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Numero do processo: 10166.721847/2014-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. REVISÃO DE OFÍCIO.
O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo somente é passível de alteração nos casos de impugnação, recurso de ofício ou revisão de lançamento nas hipóteses em que esta é possível. Sendo defeso ao Fisco efetuar novo lançamento com alteração de critério jurídico no tempo em que ainda resta pendente de discussão administrativa de lançamento anterior em que se discutem o mesmo tributo e o mesmo fato gerador.
Por falta de previsão legal, é incabível revisão de lançamento por iniciativa do Fisco nos casos em que se identifica erro de direito no lançamento anterior.
Numero da decisão: 2201-004.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. REVISÃO DE OFÍCIO. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo somente é passível de alteração nos casos de impugnação, recurso de ofício ou revisão de lançamento nas hipóteses em que esta é possível. Sendo defeso ao Fisco efetuar novo lançamento com alteração de critério jurídico no tempo em que ainda resta pendente de discussão administrativa de lançamento anterior em que se discutem o mesmo tributo e o mesmo fato gerador. Por falta de previsão legal, é incabível revisão de lançamento por iniciativa do Fisco nos casos em que se identifica erro de direito no lançamento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 18 47 /2 01 4- 04 Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 813 2 Trata o presente de recurso voluntário formalizado em face do Acórdão nº 0438.120, de 17 de dezembro de 2014, exarado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, fl. 708 a 739, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de processo de Impugnação em face da obrigação tributária relativa a Contribuições Sociais Previdenciárias apurada mediante Auditoria Fiscal que resultou no lançamento de crédito fiscal lavrado na data de 21/03/2014, referente ao período de apuração de 10166.721847/201404 [sic] dos seguintes documentos de créditos: Em resumo, segundo o Relatório Fiscal (fl. 1128), e demais relatórios integrantes e complementares, foram consignados os seguintes pontos acerca do lançamento: INTRODUÇÃO 1. Este relatório é parte integrante do Processo n° 10166.721846/2014 51, que é composto de documentos Autos de Infração AI, acima identificados, lavrados durante ação fiscal junto ao contribuinte BRASIL TELECOM CALL CENTER S A, conforme Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) N° 01.1.01.00 2014003772, para proceder a novo lançamento de contribuições previdenciárias exoneradas em virtude de procedimento de aferição indireta, conforme acórdão n° 04034.373, de 05/12/2013 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, ciência do contribuinte em 08/01/2014, no julgamento do Processo Administrativo Fiscal n° 10166.723933/201362. [...] 4. A natureza do procedimento fiscal é o novo lançamento de contribuições previdenciárias de período já fiscalizado, desta forma, foram utilizados os mesmos documentos apresentados pelo contribuinte na ação fiscal RPF n° 01.1.01.002012 000075, que originaram as contribuições exoneradas. DO PROCEDIMENTO FISCAL 8. O procedimento fiscal na BRASIL TELECOM teve início em 24/02/2014, com a ciência pelo contribuinte do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, enviado por via postal. Durante a ação fiscal foi requerida a apresentação dos documentos constante do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF em anexo. Os documentos solicitados foram: Ato constitutivo e alterações e cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos representantes legais e contador. 9. A empresa não apresentou os documentos solicitados, razão porque foi agravada a multa de ofício, nos termos do inciso I do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96. CONSTITUIÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO 15. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica da empresa OI S A, CNPJ: 76.535.764/000143, 2010, relaciona na ficha 62 Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 814 3 Participação Permanente em Coligadas e Controladas, as empresas controladas pela OI S/A. 16. Com base na informação constante da DIPJ, a fiscalização considerou as empresas a seguir como componentes do Grupo OI e, portanto, solidariamente responsáveis pelo crédito previdenciário resultante deste procedimento fiscal: a) OI S A CNPJ: 76.535.764/000143 b) BRT SERVIÇOS DE INTERNET S/A CNPJ: 04.714.634/000167 c) 14 BRASIL TELECOM CELULAR S/A CNPJ: 05.423.963/000111 d) BRT CARD SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA CNPJ: 10.213.810/0001 80 e) VANT TELECOMUNICAÇÕES S/A CNPJ: 01.859.295/000119 f) BRASIL TELECOM CABOS SUBMARINOS LTDA CNPJ: 02.934.071/000197 g) BRASIL TELECOM COMUNICAÇÃO MULTIMÍDIA LTDA CNPJ: 02.041.460/000193. 17. Dessa forma, tendo ficado evidente a interligação dessas empresas e sua subordinação a um comando centralizado, no caso em questão o controle acionário exercido pela empresa OI S/A, concluise que elas integram Grupo Econômico, estando, portanto, solidariamente obrigadas entre si, relativamente aos créditos previdenciários apurados em qualquer uma delas. LANÇAMENTO DE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS 25. Com a análise da contabilidade da Brasil Telecom, verificaramse registros na conta 0310357000 C.O. Serviços de Call Center, de pagamentos efetuados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás ADFEGO, CNPJ: 02.917.870/000155. 26. Por intermédio do Termo de Intimação n° 5, ciência da empresa em 24/10/2012, a fiscalização solicitou documentos que embasaram os registros contábeis, como o contrato firmado entre Brasil Telecom e a Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás, doravante denominada ADFEGO, assim como as Notas Fiscais emitidas por esta última. 27. A empresa apresentou o contrato de prestação de serviços, entretanto, não entregou as Notas Fiscais, sendo reintimada, por meio do Termo de Intimação n° 09, quando atendeu esta fiscalização. Esses documentos são as Notas Fiscais e o contrato de prestação de serviço celebrado entre a Brasil Telecom e a ADFEGO. 28. Para melhor fundamentar o trabalho da fiscalização foi aberta diligência fiscal na Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás ADFEGO, para coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização e complementar as informações fornecidas pela BRASIL TELECOM. [...] 52. Mediante as circunstâncias presentes no caso em tela, a fiscalização concluiu pela existência de elementos caracterizadores do vínculo empregatício nos Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 815 4 termos do artigo 3° da CLT e da legislação previdenciária conforme o artigo 12, I, alínea "a" da Lei 8.212/91. 53. Assim, a Fiscalização caracterizou estes trabalhadores como segurados empregados da BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. [...] 66. Portanto, considerando que a BRASIL TELECOM simulou negócio jurídico com intuito de reduzir o montante de tributos efetivamente recolhidos ao fisco, terceirizando sua atividade fim, em afronta direta à Súmula 331/TST, foram lavrados Autos de Infração para lançamento das contribuições devidas, considerando, ainda, que os trabalhadores foram enquadrados como segurados empregados e que os pagamentos efetuados pela fiscalizada por intermédio da Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás ADFEGO têm natureza salarial, incorporam a remuneração para todos os efeitos legais e são considerados base de cálculo de contribuições sociais. 67. Consideramse como base de cálculo das contribuições previdenciárias as remunerações, assim como os valores descontados dos segurados, declarados em GFIP pela Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás ADFEGO, para o tomador BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A 68. O conjunto probatório referente aos pagamentos efetuados à ADFEGO pela RASIL TELECOM encontramse nos anexos IX, X, XI, XII e XIII. MULTA APLICADA SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS DE OFÍCIO 74. Conforme descrito neste relatório, o contribuinte remunerou segurados empregados que lhe prestaram serviços por meio da ADFEGO. A tentativa do sujeito passivo de simular situação que não reflete a realidade dos fatos para se eximir do pagamento de tributos, gerando lucro para a fiscalizada por intermédio da redução de encargos trabalhistas e diferenças salariais, através de utilização de empresa interposta, caracteriza a fraude. 75. Não pode deixar de ser mencionado também, que a BRASIL TELECOM utilizouse de uma instituição filantrópica como prestadora dos serviços, logo, isenta do recolhimento de contribuições previdenciárias. 76. Portanto, para os levantamentos referentes aos pagamentos efetuados por meio da ADFEGO foi aplicada a multa qualificada (150 %) conforme determina o § 1° do art. 44 da Lei n. 9.430/96. 77. Como no caso em tela não foi atendida a intimação, pela pessoa jurídica, para apresentação de informações cadastrais, o percentual da multa de 150% foi agravado para 225% como definido na Lei n° 4.502, de 1964. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE OS FATOS GERADORES 78. A situação acima descrita configura, EM TESE, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, do Código Penal, com redação dada pela Lei n° 9.983/2000, razão pela qual foi emitida representação fiscal para fins penais por sonegação de contribuição previdenciária. 79. Conforme exposto, e como não há legislação que isente a BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. da incidência de contribuições sociais sobre a verba em comento, as remunerações pagas, conforme discriminado nos itens acima, Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 816 5 aos segurados que prestaram serviços ao sujeito passivo em questão, são consideradas fatos geradores de contribuições previdenciárias. 80. Diante dessa previsão legal, a auditoria fiscal calculou as contribuições de responsabilidade da empresa, aquelas descontadas dos segurados considerando como base de cálculo as remunerações mensais dos empregados constantes da GFIP da ADFEGO para o tomador BRASIL TELECOM. 81. Constatouse, assim, que o sujeito passivo em tela deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços, referentes aos fatos geradores acima mencionados. 82. Nesse contexto, os saláriosdecontribuição (remunerações) foram determinados pela fiscalização com base nas informações declaradas em GFIP, representam os fatos geradores destes AI e estão devidamente discriminados no relatório "RL Relatório de Lançamentos". Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo em 31/03/2014, conforme despacho da autoridade preparadora (fl. 674). IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou Impugnação (fl. 595625), na data de 24/04/2014, conforme autenticação digitalmente (fl. 595), com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: II. DOS FATOS Este lançamento configura novo lançamento de contribuições incidentes sobre rubrica, também objeto do PAF n° 10166.723933/201362, declaradas improcedentes pelo Acórdão de n° 04304.373, da 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande. II IMPOSSIBILIDADE DE NOVO LANÇAMENTO FACE À IDENTIDADE DE OBJETOS ENTRE O PRESENTE E O PAF N. 10166.723933/201362, HOJE OBJETO DE RECURSO DE OFÍCIO A autoridade fiscal adota como motivação para este "novo lançamento", o fato de tais contribuições terem sido exoneradas "em virtude de procedimento de aferição indireta, conforme acórdão n. 04034.373, de 05.12.2013 4. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, ciência do contribuinte em 08/01/2014, no julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 10166.723933/201362." Diante desta alegação fiscal tornase necessário relatar os fatos para se concluir que este novo lançamento é precipitado! O PAF n. 10166.723933/201362 é composto por vários autos de infração, dentre eles os de ns 51.033.2528 e 51.033.2536., através dos quais, respectivamente, foram exigidas contribuições previdenciárias patronais e devidas pelos segurados, relativas ao mesmo fato gerador motivador do presente lançamento. Naquela oportunidade o fisco utilizouse do método de arbitramento e adotou como base de cálculo o valor bruto das notas fiscais, mesmo conhecendo o Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 817 6 valor da efetiva remuneração dos trabalhadores com quem presumiu existir vínculo de emprego. Inconformadas, as empresas impugnaram e obtiveram sucesso na sua argumentação, tendo a DRJ decretado através do Acórdão 04034.373 (Anexo I): [...] Estarse diante de verdadeira coexistência de processos administrativos de idêntico objeto, ambos ainda na fase administrativa, logo inaplicável a súmula 011 do CARF. Manter os dois lançamentos é permitir excesso de cobrança e verdadeira ofensa á garantias mínimas das Impugnantes. Logo, outra alternativa não há, devendo ser declarado precipitado tal procedimento de novo lançamento, e conseqüentemente ser extinto o presente até que se julgue definitivamente o PAF n. 10166.723933/20'362. III DO DIREITO DAS NULIDADES O Auto de Infração deve, obrigatoriamente e sob pena de insanável nulidade, ser instruído com todas as provas que demonstrem claramente as alegações da Administração, cabendolhe integralmente o ônus probatório .. . [...] Antes de tudo, advertese problemas relacionados à identificação dos sujeitos passivos solidários, de modo que antes de se adentrar no exame das outras nulidades, vale destacar que tal fato compromete a validade do procedimento administrativo, de modo que o lançamento somente pode ser considerado ato administrativo capaz de produzir efeitos a partir da ciência do último dos coobrigados e nesse particular vale apontar vários equívocos por parte da autoridade fiscal. • Enviou intimação dirigida à Vant Telecomunicações S.A, empresa incorporada pela Brasil Telecomunicação Multimídia Ltda quando a primeira foi incorporada pela segunda, fato já de conhecimento do fisco, conforme comprova Consulta ao CNPJ, fls.676. • Enviou intimação dirigida para a Brasil Telecom Cabos Submarinos, empresa vendida para a Globenet Cabos Submarinos Ltda (: Av. Doutor Cardoso de Melo, 1155, 2 andar, Vila Olímpia São Paulo), indicando endereço diverso daquele constante no CNPJ (Av. Brigadeiro Faria Lima, 3477,14 andar, parte, pátio Victor Malzoni), conforme comprova fls. 674 e os dados do CNPJ. • Enviou intimação para a 14 Brasil Telecom Celular S.a, quando a atual denominação social desta empresa é OI Móvel S.a, fls.672. • Enviou intimação em nome da OI S.a também com o endereço errado. Enviado para Rua General Polidoro.n. 99.5 andar, Parte Botafogo, quando o endereço correto é Rua do Lavradio, 71, 2 andar, Centro. O mais grave de todos referese à intimação da Globenet Cabos Submarinos que está vindo aos autos após ter conhecimento deste auto de infração por terceiros, já que foi vendida por empresa que não tem nenhuma relação com a primeira das impugnantes. É entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil: [...] E considerando os problemas de identificação dos sujeitos passivos acima identificados, e com base na decisão supra, concluise que verdadeiramente a Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 818 7 intimação somente pode ser considerada válida na própria data da impugnação, de modo que também deveriam ser considerados decaídos e não lançados os créditos relativos ao mês de março de 2009 e, considerando que o fato gerador das contribuições impugnadas é prestação de serviço, proporcionalmente aqueles valores relativos às datas das prestações de serviços relativas à parte do mês de abril. A) AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO A auditoria fiscal no relatório fiscal concluiu pela existência de elementos caracterizadores do vínculo empregatício nos termos do art. 3o da CLT. [...] Ocorre que tais requisitos não se encontram presentes no caso em debate. [...] Do referido dispositivo se extrai que é necessário constatar, simultaneamente, a existência real dos seguintes elementos fáticos jurídicos: 1 Trabalho por Pessoa Física, 2 Pessoalidade, 3 Não eventualidade, 4 Onerosidade e 5 Subordinação. [...] No caso, o agente fiscal através dos itens extraídos do relatório fiscal tentou caracterizar três desses requisitos (subordinação, pessoalidade e não eventualidade), deixando de mencionar a existência de outros dois (trabalho por pessoa física e onerosidade). Entretanto, não logrou êxito, conforme será a seguir demonstrado. [...] Frisese que dada a subjetividade desse requisito caracterizador da relação empregatícia, o ideal é que fosse constatado através da verificação In loco. Mas nada disso sequer foi pretendido pela autoridade fiscal. Aliás vale frisar que neste procedimento a fiscalização chegou a realizar diligência junto à ADFEGO, mas esta foi restrita à solicitação de documentos, deixando mais uma vez a autoridade fiscal de investigar adequadamente os fatos que foram adotados como geradores das contribuições em discussão. [...] Quando nos deparamos com um vicio de natureza formal o princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque a adoção do sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração da nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincumbido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado." Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 819 8 Diante da patente ausência de comprovação dos elementos táticos jurídicos inerentes à relação empregatícia, subordinação, pessoalidade, não eventualidade e a onerosidade, o lançamento tributário está eivado de vício material, razão pela qual requer a necessária decretação de nulidade por vício material. B) INCERTEZA QUANTO À BASE DE CÁLCULO APURADA PELA FISCALIZAÇÃO Adotada como premissa relação de emprego entre empregados da ADFEGO e a Brasil Telecom Cali Center S.A, a auditoria fiscal apresenta o Anexo XIII GFIP da ADFEGO como a comprovação da base de cálculo apurada. Todavia este documento é inservível! A referida GFIP é contraditória, pois o campo tomador dos serviços indica Brasil Telecom Call Center e no campo que deveria constar o CNPJ do tomador consta o da OI S.A, 76.535.764/032851. Do seu exame paira a seguinte dúvida: Aqueles trabalhadores prestaram serviços para a Brasil Telecom Cali Center S.A ou para a OI S.A? E no intuito de esclarecer recorremos ao Relatório Fiscal, itens 28 e seguintes que descrevem a diligência realizada na ADFEGO e não encontramos respostas porque diz que a Associação apresentou os documentos solicitados pela fiscalização entre eles a folha de pagamento dos empregados que prestaram serviço à Brasil Telecom. Ora, OI S.A é a atual denominação social da Brasil Telecom S.A, que de acordo com o próprio relatório fiscal também contratou a ADFEGO (item 31): °31. Pela análise do contrato observase que, inicialmente, foi pactuado entre Brasil Telecom S.A (76.535.764/000143,..." E diante da persistência desse dúvida, o que podemos concluir mais uma vez é pela ausência de certeza na definição da matéria tributável, o que inevitavelmente cerceia o direito de defesa das Impugnantes e se alia aos outros motivos apresentados para a necessária decretação de nulidade por vício material por manifesta afronta ao art. 142 do CTN. C) APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS DESENVOLVERAM ATIVIDADES DE RECEPCIONISTAS, AUXILIAR DE ESCRITÓRIO, ETC. Será adiante demonstrado que os serviços contratados não se assemelham à atividade fim da Brasil Telecom Cali Center S.A, de modo que a auditoria não poderia lançar contribuições sobre nenhuma das remunerações relacionadas que compõem o Anexo XII. Dentre aqueles trabalhadores existem casos absurdos, que são objeto dessas breves linhas. Alega a autoridade no item 43 que os serviços prestados são de teleatendimento, atividade fim da empresa contratante. Todavia, a análise do Anexo citado revela que alguns empregados exerceram atividades de recepção e operação de computadores, atividades verdadeiramente consideradas como intermediárias. Constatase tal ocorrência com os seguintes empregados: Recepcionistas: [...] Operador de Computador: Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 820 9 [...] Nesse cenário a fiscalização não motivou porque apurou contribuições em tais circunstâncias, cerceando nitidamente o direito de defesa das Impugnantes, restando caracterizada nítida violação ao art. 142 do CTN. D) LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGAS A MENORES APRENDIZES O relatório fiscal insiste em constatar relação de emprego entre empregados da ADFEGO e a Brasil Telecom Call Center S.A. Todavia, ao confrontar o Anexo XIII, composto pela GFIP da ADFEGO, constatase que o universo de trabalhadores é composto por duas categorias de segurados: 01 empregados e 07 menores aprendizes. E comparando este anexo com os Discriminativos de Débitos percebese que foram lançadas contribuições sobre remunerações pagas a menores aprendizes, sem que fosse apresentado nenhum motivo para tanto. Ora o contrato de aprendizagem não é de emprego. A CLT afasta relação de emprego de forma clara ao prever no seu art. 431: ... [...] Deste modo, os motivos utilizados pelo auditor fiscal para motivar o presente lançamento não se aplicam aos lançamentos sobre remunerações pagas a menores aprendizes. Consequentemente a ausência de descrição clara dos verdadeiros motivos que levaram a autoridade fiscal a adotar tal conduta acabam por cercear o direito de defesa das Impugnantes, constituindo tal constatação em mais um motivo decretador de nulidade material por manifesta afronta ao art. 142 do CTN. E) AUSÊNCIA DE PROVA DE INADIMPLEMENTO PELA ADFEGO Para finalizar os argumentos em sede de preliminar, partese à apresentação do último dos motivos que clamam por decretação de nulidade. A autoridade fiscal mesmo tendo realizado diligência junto à ADFEGO, itens 28 e seguintes do relatório fiscal, e tendo examinado as folhas de pagamento que este associação apresentou, deixou de investigar se esta descontou e recolheu as contribuições a cargo dos segurados. Aliás sequer exigiu. O Anexo IX acostado aos autos revela que a autoridade fiscal tentou ser cautelosa ao intimar a Associação para apresentar os documentos abaixo relacionados, não tendo tido o zelo de solicitar as Guias de Recolhimento das contribuições descontadas dos segurados. [...] Referida prova é necessária para garantir validade ao presente lançamento. Não se pode aceitar um lançamento sem constatar verdadeiro inadimplemento, especialmente quando a fiscalização dispunha de todos os meios para tanto, já que realizou diligência junto à ADFEGO. A falta de constatação do inadimplemento verdadeiramente constituí ausência descrição de motivos, e violação ao art. 142 do CTN. Da mesma forma que as justificativas apresentadas nos itens acima, esta também cerceia o direito de defesa das Impugnantes, e conseqüentemente reclama por uma decretação de nulidade material. Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 821 10 III.2 DO MÉRITO 111.2.1) LICITUDE DA TERCEIRIZAÇÃO Como já dito, a pretensão fiscal nesse particular sustentase em presunção de existência de vínculo empregatício entre os empregados da ADFEGO e a BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. Entretanto, além do insucesso fiscal ao comprovar o vínculo de emprego, tal presunção não tem amparo fático para prosperar. Não houve qualquer ilicitude na tercerização motivadora do presente lançamento. Em primeiro lugar porque a Brasil Telecom Call Center S.A contratou a ADFEGO para prestar serviços de gestão operacional de call Center, atividade que em nada se assemelha à sua atividade fim. Nesse particular registrase que o Anexo II do contrato descreve atividades inerentes à atividade de gestão operacional de call Center. A título meramente exemplificativo vale apresentar as atividades de Telequalidade, que consistem em serviços ativos com o objetivo de identificar o grau de satisfação do cliente com a qualidade do serviço prestado pela equipe técnica e os serviços executados na célula TR que consistem em mero tratamento de suporte operacional de todas as ordens de serviço não executadas devido a impedimentos do cliente. Tais atividades são essencialmente serviços de gestão operacional de Call Center e não se assemelham à atividade fim da empresa contratante. Ademais, não restaram presentes no caso concreto os requisitos subordinação e pessoalidade. E quando não há subordinação nem pessoalidade, nos termos da súmula 33110 do TST, há plena licitude, posição reconhecida pela mais abalizada doutrina juslaboralista. ... [...] Os serviços realizados pelos empregados da ADFEGO não eram idênticos aos serviços realizados pelos empregados da Brasil Telecom Call Center S.A. Os empregados da ADFEGO não estavam subordinados a prepostos da empresa contratante. A contratante nunca exigiu que determinado empregado realizasse o serviço contratado. Também vale repetir que o contrato motivador do presente lançamento se traduz em solução de continuidade, de contrato firmado com a BRASIL TELECOM e a referida Associação, no intuito de apoiar a ADFEGO no seu objetivo primaz, inserir pessoas portadoras de necessidades especiais no mercado de trabalho. Como já dito, a história relatada por esta Associação em seu site demonstra com clareza o apoio dado pela TELECOM a este projeto. Ao contrário do que concluiu a fiscalização não se trata de meio utilizado para deixar de recolher tributo, mas sim de apoiar uma Associação a atingir o objetivo social pretendido. Comprovada licitude da terceirização motivadora do presente lançamento, e conseqüentemente a improcedência dos autos de infração, por amor à argumentação, cumpre comprovar também outros equívocos da autoridade fiscal, a favor da total improcedência desse lançamento. São eles: (i) o objetivo do contrato firmado entre ADFEGO e BRASIL TELECOM Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 822 11 Inocorrência de fraude, (ii) inaplicabilidade de multa qualificada, e (iii) o indevido acréscimo de multa Decorrente da não apresentação de documento e (iv) ausência de dedução dos valores recolhidos pela ADFEGO, a título de contribuições retidas dos segurados empregados, relativas ao contrato objeto do presente lançamento. A) DO OBJETIVO DO CONTRATO FIRMADO ENTRE ADFEGO E A BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A Inocorrência de fraude A fiscalização afirma ter a BRASIL TELECOM agido de forma simulada e fraudulenta. Sobre o tema, item 66 do Relatório Fiscal. A autoridade fiscal em um cenário de plena licitude de negócios jurídicos supôs tratarse de fraude. Entretanto, tal premissa fiscal merece ser desconstituída, e, de igual modo, devem se tomarem ineficazes as conseqüências dadas à equivocada constatação, tais como aplicação de multa de 150%. É imprescindível que se analise o objetivo da contratação para compreender o contexto objeto da autuação fiscal. A Associação, constituída com o objetivo de defender os interesses dos portadores de necessidades especiais, adotou medidas de inserção no mercado de trabalho dessas pessoas, objetivo que pode ser constatado através da descrição da história da ADFEGO no seu site: "Em 1994 essa oficina foi batizada com o nome Mão da Roda. Este foi um ano realmente marcante da história da ADFEGO, pois a Associação percebeu que a independência só seria alcançada por meio da inserção de seus associados no mercado de trabalho.” Assim, foram assinados com a Brasil Telecom e a Dataprev contratos de prestação de serviços que empregaram dezenas de pessoas com deficiência. Muitos tiveram a carteira assinada pela primeira vez na vida. E assim a Associação começou a virada que possibilitou a concretização de antigos sonhos. Outros convênios foram firmados com a Empresa Brasileira de Telégrafos, Caixa Econômica Federal, Saneago, VIVO e Detran." O contrato firmado com a BRASIL TELECOM CALL CENTER S/A DMS M 3300016833, prevê no item 5.1.1 que todos os empregados da ADFEGO são portadores de deficiência física, o que revela o alcance do objeto da contratação. O objeto do contrato se traduz em apenas uma de muitas outras atividades desenvolvidas pela ADFEGO para alcançar seu objetivo assistencial, de garantir o pleno exercício da cidadania das pessoas portadoras de deficiência física. No site da Associação é possível conhecer um pouco da sua história e constatar que em contratos como este, o objetivo norteador foi o de inserir no mercado de trabalho pessoas portadoras de necessidades especiais. O contrato com a BRASIL TELECOM foi um dos meios de atingir o objetivo pretendido. Vale destacar que a própria associação relata ter firmado vários tipos de contrato como o motivador da presente autuação, inclusive com empresas públicas, DATAPREV, Caixa Econômica Federal e Correios e Telégrafos. A comprovação do intuito assistencial de contratar a ADFEGO, aliada à ausência de subordinação e pessoalidade, deixa clara a ausência de fraude como Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 823 12 narrado pela autoridade. E, ausente a fraude, não há do que se falarem multa qualificada. B) INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA Baseada na premissa equivocada de ter ocorrido fraude, a fiscalização aplicou multa qualificada de 150%, item 76 do Relatório Fiscal. Em casos de aplicação de multa qualificada exigese à evocação da justiça fiscal. Para tanto, vale conhecer com precisão terminológica as circunstâncias autorizadas pelo art. 4413 da Lei n° 9.430. O texto da Lei n° 9.430 exige a busca na Lei n° 4.502 das circunstâncias que autorizam o fisco a aplicar a multa qualificada, sonegação, fraude e concluio . Pretende a autoridade fiscal caracterizar fraude (item 74). Entretanto, mais uma vez não logra êxito. Do conceito de fraude, extraído do art. 72 da Lei n. 4.502, percebese a necessidade de comprovação do dolo. E as condutas dolosas exigem a vontade livre e consciente de praticar uma conduta ilícita, o que não se constata no contrato firmado entre ADFEGO e BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. E não basta a indicação de conduta dolosa a partir de meras presunções e/ou subjetividades. Impõese à autoridade fiscal comprovar a intenção prédeterminada do contribuinte de fraudar, e essa prova tem que ser incontroversa, concreta e inequívoca. É por isso que em casos como o presente, que não foi comprovada fraude, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais costuma refutar a multa qualificada. ... [...] Vale mais uma vez afirmar que a conduta da BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A em contratar a ADFEGO para prestação de serviços não teve como objetivo impedir ou retardar a ocorrência de fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Ao contrário, o objetivo da contratação foi puramente social, de possibilitar a inserção desses profissionais no mercado de trabalho. Por todos os argumentos acima expostos, requer que seja desconstituída a presunção fiscal de ocorrência de fraude e, por conseguinte, anulados os seus efeitos, deixando de aplicar a multa de forma qualificada (150%). C) DO INDEVIDO ACRÉSCIMO DE MULTA DECORRENTE DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO Absurdamente, a autoridade fiscal agrava a multa de ofício, acrescendoa de metade, fazendo com que esta atinja o abusivo percentual de 225%. Diz sustentar sua pretensão no art. 44,§2°, inciso I da Lei n. 9.430. Recorrendo à este comando normativo percebemos que a conduta de aumentar a penalidade em metade se aplica quando o sujeito passivo não atende tempestivamente intimação para: (i) prestar esclarecimentos, (ii) apresentar arquivos ou sistemas digitais ou (iii) documentação técnica relativa a sistema de processamento de dados. [...] Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 824 13 No caso dos autos a autoridade fiscal aplicou esse dispositivo para conduta diversa daquela eleita pela lei, uma vez que a infração imputada descrita nos itens 8 e 77 foi não ter apresentado atos constitutivos e alterações, cópias de comprovante de residência CPF e RG dos representantes legais e contador, que não se assemelha á nenhuma das hipóteses legais. No caso vertente, está nítida ausência de tipicidade que possa deflagrar a exigência e acréscimo à multa, impondose o cancelamento de tal exigência como já se manifestou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ... . [...] Do exposto, requer que seja afastado o acréscimo de 50% aplicado por suposto falta de apresentação de documentos. D) AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS PELA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS RELATIVOS AO CONTRATO OBJETO DO PRESENTE LANÇAMENTO. Vale destacar que a ADFEGO, independente de ser portadora de certificado de entidade beneficente, assim como as empresas em geral tem o dever de descontar e repassar à Receita Federal do Brasil as contribuições a cargo dos segurados empregados art. 30, I17 da Lei n° 8.212/91. Logo, na improvável hipótese de ser rejeitada preliminar de nulidade apresentada para declarar a nulidade do Al n. 51.033.2595, destacase que em época própria foram recolhidos valores pela ADFEGO relativos às contribuições descontadas dos empregados com os quais manteve vínculo empregatício. Entretanto, a fiscalização sequer procurou abater dos valores lançados as contribuições recolhidas pela ADFEGO, informações acessíveis à própria administração pública, através do cotejamento das informações extraídas do Sistema GFIP WEB, folha de pagamento e o conta corrente de recolhimentos da empresa. A fim de comprovar, as alegações ora expendidas, informa sobre o pagamento, e ressalta que como não são mantidos sob sua guarda, deve, no mínimo ser realizada diligência para investigar tal fato imprescindível para o deslinde do presente feito. E como pagamento é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, I18 do CTN. Ao desconsiderar os pagamentos já realizados, age a Administração Pública com excesso de poderes, promovendo em seu enriquecimento ilícito e sem causa. Nesse cenário, com vistas à garantir o mínimo de certeza e liquidez ao presente lançamento, requer que sejam abatidos os valores recolhidos pela ADFEGO a título de contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados. II.2.2 DA INEXISTÊNCIA DE "GRUPO ECONÔMICO" PARA EFEITO DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A autoridade administrativa imputa as empresa elencadas no item 16, letras "a" a "g", do relatório fiscal, responsabilidade solidária pelo pagamento do débito previdenciário objeto do lançamento guerreado, nos termos do artigo 124, inciso II Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 825 14 do CTN e artigo 30, inciso IX da Lei n° 8.212/91, ao argumento de que àquelas constituem "grupo econômico de fato". Ainda segundo a autoridade administrativa, as empresas constituem "grupo econômico de fato" de acordo com o artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/09, uma vez que todas seriam controladas pela OI S.A. Com o devido respeito, o fato de as empresa estarem sob controle comum, por si só, não é suficiente para a caracterização de "grupo econômico de fato" e conseqüente imputação de responsabilidade solidária, como se passa a expor. [...] Extraise dos dispositivos acima que o Grupo Econômico apenas é constituído quando empresas, após firmarem uma convenção, combinam recursos financeiros e esforços para realização de atividades comuns. Com base nos referidos dispositivos, a mais abalizada jurisprudência sedimentouse no sentido de que a existência de Grupo Econômico apenas pode ser reconhecida quando há uma efetiva comunhão de imobilizados, ativos ou força laboral e gerencial comum, conforme se depreende das ementas a seguir transcritas: [...] Portanto, é patente que o simples controle acionário comum é irrelevante e insuficiente à caracterização de Grupo Econômico, falecendo de sustentação a pretensão fiscal no caso vertente. Ainda que as empresas constituíssem um "grupo econômico de fato", o que se admite apenas para argumentar, não seria possível imputarlhes solidariedade pelo pagamento da contribuição previdenciária objeto da autuação. Ocorre que as empresas constituintes de "grupo econômico de fato" detêm personalidade jurídica distinta e permanecem realizando negócios jurídicos próprios, independentes. Nesse sentido, trazemos à colação as lições de Modesto Carvalhosa, ... . [...] Havendo independência entre as empresas e cada uma mantendo sua própria personalidade jurídica, a responsabilidade solidária somente poderia ser imputada se fossem constatados os requisitos do artigo 50 do Código Civil e houvesse a decretação da desconsideração da personalidade jurídica das empresas. Este é o entendimento pacífico no Superior Tribunal de Justiça, que firmou entendimento no sentido de que não caracteriza a solidariedade o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Vejamos: [...] Vêse que sem a comprovação cabal da configuração das hipóteses previstas no artigo 50 do Código Civil a simples integração do mesmo grupo econômico não se apresenta como razão suficiente à imputação da responsabilidade. Portanto, por todos os ângulos que se analise a questão, não merece prosperar a pretensão fiscal, primeiro porque as empresas não constituem "grupo econômico de fato" e segundo porque não há como imputarlhes responsabilidade Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 826 15 solidária sem a prévia desconsideração da personalidade jurídica, o que seria incabível, uma vez que não estão presentes os requisitos do artigo 50 do Código Civil. II.2.3. DA EXCLUSÃO DOS DIRETORES E DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS DO PÓLO PASSIVO DO PROCESSO As Impugnantes entendem que as razões até aqui expendidas são suficientes para rechaçar integralmente a autuação fiscal. Entretanto, caso seja mantida, o que se admite apenas face ao princípio da eventualidade, impõese, ao menos, a exclusão das pessoas físicas listadas no "Relatório de Vínculos". O Relatório de Vínculos é composto por uma lista de pessoas físicas jurídicas de "interesse da administração pública" que mantém vínculo com o contribuinte. Entretanto, na prática o "interesse da administração" não se manifesta de forma singela e despretensiosa. O que se vê é a Fazenda Nacional em sede judicial responsabilizar todos os integrantes do Relatório de Vínculos, mesmo quando estes, sequer foram cientificados dos termos da autuação fiscal. [...] O prejuízo dessas pessoas físicas é imediato. Após o exaurimento do contencioso administrativo, terão inscrito no CADIN em seus nomes o débito tributário lançado contra a pessoa jurídica contribuinte da qual fizerem parte. [...] Em relação a todos os diretores e contador, a autoridade administrativa os indicou responsáveis pelo simples fato deles ocuparem tais cargos. Entretanto, deixou de explicitar qual seria a conduta dos mesmos a justificar responsabilização, se excesso de poderes, infração à lei ou infração ao estatuto social. E essa ausência de motivação fulmina a pretensão fiscal quanto à responsabilização dos mesmos. Ora, para o desencadeamento da responsabilidade tributária prevista no artigo 135, III do CTN, afigurase imprescindível a comprovação, pelo fisco, de que a pessoa física agiu com dolo e que sua conduta desencadeou a obrigação tributária. [...] Não há dúvidas, era mister da autoridade administrativa não apenas indicar a conduta dessas pessoas físicas, mas também provála cabalmente. Ou seja, provar que alguma ordem exarada diretamente e intencionalmente tinha o objetivo premeditado de lesar o fisco. Nesse ponto, calha ressaltar que o CARF já se manifestou sobre a necessidade de comprovação, pelo fisco, da conduta que caracteriza excesso de poderes ou infração a lei ou estatuto social, para fins de responsabilização: [...] No caso concreto, a autoridade administrativa não comprovou que as pessoas físicas agiram com dolo, ou seja, com a intenção, o animus consciente de cometer ato ilícito. [...] Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 827 16 Assim, por todos os ângulos que se analise a questão, verificase a ilegalidade quanto à responsabilização das pessoas físicas relacionadas no "Relatório de Vínculos", razão pela qual requer que seja determinada a imediata exclusão do pólo passivo da demanda. III DA NECESSÁRIA PERÍCIA Na remota hipótese destes D. Julgadores entenderem que os documentos já acostados não são suficientes a comprovar as alegações suscitadas pela Impugnante, o que se admite face ao princípio da eventualidade, pugna pela realização de diligência, nos termos do inciso IV, do artigo 16 do Decreto 70.235/72. Nesta hipótese, a diligência será apta a demonstrar a insubsistência dos lançamentos, uma vez que atestará a ausência de fato gerador a deflagrar a incidência das contribuições previdenciária, bem como a existência de pagamentos realizados pela ADFEGO. Em se decidindo pela diligência, as Impugnantes indicam como assistente técnico o Sr. Luiz de Deus Pereira, Coordenador de RH, admitido em 13.01.2003, portador de Registro de Identidade n° 1.926.661 SSP DF, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas sob n° 460.305.06668, com o seguinte endereço SHC, Área Octogonal Sul, Entrequadras 6/8, Área Especial, lote 02 CEP 70.660685, e formulam os seguintes quesitos: IV DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA PUNITIVA Na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal, a despeito de todos os argumentos acima, o que se admite apenas para argumentar, as Impugnantes requerem seja afastada a incidência de juros sobre a multa de oficio aplicada, pelas razões a seguir expostas. A Lei n° 9.430 tratou da incidência de juros de mora no artigo 61, § 3°: [...] De acordo com referida norma, a incidência de juros ocorre apenas sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal", o que não abarca a penalidade pecuniária (multa de ofício), pois esta última não decorre de tributo ou contribuição, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Portanto, não há base legal para a exigência de juros de mora à Taxa SELIC sobre a multa de oficio. Nesse sentido, inclusive, já decidiu a primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa a seguir transcrita: ... Desta forma, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal, requer seja afastada a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, uma vez que inexiste fundamento legal para exigência dessa natureza. PEDIDO Em face de todo o exposto, e dada a relevância do fato de que as exigências objeto destes autos são também objeto do PAF n. 10166.723933/201362, requer que sejam afastadas por absoluta impossibilidade jurídica de coexistência de processos de idêntico objetos ambos na esfera administrativa. Se este não for o Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 828 17 entendimento deste colegiado, que julgue integralmente procedente a presente impugnação pelas razões de fato e direito acima expendidas, reconhecendo a nulidade dos autos de infração em face das preliminares arguidas. Caso as preliminares de nulidade não sejam acatadas, é a presente para requerer, no mérito, o conhecimento da presente impugnação, para o fim de cancelar integralmente o crédito tributário objeto dos Autos de Infração n°s 51.033.2587, 51.033.2595, inclusive juros e multa, bem como os juros exigidos sobre a multa de ofício. Caso assim não se entenda, requerse a realização de diligência fiscal, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, conforme fundamentos expostos. Pelos argumentos fartamente aduzidos na presente impugnação, e com vistas à evitar prejuízos à pessoas estranhas ao feito, requer ainda a necessária exclusão dos Diretores e contador do Relatório de Vínculos. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a 3ª Turma de Julgamento da RFB em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, apenas excluindo o agravamento da penalidade de ofício, lastreadas nas razões que estão sintetizadas na Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. SUJEIÇÃO PASSIVA. CIÊNCIA DOS COOBRIGADOS Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE ENTRE LANÇAMENTO E PROCESSO COM RECURSO DE OFÍCIO PENDENTE Somente há relação de prejudicialidade se ocorrer a identidade de objeto, com mesmos fundamento de fato e de direito entre os processos relacionados. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 829 18 O interesse comum é identificado quando há participação dos sujeitos da relação jurídica na ocorrência do fato gerador da obrigação. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. SEGURADO EMPREGADO O trabalhador que presta serviço com subordinação, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade, nos termos das disposições da legislação trabalhista e previdenciária, é caracterizado como segurado empregado. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada devido comprovação de ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. RELAÇÃO DE PESSOAS VINCULADAS A discussão de eventual coresponsabilidade de pessoas indicadas em anexo da peça fiscal como vinculadas à empresa deve ser realizada no foro próprio, distinto daquele em que se desenvolve o processo administrativo fiscal. PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ACRÉSCIMOS LEGAIS Os acréscimos legais devidos por força de lei, tem aplicação obrigatória com base no princípio da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e da vinculação do ato administrativo do lançamento. VALIDADE DO LANÇAMENTO O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 830 19 contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente das conclusões da DRJ em 02 de fevereiro de 2015, fl. 742, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 749 a 808, no qual reitera as razões já expressas em sede de impugnação, as quais serão tratadas de forma mais detalhada no decorrer do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Após breve síntese dos fatos relacionados à presente lide administrativa, o recorrente aponta sua convicção de que não deve prosperar a decisão recorrida, a partir das considerações que se seguem. Fica a ressalva de que o contribuinte em tela foi autuado, em um mesmo procedimento fiscal, em dois processos distintos que se relacionam com a discussão a seguir. Assim, embora tenha ocorrido, no relatório supra e no presente voto, alusão aos processos 10166.723933/201362 e 10166.723934/201315, não há qualquer prejuízo à compreensão da celeuma, já que ambos têm em comum questão que importa ao presente julgamento, apenas com a diferença de que, no primeiro, foram lançadas contribuições a cargo da empresa e do empregado e, no segundo, foram lançadas contribuições devidas a terceiros. Portanto, as referências a um ou outro processo não configuram qualquer diferença material, em particular em razão dos exatos conteúdos de ambos no que se relacionam aos temas a seguir tratados. PRELIMINAR Impossibilidade de novo lançamento face à identidade de objetos entre o presente e o PAF 10166.723934/201315 Sustenta o recorrente que a Autoridade Fiscal adota, como motivação para "novo lançamento", o fato de que tais contribuições terem sido exoneradas "em virtude de procedimento de aferição indireta, conforme Acórdão nº 04304.374, da 4ª Turma da DRJ de Campo Grande/MS, exarado nos autos do processo 10166.723934/201315. Afirma que, em sede de impugnação, apontou a precipitação do novo lançamento que, em seu entendimento, deveria ser extinto, para se evitar excesso de cobrança e que, diante de tal tema, a Decisão recorrida teria mantido a autuação, ainda que reconhecendo a Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 831 20 necessidade de harmonização do resultado do presente processo com o verificado no processo citado no parágrafo precedente. Relata que o PAF 10166.723934/201315, é composto pelo DEBCAD 51.033.2579, pelo qual exigiuse contribuições previdenciárias destinadas a outras entidades e fundos relativas ao mesmo fato gerador motivador do presente lançamento. Que naquela oportunidade, o fisco utilizouse do método de arbitramento e adotou como base de cálculo o valor bruto das notas fiscais, mesmo conhecendo o valor da efetiva remuneração dos trabalhadores. Que neste tema específico, a impugnação foi julgada procedente, tendo o Julgador de 1ª Instância recorrido de Ofício, nos termos da legislação de regência, do que resultou litígio ainda pendente por ocasião do novo lançamento. Sintetizadas as razões da defesa, relevante trazermos à balha algumas informações relacionadas ao lançamento em discussão e em que momento este tangencia o crédito tributário lançado nos autos do processo nº 10166.723934/201315. Vejamos o que diz o Relatório Fiscal, lavrado em 21 de março de 2014, fl. 11/28: 1. Este relatório é parte integrante do Processo nº 10166.721847/201404, que é composto de documentos Autos de Infração – AI, acima identificados, lavrados durante ação fiscal junto ao contribuinte BRASIL TELECOM CALL CENTER S A, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) Nº 01.1.01.002014003772, para proceder a novo lançamento de contribuições previdenciárias exoneradas em virtude de procedimento de aferição indireta, conforme acórdão n° 04034.373, de 05/12/2013 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, ciência do contribuinte em 08/01/2014, no julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 10166.723933/201362. 2. O Processo nº 10166.723933/201362 é resultado de procedimento fiscal, RPF nº 01.1.01.002012000075, realizado no contribuinte BRASIL TELECOM CALL CENTER, no período de 01/2009 a 12/2009. 3. Tendo em vista tratarse de novo lançamento de contribuições previdenciárias em período já fiscalizado, foi necessária Autorização do Delegado da Receita Federal do Brasil em Brasília, nos termos do artigo 7º, §2º da Lei nº 2.354, de 29/11/1954, c/c artigo 34 da Lei 3.470, de 28/11/1958. Este documento segue anexo a este Relatório. 4. A natureza do procedimento fiscal é o novo lançamento de contribuições previdenciárias de período já fiscalizado, desta forma, foram utilizados os mesmos documentos Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 832 21 apresentados pelo contribuinte na ação fiscal RPF n° 01.1.01.002012000075, que originaram as contribuições exoneradas. O citado Acórdão n° 04034.373, de 05/12/2013, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, embora tenha considerado que a autoridade lançadora demonstrou adequadamente a ilicitude da contratação da Associação de Deficiente Físicos do Estado de Goiás ADFEGO, entendeu que a apuração das contribuições previdenciárias não se mostrou apropriada, pelas seguintes razões: INCORREÇÃO DA BASE DE CÁLCULO APURADA POR MEIO DE AFERIÇÃO INDIRETA A autoridade lançadora considerou os pagamentos registrados na contabilidade feitos à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, como sendo base de cálculo de contribuições previdenciárias decorrentes da caracterização do vínculo empregatício entre os empregados da referida associação e a autuada, utilizandose, portanto, do procedimento chamado de aferição indireta, cujos fundamentos legais transcrevemse abaixo: Lei nº 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O arbitramento, ou aferição indireta, é uma medida de exceção, que deve ser utilizada quando a autoridade lançadora não disponha de meios (ou tais meios não sejam confiáveis) para se chegar aos valores efetivos das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, que no caso seriam os salários decontribuição pagos aos empregados que mantinham vínculo empregatício formal com a Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 833 22 ADFEGO, e o vínculo empregatício de fato com a Brasil Telecom Call Center S/A. A autoridade lançadora não fundamentou o motivo pelo qual considerou o total das notas fiscais de serviço emitidas pela Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, como sendo base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. Convém lembrar que os valores dos salários recebidos pelos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, estão disponíveis em vários tipos de documentos emitidos pela referida associação, tais como folhas de pagamento, RAIS, GFIP e DIRF, e as informações contidas em tais documentos estão disponíveis nos sistemas informatizados da RFB. Contudo, a autoridade lançadora não informou se tais documentos seriam inexistentes, ou porque motivos as informações constantes neles não mereceriam fé. Como bem alegou as impugnantes, a autoridade lançadora consultou a GFIP apresentada pela Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, para relacionar o nome de todos os empregados formalmente vinculados a esta (item 85 do relatório fiscal e anexo VII), para comprovar a pessoalidade dos serviços prestados à autuada. Por qual razão não teria a autoridade lançadora considerado os salários informados nessa GFIP como base de cálculo? Vêse, portando, que autoridade lançadora poderia dispor dos valores dos saláriosdecontribuição efetivamente pagos a cada um dos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, mas assim não o fez. Ainda que a autoridade lançadora tivesse apresentado os motivos para desconsiderar todas as informações acerca dos valores dos salários pagos aos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, prevê percentuais mínimos a serem considerados como custo de mãodeobra no caso de aferição indireta feita com base em notas fiscais: Art. 450. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde, no mínimo, ao percentual de: I 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II 50% (cinquenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Embora a norma citada acima preveja percentuais mínimos a serem considerados como remuneração da mãodeobra, mostrase evidente que considerar o percentual máximo do valor dos serviços informados em notas Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 834 23 fiscais dependeria de justificativa por parte da autoridade lançadora, o que não ocorreu no presente caso. Esse procedimento adotado pelo sujeito passivo [sic] ainda não se mostra razoável, pois · considera que todos os valores constantes em notas fiscais corresponderiam a saláriosdecontribuição, não havendo qualquer tipo de pagamento sobre o qual não incidiria contribuições previdenciárias; · considera que a empresa contratada faria a intermediação de mãode obra de forma gratuita. Em razão do exposto, devem ser excluídos do lançamento todos os valores das contribuições previdenciárias objeto dos seguintes levantamentos: · AS – PAGAMENTO À ADFEGO – SEGURADOS EMPREGADOS (EMPRESA); · CS – PAGAMENTOS À ADFEGO – CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS (SEGURADOS). Da decisão acima, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em conformidade com o art. 34, inciso I do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em razão de o valor exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda MF nº 3 de 03 de janeiro de 2008. Em 08 de janeiro de 2014, o sujeito passivo tomou ciência da decisão da DRJ e, ainda inconformado, formalizou, em 07 de fevereiro do mesmo ano, recurso voluntário que, juntamente como o recurso de ofício, foi submetido ao crivo do Colegiado de 2ª Instância em 16 de agosto de 2016, concluindose pelo não provimento do recurso de ofício e pela consequente manutenção da exoneração de parte do lançamento. Na análise da impugnação formulada no presente processo, em particular no tema em que o contribuinte trata da relação de prejudicialidade entre lançamento e processo com recurso de ofício pendente, entendeu a Decisão recorrida que: Não há previsão legal específica quanto ao questionamento de concomitância de novo lançamento fiscal com processo pendente de recurso de ofício, mas podese fazer uma interpretação sistemática a partir de disposição acerca da simultaneidade de processo fiscal e outro decorrente de ação judicial pelo disposto no Decreto 70.235/1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal: Art. 62. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Além da cautela fiscal quanto à decadência do direito fazendário de lançar o crédito, devese se resguardar a ampla defesa do sujeito passivo, cuja ponto fulcral Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 835 24 que exsurge do comando normativo referido, é a concorrência do objeto da matéria discutida, cujo entendimento, no mesmo sentido, também foi sacramentado mediante súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, haveria relação de prejudicialidade se ocorresse a identidade de objeto que no presente caso, não se verifica pois os fundamentos de fato do lançamento são distintos. Cabe ressalvar que o resultado do processo com recurso de ofício pendente dever ser harmonizado com o presente de crédito, cuja autoridade preparadora competente, mediante procedimento específico, deverá velar pela congruência dos efeitos das decisões futuras. Não identifico a inexistência de identidade de objeto alegada pela decisão recorrida. Afinal, o que se buscava no lançamento originário era a cobrança dos tributos previdenciários devidos, em certo período de apuração, incidentes sobre determinada operação de terceirização julgada fraudulenta. Já no presente caso, o que se busca é a cobrança dos mesmos tributos previdenciários devidos incidentes sobre a mesma operação e o mesmo período de apuração. Ou seja, o objeto é o mesmo. Naturalmente, os fundamentos do lançamento são distintos, já que este segundo lançamento tem o nítido propósito de corrigir equívocos cometidos no anterior. Conforme dito alhures, houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo em 31/03/2014. Notase, portanto, que no momento da ciência do presente lançamento, ao contrário do que afirmou a autoridade lançadora, ainda não havia sido exonerada definitivamente qualquer parcela do crédito tributário lançado no processo 10166.723934/201315. Caso houvesse tal exoneração definitiva, sendo esta motivada por vicio formal, a Fazenda Nacional teria o prazo previsto no inciso II do art. 173, da Lei 5.172/66, (CTN) para constituir novamente o crédito tributário, ainda que relativo ao mesmo período de apuração e baseado nos mesmos fatos geradores. Não obstante, no caso em tela, o que temos é um novo lançamento que, em síntese, buscou corrigir falhas identificadas por ocasião de lançamento anterior, frisese, regularmente constituído, e em um momento em que este último ainda estava plenamente ativo. Assim dispõe o CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 836 25 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A partir dos destaques acima, perece inequívoco que não seria possível que se promovesse novo lançamento sobre os mesmos fatos geradores enquanto o lançamento anterior ainda estivesse pendente de definitiva decisão administrativa. Quando muito, poderíamos conceber a alteração pretendida mediante revisão do lançamento, mas isso só poderia ocorrer nos casos elencados no art. 149 acima citado, dentre os quais não identifico nenhum que desse amparo à modificação julgada necessária, já que o novo procedimento não apreciou fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 837 26 Por outro lado, há que se perquirir se o objeto do Agente Fiscal com o novo lançamento configuraria mácula à imutabilidade do lançamento prevista no art. 145 ou mesmo modificação de critério jurídico, que se mostra claramente restrita aos termos do art. 146, tudo do CTN. Sobre essa questão, são relevantes os ensinamentos que podem ser extraídos da REsp nº 1.130.545 RJ, sujeito ao procedimento do artigo 543C, do CPC, de relatoria do Ministro Luiz Fux. Embora a tese firmada não se ajuste perfeitamente ao presente, sua fundamentação é bastante esclarecedora: Tese firmada: A retificação de dados cadastrais do imóvel, após a constituição do crédito tributário, autoriza a revisão do lançamento pela autoridade administrativa (desde que não extinto o direito potestativo da Fazenda Pública pelo decurso do prazo decadencial), quando decorrer da apreciação de fato não conhecido por ocasião do lançamento anterior, ex vi do disposto no artigo 149, inciso VIII, do CTN. Ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IPTU. RETIFICAÇÃO DOS DADOS CADASTRAIS DO IMÓVEL. FATO NÃO CONHECIDO POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR (DIFERENÇA DA METRAGEM DO IMÓVEL CONSTANTE DO CADASTRO). RECADASTRAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. 1. A retificação de dados cadastrais do imóvel, após a constituição do crédito tributário, autoriza a revisão do lançamento pela autoridade administrativa (desde que não extinto o direito potestativo da Fazenda Pública pelo decurso do prazo decadencial), quando decorrer da apreciação de fato não conhecido por ocasião do lançamento anterior, ex vi do disposto no artigo 149, inciso VIII, do CTN. 2. O ato administrativo do lançamento tributário, devidamente notificado ao contribuinte, somente pode ser revisto nas hipóteses enumeradas no artigo 145, do CTN, verbis: "Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 838 27 3. O artigo 149, do Codex Tributário, elenca os casos em que se revela possível a revisão de ofício do lançamento tributário, quais sejam: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." 4. Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poderdever de autotutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 839 28 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 840 29 critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) "O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Diz se que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenhao deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707) 9. In casu, restou assente na origem que: "Com relação a declaração de inexigibilidade da cobrança de IPTU progressivo relativo ao exercício de 1998, em decorrência de recadastramento, o bom direito conspira a favor dos contribuintes por duas fortes razões. Primeira, a dívida de IPTU do exercício de 1998 para com o fisco municipal se encontra quitada, subsumindose na moldura de ato jurídico perfeito e acabado, desde 13.10.1998, situação não desconstituída, até o momento, por nenhuma decisão judicial. Segunda, afigurase impossível a revisão do lançamento no Documento: 11036185 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 12 Superior Tribunal de Justiça ano de 2003, ao argumento de que o imóvel em 1998 teve os dados cadastrais alterados em função do Projeto de Recadastramento Predial, depois de quitada a obrigação tributária no vencimento e dentro do exercício de 1998, pelo contribuinte, por ofensa ao disposto nos artigos 145 e 149, do Código Tribunal Nacional. Considerando que a revisão do lançamento não se deu por erro de fato, mas, por erro de direito, visto que o recadastramento no imóvel foi posterior ao primeiro lançamento no ano de 1998, tendo baseado em dados corretos constantes do cadastro de imóveis do Município, estando o contribuinte notificado e tendo quitado, tempestivamente, o tributo, não se Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 841 30 verifica justa causa para a pretensa cobrança de diferença referente a esse exercício." 10. Consectariamente, verificase que o lançamento original reportouse à área menor do imóvel objeto da tributação, por desconhecimento de sua real metragem, o que ensejou a posterior retificação dos dados cadastrais (e não o recadastramento do imóvel), hipótese que se enquadra no disposto no inciso VIII, do artigo 149, do Codex Tributário, razão pela qual se impõe a reforma do acórdão regional, ante a higidez da revisão do lançamento tributário. 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Pontuadas as questões relevantes para o deslinde do caso concreto, entendo que a Autoridade Fiscal cometeu erro de direito ao formalizar o lançamento relativo à contribuição previdenciária por arbitramento, sem ponderar que este procedimento constitui medida de exceção que, nos exatos termos utilizados pelo julgador de 1ª Instância no processo originário, deve ser utilizada quando a autoridade lançadora não disponha de meios (ou tais meios não sejam confiáveis) para se chegar aos valores efetivos das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, que no caso seriam os saláriosdecontribuição pagos aos empregados que mantinham vínculo empregatício formal com a Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás. Observou a mesma instância julgadora que a Autoridade lançadora poderia dispor dos valores dos saláriosdecontribuição efetivamente pagos a cada um dos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, mas assim não o fez. Ademais, não foi justificada a não aplicação dos percentuais mínimos a serem considerados como custo de mãodeobra no caso de aferição indireta feita com base em notas fiscais. A par de tudo, evidente que o motivo que levou ao provimento da impugnação ao primeiro lançamento é um erro de direito, decorrente da escolha equivocada pelo arbitramento com base nas notas fiscais de serviço, que representa módulo normativo inservível ou não aplicável ao caso concreto. Assim, ao se efetuar um novo lançamento baseado nos mesmos elementos, estamos diante de uma mudança de critério jurídico que, nos termos do 146 do CTN, representa mácula insanável do presente lançamento. Tampouco há de se falar em revisão de lançamento, já que inexiste previsão de erro de direito, dentre as hipóteses elencadas no art. 149 do mesmo Código Tributário. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10166.721847/201404 Acórdão n.º 2201004.758 S2C2T1 Fl. 842 31 Fl. 842DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.722704/2017-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Numero da decisão: 2001-000.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 27 04 /2 01 7- 82 Fl. 56DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2016, anocalendário de 2015, em que foram glosadas deduções de despesas médicas, no valor de R$ 51.100,00 e despesas com instrução, no valor de R$ 3.561,50. O contribuinte apresentou impugnação parcial (não questionou a glosa de despesas com instrução), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Juiz de Fora de f. 34/40. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 46/53. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.722704/201782 Acórdão n.º 2001000.845 S2C0T1 Fl. 3 3 Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto da decisão de primeira instância e nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 58DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes Redator Designado Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.722704/201782 Acórdão n.º 2001000.845 S2C0T1 Fl. 4 5 Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000380/2007-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive quanto às obrigações acessórias.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ.
A apresentação da DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1001-000.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive quanto às obrigações acessórias. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. A apresentação da DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive quanto às obrigações acessórias. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. A apresentação da DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 03 80 /2 00 7- 46 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13678.000380/200746 Acórdão n.º 1001000.979 S1C0T1 Fl. 38 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte (MG), mediante o Acórdão nº 0220.835, de 27/01/2009 (efls. 25/27), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fl. 02, com exigência do crédito tributário no valor de R$2.973,81, referente à multa pelo atraso na entrega da Declaração Simplificada do Exercício de 2005, ano calendário de 2004. Como enquadramento legal citouse: art. 106, inciso II, letra "c", da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 88 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 27 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. A data de vencimento da multa ocorreu em 27/11/2007, conforme documento de fl. 02. Inconformado com a presente exigência fiscal, a autuada apresentou, em 26/10/2007, a peça impugnatória de fl. 01, documentação de fls. 03/15, com alegações seguir sintetizadas: tentou transmitir, em 30/05/2005, a DSPJ/2005, via internet, tendo recebido resumidamente a mensagem: "ERRO! A declaração não transmitida. O CNPJ não consta como optante do simples." (doc. de II. 07) compareceu à Agencia da Receita Federal do Brasil em Passos, o que originou processo, no qual foi comprovado que a empresa tinha todo o direito de ser enquadrada no como optante do Simples e resultou na transmissão da DSPJ/2005 em 20/02/2006 pela própria agência. Demonstrada a insubsistência e improcedência do lançamento, requer que seja acolhida a presente impugnação. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo voto condutor transcrevo a seguir, verbis: (grifo não consta do original) (...) Inicialmente, cumpre esclarecer que a autoridade fiscal (lançadora e julgadora) não se pode furtar ao cumprimento das determinações da legislação tributária, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (art. 3° e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN). A Portaria n° 609, de 27 de julho de 1979, do Ministro de Estado da Fazenda assim determina: "I A interpretação da legislação tributária promovida pela Secretaria da Receita Federal, através de atos normativos expedidos por suas Coordenações, só poderá ser modificada por ato expedido pelo Secretário da Receita Federal." Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13678.000380/200746 Acórdão n.º 1001000.979 S1C0T1 Fl. 39 3 De acordo com o art. 808 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cuja matriz legal são os artigos 56 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 1° da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, as pessoas jurídicas, deverão apresentar, em cada anocalendário, até o último dia do mês de março, declaração de rendimentos, demonstrando os resultados auferidos no ano calendário anterior. No exercício de 2005, a DSPJ/2005, referente ao anocalendário de 2004, deveria ser entregue até o último dia útil do Mês de maio de 2005 (Instrução Normativa SRF n° 483, de 29 de dezembro de 2004). Com efeito, a data de entrega da declaração do exercício de 2005 foi em 20/02/2006, fora do prazo regulamentar, conforme documento de fl. 02. Analisando os documentos anexados aos autos constatase que a empresa foi excluída de oficio do Simples pelo Ato Declaratório n° 511.550, em janeiro de 2005, com efeitos a partir de 01/01/2002. Todavia, somente 18/01/2006 (docs. fls. 05/06), o contribuinte protocolou solicitação de inclusão no simples com data retroativa (processo n° 13678.000014/200614). Dessa forma, à época da entrega da Declaração Simplificada do Exercício de 2005, anocalendário de 2004, a empresa estava excluída do Simples, sujeitandose às regras das demais pessoas jurídicas. Na hipótese, deveria a interessada ter apresentado declaração com base no lucro real, presumido ou arbitrado, conforme legislação de regência, dentro do prazo estabelecido, ou seja, até o último dia útil do mês de junho do anocalendário. É importante notar que enquanto esteve excluída da sistemática do Simples não adotou outra forma de apuração do imposto de renda, consequentemente, não apresentou, outra declaração de rendimentos, nos prazos legais estabelecidos. O fato de a situação de exclusão do Simples ter sido revista de oficio, posteriormente, uma vez que não houve por parte da interessada manifestação tempestiva, não eximia a empresa da apresentação da declaração de rendimentos (com base no lucro real, presumido ou arbitrado) nos prazos legais estabelecidos. Sendo assim, à data de entrega da declaração de rendimentos do ano calendário de 2004 (31/05/2005 — doc. 07) a empresa constava no cadastro da Receita Federal como excluída do Simples, fato que não impedia o recebimento de declaração, por outra modalidade de apuração do imposto de renda. Ante o exposto e o contido nos autos deste procedimento administrativo fiscal, reconhecese por tempestiva a impugnação apresentada, e voto por considerar procedente o lançamento. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 Multa por Atraso na Entrega da Declaração Simplificada. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13678.000380/200746 Acórdão n.º 1001000.979 S1C0T1 Fl. 40 4 Uma vez caracterizada a entrega em atraso de Declaração de Rendimentos, devida é a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 20/02/2009, conforme Aviso de Recebimento à efl. 28, a recorrente apresentou recurso voluntário em 18/03/2009, conforme carimbo de recepção à efl. 31. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto (efl. 31), a recorrente apresenta os seguintes argumentos: O VOTO da relatora, no parágrafo 11º, folha 3, relata que a empresa deveria transmitir a declaração de rendimentos com base em outra modalidade de apuração do imposto de renda. DISCORDAMOS, uma vez que toda a tributação da empresa foi no método SIMPLIFICADO. A transmissão em outra forma de tributação estaria de certa forma "CONCORDANDO" com a situação de que a empresa não era OPTANTE PELO SIMPLES. Solicitar a RETIFICAÇÃO alterando a forma de tributação é COMPLEXO, onde OPTAMOS por aguardar o SISTEMA da RECEITA FEDERAL aceitar a RECEPÇÃO do arquivo CORRETO, o que ocorreu em 20/02/2006, pela própria agencia da RECEITA FEDERAL de Passos (MG). Ou seja, tratase dos mesmos argumentos apresentados em sede de primeira instância, argumentos estes fundamentadamente afastados em sede de primeira instância, cujo aresto não merece reparos. Assim, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir da turma a quo, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido foram transcritos acima, com o seguinte complemento: Outrossim, cumpre ressaltar que, no caso de eventual instauração de litígio administrativo, não há no Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, norma que contemple a atribuição de efeito suspensivo ao recurso, bem como o art. 151, III, do CTN não se aplica à exclusão do SIMPLES, já que trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da suspensão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13678.000380/200746 Acórdão n.º 1001000.979 S1C0T1 Fl. 41 5 Temse, ainda, que nos termos do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006, "as microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitar seão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas". (grifei) Outrossim, é de conhecimento que se a empresa não constasse do cadastro CNPJ como enquadrada no SIMPLES, o sistema automaticamente bloqueava o envio da declaração simplificada (DSPJ) pelo RECEITANET. Isto posto, a recorrente teria que apresentar a DIPJ no prazo estipulado e não o fez pela forma do Lucro Presumido/Real/Arbitrado, agindo em desacordo com a legislação. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 41DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.905329/2015-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 29 /2 01 5- 31 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.163 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.905329/201531 Acórdão n.º 3402005.773 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.914035/2009-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. INÉPCIA.
Não pode ser conhecido o recurso voluntário quando não há qualquer questão de fato ou de direito em litígio.
DECISÃO A QUO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Constatado que a decisão a quo foi favorável ao pleito suscitado pelo sujeito passivo na manifestação de inconformidade, revela-se sem propósito a apresentação de recurso voluntário, não podendo ser conhecido por ausência de motivação que o justifique.
Numero da decisão: 3001-000.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. INÉPCIA. Não pode ser conhecido o recurso voluntário quando não há qualquer questão de fato ou de direito em litígio. DECISÃO A QUO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que a decisão a quo foi favorável ao pleito suscitado pelo sujeito passivo na manifestação de inconformidade, revelase sem propósito a apresentação de recurso voluntário, não podendo ser conhecido por ausência de motivação que o justifique. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 29 a 31) interposto em face do Acórdão 1431.395, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto DRJ/RPO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 40 35 /2 00 9- 10 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10983.914035/200910 Acórdão n.º 3001000.592 S3C0T1 Fl. 55 2 (fls. 21 a 22), que, em sessão de julgamento realizada em 27.10.2010, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que homologou parcialmente o Per/Dcomp sob exame. Da síntese dos fatos Como forma de elucidar os fatos ocorridos, adoto, por sua clareza e concisão, a narrativa constante do relatório do acórdão vergastado, ipsis litteris: Relatório Trata o presente de PerDcomp parcialmente homologada, sendo que os créditos glosados tiveram como fundamento que o CNPJ do estabelecimento constava como cancelado. Tempestivamente, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, conforme documentos juntados, tão somente teria ocorrido erro de preenchimento da DCOMP, no que tange ao número do CNPJ 68.392.844/000401 que seria corretamente 68.392.844/000169, o que se comprovaria pelas notas fiscais juntadas. Encerrou requerendo a homologação da compensação conforme solicitada inicialmente. Da ementa do acórdão de 1ª instância Sua ementa encontrase vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DCOMP. GLOSA DE CRÉDITOS ERRO DE PREENCHIMENTO. Comprovado o equívoco no preenchimento do número do CNPJ do estabelecimento que emitiu a nota fiscal com o destaque do IPI, e de se reconhecer o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do "intitulado" recurso voluntário Com a ciência da decisão a quo, o contribuinte interpõe petição, que denominou de recurso voluntário, no qual aduz que: 1 nos termos do voto condutor da decisão tomada pela 2ª Turma da DRJ/RPO, foi acolhida apenas parcialmente a manifestação de inconformidade da ora recorrente, ao se reconhecer ter havido equívoco de preenchimento da Dcomp, objeto da controvérsia que lhe foi submetida; Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10983.914035/200910 Acórdão n.º 3001000.592 S3C0T1 Fl. 56 3 2 ao retornar à DRF/FNS, quando se procedeu às extinções por compensação, houve o lançamento incorreto dos valores postulados entre o saldo de créditos de IPI e o montante da compensação indicada a título de Cofins, no “extrato do processo", cujo detalhamento do crédito, apontouse a quantia de R$ 71.289,08, para o período de apuração “08/2006", com vencimento em 15.09.2006; 3 em consequência de equívoco interpretativo da decisão da DRJ, ou por engano na digitação do campo "multa mora" (S), o débito foi extinto parcialmente por compensação até a quantia de R$ 66.277,23, resultando em um “saldo de principal c/ multa de mora" de R$ 5.011,85; 4 ocorreu erro de fato quanto por parte própria autoridade fiscal, enganando se quando do exame do confronto entre crédito e débito equivalentes, que se pretende extinguir por meio da compensação pretendida; 5 por se tratar de erros de fato, verificáveis com a simples visualização dos documentos constantes dos autos, em que restam evidenciados os tributos e respectivas datas de apuração e vencimento, o equívoco pode ser corrigido a requerimento do contribuinte ou mesmo de oficio pela autoridade fiscal competente, à luz dos artigos 147, § 2º e 149, inciso II, do CTN. Pelo exposto, requer sejam retificados os erros de fato acima apontados quanto ao período de apuração e vencimento da Cofins objeto da compensação postulada, em face dos respectivos créditos do IPI objeto da PER/Dcomp acima identificada, reformandose os cálculos resultantes da decisão da DRJ/RPO, a fim de que seja admitida integralmente a compensação pretendida, cancelandose o processo de cobrança nº 10983.914426/200926. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recorrente foi cientificado do acórdão de primeira instância em 20.12.2010, por ocasião do recebimento do Aviso de Recebimento AR (fl. 28). Em 18.01.2011 junta o recurso voluntário, é o que depreendese do carimbo de "Protocolo" (fl. 29). Contudo, não obstante tratarse de petição apresentada tempestivamente, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235, de 1972), conforme a seguir restará demonstrado, não será conhecida. Do juízo de admissibilidade Em síntese, conforme a seguir restará evidenciado, a petição intitulada "recurso voluntário" (fls. 29 a 31) não tem o condão de reabrir a discussão nesta instância de julgamento. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10983.914035/200910 Acórdão n.º 3001000.592 S3C0T1 Fl. 57 4 Arcabouço legal aplicável ao caso sob exame Dispõe a Lei nº 9.784, de 29.01.1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, verbis: (...) Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplicase à delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes. Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I a edição de atos de caráter normativo; II a decisão de recursos administrativos; (grifei) III as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. (...) Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência. (...) Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifei) I fora do prazo; II perante órgão incompetente; (grifei) III por quem não seja legitimado; (grifei) IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. (grifei) § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. (grifei) Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10983.914035/200910 Acórdão n.º 3001000.592 S3C0T1 Fl. 58 5 Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. (...) Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. (grifei) (...) Dispõe o Decreto n º 70.235, de 06.03.1972, que regula o processo administrativo fiscal, verbis: (...) Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) (...) II em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10983.914035/200910 Acórdão n.º 3001000.592 S3C0T1 Fl. 59 6 Art. 38. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo. (...) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (grifei) (...) Dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) , verbis: (...) Art. 1º Fica aprovado o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), na forma prevista nos Anexos desta Portaria: (...) Art. 10. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. (...) ANEXO I (...) Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (...) ANEXO II (...) Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10983.914035/200910 Acórdão n.º 3001000.592 S3C0T1 Fl. 60 7 instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º A competência de que trata o caput não se aplica a recurso contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. (grifei) (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; (...) IV crédito presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; (...) Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. (grifei) (...) Breves esclarecimentos A defesa, reclamação ou impugnação deverá ser apresentada por escrito, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data da intimação, in casu, de despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada. Como é cediço, é com a defesa que se instaura ou que se dá início efetivamente a fase litigiosa do procedimento fiscal. É nela que o contribuinte impugna o ato emanado da autoridade fazendária (auto de infração, notificação de lançamento ou despacho decisório). Na petição da defesa, o impugnante mencionará (Decreto nº 70.235, de 1972, artigo 16): (a) a autoridade julgadora a quem é dirigida (Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento); (b) a qualificação do impugnante (nome, status e domicílio); (c) os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (as razões fáticas e jurídicas da impugnação); (d) as diligências, ou perícias, que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (as provas que pretende produzir devem ser formuladas na própria exordial); e (e) se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, momento em que deverá juntar cópia da petição judicial. No que concerne ao ônus da impugnação, a matéria que não tiver sido expressamente contestada pelo impugnante será tida por não impugnada e preclusa, podendo ser realizada a sua cobrança executiva de imediato em autos apartados (Decreto nº 70.235, de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10983.914035/200910 Acórdão n.º 3001000.592 S3C0T1 Fl. 61 8 1972, § 1º do artigo 21): "No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original". A defesa interposta gerará a suspensão do crédito tributário (efeito processual suspensivo), o que impedirá, antes do seu julgamento definitivo, o ajuizamento de eventual ação de execução fiscal. A prova documental, sob pena de preclusão, deverá ser anexada à petição da impugnação, salvo se: (a) ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) referirse a fato ou a direito superveniente; ou (c) destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Nesses três casos supraaludidos, a juntada dos documentos poderá ocorrer a qualquer tempo, mediante requerimento do interessado formulado à autoridade julgadora. A matéria não contestada pelo impugnante será considerada preclusa. Incumbirá à autoridade julgadora de primeira instância (DRJ) determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização das diligências ou perícias necessárias ao julgamento da lide tributária. Deverá indeferir as diligências desnecessárias, inúteis e impraticáveis. A designação para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias recairá sobre a pessoa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Encerrada a instrução, o processo será levado a julgamento. O julgamento é atribuição das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Receita Federal, organizados em turmas de julgamento. A decisão, que poderá ser de improcedência, procedência total ou procedência parcial, deverá estar devidamente fundamentada e conterá, sob pena de nulidade: (a) relatório: resumo das principais ocorrências do processo; (b) fundamentação: razões de fato e de direito; e (c) dispositivo: é a conclusão do julgamento (pela procedência, procedência em parte ou pela improcedência da impugnação). Há de se conter, também, na decisão, a ordem de intimação para cumprimento do que foi decidido ou, informação de prazo, para eventual interposição de recurso para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). As inexatidões materiais e os erros de escrita ou de cálculo independerão de recurso e poderão ser retificados, a qualquer tempo, de ofício ou a requerimento do impugnante. Não cabe pedido de reconsideração (nem houve previsão de embargos de declaração para sanar omissões, contradições ou obscuridades) das decisões emanadas da DRJ. Fundamentos desta decisão Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10983.914035/200910 Acórdão n.º 3001000.592 S3C0T1 Fl. 62 9 Compulsando a petição de fls. 29 a 31, já devidamente resumida no relatório supra, percebese, à evidência, que o contribuinte está insurgindose tão somente contra à execução de acórdão de primeira instância, em face de erro de cálculo, por parte da autoridade preparadora, quando da apreciação da respectiva decisão da DRJ/RPO, tanto que assenta que tais equívocos podem ser corrigidos de oficio, a despeito de requerimento próprio, em conformidade com o disposto nos artigos 147, § 2º e 149, inciso II, do CTN. Neste sentido, concretamente, não existe litígio nesse processo, quanto ao direito pleiteado, pois do montante do crédito indicado no PER/Dcomp nº 42680.88342.270607.1.7.017491, no valor de R$ 71.259,08, inicialmente foi reconhecido a importância de R$ 64.106,33, via Despacho Decisório. Insurgindose contra a parcela não reconhecida, o contribuinte teve reconhecida a parcela restante do crédito utilizado, é o que depreendese dos fundamentos do acórdão da DRJ, na medida em que o relator do voto condutor da referida Decisão, após analisar as notas fiscais apresentadas na manifestação de inconformidade e confrontálas com os demonstrativos constantes dos autos, verificou tratarse de mero erro de digitação de CNPJ, conforme havia alegado o contribuinte. Desta feita, não obstante a decisão a quo haver se manifestado sua pela procedência parcial, verdade é que textualmente reconheceu, como já dito, o restante do valor do direito creditório vindicado na compensação dos débitos declarados, não havendo, pois, qualquer parcela de crédito utilizado que não tenha sido objeto de reconhecimento. Portanto, resta concretizado o direito alegado, uma vez que já reconhecido, não havendo qualquer litígio administrativo sobre a existência do direito creditório pleiteado. Neste caso, com supedâneo na legislação processual antes reproduzida, cabe à unidade de origem rever de ofício os cálculos efetuados e procedimentos adotados em função do que restou efetivamente determinado pelo acórdão da primeira instância. Da conclusão Com base em tais considerações, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado, por inepto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.720118/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 12/02/2015
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 01 18 /2 01 5- 54 Fl. 32185DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 32186DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16070.188, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 32187DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 32188DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 32189DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 32190DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 32191DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 32192DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 32193DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 32194DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 32195DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 32196DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 32197DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 32198DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 32199DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 32200DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 32201DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 32202DF CARF MF Processo nº 12466.720118/201554 Acórdão n.º 3301005.094 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 32203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901236/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 23 6/ 20 09 -3 2 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.901236/200932 Resolução nº 1302000.667 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório A Empresa apresentou PER/DCOMP pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de pagamento de estimativa mensal. Em Despacho Decisório Eletrônico, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao .final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período", forte no artigo 10 da IN 600/2005. Inconformada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) houve equivoco quanto à interpretação do artigo 10 da IN n° 600/2005; c) o despacho decisório sustenta que a impugnante violou o artigo 10 da IN n° 600/2005; d) a impugnante, por sua vez, informa que não apurou saldo negativo de IRPJ no anocalendário correspondente, nem utilizou o valor do indébito na apuração do referido saldo negativo; e) discorre sobre o direito à compensação. salientando que a compensação, objeto dos autos, foi efetuada mediante pedido eletrônico (PER/Dcomp) e elaborada atendendo todos parâmetros estabelecidos pela legislação; f) o artigo 10 da IN n° 600/2005 viola o principio da legalidade tributária, não podendo a contribuinte ser prejudicada por norma que não tem força de lei, mas sim caráter acessório a ela; g) vedar a compensação dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ/CSLL no decorrer do anocalendário afeta nitidamente o direito do contribuinte na utilização de seu direito; h) se a lei que disciplina referido procedimento não restringe a compensação não há que se falar em improcedência do crédito; i) cita ementas de decisões administrativas; j) Instrução Normativa é ato administrativo realizado nos limites do Poder Regulamentar conferido á Administração Pública; k) o artigo 10 da IN n° 600/2005 não vincula o particular sendo incapaz de gerarlhe obrigação; 1) o valor do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ é legitimo e de pleno direito da impugnante, estando de pleno acordo com as diretrizes trazidas pela lei. Ao final, requer a homologação da compensação pretendida, declarando extinto o crédito tributário. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decisão assim ementada: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13851.901236/200932 Resolução nº 1302000.667 S1C3T2 Fl. 4 3 Os recolhimentos mensais de IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois ai ocorrente o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do imposto apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto de renda a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto A Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Não satisfeita a Empresa apresentou Recurso Voluntário reprisando os argumentos do recurso anterior. Vieram os autos por sorteio. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13851.901236/200932 Resolução nº 1302000.667 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.660, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.660): "O recurso é tempestivo. A representação é regular. Conheço do recurso. Estamos tratando de proibição de compensação de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal, cuja previsão estava no artigo 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005. Temos a incidência direta da súmula CARF nº 84, cujo teor transcrevo: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sendo de aplicação forçada pelos Conselheiros deste Conselho, por força do artigo 45 § 6º do Anexo II do RICARF, a proibição constante da referida IN não oferece óbice à compensação pleiteada. Todavia, ante a situação criada, em que o direito creditório não sofreu nenhuma análise, sendo sumariamente negado o direito por força de previsão normativa, e pelo fato desta Turma não ter condições de proceder a esta análise, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para: a) que seja procedida a análise do direito creditório, com o afastamento da proibição constante do artigo 10 da IN nº 600/2005; b) seja dada ciência da decisão ao Recorrente, para manifestação; c) passado o prazo de 30 dias, com ou sem a manifestação do interessado, retornem os autos para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005089/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR.
Quando inexiste pagamento o prazo de extinção do direito de a fazenda pública efetivar o lançamento começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido lançado extinguindo-se cinco anos após esta data.
OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA.
O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, ocorrendo a sua efetivação na entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado.
Numero da decisão: 3401-005.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Quando inexiste pagamento o prazo de extinção do direito de a fazenda pública efetivar o lançamento começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido lançado extinguindose cinco anos após esta data. OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA. O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, ocorrendo a sua efetivação na entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 50 89 /2 00 9- 75 Fl. 785DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 786 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 02 a 10, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro IOF, referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2004 a 31/12/2004, acrescido de multa de ofício de 112,5% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 594.638,90. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 155 a 178, narra a autoridade fiscal que a contribuinte foi intimada a apresentar a lista de todos os contratos de mútuo, celebrados entre a GELDRIA e terceiros, em que a GELDRIA figurasse como mutuante, para os anos de 2004, 2005 e 2006, bem como a declaração dos tipos de operações de crédito realizadas por meio de conta corrente, se com definição do valor de principal ou sem definição do valor de principal, além das Planilhas detalhadas (beneficiário, valor e prazo) de todas as operações de mútuo celebrados entre a GELDRIA e terceiros, em que a GELDRIA figurasse como mutuante, referenciados As folhas dos Livros Razões e organizados diariamente e cronologicamente, para os anos de 2004, 2005 e 2006. Estas informações, segundo entendimento da autuante, eram fundamentais para que se procedesse ao levantamento e detalhamento dos valores de IOF, resultantes das operações de transferência de recursos financeiros entre a GELDRIA e terceiros, e que a GELDRIA, na qualidade de responsável pela cobrança do IOF, seria responsável pelo recolhimento ao Tesouro Nacional. Apesar das reiteradas solicitações feitas por esta fiscalização (fls. 05, 15, 17, 18, 19, 21, 22, 24, 25, 28, 29, 31, 32, 34, 35,37 a 39 e 95 a 97), nenhum dos dados foi apresentado, mas apenas documentos insuficientes, incompletos, parciais e intempestivos, (fls. 16, 27, 41, 42 a 43, 44 a 94, 98 a 101), não permitindo assim a análise global e fidedigna das informações solicitadas. Deste modo, a autoridade fiscal recorreu às informações disponíveis nos livros Razão de 2004, o que a levou a considerar ocorrido o fato gerador e devido o IOF na data do lançamento contábil em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação especifica, mas que, pela sua natureza, enquadremse como operações de crédito, de acordo com o art. 3°, inciso VII do Decreto nº. 4494/2002 . A base de cálculo considerada para cálculo do IOF devido a cada mês foi a soma dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, sendo que o IOF devido é obtido pela aplicação da alíquota de 0,0041% sobre o total dos saldos devedores apurados, de acordo com o art. 7°, inc. e § 13 do Decreto 4.494/2002 3. A contribuinte, intimada pessoalmente em 03/12/2009, apresentou impugnação, situada às fls. 491 a 503, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o auto de infração está a cobrar IOF sobre mútuos realizados entre a contribuinte e pessoas jurídicas coligadas, empréstimos estes lançados, contabilizados e escriturados; (ii) para exigir a totalidade dos créditos referentes às competências exigidas no auto de infração em tela, deveria a autuante ter começado a realizar o lançamento em janeiro de 2009. Contudo, somente notificou a contribuinte em 03/12/2009, desse modo, já foram extintas pela decadência as competências relativas a janeiro de 2004 a novembro de 2004, somente podendo ser exigida a Fl. 786DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 787 3 competência de dezembro de 2004; (iii) como está bem claro em seu contrato social a Impugnante é uma "holding" que tem como finalidade ser sócia de outras sociedades empresariais e assessorar as empresas de seu grupo econômico e, desse modo, e cumprindo seu objeto social realizou empréstimos para as empresas de seu grupo enviandolhes recursos em valores suficientes (conforme termo de verificação fiscal) simplesmente para que estas arcassem com suas despesas rotineiras e mantença de suas atividades. Ocorre que no caso em tela, não se trata de mútuo comercial e sim de mútuo realizado entre pessoa jurídicas não financeiras com pessoa jurídicas coligadas, e prova disso é que todas as empresas de seu grupo econômico, sendo sócia de todas ou tendo com administrador ou sócio o Sr. Johannes Antonius Maria Wiegerink, (iv) sobre o mútuo realizado entre empresas do mesmo grupo não há incidência do IO/Crédito, a uma, porque não existe a operação de mútuo na acepção, a qual um empresta para outro visando um ganho sobre a operação, a duas, sendo as empresas do grupo uma só empresa, ninguém empresta dinheiro para si mesmo, visando obter ganho, conforme previsto para os fatos geradores do IOF prevê o artigo 63 do CTN e o art. 1º da Lei nº 5.143/1966 que não foi revogado pelo CTN em face do que determina o § 2º da Lei de Introdução ao CC. 4. Em 23/10/2014, a 6ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), proferiu o Acórdão DRJ nº 1269.576, situado às fls. 711 a 723, de relatoria do AuditorFiscal Marcos Vinícius de Lacerda Amorim, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Quando inexiste pagamento o prazo de extinção do direito de a fazenda pública efetivar o lançamento começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido lançado extinguindose cinco anos após esta data. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário:2004 OPERAÇÕES DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS COLIGADAS. A lei não restringe o campo de incidência do IOF às operações de crédito consequentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas financeiras. 5. A contribuinte, intimada via postal da decisão em 05/02/2015, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 729, interpôs, em 18/02/2015, em conformidade com o termo de juntada situado à fl. 730, recurso voluntário, situado às fls. 733 a 744, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 788 4 Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Em primeiro lugar, quanto à alegação de decadência, correta a decisão recorrida não merecendo provimento o pleito recursal da contribuinte: A contribuinte argui que a Autoridade Fiscal para exigir a totalidade dos créditos referentes às competências exigidas no AI teria que começar a realizar o lançamento em janeiro de 2009 porque em 03 de dezembro 2009, quando fora cientificada do auto de infração, os fatos geradores de janeiro a novembro de 2004 foram alcançados pela decadência, somente podendo ser exigido da Impugnante a competência de dezembro de 2004. Ocorre que o prazo decadencial previsto para o lançamento por homologação de que trata o artigo 150, § 4º do CTN não se aplica quando não houve pagamento. E no caso presente a própria contribuinte esclarece que deixou de recolher IOF porque entende que sobre o mútuo realizado entre empresas do mesmo grupo não há incidência do IOF. Não havendo pagamento de tributo a contagem do prazo decadencial é a prevista no inciso I do artigo 173 do CTN como mencionou a fiscalização no TVF, ou seja, o prazo começa a fluir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido efetuado o lançamento. Considerando que os fatos geradores ocorridos até novembro de 2004 já poderiam ter sido lançados naquele exercício financeiro, temos que o início do prazo decadencial se dá em 01/01/2005 e encerrase em 31/12/2009. Como a ciência da autuação ocorrera em 03/12/2009 o prazo decadencial não tinha expirado ainda. 8. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto neste particular. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 789 5 9. Com relação ao mérito, a contribuinte argumenta que não recolheu o IOF exigido por entender que este tributo não incide sobre mútuo realizado entre pessoas jurídicas coligadas e que não pode a legislação ordinária dispor de forma contrária à lei complementar e eleger outras hipóteses de incidências diversas das que são realizadas por pessoas jurídicas que não sejam instituições financeiras conforme previsto para os fatos geradores do IOF no artigo 63 do CTN e o art. 1º da Lei nº 5.143/1966 que não foi revogado pelo CTN em face do que determina o § 2º da Lei de Introdução ao CC. Equivocase a contribuinte. O CTN no artigo 63 só faz referência às operações e ao momento em que é considerado ocorrido o fato gerador do IOF não especificando o sujeito passivo. Confira O CTN atribui à lei ordinária a definição dos contribuintes do IOF conforme artigo 66: Art. 66 Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei. O artigo 13 da lei nº 9779/1999 prevê que sujeitamse à incidência do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sem especificar que sejam instituições financeiras. Inclusive é ressaltado que tais operações sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis a instituições financeiras. Confirase: (quaisquer grifos em transcrições de textos legais neste voto são meus) Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. O Decreto nº 6.306/2007, que regulamenta o IOF, não deixa também qualquer dúvida de que as operações de crédito realizadas por pessoas jurídicas não financeiras estão também no campo de incidência desse tributo. Assim dispõe o artigo 2º incisos I, alíneas “a” e “c” (...) 10. Em segundo lugar, quanto ao mérito, o tributo em apreço encontra disciplina na alínea 'c' do inciso I do art. 2º e nos arts. 11 a 13 do Decreto nº 6.306/2007 (RIOF), que preceitua a sua incidência em operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, devendo ser considerado o fato gerador a entrega do montante ou do valor que Fl. 789DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 790 6 constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado e o aspecto temporal de sua exteriorização a data da entrega, o momento de liberação de cada parcela, a data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito, a do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior ou da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e assemelhados, ou do lançamento contábil em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. Por fim, nos termos do inciso I do art. 150 da Constituição Federal, é necessário lei ordinária para a instituição ou majoração de tributos, salvo nos casos de exigência de lei complementar, e, no caso do imposto sobre operações de crédito (IO/Crédito), coube à Lei nº 8.894/1994 tal incumbência. Constituição de 1988 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) V. operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários. Código Tributário Nacional Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. Art. 64. A base de cálculo do imposto é: I quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros. Decreto nº 6.306/2007 (RIOF) Art. 2º O IOF incide sobre: Fl. 790DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 791 7 I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras; b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; II operações de câmbio; III operações de seguro realizadas por seguradoras; IV operações relativas a títulos ou valores mobiliários; V operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial. (...) Art.3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I. na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II. no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III. na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV. na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V. na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI. na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII. na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 792 8 §2o O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7o, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I. empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II. alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); III. mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física 11. Argumenta a contribuinte que, na verdade, não está o aplicador diante de mútuos, mas sim de contratos de conta corrente, em que empresas e acionistas do mesmo grupo econômico reuniram valores, em massa homogênea, pagando duplicatas, tributos, honorários, dentre outros, utilizandose de recursos pertencentes a elas mesmas, não podendo tais quantias serem consideradas empréstimos, representando a simples grafia da movimentação recíproca de valores, facilitando o registro de tudo que uma usou da outra, para posterior encontro de contas e, ainda, que não há incidência do imposto entre pessoas jurídicas não financeiras, o que, concessa venia, não é o que se extrai da legislação em vigor, como ora se demonstra. Na verdade, a leitura desinente do termo de verificação fiscal revela que as operações objeto do lançamento de ofício foram ora reduzidas a termo mediante contratos típicos de mútuo, ora registradas na contabilidade da própria autuada em contas de "ADIANTAMENTOS/MÚTUOS". 12. Descabe indagar, assim, se as contas correntes operaram ou não com as atividades típicas que lhes são próprias, pois segundo as provas fornecidas pela própria contribuinte, foram praticadas operações de crédito correspondentes a mútuo, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, cujo preceptivo normativo se voltou a estatuir a categoria jurídicoeconômica específica do mútuo como núcleo material da incidência: Lei nº 9.779/1999 Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. 13. Observese que, após a publicação da Lei nº 9.779/1999, foi expedido o Ato Declaratório SRF nº 07/1999 consolidando entendimento da Receita Federal a respeito de mútuos realizados por meio de contacorrente: Ato Declaratório SRF nº 07/1999 1. No caso de mútuo entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sem Fl. 792DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 793 9 prazo, realizado por meio de contacorrente, o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, devido nos termos do art. 13 da Lei n ° 9.779, de 19 de janeiro de 1999: a) incide somente em relação aos recursos entregues ou colocados à disposição do mutuário a partir de 1 ° de janeiro de 1999; 14. A título de complemento, o ato declaratório em referência revogado pela Instrução Normativa RFB nº 907, de 09/01/2009, também anterior aos fatos geradores em disputa, que passou a dispor nos seguintes termos: Instrução Normativa RFB nº 907, de 09/01/2009 Art. 7º O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. § 1º O imposto de que trata o caput tem como: I contribuinte, o mutuário, pessoa física ou jurídica; II fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário; e III base de cálculo, o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. § 2º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês. § 3º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente em que fique definido o valor do principal, a base de cálculo será o valor de cada principal entregue ou colocado à disposição do mutuário. (...) § 5º É responsável pela cobrança e pelo recolhimento do IOF a pessoa jurídica mutuante. 15. Assim, não se está diante da questão acerca da natureza contratual subjacente à operação, questão esta que apenas aparece, de maneira inaugural, na instauração do contencioso, com a impugnação do auto lavrado, pois até este momento o que se verifica é que a empresa emprestava tratamento de crédito rotativo a tais recursos, i.e., voltadas a financiar as contratantes, e, como tal, merece ser oferecido à tributação do IO/Crédito, com ancoramento positivo no art. 13 da Lei nº 9.779/1999 e no RIOF. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 794 10 16. Neste sentido, é possível se trazer à colação o art. 923 do RIR, que dispõe que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Não pode nem deve ser desconsiderada sem uma produção probatória prévia a escrita fiscal utilizada, inclusive, para lastrear a própria fiscalização, sob pena de se incorrer em um jogo de relativismo cético que colocaria em disputa os próprios valores utilizados como base da imposição. 17. E isto porque os dois sentidos da presunção de veracidade/legitimidade dos registros contábeis emergem de legislação de caráter nacional, conforme se depreende da leitura do art. 417 da Lei nº 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, segundo o qual "os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos". Assim, tendo a autoridade fiscal tomado como ponto de partida para a sua interpretação do direito a escrita contábil e fiscal da contribuinte, não apenas se presume verdadeiro o quanto declarado (art. 408) como também se prova o não questionado (art. 428), pois, como se extrai do art. 419, a escrituração é una, tanto para o favorável como para o desfavorável: Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) Art. 419. A escrituração contábil é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade. 18. Por outro lado, nada impede a autoridade fiscal de descortinar, por meio de provas, a intenção simulatória perpetrada pelo particular, o que, conforme se demonstrou acima, não se faz necessário. Estáse diante de operações de mútuo que devem produzir os efeitos tributários que lhes são típicas. 19. Por fim, necessário se verificar o argumento referente à apuração do tributo devido que se fia no Acórdão CARF nº 3401002.862, proferido em sessão de 28/01/2015, de relatoria da Conselheira Ângela Sartori, que contou com a riquíssima divergência entre o posicionamento vazado no voto vencedor, de lavra do Conselheiro Robson José Bayerl, redator designado, e o entendimento contrário, reduzido a termo em declaração de voto, pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que integraram composições pretéritas deste colegiado, e cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008 MÚTUO. VALOR INDEFINIDO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Nas operações de transferência de recursos entre pessoas jurídicas integrantes de um mesmo grupo econômico, onde não há contrato de mútuo e as operações que dão ensejo à incidência do imposto são presumidas como tal, não há como enquadrálas como sendo de “valor definido”, para o desiderato do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007, devendo a base de cálculo, no entanto, Fl. 794DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 795 11 corresponder aos saldos devedores diários verificados no último dia de cada de mês, sem o cômputo de valores referentes a operações anteriores àquelas abrangidas pelo procedimento fiscal. 20. As razões externadas no voto vencedor do Conselheiro Robson José Bayerl são, no entendimento deste relator, irreprocháveis, açambarcando a legislação pertinente à matéria de forma a perscrutar a base de cálculo do IOF incidente sobre operações de crédito: "Nesta senda, entendo que razão assiste à recorrente, não sendo possível a interpretação extraída pelas autoridades recorridas. Com efeito, nos termos do art. 7º, I, “a”, em hipóteses como dos autos, a base de cálculo compreende o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, todavia, não se pode confundir os fatos jurídicos tributáveis com as correspondentes bases de cálculo determinadas pela legislação, como fez o lançamento e a decisão recorrida. Isto porque, consoante art. 3º do Decreto nº 6.306/2007, o fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado, em linha com o disposto no art. 13, § 1º da Lei nº 9.779/99; logo, se o período de apuração tomado pela autuação abrange apenas os fatos geradores referentes ao anocalendário de 2008, não é possível adotar, como base de cálculo, os saldos devedores diários apurados no último de cada mês existentes anteriormente às operações fiscalizadas. Neste processo a primeira remessa de valores ocorreu no mês de junho/2008, de maneira que não se pode principiar o cálculo do tributo a partir do mês de janeiro/2008, como efetivado pela autuação, tomandoo como termo inicial da autuação, sob pena de se tributar operações (fatos geradores) anteriores àquelas verificadas, sem exame de seus aspectos fáticos, notadamente a ocorrência de decadência. Com estas considerações, o cálculo do imposto deve ser reajustado para nele conter apenas os saldos devedores diários apurados no último de cada mês que envolvam as operações identificadas no anocalendário de 2008, que foram objeto específico da fiscalização realizada, sem considerar os montantes referentes a períodos anteriores. Por derradeiro, destaco que aludido ajuste da base de cálculo do lançamento não equivale à alteração de critério jurídico, não o inquinando de nulidade, mas tão somente adequandoo à legislação, porquanto o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não da classificação legal que se lhes dá" (seleção e grifos nossos). Fl. 795DF CARF MF Processo nº 19515.005089/200975 Acórdão n.º 3401005.393 S3C4T1 Fl. 796 12 21. No entanto, a argumentação, em que pese sua robustez, tratase de vera inovação realizada pela contribuinte em sede recursal, não tendo sido vertida em sua impugnação, o que implicaria a supressão de instância caso analisada neste momento processual. Neste contexto é que, com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993, o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 determina que será considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, operandose, portanto, sobre ela, a preclusão consumativa na esfera administrativa. Tampouco se vislumbra qualquer das hipóteses do art. 342 do Código de Processo Civil que torne lícita a dedução de novas alegações, motivo pelo qual não conheço tais razões. 22. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 796DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001244/2009-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial quando os paradigmas não retratam situação fática similar à do acórdão recorrido, além de aplicarem legislação tributária já revogada ao tempo da prolação do julgado guerreado.
Numero da decisão: 9202-007.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando os paradigmas não retratam situação fática similar à do acórdão recorrido, além de aplicarem legislação tributária já revogada ao tempo da prolação do julgado guerreado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 44 /2 00 9- 69 Fl. 145DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos de aluguéis relativa ao anocalendário de 2005. Em sessão plenária de 02/12/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 210101.387 (efls. 97 a 100), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUEL. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Se a fiscalização considerou como contribuinte pessoa física que detém apenas poderes de procurador, e não o mandante, restam violados os arts. 121 e 142 do CTN, caracterizando erro na identificação do sujeito passivo. Recurso provido.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.” O processo foi encaminhado à PGFN em 13/02/2012 e, em 16/02/2012, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 102 a 104, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2101001.942, de 18/10/2012 (efls. 106 a 109) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Reconhecese a nulidade material do lançamento efetuado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, em razão de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Embargos de declaração acolhidos." A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.387, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no lançamento é de ordem material." Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 19/11/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 110) e, na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de efls. 118 a 123 (Despacho de Encaminhamento de efls. 124), fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a nulidade do lançamento natureza do vício. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10935.001244/200969 Acórdão n.º 9202007.396 CSRFT2 Fl. 146 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 18/01/2016 (efls. 125 a 127). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: pela leitura do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, percebese que os requisitos elencados, dentre eles, a qualificação do autuado, possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, há erro na identificação do sujeito passivo, vício apontado pelo colegiado como causa do cancelamento do auto de infração, mas que, todavia, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; contudo não é essa a situação retratada nos autos, pois a infração tributária resta devidamente evidenciada no Relatório Fiscal do Auto de Infração, este que também se fez acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados, e sequer foi negado pelo autoridade julgadora; a propósito, a jurisprudência deste Conselho é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma; por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a presença do termo "e outros" seria suficiente para decidir pela improcedência do auto de infração, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que o vício do lançamento seja declarado como de natureza formal. Cientificado dos acórdãos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 11/02/2016 (Termo de Ciência de efls. 130/131), o Contribuinte ofereceu, em 16/02/2016 (carimbo de efls. 139), as Contrarrazões de efls. 139 a 142, contendo os seguintes argumentos: está claro que o caso em exame tratase de vício material porque não houve uma inadvertência na lavratura do Auto de Infração; houve sim, o início de processo para apuração da veracidade dos fatos, culminando com exaustivos esclarecimentos do Contribuinte, por ser mero representante do sujeito passivo, e não obstante os documentos comprobatórios apensados, a ação fiscal insistiu em manter na sua pessoa a obrigação de recolher o tributo, ainda que exaustivamente comprovado se tratar de representante legal leiase, procurador; Fl. 147DF CARF MF 4 constatase que no caso em discussão, o Contribuinte foi "jogado" na relação jurídica indevidamente, não havendo erro de forma, mas de matéria; fica evidente que identificouse como sujeito passivo pessoa estranha ao liame jurídico da obrigação; não foi preterida formalidade essencial, mas a incidência foi direcionada a quem não tinha relação jurídica com o fato gerador, daí o vício material. Ao final, o Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos de aluguéis relativa ao anocalendário de 2005. No acórdão recorrido, concluiuse, a partir da documentação acostada aos autos, que o imóvel cujos rendimentos de aluguel teriam sido omitidos pertencia a Stefany Cristine Rodrigues (menor à época do fato gerador), sendo usufrutuária vitalícia do imóvel a genitora da menor, Sra. Jussara Aparecida Rodrigues. Quanto ao autuado, Sr. Fidelcino Tolentino, este atuaria apenas como procurador em todos documentos, inclusive no contrato de locação. Destarte, entendendose que haveria equívoco na identificação do sujeito passivo, com fundamento nos artigos 121 e 142 do CTN, e no artigo 653, do Código Civil, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, sem questionar a existência do erro, pede apenas que, na declaração de nulidade do lançamento, o vício seja considerado de natureza formal e não material. Reiterase que a Fazenda Nacional não contesta a existência de erro na eleição do sujeito passivo, portanto este ponto não mais se encontra em discussão. Com efeito, o Recurso Especial, partindo da premissa de que o erro efetivamente ocorreu, limitouse a questionar a natureza do vício. Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência teria de ser representado por julgado em que, sendo o Imposto de Renda exigido não do beneficiário dos rendimentos, mas sim de seu procurador, o lançamento tenha sido declarado nulo por vício formal. Quanto aos paradigmas indicados pela Fazenda Nacional Acórdãos nºs 301 33.686 e 30330.909 estes não tratam de situação similar à do acórdão recorrido mas sim de lançamento de Imposto Territorial Rural (ITR), em que foi aplicado o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 02, de 1999, e a Instrução Normativa SRF nº 94, de 1997, revogada em 2005, que elencavam os requisitos básicos para a validade do ato de lançamento oriundo de Malha Fiscal, o que não é o caso recorrido. Ditos atos normativos determinavam que a Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10935.001244/200969 Acórdão n.º 9202007.396 CSRFT2 Fl. 147 5 nulidade por vício formal fosse declarada, inclusive de ofício. Confirase os respectivos trechos dos paradigmas, ambos proferidos em Recurso de Ofício: Paradigma Acórdão nº 30133.686 Ementa "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo, por vício formal, de lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO" Voto "Na análise da questão posta, a decisão recorrida não merece quaisquer reparos, cujas assertivas a seguir transcrevo, em excertos. (...) 3. Verificando as informações oriundas do Cartório de Registro de Imóveis, conforme DOI anexada às f 36/53, o imóvel foi alienado por SOL NASCENTE EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA, em julho de 1998, ao Sr. Edson Oliveira Mota. Esta informação coincide com o que consta nas matrículas imobiliárias (f: 54/89). Verificase, ainda, da análise das referidas matrículas, que a titularidade do imóvel foi transferida, por incorporação, à empresa MOTA AGROFLORESTAL LTDA., em junho de 1999. 4. Desta forma, vislumbrase que o lançamento deveria ser efetuado em face da contribuinte MOTA AGROFLORESTAL LTDA., proprietária do imóvel à data da ocorrência do fato gerador do ITR/2002. (...) 10. Os requisitos indispensáveis ao auto de infração também estão informados no art. 5° da Instrução Normativa/SRF n.° 94. de 24 de dezembro de 1997, que trata dos trabalhos das malhas fiscais e lançamentos suplementares de tributos ou contribuições administrados pela SRF. (...) 2. Esse parecer subsidiou o Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 2, de 3 de fevereiro de 1999, o qual dispôs taxativamente: '... declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: a) os lançamentos que contiverem vício de forma incluídos aqueles constituídos Fl. 149DF CARF MF 6 em desacordo com o disposto no art. 5º da IN SRF n° 94, de 1997 devem ser declarados nulos, de oficio, pela autoridade competente; b) declarada a nulidade do lançamento por vício formal, dispõe a Fazenda Nacional do prazo de 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa." 3. Se presentes os pressupostos legalmente previstos de nulidade do lançamento, é indiferente que a mesma tenha sido suscitada pelo contribuinte, o que se depreende do disposto no art. 6° da Instrução Normativa/SRF n.° 94/1997, conforme segue: (...) 5. Dessa forma, por não estar devida e corretamente indicado o sujeito passivo da obrigação, entendo que deve ser reconhecida, por vício formal, a nulidade do lançamento consubstanciado no referido auto de infração. Se for o caso, a critério do órgão local, novo lançamento pode ser efetuado em boa e devida forma no prazo previsto no inciso II do art. 173, do CTN, conforme esclarecido no Ato Declaratório Normativo/COSIT nº 02/1999, alínea 'b'." Paradigma Acórdão nº 30330.909 Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada, de ofício, a nulidade do auto de infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN. RECURSO DE OFÍCIO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.” Voto Tem razão a interessada em suas alegações, as quais foram corroboradas pela autoridade singular, que julgou o lançamento nulo, na forma do Acórdão de fls. 47/51 e que, por bem analisar e fundamentar os fatos, passo adotar na íntegra, conforme transcrito abaixo, como se meu voto fosse: '(...) De fato houve um erro no lançamento no que concerne à identificação do sujeito passivo, pois pelos documentos de malha trabalhados (fls. 14/15) o imóvel objeto do lançamento seria o da interessada, mas por alguma razão no auto de infração figurou outro imóvel o que caracteriza vício formal. No que se refere à legislação aplicável ao caso concreto, segue abaixo reprodução parcial, tanto da IN SRF nº 94/97, que dispõe sobre as regras a ser observadas no lançamento de oficio (com atenção aos requisitos constantes do art. 142 da Lei n° 5.172/66 CTN, sob pena de nulidade do feito), quanto do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 02/99, que dispõe sobre a nulidade de lançamentos que contiverem vício formal (incluídos aqueles providenciados em desacordo com a IN Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10935.001244/200969 Acórdão n.º 9202007.396 CSRFT2 Fl. 148 7 SRF n° 94/97, retrocitada), que deve ser declarada de oficio pela autoridade competente, discorrendo, ainda, sobre o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário declarado nulo por vício formal: (...)" (grifei) Destarte, os paradigmas não são aptos a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, visto que foram prolatados à luz de legislação que, além de já revogada ao tempo da prolação do acórdão recorrido, era específica para lançamentos decorrentes de Malha Fiscal, no caso relativa ao ITR. Assim, esses julgados trataram de erro no trabalho de Malha Fiscal, em que o Contribuinte autuado não era efetivamente o titular do imóvel rural objeto da autuação, o que em nada se assemelha à situação do acórdão recorrido. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.964568/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não-cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não-cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição nãocumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 64 56 8/ 20 09 -2 6 Fl. 677DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de restituição e não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, alegando que haviam ocorrido meros equívocos no preenchimento da DCTF, posteriormente retificada, e que deveria ser observado o princípio da verdade material, conforme jurisprudência correlata. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que apenas os créditos líquidos e certos eram passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, arguiu a sua tempestividade e requereu a reforma da decisão de piso, por contrariar o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e os princípios da verdade material, ampla defesa e legalidade, dada a efetiva existência do crédito pleiteado, conforme cálculos e documentos carreados aos autos. É o relatório. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.965, de 23/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 15374.964566/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.965): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tempestividade A Recorrente sustenta a tempestividade do recurso, nos seguintes termos: Em 03.07.2015, foi certificada nos presentes autos, equivocadamente, a ciência eletrônica da Requerente dos termos do Acórdão acerca da Manifestação de Inconformidade apresentada, por decurso de prazo de 15 dias contados da disponibilização do documento na sua Caixa Postal do eCAC. Ocorre que, conforme exigência constante do art. 23, III, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, intimação por meio eletrônico depende, necessariamente, de que o contribuinte tenha realizado a efetiva e expressa opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), mediante envio, à RFB, de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendo, portanto, inválida a intimação eletrônica realizada no presente feito em 03.07.2015. Isto porque, em 03.07.2015 (data da certidão de ciência eletrônica nos presentes autos), a ora Requerente ainda não havia feito a opção pelo DTE, conforme se verifica do Termo de Opção/Autorização em anexo, datado de 22.10.2015 (Doc. 01). Cumpre registrar que esse equívoco da RFB em realizar/considerar a intimação eletrônica de decisão administrativa sem que o contribuinte tivesse feito opção pelo DTE vinha ocorrendo de forma reiterada, o que forçou a Requerente a ajuizar, em 17.12.2014, ação declaratória para que fosse declarada a inexistência de relação jurídica que autorizasse a União Federal a proceder intimações/ciências de atos/decisões processuais por meio eletrônico, eis que inexistente autorização/opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, e dos §§ 1º e 2º, do artigo 4º, da Portaria SRF nº 259/2006, devendo serem as intimações/cientificações dos atos/termos processuais realizados tão somente de forma pessoal ou via postal, enquanto não realizada a aludida opção/autorização mediante Termo de opção ao DTE (Doc. 02). Assim, em 27.01.2015, foi proferida decisão liminar, em sede de Agravo de Instrumento (processo nº 000040349.2015.4.02.0000), assegurando o direito da ora Requerente de não ser intimada de decisões administrativas por meio eletrônico (DTE) até a realização da opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (Doc. 03), o que, frisese, só ocorreu em 22.10.2015 (v. doc. 3). Em manifestação sobre a questão, no despacho de efls. 365 a 370, a DICAT DEMACRJO: Fl. 679DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 5 4 6. Argumenta o contribuinte que a sua opção ao DTE foi efetivada no dia 22/10/2015, mediante certificação digital no Portal e–CAC, bem assim que tivera acesso à intimação/ciência n° 969/2015 e documentos instrutivos, à fl. 192, somente no dia 20/02/2017, aproximadamente 16 (dezesseis) meses depois da disponibilização do documento. No comunicado denominado “Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo”, o contribuinte foi considerado cientificado no dia 03/7/2015, 15 (quinze) dias contados a partir da data de disponibilização dos documentos na sua caixa postal, conforme documento à fl. 195, data que, de fato, é anterior à sua adesão ao DTE, lapso temporal que “espelha” o cerne da discussão, que compreende basicamente as consequências advindas do fato de a opção ao DTE ter sido efetivada em data posterior à data de “postagem” (disponibilização) da comunicação/intimação. (..) 11. No momento em que a correspondência/mensagem é aberta, considerase perfeita a intimação realizada mediante envio de documento digital à caixa postal de contribuinte, porque dada a ciência do teor da intimação e dos documentos instrutivos. Nesse sentido, encontrase a jurisprudência, há muito, sedimentada no que se refere ao reconhecimento da validade de correspondência, considerando requisitos indispensáveis ao aperfeiçoamento da ciência que a intimação tenha sido (i) enviada ao endereço constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) do contribuinte e (ii) assinada por funcionário da empresa, o que torna irrelevante o fato de o documento recebido ter sido ou não entregue ao responsável por sua análise, sendo bastante e suficiente que tenha sido entregue no endereço certo e recebido por pessoa autorizada a fazêlo. 12. Por essa razão, e respeitadas as devidas peculiaridades de cada modalidade de intimação, não seria razoável aceitar a alegação do contribuinte de que somente teve efetivamente acesso ao documento no dia 20/02/2017, quando tomou ciência dos documentos digitais relativos à cobrança amigável pelo eCAC, situação que se assemelharia à hipótese (remota) na qual um contribuinte recebe uma correspondência em sua residência ou estabelecimento comercial, assina o aviso de recebimento (AR) e decide não abrir o envelope, simplesmente porque acredita ser uma faculdade/liberalidade fazêlo apenas quando lhe for conveniente, bem assim que a data de ciência da intimação seria a data de abertura do envelope, em vez da data de recebimento da correspondência. 13. Faz tanto sentido a assertiva anterior que, mediante consulta ao sistema CXPOSTALRFB, constatamos que a primeira leitura da “comunicação simples” ora discutida foi realizada no dia 24/6/2016, existindo 62 (sessenta e duas) outras mensagens (comunicação simples/ato oficial) efetivamente “lidas” pela TAESA de 22/10/2015 até 17/02/2017, período compreendido entre a data de adesão ao DTE e o dia anterior à (suposta) ciência do acórdão combatido. 14. Em que pese a implementação da condição estabelecida pelo Relator do agravo de instrumento, mediante adesão ao DTE no dia 22/10/2015, data a partir da qual (i) a intimação tornouse válida, eficaz e exequível e (ii) passou a ser obrigatório o cumprimento do compromisso assumido no termo de opção, mais precisamente o acesso regular da sua caixa postal com a correspondente ciência de comunicações/ato oficial que porventura tenham sido enviados pela RFB, constata se que a TAESA “renunciou” ao seu direito de defesa, seja no tocante à apresentação de recurso contra o Acórdão n° 1449.935, de 24/4/2014, ou ainda, apenas por amor ao debate, à reclamação da nulidade da intimação, decidindo agir tão somente quando julgou ser mais “conveniente”, precisamente 16 (dezesseis) meses depois de ter formalizado o termo de opção pelo DTE. Em suma, para a DICAT, desde 22/10/2015, data da efetiva opção pelo DTE, o contribuinte deveria ter regularmente acessado a comunicação/intimação discutida que fora enviada para a caixa postal correspondente à sua disposição Fl. 680DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 6 5 no Portal eCAC, praticando, ato contínuo, os atos de defesa pertinentes, mas preferiu, entretanto, manterse “inerte” até o dia 20/02/2017. Todavia, a prescrição do art. 23, III, § 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, é clara de que a adesão ao DTE depende de expresso consentimento do sujeito passivo. A empresa optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico somente em 22/10/2015 e tomou ciência do Acórdão de Julgamento apenas em 20/02/2017, quando acessou eletronicamente os autos do presente processo em razão da mensagem enviada para a caixa postal para a intimação da cobrança amigável. Concordo com a Recorrente no sentido de que a ciência certificada nos autos em 03/07/2015 não operou efeitos, eis que anterior à efetiva opção pelo DTE em 22/10/2015. A unidade de origem deveria ter intimado o contribuinte de outra forma prescrita no art. 23 diante de sua falta de opção pelo DTE ou, após a opção, deveria têlo cientificado novamente. A administração tributária se manteve inerte diante desse lapso cometido. Dessa forma, entendo como plausível que se tenha como data da intimação da decisão de piso, a data de acesso aos autos, nos termos do art. 23, § 2°, III, “c”, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, voto pela tempestividade do recurso voluntário, motivo pelo qual analisoo a seguir. Ônus da prova – recolhimento indevido A Recorrente pleiteia a compensação de pagamento indevido de PIS, não cumulativo, referente ao fato gerador de 31/08/2004, no valor de R$ 39.937,14 (e DCOMP nº 08629.35740.300507.1.3.044200). O despacho decisório indicou que o DARF relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir o próprio tributo, não restando crédito a restituir. Em impugnação, a empresa alegou ter havido erros no preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade, com as seguintes razões: a A Recorrente deveria ter retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP; b A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório não confere reforma do ato administrativo, pois no momento de sua expedição, a motivação estava correta. Neste sentido, a contribuinte anexou à peça recursal a DCTF retificadora, alterada em 17/11/2009, e fora cientificada do despacho decisório em 21/10/2009; c Não houve prova do suposto recolhimento a maior. Em defesa, não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido; Fl. 681DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 7 6 d Não basta a retificação da DCTF, deveriam ser apresentados os livros contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais, a natureza da receita, bem assim o seu valor, além da documentação probatória pertinente. De fato, a restituição ou compensação demanda suporte documental mínimo comprobatório dos direitos creditórios requeridos, para atestar a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte, nos termos do art. 170 do CTN. Dessa forma, o contribuinte deve comprovar a efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais foram realizados os recolhimentos a maior. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito (art. 373, CPC/2015), consequentemente, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. A prova a favor do contribuinte perante o Fisco, quanto à existência de direito pretendido, deve estar calcada em documentos fiscais hábeis e idôneos. A liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através do DARF, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais incidiram o tributo e, através de outros documentos. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente anexou os documentos que entende comprovarem seu direito ao creditamento, decorrente de PIS pago indevidamente na sistemática nãocumulativa, (cód. 6912), no mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14. E, tece as seguintes justificativas: (i) A Recorrente é sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e, em 2000, celebrou com a União, por intermédio da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, o Contrato de Concessão nº 040/2000, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão TaquaruçuAssis, pelo prazo de 30 (trinta) anos. (ii) As suas receitas decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, são tributadas pelo PIS e COFINS no regime cumulativo, nos termos do art. 10, da Lei nº 10.833/2003; (iii) Apurou e recolheu o PIS na sistemática nãocumulativa (código de receita nº 6912), calculado sobre suas receitas decorrentes dos serviços de transmissão de energia elétrica, de 2004 até 2006; (iv) Por intermédio da Lei nº 11.196/2005, da Instrução Normativa SRF nº 658/2006 e da Nota Técnica de nº 224/2006 SFF/ANEEL, a empresa recompôs a base imponível do PIS, do mês de agosto de 2004, apurando, com base no regime cumulativo, o débito a pagar no valor de R$ 39.894,73, nascendo aí o pagamento indevido a título de PIS não cumulativo (código 6912) no valor total de R$ 111.576,654 (R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51), recolhidos nas datas de 15/09/2004 e 10/06/2005, respectivamente; (v) Resume a apuração correta da contribuição para o PIS, calculada com base no regime cumulativo (para a receita da atividade) e nãocumulativo (para as receitas financeiras), após a recomposição de sua base imponível para o mês de agosto de 2004, dessa forma: Fl. 682DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 8 7 Adiante acrescenta: Como o regime de PIS/COFINS a que se submete a receita de prestação de serviços de transmissão de energia elétrica auferido pela Recorrente é o cumulativo, conforme esclarecido acima, foi necessário retificar a DCTF do 3º trimestre de 2004 para declarar somente o débito de PIS cumulativo (código 8109) e não mais o débito de PIS com base no regime nãocumulativo (código 6912). Para tanto, a Recorrente procedeu à retificação dessa DCTF em 12.07.2007, ou seja, bem antes da ciência do Despacho Decisório (em 21.10.2009). Nessa DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004 (recibo nº 26.443.892.6560 doc. 10), a Recorrente já declarava o débito do PIS cumulativo (código 8109) do mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14, bem como a sua quitação através de compensação (PER/DCOMP nº 38114.19893.300507.1.3.046124). Nesse documento não foi declarado nenhum valor de débito de PIS pelo regime não cumulativo (código 6912), seja porque as receitas de sua operação não mais se enquadravam nesse regime, seja porque as demais receitas auferidas no período eram de natureza financeira e sujeitavamse à alíquota zero por força do Decreto nº 5.164/2004, conforme se pode notar pelo DACON retificador (doc. 11) e pela DIPJ 2005, retificadora, página 36 (doc. 12). Esses foram os motivos que tornaram indevidos todos os pagamentos de PIS (código 6912) efetuados por meio de DARF, do período de apuração agosto de 2004. Ocorre que a Recorrente quando do preenchimento da DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004, apresentada em 12.07.2007, não demonstrou os créditos de PIS nãocumulativo, eis que não devia nenhum débito desta contribuição neste regime. Mas certo que a Receita Federal do Brasil – RFB mantinha em seus cofres o valor desta contribuição outrora recolhido, indevidamente, pela Recorrente, via DARF, no valor total de R$ 111.576,65 (incluído principal, juros e multa). Reiterese que o pagamento do PIS no regime nãocumulativo (cod. 6912) foi feito indevidamente e não a maior. Logo, os DARF´s recolhidos inapropriadamente, a rigor, não precisariam ter sido indicados em DCTF, pois desvinculados de qualquer débito e impropriamente recolhidos. Desta feita, de pronto, revelam crédito a favor do contribuinte. Esta foi a situação exteriorizada através da retificação tempestiva da DCTF de 12.07.2007, mas, no entanto, o direito creditório não foi reconhecido pela fiscalização. Por essa razão, no momento em que a Recorrente teve seu pedido de compensação denegado (objeto do Despacho Decisório nº 848597880), visando uma forma de a RFB ‘enxergar’ o crédito fiscal a seu favor, foi que a Recorrente optou por retificar novamente a DCTF do 3º trimestre de 2004 (em 17.11.2009 – recibo 10.95.50.79.0608 – doc. 13), ratificando os créditos de PIS cumulativo (8109) e incluindo como débito a título de PIS nãocumulativo do mês de agosto de 2004 o valor simbólico de R$ 0,016 para viabilizar a vinculação dos pagamentos, realizados, via DARF, com o código de receita nº 6912, no valor total de R$ 111.576,65 (R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51, respectivamente – v. doc. 7). Frisese que o crédito requerido consta (e já constava anteriormente ao citado Despacho Decisório) evidenciado também no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON retificador (v. doc. 11) e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 retificadora (v. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 9 8 doc. 12), nos quais foram indicados: i) a base de cálculo do PIS do mês de agosto de 2004; ii) o valor a pagar com incidência cumulativa (R$ 39.937,14); iii) o valor a pagar com incidência nãocumulativa (R$ 0,00). (...) O crédito relativamente ao pagamento indevido do PIS não foi reconhecido com a apresentação tempestiva da DCTF retificadora em 12.07.2007 e, por essa razão, em 17.11.2009, a contribuinte apresentou uma nova declaração retificadora, tentando deixar claro para a autoridade fiscal o indébito fiscal. Então, em seu recurso voluntário, objetivando comprovar as suas alegações, anexou: Contrato de concessão nº 040/2000 DARFs PIS (código 6912) 08/2004 R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51 DOC. 8 LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 6.1.1.01.0001 BALANCETE DE VERIFICAÇÃO Ago/2004 DCTF 3º TRIM/04 RETIFICADORA Nº 26.44.38.92.6560 DACON RETIFICADOR 3º TRIMESTRE DE 2004 DIPJ 2005, RETIFICADORA, PÁGINA 36 DCTF RETIFICADORA Nº 10.95.50.79.0608 DIPJ 2005, ORIGINAL, PÁGINA 36 LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 6.1.1.02.0001 (PIS) LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 1.2.1.01.0035 Anteriormente, em manifestação de inconformidade, juntou: A DCTF retificadora de 17/11/2009 com o intuito de exteriorizar o crédito fiscal A primeira DCTF retificadora processada pela Receita Federal do Brasil em 12/07/2007 os DARFs de R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51 (comprobatórios dos recolhimentos indevidos de PIS nãocumulativo código 6912) do mês de agosto de 2004 o DACON retificador do 3º trimestre de 2004, e a DIPJ 2005, retificadora Diante disso, a interessada não mais se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do PAF. Logo, entendo que deve ser analisada a legitimidade de seu crédito. Com isso, assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 10 9 O indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “constitui” o direito de crédito. Logo, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove documentalmente o seu crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Precedente. Recurso provido. 3802003.956, 2ª Turma Especial: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 11 10 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Por conseguinte, é necessária a realização de diligência para que a autoridade fiscal proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito de PIS, nãocumulativo, (cód. 6912), no mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14. Para tanto: a) Analise a documentação acostada nas efls. 566 a 625 e 631 a 657, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado nas efls. 394 a 397, para se aferir Fl. 686DF CARF MF Processo nº 15374.964568/200926 Resolução nº 3301000.967 S3C3T1 Fl. 12 11 a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista à empresa recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista ao Recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 687DF CARF MF
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