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Numero do processo: 10880.979466/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.629
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 79 46 6/ 20 09 -7 1 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.979466/200971 Resolução nº 1201000.629 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de IRPJ do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de IRPJ; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de IRPJ, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.979466/200971 Resolução nº 1201000.629 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de IRPJ'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de IRPJ"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de IRPJ da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.979466/200971 Resolução nº 1201000.629 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.979466/200971 Resolução nº 1201000.629 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13964.000093/2003-87
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1003-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.
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REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 00 93 /2 00 3- 87 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13964.000093/200387 Acórdão n.º 1003000.254 S1C0T3 Fl. 264 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 228/231, numeração em papel) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (consignando "solicitação indeferida") apresentada contra o despacho decisório às folhas 105/108, que homologou parcialmente as compensações, ali mencionadas, de créditos correspondentes a pagamentos indevidos ou a maior. O acórdão a quo manteve a homologação parcial com fundamento na extinção do prazo para a contribuinte retificar os referidos débitos relativos aos anoscalendário 2000 e 2001 em DCTF, quando o fez, em 27/03/2008 (exceto no tocante às contribuições previdenciárias), na competência das unidades de origem para apreciar retificação de DCTF, bem como na não retificação das respectivas DCOMP e na ausência de documentação comprobatória nos autos para justificar as alterações nos valores dos débitos pretendidas pela impugnante. A recorrente alega, às folhas 241/245, em síntese: I Que "durante o período transcorrido entre a data do protocolo dos pedidos de restituição/compensação e a data da análise dos mesmos, a recorrente precisou retificar novamente as DCTF´s e acabou por utilizar os dados anteriores a sua revisão, o que resultou em informações equivocadas na sua DCTF" ; II Que "para corrigir estas incorreções, a recorrente retificou novamente as DCTF´s , já tendo transmitido as mesmas (...) ajustando os valores declarados aos efetivamente apurados em sua contabilidade"; III Que não houve retificações de DCOMP por não terem sido necessárias; IV Que todas as retificações de DCTF foram tempestivas; V Que "não há que se falar em falta de comprovação da veracidade das alterações promovidas", "ficando a cargo da Delegacia da Receita Federal de Florianópolis, a verificação da veracidade e efetividade das alterações das DCTF realizadas pela empresa recorrente". É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13964.000093/200387 Acórdão n.º 1003000.254 S1C0T3 Fl. 265 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço, inclusive para os efeitos do § 1º do art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A recorrente, em síntese, relata ter retificado tempestivamente suas DCTF e requer a homologação das compensações em tela com base em tais retificações. Sustenta que seria incabível a comprovação da veracidade das alterações promovidas. Neste ponto, enganase a contribuinte. A compensação de créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública tem como prérequisito a comprovação de liquidez e certeza de tais créditos, conforme determina o art. 170 do CTN. A interessada deve, portanto, apresentar as devidas provas documentais de que o crédito que pleiteia apresenta certeza e liquidez. O momento processual para fazêlo, conforme consignado no acórdão a quo, é o da apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos moldes determinados pelo art. 16, § 4º do PAF. No presente caso, não houve apresentação de qualquer documentação comprobatória, o que inviabiliza a verificação de certeza e liquidez dos alegados créditos. E, diante disso, as demais alegações da recorrente não a socorrem. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901573/2013-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 73 /2 01 3- 30 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10280.901573/201330 Acórdão n.º 3401005.560 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS do período de apuração 30/06/1999, no valor de R$ 395,02 realizado através de PER/DCOMP nº 36959.92573.150906.1.6.043000, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento do PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a 5ª Turma da DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, de onde se destaca os seguintes pontos: 1. Rejeitou o pedido de reunião de processos, com base na Portaria SRF nº 354/2016, que estabelece para pedidos de restituição só os que tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos; 2. Quanto aos pedidos de produção de prova pericial e de realização de diligência formulados pela interessada, cita os artigos 18 e 28 do Decreto 70.325/1972, que regula o processo administrativo fiscal, considerandoos desnecessários para o deslinde do presente julgamento, pois constam dos autos todas as informações indispensáveis para formação de sua convicção; 3. Com relação ao crédito pleiteado demonstrouse ser improcedente, pois existe um débito confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF em igual valor ao recolhido, o que resulta saldo inexistente. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10280.901573/201330 Acórdão n.º 3401005.560 S3C4T1 Fl. 4 3 4. No mínimo a interessada deveria ter retificado sua DCTF até a data de transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, demonstrando a existência de algum saldo a restituir, o que possibilitaria alegar pagamento a maior que o devido; 5. Caso houvesse DCTF retificadora a autoridade julgadora poderia determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, como prevê o disposto no art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, suscitado pela recorrente. Assim sendo, não cabe à autoridade da RFB suprirlhe a falta, investigando um suposto recolhimento a maior que sequer se evidenciou pelo confronto com o débito confessado pela contribuinte; 6. Frisese que o PER/Dcomp e a DCTF de autoria da recorrente não contêm a informação de que o pagamento a maior seria devido à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, a qual somente foi trazida à baila na manifestação de inconformidade; 7. Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas; 8. No presente caso, não há como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluir pela eventual existência de recolhimento a maior e em que montante, razão que leva ao indeferimento por falta de comprovação do direito creditório; O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10280.901573/201330 Acórdão n.º 3401005.560 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10280.901573/201330 Acórdão n.º 3401005.560 S3C4T1 Fl. 6 5 PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10280.901573/201330 Acórdão n.º 3401005.560 S3C4T1 Fl. 7 6 Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (efls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10280.901573/201330 Acórdão n.º 3401005.560 S3C4T1 Fl. 8 7 Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10280.901573/201330 Acórdão n.º 3401005.560 S3C4T1 Fl. 9 8 Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721124/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. EXCESSO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE.
Não configura hipótese de nulidade do lançamento quando a deficiência no cômputo da base de cálculo pode ser facilmente corrigida em sede do contencioso administrativo, sem acarretar prejuízo para o contribuinte quanto ao exercício do direito de defesa, tampouco caracterizar modificação nos critérios jurídicos que embasaram o lançamento fiscal.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
A ciência do sujeito passivo do lançamento ocorreu em 12/02/2015. Dessa forma, a competência 01/2010 foi atingida pela decadência, nos termos em que dispostos no § 4º do art. 150 do CTN, tendo em vista a não ocorrência de fraude e por se tratar de diferenças de valores de contribuições.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. DESCUMPRIMENTO.
Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Quando o instrumento de negociação coletiva prevê que os planos de metas e resultados serão elaborados posteriormente, os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.
REEMBOLSO DE DESPESAS. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS REALIZADOS.
O valor reembolsado pela empresa na rescisão do contrato de trabalho integra a base de cálculo da contribuição previdenciária quando a empresa autuada deixa de comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a correlação com o montante despendido pelo ex-empregado com passagens para o retorno à cidade de origem.
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
(Súmula Carf nº 103)
Numero da decisão: 2401-005.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade apresentada no recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Por unanimidade de votos, declarar a decadência da competência 01/2010. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. EXCESSO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Não configura hipótese de nulidade do lançamento quando a deficiência no cômputo da base de cálculo pode ser facilmente corrigida em sede do contencioso administrativo, sem acarretar prejuízo para o contribuinte quanto ao exercício do direito de defesa, tampouco caracterizar modificação nos critérios jurídicos que embasaram o lançamento fiscal. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. A ciência do sujeito passivo do lançamento ocorreu em 12/02/2015. Dessa forma, a competência 01/2010 foi atingida pela decadência, nos termos em que dispostos no § 4º do art. 150 do CTN, tendo em vista a não ocorrência de fraude e por se tratar de diferenças de valores de contribuições. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. DESCUMPRIMENTO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Quando o instrumento de negociação coletiva prevê que os planos de metas e resultados serão elaborados posteriormente, os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. REEMBOLSO DE DESPESAS. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS REALIZADOS. O valor reembolsado pela empresa na rescisão do contrato de trabalho integra a base de cálculo da contribuição previdenciária quando a empresa autuada deixa de comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a correlação com o montante despendido pelo ex-empregado com passagens para o retorno à cidade de origem. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103)
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nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade apresentada no recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Por unanimidade de votos, declarar a decadência da competência 01/2010. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2071; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721124/201444 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401005.733 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. EXCESSO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Não configura hipótese de nulidade do lançamento quando a deficiência no cômputo da base de cálculo pode ser facilmente corrigida em sede do contencioso administrativo, sem acarretar prejuízo para o contribuinte quanto ao exercício do direito de defesa, tampouco caracterizar modificação nos critérios jurídicos que embasaram o lançamento fiscal. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. A ciência do sujeito passivo do lançamento ocorreu em 12/02/2015. Dessa forma, a competência 01/2010 foi atingida pela decadência, nos termos em que dispostos no § 4º do art. 150 do CTN, tendo em vista a não ocorrência de fraude e por se tratar de diferenças de valores de contribuições. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. DESCUMPRIMENTO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Quando o instrumento de negociação coletiva prevê que os planos de metas e resultados serão elaborados posteriormente, os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. REEMBOLSO DE DESPESAS. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS REALIZADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 24 /2 01 4- 44 Fl. 3393DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 3 2 O valor reembolsado pela empresa na rescisão do contrato de trabalho integra a base de cálculo da contribuição previdenciária quando a empresa autuada deixa de comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a correlação com o montante despendido pelo exempregado com passagens para o retorno à cidade de origem. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade apresentada no recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Por unanimidade de votos, declarar a decadência da competência 01/2010. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente). Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo o Crédito Tributário em parte com relação às competências 01/2010 a 09/2010 e integralmente de 10 a 12/2010, conforme ementa do Acórdão nº 0654.573 (fls. 3301/3332): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Com a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, o lapso de tempo de que dispõe a Receita Federal do Brasil para constituir os créditos tributários das contribuições previdenciárias é regido pelo Código Tributário Nacional, sendo que, na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase o prazo do artigo 173, inciso I, do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAMENTO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. BASE DE CÁLCULO. INTEGRAÇÃO. A participação nos lucros ou resultados paga em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 integra o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/1991. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Desta decisão, o Presidente da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA recorreu de ofício da presente decisão, nos termos do disposto no art. 34, I e § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, e no art. 1° da Portaria MF n° 3, de 2008. O presente processo é composto por dois Autos de Infração consolidados em 30/12/2014 concernentes a exigência de contribuição previdenciária incidente sobre a Participação nos Lucros e Resultados, com período auditado de janeiro a dezembro/2010: Fl. 3395DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 5 4 1. DEBCAD nº 51.066.1629 (fls. 27/34), no montante consolidado de R$ 2.440.314,10, referente às Contribuições Previdenciárias da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, devidas e não recolhidas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período de 01/2010 a 12/2010; 2. DEBCAD nº 51.066.1637 (fls. 35/42), no montante consolidado de R$ 346.431,25, referente às contribuições arrecadadas e fiscalizadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e devidas as Outras Entidades ou Fundos, denominados Terceiros, apuradas no período de 01/2010 a 12/2010. De acordo com o Relatório Fiscal do Lançamento do Crédito Tributário (fls. 06/26): 1. Os Autos de Infração resultaram de auditoria fiscal junto ao CONSÓRCIO RIO PARAGUAÇU, constituído entre as sociedades empresárias Construtora Norberto Odebrecht S.A, a Construtora Queiroz Galvão S.A e pela UTC Engenharia S.A, com a finalidade de execução da engenharia, suprimento, construção e montagem, integração, transporte e entrega das plataformas JackUp P59 e P60 para a PETROBRÁS NETHERLANDS B.V PNBV segundo as cláusulas 1.1 e 1.2 do documento constitutivo; 2. O CONSORCIO RIO PARAGUAÇU não possui personalidade jurídica própria e não se confunde com a identidade jurídica das sociedades empresárias que o constituíram com base no disposto nos arts. 278 e 279 da Lei n° 6.404/1976, possuindo inscrição obrigatória no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ em atendimento à legislação normativa para fins de interesse fiscal federal; 3. A participação de cada sociedade empresária em decorrência do Consórcio e do contrato firmado é na proporção de 1/3 (um terço) para cada participante no que se refere às receitas, aos custos, aos direitos, obrigações, lucros, prejuízos e em todos os reflexos decorrentes da associação, conforme previsto na cláusula 5.2 do ato constitutivo; 4. Até a publicação da Medida Provisória 510/2010, convertida na Lei n° 12.402/2011, não existia a responsabilidade solidária entre as empresas consorciadas, portanto, somente a partir de 29/10/2010, passou a ter previsão legal de obrigação tributária solidária entre as consorciadas e o consórcio, quando estes realizassem negócio jurídico em nome próprio com relação aos tributos federais e entrega de obrigações acessórias; 5. Até 28/10/2010, para as obrigações tributárias dos consórcios, prevalecia o regramento da Lei nº 6.404/76 que estabelecia que as Fl. 3396DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 6 5 consorciadas responderiam pelos tributos devidos nas operações realizadas pelos consórcios na proporção de suas respectivas participações no empreendimento conforme estabelecido em ato contratual sem a presunção de solidariedade; 6. A Construtora Norberto Odebrecht S.A. era a empresa consorciada líder do Consórcio, sendo responsável pela escrituração contábil, ainda que independente, e guarda dos livros e documentos comprobatórios das operações do consórcio conforme os prazos legais; 7. Por razões de racionalidade fiscal o Crédito Tributário foi constituído tendo como sujeito passivo da obrigação principal e seus reflexos a empresa líder, ficando ao seu encargo promover o rateio do valor devido conforme disposição contratual, uma vez que as empresas consorciadas respondem pelos tributos devidos nas operações realizadas pelo Consórcio na proporção de suas respectivas participações no empreendimento conforme estabelecido na Lei n° 6.404/1976 e no instrumento contratual, sem a presunção de solidariedade; 8. Os arquivos contábeis digitais e em meio papel solicitados pela fiscalização foram apresentados e submetidos às verificações fiscais de forma independente e segregados da contabilidade das consorciadas, uma vez que o objeto da auditoria fiscal se centralizou nas atividades do Consórcio, notadamente àquelas com efeitos tributários; 9. A remuneração paga aos segurados empregados contratados para a execução do projeto foi feita mediante repasse financeiro dos consorciados e em determinados momentos com reforço da empresa líder, constituindo folhas de pagamento e escrituração contábil segregadas, com informações declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e Informações à Previdência Social GFIP no CNPJ próprio do Consórcio, com exceção de uma média de trinta segurados mantidos na parte operacionaltécnica do Consórcio que pertencem ao quadro de segurados empregados das três consorciados e por elas foram remuneração respectivamente; 10. Foi celebrado Acordo Coletivo de Trabalho ACT entre o Consórcio Rio Paraguaçu e o Sindicato dos Trabalhadores na área de construção, obras em estradas, pavimentação e terraplanagem SINTEPAV BA, bem como Convenção Coletiva de Trabalho entre os sindicatos representantes das categorias envolvidas, nos quais são estipuladas, com vigência de 01/03/2009 a 28/02/2011, as condições de trabalho aplicáveis, assim como há a previsão de variados benefícios em prol dos trabalhadores e dentre estes a Participação nos Lucros e Resultados – PLR; Fl. 3397DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 7 6 11. O acordo Coletivo prevê que o valor a ser pago a título de PLR, terá como limite 60% das horas mensais, com base em metas estabelecidas por equipe a serem atingidas (Cláusula Sétima do ACT), que terá acompanhamento mensal dos serviços e suas produtividades, formando assim o Ciclo de Avaliação; 12. A PLR paga de acordo com a Lei nº 10.101/2000 não integra a remuneração, e assim não constitui fato gerador de contribuição previdenciária e ainda poderá ser deduzido o valor distribuído como despesa operacional para fins de apuração do lucro líquido do exercício, mas isso só se efetiva quando pagos de acordo com a normal legal que a regulamenta, não só sob os aspectos formais assim como também sob os aspectos materiais; 13. O lançamento da Contribuição Previdenciária tem como Fato Gerador os valores pagos aos segurados empregados sob a rubrica intitulada como "Participação nos Lucros ou Resultados PLR" pelo Consórcio Rio Paraguaçu, reconhecida pela fiscalização como sendo de natureza salarial, com base nos arquivos contábeis conciliados com as folhas de pagamentos, relatórios verificados e informações constantes dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil; 14. Constitui também Fato Gerador do Crédito Tributário Previdenciário os valores pagos a título de "Reembolso de Passagens", sobre os quais, apesar de esclarecimentos fornecidos de que se tratava de valores reembolsados de gastos feitos com deslocamentos dos empregados aos locais de origem, não houve apresentação de prova documental referente às despesas feitas que deram origem aos pagamentos reembolsados e assim sendo a auditoria fiscal reconheceu a natureza salarial de tais valores diante dos arquivos contábeis conciliados com as folhas de pagamentos, relatórios verificados e informações constantes dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil; 15. Os Fatos Geradores que integram o lançamento fiscal compreendem aqueles que não foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, não oferecidos à tributação; 16. Não foram oferecidos à tributação os valores de "Participação nos Lucros ou resultados PLR" e de "Reembolso de Passagens" que importam no cálculo da contribuição patronal, da RAT e de Terceiros; 17. A multa aplicada no lançamento de ofício foi de 75% pelo não adimplemento da obrigação tributária principal no prazo e na forma legal, conforme exegese do art.35 c/c ao art. 35A da Lei n° 8.212/1991; 18. Foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, pelo não oferecimento à tributação da remuneração paga aos segurados empregados e a contribuintes individuais constituindo em tese o Fl. 3398DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 8 7 ilícito de Sonegação de Contribuição Previdenciária, conforme art. 337A, I, do Código Penal, e ainda, no que se refere à contribuição devida a Terceiros, assim entendida a devida a Outras Entidades e Fundos, configurando, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária, definido pelo art. 1°, I, da Lei n° 8.137/1990. Em 12/02/2015 o Contribuinte tomou ciência, Via Correio, dos Autos de Infração (AR fl.3292), e tempestivamente, em 16/03/2015, apresentou sua Impugnação de fls. 2059 a 2095, instruída com os documentos nas fls. 2096 a 3282. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CTA para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0654.573, em 27/04/2016 a 5ª Turma, votou no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, reduzindo a 1/3 (um terço) os valores constituídos nos períodos de apuração referentes às competências de 01/2010 a 09/2010 e mantendo em sua totalidade o lançamento das diferenças referentes ao período de apuração de 10 a 12/2010. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão, por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, em 02/05/2016 (TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM fl. 3342). Em 24/05/2016, tempestivamente, o Contribuinte protocolou seu Recurso Voluntário de fls. 3344 a 3382, onde faz um breve resumo dos fatos (fls. 3345/3348) para em seguida, argumentar o seguinte: 1. A nulidade do Auto de Infração em consequência do vício substancial que maculou o procedimento administrativo haja vista a formalização do lançamento para exigência de supostos débitos do Consórcio Rio Paraguaçu de apenas uma das suas consorciadas, quando estas devem responder pelos tributos devidos nas operações realizadas pelo Consórcio na proporção de suas respectivas participações, conforme regramento da Lei nº 6.404/76 (fls. 3348/3360); 2. O ato de lançamento não respeitou o disposto no art. 142 do CTN, relativamente à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, o que configura vício material insanável; 3. Assevera acerca do erro de direito, pois há uma incorreção no cotejo entre a norma tributária (hipótese de incidência) com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regra matriz de incidência, qual seja, o pessoal, e que, tratandose de vício material, é impossível de ser convalidado 4. A indevida exigência de Contribuições Previdenciárias e Contribuições destinadas a Terceiros sobre valores pagos aos empregados do Consórcio Rio Paraguaçu a título de PLR (fls. 3360/3379); 5. Os valores pagos a título de PLR foram feitos de acordo com a Lei 10.101/2000 e com o Acordo Coletivo de trabalho firmado com os Fl. 3399DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 9 8 representantes dos trabalhadores e Convenção Coletiva de Trabalho, com objetividade e clareza na imposição de diretrizes que motivaram o pagamento; 6. Explicita, no que tange à PLR, que foram estabelecidas critérios individuais, além de metas de aferição da produtividade por equipes de trabalho, com prévio conhecimento dos envolvidos; 7. Restaram comprovados que os pagamentos feitos aos trabalhadores se referem a reembolso de despesas por eles efetuadas, estando, portanto, fora do campo de incidência das Contribuições. 8. Não há ausência de recolhimento de Contribuições Previdenciárias sobre remuneração pagas a Pessoa Físicas a título de prestação de serviços (fls. 3379/3381). O Contribuinte finaliza seu Recurso Voluntário requerendo o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração combatido por erro material insanável e, subsidiariamente, a reforma da decisão recorrida para que o Auto de Infração seja julgado totalmente improcedente, uma vez que foram regulares os pagamentos efetuados a título de PLR e o reembolso de despesas não configura fato imponível da contribuição previdenciária Destaco ainda que foi juntado ao eprocesso memoriais reiterando os argumentos contidos no Recurso Voluntário apresentado. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Recurso de Ofício Em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 3400DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 10 9 Destarte, a verificação do "limite de alçada", em face de decisão de primeira instância favorável ao contribuinte ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente, conforme sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. No presente caso, tendo em vista que o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do limite de alçada (fls. 3331/3332), não conheço do Recurso de Ofício. Recurso Voluntário O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade Alega, preliminarmente, o Recorrente a nulidade do auto de infração em virtude de vício material na identificação do sujeito passivo e na quantificação do crédito tributário. Assevera que não pode responder pela totalidade de débitos decorrentes das atividades exercidas pelo Consórcio Rio Paraguaçu, composto por mais duas outras empresas consorciadas, em patente ofensa à Lei nº 6.404/1976, e que não se pode atribuir validade a uma autuação fiscal pautada em critérios e premissas equivocadas. A Delegacia de Julgamento entendeu que não seria o caso de nulidade do lançamento, pois o procedimento fiscal atendeu aos requisitos do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, tendo sido oportunizado ao contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, que foram plenamente atendidos pela autuada. No entanto, entendeu que assiste razão à contribuinte quanto a alegação de que não poderá responder sozinha pela totalidade dos débitos decorrentes das atividades exercidas pelo CONSÓRCIO, uma vez que no período de 01 a 09/2010, vigorava a Lei nº 6.404/1976 que estabelecia que cada consorciada responderia na proporção de sua respectiva participação, ou seja, a 1/3 (um terço) das contribuições apuradas no presente caso, até a edição da MP nº 510/2010 que passou a vigorar posteriormente. Fl. 3401DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 11 10 Pois bem. Importante nesse ponto destacar o que determina a Lei nº 6.404/1976: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. Conforme disposto na legislação referida, cada consorciada responderá por suas obrigações na proporção de sua participação, sem presunção de solidariedade. Apenas com a edição da Medida Provisória nº 510/2010, convertida na Lei nº 12.402/2011, foi atribuída a responsabilidade solidária entre as consorciadas no que tange ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, inclusive a incidente sobre a remuneração dos trabalhadores avulsos e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, além da multa por atraso no cumprimento das obrigações acessórias, vejamos: Art. 1o As empresas integrantes de consórcio constituído nos termos do disposto nos arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, respondem pelos tributos devidos, em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, observado o disposto nos §§ 1o a 4o. Produção de efeito § 1o O consórcio que realizar a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo empregatício, poderá efetuar a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente responsáveis. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o abrange o recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, da contribuição prevista no art. 7o da Lei no 12.546, de 14 de dezembro de 2011, inclusive a incidente sobre a remuneração dos trabalhadores avulsos, e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, além da multa por atraso no cumprimento das obrigações acessórias. (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014). Diante das disposições normativas supra referidas, cabe trazer à colação sob quais bases de fundamentos foi efetuado o lançamento. Conforme se infere na acusação fiscal, de acordo com o disposto nos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76, o Consórcio não possui personalidade jurídica própria e não se confunde com a identidade jurídica das sociedades empresárias que o compõem, possuindo inscrição obrigatória no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ em atendimento à legislação para fins de interesse fiscal (item 2.1). Fl. 3402DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 12 11 Afirma que a participação de cada sociedade consorciada corresponde a 1/3 (um terço) para cada participante, conforme previsto na cláusula 5.2 do ato constitutivo. Assevera que não há presunção de solidariedade pelas obrigações decorrentes dos fatos jurídicos praticados pela atuação do consórcio, respondendo cada consorciada na medida de suas respectivas participações, nos termos dispostos no § 1º, do artigo 278 da Lei nº 6.404/76 (item 2.2.1). Disserta ainda a peça acusatória, que a Medida Provisória nº 510/2010, convertida na Lei nº 12.402/2011 estabeleceu, a partir de 29/10/2010, a obrigação tributária solidária entre as consorciadas e o consórcio, e que até mencionada data não havia obrigações tributárias para os consórcios, prevalecendo dessa forma o regramento da Lei nº 6.404/76 que dispõe que as consorciadas respondem pelos tributos devidos nas operações realizadas pelo consórcio na proporção de suas respectivas participações no empreendimento, conforme estabelecido em ato contratual, sem presunção de solidariedade (item 2.3). Esclarece que a ora Recorrente atua como empresa líder do consórcio, sendo responsável pela escrituração contábil, ainda que independente, das operações realizadas e que, uma vez que as consorciadas respondem pelos tributos devidos, na proporção de suas respectivas participações, sem a presunção de solidariedade, é que, por razões de racionalidade fiscal, o crédito tributário foi constituído tendo como sujeito passivo da obrigação principal e seus reflexos a empresa líder, para que promova o rateio do valor devido conforme disposição contratual. Destaca que os arquivos contábeis digitais e em meio físico foram apresentados e submetidos às verificações fiscais de forma independente e segregados da contabilidade das consorciadas, tendo em vista que o objeto da auditoria fiscal diz respeito às atividades de Consórcio, e que os resultados obtidos por este são transferidos às empresas na proporção de suas participações, efetuando as consorciadas os registros por operação ou saldo de contas. Diante do contexto traçado na exposição de motivos da acusação fiscal, o lançamento deveria ter sido realizado contra cada uma das empresas consorciadas, na proporção de suas participações. Ocorre que os autos de infração foram formalizados exclusivamente em nome de uma das consorciadas, sob a alegativa de racionalidade fiscal, de forma frontalmente contraditória com a descrição dos fatos narrados e com os fundamentos inseridos na própria peça acusatória, quais sejam, artigos 278, § 1º da Lei nº 6.404/76 e Lei nº 12.402/2011. Notese que sequer foi procedido conforme destacado no item 2.3 do Relatório Fiscal que distingue o período anterior a 29/10/2010 no qual vigorava a Lei nº 6.404/76, e o período a partir de 20/10/2010 em que passou a vigorar as normas de solidariedade estabelecidas pela Medida Provisória nº 510/2010, convertida na Lei nº 12.402/2011. Como se vê, a motivação acusatória não fez a correta subsunção dos fatos à norma. Com efeito, a lei nº 9.784/99 determina que os atos administrativos devam ser motivados de forma explícita, clara e congruente. Vejamos: Fl. 3403DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 13 12 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. A indicação do sujeito passivo e o critério quantitativo de aferição do crédito tributário não encontra consonância com os fundamentos da autuação, o que vai de encontro às premissas insculpidas no artigo 142 do o Código Tributário Nacional que assim determina: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse contexto, o ato administrativo foi falho na identificação do sujeito passivo e no cálculo do montante do tributo devido, uma vez que o motivo de fato não tem relação jurídica com o motivo legal emanado no lançamento. Se o lançamento contém vícios desde a sua origem não há como prevalecer. Isso porque, somente seria aceitável a sua validade através da realização de outro ato administrativo com conteúdo alterado, através de uma nova descrição dos fatos, com a correta indicação das normas a serem aplicadas e a coerente subsunção, o que demonstra a existência de defeito intrínseco na sua formação, posto que suas premissas não condizem com a sua conclusão. Fl. 3404DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 14 13 A decisão de piso tentou fazer uma correção ao lançamento com relação ao critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Nesse caso, não cabe ao julgador convalidar um ato viciado em seus requisitos intrínsecos, mas tão somente decretar a sua nulidade por vício material em virtude de erro na sua própria formação. A despeito da modificação dos critérios jurídicos adotados pela pelo agente autuante no exercício do lançamento, o artigo 146 do CTN assim estabelece: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Nesse diapasão, tendo em vista a constatação de vício intrínseco, para que ocorra a alteração da motivação do ato administrativo, necessário se faz a lavratura de outro auto de infração com conteúdo alterado. Por essa razão, mister se faz declarar a nulidade do lançamento, por vício material, com a consequente exoneração do crédito tributário dele decorrente. Caso não seja esse o entendimento adotado pela maioria dos integrantes deste Colegiado, passase à análise das demais questões debatidas no Recurso Voluntário. Decadência O lançamento se refere ao período de 01/2010 a 12/2010 foi lavrado em 30/12/2014, com ciência do sujeito passivo em 12/02/2015. Dessa forma, resta concluir que a competência 01/2010 foi atingida pela decadência, nos termos em que dispostos no § 4º do art. 150 do CTN, tendo em vista a não ocorrência de fraude e por se tratar de diferenças de valores de contribuições. PLR – regras claras e objetivas Conforme se verifica dos autos, a controvérsia recorrida cingese à exigência de contribuições sobre Pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR decorrentes de Acordo Coletivo e Convenção Coletiva de Trabalho. No entender da autoridade fiscal o pagamento de PLR está em desacordo com os critérios estabelecidos nos artigos na Lei nº 10.101/2000, em razão das regras não terem sido fixadas de forma clara e objetiva. A Recorrente afirma que atendeu a todos os requisitos expostos na legislação aplicável e que a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam. Fl. 3405DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 15 14 Inicialmente, importante se faz destacar que o pagamento de PLR e suas repercussões tributárias encontramse previstos na Constituição Federal, art. 7º, inciso XI, Lei nº 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “j” e Lei nº 10.101/00, fruto da conversão da Medida Provisória nº 1.97277/2000 (originária MPV 794, de 29/11/94). A Constituição da República assegurou, em seu artigo 7º, dentre outros, o direito a Participação nos Lucros e Resultados: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; A Lei nº 8.212/91, assim determina acerca do salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Como se vê, a PLR desvinculada da remuneração é um direito social previsto na carta política e condicionado à observância dos requisitos da legislação infraconstitucional. Assim, na medida em que trata de preceito de eficácia limitada, devem ser observados os ditames da lei específica que disciplina a matéria, qual seja, a Lei nº 10.101/2000: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 16 15 período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Tendo como base a leitura das normas de regência, passamos à análise dos motivos ensejadores do lançamento que descaracterizou os pagamentos efetuados à título de PLR. Pois bem. Não se pode olvidar que a finalidade da lei reside do conhecimento prévio, por parte do trabalhador, da existência de padrões para aferição dos seus direitos de participação. O pagamento do PLR em decorrência do bom desempenho da empresa e de seus resultados configura um incentivo às atividades desempenhadas pelos funcionários, sendo assim um instrumento de integração entre o capital e o trabalho. A Lei nº 10.101/2000 não define prazo mínimo para a assinatura do acordo, razão pela qual, a cada caso concreto, devese buscar a melhor interpretação, objetivando que seja aferida a real intenção da norma do inciso XI, do art. 7º da Constituição Federal, bem como do legislador infraconstitucional. Fl. 3407DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 17 16 Como se observa, a Lei nº 10.101/2000 exige negociação entre empresa e trabalhadores, em que resulte em regras claras e objetivas quanto à fixação dos critérios e mecanismos de aferição dos resultados relativos ao cumprimento do acordado, estabelecendo como critérios, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Destaquese que para a finalidade da fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, poderão ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Ou seja, a lei não determinou quais regras deveriam constar do Programa de Participação dos Lucros, mas tão somente exigiu que referidas regras fossem claras e objetivas (§ 1º do artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000). Compulsando os autos, constatase que existe CCT entre o SINTEPAVBA e o Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia – SINDUSCONBA, registrado no Ministério do Trabalho e Emprego em julho de 2009, além de ACT firmado entre o Consórcio e o SINTEPAVBA, os quais respaldaram os pagamentos de PLR. Foram atendidas as exigências dispostas na Lei no que tange as regras claras e objetivas, com mecanismos de aferição mensal quanto ao cumprimento de metas estabelecidas, tanto individuais (associadas a desempenho, faltas, advertências, cumprimento de normas de segurança), quanto coletivas, com metas por equipes de atividades desempenhadas, com prévio conhecimento (item 7.3 do Acordo Coletivo), além de todas as diretrizes que motivaram o pagamento (nos Acordos firmados constam a partir da Cláusula Sexta). Os planos compõem o Programa de Produtividade e Metas, previamente elaborados, e com ampla participação dos interessados, conforme destaque: Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 18 17 A alegação fiscal de que não existem critérios claros de metas e resultados não se sustenta pela própria análise do Acordo e Convenção firmados com plena atuação do Sindicato que representou os empregados durante a negociação do Plano. Não há qualquer indício de unilateralidade na imposição de metas que são aferidas de acordo com o sistema de avaliação contido no Acordo e seus anexos. A Lei exige negociação entre empresa e trabalhadores que resulte em regras claras e objetivas quanto à fixação dos critérios e mecanismos de aferição dos resultados relativos ao cumprimento do acordado. As partes tem liberdade para fixar os elementos e condições objetivando a fruição da PLR. Assim, qualquer resultado que interesse à empresa pode ser utilizado como critério, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. Existem as metas coletivas e individuais, com oportunidade de os funcionários visualizaram suas metas de resultados, que lhes era disponibilizado ao final de cada mês, portanto, com peno conhecimento dos interessados; Era mostrado o resultado com base no que estava programado e apresentado relatório a cada um dos funcionários. Em seu RV a empresa tece aos detalhes os critérios utilizados, com relação as metas, aos cálculos da PLR e a forma como os funcionários tinham conhecimento. Dito isso e com base nos elementos constantes dos autos, entendo que os acordos referentes à participação nos lucros ou resultados atendem a todos os requisitos legais. Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 19 18 Assim, de acordo com o conjunto probatório adunado aos autos e a análise dos planos neles inseridos, ressai totalmente desprovida a exigência fiscal, tendo em vista que o pagamento do PLR ocorreu em consonância com o disposto na lei. Reembolso de despesas Verifico que o reembolso de despesas lançado nas folhas de salários dos empregados na rubrica 208, referese a gastos com passagens para o retorno dos funcionários à cidade de origem quando da rescisão do contrato de trabalho, por terem os colaboradores assumido as despesas com as passagens, conforme termos de rescisão de contratos de trabalho, planilhas apresentadas. Assim, por não tratar de salário de contribuição deve ser excluída do lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE PROVIMENTO, para julgar insubsistente o lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia à I. Relatora para discordar do seu voto referente ao exame do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, no que tange à preliminar de nulidade e ao mérito. Preliminar de nulidade Embora contenha equívoco na formalização, no período de 01 a 09/2000, não é o caso de declarar a nulidade do lançamento por vício material. O Relatório Fiscal está juntado às fls. 06/26. Ao discorrer sobre a legislação tributária aplicável aos fatos, o agente lançador dividiu a responsabilidade pelos fatos geradores em dois momentos (item 2, às fls. 07/08): Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 20 19 (i) até a competência 09/2010, as consorciadas respondem pelos tributos devidos nas operações na proporção de suas respectivas participações no consórcio, conforme estabelecido na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem presunção de solidariedade no empreendimento; e (ii) a partir da competência 10/2010, restou estabelecida a obrigação tributária solidária entre as empresas consorciadas, nos termos da Medida Provisória nº 510, de 28 de outubro de 2010, convertida na Lei nº 12.402, de 2 de maio de 2011, sem benefício de ordem. O agente fiscal decidiu também constituir o crédito tributário exclusivamente em face da empresa líder do consórcio, ora recorrente, no período de 01 a 09/2010, sob a justificativa de racionalidade fiscal (item 3.3, às fls. 09). Efetivamente, há uma falha no lançamento fiscal, porque a recorrente não responde pela totalidade do crédito tributário apurado nos meses de 01 a 09/2000, cuja dívida está limitada ao percentual de sua participação no contrato relacionada às atividades do consórcio, a partir de uma divisão proporcional entre as empresas consorciadas (Cláusula Quinta, do Instrumento de Constituição do Consórcio, às fls. 513/521). Porém, a conduta do agente fazendário não configura erro na identificação do sujeito passivo, mas sim representa apenas um excesso no cálculo do montante do tributo devido pela autuada, naquelas competências. Os fatos descritos no auto de infração referentes aos pagamentos a título de participação de lucros ou resultados aos segurados empregados estão corretos, permitindo à empresa autuada o pleno exercício do seu direito de defesa, mediante a exposição de argumentos e apresentação de todas as provas que pretende fazer prevalecer no processo administrativo. Em tais situações, a deficiência no cômputo da base de cálculo pode ser facilmente saneada em sede do contencioso administrativo, sem acarretar prejuízo para o contribuinte, não havendo que se falar em nulidade e necessidade de se realizar um novo lançamento fiscal. O defeito atinge o valor cobrado no auto de infração, não incidindo sobre a metodologia de cálculo. Por tal razão, o procedimento para ajustar o auto de infração à adequada previsão normativa não equivale a uma modificação nos critérios jurídicos que embasaram o lançamento fiscal, tão somente exige uma simples operação aritmética para reduzir a base de cálculo. De fato, como assentou o acórdão de primeira instância, para fins de reparação do ato administrativo é suficiente consignar no processo o correto montante dos tributos sob a responsabilidade da empresa líder, calculados na proporção de sua participação no consórcio estabelecida no contrato, equivalente a 1/3 (um terço) das receitas e custos do projeto, acrescido dos tributos a que seja solidariamente responsável (10 a 12/2010). Logo, não merece reforma a decisão de piso, cabendo avançar para a apreciação do mérito do lançamento. Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 21 20 Participação nos Lucros ou Resultados: regras claras e objetivas Para fins de Participação nos Lucros ou Resultados, foi celebrado Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) entre o Consórcio Rio Paraguaçu, que tem a recorrente como empresa líder, e o Sindicato dos Trabalhadores na área de construção, obras em estradas, pavimentação e terraplanagem (SINTEPAVBA), estabelecendose critérios específicos para pagamento da vantagem pecuniária, com vigência no período de 03/2009 a 02/2011 (fls. 2.265/2.282). Os acordos firmados referemse a um plano de avaliação de desempenho que envolve a aferição de produtividade através de metas individuais e coletivas, que correspondem a até 40% e 60%, respectivamente, do valor mensal da participação nos lucros ou resultados (Cláusula Quarta). Quanto às metas de produtividade por equipes de trabalho (coletiva), dispõe a Cláusula Sétima: CLÁUSULA SÉTIMA METAS DE AFERIÇÃO PARA RECEBIMENTO DA PLR POR EQUIPE O valor a ser pago a cada equipe de trabalho, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, resultante das Metas por Equipe, corresponderá a até 60% (sessenta por cento) das horas mensais de PLR. Esse será atribuído em função das condicionantes especificadas a seguir: 7.1 Serão elaborados Planos de Metas e Resultados para cada equipe de trabalho, através dos quais Líderes e Liderados buscam alinhar suas concepções e propósitos, acordando os resultados e metas a serem atingidos. Os Planos de Metas e Resultados passarão a fazer parte integrante do presente Acordo. 7.2 O acompanhamento e aferição do que foi pactuado nos Planos de Metas e Resultados será mensal, após análise do andamento dos serviços e suas produtividades, permitindo ao integrante visualizar e ajustar nos meses seguintes, seu desempenho no trabalho, de forma a recuperar e até superar os resultados pactuados para o semestre (Ciclo de Avaliação). 7.3 A divulgação dos Planos de Metas e Resultados se dará através de reuniões com as diversas equipes, com a finalidade de esclarecer todos os critérios para apuração das metas, como funciona e qual o objetivo dos planos. Para efeito de acompanhamento, serão exibidos relatórios explicativos nas frentes de serviços. 7.4 A quantidade de horas a ser paga como PLR referente ao Plano de Metas e Resultados de uma equipe, ou seja 60% das horas normais mensais a título de PLR, será apurada de acordo com a seguinte tabela: (...) Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 22 21 7.4.1 Para apuração da quantidade de horas a ser paga à equipe formada pelos integrantes administrativos e de apoio à produção, será utilizada a mediana de todas as equipes de produção da obra. (DESTAQUEI) O agente fiscalizador considerou que as regras e condições estabelecidas no acordo não atenderam o que determina a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Senão vejamos, o item 5.1.4.1 do Relatório Fiscal (fls. 17): (...) As regras e condições estabelecidas no Acordo feito não foram fixadas de forma clara e objetiva como determina a Lei nº 10.101/00, limitandose apenas como evidenciamos na tabela trazida em tópico acima desta peça fiscal a estipular graduações de percentuais sobre as metas estipuladas a serem determinadas mediante “os planos de metas e resultados que passariam a fazer parte integrante do instrumento”, sem no entanto ter sido apresentado à auditoria fiscal o anexo citado. (...) Com efeito, por exigência da lei específica, as regras da participação nos lucros ou resultados devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Eis a redação do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101, de 2000: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 23 22 Os critérios e as condições têm que estar expressamente consignados no instrumento de negociação, ainda que se admita a possibilidade do seu detalhamento em documentação apartada, como mecanismo para viabilizar a operacionalização, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. Entretanto, na parte referente ao estabelecimento das metas de aferição da produtividade por equipe de trabalho, o instrumento de negociação coletiva estipula que os planos de metas e resultados serão elaborados posteriormente, em desacordo, portanto, com o art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101, de 2000. No caso dos autos, não ficou evidenciado que os planos de metas e resultados de cada uma das equipes foram elaborados, de fato, pelos respectivos líderes em conjunto com seus liderados, com supervisão do sindicato, afastando o caráter unilateral da proposição das metas coletivas mensalmente avaliadas. É insuficiente a mera previsão no texto do acordo coletivo, quando a fiscalização aprofunda a investigação. Além disso, os autos estão desprovidos de comprovação da divulgação prévia aos trabalhadores dos planos de metas e resultados, que lhes daria amplo conhecimento dos índices definidos para a produção coletiva, a serem alcançados pelas respectivas equipe de trabalho. Consoante explicado no acórdão recorrido, os documentos de fls. 2.561/3.122 não comprovam o cumprimento do estipulado na Lei nº 10.101, de 2000, porquanto representam, na verdade, aferição de metas e resultados coletivos, mediante a comparação entre a produtividade prevista e aquela efetivamente alcançada pela equipe de trabalho (programado x executado). Portanto, mais uma vez, a decisão de piso decidiu com acerto a questão controvertida. Reembolso de despesas Segundo as alegações da recorrente, os reembolsos de despesas lançados nas folhas de salários dos segurados empregados dizem respeito a dispêndios com passagens para o retorno dos funcionários às cidades de origem quando da rescisão do contrato de trabalho, por terem os colaboradores assumido as despesas com as passagens. Para comprovar os fatos, o sujeito passivo carreou aos autos os termos de rescisão de contratos de trabalho e planilhas com os endereços dos colaboradores, as datas de desligamento e os valores dos reembolsos efetuados. Pois bem. Há somente a aparência de não se tratar de contraprestação pelo trabalho realizado, porém sem efetiva demonstração. Conforme destacou a decisão de piso, o sujeito passivo deixou de juntar ao processo administrativo os recibos/notas/faturas das passagens que comprovam a correlação entre o montante do reembolso pela empresa e o valor despendido pelo segurado desligado, atestando o caráter de mero ressarcimento de despesas, em que não há acréscimo patrimonial auferido pelo beneficiário. Sem razão, novamente. Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 16682.721124/201444 Acórdão n.º 2401005.733 S2C4T1 Fl. 24 23 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade, RECONHECER a decadência da competência 01/2010, nos termos do voto da I. Relatora, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 3415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000098/2007-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
INSUBSISTÊNCIA RECURSAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Se a acórdão recorrido se funda em mais do que um fundamento autônomo para decidir a mesma matéria, mas o recurso especial se volta apenas contra um deles, há insubsistência recursal que impossibilita o seu conhecimento.
Numero da decisão: 9101-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em na~o conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em na~o conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio).
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CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Se a acórdão recorrido se funda em mais do que um fundamento autônomo para decidir a mesma matéria, mas o recurso especial se volta apenas contra um deles, há insubsistência recursal que impossibilita o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flav́io Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 98 /2 00 7- 13 Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 9101003.741 CSRFT1 Fl. 101 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto por THORK COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXP. LTDA (doravante “contribuinte”), em face do acórdão nº 1401 00.405 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial diz respeito à consideração de custos inerentes às receitas omitidas por contribuinte tributado pelo lucro real na aplicação do art. 24 da Lei n. 9.249/95. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condicõ̧es à interessada de contestar o lanca̧mento, descabe a alegaçaõ de nulidade. AUTONOMIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL. Não interfere no processo fiscal o procedimento criminal, seguindo, ambos o seu curso normal, de forma independente, até o desfecho final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. RECEBIMENTOS SEM CAUSA. Considerase omissão de receita a entrada de recursos do exterior, quando não comprovada a causa do recebimento e nem efetuada a sua devolução. INFRAÇOẼS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS. Provado por robusta prova indiciária que a distribuição de combustível foi desviada para o mercado interno, sem a emissão de documentos fiscais, caracterizado está a omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA. PROVA. Provado nos autos que parte da omissão de receita não ocorreu, cancelase em parte o lançamento. TRIBUTAÇAÕ REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lanca̧mento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. A multa de ofício de 75% e os juros de mora equivalentes à taxa SELIC encontram amparo na legislação. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa qualificada de 150%, quando comprovado que o interessado omitiu escrituração de receitas, visando impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Não compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei. Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 9101003.741 CSRFT1 Fl. 102 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 ISENÇAÕ. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível lanca̧mento da contribuição, relativamente à mercadoria não exportada adquirida com isenção. VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE. Somente nos casos previstos em lei, podese deduzir a CIDE paga do valor da COFINS devida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 ISENÇAÕ. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível lanca̧mento da contribuição, relativamente à mercadoria não exportada adquirida com isenção. VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE. Somente nos casos previstos em lei, podese deduzir a CIDE paga do valor do PIS devido. O contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram conhecidos e rejeitados pela Turma a quo (efls. 3327 e seg.), em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. O contribuinte, então, interpôs recurso especial quanto à divergência de interpretação do art. 24 da Lei n. 9.249/95, tendo em vista que os acórdãos do recurso voluntário e dos embargos de declaração teriam rejeitado as alegações da requerente para o aproveitamento dos custos incorridos em relação às receitas apontadas como omitidas. Como paradigma da divergência foi trazido o acórdão n 10806.208 (efls. 3348 e seg.). O aludido recurso foi admitido por despacho (efls. 3433 e seg.). Por fim, a PFN apresentou contrarrazões, nas quais requer não seja conhecido o recurso especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento (efls. 3439 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Em sede de contrarrazões, pugna a PFN pelo não conhecimento do recurso especial, lançando mão de dois argumentos: haveria insuficiência recursal, pois (i) as decisões recorridas teriam se baseado em dois fundamentos distintos e autônomos para manter a exigência fiscal em questão e, ainda, (ii) que os elementos de prova sobre os quais se basearam as decisões recorridas tornariam o acórdão indicado como paradigmático distinto. A seguir os argumentos presentes nas contrarrazões, in verbis: Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 9101003.741 CSRFT1 Fl. 103 4 “À princípio, cabe esclarecer que o matéria apontada pelo recorrente, a possibilidade de aproveitamento dos custos incorridos em relação às receitas apontadas como omitidas, não foi tratada originalmente no acórdão recorrido. A matéria somente veio a ser tratada pelo colegiado a quo em sede de embargos de declaraçaõ, que foram rejeitados, sob a seguinte fundamentação: “O primeiro ponto, diz respeito a uma suposta omissão do Acórdão em relação ao trato da apuração da base de cálculo, “em decorrência da suposta venda do combustível no mercado interno, dos custos então incorridos com a operação”. Ora, em primeiro lugar o ponto em questão não era matéria contestada em sede de defesa, motivo pelo qual não precisava nem de longe ser abordado, pois seria uma matéria preclusa. Outrossim, apenas para esclarecimento, o TVF dá conta de esclarecer a dúvida colocada pela Embargante: (...) Como se vê, foi constatado omissaõ de direta de Receitas e foi considerada a base de cálculo reconstituída com essa omissão com base no regime de tributação adotado (lucro real) ex vi, artigo 24 da Lei n.° 9249, de 26/12/95. No lucro real, se esperase que todos os custos já estejam contabilizados, sendo ônus da prova do contribuinte qualquer situação diferente dessa, o que não foi o caso. Ademais, quando se assume o risco de omitir receitas e simultaneamente custos, a outra conseqüência disso e ́ estar sujeito também ao risco de não ver seus custos ressarcidos, justamente porque ficou à margem da contabilidade. E em sede extremamente estreita de embargos, não há espaço para dilaca̧õ probatória e refazimento da contabilidade. Também há aqui uma contradição nesse argumento trazido em sede de embargos, no que concerne aos depósitos, pois em sede recursal ela não admitia a autoria dos depósitos feitos em dinheiro, alegava que foi feito por terceiros em nome dela e agora ela quer que se considere esses pagamentos como custo contábil. É que ela pretende em duas situações defender situações antagônicas. Primeiro em sede recursal que não houve destinação diversa da mercadoria para o mercado interno e agora, que houve, sim, e que ao lado da omissão se tem custo. Por fim, em relação aos três cheques do Bradesco onde a Embargante de fato admite os pagamentos à Usina Manguinhos, cabe salientar que além de permanecer o obstáculo de o custo não ter sido contabilizado, não importando o porquê, conforme Acórdão embargado essa vinculação entre os cheques e o custo não é direta, isso porque a causa dos recebimentos não foram demonstradas. Ora, em se admitindo isso como custo, a causa teria sido demonstrada e assim a infracã̧o “recebimento sem causa” não teria sua razão de ser. Mas isso implica em rediscutir toda a matéria atinente a essa infraçaõ! A propósito dessa falta de vinculaçaõ, o voto condutor assim tratou dessa matéria: (...)” No acórdão proferido pelo colegiado a quo em sede de embargos, logo ao início de sua análise, consignase que o aproveitamento de custos incorridos em relação às receitas omitidas, por não ter sida abordada em sua defesa, seria matéria preclusa. Fica assente, portanto, que havia dois fundamentos autônomos e suficientes para não acolher o argumento do recorrente. Contudo, o recurso especial somente suscita divergen̂cia quanto à possibilidade de aproveitamento dos custos, sem indicar dissídio quanto à preclusão suscitada pelo colegiado a quo. A respeito, cumpre voltar a atençaõ para o entendimento do STF a respeito desses casos: Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 9101003.741 CSRFT1 Fl. 104 5 “Súmula 283/STF. Recurso extraordinário. Inadmissibilidade. Ausência de questionamento de todos os fundamentos do acórdão. CPC, art. 541. Lei 8.038/90, art. 26. É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”. O STJ não discrepa desse posicionamento: “Agravo regimental. Embargos de divergência. Acórdão embargado. Duplo fundamento. Dissídio não comprovado. 1. Contendo o acórdão embargado dois fundamentos independentes entre si e suficientes para o desprovimento do agravo regimental, devem os embargos de divergência cuidar dos dois fundamentos, trazendo paradigmas sobre ambos, o que não ocorreu no presente caso, já que não atacada a aplicação da Súmula no 182/STJ. 2. Quanto ao segundo fundamento do acórdão embargado, não restou caracterizada a divergência, já que os paradigmas enfrentaram diretamente o mérito da questão jurídica sem afastar, expressamente, as Súmulas nos 5 e 7/STJ, estas aplicadas no acórdão embargado. 3. Agravo regimental desprovido.” (AgRg nos EREsp 789589/SC, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, SEGUNDA SEÇAÕ, julgado em 27/09/2006, DJ 09/11/2006, p. 250) Diante de todo o exposto, desponta a necessidade de se negar seguimento ao recurso especial manejado, pois em que pese constarem dois fundamentos autônomos e suficientes para rejeitar a pretensão do recorrente, o recurso especial foi admitido apenas quanto a um deles, restando o outro intacto por decisão definitiva, não havendo aí interesse processual em alterar apenas um dos fundamentos que alicerca̧m a rejeição da pretensão do contribuinte interessado quando o outro já é suficiente, por si só, para provocar esse mesmo resultado. Noutros termos, o recurso especial, nos moldes em que interposto, não seria hábil a favorecer o contribuinte interessado, pois a decisão recorrida permaneceria lídima de qualquer modo, ainda que com base em apenas em um fundamento (preclusão), não atacado pelo recorrente. Assim como há outro fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido, impõese o não conhecimento do recurso especial manejado por falta de interesse. Assinalese ainda que o colegiado a quo, no julgamento dos embargos de declaracã̧o opostos pelo contribuinte, consignou claramente a falta de provas para demonstrar a vinculação de custos com as receitas omitidas. Diante da valoração de provas, fica afastada qualquer divergência que se pretenda demonstrar com acórdão no 10806.208, indicado como paradigma, por tratar de elementos distintos na comprovação dos alegados custos relacionados às receitas omitidas. Ante os argumentos expendidos, em sede preliminar, devese negar seguimento ao recurso especial manejado.” Compreendo que assiste razão à PFN. A matéria tratada no recurso especial do contribuinte diz respeito à consideração de custos inerentes às receitas omitidas por contribuinte tributado pelo lucro real na aplicação do art. 24 da Lei n. 9.249/95. O acórdão dos embargos de declaração considerou inexistir omissão no acórdão recorrido quanto à aludida matéria, que restaria preclusa: por não ter sido arguida, o Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 9101003.741 CSRFT1 Fl. 105 6 acórdão do recurso voluntário não teria que analisála. Tratouse, portanto, de fundamento autonomo e suficiente para afastar a alegação do contribuinte, ventilada em sede de embargos de declaração, quanto necessidade de consideração de custos inerentes às receitas omitidas por contribuinte tributado pelo lucro real na aplicação do art. 24 da Lei n. 9.249/95. Contudo, a Turma a quo decidiu ir além, esclarecendo que, ainda que não fosse a preclusão em questão, não assistiria razão ao contribuinte quanto mérito de sua alegação. No caso, o recurso especial interposto pelo contribuinte abordou apenas a necessidade de consideração de custos inerentes às receitas omitidas por contribuinte tributado pelo lucro real na aplicação do art. 24 da Lei n. 9.249/95. Ou seja, o recorrente não manejou recurso especial, com a necessária demonstração de divergência jurisprudencial, quanto ao fundamento da preclusão processual, que foi adotada como fundamento autônomo pela Turma a quo. Diante disso, o recurso especial não apresenta utilidade. Ainda que, por hipótese, venha a ser provido o recurso quanto ao mérito do art. 24 da Lei n. 9.249/95, remanecerá incólume a referida preclusão reconhecida pela Turma a quo, a qual, foi adotado como fundamento autônomo e suficiente para a desconsideração dos custos supostamente inerentes às receitas omitidas por contribuinte tributado pelo lucro real. Voto, portanto, pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 3454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720127/2017-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2014
IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA BOA-FÉ, DA PROPORCIONALIDADE E DA VERDADE REAL.
Havendo demonstração inequívoca de que a contribuinte impugnou, dentro do prazo legal, a exigência constituída mediante auto de infração, e que a sua transmissão eletrônica somente não foi finalizada por força de circunstâncias que não foram explicitadas e que provavelmente sejam atribuíveis ao sistema informatizado da Receita Federal, deve ser conhecida a impugnação.
Numero da decisão: 2402-006.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, determinando-se o retorno dos autos para a DRJ, para julgamento do mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstâncias impeditivas da análise do seu mérito.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2014 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA BOA-FÉ, DA PROPORCIONALIDADE E DA VERDADE REAL. Havendo demonstração inequívoca de que a contribuinte impugnou, dentro do prazo legal, a exigência constituída mediante auto de infração, e que a sua transmissão eletrônica somente não foi finalizada por força de circunstâncias que não foram explicitadas e que provavelmente sejam atribuíveis ao sistema informatizado da Receita Federal, deve ser conhecida a impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, determinando-se o retorno dos autos para a DRJ, para julgamento do mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstâncias impeditivas da análise do seu mérito. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO Recorrente ARAUJO ABREU ENGENHARIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2014 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA BOAFÉ, DA PROPORCIONALIDADE E DA VERDADE REAL. Havendo demonstração inequívoca de que a contribuinte impugnou, dentro do prazo legal, a exigência constituída mediante auto de infração, e que a sua transmissão eletrônica somente não foi finalizada por força de circunstâncias que não foram explicitadas e que provavelmente sejam atribuíveis ao sistema informatizado da Receita Federal, deve ser conhecida a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, determinandose o retorno dos autos para a DRJ, para julgamento do mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstâncias impeditivas da análise do seu mérito. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 01 27 /2 01 7- 90 Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 10872.720127/201790 Acórdão n.º 2402006.811 S2C4T2 Fl. 3.155 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 5ª Turma da DRJ/FNS, que não conheceu da impugnação apresentada pela contribuinte, diante de sua intempestividade. A recorrente basicamente alega que, antes de esgotar o prazo fatal, apresentou sua impugnação por meio de solicitação de juntada aos autos via Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos PGS e que somente no dia seguinte recebeu mensagem eletrônica noticiando inconsistência na tentativa da juntada. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da tempestividade da impugnação No entender da DRJ: [...] a impugnação do presente lançamento, por meio do sistema digital de solicitação de juntada de documentos, não foi, de forma definitiva e concreta, finalizada, tendo em vista que, sequer foi emitido pelo mencionado sistema, qualquer recibo eletrônico de comprovação do citado protocolo, para a caixa postal do contribuinte. [...] [...]ato contínuo, poucas horas depois, foi enviada mensagem postal, por meio do sistema CXPOSTALRFB – Caixa Postal – Módulo RFB, ao contribuinte Araújo Abreu Engenharia – CNPJ 33.373.325/000179, regularmente cadastrado neste sistema, na data de 12/04/2017, as 05:03, dando rápido retorno e noticiando Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 10872.720127/201790 Acórdão n.º 2402006.811 S2C4T2 Fl. 3.156 3 a ocorrência de inconsistência na tentativa de juntada de documentos, por meio do programa gerador. [...] [...]observase que praticamente no inicio do expediente do dia 12/04/2017, dia seguinte à tentativa de juntada ocorrida no dia anterior (11/04/2017), foi oficialmente comunicado ao contribuinte a ocorrência de inconsistência na solicitação de juntada. [...] [...]este somente veio a proceder a leitura da mensagem, na data de 24/04/2017 [...]. [...]temse que de forma inequívoca, efetivamente não foi emitido qualquer recibo eletrônico de comprovação do citado protocolo de juntada de documento por parte da Receita Federal do Brasil [...]. [...]a efetivação do procedimento eletrônico de juntada de documentos necessita peremptoriamente de necessária confirmação, por meio de Recibo Eletrônico [...]. [...]o próprio aviso que consta da tela do sistema esclarece que o processamento deve ser comprovado por meio de mensagem. [...] [...]conforme consta dos autos e ratificado pelo próprio interessado, os representantes da empresa se fizeram pessoalmente presentes na Delegacia da Receita Federal somente no dia 17/04/2017 [...]. Todavia, e no entender deste relator, a solução desta controvérsia não prescinde da análise do princípio da boafé, do princípio da proporcionalidade e da circunstância inequívoca de que a recorrente pretendeu, no dia 11/04/2017 (isto é, dentro do prazo legal), impugnar a exigência contra si formulada, não tendo logrado êxito por provável falha do sistema PGS. De forma escorreita e elucidativa, a DRJ transcreveu no voto a tela do sistema (v. fl. 3136), segundo a qual, no dia 11/04/2017, às 17h46min, o sujeito passivo teria solicitado a juntada de documentos, mais precisamente, e segundo ele afirma, a impugnação da exigência contra si instaurada mediante Auto de Infração. Isso demonstra que, antes do prazo final para a apresentação de sua defesa, a contribuinte tentou transmitila pelo sistema criado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB. A despeito disso, e somente no dia seguinte, o que inclusive contrariou o alerta segundo o qual o recibo do protocolo ou a mensagem de insucesso seriam enviadas para a Caixa Postal em até 1 hora, teria sido noticiada a ocorrência de inconsistência na tentativa de juntada de documentos. O sistema, além de ter feito a informação de forma tardia, nem mesmo teria relatado ou demonstrado qual seria a inconsistência que teria impedido a transmissão. Ora, o cidadão não pode ser prejudicado por falhas eventualmente imputáveis ao sistema da Receita (e não se está afirmando que o sistema seria falho, mas sim dizendo que isso seria provável, uma vez que não foi evidenciada qual seria a inconsistência) e seria no mínimo recomendável que a eventual impossibilidade de transmissão fosse reportada em tempo imediato, a fim de evitar surpresas incompatíveis com a segurança jurídica. No caso in Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 10872.720127/201790 Acórdão n.º 2402006.811 S2C4T2 Fl. 3.157 4 concreto, o PGS não só deixou de fazer uma informação em tempo imediato, como o fez somente no dia seguinte e depois de aproximadamente 12 horas, contrariando a mensagem emitida no momento da tentativa, segundo a qual o recibo ou a mensagem de insucesso seriam enviadas em até 1 hora. A transmissão eletrônica de dados, informações, documentos, etc, deveria ser implementada para facilitar o seu trânsito e sua análise por ambas as partes. Quer dizer, está de acordo com a razoabilidade e com a proporcionalidade esperar que a implantação de sistemas sirva para agilizar um trabalho que teria que ser feito de forma mecânica, de modo que a eventual impossibilidade sistêmica não poderia ser fato impeditivo do direito de a parte fazêlo de outro modo. Neste caso concreto, há, no entender deste relator, demonstração inequívoca de que a recorrente pretendeu, dentro do prazo legal, impugnar a exigência, e que ela somente não obteve êxito no seu intento por força de circunstâncias que não foram bem explicitadas e que provavelmente sejam atribuíveis à Receita. Expressandose em outras palavras, a contribuinte impugnou, dentro do prazo legal, o auto de infração, e a sua transmissão eletrônica somente não foi finalizada por força de fatos que não foram explicitados nos autos. Poderseia perguntar e responder: (a) haveria necessidade de um sistema informatizado para a apresentação da impugnação? É óbvio que não e o sistema é inclusive recente; (b) o sistema revelouse, neste caso, adequado? A resposta é igualmente negativa, porque o sistema contrariou suas próprias regras (alerta depois de 1 hora) e porque impediu, sem dar um feedback imediato, a transmissão da defesa; (c) em sentido estrito, seria proporcional impedir a análise da defesa que foi posteriormente protocolada na repartição? Entendese que não, porque a contribuinte tentou transmitila pelo sistema. Isto é, a adequação, a necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito revelam que a impugnação deve ser conhecida. Deve ser prestigiada, portanto, a boafé e a intenção inequívoca da recorrente de impugnar o auto, de maneira a viabilizar o exame da legalidade do crédito tributário pela DRJ, inclusive em consonância com o princípio da verdade material, que atua com força e vigor no direito tributário brasileiro. No direito tributário, o princípio da boafé tem igual importância em relação aos demais ramos jurídicos. O professor Roque Antonio Carraza lembra que esse princípio “também impera no direito tributário”1, e, citando doutrina estrangeira, o professor observa que “independentemente de seu reconhecimento legislativo, o princípio da boafé, enquanto princípio geral de Direito, cumpre uma função informadora do ordenamento jurídico e, como tal, as distintas normas devem ser interpretadas em harmonia com ele” 2. A boafé, a proporcionalidade e a razoabilidade têm sido reiteradamente prestigiadas pelo TRF4, podendo ser citados os seguintes precedentes, ao lado daquele transcrito no recurso voluntário: Reexame Necessário 2009.72.01.0008285, Apelação Cível 2007.71.00.0420759 e Apelação Cível 2006.71.06.0011896. 1 CARRAZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 25 ed. rev. ampl. atual. São Paulo : Malheiros Editores, 2009, p. 452. 2 Obra citada, p. 452. Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 10872.720127/201790 Acórdão n.º 2402006.811 S2C4T2 Fl. 3.158 5 Não pode passar despercebida, ainda, a seguinte circunstância apontada pelo sujeito passivo em seu recurso: Vale notar que, se de um lado, não houve o recibo eletrônico propalado pelo órgão de julgamento de primeira instância, de outro, não houve qualquer indicação de que havia um problema e de que caberia ao contribuinte resolvêlo, com a reentrega da impugnação ainda dentro do prazo. Cumpre fazer uma analogia com a apresentação de documentos pela via postal: vale o dia da postagem e, não, o dia em que a correspondência chega ao órgão destinatário. Qualquer ruído nesse trâmite não viria a prejudicar o contribuinte, bastando a ele que prove a postagem dentro do prazo recursal para que lhe seja possível apresentar novamente seu recurso e sanar a inconsistência. Em sendo assim, este relator entende que deve ser provido o recurso voluntário, para que seja reconhecida a tempestividade da impugnação e seja determinado o retorno dos autos para a DRJ, a fim de que proceda ao seu julgamento, caso inexistam outras circunstâncias impeditivas da análise do seu mérito. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, determinandose o retorno dos autos para a DRJ, a fim de julgar o mérito da impugnação, caso inexistam outras circunstância impeditivas da análise do seu mérito. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 3158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729222/2016-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
O recurso deve ser conhecido, no tocante apenas as razões contrárias àquela declaração.
Numero da decisão: 2002-000.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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O recurso deve ser conhecido, no tocante apenas as razões contrárias àquela declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 92 22 /2 01 6- 53 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10580.729222/201653 Acórdão n.º 2002000.445 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 58/62) contra decisão de primeira instância (fls. 45/51), que rejeitou a preliminar de tempestividade e julgou pelo não conhecimento da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2013. O valor apurado do imposto suplementar corresponde a R$ 6.466,10, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração : OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo titular e/ou dependente(s). Valor: R$ 90.296,34. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. Fonte Pagadora: Prefeitura Municipal de Salvador. Motivo da glosa: regularmente intimada, a contribuinte não atendeu à intimação. O enquadramento legal do lançamento encontrase na referida Notificação. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 11/07/2016, conforme documento de fl. 38. Em 30/12/2016, na impugnação (fls. 0306), a contribuinte alega o seguinte: que é portadora de moléstia considerada grave, diagnosticada como hepatopatia viral crônica C, CID 10 B 18.2, desde o ano de 1999; que apresentou a Declaração de Ajuste Anual retificadora referente aos últimos 05 exercícios, lançando isentos os proventos recebidos; que na Declaração retificadora do exercício 2013 foram cometidos dois equívocos. O primeiro foi informar os rendimentos recebidos da Seplag como isentos ao invés de incluir os da Funprev; que a Lei nº 7.713/88 em nenhum dos seus artigos exige ou define prazos para que o portador da doença perca o direito de pleitear o benefício, salvo se venha definido explicitamente no laudo médico o prazo da doença. Excluído esse caso, nada impede o direito definido na Lei; Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10580.729222/201653 Acórdão n.º 2002000.445 S2C0T2 Fl. 4 3 que a contribuinte não apresentou os documentos solicitados na intimação no prazo de trinta dias da data do recebimento. Contudo, o art. 6º do Decreto nº 70.235/72 estabeleceu a hipótese de força maior para o não cumprimento dos prazos; que o segundo equívoco foi elaborar a Declaração retificadora sem alterar os dados referentes à mudança de endereço, o que impossibilitou o acesso às intimações e notificações, que solicitaram a documentação comprobatória das alterações efetuadas; que estava na posse de todos os documentos exigidos para pleitear a isenção do imposto, ficando no aguardo de um comunicado para apresentálos. Esse fato foi o motivo para o não cumprimento dos prazos; que o valor objeto da Notificação de Lançamento corresponde exatamente aos rendimentos considerados isentos por moléstia grave. Esse valor consta da Declaração Original e foi quitado em quota única; que estando o saldo do imposto suplementar liquidado, não há que se falar em multa, muito menos em juros de mora; que deve ser considerada totalmente nula esta cobrança; Ao final, requer: A nulidade da Notificação de Lançamento; O pagamento da restituição. O pagamento da restituição. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e a restituição dos valores; também junta documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10580.729222/201653 Acórdão n.º 2002000.445 S2C0T2 Fl. 5 4 Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 27/03/2017 (fl. 71); Recurso Voluntário protocolado em 25/04/2017 (fl. 58), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 7 e 64). O v. acórdão, considerou intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 dias a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Irresignada, a contribuinte, apresenta Recurso Voluntário, narrando os fatos, lançando matéria preliminar e combatendo o mérito referente à infração, admitindo não ter apresentado os documentos solicitados pela intimação no prazo de trinta dias contados da data do recebimento, que conforme estabelece o Decreto nº 70.325/72, em seu art. 16 §4º o seguinte: §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual a menos que: a) “fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior”. Sendo o motivo alegado para a intempestividade “Força Maior”, vejamos o significado da expressão: “Fato imprevisível, resultante da ação humana, que gera efeitos jurídicos para uma relação jurídica, independentemente da vontade das partes desta. Como preleciona Orlando de Almeida Secco (1981:125), a força maior evidencia um acontecimento resultante do ato alheio (fato de outrem) que supere os meios de que dispõe para evitálo, isto é, além das próprias forças que o indivíduo possua para se contrapor, sendo exemplos: guerra, greve, revolução, invasão de território, sentença judicial específica que impeça o cumprimento da obrigação assumida, desapropriação, embargo para suspensão de uma obra etc”. O motivo apresentado, pela recorrente em não apresentar os documentos, segundo suas próprias razões, foi o fato de ter mudado de endereço, portanto este motivo não é de força maior. Não fosse só este fato, o próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, §4º, alínea a, estabelece existir a demonstração do motivo, ou seja, a prova. Pois bem, superada esta questão, a 2ª Câmara do 1º CC, tem decidido que atacada pelo contribuinte a intempestividade da impugnação declarada na decisão recorrida, impõese a segunda instância administrativa conhecer do Recurso Voluntário, no tocante, apenas as razões contrárias àquela declaração. Assim, por estas razões, conheço do Recurso Voluntário, e quanto a intempestividade, nego provimento. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10580.729222/201653 Acórdão n.º 2002000.445 S2C0T2 Fl. 6 5 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900838/2008-89
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 22/12/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 22/12/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 08 38 /2 00 8- 89 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10640.900838/200889 Acórdão n.º 1003000.260 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0933.138, de 12 de janeiro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 14/07/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 759939018, emitido em 09/05/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 25959.10164.221204.1.3.045641, na qual declarou ter apontado como o "tipo de crédito" no PER/DECOMP Pagamento Indevido ou a Maior", contudo o correto deveria ter sido "Saldo Negativo de IRPJ". Juntou ao processo cópia do DARF com o pagamento do IRPJ (saldo negativo de 2003), cópia da PER/DCOMP, cópia da DCTF Trimestres de 2003 e cópia da DIPJ/2004. A DRJ/JFA julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconhecei o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerado: 22/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da fundamentação que embasou o direito creditório pleiteado, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, caracterizando nova solicitação do interessado, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sob pena de supressão de instância. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que, em sua manifestação de inconformidade, sustentou ter se equivocado no preenchimento da DCOMP ao informar que seu crédito era oriundo de pagamento indevido ou a maior e não saldo negativo de IRPJ. Defende, contudo, que o equívoco na indicação do tipo de crédito caracterizase com um erro de fato e, portanto, a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal; (ii) que o saldo negativo constituído como crédito passível de compensação através da DCOMP, foi apurado através da DIPJ/2004 juntada aos autos, cujo valor do crédito existente seria de R$ 41.861,98 (IRPJ devido no anocalendário 2003); (iii) que em razão da economia processual e celeridade da questão, a autoridade fiscal deve realizar a retificação da natureza do crédito declarado na DCOMP; Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10640.900838/200889 Acórdão n.º 1003000.260 S1C0T3 Fl. 4 3 Por fim, requereu o cancelamento do débito fiscal e que seja realizada a retificação da DCOMP em análise nestes autos. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Alega a Recorrente, em síntese, que o erro cometido no preenchimento da DCOMP, qual seja, a indicação errada do tipo de crédito, é mero erro de fato e que, em razão da verdade material, deve ser feita a alteração de ofício por parte da autoridade administrativa. O art. 170 do CTN, que rege a matéria, destaca como condição para realização da compensação a existência de direito líquido e certo, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 destaca em seu artigo 74, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Vêse, conforme declaração da Recorrente, que a mesma errou quanto à informação em relação ao tipo de crédito. Em que pese seu argumento de se tratar de erro de fato, o equívoco apontado impede a análise do crédito. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10640.900838/200889 Acórdão n.º 1003000.260 S1C0T3 Fl. 5 4 Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no pedido podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. O equívoco que impede a autoridade julgadora de analisar a liquidez e certeza do crédito não pode ser considerado mero erro de fato ou material. Se o contribuinte informa tratarse de pagamento indevido ou a maior é em cima dessa declaração que a análise quanto ao crédito será analisada. O erro de preenchimento indicado impediu a análise do requerimento, isso porque os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação da Declaração de Compensação, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A informação de que o direito creditório era de saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior na Declaração de compensação revestese, pois, de inovação da matéria, porque a autoridade administrativa deverá analisar, obrigatoriamente, a regularidade da apuração do lucro real e os pagamentos realizados para identificar a liquidez e certeza do crédito. Outrossim, conforme destacado no acórdão da DRJ, há outras informações que merecem maior análise para validação do crédito, pois observou que as DCTF anexadas ao processo apontam a quitação dos débitos de estimativas por compensação com créditos de ressarcimento de IPI. Logo, não há como negar a necessidade de análise criteriosa para identificar a liquidez e certeza do crédito originado por saldo negativo de IRPJ. Assim, não se acolhe a alegação de celeridade e economia processual, visto que a competência para a análise da regularidade do crédito apontado não é do CARF, mas da DRF respectiva. Outrossim, a regra é de que a declaração de compensação somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 432/2004. Por essa razão, entendo que não se trata de erro material passível de correção de ofício. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/JFA. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 35013.002935/2003-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 3. 00 29 35 /2 00 3- 17 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10580.013931/200722, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Substitutivo, a recorrente Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia — Coelba, é tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção e manutenção programada em redes aéreas de distribuição de energia elétrica, na competência 02/1999, realizadas junto à empresa Construtora ou Incorporadora, ambas incluídas no polo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente pelo crédito tributário relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, tendo sido o crédito apurado por correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tomando como base os valores constantes em notas fiscais de prestação de serviço, referentes à mãodeobra contratada de pessoa jurídica, no período de apuração 02/99. É fundamento do lançamento o art. 33, §3º, da Lei 8.212, de 1991, o art. 52 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto 2.173, de 1997, e o art. 74 da Instrução Normativa INSS/DC n° 70, de 2002 (40% do valor dos serviços constantes das notas fiscais), uma vez que a recorrente não apresentou as guias de recolhimento prévio solicitadas. Os serviços de construção civil em subestação, executados pela empreiteira (ampliação/construção), fazem parte do Anexo III, 45.322 da IN 69, de 2002 e as notas fiscais, data de emissão, valor total e tipo de serviço foram relacionados na tabela anexa ao Relatório de Fatos Geradores. A DRJ julgou o lançamento procedente (e improcedente a impugnação da responsável solidária, Coelba atual recorrente) e da contribuinte, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL Fl. 504DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 4 3 O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO. A solidariedade aqui prevista não comporta benefício de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para revisão do procedimento fiscal quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente". Após a decisão proferida, tanto a responsável quanto a tomadora dos serviços foram devidamente cientificadas. Cabe mencionar que a DRJ de origem não recebeu a impugnação da contribuinte, uma vez que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, sendo considerada intempestiva. A Coelba, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, é alegado: (a) a inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal impugnado; (b) a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); (c) a elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; e (d) a cobrança em duplicidade. Os pedidos consistem em: (i) anular/reformar o acórdão recorrido, com a devolução do processo à DRJ, para a adequada análise da farta documentação comprobatória da quitação anexada aos autos pela Recorrente; alternativamente, reformar o acórdão recorrido, a fim de julgar totalmente improcedente a notificação fiscal ora impugnada; Fl. 505DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 5 4 (ii) declarar a ausência de responsabilidade solidária da Recorrente pelos supostos débitos objeto da notificação fiscal ora impugnada; (iii) ultrapassados os pleitos acima, afastar a metodologia de aferição indireta (arbitramento) indevidamente utilizada para calcular o montante supostamente devido, assim como afastar a duplicidade (bitributação) da cobrança, que está sendo feita simultânea e cumulativamente em relação à Recorrente e à a empresa construtora. A responsável, empresa construtora, não apresentou recurso voluntário. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no julgamento do Recurso Voluntário objeto do processo n° 10580.013931/200722, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018: Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conselheiro Wesley Rocha – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SALDO DEVEDOR OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente alega a inexistência de saldo devedor objeto do lançamento, uma vez que há suficiência probatória dos documentos acostados aos autos, havendo necessidade de observância do princípio da verdade material; diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de Fl. 506DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 6 5 constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento Fl. 507DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 7 6 distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento Fl. 508DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 8 7 prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mão deobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 509DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, foram juntados na impugnação os seguintes documentos, relacionados à prestadora de serviços realizada: (a) Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), competência 02/99. (b) Guia de Recolhimento do FGTS (Gre) do período 02/99; e (c) folhas de pagamento do período 02/99. Pois bem, como assentou a decisão recorrida, nenhum dos documentos referidos se relaciona às notas fiscais concernentes ao contrato de prestação de serviços. Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes com s fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Fl. 510DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 10 9 Desse modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo, bem como o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegado que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA Assevera a recorrente que: os documentos por ela juntados aos autos são hábeis, idôneos e suficientes à comprovação do pagamento dos supostos débitos que estão sendo lhe sendo imputados, afastando a presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela Fazenda Pública possui caráter excepcional, só podendo ser utilizada Fl. 511DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 11 10 na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art. 33, §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais sejam: a) a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação; ou b) a verificação de indícios de inidoneidade da documentação fiscal e contábil, que aponte para o registro de informações destoantes da realidade dos fatos; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por sua parte, nem qualquer indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão. Por primeiro, ressalto que os documentos juntados aos autos pela recorrente não são hábeis, idôneos ou suficientes à comprovação do pagamento dos créditos tributários exigidos. Por sua vez, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Fl. 512DF CARF MF Processo nº 35013.002935/200317 Acórdão n.º 2301005.466 S2C3T1 Fl. 12 11 É alegado que, ao cobrar os débitos em questão simultaneamente da Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está efetuando nítida cobrança em duplicidade, bitributação, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente em virtude da proibição do enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade, tratase de uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época da ocorrência do fato gerador. Não lhe assiste razão. Como visto, as guias de recolhimentos juntadas aos autos não se relacionam com o crédito tributário ora lançado, e não se comprovou nenhum bis in idem; Ademais, não se está cobrando um montante do crédito tributário da recorrente (responsável solidária) e outro montante de igual valor da empreiteira (contribuinte): é o mesmo crédito tributário que está sendo exigido, apenas uma vez, da contribuinte e da responsável solidária; não há falar, portanto, em duplicidade de tributação. CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 513DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903152/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 52 /2 00 9- 16 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.903152/200916 Acórdão n.º 3301005.409 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.410, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.903152/200916 Acórdão n.º 3301005.409 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903152/200916 Acórdão n.º 3301005.409 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903152/200916 Acórdão n.º 3301005.409 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903152/200916 Acórdão n.º 3301005.409 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.903152/200916 Acórdão n.º 3301005.409 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 66DF CARF MF
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