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Numero do processo: 36918.002937/2005-47
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1995 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SALÁRIO INDIRETO - ABONO - HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN.
A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho - RAT é prevista no art. 22, II da Lei n° 8.212/1991, alterada pela Lei n° 9.732/1998.
Segundo a súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional.Recurso Voluntário Provido em Parte.
Tratando-se de tributação de salário indireto, a decadência reger-se-á pela regra do § 4º do art. 150 do CTN, uma vez que ocorrida a antecipação de recolhimentos em relação à folha de pagamento normal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.519
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência; II) por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/1999, vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram por reconhecer a decadência somente até a competência 11/1997 e a Conselheira Ana Maria Bandeira, que votou por reconhecer a decadência até a competência 11/1998; e III) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Alessandro Mendes Cardoso, OAB n° 76714. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Rogério de Lellis Pinto.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. A contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho - RAT é prevista no art. 22, II da Lei n° 8.212/1991, alterada pela Lei n° 9.732/1998. Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional.Recurso Voluntário Provido em Parte. Tratando-se de tributação de salário indireto, a decadência reger- se-á pela regra do § 4° do art. 150 do CTN, uma vez que ocorrida a antecipação de recolhimentos em relação à folha de pagamento normal. Recurso Voluntário Provido em Partep Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Cfr +. , Processo n°36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.421 ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência; II) por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/1999, vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Bemadete de Oliveira Barros, que votaram por reconhecer a decadência somente até a competência 11/1997 e a Conselheira Ana Maria Bandeira, que votou por reconhecer a decadência até a competência 11/1998; e III) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Alessandro Mendes Cardoso, OAB n° 76714. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Rogériodiellis Pinto. :O ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente / Á oro R ELLISOG 41:3'' L/ PINTO ¡st(Re r-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Peneira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.422 Relatório O presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos aos segurados empregados à título de GRATIFICAÇÕES E ABONO, fls. 04 a 06. Os valores foram apurados por meio de folhas de pagamentos e resumos apresentados durante o procedimentos, cujas cópias foram anexadas a presente NFLD por amostragem. Os fatos geradores objeto desta NFLD compreendem para o levantamento GRATIFICAÇÕES as competências 11/1994, 12/1994, 04/1995, 05/1995 e 10/1996, e para o levantamento ABONO as competências 02/1995 , 03/1995, 11/1999, 11/2000, 10/2002 e 11/2003. Relevante destacar que o lançamento foi efetuado 29/12/2004, tendo o recorrente dado ciência no mesmo dia. Destaca-se ainda MPF foi assinado em 18/12/2003, servindo este instrumento corno medida preparatória indispensável à realização do procedimento de notificação. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 331 a 357. Foram anexados documentos às fls. 365 a.7319. Foi emitida Decisão-Notificação confirmando a procedência do lançamento, fls. 7320 a 7326. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 7331 a 7352.Em síntese, a contratada em seu recurso alega o seguinte: A recorrente devolve para apreciação desse colegiado apenas a discussão acerca da aplicação de alíquotas majoradas na apuração do SAT. Existem vícios formais no DAD, quando confrontado com o Relatório fiscal no que diz respeito a alíquota aplicada para terceiros. A fiscalização ao calcular o SAT, devido em razão dos pretensos fatos geradores relacionados a este processo, desconsiderou que a recorrente possuía 2 estabelecimentos distintos, inclusive em parte do período objeto de autuação com dois CNPJ próprios e vinculados a graus diferentes de risco. Nos termos da ON n° 2/1994, os escritórios administrativos desde que o estabelecimento a eles relacionados possuísse CNPJ próprio, estaria enquadrado no grau de risco 1%. Incabível a alegação da fiscalização de que necessário que os escritórios estivessem em endereços distintos. Da decisão proferida pelo CRPS restou reconhecida a possibilidade da segregação dos estabelecimentos da recorrente para fins de aplicação de alíquotas distintas para cálculo do SAT. j./ s - Processo n° 36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n. 206-01.519 Fls. 7.423 Os mapas anexados demonstram que as vias de acesso utilizadas pelos empregados que exercem atividades no estabelecimento são externas aos galpões, onde esta inserida a linha de produção da recorrente, não tendo aquele qualquer contato com a referida linha. No termos do art. 100 do CTN, ao se valer de normas complementares, não poderá o recorrente ser penalizado com multa ou juros, por ter agido de boa-fé. Requer o provimento do presente recurso para que se determine a alteração da contribuição para terceiros, relacionado ao período de 11/1999 a 11/2000 e 10/1996. Altere-se a alíquota de SAT aplicável para 1%, face a determinação da ON 2/1994. Subsidiariamente determine a exclusão da cobrança de penalidade (multa), juros de mora e atualização monetária nos telmos do art. 100 do CTN. O processo foi encaminhado a este conselho com o oferecimento de contra- razões Ás fls. 7408 a 7413. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 7406, tendo efetuado depósito recursal em relação a matéria devolvida a este colegiado para apreciação. Pressupostos superados, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar cumpre-nos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destaca-se como passos necessários a realização do procedimento: Autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes, conforme demonstrado às fls. 01 a 99. 4 k Processo n°36918002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.424 Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, apesar de ter ocorrido o lançamento em 29/12/2004, com a cientificação ao sujeito passivo ocorreu no mesmo dia, temos que importante mencionar que o procedimento fiscal teve inicio em 18/12/2003, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória para o lançamento. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8 - "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa folina, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, . a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei." Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1' Seção no Recurso Especial de n° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO-LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3. 0 DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA 5 Processo n° 36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.425 FÁ TICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁ GRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindic ável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.° 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQ1V), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários acivocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4°, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RI, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para afixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a _fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II- da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a jor 6 Processo n°36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.426 constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa , no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra- se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (á) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento • poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, ,5Ç 4°, e 173, do CTN, em se tratando de tributos . sujeitos a lançamento por homologação, afim de configurar desarrazoado prazo • decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CT1V), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na prinzeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o Á 7 40 Processo n°36918.002937/2005-47 CCO2/006 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.427 qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação fornializadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CT1V; cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo .fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo 1SSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a - regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notcação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessunte a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido." (GRIFOS NOSSOS). Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: 8 o; Processo n°.36918.002937/2005-47 C002/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.428 Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) rega da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." ,. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: "Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1" - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. dp 9 /ir Processo n° 36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.429 § 2 0 - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. sç 3 0 - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4"- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." (grifo nosso). Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previ denci árias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4 0, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. 10 ir Processo n°36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.430 Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada corno algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Até poderíamos aceitar, tal conclusão, em urna análise simplória, acerca do faturamento das empresas e as contribuições que incidam sobre esta base de cálculo, mas o mesmo raciocínio não pode ser atribuído às contribuições previdenciárias, onde existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o 'recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § 40 do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. O mesmo raciocínio pode ser estendido para os casos em que devida a obrigação de efetuar o recolhimento, omitiu-se o contribuinte, por considerar não ser do mesmo a obrigação de efetuar o recolhimento. Ocorre, por exemplo, nos casos em que está obrigado a reter 11% do valor da nota fiscal em se tratando de empreitada ou cessão de mão de obra. Nos casos em que se atribui responsabilidade solidária, ou mesmo nos casos de isenção, onde descumpridor das regras que o qualificariam corno isento de contribuições patronais, não efetua qualquer recolhimento da contribuição patronal. Na verdade, entendo ser aplicável em regra o art. 173 do CTN, só passando para o § 4° do art. 150, nos casos em que se comprova o efetivo recolhimento, ou melhor, a antecipação de um recolhimento. Por fim, outro ponto que entendo pertinente, e que, embora não interfira diretamente na declaração de toda contagem de prazo decadencial, venha a ser relevante em determinados lançamentos, é considerar corno marco inicial para determinação das contribuições que se encontram decaídas a data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Neste caso, considerando que no âmbito da Fiscalização previdenciária, com a extinção do TIAF, assumiu o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF status de conferir validade ao procedimento fiscal, ou seja, que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do início do procedimento fiscal, e que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF, lavrado quando do término da auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento, será a ciência desse instrumento o marco a ser considerado para cálculo do prazo decadencial. 11 Processo n°36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01319 Fls. 7.431 Assim sendo, o MPF marca o início do procedimento fiscal de constituição do crédito tributário, bem como, por conseqüência, serve também de marco para determinação das contribuições que já não podem ser exigidas. Considerar-se-á a data da cientificação do MPF como marco inicial para contagem retroativa das contribuições que poderão ser englobadas no lançamento que se busca concretizar. Entendo que tal raciocínio, respaldado no teor do acórdão da 1a Sessão STJ, trazido a baila para respaldar este julgamento, que a data do MPF somente pode ser aplicável nos casos de contagem de prazo decadencial consubstanciado no art. 173 do CTN, onde o Parágrafo único é claro em prenunciar dita possibilidade. No presente caso o lançamento foi efetuado em 29/12/2004, importante destacar que o procedimento fiscal teve início em 18/12/2003, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória para o lançamento. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 02/1995 a 12/2003, dessa forma, em aplicando-se o art. 173, por se tratar de salário indireto e a súmula vinculante n° 8 do STF, encontram-se decadentes os levantamentos até a competência 11/1997, ou seja, devem ser mantidos os levantamentos AB2. DO MÉRITO No que concerne ao mérito a única matéria devolvida a este colegiado, objeto de anterior impugnação diz respeito a alíquota de SAT aplicada, por considerar a empresa que o alíquota correta seria 1% ao invés de 2%. Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT — Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). A exigência da contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho - RAT é prevista no art. 22, II da Lei n° 8.212/1991, alterada pela Lei n° 9.732/1998, nestas palavras: "Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 11 -para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei 11 0 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98). a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. f712 Processo n° 36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.432 Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: "Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I - um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II - dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III - três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1" As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. • § 2" O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade fisica. § 3° Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4' A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo § 5' O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto-enquadramento em qualquer tempo. § 60 Verificado erro no auto-enquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7" O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9°. § 8" Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. 13 • Processo n° 36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.433 § 9" (Revogado pelo Decreto n°3.265, de 29/11/99). § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729/2003). § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003). § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003)." Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", deve-se afastar a argüição de contrariedade ao principio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446-SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SÃ T. LEI 7.787/89, ARTS. 3° E 4 0; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4°; ART. 154, II; ART. 5°, II; ART. 150,1.. 1. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT. Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, CF., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. - O art. 3', II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. - As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da 14 Processo n° 36918.002937/2005-47 CCO21C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.434 legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V.- Recurso extraordinário não conhecido." Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, urna vez que o art. 22, § 3° da Lei n° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3 0 do art. 22 da Lei n° 8.212/1991: "Art. 22 (..). § 3" ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, afim de estimular investimentos em prevenção de acidentes." Não há que se falar em violação do art. 3° do CTN, pois toda a atividade de cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao art. 153, § 1° da Constituição Federal pelo já exposto. Quanto ao mérito conforme analisado em cada levantamento, entendo que os argumentos apresentados foram incapazes de refutar o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento todos os levantamentos até a competência 11/1997 alcançados pela decadência prevista no art. 173 do CTN e no mérito NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. É corno voto. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2008 / • E A1NE, CRIS 1 INA MONTEIRõ E SILVA VIEIRA 15 Processo n° 36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.519 Fls. 7.435 Voto Vencedor Peço vênia a ilustre Relatora, para discordar de seu entendimento no que tange a aplicação do prazo decadencial. Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. STJ, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unânime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo STJ, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes insertas no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. Eliminando as divergências interpretativas que impediam a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N" 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO". Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e46 da Lei n°8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a do § 4° do art 150, cuja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, I, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no caput do art 150 do CTN.).., 16 Processo n°36918.002937/2005-47 CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.519 Fls. 7.436 Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no § 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex. Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 40 do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, in Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3' Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 § 40 do 173 do CTN está, pois, no regime jurídico do tributo (...)". Embora entenda não haver qualquer necessidade de se constatar ou não ter havido prévio recolhimento do tributo previdenciário, para fins de incidir a norma do art 150, § 40 do CTN, é de se destacar que as contribuições referem-se à inclusão na base tributada, de valores que a empresa entendia não dever sofrer a incidência, portanto, acredito que houve sim antecipação de pagamento, conquanto o salário normal foi exacionado, portanto, a homologação deve submeter-se a data da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso interposto, para acatar a preliminar aventada pelo Contribuinte, e reconhecer a decadência das contribuições até a competência de 11/99. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2008 RO • DE LELLIS PINTO 17
score : 1.0
Numero do processo: 35564.003353/2006-64
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SALÁRIO INDIRETO - PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR
PAT - NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DE DN.
Não cientificação do recorrente acerca de diligência efetuada -
cerceamento de defesa, nula a decisão de P instância.
Processo Anulado
Numero da decisão: 206-01.870
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em anular a Decisão de Primeira Instância.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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CONFERE COMO ORIGINAL Brasilia, CCO2/C06 Maria OITO to Mat. Bispa 752748 Fls. 571 ,4; n=11.:-k4 -12tek41:zr:t MINISTÉRIO DA FAZENDA zog.../gr; SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂ-MARA Processo no 35564.003353/2006-64 Recurso nri 151.517 Voluntário Matéria APROPRIAÇÃO INDÉBITA Acórdão n° 206-01.870 Sessão de 05 de fevereiro de 2009 Recorrente ISAAC SALOMÃO SAYEG CIA LTDA Recorrida SRP - SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVTDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SALÁRIO INDIRETO - PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DE DN. Não cientificação do recorrente acerca de diligência efetuada - cerceamento de defesa, nula a decisão de P instância. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. C\/ — a r CCJMF Sexta Camara CONFERE COMO ORIGINAL Brusilia./ Processo n°35564.003353/2006-64 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.810 Maria Edn redis P0749 max. Sim)* 715274. Fls. 572 • ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, 'unanimidade de votos em anular a Decisão de Primeira Instância. ELIAS SAM AIO FREIRE Presidente • . Me• • 1 SILVA VIEIRA, Relatora • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 2° Catar Sede Cárnans CON:: E R r. coM O OnIGINAL nr.c.dia.06-9,.. (77"" - -J •Processo n° 35564.003353/2006 -64 Maria Eciill.nrri ensYinto can" Acórdão n.° 206-01.870 Mat. Siape 752743 FLs. 573 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela retida dos segurados empregados e não recolhidas na época própria. O período do presente levantamento abrange as competências ABRIL DE 2004 a JUNHO DE 2006. Os valores decorrem dos salários de contribuição declarados no documento GFIP, bem como apurados em FOPAG. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 30/06/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 04/07/2006. Contudo, relevante informar que o procedimento fiscal teve início em 30/06/2006, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória indispensável para o lançamento. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 59 a 62. O processo foi baixado em diligência para apreciação dos documentos apresentados em sede de defesa, fl. 311. Foi emitida Decisão-Notificação - DN confirmando a procedência do lançamento, fls. 314 a 317. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 337 a341. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega: No período objeto do lançamento a empresa entregou suas GFIP preenchidas incorretamente. A matriz centralizou as GFIP, inicialmente entregando as informações de todas as suas filiais, embora essas tenham prestado informações de forma centralizada As informações prestadas pela matriz não correspondem a realidade, eis que acumulou indevidamente os valores dos estabelecimentos. Para corrigir a falta a matriz retificou suas GFIP. Diferente do entendimento veiculado, os valores constantes da GFIP coincidem exatamente com os valores contidos na FOPAG. Requer a procedência do pedido e conseqüente anulação da NFLD. O recorrente manifestou-se para que seja apropriada GPS da competência 07/2004, que incorretamente fez constar a competência 07/2005. A Receita Previdenciária apresenta suas contra-razões tendo encaminhado o recurso a este conselho. É o Relatório. 2• CC/Iff Sega Câmara. % CONFERE COM O ORIGINAL Brastlla, g fOLL-2- Processo n°35564.003353/2006-64 CCO2/C06Acórdão n.° 206-01.870 Mar! Mat. Mapa 752748 Fls. 5 74 - Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 518. Pressupostos superados, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, bem como terem sido requeridas .diligências no âmbito da ? CaJ, devidamente atendidas, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. • ' Antes da emissão da nova Decisão-Notificação, fls. 160 a 205 foi realizada diligência134 a 152, para que a fiscalização se manifestasse acerca das solicitações da r Cal, bem como, de solicitações feitas pela própria seção de Contencioso Administrativo, tendo como resultado informação fiscal que determinou a retificação do débito. Dessa nova informação fiscal, que ensejou a retificação parcial do débito não foi conferida vistas ao recorrente, ou seja não houve cientificação, para que o mesmo se manifestasse antes da emissão da DN. Dessa forma, deve ser anulada a Decisão Notificação, para que o processo seja baixado em diligência para que o recorrente seja cientificado da informação fiscal que propõe nova retificação do débito. CONCLUSÃO: Voto por ANULAR A DECISÃO DE ia INSTÂNCIA. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009 • • g • e _ _ VA VIEIRA 4 Page 1 _0068100.PDF Page 1 _0068200.PDF Page 1 _0068300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10907.722061/2013-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3402-010.269
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a autuação decorrente de operações de retificação de dados prestados tempestivamente. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.268, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10921.720280/2013-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a alegação de ilegitimidade passiva do agente desconsolidador de carga em relação a penalidades relativas a intempestividade na prestação de informações no SISCARGA de sua responsabilidade. Aplicação da Súmula CARF nº 185. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE NAS INFRAÇÕES POR PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA. As penalidades decorrentes da perda de prazo para apresentar informações sobre carga não podem ser afastadas pela denúncia espontânea pois o próprio decurso do prazo já aperfeiçoa as condições exigidas para a aplicação da penalidade, reforçado pelo fato de que o próprio sistema realiza o bloqueio automaticamente, configurando-se assim ato administrativo da competência da Autoridade Tributária. Súmula CARF nº 126. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS MULTA POR ATRASO NA INFORMAÇÃO DE CARGAS EM OPERAÇÕES DE RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES JÁ PRESTADAS. INAPLICABILIDADE. A retificação de informações já prestadas tempestivamente não pode ser considerada atraso na prestação de informações, nos termos do SCI COSIT/RFB Nº 2/2016. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a autuação decorrente de operações de retificação de dados prestados tempestivamente. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.268, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10921.720280/2013-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 20 61 /2 01 3- 02 Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.269 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722061/2013-02 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão que julgou improcedente a Impugnação do Auto de Infração e considerou devida a exação. O Auto de Infração assim descreveu os fatos que ensejaram a autuação: “O presente auto de infração trata da aplicação de penalidade (s) pelo descumprimento de obrigação (ões) acessória (s) pela empresa WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA, CNPJ 00.423.733/0019-68, referentes à inserção de informação (ões) no sistema Siscomex Carga fora do prazo estipulado pela Receita Federal do Brasil. (...) Considerando que a retificação de informações prestadas no Siscomex Carga constitui ato relevante no que tange à fiel identificação da operação e da carga, influenciando na análise de riscos e procedimentos a que esta carga estará sujeita; Considerando que a Empresa de Navegação Operadora da Embarcação ou a Agência de Navegação que a represente denominada WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA, registrado no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ 00.423.733/0019-68, conforme telas do sistema e documentos em anexo, deixou de prestar ou prestou de maneira incorreta, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, como segue: I. Deixou de prestar, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, as informações relativas ao (s) Manifesto(s) Eletrônico(s) constantes do Anexo[...]; Apesar de a(s) planilha(s) anexa(s) a este auto de infração, ser(em) objeto da consolidação dos dados extraídos do Siscomex Carga, sistema o qual o autuado tem acesso, são juntados os extratos correspondentes: I – Manifestos: [...], [...],[...],[...],[...],[...] e [...]. Propõe-se, portanto, por estar plenamente configurada a conduta ali tipificada, a aplicação da penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei 37/66 para cada Escala, Manifesto Eletrônico, Conhecimento Eletrônico – CE, vinculação ou associação sob sua responsabilidade em que haja o descumprimento da forma ou do prazo estabelecidos pela Instrução Normativa RFB nº 800/2007.” A autoridade Aduaneira juntou anexo ao auto de infração, onde consigna as escalas, data e hora de atracação, motivo da ocorrência e data e hora das ocorrências que ensejaram a autuação. Adoto parcialmente o relatório do Acórdão de Primeira Instância por entender que representa adequadamente os fatos: “Cientificada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e aditamentos posteriores alegando em síntese: O Auto de Infração é nulo por não haver prova de sua condição de agente passivo da obrigação; Fl. 163DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.269 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722061/2013-02 A autuada não é a responsável pela infração cabendo a sua imputação ao armador/transportador; Está acobertada pelos benefícios da denúncia espontânea.” A Autoridade Julgadora de Primeira Instância assim decidiu em seu Acórdão: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA. É cabível a multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Recorrente tomou ciência do Acórdão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário. Alega ilegitimidade passiva, autuação em razão de operações de retificação de dados previamente informados e denúncia espontânea. Apresenta o seguinte pedido: “Ante o exposto, é a presente para requerer que seja conhecido e provido este Recurso Voluntário, reformando-se o acórdão recorrido para que seja declarada a improcedência do auto de infração objeto do processo administrativo em epígrafe. Nestes Termos, pede deferimento.” Este é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da Ilegitimidade Passiva O controle de unidades de cargas em operações marítimas internacionais é atividade extremamente complexa, que envolve o controle das próprias unidades pelo seus portos de origem, destino e consignatários, e pelo controle de seus conteúdos, através identificação das diversas cargas unitizadas presentes em seu interior. Assim, diferentes agentes entregam diferentes informações à Autoridade Aduaneira, conforme o nível de seu envolvimento nas diversas operações relacionadas, ou não existiriam diferentes agentes envolvidos. Enquanto a principal obrigação do armador é pela gestão náutica do navio, rotas, unidades de carga que serão desembarcadas em cada porto, e sua procedência, o conteúdo de cada unidade de carga, individualizado pelos diversos possíveis clientes em cargas unitizadas, cabe aos agentes de desconsolidação de cargas. A IN RFB nº 800/2007 é bem clara em seu artigo 2º, ao definir e caracterizar cada agente de forma diferenciada, cada qual com sua especialidade e conteúdo das informações de interesse do controle Fl. 164DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.269 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722061/2013-02 aduaneiro, não podendo se confundir de forma alguma a empresa que opera o navio, sua navegação e movimentação das unidades de carga, e o trabalho de operadores de desconsolidação de natureza completamente diversa, ainda que relacionada. “Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa define-se como: I - unitização de carga, o acondicionamento de diversos volumes em uma única unidade de carga; II - consolidação de carga, o acobertamento de um ou mais conhecimentos de carga para transporte sob um único conhecimento genérico, envolvendo ou não a unitização da carga; (...) IV - o transportador classifica-se em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratando-se de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (...) Seção II Da Representação do Transportador Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. Parágrafo único. O consolidador estrangeiro é também chamado de Non-Vessel Operating Common Carrier (NVOCC). Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga.” A Resolução Normativa nº 18, de 21 de dezembro de 2017, da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (ANTAQ), assim define na alínea c, inciso II, do artigo 2º o Agente Marítimo: “Art. 2º Para os efeitos desta Norma são estabelecidas as seguintes definições: (...) c) agente marítimo: todo aquele que, representando o transportador marítimo efetivo, contrata, em nome deste, serviços e facilidades portuárias ou age em nome daquele perante as autoridades competentes ou perante os usuários; (...)” Não cabe portanto a alegação que na condição de mandatária, a agência marítima não possui qualquer responsabilidade em praticar os atos de responsabilidade do armador junto às autoridades públicas, pois é justamente esta a razão de ser deste agente intermediário, e nisto está a Fl. 165DF CARF MF Original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1415959 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1415959 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1415960 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=52946#1415960 Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.269 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722061/2013-02 motivação de contratação de seus serviços pelos operadores efetivos dos navios, num porto estrangeiro. De qualquer forma, a Portaria ME nº 12.975, de 10 de novembro de 2021, atribui à Súmula CARF nº 185 efeito vinculante em relação a Administração Tributária, e como podemos constatar abaixo afasta a ilegitimidade passiva no caso em análise. “Súmula CARF nº 185 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes 9303-010.295, 3301-005.347, 3402-007.766, 3302- 006.101, 3301-009.806, 3401-008.662, 3301-006.047, 3302-006.101, 3402- 004.442 e 3401-002.379.” Sem razão à Recorrente. Da aplicação de multa por atraso na prestação de informações em pedidos de retificação A questão resolve-se pela SCI COSIT/RFB nº 2/2016, onde a própria RFB que a retificação de dados já informados não pode ser considerada atraso na prestação de informações, nos termos que reproduzimos a seguir: “11. Infere-se, ainda, da legislação posta o não cabimento da aplicação da referida multa quando da obrigatoriedade de uma informação já prestada anteriormente em seu prazo específico, ser alterada ou retificada, como, por exemplo, as retificações estabelecidas no art. 27-A e seguintes da IN RFB Nº 800, de 2007, que podem ser necessárias no decorrer ou para a conclusão da operação de comércio exterior. Ou seja, as alterações ou retificações intempestivas das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a multa aqui tratada. Conclusão 12. Diante do exposto, soluciona-se a consulta interna respondendo à interessada que: a) a multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação prestada em desacordo com a forma ou nos prazos estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007; b) as alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não se configuram como prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa aqui tratada.” O anexo ao auto de infração consigna que a autuação referente a diversos manifestos de carga, decorreram de pedido de retificação de informações prestadas anteriormente, e nos termos do SCI COSIT/RFB nº 2/2016, não podem prosperar. Dou razão à Recorrente. Fl. 166DF CARF MF Original https://carf.economia.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.269 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722061/2013-02 Denúncia Espontânea A denúncia espontânea é a exclusão da responsabilidade do agente pela comunicação de infração à Autoridade Tributária, antes do início de qualquer procedimento administrativo, acompanhada do pagamento dos tributos devidos e não recolhidos anteriormente e juros de mora, conforme previsto no artigo 138, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Conforme fica claro, no texto transcrito acima, o CTN não exige que para a exclusão da responsabilidade haja o recolhimento de qualquer penalidade, na medida em que seria contraditório excluir a responsabilidade por uma infração e ainda assim proceder a exigência da penalidade cabível. Já o Decreto-Lei nº 37/1966, no § 2º, do seu artigo 102, é bem claro em afastar a aplicação de qualquer penalidade em relação à denúncia espontânea, exceto no que disser respeito às penas de perdimento.. “ Art.102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º - Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.” No entanto, em ambos os dispositivos legais, há a restrição de que qualquer ato de denúncia espontânea seja praticado após o início de qualquer procedimento fiscal de ofício praticado por servidor competente. O controle das informações de carga é feito de forma informatizada pelo sistema SISCARGA que, dentro de suas funcionalidades, conta com o controle dos prazos de chegada e saída de veículos e dos atos demandados pelos diversos agentes envolvidos, bloqueando automaticamente operações que não atendam as determinações legais que sejam detectadas, entre elas a informação intempestiva de carga o que gera o bloqueio automático da operação. O desbloqueio da operação para prosseguimento da informação é ato de ofício da Autoridade Aduaneira e constitui-se em limite impeditivo da denúncia espontânea. Ademais, as ações dos contribuintes de antecipação Fl. 167DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.269 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722061/2013-02 dos atos necessários ao lançamento, inclusive o pagamento antecipado do tributo devido, condicionando o direito de lançamento à condição resolutória de posterior homologação, num prazo de até cinco anos, e a possibilidade do contribuinte em corrigir eventuais equívocos cometidos, tanto no lançamento por homologação, como antecipando-se ao despacho aduaneiro, afasta o conhecimento futuro pela Autoridade Tributária de infração relacionada ao pagamento de impostos, em razão desta ter sido diligentemente corrigida pelo próprio contribuinte, antes que a Autoridade aja de ofício. Entretanto, o próprio transcurso do prazo para prestar informações configura uma infração prevista na legislação e de caráter irreparável, pois a prestação de informações de forma intempestiva não repara o atraso e suas consequências, e ainda é de conhecimento da Autoridade Aduaneira anterior a qualquer ato do contribuinte, sendo conhecida de forma automática pelo próprio sistema SISCARGA. Não se pode admitir denúncia espontânea em infração relacionada à prestação intempestiva de informações obrigatórias, nem tão pouco que seja isenta da produção de danos à fiscalização. Assim também está consignado na Súmula CARF nº 126: “Súmula CARF nº 126 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2018 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: 3102-001.988, de 22/08/2013; 3202-000.589, de 27/11/2012; 3402-001.821, de 27/06/2012; 3402-004.149, de 24/05/2017; 3801-004.834, de 27/01/2015; 3802- 000.570, de 05/07/2011; 3802-001.488, de 29/11/2012; 3802-001.643, de 28/02/2013; 3802-002.322, de 27/11/2013; 9303-003.551, de 26/04/2016; 9303- 004.909, de 23/03/2017.” Sem razão à Recorrente. Tendo em vista tudo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de afastar a autuação decorrente de operações de retificação de dados prestados tempestivamente. Fl. 168DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.269 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10907.722061/2013-02 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a autuação decorrente de operações de retificação de dados prestados tempestivamente. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 169DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10380.004940/2002-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA.
POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48).
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-000.723
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 24/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11177.JBOO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 32): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A concessão de medida liminar em mandado de segurança ou ação cautelar suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ficando, entretanto, a Unido Federal impedida de constituilo pelo lançamento de oficio a fim de prevenir a decadência, sendo neste caso inaplicável multa de lançamento de oficio. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. INAPLICABILIDADE. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, não caberá lançamento de multa de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ, considerando que houve depósito integral em juízo do valor do crédito tributário e que o lançamento foi efetuado apenas para fins de prevenção da decadência, afastou a incidência de juros de mora e da multa deofício. O Recorrente, por sua vez, pleiteia a reforma da decisão, alegando que não caberia o lançamento deofício, porque o deferimento da medida liminar e o depósito em juízo suspenderiam a exigibilidade do crédito tributário, impedindo a cobrança do principal, multa e juros de mora. Sustenta a ausência de ato lesivo ao Fisco e discorre sobre os efeitos da compensação e da liminar deferida, pleiteando, ao final, a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 17/12/2010 (fls. 40), ao passo que o recurso foi protocolizado em 12/01/2011 (fls. 42), dentro do prazo legal. A matéria em debate está inserida na competência da Terceira Seção, de sorte que, presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11177.JBOO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.004940/200274 Acórdão n.º 380200.723 S3TE02 Fl. 83 3 Em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, a Jurisprudência do Carf alinhase no sentido contrário, admitindo de forma pacífica o lançamento deofício para fins de prevenção da decadência do crédito tributário, consoante enunciado na Súmula nº 48: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Não há qualquer elemento nos autos que justifique o afastamento dessa orientação, razão pela qual se vota pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.0320.11177.JBOO. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por SOLON SEHN em 24/10/2011 21:30:14. Documento autenticado digitalmente por SOLON SEHN em 24/10/2011. Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 11/11/2011 e SOLON SEHN em 24/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 29/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.0320.11177.JBOO Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 95923880459C7F29DD0620EE82EBFE04FE9DEF9B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10380.004940/2002-74. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10380.900423/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS.
IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO.
O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias
nacionais.
O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6° da Lei n° 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (não-tributado).
Ainda, o artigo 3° da Lei n° 4.502/64 considera “estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”.
Como os produtos gravados na TIPI como “NT” estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização, não sendo, pois, abrangidos, pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI.
Recurso ao qual se nega provimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.765
Decisão: ACORDAM os membros da colegiado, por voto de qualidade, NEGAR
provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros TATIANA MIDORI MIGIYAMA (Relatora), Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6o da Lei no 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado). 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Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 140 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da colegiado, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros TATIANA MIDORI MIGIYAMA (Relatora), Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Jose Barroso Rios. Assinado digitalmente Regis Xavier Holanda Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. Assinado digitalmente Francisco Jose Barroso Rios – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros RÉGIS XAVIER HOLANDA (Presidente), FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO, BRUNO MACEDO MAURÍCIO CURI, CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA e TATIANA MIDORI MIGIYAMA (Relatora). Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 141 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AMENDOAS DO BRASIL LTDA contra Acórdão nº 0116.275, de 10 de fevereiro de 2010 (de fls. 90 a 97), proferido pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que julgou por unanimidade a manifestação de inconformidade improcedente e o direito creditório não reconhecido. Por bem descrever os fatos, adoto parte do relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: . 1. O presente processo trata sobre PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação), relativo ao crédito presumido regulamentado pela Lei n° 9.363/1996, do 4º trimestre de 2002. O crédito requerido de IPI e o valor utilizado na declaração de compensação foram idênticos, ou seja, na quantia de R$ 267.497,04. 2. O pedido de ressarcimento foi deferido em parte por meio do despacho de fls. 53/55, reconhecendose apenas o crédito de R$ 168,86, com a glosa do restante sob o fundamento de ter a sociedade empresária produzido item classificado na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) como produto "NT" (Não Tributado), consoante informação fiscal de fls. 12/17. 3. Cientificado do ato administrativo, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 58/73), aduzindo as seguintes alegações: “I DOS FATOS 1. Cuida este processo de compensações fiscais do 4° trimestre de 2002, a título de ressarcimento do crédito de exportação, leis 9.363/1996 e 10.276/2001. A fiscalização entendeu que a esta empresa não tem o direito aos totais compensados porque a quase totalidade das exportações foi de produtos NT (castanhas de caju). E, segundo a fiscalização, produtos NT não geram o direito ao crédito. Demonstrarseá: • Que a lei 9.363/1996 refere "mercadorias produzidas", o que é muito diferente se o fizesse a "produtos industrializados tributados pelo “IPI”. • Que a tabela NCM, adotada no comércio exterior (Siscomex), traz uma Única classificação para as castanhas de caju, tanto faz que em qualquer tipo de embalagem, tornando assim impossível distinguilas em NT ou em alíquota zero; • Que os produtos exportados pela impugnante são "produtos industrializados", isto é, "produtos de produção própria", na melhor acepção da lei 4.502/1964; • Que a autoridade fiscal faz confusão entre: (i) produto industrializado, perante o IPI e (ii) campo de incidência do IPI e, .finalmente, • Que, em qualquer hipótese, os produtos exportadores, industrializados ou não, usufruem de imunidade constitucional de PIS e da COFINS, de modo que negarlhes o direito ao crédito de operações anteriores (presumido ou real), implica negarlhes a imunidade. II DO DIREITO • Produção, Industrialização • Produto industrializado • Campo de incidência Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 142 4 2. Examinemos o texto legal argüido pela autoridade lançadora, no que diz respeito à definição de "produção": Art. 3° Para os efeitos desta Lei (..) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (Lei 9.363/ 1996, grifo da impugnante). 3. Sabese que a interpretação há de ser literal: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; (..)(CTN) 4. Em vista do que há de se buscar, na legislação do IPI, justa e precisamente, o conceito de produção. E não mais que este conceito, por conta da interpretação literal: produção. O Regulamento do IPI, Dec. 4.544/2002, não faz a conceituação direta do verbete. Refereo em diversas oportunidades: Livro de Controle da Produção e do Estoque, dentre outras. Examinemos, mais direta, esta referência, quando o RIPI trata do cálculo da produção, tudo no sentido de "bens produzidos": Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens (Lei n° 4.502, de 1964, art. 108). 5. O Regulamento do IPI, ao fulcro da lei 4.502/1964, define o que se há de entender por "produto industrializado": Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. [Regulamento do IPI, dec. 4.544/2002] 6. Percebese, claramente, que o RIPI equipara, como idênticos, os conceitos de producão e de industrialização. De fato, quando refere Livro de Controle da Produção e do Estoque está afirmando o mesmo que Livro de Controle da Industrialização e do Estoque. No art 4°, dá o RIPI a definição daquelas cinco operações que configuram a industrialização/produção: 1. transformação; 2. beneficiamento; 3. acondicionamento; 4. montagem; 5. restauração. 7. Evidente que as normas do IPI hão de ser entendidas como definições regulamentares sem invalidar os conceitos prévios do vernáculo (dicionário),do CTN e da Constituição Federal. Vejamos agora, resolvida a questão do "produto industrializado" (que é a mesma coisa que "produto produzido'), este outro conceito —: o CAMPO DE INCIDÊNCIA, onde um determinado produto, não obstante a sua industrialização, a lei manda situálo porque assim o desejou do lado de fora de sua abrangência. Veremos que nem todos os produtos, gramatical e fiscalmente industrializados, foram inseridos pela lei do IPI no "campo de incidência". Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 143 5 8. Veremos também, no oposto, que alguns produtos, ainda que in natura (animais vivos), industrializados de forma alguma, foram mandados para o campo de incidência. Um absurdo, é certo, mas está na lei. Em suma, coisas distintas e nem sempre coincidentes: (i) produto industrializado; (ii) campo de incidência. Demonstremolo na prática. 9. Tomemos o exemplo do álcool carburante, o etanol. Ninguém tem dúvida de que o etanol é produto industrializado, porque resultante de um processo de transformação complexo (cana de açúcar + moagem + fermentos + enzimas + processamento industrial de destilação = a produto final, o álcool carburante). Pois bem, a legislação do IPI manda afastar o etanol do campo de incidência. vide Tabela do IPI. Nem por isto, o álcool carburante deixará de ser produto industrializado, não apenas em sentido gramatical, constitucional e tributário. 10. CAMPO DE INCIDÊNCIA, por conseguinte, nem sempre tem algo a ver assim nos garante o etanol com os conceitos lógicos, léxicos e constitucionais do que se entende por "produto industrializado". Evidente que as castanhas industrializadas pela impugnante não dão em árvores, já descascadas, despeliculadas. classificadas, tipificadas e embaladas para consumo e apresentação, operações próprias do "beneficiamento" e "acondicionamento": Art. 4°. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento) IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou (RIP1, grifos da impugnante) 11. Sim, esta indústria promove, numa etapa primeira, o beneficiamento das castanhas in natura para obtêlas sem casca e sem película, classificandoas por tipo, qualidade e tamanho; e, numa etapa final, promove o seu acondicionamento. Tais operações são típicas de industrialização, tanto na acepção gramatical como também na acepção fiscal do art. 4° do Regulamento do IPI 12. Em suma, industrialização/produção, para fins do !PI, é qualquer uma daquelas cinco operações de que cuida o art 4° do RIP1; campo de incidência, no IPI, é o grupamento dos produtos sob alíquotas positiva, zero ou isenção. Uma coisa, repitase, não tem muito a ver com a outra, posto que "industrialização" envolve um conceito programático, digamos, a listagem daqueles produtos que podem vir a ser tributados, enquanto que "campo de incidência" é o seu detalhamento, o rol daqueles produtos efetivamente tributados, listados na TIPI, com alíquota, ainda que zero, ou sob o beneficio da isenção. Industrialização é a "teoria"; campo de incidência, a "prática". Industrialização é, digamos, a previsão legal (uma daquelas cinco hipóteses do art. 4°); campo de incidência é a Tabela do IPI. 13. Por certo, o álcool carburante, ainda que remetido para fora o campo de incidência, porque a TIPI assim o determinou, somente num asilo de loucos, com todo o respeito, há de ser tomado como produtoNT no sentido de não industrializado. De igual sorte, no oposto, lagostas vivas, ainda que não tenham sofrido mínima industrialização, estão tipificadas como alíquota zero na TIPI, Dec. 4.542/2002. 14. Isto mesmo, senhor Delegado da Julgamento! Tal como se vê na TIPI, os crustáceos em geral, vivos, foram mandados para o "campo de incidência IP1", com alíquota zero, é certo, mas "tributados" ainda que a zero. Seriam industrializados? Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 144 6 Dentro do mar?, nos rios?, nos mangues?! Em tempo: a nova TIPI, Dec. 6.006/2006 retifica os crustáceos vivos como NT, mas a lei 7.798/1989, que os classifica com alíquota zero, continua em vigor, assim: Art. 10. Ficam sujeitos ao IPI, à alíquota zero, independentemente de sua forma de apresentação, acondicionamento, estado ou peso, os produtos relacionados nos Anexos IV e V.1 15. Fazse imperiosa uma indagação: qual o sentido de a legislação do IPI (MP 1.50816, de 17.34.1997) ter estabelecido o conceito de "campo de incidência", excluindo dele os produtos NT? Vejamolo, na redação primitiva (atual parágrafo único do art 2° do RIPO: Art. 13. O campo de incidência do IPI abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 2.092, de 10 de dezembro de 1996, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). 16. É que o recrudescimento das multas sobre as obrigações acessórias (DIPI e DCTF) estava colocando na ilegalidade perante o IN, os pequenos produtores de bens artesanais e domésticos, que, industrializados no conceito gramatical, não eram tributados, caso típico das marmitarias, sanduicharias, picolezeiros, sucos caseiros e confecções domésticas, etc. Sim, a restrição ao campo de incidência veio como um mecanismo de desoneração de rotinas (obrigações acessórias), mas sem alterar os conceitos de bens efetivamente industrializados. III DO DIREITO A lei determina "Produtor exportador de mercadorias" 17. Então, quando a lei 9.363/1996, no parágrafo único do seu art. 3°, pediu ao IPI de forma subsidiária, o conceito o produção, fêlo de modo a determinar que o incentivo somente alcançasse os produtos submetidos a uma daquelas cinco operação que caracterizam a industrialização/produção. Sem esquecer que no caput do art. 1° assim está: Art. 1°. O produtor de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasPrimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (Grifo da recorrente) 18. Evidente que, nos exatos termos aqui transcritos, "produtor exportador de mercadorias nacionais" é o "gênero"; "mercadorias produzidas", as "espécies", assim: Gênero Espécies Produtor exportador de mercadorias nacionais a) mercadorias produzidas b) mercadorias produzidas alíquota zero c) mercadorias produzidas isentas d) mercadorias produzidas tributadas 19. Também meridiano que se a lei 9.363/1996 houvesse pretendido alcançar restritivamente tãosó aos produtos localizado no "campo de incidência" do IPI, tê loia feito, quando, em vez de "mercadorias" (gênero) teria referido "produtos industrializados, tributados pelo 'PI"; e, como se sabe, onde a lei não distingue cabe ao intérprete a pretensão de distinguir. De sorte que, se as mercadorias industrializadas pela impugnante (produtora e exportadora) fossem do tipo NT, hipótese que admitese apenas para facilitar o convencimento, o creditam ento haveria de ser mantido ao princípio da reserva legal. Sim, aquele principio de que o fazer, o deixar de fazer e o desfazer, se coercitivos, hão de se dar a partir da lei. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 145 7 20. E, afinal indagase , o que se há de entender por "produto industrializado". Produto industrializado é um conceito gramatical, do dicionário, da linguagem humana, independente de qualquer lei. Vejamos a norma interpretativa do art. 110, do CTN: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. [Código Tributário Nacional]. 21. Sem perder de conta que: Art 13 A língua portuguesa e o idioma oficial da Republica Federativa do Brasil (Constituição Federal) 22. Hugo de Brito Machado, sobre o conceito de produto industrializado, algo que antecede às noções da lei, diz: Para a adequada compreensão do âmbito constitucional do imposto em tela, fazse indispensável saber o que se deve entender por produtos Industrializados. No regime da Constitucional de 1998, cabe à Lei Complementar estabelecer normas gerais sobre a definição dos fatos geradores (art. 146, inciso III, alínea a) dos impostos nela discriminados. Não cabe à Lei Complementar definir os fatos geradores dos impostos, evidentemente, mas estabelecer normas gerais sobre tais definições, e entre essas normas gerais podese entender que está aquela que delimita conceitos utilizados na norma da Constituição, como é o caso de produto industrializado. Realmente, o conceito de produto industrializado independe de lei. É um conceito préjurídico. Mesmo assim, para evitar ou minimizar conflitos, a Lei Complementar pode e deve estabelecer seus contornos. Assim é que o Código Tributário Nacional estabeleceu que, para os efeitos desse imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para consumo. [Hugo de Brito Machado, Comentários ao Código Tributário Nacional, Atlas. 1" ed. 2003, pág. 468/469] 23. Castanhas de caju, industrializadas a partir de castanhas in natura tal como a impugnante as produz e exporta serão sempre "castanhas industrializadas", a despeito de qualquer intenção de classificálas como zero, NT, "ex" ou noutra qualquer tipologia. Vejamos ainda no âmbito constitucional: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV DO DIREITO: Da primazia da verdade material na relação tributária 24. Com o advento da Lei Complementar 104/2001, a verdade material passou a ter o devido tratamento de coisamor, principal, definitiva, pouco ou nada importando os nomes que se dêem aos fatos. (Uma pena que a modificação introduzida ao CTN tenha sido apenas quanto o imposto de Renda). Interessa, nos termos da LC 104, a materialidade, a essência, o fulcro, assim o vejamos: Art 43. (..) § 1º A incidência do imposto independe da noção da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp no 104, de 10.1.2001) (Grifo da impugnante). 25. No caso em apreço, a verdade material é a "produção e exportação de mercadorias nacionais", caput do art. 10 da lei 9.363/1995. Seria a impugnante a Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 146 8 empresa produtora de mercadorias nacionais de que cuida a lei? Ou melhor, as castanhas exportadas preenchem o requisito do art. 1°? Sim, com certeza. Nos termos do art. 43, § 1°, do CTN, ainda que por empréstimo ou analogia, a VERDADE MATERIAL há de sobreporse—: a impugnante tem por atividade a FABRICAÇÃO (de castanhas de caju), assim nos informam os dados do CNPJ, código 10.31.7.00, administrado pela SRFB. V DO DIREITO: Da classificação fiscal impossível de realizar 27. Tal como na conceituação de "produto industrializado" e "campo de incidência", que não são, a rigor, coincidentes, as mercadorias podem ter tratamento diferenciado em se tratando do mercado externo ou interno. No mercado externo, a classificação da NCM não faz distinção de "ex" nos produtos do capítulo 08, de modo 28. Não há o "ex" na NCM, acima, que é o padrão de classificação fiscal obrigatório no comércio internacional. A tipologia "ex" só se faz presente nas saídas internas, da TIPL O fato inconteste é que a impugnante indicou a alíquota zero (doc. 2) em suas notasfiscais. Exigir, portanto, que a empresa classifique a "mercadoria produzida e exportada" como "ex", quando nas relações de troca entre países inexiste qualquer "ex", equivale a impor ao contribuinte obrigação impossível de atender. 29. Tratase, vale repetir o óbvio, de uma operação de mercado externo, em que a tipificação fiscal é dada pela NCM, que não aceita a classificação de "ex". A exigência de "ex" na classificação internacional da castanha de caju só pode ser explicada, com todo o respeito, como falta de prática no comércio internacional. De fato, a Alfândega, apesar de jurisdicionada pela SRFB é, na prática, "outro departamento", estanque, distante, distanciado. Realmente, se o "ex" referido pelo fiscal nestes autos é impossível de cadastrar no Siscomex (Alfândega), como exigilo (SRFB) do contribuinte? Vejamos, em concreto, a nota fiscal de exportação, com a classificação típica do comércio internacional (NCM), que não é a mesma que a TIPI (mercado interno): 30. Sim, ai estão: (i) alíquotas, IPI, zero (h) classificação fiscal, pela tabela na NCM naturalmente: 08013200. VI DO DIREITO: A lei 9.363 apenas regulamentou isenção/ imunidade préexistente 31. Desde os tempos, tanto o PIS como a COFINS têm tido tratamento de isenção fiscal. De fato: Art. 7°. São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (LC 70 e LC85/1996) 32. Com o advento da EC 33/2001, as receitas da exportação, como gênero, isto é, todas as receitas da exportação, das espécies mercadorias, produtos tributados, isentos e NT, tudo em amplo espectro, foram mandadas para o campo da imunidade quanto ao PIS/Cofins: Art. 149. (..) § 2° As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, (Constituição Federal, após a EC 33/2001) 33. De sorte que, fosse no passado, por conta das Leis Complementares 70/1991 e 2005/1996, seja agora, por conta da imunidade constitucional, as receitas de exportações não estavam (nem o estão) alcançadas pelo PIS/Cofins. Isto significa que o PIS/Cofins incidentes nas etapas anteriores à exportação haviam de ser desonerado (mediante o mecanismo de crédito presumido, tal como o faz a Lei 9.363/1996), sob pena de tornar letra morta a isenção de então e a imunidade atual. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 147 9 Em resumo, o direito assegurado na Lei 9.363/1996 já estava garantido nas leis complementares 70/1991 e 85/1991 como isenção. E agora também o está, amplificado e absoluto, no grau de imunidade, por conta da EC 33/2001. VII DO DIREITO: O PN 408/1971 continua em vigor 34. Pretender que a castanha beneficiada pela Requerente seja produto NT e, por isto mesmo, não industrializado, só no reino da fantasia. Tratase de matéria vencida desde o Parecer Normativo 408/1971, quando ficou estabelecido que a venda de castanhas de caju, em latas do tipo querosene, com o mesmo quantitativo de 25 libraspeso, com rótulo promocional, implicavam em classificação de alíquota zero. 35. A rigor, nada mudou; apenas a lata do tipo querosene vem sendo substituída pelo saco multilaminado, aluminizado e mais resistente para o tratamento a vácuo. Ambos, lata e sacos, devidamente rotulados em embalagem de apresentação, assim o vejamos: 36. Sim, com marca de comércio & indústria (registro no INPI). VIII DO PEDIDO 37 Ante o exposto, pedese seja esta manifestação de inconformidade recebida no seu efeito suspensivo para, no final, declarar V. Exa a improcedência do despacho denegatório do creditamento. 4. Anexei o Parecer Normativo n° 408/1971 (fl. 89). 5. É o relatório.” A DRJ considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o crédito tributário exigido: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO "NT". Um dos requisitos essenciais para a fruição do crédito presumido de IPI é ser, nos termos da lei, produtor dos itens destinados ao exterior, não se enquadrando como tal, para efeitos fiscais, o estabelecimento que confecciona mercadorias constantes da TIPI com a notação "NT". O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n° 9.363/1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. CASTANHA DE CAJU SEM CASCA. NÃOACONDICIONAMENTO EM EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, deve ser classificada na posição 0801.3200 da TIPI, correspondendo à notação "NT". Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão em 10 de março de 2010, o interessado apresentou recurso voluntário em 12 de março de 2010 (fls. 99 a 114), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 148 10 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Das Preliminares Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 10 de março de 2010, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 12 de março de 2010. Do Mérito Do direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI DOS PRODUTOS "NT" O presente processo administrativo é decorrente de compensações fiscais do 3° trimestre de 2003, a título de ressarcimento do crédito de exportação, Leis 9.363/1996 e 10.276/2001. A fiscalização entendeu que a esta empresa não tem o direito aos totais compensados porque a quase totalidade das exportações foi de produtos NT (castanhas de caju). E, segundo a fiscalização, produtos NT não geram o direito ao crédito. A Recorrente vem demonstrar, no entanto, que não há na legislação pertinente qualquer restrição a seu direito ao crédito presumido de IPI, já que cumpre com a única condição legalmente estabelecida: a de ser empresa produtora de mercadorias exportadas. Para melhor elucidar a questão, quanto aos fatos, demonstra a recorrente: ü Que a lei 9.363/1996 refere «mercadorias produzidas» que é muito diferente se o fizesse a «produtos industrializados tributados pelo IPI». ü Que a tabela NCM, adotada no comércio exterior (Siscomex), traz uma Única classificação para as castanhas de caju, tanto faz que em qualquer tipo de embalagem, tornando assim impossível distinguilas em NT ou em alíquota zero; ü Que os produtos exportados pela impugnante são "produtos industrializados", isto é, "produtos de produção própria", na melhor acepção da lei 4.502/1964; Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 149 11 ü Que a autoridade fiscal faz confusão entre: (i) produto industrializado, perante o IPI, e (ii) campo de incidência do IPI e, finalmente, ü Que, em qualquer hipótese, os produtos exportadores, industrializados ou não, usufruem de imunidade constitucional de PIS e da COFINS, de modo que negarlhes o direito ao crédito de operações anteriores (presumido ou real), implica negarlhes a imunidade. Aduz a recorrente que o crédito presumido de IPI foi instituído pela Lei n.° 9.363/96 visando, primordialmente, o incentivo à exportação de produtos nacionais, mediante o ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos para utilização no processo produtivo dos produtos destinados ao exterior. Vêse que o benefício fiscal concedido pela Lei n° 9.363/96, foi instituído com a finalidade de ressarcimento, às empresas produtoras e exportadoras, das contribuições para o PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), para utilização no processo produtivo, como estabelece o art. 1° e seu parágrafo único, abaixo reproduzidos, em conjunto com o art. 40, também transcritos pela interessada em sua manifestação de inconformidade: "Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n° 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior. Art 4° Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente." (sublinhei). Vêse que a Lei é bastante precisa ao se referir a: (i) Utilização de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para a utilização no “processo produtivo”, e não processo industrial; e (ii) que a empresa “produtora e exportadora” de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do IPI – para fins de ressarcimento dos valores do PIS e da Cofins. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 150 12 Ora, consoante as disposições das Leis n.º 9.363/96 e nº 10.276/01 é concedido crédito presumido do IPI a título de ressarcimento dos valores da COFINS e do PIS que hajam incidido sobre a aquisição de insumo nacional utilizado em produto exportado. O incentivo aplicase, inclusive, nos casos de venda à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior – sendo que o crédito pode ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o IPI, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF. A base de cálculo do crédito presumido estabelecido na Lei nº 9.363/96 é determinada mediante a aplicação sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Notase que se tratase de um incentivo fiscal às exportações, por meio da concessão de um crédito presumido de IPI, lançado no Livro Registro de Apuração de IPI, como forma de ressarcimento do Pis/Pasep e da Cofins incidentes sobre os insumos adquiridos no mercado interno (excluindose os insumos importados) e consumidos na produção de bens efetivamente exportados. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo Pis/Pasep e Cofins, e utilizados na produção de bens destinados à exportação. Ou seja, de acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI . O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, sendo que estar no campo de incidência do IPI não é indispensável para fruição do crédito – o essencial é que as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem estejam no campo de incidência do PIS e da Cofins, porque o ressarcimento é desta contribuição, e não do IPI. Para melhor elucidar, vêse que a recorrente promove o beneficiamento das castanhas in natura para obtêlas sem casca e sem película, classificandoas por tipo, qualidade e tamanho; e, numa etapa final, promove o seu acondicionamento. O que efetivamente seria caracterizado tal processo como sendo tais matériasprimas utilizadas no processo de produção. Além disso, o art. 3º da Lei n.º 9.363/96 garante a interpretação da recorrente. “Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 151 13 o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.” Ainda que o produto não se classificasse à alíquota zero, não seria possível negar que o processo de beneficiamento da castanha in natura se encaixa perfeitamente no conceito de produção. Sendo assim, a meu sentir, entendo que não há óbice à fruição do benefício na exportação de produtos classificados na TIPI como N/T, posto que a lei concede o benefício à exportação de mercadorias nacionais, haja vista ser essencial é que as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem estejam no campo de incidência do PIS e da Cofins. Da conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 22 de novembro de 2011 Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 152 14 Voto Vencedor Conselheiro Francisco Jose Barroso Rios – Redator Designado O mérito da lide diz respeito a pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996. A parte indeferida do pleito – que se refere ao 4º trimestre de 2002 – foi fundamentada no fato de a empresa beneficiar produtos não tributados – NT. Sobre a questão, peço vênia para discordar do entendimento da i. Relatora. Inicialmente, quanto à classificação fiscal da mercadoria, adoto as razões de decidir colacionadas na decisão de primeira instância, posto entender igualmente que o produto – castanha de caju sem casca não acondicionada em embalagem de apresentação, mas sim de transporte –, deve ser classificada na posição da TIPI que corresponde à notação “NT”. Relativamente ao direito, faço as considerações abaixo. O caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Tais requisitos demonstram nítida intenção do legislador de conceder o favor fiscal para o setor produtor e exportador de mercadorias elaboradas, v. g. indústria, em detrimento dos setores que se dedicam a produtos primários. E aqui o pleito da reclamante já esbarra na não satisfação do primeiro desses requisitos – a produção/industrialização da mercadoria – uma vez que os produtos saídos de seu estabelecimento – envolvidos na lide – são classificados como nãotributados – NT, estabelecimento que, para fins da legislação fiscal, não é considerado como produtor. E o alcance conceitual do termo em destaque – “empresa produtora” –, por expressa determinação legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá, sim, ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem” (grifei). Neste comenos, estabelece o artigo 6o da Lei no 10.451, de 10/05/2002, que O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifo nosso) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 153 15 Vale lembrar que o mesmo entendimento já se encontrava expresso no artigo 13 da Lei n° 9.493, de 10/09/19971. Ainda, tal exegese está em perfeita sintonia com o artigo 3o da Lei no 4.502, de 30/11/1964, segundo o qual “considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto” (grifo nosso). Como os produtos gravados na TIPI como nãotributados estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização. Não há nenhuma dúvida, pois, com respeito ao alcance conceitual do termo “produção” para fins de legislação do IPI e, por expressa disposição legal, também para a legislação de que trata o direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da COFINS. Em tais casos, como demonstrado, o legislador quis excluir do alcance do incentivo os produtos gravados na TIPI com a notação “NT”. E a necessidade de anulação do crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos empregados em mercadorias nãotributadas, prescrita pelo Regulamento do IPI, está em prefeita harmonia com o alcance conceitual do processo de industrialização/produção no âmbito tributário aqui estudado. Com efeito, o Regulamento do IPI então vigente (aprovado pelo Decreto no 2.637, de 25/06/1998), prescrevia, em seu artigo 174, inciso I, alínea “a”, a necessária anulação, “mediante estorno na escrita fiscal”, do crédito do IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados em mercadorias nãotributadas. Tal regramento, mantido no RIPI aprovado pelo Decreto no 4.544, de 26/12/2002 (artigo 193, inciso I, alínea “a”), permanece plenamente vigente no atual Regulamento do IPI – Decreto no 7.212, de 15/06/2010 (artigo 254, inciso I, alínea “a”), e todos tem como raiz legal o artigo 25, § 3o, da Lei no 4.502/64, segundo o qual: § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributados. (grifouse) Importa lembrar ainda o disposto na Súmula CARF nº 20, segundo a qual “não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. Referida súmula, pelos seus paradigmas, aplicase especialmente aos casos de ressarcimento do IPI nos moldes do artigo 11 da Lei no 9.779/99. Contudo, a mesma se presta para reforçar a impossibilidade de creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos empregados em mercadorias não tributadas. Portanto, dada a não caracterização da atividade da recorrente como processo produtivo para fins de legislação do IPI e, por expressa disposição legal, também para fins da legislação de que trata o direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da 1 Art. 13. O campo de incidência do IPI abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pele Decreto nº 2.092, de 10 de dezembro de 1996, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (nãotributário). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3802000.765 S3TE02 Fl. 154 16 COFINS, concluise pela impossibilidade de gozo do pleiteado crédito presumido em evidência. Da conclusão Por todo o exposto, voto, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 22 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/12/2 011 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS , Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11077.000086/2008-69
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –
COFINS incidente sobre operações de importação
Data do fato gerador: 30/05/2007, 31/05/2007, 01/06/2007, 02/06/2007, 04/06/2007, 05/06/2007, 08/06/2007
Ementa: COFINS IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO EM
DECORRÊNCIA DE QUESTIONAMENTO JUDICIAL. IMPACTO NO
VALOR A RECOLHER A TÍTULO DE COFINS-FATURAMENTO.
O suposto recolhimento a maior de COFINS-faturamento
alegado pelo contribuinte como provocado pela ausência de recolhimento de COFINS importação, a qual, por sua vez, baseia-se
em provimento judicial não definitivo, é opção do sujeito passivo, não afetando o lançamento destinado a prevenir decadência.
Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins - Ação Fiscal - Importação
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidente sobre operações de importação Data do fato gerador: 30/05/2007, 31/05/2007, 01/06/2007, 02/06/2007, 04/06/2007, 05/06/2007, 08/06/2007 Ementa: COFINS IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO EM DECORRÊNCIA DE QUESTIONAMENTO JUDICIAL. IMPACTO NO VALOR A RECOLHER A TÍTULO DE COFINSFATURAMENTO. O suposto recolhimento a maior de COFINSfaturamento alegado pelo contribuinte como provocado pela ausência de recolhimento de COFINS importação, a qual, por sua vez, baseiase em provimento judicial não definitivo, é opção do sujeito passivo, não afetando o lançamento destinado a prevenir decadência. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão 07 15227 de 20 de fevereiro de 2009, de lavra da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no relatório da instância a quo (fl. 253verso dos autos): Trata o processo dos autos de infração lavrados para a constituição das contribuições COFINS Importação e PIS/PASEP Importação, acrescidas dos juros de mora, incidentes nas importações das mercadorias submetidas a despacho pelas Declarações de Importação listadas às fls. 02/03 e 12/13, totalizando num crédito tributário exigido de R$ 144.635,89 (fls. 01 a 25). Esclarece o Fisco que em decorrência do deferimento do pedido de antecipação dos efeitos da tutela pleiteado na ação judicial demandada junto à 13' Vara Federal de São Paulo (processo n° 2004.61.00.0332672), em que se discute a exigibilidade da Cofins e do Pis/Pasep incidente na importação da forma como estatuída na Lei n° 10.865/04, a autuada não efetuou o recolhimento dos respectivos valores, razão pela qual, com arrimo no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, por se tratar de decisão ainda não transitada em julgado, lavrou os autos de infração em comento com o objetivo de prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência. Intimada da exação em tela, a autuada apresentou impugnação de fls. 136 a 139, instruída com os documentos de fls. 140 a 251, para aduzir que as mercadorias importadas foram desembaraçadas sem o recolhimento do Pis/Pasep e da Cofins tendo em vista a suspensão de sua exigibilidade concedida nos autos da ação ordinária ajuizada pela interessada. Salienta a impugnante que referida ação foi julgada procedente pelo Juízo a quo que declarou a inexistência da relação jurídica que a obrigue ao recolhimento das referidas contribuições, na medida em que referido Juízo negou a aplicação da sua norma instituidora (Lei n° 10.865/04). Discorre sobre a sistemática da nãocumulatividade estatuída pelo artigo 15 da referida lei para afirmar que os valores acaso despendidos pelo importador com o Pis e Cofins seriam obrigatoriamente descontados do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11077.000086/200869 Acórdão n.º 3802000.727 S3TE02 Fl. 355 3 montante posteriormente recolhido a título de Pis e Cofins faturamento, como resultado do confronto do saldo devedor e/ou credor de conta gráfica da escritura contábilfiscal. Concluindo, entende que por 'haver recolhido integralmente as citadas contribuições na operação comercial subseqüente saída dos produtos importados depois de nacionalizados para venda aos seus clientes no mercado interno, sua exigência representa pagamento em duplicidade, na medida que não utilizou os créditos que por ventura teria direito. Razão pela qual requer a nulidade dos autos de infração impugnados. É o relatório. Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 2ª. Turma da DRJ de Florianópolis/SC entendeu pela procedência do lançamento tributário, refutando os argumentos expendidos na peça defensiva do sujeito passivo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/05/2007, 31/05/2007, 01/06/2007, 02/06/2007, 04/06/2007, 05/06/2007, 08/06/2007 Ementa: AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO. REPERCUSSÃO DIRETA E DEPENDENTE. FATO SUPERVENIENTE. Em face do princípio constitucional da unidade de jurisdição, a existência de impugnação em que se discute matéria cujo objeto, além de idêntico, tem repercussão direta no resultado da ação judicial movida pela impugnante importa renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido no âmbito do poder judiciário. A alegação embasada em suposta circunstância ou evento superveniente e incerto, em face de decisão judicial não transitada em julgado, não tem o condão de instaurar o litígio administrativo. Lançamento procedente. Em seu Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, pelo qual reitera os argumentos já aduzidos por ocasião da sua impugnação. No mais, o Recorrente arremata sua peça recursal pugnando pelo cancelamento do auto de infração, já que recolheu integralmente o Pis e Cofins – faturamento quando da saída das mercadorias, sem o abatimento dos créditos que seriam gerados com a cobrança das contribuições na importação, aduzindo que caso seja mantida a exigência estará incidindo em bis in idem, afirmando que “Assim, independentemente da existência de ação judicial que declarou a inexistência de relação jurídica que obrigasse a empresa ao recolhimento de PIS e Cofins importação, decisão esta que negou aplicação à Lei 10.865/2004, certo é que não se pode manter a exigência deste auto de infração, reiterese, ante ao recolhimento integral do PIS e Cofins faturamento, sem utilização do crédito que a empresa teria direito se tivesse arcado com o recolhimento de PIS e Cofins importação.”. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso se mostra admissível quanto à sua tempestividade e ausentes quaisquer outros pontos preliminares, passo ao exame do mérito. Compulsando os autos, verificase que o lançamento contestado resultou da inadimplência do PIS e Cofins importação. O Recorrente pretende a anulação do presente auto de infração trazendo o argumento de que, mantida a exigência, ocorrerá pagamento em duplicidade, visto que, apesar de não ter recolhido as contribuições referentes à PIS/Cofins – Importação, procedeu ao pagamento integral do PIS e Cofins no faturamento sem se utilizar dos créditos a que teria direito caso tivesse recolhido as contribuições na importação. Passo à análise. No que tange ao argumento de que incorrerá em bis in idem, não assiste razão ao Recorrente. Não há que se falar em duplicidade de pagamento visto que o contribuinte não efetuou o pagamento da obrigação tributária, neste caso, o recolhimento das contribuições PIS/PASEP – importação e COFINS – Importação. Isso porque, nada obstante haver um regime de compensação deduzindose da COFINSfaturamento os valores de COFINS recolhidos por ocasião da importação, é indiscutível que se trata de incidências distintas de COFINS. Assim, a falta de recolhimento da COFINS importação não provoca recolhimento a maior de COFINSfaturamento, mas sim o recolhimento pelo valor exato, calculado sem que haja aquele débito anterior a compensar. Da mesma forma, o Recorrente reconhece que, se houvesse o recolhimento da COFINSimportação, os valores de COFINSfaturamento seriam recolhidos por um outro patamar (compensandose os valores recolhidos alhures). Em verdade, sucede no caso sob exame, nas palavras do Conselheiro Regis Fernandes de Holanda no processo no. 11077.000112/200930, em que se discutia exatamente a mesma situação com o ora Recorrente: Aqui, o recorrente confunde a aplicação do regime de nãocumulatividade, invertendoo, ao desejar se utilizar de recolhimentos devidos em operações posteriores para compensar débitos relativos a fatos geradores anteriores. Fato é que o contribuinteRecorrente optou por uma estratégia processual consistente em não recolher ou efetuar depósito judicial da COFINSimportação, nutrindo forte expectativa de êxito no seu pleito. Isso não significa, todavia, que o lançamento destinado a prevenir a decadência seja nulo, em hipótese alguma. Ao contrário, o lançamento destinado a prevenir a decadência se pauta na sua obrigatoriedade ante as leis de imposição tributária, ex vi do art. 142, § único, do Código Tributário Nacional. Até porque, como cediço, o que se suspende pela decisão liminar é a exigibilidade do crédito tributário – restando, todavia, o crédito tributário intacto, sendo inclusive esse o motivo pelo qual o lançamento deve ser feito para prevenir a decadência. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11077.000086/200869 Acórdão n.º 3802000.727 S3TE02 Fl. 356 5 Uma outra postura mais cautelosa do contribuinte seria a de optar pelo depósito judicial dos valores referentes a COFINSimportação, a fim de evitar transtornos decorrentes – aí, sim – de uma decisão que considere regular a incidência da exação objeto do litígio judicial. Pois, notese, caso o provimento judicial definitivo seja no sentido de que a COFINSimportação é devida, o resultado disso não será jamais a exigência em duplicidade de COFINS, mas sim um recolhimento a maior pelo sujeito passivo de COFINSfaturamento, a ser compensada ou restituída futuramente pelos meios próprios. Assim é que, independentemente de, mais tarde, as mercadorias importadas integrarem a cadeia de mercadorias a serem comercializadas no mercado interno, sobre as quais incidiriam PIS/COFINS sobre o faturamento (gerando, assim, o direito subjetivo do contribuinte se utilizar daqueles tributos para compensar com estes,conforme o artigo 15 da Lei nº10.865/2004), notase que tal direito creditório seria posterior, e além disso, oriundo do PIS/PASEP e da Cofins sobre importação, o qual restou inadimplido. E a partir desse ponto, já não há o que se discutir quanto à legalidade da tributação sobre a importação, pois se trata do mesmo objeto discutido no processo judicial. Em virtude do supracitado, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, para reconhecer a procedência do lançamento, prevenindo assim, a decadência, visto que a exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 30/1 2/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.006452/2009-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
Ementa: REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE DE MERCADORIAS
DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA.
INFRAÇÃO. PENALIDADE.
A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui, por si só, infração de caráter objetivo, independente da intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, sujeitando seu infrator à penalidade prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-lei nº 37/66.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa: RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE
JULGAMENTO DEFINITIVO.
De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, é de ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerá-lo
intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS
TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA
ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3802-000.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário..
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO. PENALIDADE. A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui, por si só, infração de caráter objetivo, independente da intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, sujeitando seu infrator à penalidade prevista no art. 107, IV, e, do Decretolei nº 37/66. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE JULGAMENTO DEFINITIVO. De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, é de ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerálo intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS AO PROCESSO SEM APRECIAÇÃO DA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os arts. 16, III, e 17, do Decreto nº 70.235/72, não são passíveis de conhecimento em sede recursal argumentos novos, que não tenham sido apreciados pela instância a quo. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Recurso Voluntário Conhecido Parcialmente e Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 05072011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barros Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 07 21582, de 15/10/2010, de lavra da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 59 dos autos): Fl. 134DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.006452/200949 Acórdão n.º 380200.560 S3TE02 Fl. 129 3 Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 60.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada As fls. 10 e 11, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração. A multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 16 a 34, argumentando, em síntese, que: a) ausência de fundamento legal para exigir o registro no prazo de dois dias; b) não foi observado o principio da finalidade e da isonomia; c) não ocorreu embaraço A ação fiscal; d) não houve prejuízo ao fisco, embora o registro tenha sido efetuado a destempo; e e) realizou o registro num prazo médio de três a quatro dias da data do embarque. Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 1ª. Turma da DRJ de Florianópolis/SC entendeu pela procedência do lançamento tributário, refutando os argumentos expendidos na peça defensiva do sujeito passivo. Confirase a ementa do julgado: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas A exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. 0 registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo A mercadoria destinada A exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador A multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário (fls. 76103), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, pelo qual, além de reiterar os argumentos já aduzidos por ocasião da sua impugnação inicial, requer: (i) a aplicação de retroatividade de norma tributária posterior que aumentou o prazo para apresentação dos registros de dados de embarque de mercadorias transportadas para o exterior e (ii) limitação valorativa da multa no montante de R$ 5.000,00 – aplicandose a multa definida no art. 107, IV, e, do Decretolei nº 37/66 uma única vez sobre todos os registros de embarque intempestivos e não por cada registro atrasado, já que o legislador não teria “vinculado referida conduta a um evento determinado. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso se mostra admissível quanto à sua tempestividade, motivo pelo qual passo ao respectivo exame. Compulsando os autos, verificase que o lançamento de ofício contestado resultou de registros de embarque realizados a destempo, já que posteriores ao prazo exigido pela legislação. À época da ocorrência dos fatos geradores, o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28/94 determinava os registros de embarque no SISCOMEX imediatamente após o efetivo transporte da mercadoria exportada, nos termos que seguem abaixo: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no S1SCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. O Recorrente, na qualidade de transportador, nada obstante tecer longas linhas sobre o conteúdo jurídico da expressão imediatamente, sabe ou deveria saber que além do vernáculo não abrir possibilidades de dilação temporal ao conceito comum imediatamente, a Notícia SISCOMEX nº 105/94 esclarece que a exigência de apresentação imediata comporta até 24 horas de tolerância para o cumprimento da referida obrigação acessória. Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos". Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a previsão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. Observese que a referida Notícia faz menção expressa à previsão legal para autuação do transportador, o que realça ainda mais sua adequação ao caso. Nada obstante isso, o Recorrente deixou de cumprir o disposto na IN SRF nº 28/94, vindo a efetuar o registro dos embarques das mercadorias somente depois dessas 24 horas, em diversas ocasiões ao longo do exercício de 2004. Isso, de plano, já rechaça seu argumento de necessidade de interpretação mais benéfica ao sujeito, ante a dúvida sobre o conteúdo jurídico da expressão imediatamente carreada pelo art. 37 da IN SRF nº 28/94 (item II.1 do Recurso Voluntário). Fl. 136DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.006452/200949 Acórdão n.º 380200.560 S3TE02 Fl. 130 5 Apesar, todavia, da apresentação dos registros de embarque ter superado 24 horas (ferindo assim as disposições da IN SRF nº 28/94), o Auto de Infração, lavrado em 2009, já partiu de norma mais benéfica – qual seja a redação dada ao mesmo dispositivo pela IN SRF nº 510/2005, que passou a tolerar a apresentação dos registros de embarque dentro do prazo de dois dias contados da data da realização do embarque, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (grifouse) Isso porque a própria autoridade administrativa já houvera reconhecido a aplicação da norma mais benéfica para o sujeito passivo, uma vez que o art. 37 da IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN SRF nº 510/2005, passou a considerar intempestivos – infracionais, portanto – os registros de embarque apresentados somente após dois dias, e não mais as exíguas 24 horas exigidas à época da ocorrência dos fatos geradores. Ora, fezse o quanto exigido pelo art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, que exige a aplicação retroativa da norma que deixe de considerar como infração algum ato não definitivamente julgado. Incabíveis, destarte, os argumentos do sujeito passivo quanto à suposta nulidade material do auto de infração por penalização do contribuinte com base em norma inexistente no momento do fato gerador, já que, em verdade, o sujeito passivo foi beneficiado pela aplicação da redação da IN SRF nº 28/94 inovada pela IN SRF nº 510/2005. O Recorrente, todavia, mesmo pretendendo anular o auto de infração pela aplicação de norma posterior à vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, amparase no critério adotado pela autoridade administrativa (e reafirmado pela instância a quo) para buscar a aplicação de norma mais recente, que, alterando novamente a redação da IN SRF nº 28/94, aumentou o prazo para apresentação dos registros de embarque para sete dias. Tratase da IN RFB nº 1096/2010, que, modificando o art. 37 da IN SRF nº 28/94, deixou referida norma com a seguinte redação: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral Fl. 137DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 de Administração Aduaneira (Coana). De fato, a regra ora vigente possui disposição que beneficia o sujeito passivo, ao considerar intempestivos somente os registros de embarque apresentados após o decurso de sete dias contados da data da realização do embarque. É de se aplicar então o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, o qual impõe a retroatividade da norma que deixa de considerar infrações certos atos ainda não definitivamente julgados. No caso particular, não é mais infração, para os fins da legislação aduaneira, a apresentação do registro de embarque após dois dias contados da data da realização do embarque, desde que essa apresentação não ocorra em tempo superior a sete dias. Desse modo, é de se excluir do presente lançamento todo e qualquer registro de embarque porventura feito em prazo inferior a sete dias, em estrita observância ao que determina a IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN RFB nº 1096/2010. Acolhese, portanto, a preliminar constante do item II.7 do Recurso Voluntário. Quanto ao mérito No que toca o mérito, o Recorrente traz como argumentos (i) a violação dos princípios da legalidade, da razoabilidade e da isonomia, pedindo para que se interprete de modo mais favorável ao sujeito passivo a regra tributária que impunha prazo imediato para apresentação dos registros de embarque, ante a indeterminação daquele conceito e as inconsistências sistêmicas do SISCOMEX, além de considerar injusto que o prazo marítimo à época da autuação fosse maior que o prazo aéreo, (ii) a inexigibilidade da multa ante a configuração de denúncia espontânea, (iii) a ausência de prejuízo ao fisco e (iv) a atribuição de uma única multa de R$ 5.000,00 por todos os atrasos nos registros de embarque. Passo à análise de cada um deles. O argumento de ofensa ao princípio da legalidade, no sentido de que a forma e o prazo para registro do embarque a serem observados pelas transportadoras depende de lei, não tem como ser acolhido. Isso pelo simples fato de que o art. 115 do Código Tributário Nacional permite que toda a legislação tributária disponha sobre as obrigações acessórias, desde seu fato gerador. Assim sendo, não há qualquer ofensa à legalidade nesse aspecto. Quanto ao argumento de ofensa aos princípios da razoabilidade e isonomia não pode ser conhecido, como já foi estabelecido pelo Acórdão 0721582. Conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256/2009) e Súmula 01 da CSRF, é vedado ao Conselho realizar análise tendente à avaliação dos aspectos inerentes a constitucionalidade das normas, pois esse mister é exclusivo do Poder Judiciário, como tem entendido os tribunais administrativos e judiciais. Arguições dessa natureza, portanto, são inócuas na esfera administrativa. Assim, sempre e quando se entender que a norma aplicada não atendeu os princípios mencionados, a matéria deve ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Além disso, o argumento de ofensa ao principio da razoabilidade não pode ser conhecido, por não ter sido aduzido à instância originária. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.006452/200949 Acórdão n.º 380200.560 S3TE02 Fl. 131 7 Já no início do voto expus que a Notícia SISCOMEX nº 105/94 trouxe ao mundo jurídico, cerca de dez anos antes da ocorrência dos fatos geradores objeto do presente lançamento tributário, esclarecimento quanto ao conteúdo jurídico da expressão imediatamente, constante do art. 37 da IN SRF nº 28/94. Impraticável, portanto, o Recorrente, que tem como uma de suas atividades fim o transporte de mercadorias para o exterior, simplesmente desconsiderar isso. E ainda assim, eventual desconhecimento dessa regra (que nem mesmo foi alegado pelo sujeito passivo, reforçando sua presunção de conhecimento ante a publicação no Diário Oficial da União) não constitui erro escusável, para quaisquer fins de direito. O Recorrente reforça seu argumento aduzindo que o SISCOMEX é um sistema extremamente instável, que por vezes não registra certas informações do sujeito passivo, e, por outras, mostrase inflexível quanto a pequenas divergências eventuais entre características das mercadorias exportadas. Ocorre que o artigo 136 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que: Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim é que eventuais inconsistências do SISCOMEX não podem servir como excludente de responsabilidade tributária, já que o sujeito passivo dispõe de dias para efetuar o registro do embarque. Deve, portanto, ser diligente para evitar que divergências com seu cliente exportador, ou mesmo eventuais quedas do sistema, prejudiquem o cumprimento da sua obrigação tributária. Por sua vez, a alegação de inexigibilidade da multa por configurarse denúncia espontânea também não pode ser acatada. O Recorrente aduz que a mera apresentação dos registros de embarque, ainda que a desoras, desde que feita antes de qualquer ação fiscal investigativa desse fato, redunda em denúncia espontânea – que excluiria sua responsabilidade pela infração, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação do registro de embarque. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada. Admitir a denúncia espontânea no caso em tela seria transformar esse instituto em instrumento de permissibilidade para infrações referentes a obrigações acessórias, já que o simples cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização), não o levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do sujeito passivo em reconhecer seu erro e buscar retificá lo, incentivaria o atraso no cumprimento das obrigações acessórias. Esse tem sido o entendimento de ambas as Turmas de Direito Público do STJ e também do CARF. No que toca o CARF, apenas à guisa de ilustração transcrevo o Acórdão abaixo: Acórdão nº 10195.964, de 25/01/2007 Fl. 139DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Ementa NULIDADE Não há vedação para a assinatura digital, não implicando vício formal nem cerceamento de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea para excluir a responsabilidade por infração não alcança a multa por atraso na entrega da declaração. De igual modo, a multa a ser aplicada no caso em tela não é feita por provocar prejuízos materiais ao fisco, mas por simples descumprimento de obrigação acessória. Assim é que, uma vez ocorrido o fato gerador, nos termos do art. 115 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo está vinculado ao ente tributante para cumprir com um dever formal diferente do pagamento. Seu descumprimento já é mais do que suficiente para a imputação de penalidade: tratase de multa de caráter formal. Assim, o fato de não haver falta de recolhimento de tributos não pode servir como excusante para aplicação de penalidade pelo sujeito passivo quanto ao descumprimento de suas obrigações acessórias. A rigor, a simples independência entre essas duas obrigações – conceito basilar do direito tributário – já leva a essa conclusão. Quanto aos argumentos expendidos no Recurso Voluntário (ofensa ao princípio da razoabilidade, atribuição de uma única multa de R$ 5.000,00 por todos os atrasos nos registros de embarque) não podem ser conhecidos, por não terem sido aduzido à instância originária. Isso porque o Decreto nº 70.235/72 é claro ao determinar, em seu artigo 16, III, que: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; O art. 17 do mesmo diploma arremata quanto à matéria que não tenha sido objeto da impugnação: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não havendo sido aduzidos na impugnação os argumento ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário. Conclusão Isto posto, conheço parcialmente do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de se aplicar a redação do art. 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB nº 1094/2010, excluindose do lançamento, por conseguinte, todos os registros de embarque apresentados dentro do prazo de sete dias contados da data do embarque das mercadorias transportadas. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 140DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.006452/200949 Acórdão n.º 380200.560 S3TE02 Fl. 132 9 Fl. 141DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/1 0/2011 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007077/2005-11
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 23/01/2002
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES.
MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO. ERRO NA
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA DE
FORMA INSUFICIENTE PARA SUA PERFEITA CLASSIFICAÇÃO
TARIFÁRIA. INCIDÊNCIA DA MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE
IMPORTAÇÃO.
A importação de mercadoria sujeita a licenciamento classificada
erroneamente e descrita de forma insuficientemente para sua perfeita identificação e classificação tarifária caracteriza infração administrativa ao controle das importações, sujeita à aplicação da multa por importação desacobertada de licenciamento de importação.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/01/2002 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA DE FORMA INSUFICIENTE PARA SUA PERFEITA CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. INCIDÊNCIA DA MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. A importação de mercadoria sujeita a licenciamento classificada erroneamente e descrita de forma insuficientemente para sua perfeita identificação e classificação tarifária caracteriza infração administrativa ao controle das importações, sujeita à aplicação da multa por importação desacobertada de licenciamento de importação. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 15/09/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/ 09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ São Paulo II (fls. 133/136), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento formalizado contra o sujeito passivo relativamente à exigência da multa capitulada no artigo 169, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78 (multa por falta de licenciamento das importações). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 25/10/2005, para a cobrança do Imposto de Importação, juros de mora, multa proporcional, multa por falta de licenciamento, e multa pela classificação incorreta da mercadoria. Isso porque, a empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como Diflubenzuron VC90, por meio da declaração de importação nº 02/00666929, registrada em 23/01/2002, classificandoa no código NCM 2924.29.92, sujeita à alíquota de imposto de importação de 3,5 % para o Imposto de Importação e 0% (zero por cento) para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Por ocasião do desembaraço, amostras do produto foram coletadas para análise laboratorial. O Laudo Labana nº 0292.01 de 31/01/2002, às fls.23 , cita que “não se trata somente de Diflubenzuron” e sim de “Preparação Intermediária Inseticida constituída de 1(4Clorofenil)3(2,6Difluorobenzoil) Uréia; (Diflubenzuron) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica e Alumínio, Outra Preparação Inseticida apresentada de Outro Modo, na forma de pó”, e que “de acordo com análises realizadas, a mercadoria é uma Preparação Intermediária (PréMistura), uma Formulação Intermediária resultante da transformação do Produto Técnico mediante a adição de ingrediente inerte (Sílica e Alumínio), de uso exclusivo na indústria, com propriedades inseticidas, para a formulação do produto final de pronto uso na Agricultura”. A autoridade fiscal reclassificou a mercadoria no código NCM 3808.10.29, sujeita à alíquota de II de 8%, de acordo com a regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado – SH. Ciente do Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação de fls, 37/49, onde alegou, em síntese: no presente caso não há que se falar em guia de importação, na medida em que tal documento não é mais exigido, desde a implantação do SISCOMEX, a qual se deu em 1996; a Declaração de Importação 02/00666929 foi registrada em 23/01/2002, sendo certo que o licenciamento para agrotóxicos, produtos técnicos e afins passou a ser exigido a partir de 15/04/2003, data da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/ 09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11128.007077/200511 Acórdão n.º 380200.700 S3TE02 Fl. 187 3 publicação da IN 25, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. (Cita jurisprudência, fls. 42/43/44); ante os argumentos expostos na impugnação, requer “que seja o Auto de Infração julgado improcedente, no que se refere à multa do controle administrativo, relativa à importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, julgandose procedente no que se refere aos demais créditos ora cobrados”. (grifei); requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, ara demonstrar a veracidade dos fatos alegados na presente defesa. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, que, como dito, julgou procedente o lançamento, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/01/2002 Classificação Fiscal. Penalidade Tributária. Penalidade Administrativa. O produto de identificado pela análise técnica como sendo uma mistura de Diflubenzuron, princípio ativo de inseticida, e Substâncias Inorgânicas à base de Silíca e Alumínio se classifica no código 3808.10.29, por se apresentar na forma de preparação, conforme dispõem as Notas Explicativas da posição 3808, sendo cabíveis as multas do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, por declaração inexata; a do art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro, por falta de licenciamento e a multa estipulada no artigo 84, inciso I da Medida Provisória nº 2158/2001 pela classificação incorreta da mercadoria. Lançamento Procedente Cientificada da referida decisão em 12/02/2009 (fls. 137v), a interessada, em 11/03/2009 (fls. 140), apresentou o recurso voluntário de fls. 140/149, onde, com base do ADN COSIT no 12/97, pleiteia o afastamento da exigência sob o argumento de que, não tendo havido intuito doloso ou má fé, a mercadoria importada teria sido descrita de forma suficiente para sua perfeita classificação fiscal. Argumenta, ainda, que o licenciamento não automático para agrotóxicos só teria passado a ser exigido com o advento da Instrução Normativa SDA n° 25, de 15/04/2003, ou seja, posteriormente à importação conduzida pela recorrente, cuja DI fora registrada em 23/01/2002. Assim, não haveria que se falar em ausência de licença de importação. Requer, ao final, seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Admissibilidade do recurso Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/ 09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 12/02/2009 (fls. 137v). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 11/03/2009 (fls. 140), tempestivamente, portanto. Ademais, nos termos do Contrato Social de fls. 150/162 c/c instrumentos de mandato de fls. 163/164, vêse que a signatária da petição de recurso voluntário detém legitimidade para representar a empresa perante este foro. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do mérito da lide Conforme petição de fls. 72/73, a interessada acatou a reclassificação fiscal realizada pela autoridade aduaneira, tendo requerido a anexação aos autos dos DARF/REDARF relativos ao recolhimento do Imposto de Importação e das demais exações, à exceção da multa capitulada no artigo 169, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78, segundo o qual constitui infração administrativa ao controle das importações, sujeita a multa de 30% do valor da mercadoria, a importação “sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais”. A lide, portanto, se restringe unicamente à exigência da multa por falta de LI. Primeiramente, vale destacar que de acordo com o artigo 6º, § 1º, do Decreto nº 660, de 21/09/1992, os registros eletrônicos das operações de importação, efetuados no SISCOMEX, são equivalentes à antiga Guia de Importação e à Declaração de Importação, para todos os fins e efeitos legais. O exame atinente à legitimidade de lançamento tributário para a exigência da referenciada multa recomenda, inicialmente, sejam abordadas algumas questões sobre a necessidade de licenciamento prévio na importação de mercadorias, assim como concernentes a alguns requisitos que deverão estar presentes na Declaração de Importação – DI, imprescindíveis para o despacho de importação. Examinemos, pois, essas questões, para, posteriormente, diante delas, abordarmos o problema fático de que trata este litígio. Depois da implementação do Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, todas as importações passaram a estar sujeitas a licenciamento de importação, seja de forma automática, seja de forma nãoautomática, conforme prescreve o art. 7º da Portaria SECEX nº 21, de 12 de dezembro de 1996. Na modalidade de licenciamento automático, este se dá automaticamente depois que o importador presta as informações necessárias à formulação da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX, conforme citada Portaria da SECEX, artigo 8º. Por sua vez, na importação de mercadoria sujeita a licenciamento não automático, o importador deverá solicitar a concessão da Licença de Importação – LI previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Nessa hipótese, a emissão da LI só ocorre depois do exame e autorização da importação pleiteada através do SISCOMEX. Conforme demonstrado, a importação requer, em qualquer hipótese, a concessão de uma licença de importação, a qual poderá ser obtida de forma automática ou não Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/ 09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11128.007077/200511 Acórdão n.º 380200.700 S3TE02 Fl. 188 5 automática, dependendo da mercadoria que será importada (ressaltese que a Portaria SECEX nº 17, de 01/12/2003 – posterior ao fato gerador –, contempla a dispensa de licenciamento nos casos enquadrados no artigo 7o, parágrafo único, da aludida Portaria). Com respeito à importação de mercadorias sujeitas a licenciamento automático, a Licença de Importação materializase no momento da formulação da Declaração de Importação, que é de apresentação obrigatória, independente da incidência ou não de impostos ou da destinação que será dada à mercadoria procedente do exterior, sendo ainda, a DI, o documento base para o procedimento de despacho aduaneiro, nos termos do art. 44 do DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º do DecretoLei n° 2.472, de 1988, combinado com o artigo 1º da IN SRF nº 69, de 10/12/1996, vigente à época dos fatos. De qualquer forma, esteja a mercadoria sujeita a licenciamento automático ou a licenciamento nãoautomático, a realização de importação à revelia da licença exigida caracteriza a infração objeto do artigo 169, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78, sujeitando o importador à multa de 30% do valor da mercadoria, conforme já comentado. Irrelevante, pois, que a obrigatoriedade de licenciamento nãoautomático para o produto importado pela empresa só tenha passado a viger em data posterior à da importação do mesmo. A exigência da multa em tela é regulamentada pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 (Decreto nº 91.030, de 05/03/1985), à época vigente. Segundo o artigo 94 do DecretoLei n° 37, de 1966, regulamentado pelo artigo 499 do Regulamento Aduaneiro de 1985 (como dito, vigente à época dos fatos), “constitui infração toda ação, ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo”. O § 2° do art. 94 do citado DecretoLei estabelece ainda que “salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. A lição que se extrai dos dispositivos legais acima colacionados é a de que a caracterização da infração se dá não apenas diante do descumprimento de preceitos contemplados nas leis aduaneiras stricto sensu, compiladas no Regulamento Aduaneiro, alcançando, também, as ações ou omissões que importem inobservância de atos administrativos de caráter normativo, tudo isso em sintonia com o disposto no artigo 100, inciso I, do Código Tributário Nacional, condutas as quais, só excepcionalmente, requerem a demonstração de elemento subjetivo volitivo. A autoridade aduaneira, na descrição dos fatos objeto do lançamento (fls. 09), não afirma se a mercadoria estava sujeita a licenciamento automático ou nãoautomático. Apenas assevera que por tratarse de classificação tarifária errônea e necessitar novo licenciamento, automático ou não, e considerando, que a mercadoria não foi corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário, constituiu infração administrativa ao controle das importações (Ato Declaratório Normativo COSIT n°. 12/97), o que sujeita o contribuinte ao recolhimento da multa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/ 09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 capitulada no artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030/85. (grifei) Porém, como já ressaltado, à época dos fatos todas as importações estavam sujeitas a licenciamento de importação, seja de forma automática ou nãoautomática. Diante disso, entendemos que, no caso concreto, não é relevante a definição da modalidade de licenciamento exigida para a mercadoria importada pela reclamante para fins de exame da legitimidade da exigência da multa por falta de licenciamento, já que este, obrigatoriamente, se fazia necessário em todas importações realizadas na ocasião, como asseverado. Assim, a importação de mercadoria à revelia do obrigatório prévio licenciamento se subsume à multa de 30% do valor da mercadoria, capitulada no artigo 169, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78. Salientese que a caracterização da multa em comento não exige seja demonstrado nenhum elemento subjetivo por parte do importador, de forma que os argumentos atinentes à alegada boafé e à inexistência de dolo são irrelevantes para a descaracterização do ilícito, muito embora a ausência do intuito doloso seja fator excludente da tipicidade na hipótese de que trata o Ato Declaratório Normativo COSIT no 12, de 21/01/1997. No entanto, o presente caso não se enquadra na hipótese abrangida pelo reportado Ato Declaratório Normativo. Com efeito, referido ato administrativo estabelece, tãosomente, que não constitui infração administrativa ao controle das importações a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque ‘ex’ exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifei) O caso em comento, como já retratado, trata de situação diversa à contemplada pelo ADN COSIT no 12/97, caracterizada não por erro de classificação tarifária em DI cuja mercadoria fora descrita corretamente, mas sim por situação onde foi realizada importação sujeita a licenciamento não requerido para a mercadoria importada, posto que a NCM do produto contida na DI se referia a espécie diversa, e ainda, a descrição inserida na referenciada Declaração de Importação não foi minimamente suficiente para se chegar à especificação do bem importado. Com efeito, a descrição do produto constante da DI informa, tãosomente, tratarse de DIFLUBENZURON VC90 Refer.: VC 90 (vide fls. 17), classificado pela recorrente na NCM 2924.29.92 (Diflubenzuron). Mas a análise laboratorial revelou que a mercadoria importada não se trata apenas de DIFLUBENZURON, mas sim de “preparação intermediária inseticida constituída de 1(4Clorofeni1)3(2,6Difluorobenzoil) Uréia; (Diflubenzuron) e substâncias inorgânicas à base de Sílica e Alumínio, na forma de pó” (grifei) (vide laudo de fls. 22/23), composto não caracterizado como de composição química definida, mas, sim, como uma “preparação intermediária inseticida”, classificada pela autoridade aduaneira no código 3808.10.29 da Tarifa Externa Comum, classificação esta não contestada pela recorrente. Claro está, portanto, que o fato não se subsume à condição prescrita pelo ADN COSIT no 12/97. Legítima, pois, a exigência da multa por falta de LI. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/ 09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11128.007077/200511 Acórdão n.º 380200.700 S3TE02 Fl. 189 7 Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 31 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/ 09/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000548/2006-63
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PFtEVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CO-RESPONSABILIDADE DOS. SÓCIOS - SALÁRIO INDIRETO. ENXOVAL DE BEBÊ. NATUREZA SALARIAL PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS.
O Enxoval de bebê, oferecido por mera liberalidade pelo empregador aos seus empregados, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
Os co-responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o pólo passivo da lide. A relação de co-responsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no inciso I do § 5º art. 2º da Lei nº 6.830/1980.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-01.874
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a) Caio Alexandre Taniguchi Marques, OAB/SP n° 242.279.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PFtEVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CO-RESPONSABILIDADE DOS. SÓCIOS - SALÁRIO INDIRETO. ENXOVAL DE BEBÊ. NATUREZA SALARIAL PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. O Enxoval de bebê, oferecido por mera liberalidade pelo empregador aos seus empregados, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. Os co-responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o pólo passivo da lide. A relação de co-responsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no inciso I do § 5º art. 2º da Lei nº 6.830/1980. Recurso Voluntário Negado.
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CO-RESPONSABILIDADE DOS. SÓCIOS - SALÁRIO INDIRETO. ENXOVAL DE BEBÊ. NATUREZA SALARIAL PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. O Enxoval de bebê, oferecido por mera liberalidade pelo empregador aos seus empregados, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. Os co-responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o pólo passivo da lide. A relação de co-responsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no inciso I do § 50 art. 2° da Lei n° 6.830/1980. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 147 MT - SEareln L'OMSELMO VirnMnpUrnil Mr-rt.et£ COM 0 gr • Processo n°36624.000548/2006-63 3neshias. 11 1_0 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.874Fls. 233 05 1 Mana ar Fama r 3.. %) Md. 7516ts ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a) Caio Alexandre Taniguchi Marques, OAB/SP n° 242.279. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente /1, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 - - • F Processo o° 36624.004)548/2006-63 rek.: 1, , - ^•--ne Cgh CO32.4C06 Acórdão n.• 206-01.874 trasIty. jr_ 1. Fls. 234 , Mann k 4r. n11,,h,44b _ ms, 7)1 tht, Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e aos terceiros, SESC, SENAC e INCRA. Conforme o Relatório Fiscal -REFISC (fls. 33 a 37), o fato gerador da contribuição lançada é o fornecimento, pela notificada, de um kit de enxoval de bebê a seus ftmcionários, a partir do 8° mês de gravidez da mulher e até no máximo 2 meses após o nascimento, verba considerada salário de contribuição pela fiscalização. Consta, ainda, que a empresa mantém convênio com o FNDE sobre o Salário Educação e impetrou medida cautelar com pedido de liminar em relação à contribuição devida ao SEBRAE, que é objeto de outra NFLD. O agente notificante informa que o fato gerador não foi informado em SEFIP e que a relação de beneficiários encontra-se no histórico dos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. A notificada impugnou o débito via peça de fls. 71 a 98 alegando, em apertada síntese, falta de precisão na descrição dos fatos geradores, não incidência de contribuição previdenciária sobre as despesas da empresa com a concessão de kit de enxoval bebê e ilegalidade da inclusão dos diretores da notificada no pólo passivo da NFLD. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação no 21.003.0/0366/2006 (fls. 101 a 115), julgou o débito procedente, e a notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso ao CRPS (fls. 122 a 135), alegando, em síntese, que as verbas pagas pela reco:a-ente aos seus empregados não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois não gozam de habitualidade e não há como se cogitar a suposta retributividade deste beneficio. Entende que o pagamento em tela se enquadra na hipótese de isenção prevista no item 7, alínea "e", do § 90, do art. 28, da Lei 8.212/91 e defende o entendimento de que é ilegal a inclusão dos diretores da recorrente no pólo passivo da obrigação tributária. Às fls. 161 a 163, a notificada juntou cópia da medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança que autorizou a substituição da exigência do depósito recursal de 30% do valor do crédito tributário pelo arrolamento de bens, cujo Termo com a relação dos bens arrolados foi juntado às fls. 167/168. A SRP, por meio do Despacho n°21.003.0/0035/2007 (fls. 176 a 178), decidiu negar seguimento ao recurso interposto pela empresa, face sua intempestividade e a recorrente, cientificada dos termos do despacho, se manifestou às f.s 185 a 187, alegando que: O despacho 21.003.0/0035/2007 que fundamenta a negativa de seguimento ao recurso administrativo interposto pela recorrente carece de veracidade pois, como se verifica do AR (objeto RB 73299634 8 BR), existem dois carimbos apostos: um datado de 19/12/2006 e outro datado de 20/12/2006; 3 - indffiDO COMM.1•0 nCONTLE CONFER E O )•.$ : winINAL • Processo e 36624.000548/2006-63 C6 I 09 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.874Fls. 235 Mens de Pa FledhididileP Ma Saque 7511413 O primeiro carimbo (19/12/2006) se refere a data em que o documento foi entregue pela recorrente na agência dos correios e o segundo (20/1212006), se refere ao inicio dos procedimentos internos da agência dos correios para a entrega do documento; O fato de a agência dos correios postar o documento no mesmo dia em que foi entregue pela recorrente ou em outra data em nada prejudica o cumprimento do prazo previsto no parágrafo primeiro, do art. 305, do Decreto 3.048/1999. Assim, requer se reconsiderado o r. despacho com o conseqüente processamento e encaminhamento do recurso administrativo ao CRPS para julgamento. Da análise do pedido de reconsideração formulado pela notificada, a SRP, manteve o entendimento de que o recurso é intempestivo (fls. 203/204), alegando que os documentos juntados às fls. 188/189 são imprestáveis para provar que o recurso foi entregue aos correios em 19/12/2007. A recorrente juntou às fls. 214/215 decisão judicial em sede de agravo de instrumento considerando tempestivo o recurso e determinando seu seguimento. É o Relatório. Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora Da análise dos autos, constata-se a existência de decisão judicial considerando o recurso tempestivo não havendo, portanto, óbice para o seu conhecimento. Verifica-se que o fato gerador da contribuição lançada por meio da NFLD discutida no presente processo administrativo, qual seja, o fornecimento, pela notificada, de um kit de enxoval de bebê a seus funcionários, já foi objeto de análise por este Conselho de Contribuintes, em processo que discutiu outra Notificação lavrada contra a ora recorrente (recurso de n°141.663). Dessa forma, permito-me adotar as razões trazidas pelo Relator Rogério de Lellis Pinto no julgamento do referido recurso, cujo trecho do voto pertinente à matéria aqui tratada transcrevo a seguir: "Seguindo em preliminar, o contribuinte insurge contra a suposta responsabilização dos diretores da empresa, indicados no anexo CORESP, onde, a meu ver, razão também não lhe acompanha, conforme veremos. Sem embargos, da leituritatenta dos autos evidencia-se que o sujeito passivo que deve suportar o ónus contido na presente NFLD é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito tributário ora discutido. Ocorre que, como bem assinalado na DN, os créditos da Seguridade Social, estão resguardados pela solidariedade dos sócios, administradores e diretores, a vi do artigo 13, e parágrafo único da Lei n° 8.620/93. Transcrevemos o texto da lei:" 4 - mamo COtLHfl" COMIU111 • TeS JflQflp.i fl 1 Processo n°36624.000548/2006-63 kaallia._0 06 _ CCO2/036 Acórdão n.° 206-01.874 Fl s. 236 4 • .4 I/ Manas Fana. 'In: avang, Mat. Siape 751683 "Art. 13: O titular de firma individual e os sócios de empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social Parágrafo Único: Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente com bens pessoais ao inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa". Como se vê, a responsabilidade pessoal dos sócios e diretores do sujeito passivo é solidária e subsidiária mas estes somente responderão pelo crédito tributário, conforme determina o próprio Cern e o dispositivo legal acima indicado, se restar constatado uma ação dolosa ou culposo na execução dos atos de administração. É de se esclarecer que a Relação de Co-Responsáveis, constantes às fls. dos autos, e que pode ter induzido ao equívoco o Recorrente, serve apenas de subsídios, para que em sendo necessário à cobrança judicial do débito, e se constatada a administração fraudulenta, já disponha a Fazenda Pública de dados para responsabilizar quem de direito. O que não quer dizer que sejam eles, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de co-resp, nada mais representa do que documento instrutório da NFLD, previsto na legislação previdenciária, e visa, sobretudo, auxiliar na eventual responsabilização das pessoas ali indicadas, óbvio que desde que se obedeça a norma tributária especca para essa responsabilização. Em sendo assim, rejeito também a 2° preliminar, passando ao estudo das questões meritórias comidas no bojo do presente levantamento, sem, é claro, perder de vistas às razões que trazem o Recorrente a esta Colenda Câmara. Na esteira desse raciocínio, é importante destacar que o cerne da questão ora discutida situa-se em saber se a rubrica que representa o objeto da presente NFLD, estaria ou não no campo de incidência da contribuição previdenciária, o que em meu sentir, nos força a uma análise da extensão legal do termo salário de contribuição. Sem embargos, a Lei n° 8.212/91, ainda que por dispositivos legais distintos, fixou a base de cálculo do tributo previdenciário devido pelo empregado bem como aquele de responsabilidade do empregador, em regra, a partir de um conceito central comum a ambos, ou seja, dos mesmos elementos caracterizadores, o que implica reconhecer que o salário-de-contribuição pode ser visto tanto .sob o enfoque legal direcionado ao empregado quanto à empresa empregadora, sem que isso venha a representar distorção para a análise proposta." Vejamos o que nos diz o inciso 1, do artigo 28 da referenciada norma: 'ti" 5 - - AO • MUNDO ~ riso DE ~nue— Ines ar4r • MINAL Processo n°36624 000548/2006-63 easj).. CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01274 Fls. 237 Mem de Fáb.\ svitilidUarvallee - mai se 131643 -- "Artigo 28: Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado (..): a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; " Grifamos. Nota-se que o conceito legal preocupou-se em afirmar que não apenas os valores pagos diretamente ao empregado pelo empregador, sofrerão a incidência do tributo previdenciário, mas igualmente os ganhos decorrentes de utilidades, desde que também possuam caráter habitual, tenham natureza onerosa e retributiva. A preocupação do legislador, assim, direciona o intérprete ao caráter remuneratório da verba vertida ao empregado, de sorte que o valor percebido somente será salário, se representar um aumento no seu patrimônio, é dizer, que aquilo que lhe está sendo pago, representa um acréscimo que tenha repercussão patrimonial. A propósito da disposição legal encimada, ao considerar o ganho habitual como salário-de-contribuição, a Lei do Custeio Previdenciário nada mais fez do que reproduzir o que o § 11 0 do art. 201 da própria Constituição da República deixou assentado. Portanto, por força constitucional, não há que afastar os ganhos habituais advindos do contrato de trabalho, da incidência da contribuição previdenciária. Não obstante a amplitude que pode se conceder ao conceito de salário- de-contribuição, o próprio art. 28, mais adiante, especcamente o seu § 9°, veio a excluir da tributação previdenciária inúmeras situações especiais e exclusivas onde, mesmo havendo pagamento direto ao empregado, não haverá a incidência de contribuição previdenciária. O destaque à exclusividade das hipóteses previstas no mencionado § 9°, -como nos adverte o próprio caput, não é aleatória, mas, na verdade, -vem explicitar a fronteira imposta ao aplicador da norma previdenciária, vedando a ampliação do rol ali fixado, para eventualmente beneficiar determinada situação não contemplada pela Lei do Custeio Previdenciário. Resta delimitado, portanto, que os ganhos habituais, e o salário indireto efetivamente compõe a base sob a qual recai a incidência de contribuição previdenciária, cabendo-nos então verificar se o bônus por tempo de serviço, ora tributado, realmente está inserido nesse contexto, ou se enquadra-se em alguma hipótese do § 9° do art. 28 em comento. Para melhor contextualizaçã o, lembremos que a empresa Recorrente, como bem narra o relatório fiscal, concede a seus empregados, quando do nascimento de seus filhos, uma verba a titulo de enxoval de bebe. Esse pagamento, entendeu a fiscalização ser salário para os fins 6 — - - — - mormo Cflgil.H0 cormarrno] • - o "YRWAI. Processo n°36624.000548/2006-63 , Isearna.") ((__. . _ Q€ -' CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.874 Fls. 238 Mana de F•tit . gao Suspe 751683 previdenciários, haja vista decorrer do contrato de trabalho, representar ganho econômico, e ser habitual. Neste ponto, e em que pese o esforço argumentativo do ilustre subscritor da peça inconformista, penso que razão nenhuma lhe acompanha, na medida em que o pagamento de que cuidamos, realmente se a amolda ao figurino legal que delimita a base-de-cálculo da contribuição previdenciá ria, como bem entendeu a fiscalização e a douta autoridade julgadora singular. A Recorrente aduz que a verba em baila não teria natureza salarial já que ausente de qualquer característica retributiva, o que não me parece ser o melhor dos entendimentos. Em verdade, essa verba oferecida por mera liberalidade, ainda que de forma condicionada, pelo empregador aos seus empregados, não nega sua característica salarial, já que é decorrência única e exclusiva do contrato de trabalho existente entre ambos, e mais, representa ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma vinculaçã o entre seu fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa forma indireta, como bem dito pela decisão guerreada. A condição de se tratar ou não de salário, não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado, ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si, que vai determinar sua natureza jurídica. Sem espaço para dúvidas, a verba vertida para fugir da tributação previdenciá ria, deve ou enquadrar-se nas hipóteses excluídas pelo parágrafo r. antes mencionado, ou simplesmente não acompanhar o enquadramento legal do inciso Ido art. 28, o que não me parece ser o caso. Não vejo aqui, que estaríamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a Empresa. Nesse ponto, o ganho habitual passível de exação, embora não se tenha uma definição legal do que venha este a ser, não são necessariamente aqueles valores auferidos mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Com efeito, há suscevidade no fornecimento da verba, também naqueles ganhos econômicos do obreiro, quando se tem a certeza de que receberá, assim como os outros empregados na mesma condição, valores prometidos pelo empregador, como costume arraigado na sua relação empregatz'cia. Nesse ponto, se torna irrepreensível e digna de citação, o seguinte trecho da decisão que ora se discute: 5.25. Ainda, não há dúvida de que o pagamento da referida verba reveste-se de habitualidade: é de conhecimento de todos os empregados (consta do manual fornecido pela empresa aos empregados) que com o nascimento de um filho terão zuna gratificação estabelecida com regras especificas previamente divulgadas, vide relatório fiscal, beneficio este que, se preenchidas as condições, perdura até o final do vínculo empregatício. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a 7 _ _ _ MI- SEGI5,141:0 C1)PM.H0 DE CON11 1 11:. I L na: • • CONP • nelOINAL Processo n° 36624.000548/2006-63 ("")_n___Asa6 —Dg— • CCO2/C06 Ac6rdão n.° 206-01.874 Fls. 239 Maria ião tHise Mat. 7516a . . continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende da condição estabelecida pelo empregador acontecer. A expectativa criada, o costume e a certeza do beneficio em se caracterizando a situação pré- definida pelo empregador gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento no item 7 da letra "e" do 9° da Lei 8.213/9L 5.26. A ampla divulgação do pagamento de tais parcelas e de suas condições faz com que integre o contrato de trabalho dos empregados, trata-se de um pagamento ajustado com condição (nascimento de filho) pré-fixada, com termo certo de ocorrência, não é uma liberalidade paga em condições únicas, excepcionais; não é fortuita, pois a cada nascimento de filho será concedido o beneficio, ou seja, sempre, a cada nascimento, desde que existente o vínculo trabalhista é devida a liberalidade instituída pela empresa. Desse modo, tenho comigo que a verba ora em discussão representa na verdade uma gratificação ajustada, paga por mera liberalidade do empregador, e condicionada ao obvio nascimento de um filho do segurado empregado da empresa, da mesma forma com que tem nítida repercussão econômica • com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do parágrafo 9°. do art. 18 da Lei no. 8.212/91, portanto, de natureza salarial, sendo correta a exigência contida na combatida NFLD." Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Page 1 _0070400.PDF Page 1 _0070500.PDF Page 1 _0070600.PDF Page 1 _0070700.PDF Page 1 _0070800.PDF Page 1 _0070900.PDF Page 1 _0071000.PDF Page 1
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Numero do processo: 35319.000301/2006-38
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÓES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 05/11/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO.
Toda empresa é obrigada a manter laudo técnico atualizado com
referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-01.772
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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SEXTA CÂMARA Processo n' 35319.000301/2006-38 Recurso n• 150.826 Voluntário Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão n° 206-01.772 Sessão de 03 de fevereiro de 2009 Recorrente FILÓ S/A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÓES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/11/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO. Toda empresa é obrigada a manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Ml . siourffl criNt5aHO DE CONTR1131.1"rrES CONFUL t O OMINAI Processo n° 35319.000301/2006-38 endjja /16- CCO2/036 Acórdão n.° 206-01.772 ns. 384 Maria de Fátl:rw tid • Mat. Saape 751o83 ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente OG. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, deusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 _ '"' •"( I DE rOtAlaUD4110 MT - SEGUN I"^ r(N- . - • Processo n°35319.000301/2006-38 C(.11•1101 CUM ( i t:".1.11/dAL CCO2/096 Acórdão n.• 206-01.772 ,C6 . ag Fls. 385 Braula..W __ ......._, tgileitC" Maria de 1- ..1.$ ..-. t • ---. . 1: 15 , dal() ild •5..t i . _ i .... Relatório . Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 05/11/2003, por ter a empresa acima identificada deixado de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho, ou de emitir documento de comprovação de exposição em desacordo com o laudo, infringindo, dessa forma, o art. 58, § 3° da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei 9.528/97. . Consta do Relatório Fiscal da Infração (fl. 02), que a empresa não apresentou Laudo Técnico devidamente atualizado para todos os setores da empresa em que há exposição a agentes ambientais nocivos. A recorrente apresentou defesa via peça de fls. (fls. 14 a 41) e o processo foi convertido em diligência, resultando na emissão de Relatório Fiscal da Infração Complementar (fl. 45), com a inclusão do fundamento legal infringido. Cientificada do Relatório Complementar, a recorrente se manifestou às fls. 50 a 55, reiterando os termos da impugnação e juntando extensa documentação (fls. 56 a 140) e, de sua análise, o processo foi novamente encaminhado para o AFPS autuante, que concluiu, por meio da Informação Fiscal de fls. 143 a 148, que os documentos anexados à defesa não corrigem as falhas apuradas na ação fiscal. O INSS, por meio da Decisão-Notificação n° 17.424.4/111/2004 (fls. 151 a 161), julgou o Auto de Infração procedente e a autuada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo ao CRPS (fls. 168 a 182), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade da Decisão-Notificação face o cerceamento ao direito de defesa da recorrente, já que as provas produzidas não foram apreciadas pelo órgão julgador sob o argumento de que já haviam sido examinadas pelo Auditor Fiscal. Sustenta que tal procedimento é absurdo considerando que o processo administrativo existe justamente para permitir a revisão dos atos praticados pela própria Administração e que o órgão julgador tem por obrigação legal e regimental o exame das provas, ainda que para rechaçá-las. Assevera que o julgamento da impugnação foi feito pelo AFPS autuante, e não pelo julgador de primeira instância, o que revela a total parcialidade da decisão, já que é óbvio que o fiscal autuante manterá o lançamento em todos os seus termos, o que toma nula da decisão recorrida, pois carece de fundamento jurídico de validade a sua manutenção. Aponta como outro motivo de nulidade do AI o fato de a autoridade autuante ter aplicado sanção em função da reincidência genérica sem, contudo, demonstrar, no ato da lavratura do • Auto, a origem dessa reincidência, o que somente veio a ocorrer na decisão- notificação, prejudicando, dessa forma, a defesa da recorrente, já que no momento da autuação desconhecia a razão da penalidade majorada, o que impõe a abertura de novo prazo para a recorrente se manifestar sobre o fato novo trazido à colação pela autoridade autuante em momento posterior à apresentação da impugnação. iN--3 3 4-.1NAL SiileZ MF - SEGUNDD CONSUMO DE CONTE1131. "'TU • Processo n° 35319.000301/2006-38 CONn.a E COM O t ma CCOVC06 Ac6rdio n.°206-01.772 Fls. 386 Maria de Fláll/3len de Carvalho MM. Sia; 751633 No mérito, reitera que, ao contrário do sustentado na decisão recorrida, a recorrente sempre gerenciou adequadamente o ambiente do trabalho de seus empregados, assim como manteve o LTCAT, conforme demonstram os documentos acostados aos autos. Afirma que a legislação de regência exige apenas a atualização anual do LTCAT, mas não estabelece que essa atualização deva se dar na mesma data para todos os setores da empresa. Defende que em nenhum momento as normas previdenciárias autorizam a cobrança de multa por falta de cumprimento de obrigação acessória em concomitância com aquela cobrada via NFLD, e que descabe a cobrança de duas multas, uma na NFLD e outra no - AI, ou seja, duas multas por uma mesma infração. Entende que o presente auto de infração impõe uma segunda multa a fato já lavrado na NFLD, não sendo razoável e não se coadunando com o Direito a submissão da recorrente ao pagamento de multa lançada no AI, quando já se encontra penalizada por multa lançada na NFLD. Traz um histórico da legislação que rege a matéria para concluir que o LTCAT não era exigível no período lançado, afigurando-se totalmente incabível e incorreta, até mesmo arbitrária, a penalidade de multa imposta à recorrente. O processo retomou à fiscalização para a emissão de Termo de Arrolamento de Bens, tendo em vista decisão judicial deferindo liminar e reconhecendo a possibilidade de arrolar bens como forma de cumprimento da exigência do depósito recursal. O TAB foi lavrado e juntado à fl. 203 dos autos e a autoridade autuante se manifestou à fl. 250. A Secretaria da Receita Previdenciária, em despacho de fls. 260 a 262, constatando a existência de vícios processuais que poderiam resultar em cerceamento ao direito de defesa, decidiu anular a Decisão-Notificação, com fundamento no art. 31, inciso II, da Portaria 520/2004, e determinar a elaboração de novo Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, reabrindo prazo para apresentação de defesa. Em atendimento ao disposto no Despacho da SRP, foi emitido Relatório Fiscal de Aplicação da Multa Complementar (fl. 264) e dada ciência, à recorrente, do novo relatório como do resultado da diligência fiscal realizada após a impugnação. A autuada apresentou nova impugnação (fls. 276 a 286) e a SRP, por meio da Decisão-Notificação 17-422.4/0388/2005 (fls. 288 a 299), julgou a autuação procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou novo recurso ao CRPS ." (fls. 314 a 318), repetindo basicamente as razões apresentadas no recurso anteriormente interposto. Reitera o entendimento de que a aplicação da multa caracteriza verdadeiro bis in idem, pois, além da multa aplicada sobre o valor do principal constante da NFLD já mencionada, a fiscalização aplicou ainda, através de autuação específica, a multa por suposta falta de atualização do LTCAT. en•tn 4 ME - SEGUNDO CONF P. flO DE CO14718184. "TES CONFIRE Co" II , "OINAL Processo n°35319.000301/2006-38 Bliadia. /Dr (C)(61.1_,) 619 CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.772 ~.) Fls. 387 • Maria de ninasa3 Carvidho Met Sia;er751683 _ Defende que em nenhum momento as normas previdenciárias autorizam a cobrança de multa por falta de cumprimento de obrigação acessória em concomitância com aquela cobrada via NFLD, e que descabe a cobrança de duas multas, uma na NFLD e outra no AI, ou seja, duas multas por uma mesma infração. Entende que o presente auto de infração impõe uma segunda multa a fato já lavrado na NFLD, não sendo razoável e não se coadunando com o Direito a submissão da recorrente ao pagamento de multa lançada no AI, quando já se encontra penalizada por multa lançada na NFLD. Em Contra-Razões, fis 372 a 378, a SRP manteve a procedência da autuação. É o Relatório. Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. O presente auto foi lavrado por ter sido constatado que a empresa autuada deixou de manter LTCAT atualizado para alguns de seus setores em que verificou-se a existência de agentes nocivos no ambiente do trabalho. Na mesma ação fiscal, foi lavrada NFLD n° 35.587.703-1, por não ter sido comprovado, pela empresa, o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e controle dos riscos ocupacionais existentes. Cumpre registrar que a referida notificação foi julgada procedente por este Conselho. Assim, não cabe discussão quanto ao mérito da questão, já que restou comprovado, nos autos da NFLD acima citada, que alguns dos empregados da empresa estão expostos a riscos ambientais do trabalho que ensejam direito à aposentadoria especial, e que a recorrente não comprovou, por meio da apresentação de Laudos atualizados, o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e controle dos riscos ocupacionais existentes no período abrangido pelo lançamento. Dessa forma, o Auditor Fiscal da Previdência Social, ao constatar a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do beneficio da aposentadoria especial, agiu em conformidade com os ditames legais, lançando os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais por intermédio da NFLD 35.587.703-1 e lavrando o competente Auto de Infração pela não apresentação dos LTCATs •devidamente atualizados. Com relação ao argumento de que as normas previdenciárias não autorizam a cobrança de multa por falta de cumprimento de obrigação acessória em concomitância com aquela cobrada via NFLD, e que descabe a cobrança de duas multas por uma mesma infração, cumpre esclarecer que o que está sendo lançado na referida NFLD é a multa de mora, e no presente AI é a multa de oficio. MF SEGUNDO Myr" tn DF' coNneurnes CONE," i -*NAL Processo e 35319.000301/2006-38 Basais. ° 0id5.̂ ; CO32C06 Acórdão n.• 206-01.772 CP" ikAij Fls. 388 Maria ck Fierirus rir eira de Carvalho Mat. Siape 751683 _ A notificada confunde multa, penalidade, com contribuição previdenciária. Na NFLD mencionada, o fiscal não impôs uma multa e sim notificou o valor que a recorrente deve à previdéncia. E o valor notificado foi acrescido de juros e multa moratória, tendo em vista o não-recolhimento da contribuição no prazo legal. Tal procedimento encontra amparo nos artigos 34 e35 da Lei 8.212/91. Já a multa de oficio lançada por meio do presente AI possui caráter punitivo e se refere ao descumprimento de uma obrigação acessória, o que, conforme demonstrado nos autos, ocorreu no presente caso. Portanto, ao se deparar com o descumprimento da obrigação acessória previdenciária, o agente fiscal lavrou corretamente o presente Auto de Infração. Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2009 L5-^ BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS • 6 Page 1 _0071100.PDF Page 1 _0071200.PDF Page 1 _0071300.PDF Page 1 _0071400.PDF Page 1 _0071500.PDF Page 1
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