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Numero do processo: 10925.000011/2009-68
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção julgar tema referente a lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 3201-000.711
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinar a competência para a 1ª Seção.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção julgar tema referente a lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinar a competência para a 1 Seção. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 1 a 35, relativo aos anos calendários de 2003, 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestres de 2007, que se prestaram a exigir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de 29.146,91 (fl. 2), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 86.010,47 (fl. 2). A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme descrição dos fatos de fl. 4 e Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 21/35, o presente processo decorre de exclusão do Simples Federal (processo 10925.002073/200823), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como, que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado a COFINS relativa a falta de recolhimento/declaração. Juntamente com o presente procedimento, também foi constituído processo de exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizado sob os números 10925.002073/200823 e 10925.002252/200861, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IPI e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000012/200911, 10925.000013/200957, 10925.000014/200900, 10925.000015/200946, 10925.000016/200991, 10925.000017/200935, 10925.000018/200980, 10925.000019/200924, 10925.000020/200959, 10925.000021/200901, 10925.000022/200948, 10925.000023/200992, 10925.000024/200937, 10925.000025/200981, 10925.000026/200926, 10925.000027/200971, 10925.000028/200915, 10925.000029/200960, 10925.000031/200939. Conforme relatório fiscal a empresa em epígrafe faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. O pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda, desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000011/200968 Acórdão n.º 3201000.711 S3C2T1 Fl. 166 3 Os sócios da J.S. e KF possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa KF Montagens Industriais Ltda ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann. A empresa J.S. Máquinas Ltda, na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos anos 2005, 2006 e 2007, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004, situação esta, juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fls. 28/29. Em relação à contabilidade das empresas, constatouse a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. A empresa também efetuou pagamentos “extrafolha” aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos “a prazo”, considerando tais operações como se fossem realizadas “a vista”, ferindo o princípio da competência. “Esses fatos também levam à conclusão de que o ‘Grupo’ é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil.” Do Tributo Apurado Para apuração da Cofins devida, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples, conforme planilhas de fls. 31/32. Da Aplicação da Multa Qualificada de 150% Aplicou multa qualificada, por entender caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, pela análise dos fatos relatados até aqui e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 4 simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Cientificada do lançamento em 28/01/2009, através de ciência pessoal da procuradora administradora, Silvana Marques Schazmann, conforme auto de infração, a interessada, por seu advogado e procurador, ingressou, em 11/02/2008, com peça impugnatória de fls. 38/61 e documentação anexa de fls.62/86, sendo esta referente à cópia alteração contrato social e CNPJ , cópias documentação pessoal Elita Schmidtz Schazmann , cópia contrato de empreitada , copia contrato de serviço de vigilância eletrônica , cópias certidão de alvará de funcionamento, alvará sanitário da Prefeitura de Joaçaba , cópia consulta ementa de acórdão Conselho de Contribuintes , cópia petição mandado de segurança, respectiva procuração, consulta processo Comprot, termos de intimação fiscal, protocolo Justiça Federal, petições judiciais, petições administrativas de cancelamento de intimações, cópia documentação pessoal advogado , alegando, em suma: Preâmbulo Que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes com base no regime de tributação normal. Foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, entretanto, apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. 1 Da Exclusão do Simples Dos Fatos Que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comercial e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. A empresa Idugel “é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a KF Montagens e JS Máquinas)”. “JS: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); KF: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, JS e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000011/200968 Acórdão n.º 3201000.711 S3C2T1 Fl. 167 5 A legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas pelas empresas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. Delimitação Temporal da Exclusão. Ilegalidade do Ato Manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. Do Cerceamento ao Direito de Defesa Entende que o presente processo fere os princípios da ampla defesa e contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente, bem como acerca dos sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Da Incompatibilidade das Excludentes. São incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, como leva a crer na fundamentação. “Ou seja, ou elas existem e daí há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mãodeobra no relacionamento, ou inexiste a empresa JS, por vício de formação, que, repitase não é o caso em tela.” Entende, desta forma, caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da requerente, na forma do art. 59 do Decreto 70.235/72. Prazo para Anular Constituição Empresarial. Decadência. A empresa JS é constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20.02.1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade em uma década. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 6 O art. 45, parágrafo único, do Código Civil prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas. Portanto, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo se considerado o prazo do diploma civil anterior. Prova de Fato. Efeitos. Ilegalidade na Retroatividade. As situações fáticas apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há como se alterar posteriormente. O CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fático probatória. Tributação Retroativa com Efeito Confiscatório A cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei nº 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. A Autoridade é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Impossibilidade de Aplicação de Sanção Administrativa ao Contribuinte Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000011/200968 Acórdão n.º 3201000.711 S3C2T1 Fl. 168 7 Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Falta de Amparo Legal à Autuação Fiscal A atuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. Inexistência de Locação de Mão de Obra. No conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. “Portanto, apesar do serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso Idugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante.” Assim, não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Inexistência de Interpostas Pessoas. Sócios Verdadeiros. Não há qualquer demonstração de não serem as sócias Elita e Cláudia as verdadeiras titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 8 O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Falta de Amparo Legal à Exclusão do Simples “Não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo que se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação.” Prova. Período Incompatível. A autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de 01/01/03 a 30/06/07 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, sendo inservíveis para tal. Endereço. Imóvel Dividido. O local utilizado pelas empresas JS e IDUGEL, apesar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente, conforme pode ser verificado em planta anexa, instalação de alarmes distintos e ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Faturamento. Legalidade. KnowHow. A empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projetos, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a “pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil”. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa JS. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Daí o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, “em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional”. “Também há casos que as empresas IDUGEL e JS fornecem mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a JS pelo fornecimento de acessórios”. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Contabilidade. Regularidade. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000011/200968 Acórdão n.º 3201000.711 S3C2T1 Fl. 169 9 A existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da JS perante a IDUGEL. Assim, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos.De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. Jurisprudência Acerca do Caso. Apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Considerações Finais Que a manutenção da interpretação dada pelo agente fiscal inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. 2 – Cerceamento de Defesa Argumenta o cerceamento de defesa pois a intimações fiscais foram objetos de impugnações administrativas não decididas, bem como por conter no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. 3 – Nulidade do Processo Administrativo Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. Manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. 4 – Inexistência de Fraude Entende não caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 10 Ainda, que é necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTN. 5 – In Dubio Pro Reo O Auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela impugnante, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTN que aplica o brocardo in dubio pro reo. 6 – Da Ilegalidade da Aferição Indireta (Lucro Presumido) A aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. “A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da autoridade Fiscal.” “Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária”. Conclui que “há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real”. 6.1 – Idoneidade da Contabilidade Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na contabilidade da impugnante, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP´s foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da impugnante para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. 7 – Nulidade do Auto de Infração. Desconsideração do Valor Recolhido. Entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. 8 Pedido. Diante de todo exposto requer ser julgada totalmente procedente a presente impugnação, reconhecendo as nulidades argüidas e no mérito, reconhecida a improcedência do auto de infração em epígrafe. Requer a produção de todos os meios de provas admitidos por lei, em especial a oitiva de testemunhas, bem como a apresentação de documentos durante a fase de instrução. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000011/200968 Acórdão n.º 3201000.711 S3C2T1 Fl. 170 11 Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RPO nº 25.362, de 23/07/2009, fls. 94/115: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de documentos, pois a prova documental será apresentada na impugnação. Impugnação Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 119 e interpõe recurso voluntário de fls. 120/161. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 12 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O presente processo discute o lançamento de COFINS em face da exclusão da recorrente do SIMPLES, que tomou o n.º 10.925.002073/200823 e 10925.002252/200861. Entendo que a competência para julgamento é da agora 1º Seção do Conselho de Contribuintes, já que a presente discussão não se enquadra nas hipóteses previstas no atual Regimento Interno, conforme Portaria n.º 256/2009: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Como entendo que no presente caso a competência é da 1º Sessão do Conselho de Contribuintes, devem os autos ser para lá remetidos para julgamento, já que não vislumbro possibilidade de análise por esta Seção da discussão em debate. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer dos recursos e endereçálos à competente 1º Sessão do Conselho de Contribuintes para julgamento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000011/200968 Acórdão n.º 3201000.711 S3C2T1 Fl. 171 13 Sala das Sessões, em 02/06/2011 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 15586.000068/2005-45
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002
MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão da revogação da norma de sanção que pune com multa de oficio no recolhimento de tributo em atraso sem multa de mora, cabe a incidência retroativa da norma mais benéfica, nos termos do que dispõe o art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional.
JUROS DE MORA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Correto o lançamento para exigir isoladamente juros de mora, quando se constata que o principal foi integralmente pago e os juros devidos o foram com insuficiência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1301-000.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência das multas isoladas, cobradas nos itens 1 a 4 da autuação, nos tennos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadarnente o Conselheiro Ricardo Luiz Leal de Melo.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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(sucessora por incorporação de ADM EXPORTADORA E IMPORTADORA S/A) Recorrida ia TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 MULTA DE OFÍCIO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão da revogação da norma de sanção que pune com multa de oficio no recolhimento de tributo em atraso sem multa de mora, cabe a incidência retroativa da norma mais benéfica, nos termos do que dispõe o art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Correto o lançamento para exigir isoladamente juros de mora, quando se constata que o principal foi integralmente pago e os juros devidos o foram com insuficiência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência das multas isoladas, cobradas nos itens 1 a 4 da autuação, nos tennos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadarnente o Conselheiro Ricardo Luiz Leal de Melo. ,„Leyvvil, LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente /17 WALDIR VEIGA yOCHA Relator =. 1J 1 EDITADO EM: ,(„ Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Thiago D'Avila Melo Fernandes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Sandra Maria Dias Nunes, - Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório ADM DO BRASIL LTDA. (sucessora por incorporação de ADM EXPORTADORA E IMPORTADORA S/A), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 12-12.293, de 14/11/2006, da I' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro-1/RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a refouna do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo do auto de infração, abaixo discriminado, relativo ao ano-calendário de 2001, lavrado no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Vitória/ES, mediante o qual o interessado, acima identificado, tomou ciência, por meio de seu representante devidamente habilitado, das multas exigidas isoladamente, no montante de R$ 7.228.479,59, devido à constatação da falta de recolhimento da multa de mora nos pagamentos por estimativa mensal, efetuados fora do prazo legal, e da exigência da diferença dos juros de mora recolhidos insuficientemente, confonne a seguinte composição: - Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP.T, competência de julho de 2001, com vencimento em 31/08/2001, mas recolhido em 30/11/2001, no valor de R$ 3.354.469,02 (item 001- fls. 129/132), e, competência de dezembro de 2000, com vencimento em 31/01/2001, mas recolhido em 31/12/2001, no valor de R$ 2.049.487,12 (item 002 -fls. 132/135); - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, em 30/11/2001, no valor de R$ 1.365.317,80 (item 003- fls. 135/138); - Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF sobre o capital próprio, competência de julho de 2001, com vencimento em 01/08/2001, mas recolhido em 30/11/2001, no valor de R$ 459.205,65 (item 004- fls. 138/142); - Juros isolados - falta de recolhimento de juros de mora - IRPJ, em 28/12/2001, sobre débito cujo vencimento ocorreu em 31/01/2001, com o acréscimo de juros moratórios em valor inferior ao devido, correspondente a quantia de R$ 27.873,02 (item 005 - fl. 142), resultante da diferença entre o valor pago de R$ 366.175,03 e o valor devido de R$ 394.048,05. 2. A descrição detalhada dos fatos e o enquadramento legal encontram-se devidamente especificados no corpo do mencionado auto de infração e nos documentos que o acompanham anexos, dos quais teve ciência o interessado, deles recebendo cópias. 3. Cabe esclarecer que o interessado é pessoa jurídica sucessora por incorporação da empresa ADM Exportadora e Importadora S/A, CNPJ n° 02.017.264/0001-83, incorporada em 31/01/2003, conforme documento de fl. 119. 4. O interessado apresentou "denúncias espontâneas", por meio dos processos n° 11543.004929/2004-86 (fls. 05/62) e 11962.000862/2001-70 (fls. 2 Processo n° 15586.000068/2005-45 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.282 Fl. 2 63/117), nos quais informava possuir débito Fiscal e que até a data daquelas declarações espontâneas não teria havido procedimento administrativo fiscal antecedente e de que não se encontrava sob ação fiscal (fls. 06, 07, 08 e 64). Declara, ainda que iria recolher os débitos fiscais denunciados, acrescidos dos juros de mora, mas com a exclusão da multa de mora, por tratar-se de denúncia espontânea, conforme o facultado no artigo 138 do Código Tributário Nacional. 5. Tais "denúncias espontâneas" foram objetos dos processos n° 11543.004929/2004-86 (fls. 05/62) e 11962.00086212001-70 (fls. 63/117), para os quais foram emitidos os Pareceres SEORT/DRFTVTA n° 003/2002 (fls. 09/13) e 027/2002 (fls. 65/69), respectivamente e despachos decisórios que negaram a pretensão do interessado de ver afastada a imposição de multa de mora para os recolhimentos espontâneos feitos em atraso. 6. Irresignado com os pareceres e despachos decisórios, o interessado apresentou manifestações de inconformidade (fls. 15/31 e 71/87) a estes atos, as quais foram julgadas pela mesma SEORT/DRF/VTA que emitiu novos despachos decisórios n° 210/2002 (fl. 34) e n° 211/2002 (fl. 89), mantendo o entendimento dos despachos anteriores. Contra esta nova negativa o interessado apresentou recurso voluntário ao egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, cujas cópias estão nas fls. 38/55 e 91/110. Em decorrência dos citados despachos decisórios, foi lavrado o presente auto de infração. 7. O interessado tomou ciência do lançamento em 31 de março de 2005 e, inconformado, apresentou em 29 de abril de 2005, por intermédio do seu representante legal devidamente habilitado, a impugnação, inicialmente protocolada no processo de n° 11543.000994/2005-66 (conforme informações de fls. 189/190), que foi juntada às fls. 159/176, acompanhada dos documentos de fls. 177/188, na qual alega em síntese o seguinte: - Que se antecipou a qualquer procedimento de natureza fiscal promoveu a denúncia espontânea da infração, a qual foi devidamente instruída com os comprovantes de pagamento do tributo, acrescido de juros de mora e correção monetária, tudo nos moldes do que preceitua o artigo 138 do Código Tributário Nacional. - Impende ressaltar a preliminar de sobrestamento do presente processo, haja vista a existência dos processos administrativos n° 11543.004929/2004-86 e 11962.000862/2001-70, nos quais discute a mesma matéria. - Que é parte nos citados processos administrativos discutindo o mesmo tema relatado no auto de infração e debatido no presente processo, o que toma evidente a íntima conexão entre eles, devendo o presente processo ficar sobrestado, para, após a decisão prolatada nos processos principais, seja esta aplicada também neste procedimento decorrente. - O auto de infração impugnado foi lavrado única e exclusivamente para constituir crédito Tributário correspondente a multa de oficio prevista no artigo 44, I e § 1°, II da Lei n° 9.430/1996, sob o argumento de que não fora recolhida a multa moratória, quando do pagamento no ato da denúncia espontânea, afirmando que tal instituto não afasta a multa moratória. - Cita a doutrina e a jurisprudência de diversos tribunais para reforçar a caracterização da denúncia espontânea e a inexigibilidade da multa moratória. 3 - No que tange ao nem 002 o auto de infração consignou o recolhimento de juros de mora em valor inferior ao devido. Esclarece que efetuou o pagamento integral do tributo, corrigido monetariamente e acrescido de juros de mora, em conformidade dom o artigo 138 do CTN, e mesmo que houvesse o recolhimento a menor, isto não descaracteriza a denúncia espontânea, caindo por terra a multa aplicada no item 002 e o valor cobrado no item 005 do auto de infração. - Mesmo que se entendesse que houve pagamento a menor, vale ressaltar que a diferença citada no item 005 do.auto de infração, de RS 28.873,02, corresponderia a menos de 1% do valor do tributo pago, qual seja, de R$ 3.098.824,53, o que não poderia descaracterizar a denúncia espontânea, sob pena de violação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. - Se não se admitir o pagamento integral do tributo, faz-se necessário recalcular os valores da multa de oficio, para que seja a multa aplicada somente sobre o valor da aludida diferença dos juros de mora no valor de R$ 28.873,02 e não sobre o montante total do tributo. - Requer o regular conhecimento e integral provimento da presente impugnação, afastando-se as multas de oficio consignadas nos itens 001, 002, 003 e 004 e o pagamento do diferencial estipulado no item 005, posto que pago integralmente o tributo e configurada a denúncia espontânea. A 1' Turma da DRJ em Rio de Janeiro-1/RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 12-12.293, de 14/11/2006 (fls. 194/202), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Recolhimentos mensais por estimativa. MULTA ISOLADA. PAGAMENTO DE TRIBUTO EM ATRASO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE MULTA DE MORA. A lei determina a inclusão da multa de mora nos recolhimentos de tributo após o vencimento. A ausência desta inclusão implica na exigência de multa de oficio isolada, prevista na legislação tributária. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. MULTA DE MORA. O pagamento de tributo em atraso, ainda que espontanemente, não isenta o contribuinte do recolhimento da multa de mora prevista na legislação tributária. Portanto, não se operam os efeitos da denúncia espontânea. JUROS DEMORA. RECOLHIMENTO INSUFICIENTE. A lei determina o acréscimo de juros de mora nos recolhimentos de tributo após o vencimento. Correto está o lançamento que exige a diferença de juros de mora que deixou de ser recolhida. Ciente da decisão de primeira instância em 12/12/2006, confoime Aviso de Recebimento à fl. 209, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 210/224. A data de recepção não é legível no carimbo à fl. 210. À fl. 275, o contribuinte afirma que o recurso foi 4 Processo n' 155 000068/2005-45 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.282 Fl. 3 interposto em 10/01/2007, e à fl. 296 a Unidade Local preparadora atesta a tempestividade daquela peça processual. Em apertada síntese, seus argumentos são os que seguem: > Reitera que seu procedimento de comunicar a existência de débito à Autoridade Administrativa l e, simultaneamente, promover o pagamento do principal acompanhado dos juros de mora, na inexistência de qualquer procedimento de oficio, estaria albergado pelo instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, afastando a imposição de quaisquer multas, seja de mora ou de oficio. Colaciona jurisprudência e doutrina em favor de sua tese, e pede o total cancelamento do auto de infração. > No que toca à acusação de recolhimento a menor de juros de mora, sustenta a recorrente que isso não teria ocorrido, tendo o recolhimento do principal e juros moratórios sido integral. Ainda que, apenas por hipótese, se verificasse recolhimento de juros a menor, afirma que a diferença apontada pelo Fisco corresponde a menos de um por cento do principal pago, insuficiente para descaracterizar a denúncia espontânea, sob pena de afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Nesta hipotética situação, pede a aplicação da multa somente sobre o valor da aludida diferença dos juros de mora no valor de R$ 27.873,02 (vinte e sete mil, oitocentos e setenta e três reais e dois centavos) e não sobre o montante total do tributo. É o Relatório çj 1 Processos n° 11543.004929/2001-86 e n° 11962.000862/2001-70. 5 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha Trata a lide de autuação para exigir multas de oficio, aplicadas isoladamente, pelo recolhimento de tributo a destempo, acompanhado de juros moratórios mas não da multa de mora, por considerar-se o contribuinte albergado pelo instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Aqui, os itens 001, 002, 003 e 004 do lançamento. O fundamento legal para a exação foi o art. 44, inciso I, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, cuja redação vigente à época do lançamento (março de 2005) era a que segue: Art.44.Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei 12° 10.892, de 2004) (Vide Mpv 71 0 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) 1-de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv n°303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) I :juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II -isoladamente suando o tributo ou a contribui ão houver sido _aoaósonoacréscimr o de multa de mora; III -isoladamente, no caso de pessoa fisica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão.)na forma do art. 8' da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto apagar na declaração de ajuste; IV -isoladainente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente; [-] Ocorre que esse dispositivo legal sofreu alterações por força da Lei n° 11.488, de 15/06/2007 (DOU de mesma data), de tal sorte que modificações benéficas ao contribuinte foram introduzidas. O assunto foi abordado pelo ilustre Conselheiro Marcos Processo ri" 15586.000068/2005-45 81-C3T1 Acórdão n." 1301-00.282 Fl. 4 Vinícius Neder de Lima, no voto condutor do acórdão n° CSRF/01-05.724, de 10/09/2007, do qual, com a devida vênia, transcrevo o excerto abaixo: A questão a ser solucionada por esta Turma julgadora cinge-se ao da multa isolada prevista no artigo 44, inciso I, e parágrafo 1°, inciso II, da lei n° 9.430, de 1996 e o alcance do instituto da denúncia espontânea no caso especifico do pagamento a destempo apenas com acréscimo de juros de mora. Ocorre, porém, que o art. 44 da Lei n° 9.430/96 foi alterado pela Medida Provisória 351, 22 de janeiro de 2007, e passou a ter a seguinte redação: "Art. 14. O art. 44 da Lei 1.1 09.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Artigo 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n°7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; h) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 77° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso Ido caput e o § 1 O serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1- prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III- apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." Vê-se, portanto, que a lei não prevê mais a imposição de penalidade isolada para a situação tratada nesses autos, ou seja, pagamento de tributo após o vencimento sem a inclusão de multa de mora. 7 Assim, como o litígio versa sobre a validade da aplicação de penalidade, cabe a incidência retroativa da norma mais benéfica, nos termos do que dispõe o art. 106, inciso 11 do Código Tributário Nacional. Ao final, o mencionado aresto restou assim ementado: NORMAS GERAIS — DENUNCIA ESPONTANEA — Em razão da revogação da norma de sanção que pune com multa de oficio no recolhimento em atraso sem multa de mora, cabe a incidência retroativa da norma mais benéfica, nos termos do que dispõe o art. 106, inciso lIdo Código Tributário Nacional. (Ac. CSRF/01- 05.724, de 10/09/2007, Rel. Cons. Marcos Vinícius Neder de Lima) É também como penso. Em se tratando de penalidades, impõe-se a aplicação retroativa de norma superveniente em favor do sujeito passivo. E desde que a conduta em questão deixou de ser apenada, as multas dos itens 001, 002, 003 e 004 do auto de infração aqui discutido devem ser canceladas. Resta examinar o item 005 da autuação, correspondente a juros de mora exigidos isoladamente, com base nos arts. 843 e 953 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), no valor de R$ 27.873,02. Para maior clareza, transcrevo abaixo os mencionados artigos do Regulamento e respectivas bases legais: •.. Art. 843. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente (Lei n 2 9.430, de 1996, art. 43). Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §32 do art. 856, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (Lei n2 9.430, de 1996, art. 43, parágrafo único). Art. 953. Em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 12 de abril de 1995, os créditos tributários da União não pagos até a data do vencimento serão acrescidos de juros de mora equivalentes à variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SEL1C para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento (Lei n2 8.981, de 1995, art. 84, inciso 1, e §1 2, Lei n2 9.065, de 1995, art. 13, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 61, §32). §12 No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento (Lei 172 8.981, de 1995, art. 84, §22, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 61, §32). §22 Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o art. 950 (Decreto-Lei n 2 2.323, de 1987, art. 16, parágrafo único, e Decreto-Lei n 2 2.331, de 28 de maio de 1987, art. 62). 8 Processo n° 15586.000068/2005-45 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.282 Fl. 5 §32 Os juros de mora serão devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decreto-Lei n 2 1.736, de 1979, art. 52). §42 Somente o depósito em dinheiro, na Caixa Econômica Federal, faz cessar a responsabilidade pelos juros de mora devidos no curso da execução judicial para a cobrança da dívida ativa. §52 Serão devidos juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência, nos casos de que trata o art. 273. • Compulsando os autos, constato que de fato ocorreu a insuficiência no pagamento de juros apontada pelo Fisco. O contribuinte recolheu, em 28/12/2001, principal de R$ 2.732.649,50 e juros de R$ 366.175,03, conforme consta à fl. 133. Esse tributo era da competência de dezembro de 2000, com vencimento em 31/01/2001. Assim, em cumprimento da legislação referida, a incidência de juros de mora à taxa Selic se faria desde o mês seguinte ao do vencimento da obrigação (portanto, fevereiro de 2001) até o mês anterior ao do pagamento (portanto, novembro de 2001), além de um por cento no próprio mês do pagamento. Em consulta ao sitio da Receita Federal do Brasil na internet, obtive os valores da taxa Selic nos meses em questão, abaixo reproduzidos: Mês/Ano Selic fev/2001 1,02% mar/2001 1,26% abr/2001 1,19% mai/2001 1,34% • jun/2001 1,27% jul/2001 1,50% ago/2001 1,60% set/2001 1,32% out/2001 1,53% nov/2001 1,39% A soma dos índices acima, acrescida de um por cento correspondente ao mês de dezembro/2001, leva ao percentual de 14,42%. Os juros devidos são, portanto, de (14,42% x R$ 2.732.649,50 ) R$ 394.048,05. Revela-se, assim, correto o valor de R$ 27.873,02 lançado de oficio, calculado pela diferença entre o valor de juros devidos (R$ 394.048,05) e aquele pago (R$ 366.175,03). Em conclusão, por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário interposto, para afastar as exigências correspondentes às infrações 001, 002, 003 e 004. WALDIR VEIGA tCHA - Relator 9
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Numero do processo: 35464.004863/2006-87
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NFLD. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CO-RESPONSÁVEIS
Os relatórios de Co-responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração e tem por finalidade esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar a Procuradoria por ocasião do ajuizamento das futuras ações executivas.
APPLICAÇÃO DA SELIC
As contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 - MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para corrigir erro material. Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora.
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NFLD. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CORESPONSÁVEIS Os relatórios de Coresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração e tem por finalidade esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar a Procuradoria por ocasião do ajuizamento das futuras ações executivas. APPLICAÇÃO DA SELIC As contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 48 63 /2 00 6- 87 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para corrigir erro material. Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2006. Data de lavratura da NFLD: 08/12/2006. Data da ciência da NFLD: 08/12/2006. Tratase de lançamento lavrado em face do contribuinte em decorrência da ausência de recolhimento à Seguridade Social e aos Terceiros, no período de 02/2000, 02/2001, 12/2001, 12/2002, 02/2003, 02/2004, 02/2005, 02/2006, das contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos a empregados a título de Participação nos Resultados, por não atenderem aos pressupostos previstos na Lei nº 10.101/00. No relatório da notificação fiscal de lançamento de débito (NLFD nº 37.056.5908) – fls. 31/35, afirmou o agente fazendário que nos acordos arquivados no SINTHORESP –Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis ficou estabelecido como regra geral o limite de 2 (dois) salários como teto para pagamento de PPR, se todos os resultados e metas fossem atingidos. Ocorre que, pela sua análise, restou constatado que a empresa efetuou pagamento de valores denominados – PPR em folhas de pagamento de 12/2001, 12/2002 e 02/2004 sem que as metas fossem atingidas, conforme reconhecido pela pessoa Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 385 3 jurídica mediante comunicado por ela expedido – anexado aos autos (fls. 53) e que por liberalidade e em reconhecimento aos esforços de seus empregados, decidiuse pelo pagamento de um prêmio (PPR). Ainda no relatório, afirmou a autoridade fazendária que pela análise dos arquivos do sindicato constatou que os pagamentos efetuados a título de PPR para os HMC – Homens e Mulheres Chave da Hotelaria Accor são efetuados de acordo com os objetivos que forem atingidos por cada um, dentro do que foi negociado entre eles e a Direção Geral, os quais podem ser revistos em comum acordo entre cada Diretor e a Direção Geral. Concluiu o relato alegando que o adicional do PPR dos HMC é pago conforme objetivos que podem ser revistos e negociados com a direção da empresa e, por isso, não estaria enquadrado nos princípios básicos do pagamento do PPR (regras claras e objetivas e préestabelecidas entre a empresa e o empregado). Sendo assim, tais valores por não terem sido considerados como PPR, foram incluídos no levantamento como base de cálculo para a incidência de contribuições previdenciárias. A ação foi precedida de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (fls. 17/22), Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD (fls. 23/25) e Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF (fl. 28/29). Não consta o Termo de Início de Ação Fiscal – TIAF (vide fl. 57). Cientificada da autuação, a empresa apresentou impugnação (fls. 59/204), tempestivamente, alegando: a) Ser indevida a referência aos administradores como coresponsáveis do alegado débito por força do disposto no art. 135 CTN (os sócios só responderiam quando tenham agido com excesso de poderes, com infração a lei ou ao estatuto social) e no art. 134, inciso VII, CTN (os sócios só responderiam no caso de liquidação ou na hipótese de impossibilidade de cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte); b) Ausência de violação dos requisitos exigidos na Lei nº 10.101/00; c) Decadência dos fatos geradores compreendidos entre o período de 02/2000 a 11/2001 por força no disposto no art. 150, §4º do CTN; d) Imunidade para os valores pagos sob a rubrica de PLR em decorrência do art. 7º, inciso XI, da CF/88, independentemente de qualquer regulamentação ou outra condição legal; e) Ausência de habitualidade nos pagamentos efetuados aos empregados a título de participação nos lucros; f) Impossibilidade de cobrar os juros com base na taxa SELIC, pois destinada ao mercado financeiro; g) Ao final, pugnou pela produção de provas e pleiteou a exclusão dos administradores do pólo passivo deste processo administrativo e a declaração de nulidade do lançamento. Alternativamente, requereu o reconhecimento da decadência nos períodos compreendidos entre 02/2000 a 11/2001 e a improcedência para os demais períodos. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 No julgamento de 1º grau foi dado pela procedência do lançamento mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Intimado do julgado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ratificando todos os termos dispostos na impugnação. Encaminhados os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi o julgamento convertido em diligência para o fim de intimar o auditor fiscal para que anexasse os acordos referentes aos pagamentos, assim como qualquer termo aditivo existente de modo a analisar os requisitos exigidos pela lei 10.101/00. Assim feito, foram juntados aos autos os acordos coletivos e respectivos termos aditivos (fls. 280/306). Devidamente intimada (fl. 310), a empresa reiterou os argumentos elucidados no recurso voluntário (fls. 311/312). Após, retornaram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Na sessão de julgamento realizada em 13 de março de 2013, esta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF deu provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, no termos do Acórdão n° 230202.384 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, a fls. 319/355. Em face do Acórdão acima referido, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, a fls. 336/337, ao fundamento de contradição entre o seu Dispositivo e a sua Conclusão. Ponderou a PGFN que, pela leitura da parte dispositiva, depreendiase que o Acórdão, por maioria de votos, teria negado provimento in totum ao recurso apresentado pelo Contribuinte. Todavia, aduziu que o voto deixava claro que o provimento teria sido apenas parcial no que se referia à decadência, pela aplicação do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Os embargos acima referidos foram acolhidos, exclusivamente, para que se procedesse à correção do erro por inexatidão material de que padecia a Decisão Embargada, mediante a prolação ex officio do mesmo Acórdão ora em tela, nos exatos termos propostos no Despacho 230200.061 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 26/06/2013, a fls. 381/383. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. O recurso é tempestivo, por isso, passo à análise das questões suscitadas. Tratase de lançamento lavrado em face do contribuinte em decorrência da ausência de recolhimento à Seguridade Social e aos Terceiros, no período de 02/2000, 02/2001, 12/2001, 12/2002, 02/2003, 02/2004, 02/2005, 02/2006, das contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos a Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 386 5 empregados a título de Participação nos Resultados, por não atenderem aos pressupostos previstos na Lei nº 10.101/00. A matéria ventilada no recurso traz como temas para debate os seguintes tópicos: a) decadência; b) a exclusão dos nomes dos sócios administradores no presente lançamento; c) ausência de violação dos requisitos exigidos na Lei 10.101/00; d) imunidade para os valores pagos sob a rubrica de PLR participação dos lucros/resultados; e) ausência de habitualidade nos pagamentos efetuados aos empregados a título de participação nos lucros; f) impossibilidade de cobrar juros com base na taxa SELIC. 1) DECADÊNCIA A Recorrente alega a decadência do lançamento concernente aos fatos geradores ocorridos entre o período de 02/2000 a 11/2001, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Sendo questão prejudicial, reputo válida a sua análise de forma preliminar. O prazo decadencial foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008. Na ocasião, por unanimidade de votos, foram declarados inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 os quais autorizavam a Seguridade Social constituir seus créditos no lapso de 10 (dez). Deste julgamento resultou a publicação da Súmula Vinculante nº 08. De acordo com o art. 103A da Constituição Federal/88, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, com a publicação da mencionada Súmula, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional, vide: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. As contribuições previdenciárias, assim como toda e qualquer obrigação tributária, uma vez não recolhidas dentro de certo período de tempo (cinco anos), serão exigidas pelo órgão fazendário no prazo decadencial previsto no art. art. 173, inciso I, do CTN no caso de não haver o recolhimento antecipado: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No entanto, havendo pagamento antecipado, a contagem do prazo quinquenal deverá ocorrer nos termos do art. 150, §4º do CTN, alterando, com isso, o dies a quo. Se antes, o início da contagem ocorria com o primeiro dia do exercício seguinte, com esta nova norma, o fato gerador ressalta a importância da contagem, iniciandose a partir de então, vejamos: "Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Esta Egrégia Turma não discrepa do entendimento trazido à baila. Cito como paradigma o Acórdão nº 2302, proferido no PAF nº 19515.002389/200901, em Novembro/2012, de relatoria da Conselheira Liegi Lacroix Thomasi cuja ementa segue abaixo: "DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 387 7 CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I." Ora, de acordo com o relatório fiscal à fls. 32, constatei que a empresa foi autuada por ter recolhido a menor as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a empregados a título de remuneração, deixando de levar em consideração no cômputo do cálculo apenas os valores pagos a título de Participação nos Resultados. Desse modo, podese afirmar a existência de pagamento antecipado. No caso, a ação fiscal compreendeu o período de 02/2000 a 02/2006. A ciência pelo contribuinte ocorreu em 08.12.2006 (fl. 01). Extinguindo o direito de a Seguridade Social constituir o crédito tributário após 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, temse que, de fato, decaiu o direito de o Fisco Previdenciário promover qualquer lançamento relativo aos fatos geradores compreendidos entre 02/2000 a 11/2001. Logo, devem ser excluídas as competência relacionadas ao período compreendido entre 02/2000 a 11/2001. 2) DA EXCLUSÃO DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES Alegou o Recorrente ser indevida a referência aos administradores como co responsáveis do alegado débito por força do disposto no art. 135 CTN (os sócios só responderiam quando tenham agido com excesso de poderes, com infração a lei ou ao estatuto social) e no art. 134, inciso VII, CTN (os sócios só responderiam no caso de liquidação ou na hipótese de impossibilidade de cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte). A identificação dos sócios administradores no presente lançamento decorre apenas do cumprimento das obrigações impostas pelo art. 660 da IN SRP nº 03/75 a qual determina a inclusão de todos os representantes legais da pessoa jurídica, bem como, de todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, vejamos: "Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: ... X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente;" Como dito pelo Relator responsável pelo julgamento da impugnação, a identificação dos sócios administradores neste lançamento não tem o condão de incluílos no pólo passivo da obrigação tributária, servindo apenas como subsídio à Procuradoria caso haja necessidade de redirecionar a dívida por ocasião do ajuizamento da respectiva ação executiva, se por ela for verificada a ocorrência de responsabilidade tributária prevista na legislação. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Logo, quanto a este tópico não merece apreço os argumentos desprendidos pela Recorrente. 3) DA IMUNIDADE PARA OS VALORES PAGOS SOB A RUBRICA DE PLR EM DECORRÊNCIA DO ART. 7º, INCISO XI, DA CF/88, INDEPENDENTEMENTE DE QUALQUER REGULAMENTAÇÃO OU OUTRA CONDIÇÃO LEGAL. Neste item, defendeu a Recorrente a eficácia plena do art. 7º, inciso XI, da CF/88, independentemente de qualquer regulamentação ou outra condição legal. O art. 7º, inciso XI da Constituição federal de 1988 ao estabelecer os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais visando a melhoria de sua condição social, preceitua como tal a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A norma constitucional ao mencionar a expressão "conforme definido em lei" condiciona a sua eficácia a edição de norma ulterior. Sendo norma limitadora ao poder de tributar, nos termos do art. 146, inciso II, CF/88, a imunidade então mencionada só poderia ser regulamentada mediante lei complementar. É certo que a Lei 10.101/00 não possui este status. Porém, considerando o teor normativo do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, os órgãos fazendários no âmbito do processo administrativo fiscal são impedidos de reconhecerem a inconstitucionalidade da lei. Por causa disso, a legislação ordinária é acatada nesta Corte como norma regulamentadora da imunidade. Definindo o que seria norma constitucional de eficácia limitada, afirma o ilustre jurista Alexandre de Morais, em sua obra Direito Constitucional (2002, pg. 41): "As normas constitucionais de eficácia limitada, são aquelas que apresentam 'aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses, após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade' (por exemplo: CF, art. 192, §3º:...a cobrança acima deste limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as modalidades, nos termos que a lei determinar." Em poucas palavras é fácil demonstrar que ao contrário do exposto pela Recorrente, o art. 7º, inciso XI, CF/88 longe de ser uma norma constitucional de eficácia plena, é norma de eficácia limitada e, como tal, necessita de lei para posterior definição de sua aplicabilidade. Sobre o assunto, o Ministro Menezes Direito do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 398.284, entendeu que o exercício do direito assegurado pelo art. 7º, inciso XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração, vejamos ementa: "Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração...” (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma,DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25 112008, Segunda Turma,DJE de 19122008.” Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 388 9 Neste contexto, entendo que, ao contrário do defendido pela Recorrente, é imprescindível a regulamentação da norma. Daí a importância da Lei nº 10.101/00 que estabeleceu as diretrizes da participação dos empregados nos lucros e resultados das empresas. 4) DA AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS REQUISITOS EXIGIDOS NA LEI Nº 10.101/00 Mantendo o raciocínio do item 3, temse que a norma responsável pela aplicabilidade do texto constitucional é aquela disposta na Lei nº 10.101/00, eis que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências. A Recorrente, por sua vez, defende a ausência de violação dos requisitos exigidos na Lei 10.101/00, vejamos. Em recente decisão (proferida em 15.05.2012), o Relator Leonardo Henrique Pires Lopes, por ocasião do julgamento do PAF nº 110200.02176/201064, teceu importantes comentários sobre a finalidade da PLR. Tão grandioso o conteúdo, passo a transcrever suas palavras abaixo: "Ora, a Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador que guarda uma relação direta com o desempenho da empresa. Não deve, portanto, ser confundida com aumentos reais de salários que são incorporados devidamente à remuneração, mesmo quando baseados na produtividade ou qualquer outro indicador de eficiência. Tão pouco se trata de um simples abono sem nenhuma ligação com o resultado do empreendimento. A PLR é, simultaneamente, uma parcela variável da remuneração do trabalhador e um prêmio pelos resultados econômicos – financeiros ou físico – operacionais alcançados. Tal programa permite que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, estabelecidas por meio de critérios claros e objetivos, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Tratase, portanto, da interligação de vários indicadores que, a partir de uma análise conjunta, irão definir o valor final a ser pago àqueles que dele participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados. O PRL é, portanto, um tipo de remuneração flexível, pois é influenciado pelos resultados da produtividade, pela performance da empresa com relação a seu lucro. Assim, por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes de todos os interessados na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei 10.101/2000, que versa sobre o PLR dos empregados, não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do Programa, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados." O art. 2º da Lei nº 10.101/00 ao estabelecer os requisitos do PLR assim o fez delimitando os seguintes: a) negociação entre empresa e empregados mediante comissão escolhidas por ambas as partes; b) existência de convenção ou acordo coletivo; c) dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos, das regras adjetivas e os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. A lei ordinária ao estabelecer estes requisitos levou em consideração a finalidade para qual foi criada, ou seja, o desenvolvimento da empresa com a participação dos empregados nos resultados alcançados. Ademais, com esta norma, evitase que os empregadores paguem salário aos seus funcionários sob o manto de PLR, deixando, com isso, nos termos do art. 28, §9º da Lei 8.212/91 de recolher as ditas contribuições para a Seguridade Social. No caso em apreço, relatou o agente fiscal que a empresa por mera liberalidade decidiu pagar seus empregados um prêmio pelos esforços empreendidos (fl. 32). Entretanto, analisando os Acordos Coletivos (fls. 280/284, 285/288, 291/294, 297/300, 303/306) anexados por ocasião da diligência e os correspondentes Termos Aditivos do Acordo Coletivo realizado entre representantes de ambas as partes (fls. 289/290, 295/296, 301/302), observei que as normas encontramse claras e objetivas e que embora o resultado global das operações não tenha atingido até aquele momento o orçamento previsto para o ano, o resultado foi positivo em decorrência dos esforços desprendidos pelos funcionários. Transcrevo a seguir parte do Acordo Coletivo (fls. 280/306) para elucidação: "As partes, de um lado SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO HOTELEIRO E SIMILARES DE SÃO PAULO (SINDICATO DOS EMPREGADOS EM HOTÉIS, APART HOTÉIS, MOTÉIS, FLATS, RESTAURANTES, BARES, LANCHONETES E SIMILARES DE SÃO PAULO E REGIÃO) (Estabelecimento de hospedagens em geral inclusive pensões, etc., alimentação preparada, bebidas a varejo, buffets e assemelhados), estabelecido à Rua Tagui, no 282 — Liberdade, São Paulo — SP, inscrito no CNPJ. 62.657.168/000121, e registro sindical n°. TNT 13.652 de 1941, representado por seu diretor presidente, Dr. Francisco Calasans Lacerda, representando os funcionários da empresa, doravante denominado (empregados), e de outro a empresa HOTELARIA ACCOR BRASIL S/A, CNPJ no 09.967.852/000127, estabelecida à Av. Maria Coelho de Aguiar, 215 — 5° andar Bloco F, Jardim são Luis, São PauloSP, Cep 05805000, representada por seu procurador..." Os Termos Aditivos aos Acordos Coletivos inicialmente firmados informam que sendo positivo o resultado Global das Operações, caberiam aos empregados o recebemimento da verba entitulada como PPR. Tais aditivos, assim como os acordos, foram subscritos por representantes das classes dos empregados e empregadores (fls. 289/290, 295/296, 301/302). Sendo assim, não se trata de mera liberalidade, mas sobretudo de cumprimento de obrigação estipulada em contrato (devidamente registrado na competente entidade sindical), então firmado com a participação dos empregados e empregadores e em conformidade com os demais requisitos dispostos na legislação pátria. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 389 11 Em relação às regras claras e objetivas, não vislumbro qualquer obscuridade nos acordos coletivos e respectivos termos aditivos de modo a invalidar o ato jurídico. Isto porque, a autuação levou em consideração o fato de inexistir o alcance das metas no Budget de determinado exercício, assim previsto nos acordos coletivos (fls. 31). No entanto, de forma clara e objetiva, os interessados alteraram as regras dispondo que havendo resultado positivo (não sendo mais o Budget a meta a ser atingida), caberia sim o pagamento da verba (PPR). As partes (empregados e empregadores) têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros ou resultados. O que não pode ocorrer é que as condições subjetivas visem impedir a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados. Qualquer resultado que interesse as partes pode ser utilizado como critério, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. Neste sentido, transcrevo acórdão de relatoria do Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, por ocasião do julgamento do Recurso 144.015 no CARF: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros” (grifo nosso). Não havendo qualquer subterfúgio capaz de descaracterizar os valores pagos aos empregados sob a rubrica “PLR”, reputo tais pagamentos abrangidos pelo art. 28, parágrafo nono da Lei nº 8.212/91 os pagamentos listados no presente lançamento. Logo, improcede a cobrança perpetrada em face do sujeito passivo nos autos em análise. 5) DA POSSIBILIDADE DE COBRAR OS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Alega a Recorrente que a cobrança da taxa SELIC estaria vedada, pois destinada apenas ao mercado financeiro. Antes de comentar a respeito é bom que se diga que embora tenha reconhecido a ilegalidade da cobrança do crédito lançado nos presentes autos, considero importante ponderar o tópico de modo a rebater todos os pontos elencados no recurso voluntário. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Determina o art. 161, §1º do CTN que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora calculados à taxa de um por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Com efeito, as contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 – MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Vide transcrição da norma: “Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97)” grifo nosso A matéria já foi amplamente discutida no Segundo Conselho de Contribuintes. Na ocasião foi sedimentado o entendimento segundo o qual é possível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, vide a Súmula nº 3 CARF: “SÚMULA CARF nº 3: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Isto posto, não vislumbro qualquer ilegalidade na cobrança da taxa SELIC. O que faz a Receita Federal, como órgão administrativo sujeito ao princípio da legalidade tal qual exposto no art. 37 da Constituião Federal, é aplicar a norma insculpida no art. 161, §1º do CTN c/c art. 34 da Lei nº 8.212/91. A legislação em exame não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle difuso ou concentrado, não sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF assim reconhecer. Eis a Súmula nº 2 do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Logo, se devido fosse o crédito tributário, não haveria qualquer dificuldade em acrescer ao montante os juros de mora com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 390 13 CONCLUSÃO: CONHEÇO do Recurso Voluntário para darlhe provimento, alterando a decisão de 1º grau, para acatar o implemento do prazo decadencial, nos termos do artigo 150, §4º do CTN, no período de 02/2000 a 11/2001. Nas demais competências (12/2001 a 02/2006), afasto a cobrança perpetrada por incidência do art. 28, parágrafo nono da Lei nº 8.212/91 c/c art. 2º da Lei 10.101/00. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz Voto Vencedor Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pela ilustre Conselheira Relatora, exclusivamente no que pertine à questão relativa ao regime jurídico da decadência afeto ao caso presente e, igualmente, quanto a natureza jurídica da rubrica paga pela Recorrente a seus empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados. 1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387, proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário desta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, inclinase à tese de que ao lançamento de contribuições previdenciárias cujos fatos geradores somente podem ser apurados mediante ação fiscal, aplicarse o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita do lançamento. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 391 15 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado neste Colegiado. Contudo, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos de que, em favor da rubrica objeto do lançamento, não se houve por efetuado qualquer prévio recolhimento de contribuições previdenciárias. Tal circunstância nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito, a fl. 04/06, não consta qualquer crédito a favor da Notificada. Além disso, as importâncias relativas à rubrica em foco também não foram declaradas como fatos geradores de contribuições previdenciárias nas GFIP correspondentes. Tal conclusão é corroborada pelo fato de o Recorrente não reconhecer como base de incidência os valores por ele pagos a seus empregados a título de participação nos lucros e resultados. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Nessa perspectiva, a análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 392 17 ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercêlo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2000 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2002, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2006, inclusive. Assim delimitadas as circunstâncias materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada no dia 06 de dezembro de 2006, os efeitos do lançamento nela veiculado alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano, nos termos do art. 173, I do CTN. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Rogase atenção ao fato de que o reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário não inquina de vício todo o processo. A declaração de caducidade parcial acima aduzida tem apenas o condão de extirpar do lançamento tributário tão somente as parcelas atingidas pelo citado instituto de direito tributário, uma vez que a ocorrência deste constituise causa extintiva do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN, e não hipótese de nulidade do lançamento tributário. Dessarte, o crédito tributário relativo às competências atingidas pela decadência encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído do presente lançamento. Pelo exposto, consoante entendimento majoritário deste Sodalício, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2000 e nas competências anteriores a essa, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 2. DAS VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PLR O punctum dolens da vertente lide concentrase na investigação da subsunção ou não dos valores vertidos pelo Recorrente a seus segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 393 19 empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 394 21 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 395 23 II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 396 25 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstancia se numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas pré estabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 397 27 Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que com isso haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 398 29 Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Deflui dos termos do julgado suso transcrito que o direito social em debate é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo de relação de emprego. Atentese, por relevante, que os direitos sociais estampados no art. 7º da CF/88 são dirigidos àquela categoria de trabalhadores que realizam seu labor profissional sob a égide de um vínculo empregatício, e não para aqueles que, por sua própria conta e risco, exercem atividade econômica de natureza urbana. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, honrou estatuir na alínea “j” do §9º do seu art. 28, hipótese de não incidência tributária sempre que verbas rotuladas de PLR forem pagas de acordo com a lei própria de regência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 399 31 Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado erguese como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Serão qualificadas como Salário de Contribuição. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que, para se assentar a salvo da tributação previdenciária, deve a verba paga a título de participação nos lucros e resultados atender aos seguintes requisitos: · Resultar de negociação prévia formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais nos quais deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; · O instrumento formal resultante do acordo em realce deverá arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; · Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 400 33 As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige a Lei n° 10.101/00 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Sob a luz que dimana do art. 111 do CTN, revelase condição imprescindível para a subsunção do caso in concreto à norma de isenção em ribalta que no instrumento decorrente da negociação entre patrões e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. No caso em apreço, foram efetuados pagamentos a título de PPR sem que as metas antes estabelecidas houvessem sido atingidas, conforme assim reconhece a própria empresa em seus comunicados. Assim, ao se decidir a empresa, por mera liberalidade e em reconhecimento ao esforço de seus empregados, pelo pagamento de um prêmio, denominado de "PPR", a empresa fugiu ao abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88, uma vez que passou a não mais atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta. Constituição Federal Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Isso porque a negociação formal entre a empresa e seus empregados tem que ser prévia, por comissão escolhida pelas partes e integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo. De tais negociações devem resultar instrumentos escritos nos quais devem constar as metas e os objetivos acordados entre as partes, regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos dos empregados, bem como regras adjetivas contendo os mecanismos de aferição pertinentes ao cumprimento das metas acordadas, dentre outras. Ora, a revisão do acordo original, ao término do período de apuração, mediante a substituição deste por um aditivo, ajustando as metas do acordo prévio aos resultados efetivamente alcançados pela empresa, transmuda a natureza jurídica da constitucional Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio, o qual não se encontra abraçado pela hipótese de não incidência tributária prevista Lex Excelsior. Com efeito, sendo cumpridas ou não as metas estabelecidas no instrumento de acordo, o trabalhador irá receber um prêmio exatamente idêntico aos demais empregados, independentemente da magnitude do seu engajamento, comprometimento e empenho no atingimento dos objetivos pactuados, tampouco do esforço conjunto, uma vez que as metas a serem alcançadas flutuam ao sabor dos efetivos resultados. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 401 35 Em outras palavras, mediante o emprego de tal artifício, as metas sempre restarão atingidas, devido sempre será o prêmio, independentemente do que for acordado, independentemente do empenho individual do obreiro, independentemente da existência de lucros, independentemente da produtividade, independentemente de tudo. Frustramse então os objetivos da lei, que tem como inspiração maior o fomento à produtividade. Corrobora tal entendimento o fato de a empresa efetuar pagamentos de valores fixos (R$ 200,00 e R$ 300,00) para empregados de diferentes categorias e faixas de salário, o que demonstra o descaso pela intensidade da participação de cada empregado, individualmente considerado, na consecução dos objetivos ajustados. Além disso, o adicional do PPR para o grupo denominado de HMC Homens e Mulheres Chave da Hotelaria Accor é pago em conformidade com os objetivos que forem atingidos por cada um, dentro do que foi negociado entre o HMC e a Direção Geral, sendo certo que tais objetivos podem ser revistos e negociados com a direção da empresa. Assim, fogem tais verbas da subsunção aos princípios básicos do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados legal, que exigem regras claras e objetivas e preestabelecidas entre a empresa e o empregado. Para ser considerada participação nos resultados, o trabalhador tem que obter o seu quinhão de PLR associado a sua participação produtiva no resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral ordinária contida no contrato de trabalho, pois este última terá, obviamente, natureza salarial. No presente caso a verba auferida pelo empregado não decorreu efetivamente de qualquer índice de produtividade ou meta associada ao desempenho do trabalhador. O direito decorreu do mero o vínculo empregatício, uma vez que os aditivos firmados a posteriori garantiram o pagamento da rubrica em foco aos resultados reais alcançados pela empresa e não aos termos previamente fixados no acordo. Desse modo, o instrumento de acordo revelouse irrelevante, desnecessário e alheio ao pagamento em relevo, circunstância que representa afronta aos termos da Lei 10.101/2000 e aos objetivos da norma constitucional em debate. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços ordinários ao Recorrente, possuindo, portanto, natureza jurídica remuneratória. Nessa perspectiva, concluiu com acerto o Órgão Julgador de 1ª Instância que, in verbis: “No presente caso, a empresa efetuou o pagamento a título de participação nos resultados, sem que as metas estabelecidas nos acordos coletivos arquivados no Sindicato fossem atingidas, o que se confirma inclusive por comunicados internos por ela emitidos, anexados pela fiscalização às fls. 53/54 e nos Termos Aditivos ao Acordo Coletivo de Trabalho sobre PPR, apresentados na defesa, fls. 108/113. Nos referidos documentos, a empresa admite que não houve o cumprimento das metas, porém por mera liberalidade distribuirá um prêmio aos seus colaboradores, considerando o empenho e dedicação dos mesmos em alcançar os resultados obtidos. Notese que nas Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 competências 12/2001 e 12/2002 a grande maioria dos empregados recebeu um valor fixo de R$ 200,00 e na competência 02/2004 o valor fixo de R$ 300,00. Efetuou ainda para o grupo denominado Homens e Mulheres Chaves o pagamento de valores excedentes ao limite de duas vezes o salário, estabelecido nos acordos arquivados no Sindicato, nas competências 02/2000, 02/2001, 02/2003, 02/2005 e 02/2006, conforme se verifica no anexo ao Relatório Fiscal, fls. 36/52. Assim, concluise que estes valores são pagos independentemente do resultado, e acima dos limites estabelecidos nos acordos, o que representa uma espécie de premio [...]”. Não merece reparo, portanto a Decisão de 1ª Instância Administrativa, uma vez que o entendimento por ela adotado e expressado na Decisão Recorrida não destoa da compreensão majoritária desta Corte Administrativa. Nesse contexto, havendo sido efetuados pagamentos a título de PLR em desacordo com as condições de contorno estabelecidas na Lei nº 10.101/2000, imperioso então o reconhecimento de que tais rubricas não se ajustam à hipótese de não incidência tributária previstas na alínea ‘j’ do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, permanecendo contidas no conceito jurídico de Salário de Contribuição – base de incidência das contribuições previdenciárias. O que exclui, de fato, a incidência do tributo em foco é a integral subsunção do fato in concreto à hipótese de não incidência taxativamente prevista na lei, in casu, a alínea ‘j’ do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, que reza explicitamente que não integrará o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, digase, a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Se as regras elencadas na lei específica não forem observadas integral e cumulativamente, escapa o citado pagamento da hipótese de não incidência legal em destaque, configurandose a importância paga a tal título como Salário de Contribuição para todos os fins e efeitos. No caso vertente, avulta que a substituição do prévio acordo de PLR por um aditivo de ajuste não proporcionou uma efetiva integração dos empregados na definição das metas e resultados com vistas ao aumento da produtividade geral da empresa, tampouco viabilizou aferições objetivas de desempenho e acompanhamento na consecução do direito de cada trabalhador. Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, A inobservância à aplicação de lei, representaria por parte deste Colegiado, negativa de vigência ao preceitos inseridos na Lei nº 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35464.004863/200687 Acórdão n.º 2302002.629 S2C3T2 Fl. 402 37 Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento ora em debate. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância, nesse particular, não demanda, alfim, qualquer reparo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Conselheiro Redator Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10680.008035/2007-13
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/11/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. EXTINÇÃO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE PÚBLICO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábia Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/11/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. EXTINÇÃO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE PÚBLICO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábia Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 80 35 /2 00 7- 13 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.008035/200713 Acórdão n.º 2803002.532 S2TE03 Fl. 264 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.041.9480, CFL.68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.1991, art. 32, inciso IV e parágrafo 3º, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei Nº 8.212, de 24/07/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5º, também, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.1997, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de cálculo da multa, de 12/2000 a 11/2004, conforme Relatório Fiscal da Multa Aplicada, de fls. 07, o auto de infração, objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinada por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 10/11/2006, conforme AR, de fls. 89. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 22/11/2006, conforme carimbo de recepção, as fls. 92, a defesa está acostada, as fls. 92 a 96, acompanhada dos documentos, de fls. 97 a 201. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 203. O órgão julgador a quo emitiu a Resolução Nº 879 9ª, Turma da DRJ/BHE, em 13/02/2008, fls. 205 a 207, na qual o julgamento foi convertido em diligência. O autuado pela comunicação, de fls. 211 e 212, acompanhada dos documentos, de fls. 213 a 217, atendeu a diligência. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão nº 0219.878 9ª Turma da DRJ/BHE, em 12/11/2008, fls. 220 a 227, no qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 01/07/2009, AR, fls. 229. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 233, sem assinatura. As razões recursais estão juntadas, as fls. 234 a 238, e foram remetidas via postal envelope, as fls. 232, datado, de 20/07/2009, desacompanhado de qualquer documentos. As razões recursais não serão resumidas, o que explicará no voto. O órgão preparador não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 239. É o Relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.008035/200713 Acórdão n.º 2803002.532 S2TE03 Fl. 265 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado A MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 41 da Lei 8.212/91 e deste modo e nos termos do Parecer PGFN 190/2009 itens 21 a 23, abaixo transcrito, a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão foi extinta, o que atrai a aplicação do artigo 106, II, “a”, da Lei 5.172/66. 21. O segundo item prioritário trata da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212, de 1991, pela MP nº 449, de 2008, que possuía a seguinte redação: “Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição.” Inicialmente, entendemos que neste caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei 8.212, de 1991. Destarte, com esses argumentos a autuação não deve subsistir, este é o motivo pelo qual a razões recursais não foram sumariadas. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.008035/200713 Acórdão n.º 2803002.532 S2TE03 Fl. 266 4 CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento, reconhecendo a improcedência do crédito devido à revogação do artigo 41, da Lei 8.212/91, pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, deixando de ser a conduta do dirigente do órgão, infração à lei tributária. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10530.000272/2003-26
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CINCO ANOS. Com a
vigência da Súmula Vinculante n°. 8 do STF, não se deve mais aplicar os
prazos decadenciais previstos na Lei n°. 8.212/1991 às contribuições
destinadas ao custeio da seguridade social, uma vez que "são
inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°
1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°. 8.212/1991, que tratam de
prescrição e decadência de crédito tributário".
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1401-000.216
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkim Teixeira
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Recorrida ia TURMA/DRJ-SALVADOR/BA DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CINCO ANOS. Com a vigência da Súmula Vinculante n°. 8 do STF, não se deve mais aplicar os prazos decadenciais previstos na Lei n°. 8.212/1991 às contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, uma vez que "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 41~- _ alk VIVIANE VIDAL WAGNER - Presidente ---- --- ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA - Relator EDITADO EM: 1 ;1 Ai; 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Fernando Luis Mattos e Alexei Marcorin Vivan. Relatório Trata o presente feito de auto de infração lavrado em desfavor de Pirelli Pneus Nordeste Ltda., relativo ao ano calendário de 1993, para exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. O relatório da DRJ é bastante minucioso e explicativo quanto aos fatos, pelo que passo a transcrevê-lo, in verbis: Trata-se de Auto de Infração de folhas es. 53 a 63, lavrado em 18/02/2003, contra a Contribuinte acima identificada, para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 495.122,88 (quatrocentos e noventa e cinco mil, cento e vinte e dois reais e oitenta e oito centavos), estando assim distribuído: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ 146.579,24; Multa Proporcional (passível de redução) R$ 109.934,41; Juros de Mora (calculados até 31/01/2003) R$ 238.609,23. De acordo com o Auto de Infração o lançamento originou-se da "Falta de Recolhimento da CSLL" em razão da Contribuinte ao desistir das ações judiciais de números 95.03.100649-0 (Apelação em Mandado de Segurança) e 2001.03.00.029424-1 (Medida Cautelar), visando usufruir dos benefícios fiscais instituídos pela Medida Provisória n° 75, de 2002, teria excluído, na conversão em renda para a União dos valores depositados em juízo, sem base legal, o valor da CSLL devida no ano-calendário de 1993, compreendendo os fatos geradores mensais de fevereiro a outubro de 1993, tendo como enquadramento legal o artigo 20 e §§, da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988 e os artigos 38, 39 e 40, da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992. Ciente da autuação em 24/02/2003, no dia 18/03/2003, a Interessada, por seu representante, protocoliza petição na repartição competente, onde, citando doutrina e jurisprudência, impugna o auto de infração, alegando, em síntese, que (fls. 65 a 95): segundo o artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional — CT1V, a decadência extingue o crédito tributário; "o prazo de decadência tem início em diferentes momentos em função da modalidade de lançamento a que um tributo está submetido. Assim, estando o tributo sujeito à modalidade de lançamento por declaração é aplicável o artigo 173, inciso I, do CT1V, e o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguir-se-á após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; "se o tributo está sujeito à modalidade de lançamento por homologação, é aplicável o § 4° do artigo 150 do C7751, considerando-se homologado o procedimento feito pelo 2 Processo n° 10530.000272/2003-26 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.216 Fl. 2 contribuinte após o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, não podendo mais a Fazenda Pública efetuar lançamento a fim de constituir crédito tributário em momento diferente"; conforme entendimento pacificado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a modalidade de lançamento por declaração não mais vigora para o IR e para a CSLL, os quais passaram a estar submetidos ao lançamento por homologação a partir da vigência da Lei n° 8.383, de 1991, pois o montante da dívida tributária deve ser identificada pelo contribuinte e os tributos devem ser pagos, sem manifestação prévia do Fisco, sendo que, imediatamente após esses procedimentos, a Administração já deve verificar a correção dos mesmos para, então, homologá- los, o que ficou mais evidente com a edição da Lei n° 8.541, de 1992, especialmente nos artigos 2°, 3 0, 38 e 40; "sendo assim, o prazo para a constituição de suposto crédito tributário teve início ao final de cada mês em que o lucro/resultado foi sendo apurado ou, quando menos, ao final do ano de 1993. De uma forma ou de outra, fica claro que ocorreu a homologação do procedimento feito pela Impugnante, em relação a esse ano de 1993, tendo ocorrido decadência para a constituição de qualquer suposto crédito tributário remanescente, com término no ano de 1998"; o Supremo Tribunal Federal já pacificou entendimento no sentido de que todas as contribuições sociais, incluindo aquelas do art. 195, da Constituição Federal, têm natureza tributária e estão sujeitas, por conseqüência, aos princípios e características que regem os impostos e demais tributos (RE n° 138.284); "tendo a CSLL natureza tributária, está sujeita ao prazo decadencial de cinco anos previsto no C7N (art. 150, 4°), recebido pela atual Constituição como lei complementar e não ao prazo decenal previsto na Lei n° 8.212/91, lei ordinária de hierarquia inferior"; neste sentido já decidiu a Suprema Corte, conforme se verifica no voto proferido pelo i. Min. Carlos Venoso no referido RE n° 138.284 que, discorrendo especificamente sobre decadência e prescrição, assim se manifestou: "Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao CIN (art. 146, III ex vi do disposto no art. 149). A questão de prescrição de da decadência, entretanto, parece-me pacificada. E que tais institutos são próprios de lei complementar de normas gerais (art. 146, III, b). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa disposição constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art. 146, III, b; art. 149)." 3 "no mesmo sentido, ainda, a decisão proferida pela Corte Especial do Eg. Tribunal Regional Federal da 4' Região, ao acolher a argüição de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, justamente por invadir campo reservado pela Constituição à Lei complementar, restando assim ementado o acórdão: 'ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CAPUT DO ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. É inconstitucional o caput do art. 45 da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos para que a Seguridade Social apure e constitua seus créditos, por invadir área reservada à lei complementar, vulnerando, dessa forma, o art. 146, III, b, da Constituição Federal.'" não é por outra razão que o Eg. Conselho de Contribuintes vem se manifestando no mesmo sentido por suas variadas Câmaras (transcrições nas fis. es. 70, 71 e 72); relativamente aos juros cobrados e apenas para fins de argumentação, a autoridade fiscal não poderia jamais ter aplicado a taxa SELIC sobre o suposto crédito tributário apurado, pois o artigo 13, da Lei n° 9.065, de 1995, apontado como fundamento legal para tanto, padece de vícios jurídicos que impõem sua não aplicação neste caso, conforme já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça, por sua Segunda Turma, no Resp 291.257-SC, julgado em 23/04/2002 (transcrição de fl. n° 72). Por fim, requer que seja declarada nulidade do Auto de Infração ou julgado improcedente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador considerou procedente o lançamento, conforme acórdão DRPSDR n° 15-11.573, cujas ementas seguem transcritas abaixo: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1993 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar a aplicação de legislação tributária regularmente inserida no ordenamento jurídico pátrio, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Descabida a alegação de decadência do lançamento se este foi realizado no transcurso do prazo decadencial 4 Processo n° 10530.000272/2003-26 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.216 Fl. 3 Inconformada, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma, os mesmos argumentos deduzidos na sede impugnató ria. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM - Relator O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos exigidos pela legislação de regência, dele conheço. Com a vigência da Súmula Vinculante n°. 8 do STF, não se deve mais aplicar os prazos decadenciais previstos na Lei n°. 8.212/1991 às contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, uma vez que "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, verifica-se que, os fatos geradores ocorreram ao longo do ano- calendário de 1993, portanto o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4 0, do CTN, se deu no decorrer do ano-calendário de 1998. Tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 24/02/2003, logo, mais de cinco anos depois do fato gerador, ocorreu a decadência do lançamento em análise. Ante o exposto, julgo procedente o recurso voluntário para que seja reconhecida a decadência do direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento de CSLL, cujo fato gerador ocorrera em 1993. ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA r«* MINISTÉRIO DA FAZENDA st" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISII QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 10530.000272/2003-26 Acórdão O : 1401-00.216 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, Q 1 M /-À iz u i Q, a '._fr:Lan'Ys e a e ousa .....o....ngues — ecriitaria da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000301/2008-97
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até a competência de 10/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 03 01 /2 00 8- 97 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência até a competência de 10/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.266 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 2256 a 2259, interposto pela Recorrente – MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES contra Acórdão nº 1226.456 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ, fls. 2236 a 2253, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.155.2966, às fls. 01. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, da parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre a folha de pagamento da Prefeitura autuada, referentes ao ano de 2003, assim como acréscimos legais referentes a guias de pagamento recolhidas em atraso nos anos de 2004 e 2005. O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1111 a 1138, apresenta, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 2.1. Do cruzamento das informações constantes nas GFIP apresentadas no período fiscalizado, com aquelas contabilizadas e informadas ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro como sendo despesas com pessoal, notadamente aquelas registradas nos elementos de despesas 31.90.11.00 e 31.90.04.00, denominadas, respectivamente, Vencimentos e Vantagens Fixas — Pessoal Civil e Contratação por Tempo Determinado, ladeado ao fato de o contribuinte não atender, a contento, as intimações encaminhadas por este órgão em sede de diligência fiscal, iniciouse o procedimento de ação fiscal para apuração dos valores devidos à Previdência Social. 2.2. Foi notada considerável diferença entre os valores das remunerações informadas na GFIP, que serviram de base de cálculo à apuração das contribuições patronais e dos empregados, em relação aos valores empenhados nos elementos de despesas citados no item anterior. 2.3. Destaquese que o fiscalizado possui Regime Próprio de Previdência Social, cujos segurados não devem/deveriam ser informados na GFIP (declaração de interesse para o Regime Geral de Previdência Social), em que pese suas remunerações devessem, sim, ser contabilizadas naqueles dois elementos de despesas. Neste sentido, deverão ser desconsiderados os valores relativamente aos empenhos correlacionados às remunerações efetuadas aos servidores efetivos segurados pelo Regime Próprio Municipal. 2.4. Foi intimado o PrevCampos — Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Campos dos Goytacazes — CNPJ 03.388.502/000120 em 30/05/2008 a apresentar a folha Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 financeira fornecida pelo fiscalizado para aquele Instituto, com nome dos segurados daquele Instituto, salário recebido e desconto efetuado para o mesmo, com totalização mensal e, em qual conta contábil registrouse o pagamento de benefícios a aposentados e pensionistas, com a apresentação da documentação correspondente, tendo sido informado, por meio do Oficio n° 524, de 08/07/2008, que as relações referentes ao exercício de 2003 dos servidores ativos deveriam ser solicitadas junto à Secretaria Municipal de Administração. 2.5. Vale frisar que as obrigações patronais, as aposentadorias/reformas e as pensões devem/deveriam ser contabilizadas, respectivamente, nos elementos de despesa 31.90.13.00, 31.90.01.00 e 31.90.03.00, diversos, pois, daqueles dois que serviram de base à apuração das contribuições previdenciárias. Neste contexto, foi obtido junto ao TCE/RJ, no relatório denominado "Despesas — Comparação entre dados dos Informes Mensais e LRF", com valores até o 6° bimestre de 2003. 2.6. O Município de Campos dos Goytacazes foi intimado a apresentar a Lei Orgânica do Município, o Estatuto e as Leis que disponham sobre o regime jurídico único, o regime próprio de previdência social e contratação por tempo determinado para atender a necessidade de excepcional interesse público; o convênio firmado com órgão oficial de previdência social e ato de autorização; o Regimento Interno; a Lei de Orçamento Anual e dentre outras informações em meio magnético, conforme fls. 1.115, o razão das contas e a distribuição das despesas contabilizadas, segundo o ente ou entidade da administração direta e indireta responsável pelo processamento e pagamento da folha de salários. No caso de entidade da administração indireta, foi solicitado também o nome, natureza jurídica, CNPJ e valor anual empenhado por conta, de forma que, somados aos da administração direta, correspondam aos valores informados pelo TCE/RJ, além dos atos normativos de sua constituição e o quadro de dirigentes do período 2.7. Por meio de expediente de 09/10/2007, da Lavra do Sr. Luiz Fernando de Azevedo Pessanha, Procurador do Município, foram apresentados somente a Lei Orgânica do Município, o Regimento Interno e a Lei de Orçamento Anual, além da solicitação de prorrogação de 20 dias para os demais itens da intimação fiscal. 2.8. Através de expediente de 15/10/2007, foram apresentadas cópias dos Decretos e Portarias de nomeação e dispensa de funcionários, solicitando, novamente, prorrogação do prazo assinalado no termo fiscal. 2.9. Em 23/11/2007, por meio do Termo de Reintimação Fiscal —Diligência, foi solicitada novamente a apresentação dos documentos ainda não entregues. 2.10. As folhas de pagamento apresentadas em meio digital referiamse tão somente às entidades da administração pública indireta, Fundação Dr. João Barcellos Martins, Fundação Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.267 5 Oswaldo Sobrinho Lima, Fundação da Infância e da Juventude e Fundação Trianon; E mais, além de os arquivos digitais não estarem de acordo com o Manual de Arquivos Digitais— MANAD, o total das remunerações, lá informada,s afiguravase insignificante frente aos valores empenhados. Ressaltese que, diferentemente do que ocorre na GFIP, os arquivos digitais devem/deveriam comportar a totalidade dos servidores e trabalhadores em geral, sejam segurados pelo Regime Próprio, sejam pelo Regime Geral, de forma a viabilizar a auditoria no que toca a confiabilidade, ou não, da informação. 2.11. Em virtude do disposto acima, por meio do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal — Diligência, de 27/03/2008, foi reintimado o fiscalizado a apresentar a documentação conforme citado às fls. 1.117. 2.12. Face ao não atendimento à intimação anterior, foi reintimado o fiscalizado, em 02/06/2008, à apresentar o razão das contas discriminadas, inclusive em meio magnético, relacionados aos empenhos e liquidações efetuados por todas as unidades orçamentárias do Município, assim como os valores mensais empenhados e liquidados por este contribuinte, relativos às despesas com pensões e aposentadorias custeadas pelo município e referentes ao RPPS, bem como o número da conta que recebera os registros. 2.13. Por meio do Oficio 0309, de 08/07/2008, o fiscalizado, pretendendo dar atendimento à intimação de 02/06/2008, prestou a informação transcrita às fls. 1.118 e relatório denominado "Despesas — Comparação entre dados dos Informes Mensais e LRF", com valores até o 6° bimestre de 2003. 2.14. Cumpre destacar que o fiscalizado, em sede de diligência, já havia apresentado relatório de "Empenhos Orçamentários Emitidos por Data", na ordem de R$ 87.252.166,67, concernente ao elemento de despesa 31.90.11.00, sendo tal valor inferior ao informado pelo TCE/RJ à fiscalização, bem como à informada pelo próprio fiscalizado, em uma segunda relação apresentada, em sede de ação fiscal, demonstrando completa falta de comprometimento e interesse, por parte da administração do fiscalizado, em cooperar com qualquer tipo de fiscalização que pretenda ter acesso a documentos que fundamentem a regularidade dos registros orçamentários. 2.15. Iniciada a Ação Fiscal, em 14/08/2008, o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros elementos, a folha de pagamento em meio digital e o razão das contas 31.90.11.00 e 31.990.04.00 com informações acerca dos empenhos e respectivas liquidações, encaminhando, em anexo, a tal termo fiscal, a relação dos empenhos e respectivas liquidações informados pelo TCE/RJ tendo como fonte de dados o próprio contribuinte. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 2.16. Em resposta, por meio do oficio 01310/2008, de 29/08/2008, além de solicitar dilação do prazo, foi apresentada a "Relação de Empenhos Orçamentários Emitidos por Data", referente às contas 31.90.04.00 e 31.90.11.00, ressaltandose que os valores dos empenhos informados pelo fiscalizado, cujos históricos sugerem "folha de pagamento", guardam relação com aqueles informados pelo TCE/RJ, ou seja, 31.90.04.00 = R$ 65.046.937,14 e 31.90.11.00 = R$ 122.865.944,03, perfazendo o total de R$ 187.912.881,17. 2.17. Por meio do Termo de Intimação Fiscal de 01/09/2008, foi intimado o fiscalizado a apresentar o Plano de Contas utilizado, fazendo constar a natureza dos lançamentos efetuados em cada conta; os valores mensais e respectivas contas (elementos de despesa), nos quais foram contabilizados pelo contribuinte, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2006, importâncias relativas às despesas com encargos patronais aportados ao PreviCampos, relativamente aos servidores efetivos filiados ao regime próprio de previdência 01 social do município; cópia dos contratos, termos aditivos, empenhos e notas fiscais relacionados á contratação da Cooperativa Coopercampos — CNPJ 83.158.824/000111, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. 2.18. Em resposta, por meio do oficio 140, de 02/09/2008, foi requerida nova dilação de prazo, eis que as informações requisitadas seriam enviadas pela Previcampos, Secretaria Municipal de Administração e Secretaria Municipal de Fazenda. 2.19. Por meio do Termo de Constatação, Intimação e Reintimação Fiscal, de 11/09/2008, o contribuinte foi cientificado que: "...em atendimento ao contido nos Termo de Inicio e Ação Fiscal (Fiscalização) e Termo de Intimação Fiscal de 14/08/2008 e 01/09/2008, respectivamente, esse contribuinte nos apresentara, no que toca ao ano de 2003, relação de Empenhos Orçamentários Emitidos por Data relacionada aos elementos 31.90.04.00 e 31.90.11.00. Cumpre ressaltar que não nos fora informado, por esse contribuinte, qualquer liquidação para os empenhos lá elencados, em que pese ter sido intimado a fazêlo por meio do item 2.2 do supracitado Termo de inicio. CONSTATAMOS ainda, que não recebemos, desse contribuinte, a relação dos empenhos, e respectivas liquidações, emitidos pela Câmara deste Município e pela Fundação Dr. Geraldo da Silva Venâncio, no que se refere ao elemento 31.90.11.00, vez que esse Município, Pessoa Jurídica de Direito Público, é o responsável pela consolidação de tais informações." 2.20. Ainda por meio daquele termo fiscal, após cientificar o contribuinte do acima consignado e intimálo, novamente, a dar integral cumprimento aos termos fiscais de 14/08/2008 e 01/09/2008, foi o mesmo intimado a esclarecer, conjuntamente à documentação comprobatória do eventualmente alegado, a diferença demonstrada, verificada entre o total empenhado (já descontadas as anulações) pelo município nas constas 31.90.11.00 e 31.90.04.00 e o total das remunerações declaradas em GFIP, no mesmo período. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.268 7 2.21. Em resposta, por meio do oficio 01379/2008, o contribuinte apresentou 3 CD, além de requerer "juntada dos inclusos documentos, sem, entretanto, especificar que inclusos documentos seriam esses, cabendo o destaque que eram, tão somente, os relatórios de validação dos arquivos digitais da folha de pagamento requisitados, sem a identificação ou mesmo assinatura do responsável técnico pela sua geração e validação, bem assim de qualquer outra autoridade do Ente, além de duas outras folhas sem a informação acerca do que se referiam, tendo sido tais fatos regulamente cientificados ao fiscalizado. 2.22. Nesse particular, cabe destacar que, em que pese a riqueza de detalhes, explicações e especificações, que procurouse inserir nas intimações fiscais, as respostas do fiscalizado, inferese, propositadamente, até então, procuravam ser evasivas e sem qualquer conteúdo elucidativo. 2.23. Após análise das folhas de pagamento apresentadas no CD, procedeuse à lavratura do termo de Constatação e Intimação Fiscal, de 29/09/2008, do qual foi dada ciência ao contribuinte acerca das informações transcritas às fls. 1.120 a 1.121, tendo sido o mesmo intimado a esclarecer: 2.23.1. quem era o responsável, de fato, pela folha de pagamento do Município e suas Fundações no ano de 2003, ou seja, se era a Prefeitura ou as Respectivas Fundações quem processava, empenhava, liquidava, apresentava a DIRF e GFIP; 2.23.2. a diferença de R$ 40.990.351,56 entre os totais empenhados e os valores declarados na GFIP; 2.23.3. as divergências entre os totais das Bases de Cálculo para a Previdência, apurados pelo contribuinte nos arquivos digitais entregues à fiscalização e os informados nas respectivas GFIP, conforme tabela de fls. 1.121 a 1.122 dos autos. Ressaltese que foram expurgados do cotejo as bases de cálculo relacionadas a Servidor Público Estatutário, bem assim, foram mantidos, o tratamento dado pelo contribuinte a cada uma das rubricas integrantes da folha de pagamento digital. O cotejo, por trabalhador, encontrase no arquivo digital, que seguiu em anexo, cujo Código Geral de Identificação dos Arquivos é cl 69c115084bd5bf277b6a6c59f0f77e. 2.23.4. a natureza das rubricas constantes da tabela de fls.1.122, bem como a fundamentação legal que autorize a não considerá la como integrante da base de cálculo para apuração da contribuição previdenciária sobre a folha. 2.23. 5. a natureza do vínculo classificado como "outros", atribuídos a 5.135 trabalhadores constantes em sua folha digital, bem assim esclarecer quanto à sua filiação ao Regime Geral de Previdência Social. 2.24. Por meio do oficio 198, de 29/09/2008, o fiscalizado solicitou dilação do prazo assinalado. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 2.25. Por meio do Termo de Reintimação Fiscal, de 08/10/2008, foi reiterado aquele de 29/09/2009, o qual não fora atendido. 2.26. Novamente sem atendimento, por meio do Termo de Reintimação Fiscal de 16/10/2008, foi reiterado àquele de 29/09/2008. 2.27. Em 23/10/2008, através do oficio 3136/08GBSMA, procurou esclarecer a fiscalizada: 2.27.1. Quanto ao item 1 do Termo Fiscal de 29/09/2008, que tinha como objetivo fosse esclarecido quem era o responsável, de fato, pela folha de pagamento do município e suas fundações no ano de 2003, foi informado que a folha de pagamento era de sua responsabilidade (PMCG), o que a tornava também responsável pelo pagamento de todos os segurados do Regime Geral de Previdência, sendo que tal esclarecimento corrobora as informações anteriormente prestadas, em sede de diligência fiscal, pela Fundação Dr. João Barcelos Martins, no sentido de que "todo o procedimento relativo a folha de pagamento dos empregados da Fundação Dr. João Barcelos Martins é realizado pela Secretaria Municipal de Administração". Naquela oportunidade, a diligenciada apresentou à fiscalização certidão de 07/11/2006, da lavra do Secretário de Administração à época, na qual fora consignado que para fins de comprovação junto ao INSS, que a folha de pagamento da municipalidade é gerada na Secretaria Municipal de Administração, inclusive da fundação Dr. João Barcelos Martins e o repasse dos descontos previdenciários ao INSS é de competência da Secretaria Municipal de Fazenda. 2.27.2. Quanto ao item 2 do Termo Fiscal de 29/09/2008, foi informado que a diferença de R$ 40.990.351,56 referese ao montante de pagamento efetuado aos prestadores de serviços sem vínculo com o Ente público, contudo, o mesmo vêse impossibilitado de prestar a informação solicitada, qual seja, a relação dos beneficiários com os pagamentos de tais valores, haja vista não constar dos nossos arquivos banco de dados referente aos mesmos. 2.27.3. Quanto ao item 3, o contribuinte informou que a diferença apurada dos valores constantes da folha de pagamento para aqueles lançados na GFIP, justificase na inconsistência de dados cadastrais dos servidores, o que faz com que seus valores sejam lançados na citada guia, onde se percebe flagrante equívoco na resposta, na medida em que a citada inconsistência seria a justificativa ao não lançamento do trabalhador na citada guia, eis que as guias se apresentam em valores inferiores aos apurados nas folhas de pagamento digitais do contribuinte. Ademais, tais inconsistências já haviam sido constatadas pela fiscalização e consignadas no termo fiscal de 29/09/2008, na medida em que dos 16.468 trabalhadores informados naquelas folhas, 2.909 foram informados sem o NIT, 918 sem o n° do CPF e 735 sem o n° do CPF e NIT concomitantemente. 2.27.4. Quanto ao item 4, foi informado que, em análise ao banco de dados, foi verificado ter havido erros do sistema, o que impossibilitou o cálculo de contribuição previdenciária sobre Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.269 9 estas rubricas. Vale destacar que as rubricas selecionadas la fiscalização, em que pese se referirem a "proventos" no arquivo digital do contribuinte, foram classificadas, nos sistemas internos do mesmo, com o código "8", o que faz com que, segundo o convencionado no MANAD, não integre a base de cálculo previdenciária, quando do tratamento daquelas informações digitais no aplicativo próprio da Receita Federal do Brasil. Desta forma, adicionada à divergência apontada anteriormente (R$ 30.122.856,97), resultante do cotejo (folha de pagamento x GFIP), deverão ser ainda considerados os valores da tabela de fls. 1.124 a 1.125, haja vista a inclusão, pela Fiscalização, das respectivas rubricas à apuração da Base de Cálculo Previdenciária. 2.27.5. Quanto ao item 5, a prefeitura informou que os 5.135 trabalhadores classificados como "outros" não possuem vínculo com a mesma, eis que tal informação fora provocada por inconsistência no sistema operacional da folha de pagamento para efeito de informação ao órgão previdenciário. Ante ao não atendimento quanto ao questionamento acerca da filiação dos mesmos ao Regime Geral de Previdência Social, bem como à ausência de qualquer elemento que os exclua da obrigatoriedade de filiação ao RGPS, imperiosa a • consideração dos mesmos como segurados obrigatórios àquele regime, vez que integram a folha de pagamento apresentada pelo contribuinte à fiscalização, destacandose mais uma vez que foram expurgados do cômputo geral da folha de pagamento de interesse do RGPS, aqueles trabalhadores informados como sendo "Servidor Público Efetivo Estatutário". 2.27.6. Finalmente, quanto ao item 6 do Termo Fiscal de 08/10/2008, que requisitara fosse apresentada relação por data e valor de todas as liquidações e pagamento relacionadas aos empenhos que seguiram em anexo ao Termo de Início da Ação Fiscal de 14/08/2008, o contribuinte atevese à solicitar a concessão de dilação de prazo. 2.28. Por meio do Oficio n° 0482, de 11/11/2008, da lavra do Subsecretário Municipal de Fazenda, foram encaminhados à fiscalização, em atenção ao item 6 dos termos fiscais de 08/10/2008 e 16/10/2008, relatórios denominados "Razão da Despesa Orçamentária", bem como arquivo magnético contendo a relação dos Empenhos, Liquidações e Pagamentos, juntamente às suas respectivas datas e valores, referentes às contas 96, 97, 98, 188, 198 e 249, correspondendo tais contas aos elementos de despesas 31.90.11.00 e 31;90.04.00. 2.29. Por meio do Termo de Intimação Fiscal de 21/10/2008, o Município foi intimado a apresentar todos os processos nos quais constam os empenhos, as liquidações e pagamentos, relacionados aos empenhos, cujos números, ano, valores e históricos seguem nas 6 laudas referentes aos elementos de Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 despesa 31.90.11.00 e 31.90.04.00 no total de R$ 175.502.738,72. 2.30. Tendo em vista a não obtenção de resposta, por meio do Termo de Reintimação Fiscal de 04/11/2008, foi reiterado o contido no termo fiscal de 21/10/2008, sendo que até a presente data não foi obtida novamente resposta. 2.31. No decorrer do procedimento fiscal, em que pese as diversas e detalhadas intimações encaminhadas pela fiscalização, deparouse com muitas dificuldades na obtenção de informações/esclarecimentos e documentos tendentes à apuração das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, o que pode ser constatado pela seqüência de termos fiscais e suas respectivas respostas ao longo da ação fiscal, tendo sido esta constatação efetuada também pelo Tribunal de Contas do Estado. 2.32. A folha de pagamento é processada, paga e gerada digitalmente a partir do CNPJ da Prefeitura, assim como a DIRF, quando obrigatória, ao passo que a GFIP é apresentada, por vezes, por suas Fundações, sendo que tal prática dificulta o cotejo das informações, que, destaquese, é de grande volume. Neste sentido, tendo em vista que a Prefeitura do Município é o órgão centralizador do processamento e da emissão dos documentos relacionados aos fatos geradores apurados (folha de pagamento), assim como era quem possuía autonomia para o cumprimento das obrigações sociais e de quem os trabalhadores dependiam economicamente, imperioso que os débitos sejam lançados com a identificação do CNPJ da prefeitura. 2.33. As folhas de pagamento digitais apresentadas pela Prefeitura, em 5 arquivos separados, embora contivessem o CNPJ da mesma como processante, foram apresentados como referentes à Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes; Fundação Teatro Municipal Trianon; Fundação Dr. João Barcellos Martins; Fundação Municipal da Infância e da Juventude e Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima. 2.34. Foram comparados em um único arquivo as folhas de pagamento apresentadas pela Prefeitura como referentes à Fundação Teatro Municipal Trianon, Fundação Municipal da Infância e da Juventude e Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima com as GFIP porventura apresentadas e localizadas como ativas nos sistemas da Receita Federal do Brasil relacionadas às mesmas entidades, resultando na planilha I de 14 páginas. 2.35. Foram comparados em outro único arquivo as folhas de pagamento apresentadas como referentes à própria Prefeitura e à Fundação Dr. João Barcellos Martins com as GFIP porventura apresentadas e localizadas como ativas nos sistemas da Receita Federal do Brasil relacionadas às mesmas entidades, resultando na planilha II de 780 páginas. 2.36. Vale ressaltar que foram utilizadas somente as folhas de pagamento digitais apresentadas pelo contribuinte, eis que, Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.270 11 embora intimado por mais de uma vez, não apresentou em papel o correspondente documento. 2.37. Foi procedida à constituição do Crédito Tributário Previdenciário decorrente das divergências apontadas pela fiscalização entre os valores declarados em GFIP e aqueles resultantes das apurações a partir das informações constantes da folha de pagamento digital do contribuinte, com base na seguinte metodologia: 2.37.1. Foram cotejadas as folhas de pagamento digitais apresentadas com as GFIP eventualmente apresentadas pela respectiva entidade/órgão. 2.37.2 Neste cotejo procurouse expurgar, de todas as folhas de pagamento, os valores relacionados aos trabalhadores tidos com servidor público efetivo estatutário. 2.37.3. Foi adicionada à base de cálculo previdenciária os valores referentes a proventos, cuja exclusão da base de cálculo fora justificada pelo fiscalizado devido a erro do sistema, impossibilitando o cálculo de contribuição previdenciária sobre estas rubricas. Para as demais rubricas foi considerado o mesmo tratamento dado pelo contribuinte quanto à sua inserção ou não na Base de Cálculo Previdenciária. 2.37.4. Como resultado do cotejo entre o valor da "nova" base de cálculo apurada e o declarado em GFIP, por trabalhador, foram selecionados aqueles em que o valor apurado na folha de pagamento superava o declarado em GFIP. 2.37.5. Deste novo processamento, resultaram as planilhas de n° I e II, com 13 e 692 páginas, respectivamente, cujas informações constantes das mesmas estão resumidas às fls. 1.129, tendo a fiscalização anexado resumo mensal da planilha. 2.37.6. As colunas "segurado" da planilha anterior são compostas: 2.37.6.1. Pela diferença (coluna DESCGFIP), por segurado, entre o total informado nas folhas de pagamento do contribuinte como sendo desconto previdenciário e aquele declarado e GFIP, para o mesmo segurado; e 2.37.6.2. Pela diferença (coluna APURADO) verificada entre a apuração da contribuição do segurado, segundo a Base de Contribuição apurada na Folha de Pagamento e o total informado nas Folhas de Pagamento do contribuinte como sendo desconto previdenciário do mesmo segurado. 2.38. Os valores lançados pela empresa em GFIP não foram cobrados na ação fiscal uma vez que são considerados declaração de dívida, de acordo com o artigo 33, § 7°, da Lei n° 8.212/91. Os dados referentes aos valores declarados pela empresa em GFIP foram baseados nos sistemas da RFB, cujos valores estão informados na planilha denominada FOLHA DE Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 PAGAMENTO X GFIP e nos documentos internos, intitulados RESUMO MENSAL — GFIP POR ESTABELECIMENTO e BASE DE CÁLCULO POR CATEGORIA. 2.39. O código de lançamento no DAD — Discriminativo Analítico de Débito é FPG — FOLHA DE PAGAMENTO. 2.40. Foi procedida por aferição indireta, de acordo com o art. 33 § 3° da Lei n° 8.212/91, à constituição do Crédito Tributário Previdenciário decorrente da divergência apontada por esta fiscalização entre os valores empenhados e liquidados pelo contribuinte nas contas 31.90.11.00 e 31.90.04.00 e o total dos proventos informados na folha de pagamento digital do contribuinte, qual seja: R$ 40.988.351,54, haja vista que os documentos expedidos pelo sujeito passivo, mais especificamente suas folhas de pagamento, apresentaramse deficientes no que toca à sua abrangência, em face de outras informações de que dispõe a fiscalização, notadamente, valores de sua execução orçamentária, fornecidas pela própria prefeitura. 2.41. Ademais, a mera alegação de que tal diferença justificase por pagamento efetuado aos prestadores de serviços sem vínculo com o Ente público, juntamente à informação da impossibilidade de prestar a informação solicitada pelo Fisco, qual seja, a relação dos beneficiários com o pagamento de tais valores, haja vista não constar dos seus arquivos banco de dados referente aos mesmos, não é, no entender da fiscalização, capaz de ilidir a tributação sobre essa diferença, tendo em vista a natureza das despesas que devem/deveriam ser registradas naqueles elementos de despesas. 2.42. Cumpre consignar que não obstante intimado por mais de uma vez (termos fiscais de 21/10/2008 e 04/11/2008) a apresentar todos os processos nos quais constam os Empenhos, Liquidações e Pagamentos, relacionados aos empenhos, cujos números, ano, valores e históricos seguiram em 6 páginas anexas àqueles termos (elementos de despesa 31.90.11.00 e 31.90.04.00), o fiscalizado não atendeu a fiscalização até a data da lavratura do Auto de Infração. 2.43. Ante à não confiabilidade das informações extraídas dos sistemas internos do fiscalizado (fato este também mencionado pelo TCE/RJ), mormente no que toca à data dos eventos, a fiscalização procedeu da seguinte forma: 2.43.1. Segregou por mês as liquidações informadas pelo fiscalizado, a partir dos registros tratarem de "Pagamento da Folha de /2003". Vale ressaltar a inexistência de liquidações com informações relacionadas ao mês de dezembro. Outro ponto a destacar é o fato de o total das liquidações relativas a "Pagamento da Folha de 13°/2003" apresentarse, proporcionalmente, muito inferior à relação existente para essa competência constante na folha de pagamento do contribuinte. Neste sentido, a Fiscalização, à luz das participações existentes entre os proventos do mês de dezembro e do 13 0 salário existente nas folhas de pagamento digitais do fiscalizado, procedeu à apropriação de liquidações para as referidas Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.271 13 competências(dez e 13 0 sal), resultando na primeira tabela de fls. 1.134. 2.43.2. A diferença entre a distribuição da tabela citada no item anterior e o total das liquidações, ou seja, R$ 43.080.372,01 foi distribuída mensalmente na mesma proporção verificada para os proventos mensais registrados nas folhas de pagamento digitais do contribuinte, resultando na distribuição constante da segunda tabela de fls 1.134. 2.43.3. Cotejouse, mês a mês, o somatório das distribuições das liquidações nos dois itens acima com os valores registrados nas folhas de pagamento digitais do contribuinte, resultando nas diferenças mensais constantes da tabela de fls. 1.135, que deverão ser adicionadas à base de cálculo das Contribuições Previdenciárias (patronal e segurado) 2.44. O procedimento de arbitramento encontrase amparado pelo art. 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91 e no inciso IV do art. 597 da IN/SRP n°03, de 14/07/2005. 2.45. O código de lançamento no DAD — Discriminativo Analítico do Débito é AFI — Aferição Indireta. 2.46. As GPS — Guias da Previdência Social existentes no Banco de dados da RFB relativas à Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes e as quatro Fundações Municipais, assim como o parcelamento 37.033.8812, foram considerados na apuração do crédito, e encontramse relacionados no relatório RDA — Relatório de Documentos Apresentados. 2.47. Em virtude dos fatos narrados, em tese, constituir crime, conforme definido no art. 337A do Código Penal, foi feita a Representação Fiscal para Fins Penais contra os dirigentes, responsáveis, à época, pelos fatos narrados. A Recorrente teve ciência do AIOP em 27.11.2008. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 10, é de 01/2003 a 11/2005. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 1848 a 1857, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 3.1. Preliminarmente, argui a nulidade do Auto de Infração DEBCAD n" 37.155.2966 considerando que houve inclusão indevida no pólo passivo das Fundações Públicas e a ausência de disposição expressa do dispositivo legal que as vincule, provocando cerceamento do direito de defesa, tendo sido estas criadas por lei, com personalidade jurídica de direito público, patrimônio próprio e receita proveniente do orçamento do Poder Público ou de outras fontes, exercem atividades típicas do Estado ou de Prestação de Serviços Públicos, não têm finalidade lucrativa, mas que não se confundem com o Município, não tendo sido os mesmos intimados do Auto de Infração. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 3.2. A taxa SELIC é inaplicável como índice de atualização dos débitos previdenciários, que devem ser corrigidos de acordo com o disposto no art. 41 da Lei 8.213/91 e posteriores alterações, assim também a incidência de juros moratórios no percentual de 1% ao mês, dada a sua natureza alimentar, a teor da súmula n° 204 do STJ, além do que a taxa SELIC embute simultaneamente juros moratórios, juros remuneratórios e correção monetária. 3.3. O valor total da multa é de R$ 26.312.186,42, entretanto, pesquisando os autos, não se encontra qualquer motivação ou memória de cálculo que justifique esse valor. O demonstrativo de crédito não traz memória descritiva da exação fiscal e o relatório é confuso e inconsistente, não estabelecendo a real motivação para o lançamento, o que impede os autuados de aferirem a correção dos cálculos elaborados pelos Auditores Fiscais, em desatendimento ao art. 142 do CTN. 3.4. Com fulcro no art. 112 do CTN, entende que padece de amparo, a qualquer título, a pretensão da autoridade autuante pois, ao lhe cominar penalidade, interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade ou punibilidade e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 3.5. O descumprimento do disposto no art. 475B do Código de Processo Civil caracteriza cerceamento de defesa, eis que a não apresentação da memória de cálculos, instruída com os referidos documentos, inviabiliza a verificação de sua correção. 3.6. Tais diferenças contábeis, por seus volumes e complexidades, deverão ser apurados por perícia, o que, desde já, fica requerida O processo foi convertido em Diligência Fiscal, às fls. 1959 a 1960, a fim de se esclarecer pontos suscitados na Impugnação: 3.1. Se as Fundações mencionadas possuem personalidade jurídica distinta da do Município; 3.2. Se os fatos geradores da contribuição previdenciária apurada decorreram da relação de emprego existente entre os segurados empregados e as Fundações; 3.3. Se as remunerações de tais segurados empregados eram pagas com recursos da Fundação, porém previstos em dotação própria do orçamento do Município; 3.4. Por fim, considerando as razões de defesa do impugnante, já mencionadas informar se as Fundações não deveriam ter sido incluídas no pólo passivo do débito e questão, na condição de responsáveis solidárias, nos termos do art. 124, do Código Tributário Nacional. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.272 15 4. Ressaltese que deverá ser dada ciência ao contribuinte da Informação Fiscal resultante da diligência e concedido prazo de 10 dias, previsto no art. 44, da Lei n° 9.784/99, para manifestação do mesmo, caso entenda necessário Em resposta à solicitação de Diligência Fiscal, a Informação Fiscal, às fls. 1991 a 1996, assim se posicionou: O Auto de Infração ora impugnado fora dirigido ao Município de Campos dos Goytacazes, com a indicação do CNPJ de sua Prefeitura, órgão executivo do poder municipal, consoante se verifica às fis.01, cuja ciência fora dada ao seu Procurador Geral. Da ação fiscal efetuada para o 2003, foram lavrados Autos de Infração para constituição de Crédito Tributário — obrigação principal — relativos à parte patronal, em virtude das seguintes divergências: (a) Diferença entre os valores empenhados/Liquidados pela Prefeitura nas rubricas 31.90.11.00 e 31.90.04.00 e a folha de pagamento (apresentadas sob o CNPJ da Prefeitura) — aferição indireta; (b) Diferença entre as folhas de pagamento (apresentadas sob o CNPJ da Prefeitura) X GFIP/GPS relativas à Prefeitura e suas Fundações; Quanto à primeira diferença acima, da qual resultou o lançamento por aferição indireta, cabe ressaltar que o município, por meio do Secretário de Administração de sua Prefeitura, após intimado por esta Fiscalização, assim se manifestou quanto ao valor de divergência levantado: "referese ao montante de pagamento efetuado aos prestadores de serviços sem vínculo com o ente público; contudo, informamos que vêse este ente impossibilitado de prestar a informação solicitada, qual seja, a relação dos beneficiários com os pagamentos de tais valores, haja vista não constar de nossos arquivos banco de dados referentes aos mesmos." Nesse sentido, reconhecido pelo fiscalizado, em sede de Ação Fiscal, a relação obrigacional existente entre os prestadores de serviços e o ente público ("sem vínculo"), entendemos, s.m.j., não existirem maiores incertezas acerca da sujeição passiva no que toca a esta parte da exação. Quanto à segunda diferença colocada acima, vale destacar que parte do Crédito Tributário constituído referese à divergência entre a Folha de Pagamento nos apresentada em mídia digital pelo fiscalizado, cujo CNPJ e "nome empresarial" apontam referiremse à Prefeitura de Campos (arquivo "receitaPMCG2003 "), e as GFIPS eventualmente apresentadas. Entendemos, também neste ponto, não existirem, s.m.j., maiores dúvidas acerca da sujeição passiva no que toca a esta parte da exação. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Diferentemente ocorre com a outra parte do Crédito Tributário constituído a partir das divergências entre as Folhas de Pagamento nos apresentadas em mídia digital pelo fiscalizado com a indicação de seu CNPJ, mas com o "nome empresarial" sugerindo se relacionarem às Fundações Dr. João Barcellos Martins, Oswaldo Sobrinho Lima, Infância e da Juventude e Trianon, É sobre essa matéria que procuraremos esclarecer a diante. 1 — Se as Fundações mencionadas possuem personalidade Jurídica distinta da do município: Sim. Corroborado por diferentes inscrições no CNPJ. Especificamente no que toca à Fundação Dr. João Barcelos Martins, segundo seu estatuto (art. 4 0 ), é subordinada (e não vinculada, como de regra se verifica para as entidades da administração indireta) à Secretaria Municipal de Saúde, órgão do autuado. 2 — Se os fatos geradores da contribuição previdenciária apurada decorreram da relação de emprego existente entre os segurados empregados e as Fundações: Não. A relação de emprego, no entender dessa fiscalização, dá se com o município, como adiante procurará demonstrar. O processamento da folha de pagamento dos servidores concursados (estatutários e celetistas), tanto do Município quanto das Fundações em 2003, era feito pela Secretaria Municipal de Administração. O empenho, liquidação e pagamento da folha da PMCG e de suas Fundações (FJBM, FMIJ, FGSV) eram feitos pela Secretaria Municipal de Fazenda, órgão do ente federativo. A apresentação da DIRF era feita pela PMCG com exceção da Fundação Municipal da Infãncia, é d Juventude/FMIJ. Com relação aos servidores postos à disposição das Fundações Municipais em 2003, assim esclareceu o contribuinte, quanto ao assunto de interesse desta fiscalização: Antes da realização do concurso, a maioria do pessoal em atividade na FGSV e FJBM eram cedidos pela PMCG. A cessão desse pessoal seguia o critério da necessidade por parte das Fundações e disponibilidade por parte das Secretarias Municipais. Até hoje existem servidores cedidos. (destacamos) Raros foram os concursos para admissão de pessoal direcionado as Fundações Municipais, com exceção do concurso realizado em maio de 2001. Nessa época, quem definiu o processo seletivo foi a PMCG, conforme cópia do Edital e Decreto que prorrogou o prazo do concurso. Podese notar que a Prefeitura procurou distinguir os empregados à disposição das Fundações Municipais da Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.273 17 seguinte forma: (i) — os cedidos pela PMCG e (ii) os oriundos do concurso de 2001, cuja cópia do edital nos fora apresentada. No que toca aos cedidos, não resta dúvida, s.m.j., quanto às suas vinculações ao Município. A lei municipal 7.261, de 27.06.2002, ao dispor sobre a contratação de pessoal por prazo determinado pra atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, estabelece em seu artigo 30 que o "recrutamento do pessoal a ser contratado dependerá de processo seletivo", incluído aí o das fundações públicas municipais. A investidura em empregos públicos, por fundação pública, está condicionada a aprovação prévia em concurso público, conforme se extrai dos dispositivos constitucionais a seguir. Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 19, de 1998 11 a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 19, de 1998) Por seu turno, no que pertine aos oriundos do concurso de 2001, à vista do edital ("Lei" para o concurso) nos apresentado em fotocópia, podese inferir que o responsável pela contratação seria o município de Campos dos Goytacazes, na medida em que tal edital para contratação de celetistas fora emitido pela Prefeitura, órgão daquele ente federativo personificado. Não consta, ainda, naquele edital qualquer previsão para a contratação dos aprovados por qualquer uma de suas fundações municipais. Diferentemente ocorreu com o processo seletivo de 2007, cujo edital trazia expressamente consignado tratarse de concurso público da Fundação Dr. João Barcelos Martins. Tal conclusão se extrai, ainda, da notícia veiculada na página oficial do município (http://www.campos.rj.gov.br/noticia.php?id=2799 ) dandonos conta que a PREFEITURA estaria convocando — através da Fundação — concursados do processo seletivo de 2001. Verificase, ainda, que toda a operação concernente à convocação e aos requisitos documentais necessários à contratação do concursado deuse por intermédio e na sede da Secretaria de Administração do município. Fundação João Barcelos Martins continua convocando concursado A prefeitura de Campos, através da Fundação João Barcelos Martins, continua convocando os 179 concursados do Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 processo seletivo de 2001, que foram chamados essa semana pelo Diário Oficial do Município. De acordo com a sub secretária de Administração, Etilena de Cássia, o atendimento no que se refere ao contrato de trabalho dos concursados em regime celetista (CU), tem acontecido de segunda à sextafeira, das 8h às 17h, no setor de cadastro funcional da secretaria. Para isso, os concursados devem apresentar, no ato do contrato, carteira de identidade, CPF, título de eleitor, carteira de trabalho, certificado de reservista para os homens, certidão de nascimento do filhos (se tiver) e diploma de conclusão de curso. Ela informa, ainda, que à medida que estão sendo convocados para assumirem suas vagas, àqueles que não comparecem serão, automaticamente, dados como desistentes e a Fundação convocará outros, de acordo com a classificação e a necessidade. — Devido a proximidade de reinauguração das novas instalações do PU de Guarus e, por se tratar de uma rede de emergência, a Fundação João Barcelos Martins está solicitando que os convocados pelo Edital, publicado no dia quatro desse mês, compareçam com urgência para assumirem seus cargos — explica a subsecretária. Ethilena de Cássia explica que a secretaria de Administração, Cláudia Salgado, preocupada com o bem estar dos futuros funcionários da municipalidade, está convocandoos através de telegrama fonado para evitar que muitos deixem de assumir ou, às vezes, pela correia do diaadia acabam se esquecendo. "Esperamos que até o dia 16 possamos assinar todos os contratos que ainda restam", observa a subsecretária de Administração Etilena de Cássia. E mais, a Secretaria de Administração do município esclareceunos que "em maio de 2001 a Prefeitura Municipal realizou concurso para admissão de pessoal para atender a Fundação Dr. João Barcelos Martins. Posteriormente, em 2007, foram direcionados concursos para as Fundações Municipais (Fundação Dr. Geraldo da Silva Venâncio e Fundação Dr. João Barcelos Martins) através do IPDEP." Era a Secretaria de Fazenda do Município quem detinha a autonomia financeira para o pagamento da folha de empregados a cargo de todo o ente federativo. Como bem afirmado pela prefeitura do município, nos caso específico do exercício de 2003, quem fazia o pagamento e gerava a folha era a PMCG. Tal esclarecimento corrobora as informações anteriormente prestadas, em sede de diligência fiscal, pela Fundação Dr. João Barcellos Martins, no sentido de que "todo o procedimento relativo a Folha de Pagamento dos empregados da Fundação Dr. João Barcellos Martins é realizado pela Secretaria Municipal de Administração". Naquela oportunidade a diligenciada apresentounos certidão de 07.11.2006, da lavra do Sr. Altamir Bárbara, Secretário de Administração à época, na qual fora consignado que "para fins de comprovação junto ao INSS, que a folha de pagamento desta Municipalidade é gerada neste Secretaria Municipal de Administração, inclusive da fundação Dr. João Barcellos Martins e o repasse dos descontos previdenciários ao INSS é de competência da Secretaria Municipal de Fazenda." Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.274 19 No entender desta Fiscalização, o vinculo empregatício, como definido pelo artigo 31 da CLT, está evidenciado pela prestação de serviços não eventual ao município, sob a sua dependência e mediante salário. No caso em tela, a dependência econômica do trabalhador para com o município está claramente demonstrada, uma vez que era quem pagava seus salários e o responsável pelas apurações e retenções previdenciárias sobre a folha da municipalidade. Com efeito, os fatos levamnos a concluir que, da mesma forma como se deu/dá como os empregados contratados anteriormente ao concurso, como esclarecido pela prefeitura, tais trabalhadores estão meramente lotados/cedidos àquelas fundações, não sendo o suficiente a configurar relação de emprego .com as mesmas, ainda que, por ventura, tenham promovidas as anotações nas CTPS. Aliado aos fatos acima, tendo em vista que a Prefeitura do Município é o órgão centralizador do processamento e da emissão dos documentos relacionados aos fatos geradores apurados, digase: a folha de pagamentos, ladeado, ainda, aos fatos de que era quem possuía a autonomia para o cumprimento das obrigações sociais e de quem os trabalhadores dependiam economicamente, os débitos foram lançados com a identificação do CNPJ da prefeitura municipal. 3 — Se as remunerações de tais segurados empregados eram papas com recursos da Fundação, porém previstos em dotação própria do orçamento do Município; Eram pagos com recursos empenhados e liquidados pelo município e, verificando a Lei 7.341/2002 (fls. 388), que estimou a receita e fixou as despesas do orçamento Geral do Município para 2003, percebese que na fixação da despesa total por "órgão', não consta fixação de verba para qualquer fundação municipal. 4 — Por fim, considerando as razões de defesa do impugnante, má mencionadas, informar se as fundações não deveriam ter sido incluídas no pólo passivo do débito em questão. na condição de responsáveis solidários. nos termos do art. 124. do Código Tributário Nacional. Vale destacar que o CTN, ao definir os que são solidariamente obrigados, prevê no inciso 1 de seu artigo 124, hipótese em que há pessoas com interesse comum na situação que constitua o respectivo fato gerador. Não é difícil perceber que tanto o Município quanto suas fundações têm interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação. Seja por estarem o empregados lá cedidos/lotados, no caso das fundações, seja por efetuar diretamente o pagamento de seus salários, além de se valer da Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 prestação de serviço (saúde, educação e cultura) voltados ao interesse público, no caso do município. Ao final, considerando que o parágrafo único daquele art. 124 dispõe que a solidariedade, naqueles termos, não comporta benefício de ordem, o que vale dizer que a Fazenda Pública pode exigir o Credito Tributário, integral ou parcialmente, de qualquer um dos solidários na obrigação, temos que a não inclusão das Fundações no pólo passivo do débito em questão não impossibilita a cobrança daquele, em relação ao qual o CT fora regularmente constituído, a saber: do Município de Campos dos Goytacazes. O Município de Campos, assim se manifestou em relação à Informação Fiscal, às fls. 2003 a 2015, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 6.1. O Auto de Infração é dirigido contra a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes e as seguintes Fundações: Fundação Teatro Trianon, Fundação João Barcelos Martins, Fundação Municipal da Infância e da Juventude e Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, todas com personalidades jurídicas distintas, CNPJ distintos. São entidades criadas e extintas por lei, têm personalidade jurídica de direito público, patrimônio próprio e receita proveniente do Orçamento do Poder Público ou de outras fontes, executam atividades típicas do Estado ou de prestação de serviços públicos, não têm finalidade lucrativa, mas, com o Município não se confunde. 6.2. As Fundações supracitadas têm estrutura administrativa, patrimônio, orçamento e pessoal próprios, sendo representadas pelo seu Presidente, em juízo ou fora dele, gozando de autonomia gerencial, patrimonial, administrativa, financeira e de gestão de recursos humanos, inclusive frente às suas instituidoras e doadores. 6.3. Requer a juntada da Lei n° 7.293, de 09 de setembro de 2002, que em seu art. 3° faz referência à Fundação João Barcelos Martins como entidade mantenedora do HGG que goza de autonomia gerencial, administrativa e assistencial, tendo, portanto, dotação orçamentária própria. Desta forma, deveriam ter sido os seus respectivos presidentes e diretores intimados do auto de infração que ora se impugna, tratandose de vício insanável, eivando de vício insanável o lançamento, tendo inclusive a Receita Federal aceito a tese de que as Fundações autuadas tem personalidade jurídica distinta do Município. 6.4. Os fatos geradores da contribuição previdenciária decorrem da relação de emprego entre os segurados e as fundações pois estas realizam concurso público regularmente (conforme documentos anexos) e o fato de ter funcionários cedidos pelo Município e, ainda, ter o empenho, a liquidação e o pagamento feitos pela Secretaria de Fazenda em nada desnatura o caráter de individualidade das Fundações, tendo em vista que estas são vinculadas ao Município, mas incluir o Município como solidariamente responsável tributário é um grave equívoco. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.275 21 6.5. Para configurar a solidariedade há que existir, antes, a responsabilidade, e esta tem lugar se o responsável estiver de alguma forma vinculado ao fato gerador, fazendo referência a diversos autores, citando o art. 30, VI da Lei 8.212/91, os arts. 110; 124, II; 128 e 142 do CTN e o art. 896 do Código Civil. 6.6. Por se tratar de lançamento por homologação, em que as Fundações , devem efetuar o recolhimento de contribuições previdenciárias com base na folha de salários de seus empregados, e em não o fazendo, cumpre à Fiscalização do INSS, através de lançamento de oficio, apurar os valores devidos e notificálos para que os recolham, e somente 1 após tal providência, isto é, determinada a dívida tributária mediante regular lançamento, é que o INSS poderá se voltar para o devedor solidário e exigirlhe o pagamento das contribuições previdenciárias não recolhidas. 6.7. O demonstrativo de crédito não traz memória descritiva da exação fiscal e o relatório é confuso e inconsistente, não estabelecendo a real motivação para o lançamento, o que impede os autuados de aferirem a correção dos cálculos elaborados pelos Auditores Fiscais, posto que a não apresentação da memória de cálculo instruída com os referidos documentos inviabiliza a verificação de sua correção. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1226.456 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ, fls. 2236 a 2253, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2005 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SOLIDARIEDADE PASSIVA. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. A solidariedade passiva somente se implementa com a ciência dos atos procedimentais a todos os interessados. O julgador administrativo não é competente para apreciar questões acerca de constitucionalidade de normas. Em caso de recusa na apresentação de documentos, ou sua apresentação deficiente, reputase válida a apuração por arbitramento, invertendose o ônus da prova ao contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 2256 a 2259, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 (i) Solidariedade entre Município e Fundações autonomia administrativa das Fundações.; Seja declarado nulo o presente auto de infração por não inclusão no pólo passivo das Fundações Municipais, bem como pela ilegitimidade passiva do Município de Campos para responder exclusivamente pelo crédito previdenciário existente. (ii) Taxa SELIC – atualização do crédito previdenciário anatocismo; (iii) Ausência do memorial descritivo do cálculo; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 2261. É o Relatório. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.276 23 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 2261. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento; Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 2256 a 2259, interposto pela Recorrente – MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES contra Acórdão nº 1226.456 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ, fls. 2236 a 2253, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.155.2966, às fls. 01. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, da parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre a folha de pagamento da Prefeitura autuada, referentes ao ano de 2003, assim como acréscimos legais referentes a guias de pagamento recolhidas em atraso nos anos de 2004 e 2005. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.155.2966 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.277 25 (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.155.2966) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIF – Termo de Intimação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriormente confessados ou objeto de Auto, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes. Na coluna DIVERSOS estão compreendidos os créditos provenientes de GRPS, AI ou LDC associados a somente um levantamento). c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (Este relatório discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros); d. RL – Relatório de Lançamentos (Este relatório relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental);. e. RDA Relatório de Documentos Apresentados (Este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto); f. RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (Este relatório demonstra como os seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte ou apurados em procedimento fiscal, foram apropriados pela fiscalização: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos)). g. DAL Diferença de Acréscimos Legais (Este relatório discrimina, por levantamento e por estabelecimento, as diferenças decorrentes de recolhimento a menor de atualização monetária, juros ou multa de mora, com indicação dos valores que seriam devidos e dos valores recolhidos, considerandose como competência para lançamento do acréscimo legal aquela em que foi efetuado o recolhimento a menor); h. FLD Fundamentos Legais do Débito (Este relatório informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores.); i. REPLEG Relatório de Representantes Legais j. VÍNCULOS Relatório de Vínculos; k. REFISC – Relatório Fiscal. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.278 27 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.155.2966, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (C) Da decadência. Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.279 29 pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.280 31 no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA (Este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 tenham sido objeto de notificações anteriores) às fls. 15 a 18, apresenta recolhimentos feitos pela Recorrente de 01/2003 a 13/2003. Neste mesmo sentido, o Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 2236 a 2253, relaciona a informação extraída do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1111 a 1138, de que tanto valores recolhidos em GPS quanto valores recolhidos em Parcelamento foram devidamente apropriados e considerados no Relatório RDA: 2.46. As GPS — Guias da Previdência Social existentes no Banco de dados da RFB relativas à Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes e as quatro Fundações Municipais, assim como o parcelamento 37.033.8812, foram considerados na apuração do crédito, e encontramse relacionados no relatório RDA — Relatório de Documentos Apresentados. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do AIOP pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 27.11.2008 e o débito se refere ao período: 01/2003 a 11/2005. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2003, inclusive. (i) Solidariedade entre Município e Fundações autonomia administrativa das Fundações.; Seja declarado nulo o presente auto de infração por não inclusão no pólo passivo das Fundações Municipais, bem como pela ilegitimidade passiva do Município de Campos para responder exclusivamente pelo crédito previdenciário existente. Analisemos. O Auto de Infração não apresenta a intimação das Fundações Municipais para as quais foram colocados à disposição trabalhadores contratados pelo Município de Campos dos Goytacazes. Observase que, conforme a Informação Fiscal, às fls. 1991 a 1996, evidencia que o Município é o responsável pelos trabalhadores colocados à disposição das Fundações Municipais bem como pela contratação, pelo regime celetista, dos aprovados no concurso público realizado em 2001 para a Fundação Dr. João Barcelos Martins. Situação esta diferente em relação aos concursos públicos realizados em 2007 para as Fundações Municipais: 2 — Se os fatos geradores da contribuição previdenciária apurada decorreram da relação de emprego existente entre os segurados empregados e as Fundações: Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.281 33 Não. A relação de emprego, no entender dessa fiscalização, dá se com o município, como adiante procurará demonstrar. O processamento da folha de pagamento dos servidores concursados (estatutários e celetistas), tanto do Município quanto das Fundações em 2003, era feito pela Secretaria Municipal de Administração. O empenho, liquidação e pagamento da folha da PMCG e de suas Fundações (FJBM, FMIJ, FGSV) eram feitos pela Secretaria Municipal de Fazenda, órgão do ente federativo. A apresentação da DIRF era feita pela PMCG com exceção da Fundação Municipal da Infãncia, é d Juventude/FMIJ. Com relação aos servidores postos à disposição das Fundações Municipais em 2003, assim esclareceu o contribuinte, quanto ao assunto de interesse desta fiscalização: Antes da realização do concurso, a maioria do pessoal em atividade na FGSV e FJBM eram cedidos pela PMCG. A cessão desse pessoal seguia o critério da necessidade por parte das Fundações e disponibilidade por parte das Secretarias Municipais. Até hoje existem servidores cedidos. (destacamos) Raros foram os concursos para admissão de pessoal direcionado as Fundações Municipais, com exceção do concurso realizado em maio de 2001. Nessa época, quem definiu o processo seletivo foi a PMCG, conforme cópia do Edital e Decreto que prorrogou o prazo do concurso. Podese notar que a Prefeitura procurou distinguir os empregados à disposição das Fundações Municipais da seguinte forma: (i) — os cedidos pela PMCG e (ii) os oriundos do concurso de 2001, cuja cópia do edital nos fora apresentada. No que toca aos cedidos, não resta dúvida, s.m.j., quanto às suas vinculações ao Município. (...) Por seu turno, no que pertine aos oriundos do concurso de 2001, à vista do edital ("Lei" para o concurso) nos apresentado em fotocópia, podese inferir que o responsável pela contratação seria o município de Campos dos Goytacazes, na medida em que tal edital para contratação de celetistas fora emitido pela Prefeitura, órgão daquele ente federativo personificado. Não consta, ainda, naquele edital qualquer previsão para a contratação dos aprovados por qualquer uma de suas fundações municipais. Diferentemente ocorreu com o processo seletivo de 2007, cujo edital trazia expressamente consignado tratarse de concurso público da Fundação Dr. João Barcelos Martins. (...) Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 34 E mais, a Secretaria de Administração do município esclareceunos que "em maio de 2001 a Prefeitura Municipal realizou concurso para admissão de pessoal para atender a Fundação Dr. João Barcelos Martins. Posteriormente, em 2007, foram direcionados concursos para as Fundações Municipais (Fundação Dr. Geraldo da Silva Venâncio e Fundação Dr. João Barcelos Martins) através do IPDEP." (...) No entender desta Fiscalização, o vinculo empregatício, como definido pelo artigo 31 da CLT, está evidenciado pela prestação de serviços não eventual ao município, sob a sua dependência e mediante salário. No caso em tela, a dependência econômica do trabalhador para com o município está claramente demonstrada, uma vez que era quem pagava seus salários e o responsável pelas apurações e retenções previdenciárias sobre a folha da municipalidade. Em outro diapasão, conforme inclusive já se manifestou a decisão de primeira instância, não há previsão expressa na IN MPS/SRP nº 03/2005 acerca da intimação dos responsáveis solidários com interesse comum na situação que constitua fato gerador: 10. De fato, a fiscalização não trouxe à baila, mediante intimação dos atos procedimentais, as Fundações Municipais arroladas no presente débito, nos termos do art. 124, I, do CTN, a fim de poder se utilizar da faculdade prevista no parágrafo único do mesmo artigo, qual seja, a possibilidade de cobrança do crédito tributário de qualquer um dos coobrigados, sem beneficio de ordem. 11. Não há, porém, previsão expressa na Instrução Normativa n° 03, de 14 de julho de 2005, que dispõe sobre as normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, no que tange à intimação dos responsáveis solidários com interesse comum na situação que constitua fato gerador, mas, tão somente, dispositivo procedimental que poderia ser aplicado por analogia, conforme transcrito abaixo, sendo certo que o Município e suas respectivas Fundações não integram o conceito de grupo econômico: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n" 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Outrossim, o Município de Campos dos Goytacazes foi regularmente intimado de todos os atos procedimentais e então regularmente inserido no pólo passivo da Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.282 35 obrigação tributária, já em relação aos demais órgãos municipais, estes não foram regularmente incluídos no pólo passivo e tampouco podem ser cobrados do crédito tributário veiculado pelo presente Auto de Infração. A AuditoriaFiscal na Informação Fiscal, às fls. 1991 a 1996, se posiciona neste mesmo sentido, ao reconhecer que a não inclusão das Fundações Municipais no pólo passivo não impede a cobrança do crédito tributário do Município, regularmente intimado: Não é difícil perceber que tanto o Município quanto suas fundações têm interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação. Seja por estarem o empregados lá cedidos/lotados, no caso das fundações, seja por efetuar diretamente o pagamento de seus salários, além de se valer da prestação de serviço (saúde, educação e cultura) voltados ao interesse público, no caso do município. Ao final, considerando que o parágrafo único daquele art. 124 dispõe que a solidariedade, naqueles termos, não comporta benefício de ordem, o que vale dizer que a Fazenda Pública pode exigir o Credito Tributário, integral ou parcialmente, de qualquer um dos solidários na obrigação, temos que a não inclusão das Fundações no pólo passivo do débito em questão não impossibilita a cobrança daquele, em relação ao qual o CT fora regularmente constituído, a saber: do Município de Campos dos Goytacazes. Evidenciase dos autos a obrigação solidária entre o Município de Campos e as Fundações Municipais em função do interesse comum (no caso, o Município é o responsável pelos trabalhadores colocados à disposição das Fundações Municipais bem como pela contratação, pelo regime celetista, dos aprovados no concurso público realizado em 2001 para a Fundação Dr. João Barcelos Martins), conforme o art. 124, I e parágrafo único, CTN, que dispõe acerca da obrigação solidária daqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador, de modo a não comportar benefício de ordem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. No mesmo sentido, a jurisprudência também assim se posiciona: “Ementa: .... I. Tratandose de responsabilidade passiva solidária pode a Fazenda Pública exigir o débito integralmente ou penhorar bens de quaisquer dos coobrigados, não sendo a eles permitido a invocação do benefício de ordem. ....” (TRF 1ª Região. AG 2005.01.00.0661159/MG. Rel.: Des. Federal Maria Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 36 do Carmo Cardoso. 8ª Turma. Decisão:14/11/06. DJ de 15/12/06, p. 78.) “Ementa: .... I. A questão prendese à determinação do responsável tributário, como previsto nos arts. 121, 124 e 135 do Código Tributário Nacional. II. A regra da solidariedade tributária importa na afirmação da responsabilidade daqueles que ‘tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal’ e daqueles expressamente em lei indicados. ....” (TRF 2ª Região. AG 2005.02.01.0041892/RJ. Rel.: Des. Federal Julieta Lídia Lunz. 4ª Turma Especial. Decisão: 22/05/07. DJ de 21/06/07, p. 155.) “Ementa: .... é explícita ao determinar a responsabilidade solidária entre os contribuintes, sendo que qualquer dos devedores pode ser chamado para responder pela totalidade da obrigação, não havendo em que se falar em benefício de ordem. .... II. As empresas que firmam contratos de subempreitadas são solidariamente responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias ....” (STJ. REsp 821928/RS. Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 17/08/06. DJ de 18/09/06, p. 287.) “Ementa: .... III. O art. 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional estabelece não caber o chamado ‘benefício de ordem’, de sorte que não há falar em excutirse primeiramente o patrimônio da pessoa jurídica. ....” (TRF 3ª Região. AG 2006.03.00.0033601/SP. Rel.: Des. Federal Nelton dos Santos. 2ª Turma. Decisão: 13/02/07. DJ de 02/03/07, p. 501.) “Ementa: .... I. As pessoas que têm interesse comum na situação que se constitui fato gerador da obrigação principal estão obrigadas solidariamente. II. Nos moldes do CTN, art. 124, a hipótese legal diz respeito à ligação do terceiro, de modo direto, por força de interesse jurídico ou econômico, à situação prevista como fato gerador da obrigação tributária. ....” (TRF4ª Região. AC 1999.04.01.0027885/RS. Rel.: Des. Federal Márcio Antônio Rocha. 2ª Turma. Decisão: 04/05/00. DJ de 19/07/00, pp. 154/155.) “Ementa: .... III. O art. 124, do CTN estabelece que na solidariedade fiscal, não cabe o benefício de ordem. ....” (TRF 5ª Região. AC 2002.05.00.0002690/SE. Rel.: Des. Federal Manoel Erhardt. 3ª Turma. Decisão: 10/08/06. DJ de 25/09/06, p. 686.) Portanto, diante do exposto, não procede a argumentação da Recorrente. (ii) Taxa SELIC – atualização do crédito previdenciário anatocismo; Analisemos. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.283 37 Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (iii) Ausência do memorial descritivo do cálculo; Analisemos. De plano, já foi debatido no tópico (B) a regularidade do lançamento, onde se concluiu que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. Ademais, evidenciase que, além dos Relatórios DAD, DSD e RL, a AuditoriaFiscal relacionou no Anexo ao Termo de verificação Fiscal, às fls. 1139 a 1842, Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 38 informação detalhada acerca da comparação entre Folha de Pagamento e GFIP, apontando as diferenças de remuneração identificadas individualmente para cada trabalhador considerado: DAD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriormente confessados ou objeto de Auto, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes. Na coluna DIVERSOS estão compreendidos os créditos provenientes de GRPS, AI ou LDC associados a somente um levantamento). DSD Discriminativo Sintético do Débito (Este relatório discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros); RL – Relatório de Lançamentos (Este relatório relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental);. Neste mesmo sentido, a decisão de primeira instância também assentou que a fiscalização demonstrou de forma detalhada a forma pela qual apurou e lançou os valores constantes do AIOP, conforme fls. 2252: 16. A fiscalização demonstra de forma exaustiva, detalhada e pormenorizada a forma pela qual apurou e lançou os valores constantes do Auto de Infração, após intimar o contribuinte por diversas vezes a prestar esclarecimentos, não tendo sido atendido, conforme minuciosamente explanado nos autos, não desobedecendo, em hipótese alguma, ao disposto no art. 475B do CPC. 17. Em virtude disto, foi obrigada a valerse da prerrogativa do • arbitramento, previsto no § 3° do art. 33 da Lei 8.212/91, que entre outros efeitos, inverte o ônus da prova ao contribuinte. 18. Desta forma, cabe ao mesmo, no presente momento, comprovar os valores dos fatos geradores, sendo certo que não se utilizou da impugnação para tal mister. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente de falta de memoriais descritivos de cálculo. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15521.000301/200897 Acórdão n.º 2403001.956 S2C4T3 Fl. 2.284 39 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para se reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10508.000325/2002-13
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3803-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Belchior Melo de Sousa, designado para a redação da Resolução. Vencido o relator, que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator Designado
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Belchior Melo de Sousa, designado para a redação da Resolução. Vencido o relator, que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin. RELATÓRIO Tratase de auto de infração lavrado em 27/06/2002, em face da Contribuinte em epígrafe, com exigência do crédito tributário do IPI no valor de R$ 615.708,53, relativo ao período de janeiro a dezembro de 2000 e fevereiro, março e maio de 2001. A fiscalização entendeu terem ocorrido as seguintes infrações: falta de lançamento do imposto nas saídas do estabelecimento, de produtos tributados, configurada pela utilização indevida de isenção de bens de informática. As notas fiscais representativas das saídas das mercadorias, bem como Termo Complementar de Descrição dos Fatos foram juntados aos autos às fls. 25 a 38. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .0 00 32 5/ 20 02 -1 3 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 835 2 glosa de crédito básico indevido, tendo em vista tratarse de mercadorias adquiridas no mercado nacional, e, como tal, revendidas sem sofrerem processo de industrialização. As notas fiscais representativas das entradas das mercadorias estão relacionadas na planilha de fl. 39. divergências apuradas entre os valores declarados e os valores a recolher, registrados na LRAIPI. Juntada planilha demonstrando as diferenças apuradas, à fl. 41. Cópias das DCTFs com diferenças, fls. 42 a 45 e cópia do LRAIPI. No Termo Complementar de Descrição dos Fatos, no que tange ao aproveitamento indevido de isenção de IPI sobre produtos de informática, asseverouse que houve incompatibilidade entre os produtos saídos e a caracterização dos produtos no projeto apresentado ao MCT, posto que os modelos dos produtos relacionados no projeto não são abrangidos pela isenção concedida pelas Portarias nº 231/98 e 80/2000, em delimitados períodos. Cientificada da exigência fiscal, a Autuada apresentou impugnação, alegando que: quando da emissão das notas fiscais, entre 01/01/2000 e 17/03/2000, o requerimento para fruição do direito, declarando o cumprimento dos pressupostos exigidos nas Leis nºs 8.191/91 e 8.248/91, já havia sido protocolizado junto ao MCT em 19/10/1999; os produtos descritos nas referidas notas estão de acordo com as especificações indicadas no projeto, que identificam o modelo UDP BITWAY de Unidade Digital de Processamento para Microcomputador, com velocidades variáveis entre 233 e 550 Mhz; na Portaria 80/2000 há apenas referência por produto enquadrado no gênero NCM 8471, constante do anexo do Decreto nº 3.801/01, bem como no art. 16A da Lei nº 8.248/91, com redação dada pela Lei nº 10.176/01. Não há, na referida Portaria, qualquer referência a limitação de velocidade; as alterações de freqüência dos processadores em nada altera o PPB – Processo Produtivo Básico, que se mantém dentro das previsões legais; quanto aos produtos indicados nas notas relacionadas às fls. 38, emitidas entre 19/12/2000 e 29/12/2000, que o AFRF entendeu estarem sob a incidência do IPI, em virtude da revogação do art. 32 da MP 2.03724, de 23/11/00, pelo enunciado do art. 14 da MP 1.952031, de 14/12/2000, vem a impugnante refutar por não ter sido considerado o enunciado do § 1ºA, do art. 4º da Lei 8.248/91, com redação dada pela lei 10.176/01, onde o legislador claramente estendeu o benefício até 31/12/2000, que à época da edição da Lei nº 8.248/91, estava previsto até 20/10/99; a partir da publicação da Lei nº 8.248/91, os bens de informática e automação fabricados no país, deixaram de sujeitarse à incidência de IPI, bastando que seus fabricantes demonstrassem o cumprimento de determinada exigência. Isso faz constatar que a referida lei até aqui tem validade, vigência e eficácia, tal como retro definidas, já que nenhuma decisão do Judiciário, em Ação Direta de Inconstitucionalidade, lhe retirou a validade, nem o Senado lhe suspendeu a eficácia ou vigência; Fl. 835DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 836 3 o Decreto 792/93 dispõe, no art. 4º, que “para ter direito a fruição dos benefícios previstos nos artigos anteriores, a empresa produtora de bens e serviços de informática e automação deverá requerer ao MCT a concessão do incentivo de que trata o art. 1º para os bens de sua fabricação, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6º, § 1º; a sua habilitação para fruição do incentivo a que se refere o art. 2º, comprovando que atende às condições estabelecidas no art. 12”; o art. 5º do referido decreto dispõe que “comprovado o atendimento das condições a que se referem os incisos II e III do artigo anterior, será publicada no Diário Oficial da União portaria conjunta do MCT e do Ministério da Fazenda, certificando a habilitação da empresa à fruição do incentivo referido no art. 2º ou à captação dos recursos incentivados previstos no art. 3º”; à luz da compreensão do fenômeno da isenção e, considerando que esta configura instituto que atende ao interesse público e não ao particular, uma única inteligência se afigura válida para o ato de certificação da habilitação: ele é meramente declaratório. Por conseguinte, reconhecido o preenchimento das condições impostas, sobre os produtos isentados, o industrial não pagará o IPI, desde a edição da lei isencional; no caso presente, o requerimento ao MCT que gerou a Portaria 231/98, foi protocolizado em 30/03/1998, apreciado no processo MCT/SEPIN 07086/98, e, com muito mais razão, a isenção, ao menos a partir dali, retirou os referidos produtos da incidência do IPI, sendo tal Portaria meramente declaratória do preenchimento das condições impostas; do mesmo modo se dá o fenômeno da isenção, quanto aos produtos indicados no projeto do PPB que gerou a portaria 80/00, cujo pedido foi apreciado no processo MCT/SEPIN 07449/992, protocolizado em 19/10/99. Neste caso, considerando declaratório o efeito da referida Portaria, todos os produtos descritos nas notas alinhadas na planilha de fls. 29 a 38, emitidas entre 04/01/2000 e 29/12/2000, estão fora da incidência do IPI; entender que aquelas Portarias têm efeito constitutivo, seria admitir a invasão da competência do Legislativo pelo Executivo, pois só a ele foi conferida a parcela do poder para criar tributos e deles isentar o contribuinte; considerou inconstitucional a multa aplicada e faz extenso relato sobre sua natureza jurídica, diz que do confronto do direito de propriedade do cidadão e do direito do Estado ao tributo deflui um outro direito fundamental: o não confisco; apresentou teorias doutrinárias para identificar a natureza da multa aplicada, fiscal penal, civil ou híbrida, e conclui que, sob qualquer ângulo que seja analisada, fica provada a sua antijuridicidade e inconstitucionalidade, permanecendo somente a proposição de multa de natureza administrativa; se os olhos do aplicador do direito forem alçados ao princípio da isonomia, verseá que o Estado impõe ao empresariado a limitação de cobrar multas dos consumidores finais até 2%, conforme a Lei nº 9.298/96, no seu art. 1º, que modificou o art. 52, § 1º da Lei nº 8.078/60. Entretanto, é esse mesmo Estado que, numa economia estável, impõe ao mesmo empresariado multas que vão de 5 a 150 vezes o limite que a este fixa para verse indenizado das lesões causadas pelo inadimplemento dos consumidores; Fl. 836DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 837 4 o processo administrativo é método instituído na CF para solução de conflitos entre administrados e a Administração, sujeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, dentre outros; se aos litigantes o legislador constitucional garante a ampla defesa e o contraditório, com todos os recursos inerentes, como admitir que os tribunais administrativos estejam impedidos de negar a aplicação de uma norma manifestamente inconstitucional? Não seria isso um disparate que ameaça destruir a completude da ordem jurídica? por todas essas razões, entendeu a Impugnante deva ser negada a aplicação ao dispositivo do art. 80 da lei 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da lei 9.430/96, instituidores de multas que superam em muito o teto de 2%, índice este sobejamente suficiente para reparar o dano causado pela inadimplência, se, por absurda hipótese, não for reconhecida a isenção instituída pela lei 8.248/91, a partir da data do requerimento ao MCT; quanto aos juros, requereu seja obedecido o limite instituído no art. 192, § 3º, da Constituição Federal; requereu, ainda, seja reconhecida a isenção desde a data da edição da norma isentiva, ou ao menos a partir da data do protocolo do requerimento ao MCT e, por conseqüência, seja desconsiderado o crédito tributário constituído, do valor do tributo, dos juros e das multas; em não sendo atendido o pedido anterior, pediu a inaplicação da norma instituidora da multa no seu critério quantitativo, para que este seja reduzido ao percentual de 2%, equânime ao que o estado estabelece como limite para que o empresário cobre do consumidor final; da mesma forma, negada a exoneração dos juros, fosse a eles aplicado o limite máximo de 12% a.a; A DRJ/Ilheús deferiu parcialmente o pedido, tendo excluído do lançamento os valores de R$ 576,68 e R$ 703,74 relativos à multa de ofício sobre os débitos decorrentes das NFs nº 3.360 e 3.426; Em seu Recurso Voluntário, a Contribuinte alega que a decisão recorrida contem evidentes erros e veicula manifesta iniqüidade, ao impor à Contribuinte obrigação tributária inexistente. Aduz que, pelo simples fato isolado da Contribuinte ter usado processadores com freqüência maior àquelas referenciadas em seu projeto apresentado ao MCT, o Auditor Fiscal considerou indevido o gozo do benefício. Alega que a freqüência do processador nenhuma relação guarda com as exigências impostas à concessão do benefício. E mais, que, ao se verificar as normas que regulamentam a Lei nº 8.248/91, especialmente o decreto n.º 792/93 e a Portaria MCT n.º 101/93, notase que o critério de definição do Processo Produtivo Básico é o uso, na maior extensão possível, de insumos nacionais e existência de valor agregado. Assevera que a Portaria acima que à época estabelecia quais os bens de informática e automação atendem ao processo produtivo básico , nada fala sobre as Fl. 837DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 838 5 freqüências dos processadores, até porque, expressamente dispensados, de acordo com § 1º do art. 1º, de serem montados no país. Afirma que a norma que dispensa a montagem dos processadores no Brasil menciona, exatamente o contrário, apenas sua montagem em placa com barramento de conexão à placa mãe com mais de duzentas vias. Sustenta que não há nenhuma referência legislativa, de qualquer espécie, em relação à freqüência dos processadores utilizados que guarde relação com a adequação do produto ao processo produtivo básico e com o direito ao benefício. Portanto, as alterações na característica do produto que deve se submeter, previamente ou não, à aprovação do MCT, nos termos do art. 4º da mesma Portaria, são aquelas que impliquem na alteração do Processo Produtivo fixado no art. 1º. Por fim, requer o provimento do recurso pela improcedência do auto de infração. É o Relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, e dele conheço. A recorrente contestou o lançamento fiscal referente a utilização indevida de isenção do IPI, caracterizada pela incompatibilidade entre os produtos saídos e os constantes do projeto apresentado ao MCT, objeto da isenção através das portarias n.º 231/98 e n.º 80/2000, e utilização indevida da isenção do IPI referente às notas fiscais n.º 3.360 e n.º 3.426, emitidas em 19 e 29/12/2000, além de questionar juros e multas. A contribuinte não se manifesta especificamente sobre as infrações n.º 2 – Crédito Básico Indevido e n.º 3 – Diferença entre o valor do IPI escriturado e o declarado/pago. Quanto a cobrança do IPI incidente sobre os bens saídos, referentes aos produtos não abrangidos pela isenção concedida pela Portaria Interministerial n.º 231/98, aprovada posteriormente pela Portaria n.º 80/2000, constatouse como equivocadas as alegações da contribuinte a respeito do momento da fruição do benefício, nos termos da lei 8.248/91, com a regulamentação dada pelo decreto n.º 792/93. Art. 4º Para ter direito à fruição dos benefícios previstos nos artigos anteriores, a empresa produtora de bens e serviços de informática e automação deverá requerer ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): I a concessão de incentivo de que trata o art. 1º para os bens de sua fabricação, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6º, § 1º; II a sua habilitação para fruição do incentivo a que se refere o art. 2º, comprovando que atende às condições estabelecidas no art. 12; III a sua habilitação à captação de recursos decorrentes do incentivo previsto no art. 3º, comprovando sua condição de sociedade por ações que preencha os requisitos do art. 1º da Lei nº 8.248/91 e Fl. 838DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 839 6 que tenha como atividade, única ou principal, a produção de bens e serviços de informática e automação nos termos do disposto no art. 12. Parágrafo único. Os requerimentos deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT. Art. 5º Comprovado o atendimento das condições a que se referem os incisos II e III do artigo anterior, será publicada no Diário Oficial da União portaria conjunta do MCT e Ministério da Fazenda (Minifaz) certificando a habilitação da empresa à fruição do incentivo referido no art. 2º ou à captação dos recursos incentivados previstos no art. 3º. A hipótese normativa incidente sobre a realidade, torna o fato em si, em fato jurídico, e com isso faz surgir uma relação jurídica. Nesta dinâmica, a linguagem do direito condiciona a realidade alterando e regrando as condutas e disciplinando o comportamento dos seres humanos, nas suas relações de intersubjetividade, conforme expressa Paulo de Barros Carvalho, no Curso de Direito Tributário, 1991. A Constituição Federal delega à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria tributária. A lei 5.172/66, que aprova o CTN, no art. 96 estabelece que a expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, acerca de tributos e suas relações jurídicas. No art. 100, I, o CTN estende o conceito, dispondo que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos. As normas jurídicas citadas pela fiscalização e também pela contribuinte, e que incluíam o Decreto n.º 792/2003, pertencem ao sistema jurídico positivo, sendo normas válidas desde a data de sua publicação. O § Único do art. 4º da lei 8.248/91, previa que para o gozo dos benefícios nela definidos, seria definida a relação dos bens de que trata este artigo, pelo Poder Executivo, por proposta do Conselho Nacional de Informática e Automação – CONIN, tendo como critério, além do valor agregado local, indicadores de capacidade tecnológica, preço, qualidade e competitividade internacional. A sistemática de fruição do benefício em questão continua até os dias atuais na forma especificada anteriormente (lei 10.176/2001), a qual implica concessão da isenção somente após ato declaratório expedido pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia, que estabelecerão os processos produtivos básicos no prazo máximo de 120 dias, contado da data da solicitação fundada da empresa interessada, devendo ser publicados em portarias interministeriais os processos aprovados, bem como os motivos que determinaram os indeferimentos. Assim, a argumentação feita pela contribuinte de que houve uma invasão de competência do Poder Legislativo pelo Executivo não prospera, nem mesmo a alegação de que o decreto estaria inovando e modificando ato legal, uma vez que a isenção instituída pela lei 8.248/91, requeria, prioritariamente, a aprovação do projeto solicitado pela empresa, para a concessão do pedido de isenção e, automaticamente, ante ao cumprimento das condições, se daria o início da fruição dos benefícios postulados. Art. 9º Na hipótese do não cumprimento das exigências desta Lei, ou da não aprovação dos relatórios referidos no § 9º do art. 11 desta Lei, poderá ser suspensa a concessão do benefício, sem prejuízo do Fl. 839DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 840 7 ressarcimento dos benefícios anteriormente usufruídos, atualizados e acrescidos de multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 11.1.2001) (Regulamento) Notese que na circunstância em questão, o benefício não se refere a uma exclusão fiscal, mas sim, uma isenção extrafiscal, cuja situação jurídica do beneficiado dependerá do cumprimento prévio de condições previstas para obter o direito de isenção no momento da ocorrência do fato gerador. Ademais, o CTN estabelece que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Portanto, somente depois da publicação da autorização legal, com a publicação das portarias interministeriais, a empresa faria jus à fruição do benefício, sendo alcançados pelo favor fiscal apenas os bens nelas discriminados. Observase que a relação dos bens beneficiados, identificando o produto e seu fabricante, tem sua definição pelo poder Executivo, através da Portaria Conjunta do MCT e MINIFAZ, por proposta do Conselho Nacional de Informática e Automação – CONIN. O MCT é o órgão responsável para verificar o cumprimento das formalidades exigidas e, após sua aprovação, edita Portaria Conjunta com o Ministério da Fazenda, para permitir a fruição da isenção. Conseqüentemente, como pode ser observado, a portaria conjunta não é uma simples convalidação do pedido, sendo, deste modo, só a partir da sua publicação que à empresa é dada a concessão para os benefícios previstos em lei isentiva. Assim, decidiuse que deve permanecer o lançamento do auto de infração, referente a este item, face a infração cometida pelo autuado em dar saída a produtos tributados sem o lançamento de IPI, sem autorização legal para tal ato. Quanto à cobrança de IPI incidente sobre as saídas dos produtos constantes das notas fiscais 3.360 e 3.426, com base no art. 14 da MP n.º 195231, de 14/12/2000, que revogou o art. 32 da MP n.º 2.03724, de 23/11/2000, que prorrogava a vigência da isenção do IPI, prevista no art. 4º da lei 8.248/91, a contribuinte contesta o lançamento fiscal, alegando que a fiscalização não considerou o enunciado do § 1ºA, do art. 4º da lei 8.248/1991, com redação dada pela lei 10.176/2001, que estendeu o benefício até 31/12/2000. Verificase que a lei 10.176/2001 alterou a redação do art. 4º da lei 8.248/1991. Observase que o objetivo do § 1º A do art. 4º da lei 10.176/2001, foi estender, de forma retroativa, a vigência do benefício fiscal previsto na lei 8.248/1991. Art. 1º Os arts. 3º, 4º e 9º da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 3º Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta ou indireta, as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público e as demais organizações sob o controle direto ou indireto da União darão preferência, nas aquisições de bens e serviços de informática e automação, observada a seguinte ordem, a:(NR) I bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País;(NR) Fl. 840DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 841 8 II bens e serviços produzidos de acordo com processo produtivo básico, na forma a ser definida pelo Poder Executivo.(NR) "Art. 4º As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação farão jus aos benefícios de que trata a Lei no 8.191, de 11 de junho de 1991.(NR) § 1º A. O benefício de isenção estendese até 31 de dezembro de 2000 e, a partir dessa data, fica convertido em redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, observados os seguintes percentuais: I – redução de noventa e cinco por cento do imposto devido, de 1o de janeiro até 31 de dezembro de 2001; II – redução de noventa por cento do imposto devido, de 1o de janeiro até 31 de dezembro de 2002; III – redução de oitenta e cinco por cento do imposto devido, de 1o de janeiro até 31 de dezembro de 2003; IV – redução de oitenta por cento do imposto devido, de 1o de janeiro até 31 de dezembro de 2004; V – redução de setenta e cinco por cento do imposto devido, de 1o de janeiro até 31 de dezembro de 2005; VI – redução de setenta por cento do imposto devido, de 1o de janeiro de 2006 até 31 de dezembro de 2009, quando será extinto. § 1º B. (VETADO) § 1º C. Os benefícios incidirão somente sobre os bens de informática e automação produzidos de acordo com processo produtivo básico definido pelo Poder Executivo, condicionados à apresentação de proposta de projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia. § 1º O Poder Executivo definirá a relação dos bens de que trata o § 1oC, respeitado o disposto no art. 16A desta Lei, a ser apresentada no prazo de trinta dias, contado da publicação desta Lei, com base em proposta conjunta dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência e Tecnologia e da Integração Nacional. (NR) § 2º Os Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia estabelecerão os processos produtivos básicos no prazo máximo de cento e vinte dias, contado da data da solicitação fundada da empresa interessada, devendo ser publicados em portaria interministerial os processos aprovados, bem como os motivos determinantes do indeferimento. § 3º São asseguradas a manutenção e a utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização dos bens de que trata este artigo. § 4º A apresentação do projeto de que trata o § 1oC não implica, no momento da entrega, análise do seu conteúdo, ressalvada a verificação de adequação ao processo produtivo básico, servindo entretanto de referência para a avaliação dos relatórios de que trata o § 9o do art. 11." Fl. 841DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 842 9 Observase, assim, que o objetivo do § 1º A do art. 4º da lei 10.176 de 2001, foi estender, de forma retroativa, a vigência retroativa do benefício fiscal previsto na lei 8.248, de 1991. A Nota Técnica Cosit n.º 11, de 14/02/2005, ao analisar o requerimento n.º 2.255, de 2004, que solicita informações sobre constituição do crédito tributário relativo ao benefício de isenção do IPI de que trata a lei 8.248 de 1991, descreve, nos itens 21 e 22, assim: 21. Devese lembrar que, antes da lei 10.176/2001, a concessão da isenção do IPI era precedida da apresentação de projeto junto ao MCT e de verificação da regularidade fiscal da empresa interessada junto à SRF e PGFN. Posteriormente, era editada Portaria interministerial MCT/MF que concedia a isenção. 22. A análise dos dispositivos legais citados permite a conclusão de que os estabelecimentos industriais que tinham direito à isenção do IPI até 13 de dezembro de 2000 adquiriram o direito à isenção até 31 de dezembro de 2000. Para a extensão da isenção não havia necessidade de apresentação de novos projetos e também não havia distinção de regiões do País, e isso porque o art. 4º da lei 8.248 de 1991, na redação original, não estabelecia diferenças entre várias regiões do país. Dessa forma, concluise que o § 1º A da lei 8.248/1991, com a redação dada pela lei n.º 10.176/2001, estendeu o direito de isenção ao IPI até 31 de dezembro de 2000. Logo, improcedente o valor do IPI apurado com base nas notas fiscais 3.360 e 3.426, não exigido no presente auto de infração em virtude da cobertura de crédito existente. A invocação do Código de Defesa do Consumidor, no sentido de aplicação da multa de mora de 2% é totalmente descabida, pois, além de não ter aplicação aos débitos tributários, não está sendo cobrada multa por simples mora, e sim, multa de ofício por falta de lançamento ou recolhimento de IPI. Portanto, a multa revestese de caráter punitivo e não compensatório. Assim, seu percentual é fixado com base na gravidade da infração à legislação, e não a infração. Ademais, seria absurda a conclusão que a vedação ao confisco se aplicaria a multa de ofício, nos mesmos termos que se aplica aos tributos, pois essa é uma penalidade, tendo por objetivo a intimidação da prática de infrações fiscais. Ressaltese ainda que a autoridade administrativa não tem competência para legal para decidir acerca de inconstitucionalidade de normas legais, matéria reservada ao Poder JudicIário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de inconstitucionalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Diante ao exposto voto por NEGAR PROVIMENTO à pretensão aduzida no recurso voluntário. Carlos Henrique Martins de Lima VOTO VENCEDOR Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Fl. 842DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 843 10 Cuidase de Auto de Infração com lançamento de IPI, fundado em utilização indevida da isenção a que faz jus os bens de informática, nos termos da Lei nº 8.248/91 e sua regulamentação pelo Decreto nº 792/93. A divergência levantada na discussão desta controvérsia é concernente à falta de enfrentamento, no voto do d. Relator, das razões de defesa trazidas no recurso voluntário e já encetadas na impugnação , cuja elaboração, com a devida vênia, não foi além de reproduzir os termos da decisão recorrida. Dentre as questões apresentadas e não rebatidas pelo voto da relatoria, assente se que não merece acolhida a que refuta as bases de cálculo apuradas pela Fiscalização. Acusa a Defesa que foram listadas para fundamentar o lançamento todas as operações de saída nos períodos lançados, nelas incluídas indevidamente produtos cujos processadores tinham velocidades inferiores a 300 Mhz, no período anterior à edição da Portaria 80/2000, publicada em 20/03/2000, e inferiores a 500 Mhz, no período sob a vigência desta, quando havia expressa autorização para processadores até 550 Mhz. O cotejo das notas fiscais com a lista produzida pela Fiscalização permite constatar que não se sustenta a afirmação da Recorrente, podendose confirmar que os produtos montados com processadores que operavam com frequências inferiores às acima referidas não fazem parte da dita lista, de fls. 40/49, não tendo sido, portanto, alvo da autuação. Noutro giro, o voto do d. Relator deixou de se debruçar sobre outro ponto da defesa, de suma relevância para o deslinde do presente conflito, a reclamar que acerca dele se proceda a uma análise mais abrangente. Esta, será uma análise da descrição do fato jurídico infracional e a sua subsunção ao enquadramento legal do auto de infração, de maneira a identificar a legitimidade dessa operação lógicoformal, pelo Fisco, e sua justificação pelo Colegiado de primeira instância. Revendo a descrição do fato jurídico infracional temse que a imputação ancorouse na incompatibilidade entre os produtos saídos e os constantes do Anexo III (Caracterização do Produto), fl. 101/104, do projeto apresentado ao MCT, objeto da isenção através da Portaria nº 231/98 e da Portaria nº 80/2000, respectivamente, para os períodos antes e depois de 20/03/2000, data da publicação deste último Ato Administrativo. Nesse passo, cabe destacar que a Caracterização do Produto, no Anexo III do projeto apresentado ao MCT compõese de três itens: "nome e enquadramento do produto", "Descrição do(s) modelo(s) e principais características técnicas" e "origem da tecnologia". Por sua vez, as "principais características técnicas" do produto apresentado envolve dados relativos a (i) "microprocessador", (ii) "frequência de operação", (iii) "memória RAM", (iv) "memória cache primária e secundária", (v) "slots de expansão", (vi) "teclado", (vii) "disco rígido", (viii) "disco flexível", (ix) "interfaces", (x) "fonte" e (xi) "sistema operacional". Não obstante os inúmeros dados que compõem a Caracterização do Produto o que, primeiro, chama a atenção é o fato de a incompatibilidade atribuída pela Auditoria ter tomado como base um único subitem: a frequência dos processadores. A questão a resolver é se essa ausência de plena identidade entre os produtos saídos do estabelecimento frente aos constantes do projeto apresentado ao MCT, pela Fl. 843DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 844 11 divergência de "um" entre "diversos" outros elementos caracterizadores do produto, suscita a incompatibilidade considerada, a danificar a aptidão dos produtos à isenção em foco. Sob o prisma do enquadramento legal do Auto de Infração, adotando os diversos dispositivos do Decreto nº 792/93, arts. 1º, 4º, 7º e 10, destaquese que tal enquadramento concentra o cerne da disciplina da isenção condicional prevista pela Lei nº 8.248/91. Isso implica dizer que as disposições normativas que pudessem ser consideradas para a imputação da infração sob foco, não deixou de sêlo. Aí estão requisitos e obrigações, sem cumprimento dos quais ocorre a perda do direito. Já no nível de ato normativo regulamentador, o art. 1º do decreto acima, reproduz de sua matriz legal, a Lei nº 8.248/91, o critério técnico/tecnológico relacionado com as características do produto agraciado com a isenção, consubstanciado no fator "níveis de valor agregado local". Art. 1° São isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), até 29 de outubro de 1999, com fundamento no disposto no art. 1° da Lei n° 8.191, de 11 de junho de 1991, e no art. 4° da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991, os bens de informática e automação, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto, fabricados no País por empresas que cumpram as exigências estabelecidas nos arts. 2° ou 11 do último diploma legal, e os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas que, em quantidade normal, acompanham aqueles bens. As exigências estabelecidas no art. 2º e no art. 11, citados no dispositivo acima, identificamse, respectivamente, com o art. 8º e o art. 7º, do Decreto nº 792/93, e não têm pertinência com dados técnicos do produto. O art. 4º faz previsão de requisito de caráter burocrático1, relativa ao requerimento ao MCT para a fruição do direito à isenção. 1 Art. 4° Para ter direito à fruição dos benefícios previstos nos artigos anteriores, a empresa produtora de bens e serviços de informática e automação deverá requerer ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): I a concessão de incentivo de que trata o art. 1° para os bens de sua fabricação, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6°, § 1°; Parágrafo único. Os requerimentos deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT. Art. 6° A relação dos bens, identificando o produto e seu fabricante, que farão jus ao benefício previsto no art. 1°, será definida pelo Poder Executivo, através de portaria conjunta do MCT e Minifaz, por proposta do Conselho Nacional de Informática e Automação (Conin). 1° Para incluir um produto na relação de bens de que trata o caput deste artigo, o Conin deverá considerar, cumulativamente ou não, além do valor agregado local, de acordo com o estabelecido em portaria conjunta do MCT e do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, os seguintes indicadores: a) qualidade, considerando a observância às normas nacionais ou internacionais ou aos padrões aplicáveis ao produto e ao processo produtivo, a existência de certificação do bem por laboratórios credenciados e o prazo de garantia oferecido; b) preço, sem IPI e ICMS, considerando sua compatibilidade com o preço internacional do similar importado, definido este como sendo o preço CIF acrescido de Imposto de Importação despesas alfandegárias e de transporte no território nacional; c) competitividade internacional, tendo em vista o volume de exportação do produto e da empresa; d) capacitação tecnológica da empresa, considerando o volume de recursos financeiros, materiais e humanos alocados às atividades de pesquisa e desenvolvimento e os dispêndios realizados com os programas de formação e desenvolvimento de recursos humanos. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10508.000325/200213 Resolução nº 3803000.063 S3TE03 Fl. 845 12 O art. 6º do Decreto nº 792/93, é norma direcionada a órgãos do Poder Executivo (MCT, Minifaz, Conin e Min. da Ind., do Com. e do Turismo), intervenientes na tarefa de arrolar os bens que farão jus ao benefício e de fixar indicadores de qualidade, preço, competitividade e capacitação tecnológica da empresa. Os fatos jurídicos previstos na norma da perda do direito à isenção, art. 10 do citado decreto, configuramse com (i) a ausência do requerimento previsto no art. 4º, ou a sua feitura à parte das instruções do MCT, e também (ii) com a descumprimento das exigências do art. 7º, já anunciado, acima, como sem identificação com dados técnicos do produto. De verse que, dados estes pressupostos, a (des)qualificação técnica/tecnológica vinculada ao produto para o gozo da isenção de que aqui se trata atrelase, simplesmente, à exigência de que a sua montagem sirvase de componentes e sujeitese a Processo Produtivo Básico que, conjuntamente, resultem para o produto em "valor agregado local", conforme o exige o art. 1º do Decreto nº 792/93. Sob este entendimento, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que a Unidade lançadora, a DRF/Ilhéus, demonstre que (como) os processadores com velocidades acima de 330 Mhz, saídos antes da publicação da Portaria nº 80/2000, e os de velocidade acima de 550 Mhz, durante a vigência desta Portaria, utilizados na montagem de computadores, deixam de atender a exigência legal de valor agregado local. Após a conclusão dos trabalhos, intimese a Interessada para que se manifeste acerca do seu resultado, dentro do prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 2° As notas fiscais relativas à comercialização dos bens referidos no art. 1° deverão fazer expressa referência à portaria conjunta de que trata este artigo. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13984.000880/2004-71
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Afora a discussão quanto aos efeitos da averbação anterior ou posterior ao fato gerador do tributo, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel procedida tempestivamente, antes fato gerador, consoante restou assentado no Acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Afora a discussão quanto aos efeitos da averbação anterior ou posterior ao fato gerador do tributo, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel procedida tempestivamente, antes fato gerador, consoante restou assentado no Acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 10 1 9 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13984.000880/200471 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.690 – 2ª Turma Sessão de 10 de junho de 2013 Matéria ITR ARL AVERBAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BROCHMANN POLIS INDUSTRIAL E FLORESTAL SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Afora a discussão quanto aos efeitos da averbação anterior ou posterior ao fato gerador do tributo, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel procedida tempestivamente, antes fato gerador, consoante restou assentado no Acórdão recorrido, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 08 80 /2 00 4- 71 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório BROCHMANN POLIS INDUSTRIAL E FLORESTAL SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 20/10/2004, exigindo lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Goulart”, localizado no município de Santa Cecília/SC, inscrita na RFB sob nº 32948948, conforme peça inaugural do feito, às fls. 551/561, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0410.254/2006, às fls. 684/708, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 20/05/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30335.330, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). A teor do artigo 10, §7º da Lei n.º 9.393/96, modificado pela Medida Provisória nº. 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA “A”, DA LEI N° 9.393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE RESERVA LEGAL. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13984.000880/200471 Acórdão n.º 9202002.690 CSRFT2 Fl. 11 3 ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL. Baseada a autuação em Laudo apresentado pelo próprio contribuinte e não havendo provas que contradigam tais informações, há que ser mantida a autuação neste sentido. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Não tendo o contribuinte apresentado argumento, bem como provas, que refutem os valores atribuídos pela fiscalização, tomamse os valores autuados como válidos. MULTA DE OFÍCIO INFORMAÇÕES INEXATAS, INCORRETAS. Devida, nos exatos termos do artigo 14, §2º, da Lei nº 9.393/96, c/c artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. Devidos por significarem, tão somente, remuneração do capital (Súmulas 3º CC n º 7 e 4). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 822/833, com arrimo no artigo 7o, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado a legislação de regência e as provas constantes dos autos, uma vez que não comprovam a averbação tempestiva da reserva legal junto a matrícula do imóvel, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. Sustenta que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Alega que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente a esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas a assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 3ª Câmara do 3º Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do pré questionamento da matéria e indício de contrariedade à lei, conforme Despacho nº 339/2008, às fls. 835/837. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. Igualmente, a contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 881/886, repisando os argumentos lançados em seu recurso voluntário, sobretudo quanto ao Grau de Utilização da Área, ressaltando a força probante do documento oficial do INCRA (CCIR) demonstrando ser a propriedade em questão classificada como GRANDE PROPRIEDADE PRODUTIVA (GU igual ou superior a 80%), não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada no que concerne ao conhecimento da peça recursal, diante da inobservância dos pressupostos regimentais para tanto, como se extrai do Despacho n° 220000.202/2001, às fls. 904/908, ratificado pelo Despacho n° 920200202/2011, de fl. 909, da lavra do ilustre Presidente da CSRF, em face de reexame necessário. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13984.000880/200471 Acórdão n.º 9202002.690 CSRFT2 Fl. 12 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da então 3a Câmara do 3o Conselho de Contribuintes a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram provas constantes dos autos, bem como os dispositivos legais que regulamentam a matéria, uma vez que não comprovam a averbação tempestiva da reserva legal à margem da matricula do imóvel, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação da reserva legal para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações) e, bem assim, as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos pela recorrente é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. De início, convém registrar que a contribuinte informou em sua DITR a área de 179,9 ha como reserva legal. Devidamente intimada a comprovar referida área, a autuada apresentou documentação, notadamente averbações à margem da matrícula do imóvel demonstrando a área total averbada de 179,1 ha, a qual fora considerada pela fiscalização ao promover o lançamento, glosando, portanto, 0,8 ha, como se verifica do Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente em seu item 2.2, de fl. 560. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Como se verifica dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13984.000880/200471 Acórdão n.º 9202002.690 CSRFT2 Fl. 13 7 comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o benefício fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, oferece proteção ao pleito da contribuinte, reforçando, inclusive, a tese da aplicabilidade retroativa da MP n° 2.166/2001, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não averbada a área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel, conquanto que o contribuinte comprove a existência de aludidas áreas declaradas em sua DITR, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai do julgado assim ementado: “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13984.000880/200471 Acórdão n.º 9202002.690 CSRFT2 Fl. 14 9 Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a tempestiva averbação da reserva legal junto matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, é que o Acórdão recorrido adotou averbações procedidas anteriormente ao fato gerador do tributo para afastar a glosa levada a efeito pela autoridade lançadora, conforme se extrai da seguinte tabela elaborada pelo Conselheiro subscritor do voto, in verbis: N° de matrícula Área Averbada (ha) Data da Averbação 2732 fls771/772 208,19 26/04/1989 2050 fls. 773/775 32,61 30/07/1998 5430 fls. 776/777 32,61 30/07/1998 2049 fls. 778/780 8,22 02/10/1997 ÁREA TOTAL AVERBADA Á ÉPOCA DO LANÇAMENTO 281,63 Nesse sentido, afora a discussão quanto a necessidade da averbação à margem da escritura do imóvel ser procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, o certo é que na hipótese dos autos o Acórdão recorrido rechaçou a pretensão fiscal, em relação à área de reserva legal, adotando averbações anteriores ao fato gerador do tributo, como acima demonstrado, o que afasta de plano toda argumentação da Fazenda Nacional. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13888.001285/99-03
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Descabe conhecer do recurso, quando verificado que o acórdão tomado por paradigma não se presta para configurar a divergência.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9900-000119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso extraordinário, por não restar configurada a divergência jurisprudencial arguida. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo,Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Jose Adão Vitorino de Moraes, que conheciam e enfrentavam o mérito.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 19679.005738/2005-31
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 20/10/1988 a 10/03/1990
Prazo prescricional do direito de solicitar indébito em conformidade com novel jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, que então eram norteadas pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário dar-se-ia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então fluía o prazo, e, assim sendo, a prescrição somente após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador.menta:
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 57 38 /2 00 5- 31 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão que manteve o indeferimento de Pedido de Restituição da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, protocolado em 08/06/2005, em relação aos valores recolhidos entre o período de 20/10/1988 a 10/03/1990, conforme planilha junto ao pedido, sob o argumento de que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do Decreto Lei n.º 2.445/88 e Decreto Lei n.º 2.449/88, bem como a Resolução n.º 49/98 do Senado Federal. O fundamento contido no Despacho Decisório para negar o pleito é de que o direito do contribuinte sucumbiu pela decadência, haja vista a data do protocolo, 08 de junho de 2005. A decisão recorrida manteve intacto o indeferimento. Ciente da decisão em 02 de maio de 2011 interpôs recurso em 01 de junho de 2011, argumentando improcedência dos fundamentos em relação à decadência e pede provimento ao recurso em toda a sua extensão. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A matéria essa recentemente decidida pelo Supremo Tribunal Federal que caminhou e fincou jurisprudência no sentido de que os processos e pedidos ingressados até o advento da Lei nº 118/2005, deve se norteado pela orientação do Superior Tribunal de Justiça, que encontrava pacificada no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN a extinção do crédito tributário darseia com a homologação e não com o pagamento antecipado, quando então deverá fluir. E, assim sendo, a prescrição só após o decurso do prazo de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, a contenda gira em torno da perda do direito de requerer a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação depois de decorrido cinco anos contados da data do pagamento do tributo. Deixado de lado a discussão se é o caso de decadência ou prescrição, o fato que o pagamento pode ser atingido por ambos os institutos de direito, pois tanto um quanto o outro em matéria tributária implica em extinção do crédito tributário. Essa matéria encontra atualmente pacificada por força do advento do art. 62 A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e a evolução jurisprudencial que culminou na declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, sob o regime do art. 543A do CPC. A questão da eficácia retroativa da Lei Complementar nº 118/2005 foi decidia pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática do art. 543A do CPC no Recurso Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.005738/200531 Acórdão n.º 3302003.009 S3C3T2 Fl. 5 3 Extraordinário nº 566.621. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543A do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO (SIC) LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado desta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. “Recurso extraordinário desprovido.” Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, aplicase somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. Esse assunto encontra pacificado nesse E. Conselho por meio da Súmula CARF 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” No caso em exame o indébito pleiteado se refere aos fatos mencionados no preâmbulo do relatório, cujo pedido foi protocolado em 08 junho de 2005. De modo que, solicitado a restituição antes de 09 de junho de 2005, implica em afastar à decadência e assegurar o exame da matéria de fundo pela Instância a quo. Em face do exposto, voto no sentido de afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à origem para o exame da matéria de fundo. É como voto. Domingos de Sá Filho. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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