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Numero do processo: 11020.901558/2006-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Mar 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
Ementa:ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Por expressa disposição legal, o ICMS inclui-se na base de cálculo do PIS.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O Segundo Conselho de Contribuintes Mio é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3401-000.660
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIN/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Ementa:ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Por expressa disposição legal, o ICMS inclui-se na base de cálculo do PIS. 1NCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Segundo Conselho de Contribuintes Mio é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos rmos do voto do Relator. G" soa Ma eco • osenburg Filho - Presidente /LL Fernan6o Manirs Cleto Duarte — Rclator EDITADO EM 19/04/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Em 20.8.2003, a contribuinte PGS Comércio e Representações Ltda. (CNPI 89.087.720/0001-40) enviou eletronicamente a PER/DECOMP de fls. 19 a 23, na qual pede o reconhecimento de crédito de PIS relativo a recolhimento efetuado a maior em 13.10.2000, no montante de R$ 1.142,30 e a compensação de débito do mesmo tributo relativo a jul/2003. Pretende a contribuinte a integralidade do crédito que entende possuir para efetuar o pagamento do tributo relativo a jul/2003. A compensação declarada não foi homologada por não ter o fisco localizado em seus sistemas o DARF indicado na PER/DECOMP, conforme despachos de fl. 3. Em 20.3.2008, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 5 a 9, na qual alega, em síntese, que: "a Delegacia de Receita Federal de Caxias do Sul não homologou a pretendida, por entender que o crédito informado no pedido de compensação é inexistente, devido ao DARE utilizado não ter sido encontrado em seus sistemas. Ocorre que o embasamento para o pagamento indevido ou a maior deve-se ao fato do crédito utilizado estar vinculado a um processo administrativo de compensação. Em outras palavras: o pagamento necessário ao preenchimento do PERIDECOMP encontra-se no processo administrativo n° 11020.001424/00-43" Em sessão de 14.8.2008, a 2° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre — RS decidiu, por unanimidade de votos, não conhecer do direito creditório em litígio por não ter a contribuinte comprovado que houve recolhimento indevido. De acordo com o julgador, a contribuinte não trouxe aos autos dados fidedignos, se limitando a apresentar cópia de um DARF não recolhido. A contribuinte foi cientificada da decisão em 11.9.2008, e apresentou, em 1110.2008, o Recurso Voluntário de fls. 33 a 66 no qual alega, em síntese, que: a) a decisão da DRJ é nula, pois não traria fundamentação apta a ensejar a negativa à solicitação da contribuinte. Mais ainda, entende a contribuinte que a decisão da DRJ causou prejuízo ao contraditório, administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal. b) o processo administrativo se pauta na busca pela verdade material. c) seu crédito é resultante da inclusão dos valores pagos a titulo de ICMS na base de cálculo do PIS. Discorre ainda a contribuinte sobre a ilegalidade de tal inclusão. d) há necessidade de prova pericial para a correta aferiçãl de seus créditos. A contribuinte termina seu recurso pedindo seu provimento com o reconhecimento de seu direito ao ressarcimento pleiteado. t À 2 Processo n° 11020.901558/2006-96 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.660 Fl. 2 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em síntese, versa a lide sobre pedido de restituição/compensação de valores de PIS que a contribuinte entende terem sido pagos a maior. Inicialmente, o recurso da contribuinte alega a nulidade da decisão da DAL Não lhe assiste razão. A documentação apresentada pela contribuinte não comprovava a existência de seu crédito, assim, o indeferimento de seu pedido não foi desprovido de fundamento, conforme alega a contribuinte. Na realidade, o indeferimento se deu em virtude da impossibilidade de a administração apurar a origem do crédito pleiteado pela contribuinte. Também não se pode alegar que o contraditório administrativo não foi permitido. O momento de a contribuinte apresentar os dados que fundamentam seu pedido e dão origem ao seu crédito é o inicio da demanda. Ora, se a contribuinte não o fez, não cabeà administração buscar desesperadamente algum dado que justifique o a concessão do ressarcimento pleiteado. Ora, tanto o direito ao contraditório foi respeitado, que a contribuinte teve a oportunidade de questionar a decisão da DRJ perante este Conselho. Assim, entendo que não podem prosperar as alegações da contribuinte relativas à nulidade do acórdão, haja vista que este apreciou integralmente os poucos dados apresentados pela contribuinte. Passo a apreciar o mérito. Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte alega que o crédito que entende passível de compensação é relativo à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS. Dispõe o art. 3° da Lei n°9.718/98: "Art. 3'. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2°. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2', excluem-se da receita bruta: I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo/— vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário." A norma em questão leva ao entendimento de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS em todas as situações, exceto quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Não obstante meu entendimento pessoal sobre o assunto, bem como as inúmeras controvérsias acerca da questão (que, frise-se, ainda não foram definitivamente solucionadas pelas cortes superiores), o fato é que há nonna em plena vigência que leva ao entendimento de que, em situações normais, o ICMS integra a base de cálculo PIS. O reconhecimento da inaplicabilidade da norma implica análise de constitucionalidade, analise esta vedada ao CARF, conforme dispõe a Sumula n° 2 do Antigo Segundo Conselho de Contribuintes, abaixo transcrita: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidatle da legislação tributária." Da análise da Súmula acima, conclui-se que apenas o Poder Judiciário é competente para atender ao pleito da contribuinte. Em face do exposto, não resta escolha que não negar o pleito da contribuinte, tendo em vista que este contraria disposição legal expressa, restando, portanto, prejudicado o pedido de pericia. É como voto. / iitta/tr- Fem do Mar s Cleto Duarte 4
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905542/2018-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa.
VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE.
Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
null
IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável.
INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos.
INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE.
Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações.
INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE.
É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero.
INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie.
CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições.
CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos.
SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas.
SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos.
PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR.
EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito.
MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos.
SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente.
FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos.
SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito.
Numero da decisão: 3301-013.505
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD FÁB PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no Arquivo Não-Paginável ZIP (Doc_37_1.xlsb) e no Arquivo Não-Paginável ZIP (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de Serviços de Venda, de Reentrega, Transferência, Envio e Remessa e Retorno. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD FÁB PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no Arquivo Não-Paginável ZIP (Doc_37_1.xlsb) e no Arquivo Não-Paginável ZIP (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de Serviços de Venda, de Reentrega, Transferência, Envio e Remessa e Retorno. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) null IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 55 42 /2 01 8- 75 Fl. 7361DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens Fl. 7362DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. Fl. 7363DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico- eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Fl. 7364DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ, que julgou procedente em parte/improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não reconheceu o direito da recorrente ao crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) e não homologou as Declarações de Compensação (Dcomp), objeto deste processo administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, com base na Informação Fiscal e Planilhas de Cálculo anexas, partes integrantes do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório do contribuinte e, consequentemente, indeferiu o PER e não homologou as Dcomp. Intimada do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo: I) em preliminar: I.1) o reconhecimento da vinculação do presente Fl. 7365DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 processo aos 13 (treze) nela discriminados, bem como o julgamento conjunto de todos eles, ou, subsidiariamente, o sobrestamento do presente até o julgamento do de nº 10980.726089/2018-32, evitando-se a prolação de decisões conflitantes; e, I.2) a nulidade do lançamento tributário em razão da ausência de fundamentação, mais especificadamente, falta da adoção de critérios próprios para a glosa dos créditos descontados sobre bens e serviços; e, II) no mérito, discorreu sobre o conceito de insumos, concluindo que tem direito aos créditos glosados pela Fiscalização, descontados sobre os custos/despesas incorridos com: II.1) bens para revenda; II.2) bens utilizados como insumos; II.3) serviços utilizados como insumos; e, II.4) serviços utilizados como insumos decorrentes de importação; defendeu ainda a aplicação do princípio da verdade material e alegou excesso de glosa de créditos. Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ rejeitou a suscitada nulidade do lançamento, de fato, do despacho decisório; e, no mérito, julgou-a procedente/improcedente em parte, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS-PASEP/COFINS Período de apuração: [...] CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1221170/PR. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1221170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório demandado. LIQUIDEZ E CERTEZA. A mera alegação da existência de crédito, desacompanhada de elementos de prova - certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão da glosa de créditos. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, suscitando/ requerendo: I) em preliminar: I.1) a necessidade de vinculação dos treze processos administrativos elencados no tópico II.1, do recurso voluntário, ao presente processo, para que sejam julgados concomitantemente; I.2) a nulidade do acórdão recorrido por vícios e omissões; e, I.3) a realização de diligência, caso se entenda que os documentos e esclarecimentos apresentados não sejam suficientes para a reversão das glosas dos créditos mantidas pela DRJ; e, II) no mérito, defendeu a reversão das glosas dos créditos efetuadas pela Fiscalização e mantidas pela DRJ sobre os custos/despesas incorridos com bens/serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda e com aquisições de bens para revenda. Em síntese, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os Fl. 7366DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto Ao mérito, exceto quanto aos créditos extemporâneos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF; assim dele conheço. I) Preliminares I.1) Nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida. De acordo com Decreto nº 70.235/72, somente são nulos os atos administrativos proferidos por autoridade incompetente e/ ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59. São nulos: (...) II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...). No presente caso, o despacho decisório foi proferido pela DRF em Curitiba/PR, autoridade competente para se manifestar sobre o PER/Dcomp apresentado pela recorrente, conforme previsto no art. 280, inciso VI, da Portaria MF nº 125/2009. Já a decisão recorrida foi proferida pela DRJ em Porto Alegre/RS, autoridade competente para julgar a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as Dcomp transmitidas. No despacho decisório, consta o valor correto do pedido de ressarcimento/ compensação transmitido pela recorrente; já os fundamentos e a motivação das glosas dos créditos e, consequentemente, do indeferimento e da não homologação das Dcomp, constam da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Também, a decisão recorrida contém a motivação e a fundamentação da glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, conforme consta do seu voto condutor. Em resumo, a motivação e a fundamentação da DRJ para a manutenção da glosa dos créditos foram as mesmas da Fiscalização, ou seja, os bens e serviços cujos créditos foram glosados não se enquadram no conceito de insumos, nos termos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme consta do voto do Relator. Essa motivEação e fundamentação permitiram à recorrente exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez expressamente no recurso voluntário em análise. Assim, não há que se falar em nulidade do despacho decisório nem da decisão recorrida. I.2) Diligência A realização de diligência está prevista no Decreto nº 70.235/72, literalmente: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 7367DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. No presente caso, a recorrente solicitou a baixa do processo à Unidade de Origem para a realização de diligência, visando à análise, pela Fiscalização, das Notas Fiscais de compras, disponibilizadas em seu domínio eletrônico, que compuseram a base de cálculo das contribuições cujos custos/despesas tiveram os créditos glosados. Ao contrário do seu entendimento, a Fiscalização examinou as Notas Fiscais de compras de bens e de serviços para efetuar a glosa dos créditos que, no seu entendimento, não se enquadram no conceito de insumos, nos termos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme consta do Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Assim, rejeito o pedido de diligência. I.3) Necessidade de vinculação por conexão com outros processos administrativos No presente caso, o processo em julgamento é paradigma para 8 (oito) dos 13 (treze) processos cujos julgamentos a recorrente solicitou vinculação por conexão. O lote deste paradigma é composto pelos seguintes processos: 1) 10980.905534/2018-29; 2) 10980.905545/2018-17; 3) 10980.905541/2018-21; 4) 10980.905540/2018-86; 5) 10980.905539/2018-51; 6) 10980.905536/2018-18; 7) 10980.905535/2018-73; 8) 10980.905543/2018-10. Assim, a decisão neste processo será aplicada àqueles oito. Quanto aos outros (cinco), solicitamos a distribuição dos processos 10980.726089/2018-32 (autos de infração do PIS/Cofins) e 10980.905537/2018-62 (PER/Dcomp) para este Relator e serão relatados e julgados nesta mesma sessão; o processo 10980.905544/2018-64, encontra-se ainda na DRJ em Ribeirão Preto/SP, na equipe “CEGEP- COCAJ-RPO-SP-GESTOR02-PRR/DCOMP”, na atividade “Tratar CONTENCIOSO – Distribuição”; o processo 10980.726092/2018-56, da multa isolada, foi juntado por apensação ao de nº 10980.905538/2018-15 que trata da Dcomp que originou esta penalidade. Contudo, embora ambos estejam no CARF. na equipe “DISOR-CEGAP-CARF-CA03”, na atividade “Tratar CONTENCIOSO – Distribuição”, de seus exames, verificamos que a impugnação oposta contra a exigência da multa isolada não foi julgada pela DRJ; assim, os dois deverão ser devolvidos à DRJ de origem para o julgamento da impugnação. Dessa forma, a solicitação da recorrente para o julgamento concomitante dos processos que estão no CARF e que foram objeto de recurso voluntário está sendo atendida. II) Mérito As questões de mérito abrangem a glosa de créditos descontados pela recorrente sobre os custos/despesas de aquisições de insumos e serviços do seu processo produtivo e de bens para revenda. Fl. 7368DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 A legislação tributária que trata do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo, vigentes à época dos fatos geradores do PER/Dcomp em discussão, assim dispunham, quanto ao desconto de créditos dessas contribuições e seus aproveitamentos: -Lei nº 10.637/2002: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Fl. 7369DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 -Lei nº 10.833/2003: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) § 1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I - nos incisos I e II do § 3 o do art. 1 o desta Lei; II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1 o e 10 a 20 do art. 3 o desta Lei; (...) Fl. 7370DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 -Lei nº 10.865/2004: Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) X - o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1º-A. O valor da Cofins-Importação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8º não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput. (...) § 3º O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8º sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. § 4º Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3º deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam-se, no que couber, as disposições dos §§ 7º e 9º do art. 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Os dispositivos legais citados e transcritos elencam os custos/despesas que dão direito a descontar créditos das contribuições, estabelecem o sistema de cálculo, sua utilização e o aproveitamento do saldo credor trimestral. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito de recurso repetitivo, quais os custos/despesas que devem ser considerados como insumos dos bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inc. II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citado e transcrito anteriormente. Consoante à decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a impossibilidade ou a Fl. 7371DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A77 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". No presente caso, a recorrente é uma empresa que tem como atividade econômica, dentre outras: i) a industrialização, comercialização, distribuição, locação e assistência técnica de bens e equipamentos de qualquer natureza na área de informática e eletroeletrônica; ii) a industrialização, comercialização e desenvolvimento de projetos tecnológicos na área de informática e eletroeletrônica; iii) a representação, comercialização, planejamento, implantação, treinamento, suporte técnico, suporte pedagógico e assistência técnica de equipamentos, laboratórios e mobiliário de informática, franquias, sistemas de aplicação pedagógica, sistemas de administração escolar e sistema didáticos de ensino; e, iv) a prestação de serviços na área de informática. Assim, com fundamento nos dispositivos legais citados e transcritos, no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e nas atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente, passemos à análise das matérias impugnadas nesta fase recursal. II.1) Bens para Revenda II.1.1) Equivocada Alegação Fiscal de Apropriação de Créditos Recuperáveis de IPI – Inexistência de Apropriação dos Referidos Créditos A recorrente defende a reversão da glosa de créditos descontados sobre o valor do IPI não recuperável pago sobre a aquisição de bens para revenda sob o argumento de que esse valor integra o custo da mercadoria vendida. Segundo o inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a aquisição de bens para revenda dá direito ao desconto de créditos; já o inciso II do § 2º, desse mesmo artigo, prevê que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dará direito ao desconto de créditos. No presente caso, as contribuições não incidiram sobre o valor total das Notas Fiscais de aquisições dos bens destinados à revenda, mas tão somente sobre o valor do bem, conforme provam as cópias das notas carreadas aos autos pela própria recorrente. O IPI destacado na nota fiscal, independentemente de ser ou não recuperável não integra a base de cálculo das contribuições. Assim, a glosa efetuada pela Fiscalização deve ser mantida; II.2) Bens utilizados como insumos II.2.1) IPI Recuperável – Inexistência de Créditos de PIS e Cofins – Glosa Indevida A recorrente alegou que, ao contrário do entendimento da Fiscalização, não descontou créditos sobre o valor do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição de insumos pelo fato de tratar de imposto recuperável. Se não houve desconto de créditos por parte da recorrente, não houve glosa por parte da Fiscalização. Dessa forma, não há mérito a ser analisado e julgado neste item. II.2.2) Insumos Creditados pela Recorrente Fl. 7372DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 Neste item, defendeu o direito de descontar créditos sobre os seguintes bens/serviços: a) Álcool e licença para uso de Software Os custos/despesas com álcool e com licença para uso de Software, segundo depreendemos da documentação carreada aos autos, são utilizados no seu processo produtivo. O álcool é utilizado na montagem dos computadores para limpeza e higienização de placas-mães de circuitos impressos dos equipamentos eletrônicos produzidos; já a despesa com software refere- se a contrato de cessão de direito para uso de programas na produção dos equipamentos eletrônicos fabricados e vendidos pela recorrente. Dessa forma, ambos os custos/despesas enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, a glosa dos créditos sobre tais custos/despesas deve ser revertida. b) Pallets As despesas incorridas com pallets não constituem insumos do processo de produção dos bens destinados à venda. A própria recorrente informou no recurso voluntário que se trata de produtos intermediários utilizados no transporte de insumos. Assim, como não se enquadra no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser mantida. c) Estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica Também, neste caso, trata-se de despesas que não se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Assim, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser mantida. d) Ferramentas, instrumentos e aparelho para medidas e controle de grandezas: A própria recorrente informou e demonstrou no seu recurso voluntário que tais custos foram incorridos com ferramentas que dão direito ao desconto de créditos sobre os encargos de suas depreciações. Segundo o inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 os custos com aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, dão direito ao desconto de créditos. Por sua vez, o inciso III do § 1º, desse mesmo artigo, determina que o crédito sobre tais custos seja calculado sobre os encargos de depreciação dos respectivos bens. Opcionalmente, segundo o § 14 daquele mesmo artigo, o crédito pode ser calculado no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º das referidas leis sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição. No presente caso, a recorrente não utilizou nenhum das duas opções previstas em lei, calculando e descontando o crédito sobre o valor total da aquisição, contrariando aqueles dispositivos legais. Fl. 7373DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 Dessa forma, a glosa dos créditos deve ser mantida. II.2.3) Notas Fiscais com Alíquota Zero O desconto de créditos do PIS e da Cofins sobre a aquisição de bens utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda está previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. Consta expressamente do § 2º, inciso II, do art. 3º das referidas leis, que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dá direito ao desconto de créditos. Assim, a glosa dos créditos sobre a aquisição de bens representados por notas fiscais com alíquota zero deve ser mantida. II.2.4) Indevida Exclusão dos Conhecimentos de Transporte – Suposta Alegação de Ausência de Tributação da Mercadoria Transportada Os custos com fretes incorridos na operação de compra de insumos, suportados pela recorrente, integram o custo da matéria-prima adquirida. O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda está previsto no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, os fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pelas contribuições para o PIS e Cofins. Dessa forma, a glosa dos créditos sobre os custos/despesas dos fretes onerados pelas contribuições, incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, deve ser revertida. II.2.6) Serviços de Transporte (Conserto, Devolução, Retorno Substituição Em Garantia, dentre outros) – “GLOSA FRETE” Neste item, a recorrente defende o direito de descontar créditos sobre as despesas com fretes incorridas com: a) devolução de mercadorias, b) intercompany (transferências) de ativo imobilizado; c) intercompany (transferências) de insumos e mercadorias; d) remessa em bonificação; e, e) remessa/retorno para conserto. O direito de descontar créditos sobre despesas incorridas com fretes está previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 que, inclusive aplica-se ao PIS. Segundo aquele inciso, o desconto de créditos sobre despesas incorridas com fretes aplica-se somente aos fretes na operação de venda. No presente caso, nenhuma das referidas despesas foram incorridas na operação de venda dos bens produzidos e/ ou na revenda de bens adquiridos. No entanto, as despesas incorridas com fretes no transporte/movimentação de insumos, denominadas “intercompany” com remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizadas pela recorrente integram, respectivamente, o custo matéria-prima dos bens produzidos e dos serviços prestados e, portanto, se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Já as demais despesas não se enquadram naquele dispositivo legal nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Fl. 7374DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 O conceito de insumos dado pelo STJ aplica-se apenas e tão somente aos custos/despesas imprescindíveis à produção dos bens destinados à venda e à prestação de serviços (assistência técnica/prestação de serviços). No presente caso, tais despesas não são imprescindíveis à produção dos bens destinados a venda, aliás, trata-se de despesas incorridas depois de suas produções. Por isso, entendo que as referidas despesas, com exceção dos fretes incorridos na transferência/movimentação de insumos entre os estabelecimentos e na remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizadas pela recorrente, não dão direito ao desconto de créditos, por não se enquadrarem no inciso II do artigo 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e também por não se subsumirem ao conceito de insumo dado pelo STJ no julgamento do referido REsp nem no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10;833/2003. Dessa forma, somente a glosa de créditos descontados sobre os custos/despesas com (i) fretes na transferência/movimentação de insumos (intercompany) e (ii) com fretes na remessa/retorno de bens consertados (assistência técnica/prestação de serviços) deve ser revertida. II.2.7) Suposta Ausência de Informações para Fins de Creditamento – Supostos Dados Faltantes A recorrente alegou que a Fiscalização glosou créditos sobre serviços de fretes sob o fundamento de que “não foi possível identificar o tipo de serviço já que a empresa não informou dados essenciais para a identificação do direito a crédito, nos campos EFD Contribuições ‘descrição da mercadoria/serviço’, ‘código NCM’ e ‘Código CFOP’”; alegou ainda que informou na manifestação de inconformidade que tais serviços referiam-se a gastos com fretes intramunicipais os quais não dispõem das informações (CFOP e NCM); o certo é que tais despesas compõem o custo incorrido pela recorrente em decorrência de sua atividade econômica. Ao contrário do seu entendimento, consta expressamente da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, que a Fiscalização efetuou a glosa desse item pelo fato de não ter sido possível identificar a natureza do serviço prestado, tendo em vista que nas informações prestadas não foram apresentados dados essenciais para a comprovação do direito creditório. Nesta fase recursal, conforme demonstrado, a recorrente limitou-se a informar que se trata de gastos com fretes municipais que não dispõem das informações CFOP e NCM e que o certo é que tais despesas compõem o custo de produção dos bens produzidos por ela. Inicialmente, caberia a ela ter apresentado, desde a manifestação de inconformidade, documentação fiscal e contábil demonstrando a natureza dos fretes e em quais operações foram incorridos. Conforme demonstrado anteriormente, no item II.2.6 deste voto, o desconto de créditos sobre gastos com frete somente é permitido sobre despesa na operação de venda, conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, quando suportado pelo vendedor, e sobre frete na aquisição de bens utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda e/ ou para revenda, nos termos do inciso II do mesmo artigo. No presente caso, a recorrente em momento algum demonstrou a natureza dos fretes e em quais setores da empresa foram incorridos, limitando-se a alegar que se trata de fretes intramunicipais que não possuem códigos CFOP e NCM. Fl. 7375DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 Dessa forma, a glosa dos créditos sobre tais fretes deve ser mantida. III) Serviços Utilizados Como Insumos III.1) Da prestação de serviços de Assistência Técnica – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “(Alimentação/Refeição”, “Deslocamentos/Diária/Hospedagem”, “Despesas Não Planejadas”, “Reembolso de Icms” e “Telegrama” A recorrente alegou que tais despesas são incorridas com a prestação de serviços de assistência técnica dada a seus clientes por meio de terceiros, ou seja, empresas contratadas por ela para esse fim. Alegou ainda que Fiscalização ao invés de considerar o total da nota fiscal emitida pelo prestador do serviço, excluiu o valor correspondente àqueles itens, ou seja, alimentação/refeição, deslocamentos/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama. Para comprovar essa alegação, não apresentou cópia de nenhuma nota fiscal, mas apenas reproduziu no recurso voluntário o que seriam as Notas Fiscais nº 1414, emitida pela Terabytte Service Comercial Ltda. – ME e nº 2142, emitida pela RM Brasília Informática Ltda. Contudo, de seus exames não encontramos na discriminação dos serviços prestados, ou seja, no seu corpo, nenhuma das referidas rubricas. Nos pedidos de ressarcimento/compensação de créditos financeiros, o ônus de provar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado é do contribuinte, conforme previsto no inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e no inciso I do art. 373 da Lei nº 13.105/2015 (Novo Código de Processo Civil). Também, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Assim, a glosa de créditos sobre tais despesas deve ser mantida. III.2) Da prestação de serviços de Publicidade e Propaganda – Itens glosados referenciados pela Agente Fiscal como “Agenciamento de publicidade e propaganda/honorários agência”, “Serviços de campanhas e incentivos e de pesquisas MKT”, “Serviços suporte a gestão”, “Serviços de elaboração de revista/inspeção visual/de produção de eventos/de produção de fotos”, “Acordo mensal MKT”, “Administração de contratos” e “Produção filmes/textos/artigos e vídeos” Inexiste amparo legal para o desconto de créditos sobre essas despesas. O direito ao desconto de créditos das contribuições sobre custos/despesas incorridos pela pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades econômicas está previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, todos citados e transcritos anteriormente neste voto. Nenhum das referidas despesas estão contempladas naqueles dispositivos legais. Já a alegação de que se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR não prospera. O STJ analisou e julgou custos/despesas vinculados ao processo de produção/industrialização de bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e não a despesas vinculadas à administração da empresa e à comercialização dos produtos. Fl. 7376DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 As despesas impugnadas neste item não têm vinculação direta com o processo de produção dos bens fabricados e vendidos pela recorrente. As únicas despesas incorridas pela pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades, que dão direito ao desconto de créditos, são aquelas elencadas expressamente nos incisos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. As despesas discriminadas neste item não estão elencadas dentre aquelas que dão direito ao crédito. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre as despesas deste item deve ser mantida. III.3) Da prestação de serviços de Representação Comercial – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Comissões Sobre Vendas” e “Intermediação de Negócios” Assim como no item imediatamente anterior (III.2), trata-se de despesas vinculadas à comercialização dos bens produzidos e vendidos cujo direito ao desconto de créditos não está previsto na legislação do PIS e da Cofins. Também, tais despesas não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista não estão vinculadas à produção e sim à comercialização. A única despesa vinculada à comercialização dos bens produzidos e vendidos, que dá direito ao desconto de créditos, é despesa com frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser mantida. III.4) Da prestação de serviços de Frete - Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “EPI”, “Ferramentas/fita demarcação”, “Loop back áudio - Anatel - paralelo/duplo/frontal/triplo/único/serial”, “Creme protetor luvex”, “Fita isolante/Fita verde rosca” e “Gás R22 ar condicionado” Neste item, a recorrente reclama fretes sobre o transporte/movimentação dos bens referenciados. Segundo, seu entendimento são despesas que se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do Respe nº 1.221.170/PR. Para comprova a realização das despesas e suas naturezas apresentou como prova o Doc. 13 (Doc_13.xlsx, arquivo não paginável ZIP) carreado aos autos juntamente com a manifestação de inconformidade. No entanto, do exame daquele documento, verificamos que nele constam apenas e tão somente três máquinas que, segundo suas descrições, são utilizadas na produção dos bens destinados à venda. Os demais bens, com exceção das três máquinas, não foram identificados, aliás sequer constam daquele documento. Quanto aos fretes incorridos com a aquisição de EPI, levando-se em conta que seus custos integram o custo total desses equipamentos e que estes dão direito ao desconto de créditos, segundo o conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, os fretes incorridos nas aquisições dos EPI, devidamente comprovados mediante documentos fiscais (Notas Fiscais de Serviços e/ ou Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico -DACTE), dão direito ao desconto de créditos. Quanto aos demais bens, apenas os fretes incorridos na aquisição das três máquinas, por integrarem seus custos, dão direito ao desconto de créditos. Contudo, o crédito é Fl. 7377DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 determinado sobre os encargos de depreciação das máquinas e não sobre os seus custos de aquisição, conforme previsto no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. Dessa forma, apenas a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos na aquisição de EPI, deve ser revertida. III.5) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Serviços de Coleta”, “Serviços de Descarga”, “Serviços de Devolução”, “Serviços de Venda”, “Serviços de Reentrega”, “Serviços de Transferência”, “Serviços de Envio”, “Serviços De Remessa e “Retorno” O desconto de créditos sobre despesas incorridas com os referidos serviços não tem amparo na legislação do PIS e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.627/2002 e 10.833/2003. Embora tais serviços estejam vinculados a operações comerciais, apenas as despesas com fretes na operação de venda dão direito ao desconto de créditos das contribuições, conforme consta do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS. Além da hipótese prevista no inciso IX do referido artigo, os custos incorridos com fretes nas aquisições de bens para revenda e de bens utilizados como insumos na produção destinados à venda também dão direito ao desconto de créditos, por integrarem o custo dos bens adquiridos, nos termos do inciso II do art. 3º das referida leis. Contudo, não se trata de insumos nem de bens para revenda. No presente caso, os referidos serviços não se enquadram em nenhum daqueles incisos (II e IX) nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista que se trata de despesas desvinculadas do processo de produção dos bens destinados à venda. Ressaltamos ainda que a Fiscalização não glosou créditos descontados sobre fretes na operação de venda, conforme verificamos da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os serviços impugnados neste item deve ser mantida. III.6) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Pedágio”, “Seguro”, “Escolta” O desconto de créditos sobre essas despesas não tem amparo legal. Primeiro, pelo fato de não estarem elencadas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/200,3 dentre aquelas que dão direito ao desconto de créditos; e, segundo não estão vinculadas ao processo de produção dos bens destinados á venda, não sendo possível enquadrá-las no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR Especificamente, em relação às despesas com pedágio, a Lei nº 10.209/2001 que criou o vale pedágio, assim dispõe: Art. 2º O valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. (...) Fl. 7378DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 Assim, levando-se em consideração que as despesas com pedágio não foram tributadas pelas contribuições para o PIS e Cofins, não dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Quanto às despesas com seguro e escolta, como não estão vinculadas à produção dos bens destinados à venda, não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Esse julgamento tratou de custos e despesas vinculados à produção e que devem ser consideradas como insumos nos termos do inciso II do art. 3º das referida leis. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre essas despesas deve ser mantida. III.7) Da prestação de serviços de Manutenção Preventiva de Empilhadeiras – Item Glosado Referenciado pela Agente Fiscal como “Serviços de Manutenção Preventiva de Empilhadeiras” As empilhadeiras são bens do ativo imobilizado, essenciais à produção dos bens destinados à venda. São utilizadas na movimentação de insumos e de produtos em elaboração no interior da fábrica. Assim, as despesas incorridas com a suas manutenções enquadram-se como insumos dos produtos fabricados e vendidos e dão direito ao desconto de créditos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser revertida. III.8) Da prestação de serviços de Mão De Obra Temporária – Item Glosado Referenciado pela Agente Fiscal como “Agenciamento de Bens Imóveis e Mão De Obra Temporária/Encargos e Salários” A recorrente defende o direito de descontar créditos sobre as despesas com mão- de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda. Destacou que, conforme se depreende da planilha de glosa de “Resultado Serviços Insumos” elaborada pela Fiscalização, apesar da nomenclatura adotada, “agenciamento de imóveis”, de fato, os serviços, primordialmente, referem-se à contratação por meio de pessoa jurídica com atuação no mercado de agenciamento de mão-de-obra temporária de indivíduos para utilização na produção dos bens destinados à venda. Para comprovar essa alegação, acostou à manifestação de inconformidade, ainda que por amostragem, a documentação que comprova que a despesa “agenciamento de imóveis” corresponde, de fato, à mão-de-obra temporária e que esta foi utilizada na produção dos bens fabricados e vendidos por ela. O desconto de contribuições sobre custo com mão-de-obra temporária utilizada na atividade fim da pessoa jurídica está amparado no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, a recorrente indicou o arquivo não paginável-ZIP Doc_40- 1.xlsx, visando comprovar que toda a mão-de-obra glosada foi utilizada na produção e para comprovar que a rubrica (nomenclatura) “agenciamento de imóveis” integra o custo total da mão- de-obra, apresentou a cópia da Nota Fiscal 14570, (Doc. 40.1), emitida pela empresa Nossa Serviço Temporário de Gestão de Pessoas Ltda. Ao contrário do seu entendimento, a referida documentação não comprova suas alegações. Do exame do “Arquivo não paginável-ZIP, Doc_40_1.xlsb”, verificamos que nele Fl. 7379DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 constam mão-de-obra passível de utilização nas áreas de: 1) logística; 2) produção; e, 3) qualidade, para os cargos de: 1) auxiliar de logística; 2) auxiliara de processo; e, 3) operador de qualidade. Do exame da Nota Fiscal nº 14570, verificamos que nela constam as seguintes rubricas (nomenclaturas): locação de: 1) salários; 2) encargos/provisão; 3) taxa de serviços; e, 4) benefícios. Ressaltamos ainda que, em nenhuma das notas fiscais de prestação de serviços, constantes do Doc. 41, consta a rubrica (nomenclatura) “agenciamento de imóveis”. Levando-se em conta as informações desses dois documentos, examinamos a documentação carreada aos autos relativa à mão-de-obra temporária, cujas glosas foram efetuadas pela Fiscalização. No “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_37_1.xlsb” constam gastos com: 1) expedição; 2) promotores Trade MKT; 3) facilities; 4) MOD PROD – FÁB - PLACAS; no “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_37_2.xlsb, constam gastos com: 1) MOD PROD; e, 2) expedição; e, no “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_40_2.xlsb constam gastos com: 1) expedição; 2) MOD PROD JB; 3) promotores Trade MKT Reg 3; 4) facilities; e, 5) MOD PROD – FÁB PLACAS. O custo como mão-de-obra temporária utilizada na atividade fim da pessoa jurídica está amparado no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.83/2003. Assim, com fundamento no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.83/2003, a glosa dos créditos descontados sobre o custo com a mão-de-obra utilizada na atividade fim da recorrente, ou seja, utilizada na produção dos bens destinados à venda, correspondentes às rubricas (nomenclaturas): 1) MOD PROD – FÁB – PLACAS; 2) MOD PROD; e, 3) MOD PROD JB, discriminados naqueles documentos, deve ser revertida, mantendo-se a glosa sobre as demais rubricas (nomenclatura), por não se enquadrarem no inciso II do art. 3º das referidas leis nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. III.9) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Retrabalho/gabinete/LCD”, “Royalty”, “Móveis”, “Serviços de telemarketing”, “Desenvolvimento de sistemas”, “Desenvolvimento de conteúdo”, “Taxa Infraero” A recorrente alega que tais despesas estão atreladas a etapas operacionais do seu ciclo produtivo e assistência a seus clientes adquirentes dos bens que fabrica e vende; assim, se enquadram como insumos, segundo o conceito do STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Ao contrário do seu entendimento, com exceção das despesas incorridas com Royalties, as demais não são essenciais e/ ou relevantes ao seu processo produtivo e, portanto, não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento daquele REsp nem estão elencadas no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/200 e 10.833/2003, que dão direito ao desconto de créditos. As despesas com Retrabalho/gabinete/LCD não foram identificadas pela recorrente, ou seja, não informou suas naturezas nem onde foram incorridas. A simples alegação de que estão atreladas a etapas operacionais do seu ciclo produtivo não é suficiente para enquadrá-las como insumos; as despesas com Móveis, segundo consta da Informação Fiscal, referem-se a armários, a um conjunto de três bancos, a um tampo central e a um ventilador de coluna; estas despesas não têm vinculação com o processo de produção; a Taxa Infraero, também não foi identificada nem informada sua vinculação com o setor fabril; Serviços de Telemarketing também não têm vinculação com a produção; os Serviços de Desenvolvimento de Sistema, segundo consta do recurso, referem-se a despesas incorridas com serviços de medição de Fl. 7380DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 veiculação em mídia para audiência em sites na web; já os Serviços Desenvolvimento de conteúdo, também conforme consta do recurso voluntário, referem-se a despesas com o Sistema de Controle de Pagamento. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre tais serviços (rubricas) deve ser mantida. Já os gastos com Royalties correspondem aos custos/despesas incorridos com licença para uso de programa de computador destinado ao embarque nos equipamentos produzidos pela recorrente e integram seu custo final. Trata-se de custos/despesas imprescindíveis à produção dos equipamentos eletrônicos fabricados e vendidos pela recorrente. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas com Royalties deve ser revertida. Nesse mesmo item, ao seu final, a recorrente impugnou glosa de créditos sobre “Serviços por Industrialização”. Embora, do exame da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, não tenhamos encontrado quaisquer referências sobre aqueles serviços e, ainda, que a DRJ não tenha decidido sobre tal glosa, levando-se em conta que o julgamento deste processo é paradigma para outros processos desse mesmo contribuinte, passemos a análise e julgamento desta matéria. Os custos/despesas incorridos com “serviços por industrialização” referem-se à produção de bens (componentes elétricos/eletrônicos), encomenda a terceiros, utilizados como produtos intermediários nos bens produzidos pela recorrente, conforme se depreende do exame por amostragem das notas fiscais carreadas aos autos, dentre elas as emitidas pela Soc Educ Santa Catarina, CNPJ 84.684.182/0001-57. Assim, tais custos enquadram-se no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/200 e 10.833/2003, dando direito ao desconto de créditos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre os referidos serviços (custos) deve ser revertida. III.10) Serviços Utilizados como Insumos – Serviços Decorrentes de Importação – despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais As despesas alfandegárias e aduaneiras e os fretes internacionais, segundo a legislação do PIS e da Cofins, não dão direito ao desconto de créditos. A Lei nº 10.865/2004 que instituiu o PIS-Pasep Importação e a Cofins Importação assim dispôs: Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços - PIS/PASEP-Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior - COFINS-Importação, com base nos arts. 149, § 2º , inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º . (...) Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) Fl. 7381DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art149%C2%A72ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art195iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art195%C2%A76 Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 X - o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. (...) Por sua vez, o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 veda expressamente o desconto de créditos sobre custos/despesas não sujeitos ao pagamento das contribuições, sendo que o § 3º, inciso I, deste mesmo artigo, dispõe que o direito ao crédito aplica-se exclusivamente aos custos/despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Segundo o inciso X do art. 2º da Lei nº 10.865/2004, citado e transcrito, não incidem contribuições, a título de PIS-Importação e Cofins-Importação sobre os custos/despesas com transporte internacional de cargas (fretes) e com outros serviços que tiverem sido computados no valor aduaneiro. Assim, independentemente da falta de informações do contribuinte sobre as importações realizadas, notas fiscais e números das DIs, a glosa dos créditos descontados sobre os serviços alfandegários e aduaneiros e sobre os fretes internacionais deve ser mantida. IV) Da aplicação do princípio da verdade material Conforme demonstrado na Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, a apuração da certeza e liquidez do ressarcimento pleiteado/compensado teve como fundamento a escrituração contábil das contribuições (EFD-Contribuições) e a documentação fiscal e contábil apresentadas pela recorrente. Dessa forma, não há que se falar em inobservância desse princípio. Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indefiro o pedido de diligência e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intecompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) fretes na aquisição de EPI no respetivo trimestre; 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico- eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas.” Quanto aos créditos extemporâneos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com o devido respeito ao didaticamente elaborado voto condutor, de lavra do Ilustre Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, fui designado para redigir o voto vencedor, no que tange á apuração/apropriação e utilização/desconto de créditos extemporâneos, matéria com a qual a maioria da turma julgadora discordou do voto condutor. Em sintéticas palavras, já é pacífico neste CARF o entendimento de que créditos extemporâneos de Contribuição ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, apurados Fl. 7382DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 extemporaneamente, podem ser utilizados/descontados, sem a necessidade de retificação de DCTF ou EFD-Contribuições, desde que preencham certos requisitos, quais sejam: - comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Se a recorrente lograr comprovar de forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie, então tais créditos podem ser aproveitados. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex; sobre pedágio e seguro; sobre a despesa com paletes; sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”; e sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 7383DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-013.505 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905542/2018-75 Declaração de Voto Deixa-se de transcrever a declaração de voto apresentada, que pode ser consultada no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 7384DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10680.015606/2002-61
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 204-00.294
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Afonso Celso Bretas de Vasconcelos.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO
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Novnis 6"••••- /0 RESOLUÇÃO N° 204-00.294 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÃO FERREIRA LOPES. ACORDAM os Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Afonso Celso Bretas de Vasconcelos. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2006. `, Henri'que Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Bernardes de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de SA Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Júlio César Alves Ramos, Raquel Motta B. Minatel (Suplente) e Adriene Maria de Miranda. 1 r CC-MF Fl. MF - SEGUNDO CO!_1-1:-.) Ministério da Fazenda Segundo Conselho de.Contribuintes;. (O _ Processo n° : 10680.015606/2002-61 i •.' Recurso n° : 126.830 i . ...—.....-- , Recorrente : EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÃO FERREIRA LOPES LTDA. RELATÓRIO Com vistas a uma apresentação sistemática e abrangente deste feito sirvo-me do relatório contido na decisão recorrida (fls. 252/264): Lavrou-se contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 05/10), relativo a Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 79.541,79, incluindo multa e acréscimos regulamentares, correspondente aos períodos de 28/02/1999 a 30/09/1999, 30/11/1999 e 31/12/1999 (11. 08). A autuação ocorreu em virtude de divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados da contribuição nos períodos acima identificados, conforme Termo de Verificação Fiscal - TVF, de fls. 11/16, cuja apuração encontra-se discriminada nos demonstrativos dells. 17/18. Foi constatado que o contribuinte excluiu indevidamente da base de cálculo do PIS as despesas financeiras de variação monetária, lançando esses valores a débito da conta Variação Monetária Ativa. A empresa também não declarou e não efetuou o recolhimento da contribuição sobre o valor integral das receitas referentes a aplicações financeiras, juros ativos, descontos obtidos, outras receitas financeiras, variações monetárias ativas, recuperação de despesas e outras receitas operacionais. Também foi apurada diferença da base de cálculo do PIS em relação aos valores contabilizados a titulo de "Receitas de Exame" nos meses de novembro e dezembro de 1999. O fisco salienta que o contribuinte impetrou Mandado de Segurança (processo judicial n° 1999.38.00.018276-2-0) para eximir-se da cobrança da Cofins e do PIS com base na Lei n° 9.718/98. 0 pedido foi julgado parcialmente procedente, assegurando a segurança com relação a modificaçeio da base de cálculo da Cofins, mas mantendo-se a aliquota de 3% e a base de cálculo do PIS introduzidas pela Lei n° 9.718/98. Foi interposto recurso de apelação pelo contribuinte, ainda não julgado. A empresa efetuou um único depósito judicial em 03/01/2000 (Il. 34), que, se considerado para o período de fevereiro a novembro de 1999, como alega o contribuinte, não se realizou no montante integral, pois foi depositado fora do prazo, sem os acréscimos de multa e juros de mora. Assim, já que possui depósito-somente em relação ao período de dezembro de 1999 e decisão desfavorável no Mandado de Segurança, o crédito tributário apurado para os meses de fevereiro a novembro de 1999 não se encontra coin a exigibilidade suspensa. Como enquadramento legal, foram citados: arts. 1' e 30, da Lei Complementar n° 07/70; arts. 2°, inc. I, 8", inc. I e 9", da Lei n°9.715/98; e arts. 2°, 3° e parágrafos, e 9 0, da Lei 9.718/98. Irresignado, tendo sido cientificado em 05/11/2002 (ll. 05), o autuado apresentou, em 05/12/2002, acompanhadas dos documentos de fls. 195/245, as suas razões de defesa (l1s. 183/194), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente Auto de Infração, entende que sobre a parcela do crédito tributário referente a ausência de ,v4 w Processo n° : 10680.015606/2002-61 Recurso n° : 126.830 Mi: • SEG.!' Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes _ 6 recolhimento do PIS sobre as receitas financeiras, a exigibilidade deveria estar suspensa, nos termos do art. 151, II, do CTN. Isso porque a matéria em questão é objeto do processo judicial n" 1998.38.00.018276-2 e a parte principal da divida foi depositada em juizo, ern 03/01/2000. 0 entendimento do fisco não deve prosperar, pois é indiftrente o fato de ter realizado o depósito em guia única, em vez de ter se utilizado de uma guia para cada competência. 0 que deve ser considerado é a intenção do depositante, principalmente se demonstrar a origem e a finalidade do depósito, nos termos do art. 112, II, do CTN:Assim, a parcela principal da obrigação deve ter sua exigibilidade suspensa, enquanto que os juros e multas poderiam ser exigidos imediatamente, mediante lançamento de oficio. Requer, nesse sentido, que seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ou pelo menos da parcela principal da contribuição, referente a esta parte da autuação. Argumenta que a percepção efetiva da receita oriunda da 'variação cambial é na competência ern que houve a liquidação do negócio vinculado à moeda estrangeira, e não na competência em que houve a variação da cotação da moeda estrangeira. Assim, se possuir aplicações em Dólar, com prazo de resgate determinado para o futuro, não há um direito de crédito atual, mas um direito de crédito futuro. A variação monetária de "expectativa de direito creditório", pela oscilação cambial, não é fato gerador do PIS. Portanto, enquanto não liquidada a opera cão contratada em moeda estrangeira, não há que se falar em ocorrência do fato gerador da contribuição, nos termos do art. 9° da Lei n°9.718/98. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do STJ. Conclui, em seguida, que devem ser convalidados os lançamentos realizados a débito na conta Variações Monetárias Ativas porque refletem perdas cambiais sobre aplicações em Dólar. Caso não seja aceito o procedimento acima citado, entende que os valores apurados como base de cálculo do PIS devem ser reduzidos pelos valores consignados na conta contábil "Juros Ativos", que refletem as receitas financeiras efetivamente percebidas em cada unia das competências autuadas. Os juros rendidos mensalmente (receita financeira efetiva) não eram lançados na conta "Variações Monetárias Ativas" (que representa receitas e despesas fictícias,), mas sim na conta "Juros Ativos". Para demonstrar a variação das contas referidas e a majoração indevida da base de cálculo, anexa cópia do "livro razão" e quadro demonstrativo. Insurge-se contra a possibilidade de aplicar-se a taxa Selic como taxa de juros de mora, pelo fato de ela possuir caráter estritamente remuneratório de capital, colidindo com a doutrina e jurisprudência e ferindo ainda os mandamentos contidos no art. 161, § I°, do Código Tributário Nacional. Requer que os juros moratórios, se porventura forem - considerados legítimos, sejam calculados à taxa de I% ao mês. A la Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte — MG que não conheceu da impugnação da contribuinte, fê-lo mediante a prolação do Acórdão DRJ/BHE N° 4.996, de 15 de dezembro de 2003, traçado nos termos seguintes: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/1999 Ementa: A partir do período de apuração de fevereiro de 1999, o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas se incluindo as advindas de aplicações financeiras, inclusive as variações monetárias ativas e juros ativos, uma vez que inexiste dispositivo legal que possibilite suas exclusões da base de cálculo. ja (C:6 2a CC-MF Fl. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10680.015606/2002-61 Recurso n° : 126.830 CC-MF Fl. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ezautuageio, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. A multa de oficio e os juros de mora devem incidir somente sobre a diferença não depositada judicialmente. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontram-se disciplinadas em lei. Impugnação não Conhecida Irresignada com a decisão retro, a recorrente lançou mão do presente recurso voluntário (fls. 270/279) oportunidade em que reiterou os argumentos expendidos por ocasião de sua impugnação. Houve arrolamento de bem (fl. 285/295), porém ainda não foi registrado no Cartório de Registro de Imóveis. o relatório. 2Q CC-MF FL Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10680.015606/2002-61 Recurso n° : 126.830 VOTO DO CONSELHEIRO RELATOR RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO Preliminarmente, vale lembrar que uma das funções deste Colegiado é apreciar a admissibilidade do recurso voluntário no que tange aos requisitos extrínsecos e intrínsecos. Um dos requisitos consiste no depósito prévio de 30%, arrolamento de bens ou medida judicial que determine o seguimento do recurso ao Conselho de Contribuintes, nos termos do § 22 do art. 33 do Decreto n2 70.235/72, com a redação dada pela Lei n 2 10.522, de 19 de julho de 2002. Todavia, não há prova nos autos que o bem arrolado pela recorrente foi registrado no Cartório de Registro de Imóveis, fato absolutamente imprescindível para se caracterizar o direito de propriedade. Assim, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para o fim de determinar a repartição fiscal de origem que proceda à intimação da contribuinte, assinando-lhe prazo para regularizar o arrolamento, como condição para o prosseguimento do feito. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2006. ROD IGO'BERNARDES DE CARVALHO 5
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008972/2002-96
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997
PROCESSSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. SUPORTE FÁTICO AUSENTE.
Deve ser cancelado o auto de infração quando se comprova a
ausência do suporte tático apontado pelo Fisco como ensejador
do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 204-03.376
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso.
Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator) e Henrique Pinheiro Torres. Designada a Conselheira Silvia de Brito Oliveira.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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LANÇAMENTO. SUPORTE FÁTICO AUSENTE. Deve ser cancelado o auto de infração quando se comprova a ausência do suporte tático apontado pelo Fisco como ensejador do lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator) e Henrique Pinheiro Torres. Designada a Conselheira Silvia de Brito Oliveira. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente N. >ati- SI st Na', BRITO O t• VEIRA ' elator:- • - ignas Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ivan Alegretti (Suplente), Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Ali Zraik Júnior, Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente) e Leonardo Siade Manzan. . _ Processo n° 11080.008972/2002-96 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.376 Fls. 92 Relatório Cuida-se de mais um "lançamento eletrônico" promovido em decorrência da revisão interna da DCTF entregue pela empresa relativa ao último trimestre do ano de 1997. Nela, a empresa informou ter compensado os débitos de PIS com créditos oriundos da Ação Judicial n°97.18195-2. A "descrição dos fatos" no lançamento eletrônico é "proc. Jud de outro CNPJ". Na impugnação tempestivamente ofertada, a empresa defende ser titular da Ação n° 1999.04.01.015014-2, na qual teria sido proferida decisão autorizando-a a compensar o PIS recolhido a maior porque considerando as disposições inconstitucionais dos Decretos- Leis n's 2.445 e 2.449 com o próprio PIS independente de comunicação à SRF. A ela não juntou uma só peça que comprovasse a existência dessa ação, da decisão proferida nem do montante dos créditos reconhecidos. Confirmada a inexatidão da informação, a DRJ Porto Alegre considerou procedente o lançamento, somente retirando a multa de oficio em face da superveniência do art. 18 da Lei n° 10.833, a qual determinou fosse substituída pela multa de mora no percentual de 20%, em respeito à norma do art.106 do CTN. Dessa decisão, de que teve ciência em 14 de outubro de 2005, recorreu a empresa tempestivamente (10/11/2005), em longa petição (fls. 32/43). Nela, não volta mais a mencionar o número da Ação Judicial a que se referira em sua impugnação — 1999.04.01.015014-2 — passando a defender que os créditos utilizados são oriundos da ação mencionada em sua DCTF — 97.0018195-2. Sustenta que nesta ação teria sido proferida decisão favorável ao reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, autorizativa de compensação do excesso. Novamente não junta nenhuma peça processual relativa à ação que menciona. Aí também menciona que teria exibido à fiscalização peças dessa ação em atendimento a intimação recebida; novamente aqui nada junta em comprovação do que alega. Nesse recurso defende que a SRF não estaria acatando a compensação promovida por não aceitar a chamada semestralidade, a cuja demonstração dedica longas considerações. Nele não se insurge contra a multa de mora aplicada pela DRJ em substituição da multa originalmente lançada, defendendo não haver exigência a ser feita. Seis meses depois, em maio de 2006, a empresa foi intimada pela DRF em Porto Alegre/RS a regularizar o arrolamento de bens proposto, que não recaíra em bens imóveis. Aproveitou essa ocasião para formalizar nova petição (fls. 64/65) em que afirma ter ocorrido erro quando da protocolização da ação judicial mencionada no Recurso (97.0018195-2). Na época, teria informado incorretamente o seu CNPJ na petição inicial daquela ação. Somente nessa ocasião, a empresa juntou cópia de alguma peça do processo judicial (fl. 67), mas esta é um despacho da Juíza do feito datado de 12 de maio de 2006 (fl. 399 do processo judicial) em que autoriza a retificação do CNPJ da empresa na petição inicial, retificação essa que teria sido requerida pela própria empresa em 28 de outubro de 2005. Vê-se, de logo, que a petição ao Juizo é posterior ao lançamento aqui discutido e a todas as etapas do julgamento do mesmo até então (impugnação e decisão DRJ), só sendo anterior ao próprio recurso da empresa. / tis nop 2 Processo n° 11080.008972/2002-96 CCO21C04 Acórdão n.° 204-03.376 Fls. 93 Pelo despacho proferido constata-se que a Ação n° 97.0018195-2 encontrava-se àquela altura em grau de execução da sentença favorável. Pelo teor do despacho, aliás, parece que a empresa pleiteara levantamento de algum valor depositado na conta que "já se encontrava zerada" segundo a n. Juíza De todo modo, há a expressa indicação de que a exeqüente da Ação n° 97.0018195-2 é a Importadora Brasília S/A Indústria e Comércio. O recurso do contribuinte foi distribuído ao então Conselheiro Flávio de Sá Munhoz que o colocou em pauta na sessão de 28 de fevereiro de 2007. Aí propôs a conversão do julgamento em diligência em homenagem ao principio da verdade material, de modo a não restarem dúvidas de que a ação é a que interessa mesmo (questionamento da inconstitucionalidade dos decretos-leis e autorização para compensação). Para tanto, requereu fosse juntada aos autos a folha 388 do processo judicial em que consta a petição de retificação de CNPJ deferida pela Juíza Retornam agora os autos com a juntada da peça requerida (fl. 79 destes autos). Por meio dela se constata que a empresa realmente protocolara em 28 de outubro de 2005 pedido de retificação do seu CNPJ. Na petição se indica como correto o CNPJ n° 92.696.269/0001-72. Este é o número de inscrição que aparece nas diversas cópias de editais convocatórias de assembléias da empresa juntadas por cópia ao longo deste processo administrativo e também é o citado na impugnação que o abre. Em função do afastamento dos Conselheiros Flávio de Sá Munhoz e Jorge Freire, este que havia sido indicado para suceder o primeiro, foi a mim redistribuído para julgamento. E o Relatório. Voto Vencido Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Conio se constata do relatório, embora tratemos de mais um dos famigerados autos de revisão interna da DCTF, que se têm caracterizado pela imprecisão de descrição dos fatos e outras irregularidades, aqui isso não se passa. Deveras, a acusação fiscal é clara: a compensação informada na DCTF não seria procedente simplesmente porque a ação judicial ali referida seria de outro contribuinte. Quando tal acusação se revela procedente, desnecessária qualquer verificação adicional acerca da existência dos créditos que embasariam a compensação informada e de sua suficiência em face da decisão proferida. Em suas defesas, por outro lado, basta aos contribuintes autuados sob esse fundamento demonstrar que a ação existe, foi promovida por ele e não por outra pessoa jurídica e que há de fato decisão autorizando a utilização de créditos em compensação. Nesse caso, mesmo que os créditos se revelem insuficientes, descabe a exigência de multa — a rigor, sequer de lançamento — nos termos do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Provado, ao contrário, que a ação informada não é mes o do contribuinte, entendo eu caber sim a multa, embora devesse ser exigida isoladamente Tko _, 3 Processo n° 11080.008972/2002-96 CCO21C04 Acórdão n.° 204-03.376 Fls. 94 Nesses termos, o presente lançamento apresenta duas singularidades. É que a impugnação apresentada pela empresa aparentemente admitiu o erro cometido na DCTF, ao mencionar que a ação veiculadora dos créditos que teriam sido utilizados seria outra. Mas nada junta em comprovação do que alega. A segunda, por parte da DRJ, que mesmo nessas circunstâncias não o considerou enquadrado nas disposições da Lei n° 10.833 e dele retirou a multa de oficio. Note- se que a empresa não comprovou nada do que alegara, isto é, a efetiva existência desta nova ação agora informada, de que houve decisão favorável nem do montante dos créditos que nela teriam sido reconhecidos. Apesar de essa decisão já ser, nos termos mencionados, amplamente favorável ao contribuinte, recorre ele e com argumentos inteiramente novos, mas igualmente desacompanhados de qualquer comprovação. Assim colocada a questão, considero que o recurso já deveria ter sido julgado desfavoravelmente a ele, por absoluta falta de prova do quanto alegado. Entretanto, a Câmara entendeu justificável a realização de diligência para comprovar, em definitivo, se a ação indicada pela empresa fora de fato por ela movida. E isso em decorrência de petição totalmente extemporânea, pois apresentada após até mesmo o prazo recursal. De todo modo, a diligência foi aprovada e o seu resultado confirma que a ação é mesmo da empresa. Como não foi requerido, não há prova de que nela tenha sido prolatada decisão que reconhecesse a existência de créditos e que já tivesse trânsito em julgado no momento em que a empresa apresentou sua DCTF. De se notar adicionalmente que não há sequer indicio de explicação para o fato — a todas as luzes, bastante estranho — de ter a empresa ingressado com ação em que indica um número de CNPJ que nada tem a ver com o seu. Também de se estranhar o teor do despacho da exma. Juiza que parece indicar ter sido levantado algum valor de conta vinculada à ação. Por esses motivos considero tal confirmação insuficiente para derrubar o lançamento, mormente porque dele a DRJ já excluiu a multa de oficio. O que se discute aqui, portanto, é a exigibilidade do principal. Seu afastamento, entretanto, requer que seja provada a efetividade da compensação e não apenas a existência da ação. E o ónus da prova desses fatos é inteiramente do contribuinte, nos termos do art. 330 do CPC. E dado que a substituição da multa aplicável nos procedimentos de oficio pela de mora não foi questionada pelo contribuinte, voto por negar provimento ao seu recurso. Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2008. - • s J ;LIO CÉSAR ALVES MOS "" • 4 • - . _ Processo n° 11080.008972/2002-96 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.376 Fls. 95 Voto Vencedor Conselheira SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA, Relatora-Designada Não obstante as perplexidades expostas pelo Ilustre Relator quanto a fatos processuais relativos à matéria autuada, dele divido quanto à manutenção do lançamento por duas razões: a comprovada ausência do suporte fálico acusado pela fiscalização e o fato de tratar-se de débito confessado em DCTF. Quanto ao suporte fatie°, informou o Ilustre Relator que a acusação fiscal é de que a compensação informada na DCTF não seria procedente simplesmente porque a ação judicial ali referida seria de outro contribuinte. Ora, diante dessa acusação, este colegiado entendeu necessário diligenciar em busca da verdade material sobre a ação judicial indicada pela autuada e o resultado dessa diligência confirmou que a recorrente é mesmo a titular de tal ação. Assim, entendo estar - - afastada a motivação do lançamento, visto que a ação judicial não é de outro contribuinte como acusara a fiscalização e, sendo essa a acusação fiscal, a meu ver, afigura-se irrelevante o teor da decisão proferida na ação judicial, bem como o fato de ter ou não ocorrido o trânsito em julgado de tal decisão, pois o suporte fático da autuação não é compensação com créditos inexistentes, tampouco compensação com créditos decorrentes de decisão judicial não- transitada em julgado. Ademais disso, está-se diante de crédito tributário espontaneamente confessado em DCTF, que constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário confessado, nos estritos termos do art. 5 0, § 1°, do Decreto-Lei n°2.124, de 13 de junho de 1.984, estando, pois, afastada a possibilidade de lançamento de oficio, com imposição punitiva:- Nesse aspecto, é comum que se invoque o art. 142 do CTN para defender a inafastabilidade do lançamento, em face da vinculação legal ali insculpida. Sobre isso, em face do precitado Decreto-lei e considerando as reiteradas instruções da Administração Tributária sobre o caráter de confissão de divida das DCTF, com informação de que o não-pagamento dos tributos no prazo determinado em lei implicaria a comunicação do débito à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) para inscrição em Divida Ativa da União, entendo que a constituição do mesmo crédito tributário confessado em auto de infração ou notificação de lançamento configura exigência em duplicidade. Assim, a menos que se declare a inconstitucionalidade do art. 5°, § 1°, do Decreto-Lei n° 2.124, de 1984, o que não cabe aos órgãos julgadores administrativos, suas disposições constituem óbice ao lançamento de oficio de crédito tributário espontaneamente confessado pelo sujeito passivo, visto que não é razoável admitir que a Fazenda Nacional constitua outro titulo executivo da mesma dívida tributária já confessada em instrumento hábil e suficiente para sua cobrança. Por oportuno, transcreve-se trecho da ementa do Acórdão n° 202-01.313, deste Segundo Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 20 de fevereiro de 2002, da Relatora Ana Neyle Olímpio Holanda: qi f - _ _ Processo n°11080.008972/2002-96 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.376 Fls. 96 COFINS - NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO EM DCTF PARA ILIDIR O LANÇAMENTO DE OFÍCIO - A situação que desobriga o sujeito passivo da multa de oficio refere-se a valores que, embora não pagos, foram declarados em DCTF, que são confissões expressas de divida, e o meio hábil para ilidir a necessidade do lançamento de oficio, no caso de tributos lançados por homologação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM DCTF - A operacionalização da cobrança dos valores da COFINS declarados e não pagos prescinde de lançamento de oficio, sendo a sua declaração em DCTF bastante para a inscrição em Divida Ativa da União. Em suma, o crédito tributário em questão, se não extinto por uma das formas previstas no art. 156 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), é passível de cobrança por meio da DCTF em que ele foi confessado. Essas são as razões que conduzem meu voto pelo provimento do recurso voluntário. _ Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2008. j,0 I Winh1/2. SI ti: r: RITO O VEIRA 6 Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13601.000619/2002-67
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 204-00.337
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Jorge Freire. Esteve presente, a Dra. Anete M. M. de P. Vieira.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO
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Recorrente : TEKSID DO BRASIL LTDA. Recorrida : -DR.1 em Juiz de Fora -MG RESOLUÇÃO N° 204-00.337 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TEKSID DO BRASIL LTDA. RESOLVEM os Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de — Contribuintesa)or maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Jorge Freire. Esteve presente, a Dra. Anete M. M. de P. Vieira. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2006. ° r ' Henriciue Pinheiro TOrre-s'"""1-;---- Presidente - Rodrigo Bemardes de Carvalho Relator ,..t...ven STEGUN;:i.0 CO:'.1S.Z.U.10 DE CONTR:E3tillATES1 CO; Brasilia, 1, 1 Qj iO - • Marzi; i. lat. Sizir+ • 9 16.4 -.A.,...r..•■••••■•asespot.r.agocoranbsare..vaRtIni..Xr.T.f. Mtit fl . Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Flávio de Sé Munhoz, Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan e Mauro Wasilewski (Suplente).. _ _ • . Segundo Conselho'de Contribuinte; C.;°1\11;.1:1:13U4T17:c.$) Ministério da Fazenda : 13601.000619/2002-67 Processo n'2 R Recurso : 132.342 Maria 7.i1VUs,-4ovalS '1164 i CC-MF Fl. Recorrente : TEKSID DO BRASIL LTDA. RELATÓRIO A interessada solicita o ressarcimento do saldo - credor acumulado no terceiro --- trimestre de 2002 referente ao crédito presumido com origem na Portaria MF n° 38/97. Foram apresentados diversos Pedidos de Compensação. A autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento, apontando "irregularidades na apuração do crédito presumido de IPI, tanto no que tange ao cálculo da receita de exportação quanto à apuração dos valores de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo", além de ter indicado que "o estabelecimento se aproveitou de créditos de IPI irregulares, tendo efetuado crédito em duplicidade,-além de ter lançado R$ 8.785.049,52 sem o devido ampato legal -nos meses de -abril de 2002 a setembro de 2003". Tendo em vista as irregularidades encontradas, a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal da Requerente, "encontrando para alguns períodos saldos credores inferiores àqueles inicialmente apurados pela contribuinte, e saldos devedores para os demais períodos, motivo pelo qual lavrou o Auto de Infração n° 13603.000972/2004-99, exigindo o crédito tributário que deixou de ser pago". Em relação ao período de apuração do crédito pleiteado pelo presente processo, a DIZF deferiu parcialmente o ressarcimento, "declarando homologadas as correspondentes Declarações de Compensação até o limite do crédito concedido". Contra a referida decisão a Requerente apresentou manifestação de inconformidade requerendo que: (i) o presente pedido de ressarcimento fosse julgado conjuntamente com o processo relativo ao Auto de Infração n° 13603.000972/2004-9; (ii) as receitas de exportação que a fiscalização entendeu como decorrentes de vendas de produtos adquiridos de terceiros são, na realidade, receitas de exportação de produtos por ela industrializados para clientes no exterior que não integram o seu grupo empresarial; e (iii) são indevidas as exclusões efetuadas pela fiscalização do valor relativo a energia elétrica, serviços de telecomunicações e serviços de transporte. Sustentou, ainda, que o conceito de "insumo" para efeito de cálculo do crédito presumido de LPI deve ser extraído da legislação atinente Contribuição ao PIS e à Cofins, na qual há expressa previsão de créditos sobre o valor da energia elétrica e do serviço de telecomunicações. Por fim, informa que a própria fiscalização reconhece que o valor do serviço de transporte integra o custo de aquisição do produto quando for incluído no seu preço final, e que o agente fiscal apenas segregou os CFOP relativo ao transporte estadual e interestadual e não demonstrou que os custos com transporte que foram glosados se referem a aquisições FOB. A DRJ em Juiz de Fora — MG deu provimento parcial à manifestação de inconformidade, com fundamento em diligência realizada pela autoridade administrativa, reconhecendo que as receitas de exportação estavam corretamente calculadas, posto que não haviam sido incluídas nelas receitas decorrentes da venda de produtos adquiridos de terceiros, mas receitas de produtos por ela fabricados por encomenda de clientes no exterior. - ** .. -;() z.L C.! •.,1,2.;;NP,I.. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes.2 ° (15-- • i Processo ng : 13601.000619/2002-67 Recurso n2 : 132.342 22 CC-MF Fl. Marin Luzis -tar Novais Mot. Stu; e 91641 .x.w.Ma mr*staaman...........smcgageku sgw al*IlnUMMINN. A decisão recorrida reconheceu que o "custo corn transporte (...) integra a base de _ cálculo do crédito presumido de IPI se for cobrado do adquirente, ou seja, se estiver incluído no preço do produto. No caso de frete pago pelo adquirente a terceiros que sejam pessoas jurídicas contribuintes do PIS e Cofins, a legislação admite que o valor do frete integre a base de cálculo do crédito presumido desde que o 'conhecimento_ de transporte'_emitido seja vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição do insumo". No entanto, negou o direito à Recorrente de incluir o custo com transporte no cálculo do crédito presumido de IPI em razão dela não ter comprovado que o custo do transporte foi incluído no preço dos insumos adquiridos. Por fim, a DRJ nega o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de energia elétrica e telecomunicações. Contra a referida decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, oportunidade em que reiterou os argumentos expendidos por ocasião de sua manifestação de inconformidade. o relatório. • • V .r1.0.111.1.■•■••••••■••••01,14.4w,(0,......1.•• ■••■41.4,.01.7.01•11.1,1.....M1,...04, Ministério da Fazenda - SEGLIN:::0 CC-?- }i0 DE CONTRfE3UINTES Segundo Conselho de Contribuintes cC:;.!;•=7,." ;.' (f5- I kj--) Processo 1-19. : 13601.000619/2002-67, Recurso trg : 132.342 CC-MF Fl. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RODRIGO-BERNARDES DE CARVALHO 0 recurso atende aos requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. _ - De -início, vale mencionar -que a hipótese dos autos já foi - examinada por esta Câmara, em sessão de julgamento de março de 2006. Na ocasião, prevaleceu o voto do Ilustre Conselheiro Flávio de Sá Munhoz que converteu o julgamento daquele recurso em diligência, razão pela qual pego vênia para adotar e transcrever o voto vazado nos seguintes termos: Trata-se de pedido de ressarcimento de IPL Após a apreciação do pedido pela autoridade administrativa e pela DRJ em Juiz de Fora - MG, resta controvérsia em relação a possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins, previsto na Lei n° 9.363/96, do valor relativo as aquisições de (i) energia elétrica, _(h) serviços _de telecomunicações e (Hi). — de- transP one. Apesar de reconhecer o direito à inclusão do custo com transporte na base de cálculo do crédito presumido de IPI, se este for cobrado do adquirente, ou seja, se estiver incluído no preço do produto, a decisão recorrida negou o direito à Recorrente sob o fundamento de que não houve comprovação de que o custo do transporte foi incluído no preço dos insumos adquiridos. Vale ressaltar que consta dos autos do presente processo diligência fiscal realizada pela Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Contagem — MG por determinação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora — MG nos autos do processo administrativo relativo ao Auto de Infração n° 13603.000972/2004-9, que solicitou: "(a) esclarecimentos quanto et reconstituição da escrita fiscal do IPI que conduziram ao lançamento de débitos no encerramento de janeiro de 2004 no valor de R$ 1.636.143,45; (b) comprovar a inexistência de receitas de revendas para exportação; e (c) comprovar a existência de receitas de exportação em novembro e dezembro de 2002". O relatório da diligência acima mencionada foi anexada aos autos do presente processo, tendo em vista que "traria reflexos na apreciação do objeto do pedido de ressarcimento de IPI de que trata este processo". Pelo que consta dos autos do presente pedido de ressarcimento, a diligência efetuada não analisou se os custos de transportes estavam ou não incluirias no preço dos insumos adquiridos pela Recorrente. Não consta dos autos qualquer intimação da fiscalização para que fossem apresentados elementos relativos a inclusão ou não do valor do transporte no prego dos insumos adquiridos, pelo que não há como afirmar se a glosa foi corretamente efetuada pela fiscalização. Assim, para a solução da questão controvertida nos presentes autos, necessário analisar se o valor do custo do transporte que foi glosado pela fiscalização da base de cálculo do crédito presumido de IPI estavam ou não incluidos no preço dos insumos adquiridos. Necessária, desse aspecto, a realização de diligência. Corn estas considerações, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência afim de que a autoridade fiscal: (i) intime a Recorrente a prover aos autos cópia dos conhecimentos de transporte relativos aos serviços de transporte contratados para aquisição de insumos, a fim de se A7/2 _• 4 p,$) çi g ggg MiglIgg......te.1,•■•■•••agOZA*11,■•,*.Igge Ministério da Fazenda SEGUNDO OC: Segundo Conselho de Contribuintes Ci \ o 3 Processo n2 : 13601.000619/2002-67 Recurso n2 : 132.342 Niaria Laztn N .:I-liars Mar. ;164 22 CC-MF Fl. verificar se o valor do frete integrou o preço de aquisição das matérias-primas, materiais _ _ _ _ - de embalagem ou produtos intermediários; (ii) identifique do valor relativo ao transporte incluído pela Recorrente no cálculo original do crédito presumido de IPI quanto integrou o preço dos insumos adquiridos; (iii) intime a Recorrente a declarar expressamente, e sob as penas da lei, se o custo do valor do transporte dos insurnos integraram o- preço dos -insumos - adquiridos período. Finda a diligência, seja oferecida oportunidade ao sujeito passivo de manifestar-se, caso queira, sobre o resultado desta antes do retorno dos autos a este Colegiado. como voto. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2006. • RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO 5
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001222/2005-01
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/01/2004 a 31/03/2004
DIF. PAPEL IMUNE. PENALIDADE PELO ATRASO. LEI N° 11.945/2009. REDUÇÃO.
Por força do art. 1°, § 4º, da Lei n° 11.945/2009, que se aplica aos lançamentos anteriores em virtude da retroatividade benigna estipulada no art. 106, II, "c" do CTN, a multa pelo atraso na entrega da DIF - Papel Imune é reduzida aos valores estipulados no citado parágrafo, descabendo exigi-la nos montantes estabelecidos anteriormente pelo art. 57 da Medida Provisória
n°2.158/35/2001
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-000.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA
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PAPEL IMUNE. PENALIDADE PELO ATRASO. LEI N° 11.945/2009. REDUÇÃO. Por força do art. 1°, § 40, da Lei n° 11.945/2009, que se aplica aos lançamentos anteriores em virtude da retroatividade benigna estipulada no art. 106, II, "c" do CTN, a multa pelo atraso na entrega da DIF - Papel Imune é reduzida aos valores estipulados no citado parágrafo, descabendo exigi-la nos montantes estabelecidos anteriormente pelo art. 57 da Medida Provisória n°2.158/35/2001 Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. OrP (' Gil on Rose ' lir:. ilho - Presidente Dalton .e or. eir. - Miranda - Relator EDITADO EM: 17/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão consubstanciada em acórdão da DRJ que julgou procedente o lançamento levado a efeito contra a contribuinte, referente ao tema DIF — Papel — Imune. É o relatório. Voto Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda O apelo voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, dai dele conhecer. Como relatado, trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão consubstanciada em acórdão da DRJ que julgou procedente o lançamento levado a efeito contra a contribuinte, referente ao tema DIF — Papel — Imune. Neste Colegiado e há algumas sessões de julgamento, temos adotado o entendimento em prover parcialmente os recursos voluntários que nos são submetidos com o trato do referido tema, para ajuste dos valores exigidos. •Explico. O artigo 106- do CTN prevê a aplicação da retroatividade benigna e, para a matéria em debate, temos que foi editada a Lei n° 11.945/2009, modificando os critérios para a aplicação da multa objeto do Auto de Infração levado a efeito contra a recorrente e mantida pelo acórdão recorrido. Da referida legislação, benigna para a recorrente, temos que a mesma suprimiu a expressão "mês-calendário", impossibilitando qualquer exigência mensal para uma única falta cometida e relativa ao tema DIF — Papel — Imune. E como muito bem observado pelo Ilustre Conselheiro Em'anuel Dantas: Agora, após a Lei n° 11.945/2009 (conversão da MP n° .- 451/2008), a penalidade é exigida levando-se em conta cada Nr.# obrigação acessória isolada — no caso, cada DIF-Papel Imune trimestral -, de modo que se a Administração Tributária demora mais para efetuar o lançamento, a multa não aumenta a cada mês. A salientar, por oportuno, que a Receita Federal do Brasil 2c. /I) Processo n° 10665.001222/2005-01 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.524 Fl. 2 tem meios eletrônicos de detectar o descumprimento da obrigação acessória, tão logo vencido o prazo de sua entrega. Daí ser mais razoável a fixação da penalidade proporcional ao número de DIF-Papel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do "taxímetro" anterior. Os valores máximos para a hipótese de a DIF-Papel Imune não ser entregue passaram a ser, independentemente do número de meses em atraso, de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 para as demais empresas (inc. II do § 4° do art. 1° da Lei n°11.945/2009). Forte nestes argumentos e análise de ordem legal, voto pelo parcial provimento ao apelo voluntário interposto, para que a Fiscalização ajuste o valor exigido da recorrente, com fundamento naquilo quanto determina e regulamenta o artigo 1°, § 4°, da Lei n° 11.945, de 04/06/2009, abrando-se a penalidade imposta. É como voto (Çalton. 'seir-~randa • 3
score : 1.0
Numero do processo: 16327.905180/2014-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. In casu, o contribuinte não apresentou a documentação hábil e necessária para demonstrar inequivocamente as retenções na fonte.
Numero da decisão: 1301-006.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Marcio Avito Ribeiro Faria (suplente convocado), Marcelo Jose Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, substituído pelo conselheiro Marcio Avito Ribeiro Faria.
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. In casu, o contribuinte não apresentou a documentação hábil e necessária para demonstrar inequivocamente as retenções na fonte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-02-27T03:11:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-02-27T03:11:13Z; Last-Modified: 2024-02-27T03:11:13Z; dcterms:modified: 2024-02-27T03:11:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-02-27T03:11:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-02-27T03:11:13Z; meta:save-date: 2024-02-27T03:11:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-02-27T03:11:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-02-27T03:11:13Z; created: 2024-02-27T03:11:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2024-02-27T03:11:13Z; pdf:charsPerPage: 1577; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-02-27T03:11:13Z | Conteúdo => S1-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.905180/2014-89 Recurso Voluntário Acórdão nº 1301-006.719 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2024 Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. In casu, o contribuinte não apresentou a documentação hábil e necessária para demonstrar inequivocamente as retenções na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Marcio Avito Ribeiro Faria (suplente convocado), Marcelo Jose Luz de Macedo, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, substituído pelo conselheiro Marcio Avito Ribeiro Faria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 51 80 /2 01 4- 89 Fl. 526DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 Relatório Por bem narrar os fatos, reproduz-se inicialmente o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (“DRJ/SP1”), o qual será complementado a seguir (fls. 422/429 do e-processo): A contribuinte transmitiu DCOMP, objetivando a utilização de saldo negativo de CSLL, referente ao ano-calendário de 2011, no valor de R$ 125.223.369,73, para a compensação de débitos. Em 09/03/2015, a Deinf/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fl. 157) homologando em parte as compensações informadas em DCOMP no montante de R$ 124.949.802,94 A homologação parcial das compensações deu-se pelos motivos expostos a seguir: • Confirmação parcial de retenções na fonte no montante de R$ 11.993.604,78 de um total informado de R$ 12.267.171,57. Fl. 527DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 Fl. 528DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 16/03/2015 (fl.156) e dela recorreu a esta DRJ em 15/04/2015 (fls. 02/40). As alegações da interessada são resumidas a seguir. • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 00.001.180/0002-07 no montante de R$ 7.000,00, os documentos nº 03 e 04 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 01.637.895/0001-32 no montante de R$ 9.961,26, os documentos nº 05 e 06 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 02.077.618/0001-85 no montante de R$ 4.681,89, os documentos nº 07 e 08 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 02.558.115/0001-21 no montante de R$ 10.381,33, os documentos nº 09 e 10 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 02.757.614/0001-48 no montante de R$ 16.602,10, os documentos nº 10 e 11 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 04.988.419/0001-54 no montante de R$ 2.213,61, os documentos nº 12 e 13 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 05.169.687/0001-07 no montante de R$ 2.298,28, os documentos nº 13 e 14 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 06.047.087/0001-39 no montante de R$ 2.490,32, os documentos nº 15 e 16 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 06.977.751/0001-49 no montante de R$ 15.633,24, os documentos nº 16 e 17 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 07.073.027/0001-53 no montante de R$ 6.819,92, os documentos nº 18 e 19 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 07.872.408/0001-00 no montante de R$ 1.125,49, os documentos nº 20 e 21 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 08.246.494/0001-09 no montante de R$ 11.291,98, os documentos nº 22 e 23 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 08.505.736/0001-23 no montante de R$ 19.369,12, os documentos nº 24 e 25 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 09.313.969/0001-97 no montante de R$ 433,90, os documentos nº 26 e 27 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 09.325.109/0001-73 no montante de R$ 5.657,55, os documentos nº 27 e 28 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 10.288.438/0001-70 no montante de R$ 4.888,89, os documentos nº 29 e 30 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 10.288.461/0001-65 no montante de R$ 5.777,78, os documentos nº 31 e 32 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 10.288.502-0001-13 no montante de R$ 5.777,78, os documentos nº 32 e 33 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 10.635.691/0001-53 no montante de R$ 4.814,61, os documentos nº 34 e 35 comprovam a retenção; Fl. 529DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 10.647.979/0001-48 no montante de R$ 340,97, os documentos nº 35 e 36 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 10.979.208/0001-58 no montante de R$ 8.025,00, os documentos nº 37 e 38 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.345.796/0001-30 no montante de R$ 922,77, os documentos nº 39 e 40 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.349.807/0001-50 no montante de R$ 252,87, os documentos nº 40 e 41 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.349.836/0001-12 no montante de R$ 614,57, os documentos nº 42 e 43 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.350.476/0001-79 no montante de R$ 950,30, os documentos nº 43 e 44 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.350.499/0001-83 no montante de R$ 666,45, os documentos nº 45 e 46 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.350.327/0001-44 no montante de R$ 871,51, os documentos nº 46 e 47 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.365.985/0001-75 no montante de R$ 820,24, os documentos nº 49 e 50 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.366.056/0001-80 no montante de R$ 204,31, os documentos nº 48 e 49 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.371.340/0001-45 no montante de R$ 922,77, os documentos nº 51 e 52 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.608.271/0001-40 no montante de R$ 1.741,61, os documentos nº 52 e 53 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 11.613.311/0001-42 no montante de R$ 1.161,07, os documentos nº 54 e 55 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 12.108.854/0001-57 no montante de R$ 3.555,56, os documentos nº 56 e 57 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 12.684.715/0001-90 no montante de R$ 944,60, os documentos nº 58 e 59 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 12.848.329/0001-96 no montante de R$ 5.691,52, os documentos nº 59 e 60 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 12.877.416/0001-71 no montante de R$ 55.340,34, os documentos nº 61 e 62 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 13.439.535/0001-05 no montante de R$ 6.752,95, os documentos nº 62 e 63 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 14.278.551/0001-26 no montante de R$ 1.656,90, os documentos nº 64 e 65 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 20.568.671/0001-60 no montante de R$ 107,35, os documentos nº 66 e 67 comprovam a retenção; Fl. 530DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 33.050.071/0001-58 no montante de R$ 2.513,18, os documentos nº 68 e 69 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 60.665.981/0001-18 no montante de R$ 1.383,51, os documentos nº 70 e 71 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 61.065.751/0001-80 no montante de R$ 9.131,16, os documentos nº 72 e 73 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 64.858.525/0001-45 no montante de R$ 2.213,61, os documentos nº 74 e 75 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 76.535.764/0001-43 no montante de R$ 33.237,65, os documentos nº 75 e 76 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 02.757.614/0001-48 no montante de R$ 16.602,10, os documentos nº 10 e 11 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 02.757.614/0001-48 no montante de R$ 16.602,10, os documentos nº 10 e 11 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 02.757.614/0001-48 no montante de R$ 16.602,10, os documentos nº 10 e 11 comprovam a retenção; • Quanto ao código 5952 da fonte pagadora de CNPJ nº 02.757.614/0001-48 no montante de R$ 16.602,10, os documentos nº 10 e 11 comprovam a retenção. Em sessão de 12/05/2016, a DRJ/SP1 julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte improcedente, pois segundo consta da ementa de julgamento “Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP” (fls. 421 do e-processo). Veja-se abaixo os fundamentos do voto do relator (fls. 430/433 do e-processo): Quanto ao código 5952, glosado pela autoridade fiscal, a contribuinte alega que os documentos, ora apresentados nesta manifestação de inconformidade de fls.56/155, comprovam as retenções informadas na declaração. Os documentos constituem-se de recibo de pagamento emitido pelo Banco Santander e cópias da DIPJ, os quais em nada comprovam o auferimento das respectivas receitas bem como sua tributação. Não foi apresentado a escrita fiscal, a qual discrimine o auferimento das receitas bem como os comprovantes de rendimentos das empresas pagadoras. Dessa forma, não há nada a ser reconhecido de direito creditório por falta comprovação da liquidez e certeza (art.170 do CTN). [grifamos] Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual basicamente reitera todos os seus argumentos de defesa. Advertiu mais uma vez que seria necessário o retorno dos autos em diligência para que a própria Unidade de Origem verificasse se a documentação apresentada – considerada insuficiente pelo acórdão recorrido – seria realmente hábil a Fl. 531DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 comprovar o direito creditório alegado, além de intimar as fontes pagadoras a apresentar outros documentos necessários, veja-se (fls. 452 do e-processo): Ainda na visão do contribuinte, indeferir tal pleito configuraria verdadeiro cerceamento ao seu direito de defesa. Em suas próprias palavras, negar-se à recorrente análise e/ou diligência quanto ao direito creditório pleiteado, ao menos, diante de informações disponíveis nos sistemas da Receita Federal é retirar-lhe o direito constitucional ao devido processo legal (fls. 458 do e-processo). Quanto ao mérito, o contribuinte reitera que toda a documentação apresentada em sua manifestação de inconformidade seria suficiente para comprovar o seu direito creditório. Adverte que outros documentos poderiam substituir a ausência do comprovante de retenção ou dos informes de rendimento de responsabilidade das fontes pagadoras. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. Tempestividade Fl. 532DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 Como se denota dos autos, o contribuinte tomou ciência acórdão recorrido em 20/05/2016 (fls. 440 do e-processo), apresentando o recurso voluntário, ora analisado, no dia 17/06/2016 (fls. 445 do e-processo), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Preliminar de nulidade do acórdão recorrido por preterição ao direito de defesa Quanto ao pedido de nulidade do acórdão recorrido, pois, nas palavras do próprio contribuinte, negar-se à recorrente análise e/ou diligência quanto ao direito creditório pleiteado, ao menos, diante de informações disponíveis nos sistemas da Receita Federal é retirar-lhe o direito constitucional ao devido processo legal (fls. 458 do e-processo), entendemos que o pleito não merece prosperar. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação, a não identificação e confirmação dos créditos pleiteados nos sistemas próprios da Receita Federal, o que indica que houve algum equívoco ou falha do contribuinte quanto a sua informação e registro, implica na necessidade da sua inequívoca e precisa comprovação. Em outras palavras, compete ao contribuinte demonstrar a sua existência. Conforme advertido pelo acórdão recorrido, apenas os créditos líquidos e certos, conforme determina o art.170 do CTN podem ser deferidos pela autoridade fiscal, não cabendo qualquer acréscimo no direito creditório sem a prova inequívoca de sua existência (fls. 430 do e-processo). O fato de o contribuinte ter apresentado documentos comprobatórios, os quais, na sua visão, demonstrariam a existência do direito creditório, não implica necessariamente na conversão dos autos em diligência, caso a autoridade julgadora entenda que os elementos constantes dos autos sejam suficientes para formação da sua convicção, o que, aliás, foi exatamente o que ocorreu no presente caso concreto, o que de modo algum significa cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. A DRJ/SP1 foi expressa ao consignar que só se realiza diligência quando a autoridade julgadora entendê-la necessária, ou seja, na carência de informações adicionais e Fl. 533DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 que possam elucidar as questões suscitadas (fls. 432 do e-processo). E concluiu que não seria o caso dos autos, cuja documentação não indicaria a existência do direito creditório alegado. De fato, a autoridade julgadora não se encontra obrigada a converter os autos em diligência caso entenda que a documentação apresentada não signifique qualquer indício de prova. Assim, não haveria que se falar em nulidade do acórdão recorrido. Mérito Quanto ao mérito, o contribuinte reitera a defesa pela existência e disponibilidade do seu direito creditório com base na documentação apresentada desde a sua manifestação de inconformidade, abordando cada uma das retenções não confirmadas e explicando as razões pelas quais os documentos levariam a conclusão do direito creditório. Conforme exprimido pelo acórdão recorrido, os documentos constituem-se de recibo de pagamento emitido pelo Banco Santander e cópias da DIPJ, os quais em nada comprovam o auferimento das respectivas receitas bem como sua tributação. Não foi apresentado a escrita fiscal, a qual discrimine o auferimento das receitas bem como os comprovantes de rendimentos das empresas pagadoras (fls. 430 do e-processo). Neste ponto, entendemos que o contribuinte somente tem razão em suas alegações quando adverte que eventual ausência de comprovante de retenção e informe de rendimento pode ser suprida por outros documentos que atestem e demonstrem inequivocamente a origem e existência da retenção. In casu, reitere-se que estamos tratando de 44 retenções não confirmadas, no montante de R$ 273.566,79, referente ao código de retenção 5952 – CSLL – Retenção sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado Lei nº 10.833/2003, conforme se vislumbra pela documentação complementar ao despacho decisório eletrônico (fls. 52/53 do e- processo): Fl. 534DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 Em recurso voluntário o contribuinte reitera tudo o quanto já exposto em manifestação de inconformidade, sem apresentar um único documento adicional de prova. E tal Fl. 535DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 informação é relevante porque o motivo para o não reconhecimento do direito creditório pela DRJ/SP1 foi exatamente a ausência de provas hábeis e suficientes para demonstração do crédito. Destaque-se que para demonstrar as retenções o contribuinte apresentou para cada uma das parcelas não confirmadas um “recibo de pagamento” emitido por ele próprio, além de cópia da DIPJ. Vejamos então um desses recibos (fls. 56 do e-processo): Mais uma vez, a DRJ/SP1 foi expressa ao advertir que os documentos constituem- se de recibo de pagamento emitido pelo Banco Santander e cópias da DIPJ, os quais em nada comprovam o auferimento das respectivas receitas bem como sua tributação. Não foi apresentado a escrita fiscal, a qual discrimine o auferimento das receitas bem como os comprovantes de rendimentos das empresas pagadoras (fls. 430 do e-processo). E ao invés de refutar o que fora alegado pelo acórdão recorrido, o contribuinte limitou-se a defender que a documentação apresentada desde a sua manifestação de inconformidade seria suficiente, sem apresentar, por exemplo, a sua escrita fiscal e extratos que demonstrassem os recebimentos dos valores líquidos. Assim como já consignado, os supostos recibos de pagamento, emitidos pelo próprio contribuinte, acompanhados tão somente da DIPJ, não são suficientes para comprovar precisa e inequivocamente que as retenções realmente ocorreram, razão pela qual inexistem motivos para a reforma do acórdão a quo, que deve ser mantido por todos os seus fundamentos, com uma única ressalva de que os informes de rendimentos e/ou os comprovantes de retenção não são os únicos documentos hábeis a demonstrar e justificar o direito creditório, conforme Fl. 536DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-006.719 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.905180/2014-89 entendimento sumulado deste Conselho. Todavia, no presente caso concreto, o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus de comprovar por outros meios a ocorrência da retenção. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 537DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13502.000303/2003-74
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 10/03/2003
NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com vista ao reconhecimento do direito de compensação do crédito-prêmio de TI, implica renúncia à discussão desta matéria na esfera administrativa. (Súmula nº 1, do 22 Conselho de Contribuintes).
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. SEGURANÇA DENEGADA. DIREITO INEXISTENTE.
As normas que regulam a compensação administrativa exigem que os
créditos do sujeito passivo sejam líquidos e certos. A compensação efetuada por força de liminar que veio a ser caçada por acórdão do tribunal não mais prevalece, devendo ser não-homologada pela autoridade administrativa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3401-000.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 10/03/2003 NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com vista ao reconhecimento do direito de compensação do crédito-prêmio de TI, implica renúncia à discussão desta matéria na esfera administrativa. (Súmula nº 1, do 22 Conselho de Contribuintes). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. SEGURANÇA DENEGADA. DIREITO INEXISTENTE. As normas que regulam a compensação administrativa exigem que os créditos do sujeito passivo sejam líquidos e certos. A compensação efetuada por força de liminar que veio a ser caçada por acórdão do tribunal não mais prevalece, devendo ser não-homologada pela autoridade administrativa. Recurso negado.
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I tsl'.lfkll... MINISTÉRIO DA FAZENDA - g.. *PX< '' cilior.: gt*t CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS sx1r1 .21--,. TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTOr:tr.< Processo n° 13502.000303/2003-74 Recurso n° 262.182 Voluntário Acórdão n° 3401-00.469 — Lia Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 17 de novembro de 2009 Matéria Compensação de débitos com créditos de terceiros (crédito-prêmio de IPI) por ordem judicial revogada e sem o trânsito em julgado. Recorrente CARA113A METAIS S/A Recorrida DRJ-SALVADOWBA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IH Data do fato gerador: 10/03/2003 NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com vista ao reconhecimento do direito de compensação do crédito-prêmio de TI, implica renúncia à discussão desta matéria na esfera administrativa. (Súmula n2 1, do 22 Conselho de Contribuintes). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. SEGURANÇA DENEGADA. DIREITO INEXISTENTE. As normas que regulam a compensação administrativa exigem que os créditos do sujeito passivo sejam líquidos e certos. A compensação efetuada por força de liminar que veio a ser caçada por acórdão do tribunal não mais prevalece, devendo ser não-homologada pela autoridade administrativa. Recurso negado. Vistoy relatados e discutidos os presentes autos. Acoir: os memb ins do e giado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurst ir o tenno9 dee ót . í ' l e i ot ue integram o presente julgado. - . e. sseic\lorillit: e urg Filh\o - Presidente - 1 : assi Guerzoni Pi • . - r elator EDITADO EM 11/12 '119 1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Relatório • Para bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pelo relator da decisão recorrida, cujos termos são os seguintes: A contribuinte acima identificada apresentou em 18/03/2003 "Declaração de Compensação" pretendendo compensar débito com crédito-prêmio de IPI decorrente do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.024144-6 impetrado pela empresa Memore Mineração e Metalurgia Ltda, CNPJ n°05.908.280/0001-54. Encaminhado o processo à DRF/Osasco-SP (despacho às folhas 18/19), e posteriormente devolvido à DRF/Camaçari (despacho às folhas 24/27), após anexação dos documentos de folhas 28/43, foi proferido o Despacho Decisório DRF/CCI n° 034/2008 (fls. 44/48) não homologando a compensação, ante a ausência de decisão judicial com trânsito em julgado, e determinando a cobrança do débito. Cientificada do referido despacho decisório, a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: • Com base em decisão proferida pelo Juizo da 14 Vara Federal em São Paulo nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.61.00024144-6, a impetrante transferiu os créditos para a recorrente, nos termos da cessão de crédito firmada entre as empresas; • A despeito de a referida decisão ter sido reformada em sede de Apelação Cível pelo Tribunal Regional Federal — TRF da 3' Região, há jurisprudência dos Tribunais Superiores considerando inconstitucional a extinção dos incentivos fiscais previstos no Decreto-lei n°491, de 1969; • Desta forma, a cobrança do débito deve ser sobrestaria até o trânsito em julgado da ação judicial, devendo ser declarada nula a exigência do crédito tributário; • São inteiramente irrelevantes as referências à suposta proibição de compensações até o trânsito em julgado da decisão autorizativa, porque se trata, em Ultima análise, de norma dirigida aos juizes, e se, no caso concreto, os juizes autorizam a compensação, não cabe a busca de guarida à regra gerai da atual redação do Código Tributário Nacional — CTN, em desconsideração à aplicação especifica da prestação jurisdicionat Apreciando o feito, a DRJ em Salv — BA manteve a não-homologação da compensação, em acórdão assim ementado: - 14. 02 Processo n° 13502.000303/2003-74 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.469 Fl. 2 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ AÇÃO JUDICIAL. TRANSITO EM JULGADO. A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. DIREITO AO CRÉDITO-PRÉMIO. AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional e a submissão de matéria à tutela, autônoma e superior, do Poder Judiciário, implica em renúncia às instâncias administrativas, quando coincidentes as matérias em discussão. •No recurso voluntário, a empresa reedita as mesmas razões de defesa, pugnando pelo cancelamento da cobrança do débito compensado, pois que, no seu entender, a mesma não pode ser intentada antes do trânsito em julgado da decisão proferida no mandado de segurança. É o relatório. Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminarmente, observa-se que a impetração de mandado de segurança para pleitear o direito à compensação e transferência do crédito-prêmio produziu, como efeito processual obrigatório, a renúncia à discussão da mesma matéria na esfera administrativa, conforme Súmula n9 1, do Segundo Conselho de Contribuintes, redigida nos seguintes termos: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo De nada adianta, pois, a alegação de que existem muitas decisões judiciais que reconhecem que o direito de utilização do crédito-prêmio de IPI, pois este Colegiado não detém competência para o julgamento desta questão, em face da opção pela via judicial. A compensação intentada pela recorrente decorre de mandado de segurança impetrado por empresa interligada em 24/09/2001, no qual se requereu que o Delegado da . Receita Federal fosse obstado de impor quaisquer medidas coativas ou punitivas contra si, em razão da compensação e transferência do crédito-prêmio do IPI. A liminar foi deferida em 19/06/2002, concedendo o • ireito de compensar e transferir o crédito-prêmio dos últimos dez anos, consoante pl. • a anexada aos autos judiciais, sem a incidência, no caso, das restrições impostas p- i F 6, inclusive aquela '11 re • constante do art. 170-A do CTN. Na sentença, proferida em 11/09/2002, o juiz confirmou a liminar. A Procuradoria da Fazenda Nacional agravou o despacho concessivo da liminar e apelou da sentença, provocando a reversão das decisões monocráticas, conforme acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região em 08/08/2007, no qual foi decidido que o crédito-prêmio extinguira-se em 05/10/1990, por força do § 1° do ADCT. Com isto o direito de compensação do crédito-prêmio deixou de ter amparo judicial pois todo o período alcançado pelas decisões reformadas é posterior a esta data, iá que o mandado de segurança fora impetrado em 24/09/2001. Contra a decisão do TRF a empresa apresentou recurso especial e recurso extraordinário, para os quais não se deu efeito suspensivo. Assim, a decisão judicial vigente em 26/02/2008, data em que a Delegacia da Receita Federal em Camaçari/BA proferiu o despacho decisório de não-homologação da compensação, era a proferida pelo tribunal, que havia denegado a segurança. Conseqüentemente, estão corretas as decisões tomadas pela DRF em Camaçari/BA e pela DRJ em Salvador/BA, não carecendo de qualquer reparo a decisão recorrida. No que se refere ao pedido de sobrestamento deste processo, com o escopo de se aguardar o trânsito em julgado da decisão final a ser proferida no mandado de segurança, deve o mesmo ser rejeitado, por falta de amparo legal. Com efeito, de acordo com as disposições do art. 37 da Constituição Federal, a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da legalidade, assim definido por Celso Antônio Bandeira de Mello (in "Curso de Direito Administrativo, Ed. Malheiros, 12' Edição, 2000, p. 72/75-76): Ao contrário dos particulares, os quais podem fazer tudo o que a lei não proíbe, a Administração só pode fazer o que a lei antecipadamente autorize. Além do princípio da legalidade, o sobrestamento do feito representaria violação ao principio da oficialidade, segundo o qual compete à própria Administração impulsionar o processo até o seu ato-fim. No caso ora em julgamento, foi garantido à recorrente o direito à ampla defesa, por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao presente recurso voluntário. Consequentemente, ao final da discussão administrativa, o débito indevidamente compensado estará definitivamente constituído e o Fisco poderá cobrá-lo de imediato, tanto administrativa quanto judicialmente. Isto porque a decisão judicial vigente não ampara a pretensão da recorrente e os ecursos por ela interpostos não têm efeito suspensivo da decisão do tribunal, que denegou a s ança. - to.. o expost t, nego,proviment • • recurso.a. • dassi uerzoni FiE , 4
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720157/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 22/07/2010
MULTA ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. CANCELAMENTO
Tendo em vista a decisão preferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905, na qual julgou inconstitucional o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, deve ser cancelada a penalidade aplicada em virtude da compensação não homologada.
Numero da decisão: 3201-011.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lefetá Reis Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/07/2010 MULTA ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. CANCELAMENTO Tendo em vista a decisão preferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905, na qual julgou inconstitucional o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, deve ser cancelada a penalidade aplicada em virtude da compensação não homologada.
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INCONSTITUCIONALIDADE. CANCELAMENTO Tendo em vista a decisão preferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905, na qual julgou inconstitucional o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, deve ser cancelada a penalidade aplicada em virtude da compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lefetá Reis – Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Relatório Serve o presente voto para julgar o Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte sobre impugnação julgada improcedente, mantendo o Auto de Infração, lavrado em 18/01/2013, para exigência da Multa Isolada, no valor de R$ 79.764,35, com fundamento no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, aplicada relativamente ao PER/DCOMP transmitido em 22/07/2010 (nº 01992.19256.220710.1.3.08-7466), cuja compensação restou não homologada nos autos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 01 57 /2 01 3- 73 Fl. 3118DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.454 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720157/2013-73 processo de reconhecimento de direito creditório, de nº 10880.725707/2012-60, consoante Despacho Decisório Saort/DRF/Bauru nº 241/2012 e Termo de Início de Fiscalização e Verificação Saort/DRF/Bauru nº 004/2013. Em seu Recurso requer o recorrente que: Diante de todo o exposto, a RECORRENTE requer à Vossa Senhorias seja conhecido e provido o Recurso Voluntário ora interposto para reformar o acórdão combatido, a fim de: (i) preliminarmente, determinar o apensamento dos presentes autos ao processo administrativo de crédito nº 10880.725707/2012-60; (ii) cancelar o Auto de Infração lavrado, diante da impossibilidade de cobrança da multa isolada no percentual de 50% em razão de ainda se encontrar em andamento o processo administrativo nº 10880.725707/2012-60, em que se discute a legitimidade do crédito utilizado para realizar as compensações; (iii) na eventual hipótese de não se entender pelo cancelamento nos termos do item anterior, determinar ao menos a suspensão da exigibilidade da multa isolada até que sobrevenha decisão definitiva no processo de crédito nº 10880.725707/2012-60; (iv) não sendo acolhidos os pedidos anteriores, que seja determinado o cancelamento do Auto de Infração, por aplicação da retroatividade benigna, conforme explanação anexa; (v) caso não seja acolhida a tese da retroatividade benigna, o que se admite apenas a título de argumentação, que seja cancelado o Auto de Infração lavrado para cobrança de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada, pois completamente indevida, nos termos da fundamentação exposta; (vi) subsidiariamente, determinar o cancelamento da exigência da multa isolada diante de impossibilidade da sua aplicação em concomitância com a multa de mora de 20%, calculada sobre o valor do débito não homologado, sob pena de caracterizar-se a dupla penalização. Ou, se assim não se entender, requer ao menos que seja reduzido o percentual da multa aplicada em atenção aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Sendo esse o debate, passo ao voto. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O Recurso Voluntário tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Como se depreende dos fatos apresentados, a controvérsia posta limita-se à discussão acerca da validade da multa isolada de 50% prevista no art. 74, §17 da Lei nº 9.430/1996 aplicada em decorrência da não homologação/homologação parcial de Declarações de Compensação apresentadas pela Recorrente. Fl. 3119DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.454 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720157/2013-73 Requer o recorrente a vinculação desse Paf que trata da multa pela não homologação da compensação que se encontra em discursão no PAF N.º 10880.725707/2012-60. Tal pleito não tem mais razão de ser apreciado visto que, considerando a inconstitucionalidade da multa que será apreciada a seguir, esta processo não mais se vincula ao outro. Esta Turma Julgadora, por força do disposto no art. 62, §1º, II, b, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, encontra-se vinculada ao que restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, quando restou definida a seguinte tese: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária” Por sua vez, a ementa do referido julgado encontra-se assim redigida: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. Fl. 3120DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.454 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720157/2013-73 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. (RE 796939, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 18/03/2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 22-05-2023 PUBLIC 23-05-2023) Acrescenta-se, ainda, que o referido julgado já transitou em julgado em 20/06/2023, conforme certidão disponibilizada pelo STF em autos eletrônicos. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento efetuado com fundamento art. 74, §17 da Lei nº 9.430/1996, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 3121DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13888.720138/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3201-003.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade preparadora para que se providencie o seguinte: (i) intimar o Recorrente para apresentar, caso entender necessário, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo complementar ao que consta na Descrição Resumida do Processo de Produção de Açúcar e Álcool, com o intuito de se demonstrarem a essencialidade e a relevância dos dispêndios que serviram de base à tomada de créditos, quando imprescindíveis e importantes ao processo produtivo, nos moldes do RESP 1.221.170/STJ e da Nota SEI/PGFN nº 63/2018, (ii) elaborar novo Relatório Fiscal, considerando as informações já constantes dos autos e as demais produzidas durante a diligência, especificando as glosas de créditos porventura revertidas e/ou mantidas, (iii) ao final, cientificar o Recorrente dos resultados da diligência para, assim o querendo, se manifestar no prazo de 30 dias, sendo imperioso que se dê total transparência quanto aos créditos que permanecerem glosados, bem como àqueles que, à luz do conceito contemporâneo de insumos, vierem a serem reconhecidos, e (iv) cumpridas as providências indicadas, devolver o processo a este CARF para prosseguimento.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade preparadora para que se providencie o seguinte: (i) intimar o Recorrente para apresentar, “caso entender necessário”, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo complementar ao que consta na Descrição Resumida do Processo de Produção de Açúcar e Álcool, com o intuito de se demonstrarem a essencialidade e a relevância dos dispêndios que serviram de base à tomada de créditos, quando imprescindíveis e importantes ao processo produtivo, nos moldes do RESP 1.221.170/STJ e da Nota SEI/PGFN nº 63/2018, (ii) elaborar novo Relatório Fiscal, considerando as informações já constantes dos autos e as demais produzidas durante a diligência, especificando as glosas de créditos porventura revertidas e/ou mantidas, (iii) ao final, cientificar o Recorrente dos resultados da diligência para, assim o querendo, se manifestar no prazo de 30 dias, sendo imperioso que se dê total transparência quanto aos créditos que permanecerem glosados, bem como àqueles que, à luz do conceito contemporâneo de insumos, vierem a serem reconhecidos, e (iv) cumpridas as providências indicadas, devolver o processo a este CARF para prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia Regional de Julgamento, no qual passo a reproduzir alguns excertos do relatório, conforme segue abaixo: Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), de fls. 2445 a 2448, cujo crédito provém do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 20 13 8/ 20 10 -1 2 Fl. 2926DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não-cumulativa, referente ao segundo trimestre de 2006, no valor de R$ 2.658.240,50. Ao PER/DCOMP em questão foram anexados outros que aproveitaram o mesmo crédito e declararam compensações com débitos diversos. A requerente é produtora de açúcar e álcool industrial e carburante, encontrando-se, no período em questão, no regime não-cumulativo de apuração das contribuições sociais, com exceção do álcool carburante, que é apurado no regime cumulativo. Informa a fiscalização que a requerente, em 28/02/2007, foi incorporada pela Danco Participações S/A, em 16/03/2007, a razão social foi alterada para Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool, e, finalmente, em 22/12/2009, passou a ter a razão social atual, Cosan S/A Açúcar e Álcool. Sendo assim, em 24/03/2010 foram apresentados Dacon retificadores para os meses de abril e maio de 2006, e o Dacon – evento especial Incorporação/Incorporadora, este contendo os saldos de créditos não utilizados das sucedidas e transferidos à sucessora (requerente). O procedimento de auditoria dos créditos alegados, realizado pela DRF Bauru, e o detalhamento das glosas aplicadas pela fiscalização foram relatados nos Termos de Verificação Fiscal, de fls. 1560/1576 e 2069/2082, levando-se em conta os Dacon retificadores apresentados em 24/03/2010. Pautada nos limites impostos pela legislação de regência, especialmente a Lei nº 10.833/2003 e IN SRF nº 404, de 2004, a autoridade fiscal especificou as glosas efetuadas, cujo creditamento não estava autorizado pela referida legislação. Neste sentido, oportuno transcrever o entendimento esposado pela autoridade: ...consideram-se “insumos”, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na fabricação do açúcar e do álcool. Ou seja, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão-somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção do açúcar e do álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. ..... Depreende-se, portanto, que as despesas incorridas no processo produtivo da cana-de- açúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, não atendem o critério para caracterização como insumos. Sendo a atividade-fim da empresa voltada para a produção de álcool e açúcar, não há o que se falar, na área agrícola, de fabricação de produto nem tampouco em bens que venham a sofrer desgaste em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Com suporte nesse entendimento, a fiscalização procedeu à glosa, em resumo, de créditos relativos a despesas/custos com aquisições de BENS e SERVIÇOS que não estavam abrangidos pelo permissivo legal (definição de INSUMOS), relacionadas nas planilhas constantes nos autos, bem assim os valores pagos a pessoa física e aqueles relacionados ao álcool carburante (regime cumulativo) porquanto não geram direito a crédito. Também foram glosados valores referentes a aluguéis de propriedade rural e de veículos, uma vez que a legislação prevê apenas desconto de créditos sobre aluguéis de Fl. 2927DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 móveis, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Glosou-se ainda despesas de aluguéis pagos a pessoa física, gastos com estacionamento, condomínio etc. Não foram aceitas também despesas com serviços diferentes de frete e armazenagem na venda, previstos na legislação, bem assim aquelas referentes ao álcool carburante, que está no regime cumulativo. Glosou-se também encargos de depreciação de bens não utilizados diretamente na produção de bens e serviços destinados à venda, bem assim daqueles adquiridos antes de 01/05/2004. O rateio entre os gastos relativos às receitas cumulativas e não cumulativas, bem assim entre as referentes ao mercado interno e externo, foi refeito pela fiscalização, uma vez que a contribuinte utilizou a média das receitas auferidas durante os últimos 12 meses, mas a legislação de regência determina a adoção das receitas auferidas no mês de apuração dos créditos. As receitas decorrentes de vendas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência e de bens do ativo permanente não fizeram parte do total das receitas para apuração do rateio, pelo fato de não comporem a base de cálculo das contribuições. Para o mês de abril, o saldo do crédito foi recomposto levando-se em conta os saldos dos créditos das sucedidas após as glosas aplicadas pela fiscalização em diversos processos de ressarcimento. Transferências de créditos, ocorridas em abril, de várias empresas sucedidas (discriminados à fl. 1569) não foram aceitas pela fiscalização porquanto nesse mês tais empresas já estavam incorporadas pela recorrente e os créditos já haviam sido transferidos a ela. Em razão dessas constatações, as autoridades fiscais decidiram, por meio do despacho decisório de fls. 2465/2467, reconhecer o direito creditório no valor de R$ 454.618,01, homologando as compensações até o limite desse crédito, e não homologar as demais compensações declaradas. As glosas dos créditos apuradas no presente levaram a que houvesse insuficiência de recolhimento e declaração das contribuições sociais no segundo trimestre de 2006. O lançamento de ofício da contribuição, em função das glosas acima, relativo ao segundo trimestre de 2006, foi formalizado nos processos nºs 10825.720381/2011- 68 e 10825.720476/2011-81, apensos a este, que também estão sendo analisados nesta sessão de julgamento. Cientificada do despacho acima e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2519/2542, alegando, em resumo, o seguinte: a) a não-cumulatividade do PIS e da Cofins não deve ser equiparada com a não- cumulatividade constitucional do ICMS e do IPI, uma vez que a primeira “tem origem na legislação infraconstitucional (Lei nº 10.833/2003)”. Neste caso, o sistema legal que dá suporte ao creditamento da Cofins não traz a vinculação entre os valores incidentes nas etapas anteriores, como ocorre com os referidos impostos. Para o caso do PIS/Cofins aos contribuintes foram atribuídas certas hipóteses em que o crédito é assegurado, baseando-se na aquisição de bens e serviços, nos custos, nas despesas e demais encargos, além da instituição de créditos presumidos. É essa a lição da melhor doutrina; Fl. 2928DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 b) a legislação que instituiu o sistema da não-cumulatividade para as contribuições não definiu o conceito de insumos e nem obrigou à utilização subsidiária da legislação do IPI para se extrair tal conceito. E, como é público e notório o termo insumos, tem o mesmo sentido e significado na linguagem comum dentro de todo o território nacional – e até no estrangeiro (input, em inglês) –, ou seja, representa cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como, por exemplo, matérias-primas, máquinas, equipamentos, capital, mão-de-obra, energia elétrica, etc.; c) entretanto, a Receita Federal, “a pretexto de interpretar e aplicar a legislação federal, maliciosa e ilegalmente, limitou o conceito de insumos nas Instruções Normativas 247/02 e 404/04”. Esta restrição representa “manifesto vício de ilegalidade. O princípio da legalidade está insculpido na Constituição Federal (art. 5º, inc. II) e deve ser observado pela Administração conforme comanda o art. 37 da Carta Magna. Assim também ensina a melhor doutrina, e é este o entendimento prevalecente nos tribunais pátrios; d) nestes termos, afigura-se completamente indevida a glosa dos créditos auferidos pela manifestante, como aguarda e requer seja assim reconhecido por essa isenta instância julgadora; e) especificamente em relação às glosas relativas aos bens utilizados como insumos, estas não podem prevalecer porquanto configuram ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana-deaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pelas autoridades fiscais. Nesse sentido foi formulada a Solução de Divergência nº 12, de 2007, conforme ementa trazida à colação; f) o mesmo vale em relação aos combustíveis adquiridos para o transporte do produto para exportação e indispensáveis a atividade agroindustrial, assim como “ao transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização”. Portanto, sem combustível não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da cana- de-açúcar. E não há que se alegar que os combustíveis não integram o produto final e, por isso, não gerariam direito a créditos de Cofins. Isto porque, consoante a orientação jurisprudencial é legítimo o crédito relativamente aos materiais que a despeito de não integrarem fisicamente o produto final, são consumidos e/ou inutilizados no processo produtivo; g) o mesmo se aplicaria às partes e peças para máquinas e equipamentos e os respectivos serviços de manutenção considerados insumos pela 9ª Região Fiscal, conforme Soluções Consulta que cita; h) no item de serviços utilizados como insumos, todas as glosas são equivocadas e indevidas, tendo em vista que todos os itens elencados pela fiscalização também estão diretamente ligados ao processo produtivo, inclusive as despesas com transporte e armazenagem para exportação e demais despesas portuárias; i) quanto às glosas associadas às despesas de depreciação do ativo imobilizado, não fez uma adequada análise a fiscalização do que ocorreu em cada uma das situações mencionadas, não bastando observar simplesmente números de contas contábeis e concluir apressadamente pela glosa de créditos. Mais que isto, “necessário se faz verificar a atividade da Impugnante e os fatos efetivamente ocorridos. Se isto for feito, verificar-se-á que todos os itens glosados fazem parte do conceito de insumo, eis que são indispensáveis à produção dos bens comercializados pela Impugnante, e como tal integram os custos de aquisição e fabricação, assim devem gerar créditos, para que não exista desrespeito à regra da não-cumulatividade das contribuições; Fl. 2929DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 j) “no amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual é legítimo o crédito pleiteado”. É que, juridicamente, o imóvel rural pode ser considerado um “prédio rústico”, como prescreve o art. 4º do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64), conceito este posteriormente incorporado no texto da Lei nº 8.629/93, que tratou da reforma agrária. Neste sentido, aplica-se à espécie o disposto no art. 110 do CTN; k) quanto ao rateio, alega que não o utiliza, uma vez que este seria somente aplicável às despesas em comum. Quando é possível a distinção dos gastos decorrentes de receitas cumulativas e não-cumulativas, como é o caso da impugnante, torna-se uma faculdade do contribuinte a utilização do rateio das receitas. Assim, o rateio estabelecido pela fiscalização seria arbitrário e ilegal, pois é possível a apuração direta. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito da Cofins, no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins não-cumulativa, entende-se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Cofins não-cumulativa incidente em suas aquisições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 2930DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 Inconformado o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário alegando em síntese a mesma matéria de defesa da Manifestação de Inconformidade, abordando os seguintes tópicos: III. DO DIREITO 111.1 — DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO ANTE A APLICAÇÃO DE GLOSA GENÉRICA I11.2 — A IMPROCEDÊNCIA DO FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO COM BASE NAS IN's SRF 247102 E 404104 — NECESSIDADE DE ANULAÇÃO DA DECISÃO. 111.3 — DO EQUIVOCADO CRITÉRIO DE RATEIO UTILIZADO PELA FISCALIZAÇÃO 111.4 — GLOSA DE CRÉDITOS SOBRE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO 111.4.1 - OS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO PELA RECORRENTE 111.4.2 — DA ILEGALIDADE DAS GLOSAS SOBRE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO 111.4.3 — DA INDEVIDA DESCONSIDERAÇÃO DAS ATIVIDADES AGRÍCOLAS COMO INSUMO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL 111.4.4 - DAS GLOSAS SOBRE DESPESAS AGRÍCOLAS, ARRENDAMENTO AGRÍCOLA E INSUMOS INDIRETOS (RUBRÍCAS: AGRÍCOLA. ALUGUEL AGRÍCOLA, NÃO SE ENQ CONCEITO INSUMO E INSUMOS INDIRETOS DE PRODUÇÃO). 111.4.5 - DAS GLOSAS SOBRE DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS 111.4.6 - DAS DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA E (ITENS 4,5,6 E 8— RUBRÍCAS: NÃO É ATIV EMPRESA, PESSOA FÍSICA, ALUG VEÍCULOS) 111.4.7 - DAS DESPESAS COM DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE (RUBRICA "ITEM 07— RUBRICA "NÃO É FRETE/ARMAZENAGEM" E "NÃO É FRETE NA VENDA") Fretes com aquisição de matéria-prima Frete entre estabelecimentos da empresa (intercompany) Do transporte de empregados Dos combustíveis utilizados no transporte de insumos e produtos 111.4.8 - DAS DESPESAS COM BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO (ITEM 09) III. 5 IMPROCEDÊNCIA DO PROCESSO DE COBRANÇA CORRELATO EM RAZÃO DA INEXISTÊNCIA DE DÉBITO A SER EXIGIDO DO CONTRIBUINTE 111.6 DA ILEGÍTIMA INCIDÊNCIA DOS JUROS E MULTA DE MORA SOBRE DÉBITOS DE ESTIMATIVA DE IRPJ Fl. 2931DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 111.7 - DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Por fim, insta salientar que o Recurso Voluntários foi apresentado com laudo técnico que trata da Descrição Resumida do Processo de Produção de Açúcar e Álcool, e-fls. 2.741 e ss. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Nos termos do que já foi relatado o presente processo trata de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação, de fls. 2445 a 2448, cujo crédito provém do saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não-cumulativa, referente ao segundo trimestre de 2006, no valor de R$ 2.658.240,50. Ao analisar o pedido de ressarcimento feito pelo contribuinte a fiscalização efetuou inúmeras glosas sobre os produtos relacionados aos quais se pretendia obter créditos. As glosas foram amparadas na legislação então vigente e, em razão da complexidade da atividade desenvolvida pelo contribuinte e dos produtos e serviços a serem avaliados, o resultado da fiscalização foi exposto em anexos, conforme constou no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1560/1576 e 2069/2082, veja-se: (...) (fls. 2.075) Dessa maneira, vê-se que o termo insumo é gênero que abarca componentes aplicados direta e indiretamente na produção e, por isso, tem sido dividido em dois distintos subgêneros, quais sejam, os "insumos diretos" e "insumos indiretos". Em conseqüência, por exemplo, são: 1) Insumos diretos de produção: matérias-primas, produtos intermediários, material de embalagem, etc.; e 2) Insumos indiretos de produção: energia elétrica, combustíveis, lubrificantes, manutenção de máquinas, aluguéis, etc. Essa maneira de entender o termo insumo se apresenta, de forma tácita, tanto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, na sua versão atual, quanto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2002, ambas com a redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004, bem como nas IN SRF n° 247, de 2002, na versão dada pela IN SRF n° 358, de 2003, e n° 404, de 2004 (negritei). Vista dessa maneira fica claro que, em regra, somente os insumos diretos de produção podem permitir o desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Tal regra só é rompida por determinação legal, como ocorre com os combustíveis, os lubrificantes e a energia elétrica, dentre outros insumos indiretos de produção que a despeito disto desoneram o créditos em tela (negritei). Fl. 2932DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 Da análise do exposto acima, conclui-se que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3°, II, das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, consideram-se "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na fabricação do açúcar e do álcool. Ou seja, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão- somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção do açúcar e do álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Depreende-se, portanto, que as despesas incorridas no processo produtivo da cana- deaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, não atendem ao critério para caracterização como insumos. Sendo a atividade- fim da empresa voltada para a produção do álcool e açúcar, não há o que 'se falar, na área agrícola, de fabricação de produto nem tampouco em bens que venham a sofrer desgaste em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Foram apresentados diversos itens de bens e serviços utilizados em diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes tanto na área agrícola como no parque industrial, como pinos, ferramentas, arruelas, materiais empregados em solda (gás, eletrodo, agamax), acoplamentos, anéis, buchas, correias, correntes, cordas, cotovelos, discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas, dentre outros, para os quais a empresa não apresentou detalhes técnicos que garantam a sua utilização em máquinas que produzam diretamente álcool e açúcar. Em conseqüência, foram tratados como itens genéricos utilizados em diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes no seu parque agrícola e industrial; assim sendo, tratam-se de insumos indiretos de produção que não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Foram glosados os itens de bens de manutenção relacionados à área agrícola, limpeza, materiais de manutenção civil, tintas, brochas, rolos de pintura, fita crepe, manutenção de veículos, auto peças, pneus, aparelho telefônico, chapas e tubos de aço, mangueiras, suporte para copos, carimbos, asfalto, materiais aplicados na manutenção da construção civil, cadeados, garrafão térmico, luvas, arames, equipamentos I de segurança e de proteção individual, equipamentos de prevenção contra incêndios, graxa,' materiais promocionais para clientes, bujão, fita de sinalização, lâmpadas, marcadores esferográficos, cartuchos de impressoras, papel sulfite, pilhas, fio telefônico, lona plástica, ventilador, materiais de sinalização, bagaço de cana, trena, aplicador de fita adesiva, aparelho de ar condicionado, máquina calculadora, concreto, filtro para café, chá mate, pilhas, lona plástica, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos, dentre outros. Serviços como dedetização, ensacamento, carregamento, limpeza, manutenção de big bags, análises químicas em óleos, calibração de balança, despesas com deslocamentos, conserto de rádio transceptor, transporte de funcionários, transporte de resíduos industriais, mão de obra de manutenção civil, manutenção em veículos, caminhões e tratores, manutenção em ar condicionados e janelas, consultoria técnica, serviços com exp doe exportação, despesas portuárias (exceto as de armazenagem), lonas, produtos de limpeza, pintura, recarregamento de extintores, dentre outros, também foram glosados por estarem em desacordo com o conceito acima exposto. Também foram glosados os créditos relativos aos bens e serviços vinculados aos centros de custo ADMINISTRAÇÃO E CONTROLE AGRÍCOLA, ADMINISTRAÇÃO/PLANEJAMENTO INDUSTRIAL, ALOJAMENTO AGRÍCOLA, BALANÇA DE CANA, BALSA, BRIGADA DE COMBATE A INCÊNDIO, CAPTAÇÃO DE ÁGUA, COLHEDEIRA DE CANA PICADA, Fl. 2933DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 COLHEITA DE CANA, COLHEITA DE CANA FORNECEDORES, COLHEITA DE CANA TERCEIRIZADA, CONTROLE E GARANTIA DE QUALIDADE, DESENVOLVIMENTO AGRONÔMICO, DIRETORIA AGRÍCOLA, ESTRADAS/CERCA/PONTE, GERENCIA REGIONAL AGRIC., IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS, INCENTIVO VALE TRANSPORTE AGRÍCOLA, INCENTIVO VALE TRANSPORTE INDUSTRIAL, LAVADOR VEÍCULOS E BORRACHARIA, LIMPEZA OPERATIVA, MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO CIVIL, MANUTENÇÃO DE CAMPO, MÃO DE OBRA AGRÍCOLA, MAO DE OBRA AGRÍCOLA COLHEITA (MINEIROS), MAO DE OBRA AGRÍCOLA COLHEITA (REGIONAIS), MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA, MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA (COLHEITA), MECANIZAÇÃO DE MÁQUINAS MÉDIAS, MECANIZAÇÃO DE MÁQUINAS LEVES, MECANIZAÇÃO DE MÁQUINAS PESADAS, MECANIZAÇÃO PLANTIO MECANIZADO, MEIO AMBIENTE, OFICINA MANUTENÇÃO COLHEDORA, OFICINA MEC/MANUT AUTOMOTIVA, OFICINA MECÂNICA — TRATORES, OFICINA MECÂNICA — VEÍCULOS, OFICINA DE IMPLEMENTOS, OFICINAS ELÉTRICAS, PLANTIO, PREPARO DE SOLO, PREPARO DE SOLO E PLANTIO TERCEIRIZADO, PREPARO DE SOLO ORGANICO, PROGRAMA FORMACAO PROFISSIONAL AGRÍCOLA, REDE DE RESTILO, REFLORESTAMENTO, SERRARIA, SERVICOS DE MUDAS E OUTROS CANA FORNEC., SUPERVISAO E SERVICOS DE TRATOS CULTURAIS, SUPERVISÃO E MANUT AGRÍCOLA, SUPERVISÃO DE SERVIÇOS AGRÍCOLAS, TOPOGRAFIA„ TRANSPORTE AGRÍCOLA, TRANSPORTE AGRÍCOLA COLHEITA, TRANSPORTE INDUSTRIAL, TRATO PLANTA, TRATO SOCA, TRATO SOCA ORGANICO, TRATO SOCA TERCEIRIZADO, VALE TRANSPORTE, TRANSPORTE DE TURMAS, VALE TRANSPORTE, VINHAÇA, exceto as despesas relativas a aluguéis e energia elétrica. , Não foram aceitas as despesas do tipo DESP. DOCUMENTAÇÃO EXP. MÃO DE OBRA MANUT. PNEUS, MATERIAL DE EXPEDIENTE, MATERIAIS DE MANUTENÇÃO CIVIL, MATERIAIS ELÉTRICOS, PNEUS E CÂMARAS DE AR, TRANSP. RESIDUOS INDUSTRIAIS. O posicionamento adotado pela DRJ, ratifica as razões da fiscalização, vejamos destaques do acórdão: (...) Destarte, na espécie em julgamento o mister desta autoridade julgadora resume-se a analisar a eventual procedência da matéria expressamente impugnada ante às prescrições normativas editadas pela Receita Federal, que regulamentaram o direito litigado. Especificamente, analisar as glosas procedidas pela fiscalização, expressamente contestadas pela recorrente, ante às disposições contidas na IN SRF nº 404/2004. Isto posto, volto-me a analisar os protestos específicos aduzidos no recurso. (...) Como se vê a decisão proferida pela DRJ também utilizou o conceito de insumo baseado nas IN SRF’s, bem como julgou apenas os tópicos apresentados no Manifesto de Inconformidade de forma exemplificativa, sem adentrar em todas as rubricas e seus motivos de glosa. Sendo essas as considerações iniciais, verifica-se que a controvérsia gravita sobre as receitas acrescentadas à base de cálculo da contribuição e das glosas de crédito sobre aquisições de bens e serviços consumidos ou aplicados na fabricação de produtos exportados, Fl. 2934DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 apurados no regime não-cumulativo e também a consequente análise sobre o conceito jurídico de insumos, dentro desta sistemática. No regime não cumulativo das contribuições, o conceito jurídico de insumo deve ser mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O julgamento do REsp 1.221.170/STJ, em sede de recurso repetitivo, confirmou a posição intermediária criada na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 de seu regimento interno, tem aplicação obrigatória. No mencionado julgamento, o Superior Tribunal de Justiça determinou expressamente a ilegalidade das IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, que limitavam a hipótese de aproveitamento de crédito de Pis e Cofins não-cumulativos aos casos em que os dispêndios eram realizados nas aquisições de bens que sofriam desgaste e eram utilizados somente e diretamente na produção. Dentro dessas premissas, o posicionamento adotado pela fiscalização e pela DRJ, conforme destaques acima colacionados, estão em dissonância com o conceito contemporâneo que obrigatoriamente deve ser aplicado por este colegiado. Em respeito aos princípios constitucionais processuais, para melhor solução da lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento dessa matéria, é imperioso oportunizar que a fiscalização identifique dentre os produtos e serviços que estão sendo pleiteados, a relevância e/ou essencialidade, na perspectiva da fase do processo produtivo, bem como das atividades desempenhada pela empresa. Analisar a matéria sem oportunizar à fiscalização revisar o seu ato, pode equivaler à aplicação da ilegal exigência constante nas mencionadas instruções normativas e pode configurar a não observância dos entendimentos firmados no julgamento do REsp 1.221.170/STJ. Diante do voto vencedor da Ministra Regina Helena Costa, cadastrado sob o n.º 779 no sistema dos julgamentos repetitivos, o voto vencedor fixou as seguintes teses: “É ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e à Cofins, tal como definido nas Leis10.637/2002e10.833/2003.” “O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” Ou seja, para fins jurídicos de aproveitamento de crédito e interpretação do conceito de insumos, somente o voto vencedor que fixou as teses é o voto que pode ser levado em consideração na leitura do Acórdão do REsp 1.221.170/STJ. Na obra escrita pelo Ilustre Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, em 2021, “Aproveitamento de Crédito de Pis e Cofins Não-cumulativos Sobre os Dispêndios Realizados nas Aquisições de “Insumos Pandêmicos”, o autor tratou das correntes hermenêuticas relacionadas à mencionada decisão do STJ: “As jurisprudências de ambos os poderes ganharam corpo, até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recurso repetitivo (nos termos dos Art. 1.036 e seguintes Fl. 2935DF CARF MF Original Fl. 11 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 do CPC), no julgamento do REsp 1.221.170/PR, também adotou um conceito médio de insumo e delimitou as seguintes teses, resumidas nos trechos selecionados e transcritos a seguir: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no Art. 3.º, II, da Lei n.º 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do Art. 543-C do CPC/1973 (Arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Para entender os demais conceitos que foram adicionados por este julgamento do STJ ao histórico desta matéria, como o conceito de essencialidade e relevância, é vital que o voto da ministra Regina Helena Costa, o voto vencedor, seja lido e analisado com detalhes. Segue um dos trechos do voto da ministra que merece destaque para o melhor entendimento da questão: “(...).Essencialidade -considera-se o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência;Relevância -considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...).” (negritado pelo autor do presente artigo) Fl. 2936DF CARF MF Original Fl. 12 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 O julgamento do REsp 1.221.170/PR, por possuir um conceito médio de insumo, ao fim, nada mais fez do que confirmar o entendimento majoritário que foi criado e sedimentado, de forma pioneira, no âmbito do CARF. Apesar de existir uma minoritária dúvida a respeito, a interpretação do julgamento em comparação com a jurisprudência do CARF e em comparação com alguns dos precedentes do Poder Judiciário, assim como em consideração ao que foi disposto na legislação e em suas exposições de motivos, é possível concluir que o STJ confirmou a tese intermediária dos insumos, em moldes muito semelhantes aos moldes criados pela jurisprudência do CARF. Não existem diferenças vitais que comprometam o entendimento adotado pelo CARF ou pelo Poder Judiciário a respeito da posição intermediária. O que realmente mudou com o julgamento foi a obrigatoriedade de aplicar o conceito intermediário de insumo, de forma que aquela linha minoritária de conselheiros do CARF e juízes do Poder Judiciário que ainda defendiam a tese mais restrita ou a tese mais ampla do insumo passaram a curvar seus entendimentos para atender e respeitar o conceito intermediário. O julgamento em sede de recurso repetitivo possui o objetivo de concretizar os princípios da celeridade na tramitação de processos, da isonomia de tratamento às partes processuais e da segurança jurídica e vincula o Poder Judiciário, assim como possui aplicação obrigatória no conselho, conforme Art. 62 de seu Regimento Interno, que determina o seguinte: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos Arts. 543-B e 543-C da Lei n.º 5.869, de 1973, ou dos Arts. 1.036 a 1.041 da Lei n.º 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF n.º 152, de 2016)” Ainda que a mencionada decisão não tenha transitado em julgado e que o STF ainda não tenha apreciado a questão, é prático lembrar que o Poder Público tem o dever e a permissão para aplicar o entendimento consubstanciado no julgamento do REsp1.221.170/PR.” Ancorada nas Leis 10.833/03 e 10.637/02, a matéria do aproveitamento de créditos de PIS e COFINS apurados no regime não-cumulativo vai além do conceito jurídico de insumos, razão pela qual é necessário abordar os grupos de glosas de forma separada e específica, com base na legislação e nos precedentes administrativos fiscais e judiciais mencionados. Por terem sido realizados antes do julgamento do RESP 1.221.170 STJ, nem o Recurso Voluntário e nem o acórdão recorrido trataram do conceito contemporâneo de insumo e, portanto, não consideraram qual seria a relevância, essencialidade e singularidade dos dispêndios com a atividade econômica da empresa. Uma nova apuração com esse olhar é medida que se impõe, sendo oneroso a sua realização nessa instância administrativa, por conta dos inúmeros dispêndios que a ora recorrente busca se creditar, consequentemente vasto lastro de provas a serem aferidas frente ao conceito contemporâneo de insumos, visto o que restou consignado no Termo de Verificação Fiscal de fls. Fl. 2937DF CARF MF Original Fl. 13 da Resolução n.º 3201-003.611 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.720138/2010-12 1560/1576 e seus anexos. Trata-se de uma atividade complexa, com várias etapas composta em seu processo produtivo, sobre a qual carece de uma reavaliação pela autoridade fiscal, que certamente irá produzir um novo relatório fiscal, reunindo as condições necessárias dentro do atual cenário regramento legal para suas conclusões, com a finalidade de subsidiar uma decisão mais equânime. Conforme intepretação sistêmica do que foi disposto nos artigos 16, §6.º e 29 do Decreto 70.235/72, Art. 2.º, caput, inciso XII e Art. 38 e 64 da Lei 9.784/99, Art. 112, 113, 142 e 149 do CTN, a verdade material deve ser buscada no processo administrativo fiscal. Diante do exposto, em observação ao princípio da verdade material, vota-se para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o objetivo de que: 1. Que a unidade preparadora intime o Recorrente a apresentar, “caso entenda necessário”, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo complementar ao que consta na Descrição Resumida do Processo de Produção de Açúcar e Álcool, e-fls. 2.741 e ss., apresentado pela recorrente, com o intuito de demonstrar a essencialidade e relevância dos dispêndios que serviram de base para tomada de crédito, entendendo serem estes, imprescindíveis e importantes, no seu processo produtivo, nos moldes do RESP 1.221.170 STJ e nota SEI/PGFN 63/2018; 2. A Unidade Preparadora também deverá apresentar novo Relatório Fiscal, para o qual deverá considerar além da Descrição Resumida do Processo de Produção de Açúcar e Álcool, e-fls. 2.741 e ss., entregue pelo Recorrente, o mesmo REsp 1.221.170 STJ e Nota SEI/PGFN 63/2018; 3. Ao final, cientificar o Recorrente dos resultados da diligência para, assim o querendo, se manifestar no prazo de 30 dias, sendo imperioso que se dê total transparência quanto aos créditos que permanecerem glosados, bem como àqueles que, à luz do conceito contemporâneo de insumos, vierem a serem reconhecidos, e 4. Cumpridas as providências indicadas, devolver o processo a este CARF para prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 2938DF CARF MF Original
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