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Numero do processo: 10580.005492/2007-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006
PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO COM BASE EM INFORMAÇÕES DAS GFIP`s. LEGALIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC E CONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA DAS SÚMULAS 02 E O4 DO CARF.
1. O lançamento foi realizado em conformidade com as declarações do próprio contribuinte, declarações essas constantes das GFIP apresentadas.
2. No que se refere às inconstitucionalidades referidas pelo contribuinte, o julgador de segunda instância administrativa deve observar o comando da Súmula CARF nº 2
3. A aplicação da Taxa SELIC deve ser mantida, tendo em vista as
disposições contidas na Súmula CARF nº 4
4. A fiscalização e os julgadores de primeira instância administrativa cumpriram fielmente suas incumbências, respeitando a legislação tributária em vigor, bem como os princípios constitucionais referidos pelo contribuinte.
Desse modo, o lançamento está correto e deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.596
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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LANÇAMENTO COM BASE EM INFORMAÇÕES DAS GFIP`s. LEGALIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC E CONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA DAS SÚMULAS 02 E O4 DO CARF. 1. O lançamento foi realizado em conformidade com as declarações do próprio contribuinte, declarações essas constantes das GFIP apresentadas. 2. No que se refere às inconstitucionalidades referidas pelo contribuinte, o julgador de segunda instância administrativa deve observar o comando da Súmula CARF nº 2 3. A aplicação da Taxa SELIC deve ser mantida, tendo em vista as disposições contidas na Súmula CARF nº 4 4. A fiscalização e os julgadores de primeira instância administrativa cumpriram fielmente suas incumbências, respeitando a legislação tributária em vigor, bem como os princípios constitucionais referidos pelo contribuinte. Desse modo, o lançamento está correto e deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10580.005492/200784 Acórdão n.º 280300.596 S2TE03 Fl. 226 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10580.005492/200784 Acórdão n.º 280300.596 S2TE03 Fl. 227 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD lançada em desfavor do contribuinte, onde se exige crédito tributário relativo à Contribuição Previdenciária instituída pela Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. De acordo com o Relatório Fiscal às fls. 101 e 102 a Notificação referese a diferenças das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados que deixaram de ser repassadas à Previdência Social, no prazo previsto no art. 30, inciso I, "h" da Lei 8.212, de 1991. A fundamentação legal para a cobrança dessas contribuições encontrase no art. 20 da Lei 8.212, de 1991, que no §5° do seu art. 33 prevê que o desconto da contribuição dos empregados presumese feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para eximir do recolhimento. Competências abrangidas: 07/2006 a 10/2006. O Contribuinte, devidamente notificado, apresentou defesa tempestiva em 23 de janeiro de 2007. A impugnação foi julgada em 27 de julho de 2007, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÓES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 BALANCETES. ARBITRAMENTO. 13° SALÁRIO. SAT. Crédito tributário não relacionado às matérias contestadas. OCUPANTES DE CARGOS EM COMISSÃO. A partir da vigência da Lei 8.647, de 19 de abril de 1993, passou a incidir contribuições previdenciárias sobre a remuneração a ocupantes de cargos em comissão. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. PERÍODO ANTERIOR A LEI COMPLEMENTAR 84, DE 1996. A NFLD não exige contribuições incidentes sobre autônomos em período anterior à Lei Complementar n°84, de 1996. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10580.005492/200784 Acórdão n.º 280300.596 S2TE03 Fl. 228 4 A decisão proferida no acórdão vergastado, merece reforma, porquanto dissociar do direito, da melhor doutrina e dos julgados dos nossos Tribunais Pátrios. Da ilegalidade da cobrança de contribuição de contribuições previdenciárias dos exercentes dos cargos de comissão. É ilegal a cobrança incidente sobre avulsos e autônomos no período anterior à vigência da Lei Complementar nº 84/96. É ilegal a cobrança de contribuição previdenciária sobre o 13º. É ilegal a cobrança da contribuição para o SAT. Parcela substancial do débito apurado referese à cobrança incidente sobre contratos de trabalhos celebrados a partir de 1988, sem que os mesmos tivessem se submetido a concurso público, de tal sorte que inexistiu relação de emprego válida e capaz de gerar efeitos jurídicos. Além de incidirem sobre contratos nulos, o lançamento revelou que a ação fiscal pretendeu elastecer a soma de seu crédito com a imputação de acréscimos impróprios e já rejeitados pela jurisprudência. Durante considerável período da dívida foi utilizada a TR/TRD como fator de correção das contribuições apuradas. É inconstitucional a cobrança de contribuição previdenciária dos agentes políticos. Ao final, requer sejam acolhidas as argumentações de defesa recursal, no sentido da improcedência da NFLD de n.° 37.018.3371, para anular os referidos lançamentos, em virtude da incidência sobre contratos nulos, sobre a Contribuição para o SAT, sobre a Contribuição sobre a parcela do 13°, os juros abusivos, a incidência da TR, os juros SELIC, anatocismo, cobrança sobre avulsos, autônomos e comissionados, sobre a Contribuição sobre os subsídios dos agentes políticos municipais e todas as parcelas que foram oriundas de erros da fiscalização, como a incidência de contribuições sobre parcelas que não se constituíam em fatos geradores do tributo, como já declinado exaustivamente, tudo para o fim de se assegurar ao Município autuado o direito ao contraditório administrativo fiscal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10580.005492/200784 Acórdão n.º 280300.596 S2TE03 Fl. 229 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. De início, é importante destacar que o lançamento diz respeito a diferenças das contribuições descontadas dos segurados empregados, nos meses de julho, setembro e outubro de 2006 e não repassadas à Previdência Social no prazo estabelecido na alínea “b” do item I do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Conforme demonstra o Relatório Fiscal de fls. 101, a apuração das diferenças de débitos foi realizada comparandose os valores das contribuições declaradas em GFIP com os valores recolhidos, observadas as deduções do saláriomaternidade, conforme se pode constatar nas cópias anexas das GFIP em comparação com o conta corrente às fls. 83 a 89. Não se pode perder de vista que a contribuição lançada em desfavor do contribuinte tem natureza de tributo. De acordo com o art. 3º do Código Tributário Nacional – CTN, tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ao observar a legislação utilizada para validar o lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, resta mais do que evidenciado que a fiscalização cumpriu fielmente as disposições contidas no art. 195, I, a, da CR/88, bem como aquelas dispostas no art. 142 do código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não vislumbro, pois, qualquer hipótese de ilegalidade que possa macular o procedimento fiscalizatório que ensejou o lançamento. Sobre a questão das ilegalidades suscitadas, acompanho plenamente o entendimento da fiscalização, bem como do julgador de primeira instância administrativa, notadamente no que diz respeito aos aspectos formais e legais do lançamento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10580.005492/200784 Acórdão n.º 280300.596 S2TE03 Fl. 230 6 Com efeito, o lançamento foi realizado em conformidade com as declarações do próprio contribuinte, declarações essas constantes das GFIP apresentadas pelo Município de Barra do Choça. Não houve, portanto, arbitramento como alega o contribuinte. A arrecadação e recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social, como apontado pela fiscalização, devem ocorrer de acordo como as regras previstas no art. 30, I, b, da Lei nº 8.213/91, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – a empresa é obriga a: a) Arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) Recolher os valores arrecadados na forma da alínea “a”, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia vinte do mês subseqüente ao da competência. Como se pode observar do lançamento ora guerreado, as contribuições dos segurados foram efetivamente descontadas, sem, contudo, serem recolhidas ao sujeito ativo da obrigação tributária, situação que, de acordo com a parte final do item 04, em tese, constitui crime de apropriação indébita previdenciária e será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais em relação aos responsáveis. Nada obstante aos argumentos expendidos pelo contribuinte, não há reparos a fazer nas definições do julgador de primeira instância, notadamente no que dizem respeito os itens de 33 a 42, que, com a devida vênia, os adoto na íntegra, in verbis: 33. Quanto à alegação de que seria ilegal o lançamento de contribuições incidentes sobre a remuneração dos servidores exercentes de cargos em comissão, a própria defendente esclarece na impugnação que tais tributos passaram a ser devidos a partir do início da vigência da Lei n° 8.647, de 1993. Os créditos lançados na NFLD sob julgamento pertencem ao período compreendido entre julho a outubro de 2006, neste caso não prevalece o argumento preconizado na impugnação. 34. Semelhantes são os comentários a respeito da cobrança de contribuição previdenciária sobre a remuneração a segurados avulsos e contribuintes individuais. Posto que, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10580.005492/200784 Acórdão n.º 280300.596 S2TE03 Fl. 231 7 como não há cobrança na presente Notificação de qualquer tributo em período anterior a 1° de maio de 1996, quando a Lei Complementar n° 84, de 18 de janeiro de 1996, passou a produzir efeitos, não há o que se falar em desrespeito ao texto constitucional. 35. Quanto às alegações de inconstitucionalidade na incidência da contribuição sobre o 13° salário e de ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho — SAT também não cabe manifestação haja vista o crédito sob exame não versar sobre os temas. 36. Quanto à argumentação de que, parte substancial do crédito tributário apurado incidiu sobre remuneração a empregados cujos contratos de trabalho foram celebrados sem prévio concurso público, sendo assim incapazes de gerar efeitos jurídicos, cabe analisarmos tal argumento à luz do art. 118 do Código Tributário Nacional — CTN, verbis: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 37. Neste sentido, a ocorrência do fato previsto em lei como hipótese de incidência, que no caso em estudo é a remuneração a segurados da Previdência Social pelos serviços prestados, a validade jurídica de tais atos não interferem no nascimento da obrigação tributária principal. Deste modo, o argumento do sujeito passivo não encontra abrigo em nosso ordenamento jurídico. 38. A defendente reclama ainda o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração a agentes políticos com fundamento na Lei n° 9.506, de 1997, que acrescentou a alínea "h", inciso I, art. 12 da Lei 8.212, de 1991. 39. Este dispositivo legal teve sua execução suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 26, de 21 de junho de 2005, quando passou a ser indevida contribuição lançada sob aquele fundamento. 40. Acontece que, a Lei n° 10.887, de 18 de junho de 2004, já incluíra a alínea no inciso I, art. 12 da Lei 8.212, de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10580.005492/200784 Acórdão n.º 280300.596 S2TE03 Fl. 232 8 1991, exigindo a cobrança do tributo sobre a mesma base de cálculo sem o vício formal que continha a Lei 9.506, de 1997. 41. Deste modo, a partir da vigência da Lei 10.887, de 2004, os agentes políticos são considerados como segurados da Previdência Social na qualidade de empregados e, por conseqüência, a remuneração a estes paga, devida ou creditada em função do serviço prestado ao ente federativo ao qual se vincula é fato gerador de contribuições previdenciárias. 42. Ademais, cabe relembrar que os créditos tributários lançados nesta NFLD tiveram como origem declaração feita pela Prefeitura Municipal à Previdência Social através da GFIP. De outra parte, a aplicação da Taxa SELIC deve ser mantida, tendo em vista as disposições contidas na Súmula CARF nº 4, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. No que se refere às inconstitucionalidades referidas pelo contribuinte, o julgador de segunda instância administrativa deve observar o comando da Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se pode observar dos autos, a fiscalização e os julgadores de primeira instância administrativa cumpriram fielmente suas incumbências, respeitando a legislação tributária em vigor, bem como os princípios constitucionais referidos pelo contribuinte. Desse modo, o lançamento está correto e deve ser mantido. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10580.005492/200784 Acórdão n.º 280300.596 S2TE03 Fl. 233 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 01/04/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 44023.000030/2006-27
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 74, § 12º, II, DA LEI n.9.430/1996. ART. 66 DA LEI, 8.383/1991 TÍTULOS DA DIVIDA PÚBLICA. Tanto a regra do art, 66 da Lei n. 8383/1991 quanto a do art. 74, § 12', II, c e e, da Lei ri, 9.430/1996 vedam a homologação de compensação administrativa de créditos tributários com créditos de natureza não-tributária oriundos de Títulos da Dívida Pública. Bem como, não há previsão legal especial para que a Secretaria da Receita Previdenciária e a Secretaria da Receita Federal do Brasil aceitem a compensação, sobre os valores devidos à
Previdência Social, de créditos oriundos de Títulos da Dívida Externa.
RECURSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ART. 151, III, DO CTN,. Será considerada não declarada
a compensação nas hipóteses em que o crédito refira-se a título público. A hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se aplica às compensações consideradas não declaradas Portanto, por não haver legislação aplicável à espécie, não será possível reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 151, III, CTN, pela sua manifesta contrariedade à disposição contida no art. 89 da Lei n°8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.079
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar provimento quanto a homologação de compensação e, por maioria de votos, negar provimento quanto a atribuição de efeito suspensivo dos créditos questionados, nos termos do voto vencedor apresentado pela redatora Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, vencidos o relator e a Conselheira VERA KEMPERS DE MORAES ABREU (suplente).
Nome do relator: CAROLINA SIRQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 44023.00003012006-27 Recurso n" 248.169 Voluntário Acórdão n° 2803-00.079 — 3" Turma Especial Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente TR.ANSVALE TRANSPORTES DE CARGAS E. ENCOMENDAS LTDA., Recorrida SECRETÁRIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 74, § 12', II, DA LEI n. 9.430/1996. ART. 66 DA LEI, 8.383/1991 TÍTULOS DA DIVIDA PÚBLICA. Tanto a regra do art, 66 da Lei n. 8383/1991 quanto a do art. 74, § 12', II, c e e, da Lei ri, 9.430/1996 vedam a homologação de compensação administrativa de créditos tributários com créditos de natureza não-tributária oriundos de Títulos da Dívida Pública. Bem como, não há previsão legal especial para que a Secretaria da Receita Previdenciária e a Secretaria da Receita Federal do Brasil aceitem a compensação, sobre os valores devidos à Previdência Social, de créditos oriundos de Títulos da Dívida Externa. RECURSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ART. 151, III, DO CTN,. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito refira-se a título público. A hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se aplica às compensações consideradas não declaradas Portanto, por não haver legislação aplicável à espécie, não será possível reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 151, III, CTN, pela sua manifesta contrariedade à disposição contida no art. 89 da Lei n°8.212/91. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar provimento quanto a homologação de compensação e, por maioria de votos, negar provimento quanto a atribuição de efeito suspensivo dos créditos questionados, nos termos do voto vencedor apresentado pela110 . OVA redatora Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, vencidos o relator e a Conselheira VERA KEMPERS DE MORAES ABREU (suplente). — • HEL "'SC' P.:—EA DE LIMA — Presidente (AW/frria,04/LÀÁP't4LL, CAROLINA SIQ EIRA MONTEIRO DE ANDRADE. - Redatora designada G AVO VETTOR.ATO Relator112° ft a ficiparam do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempers de Moraes Abreu (suplente), Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório A recorrente em 16.11.2006, requereu a homologação de compensação créditos tributários oriundos de contribuições previdenciárias referentes ao período de apuração 09/2006 com 'Títulos e Apólices da Dívida Pública, todas emitidas anteriormente anteriores à 1930, alegando a sua validade, vigência e responsabilidade da União.. Apesar de não juntá-los no pedido inicial, apenas fazendo referência de que estariam em poder da Receita Previdenciária, mas sequer apresentou cópias das mesmas ou indicou os processos. (fis 01-40) O pedido de homologação foi negado pela Chefe do Serviço de Arrecadação da Receita Previdenciária, do MPS/SRP, da Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Oeste (fis. 64-67). O fundamento de sua negativa foi na impossibilidade da compensação de títulos da dívida pública com créditos de natureza previdenciária, em face do art66, da Lei n.. 8..383/1993, combinado com o art. 89, da Lei n. 8.212/1991, não autorizariam a compensação na forma requerida pela Recorrente. Acrescentou que a Lei n.9.711/98 determina de forma taxativa que a compensação de créditos vencidos de natureza não tributária ocorrerá á critério exclusivo do Ministério da Fazenda, e mesmo nesse caso o artigo 5.° inciso II exclui do mecanismo os créditos contra a União originários de títulos da divida publica federal, e que não ser trata do caso em questão. Por final, esclareceu que Lei 10,072/2000 apenas autoriza o Poder Executivo a abrir ao Orçamento da União, crédito extraordinário para refinanciamento da Divida Pública Mobiliária Federal, não sendo Vindulado diretarnerite à aplidação das norinas de compensação tributária. Já a Lei 10.179/2001 trata da autorização ao poder executivo de emitir títulos da divida pública de responsabilidade da Secretaria Tesouro Nacional, não autorização de compensação dos títulos que estão em posse da Recorrente Por final, não reconheceu a suspensão da exigibilidade dos créditos objetos do pedido de homologação, por entender que não haveria incidência do art. 151, III, do CTN, por não se tratar de impugnação. Em face dessa decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário ao antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, requerendo a reforma da decisão a quo no sentido de homologar a compensação dos créditos tributários de origem previdenciária com os títulos da dívida pública apresentados nos autos„ Alegou ser proprietária de 15 (quinze) títulos da dívida pública. Defende que não houve prescrição dos indicados títulos, pois se tratam de títulos representativos da divida externa, e sobre eles não incidiriam as regras de consolidação 2 Processo n" 44023 000030/2006-27 S2-1E03 Acórdão o " 2803-00,079 VI 2 da divida pública interna.. Fundamenta a possibilidade de compensação nos artigos 156, 170, do Código Tributário Nacional, nos artigos 73 e 74, da Lei n 9.430/1996, e no decreto de regulamentação dos mesmos vigentes à época do recurso. Por final, requer o reconhecimento da incidência da norma de suspensão de exigibilidade do crédito tributário que se encontra sob o pedido de compensação, conforme o art 150,111, do CTN.. (fis.. 71) Atente-se para o fato de que os 15(quinze) títulos e apólices as quais a Recorrente alega ser titular, em seu recurso, são os mesmos que os delicados nos processos: 35564..002474/2006-99; 35415..000735/2006-40; 35564.002475/2006-33; 44023 000150/2007-13; 44023.000030/2006-27; 36624.006224/2006-39; 36624.006224/2006-39; 36624 006224/2006-39; 44023_000031/2006-71; 44023.000031/2006-71; 44023 000148/2007-36; 44023 .000153/2007-49; 44023.000175/2007-17; 35564.002473/2006-44; 35564.002472/2006-08; 35415 000733/2006-51; 35462 001202/2006-10; 35564.002472/2006-08 E encontram-se sob a relatoria do presente Conselheiro. Em contra-razões, a autoridade a quo repete os argumentos de sua decisão.(fis.86) Após ajuntada das peças acima relatadas, o processo foi distribuído ao antigo 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que assumiu as atribuições do Conselho de Recursos da Previdência Social quanto ao custeio da mesma, cujas as atribuições são atualmente exercidas pela 2. Seção de Julgamento do Conselho Administrativos de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Esse é o relatório. Voto Conselheiro GUSTAVO VETTOR.ATO, Relator I — Das condições para homologação de compensação Preliminarmente, como condição básica para discutir se os créditos em favor da contribuinte são ou não válidos ou se estão prescritos, deve-se verificar as condições mínimas, competência dos órgãos públicos (antiga Secretaria da Receita Previdenciária e da Secretaria da Receita Federal) e natureza dos créditos, para se homologar a compensação de créditos tributários com créditos oriundos de Títulos da Dívida Pública em 'favor do sujeito passivo daquele primeiro. O caso em questão já foi alvo de discussões em grande volume já no antigo Conselho de Contribuintes, bem como no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que se trata da possibilidade de compensação de obrigações de natureza financeira, corno Títulos da Dívida Pública e/ou Apólices da Dívida Pública, de que não são tratadas pela Lei n 9711/1998, com tributos administrados pela antiga Secretaria da Receita Previdenciária SRP (vinculada ao INSS) e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, procedendo-se da mesma forma após a união administrativa e de competência das duas, com a Lei n. 11.098/2005. O artigo 170, do Código Tributário Nacional, em consonância ao art. 146, 111, b, da CF/1988, define as regras gerais de instituição e condições que autorizam a compensação de créditos tributários. Nesse dispositivo está claro que a lei ordinária pode instituir condições, -Çàiák limites e garantias a serem atribuídas à autoridade administrativa de forma a autorizai a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. De igual forma, a utilização de meios de pagamento de créditos tributários, diversos da moeda corrente, vale postal ou cheque, dependem de lei especifica que os disciplinem (art. 162, do CIN). Isso quer dizer que a compensação entre créditos tributários e créditos em favor do sujeito passivo da relação jurídico-tributária, seguirá o principio da estrita legalidade da Administração Pública, retirando qualquer discricionariedade do agente publico para tanto. Inicialmente, a compensação entre dos créditos tributários oriundos de contribuições federais, foi regulado pelo disposto nos art. 66 da Lei. 8383/1991, ao qual se ressalta o disposto no capta e no § 1": Ari 66 iVos casos de pagamento indevido ou a maior de ti ibutos, contribuições ,federais, inclusive previdenciái ias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de forma, anulação, ievogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte podei á efetuai a compensação desse valor no iecolhimento de importância co,, espondente a período subseqüente (Redação dada pela Lei n°9 069, de 29 6 1995) I" A compensação só poderá ser efetuada enn e ti ibutos, contribuições e receitas da mesma espécie (Redação dada pela Lei n°9 069, de 29 6 1995) A interpretação do § 1' do art. 66, da Lei 8,383/1991, está sintonizada com o art. 89 da Lei. 8..212/1991, com a redação vigente na época do protocolo do pedido (da Lei n. 9.032/1995), em que somente se autorizaria a compensação entre créditos tributários com créditos contra a Fazenda Pública oriundo de obrigações de tributárias de mesma espécie daquele primeiro.. Já em 2009, a redação do art. 89, da Lei n 8.212/1991, passou a ser a seguinte: Ai! 89 As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do patógrafo único do ar! 11 desta Lei, a5 contribuições instituídas a titulo de substituição e as contribuições devidas a terceiros 50111enle podei cioser restituídas ou compensadas nas hipóteses ,cle pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos lemos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Biasil (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) Pelo texto acima, e por integração legislativa, está claro que a matéria deve ser remetida ao disposto no art 74, Lei n°9.430/1996: . Ari 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito eia julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, pa.ssivel de iestituição ou de iessarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administi actos por aquele órgão (Redação dada pela Lei n" 10,637, de 2002) ( ,) 12 Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses (Redação dada pela Lei n" 11.051, de 2004) ( ) 4 Processo n" 44023 000030/2006-27 S2-TE03 Acórdão n " 2803-00.079 Fl .3 II- em que o crédito (Incluído pela Lei n" /1 051, de 2004) ( ) c) refira-se a título público; (Incluída pela Lei a" 11 0.51, de 2004) (., 1 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF (Incluída pela Lei n" 11 051, de 2004) ( ) § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à .fixação de critérios de prioridade para apt eciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação (Incluído pela Lei 77" I 1 051, de 2004) Observe-se que tanto no art. 66, da Lei 8383/1991, quanto na art. 74, da Lei n. 9A30/1996, e suas redações posteriores, contêm um núcleo em comum, exigem que a compensação se dê principalmente entre créditos que tenham natureza tributária Note-se que o caput do artigo supra citado está claro em autorizar a Secretária da Receita Federal do Brasil em compensar créditos tributários e créditos favoráveis ao contribuinte desde que sejam todos oriundos da incidência de tributos administrados pela própria Secretária da Receita Federal do Brasil. Enquanto o art. 66, da Lei 8.383/1993, era bem mais rígido, exige que os débitos e créditos fossem de mesma espécie. Os próprios títulos e apólices de títulos indicados pela Recorrente são claros em demonstrar a sua natureza não tributária, mas meramente financeira, sendo eles oriundos de empréstimos estatais feitos por entes públicos e privados de várias esferas de poder, em vários casos emitidos por entes diversos da União. Em momento algum há qualquer indicação que os mesmos são fiutos de incidência tributária. Nesse caso, teríamos a vedação disposta no art. 74, § 12, II, c, da Lei n. 9430/1996, em que expressa como não declarada a compensação de créditos tributários com créditos oriundos de títulos públicos em geral. Também, ao caso há a incidência do disposto no art. 74, § 12, I, e, do mesmo diploma, em que estabelece dupla vedação: a primeira é referente à necessidade de serem os créditos compensáveis oriundos de tributos, a segunda de que os mesmos sejam administrado pela própria Secretaria da Receita Federal Ainda, os títulos aos quais espera a R.ecorrente compensar, não são enquadrados como Letras Financeiras do Tesouro ou Letras do Tesouro Nacional, como tenta apresentar em seus pedidos, ao invocar o art. 5, do Decreto-Lei n. 2376/1987. Observe-se que tal dispositivo apenas se refere às Letras Financeiras do Tesouro criadas a partir 1987, com possibilidade de compensação com tributos, tinham natureza escriturai e nominativa. Da mesma forma, se trata a alegação de que a Lei n. 10.179/2001, art. 6, que trata apenas das Letras aos quais à mesma lei autoriza a emitir, não se estendendo às demais obrigações ou títulos anteriores. Também, a Lei n. 9.711/1998 determina de forma taxativa que a compensação de créditos não tributários vencidos de natureza não tributária ocorrerá á critério exclusivo do Ministério da Fazenda, e mesmo nesse caso o artigo 5.° inciso II exclui do 4 . GISO mecanismo os créditos contra a União originários de títulos da divida publica federal Ou seja, as hipóteses legais especiais permissivas de compensação tributária citadas pela Recorrente em nada incidem os títulos e apólices „ juntados no pedido de homologação de compensação, logo não pode receber nenhum tratamento especial para fins de compensação tributária. Quanto à natureza dos seus créditos, a Recorrente declara serem tais títulos frutos da divida externa do Brasil, contudo, verifica-se não há qualquer indicação legal de que tais títulos possam ter a compensação homologada pelas Secretarias da Receita Federal do Brasil ou Receita Previdenciária„ Quanto ao alegado frente à Lei n. 10.072/2000, esta apenas autoriza o Poder Executivo a abrir ao Orçamento da União, crédito extraordinário para refinanciamento da Divida Pública Mobiliária Federal, não sendo vinculado diretamente à aplicação das normas de compensação tributária Bastam estes fundamentos para retirar qualquer possibilidade de compensação administrativa realizada por homologação da Secretária da Receita Federal e da Secretaria da Receita Pr evidenciaria.. 11— Da Validade e Exigibilidade dos Títulos da Dívida Pública Antigos A titulo de argumentação, contar que a validade e exigibilidade dos títulos em questão sugerem dúvidas, principalmente após o Decreto-Lei n° 263/1967, e o Decreto-Lei n" 396/1968, que unificou os prazos de vencimento de títulos e apólices da dívida pública interna emitidas pela União até data da publicação dos decretos-leis nominados, O artigo 3" do Decreto-Lei n 263/1967, foi expresso em definir o prazo para apresentação e prescrição de tais títulos, 12(doze meses) a partir da publicação do edital de início dos serviços de apresentação do Banco Central (red. Decreto-Lei n°396/1968). Tais dúvidas, no mínimo, tomam necessária a prova de validade e exigibilidade, que é ônus da Recorrente, conforme o art. 15 do Decreto n. 70,235/1972. A compensação ou a cobrança Títulos da Divida Pública, mesmo que supostamente garantidores da dívida externa, com mais 70 anos desafia a boa-fé, sendo merecedora de prova cabal de sua validade e exigibilidade algo que somente foi tentado parcamente pela Recorrente. Os únicos documentos que tentam demonstrar a validade e atualização de valores, mas não demonstram a exigibilidade, dos títulos estão acostados nos outros processos de pedido de homologação de compensação, dentre os relacionados no relatório. Contudo, nos presentes autos não há qualquer elemento que comprovasse o substrato de suas alegações. Qualquer discussão sobre os títulos apresentados, sem elementos probantes de maior profundidade, trata-se de especulação. Assunto esse plenamente explicado nos precedentes jurisprudenciais colacionados no item seguinte, 111— Dos Precedentes Jurisprudenciais O posto acima está fundado na jurisprudência no antigo 2° Conselho de Contribuintes e ratificada pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem corno pelo Poder Judiciário aos quais são acatados por este voto, a exemplo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTA RIO RESGATE DE TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA LATE:RNA DO SÉCULO XIX E XX EMITIDOS PELA ANTIGA PROfríNCIA DA BAHIA E PELO ESTADO DO AMAZONAS - COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS FEDERAIS - ILEGITIMIDADE DA FN, INSS E BANCO CENTRAL DO BRASIL - EXTINÇÃO DO PROCESSO 6 Processo n° 44023 00003012006-27 S24 £03 Acórdão n " 2803-00.079 PI 4 I. Emitidos os títulos pela Província da Bahia e pelo Estado cio Amazonas, não há falar em legitinzidade passiva da União, do INSS ou do Banco Central cio Brasil para o resgate desses títulos. 2 A Lei ri ° 10 181/01 não determina que a União se responsabilize pelos títulos da dívida externa emitidos pelos entes de direito público interno, apenas a autor iza migrai ir esses títulos "enr casos excepcionais, visando resguardar as relações creditícias do País e a normalidade dos mercados financeiros" (art. I° da Lei ir° 10 181/01) 3.. Apelação não provida .4 Pecas. liberadas pelo Relatar em 10/03/2009 para publicação do acórdão..(AC 200236000078.580, DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, TRF1 - SÉTIMA TURMA, 20/03/2009) TRIBUTÁRIO TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA PRESCRIÇÃO COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS FISCAIS INSS, IMPOSSIBILIDADE NULIDADE DA SENTENÇA - EXTRA PETITA E CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA L Na hipótese das autos, discute-se, basicamente, sobre a possibilidade de compensação de débitos ,fiscais da parte Autora junto ao INSS, com créditos que detém cai face da União, através títulos da dívida pública externa emitidos em 1911 e 1932. 2. Prinieircunente, quanto à alegação de que o Juiz la que' julgou 'extra pedia', eis que embasou o seu entendimento em fundamentos equivocados e divorciados do pedido, entendo descabida, posto que o Juiz 1110170CI ático indeferiu o pedido do Autor, acolhendo a alegação do INSS de ocor rência da prescrição das apólices da divida pública, falo este, que constitui situação impeditiva ao deferimento do pleito do Autor quanto à quitação da dívida. O que configura o julgamento extra petna não é o fardamento equivocado ou divorciado do pedido, mas. sim provimento jurisdicional, ou ,seja, a decisão concedida tara dos limites do pleito Preliminar desacolhida.. .3 Quanto à preliminar de nulidade da .sentença por cerceamento de defesa, embasada no Mo de que o juízo 'a giro' intimou a apelante para .falar apenas sobre as preliminares ar güidas pelo INSS na sua contestação e não sobre o mérito, considero-a, por igual, descabida, pois em se tratando de niatér ia essencialmente de direito, não há necessidade de réplica do Autor Adernais, o apelante se manifestou após a contestação do INSS, permanecendo silente sobre a alegação de pi escr ição Por igual, na evordial, o Autor, já prevendo unia possível alegação de prescrição, fez unia breve defesa, no item 2 3 17, não configurando, portanto, o cerceamento de defesa Pr eliminar desacolhida 4.. A prescrição é um instituto jurídico destinado a pr eservar a segurança das relações jurídicas Não é dado ao credor ficar inerte esperando passivamente que o devedor cumpra sua obi igação As apólices da dívida pública externa com as quais pretende a apelante quitar .seu débito junto à Previdência Social datam de 1911 e 1.932, emitidas, portanto, há mais de 90 (noventa) e 70 (setenta) anos respectivamente, e, pretender a apelante, só agora, compensar seus débitos fiscais com tais títulos, afronta o bom senso jurídico e o princípio da boa-fé que devem In esidir as relaçõe.s jurídicas 5 Ademais, é forçoso ver «icem que, por qualquer prazo prescricional existente em nosso direito, é de se reconhecer a incidência da prescrição de tais títulos, mesmo que a eles não se apliquem e.spectficamente os Decretos 111S 263/67 e 396/68, posto que são títulos da divida pública externa, a eles se aplicarão o prazo máximo da prescrição admitido pelo Código Civil, 20 anos (ar! 177 CC/I916) ou 10 anos (art 205 CC./2002) 6 Impor tente fi isar, por derradeiro, que o pleito dos Autores consiste na possibilidade da ocorrência do instituto da compensação, que, independentemente do direito aplicado às apólices (interno ou internacional), é instituto do direito tributário, egulado pelo ar! 1705 do CTN, que exige, para tal ',riste', créditos líquidos e certos. , o que não ocorre, 'in casa', COM as apólices da dívida pública externa, de emissão datada do inicio do século, cai ecedoras da necessária liquidez A apólice da dívida pública que não tem cotação no mercado financeiro, sendo seu mim meramente histór ico e de difícil resgate não se apresenta como hábil à quitação de tributos federais, tanto na Muna de pagamento, dação, compensação ou qualquer outra fin ma de extinção cio crédito tributário (Piecedentes STJ, TRF 1 a e 5a Regiões) 7 Apelação interposta pela Autora improvida (AC 200183000173002, Desembargador Federal Hélio Silvio 01112711 Campos, TRF5 - Terceira liuma, 02/12/2003) Contribuições Sociais Previdenciárias Data do . fato gerador 27/11/2006 PREVIDENCIÁRIO - COMPENSAÇÃO FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que se aceite a compensação, sobre os valores devidos à Previdência Social, de créditos oriundos de títulos' da Dívida Externa Brasileira Recurso Voluntário Negado (Recurso n 241 803, Ac. 206- 00866, C0115 Rel Bernardete de Oliveira Barros da 6" Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, julg 09:05 2008 — No mesmo sentido Ac. 206-01 .241, Ac 206-01.239 e outros) O mesmo apontado acima observa-se ao presente caso, nem a antiga Secretaria da Receita Previdenciária do INSS/MPS, nem a Secretária da Receita Federal do Brasil, têm competência ou autorização para prover a restituição ou compensação de obrigações das oriundas dos títulos e apólices apresentadas.. IV — Da Suspensão da Exigibilidade dos Créditos Tributários Por final, quanto ao pedido de aplicação da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários aos quais à Recorrente buscou quitar com os créditos supra mencionados, com fundamento no art. 151, III, do CTN. Pedido esse que foi negado na decisão recorrida, pelo motivo da autoridade entender que não serem os atos de constituição objetos do recurso ou do pedido. Observe-se que os créditos e pedido objetos deste processo, são anteriores à 8A Processo n" 44023 000030/2006-27 S2-TE03 Acórdão n 2803-00.079 Fl 5 unificação de procedimentos decorrentes da alteração do art 89, da Leio. 8.21211991, pela Lei n° 11.94112009, assim não se pode aplicar as vedações à suspensão à exigibilidade do crédito tributário objetos de pedido de compensação declaradas não homologadas do art. 74, § 13 0, da Lei n. 9430/1994. Este Conselho tem o entendimento que se aplica a norma suspensiva, pois o art. 151, III, do CTN, não se referiria à constituição do crédito tributário, mas sim ao próprio crédito, Entendimento comungado com o seguinte voto condutor da lavra da Conselheira Doutora Maria Teresa Martinez Lopez: O inciso III do artigo 1,51, não faz a distinção enti e crédito tributário lançado ou não. Menciona apenas Suspendem a exigibilidade do crédito tributário III- as i eclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo Numa interpretação mais restrita não se pode suspender a exigibilidade se esta ainda não existe O C7 édito, a rigor, .só é exigível quando já não caiba reclamação, nem recurso contra o respectivo lançamento Nesse entendimento, sequer nos casos de lavratura de auto de infração haveria a suspensão da exigibilidade do crédito tributário Não é lógico se pensar dessa forma, como tem registrado a doutrina e a jurisprudência Alie-se a isto o fato de, com a evolução do direito e a aplicação da interpretação do Superior Tribunal de Justiça, claro está em admitir que o lançamento poderá ser tácito (auto lançamento) ou de oficio, quando da existência de informação em declarações, dos valores apurados pela contribuinte Na verdade, o próprio pedido de compensação é uma informação do valor apurado pela própria contribuinte No mais, revela a jurisprudência judicial entendimento no sentido de conferir suspensão do crédito tributário nesses casos, para efeito de obtenção de Certidão Negativa de Débito Positiva com Efeito de Negativa Neyie sentido, veja-se Agravo de Instrumento n° 2002 04.01 011.344-4/RS TRF da 4 Região — Des Federal Luiz Carlos de Castro Lugon ( ) Realmente, o que se quer e se entende pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, é apenas uma paralisação ou cessação temporária, ou por tempo limitado, do procedimento executório, sem retirar do próprio crédito tributário as suas características de definitivamente constituído Apenas, o que se espera, que esse crédito se torne administrativamente inexigível enquanto não decidido a pendenga administrativa Apenas isto (Trecho do voto condutor do Ac ir. 126321, da 3" Câmara do 2" Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, DOU 13.03 .2005) Por esses motivos, deve-se reconhecer a incidência da norma de suspensão dos créditos tributários objetos do pedido de compensação desde a data de protocolo do mesmo, até o trânsito em julgado da presente decisão. V — Do Dispositivo do Voto //yd-903i Dessa forma, o voto é por conhecer o Recurso Voluntário, mas DAR. PROVIMENTO PARCIAL, mantendo a decisão denegatória do pleito de homologação de compensação, devido ao não preenchimento das condições necessárias à compensação dos créditos objetos de discussão e da incompetência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Receita Previdenciária para promover a compensação de títulos da dívida pública, mas admitindo a suspensão dos débitos objeto do pedido de compensação, em amparo ao que dispõe o artigo 151, inciso III, do Cl-N.. Este é o meu voto. w/47,( TAVO VE TORATO - Relator Voto Vencd r Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Redatora designada - vencedor somente no tocante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário A divergência instaurada no presente julgamento diz respeito única e exclusivamente à verificação da hipótese prevista no art. 151, III, do Código 'Tlibutário Nacional, que trata da suspensão da exigibilidade do crédito tributário pela apresentação de reclamação ou recurso administrativo pelo interessado. Veja, a respeito, o que estabelece o mencionado dispositivo legal: "Ar! 151 Suspendem a exigibilidade do crédito tributário. III - as reclamações e os recurso.s, nos lei MOS das leis reguladoras do processo tributário administrativo," Tal fato é de extrema relevância se considerarmos que a não suspensão da exigibilidade do crédito tributário terá como efeito imediato o prosseguimento do procedimento de cobrança e a inscrição do débito em dívida ativa. Como já mencionado no relatório, na hipótese tratada nos autos, o Recorrente requereu a homologação de compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de Títulos e Apólices da Dívida Pública, todos emitidas anteriormente anteriores ao ano de 1930, alegando a sua validade, vigência é responsabilidade da União pela sua legitimidade. A compensação tributária encontra-se prevista no art. 170 do Código Tributário Nacional e somente poderá se realizar em conformidade com as condições e procedimentos estabelecidos em lei, como se verifica abaixo: "Ai, 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipulai , ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autot izar a compensação de créditos tributát ios com cl éditos liquidas e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública 1o, (,, Processo n" 44023 000030/2006-27 S2-TE03 Acórdão n " 2803-00.079 El 6 Parágrafo ÚlliC0 Sendo 'incendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao nrés pelo tempo a decor me; entre a data da compensação e a do vencimento No âmbito previdenciário, a compensação era, à época em que realizada, regulada pelo art. 89 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n" 9.129/95, que estabelecia que somente poderia ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. Do dispositivo acima mencionado é possível inferir que apenas os créditos decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior de contribuições providenciarias é que poderiam ser objeto de compensação tributária. Nestes termos, resta indubitável que a compensação pleiteada pelo Recorrente, de débitos previdenciários com crédito de natureza não tributária, tem o condão única e exclusivamente de postergar o recolhimento do tributo devido, já que não encontra amparo ou respaldo no ordenamento jurídico brasileiro. Ora, é inconteste que a atividade administrativa está adstrita aos ditames legais, por força do que estabelece o art 37 da Constituição Federal de 1988. Nesse sentido, dispondo o art. 170 que apenas a lei poderá estabelecer condições e garantias para a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública, a simples inexistência de lei nestes termos já é suficiente para afastar a pretensão da Recorrente. E mais, a única lei que regulamenta a compensação no âmbito previdenciário é a Lei n° 8.212/91 apenas permite a compensação de débitos previdenciários com créditos de natureza tributária. Por fim, com relação à previsão contida na Lei n" 9.711/98, cumpre esclarecer que a aceitação de títulos públicos para amortização ou quitação de dívidas previdenciárias, em permuta por títulos de responsabilidade do Tesouro Nacional, se efetivará tão-somente em leilões promovidos pela União, com essa exclusiva finalidade, consoante o que estabelece o seu art. 3°. A jurisprudência administrativa é unânime em refutar as pretensões dos contribuintes de compensação de débitos com créditos decorrentes de títulos da dívida pública É o que se verifica das decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente reunidos neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - ANO- CALENDÁRIO - 2002 - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO - TÍTULO DA DIVIDA PÚBLICA - PRESCRIÇÃO LIQUIDEZ E CERTEZA - Descabe reconhecimento de direito creditório de título da Dívida Pública Everna, inexistindo lei específica autorizadora de compensação com créditos tributários, nos termos do art. 170 do CTN, mormente em se tratando de título prescrito..." (Acórdão105-15549, Recurso: 147348, Primeiro Conselho de Contribuintes, Quinta Câmara, Relator: Luís Alberto Bacelar Vidal) P;) ú "COMPENSA 0b NÃO HOMOLOGADA A apresentação de PER/Decomp para compensar crédito tributário com título da dívida pública externa, no âmbito adminisn ativo, corresponde à não implementação de compensação de espécie alguma, em face da proibição expressa na legislação ii ibutái ia COMPENSAÇÃO INDEVIDA COM CREDITO NÃO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO ISOLADA O capa! do ar!, 18 da Lei n" 10 833/2003 determina a aplicação da multa de oficio no caso de compensação com créditos de origem não ti ibutária. Essa redação permaneceu vigente no ,sç' 4" do mesmo artigo, nos teimas do ai t 4" da Lei n" 11..051/2004 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO Não restando cabalmente comprovado o dolo, fraude ou simulação, a multa aplicada deve ficai limitada ao inciso I do caput do art 44 da Lei n" 9 430/96 Recurso pi ovido em parte" (Acórdão 202-19,110, Recurso, Segundo Conselho de Contribuintes, Segunda Câmara, Relatora: Maria Cristina Roza da Costa) "TÍTULO DA DIVIDA PUBLICA FEDERAL, CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTA' RIA COMPENSAÇÃO. Inaánissível a compensação de suposto valor de título da divida pública federal, de natureza não-tributária, com tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, em face de expressa vedação legal, conforme art. 170 do CTN, que só autoriza a compensação mediante lei especifica." (Acórdão 301-34 ,255, Terceiro Conselho de Contribuintes, Primeira Câmaia, Relator: João Luiz Fregonazzi) Esclareça-se que este é o mesmo posicionamento já adotado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, órgão responsável, à época, pela análise das compensações realizadas em âmbito previdenciario: "PREVIDENCIARIO COMPENSAÇAO DE CONTRIBUIÇA0 PREVIDENCIARIA TITULOS EMITIDOS PELA ELETR OBRAS E SECURITIZA DOS PELA UNIÃO IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. PRINCIPIO DA LEGALIDADE NA ADMINISTRAÇAO PUBLICA. Inexiste autorização legal para aceitação de títulos emitidos pela ELETROBRAS para quitação de débitos junto à Pi evidência Social Não comprovou a recon ente que cumpriam os requisitos da Lei n° 9 711/98 para a extinção de crédito previdenciário mediante dação em pagamento de títulos, A atividade administrativa é informada pelo princípio da legalidade, de modo que somente é permitido ao administrador fazer o que a lei autoriza RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.." (Processo n° 35249 000076/2005-20 - 19/05/2005, Conselho de Recursos da Previdência Social, Segunda Câmara de Julgamento) "PREVIDENCIARIO CUSTEIO. PEDIDO RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO CUMULADO COM PEDIDO DE COMPENSAÇAO UTILIZAÇÃO DE TITULO EMITIDO PELA ELETROBR.AS. IMPOSSIBILIDADE JUR1DICA A pretensão do contribuinte não encontra amparo na lei de custeio da seguridade social e não atende ao disposto no ai t 170 do CTN, porquanto a compensação somente poderá ser admitida se constante de disposição expressa em lei, Nesse sentido, o contribuinte não Logi ou provar seu enquadramento nas disposições do ai! 3" da Lei n" 9 711/98 RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO "(Processo n" 37067,002127/2004-60, Conselho de Recursos da Previdência Social, Segunda Câmara de Julgamento) Diante do exposto, restando claro que os procedimentos realizados com créditos de natureza não tributária não se tratam de verdadeiras compensações, por não haver 12 # Processo n°44023.000030/2006-27 S2-1E03 Acórdão n " 2803-00.079 Fl 7 legislação aplicável à espécie, não será possível reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do disposto no art.. 151, III, CTN, pela sua manifesta contrariedade à disposição contida no art. 89 da Lei n" 8.212/91, Este entendimento foi positivado pelo art.. 74, § 12", da Lei n" 9..430/96, ao estabelecer, expressamente, que será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito refira-se a título público. No seu § 13', o art. 74 consignou que a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se aplica às compensações consideradas não declaradas. Muito embora tal disposição legal não possa ser aplicada ao caso dos autos, por se tratar de compensação realizada antes da sua subsunção à Lei n" 9.430/96, há que se observar que a conclusão de ausência de efeito suspensivo ao recurso interposto contra a decisão que não admitiu a compensação realizada com créditos de natureza não tributária pode ser extraída de uma interpretação conjunta do que está previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional e no art. 89 da Lei n" 8.212/91. Diante do exposto, acompanho o Relator para CONHECER do Recurso Voluntário e NEGAR PR.OV1MENTO, mantendo a decisão denegatória do pleito de homologação de compensação, devido ao não preenchimento das condições necessárias à compensação dos créditos objetos de discussão e da incompetência da Secretaria cia Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Receita Previdenciária para promover a compensação de títulos da dívida pública, divergindo, contudo, quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, pelo fato de não se tratar de compensação realizada nos moldes da legislação aplicável à espécie.. É corno voto. Sala das Sessões, em 28 de abril de 2010 ON/O.C/Plaak/t0(4,a0GC, CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Redatora designada I 3 i;
score : 1.0
Numero do processo: 13710.002903/2001-50
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: SIMPLES. Comprovado nos autos que o débito que deu origem ao ato de exclusão não existia à época.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 303-33.302
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 13710.002903-2001-50 Recurso n° : 132.887 Sessão de : 21 de junho de 2006 Acórdão n° : 303-33.302 Recorrente : CAFÉ E BAR PRIMAVERA DE MOSSAMEDES LTDA. - ME Recorrida : DRERIO DE JANEIRO/RJ SIMPLES. Comprovado nos autos que o débito que deu origem ao ato de exclusão não existia à época. Recurso voluntário provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integraro presente julgado. -- A ELISE DAUDT PRIET P esidente e Relatora 1111 Formalizado em: 26 JUN 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiuza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campeio Borges e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). Ausente o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacinal Leandro Felipe Bueno Tiemo. mmm Processo n° : 13710.002903/2001-50 Acórdão n° : 303-33.302 RELATÓRIO E VOTO Trata-se de retomo de diligência determinada pela Resolução n° 303-01.131, de 23/03/2006, pela qual a repartição de origem foi instada a esclarecer se houve a retificação de declaração alegada pela contribuinte e se a mesma foi acatada, bem como verificar se o débito inscrito em divida ativa tinha essa origem. Transcrevo o relatório e o voto que proferi naquela ocasião. "Adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: O processo tem origem no Ato Declaratório n° 294.648, de 02/10/2000 (fl. 14), expedido pelo Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro - RJ, determinando a exclusão da • interessada do regime do SIMPLES, em razão de "Pendências da empresa e/ou sócios junto a PGFN", cujo demonstrativo de débitos consta à fl. 10. A interessada ingressou com Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo Simples - SRS (fl. 04) junto àquela Delegacia, mas teve seu pleito indeferido, devido à "não apresentação da Certidão Negativa da PGFN". Irresignada com o despacho denegatório, de que foi cientificada em 22/10/2001 (fl. 04), a interessada apresentou, em 26/11/2001, a impugnação de fl. 1, onde alega, em síntese, que formalizou processo desde 08/1/99, junto a PGFN pedindo retificação de débitos. À fl. 30, consta despacho em 22/01/2002 para a • DIORT/DERAT apreciar a impugnação da SRS. À fl. 79/79-v, análise de "Solicitação de inclusão retroativa no SIMPLES", com a decisão de Improcedência do pedido de revisão/exclusão do SIMPLES, por constar débito com a Fazenda Nacional. À fl. 80, despacho para ciência da interessada, informando que cabe impugnação à DRJ/RJ, com a ciência em 14/04/2003 à fl. 80-verso. À fl. 81, impugnação da interessada em 07/05/2003, pedindo o reexame da exclusão, apresentando as Certidões negativas junto à PGFN e ao INSS, fls.82/83 Juntei, aos autos, fl. 85, extrato do Sistema CIDA da PGFN que registra a situação da inscrição da interessada. 2 "13P - . ., Processo n° : 13710.002903/2001-50 Acórdão n° : 303-33.302 O presente processo somente agora está sendo analisado, em face do volume e das condições dos serviços. É o relatório." A Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro indeferiu a solicitação da contribuinte em decisão assim ementada: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. PGFN. Há que ser considerada procedente a exclusão de oficio do Simples, formalizada por meio de ato declaratório, tendo em vista que, à 410 época, restou comprovada a existência de débito inscrito na Dívida Ativa da União. Solicitação Indeferida" Inconformada, a contribuinte, por seu procurador, apresenta recurso a este Colegiado alegando, preliminarmente, que o ato declaratório que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES, por se tratar de um ato vinculado, está sujeito à observância estrita da legalidade, impondo o estabelecimento de nexo entre o motivo do ato e a norma jurídica que o embasou, conforme entedimento exarado em diversos julgados dos Conselhos de Contribuintes. No mérito, aduz que embora a autoridade julgadora a quo alegue que havia débito inscrito em dívida ativa, ela não considerou que em 16/06/1999 foi entregue na Agência da Receita Federal Méier uma declaração retificadora, bem antes da inscrição do Débito na Dívida • Ativa, e que os pagamentos da Cofins referentes aos meses 03/95 e04/95 foram efetuados dentro do vencimento com valores iguais aos informados na Declaração Retificadora. Insiste em que houve atraso no processamento da declaração, por parte da Receita Federal, o que deve ter motivado a exclusão, e que para agilizar a regularização da empresa em relação ao Simples, efetuou o pagamento do débito junto à Procuradoria da Fazenda Nacional em 29/04/2003, sendo a inscrição extinta em 07/05/2003. Anexa documentos aos autos para comprovar as suas alegações. Ao final, pede o provimento do recurso. É o relatório.ipse 3 . . Processo n° : 13710.002903/2001-50 Acórdão n° : 303-33.302 VOTO Conheço do recurso, que é tempestivo e trata de matéria de competência deste Colegiado. A empresa afirma que o débito que deu origem ao ato declaratório de exclusão decorre, única e exclusivamente, da demora em regularizar a retificação da DIRPJ. O voto condutor do acórdão recorrido limita-se a afimar que havia o débito inscrito em Dívida Ativa da União que não estava com a exigibilidade suspensa na data da edição do ato declaratório. Porém, entendo ser relevante a análise da alegação da empresa e que não existem elementos suficientes nos autos para tanto. • Em face do exposto, voto pela realização de diligência para que a repartição de origem confirme a solicitação da retificação da declaração e se esta foi acatada. Além disso, deverá ser verificado se o débito que estava inscrito em dívida ativa tinha essa origem. É o meu voto." Encaminhado o processo à origem, esta anexou documento de fl. 114 informando: "Em resposta à Resolução n° 303-01.131, fls. 103 a 106, que converteu o julgamento em diligência, informo que foi processada e liberada a declaração retificadora do exercício 1996, referente ao ano-calendário 1995, conforme consulta ao sistema IRPJ em fls. 109/110. Verificamos que o débito que estava inscrito em Divida Ativa tinha origem na declaração do exercício 1996 que foi retificada e cancelada, conforme pesquisa aos sistemas conta-corrente e IRPJ, em fls. 111 a 113." • Cumprida a diligência, retomou o processo a este Conselho para julgamento. Portanto, em 16/03/1999, antes mesmo do ato declaratório de exclusão do Simples, a empresa já havia regularizado a situação, por meio da declaração retificadora. Não havia, então, à data, o débito a que se referiu o ato. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 21 de junho de 2006. • ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora 4 Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1
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Numero do processo: 14333.000218/2007-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A apresentação de GFIP sem os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para aplicar o regramento previsto no art. 32-A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, por força da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, c, do Código
Tributário Nacional, desde que verificada penalidade mais favorável ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A apresentação de GFIP sem os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para aplicar o regramento previsto no art. 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, por força da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, desde que verificada penalidade mais favorável ao contribuinte. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14333.000218/200791 Acórdão n.º 280300.918 S2TE03 Fl. 161 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Oseas Coimbra, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14333.000218/200791 Acórdão n.º 280300.918 S2TE03 Fl. 162 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de LINAVELUIZ IVAN NAVEGACAO LTDA, em virtude da apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP sem informações que correspondem com os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ocorridos no período de janeiro de 2001 a outubro de 2004. Nestes termos, teria a empresa incorrida na infração prevista no art. 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/91. Diante disso, foi arbitrada multa consoante determinado pelo art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91 c/c com o art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social. De acordo com o Relatório Fiscal, o contribuinte deixou de informar integralmente em GFIP as remunerações pagas aos segurados empregados, bem como os valores pagos a título de remuneração aos segurados empresários e autônomos. O contribuinte foi intimado pessoalmente no dia 22/12/2004, e apresentou defesa tempestiva em 06/01/2005 (fls. 91/110). Em virtude da solicitação proferida no despacho de fls. 112/113, o Auditor Fiscal apresentou informações complementares às fls. 115, informando que, com relação a não inclusão na GFIP da remuneração paga aos segurados empregados, o contribuinte corrigiu na íntegra as falhas por meio de GFIPs declaratórias, entregues em 14/01/2005. Ademais, no que se refere ao prólabore, afirmou que o contribuinte também corrigiu na íntegra a falta que motivou a lavratura do auto de infração, entregando as GFIPs em 16/12/2005. Por fim, com relação aos autônomos relacionados às fls. 14/21, esclarece que não foram realizadas quaisquer correções, hábeis a regularizar a situação do contribuinte. A Delegacia da Receita de Julgamento manteve o lançamento, em acórdão ementado nos seguintes termos (fls. 140/147): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. TERCEIROS. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE DE RELEVAÇÃO. INFRATOR PRIMÁRIO E CORREÇÃO INTEGRAL DA FALTA. RELEVAÇÃO DA MULTA. Apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14333.000218/200791 Acórdão n.º 280300.918 S2TE03 Fl. 163 4 Os fatos geradores não declarados em guias GFIP devem ser relacionados estritamente com as contribuições previdenciárias, excluindose as contribuições destinadas a terceiros. A multa somente será relevada se atendidos os requisitos previstos no art. 291, do Regulamento da Previdência Social. Não há amparo legal para o procedimento de relevação parcial. Mediante pedido fundamentado, a multa aplicada no período 01/2004 a 10/2004 deverá ser relevada pela administração pública, consoante o disposto no art. 291, §1.° do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, desde que o infrator seja primário, não tenha incorrido em nenhuma circunstância agravante e tenha corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE COM RELEVAÇÃO DA MULTA Lançamento Procedente em Parte” Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso tempestivo em 23/01/2009 (fls.150/155), por meio do qual alega, em síntese, que: (a) a Lei nº 8.212/91 limita a aplicação da multa a vinte vezes o valor mínimo estabelecido. Logo, o valor arbitrado suplantaria e muito o máximo que poderia atingir o montante da multa; (b) supondo que a multa aplicada tenha sido calculada para cada competência, nas quais foram constatadas as informações incorretas, ainda assim não deverá prosperar a quantia estabelecida, haja vista que a Lei nº 8.212/91 determina que o limite da multa será 100% calculado sobre a contribuição que deixou de ser informada à Previdência Social, limitada a 20 vezes o valor mínimo conforme o número de empregados; (c) as obrigações tributárias, sejam elas acessórias estas no que tange ao seu quantum, ou principais devem decorrer de lei sob pena de serem declaradas inválidas, em função do princípio da legalidade; e (d) a impossibilidade de se corrigir o crédito tributário por meio da taxa Selic. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14333.000218/200791 Acórdão n.º 280300.918 S2TE03 Fl. 164 5 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. A Recorrente foi atuada por apresentar a GFIP sem os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Nestes termos, teria a empresa incorrido na infração ao disposto no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, in verbis: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator a pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior .( Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)” O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048/99, também prevê a obrigatoriedade de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto;” O descumprimento da referida obrigação acessória enseja a aplicação de multa no percentual de 100% do valor das contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas. É o que preleciona o art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14333.000218/200791 Acórdão n.º 280300.918 S2TE03 Fl. 165 6 “Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; Como se vê, a exigência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória é decorrente de lei, e não pode o Fisco Previdenciário furtarse de sua obrigação de aplicar a lei, já que o ato administrativo de lançamento é totalmente vinculado à norma. A cobrança da referida penalidade, no percentual de 100% das contribuições previdenciárias devidas, tem previsão legal que ampara sua exigência e, portanto, sua aplicação obedece ao principio da legalidade, essencial ao funcionamento da Administração Pública. Todavia, com a edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a redação do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 foi substancialmente alterada, tendo sido revogado o § 6° do mencionado dispositivo legal. A nova redação do referido dispositivo legal ficou assim redigida: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” A multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei n° 8.212/91 passou a ser regulamentada pelo disposto no art. 32A, incluído pela Lei n 11.941/2009. Veja o que dispõe a novel legislação: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14333.000218/200791 Acórdão n.º 280300.918 S2TE03 Fl. 166 7 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1° Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2° Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3° A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Como se depreende das disposições legais acima colacionadas, o novo regramento trazido pela Lei n° 11.941/2009 contém penalidades mais benéficas aos contribuintes. Por essa razão, e considerando a retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, resta claro que a penalidade imposta pela autoridade fiscal nos presentes autos deve ser adequada ao que estabelece a novel legislação de regência. É o que dispõe o referido artigo: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14333.000218/200791 Acórdão n.º 280300.918 S2TE03 Fl. 167 8 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Esse é inclusive o posicionamento que tem sido adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para casos análogos ao presente: “NORMAS PROCESSUAIS RETROATIVIDADE BENÉFICA DE LEI. A multa de ofício deve ser reduzida, de ofício, quando Lei posterior trouxer percentual mais favorável ao sujeito passivo. Recurso Especial provido em parte.” (Acórdão nº : CSRF/0202.082, Processo n°: 10880.016118/9444, Recurso n°: 201101662, Relator: Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES) “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS . RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 10.865, DE 2004 Aplicase o novo diploma legal que comine penalidade ao sujeito passivo da obrigação tributária menos gravosa ou severa que a prevista em lei ao tempo da prática da infração apurada em procedimento de fiscalização quando o ato ou fato pretérito não foi definitivamente julgado, "exvi" do disposto no Art. 106, inciso II, letra "c" da Lei n.° 5.172, de 25.10.1996 Código Tributário Nacional.” (ACÓRDÃO CSRF/0400.246, Recurso n° 104 131127, Processo n°: 10980.006526/200150, Relator: Conselheiro JOSÉ RIBAMAR BARROS PENHA) Em sendo assim, a multa imposta nos presentes autos deve ser mantida integralmente, admitindose, contudo, a sua adequação à novel legislação, se mais favorável ao contribuinte. CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa, reconhecendo, de ofício, a aplicação do novo regramento previsto no art. 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, por força da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, desde que verificada penalidade mais favorável ao contribuinte. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14333.000218/200791 Acórdão n.º 280300.918 S2TE03 Fl. 168 9 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10820.001815/2001-03
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. PAGAMENTO NÃO-COMPROVADO.
A compensação indevida e a falta de comprovação dos pagamentos dos
débitos informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais justificam o lançamento de oficio dos débitos para formalizar sua exigência.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2803-000.103
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE
JULGAMENTO DO CARF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. PAGAMENTO NÃO-COMPROVADO. A compensação indevida e a falta de comprovação dos pagamentos dos débitos informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais justificam o lançamento de oficio dos débitos para formalizar sua exigência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO DO CARF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. sti% LSON MA 00 ROSENBURG FILHO residente AL ANDRE KERN elator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Luís Guilherme Queiroz Vivácqua e Andréia Dantas Lacerda Moneta. • Processo n° 10820.001815/2001-03 82-T E03 Acórdão n.° 2803-00.103- Fl. 394 Relatório Cuida-se de recurso (fls. 351 a 354) interposto pelo recorrente acima qualificado, contra o Acórdão n° 14-16.751, de 20 de agosto de 2007, da DRERPO, fls. 327 a 337, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o P1S/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. PAGAMENTO NÃO- COMPROVADO. A compensação indevida e/ ou a falta de comprovação dos pagamentos dos débitos informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTP) implica a manutenção do crédito tributário constituído em clecolTéncia da auditoria interna realizada na respectiva declaração. AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITO& A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Pública, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, aplicando-se ao caso a decisão judicial. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplica-se retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindo-se a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em lace da não-confirmação dos pagamentos informados em DCTEs. PROVA PERICIA. REALIZAÇÃO. Incabível a perícia quanto à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos, da aplicação dc, legislação tributária, da verificação de exigências legais e de soma aritmética. LANÇAMENTO. NULIDADE É válido o procedimento administrativo desenvolvido em conformidade com os ditames legais. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO Por expressa disposição legal, o sujeito passivo deve ser intimado no domicilio .fiscal eleito por ele. Lançamento Procedente em Parte Versa o presente processo sobre Auto de Infração, decorrente de procedimento de auditoria eletrônica da DCTF do 1 0 trimestre(s) de 1997, em que,eclarante, 2 • Processo n° 10820.0018 15/2001-03 52-TE03 Acórdão n.° 2803-00.103- Fl. 395 ora recorrente, informou que seus débitos de Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro, fevereiro e março daquele ano, nos valores de R$ 1.277,33, R$ 1.491,84 e R$ 1.501,34, haviam sido extintos por pagamento em datas de 07/0211997, 10/03/1997 e 10/04/1997. Sob o fundamento "Comp. c/ pagto parcialmente utilizado" (Anexo I — DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS, fl(s). 34 e 35), o Fisco não acolheu a exceção de compensação com DARF sem processo e lançou de oficio os referidos débitos, com os consectários de praxe, formalizando a exigência constante do Auto de Infração n2 0000061, fls. 32 e 33 e anexos. A exação totalizou R$ 11.520,83. Após impugnação (fls. 1 a 20) e revisão de oficio (fl. 322), sobreveio o julgamento em primeira instância, em que a DRJ/RPO- 1 a Turma houve por bem em julgar o lançamento parcialmente procedente, apenas para excluir a aplicação da multa de lançamento de oficio, por retroação da norma penal mais benigna do art. 18 da Lei n2 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação que lhe foi dada pelo art. 25 da Lei n 2 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Vem agora o recorrente insurgir-se contra a decisão de piso, reivindicando seu direito à compensação dos débitos de que se trata com indébitos do PIS, recolhidos sob a égide dos inconstitucionais Decreto-Lei n2 2.445, de 29 de junho de 1988, e Decreto-Lei n2 2.449, de 21 de julho de 1988. Aduz que os recolhimentos a maior estão devidamente registrados nos seus assentamentos contábeis e comprovados pela autuação. Entende indispensável a perícia técnica. Invoca decisão judicial que lhe foi favorável, nos autos do processo n2 2001.03.99.039194-4. Pede a conversão do julgamento em diligência, com o objetivo de se confirmar os recolhimentos a maior e a regularidade das compensações efetuadas. Conclui, rogando que preliminarmente seja apreciado o pedido de conversão do feito em diligência, com o objetivo acima explicitado, para que, por ocasião do julgamento definitivo do seu recurso, seja-lhe dado integral provimento É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de ('ls. 351 a 354 merece ser conhecida corno recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-RPO n2 14-16.751, de 20 de agosto de 2007. Pedido de Perícia Considero não formulado o pedido de perícia, nos termos do § I° do art. ló do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972, já que o requerente não atendeu aos requisitos previstos no inc. IV do mesmo artigo. Tivesse sido adequadamente formulado, o pedido de produção de prova pericial seria indeferido por três motivos fundamentais: 1°) por serem suficientes as provas constantes dos autos para a formação da convicção deste relator; 2°) por se tratar de ma /; ia de 3 Ck. • Processo n° 10820.001815/2001-03 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.103- Fl. 396 prova a ser feita mediante a mera juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada; e 3°) por não estar configurada situação a exigir conhecimentos técnicos especializados para o deslinde da questão. Pedido de conversão em diligência No tocante à diligência, ela reserva-se à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, necessária para o deslinde da questão controversa, não se justificando sua realização quando as provas e os documentos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção e elaboração da decisão no processo administrativo. Além disso, a realização de diligências não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. Mérito A exação de que se trata está fundamentada na falta de comprovação da extinção dos débitos da contribuição, declarados para os meses de competência de janeiro a março de 1997. Na respectiva DCTF, a liquidação daqueles débitos foi vinculada a compensações com DARF. O recorrente alegou que os débitos estariam extintos por compensação com créditos financeiros decorrentes de recolhimentos a maior para o PIS, nos termos dos decretos- lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1998. Trata-se de fato modificativo do direito de o Fisco proceder ao lançamento, e, enquanto tal, toca à parte comprovar a exceção interposta. Contudo, além de não ter carreado aos autos documentos contábeis comprovando as alegadas compensações, na data dos vencimentos dos referidos débitos, a compensação de créditos financeiros decorrentes de tributos pagos indevidamente ou maior com débitos fiscais de espécies e naturezas diferentes, somente era permitida, mediante pedido administrativo, conforme disposto na Instrução Normativa SRF n 2 21, de 10 de março de 1997, art. 17, então vigente. Todavia, o recorrente não fez prova de que tivesse tomado tal iniciativa. Além disto, tendo recorrido ao Poder Judiciário para efetuar a compensação dos créditos financeiros reclamados, processo n°2001.61.07.003981-6, a decisão transitada em julgado não reconheceu o seu direito. Na peça recursal, o recorrente inova e traz agora à baila a ação de repetição de indébitos de Finsocial de n 2 9708064408/SP. Mesmo que se pudesse acolher tal inovação, ainda assim os débitos lançados remanesceriam descobertos, posto que a referida decisão judicial, até a presente data, não tem trânsito em julgado. A propósito, oportuno destacar que o Segunr Conselho de Contribuintes já decidiu outro processo deste contribuinte nestes termos. 4 e\s Processo n° 10820.001815/2001-03 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.103- Fl. 397 .r- '''410is Ministério da Fazenda CONSELHO DE CONTRIBUINTES Numero Recurso :121467 Câmara :TERCEIRA CAMARA Numero Processo :13822.000106/2001-71 Tipo do Recurso :VOLUNTÁRIO Matéria :PIS Recorrente :NUTRIPENA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE RAÇÕES LTDA. Recorrida/Interessado :DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Data da Sessão :02/07/2003 09:00:00 Relator :Maria Cristina Roza da Costa Decisão :ACÓRDÃO 203-09036 Resultado :NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Ementa :PIS. COMPENSAÇAO. A compensação com parcelas vincendas do mesmo tributo independe de requerimento â repartição fiscal, a teor do art. 14 da IN SRF n°21/97. Entretanto, não pode ser somente alegada. Devem ser comprovadas a liquidez e a certeza do crédito utilizado. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. Constatada a falta de recolhimento da exação, impõe-se a sua exigência por meio de lançamento de oficio, sendo legitima a aplicação da multa de 75%, em conformidade com o art. 44, I, § 1°, da Lei n°9.430/96. e juros de mora, nos termos da Lei n°8.981/95 c/c o art. 13 da Lei n° 9.065/95, que, dispondo de modo diverso do art. 161 do CTN, consoante autorizado pelo seu § 1°. estabeleceram a Taxa Selic como juros moratórias. Recurso negado. Assim, não há que se falar em compensação dos débitos ora exigidos. Conclusões Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2009 ALE17\4‘DRE KEL 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002290/00-62
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.239
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Numero do processo: 11020.002530/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
INSUMOS. ALCANCE DO TERMO.
São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes.
CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS
NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi
consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da
contribuição.
CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE
VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito.
CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO.
IMPOSSIBILIDADE.
Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO.
INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL.
O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
ART. 62-A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS
QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-002.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de
combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovadas pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregadas do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira reconheceu também o direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e
higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório. O Relator, além destes, reconheceu também o direito ao creditamento quanto às aquisições de pessoas físicas.
Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 ART. 62-A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovadas pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregadas do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira reconheceu também o direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório. O Relator, além destes, reconheceu também o direito ao creditamento quanto às aquisições de pessoas físicas. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 2 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de PIS não – cumulativo – Exportação, transmitido em 18/09/2008, relativo ao primeiro trimestre de 2008, no valor de R$ 79.962,61. Também consta pedido de compensação para este crédito. A unidade de origem, após diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, buscando a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, emitiu Despacho Decisório embasado em Relatório Fiscal, por meio do qual reconheceu parcela do crédito invocado no valor de R$ 49.385,86 e homologou a compensação no limite do crédito reconhecido. Consta ainda que foram glosadas as seguintes despesas: a) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção); b) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção; c) Produtos sujeitos à alíquota zero; d) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, peças diversas); e) Materiais de Transporte; f) Crédito sobre bens do imobilizado; g) Compras de pessoa física. Cientificada em 24/03/2010, apresentou manifestação de inconformidade na qual impugna todas as glosas efetuadas pelo auditor fiscal e acima elencadas, e alega, em apertada síntese: a) Pretende o auditor aplicar o conceito do IPI para definição de insumos na apuração dos créditos de PIS, para fins da nãocumulatividade, quando inexiste lei formal permissiva para tal extensão interpretativa; b) O entendimento aplicado ao caso vai de encontro ao externado em decisões administrativas em situações análogas. Oportunamente colaciona decisões administrativas e judiciais favoráveis aos seus interesses; A DRJ em Belém não reconheceu a parcela do crédito impugnada (R$ 30.576,75) nem homologou a compensação declarada, conforme se observa da ementa que transcrevemos abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS / PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. PIS NÃOCUMULATIVO.CRÉD1TOS. INSUMOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na| exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 13/06/2011, apresentou voluntariamente recurso em 29/06/2011 para este Conselho, no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e, pleiteia a reforma do julgado recorrido, com o deferimento do pedido de ressarcimento, considerando que a Recorrente planta, produz e comercializa maçãs, e demais atividades agropastoris. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Rasip Agropastoril S.A. tem por objeto social a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes a essas atividades. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 3 5 Busca a contribuinte a repetição do indébito relativo ao Pis/Pasep não cumulativo – exportação, relativo ao primeiro trimestre de 2008, por meio de Per/Dcomp. Seu pleito foi parcialmente deferido, tendo a autoridade fiscal oportunamente esclarecido que os valores glosados dizem respeito à aquisições que estariam fora do conceito de insumos tendo em vista que não configuram matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e também não são serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. A Recorrente utiliza como argumento, em suma, que todos os elementos objetos de glosa pelo auditor fiscal fazem parte do processo produtivo da empresa, de modo que os gastos e custos de produção devem gerar crédito de Pis/Pasep e COFINS. Sobre o tema central da discussão, em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 4 7 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumo" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Ademais, a tributação para o Imposto sobre Produto Induatrializado se relaciona com o produto, enquanto que a contribuição para o PIS e para a Cofins se relaciona com a produção. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial, conforme preceitua os arts. 290 e 299 do RIR (despesas operacionais). Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 5 9 A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Assim, tal qual o Estudo realizado pela PGFN/COCAT, elaborado pela D. Procuradora Bruna Garcia Benevides, acerca do alcanse do termo “insumos” pra fins de creditamento das contribuições aqui abordadas, entendo que “apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Se entre tais dispêndios e os respectivos processos produtivos houver uma inerência direta, haverá, então, direito ao crédito pleiteado.” Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Neste ponto, faço minhas as palavras do Il. Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, no acórdão nº 310201.143, em trecho que transcrevo a seguir: “Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo.” Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. Tecidas essas considerações, passemos à análise mais específica das glosas procedidas pela autoridade preparadora em fls. 101/108 dos autos. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM EMPILHADEIRAS No relatório fiscal, narra o auditor responsável que quando da visita à empresa, verificouse que o contribuinte utilizava as empilhadeiras para descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento. Assim, pelo critério da essencialidade, observase que as empilhadeiras, participam efetivamente do processo produtivo da empresa uma vez que trabalham diretamente no produto, movimentando a maçã desde à produção até a expedição. Neste sentido, tendo em vista que a subtração do serviço importa em óbice à atividade da empresa, entendo que as despesas com as empilhadeiras devem gerar o creditamento. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE Continua a narrativa do fiscal atuante, desta vez no tocante aos gastos oriundos de despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes sobre os quais tenta a empresa se creditar: A aquisição de combustíveis e lubrificantes constitui parcela vultosa do total de créditos escriturados pela contribuinte, de acordo com a memória de cálculo apresentada pela contribuinte. Durante a execução da diligência fiscal à empresa constatamos que grande parte destes combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores. Contudo, há de se lembrar que a contribuinte utiliza tais tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Tal constatação é embasada pelas informações contábeis da empresa, em especial no grupo de contas 13214 MOBILIZAÇÕES EM ANDAMENTO. Analisando o razão das contas de nível inferior (nível 5), constatamos que nas contas referentes aos pomares ainda i não produtivos ("POMAR NOVO") existem lançamentos a débito cujas contrapartidas estão localizadas nas contas de estoque, em especial na conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Ou seja, a contribuinte adquire os combustíveis e lubrificantes, realizando um lançamento a crédito em fornecedores e a débito nas contas de estoque e PIS/COFINS a recuperar. Contudo, parcela deste estoque de combustíveis não é efetivamente utilizada como insumo, pois acaba destinada ao ativo imobilizado. Seguindo o mesmo raciocínio do tópico anterior, somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento do Pis pleiteado pela contribuinte. Assim, do estoque de combustíveis que não foram efetivamente utilizados como insumos e foram, portanto, destinados ao ativo imobilizado, destes valores não poderá a empresa se creditar. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 6 11 No que tange ao aproveitamento dos créditos relativos a bens sujeitos à alíquota zero, transcrevemos a vedação expressa apresentada pelo inciso II, §2° do art. 3º das Leis n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Percebese que o que a somente possibilita a tomada de crédito relativamente a bens e serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. Vale dizer: se sobre a receita gerada na operação anterior, quando da aquisição do bem ou serviço, não incidiram (ou estavam isentos ou sujeitos à alíquota zero) o PIS e a COFINS, não há que se falar em crédito na operação seguinte. 1 Este mesmo entendimento foi refletido no julgamento do Resp nº 1.134.90300/SP, submetido ao crivo dos recursos repetitivos (543C do CPC), que por força do art. 62A do RICARF estamos obrigados a reproduzir: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não 1 Vide: AMS 2006.32.00.0026522/AM, Rel. Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, Conv. Juíza Federal Gilda Sigmaringa Seixas (conv.), Sétima Turma,eDJF1 p.236 de 27/11/2009; IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO CREDITAMENTO INEXISTÊNCIA DO DIREITO EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353657, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe041 DIVULG 06032008 PUBLIC 07032008 EMENT VOL0231003 PP00502 RTJ VOL0020502 PP00807) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 7 13 método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS DIVERSOS Restou apurado pela autoridade fiscal que a contribuinte , registra créditos sob a rubrica "Outras Operações com Direito a Crédito" em seus DACONs. Através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Consta ainda que a fiscalizada trouxe neste momento nova memória de cálculo adicionando colunas para o número do bem aplicado, a descrição do bem, centro de custo, bem como a respectiva descrição de cada um dos itens inclusos como "Outros créditos". No tocante ao Centro de custos MAPE (máquinas pesadas), MACE (manutenção civil e elétrica), DIFR e MANU, tenho que as despesas vinculadas a estes centros de custos não podem ser consideradas insumos para fins de creditamento, tendo em vista que tais receitas descritas como "Oficina (geral)", "Conservação de maquinas (Geral)", incluindo até mesmo manutenção em veículos leves (Meriva, Escort), ou seja, são utilizadas de diversas formas que não, diretamente e especificamente no processo produtivo que ora se analisa. As despesas com manutenção de veículos Gol, Ford Courier, Kombi e Meriva, bens destinados a estoque/oficinas,também seguem as considerações tecidas acima. Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Os demais insumos lançados na rubrica "Insumos Linha 2" e descritos pelo fiscal como estacas e fita para enxertia bem que deve ser destinado ao imobilizado; decalco de caminhão, areia, palitos, lonas, e vinhos não serão considerados por não apresentarem características de insumo. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE MATERIAL DE TRANSPORTE Outrossim, a autoridade fiscal glosou, ainda, o que considerou “embalagem de transporte”. Em sua justificativa, a glosa se fundou na impossibilidade de enquadrar a respectiva nas hispóteses previstas no art. 3º das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, seja como insumo da produção (inciso II), seja como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). Para tanto, utilizouse da legislação do IPI, que distingue a embalagem de apresentação e a de acondicionamento para transporte, pois separam a que pode ser considerada insumo e a que não pode. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Não poderíamos concordar menos com tal decisão. Isso porque a embalagem de transporte, de fato, faz parte do custo de venda daquele produtor. Elas visam a conservação proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis como choques mecânicos, poeira, outros agentes contaminantes, água, umidade, etc, mormente porquanto será manuseada por pessoal não especializado. Assim, se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens em questão serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e podem ser consideradas como insumos deste. Numa interpretação extensiva, podese considerar o material de transporte insumo sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002. No caso da COFINS, o inciso IX deixou bem clara esta intenção quando incluiu os serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, quando suportados pelo vendedor. A própria lei mais recente, ao dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade expresso no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, visando sempre diminuir os custos finais do produto, pelo nãorepasse a este de tributos cobrados em toda da cadeia produtiva, considerou a situação de o próprio produtor arcar com os custos de armazenagem de frete, descontandose os créditos de PIS e COFINS referentes a estes serviços da apuração do tributo correspondente. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE OS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO No que tange à defesa destinadas aos bens do ativo imobilizado, embota o relatório fiscal tenha detalhado a contabilidade apresentada pela Recorrente e identificado cada uma das glosas, percebese que a mesma limitouse a tecer considerações genéricas em relação ao ponto impugnado, alegando que a impossibilidade de verificação e identificação dos valores que compõem a glosa que nos dizeres do julgador de piso, se encontraram “em frontal antagonismo à evidente clareza e precisa descrição constante do ato impugnado”. Consequentemente, meras objeções genéricas e desacompanhadas de provas não serão conhecidas por inobservância do disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, o qual exige impugnação específica dos pontos em que haja discordância. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS Finalmente, no que toca a aquisição de produtos de pessoas físicas, consta do Relatório Fiscal que foram glosadas as seguintes aquisições realizadas de pessoas físicas: alfafa enfardada, mel, feno tifton, milho para consumo, bezerras parda, macho pardo, vacas registradas. 2 REsp 1125253/SC. Relatoria do Min. Humberto Martins. Julgado em 19/08/2009. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 8 15 A autoridade preparadora glosou as referidas aquisições tendo em vista que tal procedimento não encontraria embasamento legal, consoante § 3º do art. 3º das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Assim, advoga a contribuinte tese defensiva no sentido de que a Lei n° 10.925 de 23 de julho de 2004 concedeu o direito ao contribuinte de efetuar o crédito presumido de PIS/COFINS nas aquisições de produtos de pessoas físicas tomando por vista que a Recorrente se enquadra no capítulo 4, como produtora de Leite e no capítulo 8 como produtora de maçã. Portanto, não se trataria de crédito básico de PIS e COFINS, mas sim de crédito presumido destas contribuições. Vejamos o dispositivo legal que rege a matéria: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada ao caput pela Lei n° 11.051, de 29.12.2004, DOU 30.12.2004) O normativo legal acima transcrito permite o aproveitamento de créditos relativos às aquisições de pessoas físicas condicionadas à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apesar de já mencionado no inicio do voto, a Recorrente tem por objeto social a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes a essas atividades. Do conceito de insumos adotado no presente voto, percebese que produtos como alfafa enfardada, mel, feno tifton, milho para consumo, bezerras parda, macho pardo, vacas registradas encontramse inseridas no processo produtivo da empresa, sendo o mel, produto destinado à alimentação humana, oriundo da apicultura e os demais decorrentes da atividade agropecuária, sem os quais a contribuinte não produziria o leite comercializado, sendo, portanto, essencial à atividade da empresa. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 16 Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório d) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto as maquinas que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção; e) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), f) aquisições de pessoas físicas bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado não reconheço a parcela do crédito pleiteado decorrente de despesas contabilizadas como ativo imobilizado, manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), créditos sobre bens diversos que não tiveram contato direto com o produto e não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, assim como, apuração de créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero e a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado da Interessada (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES). [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Em relação ao voto vencido, há apenas duas questões a serem abordadas neste voto vencedor, sobre as quais houve entendimento majoritário em sentido contrário ao esposado pelo relator, a saber: a) direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório; b) direito ao creditamento em relação às aquisições de pessoas físicas – crédito presumido. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 9 17 No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapola os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. O regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 3. Como nos ensina Marco Aurélio Greco4, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Além da possibilidade, em tese, de um determinado bem cumprir, para fins de creditamento, o requisito de utilidade ou necessidade para a produção, devem constar dos autos informações convincentes de que ele seja aplicado diretamente na produção, sem o que não se pode concluir quanto à sua inclusão no conjunto de aquisições sobre o qual se calculará o direito creditório. I. Creditamento. Gastos com materiais de limpeza e higienização, cercas para rebanho e manutenção de laboratórios. Inobstante as peculiaridades da não cumulatividade das contribuições sociais, conforme acima abordado, não se pode ampliar o direito ao creditamento no sentido de 3 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 4 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 18 alcançar o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial. Conforme apontado pelo relator, a “autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado”, já que as contribuições incidem sobre a receita, e não sobre o lucro. Inexiste nos autos comprovação inequívoca de que os gastos com materiais de limpeza e higienização se encontram vinculados direta, necessária ou totalmente ao processo produtivo da pessoa jurídica. Os materiais de limpeza e higienização podem ser utilizados de forma generalizada em todos os departamentos e setores do estabelecimento, inclusive os administrativos, inexistindo nos autos prova manifesta que possibilite a discriminação de seu uso apenas no processo produtivo da pessoa jurídica. Quanto às cercas para rebanho, elas se mostram mais consentâneas com bens do ativo imobilizado, cujo direito ao creditamento deriva de depreciação e não do valor total de sua aquisição. Os dispêndios com manutenção de laboratório não se encontram discriminados da forma precisa que possibilite aferir a sua natureza, se vinculados ao processo produtivo ou não. Segundo a Fiscalização, essas despesas não se referem a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Nesse sentido, uma vez que não se têm por configurados os requisitos da utilidade ou da necessidade e da aplicação direta na produção, não se acatam tais dispêndios no cálculo do crédito decorrente da não cumulatividade da contribuição. II. Aquisições de pessoas físicas. Agroindústria. Ressarcimento do crédito presumido. Impossibilidade. A Lei n° 10.637/2002, que instituiu a contribuição para o PIS não cumulativa assim dispunha: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a aliquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10 Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 10 19 alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11 Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: 1 seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de aliquota correspondente a 70% (setenta por cento) daquela constante do caput do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei n°10.865. de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. De acordo com os dispositivos legais supra, a agroindústria poderia se valer de créditos presumidos para deduzilos dos débitos a recolher em decorrência da não cumulatividade, podendo, ainda, nos casos de haver crédito disponível no final do trimestre, compensálos ou requerer seu ressarcimento, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Contudo, os §§ 10 e 11 do art. 3º acima reproduzidos foram revogados pela Medida Provisória n° 183/2004, convertida na Lei n° 10.925/2004, que reinstituiu os créditos presumidos da agoindústria nos seguintes termos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 20 Conforme excerto supra, a Lei n° 10.925/2004 dispôs sobre a possibilidade da pessoa jurídica apenas deduzir da contribuição devida em cada período de apuração o crédito presumido, tendo sido mantidas as revogações promovidas pela Medida Provisória que a originou, não se aplicando a partir de então, por conseguinte, a apuração da contribuição, no que se refere ao crédito presumido, da forma prevista no art. 3° da Lei nº 10.637/2002. Nessa nova sistemática, deixou de existir a possibilidade de compensação ou ressarcimento do crédito presumido, por inexistir autorização legal nesse sentido, dado que, após as alterações legislativas supra referenciadas, o aproveitamento dos créditos da contribuição, via dedução, compensação ou ressarcimento, da forma prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, passou a se restringir aos casos de apuração na forma do art. 3º dos mesmos diplomas legais, não alcançando a nova hipótese de apuração do crédito presumido sob análise. A autorização legal à compensação e ao ressarcimento prevista no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 se restringe às hipóteses previstas no art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. Os artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se encontram abarcados pelo permissivo legal. Dessa forma, após a vigência da Lei n° 10.925/2004, passouse a prever, tão somente, o aproveitamento do crédito presumido por meio de dedução dos débitos da própria contribuição devida em cada período, na sistemática da não cumulatividade, não se aplicando, no caso, o disposto na Lei n° 11.116/2005. Eis o teor do art. 16 da Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Nos termos do caput do art. 16 supra, constatase que apenas nas hipóteses dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, o saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser utilizado por meio de compensação ou ressarcimento. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002530/200917 Acórdão n.º 380302.984 S3TE03 Fl. 11 21 Portanto, a partir da vigência da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido sob análise deixou de ser passível de compensação ou ressarcimento, podendo, apenas, ser utilizado para a dedução dos débitos da contribuição devida em cada período na sistemática da não cumulatividade. III. Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para RECONHECER o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado, voto por NÃO RECONHECER o direito de crédito relativamente às parcelas decorrentes de (i) despesas contabilizadas como ativo imobilizado, (ii) manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), (iii) créditos sobre bens diversos que não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, (iv) créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero, (v) a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES), (vi) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório e (vii) aquisições de pessoas físicas (crédito presumido). É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 22 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11020.002530/200917 Interessada: RASIP AGRO PASTORIAL S/A 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.984, de 23 de maio de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 23 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10735.720175/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTEMPESTIVIDADE.
É de trinta dias o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Ultrapassado este prazo, intempestivo é o recurso, que não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 2301-007.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTEMPESTIVIDADE. É de trinta dias o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Ultrapassado este prazo, intempestivo é o recurso, que não pode ser conhecido.
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INTEMPESTIVIDADE. É de trinta dias o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Ultrapassado este prazo, intempestivo é o recurso, que não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento, referente ao Imposto Territorial Rural – ITR, exercício 2003, em revisão de DITR, na qual foi arbitrado pelo SIPT, o Valor da Terra Nua – VTN, o que resultou em imposto suplementar a pagar. Cientificada, a empresa apresentou impugnação onde alega o seguinte, de acordo com o relatório do acórdão recorrido: - relata que recebeu a Notificação de Lançamento com um valor arbitrado acima de suas condições financeiras e do realmente vale a terra, o que dá origem a impugnação; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 01 75 /2 00 7- 81 Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.765 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10735.720175/2007-81 - preliminarmente entende que os valores constantes do SIPT deveriam ser divulgados para que ele possa se defender, pois em caso contrário a apresentação de quaisquer documentos (anexos) serve como provas, independente da expiração do prazo para apresentação do Laudo, pois até as normas técnicas da ABNT são muito distantes para ele, como leigo; - a avaliação feita pela RFB não corresponde ao valor de mercado efetivo, a benfeitoria que existe é modesta conforme fotos e laudo da imobiliária local; - na casa do sítio moram seus pais (aposentados com um salário cada) e uma irmã deficiente, que não têm conhecimento do quão grande valor foi avaliado o local onde vivem; - em síntese: não tem acesso ao SIPT c nem muitos esclarecimentos da RFB; junta Laudo realizado por Imobiliária local, no qual avalia o imóvel em R$120.000,00, o que demonstra a diferença com o SIPT; e junta, também, fotos da propriedade e sua benfeitoria, que é casa em que vivem seus pais; - demonstrada a insubsistência e improcedência total/parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente impugnação. A DRJ considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. Da análise da admissibilidade do recurso, verifica-se que o aviso de recebimento de fl: 65 atesta que o contribuinte foi intimado em 07/08/2009, sexta-feira, e o recurso voluntário fl 67 foi apresentado em 30/09/2009, quinta-feira. Portanto, o prazo legal se esgotou em 08 de setembro de 2009, terça-feira, o que torna o presente recurso intempestivo. Do exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO. (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.765 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10735.720175/2007-81 Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10865.909056/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/10/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO
DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e
objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado.
Embargos Acolhidos
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.729
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 3803-002.111, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 3803002.111, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira , Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 2 ITAIQUARA ALIMENTOS S.A. formulou, em 23 de janeiro de 2012, os Embargos de Declaração de fls. s/nº, contra o Acórdão nº 3803002.111, de 7 de novembro de 2011, fls. 48 a 50, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Invocando o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, a embargante acusa a decisão embargada de incorrer em contradição ao tomar como base de decidir os fundamentos da decisão recorrida, que são distintos dos levantados na fundamentação da decisão embargada. Requer ainda reconsideração do indeferimento do pedido de sobrestamento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 3803002.111, de 7 de novembro de 2011. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Contradição Compulsando o voto condutor da decisão embargada, constato que dele constou, sob o título “Conclusão”, o que segue: Conclusão Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10865.909056/200951 Acórdão n.º 380302.729 S3TE03 Fl. 3 3 Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2011 Alexandre Kern Há que se dar razão à Embargante. Com a locução recém transcrita, o Acórdão embargado findou por encampar os fundamentos levantados pela decisão de primeira instância, sem, contudo ter discorrido sobre eles em sua fundamentação, limitandose a analisar a questão sob a ótica probatória. Nesse sentido, portanto, entendo que a contradição deve ser sanada pela via dos presentes declaratórios. A contradição é meramente aparente. Na verdade, a fórmula empregada na conclusão do voto condutor da decisão embargada não deveria dele constar, tratandose de erro manifesto na formalização do acórdão. Assim, retifico a decisão embargada, cuja conclusão passa a ser, simplesmente, a que segue: Conclusão Em face dessas considerações, nego provimento ao recurso. Pedido de reconsideração do indeferimento do pedido de sobrestamento A propósito do pedido de reconsideração, recorro à doutrina Humberto Theodoro Junior1 (2004, p. 560), que leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam à reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” (Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346) 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004. p. 560 e ss Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Salientada a natureza específica deste recurso, qual seja, a de propiciar a correção, integração e complementação da decisão, o pedido em tela não merece acolhida, posto que a via empregada não se presta para o simples reexame do litígio, obtendo nova análise da questão sob determinado ângulo, como meio de alterar o decidido Não conheço o pedido. Conclusão Com essas considerações, voto pelo acolhimento dos declaratórios do contribuinte, apenas para rerratificar a decisão embargada, sem alterarlhe o resultado do julgamento. Sala das Sessões, em Alexandre Kern Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10865.909056/200951 Acórdão n.º 380302.729 S3TE03 Fl. 4 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: Interessada: Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no , de , da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em . [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10183.004029/2006-17
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.503
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-12-11T11:28:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-12-11T11:28:33Z; Last-Modified: 2013-12-11T11:28:33Z; dcterms:modified: 2013-12-11T11:28:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ba1e6422-e1b1-468d-8dad-340cf36ee180; Last-Save-Date: 2013-12-11T11:28:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-12-11T11:28:33Z; meta:save-date: 2013-12-11T11:28:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-12-11T11:28:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-12-11T11:28:33Z; created: 2013-12-11T11:28:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2013-12-11T11:28:33Z; pdf:charsPerPage: 829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-12-11T11:28:33Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10183.004029/2006-17 Recurso n° 139.011 Assunto Solicitação de Diligência Resolução n° 303-01.503 Data 12 de novembro de 2008 Recorrente AGROPECUÁRIA NOVA VIDA LTDA. Recorrida DRJ-CAMPO GRANDE/MS CCONC03 Fls. 251 • RESOLUÇÃO 1N1P- 303-01.503 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. • ANELZE DAUDT PRIETO PresideÇte VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nihon Luiz Bartoli, Nanci Gama, Heroldes Bahr Neto, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. 1 Processo n.° 10183.004029/2006-17 Resolução n.° 303-01.503 CC03/CO3 Fls. 252 RELATÓRIO Adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: "Exige-se da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e A multa por informação inexata na Declaração do ITR — DIAC/DIAT/2002, no valor total de RS 4.236.330,80, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda Nova Vida, com área total de 42.686,8 ha, com Número na Receita Federal — NIRF 3.856.207-3, localizado no município de Nova Bandeirantes — MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 10, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03 e 06 a 08. 7. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente as Areas isentas de Utilização Limitada, as Implantada Objeto de Projeto Técnico e o Valor da Terra Nua — VTN, a interessada foi intimada a apresentar, com base na legislação pertinente detalhada no Termo de Intimação, fls. 18 a 20, diversos documentos. Alguns desses foram: Certidão ou Matricula atualizada do imóvel, constando todas as averbações dos últimos 10 anos; relativamente As Areas de Utilização Limitada, documentos que as enquadrem como de Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN ou imprestável para atividade produtiva, declarada de interesse ecológico, tais como portarias do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA; e Ato Declaratório Ambiental — ADA, protocolado no IBAMA no prazo regulamentar para o exercício em análise, contendo as dimensões dessas áreas. Relativamente à Area Implantada Objeto de Projeto Técnico, cópia do projeto protocolado junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA e laudo técnico que comprove a implantação da área de pastagem prevista no cronograma fisico-financeiro. Com referência ao VTN foi solicitado laudo técnico, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, com atenção aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram A convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação minima. Foi informado, inclusive, que a não apresentação ou apresentação incorreta propiciará o lançamento de oficio do VTN, conforme a legislação, substituindo-se o valor informado na DITR pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT. 3. Conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 26 datado pelo destinatário, a intimação foi entregue em 21/09/2006. 4. Tendo em vista a ausência de resposta, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, a autoridade fiscal efetuou lançamento de oficio I 2 Processo n.° 10183.004029/2006-17 Resolução n.° 303-01.503 CC03/CO3 Fls. 253 corn as informações de que se dispõe na Secretaria da Receita Federal. Foram desconsideradas as Areas de Utilização Limitada e com Projeto Técnico e arbitrado o VTN pelo valor constante da tabela SIPT, bem como demais dados conseqüentes. 5. As razões de fato e de direito foram expostas pela autoridade lançadora para proceder As alterações. Apurado o crédito tributário foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência à interessada, de acordo com o AR de fl. 27 datado pelo destinatário, foi dada em 18/11/2006. 6. Em 06/12/2006 foi apresentada impugnação de 31 laudas, fls. 29 a 59, na qual, após explanação dos fatos até aqui conhecidos, a impugnante alegou, em síntese, o seguinte: 6.1. Corno preliminar externou seu entendimento a respeito do procedimento de malha, destacando a necessidade de apuração, mediante documentação idônea, real situação do imóvel, distribuição de Leas, valores, observância de leis, apuração do imposto, áreas utilizáveis, forma de utilização, obtenção do Grau de Utilização — GU e cálculo final do imposto a pagar. 6.2. A verificação fiscal deve ser completa, isenta e cristalina, sob pena de nulidade e comprovada documentalmente. 6.3. Afirmou existir no imóvel Area de Reserva Legal e de Preservação Permanente, comprovado corn o Laudo Técnico de Avaliação, apenso à impugnação, imagem de satélite e reportagem fotográfica, inclusive a distribuição da Area e VTN. 6.4. Em Do Principio Legal Ferido discordou da glosa e da atribuição do VTN pelo valor constante do SIFT, o qual diz não ser público, não ser publicado no Diário Oficial da Unido — DOU e, portanto, ferindo o principio da ampla defesa por não ser de sapiência do interessado, bem como não está clara a forma corno seus valores foram obtidos. 6.5. Da exigibilidade de Averbação de Reserva Legal. Afirmou encontrar-se averbada 50,0% da área total do imóvel, existindo restrição de exploração em área superior a 20,0%, claramente demonstrada no laudo. 6.6. Da averbação de Reserva Legal disse sabermos ser um ato administrativo de importância menor; maior importância tem o fato de sua real existência. 6.7. Na seqüência reproduziu jurisprudência que tratam da matéria relativa à averbação da Reserva Legal, referentemente a questões de interesse do INCRA, do registro de imóveis para transferência de bens, entre outros. 6.8. Em Da exigibilidade do ADA, discordando reproduziu, também, jurisprudência que dispensa tal exigência. 6.9. Da exigência de reconhecimento pelo INCRA de existência de projeto. Neste item reproduziu dispositivos legais relativos A desapropriação, para fins de reforma agrária, onde mencionou a não Processo n.° 10183.004029/2006-17 Resolução n.° 303-01.503 CC03/CO3 F I s. 254 possibilidade de desapropriação quando se comprove estar sendo o imóvel objeto de implantação de projeto técnico. 6.10. Na seqüência disse que até o presente momento o INCRA nem "aprovou", nem "negativou", o projeto, simplesmente se calou. 6.11. 0 INCRA recepcionou o referido projeto, teve prazo mais do que suficiente para aceitá-lo, caso fosse, mas, não o fez e, também, não devolveu ou sequer se manifestou a respeito e, desta forma, pode-se entender, claramente, que o projeto fora aceito pelo órgão fundiário in dábio, pro réu. 6.12. Prosseguiu na questão do projeto mencionando leis e finalizou afirmando estar equivocado o entendimento do Sr. Vistot-, o projeto existe e deve ser considerado. 6.13. Das restrições ambientais de uso do solo no Estado do Mato Grosso. Fez longa explanação do assunto, reproduzindo legislação pertinente, mencionando a necessidade de Licença Ambiental Única — LAU para desmatamento autorizado, bem como destacando a infração considerada gravíssima no caso de desmatamento ou alteração indevida da cobertura vegetal em Reserva Legal. 6.14. Após outros assuntos referentes As restrições de uso do solo, finalizou o item afirmando que, independentemente de averbação de Reserva Legal, inexiste possibilidade de exploração de mais de 20,0% da área total do imóvel por ser esta considerada como Reserva Legal e, portanto, não há como o Sr. Vistor exigir que desta area se utilize o proprietário; a vontade do Sr. Vistor em nada vale perante as disposições legais. 6.15. Da perda de posse de área de garimpo dentro do imóvel. Neste item alegou que parte do imóvel foi invadida por garimpeiro, a qual, conforme fotografias e mapas de localização em laudo de avaliação, recebe denominação de Garimpo do Arquimedes ou Jurema, sendo que em mapa do Estado do Mato Grosso e outro mapa recebe o nome de Astro, Astro I e Clareira. 6.16. A posse dessa área não pertence A interessada e, portanto, mencionando legislação do ITR disse que não pode ser responsabilizada pelo imposto pertinente. 6.17. Corno questões de mérito reiterou, resumidamente, as razões expostas preliminarmente, corno a não exigibilidade do ADA e da averbação da Reserva Legal e a perda da posse pela existência de área de garimpo, cuja dimensão disse ser de 4.582,39 hectares, conforme farta documentação apensa ao laudo, comprovando a tensão causada por garimpeiros, inclusive com uso de armas de fogo, o que afasta a possibilidade de retomada de posse na área. 6.18. Também alegou que, como comprovadas no laudo técnico, várias partes do imóvel foram comercializadas, havendo sua área total diminuída substancialmente, cabendo, corno impõe a lei, a responsabilidade sobre o crédito tributário aos novos donos/possuidores. 6.19. Na seqüência, sob o titulo de Conclusão, explanou, em quase cinco laudas, alegando que, pelo todo apresentado, entende-se que o Processo n.°10183.004029/2006-17 Resolução n.° 303-01.503 CC03/CO3 Fls. 255 exigido no auto de infração em lide está totalmente suprido pelo laudo acostado e documentos juntados. 6.20. Reproduziu parte da descrição dos fatos para dizer que glosar a DITR e impor multa é ato unilateral e não passível de aceitação aos moldes do direito moderno. 6.21. Citou e reproduziu pareceres doutrinários a respeito de abuso de poder e disposições constitucionais. 6.22. Ainda corno Conduscro elaborou demonstrativos de distribuição de áreas, corno a de garimpo, perda de posse, vendida, área total, Reserva Legal, entre outras, bem como a declarada, apurada e as excluídas, apurando urn imposto devido de RS 4,37. 6.23. Como Síntese fez um elenco dos pontos de discordância, sendo que no final do mesmo a discordância é o Auto de Infração como um todo. 6.24. Listou os documentos anexados e, à vista do exposto, afirmou estar demonstrada a insubsistência e improcedência total do Auto de Infração e finalizou requerendo seja acolhida a impugnação, cancelando-se o Auto, ficando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, II, do Código Tributário Nacional — CTN, isentando-se a inscrição da divida e registro no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal — CAD [N. 7. A documentação que instruiu a impugnação foi juntada das fls. 160 a 188, entre os quais: cópia de documentos referentes ao representante da interessada e signatário da impugnação; cópia do Auto impugnado; Laudo Técnico Constatação e Avaliação com seus anexos, como: mapa e cópia da matricula do imóvel; cópia de autorizações de desmatamento para uso alternativo do solo em imóveis de propriedade, dimensões e município de localização diverso ao do imóvel do lançamento; cópia de relatório de desmatamento da zona garimpeira; de contrato de compra e venda; de notas promissórias, entre outros." A Delegacia da Receita Federal de Campo Grande (MS) manteve o lançamento, proferindo acórdão, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 Cerceamento de defesa A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois, o direito do contraditório é exercido quando da impugnação da autuação, momento este em que, de fato, se instaura a fase litigiosa. Ilegalidade/Inconstitucionalidade 5 Processo n.° 10183.004029/2006-17 Resolução n.° 303 -01.503 CC03/CO3 Fls. 256 Em processo administrativo é defeso apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos Atos Públicos, por tratar-se de matéria reservada ao Poder Judiciário. Areas isentas - Reserva Legal Para ser considerada isenta a área de reserva legal, além de estar devidamente averbada na matricula do imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA dentro do prazo legal, que é de seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR, e tem como requisito básico a referida averbação. Da mesma forma a área de preservação permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo técnico especifico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensas áreas. II Valor da Terra Nua - VTN 0 lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, e passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que apresente valor de mercado relativo ao ano base questionado e especificamente ao imóvel, resultante de pesquisa de imóveis, comprovadamente, corn as mesmas características do imóvel em foco e da mesma regido do município de sua localização. Lançamento Procedente." • Ciente do conteúdo do dccisitm, mais uma vez irresignada, compareceu a recorrente perante este Terceiro Conselho de Contribuintes postulando pela reforma da decisão a quo, reiterando, no mérito, os argumentos expostos em sua peça impugnatória, requerendo, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado, e, por conseguinte, a sua suspensão e exigibilidade, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional. É o Relatório. gP 6 • Processo n.° 10183.004029/2006-17 Resolução n.° 303-01.503 CC03/CO3 Fls. 257 VOTO Conselheira VAN ESSA ALBUQUERQUE VALENTE, Relatora Por conter matéria deste E. Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo Contribuinte. • Ao teor do relatado, versam os autos sobre Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em razão de falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2002, apurado tendo em vista haver sido desconsideradas as áreas de utilização limitada e Area utilizada com projeto técnico, e arbitrado o Valor da Terra Nua - VTN pelo valor constante da tabela do SIPT. No caso "in concretutn", conforme se verifica, as áreas de utilização limitada e Area utilizada com projeto técnico foram desconsideradas, pela Fiscalização, por falta de comprovação, assim como, o Valor da terra Nua foi arbitrado pelo valor constante no SIPT (Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal), em razão da não apresentação do laudo de avaliação (art. 14 da Lei n° 9.393/96). De inicio, ao compulsarmos os autos do processo, observa-se que o Contribuinte urna vez notificado a comprovar o declarado em sua DITR/2002, não apresentou A Fiscalização, os documentos solicitados através do "Termo de Intimação Fiscal". Contudo, verifica-se que, o Contribuinte, por ocasião de sua impugnação, trouxe aos autos documentos pertinentes corno "Laudo Técnico de Constatação e Avaliação"(fls.75/120) atestando a situação do imóvel, além de outros documentos como Cópia da Matricula do Imóvel, Planta de Localização, Cópia de Autorizações de Desmatamento para Uso do Solo, Cópia foto satélite do imóvel, Cópia de Relatório de Desmatamento da Zona Garimpeira, Contrato de Compra e Venda , Notas Promissórias, Recibos de Quitação, Memorial Descritivo de Desmembramento do imóvel, Cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, dentre outros. No que toca ao Laudo Técnico de Constatação e Avaliação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, entendeu que há incorreções no Laudo apresentado pelo contribuinte, vez que referido documento está desacompanhado de qualquer comprovante de pesquisa, sendo ineficaz para rever o VTN constante do lançamento. De certo, a legislação possibilita A autoridade administrativa rever o VTNm impugnado pelo contribuinte. Todavia, a revisão do VTN relativo ao ITR somente é admissivel com base em laudo técnico referente ao preço de mercado da época da ocorrência do fato gerador do imposto, elaborado nos moldes da NBR 8.799/85 da ABNT. Nesse diapasão, em respeito ao principio da verdade material, e para que não se prolate uma decisão que se mostre injusta A qualquer das partes envolvidas na lide, entendo • Processo n.° 10183.004029/2006-17 Resolução n.° 303-01.503 CC03/CO3 Fls. 258 pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que se intime o contribuinte A apresentar novo Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado, obrigatoriamente acompanhado de ART, no qual o profissional se digne A demonstrar, de forma clara e fundamentada, a valoração da Terra Nua — VTN, a época do fato gerador, descrevendo As fontes informadoras de valores, assim como, às características dos imóveis pesquisados no município de localização do imóvel rural avaliado. Em suma, referido estudo deve apontar, de forma conclusiva, os valores da terra nua dos imóveis na data de referência do exercício que está sendo tributado, bem corno, se o imóvel, em litígio, possui características desfavoráveis que o deprecie perante seus circunvizinhos. Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2008. • Z VAN SSA ALBUQUERQUE VALENTE - Relatora • 8
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