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Numero do processo: 10880.932017/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2009
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de outras declarações de compensação do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
CRÉDITO INTEGRALMENTE COMPENSADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito já foi integralmente compensado em outras DCOMPs
Numero da decisão: 1402-005.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,.por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes, (suplente convocada) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de outras declarações de compensação do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. CRÉDITO INTEGRALMENTE COMPENSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito já foi integralmente compensado em outras DCOMPs
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NULIDADE. Demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de outras declarações de compensação do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. CRÉDITO INTEGRALMENTE COMPENSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito já foi integralmente compensado em outras DCOMPs Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,.por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 20 17 /2 01 3- 46 Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.650 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932017/2013-46 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes, (suplente convocada) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata-se de DCOMP transmitida em 24/09/2010, em que o contribuinte declara a existência de direito creditório no valor de R$ 227.712,14, relativo ao DARF código nº 2362 (IRPJ - LUCRO REAL - ESTIMATIVA MENSAL), período de apuração 30/04/2009, valor total R$ 339.639,63, data de arrecadação 29/05/2009. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, resumidamente, o seguinte: a) O despacho decisório é nulo, por ausência de motivação, uma vez que não contém esclarecimentos quanto a suposta indisponibilidade do pagamento, por ter sido utilizado em outra compensação sem, contudo, apontar a que compensação se refere o que inviabilizou o direito ao contraditório. b) Considerando-se a discricionariedade do Poder Público quando simplesmente nega o direito à compensação pleiteada sem especificar suas razões, é nítida a aplicação da nulidade do ato administrativo, por limitar o contribuinte à insuficiência de informações e, principalmente, por tolher seu direito de defesa c) O art. 50, incisos I e II da Lei 9.784/99, que exige a motivação dos atos administrativos quando estes neguem, limitem ou afetem direitos ou imponham ou agravem deveres, encargos e sanções d) Em razão do princípio da legalidade, é assegurada a restituição ao contribuinte em caso de pagamento a maior; Em 26 de março de 2018, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), negou provimento à manifestação de inconformidade. Cientificada (fls.86), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 95/105, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.650 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932017/2013-46 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. PRELIMINAR 1.1) NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Alega a Recorrente que o fato das informações terem sido por ela prestadas, em declarações fiscais, não pode ser entendida como fundamento do v. acórdão recorrido, sem conste, no despacho decisório o por que desta indisponibilidade. Sendo assim, tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida são nulos por ausência de motivação Como se pode verificar, o inconformismo da Recorrente se centra na maneira como foi fundamentado o Despacho Decisório, que foi considerada adequada pela decisão de primeira instância. Na visão da Recorrente, o caráter vinculado do ato administrativo relativo ao despacho decisório exigiria uma motivação diferente daquela exposta no quadro "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL" A decisão recorrida rejeitou a referida alegação nos seguintes termos: Em suma, o contribuinte alega cerceamento do direito de defesa por ausência de motivação do Despacho Decisório. No entanto, não merece acolhida o argumento, conforme ficará demonstrado. O Despacho Decisório (DD), de fls. 21, é claro ao identificar o débito para o qual foi utilizado o pagamento discriminado no PER/DCOMP, mencionando o código da receita, o período de apuração e o valor do DARF utilizado para sua quitação, senão vejamos: (...) Ademais, conforme consulta ao sistema DCTF, o débito identificado no DD foi confessado pelo próprio contribuinte por meio de DCTF retificadora transmitida em 14/12/2009 - a qual se encontra ativa até o presente momento -, pelo que não há como este negar o seu conhecimento. Incorretas as alegações da Recorrente. O despacho decisório de fls. 69 não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Confira-se: Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.650 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932017/2013-46 O exame das declarações (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF) prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o valor total do crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte. Sendo assim, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório. É de se destacar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto-Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, constitui instrumento de confissão de dívida e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa, o que não restou demonstrado nos autos. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. A jurisprudência deste conselho reconhece a legitimidade da fundamentação utilizada nos despachos decisórios eletrônico, conforme se constata pelas decisões abaixo reproduzidas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2003 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se acolher a argüição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.650 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932017/2013-46 Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. (Acórdão nº 3002-000.767, sessão 13/06/2019) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/10/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de outras declarações de compensação do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. CRÉDITO INTEGRALMENTE COMPENSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito já foi integralmente compensado em outras DCOMPs. (Acórdão nº 2301-006.196, sessão 05/06/2019) Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como do devido processo legal, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei nº 9.784/1999 (regra geral) e do Decreto n° 70.235/1972 (regra específica), não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Diante do exposto, rejeito a alegação de nulidade inda que não seja entendido a respeito da nulidade do Despacho Decisório, sua reforma é patente, vez que assiste a Recorrente em ter seu direito de compensação reconhecido, em vista da comprovação de que houve pagamento indevido ou a maior Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.650 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932017/2013-46 (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10735.721179/2013-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2008
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
Numero da decisão: 2401-009.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 11 79 /2 01 3- 24 Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.743 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10735.721179/2013-24 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório ACU EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS E AGROPECUARIOS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada a Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício 2008, conforme peça inaugural às e-fls. 07/10, e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada em 29/04/2013 (AR de e-fl. 11), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/2008 incidentes em malha valor, iniciou-se com o Termo de Intimação Fiscal nº 07103/0006/2013 de fls. 03/05, para o contribuinte apresentar os documentos que lastreassem sua declaração. Por não ter recebido nenhum documento de prova e procedendo-se a análise e verificação dos dados constantes na DITR/2008, a fiscalização resolveu glosar as áreas de preservação permanente de 330,1 ha e de reserva legal de 333,7 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$1.919.505,00 (R$2.364,50/ha), arbitrando o valor de R$12.786.751,10 (R$15.751,11/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com consequente redução do Grau de Utilização de 83,4% para 14,9% e aumento do VTN tributável e da alíquota aplicada de 0,15% para 4,70% e disto resultando o imposto suplementar de R$600.452,42, conforme demonstrado às fls. 09. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário, por entender restar decaído nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 03-067.327/2015, de e-fls. 341/347, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2008 DA DECADÊNCIA. ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Na modalidade do lançamento por homologação, o prazo quinquenal legalmente previsto para revisão do valor do ITR apurado e recolhido, integralmente ou de forma parcelada, pelo contribuinte, dentro do próprio exercício de referência do imposto, inicia-se na data da ocorrência do respectivo fato gerador. Cabe ser declarada, de ofício, a Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto. Impugnação Procedente Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.743 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10735.721179/2013-24 Crédito Tributário Exonerado Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 63/2007, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. Regularmente intimada, a autuada não apresentou qualquer manifestação. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o Relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observando-se a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicando-se o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreende-se que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. Tendo em vista que o crédito tributário exonerado pela primeira instância não alcança o limite de alçada, hoje de R$ 2.500.000,00, não levado a efeito os juros. Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.743 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10735.721179/2013-24 No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, senão vejamos: Valor Principal: R$ 600.452,42 Multa: R$ 450.339,31 Total: R$ 1.050.791,73 Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situar-se abaixo do limite de alçada vigente, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917078/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2301-005.331, de 05/06/2018, reconhecer a competência do Carf para a apreciação do litígio e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora certifique-se da ocorrência de: 1) retenções indevidas; e 2) recolhimentos a maior ou indevidos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
RELATÓRIO
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2301005.331, de 05/06/2018, reconhecer a competência do Carf para a apreciação do litígio e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora certifiquese da ocorrência de: 1) retenções indevidas; e 2) recolhimentos a maior ou indevidos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente). RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 17 07 8/ 20 09 -3 1 Fl. 1442DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Tratase de embargos de declaração opostos pelo respeitado Conselheiro JOÃO João Bellini Júnior, do qual fez parte integrante como Presidente deste Colegiado (1ª Turma, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de julgamento), contra Acórdão de julgamento de Recurso Voluntário, no qual consta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN". Recurso Voluntário Não Conhecido". Nos embargos declaratórios opostos, está sendo questionada o não recebimento do Recurso Voluntário apresentado, quando foi declarada a incompetência do colegiado, em que o foi feito nos seguintes termos: "Como visto, o acórdão decidiu pela incompetência do Carf em conhecer do recurso voluntário, “isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF”. Em assim fazendo o acórdão entrou em contradição, pois, ao mesmo tempo em que se fundamenta no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, nega vigência ao §9º desse artigo, pelo qual “é facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação”. Ora, se é aplicável ao caso o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, também é o seu § 9º, que abre a via do processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto 70.235, de 1972, aos casos de não homologação da compensação. Sendo a manifestação de inconformidade julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), a competência para o julgamento do recurso voluntário que ataca tal decisão é dada pelo art. 1º do Anexo II do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Caso não seja aplicável ao caso o § 9º do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, o acórdão embargado incidiu em omissão, ao não motivar a decisão. Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 15374.917078/200931 Resolução nº 2301000.819 S2C3T1 Fl. 4 3 Por tais razões, com fundamento no art. 65 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, EMBARGO DE OFÍCIO o acórdão em questão, para que seja sanados os vícios apontados". Diante dos fatos, é o breve relatório. VOTO Conselheiro Wesley Rocha Relator Os embargos declaratórios possuem previsão pelos os artigos 64, 65 e 66 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015), que assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciar se a turma". Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão". Com isso, os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. No presente caso, entendo que guarda pertinência o questionamento apresentando. Senão vejamos. O embargante apresenta a seguinte contradição do julgado: "Em assim fazendo o acórdão entrou em contradição, pois, ao mesmo tempo em que se fundamenta no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, nega vigência ao §9º desse artigo, pelo qual “é facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação”. Ora, se é aplicável ao caso o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, também é o seu § 9º, que abre a via do processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto 70.235, de 1972, aos casos de não homologação da compensação". Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 15374.917078/200931 Resolução nº 2301000.819 S2C3T1 Fl. 5 4 Quanto a esse ponto específico, o pedido de compensação tem seu procedimento regulado pela Lei 9.430, de 1996. Nesse sentido, tenho que de fato, a decisão foi contraditória, pois o parágrafo 10º, da referida Lei, diz que da decisão que não homologar a compensação, cabe apresentar a devida Manifestação de Inconformidade, e posterior a isso, caso persista a irresignação, cabe então recurso ao Conselho de Contribuintes, ou seja, ao CARF, conforme transcrição in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Assim, a referida Lei abre caminho para que seja aplicado o rito processual do PAF (Decreto Nº 70.235, de 6 de março De 1972), a fim de que seja apreciado o recurso do contribuinte perante este Tribunal Administrativo. Nessas circunstâncias, devem ser acolhidos os embargos, nos limites de seu recebimento, tendo nesse caso efeitos modificativos, para sanar a contradição apontada, e oportunizando o aclaramento ao disposto do que já foi decidido. CONCLUSÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO aos embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para sanar o vício da decisão proferida, em contradição no que diz respeito à decisão lançada que utilizou como fundamentação Lei que impõe o próprio conhecimento do recurso apresentado. Assim, acolhendo os embargos, passo os fundamentos do mérito do recurso. DO VOTO DE MÉRITO DO RECURSO RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, o qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 15374.917078/200931 Resolução nº 2301000.819 S2C3T1 Fl. 6 5 ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nessa ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses equívocos ocorreu também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo, decorrentes também por informações equivocadas quando do seu processamento em razão de um de seus milhares de participantes ter falecido ou por terem sido acometidos por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; ou, c) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento. vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 15374.917078/200931 Resolução nº 2301000.819 S2C3T1 Fl. 7 6 Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito pleiteado. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e da busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório do recurso voluntário. VOTO DE MÉRITO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 15374.917078/200931 Resolução nº 2301000.819 S2C3T1 Fl. 8 7 No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações —Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor devido sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seria mais possível fazer por retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impedida a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outros casos por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios do possível crédito apresentado e que merecem análise aprofundada da questão, já que são indícios suficientemente fortes a embasar os créditos gerados, mas que ainda carece de total convicção. Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 15374.917078/200931 Resolução nº 2301000.819 S2C3T1 Fl. 9 8 Já nos casos em que houve possível erro material no preenchimento da DCTF, a contribuinte alega que foi feita a retificação, quando não estava em fiscalização. Nesse sentido, em análise dos documentos apresentados e do PER/DCOMP apresentado, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional, mas que, como já dito, os fatos narrados e os documentos juntados trazem relativas convicções do direito da recorrente. O art. 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas ,cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Ademais, o Parecer COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, alega que não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB 1.110, de 2010, revogado pela Instrução Normativa RFB n.º 1.599, de dezembro de 2015, conforme conclusão esposa no referido parecer, abaixo transcrito: "Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 15374.917078/200931 Resolução nº 2301000.819 S2C3T1 Fl. 10 9 d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Nesse sentido, entendo que a recorrente colacionou diversas provas que possam dar azo ao direito pleiteado, mas que precisa ser analisado na origem seu possível recolhimento a maior. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade preparadora certifique se de fato houve o recolhimento a maior, diante das provas apontadas pela recorrente, verificando, se for o caso, a consolidação do crédito gerado, pago e possível saldo, caso houver. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 1450DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909627/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.397
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo da contribuição, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente BRASLATEX INDUSTRIA E COMERCIO DE BORRACHAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo da contribuição, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito de PIS e COFINS. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 62 7/ 20 11 -3 1 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Resolução nº 3301000.397 S3C3T1 Fl. 3 2 No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte e livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14 042.504. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos; e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e a cópia de parte do livro diário apresentada não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Resolução nº 3301000.397 S3C3T1 Fl. 4 3 ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.366, de 28 de junho de 2017, proferida no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.366): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade,portanto dele tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20(vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ.21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. Quanto ao mérito, resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS e da Cofins. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Resolução nº 3301000.397 S3C3T1 Fl. 5 4 No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF,aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Todavia, a autoridade administrativa não considerou os documentos juntados pela Recorrente planilha, o livro diário e o livro razão – uma vez que afastou a tese de mérito. Diante da compatibilidade do valor pleiteado pela Recorrente face à sua escrituração contábil, necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação do crédito pleiteado. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja determinada à unidade de origem que: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Resolução nº 3301000.397 S3C3T1 Fl. 6 5 c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.684273/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte em face do Acórdão 16-032.080, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo.
Os autos dizem respeito a compensação de tributos cuja origem de crédito derivaria de recolhimento indevido ou a maior de COFINS.
O despacho decisório da unidade de origem não homologou a compensação face inexistência do crédito alegado.
A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, sustenta que o montante devido é menor que o efetivamente recolhido e assevera que os documentos carreados aos autos comprovam sua alegação. Protesta, finalmente, pela produção de todas as provas admitidas em direito, notadamente documental e pericial.
Após exame da Manifestação de Inconformidade, a DRJ proferiu acórdão cuja ementa se transcreve na parte objeto da irresignação da Recorrente:
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA.
No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no §4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada.
Tem-se por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previsto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, com redação da pela Lei nº 8.748/1993.
(...)
COFINS APURADA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A redução do valor da Cofins declarada em DIPJ e DCTF em razão de ajustes das receitas e/ou exclusões da base tributável, somente é admitida mediante a apresentação de provas materiais.
Inconformada, a Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado e apresentando novas provas documentais.
É o relatório.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte em face do Acórdão 16-032.080, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Os autos dizem respeito a compensação de tributos cuja origem de crédito derivaria de recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O despacho decisório da unidade de origem não homologou a compensação face inexistência do crédito alegado. A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, sustenta que o montante devido é menor que o efetivamente recolhido e assevera que os documentos carreados aos autos comprovam sua alegação. Protesta, finalmente, pela produção de todas as provas admitidas em direito, notadamente documental e pericial. Após exame da Manifestação de Inconformidade, a DRJ proferiu acórdão cuja ementa se transcreve na parte objeto da irresignação da Recorrente: APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no §4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Tem-se por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previsto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, com redação da pela Lei nº 8.748/1993. (...) COFINS APURADA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A redução do valor da Cofins declarada em DIPJ e DCTF em razão de ajustes das receitas e/ou exclusões da base tributável, somente é admitida mediante a apresentação de provas materiais. Inconformada, a Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado e apresentando novas provas documentais. É o relatório.
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COMPENSAÇÃO. RECEITAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Recorrente DINÂMICA TRATORES IMPLEMENTOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte em face do Acórdão 16032.080, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Os autos dizem respeito a compensação de tributos cuja origem de crédito derivaria de recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O despacho decisório da unidade de origem não homologou a compensação face inexistência do crédito alegado. A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, sustenta que o montante devido é menor que o efetivamente recolhido e assevera que os documentos carreados aos autos comprovam sua alegação. Protesta, finalmente, pela produção de todas as provas admitidas em direito, notadamente documental e pericial. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 84 27 3/ 20 09 -3 5 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.684273/200935 Resolução nº 3201000.794 S3C2T1 Fl. 3 2 Após exame da Manifestação de Inconformidade, a DRJ proferiu acórdão cuja ementa se transcreve na parte objeto da irresignação da Recorrente: APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no §4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previsto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, com redação da pela Lei nº 8.748/1993. (...) COFINS APURADA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A redução do valor da Cofins declarada em DIPJ e DCTF em razão de ajustes das receitas e/ou exclusões da base tributável, somente é admitida mediante a apresentação de provas materiais. Inconformada, a Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado e apresentando novas provas documentais. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.762, de 24 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10880.684284/200915, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3201000.762: "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. (...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa no período de apuração de março de 2003. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.684273/200935 Resolução nº 3201000.794 S3C2T1 Fl. 4 3 De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento a maior de COFINS realizado por meio do recolhimento de DARF. Consoante Despacho Decisório proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, apresentando cópias dos seguintes documentos: i) Registro de Entradas e Saídas onde se comprovam as vendas canceladas, devoluções de compras, as exportações, frete e energia elétrica; ii) Extrato do total do acumulado de aliquotas zero nas vendas e compras A DRJ, ao analisar a defesa apresentada, aponta que a conclusão de que o DARF quitado pela Recorrente foi integralmente utilizado para a quitação de débitos da própria contribuinte decorre do exame da DCTF e da DIPJ por ele apresentada. Embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta os seguintes documentos aos autos: i) cópia da DARF com o recolhimento indevido; ii) cópia da DCTF retificadora; iii) cópia da DIPJ com o valor indevido do campo "11. () Receitas Isentas ou Sujeitas a Alíquota zero"; iv) novo cálculo da COFINS cumulativa subtraindo da base de cálculo apenas as receitas sujeitas a alíquota zero; e v) cópia da listagem das vendas dos produtos monofásicos com especificação dos nºs e datas da emissão. Esta Turma, em reiterados julgados, busca sempre prestigiar o princípio da verdade material, notadamente naquelas hipóteses em que o contribuinte nitidamente se esforça para a apresentação de todos os documentos e esclarecimentos necessários para a elucidação da lide. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.684273/200935 Resolução nº 3201000.794 S3C2T1 Fl. 5 4 foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, em prol do princípio da verdade material, e considerando que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos comprobatórios do seu direito, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, à apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias), prorrogável por igual período, para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos, a saber: comprovante do recolhimento (DARF), DCTF retificadora, DIPJ com informação das receitas sujeitas à alíquota zero, apuração da Cofins não cumulativa excluindo da base de cálculo as receitas sujeitas à alíquota zero e listagem das vendas de produtos sujeitos à incidência monofásica (art. 3º da Lei 10.485/2002). Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, à apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias), prorrogável por igual período, para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13951.720087/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3401-002.335
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora junte aos autos cópia integral dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento citados na fundamentação do despacho. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.333, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 13951.720086/2013-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: RAFAELLA DUTRA MARTINS
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.333, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 13951.720086/2013-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de PIS exportação, apurado no montante de R$ 139.203,90. O pedido foi indeferido pela DRF Maringá ante a prescrição do direito creditório, uma vez “o parágrafo único do art. 30 da IN RFB nº 1.300, de 2012, dispõe que o ressarcimento poderá ser solicitado somente para créditos apurados até 5 (cinco) anos anteriores, contados da data do pedido” e a Recorrente pleiteia créditos apurados em 2006 através de pedido de ressarcimento protocolado em 15 de março de 2013. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 51 .7 20 08 7/ 20 13 -6 1 Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.335 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13951.720087/2013-61 Em Manifestação de Inconformidade a Recorrente destaca que o dies a quo do prazo prescricional de seu pedido de compensação é 1º de janeiro de 2011, data em que se tornou possível o ressarcimento e a compensação do crédito presumido das contribuições com débitos de outros tributos. Ademais, a Recorrente já havia pleiteado os créditos em liça por meio do programa PER/DCOMP, porém, teve seu pedido indeferido pela impossibilidade de distinguir a origem dos créditos. A DRJ Ribeirão Preto negou provimento à Manifestação de Inconformidade, porquanto “em face de sua natureza complexiva, a data a ser considerada como origem desse direito creditório será o último dia do mês de apuração dos créditos presumidos e, por conseguinte, o marco inicial de contagem do prazo prescricional será o primeiro dia do mês subsequente ao de apuração dos créditos”. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho reiterando o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade somada a citação de Jurisprudência do Regional Gaúcho que lhe é favorável. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de COFINS de aquisição de insumos vinculados à exportação de farelo de soja, ex vi art. 56-A e 56-B da Lei 12.350/2010. O pedido formulado pela Recorrente foi negado pela fiscalização por prescrito nos termos do artigo 1° do Decreto 20.910/32; protocolado mais de cinco anos após o período de apuração dos créditos (final do terceiro trimestre de 2006). Pois bem, narra o relatório fiscal que, antes do presente pedido a Recorrente havia retificado PER eletrônico por diversas vezes, a última em 20 de outubro de 2011: Todavia, a fiscalização não traz aos autos cópia dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento, impedindo a análise da suspensão e interrupção do prazo prescricional, tal como dispõe, respectivamente, os artigos 4°, 8° e 9° do Decreto 20.910/32: Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurá-la. Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.335 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13951.720087/2013-61 Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificar-se-á pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. (...) Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Não saber em que data foi proferida decisão que decretou a prescrição do direito de petição, equivale a desconhecer em que data a prescrição tornou a correr, quer pela metade (se interrompida), quer o prazo residual (se suspensa). Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que para que a Unidade Preparadora junte aos autos cópia integral dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento citados na fundamentação do despacho. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora junte aos autos cópia integral dos processo(s)/procedimento(s) administrativo(s) vinculados ao(s) pedido(s) eletrônico(s) de ressarcimento citados na fundamentação do despacho. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10120.727610/2015-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.723788/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para serem juntadas aos autos peças de ação judicial, para que possa ser avaliada a existência, ou não, de concomitância de discussão administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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(assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase Autos de Infração, lavrados contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social correspondente à a comercialização da produção rural com sub rogação. De acordo com o Relatório Fiscal a os valores do lançamento são referentes as contribuições previdenciárias devidas pela empresa para a SEGURIDADE SOCIAL e contribuição social para os TERCEIROS incidentes sobre as aquisições de produtos rurais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 23 78 8/ 20 15 -1 4 Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.059 2 oriundos de produtores pessoas naturais não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP e referese ao período de 06/2010 a 04/2012, tendo sido lavrados os AI's Debcads nºs 51.058.5345; 51.058.5370 e 51.058.5388. Como bem resumido no relatório da Decisão de primeira instância ( que aqui reproduzimos), consta ainda no Relatório Fiscal as seguintes informações: "O contribuinte tinha como objeto social principal, na época da ocorrência dos fatos geradores, a atividade de frigorífico – abate de bovinos (código de atividade CNAE nº 1011201), segundo comprovante de inscrição e situação cadastral emitido pelo Ministério da Fazenda. A ação fiscal decorreu de procedimento fiscal instaurado inicialmente no contribuinte Tiroleza Alimentos Ltda, CNPJ nº 81.128.373/000144, adquirida pela JBS (TDPF nº 0910100.2014.00646). Em diligência ao endereço cadastrado pela Tiroleza como domicílio tributário (Rua Sebastião Alcebíades Nogueira, 224, bairro Ina, São José dos Pinhais PR), não foi encontrada a empresa, sendo indicado pela vizinhança o seu real endereço a poucas quadras dali, na Rua Antonio Bianchetti, 635. Nesse local, diligenciado, em agosto de 2014, encontrou se o estabelecimento da JBS, filial CNPJ 02.916.265/020195, onde a fiscalização foi atendida pela Sra. Márcia Garbinato, CPF 030.440.57957, empregada, a qual afirmou que a JBS havia comprado às instalações físicas da Tiroleza em São José dos Pinhais (PR) e feito a transferência dos seus empregados para a JBS. Por meio de alguns trabalhadores que se encontravam no local, a fiscalização confirmou que eles eram empregados transferidos da Tiroleza e que continuavam as mesmas atividades em favor da Friboi (nome fantasia da JBS). A comprovação formal da transferência dos empregados da sedematriz da Tiroleza para a JBS está nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, de maio de 2012, na qual consta a movimentação código “N2”, que significa transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de contrato de trabalho. A discriminação desses empregados foi efetuada no demonstrativo Anexo XI (fls. 445/446). O Sr. Idamar Segatti, CPF nº 581.057.94934, sócio da Tiroleza, solicitou que todos os pedidos de documentação fossem direcionados ao Sr. Divaldo Lopes de Andrade, contador da empresa, CPF 809.028.98949, com escritório na Rua Comendador Macedo, 39, conjunto 31, Centro, Curitiba (PR). Ele alegou que não era mais responsável pela empresa, pois a vendeu, em conjunto com seu sócioadministrador Jucimar Gritti, CPF nº 374.197.659 87, para a JBS, e que, por uma questão de sigilo contratual, não poderia apresentar ao Fisco os contratos de compra e venda firmados entre as duas empresas. Ele, questionado se havia sido feito o registro da baixa/incorporação da Tiroleza nos órgãos de registro, respondeu que nada havia sido realizado nesse sentido. Solicitados os documentos ao Sr. Divaldo, contador, foram entregues a contabilidade e folhas de pagamento em meio digital (no formato do Manual Normativo de Arquivos Digitais – Manad), bem como, os contratos sociais até a 27ª alteração contratual feita em 11/9/2012 (cópias do contrato social e alterações no Anexo III). Não foram entregues, as folhas de pagamento da filial com final de CNPJ 001116, apesar do contribuinte ter sido Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.060 3 novamente intimado pela fiscalização em 12/11/2014 (TIF nº 1) e em 23/1/2015 (TIF nº). As cópias de todos os termos de intimação e das respostas da Tiroleza estão no Anexo II fls. 140/197. Diante da falta de apresentação dos contratos de compra e venda firmados entre Tiroleza e o contribuinte, foi efetuada diligência (procedimento fiscal com Termo de Procedimento Fiscal – TDPF nº 0910100.2015.00095) para esclarecer esta situação. Porém, em fevereiro de 2015, quando a fiscalização retornou ao endereço visitado (Rua Antonio Bianchetti, 635), não havia mais atividade no local, tendo o vigilante do prédio informado que esta filial da JBS havia se mudado para a Rua Zilá Walbah Preces, nº 180, em Curitiba (PR). Nesse endereço foi localizada a filial CNPJ 02.916.265/020195 da JBS que, intimada a apresentar quaisquer contratos efetuados pela JBS com a Tiroleza, em 9/3/2015, atendeu à fiscalização, em 30/3/2015, apresentando contratos de compra e venda, de veículos e de unidades industriais, assinados em 28/5/2012 (anexo I de fls. 115/139). Analisados os contratos, constatouse que houve a incorporação da Tiroleza pela JBS, sendo esta a sucessora de fato. Em face da responsabilidade tributária decorrente da sucessão, foi solicitada a abertura de procedimento fiscal na sucessora JBS para o lançamento dos créditos tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos na sucedida Tiroleza. Tendo em vista o não atendimento de intimação para apresentação de parte das Folhas de Pagamento da Tiroleza, foi solicitada essa documentação à sucessora JBS, por meio do Termo que deu início a referida ação fiscal, em 13/5/2015. A JBS, na resposta entregue, em 8/6/2015, alegou que apenas adquiriu da Tiroleza, em maio de 2012, a unidade frigorífica localizada em Ponta Porã (MS) e que por este motivo não poderia entregar os documentos solicitados. O que não é verdade, porque a fiscalização visitou o estabelecimento em São José dos Pinhais (PR) tendo constatado a situação relatada de transferência dos empregados e de continuidade do negócio pela JBS, além disso, a incorporação se revela pela análise dos contratos firmados entre essas pessoas jurídicas. SUCESSÃO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Analisandose os contratos de compra e venda de veículos (Anexo I de fls. 115/120) e de compra e venda de unidades industriais frigoríficas e centros de distribuição e aditivo (Anexo I às fls. 120/139) verificouse, pelas razões que seguem, que não foi apenas a compra de ativos financeiros de uma empresa por outra, mas a incorporação de fato da Tiroleza pela JBS. O contrato de compra e venda das unidades, firmado em 28/5/2012 esclarece, em sua cláusula 2ª, que a Tiroleza possuía um passivo tributário (contribuições previdenciárias) perante o INSS, estimado em R$ 5,5 milhões, e também um financiamento junto ao BNDES de R$ 2,2 milhões, que seriam assumidos pela JBS, ao ser levados em conta no preço total da empresa, de R$ 44,5 milhões. Na cláusula 20, § 1º, a JBS confirma a transferência dos trabalhadores da Tiroleza e assume a responsabilidade pelas verbas trabalhistas ocorridas até doze meses antes da assinatura do contrato. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.061 4 Na cláusula 21, os vendedores (sócios da Tiroleza) se comprometem a não mais explorar qualquer atividade de abate de gado bovino, ovino, suíno, de curtume e de frigorífico, sendo proibidos de competir com a JBS neste ramo por dez anos (prazo diminuído para 5 anos por meio do aditamento contratual feito em 24/5/2013). Caso explorassem essa atividade, a JBS teria o direito de receber a totalidade de suas receitas brutas apuradas. A JBS comprometeuse, na cláusula 24, a firmar contrato com o Sr. Idamar Segatti, sócioadministrador da Tiroleza, para prestar serviços de consultoria pelo prazo de seis meses a partir da assinatura do contrato. Pela análise do contrato constatouse que: (a) Foi incluído no cálculo da venda, uma estimativa das contribuições previdenciárias devidas pela Tiroleza em função da compra de gado de produtores rurais pessoas físicas, bem como de dívida perante o BNDES decorrente da atividade desenvolvida pela empresa; (b) Não houve solução de continuidade nas atividades da empresa, os trabalhadores transferidos continuaram produzindo em suas mesmas funções para a JBS, que assumiu o passivo trabalhista a partir de então; (c) A JBS adquiriu o fundo de comércio da Tiroleza, representada pelo complexo de bens materiais e imateriais para a efetiva exploração do negócio de abate de gado e de frigorífico e certificouse, ainda, de que os sóciosadministradores da incorporada não continuassem a explorar esse segmento, proibindoos contratualmente de competirem com a JBS nos cinco anos seguintes à assinatura do contrato; (d) A contratação do Sr. Idamar Segatti confirma a continuidade das atividades do fundo de comércio, sendo necessária sua assessoria no período de transição da administração para a JBS. Conforme dispõe o CTN, artigo 133, os títulos utilizados para formalizar o negócio jurídico não são relevantes para aplicação da norma nele contida. Concluiuse que houve uma transferência do fundo empresarial, apto por si só a produzir lucros, o que permitiu a continuidade da exploração da atividade comercial com mera alteração subjetiva do agente empresarial: a JBS, que atuava no mesmo segmento econômico da Tiroleza, apenas continuou a exploração do negócio com a criação de um novo estabelecimento filial (CNPJ 02.916.265/020195). Assim, como sucessora de fato da Tiroleza (a qual cessou a exploração de sua atividade), a JBS tornouse responsável tributária, de forma integral, pelos tributos devidos pela empresa sucedida (Tiroleza). DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS Por outro lado, verificase que a dissolução da Tiroleza deuse de forma irregular, mediante incorporação disfarçada em compra e venda de ativos financeiros. Em pesquisa no endereço eletrônico da Junta Comercial do Estado do Paraná, constatouse que foi registrada, em 24/9/2014, pouco tempo após o início da ação fiscal na Tiroleza (em 26/8/2014), uma Ata de Reunião de Sócios. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.062 5 Solicitada cópia dessa Ata ao contador Sr. Divaldo, foi entregue à fiscalização um documento (fls. 246/247) com as firmas dos Srs. Jucimar Gritti e Idamar Segatti, reconhecidas respectivamente em 3/9/2014 e 19/9/2014, intitulado “Ata de Reunião de Sócios”, com data retroativa de 7/1/2013. Os assuntos elencados nesse documento são a “liquidação extrajudicial da sociedade”, tendo em vista a “venda do patrimônio” para a JBS e “nomeação do liquidante” Idamar Segatti (cópia da Ata no anexo IV de fls. 246/247). Verificouse que se tratava de uma tentativa de disfarçar a dissolução irregular da sociedade por meio de uma ata registrada após o início da fiscalização (em 26/8/2014, conforme documento de fls. 140/141). Além da data do registro, reforçou essa conclusão, a constatação de que: (a) o endereço constante na ata, Rua Sebastião Alcebíades Nogueira, 224, em São José dos Pinhais (PR), não poderia ter sido a sede da Tiroleza, empresa vendida por mais de 44 milhões de reais para a JBS (esse imóvel é uma pequena e humilde casa residencial, conforme se vê na foto do anexo V de fl. 248) e; (b) nos contratos de compra e venda firmados com a JBS, feitos em maio de 2012 (portanto antes da suposta data da reunião de 7/1/2013), já constava como endereço da Tiroleza a sua real sede, na Rua Antonio Bianchetti, 635. O registro desta Ata não equivale à baixa da empresa na Junta Comercial do Paraná (Jucepar), pois não foi feita segundo os preceitos legais. O encerramento regular na Jucepar requer arquivamento de distrato social informando o motivo do encerramento das atividades, o valor patrimonial da pessoa jurídica, a divisão de bens da sociedade entre os sócios e a definição da responsabilidade pela guarda dos livros e documentos fiscais e societários. O contrato de alienação para a JBS deveria também ser arquivado na Junta e publicado na Imprensa Oficial, conforme preconiza o Código Civil em seu artigo 1.144. A “baixa” da empresa na Jucepar demandaria, também, segundo a legislação vigente à época, a apresentação de Certidão de Quitação de Tributos e Contribuições Sociais Federais, Certidão Negativa de Inscrição em Dívida Ativa da União e Certidão de Regularidade no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Além disso, não se procedeu ao encerramento regular na Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que desconhecia a extinção da empresa até o início da ação fiscal na Tiroleza (em 26/8/2014). Sendo que o contador da Tiroleza, Sr. Divaldo, enviou, para a Tiroleza, declaração de IRPJ até o exercício 2014, anocalendário 2013. Os sócios Idamar Segatti e Jucimar Gritti também fizeram constar em suas Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF), até o exercício de 2015, serem proprietários das quotas sociais da empresa. Ficou evidenciada a dissolução irregular da Tiroleza, pois os sócios não observaram o procedimento extintivo previsto em lei, limitandose a vender o acervo, encerrar as atividades e se dispersarem. A extinção da Tiroleza sem os procedimentos legais de liquidação enseja a responsabilização dos sócios administradores. Diante desses fatos, os sócios administradores Idamar Segatti, CPF nº 581.057.94934 e Jucimar Gritti, CPF nº 374.197.65987 são responsáveis solidários pelos créditos tributários lançados, tendo sido lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 447/450). AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS Foram lançadas contribuições previdenciárias patronais, inclusive a relativa ao Grau de Incidência de Incapacidade Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.063 6 Laborativa decorrente de Riscos Ambientais do Trabalho – GILRAT e destinadas a outras entidades e fundos. Como a Tiroleza atuava no setor de frigoríficos, sendo seus estabelecimentos enquadrados com o código de FPAS 507 (setor industrial) e 531 (setor de abate), foram lançadas contribuições para terceiros (FNDE, Sebrae, Incra, Sesi e Senai). FATOS GERADORES São fatos geradores das contribuições lançadas, os valores relativos às aquisições de produção rural de produtores rurais pessoas físicas conforme discriminado no Anexo X (Notas fiscais de entrada obtidas no SPED). As notas fiscais e a contabilidade da Tiroleza demonstram que não houve o desconto das contribuições quando do pagamento das faturas às pessoas físicas produtoras, não configurando, crime, em tese, de apropriação indébita. Conforme sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB não houve declaração desses fatos geradores e contribuições por meio de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP e nem o recolhimento das contribuições respectivas. As contribuições previdenciárias e para o Senar, não declaradas em GFIP, foram lançadas mediante levantamento “RU – Contribuição sobre produto rural”. As aquisições de produção consideradas foram discriminadas no demonstrativo “Notas Fiscais de Entrada” de fls. 340/444. A fiscalização também juntou outras cópias de documentos dentre as quais: Cópia do contrato social da Tiroleza (fls. 198/245). Fotografia de imóvel situado à rua Sebastião Alcides Nogueira, nº 226, obtida na internet por meio do aplicativo Google Earth, Street View, relativa à Junho de 2014 (fl. 248)." Após a impugnação, decisão de primeira instância julgou procedente a autuação com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de manifestação encontramse assegurados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. SUBROGAÇÃO. A pessoa jurídica adquirente de produção rural de pessoa física, em razão de subrogação, é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta de comercialização auferida pelo produtor rural nessas transações. FISCALIZAÇÃO A autoridade administrativa fiscalizadora poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.064 7 dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por seu tal prática inerente a suas atribuições. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido. A sucessão, para fins tributários, de um contribuinte em relação a outro se aplica a créditos referentes à obrigação principal, juros e multa. DISSOLUÇÃO IRREGULAR Quando restar configurada a situação prevista no artigo 133, caput do CTN e houver a dissolução irregular da sociedade alienante, a Fazenda Pública não só poderá satisfazer seu crédito em relação ao adquirente e/ou do alienante, mas, também dos sóciosadministradores do alienante. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao Fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTAS E JUROS. As multas e juros exigidos na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorrem de expressa disposição legal. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas na legislação. PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.065 8 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a Decisão a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Inicialmente requer a suspensão do presente processo até o julgamento dos Recursos Extraordinários 363.852, com fulcro nos arts. 15 e 1037 do novo CPC pois as discussões travadas nos autos referemse: (i) à exigência da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, e (ii) à contribuição destinada ao SENAR. A Recorrente destaca que ambas as discussões são objeto de Recurso Extraordinário cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF); A nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa em virtude da lavratura do Auto de Infração em unidade que dista 500km da sede da recorrente a impede de defenderse; Suscita outra nulidade por não indicação na planilha da fiscalização dos dados dos produtores/fornecedores não sendo possível para a recorrente pesquisar se tais pessoas físicas possuem decisões judiciais afastando a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR. Aduz ser da responsabilidade direta e exclusiva dos diretores à época dos fatos o não recolhimento das contribuições previdenciárias em discussão admitindose, por hipótese, que são devidas , demonstra clara infração à lei, sobretudo quando são declaradas pelo contribuinte e não recolhidas. Evidente que a conduta praticada à época do fato gerador constitui infração de lei a ensejar a aplicação do artigo 135 do CTN. Defende que, não obstante a Recorrente tenha demonstrado a responsabilidade pessoal e exclusiva dos administradores da Tiroleza, a Autoridade Fiscal não promoveu qualquer esforço para obter tais informações junto aos referidos “ex” administradores daquela empresa. Diz ser parte ilegítima para responder sobre crédito tributário quanto ao Funrural e ao Senar tendose em vista que não houve retenção e recolhimento, isto é, houve o pagamento do valor líquido da nota fiscal ao produtor rural – sem desconto das exações em tela – temse aqui situação jurídica irreversível que deve ser considerada para exigência dos tributos, o que desloca, necessariamente, o pólo passivo do lançamento fiscal para o produtor rural fornecedor do gado bovino, que recebeu o valor “líquido” e, portanto, deve suportar o ônus da presente exigência. Afirma ter sido inconclusiva a diligência realizada antes do julgamento em 1ª instância para a análise da transferência do passivo, do impedimento de que os alienantes continuassem na exploração da atividade, cláusulas estas constantes do contrato realizado entre a recorrente e a Tiroleza e da ausência de comprovação da cessação das atividades desta última empresa. Também refuta sobre a cláusula que trata da possibilidade de contratação de serviços de consultoria e assessoria de um dos sócios gerentes da Tiroleza, sobre a transferência de ativos e empregados da Tiroleza à Recorrente e sobre a continuidade da atividade pelo antigo sócio, na empresa Frigo Beef Comércio de Carnes Ltda. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.066 9 Advoga no sentido que não houve incorporação da empresa Tiroleza, a qual possuía outras filiais não adquiridas pela recorrente, que desconhece o destino destas e que a fiscalização não comprovou que estas filiais deixaram de funcionar; Subsidiariamente pugna pela responsabilização até o limite da parcela adquirida pela recorrente, nas 03 unidades efetivamente adquiridas, remanescendo ativos que foram alienados posteriormente para a quitação de dívidas da própria Tiroleza. Informa que diversos produtores rurais ingressaram com ações judiciais objetivando a declaração incidental de inconstitucionalidade dos artigos 25 da Lei nº 8212/91 e 25 da Lei nº 8.870/94, bem como a condenação da União Federal a restituir a quantia recolhida indevidamente e a DRJ, em sua decisão, não se manifestou em relação à todas as ações judiciais dos produtores rurais que a Recorrente acostou aos autos por amostragem; Afirma que o lançamento encontrase equivocado tendo em vista o pronunciamento da Suprema Corte que confirmou através do RE 363.8531/MG que entendeu inconstitucional o recolhimento do FUNRURAL o que serve também para o SENAR. Entende que sua situação se encontra nos mesmos moldes da inconstitucionalidade declarada em relação a venda de produção rural de bovinos, pois, figura tão somente como substituto legal tributário, que adquire a produção do produtor rural, pessoa física; Que tendo sido declarada inconstitucional a contribuição lançada bem como a do SENAR, o lançamento não merece prosperar; Alega haver inconstitucionalidades e ilegalidades na autuação. Requer a realização de diligência e a exclusão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Pugna pela suspensão do julgamento e subsidiariamente pelo acolhimento e provimento do recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões no PAF 10880.723870/201531 pugnando pela baixa dos autos em diligência para regularizar a tramitação do presente feito, a Fazenda Nacional requere que seja o processo remetido à Unidade preparadora para promoção das intimações dos coresponsáveis IDAMAR SEGATTI e JUCIMAR GRITTI na qualidade de responsáveis solidários uma vez estes apresentaram impugnação e apenas a JBS S.A foi cientificada do teor da decisão de primeira instância. Requer ainda que, em virtude da vinculação reconhecida pela decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento que reconheceu a conexão entre este PAF e o de nº 10880.723870/201531, o presente processo seja encaminhado à PFN para a apresentação de contrarrazões ao recurso, tendo em vista que referido processo chegou ao CARFCEGAP SEDIS em 11/01/2017 sem oportunizar a manifestação desta procuradoria. É o relatório. Voto Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10880.723788/201514 Resolução nº 2301000.693 S2C3T1 Fl. 1.067 10 Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Compulsando os autos e analisando as informações trazidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, verifico que realmente há a necessidade de saneamento do feito, com intuito de se evitar uma possível alegação de nulidade. De fato a decisão de primeira instância reconheceu a conexão entre o presente processo e o PAF 10880.723870/201531. Embora ambos processos encontremse com este relator para a decisão deste colegiado, verificase que em nenhum deles foi dada ciência aos coresponsáveis IDAMAR SEGATTI e JUCIMAR GRITTI sobre a Decisão de primeira instância. Também não consta neste PAF a comprovação de que a PFN teve conhecimento do Recurso Voluntário para apresentar as contrarrazões, se assim o desejar. Desta forma, sugiro a baixa em Diligência de ambos PAF's para que: a) Sejam intimados os coresponsáveis IDAMAR SEGATTI e JUCIMAR GRITTI da decisão de primeira instância, oportunizando a eles apresentação de Recurso Voluntário; b) Após o cumprimento deste procedimento, sejam os autos encaminhados à PFN para conhecimento dos Recursos Voluntários, se este vierem, e apresentação de manifestação que entenderem ser cabível; Ante ao exposto sugiro a conversão dos autos em diligência para o cumprimento do que foi acima determinado. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 1067DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.720055/2009-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL.
Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, conforme redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 - Decreto nº 3.000/99).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CONFISCO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula CARF nº 108.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão.
Numero da decisão: 2002-006.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, conforme redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 - Decreto nº 3.000/99). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CONFISCO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Súmula CARF nº 108. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 00 55 /2 00 9- 48 Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.617 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.720055/2009-48 (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 143/158) contra decisão de primeira instância (e-fls. 133/137), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Da Notificação A Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do ano-calendário 2004, por intermédio da qual lhe é exigido crédito tributário apurado, conforme quadro demonstrativo do crédito tributário abaixo: Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o procedimento fiscal resultou na apuração das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoas Físicas Dimob. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 5.573,69 referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Regularmente notificado o contribuinte apresentou SRL e após intimado a fonte pagadora POMELLATO em 11/11/2008, retificou a DIRF em 10/12/2008 com o IR Fonte de R$ 19.575,16 Pomellato Comercial Ltda: IRRF Retido R$ 19.575,16; Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.617 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.720055/2009-48 IRRF Declarado R$ 25.148,85; IRRF Glosado R$ 5.573,69. Da Impugnação A Notificação de Lançamento foi lavrada em 05/01/2009. O contribuinte foi cientificado em 09/01/2009 e ingressou com impugnação em 23/01/2009, alegando, em síntese: O débito objeto da notificação está incorretamente apurado. Para comprovação do alegado, segue anexa toda prova material para comprovar. O contribuinte demonstra por meio de um quadro os valores informados pela fonte recebedora um IRF de R$ 25.148,85. Os valores explicitados no quadro podem ser comprovados pelos extratos de recebimento de aluguel fornecidos pela LIAN ADMINISTRAÇÃO IMOBILIÁRIA S/C LTDA. tendo como sacado a fonte pagadora Pomelato Comercial Ltda., os quais se encontram em anexo. A fonte pagadora forneceu o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do Ano-Calendário 2005 para o contribuinte com inexatidão (ver anexo), tendo este que elaborar sua Declaração de Ajustes com base nos recibos mensais disponibilizados pela administradora do imóvel. Quando da ocorrência da Notificação de Lançamento 2006/608405156232036, de 05/08/2008, o contribuinte entrou em contato com a Fonte Pagadora solicitando a retificação de sua DIRF, já que os valores nela apresentados estavam incorretos. Como não conseguiu nenhum retorno por parte da Fonte Pagadora, protocolou em 08/10/08 Solicitação de Retificação de Lançamento SRL junto à qual apresentou todos os comprovantes dos recebimentos e retenções, comprovando os valores por ele declarado. A autoridade fiscal, de posse da SRL, intimou a Fonte Pagadora para regularização da informação prestada. Esta efetuou a retificação, mas os valores declarados continuaram em desacordo com aqueles demonstrados nos recibos de pagamento mensais. Discorre sobre a Taxa Selic que é ilegal e inconstitucional. Requer sustentação oral. Requer o Impugnante seja acolhida a presente Impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: PROVA TESTEMUNHAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para oitiva de testemunha no julgamento administrativo em primeira instância. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUEL. O contribuinte comprovou parcialmente os valores recebidos conforme os documentos trazidos na defesa. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-006.617 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.720055/2009-48 administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. A 11ª Turma da DRJ/SP2 julgou procedente em parte a impugnação, assim se manifestando: Diante das alegações do contribuinte com as documentações existentes nos autos constam vários documentos com valores discrepantes quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte. O contribuinte, conforme a sua própria alegação na impugnação, baseou-se nos extratos de recebimento de aluguel. Diante dos valores discrepantes constantes do Informe de Rendimentos; da DIRF (original e retificadora), da DIRPF e dos extratos de aluguel, acato para apuração do imposto retido na fonte os valores ditos usados pelo contribuinte para a sua elaboração da DIRPF, os extratos. Abaixo elaborei um quadro demonstrativo dos extratos de aluguéis que se encontram as fls. 73 a 81: Portanto como o contribuinte declarou um valor de imposto retido na fonte de R$ 25.148,85 a glosa será mantida no valor de R$ 1.148,56. Juros de Mora – SELIC Em relação à taxa SELIC, dispõe o art. 161 do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (...)” A aplicação da taxa Selic foi instituída pela Lei nº 9.065, de 20/06/1995, e hoje tem fundamento na Lei nº 9.430/1996. Entende-se que estas leis são perfeitamente adequadas à ressalva contida no § 1º do art. 161 do CTN, ainda que somente equiparem a taxa de juros moratórios à taxa Selic, pois não há qualquer óbice a este procedimento. Da mesma maneira o dispositivo em comento Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-006.617 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.720055/2009-48 não prevê a limitação dos juros a 1%, podendo a legislação estabelecer qualquer índice, maior ou menor. Ressalto que a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a inconstitucionalidade ou a ilegitimidade de lei, matéria reservada ao Poder Judiciário. Quanto ao Pedido de Sustentação Oral Os depoimentos pessoais e oitiva de testemunhas não têm previsão legal na primeira instância. Conclusão Sendo assim, com base no exposto, voto pela procedência em parte da impugnação apresentada e pela MANUTENÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO constituído na presente Notificação de Lançamento de acordo com os quadros abaixo: Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo o mérito, alegando que: - o crédito tributário objeto da notificação, foi apurado incorretamente; é nulo conforme prova material anexada; Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-006.617 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.720055/2009-48 - apresentou provas robustas que sustentam sua defesa, diferente da decisão omissa e confusa do julgador de primeira instância; - a documentação apresentada não foi devidamente analisada, ocasionando a nulidade da decisão de primeira instância e da notificação de lançamento. Reitera, nos mesmos termos, os argumentos da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 09/02/2012 (e-fls. 141); Recurso Voluntário protocolado em 08/03/2012 (e-fl. 143), assinado por procurador legalmente constituído (e-fl. 226). Irresignado, com a r. decisão que julgou procedente em parte o lançamento, o contribuinte maneja recurso próprio. A preliminar lançada em verdade é discutida novamente no mérito do recurso voluntário de sorte que a análise será em conjunto. O contribuinte atribui um erro a irreprochável decisão primeira que beira a má-fé, e se diz isso porque de forma bastante favorável ao contribuinte, a decisão primeva acolheu como bom os extratos de alugueis (e-fls. 121/126) emitidos pela imobiliária responsável pela administração do imóvel locado a Pomellato Comercial Ltda, e deu provimento a impugnação, tendo sido a decisão minuciosa ao elaborar inclusive planilha com os valores constantes dos extratos. O recorrente, de forma absolutamente equivocada, diz que a decisão recorrida teria sido desleixada e não percebido que no mês de novembro o contribuinte teria recebido dois alugueis e a decisão considerou apenas um, o que não é verdade, pois o erro foi da imobiliária, uma vez que de fato recebido dois alugueis no mês de novembro (e-fl. 126 – primeiro recibo), nos valores de R$ 6.177,65 e R$ 3.500,00, o imposto de renda retido na fonte foi calculado apenas sobre o primeiro valor. Assim, não há que falar-se em erro ou omissão por parte da decisão de piso. Mantenho. O Recorrente alega, ainda, impossibilidade da incidência da taxa Selic sobre a multa, pois desnatura o pressuposto e a finalidade dessa espécie de juros e não guarda correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta de tributo não pago. A esse respeito, é entendimento pacífico deste Tribunal Administrativo, consolidado nos enunciados de nº 108 e nº 4 das súmulas de sua jurisprudência, de teor vinculante e de aplicação obrigatória pelos colegiados que o compõem, nos termos do artigo 72 do RICARF, que: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-006.617 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.720055/2009-48 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 4. Desse modo, deve ser mantido o lançamento no que diz respeito a utilização da taxa SELIC como fator de juros de mora. Relativamente à sustentação oral, o recorrente deve requerê-la no momento oportuno, segundo a determinação legal. Por fim, quanto ao entendimento doutrinário e jurisprudencial trazidos para justificar a pretensão recursal, este último, nesta seara é improfícuo, pois as decisões mesmo que colegiadas sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, nega-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.903825/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.548
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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(assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a declaração de compensação, fls. 95 a 100 (PER/DCOMP nº 07020.74967.200905.1.3.047002), na qual pleiteia a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ – código 2319, referente ao período de apuração 30/06/2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 82 5/ 20 09 -8 1 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.903825/200981 Resolução nº 1401000.548 S1C4T1 Fl. 3 2 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 91 o contribuinte foi cientificado, em 29/04/2009 (fls. 92), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito não foi homologada a compensação pleiteada, restando indevidamente compensado o débito de R$ 617.263,99 (valor principal). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou, em 29/05/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 a 19, informando e argumentando, em apertada síntese o seguinte: 4.1 Apesar de ter apurado e declarado um débito a título de estimativa mensal de IRPJ, referente a junho de 2004, no valor de R$ 1.325.282,45, procedeu, por equívoco, ao recolhimento do montante de R$ 2.039.369,12, sendo, portanto, legitima possuidora de um direito creditório no montante de R$ 714.086,67. 4.2 Até porque, apurou ao final de 2004, IRPJ a pagar no montante de R$ 10.042.068,43, sendo que o somatório das estimativas mensais feitas durante o ano foi de R$ 10.772.597,07, gerando saldo credor no valor de R$ 730.528,64, apurado conforme quadro abaixo: Tributo Valor Apurado e declarado na DIPJ Valor Recolhido DARF Diferença IRPJ Jun/2004 R$ 1.325.282,42 R$ 2.039.369,12 R$ 714.086,67 IRPJ Out/2004 R$ 349.149,49 R$ 352.465,78 R$ 3.326,29 IRPJ Nov/2004 R$ 339.350,10 R$ 352.465,78 R$ 13.115,68 Total R$730.528,64 4.3 Nos casos em que se apura ao final do exercício fiscal que o montante efetivamente devido é menor do que a quantia recolhida mês a mês por estimativa, a diferença deve, necessariamente, ser reconhecida como saldo negativo, o qual pode ser utilizado para quitação, via compensação, de débitos relativos a outros tributos e contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil, nos termos autorizados pelo artigo 74, da Lei n.° 9.430/96. segundo o qual o contribuinte que apurar crédito em decorrência de pagamento indevido ou a maior de tributos federais, poderá, mediante entrega de declaração de compensação / restituição à RFB, pleitear a compensação ou restituição de seus créditos com débitos vencidos ou vincendos. Assim o requerente pretendeu compensar parte do débito de IRPJ apurado em julho de 2004. 4.3.1 O pedido de compensação foi apresentado em setembro de 2005, ou seja, após o encerramento do anocalendário 2004 e, portanto, após a constatação da existência de saldo negativo de IRPJ. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16327.903825/200981 Resolução nº 1401000.548 S1C4T1 Fl. 4 3 4.4 Pela leitura do despacho decisório depreendese que a compensação não foi homologada por supostamente não existirem créditos suficientes para tanto, uma vez que o DARF utilizado para a compensação se encontrava integralmente vinculado ao pagamento da estimativa mensal de IRPJ do exercício 2005. 4.5 Não assiste razão ao Fisco, pois, conforme antecipado o manifestante havia feito o recolhimento a maior do que o efetivamente apurado e ao final de 2004 não teve IRPJ a recolher o que corrobora a assertiva de que o valor utilizado como crédito passível de compensação foi efetivamente recolhido a maior. 4.5.1 O crédito está bem demonstrado por meio da planilha de apuração elaborada pelo manifestante e também pela DIPJ entregue, referente ao anocalendário 2004, extinguindose assim o débito de IRPJ informado na compensação em questão, nos termos do inciso II, do artigo 156 do CTN. 4.6 Foi apresentada DCTF retificadora, referente ao 2º trimestre de 2004, em 03/02/2005, apesar disto não foi retificado o montante de IRPJ apurado para junho.Entretanto, ao perceber que tal fato havia ocorrido o requerente providenciou imediatamente a retificação da declaração originalmente entregue. Contudo a posterior retificação da declaração, ou mesmo a sua não retificação, não legitima a homologação da compensação realizada, visto que foi demonstrada a existência do crédito, não podendo o cometimento de um lapso quanto a informações prestadas na DCTF servir de base para o não reconhecimento de seu direito à compensação. Neste sentido, devese observar que a DIPJ apresentada para o exercício 2005 espelha os créditos utilizados, de sorte que eventual divergência entre DCTF e DIPJ já deveria ser razão para ensejar intimação do contribuinte para que prestasse os devidos esclarecimentos, ou mesmo para que retificasse as informações da DCTF. 4.6.1 O cometimento de mero erro formal não pode prejudicar a utilização de seu crédito para compensação. Logo, deve ser imediatamente retificada a informação contida na DCTF entregue para o segundo trimestre de 2004, de forma a promover a devida conciliação de tais informações com as já constantes da DIPJ entregue para o anocalendário 2004, bem como permitir a devida apropriação dos créditos empregados na compensação ora analisada. A autoridade fiscal tem a obrigação de retificar os erros apurados de ofício contidos nas declarações apresentadas pelo contribuinte, conforme artigo 147, § 2º do CTN. Ademais a IN 126, de 30 de outubro de 2002, vigente à época dos fatos geradores da DCTF do quarto trimestre de 2002” (sic) estabelece em seu artigo 8º a possibilidade de retificação das informações contidas na referida declaração mediante processo administrativo. 5. Por fim, solicita que seja a presente manifestação de inconformidade julgada integralmente procedente, reconhecendose o direito creditório pleiteado e homologandose a compensação declarada com a conseqüente extinção do débito vinculado, ainda que seja determinado o processamento da DCTF referente ao segundo trimestre de 2004, entregue em 27 de maio de 2009, bem como a retificação de ofício do Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16327.903825/200981 Resolução nº 1401000.548 S1C4T1 Fl. 5 4 presente pedido de compensação para que passe a constar a informação de que a origem do crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, com vista a espelhar a situação descrita na DIPJ de 2005, permitindo assim a fruição dos créditos advindos da apuração de saldo negativo. Requer ainda, enquanto perdurar o julgamento, que o crédito tributário advindo da não homologação da compensação tenha a sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN e conforme a previsão constante do artigo 66, § 5º da IN SRF nº 900, de 30.12.2008. Protesta também pela posterior juntada de cópia da DIPJ apresentada para o exercício 2005 (ano base 2004). É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que, por meio do Acórdão 1645.056, de 22 de março de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/07/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO. NOVO PER/DCOMP. A modificação do tipo de crédito implica alteração da sua natureza, o que não configura erro formal e nem inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de forma que para alterar o tipo de crédito, impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro certo. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, eletronicamente, da decisão de DRJ em 16/07/2013 e insatisfeita com a decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 14/08/2013 em que repete os argumentos trazidos na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16327.903825/200981 Resolução nº 1401000.548 S1C4T1 Fl. 6 5 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401 000.545, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 16327.911639/200916, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório requerido no presente processo tem como origem o DARF de IRPJ – código 2319 PJ obrigadas ao Lucro Real Entidades Financeiras Estimativa Mensal, referente ao período de apuração de 30/06/2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.545): " O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo pois ser reconhecido. Para o julgamento deste processo, devese analisar, inicialmente, se a indicação de origem do crédito diversa da que efetivamente tenha ocorrido deve ensejar a improcedência do direito creditório da recorrente. Entendo que não. A indicação de que o crédito se refere a pagamento a maior no caso, por recolhimento de estimativas , e não a saldo negativo de IRPJ, como alegou a DRJ para fundamentar a negação ao direito creditório, não impede que se verifique se a empresa efetivamente tem direito ao crédito. Entendo importante e extremamente necessário que a fazenda nacional crie regras e estabeleça procedimentos que objetivem o controle das informações prestadas pelos contribuintes. Dentre esses controles, a informação de crédito tributário e de seu consequente pedido de restituição deve comportar verdadeiramente o que ocorreu na realidade fática. Em busca disso, instituiuse o Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). No caso concreto, a empresa apresentou o PER/DCOMP em época própria, indicando que o crédito apurado tinha origem em pagamento a maior. A DRJ, por sua vez, indeferiu o pedido creditório por entender que a empresa deveria ter indicado que o saldo advinha de saldo negativo de IRPJ. Vide Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO. NOVO PER/DCOMP. A modificação do tipo de crédito implica alteração da sua natureza, o que não configura erro formal e nem inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de Fl. 201DF CARF MF Processo nº 16327.903825/200981 Resolução nº 1401000.548 S1C4T1 Fl. 7 6 forma que para alterar o tipo de crédito, impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro certo. Para decidir, a DRJ entendeu "que o erro de preenchimento do PER/DCOMP apresentado na realidade se traduz num efetivo erro de critério jurídico por parte do manifestante, uma vez que a alteração do tipo de crédito interfere na natureza do próprio direito que se pretende demonstra ", se apegando ao formalismo da norma que ali indica, qual seja, artigo 89 da IN RFB 1.300/2012 (que repete o artigo 58 da IN SRF 600/2005, e o artigo 78 da IN RFB nº 900/2008), combinado com o artigo 32 do Decreto nº 70.235/72. Veja [...]: “Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” (grifos nossos) Não obstante o posicionamento da delegacia de julgamento, entendo que há relevantes indícios de que a recorrente possui o crédito pleiteado. Na DIPJ, por exemplo, a empresa recolheu tributos e apurou saldo negativo no final do anocalendário. Assim, por entender que ninguém pode se apropriar indevidamente do recursos que não lhe competem, e em busca da verdade material, supero as razões da DRJ para analisar o crédito ora pleiteado. Entretanto, entendo que o caso ainda requer uma análise mais aprofundada sobre o suposto direito creditório. E a própria DRJ indicou a necessidade de tal análise, mesmo que ao fim tenha julgado improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente, vejase [...]: No presente caso, além dos pagamentos e informados haveria que se verificar a existência de retenções na fonte e se dentre o total antecipado por meio das chamadas estimativas mensais existiriam parcelas vinculadas à compensações. Caberia também a validação destas mesmas antecipações através da análise de créditos vinculados, efetivo pagamento das estimativas ou comprovação das eventuais retenções, ou seja, não há como fazer análise de um saldo negativo apenas por meio dos pagamentos informados, ainda mais de forma fracionada, uma vez que o presente PER/DCOMP contemplaria apenas parte do suposto crédito pleiteado. Quanto à retificação da DCTF, ao contrário do que fundamentou a DRJ, entendo também que há indícios de que a DCTF retificadora equivale ao valor que efetivamente deveria ser declarado. Desta feita, proponho baixar o processo em diligência para que seja analisado o seguinte: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 16327.903825/200981 Resolução nº 1401000.548 S1C4T1 Fl. 8 7 1) Verificar se existe Per/Dcomp entregue em relação ao mesmo período de apuração, que tenha como natureza do crédito saldo negativo do tributo pleiteado. 2) Verificar se os pagamentos indevidos coincidem com o saldo negativo, incluindo a análise de qualquer recolhimento efetuado pela recorrente ou por terceiros, mas em nome dela. 3) Enfim, informar se a recorrente tem direito ao crédito pleiteado e indicar se o valor do crédito coincide com o constante no PER/DCOMP. 4) Preparar Informação Fiscal sobre o resultado da diligência, encaminhála à empresa e intimar a recorrente para que se manifeste sobre o seu teor, no prazo de 30 (trinta) dias contados da intimação, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1998. 5) Após encaminhar o processo ao CARF para seu julgamento. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 203DF CARF MF
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