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Numero do processo: 19515.004355/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
ARROLAMENTO DE BENS.
O CARF é não é competente para analisar o procedimento administrativo de arrolamento de bens.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001, LEI 10.174, DE 2001. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO.
Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRELIMINAR DE NULIDADE.
Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa.
PRELIMINAR DE NULIDADE. UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DA CPMF.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente (Súmula Vinculante CARF nº 35).
PRELIMINAR DE NULIDADE. EXTRATO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Lei complementar 105, de 2001, definiu o âmbito de aplicação do conceito de sigilo com relação às informações bancárias, dispensando a administração tributária da autorização judicial para obtê-las, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Não configura nulidade a obtenção de informações bancárias amparadas na referida lei complementar.
DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STJ NA SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ARTIGO 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. De acordo com o entendimento consignado no Recurso Especial 973.733/SC, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DO ESTORNO.
Provado que o depósito bancário foi estornado e que o respectivo crédito não foi recebido no período apontado pelo lançamento, exclui-se da base de cálculo da infração os respectivos valores.
MULTA ISOLADA. RETROAÇÃO BENIGNA.
A aplicação retroativa da legislação aplicável à multa isolada não pode ser estendia à multa a vinculada à falta de pagamento ou recolhimento de tributo.
UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Súmula CARF 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-004.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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O CARF é não é competente para analisar o procedimento administrativo de arrolamento de bens. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001, LEI 10.174, DE 2001. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DA CPMF. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente” (Súmula Vinculante CARF nº 35). PRELIMINAR DE NULIDADE. EXTRATO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Lei complementar 105, de 2001, definiu o âmbito de aplicação do conceito de sigilo com relação às informações bancárias, dispensando a administração tributária da autorização judicial para obtêlas, quando houver processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 55 /2 00 7- 81 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Não configura nulidade a obtenção de informações bancárias amparadas na referida lei complementar. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STJ NA SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ARTIGO 62A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. De acordo com o entendimento consignado no Recurso Especial 973.733/SC, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DO ESTORNO. Provado que o depósito bancário foi estornado e que o respectivo crédito não foi recebido no período apontado pelo lançamento, excluise da base de cálculo da infração os respectivos valores. MULTA ISOLADA. RETROAÇÃO BENIGNA. A aplicação retroativa da legislação aplicável à multa isolada não pode ser estendia à multa a vinculada à falta de pagamento ou recolhimento de tributo. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Súmula CARF 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Fl. 505DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 505 3 Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1726.996, exarado pela 10ª Turma da DRJ em São Paulo II (fls. 424 a 441). O auto de infração (fls. 318 a 343 – numeração dos autos eletrônicos), é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, correspondentes aos anoscalendário 2002 a 2005, por intermédio do qual lhe exigido crédito tributário de R$1.008.299,62, dos quais R$454.640,95 correspondem a imposto, R$340.980,70 à multa proporcional e R$212.677,97 a juros de mora, calculados até 29/02/2008. O termo de verificação fiscal descreve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ação fiscal originouse do Mandado de Procedimento FiscalFiscalização (MPFF) 08.1.90.002007016440, emitido pela Delegacia de Fiscalização (Defis) em SP, em atenção às informações recebidas da CoordenaçãoGeral de Fiscalização, com a recomendação de avaliação de interesse fiscal na identificação do contribuinte com situação potencial de omissão de receita, em decorrência da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) das ambulâncias. No curso da fiscalização, o contribuinte asseverou ter operado com os bancos Itaú, Bradesco, Sudameris e BBV, mas apresentou documentação incompleta, sem comprovação dos depósitos e deixou de apresentar todos os extratos, ensejando as requisições de movimentação financeira (RMFs) junto às instituições financeiras com respaldo legal no Decreto 3.724/2001 e Lei Complementar 105/2001. A fiscalização, de posse dos extratos bancários, reuniu os depósitos de interesse nas tabelas das fls. 255 a 282, intimando o contribuinte a comprovar a regular origem dos mesmos obtendo como resposta ausência de novas informações. Os valores que compuseram a base de cálculo foram organizados nas tabelas das fls. 290 a 217 e no item 4.8.1.2 do Termo de Verificação Fiscal à fl. 330, discriminandose os valores de depósitos inferiores dos de valores superiores a R$12.000,00, nos termos do art. 42, § 3º, II, com as alterações da Lei 9.481/97. Na impugnação (355 a 400), em 22/04/2008, foi alegado, em síntese: (a) a decadência do crédito tributário nos meses de janeiro de 2002 a fevereiro de 2003; (b) a nulidade do auto de infração: (b.1) por vício procedimental da fiscalização uma vez que as informações foram obtidas sem o devido processo legal, tendo em vista que, ao intimar o contribuinte, o agente fiscal já estava munido de informações fornecidas Fl. 506DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 de forma ilegal, oriunda de processo que desconhece, contrariando o art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal; não há referência expressa à situação contida no anexo único ao Memo Cofis/Gab 2006/1552, de 18/12/2006; (b.2) em razão do cerceamento de defesa, na medida em que é impossível realizar defesa hábil, em face de o relatório fiscal apresentado não identificar nem individualizar as receitas e lucros derivados dos depósitos; (c) ilegalidade da quebra do sigilo bancário antes e durante a fiscalização, por ausência de nexo causal para arbitramento do suposto imposto devido, eis que a aferição indireta é ausente de fundamentação, posto não serem somente os depósitos bancários suficientes para arbitrar o imposto devido e por ser ilegal a norma que estabelece a quebra do sigilo bancário e fiscal, a despeito do art. 144 do CTN, não aplicável ao caso quando se está diante de princípio constitucional erigido como garantia fundamental; a Lei 9.311/96 somente autorizou a SRF a utilização de informações acobertadas pelo sigilo bancário para promover a fiscalização e arrecadação da própria CPMF, proibindo a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; não obstante a edição da Lei 10.174/2001 e da Lei Complementar 105/2001, permanece a nulidade, uma vez que o sigilo bancário foi quebrado antes do início da fiscalização conforme documento datado de 18/12/2006, e durante a fiscalização, mediante decisão administrativa que contraria o princípio da independência e separação orgânica dos Poderes e o princípio da indelegabilidade de atribuições; o sigilo bancário somente poderia ser quebrado mediante ordem judicial, no curso do devido processo legal, sendo ilegais as disposições veiculadas pela lei Complementar 105/2001, especialmente porque no ato da quebra do sigilo sequer havia procedimento instaurado, uma vez que somente após constatar a movimentação financeira cedida pelas instituições financeiras é que o contribuinte foi intimado pela fiscalização; (d) erro de tipificação, ao não identificar a natureza dos pagamentos feitos, se estes se enquadravam como rendimentos indiretos ou meramente pagamento sem causa; (e) a ausência de nexo causal que estabeleça que os depósitos bancários correspondem a efetiva omissão de receita e não consta da apuração identificação de gastos incompatíveis com as despesas praticadas; (f) que meros valores identificados através de depósitos em conta corrente não se prestam a subsidiar o lançamento, havendo necessidade de se identificar fatores exteriores que denotem que o contribuinte de fato tenha omitido receita, mediante a demonstração de fatos exteriores de riqueza; (g) ilegalidade da multa de ofício de 75%, por força da MP 303/2006 e da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007, mais benéfica ao contribuinte, operandose a retroatividade, tornando ilegal a manutenção da imputação de 75% de multa isolada; (h) caso não se reconheça a ilegalidade da aplicação da multa, o percentual praticado é indevido por transgredir dispositivo constitucional que trata dos princípios da capacidade contributiva e não confisco, merecendo ser declarado inconstitucional o art. 44,1, da Lei 9.430/96; (i) ilegalidade da taxa Selic por inaplicabilidade da Lei 9.065/95 frente ao art. 161, do CTN; (j) que o arrolamento de bens está eivado de abuso, de ilegalidade e fere os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório e do direito de propriedade, devendo ser reconhecida a ilegalidade do art. 64 da lei 9.532/97, suspendendo os Fl. 507DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 506 5 efeitos do termo de arrolamento de bens; assevera ainda que os bens arrolados não são de sua propriedade, devendo ser excluídos os bens que relaciona. Pediu diligência, em face do volume de documentos, para comprovação de que os rendimentos tributados são de origem de sua atividade empresarial; Caso não seja cancelada a autuação pela ausência de nexo causal, requereu que sejam excluídos todos os depósitos citados na planilha anexa planilha; Requer ainda seja declarada a falta de justa causa para a representação criminal, conforme determina a Portaria SRF 326/2005 e a Lei 8.137/90; a análise da documentação na sua residência e a anulação do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recebeu as seguintes ementas: Omissão de Rendimento. Lançamento com base em Depósitos Bancários. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Depósitos Bancários. Presunção. Ao deixar de comprovar a origem dos recursos oriundos dos depósitos bancários, o contribuinte sujeitase à apuração por presunção da disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Decadência. Constatase que o lançamento ocorreu dentro do prazo qüinqüenal em face de aplicarse a regra geral prevista no art. 173, 1 do CTN, nos casos de lançamentos de ofício. Nulidade do Ato Procedimental. Não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235/72, não há que se cogitar de nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. Sigilo Bancário. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos Fl. 508DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF, Prova Documental. Diligência A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Desnecessária diligência quando o contribuinte não apresenta os documentos suficientes no prazo para impugnação constituindose em ônus probatório exclusivo do contribuinte, a comprovação de origem dos depósitos bancários. Representação Fiscal para fins Penais. Correta a elaboração da Representação Fiscal para Fins Penais quando se constatar fatos que, em tese configuram Crime Contra a Ordem Tributária, sendo encaminhada ao Ministério Público, após proferida decisão final na esfera administrativa. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para apreciar impugnação de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal Arrolamento de Bens. O arrolamento de bens não constitui forma de constrição de bens, uma vez que tem como escopo o acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo. Refoge à competência desta Delegacia de Julgamento, em consonância com seu Regimento, a apreciação de matéria atinente a processo^ de arrolamento de bens. Acréscimos Legais. Muita de ofício. Taxa Selic. Tendo em vista a inexistência de recolhimento do respectivo tributo, não há como a autoridade administrativa, no curso de atividade plenamente vinculada à orientação legal, deixar de lançar, para a diferença de rendimentos apurada, os acréscimos legais relativos a multa proporcional à alíquota de 75% e juros de mora. Os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de 01/04/1995, sofrem a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sendo cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. Decisões Administrativas e Judiciais. Efeitos. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417 de 19 de Fl. 509DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 507 7 dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Doutrina. Efeitos. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inconstitucionalidade de Lei. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre constitucionalidade de lei. A ciência dessa decisão ocorreu em 20/03/2009 (aviso de recebimento EBCT, fl. 443). Em 20/04/2009, foi apresentado recurso voluntário (fls. 451 a 493), reiterando os termos da impugnação e requerendo a anulação do auto de infração. Como pedidos alternativos foi solicitado: a) o reconhecimento da decadência dos fatos geradores do anobase 2002 e dos meses de janeiro e fevereiro de 2003; b)a exclusão do depósito de R$31.460,00, realizado em 21/09/2005 junto ao Banco Bradesco, Agencia 2424, c/c 015172, que trata de prestação de serviços, conforme se comprova pela devolução contraordem constante do extrato e da execução que está em andamento referente a cobrança do serviço prestado e não recebido, eis que efetivamente trata se de origem de seu trabalho, mas que não pode ser considerado receita face a contraordem inserida no extrato bancário fls. 59 e a documentação das fls. 165/166; c) a exclusão do valor da venda do imóvel de sua propriedade de R$190.000,00, fls. 165/169, referente a parcela da venda do imóvel realizado em 22/09/2004 que deveria ter sido pago em 12/11/2004 e que somente foi pago através dos depósitos feitos em 2005; d) que seja realizada diligência para a devida retificação e alteração da classificação eis que ficou provado que as contas bancárias eram utilizadas exclusivamente para uso de sua profissão de serviços de terraplanagem conforme documentos de fls.158/166; e) a exclusão da multa de 75%; f) a exclusão dos juros de mora, fixandoos nos moldes do art. 161, §1, do CTN; g) a exclusão do arrolamento de bens dos móveis vendidos a terceiros, bem como seja apreciada a referente defesa pela DRJ, sob pena de evidente cerceamento de defesa.; O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 503) É o relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO ARROLAMENTO DE BENS Refere o recorrente que o arrolamento de bens está eivado de abuso, de ilegalidade e fere os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório e do direito de propriedade, devendo ser reconhecida a ilegalidade do art. 64 da Lei 9.532, de 1997, suspendendo os efeitos do termo de arrolamento de bens; assevera ainda que os bens arrolados não são de sua propriedade, devendo ser excluídos os bens que relaciona. Inicialmente, cumpre destacar que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) não possui competência para analisar questão do arrolamento de bens, uma vez que tal procedimento legal não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários, de acordo com o art. 3º do Anexo II da Portaria MF 256, de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 3º À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 ; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. QUESTÃO PRELIMINAR – DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO De acordo com o contribuinte, nulidade do procedimento seria devida a: (a) vício procedimental da fiscalização, uma vez que as informações foram obtidas sem o devido processo legal, tendo em vista que, ao intimar o contribuinte, o agente fiscal já estava munido de informações fornecidas de forma ilegal, oriunda de processo que o recorrente desconhece, contrariando o art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal; não há referência expressa à situação contida no anexo único ao Memo Cofis/Gab 2006/1552, de 18/12/2006; (b) cerceamento de defesa, por ser impossível realizar defesa hábil, em face de o relatório fiscal não identificar nem individualizar as receitas e lucros derivados dos depósitos; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 508 9 (c) quebra do sigilo bancário antes e depois do inicio da fiscalização. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 09.12.1993) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente nem algum despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente. Também não há falar em cerceamento de defesa por impossibilidade de apresentação de defesa hábil, em face de o relatório fiscal não identificar nem individualizar as receitas e lucros derivados dos depósitos. O termo de verificação fiscal (fls. 318 a 332), bem como os demonstrativos que acompanham o auto de infração, objeto de intimação do contribuinte (fls. 253 a 317), identificam todos os depósitos não comprovados por: banco, agência, conta, dia, mês, ano, histórico, n° doc. e valor. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. Nesse sentido, a pacífica jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Fl. 512DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. (processo 11075.900013/200899, Acórdão 1801001.499, Relator(a) Carmen Ferreira Saraiva) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada pelas Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. (processo: 11634.000552/200681, Acórdão: 2202002.892, relator: Antonio Lopo Martinez) Preliminar. Nulidade. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. (processo: 10680.015093/200531, Acórdão: 280100.790, Redatoradesignada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Mesmo não sendo causa de nulidade, avalio as demais razões do contribuinte, para verificar a possível existência de irregularidade que possa comprometer o lançamento. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 509 11 O Memorando Cofis/Gab 2006/1552, mencionado pelo contendor (fls. 06 e 07), comunica ao Superintendente da 8ª Região Fiscal, para fins de avaliação do interesse fiscal, a identificação de indícios de irregularidade tributária em relação ao contribuinte, em face de resultados parciais decorrentes de Relatório da CPMI das Ambulâncias de agosto de 2006. O anexo único desse documento, transcrito em parte pelo recorrente à fl. 465, contém uma tabela com a diferença entre o que foi declarado pelo contribuinte como rendimento e a sua movimentação financeira, nos anos de 2002 a 2005. Tratase de documento produzido pela Equipe Especial de Seleção e Preparo, regularmente instituída pela Portaria 02, de 03 de fevereiro de 2006, que visa a identificar situação potencial de omissão de receitas. A movimentação financeira de 2002 a 2005 é facilmente obtida com os dados de recolhimento da CPMF, então vigente, cujas informações eram obrigatoriamente repassadas pelas instituições financeiras ao Fisco. A vinculação entre a CPMF e a movimentação bancária resta cristalina à vista do termo de início de fiscalização, cujo título das tabelas é: “Resumo da Movimentação Bancária e CPMF”(fl. 27). O art. 11, § 3º, da Lei 9.311, de 1996, com a redação dada pela Lei 10.174, de 2001, autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, sendo essa autorização (e sua retroação) objeto da Súmula CARF 35, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 35 (VINCULANTE) O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. A ação fiscal que apurou a matéria tributada iniciouse com o Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.002007016440, em 11/06/2007 (fl. 07) e Termo de Início de Ação Fiscal, em 22/06/2007 (fls. 26 a 29), intimando o contribuinte, entre outras coisas, a apresentar e a comprovar sua movimentação financeira, com fundamentação legal nos arts. 904, 911, 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999. Respondendo à intimação, o contendendor apresentou apenas cópias dos extratos do banco Sudameris, sem qualquer menção a comprovação de depósitos (fls. 32 a 40). Em 03/08/2007, o contribuinte foi novamente intimado à entrega dos extratos e a devida comprovação dos depósitos (fls. 41 a 44). Em resposta, apresentou extratos parciais do Bradesco (fls. 5066). Nova intimação foi realizada em 15/08/2007 (fls. 46 a 48), com atendimento parcial (fls. 66 a 163). Em 31/08/2007, o recorrente apresentou declarações que trabalha com serviços de terraplenagem e demolição e que apenas operou com os bancos Itaú, Bradesco, Sudameris e BBV nos períodos fiscalizados (fls. 165 a 194). Também apresentou contratos e documentos referentes a operações de compra e venda, que alega justificar parcialmente os depósitos, porém sem individualizar os depósitos referentes às operações. Uma vez que a documentação permanecia incompleta, mais uma vez foi intimado a comprovar os depósitos e a apresentar os extratos faltantes. (fls. 163 a 164). Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Em 18/09/2007, o contribuinte aditou as informações, apresentando recibo de venda de trator e histórico de pagamentos (fls. 196 a 198). Foi novamente intimado à apresentar os extratos e as comprovações faltantes. Uma vez que restaram infrutíferas as tentativas de reunir a integralidade dos os depósitos bancários, com base nos arts. 2º, § 5º, e 3º, X, do Decreto 3.724, de 2001, transcritos a seguir, que o AuditorFiscal da Receita Federal, foram lavradas as Requisições de Movimentação Financeira 08.1.90.002007009622 e 08.1.90.002007009614, encaminhadas aos Bancos Unibanco e Bradesco, que apresentaram os documentos faltantes (fls. 204 a 252). DECRETO 3.724, DE 10 DE JANEIRO DE 2001. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 2007). (...) 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 2007). (...) Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 2007). (...) X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; Frisese que tais normas encontram respaldo no art. 6º da Lei Complementar 105, de 2001, cujo texto reproduzo: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 510 13 Registro que não há sentido lógico em afirmarse a ilegalidade da Lei Complementar 105, de 2001. A lei existe ou não. Se existe, é legal. Os conflitos com outras normas existentes se resolvem, no plano legal, pelos princípios expostos no art. 2º do Decreto lei 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro); no plano constitucional, pelo controle repressivo de constitucionalidade, ao qual o CARF não possui competência (Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária) O contribuinte foi então intimado a comprovar a regular origem dos depósitos (fls. 253 a 284), nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de 1996. A legalidade do lançamento baseado na presunção de omissão de receitas de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, será analisada em tópico específico. Assim, não há qualquer vício do procedimento fiscal a macular o lançamento. MÉRITO QUESTÃO PREJUDICIAL – DECADÊNCIA É requerido o reconhecimento da decadência dos fatos geradores do anobase 2002 e dos meses de janeiro e fevereiro de 2003, em face do art. 150, § 4º, do CTN. No que tange ao fato gerador do IRPF relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) editou a Súmula 38, que firma o entendimento de que seu fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro de cada anocalendário: Súmula CARF n° 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Assim, no que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no art. 62A do RICARF, devese adotar as conclusões exaradas pelo STJ no Recurso Especial 973.733/SC, o qual foi submetido ao regime do art. 543C do CPC, cuja ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifos no original.) Assim, na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplicase o art. 173, I, do CTN, e o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 511 15 A data da ciência, pelo contribuinte, do auto de infração ocorreu em 20/03/2008 (termo de encerramento do auto de infração, fl. 434). Embora não haja a imputação de dolo ou fraude nas infrações, não houve antecipação do pagamento do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) nos anoscalendários de 2002 e de 2003, uma vez que nada lhe foi retido na fonte e não há imposto devido nas respectivas declarações de ajuste anual (fls. 08 e 12). Dessa forma, a regra a ser aplicada é a do art. 173, I, do CTN, pela qual o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. No que se refere aos períodos do anocalendário de 2002, o fato gerador, em conformidade com a Súmula CARF 38, ocorreu em 31/12/2002. O lançamento poderia ter sido efetuado a partir do dia seguinte, 1º/01/2003. O primeiro dia do exercício seguinte, termo inicial da decadência do poderdever de efetuar o lançamento do crédito tributário, é 1º/01/2004, sendo 31/12/2008 o termo final. Não ocorreu, portanto, a decadência do lançamento relativo a 2002; por conseguinte, também não decaíram os períodos do ano calendário 2003. DO ERRO DE TIPIFICAÇÃO AUSÊNCIA DE NEXO CAUSAL QUE ESTABELEÇA EFETIVA OMISSÃO DE RECEITA NECESSIDADE DE SE DEMONSTRAR FATOS EXTERIORES DE RIQUEZA É alegado existir erro de tipificação, ao não ser identificada a natureza dos pagamentos feitos – se esses se enquadravam como rendimentos indiretos ou meramente pagamento sem causa; segundo o contribuinte “tratase de movimentação bancária fruto da única atividade que possui e que se assim considerasse deveria como deve, ser tributada de forma diversa”; alega que “foi informado ao Agente conforme documentos acostados aos autos que a movimentação financeira – na realidade – tratase de conta em nome do contribuinte pessoa física que exerce a atividade de autônomo especialista em terraplanagem – assim sendo – tratase de conta utilizada no exercício da profissão que possui e única fonte de renda”. É asseverado, ainda, que há ausência de nexo causal que estabeleça que os depósitos bancários correspondem a efetiva omissão de receita e não consta da apuração identificação de gastos incompatíveis com as despesas praticadas e que meros valores identificados através de depósitos em conta corrente não se prestam a subsidiar o lançamento, havendo necessidade de se identificar fatores exteriores que denotem que o contribuinte de fato tenha omitido receita, mediante a demonstração de fatos exteriores de riqueza. Não assiste razão ao contribuinte. A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A intimação para a comprovação dos recursos encontrase, como visto, à fls. 253 a 282, cuja resposta, à fl. 289 limitase a afirmar que “não há nada a acrescentar quanto ao levantamento feito pela autoridade fiscal”. O referido dispositivo legal instituiu uma presunção legal relativa que "dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada" (Súmula CARF 26). Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Entretanto, dado o caráter relativo, a presunção qual pode ser desconstituída caso o Fl. 519DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 512 17 contribuinte comprove que os montantes depositados não poderiam ser caracterizados como renda auferida ou que os valores não pertencem a ele. Tal prova não foi realizada no presente caso. Assim, verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é presumida a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. Não é possível obrigar à Fazenda a substituir o recorrente no fornecimento de provas que lhe cabe para ilidir a presunção legal de omissão de receitas, pois, como já exposto, essa presunção tem o poder de inverter o ônus da prova. Nessa conformidade, rejeitase o pedido de diligência formulado pelo contribuinte. Os documentos juntados aos autos pelo contribuinte dão conta que: (a) ele exerce a profissão de autônomo, no ramo de prestação de serviços de terraplanagem (fl. 165); (b) prestou serviços a determinadas pessoas jurídicas (fls. 167 a 170); (c) o cheque de R$31.460,00, depositado em 21/09/2005, foi devolvido e que moveu ação de execução para recebêlo (fls. 171 a 173); (d) vendeu um imóvel (fls. 174 a 179); (e) vendeu dois automóveis (fls. 180 a 186); (f) comprou um imóvel (fls. 187 a 194); (g) realizou a venda de um trator (fls. 196 a 198). Quanto ao valor de R$31.460,00, depositado em 21/09/2005, o contribuinte alega que o cheque foi devolvido e que moveu ação de execução para recebêlo. De fato, tal valor compôs a base tributável (fl. 281) e há provas que o cheque foi devolvido e protestado (fl. 171), sendo o seu crédito cobrado judicialmente a partir de 28/11/2005. Tal valor deve ser retirado da base de cálculo da infração. Quanto às demais operações, não há qualquer vinculação entre os valores das operações e os depósitos bancários, pelo que resta incólume a presunção de omissão de receitas. Em relação à exclusão do valor de R$190.000,00, referente à venda de imóvel de sua propriedade, que deveria ter sido pago em 12/11/2004 e que somente foi pago através dos depósitos feitos em 2005, também não é feita a identificação dos depósitos correspondentes, a fim de possibilitar o seu exame. Registro que na discriminação dos valores superiores a R$12.000,00 entre novembro de 2004 e dezembro de 2005, realizada pela fiscalização (doc. 302/2007, fl. 290) não há qualquer depósito de R$190.000,00. Sendo assim, não tendo sido elidida a presunção constante no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, deve ser mantido o lançamento, a exceção do depósito mencionado. ILEGALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% RETROATIVIDADE DA MULTA ISOLADA , POR FORÇA DO ART. 18 DA LEI 11.488/2007 É asseverada a ilegalidade da multa de ofício de 75%, por força da Medida Provisória 303, de 2006 e da Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei 11.488, de 2007, mais benéfica ao contribuinte, operandose a retroatividade, tornando ilegal a manutenção da imputação de 75% de multa isolada; caso não se reconheça a ilegalidade da aplicação da multa, o percentual praticado é indevido por transgredir dispositivo constitucional que trata dos princípios da capacidade contributiva e não confisco, merecendo ser declarado inconstitucional o art. 44, I, da Lei 9.430/96. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 Ocorre que a multa exigida neste processo é a multa vinculada (e não isolada) de 75%, incidente sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Um vez que restou provado que o tributo não foi recolhido, é devida a multa aplicada, que é a esse vinculada. Quanto à retroação benigna estabelecida pelo art. 18 da Lei 11.488, de 2007, nada tem a ver com multa vinculada à falta de pagamento, tratandose de outra hipótese, a da multa isolada, que não é o caso destes autos, pois como o próprio npme revela, é aplicada isoladamente, sem se relacionar com o caso dos autos, de falta de pagamento de tributo. Pela retroatividade benigna aplicase uma multa mais benéfica aos lançamentos não definitivamente constituídos; porém, a multa a ser aplicada é a que se subsume ao caso concreto, e não as incidentes em outras hipóteses. No caso do referido art. 18, tratase de multa isolada, qual é aplicada, como revela seu nome, sem que haja vinculação ao não pagamento do tributo. O art. 18 da 10.833, de 2003, que teve sua redação alterada pelo art. 18 da Lei 11.488, de 2007, trata do lançamento de multa (isolada) nos casos do art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, o qual restou limitado à imposição de multa (isolada) em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo: Art. 18. Os arts. 3º e 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 513 19 o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo." (NR) DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 44, I, DA LEI 9.430, DE 1996 O contribuinte afirma que o percentual da multa de ofício é confiscatório e fere gravemente os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Ocorre que os o CARF não é competente para exercer o controle repressivo de constitucionalidade, conforme Súmula Carf 02, a seguir transcrita, de modo que neste voto não será apreciada a alegação do recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. È alegada a ilegalidade da taxa Selic por inaplicabilidade da Lei 9.065, de 1995 frente ao art. 161, do CTN. Em relação à utilização da taxa SELIC para atualização do crédito tributário lançado, o CARF já pacificou a sua jurisprudência no sentido de que a mesma é aplicável. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Voto, portanto, por julgar parcialmente procedente o recurso voluntário, para não conhecer das questões acerca do arrolamento de bens e das inconstitucionalidades de lei, negar o pedido de diligência, afastar as preliminares, e no mérito, não reconhecer a decadência e dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada o valor de R$31.460,00, no anocalendário 2005. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16095.000560/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
Numero da decisão: 1402-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dar provimento ao recurso voluntário do coobrigado para excluí-lo do pólo passivo da relação jurídico-tributária, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
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PRORROGAÇÃO DE PRAZO. NULIDADE.INOCORRÊNCIA. Descabe a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando disponibilizado ao sujeito passivo extenso prazo para atendimento ao requerido pela Fiscalização, ao longo do qual não houve qualquer esforço em cumprir o requerido, limitandose a interessada a protocolar sucessivos pedidos de prorrogação. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Por sua vez, a utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 60 /2 01 0- 72 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dar provimento ao recurso voluntário do coobrigado para excluílo do pólo passivo da relação jurídicotributária, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Demetrius Nichele Macei. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000560/201072 Acórdão n.º 1402001.999 S1C4T2 Fl. 1.426 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e tributações reflexas da CSLL, PIS e Cofins; em função da omissão de receitas como decorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Os extratos bancários foram obtidos a partir de solicitações (RMF) às instituições financeiras, tendo em vista que a interessada não atendeu às solicitações para apresentálos. Também não foram atendidas as intimações para demonstrar a origem dos depósitos nem foi apresentada a documentação que embasou a escrituração. Por esse motivo ,o resultado foi apurado por arbitramento e a multa foi imputada no percentual agravado. A Fiscalização entendeu pelo cabimento da qualificação da multa tendo em vista que o sujeito passivo sequer apresentou DCTF, informou em DIPJ receita muito inferior à efetivamente obtida e para essa receita declarada aplicou um percentual de presunção de 1,6%, absolutamente estranho à atividade da pessoa jurídica. Foi atribuída responsabilidade tributária ao sócio Carlos Antonio Fernandes com base no art, 124, do CTN por ter apresentado a DIPJ de forma reiterada com valores ínfimos face à elevada movimentação financeira, aplicar percentual de presunção muito inferior àquele referente à atividade da pessoa jurídica e não ter entregue a DCTF. Em impugnação, o sujeito passivo suscita a nulidade do feito por cerceamento do direito de defesa tendo em vista que não teria sido concedida dilação de prazo para cumprimento da exigência. Reclama pelo que seria a ilegal e inconstitucional quebra de sigilo bancário e suscita a decadência para os fatos geradores ocorridos até 22/11/2205. Argúi a inconstitucionalidade tanto do art. 3º, da Lei 9.718/98 que, para efeito da base de cálculo da Cofins, teria extrapolado o conceito de receita bruta, como também do aumento da alíquota da contribuição introduzido por essa mesma lei. Questiona o lançamento feito com base exclusivamente em extratos bancários. Sustenta que o percentual da multa deveria ser de 50% em função da mudança legislativa e afirma que o percentual de 225% teria natureza confiscatória. Por fim, reclama pela inaplicabilidade da taxa SELIC como indexador dos juros de mora. O coobrigado discorre sobre a impossibilidade de inclusão do sócio como responsável tendo em vista que os respondem sempre em nome da sociedade e nunca em seu próprio nome. Argumenta que tal responsabilização só seria possível com o enquadramento em alguma das hipóteses do art, 135 do CTN, o que não ocorreu. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, prolatou o Acórdão 0532.932 considerando improcedente a impugnação e mantendo o lançamento na integralidade. Devidamente cientificado, o sujeito passivo e o coobrigado recorreram a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000560/201072 Acórdão n.º 1402001.999 S1C4T2 Fl. 1.427 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO DA PESSOA JURÍDICA AUTUADA O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado motivo pelo qual dele conheço. Em preliminar, suscita a nulidade por cerceamento do direito de defesa tendo em vista não terem sido concedidas as prorrogações requeridas pela recorrente para atendimento das intimações. Pareceme que não assiste razão à suplicante. O Termo de Início de Fiscalização foi lavrado em 26/05/2009 e nele já foram requeridas informações concernentes à movimentação bancária. Após sucessivos pedidos de prorrogação e algumas reintimações não atendidas a Fiscalização obteve informações junto às instituições financeiras e reintimou a interessada em 22/12/2009 para esclarecer a movimentação bancária (depósitos) passível de comprovação. Até aqui já se passaram 7 meses sem que o sujeito passivo tenha atendido ao requerido. Posteriormente, novas intimações foram expedidas e não atendidas até a data de 13/10/2010 quando o sujeito passivo protocolou novo pedido de prorrogação para apresentar o requerido. Mesmo assim, não atendeu à intimação. O auto de infração foi lavrado em 22/11/2010, ou seja, 1 ano e meio após o início do procedimento fiscal. Ao longo desse tempo não houve qualquer tentativa do sujeito passivo de, ao menos em parte, esclarecer os questionamentos do Fisco. Não vejo como a defesa pode ter sido prejudicada. No que se refere à decadência, a 1º Seção do STJ, em sessão de 12/08/2009, manifestouse no sentido de que, para os tributos em questão, na ausência de pagamento deve se proceder à contagem do prazo decadencial sob a regra do inciso I, do art. 173, do CTN (destaques acrescidos). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000560/201072 Acórdão n.º 1402001.999 S1C4T2 Fl. 1.428 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vêse pela transcrição acima que a Corte submeteu a decisão ao art. 543C do Código de Processo Civil o que significa darlhe efeito repetitivo. Assim, qualquer recurso sobre essa matéria será decidido da mesma forma. No presente caso, constatase que não foram localizados pagamentos dos tributos no período sob exame. Sendo assim, independentemente da manutenção da multa qualificada, a contagem do prazo decadencial deve ser efetuada sob a égide do inciso I, do art. 173, do CTN. A ciência da autuação ocorreu em 22/11/2010. Para o IRPJ e CSLL, o 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário de 2005 teriam como termo inicial de caducidade a data de 02/01/2006 e termo final em 02/01/2011. O mesmo ocorre, para o PIS e a Cofins, em relação aos meses de janeiro a novembro de 2005, inclusive. Portanto, não se caracterizou a decadência. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) A aplicabilidade dos dispositivos legais em comento só poderia ser afastada por decisão judicial nesse sentido específica para o sujeito passivo ou Acórdão do STF proferido em caráter definitivo com eficácia universal. Quanto aos requisitos para que o Fisco requeresse as informações junto às instituições financeiras, o inciso VII, do art. 3º do Decreto nº 3.721/2001 c/c inciso I, do art. 33 da Lei nº 9.430/96 é plenamente aplicável. Conforme explanado no início deste voto, o sujeito passivo não atendeu às intimações para apresentar seus extratos bancários. Assim, a Fiscalização estava embasada para requerer tais informações diretamente junto às instituições financeiras: Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 [....] A recorrente sustenta ainda a impossibilidade de tributação com base exclusivamente em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A jurisprudência apresentada pelo sujeito passivo não lhe socorre nessa questão, pois baseada em legislação anterior. A Súmula CARF nº 26 também é ilustrativa: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto à base de cálculo da Cofins, o vício do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é inaplicável ao caso pois a cobrança da contribuição é tributação reflexa da omissão de receita tida como operacional apurada no procedimento de auditoria do IRPJ. Em relação à suposta inconstitucionalidade da majoração da alíquota dessa contribuição através do art. 8º da mesma lei, o STF decidiu em sentido contrário manifestando se pela inexistência de mácula no dispositivo. No que se refere à multa a defesa não apresenta razões de defesa específicas contra a qualificação e o agravamento, no que se refere às razões fáticas que justificaram a Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000560/201072 Acórdão n.º 1402001.999 S1C4T2 Fl. 1.429 9 exasperação da penalidade. Contesta o percentual de 225% mas usando linha argumentativa contra o que seria a imputação da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas. Daí suscitar que o percentual de 225% não seria aplicável pelo fato de a legislação ( inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430/96) estabelecer o percentual de 50%. Tendo em vista que a defesa trata de matéria estranha ao feito, não há como dar guarida ao recurso nessa questão. A arguição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada. RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO De acordo com a autoridade lançadora, os fatos que implicaram no lançamento teriam sido praticados pelo sócio, enquadrandoo no art 124, do CTN pois estaria demonstrado o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Em primeiro lugar esclareçase que a solidariedade prevista no art. 124, do CTN, não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Como já dito, a responsabilidade tributária deve ser buscada dentro das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. No caso dos sócios, o art. 135 estabelece hipóteses de responsabilização pela prática de atos infracionais ali descritos. Na jurisprudência deste Colegiado, ainda que o enquadramento tenha sido equivocadamente lastreado no art. 124, do CTN, se a descrição dos fatos coadunarse com o art. 135 entenderseá como correta a imputação. No presente caso, a autoridade lançadora justifica a responsabilização do sócio com a descrição de irregularidades tributárias que implicaram na formalização do auto de infração contra a pessoa jurídica, inclusive com multa qualificada, mas não faz qualquer menção específica à prática de atos infracionais pelo coobrigado. Para aplicação do art. 135, do CTN, é necessário preliminarmente que seja identificado expressamente qual ato infracional gerou o enquadramento e quem o praticou. Mas não é só isso. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Importante destacar que a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária. Afinal, o que objetiva este artigo é justamente responsabilizar o administrador que age à revelia dos interesses da sociedade, e a forma com a qual ele age de tal modo é descumprindo as normas societárias que prescrevem que a sua atuação deve observar os interesses da empresa, dentro de determinados limites. 2 Sob essa ótica, com todo respeito à autoridade lançadora entendo que não houve a precisa identificação da prática de atos pelo sócio administrador que justificasse a responsabilização nos termos efetuados. Por esse motivo, conduzo meu voto no sentido de excluir do pólo passivo o sócio Carlos Antonio Fernandes. 2 BARCELOS, Soraya Marina. A responsabilidade dos administradores prevista no art. 135, III do CTN: hipótese de responsabilidade solidária, subsidiária ou exclusiva?. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 3089, 16 dez. 2011 . Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/20662>. Acesso em: 23 dez. 2013. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000560/201072 Acórdão n.º 1402001.999 S1C4T2 Fl. 1.430 11 Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/12 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10569.000726/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa:
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS.
Em relação à entidade beneficente de assistência social que atenda aos requisitos estabelecidos em lei, cabe a exclusão da base de cálculo do lançamento da Cofins da receita relativa a sua atividade própria, compatível com o seu objeto social, ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados.
Numero da decisão: 3402-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento da Cofins, somente no período de janeiro de 2006 a março de 2007, também as receitas da contribuinte relacionadas às atividades do seu objeto social que tenham caráter contraprestacional. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que negou provimento na íntegra.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Em relação à entidade beneficente de assistência social que atenda aos requisitos estabelecidos em lei, cabe a exclusão da base de cálculo do lançamento da Cofins da receita relativa a sua atividade própria, compatível com o seu objeto social, ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento da Cofins, somente no período de janeiro de 2006 a março de 2007, também as receitas da contribuinte relacionadas às atividades do seu objeto social que tenham caráter contraprestacional. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que negou provimento na íntegra. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 9. 00 07 26 /2 01 0- 51 Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte. Trata o processo de auto de infração para exigência de PIS nos períodos de apuração de 04/2007 a 12/2007, multa de ofício e juros de mora, totalizando R$ 392.309,74 e Cofins, nos períodos de apuração de 01/2006 a 12/2007, com multa de ofício e juros de mora, no total de R$ 8.154.536,84. A partir da verificação dos requisitos estabelecidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, constatouse que, por meio do processo nº 71010.000006/200448, o contribuinte obteve junto ao Conselho Nacional de Assistência Social (Resolução nº 003/2009) a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, com validade para o período de 16/03/2004 a 15/03/2007. No entanto, para o período de 16/03/2007 a 31/12/2007, o contribuinte não comprovou ser portador do CEBAS, deixando, portanto, de cumprir requisito indispensável para usufruir da isenção das contribuições, conforme previsto no inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91. A partir desta constatação, foi efetuado levantamento dos valores a serem lançados: · De jan/2006 a mar/2007 foi apurado o PIS sobre a folha de pagamento devido pelas entidades beneficentes de assistência social, crédito lançado por meio do processo nº 10569.000725/201014. · O lançamento do presente processo inclui o período em que a contribuinte deixou de possuir o certificado que lhe garantia a condição de isento, ou seja, a partir de abr/2007, apurandose as contribuições devidas sobre o total da receita auferida, conforme balancetes mensais. · Para o período de jan/2006 a mar/2007 foi lançada no presente auto de infração a Cofins sobre o total das receitas, excluídas aquelas consideradas próprias da atividade, como as doações recebidas, cuja natureza não se reveste do caráter contraprestacional direto. · O exame dos balancetes revelou que o contribuinte inclui no somatório de sua receita rubricas que não configuram ingresso de recursos, como “reembolso de vale transporte”, “INSS patronal” relativo ao valor que deixou de ser recolhido pelo gozo da isenção, “Reembolso de IPTU”. Tais valores foram excluídos do cálculo da receita bruta e encontramse lançados na coluna “Deduções” do Quadro I. · Também foram excluídas as receitas por venda de imóveis, sujeitas à tributação exclusiva. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10569.000726/201051 Acórdão n.º 3402002.913 S3C4T2 Fl. 1.311 3 · Nos sistemas da RFB não constam registros de entrega do DACON, não havendo, portanto, créditos a serem aproveitados. · Os valores declarados em DCTF relativos ao PIS foram lançados neste auto de infração. · As contribuições lançadas foram apuradas no regime cumulativo, em observância ao artigo 10, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. Cientificada do lançamento, a recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que, por ser entidade beneficente, goza da imunidade quanto às contribuições sociais conforme disposto no artigo 195, §7º, da CRFB/88; que impetrou mandado de segurança nº 2004.51.01.0104541, objetivando o afastamento da autuação face a sua condição de imune, o qual teve seu pedido julgado procedente, cujo julgamento foi sobrestado em face do julgamento do RE 566.622, no qual a repercussão geral do tema foi reconhecida; que não concorda com o enquadramento legal aplicado pela autoridade, vez que nenhum dos dispositivos citados da MP nº 2.15835/2001 referese ao artigo 197, §7º, da CRFB/88; e, por fim, no que tange ao fato de não possuir o CEBAS durante o período de 16/03/2007 a 31/12/2007, alega que sempre teve direito à imunidade e que a demora do órgão expedidor não pode ser considerada de modo a prejudicála. Mediante o Acórdão nº 1249.172 16ª Turma da DRJ/RJI, foi julgada procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL EFEITOS NO LANÇAMENTO A matéria já submetida à apreciação do Poder Judiciário não deve ser apreciada pelo julgador administrativo, sobrepondose a decisão judicial à administrativa. AÇÃO JUDICIAL PROVIMENTO OBTIDO ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A liminar obtida judicialmente pelo contribuinte, confirmada por sentença, suspende a exigibilidade do cré́dito tributário por ela alcançado, não cabendo, ainda, a exigência da multa de ofício proporcional. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS As entidades beneficentes de assistência social devem atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, para fins de apuração do PIS e da Cofins nos termos previstos na MP nº 2.15835/ 2001. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Delegacia de Julgamento não conheceu das alegações relativas ao PIS, em face de já serem objeto de discussão no mandado de segurança, e excluiu a multa de ofício Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 correspondente em face da suspensão da exigibilidade por medida liminar. Em relação à Cofins, julgou improcedentes as alegações da impugnante vez que ela dispunha do certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS somente para os períodos de 16/03/2001 a 15/03/2007, mas não para os demais períodos, para os quais não fazia jus ao benefício. Ciente em 21/11/2012 do Acórdão da DRJ, conforme AR da fl. 612, a contribuinte apresentou, em 21/12/2012, seu Recurso Voluntário (fls. 625/649), alegando, em síntese que: PERÍODO DE 01/2006 A 03/2007 A própria decisão reconhece que durante o período indicado a SANTA CASA possuía Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS, razão pela qual goza de imunidade, sendo ilegal a cobrança. A decisão afirma que teria sido efetuado o lançamento da COFINS excluindo as receitas consideradas próprias da atividade da autuada. Esse argumento não procede. A SANTA CASA tem por finalidade, exclusivamente, a execução de obras sociais, o que faz através dos seus hospitais, Igrejas, educandários e retiros. Todas as receitas são utilizadas para esse fim, dessa forma, não há que se tributar qualquer receita da SANTA CASA. PERÍODO DE 04/2007 A 12/2007 A SANTA CASA sempre apresentou os seus pedidos de renovação do CEBAS tempestivamente, conforme é atestado nos Certificados. A demora do próprio órgão administrativo em expedir os novos Certificados não pode ser considerada de modo a prejudicála. De todo modo, a SANTA CASA juntou aos autos os Certificados que comprovam que a mesma sempre teve direito à imunidade constante do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal. Frisese que a decisão não faz qualquer menção a esses certificados. Vejase: Certificado emitido em maio de 2007, com validade de 6 meses, ou seja, até novembro de 2007; Certificado emitido em novembro de 2007, com validade por 6 meses, ou seja, até maio de 2008; Certificado de renovação no Conselho Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, com validade de 17/05/2005 até 17/05/2008. A SANTA CASA requereu que fosse expedido ofício ao Conselho Nacional de Assistência Social para que o mesmo informe se a SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO RIO DE JANEIRO deixou, em algum momento, de possuir Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, o que não foi feito, implicando em cerceamento de defesa. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10569.000726/201051 Acórdão n.º 3402002.913 S3C4T2 Fl. 1.312 5 Dessa forma, comprovada a sua regularidade perante o Conselho Nacional de Assistência Social, é indevido o lançamento pretendido da COFINS sobre o período de 04/2007 a 12/2007. IMUNIDADE RECONHECIDA JUDICIALMENTE A SANTA CASA possui decisão judicial a seu favor, reconhecendo a imunidade em relação às contribuições sociais, sem que seja feita qualquer limitação, nem mesmo em relação à COFINS, excluindose essa ou aquela receita, diferente do que afirma a decisão recorrida. IMUNIDADE: IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO AO MANDAMENTO CONSTITUCIONAL Ao que parece, a FAZENDA NACIONAL estaria enquadrando a SANTA CASA nos incisos III e IV do artigo 13. O inciso III faz referência ao artigo 12 da Lei n° 9.532/97, o qual se refere à imunidade constante do artigo 150, VI, "c", da Constituição Federal e não ao artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, que é o fundamento para a imunidade das entidades beneficentes de assistência social em relação à COFINS (...). Por sua vez, o inciso IV faz referência ao artigo 15 da Lei n° 9.532/97, que trata das instituições de fim social, ou seja, as que atuam em benefício dos seus membros e não das entidades beneficentes de assistência social, como a SANTA CASA, que agem em prol de todos os necessitados, indistintamente. Esse enquadramento, todavia, é inteiramente equivocado. Com efeito, não se pode confundir instituição de assistência social com entidade beneficente de assistência social, que é o caso da SANTA CASA. No entanto, ainda que esses artigos fizessem referência à imunidade prevista no artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, não poderia o legislador infraconstitucional criar norma de incidência tributária em flagrante ofensa à Constituição Federal, que traz norma de imunidade expressamente. Frisese que a norma é de imunidade, e não isenção, a essas entidades, razão pela qual não pode o legislador infraconstitucional restringir comando constante da Constituição.(...) Por fim, destaque que todas essas receitas, que a FAZENDA NACIONAL pretende tributar, pois não seriam decorrentes da atividade m da SANTA CASA, são utilizadas pela SANTA CASA no desempenho das suas atividades institucionais de assistência social. Assim, com maior razão, não podem ser tributadas. Dessa forma, diante da imunidade atribuída constitucionalmente, não é possível a criação de qualquer forma de tributação. Logo, se a SANTA CASA tem imunidade em relação ao PIS e à COFINS, razão pela qual o legislador Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 infraconstitucional não pode criar qualquer hipótese de incidência, pois a imunidade exclui do campo de incidência tributária as Entidades Beneficentes de Assistência Social, de forma plena e incondicionada. Destaquese ainda, como é de ciência da FAZENDA NACIONAL, que nunca fez qualquer questionamento nesse sentido, que a SANTA CASA sempre cumpriu os requisitos legais (artigo 14 do CTN e do, ora revogado, artigo 55 da Lei n° 8.212/91) necessários para fazer jus à imunidade. No entanto, ainda assim, a SANTA CASA juntou em sua impugnação os documentos que demonstram que a SANTA CASA tem direito à imunidade que lhe é assegurada constitucionalmente: (...) Por todo o exposto, não há que se falar no lançamento do PIS nem da COFINS sobre o faturamento durante o período de 16/03/2007 e 31/12/2007, muito menos da COFINS sobre as receitas desconsideradas durante o período de jan/06 até mar/06, uma vez que a SANTA CASA sempre possuiu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, portanto, possui imunidade, imitada e irrestrita, em relação às Contribuições para a Seguridade Social. Mediante a Resolução n° 3402000.579 (fls. 649 a 654), de 21 de agosto de 2013, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para que a Autoridade Preparadora adotasse as seguintes providências: 1 Providenciar cópia da petição inicial e da sentença proferida nos autos do mandado de segurança n° 2004.51.01.0104541; 2 Descrever quais as receitas consideradas pela autoridade lançadora como sendo próprias bem como quais seriam as receitas consideradas "não próprias" que compuseram o lançamento, fazendoo para todo o período autuado, mesmo para aquele em que não foi apresentado CEBAS; 3 Manifestarse quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN e 12 da Lei 9.532/97, durante o período autuado ou no exercício subsequente, neste último caso quanto a distribuição de sobras ou resultados; 4 Oficiar ao Conselho Nacional de Assistência Social solicitando que se manifeste quanto à condição da entidade em questão, quanto à sua natureza de entidade beneficente de assistência social, bem como se preenchia os requisitos para assim ser considerada, nos anoscalendário de 2006 e 2007; respondendo ainda se existiam, no referido período, razões de fato ou de direito que obstariam a entidade de obter o CEBAS. 5 Após, seja dado vistas do "Relatório Final da Diligência" ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. A fiscalização juntou os documentos solicitados e esclareceu que: (...) Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10569.000726/201051 Acórdão n.º 3402002.913 S3C4T2 Fl. 1.313 7 b) Em relação ao quesito n° 2, foram elaboradas as planilhas mensais com a discriminação das receitas computadas como "próprias" e "nãopróprias"; c) Com relação ao quesito n° 3, é necessário dizer que não é possível no âmbito de um procedimento de diligência fiscal concluir se a entidade atendeu aos requisitos do art. 14 do CTN e 12 da Lei 9.532/97. Ainda assim, em 04 de abril de 2014, a SANTA CASA foi intimada a apresentar as demonstrações financeiras, acompanhadas das Notas Explicativas, dos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. A documentação apresentada (DOC.03 e 04) registra que a entidade apurou prejuízo operacional nos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009; d) Em atendimento ao quesito n° 4, foram encaminhados Ofícios ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e ao Ministério da Saúde. Os dois órgãos confirmaram em suas respostas (DOC.05 e 06) a informação consignada no Relatório Fiscal, às fls: 44, que a entidade obteve a renovação do CEBAS, em 26/01/2009, com validade de 16/03/2004 a 15/03/2007. (...) A recorrente foi cientificada da Resolução 3402000.579 (fls. 649/654) e do Relatório de diligência fiscal e seus anexos I e II (fls.1074/1245) em 07/04/2015, mas não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Atendidos também aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. PERÍODO DE 01/2006 A 03/2007 Para esse período a contribuinte possuía o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), fazendo jus, segundo a fiscalização, somente à exclusão das "receitas próprias" da base de cálculo da Cofins, em conformidade com o conceito veiculado por Instrução Normativa, nesses termos: (...) A isenção em relação à incidência da COFINS foi regulamentada pelo artigo 55 da Lei n° 8.212/91, de 24/07/1991, e alterações posteriores, que incluiu entre as beneficiárias as sociedades civis sem fins lucrativos, de natureza educacional e Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 prestadoras de serviços de saúde, que atendessem às exigências nele estabelecidas, assim dispondo: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97). § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 6° A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória n°2.18713, de 2001)." A Medida Provisória reeditada com o n.° 2.15835, de 24/08/2001, nos seus artigos 13 e 14 dispõe que em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/1999, são isentas da COFINS as receitas relativas às atividades próprias das entidades beneficentes. A Instrução Normativa n.° 247, de 21/11/2002, define em seu parágrafo 2° o conceito de receita própria da atividade: § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. [negrito desta Relatora] Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10569.000726/201051 Acórdão n.º 3402002.913 S3C4T2 Fl. 1.314 9 (...) No entanto, a interpretação da fiscalização e do julgador de primeira instância das "receitas próprias" da entidade acaba por restringir muito o âmbito de aplicação da isenção disposta em lei ordinária, além de considerar somente os ingressos (contribuições, doações, anuidades ou mensalidade dos associados) que não seriam tecnicamente "receitas", eis que essas são os ingressos que remuneram a atividade da entidade. De acordo com José Antonio Minatel1, a receita pode ser assim definida: (...) anunciamos ser receita qualificada pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos. Em relação às receitas próprias para fins da isenção sob estudo, esclarece também o Ilustre Professor Minatel2: Também não a descaracteriza o fato de a entidade prestar serviços a terceiros ou aos seus próprios associados, ainda que remunerados, desde que essa seja a sua missão institucional e o faça sem pretensão econômica de finalidade lucrativa, buscando recursos unicamente para a satisfação dos gastos vinculados com suas finalidades sociais. Conforme disposto no art. 111, II do CTN, devese interpretar literalmente a outorga de isenção e, não havendo qualquer menção na lei instituidora da isenção à necessidade de ausência de caráter contraprestacional direto, esta restrição disposta em norma infralegal não deve ser considerada. Em situação semelhante, em julgado anterior deste Colegiado em outra composição, em votação unânime, no Acórdão nº 3402002.552 (Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, j. 12/11/2014), conforme ementa abaixo transcrita, decidiuse pela ilegalidade da restrição imposta pela Instrução Normativa SRF nº 247/2002, nos termos dos arts. 96, 99 e 100 do CTN, por restringir o conteúdo e alcance da isenção disposta em lei: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 COFINS ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS CONCEITO DE RECEITA PRÓPRIA ISENÇÃO ART.14, INC. X DA MP Nº 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. São Paulo: MP Editora, 2005. 2 MINATEL, José Antonio. In “Grandes Questões Atuais do Direito Tributário 7º Volume”, Dialética, 2003. p. 287. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 2.15835/ 01; ART. 46, INC. II DO DECRETO Nº4.524/02; IN/SRF nº 247/02. O critério legal objetivamente estabelecido para efeitos da isenção de impostos e contribuições federais concedida “intuitu personae” às “instituições” e “associações civis” sem fins lucrativos (art. 14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), vinculase fundamentalmente à aplicação e destinação final (e não à produção) dos recursos financeiros por elas obtidos no desempenho de suas atividades institucionais. Ao alterar o critério legalmente estabelecido para a concessão da isenção (vinculado à aplicação e destinação final dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades; cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), através de critério não previsto em lei (critério da produção das receitas), a IN/SRF nº 247/02 incide em manifesta ilegalidade por violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. Nesse mesmo sentido, estão alguns precedentes na jurisprudência administrativa, a definir, para fins da referida isenção, receitas da atividade própria da entidade como todos os valores que são aplicados no desenvolvimento das atividades do seu objeto social: COFINS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. ATIVIDADE DE ENSINO. CONCEITO DE ATIVIDADE PRÓPRIA. As entidades sem fins lucrativos estão isentas do recolhimento da Cofins sobre a sua atividade própria (MP no 2.15835, art. 14, inciso X, c/c o art. 13, inciso IV, e Decreto no 4.524/2002, art. 46, inciso II, parágrafo único). Devese entender como atividade própria todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos. (...) [Acórdão 20180.173, j. 28/03/2007, Rel. Fabíola Cassiano Keramidas] ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades, relativamente aos serviços prestados que façam parte de seu objeto social. [Acórdão 3302001.93, 3 ª Câmara / 2ª Turma Ordinária] COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10569.000726/201051 Acórdão n.º 3402002.913 S3C4T2 Fl. 1.315 11 A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP 2.15835/ 2001, ao se referir às “receitas relativas às atividades próprias”, aplicase principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 930301.486 e 9303001.869). [Acórdão 3403002.280, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária] Ademais, em relação às entidades de educação sem fins lucrativas, a questão foi objeto da Súmula CARF nº 107, que assim dispõe: Súmula CARF nº 107 : A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, 930301.486, de 31/05/2011, 9303 001.869, de 06/03/2012, 3403002.298, de 25/06/2013, 3301 002.011, de 21/08/2013, 3403002.701, de 28/01/2014. Assim, em face dos fundamentos acima expostos, considerando que a fiscalização entende que a contribuinte faz jus a isenção no período, devem ser excluídas da base de cálculo do lançamento da Cofins, no período janeiro de 2006 a março de 2007, além das "receitas próprias" já consideradas pela autoridade fiscal, também, segundo entendo, as receitas com caráter contraprestacional, relativamente às atividades da contribuinte relacionadas ao seu objeto social. PERÍODO DE 04/2007 A 12/2007 Conforme informações confirmadas na diligência junto ao órgão competente do Ministério da Saúde, a recorrente tem o referido certificado (Cebas) somente para o período de 16/03/2004 a 15/03/2007, sendo que o pedido de sua renovação, apresentado só em 03/01/2011, não foi considerado tempestivo, tendo sido convertido em pedido de concessão originária e não fazendo jus, portanto, à prorrogação automática de que trata o art. 24, §2º da Lei nº 12.101, de 27/11/2009: Art. 24. Os Ministérios referidos no art. 21 deverão zelar pelo cumprimento das condições que ensejaram a certificação da entidade como beneficente de assistência social, cabendolhes confirmar que tais exigências estão sendo atendidas por ocasião da apreciação do pedido de renovação da certificação. § 1ºO requerimento de renovação da certificação deverá ser protocolado com antecedência mínima de 6 (seis) meses do termo final de sua validade. (redação original) § 1oSerá considerado tempestivo o requerimento de renovação da certificação protocolado no decorrer dos 360 (trezentos e sessenta) dias que antecedem o termo final de validade do certificado.(Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 § 2o A certificação da entidade permanecerá válida até a data da decisão sobre o requerimento de renovação tempestivamente apresentado. (grifos desta Relatora) § 3oOs requerimentos protocolados antes de 360 (trezentos e sessenta) dias do termo final de validade do certificado não serão conhecidos.(Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Desta forma, no período de abril a dezembro de 2007, podemos afirmar que a recorrente não é portadora de certificado válido, não podendo este CARF invadir competência de outro órgão de governo para considerar prorrogada ou renovada a validade do seu certificado, expirado em 15.03.2007. O certidão, e não "certificado" como mencionado pela recorrente, emitida em maio de 2007 (fl. 248), embora tenha validade de 6 meses, dispõe que a contribuinte é "portador(a) do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS (antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF) com validade para o período de 16/03/2001 até 15/03/2004". Também a certidão emitida em novembro de 2007 (fl. 246), com validade de 6 meses, dispõe que a contribuinte é "portador(a) do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS (antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF) com validade para o período de 16/03/2001 a 15/03/2004". Ademais, o "Certificado de renovação no Conselho Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, com validade de 17/05/2005 até 17/05/2008", concedido em âmbito municipal, não se destina, obviamente, à comprovação relativa à contribuição da Cofins. IMUNIDADE RECONHECIDA JUDICIALMENTE Conforme demonstram a petição inicial e a sentença proferida nos autos do mandado de segurança n° 2004.51.01.0104541, cujas cópias foram juntadas na diligência, o pedido da recorrente limitase ao PIS/Pasep, não se podendo estendêlo à Cofins sem determinação expressa do Poder Judiciário. O fato de o juiz utilizar na sentença um precedente sobre a Cofins para fundamentar sua decisão em nada modifica os limites da lide determinados pela petição inicial, nos termos do art. 128 do Código de Processo Civil: Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. IMUNIDADE: RESTRIÇÃO AO MANDAMENTO CONSTITUCIONAL Conforme está descrito da autuação, e também esclarecido na decisão recorrida, a fiscalização considerou a aplicação do art. 195, §7º da Constituição Federal ao presente caso concreto: [Termo de Verificação de Infração Fiscal] Dispõe o parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB/1988: "§ 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10569.000726/201051 Acórdão n.º 3402002.913 S3C4T2 Fl. 1.316 13 Em cumprimento ao dispositivo constitucional, que remete a concessão do benefício ao disposto em lei ordinária, a fiscalização verificou o atendimento pela contribuinte, uma entidade beneficente de assistência social, ao disposto no art. 55 da Lei nº 8.212/91: (...) A isenção em relação à incidência da COFINS foi regulamentada pelo artigo 55 da Lei n° 8.212/91, de 24/07/1991, e alterações posteriores, que incluiu entre as beneficiárias as sociedades civis sem fins lucrativos, de natureza educacional e prestadoras de serviços de saúde, que atendessem às exigências nele estabelecidas, assim dispondo: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). (...) A Medida Provisória reeditada com o n.° 2.15835, de 24/08/2001, nos seus artigos 13 e 14 dispõe que em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/1999, são isentas da COFINS as receitas relativas às atividades próprias das entidades beneficentes. (...) [grifos desta Relatora] Nesse mesmo sentido, a fiscalização aplicou ao caso concreto a Medida Provisória nº 2.15835, a qual dispõe que o benefício atinge as receitas próprias das entidades: Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...) Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. (...) Conforme se vê acima, o próprio art. 17 acima transcrito, determina a aplicação dos dispositivos legais utilizados pela fiscalização para as entidades beneficentes de assistência social, o que o agente administrativo e também o julgador do CARF não podem se furtar a cumprir, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido também dispõe a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Não obstante a questão doutrinária de que a Constituição Federal não poderia estabelecer uma isenção, mas somente uma imunidade, o fato é que a própria Lei Maior restringiu a concessão do benefício ao atendimento das exigências dispostas em lei ordinária ("as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei"), o que foi efetuado pela autoridade fiscal. Como já esclarecido neste Voto, a questão da restrição do conceito de "receitas próprias" em face do disposto em ato infralegal já foi objeto de reforma no presente julgamento. Assim, em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento da Cofins, somente no período de janeiro de 2006 a março de 2007, também as receitas da contribuinte relacionadas às atividades do seu objeto social que tenham caráter contraprestacional. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10882.000541/2005-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004
MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NOVA REDAÇÃO DA NORMA COMINANDO PENALIDADE MENOS SEVERA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
Diante de litígio não definitivamente julgado, deverá ser aplicada retroativamente a norma que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática" (Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, "c").
AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SUA ADUZIDA ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua ilegalidade ou inconstitucionalidade. Segundo a súmula no 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3301-002.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004 MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NOVA REDAÇÃO DA NORMA COMINANDO PENALIDADE MENOS SEVERA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Diante de litígio não definitivamente julgado, deverá ser aplicada retroativamente a norma que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática" (Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, "c"). AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SUA ADUZIDA ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua ilegalidade ou inconstitucionalidade. Segundo a súmula no 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso ao qual se dá parcial provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004 DIF PAPEL IMUNE. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE NOVA SANÇÃO ESPECÍFICA E MENOS GRAVOSA. LEGITIMIDADE. É legítima a formalização de auto de infração para exigência de multa pela inexistência de apresentação ou pela apresentação em atraso da DIF Papel Imune. Não obstante, tratandose de ato não definitivamente julgado, e considerando a edição de nova norma menos severa que trata especificamente da sanção em comento, deverá ser aplicada, retroativamente, a nova penalidade capitulada no § 4º do artigo 1º da Lei nº 11.945, de 04/11/2009. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004 MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NOVA REDAÇÃO DA NORMA COMINANDO PENALIDADE MENOS SEVERA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Diante de litígio não definitivamente julgado, deverá ser aplicada retroativamente a norma que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática" (Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, "c"). AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SUA ADUZIDA ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua ilegalidade ou inconstitucionalidade. Segundo a súmula no 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, “o CARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 05 41 /2 00 5- 26 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 90/94; efls. 95/99), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração lavrado contra a interessada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não apresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos pela legislação, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista. Lançamento Procedente. Reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Tratase de Auto de Infração, para exigência da multa regulamentar, lavrado em decorrência da constatação de atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, merecendo destaque o artigo 57 da MP 2.15835/2001, a IN SRF 71/2001 e a IN SRF 159/2002. Tempestivamente, o sujeito passivo impugnou o lançamento, argumentando, em síntese, [que] a penalidade é ilegal e [a] fere princípios constitucionais. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.000541/200526 Acórdão n.º 3301002.713 S3C3T1 Fl. 199 3 Cientificada do indeferimento de seu pleito em 02/10/2009 (efls. 109), a autuada, em 30/10/2009, apresentou o recurso voluntário de efls. 111/152, onde reitera os argumentos inerentes à suposta ilegalidade e inconstitucionalidade da exação, "uma vez que na mão contrária dos direitos dos contribuintes, eleitos pela Constituição Federal e pelo Código Tributário Nacional, a obrigação que gerou a multa não encontra supedâneo em lei alguma, sendo criada e regulamentada por normas infralegais". Especificamente, aduz o seguinte: a) que a obrigação acessória de apresentação da DIF Papel Imune não poderia subsistir, eis que sua validade estaria adstrita à sua instituição mediante lei em sentido estrito, "nunca, como no presente caso, por iniciativa do executivo", onde a declaração em evidência foi instituída pela IN SRF nº 71/01, "com base na genérica delegação contida no artigo 16 da Lei nº 9.779/99"; b) que a multa em vidência seria abusiva, e agride aos princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade; c) que a exação em tela seria, também, confiscatória, "verdadeiro ABUSO DO PODER FISCAL, na exata medida em que seu montante é excessivo e despropositado"; d) que a taxa SELIC não se presta para uso como juros de mora no âmbito tributário, eis que a mesma tem natureza de juros remuneratórios; ademais, aludida taxa seria ilegal, eis que criada e definida por resoluções do Banco Central, e não por lei. Diante do exposto, requer seja anulada a exação lavrada contra si. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dos argumentos em defesa do caráter abusivo e confiscatório da multa Conforme relatado, vêse que a recorrente reclama o caráter abusivo e confiscatório da multa, em suposta ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade. Contudo, falece à autoridade administrativa apreciar arguição nesse sentido. Dispõe o artigo 111 do CTN que a interpretação da legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário deverá ser literal, não podendo o referido crédito ser dispensado na via administrativa sob argumento valorativo acerca da injustiça ou desproporcionalidade de sua aplicação. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Ademais, os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco são dirigidos ao legislador e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do artigo 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa interpretá la e aplicála, processo do qual não integra o juízo de valor acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. Portanto, falece à autoridade administrativa competência para excluir crédito tributário com fundamento em alegado caráter confiscatório da norma, na sua desproporcionalidade no que concerne à conduta, ou em qualquer outra argumentação de natureza congênere. Da alegada inaplicabilidade da taxa SELIC A legitimidade da aplicação da taxa SELIC já está sumulada no âmbito do CARF, cuja Súmula no 4 dispõe o seguinte: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A observação das súmulas do CARF é de caráter obrigatório por todos os seus conselheiros, conforme disposto no caput do artigo 72 do Anexo II ao Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Dos argumentos em prol da inconstitucionalidade da norma É vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, assunto, inclusive, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Aliás, especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do RICARF veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Rejeitamse, pois, todos os argumentos da reclamante no que concerne a suposta inconstitucionalidade de norma. Da retroatividade benigna da lei tributária que comina penalidade menos severa que a prevista ao tempo da sua prática Conforme relatado, vêse que a ação fiscal foi instaurada para a verificação do cumprimento de obrigações acessórias relativas à apresentação da DIF Papel Imune. Constatada a entrega de declarações fora dos prazos estabelecidos (último dia útil dos meses de abril, julho, outubro e janeiro, referentes aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres, respectivamente), a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.000541/200526 Acórdão n.º 3301002.713 S3C3T1 Fl. 200 5 fiscalização lavrou o correspondente auto de infração inerente ao 3º trimestre de 2003 e ao 1º e 2º trimestres de 2004, no valor de R$ 5.000,00 por mês calendário de atraso, conforme disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001, à época em vigor. Desde já rejeitamse os argumentos da suplicante em defesa da suposta ilegalidade da norma. Conforme destacado na decisão a quo, a obrigação acessória de apresentação da DIF Papel Imune foi instituída pela IN SRF nº 71/2001, no uso da competência objeto do artigo 16 da Lei nº 9.779/99, conferida à Secretaria da Receita Federal para "dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável". Por seu turno, a não observação da obrigação acessória em tela de apresentação da DIF Papel Imune se subsume ao disposto no artigo 57 da MP 2.15834 (e sua 35ª e última reedição), segundo a qual "o sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil [...]", sujeitandose às multas previstas no dispositivo legal em tela. Reiterese, aqui também, as considerações já tecidas quanto ao disposto no artigo 111 do CTN, artigo 116, inciso III, da Lei 8.112/90, e artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do CARF. A exação em análise foi assim calculada: Período Data da apresentação da DIF Nº de meses em atraso Valor da multa (nº meses x R$ 5.000,00) 3º trimestre de 2003 04/03/2005 (efls. 16) 17 R$ 85.000,00 1º trimestre de 2004 04/03/2005 (efls. 17) 11 R$ 55.000,00 2º trimestre de 2004 04/03/2005 (efls. 18) 08 R$ 40.000,00 Total da multa lançada R$ 180.000,00 Pelas razões expostas de forma minudente na decisão recorrida, resta evidente que a multa aplicada contra o sujeito passivo é devida, em vista do efetivo descumprimento do prazo para apresentação da obrigação acessória em tela. Não obstante, a realidade fática demonstra que a mesma se subsume à retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, o qual, diante de ato não definitivamente julgado, determina a aplicação retroativa da norma que "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática". Conforme relatado, a multa foi calculada considerandose a redação então vigente do inciso I do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15834, que estabelecia a penalidade de "R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados". Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 Todavia, o preceito em comento foi alterado contemplando a redução das multas pelo mesmo disciplinadas, no seguinte sentido: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 19991, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) 1 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.000541/200526 Acórdão n.º 3301002.713 S3C3T1 Fl. 201 7 § 3º A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4º Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (grifos nossos) Como se vê, a multa inerente à apresentação extemporânea de obrigação acessória foi reduzida para R$ 1.500,00, por mêscalendário, para as pessoas jurídicas em geral (que não sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional) inciso I, alínea "b", do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Portanto, poderia se cogitar do recálculo da multa objeto do lançamento considerando a nova redação objeto do inciso I, alínea "b", do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, equivalente ao valor mensal de R$ 1.500,00 por mêscalendário de atraso, de sorte que o crédito tributário a ser mantido, segundo a nova redação do preceito em evidência, corresponderia a R$ 126.000,00, conforme demonstrado abaixo: Período Meses em atraso Valor lançado Recálculo em vista da retroatividade benigna (crédito mantido) Valor exonerado 3º trim/2003 17 85.000,00 25.500,00 59.500,00 1º trim/2004 11 55.000,00 16.500,00 38.500,00 2º trim/2004 08 40.000,00 12.000,00 28.000,00 Totais 180.000,00 54.000,00 126.000,00 Não obstante, cumpre destacar que já em 2008, com a edição da Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, a conduta, anteriormente sancionada com base na sistemática geral preconizada pela MP nº 2.15835, passou a ser tratada de forma específica, já que, mediante a citada Lei nº 11.945/09, a União começou a tratar de forma especial do registro de atividades de comercialização e importação de papel, inclusive com a cominação de uma sanção exclusiva para o caso da não apresentação da correspondente declaração. Nesse sentido, o artigo 1º da norma em evidência: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. Como se vê, no caso das pessoas jurídicas não enquadradas como micro e pequenas empresas, a nova multa a ser aplicada corresponde a R$ 5.000,00 por declaração prestada fora do prazo legal, sujeita ainda à redução em 50% no caso de informação apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§ 5º do artigo 1º da Lei nº 11.945/09). Portanto, considerando a nova sistemática preconizada pela Lei nº 11.945/09, temse, no caso presente onde o auto de infração abrange 3 (três) declarações prestadas com atraso , que o crédito tributário a ser mantido corresponde a R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Conforme adiantado linhas acima, no que concerne ao prosseguimento da exigência de penalidade cuja fundamentação legal não mais se encontre em vigência, ou alteração legislativa posterior tenha reduzido a sua gravidade, dispõe o artigo 106 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.000541/200526 Acórdão n.º 3301002.713 S3C3T1 Fl. 202 9 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, cuja conduta a lei nova passou a cominar penalidade menos severa, penso que a multa lavrada contra o sujeito passivo, no montante de R$ 180.000,00, deverá ser reduzida para R$ 15.000,00 (quinze mil reais), pelas razões acima desenvolvidas. Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, para manter a multa objeto dos autos no montante de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). Sala de sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000313/99-96
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 30/11/1998
PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 30/11/1998 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 03 13 /9 9- 96 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000313/9996 Acórdão n.º 9900000.904 CSRFPL Fl. 697 2 Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Manoel Coelho Arruda Júnior, deixou de ser conselheiro antes da formalização do acórdão. Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão CSRF/0202.938, proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência do pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de PIS, referente ao período de apuração compreendido entre janeiro de 1991 e novembro de 1998, sob o argumento de que o termo a quo do prazo decadencial é a data da publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal (10/10/1995) e não a data da extinção do crédito pelo pagamento. O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho de fls. 345/346. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso extraordinário às fls. 679/685. É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 697DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000313/9996 Acórdão n.º 9900000.904 CSRFPL Fl. 698 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisões de outras turmas da CSRF, que decidiram a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em seu extraordinário a Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 168, I, do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. De outro lado, em contrarrazões, o sujeito passivo pede a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1991 e novembro de 1998, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 24 de agosto de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000313/9996 Acórdão n.º 9900000.904 CSRFPL Fl. 699 4 VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000313/9996 Acórdão n.º 9900000.904 CSRFPL Fl. 700 5 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame temse que os créditos pleiteados, na data em que protocolado o pedido de repetição de indébito (24/08/1999), ainda não haviam sido alcançados pela prescrição, posto que estes referemse a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1991, portanto, dentro do prazo decenal da tese dos 5 + 5. Com base nesses fundamentos, o Colegiado negou provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Este o voto que me coube redigir. Henrique Pinheiro Torres Fl. 700DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13123.720059/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado).
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado). Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 3. 72 00 59 /2 01 1- 34 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13123.720059/201134 Acórdão n.º 2201002.791 S2C2T1 Fl. 80 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 14.395,00, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2008, dedução indevida de despesas médicas. Segundo a Autoridade lançadora, a glosa de seu por “falta de comprovação do efetivo pagamento dos recibos apresentados” (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 5/6 deste processo digital). O contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2, que foi julgada procedente em parte pela 7ª Turma da DRJ/BSB. Entenderam os julgadores da instância de piso que: No presente caso, a autoridade lançadora fundamentou a glosa efetivada em razão da ausência da comprovação do efetivo pagamento dos recibos apresentados. No entanto, na intimação enviada ao contribuinte (fls. 16) consta somente a solicitação para apresentação de: Comprovantes originais e cópias das despesas médicas. Comprovantes originais e cópias das despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiários (titular e dependente). Portanto, ainda que autorizada pela legislação a solicitar a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, a autoridade lançadora optou por solicitar somente os comprovantes e cópias das despesas médicas. Assim, os comprovantes apresentados pelo contribuinte devem ser analisados à luz da legislação acima transcrita, com vistas a verificar sua validade como documentos comprobatórios de despesas médicas dedutíveis na declaração de IRPF. Com base na fundamentação acima transcrita, o acórdão recorrido restabeleceu despesas médicas no valor de R$ 5.300,00, cujos serviços foram prestados pelo profissional de saúde Aristóteles Madeira Torres, e manteve as glosas das demais despesas médicas, por ausência de requisitos formais previstos na legislação do imposto de renda da pessoa física. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/05/2012 (edital à fl. 44), o Interessado interpôs, em 15/06/2012, o recurso de fls. 48/50, acompanhado dos documentos de fls. 51/576. À peça recursal anexa, parcialmente, documentos emitidos pelos profissionais cujas glosas foram mantidas, corrigindo os erros formais apontados pelos julgadores de 1ª instância. Ao final, requer seja acolhido o presente recurso e cancelada a exigência fiscal. Por meio da Resolução nº 2801000.344 (fls. 61/63), de 10 de março de 2015, o julgamento do recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem acostasse Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13123.720059/201134 Acórdão n.º 2201002.791 S2C2T1 Fl. 81 3 aos autos o Termo que intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, bem como o intimasse para, se fosse de seu interesse, se manifestar sobre o documento juntado. O Termo de Intimação Fiscal e o respectivo aviso de recebimento foram anexados aos autos em fls. 67/69. Após ser intimado (fls. 72/73), o Interessado se manifestou no sentido de que a comprovação do efetivo pagamento não poderia ser realizada, uma vez que tem por hábito pagar suas despesas em espécie. Por intermédio do despacho de fl. 77 o processo tornou a este Conselho. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. No processo administrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, no entanto, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso concreto, a Autoridade lançadora, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 67/68 deste processo digital, solicitou ao Recorrente, antes da constituição do crédito tributário, a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas lançadas em sua declaração de ajuste anual, alertando que “as comprovações do efetivo pagamento poderão ser feitas através de qualquer meio hábil para comprovar a efetiva Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13123.720059/201134 Acórdão n.º 2201002.791 S2C2T1 Fl. 82 4 transferência dos recursos, tais como: fotocópia do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, extrato de cartão de crédito, DOC, transferência bancária, extrato bancário, etc.”. O Interessado, depois de ser intimado do resultado da diligência fiscal (juntada do Termo de Intimação para comprovação do efetivo pagamento e respectivo AR), se manifestou no sentido de que a comprovação do efetivo pagamento não poderia ser realizada, uma vez que tem por hábito pagar suas despesas em espécie. É sabido que o contribuinte não está obrigado a efetuar os pagamentos mediante a utilização de título de crédito, sendolhe lícito fazêlo em dinheiro. Contudo, se nesta hipótese for instado a comprovar o efetivo pagamento, deve evidenciar a posse do numerário em valores e datas compatíveis com os recibos apresentados. Nesse contexto, em que houve a prévia intimação da contribuinte, penso que a dedutibilidade de despesas médicas está condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, uma vez que, nos termos do DecretoLei n° 5.844/1943, art. 11, § 3° c/c art. 73 do RIR/1999, as deduções de despesas médicas “estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721100/2009-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
MULTA QUALIFICADA. Inexiste a sonegação tipificada nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, quando o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade fazendária, por meio da DIPJ, do que está sendo exigido no lançamento de ofício.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rafael Vidal de Araújo e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso, vencidos os Conselheiros André Mendes Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES REGO Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente convocada), Rafael Vidal de Araújo (Suplente convocado), Ronaldo Apelbaum, Maria Tereza Martinez Lopes e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: MULTA QUALIFICADA. Inexiste a sonegação tipificada nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, quando o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade fazendária, por meio da DIPJ, do que está sendo exigido no lançamento de ofício. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rafael Vidal de Araújo e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso, vencidos os Conselheiros André Mendes Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente convocada), Rafael Vidal de Araújo (Suplente convocado), Ronaldo Apelbaum, Maria Tereza Martinez Lopes e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Inexiste a sonegação tipificada nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, quando o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade fazendária, por meio da DIPJ, do que está sendo exigido no lançamento de ofício. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rafael Vidal de Araújo e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso, vencidos os Conselheiros André Mendes Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 11 00 /2 00 9- 44 Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.721100/200944 Acórdão n.º 9101002.231 CSRFT1 Fl. 2.394 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente convocada), Rafael Vidal de Araújo (Suplente convocado), Ronaldo Apelbaum, Maria Tereza Martinez Lopes e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 2.299/2.309, contra o Acórdão nº 110100.806, de 13 de setembro de 2012, e fls. 2.292/2.297, que, por unanimidade, negou provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação de que o contribuinte ocultou sua dívida tributária do Fisco. Como o contribuinte parcelou o processo principal, a lide reside exclusivamente na redução da multa de ofício de 150% para 75%. O recurso foi interposto com fundamento no art. 64, inciso II, e no art. 67 e seguintes, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, apresentando dois acórdãos paradigmas, sendo que do primeiro, de nº 10323495, copio a ementa naquilo que interessa ao caso: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ‑ IRPJ Ano‑ calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA ‑ A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007.” O segundo paradigma, acórdão nº 9101001.002, proferido pela 1ª Turma da CSRF, traz a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004. Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.721100/200944 Acórdão n.º 9101002.231 CSRFT1 Fl. 2.395 3 Ementa: MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza‑ se a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondo‑ se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996”. Segundo a Fazenda Nacional, “o caso dos autos em tudo se enluva aos paradigmas suscitados, o que demonstra estar perfeitamente adequada a autuação da auditoria fiscal”. Ainda segundo a Fazenda Nacional, restou perfeitamente caracterizado o dolo de sonegar do contribuinte, haja vista que a sistemática prática de infrações tributárias em anos calendários seguidos “revela evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada”. O recurso foi admitido por meio do despacho de efls. 2.319/2.323, proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Entendeu o Presidente da 1ª Câmara que, embora os fatos não sejam rigorosamente idênticos, guardam similitude em função das circunstâncias que originaram a falta de pagamento do tributo devido. A interessada apresentou contrarrazões ao recurso especial às efls. 2.335/2.388, onde, em síntese, aduz: Preliminarmente, pelo não conhecimento do recurso especial, haja vista que, a seu juízo, não teria sido demonstrada a divergência jurisprudencial, eis que o acórdão recorrido e os paradigmas tratariam de situações diversas, não havendo similitude fática entre os julgados; ainda em sede preliminar pela impossibilidade de a CSRF fazer reexame do conjunto probatório, conforme tenderia ser o objetivo da recorrente; No mérito, propugna pelo não provimento do recurso especial, haja vista que não restou consignado nos autos a existência do elemento dolo ou fraude, razão pela qual não seria cabível a aplicação da multa qualificada. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rego, Relatora O recurso é tempestivo mas, como teve a sua admissibilidade questionada no tocante à ausência de similitude fática, passo a analisar esse aspecto. Com efeito, é muito difícil haver divergência quando se está diante de discussões em torno de multa qualificada, haja vista as peculiaridades de cada processo. Contudo, no presente caso, entendo restar caracterizada a divergência porque a acusação fiscal Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.721100/200944 Acórdão n.º 9101002.231 CSRFT1 Fl. 2.396 4 foi de que havia uma conduta reiterada do sujeito passivo, e ainda assim, a decisão recorrida entendeu por manter a redução da multa, afastando a qualificadora. Já no caso do paradigma 10323.495, a acusação de prática reiterada foi condição suficiente para que o colegiado mantivesse a multa qualificada. Em relação ao segundo acórdão trazido como paradigma, de nº 9101 001.002, a situação era de DIPJ e DCTF com valores zerados. A decisão foi por manter a qualificadora porque o sujeito passivo só apresentou a retificadora após o início do procedimento fiscal e, como a fiscalização não aplicou a penalidade em todos os períodos lançados, concluiu a turma julgadora que a autoridade fiscal foi bastante criteriosa ao aplicar a penalidade em relação aos períodos em que ficou evidenciada a omissão intencional do contribuinte, porque nos períodos em que não aplicou, havia receita declarada, porém a menor. Ocorre que a acusação fiscal de qualificar por conduta reiterada só ocorreu em relação à primeira, das três infrações, que é a diferença entre DIPJ e DCTF; para a segunda infração, que foi glosa de custos por comprovação inidônea, a motivação da qualificadora foi em razão de conluio entre a contribuinte e outras empresas emitentes da documentação que justificava o custo, ou seja, não se falou em conduta reiterada e nem a PFN trouxe paradigma de conluio. Também não se pode verificar semelhança entre os fatos desta infração e os do segundo paradigma trazido. Observo, ainda, que para essa infração, o colegiado a quo exonerou a multa porque entendeu que não ficou demonstrada a falsidade na documentação, nos registros contábeis ou na efetividade do informado pela contribuinte, assim, não existe divergência de interpretação da norma, mas sim diversidade na valoração da prova. Por essas razões, não conheço o recurso em relação a essa segunda infração, pois não restou caracterizada a divergência. Para a terceira infração, qual seja, glosa de custos por pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa, a justificativa para a qualificação da multa foi porque a infração dizia respeito a pagamentos feitos pela autuada à empresa INCENTIVE HOUSE , mas a fiscalizada não teria logrado comprovar a efetiva prestação de serviços. É que ela apresentou tão somente as notas fiscais. Mas como se tratava de uma empresa que tem por objeto a premiação, por meio da emissão de cartões magnéticos, de funcionários, dentro de um Programa de Estímulo ao Aumento de Produtividade, a Fiscalização intimou a então fiscalizada a identificar os reais beneficiários desses prêmios, o que não foi feito. Também intimou a apresentar o contrato que fez com a INCENTIVE HOUSE S/A, o que também não foi feito. Entendeu a fiscalização que houve conduta dolosa do sujeito passivo porque deixou de “lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada os fatos gerados”, o que qualificou como fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.506, de 1964. Mas o acórdão recorrido entendeu, a luz dos fatos e justificativas trazidos aos autos, que não era possível afirmar ter havido sonegação! Assim, também para esse caso não consigo visualizar qualquer similitude fática com os paradigmas trazidos pela PFN, razão pela qual também não conheço do recurso em relação a essa terceira infração. Em face ao exposto, conheço do recurso apenas em relação à primeira infração, e passo à análise do mérito. Analisando as peças processuais, em resumo, o lançamento (fls. 01/86 do Volume 1) se deu por 03 motivos, a saber: a) diferença de IRPJ e seus reflexos entre o apurado Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.721100/200944 Acórdão n.º 9101002.231 CSRFT1 Fl. 2.397 5 em DIPJ e aquilo que foi declarado em DCTF; b) não comprovação de despesas; c) Glosa de despesas por pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Na primeira infração, houve divergência de informação entre as declarações entregues pelo contribuinte (DCTF e DIPJ); a acusação fiscal, no que diz respeito ao dolo, diz respeito à prática reiterada (os quatro trimestres da DIPJ de 2006 e os quatro trimestres da DIPJ de 2007), havendo omitido esses valores nas DCTF correspondentes. Por essa razão, caracterizou a hipótese no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Todavia, para se caracterizar a sonegação, nos termos do art. 71 da mencionada lei, é preciso demonstrar que o contribuinte tentou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou ainda, de suas condições pessoais como contribuinte. Ora, se essas receitas foram declaradas ao próprio Fisco na DIPJ, apesar de não ser uma declaração constitutiva de crédito, tornase totalmente descabida a pretensão da Fiscalização de aplicar a referida qualificação nessas circunstâncias. Aliás, a própria Fazenda Nacional trouxe em um dos paradigmas situação idêntica à transcrita acima em que a solução, adotada pela fiscalização, foi de afastar a qualificação da multa. Abaixo, um excerto do voto condutor do Acórdão nº 9101001.002 (extraído do despacho de admissibilidade, fls. 2.319/2.323) que ilustra o afirmado: Observese ainda que, embora a fiscalização, em cumprimento das verificações obrigatórias previstas no Mandado de Procedimento Fiscal, tenha apurado diferenças de tributos a recolher em relação a outros anos calendários (1999, 2002 e 2003), somente aplicou a multa qualificada aos períodos de apuração dos anos 2000 e 2001. A autoridade lançadora foi, portanto, bastante criteriosa ao aplicar as penalidades de ofício, agravando a penalidade apenas em relação aos períodos de apuração em que a omissão intencional do contribuinte fiscalizado restou patente. Verificase, por exemplo, que no anocalendário de 1.999, a fiscalização apurou IRPJ declarado à menor na DCTF, (correspondente à apenas 20% dos valores efetivamente devidos em cada trimestre). No entanto, conforme demonstrativo de fls. 129 (IRPJ Anocalendário 1999 Verificações Obrigatórias), constatou que na DIPJ do ano de 1.999 a fiscalizada havia informado corretamente as suas receitas e a base de cálculo do imposto. Assim, em que pese tenha declarado à menor os tributos devidos nas DCTF`s, a autoridade lançadora entendeu que, em relação ao ano calendário: 1999, a contribuinte ofereceu, por meio da DIPJ, elementos para que a administração tributária pudesse ao menos verificar a base tributável correta e cobrar as diferenças devidas, pelo simples cotejo entre a DIPJ e as DCTF´s. Assim aplicou a penalidade de ofício, sem agravamento. O mesmo ocorreu em relação aos anos de 2002 e 2003. (negritouse) Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.721100/200944 Acórdão n.º 9101002.231 CSRFT1 Fl. 2.398 6 Em face ao exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso especial da Fazenda Nacional, apenas em relação à infração Diferenças entre DCTF e DIPJ, para, no mérito, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.930142/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. PREVISÃO LEGAL. VIGÊNCIA.
Somente a partir de 1º de fevereiro de 2004 a legislação previu a possibilidade de que as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecessem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt - OAB 173.362 - SP.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. PREVISÃO LEGAL. VIGÊNCIA. Somente a partir de 1º de fevereiro de 2004 a legislação previu a possibilidade de que as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecessem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt OAB 173.362 SP. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 01 42 /2 00 9- 13 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório e não homologou compensação declarada pelo contribuinte referente a crédito da contribuição para o PIS, período de setembro de 2003 com débito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O indébito teria origem na mudança de entendimento quanto à permanência das receitas apuradas no regime da cumulatividade, tendo a empresa efetuado recolhimento pela sistemática da nãocumulatividade. A Lei nº 10.833/2003 em seu artigo 10, inciso XI previu a possibilidade de que as receitas de contratos de fornecimento de serviços a preço predeterminado, com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 poderiam continuar a ser tributadas pela sistemática da cumulatividade.Com a edição da Lei nº 11.196/2005, mais especificamente seu art. 109, combinado com o disposto na IN SRF nº658/2006 e ainda de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, a interessada entendeu ter reunido condições suficientes para tributar suas receitas com base na sistemática da cumulatividade. Procedeu então a retificação das suas DCTFs, declarando débitos de PIS e Cofins pela forma cumulativa. Assim teria passado a credora da União, uma vez que teria efetuado recolhimentos a maior do que os efetivamente devidos por calcular as contribuições em apreço pela sistemática da nãocumulatividade. A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil submeteu à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, referida questão, resultando na edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007. Esse Parecer esclareceu que “contratos iniciais” e “contratos bilateriais”, os quais são utilizados pela empresa na comercialização de energia, perdem o caráter de contratos de preço predeterminado, tendo em vista reajuste efetuado pelo IGPM e, pela variação tributária, portanto, não se submetem à exceção prevista no art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003. A interessada por meio do processo nº 11080.006335/200951 protocolou processo de consulta a este respeito. A Superintendência da 10ª Região Fiscal solucionou a questão emitindo a Solução de Consulta nº 228, de 14 de dezembro de 2009, assim ementada: CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE COM BASE NO IGPM. Para efeito de definir o regime de incidência da Cofins aplicável às receitas relativas a contratos com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, o cômputo do IGPM no percentual de reajuste de preços, descaracteriza a condição de preço predeterminado, ainda que nesse percentual de reajuste seja também considerada a variação de determinados custos de produção, o que implica a sujeição dessas receitas à incidência nãocumulativa. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.930142/200913 Acórdão n.º 3302002.904 S3C3T2 Fl. 3 3 Não obstante, quando o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, não superar o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção, e desde que o referido reajuste leve em conta termos de custos de produção ou insumos, a condição de preço predeterminado não se terá descaracterizado, consoante explicitação do § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006. Nessa hipótese, e cumpridos os demais requisitos dessa Instrução, as receitas em questão submetemse à incidência da Cofins na forma cumulativa, até que venha a suceder a perda do caráter de preço predeterminado, ocasião em que as receitas passarão a sujeitarse à incidência não cumulativa, de modo definitivo. Com base no entendimento acima exposto e na informação Fiscal SEFIS/DRF/POA (fls. 394/397), foi emitido o Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010 (fls. 388/393) que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. A interessada discorda do indeferimento do seu pleito, alegando, preliminarmente, a tempestividade de sua manifestação. Faz um histórico da evolução da legislação do PIS e da Cofins e da nova sistemática de apuração dessas contribuições: nãocumulatividade. Discorre a respeito dos chamados “contratos iniciais” firmados por ela e as distribuidoras de energia elétrica, celebrados em 30 de setembro de 1997, com vigência de 15 anos. Menciona que o Primeiro Termo Aditivo ao Contrato de Concessão nº 67/2000, firmado em 03/04/2001, passou a prever que o reajuste seria calculado de acordo com o IGPM. Acredita que tal fato não afetaria a condição de preço predeterminado no fornecimento de energia, tendo como objetivo a preservação do equilíbrio contratual, resguardando o valor e quantia da moeda contratada. Nesse caso, as receitas advindas desses contratos deveriam sujeitarse ao regime cumulativo das contribuições, por obedecerem ao disposto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003. Ataca a IN SRF nº 468/2004, afirmando que essa teria inovado no mundo jurídico ao eleger critérios não previstos na Lei nº 10.833/2003 para definição de preço predeterminado. Destaca que esse entendimento foi alterado pela Lei nº 11.196/2006 ao determinar que o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não seria considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Cita Nota Técnica nº 224/2006 e o Ofício nº 1.431/2006, ambos expedidos pela ANEEL os quais afirmam que a utilização do IGPM, como índice de correção monetária, no reajuste do preço do contrato de fornecimento de energia equivaleria ao custo de produção ou dos insumos utilizados no setor energético. Tece considerações a respeito dos requisitos exigidos pelo art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003 para que suas receitas permaneçam no regime cumulativo das contribuições. Entende serem quatro as exigências da Lei: contrato de fornecimento de bens e serviços, prazo de duração mínimo superior a um ano, assinatura do contrato anteriormente a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento de bens e serviços esteja predeterminado no contrato. Entende que os contratos por ela celebrados com as empresas contratantes de seus serviços atendem aos requisitos antes expostos e por isso permanecem no regime da cumulatividade, tornando a empresa detentora de créditos recolhidos pela sistemática da nãocumulatividade. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Observa que protocolou declarações de compensação, via PER/DCOMP, dos créditos oriundos dos períodos dezembro de 2002 a fevereiro de 2006, e pedido de restituição, via papel, do período novembro de 2004 a julho de 2005. Menciona a consulta formulada a respeito do assunto (processo nº 11080.006335/200951), a Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, bem como o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007, os quais concluíram que as receitas da empresa estariam sujeitas a tributação pelo regime não cumulativo. Discorda do entendimento da informação Fiscal, para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, que não reconhece efeito retroativo ao disposto no art. 15 da Lei nº 10.833/2003, o qual estendeu ao PIS a possibilidade de manter no regime da cumulatividade as receitas de contratos firmados com preço predeterminado. Entende ser nulo o Despacho Decisório por ausência de motivação e afronta à ampla defesa e ao contraditório. Alega que a decisão deixa de justificar/fundamentar as razões para o indeferimento do pleito de restituição/compensação. Não se reveste dos mínimos e indispensáveis requisitos de validade e não lhe permite conhecer os fundamentos do indeferimento dos pleitos de restituição/compensação. Na eventualidade de não ser declarado nulo o Despacho Decisório atacado, passa a defender a existência do direito creditório pleiteado. Destaca a apresentação de Recurso Especial de Divergência contra o entendimento da Solução de Consulta nº 228, proferida pela SRRF10/DISIT. Está certa de que o recurso interposto será provido. Passa a tecer considerações a respeito das exceções estabelecidas pela Lei nº 10.833/2003 para permanência de determinadas receitas no regime da cumulatividade. Aponta 4 requisitos necessários: existência de um contrato de fornecimento de bens e serviços, com prazo de duração superior a 1 ano, assinatura anterior a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento dos bens e serviços esteja predeterminado nesse contrato. Destaca que o Despacho Decisório questiona apenas um desses requisitos, o que tornaria incontroverso os demais. A discussão estaria limitada a predeterminação dos preços estipulados nos contratos celebrados pela empresa. Argumenta que esse requisito também foi cumprido. Argumenta não existir lei que defina o conceito de preço predeterminado. Esse conceito seria obtido por meio de uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, sendo encontrado a partir do exame de princípios do direito privado. Busca na doutrina definições de preço determinado e preço determinável. Acredita que a eventual cláusula de reajuste não descaracterizaria a natureza do preço predeterminado quando tal reajuste tenha como objetivo tãosomente preservar o poder aquisitivo nominal inicialmente pactuado. Cita decisão jurisprudencial nesse sentido. Invoca os art. 109 e 110 do CTN para defender seu ponto de vista. Afirma que de acordo com a IN SRF nº 21/79, o entendimento da Secretaria da Receita Federal sempre foi no sentido de que para a caracterização de preço predeterminado não seria essencial a inexistência de cláusula de reajuste, mas a necessidade de o preço estar fixado em contrato, sendo de conhecimento prévio para as partes. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.930142/200913 Acórdão n.º 3302002.904 S3C3T2 Fl. 4 5 Defende o reconhecimento por parte da legislação, através do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que a aplicação de cláusula de reajuste não descaracterizaria o preço predeterminado. Alega que seus preços estariam predeterminados em contrato. A necessidade de investimentos vultosos e a assunção de uma série de compromissos a longo prazo só seriam possíveis se houvesse garantia de uma fonte previsível de receitas a longo prazo, livre do risco da oscilação de preços e da diminuição da demanda. Sendo assim, afirma que celebrou todos os contratos de fornecimento de energia baseados em “preço firme”. Transcreve parte destes contratos. Relata que esses prevêem inclusive a necessidade da empresa buscar energia no mercado caso não consiga produzila por problemas técnicos. Nesse caso terá que arcar com a diferença entre o preço de aquisição da energia no mercado e aquele predeterminado em contrato. Frisa ser o reajuste pelo IGPM, cláusula padrão, constante de todos os contratos por ela celebrados de fornecimento de energia, independente da outra parte contratante ser distribuidora, comerciante ou consumidora final de energia. Afirma que o IGPM nada mais reflete do que o reajuste de preços em função do custo de produção. Repisa o argumento de que segundo entendimento esposado pela ANEEL (Nota Técnica 224/2006), o IGPM é índice que reflete o custo de produção e, portanto, em nada altera a condição de preço acordado nos contratos iniciais. Argumenta que a correção monetária corresponde à manutenção do valor real da moeda operante no tempo, não se tratando de um acréscimo ao valor original. Assim a simples aplicação de cláusulas de reajuste de correção monetária, materializadas no caso presente pelo IGPM, não desconfiguraria de maneira alguma a natureza do preço inicialmente fixado em contrato, pela contrário, tratar seia apenas de reposição dos valor originário da moeda, corroída por diversos fatores. Interpretação diversa levaria a uma norma de efeitos temporários, de curtíssima duração. Ataca a IN SRF nº 468/2004, a IN SRF nº 658/2006 e o Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007 afirmando que teriam criado mandamentos não previstos em lei extrapolando sua competência, incorrendo em vícios manifestos de legalidade. Passa a defender a retroatividade do art. 15 da Lei nº 10.833/2003.A manutenção das receitas no regime da cumulatividade para o PIS seria aplicável desde a instituição do regime nãocumulativo do PIS, ou seja, dezembro de 2002. Pensar de forma diversa levaria a quebra na segurança jurídica, pois, nesse caso, haveria um aumento repentino da carga tributária. Ratifica seu pedido de restituição e a homologação integral das compensações declaradas. Aponta impossibilidade da cobrança dos débitos compensados com créditos referentes aos períodos de apuração janeiro e fevereiro de 2006, uma vez que esses períodos foram objeto de auto de infração (processo 11080.722655/201096), o qual estaria pendente de análise. Ao final requer a nulidade do Despacho Decisório com reconhecimento integral do crédito e conseqüente homologação das compensações declaradas ou ainda que seja proferida nova decisão pela DRF de origem. Alternativamente, caso não seja declarada a nulidade do Despacho Decisório, pleiteia a sua reforma Fl. 552DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 integral e o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. PIS. REGIME DA CUMULATIVIDADE. RECEITA. CONTRATOS A PREÇO PREDETERMINADO. EFEITOS. A possibilidade de manter no regime da cumulatividade do PIS receitas oriundas de contratos a preço predeterminado, celebrados anteriormente a 31/10/2003, produz efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Da normas próprias da Contribuição para o PIS/Pasep, depreendese do teor da Lei 10.833/03, que a autorização para permanência no Sistema de Apuração cumulativo somente passou a existir a partir de 1º de fevereiro de 2004. Como os fatos neste controvertidos ocorreram em data anterior, sua aplicação é impossível no caso concreto. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.930142/200913 Acórdão n.º 3302002.904 S3C3T2 Fl. 5 7 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; (...) Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 09 de dezembro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 554DF CARF MF Impresso em 30/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10880.915911/2008-94
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA
O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo.
VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO
Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus.
Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3802-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado.
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 11 /2 00 8- 94 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 102), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1630.822, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo –DRJ/SP1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra a referida Recorrente. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1, por falta de crédito no DARF da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 31/10/1999). O Valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito compensado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 24.435,37 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e no art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915911/200894 Acórdão n.º 3802001.943 S3TE02 Fl. 104 3 prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base de compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer a emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. Não acatando as razões aduzidas pela Recorrente na instância a quo, a 9ª Turma da DRJ/SP1, resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Vejase: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência do direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. A alegação de existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/10/1999 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÕES SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 59 e seguintes) pleiteando a nulidade do Acórdão recorrido, alegando que a decisão foi construída com base em premissas confusas e obscuras, bem como enfatizando o direito que ampara seu pedido, consubstanciado na equiparação das vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações – o que explicita ter ocorrido recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre as receitas daí oriundas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar o Acórdão (fl. 102), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega haver indevidamente submetido à tributação por PIS e COFINS as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. Preliminar Como questão preliminar aduzse a nulidade do Acórdão recorrido, por haver sido “construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto”. O art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo tributário administrativo em âmbito federal, traz como uma das causas de nulidade a preterição do direito de defesa. No entanto não vislumbro no caso nulidade do Acórdão, especialmente porque a decisão recorrida traz um argumento escalonado para não acolher o pleito do contribuinte, a saber: a) a impossibilidade de se reconhecer o direito de crédito à Recorrente, diante da Solução de Divergência Cosit nº 07, que limitaria as isenções a apenas alguns produtos, não sendo genérica para qualquer venda realizada para a Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 14 da MP 203725; b) ultrapassada a questão acima, a inexistência de comprovação da materialidade do crédito em termos concretos. O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso (ou mesmo, ao seu ver, lacônico), não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915911/200894 Acórdão n.º 3802001.943 S3TE02 Fl. 105 5 Tanto assim que a Recorrente não só identificou os fundamentos do Acórdão, como o presente Recurso ataca o ponto que parece mais sensível ao contribuinte – a existência, ao seu ver, de exoneração de PIS e COFINS sobre as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Desse modo, não acolho o argumento de nulidade do Acórdão. Vale o aforismo jurídico: pas de nullité sans grief. Mérito Quanto ao mérito, o ponto nodal referese à existência, ou não, de exoneração de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. A celeuma tem origem no fato de o art. 40 do ADCT/88 (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) ter estendido para o ordenamento constitucional de 1988 o regime tributário da Zona Franca em Manaus, nos seguintes termos: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Esse regime tributário, como cediço, teve início por intermédio do Decretolei nº 288/67, porém seguramente a determinação constitucional estende toda a exoneração fiscal existente no ordenamento anterior para o Sistema Tributário atual. Esse é o comando expresso do art. 40 do ADCT, cujo prazo veio a ser prorrogado por mais 10 anos por força do art. 92 das mesmas Disposições Constitucionais. A discussão que pode ser travada é quanto à interpretação da expressão das características “de exportação” sobre a Zona Franca de Manaus, especialmente diante da imunidade constitucional que as exportações possuem sobre as contribuições especiais. De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF, que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº. 2, do CARF, impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e da COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória nº 2.037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADIMC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 quinta reedição da MP nº 2.037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP nº 2.037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP nº 2.03725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP nº 2.03725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP n° 2.037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADIMC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP nº 2.037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP nº 2.037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Conclusão Destarte, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915911/200894 Acórdão n.º 3802001.943 S3TE02 Fl. 106 7 Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10215.000463/2002-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal comprovação só é admissível até o momento de encerramento da ação fiscal, ressalvada a hipótese de restar demonstrado que os depósitos se tratam de rendimentos não sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, na parte em que teve seguimento. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Lopez Martinez que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal comprovação só é admissível até o momento de encerramento da ação fiscal, ressalvada a hipótese de restar demonstrado que os depósitos se tratam de rendimentos não sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, na parte em que teve seguimento. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Lopez Martinez que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 04 63 /2 00 2- 80 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10215.000463/200280 Acórdão n.º 9202003.684 CSRFT2 Fl. 675 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 2201001.081, da 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (efls. 589 a 600), julgado na sessão plenária de 16 de agosto de 2012, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo relativa ao anocalendário de 1999 o valor de R$ 807.000,00. O Acórdão vergastado se encontra assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999, 2000, 2001 Ementa: CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. DEFESA. NULIDADE. Não há que se falar em preterição do direito de defesa se o contribuinte não faz prova dos fatos que o impediram de contestar as acusações que lhe foram imputadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF n. 26) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10215.000463/200280 Acórdão n.º 9202003.684 CSRFT2 Fl. 676 3 Não cabe o lançamento com base no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, quando claramente identificado o depositante, devendo ser aplicada a tributação específica aplicável ao tipo de rendimento, se for o caso. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (efls. 604 a 611), onde defende que: a) a presunção de omissão de rendimentos em favor do Fisco só é elidida com a comprovação idônea e contundente da origem dos depósitos bancários, com coincidência de datas e valores, sendo que o acórdão recorrido excluiu os depósitos de fls. 223, 224, 229 e 230 (efls. 229, 230, 235 e 236), no valor de R$ 807.000,00, somente porque estes indicavam os respectivos depositantes, sem coincidência de datas e valores, estabelecendose clara divergência em relação ao seguinte Acórdãoparadigma, assim ementado: Acórdão . DECADÊNCIA – AJUSTE ANUAL – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e artigo 5º da Instrução Normativa SRF nº 94, de 1997, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO – RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001 – Não há vedação à constituição de crédito tributário decorrente de procedimento de fiscalização que teve por base dados da CPMF. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicandose, no caso, a hipótese prevista no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA –DEPÓSITOS DE VALOR INDIVIDUAL INFERIOR A R$ 12.000,00 TRATAMENTO – Nos lançamentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser desprezados os depósitos de valores individuais Fl. 676DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10215.000463/200280 Acórdão n.º 9202003.684 CSRFT2 Fl. 677 4 inferiores a R$ 12.000,00, quando sua soma, no ano, não ultrapasse a R$ 80.000. Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso parcialmente provido. b) Ainda, insurgese a Fazenda Nacional contra a aceitação da comprovação da origem dos depósitos bancários, após a fase de autuação, sem garantia de tratarse de valores fora do campo da tributação. Alega a recorrente que, enquanto o acórdão recorrido aceitou a vinculação de depósitos com valores tributáveis não provados na fase de autuação, o paradigma expressa o entendimento de que, na impugnação ou recurso voluntário, somente se afasta a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por meio de comprovação de valores fora do alcance do campo de tributação, estando assim ementado: Acórdão 10617.093 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. INEXISTÊNCIA– HIGIDEZ DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caso o contribuinte faça a provada origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da Fl. 677DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10215.000463/200280 Acórdão n.º 9202003.684 CSRFT2 Fl. 678 5 origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Recurso voluntário negado. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 614 a 622, exclusivamente quanto a matéria relativa ao momento de comprovação da origem dos recursos, assim entendida procedência, com coincidência de datas e valores. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 633 a 639, onde defende tratarse de matéria já superada pelo Acórdão CSRF no. 9.202002.614 e ressalta ter sido comprovada, em seu entendimento, a origem dos recursos, em linha com o defendido pelo recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Não vislumbro, aqui, qualquer superação da tese do recorrente em litígio a partir da ementa do Acórdão mencionado pelo autuado em sede de contrarrazões. Discutese lançamento de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, mais especificamente no que diz respeito à sua comprovação ou não de origem através de documentação hábil e idônea e ao momento em que tal comprovação poderia ser efetuada. No julgamento de 2a instância, considerouse que a partir da simples identificação dos depositantes estaria comprovada a origem de determinados depósitos, cabendo, assim, consequentemente, à fiscalização aprofundar a investigação e inaplicável, a partir de tal identificação, a presunção constante do art. 42 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme se depreende dos seguintes excertos do Voto Vencedor: “ (...) Por outro lado, em relação à alegação de que há depósitos que correspondem a créditos efetuados pelas empresas das quais o Recorrente era procurador, tenho para mim que comprovam tais transferências os seguintes documentos: fls. 223 (transferência de R$60.000, 00 em 23/06/1999 por Frango Modelo S.A.), fls. 224 (cheque nominal sacado no caixa no valor de R$ 545.000,00 em 11/06/1999, emitido por Frango Modelo S.A.), fls. 229 (transferência de R$ 27.000 00 em 16/09/1999 por Beira da Mata S.A.) e fls. 230 (cheque nominal sacado no caixa no valor de R$ 175.000 00 em 11/06/1999, emitido por Frango Modelo S.A., que somado ao de fls. 224 formam o depósito de R$ Fl. 678DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10215.000463/200280 Acórdão n.º 9202003.684 CSRFT2 Fl. 679 6 740.000,00 efetuado em 11/06/1999 e que foi objeto da autuação conforme auto de infração de fls. 106). Nos casos em que os depósitos bancários correspondem a operações nas quais o depositante está claramente identificado (i.e. DOC, TED, etc.), tenho me manifestado que não cabe a aplicação da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, na medida em que foi comprovada a origem do depósito. Nessas situações cabe à autoridade fiscal apurar se a operação em questão (transação efetuada) constitui hipótese de aplicação de outro dispositivo — por exemplo omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, na medida em que não se faz mais necessária a presunção, devendo por expressa determinação do parágrafo 2° do art. 42 acima transcrito ser aplicada a tributação específica. No caso dos autos identifico claramente tal situação fática, na medida em que os documentos acima listados correspondem a documentos de transferência bancária e cheques nominais, estando claramente identificados os depositantes/emitentes dos cheques. Destarte para estes depósitos não pode prosperar a tributação com base em depósito sem origem comprovada. (...)” Ainda que não se trate de matéria sob litígio, julgo oportuno inicialmente expressar meu entendimento acerca do que se deve entender como “comprovação de origem” e acerca de seu respectivo ônus probatório, na sequência me referindo ao caso específico dos autos. Entendo, inicialmente, que caberia exclusivamente ao contribuinte, a partir da presunção legal estabelecida em favor do Fisco pelo art. 42, da Lei no 9.430, de 1996, o ônus de elidir a incidência da presunção de omissão de rendimentos, necessariamente mediante a comprovação da origem dos créditos bancários sob análise, através de documentação hábil e idônea. Ressalto aqui que, em meu entendimento, por “comprovação de origem” há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Vejase que somente diante de tal informação, contemplando necessariamente a natureza do recebimento, informação esta, em meu entendimento, de ônus exclusivo do contribuinte a par da presunção estabelecida, poderia a autoridade fiscal identificar e aplicar a tributação específica, na forma constante do §2o. do mesmo art. 42, aplicação esta inclusive defendida pelo voto condutor do recorrido. A propósito, cediço que a mera indicação da procedência do recurso termina por manter indefinida qual seria a tributação específica aplicável ao montante recebido, devendose rejeitar, em meu entendimento, que o legislador, ao mencionar “valores cuja origem houver sido comprovada” no âmbito do referido §2o., estivesse a se satisfazer com a mera indicação de procedência, condicionando, assim, a aplicação do dispositivo a uma etapa posterior de identificação da natureza dos recursos, de responsabilidade da Fiscalização, com a Fl. 679DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10215.000463/200280 Acórdão n.º 9202003.684 CSRFT2 Fl. 680 7 devida vênia a este entendimento, esposado, inclusive, por muitos dos membros deste Conselho. Feitas tais considerações, me alinho, inicialmente, agora quanto ao momento de comprovação, como já mencionei em outras ocasiões, à interpretação do recorrente no sentido de que a comprovação de origem (abrangendo a natureza da operação que originou o rendimento) devese dar no curso da ação fiscal, ou seja, que tem como limite temporal o momento do encerramento da referida ação, revestindose de plena legalidade o lançamento efetuado com base no mencionado art. 42, quando não houver sido comprovada, até o encerramento da ação fiscal, a origem dos recursos, aqui inclusa a sua natureza. Excetuo de tal limitação somente, novamente em linha com o pleito recursal e, agora, em ponderação com o princípio da verdade material, os casos em que os rendimentos recebidos restem comprovados como fora da incidência do Imposto sobre a Renda em sede impugnatória ou recursal. Agora, atendome agora mais especificamente ao caso dos autos e à matéria sob litígio, faço notar que entendo que, mesmo que se considere como comprovação de origem a mera indicação de procedência dos recursos acompanhada de documentação hábil e idônea (conforme admitido pelo vergastado e já transitado em julgado), é de se defender que, também nesta hipótese, é o encerramento da ação fiscal o momentolimite para indicação de tal “origem”, exceto no caso em que se comprove, em sede impugnatória ou recursal, que está a se tratar, no crédito, de rendimentos nãotributáveis recebidos (hipótese não aplicável quando se identifique a mera procedência dos recursos, tal como nos autos). Sustento tal posicionamento ao observar que: a) De outra forma, passaria a se inquinar de ilegalidade (ao menos parcialmente) a constituição de crédito tributário feita em plena observância ao princípio da legalidade, utilizandose de presunção legalmente estabelecida e indiscutivelmente à disposição da autoridade autuante quando do lançamento, uma vez, notese que ali não havia sido comprovada, através de documentação hábil e idônea, a origem (a meu ver, procedência) dos recursos. Notese, ainda, que, aqui, quando da adoção do encerramento da ação fiscal como momentolimite de comprovação, ou sejam mesmo quando da aceitação da tese de comprovação de origem mediante mera comprovação de procedência, com a comprovação realizada somente em sede recursal e, assim rejeitada por extemporânea, não há que se falar de qualquer violação ao princípio da verdade material, uma vez que não há, nos autos, até o presente instante inclusive, como se identificar qual seria a correta tributação específica aplicável aos valores recebidos de efls. 229, 230, 235 e 236, suportados por documentação bancária bastante singela. Ainda, garantese a plena observância aos art. 16, §4o. e 17 do Decreto no. 70 235, de 06 de março de 1972. Rejeito ainda, terminantemente, possível consectário prático adicional que surgiria, no caso da adoção da tese da origem se confundir com procedência e caso, adicionalmente, se encampasse posicionamento contrário a esta limitação temporal de comprovação, qual seja: ter de se aceitar, quando da comprovação em sede impugnatória ou recursal da “origem” (considerada como sinônimo de procedência), que fosse possível que a Administração estivesse, naquele momento, impedida, pela fluência do prazo decadencial e/ou outras considerações de natureza prática (localização da fonte pagadora e de documentação Fl. 680DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10215.000463/200280 Acórdão n.º 9202003.684 CSRFT2 Fl. 681 8 suporte) de identificar e realizar a tributação específica de rendimentos tributáveis eventualmente omitidos, recebidos por depósitos cuja origem haja somente naquele instante sido comprovada, na forma do art. 42, §2o. da Lei 9.430, de 1996. Entendo como insustentável, sob uma ótica teleológica, qualquer interpretação que respalde esta(e) possível conseqüência (impedimento) e, destarte, mesmo para os que entendem ser ônus da Administração a comprovação da natureza da operação (hipótese já transitada em julgado nos autos), concluo que se deva limitar tal ônus até o momento de encerramento da ação fiscal, vedado seu estabelecimento em sede impugnatória ou recursal, quando da posterior indicação de procedência realizada pelo autuado. Assim, mesmo se adotando a tese da comprovação da origem coincidir com a comprovação da procedência dos recursos, entendo que o momentolimite para esta comprovação pelo contribuinte, através de documentação hábil e idônea, é o momento do encerramento da ação fiscal, vedada a comprovação posterior, excetuados os casos em que tal comprovação demonstre se tratarem de rendimentos fora da incidência do IRPF (o que não se aplica aos autos), conforme Acórdãoparadigma colacionado pela recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, para reformar o recorrido, julgando procedente o lançamento efetuado, uma vez que a comprovação de procedência através de documentação hábil e idônea dos recursos exonerados pelo Colegiado a quo foi efetuada somente após o encerramento da ação fiscal. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 681DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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