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Numero do processo: 10930.002329/96-38
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 07 00:00:00 UTC 2001
Ementa: NULIDADE — NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. É nulo o lançamento de crédito tributário efetuado por Notificação de Lançamento que não contenha os requisitos estabelecidos no artigo 11, do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: CSRF/03-03.164
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de nulidade do processo a partir da Notificação de Lançamento de fls., inclusive, nos termos do Voto do Conselheiro Relator. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda, que rejeitou a preliminar.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
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T. R. Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : JOSÉ CARVALHO GRADE NETO Sessão de : 07 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° : CS RF/03-03. 164 NULIDADE — NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. É nulo o lançamento de crédito tributário efetuado por Notificação de Lançamento que não contenha os requisitos estabelecidos no artigo 11, do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de nulidade do processo a partir da Notificação de Lançamento de fls., inclusive, nos termos do Voto do Conselheiro Relator. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda, que rejeitou a preliminar. • ON PEREI '1)1 UES PRESIDENT PAULO ROB e •CUCO-ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM: 06 JUL 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI. Processo n.° 10930.002329/96-38 Acórdão n.° CSRF/03-03.164 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : JOSÉ CARVALHO GRADE NETO RELATÓRIO O contribuinte acima identificado impugnou o valor do I.T.R. do exercício de 1995, lançado sobre o imóvel denominado FAZENDA SERRA DOURADA, localizada no Município de PIMENTA BUENO — RO, no valor total de R$ 3.164,60, sob argumentação única de que o VTN não corresponde à realidade do referido imóvel, o qual é o mesmo aplicado para todos os demais imóveis do Município. Apresentou Laudo Técnico de Avaliação às fls. 06/07, que indica um VTN total (base tributável) no valor de R$ 30.363,00, quando o lançado pela repartição fiscal foi de R$ 106.442,56. Em suas razões de decidir a Autoridade singular — DRJ/CURITIBA julgou procedente o lançamento, sob argumento de que o Laudo de Avaliação apresentado, por não atender aos requisitos estabelecidos nas Normas da ABNT e desacompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) não se presta para corrigir, para menor, o valor da terra nua aplicado para o respectivo imóvel, por se tratar do VTN mínimo estabelecido para o Município, não atendendo ao disposto no art. 3°, § 2°, da Lei n° 8.847/94. Em Recurso Voluntário ao E. Terceiro Conselho de Contribuintes, sob n° 103.675, o contribuinte reitera o seu pedido inicial e acrescenta que: "É importante observar, ainda, que o imposto só pode ser lançado sobre 20% da área do imóvel, vez que o Recorrente só pode 3 Processo n.° 10930.002329/96-38 Acórdão n.° CSRF/03-03.164 utilizar e explorar 20% da totalidade da área, tendo em vista o limite de desmatamento em até 20%, previsto na Medida Provisória 1.511, 25 de julho de 1.996. Além do mais, não foi excluída do lançamento do imposto Territorial Rural, a área de reserva legal, conforme prevê a legislação". Pelo Acórdão n° 201-71.740, a Colenda Primeira Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes decidiu, por maioria de votos, o que assim estampa a Ementa a seguir transcrita: "1TR — VALOR DA TERRA NUA — VTN — Laudo Técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica, ou profissional habilitado, é o instrumento probante que está condicionada a revisão da base de cálculo do 1TR. Recurso que se dá provimento". Pelo Relatório acostado às fls. 28 dos autos, verifica-se que com relação ao Recurso Voluntário do contribuinte nada foi dito a respeito das demais alegações inseridas em tal apelação ( percentual de aproveitamento e utilização da terra em apenas 20% e exclusão da área de reserva legal). Observa-se que o I. Relator original do referido Acórdão, vencido em seu Voto, reportou-se apenas à matéria pré-questionada, ou seja, a discussão sobre a base de cálculo do valor do ITR (VTN aplicado), limitando a lide a esses termos, não apreciando a matéria inovada no mesmo Recurso, no que foi acompanhado, ao que tudo indica, pelos demais I. Conselheiros integrantes daquele Douto Colegiado, uma vez que em nenhum momento nenhuma referência é feita, também no Voto Vencedor, sobre as referidas argumentações inovadas na Apelação. O Voto que norteou o "decisum" questionado, de lavra do Insigne Conselheiro Valdemar Ludvig, assentou entendimento de que o Laudo apresentado 4 Processo n.° 10930.002329/96-38 Acórdão n.° CSRF/03-03.164 pelo Contribuinte atende ao disposto no § 4°, do art. 3°, da Lei n° 8.847/94, sintetizado no seguinte parágrafo: "Em que pese, O Laudo Técnico apresentado, não contém alguns requisitos exigidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, este, no entanto, nos fornece as informações essenciais para o fim a que se propõe, que são: identificação e descrição do imóvel e o Valor da Terra Nua — VTN, base de cálculo do lançamento." A D. Procuradoria da Fazenda Nacional, intimada em 05/03/99 (fls. 33), apresentou Recurso Especial às fls. 34/35, emitido em 10/03/99, porém sem nenhuma data de recebimento ou protocolização junto à secretaria da C. Câmara recorrida. Em sua Apelação a D. Procuradoria pleiteia a reforma do R. Acórdão recorrido, restabelecendo-se a Decisão singular, com argumentos semelhantes àquela. Cientificado da Apelação supra, o Contribuinte peticionou à repartição fiscal de origem (fls. 40), pleiteando ter vista dos autos "FORA DA REPARTIÇÃO FISCAL". Denegado tal pedido, o Interessado ingressou em Juízo com Mandado de Segurança, com pedido de expedição de liminar, para que lhe fosse assegurado o direito antes mencionado, tendo sido julgada improcedente a ação mandamental e negada a segurança pretendida, conforme nos informa os documentos de fls. 44/47. Não lhe tendo sido restituído o prazo recursal regulamentar, o Contribuinte não contra-arrazoou o Recurso Especial em comento. Em sessão realizada por esta Câmara Superior no dia 16/08/99 o processo foi distribuído, por sorteio, ao I. Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo e, 5 Processo n.° 10930.002329/96-38 Acórdão n.° CSRF/03-03.164 finalmente, em sessão do dia 14/08/200, por força da alteração de competência estabelecida pelo Decreto n° 3.440/2000, foram os autos redistribuídos, também por sorteio, a este Conselheiro, para relatoria. É o Relatório. 6 Processo n.° 10930.002329/96-38 Acórdão n.° CSRF/03-03.164 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, Relator Sr. Presidente, Eméritos Pares, Antes de adentrarmos pelas razões de mérito contidas no Recurso Especial aqui em exame, entendo necessária a abordagem de questão preliminar, que levanto nesta oportunidade, concernente à legalidade do lançamento tributário que aqui se discute, no aspecto da formalidade processual que reveste tal lançamento. Com efeito, pelo que se pode observar a Notificação de Lançamento de fls. 05 trata-se de documento emitido por processo eletrônico, não constando da mesma a indicação do cargo ou função e a matrícula do funcionário que a emitiu. O Decreto n° 70.237/72, em seu artigo 11, estabelece: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV — a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único — Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." Pelo que se pode concluir, a Notificação de Lançamento objeto do presente litígio, por ter sido emitida por processo eletrônico, estava dispensada de 7 4(411 I Processo n.° 10930.002329/96-38 Acórdão n.° CSRF/03-03.164 assinatura. Porém, o mesmo não acontecia em relação à imprescindível indicação do cargo ou função e a matrícula do funcionário que a emitiu. Trata-se, em meu entendimento, de documento insubsistente, tornando impraticável o prosseguimento da ação fiscal de que se trata. Ante o exposto, voto no sentido de declarar, de ofício, nulo o lançamento efetuado pela repartição fiscal de origem e, conseqüentemente, todos os atos posteriormente praticados, documentados no processo administrativo que aqui se discute. Sala das Sessões, 07 de Maio de 2001. APT,7710 P A ULO ROB RIO n G ANTUNES — Relator. 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13063.000913/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO.
A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeitase
à multa estabelecida na legislação de regência.
SIMPLES. EXCLUSÃO. DIPJ. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A pessoa jurídica optante pelo Simples que for excluída dessa sistemática com efeitos retroativos, qualquer que seja o motivo, da mesma forma que está sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, também está sujeita ao cumprimento das obrigações acessórias daí decorrentes.
Numero da decisão: 1401-000.446
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. SIMPLES. EXCLUSÃO. DIPJ. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A pessoa jurídica optante pelo Simples que for excluída dessa sistemática com efeitos retroativos, qualquer que seja o motivo, da mesma forma que está sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, também está sujeita ao cumprimento das obrigações acessórias daí decorrentes.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. SIMPLES. EXCLUSÃO. DIPJ. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A pessoa jurídica optante pelo Simples que for excluída dessa sistemática com efeitos retroativos, qualquer que seja o motivo, da mesma forma que está sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, também está sujeita ao cumprimento das obrigações acessórias daí decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 36DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13063.000913/200718 Acórdão n.º 140100.446 S1C4T1 Fl. 33 2 Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Sérgio Luiz Bezerra Presta, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1810.601, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa MariaRS. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Auto de Infração no valor de R$ 1.220,55, referente à Multa por Atraso na Entrega da Declaração Informações DIPJ referente ao Exercício 2005 anocalendário 2004, conforme demonstrativo próprio constante da referida peça impositiva (fls. 02). 2. Enquadramento legal: art. 106, II, letra "c" do Código Tributário NacionalCTN (Lei n° 5.172/66); art. 88 da Lei n° 8.981/95; art. 27 da Lei n° 9.532/97, c/c o art. 7°, da Lei n° 10.426/2002. 3. Inconformada com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação valendose, em síntese, do argumento que estava enquadrada no sistema SIMPLES FEDERAL até receber a comunicação de exclusão em agosto de 2006. Imediatamente foram tomadas providências para refazer os cálculo dos débitos e naturalmente forma apresentadas as Declarações de Imposto de Renda pelo Lucro Presumido, do exercício de 2005 anocalendário de 2004, fora do prazo determinado na legislação tributária. 4. Requer que seja acolhida a impugnação apresentada e a conseqüência insubsistência e a improcedência da ação fiscal com o cancelamento do débito fiscal reclamado no Auto de Infração (fls. 02). A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 Cabível a imposição de Multa por Atraso na entrega da Declaração Simplificada, quando o contribuinte adimpliu fora do prazo regulamentar estipulado para o regime de tributação do Lucro Presumido. Fl. 37DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13063.000913/200718 Acórdão n.º 140100.446 S1C4T1 Fl. 34 3 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Tratase de auto de infração para cobrança da multa por atraso na entrega da DIPJ referente ao anocalendário de 2004. Não se questiona, no caso, o aspecto quantitativo, o efetivo atraso na entrega ou qualquer ilegalidade na cobrança da mesma, mas tãosomente a eficácia dos efeitos da exclusão retroativa do SIMPLES em relação à aplicabilidade de multa por atraso da DIPJ nessa situação específica. Mérito Assim reza a Instrução Normativa SRF n° 541, de 29 de abril de 2005: Art. 4º As declarações geradas pelo programa DIPJ 2005 devem ser apresentadas até o último dia útil do mês de junho de 2005. O contribuinte, à luz da Lei n estava obrigado, a entregar anualmente "até o último dia útil de junho" a Declaração Informações DIPJ referente ao Exercício 2005 ano calendário 2004, nos termos e condições previstas na Instrução Normativa SRF n° 541, de 29 de Abril de 2005, e não o fez. Entregou em atraso somente em 19/09/2006. A sua contestação cingese na justificativa de que o referido atraso deveuse à sua exclusão do SIMPLES e que isso, por si só, já seria motivo suficiente para o cancelamento da penalidade. É cristalino o equívoco da recorrente em trazer como excludente de culpabilidade a exclusão do Simples com efeito retroativo. É que tal situação está perfeitamente delineada em lei. A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, em seus arts. 15 e 16, dispõe acerca dos efeitos da exclusão do Simples: “Art. 15. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) Fl. 38DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13063.000913/200718 Acórdão n.º 140100.446 S1C4T1 Fl. 35 4 II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV Art. 16º A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” (destaquei) Convém ressaltar que tais dispositivos têm por intenção evitar o locupletamento indevido de vantagens oferecidas por essa sistemática favorecida. Outrossim, vêse claramente que se trata de norma específica criando uma ficção jurídica perfeitamente possível no mundo do Direito: tudo funciona como se essa pessoa jurídica nunca tivesse sido optante pelo Simples. Portanto, “sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas” (art. 16 da Lei nº 9.317/96). Dessa forma, concluise que a pessoa jurídica optante pelo Simples que for excluída dessa sistemática com efeitos retroativos, qualquer que seja o motivo, da mesma forma que está sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência (art. 15, inciso III da Lei nº 9.317/96, também está sujeita ao cumprimento das obrigações acessórias daí decorrentes. Tal norma específica se contrapõe inclusive à norma geral prevista na Lei n.º 9.732, de 1998, que introduziu o § 3º no art. 15 da Lei n.º 9.317, de 1996, assegurando ao contribuinte excluído do SIMPLES o direito ao contraditório e à ampla defesa, a ser exercido, em processo próprio, segundo a disciplina contida na legislação que rege o processo administrativo tributário. O que nem mesmo foi o caso. Sendo assim, é cabível a imposição da referida penalidade, uma vez que indene de dúvidas que o contribuinte adimpliu a prestação fora do prazo hábil. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 39DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13063.000913/200718 Acórdão n.º 140100.446 S1C4T1 Fl. 36 5 Fl. 40DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 13887.000104/2002-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
Numero da decisão: 9303-006.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUCORRICO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 01 04 /2 00 2- 16 Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 14 a 22, reproduzido às fls. 235 a 243), com fulcro nos artigos 56, inciso II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e artigo 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, buscando a reforma em parte do Acórdão nº 20311.494 (fls. 01 a 10) proferido pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que deu parcial provimento ao recurso voluntário para admitir a incidência da taxa Selic sobre o montante do crédito presumido de IPI a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido. O acórdão foi assim ementado: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. É incabível a inclusão dos valores de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem feita de pessoa física ou pessoa jurídica isenta do PIS ou da Cofins na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. Em se tratando o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a atualização dos créditos está devidamente reconhecida pelas normas legais e administrativas que regem a matéria. Recurso provido em parte Para contextualizar os fatos ocorridos nos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] A interessada apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI que trata a Lei nº 9.363/96, referente ao ano de 2000, no valor de R$ 1.122.576,54. A Delegacia da Receita Federal de origem, ao analisar o pedido, o mesmo foi deferido parcialmente em função da glosa das aquisições de produto innatura, laranja adquirido de pessoas físicas, não sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Em sua Manifestação de Inconformidade a requerente ataca o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Limeira, colocando que suas conclusões não encontram Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 4 3 consonância com o que determina o artigo 2º da Lei nº 9.363/96, nem com a jurisprudência produzida sobre a matéria, tanto pelas instâncias administrativas (Conselhos de Contribuintes) como judiciais. Finalizando requer seja deferido o pedido de ressarcimento total dos valores pleiteados devidamente corrigidos pela taxa SELIC, nos termos do artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95. A DRJ/Ribeirão Preto, indeferiu a solicitação em decisão assim ementada: "Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e COFINS, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI". Cientificada da decisão supra a contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário dirigido a este Colegiado reiterando suas razões já apresentadas nas peças anteriores. É o relatório. [...] O resultado do julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte, nos termos do Acórdão nº 20311.494 (fls. 01 10), ora recorrido, foi no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, por entender como (a) indevida a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS, e (b) cabível a correção monetária pela Selic do crédito presumido de IPI a ser ressarcido, desde a data do protocolo do pedido. Em face da referida decisão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial por contrariedade à lei (fls. 14 a 22, reproduzido às fls. 235 a 243), alegando violação ao artigo 39, §4º, da Lei nº 9.250/95. Nas razões recursais, aduz em síntese que não é cabível a correção monetária pela Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. Foi admitido o recurso especial fazendário, por meio do despacho nº 203 343, de 16 de outubro de 2008 (fls. 246 a 247), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª do Segundo Conselho de Contribuintes em exercício à época, por entender preenchidos os requisitos de admissibilidade. Devidamente intimada, a Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 808 a 814), requerendo a negativa de provimento ao recurso especial. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 5 4 Ao recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo (fls. 29 a 49), foi negado seguimento, consoante despacho nº 340000.259, de 28/08/2013 (fl. 734), razão pela qual não será objeto de análise por este Colegiado. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e artigo 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à aplicação da correção monetária pela taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido a título de crédito presumido de IPI de que trata o art. 2º da Lei nº 9.363/96, acumulado em razão das aquisições de matériaprima in natura, de pessoas físicas. Com relação à atualização pela taxa Selic do ressarcimento de crédito de IPI, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária quando houver oposição estatal, constante em ato normativo ou administrativo, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 6 5 descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito de IPI cujo aproveitamento foi obstado pela existência de oposição ilegítima em ato normativo estatal, quais sejam, as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de nºs 23/97 e 103/97. Referidos atos normativos estabeleceram que o crédito presumido de IPI seria calculado exclusivamente em relação às aquisições de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição do PIS e da COFINS, indevidamente inovando as disposições contidas na Lei nº 9.363/96. No caso dos autos, a pretensão da Contribuinte com relação a essa matéria não foi acolhida, pois negado seguimento ao recurso especial interposto pela parte, no entanto, não se pode deixar de observar a superveniência da declaração da ilegalidade das Instruções Normativas para efeitos de incidência da correção monetária pela taxa Selic. Além disso, reconhecendo a exorbitância dos limites das Instruções Normativas, o Superior Tribunal de Justiça proferiu julgamento no recurso especial nº 993164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 7 6 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 8 7 presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 9 8 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 10 9 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre a totalidade do montante a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido até o efetivo recebimento, em espécie ou por meio de compensação com outros tributos. A demora no aproveitamento do crédito de IPI deuse a partir do momento em que veiculado o pedido de ressarcimento, quando optou a contribuinte por exercer o seu direito e restou caracterizada a resistência indevida do Fisco. Além disso, nos termos do art. 62, §1º, II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos são de aplicação obrigatória pelos Conselheiros, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Com todo o respeito ao voto da ilustre relatora, mas a matéria deve ser decidida de modo diferente ao por ela proposto. A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 12 11 legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 13 12 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. No pedido de ressarcimento, às fls. 110e/112e, o contribuinte não pleiteou a correção monetária do ressarcimento reclamado, pela taxa Selic. A correção somente foi solicitada na manifestação de inconformidade, juntamente com o pedido de reconhecimento do seu direito de apurar créditos sobre aquisições de pessoas físicas. Contudo, no julgamento da manifestação, a Autoridade Administrativa não reconheceu o seu direito de apurar créditos sobre aquisições de pessoas físicas nem de corrigir monetariamente o valor do ressarcimento deferido/compensado pela autoridade administrativa. No recurso voluntário, insurgiu contra aquela decisão, pleiteando o reconhecimento do seu direito aos créditos presumidos sobre aquisições de pessoas físicas e a correção monetária dos créditos, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/1995. Julgado o recurso, o Colegiado da Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes deulhe provimento parcial apenas e tão somente para reconhecer a atualização monetária sobre o ressarcimento deferido/compensado pela Autoridade Administrativa, mantendo decisão da autoridade de primeira instância, quanto à negativa do direito de apurar créditos sobre aquisições de pessoas física, conforme Acórdãonº 203141.494 às fls. 014e/10e. O recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o direito de se apurar créditos presumidos do IPI sobre aquisições de pessoas físicas não foi admitido. Já o recurso especial da Fazenda Nacional, questionando a atualização monetária do ressarcimento foi admitido. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13887.000104/200216 Acórdão n.º 9303006.037 CSRFT3 Fl. 14 13 Dessa forma, a decisão administrativa, quanto ao direito de o contribuinte apurar créditos presumidos do IPI sobre aquisições pessoas físicas, contrária a ele, "transitou em julgado", ou seja, tornouse definitiva na esfera administrativa. Já o direito à correção monetária do ressarcimento deferido/compensado pela Autoridade Administrativa, pela taxa Selic, objeto do recurso especial, conforme demonstrado anteriormente, somente deve ser reconhecido, nos casos em que a Autoridade Administrativa (Fisco), por meio de atos ilegítimos (despacho decisório, decisões administrativas de primeira e/ ou segunda instância) veda o ressarcimento pleiteado e/ ou parte dele que posteriormente é revertido por instâncias superiores. No presente caso, isto não ocorreu. O valor deferido/compensado pela autoridade administrativa foi mantido em todas as instâncias. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/1996. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento deferido/compensado pela Autoridade Administrativa. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 852DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.728602/2015-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO: 2013 Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 86 02 /2 01 5- 93 Fl. 44DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento relativa à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente a dezembro de 2013, no valor de R$ 15.867,68. Em sua impugnação, o recorrente alegou, em síntese, que foi excluído do Simples Nacional em, 25/09/2014, pela Receita do Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio do Termo nº 00248/14, tendo sido determinado que os efeitos desta exclusão retroagiriam a 01/11/2013. Defendeu que entregou as suas declarações a partir da comunicação de sua exclusão, entendendo estar dentro do prazo legal Protestou pela impossibilidade do efeito retroativo das normas tributárias, alegando ofensa ao art. 5º da CF e pedia a exclusão da multa. Na ocasião, a DRJ publicou o seguinte acórdão: Inicialmente, cabe esclarecer que alegações de inconstitucionalidade, ofensa a princípios constitucionais e ilegalidade não merecem consideração por parte desta turma de julgamento. É impossível discutir constitucionalidade de lei em julgamento administrativo. O julgador administrativo não tem competência para afastar a aplicação de lei legitimamente posta no ordenamento, ainda que a pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Posta a lei, cabe tão somente aplicála. O controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Tal entendimento está consolidado no âmbito dos tribunais administrativos, havendo, inclusive, súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os julgadores da Receita Federal devem, inclusive, aplicar o entendimento manifestado em atos normativos aos quais estão vinculados. A Lei Complementar 123/2006, que institui o Simples Nacional, em seu artigo 28, parágrafo único, determina que cabe ao Comitê Gestor regulamentar as regras relativas à exclusão do Simples Nacional, nos seguintes termos: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. A legislação é clara ao determinar que o contribuinte excluído, nos períodos em que se processem os efeitos da exclusão, deve se submeter às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (§ 3º, do art. 76, da Resolução CGSN nº 94, de 2011). O Termo de Exclusão do Simples Nacional nº 00248/14, que excluiu a contribuinte do Simples Nacional indica que a exclusão ocorreu em virtude de falta de comunicação Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11080.728602/201593 Acórdão n.º 1001000.080 S1C0T1 Fl. 3 3 obrigatória por ter incorrido na vedação prevista no inciso V do § 4º do artigo 3º da LC 123/2006 e define a data de início dos efeitos da exclusão como 01/11/2013. No caso da contribuinte, os efeitos dessa exclusão operamse, como visto, a partir de 01/11/2013, configurandose, por conseguinte, a obrigatoriedade de entrega da DCTF a partir do mês de novembro de 2013. Tendo entregado a declaração em atraso, sujeitouse à incidência da multa. Diante do exposto, voto por julgar improcedente a impugnação para manter a exigência lançada. Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Tratase de recurso voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inconformada com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde alega, basicamente,a s mesmas razões apresentadas quando da impugnação ao auto de infração: DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA DA IMPOSSIBILIDADE DE EFEITO RETROATIVO DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS Conforme a própria DRJ mencionou, em seu acórdão, não cabe à autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas, conforme a súmula do CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A legislação de regência é clara quanto à aplicação das normas de tributação, em caso de exclusão do Simples Nacional (LCP 123/2006, art.32) O Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN, no parágrafo 3°, ao art. 76, da Resolução 94, dispões que: §3° A ME ou EPP excluída do Simpes Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de trbutação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei Complementar n°123, de 2006, art. 32, caput). Assim, a decisão da DRJ é irretocável. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho o crédito tributário lançado. É como voto. Fl. 46DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.906946/2012-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
DIREITO DE CRÉDITO. PARTES E PEÇAS. IMPOSSIBILIDADE.
Não geram direito ao crédito de IPI as partes e peças de máquinas e equipamentos adquiridas para reposição ou restauração, ainda que não sejam incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que tais partes e peças se desgastem, se consumam ou percam suas propriedades no processo de industrialização em razão do contato direto que exercem sobre o produto em fabricação ou que este produto exerce sobre elas.
Numero da decisão: 3001-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 DIREITO DE CRÉDITO. PARTES E PEÇAS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito ao crédito de IPI as partes e peças de máquinas e equipamentos adquiridas para reposição ou restauração, ainda que não sejam incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que tais partes e peças se desgastem, se consumam ou percam suas propriedades no processo de industrialização em razão do contato direto que exercem sobre o produto em fabricação ou que este produto exerce sobre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto, em 24.07.2015, contra o Acórdão 1456.802, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, em sessão de julgamento realizada em 25.02.2015, que julgou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 69 46 /2 01 2- 55 Fl. 230DF CARF MF 2 procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, em 13.12.2013, pelo contribuinte, reconhecendo, por conseguinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 11.312,50. Do pedido de ressarcimento O contribuinte, por meio do PER/DCOMP 31353.82028.200112.1.1.015810, transmitido em 20.01.2012, pediu ressarcimento de créditos de IPI relativos ao 4º trimestre de 2011, no valor de R$ 832.596,79, para o fim de compensar com os débitos declarados nas DCOMP 31139.59869.150312.1.3.010009, 03521.61663.130412.1.3.010886, 38370.64395.010713.1.3.014726, 09992.70197.300813.1.3.010020, 26690.50655.130913.1.3.01 5101, 16825.29791.270913.1.3.019790 e 14501.84911.031013.1.3.011170, referentes a períodos de apuração dos anos de 2012 e 2013. Do despacho decisório Em face do referido pedido, foi exarado Despacho Decisório Número de Rastreamento 067695199, emitido em 04.11.2013, que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado. Para uma melhor compreensão, transcrevo, a seguir, seu item 3 (fl. 52): 3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 832.596,79 Valor do crédito reconhecido: R$ 801.165,50 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 14501.84911.031013.1.3.011770 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 31353.82028.200112.1.1.015810 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/11/2013. PRINCIPAL MULTA JUROS Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10925.906946/201255 Acórdão n.º 3001000.108 S3C0T1 Fl. 231 3 31.431,29 5.912,22 314,31 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Da manifestação de inconformidade Em face da glosa parcial dos créditos de IPI, no valor de R$ 31.431,29, informados no PER/DCOMP 31353.82028.200112.1.1.015810, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade discordando das razões que levaram à homologação parcial da a compensação declarada no PER/DCOMP 14501.84911.031013.1.3.011770, destacando as razões de discordância quanto as glosas referentes à aquisição de materiais de embalagem e de itens de manutenção de máquinas/equipamentos ou de materiais para uso e consumo e do limite de crédito de IPI de produtos importados, informado na nota de saída da importadora que fez a importação na modalidade "por conta e ordem de terceiro". Da decisão de 1ª instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do acórdão recorrido (14 56.802), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade; dispõe sua ementa (fls. 206 a 212): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO DO IMPOSTO. MATERIAL DE EMBALAGEM. O imposto pago na aquisição de produtos diversos, recebidos para emprego na embalagem ou acondicionamento de produtos tributados, poderá ser creditado pelo estabelecimento adquirente mesmo que sejam empregados apenas na embalagem externa, para transporte, de produtos por outro modo acondicionados. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DO ADQUIRENTE. CRÉDITO DE IPI PELO VALOR DESTACADO NA NOTA FISCAL DE ENTRADA. Na operação de importação por sua conta e ordem, o adquirente tem direito a crédito no valor do IPI destacado na nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador com destino ao seu estabelecimento. Esse valor não se confunde com o valor pago no desembaraço aduaneiro por sua base de cálculo corresponder ao valor da operação acrescido do valor do ICMS Fl. 232DF CARF MF 4 incidente nesta etapa, não incluído o valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro. CRÉDITOS DO IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas e material de embalem, os produtos intermediários “strictosensu” que se integram ao produto final, ou se consumam por decorrência de contato físico com o produto industrializado, desde que não participem do ativo permanente, inclusive no que tange à sua manutenção. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do recurso voluntário Ainda não resignado com o desfecho do litígio, mais especificamente com os termos da decisão contida no acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário, na parte em que delegacia de julgamento não reconheceu o direito creditório formulado no PER/DCOMP 31353.82028.200112.1.1.015810, para repisar os argumentos que já havia formulado na manifestação de inconformidade (fls. 63 a 184). Para demonstrar a absoluta identidade das alegações suscitadas em ambas as peças recursais, na parte que toca ao litígio posto à apreciação, que versa sobre seu inconformismo quanto ao não reconhecimento do direito creditório proveniente da aquisição de materiais de manutenção de máquinas e equipamentos ou de materiais para uso e consumo, é suficientemente esclarecedor a transcrição dos seguintes excertos (fls. 219 a 226): (...) Referidos materiais, diferentemente do que afirma a autoridade fazendária, são intermediários e não para manutenção de máquinas/equipamentos, muito menos para uso e consumo. A recorrente junta, nesta oportunidade, os anexos 2 e 3 impressos em cores para melhor análise dos julgadores , os quais descrevem o processo de industrialização e os materiais indicados pela recorrida como sendo de manutenção. Nos referidos relatórios, como é possível de se observar, existe um Código Corfio, indicado, também, na tabela supra, que corresponde à identificação interna do produto pela empresa. Para todos os materiais listados há a indicação das letras IN antes do número respectivo. Esta identificação IN, para a recorrente, caracteriza o produto como sendo intermediário. No processo de industrialização dos produtos fabricados pela recorrente, os materiais mencionados pela autoridade fazendária têm contato direto com o produto final e são consumidos pelo desgaste no contato físico com os produtos fabricados, daí o porquê de estarem abrangidos no conceito de produto intermediário. Por conta disso, a recorrente explica, na sequência e de forma resumida, o processo produtivo que envolve a fabricação dos Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10925.906946/201255 Acórdão n.º 3001000.108 S3C0T1 Fl. 232 5 produtos que industrializa, com o objetivo de demonstrar a utilização dos materiais acima elencados. Vejamos: (...) Para melhor compreensão dos nobres julgadores, a recorrente se utiliza do relatório TPA UPCAST line (anexo 2) elaborado pela fabricante das máquinas que utiliza , o qual ilustra de forma simples e direta o processo produtivo que realiza. (...) Todos estes materiais, com exceção do IN 424, entram em contato físico e direto com o cobre derretido e, em razão disso, possuem uma vida útil média de 30 a 40 horas, quando são substituídos por peças novas. (...) O aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente da empresa. (...) Nada obstante, é de se enaltecer que a própria autoridade fazendária, no relatório da atividade fiscal, anexo ao despacho decisório, colaciona trecho do Parecer Normativo CST n. 65/79, que oferece interpretação ao artigo 226, do Decreto n. 7.212/2010 (RIPI), a saber: (...) O caso dos autos retrata muito mais do que isso. Vejam Excelências, que os materiais glosados pela autoridade fazendária são consumidos no processo de industrialização porque sofrem contato físico com o produto final produzido, logo, é de se concluir que estes materiais dão direito a créditos de IPI. Isto posto, requer o recebimento e a apreciação do presente Recurso Voluntário, para que seja reformada a decisão recorrida, reconhecendose a totalidade do direito creditório postulado pela recorrente no PER/DCOMP n. 31353.82028.200112.1.1.015810, com base nas razões supra, e, consequentemente, deferida a integralidade da compensação declarada no PER/DCOMP n. 14501.84911.031013.1.3.01 1770. Ao final, a recorrente, com fundamento no artigo 44, § 1º e no artigo 77, ambos da IN 1.300/2012 da RFB, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário do processo administrativo 10925904.806/201323, vinculado ao processo administrativo objeto do presente recurso, até o julgamento final do feito. Fl. 234DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O recorrente foi cientificado da decisão constante do acórdão vergastado em 26.06.2015, às 17:01h (sextafeira), é o que se depreende do "Termo de Abertura de Documento" de fl. 216. Em 24.07.2015 (sextafeira) é registrada a solicitação de juntada do recurso voluntário, conforme informa o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" acostado à fl. 227. Na hipótese dos autos, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e do disposto no Ricarf de 2015, termo ad quem para a apresentação do recurso voluntário é 28.07.2015 (terçafeira). Portanto, o referido recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação, de modo que dele conheço. Preâmbulo Antes tratarse do único assunto que efetivamente será objeto de apreciação por este Colegiado, em face da delimitação do litígio, conforme já identificado no relatório supra, importa registrar que ao final de sua peça de defesa, o recorrente, com fundamento no parágrafo 1º do artigo 44 e no artigo 77, ambos da IN RFB 1.300 de 12.11.2012, requer a suspensão da exigibilidade, até o julgamento final do presente feito, do crédito tributário de que trata, segundo alega, o processo administrativo 10925.904806/201323, sob o fundamento de que está vinculado ao presente processo administrativo. Sem embargo, de acordo com o artigo 6º, Anexo II, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015, os processos administrativos fiscais podem estar vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10925.906946/201255 Acórdão n.º 3001000.108 S3C0T1 Fl. 233 7 Em que pese o recorrente alegar que o crédito tributário tratado no processo administrativo 10925.904806/201323 encontrase vinculado ao processo administrativo objeto do presente recurso, verdade é que, compulsando os presentes autos e o Sistema "EProcesso" não observase sequer a existência do mencionado processo administrativo, o contribuinte, por sua vez, limitouse a pleitear a suspensão da exigibilidade daquele suposto crédito tributário até o julgamento final do presente feito. Neste sentido, em face da constatação supra, por óbvio, não cabe sequer analisar o pedido de sobrestamento daquele suposto processo administrativo, até que este se apresente definitivo. Não obstante o acima delineado, embora neste processo não se aprecia qualquer discussão acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, tratarei do tema, em breves linhas, tendo em vista a preocupação demonstrada pelo recorrente, a fim de não dar margem a eventual alegação de cerceamento de defesa. É fato que a partir de 31.10.2003, com a edição da MP 135 convertida na Lei 10.833,de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, saliento que o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar dispõe que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Do mérito propriamente dito Em síntese, sustenta o recorrente ser improcedente a glosa dos créditos de IPI dos materiais identificados pelas letras IN, porquanto, segundo alega, são consumidos no processo de industrialização e porque sofrem contato físico com o produto final produzido, o que, ao seu talante, justifica o creditamento de IPI. Por sua vez, a decisão recorrida, ao justificar a manutenção das referidas glosas, no valor de R$ 20.118,79, assim fundamentou: Pois bem, atentamente estudei o material juntado pela interessada e conclui que as aquisições em questão são partes e peças do ativo permanente, cujo desgaste requer substituição, ou seja, como observou a fiscalização, manutenção. Com efeito, independentemente da essencialidade de tais aquisições para seu processo industrial devo observar que somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de que trata o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 (com publicação no DOU em 06/11/1979), geram créditos de IPI, nos termos do respectivo resumo final que é transposto a seguir: 11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto sensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida Fl. 236DF CARF MF 8 diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1 Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79. Na mesma linha, já se tinha o Parecer Normativo nº 181, de 1974, que assim dispunha no seu item 13: 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc. Ou seja, itens destinados ao ativo fixo, cujo creditamento é expressamente vedado no dispositivo regulamentar que versa sobre créditos não podem ser incluídos no conceito de insumos. Conseqüentemente, mantenho a glosa fiscal relativa a este item. Em que pese a juntada de fotos, prospectos do fabricante e demais explicações com vista a demonstrar que tais materiais identificados pelas letras IN, essenciais, conforme alega, ao seu processo industrial, se desgastam e tem contato direto com o produto final, diante da recusa fundamentada do pedido de perícia/diligência, deveria o recorrente, fosse por que meio fosse, laborar no sentido de demonstrar que suas alegações procediam, mas, como visto ao longo destes autos, assim não procedeu, razão pela qual, conforme a seguir ver seá, as decisões precedentes Despacho Decisório da DRF/JOAÇABA e Acórdão 1456.802 da 2ª T/DRJ/RPO não merecem reparos. Reprisando, é que para efeito de crédito do imposto na escrita fiscal, o inciso I do artigo 226 do RIPI/2010, Decreto 7.212 de 15.06.2010 (DOU de 16.06.2010) esclarece que se incluem no conceito de matériasprimas (MP) e produtos intermediários (PI), os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. Por seu turno, o Parecer Normativo CST 65 de 30.10.1979 (DOU de 06.11.1979), norma complementar da legislação tributária, por força do inciso I do artigo 100 da Lei 5.172 de 25.10.1966, Código Tributário Nacional, esclarece a expressão “consumidos no processo de industrialização”, condição para que os bens sejam considerados insumos. O aludido parecer orienta no sentido de que se deve considerar no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem no processo de industrialização em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10925.906946/201255 Acórdão n.º 3001000.108 S3C0T1 Fl. 234 9 No entanto, sequer o recorrente desincumbiuse de provar, nas várias oportunidades processuais que teve, que os insumos objeto da glosa não são as partes e peças de máquinas e equipamentos, adquiridas para reposição ou restauração, ainda que não sejam incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que tais partes e peças se desgastem, se consumam ou percam suas propriedades no processo de industrialização em razão do contato direto que exercem sobre o produto em fabricação ou que este produto exerce sobre elas, é de ser mantida a glosa Por fim, convém salientar que, não obstante o processo administrativo fiscal ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula o que foi exposto até aqui. É que referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário segundo o qual as partes militam com diligência e presteza no cumprimento do onus probandi. É neste sentido que cabe afirmar que a parte tem o ônus de provar o que alega, não sendo razoável suporse aceitável que em um pleito reiterativo acatar a pretensão do recorrente sem que este tenha agido satisfatoriamente na demonstração e comprovação do alegado direito creditório. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.012698/2010-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 26 98 /2 01 0- 77 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 9202006.083 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 9202006.083 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 9202006.083 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 9202006.083 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 9202006.083 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 9202006.083 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 9202006.083 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.724419/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. RELATÓRIO Cuida o presente processo de exigência de tributos com os respectivos acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), além da multa isolada de IRPJ e CSLL, relativo aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, conforme o quadro abaixo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 24 41 9/ 20 13 -8 1 Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.139 2 Conforme se depreende da DIPJ apresentada, a contribuinte é optante pelo Lucro Real como forma de tributação do IRPJ e da CSLL Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 3ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 3021/3031): 001 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de rendar de valores do lucro líquido do exercício, conforme descrito no item 2.1 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que faz parte integrante de Infração. Enquadramento legal Art. 250, inciso I, do RIR/99. Do Termo de Verificação Fiscal emitido pela autoridade lançadora, podemos extrair, em essência, as seguintes informações relacionadas à(s) infração(ões): Das verificações efetuadas, constatamos que a empresa excluiu do Lucro Líquido, para fins de determinação do Lucro Real, nos Anos Calendários de 2008, 2009 e 2010, sob o título de "outras exclusões" os valores de R$ 13.442.954,04; R$ 12.771.295,11 e R$ 9.223.813,99 respectivamente, conforme consta da DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (doc. Anexo 04). Constatamos também que os valores acima, excluídos do Lucro Real, correspondem aos precatórios recebidos e as provisões de CSLL, que foram escriturados da seguinte forma: a) os valores dos precatórios recebidos, foram registrados a débito da rubrica 1.1.1.02 Bancos Conta Movimento, e a crédito da rubrica 3.1.7.01.0003 Outras Receitas e Despesas Operacionais, enquanto que os valores dos créditos calculados sobre base negativa da CSLL, foram registrados a crédito do Grupo de Despesas de Provisões, na rubrica 3.2.6.02.0001 Contribuições Sociais, conforme demonstramos (doc. Anexo 05): Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.140 3 (...) Da análise efetuada nos registros contábeis, constatamos que no mês de janeiro de 2008, consta a escrituração dos seguintes valores debitados no Grupo de Contas 112 CLIENTES, Sub Conta 112.05 Valores a Faturar, em contrapartida com a Conta 24303 Ajuste de Exercícios Anteriores, Grupo do Patrimônio Líquido, a saber (doc. Anexo 06): (...) Em resposta ao nosso Termo de Intimação, a fiscalizada informou em 08/11/2012 que (doc. Anexo 03) "1 Relembra a JOLE que os valores recebidos a título de parcelas do precatório nos exercícios de 2008 a 2010, conforme fartamente demonstrado na documentação já entregue na SACAP (o contribuinte quis dizer SAPAC) e nessa FISCALIZAÇÃO, referemse a valores de serviços executados pela Requerente em 04 (quatro) obras que tiveram como contratante o para o Governo do Estado do Piauí; são elas: (a) HOTEL ATALAIA; (b) MATADOURO INDUSTRIAL DE PARNAÍBA; (c) TERMINAL TURÍSTICO DA PEDRA DO SAL e (d) POTYCABANA. Esclarece a JOLE que os recebíveis foram contabilizados e integralmente tributados pelo regime de Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.141 4 competência nos exercícios de 1991 a 1994, conforme fartamente demonstrado na documentação já entregue tanto na SACAP quanto no transcorrer desta fiscalização." Apresentou também o demonstrativo de composição dos valores lançados na rubrica 243030001 Ajuste de Exercícios Anteriores, acompanhado dos esclarecimentos, dentre os quais destacamos (doc. Anexo 03): "2 Especificamente ao que nos foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal, a JOLE informa que os valores mais relevantes dos ajustes feitos na "conta 2.4.3.0001" que totalizam R$ 857.478,63 (oitocentos e cinqüenta e sete mil, quatrocentos e setenta e oito reais e sessenta e três centavos), referemse ao crédito da empresa JOLE junto ao Governo do Piauí relativo à execução das 04 (quatro) obras acima citadas que foram, como já dito, contabilizados entre 1991 a 1994, e que foram recompostos no exercício de 2008 em razão dos motivos a seguir expostos:" O grifo é do original. "2.1 Os valores originais contabilizados e tributados como receitas de obras nos exercícios de 1991/1994 e que não foram recebidos tiveram os seus saldos lançados no "contas a receber" da JOLE, devidos aos inúmeros Planos Econômicos e das diversas mudanças de moedas que foram decretados pelo Governo Federal neste período e que culminaram com o Plano Real, tais valores foram afetados significativamente, chegando a se tornarem valores pequenos e inexpressivos."' "2.2 Como uma pequena parte dos valores foi recebida, em decorrência de um precatório emitido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Piauí no exercício, tornouse necessário, que a contabilidade da JOLE procedesse a recomposição dos saldos do "contas a receber" pelo equivalente ao valor original, conforme Quadro das Receitas Reconhecidas e tributadas nos exercícios de 1991 a 1994 anexo II. Assim, os valores, no montante de RS 857.478,73, contabilizados a crédito da "conta 2.4.3.0001" a títulos de ajustes de exercícios anteriores, referemse à recomposição do saldo do "contas a receber" que foi corroído pelas diversas alterações da moeda no período..." O grifo é do original. "2.3 Ressaltese que os valores contabilizados a crédito de ajustes de exercícios anteriores, lançados em 2008 no montante de R$ 857.478,63 nada mais são do que os valores das receitas reconhecidas pela JOLE, devidamente contabilizadas e tributadas nos exercícios de 1991 a 1994 e concernentes às obras já citadas, depois das conversões decorrentes as diversas mudanças da moeda, determinadas pelos inúmeros Planos Econômicos que foram aplicados no Brasil no período. Assim, não resta dúvida que os referidos valores foram oferecidos à tribulação nos exercícios de 1991a 1994." O grifo é do original. "2.4 Os mencionados valores, somados, representam o valor original, isto é, o valor histórico do crédito da JOLE junto ao Governo do Estado do Piauí e, como acima relatado, originários dos serviços executados nas 04 (quatro) obras que não foram pagas na época oportuna e os valores recebidos em 2008 referemse tão somente à pequena parte do crédito original com a devida atualização." O grifo é do original. Isto posto, temos a destacar o seguinte. Consta dos registros contábeis que a empresa escriturou os valores dos precatórios recebidos nos anos calendários de 2008 (R$ 12.748.978,51), 2009 (R$ 12.153.452,53) e 2010 (R$ 9.024.811,40), a débito da Conta 1.1.1.02 Bancos Conta Movimento e a Crédito da rubrica 3.1.7.01 Outras Receitas (Grupo de Contas de Resultados), cuja escrituração nada temos a ressalvar, por se encontrar em perfeita harmonia com a legislação comercial e tributária (art. 187, § Io, Lei 6.404/1976, e artigos 224, 227, 251, 373 e 375 do RIR Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/1999). Verificamos também, pelos documentos e planilhas apresentadas pela empresa (doc. Anexo 03) que os precatórios recebidos são compostos de duas parcelas: Parcela Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.142 5 do Principal, correspondente a Receita de Vendas de Serviços e Parcela de Receita Financeiras, correspondente a Variações Monetárias Ativas e os Juros Moratórios, ambos calculados sobre o valor do principal, cujo reconhecimento na escrituração e tributação em exercícios anteriores não restou comprovado pelo contribuinte, em razão dos seguintes fatos: As argumentações da empresa de que os precatórios recebidos nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010, correspondem a receitas que foram integralmente reconhecidas e tributadas em exercícios anteriores, implicaria em contrapartida, na afirmativa de que os precatórios haveriam de se encontrar registrados em Contas a Receber de Clientes (grupo do Ativo), fato este que não está evidenciado nos registros contábeis da empresa. Se de fato os valores dos precatórios, estivessem registrados em Contas a Receber de Clientes, ao escriturar os recebimentos dos referidos precatórios, os lançamentos seriam a débito de Bancos Conta Movimento c a crédito de Contas a Receber de Clientes, e não a crédito da Conta 3.1.7.01 Outras Receitas, do grupo de resultados. E, conforme constatamos, os únicos valores de precatórios escriturados no Grupo de Contas a Receber de Clientes (grupo 112 Clientes), são os lançamentos de 02/01/2008 acima transcritos, registrados na rubrica 11205 Clientes a Faturar (doe. Anexo 06), no total de R$ 857.478,63 relativos as citadas quatro obras, cuja contrapartida é a Conta 2.4.3.0001 Ajustes de Exercícios Anteriores. Com relação aos valores escriturados a crédito da Conta 2.4.3.0001 Ajustes de Exercícios Anteriores, a empresa foi intimada em 16/10/2012 (doc. Anexo 01), a apresentar os comprovantes de pagamentos do imposto/contribuição, por acaso, postergados. No entanto, em resposta ao nosso Termo de Intimação, a empresa não apresentou os comprovantes de pagamento de imposto/contribuições sobre os valores destes ajustes, informando em suas argumentações nos itens "2.1 a 2.4" acima transcritos, se tratar de receita já escriturada e tributada nos anos calendários de 1991 a 1994, ficando desta forma, não comprovado o pagamento do imposto postergado sobre referido ajuste, na forma prevista no artigo 273 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 e Parecer Normativo n° 02/1996. Assim sendo, apesar do referido valor de R$ 857.478,63 se encontrar devidamente escriturado em Contas a Receber de Clientes (112.05 Clientes a Faturar) não cabe a sua exclusão do Lucro Líquido, para fins de tributação, pela falta de comprovação do pagamento do tributo postergado sobre este valor, e por não ter sido escriturada a sua contrapartida, a crédito de Contas de Resultados. Face ao exposto, tornase indevida a exclusão dos valores dos precatórios excluídos do Lucro Líquido, para fins de determinação do Lucro Real, nos Anos Calendários de 2008, 2009 e 2010, sob o título de "outras exclusões" nos valores de R$ 12.748.978,51; R$ 12.153.452,53 e R$ 9.024.811,40 respectivamente, conforme consta da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (doe. Anexo 04), por falta de amparo legal, uma vez que não existe na legislação tributária (artigo 250 do RIR/1999), base legal autorizando a exclusão da citada receita do Lucro Liquido, para fins de determinação do Lucro Real. Além do lançamento tributário referente à apuração anual do IRPJ e da CSLL, foi constituído crédito tributário relativo à multa isolada decorrente da falta de pagamento das estimativas mensais desses tributos, em função da apuração mensal das infrações. 6 A autoridade lançadora esclarece ainda que, na apuração do montante devido, efetuou as compensações de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL de exercícios anteriores constantes do Sapli, assim como utilizou os valores retidos na fonte a título de Imposto de Renda e de CSLL, tanto na apuração anual desses tributos, Fl. 3142DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.143 6 quanto no cálculo das estimativas mensais não recolhidas que deram suporte ao lançamento da multa isolada. 7 Cientificado do auto de infração, em 04/04/2013, o interessado apresentou impugnação em 03/05/2013, onde alega, em síntese, que: Nulidade 8 – dos documentos apresentados no curso do procedimento fiscal, a autoridade lançadora juntou aos autos apenas uma parte (193 de 2.116 páginas apresentadas – quadro fl. 520); 9 – a não inclusão, por parte da autoridade lançadora, desses documentos, sem qualquer motivação, macula o princípio da verdade material imprescindível na lavratura dos autos de infração impugnados, estando assim eivados de nulidade; 10 – a desconsideração dos argumentos apresentados caracteriza cerceamento do direito de defesa na fase de procedimento fiscal, com base nos seguintes argumentos: “(a) Falta de concessão de prazo hábil para a apresentação da documentação comprobatória; (b) Falta de análise profunda dos documentos apresentados; e, (c) Além da falta de concessão de prazo para apresentação de mais documentos que são imprescindíveis para o deslinde do feito.”; 11 – caso não seja reconhecida essa preliminar, requer a juntada das 1.923 páginas faltantes, que seguem em anexo através de mídia eletrônica (CD) que faz parte integrante desta impugnação, anexado através do envelope (doc. 23). Multa isolada 12 – a questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais já está pacificada no âmbito do processo administrativo fiscal federal, conforme se observa nas ementas de decisões proferidas no Carf transcritas na impugnação; 13 – “Dos inúmeros julgados a respeito do tema uma maioria esmagadora entende que é impossível à imposição da multa isolada, nos termos do inciso IV do §1°, independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida.”; 14 – encerrado a ano calendário, não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual; 15 – “é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele ano calendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do ano calendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique.”; 16 – “A partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do ano calendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1o. do art. 44 da Lei n°. 9.430/96, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1o do mesmo diploma legal.”; 17 – como no presente caso a suposta falta de recolhimento das estimativas também serviu de base para a imposição da penalidade de 75% sobre o tributo devido ao final do ano calendário não há o que se falar em cobrança de multa isolada, devendo tal exação ser expurgada preliminarmente. Fl. 3143DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.144 7 Cabimento das exclusões realizadas 18 – os documentos e planilhas apresentadas pelo interessado no curso do procedimento fiscal não continham informação de que as parcelas dos precatórios recebidos eram compostas de duas parcelas: "parcela do principal" e "parcela de receita financeira" correspondente às supostas "variações monetárias e juros moratórios", como afirma a autoridade lançadora; 19 – muito pelo contrário, nos documentos apresentados pelo interessado sempre foi reiterado que os valores recebidos eram uma pequena parte do precatório originário; e, as receitas que compuseram as referidas exclusões efetuadas decorreram deste recebimento feito em parcelas em decorrência dos termos de sequestro expedidos pelo Tribunal de Justiça do Piauí; 20 – além do mais, ainda existe um montante superior a R$ 139.000.000,00 pendentes de pagamento por parte do Governo do Estado do Piauí ao interessado (processos nº 99.0003035 e 00.11269, ambos do Tribunal de Justiça do Piauí); 21 – não houve o pagamento de toda a parcela do principal. Assim, não há o que se falar em "parcela de receita financeira", já que o Poder Judiciário não realizou a decomposição e não houve a quitação da obrigação principal; 22 – o crédito do interessado teve origem da execução de serviços em 04 obras de engenharia (HOTEL BALNEÁRIO ATALAIA MATADOURO INDUSTRIAL DE PARNAIBA TERMINAL TURÍSTICO DA PEDRA DO SAL e POTYCABANA) e por não terem sido pagos pela parte Contratante (Governo do Estado do Piauí), resultaram na celebração de duas confissões de dívidas, devidamente lavradas em cartório, em fevereiro de 1991, e nos contratos de negociação da dívida com parcelamento, celebrados entre o Governo do Piauí e o interessado (doc. 10 fls. 799/827); 23 – o montante foi consubstanciado através de medições dos serviços executados, que foram elaboradas pelos engenheiros responsáveis técnicos das obras, tendo sido seus valores lançados na contabilidade nos exercícios de 1991, 1992, 1993 e 1994 apresentados à Sapac: a) medições de serviço; b) folhas do livro diário; c) balanços patrimoniais; d) DRE; e) DIPJ; f) folha parte A do livro LALUR; e, g) DARF's dos tributos pagos (doc. 12 – fls. 1.192/1.381); 24 – as receitas relativas a serviços de construção civil prestados no período de setembro/1990 a janeiro/1991, conforme medições e laudos (doc. 12), e que não foram pagas, serviram de embasamento para que o Governo do Piauí celebrasse com o interessado as confissões de dívida e os contratos de negociação da dívida com parcelamento que, por sua vez, deram origem a processo judicial n°. 7.893/94 e este, por fim, originou o precatório; 25 – as referidas receitas são, ao contrário da suposição da fiscalização, totalmente distintas das receitas dos serviços que foram executados pelo interessado, nas mesmas obras, porém em período diferente (1987 até a maior parte de 1990), período em que o Governo do Estado do Piauí realizou os pagamentos pelos serviços executados até aquela data, sendo tais receitas incluídas na base tributária dos exercícios respectivos e pagos todos os tributos correspondentes: a) faturas; b) folhas do livro diário; c) balanços patrimoniais; d) DRE; e) DIPJ; f) folha parte A do livro LALUR; e, g) DARF's dos tributos pagos, todos com cópia em anexa (doc. 11 – fls. 828/1191); 26 – depois da celebração das confissões de dívida e dos contratos de negociação da dívida e antes do ingresso do procedimento judicial visando o recebimento do seu Fl. 3144DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.145 8 crédito, o interessado, de forma conservadora e com o emprego do princípio da prudência previsto nas normas contábeis, por se tratar de crédito de recebimento duvidoso, resolveu reconhecer contabilmente com base nas medições dos serviços executados e não pagos, oferecendo tais valores à tributação nos exercícios de 1991 a 1994, as quais atingiram um montante que, convertido para o real (R$) no exercício de 1994, cumprindo as disposições da Lei n°. 8.880/94, resultou no valor de R$ 857.478,63, conforme comprovam as cópias dos lançamentos escriturados nos livros contábeis (Diário e Razão), balanços patrimoniais e nas DIPJ's daqueles exercícios e mantido nos exercícios sucessivos até a presente data, conforme demonstrado nas cópias dos documentos em anexo (doc. 13 – fls. 1382/1500); 27 – embora, tivesse a faculdade legal (art. 10, § 3o, do DecretoLei n° 1.598/77) de diferir o valor do seu crédito pendente de recebimento, referente aos anos de 1991 a 1994, optou por fazer o reconhecimento da receita e os pagamentos dos tributos correspondentes, atendendo o princípio da prudência previsto nas Normas Brasileiras de Contabilidade, por se tratar de crédito de recebimento duvidoso, conforme comprovam os documentos acostados aos autos (doc 14 e 15 – fls. 1501/1771); 28 – em 19/03/2013, solicitou à autoridade lançadora prazo de 60 dias, para que pudesse, através de uma perícia técnica que já estava em elaboração, apresentar o demonstrativo de todo o ocorrido. Contudo, a ação fiscal foi encerrada em 04/04/2013, antes de expirado o prazo requerido, o que significou o cerceamento de defesa; 29 – as receitas oferecidas à tributação nos exercícios de 1991 a 1994 têm indiscutível vinculação com as confissões de dívida, com os contratos de negociação com parcelamento e, principalmente com o precatório; 30 – o valor histórico das referidas receitas, no montante de R$ 857.478,63 está claramente demonstrado no livro Diário, na parte do Balanço Patrimonial do exercício de 1994, onde está expresso o saldo de R$ 857.564,63 na conta "CLIENTES VALORES A FATURAR", quando da conversão da moeda então vigente para o REAL, composto por: 31 – esse valor foi informado na DIPJ, do anocalendário 1994, na parte do balanço patrimonial (ativo circulante – clientes – linha 07) e se manteve registrado, sem alterações, nos livros contábeis (Diário e Razão), bem como na DIPJ de 1995 a 2004 (doc. 13 e 17 fls. 1382/1500 e 1779/2336); 32 – em 2004, em atenção aos princípios contábeis da materialidade e da relevância, foram baixados em contrapartida da conta de Despesa (perdas com créditos incobráveis), os saldos da conta clientes: 33 – em 2006, com o recebimento da primeira parcela do precatório em 20/02/2006, no valor de R$ 3.000.000,00, a contabilidade procedeu da seguinte forma (doc. 19 – fls. 2345/2353): Fl. 3145DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.146 9 34 – em 02/01/2008, houve uma contabilização referente a "AJUSTE DE EXERCÍCIO ANTERIOR", onde o seu histórico deixa bem claro que os valores são referentes aos estornos dos lançamentos efetuados em 2006 e 2004, conforme visto anteriormente, relativos ao retorno na conta "CLIENTE VALORES A FATURAR", dos valores originais do crédito do interessado, por entendimento de que os referidos lançamentos de baixa foram feitos por um lapso, atendendo assim ao dispostos no art. 186, § 1o. da Lei nº 6.404, de 1976; 35 – nesta mesma data, 02/01/2008, foi realizado um lançamento de baixa do valor original da conta "CLIENTE VALORES A FATURAR", referente a parte proporcional aos valores recebidos do precatório em 2006, no valor de (doc 20 fls. 2357/2358): 36 em 31/12/2008, foi realizada a baixa do valor original da conta "CLIENTE VALORES A FATURAR", referente a parte proporcional aos valores recebidos do precatório em 2008, no valor de (doc 20 fls. 2354/2366): 37 – depois de efetuados esses lançamentos, o saldo da conta "CLIENTES VALORES A FATURAR", no valor de R$ 857.564,27, originário de 2004, passou a ser R$ 641.259,04, conforme consta no balancete contábil analítico do Livro Diário de 2008 (doc. 21 – fl. 2368); 38 – em 2009, foram realizadas baixas do valor original da conta "CLIENTE VALORES A FATURAR", referente à parte proporcional aos valores recebidos do precatório em 2009, no valor de (doc 22 – fls. 2373 e 2379): 39 – é totalmente descabida a apresentação de comprovantes de pagamento de tributos postergados, uma vez que estes foram pagos dentro dos seus respectivos períodos, pois as receitas que compuseram o valor do crédito original, no montante de R$ 857.478,63, foram reconhecidas contabilmente e, conseqüentemente, tributadas nos exercícios de Fl. 3146DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.147 10 1991 a 1994, como se observa por meio dos Darf acostados aos autos (doc. 14 – fls. 1501/1715); 40 – em síntese, todas as receitas, que deram origem ao precatório, foram integralmente reconhecidas e tributadas, até porque, quando o interessado recebeu as parcelas do precatório, nos exercícios de 2008, 2009 e 2010, procedeu a sua contabilização a débito de "BANCOS" e a crédito de "OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS" e, por embasamento legal, o interessado procedeu a exclusão na Parte A do Livro LALUR, para que as mesmas não fossem tributadas em duplicidade; 41 – contudo, caso esse não seja o entendimento, existe crédito a favor do interessado, decorrente dos pagamentos a maior realizados nos exercícios de 1991 a 1994, que devem ser utilizados para compensação com o suposto débito que foi levantado pela fiscalização. Compensação de ofício dos prejuízos fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL 42 – reconhece que houve erro material na sua contabilidade, à época, que não declarou o saldo inicial de base negativa da CSLL, no montante de R$ 153.285,00, no exercício de 1994, declarando unicamente os prejuízos fiscais deste exercício; 43 – a mencionada base negativa da CSLL não foi incluída na apuração das compensações em decorrência do encerramento da fiscalização no dia 04/04/2013, enquanto ainda fluía o prazo requerido pelo interessado para que pudesse localizar os documentos relacionados aos prejuízos fiscais ocorridos no exercício de 1994, que foram acostados aos autos (doc. 23); 44 – por tais motivos, requer o reconhecimento integral do saldo inicial de base negativa da CSLL no montante de 153.285,00 no exercício de 1994. 45 O interessado transcreve ementas de decisões judiciais e administrativas, acosta aos autos documentação trazida com a impugnação, requer o deferimento do pedido de perícia, para o qual indicou quesitos, bem como seus assistentes técnicos (fls. 542/545) e encerra requerendo o cancelamento dos autos de infração. 46 Adicionalmente, o interessado informa o local para recebimento de comunicações e intimações (fl. 546). 47 Em petição protocolada em 31/05/2013, requer a interrupção da prescrição dos pagamentos que realizou, pois na lavratura do auto de infração não foram levados em conta os pagamentos a maior realizados nos anos de 1991 e 1994 (fls. 2983/2985). 48 Por fim, registrase que o interessado apresentou duas solicitações de cópia de documentos, que foram retirados por seu representante legal (fls. 2992 e 3.010/3011). 49 A localização nos autos das principais peças do processo está identificada no quadro 2. Fl. 3147DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.148 11 * a identificação dos documentos juntados pelo interessado encontrase na folha 547. Fl. 3148DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.149 12 A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 3032/3043, julgou procedente o lançamento fiscal, retificando a exigência da penalidade imputada. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 3052/3103), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. VOTO Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator Primeiramente, impende registrar que o Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente aduz que tanto a fiscalização quanto a decisão da DRJ não analisaram os documentos, bem como as alegações/justificativas relativo aos valores das obras medidas e levados a tributação nos exercícios de 1991 a 1994, cujos valores somente começaram ser recebidos em parte, via precatório, pela Recorrente, 15 anos depois dos procedimentos de contabilização. Dessa forma, destaca que não foram utilizados os créditos pagos pela Recorrente nos exercícios de 1991 a 1994 para bater os tributos supostamente devidos a partir dos recebimentos iniciados em precatório. A exemplo transcreveu a DRE do ano de 1992, em que demonstra que houve a efetiva inclusão das receitas decorrentes de tais medições de obras nesse exercício, como também no exercícios antecedente de 1991 e seguintes 1993 e 1994. Informa que os valores decorrentes destas receitas não recebidas, formaram a base dos precatórios deste período, os quais constam da sentença judicial transitada em julgado e por determinação da Autoridade Judiciária competente, deram origem ao precatório. Desse modo, enfatiza que todos documentos probatórios foram apresentados à fiscalização, a qual, deliberadamente, não os considerou, tributando as receitas de precatório como exclusão indevida., o que ensejaria um vício material na autuação. Assim, a Recorrente entende que a autuação foi baseada em fatos diversos do que aconteceram (exclusão indevida), devendo o auto de infração ser anulado de pleno direito sob o argumento da preterição do direito ao contraditório e da ampla defesa. Ademais alega que não foram expurgados pela autoridade autuante, quando da mensuração do quantum debeatur da suposta infração os montantes referentes à parcela de atualização e juros, o que se reveste em outra macula da autuação fiscal. Ressalta que os juros contratuais e os juros legais não caracterizam acréscimo patrimonial, os quais não podem ser objeto de tributação para fins de imposto de renda. Nesse sentido, cita doutrina e jurisprudência que corrobora tal entendimento. Fl. 3149DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.150 13 De plano, não vislumbro as hipóteses de nulidade dos atos e termos lavrados, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo. Ademais, ressaltase que foram capituladas, bem como foram descritos os motivos que levaram o agente fiscal a aplicar a infração em tela, dando a Recorrente o conhecimento do objeto da autuação fiscal. Dessa maneira, os argumentos alegados pela contribuinte não devem prosperar, não restando comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. Assim, julgo no sentido de não acatar a preliminar de nulidade argüida pela Recorrente. NO MÉRITO A discussão formada dáse em razão da contabilização de receitas a receber concernentes a 4 (quatro) obras de engenharia realizadas ao Governo do Estado do Piauí relativa aos exercícios de 1991 a 1994, tidas como exclusões indevidas pela fiscalização, uma vez que não autorizadas pela legislação do imposto de renda. A Recorrente recebeu os referidos valores decorrentes da prestação de serviço de construção civil, após 15 (quinze) anos de sua execução, em parte e via precatório, tendo parte das parcelas pagas no exercícios de 2008 a 2010. Conforme medições e laudos anexados pela Recorrente (objeto da prestação de serviço não pagas), serviram de embasamento para que o Governo do Piauí celebrasse com a Recorrente as confissões de dívidas e contratos de negociação da dívida com parcelamento, que por sua vez, deram origem ao processo judicial nª 7.893/94 e este, por sua vez, originou os precatórios. Desse modo ressalta que a decisão teria deixado de examinar o pedido expresso de perícia formulado pela Recorrente sem, ao menos, observar se os documentos juntados pela fiscalização e pela Recorrente comprovam se houve ou não a contabilização das receitas a receber nos exercícios de 1991 a 1994. O contribuinte entende juntado todos os documentos capazes de elucidar a questão, todavia a fiscalização caminhou no sentido oposto, de forma a não tomar conhecimento dos mesmo e, por conseguinte, negar seu pleito Desse modo, a Recorrente entende ser imprescindível a realização de prova pericial para que seja atestado a veracidade dos fatos alegados, bem como quantificar os valores que foram tributados nos exercícios de 1991 a 1994. Sobretudo por entender que a prova pericial fazse necessária quando se é requerido o conhecimento técnico especializado para o deslinde do feito. É o que ocorre no presente caso, pois temse noções complexas para se determinar os valores monetários envolvidos. Assim, a perícia, além de trazer a verdade material do corrido no exercícios de 1991 a 1994, serviria como um meio de prova elucidativo para se confrontar com os valores recebidos, via precatório, nos exercícios de 2008 a 2010 visando dar bom cabo ao presente processo. Fl. 3150DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.151 14 Diante disso, requer seja deferido o pedido de perícia, com base no art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, apresentando os seguintes quesitos: (a) Confirme, se foram celebrados contratos entre o Governo do Estado do Piauí, através da sua Secretaria de Obras, e a RECORRENTE para a execução de serviços nas obras do Hotel Atalaia, Matadouro Industrial de Parnaíba, Terminal Turístico da Pedra do Sal e Potycabana? (b) Caso a pergunta do item (a) acima seja afirmativa, confirmar se as receitas relativas aos serviços executados no período de 1987 até parte do 2º semestre de 1990, foram reconhecidas contabilmente pela RECORRENTE e, à época, oferecidas à tributação e pagos os impostos devidos? (c) Caso a pergunta do item (a) acima seja afirmativa, confirmar se as receitas referentes aos serviços executados no período de parte do 2º semestre de 1990 a janeiro de 1991 foram reconhecidas contabilmente pela RECORRENTE e oferecidas à tributação nos exercícios de 1991 a 1994? (d) Confirmar se, as receitas referidas nos itens (b) e (c) acima, embora relativas à execução de serviços nas mesmas obras, são distintas umas das outras? (e) Confirmem, se foram celebradas confissões públicas de dívidas entre o Governo do Estado do Piauí e à RECORRENTE oriundas dos contratos nºs AJ 37/87, AJ36/90, AJ 111/87, AJ112/87, AJ 52/89 e relativas aos serviços executados e não pagos nas obras do Hotel Atalaia, Matadouro Industrial de Parnaíba, Terminal Turístico da Pedra do Sal e Potycabana? (f) Confirmem, se as receitas reconhecidas pela RECORRENTE referemse aos serviços executados naquelas obras entre parte do 2º semestre de 1990 a janeiro de 1991? (g) Identifiquem os i.experts alguma outra obra desenvolvida pela RECORRENTE para o Governo do Estado do Piauí naquele período e com valores pendentes de pagamento, que não sejam as dos contratos citados no item (a) acima? Na eventualidade de encontrar queiram descrevêla analiticamente com a juntada da documentação probante; (h) Informem os senhores Peritos se foi prolatada sentença na Ação de Execução das Confissões de Dívidas ajuizada pela RECORRENTE, e se a mesma teve o seu trânsito em julgado? (i) No caso de resposta positiva ao item (h) acima confirmem se, em cumprimento da sentença na Ação de Execução das Confissões de Dívidas foi constituído o precatório nº 99.000.0335 no Tribunal de Justiça do Estado do Piauí e, diga, se de fato, com base na sentença o valor de face foi de R$ 13.265.159,49, tendo como base o mês de novembro de 1996? (j) Informem, também, se na sentença na Ação de Execução das Confissões de Dívidas proferida ficou estabelecido que os valores seriam atualizados monetariamente pela variação do INCC da FGV, acrescidos de juros de 0,50% (meio por cento), mas, posteriormente, em decisão de 2º Grau e confirmada pelo STJ e STF modificada para 1% (um por cento) ao mês? Fl. 3151DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.152 15 (k) Informem os Senhores Peritos se e quando a RECORRENTE ofereceu às receitas decorrentes das Confissões de Dívidas à tributação nos exercícios de 1991 a 1994? (l) Os valores ofertados à tributação à época foram efetivamente pagos? Em caso positivo em que datas? (m) Confirmar se os valores levados à tributação pela RECORRENTE são oriundos exatamente daqueles decorrentes dos contratos que fundamentaram a ação judicial protocolada pela RECORRENTE? (n) Informem os Senhores Peritos, com base na documentação fornecida pela RECORRENTE à SACAP, à Fiscalização da RFB e juntados na Impugnação, o seguinte: (n.1)–Confirmar se os valores das medições dos serviços executados e não pagos e constantes do quadro das receitas reconhecidas e tributados nos exercícios de 1991 a 1994 na conversão de CRUZEIRO para CRUZEIRO REAL, foram efetivamente escriturados na página 071 do Livro Diário Conta de Clientes Subconta Valores a Faturar que ensejaram no Balanço Patrimonial de 31/12/1993; e em caso positivo com quais saldos? (n.2) Confirmar se as conversões do CRUZEIRO REAL para REAL foram efetivamente escriturados na página 108 do Livro Diário, na parte do Balanço Patrimonial de 31.12.1994, Conta Clientes Subconta Valores a Faturar? E, em caso positivo com quais saldos? (n.3) Caso as questões dos subitens (n.1) e (n.2) sejam positivas, confirmar se o saldo representa o valor original (Principal) do crédito da RECORRENTE junto ao Governo do Estado do Piauí, que já vinha sendo escriturado desde 1991? (n.4) Caso a resposta do subitem (n.3) seja positiva confirmar se o valor convertido em REAL, no ano de 1994, perfaz o montante de R$ 857.478,63? (n.5) Confirmar se os saldos da Conta Clientes Valores a Faturar, foram escriturados no Livro Diário e Razão de 2008? E, em caso positivo com quais saldos? (n.6) Confirmem os Senhores Peritos se os lançamentos mencionados nos subitens acima além de escriturados na contabilidade, também, foram incluídos nas DIPJ’s. nos exercícios correspondentes? (n.7) Confirmem se as receitas escrituradas como exclusões na parte A do Livro LALUR e nas DIPJ’s. dos exercícios de 2008, 2009 e 2010 são referentes às parcelas recebidas do precatório decorrente do processo nº 7.893/94; (n.8) Digam se, as parcelas do precatório que foram pagas nos exercícios de 2008, 2009 e 2010 nos documentos relativos à determinação judicial dos pagamentos, tiveram os seus valores decompostos, por determinação judicial, em: Principal, atualização e juros compensatórios e moratórios? (n.9) Confirmar quais os lançamentos contábeis constam dos registros contábeis da RECORRENTE, constantes da página 81 do Livro Diário e páginas 162 e 395 do Razão referente ao exercício de 2006 quando do recebimento da 1ª parcela do precatório, em 20/02/2006? Fl. 3152DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.153 16 (n.10) Confirmar se nos registros contábeis da RECORRENTE de Ajustes de Exercícios Anteriores, realizado em 02/01/2008, encontrase à retificação de erro de lançamento já existente desde 31/12/1994 na Conta Clientes a Faturar? (n.11) Esclarecer ao que se referem os estornos de lançamentos efetuados incorretamente nos exercícios de 2004 e 2006, tomando por base o histórico dos lançamentos contábeis da RECORRENTE efetivados nos Livros Diário e Razão em 02/01/2008? Destarte, a Recorrente requer seja a apresentação de quesitos adicionais e apresenta como seus assistentes técnicos os Srs. JOSÉ AUGUSTO SOARES LEAL, Brasileiro, Casado, Bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRCPE sob o nº 15.923/O0, CPFMF nº 071.786.54449, domiciliado na domiciliado na Rua Coronel João Rufino, nº 42, Casa Forte Cidade do Recife, Estado de Pernambuco, CEP 52.061 110 telefones (81) 32314266 99972.0072 email: augustoleal@lealconsultoria.com.br e ANDREIA RAMOS DA SILVA, Brasileira, Solteira, Bacharela em Ciências Contábeis, registrada no CRCPE sob o nº 027.693/O1, domiciliada a Coronel João Rufino, nº 42, Casa Forte Cidade do Recife, Estado de Pernambuco, CEP 52.061110 telefones (81) 32314266 – 984912984 email: andreia@lagerhaus.com.br. Pois bem. Primeiramente, verifico que a Requerente observou os requisitos previstos no inciso IV, do artigo 16, do Dec. 70.235/72, que determinam, sob pena de indeferimento (§1º da referida norma), que compete ao solicitante de perícia ou diligência justificar os motivos, apresentar quesitos e, no caso de perícia, indicar o nome, endereço e a qualificação do profissional nomeado. No entanto, entendo que a prova pericial, neste caso, não se mostra útil, neste momento, posto que uma grande parte dos documentos acostados aos autos não foram apreciados pela a autoridade fiscal, conforme argumenta a própria Recorrente. Ademais, creio que a unidade de origem é plenamente capaz de solucionar a controvérsia a partir da análise minuciosa da documentação e realização da atualização monetária dos valores envolvidos na Lide. Contudo, entendo que os questionamentos apontados pela Recorrente se fazem muito pertinentes para atestar a veracidade dos fatos, bem como os documentos juntados pela Recorrente, com o intuito de verificar e quantificar se o valor contabilizado nos exercícios de 1991 e 1994 referente aos serviços técnicos de engenharia prestados corresponde com a parcela recebida do precatório nos exercícios futuros de 2008 a 2010. Assim, embora entenda que não seja necessária a realização de uma perícia, concluo que os autos devam retornar em diligência à unidade de origem para que sejam sanadas os questionamentos supracitados pela Recorrente, com base na documentação acostada aos autos, de forma a verificar se há divergência nos valores das obras medidas nos exercícios de 1991 a 1994, com os recebidos, via precatório, nos exercícios de 2008 a 2010. Na realização da diligência a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar as documentos complementares e esclarecimentos adicionais, elaborando, ao final, relatório circunstanciado sobre os resultados da diligência, podendo ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 10480.724419/201381 Resolução nº 1301000.456 S1C3T1 Fl. 3.154 17 Ao final, o Recorrente deverá ser cientificado do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo, nos termos do art. 35,parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Após disso, sejam os autos remetidos a este Colegiado para prosseguimento da apreciação da controvérsia. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, converto o julgamento em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 3154DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.720564/2010-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/03/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 05 64 /2 01 0- 41 Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10480.720564/201041 Acórdão n.º 9202005.788 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 549DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.004848/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/2000, 30/04/2001, 31/05/2001
DEDUÇÃO DE 1/3 DA COFINS PAGA. SALDO NEGATIVO DA CSLL. COMPENSAÇÃO NÃO PERMITIDA.
O disposto no §3° do art. 8° da Lei no. 9.718, de 1998, veda a utilização de saldo negativo de CSLL para compensação em períodos posteriores quando resultante da dedução do valor referente um terço da Cofins paga.
Numero da decisão: 1201-001.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, somente em relação à matéria que havia deixado de ser julgada em função do reconhecimento da decadência dos lançamentos de multas isoladas sobre as estimativas mensais de CSLL de 01/2000, 04 e 05/2001, que restou afastada em ACÓRDÃO da CSRF.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado); ausentes justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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SALDO NEGATIVO DA CSLL. COMPENSAÇÃO NÃO PERMITIDA. O disposto no §3° do art. 8° da Lei no. 9.718, de 1998, veda a utilização de saldo negativo de CSLL para compensação em períodos posteriores quando resultante da dedução do valor referente um terço da Cofins paga. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, somente em relação à matéria que havia deixado de ser julgada em função do reconhecimento da decadência dos lançamentos de multas isoladas sobre as estimativas mensais de CSLL de 01/2000, 04 e 05/2001, que restou afastada em ACÓRDÃO da CSRF. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado); ausentes justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 48 48 /2 00 6- 07 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10120.004848/200607 Acórdão n.º 1201001.929 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo do auto de infração, págs. 163/177, que exige Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$240.976,43, devido à infração 001 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO (FINANCEIRAS)com fato gerador em 31/12/2002, apenada com multa de 75%, e infração 002 MULTAS ISOLADAS, FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO,DA CSLL DEVIDA POR ESTIMATIVA MENSAL, fatos geradores em 31/05/1999, 31/01/2000, 30/04/2001, 31/05/2001, 31/01/2002, 28/02/2001/30/06/2002. 2. Cientificado, a contribuinte apresentou impugnação, objeto do Acórdão 0319.041, da DRJ em Brasilia DRJ/BSA, de 10 de novembro de 2006: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: DECADÊNCIA. Não ocorreu a decadência, vez que o prazo decadencial foi estendido para dez anos pelo art. 45 da Lei no. 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA.SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE ANTERIOR.CONSTITUIÇÃO INDEVIDA. O disposto no art. 63, da Lei no. 9.430/96 veda o lançamento da multa de oficio quando a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início do procedimento fiscal.No caso, o sujeito passivo estava amparado pelo art.151, III, do CTN. DEDUÇÃO DE 1/3 DA COFINS PAGA. SALDO NEGATIVO DA CSLL. COMPENSAÇÃO NÃO PERMITIDA. O disposto no parágrafo 3°., do art. 8°., da Lei no. 9.718/98, veda a utilização de saldo negativo de CSLL para compensação em períodos posteriores quando resultante da dedução do valor referente um terço da Cofins paga. Lançamento Procedente em Parte 3. Cientificada em 16/01/2007, apresentou Recurso Voluntário, tempestivo, pág. 345. Recurso Voluntário. 4. Pugna pela decadência também dos lançamentos de multas isoladas dos períodos de 01/2000, 04 e 05/2001, por se tratarem de lançamentos por homologação (art. 150, §4º do CTN), quando a contagem do prazo decadencial se inicia com o fato gerador; por isso, estes créditos tributários devem ser considerados extintos a teor do art. 156, do CTN. 5. Aduz, em relação à mesmas multas isoladas, que Sucede que não assiste razão à autoridade fiscal, pois conforme declarado na DIPJ/00, o valor da CSLL apurada no ano Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10120.004848/200607 Acórdão n.º 1201001.929 S1C2T1 Fl. 4 3 calendário de 1999 foi de R$ 2.349.441,65, o valor da COFINS compensada (nos termos do art. 8° da Lei n° 9.718/98) foi de R$ 2.274.237,97, restando ainda a CSLL a pagar de R$ 75.203,68. Portanto, a COFINS compensada não compôs o saldo negativo da Contribuição Social, já que, no ano calendário, aquela foi inferior a essa. Notese que ao valor apurado de CSLL a pagar (R$ 75.203,68) após a compensação da COFINS o impugnante deduziu (i) os valores relativos ao crédito de CSLL decorrente do artigo 8° da MP n°1.991/99; (ii) as antecipações pagas no anocalendário respectivo; e (iii) os valores retidos de CSLL por órgãos públicos. Assim, restou saldo negativo da contribuição social de R$ 1.097.831,16, que foi utilizado na compensação das antecipações apuradas em janeiro de 2000, abril de 2001 e maio de 2001. Não havendo, portanto, que se falar em cobrança de multa isolada. Comprovam essa argumentação o demonstrativo do saldo negativo da CSLL/1999, onde se verifica que, após a compensação de 1/3 (um terço) da COFINS, restou CSLL a pagar (cujo valor foi reduzido pelas exclusões legais, restando saldo negativo compensável); e os demais documentos anexados (doc. 06). 6. Em relação às multas isoladas relativas a 01, 02 e 06/2002, (...) utilizouse do saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/01 para compensálos. Portanto, também com relação aos períodos citados não há débito que possa ser exigido pela fiscalização, conforme se demonstrará. Conforme alegado, por erro do recorrente no preenchimento da DIPJ/01, constou na ficha de ajuste anual (ficha 17) apenas a dedução referente à CSLL retida por órgãos públicos, quando o correto seria ter informado também na linha 38 o valor de R$ 839.129,74, referente à CSLL paga por estimativa no ano calendário de 2000 (documento 10 — anexado á impugnação). Assim, o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2000 foi de R$ 860.368,59, ao invés do declarado pelo recorrente. Vale esclarecer que a antecipação mencionada referese ao mês de janeiro de 2000, já que, no período de fevereiro a dezembro de 2000, conforme DIPJ/01 anexa, apurouse base negativa de CSLL. Portanto, não procede a exigência de multa isolada nem do principal de CSLL no ano de 2002, pois que o saldo negativo apurado em 2000 (conforme demonstrado) foi suficiente para pagar as antecipações e o ajuste da contribuição. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10120.004848/200607 Acórdão n.º 1201001.929 S1C2T1 Fl. 5 4 7. Em 25/06/2008, foi proferido o Acórdão 10809.629, pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA PRAZO DECADENCIAL O prazo para a constituição do crédito tributário, relativo à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais a título de CSLL, é de cinco anos, contado da data da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no parágrafo único do artigo 150 do C'TN. COMPENSAÇÃO DE 1/3 DA COFINS PAGA COM A CSLL DEVIDA POSSIBILIDADE O artigo 8° da Lei n. 9.718, de 1978, na sua redação original, permitia a compensação de 1/3 da Cofins paga com a CSLL devida. Entendese por CSLL devida o valor apurado ao término do período base, antes da dedução das antecipações mensais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO BEG S.A. ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por unanimidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que Passam a integrar o presente julgado. 8. Contra este Acórdão, que deu provimento integral ao recurso voluntário, a Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN interpôs Recurso Especial, págs. 362/370, admitidos parte, no que se refere à decadência das multas reconhecida no Acórdão, pág. 386; a PFN apresentou Agravo, em face da admissão apenas parcial, págs. 389/391, que foram rejeitados no Reexame de Admissibilidade do Recurso Especial, pág. 398. 9. O contribuinte, cientificado em 13/11/2009, apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da PFN, págs. 408/419: 10. Pugna pela decadência, afirmando que o prazo para constituição do crédito relativo à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais a título de CSLL é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, art. 150 e parágrafo único, do CTN, razão porque não pode ser exigida a multa isolada sobre 01/2000, 04 e 05/2001; que a decadência extingue o crédito tributário, art. 156, do CTN, se a notificação do lançamento para a constituição do crédito só ocorreu em 09/08/2006. Requer que seja negado provimento ao recurso especial e mantido o entendimento do Acórdão 10809.629. 11. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF enunciou o Acórdão nº 9101001.867, de 29 de janeiro de 2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA. PRAZO DECADENCIAL. TERMO DE INICIO DE FISCALIZAÇÃO. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10120.004848/200607 Acórdão n.º 1201001.929 S1C2T1 Fl. 6 5 Contase o prazo para a constituição do crédito tributário relativo à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais a título de CSLL na forma do disposto no CTN, art. 173, I, c/c o seu parágrafo único. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, afastando a decadência do período anterior a 2000, com retorno a Câmara a quo para análise do mérito. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Plínio Rodrigues de Lima. Declarouse impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 12. A CSRF manteve o reconhecimento da decadência do lançamento de multa isolada relativa apenas à estimativa de 31/05/1999; e determinou o retorno dos autos à Câmara a quo para análise do mérito. 13. A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu no Acórdão 108 09.629: a. multa isolada 05/1999, deve ser cancelada devido à decadência e ao art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996; b. multa isolada de 01/2000, 04 e 05/2001, não apreciou o mérito, porque reconheceu a decadência, em sede de preliminar; c. multa isolada 01, 02 e 06/2002 e CSLL apuração anual de 2002, reconheceu como válido o saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ de 2001, no valor de R$1.097.831,16, crédito suficiente para compensar as estimativas de 01, 02 e 06/2006 e a CSLL apurada no ano 2002; e concluiu que a exigência fiscal é insubsistente. 14. Do exposto se evidencia que deixaram de ser analisados, no Acórdão 10809.629, os argumentos de mérito relativos a créditos que a recorrente alega terem extinto as estimativas de 01/2000, 04 e 05/2001. 15. Estes argumentos são que utilizou saldo negativo da contribuição social de R$() 1.097.831,16 de 31/12/1999, para compensar estas estimativas, os quais passo a analisar a seguir. 16. Às págs. 228/229, recibo de entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2000/1999, no lucro real anual, retificadora, em 25/04/2003; Ficha 30 Cálculo da CSLL 9também à pág. 147 considerada pela fiscalização, em que Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10120.004848/200607 Acórdão n.º 1201001.929 S1C2T1 Fl. 7 6 demonstra a apuração de R$1.097.831,16 de Saldo Negativo de CSLL anual, porque teria apurado R$()37.726.844,59 de lucro líquido antes da CSLL, que com as Adições e Exclusões, sem que houvesse compensação com BC negativa de períodos anteriores, resultou na Base de Cálculo da CSLL de R$21.947.462,77 e apurou R$2.349.441,65 de CSLL devida; e demonstra que: CSLL devida 2.349.441,65 2.349.441,65 () 1/3 Cofins 2.274.237,97 CSLL ajuste 75.203,68 2.349.441,65 () recuperação de crédito de CSLL (art. 8º da MP 1.991/88) 22.561,10 22.561,10 () CSLL Mensal Paga por Estimativa 1.125.772,98 1.125.772,98 () CSLL retida na Fonte Órgão Público 24.700,76 24.700,76 (=) CSLL a pagar 1.097.831,16 1.176.406,81 17. Na tabela supra, está demonstrado que, se não se considerar a dedução de 1/3 da Cofins, a autuada teria apurado R$1.176.406,81 de CSLL a pagar em 31/12/1999. 18. O Acórdão de 1ª instância, da DRJ/BSA, havia decidido que: 24. Entretanto, a autoridade fiscal verificou que crédito de 1999 foi resultado da dedução, além de outros valores, de 1/3 da Cofms paga. Se não fosse tal valor, haveria saldo a pagar, ao invés de saldo a compensar em períodos futuros. Então, vez que o art. 3o da Lei no. 9.718/98 impede a utilização de saldo de CSLL a compensar em períodos futuros, quando resultante da compensação da CSLL devida com 1/3 da Cofms, a autoridade fiscal considerou inexistente o crédito decorrente de 1999 e, por conseguinte, as compensações efetuadas, resultando em falta de recolhimento das CSLL devidas por estimativa (...) 28. Aplicandose, pois, o disposto no parágrafo 3°, do art. 8°, da Lei no. 9.718/98, não resta qualquer dúvida de que o saldo negativo gerado em 1999 não poderia ter sido utilizado para compensar CSLL devida em anos posteriores. 19. A legislação citada na decisão de piso é transcrita a seguir: Art.8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. (Vide Medida Provisória nº 1.85810, de 1999) . (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §2° A compensação referida no §1°: (Vide Medida Provisória nº 1.85810, de 1999) .(Revogado pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) Isomente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10120.004848/200607 Acórdão n.º 1201001.929 S1C2T1 Fl. 8 7 compensada, limitada ao valor desta; (Vide Medida Provisória nº 1.85810, de 1999) .(Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IIno caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Vide Medida Provisória nº 1.85810, de 1999) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. (Vide Medida Provisória nº 1.85810, de 1999) .(Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §4° A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. (Vide Medida Provisória nº 1.85810, de 1999) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Grifouse.) 20. Do exposto e da tabela, se evidencia estar correta a conclusão de que o valor de R$2.274.237,97 de Cofins deduzido resultou no SN CSLL que a autuada pretendeu utilizar na compensação de débitos de períodos de apuração subsequentes, isto é 01/2000 e 04 e 05/2001, o que é vedado. Conclusão. Voto por NEGAR provimento à parcela em julgamento do RECURSO VOLUNTÁRIO relativo à matéria que havia deixado de ser julgada em função do reconhecimento da decadência dos lançamentos de multas isoladas sobre as estimativas mensais de CSLL de 01/2000, 04 e 05/2001, que restou afastada em Acórdão da CSRF, isto é, voto por considerar procedentes os lançamentos das multas isoladas nos meses 01/2000, 04 e 05/2001. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 482DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720657/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS. FATO GERADOR. IDENTIFICAÇÃO CORRETA.
O reconhecimento pelo contribuinte de que o crédito em conta corrente bancária refere-se a receita de venda, a qual não foi escriturada e para a qual não foi emitida nota fiscal, autoriza considerar que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu na data do depósito e corresponde à receita de venda.
OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA FISCAL NÃO ESCRITURADA E NÃO INCLUÍDA NA DIPJ.
O valor constante de nota fiscal não registrada em contabilidade e não incluída na DIPJ considera-se receita omitida.
DIPJ. DECLARAÇÃO SEM CARÁTER DE CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Devida a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% na hipótese de falta de recolhimento do tributo.
MULTA DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da multa de ofício é o tributo que deixou de ser recolhido. Lançamento com cálculo corretamente efetuado.
GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS CUSTOS.
O contribuinte não logrou comprovar os custos relativos ao título, direito negociado.
LOCAÇÃO DE IMÓVEL. EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO.
Uma vez que um dos objetos da sociedade é a participação, elaboração e/ou execução de empreendimento imobiliário, e já que tal empreendimento consiste, em sentido amplo, a qualquer negociação no ramo imobiliário, há que se considerar que a locação de imóvel faz parte do seu objeto. Para descaracterizar o caráter operacional da receita de locação constante do objeto social seria necessário demonstrar tratar-se de atividade esporádica, sem continuidade, ou indicar que as receitas respectivas fossem pouco representativas relativamente ao montante total auferido, ou que os locatários eram pessoas ligadas à empresa ou seus administradores.
CRÉDITO EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA. PROVA SUFICIENTE DA RECEITA.
O crédito em conta corrente bancária do contribuinte é prova suficiente da receita, ademais quando o próprio contribuinte reconhece que esse se refere a sinal em negociação de venda de bem de sua propriedade e que, embora não concretizada a venda, esse sinal não foi devolvido.
CSLL. PIS. COFINS.
Aplicam-se aos lançamentos de PIS, Cofins e CSLL, no que couber, as razões de decidir relativas ao IRPJ, haja vista decorrerem das infrações que ensejaram o lançamento desse.
Numero da decisão: 1302-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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VENDAS NÃO ESCRITURADAS. Recorrente TERRA MATER PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS. FATO GERADOR. IDENTIFICAÇÃO CORRETA. O reconhecimento pelo contribuinte de que o crédito em conta corrente bancária referese a receita de venda, a qual não foi escriturada e para a qual não foi emitida nota fiscal, autoriza considerar que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu na data do depósito e corresponde à receita de venda. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA FISCAL NÃO ESCRITURADA E NÃO INCLUÍDA NA DIPJ. O valor constante de nota fiscal não registrada em contabilidade e não incluída na DIPJ considerase receita omitida. DIPJ. DECLARAÇÃO SEM CARÁTER DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Devida a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% na hipótese de falta de recolhimento do tributo. MULTA DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa de ofício é o tributo que deixou de ser recolhido. Lançamento com cálculo corretamente efetuado. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS CUSTOS. O contribuinte não logrou comprovar os custos relativos ao título, direito negociado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 06 57 /2 01 4- 15 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 3 2 LOCAÇÃO DE IMÓVEL. EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO. Uma vez que um dos objetos da sociedade é a participação, elaboração e/ou execução de empreendimento imobiliário, e já que tal empreendimento consiste, em sentido amplo, a qualquer negociação no ramo imobiliário, há que se considerar que a locação de imóvel faz parte do seu objeto. Para descaracterizar o caráter operacional da receita de locação constante do objeto social seria necessário demonstrar tratarse de atividade esporádica, sem continuidade, ou indicar que as receitas respectivas fossem pouco representativas relativamente ao montante total auferido, ou que os locatários eram pessoas ligadas à empresa ou seus administradores. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA. PROVA SUFICIENTE DA RECEITA. O crédito em conta corrente bancária do contribuinte é prova suficiente da receita, ademais quando o próprio contribuinte reconhece que esse se refere a sinal em negociação de venda de bem de sua propriedade e que, embora não concretizada a venda, esse sinal não foi devolvido. CSLL. PIS. COFINS. Aplicamse aos lançamentos de PIS, Cofins e CSLL, no que couber, as razões de decidir relativas ao IRPJ, haja vista decorrerem das infrações que ensejaram o lançamento desse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1147.571 de 05 de setembro de 2014 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife (DRJ/REC) que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, registrandose a seguinte ementa: Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010,2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS. FATO GERADOR. IDENTIFICAÇÃO CORRETA. O reconhecimento pelo contribuinte de que o crédito em conta corrente bancária referese a receita de venda, a qual não foi escritura e para a qual não foi emitida nota fiscal, autoriza considerar que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu na data do depósito e corresponde à receita de venda. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA FISCAL NÃO ESCRITURADA E NÃO INCLUÍDA NA DIPJ. O valor constante de nota fiscal não registrada em contabilidade e não incluída na DIPJ considerase receita omitida. DIPJ. DECLARAÇÃO SEM CARÁTER DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Devida a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% na hipótese de falta de recolhimento do tributo. MULTA DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa de ofício é o tributo que deixou de ser recolhido. Lançamento com cálculo corretamente efetuado. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS CUSTOS. O contribuinte não logrou comprovar os custos relativos ao título, direito negociado. LOCAÇÃO DE IMÓVEL. EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO. Uma vez que um dos objetos da sociedade é a participação, elaboração e/ou execução de empreendimento imobiliário, e já que tal empreendimento consiste, em sentido amplo, a qualquer negociação no ramo imobiliário, há que se considerar que a locação de imóvel faz parte do seu objeto. Para descaracterizar o caráter operacional da receita de locação constante do objeto social seria necessário demonstrar tratarse de atividade esporádica, sem continuidade, ou indicar que as receitas respectivas fossem pouco representativas relativamente ao montante total auferido, ou que os locatários eram pessoas ligadas à empresa ou seus administradores. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA. PROVA SUFICIENTE DA RECEITA. O crédito em conta corrente bancária do contribuinte é prova suficiente da receita, ademais quando o próprio contribuinte reconhece que esse se refere a sinal em negociação de venda de bem de sua propriedade e que, embora não concretizada a venda, esse sinal não foi devolvido. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 5 4 CSLL. PIS. COFINS. Aplicamse aos lançamentos de PIS, Cofins e CSLL, no que couber, as razões de decidir relativas ao IRPJ, haja vista decorrerem das infrações que ensejaram o lançamento desse. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autuação, portanto, referese a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, nos anos calendário de 2010 a 2012. Na referida ação fiscal, foram examinadas as compras de fornecedores selecionados e o fluxo regular de caixa, tendo a Autoridade Administrativa entendido pela existência de saldo credor indevido na conta representativa do caixa, repercutindo na tributação do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. A Recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ, em 07/10/2014 (fl. 515). Regularmente representada, interpôs Recurso Voluntário, em 06/11/2014 (fl. 516). Procuração regularmente outorgada e vigente, à fl. 416. Contrato Social à fl. 535. Omissão de Receitas. Vendas de Imóveis e Venda de Areia. Infração "A" e "C" O acórdão recorrido manteve o entendimento da Fiscalização, quanto à conclusão de que não haveria se falar em ausência de demonstração de ocorrência de fato gerador. Pois, o próprio contribuinte teria informado que realizou as operações de venda de areia e de imóveis. No Recurso Voluntário a Recorrente repisa a alegação de que a Fiscalização não demonstrou que teria havido fato gerador de tributo. Alega que seu entendimento estaria embasado nas disposições do art. 114 do CTN, no sentido de que o fato gerador do tributo é a situação definida em lei como necessária e suficiente a sua ocorrência. Alegação de Falta de Intimação A Recorrente alegou que não teria sido intimada para demonstrar todas as receitas consideradas pela Fiscalização como omitidas. Entendeu que a Fiscalização teria infringido o que estabelece o art. 42 do CTN, quanto à regular intimação. Colacionou ementa de acórdão do Carf, a respeito. Requereu declaração de nulidade do procedimento fiscal, no que diz respeito às omissões de receitas. Da Nota Fiscal não Registrada. Infração O Acórdão Recorrido concluiu que a Recorrente não teria realizado a escrituração da nota fiscal de venda n° 051, nos livros fiscais e comerciais, bem como não teria informado o valor na DIPJ, restando caracterizada a omissão de receita. Sobre esse ponto a Recorrente alegou que declarou o valor em DIPJ e que esse ato seria suficiente para constituir os tributos decorrentes da receita. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 6 5 Alegou, ainda que, a confissão da dívida ativa, em DCTF, GFIP, declaração de rendimentos e DIRPJ, são instrumentos hábeis e suficientes a exigência dos créditos tributários neles confessado. Alegou que, tais débitos tributários poderiam ser imediatamente encaminhados pela Receita Federal para inscrição em Divida Ativa e que seria desnecessária a lavratura de auto de infração. Baseouse na Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Desse modo, defendeu que restou afastado o lançamento por ofício, e por consequência, a multa de 75%, prevista no art. 957,1, do RIR 99: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Requereu o provimento do Recurso, para reformar o acórdão recorrido e excluir/anular a cobrança dos tributos incidentes sobre a Nota Fiscal de venda n° 051. Alternativamente, para a hipótese de manutenção da cobrança do débito administrativamente, requereu limitação à multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, no sentido de que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Infração "D" e "E" A Recorrente discordou do Acórdão Recorrido., quanto à incidência da multa de ofício sobre o valor integral exigência fiscal. Concordou com o acórdão, quanto à manutenção do entendimento da Fiscalização relativamente à aplicação do coeficiente de presunção de 32% sobre os valores de vendas de areias. Isso porque tais quantias seriam oriundas da contraprestação pelo arrendamento/cessão de título minério e não operação de venda nos moldes consignados nos documentos fiscais. Como a Recorrente já aplicou 8%, seriam exigíveis o coeficiente de 24%. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 7 6 Para tanto, o auto de infração (fl. 325) trouxe como valor apurado o valor da nota, com a incidência de multa de 75% (setenta e cinco por cento). No entanto, considerou ilegal a exigência da multa de 75% sobre o valor da nota e sustenta que, a multa de 75% só poderia incidir sobre o percentual de 24% e não sobre todo o valor da nota. Diante disso, requereu o provimento do recurso para reformar o acórdão e determinar a redução dos valores exigidos, com a respectiva adequação, observando a presente fundamentação. Ganho de Capital. Cerceamento de Defesa. Infração "F" A Recorrente alega que há a necessidade de se realizar perícia para a verificação dos custos e despesas havidos no período abrangido pela autuação. A Recorrente alega que a perícia se faz necessária para se demonstrar que não seria correto tributar a integralidade dos valores de faturamento com a cessão e transferência dos direitos de lavra. Pois, para a manutenção da licença seriam necessárias despesas perante o DNPM, órgãos ambientais e municípios envolvidos na extração. Sustenta que esses valores devem ser apurados de considerados no cálculo do ganho de capital. Alega que para obtenção do direito de extração mineral, necessitou contratar Engenheiros de Minas e geólogos, teve despesas administrativas, adquiriu peças, requereu e obteve análises químicas, licenciamento ambiental, taxa de emissão de posse etc. Receita de Aluguel de Pastagem. Infração "G" O acórdão recorrido manteve a autuação relativa à locação de pastagem, sob o entendimento de que essa atividade não poderia ser considerada locação de imóvel (prevista no objeto social da recorrente), mas sim, atividade rural. A recorrente sustenta que não constitui atividade rural a locação de imóvel para pastagem de rebanho de terceiro. Argui que a atividade da recorrente não se alteraria pelo fim almejado pelo locatário do imóvel. Colacionou ementas de acórdãos de DRJs, no sentido de que locação de pastagem não se insere entre as atividades classificadas como rurais. Alega que promoveu o correto enquadramento de tais receitas, ao realizar a aplicação do coeficiente de 32%, pois, da mesma forma que a locação de galpão, escritório e propriedade, a receita com aluguel de pastagem está incluída no conceito de empreendimento imobiliário. Assim, nesse ponto, acolho os fatos e os fundamentos apresentados pela Recorrente e voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 8 7 Omissão de receita. Receita de Negociação de Direito sobre Título Minerário. Ausência de Provas. Infração "H" O acórdão recorrido manteve entendimento da Fiscalização de que a Recorrente não teria acrescido à base de cálculo receita auferida em negociação de direito sobre título minerário, na quantia de R$100.000,00. A Recorrente alega que não haveria prova de que teria auferido tal receita. Falta de Pagamento e Declaração em DCTF de IRPJ e CSLL. Informação somente em DIPJ. Infração "I" e "J" Sobre esse ponto, vale transcrever as seguintes razões da Recorrente, sobre os efeitos jurídicos da DIPJ: Aduz o acórdão recorrido, que a Recorrente deixou de recolher ou confessar em DCTF os valores de IRPJ e de CSLL apurados das DIPJs referentes aos anos calendário 2011 e 2012. Consta na decisão, que ao contrário das alegações da Recorrente, apenas a DCTF tem caráter de confissão de dívida no que se refere aos tributos acima mencionados. Assim, restou mantida a incidência de multa de ofício de 75%. Entretanto, não merece prosperar tais alegações. Verificase que os créditos decorrentes da Contribuição Social de Lucro Liquido bem como do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica são sujeitos a lançamento por homologação. Desse modo, ao contrário do entendimento do julgador, a declaração espontânea mediante DIPJ, conforme ocorrido no presente caso, é suficiente para o Fisco considerar constituído definitivamente o crédito tributário, quando da entrega da respectiva declaração, dispensando qualquer providência formal ou material por parte da administração federal. A DIPJ não pode ser considerada como um documento meramente informativo, cabendo somente à DCTF constituir confissão de dívida e apta ao lançamento do crédito. Desse modo, resta afastada a necessidade de realização do lançamento por ofício, e por consequência, a multa de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 957,1, do RIR 99. Por isso, requerse que seja dado provimento ao Recurso, para reformar o acórdão e excluir deste procedimento administrativo todos e quaisquer valores incluídos na DIPJ. Alternativamente, em havendo a manutenção da cobrança do débito administrativamente, deve ser aplicada a multa prevista na Lei 9.430/96 Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 9 8 Pedidos do Recorrente Ao final, o recorrente apresentou os seguintes pedidos: a) seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para ANULAR o acórdão proferido, em razão do cerceamento de defesa, para determinar o retorno do processo à instância de origem, para que seja produzida a prova pericial requerida; b) seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para reformar o acórdão proferido e ANULAR/EXCLUIR os valores exigidos a título de omissão de receita referente às operações de venda de imóveis e areia, visto que não há qualquer comprovação do supostos fatos geradores do tributo e nem da devida intimação da Recorrente para comprovar todas as receitas supostamente omitidas; c) seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para reformar o acórdão proferido e ANULAR/EXCLUIR o lançamento tributário com relação aos valores devidamente declarados em DIPJ; d) alternativamente ao pedido "c", seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para reformar o acórdão proferido e REDUZIR a multa para 20%, ante a constituição do crédito perante a DIPJ; e) seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para reformar o acórdão proferido e DECLARAR nula a cobrança dos valores a título de incidência do imposto de renda sobre a quantia de R$700.000,00, tendo em vista que restou demonstrado que os custos para manutenção da área foram superiores ao montante mencionado; f) seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para reformar o acórdão proferido e DECLARAR nula a cobrança indevida do coeficiente de presunção de 68% sobre as receitas advindas de aluguel de pastagem, visto que tal atividade integra o objeto social da Recorrente; g) seja DADO PROVIMENTO AO RECURSO, para reformar o acórdão proferido e DECLARAR nula a exigência dos tributos incidentes sobre o montante de R$ 100.000,00, tendo em vista que não há qualquer comprovação do supostos fatos geradores do tributo e nem da devida intimação da Recorrente para comprovar a receitas supostamente omitida; É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, o Recurso Voluntário é tempestivo e a Recorrente está regularmente representada. Conheço do recurso. Infrações "A" e "C" Omissão de Receitas. Vendas de Areia e de Imóveis Concluiuse que houve omissão de receitas de vendas de areia e de vendas de imóveis, mediante a constatação de que não emitiramse notas fiscais, bem assim que os respectivos valores não foram submetidaos à tributação Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 10 9 A Recorrente alegou que a Fiscalização não demonstrou os respectivos fatos geradores de tributo. Afirmou que houve infração ao art. 114 do Código Tributário Nacional (CTN). O acórdão recorrido assim fundamentou sua conclusão, a respeito: 12. Conforme consta detalhado no Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte realizou operações de vendas de areia e de imóveis que tiveram como pagamento créditos em suas contas correntes no Bradesco e no Sicoop. Tal fato foi informado pelo próprio contribuinte ao ser intimado a esclarecer a origem dos depósitos mencionados, além do que não é contestado na impugnação. Também não é guerreada a acusação de falta de registro de emissão de notas fiscais na sua escrita fiscal, bem assim a falta de tributação dessas receitas. 13. Ora, se as operações reconhecidamente existiram, se o próprio contribuinte vinculou os depósitos em contas correntes bancárias a tais operações, e já que o contribuinte não comprovou a emissão de notas fiscais respectivas para permitir verificar quando as operações foram realizadas, não resta dúvida de que a autoridade fiscal procedeu de forma acertada ao considerar que os fatos geradores da obrigação tributária são representados pelos depósitos questionados e ocorridos nas datas desses. 14. Como a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL é feita trimestralmente, de forma acertada o agente fiscal alocou cada depósito ao trimestre correspondente. A título de exemplo, vejamos os depósitos nos valores de R$ 19.100,00 e de R$ 7.000,00, efetuados em 12 de abril e em 13 de junho de 2012, respectivamente, os quais foram incluídos na base de cálculo do IRPJ referente ao 2° trimestre de 2012 (total de R$ 26.100,00) consoante o demonstrativo de apuração do IRPJ integrante do auto de infração à fl. 347 (...). 14.1. Em relação à Cofins e ao PIS, como a apuração da base de cálculo de tais tributos é mensal, o agente fiscal alocou os depósitos aos meses respectivos. A título de exemplo, está copiado abaixo o demonstrativo de apuração da Cofins referente ao mês de abril de 2012, com alocação do depósito de R$ 19.100,00 efetuado no dia 12 desse mês: Diante de tais constatações, verifico que não há como acolher as alegações da Recorrente. Pois, estão demonstrados os fatos geradores. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em relação aos itens "A" e "C" do Auto de Infração. Infração "B". Omissão de Receita. Nota Fiscal nº 051, 04/12/2012, R$10.200,00 A Fiscalização constatou que a nota fiscal de venda n° 051, de 04 de dezembro de 2012, no valor de R$ 10.200,00, não foi registrada no Livro Registro de Saídas (fls. 153 a 196) e na escrita comercial (fls. 197 a 224). Assim, concluiuse que a receita correspondente foi omitida pela Recorrente, submetendoa às apurações de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS. A Recorrente alegou que a receita decorrente da nota fiscal nº 051 foi submetida à tributação na DIPJ. Entendeu que, o registro em DIPJ representa confissão de dívida passível de cobrança imediata, sendo indevido o lançamento de ofício nesta parte. O Acórdão recorrido registrou os seguintes fatos e fundamentos: Fl. 555DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 11 10 18. Percebese que o contribuinte não contesta o fato de que a nota fiscal referida não foi escriturada nos livros fiscais e comerciais, limitandose a dizer que, embora não escriturada (fato inconteste), a receita decorrente a nota fiscal foi submetida à tributação na DIPJ. 19. Tal alegação cai por terra com uma simples verificação: como a nota fiscal 051 não está escriturada no Razão, se o contribuinte a tivesse efetivamente incluído na DIPJ/2013 (AC 2012), o valor da receita de venda de mercadorias declarada no 4° trimestre de 2012 (Ficha 14 A, Linha 03) teria que ser igual ao valor total escriturado no Razão (R$121.633,13 conta 31101001 "Venda de Mercadorias") mais R$ 10.200,00 referente à nota aqui tratada, ou seja, o valor declarado deveria ser de R$ 131.833,13. Acontece que o valor informado na DIPJ foi de R$ 121.633,13, exatamente o montante escriturado sem a nota fiscal 051. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o IRPJ a pagar escriturado no Razão (conta 21402001) deveria ser inferior ao apurado no 4° trimestre de 2012 na DIPJ, caso o contribuinte tivesse realmente tributado nessa declaração a receita decorrente da nota aqui tratado. Tal fato não acontece, pois o valor apurado na DIPJ é exatamente o mesmo apurado na escrituração: R$ 1.459,60 (transcreveuse as contas do Razão e a ficha da DIPJ). 20. Devido, pois, manter os lançamentos de IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins nesta parte, haja vista restar devidamente comprovada pela autoridade fiscal a ocorrência de omissão de receita. 21. Ainda em relação a esta infração, em caso de sua manutenção pelo colegiado, o sujeito passivo requer a redução da multa de ofício de 75% para 20%, pois entende que os valores apurados na DIPJ representam confissão de dívida e, por conseguinte podem ser cobrados de imediato ensejando a aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996. Na forma constatada, a referida receita não foi escriturada e não foi incluída na DIPJ. Sendo assim, não é necessário fundamentar que o registro em DIPJ não constitui confissão de dívida. Por conseguinte, não há confissão de dívida, nem mesmo fundamento para a redução da multa para 20%, aplicável em situação de espontaneidade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter o item "B" do Auto de Infração. Infração "D" e "E". Lucro Presumido. Alíquota A Fiscalização constatou erro na aplicação do coeficiente do lucro presumido: o contribuinte aplicou 8% (12% para a base de cálculo CSLL) quando o correto seria 32%. Baseouse no fato de que os valores registrados nas notas fiscais às fls. 145/150 não representam operações de venda de mercadorias, sujeitas ao coeficiente de 8% (12%), mas sim contraprestação pelo arrendamento/cessão de título minerário, sujeita ao coeficiente de 32%. Assim, foi tributada a diferença de lucro presumido de 24% (para o IRPJ e 20% para a CSLL) sobre o valor de cada nota fiscal (apresentou quadro analítico demonstrativo). A Recorrente não se opôs ao reenquadramento realizado pela Fiscalização das operações realizadas para o coeficiente de 32%, restringindo sua defesa a argumentar ser Fl. 556DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 12 11 ilegal a exigência da multa de 75% sobre o valor da nota, a qual deveria ser aplicada sobre o resultado percentual (24% para IRPJ e 20% para CSLL). O acórdão recorrido apresentou os seguintes fatos e fundamentos, a respeito: 25. Para demonstrar que a autoridade fiscal aplicou a multa de 75% apenas sobre o valor resultante da aplicação da diferença de coeficiente 24% (IRPJ) ao valor da nota fiscal, pego, exemplificativamente, o montante da receita referente ao 4° trimestre de 2012: R$ 61.875,00 (R$ 19.800,00 + R$ 42.075,00). 25.1 Conforme pode ser visto no demonstrativo de apuração do IRPJ relativo ao 4° trimestre de 2012 e no demonstrativo de apuração de multa e juros de mora (fls. 351 a 353) Na forma demonstrada, portanto, a multa de ofício foi aplicada sobre o montante do tributo apurado, com base no valor resultante da aplicação da diferença de coeficiente sobre o valor da nota fiscal, e não diretamente sobre o valor dessa. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento nessa parte. Infração "F". Ganho de Capital. Venda de Título de Minerário Na forma constatada, a operação referese à cessão e transferência parcial de direitos de concessão de lavra no âmbito do processo DNPM n° 814.120/1976, firmada em 01 de setembro de 2009 no valor de R$ 700.000,00. No Termo de Verificação Fiscal foi destacado o fato de que os custos relativos ao título/direito negociado também não estavam registrados na contabilidade. As razões de recurso não insurgiram em relação à ocorrência da operação e à falta de escrituração. Registrou, porém, que não houve ganho de capital, pois os custos incorridos na manutenção das atividades na área, objeto do contrato durante cerca de quarenta anos (R$ 860.298,54) superaram a receita. Como prova dos gastos que teriam sido efetuados com engenheiros de minas e trabalhos voltados a geologia, juntou tabela de preços e honorários com estimativa dos valores cobrados (fls. 442 a 451). Requereu a realização de perícia nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Ressaltou que devido ao grande período transcorrido desde o início do processo do DNPM encontrou dificuldades para encontrar os valores gastos, razão pela qual requereu que fosse feita estimativa do montante gasto em cada situação. Em relação, o acórdão recorrido registrou os seguintes fatos e fundamentos: 29. Conforme mencionado, o contribuinte carreou aos autos alguns documentos no sentido de comprovar os custos incorridos, os quais merecem uma abordagem individual: 29.1. fls. 452 a 453 consta uma tabela onde estão detalhados gastos relativos ao processo DNPM n° 814.120/1976. Tratase de tabela elaborada pelo próprio contribuinte, que, por si só, não serve como prova dos gastos nela indicados. Seria necessária a juntada dos comprovantes das despesas efetuadas e de documentos que comprovassem a relação dessas despesas com o direito cedido/transferido e a necessidade de tais despesas para a consecução da operação. Não bastasse a ausência Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 13 12 de prova documental das operações mencionadas na tabela, a mesma é incompreensível; senão vejamos, por exemplo: há uma atividade relativa a "publicações jornais" cujo custo de R$ 1.260,00 está registrado em coluna referente a "Argila". Qual a relação entre a coluna e a linha da tabela? Não é possível aferir. Todas as atividades, nas mais diversas titulações despesas administrativas, peças, análises químicas, licenciamento ambiental, taxa de emissão de posse, etc. têm seu custo indicado em coluna referente a argila ou coluna referente a aditamento de areia. Em nenhum caso é possível identificar a relação; 29.2. fl. 454 consta tabela de honorários mínimos com anotação a caneta fazendo referência à profissão de engenheiro de minas. Tal tabela não tem qualquer valor probatório, pois além de ser de lavra própria, tratase supostamente de fixação de honorários mínimos a serem pagos por serviços de engenheiro de minas. Os serviços foram efetuados? Os valores foram pagos? Qual a finalidade dos serviços e sua relação com o processo antes referido? Os gastos efetuados tiveram relação com engenheiro de minas? Tais perguntas, essenciais à verificação do custo, não podem ser respondidas por esta simples tabela referência de honorários; 29.3. fls. 456 a 472 consta tabela de honorários mínimos para trabalhos de geologia fornecido pela Associação Profissional dos Geólogos de Santa Catarina (AGESC). Pelas mesmas razões já expostas, tal documento serve apenas como um referencial de honorários a serem pagos aos geólogos por serviços que venham a ser prestados por eles. Não prova a prestação de serviço, a efetividade do pagamento, a necessidade do serviço porventura efetuado para o processo mencionado e se os serviços foram efetuados por geólogos e se são aqueles constantes da planilha elaborada pelo contribuinte. Nesse contexto, não há como acolher as razões da Recorrente, pois não há demonstração dos mencionados custos. Os dados apresentados não são hábeis e idôneos para comprovar valor líquido e certo de custos. Não há registro contábil de relativo custo, fato não contraposto pela Recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para considerar a receita decorrente da cessão, como ganho de capital. Em relação ao pedido de perícia, o Acórdão recorrido assim registrou: A perícia pleiteada pelo contribuinte não se justifica no presente caso, vez que para sua realização seria necessário o convencimento deste julgador quanto à possibilidade de existência de documentos comprobatórios dos custos, o que não ocorreu no presente caso. O sujeito passivo não trouxe qualquer documento, ainda que por amostragem, que servisse como indício da existência de custos, muito pelo contrário, pois, ao fim, reforça a conclusão pela inexistência dos mesmos ao antecipar a possibilidade de haver dificuldades para encontrar os comprovantes devido ao grande período de tempo desde o início do processo no DNPM. Assim, indefiro o pleito de perícia nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação da Lei n° 8.748, de 1993. Verificase que, a questão não está no direito de realizar perícia para a demonstração de despesas e custos incorridos para a manutenção da licença para a extração mineral, mas sim, no fato de que o Recorrente estava legalmente obrigada a manter os registros escriturais e os respectivos documentos hábeis e legítimos para a comprovação de suas despesas e custos. Há previsão legal expressa determinando como a empresa contribuinte deve contabilizar e comprovar tais valores. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 14 13 Assim, não caberia à Recorrente, no transcurso do processo administrativo, a demonstração de tais valores. Pois, esses já deveriam estar devidamente escriturados e declarados ao Fisco. Não vejo, nesse caso, cerceamento de defesa. Por esses fundamentos, mantenho o indeferimento do pedido de perícia. Infração "G". Submissão de Receitas de Aluguel ao Coeficiente de Presunção A autuação relativa ao IRPJ e CSLL também incluiu a submissão de receitas de aluguel ao coeficiente de presunção. A Fiscalização entendeu que as operações de locação de imóveis registrados na contabilidade não fazem parte do objeto social da empresa, fazendo com que as receitas respectivas não representassem receita operacional (receita bruta) e, portanto, não seriam passíveis de aplicação do coeficiente de presunção. Como o contribuinte submeteu tais receitas ao coeficiente de 32%, a autoridade fiscal lançou os tributos relativos à diferença de 68% que deixou de compor a base de cálculo. A Recorrente contrapôsse sob a alegação de que, seu contrato social denota que possui como objeto social, dentre outros, a participação, a elaboração e/ou a execução de empreendimentos imobiliários, o que, no seu entender, abrange locação de imóveis. Desenvolveu seu raciocínio por intermédio de algumas considerações: a) como empreendimento imobiliário entendese todos os direitos reais dispostos no art. 1.225 do Código Civil; b) tanto é assim que a venda de imóveis foi considerada no item 2.1.7 do Termo de Verificação Fiscal como objeto social da empresa; c) segundo o Dicionário Houaiss empreendimento é uma organização formada para explorar um negócio; d) ou seja, o empreendimento imobiliário abarca a exploração de negócios imobiliários, podendo ser incluído, entre outros, os direitos de locação. Sobre esse entendimento, o Acórdão recorrido assim registrou: 34. Não se discute o fato de que, dentre os objetos sociais do sujeito passivo, está a participação, a elaboração e/ou a execução de empreendimentos imobiliários, conforme consta da cláusula terceira de seu contrato social à fl. 56. 35. Não tenho dúvidas quanto ao conceito de empreendimento imobiliário, que pode ser entendido como um negócio ligado ao ramo imobiliário. Assim, não há que discutir que a locação de imóvel, que consiste em um negócio jurídico por intermédio do qual uma das partes se obriga, mediante contraprestação em dinheiro, a concede à outra, temporariamente, o uso e gozo de coisa não fungível, deve ser considerado como negócio ligado ao ramo imobiliário. 36. Como consta do contrato social que um dos objetos do sujeito passivo é a participação, elaboração e/execução de negócio do ramo imobiliário, a consecução de um contrato de locação de imóvel se enquadra, conceitualmente, neste objeto. Assim, a locação de galpão, de escritório e de propriedade localizada em Tijucas do Sul (252,9 hectares na área de Campo Alto, Várzea e Campo Comprido) se enquadra no conceito de empreendimento imobiliário, sendo devida a submissão da receita daí decorrente ao coeficiente de presunção. 37. Frisese que, caso as locações realizadas pelo contribuinte fossem esporádicas, sem continuidade, ou se as receitas daí provenientes fossem pouco representativas relativamente ao montante total auferido, consideradas todas as atividades desenvolvidas, ou até se os locatários fossem pessoas ligadas à empresa ou seus administradores, poderseia considerar que tais características demonstrariam que Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 15 14 tais operações não representariam atividades objetos da empresa e, por conseguinte, as receitas respectivas não poderiam ser inseridas no conceito de receita bruta, ainda que a locação de imóveis estivesse estabelecida entre os objetivos da empresa no contrato social. 38. Acontece que a autoridade fiscal limitouse a afirmar que a locação de imóveis não está entre os objetos da empresa, sem aprofundar a investigação de sentido de apurar as características mencionadas no parágrafo anterior. Então, a simples afirmação constante do Termo de Verificação Fiscal demonstrase insuficiente para não considerar as receitas de aluguel como receita bruta e, por conseguinte, não sujeitas ao coeficiente de presunção. Em razão disso, devida a exclusão desta infração dos lançamentos de IRPJ e de CSLL. 39. Ademais, consoante contratos firmados com a empresa Paraná Mineração às fls. 61 a 71, todos no mesmo dia (três contratos), verificase que a locação dos imóveis faz parte de uma operação maior, qual seja, a de arrendamento de direitos de extração na localidade de Tijucas do Sul (mesma do imóvel locado) e de fornecimento de serviço técnico em mineração pelo contribuinte, todos relacionados à sua atividade principal. 40. Há que se destacar, todavia, que a mesma sorte da locação dos imóveis antes mencionados não merece o rendimento decorrente da locação de pastagem, que, a meu ver, não tem qualquer relação com os objetos da empresa descritos no contrato social. A locação de pastagem para rebanho alheio, salvo melhor juízo, integra o conceito mais amplo de atividade agrícola, que, por sua vez, não se subsume ao conceito de empreendimento imobiliário. Como não há no contrato social menção a atividade agrícola, há que se considerar, por conseguinte, que a locação de pastagem não se conforma entre os objetos do contribuinte. Não há nos autos qualquer documento que infirme tal entendimento, vez que não foi anexado contrato que demonstre não se tratar de utilização de pastagem por rebanho alheio, mas tão somente uma planilha onde há informação genérica de receita auferida por locação de pastagem (fl. 93). A Recorrente ainda colacionou ementas de acórdãos em que concluise que a locação de pastagem não se enquadraria no conceito de atividade rural. Não obstante, nesse contexto, verificase que o ponto considerado no acórdão recorrido, diz respeito, em realidade, ao fato de que a locação de pastagem não se insere no objeto social da Recorrente. Daí a decisão por manter o lançamento relativo à receita de aluguel de pastagem. Com esse entendimento, a DRJ ratificou apenas em parte o entendimento da Fiscalização e demonstrou que houve a exclusão da parcela relativa à locação de imóveis; e houve a manutenção da parcela relativa à locação da pastagem. Dessa forma, não há como acolher as razões da Recorrente. Pois, as receitas de locação de pastagem devem ser mantidas, como considerado pela Fiscalização. Pelo exposto, também nesse ponto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em questão. Infração “H”. Omissão de Receita. Negociação de Direito sobre Título Minerário Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 16 15 A Fiscalização constatou que a Recorrente não acresceu à base de cálculo, receita auferida em negociação de direito sobre título minerário. Tal verificação teve início em intimações à Recorrente para esclarecer a origem de crédito de R$ 100.000,00, recebido em sua conta corrente no Bradesco, em 14 de agosto de 2012. A Recorrente informou que tal montante decorreu de sinal referente à negociação de venda de requerimento da Fazenda Vitória, a qual não se concretizou. Informou ainda que o valor dado como sinal não foi devolvido conforme acordado na negociação. Em suas razões de recurso, a Recorrente alegou que não há prova do efetivo recebimento da receita considerada não tributada. O Acórdão recorrido concluiu a respeito nos seguintes termos: 43. Esse argumento é completamente sem fundamento, pois o crédito em conta corrente bancária do contribuinte é prova suficiente da receita. Destaquese foi ele que afirmou durante a fiscalização que o crédito referiase a sinal em negociação de venda de bem de sua propriedade e que, embora não concretizada a venda, esse sinal não fora devolvido. Devido, pois, manter os lançamentos de IRPJ e de CSLL nesta parte. Analisandose as respostas da Recorrente às intimações para prestar esclarecimentos sobre esse crédito específico de R$100.000,00, em conta bancária de sua titularidade no Banco Bradesco, verificase que, na primeira resposta, a Recorrente afirmou tratarse de parte da transação relativa a direito sobre título minerário. Após a requisição de informações adicionais, a Recorrente informou que o crédito em conta referiase a sinal relativo a compra e venda de imóvel que não se concretizou. Afirmou que o pré contrato previa a não devolução do valor, em caso de não concretização do negócio. Sendo assim, não há razão para a Recorrente afirmar que a Fiscalização não comprovou o recebimento de tal receita, eis que, a própria Recorrente informou o recebimento. Pelo exposto, da mesma forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, nessa parte. Infrações “I” e “J”. Falta de Recolhimento ou Confissão em DCTF registrados em DIPJ. 2011 e 2012 O acórdão recorrido manteve a conclusão da Fiscalização, quanto à falta de recolhimento ou confissão em DCTF dos valores de IRPJ e de CSLL apurados nas DIPJs referentes aos anoscalendário 2011 e 2012, consoante demonstrativos do TVF. A Recorrente alegou que a declaração espontânea em DIPJ, conforme ocorrido no presente caso, seria suficiente para o Fisco considerar constituído definitivamente o crédito tributário, conforme entendimento jurisprudencial do TRF da 4a Região; que os débitos constituídos via DIPJ podem ser imediatamente encaminhados pela Receita Federal para a inscrição em Dívida Ativa, consoante Súmula 436 do STJ; que afastada a infração, deve também ser afastada a multa de ofício de 75%. Alternativamente, a Recorrente requereu que, caso não fosse esse o entendimento, isto é, havendo manutenção da cobrança do crédito administrativamente, deveria Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 17 16 ser aplicada a multa de 20% prevista no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, haja vista a confissão em DIPJ; O Acórdão recorrido apresentou os seguintes fundamentos: 46. É devido esclarecer que, diferentemente da antiga declaração de rendimentos da pessoa jurídica (DIRPJ), cujos saldos a pagar dos tributos apurados representavam confissão de dívida nos termos do art. 1° da IN SRF n° 77, de 1998, a declaração que a substituiu, DIPJ (à época), possui apenas valor informativo, haja vista nova redação dada pela IN SRF n° 14, de 2000. Instrução Normativa SRF n° 077, de 24 de julho de 1998 "Art. 1° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Instrução Normativa SRFn° 014, de 2000 "Art. 1º. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF n° 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º . Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.' (g.n.) 47. Nesse sentido a Súmula n° 92 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. 48. Assim, apenas a DCTF tem caráter de confissão de dívida no que se refere aos tributos em questão, não possuindo a DIPJ força de constituição do crédito tributário. Verificase, portanto, que os registros em DIPJ, não constituem confissão. Além da falta de DCTF, constatouse, ainda, a falta dos respectivos recolhimentos. Dessa forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter os lançamentos de ofício, quanto às diferenças não recolhidas/confessadas. Mantida, também, a aplicação da multa de ofício de 75% pela falta de recolhimento do tributo devido, em conformidade com as disposições do art. 44, I da Lei n ° 9.430, de 1996, com redação da Lei n° 11.488, de 2007. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11516.720657/201415 Acórdão n.º 1302002.369 S1C3T2 Fl. 18 17 Fl. 563DF CARF MF
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