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Numero do processo: 10665.001004/2010-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996
JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. ESPECIALIZAÇÃO POR MATÉRIA.
A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. Tratando-se de compensação em que o crédito alegado é originado de recolhimentos a maior da contribuição para o PIS, a lide deve ser apreciada pela Terceira Seção de Julgamento do CARF.
Numero da decisão: 1301-001.228
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer
do recurso voluntário e declinar competência para a 3ª Seção de Julgamento.
Nome do relator: Waldir veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. ESPECIALIZAÇÃO POR MATÉRIA. A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. Tratandose de compensação em que o crédito alegado é originado de recolhimentos a maior da contribuição para o PIS, a lide deve ser apreciada pela Terceira Seção de Julgamento do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário e declinar competência para a 3ª Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 10 04 /2 01 0- 25 Fl. 133DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16297.J0GS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10665.001004/201025 Acórdão n.º 1302001.228 S1C3T2 Fl. 134 2 Relatório DROGARIA SÃO JOSÉ LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0243.150, de 11/03/2013, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de compensação de valores recolhidos ao PIS com base nos DL 2.445/88 e 2.449/88, conforme PERDCOMP abaixo relacionados: • 27182.39221.311007.1.3.540406 • 27126.07845.300108.1.3.540930 • 19118.92880.230408.1.3.545047 • 30899.50499.210708.1.3.540850 • 28758.00325.211008.1.3.540407 O direito creditório pleiteado originase da Ação Ordinária nº 2000.38.00.0206470, distribuída junto à 20ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, com o objetivo de se eximir da cobrança da contribuição para o Programa de Integração social — PIS, de modo diverso do previsto no art. 3°, "b", da Lei complementar 07/70, com as alterações promovidas pela Lei Complementar 17/73, bem como lhe fosse assegurado o direito de compensar, sem as restrições impostas pelas Leis n''s 9.032/95 e 9.129/95, os valores recolhidos a maior com parcelas vencidas e vincendas da mesma contribuição e de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, corrigidos monetariamente, incluídos os expurgos inflacionários e juros legais. Em sede de juízo monocrático o pedido foi julgado parcialmente procedente nos seguintes termos: Ante o exposto, acolho parcialmente a preliminar suscitada, reconhecendo atingidas pela decadência as parcelas anteriores a 17.07.90, e JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO para declarar o direito das Autoras à compensação dos valores recolhidos indevidamente a titulo da Contribuição ao PIS, decorrentes da inaplicação da base de cálculo estatuída no parágrafo único do art. 6° da Lei Complementar n° 07/70, no período compreendido entre 17.07.90 e 28.11.95 (advento da MP n° 1.212/95) e nos limites lançados nos documentos comprobatórios anexados aos autos, com parcelas vencidas e vincendas de quaisquer outros tributos federais sob a administração da Secretaria da Receita Federal, nos termos do art.1° do Decreto n° 2.138/97, devendose observar, outrossim, que a compensação fica limitada aos percentuais mensais estabelecidos pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95, exceto em relação aos créditos constituídos anteriormente vigência desses textos de Fl. 134DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16297.J0GS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10665.001004/201025 Acórdão n.º 1302001.228 S1C3T2 Fl. 135 3 lei, (STJ — 2ª Turma — Recurso Especial n° 153.804, Rel. Ministro Ari Pargendler, DJ 2 de 212/98, pág.104). A atualização do indébito deverá ser feita com base nos índices oficiais, aplicandose o IPC e, a partir da promulgação da Lei n° 8.177/91, o INPC, e a partir de janeiro de 1992, a UFIR, conforme entendimento pacificado pelo STJ (REsp n° 180619/SP, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ de 07.06.99 e REsp n° 180453/PE, ReL Min. José Delgado, DJ de 23.11.98), com a inclusão dos expurgos inflacionários do IPC, nos termos da Súmula n° 41 do TRF1a Região, desde a data de cada recolhimento indevido, mais juros de mora, nos termos do art. 167 parágrafo único, do CTN, calculados pelo sistema SELIC, nos termos do art. 39, §4°, da Lei n° 9.250/95. Deixo de condenar as partes em custas e honorários advocatícios, face da sucumbência recíproca.” A sentença foi submetida ao reexame necessário, com interposição de recurso de apelação pela Fazenda Nacional, tendo o TRF1ª Região negado provimento ao apelo e à remessa. Posteriormente, o STJ negou seguimento a Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, tendo tal decisão transitado em julgado, conforme certidão datada de 21/06/2005 (vejase cópia de Certidão de Inteiro Teor, fl. 84). Tendo procedido à apuração do direito creditório reconhecido nos autos da ação nº 2000.38.00.0206470, a autoridade jurisdicionante, através do Despacho Decisório Saort/DRF/DIV (fls.95/97), de 1 de julho de 2010, manifestouse quanto às compensações declaradas, nos seguintes termos: • homologou integralmente as DCOMP de n's. 27182.39221.311007.1.3.540406, 27126.07845.300108.1.3.540930 e 19118.92880.230408.1.3.545047; • homologou parcialmente a DCOMP n° 30899.50499.210708.1.3.540850 e • não homologou a DCOMP n°28758.00325.211008.1.3.540407. Informa a DRF de origem ter apurado valor de direito creditório(R$ 39.046,79 atualizado até Maio/2010) inferior ao valor apurado pela contribuinte (R$ 45.108,95, atualizado até maio/2010). Cientificada do despacho decisório em 05/08/2010 (fl.107), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 20/08/2010 (fls. 108/112) e documentos seguintes, alegando em síntese que: • O valor do crédito apurado pela DRF/Divinópolis sofreu apenas atualização monetária, faltando a ele ser acrescido o montante correspondente aos juros, definidos em sentença, na razão de 1% ao mês, contados a partir do trânsito em julgado, conforme disposto no parágrafo único do art. 167 do CTN. • As restituições devem levar em conta para fins de incidência de atualização monetária, as datas dos respectivos recolhimentos, impondose, assim, a incidência prorata do respectivo índice, sob pena de reconhecer direito creditório por valor inferior ao efetivamente devido. Fl. 135DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16297.J0GS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10665.001004/201025 Acórdão n.º 1302001.228 S1C3T2 Fl. 136 4 • as importâncias devidas à União Federal a título de PIS somente podem ser exigidas nos 5 (cinco) anos anteriores à formalização do Pedido de Compensação. Uma vez que a Fazenda Nacional deixou de formalizar, via lançamentos, essas exigências, não pode agora, em sede de compensação, creditarse por valores vencidos a mais de cinco anos, sob pena de violação ao art. 173, do Código Tributário Nacional. A 1ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0243.150, de 11/03/2013 (fls. 120/125), consideroua improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1990 a 30/11/1995 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SELIC A aplicação da Taxa Selic a partir de 01/01/1996, na atualização do direito creditório, abrange tanto a recomposição do valor da moeda como os juros propriamente ditos, afastando assim a aplicação de qualquer outro indexador ou taxa de juros. COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. No cálculo do direito creditório reconhecido judicialmente e executado na via da compensação deverão ser abatidos os valores dos tributos efetivamente devidos à época, pois, a exclusão destes valores configuraria enriquecimento sem causa à custa da União. Ciente da decisão de primeira instância em 20/03/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 126, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/04/2013 conforme carimbo de recepção à folha 127. No recurso interposto (fls. 127/130), a interessada repisa seus argumentos, em especial no que tange ao cálculo dos juros incidentes sobre seus créditos e ao pedido de afastamento da compensação, feita pela Autoridade Administrativa, com tributos (por sua ótica) alcançados pela decadência e prescrição. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Antes de me manifestar sobre o conhecimento, ou não, do recurso voluntário, necessário se faz investigar se a matéria em discussão se encontra entre aquelas afeitas a esta Primeira Seção de Julgamento do CARF, à luz dos artigos 1º a 7º do Anexo II do Regimento Interno vigente (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Transcrevo, a seguir, os dispositivos regimentais sob análise. Fl. 136DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16297.J0GS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10665.001004/201025 Acórdão n.º 1302001.228 S1C3T2 Fl. 137 5 Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma dos arts. 2° a 4° da Seção I. Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. [...] Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; [...] Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver Fl. 137DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16297.J0GS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10665.001004/201025 Acórdão n.º 1302001.228 S1C3T2 Fl. 138 6 lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. [...] Como se pode constatar do relatório que antecede este voto, o presente processo trata de declarações eletrônicas de compensação (DCOMP), nas quais os créditos alegados têm origem em ação ordinária já transitada em julgado perante a Justiça Federal em Minas Gerais. A discussão travada junto ao Poder Judiciário versou sobre recolhimentos indevidos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), e é certo que o montante creditório ora trazido à compensação deve ser apurado à luz da legislação que rege essa contribuição e da decisão judicial proferida no caso concreto. O art. 7º do RICARF e seu parágrafo primeiro, acima transcritos, c/c o art. 4º, inciso I, não deixam qualquer dúvida. A especialização por matéria atribuída às Seções de Julgamento deste CARF impõe que a presente lide seja julgada pela Seção competente para apreciar a aplicação da legislação da contribuição para o PIS, qual seja, a Terceira Seção de Julgamento. Diante do exposto, voto por não conhecer do presente recurso voluntário e declinar competência para a Terceira Seção de Julgamento deste CARF. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 138DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.16297.J0GS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013 12:01:19. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 13/11/2013 e WALDIR VEIGA ROCHA em 11/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.1018.16297.J0GS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 19647B9BB4781ABDF2895A8B1601F5CA116ABE59 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10665.001004/2010-25. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 19515.723039/2012-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, (i) estabelecer que o voto vencedor discutido no recurso, em relação à multa qualificada, é do relator do acórdão recorrido, o conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa, que entenderam ser do redator designado para o referido acórdão, o conselheiro Antônio Bezerra Neto; e (ii) converter o julgamento do recurso em diligência para saneamento dos autos, com abertura de novo prazo para interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional e apresentação de contrarrazões pela Contribuinte, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que entenderam não ser possível a conversão do julgamento em diligência. Votou pelas conclusões, em relação à conversão em diligência, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo e Luís Flávio Neto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator "ad hoc"
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, (i) estabelecer que o voto vencedor discutido no recurso, em relação à multa qualificada, é do relator do acórdão recorrido, o conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa, que entenderam ser do redator designado para o referido acórdão, o conselheiro Antônio Bezerra Neto; e (ii) converter o julgamento do recurso em diligência para saneamento dos autos, com abertura de novo prazo para interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional e apresentação de contrarrazões pela Contribuinte, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que entenderam não ser possível a conversão do julgamento em diligência. Votou pelas conclusões, em relação à conversão em diligência, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo e Luís Flávio Neto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator "ad hoc" RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 23 03 9/ 20 12 -7 9 Fl. 6101DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.101 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Na condição de relator "ad hoc" para formalização da presente decisão, cumpre observar que os parágrafos que seguem foram elaborados pela i. Doutora Daniele Souto Rodrigues Amadio, relatora originária dos autos que não mais integra o Colegiado. Tratamse de autos de infração (Efls. 5097 ss.) lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2008, sob a acusação fiscal de ausência de tributação do apontado ganho de capital auferido com a alienação de 40% da participação acionária da Nacional Minérios S.A. (Namisa) pela contribuinte, acrescidos de multa qualificada de 150%, em razão da classificação do negócio como simulado, conforme descrito pelo Termo de Verificação Fiscal (Efls. 5067 ss.), com a licença da longa transcrição para melhor refletir o objeto da autuação: Fl. 6102DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.102 3 Fl. 6103DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.103 4 Fl. 6104DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.104 5 Fl. 6105DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.105 6 Fl. 6106DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.106 7 Fl. 6107DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.107 8 Fl. 6108DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.108 9 Fl. 6109DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.109 10 Fl. 6110DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.110 11 (...) (...) (...) (...) (...)” Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnações conjuntas (Efls. 5115 ss. e 5524 ss.), resumidas pelo relatório do acórdão recorrido, o qual se aproveita nesta oportunidade. Leiase: Fl. 6111DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.111 12 “(…) 3. O Contribuinte (CSN) tomou ciência da corrente autuação em 28/12/2012, sexta feira (fls. 5098, 5103, 5106, do caso CSN), e trouxe sua insurgência em 30/01/2013 (fls. 5115/5.217 do caso CSN). Alega: 3.1. Tempestividade da peça. 3.2. Explica ter sido conduzido e concluído o presente procedimento fiscal junto a si, digase, Companhia Siderúrgica Nacional (controladora) e frente a Nacional Minérios S.A. (controlada), disso resultando autuações distintas: a) Na primeira (CSN) – autos sob nº 19515.723039/201279 –, sob o pálio de omissão de ganho de capital, esse supostamente experimentado quando investidores estrangeiros, por meio de Big Jump Energy Participações S.A. (d’ora em diante, apenas Big Jump), adquirem, com sobrepreço e sob a modalidade jurídico contratual de compra e venda, participação societária da CSN na NAMISA; e b) Na segunda (NAMISA) – autos sob nº 19515.723053/201272 –, sob a escusa de possível aproveitamento indevido de amortização de ágio, assim iniciado – dito aproveitamento – a partir do momento em que NAMISA incorpora Big Jump. 3.3. Dizia o Contribuinte (CSN): [...] (destaques do original) 3.4. Pondera sobre o depósito do importe de R$ 7,28 bilhões ‘em contacorrente da Namisa em integralização de capital, e por ela transferidos à Impugnante [leiase CSN] como antecipações de pagamento por conta dos contratos firmados para prestação de serviços de porto e fornecimento de minério’5 (destaques do original), recursos esses vindos de Big Jump. Observa que ditos contratos de prestação de serviços e fornecimento de minério seriam dignos de fé, a tanto que ‘regularmente cumpridos pela CSN’. No particular e para efeito de controle/execução da avença, em última linha diz que se o preço d’um dado serviço/fornecimento, a cargo da CSN, fosse X, a NAMISA pagaria por isso àquela o importe de XY, e, ao mesmo tempo, a própria CSN abateria Y do total que antes lhe fora antecipado pela NAMISA. Ainda, registra que a CSN remuneraria com juros a NAMISA pelo total que essa última lhe antecipara a título de contraprestação por serviço/fornecimento futuro – parte em espécie, parte com acréscimo do crédito originalmente formado junto à CSN e à conta da multicitada antecipação de pagamento. 3.5. Para o deslinde dos autos contra a CSN, de importância nenhuma seria cogitar/julgar o papel de Big Jump em todo o ocorrido, certo que a questão Fl. 6112DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.112 13 giraria em torno de saber sob que manto jurídico se teria dado o ingresso de numerário estrangeiro (via Big Jump) no país. Por outra, caberia apenas distinguir se dito numerário veio para adquirir participação societária na NAMISA: (1) via subscrição/integralização de capital nessa última (versão defendida pela CSN), ou (2) via compra e venda de porção do investimento (posição societária) detido pela CSN naquela (versão da Fiscalização). 3.6. Que a circunstância de fatos relevantes serem noticiados e, nessa oportunidade, anunciarem a alienação de participação societária detida pela CSN na NAMISA deveria ser interpretada com restrição, certo que o destinatário de tais publicações seria, de ordinário, o público leigo, não especialista na matéria (menciona, a propósito, que o art. 3º, § 5º, bem que a ementa do art. 12, todos da Instrução CVM nº 358, de 3 de janeiro de 2002, assim ditariam). Em verdade, o negócio enfim vingado – e desde o início guarderseia tal perspectiva – teria sido a integralização de capital, via Big Jump, na NAMISA, e não a compra direta e junto à CSN de posição societária na NAMISA. Aliás, outra não seria a conclusão extraível das próprias letras do Termo de Verificação Fiscal de fls. 5.067/5.093 (caso CSN), especialmente dos parágrafos insertos no seu tópico “3.1 – DO ANÚNCIO DA VENDA DE 40% DO CAPITAL VOTANTE E TOTAL DA NAMISA”. Dizia o Contribuinte (CSN): [...] 3.7. Que não se prestaria à descaracterização da ocorrente alienação/aquisição de participação societária na NAMISA, via subscrição/integralização de capital, a circunstância de, num só dia (30/12/2008, na espécie), o capital ali aportado pela Big Jump ser, ato contínuo, transferido para a CSN. De uma, que tal seria o resultado culminante d’um processo de negociação já espraiado no tempo. A duas porque, ao contrário do que infere a Fiscalização, tal não significaria, em linha última, algum tipo de capitalização da CSN, certo que, com base nos contratos firmados entre essa última e a NAMISA (com a primeira a prestar serviços e fornecer de minério de ferro, tudo a tempo futuro, para a segunda), Fl. 6113DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.113 14 abrirseiam respectivamente, uma conta de ativo na NAMISA (pela antecipação de numerário) e uma de passivo na CSN (pelo recebimento antecipado de numerário), sendo certo que intacto ficaria o capital da NAMISA (pelo lado consequente, o capital da CSN também não teria sido modificado). Dizia o Contribuinte: 3.8. Que os contratos de prestação de serviço e fornecimento de minério de ferro firmados entre CSN e NAMISA se justificariam sob uma perspectiva de integração vertical, certo que de nada adiantaria aos investidores estrangeiros (atores, eles também, no mercado internacional de minério) adquirir posição acionária nessa última sem que garantido fosse o escoamento do próprio bem objeto das avenças (minério de ferro) até os possíveis portos de exportação. Agora, sobre o preciso ponto em que a Fiscalização questiona a verossimilhança do tanto pactuado (a dizer, dúvida posta quanto à formatação do negócio, tais, o adiantamento do preço do serviço/fornecimento, sua remuneração via juros), instaria lembrar que CSN e NAMISA não foram os únicos intervenientes no dito ajuste, em que presentes, também, a vontade de outros sete atores (seis pessoas jurídicas japonesas e uma coreana), todos independentes quer em relação à CSN, quer face à NAMISA. Ainda, ao contrário do que afirma a Fiscalização, os contratos de que se cuidam, pelos seus próprios termos, não criariam situação desfavorável a quaisquer das partes. Disso tudo, no espaço dos contratos ora discutidos, haveria de se reconhecer que na sua gênese rendeuse respeito ao princípio do arm’s length price. Tudo isso, ainda, sem deixar de criticar (pelo viés da nulidade) a atuação da Fiscalização que, sobre autuar a CSN e no preciso tema dos referidos contratos, levantou informações em face da NAMISA (com essa dialogou), e não junto à própria CSN. 3.9. Ainda no terreno da natureza jurídica da aquisição de participação societária na NAMISA, isso por parte de Big Jump, admitida fosse a versão da Fiscalização (compra e venda de posição acionária da CSN, e diretamente em face dessa última, assim detida junto à NAMISA), mesmo assim a autuação (caso CSN) seria impertinente. Nesse cenário, certo que o Contribuinte (CSN), sob a perspectiva de realização no tempo do tanto pactuado, vem de reconhecer porção do que lhe fora adiantado como receita (conforme dito passar do tempo), e oferta isso à tributação, recolhidos IRPJ e CSLL incidentes, o caso seria de postergação de pagamento. Nessa linha, a autuação (caso CSN), no que atina à sua quantificação, estaria comprometida. Nula, pois. Dizia o Contribuinte (fl. 5.196, caso CSN): Fl. 6114DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.114 15 3.10. Sobre Big Jump constituir, de per si, um simulacro, nega, até com fundamento no que já antes ponderado, a hipótese de que consciência e vontade foram postas a produzir o engodo. Não teria ocorrido falseamento algum; quer absoluto, quer relativo. Especificamente, ainda que ‘não existisse a referida sala 85A no 3º andar do edifício situado no número 247 da Rua Consolação no período em que a Big Jump existiu e funcionou’, certo que dita pessoa jurídica se constituiu numa “holding pura”, desnecessário qualquer instalação física para a execução de seu objeto social, a dizer, “a gestão e a comercialização de bens próprios e a participação em outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, na qualidade de sócia, acionista ou quotista”, para o que suficiente seria, e é, uma pessoa natural com poder de presentação, tais “funcionários da Itochu BR, subsidiária de uma das seis consorciadas da BRASIL JAPAN IRON ORE CORPORATION, sócia controladora da Big Jump)”. De toda forma, ainda assim mais assevera o Contribuinte (CSN): 3.10.a) A Fiscalização não teria produzido prova de inexistência da referidac’sala nº 85A’ à data em que Big Jump era operacional, certo que diligência feita a tal propósito (do que resultaram fotos onde não se vislumbram numeração/divisão em alas) se deu em período posterior à incorporação de Big Jump pela NAMISA (lembra que Big Jump, segundo seus documentos de constituição, existiu no período de 10/03/2008 a 30/07/2009). D’outra, a informação prestada por H. Lara Representação e Administração Ltda., proprietário/locador do locus em questão, sobre apontar como locatários do dito espaço e no período investigado, d’um lado, Machado Meyer, Sendacz e Opice Advogados e, d’outro, Esferatur Passagens e Turismo Ltda., e, ainda, sobre se afirmar inexistir a sala 85A, pondera, primeiro, que tal informação é consentânea com o fato de o escritório de advocacia em referência ter levado a cabo a constituição da pessoa jurídica Big Jump e a ela (bem como a seus sócios) prestar serviços, e, segundo, que seria natural ao locador desconhecer a instalação de divisórias (tal a hipótese de disposição de salas/alas pelo andar), certo que não previsto em contrato quer a sua notificação, quer a vedação de sua postura. A dizer, portanto, que afastada ficaria a hipótese do art. 41, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007. Quando muito, poderseia argumentar apenas no sentido d’uma mera irregularidade cadastral. 3.10.b) Tivera vida, sim, Big Jump. A demonstrálo estariam, desde o ato primeiro de integralização de seu capital (com respeito ao art. 80, inciso II, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), atas de assembleias, contratos de câmbio, transferências de ações, pagamento de impostos, movimentações em conta corrente bancária, aplicações financeiras, contratação de serviços, pagamento de dividendos, aporte de numerário expressivo vindo de investidores Fl. 6115DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.115 16 estrangeiros. Tudo, enfim, a revelar capacidade operacional e patrimonial de Big Jump. A dizer, portanto, que afastada ficaria a hipótese do art. 41, incisos I e III, da IN RFB nº 748, de 2007. 3.11. Ainda na questão retro, acresce o Contribuinte (CSN) que a finalidade da Big Jump era viabilizar, no país e próximo ao negócio portanto, a articulação/coordenação de sete vontades/interesses de pessoas jurídicas estrangeiras distintas (seis de nacionalidade japonesa e uma coreana) junto à própria CSN e à NAMISA, tudo com vistas ao objeto participação societária e contratos correlatos e subsequentes. Uma holding nacional, de certo, bem se prestaria a um tal desiderato. Enfim, Big Jump tivera um só e específico propósito: “adquirir e gerir o investimento na Namisa”. Não fosse assim, no limite, terseiam não um, mas sete distintas negociações e respectivas réplicas documental cartorário administrativas. Isso tudo sem dizer dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, verdadeiros indutores de negócios que tais, na exata medida do benefício/incentivo fiscal consistente na dedutibilidade de eventual ágio aí pago, ou, por outra, normativos “cuja função foi e é estimular o investimento externo em empresas brasileiras”. 3.12. Descabida seria a imputação de multa qualificada (ao patamar de 150%), certo que não caracterizada quaisquer de suas hipóteses de incidência, seja pelo viés da simulação, seja pelo da fraude. Do que já ponderado, a Impugnante não teria atuado na produção do falso ou na ocultação do efetivamente ocorrido, pois de tudo dado à ciência ao mais lato público (privado ou governamental), e de tudo quanto solicitado fora entregue à Fiscalização. 3.13. Apenas para argumentar, ainda seria equivocada a redução operada contra prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, pois o fundamento de que se louvara a Fiscalização para assim proceder ainda seria questão não definitivamente decidida em senda administrativa, assim objeto do “procedimento fiscal realizado pela DEFIS/RJ, determinado pelo MPF nº 07190002010025884, [...] concluídos com autos de infração que reduziram o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL da CSN, para o quarto trimestre de 2008, ambos em R$ 227.131.540,81” (fl. 5.207 do caso CSN, em cita feita pelo Contribuinte ao termo de verificação fiscal), a partir do que formalizados os autos sob nº 16682.720452/201181, devidamente impugnados (fls. 5.524/5.545). Isso sem dizer que, naqueles autos (nº 16682.720452/201181), a multa de ofício estipulada foi de 75%, sendo certo que, por simetria, mesmo que valente o raciocínio da Fiscalização, alguma porção presentemente lançada e em função da redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, deveria ter a correspectiva multa de ofício também reduzida de 150% para 75%. 3.14. Por fim, em juízo prospectivo e para afastar o argumento da preclusão, já antecipa discussão sobre o que acredita ser inaplicável a incidência de juros de mora sobre multa de ofício não vinculada. Assim porque, vencido o Contribuinte em tudo o mais, ‘o Fisco certamente exigirá da Impugnante juros de mora sobre o valor da multa de ofício, com vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido.’ (fl. 5.210 do caso CSN; destaques do original). AUTUAÇÃO CONTRA A NAMISA (AUTOS Nº 19515.723053/201272). 4. Já aqui, têmse exigências relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), respeitante aos 3º, 4º trimestres de 2009, ano calendário de 2010, todos os Fl. 6116DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.116 17 trimestres de 2011. Na espécie, apurouse crédito tributário no importe total de R$ 1.746.583.331,87 (fl. 5.127 do caso NAMISA), então computados juros de mora até novembro/2012 (lavratura havia em 27/12/2012), bem que multa de ofício ao patamar de 150% (fls. 5.104/5.128 do caso NAMISA). Ao feito em referência, correm apensados os autos sob nº 19515.723054/201217, que guardam Representação Fiscal para Fins Penais. 5. Recuperemse, a propósito, as razões da Fiscalização assim desfiadas no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL” de fls. 5.076/5.103 do caso NAMISA: [para efeito de se evitar repetição, digase que até o item 4.1 do mencionado Termo de Verificação Fiscal, tudo antes dele segue os mesmos dizeres já antes reproduzidos, isso por ocasião do relato do caso CSN] [para efeito de se evitar repetição, digase que o item 4.2 (acerca da afirmada simulação) teor do mencionado Termo de Verificação Fiscal é de idêntico teor àquele alhures reproduzido, isso por ocasião do relato do caso CSN] Fl. 6117DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.117 18 [...] [...] [para efeito de se evitar repetição, digase que o intem 7 (sobre enquadramento legal de multa, juros de mora, especificação do afirmado dolo) do mencionado Termo de Verificação Fiscal é de idêntico teor àquele alhures reproduzido, isso por ocasião do relato do caso CSN] 6. O Contribuinte (NAMISA) tomou ciência da corrente autuação em Fl. 6118DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.118 19 28/12/2012, sexta feira (fls. 5.114, 5.124, 5.128 do caso NAMISA), e trouxe sua insurgência em 30/01/2013 (fls. 5.228/5.287 do caso NAMISA). Alega, na voz do mesmo patrono (Leo Krakoviak – Advogado) que teceu a impugnação aos autos do caso CSN: 6.1. Tempestividade da peça. 6.2. Para o deslinde dos autos contra a NAMISA, de importância nenhuma seria cogitar/julgar a natureza jurídica pela qual se teria dado o ingresso de numerário estrangeiro (via Big Jump) no país, assim que adquirida participação em seu capital social. Seria de nenhum interesse, aqui, distinguir se dita aquisição se dera por compra e venda direta junto à CSN, ou por subscrição/integralização de capital junto à NAMISA. D’outra linha, decisivo mesmo para o caso NAMISA restringirseia “à suposta inexistência de fato da Big Jump, que no entendimento do ilustre fiscal autuante por si só justificaria o presente lançamento com imposição de multa qualificada de 150% em razão da suposta simulação” (fl. 5.239 do caso NAMISA). 6.3. Adiante, mais ponto, menos vírgula, repisamse os argumentos antes trazidos para o caso CSN. Particularmente e de diferente, registrase a discussão ao derredor de Big Jump e seu papel nos atos consequentes. Digno de nota, assim, ainda pondera o Contribuinte (NAMISA): (i) disputa mais fortemente o ponto de vista de se terem nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, elementos indutores de rearranjos societários, mas, de então e em diante, devidamente regulamentados (aproveitamento do ágio sim, mas desde que na ambiência d’uma incorporação, fusão, cisão); (ii) marca, d’outra linha, que acusações de “abuso de forma, falta de propósito negocial ou intenção do contribuinte de economizer tributo”, “QUE ALIÁS NÃO FORAM FEITAS NO CASO CONCRETO PELA ILUSTRE FISCAL ATUANTE” (fl. 5.262 do caso NAMISA; destaques do original), nem seriam indices servíveis de eventual contraposição à incidência dos normativos referidos, sendo suficiente e necessário tão só o cumprimento das condições objetivas ali postas, a dizer, (ii.1) efetivo pagamento do custo de aquisição e do ágio, (ii.2) negociação de raiz entre partes não ligadas e (ii.3) lisura na avaliação do investimento adquirido e de sua rentabilidade futura (faz cita ao Acórdão 140200802, proferido no “Caso Santander”), requisitos esses presentes/comprovados na espécie. A conferir, assinala o Contribuinte (NAMISA; fl. 5.269): A Delegacia da Receita Federal de Julgamento proferiu o acórdão n. 16 46.924 (Efls. 5548 ss.) julgando procedente a impugnação e exonerando o crédito tributário, pelas razões resumidas na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A FORMA JURÍDICA DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. CARACTERIZAÇÃO. RECHAÇO DA IMPUTAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. ÁGIO. ‘EMPRESA VEÍCULO’. NÃO Fl. 6119DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.119 20 COMPROVAÇÃO DE ELEMENTO CONDUCENTE À SIMULAÇÃO, FRAUDE, OU ABUSO DE DIREITO. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO ÁGIO. Se (i) aquisição de participação societária na pessoa jurídica A (impugnante nos autos sob nº 19515.723053/201272) houve, mas sob as vestes de subscrição/aumento de capital por parte de pessoa jurídica B; se (ii) dita pessoa jurídica (B), observada a densidade de sua concretude negocial/operativa, à testa de muitos (desde entes privados a até entes governamentais, que dela receberam influxos de sua própria vida), não pode ser tomada como peça engendrada a produzir o falso, a escamotear o real; se (iii), enfim, sob tais balizas, a pessoa jurídica A (controlada) e a pessoa jurídica C (impugnante nos autos sob nº 19515.723039/201279; controladora de A), e mais sete atores estrangeiros, partes independentes entre si, no espaço do princípio da autonomia de vontades, firmam contratos (de fornecimento de minério de ferro e prestação de serviços de porto) que, de per si considerados, e até então executados, merecem fé; se tudo assim consta dos autos sob atenção, não há espaço para a caracterização da simulação, da fraude, do abuso de direito, ou qualquer outra figura de estraneidade ao direito que possa vingar sobre os Contribuintes A ou C aqui considerados. Afastadas, pois, a imputação de ganho de capital contra a pessoa jurídica C, bem que a glosa de amortização de despesa de ágio contra a pessoa jurídica A, tudo ao limite do que presentemente investigado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os julgadores da 1ª Turma da DRJ em São PauloI/SP, por unanimidade de votos, dar por PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, cancelandose, pois, o CRÉDITO TRIBUTÁRIO aqui constituído. Outrossim, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede R$ 1.000.000,00, cabe RECURSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e da Portaria do Ministro da Fazenda n.º 3, de 3 de janeiro de 2008. À DRF de origem para ciência do Interessado e mais providências.” Seguindo a necessária propositura de recurso de ofício em função do valor em tratamento pela DRJ, a Fazenda Nacional apresentou suas razões (Efls. 5600 ss.), destacando a inexistência da dívida registrada pela CSN em face da NAMISA, a compra e venda das ações e o ganho auferido, a fraude cometida e qualificação da multa de ofício e a devida cobrança de juros sobre ela, o que foi ratificado nos memoriais acostados às Efls. 5705 ss. Após as razões de recurso de ofício, anotese que a contribuinte procedeu à juntada de Laudo Pericial Contábil ExtraJudicial (Efls. 5637 ss.) elaborado pela Ernst & Young “exclusivamente visando demonstrar o equívoco de diversas assertivas feitas pela Procuradoria da Fazenda Nacional em sua sustentação oral, em total inovação e de forma absolutamente dissociada dos fatos até então incontroversos nos autos”. Fl. 6120DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.120 21 Do julgamento do recurso pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção resultou o acórdão n. 1301000.960 (Efls. 2460 ss.), em que se restabeleceu a exigência principal e os juros sobre a multa, negouse o pedido de diligência para se verificar a postergação, mas se desqualificou a penalidade de 150%. Leiase a sua ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O fato de ser um negócio jurídico indireto não traz a consequência direta de tornar eficaz o procedimento da interessada, pois essa figura não é oponível ao fisco quando visar apenas a mera economia de tributos. No caso concreto, houve fraude à lei do imposto de renda que comanda a tributação do ganho de capital na alienação de ações através da utilização de norma de cobertura. O negócio jurídico indireto se deu através de compra e venda de ações mascarada a partir de um aumento de capital não vivenciado. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. MULTA. No negócio jurídico indireto, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS SOBRE MULTA. A multa de ofício, segundo o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estendese ao lançamentos decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DERAM provimento PARCIAL ao recurso de ofício, nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer os autos de infração do IRPJ/CSLL, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que negavam provimento ao recurso de ofício; II) por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); III) pelo voto de qualidade, NEGAR o pedido de baixar o processo em diligência para averiguação de postergação no pagamento de tributos, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que acolhiam o pedido; e IV) por maioria de votos, mantiveram os juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Designado Fl. 6121DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.121 22 para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. O pedido de vistas da Conselheira Karem Jureidini Dias foi negado pelo Presidente. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta substitui o Conselheiro Maurício Pereira Faro que declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Relator. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.” Contra o referido acórdão, inicialmente a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (Efls. 5808 ss.), pretendendo fosse restabelecida a qualificação da multa no percentual de 150%, para o que apresentou os acórdãos n. 1301001.220 e n. 1302 001.331 como paradigmas da divergência. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 5883 ss.), que considerou que “O primeiro paradigma (Acórdão 1301001.220) estabelece que a ausência de propósito negocial justificaria a exasperação da multa. Já o acórdão recorrido, como dito em momento anterior deste despacho, reconhece que tal circunstância teria se caracterizado no presente caso mas representaria um negócio jurídico indireto que não implicaria na qualificação. Nesse caso entendo que a divergência jurisprudencial foi comprovada, motivo pelo qual proponho que seja dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Como reforço à presente análise, registro que o segundo paradigma (Acórdão 1302001.33) também se mostra hábil para demonstrar o dissenso. Isso porque trata de situação no qual o ativo, em vez de alienado em simples operação de compra e venda, foi objeto de operações societárias que desencadearam em um ganho de capital desvirtuado. Restou demonstrado o descompasso entre o revestimento formal dos atos empresariais empreendidos e a verdadeira operação praticada, caracterizandose a discrepância entre a vontade real e a declarada. No caso, entendeuse aplicável a qualificação da multa de ofício, ao contrário do acórdão recorrido, que, em situação análoga, alterou a penalidade de 150% para 75%.” Intimada, a contribuinte primeiramente apresentou contrarrazões (Efls. 5851) apontando, de modo preliminar, a impossibilidade de conhecimento do recurso fazendário, diante de (i) sua inépcia, “não só por não ter se insurgido contra (e nem sequer mencionado) as razões expostas no voto vencedor do v. acórdão recorrido no que se refere especificamente à desqualificação da multa (voto proferido pelo seu Relator, I. Conselheiro Alexandre Antonio Alkmimm Teixeira, já que quanto a tal matéria tratouse Fl. 6122DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.122 23 de decisão unânime), mas também por pretender restabelecer a multa qualificada com base em alegações absolutamente diversas dos fundamentos que levaram o I. Fiscal autuante a aplicála”, e também (ii) da inadequação dos acórdãos paradigmas por ausência de similitude fática. Relativamente ao mérito, sustentou que a multa qualificada não poderia ser restabelecida, pela (iii) necessidade de aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional, diante de incerteza quanto aos fatos ou graduação, uma vez que as duas instâncias inferiores, por unanimidade, decidiram pela desqualificação, e justificou suas razões para a (iv) improcedência dos fundamentos utilizados pela fiscalização e (v) pela recorrente para qualificar a multa. Sequencialmente, foram opostos embargos de declaração (Efls. 5891ss.) pela contribuinte visando sanar omissões e contradições enumeradas pelo despacho (Efls. 6010) que os rejeitou, e requrendo a juntada de Parecer de Marco Aurélio Greco sobre tais pontos e a improcedênciado do lançamento fiscal: “A obscuridade apontada seria o fato de o Acórdão fazer várias referências a expressão "Recorrente" quando na verdade em sede de recurso de ofício, a Recorrente seria a Fazenda Nacional e a recorrida a empresa. (…) 1ª Contradiçao apontada QUANTO À SUPOSTA INEXISTÊNCIA DE ADIANTAMENTO DE PREÇO E PASSIVO (…) 2ª Contradição QUANTO À SUPOSTA INEXISTÊNCIA DE AUMENTO DE CAPITAL (…) 1ª Omissão QUANTO ÀS EXPLICAÇÕES DADAS PELA EMBARGANTE QUANTO À SUPOSTA INEXISTÊNCIA DO DEVER DE RESTITUIR OS ADIANTAMENTOS EFETUADOS PELA NAMISA (…) 2ª Omissão: OMISSÃO QUANTO À INEXISTÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE FORNECIMENTO DE 110% DO TOTAL DE MINÉRIOS E SERVIÇOS CONTRATADOS PELA MESMA ANTECIPAÇÃO DE PREÇO” A contribuinte também interpôs recurso especial (Efls. 6039 ss.), suscitando divergência apenas quanto ao tema juros sobre multa de ofício e apresentando, para tanto, o acórdão n. 3403001.541 como paradigma. A interposição de recurso pela contribuinte apenas contra parte do que lhe foi desfavorável foi formalizada em representação (Efls. 6075) “para recebimento por transferência dos lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL decorrentes do ganho de capital na alienação de participação societária no anocalendário de 2008.” Ao recurso especial da contribuinte foi dado seguimento por despacho de Fl. 6123DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.123 24 admissibilidade (Efls. 6080 ss.) e, dele intimada, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões (Efls. 6083 ss.), sustentando a legalidade da incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Recentemente, porém, a contribuinte protocolizou petição (Efls. 6098), desistindo integralmente de seu recurso especial, o qual havia sido interposto apenas contra a parte do acórdão recorrido que havia considerado legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, ressalvando o seu direito de discutir a matéria no Judiciário. Passase, assim, à apreciação do recurso da Fazenda Nacional. Voto Vencido Luís Flávio Neto – Relator "ad hoc" Na condição de relator "ad hoc" para formalização da presente decisão, cumpre observar que os parágrafos que seguem foram elaborados pela i. Doutora Daniele Souto Rodrigues Amadio, relatora originária dos autos que não mais integra o Colegiado. CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Fl. 6124DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.124 25 Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. 1. Definição do voto recorrido Preliminarmente, antes que se adentre na análise do preenchimento dos requisitos enumerados e na tradicional verificação de divergência, é importante se consignar a identificação de que, muito embora o acordão recorrido tenha mantido, por unanimidade de votos, a desqualificação da multa aplicada, em seu texto constam dois votos com fundamentos diversos a respeito do tema: o primeiro deles, do relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, que o intitulou “voto vencedor” e cuidou da matéria sob a perspectiva da ausência de prova do evidente intuito de fraude e sua capitulação nas condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64. O segundo, ao seu turno, do conselheiro Antonio Bezerra Neto, redator designado, que afastou a penalidade por compreender estar diante de negócio jurídico indireto, sobre o qual ela não incidiria. Com imediatismo, a conclusão primeira seria de que, por se tratar de votação por unanimidade quanto à desqualificação da multa, regimentalmente, não haveria lugar para a designação de um redator, prevalecendo o voto do relator quanto ao ponto. Ocorre que, notandose o contexto da decisão, e constatandose que a sua ementa contou indubitavelmente com os termos do voto do conselheiro Antonio Bezerra Neto, na linha do negócio jurídico indireto, no qual se fez constar, logo em sua introdução, que havia sido designado para redigir o voto vencedor em relação à dedutibilidade do ágio bem como à desqualificação da multa, compreendese que apesar de o relator haver sido vencedor quanto a esta questão, os fundamentos prevalecentes no colegiado seriam aqueles registrados pelo redator designado. Nesse sentido, prevaleceria o voto do conselheiro Antonio Bezerra Neto, propondose ao colegiado uma primeira votação quanto a esta questão, porque se trata de uma premissa essencial para a análise de conhecimento do presente recurso especial a definição do voto considerado recorrido, ressaltandose não estar julgando neste momento eventual vício do acórdão, sobretudo em razão de a competência para este tipo de exame ainda não ter sido devolvida a este colegiado, apenas vindo a acontecer sendo positiva a sua admissibilidade. Na hipótese de restar vencedora, passase a analisar o conhecimento efetivo do recurso especial da Fazenda Nacional, que se debruçou exclusivamente sobre este segundo voto. De outro lado, restando vencida, ignorase esta parte (item 2) Fl. 6125DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.125 26 e passase diretamente a uma segunda questão, relativa à consequência da interposição do recurso com relação ao voto não prevalecente (item 3). 2. Análise da divergência proposta pelo recurso especial Na hipótese de o colegiado entender que seria o caso de prevalecer o voto do redator designado, voltase ao caso sob exame verificandose, primeiramente, que a discussão girava em torno da acusação fiscal de que as operações em questão revelariam o a verdadeira venda direta pela CSN de 40% de sua participação na Namisa, sobre o que se insurgiu a contribuinte. Com relação à qualficação da multa, assim constou no Termo de Verificação Fiscal, que se transcreve para bem delimitar as circunstâncias apreciadas: Fl. 6126DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.126 27 Analisandose a controvérsia estabelecida, podese sintetizar que o acórdão recorrido, última qualificação jurídica dos fatos que então prevalece no processo e contra qual não foi interposto qualquer recurso, (i) definiu a operação como negócio jurídico indireto e (ii) decidiu que ele não enseja a aplicação de multa qualificada, uma vez que não configura o dolo de fraudar subjacente à tipificação prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Analisandose o primeiro paradigma apresentado pela Fazenda Nacional em seu recurso especial, acórdão n. 103001.220, porém, observase tratar de uma reorganização societária de que resultou a amortização de ágio sem que houvesse substância e econômica e propósito negocial. Leiase: Fl. 6127DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.127 28 Acórdão nº 1301001.220 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. RECOMPOSIÇÃO. NECESSIDADE. No lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro devese levar em conta o valor apurado pelo de contribuinte, de modo que a eventual existência de resultados negativos (prejuízo fiscal ou base negativa) deve ser considerada na determinação do saldo a tributar. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA E PROPÓSITO NEGOCIAL. AUSÊNCIA. Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tão somente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecêlas, promovendose a glosa dos referidos dispêndios. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Processo nº 10880.721826/201081, Acórdão nº 1301001.220 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 09 de maio de 2013, Matéria: IRPJ – Amortização de ágio, Contribuinte: Estre Ambiental S/A) Retomandose as razões do respectivo voto, inferese que a glosa foi procedida precisamente porque se tratou de um ágio gerado intragrupo, como bem retrata o seguinte trecho: “Para a solução da lide, creio que mereçam ser destacados os fundamentos utilizados pela Fiscalização para promover a glosa das despesas com amortização de ágio (Termo de Verificação Fiscal – fls. 920/942). Nessa linha, destaco os seguintes elementos: i) uma empresa, criada a partir de um capital social de R$ 1.000,00, foi encerrada carregando um ágio de R$ 175.824.453,00; ii) o ágio amortizado foi gerado internamente, não havendo qualquer tipo de desembolso; iii) a autuada e a ESTRE HOLDING tinham os mesmos sócios majoritários; iv) a teoria contábil dá respaldo apenas ao ágio pago numa negociação entre comprador e vendedor não relacionados entre si; v) o ágio gerado internamente não decorre de uma operação com propósito negocial; vi) no presente caso, não houve negociação, nem compra, nem venda, nem Fl. 6128DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.128 29 mercado livre e aberto; vii) conforme reprodução abaixo, a CVM, por meio do OfícioCircular/ CVM/SNC/SEP, condenou as operações em que há ágio gerado internamente; A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômico (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pela equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configure sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de presses ou outros interesses que ao a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s lenght”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. viii) por não decorrer de um processo de compra e venda de ativos líquidos entre partes independentes e não relacionadas, o ágio gerado internamente é incabível na estrutura conceitual da contabilidade, ainda que tivesse sido pago; ix) o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, no seu pronunciamento Técnico CPC04, item 47, assinalou: O ágio derivado de expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. x) a Resolução CFC nº 1.110/07, na mesma linha, consigna (item 120): O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. xi) a empresa ESTRE HOLDING efetivamente não funcionou, pois não possuiu funcionários e sua localização formal era no mesmo andar da fiscalizada; xii) a despesa de amortização de ágio interno não se enquadra no conceito de despesa necessária, seja porque não foi paga, nem jamais será, seja porque ela não decorreu de consumo ou sacrifício de ativos; xiii) no caso do ágio interno, não há que se falar em diluição de custo ao longo Fl. 6129DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.129 30 do tempo, porque não há custo a ser diluído, não se podendo falar, assim, em despesa de amortização incorrida; xiv) nenhuma das motivações apresentadas na Justificação e Protocolo de Incorporação de Ações da fiscalizada pela ESTRE HOLDING necessitaria da reavaliação das ações para ser implementada; xv) a suposta preparação do grupo para atrair novos investidores, bem como para a participação em processos licitatórios, não justificam a incorporação das ações pelo seu valor econômico da qual se origine um ágio artificial, criado internamente ao grupo e baseado em resultados futuros; xvi) quando o art. 386 do RIR/99 fala em “participação societária adquirida”, fica evidente, ao se interpretar em conjunto com o art. 385 do mesmo diploma regulamentar, que se trata de participação societária em relação a qual se pode atribuir um custo de aquisição, que deverá ser desdobrado; xvii) a amortização de ágio interno, o qual não possui custo de aquisição, não se inclui na hipótese descrita na norma autorizadora da dedutibilidade; xviii) o procedimento adotado pela contribuinte está compreendido na hipótese prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, não cabendo à ela invocar desconhecimento ou prática de erro escusável; xix) a contribuinte estava consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado internamente. A meu ver, a descrição dos fatos apresentada pela Recorrente em sua peça de defesa torna incontroversa a seguinte questão: não obstante os motivos declarados, a decisão acerca da reorganização e reestruturação societária foi tomada no âmbito do GRUPO ECONÔMICO do qual a contribuinte é parte integrante. Como é cediço, a unicidade de direção, controle ou administração, representa elemento crucial na caracterização do Grupo econômico.” Noutras palavras, observase (i) não só que o referido paradigma não guarda similitude fática com a operação objeto dos presentes autos – glosa de ágio porque gerado intragrupo, como também que a (ii) qualificação da multa decorreu do fato de se entender que, porque produzido internamente, a reorganização societária seria desprovida de substância econômica e propósito negocial. Nesse sentido, não há como se estabelecer o paralelismo necessário à configuração da divergência para o conhecimento do recurso, uma vez que, relembrando se, no caso dos autos (i) tratouse de acusação fiscal de alienação direta de participação societária sem a correta tributação do ganho de capital, não se questionando a existência de propósito negocial em si, mas se apontando mesmo vícios nos atos praticados, (ii) desqualificandose a multa diante de sua classificação como negócio jurídico indireto, afastandose expressamente o caráter simulatório. O mesmo se diga com relação ao segundo paradigma, acórdão n. 1302 001.331. Diferentemente do teor do acórdão recorrido acima descrito, nessa caso se julgou operação qualificada como “casa e separa”, assim definida pelo redator do voto vencedor porque “a complexa operação societária nunca pretendeu admitir novo sócio ou investidor, mas tão somente fazer com que as participações societárias mudassem de Fl. 6130DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.130 31 dono”, o que reafirma não ser o caso dos presents autos, em que não se tratou ou qualificou a operação como casa e separa e notadamente visava a admitir novos investidores no negócio e não a segregação como naquela espécie de operação. Além disso, não houve qualquer tratamento da questão como negócio jurídico indireto; a qualificação da multa se deu com base na configuração de conluio entre as pessoas subscritoras do acordo de investimentos, que de forma abusiva pretenderam ocultar a ocorrência do fato gerador. Eis a sua ementa: “Acórdão 1302001.331 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO ‘CASA SEPARA’. SIMULAÇÃO. Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pela interessada nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O ganho de capital na alienação foi artificialmente reduzido, com a igualmente artificial majoração do custo de aquisição. O lançamento deve, assim, ser mantido. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário.” Por essas razões, votase por NÃO CONHECER o recurso especial da Fazenda Nacional. 3. Ausência de insurgência recursal Como indicado alternativamente acima, na eventualidade de prevalecer na votação pelo colegiado do item 1 o voto do relator Alexandre Alkmim, devese enfrentar obrigatoriamente, tomandoo como premissa inafastável, as consequências do fato de o recurso fazendário não lhe ter feito qualquer menção, insurgindose exclusivamente contra o voto do redator designado Antonio Bezerra Neto: não vejo outra, adiantase, senão a inadmissilidade do recurso especial pretensamente interposto. Desse único parágrafo, já exsurgem algumas colocações. Fl. 6131DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.131 32 Primeiramente, quando se refere à ausência de menção ao voto do relator, querse afirmar mesmo qualquer menção, tanto no que diz respeito às suas razões de decidir, quanto a essa circunstância identificada e que ora se enfrenta no sentido de haver dois votos supostamente vencedores no mesmo acórdão, de onde se conclui não possuir dúvidas a recorrente – o que se confirmou pela defesa apresentada em sua sustentação oral quando o processo foi levado a julgamento da CSRF pela primeira vez – ou ter assumido o risco de não provocar o órgão a elucidar a questão, com a apresentação de possíveis embargos declaratórios ou, ao menos, com o cuidado do registro do fato em seu recurso especial ou a recomendável realização de um pleito recursal de natureza sucessiva. Dizse pretensamente interposto, pois, um recurso que não tenha enfrentado especificamente os fundamentos da decisão recorrida compromete a dialeticidade e não é capaz de estabelecer a insurgência recursal requerida para a sua admissibilidade, como aliás determina o artigo 932, inciso III, do Código de Processo Civil, o qual se transcreve a seguir, com seu racional inclusive já consagrado pela Súmula n. 284 do Supremo Fribunal Federal, também abaixo: “Art. 932. Incumbe ao relator: (...) III não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (...)” “SÚMULA 284 É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia.” É importante que se observe que mesmo na atmosfera do novo Código de Processo Civil, notadamente com um viés mais colaborativo, o parágrafo único do referido dispositivo que remete à possibilidade de correção de vícios é hoje compatibilizado, inclusive num trabalho constante da doutrina sobre o tema, com o seu artigo 1029, cujo objetivo é não impedir o direito recursal da parte em razão de determinadas impropriedades – mas aqui reside o principal ponto: não é qualquer erro, mas se autoriza apenas aos Tribunais “desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou determinar sua correção, desde que não o repute grave”. Portanto, temse dois requisitos inafastáveis: o vício passível de desconsideração é somente o de natureza formal, desde que o recurso seja tempestivo. E este vício, formal, poderá ser corrigido, desde que não seja grave, a exemplificar, a insuficiência do preparo recursal, ausência da adequada representação processual, isto é, nada que comprometa o conteúdo do processo. Fl. 6132DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.132 33 Nesse sentido, elencase jurisprudência que revela o posicionamento do Supremo Tribunal Federal sobre a impossibilidade de conhecimento da peça quando verificado descompasso nas razões de recorrer, aplicandose justamente o referido artigo 932, inciso III, do Código de Processo Civil: “AGRAVO – OBJETO – DESCOMPASSO – IMPUGNAÇÃO – DEFICIÊNCIA – ARTIGO 932, INCISO III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Visando o recurso reformar certa decisão, as razões devem estar direcionadas a infirmála. O descompasso entre o fundamento consignado no ato atacado e o agravo interno conduz, por si só, ao não conhecimento deste último. Precedente: agravo regimental nos embargos de divergência no agravo regimental no recurso extraordinário nº 598.609/MG, Pleno, relator o ministro Edson Fachin, em 16 de dezembro de 2016, acórdão pendente de publicação. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação de honorários recursais, previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de extraordinário formalizado no curso de processo cujo rito os exclua. Decisão A Turma não conheceu do agravo, nos termos do voto do Relator. Unânime. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Luís Roberto Barroso. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Primeira Turma, 18.4.2017.” (grifouse) (ARE 963865 AgR / RJ RIO DE JANEIRO Relator (a): Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 18/04/2017 ). Na mesma linha aqui colocada, também o Superior Tribual de Justiça se manifesta sobre o caráter formal da natureza do vício, não se prestando o saneamento a permitir a complementação de recurso que não impugnou o acórdão recorrido de maneira específica ou satisfatória: “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. PRAZO DO ART. 932, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE. 1. O Plenário do STJ decidiu que "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). O AREsp foi interposto em 15/09/2014, na vigência do Código de Processo Civil de 1973. 2. A teor do disposto no art. 544, § 4º, I, do CPC/1973, o agravante deve infirmar especificamente os fundamentos da decisão que inadmite o recurso especial, não podendo ser conhecido o agravo que não se insurge contra todos eles. 3. O prazo referido no art. 932, parágrafo único, do CPC/2015 há de ser oferecido para o recorrente sanar vício de natureza estritamente formal, sendo diversa a hipótese dos autos, em que pretendia a agravante a concessão de lapso para complementar a fundamentação do seu recurso, que não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o apelo nobre. 4. Agravo interno desprovido.” (AgInt no AREsp 692495 / ES. Ministro Gurgel de Faria. DJe 18.08.2016) (grifouse) Fl. 6133DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.133 34 “AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRINCIPIO DA DIALETICIDADE. ART. 932, III, DO CPC DE 2.015. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. À luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, compete à parte agravante, sob pena de não conhecimento do agravo em recurso especial, infirmar especificamente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao reclamo. 2. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2.015 e art. 253, I, do RISTJ, ônus da qual não se desincumbiu a parte insurgente, sendo insuficiente alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. 3. Esta Corte, ao interpretar o previsto no art. 932, parágrafo único, do CPC/2015 (o qual traz disposição similar ao § 3º do art. 1.029 do do mesmo Código de Ritos), firmou o entendimento de que este dispositivo só se aplica para os casos de regularização de vício estritamente formal, não se prestando para complementar a fundamentação de recurso já interposto. 4. Não conhecido o agravo, fica prejudicado o pedido de atribuição de efeito suspensivo ao recurso especial. 5. Agravo interno não provido.” (AgInt no AREsp 1151650 / RS. Ministro luiz Felipe Salomão. DJe 01/12/2017) (grifou se) Voltandose ao caso concreto, pois, primeiramente já não se admitiria a desconsideração ou saneamento porque notoriamente não se está diante de um vício de natureza formal, mas da imprestabilidade de todo o conteúdo do recurso especial, o que por si só já inviabiliazia qualquer uma das duas providências. Mais do que isso, se a imprestabilidade de todo um recurso não for um vício de natureza grave, não sei mais o que seria. A se ver que eventual franquia de se sanear o erro, não o sanearia. A única solução consistiria na conferência da possibilidade de se produzir um novo recurso e, honestamente, não vejo como se poder classificar essa providência como uma saneamento. Portanto, não vislumbro como se permitir que, a pretexto de sanear um recurso interposto diante de uma possível dúvida, interponhase uma nova peça, sobretudo por não se pode dizer que a Fazenda Nacional foi induzida a erro, pois, muito embora se pudesse não saber sobre qual voto recorrer, era fato de fácil constatação no acordão recorrido a existência incomum de dois votos vencedores sobre a mesma matéria e a recorrente não tomou qualquer providência para sua elucidação, como, reiterase, a oposição de embargos declaratórios, consignação do problema no seu recurso, demonstração de divergência em relação aos dois votos ou mesmo um pleito de caráter sucessivo, com base na eventualidade de um entendimento diverso pelo colegiado. Mas a recorrente não só quedouse inerte, como sustentou na primeira sessão de julgamento deste processo sua convicção sobre o acórdão recorrido, assumindo o Fl. 6134DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.134 35 risco de sua escolha. Apenas para ilustrar, cito como exemplo o caso de uma pessoa autuada que acredita na nulidade do lançamento que gera cerceamento de defesa e apenas deduz seus argumentos nesse sentido; nesse momento, certamente assume a possibilidade de um julgamento que entenda haver a nulidade, mas que pode ser superada com a sua defesa ou, o afastamento da nulidade e a conclusão de que o restante da matéria, por exemplo, não teria sido recorrida. Numa atitude mais conservadora, em regra, acabase recorrendo de todos os pontos, sucessivamente. Desse modo, não entendo possível o colegiado agora sustentar que como houve uma dúvida da parte, a ela deveria ser franqueado o direito de produzir um novo recurso, com nova admissibilidade e, assim, renovação de todos os atos que a sucederam. Igualmente não se entende possível, sob a justificativa da dúvida, pretenderse a aplicação dos artigos 321, 330 e 801 do Código de Processo Civil, todos a tratar de condições relacionadas à petição inicial, ao passo que o referido estatuto prevê dispositivos especialmente destinados a recursos especiais, já citados acima, como atesta um dos maiores conhecedores no país da matéria, o Professor Cândido Rangel Dinamarco, que analisou o caso concreto especificamente em documento juntado com os memoriais complementares da recorrida, manifestandose sobre esse ponto e todos os outros tratados neste tópico, valendose a sua leitura integral: Fl. 6135DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.135 36 Fl. 6136DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.136 37 Por todas essas razões, com o conforto advindo da apreciação do caso concreto por um reconhecido especialista no tema e com a preocupação do precedente que uma decisão de franquia de novo recurso na suposição de “corrigir” erro não formal e de natureza grave possa gerar, entendo pela impossibilidade de desconsideração ou saneamento do vício colocado, de modo que o recurso se torna inadmissível. Assim sendo, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator "ad hoc" Fl. 6137DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.137 38 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante substancioso voto da i. Relatora, peço vênia para divergir do encaminhamento proposto. Passo ao exame dos fatos. A autuação fiscal lavrou autos de infração de IRPJ e CSLL, e qualificou a multa de ofício (150%). A decisão de primeira instância (DRJ) julgou procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, afastando na integralidade a exação fiscal. Em razão do crédito tributário exonerado, os autos foram remetidos ao CARF para apreciação de recurso de ofício. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção apreciou as matérias (1) autuação fiscal; (2) qualificação da multa; (3) diligência para verificar postergação de tributos e (4) incidência de juros de mora sobre multa de ofício. No julgamento, foi dado provimento parcial ao recurso de ofício, no sentido de restabelecer a autuação fiscal. Ainda foi desqualificada a multa de ofício, alterandose o percentual de 150% para 75%. O relator do processo, Conselheiro Antônio Alkmim Teixeira, foi voto vencido nas matérias (1) autuação fiscal e (3) diligência para verificar postergação de tributos. Assim, foi designado na condição de redator do voto vencedor o Conselheiro Antônio Bezerra Neto. Ocorre que, em relação à matéria (2) qualificação da multa, foram formalizadas duas decisões: a primeira, do Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, e a segunda, do Conselheiro Antônio Bezerra Neto. O que se evidencia é que, como os fundamentos para a desqualificação da multa de ofício foram distintos para cada um dos conselheiros, cada um formalizou suas razões. Conforme informado com precisão pela i. Relatora, o voto do relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira cuidou da matéria sob a perspectiva da ausência de prova do evidente intuito de fraude com capitulação nas condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64, enquanto o voto do redator designado Antonio Bezerra Neto afastou a qualificação da multa de ofício por compreender que o caso tratava de negócio jurídico indireto. Fato é que, compulsando a decisão recorrida, notase a ocorrência de incidentes na formalização da decisão: (1º) a ementa apresenta redação convergente com o voto do conselheiro Antônio Bezerra Neto; (2º) da leitura do dispositivo do acórdão inferese que o voto vencedor foi do conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, porque não há menção de que a desqualificação da multa de ofício teria sido pelas conclusões do relator 1; (3º) no 1 Segue transcrição de excerto do acórdão sobre a matéria: II) por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); Fl. 6138DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.138 39 corpo do voto do conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, consta, no título de cada matéria analisada, texto informando se a matéria tratava de voto vencido ou voto vencedor, sendo que, em relação à qualificação da multa, consta "MULTA QUALIFICADA VOTO VENCEDOR"; e (4º) na introdução do voto do conselheiro Antônio Bezerra Neto, há informação de que seria ele o redator designado para o voto vencedor na matéria "qualificação da multa"2. Em face da decisão recorrida, foram interpostos recursos especiais pelas partes (a Contribuinte posteriormente apresentou petição de desistência), e ambas apresentaram contrarrazões. O recurso especial da PGFN pretendeu devolver a matéria qualificação da multa, visando restabelecer o percentual de 150%. E apresentou acórdãos paradigmas tomando como perspectiva as razões do voto do Conselheiro Antônio Bezerra Neto. Em contrarrazões, insurgiuse a Contribuinte, aduzindo dois pontos: (1) inépcia do recurso especial da PGFN 3, por entender que o voto vencedor seria o do Conselheiro 2 Vide introdução do Voto Vencedor do conselheiro Antônio Bezerra Neto: "Fui designado para redigir o voto vencedor em relação ao restabelecimento dos lançamentos do IRPJ e da CSLL, bem assim da desqualificação da multa e do indeferimento de diligência para averiguar possível postergação de tributos." 3 Transcrevo excerto das contrarrazões da Contribuinte: "Inicialmente, cabe salientar que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional "data vênia" não merece ser conhecido já que manifestamente inepto, não só por não ter insurgido contra (e nem sequer mencionado) as razões expostas no voto vencedor do v. acórdão recorrido no que se refere especificamente à desqualificação da multa (voto proferido pelo seu Relator, I. Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, já que quanto a tal matéria tratouse de decisão unânime"), mas também por pretender restabelecer a multa qualificada com base em alegações absolutamente diversas dos fundamentos que levaram o I. fiscal autuante a aplicála. Com efeito, no que se refere ao primeiro ponto, é evidente que tendo a multa originalmente imposta sido desqualificada por decisão unânime, o voto vencedor no que tange a tal matéria foi necessariamente aquele proferido pelo relator do v. acórdão recorrido, I. Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Tanto assim é que no voto proferido pelo I. relator Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, no início da parte dedicada ao mérito consta expressamente o título "MÉRITO VOTO VENCIDO", o mesmo ocorrendo quanto à questão da postergação, constando do início da parte que dela trata o título "DILIGÊNCIA. PEDIDO DE ANÁLISE DE POSTERGAÇÃO (VOTO VENCIDO)". No entanto, quanto à desqualificação da multa, consta do início do tópico a ela dedicada o título "MULTA QUALIFICADA VOTO VENCEDOR". Não obstante, "data venia" ignorando completamente tal fato, o recurso especial da Fazenda nem sequer menciona, e obviamente não enfrenta, o voto vencedor quanto à desqualificação da multa proferido pelo I. relator Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, e tanto assim é que ao supostamente transcrever nas páginas 04/06 do recurso "o que consta do Voto Vencedor do acórdão recorrido em relação a esse ponto" na verdade transcreve o voto proferido pelo I. Conselheiro Antonio Bezerra Neto, prolator do voto vencedor quanto ao mérito, mas não quanto à desqualificação da multa. Ora, não tendo a Fazenda Nacional no recurso especial enfrentado as razões de decidir expostas no voto vencedor, no que tange à desqualificação da multa, do I. relator Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, resta evidenciada a inépcia do recurso especial, sobretudo quando se considera que a referência específica aos elementos de fato que no caso concreto levaram o I. fiscal autuante a impor a multa qualificada encontrase somente no voto vencedor proferido pelo I. relator Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, (...)" (Grifos originais) Fl. 6139DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.139 40 Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, cujos fundamentos do voto não teriam sido enfrentados e (2) inadequação dos acórdãos paradigmas por ausência de similitude fática. O processo foi julgado em duas sessões: primeiro, na sessão de 19/01/2018, tendo saído com vistas para o conselheiro Luís Flávio Neto. Depois, o julgamento foi retomado em sessão de mês subsequente, em 07/02/2018. Na sessão de janeiro, foram apresentados memoriais pela Contribuinte, informando que o argumento da inépcia relativo ao voto vencedor não seria reiterado 4. De fato, o patrono da Contribuinte, ao realizar a sustentação oral, retificou entendimento e retirou a proposição de inépcia relativa ao voto vencedor. E, considerando "superada" a questão, posta em contrarrazões e memoriais, deu seguimento à sustentação discorrendo sobre outro ponto trazido em contrarrazões, inadequação dos acórdãos paradigmas por ausência de similitude fática, discorrendo que o recurso especial da PGFN não teria atendido a requisito de admissibilidade previsto no art. 67, Anexo II do RICARF, vez que teria apresentado decisões paradigmas cuja divergência com a decisão recorrida não estaria demonstrada, por ausência de similitude fática. Não obstante a pretensão do patrono da Contribuinte de retirar a questão da inépcia relativa ao voto vencedor, fato é que já estava madura nos autos, aduzida em contrarrazões e com eventos processuais concretizados que já não poderiam mais passar despercebidos pelo presente Colegiado. Diante do ineditismo da situação, os debates entre os conselheiros se iniciaram, buscandose a solução mais adequada para o caso. Em razão dos eventos atípicos, mais de uma solução jurídica se mostrava possível, a depender da qualificação conferida aos fatos 5. 4 Transcrevo excerto dos memoriais trazidos pela Contribuinte na sessão de janeiro de 2018: "I – DAS RAZÕES PARA O NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL I.1 – DA INÉPCIA DO RESURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA Inicialmente, cabe salientar que muito embora a Recorrida em suas contrarrazões do recurso especial da Fazenda tenha arguido sua inépcia pelo fato de não ter atacado os fundamentos do voto do I. Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, que emitiu voto vencedor quanto à qualificação da multa, mas tão somente o voto do I. Conselheiro Antonio Bezerra Neto, este argumento específico não será reiterado no presente memorial tendo em vista que constatou a Recorrida de fato constar do v. acórdão recorrido a declaração deste último I. Conselheiro de que foi “designado para redigir o voto vencedor em relação ao restabelecimento dos lançamentos do IRPJ e da CSLL, bem assim como da desqualificação da multa e do indeferimento de diligência para averiguar possível postergação de tributos” (fl. 5777, destaque nosso)" (Grifos originais) 5 Poderia o Colegiado, por exemplo, ter entendido que, em razão dos incidentes na formalização da decisão da turma a quo, o direito à ampla defesa teria sido cerceado, e por isso caberia a nulidade do acórdão, com fulcro no art. 59 do PAF. Contudo, entendo que o caso não é de nulidade. Na realidade, houve um excesso na motivação da decisão em relação à desqualificação da multa, com dois fundamentos diferentes. Materialmente, a decisão apreciou os fatos e apresentou as razões de decidir. O incidente deuse no ato de formalização da decisão, sendo passível de saneamento. Fl. 6140DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.140 41 No caso, o Colegiado resolveu efetuar a apreciação do caso em duas partes, iniciando na sessão de janeiro de 2018. Em uma primeira deliberação, resolveram os conselheiros decidir qual seria o voto vencedor da decisão recorrida: o do conselheiro Antônio Bezerra Neto, ou do conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. E deuse a votação, decidindo que o voto vencedor era o conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, conforme excerto da ata da sessão de janeiro: Vista para o conselheiro Luís Flávio Neto. Por voto de qualidade, o colegiado entendeu que o voto vencedor discutido no recurso, em relação à multa qualificada, é do relator do acórdão recorrido, o conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa, que entenderam ser do redator designado para o referido acórdão, o conselheiro Antônio Bezerra Neto. Vencida nesse ponto, a relatora votou por não conhecer do Recurso Especial, acompanhada pela conselheira Cristiane Silva Costa, pelas conclusões. Vale destacar o quórum que definiu o voto vencedor: quatro conselheiros entenderam que o voto vencedor era o proferido pelo conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, dentre eles a Presidente (voto de qualidade), contra quatro conselheiros que votaram no sentido de que o voto vencedor seria do conselheiro Antônio Bezerra Neto. Incontestável que antes da deliberação efetuada pelo Colegiado, vigorava um tumulto processual, em um cenário de indefinição sobre qual seria a decisão do voto vencedor. Basta observar o emblemático comportamento das partes. De um lado, o patrono da Contribuinte sustentou em contrarrazões que o voto vencedor seria do conselheiro A, apresentou memoriais antes de sessão de julgamento retificando entendimento para retirar a proposição de discussão, para dizer que o voto vencedor era do conselheiro B. Tal mudança de posição reflete, claramente, a instabilidade jurídica causada pelos incidentes na formalização da decisão. A PGFN, por outro lado, alegou não ter dúvidas de que o voto vencedor da decisão recorrida era do conselheiro B, porque a ementa da decisão recorrida refletia entendimento do voto vencedor B, e a introdução do voto vencedor B trazia texto discorrendo que o redator havia sido designado para escrever sobre a qualificação da multa. Nos debates (ainda na sessão de janeiro de 2018), considerando que o patrono da Contribuinte aduziu preliminar de inépcia que se encontra prevista no Código de Processo Civil CPC como instituto da petição inicial (apesar de o momento processual tratar de recurso especial), manifesteime no sentido de que, se fôssemos tratar da situação sob tal perspectiva, o art. 321 do CPC trazia disposição no sentido de que o juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado. Fl. 6141DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.141 42 Não obstante a remissão ao CPC, uma vez concluída a primeira deliberação, o aspecto principal a ser enfrentado consistiu em definir quais seriam os efeitos do saneamento da decisão realizado pelo Colegiado, considerandose os eventos ocorridos: decisão formalizada com duplo sentido que permitia interpretação de que o voto vencedor tanto pode ser do conselheiro A, quanto do conselheiro B; uma parte interpondo recurso especial em face do voto do conselheiro B; outra parte apresentando contrarrazões suscitando inépcia do recurso por entender que o voto era do conselheiro A, e em memoriais e sustentação oral alterando entendimento para dizer que o voto era do conselheiro B e retirando a preliminar de inépcia; colegiado recursal (1ª Turma Superior de Recursos Fiscais CSRF) fazendo o saneamento da decisão, para decidir que o voto vencedor era do conselheiro A. Entendo não haver dúvidas de que, a partir do momento em que o Colegiado resolveu segmentar o julgamento em duas partes, e definir, em primeira apreciação, qual seria o voto vencedor, avocou para si a estabilização da demanda, mediante o saneamento da decisão. O saneamento é instituto previsto no art. 60, do Decreto nº 72.235, de 1972 (que dispõe sobre o processo administrativo fiscal PAF), que dispõe: As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifei) Observase que o saneamento concretizado não teve repercussão na solução do litígio, tendo em vista que a decisão recorrida objeto de revisão apresentou dois votos vencedores convergentes, no sentido de desqualificar a multa de ofício. E, como visto, o saneamento foi no sentido de definir de quem seria o voto vencedor. E no caso concreto, considerandose os efeitos trazidos pelo saneamento da decisão, que estabilizou a demanda e consumou situação superveniente que não poderia ser oponível às partes do processo, a consequência é a retomada dos atos processuais atinentes à apreciação da matéria qualificação da multa ocorridos desde a formalização da decisão recorrida. Ora, incontestável que, tendo sido retomada a estabilidade jurídica, resolvendo o Colegiado que o voto vencedor era o do conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, concretizouse fato jurídico superveniente, que não pode ser oponível às partes do processo. Por isso, não se pode exigir, depois da deliberação do Colegiado na data "X+1" no sentido de que o voto vencedor seria do conselheiro B, que na data "X" a parte deveria ter interposto recurso em face do voto vencedor do conselheiro A. Da mesma maneira, diante dos fatos colocados, não se pode exigir da parte a oposição de embargos de declaração. Fl. 6142DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.142 43 Isso porque a decisão permite uma interpretação de duplo sentido, tanto de que o voto vencedor seria do conselheiro A, quanto que seria do conselheiro B. E, diante de uma decisão dessa natureza, natural que as partes possam ser induzidas a erro. Lendo os termos da ementa, e a introdução do voto vencedor, concluiu que era competência do conselheiro B escrever as razões de decidir. E, diante de tal constatação, fez o que lhe cabia no momento: interpôs o recurso especial. Como acusar a parte de ser negligente se não tinha dúvidas sobre de quem seria o voto vencedor, diante de uma decisão com duplo sentido? O próprio patrono da Contribuinte, ao retirar a proposição de inépcia em memoriais e na sustentação oral, refletiu com clareza o contexto de indução a erro a que foram submetidas as partes. Portanto, uma vez que o Colegiado decidiu pelo saneamento da decisão recorrida, e estabilizou a demanda, retirou qualquer ônus das partes, não tendo como fazer juízo de valor das medidas processuais em relação à matéria qualificação da multa durante período pretérito no qual vigorava a indefinição processual. 6 Por isso, foi proposta a diligência, para oportunizar à parte a interposição de novo recurso especial em relação à qualificação da multa. Nesse contexto, iniciouse a votação da segunda deliberação, cujo resultado formalizado em ata da sessão de janeiro de 2018 foi o seguinte: Vista para o conselheiro Luís Flávio Neto. Por voto de qualidade, o colegiado entendeu que o voto vencedor discutido no recurso, em relação à multa qualificada, é do relator do acórdão recorrido, o conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa, que entenderam ser do redator designado para o referido acórdão, o conselheiro Antônio Bezerra Neto. Vencida nesse ponto, a relatora votou por não conhecer do Recurso Especial, acompanhada pela conselheira Cristiane Silva Costa, pelas conclusões. O conselheiro André Mendes de Moura abriu preliminar de conversão do julgamento em diligência para saneamento dos autos, com abertura de novo prazo para manifestação da Fazenda Nacional, acompanhado pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Nesse ponto houve o pedido de vista. Não votaram os demais conselheiros. A relatora não se manifestou sobre o mérito do recurso. Presidiu o julgamento a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (Grifei) A conselheira Cristiane Silva Costa abriu divergência, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo acompanhou a minha proposta de diligência. O conselheiro Luís Flávio Neto pediu vistas. A apreciação do processo foi retomada em sessão de fevereiro de 2018, para continuidade do julgamento. 6 Reforço entendimento de que o momento para se discutir eventual procedimento de qualquer das partes seria antes da primeira deliberação (que decidiu sobre qual seria o voto vencedor). Contudo, o Colegiado fez a opção por sanear a decisão, opção mais acertada, em razão do tumulto processual vigente. E, tendo concretizado a tarefa, tem que conferir às partes o direito de se manifestar em face da situação jurídica consolidada para a qualificação da multa: de que o voto vencedor é do conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 6143DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.143 44 Na oportunidade, o patrono da Contribuinte apresentou novos memoriais7, apresentando argumento no sentido de que a oportunidade dada para a PGFN de interpor novo recurso não seria cabível, porque para o caso concreto deveria ser apreciado sob a perspectiva do art. 932 do CPC. Para lastrear o entendimento, apresentou junto aos memoriais parecer de CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO, inclusive trazido no voto a i. Relatora. Cabe nesse momento destacar que a discussão em torno da aplicabilidade do art. 932 do CPC foi trazida pelo patrono da Contribuinte. Na sessão de janeiro, quando realizada a proposta da diligência, não se falou na aplicação do dispositivo. Novos debates ocorreram, na sessão de fevereiro de 2018, em torno da possibilidade de aplicação do dispositivo ao caso concreto: Art. 932. Incumbe ao relator: (...) Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível. Na ocasião, manifesteime para citar os comentários da obra de NERY JUNIOR 8 : Par. ún.: 21. Regularização de deficiência processual. Existindo irregularidade no processo, capaz de ocasionar juízo negativo de admissibilidade do recurso, o recorrente tem o direito subjetivo de ser intimado pelo relator para sanar a irregularidade, se sanável for. Tratase de providência salutar, em homenagem ao princípio da 7 Transcrevo excerto dos memoriais trazidos pela Contribuinte na sessão de fevereiro de 2018: "Com efeito, tendo a Fazenda Nacional em seu recurso enfrentado única e especificamente o voto constante do v. acórdão recorrido proferido pelo Conselheiro Antônio Bezerra, e tendo esta C. Turma decidido por voto de qualidade que o voto vencedor em relação ao ponto recorrido (qualificação da multa de ofício) na verdade é aquele proferido pelo Conselheiro Alexandre Alkmin, partindo desta premissa instaurouse a seguinte divergência: a) de um lado, 2 (dois) votos foram proferidos no sentido de não conhecer do recurso interposto por não enfrentar o voto vencedor do acórdão recorrido; e b) de outro lado, 2 (dois) votos foram proferidos no sentido de que, em linha com o disposto nos arts. 321 e 801 do CPC, deveria ser aberta vista à Fazenda Nacional para complementar/aditar seu recurso, considerando ainda o fato de terem constado do acórdão recorrido dois votos “vencedores”. Neste passo, pede vênia a Recorrida para esclarecer que os arts. 321 e 801 do CPC tratam única e exclusivamente da possibilidade de emenda da petição inicial, não se aplicando aos recursos, para os quais existe regra específica (art. 932, inciso III e parágrafo único), relativamente à qual tanto o Superior Tribunal de Justiça como o Supremo Tribunal Federal (por seu Plenário) já assentaram que o vício do recurso passível de saneamento é apenas o vício formal, jamais a deficiência quanto às razões recursais (AgInt no AGRESP 1.151.650, AgInt no AGRESP 692.495, AgReg no RE 1.046.009, AgReg no RE 953.221 e AgREg nos EDIV no AgReg no RE 598.609). (...) Exatamente neste sentido é o entendimento de Cândido Dinamarco, especificamente à luz do caso concreto, (...)" 8 NERY, Nelson Nery Júnior. NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2015, p. 1853. Fl. 6144DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.144 45 instrumentalidade das formas e à instrumentalidade do próprio processo. É uma oportunidade válida e justa para, por exemplo, a inclusão de uma peça que deveria fazer parte do instrumento que compõe o agravo do CPC 1015, inadvertidamente esquecida (o que, aliás, é expressamente permitido pelo CPC 1017 § 3º). O dispositivo comentado alcança, inclusive, a hipótese em que o recorrente não impugna especificamente os fundamentos da decisão recorrida (CPC 932 III in fine), porque não faz distinção sobre a causa ou o motivo da irregularidade que pode ser sanada. (Grifei) E reforcei entendimento proferido na sessão de janeiro: se a recorrente não impugnou especificamente os fundamentos da decisão recorrida, é porque foi induzida a erro, diante de uma decisão formalizada com duplo sentido, que permitia duas interpretações sobre de quem seria o voto vencedor, e que os efeitos do saneamento não poderiam ser oponíveis às partes. Cabe esclarecer que em nenhum momento foram alterados os fundamentos pelos quais foi realizada a proposta da resolução em janeiro de 2018, até porque não poderiam ser "complementados", vez que já havia sido formalizada, com votação iniciada e consignada em ata. De qualquer forma, com a máxima vênia aos conselheiros que se sensibilizaram com os argumentos do patrono da Contribuinte no sentido de que no presente caso caberia a apreciação em face do art. 932 do CPC, registrase que a jurisprudência mencionada pela i. Relatora, do STJ e do STF, assim como a Súmula 284 do STF, ao discorrer que não seria admitido recurso extraordinário quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia, não tratou da situação posta pelos presentes autos. A qualificação dos fatos é elemento essencial na construção da decisão 9. A leitura dos eventos postos pode receber diferentes conotações, e, por consequência, desencadear operações de silogismo divergentes. De fato, não haveria ressalvas à aplicação do entendimentos das decisões dos tribunais superiores, tampouco do entendimento sumular, caso fosse assentada em precedentes cujo cenário tratasse de uma decisão recorrida com as particularidades aqui apresentadas. 9 Recorro ao modelo previsto por KARL ENGISCH (Introdução ao Pensamento Jurídico. Calouste Gulbenkian: Lisboa, 2001) para o operação de subsunção, entendendose premissa menor como o fato a ser qualificado e a premissa maior a norma jurídica, sobre as quais se aplica o direito e concretizase a decisão, para discorrer sobre o processo de fundamentação. E, em se tratando da premissa menor, aponta KARL LARENZ (Metodologia da Ciência do Direito. Calouste Gulbenkian: Lisboa, 1997) que a situação ocorrida no mundo dos fatos e objeto do litígio não é acessível diretamente ao julgador, razão pela qual tem que ser conformada. Partese de uma "situação de fato em bruto", apresentada em forma de relatos informados pelas partes, que podem estar carregados de parcialidade no sentido de justificar a pretensão requerida. E, ainda que o fato possa ser imparcial, pode carregar um componente de incerteza, quando se busca a adequação a um fato jurídico predicado pela lei. LARENZ cita um exemplo, a partir de dispositivo no BGB, que dispõe que, quem por meio de elaboração ou transformação de um ou vários materiais, fabrica uma coisa móvel nova, adquire a propriedade de uma coisa nova sempre que o valor da elaboração ou transformação não seja manifestamente inferior ao valor dos materiais. A discussão reside no que se entende por coisa nova, e o autor dá dois exemplos. No primeiro, a pessoa constrói, em processo de carpintaria, uma caixa a partir de um insumo (tábua de madeira). No segundo, a pessoa parte de uma caixa construída de maneira precária, refaz o trabalho utilizandose dos mesmos insumos, e confere à caixa uma aparência e qualidade completamente diferentes da versão original. No segundo caso, poderseia qualificar a caixa como uma coisa nova, na mesma medida que no primeiro? Fl. 6145DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.145 46 Contudo, não é possível querer se aplicar, para o caso dos presentes autos, o racional da jurisprudência ou da súmula, que não apreciaram cenário no qual foi formalizada decisão recorrida com duplo sentido que provocou instabilidade processual e induziu a erro as partes, e que foi objeto de saneamento consumando fato superveniente que não pode ser oposto às partes. Feito o registro a respeito dos argumentos trazidos pela Contribuinte nos memoriais apresentados na sessão de fevereiro de 2018, e considerando devidamente esclarecido que os fundamentos aduzidos no presente voto são aqueles consolidados na sessão de julgamento de janeiro de 2018, medida que se impõe é a retomada dos atos processuais atinentes à apreciação da matéria qualificação da multa ocorridos desde a formalização da decisão recorrida. Diante do exposto, propõese diligência para (1º) cientificar a PGFN sobre a presente decisão, para interpor recurso especial exclusivamente relativo à matéria qualificação da multa de ofício, seguindose o rito previsto no RICARF, com apreciação em despacho de exame de admissibilidade do recurso que, caso negado, poderá ser agravado; (2º) ciência para a Contribuinte manifestarse. Os autos devem retornar ao presente Colegiado para julgamento. É o voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 6146DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.146 47 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Nas reuniões de janeiro e fevereiro de 2018, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional nos autos do processo n. 19515.723039/201279. O acórdão recorrido apresenta evidente vício de obscuridade. Ocorre que, embora a Turma a quo tenha julgado, por unanimidade de votos, ser necessário desqualificar para o percentual de 75% a multa de 150% aplicada ao contribuinte, o acórdão por ela proferido apresenta dois votos vencedores, com diferentes fundamentos, para a referida redução. O voto proferido pelo Conselheiro Relator, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, consignou expressamente tratarse de voto vencedor quanto à matéria da multa qualificada. Por sua vez, o redator designado para a matéria de mérito, Antônio Bezerra Neto, igualmente consignou, expressamente, tratarse de voto vencedor quanto à multa qualificada. A PFN, após ser cientificada do acórdão a quo, apresentou imediatamente recurso especial, requerendo o restabelecimento da multa qualificada ao percentual de 150%. Em seu recurso especial, a PFN voltouse contra os fundamentos apresentados pelo redator designado, Antônio Bezerra Neto. Na reunião de janeiro de 2018, por voto de qualidade, este Colegiado da 1a Turma da CSRF compreendeu que o voto verdadeiramente vencedor teria sido do Conselheiro Relator, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Na reunião de fevereiro de 2018, novamente por voto de qualidade, foi proferida decisão atípica, com a conversão do julgamento em diligência, oportunizandose à PFN a apresentação de novo recurso especial. Restei vencido na referida votação e, nesta declaração de voto, apresento alguns dos fundamentos que me convenceram do equívoco da decisão adotada por este Colegiado. Ocorre que, se a PFN apresentou recurso especial voltandose contra fundamentos estranhos àqueles adotados pelo voto vencedor (conforme decisão da CSRF proferida na sessão de janeiro de 2018), não há como dar seguimento ou mesmo salvar ao aludido recurso. O Código de Processo Civil disciplina os embargos de declaração Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III corrigir erro material. Parágrafo único. Considerase omissa a decisão que: I deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento; II incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1o. Fl. 6147DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.147 48 O Regimento Interno do CARF, sob a mesma diretriz, prevê: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Conforme leciona Cassio Scarpinella Bueno, “a obscuridade relacionase com a falta de clareza ou de precisão da decisão jurisdicional. Tratase de hipótese em que a forma como o prolator da decisão se exprime fazse pouco clara comprometendo o seu entendimento e, consequentemente, o seu alcance”. Fredie Didier Jr., da mesma forma, expõe que “a obscuridade é a qualidade do texto de difícil ou impossível compreensão. É obscuro o texto dúbio, que careça de elementos que o organize e lhe confira harmonia interpretativa. O obscuro é o antônimo do claro. A decisão obscura é aquela que não ostenta clareza”. Não resta dúvida que o acórdão a quo padece de vício de obscuridade: há dois votos que reclamam a qualidade de vencedores quanto aos fundamentos para a redução da multa de 150% para 75% (mesma conclusão que se sagrou vencedora por unanimidade, mas com fundamentos diversos). Se isso não é uma obscuridade que demanda a oposição de embargos de declaração, não sei o que seria. A parte deixou de cumprir o ônus que lhe cabia, qual seja, apresentar embargos de declaração para sanar a obscuridade presente na decisão recorrida e, assim, interpor o recurso especial em face dos fundamentos que claramente embasaram a decisão recorrida. A oposição dos embargos de declaração seria não apenas um direito, mas também um ônus da parte recorrente: para a interposição de recurso especial em face dos fundamentos que certamente teriam embasado o acórdão a quo, não haveria saída diversa que a oposição de embargos de declaração. Mas isso não foi feito, com a oposição de recurso especial contra fundamentos estranhos àqueles que, conforme o entendimento da CSRF, embasaram a decisão da Turma a quo. A decisão do Colegiado, de converter o julgamento do recurso especial em diligência, acabou por suplantar a necessidade da PFN opor embargos de declaração. Não tendo esta cumprido o seu dever processual, solucionouse de ofício e retroativamente a obscuridade da decisão da Turma a quo, devolvendose o prazo para a interposição de novo recurso. É como se nós, na oportunidade do julgamento do recurso especial, opuséssemos e, ao mesmo tempo, julgássemos procedentes embargos de declaração em nome de uma das partes (no caso, a PFN), solucionando a obscuridade que deixou de ser evidenciada por esta, devolvendolhe, de forma retroativa, a oportunidade para a oposição de novo recurso especial, agora com mais chances de ser admitido. Compreendo que a bem fundamentada decisão da i. Conselheira Relatora do recurso especial cumpriu com o dever imposto pelo art. 932, III, do Código de Processo Civil. Nesse cenário, acompanho o voto da i. Conselheira Relatora, para rejeitar a proposta de conversão do julgamento do recurso especial em atípica reabertura de prazo para a oposição de novo recurso especial pela PFN. (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto Fl. 6148DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.148 49 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Acompanho o voto da Relatora, rendendo homenagens à consistência jurídica na sua elaboração. De toda forma, acrescento algumas ponderações que julgo relevantes para análise do tema trazido à avaliação por este Colegiado. Primeiramente, destaco que no caso de julgamento por unanimidade de votos, como procedido pela Turma prolatora do acórdão recorrido, o voto do Relator (exConselheiro Alexandre Antonio Alkim Teixeira) prevalece para revelar a interpretação jurídica adotada pela Turma à ocasião da sessão de julgamento. Esta conclusão decorre do regramento federal a respeito de processo administrativo, tendo por diretriz a necessidade de motivação do ato administrativo. Com efeito, a Lei nº 9.784/1999 prevê a necessidade de motivação do ato administrativo, verbis: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; A motivação assegura o conhecimento das razões de fato e de direito pelas quais o julgador concluiu pela manutenção, ou não, do lançamento tributário. Exatamente por isso, a motivação e conclusão do voto prevalecente (do conselheiro Relator) é a que produz efeitos legais, seja para oportunizar o direito de apresentação de recursos, seja para gerar efeitos preclusivos caso não apresentado recurso que seja conhecido. Passo a tratar da legislação federal, para corroborar o acerto do voto da Relatora, ao reconhecer o equívoco no recurso especial por não impugnar expressamente o voto preponderante do relator na Turma a quo, acompanhado à unanimidade sem qualquer ressalva. O Decreto 70.235/1972 traz norma demonstrando a necessidade de motivação da decisão administrativa, ao mencionar requisitos da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (primeira instância): Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 6149DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.149 50 O mesmo Decreto nº 70.235/1972 atribui ao Ministro da Fazenda, por meio de edição de Regimento Interno do CARF, o poder para regular o julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) No caso dos autos, tratamos de julgamento realizada por Turma do CARF (1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção) em 26 de agosto de 2014, quando vigia o Regimento Interno veiculado pela Portaria MF nº 256/2009 (RICARF). O RICARF previa, desde alteração em 2010, a necessidade de consignar no acórdão os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros, caso apenas concordassem com as conclusões do relator: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (...) § 9º Na hipótese em que a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Notese que na hipótese de julgamento em que não houvesse a maioria acompanhando o que informalmente denominase “pelas conclusões”, sequer seria necessário o registro dos fundamentos dos conselheiros que fossem distintos da motivação do relator. A despeito disso, mesmo quando um único conselheiro julgador acompanhava pelas conclusões, era comum o registro nesse sentido. A regra é tão relevante no contencioso administrativo federal – para assegurar o efetivo resultado de julgamento e o conhecimento pelas partes da motivação dos julgadores – que foi reproduzida no atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015) Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Fl. 6150DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.150 51 Constava do Regimento Interno vigente em 2014, ainda, a aprovação da ata, que poderia ser à ocasião da próxima sessão de julgamento (art. 57, inciso II) ou anteriormente (art. 57, §3º): Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; II aprovação de ata de sessão anterior; III deliberação sobre matéria de expediente; e IV relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser apresentados, previamente ao início da reunião de julgamento, em meio eletrônico, ressalvada a hipótese prevista no parágrafo único do art. 41. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, fazendo constar o fato em ata. § 3º A Ata da sessão de julgamento poderá ser aprovada anteriormente à sessão subseqüente, ficando dispensado, neste caso, o procedimento previsto no inciso II do caput. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) O mesmo RICARF (Portaria MF 256/2009) previa que a ata, com resultados de julgamentos, seria submetida à aprovação pelos Conselheiros julgadores das Turmas: Art. 61. As atas das sessões serão assinadas pelo presidente da turma, pelo secretário de Câmara e por quem tenha atuado como secretário da sessão e serão publicadas no sítio do CARF na Internet, devendo nelas constar: I os processos distribuídos, com a identificação do respectivo número, do número do recurso e do nome do interessado, do recorrente e da recorrida; e I os processos distribuídos, com a identificação do respectivo número e do nome do interessado, do recorrente e do recorrido; e (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) II os processos julgados, os convertidos em diligência, os com pedido de vista, os adiados e os retirados de pauta, com a identificação, além da prevista no inciso I, do nome do Procurador da Fazenda Nacional, do recorrente ou de seu representante legal, que tenha feito sustentação oral, da decisão prolatada e a inobservância de disposição regimental; e III outros fatos relevantes, inclusive por solicitação da parte. Fl. 6151DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.151 52 Parágrafo único. Do conteúdo das atas será dada ciência aos conselheiros, por meio eletrônico, nos respectivos endereços no correio corporativo no CARF. Parágrafo único. Do conteúdo das atas será dada ciência aos conselheiros, por meio de sistema eletrônico ou pelo correio corporativo, para conhecimento e aprovação. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (grifamos) Este breve panorama revela que a ata publicada é relevante, pelo próprio regramento do processo administrativo federal, para demonstrar o resultado do julgamento – sendo devidamente aprovada pelos julgadores da Turma , dando segurança jurídica às partes e aos próprios julgadores. No caso destes autos, lembro o que consta da ata devidamente publicada, após a aprovação de seu teor por todos os Conselheiros componentes da Turma Ordinária a quo, o julgamento unânime com relação à multa de ofício qualificada, sem registro de qualquer distinção de fundamentos pelos demais julgadores (“pelas conclusões”): DERAM provimento PARCIAL ao recurso de ofício, nos seguintes termos: I) Pelo voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer os autos de infração do IRPJ/CSLL. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que negavam provimento ao recurso de ofício; II) por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); III) pelo voto de qualidade, NEGAR o pedido de baixar o processo em diligência para averiguação de postergação no pagamento de tributos. Vencidos Os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que acolhiam o pedido; e VI) Por maioria de votos, mantiveram os juros sobre a multa de ofício Vencidos os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. O pedido de vistas da Conselheira Karem Jureidini Dias foi negado pelo Presidente. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta substitui o Conselheiro Maurício Pereira Faro que declarouse impedido. (Informação extraída do sítio do CARF: file:///C:/Users/crist/AppData/Local/Temp/ATA1401201408_AGOSTO _20141.pdf) Lembro que caso exista um equívoco em ata ou mesmo no acórdão, cabe às partes a impugnação pelos meios próprios. No caso de obscuridade, contradição ou omissão no acórdão, o meio processual cabível para impugnação é a oposição dos embargos de declaração, como prevê o artigo 65, do RICARF vigente à ocasião (Portaria MF nº 343/2015). Aliás, o próprio Conselheiro julgador, componente da Turma a quo poderia ter interposto embargos de declaração na forma do RICARF, verbis: art. 65, §1º: Os embargos de Fl. 6152DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.152 53 declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional (...). Sem a oposição de embargos pelas partes ou pelos Conselheiros, restaria à parte vencida a interposição de recurso especial questionando a o voto prevalecente, do Conselheiro Relator (Alexandre Antonio Alkim Teixeira). E para evitar qualquer risco – considerando uma remota admissão apenas das razões do voto do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a despeito do claro resultado na ata de julgamento e das disposições do RICARF – a parte sucumbente poderia ter interposto recurso especial contra ambos os votos. Nenhuma destas cautelas foi tomada pela Procuradoria, revelando equívoco que não pode ser solucionado à luz da legislação vigente. Notase um lapso no voto inserido no acórdão pelo Conselheiro Antonio Bezerra Neto (identificando – por ele mesmo como vencedor no que concerne à multa qualificada), mas este equívoco não retira a força jurídica da ata de julgamento (aprovada por todo o Colegiado e publicada no diário oficial) e das normas do processo administrativo federal que atribuem ao resultado unânime do julgamento a clara legitimação do voto do Relator apresentado ao Colegiado como prevalecente. Sobreleva considerar, ainda, que a Turma a quo USUALMENTE consignava os votos que acompanhassem o relator “pelas conclusões”, o que reforça a fragilidade de se considerar o voto que não foi identificado de tal forma em ata de julgamento e acórdão formalizado e publicado no diário oficial. Nesse sentido, destaco os seguintes acórdãos proferidos pela mesma Turma com resultado consignado em ata pelas conclusões, mesmo tratando de um ou dois conselheiros apenas (e não a maioria do Colegiado): Número do acórdão Mês do julgamen to Resultado 1401001.221 Julho de 2014 Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITARAM as preliminares de nulidade e, no mérito por maioria de votos, NEGARAM provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator) que dava parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a responsabilidade das pessoas físicas. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fl. 6153DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.153 54 Fernando Luis Gomes de Mattos 1401001.222 Julho de 2014 Por unanimidade de votos, REJEITARAM as preliminares de nulidade e, no mérito por maioria de votos, NEGARAM provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator) que dava parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a responsabilidade das pessoas físicas. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luis Gomes de Mattos 1401000.301 Abril de 2014 Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos acompanharam pelas conclusões. 1401000.302 Abril de 2014 Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos acompanharam pelas conclusões. 1401001.118 Fevereiro de 2014 Por unanimidade de votos, afastaram as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade NEGARAM provimento. Vencidos os conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator), Alexandre Antonio Alkmin Teixeira (pelas conclusões) e Sérgio Luiz Fl. 6154DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.154 55 Bezerra Presta que reconheciam a dedutibilidade dos depósitos judiciais de PIS/COFISN na base da CSLL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. Informações extraídas do sítio do CARF: (https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/CalendarioSessoes/exibeCalendarioSessaoAno.jsf) Lembro que no caso destes autos (julgamento em agosto de 2014) o voto que poderia ser – por hipótese pelas conclusões é do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, que porventura poderia ter sido acompanhado pela maioria do Colegiado. Mas não é isso que consta da ata. Segundo a ata de julgamento, foi vencedor (acompanhado pela unanimidade do Colegiado) o Relator (Alexandre Antonio Alkmin Teixeira). Portanto, constatase o erro grosseiro na elaboração do recurso especial, que não pode ser ignorado. Ressalto, outrossim, que já me manifestei em julgamentos precedentes sobre a inépcia de recurso especial interposto sem que sejam relacionadas as razões do recurso à decisão recorrida (acórdãos 9101002.592 e 9101002.779). Nesse sentido, adoto razões manifestadas em declaração de voto apresentada no acórdão 9101002.592, novamente lembrando que a decisão recorrida sobre multa qualificada é revelada pelo voto do Relator (Alexandre Antonio Alkmin Teixeira), não tendo sido tratada em razões do recurso especial: A eventual falta de confusão patrimonial com “reais investidoras” não foi causa do lançamento tributário, como tampouco analisada pelo acórdão recorrido. Diante disso, a inovação pretendida pela Recorrente não pode ser conhecida por esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vislumbrandose a inépcia do recurso especial, preliminar impeditiva do seu conhecimento. Pondero que a inépcia é tratada pelo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) como causa de indeferimento da petição inicial, verbis: Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: I for inepta; acórdão(...) § 1º Considerase inepta a petição inicial quando: I lhe faltar pedido ou causa de pedir; II o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; III da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; IV contiver pedidos incompatíveis entre si. Fl. 6155DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.155 56 A falta de lógica entre a narração dos fatos e a conclusão é evidente causa de inépcia da petição inicial, conforme artigo 330, §1º, inciso III, supra colacionado. No caso destes autos, há evidente incompatibilidade entre as razões do recurso especial e seu pedido (reforma do acórdão recorrido), decorrendo a necessário reconhecimento de sua inépcia, para que lhe seja negado conhecimento. Ora, se o acórdão recorrido não conheceu da alegação da “ausência de confusão patrimonial”, como é possível a reforma deste acórdão com fundamento nesta matéria (“confusão patrimonial”). Mais ainda: não há sequer uma linha no recurso especial tratando do único tema que teria originado o lançamento tributário, que é a inexistência da BIG JUMP. O tema “inexistência da BIG JUMP” foi o fundamento do lançamento tributário e, exatamente por isso, compõe as decisões de primeira instância (DRJ) e segunda instância (Turma Ordinária do CARF). A alteração do fundamento – por meio de recurso especial pela Procuradoria implica em ilegítima modificação do fundamento do Auto de Infração, o que é defeso por meio de decisões administrativas. Acrescento que é aplicável o CPC de forma supletiva e subsidiária ao processo administrativo fiscal, como expressamente dispõe o artigo 15 deste diploma processual: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. A inexistência de norma especial no regramento de processo administrativo que regule a inépcia do recurso especial autoriza a aplicação do CPC para negativa de seguimento ao recurso. Sobreleva considerar, ainda, que a inépcia do recurso é usualmente enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça como causa de seu não conhecimento, como no acórdão cuja ementa transcrevemos a seguir: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INÉPCIA. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA RECURSAL. MAJORAÇÃO. ART. 1.021, § 4º, CPC/2015. INCIDÊNCIA. 1. O agravo em recurso especial, interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial, que não impugna, especificamente, os fundamentos por ela utilizados não deve ser conhecido. 2. Agravo interno no agravo em recurso especial não conhecido, com majoração de honorários e aplicação de multa nos termos do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015. (Superior Tribunal de Justiça, Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 776.545, Relatora Ministra Nancy Andrighi, DJe de 16/03/2017) Fl. 6156DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.156 57 O Supremo Tribunal Federal também reconhece a inépcia de recursos para negarlhes seguimento, como se verifica em algumas ementas a seguir reproduzidas: Embargos de declaração em embargos de declaração em agravo regimental em recurso extraordinário com agravo. 2. Recurso extraordinário intempestivo. Incidência da Súmula 284. 3. Razões desconexas e dissociadas dos fundamentos do acórdão embargado. Inépcia. 4. Caráter protelatório. Reiteração. Elevação da multa imposta. 5. Embargos de declaração rejeitados. (STF, ARE 944.777, DJe 10/03/2017) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. OMISSÃO, OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO NÃO DEMONSTRADOS. EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO CONHECIDOS. I – Petição de embargos declaratórios na qual não se aponta a existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Consequência: não conhecimento da impugnação. II – Revelase inepto o recurso no qual não são observados os pressupostos processuais indispensáveis à interposição ou as razões se dirigem contra decisão formal e substancialmente diversa do que decidido (RE 142.466AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 26/6/1992). III – Embargos de declaração não conhecidos. (STF, Tribunal Pleno, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, DJe de 17/05/2016) Em sentido similar, a ilegitimidade de eventual recorrente autoriza seja negado seguimento ao recurso especial – por esta Câmara Superior de Recursos Ficais – com a aplicação das normas do CPC no processo administrativo tributário. Tal fato confirma a necessária aplicação do CPC na hipótese dos autos, para não conhecimento do recurso especial, diante da sua inépcia. Por tais razões, entendo que há inépcia do recurso especial, concluindo pela negativa de seu conhecimento. A inépcia do recurso especial impede seu conhecimento, assim como é inviável a reabertura de prazo para novo recurso, diante da preclusão para tanto. Nos termos da legislação federal, a preclusão para interposição de recurso especial é irremediável, impondose o não conhecimento do inepto recurso especial da Procuradoria, na forma prevista pelo artigo 42, II, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: (...) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; Fl. 6157DF CARF MF Processo nº 19515.723039/201279 Resolução nº 9101000.041 CSRFT1 Fl. 6.157 58 Consigno, por fim, a insegurança ao processo administrativo federal decorrente de interpretação contrária. Afinal, interpretação contrária atribui ao lapso de um Conselheiro (identificandose como vencedor) o poder de alterar o resultado de um julgamento – assim como os efeitos preclusivos por falta de recurso adequado – a despeito das normas claras demonstrando a eficácia do voto do Relator acolhido à unanimidade. Por tais razões, acompanho o voto da Relatora – acrescentando questões relacionadas à legislação do processo administrativo federal para não conhecer o recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 6158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000219/2007-29
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, somente na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
Numero da decisão: 1003-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, somente na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
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EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, somente na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 19 /2 00 7- 29 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13982.000219/200729 Acórdão n.º 1003000.181 S1C0T3 Fl. 109 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 90/93, numeração em papel) que julgou improcedente a impugnação contra o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração às folhas 09/10, com anexos às folhas 11/20, correspondente a multa de mora paga a menor relativa a débitos de IRPJ dos quatro trimestres de 2004, no valor de R$ 8.754,96. A recorrente alega, em síntese, que os pagamentos por ela efetuados se deram acompanhados de juros de mora, tendo havido denúncia espontânea da infração e sendo incabível a aplicação de multa de mora conforme art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A lide cingese em saber se a denúncia espontânea tem o condão de alcançar a multa de mora. A questão relativa à denúncia espontânea nos casos de tributos recolhidos espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13982.000219/200729 Acórdão n.º 1003000.181 S1C0T3 Fl. 110 3 PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13982.000219/200729 Acórdão n.º 1003000.181 S1C0T3 Fl. 111 4 Pelo exposto, resta caracterizada a denúncia espontânea, que exclui a incidência da multa de mora nos casos em que houve o recolhimento com atraso de tributos que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em que o pagamento extemporâneo de tributos declarados em DCTF, entregue após o citado pagamento. Conforme mostram os anexos ao auto de infração, os débitos tributários em questão foram recolhidos em 30/09/2005, 26/10/2005, 18/11/2005, 22/12/2005 e 26/12/2205, em seu valor principal e juros de mora, e, conforme consta do próprio auto de infração, as DCTF foram apresentadas em 06/07/2005. Destarte, restou evidenciado nos autos de que a contribuinte declarou o crédito tributário ANTERIORMENTE ao pagamento, não se configurando a situação prevista na decisão judicial supra. As razões da aplicabilidade da multa de mora constam do acórdão recorrido, do qual transcrevo o trecho a seguir, que adoto como razões de decidir: Com efeito, a todo contribuinte que denunciar, de forma voluntária, uma infração legislação tributária, é dado ver excluída sua responsabilidade tributária pela infração praticada, com o que terá afastada a aplicação das sanções acaso cabíveis, nos precisos termos do art. 138 do CTN. Isso, contudo, não autoriza a interpretação de que é indevido o pagamento da multa moratória exigida pela legislação tributária, pois a multa de mora não tem natureza de penalidade por infração à legislação tributária, não se confundindo, pois, com a multa de oficio, esta sim revestida de caráter punitivo. Desta forma, correta a aplicação da multa de prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900302/2008-45
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
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score : 1.0
Numero do processo: 15983.000784/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
Espontaneidade.
A ciência do termo de início e do MPF, que, expressamente cita as
verificações obrigatórias, exclui a espontaneidade também em relação aos tributos submetidos àquelas verificações nos cinco anos anteriores à ciência.
A entrega posterior de DCOMP´s leva à conseqüência de aplicação dos juros e penalidades cabíveis sobre os débitos confessados.
Numero da decisão: 1302-000.448
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: Espontaneidade. A ciência do termo de início e do MPF, que, expressamente cita as verificações obrigatórias, exclui a espontaneidade também em relação aos tributos submetidos àquelas verificações nos cinco anos anteriores à ciência. A entrega posterior de DCOMP´s leva à conseqüência de aplicação dos juros e penalidades cabíveis sobre os débitos confessados.
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A ciência do termo de início e do MPF, que, expressamente cita as verificações obrigatórias, exclui a espontaneidade também em relação aos tributos submetidos àquelas verificações nos cinco anos anteriores à ciência. A entrega posterior de DCOMP´s leva à conseqüência de aplicação dos juros e penalidades cabíveis sobre os débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes De Almeida Nogueira Junqueira Daniel Salgueiro Da Silva, Eduardo De Andrade Irineu Bianchi E Marcos Rodrigues De Mello Fl. 6DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10044.VKVU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000784/200710 Acórdão n.º 130200.448 S1C3T2 Fl. 2.290 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ , Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, bem como bem como de multas isoladas relativas ao não recolhimento de estimativas mensais devidas (IRPJ e CSLL), em decorrência de procedimento de Verificações Obrigatórias. As autuações ocorreram em relação aos anoscalendário de 2006 e 2007, e decorreram de constatação de divergências entre as os valores declarados e os valores escriturados pelo sujeito passivo, no que se refere a estimativas devidas mensalmente. No que se refere ao anocalendário de 2006, foram cobradas: multas de ofício isoladas sobre as diferenças de estimativas (IRPJ e CSLL) não declaradas em DCTF, nem compensadas judicialmente ou administrativamente, nem recolhidas ou parceladas e nem objeto de dedução de IRRF; e, na apuração anual do IRPJ a pagar e da CSLL a pagar, lançou se o IRPJ e a CSLL devidos. Quanto ao anocalendário de 2007, houve aplicação apenas de multa isolada, em razão do lançamento ter sido realizado durante o ano em curso. A base legal para o IRPJ e para a respectiva multa isolada foi a seguinte (fls. 02/22): IRPJ è R$ 734.803,26 Arts. 247 e 851 do RIR/99; Arts. 15 e 16 da IN SRF nº 93/97; e, IN SRF 600/2005. Multa Isolada – IRPJ è R$ 298.445,31 Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pela art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. E a base legal para a CSLL e para a multa isolada foi a seguinte: CSLL è R$ 341.531,28 Arts. 77, III, do Decretolei nº 5.844/43, art. 149 da Lei nº 5.172/66, art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; e, art 37 da Lei nº 10.637/2002. Multa Isolada – CSLL è R$ 138.004,60 Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pela art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. O Termo de Início de Fiscalização data de 13/03/2006 (fls. 49/51) e referese a Fiscalização de PIS/COFINS, período de 12/2002 a 05/2003, e Verificações Obrigatórias, período de 02/2001 a 12/2005. O Termo de Verificação Fiscal (fls.1784/1796) relaciona os procedimentos da Fiscalização com relação a ambos os assuntos, sendo que, no que tange às Verificações Obrigatórias, concluiu pelo já exposto acima. Fl. 7DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10044.VKVU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000784/200710 Acórdão n.º 130200.448 S1C3T2 Fl. 2.291 3 Conforme despacho da Autoridade Preparadora de fl. 2028, a impugnação apresentada (fls. 1800/2027) é tempestiva, tendo a ciência ocorrido em 31/10/2007 (fls. 08 e 18) e o seu protocolo sido datado de 29/11/2007 (fls. 1801 e 1808). Foram apresentadas duas impugnações, uma para o IRPJ e outra para a CSLL. São de teor quase idêntico, tendo sido alegado, em síntese que, a empresa teria realizado compensações por meio de PER/DCOMPs entregues em agosto de 2006, as quais constam dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A empresa intimada por suposta irregularidade no preenchimento de quatro delas, apresentou os esclarecimentos anexos às PER/DCOMPs correspondentes (doc. 3). Restaria assim demonstrada a existência de créditos da Impugnante desconsiderados pela Fiscalização, impondose a anulação da autuação tanto do IRPJ quanto da CSLL. Argúi que referidas PER/DECOMPs, embora não tenham sido apresentadas exatamente no prazo de vencimento das obrigações, teriam sido enviadas espontaneamente, antes do início da fiscalização pertinente ao IRPJ e à CSLL, pois o início da ação fiscal relacionada com o período em que as supostas irregularidades teriam sido apuradas ocorreu não antes de fevereiro de 2007, quando da expedição de MPF complementar, havendo espontaneidade na apresentação dos PER/DCOMPs entregues em agosto de 2006. Assim, conclui, pela necessária redução do IRPJ na apuração anual e das multas isoladas aplicadas. Requereu, ao final, a anulação dos Autos de Infração, para que sejam reduzidos no montante compensado espontaneamente, e caso as provas apresentadas não sejam suficientes para tanto, seja deferida perícia contábil para comprovação do quanto alegado, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto esta competência é instituída por lei. PERÍCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia contábil que não atendeu os requisitos legais. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. ESPONTANEIDADE. NÃO AQUISIÇÃO. Em se tratando de autuação relativa a verificações obrigatórias referentes a tributos e contribuições administrados pela RFB, nos últimos cinco anos e no período de execução do Procedimento Fiscal, não há que se falar em espontaneidade do sujeito passivo ao apresentar PER/DCOMPs no decorrer da ação fiscal, com vistas a quitar o IRPJ e a CSLL devidos por estimativa. Fl. 8DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10044.VKVU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000784/200710 Acórdão n.º 130200.448 S1C3T2 Fl. 2.292 4 A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 03/11/2009 e apresentou recurso em 30/11/2009. No recurso reitera os argumentos da impugnação, em especial: Argúi que referidas PER/DECOMPs, embora não tenham sido apresentadas exatamente no prazo de vencimento das obrigações, teriam sido enviadas espontaneamente, antes do início da fiscalização pertinente ao IRPJ e à CSLL, pois o início da ação fiscal relacionada com o período em que as supostas irregularidades teriam sido apuradas ocorreu não antes de fevereiro de 2007, quando da expedição de MPF complementar, havendo espontaneidade na apresentação dos PER/DCOMPs entregues em agosto de 2006. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A lide se resume à abrangência da perda da espontaneidade pela recorrente pela ciência do MPF de fls. 01 e do termo de início de fiscalização de fls. 49 e seguintes em 13/03/2006 (AR de fls. 51). Tanto o MPF como o termo de início deixam claro que também em relação aos demais tributos o contribuinte já estava intimado a prestar esclarecimentos, como se pode observar nos trechos abaixo: MPF “VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS: correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal.” Termo de início: PROCEDIMENTO FISCAL: VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS Documentos e livros referentes ao período: 0212001 a 12/2005 Prazo: 5 (cinco) dias úteis. 1. Livros fiscais, comerciais e auxiliares da escrita contábil, matriz e filiais, referentes aos períodos de apuração 2. Contrato/Estatuto Social e suas alterações; 3. Cópias das DIPJ; 4. Cópias das DCTF; Fl. 9DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10044.VKVU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000784/200710 Acórdão n.º 130200.448 S1C3T2 Fl. 2.293 5 5. Cópias das DIRF; 6. Elaborar demonstrativos analíticos dos valores devidos mensais, decendiais ou semanais, conforme o caso, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, informando as contas contábeis, número e descrição, referente ao período de 02/2001 a 12/2005; Elaborar demonstrativo em separado dos valores das exações, informando as contas contábeis, com número e descrição, em que não houve incidência, no mesmo período, em virtude de eventual autorização judicial ou legal; 7. Informar a eventual existência de ação judicial na área tributária de competência deste Órgão, incluindo número do processo, fase em que se encontra e Vara Judiciária em que tramita, anexando cópia de suas principais peças. As Dcomp´s que, segundo a recorrente, teriam extinto os débitos que foram objeto do presente lançamento somente foram entregues em agosto de 2006 e períodos posteriores, após, portanto, a perda da espontaneidade em relação aos tributos objeto de lançamento.. Em sede de execução do acórdão, a autoridade preparadora deve levar em consideração os valores que tenham sido confessados em Dcomp e analisar as compensações levando em conta que são devidas as multas de ofícios aplicadas. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 10DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.10044.VKVU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 07/04/2011 18:49:46. Documento autenticado digitalmente por MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 07/04/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 07/04/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1018.10044.VKVU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CC499A863E6DA24995ACBAE165DC0CA29696C2FE Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15983.000784/2007-10. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10805.902661/2012-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO.
A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
É de se reconhecer o direito creditório de Cofins utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando o crédito pleiteado resta comprovado.
Numero da decisão: 3001-000.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. É de se reconhecer o direito creditório de Cofins utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando o crédito pleiteado resta comprovado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. COFINS. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. É de se reconhecer o direito creditório de Cofins utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando o crédito pleiteado resta comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 26 61 /2 01 2- 10 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10805.902661/201210 Acórdão n.º 3001000.508 S3C0T1 Fl. 137 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0366.377, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF DRJ/BSB que, na sessão de julgamento realizada em 25.02.2015 (efls. 93 a 97), que não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp 19743.06390.091009.1.3.046089. Da ementa do acórdão recorrido A 4ª Turma da DRJ/BSB, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Adotase, para o acompanhamento inicial dos fatos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10805.902661/201210 Acórdão n.º 3001000.508 S3C0T1 Fl. 138 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Dcomp nº 19743.06390.091009.1.3.046089, transmitida eletronicamente em 09/10/2009, com base em suposto crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, oriundo de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/04/2007 2172 5882,62 18/05/2007 A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 2028,81. Em 03/07/2012 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança dos débitos confessados na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, que o crédito pleiteado é proveniente de pagamento a maior de Cofins, período de apuração 30/04/2007, identificado após revisão dos valores apurados. Enfatiza que teria direito ao crédito pleiteado conforme declaração retificadora apresentada para o período. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 104 a 132), para, após reprisar os argumentos de defesa apresentados na sua manifestação de inconformidade, aduzir o que segue, que: (i) ratificando os argumentos postados na manifestação de inconformidade, prestou informação quanto ao valor deste débito e dos respectivos créditos vinculados ao mesmo na DCTF do 1º semestre de 2007, de forma incorreta na competência de abril/ de 2007, motivo pelo qual não foi reconhecido o crédito pleiteado; (ii) verificado o erro, apresentou DCTF retificadora, extinguindo a mencionada irregularidade; (iii) para que não houvesse dúvidas quanto ao débito correto de Cofins, citou e anexou na manifestação de inconformidade todos os documentos fiscais e contábeis que julgou serem hábeis e inidôneos e que comprovassem a veracidade dos referidos valores, tais como livro de apuração do ICMS, notas fiscais e memória de cálculo da contribuição e páginas do livro razão que constam os lançamentos contábeis registrados na conta "cofins a recolher"; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10805.902661/201210 Acórdão n.º 3001000.508 S3C0T1 Fl. 139 4 (iv) por já estar disponível à fiscalização da RFB, e a fim de evitar duplicidade na apresentação dessa documentação, julgou desnecessário novamente anexálos; (v) a decisão recorrida foi firmada no inverídico fato que o recorrente apresentou tão somente DCTF retificadora e, em nenhum momento, apresentou documentos fiscais e contábeis que sustentam o pleito creditório; (vi) é totalmente incabível a alegação do julgador recorrido quanto a falta de apresentação destes documentos, pois os mesmos foram sim apresentados e recepcionados quando da protocolização da manifestação de inconformidade pelo órgão fiscal; (vii) a própria alegação do relator da decisão recorrida, de houve a apresentação destes documentos, fulmina com a conclusão final feita pelo mesmo quanto a sua falta de apresentação para a comprovação do crédito pleiteado e valores declarados na DCTF retificadora, o que evidencia que a análise procedida dos fatos transcritos não foi realizada de forma minuciosa; (viii) resta evidente, pelos fatos narrados neste recurso voluntário e por todos os demais argumentos e documentos apresentados na manifestação de inconformidade, que o recorrente apresentou, além da DCTF retificadora, todos os documentos fiscais e contábeis que sustentam os seus argumentos e seu pleito; Nestes termos, requer o regular conhecimento e o integral provimento do presente recurso voluntário. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 02.06.2015 (efl. 135), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 28.05.2015, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 133), depois da ciência ocorrida na data de 28.04.2015, às 17:26 horas, conforme informa o "Termo de Ciência por Abertura de Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10805.902661/201210 Acórdão n.º 3001000.508 S3C0T1 Fl. 140 5 Mensagem" (efl. 102), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do direito O recorrente utilizou em Declaração de Compensação Per/Dcomp 19743.06390.091009.1.3.046089 o pagamento da Cofins, código de receita 2172, apurado em 30.04.2007, arrecadado em 18.05.2007, no valor originário de R$ 5.882,62. Compulsandose os autos, verificase que a questão posta em discussão, é que o pedido de compensação feito pelo recorrente foi indeferido por meio de Despacho Decisório, número de rastreamento 024947522, com emissão em 03.07.2012, em decorrência da inexistência de crédito. O recorrente, conforme corretamente aduz em sua peça de defesa recursal, apresentou, além da DCTF retificadora pertinente ao período de apuração, todos os documentos fiscais e contábeis que julgou serem hábeis e inidôneos e que comprovassem a veracidade dos referidos valores, tais como livro de apuração do ICMS, notas fiscais e memória de cálculo da contribuição e páginas do livro razão que constam os lançamentos contábeis registrados na conta "cofins a recolher", informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que a interessada não apresentou qualquer elemento contábil demonstrando que teria havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, ao seu talante, não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na mencionada Per/Dcomp. Portanto, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábil fiscal) que corroborasse as informações apresentadas na DCTF retificadora. Em suas razões recursais, o recorrente, quando da apresentação do presente recurso voluntário, além de reafirmar que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, refuta, digase com propriedade, as razões manifestadas pela relatora do voto condutor do acórdão recorrido, ao aduzir, como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório por pleiteado pelo contribuinte, que "a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF". Como é cediço, é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10805.902661/201210 Acórdão n.º 3001000.508 S3C0T1 Fl. 141 6 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Deste modo, é necessário a comprovação cabal da existência desse suposto crédito pleiteado no processo, o que restou confirmado em sua totalidade, tendo em vista a documentação contábil fiscal do contribuinte, apresentada ainda em sede de manifestação de inconformidade (efls. 03 a 63). Repito, como é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o artigo 170 do CTN, antes reproduzido, e uma vez comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do recorrente contra a Fazenda Pública passível de compensação, há que ser reconsiderado a decisão dada pela autoridade administrativa e reconhecer o saldo credor no valor do principal de R$ 2.028,81, nos exatos termos em que restou consignado, a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no Per/Dcomp 19743.06390.091009.1.3.046089 (efls. 66 a 83). Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, deferindo a solicitação e determinando que seja homologada integralmente a compensação indicada no Per/Dcomp objeto deste processo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10736.000002/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010
REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO.
Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA.
O conjunto composto de semi-reboque, torre de iluminação e grupo eletrogêneo, classifica-se de acordo com a função principal do conjunto que é a iluminação. Correta a NCM 9405.40.10.
Numero da decisão: 3401-005.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. O conjunto composto de semi-reboque, torre de iluminação e grupo eletrogêneo, classifica-se de acordo com a função principal do conjunto que é a iluminação. Correta a NCM 9405.40.10.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.321 1 1.320 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10736.000002/201119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.210 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. O conjunto composto de semireboque, torre de iluminação e grupo eletrogêneo, classificase de acordo com a função principal do conjunto que é a iluminação. Correta a NCM 9405.40.10. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 6. 00 00 02 /2 01 1- 19 Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.322 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente de auto de infração decorrente do cumprimento ao contido no Registro de Procedimento Fiscal Regional (RPF) de n° 0715400.2010.011771, e respectivo Mandado de Procedimento Fiscal Regional (MPF), tendente à verificação da classificação fiscal dos bens de origem estrangeira descritos em diversas declarações de importação (DI) registradas pela interessada, BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A,doravante denominada BARTER, por conta e ordem da pessoa jurídica MULTIQUIP DO BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. ,doravante denominada MULTIQUIP, no período de abril de 2006 a abril de 2010. Conforme detalhado no termo de constatação anexo ao auto de infração (fls. 95 e ss), a fiscalização, com base no laudo do técnico certificante e as regras de classificação, reclassificou as mercadorias importadas para a posição NCM nº 9405.40.10, sendo exigida a diferença de tributos, contribuições, acréscimos legais e multa de 1% por classificação incorreta, perfazendo o montante de R$ 1.446.458,86 Cientificada da autuação, a interessa BARTER apresentou impugnação de fls. 263 e ss., onde alega em síntese: Em preliminar: • Informa que efetua importações por conta e ordem da empresa MULTIQUIP DO BRASIL COMERCIO, IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E SERVIÇOS LIDA, conforme consignado nas declarações de importação. • Reclama que até 2006, a utilizava a NCM 9405.40.10 . Por orientação expressa da fiscalização, por ocasião do registro da D.I. nº 06/03521813, alterou a classificação para NCM 85.02.11.10, inclusive com o recolhimento da multa. • Agora em 2010, novamente houve a exigência de reclassificação da mercadoria para a NCM 9405.40.10, o que ensejou a presente fiscalização. Alega mudança do no critério jurídico utilizado pela RFB para classificação tarifária. Avoca impossibilidade de revisão aduaneira por erro de direito, nos termos do art. 146 do CTN. No mérito: Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.323 3 • aponta diferenças entre o equipamento LT12D e o modelo MLTSDW7. • informa que a Solução de Consulta nº 13 da SRRF 05/DIANA de 26/03/2010, não pode ser aplicada porque referese ao produto LTN6L, que não é similar à LT12D. • o LT12D é uma haste contendo luminárias.Tanto o grupo gerador, quanto a haste com luminárias possuem funcionamento independente, ou seja, o grupo gerador pode ser utilizado e funciona perfeitamente sem a haste acoplada, assim como a torre com luminárias funciona perfeitamente e pode ser utilizada destacada do grupo gerador, utilizandose de fonte de energia externa. • a análise não foi realizada in loco, mas tão somente através de folhetos, manuais e sites da internet. • o consumo das lâmpadas é de 4000 W e o rendimento contínuo do gerador é de 6.000w, 66% de sua capacidade. • O gerador possuir, além da ligação para a haste com luminárias, tomadas de 240 e 120 V que fornecem energia e possibilitam a utilização do produto para ligar, por exemplo, ferramentas elétricas, independentemente da utilização da haste com luminárias. • a função do conjunto gerador é preponderantemente fornecimento de energia, classificação NCM 94.05.40.10. • o produto LT12D não é uma fonte luminosa fixa permanente. • reafirma sua classificação 8502.12.90 • avoca a nota 3 da Seção XVI, combinada com nota 5, não podendo ser considerado conjunto de máquinas, dos capítulos 84 ou 85. • informa que a LT12D, principalmente no que se refere à haste extensível com luminárias e o grupo gerador, não foram concebidos para serem fixados em caráter permanente, tanto é que as partes possuem funcionamento autônomo. Ao final requer: a) em preliminar nulidade do auto em razão de mudança de critério jurídico utilizado pela RFB, o que é vedado por lei; b) no mérito, seja julgado totalmente improcedente o lançamento, em virtude da correta classificação fiscal das mercadorias na NCM 85.02.11.90, conforme interpretação das Regras e Notas do Sistema Harmonizado. Cientificada da autuação, a responsável solidária apresentou impugnação de fls. 408 e ss., onde alega em síntese: Em preliminar: Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.324 4 • reclama do laudo, afirmando que o perito: (a) utilizou para embasar seu laudo um manual desatualizado desde 2010; (b) não esclarece a origem dos documentos que embasaram os autos; (c) apresentou laudo em menos de 48 horas; (d) não juntou Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) (e) utiliza documentos em língua inglesa, sem tradução oficial. • nulidade do Termo de sujeição passiva, por se referir a MPF distinta, da empresa JNJ Com Dist Ltda ME, que não faz parte da lide. • nulidade por impossibilidade de revisão aduaneira por mudança de critério jurídico.esclarece que a impugnação da classificação tarifária da mercadoria deverá ser feita em cinco dias. • reclama que a classificação fiscal do produto importado foi definida pela própria fiscalização em revisão aduaneira anterior, através de Canal Vermelho, da DI n° 06/03521813, em 06/04/2006, ocasião em que foi obrigada inclusive a recolher a multa por classificação incorreta e retificar a DI de produto idêntico ao debatido no presente auto. Não pode o contribuinte ficar sujeito a variações desta natureza. • avoca a Súmula n° 227 do TRF, bem como no princípio legal da Moralidade (insculpido na Lei n° 9.784/99). • afirma que, ainda que a codificação tarifária utilizada fosse incorreta, tendo sido homologada pela autoridade administrativa, não caberia a imposição de multa e juros de mora, por força do parágrafo único do art. 100 do CTN. Da classificação fiscal • reitera que o produto importado é formado por módulos, que podem ser combinados entre si para atender a diversas funcionalidades ao mesmo tempo ou certas necessidades únicas de nossos clientes, e o produto da concorrente, que é um conjunto único, inseparável, que não permite da utilização dos diversos componentes separadamente. • a informação de que os módulos são interdependentes não é verdadeira e está claramente baseada na análise do produto concorrente. Os módulos do produto importado pela impugnante são independentes, podendose utilizar as lâmpadas sem o gerador e viceversa, incluindo a possibilidade de retirar o gerador da base móvel e utilizálos em locais distintos. • apresenta laudo técnico. • no caso de aplicação da Regra 3.b, considerando o quesito "valor", conforme consta do laudo técnico em anexo, que o grupo gerador representa a maior parcela do custo total do produto, portanto, por este critério, o grupo gerador deveria prevalecer sobre todos os demais componentes. O mesmo valendo para o peso e volume • se analisarmos qual o componente (ou matéria constitutiva) que é essencial ao funcionamento do produto como um todo, verificase que o Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.325 5 produto é modular e que portanto cada módulo atua independente dos outros, contudo, se fossemos considerar o produto como um corpo único, o que se faz somente para argumentar, o produto funcionaria sem as lâmpadas, sem o reboque, mas não sem o grupo gerador. Logo, é de conclusão fácil que o elemento componente essencial é o grupo gerador nesta hipótese. • o produto importado pode ser separado e seus componentes vendidos isoladamente, sem perda da funcionalidade individual de cada módulo, como se comprova no endereço eletrônico (www.multiquip.com.br). • alega que deve ser afastada a exigência de juros de mora, na forma do parágrafo único do artigo 100 do CTN, com base na taxa Selic, com fundamento no art. 161 também do CTN; Reclama da ilegalidade da base legal dos juros de mora. • ao final requer nova perícia. Para melhores esclarecimentos, esta DRJ/SPO encaminhou os autos à repartição de origem para complementar as informações, consubstanciadas na Resolução 16.000.386, de 11/12/2013(fls. 495). Em resposta, a unidade de origem juntou aos autos laudo técnico complementar (fls. 539/1076), trazendo informações técnicas adicionais e às fls. 1077/1094, responde aos questionamentos efetivados por esta DRJ/SPO, que serão melhor discutidos no voto. Às. fls. 1112 e ss. a responsável solidária Multiquip apresenta suas considerações a respeito da diligência, se contrapondo ao teor das novas informações apresentadas, ratificando seu posicionamento inicial e apresentado novo laudo técnico. (grifos nossos) A DRJ São Paulo por meio do Acórdão 1668.650, de 28 de maio de 2015, assim concluiu o julgamento: Acordam os membros da 11ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente em parte, mantendo parte do crédito tributário exigido no valor de R$ 878.305,91 e exonerando parte do crédito no valor de R$ 568.152,95. E restou assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 20/02/2009 a 22/10/2010 REVISÃO ADUANEIRA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.326 6 O desembaraço da mercadoria não configura homologação do pagamento efetuado pelo contribuinte. Inexistindo homologação de forma expressa, ela somente se configura no decurso do prazo de cinco anos, contados do fato gerador. Constatada a insuficiência de recolhimento de tributos incidentes na importação, antes de transcorrido o prazo qüinqüenal, é cabível a revisão aduaneira e o correspondente lançamento de ofício. REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico. CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA DE MERCADORIA. CONTRIBUINTE INDUZIDO EM ERRO. A insuficiência de recolhimento decorrente de classificação errônea de mercadoria enseja o lançamento da multa de ofício, mais multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. No entanto, restando caracterizado que a classificação adotada foi decorrente de orientação expressa da autoridade fiscal no curso do despacho aduaneiro, fica afastada a aplicação de penalidade. A empresa BARTER foi notificada eletronicamente em 22/07/2015 apresentando Recurso Voluntário em 20/08/2015, por meio de entrega de arquivo digital. A empresa Multiquip foi notificada por meio de Aviso de Recebimento AR dos correios, fls. 1263, onde não é possível identificar a data de recebimento, não apresentando Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário da empresa Barter traz em síntese as seguintes alegações, solicitando a anulação do auto de infração: anteriormente utilizava a classificação indicada pela fiscalização, mas alterou e passou a utilizar a NCM 8502.11.10 após exigência em fiscalização realizada para a DI 06/03521813; impossibilidade de revisão aduaneira por erro de direito, art. 146 CTN; A classificação 9704.40.10 não é adequada para os produtos LT12D, tecendo considerações a respeito das características do produto; A SC 13/2010 da 5ªRF foi efetuada para a mercadoria modelo LTN6L. É o relatório. Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.327 7 Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. A empresa BARTER foi notificada eletronicamente em 22/07/2015 apresentando Recurso Voluntário em 20/08/2015, por meio de entrega de arquivo digital. Por preencher as condições de admissibilidade conheço do recurso voluntário interposto pela empresa BARTER. A empresa Multiquip foi notificada por meio de Aviso de Recebimento AR dos correios, fls. 1.263, onde não é possível identificar a data de recebimento, e não apresentou Recurso Voluntário. Existe no processo, fls. 1310, um cópia de tela de encaminhamento do site dos correios em que consta que um determinado objeto JL762110019BR foi entregue ao destinatário em 06/08/2015, entretanto não é possível confirmar quem enviou, quem recebeu ou o que foi enviado. Esse documento anexado aos autos só serviu para criar dúvidas a respeito do encaminhamento de documentos processuais. O AR foi entregue no endereço que consta nos cadastros da RFB como domicílio fiscal da empresa Multiquip, conforme cópia da tela do sistema de cadastro constante à fls. 1263. Apesar de não ser possível identificar a data no AR temos que o mesmo foi entregue no endereço correto, estando devidamente assinado pelo recebedor, logo considerase revel a empresa Multiquip por não ter apresentado Recurso Voluntário. Da mudança de critério jurídico. Preliminarmente a recorrente repisa o argumento apresentado em sede de impugnação sobre a impossibilidade de se efetuar revisão de lançamento por configurar mudança do critério jurídico a teor do art. 146 do CTN. A mudança de critério jurídico deveuse, conforme alega, ter passado a utilizar a NCM 8502.11.10 após ser fiscalizada e autuada, e que por isso deve ser considerado o art. 100 do CTN que dispõe sobre as normas complementares: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.328 8 IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Quanto a mudança de critério jurídico, esse assunto já foi amplamente debatido por esse Conselho, sendo já a posição predominante que é possível a revisão aduaneira, e somente para citar exemplos do último ano: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 30/06/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 24/10/2017. Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO. Acórdão 3401004.020 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.O Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.329 9 desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 26/06/2017. Relator ROSALDO TREVISAN.Acórdão 3401 003.812. E também acórdãos nºs 3201003.744, 9303006.839, 9303006.332, 3201 003.661, 3301004.095, 3302005.322, dentre outros. De acordo com o art. 146 do CTN três condições devem estar presentes para a configuração da mudança do critério jurídico. Condições essas cumulativas: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos nossos) 1) a modificação do critério jurídico seja efetuada pela autoridade administrativa ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial, no caso será de ofício ou por meio de decisão administrativa ou judicial, respectivamente; 2) a autoridade administrativa efetuou um lançamento anterior onde fixou o critério jurídico; e 3) a modificação é efetuada em relação a um mesmo sujeito passivo. Preliminarmente é necessário que tenha ocorrido o lançamento onde a autoridade administrativa expressou o critério jurídico adotado. Esse lançamento deve ser aquele realizado de ofício, conforme estabelecido no art. 142 c/c art. 149 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.330 10 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nos casos de importação de mercadorias, onde é registrada a Declaração de Importação, não há lançamento de ofício, mas lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150 do CTN, uma vez que o importador ou seu representante apuram o crédito tributário, e declaram o valor devido concomitantemente efetuando o recolhimento por meio de débito automático. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.331 11 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A declaração de importação efetuada pelo importador engloba um procedimento que visa a verificação do cumprimento das normas de controle aduaneiro e tributárias. Após o registro da declaração de importação pelo contribuinte iniciase o despacho aduaneiro onde a fiscalização efetua a conferência aduaneira e a seguir efetua o desembaraço aduaneiro. Efetuado o desembaraço aduaneiro e a entrega da mercadoria não se encerra o trabalho da fiscalização. É possível a realização da revisão aduaneira em até 5 (cinco) anos após o registro da DI. A forma de atuação aduaneira é fruto de estudos realizados pela comunidade aduaneira internacional, e adotado pela maioria das aduanas do mundo, com o objetivo de garantir celeridade aos trâmites aduaneiros, sem descuidar da segurança necessária no comércio exterior, com a proteção das economias nacionais. Se não fosse esse modo peculiar de atuação não seria possível garantir que as empresas e demais intervenientes obtivessem acesso às suas mercadorias no mínimo de tempo possível. Essa forma de atuação da fiscalização aduaneira, garantindo a rapidez e segurança de toda a cadeia comercial, só é possível de ser executada caso exista a possibilidade de a aduana poder revisar seus atos, que para a rapidez de sua efetivação pode ser necessário a não verificação, ou verificação parcial, de alguns aspectos tributários. Assim é que o desembaraço aduaneiro não põe termo à fase de conferência aduaneira, não tem natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do autolançamento, por não atender os requisitos fixados no art. 150 do CTN. O desembaraço tem o efeito jurídico de autorizar a liberação da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decretolei 37/1966: Art.51 Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.332 12 § 1º Se, no curso da conferência aduaneira, houver exigência fiscal na forma deste artigo, a mercadoria poderá ser desembaraçada, desde que, na forma do regulamento, sejam adotadas as indispensáveis cautelas fiscais.(Incluído pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º O regulamento disporá sobre os casos em que a mercadoria poderá ser posta à disposição do importador antecipadamente ao desembaraço.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Logo, como todas as informações sobre a operação de importação na DI foram prestadas pelo importador, previamente ao início do despacho aduaneiro, não se pode dizer que a fiscalização tenha definido critério jurídico. A revisão aduaneira esta prevista nas normas legais, com base no art 149 do CTN que prevê a possibilidade de a lei determinar a revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa. Assim o Regulamento Aduaneiro, veio disciplinar a matéria, a partir da autorização legal expressa no art. 54 do DecretoLei nº 37/66: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) ... Art.638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação.(DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo DecretoLei no2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). §1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. §2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente(DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo DecretoLei no2.472, de 1988, art. 2o); e IIdo registro de exportação. §3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.333 13 Também é importante relembrar que o art. 146, III, “b”, da CF/1988 determina que somente a lei complementar pode definir qual ato administrativo tem o efeito de extinguir o crédito tributário. E o desembaraço aduaneiro não se encontra mencionado no rol taxativo dos atos extintivos do crédito tributário, art. 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)(Vide Lei nº 13.259, de 2016) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Quanto a aplicação da Súmula 227, de 18/11/1986, do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) reproduzo o esclarecimento efetuado pela DRJ no acórdão recorrido por considerar pertinente e que conseguiu esclarecer a sua não aplicação: A jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, que acompanha a do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acolhe entendimento de que é defeso às autoridades aduaneiras proceder ao reenquadramento tarifário em sede de revisão aduaneira, por configurar mudança de critério jurídico em face de o enquadramento utilizado pelo importador ter sido anteriormente aceito pela autoridade encarregada do exame do despacho de importação, a qual procedeu ao desembaraço aduaneiro. Essa jurisprudência filiase ao enunciado da súmula 227, de 18/11/1986, do antigo Tribunal Federal de Recursos Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.334 14 (TFR), extinto pela Carta Política de 1988, que dispõe, in verbis: “A MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO ADOTADO PELO FISCO NÃO AUTORIZA A REVISÃO DE LANÇAMENTO.” Referida súmula foi editada em face de antecedentes como este: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REVISÃO "EX OFFICIO" DO LANÇAMENTO. NÃO SE ADMITE A REVISÃO QUE TENHA POR BASE ERRO DE DIREITO ORIUNDO DE CLASSIFICAÇÃO TARIFARIA. SENTENÇA CONFIRMADA.” (REO 0104733/MG, 6ª turma, DJ 13/06/1985) É curial destacar que a súmula 227 foi editada há quase três décadas. Desde então o direito aduaneiro experimentou considerável transformação e, ressaltase, aperfeiçoamento. O direito aduaneiro possui como matriz legal o Decreto Lei nº 37/1966, o qual foi submetido a inúmeras alterações em seus quarenta anos de existência, merecendo destaque a reforma veiculada pelo DecretoLei nº 2.472/1988 e as alterações mais recentes, mediante a lei 10.833/03. Para os fins do presente voto cabe voltar a atenção apenas para a reforma de 1988. Todo o capítulo relativo ao controle aduaneiro de mercadorias foi reformulado. Assim era a redação original do decretolei 37/1966 relativa à matéria: ... O Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6759/2009, vigente à época dos fatos geradores em causa, definiu os contornos do instituto da revisão aduaneira nos seguintes termos: ... Constatase que a reforma do DecretoLei nº 37/1966 alterou a natureza do trabalho realizado na conferência aduaneira. O controle fiscal, antes exercido quase exclusivamente no interregno da conferência, foi distribuído entre conferência e revisão aduaneira. Podese concluir que a conferência assumiu, portanto, o caráter de fiscalização preliminar, a qual se torna definitiva se expirado o prazo decadencial para o lançamento de tributos e apuração de infrações (cinco anos do registro da declaração, artigo 54). Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.335 15 Disso resulta que, a partir de 1988, o prazo de cinco dias contados do término da conferência aduaneira deixou de implicar preclusão para o direito da aduana exercer seu mister fiscalizatório sobre as mercadorias importadas, no que toca ao valor aduaneiro e à classificação tarifária. Ademais, com o crescimento extraordinário do comércio exterior brasileiro verificado desde a década de 1990, e com o início da operação do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) na importação em 1997, o volume de declarações de importação submetidas à apreciação das autoridades aduaneiras “explodiu”, assumindo, nos dias atuais, quantitativo sem precedentes. Ressaltese, ademais, que a maior parte das declarações, hoje, sequer são submetidas à fiscalização, posto que parametrizadas para o “canal verde” de conferência, que de “conferência” somente possui apenas o nome, sendo tais declarações desembaraçadas automaticamente pelo sistema. Impende reconhecer que a revisão aduaneira ocupa papel crucial no sucesso do controle aduaneiro atual. O que se deseja argumentar é que, desde o momento em que foi editada pelo extinto TFR a súmula 227, o controle aduaneiro foi intensamente modificado, de sorte que perdeu o sentido seu enunciado, tornado obsoleto em face das mudanças legais e infralegais implementadas nos últimos vinte anos. Por conseguinte, é merecedora de minuciosa revisão a jurisprudência caudatária da referida súmula. Segundo a tese dominante nos órgãos julgadores administrativos, mesmo nos casos em que os produtos importados são submetidos à conferência aduaneira, até mesmo com exigência fiscal no curso do desembaraço, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro. ... Quanto ao argumento das impugnantes de que a orientação dada no curso da DI n° 06/03521813, em 06/04/2006, afastaria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora, nos termos do artigo 100 do CTN, temos que tal procedimento não se enquadra em nenhum dos incisos elencados no referido artigo. Observase que este procedimento não é ato normativo expedido por autoridade administrativa, nem tampouco pratica reiterada uma vez que foi a manifestação fiscal em uma única declaração de importação. Poderiase admitir como pratica reiterada das autoridades locais caso esse procedimento conclusivo se repetisse de maneira uniforme em diversos despachos de produtos idênticos, sem possibilidade de erro de fato, desembaraçados por Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.336 16 servidores diferentes sempre adotando a mesma NCM, apos conferência física. Os dispositivos até agora hipoteticamente analisados visam proteger o contribuinte que procede conforme determinada orientação administrativa com força normativa apropriada para cada caso. Assim, o ato de desembaraço da mercadoria por qualquer canal de parametrização, mesmo sob canal vermelho, não tem por si só, qualquer efeito homologatório ou normativo quanto à classificação fiscal proposta pelo importador. Não fixa, por parte do Fisco, qualquer “critério jurídico” ou “norma complementar” pelos quais se deva orientar o contribuinte em ocasiões futuras, portanto, nesta situação, a reclassificação fiscal de uma mercadoria durante a revisão aduaneira não se caracteriza como introdução de uma mudança no “critério jurídico” ou na “norma complementar”, pois não houve anterior caracterização destes institutos que possibilitasse uma posterior mudança de entendimento. Não cabe falar em violação de ato jurídico perfeito, de direito adquirido, da segurança jurídica ou da capacidade contributiva. No caso, ainda não havia se configurado ato jurídico perfeito ou direito adquirido, porquanto ainda não se esgotara o tempo previsto em lei para a consecução desses efeitos, os quais somente se consolidariam com decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. Pelo mesmo motivo, está preservada a segurança jurídica, a qual, nos termos da lei tributária, se traduz na impossibilidade de o Fisco efetuar o lançamento após o qüinqüênio legal, estando legalmente a assegurada a prerrogativa de fazêlo dentro desse prazo. Outrossim, cabe observar que a RFB disponibiliza o procedimento de Consulta, que pode ser utilizado pelo contribuinte sempre que houver dúvidas a respeito da aplicação da legislação, inclusive a correta classificação fiscal. Afasto, pois, os argumentos de nulidade por mudança de critério jurídico e não cabimento de revisão aduaneira. ... (grifos nossos) Após os esclarecimentos necessários, concluo pela validade do procedimento de revisão aduaneira, conforme preceitos normativos que disciplinam o tema. Da classificação da mercadoria A recorrente importou a mercadoria classificandoa na NCM 8502.11.90 e descrevendoa basicamente da seguinte forma: Ref. LT12D ; Torre de iluminação, motor diesel Perkins Marca Whiteman; Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.337 17 combinação de máquina para geração de energia em corrente contínua e iluminação emergencial de segurança, composta de um motor diesel, acoplado a um gerador de energia elétrica. Montados sobre carreta e acoplado ou não a um mastro com luminárias, marca whiteman; torre de iluminação, motor diesel deutz 12HP, 7000 watts, gerador 120/240V, iluminação 4x1000 watts, 704kg marca whiteman. A fiscalização aduaneira achou por bem adotar a NCM 9405.40.10, após estudar o caso, a partir de laudos técnicos, consulta a sítios eletrônicos do importador e do exportador, e Soluções de Consulta identificadas para a mesma mercadoria. Como a autuação engloba várias mercadorias descritas de maneiras diferentes, a empresa foi intimada a prestar esclarecimentos sobre essas diferentes descrições, de aparentemente mercadorias iguais, em diferentes DI´s, e assim esclareceu a empresa: As mercadorias importadas (grupos geradores e seus acessórios) descritas são todas similares entre si, excetuando o motor marca Perkins de gerador de força, que, em alguns casos, foi substituído pelo motor marca Lombardini. A empresa também complementa o esclarecimento anterior: A iluminação, de forma alguma, é função principal deste produto, pois o mesmo é utilizado pelos clientes principalmente durante o dia, quando ainda há luz natural, sem utilização de lâmpadas. Eventualmente, é que o cliente utilizará a iluminação, quando for obrigado a trabalhar em área sem iluminação natural ou instalada, durante a noite, ou seja, em situações excepcionais. Após esse esclarecimento, e confrontando as informações constantes dos autos, a fiscalização considerou análogos os bens identificados pela referência LT12D. À época dos fatos as NCM controversas estavam assim descritas na TEC: SEÇÃO XVI Máquinas e Aparelhos, Material Elétrico, e suas partes de Reprodução de som, Aparelhos de Gravação de Som em Televisão, e suas Partes e Acessórios Capítulo 85 Máquinas e Aparelhos, Material Elétrico, e suas partes, de Reprodução de Som, Aparelhos de Gravação de Som em Televisão, e suas Partes e Acessórios 85.02 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. 8502.1 Grupos eletrogêneos de motor de pistão, de ignição por compressão (motores diesel ou semidiesel): 8502.11 De potência não superior a 75 kVA Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.338 18 8502.11.10 De corrente alternada 8502.11.90 Outros E para a NCM da posição proposta pela fiscalização: SEÇÃO XX MERCADORIAS E PRODUTOS DIVERSOS CAPÍTULO 94 MÓVEIS; MOBILIÁRIO MÉDICOCIRÚRGICO; COLCHÕES, APARELHOS DE ILUMINAÇÃO NÃO ESPECIFICADOS NEM CAPÍTULOS; ANÚNCIOS, CARTAZES OU TABULETAS E PLACAS ARTIGOS SEMELHANTES; CONSTRUÇÕES PRÉ FABRICADAS 94.05 Aparelhos de iluminação (incluindo os projetores) e suas partes, não especificados nem compreendidos noutras posições; anúncios, cartazes ou tabuletas, placas indicadoras luminosos, e artigos semelhantes, que contenham uma fonte luminosa fixa permanente, e suas partes não especificadas nem compreendidas noutras posições. 9405.40 Outros aparelhos elétricos de iluminação 9405.40.10 De metais comuns Devido às dúvidas suscitadas pela fiscalização e entendidas pelas empresas foi nomeado perito engenheiro mecânico para responder quesitos apresentados sobre a mercadoria. O perito baseou seu trabalho em manuais, rede mundial de computadores e prospectos dos equipamentos já que a empresa não soube informar a localização dos bens. O laudo pericial apresentou as seguintes informações, fls. 134 e sgs.: 3 . 1 . 1 Das Informações do Manual Destacamse do manual da Torre de Iluminação Série LT12 as seguintes informações, transcritas abaixo: a ) Tabela 1 . Especificações (Página 12) Modelo da Torre de Iluminação LT12D Modelo do Motor Perkins 10310 Motor Diesel Peso seco 1.550lbs (700kg) Dimensões Ver Tabela 3 Pontos de Apoio 5 Estabilidade de Vento com Genset. 65mph (80,46 kmp/h) Holofotes 41.000 Watt de Metal Halóide Lumens 440.000 Alcance da Luz 5 a 6 acres Terminal de Luz Plug Q D 4 x 3 pinos b ) Especificações do Gerador Rendimento da Tomada GFCI 12 VAC @ 15 A Rendimento da Tomada com encaixe giratório 240 VAC @ 25 A Interruptor de Circuito GFCI (Amps) 15 A Interruptor de Circuito de encaixe giratório (Amps) 25 A Rendimento Contínuo (Watts) 6.000 W Nível de Ruído @ 23 pés (7 metros) 73 db. Especificação do Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.339 19 Carro Rebocador Capacidade da sapata 2.000 Ibs. (907 kg.) Tipo de Engaste Esfera de 2 pol. (Kit de pino opcional disponível) Tamanho do Pneu 13 pol. (330 m m) Tamanho do Aro do Pneu 13 x 4,5 pol. ( 330 x 114 m m ) Capacidade do Eixo 2.000 Ibs. (907 kg.) Tipo de Ponta 5 Borboleta Tipo de Suspensão 3feixe de mola Conector elétrico da lâmpada traseira 4Fios Capacidade do Guincho 1.500 Ibs. (680 kg.) Cabo de aço do Guincho 3/16 pol. c ) Tabela 2. Especificações do Motor (Página 13) Motor Perkins 10310, Lombardini Modelo LDW 1003/Diesel ou Motor Diesel Modelo Deutz F3M008F Tipo de Motor 3 cilindros, motor diesel (Perkins 10310) Deslocamento 58,21 cu. Pol. (954 cc) Potência Máxima em Standby 12 H.P. a 1.800 RPM Potência Máxima Principal 10,5 H.P. a 1.800 RPM Capacidade do Tanque de Combustível Aprox. 30Galões EUA (113 Litros) Tempo de Funcionamento com 4 luzes 64 horas Velocidade da marcha lenta 1.800 RPM Tipo de Combustível Diesel no. 2 Capacidade do Reservatório de Óleo 2,5 quartos EUA (2,36 Litros) Sistema de Resfriamento Resfriamento por líquido Método de ignição Ignição elétrica Tipo de Bateria Grupo 24 Peso total (seco) 187,3 Ibs. (85 kg.) d ) Tabela 3. Dimensões (Página 14) Letra de Referência Descrição Dimensão pol. ( m m) A Comprimento (Mastro e m posição recolhida) 170 pol. (431 cm) B Comprimento (Mastro e m posição verticai máxima) 101 pol. (256 cm) C Altura Máxima (Mastro e m posição vertical máxima ) 31,5 pés (9,6m) D Altura Máxima (Mastro e m posição recolhida) 74 pol. (187 cm) E Distância do Eixo ao Chão 8 pol. (20 cm) F Distância Máxima Entre Rodas 51 pol. (129 cm) G Distância máxima ocupada com as sapatas abertas 109 pol. (276 cm) e)TORRE DE ILUMINAÇÃO SÉRIE LT12 Informações Gerais (Página 15) A Torre de Iluminação Série LT12 é uma torre de iluminação para uso geral para situações de emergência e para iluminação remota. A Torre de Iluminação pode ser erguida verticalmente até o máximo de 31,5 pés (9,6 metros) por guincho manual. O sistema de tensão foi desenhado para fornecer a tensão necessária para o controle seguro do pivô da torre. Os apoios laterais/sapatas e suporte de apoio traseiro devem ser posicionados antes de levantar o mastro. O sistema de iluminação da Torre de Iluminação Série LT12 da Multiquip é composta de 4 lâmpadas de 1000 watts Metal Halóide. Cada lâmpada produz 110.000 lumens, perfazendo um total de 440.000 no conjunto de quatro holofotes. A cobertura de iluminação normal é de 5 a 7 acres. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.340 20 Como característica adicional, a torre LT12 tem dois pontos de tomada disponíveis. A tomada superior de encaixe giratório, localizada na parte dianteira da Torre de Iluminação, pode fornecer 240 VAC a 25 amps. A tomada inferior é do tipo GFCI capaz de fornecer 120 VAC a 15 amps. Essas tomadas podem ser utilizadas para ferramentas elétricas e aplicações similares. O laudo técnico concluiu a partir das informações colhidas nos documentos consultados: a) Da denominação do bem: observase no título do manual e nos diverso tópicos a denominação do produto como "Torre de Iluminação". b ) Da função principal e da função adicional do bem: Função Principal: Na página 15 do manual encontramse as informações e m destaque: "A Torre de Iluminação Série LT12 é uma torre de iluminação para uso geral para situações de emergência e para iluminação remota. O sistema de iluminação da Torre de Iluminação Série LT12 da Multiquip é composta de 4 lâmpadas de 1000 watts Metal Halóide Cada lâmpada produz 110.000 lumens, perfazendo u m total de 440.000 no conjunto de quatro holofotes. A cobertura de iluminação normal é de 5 a 7 acres." Desta informação concluise que a função principal do produto é a iluminação. Função Adicional: Ainda na página 15 encontrase citada a função adicional do produto: "Como característica adicional, a LLT12 tem disponíveis dois pontos de tomada. A tomada superior de encaixe giratório, localizada na parte dianteira da Torre de Iluminação, pode fornecer 240 VAC a 25 amps. A tomada inferior é do tipo GFCI capaz de fornecer 120 VAC a 15 amps. Essas tomadas podem ser utilizadas para ferramentas elétricas e aplicações similares.". c ) Do corpo único. Da leitura dos itens abaixo citados, das especificações, tabelas e figuras, deduzse que o equipamento forma corpo único com a associação entre as estruturas, partes de iluminação, partes destinadas à mobilidade, gerador e motor: " Tabela 2. Especificações do Motor. (Página 13): Tempo de Funcionamento com 4 luzes 64 horas". Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.341 21 Comentários: Este dado da especificação demonstra a interdependência entre o motor e a função de iluminação, por estabelecer sua utilização máxima (4 luzes). Tendo em vista que não há nenhuma citação de outra utilização para o motor, concluise que sua função está intimamente vinculada à iluminação. Na função adicional, a s tomadas podem ser utilizadas para ferramentas, não havendo citação de tempo de utilização máxima, tal como na função de iluminação. .... E os seguintes quesitos foram assim respondidos pelo perito: a) tendo por base as informações circunstanciais no manual interessada/real adquirente acima epigrafada, como pode ser descrita genericamente, as mercadorias importadas por intermédio das declarações de importação arroladas no anexo que acompanha a presente solicitação de assistência técnica? Os bens importados, dos dois modelos e m análise, encontramse no mesmo link do sítio do fabricante Multiquip http://www.multiquip.com/multiquip/lightingsolutions.htm , denominados como "soluções de iluminação". A nomenclatura utilizada pelo fabricante define os bens como "Torre de Iluminação", sendo denominados: • Modelo LT12D: TORRE DE ILUMINAÇÃO SÉRIE LT12 • Modelo MLT: MODULAR LIGHT TOWER (Torre de Iluminação Modular) Há uma ressalva quanto à marca do motor descrito no Anexo do termo de Intimação Perkins que é utilizado no modelo LT12 P, e o modelo indicado no mesmo documento foi o modelo LT12 D, sendo que tal diferença entre motores (de mesma potência) não implica na função nem na denominação dos bens, pois o manual do fabricante é comum a ambos. b) os bens indicados na relação em anexo , conforme o manual fornecido pela interessada/real adquirente, têm, em sua composição, um módulo especifico para a função de iluminação de área externa? Sim. Há uma torre com 04 holofotes de 1.000W cada, com sistema de partida, cabeamento de ligação ao gerador e painel de controle localizado no gerador. c) os bens indicados na relação em anexo, conforme o manual fornecido pela interessada/real adquirentes, tem em sua composição um módulo especifico para a geração de energia elétrica? Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.342 22 Sim. No modelo LT12D é da marca Lombardini L D W 1003 motor de 10,5 HP a 1.800 RPM que gera 6.000 W . No modelo MLTSDW7 há opção de 02 modelos de geradores DA7000SS e SDW225SS, com motor Kubota Z482 Diesel 12.5HP. d) caso a resposta anterior seja positiva, de que forma é gerada a energia elétrica em questão? O gerador do tipo "Brushless" (sem escovas) é acionado por motor de combustão interna diesel, que possui tanque de combustível próprio e é sua máquina de acionamento. e) ainda no caso de reposta positiva, a energia elétrica gerada pelo módulo especifico é fundamental para o pleno funcionamento do módulo de iluminação de área externa? Sim. Considerando que a aplicação dos bens, segundo consta nos manuais extraídos do sítio do fabricante, é "uso geral, para emergência e condições remotas de iluminação" a geração autônoma de energia elétrica é fundamental para o pleno funcionamento da iluminação e somente desta forma os bens executam sua função. f) considerando potência consumida naquela função de iluminação, qual seria o percentual em relação à potência nominal/total do gerador de energia elétrica? Há opções de geradores de 7.000 W e de 6.000 W e, considerando a potência consumida pelos 04 holofotes de 1.000 W cada, sem considerar as perdas por resistência de cabos, circuitos e sistema de partida, bem como as perdas internas do gerador e do motor de acionamento, obtêmse respectivamente os percentuais de 5 7 % e 6 7 % . Estimando um percentual de perdas elétricas (resistências internas perdas por efeito Joule) de 10%, os percentuais acima sobem para [4.000/6.300 = 63%] e [4.000/5.400 = 74%] , 6 3 % e 7 4% respectivamente. g) Sempre de acordo com as informações técnicas contidas no manual fornecido pela interessada/real adquirente, é possível afirmar que aqueles módulos específicos formam um corpo único? Neste caso, qual função pode ser considerada como principal, capaz de caracterizar o conjunto formado pelos diferentes módulos? Sim. Da leitura dos manuais de ambos os modelos em análise, das especificações e tabelas, onde se apresentam sempre completos, e nas figuras se observa todas as partes intimamente agregadas entre s i ; além da finalidade dos bens de fornecer iluminação remota ou em emergência, deduzse que o equipamento possui interdependência entre as suas partes, e por estarem agregados formam corpo único com a associação entre as estruturas, partes de iluminação, partes destinadas à mobilidade, gerador e motor. Observase na “pg. 70 Torre de Iluminação Série LT12 MANUAL DE OPERAÇÃO E PEÇAS" Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.343 23 o gabinete do gerador como componente integrante da torre. Na página 68 do modelo MLT encontramse as partes de fixação do gerador à carreta. Quanto à função principal, cabe ressaltar que na página 15 do manual LT12D e na página 13 do manual do modelo MLT encontramse, respectivamente, as informações em destaque: • "A Torre de Iluminação Série LT12 é uma torre de iluminação para uso geral para situações de emergência e para iluminação remota". • "A Torre de Iluminação Modular Multiquip é uma torre com holofote para uso geral, para emergências em condições remotas de iluminação". Daí, a função principal é "Iluminação"; e a finalidade "uso geral, para emergência e condições remotas de iluminação". h) Considerando as informações técnicas contidas no manual fornecido pela interessada/real adquirente, é possível afirmar que os bens em tela são similares aos produtos descritos, genericamente, como 'Torre de iluminação, marca Wacker Neuson, modelo LTN6L, fabricante Wacker Neuson', com manual de informações técnicas disponível no sítio eletrônico wwvv.wackcrncuson.com que foram objeto da Solução de Consulta n° 13 SRRF05/DIANA, de 26/03/2010? Sim. No item "3.3.4Comparação com os modelos Multiquip" deste laudo encontrase a comparação entre os modelos da marca Multiquip e o da marca Wacker Neuson, com 03 itens de verificação: a) Aspecto físico b) Denominação, função e finalidade c) Dimensões e capacidades Observase no quadro comparativo constante do item "3.3.4c" deste laudo que os três modelos possuem a mesma função principal e características muito próximas, com as mesmas potências contínuas (6.000 W ) , mesmos holofotes (04 de 1.000 W ) , capacidades de alcance máximos de 6 a 7 acres, altura do mastro próximas (9 a 9,75 metros) e mesma ordem de grandeza de peso do conjunto (700 a 791 kg). Destarte, os modelos comparados podem ser considerados similares. i) Além dos quesitos apresentados acima, cabe observar alguma informação adicional, necessária para a sua correta classificação/descrição dos bens em tela? Encontramse no Anexo I deste laudo os prospectos e páginas da internet dos fabricantes Multiquip e Wacker Neuson, com os modelos de torres de iluminação abordados neste laudo. Torres de Iluminação: Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.344 24 Há também os resultados obtidos de pesquisa de venda e locação destes tipos de equipamentos, onde são citadas as aplicações que motivam sua utilização, seja por compra ou por locação: ** cita endereços na internet de produtos similares ao importado para referência De posse de informações mais completas produzidas pelo laudo técnico para identificação das mercadorias podemos passar a análise das classificações fiscais discutidas. Em tempo, faço um parênteses para esclarecer que as importações no Brasil devem seguir a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, celebrada em Bruxelas, em 14 de junho de 1983, aprovada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988 e promulgada pelo Decreto nº 97.409/1988. Para o fiel cumprimento da Convenção Internacional que rege as questões afetas à classificação fiscal de bens importados no Brasil, fazse necessária a estrita obediência às Regras Gerais Para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC), bem como devem ser observadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), originalmente aprovadas pelo Decreto n° 435, de 27 de Janeiro de 1992, com alterações posteriores. Conforme já reproduzido acima, devemos confrontar as NCMs identificadas pela empresa e pela fiscalização: 8502 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. 8502.1 Grupos eletrogêneos de motor de pistão, de ignição por compressão (motores diesel ou semidiesel): 8502.11 De potência não superior a 75 kVA 8502.11.10 De corrente alternada 8502.11.90 Outros E 9405 Aparelhos de iluminação (incluindo os projetores) e suas partes, não especificados nem compreendidos noutras posições; anúncios, cartazes ou tabuletas, placas indicadoras luminosos, e artigos semelhantes, que contenham uma fonte luminosa fixa permanente, e suas partes não especificadas nem compreendidas noutras posições. 9405.40 Outros aparelhos elétricos de iluminação 9405.40.10 De metais comuns Seguindo a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI SH temos que a Regra 1 estipula: Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.345 25 A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes Regras: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Devemos partir da análise das posições 8502 e 9405 em disputa. Temos para a Seção XVI, da qual faz parte o capítulo 85 as seguintes notas de seção: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. Podemos concluir a partir das informações trazidas no laudo técnico que a mercadoria Torre de Iluminação LT12D é um conjunto formando um corpo único, composto de estruturas de metal, partes de iluminação com 4(quatro) lâmpadas de alta potência, partes destinadas a mobilidade do conjunto, gerador e motor. No conjunto ainda estão acoplados dois pontos de tomadas para serem utilizadas para ferramentas elétricas e aplicações similares. O motor permite o funcionamento da torre de iluminação, sendo que o painel de controle da torre de iluminação fica localizado no motor, o que evidencia que o motor forma corpo único com a torre de iluminação. As partes destinadas a mobilidade do conjunto ou reboque servem para o conjunto possa ser acoplado a veículo e transportado para locais remotos, permitindo assim a iluminação autônoma em locais onde não há rede de energia disponível. A parte composta de motor movido a Diesel e gerador, com tanque de combustível acoplado permite o funcionamento da torre de iluminação por 64 horas. E a estrutura de metal foi concebida para ser erguida verticalmente até o máximo de 9,6 metros, elevando o sistema de iluminação. Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.346 26 Estando diante de um conjunto, formando um corpo único, de acordo com a nota 3 da Seção XVI, temos que a classificação se fará de acordo com a função principal do conjunto. A partir da leitura das informações constantes do laudo técnico, e também dos documentos apresentados pela empresa resta confirmado que a função principal, e porque não dizer basicamente a única do conjunto é a iluminação. As duas tomadas presentes são apenas um acessório oferecido pelo fabricante para facilitar a utilização em áreas remotas onde a energia elétrica não está disponível. Nesses locais ermos, como é sabido, é preciso levar a iluminação mas muitas vezes é necessário a conexão de algum equipamento elétrico de pequeno porte, como uma ferramenta para a própria instalação da torre elétrica. Entendo que a informação prestada pela empresa de que a iluminação não é a função principal do produto não merece guarita: A iluminação, de forma alguma, é função principal deste produto, pois o mesmo é utilizado pelos clientes principalmente durante o dia, quando ainda há luz natural, sem utilização de lâmpadas. Eventualmente, é que o cliente utilizará a iluminação, quando for obrigado a trabalhar em área sem iluminação natural ou instalada, durante a noite, ou seja, em situações excepcionais. É certo que muitos clientes instalaram sua torre de iluminação em locais e não a utilizaram durante o dia, por desnecessário, o fato da torre de iluminação estar desligada não modifica a sua função principal. Concluído que estamos diante de um conjunto, formando um corpo único, cuja principal função é a iluminação continuemos a análise das posições. A posição 8502 trata dos grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos, e consultando a NESH, buscamos ajuda subsidiaria para esclarecimentos: CAPÍTULO 85 85.02 GRUPOS ELETROGÊNEOS E CONVERSORES I. GRUPOS ELETROGÊNEOS A expressão “grupos eletrogêneos” aplicase à combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, que não seja um motor elétrico (turbina hidráulica, turbina a vapor, roda eólica, máquina a vapor, motor de ignição por centelha (faísca*), motor diesel, etc.). Quando a máquina motriz e o gerador formam um só corpo ou quando, separados mas apresentados ao mesmo tempo, as duas máquinas são concebidas para formar um só corpo ou ser montadas em uma base comum (ver as Considerações Gerais desta Seção), o conjunto classificase na presente posição. Os grupos eletrogêneos para soldadura só se classificam aqui se apresentados isoladamente, desprovidos das suas cabeças ou pinças de soldadura; caso contrário, classificamse na posição 85.15. Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.347 27 Os grupos eletrogêneos são formados por um gerador elétrico e um motor, que pode ser a diesel. Eles se classificam nessa posição se forma um corpo único. A mercadoria sob análise possui o gerador e o motor a diesel formando um corpo único mas com outros elementos. E conforme já esclarecido essa não é a função principal do conjunto. A função principal é a iluminação e não o conjunto gerador e motor a diesel. Portanto, descartada a posição 8502. Passemos a análise da posição 9405 que trata de "Aparelhos de iluminação (incluindo os projetores) e suas partes, não especificados nem compreendidos noutras posições; anúncios, cartazes ou tabuletas, placas indicadoras luminosos, e artigos semelhantes, que contenham uma fonte luminosa fixa permanente, e suas partes não especificadas nem compreendidas noutras posições". Na seção XX temos a seguinte nota ao capítulo 94: 1. O presente Capítulo não compreende: ... f) os aparelhos de iluminação do Capítulo 85; Já vimos que essa referência não é relativa ao conjunto gerador mais motor, pois esta clara na nota que é uma referência a aparelhos de iluminação que estão descritos no capítulo 85. Verificando as posições do capítulo 85 encontramos as seguintes descrições relativas a aparelhos de iluminação, e podemos verificar que se tratam de aparelhos elétricos ou lâmpadas, que não condizem com a mercadoria importada: 85.12 Aparelhos elétricos de iluminação ou de sinalização (exceto os da posição 85.39), limpadores de párabrisas, degeladores e desembaçadores (desembaciadores) elétricos, dos tipos utilizados em ciclos e automóveis. 85.13 Lanternas elétricas portáteis destinadas a funcionar por meio de sua própria fonte de energia (por exemplo, de pilhas, de acumuladores, de magnetos), excluídos os aparelhos de iluminação da posição 85.12. 85.39 Lâmpadas e tubos elétricos de incandescência ou de descarga, incluídos os artigos denominados “faróis e projetores, em unidades seladas” e as lâmpadas e tubos de raios ultravioleta ou infravermelhos; lâmpadas de arco. 85.40 Lâmpadas, tubos e válvulas, eletrônicos, de cátodo quente, cátodo frio ou fotocátodo (por exemplo, lâmpadas, tubos e válvulas, de vácuo, de vapor ou de gás, ampolas retificadoras de vapor de mercúrio, tubos catódicos, tubos e válvulas para câmeras de televisão), exceto os da posição 85.39. 85.41 Diodos, transistores e dispositivos semelhantes semicondutores; dispositivos fotossensíveis semicondutores, incluídas as células fotovoltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis; diodos emissores de luz; cristais piezelétricos montados. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.348 28 Consultando a NESH da posição 9405 temos que ela traz as seguintes informações, que podem ser utilizadas de forma subsidiária: I. APARELHOS DE ILUMINAÇÃO NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS NOUTRAS POSIÇÕES Os aparelhos de iluminação deste grupo podem ser constituídos por quaisquer matérias (excluídas as matérias referidas na Nota 1 do Capítulo 71) e utilizar qualquer fonte de luz (vela, óleo, gasolina, petróleo, gás de iluminação, acetileno, eletricidade, etc.). Tratandose de aparelhos elétricos, podem ser equipados com suportes para lâmpadas comuns, interruptores, fios elétricos com tomadasmacho, transformadores, etc., ou, como no caso dos suportes para lâmpadas fluorescentes, de um starter (arrancador*) e de um reator (balastro*). Os principais tipos de aparelhos de iluminação incluídos aqui são: ... O presente grupo também abrange os projetores. Tratase de aparelhos que permitem concentrar o fluxo de uma fonte luminosa (que, geralmente, pode ser regulada) em um feixe dirigido sobre um ponto ou uma superfície determinada, situada a uma distância mais ou menos longa, por meio de um espelho refletor e de uma lente ou, apenas, de um refletor. Os espelhos refletores são, geralmente, de vidro prateado ou de metais polidos, prateados ou cromados; quanto às lentes, elas são, na maior parte das vezes, planoconvexas ou escalonadas (lentes de Fresnel). Certos projetores são utilizados, por exemplo, em defesa anti aérea, enquanto outros são utilizados nos cenários (cenas) de teatro e nos estúdios fotográficos ou cinematográficos. II. ANÚNCIOS, CARTAZES OU TABULETAS E PLACAS INDICADORAS, LUMINOSOS, E ARTIGOS SEMELHANTES Incluemse no presente grupo os anúncios, cartazes ou tabuletas e placas indicadoras, luminosos (incluindo os painéis rodoviários), e artigos semelhantes, tais como as placas de anúncios e placas de endereços de qualquer matéria, desde que sejam equipadas com uma fonte de iluminação fixa permanente. Concluímos que a posição 9405, por ser adequada para aparelhos de iluminação constituídos por quaisquer e utilizar qualquer fonte de luz, descreve perfeitamente a mercadoria importada, pela aplicação da RGI 1, pois se trata de um conjunto, formando um corpo único, cuja principal função é a iluminação. Já pela aplicação da RGI 6 chegamos a subposição aplicável: 9405.40 Outros aparelhos elétricos de iluminação RGI 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.349 29 dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Para definirmos qual o item e subitem, na NCM, para a mercadoria devemos nos valer das Regras Gerais Complementares. REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) 1.(RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. 2.(RGC2) As embalagens que contenham mercadorias e que sejam claramente suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Regra 5 b), seguirão seu próprio regime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias. Da aplicação das RGC concluímos que a classificação adequada para a mercadoria é a NCM utilizada pela fiscalização, já que o conjunto é composto por partes construídas de metais comuns: 9405.40.10 De metais comuns Apesar da recorrente citar em seu recurso o não cabimento da aplicação da SC nº 13/2010 da 5ª RF ao caso concreto, verificase que a Solução de consulta citada foi utilizada apenas como balizamente para a pesquisa e seleção de contribuintes que importaram mercadorias equivalentes. Segundo pode ser apurado no TVF, e depois no acórdão recorrido, foi possível determinar a classificação da mercadoria com base na identificação efetuada no laudo técnico e nos documentos obtidos na empresa, sem ser necessário se valer das conclusões efetuadas pela SC nº 13/2010. Quanto as informações a respeito das mercadorias juntadas na impugnação e depois em recurso voluntário, entendo que as mesmas não foram relevantes para alterar as conclusões efetuadas a partir dos outros elementos que constam dos autos. A alegação de que o consumo de energia pela torre de iluminação representar 66% da capacidade do grupo eletrogêneo não retira a característica principal do conjunto que é servir para iluminação. Pelo contrário, se avaliarmos 66% é posição majoritária, o que enfatiza ser a iluminação característica principal. As demonstrações da impugnante de que os "módulos importados" podem ser utilizados em diversas configurações também não serve para afastar o fato de que foi Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10736.000002/201119 Acórdão n.º 3401005.210 S3C4T1 Fl. 1.350 30 importado o conjunto descrito como LT12D. A classificação da mercadoria, segundo o SH, é efetuada para o conjunto importado, que servirá para desempenhar uma determinada função, e não para cada parte separada. No laudo pericial encomendado pela recorrente o perito contratado reforça que o equipamento não pode ser comparado à maquina WackNeuson, que é uma máquina única, indissociável, enquanto que o conjunto LT12D é modular, cuja característica essencial é geração de energia. O fato de se apresentar em módulos não retira a característica principal do conjunto, e todos os documentos, inclusive as informações no próprio sítio eletrônico da empresa, mostram que a função principal do conjunto é a iluminação, diferente do alegado pelo perito contratado. De todo o exposto é de se concluir que razão assiste à fiscalização em classificar o conjunto na posição NCM 9405.4010, por isso, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 1350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000690/2005-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO DCTF. EXCLUSÃO RETROATIVA DO SIMPLES.
A partir do momento em que incorrer em situação excludente da opção pelo Simples, a pessoa jurídica optante do regime tem o dever de, imediatamente, comunicar sua exclusão mediante alteração cadastral e sujeitar-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, o que inclui obrigatoriedade de apresentação de DCTF nos prazos regulamentares.
Numero da decisão: 1003-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 MULTA POR ATRASO DCTF. EXCLUSÃO RETROATIVA DO SIMPLES. A partir do momento em que incorrer em situação excludente da opção pelo Simples, a pessoa jurídica optante do regime tem o dever de, imediatamente, comunicar sua exclusão mediante alteração cadastral e sujeitar-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, o que inclui obrigatoriedade de apresentação de DCTF nos prazos regulamentares.
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EXCLUSÃO RETROATIVA DO SIMPLES. A partir do momento em que incorrer em situação excludente da opção pelo Simples, a pessoa jurídica optante do regime tem o dever de, imediatamente, comunicar sua exclusão mediante alteração cadastral e sujeitarse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, o que inclui obrigatoriedade de apresentação de DCTF nos prazos regulamentares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 06 90 /2 00 5- 12 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13609.000690/200512 Acórdão n.º 1003000.189 S1C0T3 Fl. 86 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 34/35, numeração em papel) que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração à folha 07, relativo a multas por atraso na entrega de DCTF relativas ao segundo e terceiro trimestres de 2003, num valor total de multa a pagar de R$ 1.000,00. A recorrente repete os argumentos da impugnação, alegando, em síntese: I Que optou pelo Simples Federal em 30/01/2003, conforme recibo de alteração cadastral no CNPJ que anexa à folha 05; II Que foi comunicada por intermédio de ofício do sr. Delegado da Receita Federal em Sete Lagoas da sua exclusão do Simples Federal com efeitos retroativos a 01/04/2003, sem informar a data de tal comunicação nem anexar o referido ofício; III Que a exclusão do Simples foi concretizada por solicitação feita pela empresa conforme recibo, de alteração cadastral no CNPJ que anexa à folha 06, datado de 20/10/2003; IV Que a empresa não poderia entregar as DCTF objeto da presente penalidade no prazo legal, "pois não havia o fato gerador da obrigação na ocasião, por tratar se de empresa inscrita no Simples", "vindo a gerar a obrigação pelo ofício do Sr. Delegado com efeitos retroativos e que a empresa procurou cumprir assim que possível a entrega com aceitação do sistema informativo da Receita Federal". É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O relato da contribuinte, embora a mesma não tenha anexado ao processo o "ofício" que menciona, deixa claro que sua exclusão do Simples Federal se processou de ofício, com efeitos retroativos a 01/04/2003. A exclusão de ofício do Simples Federal se dá nas hipóteses do art. 14 da Lei 9.317/96. Em qualquer dos casos, a contribuinte evidentemente tem ciência da situação em que se encontra e da legislação a que se submete. A partir do momento em que incorreu em situação excludente da opção pelo Simples, deveria ter, imediatamente, comunicado sua exclusão mediante alteração cadastral, bem como passado a sujeitarse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme determinam os artigos 13, inciso II, e 16 da Lei 9.317/96. Isto inclui obrigatoriedade de apresentação de DCTF nos prazos regulamentares. Não tendo assim procedido, correta a autuação que lhe exige multa por atraso na entrega das Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13609.000690/200512 Acórdão n.º 1003000.189 S1C0T3 Fl. 87 3 DCTF apresentadas a destempo, relativas ao período em que não mais fazia jus à opção pelo Simples, fato posteriormente constatado, dado sua omissão em comunicar, e retroativamente declarado. Após a comunicação de sua exclusão de ofício do Simples Federal, a contribuinte protocolou, em 20/10/2003, alteração cadastral no CNPJ e apresentou, em 26/11/2003, as DCTF relativas ao segundo e terceiro trimestres de 2003, procedimento que não a socorre quanto a evitar a referida multa por atraso. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.002728/2007-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
Numero da decisão: 9303-007.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o acórdão recorrido e declarar a definitividade do crédito exigido em face da existência de concomitância e necessidade de aplicação da Súmula CARF nº 1.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o acórdão recorrido e declarar a definitividade do crédito exigido em face da existência de concomitância e necessidade de aplicação da Súmula CARF nº 1. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reformar o acórdão recorrido e declarar a definitividade do crédito exigido em face da existência de concomitância e necessidade de aplicação da Súmula CARF nº 1. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 27 28 /2 00 7- 45 Fl. 950DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no acórdão nº 3401002.595, de 27 de maio de 2014 (efolhas 1.078 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL. As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 880 e segs) diz respeito à prevalência de decisão judicial que garantia direito à compensação de débitos próprios com créditos de terceiros depois de modificada a legislação que admitia tal possibilidade. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 888 e segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões, É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 4 3 Mérito Por meio do recurso especial interposto, a Fazenda Nacional pleiteia a reforma da decisão recorrida, que, com base no entendimento de que deve prevalecer a coisa julgada, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para determinar a compensação dos débitos do contribuinte com créditos de terceiros. Os autos noticiam que a empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, impetrou dois mandados de segurança, nº 98.00166580 e nº 2001.51.10.0010250. O primeiro com vistas ao reconhecimento do direito de creditarse do de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI na aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento do Imposto e o segundo para que fosse afastada a restrição imposta pela Secretaria da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação de débitos próprios. Obteve êxito em ambas ações. Ao amparo do provimento jurisdicional, a então Globex Utilidades S.A., ora Via Varejo S.A., empresa do mesmo grupo empresarial da empresa Nitriflex, apresentou a declaração de compensação de débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins com os créditos cedidos pela Nitriflex. O pedido, à efolha 3 do processo, foi protocolado no dia 12 de setembro do ano de 2007. O objeto da ação e a causa de pedir do mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250 é a ilegalidade da Instrução Normativa SRF na 41/2000, que, em seu art. 10, vedava expressamente a utilização de créditos próprios em beneficio de terceiros para fins de compensação. Ou seja, a interessada obteve tutela judicial reconhecendo a ilegalidade do ato normativo editado pelo Secretário da Receita Federal, pois, de fato, na data de sua entrada em vigor, não havia respaldo legal para que se impusesse tal restrição. Contudo, na data do protocolo do pedido de compensação, momento em que, conforme entendimento sacramentado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça1, define a 1 Min. Teori Albino Zavascki EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, (...) 85. Noutro dizer, a E. Corte Superior, legítima interprete da legislação infraconstitucional, fixou o entendimento que o regime jurídico da compensação, em razão das sucessivas mudanças implementadas, fixase pela data do ajuizamento da ação. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 5 4 legislação aplicável aos pleitos dessa natureza e, por conseguinte, os critérios aos quais subsumese a compensação, a vedação à compensação de débitos próprios com créditos de terceiros já dispunha de amparo legal, por força da edição da Medida Provisória nº 66, em 29/08/2002. Ou seja, a (supostamente) ilegal IN 41/2000, afastada pela decisão judicial, já não era mais fundamento para a recusa do pleito. Assim, a questão nuclear do decisum que deu amparo à pretensão do contribuinte perdeu objeto com a entrada em vigor da MP nº 66/2002, já que a inexistência de amparo legal foi suprida pela superveniência de lei que, tratando especificamente do assunto, vetou, ela própria, a possibilidade que, antes, a IN 41, ilegalmente, segundo entendimento do Poder Judiciário, havia vetado. Assiste razão à recorrente. No entender desse relator, o arcabouço legislativo à luz do qual a decisão judicial foi tomada viuse complemente transformado com a edição da Medida Provisória nº 66, em 29/08/2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/962. Em decorrência, a decisão tomada no mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250 perdeu a eficácia. A relação jurídica subsequente não é a mesma relação jurídica submetida antes ao Poder Judiciário. O efeito vinculante que a tutela judicial impunha à Administração Pública recai apenas sobre a relação jurídica deduzida em juízo e nela apreciada. Uma vez alterada, a nova relação jurídica de direito material não alcançada pelos efeitos vinculantes da referida decisão. Contudo, há outros eventos que precisam ser levados em consideração. Às efolhas 937, encontrase manifestação apresentada pela interessada, dando conta de decisão proferida em juízo, em sede de Agravo de instrumento n.º 5006541 46.2017.4.03.0000, deferindo o pedido de antecipação da tutela recursal. A seguir o teor da decisão proferida nos autos do processo judicial supracitado. 2 Redação antes e depois da MP. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos ou contribuições sob sua administração. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 6 5 AGRAVO DE INSTRUMENTO (202) Nº 5006541 46.2017.4.03.0000 RELATOR: DES. FED. NERY JÚNIOR AGRAVANTE: NITRIFLEX S A INDUSTRIA E COMERCIO Advogado do(a) AGRAVANTE: EDUARDO FERRARI LUCENA SP243202 AGRAVADO: UNIAO FEDERAL FAZENDA NACIONAL D E C I S Ã O Cuidase de agravo de instrumento interposto por Nitriflex S/A Indústria e Comércio (em Recuperação Judicial) contra decisão que, nos autos de ação de obrigação de fazer e indenização por danos materiais e morais, indeferiu pedido de tutela de urgência com objetivo de suspender a exigibilidade dos débitos compensados com crédito de IPI homologado pela Receita Federal do Brasil nos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918, além da realização do encontro de contas entre o crédito e os débitos compensados segundo determinados critérios. Alega a agravante que, através dos despachos decisórios proferidos em 1999 e 2000 nos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918, a agravada reconheceu o direito da agravante à compensação do crédito de IPI com débitos próprios e de terceiros, com base na norma jurídica então em vigor (IN/SRF nº 21/97). Sustenta que tais decisões administrativas se tornaram definitivas, constituindo ato jurídico perfeito e direito adquirido. Aduz que nas compensações tributárias de débitos com créditos reconhecidos judicialmente aplicase a legislação vigente à época da propositura da ação judicial na qual os créditos foram reconhecidos, nos termos do RESp nº 1.164.452, decidido pelo C. STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos. Sustenta que o crédito de IPI foi reconhecido no MS nº 98.00166580, impetrado em 21/07/1998, quando ainda estava em vigor a IN/SRF nº 21/97, que autorizava a compensação dos débitos de terceiros. Portanto, as inovações legislativas posteriores (tais como a MP 66/02 e subsequentes leis nºs 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04) não se aplicariam ao caso. Alega que impetrou anteriormente o Mandado de Segurança Preventivo nº 2001.51.10.0010250 visando afastar a aplicação da IN/SRF nº 41/00 (primeira norma administrativa a impedir a compensação dos débitos de terceiros) e que, não obstante o acórdão favorável tenha sido cassado pelo TRF da 2ª Região na Ação Rescisória nº 2005.02.01.0071872, esse decisum em nada afetaria o direito da ora agravante. Isso porque aquele Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250 era preventivo, visando impedir a prática de possível ato da ré de aplicar a IN/SRF nº 41/00 ao caso concreto, e que tal ato não se consumou diante do expresso reconhecimento pela própria ré do direito à Fl. 954DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 7 6 compensação do crédito com débitos de terceiros nos PAs nºs 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, o que teria inclusive esvaziado o objeto do MS nº 2001.51.10.0010250 e, consequentemente, da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. A agravante defende ainda o direito ao encontro de contas do crédito de IPI segundo os critérios fixados judicialmente, a saber: (I) aplicação dos expurgos inflacionários sobre os créditos, conforme sentença transitada em julgado no MS nº 99.0605420; (II) a incidência, sobre os créditos, de juros de mora de 1% a.m. até dezembro/1995 e, após, a SELIC, até a data do pedido de compensação, nos termos do decidido no REsp nº 1.245.347; (III) a definição da data do encontro de contas como a data de cada pedido de compensação, conforme decidido no REsp nº 1.245.347. Pede ainda que as compensações de débitos “homologadas tacitamente” pela ré não consumam o crédito de IPI. Pretende também a condenação da União em indenização por danos materiais e morais em razão das perdas decorrentes da indisponibilidade do crédito de IPI e pelas rejeições das compensações, oportunidades de negócios perdidos por falta de CND, além do abalo sistêmico à imagem e credibilidade da empresa perante fornecedores, clientes e bancos. Em sede de antecipação da tutela, pleiteou: (I) a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados com o crédito de IPI até a prolação de decisão final neste processo, ou até decisão definitiva da ré sobre o encontro de contas; (II) seja determinado à agravada que, no prazo de 90 dias, sob pena de multa diária, efetive o encontro de contas segundo os critérios pleiteados no mérito da demanda, com relação a todas as compensações realizadas com o crédito de IPI (exceto as compensações já homologadas tacitamente), devendo a agravada proceder ao apensamento de todos os processos administrativos de compensações aos PAs nº 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, nos quais se apurou os créditos; (III) ao final dos encontros de contas, seja restituído administrativamente à agravante eventual saldo credor. Alternativamente, caso não seja acolhido o pedido referente aos critérios de compensabilidade, seja determinado à ré que devolva administrativamente todo o crédito de IPI devidamente atualizado. Indeferida a tutela de urgência, interpôs o agravo de instrumento em epígrafe. Na sequência, atravessou petição informando ter emendado a inicial para oferecer em garantia o próprio crédito de IPI homologado nos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918. Alega que o crédito de IPI, ainda que calculado sem os critérios determinados por decisões judiciais e administrativas (expurgos inflacionários e juros de mora de 1% ao mês até dez/1995) e sem adequado encontro de contas, é de Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 8 7 aproximadamente R$ 224.666.769,24, ou seja, muito próximo do valor compensado até os dias atuais (R$ 258.894.238,09), o que demonstra ser suficiente para garantia do montante compensado. Reitera o pedido de antecipação da tutela recursal, mediante o oferecimento da garantia. É o relatório. Passo à apreciação do pedido de antecipação da tutela recursal. O Código de Processo Civil de 2015 conferiu nova roupagem às tutelas provisórias, determinando sua instrumentalidade, sempre acessórias a uma tutela cognitiva ou executiva, podendo ser antecedente ou incidente (artigo 295) ao processo principal. No caso das tutelas provisórias de urgência, requeremse, para sua concessão, elementos que evidenciem a probabilidade do direito, perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo e a ausência de perigo de irreversibilidade da decisão. No caso em análise, a agravante possui crédito de IPI reconhecido judicial e administrativamente, o que é incontroverso. Reclama, contudo, que a autoridade administrativa não efetivou o devido encontro de contas dos créditos com os débitos próprios que compensou, tampouco homologou as compensações com débitos de terceiros. A esse respeito, aliás, sustenta a agravante que as decisões administrativas proferidas em 1999 e 2000 nos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918, na vigência da IN/SRF nº 21/97, autorizaram a compensação do crédito de IPI em testilha com débitos próprios e de terceiros, constituindo ato jurídico perfeito e direito adquirido. É compreensível a irresignação da agravante, visto ter sido obrigada a demandar em juízo, em diversas ações e desdobramentos, até ter seu crédito reconhecido, assim como o direito à correta atualização, sem as perdas inflacionárias. Quando finamente pôde iniciar as compensações do crédito com débitos próprios e de terceiros, viuse diante da alteração legislativa que passaria a impedir a compensação com débitos de terceiros. Identifico, na hipótese, necessidade de suspender a exigibilidade dos créditos tributários compensados, até manifestação definitiva do Juízo acerca da pretensão. Por primeiro, para que se possa saber, de forma conclusiva, se os créditos de IPI já foram ou não consumidos, a autoridade administrativa necessita apresentar as planilhas concernentes aos encontros de contas das compensações efetivadas. Nesse aspecto, contradizse a União quando, ora afirma que os créditos foram consumidos, ora afirma que as compensações não foram homologadas. É direito do contribuinte o acesso aos cálculos fazendários referentes à utilização dos créditos, até mesmo para que possa verificar se foram efetivamente elaborados com os critérios Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 9 8 determinados pelas decisões judiciais e administrativas definitivas que obteve. Logo, de rigor que se determine à União Federal que realize os encontros de contas dos pedidos de compensação no prazo de 90 (noventa) dias, apresentando os cálculos que demonstrem a utilização dos critérios já determinados nas demandas judiciais e administrativas definitivamente decididas. No que concerne ao suposto direito à compensação com créditos de terceiros, não me parece que a procedência da Ação Rescisória nº 2005.02.01.0071872, que culminou na denegação da ordem no Mandado de Segurança Preventivo nº 2001.51.10.0010250, tenha qualquer interferência sobre as decisões administrativas proferidas nos PAs nºs 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, ainda vigentes, porquanto não foram proferidas em razão de decisão judicial, mas de apreciação efetiva do mérito. Ora, o mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250 era preventivo, visando impedir a prática de possível ato da ré de aplicar a IN/SRF nº 41/00 ao caso concreto. Ao que se infere em análise perfunctória, o receio do impetrante não se consumou, vez que, no curso da demanda, houve julgamento no CARF reconhecendo o direito à compensação daqueles créditos com débitos de terceiro, esvaziando o objeto do mandamus. Nessas condições, a denegação da segurança no writ preventivo não tem efeitos sobre a decisão administrativa de mérito posterior à impetração. Esses elementos, somados à inexistência de risco de irreversibilidade da medida, orientam ao deferimento parcial do pedido de antecipação da tutela recursal, para suspender a exigibilidade dos créditos tributários objeto das compensações em testilha, bem como determinar a realização do encontro de contas e apresentação dos respectivos cálculos. Ante o exposto, nos termos dos art. 294 e seguintes do novel Código de Processo Civil. defiro parcialmente a antecipação da tutela recursal, para suspender a exigibilidade dos débitos fiscais objeto das compensações com os créditos oriundos dos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918, bem como determinar à Fazenda Nacional que realize os encontros de contas dos pedidos de compensação no prazo de 90 (noventa) dias, apresentando os cálculos que demonstrem a utilização dos critérios já estabelecidos nas demandas judiciais e administrativas definitivamente decididas. Sem sombra de dúvidas, a matéria controvertida nos autos, acerca dos efeitos derivados da modificação do ordenamento jurídico com a entrada em vigor da MP 66/2002 que, à inicial, não era, como se disse, objeto nem do mandado de segurança nº 98.00166580, Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 10 9 nem do mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250, estão, agora, submetidas ao Poder Judiciário. No caso aplicase a súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sobre os efeitos da renúncia, disciplina o Parecer Normativo Cosit nº 7/2014. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL.lRENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.lDESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. (grifos acrescidos) A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13707.002728/200745 Acórdão n.º 9303007.275 CSRFT3 Fl. 11 10 Decretolei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. eprocesso nº 10166.721006/201316 Significa dizer que a subsunção ao Poder Judiciário da matéria controvertida nos autos importa em renúncia irretratável à lide no âmbito da administração federal, independentemente de eventual decisão tomada no processo administrativo fiscal que tivesse sido mais favorável ao administrado. Aplicase, no caso, o §5º do artigo 78 do Anexo II do RICARF: §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, para reformar o acordão recorrido e declarar a definitividade do crédito exigido em face da existência de concomitância e necessidade de aplicação da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 959DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.720375/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
DEVIDO PROCESSO LEGAL
Não há nulidade alguma ao PAF que observou regularmente as garantias ao contraditório e ampla defesa do contribuinte, com destaque, para as sucessivas oportunidades de apresentação de documentos no curso da fiscalização.
OMISSÃO DE RECEITA.
Mantém-se o lançamento por omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores informados na Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIPJ) e os valores obtidos do Sistema Publico de Escrituração Digital (Sped) e/ou da Guia de Informação e Apuração do ICMS.
ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO.
Uma vez que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabível o arbitramento do lucro.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da contribuinte de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS)
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados.
Numero da decisão: 1402-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. Designado o conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza (Suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes os Conselheiros Marco Rogerio Borges e Evandro Correa Dias.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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OMISSÃO DE RECEITA. Mantémse o lançamento por omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e os valores obtidos do Sistema Publico de Escrituração Digital (Sped) e/ou da Guia de Informação e Apuração do ICMS. ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabível o arbitramento do lucro. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da contribuinte de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 03 75 /2 01 4- 63 Fl. 3274DF CARF MF 2 LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. Designado o conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins (Suplente convocado), Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza (Suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes os Conselheiros Marco Rogerio Borges e Evandro Correa Dias. Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201463 Acórdão n.º 1402002.847 S1C4T2 Fl. 3.275 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por TAKEI INDÚSTRIA MOVELEIRA LTDA no qual se insurge em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que considerou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração (ciência em 31/07/2014) exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 1.222.883,91, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 555.053,02, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 1.625.837,89 e Contribuição para o PIS no valor de R$ 351.287,07, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 10.414.068,19 (fl. 02 e 2753/2839), em razão de omissão de receitas de venda de produtos de fabricação própria, relativamente aos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e 2012, sendo que para fins de apuração do IRPJ e da CSLL o lucro fora arbitrado com fundamento no art. 530, III, do RIR/99, em razão da empresa, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Das constatações iniciais. Segundo o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 2726/2752), o procedimento fiscal foi motivado pela informação oriunda da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (Sacat) da DRF/Londrina de que a empresa, em vários meses do ano de 2010 e 2011, após receber cobrança dos valores indevidamente suspensos (eproc 10930.723425/2012 95), retificou todas as DCTF alterando o débito apurado para exatos dez por cento do débito apurado na DCTF retificada e zerou a linha correspondente à suspensão da exigibilidade e, com essa atitude, deixou a empresa de aparecer como empresa que utilizou a suspensão. Ao estender a análise para os anos de 2009 e 2012, verificouse que nesses anos também haviam irregularidades (informações falsas) e que a única diferença entre os anos de 2010 e 2011 para os anos de 2009 e 2012 foi que nestes últimos a empresa não apresentou DCTF retificadora com valores suspensos e depois os retificou a meros 10% do valor efetivamente apurado tal como procedeu nos anos de 2010 e 2011. Em relação ao ano de 2009, segundo consta, a empresa após informar em suas DCTF valores a pagar, zerou todos os valores por meio de declarações retificadoras, embora tenha tido movimento regular no ano, conforme consta da DIPJ apresentada, e também nas informações extraídas do sítio da CELEPAR, nas GIAS DO ICMS constam valores de receitas informados em todo o período analisado (2009 a 2012). Os DACON relativos ao primeiro semestre de 2009 foram apresentados regularmente e com valores de receita, enquanto os relativos ao segundo semestre foram todos apresentados com valores zerados. Em relação ao ano de 2012, a empresa ora apresentou DCTF retificadora com valores ínfimos em comparação com a DCTF original, ora apresentou DCTF retificadora com débito apurado de 10% (dez por cento) do valor da DCTF Fl. 3276DF CARF MF 4 original. Tal procedimento, segundo consta, ocorreu em todo o período sob fiscalização, de 2009 a 2012. Além da constatação de ter a empresa reduzido ou simplesmente zerado os valores anteriormente declarados em DCTF, chegando a apresentar até "cinco" DCTF relativas ao mês 01/2011, também apresentou, em 25/01/2013, DIPJ retificadoras relativas aos anoscalendário de 2010 e 2011, reduzindo o valor de seus débitos da mesma forma como reduziu nas DCTF. A autoridade fiscal esclareceu que as DCTF’s retificadoras apresentadas em 17/02/2013 e 19/02/2013, relativas ao mês de novembro de 2012 e apresentada originalmente em 21/01/2013, não poderiam ser consideradas por terem sido apresentadas após o início do procedimento fiscal. E, pela mesma razão, não seria aceita a DCTF retificadora apresentada em 22/05/2013 relativa ao mês de dezembro de 2012 e apresentada originalmente em 25/02/2013. Do Procedimento Fiscal. O procedimento fiscal teve início em 15/02/2013 com a ciência do Termo de Início de fls. 03 e 04 pelo representante da empresa, Sr. Yoshimi Takei, por meio do qual foi a empresa intimada a apresentar os Livros Caixa ou Diário e Razão (Lucro Presumido); Livros Diário e Razão (Lucro Real); Livro Registro de Entradas; Livro Registro de Saídas; Livro Registro de Apuração do ICMS; Livro Registro de Apuração do IPI; Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; Contrato/Estatuto Social e suas alterações; DCTF; DIPJ; Recibos de Entrega das últimas declarações DCTF mensais; DIRF anuais e Recibos de Entrega das últimas declarações do IRPJ 13 e DACON. Foi esclarecido a contribuinte de que o não atendimento, no prazo marcado, ficaria a empresa sujeita ao agravamento da multa em 50% no caso de haver lançamento de ofício, e também foi alertada de que ficaria configurado o embaraço à fiscalização, sujeitandose às penalidades previstas no artigo 919 e parágrafo único do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999. Em 03/04/13 apresentou "CNPJ, Inscrição Estadual, CPF e RG do Sócio Responsável, Contrato Social e suas alterações (da 1a a 14a) e DCTF 2010 e 2011". Em 21/02/2013 a empresa solicitou a dilação de prazo de 05 (cinco) para 20(vinte) dias úteis e, por não ter atendido à intimação, foi ela novamente intimada em 18/03/2013 para o mesmo fim, e em 09/04/2013 a autoridade fiscal solicitou, mediante Termo de Reintimação, a apresentação dos elementos constantes do Termo de Inicio de Ação Fiscal de 15/02/2013 e mesmo assim a empresa não atendeu à intimação, limitandose o diretor Yoshimi Takei a informar que “ Todos os documentos solicitados foram encadernados e assinados e encaminhados aos cuidados do escritório contábil, que os reencaminhou para Maceió para o escritório de advocacia". Diante disso e tendo em vista que até a data de 09/04/2013 a empresa não havia apresentado os elementos solicitados, a fiscalização entendeu que estava caracterizado o EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, referido no art. 919 e parágrafo único do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), e assim lavrou o Auto de Embaraço à Fiscalização em 09/04/2013. Em relação aos lançamentos a autoridade fiscal prestou os seguintes esclarecimentos: DO LANÇAMENTO DO IPI Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201463 Acórdão n.º 1402002.847 S1C4T2 Fl. 3.276 5 Sendo o Livro de Registro de Apuração do IPI obrigatório para indústrias e estabelecimentos equiparados, nele apuramse os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações, de entrada e saída, extraídos dos Livros próprios, atendido o código fiscal de Operações e Prestações CFOP No Livro Registro de Apuração do IPI são também registrados os débitos e os créditos do imposto, os saldos apurados e outros elementos que venha a ser exigidos. Como a empresa não apresentou os Livros Fiscais, não foi possível verificar qual o real saldo credor ou devedor que a empresa em tese teria. Ou seja, como a empresa, apesar das diversas Intimações e Reintimações não apresentou os Livros Fiscais, não temos como comprovar a veracidade dos saldos, tanto credores como devedores, informados nas DCTF e por conseguinte não temos como comprovar se o que foi adquirido matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem eram de fato insumos para emprego na industrialização de produtos tributados. Pela DIPJ Exercício 2013, na ficha 26 Saída de Produtos/Mercadorias/Insumos a empresa informou que fabrica Estofados, cuja Classificação Fiscal na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) é 9401.061.00. Para o período ora sob procedimento fiscal, as alíquotas vigentes são: 1)10% (Decreto 6006 DOU: 29/12/2006 vigência a partir de 01/01/2007); 2)0,00% (Decreto 7016/2009 vigência de 27/11/2009 a 31/03/2010); 5,00% (Decreto 7145/2010, DOU de 31/03/2010, vigência a partir de 01/04/2010) e 5,00% (Decreto 7660/2011, DOU de 26/12/2011, vigência a partir de 01/01/2012). Como não consta do Sped (Sistema Publico de Escrituração Digital) a receita da empresa para o período de 01/2009 a 06/2010, nos utilizamos dos valores declarados a Receita Estadual do Estado do Paraná, consoante explicitado no item 6 acima. Para os demais períodos, utilizamos os dados do Sped. Ademais, em 25/07/2013, através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, no item 14, em relação ao IPI, o contribuinte foi informado que: "Tendo em vista que apesar das diversas Intimações e Reintimações a empresa até o presente momento não apresentou os Livros de Apuração do IPI, fica o contribuinte cientificado que caso não os apresente no prazo IMPRORROGÁVEL de 05(cinco) dias, iremos proceder a cobrança dos valores devidos a título de IPI com base no que consta na declaração original de Imposto de Renda – ficha 20." No mesmo Termo, o contribuinte também foi intimado a "Informar a base legal, apresentando também documentação hábil e idônea, que justifiquem os saldos credores de IPI, que constam na DIPJ original|ficha 20, dos seguintes períodos:" (...) Em resposta a este Termo, o contribuinte em 13/08/2013 informou: "1 Segue em os anexos, comprovando os comprobatórios solicitados." Porém, o que foi enviado foi meramente o cartão do CNPJ, cópia da DCTF mensal de junho de 2010, cópia da DCTF mensal de junho/2011 e cópia do DACON relativo ao mês de junho de 2013. Assim, para os anos sob fiscalização, tendo em vista que o contribuinte não apresentou os Livros de Apuração do IPI, não apresentou documentos que comprovassem os saldos credores, bem como não apresentou a origem dos supostos créditos, procedemos ao lançamento do IPI consoante tabela abaixo, utilizando as alíquotas vigentes e constantes de 01 a 04 acima, tendo como base o faturamento da empresa, com fulcro no artigo 522 do Decreto 7.212, de 15/06/2010. Fl. 3278DF CARF MF 6 DO LANÇAMENTO DO IRPJ/CSLL/PIS/COFINS Tendo em vista o aqui exposto, para o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, PIS e Cofins, procedemos ao arbitramento do seu lucro. Isto por que, conforme os arts 2° e 3º, § único da Lei 9.430/96 e do art 17, § 1º da IN SRF 93/97, a tributação com base no Lucro Real Anual é opção que se implementa mediante o pagamento da estimativa relativa ao mês de janeiro ou a elaboração de balanço/balancete de suspensão que evidencie prejuízo fiscal em janeiro, sendo que tais requisitos não foram cumpridos pela empresa. Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201463 Acórdão n.º 1402002.847 S1C4T2 Fl. 3.277 7 Desta forma, se fosse o caso, a empresa fiscalizada teria que se submeter à regra geral de apuração do Lucro Real, que é a trimestral(art 1º da Lei 9.430/96). No entanto, o contribuinte não apresentou escrituração que possibilite a apuração do Lucro Real trimestral (Livros, Balanços, Inventário e LALUR trimestrais). Diante do que foi exposto, tendo em vista não ter havido opção pela tributação do Lucro Real anual e ainda em razão do contribuinte não apresentar escrituração que permita à apuração do Lucro Real trimestral, não resta alternativa senão o arbitramento do Lucro nos anoscalendário de 2009 a 2012, conforme previsão contida no art 530, III do RIR/99 (Decreto 3.000/99). Para tanto, a exemplo do lançamento do IPI, utilizamos da Receita Bruta conhecida do contribuinte, informado por ele próprio. (...) Como não consta do Sped (Sistema Publico de Escrituração Digital) a receita da empresa para o período de 01/2009 a 06/2010, nos utilizamos dos valores declarados a Receita Estadual do Estado do Paraná, consoante item 6 acima. Para os demais períodos, utilizamos os dados do Sped. Para ambos os períodos nos utilizamos do Código Fiscal de Operações e Prestação (CFOP) 5.101, 6.101 e 6.109. Deduzimos dos valores devidos os que foram declarados nas DCTF retificadoras ativas. (...) Em razão do que consta no item 03, para os meses de novembro de 2012 e dezembro de 2012, deduzimos dos valores devidos os que constam nas DCTF originais, já que representamos para que sejam tornadas sem efeito as DCTF retificadoras. OBJETO MERCANTIL A empresa, de acordo com a Oitava Alteração do Contrato Social tem por objeto mercantil: Industria, Comércio, Importação, exportação, Transporte Terrestre e Marítimo e a Representação Comercial de Moveis Estofados com Predominância de Madeira. A administração da sociedade consoante 14a alteração contratual, é exercida pelos sócios: Yoshimi Takei CPF 606.937.20859 Jose Roberto Barros CPF 474.851.40949 Sergio Ricardo Gagá CPF: 538.739.04934 A empresa possui ainda como sócios: Sigmoveis Ind e Com Ltda EPP CNPJ 04.467.785/000168; R.T.S Industria Moveleira Ltda ME CNPJ 11.135.210/000103 e Neusa Harumi Egashira Takei Moveis ME CNPJ 13.090.488/000137 DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA No tocante à imposição da multa de ofício, foi a mesma qualificada em 150%, conforme determinado no inciso I, do artigo 44 da Lei 9.430/96, combinado com o parágrafo 1o da referida Lei. A imposição decorreu da constatação da omissão de receitas perpetrada pela pessoa jurídica, causando prejuízo aos cofres públicos, mediante a redução do recolhimento/pagamento dos tributos devidos, o que caracteriza o evidente intuito de fraude.(artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964). (...) Inconformada, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2916/2920) alegando, em síntese, que todas as receitas cabem deduções; que os autos de infração foram gerados equivocadamente pois o AuditorFiscal solicitou apenas o livro de Entrada de Mercadorias sendo que dentro de um Fl. 3280DF CARF MF 8 procedimento fiscal devese analisar toda a documentação e, no final, solicitou a anulação dos autos de infração. A r. DRJ proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITA. Mantémse o lançamento por omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e os valores obtidos do Sistema Publico de Escrituração Digital (Sped) e/ou da Guia de Informação e Apuração do ICMS. ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabível o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que sustenta a ofensa ao devido processo legal, pois o arbitramento dos lucros configuraria cerceamento de defesa. Sustenta que possui direito a apuração de seu imposto de renda em conformidade com seu lucro líquido. Alega que a fiscalização não foi fundamentada em livros fiscais e escriturações. Em relação à CSL, PIS E COFINS não teriam sido solicitados relatórios e documentos. Requer, por fim, anulação dos autos, pois o auditor teria simplesmente aplicado a alíquota máxima sobre o faturamento, sem cumprir o devido processo legal. É o relatório. Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201463 Acórdão n.º 1402002.847 S1C4T2 Fl. 3.278 9 Voto Vencido Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Em que pese o inconformismo da Recorrente, da leitura dos autos depreende se que a fiscalização adotou o procedimento correto para apuração dos tributos devidos. Não há que se falar em ofensa ao devido processo legal ou em cerceamento de defesa, quando oportunizada a defesa e mesmo durante a fiscalização, a própria Recorrente não apresentou qualquer documento ou indício que reforçassem suas afirmações. Em resumo, baseado no fato da imprestabilidade da escrituração da recorrente ( art.530, III, RIR) não refletir a vultosa movimentação financeira em suas atividades comerciais ao que procedeu a autoridade autuante corretamente. Os lançamentos relativos aos anoscalendário de 2009/10 tiveram sustentáculo na movimentação da autuada a partir da GIA/ICMS e nos anoscalendários 2011 12 do SPED. o que apresentou substanciais valores em sua atividade empresarial para os quais, devidamente intimada omitiuse em comprovar. Durante o procedimento fiscalizatório a fiscalizada teve sucessivas oportunidades para que justificasse sua movimentação financeira, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. Fl. 3282DF CARF MF 10 A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. No presente caso, o procedimento fiscal avançou por vários meses, tempo mais que suficiente para que a fiscalizada promovesse a entrega do que foi requisitado pelo Fisco; o que não ocorreu. Nesta perspectiva, entendo assistir razão à Fiscalização. A decisão recorrida analisou a questão com maestria, devendo ser mantida, a teor do disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, pelos seus próprios fundamentos. Diante dos mesmos fundamentos devem ser mantidos os lançamentos reflexos de CSL, PIS/COFINS, IPI na medida em que, embora todas, as oportunidades conferidas a recorrente esta não atendeu a fiscalização que, corretamente, empreendeu a apuração dos tributos devidos. Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201463 Acórdão n.º 1402002.847 S1C4T2 Fl. 3.279 11 Muito embora, o embaraço à fiscalização empreendido tenho que a fiscalização teve acesso por outros meios aos documentos necessários para apuração do imposto devido ao que não subsistem razão para manutenção da multa por embaraço, nem mesmo para a qualificadora imposta ao contribuinte que embora negligente em sua escrituração fiscal e sucessivas intimações em sede do PAF não pode serlhe imputado dolo. Entendo, assim, que a multa deve ser reduzida para o patamar de 75%, pois a mera omissão de receitas não é o suficiente para atrair a qualificação da multa, como sugerem a r. DRJ. Nesse sentido o que já decidido por esta Turma nos autos do PA n. 10825.723097/201496, Acórdão n. 1402002.745, de relatoria do Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADES. OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO DE CAPITULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Sendo lavrado auto de infração com correto enquadramento legal relacionado a omissão de receitas, atendendo a todos os requisitos exigidos pela legislação fiscal, não há que prosperar a alegação de erro de capitulação, recaindo, neste caso, ônus da prova sobre o contribuinte. Menos cabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo quando suficientemente comprovado nos autos que a conta bancária fiscalizada pertence ao sujeito passivo autuado. Não há vício na intimação quando o Fisco formaliza tal ato respeitando todos os trâmites legais. SIGILO BANCÁRIO. OMISSÕES DE RECEITAS. ACESSO LEGITIMADO. As informações bancárias obtidas pela fiscalização por intermédio da requisição de movimentação financeira junto a instituição financeira são idôneas e protegidas pelo sigilo fiscal. A Lei Complementar nº 105/2001 legitima o fornecimento de informações relacionadas ao sujeito passivo sob fiscalização, quando a autoridade fiscal entender que o exame de tais informações é indispensável para o deslinde da controvérsia,afastando, portanto, a alegação de quebra de sigilo bancário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO EVIDENTE. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócioadministrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PAGAMENTO. NÃO IDENTIFICADO. NÃO INCIDÊNCIA. Tratandose justamente de lançamento de "Omissão de Receita", não podendo ser identificados nos autos prova de pagamento do tributo exigido, ainda que parcial, não é possível a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN. Sendo cabível a contagem decadencial proporcionada pelo artigo 173, do mesmo diploma fiscal. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. Não comprovado o dolo evidente capaz de ensejar a qualificação da multa por intermédio de fraude, sonegação ou conluio, tampouco havendo embaraço a fiscalização, não devem prosperar a qualificação e agravamento da multa. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. CABIMENTO. A incidência da taxa de juros SELIC sobre os juros moratórios que recaem sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é legítima. Pauta se o afirmado pela Súmula CARF nº 4. Ressaltese que, quanto à alegação de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor Fl. 3284DF CARF MF 12 resultante do auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Nessa linha entendo que razoável redução da multa ao patamar de 75%. Diante de todo o exposto voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário tão apenas para exclusão da multa por embaraço e da qualificadora imposta. É como voto. Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201463 Acórdão n.º 1402002.847 S1C4T2 Fl. 3.280 13 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Redator Designado Com o devido respeito, ouso divergir do substancioso voto exarado pelo I. Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira unicamente em relação ao provimento parcial que deu ao recurso voluntário manejado pela recorrente quando entendeu pela improcedência da multa qualificada (150%), propugnando sua redução ao patamar de 75%. E assim penso em razão de tudo o que foi pormenorizadamente apurado pela Autoridade Fiscal durante o procedimento investigativo e posteriormente relatado no seu Termo de Verificação, sem que a recorrente conseguisse contrapor ao trabalho do Fisco provas que o elidissem. Segundo textual relato do TVF (fls. 2726/2752, a DRF/Londrina relatou que nos procedimentos relacionados à fraude com Título da Dívida Pública, a recorrente, “em vários meses do ano de 2010 e 2011, após receber cobrança dos valores indevidamente suspensos”, procedeu à retificação de “todas as DECT alterando o débito apurado para exatos dez por cento do débito apurado na DCTF retificada e zerou a linha correspondente à suspensão da exigibilidade”, e, com essa atitude, “deixou a empresa de aparecer como empresa que utilizou a suspensão”. Mais ainda, “a empresa também prestou informações FALSAS nos anos de 2009 e 2012”, com a agravante de que, em 2009, “a empresa apresentou DCTF retificadora com valores zerados relativos aos débitos apurados, mas não retificou ou zerou a DIPJ”. Ainda segundo a Autoridade Fiscal, (fls. 2728 do TVF), diferentemente do que ocorreu com os tributos federais, para fins de atendimento à Fiscalização estadual do ICMS, “foram informados valores de receitas em TODOS OS ANOS (2009 a 2012)”. Em suma, não se está diante de mero erro ou equívoco sanável ou fruto de desinformação. Ao contrário, o contumaz procedimento da recorrente de apresentar DCTF informando suspensão do crédito tributário, posteriormente retificálas para fugir a uma eventual inquirição sobre a utilização de Títulos da Dívida Pública, cumulando tal modus operandi com o zeramento de valores declarados, a inconsistência entre a DCTF e a DIPJ, prestar informações ao Estado (ICMS) com valores totais enquanto que para o Fisco Federal essas declarações apontavam 10% (dez por cento) ou mesmo zero, todo este quadro mostra o intuito inconteste de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou, ainda, a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir ou mesmo não apurar imposto algum. Em outro dizer, a recorrente buscou, inelutavelmente, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou mesmo seu conhecimento pela Fiscalização, com o subterfúgio de subtrair da apreciação da Autoridade Tributária TODAS as informações que pudessem levar à tributação dos valores apurados, em clara atitude dolosa. Fl. 3286DF CARF MF 14 Nesse sentido, não perdendo o foco, segundo a teoria finalista da ação, adotada pelo nosso Código Penal (Parte Geral), art. 18I, redação dada pela Lei 7.209/1984, e consoante a melhor doutrina pátria de direito penal, o dolo faz parte da tipicidade (do tipo penal), e pode ser dolo direto (ocorre quando o agente quis o resultado e praticou ação nesse sentido) ou dolo indireto ou eventual (quando o agente, com sua ação, assumiu o risco de produzir o resultado). No caso, não se trata de presunção de dolo, mas, sim, da existência de dolo direto, pois a conduta do sujeito passivo está subsumida na conduta típica de sonegação e fraude (artigos. 71 e 72 da Lei 4.502/641 e art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/20072), que implicou, ainda, redução ou supressão de tributos e contribuições (o sujeito passivo quis e praticou a conduta de sonegação de tributos e contribuições federais, ou 1 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 11634.720375/201463 Acórdão n.º 1402002.847 S1C4T2 Fl. 3.281 15 seja, reduziu ou suprimiu tributo ou contribuição social, indevidamente, mediante a realização das condutas descritas nos incisos I e II do art. 1º da Lei 8.137/903). A jurisprudência administrativa é nesta linha: MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta missiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. (Acórdão 120100205 Relator(a) Guilherme Adolfo dos S. Mendes) MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada. (Segunda Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 11/11/2010 Relator(a) Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão 1402000.314) Por esses fatos – incontestes – entendo que a exasperação da multa, elevando a ao patamar de 150%, mostrase irrepreensível, por isso deve ser mantida. Em síntese final, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à qualificação da multa, mantendoa no percentual de 150%. 3 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Fl. 3288DF CARF MF 16 É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 3289DF CARF MF
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