADY E CURI ADVOGADOS ASSOCIADOS”, pela pessoa do seu diretor presidente Bady Elias Curi Neto, para comparecer em vosso escritório para uma reunião”. Seria até compreensível que os representantes da manifestante não pudessem precisar a data exata de tal reunião, mas não saber sequer precisar a época em que evento tão marcante ocorreu já soa totalmente improvável. Continuando na leitura da representação juntada pela manifestante às fls. 31/38 pudemos localizar no tempo a época em que esta suposta reunião teria ocorrido. Levantamos dúvida quando à existência de tal reunião pelo fato de não existir uma única comprovação que de fato tenha ocorrido, mas vamos continuar nossa análise supondo que realmente tenha existido e verificar, ao fim, se as alegações da manifestante têm alguma coerência cronológica. Vejamos então a cronologia dos fatos narrados pela manifestante na tal representação: primeiro encontro ocorrido em “certa oportunidade” (fl. 32, primeiro parágrafo); segundo, e derradeiro, encontro ocorrido alguns dias após o primeiro (fls. 32, último parágrafo); a fiscalização foi iniciada alguns dias depois deste segundo encontro, como afirma a manifestante (fl. 33, último parágrafo). Sendo assim, para se determinar a época da suposta ocorrência de tais encontros, bastaria verificarmos a data do início da fiscalização e retroargir no tempo por alguns dias. Como se pode constatar no documento juntados à fl. 360/361, o início da fiscalização se deu em 09/02/2009, o que nos leva a concluir que as supostas reuniões teriam ocorrido entre o final do ano de 2008 e início de 2009, já que a própria manifestante informa o transcurso de apenas alguns dias entre um evento e outro. Ora, mesmo se considerássemos como verdadeira a alegação de que tais pessoas tivessem transmitido algum documento fiscal em nome da manifestante, seria impossível que a transmissão do formulário PER/DCOMP nº 08698.87592.161104.1.3.01 8940 tivesse sido feita por essas pessoas, já que tal transmissão foi realizada em 16/11/2004, ou seja, cerca de quatro anos antes da ocorrência da suposta reunião inicial. Portanto, pelo que foi até aqui exposto, entendo estar completamente demonstrado que o formulário PER/DCOMP de nº 08698.87592.161104.1.3.018940 não foi enviado por pessoas ligadas ao escritório de advocacia citado, o que, por si só, já afasta a alegação de negativa de autoria. Está demonstrado que são totalmente inconsistentes os argumentos da manifestante no sentido de se furtar da sua responsabilidade pela autoria do envio de tal documento. Apesar da conclusão a que chegamos, fizemos algumas análises que, a despeito da discrepância de datas acima demonstrada, também seriam capazes de nos conduzir ao mesmo resultado, como vai a seguir demonstrado. O primeiro ponto relevante é o fato que para transmissão da DCTF retificadora (declaração que vincula o envio do PER/DCOMP em análise), que a manifestante alegava não ser de sua autoria, era necessário que fosse informado o número do recibo da DCTF anterior, que no presente caso era a DCTF original. Tal informação somente pode ser obtida com a pessoa que transmitiu a DCTF original, no caso a própria Fl. 524DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.900006/200977 Acórdão n.º 3403002.013 S3C4T3 Fl. 6 7 manifestante, e não há notícia nos autos de que tenha ocorrido nenhum furto no estabelecimento da manifestante em data próxima á do envio dessa declaração retificadora, para que se possa supor tenha havido o envio por um terceiro. O segundo ponto, também de igual relevância, é o fato de as informações inseridas nas DCTF’s retificadoras estarem em total convergência com os valores declarados pela manifestante nas DCTF’s originais. E mais, tais valores também levam em consideração os valores recolhidos pela manifestante no período abrangido, como se vê na tabela abaixo que vem nos trazer informações relativas à COFINS: Período de Apuraç ão Valor Darf Filial BH Fl. do proce sso Valor Darf Filial Congon has Fl. do proces so Valor DCTF Original Valor DCTF Retificado ra fev/03 729,04 91 2.671,05 98 14.417,62 11.017,53 mar/03 969,59 90 2.442,34 98 25.071,88 21.659,95 abr/03 569,31 90 2.566,93 97 21.437,33 18.301,09 mai/03 437,22 89 2.549,30 97 22.908,69 19.922,17 jun/03 362,77 89 3.520,06 96 19.876,27 15.993,44 jul/03 439,43 88 3.408,04 96 24.515,98 20.668,51 ago/03 460,58 88 3.669,33 95 e 94 22.639,74 18.509,83 set/03 1.858,78 87 3.672,08 93 25.585,27 20.054,41 out/03 866,61 87 23.360,16 22.493,55 nov/03 452,41 86 30.509,19 30.056,78 dez/03 515,37 86 26.353,91 25.838,54 Á época dos fatos, ano de 2003, a empresa tinha duas filiais, como se percebe acima. Assim, a matriz declarava o valor total (coluna “Valor DCTF Original”) e efetuava o pagamento relativo à filiais somente (colunas “Valor Darf Filial BH” e “Valor Darf Filial Congonhas”), ficando o restante em aberto. Percebese com facilidade que o valor inserido na DCTF retificadora é o da DCTF original diminuído dos pagamentos parciais existentes. O que se quer demonstrar com a tabela acima é que o valor do imposto/contribuição inserido nas DCTF’s retificadoras eram exatamente aqueles que estavam em aberto, informação que somente a manifestante detinha, mais ninguém. E surge então uma última questão a ser respondida: quem se beneficiou da transmissão das referidas DCTF’s retificadoras (e também da PER/DCOMP)? A resposta é bastante óbvia: a própria manifestante, pois, com a utilização deste expediente condenável, estes débitos se encontram em aberto até hoje. Devemos mencionar que o que foi constatado nos débitos de COFINS também ocorreu nos débitos do PIS. Estes dois últimos pontos levantados nos levam à conclusão que as DCTF’s retificadoras foram realmente transmitidas pela manifestante, ou por alguém a seu serviço. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 E como o formulário PER/DCOMP em análise foi mencionado nas DCTF’s retificadoras, não há qualquer dúvida de que também são de autoria da manifestante. O único ponto em que devo dar razão á manifestante se refere á existência de pagamentos que parecem não ter sido aproveitados pelo Fisco para amortizar os débitos. Esta situação deve ser verificada pela unidade de origem, pois está diretamente ligada com a cobrança dos débitos inseridos na Declaração de Compensação que não foi homologada. De tudo que foi exposto, voto no sentido de se considerar totalmente improcedente a manifestação de inconformidade de fls. 01/18, mantendose não homologada a compensação declarada no formulário PER/DCOMP nº 08698.87592.161104.1.3.018940, devendo a unidade de origem se atentar para a existência de pagamentos parciais relativos aos débitos que estão sendo cobrados. Antonio Carlos Lombello Braga – Relator AFRF Matrícula :63019” Relativamente à taxa Selic, a matéria é objeto do enunciado nº 4 da Súmula de Jurisprudência do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” No que tange à redução da multa, o caso concreto não versa sobre auto de infração, mas sim sobre não homologação de compensação, que por ser objeto de declaração está sujeita à multa de mora definida no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 526DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
