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Numero do processo: 10880.695806/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.406
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 58 06 /2 00 9- 12 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.695806/200912 Acórdão n.º 3301003.406 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16036.870. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.695806/200912 Acórdão n.º 3301003.406 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.695806/200912 Acórdão n.º 3301003.406 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.695806/200912 Acórdão n.º 3301003.406 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.695806/200912 Acórdão n.º 3301003.406 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13049.720015/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2011
RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS
COM ADVOGADO.
Poderá ser deduzido, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendo-se calcular o imposto devido mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito.
Numero da decisão: 2201-003.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2011 RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS COM ADVOGADO. Poderá ser deduzido, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendo-se calcular o imposto devido mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-31T14:43:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: TERESBINA CECÍLIA CABRERA corrigido.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-03-31T14:43:23Z; Last-Modified: 2017-03-31T14:43:23Z; dcterms:modified: 2017-03-31T14:43:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: TERESBINA CECÍLIA CABRERA corrigido.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:e5190012-187b-11e7-0000-dad7ce6c64f6; Last-Save-Date: 2017-03-31T14:43:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-03-31T14:43:23Z; meta:save-date: 2017-03-31T14:43:23Z; pdf:encrypted: true; dc:title: TERESBINA CECÍLIA CABRERA corrigido.pdf; modified: 2017-03-31T14:43:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-03-31T14:43:23Z; created: 2017-03-31T14:43:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-03-31T14:43:23Z; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-31T14:43:23Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 83 1 82 S2-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13049.720015/2013-14 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201-003.503 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria IRPF Recorrente TERESBINA CECILIA CABRERA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2011 RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS COM ADVOGADO. Poderá ser deduzido, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendo- se calcular o imposto devido mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 TERESBINA CECILIA CABRERA DA SILVA TERESBINA CECILIA CABRERA DA SILVA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 83DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de Notificação de Lançamento 2011/664651496239957, fl. 39 a 43, a qual teve origem em procedimento de Revisão de Declaração de Rendimentos da Pessoa Física relativa ao exercício de 2011, ano-calendário de 2010. A Autoridade Fiscal identificou omissão de rendimentos no valor de R$ 64.919,40, recebidos da Caixa Econômica Federal, promovendo o aproveitamento do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 1.947,58, tudo conforme descrição dos fatos de fl. 41. Ciente do lançamento em 21 de janeiro de 2013, inconformado, o contribuinte, tempestivamente, apresentou a Impugnação de fl. 2/4, na qual alegou que o rendimento em tela seria relativo ao somatório de 124 parcelas mensais, percebidas no curso de ação judicial de revisão de aposentadoria. Debruçando-se sobre a demanda, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ Porto Alegre/RS julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação, por entender que os rendimentos recebidos acumuladamente antes de 28 de julho de 2010 estão sujeitos às regras previstas no art. 12, da Lei 7.713/88, combinado com o art. 56, do RIR, fl. 57. Ciente do Acórdão da DRJ em 21 de março de 2013, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 65/66, no qual, em síntese, buscando demonstrar a insubsistência e a improcedência do lançamento, solicitou a desconstituição do débito fiscal, basicamente sob o argumento de que o valor deveria ser tributado nos meses a que se referem cada uma das parcelas que compõem o rendimento em discussão. Ademais, requer considerar a dedução de R$ 16.229,75 relativo a valores pagos ao advogado. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Dos Rendimentos Tributáveis Recebidos Acumuladamente. A análise das informações constantes dos autos demonstra que os rendimentos considerados omitidos pela Fiscalização têm origem em Ação Judicial revisional de benefício previdenciário e se referem ao somatório de diferenças apuradas nos meses de setembro de 1998 a dezembro de 2008, conforme cálculos de fl. 68 a 76. Assim o cerne da celeuma administrativa está na pertinência ou não da tributação dos rendimentos recebidos pela pessoa física nos estritos termos do art. 12 da lei 7.713/88, segundo o qual, nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidiria, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com a ação judicial necessárias ao seu recebimento. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13049.720015/2013-14 Acórdão n.º 2201-003.503 S2-C2T1 Fl. 84 3 Convicta da incidência do tributo de acordo com o texto legal acima, a DRJ considerou improcedente a impugnação. Contudo, trata-se de tema que já havia sido objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, com decisão definitiva de mérito na sistemática dos art. 543-B e 543-C da Lei 5.869, de 1973, nos seguintes termos: IMPOSTO DE RENDA - PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES-ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes,individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-233 DIVULG 26-1-2014 PUBLIC 27/11/2014) Em 2010, com a edição da Medida Provisória nº 497, que incluiu o artigo 12- A na Lei 7.713/98, a questão do tratamento dos rendimentos recebidos acumuladamente ganhou contornos legais, com a previsão de tributação do Imposto sobre a Renda de forma exclusiva na fonte, calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante utilização de tabela progressiva vigente no mês do recebimento do crédito ajustada pela multiplicação da quantidade de meses a que se referirem os rendimentos. A Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07 de fevereiro de 2011, e alterações posteriores, regulamentou a matéria, estabelecendo que mesmo os rendimentos recebidos entre 1º de janeiro e 20 de dezembro de 2010, deveriam ser tributados mediante ajuste específico. No presente processo, não consta que a fonte pagadora tenha prestado ao contribuinte informações que lhe permitissem aferir a melhor forma de oferecer à tributação os valores recebidos acumuladamente. Assim, entendo que o tributo devido deva ser recalculado mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Por outro lado, tem amparo legal o pleito do contribuinte de excluir da base de cálculo o valor pago a seu advogado, conforme previsão do art. 640 do Decreto 3000, de 26 de março de 1990(RIR/99): Art. 640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 3º). Parágrafo único. Poderá ser deduzido, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se Fl. 85DF CARF MF 4 tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Conclusão: Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe parcial provimento para que o montante considerado omitido pelo contribuinte seja diminuído do valor pago ao advogado, R$ 16.229,75 (fl. 79), bem assim para que o tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente seja recalculado mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000182/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2.
No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
Ementa:
AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI.
As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
Numero da decisão: 3401-003.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
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CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 82 /2 01 1- 35 Fl. 192DF CARF MF 2 esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de crédito referente a COFINS nãocumulativa1, transmitido em 30/04/2008, relativo ao 3o trimestre de 2004, versando sobre receitas tributadas à alíquota zero, de incidência monofásica (revenda de veículos e autopeças), com fundamento no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. O pedido foi indeferido em Despacho Decisório, por haver expressa vedação legal à tomada de créditos, no caso (artigo 3o, I, ”b”, c/c artigo 2o, § 1o, III e IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, e Lei no 10.485/2002, que trata da incidência monofásica, para veículos e autopeças, com alíquota zero para as receitas apuradas), e por tratar o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Ciente do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) está sujeita à tributação das contribuições nos termos da Lei no 9.718/1998; (b) com a edição da Lei no 10.485/2002, houve a pretensão de se criar uma tributação chamada supostamente de “monofásica”, que objetivou atribuir, para a cadeia produtiva automobilista, uma alíquota elevada para um elo (indústria/importador), e alíquota zero para os demais elos, gerando equívocos de interpretação; (c) na veiculação das leis de regência das contribuições não cumulativas (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003), foi mantida a sistemática anterior (Lei no 10.485/2002), e restou vedada a possibilidade de tomada de créditos; (d) a situação desigual foi corrigida na Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), que foi alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38); (e) não há qualquer norma de PIS/COFINS que tenha previsão de tributação monofásica (com incidência em uma fase e 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 193DF CARF MF Processo nº 12585.000182/201135 Acórdão n.º 3401003.517 S3C4T1 Fl. 193 3 nãoincidência em todas as demais) para os produtos da empresa, sendo juridicamente vazia qualquer tentativa de retirála do campo da não cumulatividade (com alíquota zero, que pode, em tese, ser majorada), baseado em suposição que existe uma “monofasia” na sua cadeia produtiva; (f) o creditamento das contribuições, por utilizar o método subtrativo indireto, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou mesmo se o elo anterior estava no regime da não cumulatividade; (g) negar o direito ao crédito, no caso, ofende não apenas a legalidade estrita, mas a não cumulatividade, a moralidade e a segurança jurídica, pois não se coadunava com a sistemática constitucional a anterior vedação de tomar créditos, o que ficou afastado a partir do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (confirmado pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005); (h) o art. 17 da Lei no 11.033/2004 é especial e não geral, e se destina exatamente aos casos que tinham vedação expressa nas leis de regência das contribuições, porque os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados, então o creditamento era tranquilo, aceito pelo próprio fisco; (i) outro reforço à tese que permite o direito de crédito foi a revogação, pela Lei no 11.727/2008, do inciso IV do § 3o do art. 1o, entre outros, das leis de regência das contribuições; e (j) quando o legislador desejou excluir a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033/2004 ele o fez expressamente, como nas Medidas Provisórias no 413/2008 e no 451/2008, nenhuma delas convertida em lei no que se refere a tais dispositivos. A empresa apresenta, posteriormente, nova manifestação, no sentido de que sequer seria necessária a análise de mérito de seus argumentos de defesa, visto que a contribuinte foi cientificada em 02/07/2013 do despacho decisório referente ao PER transmitido em 30/04/2008, havendo lapso superior a 5 anos, e consequente reconhecimento tácito do direito. No julgamento de primeira instância, a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) o prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição e/ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados; (b) a Lei no 10.485/2002 concentrou a tributação nas pessoas dos fabricantes e importadores de máquinas, veículos e autopeças, sendo denominada de tributação monofásica ou concentrada, sendo as receitas de venda obtidas pelas concessionárias desoneradas com a aplicação da alíquota zero; (c) as leis de regência das contribuições, ao criarem o sistema da não cumulatividade, excluíram da novel sistemática determinadas receitas, cuja apuração deveria ser realizada nos termos da legislação anterior, entre estas a que concentrava a tributação monofásica (Lei no 10.485/2002), sendo expressamente vedado o direito ao crédito em tais aquisições (art. 3o, I das leis de regência); (d) o art. 17 da Lei no 11.033/2004, não ampara o creditamento das contribuições, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência da vedação legal expressa, que persiste, para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição; e (e) a tributação monofásica não se confunde com a apuração cumulativa, tendo a tributação monofásica também natureza não cumulativa, quando a pessoa jurídica está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, como é o caso dos autos, o que lhe permite o aproveitamento de créditos, inerente ao regime da não cumulatividade, mas somente em relação aos créditos que são passíveis de utilização, como energia elétrica, aluguéis, depreciação, e não em relação aos créditos expressamente vedados, os referentes a veículos e autopeças adquiridos para revenda. Fl. 194DF CARF MF 4 Tendo ciência da decisão da DRJ em 01/10/2015, a empresa apresenta recurso voluntário em 22/10/2015, alegando que: (a) o prazo para decidir os processos de restituição não é eterno, como defendeu a DRJ, e está sujeito aos ditames do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, além de dever respeito ao prazo de 360 dias (cf. artigo 24 da Lei no 11.457/2007), consolidado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 1.138.206/RS; (b) a empresa está sujeita ao regime da não cumulatividade, e adquire produtos com alíquota zero (e não com monofasia), tendo sido a vedação existente nas leis de regência das contribuições revista no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 (norma multitemática), endossado pelo artigo 16 da Lei no 11.116/2005; (c) quando a lei nova altera a situação legal, ela deve ressalvar os casos que permanecem na dicção antiga (como se tentou fazer, por duas vezes, em relação ao o artigo 17 da Lei no 11.033/2004, que é norma específica aos casos para os quais havia vedação ao creditamento); e (d) o direito de crédito é coerente com a técnica de não cumulatividade para as contribuições (método indireto subtrativo), e independe de haver tributação na etapa anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Dos prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento e da consequência pelo descumprimento Na peça apresentada em complemento a sua manifestação de inconformidade, a recorrente sustentou que seria de cinco anos o prazo máximo para análise de seu pedido, sob pena de atendimento tácito, com fundamento no § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996. O PER em análise, recordese, foi transmitido em 30/04/2008. E a DRJ, ainda que sequer tenha verificado a efetiva data de ciência do despacho decisório (15/02/2013, cf. fl. 92), que foi equivocadamente informada pela recorrente como sendo 02/07/2013, resultando na contagem incorreta do prazo, respondeu acertadamente que o prazo a que se refere o § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996 se refere a homologação tácita de compensações, e não a restituição/ressarcimento delas desacompanhado. Aliás, tal conclusão deriva da simples leitura da norma: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 12585.000182/201135 Acórdão n.º 3401003.517 S3C4T1 Fl. 194 5 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (grifo nosso) Inaplicável, assim, o comando legal invocado ao caso em análise neste processo. Adicionese que a mesma questão, referente à mesma empresa, e abrangendo as contribuições no ano de 2004, entre outros, foi submetida à Segunda Turma desta Quarta Câmara, tendo o colegiado chegado a conclusão unânime sobre a matéria: “GLOSA DE CRÉDITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. A homologação tácita, prevista no art. 73, § 5o, da Lei no 9.430/1996, limitase às compensações formalizadas em Dcomp, não atingindo o direito de a Fiscalização, em procedimento autônomo, examinar a existência dos créditos e glosar, mediante auto de infração, aqueles para os quais não haja suficiente comprovação. (Acórdão no 3402003.660, Rel. Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, unânime, sessão de 13 dez. 2016)” No recurso voluntário, a empresa adiciona o argumento de que lhe favorece, no presente caso, a decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS), no sentido de que se aplica ao processo administrativo tributário o disposto no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, que estabelece o prazo de 360 dias para as decisões administrativas: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como demanda a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; Fl. 196DF CARF MF 6 III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo Fl. 197DF CARF MF Processo nº 12585.000182/201135 Acórdão n.º 3401003.517 S3C4T1 Fl. 195 7 para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 2 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Das considerações preliminares sobre o cerne do contencioso Antes de se ingressar, propriamente, nas matérias contenciosas, há que se registrar o que é inconteste, no presente processo. Tanto a recorrente quanto a fiscalização acordam que as operações para as quais se demanda crédito são aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda. E ambas também reconhecem que o direito de crédito foi expressamente vedado pelas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 198DF CARF MF 8 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 – COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento): (...) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” (grifo nosso) Não há nenhuma controvérsia, nos autos, como exposto, sobre estarem as aquisições inseridas no contexto da Lei no 10.485/2002, e sobre haver a vedação nas leis de regência. Tampouco há divergência sobre o fato de que as contribuições em apreço são não cumulativas. Antes do advento da Medida Provisória no 206, de 09/08/2004, posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004, então, o único inconformismo manifestado pela recorrente se refere a eventual incompatibilidade das restrições com o mecanismo inerente à não cumulatividade das contribuições, ou com princípios constitucionais. No que se refere a tal inconformismo, é de se destacar, preliminarmente, que a Constituição não assegura nãocumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de não cumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o Fl. 199DF CARF MF Processo nº 12585.000182/201135 Acórdão n.º 3401003.517 S3C4T1 Fl. 196 9 PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Portanto, o simples fato de apurarse a contribuição pela sistemática não cumulativa não garante à empresa créditos em relação a quaisquer operações, mas somente àquelas para as quais exista previsão legal de amparo, e não estejam contempladas em vedações nas leis de regência. Sobre a afronta a princípios constitucionais por norma legal vigente, não cabe manifestação desta corte administrativa, em função da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Basta, assim, que sejam examinadas administrativamente as normas legais vigentes, assumidas como constitucionais (salvo em caso de expressa declaração de inconstitucionalidade pelo juízo competente). É essa tarefa que se empreende a seguir, com especial destaque para o cerne da controvérsia, que se refere à natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à Fl. 200DF CARF MF 10 fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs:3 “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II 3 Com a conversão da Medida Provisória no 206/2004 na Lei no 11.033/2004, o comando passou a figurar no art. 17 da lei, com idêntico teor. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 12585.000182/201135 Acórdão n.º 3401003.517 S3C4T1 Fl. 197 11 do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, Fl. 202DF CARF MF 12 e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Destarte, são totalmente improcedentes as alegações de defesa. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.723884/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Advogado José Augusto Lara dos Santos, OAB nº 31460/PR.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Advogado José Augusto Lara dos Santos, OAB nº 31460/PR. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Advogado José Augusto Lara dos Santos, OAB nº 31460/PR. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA– PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2018 (Cofins) e 2076 (Pis) em face de decisão da DRJ/DF de fls. 1984 que manteve o lançamento em sua integralidade, por RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 88 4/ 20 14 -4 5 Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.140 2 insuficiência de recolhimento das constribuições de PIS e COFINS sob o regime não cumulativo e glosa de créditos. Por ser costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório constante das decisões de primeira instância, segue para apreciação: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 697 a 715, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins nos períodos de apuração 01/2010 a 12/2010. O crédito tributário ora constituído, incluindo juros de mora (calculados até 12/2014) e multa proporcional, importa no valor total de R$ 23.470.907,26 (vinte três milhões quatrocentos e setenta mil novecentos e sete reais e vinte seis centavos). O trabalho fiscal resultou em três infrações, a saber (sinteticamente): (1) Insuficiência de recolhimentos de PIS e Cofins; (2) Glosa de créditos sem débito de contribuição: crédito de aquisição no mercado interno constituído indevidamente; (3) Glosa de créditos sem débito de contribuição: crédito de importação constituído indevidamente. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal nº 2 podemos concluir que a empresa teria tomado, indevidamente, créditos das aludidas contribuições, portanto, restou à fiscalização processar as seguintes glosas (analiticamente): a) Créditos tomados a partir de aquisições de microcomputadores, software e suporte (bem como de créditos extemporâneos sobre tais bens do ativo imobilizado); b) Créditos extemporâneos (fevereiro, setembro e outubro); c) Diferença relativa a despesas com armazenagem e fretes (janeiro); d) Créditos extemporâneos: despesas com energia, aluguéis e insumos; e) Créditos indevidamente descontados sobre a parcela do ICMSST; f) Créditos indevidamente descontados sobre IPI Recuperável; g) Créditos indevidamente descontados sobre Despesas Financeiras; h) Despesas com consultoria e assessoria em informática; i) Despesas com o pagamento de comissões a pessoas jurídicas que atuam como representantes comerciais autônomos; j) Despesas com prestação de serviços de assistência técnica; e; k) Créditos apurados na Importação. Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.141 3 Após as devidas glosas foram apuradas as novas bases de cálculo para fins de apuração de créditos, e caso necessário, os respectivos lançamentos de PIS e Cofins. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado, por meio de sua Caixa Postal, da exigência em 22/12/2014 (fls. 797), e, irresignado com a acusação fiscal, o contribuinte apresentou, em 21/01/2015, duas peças impugnatórias: uma de fl. 803/849 (impugnando PIS) e outra de fls. 850/896 (impugnando Cofins), ambas de idêntico teor (exceção à legislação específica que rege cada matéria), das quais se extrai a síntese exposta a seguir. DO DIREITO 1. INSUMOS – CONCEITO E COMPROVAÇÃO Neste ponto aduz que houve um descompasso entre a interpretação dada pela fiscalização ao conceito de “insumos” para fins de tomada de crédito de PIS/Cofins e aquela por ela utilizada e decorrente de consolidada interpretação doutrinária e jurisprudencial (inclusive por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF). Defende que a Constituição Federal não estabelece qualquer hipótese de vedação para a tomada de créditos. Em outro ponto defende que, ao contrário do ICMS e do IPI que se fundam sobre o valor produto, as contribuições sociais ao PIS e à Cofins têm como base de cálculo o faturamento ou receita, assim, o tratamento dado à “nãocumulatividade” das contribuições deve ser distinto daquele dispensado ao ICMS e IPI. Entende que o tratamento, ao PIS e à Cofins, deve ser, necessariamente, mais amplo, sob pena de não se alcançar a “nãocumulatividade” pretendida pelo legislador, ou seja, o conceito de insumo não pode ser visto à luz específica de sua vinculação direta com o produto, ao contrário, deve ser construído de modo a adequarse à grandeza tributada pelas contribuições em foco (qual seja, a receita ou faturamento). Cita acórdão do CARF. Defende que a legislação de regência não restringiu o conceito de insumos na fabricação de bens ou produtos, não há qualquer vinculação, por exemplo, a sua utilização direta ou seu desgaste no processo produtivo. A fiscalização, equivocadamente, teria restringido a tomada dos aludidos créditos através da nítida aproximação do conceito de insumo a ser aplicado ao caso (nãocumulatividade do PIS/Cofins) ao aplicável ao IPI/ICMS, com fundamentos em meras “Soluções de Consulta”, tipicamente fundamentadas em instruções normativas. O conceito de insumo não pode ser abordado pela fiscalização sob uma ótica restritiva. Ao contrário, o conceito de insumo deve abranger todas as entradas que contribuírem para a formação da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins. Devem servir de base ao cálculo do crédito todos os custos e despesas necessários à obtenção da receita decorrente da venda de mercadorias Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.142 4 ou serviços, pois, a acepção ordinária do conceito de “insumo” aponta para cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à consecução de um determinado fim. Ao final, conclui pela completa impossibilidade de restrição do conceito de “insumos” para o fim de tomada de crédito de PIS e Cofins com base nas limitações estabelecidas pela Receita Federal. Noutro ponto, a Impugnante defende uma aproximação entre a legislação do IRPJ (conceito de custos e despesas) e a legislação para tomada de créditos de PIS/Cofins. Segundo a peticionária, estabelecida a relação entre o serviço e/ou o bem com o contínuo desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica geradora de receita, sob o ponto de vista finalístico, teremos a configuração do cerne do conceito de insumo, de modo a ser um meio para atingir a um fim determinado que, conforme relação estabelecida com base na materialidade dos tributos em foco, é a receita. E para a geração de receita ou faturamento é indispensável o conjunto composto pelos custos e pelas despesas, conforme expressamente determinado pela legislação. Logo, a própria legislação apontaria que todos estes custos e despesas necessárias seriam os insumos para a geração da receita ou faturamento e qualquer restrição aos seus limites naturais representaria uma violação direta à nãocumulatividade das contribuições prevista na Constituição Federal. Portanto, toda aplicação de recursos por ela efetivada em: (i) custos necessários; e; (ii) despesas necessárias ao exercício de sua atividade, estão abarcadas pelo conceito de insumos para fins de tomada de créditos de PIS/Cofins, sendo vedada pela Constituição Federal e pela Lei a restrição à sua tomada. 2. DA TOMADA DE CRÉDITO 2.1. DIFERENÇAS NAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES (jan/2010) Neste ponto defende que houve um equivoco da fiscalização e para comprovação, anexa planilha com as despesas de armazenagem e fretes, ocorridas em janeiro de 2010 e que perfazem o exato valor declarado, inexistindo a apontada diferença de R$ 12.077.319,51. Durante a ação fiscal a Impugnante teria apresentado, conforme solicitado, a planilha relativa às diferenças apuradas, ou seja, apresentou a planilha referente a R$ 11.421.738,77 (onze milhões, quatrocentos e vinte e um mil, setecentos e trinta e oito reais e setenta e sete centavos), ao invés do total das despesas de armazenagem e frete na operação de venda, no total de R$ 23.499.056,26 (vinte e três milhões, quatrocentos e noventa e nove mil, cinquenta e seis reais e vinte e seis centavos), que hora se apresenta. 2.2. COMPRAS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS Aduz que devido a sistemática de aquisição, em um primeiro momento, eram “gerados” créditos de PIS/cofins sobre o IPI destacado na nota fiscal de origem, no entanto, conforme demonstrado em planilha anexa, Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.143 5 ato contínuo, todos os créditos gerados sobre o IPI eram por ela estornados manualmente. Procura demonstrar que os créditos de PIS e Cofins apropriados sobre os valores de IPI recuperáveis nos meses de 2010 eram devidamente estornados, e declarados nos Dacon mensais (linha 21 para os meses de março e julho de 2010 e linha 23 para os demais meses, conforme fichas 6A e 16A). Assim, não pode ser prejudicada em razão da dificuldade de captação automática da referida base. Da mesma forma, melhor sorte não merece a interpretação dada à suposta tomada de créditos sobre despesas financeiras, a qual se encontra “fundamentada” na afirmação de que a existência de “despesa financeira” decorre do campo “descrição dos produtos”. Segundo a Impugnante, a referida “despesa financeira” compõe diretamente o preço do produto fornecido pela empresa em foco (DOW) ocorrendo em decorrência da disponibilização do produto diretamente no seu estabelecimento, sendo de prévio conhecimento das partes. Aduz que tais “despesas” são tributadas pelo fornecedor DOW Brasil, e, portanto, geram direito ao creditamento deste montante pela Electrolux. Por seu turno, os dispêndios em questão são devidamente contabilizados como custo do produto, estando longe de ser tratado como uma mera despesa financeira. Assim, seria possível extrair dois aspectos fundamentais para a presente análise: (i) o suposto valor apontado na nota fiscal, longe de representar mera “despesa financeira”, integra efetivamente o valor do produto fornecido (polímero), inclusive para fins de recolhimento das contribuições; e; (ii) impedirse a tomada de crédito de PIS/Cofins sobre a referida rubrica levaria ao desvirtuamento da não cumulatividade, impingindo ao contribuinte ônus ilegal, ao passo em que representa enriquecimento ilícito do Estado. Assevera que o princípio da nãocumulatividade tem como nota comum, núcleo inabalável, a desoneração da cadeia, sendo impensável a vedação ao direito do presente crédito, uma vez que se trata, para fins jurídicos e contábeis, de verdadeiro custo do produto, tendo sido tributado pelo fornecedor e reconhecido, como tal, pela Impugnante. A Impugnante não pode ser penalizada pela descrição dos produtos e serviços (de responsabilidade do emitente da nota fiscal), restando refém de eventuais equívocos na descrição de sua natureza. 2.3. ICMS/ST – POSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITO Busca demonstrar que o ICMSST por se tratar de imposto não recuperável, deve, sim, ser considerado para o cálculo do custo das mercadorias adquiridas. Inegável é o direito de referidos valores serem incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, assegurado pela própria legislação que regulamenta estas contribuições, pois, o ICMSST compõe o custo de aquisição das mercadorias. Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.144 6 Agindo em plena consonância com a legislação que disciplina a matéria acertadamente tomou os créditos de PIS e Cofins, considerando o custo de aquisição das mercadorias, incluindose neste custo o valor recolhido a título de ICMSST. 2.4. AQUISIÇÃO DE SUPORTE DE MICROCOMPUTADORES, SUPORTE DE VENDAS E SOFTWARE Segundo a Impugnante, falta a comprovação da ausência de relação de pertinência dos referidos dispêndios com a linha de produção, mas, tais aquisições se prestaram a impulsionar e suportar o exercício da atividadefim da contribuinte. Volta a defender que os custos e despesas necessários, sob a ótica da nãocumulatividade das contribuições ao PIS/Cofins, são flagrantemente geradores de crédito. No presente caso, assevera que basta uma simples constatação da realidade, para que reste patente que nenhuma empresa moderna sobrevive sem microcomputadores, softwares e o mencionado suporte. Ainda, no que tange aos à suposta impossibilidade de tomada de créditos sobre as aquisições sujeitas à alíquota zero, a restrição à referida prática igualmente anula a nãocumulatividade pretendida pelo legislador. Portanto, as rubricas em questão são flagrantemente geradoras de créditos de PIS/Cofins, motivo pelo qual deve ser plenamente afastada a exigência tributária decorrente da glosa dos referidos créditos. 2.5. SERVIÇOS DE CONSULTORIA E ASSESSORIA Sustenta que sequer fora apresentada motivação capaz de sustentar o afastamento dos presentes créditos. O serviço em questão (elaboração de programa de computadores), mesmo sob a ótica da adotada Solução de Consulta, não está automaticamente excluído do conjunto dos “insumos” e a fiscalização sequer demonstra a razão para a aplicação do entendimento esposado em tal Solução de Consulta (não afirma ou infirma se os referidos programas são ou não utilizados na atividadefim da empresa). 2.6. COMISSÕES DE VENDAS Defende que na consecução de seus negócios se obriga a remunerar aqueles que, no curso de suas atividades fins, indiquem aos seus clientes a compra de produtos de sua linha. Ou seja, os chamados parceiros, ao desenvolverem as atividades fins para as quais foram contratados, utilizam o contato com os demandantes das suas prestações para oferecerem os eletrodomésticos e eletroeletrônicos da linha da Impugnante que venham a se adequar às pretensões de seus clientes. Há uma espécie de intermediação onerosa feita pelos parceiros entre a Electrolux e os consumidores, assemelhando o negócio à corretagem prevista no Código Civil, em seu artigo 722. O objetivo perseguido pela Electrolux com a contratação de tais avenças é nitidamente incentivar as vendas de seus produtos. É inegável que os gastos incorridos com as referidas comissões guardam relação direta com a geração de receitas, ao passo em que, ao Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.145 7 oferecer incentivos àqueles que indicam os produtos da Electrolux, a empresa tende a expandir as suas vendas, mediante um maior desenvolvimento de sua atividade comercial e, consequentemente, ampliar a sua base de receitas. Insumo é um meio para atingir um fim último, que, no caso do PIS e da Cofins, é a receita. Logo, sob o ponto de vista finalístico, é razoável assumir que todas as despesas incorridas com o fito de auferir receitas devem gerar créditos passíveis de serem abatidos das bases do PIS e da Cofins. Afinal, todas elas são igualmente inerentes ao ciclo de formação do acréscimo oriundo da comercialização de mercadorias. De mais a mais, sob a ótica dos referidos parceiros, os valores recebidos são computados e contabilizados como receitas operacionais, igualmente sujeitas à cadeia da tributação pelo PIS/Cofins. Sustenta que excluir os referidos dispêndios da base geradora de créditos redundaria na completa violação da nãocumulatividade aplicável às contribuições. Conclui que as comissões mencionadas enquadramse no conceito de insumos e, portanto, são passíveis de serem registradas como créditos na formação das bases do PIS e da Cofins, devendo ser afastada a exigência decorrente de entendimento contrário. 2.7. DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM GARANTIA DE PRODUTOS Segundo a Impugnante a fiscalização entendera, equivocadamente, pela glosa dos créditos decorrentes da prestação de serviços utilizados como insumos relativos a serviços de assistência técnica em garantia de produtos fabricados ou revendidos por ela. Uma simples análise do substrato fático e jurídico envolvido na presente questão é suficiente para se verificar a completa incongruência da glosa, em total discordância com o posicionamento doutrinário e jurisprudencial (inclusive do próprio CARF) sobre o tema. Nos termos do Código de Defesa do Consumidor – CDC, a Electrolux é responsável pela garantia de seu produto, respondendo perante o consumidor na medida em que eventuais vícios de qualidade ou quantidade os tornem impróprios ou inadequados ao consumo. Tratase de verdadeira obrigação imposta aos fornecedores, sendo inimaginável o fornecimento de produto desacompanhado de garantia. Neste sentido, além da garantia pelo prazo mínimo legal, a Electrolux estabeleceu uma garantia contratual para seus produtos, a qual se encontra igualmente regulamentada pelo Código de Defesa do Consumidor através do disposto no artigo 50. Para cumprir com as obrigações legais e atender aos consumidores ao longo de todo o território, os produtores obrigamse a terceirizar boa parte dos serviços, usualmente prestados por empresas denominadas “autorizadas”. Existe uma rede de empresas credenciadas capazes de efetuar os ajustes dos produtos da Impugnante que, por sua vez, são treinadas e Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.146 8 capacitadas tecnicamente pela própria Electrolux. Como forma de garantir a qualidade no atendimento aos seus consumidores e estrito cumprimento das regras estabelecidas no Código de Defesa do Consumidor, as referidas prestadoras de serviços são constantemente avaliadas e auditadas. Os serviços prestados pelas empresas “autorizadas”, dentro do prazo de garantia dos produtos, são prestados aos consumidores de forma totalmente gratuita, conforme se depreende do disposto na cláusula 4.1 dos “Contratos de Prestação de Serviços de Assistência Técnica” anexados, de forma exemplificativa, à presente defesa. O ônus da referida prestação de serviço é repassado à Impugnante, a qual arca integralmente com o custo da operação, conforme se depreende do disposto na cláusula 11.1 do mesmo contrato. Os dispêndios com os serviços terceirizados de assistência técnica em garantia, inclusive para fins contábeis, fazem parte da formação do preço de cada mercadoria comercializada, ou seja, a prestação de serviço efetuada pela Electrolux, mesmo quando terceirizada, compõe o valor dos produtos. Para tanto, a Electrolux constitui provisões contábeis, baseadas na média histórica dos gastos com as empresas terceirizadas, consequentemente, influenciando o valor de venda das mercadorias da Companhia. Sustenta que os referidos serviços de assistência técnica em garantia são essenciais ao exercício da atividade da Impugnante, a qual se encontra estritamente regulamentada, neste particular, pelo Código de Defesa do Consumidor. O insumo em questão, por sua própria natureza, constituise em serviço que contribui de forma decisiva para a manutenção da atividade empresarial da contribuinte, cujos dispêndios são efetivamente contabilizados como custos, ou seja, não integram o rol das despesas. Em caso semelhante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já teve oportunidade de se manifestar, favoravelmente aos contribuintes, nas hipóteses em que os dispêndios são realizados no desempenho das atividades da empresa, inclusive para fins de cumprimento de determinação legal. 3. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO – REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO Sustenta que, ao contrário do que alega a fiscalização, não é possível impedir a utilização do crédito extemporâneo em razão do contribuinte não ter realizado a retificação dos Dacon e da DCTF, visto que não há determinação legal expressa que exija a adoção destes procedimentos. Os créditos extemporâneos são créditos escriturais das contribuições, calculados sobre despesas de aquisição de insumos e outros itens no âmbito da nãocumulatividade, que não foram apropriados pelo contribuinte no respectivo período de apuração. Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.147 9 De acordo com a legislação vigente, o contribuinte tem o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data que deveriam ter sido apropriados, para se aproveitar dos créditos de PIS/Cofins. As autoridades fiscais têm admitido a possibilidade de tomada de créditos extemporâneos, desde que respeitado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos (tal como exposto na Solução de Consulta nº 115/2012). A legislação que regulamenta a cobrança do PIS/Cofins não traz qualquer dispositivo acerca do procedimento que deverá ser adotado para o aproveitamento desta espécie de crédito, apenas determina que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Assim, as autoridades fiscais não podem condicionar o direito ao crédito à compulsória retificação das declarações fiscais, sob pena de criarem uma exigência sem qualquer fundamento em lei, em violação ao Princípio da Legalidade da Administração Pública, nos termos do art. 2°, da Lei n° 9.784/1999. Por outro ângulo, não tem razão a autoridade fiscalizadora ao alegar, através da Solução de Consulta n° 73/2012, que o contribuinte estaria obrigado a aproveitar créditos e débitos do mesmo período em razão do disposto no § 1° do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Isto porque, este dispositivo trata da determinação do valor do crédito, diferenciando as formas de cômputo, entre bens e serviços adquiridos e custos incorridos. Não se pode extrair deste dispositivo que o contribuinte esteja obrigado a apenas aproveitar o crédito no mesmo mês em que foi gerado; ou, ainda, que a condição para o aproveitamento do crédito seria a retificação dos controles fiscais ou contábeis daquele exato mês em que o crédito foi gerado. O posicionamento atual do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é exatamente no sentido da possibilidade de utilização dos créditos tal como efetivado pela Impugnante. Inúmeros julgamentos podem ser encontrados em tal direção, ou seja, afastando a obrigatoriedade de retificação de declarações para que se possa reconhecer o direito ao crédito extemporâneo, conforme se depreende dos exemplos. Não há necessidade de retificação de nenhuma declaração em relação ao passado, nem DCTF nem Dacon, caso em que o aproveitamento do crédito deve ser realizado sem atualização, tal como efetivado pelo contribuinte. Está fora do contexto o posicionamento da fiscalização exteriorizada no presente Auto de Infração e, diante disso, efetuar a glosa do crédito extemporâneo sob o argumento da necessidade de retificação das declarações, deve ser imediatamente afastado. 4. CONCLUSÃO Ao final, requer: I seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração ora impugnado, afastandose completamente os tributos ora exigidos, reconhecendo os créditos decorrentes de (a) aquisição de microcomputadores, suporte de venda e software; (b) créditos Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.148 10 extemporâneos; (c) despesas de armazenagem e frete; (d) sobre ICMS ST; (e) supostas despesas financeiras (em verdade, integrantes do custo do produto); (f) serviços de consultoria e assessoria; (g) comissões de vendas; e (h) serviços de assistência técnica em garantia; bem como reconhecendo o estorno já previamente efetivado dos créditos de IPI, de modo a afastar o realizado no presente processo e seus reflexos; e II – pela produção de todas as provas em direito admitidas. É o relatório." A DRJ/DF em sua decisão de primeira instância, manteve os lançamentos, nos termos da ementa reproduzida abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO Os gastos incorridos no processo produtivo somente dão direito a crédito, no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito, no âmbito do regime não cumulativo, são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a sua não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. NÃO CUMULATIVIDADE. DIVERGENCIAS. DACON. ÔNUS PROBANTE. Não comprovadas, pela empresa, as diferenças encontradas entre as despesas declaradas em Dacon e as despesas efetivas, subsiste para o Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.149 11 fisco o dever de promover a respectiva glosa do crédito não comprovado. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. TRIBUTADA NA SAÍDA. INSUMO. Despesas financeiras, ainda que componham o custo de aquisição e tenham sido oferecidas à tributação na origem, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição, quer por falta de determinação legal expressa, quer por não se tratar de insumo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição. NÃO CUMULATIVIDADE. MICROCOMPUTADORES. SOFTWARE. SUPORTE. CONSULTORIA INFORMÁTICA. As despesas com manutenção e software, suporte, microcomputadores e consultoria de informática, ainda que sejam necessários para a execução da atividade empresarial, não geram direitos a crédito do PIS e da Cofins, por não preencherem a definição de insumo estabelecida na legislação de regência, já que não se tratam de gastos aplicados ou consumidos diretamente na produção. NÃO CUMULATIVIDADE. COMISSÕES DE VENDAS. O pagamento de comissões realizado a parceiros não gera direito a crédito da Cofins, dado que tal serviço não preenche a definição de insumo estabelecida para tal fim pela legislação de regência, por não ser aplicado ou consumido diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. NÃO CUMULATIVIDADE. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. Por não serem considerados insumos à fabricação, não podem ser descontadas como crédito as despesas incorridas pelo fabricante com serviços de assistência técnica em garantia, prestados por terceiros. PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à Cofins lançada a partir da mesma matéria fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Os autos foram distribuídos e pautados conforme Regimento Interno deste Conselho. Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.150 12 Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando a devida tempestividade, conheço o Recurso Voluntário. Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve a matéria do creditamento na apuração das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, assim como o creditamento sobre os insumos do processo produtivo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. De forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. Neste caso em concreto não há, por parte do lançamento ou por parte do contribuinte, a certeza de que os polímeros são aquisições essenciais ao processo produtivo. Destacase esta parte da lide uma vez que, sobre as aquisições dos polímeros, verificase a controvérsia se as despesas financeiras foram somadas ou não ao preço destes produtos e, conseqüentemente, se o creditamento realizado pelo contribuinte, sobre o valor dos produtos somados às despesas financeiras, deve ser mantido ou glosado. Logo, considerando que, sob o regime não cumulativo das contribuições é certa sua incidência sobre as receitas financeiras, conforme lei 10.637/02 e 10.833/03 e, portanto, seria possível a tomada de crédito sobre o valor total das aquisições de produtos com os valores das despesas financeiras incluídas, será necessário averiguar, com prioridade, se os polímeros são aquisições realmente essenciais ao processo produtivo. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.151 13 Dentro deste mesmo tópico de lançamento, a fiscalização glosou e cobrou o creditamento realizado sobre o valor do IPI recuperável, que estaria incluído no valor dos produtos adquiridos. O contribuinte alegou que o lançamento não deve ser mantido uma vez que foram realizados os estornos destes créditos, conforme fls. 910 dos autos, a exemplo. Por sua vez, a DRJ/DF aceita a tese do contribuinte mas afirma que a fiscalização já teria excluído do lançamento os estornos e, para justificar tal posição, aponta as fls. 744 e 745 do TVF. Contudo, nas fls. apontadas pela DRJ/DF, não é possível verificar se a fiscalização considerou ou não os estornos realizados pelo contribuinte. Na mesma linha de raciocínio, não está claro nos autos se os custos com Consultoria têm relação com o processo produtivo das atividades do contribuinte ou não. Destacase que os demais pontos que foram mantidos na decisão de primeira instância e contestados pelo contribuinte em Recurso Voluntário poderão ser solucionados por meio da aplicação da legislação correlata ao Pis e Cofins não cumulativo, assim como não guardam relação direta com a matéria que será objeto desta diligência. Motivo que justifica o julgamento posterior destas matérias. Seja a questão do crédito extemporâneo, seja a questão do creditamento sobre os valores de ICMS/ST incidentes em operações de devolução, a questão do ônus da prova, da nulidade da decisão da DRJ/DF ou a questão do creditamento sobre a aquisição de produtos com alíquota zero. Sobre o creditamento com as despesas em comissões e assistência técnica, existem informações suficientes nos autos para o julgamento do mérito e, portanto, não há razão para a conversão destes pontos em diligência. Por fim, em observação ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, votase no sentido de converter o julgamento em diligência, com o objetivo de que a unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel das Consultorias e das aquisições dos polímeros e bens em que a fiscalização glosou o valor das despesas financeiras, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa; a.1) O contribuinte também deverá juntar as notas fiscais e demais documentos que comprovem os créditos extemporâneos de energia, aluguel e insumo; a.2) deverá comprovar mediante laudo técnico a relação dos softwares e assessorias de Informática com a sua produção e atividade principal; a.3) com relação às glosas de armazenagem, a acusação fiscal foi a de que o contribuinte não comprovou os créditos porque juntou somente uma planilha e nenhum outro documento, logo, o contribuinte deve justificar individualizadamente e com outros documentos o seu direito ao crédito. Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10980.723884/201445 Resolução nº 3201000.838 S3C2T1 Fl. 2.152 14 b) A Receita Federal, deverá considerar os documentos juntados pelo contribuinte que demonstram a inclusão do valor das despesas financeiras no valor dos produtos adquiridos em fls. 934 a 939, assim como os arquivos XML e Anexo XX apontados em Recurso Voluntário (fls. 916 a exemplo) e elaborar relatório identificando em quais dos bens que foram objeto de glosa de despesa financeira a despesa financeira foi realmente incluída no valor do produto ou não, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. b.1) A Receita Federal deverá, ainda, com base nos documentos juntados pelo contribuinte (fls. 910 a exemplo) e com base nas informações constantes nos sistemas da receita federal, elaborar relatório que considere os estornos dos créditos tomados sobre o valor do IPI recuperável, realizados pelo contribuinte, para fins de que possa ser melhor avaliado a possibilidade de manutenção ou não do lançamento neste tópico. b.2) A autoridade fiscal da repartição de origem, também deve elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos dos autos, se caso houver necessidade. Dêse o prazo legal de 30 (trinta) dias para o cumprimento inicial da diligência, prorrogável pelo mesmo prazo em um único período, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11. A recorrente, por sua vez, deverá ser novamente intimada do conteúdo relatório final da autoridade fiscal para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento a esta Turma. Ressaltese, por fim, que em casos semelhantes, medidas semelhantes já foram adotadas por este Conselho. Diante de todo o exposto, votase para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA nos moldes apresentados acima. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000695/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO.
Constada a existência de lapso manifesto, é devida a correção de ofício do Acórdão.
Numero da decisão: 2201-003.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos propostos e, de ofício, sanando a ementa do acórdão vergastado, declarar o recurso voluntário provido.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo- Relator.
EDITADO EM: 03/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
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CORREÇÃO. Constada a existência de lapso manifesto, é devida a correção de ofício do Acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos propostos e, de ofício, sanando a ementa do acórdão vergastado, declarar o recurso voluntário provido. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 03/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 06 95 /2 00 5- 74 Fl. 216DF CARF MF 2 O presente processo trata de auto de infração de ITR relativo ao exercício de 2001, o qual, submetido ao crivo do colegiado de 2ª Instância, foi objeto do Acórdão nº 3201 00.145, de 21 de maio de 2009, fl. 178 a 188. Ciente do referido Acórdão em 05 de outubro de 2009, fl. 189, a Procuradoria da Fazenda Nacional impetrou o Recurso Especial de fl. 194 a 204, admitido nos termos do despacho do Presidente da Primeira Câmara da Segunda Seção deste Conselho, fl. 206/207, que, também, determinou a ciência do contribuinte interessado para, a seu juízo, apresentar contrarazões ao Recurso Especial. Em fl. 209, a unidade responsável pela administração do tributo, mediante simples despacho do Chefe do Núcleo de Arrecadação e Cobrança da DRF Lages/SC, manifestou a necessidade de retificação do Acórdão ou esclarecimentos diante da aparente contradição entre a ementa, que trouxe a expressão "Recurso provido em parte", e a parte dispositiva do Acórdão, que deu provimento ao recurso voluntário. Submetido ao despacho de admissibilidade de fl. 213 e 214, concluiuse pela inexistência de contradição, mas pela ocorrência de lapso manifesto na ementa, já que no conteúdo do voto e da decisão, o colegiado decidiu pelo provimento do recurso, restando inconsistente, tão só, com o teor da ementa, que traz em seu bojo a expressão “Recurso voluntário provido em parte”. Assim, os embargos não foram admitidos, mas a matéria foi submetida a nova deliberação do colegiado para, na forma do art. 66 do Regimento Interno deste Conselho (embargos inominados), correção do lapso manifesto observado, mediante a prolação de novo Acórdão. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Inicialmente, expresso minha discordância em relação às conclusões expressas no juízo de admissibilidade de fl. 213/214, já que, embora recepcionado como embargos de declaração e admitido como embargos inominados, flagrante o fato de que o Chefe do Núcleo de Arrecadação e Cobrança não compõe o rol de legitimados para interposição de embargos expressamente contido no § 1º do art. 65 do RICARF. Não obstante, indispensável corrigir eventual lapso manifesto existente na decisão, de ofício, na forma do art. 32 do Decreto 70.235/72. Para tanto, mister destacarmos alguns excertos do Acórdão em discussão: Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR AREA DE RESERVA LEGAL (ARL) A teor do artigo 10°, §7° da Lei nº 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte para Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10925.000695/200574 Acórdão n.º 2201003.394 S2C2T1 Fl. 217 3 fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA "A", DA LEI N° 9.393/96, NÃO E TRIBUTÁVEL A ÁREA DE RESERVA LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Grifouse. Voto: (...) A controvérsia contida no presente cingese à glosa integral da área de reserva legal, em razão, consoante o entendimento fiscal, que averbação da referida Lea, à.margem da matrícula do imóvel, é intempestiva. (...)Resta comprovado que a área de reserva legal é a de 147,6 ha e que a averbação intempestiva à margem da matrícula do imóvel, no respectivo Cartório, não é razão para desconsiderar a área declarada. Assim, entendo que o contribuinte comprova através dos documentos colacionados acima, a referida área, razão pela qual não vislumbro qualquer razão para que seja glosada a área de Reserva Legal (ARL), quando mais na existência de convincente provação de sua existência. Diante do exposto, não havendo fundamento legal para a glosa da área de reserva legal declarada pelo contribuinte, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Grifouse. Diante dos destaques acima, entendo que não são necessárias maiores considerações por parte deste Relator, já que evidente o lapso na indicação de provimento parcial do Recurso Voluntário, pois o próprio corpo da ementa conduz ao entendimento de que a mera declaração seria suficiente para que o contribuinte fizesse jus à isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal. Os trechos do voto condutor, também reproduzidos acima, delimitam de forma clara o cerne da lide administrativa, que seria a comprovação da área declarada como de reserva legal, glosada pela Autoridade Fiscal por conta de sua averbação à margem da matrícula do imóvel de forma extemporânea. Em sua conclusão, o Conselheiro relator manifesta seu entendimento de que não há fundamento legal para a glosa da área de reserva legal declarada e dá provimento ao Recurso Voluntário, no que foi acompanhado pela maioria do Colegiado. Assim, confirmada a existência de lapso manifesto, necessária sua correção. Conclusão: Fl. 218DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto por não conhecer dos embargos inominados, já que interposto por autoridade não legitimada para tal, e, de ofício, corrigir a ementa do Acórdão nº 320100.145, de 21 de maio de 2009, que passa ter a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL) A teor do artigo 10°, §7° da Lei nº 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA "A", DA LEI N° 9.393/96, NÃO É TRIBUTÁVEL A ÁREA DE RESERVA LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727389/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL.
Reconhece-se o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento nos termos do Relatório de Diligência Fiscal de fls.4.106-4.136.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 04/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Reconhece-se o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento nos termos do Relatório de Diligência Fiscal de fls.4.106-4.136. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 04/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727389/201247 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.524 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CAENGE S/A CONSTRUÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Reconhecese o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifestase fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento nos termos do Relatório de Diligência Fiscal de fls.4.1064.136. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 73 89 /2 01 2- 47 Fl. 4198DF CARF MF 2 Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 04/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar os fatos, adoto e transcrevo o relatório contido na Resolução nº 3302000.504 (fls.2.3712.378): "Tratase de autos de infração para a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e da Contribuição para o PIS/PASEP, no montante de R$ 8.016.601,50 e R$ 2.111.794,10, respectivamente. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal consistiu em promover as denominadas verificações obrigatórias, tendo a fiscalização identificado divergências entre os registros contábeis da empresa e os valores das referidas contribuições informados nos DARF, DACON e DCTF, referentes aos anos de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e aos meses em curso do ano de 2012. Em face das divergências identificadas, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 12/06/2012, por meio do qual intimou a contribuinte a, no prazo de 5 dias, se manifestar acerca das diferenças apuradas entre os valores escriturados de Cofins e de contribuição para o PIS a recolher e aqueles informados nos mencionados demonstrativos e declarações. Para tanto, elaborou o agente fiscal as planilhas que integram o denominado Anexo "E" (fls. 54/55, 68/69, 79/80, 93/95, 107/109 e 120/122. Em resposta datada de 18/07/2012, a fiscalizada justificou: "Em que pese o exíguo prazo para a análise, foi observado por parte desta empresa que a constatação do fiscal deuse em razão deste ter utilizado a coluna de crédito do Razão de todos os tributos e ter considerado como base de cálculo e comparado com a DCTF. Frisese que a coluna de crédito do razão é a apropriação total, para o cálculo ficar correto e igual à DCTF tem que considerar os estornos, retenções, ajustes, Lalur. Anexa planilha demonstrativa." A autoridade fiscal considerou insatisfatórias as explicações da contribuinte. Não obstante, elaborou novas planilhas que subsidiaram os autos de infração. Nessas novas planilhas, anexadas às fls. 24/40, o agente fiscal identifica mês a mês, de janeiro/2007 a março/2012, de forma englobada (para os quatro códigos de receita 8109, 6912, 2172 e 5856), as diferenças da referidas contribuições sociais, Fl. 4199DF CARF MF Processo nº 10166.727389/201247 Acórdão n.º 3302003.524 S3C3T2 Fl. 3 3 promovendo o cotejo entre os valores escriturados de Cofins e de contribuição para o PIS a recolher e aqueles informados em DCTF. Destaquese que, para o ano de 2007, a autoridade fiscal não apurou diferença a favor do Fisco, mas, sim, crédito em favor do contribuinte. Referido crédito foi sendo abatido a partir do mês de apuração de janeiro/2008, tendo o agente fiscal apurado diferença a favor do Fisco somente a partir do período de apuração de setembro/2008. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 407/438, por meio da qual deduz, em síntese, o seguinte: Os Razões contábeis utilizados pela fiscalização contém informações tanto das atividades operacionais exclusivamente da CAENGE como das Sociedades em Conta de Participação SCP, das quais é sócia ostensiva. A fiscalização não se deu ao trabalho de examinar todas as informações prestadas pela empresa, ignorando as questões relativas à diferença dos códigos de recolhimento, em função de a empresa ter atividade própria e atividades desenvolvidas através das SCP. O critério utilizado pela fiscalização resumiuse a confrontar todos os valores lançados a crédito das contas de obrigações da empresa (PIS e Cofins a pagar), com as DCTF e Dacon. Em nenhum momento a fiscalização reconheceu os lançamentos a débito, a exceção dos DARF recolhidos, muito embora a autuada tenha esclarecido várias vezes que existiram diversos lançamentos a título de estornos, compensações de impostos retidos e ajustes de meses anteriores, "que como a empresa não cancelava os lançamentos, os mesmos eram tratados como estornos." O crédito a favor da contribuinte, no valor de R$ 673.689,06, referente ao ano de 2007, apurado pela própria fiscalização, "seria muito bem vindo", mas infelizmente não é crédito da empresa. Elabora planilha para demonstrar que não há qualquer diferença a recolher a título de Cofins ou de contribuição para o PIS relativos aos meses do ano de 2007. Quanto aos demais períodos de apuração, esclarece, mês a mês, a partir de janeiro/2008 que não foram consideradas determinadas retenções ou estornos, fazendo referência às folhas dos livros Razão Analítico que anexou à peça de impugnação. Reconhece que há diferenças em favor do Fisco em alguns poucos períodos de apuração. Solicita parcelamento, com direito à redução da multa, dos montantes de R$ 150.994,03, R$ 46.614,79 e R$ 812.288,92, referentes aos anos de 2008, 2009 e 2011, respectivamente. Para tanto, pede que os presentes autos sejam apartados. É o breve relatório III. DA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Fl. 4200DF CARF MF 4 Conforme consignado no relatório, a impugnante sustenta que grande parte das diferenças de Cofins e de contribuição para o PIS a recolher, apuradas pelo Fisco, não subsiste. Segundo a contribuinte, com exceção de alguns poucos meses, as divergências entre os registros contábeis da empresa e os valores das referidas contribuições informados nas DCTF só foram apuradas porque a fiscalização não considerou diversos lançamentos a título de estornos, compensações de impostos retidos e ajustes de meses anteriores A fiscalização, por seu turno, informou que os esclarecimentos prestados pela fiscalizada foram "insatisfatórios" para justificar as divergências constatadas. Na impugnação, a contribuinte anexou, entre outros documentos, os Razões Analíticos do períodos objeto de lançamento. Examinandose, por amostragem, os Razões Analíticos apresentados, constatase que realmente a fiscalização considerou o somatório dos lançamentos a crédito das contas de Cofins e de contribuição para o PIS. Ocorre que a impugnante justifica, por exemplo, a divergência constatada pela fiscalização para o mês de janeiro/2008, no montante de R$ 57.312,87, por não ter o Fisco considerado as retenções de contribuição para o PIS, no valor de R$ 12.336,84, e de Cofins, no valor de R$ 44.976,07, lançamentos a débito nas aludidas contas, conforme evidenciam os documentos anexados às fls. 663 e 666, respectivamente. Nos demais meses, o cenário se repete Nesse contexto, considerando que: Ao que parece, somente com a impugnação apresentou a contribuinte os esclarecimentos detalhados (acompanhados de elementos probantes) das divergências apuradas pela fiscalização. As provas carreadas aos autos não permitem a este julgador decidir com segurança qual o efetivo quantum debeatur, mormente porque a fiscalização apurou um crédito em favor da contribuinte, no ano de 2007, que a própria impugnante não reconhece. A fiscalização pode proceder à verificação de outros lançamento contábeis relacionados ou prestar outras informações relevantes para o deslinde da controvérsia. Proponho, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a conversão do julgamento em diligência, devendo para tanto o presente processo retornar à Delegacia da Receita Federal em Brasília (DF). A. A Autoridade fiscal diligenciante deverá: Examinar a documentação acostada na impugnação, promovendo ainda as diligências que entender cabíveis, anexando termos e documentos. Elaborar parecer conclusivo sobre os esclarecimentos e provas carreadas pela impugnante, apresentado proposta fundamentada para o seu acolhimento integral, acolhimento parcial ou não acolhimento. No caso de proposta de acolhimento, ainda que parcial, elaborar novas planilhas, separadas para a Cofins e para a contribuição para o PIS, que contenham, mês a mês, os novos valores de principal devidos para essas contribuições. Fl. 4201DF CARF MF Processo nº 10166.727389/201247 Acórdão n.º 3302003.524 S3C3T2 Fl. 4 5 Concluída a diligência, se for o caso, do seu resultado deverá ser dado ciência ao contribuinte para que, querendo, se manifeste nos autos. B. A autoridade administrativa deverá: 1. Formalizar autos apartados para promover a cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS, referentes aos anos de 2008, 2009 e 2011, nos montantes de R$ 150.994,03, R$ 46.614,79 e R$ 812.288,92, respectivamente. Após, retornese a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF)." Cumprida a diligência solicitada por este órgão julgador, a autoridade fiscal lavrou, em 28/03/2013, o Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos n° 0003 (fl. 1.455), por meio do qual (1) deu ciência à contribuinte do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1.448/1.454); e (2) intimou a interessada a proceder, no prazo de 5 (cinco) dias, à vinculação dos DARF, referentes aos códigos de receita 8109, 6912, 2172 e 5856, não informada nas DCTF. Solicitada a prorrogação do referido prazo, a autoridade fiscal concedeu prazo adicional de 30 (trinta) dias para atendimento da mencionada intimação. Dentro do novo prazo, em 10/06/2013, a contribuinte deu entrada em petição a que denomina renovação de impugnação (fls. 1.463/1.482), por meio da qual assevera que, a despeito da manifestação parcialmente favorável da autoridade fiscal diligenciante, ainda assim deixaram de ser avaliados diversos aspectos e não foram consideradas várias comprovações apresentadas durante o curso da fiscalização e por ocasião da impugnação. Em sua manifestação, a contribuinte, em síntese, alega que remanescem sem ser considerados pela fiscalização alguns estornos, retenções, parcelamentos e até pagamentos efetuados. Elabora demonstrativos para diversos períodos objeto de exigência fiscal, concluindo ora pela não existência do crédito tributário, ora pela sua existência apenas parcial. Reitera o pedido de desmembramento do presente processo, para a formação de autos apartados quanto à parte não contestada. Encaminhado o processo à Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Brasília/DF, para cumprimento da segunda providência solicitada por este Relator, no aludido despacho de diligência, qual seja, a de formalizar autos apartados para promover a cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS, referentes aos anos de 2008, 2009 e 2011, nos montantes de R$ 150.994,03, R$ 46.614,79 e R$ 812.288,92, respectivamente, o AuditorFiscal responsável prestou a seguinte informação (fls. 1.570/1.571): "3. No âmbito da RFB, os créditos tributários levados à cobrança são discriminados por tributo, código de receita e período de apuração/exercício. Ausente essa informação no referido despacho, o setor de cobrança desta DICAT, diante da inviabilidade de se cobrar o crédito tributário pelos montantes totais reconhecidos, solicitou a este setor a indicação dos tributos/receitas/períodos de apuração que devem sofrer o desmembramento (fls. 1569). Podese inferir do auto de infração e do extrato do processo que os tributos exigidos nestes autos são de apuração mensal. Fl. 4202DF CARF MF 6 4. Compulsada a peça impugnatória, constatouse que o contribuinte apurou, em certos meses, créditos de ambos os tributos/receitas, que alega fazer jus, compensando os, pelo valor total, com a soma dos débitos de outros tantos períodos de apuração, inclusive de meses em que sequer houve lançamento. O resultado deste cotejo é o montante reconhecido como devido pelo impugnante, não sendo possível determinar qual tributo/receita/período credor é compensado com qual tributo/receita/período devedor. 5. Outrossim, o desmembramento solicitado pelo contribuinte implicaria legitimar os créditos reivindicados, questão que, com a devida vênia, entendese residir no próprio mérito do contencioso, cuja solução transborda a competência deste setor. De outra forma, apartar somente os tributos/receitas/períodos devedores implicaria a cobrança de valores superiores ao montante reconhecido pelo sujeito passivo. 6. Desse modo, as informações disponíveis no processo não permitem determinar com a certeza que o caso requer sobre quais tributos/receitas/períodos de apuração deve recair o desmembramento solicitado. Assim, propõese o retorno do processo ao setor de cobrança para a adoção das medidas a seu encargo, com a sugestão de que a questão seja perquirida junto à Delegacia de Julgamento." A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF julgou procedente, em parte, a Impugnação, nos termos do Acórdão no 0357.144, de 18/11/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. No procedimento fiscal consistente em promover as denominadas verificações obrigatórias, em que a fiscalização identifica divergências entre os registros contábeis da empresa e os valores da Cofins informados nos DARF, DACON e DCTF, devem ser considerados os lançamentos a título de estornos, compensações de impostos retidos e ajustes de meses anteriores, bem os pagamentos efetuados, ainda que sem vinculação em DCTF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. No procedimento fiscal consistente em promover as denominadas verificações obrigatórias, em que a fiscalização identifica divergências entre os registros contábeis da empresa e os valores da contribuição para o PIS informados nos DARF, DACON e DCTF, devem ser considerados os lançamentos a título de estornos, compensações de impostos retidos e ajustes de meses anteriores, bem os pagamentos efetuados, ainda que sem vinculação em DCTF. Ciente desta decisão em 13/12/2013 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 10/01/2014, com Recurso Voluntário, no qual alega: que não foi alocado aos débitos lançados os DARFs pendentes de vinculação em DCTF, conforme expressamente determinou o Acórdão recorrido. Não é possível à Recorrente efetuar a retificação das DCTF para fazer as vinculações determinadas pela DRJ em face do que dispõe o art. 9°, § 2°, II; parte dos débitos objeto da autuação foram parcelados administrativamente e, portanto, foram confessados e alguns foram inscritos em DAU. O fato do parcelamento ter sido rescindido não autoriza o lançamento de ofício dos débitos objeto do parcelamento, posto que houve confissão de dívida. A decisão recorrida não excluiu do lançamento os débitos parcelados que cita. Fl. 4203DF CARF MF Processo nº 10166.727389/201247 Acórdão n.º 3302003.524 S3C3T2 Fl. 5 7 para o PA 09/2008 não foi deduzido o valor de R$ 1.966,77 de PIS e R$ 9.077,42 decorrentes de "estornos ou valores de ajustes do razão"; para os PA 09/2009 e 10/2009 não foi considerado os valores inseridos em parcelamentos e as retenções que cita; para os PA de 02/2010 a 11/2011 não foi considerado pagamentos efetuados (DARF), retenções realizadas, parcelamentos formalizados, "impostos a compensar", "estornos ou valores de ajuste do razão" que identifica. pelo princípio da verdade material, eventuais erros cometidos no preenchimento de declarações não são suficientes para a manutenção do lançamento de ofício, conforme jurisprudência administrativa que cita. É o Relatório do essencial. Por meio da referida resolução, restou decidido pela Turma Julgadora converter o julgamento em diligência para que a Recorrente apresentasse demonstrativo claro e objetivo dos valores devidos e dos respectivos pagamentos, parcelamento, retenções e exclusões (compensação/parcelamento/ajustes/estornos), bem como para indicar quais pagamentos deixaram de ser alocados, conforme decisão de piso e os quais foram os débitos parcelados que estão no lançamento. A fiscalização, por sua vez, deu cumprimento as determinações contidas na referida resolução e, após a prestação de informação por parte da Recorrente apresentou o relatório de diligência fiscal (fls. 4.1064.136) com a seguinte conclusão: "CONCLUSÃO Diante dos dados e fatos acima analisados, relativos às informações e aos documentos constantes do processo em epígrafe e apresentados pela recorrente em resposta aos TDF 1 e 2, restariam ainda devidos pela recorrente os seguintes valores: PERÍODO DE APURAÇÃO TRIBUTO VALORES DEVIDOS PIS 28.287,35 set/08 COFINS 117.723,64 PIS 34.947,69 jan/11 COFINS 158.889,10 PIS 9.656,34 fev/11 COFINS 47.340,01 PIS 32.377,00 mar/11 COFINS 156.012,44 PIS 35.843,61 abr/11 COFINS 165.415,50 PIS 28.876,45 mai/11 COFINS 135.458,73 PIS 18.041,30 jun/11 COFINS 87.773,35 Cabe destacar que, em relação aos lançamentos efetuados por meio do Auto de Infração, relativos aos períodos de apuração de novembro e dezembro Fl. 4204DF CARF MF 8 de 2009 e janeiro de 2010, não houve contestação por parte da recorrente no recurso voluntário. Intimada do resultado da diligência, a Recorrente apresentou manifestação carreada às fls. 4.1464.148 concordando com o relatório de diligência fiscal, com exceção apenas em relação a parte do débito do período de jan/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 13.12.2013 (fls.1.613) e protocolou Recurso Voluntário em 10.01.2014 (fls. 1.6141.643), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões preliminares A Recorrente em sede recursal não arguiu questões preliminares, restringindo seu inconformismo apenas em relação ao mérito propriamente dito. Deste modo, passase a análise dos argumentos suscitados pela Recorrente. III Mérito Antes de analisar as alegações da Recorrente, destacase alguns pontos importantes ao deslinde da processo, a saber: Primeiro ponto: O auto de infração foi lavrado para cobrança dos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos entre 30/09/2008 e 31/10/2008; 31/01/2009, 30/09/2009 a 31/12/2009; 31/01/2010 a 31/08/2010, 31/10/2010 a 31/12/2010; 31/01/2011 a 31/12/2011. Segundo ponto: A decisão de primeira instância reduziu/excluiu os débitos relativos aos seguintes períodos: 09/2008; 10/2008; 01/2009; 09/2009; 10/2009; 02/2010 e 12/2011. Terceiro ponto: O Recurso Voluntário versou apenas sobre os débitos relativos aos períodos de 09/2008; 09/2009; 10/2009; 02/2010 a 12/2010; e 01/2011 a 11/2011, sendo estes os únicos períodos objeto de diligência fiscal. Deste modo, verificase a Recorrente não recorreu de parte do débito mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Fora isso, registrase que a Recorrente concordou em parte com o relatório fiscal, insurgindose tão somente em relação a parte do débito de jan/2011. Assim, a análise do 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 4205DF CARF MF Processo nº 10166.727389/201247 Acórdão n.º 3302003.524 S3C3T2 Fl. 6 9 recurso voluntário interposto pela Recorrente será restrita apenas em relação ao argumento relativo ao débito do período de jan/2011. III.1 O débito relativo ao período de Jan/2011 Em relação ao débito do período de Jan/2011, o Relatório de Diligência Fiscal manteve o lançamento fiscal por ausência de documentos capazes de comprovar o direito alegado pela Recorrente, em especial o comprovante de retenção dos tributos, conforme se verifica no demonstrativo abaixo: PIS COFINS Admitido pela própria recorrente R$ 16.023,26 Admitido pela própria recorrente R$ 78.139,03 "Ajuste" efetuado em 31/01/2011 não comprovado R$ 17.495,85 "Ajuste" efetuado em 31/01/2011 não comprovado R$ 80.750,07 "Ajuste" efetuado em 31/01/2011 não comprovado R$ 1.428,58 TOTAL A LANÇAR R$ 34.947,69 TOTAL A LANÇAR R$ 158.889,10 Em sede de manifestação (fls.4.1464.148), a Recorrente concordou parcialmente com a conclusão do relatório, insurgindose somente em relação ao débito de PIS no valor de R$ 17.495,85 e da COFINS no montante de R$ 80.750,07, pois segundo ela esses valores foram objetos de lançamentos equivocados pela sua contabilidade, posteriormente corrigidos por ajustes. Segundo a Recorrente: "Os mencionados valores de PIS e COFINS referemse a receitas relativas à Obra 03.2.563X, especificadamente quanto a Nota Fiscal de Serviços nº 1800, emitida em face do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), de modo que os tributos supostamente devidos em Janeiro/2011 foram objeto de retenção pela referida pessoa jurídica de direito público em Fevereiro/2011. Explicase que a Recorrente receber 2 (duas) parcelas relativas à Nota Fiscal nº 1800, no valor de R$ 1.780.428,20 e de R$ 911.240,91, em 04/11/2011 e em 27/01/2011, respectivamente, a título de adiantamento e, assim sendo, não houve retenção por do TJDFT. Entretanto, o setor contábil da Recorrente não percebeu que se tratava de adiantamentos, pelo que efetuou, equivocadamente, lançamentos em Jan/2011 de PIS, no valor de R$ 17.495,85, e de COFINS, no valor de R$ 80.750,07, relativos à Obra 03.2.563X, como se tais valores tivessem sido retidos, o que somente ocorreu no mês seguinte. De fato, em Fevereiro/2011, o TJDFT efetuou o pagamento de outra parcela da Nota Fiscal nº 1800, no valor de R$ 1.049.980, e efetuou a retenção utilizando como base de cálculo o valor de R$ 3.409.228,78. Ou seja, a fonte pagadora reteve em Fevereiro/2011 o PIS e COFINS devidos não apenas em relação ao pagamento feito nesse mês (em 23/02/2011), mas também em relação aos pagamento adiantados no mês anterior (em 04/01/2011 e em 27/01/2011). Fl. 4206DF CARF MF 10 Ao perceber que a retenção do PIS e da COFINS devidos em relação aos valores recebidos em Janeiro/2011 e Fevereiro/2011 foi feita de foram unificada pelo TJDFT em Fevereiro/2011, a Recorrente efetuou o estorno da retenção de PIS e COFINS lançada em Janeiro/2011, com o objetivo de reproduzir em sua contabilidade aquilo que ocorreu na realidade." Para comprovar suas alegações, a Recorrente carreou planilha com apuração dos tributos, cópia da Nota Fiscal nº 1800; e Razão Analítico do período de 01/01/2011 a 28/02/2011. Pois bem. Como visto, a Recorrente pleiteia o reconhecimento do crédito de PIS no valor de R$ 17.495,85 e da COFINS no montante de R$ 80.750,07, sendo que, o ponto central da discussão é a efetiva comprovação da retenção dos tributos por parte do Tomador de Serviços (TJDFT). Quanto à retenção na fonte informada pela Recorrente, verificase que não houve apresentação do comprovante de retenção na fonte, sendo este o motivo que justificou a manutenção do débito por parte da fiscalização. O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. A Recorrente apresentou desde a fase impugnatória cópia do Razão Analítico com lançamentos de valores retidos, ajustes escriturados e planilhas. Entretanto, a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a efetividade da famigerada retenção dos tributos, o que em relação ao período aqui discutido não foi realizado (art.26 Dec.7574/20113). Reforça essa convicção o fato de que o órgão julgador recorrido já havia alertado a Recorrente acerca da necessidade de juntada de tais elementos e que, na fase de recurso, a Recorrente igualmente não os trouxe ao processo. Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 4207DF CARF MF Processo nº 10166.727389/201247 Acórdão n.º 3302003.524 S3C3T2 Fl. 7 11 desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)4 Não se pode esquecer, finalmente, que a busca da verdade material, como é cediço, pressupõe a apresentação de elementos que viabilizem tal tarefa. Ressaltase, por oportuno, que quando da realização da segunda diligência, a Recorrente fora intimada para fornecer os seguintes dados e documentos (vide termo de diligência fiscal, fls.2.383), a saber: "Obs. 03: Em relação aos valores retidos por órgão públicos, deve ser identificado o respectivo órgão público que efetuou a retenção, a nota fiscal, a data do recebimento/retenção e o valor retido em cada período de apuração". A Recorrente, por sua vez, não atendeu a solicitação realizada pela fiscalização e deixou de comprovar seu pretenso direito, considerando que os documentos a carreados às fls. 3.1463.186 não guardam relação com os débitos de PIS/COFINS do período de JAN/2011, exceção feita apenas ao Razão Analítico, motivando, assim, a manutenção do débito por parte da autoridade fiscal, que assim decidiu em relação ao débitos aqui tratados: "Lançamento efetuado no dia 31/01/2011, no valor de R$ 17.495,85: a recorrente alegou que para este valor houve retenção de valor idêntico no mesmo dia (fls. 3847 a 3851), porém não apresentou comprovantes da referida retenção. Assim, o respectivo lançamento de "ajuste" não deve ser considerado na apuração deste mês, isto é, o valor de R$ 17.495,85 deve compor o valor total devido. Lançamento efetuado no dia 31/01/2011, no valor de R$ 80.750,07: a recorrente alegou que para este valor houve retenção de valor idêntico no mesmo dia (fls. 3884 a 3887), porém não apresentou comprovantes da referida retenção. Assim, o respectivo lançamento de "ajuste" não deve ser considerado na apuração deste mês, isto é, o valor de R$ 80.750,07 deve compor o valor total devido." Concluise, assim, que a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais a superar os fatos apurados e explicados pela autoridade julgadora na decisão recorrida. No presente caso, mister é que a Recorrente faça prova cabal de que houve efetivamente retenção dos tributos pela fonte pagadora, fazendo prova deste com a apresentação do informe/comprovante de rendimentos ou com cópia do documento de arrecadação, nada neste sentido foi comprovado pela Recorrente. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 4208DF CARF MF 12 Sequer os documentos carreados na manifestação de fls.4.1464.196, demonstram de forma cabal a existência de retenção do tributo, pois, repitase, a Recorrente não trouxe aos autos cópia do informe/comprovante de rendimentos ou cópia do documento de arrecadação. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento nos termos do Relatório de Diligência Fiscal de fls.4.1064.136. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 4209DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.720078/2007-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para delimitar o litígio à discussão da glosa da área de Reserva Legal, por ser a matéria objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional, prejudicada qualquer manifestação sobre a área de Preservação Permanente, por ser matéria estranha ao recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PEDRO GALVAO PRATA TEODORO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para delimitar o litígio à discussão da glosa da área de Reserva Legal, por ser a matéria objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional, prejudicada qualquer manifestação sobre a área de Preservação Permanente, por ser matéria estranha ao recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 78 /2 00 7- 88 Fl. 265DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2005. Conforme auto de infração (fls. 73 e seguintes) a autuação pode assim ser resumida: 1) Área de Preservação Permanente e Área de Reserva legal: apesar de reconhecer que há comprovação de APP no total de 59,60 ha (por laudo técnico) e ARL de 451,40 ha (área averbada) os valores foram glosados haja vista a apresentação intempestiva de ADA. O Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6 (seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. O ADA apresentado pelo contribuinte foi protocolizado em 29/09/2006, portanto, intempestivo. 2) Valor da terra nua: aplicação dos valores constantes do SIPT haja vista ausência de laudo de avaliação e outras provas que fundamentem o VTN declarado. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 84/95 e documentos, inclusive laudo de avaliação afirmando que 1) impossibilidade de se computar como tributável as áreas de preservação permanente e utilização limitada haja vista a revogação ao art. 17O, §1º da lei nº 6.938/81 pela MP nº 2.16667/2001 a qual previa a obrigatoriedade do ADA; 2) ilegalidade da Portaria SRF n 447/2002 que exige ADA para fins de isenção do ITR; 3) questiona o valor do SIPT, especialmente diante dos laudos técnicos apresentados; 4) questiona a desconsideração das áreas de APP e utilização limitada que não diminui o grau de utilização, área supostamente tributável mas não aproveitável; 5) por fim requer a produção de perícia apresentado seus quesitos. A Delegacia de Julgamento (fls. 150/161), afastando as preliminares arguidas e o pedido de perícia, manteve na íntegra o lançamento. No Recurso Voluntário (fls. 167/178) o Contribuinte requer a decretação da nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa em razão do indeferimento da perícia requeria, e subsidiariamente, no mérito, reitera as alegações de defesa. Por meio do acórdão nº 210201.871 a 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento em parte ao Recurso Voluntário para afastando a nulidade reconhecer as áreas de APP e ARL declaradas e retificar o valor do VTN arbitrado para o valor apurado por ato do Município do local do imóvel. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 9202005.176 CSRFT2 Fl. 266 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PEDIDO DE PERÍCIA. A Declaração de ITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Não se concebe o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório, cuja comprovação é ônus do contribuinte. ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. VALOR FIXADO PELO MUNICÍPIO. Acolhese VTN fixado em Decreto da Prefeitura Municipal, dado que estabelecido para as diferentes micro regiões do município ao passo que no SIPT a informação ali contida é de VTN médio. Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada a União interpôs recurso especial de divergência para questionar a interpretação dada pelo Colegiado a quo no sentido de aceitar ADA extemporâneo acompanhado de outra prova para fins de exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. O Contribuinte protocolizou petição (fls. 245) requerendo a anulação do lançamento com a lavratura de um novo cujo valor seja calculado com base na decisão que reconheceu o direito a isenção do ITR sobre a APP de 641,1 ha e ARL 451,4 ha, e ainda fixou o VTN do imóvel em R$ 5.362.632,00. Intimado do Recurso Especial o Contribuinte apresentou suas contrarrazões requerendo a manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Fl. 267DF CARF MF 4 Antes de entrarmos no mérito do recurso, necessário tecer comentários sobre a delimitação da lide. O despacho de admissibilidade de fls. 239/240 reconheceu a divergência jurisprudencial fazendo o seguinte esclarecimento: De fato, as interpretações dos acórdãos indicados pela PFN divergem do acórdão recorrido. Nos paradigmas, entendese que é indispensável a apresentação tempestiva do ADA para as áreas de preservação permanente e utilização limitada, além da averbação das áreas de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural para as áreas de reserva legal, como condição para o contribuinte usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Nestes autos, decidiuse que o ato específico ao órgão, por si só, não é condição suficiente para impedir o reconhecimento dessas áreas. Em que pese tal explicação tenha sido feita, devo destacar que a fundamentação do Recuso Especial contradita o acórdão recorrido apenas no que tange a área de reserva legal, não apresentando qualquer consideração acerca da área de preservação permanente. Vejamos trechos do recurso: "O acórdão proferido pelo colegiado a quo, no entanto, não merece prosperar no que se refere à exclusão da área de reserva legal da área tributável, conforme se demonstrará nas linhas seguintes." "O v. acórdão ora recorrido entendeu dispensável a apresentação tempestiva de ADA para comprovar a área de reserva legal relativa ao exercício 2002. DIVERSAMENTE, os acórdãos paradigmas exigem a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste, junto ao órgão ambiental competente, tudo com vistas ao reconhecimento da isenção do ITR – exercícios 2001 e 2002 sobre as áreas de reserva legal. Confiram‑ se as ementas abaixo transcritas (acórdãos nº 302‑ 39142 e 391‑ 00037), extraídas do site: www.carf.fazenda.gov.br:" "Da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, com a finalidade de justificar as áreas de reserva legal, confirma‑ se o não cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ‑ ADA, emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado, relativamente ao exercício 2002." "O primeiro ponto que se deve destacar, no tocante às áreas de reserva legal, é que o citado dispositivo legal trata de concessão de benefício fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Assim, para efeito da exclusão das aludidas áreas da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração." Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 9202005.176 CSRFT2 Fl. 267 5 "Registre‑ se que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de reserva legal. O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação." E conclui: No caso concreto, o contribuinte não solicitou o ADA dentro do prazo previsto na legislação de regência, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de reserva legal. Observase, portanto, que a matéria devolvida a este Colegiado por meio do recurso especial trata exclusivamente da necessidade de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão das áreas de reserva legal do campo de incidência do ITR, razão pela qual deixarei de me manifestar sobre a área de Preservação Permanente objeto do lançamento, por ser matéria estranha ao recurso. Do mérito: Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de reserva legal do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna Fl. 269DF CARF MF 6 com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' àqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 9202005.176 CSRFT2 Fl. 268 7 g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais Fl. 271DF CARF MF 8 legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 9202005.176 CSRFT2 Fl. 269 9 em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de Fl. 273DF CARF MF 10 qualquer outro requisito uma APP. Para tanto basta ao Contribuinte apresentar provas robustas sobre a condição do seu imóvel. Em contrapartida, por força dos §§4º e 8º do art. 16 para caracterização de Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. No presente caso, nos interessa discutir acerca dos requisitos que devem ser cumpridos pelo Contribuinte para que reste caracterizada a não incidência do ITR sobre áreas classificadas como de Reserva Legal. Do requisito da averbação: Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe é pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A própria Receita Federal do Brasil nos documentos "Perguntas e Respostas do ITR" manifestava expressamente no sentido de a legislação do ITR não exigir a averbação da área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Por outro lado a necessidade de averbação das áreas de Reserva Legal é exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de ser a averbação requisito constitutivo da referida área. A averbação é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 9202005.176 CSRFT2 Fl. 270 11 Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fim de não incidência do ITR a averbação no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins de constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentouse na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma Fl. 275DF CARF MF 12 originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 9202005.176 CSRFT2 Fl. 271 13 Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância APP e ARL, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção: 1) à Área de Preservação Permanente devidamente comprovada nos autos e cujo ADA foi requerido antes do início da ação fiscal, e 2) à Área de Reserva Legal devidamente averbada à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Para a maioria o cumprimento destes requisitos formais suprem a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama Fl. 277DF CARF MF 14 para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 9202005.176 CSRFT2 Fl. 272 15 (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. Fl. 279DF CARF MF 16 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Analisando as provas juntadas aos autos, concluo que não haverá incidência de ITR sobre a Área de Reserva Legal declarada pelo Contribuinte no total de 451,4 ha, haja vista existência de averbação em data anterior ao fato gerador nos termos dos registros de imóveis juntados. Assim, diante de todo o exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 9202005.176 CSRFT2 Fl. 273 17 Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.000856/2003-60
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1998, 1999, 2000
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência quando não houver necessidade de sua realização.
ERRO DE FATO Comprovada a ocorrência de erro de fato no
preenchimento da DIPJ, cabe a sua retificação e, por conseqüência, o reconhecimento do direito pleiteado.
COMPENSAÇÃO. Comprovado parcialmente a existência do direito
creditório, devem ser homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1803-000.839
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório adicional no valor de R$ 13.863,34 em relação ao ano de 2000, R$ 8.000,92 em relação ao ano de 2001, R$ 12.438,67
em relação ao ano de 2002, homologandose as compensações até o limite do crédito adicional. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que fará declaração de voto.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando não houver necessidade de sua realização. ERRO DE FATO Comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DIPJ, cabe a sua retificação e, por conseqüência, o reconhecimento do direito pleiteado. COMPENSAÇÃO. Comprovado parcialmente a existência do direito creditório, devem ser homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório adicional no valor de R$ 13.863,34 em relação ao ano de 2000, R$ 8.000,92 em relação ao ano de 2001, R$ 12.438,67 em relação ao ano de 2002, homologandose as compensações até o limite do crédito adicional. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo de Declarações de Compensação apresentadas em formulário e eletronicamente, por meio dos quais a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório referente a saldos negativos de IRPJ e da CSLL, relativos aos anoscalendário de 1998 a 2001, para compensar débitos de períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal deferiu parcialmente o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 363/375, de 21 de setembro de 2007, que se transcreve: "ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/LUCRO LÍQUIDO Anos calendário: 1998 a 2002 EMENTA: SALDO CREDOR NA APURAÇÃO ANUAL DO IRPJ E DA CSLL Comprovados os valores dos Saldos Negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados no balanço anual em conformidade com a legislação, devese reconhecer o crédito para fins de utilização em procedimento de compensação com débitos próprios. Compensação Somente os créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional podem ser utilizados na compensação de débitos tributários, quando administrados pela RFB e satisfeitas as condições previstas nas normas de regência COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS PARCIALMENTE Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação com crédito de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL, conforme quadro a seguir, protocolado em 25.02.2003 (fls. I e 2) e devidamente retificado conforme fl. 38: ANOCALENDÁRIO EX. IRPJ CSLL 1998 1999 2.527,13 0,00 1999 2000 412.311,82 58.764,00 2000 2001 37.175,80 0,00 2001 2002 3.243, 65 0,00 2002 2003 12.438,81 0,00 2. A contribuinte apresentou outras Declarações de Compensação (fls.40, 68 e 96) com fundamento neste crédito, cujos débitos foram cadastrados nos processos de n°s 10860.001912/200383, 10860.001026/200350 e 10860.001462/200329, os quais foram anexados a este para prosseguimento e análise. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 819 3 3. Fundamentou seu pedido com documentos pertinentes para a comprovação do alegado, como segue: > Contratos sociais da pessoa jurídica cópias fls. 7/18, 20/27, 47/66, 70/89 e 102/121; > Procuração do requerente fls. 5/6, 45/46, 90/91 e 98/99; > Cópias das fichas de apuração do 1RPJ e da CSLL anuais dos exercícios correspondentes fls. 28/37; 4 Também indicou o presente processo como origem do direito creditório para compensação e, por meio eletrônico, apresentou as seguintes Declarações de Compensação, cujos números constam na tabela abaixo, com a informação dos primeiros dez dígitos para melhor compreensão, a saber: 1151879542 3744673562 2873997911 0375821856 1395714253 2867224581 1838910305 3016247688 0383415107 1880209015 0871542203 1240649714 4092496600 3578732092 0834688502 0776789278 4290285764 2685485683 2598568260 3613152756 1097699339 3525455488 0698192867 1248084897 2697203323 1737991436 1383920489 2509189692 5.As Declarações de Compensação PERDCOMP – apresentadas estão enfeixadas às fls. 124/199 e 202/237. 6. A contribuinte, por conta própria e anteriormente à MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002, efetuou diversas compensações de débitos apurados de estimativa de IRPJ e CSLL com indébitos de igual tributo, cujo procedimento era facultado pela IN SRF n° 21, de 1997, conforme informa em sua planilha de fl. 38, cujos valores foram objeto de verificação e análise, conforme diversos documentos anexados. Ii 7. Para a instrução do processo, foram juntados os documentos e telas de sistemas internos da RFB, conforme fls. 247/328. Fundamentação Legal 8. A pessoa jurídica optou por efetuar os recolhimentos devidos de IRPJ e CSLL com base no regime de estimativa e/ou balancete de suspensão, isto é, o valor que se apura, e que se está obrigado a recolher aos cofres da Fazenda Nacional, é resultado de uma determinação legal, conforme a Lei n°9.430, de 29.12.1996, in verbis: "Art. 2°. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 4 que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 10 e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1° O imposto a ser pago mensalmente na forma deste será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2° A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento de imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2° do artigo anterior. Lei n° 8.981, de 20.01.1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrendo anocalendário. 9. Posteriormente, a Lei n° 9.065, de 20.06.95, veio corrigir uma distorção com a realidade dos negócios e deu nova redação ao art. 35, acima citado, alterando o parágrafo 2° e inserindo os §§ 3° e 4°, que assim dispõem: "§ 2°. Estão dispensadas do pagamento de que tratam os artigos 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência, de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. § 3°. O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos artigos 28 e 29. § 4° O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo." 10. Portanto, a pessoa jurídica podia efetuar os recolhimentos com base no regime de estimativa, um valor estimado de acordo com a lei, ou através de balanços ou balancetes mensais elaborados de acordo com as normas definidas nas leis Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 820 5 comerciais, para os casos em que, em se apurando prejuízo até determinado mês, suspendia os recolhimentos, adequandose aos valores devidos até então. 11. Em decorrência desse procedimento no curso do ano calendário, somente após o encerramento do períodobase, através de elaboração de balanço geral encerrado em 31 de dezembro de cada ano, é que se determina o quantum de imposto e contribuição realmente devido pelas atividades desenvolvidas nos negócios sociais da empresa. 12. O tratamento a ser dado ao saldo de imposto apurado no encerramento do períodobase, em 31 de dezembro de cada ano (saldo devedor ou credor), está disciplinado conforme a Lei n° 9.430, de 29.12.1996, in verbis: "Art. 6°. O imposto devido, apurado na forma do art. 2°, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1° O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior." 13. A sistemática para o cálculo e pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido, bem assim a destinação do saldo apurado no encerramento do períodobase seguem as mesmas regras do Impostode Renda da Pessoa Jurídica, consoante comando do art. 28 da mesmaLei n° 9.430/96, a saber: "Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 10 a 3°, 5° a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei." 14. Uma vez encerrado o balanço geral, apurado o lucro ou prejuízo real e constatado que os recolhimentos foram em montante superior ao efetivamente devido, temos caracterizado o pagamento indevido ou a maior, conforme disposto no artigo abaixo transcrito, hipótese na qual a interessada passa a ter direito à restituição em conformidade com o CTN Lei n° 5.172/66, que assim estabelece: "Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido". Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 6 15. A legislação ordinária disciplinou a compensação no âmbito da RFB, conforme a Lei n° 9.430/96, art. 74, e alterações posteriores, especialmente as Leis n's 10.637/02 e 10.833/03. "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 1°. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002)" 16. Inicialmente, cumpre destacar que procedemos a uma análise nos valores de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário de 1.998 a 2.002, com o propósito de apurar os montantes devidos e utilizados no decorrer dos anos em referência, para fins de se apurar o valor dos indébitos pleiteados pela interessada, tendo em vista que os montantes apresentados como crédito liquido e certo da pessoa jurídica não são coincidentes com todos os períodos abrangidos, mesmo porque foi necessária a verificação de todos os valores de apuração anual, tanto de IRPJ como de CSLL, pois a interessada utilizou a faculdade prevista na IN SRF n° 21/97 para compensar estimativas dos períodos subseqüentes, conforme amplamente demonstrado nas telas e documentos anexados às fls. 247/328. 17. Após as verificações precedentes de todas as apurações de IRPJ e de CSLL, fundamentadas com as pesquisas em sistemas internos da RFB para comprovação do alegado, constatase a seguinte situação: CSLL R$ 58.764, 49 Anocalendário 1.999 Exercício 2. 000 O saldo negativo de CSLL do período em referência, conforme a DIPJ fl. 259 , é de R$ 107.899,68, que, depois de deduzidas as importâncias utilizadas com fundamento na IN SRF n° 21/97, restou valor suficiente para reconhecer o montante pleiteado, conforme acima. IRPJ R$ 2.527,13 Anocalendário 1.998 Exercício 1.999 Aqui, a interessada apresenta um valor de saldo negativo de R$ 37.180,36 vide DIPJ à fl. 247 , que através de verificação se confirma o valor; porém, como bem informa à fl. 38, retifica para o montante acima. Nas verificações efetuadas, constatamos que a contribuinte utilizou valor acima do indicado, conforme se verifica na planilha resumo à fl. 335 para este item. Portanto, o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 821 7 saldo negativo que alega possuir, de acordo com os cálculos efetuados, deve ser ajustado para o valor de R$ 750,63. IRPJ R$ 412.311,82 Anocalendário 1.999 Exercício 2. 000 Neste exercício, a interessada, em sua DIPJ fl. 250 , acusa um saldo negativo no montante de R$ 415.911,24, do qual, após as verificações de praxe, confirmamos o valor de R$ 415.498,45, sendo que, deduzidas as estimativas compensadas conforme planilha resumo à fl. 335, restou comprovado um indébito como saldo negativo no valor de R$ 408.857,36. IRPJ R$ 37.175,80 Anocalendário 2.000 Exercício 2.001 Aqui, a interessada pleiteia o valor que apresentou na sua DIPJ conforme cópia à fl. 267; porém, após as devidas conferências e quadro resumo de fl. 275, confirmamos o montante de R$ 26.911,88, devendo ser reconhecido somente este valor como indébito a favor da interessada. IRPJ R$ 3.243, 65 Anocalendário 2.001 Exercício 2.002 Relativamente a este exercício, no qual a interessada apresenta como indébito o valor inserido na DIPJ fl. 290 , temos que, após as verificaç'ões de praxe, não se confirmou o total das estimativas pagas no decorrer do anocalendário, restando comprovado tãosomente o valor do IRRF no valor de R$ 3.243,65, que deduzido do montante apurado como devido, restou saldo a pagar e não indébito a favor da interessada, conforme quadro resumo àfl. 297. IRPJ R$ 12.438 81 Anocalendário 2.002 Exercício 2.003 A interessada pleiteia o valor acima referido, porém, nas verificações procedidas docs. de fls. 313/316 , também constatamos a não comprovação das estimativas pagas no valor de R$ 31.037,67, sendo confirmado somente o valor do IRRF no montante de R$ 12.438,81 que, deduzido do valor apurado como devido, foi insuficiente para configurar como indébito a favor da interessada, restando ao invés disso, um saldo apagar de IRPJ conforme quadro resumo à fl. 316. 18. Diante do exposto, concluímos pela procedência parcial dos pretensos direitos da interessada, relativamente aos indébitos como saldos negativos, sobre os quais incidem juros Selic em conformidade com o art. 39, § 4 0 da Lei n° 9.250, de 26.12.1995, apresentados para fins de compensação com débitos próprios, ficando assim detalhados: TRIBUTO EXERCÍCIO VALOR EM R$ CSLL 2.000 58.764,49 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 8 IRPJ 1.999 750,63 IRPJ 2.000 408.857,36 IRPJ 2.001 26.911,88 19. À vista da apuração dos créditos, conforme quadro no item anterior, as compensações são homologadas até o limite do crédito acima, restando os débitos cujas compensações não foram homologadas, conforme planilha à fl. 362. Decisão Com fundamento no Art. 243, inciso II, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30.04.2007, publicada no DOU de 02.05.2007, DECIDO HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações apresentadas conforme listagem de fl. 362. Os débitos que excederam ao valor do crédito pleiteado devem ser cobrados imediatamente, conforme estabelece o art. 48, parágrafo 3°, inciso II, da INSRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, não se aplicando o disposto no inciso III do Art. 151 do CTNLei n°5.172/66. Dêse ciência deste despacho decisório à contribuinte, informandolhe que contra ele cabe manifestação de inconformidade, nos termos do artigo 74, §9 0, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.833/03, art. 17, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, no prazo de 30 (trinta) dias contado da data de ciência; cobremse os débitos cuja compensação foi nãohomologada, procedendose ao encaminhamento imediato à inscrição em Divida Ativa da União dos débitos compensados que excederam ao valor pleiteado, tudo conforme planilha abaixo; e cumpramse as demais medidas de estilo." (...) 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 390, em 18 de outubro de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 19 de novembro de 2007, fls. 397/405, com as alegações que se seguem. 3.1. Não contesta os créditos reconhecidos de R$ 58.764,49, no anocalendário de 1999 (CSLL) e de R$ 2.527,13, referente ao anocalendário de 1998. 3.2. No anocalendário de 1999 apurou um saldo negativo de IRPJ de R$ 415.911,24, o qual foi alterado pelo Despacho Decisório para a importância de R$ 415.498,45, que, depois de deduzidas as estimativas declaradas, passou para o valor de R$ 408.857,36. Dessa forma, o indébito original foi alterado em R$ 7.053,88, para menos. 3.3. Tal crédito foi utilizado para a compensação de diversos débitos, entre eles o de valor R$ 172.643,73, relativo à estimativa de IRPJ de janeiro de 2005, que se utilizou de um Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 822 9 saldo original de R$ 91.534,77, relativo ao saldo negativo do anocalendário de 1999, por meio de DCOMP apresentada (DCOMP 180806.1.7.028472, que retificou a original 280205.1.3.029059). No entanto, conforme consta na decisão recorrida, a compensação não homologada foi de R$ 105.010,49 e não de R$ 7.053,88, conforme exposto anteriormente. 3.4. Considera que houve um equívoco nos cálculos enviados para cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União e apresenta demonstrativos onde consta o saldo original do crédito (R$ 408.857,36) bem como as compensações respectivas, durante o período de 2000 a 2005, por meio dos quais pretende comprovar que o valor compensado a maior foi de R$ 37.337,75, o qual, atualizado até novembro de 2007, equivaleria a R$ 59.612,80. 3.5. No anocalendário de 2000, o saldo negativo do IRPJ foi reduzido de R$ 37.175,80 (apurado pela contribuinte) para 26.911.88, resultando em uma glosa de R$ 10.263,92. E continua: "7. Ocorre que, para este item também foi efetuada a glosa do valor total do indébito, ou seja, R$ 37.175,80 que, atualizado até fevereiro de 2005 perfaz um montante de R$ 64.552,06, conforme demonstrado na página 7 de 7 do Despacho Decisório e compensado na DCOMP 13839.20489.310305.1.3.023225. 8. Considerando o equívoco cometido nos cálculos enviados para cobrança e inscrição na Dívida Ativa da União, apresentamos o demonstrativo (doc. 3) do saldo do prejuízo fiscal (sic! ! 1) atualizado para R$ 26.911.88 e suas compensações no decorrer do período de 2001—a2005 —e; também—um—segundo—demonstrativo—(doc.4),considerando a atualização do valor compensado indevidamente de R$ 10.263,92 até novembro de 2007, restando um valor a recolher de R$ 16.230,34." 3.6. Finaliza sua petição: "A manifestante declara que irá efetuar o recolhimento integral dos valores apontados na Ordem de Intimação do Processo 10860.000856/200360 no mês de novembro de 2007 afim de não ser prejudicada pela inclusão de cobranças em Dívida Ativa da União. porém, conforme demonstrado acima, manifesta sua inconformidade e solicita revisão dos cálculos dos itens mencionados e o direito de restituição do valor apontado indevidamente no Despacho Decisório, devidamente corrigido e com multa proporcional." 4. Em 24 de julho de 2008 os autos foram encaminhados a DRF de origem por meio da Resolução n.° 2.229, retornando a esta Delegacia de Julgamento conforme despacho de fls. 429/430.” Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 10 A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls.473/475): a) No demonstrativo de fl. 402, efetuado pela contribuinte, não estão presentes os débitos de R$ 8.059,44 (janeiro de 2003), e somente a parcela de R$ 8.892,09 (março de 2003), que seria compensada com saldo negativo de 1999, mas não consta o montante de R$ 2.578,99, a ser compensado com saldo negativo de 1998. b) No demonstrativo da autoridade fiscal, fl. 351, em vista do esgotamento do direito creditório reconhecido para o anocalendário de 1998 (R$ 750,63), constam, para compensação com saldo negativo do anocalendário de 1999, a importância de R$ 8.059,44, além de R$ 11.471,08, correspondente ao valor integral da estimativa de março de 2003 (R$ 11.471,08 = R$ 8.892,09 + R$ 2.578,99). c) Na planilha de fl. 402, elaborada pela empresa, constatase que somente foram considerados os débitos relativos às estimativas de IRPJ, sendo que o primeiro deles referese à estimativa do mês de dezembro de 2000, no valor de R$ 3.599,42, e os demais são relativos ao período de março a dezembro de 2003; fevereiro, agosto e novembro de 2004; janeiro e fevereiro de 2005. Observase que em tal planilha não há nenhum débito correspondente às estimativas de CSLL, de qualquer anocalendário. d) Ao se fazer o confronto do saldo negativo da CSLL reconhecido no anocalendário de 1999, de R$ 58.764,49, com as estimativas que se pretende compensar, constatase que tal crédito não foi suficiente para a compensação de todos os débitos, restando em aberto o débito de R$ 15.535,66, relativo à parte da estimativa de CSLL do mês de fevereiro de 2004 (total de R$ 44.035,88) e o débito de R$ 15.628,42, referente à estimativa de CSLL do mês de agosto de 2004, conforme consta no demonstrativo elaborado às fls. 431/436, o qual tem objetivo de simples conferência e de esclarecimento à empresa. e) Para a compensação integral desses débitos (R$ 15.535,55: parte da estimativa de CSLL de fevereiro/2004; R$ 15.628,42: estimativa de CSLL de agosto/2004) foi necessária a utilização de parte do saldo negativo de IRPJ reconhecido para o ano calendário de 1999. f) O saldo negativo de 1999 (IRPJ), no montante de R$ 408.857,36, considerado como ponto de partida no demonstrativo de fl. 402 elaborado pela interessada, mostrase equivocado, pois não constam nas compensações efetuadas parte dos débitos relativos à estimativas de CSLL, conforme exposto acima, nem os débitos que não puderam ser compensados com saldo negativo de IRPJ de 1998. g) Na verdade, ao se considerar como créditos as importâncias de R$ 58.764,49 (saldo negativo de CSLL de 1999), R$ 750,63 (saldo negativo de IRPJ de 1998) e R$ 408.857,36 (saldo negativo de IRPJ de 1999), incluindose os débitos relativos à todas as estimativas de CSLL bem como as estimativas de IRPJ compensadas com o saldo negativo de 1998, constatase que sobraria, do saldo negativo de 1999, a importância de R$ 385.297,00, da qual devem ser deduzidas as estimativas de IRPJ relativas a períodos posteriores, conforme demonstrativo que se elabora, fls. 437/444 (para simples conferência da empresa). h) Outra divergência é que no demonstrativo da contribuinte não consta entre r E os débitos a serem compensados a estimativa de IRPJ relativa ao mês de dezembro de 2004, na I importância de R$ 116.327,02, conforme demonstrativo de fl. 351. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 823 11 i) Tal débito foi indicado pela própria contribuinte no PER/DCOMP número 07767.89278.100205.1.3.026085, fls. 210/213, transmitido eletronicamente em 10/02/2005, e cujo crédito teria origem em saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, conforme esclarecimento efetuado pela autoridade fiscal no despacho de fl. 429/430, em resposta à Resolução n. 2.229, de 24 de julho de 2008, encaminhada a DRF de origem por esta Delegacia de Julgamento. j) Ao se considerar todos os créditos reconhecidos pela DRF de origem, conforme consolidação ao final do Despacho Decisório, inclusive o relativo ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2000, bem como todos os débitos declarados nas DCOMP e nas DCTF pela contribuinte, o resultado final mostra a impossibilidade da compensação integral de todos eles, restando um saldo de R$ 105.010,49, relativo à estimativa de IRPJ de janeiro de 2005, encontrado pela autoridade fiscal, o qual se mostra coincidente com resultado da consolidação de fls. 444/449 (R$ 105.039,60), elaborado para simples conferência, a menos de pequena diferença (R$ 29,11), resultado de arredondamentos. k) A interessada se limita a confrontar o saldo negativo de IRPJ de 1999 (R$ 408.857,36) com os débitos de estimativas também de IRPJ, como se a importância de R$ 58.764,49, referente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 fosse suficiente para compensar todas as estimativas de CSLL confessadas, e como se o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 (R$ 750,63) fosse suficiente para compensar a estimativa de IRPJ de janeiro de 2003 e parte da relativa a março de 2003, além de não indicar a estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 2004 (R$ 116.327,02), o que se mostrou desconforme com a realidade dos fatos, conforme cabalmente demonstrado. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Parte dos valores discutidos no feito foram remetidos à Dívida Ativa da União. Ou seja, a Administração Tributária deixou de reconhecer o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade apresentada, o que tem trazido inúmeros prejuízos de ordem patrimonial à recorrente. b) Requer que o Conselho de Contribuintes declare a nulidade de todos os atos praticados, após a manifestação de inconformidade, no sentido de dar seguimento à cobrança de (parte) dos débito. c) Diferenças entre os valores homologados e os pleiteados: Exercício IRPJ (R$) CSLL(R$) Homologado(R$) Diferença(R$) 1999 2.527,13 0,00 750,63 1.776,50 2000 (csll) 0,00 58.764,49 58.764,49 0,00 2000 (irpj) 415.911,82 0,00 408.857,36 7.054,46 2001 37.175,80 0,00 26.911,88 10.263,92 2002 3.243,65 0,00 0,00 3.243,65 2003 12.438,81 0,00 0,00 2.438,81 TOTAIS 530.061,70 495.248,36 34.777,34 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 12 d) IRPJ AnoCalendário 1998: as imputações levadas a efeito pela Administração geraram inúmeros prejuízos à recorrente. e) IRPJ AnoCalendário 1999: A administração tributária simplesmente desconsiderou mencionados valores, reconhecendo como sendo saldo negativo, tão somente o valor de R$ 408.857,36. f) IRPJ AnoCalendário 2000: haveria, de fato, apenas uma diferença de R$ 10.263,92 a ser recolhida pela RECORRENTE com as devidas atualizações. Após a atualização monetária, o DARF recolhido perfez a quantia de R$ 16.230,34. g) IRPJ AnoCalendário 2001: A administração tributária simplesmente desconsiderou os valores recolhidos a título de IRRF, em razão das operações de mútuo que a recorrente tinha com a empresa NESTLÉ BRASIL LTDA., inscrita no CNPJ/MF n° 60.409.075/000152, sem tecer uma única linha para justificar tal conduta, razão pela qual, não merece prosperar a desconsideração levada a efeito pelo Fisco. h) IRPJ AnoCalendário 2002: A administração tributária simplesmente desconsiderou os valores recolhidos a título de IRRF, em razão das operações de mútuo que a recorrente tinha com a empresa NESTLÉ BRASIL LTDA., inscrita no CNPJ/MF n° 60.409.075/000152. i) A fiscalização desconsidera todas as obrigações acessórias apresentadas (DCOMPs) concentrando a parcela dos créditos declarados pela RECORRENTE que foi por ela reconhecido em um único "saldo" e deduz tais valores de débitos do RECORRENTE da forma que considera mais acertada. j) As compensações realizadas e declaradas pela RECORRENTE, utilizandose o saldo negativo do anocalendário de 1999 não foram homologadas, apenas em razão do saldo ter sido imputado pela Administração Tributária a outros períodos. k) A regra prevista no artigo 163, do CTN, aplicase, tão somente, aos casos em que os contribuintes não imputam (indicam) os valores recolhidos a determinado tributo ou parcela que merece ser quitada/extinta, o que no mais das vezes é bem difícil de ocorrer, tendo em vista a necessidade de cumprimento de inúmeras obrigações acessórias (tais como a DCTF, DIPJ, etc.). l) Tendo em vista que o CTN não prevê hipóteses de imputação aos casos em que o contribuinte é credor do Fisco, se aplica subsidiariamente as regras contidas nos arts. 352 e seguintes do CC. Ou seja, o contribuinte indica qual o débito deve ser quitado e somente na ausência desta hipótese, o Fisco pode realizar a imputação nos moldes do CTN. m) Parte das compensações declaradas pela recorrente foi realizada com base na Instrução Normativa/SRF n° 21/1997. n) Cabe destacar o quanto previsto no artigo 21, § 7°, da IN 210/2002, que determina que os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação. o) Caso seja o entendimento de V. Sas., seja pféViamente determinada a realização de diligência para averiguação da consistência de tais saldos, de acordo com asregras e princípios de contabilidade geralmente aceitos, para fins de apuração da composições de saldo negativos da RECORRENTE, apurados nos anoscalendário de 1998 a 2002. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 824 13 É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 06/11/2008 (AR de fls. 479). O recurso foi protocolado em 08/12/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. São objeto do presente processo as seguintes declarações de compensação: Direito creditório Valor Dcomp Débitos Tributo P.A. Valor IRPJ – 1998 CSLL 1998 IRPJ 1999 IRPJ 2000 IRPJ 2001 IRPJ 2002 2.527,13* 58.764,00 412.311,82* 37.175,80 3.243, 65 12.438,81 Fls. 1/2 2484 12/2002 4.135,36 2484 01/2003 5.105,68 2362 01/2003 8.059,44 Fls. 40/41 2362 04/2003 13.115,03 2484 04/2003 7.007,99 Fls. 68/69 2484 02/2003 1.580,33 Fls. 96/97 2362 03/2003 11.471,08 2484 03/2003 7.032,75 Fls. 124/127 2362 05/2003 5.726,89 Fls. 128/131 2484 05/2003 4.375,04 Fls. 132/135 2484 06/2003 4.414,45 Fls. 136/139 2362 06/2003 5.755,58 Fls. 140/143 2484 07/2003 7.562,08 Fls. 144/147 2362 07/2003 14.420,95 Fls. 148/151 2362 08/2003 14.741,66 Fls. 151/155 2484 08/2003 7.706,37 Fls. 156/159 2484 09/2003 2.350,16 Fls. 160/163 2362 09/2003 458,03 Fls. 164/167 2362 10/2003 14.140,80 Fls. 168/171 2484 10/2003 7.544,43 Fls. 172/175 2362 11/2003 13.320,16 Fls. 176/179 2484 11/2003 7.276,37 Fls. 180/183 2362 12/2003 3.561,87 Fls. 184/187 2484 12/2003 2.747,83 Fls. 188/191 2484 02/2004 44.035,88 Fls. 192/195 2362 02/2004 20.235,28 Fls. 196/199 2484 08/2004 15.628,42 Fls. 202/204 2362 08/2004 248.705,68 Fls. 205/209 2362 11/2004 193.691,05 Fls. 210/213 2362 12/2004 116.327,02 Fls. 214/217 2362 02/2005 64.552,06 Fls. 218/221 2362 02/2005 21.977,72 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 14 Fls. 222/225 2362 02/2002 5.110,69 Fls. 226/229 2362 02/2005 17.401,90 Fls. 234/237 2362 01/2005 172.643,73 *Saldos indicados na petição de fls. 38. Passemos a analisar a composição de cada saldo negativo as as compensações indicadas pelo contribuinte em relação a cada direito creditório. Saldo negativo de IRPJ – ano calendário de 1998 Primeiramente cumpre observar que não há diferença em relação ao montante do saldo negativo indicado na DIPJ, e aquele reconhecido pela delegacia de origem. Conforme demonstrativo de fls. 256, a autoridade administrativa reconheceu saldo negativo no valor de R$ 37.180,36. Este valor é exatamente o apurado na DIPJ/1999 (volume 2 fls. 247), e pleiteado na Dcomp (fls 2). A contribuinte utilizou na compensação saldo no valor de R$ 2.557,13 (fls. 38). A divergência reside na apuração do saldo a compensar, após a utilização do direito creditório na forma da IN 21/1997, ou seja, foram compensados independentemente de requerimento. A autoridade administrativa compensou os seguintes débitos com o saldo de 1998 (fls. 335): Débito P.A Vencimento Valor (R$) Compensação Saldo do crédito 37.180,36 IRPJ 2362 03/1999 30/04/1999 35.602,75 DCTF fls. 251 4.484,29 IRPJ 2362 06/1999 30/07/1999 4.291,10 DCTF – fls. 251verso 750,63 A contribuinte, em petição protocolada em 13/08/2003, afirma que compensou parte do saldo negativo de 1998, e que possui saldo a compensar no valor de R$ 2.527,13. No entanto, não elaborou nenhum demonstrativo ou indicou os débitos compensados. Conforme extrato do sistema Sief (fls. 251), a contribuinte vinculou o saldo negativo de 1998, ao pagamento de parte dos débitos de IRPJ estimativa relativos aos meses de março e junho de 1999. As informações do sistema são extraídas das DCTF`s entregues. Conforme demonstrativo de compensação de fls. 353, o saldo a compensar no valor de R$ 750,63 foi vinculado ao débito de CSLL (cód. 2484), no valor de R$ 4.135,36 objeto da presente Dcomp. Por conseguinte, a imputação efetuada pela autoridade administrativa levou em conta os valores declarados em DCTF pela própria recorrente, não merecendo acolhida a argumentaçãode de que foram desconsideradas as Dcomp`s apresentadas, ou ainda, de que foi realizada uma “verdadeira compensação de ofício”. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 825 15 Não merece reparos os procedimentos relativos ao saldo negativo de 1998, restando demonstrado que o saldo do crédito a compensar corresponde a R$ 750,63 e não a R$ 2.557,13. Saldo negativo de IRPJ – ano calendário de 1999 Nas compensações em que o direito creditório utilizado é o saldo negativo de IRPJ, o primeiro passo a ser realizado é o da apuração do montante efetivamente comprovado. A tabela abaixo demonstra a composição do saldo negativo constante da DIPJ e a do reconhecido: Saldo negativo (DIPJ 250) Saldo negativo reconhecido ( Delegacia e DRJ) Diferença IRPJ apurado 50.224,82 50.224,82 412,79 () Dedução PAT 1.781,40 1.781,40 () IRRF 64.325,74 64.325,74 () Total do IR mensal pago por estimativa 400.028,92 399.616,13 Saldo de IR a pagar 415.911,24 415.498,45 Além da diferença de R$ 412,79, não reconhecida pela delegacia de origem, há divergências quanto ao saldo disponível para compensação. A autoridade administrativa compensou os seguintes débitos com o saldo de 1999 (fls. 335): Débito P.A Vencimento Valor (R$) Compensação Saldo do crédito 415.498,45 IRPJ 2362 12/2000 31/01/2001 3.599,42 DCTF fls. 268/271 412.427,01 IRPJ 2362 12/2001 31/01/2002 4.757,27 DCTF – fls. 291/296 408.857,36 A autoridade administrativa apenas reconheceu saldo negativo a compensar no valor de R$ 408.857,36. A contribuinte, em petição protocolada em 13/08/2003, afirma que compensou débito no valor de R$ 3.599,42 com o saldo negativo de 1999. Na DCTF relativa ao 4° trimestre de 2001 foi declarada a compensação de débito de R$ 4.757,27. No demonstrativo de fls. 402, elaborado pela recorrente, não consta a compensação do débito de R$ 4.757,27, declarada em DCTF. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 16 Conforme demonstrativo de compensação de fls. 353/360, o saldo a compensar no valor de R$ 408.857,36 foi vinculado aos débitos discriminados, todos objeto da presente Dcomp. Logo, também neste caso a autoridade administrativa fez a imputação de acordo com as indicações efetuadas pela contribuinte, na ordem de vencimento de cada débito, não merecendo reparos os procedimentos relativos ao saldo negativo de 1999. Saldo negativo de IRPJ – ano calendário de 2000 A autoridade administrativa apenas reconheceu saldo negativo no valor de R$ 26.911,88. A tabela abaixo demonstra a composição do saldo negativo constante na DIPJ e a do reconhecido: Saldo negativo DIPJ – fls. 267 Saldo negativo reconhecido ( Delegacia e DRJ) Diferença IRPJ apurado 18.190,37 18.190,37 10.263,92 () Dedução PAT 727,61 727,61 () IRRF 40.775,22 40.775,22 () Total do IR mensal pago por estimativa 13.863,34 3.599,42 Saldo de IR a pagar 37.175,80 26.911,88 Conforme DIRF anexada às fls. 270, foi retido imposto no montante de R$ 54.638,56, tal como afirmado pela recorrente. A DIRF equivale à declaração oficial prestada pelas fontes pagadoras que promovem a retenções do imposto de renda na fonte determinadas em lei, e constitui prova suficiente do imposto retido na fonte. O valor constante na declaração é inferior ao constante da DIRF. No entanto, o equívoco no preenchimento da declaração não invalida o direito creditório comprovado. Deve ser reconhecido o direito creditório comprovado, ainda que o contribuinte tenha cometido um erro de fato no preenchimento da declaração. Este Conselho firmado entendimento no sentido de admitir a qualquer momento a existência de erro material no preenchimento da declaração de rendimentos, em respeito aos princípios da legalidade e da verdade material que regem o processo administrativo tributário, conforme julgado abaixo reproduzido: “ERRO DE FATO Comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DIPJ/2001, cabe a sua retificação e, por conseqüência, o reconhecimento do direito pleiteado”(Acórdão 10809.42, sessão em 14/09/2007). Por conseguinte, deve ser reformada a decisão recorrida, a fim de ser reconhecido direito creditório relativo ao ano de 2000, no montante abaixo discriminado: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 826 17 Saldo negativo de 2000 Saldo negativo reconhecido ( Delegacia e DRJ) Saldo negativo reconhecido neste voto Diferença IRPJ apurado 18.190,37 18.190,37 13.863,34 () Dedução PAT 727,61 727,61 () IRRF 40.775,22 54.638,56 () Total do IR mensal pago por estimativa 3.599,42 3.599,42 Saldo de IR a pagar 26.911,88 40.775,22 Notese que a diferença reconhecida corresponde à diferença entre o valor de IRRF constante da DIRF e aquele declarado na DIPJ. Por fim, deve ser mantido na composição do saldo o valor da estimativa relativa ao mês de dezembro de 2000, compensada com o saldo negativo de 1999 (fls. 268). Saldo negativo de IRPJ – ano calendário de 2001 A autoridade administrativa não reconheceu a existência do saldo negativo, afirmando que há saldo a pagar e não indébito a favor da recorrente. A tabela abaixo demonstra a composição do saldo negativo constante da DIPJ e a do reconhecido: Saldo negativo DIPJ – fls. 290 Saldo a pagar ( Delegacia e DRJ) Diferença IRPJ apurado 28.981,83 28.981,83 3.243,66 () IRRF 3.243,65 3.243,65 () Total do IR mensal pago por estimativa 28.981,83 4.757,27 Saldo de IR a pagar 3.243,65 20.980,91(direito creditório = 0,00) Conforme DIRF anexada às fls. 293, foi retido imposto no montante de R$ 32.225,48, tal como afirmado pela recorrente. Tal como no item anterior, deve ser reconhecido o direito creditório efetivamente comprovado. Por conseguinte, deve ser reformada a decisão recorrida, a fim de ser reconhecido direito creditório relativo ao ano de 2001, no montante abaixo discriminado: Fl. 17DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 18 Saldo negativo de 2001 Saldo a pagar ( Delegacia e DRJ) Saldo negativo reconhecido neste voto Diferença IRPJ apurado 28.981,83 28.981,83 8.000,92 () IRRF 3.243,65 32.225,48 () Total do IR mensal pago por estimativa 4.757,27 4.757,27 Saldo de IR a pagar 20.980,91 (direito creditório = 0,00) 8.000,92 Por fim, deve ser mantido na composição do saldo o valor da estimativa relativa ao mês de dezembro de 2001, compensada com o saldo negativo de 1999 (fls. 291). Saldo negativo de IRPJ – ano calendário de 2002 A autoridade administrativa não reconheceu a existência do saldo negativo, afirmando que há saldo a pagar e não indébito a favor da recorrente. A tabela abaixo demonstra a composição do saldo negativo constante da DIPJ e a do reconhecido: Saldo negativo DIPJ – fls. 313 Saldo a pagar ( Delegacia e DRJ) Diferença IRPJ apurado 31.037,67 31.037,67 12.438,67 () IRRF 12.438,81 12.438,81 () Total do IR mensal pago por estimativa 31.037,67 0,00 Saldo de IR a pagar 12.438,67 18.598,86(direito creditório = 0,00) Conforme DIRF anexada às fls. 315, foi retido imposto no montante de R$ 43.476,48, tal como afirmado pela recorrente. Por conseguinte, deve ser reformada a decisão recorrida, a fim de ser reconhecido direito creditório relativo ao ano de 2001, no montante abaixo discriminado: Saldo negativo de 2002 Saldo a pagar ( Delegacia e DRJ) Saldo negativo reconhecido neste voto Diferença IRPJ apurado 31.037,67 31.037,67 12.438,67 () IRRF 12.438,81 43.476,48 Fl. 18DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10860.000856/200360 Acórdão n.º 180300.839 S1TE03 Fl. 827 19 () Total do IR mensal pago por estimativa 0,00 0,00 Saldo de IR a pagar 18.598,86(direito creditório = 0,00) 12.438,67 A realização de diligência ou perícia, embora possa ser solicitada pela parte, é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora quanto à sua necessidade para o esclarecimento de pontos obscuros ou que exijam conhecimento especializado. No presente caso, o pedido de diligência deve ser indeferido, uma vez que nos autos estão todos os elementos necessário para o convencimento do julgador. Por fim, deve ser aplicado o § 5°, do art. 66, da IN 900/2008, segundo o qual a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. Ante todo o exposto dou provimento parcial ao recurso para reconhecer direito creditório adicional no valor de R$ 13.863,34 em relação ao ano de 2000, R$ 8.000,92 em relação ao ano de 2001, R$ 12.438,67 em relação ao ano de 2002, homologandose as compensações até o limite do crédito adicional. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 19DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 20 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes A divergência deste Conselheiro quanto ao Voto condutor deste Acórdão se restringe aos anoscalendário de 2000 e 2001. Conforme se verifica de fls. 1 e 2 do presente processo, foram indicados como créditos objeto de Declaração de Compensação, relativamente aos anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente, os valores de R$ 37.175,80 e R$ 3.243,65, os quais constaram das correspondentes Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (fls. 33/267/648/663/678 e 36/290/684/685/722). Dessa forma, embora esteja de acordo com o Voto condutor deste acórdão quanto à existência de valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) comprovadamente maiores do que os considerados pelo órgão local, limitome a reconhecer, como direito creditório adicional da Recorrente, apenas os valores glosados pela DRF jurisdicionante, a saber: a) R$ 10.263,92, no anocalendário de 2000; e b) R$ 3.243,66, no anocalendário de 2001. Voto, assim, pelo provimento parcial do Recurso, porém, em menor extensão que o do Voto condutor deste acórdão, de modo a não extrapolar os valores pleiteados como créditos nas correspondentes Dcomps dos anoscalendário de 2000 e 2001. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 20DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 10/03/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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Numero do processo: 10980.015225/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
IMÓVEL RURAL. INEXISTÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Comprovado que o laudo que atestou a inexistência de imóvel rural não verificou todas as circunstâncias que poderiam levar a tal conclusão, bem assim que o dito imóvel foi vendido e continua sendo declarado pelo novo proprietário, não merece prosperar a alegação de inexistência do fato gerador.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental, bem assim, no caso de Área de Reserva Legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel.
VALOR DA TERRA NUA. SIPT
Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim.
ALÍQUOTAS APLICADAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO ITR
As alíquotas do ITR decorrem da relação entre grau de utilização do imóvel e sua área total, não sendo possível sua discussão de forma isolada.
Numero da decisão: 2201-003.378
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a nulidade alegada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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INEXISTÊNCIA NÃO COMPROVADA. Comprovado que o laudo que atestou a inexistência de imóvel rural não verificou todas as circunstâncias que poderiam levar a tal conclusão, bem assim que o dito imóvel foi vendido e continua sendo declarado pelo novo proprietário, não merece prosperar a alegação de inexistência do fato gerador. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental, bem assim, no caso de Área de Reserva Legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel. VALOR DA TERRA NUA. SIPT Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim. ALÍQUOTAS APLICADAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO ITR As alíquotas do ITR decorrem da relação entre grau de utilização do imóvel e sua área total, não sendo possível sua discussão de forma isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a nulidade alegada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 09 80 .0 15 22 5/ 20 07 -1 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária janeiro de 2017 janeiro de 2017 ITALO BELON NETO ITALO BELON NETO FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 206DF CARF MF 2 Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 03/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata do Auto de Infração de fl. 25 a 32, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 1.895.040,00, com Multa de Ofício de R$ 1.421.280,00 e juros de mora de R$ 778.379,73 (calculados até 31/10/2007), perfazendo o total apurado de R$ 4.094.699,73. O lançamento é relativo aos exercícios de 2003 e 2005 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 6.394.069-1. Ao descrever os fatos que levaram ao lançamento, fl. 28, o Auditor-Fiscal sustenta que, mesmo regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação, não apresentando a documentação comprobatória solicitada ou mesmo justificativa para não apresentação e tais documentos. Ciente do lançamento em 21 de novembro de 2007, fl. 34, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 35/45, na qual, objetivando comprovar a improcedência do lançamento, trouxe suas considerações para os seguintes temas: - Ilegalidade do auto de infração. Ausência de autorização normativa para o arbitramento; - Prova da área de preservação ambiental. Exclusão da área tributável ilegitimidade do valor arbitrado do imóvel; - Impugnação à alíquota do Auto de Infração Em 08 de dezembro de 2008, o contribuinte apresenta nova petição, fl. 51 a 59, na qual reforça pedido de perícia e alega que o imóvel em questão não existe, juntando laudo emitido pelo Sr. Helio Loch, Engenheiro Florestal, fl. 60 a 62. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a Primeira Turma de Julgamento da RFB Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de perícia e julgou improcedente a impugnação, fl. 111/119, merecendo destaque para as conclusões abaixo resumidas: - ... que não é possível deferir-se pedido de juntada posterior de provas, de forma genérica, sem que haja justificativa suficiente a não apresentação com a impugnação; fl. 116 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10980.015225/2007-11 Acórdão n.º 2201-003.378 S2-C2T1 Fl. 207 3 - que não se pode conceber o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório a cuja apresentação está a parte pleiteante obrigada; fl. 116 - que a questão da inexistência do imóvel deve ser tratada em processo judicial para decretar a invalidade do registro, sem o qual o adquirente continua a ser o dono do imóvel; fl. 117 - que o reconhecimento de áreas de preservação permanente depende da comprovação do protocolo do Ato Declaratório Ambientação junto ao Ibama e, quando for o caso, de declaração por ato do poder público, além da apresentação de Laudo emitido por profissional habilitado, acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica; fl. 118 - que o fato de o imóvel estar inserido em uma área maior onde há restrições não é suficiente pra que suas áreas sejam consideradas isentas de tributação; fl. 118 - que está correto o procedimento de fiscalização de, após afastar a isenção sobre as áreas declaradas de preservação permanente não comprovadas, refazer os cálculos para apuração do ITR; fl. 119 - que o procedimento da fiscalização de arbitrar o VTN a partir das informações do Sistema de Preços de Terras tem amparo legal e que não tendo sido apresentada comprovação que justifique VTN menor, não há justificativa para alteração do lançAmento. fl. 119 Ciente das conclusões da DRJ em 19 de outubro de 2009, fl. 122, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 126 a 139, no qual manifestou suas razões para os seguintes temas: - Inexistência do fato gerador. Nulidade da decisão. Cerceamento de Defesa. - Ilegalidade do auto de infração. Ausência de autorização normativa para o arbitramento; - Impugnação à alíquota do Auto de Infração. Submetido à análise pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, os membros do Colegiado resolveram converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora apreciasse a documentação acostada na impugnação, inclusive os registros cartorários da área auditada, efetuando, se for o caso, a plotagem das coordenadas constantes da matrícula do imóvel, confirmando ou infirmando das informações do Laudo Técnico. As conclusões expressas pela Autoridade Fiscal, em sede de Diligência, estão dispostas na Informação Fiscal de fl. 195, das quais merecem destaque, sinteticamente, os que se segue: - que ainda resta pendente de julgamento o processo judicial formalizado pelo requerente com vista ao cancelamento jurídico do registro do imóvel em discussão; Fl. 208DF CARF MF 4 - que em diligência ao Cartório de Registro de Imóveis de Antonina, o Sr. Ewaldo Pereira, escrevente, afirmou que a mátricula do imóvel foi feita dentro da lei e que as averbações dos atos praticados são validas e que a área do imóvel é de 9.474,3 ha; - que, em diligência à Secretaria do Meio Ambiente/PR, foi possível localizar pontos do memorial descritivo do imóvel na Carta MI-28441, fl. 140; - que utilizando recurso de informática em cotejo com informações da Carta MI -2844-1 foi possível identificar área suficiente para plotar o imóvel em tela; - que a transcrição de nº 8.859, fl. 91, evidencia o desmembramento de uma área de 9.474,3 ha do total de 41,728,06 ha, transferido por escritura pública ao Sr. Italo Belon Neto, em 01/10/2011; - que em diligência ao escritório do Engenheiro Florestal Hélio Loch, conforme Termo de Declaração de fl. 177/178, constatou- se que o pedido para elaborar o Laudo Técnico partiu do Sr. Jose Ivo Borges e que o Perito não teve acesso à cadeia dominial do imóvel, tampouco sabia que a área total da transcrição nº 8.859 seria de 41.727 ha; que, segundo informação do profissional, a quantidade de área total descrita na matrícula pode estar correta; - que o Sr. Ítalo Belon Neto adquiriu o imóvel através de uma Carta de Adjudicação emanada do Juízo de Direito da Comarca de Colombo/PR, extraída de arrolamento de bens deixados pelo falecimento de Miguel Camacho e Dolores Munhos, em que foi inventariante o Sr. Henrique Camacho Munhos; - que em 18 de agosto de 2010, o Sr. Ítalo integralizou o imóvel em questão em fator da empresa Imobiliária Norte Sul Ltda, sem desistir formalmente do seu pedido de nulidade da escritura pública de cessão de direitos hereditários; - que, em 30 de outubro de 2011, a nova proprietária vendeu o referido imóvel para a empresa Tecnosolo Engenharia S.A. a qual apresentou DITR para os exercícios de 2010 e 2011; - que fica caracterizado que o imóvel em questão continua sendo utilizado de forma plena, sem qualquer averbação na matrícula das alegações apresentadas de inexistência do imóvel; - que nos exercícios de 2010 e 2011, já sob a propriedade da Tecnosolo Engenharia, o mesmo NIRF foi autuado por infrações à legislação do ITR, conforme se verifica no processo 11624.720094/2014-20 - que foi encaminhada ao Fórum de Antonina cópia autenticada da matrícula onde contam as alienações do imóvel. A partir das conclusões resumidas acima, conclui a Autoridade Lançadora que as alegações do contribuinte Ítalo Belon Neto não procedem. É o relatório necessário. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10980.015225/2007-11 Acórdão n.º 2201-003.378 S2-C2T1 Fl. 208 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Da Inexistência do fato gerador. Nulidade da decisão. Cerceamento de Defesa. Alega o contribuinte que, em 2005, ao contratar Engenheiro Florestal para análise de termos similares ao do presente auto de infração, concluiu que o imóvel objeto do lançamento fiscal não existe e que as confrontações e dimensões escritas no instrumento público são fantasiosas, não chegando a fechar sequer um perímetro. Afirma, ainda, que a escritura não encontra respaldo no registro imobiliário e que, por tal razão, promove ação para declarar a inexistência do imóvel. Sustenta, ainda o contribuinte que o bem que compõe a base de cálculo do imposto não existe, não havendo assim, fato gerador do tributo e que caberia à Receita Federal o deferimento da diligência solicitada para elucidar a questão da inexistência do imóvel e.do fato gerador do imposto rural, questão crucial à lide administrativa, já que a inexistência do imóvel impostaria na ausência do próprio tributo a ser recolhido. Ora, conforme bem explicitado no relatório acima, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora diligenciasse com vistas a confirmar ou não as alegações do contribuinte sobre a inexistência do imóvel rural em tela. As conclusões da Fiscalização não deixam dúvidas de que os argumentos trazidos à balha pelo recorrente não encontram respaldo no documentos por ele carreados aos autos, bem assim nos outros fatos relatados na Informação Fiscal. Vale destaque o fato de que o próprio Engenheiro autor do laudo apresentado pelo contribuinte é categórico ao declarar que seu trabalho foi efetuado sem que lhe fossem disponibilizados elementos que pudessem atestar efetivamente a inexistência do imóvel e que, à vista de tais novas informações, este pode sim existir. Ademais, consta dos autos, fl. 185 e 186, que o imóvel está sim regularmente matriculado no Registro de Imóveis de Antonina/PR sob o nº 9.101, e que, além da averbação da adjudicação em favor do recorrente, consta duas averbações posteriores, relativas à integralização do imóvel em favor da Imobiliária Norte Sul Ltda e a venda para a Tecnosolo Engenharia, ocorridas em 2010 e 2011, respectivamente. Ora, se o Laudo que concluiu pela inexistência das terras que compõe o imóvel objeto do lançamento é de 2008, ou o contribuinte agiu de má-fé integralizando, em 2010, o capital social da Imobiliária Norte Sul com um imóvel sabidamente inexistente ou, o que prefiro crer, concluiu, posteriormente que tal imóvel, de fato existe, o que justificaria, por exemplo, sua negociação posterior com a Tecnosolo Engenharia, quem, frise-se, diante de lide Fl. 210DF CARF MF 6 administrativa identificada pela Diligência Fiscal, em nenhum momento questionou a inexistência do imóvel rural em comento. Assim, diante da conversão do julgamento em diligência e suas conclusões, entendo superadas as questões suscitadas pelo contribuinte sobre a inexistência do imóvel rural, bem assim de cerceamento de defesa em razão da necessidade de levantamentos de provas adicionais. Portanto, nesta parte, nada a prover que justifique a alteração do lançamento e da Decisão Recorrida. - Ilegalidade do auto de infração. Ausência de autorização normativa para o arbitramento Aduz o recorrente que, nos termos do § 7º do artigo 10 da Lei 9.393/96, a isenção do ITR de área de preservação ambiental não estaria sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, competindo à autoridade fazendária a prova de que a declaração é inverossímil. Sustenta que o próprio Fiscal reconhece que a área em referência enquadra-se no bioma Mata Atlântica, regulada pelo Decreto 750-93. Sustenta, ainda, que o artigo 14 da Lei 9.393/96 autoriza o arbitramento do ITR apenas na hipótese de omissão de entrega de DIAC ou DIAT, situação que não correu no presente caso. E que cabe à Autoridade Fiscal a demonstração da hipótese que afasta a isenção legal e que, no caso presente, todos os indícios demonstram a veracidade dos dados inseridos pelo contribuinte. Alega que inexiste nos autos prova que desconstitua as declarações prestadas ao fisco pelo contribuinte, descrição da matéria tributável e de capitulação legal e afirma incongruência entre base de cálculo e o ramo de atividade da empresa. Que a regra do arbitramento impõe ao fisco a necessária busca da verdade material, não sendo permitido estipulação de uma base de cálculo absolutamente desproporcional e que a ilegalidade da base tributável adotada pela fiscalização constitui confisco de seu patrimônio, sendo necessária, portanto, a produção de provas que irão sacramentar a inviabilidade do arbitramento fixado nos autos. Como se vê, no mesmo tópico o contribuinte questiona a glosa das áreas declaradas a titulo de preservação permanente e o valor da terra nua atribuído ao seu imóvel. Assim, quanto aos temas, oportuno destacar a legislação correlata: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua - VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto-avaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10980.015225/2007-11 Acórdão n.º 2201-003.378 S2-C2T1 Fl. 209 7 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Grifou-se. Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Grifou-se. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 212DF CARF MF 8 § 1o-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifou-se; IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I - de preservação permanente; II - de reserva legal; III - de reserva particular do patrimônio natural; IV - de servidão florestal; V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; (...) Art. 11. São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. § 1º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas a que se refere o caput devem estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Grifou-se. Intimado a apresentar o Ato Declaratório Ambiental e laudo elaborado por profissional habilitado que permitisse a identificação das áreas que compõe as áreas declaradas, o contribuinte não o fez. Em seu Recursos, limita-se a alegar que, por conta do que previa o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, não estaria obrigado a comprovar as informações declaradas, comprovação esta que caberia ao Agente Fiscal. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10980.015225/2007-11 Acórdão n.º 2201-003.378 S2-C2T1 Fl. 210 9 Trata-se de claro equívoco na interpretação da norma, pois o que se esperava de tal comando normativo, atualmente revogado, seria deixar clara a desnecessidade de apresentação de documentos juntamente com a Declaração. Observados os destaques normativos acima expostos, os quais, por tão cristalinos, não mereceriam sequer análise mais atenta, inclusive esse tem sido o entendimento corrente neste Colegiado Administrativo, segundo o qual, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória à apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Ainda que aos olhos menos atentos possa parecer despropositada a exigência, trata-se de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além se configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeita-se à vistoria técnica do IBAMA e, portanto, a mera alegação de que uma área de utilização limitada efetivamente exista, ainda que atestada em perícia anterior ou posterior ao procedimento fiscal, não é suficiente, por si só, para afastar a incidência do tributo rural, já que, sem o protocolo do ADA, a desoneração tributária ocorreria sem qualquer instrumento que permitisse a efetiva validação das informações declaradas. Por outro lado, ainda que haja previsão legal de que um percentual da propriedade rural seja mantido a título de Reserva Legal, se os demais requisitos (ADA e averbação junto à matrícula do imóvel) não foram demonstrados, não há que se falar em isenção fiscal sobre tais áreas. Do mesmo modo acontece com as áreas declaradas de interesse ecológico, para as quais não bastam meras alegações de que compõem área de Mata Atlântica, sendo indispensável que o contribuinte apresente declaração neste sentido de órgão competente federal ou estadual. No caso em comento, o que se vê é a utilização do tributo como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Assim, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à autoridade fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes dos requisitos fixados pela legislação. Ressalte-se que não precisa a Receita Federal comprovar a falsidade das informações prestadas em DITR, já que, neste caso, são exclusões da base de cálculo do tributo alegadas pelo contribuinte. Lembrando que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as isenções exceções que devem ser provadas por quem delas aproveita. Fl. 214DF CARF MF 10 Portanto, não tendo o contribuinte cumprido as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção e considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 ( CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo acertada a decisão de primeira instância que manteve o lançamento em relação à tributação sobre as áreas originalmente declaradas como de preservação permanente, bem assim a obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Pelo quê nego provimento ao recurso na parte relacionada à exclusão das Áreas de Preservação Permanente. Já em relação ao arbitramento do Valor da Terra Nua, equivoca-se mais uma vez o contribuinte ao afirmar que esta só é possível na hipótese de omissão de entrega de DIAC ou DIAT. Como visto acima, a norma prevê tal possibilidade nos casos de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Prevê, ainda, que o VTN refletirá o valor de mercado de terras apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT e será considerado auto-avaliação. Assim, como o próprio contribuinte é que faz a avaliação do imóvel para fins de declaração, nada mais adequado que a Receita Federal abra espaço para demonstrar a forma como chegou a tais valores. É evidente que há situações em que imóveis com características muito semelhantes apresentem valores de mercado muito diferentes, sejam por conta de limitações decorrentes da legislação ambiental, seja por características de relevo, acesso, transportes, etc. Assim, objetivando alcançar maior justiça fiscal, é que a norma legal trouxe mais liberdade para o proprietário rural, abrindo a possibilidade de avaliação regular do seu imóvel para que o tributo incida sobre uma base cada vez mais próxima da realidade particular de sua propriedade. Contudo, ao mesmo tempo em que a norma dá liberdade ao sujeito passivo, impõe o dever de acompanhar o mercado imobiliário ano a ano, para apurar o valor total de sua propriedade e de suas benfeitorias para, ao fim, chegar ao VTN a ser declarado. Portanto, a obrigação de demonstrar o valor declarado é do contribuinte, restando ao Agente Fiscal, quando não comprovadas as informações, efetuar o arbitramento nos termos da legislação supracitada. Neste sentido, após a efetiva intimação ao contribuinte para comprovar o VTN declarado, sem sucesso, correto é o procedimento da fiscalização de socorrer-se do sistema criado pela Portaria SRF 447/2002 (SIPT), que nada tem de ilegal, já que expressamente previsto no art. 14 da Lei 9.393/96, não merecendo prosperar o argumento de desproporcionalidade dos valores arbitrados, já que decorrem de informações prestadas pelas Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem assim de valores de terra nua declarados por contribuintes da mesma região em DITR. Naturalmente, tratando-se de valores médios, pode ocorrer alguma divergência, para mais ou para menos, de acordo com as peculiaridades de cada propriedade. Contudo, a comprovação dos valores declarados ou a adequação dos valores lançados pelo fisco ao valor considerado adequado pelo proprietário do imóvel dependerá de apresentação de laudo devidamente formalizado para este fim, o qual deve considerar os requisitos mínimos para documentos dessa natureza. Contudo, como se viu, intimado, o contribuinte nada apresentou durante o procedimento fiscal, tampouco no curso da presente lide administrativa, limitando-se a tentar atribuir à Receita Federal uma tarefa que é sua ou mesmo a requerer a produção de provas para Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10980.015225/2007-11 Acórdão n.º 2201-003.378 S2-C2T1 Fl. 211 11 apresentar algo de que já deveria dispor, já que, certamente, tirou o valor declarado de alguma fonte de informação. Assim, entendendo não existirem razões para alterações no lançamento efetuado, concluo pela procedência das conclusões da DRJ, pelo quê nego provimento ao Recurso Voluntário em relação ao arbitramento do Valor da Terra Nua. Da Impugnação à alíquota do Auto de Infração Inicia o contribuinte seus argumentos afirmando que restou omitida a fundamentação legal que levou à determinação da alíquota de 20% sobre o valor da terra nua, incorrendo o lançamento em nulidade. Além disso, afirma que tal alíquota é destinada a áreas improdutivas, diante do evidente caráter de confisco, somente aplicável como sanção ao uso improdutivo da propriedade rural. Afirmando que é incontroverso que a suposta área repousa em "reserva legal de preservação permanente" e jamais poderia ter sido fixada alíquota máxima, porque é dever da fiscalização adequar o lançamento à verdade material. O recorrente manifesta sua discordância em relação à alíquota apurada de 20% quando, no seu entendimento, o correto seria 0,45% (mínima para o tamanho da propriedade). Inicialmente, cumpre destacar que a definição da alíquota é uma resultante do termos da Lei 9.393/96, que considera para este fim uma relação direta entre o tamanho do imóvel o seu grau de utilização. É por esta razão que o lançamento não fez considerações sobre o tema, já que a fiscalização não alterou a alíquota do tributo, alterou apenas o tamanho da Área Tributável, o que, reflexamente, gerou alteração no Grau de Utilização do imóvel rural e na alíquota aplicável. Assim, não há amparo legal para que, de forma isolada, possamos tratar a questão da alíquota aplicada. Tampouco mostra-se oportuno retornarmos à questão já tratada acima sobre a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Assim, nego provimento ao recurso voluntário na parte relacionada à alíquota aplicada. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a nulidade alegada e, no mérito, negar-lhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10297.000823/2011-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 7. 00 08 23 /2 01 1- 71 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10297.000823/201171 Acórdão n.º 9202004.809 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 159DF CARF MF
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