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Numero do processo: 10384.003259/2005-11
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — REVENDA DE COMBUSTÍVEIS — As
divergências apuradas através do cotejo das receitas de venda de
combustíveis registradas no Livro de Saídas e essas mesmas receitas lançadas
nos Livros de Movimentação de Combustíveis LMC, configura omissão de
receitas, por falta de registro de vendas,
LUCRO ARBITRADO — O arbitramento é medida extrema que só se
justifica no caso de absoluta falta de condição de apurar o imposto devido no
período base. Quando não há deficiências na escrituração, sendo a
escrituração suficiente para determinar o lucro real, incabível o arbitramento
do lucro.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1401-000.248
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Texeira
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ementa_s : IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — REVENDA DE COMBUSTÍVEIS — As divergências apuradas através do cotejo das receitas de venda de combustíveis registradas no Livro de Saídas e essas mesmas receitas lançadas nos Livros de Movimentação de Combustíveis LMC, configura omissão de receitas, por falta de registro de vendas, LUCRO ARBITRADO — O arbitramento é medida extrema que só se justifica no caso de absoluta falta de condição de apurar o imposto devido no período base. Quando não há deficiências na escrituração, sendo a escrituração suficiente para determinar o lucro real, incabível o arbitramento do lucro. Recurso voluntário negado.
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Quando não há deficiências na escrituração, sendo a escrituração suficiente para determinar o lucro real, incabível o arbitramento do lucro. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Viviane Vidal Wagner - Presidente Alexandre Antonio Allcmim Teixeira — Relator EDITADO EM: 0 9 ,E11_ ni0 Participaram do julgamento os -Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio bezerra Neto, Alexandre Antonio Ananim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Sandra Maria Dias Nunes, Processo n° 10384 00325912005-11 S1-C4T1 Acórdão n " 1401 -00248 Fl 2 Relatório Trata o presente feito de auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente, tendo em vista a identificação, durante procedimento de fiscalização, de divergências na confrontação entre a receita de venda obtida através dos Livros de Movimentação de Combustíveis (LMC) e a receita de venda escriturada no Livro Razão e declarada em DIPJ. As diferenças apuradas foram discriminadas nas planilhas "Vendas Diárias por Tipo de Combustível e por Estabelecimento" (fis, 21 a 56) e "Comparativo Receitas dos LMC e Receitas do Razão" (fl. 58). Em decorrência deste fato, foram lavrados os autos de infração relativos ao recolhimento do IRPJ e da CSLL. Inconformado com a autuação descrita, a ora Recorrente apresentou impugnação alegando o seguinte: 1) Ser nulo o lançamento, tendo em vista que a simples divergência entre os valores constantes no LMC e as receitas contabilizadas e declaradas pelo contribuinte não constitui elemento suficiente para caracterizar a omissão de receitas, e, como corolário, autorizar o lançamento de tais diferenças; 2) Sendo os tributos em questão exações incidentes sobre o resultado financeiro (renda e lucro líquido) auferido em determinado exercício, a determinação na base imponível do IRPJ e da CSLL na tributação pelo lucro real pressupõe a dedução dos custos e/ou despesas correspondentes à suposta receita omitida, sob pena de vergaste literal do art. 43 do CTN; 3) Ou, caso não considere a nulidade do presente Auto, que, apurada omissão de receitas, os valores descortinados deverão compor a base de cálculo do imposto devido na forma prescrita pelo art. 532 do RIR; conhecida a receita bruta, aplica-se o percentual previsto no art. 519, majorado em 20%. Tendo em vista que, no caso, a atividade da Impugnante é a revenda de combustível, o percentual a se adotar é de 1,6% - acrescido de 20%, a fiscalização deveria ter aplicado o percentual de 1,92% da receita bruta omitida; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (CE) considerou o lançamento procedente, conforme acórdão DRJ/FOR n° 08-11.509 (fls. 209/223) e ementa que segue: Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS Verificada diferença a maior entre os valores de vendas de combustíveis registrados no Livro de Movimentaçiio de Processo n' 10384 003259/2005-11 S1 -C4T1 Acórdão i 1401-00.248 Fl 3 Combustíveis e aqueles contidos na escrituração contábil, cabível o lançamento de ofício, a título de omissão de receitas, das diferenças apuradas, TRIBUTAÇÃO REFLEXA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. Aplica-se às exigências ditas reflexas, o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações ex-oneratórias procedidas de ofício, decorrentes de novos critérios de i)7terpre1ação ou de legislação superveniente. Assunto.' Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EXIGÊNCIA FISCAL. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento, quando na formalização do crédito tributário foram respeitadas as disposições contidas no art. 142 do CTN e art, 10 do Decreto n" 70.235/72, e foi assegurado à autuada o direito ao contraditório e ampla defesa. Assunto. Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário.. 2003 SENTENÇAS JUDICIAIS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação, Inconformada, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma, os mesmos argumentos deduzidos na sede impugnatória. É o relatório • • 3 Processo n" 10384,003259/2005-11 SI-C41 I Acórdão o° 1401-00..248 Fl. 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Ananim Teixeira, Relator Conheço do presente Recurso, visto que atende os pressupostos de admissibilidade. A ora Recorrente alega ser nulo o lançamento em face da inexistência de indícios legais suficientes para a presunção de omissão de receitas, seja i) pela a eleição de base de cálculo irreal para a quantificação do crédito tributário ou ii) pelo fato de que somente a divergência de valores entre o Livro de Movimentação de Combustível LMC e as receitas contabilizadas e declaradas pelo contribuinte não constitui elemento econômico jurídico que autorize a imposição tributária. Do cotejo dos registros no Livro de Movimentação de Combustível com o Livro Razão foram apuradas divergências entre as saídas de combustíveis registradas no LMC e as saídas registradas na contabilidade. É importante frisar que os dados constantes no LMC constituem informações fornecidas por exigência do Departamento Nacional de Combustíveis, órgão responsável à época, conforme Portaria DNC if 25/92: Portaria DNC N" 26, de 13/11/1992 RESOLVE, Instituir o livro de movimentação de combustíveis (LMC) para registro diário, pelos PRs dos estoques e 1)10VillientaÇãO de compra e venda de produtos e dá outras providências. Art. 1 0 - Fica instituído o LIVRO DE MOVIMENTAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS (LMC) para registro diário, pelo Posto Revendedor (P1?), dos estoques e das movimentações de compra e venda de gasolinas, óleo diesel, querosene iluminante, álcool etílico hidratado carburante e mistura metanol/etanol/gasolina, devendo sua escrituração ser efetuada consoante Instrução Normativa anexa, Art. 20 - O registro no LIVIC deverá ser efetuado diariamente pelo PR, tornando-se obrigatório a partir de I de fevereiro de 1993. E, ainda, o Regulamento do Imposto de Renda impõe a escrituração deste livro: Art. 260. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Lei n2 154, de 1947, art. 22, e Lei n2 8 383, de 1991, art. 48, e Decreto-Lei 1?2 1.598, de 1977, uris. 82 e 27) 1 - para registro de inventário; 4 Processo n" 10384 003259/2005-11 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.248 Fl, 5 11 - para registro de entradas (compras); III - de Apuração do Lucro Real - LALUR; IV - para registro permanente de estoque, para as pessoas jurídicas que exercerem atividades de compra, venda, incorporação e construção de imóveis, loteamento ou desmembramento de terrenos para venda; V - de Movimentação de Combustíveis, a ser escriturado diariamente pelo posto revendedor, (Sem destaques no original) Assim, a Autoridade Fiscal deve presumir verdadeiros os valores registrados nos livros de escrituração obrigatória, devidamente numerados, com os termos de abertura e encerramento assinados por representante da empresa, salvo prova em contrário. A mera alegação de que os valores registrados, pelo próprio contribuinte, no LMC estão incorretos sem apontar qualquer erro existente não deve ser acolhida,. Em relação ao questionamento da base de cálculo adotada pela fiscalização, deve ser analisado o art. 288 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° .3,000/99): Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei n2 9,249, de 1995, art. 24).. Tendo em vista que a ora Recorrente estava submetida ao Lucro Real trimestral, este regime fora respeitado para fins de tributação. Todavia, a ora Recorrente alega que a Autoridade Fiscal deveria ter aplicado o Lucro Arbitrado. Ocorre que são hipóteses de arbitramento do lucro (art. 530 do RIR199): Art..530 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n 2 9.430, de 1996, art. 12): 1-o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações .financeiras exigidas pela legislação fiscal,- 11-a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou dficiências que a tornem imprestável para: afidentificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)detenninar o lucro real; 5 Processo n" 10384.00325912005- / 1 S1 -C411 Acórdào n,° 1401-00.248 Fl 6 III-o contribuinte deixar de apresentar à autoridade ti ibutária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art, 527, 1V-o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V-o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior "art. 398), VI-o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Tendo em vista a escrituração estava devidamente realizada e apenas foi identificada a divergência entre o LMC e o Livro Razão, não seria hipótese de arbitramento do lucro, tendo em vista que este é perfeitamente identificável, uma vez que consta a completa escrituração das receitas e das despesas e custos. Sendo assim, a Autoridade Fiscal apenas lançou as receitas omitidas. Pelo exposto acima é possível verificar também que não há que se a Autoridade Fiscal desconsiderou as despesas e custos daquele período, tendo em vista que estes compuseram a base de cálculo tributável. Isso pelo simples fato de que urna vez calculado o lucro real pelo contribuinte, ou seja, apurou toda sua receita, deduziu as despesas e custos dedutíveis, qualquer omissão de receitas revelada na contabilidade será, automaticamente, lucro, pois a totalidade das despesas e custos já foram deduzidos da receita. Assim, nestes casos, o aumento de x na receita corresponde, necessariamente, a um aumento de x nos lucros auferidos. Irrepreensível, pois, o procedimento fiscal adotado, DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por considerar procedentes os lançamentos efetuados, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira 6 i a Seção , 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA Fis 4a Câmara : CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF CARF Sgl; 1' SEÇÃO DE JULGAMENTO/4" CÂMARA Processo n° : 10384,003259/2005-11 Interessado(a) : ANTÔNIO PEREIRA SOBRINHO - ME TERMO DE JUNTADA a Seção/4' Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1401-00.248, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / Chefe da Secretaria
score : 1.0
Numero do processo: 12749.000431/2006-13
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/08/2005 a 05/12/2005
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
SÚMULA N.° 05.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.350
Decisão: ACORDAM os membros da 2° Câmara / 1° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
1.0 = *:*
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/08/2005 a 05/12/2005 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.° 05. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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Numero do processo: 10865.001849/2008-40
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2008
AUXÍLIO-DOENÇA, AUXÍLIO-ACIDENTE - VERBAS RECEBIDAS NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO - SALÁRIO - MATERNIDADE - FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3, VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO - INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa e que não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91.
A verba recebida a título de férias, com o terço adicional, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária.
O salário-maternidade possui natureza salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária. O fato de ser custeado pelos cofres da autarquia previdenciária não exime o empregador da obrigação tributária relativamente à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, incluindo, na respectiva base de cálculo, o salário-maternidade auferido por suas empregadas gestantes.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retirar da base de cálculo da exação os valores correspondentes ao pagamento de terço de férias, auxílio-doença e auxílio-acidente nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator(a) Designado(a): Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros- Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ADICIONAL DE 1/3, VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa e que não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. A verba recebida a título de férias, com o terço adicional, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária. O saláriomaternidade possui natureza salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária. O fato de ser custeado pelos cofres da autarquia previdenciária não exime o empregador da obrigação tributária relativamente à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, incluindo, na respectiva base de cálculo, o saláriomaternidade auferido por suas empregadas gestantes. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retirar da base de cálculo da exação os valores correspondentes ao pagamento de terço de férias, auxíliodoença e auxílioacidente nos primeiros quinze dias de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 49 /2 00 8- 40 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 afastamento do empregado; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator(a) Designado(a): Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 136DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.001849/200840 Acórdão n.º 2301002.401 S2C3T1 Fl. 128 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte ISOTRAFO COMERCIAL DE ISOLADORES E TRANSFORMADORES LTDA, contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento referente às contribuições devidas à Seguridade Social em decorrência da não comprovação do recolhimento no período de 01/2005 a 01/2008, incluindo 13º salários de 2005 a 2007. 2. Também foi averiguada a falta de pagamento do Seguro de Acidentes de Trabalho, nos termos do art. 22, II, b, da Lei 8.212, referente ao período de 1/2005 a 5/2007, inclusive 13º salários de 2005 a 2006. E nos termos do art. 22, II, ao período de 6/2007 a 1/2008 com o 13º de 2007. Além dessas contribuições, também foi cobrada a relativa ao art. 22, III da Lei 8.212/91, destinadas ao pagamento de segurados individuais, no período de 1/2005 a 1/2008. 3. A ementa do julgamento a quo restou vazada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2008 OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, no prazo estabelecido na legislação previdenciária. CERCEAMENTO DE DEFESA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. A ausência de juntada dos documentos em que a Fiscalização se baseou para apurar a infração A legislação tributária que levou A autuação fiscal só acarreta nulidade do procedimento se o sujeito passivo delas não tiver conhecimento, hipótese afastada no caso da utilização de documentos elaborados e fornecidos pelo próprio autuado à Fiscalização. LANÇAMENTO COM BASE EM DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE As informações prestadas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social servem como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela SRP e constituemse em termo de confissão de divida, na hipótese do nãorecolhimento. Não havendo comprovação de erro nas informações confessadas em GFIP ou nos valores lançados, não há como acolher a irresignação quanto ao montante das contribuições exigidas. LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do AI e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Lançamento Procedente”. 4. Ante a prolação do Acórdão supracitado, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) que as contribuições são referentes às prestações de trabalho, de acordo com o art. 22, I, da Lei 8.212/91, e que o contribuinte estaria obrigado a incluir no valor total das remunerações pagas a seus trabalhadores verbas não decorrentes de prestações de serviços; e b) sendo tais verbas isentas de contribuições, os valores devem ser abatidos do lançado na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. MÉRITO DO RECURSO. 2. Em síntese, o recurso cingese ao pedido de exclusão da base de lançamento da tributação previdenciária incidente sobre: “I importâncias pagas nos 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente (auxíliodoença) ou acidentado (auxilioacidente); II valores pagos a titulo de saláriomaternidade; III importâncias pagas a titulo de férias e adicional de férias (1/3)” (f. 123) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.001849/200840 Acórdão n.º 2301002.401 S2C3T1 Fl. 129 5 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DURANTE OS QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AUXÍLIODOENÇA E AUXÍLIOACIDENTE 3. Quanto à primeira rubrica, contribuição previdenciária sobre a remuneração paga, durante os quinze primeiros dias do auxíliodoença, entendese tratar de verba não salarial, incidindo, assim, a regra de isenção do art. 28, § 9º, al. “a”, 1ª parte da Lei n. 8.212/91. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firmado acerca da não incidência tributária, uma vez que tal verba não tem natureza salarial, verbis: “TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – VERBAS RECEBIDAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR MOTIVO DE DOENÇA – IMPOSSIBILIDADE – BENEFÍCIO DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA – RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO ANTES DO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS – INTEMPESTIVIDADE. 1. O recurso especial interposto antes do julgamento dos embargos de declaração ou dos embargos infringentes opostos junto ao Tribunal de origem deve ser ratificação no momento oportuno, sob pena de ser considerado intempestivo. Precedente da Corte Especial do STJ. 2. A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido de que não incide a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado, durante os primeiros dias do auxíliodoença, uma vez que tal verba não tem natureza salarial. Inúmeros precedentes. 3. Primeiro recurso especial não conhecido. Segundo recurso especial não provido”. [g.n.] (REsp 793796/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/05/2008, DJe 26/05/2008). “TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIODOENÇA. QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. Tratam os autos de mandado de segurança impetrado por HAENSSGEN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO objetivando a declaração da ilegalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio doença ao empregado nos primeiros quinze (15) dias de afastamento do trabalho, além da compensação das parcelas discutidas dos últimos dez (10) anos. Sentença que julgou improcedente o pedido "denegando a segurança pleiteada e extinguindo o processo com julgamento de mérito, forte no art. 269, I, do Código de Processo Civil". (fl. 60). Interposta apelação, o Tribunal de origem, por unanimidade, negoulhe provimento (fls. 95/97) por entender que é incontroversa a natureza salarial do auxílio doença devido pela empresa até o 15º dia de afastamento do trabalhador razão pela qual deve incidir contribuição Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 previdenciária. No recurso especial, além de divergência jurisprudencial, a empresa recorrente alega negativa de vigência do art. 60, § 3º, da Lei nº 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Em suas razões alega que a verba que a empresa paga aos funcionários durante os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalho, por motivo de doença, não tem natureza salarial, razão pela qual não deve incidir a contribuição previdenciária. Sem contra razões, conforme certidão de fl. 130. 2. A diferença paga pelo empregador, nos casos de auxíliodoença, não tem natureza remuneratória. Não incide, portanto, sobre o seu valor, contribuição previdenciária. 3. Precedentes: REsp 479935/DF, DJ de 17/11/2003, REsp 720817/SC, DJ de 21/06/2005, REsp 550473/RS, DJ de 26/09/2005. 4. Recurso especial provido”. [g.n.] (REsp 783804/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2005, DJ 05/12/2005, p. 253) 4. Assim como no auxíliodoença, o valor pago nos primeiros quinze dias de afastamento do funcionário por motivo de acidente é isento da contribuição previdenciária. O auxílioacidente ostenta, da mesma forma, natureza indenizatória, porquanto destinase a compensar o segurado quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia, razão pela qual consubstancia verba infensa à incidência da contribuição previdenciária. 5. O STJ também tem inúmeros precedentes sobra a matéria, v.g.: “3. O auxílioacidente ostenta natureza indenizatória, porquanto destinase a compensar o segurado quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia, consoante o disposto no § 2º do art. 86 da Lei n. 8.213/91, razão pela qual consubstancia verba infensa à incidência da contribuição previdenciária. Precedentes.” (REsp 1098102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 17/06/2009. No mesmo sentido: REsp 973436/SC, Rel. Ministro José Delgado, DJ 25/02/2008, p. 290). 6. Sendo pacífico o entendimento no STJ sobre ilegalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxíliodoença e auxílioacidente nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado, assiste razão o sujeito passivo, devendo ser afastada da tributação neste ponto. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE SALÁRIO MATERNIDADE E FÉRIAS. 7. Em sentido contrário, o saláriomaternidade possui natureza salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme previsão do art. 28, § 9º, al. “a”, parte final da Lei n. 8.212/91. O fato de o benefício ser custeado pelos cofres da autarquia previdenciária não exime o empregador da obrigação tributária relativamente à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, incluindo, na respectiva base de cálculo, o saláriomaternidade auferido por suas empregadas gestantes. 8. A respeito da questão, já se pronunciou o STJ, corroborando o esse entendimento: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.001849/200840 Acórdão n.º 2301002.401 S2C3T1 Fl. 130 7 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVOS REGIMENTAIS NO RECURSO ESPECIAL. APELO DA EMPRESA: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS E ABONO CONSTITUCIONAL. SALÁRIOMATERNIDADE. INCIDÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. APELO DA UNIÃO: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA SOBRE OS VALORES PAGOS PELO EMPREGADOR AO EMPREGADO NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIODOENÇA. PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 97 DA CARTA MAGNA. NÃOOCORRÊNCIA. CONTRARIEDADE AO ART. 195, I, A, DA CF∕88. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NESTA INSTÂNCIA SUPERIOR. AGRAVOS REGIMENTAIS DESPROVIDOS.1. Esta Corte já consolidou o entendimento de que é devida a contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de férias e abono constitucional, bem como de saláriomaternidade, tendo em vista o caráter remuneratório de tais verbas. 2. Precedentes: REsp 731.132∕PE, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 20.10.2008; AgRg no REsp 901.398∕SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; AgRg no EDcl no REsp 904.806∕RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 16.12.2008; AgRg no REsp 1.039.260∕SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 15.12.2008; AgRg no REsp 1.081.881∕SC, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe de 10.12.2008.” [g.n.] (AgRg no REsp 1.024.826∕SC, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 19∕3∕2009, DJe 15∕4∕200. No mesmo sentido: REsp 932.592∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 2∕4∕2009, DJe 22∕4∕2009; AgRg no REsp 1.081.881∕SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 2∕12∕2008, DJe 10∕12∕2008). 9. Quanto à verba recebida a título de férias, essa rubrica também ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária. 10. O STJ tem entendimento pacificado no sentido de que a referida parcela possui caráter remuneratório, verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ART. 3º DA LC 118∕2005.INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO MATERNIDADE E ADICIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA.1. Conforme decidido pela Corte Especial (AI nos EREsp 644736∕PE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 6.6.2007, DJ 27.8.2007), é inconstitucional a segunda parte do art. 4º da LC 118∕2005, que determina a aplicação retroativa do disposto em seu art. 3º. 2. O saláriomaternidade tem natureza salarial e integra a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Precedentes do STJ. 3. A Primeira Seção pacificou o entendimento de que incide Contribuição Previdenciária sobre a gratificação natalina (13º salário) e o acréscimo de 1∕3 sobre a remuneração de férias, direitos assegurados pela Constituição aos empregados e aos servidores públicos, por integrarem o conceito de remuneração. Precedente: REsp 731.132∕PE (Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJ 20.10.2008) 4. Agravos Regimentais não providos” [g.n.] (AgRg no REsp 1.076.883∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17∕2∕2009, DJe 19∕3∕2009). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 “TRIBUTÁRIO. SERVIDOR PÚBLICO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.783∕99. 1. No regime previsto no art. 1º e seu parágrafo da Lei 9.783∕99 (hoje revogado pela Lei 10.887∕2004), a contribuição social do servidor público para a manutenção do seu regime de previdência era "a totalidade da sua remuneração", na qual se compreendiam, para esse efeito, "o vencimento do cargo efetivo, acrescido de vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei, os adicionais de caráter individual, ou quaisquer vantagens, excluídas: I as diárias para viagens, desde que não excedam a cinquenta por cento da remuneração mensal; II a ajuda de custo em razão de mudança de sede; III a indenização de transporte; IV o salário família". 2. A gratificação natalina (13º salário), o acréscimo de 1∕3 sobre a remuneração de férias e o pagamento de horas extraordinárias, direitos assegurados pelaConstituição aos empregados (CF, art. 7º, incisos VIII, XVII e XVI) e aos servidores públicos (CF, art. 39, § 3º), e os adicionais de caráter permanente (Lei 8.112∕91, art. 41 e 49) integram o conceito de remuneração, sujeitandose, conseqüentemente, à contribuição previdenciária. 3. O regime previdenciário do servidor público hoje consagrado na Constituição está expressamente fundado no princípio da solidariedade (art. 40 da CF), por força do qual o financiamento da previdência não tem como contrapartida necessária a previsão de prestações específicas ou proporcionais em favor do contribuinte. A manifestação mais evidente desse princípio é a sujeição à contribuição dos próprios inativos e pensionistas. 4. Recurso especial improvido” [g.n.] (REsp 512.848∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 12∕9∕2006, DJ 28∕9∕2006, grifo nosso). ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE UM TERÇO 11. Em relação ao terço adicional de férias, essa verba tem natureza compensatória, pois é um reforço financeiro para que o trabalhador possa usufruir de forma plena o direito constitucional do descanso remunerado. 12. Nos termos do art. 201, § 11, da CF, somente as parcelas incorporáveis ao salário para fins de aposentadoria sofrem a incidência da contribuição previdenciária, verbis: “§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei”. 13. Em novembro de 2009, o STJ resolveu adequar a sua jurisprudência ao entendimento firmado pelo STF para declarar que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço de férias. A decisão nos Embargos de Divergência 956.289 serviu para se adequar ao entendimento da Corte Suprema, concluindo pela nãoincidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, verbis: “TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS NATUREZA JURÍDICA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Primeira Seção do STJ considera legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.001849/200840 Acórdão n.º 2301002.401 S2C3T1 Fl. 131 9 Precedentes. 2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 956289/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 10/11/2009)” 14. Sendo certo que o saláriomaternidade possui natureza salarial e integra o saláriodecontribuição, assim como a verba recebida a título de férias, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, parcelas passíveis da incidência da contribuição previdenciária, razão não assiste ao contribuinte nesses pontos. (cf. REsp 1098102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 17/06/2009), devendo o recurso ser provido nas demais rubricas. CONCLUSÃO 15. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos temos acima delineados, a fim de retirar da base de cálculo da exação, os valores correspondentes ao pagamento de auxíliodoença, auxílio acidente nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado, bem como o terço adicional de férias. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, quanto à não incidência de contribuição sobre as parcelas pagas a título de auxíliodoença e auxílioacidente, durante os primeiros quinze dias de afastamento, pelas razões a seguir expostas. O Relator defende que, tanto o auxíliodoença quanto o auxílioacidente, pagos nos primeiros quinze dias de afastamento do funcionário, são isentos da contribuição previdenciária, pois ostentam natureza indenizatória. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” (grifei). Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que o auxíliodoença e auxílioacidente, pagos pela empresa a segurado que lhe presta serviço, não estão incluído nas hipóteses legais de isenção previdenciária previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91 devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. Dessa forma, o auxíliodoença e ao auxílioacidente, pagos pela empresa durante os 15 primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, se enquadram no conceito legal de salário de contribuição, devendo, portanto, serem mantidos no lançamento. Com relação às demais matérias, acompanho o entendimento do Relator. Nesse sentido, VOTO por CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10882.001031/2004-95
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA. APLICAÇÃO IMEDIATA. CONVENIÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO.
Deve ser imediatamente aplicado o novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de oficio interposto quando vigente limite anterior.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS.
Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso. Na parte conhecida, por maioria dos votos, negaram provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rafael Vidal de Araújo. Apresentará Declaração de Voto o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA. APLICAÇÃO IMEDIATA. CONVENIÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Deve ser imediatamente aplicado o novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de oficio interposto quando vigente limite anterior. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso. Na parte conhecida, por maioria dos votos, negaram provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rafael Vidal de Araújo. Apresentará Declaração de Voto o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 10 31 /2 00 4- 95 Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls.4.405/4.440) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67, anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria 256 de 22/06/2009. O presente processo é decorrente de auto de infração lavrado para constituição de credito relativo ao IRPJ e CSLL dos anos calendário de 1999 a 2003, em razão constatação das infrações descritas na tabela abaixo: Insurgiuse a recorrente contra o acórdão 140200.342 proferido pelos membros da 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, os quais, por unanimidade de votos, (i) não conheceram do recurso de ofício – tinha como objeto o item 08; (ii) admitiram o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência; (iii) excluir das glosas de custos e de despesas, o valor de R$ 808.928,51 e as glosas de amortização de ágio e de contraprestações de arrendamento mercantil Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.636 3 e, por maioria de votos, (iv) mantiveram a glosa das despesas relacionadas ao seguro saúde de assistência médica e (v) excluíram a glosa de amortização das benfeitorias. A Fazenda Nacional, em suas razões recursais, sustentou que a decisão recorrida diverge do entendimento adotado por outras turmas deste Conselho relativamente (i) ao conhecimento do Recurso de Ofício segundo as regras previstas à época da decisão recorrida, (ii) a amortização de ágio em incorporação – item 10, (iii) ao ônus da prova da necessidade da despesa operacional, (iv) cancelamento de exigência por imprecisão – item 01, (v) descaracterização do contrato de arrendamento mercantil – infração 11, (vi) glosa de despesas com benfeitorias em imóveis locados de pessoas ligadas – item 09, Em sede de exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, exclusivamente quanto ao tratamento conferido ao Recurso de Ofício e com relação a quem cabe comprovar, para fins de dedução de despesas, o requisito necessidade – item 02. O acórdão, na parte em que foi admitido o recurso especial, foi assim ementado: “RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE. Sendo o valor exonerado inferior ao valor estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, não se conhece do recurso de ofício. (...) GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Excluise do lançamento a parte dos custos e despesas comprovados por meio de documentos, bem como, as despesas para as quais não se consegue identificar a razão da glosa de cada item, uma vez que nos termos do art. 149 do CTN, o lançamento não pode ser impreciso. (...) GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. Para que custos e despesas sejam dedutíveis é necessária a apresentação de prova documental de que são usuais, normais e necessários às atividades da empresa e à manutenção da fonte produtora.” Relativamente ao conhecimento do Recurso de Ofício afirmou que deve ser considerado o limite de alçada vigente à época da decisão de primeira instância e não o valor previsto em Portaria do Ministro da Fazenda, posterior à decisão recorrida. Trouxe como paradigma o acórdão 180300.312, assim ementado: “NORMA COM VIGÊNCIA SUPERVINIENTE AOS ATOS PROCESSUAIS PRATICADOS — INAPLICABILIDADE. No direito processual civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, com o que ele não conflitar, vigora o princípio "tempus regit actum", ou seja, na aplicação da norma processual no tempo, seus efeitos são imediatos, em relação aos Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 4 processos em andamento, não retroagindo, porém, sua aplicação para atingir aos atos processuais anteriores a sua vigência. RETROATIVIDADE BENIGNA MULTA ISOLADA REVOGADA A NORMA QUE FUNDAMENTAVA O LANÇAMENTO, INSUBSISTENTE A EXIGÊNCIA DA PENALIDADE. Aplicase ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de definilo como infração em detrimento da lei que vigorava ao tempo de sua pratica, em prestigio ao princípio da retroatividade benigna, conforme preceitua o art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional. Revogada a disposição legal que fundamentava a penalidade apontada no lançamento, tornase insubsistente a exigência.” Transcreveu trecho do acórdão paradigma: “Cumprese, de imediato, enfrentar uma questão preliminar acerca do conhecimento ou não do presente recurso de oficio em função do limite de alçada previsto para o reexame por esse colegiado, o qual na data da sua interposição, na vigência da Portaria MF n° 375/2001 era de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) e atualmente 6 de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), por força da IN n° 3 de 03/01/2008. Isto porque, na data da interposição do presente recurso o limite que vigia foi atingido, cabendo, à época, a sua interposição. Contudo, o limite vigente na ocasião da sua apreciação, no presente julgamento, não foi alcançado, suscitando, assim, dúvida acerca da possibilidade do seu conhecimento. Com efeito, a questão a ser elucidada 6 saber se a norma processual superveniente à interposição do recurso, qual seja a IN n° 3 de 03/01/2008, é aplicável ou não no momento do seu julgamento. Assim, passo, pois, enfrentála. No direito processual civil, que entendo aplicável ao processo administrativo fiscal, de forma subsidiária, com o que ele não conflitar, como "in caso", vigora o princípio "tempus regit actum", ou seja, na aplicação da norma processual no tempo, seus efeitos são imediatos, em relação aos processos em andamento, não retroagindo, porém, sua aplicação para atingir aos atos processuais anteriores a sua vigência. O ato processual em exame, qual seja, o recurso de oficio, 6 anterior ao advento da IN n° 3 de 03/01/2008, que instituiu um novo limite de alçada para reexame por este colegiado, não podendo, pois, lhe ser aplicável, logo, aplicase, na hipótese, a norma processual vigente à época do ato processual sob exame, qual seja, a Portaria MF n° 375/2001. Desta forma, forçoso concluir que é cabível a análise do pleito em função do aduzido limite previsto na Portaria MF n° 375/2001 ter sido superado à época da interposição do recurso.” Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.637 5 Quanto a infração relativa a despesas não comprovadas sustentou que foi indevida a exclusão do valor de R$ 16.325,00, pois é ônus do contribuinte comprovar a necessidade e a efetividade da despesa operacional. Trouxe como paradigma o acórdão 1101 00.234, assim ementado: “DECADÊNCIA — ANO 1999 — IRPJ — Se a contribuinte era tributada com base no lucro real anual, o fato gerador do imposto de renda, que é complexivo anual, encerrase apenas em 31 de dezembro de cada ano, data em relação à qual será apurada a tributação definitiva do exercício, deve ser esse o termo inicial para contagem do prazo decadencial, na hipótese do artigo 150, § 40 do CTN. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS — IRPJ — Segundo o art. 299 do Decreto n° 3.000/99, são dedutíveis como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, quando pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Para deduzir as despesas, a contribuinte deverá comprovar, portanto, a efetividade, a necessidade do gasto à atividade da empresa e a usualidade para desenvolvimento do seu objeto social, sendo seu o ônus de tal comprovação.” O contribuinte apresentou contrarrazões, por meio da qual, relativamente a parte conhecida do Recurso Especial, contestou o ônus da prova da necessidade da despesa deduzida afirmou que no caso do acórdão recorrido houve comprovação da despesa em questão, pois foram apresentados boleto e nota fiscal, os quais levaram o colegiado a quo a concluir que as despesas seriam dedutíveis, a não ser que o Fisco produzisse prova hábil a elidir aquela já apresentada pelo contribuinte. Nesse ponto conclui pela inexistência de divergência jurisprudencial, já que no acórdão paradigma o contribuinte não foi capaz de apresentar elementos que comprovassem a necessidade dos empréstimos bancários contraídos no período. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Relativamente ao Recurso da Fazenda Nacional, cumpre destacar que, em sede de exame de admissibilidade, o mesmo teve seguimento na parte relativa: (i) ao tratamento conferido ao Recurso de Ofício e (ii) a quem cabe comprovar, para fins de dedução de despesas, o requisito necessidade – item 02. Em relação ao valor de alçada para o Recurso de Ofício, não merece reforma o acórdão recorrido, senão vejamos. Fl. 4639DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 6 Inicialmente, cumpre lembrar que o valor exonerado, nos termos do acórdão proferido pela DRJ, em 20/10/2004, foi de R$ 915.987,60. À época do mencionado julgamento, vigia a Portaria MF 375 de 07/12/2001, que assim dispunha: “Art. 2º O Presidente da turma de julgamento da DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).” Entretanto, o mencionado dispositivo legal foi revogado pela portaria MF nº 03 de 03/01/2008, que assim dispôs: “Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).” Vejase que à época em que foi proferido o acórdão, ora recorrido, 15/12/2010, o valor de alçada para o Recurso de Ofício era de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), sendo correto, portanto, sua aplicação. No dizer de Cândido Rangel Dinamarco, Instituições de Direito Processual Civil, Malheiros, 2001, p.98: "É generalizada na doutrina a exacerbação da regra de aplicação imediata da lei processual, como se no processo inexistissem ou fossem menos dignas de preservação situações jurídicas consumadas, que a Constituição e a lei querem preservar. Essas situações existem e o que há de peculiar em matéria processual consiste exclusivamente na identificação de casos onde elas ocorrem. Superadas as dificuldades para essa identificação, aplicamse as restrições constitucionais e legais sempre que a lei processual nova encontre diante de si uma dessas situações — ou seja, a coisa julgada, o ato jurídico perfeito ou o direito adquirido." Assim é que doutrina e jurisprudência, identificando situações jurídicas consumadas, delimitam a aplicação imediata da norma processual, especialmente naqueles atos cuja alteração representaria a perda de um direito. Tal se dá com a possibilidade de recorrer e com os requisitos de admissibilidade, que devem ser analisados à luz da legislação vigente à época da ciência da decisão recorrida (Súmula 26 do TRF1° Região — "A Lei regente ao recurso é a em vigor na data da publicação da sentença ou decisão"). Nessa linha de raciocínio, admitirseia o conhecimento do recurso, haja vista o limite vigente à data da sua interposição. Fl. 4640DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.638 7 Não obstante, há outros princípios do direito processual, notadamente os que visam celeridade e economia processual, bem como o caráter instrumental do processo, que nos demandam análise um pouco mais profunda. Insta salientar, nesse ponto, o critério da conveniência da administração. Ora, se a própria administração, parte no processo administrativo, interessada na revisão dos atos administrativos produzidos em seu seio, determina que não deverão ser interpostos recursos de ofício em processos cujo valor fique abaixo de um montante maior de alçada, nenhum prejuízo causará a aplicação imediata desta norma aos processos pendentes, pois não haverá qualquer ferimento a situações jurídicas consumadas e aos direitos delas decorrentes. Neste mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho: “FIXAÇÃO DE NOVO LIMITE DE ALÇADA. Quando da instituição de novo limite de alçada para as Delegacias de Julgamento pelo Ministério da Fazenda, tal limite aplicase imediatamente, inclusive para os casos pendentes de julgamento em face do princípio "Tempus Regit Actum", pelo qual a forma e o conteúdo do ato são regidos pela norma vigente ao tempo de sua prolação. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO” (Processo 10314.004692/200255. Acórdão 30134.316) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES. Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n°. 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). Recurso Especial negado.” (Processo 19515.004517/200357 Acórdão CSRF 9202003.301) “RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. APLICABILIDADE IMEDIATA. Aplicase aos recursos de ofício não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário.” (Processo 11330.001026/200734. Acórdão CSRF 9202 003.027) “RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES. Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Recurso de ofício não conhecido.” (Processo 13808.000983/995. Acórdão 1101000.627) Desse modo, neste ponto, conheço do Recurso Especial para negarlhe provimento. Ademais, em relação ao ônus da prova, para fins de dedução de despesas, o recurso não atende requisito de admissibilidade, razão pela qual, dele não tomo conhecimento. Fl. 4641DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 8 Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional. No acórdão recorrido, foi excluída a glosa (item 02 da tabela) das despesas de R$ 10.500,00 e mais R$ 5.825,00, totalizando R$ 16.325,00, sob o fundamento de que a fiscalização não trouxe elementos capazes de demonstrar que tais despesas não eram necessárias à atividade da empresa, ou seja, houve inversão do ônus da prova, pois o contribuinte trouxe a documentação que entendia suficiente à demonstração da efetividade e necessidade das despesas deduzidas. Nesse ponto, cumpre a transcrição de trecho do voto condutor do acórdão recorrido: “Infração 2 – glosa de custos e despesas por falta da comprovação da necessidade – termo de constatação de 25.09.2003, de fls. 428/429. (...) Quanto a Nota Fiscal emitida por Tammaro Artes Gráficas no valor de R$10.500,00, pela descrição aposta na nota fiscal, referese a produção de encartes 136 caixas e foi apresentado o boleto bancário. Neste caso, para caracterizar a desnecessidade da despesa, a autoridade fiscal deveria ter aprofundado a investigação fiscal. Quanto as demais despesas (9 itens) que individualmente são de pequeno valor, e que totalizam R$5.825,00, a fiscalização não trouxe elementos que permitam concluir que as mesmas não são necessárias a atividade da empresa. Portanto, devem ser excluídas da glosa as despesas no valor de R$10.500,00 mais R$5.825,00, que totaliza R$16.325,00." Por outro lado, o acórdão paradigma, apresenta situação fática diversa, pois o contribuinte mantevese inerte e deixou de comprovar a efetividade e necessidade da despesa deduzida à sua atividade. Segue trecho da ementa: “(...) Para deduzir as despesas, a contribuinte deverá comprovar, portanto, a efetividade, a necessidade do gasto à atividade da empresa e a usualidade para desenvolvimento do seu objeto social, sendo seu ônus tal comprovação.” Do exposto, notase que os acórdãos cotejados cuidam de situações fáticas distintas. É possível notar que o acórdão paradigma trata do ônus da prova em um primeiro momento (contribuinte, intimado, mantémse inerte) e o acórdão recorrido trata de análise e de valoração de provas e não de tese que afirme que o ônus de provar é sempre da fiscalização, ou seja, trata do ônus da prova em um segundo momento (contribuinte, intimado, apresenta os documentos que entende suficientes à demonstração da efetividade e necessidade das despesas deduzidas, entretanto, a fiscalização, ao analisar e valorar as provas, não aceita a Fl. 4642DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.639 9 justificativa do contribuinte, mas também não demonstra a desnecessidade de tais despesas). Desta forma, temse que as questões enfrentadas nos acórdãos cotejados são diversas. Ausência de similitude fática. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial. É nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: “RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.” (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) “RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Assim, conheço parcialmente o Recurso da Fazenda Nacional para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 4643DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 10 Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. 2. Não obstante o sólido voto do ilustríssimo relator, ouso divergir do mesmo na parte conhecida do recurso pelos fundamentos a seguir. 3. A causa trazida à nossa apreciação diz respeito à possibilidade de se conhecer, ou não, do recurso de ofício em razão do limite mínimo exigido para sua interposição (limite mínimo de alçada recursal), em razão do novo valor mínimo estipulado por legislação superveniente, especificamente a Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Tratase de matéria de aplicação do direito processual intertemporal. 4. A Portaria MF nº 3, de 2008, revogou a Portaria MF nº 375, de 07/12/2001, tanto esta como aquela definiram o início de suas vigências com a seguinte cláusula: "entra em vigor na data de sua publicação". 5. A Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), DecretoLei nº 4.657, de 04/09/1942, assim denominado pela Lei nº 12.376, de 30/12/2010, traz, em seu art. 6º, regra geral de aplicação das leis no tempo. "Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) ..." 6. Conforme essa regra geral, o ato jurídico perfeito, definido conforme o §1º do art. 6º da LINDB, está protegido contra alterações legais posteriores. Prerrogativa essa elevada constitucionalmente a direito e garantia fundamental, estando gravada no inciso XXXVI do art. 5º da Constituição da República de 1988 (CR88). 7. A questão então é saber se a interposição do recurso de ofício é um ato jurídico perfeito. A meu ver, o momento de incidência da Portaria MF nº 3, de 2008, bem como da Portaria MF nº 375, de 2001, é apenas e tão somente no dia de interposição do recurso de ofício, outro não poderia ser o entendimento, pois as próprias ementas destas Portarias são bastante categóricas: "estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ)". 8. Logo, estando a interposição do recurso de ofício já consumada segundo a Portaria MF vigente ao tempo em que se efetuou reputase como ato jurídico perfeito; inevitável, portanto, o enquadramento ao §1º do art. 6º da LIDB; e, conseqüentemente, é imperioso aplicar as proteções do caput do mesmo art. 6º e do inciso XXXVI do art. 5º da CR88 ao caso concreto. 9. Superados os exames quanto às regras gerais, passemos propriamente ao direito processual. Relativamente à controvérsia de saber qual lei processual é aplicável aos processos Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.640 11 em curso, Cintra, Dinamarco e Grinover explicam os três diferentes sistemas que tentam resolver o problema: (Teoria Geral do Processo. 30aed. Malheiros, 2014, págs. 121 e 122): a) o da unidade processual, segundo o qual, apesar de se desdobrar em uma série de atos diversos, o processo apresenta tal unidade que somente poderia ser regulado por uma única lei, a nova ou a velha, de modo que a velha teria de se impor para não ocorrer a retroação da nova, com prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência; b) o das fases processuais, para o qual distinguirseiam fases processuais autônomas (postulatória, ordinatória, instrutória, decisória e recursal), cada uma suscetível, de per si, de ser disciplinada por uma lei diferente; c) o do isolamento dos atos processuais, no qual a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais. 10. O sistema adotado pelo ordenamento jurídico brasileiro, como se verifica tanto no Código de Processo Penal (art. 2°) como no Código de Processo Civil (art. 1.211), é o sistema do isolamento dos atos, verbis: Código de Processo Penal (CPP) DecretoLei nº 3.689, de 03/10/1941: "Art. 2º A lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior." Código de Processo Civil (CPC) Lei nº 5.869, de 11/01/1973: "Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes." 11. Consultandose a doutrina a respeito da questão, constatouse que: a) comentando o artigo 1.211 do CPC, Pontes de Miranda ensina que "a lei processual civil é de incidência sobre todos os atos que se vão praticar ou se estão praticando". (Comentários ao Código Processo Civil, Vol. XVII, 2ªed. Forense, pág. 4); b) Sobre a aplicação da lei nova aos processos pendentes, leciona Moacyr Amaral Santos que "... válidos e eficazes são os atos realizados na vigência e conformidade da lei antiga, aplicandose imediatamente a lei nova aos atos subseqüentes. Esta regra ampara até mesmo as leis de organização judiciária ..., as quais se aplicam de imediato aos processos pendentes". (Primeiras Linhas de Direito Processo Civil, 1º Vol., 29aed. Saraiva, 2012, pág. 56). 12. A jurisprudência, a respeito do art. 1.211 do CPC, assim se manifesta1: "Segundo princípio de direito intertemporal, salvo alteração constitucional, o recurso próprio é o existente à data em que publicada a decisão" (STJ2a Seção, CC 1.133, Min. Sálvio de Figueiredo, j. 11332, DJU 13.4.92). 1 NEGRÃO, Theotonio. Código de Processo Civil 2014 e Legislação Processual em Vigor. 46a Edição, Saraiva, págs. 1130 e 1131. Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 12 No mesmo sentido: Súmula 26 do TRF1a Reg.: "A lei regente do recurso é a em vigor na data da publicação da sentença ou decisão" (RT 732/424) "O recurso regese pela lei do tempo em que proferida a decisão, assim considerada nos órgãos colegiados a data da sessão de julgamento em que anunciado pelo Presidente o resultado, nos termos do art. 556 do CPC. ..." (STJRF 385/263: Corte Especial, ED no REsp 649.526, um voto vencido). "A lei nova que impõe exigência formal para a interposição de apelação, antes inexistente — comprovação do preparo no momento de protocolar a petição de recurso — não incide sobre os casos em que o prazo recursal já está em curso" (STJRF 337/230, maioria). "A lei em vigor, no momento da prolação da sentença, regula os recursos cabíveis contra ela, bem como a sua sujeição ao duplo grau obrigatório, repelindose a retroatividade da norma nova, in casu, da Lei 10.352/01" (STJCorte Especial, ED no REsp 600.874, Min. José Delgado, j. 1.8.06, DJU 4.9.06). "As condições de admissibilidade da ação rescisória são as da lei sob cujo império transitou em julgado a sentença rescindenda" (STJ2a Seção, AR 48, Min. Fontes de Alencar, j. 25.4.90, DJU 28.5.90) 13. Há de se reconhecer e dar pleno cumprimento no caso em exame ao princípio de que o tempo rege o ato (em latim: tempus regit actum), ou ainda, ao se reger o ato devese utilizar o seu tempo. Citese ainda elucidativo precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relembrado pela recorrente, que traz excelente definição deste princípio geral e essencial de direito público: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS INFRINGENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 207/STJ. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A adoção do princípio tempus regit actum pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos seus efeitos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, por isso que o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e o prazo para recorrer regulase pela lei da data da publicação do decisum. Distinção que evita tratamento antiisonômico na hipótese em que causas passíveis da mesma impugnação tem os seus arestos publicados em datas diversas. ... 5. Consectariamente, a lei da data do julgamento regula o direito do recurso cabível, (Pontes de Miranda, in "Comentários ao Código Processual Civil", Forense, 1975. T. VII, p. 44) ..." (AgRg no REsp 663864 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 26/09/2005 p. 205) 13.1. Este princípio deixa claro que o ato deve ser regido (julgado, criticado, avaliado) pela legislação que estava vigente e aplicável no momento em que todos os seus elementos entraram para o universo das coisas criadas e, devidamente ajustados, culminaram na prática do mesmo ato. Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.641 13 13.2. Portanto, ao se julgar o conhecimento, ou seja, ao se reexaminar (reger) os pressupostos de admissibilidade do recurso (o ato), devese utilizar a legislação da época da sua interposição (que era o momento no qual esses pressupostos deveriam ser atendidos: o seu tempo) e não a legislação vigente no momento em que se faz esse julgamento (exame da regular interposição). 13.3. Sintetizando, concluise, que o principio do "tempus regit actum", somente é observado quando, na decisão sobre a regular formalização do recurso ou a respeito do seu conhecimento, a legislação apreciada e aplicada é aquela vigente ao tempo de sua formalização e não a do tempo do seu julgamento, que pode ocorrer e ocorre vários anos após a formalização. 14. Por fim, urge conhecer da decisão definitiva de mérito, unânime, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, seguindo a sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, no REsp 1144079/SP (Relator Ministro LUIZ FUX; Órgão Julgador: CE CORTE ESPECIAL; Data do Julgamento: 02/03/2011; Data da Publicação/Fonte: DJe 06/05/2011, DECTRAB vol. 208 p. 27). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. SENTENÇA DESFAVORÁVEL À FAZENDA PÚBLICA. REMESSA NECESSÁRIA. CABIMENTO. LEI 10.352/01 POSTERIOR À DECISÃO DO JUÍZO MONOCRÁTICO. 1. A incidência do duplo grau de jurisdição obrigatório é imperiosa quando a resolução do processo cognitivo for anterior à reforma engendrada pela Lei 10.352/2001, porquanto, à época, não havia a imposição do mencionado valor de alçada a limitar o cabimento da remessa oficial. ... 2. A adoção do princípio tempus regit actum, pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos efeitos desses atos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório e, a fortiori, a sua submissão ao duplo grau obrigatório de jurisdição. 3. In casu, a sentença foi proferida em 19/11/1990, anteriormente, portanto, à edição da Lei 10.352/2001. 4. Recurso especial provido, determinandose o retorno dos autos ao Tribunal a quo, para apreciação da remessa oficial. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Grifouse) Precedentes citados: EREsp 600.874/SP, DJ 04/09/2006; REsp 714.665/CE, DJe 11/05/2009; REsp 1092058/SP, DJe 01/06/2009; REsp 756.417/SP, DJ 22/10/2007; AgRg no REsp 930.248/PR, DJ 10/09/2007; REsp 625.224/SP, DJ 17/12/2007; REsp 703.726/MG, DJ 17/09/2007. 15. Uma questão incidental que se impõe é se, ao referido julgado, os conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF deverão reproduzilo, por força do art. 62A do RICARF, à Portaria MF nº 3, de 2008. 15.1. Entendo que sim, por que o referido art. 62A fala em "matéria infraconstitucional" e não em "legislação infraconstitucional" e remessa necessária corresponde Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 14 mutatis mutandis ao recurso de ofício, estando configurada a mesma matéria infraconstitucional. 15.2. Logo, a decisão definitiva de mérito do STJ, antes colacionada, seguindo a sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, conduz a conclusão de que esta matéria infraconstitucional deve ser assim decidida: "a incidência do duplo grau de jurisdição obrigatório é imperiosa quando a interposição do recurso de ofício for anterior à mudança engendrada pela Portaria MF nº 3, de 2008, porquanto, à época, o mencionado valor de alçada a limitar o cabimento do recurso de ofício foi superado". 16. Portanto, acertado o entendimento adotado pelo Acórdão nº 180300.312, de 09/03/2010, ao sentenciar no sentido de haver incidência do princípio "tempus regit actum" (o tempo rege o ato), não havendo razões para se conceder retroatividade à Portaria MF nº 3, de 2008. 17. Tendo em vista que o tema em estudo é relevante para todas as Seções do CARF e já foi enfrentado por diversas vezes, tendo sido adotado em sua maioria posicionamento contrário ao que aqui se defende, justificase um exame dos fundamentos dos precedentes, ao que passo a fazêlo. 18. Inicialmente, teve passagem pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (1º CC), 3a Câmara, e enfrentou alteração anterior da legislação, conforme se depreende do Acórdão nº 10319.269, de 17/03/1998, com a seguinte ementa: "RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÂO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício em valor superior a 150.000 Ufirs quando, em face de determinação superveniente à formalização do mesmo, a competência para exame na órbita recursal foi fixada em R$500.000,00." 18.1 Cumpre a transcrição do voto condutor deste primeiro precedente: "Conselheiro Victor Luis de Salles Freire, Relator; O recurso não tem mais o pressuposto de admissibilidade em face de recente Portaria Ministerial limitando o conhecimento de apelos nesta Instância ao valor mínimo corrigido de R$ 500.000,00. Assim, em face da norma superveniente e da circunstância de que o crédito cancelado é inferior a aquele valor, ainda que à oportunidade de sua formulação consentâneo com a legislação então vigente (limite de alçada além de 150.000 Ufirs) dele não tomo conhecimento." 19. Em seguida, a 5a Câmara do 1º CC também decidiu no mesmo sentido, segundo ementa e trechos do voto do relator do Acórdão nº 10512.917, de 19/08/1999, abaixo transcritos: 19.1. Ementa: "RECURSO DE OFICIO LIMITE DE ALÇADA O novo limite estabelecido pelo art. 1° da Portaria n° 333/97 do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, para a interposição de recurso de oficio, se aplica aos casos pendentes de julgamento. Fl. 4648DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.642 15 Recurso de oficio não conhecido." 19.2. Trechos do voto condutor, Conselheiro Nilton Pêss: "O recurso foi interposto de conformidade com o entendimento da autoridade julgadora, porém, apresenta valor inferior ao atual valor mínimo estabelecido para tal recurso. ... Tratandose de norma processual relativa a recurso, sua eficácia se opera imediatamente e sobre todos os fatos pendentes de concretização. Assim, o presente recurso de ofício passou a ser regido pela Portaria citada, o que implica dizer, não dever ser conhecido. ..." 20. Com base no precedente do item 18, que enquadrou o limite mínimo de alçada como pressuposto de admissibilidade, surge o Acórdão nº 10422.968, de 23/01/2008, da 4a Câmara do 1º CC, já sob a égide da Portaria MF nº 3, de 2008, que posteriormente se tornou referência no assunto, cuja ementa está assim enunciada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 RECURSO DE OFICIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado. Recurso de ofício não conhecido." 20.1. O voto condutor do Acórdão nº 10422.968 ensina que: Como se verifica dos autos (decisão de fls. 405), o crédito exonerado foi de R$ 677.460,42, razão pela qual, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/1972 combinado com a Portaria MF n° 375/ 2001, coube a remessa oficial. Preliminarmente, no entanto, entendo que deva ser examinado fato superveniente. Isso porque com a edição da Portaria MF n° 3, de 2008, que elevou de R$ 500.000,00 para R$ 1.000.000,00 o limite de alçada, aplicandoo ainda apenas à soma de principal e encargos de multa, o valor exonerado nos presentes autos não ensejaria a revisão de ofício da r. decisão. ... Em casos como o presente é entendimento neste E. Conselho que a alteração do valor de alçada, ainda que por meio de ato superveniente à interposição do recurso, implica no não conhecimento do recurso de ofício em decorrência da sua perda de objeto. ... Fl. 4649DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 16 Resta claro, portanto, que o presente recurso de ofício perdeu seu objeto em decorrência de legislação superveniente. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso de ofício." (Grifouse) 21. No ano de 2008, com a publicação da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, surgiram vários julgados analisando a questão e concluindo da mesma forma que o recorrido, a exemplo dos Acórdãos nº 10423.059, de 06/03/2008; nº 10249.002, de 23/04/2008; nº 10423.269, de 24/06/2008; nº 10249.140, de 25/06/2008; nº 10423.391, de 07/08/2008; nº 10617.122, de 09/10/2008; nº 10423.601, de 06/11/2008; nº 10809.766, de 13/11/2008; nº 10249.413, de 16/12/2008; nº 10809.810, de 19/12/2008. 22. Já no âmbito do CARF, a jurisprudência uníssona do 1º CC foi confirmada, sendo aplicada, além de no acórdão recorrido, nos seguintes Acórdãos, entre outros: 1a Seção de Julgamento: Acórdãos nº 1101000.627, de 24/11/2011; nº 180201.087, de 17/01/2012; e nº 130100.899, de 08/05/2012. 2a Seção de Julgamento: Acórdãos nº 220200.548, de 13/05/2010; nº 210100.684, de 18/08/2010; nº 210100.736, de 22/09/2010; nº 240300.174, de 22/09/2010; nº 210101.020, de 16/03/2011; nº 220201.083, de 12/04/2011; nº 2101001.461, de 07/02/2012; nº 2101 01.529, de 13/03/2012; nº 2101002.188, de 14/05/2013; nº 2202002.528, de 19/11/2013; nº 2202002.542, de 20/11/2013; e nº 2401003.347, de 22/01/2014. 3a Seção de Julgamento: Acórdãos nº 320100.094, de 20/05/2009; nº 340300.496, de 25/08/2010; nº 340300.553, de 27/08/2010; e nº 3101001.174, de 17/07/2012. 23. E o assunto, embora recente na 1a Turma de Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), já foi decidido nas 3a e 2a Turmas da mesma CSRF, a exemplo dos Acórdãos nº 9303002.165, de 18/10/2012; nº 9202002.652, de 24/04/2013; nº 9202002.930, de 05/11/2013; nº 9202003.027, de 11/02/2014; e nº 9202003.129, de 27/03/2014. 24. Após o exame dos principais precedentes a respeito do tema que se procura pacificar, oriundos desde o Primeiro Conselho de Contribuintes e passando pelas três Secções do CARF, pôdese identificar que os argumentos sobre os quais repousam o entendimento da impossibilidade de se conhecer do recurso de ofício em razão da aplicação de limite mínimo de alçada superveniente são: 1) por ser norma processual, devese aplicar imediatamente a Portaria que aumenta o limite; 2) ausente pressuposto de admissibilidade do recurso de ofício; 3) perda de objeto do recurso em decorrência de legislação superveniente; 4) devese aplicar o princípio da celeridade e economia processual; e 5) a nova Portaria equiparase à manifestação de desistência (por conveniência da administração) do recurso. 25. Relativamente ao primeiro argumento da jurisprudência administrativa (aplicação imediata por ser norma processual), este já foi suficientemente enfrentado ao longo do Voto, com menção à doutrina e à jurisprudência no âmbito do Poder Judiciário, tendo sido demonstrado sua improcedência. Fl. 4650DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.643 17 26. Apenas para esclarecer o fato de que o princípio de que "o tempo rege o ato" foi indicado tanto a favor como contra o que aqui se defende, fazse necessário indicar a correta leitura deste princípio. O tempo que rege o ato é, obviamente, o tempo do ato; assim o tempo do recurso de ofício é o momento de sua interposição, neste tempo é que é praticado o ato de recorrer. O tempo do julgamento do recurso de ofício não é o tempo que o rege, pois o ato que é praticado dá origem ao acórdão que decide o recurso e não ao próprio recurso. Portanto, o tempo que rege o recurso é o da interposição e não o do seu julgamento. Imprópria, portanto, a aplicação deste princípio em uma defesa no sentido contrário ao aqui apresentado. 27. Em se tratando da segunda alegação, sabese que o conhecimento, sendo preliminar do julgamento, é o momento em que é feita a comprovação de que o recurso cumpriu com os requisitos de validade, a exemplo da tempestividade, da capacidade processual e da correta interposição, apenas para ficar nesses pontos. Esse requisitos podem ser denominados de pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário, a despeito de não haver dispositivo regimental ou da própria legislação específica que assim os denominem, como no caso do recurso especial. 27.1. De fato, pode haver a análise do requisito de interposição do recurso de ofício, tanto é que se a Delegacia de Julgamento da RFB formalizasse recurso de valor abaixo de 1 (hum) milhão de reais, após a entrada em vigor da Portaria MF nº 3, de 2008, então o não conhecimento seria devido. 27.2. Agora, a análise do requisito de interposição do recurso de ofício, pressuposto de admissibilidade, deve respeitar as interposições que configuram atos jurídicos perfeitos, conforme visto nos itens 6 a 8, bem como observar o ordenamento jurídico brasileiro quanto à adoção do sistema de atos isolados, segundo o que se estudou nos itens 9 a 12. 27.3. Portanto, relativamente aos recursos de ofício interpostos de 10 de dezembro de 2001 até 6 de janeiro de 2008, somente aqueles de valor menor que ou igual a 500 (quinhentos) mil reais não atendem ao pressuposto de admissibilidade de correta interposição e, por isso, não podem ser conhecidos. Quanto aqueles de valor maior que 500 (quinhentos) mil reais está perfeita a interposição e atendido o pressuposto de admissibilidade. 27.4. Concluise que há de se afastar o entendimento de ausência de pressuposto de admissibilidade como fundamento para não se conhecer, a partir de 7 de janeiro de 2008, dos recursos de ofício interpostos em conformidade com a Portaria MF nº 375, de 2001. 27.5. Sob outro prisma, entender diferentemente corresponderia a aceitar que a Portaria MF nº 3, de 2008, foi capaz de imprimir um vício de nulidade em algo que nasceu sem defeitos, pois a condição necessária para que seja proposto o recurso trata da própria existência do mesmo. 27.6. Pretender que a Portaria MF nº 3, de 2008, seja aplicável não à interposição dos recursos de ofício, mas sim à permanência na existência dos recursos de ofício, ou como requisito de sua procedibilidade, é alterar a natureza da norma. A procedência, ou não, do Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 18 recurso independe da alteração de condição de existência, tendo em vista que já existe o recurso. Somente dispositivo específico na própria Portaria poderia criar esse requisito ou diretamente "destruir" os recursos já interpostos. 28. Quanto à perda de objeto em decorrência de legislação superveniente, terceiro argumento da jurisprudência administrativa, entendo que tal possibilidade somente pode se dar quando a alteração da legislação implique numa total ineficácia do instrumento para atingir os seus fins, ou seja, quando o objeto não tenha mais condições de ser atingido. 28.1. Assim é que para o caso sob análise, a perda do objeto do recurso ex officio não se caracteriza, pois o objeto do recurso é a reforma de um acórdão recorrido pela matéria, o que, ao meu ver, não restou prejudicado. Em outras palavras, o objeto de um recurso de ofício não é ser maior que um determinado valor. Os objetos dos recursos de ofício impetrados anteriormente à Portaria MF nº 3, de 2008 continuam plenamente eficazes. 29. O princípio da celeridade e economia processual tem sua maior expressão no inciso LXXVIII da Carta Magna com a seguinte redação: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação". Chama atenção o fato de que a celeridade processual deve ser garantida a todos e não apenas a uma das partes. Portanto, deixar de apreciar o recurso de uma das partes, a fim de garantir celeridade da tramitação do processo a outra parte, não me parece a melhor forma de efetivar esse princípio. 29.1. Entendo que o caráter instrumental do processo pode ser levantado como justificativa para resolver entraves formais no processamento do recurso, mas não consigo entendêlo como apropriado para fulminar o direito material da parte. 30. Relativamente ao quinto fundamento, entendo que a equiparação a manifestação de desistência (por conveniência da administração) seria possível apenas se o art. 34, inciso II, do Decreto do Processo Administrativo Fiscal PAF (nº 70.235, de 6 de março de 1972), que dá suporte a Portaria MF nº 3, de 2008, previsse esta possibilidade. Em não sendo o caso, penso que esteja havendo uma ampliação da competência do Ministro de Estado da Fazenda. Ademais, a própria existência do recurso especial em julgamento é um atestado de que a Fazenda Nacional não desistiu, antes está manifestando o contrário, ou seja, está manifestando que mantém a pretensão de ver o seu recurso apreciado. 31. Por fim, apenas como um último ponto, há que se alertar para o fato de que podem ocorrer casos em que, embora o valor do recurso de ofício no momento de sua interposição esteja abaixo do limite mínimo de alçada da Portaria MF nº 3, de 2008, este valor, se considerada a devida correção até o momento do julgamento do recurso de ofício (como se pretende a decisão recorrida), certamente ultrapassará o valor do limite mínimo de alçada. Assim, estarseá atingindo valores superiores ao limite mínimo de alçada, indo além do que foi desejado pelo art. 34, II, do Decreto do PAF. 32. Por todo o exposto, a Portaria MF nº 3, de 2008, que instituiu novo limite mínimo de alçada recursal, não pode ser aplicável aos recursos de ofício interpostos anteriormente à sua vigência. Dessa forma, aplicase a norma processual vigente à época, qual seja, a Portaria MF nº 375, de 2001. Logo, em sendo o valor do recurso de ofício na época de sua interposição superior ao limite previsto na Portaria MF nº 375, de 2001, é forçoso concluir que é cabível a análise do pleito. Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200495 Acórdão n.º 9101002.019 CSRFT1 Fl. 4.644 19 33. Na esteira dessas bem lançadas razões de decidir, o meu voto foi no sentido de, na parte conhecida, dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, determinandose o retorno dos autos a Turma a quo, para apreciação do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Conselheiro Fl. 4653DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/01/20 15 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 07/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10680.017877/87-51
Data da sessão: Thu Jun 15 00:00:00 UTC 1989
Ementa: DECORRÊNCIA - NULIDADE DA DECISÃO DE 1°
GRAU - Declaração de nulidade da Decisão
de 1° Grau no Processo-matriz, importa em
idêntica declaração no Processo decorrente.
Numero da decisão: 103-09.223
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira amara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeiro grau
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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Numero do processo: 10073.000047/87-25
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRPJ - ARBITRAMENTO DE LUCRO.
O simples atraso na escrituração do Livro de
Registro de Inventário, regularizado durante
a ação fiscal, não pode sustentar a tese de
arbitramento de lucro com fulcro no inciso
I do art. 399 do RIR/80.
RECURSO PROVIDO.
Numero da decisão: 103-09.861
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Ayres de Oliveira
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ACÓRDÃO Nel.Q.3=-Q1.16 1 Recureon2 94.713 - ITPJ - EX: 1986 ~acene VILLANI COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrid DRF EM VOLTA REDONDA - RJ IRPJ - ARBITRAMENTO DE LUCRO. O simples atraso na escrituração do Livro de Registro de Inventário, regularizado durante a ação fiscal, não pode sustentar a tese de arbitramento de lucro com fulcro no inciso I do art. 399 do RIR/80. 'RECURSO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VILLANI COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. , ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro pi Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar /a preliminar de nulid.de e, no mérito, dar provimento ao recurso. Sa . das Sessei- e em 05 de dezembro de 1989 IP e --"linoNIO DA SILVA e• - PRESIDENTE G A r S DE • :I - RELATOR • a / li VISTO EM ZA ITO HéLANDA BRAGIA - PPOCURADOR DA FAZENDA.., SESSÃO DE: 1 5 FEViggo NACIONAL v.v. _ • Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: AYRES-DE OLIVEIRA,-D1CLER DE ASSUNÇÃO, LUGIO RIBEIRO,_BRAZ JA- NUÁRIO PINTO e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausente por motivo justifi cado, o Conselheiro ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA.J_ r . . . . SERVIÇO POREICO FEDEM Processo n9 10073/000.047/87-25 Recurso n9 94.713 Acórdão n9 103-09.861 Recorrente: V1LLANI COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES RELATÓRIO A matéria tributária deste processo resultou de arbitramento de lucro da empresa no exercício de 1986, ano-base de 1985, em virtude de ter a fiscalização sido informada no es- critório de contabilidade que cuida de sua escrituração de que o Livro de Inventário não se encontrava escriturado no ano-base que estava sendo fiscalizado. 2. Baseado nessa informação registrada em termo la- vrado pelo fiscal-autuante às fls. 16 e sobre o qual nenhum re- presentante da empresa foi instado a se pronunciar, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 19, que registra no seu bojo: "Na hora, data de local mencionado neste Au- to, no exercício das funções de Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, e realizando a auditoria da citada empresa, constatei a ausência de escri turação do Livro de Registro de Inventário, n-6 período-base de 1985, exercício de 1986 e como determina a legislação fiscal, procedi ao arbi- tramento do lucro conforme demonstrativo abaixo: Receita Bruta % R. Bruta Lucro Arbitrado 922.231.233 15% 138.334.684 Enquadramento legal: art. 399, I e art. 400 do RIR/80." 3. Na peça impugnatória tempestivamente apresenta- da, a Impugnante afirma que o fiscal-autuante laborou em dois erros: 19) Ela possui Livro de Inventário devidamentees criturado. O que ocorreu é que, mudando de razão social, ela que possuia dois livros de inventários para atender a Irmãos Villani Ltda-Matriz e Irmãos Villani Ltda.-Filial, encerrou-os e passou a escriturar outros dois livros par Villani Comércio . j: l'n . . "IÇO POBLICO E" Processo n9 10073/000.047/87-25 2. Acórdão n9 103-09.861 e Representações Ltda (Matriz e Filial). O inventário referente a 31/12/85 está devidamen_ te escriturado no Livro de Inventário de Villani Comércio e Re- presentações Ltda conforme fotocópia de suas folhas anexadas ao processo (doc. de fls. 74 a 78). Os demais inventários existentes em 31/12/83, 31/12/84 e 31/12/86 também estio perfeitamente escriturados con_ forme demonstram os documentos xerocopiados acostados ao proces._ so. 29) Na ânsia de encerrar o Auto de Infração, o fiscal-autuante esqueceu-se de compensar o imposto já pago refe_ rente aoecercicio de 1986. A vista da comprovação juntada ao processo, a im.._ pugnante requer ã autoridade julgadora que determine uma perí- cia para confirmar a veracidade da existência dos Livros de In- ventário citados e a sua perfeita escrituração. Em relação ao mérito afirmou não caber o arbitra_ mento do art. 399 do RIR/80. 4. No documento de informação fiscal (f is. 112/114) o autuante propõe que seja negada a perícia pretendida, pois o contribuinte não apresentou motivos que a justificassem. Concordou, entretanto, com o erro cometido demão ter compensado o imposto pago pela impugnante. 5. A decisão da Autoridade Singular, sem analisar o pleito de perícia da impugnante, sem produzir qualquer fundamen tacão a respeito de suas alegações, sem fazer qualquer menção a existência ou não de Livro de Inventãrio e baseando-se única e exclusivamente na informação de fls. 16 produzida pelo Autuan_ te e no arrazoado de fls. 112 produzido pelo Autuante, julgou parcialmente procedente a ação fials , determinando que fosse01' 1/4.5" . . SERVIÇO POEUCO FEDEM. Processo n9 10073/000.047/87-25 3. Acórdão n9 103-09.861 excluído do crédito tributário o imposto pago no referido exer- cício. 6. Na peça recursal, preliminarmente a recorrente argui a nulidade da decisão singular por "cerceamento de direi- to de defesa", tendo em vista o não atendimento de perícia soui_ citado na peça impugnatória. Em relação ao mérito da autuação alega que não cabe, no seu caso, a aplicação dos arts. 399 e 400 do RIR/80, pois ela não infringiu o que neles está disposto, estando a sua escrituração em perfeita consonância com a legislação em vigor. Que o arbitramento do lucro foi efetuado sem am- paro nenhum na legislação vigente e que os Acórdãos de n9s .... 103-05.220/83 e 73.288/82, transcritos às fls. 23, analisando fatos idênticos, se posicionaram .a favor do contribuinte. Que possui os livros de inventários devidamente escriturados e que em momento algum os representantes da empre- sa foram convidados a exibi-los ou a entregá-los ao Autuante. Que a lavratura do Auto de Infração deveria ter sido precedida de um pedido de esclarecimento ã empresa sobre a existência ou não do livro e de sua escrituração e não se ba- sear em informações de pessoa estranha e sem competência para responder pela empresa. Que, pelos motivos expostos e pela improcedência do arbitramento, pede o provimento do recurso. iirlÉ o relatório. P'l . . SERVIÇO PORRA FEDERAL Processo n9 10073/000.047/87-25 4. Acórdão n9 103-09.861 VOTO Conselheiro AYRES DE OLIVEIRA, Relator: O recurso é tempestivo. A ciência da decisão ocorreu em 06.07.88 e o recurso foi apresentado em 28.07.86. Examinando-se os autos percebe-se que o objetivo da fiscalização era a verificação da conta de Fornecedores da empresa no exercício de 1986..Tal afirmação se depreende da anã_ use do Termo de Início de Fiscalização que registra o programa PAFIC (Passivo Fictício) e das solicitações nele inseridas. 2. A intimação de fls. 02 deu início ao procedimen- to fiscal e o Termo de Verificação e Apreensão de documentos de fls. 15, lavrado pelo fiscal-autuante, registra que os documen- tos relacionados no demonstrativo de fls. 14, totalizando Cr$.. 33.515.222 foram considerados inábeis pela fiscalização. 3. Em seguida foi inserido no processo o Termo de fls. 16 em que o fiscal-autuante afirma: "1 - Que o contribuinte quando solicitado a apre sentar o Livro de Registro de Inventário, o mes- mo afirmou através de seu contador que no citado livro não se encontrava escriturado ano-base o qual estamos fiscalizando, e o que foi por nós confirmado". "Para conatar e produzir todos os efeitos legais, lavramos o presente termo o qual vai devidamente assinado por mim e pelo representante legal da empresa ora fiscalizada". 4. A titulo de esclarecimento, o contador da empre- sa é o Senhor Synval Mury Glória, CPF 036.281.167-91 e foi esse Senhor que assinou e recebeu o Termo de Início de Fiscalização, a Intimação de fls. 2, o Termo de Verificação e Apreensão de Do cumentos de fls. 15, e o Auto de Infração de fls. 19. if-- O Documento produ ido pelo Autuante que embasou 14 , _ . SERVIÇO POBLICO FEDEM Processo n9 10073/000.047/87-25 5. Acórdão n9 103-09.861 o Auto de Infração e comentado no item anterior não tem a assi- natura do contador, nem de nenhum dos sécios ou representantes da recorrente. 5. Ainda, em relação a referido documento, não há nenhum expediente no processo em que ele possa se apoiar, tendo em vista que a empresa não foi intimada a apresentar o Livro de Inventário, nem consta'nenhuma solicitação para que ele o fizesse, nem antes, nem após o conhecimento de que a escritura- ção estava atrasada. 6. Uma observação que se faz é que o livro de inven _ -bário sem escrituração segundo a informação fiscal não foi apre endido e as cópias de suas folhas, devidamente escrituradas e autenticadas foram anexadas aos autos. Como não houve questiona mento sobre elas, nem da parte do fiscal-autuante, nem da Auto- ridade Julgadora e como não há referências a elas na decisão da Autoridade Singular, a presunção é de que elas são realmente verdadeiras e assim sendo, o livro de inventário existe e está devidamente escriturado. 7. Outra observação diz respeito ao período-base subsequente. Se não havia registro de inventário para os bens existentes em 31.12.85, parece-nos impossível aceitar que os bens existentes em 31.12.86 estivessem também escriturados. No entanto, para o exercício de 1987 não foi feito nenhum arbitra- mento de lucro. 8. Em relação ao pedido de perícia, acredito que o maior interessado no caso deveria ser o fisco, já que não haven _ do provas no processo de que o Livro de Inventário estava em branco (por falta de sua apreensão), a Autoridade Julgadora es- taria impedida de forma7 sua convicção de julgamento, tendo em y vista o conflito de informações existente. Por outro lado não houve uma fundamentação si _ /-: quer proferida pela Autorida Julgadora sobre a tributação des crita no Auto. Sobre os docu entos juntados ao processo pela re JI(/ SERVO POOLICO Processo n9 10073/000.047/87-25 6. Acórdão n9 103-09.861 corrente na fase impugnatória e a respeito das argumentações ex postas pela Impugnante não houve qualquer comentário da Autori- dade Singular. Até o direito de compensação do imposto pago foi concedido com base na informação do Autuante. A decisão se ba- seou unicamente em três CONSIDERANDOS, dois relativos á informa ção fiscal e o terceiro referente à importância do Livro de In- ventário, sendo a sua não-escrituração motivo suficiente para arbitragem do lucro do contribuinte, segundo a Autoridade. • Entendo que o atraso na escrituração do Livro de Inventário não pode ensejar o arbitramento do lucro, já que até para o Diário o livro mais importante da pessoa jurídica, o atraso é permitido. A hipótese de atraso na escrituração do livro não está contemplada em nenhum dos incisos do art. 399 do RIR/ /80 como caracterizadora do arbitramento do lucro. Acredito que houve confusão entre inexistência de Livro de Inventário e Livro com escrituração atrasada. A pri meira hipótese tem levado a arbitramento do lucro e este Conse- lho tem se posicionado a favor da medida. Quanto a simples atra so na escrituração, regularizado durante a ação fiscal, o pensa mento deste Conselho tem sido completamente diferente. Os Acór- dãos de n9s 101-72.288/82, 103-5.551/83, 103-06.066/84 ratificam a informação prestada. Isto posto, VOTO no sentido de receber o recurso, por tempestivo, de não acatar a preliminar de nulidade levanta- da, por desnecessária, e, no mérito, dar-lhe provimento. Brasília-DF., em 05 de dezembro de 1989 Jto..aba4 AYRES DE OLIVEI RELATOL MFrr Page 1 _0064600.PDF Page 1 _0064700.PDF Page 1 _0064900.PDF Page 1 _0065100.PDF Page 1 _0065300.PDF Page 1 _0065500.PDF Page 1 _0065700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13828.000136/2006-31
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/10/2000
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO.
O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário dar-se-ia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Declarações de impedimento:LENISA RODRIGUES PRADO.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/10/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO. O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário dar-se-ia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Declarações de impedimento:LENISA RODRIGUES PRADO. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 5 1 4 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13828.000136/200631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.885 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria RESTITUIÇAO Recorrente COMPANHIA AGRÍCOLA ZILLO LORENZETTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 31/10/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DO DIREITO. O prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário darseia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Declarações de impedimento:LENISA RODRIGUES PRADO. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 8. 00 01 36 /2 00 6- 31 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra a decisão que deixou de examinar o pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior efetuado a título de COFINS do período de apuração de 28.02.1999 a 31.10.2000, que se pretendia utilizar em procedimento de compensação com débitos próprios ao argumento de que o direito de pleitear teria sido extinto pelo decurso de prazo de cinco anos. O indébito no montante R$ 1.085.694,83 (fl. 204) pleiteado se refere aos fatos gerados entre fevereiro de 1999 a outubro de 2000, cujos pagamentos objeto do presente pedido ocorreram entre 23 de dezembro de 1999 a 14 de dezembro de 2000, cujo pedido teria sido protocolado em 05 de setembro de 2006. O Recorrente pleiteia nesse caderno processual restituição de valores pagos a mais em decorrência da ampliação da base de cálculo pelo parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que exigiu contribuição para o PIS e a COFINS sobre a totalidade das receitas, datado de 30.08.2006.auferido, mais tarde declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O pleito foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls. 361/368, ao fundamento de que a Lei nº 118/2005, deu interpretação a respeito do art. 168, inciso I, do CTN, nos termos que dispôs o art. 3º, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo primeiro do art. 150 do mesmo diploma legal. Da ementa do Despacho Decisório vêse: “DESPACHO DECISÓRIO SAORT Assunto: Pedido de Restituição de COFINS referente ao período de 02/1999 a 10/2000. Ementa: Pedido de Restituição referente a pagamento indevido ou a maior de Cofins devido a inclusão à Base de Cálculo do valor das receitas financeiras. Decadência do direito de pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento.” Irresignado com a decisão manteve o indeferimento, apresentou recurso tempestivo, sustentando as mesmas razões da peça de resistência inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13828.000136/200631 Acórdão n.º 3302002.885 S3C3T2 Fl. 6 3 Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A matéria essa recentemente decidida pelo Supremo Tribunal Federal que caminhou e fincou jurisprudência no sentido de que os processos e pedidos ingressados até o advento da Lei nº 118/2005, deve se norteado pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário darseia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então deverá fluir. E, assim sendo, a prescrição só após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, a contenda gira em torno da perda do direito de requerer a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação depois de decorrido cinco anos contados da data do pagamento do tributo. Deixado de lado a discussão se é o caso de decadência ou prescrição, o fato que o pagamento pode ser atingido por ambos os institutos de direito, pois tanto um quanto o outro em matéria tributária implica em extinção do crédito tributário. Essa matéria encontra atualmente pacificada por força do advento do art. 62 A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e a evolução jurisprudencial que culminou na declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, sob o regime do art. 543A do CPC. A questão da eficácia retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática do art. 543A do CPC no Recurso Extraordinário nº 566.621. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543A do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. “Recurso extraordinário desprovido.” Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. Esse assunto encontra pacificado nesse E. Conselho por meio da Súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” No caso em exame o indébito de R$ 1.085.694,83 (fl. 204) pleiteado se refere aos fatos gerados entre fevereiro de 1999 a outubro de 2000, cujos pagamentos objeto do pedido ocorreram entre 23 de dezembro de 1999 a 14 de dezembro de 2000, cujo pedido foi protocolado em 05 de setembro de 2006. De modo que, protocolado o pedido de restituição em 05 de setembro de 2006 implica em reconhecer a perda do direito de pleitear o indébito tributário. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13828.000136/200631 Acórdão n.º 3302002.885 S3C3T2 Fl. 7 5 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19515.008058/2008-95
Data da sessão: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2003
CSLL. COFINS. PIS.
Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1302-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, também por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório o voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Helio Eduardo de Paiva Araujo, Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: Marcio Rodrigo Frizzo
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. FATO GERADOR. O termo de início do prazo decadencial para o lançamento, em sendo o caso de pagamento antecipado, iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Inexistindo o pagamento antecipado, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo de início do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, como dita o art. 173, I, CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 VIOLAÇÃO AO ART. 142, DO CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO Uma vez que o auditor fiscal deixa de observar critério específico prescrito pela legislação para realização do lançamento, resta violado o art. 142, do CTN, resultado na nulidade de todo o lançamento tributário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2003 CSLL. COFINS. PIS. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 58 /2 00 8- 95 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, também por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório o voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Helio Eduardo de Paiva Araujo, Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha e Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19515.008058/200895 Acórdão n.º 1302001.712 S1C3T2 Fl. 748 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP) DRJ/SPOI, a seguir transcrito (efls. 625/626): Em ação fiscal direta, a contribuinte anteriormente qualificada foi autuada e notificada a recolher ou impugnar os créditos tributários de R$ 32.090.193,94, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ; R$ 2.136.785,84, de Contribuição para o Programa de Integração Social — Pis; R$ 11.574.028,07, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL; e R$ 3.885.065,33, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, incluídos nesses valores as multas e juros de mora, calculados até 28.11.2008. O enquadramento legal da infração apurada, da multa de ofício e dos juros de mora encontrase grafado nos respectivos demonstrativos dos autos de infração juntados às fls. 394, 398, 402, 406, 410, 414,416 e 420. Os fatos que motivaram a presente autuação estão descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 387/389 que assim pode ser sintetizado: a. A contribuinte foi intimada, em 05.08.2008 (fls. 72/73), e re intimada em 02.09.2008 (77/78), a apresentar os Livros Razão e Diário referentes ao anocalendário de 2003, extratos das contascorrentes mantidas junto ao Banco Itaú S/A e Banco do Brasil S/A e, a comprovação da escrituração dos recursos financeiros movimentados nessas contas correntes; b. O descumprimento às intimações motivou a lavratura do Termo de Embaraço de fls. 82/83; c. A contribuinte apresentou o extrato bancário referente à conta mantida junto ao Banco do Brasil S/A (fls. 84/338); d. A contribuinte foi intimada, em 22.10.2008 (fl. 339/340), e re intimada, em 17.11.2008 (fls. 381/382), a comprovar a origem de valores relacionados em quadros demonstrativos (fls. 341/379), elaborados a partir de créditos e depósitos verificados na conta corrente n° 4.0827 do Banco do Brasil S/A; e. Em face ao não atendimento às intimações, os valores indicados nos quadros demonstrativos foram considerados receitas omitidas, pela via presuntiva, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996; Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 4 Intimada da autuação em 12/12/2008, conforme termo de ciência de fl. 423, a contribuinte apresentou impugnação ao feito em 13.01.2009, conforme peça de fls. 437/486, cujas razões, em resumo, adiante se seguem: i. O lançamento é nulo, por violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que a autoridade fiscal não deu conhecimento à autuada do inteiro teor do processo administrativo, sendo que em 12.01.2009, véspera do prazo final para apresentar a impugnação, o processo administrativo ainda se encontrava em transito da Defis/SPO para a Derat/SPO, conforme comprova a pesquisa em anexo (doc. n° 4); ii. A quebra de sigilo bancário sem autorização judicial desrespeita os incisos X e XII do art. 5° da Constituição Federal, eivando de vício o processo, ensejando decretar sua nulidade; iii. Ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário por força do art. 150, § 4° do C.T.N; iv. A autuação com base em presunção, mera desconfiança, é execrada pelo Poder Judiciário e pelo julgador administrativo, devendo ser observado o princípio da verdade material; v. Depósitos Bancários não são fatos geradores do imposto de renda, por não caracterizar disponibilidade econômica de renda e proventos, não restando demonstrado o elo de ligação entre o valor omitido à tributação e o respectivo crédito, não se admitindo lançamento com base em extratos bancários, conforme já se pronunciou o Poder Judiciário, mediante a Súmula n° 182 do Tribunal Federal de Recursos; vi. A contribuinte optou pela tributação do Lucro Real, sendo que a autoridade fiscal não considerou na base de cálculo os valores de custos e despesas declarados na Dipj/2004, além de não ter demonstrado, mediante planilhas, os valores referentes a cheques devolvidos, transferências entre contas do mesmo titular e os valores das aplicações financeiras; também não foram desconsiderados os valores relativos a empréstimos e financiamentos contraídos pela autuada para seu capital de giro, infringindose o inciso IV do art. 5° do Decreto n° 70.23511972; vii. Não foi deduzido das bases de cálculo do Pis e da Cofins o valor da parcela do ICMS; viii. Alguns depósitos bancários referemse a operações financeiras de sua coligada Amplimatic S/A Indústria e Comércio que se utilizou das contas da autuada, em razão de estar sob risco de ter suas próprias contas bancárias bloqueadas em razão de estar, à época respondendo a processos trabalhistas; ix. Houve bis in idem, pois a controlada Amplimatic sofreu autuação em 2006, decorrente de presunção legal de omissão de receitas, sobre os mesmos fatos e valores ora discutidos, objeto do processo administrativo n° 13864.000278/200662; x. O Código Civil estabelece que se a taxa de juros de mora não for convencionada, será de seis por cento ao ano; a Lei de Usura Fl. 750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19515.008058/200895 Acórdão n.º 1302001.712 S1C3T2 Fl. 749 5 estabeleceu a possibilidade de os juros serem convencionados em até o dobro da taxa legalmente prevista; por outro lado, o CTN, em seu art. 161, § 1% estabelece uma taxa de juros máxima de 1% ao mês; portanto, é ilegal a cobrança de juros moratórios com base na Selic, bem como inconstitucional, por ofender o disposto no art. 192 da Constituição Federal; Encerrada a fiscalização, os autos foram remetidos à 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPOI), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, bem como exonerou parcialmente o crédito tributário constituído nos autos, proferindo o Acórdão nº. 1621.759 (efls. 622/640), na sessão de 10/06/2009, cuja ementa merece ser transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003. NULIDADE. DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. PROVAS ILÍCITAS. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE JURISDICIONAL. O controle de constitucionalidade de atos normativos é de competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise do ato impugnado em face da legislação infraconstitucional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31112/2003 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. FATO GERADOR. EXERCÍCIO SEGUINTE. A contagem do prazo decadencial para o lançamento, na hipótese de existência de pagamento antecipado, ainda que parcial, iniciase a partir da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceito contido no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo na ocorrência de dolo, fraude, simulação ou de inexistência de pagamento antecipado, situação em que o marco inicial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, I do Codex. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 6 JUROS DE MORA. USURA. INOCORRÊNCIA. A utilização da taxa Selic não caracteriza o delito de usura, uma vez que o tipo infracional pressupõe a existência de uma relação jurídica de natureza privada, regida pela autonomia da vontade das partes, diversa daquela existente na relação jurídico tributária, em que o contribuinte é se obriga a cumprir a prestação, independentemente de sua vontade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÔSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. Presumese ocorrida a infração de omissão de receitas ou de rendimentos quando valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, não tenham sua origem comprovada por seu titular, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, depois de regularmente intimado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÔSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LUCRO. CONCEITO DE RENDA. COMPATIBILIDADE. A presunção de omissão de receitas fundada em depósitos bancários sem comprovação de origem não fere o conceito de renda insculpido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, uma vez que tais valores são computados no lucro recomposto pela autoridade fiscal, de acordo com o regime de tributação declarado pela contribuinte no período sob fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS O ICMS só poderá ser excluído da receita bruta, para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19515.008058/200895 Acórdão n.º 1302001.712 S1C3T2 Fl. 750 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31110/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS O ICMS só poderá ser excluído da receita bruta, para efeito de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Lançamento procedente em parte. O Presidente da 1ª Turma da DRJ de São Paulo I (DRJ/SPOI) recorreu de ofício (efls. 624) do acórdão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por ser caso de exoneração do crédito tributário de valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Ademais, a recorrente foi intimada do acórdão em 31/07/2009 (efls. 652), interpondo tempestivamente seu recurso voluntário em 01/09/2009 (efls. 654/705), conforme comprovante dos Correios de envio de documento via SEDEX às efls. 653, alegando as mesmas razões de direito lançadas em sua impugnação, consoante se transcreveu acima. Juntou documentos às efls. 706/734. Encaminhados os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF foi proferida a Resolução nº. 1302000.193 pela 3ª Turma da 2ª Turma Ordinária – Primeira Seção de Julgamento, sob esta relatoria, na sessão de 11/09/2012, a qual sobrestou o julgamento deste processo administrativo fiscal nos termos do art. 62A, § 1º do Anexo II do RICARF, até que fosse proferida final decisão do Supremo Tribunal Federal em relação à inconstitucionalidade de inclusão na base de cálculo da contribuição PIS/COFINS. Considerando a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, pela Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, foram encaminhados os autos para julgamento final perante este Conselho, conforme Despacho de Encaminhamento de fls. 746. É o relatório. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 8 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário em face da decisão da DRJ que exonerou parcialmente o crédito tributário objeto do presente processo administrativo. O Recurso de Ofício atende o requisito legal previsto no art. 1º, da Portaria MF n.º 03/2008 e, portanto, dele conheço. O Recurso Voluntário apresentado pela empresa recorrente é tempestivo e encontramse presentes seus requisitos de admissibilidade, o qual merece ser conhecido. 1. DO RECURSO DE OFÍCIO Primeiramente, passarei a analisar especificamente o Recurso de Ofício, bem como suas minúcias individuais, para então analisar o Recurso Voluntário interposto pela empresa fiscalizada. 1.1. Da decadência parcial do crédito tributário Como visto, a 1ª Turma da DRJ/SPOI acolheu parcialmente a alegação de decadência formulada pela parte recorrente, entendendo que, diante de pagamento antecipado ainda que parcial e não comprovada existência de dolo, fraude ou simulação nos termos do parecer PGFN nº 1617/2008, aplicavase a regra do art. 150, § 4° do CTN. No mesmo diapasão, não havendo qualquer pagamento efetuado, seria aplicada a regra do art. 173, inc. I do CTN. Isso porque ao considerar que a recorrente fora intimada do presente Auto de Infração em 12/12/2008, operouse, então a decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos três primeiros trimestres de 2003, bem como das contribuições PIS e COFINS em relação aos meses de fevereiro a novembro de 2003, já que em relação ao mês de janeiro não se verificou qualquer pagamento. Assim, tenho que o Acórdão proferido na origem não merece reparos neste ponto, conforme razões a seguir expostas. De fato, na hipótese de existir o pagamento antecipado da obrigação tributária, conforme Parecer PGFN 1617/2008, colacionado no referido acórdão às fls. 627, o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário de ofício é o disposto pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Em não existindo o pagamento antecipado, ou quando observada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do mesmo diploma legal. Verifico que a recorrente recolheu o IRPJ e CSLL de forma trimestral, como consta da DIPJ 2004 juntada aos autos às fls. 6 e seguintes, pelo lucro real, e não de forma mensal, como alegou a recorrente em sua impugnação. Era o PIS e a COFINS que eram recolhidos mensalmente, como fazem prova os DARF juntados por ela ao Anexo IV de sua impugnação. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19515.008058/200895 Acórdão n.º 1302001.712 S1C3T2 Fl. 751 9 Portanto, o termo de início do prazo decadencial não é a data dos depósitos bancários, como afirmado pela recorrente, mas sim do encerramento de cada um dos trimestres de 2003, por ser essa a opção do recolhimento do IRPJ e CSLL no caso. Nesse sentido foi acertado o entendimento exarado pela DRJ de origem, manifestado pelo seguinte trecho (fls. 628): Verificase que a contribuinte efetuou pagamentos a título de IRPJ (fls. 518/520 e 600) e CSLL (fls. 521/523 e 600) apurados no encerramento de cada um dos trimestres de 2003. Portanto, a contagem do prazo decadencial para tais períodos de apuração é feita segundo os ditames do art. 150, § 4° do CTN, iniciandose a fluência do prazo quinquenal a partir da data dos respectivos fatos geradores, ocorridos em 31.03.2003, 30.06.2003, 30.09.2003 e 31.12.2003, e, encerrandose, respectivamente, em 31.03.2008, 30.06.2008, 30.09.2008 e 31.12.2008. A ciência do auto de infração ocorreu em 12.12.2008, operando se, portanto, a decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos três primeiros trimestres de 2003. Como a ciência do auto de infração pela recorrente se deu em 12/12/2008, contados cinco anos retroativamente, temse a data de 12/12/2003, que foi antes do encerramento do quarto trimestre de 2003. Consequentemente, operase a decadência em relação aos três primeiros trimestres do anocalendário de 2003, mas não em relação ao último trimestre (outubro a dezembro/2003), já que, contados cinco anos retroativamente da data da ciência do auto de infração pelo contribuinte, chegase a data anterior ao encerramento do 4º trimestre de 2003, de forma que ocorreu anteriormente ao seu fato gerador, que seria concretizado em 31/12/2003. Assim, em relação ao IRPJ e CSLL, estão decaídos os valores compreendidos entre os três primeiros trimestres de 2003, não sendo abarcado pela decadência o período do último trimestre de 2003, já que a ciência do auto de infração se deu antes do fim do mês de dezembro de 2008, de forma que o fato gerador do último trimestre do respectivo ano se daria em 31/12/2003. Quanto ao PIS e à COFINS, verificase que não houve sua decadência neste caso, visto que há prova nos autos de que houve seu pagamento para a competência de janeiro de 2003, apenas de fevereiro a dezembro de 2003. Então para o mês de janeiro de 2003, em relação ao PIS/COFINS, aplicase a regra prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Especificamente quanto ao termo de início do prazo decadencial, neste ponto, decidiu a DRJ de origem (fls. 628): Nestes termos, as contribuições tinham como data de vencimento de seus pagamentos o dia 14.02.2003. Portanto, em 1° de março de 2003, o lançamento já poderia ter sido efetuado e, por conseguinte, o prazo decadencial começou a fluir em 1° de janeiro de 2004, encerrandose em 31.12.2008, razão pela qual Fl. 755DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 10 não se verifica a caducidade dos lançamentos do Pis e da Cofins correspondentes a janeiro de 2003. Quanto ao período de fevereiro a dezembro, da PIS/COFINS, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN, pela existência de pagamentos anteriores, iniciando seu prazo a partir da data dos fatos geradores das obrigações. Como a contribuinte teve ciência do auto de infração em 12/12/2008, as parcelas do PIS/COFINS anteriores a 13/12/2003 passaram a ser inexigíveis. No entanto, considerando que o fato gerador do PIS/COFINS, em relação ao mês de dezembro, se daria em 31/12/2003 e que a ciência do auto de infração fez retroagir a data da decadência para 12/12/2003, que ocorreu antes da finalização do fato gerador daquela competência, de forma que o mês de dezembro de 2003 não foi abarcado pela decadência do crédito tributário em questão. Nesse sentido foi o que decidiu corretamente a DRJ/SPOI (fls. 628/629): Quanto aos lançamentos das contribuições relativas aos períodos de fevereiro a dezembro de 2003, a existência de pagamentos anteriores faz com que a contagem do prazo decadencial se dê segundo os ditames do art. 150, § 4° do CTN, iniciandose sua fluência a partir da data dos respectivos fatos geradores. Portanto, se a ciência do lançamento ocorreu em 12.12.2008, implica dizer que as contribuições cujos fatos geradores tenham se observado anteriormente a 13.12.2003 já não poderiam ser mais exigidas. Portanto, para o período compreendido entre fevereiro e dezembro de 2003, subsiste apenas os lançamentos do Pis e da Cofins relativo ao mês de dezembro, período de apuração em que se considera ocorrido o fato gerador na data de 31.12.2003. Portanto, quanto ao PIS/COFINS lançados na origem, verificouse a decadência apenas do período de fevereiro a novembro de 2003. Não houve comprovação de pagamento da competência de janeiro de 2003, aplicandose a regra do art. 173, I, CTN. Em relação a dezembro, também não foi abarcado pela decadência pela ciência do auto de infração em 12/12/2008, o que retroativamente levou à data de 12/12/2003, antes do final do fato gerador do referido mês. Destarte, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a incólume a decisão da DRJ quanto a exoneração parcial do crédito tributário da empresa recorrente, pela ocorrência de decadência, como supra demonstrado. 2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Analisadas as questões relativas ao Recurso de Ofício, passo a analisar o Recurso Voluntário interposto pela empresa House Participações S/A (fls. 654/705). 2.1 Da Falta de Apresentação dos Livros Contábeis e Fiscais e Da Obrigatoriedade de Arbitramento do Lucro Nos termos que se verificam no TVF (fls. 391/393), temse que o lançamento tributário fundamentase na omissão de receitas por presunção legal devido a falta de Fl. 756DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19515.008058/200895 Acórdão n.º 1302001.712 S1C3T2 Fl. 752 11 comprovação da origem de receitas verificadas através de depósitos bancários na conta corrente da recorrente. Outrossim, ao analisar os autos de infrações (fls. 395 e seguintes), observase que a autoridade fazendária apurou o lucro da recorrente pela sistemática do lucro real, utilizando como base de cálculo do lançamento exatamente o valor tido como receita omitida através de depósitos bancários verificados na movimentação financeira da recorrente. Entretanto, verifiquei também nos autos que mesmo intimada várias vezes (TIPF e TIF – fls. 86/87) para apresentar seus livros contábeis e comprovação da escrituração de sua movimentação financeira, a recorrente não se manifestou e nem apresentou quaisquer de seus livros contábeis ou fiscais. Diante de tais circunstâncias, a autoridade fazendária emitiu 02 (dois) termos de embaraço à fiscalização (fls. 83/86), certificando a recusa reiterada de a recorrente entregar a documentação solicitada pelo Fisco, essenciais para o desenvolvimento do procedimento fiscal. Ou seja, da simples análise dos autos verificase que a recorrente não entregou e sequer demonstrou que mantinha escrituração contábil regular e em conformidade com a legislação pertinente, pois reiteradamente intimado não entregou quaisquer livros ou registros contábeis solicitados. Tal situação fica evidente não só pela ausência de qualquer documentação contábil da recorrente nos autos ou pela emissão dos termos de embaraço à fiscalização por falta de atendimento às intimações reiteradas destes documentos, mas também por restar expressamente esclarecido no TVF, conforme trecho abaixo (fls. 391): O contribuinte foi intimado através do Termo de Inicio de Fiscalização a apresentar, entre outros documentos e livros fiscais, a comprovação da escrituração, nos Livros Contábeis, dos recursos financeiros movimentados, através de contas mantidas nos Bancos do Brasil e Itaú, bem como cópias dos extratos bancários dos referidos Bancos, do ano calendário de 2003. Apresentou Carta de 26/08/2008, endereçada ao Banco do Brasil e Banco Itaú, solicitando cópias dos extratos bancários. Foi intimado novamente, através de via postal, com recebimento de AR em 08/09/2008, conforme Termo de Intimação datada de 02/09/2008, a apresentar os extratos bancários dos Bancos do_Brasil_e.ltaú, do ano calendário de 2003. Decorrido o prazo sem apresentação dos extratos bancários, foi encaminhado o Termo de Embaraço à Ação Fiscal, recebido em 06/10/2008, por via postal. Em seguida, a fiscalizada apresentou cópias dos extratos bancários do Banco do Brasil. (...) Assim foram referidos valores considerados por presunção legal, como omissão de receita, por trataremse de depósitos bancários de origem não comprovada, de conformidade com os artigos 27, Fl. 757DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 12 inciso 1 e 42 da Lei n° 9430/96, tributados na forma do art. 532 e 537 do RIR/99 e créditos com histórico "Cobrança" não escrituradas e tampouco oferecida à tributação. (grifo não original) Portanto, é notório que NÃO houve entrega à autoridade fiscal de qualquer documento contábil ou registro de seus livros nos termos solicitados diversas vezes durante o procedimento fiscal, pelo que se conclui que a recorrente não possuía contabilidade ou qualquer registro contábil na forma das leis comerciais e fiscais. Segundo ensina o art. 530, III, do RIR/99, o imposto devido pelo contribuinte deverá ser determinado com base no lucro arbitrado sempre que este deixar de apresentar seus livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, nos seguinte termos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Desta maneira, diante da falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais, bem como quaisquer outros documentos contábeis solicitados durante o procedimento fiscal, deveria a autoridade fazendária utilizarse do regime de apuração do lucro arbitrado, segundo o art. 530, III, do RIR/99. Esse entendimento é pacífico neste Conselho, inclusive nesta Turma, consoante ementas abaixo colacionadas a título de exemplo: (...) FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. (...) (CARF. Acórdão 1302001.657. Rel. Helio Eduardo de Paiva Araujo. Sessão de 03/03/2015) (...) LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal. (...) (CARF. Acórdão n.º 1402001.933. Rel. Fernando Brasil De Oliveira Pinto. Sessão de 04/03/2015) Ademais, segundo o art. 142, do CTN, o AFRFB ao constituir a obrigação tributária deve calcular o montante devido, sendo que tal obrigação é inerente ao lançamento e, acaso haja erro ou incorreção, toda a obrigação tributária constituída restará prejudicada, como segue: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19515.008058/200895 Acórdão n.º 1302001.712 S1C3T2 Fl. 753 13 Consequentemente, uma vez que o AFRFB indevidamente lançou o IRPJ e CSLL com base no regime de apuração do lucro real, diante de situação em que obrigatoriamente deveria arbitrar o lucro da recorrente, deixou de observar o art. 142, do CTN, citado acima, eivando todo o lançamento de nulidade. No mesmo sentido quanto à obrigação tributária constituída de PIS e COFINS, uma vez que deveria o AFRFB arbitrar o lucro da recorrente, o lançamento das contribuições em questão deveriam ter se realizado pelo regime de incidência nãocumulativa, o que não se verifica. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário a fim de anular todo o lançamento tributário combatido por inobservância do art. 530, III, do RIR/99, bem como art. 142, do CTN. Uma vez já anulado todo o lançamento tributário em questão, deixo de analisar as demais razões lançadas em sede de recurso voluntário por questão de impertinência. 3. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar integral provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente, exonerando toda a obrigação tributária objeto de discussão nestes autos, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 759DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 13888.003923/2007-10
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 08/01/2002 a 25/06/2004
NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR.
A utilização de nota fiscal inidônea para o aproveitamento de crédito escritural do IPI sujeita o contribuinte à penalidade correspondente ao valor atribuído à mercadoria na respectiva nota fiscal recebida e utilizada para a escrituração do valor creditado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.279
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário nos termos do voto vencedor. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martinez López que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação oral pelo sujeito passivo, o advogado Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB 182632/SP.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. A utilização de nota fiscal inidônea para o aproveitamento de crédito escritural do IPI sujeita o contribuinte à penalidade correspondente ao valor atribuído à mercadoria na respectiva nota fiscal recebida e utilizada para a escrituração do valor creditado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto vencedor. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martinez López que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação oral pelo sujeito passivo, o advogado Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB 182632/SP (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso – Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fabio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que manteve procedente o auto de infração de IPI, relativo aos fatos geradores do período de 08/01/2002 a 25/06/2004 (de forma descontínua), sendo exigida a multa regulamentar prevista no art. 463, II, do RIPI/98, e no art. 490, II, do RIPI/2002, pela emissão, recebimento e utilização de notas fiscais inidôneas, conforme depreendese da ementa do acórdão nº 1420.3462 , julgado na sessão de 10 de setembro de 2008 (fls. 2.524/2.525, vl. 13), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 08/01/2002, 09/01/2002, 10/01/2002, 16/01/2002, 17/01/2002, 21/01/2002, 22/01/2002, 23/01/2002, 24/01/2002, 25/01/2002, 28/01/2002, 06/02/2002, 07/02/2002, 08/02/2002, 13/02/2002, 14/02/2002, 15/02/2002, 18/02/2002, 19/02/2002, 25/02/2002, 26/02/2002, 27/02/2002, 26/08/2002, 27/08/2002, 28/08/2002, 16/10/2002, 21/10/2002, 22/10/2002, 23/10/2002, 24/10/2002, 25/10/2002, 29/10/2002, 31/10/2002, 04/11/2002, 06/11/2002, 08/11/2002, 11/11/2002, 12/11/2002, 13/11/2002, 14/11/2002, 18/11/2002, 19/11/2002, 20/11/2002, 22/11/2002, 26/11/2002, 27/11/2002, 29/11/2002, 30/11/2002, 05/12/2002, 11/12/2002, 12/12/2002, 13/12/2002, 18/12/2002, 23/12/2002, 24/12/2002, 26/12/2002, 27/12/2002, 30/12/2002, 08/01/2003, 15/01/2003, 16/01/2003, 21/01/2003, 22/01/2003, 23/01/2003, 24/01/2003, 27/01/2003, 28/01/2003, 29/01/2003, 30/01/2003, 31/01/2003, 05/02/2003, 06/02/2003, 17/02/2003, 18/02/2003, 21/02/2003, 24/02/2003, 25/02/2003, 26/02/2003, 27/02/2003, 28/02/2003, 21/03/2003, 24/03/2003, 26/03/2003, 31/03/2003, 23/04/2003 25/04/2003, 30/04/2003, 22/05/2003, 23/05/2003, 27/05/2003, 31/05/2003, 25/06/2003, 26/06/2003, 30/06/2003, 21/07/2003, 22/07/2003, 23/07/2003, 28/07/2003, 21/08/2003, 22/08/2003, 25/0812003, 26/08/2003, 22L09/2003, 23/09/2003, 24/09/2003, 26/09/2003, 21/10/2003, 22/10/2003, 23/10/2003, 24/10/2003, 27/10/2003, 29/10/2003, 21/11/2003, 22/11/2003, 24/11/2003, 25/11/2003, 11/12/2003, 12/12/2003, 15/12/2003, 17/12/2003, 21/01/2004, 22/01/2004, 23/01/2004, 26/01/2004, 05/02/2004, 06/02/2004, 10/02/2004, 11/02/2004, 12/02/2004, 13/02/2004, 09/03/2004, 10/03/2004, 11/03/2004, 12/03/2004, 22/03/2004, 23/03/2004, 25/03/2004, 15/04/2004, 16/04/2004, 20/04/2004, 22/04/2004, 23/04/2004, 26/04/2004, 27/04/2004, 13/05/2004, 14/05/2004, 18/05/2004, 19/05/2004, 20/05/2004, 21/05/2004, 24/05/2004, 25/05/2004, 26/05/2004, 14/06/2004, 15/06/2004, 16/06/2004, 18/06/2004, 21/06/2004, 22/06/2004, 23/06/2004, 25/06/2004 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. EMISSÃO, RECEBIMENTO E UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.915 3 Infligese a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, emitida pelo estabelecimento que supostamente dá saída aos bens ou recebida e utilizada pela pretextada adquirente dos bens para reduzir saldos devedores do imposto mediante a dedução de créditos. Lançamento Procedente.” Ao final do referido termo, há, às fls.77/80, a parte específica no que concerne à exigência da multa regulamentar: houve, pela TATUZINHO, o recebimento e utilização de notas fiscais inidôneas emitidas pela empresa AJAT'S não correspondentes a efetivas entradas de supostos insumos como "ÁLCOOL NEUTRO" e "EXTRATO CONCENTRADO NÃO ALCOÓLICO PARA BEBIDAS"; além disso, a contribuinte emitiu notas fiscais de venda de pretextados produtos como "PREPARAÇÕES COMPOSTAS COM GUARANÁ", não correspondentes a verdadeiras saídas, para empresas de fachada como DESTILARIA DA BARRA, JÚPITER e QUATERSIL. A multa regulamentar foi calculada pelo valor comercial das mercadorias descritas nas notas fiscais, conforme os demonstrativos de fls. 1.202/1.216, com espeque no RIPI/98, art. 463, II, e no RIPI/2002, art. 490, II. Vinculada à exação consta a representação fiscal para fins penais processada sob o n° 13888.003924/200756. No presente caso, cuidase de autuação complementar à consubstanciada no processo n° 13888.003922/200767, e diz respeito aos fatos narrados no termo de verificação fiscal de fls.32/80, comuns a ambos os processos, o qual referese à glosa de créditos e à conseqüente insuficiência de recolhimento do IPI, tendo sido objeto de julgamento na mesma sessão (10/09/2008), inteiramente vinculados àqueles quanto aos fatos e às razões de decidir, o qual foi julgado procedente, conforme sintetiza a ementa do acórdão nº 1420.345, a seguir transcrita: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2002, 21/08/2002 a 31/08/2002, 11/10/2002 a 28/02/2003, 21/03/2003 a 31/03/2003, 21/04/2003 a 30/04/2003, 21/05/2003 a 31/05/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/07/2003 a 31/07/2003, 21/08/2003 a 31/08/2003, 21/09/2003 a 30/09/2003, 21/10/2003 a 31/10/2003, 21/11/2003 a 30/11/2003, 11/12/2003 a 20/12/2003, 21/01/2004 a 31/01/2004, 01/02/2004 a 20/02/2004, 01/03/2004 a 31/03/2004, 11/04/2004 a 30/04/2004, 11/05/2004 a 31/05/2004, 11/06/2004 a 30/06/2004 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes. MULTA DE OFICIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2002, 21/08/2002 a 31/08/2002, 11/10/2002 a 28/02/2003, 21/03/2003 a 31/03/2003, 21/04/2003 a 30/04/2003, 21/05/2003 a 31/05/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003 , 21/07/2003 a 31/07/2003, 21/08/2003 a 31/08/2003, 21/09/2003 a 30/09/2003, 21/10/2003 a 31/10/2003, 21/11/2003 a 30/11/2003, 11/12/2003 a 20/12/2003, 21/01/2004 a 31/01/2004, 01/02/2004 a 20/02/2004, 01/03/2004 a 31/03/2004, 11/04/2004 a 30/04/2004, 11/05/2004 a 31/05/2004, 11/06/2004 a 30/06/2004 IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2002, 21/08/2002 a 31/08/2002, 11/10/2002 a 28/02/2003, 21/03/2003 a 31/03/2003, 21/04/2003 a 30/04/2003, 21/05/2003 a 31/05/2003, 21/06/2003 a 30/06/2003, 21/07/2003 a 31/07/2003, 21/08/2003 a 31/08/2003, 21/09/2003 a 30/09/2003, 21/10/2003 a 31/10/2003, 2 1/ 11/2003 a 30/11/2003, 11/12/2003 a 20/12/2003, 21/01/2004 a 31/01/2004, 01/02/2004 a 20/02/2004, 01/03/2004 a 31/03/2004, 11/04/2004 a 30/04/2004, 11/05/2004 a 31/05/2004, 11/06/2004 a 30/06/2004 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. Lançamento Procedente” Em relação à quantificação da multa regulamentar, mantida no presente processo, tem por base os demonstrativos de notas fiscais de fls. 1.202/1.227 (anexos 59/63) e é resumida, por fato gerador, no demonstrativo de apuração de fls. 21/29, em razão do recebimento, a utilização ou a emissão de notas fiscais, consideradas como sendo “comprovadamente inidôneas”, não correspondentes à efetivas entradas ou saídas de mercadorias, ensejando à imposição da multa calculada pelos valores nelas atribuídos às mercadorias, conforme previsto no regulamento do imposto (RIPI/82, art. 365, II; RIPI/98, art. 463, II; RIPI/2002, art. 490, II), tendo como matriz legal a Lei n°4.502, de 1964, art. 83, II. Concluindo por dizer que “constatado que as aquisições de insumos da AJAT'S não ocorreram e, por conseguinte, as vendas dos produtos supostamente fabricados com estes insumos também não, aplicamse as disposições contidas no 3 . 463, inciso II, e § Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.916 5 único, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 25/06/1998 (RIPI/98); e art. 490, inciso II e §10 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26/1212002 (RIPI/2002), que transcrevemos abaixo:” "Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1°, alteração 2ª: I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1°, alteração 2ª;e II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1°, alteração 2ª". (grifado) A cumulação da precitada penalidade com a multa de ofício, imposta no outro processo, tem como base o disposto no RIPI/82, art. 357, do RIPI/98, art. 456, e do RIPI/2002, art. 483. Além do art. 456, há o parágrafo único atrelado ao art. 463 do RIPI/98 (RIPI/2002, art. 490, § 1°), a saber: "Art. 456. Apurandose, num mesmo processo, a prática de mais de uma infração por uma mesma pessoa, natural ou jurídica, aplicarseão cumulativamente as penas a elas cominadas (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 74)". "Art. 463. (.) Parágrafo único. No caso do inciso I, a imposição da pena não prejudica a que é aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e, no caso do inciso II, independe da que é cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto em razão da utilização da nota (Lei n°4.502, de 1964, art. 83,§ 1°)". (grifado) Cientificada em 31/12/2008 (AR – fl. 2.625), a interessada ingressou com recurso voluntário de fls. 2626/2701 (vl. 14), em 30/01/2009 (cf. confirma a DRF à fl. 2913, vl. 15), juntandose ainda os documentos de fls. 2702 a 2901, alegando, em síntese, que o presente Processo Administrativo — PA tem por objeto a imposição de multa regulamentar em função das constatações feitas pelo Fisco no PA 13888.003922/200767. No referido PA entendeu o Fisco que a recorrente teria se aproveitado indevidamente de crédito de IPI em operações Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 realizadas no período de 10/01/02 até 30/06/04. Glosou lá o crédito, e aqui procedeu a imposição de multa regulamentar por suposta irregularidade das notas fiscais envolvidas. Portanto, são lançamentos decorrentes, sendo íntima a relação entre eles. A imposição da multa regulamentar está, desta forma, vinculado ao acerto da glosa do crédito de IPI. De maneira que a recorrente se dedicará neste recurso, tal como fez no recurso interposto no PA 13888.003922/200767, em demonstrar as razões pelas quais a glosa do crédito de IPI improcede, para, então, concluir pela impossibilidade da imposição da referida multa . A tese do Fisco é de que o crédito aproveitado pela recorrente teria origem na realização de operações de compra e venda de "produtos inexistentes" efetuadas com empresas supostamente "fictícias 4. A tese do Fisco é de que o crédito aproveitado pela recorrente teria origem na realização de operações de compra e venda de "produtos inexistentes" efetuadas com empresas supostamente "fictícias", quais sejam: a fornecedora Ajat's Comércio de Produtos Químicos Ltda. (CNPJ n.° 50.522.838/000113), doravante denominada AJAT'S, e as adquirentes (a) Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda. (CNPJ n.° 65.547.606/0001 97), doravante denominada DESTILARIA DA BARRA; (b) Bell Química Comercial Piracicabana Ltda. (CNPJ n.° 04.477.882/00131), doravante denominada BELL QUÍMICA; (C) Júpiter Comércio, Transportes, Representações de Álcool e de Cana Ltda.ME (CNPJ n.° 03.651.571/000184), doravante denominada JÚPITER; e, (d) Quatersil Comércio e Representação Ltda. (CNPJ n.° 05.525.817/000170), doravante denominada QUATERSIL. 6. Daí porque, segundo o Fisco, o crédito de IP' oriundo dessas operações seria "indevido", tendo lugar o lançamento. Porém, não bastava somente a "comprovação" da "inexistência" das operações, se a recorrente (do ponto de vista do Fisco) não tinha qualquer relação com a administração das outras empresas, mantendo com elas apenas relações comerciais, como de ordinário ocorre. A recorrente, de qualquer forma, estaria autorizada a tomar os créditos, pois não poderia ser responsabilizada por equívocos de outros contribuintes. Se terceiros não cumprem suas obrigações, a recorrente, embora se mostre sensibilizada com o Erário, não pode ser responsabilizada por isso. De qualquer maneira, a recorrente protesta pela juntada de sua escrituração fiscal no prazo de 10 (dez) dias. C.2.1 — 1 a Preliminar: nulidade da autuação em decorrência da nulidade do PA n.° 13888.000961/200711 de inaptidão da inscrição da AJAT'S no CNPJ — Cerceamento do direito de defesa da recorrente. C.2.2 — 2a Preliminar: Nulidade da autuação em decorrência da nulidade dos depoimentos que a embasaram (provas ilícitas) — Cerceamento do direito de defesa da recorrente. 74. Ocorre que a recorrente, para sua surpresa, não localizou os citados depoimentos. Compulsando as folhas correspondentes dos presentes autos (fls. 395/452), constatou que as informações constantes dos itens 29 usque 33 do TVF foram extraídas de documentos juntados ao PA n.° 13888.000961/200711 formalizado pelo Fisco para declaração de inaptidão da inscrição da AJAT'S no CNPJ. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.917 7 115. Já decidiu, a propósito, a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sua missão institucional de uniformizar, a jurisprudência administrativa, que: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO – PRELIMINAR – JUNTADA—DE— DOCUMENT0S—NO—RECURSO VOLUNTÁRIO – ADMISSIBILIDADE – PREVALÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE SOBRE O RIGOR FORMAL. O objetivo do processo administrativo fiscal é a constatação da ocorrência (ou não) do fato gerador da obrigação tributária. Tendo a Administração ciência de Que o ato administrativo de lançamento não seguiu os ditames da legalidade, ainda que através de documento juntado tardiamente, deve o Fisco, de ofício, rever o ato. (...)" (g.n.) (Recurso 302119545, Relator Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, j. 16/05/05). A prova mais importante disso foi produzida pelo próprio Fisco no decorrer da fiscalização. ficou comprovado que a recorrente não tem qualquer relação com o fim dado aos recursos pela AJAT' não ficou comprovada nenhuma relação irregular da recorrente com os seus clientes. 206. Também não ficou comprovada nenhuma relação irregular da recorrente com os seus clientes. C.3.9 — Equivoco do v. acórdão: Relatório final da Polícia afirmando não ter ocorrido "conluio" e pedido do Ministério Público de arquivamento da ação penal, acolhido pelo Poder Judiciário — Impossibilidade da imposição da multa regulamentar. 207. A fim de colocar um ponto final na controvérsia, a recorrente traz aos autos o Relatório conclusivo firmado pela Delegacia de Polícia Civil do Estado de São Paulo — Divisão de Investigação sobre Crimes contra a Fazenda, nos autos do IP n.° 207/02, mencionado pelos agentes fiscais no TVF, onde foi apurado, de forma exaustiva, o suposto "conluio" entre a recorrente, a BLAW e a AJAT'S (doc. 09). 208. Após a oitiva de todos os envolvidos, inclusive dos agentes fiscais, o Delegado de Polícia Titular concluiu que: "(...) os elementos constantes do presente inquérito policial não permitem concluir a existência de conluio entre a empresa INDÚSTRIAS REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO 3 FAZENDAS e as empresas BLAW QUÍMICA LTDA. e AJAT S COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Pelo contrário, tudo indica que as compras realizadas pela empresa TATUZINHO das empresas AJAT S e BLAW foram cercadas de todas as cautelas necessárias, gerando a presunção de que efetivamente ocorreram.". (g.n.) 209. Esta autoexplicativa e irretocável conclusão da autoridade policial foi confirmada por pedido de arquivamento do inquérito policial (IP n.° 207/02) formulado pelo Ministério Público (04/09/08), acolhido, sem ressalvas, pelo Poder Judiciário (08/09/08), cf. doc. 10. Confirase trechos da quota ministerial: "( ...) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 Com efeito, os elementos carreados aos autos não autorizam a propositura da ação penal. Em que pese comprovada a materialidade do fato e a imposição de penalidade administrativotributária, não foram reunidos indícios suficientes de autoria. Não está devidamente caracterizada, sob a ótica penal, a vontade livre e consciente dos responsáveis legais pela empresa de fraudar o fisco. É cediço o emaranhado de normas jurídico tributárias a serem observadas na seara comercial. Não se i g nora, ainda, a 'colcha de retalhos' das normas tributárias, alteradas constantemente, muitas vezes flagrantemente inconstitucionais, o que torna ainda mais penosa a atividade empresarial neste país. (...)" (g.n.) 210.As conclusões da Polícia Fazendária e do Ministério Público espancam toda e qualquer dúvida que poderia existir acerca da idoneidade da conduta fiscal da recorrente, em relação ao fornecedor e clientes. 210.1. As provas levantadas pela autuação estadual, que repitase embasaram a presente autuação, fora todas esmiuçadas e analisadas tanto pela Polícia Fazendária, como pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. E estas autoridades concluíram pela inexistência do suposto "conluio". As conclusões a que elas chegaram, portanto, minam, por completo, as imputações feitas pelo Fisco nestes autos. Se aquelas autoridades concluíram pela inexistência de "conluio" é porque "conluio", de fato, não houve, o que vincula, evidentemente, a sorte deste feito. 214. Em casos como o presente, essa E. Corte vem 110 reiteradamente decidindo que: "IPI. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. COMPROVAÇÃO. Não comprovada a inidoneidade de notas fiscais de aquisição de insumos, mantémse o crédito básico do IPI e não se aplica a multa do art. 365, caput, inciso II, do RIPI182. Recurso de ofício negado." (g.n.) (Acórdão 20177.718, Rel. Cons. Walber José da Silva, Data da sessão de 06/07/04). "IPI — NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS — Incabível a glosa do imposto e a aplicação da multa prevista no art. 365, inciso II, do RIPI182, vinculada a registro e utilização de notas fiscais inidôneas, quando nos autos não restar, de forma inequívoca, comprovada a imputação fiscal relativa à inexistência das mercadorias descritas nos documentos fiscais que lastreiam as operações. Parágrafo único do art. 82 da Lei n.° 9.430/96. Recurso de ofício negado." (g.n.) (Acórdão 01.021, Rel. Cons. Luiz Helena Galante de Moraes, Data da sessão de 17/09/97). "IPI I) SIMULAÇÃO DO ATO JURÍDICO Mediante a emissão de notas fiscais que não correspondem à saída efetiva d mercadorias para a prova da simulação, é certo, bastam presunções e indícios. Tais presunções e indícios devem, entretanto, se graves e precisos, sem o que não poderão Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.918 9 fundamentar seu convencimento. Só, pois, os indícios e circunstâncias convergentes e veementes têm valor de prova a autorizar o reconhecimento de que se trata de operação simulada. II) NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS Sendo de emissão de empresas que não operavam no endereço indicado, a princípio, podese suspeitar que eram inexistentes de fato e ensejaria a aplicação da multa p revista no art. 365, inciso II, RIPI182; sendo afastada a denúncia fiscal se o adquirente logra comprovar, com documentação hábil e idônea, que recebeu as mercadorias e pagou regularmente as aquisições através de instituições financeiras (Portaria/MF nr: .187/93). III) ATOS DECLARATÓRIOS E SÚMULAS Operações ocorridas anteriormente à edição dos mesmos que divulgou tal condição. As aquisições de mercadorias de empresas, que, posteriormente, foram declaradas inidôneas, não alcançam os fatos ocorridos anteriormente à edição dos atos administrativos. IV) DECADÊNCIA Da mesma forma, se os fatos geradores re portamse a tais documentos e aceita a legitimidade das operações, o lançamento é considerado homologado, na forma do disposto no art. 150, § 4°, primeira parte, do CTN. Não restou demonstrada, cabalmente, a simulação do ato jurídico. Recurso provido." (g.n.) (Acórdão 20208.869, Rel. Cons. José Cabral Garofano, Data da sessão de 20/11/96). Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso voluntário para, cassando o v. acórdão n.° 20.346 de fls. 2.524/2.585, acolher as preliminares para anular o lançamento ou, no mérito, julgálo improcedente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido dos demais requisitos legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, no presente processo discutese o auto de infração de IPI, decorrente dos fatos geradores do período de 08/01/2002 a 25/06/2004 (de forma descontínua), especialmente sobre as aquisições de produtos empregados no processo produtivo da recorrente, cujas respectivas notas fiscais foram consideradas inidôneas, porquanto adquiridas de pessoas jurídicas consideradas inaptas, sendo exigida a multa regulamentar prevista no art. 463, II, do RIPI/98, e no art. 490, II, do RIPI/2002, pela emissão, recebimento e utilização de notas fiscais inidôneas. Haja vista que o recebimento, a utilização ou a emissão de notas fiscais comprovadamente inidôneas, não correspondentes à efetivas entradas ou saídas de mercadorias, dá ensejo à imposição da multa calculada pelos valores nelas atribuídos às mercadorias, conforme previsto no regulamento do imposto (RIPI/82, art. 365, II; RIPI/98, art. 463, II; RIPI/2002, art. 490, II), tendo como matriz legal a Lei n°4.502, de 1964, art. 83, II, in verbis: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 "Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1°, alteração 29: I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1°, alteração 29; II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1°, alteração 29ª. (grifado) A cumulação da precitada penalidade com a multa de ofício, imposta no outro processo, é cabível, nos termos do RIPI/82, art. 357, do RIPI198, art. 456, e do RIPI/2002, art. 483. Além do art. 456, há o parágrafo único atrelado ao art. 463 do RIPI/98 (RIPI/2002, art. 490, § 1°), a saber: "Art. 456. Apurandose, num mesmo processo, a prática de mais de uma infração por uma mesma pessoa, natural ou jurídica, aplicarseão cumulativamente as penas a elas cominadas (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 74)". "Art. 463. (.) Parágrafo único. No caso do inciso I, a imposição da pena não prejudica a que é aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e, no caso do inciso II, independe da que é cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto em razão da utilização da nota (Lei n°4.502, de 1964, art. 83,§ 1°)". (grifado) Em ambos os processos, tanto neste (13888.003923/200710), quanto no outro processo, no qual se discutiu a correspondente glosa de créditos de IPI (13888.003922/200767), decorrem das apurações compreendidas entre os períodos de 01/01/2002 a 30/06/2004, quando a Recorrente passou a adquirir da empresa AJAT'S, os insumos denominados "ALCOOL NEUTRO", "EXTRATO CONCENTRADO NÃO ALCOÓLICO PARA BEBIDAS", ou "EXTRATO CONCENTRADO" e "PREPARAÇÕES COMPOSTAS PARA ELABORAÇÃO DE BEBIDAS", os quais, segundo a fiscalização, foram “pretensamente utilizados na formulação de novos produtos e supostamente adquiridos por outras empresas, também de fachada”. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.919 11 Da mesma forma consta que a TATUZINHO, ora Recorrente, também foi autuada pelo Fisco Estadual pelo crédito indevido de ICMS referentes a aquisições da mesma empresa envolvida, ou seja, a AJAT'S, acobertadas por notas fiscais declaradas inidôneas (emitidas após a data de encerramento das atividades da referida empresa: AIIM n° 3.075.318, de 22/08/2007; processo de inidoneidade n° 1000425128813/2004); no auto de infração suscitado a TATUZINHO foi autuada pelo Fisco Estadual pela emissão de notas fiscais de saída de mercadorias tributadas (“AGUARDENTE COMPOSTA" e "PREPARAÇÃO COMPOSTA NÃO ALCOÓLICA C/ EXTRATO DE GUARANÁ') para a DESTILARIA DA BARRA, estabelecimento inapto no Cadastro de Contribuintes da Secretaria da Fazenda desde 21/10/1999 (processo n° 12595296291/2007), sendo, portanto, inidônea toda a documentação atribuída à DESTILARIA DA BARRA com emissão a partir de então; no processo de declaração de inidoneidade da DESTILARIA DA BARRA consta a declaração de não localização de contribuinte expedida em 09/01/2004, fundamentada em declaração de 30/12/2003 do Sr. Emerson Carlos Gobbo de que o alambique não funcionara mais desde a aquisição do sítio Santa Maria (anexo 52).” Assim, para a lavratura do presente auto de infração levouse em consideração as conclusões do Fisco Estadual (AIIM nº 3.075.318, de 22/08/2007), inclusive em relação às provas testemunhais, o qual, de acordo com o Inquérito Policial nº 207/02, instaurado pela DIVISÃO DE INVESTIGAÇÃO SOBRE CRIMES CONTRA A FAZENDA, da Primeira Delegacia de Policia da DISCCF/DECAP, da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, em decorrência do AIIM nº 3.021.5298, envolvendo as empresas BLAW QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA, DA AJAT S COMERCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA e INDUSTRIAS REUNIDAS DE BEBIDAS TRES FAZENDAS E TATUZINHO LTDA, após averiguados os representantes legais das empresas, oitiva de testemunhas e demais diligência, concluiu aquela digna autoridade por concluir o seguinte: “Finalizo esse relatório consignando que os elementos constantes do presente inquérito policial não permitem concluir a existência de conluio entre a empresa INDUSTRIAS REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO 3 FAZENDAS LTDA e as empresas BLAW QUÍMICACA LTDA e AJAT S COMERCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Pelo contrário, tudo indica que as compras realizadas pela empresa TATUZINHO das empresas AJAT S e BLAW foram cercadas de todas as cautelas necessárias, gerando a presunção de que efetivamente ocorreram.” (em 03/03/2005). Submetido ao douto representante do Ministério Público da Promotoria de Justiça de Rio Claro, do Estado de São Paulo (7º Promotor de Justiça), concluiu, igualmente, diante da inexistência do elemento subjetivo da conduta, que pudesse ensejar o oferecimento da denúncia, promoveu o arquivamento do ferido Inquérito Policial. (em 04/09/2008). Em 08/09/2008, o MM. Juiz de Direito de Rio Claro, determinou definitivamente o arquivamento do Inquérito Policial, conforme constam as cópias acostadas ao processo nº 13888.003923/200710. Em outra frente, cuidou a Recorrente de propor ação anulatória de débito fiscal contra Fazenda do Estado de São Paulo — FESP alegando que, em 28/9/2004, foi autuada (Auto de Infração e Imposição de Multa n o 3,021.5298) por operações, de agosto Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 12 de 2000 a abril de 2002, Com a empresa "BG Esmag. de Grãos e Óleos Vegetais Ltda." (BG Esmag), considerada inidônea pelo Fisco em 29/9/2004, e por operações, de fevereiro de 2000 a dezembro de 2002, com as empresas "Blaw Química Industrial Ltda." (Blaw) e "Ajat's Comércio de Produtos Químicos Ltda." (Ajat's), consideradas inidôneas pelo Fisco em 2/612004, perante a 4ª Vara Cível de Rio Claro (Autos 0115/09), da v. sentença, merecem ser transcritas as seguintes conclusões: “Essa postura do Fisco de automaticamente autuar com base apenas na formal declaração de inidoneidade contraria as conclusões da própria Polícia Civil de São Paulo, que, ao investigar os fatos, concluiu que "os elementos constantes do presente inquérito policial não permitem concluir a existência de conluio entre a empresa INDÚSTRIAS REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO 3 FAZENDAS LTDA. e as empresas BLAW QUÍMICA LTDA. e AJAT'S COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Pelo contrário, tudo indica que as compras realizadas pela empresa TATUZINHO das empresas AJAT'S e BLAW foram cercadas de todas as cautelas necessárias, gerando a presunção de que efetivamente ocorreram" (fls.106) (...) As notas fiscais copiadas a fls.374, 699, 1408 e seguintes, emitidas pela "Blaw Química Industrial Ltda." (Blaw) e "Ajat's Comércio de Produtos Químicos Ltda." (Ajat's), atendem formalmente às exigências da legislação e foram emitidas por contribuinte em situação regular, de modo que inadmissível concluir infração ao Regulamento do ICMS. Mais: as mercadorias nelas especificadas foram minuciosa e devidamente escrituradas no Livro "Registro de Entradas" da autora!!! Ora, tivesse havido simulação, custa crer que haveria tamanha coincidência entre o material especificado nas notas e a escrituração contábil da autora_ Ademais, a autora ainda fez juntar cópia dos conhecimentos de transporte (fis.390 e seguintes). (...) Daí porque se conclui que as mercadorias — ao contrário do que entendeu o Fisco — saíram do estabelecimento das vendedoras e entraram sim no estabelecimento da autora. (...) Ora, a postura tributária do contribuinte há de basearse em critérios objetivos previstos no Código Tributário Nacional. No caso, a autora exigiu nota fiscal dos fornecedores, as notas eram formalmente perfeitas, o preço das mercadorias foi pago na rede bancária e as mercadorias ingressaram no estabelecimento do comprador. É o quanto basta para validar a postura da autora. (...) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.920 13 5. Quanto à infração por suposta saída de mercadorias do estabelecimento da autora entre agosto de 2000 e abril de 2002 para outro Estado à alíquota de 7% (em detrimento da alíquota interna de 18%) destinadas à empresa "BG Esmag.. de Grãos e Óleos Vegetais Ltda." (BG Esmag), considerada inidônea pelo Fisco em 29/9/2004, o MIM também não se sustenta. (...) Enfim, salvo conluio, a prova da negociação afasta a punição do vendedor nos casos de desvio do destino da mercadoria, uma vez que não se pode exigir dele que fiscalize ou rastreie o destino dado pelo comprador à mercadoria. (...) O Fisco paulista nem sequer adotou um procedimento relativamente simples e que, como bem destacado no voto vencido do Tribunal de Impostos e Taxas, poderia ter elucidado os fatos, ou seja, constatar na transportadora que fica dentro do Estado de São Paulo se de fato prestou os serviços e se de fato levou a mercadoria para fora do Estado (fis.262). Nada foi feito. O Fisco simplesmente optou por comodamente autuar a autora com apoio unicamente na declaração de inidoneidade da compradora, o que não pode ser chancelado pelo Judiciário. 6. Enfim, a prova documental demonstra a efetiva circulação das mercadorias. As operações da autora com os fornecedores declarados inidôneos pelo Fisco são muito anteriores a essa declaração de inidoneidade. Em casos como o presente, deve ser observado o princípio da boafé, não podendo ter eficácia contra terceiros de boafé atos jurídicos (como a emissão de notas fiscais) praticados por empresa posteriormente considerada inidônea, uma vez que ao terceiro de boafé falta o poder de polícia para fiscalizar todos os contribuintes com os quais se relaciona. Em outras palavras: vedar o aproveitamento de créditos de ICMS em hipótese de nota fiscal inidônea quando esta, na época da emissão, aparentemente nada tinha de irregular, é infligir ao terceiro obrigação tributária acessória que não lhe é exigível. Assim têm decidido o TJSP (Apelação n° 791.7225/800, 3' Câmara de Direito Público do TJSP, Relator Marrey Uint, j. 11/11/2008) e o STJ (AgRg no REsp n° 290.227, DJ 6.2.2006, p 232). Também não pode o terceiro de boafé, a pretexto de evitar desvio, ser obrigado a fiscalizar o destino que o comprador dá à mercadoria que regularmente sai de seu estabelecimento. Enfim, mais não é necessário acrescentar para que seja acolhida a pretensão anulatória deduzida na petição inicial. Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido, para o fim de, ratificada a liminar de fls.1627/1629, anular o débito constituído no Auto de Infração e Imposição de Multa no 3.021.5298 da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e as exações com base nele deduzidas. Arcará a révencida com o pagamento das Fl. 13DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 14 despesas processuais e honorários advocatícios fixados eqüitativamente, a teor do artigo 20, §4º do CPC, em R$16.000,00. Por conseguinte, julgo extinto o processo (artigo 269, I do CPC). Decorrido o prazo para recurso voluntário, encaminhemse os autos ao T.ISP para o reexame necessário (artigo 475, §1° do CPC). Oportunamente, arquivemse. Rio Claro, 27 de julho de 2010.” Em face do Inquérito Policial e respectivas decisões emanadas do Poder Judiciário, afastando as acusações de indícios de fraude, conluio ou simulação entre a Tatuzinho, ora Recorrente, e as empresas fornecedoras, em especial os negócios realizados com as empresas "Blaw Química Industrial Ltda." (Blaw) e "Ajat's Comércio de Produtos Químicos Ltda." (Ajat's), não vejo como concluir de forma diferente no âmbito administrativo, pois, é claro que Poder Judiciário está mais apto a aprofundar nas investigações, com muito mais capacidade de analisar as provas produzidas, perícias, oitiva de testemunhas, depoimentos pessoais, etc. Desta forma, conforme concluiu a v. decisão judicial, no sentido de que “tudo indica que as compras realizadas pela empresa TATUZINHO das empresas AJAT'S e BLAW foram cercadas de todas as cautelas necessárias, gerando a presunção de que efetivamente ocorreram" concluindo que de fato as operações existiram, “Daí porque se conclui que as mercadorias — ao contrário do que entendeu o Fisco — saíram do estabelecimento das vendedoras e entraram sim no estabelecimento da autora.” Mais ainda: “No caso, a autora exigiu nota fiscal dos fornecedores, as notas eram formalmente perfeitas, o preço das mercadorias foi pago na rede bancária e as mercadorias ingressaram no estabelecimento do comprador. É o quanto basta para validar a postura da autora” não há como manter o presente auto de infração apenas com base nos indícios apontados pela Fiscalização, se os mesmos foram desqualificados pelo Poder Judiciário. Em relação à responsabilidade da Recorrente pelos atos praticados pelas demais empresas com que a mesma manteve relações comerciais, sobretudo pelo fato de estarem com situação “inaptas”, igualmente, não vejo como manter o auto de infração, pois, uma vez afastada a existência de atos de conluio, simulação ou fraude, por parte da Recorrente, a mesma não pode se responsabilizar pelos atos praticados por estas empresas pelo simples fato das declarações de inaptidão serem posteriores aos atos praticados pela Tatuzinho. A principal fornecedora apontada no auto de infração, no caso a Ajat´s, foi declarada inapta por meio do Ato Declaratório Executivo n° 127, de 29 de julho de 2007, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba, SP, com publicação no Diário Oficial da União em 31 de julho de 2007 (anexo 11,11. 389). Em que pese o fato de ter havido verificação da inexistência de fato da empresa no âmbito do processo de inaptidão n° 13888.000961/200711, devidamente fundamentado, com cópia no anexo 12 (fls. 392/447), ainda que os efeitos tributários retroativos a ocorrências fáticas tenha sido declarado a partir de 03/02/2000 no tocante a terceiros interessados, todavia, não pode alcançar terceiros de boa fé, conforme reiteradas decisões do E. Superior Tribunal de Justiça, in verbis: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.921 15 ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente Fl. 15DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 16 realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 1148444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) Impede destacar o seguinte trecho do voto condutor do O v. Acórdão do Superior Tribunal de Justiça, exarado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: Consequentemente, subjaz a análise do mérito da controvérsia que se cinge à higidez do aproveitamento de crédito de iCMS, realizado pelo adquirente de boafé, no que pertine às operações de circulação de mercadorias cujas notas fiscais (emitidas pela empresa vendedora) tenham sido, posteriormente, declaradas inidôneas, á luz do disposto no artigo 23, caput, da Lei Complementar 87/96. Deveras, o artigo 23, da Lei Complementar 87/96, dispõe que: "Art. 23 O direito de crédito, para efeito de compensação com débito do imposto, reconhecido ao estabelecimento que tenha recebido as mercadorias ou para o qual tenham sido prestados os serviços, está condicionado à idoneidade da documentação e, se for o caso, à escrituração nos prazos e condições estabelecidos na legislação. Parágrafo único O direito de utilizar o crédito extinguese depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento " Nada obstante, a jurisprudência das Turmas de Direito Público é no sentido de que o comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação. No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ICMS. CREDITAMENTO. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA BOAFÉ DO ADQUIRENTE DA Fl. 16DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.922 17 MERCADORIA. REVISÃO NA VIA ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. ENUNCIADO SUMULAR 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte, por meio do REsp 1.148.444/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 27/4/10, submetido à norma do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que "O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação". 2. No caso, não caracterizada a boafé da agravante, conforme o acórdão recorrido, para decisão em sentido contrário seria necessário o reexame do contexto fáticoprobatório, o que é inviável em sede de recurso especial, a teor da Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 3. Agravo regimental não provido.” (AgRg no Ag 1239942/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/09/2011, DJe 09/09/2011) Desta forma, uma vez afastada a glosa dos créditos de IPI, nos autos do processo nº13888.003922/200767, pelos motivos acima descritos, porquanto restou comprovado pela Recorrente, através de processo manejado junto ao Poder Judiciário Estadual, o qual concluiu que as empresas e respectivas notas fiscais de fato existiram, tendo a Recorrente adotado os cuidados legalmente exigidos, igualmente deve ser afastada a multa ora imposta. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 17DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 18 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Redator Designado A multa exigida no presente caso está prevista no caput, inciso II e parágrafo único, do art. 463 do Regulamento do IPI, editado pelo Decreto nº 2.637, de 25/06/1998 (RIPI/1998), que assim determina: “Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor, comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n° 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei n° 400, de 1968, art. 1°, alteração 2º): (...); II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei n° 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e DecretoLei n°400, de 1968, art. 1°, alteração 2º). Parágrafo único. No caso do inciso I, a imposição da pena não prejudica a que é aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e, no caso do inciso II, independe da que é cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto em razão da utilização da nota (Lei n° 4.502, de 1964, art. 83, § 1°).” Ora, de acordo com este dispositivo legal, a origem da imposição fiscal decorre da prática de fraude tributária, caracterizada pelo registro e aproveitamento de créditos contidos em notas fiscais comprovadamente inidôneas. As alegações de defesa contra o crédito tributário em discussão, neste processo, são as mesmas expendidas no recurso voluntário apresentado contra o lançamento do IPI, no processo principal de nº 13888.003922/200767, que deixou de ser pago em virtude de aproveitamento de créditos fictícios glosados pelos autuantes, em cuja decisão esta Turma Ordinária, pelo voto de qualidade, decidiu manter a exigência do IPI lançado e da multa qualificada de 150,0 %, conforme Acórdão nº 330101.278. Dessa forma, aplicase a este processo a mesma decisão dada àquele, nos termos da parte do voto vencedor nele proferido em que se apreciou a idoneidade das notas fiscais utilizadas pela recorrente, a seguir, transcrita: “I – Das glosas dos créditos do IPI (imposto lançado e exigido) A fiscalização, para fundamentar a exação, ora exigida (01/01/2002 a 30/06/2004), investigou a suposta fornecedora das matériasprima, AJAT’S Comércio de Produtos Químicos Ltda, concluindo que esta não tinha estrutura física, material, humana nem econômicofinanceira para produzir e comercializálas. Conforme demonstrado e provado nos autos, suas instalações se limitavam a uma pequena sala comercial localizada na Avenida Independência, nº 546, sala 92, Fl. 18DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.923 19 Edifício Avenida no centro de Piracicaba, onde sequer é permitido o trânsito de veículos pesados. Como seria possível em tão exíguas instalações produzir e/ ou comercializar tamanha quantidade de matériasprimas, álcool neutro, extrato concentrado não alcoólico para bebidas e preparações compostas para bebidas, a granel, transportados em caminhões/carretas tanques, cujos valores somente com recorrente superam R$50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais)? Além disto, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 127, de 29/07/2007, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba declarou a AJAT’S inapta, com produção de efeitos a partir de 03/02/2000 sendo que a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo propôs o bloqueio de sua Inscrição Estadual a partir de 27/06/2000 e, desde aquela data, todos os documentos fiscais emitidos por ela passaram a ser considerados inidôneos. Como o lançamento em discussão abrangeu fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2002 a junho de 2004, todos os documentos emitidos por ela, neste período, são inidôneos e não servem para provar a aquisições de matériasprima, por parte da recorrente. Também, em depoimento, a Sra. Arlete de Fátima Bragaia Martello, CPF nº 062.856.38845, empregada da AJAT’S, declarou que seu trabalho nessa empresa se resumia a emitir notas fiscais cujos dados eram passados por Fax e que recebia notas Fiscais da empresa Blaw Química Industrial Ltda., emitidas para a AJAT’S e, posteriormente, emitia notas fiscais desta para a recorrente, declarando, ainda, que nunca viu nenhum caminhão e/ ou mercadorias chegando ou saindo da empresa AJAT’S. Cabe, ainda, ressaltar que a Blaw, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, não produziu nem comercializou as matériasprima (extrato concentrado não alcoólico para elaboração de bebidas), vendida para a AJAT’S que, posteriormente, as revendeu para a recorrente. Estão acostados aos autos declarações dos sócios, exsócios, empregados e vizinhos da Blaw, declarando que jamais ela fabricou ou vendeu aquele matériaprima, mas apenas desengraxantes para máquinas pesadas. Também em diligência no estabelecimento da Blaw não foi constatada evidência ou documento relativos ao extrato concentrado, sendo que os empregados declararam nunca ter ouvido falar desse produto. A fiscalização constatou, ainda, que, na maioria das notas fiscais das supostas operações de compra do “Extrato Concentrado”, constou como transportadora a empresa GM Transportes Dracena, CNPJ 02.393.761/000181, de Dracena SP, porém as placas indicadas pertencem a veículos de outra empresa, a Transportadora Transouza Ltda., CNPJ 46.445.425/000105, também de Dracena – SP. Esta incongruência ocorreu em 76 das 234 notas fiscais contabilizadas pela recorrente. Em diligência realizada na Transportadora Transouza Ltda., o sócio e o diretor afirmaram desconhecer a razão de as placas dos veículos de sua empresa constarem nas referidas notas fiscais, uma vez que a Transouza não prestou serviços de transporte para a Blaw nem realizou qualquer operação comercial com a GM Transportes Dracena Ltda. Em procedimento semelhante realizado na GM Transportes Dracena Ltda., a fiscalização tomou depoimentos da sóciagerente e de seu esposo (também gerente), na época dos fatos, os quais afirmaram que a empresa não efetuou qualquer operação de transporte de carga para a Blaw e que desconheciam o motivo do uso do nome da empresa nessas notas fiscais, bem como a razão da indicação da GM Transportes Dracena LTDA e das placas de veículos de propriedade da Transouza. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 20 Em diligência complementar, o Sr. Mauricio de Souza (exgerente da GM Transportes Dracena Ltda., marido de Olinda de Oliveira Cabral de Souza) afirmou que teria sido procurado pelo Sr. João Dorival Senerini, da Transouza, o qual lhe disse que precisava de conhecimentos de transporte porque tinha uns caminhões parados. Desta forma, conforme o Sr. João pedia, repassavalhe os conhecimentos “em branco” e, posteriormente, recebia os mesmos preenchidos. Não sabe dizer porque o Senhor Senerini não utilizou os conhecimentos da Transouza. Informou, ainda, que foi procurado por uma pessoa, ligada à recorrente, para que prestasse a declaração juntamente com sua esposa. Ao chegarem no cartório as Declarações já lhes foram entregues “prontas”. Como somente teria cedido os Conhecimentos de Frete para o Sr. Senerini, não conhecia mais detalhes das operações neles registradas. A senhora Olinda, também gerente da GM Transportes Dracena Ltda., prestou depoimento no procedimento complementar de diligência a fim de atender à demanda do julgador de primeira instância, sendo sua declaração lavrada nos seguintes termos: “Além das declarações já prestadas em conjunto com o marido, gostaria de acrescentar que na ocasião da declaração prestada em cartório, foi procurada por um advogado da Tatuzinho, o qual preparou a declaração e prometeu que se a mesma fosse assinada ‘acabariam os problemas’ sendo que a Tatuzinho pagaria o auto de infração que havia sido lavrado pelo fisco estadual, cujo valor aproximado seria de R$ 34.000,00. Na ocasião, adiantou a quantia de R$ 3.000,00 para saldar parte da dívida, mas depois disso não deu mais nada.” João Dorival Senerini (Transouza) não pode prestar informações no procedimento de diligência em razão de encontrarse acidentado quando da visita fiscal. Quem atendeu a autoridade fiscal foi Osvaldo Fernandes de Souza – sócio e responsável pela empresa perante a SRF, que informou que a Transouza só transportava combustíveis. Disse também que o veículo de placa BXB4138, tipo Kombi, indicado em algumas notas fiscais, nunca pertenceu à empresa e não era do seu conhecimento que a Transouza tivesse emprestado qualquer veículo para realizar fretes para a Blaw. Em 66 notas fiscais, o veículo de transporte indicado, de placa BUD 0052, é um microônibus para passageiros, de propriedade da Cooperativa de Transporte Alternativo de Sumaré e Região, que teria efetuado transporte de carga para a Blaw. Segundo informação da proprietária, o veículo nunca foi utilizado na prestação de serviços para a empresa Blaw e ele, proprietário do veículo, não conhece e nunca teve qualquer relação comercial com Antonio Margarida e José Luiz Godoy, que foram indicados como sendo os condutores do veículo em 66 das 234 notas fiscais. Na verificação complementar em diligência, José Luiz Godoy afirmou ter, na época dos fatos, os veículos placas LX2897 e LR7715 (modelo L111) e BWC 6288 (modelo L112) – do tipo tanque, e que o único produto transportado nos fretes contratados com a recorrente foi álcool, sempre no volume do tanque (30 m3). Confirmou que o Sr. Antonio Margarida – seu funcionário – também fez fretes para a recorrente, mas sempre nos mesmos veículos descritos acima, tendo em vista que não possuía veículo próprio. As 142 notas fiscais cujas operações de transporte foram analisadas e não confirmadas representam cerca de 60% do total das notas fiscais (234) que teriam sido emitidas pela Blaw para acobertar as supostas vendas à recorrente, representando o valor total de R$24.395.063,56, ou seja, 67% do montante transferido para a conta da Blaw. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.924 21 O conjunto desses dados permite concluir pela total improcedência da documentação utilizada para acobertar o suposto transporte do Extrato Concentrado, da Blaw para a AJAT’S e que, posteriormente, foi revendido para a recorrente (Tatuzinho). Da análise da movimentação financeira da AJAT’S, concluise com segurança que esta empresa nunca produziu e/ ou revendeu matériasprima (álcool neutro, extrato concentrado não alcoólico para elaboração de bebidas e preparações compostas para elaboração de bebidas) para a recorrente. Nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, a AJAT'S movimentou vultosas quantias de dinheiro em sua conta bancária mantida no Banco Luso Brasileiro S/A (Agência 00019 – Conta 24238). Consulta aos sistemas internos da Receita Federal comprova que a AJAT'S não movimentou conta em outro banco, somente no Banco Luso, pertencente ao Grupo Tavares de Almeida, que também a controla a recorrente. Mediante as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF n° 08.1.25.002006000208 e RMF n° 08.1.25.00 –200700001 5 (anexo 13 – as duas RMF citadas e as respectivas respostas do Banco Luso), solicitamos, junto àquela Banco, a movimentação financeira e cópia dos cheques emitidos pela AJAT'S do período 01/01/2002 a 31/12/2004. Recebidos os dados enviados por aquele Banco, os autuantes relacionaram na planilha constante do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, todas as operações a créditos na conta da AJAT’S e verificaram que dos R$59,1 milhões creditados, 95,77 %, ou seja, R$56,6 milhões foram depositados pela recorrente (Tatuzinho). Já os lançamentos a débitos (saídas), conforme planilha constante daquele Termo, 22,0 % foram para a recorrente; 13,9 % para a própria correntista, e os outros 65,1 % para empresas de factoring, de serviços, comerciais e pessoas físicas, sendo que a maioria não manteve operações com ela. Segundo as cópias dos contratos (anexo 14) celebrados entre a recorrente (Tatuzinho) e a AJAT'S), o prazo de vencimento dos títulos foi fixado em 180 (cento e oitenta) dias a partir do faturamento e, ocorrendo antecipação dos pagamentos, e estes se dando até 30 (trinta) dias do faturamento, a empresa vendedora (AJAT'S) se comprometeu a restituir à empresa compradora e pagadora (recorrente) 25% (vinte e cinco por cento) do valor pago a título de bonificação. Esta prática, não usual no mercado, além de fazer retornar boa parte dos recursos à recorrente, permitiu inflar artificialmente a base de cálculo do IPI creditado na compra. Como a segunda maior saída de recursos da conta da AJAT’S foi via cheques nominais a ela própria, os autuantes intimaram o Banco a informar o destinos dos recursos. Em resposta, informou que o cheque n° 341, de 04/10/2002, no valor de R$1.835.697,74, referese à compra de 5 (cinco) ordens de pagamento, nominais a Edson Prudence (CPF 045.271.45835); que o cheque 110 n° 595, de 04/07/2003, no valor de R$250.000,00, referese à emissão de 2 (dois) DOC em favor de Delta Factory Assessoria e Fomento Mercantil Ltda (CNPJ 03.244.185/000178); que o cheque n° 671, de 02/10/2003, no valor de R$133.583,00, referese à compra de uma ordem de pagamento (valor parcial) nominal ao Banco Bradesco; que o cheque n° 668, de 03/10/2003, no valor de R$130.000,00, foi sacado no caixa por Leonardo Cícero da Rocha (CPF 223.829.14823); que os cheques n° 669 e n° 670 referemse à emissão de DOC (valor parcial) em favor de J V. Karol Indústria e Comércio De Móveis Ltda (CNPJ 59.080.788/000136); em relação aos demais cheques, o Banco Luso informou que foram sacados em espécie pela emitente (AJAT' S). Os demais beneficiários foram intimados a informar a causa do recebimento daqueles valores. A Delta Fac, a Engefin e a Beta Fac, que figuram entre os maiores Fl. 21DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 22 destinos de recursos da conta da AJAT'S, não responderam às intimações. São empresas de factoring que recentemente freqüentaram o noticiário, acusadas de não declarar suas operações financeiras, razão pela qual foram autuadas em R$ 200.000,00 cada uma, resultado de uma investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Pelas omissões, os sócios destas empresas, personagens da CPI dos Correios como beneficiários do esquema de Marcos Valério, também foram autuados (fonte: www.claudiohumberto.com.br, noticia de 24/12/2006). A Matec Engenharia e Construções Ltda (CNPJ 64.978.646/000120), destino de R$1.885.164,00, informou que recebeu os valores em pagamento pela execução de contrato de construção civil firmado com a empresa Sol Invest Empreendimentos e Participações Ltda (CNPJ 03.385.455/000172) e que jamais teve qualquer relacionamento comercial com a AJAT'S (anexo 16 – Declaração da Matec); Irineu Costa (CPF 127.159.80949), recebedor de R$1.500.000,00, informou tratarse de receita pela venda de produto agrícola (soja) à empresa Granol Indústria Comércio e Exportação S/A (CNPJ 50.290.329/002660 (anexo Declaração de Irineu Costa); J. Alves Veríssimo Indústria Comércio e Importação Ltda (CNPJ 61.066.767/0001 08), empresa que consta como nominal em cheques no valor total de R$1.409.294,20, depositados no Banco Santos, informou que nunca manteve operações ou negócios jurídicos com a AJAT'S e que detectou inúmeras movimentações irregulares em sua conta mantida no falido Banco Santos, que recebeu volumosos créditos e débitos de origem desconhecida pela empresa. Informou que chegou a notificar extrajudicialmente o Banco Santos, mas este não elucidou o motivo daquelas movimentações (anexo 18 – Declaração da J. Alves); A Igapó Veículos Ltda (CNPJ 61.338.901/000182) informou que não celebrou nenhum negócio comercial ou jurídico com a AJAT'S e que nunca depositou qualquer dos cheques relacionados na intimação em sua conta corrente. Notese que os cheques nominais à IGAPÓ também foram depositados no Banco Santos (anexo 19 – Declaração da Igapó Veículos); A Bombril S/A (CNPJ 50.564.053/000103) informou que nunca manteve relações comerciais de qualquer natureza com a AJAT'S e que tal empresa não consta de seu cadastro de clientes e fornecedores; A Associação Paulista de Educação e Cultura (CNPJ 49.094.048/000103) informou que os cheques relacionados na intimação não constam no extrato da conta corrente que manteve no Banco Santos (anexo 21); O Banco Cruzeiro do Sul (CNPJ 62.136.254/000199) informou que os cheques relacionados na intimação, nominal a ele, foram depositados na conta de sua cliente Vila Promotora de Créditos e Vendas Ltda (CNPJ 04.696.350/000195), sendo esta a real beneficiária daqueles cheques (anexo 22); A Sodexho Pass do Brasil Serviç. Comércio Ltda, sucessora por incorporação da Cardápio S/S Ltda (CNPJ 49.372.949/000101), respondeu que os valores correspondentes aos mencionados cheques nunca foram creditados em sua conta corrente ou de investimento mantidas no Banco Santos e que nunca realizou qualquer tipo de operação com a AJAT'S. Informou, ainda, que já havia recebido Termo de Intimação do Grupo Especial de Fiscalização da Divisão de Fiscalização da Superintendência da Receita Federal em São Paulo, solicitando esclarecimentos semelhantes envolvendo sua conta mantida no Banco Santos (anexo 23); Fábio Roberto Chimenti Auriemo (CPF 838.222.16887) informou, laconicamente, que recebeu a quantia de R$433.183,20 em pagamento de empréstimo, não dando maiores explicações (anexo 24); A Fundação Petros (CNPJ 34.053.942/000150) informou que a quantia recebida referese à venda de imóvel de sua propriedade à empresa Serrador Rio Empreendimentos e Participações Ltda (CNPJ 05.076.817/000167) (anexo 25); São José Construções e Comércio Ltda (CNPJ 45.876.174/000150) informou que recebeu a quantia pela venda de 04 (quatro) unidades do Empreendimento Hotel Holiday Inn Anhembi à AJAT'S (anexo 26); Tholobato Nunes Gonçalves (CPJ 004.273.06787) informou que recebeu o dinheiro pela venda de uma fazenda de sua propriedade em Campina Verde (anexo 27); Jurema Chohfi Maluf (CPF 075.431.20895) informou que a conta corrente, na qual Fl. 22DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.925 23 foram depositados os cheques relacionados na intimação, era movimentava pelo seu falecido pai, e que provavelmente são decorrentes de operações imobiliárias. Informou, ainda, que nunca ouviu falar da empresa AJAT'S (anexo 28); Manoel José De Lima (CPF 985.620.10120), que consta como responsável pela empresa Santo Ângelo Agropecuária, respondeu que nunca possui nem fez parte qualquer empresa e que seu nome foi utilizado indevidamente sem sua autorização (anexo 29); Christy’S Administradora Ltda (CNPJ 02.289.865/000145) informou, laconicamente, não ter como fornecer as informações solicitadas, visto que, à época, a empresa estava enquadrada no Simples Federal e em fase de encerramento (anexo 20); Algodoeira Atibaia Ltda (CNPJ 65.771.552/000149) informou que se dedica ao ramo do comércio atacadista de algodão, fios e fibras têxteis, importação e exportação, bem como beneficiamento de algodão. Informou, ainda, que apenas emprestou sua conta corrente para que a AJAT'S depositasse os cheques e depois retirasse a respectiva quantia em dinheiro (anexo 31); A Peval S/A (CNPJ 32.631.657/000143) respondeu que nunca teve relação comercial com a AJAT'S e que não houve trânsito de quaisquer recursos de terceiros pelas contas da empresa no Banco Santos (anexo 31); Luís de Oliveira Perego (CPF 035.256.79882) informou que não teve qualquer transação com a empresa AJAT'S (anexo 33); As Intimações enviadas para Contaserv Serviços Ltda (CNPJ 03.145.544/000130), Orvent Cosméticos Ltda (CNPJ 17.331.158/000147), Adriano Frioli (CPF 044.502.90801), Santospar Investimentos E Participações S/A (CNPJ 04.874.946/000138), Emede Participações S/C Ltda (CNPJ 00.365.602/000142), Sports International Marketing Ltda (CNPJ 02.818.457/000133) e Engefin Assessoria E Fomento Mercantil Ltda (CNPJ 86.826.179/000156) foram devolvidas pelos Correios com a indicação de “MUDOUSE”. A intimação enviada à Interpro International Promotions Ltda (CNPJ 45.879.939/000106) foi devolvida pelos Correios com a indicação de “RECUSADO”. De tudo isto se conclui que as operações foram forjadas e os recursos depositados na conta da AJAT’S, retornaram à recorrente, parte foram sacados em espécie pela própria AJAT'S e/ ou foram parar em contas de pessoas físicas e jurídicas que nada tinham a ver com as operações normais de industrialização e/ ou revenda da AJAT'S. Não há qualquer saída de dinheiro da AJAT'S com destino a possíveis fornecedores de matériasprimas ou mesmo dos produtos acabados, “Álcool Neutro”, “Extrato Concentrado” e “Preparações Compostas”. Frisese que a AJAT'S não tinha capacidade operacional de fabricar nada, pois funcionava em uma pequena sala comercial alugada e não possuía filiais. Se a AJAT'S nunca comprou matériaprima ou produto acabado e nunca fabricou nada, as supostas operações comerciais com a recorrente nunca existiram. No período de 08/01/2002 a 27/02/2002, a AJAT'S emitiu 70 (setenta) notas fiscais do produto “álcool neutro” para a recorrente (anexo 34), totalizando 2.109.119 litros (equivalentes a 70 carretastanque de 30.000 litros), com classificação fiscal “2207.10.0002 – Álcool Neutro” (alíquota de 8% de IPI), sendo o valor total das mercadorias de R$2.952.766,60, valor total do IPI destacado de R$236.221,29 e valor total das notas fiscais de R$3.188.987,89. Analisando tais notas que foram apreendidas pela Polícia Fazendária do Estado de São Paulo, na sede da AJAT’S, constatouse que o produto teria vindo da BLAW (anexo 34), empresa reconhecidamente inidônea. De acordo com o Fisco Estadual, até 30/08/2000, a BLAW emitia suas notas fiscais diretamente para a recorrente e a partir daquela data, foi criada a empresa AJAT'S, pois era sabido que na BLAW não havia aquisições de produtos e matériasprimas para suportar as saídas, e assim as operações passaram a ser: “BLAW emite notas fiscais para a AJAT'S e esta emite notas fiscais para a recorrente. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 24 O fluxo completo do álcool neutro no período 08/01/2002 a 27/02/2002 seria o seguinte: A BLAW vendeu 2.109.119 litros do produto para a AJAT'S. A AJAT'S revendeu os mesmos 2.109.119 litros para a recorrente (contabilizado na conta 114030061). A recorrente, numa operação chamada de “padronização”, acrescentou 1.980.462 litros de água (praticamente na proporção de 1 para 1) a custo zero, formando 4.089.581 litros do agora “álcool neutro padronizado” (contabilizado na conta contábil 114020043), e este, finalmente, foi incorporado ao estoque da aguardente bruta (produto contabilizado na conta 114030001) (anexo 36). Contudo, quando se analisa a movimentação financeira da AJAT'S, constatase que não há qualquer pagamento efetuado para a BLAW, que supostamente foi quem lhe vendeu a matériaprima (álcool neutro). A AJAT'S teria vendido o álcool neutro para a recorrente ao custo R$1,40. Ao incorporar água, a custo zero, a este produto, na proporção de 1:1, reduziu o custo a R$0,70/litro. O álcool neutro padronizado foi incorporado ao estoque da aguardente bruta, que na época estava com mais 14.000.000 litros. Frisese que, nesta época, a recorrente estava comprando aguardente bruta ao preço de R$0,25 a R$0,30, É de conhecimento das empresas que utilizam o álcool neutro que este possui alto grau alcoólico e normalmente é utilizado na indústria de cosméticos e bebidas do tipo “energéticos”, e não na fabricação de aguardentes e cachaças, devido ao seu alto custo. Verificouse, pelo controle de estoque, que a própria recorrente adquire esporadicamente uma pequena quantidade (menos de 15.000 litros) para a fabricação de bebidas de sua linha “ice”. Com relação a uma outra matériaprima, o “extrato concentrado não alcoólico para elaboração de bebidas”, no período de 26/08/2002 a 23/06/2004, a AJAT'S emitiu 173 (cento e setenta e três) notas fiscais do produto “extrato concentrado não alcoólico p/ elaboração de bebidas” para a recorrente (anexo 37), no total de 559.000 kg, com classificação fiscal “2106.90.1002 – Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”, com alíquota do IPI de 40%. O valor total das mercadorias foi de R$18.188.610,00, o valor total do IPI destacado foi de R$7.275.444,00 (alíquota de 40%) e valor total das notas fiscais de R$25.464.054,00. O fluxo completo do “extrato concentrado”, no período 26/08/2002 a 23/06/2004, seria o seguinte: A AJAT'S vendeu 559.000 kg (nas notas fiscais a unidade utilizada era “litros”) para a recorrente (insumo contabilizado na conta 114030022). A recorrente, numa operação extremamente simples, teria acrescentado apenas 56 kg do produto “extrato natural de guaraná” (contabilizado na conta 114030062), aos 559.000 kg do extrato (proporção de 0,01%). Com esta singela mistura, fabricaramse 559.000 litros (passou a utilizar “litro” após a mistura com extrato de guaraná) de “preparação composta não alcoólica c/ extrato de guaraná” (produto contabilizado na conta 114030066). Finalmente, a recorrente vendeu os 559.000 litros do suposto produto assim “fabricado” para as empresas Júpiter, Destilaria da Barra e Quatersil, todas empresas de fachada (anexo 38) Por tudo que já foi exposto, concluiuse com segurança que a AJAT'S não tinha capacidade operacional de fabricar nada e jamais comprou matériaprima ou mesmo o tal produto acabado “extrato concentrado”, pois já se demonstrou exaustivamente o paradeiro dos recursos que saíram de sua conta corrente mantida no Banco Luso, abastecida exclusivamente com dinheiro proveniente da recorrente. Nela não há registro algum de pagamento para fornecedores de tal produto. A classificação fiscal utilizada nas notas fiscais deste produto foi a “2106.901002”. A partir de 01/12/2002, foi acrescida, pelo Decreto n° 4.488/02, a Nota Complementar – NC (213), que diz o seguinte: Fl. 24DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.926 25 “NC (213) Nos termos do disposto no art. 10 da Lei n° 7.798, de 10 de julho de 1989, com suas posteriores alterações, as saídas dos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial dos produtos classificados no “Ex02” do Código 2106.90.10, ficam sujeitos ao imposto de R$0,9020 por litro, sem prejuízo do disposto na NC (211).” Assim, a partir de 01/12/2002, passou a vigorar um imposto bem inferior aos 40% incidentes sobre o valor das mercadorias. Então, a partir de 01/12/2002, a recorrente teria adquirido 466.800 litros do “extrato”, com IPI destacado de R$6.077.736,00 (40% sobre o valor das mercadorias). Pela NC (213), o imposto correto seria de apenas R$421.053,60 (466.800 litros x R$ R$0,9020). Portanto, a NC (213) foi propositalmente ignorada para que o suposto produto entrasse na recorrente (na verdade nunca entrou) com um crédito altíssimo e errôneo de IPI a ser compensado. O suposto “extrato concentrado” teria sido utilizado pela por ela como insumo na “fabricação” do também suposto produto “preparação composta c/ extrato de guaraná”, a partir da adição de uma irrisória quantidade de “extrato natural de guaraná” (ver item 72). Na verdade, a recorrente simulou a tal mistura para agora poder se valer da Nota Complementar NC (211), que diz o seguinte: “NC (211) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos extratos concentrados para elaboração de refrigerantes, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, compreendidos nos "ex" 01 e 02 do código 2106.90.10, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério.” Além disso, a classificação fiscal utilizada para as “preparações c/ guaraná” foi a “2106.901001 – Preparações Compostas não Alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”. Esta classificação consta da TIPI com alíquota de 27%. Com a redução da NC (211), o imposto destacado nas notas fiscais de venda deste produto foi de apenas 13,5%. Portanto, a recorrente ignorou a NC (213) que reduziria o imposto creditado na compra, mas observou a NC (211) que permitiu reduzir o imposto debitado na venda. Outro ponto estranho a se observar é que a “preparação c/ guaraná” foi classificada como um produto com capacidade de diluição superior à de seu suposto insumo “extrato concentrado”, apenas com a adição de uma ínfima quantidade de “extrato natural de guaraná”. Com isto, procuraram dar um conveniente enquadramento aos produtos na TIPI, de tal sorte que possibilitasse um alto crédito de IPI na entrada e um baixo débito na saída. Outro ponto que merece destaque e vem a demonstrar que as operações não existiram. A recorrente teria adquirido os 559.000 kg (ou litros) do “extrato concentrado” ao custo de R$18.188.610,00, sem considerar o IPI destacado, tendo em vista que este foi recuperado na apuração do imposto a recolher. Misturou uma quantidade ínfima de pó de guaraná, a custo praticamente “zero” e, em seguida, vendeu o produto resultante desta “fabricação” ao preço de R$10.115.200,00, sem considerar o imposto, que foi repassado ao suposto comprador. Recebeu em devolução da AJAT'S, a título de bonificação por pontualidade nos pagamentos, o percentual de 25% do montante pago. Assim, teria se submetido a uma operação comercial extremamente prejudicial a si própria, assumindo, deliberadamente, um prejuízo improvável de quase R$8.000.000,00 (oito milhões de reais), sem considerar outros custos que seriam inerentes à fabricação, como mãodeobra, encargos, despesas administrativas e de vendas. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 26 E finalmente a última matériaprima, “as preparações compostas para elaboração de bebidas” no período de 28/10/2002 a 24/06/2004, a AJAT'S emitiu 46 (quarenta e seis) notas fiscais do produto “preparações compostas p/ elaboração de bebidas” para a recorrente (anexo 39), totalizando 980.189 litros. A classificação fiscal utilizada nas primeiras 4 (quatro) notas fiscais foi a “2106.9090 – Outras Preparações Alimentícias não Especificadas". Nas demais 42 (quarenta e duas) notas fiscais, utilizou a classificação “2106.901002 — Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”. Na TIPI, a classificação “2106.9090” consta com alíquota “zero” de IPI e a classificação “2106.901002” consta com alíquota de 40% até 30/11/2002 e de R$0,9020 por litro a partir de 01/12/2002, conforme disposto na NC (213). Não houve, no entanto, destaque de IPI nas notas fiscal deste produto. O valor total das mercadorias e, conseqüentemente, das notas fiscais foi de R$ 23.681.366,24. O fluxo completo da “preparação composta”, no período 28/10/2002 a 24/06/2004, seria o seguinte: A AJAT'S vendeu 980.189 litros (mais de 32 carretas tanque de 30.000 litros cada) para a recorrente (insumo contabilizado na conta 114030100). Numa operação simples, teria acrescentado 978.832 litros de aguardente bruta (contabilizada na conta 114030001) às “preparações compostas”, praticamente na proporção de 1 para 1, formulando 1.959.021 litros do produto denominado “aguardente composta” (contabilizado na conta 114030104). Finalmente, vendeu 1.958.818 litros do suposto produto “fabricado” para as empresas BELL, JÚPITER, DESTILARIA DA BARRA e QUATERSIL, todas empresas de fachada, conforme se provará mais adiante. A diferença de 203 litros foi contabilizada como quebra de produção (anexo 40) Conforme demonstrado anteriormente, a AJAT’S não tinha capacidade operacional de fabricar nada e que jamais comprou matériaprima ou mesmo o tal produto acabado (preparação composta). Cabe, ainda, observar que as notas fiscais deste produto foram emitidas com classificação fiscal “2106.901002”, a mesma utilizada nas notas fiscais do “extrato concentrado”. Quando se tratou do produto “extrato concentrado”, notouse que, a partir de 01/12/2002, as notas fiscais foram emitidas com destaque de 40% de IPI – de forma errada –em função da NC (213) da TIPI – sobre o valor das mercadorias. Finalmente com relação ao transporte das matériasprimas que comprovariam a entrada das mercadorias vendidas pela AJAT’S para recorrente, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, foram emitidas 70 (setenta) notas fiscais de “álcool neutro”. Em 39 (trinta e nove) notas fiscais (56%) constam placas de veículos registrados em nome de Transportadora Transouza Ltda, a mesma empresa de Dracena/SP proprietária de veículos cujas placas constavam de notas fiscais emitidas pela BLAW para a recorrente. Em outras 25 (vinte e cinco) notas fiscais (36%), contendo o registro de supostas vendas de quase 30.000 litros de álcool cada, o que se exigiria o uso de carretastanque, constam somente placas de veículos do tipo cavalo mecânico, tendo sido omitidas as placas dos reboques nestas notas. Assim, em 92% das notas fiscais de álcool observouse alguma irregularidade. A AJAT'S emitiu 173 (cento e setenta e três) notas fiscais do produto “extrato concentrado não alcoólico p/ elaboração de bebidas” para a recorrente. Em 125 (cento e vinte e cinco) notas fiscais (72%) não constam sequer as placas dos veículos supostamente utilizados para o transporte. Os campos destinados ao registro dos dados referentes ao nome do transportador e placa dos veículos foram simplesmente deixados “em branco”. A placa “CDZ0694”, pertencente ao caminhão VW/16 170 BT, de propriedade do Serviço Municipal de Água e Esgoto de Piracicaba – SEMAE, desde 28/02/1996, e consta das seguintes notas fiscais: NF 882 de Fl. 26DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13888.003923/200710 Acórdão n.º 330101.279 S3C3T1 Fl. 2.927 27 11/11/2002; NF 883 de 12/11/2002; NF 884 de 13/11/2002; NF 885 de 14/11/2002; NF 886 de 18/11/2002; e NF 895 de 22/11/2002. Mediante o Ofício DRF/GAB n° 13.888/401/2007, foi solicitadas informações àquela autarquia sobre o veículo. Em resposta, informou: "(...) 1 Realmente o SEMAE possui um caminhão com as características enunciadas no oficio DRF/GAB n° 13.888/401/2007; 2 Não consta pelos relatórios do veículo que o mesmo tenha trafegado pela Rodovia Piracicaba – Rio Claro em qualquer data próxima às NF emitidas, ou seja, 11/11/2002 a 22/11/2002; 3 Para tanto juntamos cópia do relatório do veículo questionado onde se observa o trajeto do mesmo (Piracicaba – Americana) quando do transporte de cloro para esta Autarquia e veículo parado no estacionamento do SEMAE nos demais dias, pois o mesmo é utilizado exclusivamente para este fim. Acrescentandose que o fundo da carroceria é adaptado com berços para acomodação dos cilindros de cloro e isto faz com que o transporte de qualquer outra mercadoria seja tremendamente dificultado. Assim, diante do exposto, acreditamos que se trata de veículo com placas iguais ao de propriedade do SEMAE (...)” (anexo 41) A AJAT'S emitiu 46 (quarenta e seis) notas fiscais do produto “preparações compostas para elaboração de bebidas” para a recorrente. Em 39 (trinta e nove) notas fiscais (85%) não constam sequer as placas dos veículos supostamente utilizados para o transporte, sendo que os campos destinados ao registro dos dados referentes ao nome do transportador e identificação dos veículos foram deixados “em branco”. Em várias notas foram registradas supostas vendas de 30.000 litros do produto, o que se exigiria o uso de carretastanque. Portanto, omitiramse placas dos veículos e também dos reboques utilizados nestes supostos transportes. Do exposto, se conclui que não houve venda da matériaprima “álcool neutro” da AJAT’S para a recorrente. Quanto ao destino dado ao “concentrado não alcoólico para bebidas”, supostamente adquirido da AJAT'S, no período de 08/2002 a 06/2004, foi contabilizado na conta 114030022, do subgrupo Matérias Primas, excluídos os valores do IPI e ICMS. Posteriormente, 100,0 % dos valores desse produto foi transferido para a conta 114030066 (Preparação Composta Não Alcoólica Com Extrato De Guaraná), que também recebeu a transferência de valores irrisórios da conta 114030062 (Extrato Natural De Guaraná). O produto “Preparação Composta Não Alcoólica Com Extrato de Guaraná” foi supostamente vendido pela recorrente para as empresas Júpiter Comércio, Transportes Representações de Álcool de Cana Ltda – ME, Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda e Quatersil Comércio e Representação Ltda. Já o produto denominado “preparação composta para elaboração de bebidas” foi contabilizado na conta 114030100, do subgrupo Matérias Primas, excluídos os valores do ICMS. Posteriormente, 100,0 % dos valores desse produto foi transferido para a conta 114030104 (aguardente composta), que também recebeu a transferência de valores da conta 114030001 (aguardente bruta). O produto aguardente composta foi supostamente vendido pela recorrente àquelas mesmas empresas e para a Bell Química Comercial Piracicabana Ltda. Contudo, aquelas empresas se encontravam inativas e/ ou foram declaradas inaptas. A empresa Júpiter Comércio, Transportes Representações de Álcool de Cana Ltda – ME encontrase na situação de inapta no cadastro da Receita Federal desde de 17/07/2004 por não ter apresentado Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), nos anoscalendário de 2002 e seguintes; a Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda também se encontra na situação de inapta no cadastro da Receita Federal desde 17/07/2004 por não ter apresentado Declaração do Fl. 27DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 28 Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) nos anoscalendário de 2002 e seguintes, e, ainda, segundo a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, esta empresa se encontra na situação de inapta no cadastro daquela Secretaria desde de 21/01/1999 e todos os documentos emitidos por ela foram declarados inidôneos desde de 18/04/2000; a Quatersil Comércio e Representação Ltda. apresentou declaração de DIPJ para o anocalendário de 2002 como inativa e está omissa na apresentação das DIPJs dos anoscalendário de 2003 a 2006; e, finalmente, a Bell Química Comercial Piracicabana Ltda foi aberta em 31/05/2001, e sua sede, até 28/05/2003, estava localizada na Rua São João, 823, sala 6, Centro de Piracicaba/SP; portanto, não tinha estrutura física para receber e comercializar a quantidade de produtos que a recorrente alega ter lhe vendido, no valor total de R$1.090.805,93, no ano calendário de 2002, quando sua movimentação em todo aquele ano foi de apenas R$60.014,89. Diante do enorme conjunto probatório constante dos autos, concluise que as operações da recorrente com a AJAT’S, fornecedora de todas as matériasprima, e com as empresas Júpiter Comércio, Transportes Representações de Álcool de Cana Ltda – ME, Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda, Quatersil Comércio e Representação Ltda e Bell Química Comercial Piracicabana Ltda serviram apenas para simular as suposta negociações de compras de matérias primas, industrialização e vendas dos produtos, objetos da autuação. Dessa forma, não há reparos a fazer no lançamento em discussão.” Portanto, levandose em conta que nos autos do processo principal nº 13888.003922/200767, este Colegiado decidiu pela manutenção do lançamento, com imposição da multa qualificada, pela ocorrência de fraude, conluio e sonegação, há que se manter, também, a multa exigida neste processo, que encontra previsão legal no art. 463, caput, inciso II e parágrafo único, do RIPI/2002, já transcrito neste voto. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Fl. 28DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008715/94-68
Data da sessão: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1992 SACOS PLÁSTICOS. EMBALAGEM PARA ALIMENTOS. Os produtos denominados sacos plásticos, ainda que destinados à embalagem de produtos alimentícios, classificam-se sob o código 3923.21.0100 da TIPI/88, por aplicação direta da RGI nº 1.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: CSRF/03-04.910
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique Klaser Filho, Luiz Antonio Flora e Nilton Luiz Bartoli que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1992 SACOS PLÁSTICOS. EMBALAGEM PARA ALIMENTOS. Os produtos denominados sacos plásticos, ainda que destinados à embalagem de produtos alimentícios, classificam-se sob o código 3923.21.0100 da TIPI/88, por aplicação direta da RGI nº 1. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique Klaser Filho, Luiz Antonio Flora e Nilton Luiz Bartoli que negaram provimento ao recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luís Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bártoli, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Relatório Fl. 420DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.008715/94-68 Acórdão n.º 03-04.910 CSRF/T03 Fls. 421 _________ 2 Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão CSRF/03-04.910, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, deixou o colegiado antes da formalização deste acórdão. Por meio do Acórdão nº 202-09.246 a Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário. O julgado recebeu a seguinte ementa: "IPI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL - Sacos plásticos - Com dizeres que vinculam sua destinação a embalagem para produtos alimentícios: classificam-se no Código 3923.90.9901, sujeitos à. alíquota zero. Devem ser excluídos do levantamento e da exigência os produtos assim caracterizados, conforme voto. Recurso provido em parte, inclusive para excluir os encargos da TRD no período anterior a 1°/08/91 e para reduzir a multa, nos termos do voto do relator. (O grifo consta do original) Regularmente notificada do julgado em 21/10/1997 (fl. 345), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, alegando que a classificação fiscal adotada para os sacos plásticos contraria entendimento firmado pela Divisão de Nomenclatura e Classificação de Mercadorias da Receita Federal. Invocando como fundamentos de seu recurso a argumentação contida na declaração de voto do Conselheiro Elio Rothe no Acórdão nº 202- 07.967, a Fazenda Nacional sustentou que os sacos plásticos devem ser classificados na posição 3923.2 porque a posição 3923.90 se destina a qualquer outro tipo de embalagem não nomeado nos desdobramentos anteriores. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do despacho nº 202-292 de fls. 362. Regularmente notificado do Acórdão nº 202-09.246, do recurso especial fazendário e do despacho que lhe deu seguimento em 16/12/1997 (fl. 366), o contribuinte apresentou recurso especial de divergência e contrarrazões ao recurso especial fazendário em 02/01/1998 (fls. 367/382). Por meio do despacho nº 202-045 o recurso especial do contribuinte não foi admitido por falta de comprovação da divergência alegada, uma vez que o contribuinte não anexou a cópia do inteiro teor da decisão divergente e nem cópia da publicação de sua ementa (fls. 387/390). Regularmente notificado do despacho que negou seguimento ao recurso especial, o contribuinte apresentou pedido de reexame de fls. 396/399, afirmando que a 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.008715/94-68 Acórdão n.º 03-04.910 CSRF/T03 Fls. 422 _________ 3 existência da divergência alegada é inequívoca e pleiteando que fosse dado segmento ao seu recurso especial. O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais indeferiu o pedido de reexame, pois o art. 9º, § 2º, do Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 55/98, estabelecia que não cabia pedido de reexame de admissibilidade de recurso especial nos casos em que a negativa de seguimento estivesse fundamentada na falta de comprovação da divergência, como ocorreu no caso concreto (fls. 408/412). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Controverte-se sobre a classificação fiscal dos sacos plásticos destinados à embalagem de alimentos. O Fisco pretende que sejam classificados sob o código 3923.21.0100 (15%), enquanto que nas contrarrazões o contribuinte pretende que o produto seja classificado sob o código 3923.90.9901 (0%), por entender que este item, ao tratar de embalagens plásticas, é mais específico do que o pretendido pela fiscalização. A pretensão da recorrente não encontra guarida nas regras de interpretação do sistema harmonizado, pois o fato desses sacos plásticos possuírem dizeres que os identificam como sendo produzidos especificamente para o acondicionamento de alimentos, não transmuda a natureza desses produtos de "sacos plásticos" para "embalagem para produtos alimentícios". Não há dúvida quanto à classificação na posição 3923. A controvérsia gira em torno da definição da subposição. A subposição 3923.2 designa sacos de quaisquer dimensões, bolsas e cartuchos (de plástico). Já a subposição pretendida pela recorrente, 3923.90 - "outros", alberga outras embalagens (de plástico) que não tenham sido especificadas nas subposições anteriores. Assim, pela aplicação da RGI nº 1 os sacos plásticos, ainda que destinados à embalagem de produtos alimentícios, devem ser classificados na subposição 3923.2, subitem 0100 - sacos, exceto postais, por estarem aí nominalmente citados. O entendimento da defesa é equivocado, pois para chegar à conclusão de que o código 3923.90.9901 é mais específico do que o código pretendido pela fiscalização, o contribuinte comparou uma subposição de primeiro nível (3923.2) com o texto de um subitem da posição 3923.90, utilizando a RGI-3A e a RGI-6. Ora, se o produto está nominalmente citado no código 3923.21.0100 a classificação pode ser feita por meio da RGI nº 1, não fazendo nenhum sentido recorrer à RGI- 3a combinada com a RGI nº 6 (prevalência da subposição mais específica), dada a não Fl. 422DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.008715/94-68 Acórdão n.º 03-04.910 CSRF/T03 Fls. 423 _________ 4 verificação do pressuposto para a aplicação da desta regra, ou seja, "parecer que a mercadoria possa classificar-se em duas ou mais subposições". Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 423DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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